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Numero do processo: 19515.722289/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006,2007
PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
O restabelecimento de prejuízo de período anterior, em razão de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa, permite a compensação e o aproveitamento do montante pelo contribuinte do IRPJ.
BASES NEGATIVAS DE CSLL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se às bases negativas de CSLL, decorrente de tributação reflexa, a possibilidade de compensação na hipótese de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1201-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Roberto Carrapoz de Almeida
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006,2007 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. O restabelecimento de prejuízo de período anterior, em razão de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa, permite a compensação e o aproveitamento do montante pelo contribuinte do IRPJ. BASES NEGATIVAS DE CSLL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às bases negativas de CSLL, decorrente de tributação reflexa, a possibilidade de compensação na hipótese de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa.
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Numero do processo: 10530.901531/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO.
Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
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DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinandose à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 15 31 /2 00 9- 23 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 364 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 365 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 306/314 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 296/301) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 09/11/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 18544.37259.091105.1. 3.040971 (fls.36/39), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA outubro/2005, data de vencimento 30/11/2005, assim especificado: principal: R$ 663,00; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 663,00. b) crédito utilizado: aproveitamento de direito creditório de R$ 656,17 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 31/12/2004, DARF valor de R$ 26.126,33 (valor original), data do recolhimento 31/01/2005. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 11), consta, quanto ao PA 31/12/2004, débito informado do IRPJ estimativa mensal o valor de R$ 26.126,33, com base na receita bruta e acréscimos (efl. 187). Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado do IRPJ = R$ 26.126,33 (efl. 71). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (efl. 34), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 656,17. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados Fl. 365DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 366 4 para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 30/04/2009 (efl. 288), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de efls. 04/19 em 13/05/2009, conforme protocolo (efls. 268/270) e despacho de efl. 289. Em suas razões, a Contribuinte, em síntese, frisou: que apurou prejuízo fiscal no anocalendário 2004 (Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL); da “impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de criar tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda e o lucro”; insurgese, por conseguinte, contra a trava de 30% (Lei nº 8.981/95, arts. 42 e 58; e Lei 9.065/96, art. 15); Obs: aqui, convém esclarecer, que a Contribuinte, data venia, fez confusão entre compensação de prejuízos e compensação de débitos com créditos; Em anexo à Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte juntou: I cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 (efls. 179/251), onde consta informado que: a) apurou prejuízo contábil no anocalendário 2004 (R$ 675.524,73) – Ficha Ficha 6A – Demonstração do Resultado (efls. 183/184); b) apurou Lucro Real negativo ( R$ 675.524,73) – Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (efl. 184) e Base de Cálculo Negativa da CSLL (R$ 675.524,73) – Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (efl. 194); c) apurou IRPJ e CSLL, estimativas mensais, com base na receita bruta e acréscimos, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (efls. 185/188) e Ficha Ficha 16 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (efls. 190/193); d) preencheu parcialmente a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – efl. 189 (informou apenas Lucro Real negativo) e a Ficha 17 – Cálculo da CSLL – efl. 194 (informou base de cálculo negativa da CSLL). Ou seja, deixou de apurar, informar eventual saldo negativo dessas exações fiscais; II juntou comprovante de pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA 31/12/2004, no valor de R$ 26.126,33 – cópia do DARF de 31/01/2005, valor R$ 26.126,33; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 367 5 III – juntou cópia de Balanço Patrimonial dos anoscalendário 2004 e 2005; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos anoscalendário 2004 e 2005 (efls. 252/269). Posteriormente, por meio do requerimento (efl. 276) datado de 14/07/2009 e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte fez a juntada das DCTF retificadoras relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, retirando, "zerando" todos os débitos informados, confessados nas DCTF primitivas, quanto às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL desse anocalendário (efls. 277/286). Por sua vez, a DRJ/Salvador, apreciando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (efls. 296/301), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Nesse sentido, consta da fundamentação do voto condutor do citado acórdão (efls. 300/301): (...) Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n2 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, à luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório n° de rastreamento 824957946, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, que não reconheceu o direito creditório, no valor original de R$656,17 (seiscentos e Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 368 6 cinqüenta e seis reais e dezessete centavos), referente a irecolhimento de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração de dezembro/2004, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP de n° 18544.37259.091105.1.3.04 0971 (fls. 34 a 37). (...) Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 (efls. 309/317) , conforme Despacho de Encaminhamento (efl. 324). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...) O credito foi originário do DARF 5993 IRPJ de dezembo de 2004 para pagamento de debito (IRPJ e CSLL) referente a MAIO de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 09A Demonstração do Lucro Real da DIPJ/2005 (fl.186), vêse que a pessoa jurídica apurou prejuízo fiscal, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha 12 A Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa de IRPJ, relativa ao mês de dezembro de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa de IRPJ do mês de de dezembro 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 369 7 Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da D1PJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. (...),tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA 12 A e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A. Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675.524,73. (...) Por fim, Recorrente pediu provimento ao recurso, para reconhecimento do crédito pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação. Em face das alegações da Recorrente e tendo em vista o entendimento da Súmula CARF nº 84, na Sessão de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802000.230 (efls. 326/333), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 331/333): (...) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 370 8 Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado ano calendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual contribuição já superada pelos recolhimentos efetuados ou apuração de prejuízo, esse fato não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário ou apuração de CSLL cujas estimativas pagas já superaram a exação fiscal apurada no ajuste anual, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), já no próprio ano calendário, sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 371 9 1) Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA dezembro/2004: a) embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004(Ficha 09) e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil se o IRPJ estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 12A, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípío da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou se simplesmente os recolhimentos antecipados foram maiores do que o imposto apurado no ajuste anual; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 372 10 Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (...) Realizada a instrução complementar do processo, conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 357/359), retornaram os autos para julgamento da lide. Antes disso, foi dada ciência do resultado da diligência à Recorrente para se manisfetar, em querendo, porém deixou transcorrer o lapso temporal in albis. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 373 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, para reconhecimento do direito creditório pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito. A Recorrente demanda o reconhecimento do crédito de R$ 656,17 (valor original), referente pagamento do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 31/12/2004, valor de R$ 26.126,33 (valor original), data do recolhimento 31/01/2005, sob alegação de que: a) esse pagamento fora efetuado a maior ou indevidamente, pois no ano calendário 2004 apurou prejuízo contábil, inclusive Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL; b) que cometeu errou ou equívoco formal ao deixar de preencher parte da Ficha 12 – Cálculo do Imposto (na 1ª parte, apurou Lucro Real negativo de R$ 675.524,73, porém deixou de preencher a 2ª parte, ou seja, os campos atinentes à apuração do imposto, pagamento antecipado de estimativa, e saldo a pagar ou a restituir= saldo negativo); c) que o crédito existe e esse erro ou equívoco não pode, por si só, impedir a restituição do valor pleiteado. O despacho decisório, como já narrado no relatório, negou o direito creditório pleiteado, pois o valor recolhido fora totalmente alocado, consumido, pelo débito estimativa mensal do IRPJ do referido PA confessado na DCTF. Por sua vez, a decisão recorrida, ao denegar o crédito, acrescentou mais um fundamento, conforme voto condutor do acórdão (efls. 300/301): (...) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 374 12 Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n2 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, à luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório n° de rastreamento 824957946, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, que não reconheceu o direito creditório, no valor original de R$656,17 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e dezessete centavos), referente a irecolhimento de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração de dezembro/2004, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP de n° 18544.37259.091105.1.3.04 0971 (fls. 34 a 37) (...) Como visto, a lide envolve matéria de fato. Para resolução da contenda, tornase necessário verificar nos autos se há elementos de convicção, ou seja: a) se há provas da existência do prejuízo fiscal, Lucro Real negativo do ano calendário 2004 à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte, que possam justificar o crédito pleiteado e relevar o citado erro formal de preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) se há elementos de provas de que houve pagamento indevido de estimativa mensal do IRPJ (pagamento totalmente desvinculado da receita bruta mensal e acréscimos) ou se trata de mero recolhimento estimativa mensal do IRPJ nos termos da legislação de regência, mas que deve ser restituído como saldo negativo, em face da apuração de prejuízo fiscal, ou Lucro Real negativo, no encerramento do anocalendário; O fato da Recorrente ter deixado de preencher os campos da Ficha 12A atinentes à apuração do saldo negativo, por si só, não configura óbice à resitituição do crédito, conforme Súmula CARF 84. Nesse contexto, na sessão de julgamento de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802 000.230 (efls. 326/333), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 331/333), já transcrita no relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 375 13 Realizada a instrução complementar do processo pela fiscalização da RFB (DRFFeira de Santana), conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 357/359), temse que a irresignação da Recorrente merece prosperar, pois restou comprovado o prejuízo fiscal e Lucro Real negativo, anocalendário 2004, e que o crédito pleiteado deve ser restituído como saldo negativo, pois o recolhimento da estimativa deuse com base na receita bruta e acréscimos, nos termos da legislação de regência. A propósito, transcrevo os fundamentos e a conclusão do Relatório de Diligência (efls. 357/359), in verbis: (...) 01.A presente diligência foi motivada com o objetivo de prestar esclarecimentos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de dar seguimento à apreciação de Recurso Voluntário contra decisão da 2a Turma da DRJ/Salvador que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls.. 296/301). 02.Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 alegando impossibilidade de se evitar a compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ 2005) e, também, da DCTF, acrescentando que tal fato não seria razoável e, além disso, desproporcional. Tal erro se deu devido ao fato de estar zerada na DÍPJ 2005 a Ficha 12A e a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ 2005, a fim de se proceder ao cálculo do Saldo Negativo de CSLL na própria Ficha 12A. 03.Contudo, tal retificação não poderia ser feita naquele momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto à apresentação e, diante disto, não poderia ser prejudicada pelo mero erro formal apontado. Alegou, ainda, que o crédito existe e que tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial, o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675,524,73. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. 04.Conforme Voto do nobre relator, Conselheiro Nelso Kichel, há falhas na instrução do processo. Embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004 e que a Ficha 12A da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou seja, de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação nesse anocalendárío e sem apuração do saldo negativo, não consta nos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil e se o IRPJ estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência. Do mesmo modo, não há cópia da escrituração contábil (Livros Razão, Diário e Lalur) para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados corretamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 376 14 05.Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à DRF Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento que extrapolou, ou seja, sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido feito exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou a CSLL apurada foi superada pelos recolhimentos por antecipação; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarazões. 06. Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência soliciitada, o interessado foi intimado, mediante Intimação DRF/FSA/SEORT n° 617/2013, à fl. 335, da qual tomou ciência em 22/11/2013, conforme Aviso de Recebimento AR, à fl. 336, a apresentar os Livros Razão e Diário do AnoCalendário 2004, mais o Livro Lalur. 7. Dentro do prazo concedido, o interessado apresentou os documentos solicitados. 8. Iniciouse a análise da documentação solicitada buscandose confirmar as informações contidas na DIPJ 2005 (ano calendário 2004) e DCTF. 9. Observandose a conta "IRPJ a Recuperar" (conta 12.6916), verificouse que o lançamento relativo ao mês de dezembro/2004 (31/12), no valor de R$ 26.126,33, vide fl. 337, corresponde ao valor declarado na DIPJ 2005, na Ficha 11, vide fl. 349, e, também, na DCTF Original vide fl.. 351. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 377 15 10. Em seguida, observouse outra conta, "'IRPJ Recolher"' (conta 23.1012), e nessa conta também foi escriturado o mesmo valor, RS 26.126,33, relativo ao mês de dezembro/2004, pago em 31/01/2005, vide fl. 338. 11Analisandose a Receita Bruta da Empresa (Base de Cálculo do IRPJ), vendas à vista + vendas a prazo, observouse que o lotal da Receita Bruta correspondeu a R$ 1.322.067,05, R$ 748.455,49 {vendas à vista) + R$ 573.611,56 (vendas a prazo), vide fls. 352 a 355. Aplicandose o percentual de 8,0 % sobre a receita bruta da empresa chegase à base de cálculo do IRPJ, R$ 105.765,36, e, finalmente, aplicandose o percentual de 15,0 % sobre a base de cálculo do IRPJ, mais o adicionnal de 10,0% sobre a parcela da base de cálculo que exceder o limite mensal de R$ 20.000,00, encontrase o valor devido para o IRPJ, RS 24.441,34. 12. Observouse uma pequena divergência (menor que 10 %) em relação ao valor declarado em DIPJ e DCTF pelo interessado, porém, resta demonstrado, a partir das verificações realizadas, bem como da documentação juntada aos autos, qual seja, páginas do Livro Razão, DIPJ 2005 e DCTF, que, no mês de dezembro de 2004, o IRPJ devido foi calculado nos termos da Legislação de Regência, ou seja, com base na Receita Bruta e Acréscimos. A diferença declarada a maior (R$ 1.684,99) em DIPJ, vide fl. 349, e DCTF, vide fl. 351, referese, muito provavelmente, aos acréscimos à receita bruta (rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas; ganhos auferidos na alienação de participações societárias; ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge); receita de locação de imóvel: variações monetárias ativas; ganhe» de capital; dentre outros). Confirmouse no sistema interno da Receita Federal do Brasil, Sinal 05, o pagamento de IRPJ (código: 5993), no valor de R$ 26.126,33, realizado em 31/01/2005, vide fl. 356. 14.Verificouse, por meio ela Ficha 06A, Demonstração do Resultado, vide fls. 339 e 340,que o interessado apurou Lucro Líquido Negativo no anocalendário 2004, R$ 675.524,73, c, conseqüentemente, apurou Lucro Real Negativo (Prejuízo), no valor de R$ 675.524,73, vide fl. 342. 15.No presente caso, a apuração do lucro líquido foi demonstrada pelo contribuinte naFicha 06A, vide fls. 339 e 340, da DIPJ 2005. Conferimos as Fichas 04A e 05A e confrontamos os valores de custo dos produtos de fabricação própria vendidos bem como o custo das mercadorias revendidas e despesas operacionais ali apurados com os valores lançados na Demonstração do Resultado. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 378 16 16.Ao preencher a Ficha 12A da DIPJ 2005, vide fl. 350, o interessado deveria ter lançado na linha 17 a totalidade do IRPJ Mensal Pago por Estimativa, ao longo de todo o anocalendário 2004, e que está discriminado, mensalmente, na Ficha 11, vide fls. 343 a 349. Somandose todo o IRPJ efetivamente pago, de janeiro a dezembro, chegase ao valor de RS 262.295,28, conforme tabela abaixo: Mês Valor Pago Mês Valor Pago Mês Valor Pago Janeiro R$ li.405,66 Março R$ 23.478,88 Maio RS 26.483,23 Fevereiro R$ 15.272,70 Abril RS 18.585,75 Junho RS 31.322,78 Julho R$ 20.592,38 Setembro RS 20.732,08 Novembro R$ 24.363,07 Agosto R$ 23.701,60 Outubro RS 20.230,82 Dezembro RS 26.126,33 TOTAL= R$ 262.295,28 Com o lançamento da totalidade do "IRPJ Mensal Pago Por Estimativa", na Ficha 12A (linha 17), seria apurado um Saldo Negativo de IRPJ, na Linha 20, de RS 262.295,28. No presente caso, a hipótese é de restituição de Saldo Negativo e não de Pagamento Indevido de estimativa mensal de IRPJ, pois a antecipação da estimativa mensal foi apurada exatamente nos termos da Legislação de Regência e no encerramento do ano calendário houve apuração de Prejuízo. Concluise, portanto, que houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004, e que existe o direito creditório, mas na forma de Saldo Negativo e não de pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ, pois o pagamento, por antecipação, referente ao mês de dezembro de 2004 foi feito exatamente nos termos da legislação de regência. (...) Conforme resultado do Relatório de Diligência Fiscal (transcrito acima), restou comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original utilizado) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer, por conseguinte, o crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo, e respectiva atualização na forma da legislação de regência. Fica sem efeito a DCTF retificadara relativa ao PA objeto do crédito pleiteado, permanecendo válida a DCTF primitiva, restando considerada a Ficha 12A da DIPJ 2005, anocalendário 2004, como a seguir: Ficha 12A – Cálculo do Imposto a) apuração do imposto = 0,00; b) estimativas pagas = R$ 262.295,28; e c) IRPJ a pagar “saldo negativo” = R$ 262.295,28. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/200923 Acórdão n.º 1802002.237 S1TE02 Fl. 379 17 Portanto, reconheço o crédito pleiteado, objeto dos autos, de R$ 656,17 (valor original), referente pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA dezembro/2004, na condição de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2004, a ser corrigido na forma da legislação de regência, e determinar à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907406/2011-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 74 06 /2 01 1- 67 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 56 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 65), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 56). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907406/201167 Acórdão n.º 3802002.926 S3TE02 Fl. 68 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909837/2006-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES.
Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 37 /2 00 6- 13 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 30/06/00 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 909,86;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 12 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 3 Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos citando trechos da decisão recorrida. Postula a reforma do acórdão da DRJ argumentando que, de fato, as operações de bonificação praticadas pela recorrente não possuíam a natureza de desconto incondicional aplicado às suas vendas no período e que a recorrente não fundamentou sua manifestação de inconformidade segundo essa premissa. Pugna pela homologação da compensação em análise com base no fundamento de que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Sustenta que a inexistência de vínculo entre suas operações de bonificação e as vendas praticadas no caso concreto é patente, pois suas bonificações decorreram do cumprimento de obrigações pactuadas contratualmente junto a seus clientes: bonificálos (premiálos) com mercadorias em face da ocorrência de fatos específicos (aniversário de loja, renovação de contrato, aniversário contratual, superação de metas de vendas, etc). Apresenta trechos de contratos firmados com os destinatários das mercadorias oferecidas em bonificação. Pontua que as operações de bonificação têm como objetivo o estreitamento do vínculo comercial entre vendedor e comprador, proporcionando a fidelização de suas relações comerciais. Tece comentários sobre a espécie de bonificação comumente conhecida no âmbito empresarial como “dúzias de treze”. Insiste que as operações de bonificação da recorrente não se caracterizam como “dúzias de treze”. Destaca o caráter de gratuidade de que se revestem as operações de bonificação praticadas pela recorrente, impossibilitando a incidência da contribuição sobre o montante das notas fiscais que as documentaram. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 4 Alega que nas bonificações praticadas pela recorrente não houve qualquer recebimento de receita supostamente integrante do resultado do período. Colaciona jurisprudência do CARF. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e homologado o crédito compensado. Posteriormente apresenta petição requerendo a juntada das cópias das notas fiscais, do balancete contábil e da planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais ora tratadas. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A controvérsia desse litígio administrativo cingese a verificar se as bonificações concedidas em produtos podem ser excluídas da receita bruta na composição da base de cálculo da contribuição. A recorrente sustenta que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A legislação de regência, art. 3º, § 2º, inciso I da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, disciplina: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (grifouse) Pelos documentos comprobatórios juntados aos autos, constatase que, de fato, as saídas de produtos a título de bonificações foram autônomas, isto é, não estavam vinculadas as operações de vendas específicas, portanto não configuram descontos incondicionais. Cabe, mais, acrescentar que as bonificações em discussão caracterizamse como doações, sendo que o estabelecimento vendedor entrega ao adquirente uma quantidade de produtos, sem vinculação com uma venda, isto é, não é cobrado qualquer valor do cliente pela quantidade excedente de produtos entregues. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 6 O fato gerador da contribuição em discussão é o auferimento de receita pela pessoa jurídica. Diferentemente do fato gerador do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a saída do produto do estabelecimento não implica na incidência da contribuição. Resta evidente que a incidência da contribuição está associada ao ingresso de receita, o que não ocorreu no presente caso. Colhese do processo que não houve o ingresso de recursos financeiros no patrimônio da interessada. É de se ver, portanto, que as operações em discussão não podem ser consideradas como bonificações, mas sim, como doações. Assim, a saída de mercadorias a título de doações não está no campo de incidência da contribuição. Neste sentido a Solução de Consulta Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 130, de 03 de maio de 2012, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.(rgifou se) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 7 Na mesma direção a Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 10ª Região Fiscal, de nº 136, de 21 de agosto de 2012: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. Dispositivos Legais: CF, de 1988, art. 195, I, “b”; Lei nº 10.406, de 2002, Código Civil, art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º, §§ 1º e 2º, e 3º, I e II; Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º, IX, e 15, II; IN SRF nº 51, de 1978; PN CST nº 113, de 1978. (grifouse) No caso vertente restou comprovado que as bonificações em tela caracterizamse como doações e não estão sujeitas à incidência da contribuição porque não configuram receitas. Tratase de uma despesa operacional da pessoa jurídica. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Registrese, por oportuno, que não se exige para o reconhecimento do indébito a retificação da DCTF, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos conjunto probatório. Registrese, por fim, que essa decisão reconhece apenas o direito material da recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição Cofins, período de apuração de 30/11/1999, os valores das notas fiscais a título de bonificações. Incumbe à Delegacia de Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/200613 Acórdão n.º 3801003.873 S3TE01 Fl. 0 8 origem com base na escrituração fiscal (Livros, DCTF, etc) e contábil apurar o valor do pagamento indevido ou a maior (quantum) e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido (atualizável pela taxa Selic). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de excluir da receita bruta na composição da base de cálculo da Cofins as bonificações concedidas em produtos e homologar a compensação até o limite do crédito a ser apurado pela Delegacia de origem. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10746.721026/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE.
Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO.
Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazê-lo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-001.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: mar
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazê-lo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazêlo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 10 26 /2 01 1- 96 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 2 Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.076 3 Relatório Tratase de análise de recurso voluntário. Exigese, na origem, tributos não recolhidos em razão de omissão de receitas. Em suma, tratase de IRPJ (R$ 10.956.361,80) e CSLL (R$ 4.963.333,65), constituídos no processo n. 10746.721026/201196 (fls. 03/16). Separadamente, exigese PIS (R$ 2.877.715,56) e COFINS (R$ 13.281.765,10), constituídos processo n. 10746.721027/2011 31(fl. 04/19). Os processos mencionados foram decididos separadamente na DRJ, mas, ao serem distribuídos no CARF, foi determinada a reunião em razão da conexão (Res. n.º 1302 000.220), razão pela qual a presente decisão envolve ambos os procedimentos. Isto posto, temse que o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Relatório Fiscal (fl. 18/28 do PAF 10746.721026/201196): (i) Que a empresa foi intimada do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 11/03/2010 (fl. 37/40) para apresentar documentos contábeis e fiscais; (ii) A empresa respondeu ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, através da sócia (Ana Paulina Meneses da Costa), informando a suspensão de suas atividades em setembro/2007 e indicando o nome de uma contadora como responsável pela prestação de informações à RFB (fl. 41). Não apresentou nenhum documento solicitado. (iii) A partir de 03/05/2010 todos os documentos lavrados e enviados pelos Correios à empresa recorrente retornaram, com a informação de que mudou de endereço. Dessa Forma, entendeu o AFRFB pela notificação da empresa por meio de editais (art. 10, IV, do Dec. 7.574/11) (fl. 42/66); (iv) Foram abertos, em 09/06/2010, sete Mandados de Procedimento Fiscal – Diligência (fl. 67/80), com o fim de coletar informações junto a clientes da empresa recorrente, solicitando as notas fiscais de compras realizadas na empresa recorrente durante o anobase fiscalizado, com os respectivos comprovantes de pagamento (fl. 275/930); (v) Expediuse ofício à Junta Comercial solicitando o Contrato Social da empresa (fl. 82/119). Solicitouse também as guias de informação e apuração mensal do ICMS (GIAM) (fl. 120) e os arquivos Sintegra da empresa. Foi informado que a empresa apresentou apenas as GIAMs dos meses de janeiro a julho e de outubro de 2007 (fls. 120/148940/941); (vi) Em 29/10/2010 foram lavrados Termos de Cientificação e Intimação Fiscal em nome dos sócios da empresa recorrente – Sra. Ana Paulina Meneses da Costa e Frinorte Empreendimentos Participações Ltda. –, bem como em nome dos sócios da Frinorte Empreendimentos Participações Ltda. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 4 (Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Roberto Augusto Menezes da Costa e Renato Mauro Menezes Costa), sendo enviado pelos Correios (fl. 149/175); (vii) Dos Termos acima citados, apenas a Sra. Ana Paulina Meneses da Costa foi cientificada pela via postal (fl. 151), sendo os demais devolvidos pelos Correios. Assim, foi publicado o edital n.º 02/2011 para ciência do Termo lavrado em nome da Frinorte Empreendimentos e Participações (fl. 152). Não houve nenhuma manifestação ou apresentação de documentos; (viii) A empresa recorrente não entregou nenhuma DCTF e/ou DIPJ, nem realizou qualquer recolhimento de IRPJ ou CSLL para o período em análise; (ix) Que a empresa teria que apurar o IRPJ pelo lucro real trimestral, pois não optou pelo lucro presumido e teve receitas superiores a R$ 48.000.000,00 em 2007; (x) Que a empresa não apresentou nenhum livro ou documento contábil ou fiscal, apesar de intimada várias vezes, o que impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, segundo o art. 530, III, do Dec. n.º 3000/99; (xi) Para fins de determinação do lucro, utilizouse dos valores declarados pela empresa à SEFAZ/TO, através das GIAMs, para os meses de janeiro a julho e outubro, de 2007, conforme anexo I (fl. 29); (xii) Para os meses de agosto e setembro de 2007, utilizouse como receita bruta de vendas as notas fiscais de saída, emitidas pela empresa recorrente, obtidas junto aos principais clientes desta, segundo anexo II e III (fl. 30/33); (xiii) Desta forma, o lucro arbitrado foi determinado mediante a utilização do percentual de 9,6% sobre a receita bruta trimestral, de acordo com o art. 16, Lei n. 9.249/95, c.c. art. 27, da Lei n. 9.430/07; (xiv) Com relação à CSLL, a sua base de cálculo foi determinada pelo valor correspondente a 12% da receita bruta trimestral, conforme Lei n. 9.430/96, art. 29, I, c.c. e IN SRF n.º 93/97, art. 56, I; (xv) Os valores do lucro arbitrado e da base de cálculo da CSLL, bem como a apuração do IRPJ e CSLL, estão demonstrados no anexo IV (fl. 34); (xvi) Para fins de apuração do PIS e da COFINS foi realizada a apuração pelo regime cumulativo, de acordo com a Lei n. 10.637/02, art. 8º, II, e a Lei n. 10.833/03, art. 10, II; (xvii) A base de cálculo do PIS/COFINS para os meses de janeiro a julho e outubro de 2007, foi determinada através das vendas brutas, descontadas as devoluções, informadas pela empresa recorrente à SEFAZ/TO, desconsiderando as vendas realizadas para o exterior, tudo conforme anexo V (fl. 35); (xvii) Para os meses de agosto e setembro de 2007 foi utilizado para obtenção da receita bruta, os valores das notas fiscais de saída emitidas pela empresa (anexos II e III – fl. 30/33), sendo apurado o PIS/COFINS conforme anexo VI (fl. 36); Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.077 5 (xviii) Ficou demonstrada a intenção do sujeito passivo de ocultar os valores de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS uma vez que informou os valores de vendas somente à SEFAZ/TO através de GIAM, caracterizando prática reiterada e incorrendo a empresa em sonegação, segundo o art. 71, I, da L. n.º 4.502/64, razão pela qual aplicouse a multa qualificada de 150% (art. 44, I, e §1º, da Lei n. 9.430/96); (xix) A multa qualificada foi agravada para 225% (art. 44, §2º, da Lei n. 9.430/96), uma vez que não foi apresentado nenhum livro comercial ou fiscal, bem como os arquivos em meio digital relativos à contabilidade e às notas fiscais, solicitados no decorrer da fiscalização; (xx) Que o contrato social da empresa recorrente (Frinorte Alimentos Ltda.) demonstra que o quadro societário é formado por Ana Paulina Meneses da Costa (10%) e Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. (90%); (xxi) Por sua vez, a Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. tem o quadro societário composto por Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa (10% cada), e Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. (70%); (xxii) Que a empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. tem como diretores os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa; (xxiii) Que a partir da 4ª alteração contratual da empresa recorrente (fl. 98/105) houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. em quaisquer transações bancárias, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciado funções administrativagerenciais dos Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa; (xxiv) Que a empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. aparece na 5ª alteração contratual da empresa (fl. 107/113); (xxv) Que os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa tomaram vultosos empréstimos da empresa recorrente, segundo informações das Declarações de IRPF; (xxvi) Que a Confederação Nacional da Indústria – CNI publica em seu sítio virtual como principal executivo da empresa recorrente o Sr. Renato Mauro Menezes Costa; (xxvii) Que a Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO publicou notícia na qual o Sr. Rogério Marcio Menezes Costa aparece como diretor da empresa recorrente (fl. 942); (xxiii) Que o Ministério Público Federal do Tocantins apresentou denúncia de crime de sonegação de contribuição previdenciária sobre os Srs. Renato Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 6 Mauro Menezes Costa e Rogério Marcio Menezes Costa, citados como proprietários da empresa recorrente (fl. 943); (xxix) Assim, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária individualizado para os sócios da empresa recorrente Sra. Ana Paulina Meneses da Costa, e os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, com base no art. 135, III, do CTN, por omissão na declaração e recolhimento dos tributos federais referente ao período fiscalizado, de maneira reiterada, pois a omissão ocorreu durante todo o anocalendário de 2007, caracterizando assim a prática de sonegação, conforme art. 71, I, da L. n.º 4.502/64; (xxx) Ressaltou ainda o AFRFB que a empresa fiscalizada estava com o CNPJ ativo junto à RFB e o seu contrato social não faz menção de encerramento das atividades, caracterizando dissolução irregular da sociedade com fundamento no art. 135, III, do CNT, c/c a Súmula 435/STJ, por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal. Encerrada a fiscalização, os recorrentes tiveram ciência dos autos de infração em 30/11/2011, como se verifica de fl. 946/950, do PAF 10746.721026/201196 (IRPJ e CSLL), e fl. 949/953, do PAF 10746.721027/201131 (PIS/COFINS). Na sequência, os recorrentes apresentaram impugnação em 27/12/2011 em ambos os processos. Em análise das defesas, a DRJ entendeu pela integral improcedência dos argumentos. É o que se nota da ementa do acórdão exarado no PAF 10746.721026/201196 (fl. 990/1019): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2007. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.078 7 crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem fatos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2003 ACÓRDÃO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. TRANSCRIÇÃO NA ÍNTEGRA. NECESSIDADE. Deve ser transcrito o acórdão desde o assunto, anocalendário etc., até o resultado. ACÓRDÃO. FORMA DE ELABORAÇÃO. CONSULTAR MANUAL DE REDAÇÃO. Tenho um manual de redação do CARF com indicações de como fazer a ementa. Lançamento Procedente. No mesmo sentido está a ementa do acórdão proferido no PAF 10746.721027/201131 (fl. 994/1020): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 8 crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem atos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração formalizado em conformidade com as normas legais e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Devem ser mantidos no pólo passivo da obrigação tributária os sóciosadministradores da pessoa jurídica autuada, quando comprovada a prática de infração à lei, uma vez que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade solidária. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa constituir o crédito tributário em conformidade com o estipulado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao Fisco Estadual e a omissão reiterada das mesmas informações ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos tributos devidos, constituem fatos que evidenciam conduta dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimados das decisões supratranscritas (fl. 1029/1039 do PAF 10746.721026/201196; fl. 1031/1040 e 1084 do PAF 10746.721027/201131), os recorrentes Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.079 9 apresentaram, então, recursos voluntários, nos quais ventilam exatamente as mesmas argumentações para ambos os processos. Em resumo: (i) Cerceamento ao direito de defesa e do contraditório, pois alegam que não tiveram oportunidade de se manifestar sobre o arbitramento realizado uma vez os processos correram à revelia, requerendo nulidade dos mesmos; (ii) Que o AFRFB desconsiderou a personalidade jurídica da empresa recorrente de forma arbitrária e sem respaldo legal, pois, segundo o art. 50, do CC, esta somente pode ser realizada pelo Poder Judiciário e sob a presença de requisitos legais, o que não se comprovou no caso; (iii) Que o art. 134, do CTN, somente permite a responsabilização por terceiros quando se demonstra a impossibilidade do cumprimento pela obrigação tributária e, ainda, apenas com relação às matérias de caráter moratório (penalidades); (iv) Que o art. 135, do CTN, apresenta as pessoas que serão responsabilizadas no caso de prática de atos com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos, não se configurando o mero inadimplemento hipótese de responsabilidade subsidiária dos sócios, conforme entendimento do STJ; (v) Que segundo o entendimento pacífico do STJ e doutrina majoritária a responsabilidade prevista nos art. 134 e 135, do CTN, é de natureza subsidiária, pelo que devem os recorrentes pessoas físicas serem excluídos do polo passivo do lançamento tributário; (vi) Inexistência de fraude e sonegação, pois, a empresa recorrente observava o método de apuração do lucro real para determinar os tributos federais devidos; (vii) Absoluta boafé quando da instauração do procedimento fiscal, pois colocou à disposição do AFRFB contador responsável pelas transmissões de suas informações fiscais, o qual nunca foi contatado; (viii) Que o AFRFB não pode presumir a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, sendo que a presunção do art. 42, da Lei 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou provento para ampliar seu conceito, conforme art. 110, do CTN. Juntou jurisprudência que trata o tema; (ix) Que a empresa recorrente não pode ser submetida ao recolhimento do tributo uma vez que o arbitramento realizado exorbita o valor real do imposto devido; (x) Que a penalidade imposta possui caráter confiscatório, superando sua capacidade contributiva, o que é vedado pela Constituição Federal; (xi) Que não foram observados os princípios da capacidade econômica, razoabilidade ou proporcionalidade; Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 10 (xii) Que a multa qualificada e agravada, no importe de 225%, é desproporcional e desarrazoada, pois não houve oportunidade para que os sócios responsabilizados prestassem informações e esclarecimentos necessários; (xiii) Que o STF reconheceu a repercussão geral das multas/sanções exorbitantes, devendo o processo administrativo fiscal ser sobrestado até o pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria (no RE 640.452/RO); (xiv) Preliminarmente, requereu a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa e a exclusão dos sócios da empresa por ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica em âmbito administrativo e por ilegalidade da declaração de responsabilidade solidária, quando sua natureza é subsidiária; (xv) No mérito, requereu a improcedência do auto de infração, pois as obrigações teriam sido prescritas de forma inadequada. Alternativamente, requer a exclusão da multa ou sua aplicação de acordo com os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva do contribuinte e vedação ao confisco, em respeito à Constituição Federal; (xvii) Por fim, pede o sobrestamento do processo administrativo até o pronunciamento definitivo pelo STF acerca do RE n.º 640.452/RO. É o relatório. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.080 11 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Das Alegações Preliminares 1.1 Do Direito à Defesa e ao Contraditório Os recorrentes alegam o cerceamento ao direito de defesa e ofensa ao princípio do contraditório, pois não teriam tido a oportunidade de se manifestarem sobre o arbitramento do lucro que originou o crédito tributário combatido. Assim, invocaram a nulidade do processo administrativo com amparo no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72. O princípio do contraditório e da ampla defesa traduz a necessidade de dar conhecimento da existência da ação e dos atos a ela inerentes, bem como de facultar às partes o uso dos meios de defesa e a possibilidade de manifestaremse, como bem ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: (...) O princípio do contraditório tem íntima ligação com o da igualdade das partes e se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação de todos os atos do processo às partes e, de outro, pela possiblidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis, ou seja, os litigantes têm direito de deduzir pretensões e defesas, realizarem provas que requereram para demonstrar a existência do direito, em suma, direito de serem ouvidos paritariamente no processo em todos os seus termos. (NEDER, Marcos Vinicus; LÓPEZ, Maria Teres Martínez; Processo administrativo fiscal federal comentado; 3 ed.; São Paulo: Dialética, 2010) Isto posto, e considerando o que nos autos consta, é possível concluir que o direito dos recorrentes à ampla defesa e ao contraditório foi observado em todo o procedimento fiscal e administrativo, pois estes tiveram a possibilidade de contraditar os atos da autoridade fiscalizadora. Melhor esclarecendo. Consoante se denota do art. 14, do Decreto n.º 70.235/72, a instauração da fase litigiosa apenas se realiza com a apresentação da impugnação do contribuinte, após o lançamento do crédito tributário, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 12 Concluise, portanto, que até a apresentação da impugnação o procedimento desenvolvese inquisitorialmente, ou seja, até que o sujeito passivo seja intimado da lavratura do auto de infração e do lançamento do crédito tributário, inexiste caráter contencioso conflito de interesses, mas apenas dever de fiscalização do Fisco e dever de colaboração do contribuinte. Nesta fase, o sujeito ativo apenas deverá ser cientificado naquelas situações expressamente previstas na lei, tal como ocorre por meio do “Termo de Início da Verificação Fiscal”, onde consta o número do Mandado de Procedimento Fiscal e a senha para seu acesso pelo sítio eletrônico da RFB. Examinando os autos, observase que a empresa recorrente foi devidamente intimada do início do procedimento fiscal (fl. 37/40 PAF 10746.721026/201196; fl. 40/43 PAF 10746.721027/201131), tanto que inclusive respondeu à intimação, na pessoa de sua sócia Ana Paulina Menezes da Costa (fls. 41 PAF 10746.721026/201196; fl. 44 PAF 10746.721027/201131). Não bastasse isto, como já relatado, todos os demais atos do AFRFB foram devidamente informados aos recorrentes por intimação pela via postal, a princípio, e por edital, quando aquelas foram devolvidas pelos Correios (fl. 149/175 PAF 10746.721026/201196; fl. 152/178 PAF 10746.721027/201131), tudo conforme art. 23, do Decreto 70.235/72. Tanto é assim que os recorrentes buscam a anulação do procedimento fiscal apenas por não terem sido intimados a se manifestarem sobre o arbitramento do lucro realizado pelo AFRFB. Merece destaque o fato de que os recorrentes não responderam a nenhuma das intimações realizadas durante o procedimento fiscal, não entregaram quaisquer livros ou documentos fiscais e contábeis da empresa, restando ao AFRFB proceder conforme determina o art. 530, inciso III, e art. 537, ambos do Decreto 3.000/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). No caso da omissão de receita, prevista no art. 537, supratranscrito, não há nenhuma previsão de que o contribuinte deve ser intimado a apresentar esclarecimentos antes de o AFRFB realizar o lançamento, sendo que, no presente caso, não havendo a entrega dos livros e documentos fiscais solicitados, determinouse o lucro pelo arbitramento, sobre o qual ocorreu a incidência tributária, como bem esclarecido no Relatório Fiscal e seus anexos (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131). Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.081 13 Depois de realizado o lançamento tributário através dos Autos de Infração, os recorrentes foram regularmente intimados (fl. 946/950 PAF 10746.721026/201196; fl. 949/953 PAF 10746.721027/201131) para apresentarem suas impugnações, oportunidade em que poderiam ter se insurgido contra o arbitramento de forma a demonstrar sua receita no exercício fiscalizado e comprovar a insubsistência da forma de determinação do imposto. Ou seja, neste momento, poderiam fazer valer seu direito à ampla defesa e ao contraditório. No mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DO LUCRO. CONTRADITÓRIO. DIREITO DE DEFESA. É na impugnação apresentada ao auto de infração que o contribuinte exerce seu direito de defesa e exercita o contraditório ao arbitramento do lucro e não durante a apuração do crédito tributário no curso do processo investigatório. (...) (Primeiro Conselho de Contribuinte. Acórdão n.º 120100.080. Rel. Regis Magalhães Soares Queiroz. Sessão de 14/05/2009) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. (...) (CARF. Acórdão n.º 3102 001.870. Rel. Winderley Morais Pereira. Sessão de 23/05/2013) NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa, principalmente quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das exigências. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. É cabível o arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta os livros e documentos de sua escrituração contábil. (...) (CARF. Acórdão n.º 1202000.960. Rel. Geraldo Valentim Neto. Sessão de 09/04/2013) PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR AVISO DE RECEBIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 14 de defesa. (...) (CARF. Acórdão n.º 2801003.053. Rel. Marcio Henrique Sales Parada. Sessão de 18/06/2013). PREVIDENCIÁRIO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados e praticados. AFERIÇÃO INDIRETA. A fiscalização previdenciária tem suporte legal para apurar as importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, constituindose em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. (...) (CARF. Acórdão n.º 2403001.563. Rel. Ivacir Júlio de Souza. Sessão de 14/08/2012) Dessa forma, voto por afastar a preliminar de nulidade do processo administrativo por cerceamento de defesa, uma vez que tal direito foi oportunizado aos recorrentes. 1.2 Da Responsabilidade Tributária Os recorrentes alegam ilegalidades na responsabilização dos sócios da empresa fiscalizada, postulando a exclusão da Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa do polo passivo da obrigação tributária. Em um primeiro momento, importa destacar que as argumentações sobre o art. 50, do CC, e o art. 134, do CTN, encontramse desconexos com a fundamentação dos Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios da empresa recorrente, pois estes fundamentamse no art. 135, III, do CTN , e Súmula 435/STJ (fl. 932/939 PAF 10746.721026/201196; fl. 935/942 PAF 10746.721027/201131), pelo que se faz desnecessário maiores dilações sobre tais alegações. Sob a visão das autoridades precedentes, a responsabilização pessoal dos sócios da empresa com fundamento no art. 135, III, do CTN seria justificada pelo fato da empresa recorrente não ter entregue nenhuma DCTF e/ou DIPJ, não ter recolhido IRPJ ou CSLL durante o período fiscalizado, mesmo auferindo renda, como se verificou das informações declaradas ao SEFAZ/TO e das notas fiscais de vendas obtidas junto aos seus principais clientes. Inobstante a prática dos atos acima, entendo que o fundamento principal deve centrarse no teor da súmula 435 do STJ, uma vez que é incontroverso que a Frinorte Alimentos efetuou a baixa regular de sua inscrição junto à Administração Fazendária Estadual, o mesmo não ocorrendo no âmbito federal. Assim, quanto à sócia Ana (administradora), aplica se o verbete abaixo: Súmula 435, STJ. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Quanto aos demais sócios, ficou comprovado pelo AFRFB que estes detinham relevante influência sobre as decisões que são próprias dos administradores de Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.082 15 sociedades empresariais, consoante esclarece o AFRFB na seguinte passagem, que adoto como razões de decidir (fls. 27 e ss.): 45. A inclusão dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, CPF 574.915.26691, Renato Mauro Menezes Costa, CPF 574.915.50649, e Roberto Augusto Menezes da Costa, CPF 564.238.02653, no pólo passivo dessa ação fiscal deuse pelos seguintes fatos: A partir da 4ª alteração do Contrato Social da Frinorte – Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda (Roberto, Renato ou Rogério) em quaisquer transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamentos, contratos de empréstimos e transferências financeiras, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciando funções administrativo gerenciais dos três citados; A empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S/A está com a situação cadastral não habilitado pelo fisco de Goiás, desde de 2003, segundo página do SINTEGRA. No entanto, aparece em alteração contratual da Frinorte – Alimentos Ltda na data de 05/04/2007, com assinatura dos Srs. Renato Mauro Menezes Costa e Rogério Márcio Menezes Costa. Os três citados anteriormente (Roberto, Renato ou Rogério) tomaram empréstimos junto à Frinorte – Alimentos Ltda, nos valores de R$300.000,00, R$1.420.000,00 e R$1.480.000,00, respectivamente, segundo informações declaradas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos mesmos; Em página da internet da Confederação Nacional da Indústria – CNI, especificamente no catálogo de exportadores brasileiros, o Sr. Renato Mauro Menezes Costa aparece como o principal executivo da Frinorte – Alimentos Ltda; Em notícia no site da Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO, datada de 18/06/2007, o Sr. Rogério Márcio Menezes Costa aparece como Diretor da Frinorte – Alimentos Ltda; O Ministério Público Federal do Tocantins apresentou denúncia de crime de sonegação de contribuição previdenciária sobre os Srs. Renato Mauro Menezes Costa e Rogério Márcio Menezes Costa, citados na notícia como proprietários da Frinorte – Alimentos Ltda. (grifo não original) Não bastasse isto, a empresa fiscalizada não apresentou nenhum livro ou documento contábil e fiscal, mesmo após intimada diversas vezes, nem os apresentou nas oportunidades em que exerceu o contraditório e a ampla defesa (impugnação e recurso voluntário). Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 16 Assim, correta foi a responsabilização das pessoas físicas recorrentes, pois o lançamento da obrigação tributária se originou dos atos realizados pela empresa e pelas pessoas físicas em afronta à legislação tributária, como ficou comprovado através do Relatório Fiscal (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131), quando aqueles encontravamse na função de representantes da empresa recorrente. No mesmo sentido, não subsiste a alegação dos recorrentes de que o mero inadimplemento não implica na responsabilização dos sócios da contribuinte, uma vez que existem provas em sentido diverso, consoante dito acima. Já com relação à suposta ilegalidade na responsabilização solidária dos sócios quando presente os requisitos do art. 135, III, do CTN, não guardam razão as alegações dos recorrentes, visto que o entendimento deste Conselho tem se dirigido em sentido contrário, observese: (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. FRAUDE FISCAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. A sequência de atos, robustamente comprovados nos autos, demonstra o intuito doloso da contribuinte em modificar as características essenciais da ocorrência do fato gerador, caracterizando a fraude fiscal, e corresponde a tipo previsto na lei de crimes contra a ordem tributária, razão pela qual os sóciosadministradores devem ser responsabilizados solidariamente com a pessoa jurídica, consoante norma do artigo 135, inciso III do CTN. (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.316. Rel. Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Sessão de 05/03/2013) (...) SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÃO. (...) Os mandatários, administradores, prepostos, diretores, gerentes, sócios, sejam eles de fato ou de direito, só se tornam terceiros responsáveis nos casos em que, por ação ou omissão, praticarem uma das condutas descritas nos artigos 134, 135 e 137, do CTN. (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.188. Rel. Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Sessão de 11/09/2012) SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE. A responsabilidade solidária de sócio por dividas tributárias da sociedade só pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, qual seja, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos".(...) (CARF. Acórdão n.º 120100.217. Rel. Regis Magalhães Soares de Queiroz. Sessão de 28/01/2010) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei N„_ 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa fisica ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.083 17 conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. (...) (CARF. Acórdão n.º 110200.322. Rel. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Sessão 02/09/2010) Nestes termos, voto no sentido de manter a Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e os Srs. Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa, todos recorrentes, como responsáveis solidários da obrigação tributária lançada em desfavor da empresa recorrente, pelos fatos acima descritos. Como bem observou o julgador da DRJ, em seu acórdão, com relação ao Sr. Roberto Augusto Menezes da Costa não há procuração nos autos para sua representação e sequer seu nome consta na qualificação dos recorrentes, no prefácio na peça recursal, pelo que não se poderia conhecer qualquer pleito em nome deste, subsistindo sua sujeição passiva pela obrigação tributária tal como realizado pelo fisco. 2. Do Mérito 2.1. Da Alegação de Inexistência de Fraude ou Sonegação Os recorrentes buscam desqualificar o lançamento tributário sobre o lucro arbitrado alegando que o montante do tributo lançado exorbita o valor real que seria devido. Contudo, há de se ressaltar que os recorrentes em nenhum momento demonstram qual seria o suposto valor real do tributo devido, não apresentam nenhum documento contábil ou fiscal capaz de afastar arbitramento do seu lucro, apenas se esmeram num discurso que trata sobre presunções, referindose inclusive ao art. 42, da Lei n. 9.430/96, que em nada tem relação com o lançamento ora em discussão, correlacionandoo com a impossibilidade das normas tributárias alterarem os conceitos de direito privado. Assertivas que em nada lhe aproveitam nesta oportunidade. O fato é que a empresa recorrente, bem como seus sócios, foram intimados diversas vezes para tomar ciência do procedimento fiscal e, também, para apresentação de documentos solicitados pelo fisco (fl. 37/40; 149/175 PAF 10746.721026/201196; fl. 40/43; 152/178 PAF 10746.721027/201131), sendo que em nenhum momento atenderam à solicitação do AFRFB, não justificaram a impossibilidade ou pediram prorrogação de prazo para fazêlo. Sobre o tema, convém observar a jurisprudência deste Conselho: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. DEIXOU DE EXIBIR LIVROS OU DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de exibir quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante art. 33, §2º da Lei nº 8.212/91. (CARF. Acórdão n.º 2401003.076. Rel. Carolina Wanderley Landim. Sessão de 19/06/2013) Assim, restou ao AFRFB proceder ao arbitramento do Lucro da empresa recorrente, nos moldes do art. 530, III, do RIR, que assim ensina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 18 arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):[...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Importa destacar, mais uma vez, que mesmo na oportunidade da impugnação do lançamento tributário, ou do recurso voluntário, não houve qualquer comprovação da existência dos procedimentos fiscais e contábeis mantidos pela empresa contribuinte, atendose os recorrentes em fundamentar sua defesa em inexistente e incabível irregularidade formal do lançamento. Desta forma, entendo correto o proceder do AFRFB pelo arbitramento do lucro e lançamento do tributo conforme o art. 537, do RIR, através das informações transmitidas pela empresa recorrente ao fisco estadual e, também, das notas fiscais de saídas obtidas com seus maiores clientes, como bem descrito no Relatório Fiscal (fl. 18/28 PAF 10746.721026/201196; fl. 21/31 PAF 10746.721027/201131). Ademais, os recorrentes admitem a falta de transmissão ao fisco da DIPJ e a DCTF referente ao anocalendário fiscalizado, mesmo tendo ordinariamente realizado a transmissão de informações da sua receita ao fisco estadual, ou seja, é evidente o dolo dos recorrentes em não informar ao fisco federal as receitas obtidas, com o fim de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Dessa forma, voto no sentido de manter o lançamento tributário sobre o Lucro arbitrado uma vez que, mesmo intimada várias vezes, a empresa contribuinte ou seus representantes não apresentaram os livros e documentos fiscais e contábeis, nem demonstraram na oportunidade da impugnação e deste recurso quaisquer informações que pudessem desabonar o valor da obrigação tributária lançada. 2.2. Da Incompetência para Pronúncia sobre Inconstitucionalidade. Da Multa Qualificada e Agravada. Os recorrentes se insurgem contra o valor do lançamento tributário, inclusive no que tange a multa no percentual de 225%, alegando ofensa a diversos princípios constitucionais. Contudo, este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei, observese: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, uma vez que os recorrentes invocam princípios como a vedação ao confisco e a capacidade contributiva para combater o lançamento tributário, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema. O lançamento realizado pelo AFRFB está em consonância com a legislação vigente, devidamente demonstrada no Relatório Fiscal, razão pela qual é improcedente o recurso voluntário neste ponto. Buscam ainda os recorrentes o sobrestamento do processo administrativo em face do julgamento RE n.º 640.452/RO no que tange as multas/sanções aplicadas. Entretanto não há compatibilidade entre a matéria tratada no presente feito (multa de ofício qualificada e agravada) e no recurso especial paradigma (que versa sobre multas isoladas aplicadas por descumprimento de obrigação tributária acessória, em razão da prática de atos dos quais não decorra crédito tributário). Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.084 19 Assim, voto no sentido de manter o lançamento tributário. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, para manter os créditos tributários lançados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto. E manter a responsabilidade tributária da sócia e administradora Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e os dos administradores de fato os Srs. Rogério Márcio Menezes Costa e Renato Mauro Menezes Costa. Ressaltando que o sócio Sr. Roberto Augusto Menezes da Costa permanece como responsável tributário por não ter recorrido. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 20 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao entendimento do nobre Conselheiro Relator, divirjo da existência de responsabilidade tributária dos Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa. Sobreleva considerar a disposição contida no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por força do artigo 135, III, é condição indispensável para a responsabilização tributária. Como também é indispensável que estes figurassem como diretores, gerentes ou representantes da devedora (Frinorte Alimentos Ltda.). Com relação à responsabilidade tributária atribuída nestes autos, é importante mencionar que são reproduzidos os seguintes fundamentos em cada um dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, com relação aos Sr. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa: “contribuiu para a omissão na declaração e recolhimento dos tributos federais referentes ao período fiscalizado” e, ainda, que “ficou caracterizado também a dissolução irregular da Frinorte – Alimentos Ltda, já que a situação cadastral no Sistema Integrado \de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços – SINTEGRA é, desde 20/11/2007, não habilitado, ainda que o CNPJ do contribuinte esteja ativo perante à RFB e o seu Contrato Social e Alterações não faça nenhuma menção de paralisação ou encerramento das atividades.” Nesse contexto, com a aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional e do Enunciado nº 435, da Súmula do Superior Tribunal de Justiça lhes foi atribuída a responsabilidade tributária. Ocorre que o Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa não figuravam como sócios e tampouco como administradores da pessoa jurídica autuada (Frinorte Alimentos Ltda.), mas apenas sócios de uma das cotistas desta sociedade. Este fato é confirmado pelos documentos sociais acostados aos autos às fls. 83 a 119: Nesse contexto, inadequada a aplicação do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Destaquese precedente do E. Superior Tribunal de Justiça, quando trata da atribuição de responsabilidade na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. ART. 135 DO CTN. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/201196 Acórdão n.º 1302001.225 S1C3T2 Fl. 1.085 21 1. Esta Corte Superior firmou entendimento, no REsp 1.101.728/SP, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, no sentido de que o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente da empresa somente é cabível quando comprovado que ele agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. 2. O redirecionamento da execução fiscal, na hipótese de dissolução irregular da sociedade, pressupõe a permanência do sócio na administração da empresa ao tempo da ocorrência da dissolução. 3. Agravo regimental não provido. (Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial n. 473765, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21.03.2014) Portanto, também na hipótese de dissolução irregular é imprescindível que a pessoa física figure como administrador da pessoa jurídica devedora, exigindose, ainda, que exerça tal função ao tempo da dissolução irregular. Sobreleva considerar que, especificamente quanto aos Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, consta no Relatório Fiscal de fls. 18 a 28: A inclusão dos Srs. Rogério Márcio Menezes Costa, CPF 574.915.26691, Renato Mauro Menezes Costa, CPF 574.915.50649, e Roberto Augusto Menezes da Costa, CPF 564.238.02653, no pólo passivo dessa ação fiscal deuse pelos seguintes fatos: A partir da 4ª alteração do Contrato Social da Frinorte – Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda (Roberto, Renato ou Rogério) em quaisquer transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamentos, contratos de empréstimos e transferências financeiras, além da assinatura da sócia Ana Paulina Meneses da Costa, evidenciando funções administrativogerenciais dos três citados; Os exatos termos da cláusula do contrato social referida no Relatório Fiscal são os seguintes: CLÁUSULA OITAVA – DA ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. A administração dos negócios da sociedade será exercida pela sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA, conforme indicada na forma deste Instrumento, que representará a sociedade ativa e passiva, judicial e extrajudicialmente. Parágrafo Primeiro – Todas as transações bancárias, tais como assinaturas de cheques, ordens de pagamento, contratos de empréstimos e transferências financeiras, serão sempre Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA 22 realizados com assinaturas em conjunto, sendo uma das assinaturas da sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA e a outra de um dos administradores do sócio FRINORTE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Tais transações poderão também ser realizadas por intermédio de procuradores com poderes expressos para tal finalidade, mediante instrumentos públicos outorgados por ambos os sócios. Notase, assim, que s representantes da Frinorte Empreendimentos e Participações Ltda. (Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa) não passaram a ter poderes amplos de administração da Frinorte Alimentos Ltda., mas apenas para assinatura de documentos relacionados às transações bancárias. E estas assinaturas em transações bancárias certamente não lhes atribuem poderes para a prática de eventuais atos com excesso de poderes, infração de lei, do contrato social ou estatutos, na forma tratada pelo artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Diante de tais razões, rendendo minhas homenagens ao voto do Ilustre Conselheiro Relator, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo do pólo passivo os Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa. (assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA – Conselheira. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906238/2012-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/10/2008
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 38 /2 01 2- 03 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/10/2008 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906238/201203 Acórdão n.º 1802003.205 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10670.001383/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004
RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL
Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor correspondente a 30% do valor da autuação, permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR
Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto ao PAT do Ministério do Trabalho e ou o Fornecimento de Tickets Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a incidência do artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9, inciso III e o parágrafo 10 do Regulamento da Previdência Social - RPS, porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004 RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor correspondente a 30% do valor da autuação, permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto ao PAT do Ministério do Trabalho e ou o Fornecimento de Tickets Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a incidência do artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9, inciso III e o parágrafo 10 do Regulamento da Previdência Social - RPS, porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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Recorrida SRPSECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004 RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor correspondente a 30% do valor da autuação, permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto ao PAT do Ministério do Trabalho e ou o Fornecimento de Tickets Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a incidência do artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9, inciso III e o parágrafo 10 do Regulamento da Previdência Social RPS, porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 13 83 /2 00 7- 89 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 77 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) materializada pelo n° 37.043.3114, consolidada em 21/12/2006, no montante de R$ 38.394,32 (Trinta e oito mil, trezentos e noventa e quatro reais e trinta e dois centavos) em desfavor da empresa Recorrente por distribuir ticket de alimentação aos seus empregados, no período de 12/2003 a 05/2004, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). De acordo com o relatório fiscal (fls. 23/25) a conseqüência da ausência da inscrição da empresa no PAT, caracteriza o fornecimento de tais tickets como salário contribuição, de acordo com o que dispõe o artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212/99 c/c artigo 214, § 9º, inciso III e o §10 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Para a apuração completa do débito, foi verificado que a empresa cadastrou se no PAT em 30/03/1999 e somente cadastrouse novamente em 11/05/2004, conforme prevê os documentos anexados pela empresa após a ciência do TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos datados em 12/09/2006. No entanto, o artigo 30 da Portaria Interministerial n° 5, do Ministério do Trabalho e Emprego, da Fazenda e da Saúde, de 30 de novembro de 1999, publicada no DOU em 3 de dezembro de 1999, dispõe que a adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo e terá validade a partir da data de registro do formulário de adesão na ECT, por prazo indeterminado. Todavia, como já foi mencionado, a empresa se cadastrou no PAT em 30/03/1999, período anterior a vigência da Portaria supramencionada, considerando, assim, que os atos normativos anteriores determinavam que a vigência do cadastro no PAT seria de apenas um ano. Segundo a fiscalização, como o último cadastro realizado pela empresa em data anterior a publicação da referida Portaria, em 30/03/1999, e o cadastro por prazo indeterminado, de acordo com os ditames da nova Portaria, ocorreu somente em 11/05/2004, os valores pagos aos segurados empregados a título de alimentação, no período de 12/2003 a 05/2004, inclusive, devem ser considerados como salário de contribuição, já que nesse período a empresa não tinha cadastro válido no PAT. A empresa alega que apresentou email encaminhado ao Ministério do Trabalho, no qual consta que não era necessária nova inscrição para aqueles que já haviam se cadastrado em 1999. Em virtude da empresa não ter declarado os referidos valores em GFIP foi lavrado o Auto de Infração n° 37.043.3106. Por fim, o relatório fiscal expõe que o “fato do ato de suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária mediante omissão de informação na Guia de Recolhimento Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP configurar, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do DecretoLei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, acrescido pela Lei n°. 9.983, de 14/07/2000, será comunicado do fato a autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal Ministério Público Federal, em relatório à parte.” Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua impugnação tempestiva (fls.33/37) onde, em síntese, alega a improcedência dos fatos narrados no relatório fiscal, sob o argumento de que a empresa esteve regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Para corroborar com tal argumento, acostou na impugnação a resposta do e mail encaminhado a "COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR" do "MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO", com o ofício datado de 12 de janeiro de 2007. In verbis: “Em atenção a solicitação de Vossa Senhoria, informamos que a empresa Fiação e Tecidos Santa Bárbara Ltda., CNPJ 22.662.142/000157, está regular no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, anos de 1992, 1993, 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999, sendo assim a inscrição realizada no exercício de 1999 passou a ter validade por tempo indeterminado, não havendo a necessidade de renovar sua inscrição neste período, pois sua validade foi válida até 31/12/2003, conforme a Portaria Interministerial n° 05 de 30 de novembro de 1999, em vigor, em anexo. 2. Entretanto, de forma a proceder a uma avaliação mais criteriosa dos resultados alcançados pelo Programa, foi baixada a Portaria n° 66 de 19 de dezembro de 2003, dispondo sobre o recadastramento, até maio de 2004, das empresas participantes do PAT, o qual foi prorrogado até 29 de agosto de 2004 pela Portaria n° 81 de 27 de maio de 2004 e a Portaria n° 69 de 02 de março de 2004, que dispõe sobre o efeito retroativo a 1° de janeiro de 2004, da inscrição de pessoas jurídicas beneficiárias no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. 3. Informamos, ainda, que a empresa efetuou o recadastramento em 2004, esse é por tempo indeterminado. Para maiores esclarecimentos favor entrar em contato. Atenciosamente. Matilde Francelino de Sousa — Coordenadora Substituta." Defende, ainda, que ao fazer o recadastramento em 11/05/2004, a empresa colocouse em situação regular junto ao PAT, em relação aos meses de janeiro a maio de 2004, conforme dispõe o artigo 1° da Portaria nº 69 de 02 de março de 2004, que prevê o efeito retroativo da inscrição de pessoas jurídicas beneficiárias no referido Programa: "Art. 1° As inscrições de pessoas jurídicas como beneficiárias no Programa de Alimentação do trabalhador (PAT), efetuadas no período de 1° de março a 31 de maio de 2004 terão efeito retroativo a 10 de janeiro de 2004." Nesse sentido, a empresa aduz sua regular inscrição junto ao PAT, motivo pelo qual não enseja a distribuição dos tickets como salário contribuição, no período de dezembro de 2003 a maio de 2004. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 78 5 Por fim, a empresa requer o cancelamento da NFLD e que sejam apuradas as responsabilidades e determinada a reparação dos danos sofridos pela impugnante, por ter sido imputada injustamente a prática de ato ilícito penal, bem como a punição daqueles que pelo exercício arbitrário do poder de fiscalizar, que buscaram prejudicar tanto financeiramente como moralmente a empresa, ora Recorrente. No entanto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão n° 0216.544 proferido pela 9ª Turma da DRJ/BHE (fls. 57/62), julgou procedente em parte o lançamento fiscal na NFLD nº 37.043.3114, mantendo o lançamento referente a competência de 12/2003. Assevera, que a empresa, ora Recorrente, deveria ter requerido nova adesão ao PAT após a publicação da Portaria Interministerial n 05, de 30 de novembro de 1999, adesão esta que teria validade até a publicação da nova Portaria que dispõe sobre o recadastramento. Ressalta, ainda, que as normas posteriores não asseguravam que o cadastro feito em data anterior à publicação da mencionada portaria teria validade por prazo indeterminado. Ato contínuo, DRJ/BHE conclui que até 31/12/2003 a empresa não demonstrou que estaria inscrita no PAT já que só apresentou o comprovante de adesão ao programa feito em 30/03/1999. E, por fim, a DRJ/BHE decidiu que não procede aos lançamentos referente aos períodos de competências 01/2004 a 05/2004, tendo em vista que a Portaria 69, de 02 de março de 2004 concedeu efeitos retroativos à 1° de janeiro de 2004 para as inscrições efetuadas no período de 10 de março a 31 de maio de 2004, situação a que se enquadra a empresa pois providenciou novo cadastro em 11/05/2004. Em síntese, a decisão foi proferida nesse sentido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2004 PREVIDENCIÁRIO. TICKET ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A parcela "in natura" recebida sem que a empresa tenha efetivado sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o salário de contribuição. Lançamento Procedente em Parte.” Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 67/69) alegando, em síntese o que segue: Preliminarmente: a) Pela apreciação do Recurso Voluntário, sem ao menos precisar instruílo com prova de depósito administrativo no valor correspondente a, no mínimo, 30% (trinta por cento) da Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 condenação discutida, por entender que tal exigência vai contra a decisão do Supremo Tribunal Federal. b) Aduz, ainda, que está propondo Mandado de Segurança, com pedido de liminar, com o objetivo de ver apreciado o presente recurso administrativo, independente da efetivação do depósito recursal prévio. Mérito: b) Reitera os argumentos já expostos na impugnação supramencionada. Em síntese, requer o cancelamento da NFLD n° 37.043.3114, respaldado no argumento de que a empresa sempre esteve regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Eis o relato dos fatos. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 79 7 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa , Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação ‘a quo’ sem o recolhimento do depósito ou arrolamento, o que permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF, ‘in verbis’: STF Súmula Vinculante nº 21 PSV 21 DJe nº 223/2009 Tribunal Pleno de 29/10/2009 DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009 DOU de 10/11/2009, p. 1 Constitucionalidade Exigência de Depósito ou Arrolamento Prévios de Dinheiro ou Bens para Admissibilidade de Recurso Administrativo. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. GN Como dizem os latinos: ‘na clareza da lei cessa sua interpretação’. Estando a impugnação e o recurso voluntário tempestivos, não havendo a necessidade de recolhimento de depósito recursal e tão pouco arrolamento de bens, em razão de Súmula Vinculante, os pressupostos extrínsecos encontramse adequados, merecendo avaliação as preliminares e ao exame do mérito. DO PAT – PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Penso não ser apropriada a forma com que a administração Pública trata o empresariado com relação ao PAT, especificamente no caso em tela, onde a Recorrente cumpriu com o objeto principal do programa, ou seja, oferecer melhores condições ao trabalhador, e por mera formalidade ser considerada inadimplente com o mesmo. De mais a mais, a Recorrente procurou tempestivamente e antes da ação fiscal o Ministério do Trabalho e ficou presa na burocracia de informações desencontradas ou sem a devida condução legal, o que fere frontalmente o princípio da eficiência pública. É que as formalidades que prendem o empresariado em inscrição e não inscrição, renovação de certo período, noutro período a desnecessária renovação, no meu modesto pensar é um desrespeito do Estado para com aqueles e, ‘permissa venia’, chega a raia de afrontar até mesmo o princípio da legalidade. Sim, porque o que é legal dentro de pouco tempo passa ser ilegal, haja vista que a própria administração pública mudou a regra em diversas fase da existência do PAT, não informando devidamente os empregadores. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 A desordem e o desmando na administração pública causa ingerência ao empresariado, que se vê à mercê desta balbúrdia, perdendo mercado à concorrência, sendo execrado na Justiça do Trabalho e ainda tendo que pagar multas exorbitantes quando não acode a determinação de recadastramento. No caso em tela, tenho que houve uma inscrição inicial no PAT, onde a Recorrente atendeu, ao menos naquele momento, as necessidades estatuídas pela lei vigente. Tenho que houve alteração nas regras, e esta alteração é que trouxe prejuízo á Recorrente, sendo considerada pela fiscalização irregularidade, ensejadora de penalidade tributária. Seja como for, mesmo não acudindo a determinação de recadastramento a Recorrente continuou a executar o Programa de Alimentação ao Trabalhador, razão pela qual tenho que entendeu a fiscalização haver necessidade de cumprir formalidades, independente de se saber se o programa vinha sendo executado ou não. Mas, como ficou evidenciado nos autos, a Recorrente realizava o programa quando foi autuada, injustamente. E neste sentido, o conspícuo Superior Tribunal de Justiça, por diversas vezes tem se manifestado, acolhendo a tese de que o Programa tem que atender as suas finalidades, independente de ter acudido suas formalidades. ‘In verbis’: RECURSO ESPECIAL 1.051.294/PR 2008/00873730 Ministra ELIANA CALMON T2 SEGUNDA TURMA – 10/02/2009 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.119.787 - SP (2009⁄0112976-2) EMENTA Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/200789 Acórdão n.º 2301002.542 S2C3T1 Fl. 80 9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA.PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílio-alimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832⁄RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13⁄11⁄2007, DJ10⁄12⁄2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409⁄PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20⁄06⁄2006, DJ 24⁄08⁄2006 p. 102; REsp 719.714⁄PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06⁄04⁄2006, DJ 24⁄04⁄2006 p. 367; REsp 659.859⁄MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14⁄03⁄2006, DJ 27⁄03⁄2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. 3. Agravo Regimental desprovido PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que o pagamento do auxílio-alimentação in natura, ouseja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 827.832⁄RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13⁄11⁄2007, DJ 10⁄12⁄2007 p. 298) Assim, coaduno o meu modesto pensar com o Superior Tribunal de Justiça, onde mais vale atender a finalidade do Programa de Alimentação ao Trabalhador, ou seja, alimentar o trabalhador, do que cumprir as formalidades. CONCLUSÃO Isto posto, por acudir as exigências processuais, tenho que deve ser conhecido o presente recurso aviado, para acolher os fortes argumentos da Recorrente, julgando procedente em sua totalidade, já que não há necessidade de recolhimento de depósito recursal, e quanto ao PAT tenho que as pequenas formalidades que não foram cumpridas não são assaz para desfigurar a essência do programa que é alimentar o trabalhador. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Declaração de Voto 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 2. Neste sentido, entendo que os valores pagos a título de alimentação não está no escopo salarial, dada a natureza jurídica indenizatória e, portanto, não é devida a contribuição social previdenciária imposta pelo fisco. (assinado digitalmente) Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10580.731531/2012-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
IRPF. DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADO.
Afasta-se a glosa por falta de comprovação da relação de dependência, quando comprovado nos autos que se trata de companheira, com a qual o declarante possui filho, e de enteado.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ÔNUS DO FISCO. QUALIFICAÇÃO FUNDAMENTADA EXCLUSIVAMENTE EM CONDUTA REITERADA. PRECEDENTES DA 2ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
Ainda que o contribuinte não tenha se desincumbido do ônus de provar as despesas declaradas, é do Fisco o dever de provar o dolo na conduta do contribuinte, do contrário a multa de ofício, embora cabível, não pode ser aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, a fundamentação para a qualificação da multa foi exclusivamente a conduta reiterada em três exercícios. Tem prevalecido na jurisprudência da 2ª Turma da CSRF que a prática da infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o evidente intuito de fraude que justificaria a qualificação da multa.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADO. Afastase a glosa por falta de comprovação da relação de dependência, quando comprovado nos autos que se trata de companheira, com a qual o declarante possui filho, e de enteado. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ÔNUS DO FISCO. QUALIFICAÇÃO FUNDAMENTADA EXCLUSIVAMENTE EM CONDUTA REITERADA. PRECEDENTES DA 2ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Ainda que o contribuinte não tenha se desincumbido do ônus de provar as despesas declaradas, é do Fisco o dever de provar o dolo na conduta do contribuinte, do contrário a multa de ofício, embora cabível, não pode ser aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, a fundamentação para a qualificação da multa foi exclusivamente a conduta reiterada em três exercícios. Tem prevalecido na jurisprudência da 2ª Turma da CSRF que a prática da infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o evidente intuito de fraude que justificaria a qualificação da multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 15 31 /2 01 2- 60 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2008, 2009 e 2010, anocalendário 2007, 2008 e 2009, respectivamente, devido a glosa de deduções de previdência privada, dependentes, despesas com instrução, despesas médicas e pensão judicial, com aplicação de multa de ofício qualificada pautada pelo intuito de fraude na declaração sistemática de despesas indevidas em três exercícios. O impugnante sustentou que o lançamento era nulo por desconsiderar provas apresentadas e pelo fato de a descrição dos fatos impossibilitar o direito de defesa, no mérito, sustentou que as despesas são verdadeira, que foram comprovadas e que não agiu de forma fraudulenta. O acórdão recorrido deferiu a impugnação em parte, em síntese, com a fundamentação de que (a) o auto de infração descreveu de forma clara e suficiente as glosas efetuadas e que não houve cerceamento do direito de defesa por alegada falta de informação sobre os documentos que não teriam sido aceitos como prova, pois a defesa pode ser exercida com a juntada de provas à impugnação; (b) ficha do empregado não comprova relação de dependência e não foram apresentados documentos das pessoas que foram declaradas como companheira e enteado, todavia admitiuse a dedução dos pais; (c) quanto à qualificação da multa, os fatos relatados pelo autuante comprovam que o contribuinte informara falsamente deduções exageradas, sistemática e repetidamente em diversos exercícios com objetivo de.enganar a Administração e obter restituições indevidas e a prática reiterada da irregularidade basta para revelar o dolo, especialmente quando associada aos valores significativos das restituições; a alegação de que não dispõe dos documentos foge ao campo do possível, principalmente quando se trata de contribuições à previdência privada que declara à Mongeral em três exercícios, ou da pensão alimentícia a que estaria obrigado, documentos que poderiam ser obtidos a qualquer tempo nas correspondentes Instituições. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/201260 Acórdão n.º 2802003.047 S2TE02 Fl. 236 3 Ciente da decisão em 1707/2013, o recorrente interpôs o recurso voluntário em 06/08/2013, que em resumo, constituise das seguintes alegações: Preliminares 1. a autoridade fiscal não indicou elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão para desconsiderar os documentos apresentados, adotou interpretação do art. 73 do RIR1999 em desarmonia com o Estado de Direito e não observou os termos do §1º do art. 845 do RIR1999, a título de exemplo, indaga qual a razão de não terem sido considerados quatro dos cinco dependentes declarados, notadamente porque o documento que serviu de base para que a autoridade fiscal considerasse comprovada a relação de dependência de Diego de Souza Paiva é o mesmo que comprova a relação de dependência dos demais, e a descrição feita no Termo de Verificação Fiscal não possibilita o exercício do direito de defesa; adotando a mesma espécie de conduta a autoridade fiscal glosou as demais deduções e entendeu que o contribuinte agiu com intuito deliberado de fraudar; a subjetiva apreciação das provas desrespeitou o §1º do art. 904 do RIR1999; 2. sem saber quais os documentos foram ou não aceitos e em que medida os mesmos serviram para o lançamento e quais os fundamentos jurídicos em que se baseou a autoridade lançadora, sustenta a legalidade das deduções: 3. Roque Ribeiro Paiva e Aurelina Sacramento Paiva são pais biológicos do impugnante, condição reconhecida em primeira instância, Lucas de Souza Mendes é enteado, filho de sua companheira Soraia Pereira de Souza, condições constantes na ficha de dependentes prestadas pelo empregador, o que pode ser igualmente constatado pela análise dos documentos anexos que atestam coabitação, desde 2004, (com a companheira) e filiação (enteado); 4. Corrobora a assertiva de que não agiu fraudulentamente, o fato de ter um outro filho, Rafael Ribeiro Paiva, que não declarou como dependente, pois já consta como dependente da exesposa; 5. a glosa das despesas com instrução e médicas relativas aos dependentes decorreu da glosa dos dependentes; 6. ratifica que realizou as despesas médicas declaradas, que efetivou gastos com o filho biológico do primeiro casamento, em que pese não haver pensão judicial formalizada, e que não agiu fraudulentamente, sustenta que não se pode confundir a inexistência de documentos comprobatórios e o intuito de fraude; sem a prova contundente do intuito fraudulento, consoante doutrina e precedentes, devese aplicar o art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. O recorrente desistiu do recurso voluntário em relação ao anocalendário 2007 (fls. 223 e ss.). Consequentemente, o crédito tributário correspondente foi transferido para o processo 10580721.282/201466 (fls. 232). O processo foi distribuídos a este Relator, por sorteio, durante a sessão de maio de 2014. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Preliminares No Termo de Verificação Fiscal, que integra o auto de infração, foi descrito que após a intimação fiscal, houve um pedido de prorrogação de prazo e em seguida o contribuinte apresentou parte da documentação solicitada, do que decorreu a glosa parcial das deduções, os valores comprovados foram acatados, a falta de apresentação de documentação comprobatória foi o que motivou a glosa. O Termo de Verificação Fiscal é suficiente para o exercício do contraditório e da ampla defesa. O recorrente alega que não foi informado o motivo da desconsideração da documentação, mas não comprova que tenha apresentado documentos não acatados pela Fiscalização. Houvesse apresentado como alega, poderia ter comprovado na fase contenciosa sem qualquer prejuízo. Preliminar rejeitada. Mérito Em relação aos anocalendário 2008 e 2009 as glosas em litígio referemse a contribuições à previdência privada, dependentes (Soraia e Lucas), despesas com instrução e despesas médicas. O recorrente alega que não tem documento comprobatório relativo às despesas médicas e com instrução. De outro giro, comprova que possui com a Srª Soraia Pereira de Souza o filho Diego de Souza Paiva (fls. 189) e vida em comum (cohabitação, cotitularidade de conta corrente, dependência na empresa em que trabalha). Portanto, está comprovado o direito a ter a companheira como dependente. Às fls. 217, comprovouse que o dependente declarado Lucas Souza Mendes Santos é filho de Soraia de Souza Mendes Santos e que possuía menos de 21 anos nos ano calendário em análise. É razoável concluir que se trata da mesma Srª Soraia, e que a diferença em parte do nome (Soraia Pereira de Souza x Soraia de Souza Mendes Santos) se deve à alteração nominal em virtude de casamento (possivelmente com o pai de Lucas, Sr. Antônio Jorge Mendes Santos), entendimento reforçado pelo cadastro no Banco do Brasil (fls. 193), o qual mostra que Pereira de Souza faz parte do nome do pai da Srª Soraia. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/201260 Acórdão n.º 2802003.047 S2TE02 Fl. 237 5 A dedução em questão é prevista no art. 35 da lei 9.250/1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho;(...) Com isso, devese restabelecer a dedução de dependentes referente a Soraia Pereira de Souza (companheira) e Lucas Souza Mendes Santos (enteado). A falta de comprovação das demais deduções legitima as glosas respectivas. Da qualificação da multa de ofício. A apuração de imposto decorrente da glosa das deduções, independentemente do dolo, tem como conseqüência imediata a aplicação da multa de ofício, mas para que haja a qualificação dessa multa exigese da autoridade lançadora a prova do dolo. Uma glosa de despesa por falta de comprovação, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Cabe à autoridade fiscal autuante, e não ao Órgão Julgador descrever a fundamentação para a qualificação. Neste caso concreto, a fundamentação foi registrada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 102): “A prática sistemática de pleitear deduções não comprovadas, em três anos calendário consecutivos, demonstra que o contribuinte agiu com dolo, objetivando reduzir a base de cálculo do imposto, de modo a aumentar o valor a ser restituído.” A autoridade fiscal fundamentouse, exclusivamente, na reiteração da conduta em exercícios seguidos para comprovar o intuito doloso, porém a jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF tem considerado que a conduta reiterada, isoladamente, não é suficiente para qualificar a multa de ofício, como se exemplifica pelos excertos de precedentes abaixo, da 2ª Turma da CSRF. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO, DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a aplicação da multa qualificada, sobretudo Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. (acórdão 9202002.341, de 24 de setembro de 2012, no mesmo sentido o acórdão 9202002.340, de mesma data). (grifos acrescidos) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apontada conduta reiterada de pessoa física nos exercícios de 2002, 2003 e 2004, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS DIFERENTES DE NOTAS FISCAIS E DOCUMENTOS OFICIAIS. POSSIBILIDADE. É admitida a comprovação de receitas da atividade rural com documentos diversos daqueles usualmente utilizados para esse fim, como ocorreu no presente caso, posto que comprovada está a receita oriunda de venda de gado. Mesmo admitindo a comprovação de receitas da atividade rural com documentos diversos daqueles usualmente utilizados para esse fim, o contribuinte não logrou êxito nesta comprovação. Pelo contrário, o fisco promoveu a glosa das receitas de atividade rural com a venda de cereais porque comprovou que o recorrente não exerceu a referida atividade em decorrência da inexistência das despesas necessárias e imprescindíveis à alegada produção agrícola. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do Contribuinte provido em parte. (Acórdão 9202002.361, de 25 de setembro de 2012). (grifos acrescidos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU ELEVADO MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. (...) (grifos acrescidos) (acórdão 9202002.653, de 24/04/2013) (...) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/201260 Acórdão n.º 2802003.047 S2TE02 Fl. 238 7 COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. A qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, não prospera a aplicação da multa qualificada com base em simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, quando da inocorrência de conduta (comissiva) do sujeito passivo no sentido de impedir a ciência, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.(Acórdão 9202003.096, de 25/03/2014. No mesmo sentido: Acórdão 9202002.956, de 06/11/2013).(grifos acrescentados) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta do contribuinte, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. (Acórdão 9202003.195, de 08/05/2014) (grifos que não constam do original) Enfim, de um lado o recorrente não se desincumbiu de provar as despesas, de outro, o Fisco não se desincumbiu do dever de provar o dolo, o que justifica manter a glosa, porem desqualificar a multa, exigindoa no patamar da multa de ofício regular (75%). Portanto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10680.015129/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão recorrida acrescenta outros argumentos àqueles já constantes do Termo de Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito tributário se mantém inalterado. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar a manutenção deste lançamento.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES. INTERESSE COMUM.
A responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o interesse comum, é de ser mantida a solidariedade.
IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho.
TAXA SELIC
Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO.
A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 2102-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/07/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão recorrida acrescenta outros argumentos àqueles já constantes do Termo de Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito tributário se mantém inalterado. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar a manutenção deste lançamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o interesse comum, é de ser mantida a solidariedade. IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão recorrida acrescenta outros argumentos àqueles já constantes do Termo de Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito tributário se mantém inalterado. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar a manutenção deste lançamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o interesse comum, é de ser mantida a solidariedade. IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 51 29 /2 00 8- 20 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/07/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 7/27 para exigência do Imposto sobre a Renda retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos cuja causa não foi demonstrada ou relacionados a operações não comprovadas, conforme o TVF de fls. 29/38. Cientificada do lançamento, por meio de edital, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 209/245. Sua irresignação foi assim resumida pela decisão recorrida:. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 396 3 Tempestividade • A impugnante tomou ciência do auto de infração em 21.11.2009, por via postal. 0 prazo para a defesa é de trinta dias, nos termos do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972. Sendo assim, o prazo não se encerra antes de 22.12.2007. Apresentada nessa data, a impugnação é manifestamente tempestiva. Resenha dos fatos • A pretensão por parte da Fazenda Nacional de responsabilizar Marco Aurélio Prata é totalmente improcedente, uma vez que, sendo ele mero contador da empresa, não há nenhuma prova de que tenha agido de forma dolosa, com excesso de poderes ou infração de lei, a par da simples falta de pagamento do tributo. Não obstante, insiste a fiscalização em conferir a essa pessoa fisica a mencionada responsabilidade, como se isso fosse possível fazer ao arrepio da lei e das provas que se juntam à impugnação. • As acusações da fiscalização, sobre repousarem em meros indícios não comprovados e, por isso, sem maior valia, podem ser facilmente contestadas por meio da documentação acostada aos autos, esta sim, probante e robusta. Preliminares • Questionase a legitimidade do termo de sujeição passiva solidária, uma vez que o Decreto n° 70.235, de 1972, a ele não faz nenhuma referência. Não se alegue que o artigo 8° desse decreto e o artigo 135 do CTN dariam embasamento legal ao documento. • t sabido que todos os termos e atos lavrados pelas autoridades fiscais prescindem de autorização legal e de normas infralegais para surtir os efeitos que lhes são próprios e ser validamente eficazes. Não é o que se verifica do termo de sujeição, que nem sequer traz sua fundamentação legal. Por essa razão, é requerido que seja o documento desentranhado dos autos, sob pena de nulidade. • 0 processo administrativo fiscal fundamentouse, inicialmente, no Decreto n° 70.235, de 1972, legislação vetusta e por demais posta em prática, principalmente nos inúmeros acórdãos emitidos pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Tais normas visam disciplinar as duas vertentes mais importantes do processo administrativo fiscal, a saber, os procedimentos fiscais e de julgamento e os instrumentos necessários para realização desses procedimentos. • Entre estes últimos avultam os termos expedidos pela fiscalização no curso dos procedimentos de auditoria fiscal. São eles conhecidos e vigentes até o momento presente: termo de inicio de fiscalização, termo de intimação e reintimação fiscal, termo de retenção de documentos, termo de lacração de móveis, termo de encerramento da ação fiscal, todos criados em atos administrativos infralegais, os quais contem a sua normatização e limites. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 • 0 termo de sujeição é documento desconhecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Não havia sido emitido nos procedimentos anteriores e tratase de coisa inédita, verdadeiro corpo estranho à intimação e ao auto de infração. Por isso, não pode compor o processo fiscal. • Por se apoiar a pretensão fiscal em flagrante nulidade processual e tendo em vista se tratar de documento espúrio e sem nenhuma referencia quanto a sua criação e origem legal, pedese que seja desconsiderado, com o consequente cancelamento do lançamento e arquivamento dos autos. Mérito — decadência • A fiscalização adotou entendimento que diverge frontalmente da melhor jurisprudência administrativa. • Desde a vigência do Decretolei n° 1.967, de 1982, o imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) tornouse um tributo lançado por homologação. Uma vez vigorante o novo sistema, continuou o IRPJ a incidir anualmente sobre os lucros, a despeito de as empresas não aguardarem mais uma manifestação do fisco antes de realizarem o recolhimento. • Com o agravamento do processo inflacionário, o legislador transformou o IRPJ em imposto mensal, por meio da Lei n° 8.383, de 1991. Portanto, não resta dúvida, quer na jurisprudência, quer na doutrina, que o IRPJ é tributo lançado por homologação e incide sobre o lucro apurado mensalmente. • Cai por terra o entendimento, hoje superado, de que, nos casos em que não houve recolhimento, iniciarseia a contagem do prazo de decadência do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, o qual só é aplicável nos casos de impostos lançados por declaração. • Uma vez fixada a espécie de lançamento do IRRF, pago pelas pessoas jurídicas (por homologação) e os períodos relativos aos fatos geradores apurados, todos mensais, tornase forçoso concluir que o lançamento fiscal relativo aos meses de janeiro a novembro de 2003 é nulo de pleno direito. Já havia decaído o direito do fisco com relação aos fatos geradores ocorridos até 21.11.2003, em decorrência do disposto no § 4 0 do artigo 150 do CTN. • Conforme demonstra ementa de acórdão atribuído ao Conselho de Contribuintes, é possível afirmar que a orientação jurisprudencial solidificouse ainda mais a partir da edição da Lei n°8.383, de 1991, que deslocou o fato gerador do IRPJ do período anual para o mensal e atribuiu ao contribuinte o dever de apurar o IRPJ sem exame prévio ou notificação da autoridade administrativa. • Ao efetuar o lançamento, a autuante fez tabula rasa do contido no artigo 150, § 4°, do CTN e da jurisprudência sobre a matéria, tentando tributar supostos fatos geradores já atingidos pela decadência, sem ter provado a existência de ato doloso ou de outra circunstância agravante. A Fazenda Pública somente poderia constituir crédito tributário de IRRF caso os pagamentos tivessem ocorridos após 21.11.2003. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 397 5 • Nestas circunstâncias, esperase que a preliminar ora suscitada seja acolhida e que seja determinado o cancelamento da exigência fiscal. A decadência está provada, uma vez que os períodos considerados para cálculo do IRRF pelo lançamento são os quatro trimestres de 2003. Estão atingidos pela decadência, na melhor hipótese, os onze primeiros meses de 2003. Ilegalidade dos juros Selic na correção de débitos tributdrios • Não obstante a existência de súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes em sentido contrário, contestase a legalidade da aplicação dos juros Selic ao débito lançado. • 0 artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995, apontado como fundamento legal da exigência de juros, padece de vícios que impedem sua aplicação. • 0 legislador não se ocupou de esclarecer o que seria essa taxa ou de determinar como ela devia ser calculada, mas simplesmente ordenou que fosse aplicada. Esse é o primeiro defeito jurídico da norma. 0 CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora e, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês (art. 161, § 1°). Assim, o CTN estava exercendo a obrigação de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária quanto ao crédito (art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988— CF 1988). • Existe a possibilidade de cobrar juros diversos do montante de 1% ao mês, mas a forma como serão calculados deve obrigatoriamente estar fixada em lei, em seu sentido estrito, pois só a ela é permitido determinar uma taxa de juros diversa da prevista no CNT. Isso, porém, não foi feito na norma citada. • Como a taxa Selic era uma taxa já existente (foi criada pela Resolução BC n° 1.124, de 1996), regulamentada e fixada pelo Banco Central, é esse órgão quem está fixando e regulamentando a taxa de juros a ser paga pelo contribuinte em atraso. As leis determinadoras da aplicação da taxa Selic nada determinam, a não ser que o Banco Central fixe os juros que julgue convenientes. • Tal situação encerra verdadeira e ilegal delegação de poderes. O CTN determinou que competia ao legislador ordinário fixar uma taxa de juros diferente da de um por cento, e não que caberia ao Banco Central essa atividade, ou que competia a lei ordinária atribuir a um órgão do Executivo a tarefa de estabelecer parâmetros da taxa de juros dos débitos tributários em atraso. • 0 CTN regula as limitações ao poder de tributar, funcionando como um estatuto do contribuinte. Dessa forma, ao determinar que a taxa de juros é de um por cento se a lei não dispuser de forma contrária, o CTN não está permitindo ao legislador fixar Fl. 749DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 uma taxa de juros superior a um por cento ao mes, mas tão somente inferior. Nesse sentido é a doutrina que examinou a matéria. Sendo a taxa Selic invariavelmente superior a um por cento, sua incidência nos débitos tributários é novamente contrária ao § 10 do artigo 150 da CF 1988. Segundo essa regra constitucional, é vedado exigir ou aumentar imposto sem lei que o estabeleça. • Os juros incidem por um descumprimento da norma legal, configurando, por consequência, uma sanção. As sanções devem estar previstas em lei em sentido estrito. • Tornase ainda mais evidente a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic quando se verifica o descompasso existente entre a natureza e fundamentação da taxa Selic e as relações existentes no campo tributário. Ela reflete a liquidez dos recursos financeiros do mercado monetário. Seu uso para correção dos débitos tributários é inadequado, pois ela diz respeito A álea e ao risco do mercado financeiro. Todavia, contribuinte não é investidor e tributo devido não é titulo federal. • As características da taxa Selic, a falta de previsão legal e a inadequação entre sua natureza e o campo tributário, que vêm somarse A delegação de competência contrária ao CTN, tornam sua aplicação aos débitos tributários absolutamente inaceitável, razão pela qual deve ser prontamente afastada. In aplicabilidade da multa agravada de 150% • Com respeito A matéria em epígrafe, transcrevese na impugnação o voto proferido no acórdão n 10321527 pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no qual é examinada a impropriedade de aplicar a multa agravada a supostos ilícitos não comprovados como tais, a exemplo dos descritos no auto de infração, sobretudo se se considera que a tributação proposta repousa totalmente sobre pagamentos sem causa, capitulo que se insere no rol das presunções legais. • Na situação dos autos, de forma idêntica, não ficaram provadas a máfé e a ilicitude dos atos praticados, razão pela qual a penalidade em comento não tem como prosperar. Os argumentos da defesa aqui expostos demonstram a saciedade que existem inúmeras dúvidas e meias provas na ausência de um correto levantamento dos fatos. Além disso, todos os faturamentos da empresa tiveram os impostos federais retidos, conforme a Lei n° 10.833 e o artigo 31 do RIR. Se os impostos federais foram retidos, recolhidos e declarados pelos tomadores de serviços, não há falar em máfé e ilicitude dos fatos praticados pela impugnante. Toda distribuição de lucro é isenta, conforme Lei n° 9.249, de 1995, artigo 10. Estas circunstâncias invalidam a auditoria e a suposta comprovação, absolutamente inexistente, dos ilícitos. • Cabe invocar a Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a Fl. 750DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 398 7 comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Após a edição dessa súmula, o tema já não comporta discussões. • 0 julgado põe fim a eventuais dúvidas acerca do assunto e indica a necessidade de aprofundamento maior da auditoria fiscal quando se tratar da apuração de ilícitos tipificados como crime de natureza tributária. Tal pesquisa, a exemplo da situação em exame, não é feita pela fiscalização, nos casos de tributação por presunção de pagamentos supostamente feitos sem causa. Diante da inexistência de prova efetiva da máfé ou do evidente intuito de fraude não há falar em multa de 150% nem em representação fiscal para fins penais. Não é o outro o entendimento do Conselho de Contribuintes, conforme as ementas transcritas na impugnação. • A citada súmula vem em boa hora, pois a fiscalização andava exorbitando em autuações fiscais a esse titulo, aplicando a multa majorada em qualquer circunstância, sem se preocupar em provar o evidente intuito de fraude. • Admitir a aplicação da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção de omissão de receitas por falta de comprovação de origem dos depósitos bancários implica legitimar a acusação de dolo, fraude ou simulação por presunção da presunção, o que afronta o disposto no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que exige a prova do crime para a exasperação da penalidade. • Uma vez comprovada a inaplicabilidade da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção, esperase que a preliminar seja acolhida e que seja determinado o cancelamento da exigência fiscal relativa aos anoscalendários de 2003, 2004, e 2005. Impossibilidade de responsabilização pessoal do impugnante pelo débito tributário • A argumentação da Fazenda Nacional para atribuir responsabilidade pessoal a Marco Aurélio Prata, nos termos do artigo 135 do CTN, não deve prevalecer, uma vez que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça uniformemente entende que a falta de pagamento de tributo não enseja essa responsabilidade, porque não caracteriza infração de lei. • 0 fisco, contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritária, entende que é despiciendo perquirir se houve dolo ou máfé e que a simples falta de recolhimento dos tributos no prazo legal é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal do dirigente, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado. Todavia, segundo o artigo 135 do CTN, não respondem por débito fiscal da sociedade os diretores, sóciosgerentes e representantes legais que não tenham praticado atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. • A regra é não responderem essas figuras pessoalmente. Sua responsabilização é exceção, que s6 se faz oportuna quanto aos Fl. 751DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 tributos incidentes sobre atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. • Tem razão Hugo de Brito Machado ao sustentar que a falta de recolhimento de tributo constitui uma ilicitude, porquanto o conceito lato de ilícito é o descumprimento de qualquer dever jurídico, decorrente de lei ou contrato. Mas a infração a que se refere o artigo 135 não é objetiva, e sim subjetiva, dolosa. Dos casos de responsabilidade de terceiros por mera culpa, nos atos em que intervierem e pelas omissões de que foram responsáveis, cuida o artigo 134. No artigo 135, o dolo é elementar e ha de ser rigorosamente provado. Abonase o argumento com exemplo de decisão atribuida ao Supremo Tribunal Federal. • Não há falar em responsabilidade pessoal da pessoa fisica do procurador da empresa pela divida desta, uma vez que não há nenhuma prova, nem mesmo alegação, de que tenha agido de forma dolosa, com excesso de poderes ou infração de lei, a par da simples falta de pagamento de tributo. Ilustrase o argumento com a citação de inúmeras decisões atribuídas h. Justiça. • A responsabilidade dos dirigentes pelo pagamento dos tributos não recolhidos pela pessoa jurídica depende da intenção do agente ou do responsável, sem embargo do disposto nos artigos 135 e 136 do CTN. A própria disposição do artigo 136 do C'TN encerra caráter supletivo, evidenciado por sua própria introdução e deve ser interpretada em harmonia com o artigo 112 do mesmo CTN, que versa sobre princípios de interpretação e aplicação e abre ensanchas A consideração equitativa dos conflitos fiscais e em harmonia com o artigo 137 do CTN. • Portanto, é descabida a indicação de Marco Aurélio Prata como responsável solidário pelo débito não pago pela empresa, razão pela qual se impõe o arquivamento do termo de sujeição passiva e o cancelamento do débito que lhe foi imputado. Mérito das imputações • A impugnante declarou o total das receitas por ela recebidas nos anoscalendários de 2003, 2004 e 2005. Nada havia de irregular nas DIPJ e DCTF entregues. A autuação fiscal foi feita não por receitas recebidas, mas por meros pagamentos feitos. Todos os dados constantes no auto de infração foram retirados das declarações apresentadas pela impugnante. Assim, a fiscalização nada descobriu de ilícito no proceder da impugnante como contribuinte de tributos federais, valendose de dados que lhe foram ofertados pela própria impugnante. Esse procedimento, por si s6, afasta as figuras do dolo e da máfé, que existem sempre quando a empresa age de forma dissimulada, ocultando práticas ou falsificando dados que serão entregues a autoridade fiscal. Na situação vertente, não houve, em nenhum momento, tal ocultação, o que significa que a autuante não trouxe aos autos nenhum dado novo nem desconhecido. Ao contrário, a fiscalização sempre se referiu aos dados das declarações apresentadas pela impugnante. Não houve tampouco declaração inexata, mas meros pagamentos feitos pela impugnante considerados sem causa, tudo dentro de Fl. 752DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 399 9 procedimento no qual se aplica uma presunção legal criada em lei. • Marco Aurélio Prata sempre se apresentou perante a fiscalização como contador da empresa, nunca deixando de prestar, por outro lado, informações a respeito A autoridade fiscal. A prova disso pode ser vista, com facilidade, na resposta que o interessado deu A fiscalização, em 03.10.2007, conforme documento que se encontra nos autos, no qual esta dito que ele era o único contador responsável pelos serviços contábeis prestados pela empresa no anocalendário de 2003, na condição de profissional liberal autônomo, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. • Do fato de a pessoa fisica mencionada ser apenas contratada (e não sócia), a fiscalização inferiu que houve máfé e, por via de consequência, crime de sonegação fiscal. A pretensão da autuante, porém, não pode subsistir. A pessoa fisica envolvida nunca negou ter sido contratada pela empresa como contador que lhe prestaria serviços. Não se vislumbra crime algum no fato de uma empresa contratar profissional qualquer, terceirizando os serviços por ela vendidos. Recordese que todos os dados utilizados pela fiscalização na lavratura do auto de infração, ou foram obtidos diretamente nas declarações apresentadas pela impugnante, ou foram entregues e declarados pelo contador Marco Aurélio Prata à autuante. Tal procedimento afasta a possibilidade de se cogitar em máfé. • Conforme certidão que se junta A impugnação, a autuada nunca teve, em momento algum, José Ferreira Primo como sócio, absolutamente nada sabendo os demais sócios a respeito da figura dele. A menção ao seu nome decorreu de erro grosseiro de digitação do seu CPF n°989.671.26891 no lugar do CPF n° 405.640.10634 do verdadeiro sócio, João Batista de Azevedo, ocorrido por ocasião da primeira alteração contratual. • 0 fato pode ser comprovado claramente, pois as alterações posteriores, constantes nos autos em momento algum mencionam a pessoa ou o CPF de José Ferreira Primo. Assim, em momento algum seu nome foi usado indevidamente ou sem seu consentimento. 0 erro s6 foi detectado quando arquivada a 6a alteração contratual, pois na transmissão dos dados da alteração para a Receita Federal se constatou que a participação societária da empresa totalizava 101 %, ou seja, os mesmos 1% de participação constante na primeira alteração contratual de propriedade de João Batista de Azevedo. • Cabe perguntar, de qualquer forma, quais vantagens, licitas ou ilícitas, teve a autuada em declarar um sócio que ela própria desconhecia. A fiscalização não responde a essa pergunta no termo de verificação fiscal; limitase a levantar dúvidas a respeito da lisura do procedimento da autuada. Reiterase o pedido de que a declaração juntada a esta impugnação seja Fl. 753DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 examinada pelos julgadores. Conforme provado, a inclusão do nome do desconhecido José Ferreira Primo não se deu por culpa da autuada, mas por mero erro de digitação. Dessa falha não adveio nenhuma vantagem para a autuada. Nessas condições, não pode produzir e embasar entendimentos desfavoráveis A autuada no aspecto processual e jurídico, razão pela qual se pede que o episódio seja desconsiderado como irreal, fictício e absurdo. • Juntamse à impugnação documentos que provam ter sido Marco Aurélio Prata fiscalizado pela DRF/Belo Horizonte quanto ao exercício de 2005. Em consequência, em 06.08.2008 foi lavrado um auto de infração, que foi impugnado pelo interessado. Isso vai de encontro ao disposto no artigo 906 do RIR 1999. • Não consta do procedimento fiscal nenhum documento que possa substituir a ordem prevista no preceito citado. Tratase de preceito legal imprescindível, razão pela qual o lançamento, quanto ao exercício de 2005 deve ser integralmente considerado nulo. 0 mandado de procedimento legal não pode substituir a ordem escrita a que alude tal norma. A esse respeito já se pronunciou o Primeiro Conselho de Contribuintes, afastando a possibilidade de acolher tal entendimento. • Em face do exposto, pedimos que seja acatada a preliminar de nulidade ora exposta, arquivandose o feito fiscal quanto ao exercício de 2005. A preliminar vale tanto para a pessoa fisica de Marco Aurélio Prata quanto para a Arquivo Empresarial Ltda, uma vez que ambas, no entendimento da fiscalização, respondem pelo crédito tributário. Assim, o provimento pelo tribunal administrativo de parte de uma das impugnações aproveita a outra naquilo que lhe for favorável. • Finalmente, juntamse A impugnação o livro caixa, onde se declara o faturamento com todos os impostos federais retidos, conforme Lei n° 10.833 e o artigo 31 do RIR e no qual se encontra provada a causa dos pagamentos feitos nos anos de 2003 a 2005. • Compulsandose as páginas desse livro, convencese de que: a) a empresa teve obviamente custos e despesas, como qualquer empresa; b) os cheques sacados na boca do caixa e que tiveram como beneficiária a própria empresa eram destinados a pagamentos diversos, os quais, por sua vez, estavam destinados a cobrir despesas diversas, além de lucros distribuídos aos sócios, isentos de imposto de renda, conforme Lei n° 9.249, de 1995, e artigo 10 do RIR. • Caso se aceite o entendimento da fiscalização como correto e válido, haveria de se concluir que nos três anos fiscalizados a empresa não teve nenhum custo ou despesa, já que todos os pagamentos feitos por ela foram considerados receitas ou pagamentos sem causa. • Tal conclusão é absurda e não pode prosperar, por conflitar frontalmente com o principio básico de contabilidade, aplicável ao IRPJ, segundo o qual não existe receita sem despesa. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 400 11 Poderseia eventualmente questionar parte dos pagamentos feitos, mas nunca todos eles como pagamento sem causa. • A vista dos livros caixa ora apresentados, os pagamentos foram realizados com cheques sacados na boca do caixa, em razão de serem os valores destinados, posteriormente, ao pagamento de diversas despesas, que beneficiariam diversos profissionais. De qualquer forma, a existência de um livro razão, no qual são discriminados os pagamentos feitos pela autuada, merecerá a atenção e apreciação dos julgadores. Pedido • Em face do exposto, requerse que sejam acatadas as razões de defesa e que o feito seja arquivado. O sócio Marco Aurélio Prata, tendo tomado ciência do lançamento por via postal, apresentou a impugnação de fls. 268/304, com conteúdo idêntico ao da peça impugnatória ofertada pela pessoa jurídica. Na análise de todos estes argumentos, os integrantes da DRJ em Belo Horizonte decidiram pela integral manutenção do lançamento, rejeitando as nulidades suscitadas e mantendo também a sujeição passiva solidária. Inconformada, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário (em conjunto com o responsável solidário) de fls. 366/388, por meio do qual afirma que as razões de impugnação estariam sendo reiteradas, e que por terem sido os lançamentos julgados em conjunto (em face da empresa e da pessoa física), o Recurso interposto era um só para aproveitar a ambos. Daí porque seriam objeto do recurso não só o lançamento do IRRF, mas também a sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Marco Aurélio Prata. Pugnou pelo reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, a qual teria se tornado um verdadeiro apêndice do Auto de Infração, já que acabou por trazer mais fundamentos para o lançamento, ao invés de simplesmente julgar as razões de impugnação. Entende que deveria ter sido intimada a contraditar tais argumentos, por serem inovações no processo. Suscitou ainda a decadência parcial do lançamento, quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2003, indevida utilização da taxa Selic como juros, e a inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. Seu pedido final foi assim resumido: Em face a todo o exposto, requer a Impugnante o acolhimento de suas razões de defesa relativas (1) ao pedido de anulação da decisão de primeira instância, tendo em vista a existência de cerceamento do direito de defesa, (2) decadência do direito de o fisco lançar, (3) a aplicação indevida dos juros SELIC e (4) o agravamento injustificado da multa de oficio pela não comprovação da prática de qualquer ilícito penal. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 25.03.2009, como atesta o AR de fls. 365. O Recurso Voluntário foi interposto em 22.04.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRRF sobre pagamentos cuja causa deixou de ser comprovada. O lançamento foi efetuado em face da pessoa jurídica Arquivo Empresarial, mas foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Marco Aurélio Prata. A decisão recorrida foi uma só, que tratou de ambas as Impugnações. Em face de tal decisão, a pessoa jurídica Arquivo Empresarial interpôs o Recurso Voluntário, no qual afirma que: Outra observação de suma importância a ser feita é a resumida no fato de que havia, na época da lavratura dos autos de infração, duas notificações fiscais, a primeira do processo fiscal de no. 10.680.015129/200820, relativo à pessoa jurídica Arquivo Empresarial Ltda., e outra notificação fiscal mencionando o mesmo número, relativa pessoa física de Marco Aurélio Prata, CPF no. 428.562.80668. Ambas as notificações estão ora juntas, tendo sido julgadas na mesma ocasião e pelo mesmo acórdão da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte. Pugna assim que o Recurso Voluntário – apesar de estar em seu próprio nome – seja aproveitado para ambas as partes. Este pedido merece acolhida por dois motivos. Primeiro, porque o AR de fls. 365, por meio do qual deuse ciência “às partes” da decisão recorrida está em nome do Sr. Marco Aurélio Prata, tendo o nome da pessoa jurídica ao lado, entre parêntesis. Pelo que consta dos autos, este foi o único AR enviado, de forma que houve verdadeira confusão entre as partes (sujeito passivo principal e responsável solidário). Em segundo lugar, foi o Sr. Marco Aurélio que assinou o recurso em nome da empresa (ou em conjunto com ela), demonstrando que corroborava tudo o quanto estava ali expresso. Acresçase a isto que a própria decisão recorrida trata as impugnações de forma una, razão pela qual seria, a meu ver, um formalismo exacerbado a exigência de que ambas as partes interpusessem seus respectivos Recursos Voluntários. Assim, entendo que o Recurso interposto deve ser entendido como recurso de ambas as partes interessadas, aproveitando a ambas. Passase, então, à sua análise. Em sua defesa, os Recorrentes suscitam: i) a nulidade da decisão recorrida que inovou no fundamento utilizado para manter o lançamento, notadamente no que diz respeito à qualificação da multa de ofício; ii) a falta de previsão legal para a lavratura do termo de sujeição passiva solidária; iii) a decadência com relação aos meses de janeiro a novembro de Fl. 756DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 401 13 2003; iv) a ilegalidade da incidência da Selic sobre o crédito tributário; v) inaplicabilidade da multa agravada de 150%; vi) impossibilidade de responsabilização pessoal do Sr. Marco Aurélio Prata; vii) a se admitir que todos os pagamentos efetuados pela empresa não tiveram causa, estarseia admitindo que a mesma não teve quaisquer custos e despesas, o que seria inadmissível. Nulidade da decisão recorrida Alegam os Recorrentes que teria havido cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que a decisão recorrida teria inovado ao justificar as razões para a manutenção da multa de ofício qualificada aplicada ao lançamento. No entanto, a alegada inovação não implica em qualquer nulidade no processo. Isto porque a decisão recorrida apenas trouxe mais argumentos a justificar a qualificação da multa, sem que tais argumentos agravassem a situação da Recorrente, pois o crédito tributário já estava devidamente constituído através do lançamento. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar, no entender das autoridades julgadoras, a manutenção da qualificação da multa de ofício aqui aplicada. Como não houve qualquer tipo de agravamento à situação da Recorrente, não há que se falar em nulidade. Ademais, com a abertura do prazo para interposição do Recurso Voluntário, abriuse o prazo para a Recorrente contraditar todos os argumentos utilizados pela decisão recorrida, de forma que cerceamento do seu direito de defesa não há (e não houve). Por isso, não merece a colhida a referida preliminar. Termo de Sujeição Passiva Solidária e a Responsabilização do Sr. Marco Aurélio Prata Conforme mencionado anteriormente, o Recurso Voluntário foi interposto pela pessoa jurídica (Arquivo Empresarial Ltda.) e também pela pessoa física (Marco Aurélio Prata) contra a qual foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 42/43. Nele foi questionada esta sujeição passiva que, segundo os Recorrentes, não encontra fundamento em lei. Como os Recorrentes tratam em 2 tópicos diversos deste mesmo tema, ficam ambos aqui reunidos para fins deste julgamento. A justificativa utilizada pela autoridade lançadora para lavrar o referido termo de sujeição passiva foi a seguinte: Verificouse que a empresa não pagou e nem declarou à Secretaria da Receita Federal do Brasil o Imposto de Renda na Fonte sobre os pagamentos efetuados às pessoas física e jurídicas nos anoscalendário de 2003 a 2005, caracterizados como pagamentos sem causa. Verificouse ainda que, aliado à omissão quanto à obrigação tributária, o contribuinte retirouse de direito da sociedade sem, no entanto, deixar de exercer as funções de sócio administrador. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 Desse modo, a infração à legislação tributária e a simulação de retirada da sociedade se revestem de atos pessoais do sócio de fato. Em vista desses acontecimentos, que estão detalhados no Termo de Verificação Fiscal — TVF anexado neste processo, cabe consignar, primeiramente, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional — CTN relaciona como Sujeito Passivo da obrigação principal, juntamente com o Contribuinte, a figura do RESPONSÁVEL. Assim, restando caracterizada a Sujeição Passiva Solidária nos termos dos artigos 121, 124 e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), fica o Sujeito Passivo Solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária do Imposto de Renda Retido na Fonte lavrado contra a Pessoa Jurídica ARQUIVO EMPRESARIAL LTDA, CNPJ 65.165.847/000171, na data de 24/12/2008, e controlado pelo Processo Administrativo Fiscal n° 10680.015129/200820, do qual faz parte o presente Termo. Como se vê, a lavratura deste termo foi fundada na premissa de que o Sr. Marco Aurélio Prata teria ocultado do Fisco o fato de ainda atuar como administrador da pessoa jurídica autuada, e teve como base legal os arts. 121, 124 e 135, III do CTN, cuja aplicabilidade neste caso concreto é a seguir analisada. Quanto à aplicação das referidas normas em casos como este, já me manifestei por ocasião do julgamento do Acórdão nº 210200.562, de 12 de maio de 2010, ocasião em que foi apreciada a sujeição passiva solidária de forma semelhante ao julgamento realizado pela então 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, através de voto cuja relatoria foi do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, e do qual se extrai: (...) Da responsabilidade solidária (...) Pois bem, o Código Tributário Nacional — CTN, no seu artigo 121 assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: 1— contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II — responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em Fl. 758DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 402 15 função de estado da pessoa, isto é ser proprietário de imóvel, importar mercadoria obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, "é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo." A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do CTN só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, além do art. 121, II, os artigos 124, I e 135, II e III. Passo ao exame desses outros dispositivos. Reza o art. 124, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II — as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso 1. A questão aqui é definir o alcance da expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto", tema controvertido dada a vagueza da expressão. Paulo de Barros Carvalho a reconhece quando diz que "o interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. 1, o aparecimento da solidariedade entre os devedores", mas exclui a simples participação nos acontecimentos envolvendo o fato gerador como critério definidor do vínculo de solidariedade. Diz Paulo de Barros, "aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vinculo da solidariedade". É dizer, não basta participar dos fatos envolvendo os acontecimentos caracterizadores do fato gerador. É como no exemplo mencionado por Paulo de Barros Carvalho de uma operação de compra e venda de mercadorias, onde ambos, comprador e vendedor, têm interesse comum na operação, porém não se cogita de responsabilidade solidária entre ambos. Concordando com essas ponderações, penso que o "interesse comum" referido no inciso I do art. 124 deve ser interpretado em conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária, não pode o mesmo CTN referirse a Fl. 759DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 16 situação que amplia essas possibilidades. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Assim, além das pessoas expressamente apontadas pela lei, seriam solidariamente obrigadas ao pagamento do tributo pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. Luciano Amaro propõe a seguinte solução para a interpretação do art. 124, I coerente com a regra do art. 121, a saber: "O interesse comum no fato gerador põe o devedor solidário numa posição também comum. Se em dada situação (a co propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos coproprietários seriam qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar de contribuinte). Ocorre que cada qual só se poderia dizer contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse à sua quota de interesse na situação. Como a obrigação tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia, em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu quinhão de interesse. O que determina o Código Tributário Nacional (art. 124, I) é a solidariedade de ambos como devedores da obrigação inteira, onde se poderia dizer que a condição de sujeito passivo assumiria forma híbrida em que cada codevedor seria contribuinte na parte que lhe toca e responsável pela porção que caiba ao outro." (pp. 308) Penso que a grande virtude dessa construção é explicitar a vinculação do interesse comum do art. 124, I à condição de sujeito passivo como contribuinte, do 121, I. Isto é, para figurar como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão, entre os coobrigados da parcela de cada um. O exemplo geralmente mencionado pela doutrina e referido por Luciano Amaro é o da copropriedade de imóvel. Todos os coproprietários estariam na situação referida no art. 121, I e, portanto, poderiam ser considerados contribuintes, pelo menos em relação ao seu quinhão. Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124, I do CTN, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc. No caso que se examina, tratase de lançamento para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda, exigido da Fl. 760DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 403 17 fonte pagadora. Sem examinarmos, por enquanto, essa circunstância de o imposto ser de tributação exclusiva de fonte, a autuação não demonstra que os indigitados obrigados solidários tenham sido os beneficiários da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para a realização dos pagamentos irregulares e para a ocultação desses fatos por meios fraudulentos. Por tudo o que foi acima exposto, essa participação não está compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com base no art. 124, I do CTN. A autuação menciona, também, como fundamento da imputação de responsabilidade solidária o art. 135, II e III, que a seguir transcrevo: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) II— os mandatários, prepostos ou empregados; III — os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (...) Para admitirse, no caso, a responsabilidade solidária, com fundamento no 135, II e III, terseia, necessariamente, que excluir a contribuinte (...) do pólo passivo. (...) (Ac. nº 10421.662, julgado em 21.06.2006) O estudo feito pelo Conselheiro Pedro Paulo esclarece de forma brilhante a aplicação das referidas normas em casos como o presente. De acordo com os esclarecimentos acima, resta claro que a solidariedade no Direito Tributário pode decorrer de duas situações: a) expressa disposição legal; ou b) idêntico interesse das partes na situação que “constitua o fato gerador” da obrigação. No caso em tela, não se poderia aplicar o inc. II do art. 124 do CTN, já que inexiste disposição legal expressa que inclua o Sr. Marco Aurélio como responsável solidário pelo credito tributário. Também não se aplica o art. 135 do CTN, pois, como visto, para tanto seria necessário que o Sr. Marco Aurélio passasse a ser o único responsável pelo crédito tributário – o que também não é o caso. Assim, resta analisar se seria possível a manutenção do Sr. Marco Aurélio como responsável solidário em face do disposto no inc. I do art. 124 do CTN, que assim determina: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 18 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Sobre o conceito de “interesse comum” mencionado pela referida norma, Aliomar Baleeiro assim o define: O CTN não diz em que consiste ou em que casos se manifesta o ‘interesse comum’. A lei tributária o dirá. Em princípio, os participantes do fato gerador. Na prática de ato jurídico ou negócio podem ser todas as partes, e disso há exemplo no próprio CTN, arts. 42 e 66. (em Direito Tributário Brasileiro, 11ª Ed., atualizada por Mizabel Abreu Machado Derzi, pág. 728). Já Fabio Fanucchi assim se manifestou acerca da solidariedade em matéria tributária, ao tratar do art. 124, I, do CTN: Na verificação da solidariedade de fato, entretanto, não é impossível que se cometam excessos, tentando envolver a responsabilidade de terceiros numa relação obrigacional tributária de cujo fato gerador não se tenham beneficiado ou, nele, não tenham interesse comum ao do sujeito passivo. É possível que a lei crie a solidariedade do transmitente, do tabelião e do oficial do registro de imóveis, por exemplo, face ao imposto de transmissão de uma operação na qual estejam envolvidos, porém, se não o fizer de forma expressa, é impossível, sob alegação de solidariedade de fato, trazelos para dentro da relação tributária só porque participaram da operação tributável, quando se verifica que nenhuma dessas pessoas tem interesse igual ao do adquirente do imóvel, erigido em contribuinte pela lei. Entretanto, havendo lucro numa dada transação comercial tributável, que beneficia a mais de uma pessoa natural, embora elas não estejam relacionadas entre si por constituição jurídica (sociedade de direito), ainda assim responderão por igual pela obrigação tributária daí nascida, como se de direito a sociedade fosse. Aí sim, os interesses das diversas pessoas seriam absolutamente idênticos. (em “Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Resenha Tributária Ltda./IBET São Paulo, 4ª ed., pág. 249/250). No caso em exame, não há qualquer disposição de lei que determine a solidariedade em questão; no entanto, como bem salientado pela autoridade lançadora, podese dizer sim que o Sr. Marco Aurélio Prata tivesse interesse comum com a pessoa jurídica Arquivo Empresarial na realização dos pagamentos “sem causa” que deram origem a este lançamento, já que ele mesmo (ou pessoas a ele relacionadas, cf. tabelas de fls. 40/42) foram os principais beneficiários dos mesmos. É o que demonstra o Termo de Verificação Fiscal, verbis: 11 Diante dos fatos narrados fica comprovado que o Sr. Marco Aurélio Prata, apesar de não constar mais do quadro societário da empresa, conforme alterações contratuais ocorridas, nunca deixou de exercer as funções de sócio de fato da mesma em vista de haver permanecido no controle da contacorrente da Arquivo Empresarial Ltda, sendo responsável, em conjunto com sua esposa, pela emissão de todos os cheques sacados da referida Fl. 762DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 404 19 conta corrente que os beneficiaram direta ou indiretamente e de ter assinado os Pareceres dos balanços da Construtora Aterpa S/A, exercendo atividade típica da sociedade. (grifamos) Assim, restou configurado aí o interesse comum a que alude o inc. I do art. 124 do CTN, razão pela qual é de se reconhecer que está correta a inclusão do Sr. Marco Aurélio no pólo passivo do lançamento em questão, não merecendo acolhida a pretensão das partes quanto à sua exclusão. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ Anocalendário: 2004, 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LIMITES. A utilização das informações sobre as movimentações fmanceiras para efetuar lançamento de oficio, relativo a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n° 10.174/2001, é legitimada pelo § 1° do art. 144 do CTN, por se tratar de mero procedimento que ampliou os poderes de investigação das autoridades fiscais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lido. de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. No caso de lançamento de oficio será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, uma vez constata a existência de grupo econômico que ocultava não só o real sujeito passivo da obrigação tributária, mas toda a obrigação tributária, repetidamente. Recurso Voluntário Negado. (120200.037, de 13.05.2009) Decadência Neste tópico de seu recurso, a Recorrente afirma que teriam sido abrangidos pela decadência os créditos lançados cujos fatos geradores tivessem ocorrido entre janeiro e agosto de 2003, já que a ciência do Auto de Infração se deu em novembro de 2008 com base no art. 150, § 4º do CTN, que deveria ser aplicado à hipótese. Com efeito, a questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco Fl. 763DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 20 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. De acordo com este entendimento, somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, como determina o art. 150, § 4º, do CTN. O art. 62A do Regimento Interno deste Conselho estabelece que devem ser obedecidas pelas turmas julgadoras as decisões proferidas pelo Eg. STJ quando a matéria julgada o tiver sido com base na sistemática do art. 543 (‘B’ e ‘C’) do CPC, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Exatamente o caso da discussão em tela. Por isso, para que se possa analisar em cada caso concreto julgado por este Conselho a efetiva ocorrência, ou não, da decadência, é preciso que se analise antes de mais nada se houve o pagamento antecipado do imposto. Somente então é que se pode analisar qual a forma do cômputo do prazo decadencial: se com base no art. 150 ou 173 do CTN. No caso que ora se analisa, não há qualquer prova nos autos de que tenha sido efetuado qualquer recolhimento a título de IRRF sobre os pagamentos tidos como sem causa (e que deram origem a este lançamento). Assim, não há que se falar na aplicação do art. 150, § 4º ao caso concreto, em face da inexistência de antecipação. Este foi, aliás, o fundamento tomado pela decisão recorrida para negar o pedido da Recorrente, como se depreende do seguinte trecho: Para dirimir a questão, basta que se considere o segundo requisito. Este não foi observado, já que a autuada não apresenta comprovantes de que foi quitado, total ou parcialmente, o IRRF incidente sobre os pagamentos não comprovados que deram ensejo ao lançamento. Na impugnação tampouco se alega que semelhante quitação tenha sido feita. Como se trata de IRRF, para o fim de determinar o inicio do prazo de decadência, cumpre verificar a ocorrência ou não de pagamento em relação a cada evento isoladamente. Para esse propósito, não se computa como pagamento eventual quitação de imposto de renda da pessoa jurídica que a autuada tenha efetuado em relação a rendimentos próprios (seja sob a forma de retenções na fonte em que figura como beneficiária, seja sob a forma de antecipações por estimativa, seja ainda pagamentos do saldo apurado na declaração de ajuste anual), porque a autuada é sujeito passivo do IRRF exigido na condição de apenas responsável (por ter sido a fonte pagadora). 0 fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica dizse complexo, porque o que o caracteriza é a obtenção de lucro ou resultado fiscal positivo ao final da apuração. 0 lucro, por sua vez, grosso modo apurase somente ao final do período de apuração, com o soma dos ganhos e a subtração das perdas geradas pelas atividades operacionais e não operacionais da empresa. No caso do IRRF, Fl. 764DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 405 21 porém, cada pagamento de rendimento a determinado beneficiário constitui um fato gerador completo e isolado e deve ser analisado individualmente e independentemente do fato gerador das obrigações tributárias próprias da fonte pagadora. Por fim, e apenas por amor à argumentação, é de se destacar que a multa aplicada ao lançamento foi qualificada, razão pela qual a regra aplicável à espécie seria, em princípio, aquela do art. 173, I do CTN, e não a do referido art. 150. Diante destes argumentos, não há que se falar na ocorrência da decadência. Da Selic A Recorrente suscita a inaplicabilidade da taxa Selic sobre o crédito tributário objeto deste lançamento, ao argumento de que seria ilegal a sua aplicação. Este pedido, porém, também não merece acolhida. Quanto a este assunto, foi editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa. Da Qualificação da Multa Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que a multa de ofício não poderia ter sido qualificada, pois seria inaplicável a ilícitos não comprovados. Pugnou pela aplicação da Súmula 14 do Conselho de Contribuintes. Do Termo de Verificação Fiscal é possível extrair os seguintes argumentos para justificar a qualificação da multa: 18 Considerando que ficou comprovada a intenção do fiscalizado de ocultar sua condição de sócio da empresa Arquivo Empresarial Ltda, visando com isto eximirse das obrigações que tal condição lhe imputaria, incorrendo portanto na previsão de sonegação contida no inciso II do artigo 71 da Lei n° 4:502/64 e art. 299 do Decreto Lei n° 2.848/40 (Código Penal), efetuaremos o lançamento do imposto de renda exclusivamente na fonte com multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, que dispõe: Decorre daí que a justificativa tomada pela autoridade lançadora para qualificar a multa neste lançamento fora o fato de que o “responsável”, Sr. Marco Aurélio Prata teria agido com o intuito de esconder do Fisco sua condição de sócio da referida pessoa jurídica. A decisão recorrida, por outro lado, tomou por base os seguintes argumentos para justificar a manutenção da qualificação da multa e, com isso, afastar a pretensão da Recorrente quanto a este aspecto do seu inconformismo: i) o fato de o Sr. Marco Aurélio ter se Fl. 765DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 22 “ocultado” como sócio da pessoa jurídica; ii) o fato de a empresa não estar localizada em seu endereço cadastrado no sistema da Receita Federal (e estar situada em local não sabido); iii) o fato de a mesma ter efetuado alteração do seu objeto social, excluindo do contrato social a atividade contábil quando ainda a exercia; iv) o fato de nem a empresa nem o Sr. Marco Aurélio terem conseguido comprovar a destinação dos pagamentos efetuados. A conclusão tomada foi a de que: Ante o conjunto de circunstâncias mencionadas nos parágrafos precedentes, está solidamente demonstrado que a infração apurada se enquadra, em tese, na hipótese de ilícito penal tributário previsto no artigo 71, inciso II, da Lei n° 4.502, de 1964. Seguese também que se justifica a aplicação da penalidade qualificada de 150%. Além de todos os motivos já salientados no Termo de Verificação Fiscal e na decisão recorrida, deve ser ressaltado o fato de que o Sr. Marco Aurélio – a despeito de não ser mais formalmente o sócio da pessoa jurídica em tela (usando nomes de terceiros que não exerciam efetivamente a administração da pessoa jurídica), era o verdadeiro responsável pelos pagamentos sem causa efetuados, ao mesmo tempo em que era beneficiário dos mesmos. Por tudo isso, a qualificação é de ser mantida. Responsabilização pessoal do Sr. Marco Aurélio Este tópico já foi objeto de análise acima, quando se tratou do termo de sujeição passiva solidária, razão pela qual não há necessidade de apreciálo novamente. Comprovação dos pagamentos O último tópico suscitado pela Recorrente diz respeito à comprovação dos beneficiários dos pagamentos efetuados. Afirma, de forma genérica, que todos os pagamentos por ela efetuados não poderiam ter sido desconsiderados, sob pena de presumirse que nenhum custo ou despesa ela teve, quando isso não corresponde à realidade. Tal pedido, porém, não merece acolhida. Primeiramente por ser excessivamente genérico, já que para comprovar os beneficiários e as causas dos pagamentos por ela efetuados, caberia a ela comprovar documentalmente cada um destes pagamentos, apontando – um a um os respectivos beneficiários e causas. Não tendo agido assim, não há como reputar comprovada a causa dos mesmos. Além disso, a decisão recorrida já tratou de esclarecer as razões pelas quais o Livro Caixa de fls. 254/266 não poderia ser utilizado como prova, sendo certo que caberia à Recorrente ter trazido a documentação que lastreasse as informações lá escrituradas, sob pena das mesmas não serem acolhidas por esta Turma Julgadora. Sem as provas das causas dos pagamentos que deram origem ao lançamento, está o mesmo correto e deve ser mantido por seus próprios fundamentos. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Fl. 766DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/200820 Acórdão n.º 2102003.014 S2C1T2 Fl. 406 23 Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 767DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11060.003548/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2007
PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE.
Faz-se configurada a ciência do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva impugnação.
AUSÊNCIA DE MPF ACOSTADO AOS AUTOS. MPF EMITIDO POR MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO
À época dos fatos, a emissão de MPF se dava por meio eletrônico, motivo pelo qual a sua ausência nos autos não importa em nulidade do auto de infração.
NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente.
DECADÊNCIA. DEPÓSITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN.
Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento, ainda que parcial, do valor exigido, aplicando-se para fins de decadência o art. 173, I do CTN.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA
A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio nas instâncias administrativas.
MULTA POR DEIXAR DE DECLARAR OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. DISCUSSÃO TRAVADA EM PROCESSO ESPECÍFICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTES AUTOS
Tendo o contribuinte sofrido autuação para a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP, dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, tal matéria deve ser decidida no processo específico.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2007 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. Faz-se configurada a ciência do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva impugnação. AUSÊNCIA DE MPF ACOSTADO AOS AUTOS. MPF EMITIDO POR MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO À época dos fatos, a emissão de MPF se dava por meio eletrônico, motivo pelo qual a sua ausência nos autos não importa em nulidade do auto de infração. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. DECADÊNCIA. DEPÓSITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento, ainda que parcial, do valor exigido, aplicando-se para fins de decadência o art. 173, I do CTN. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio nas instâncias administrativas. MULTA POR DEIXAR DE DECLARAR OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. DISCUSSÃO TRAVADA EM PROCESSO ESPECÍFICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTES AUTOS Tendo o contribuinte sofrido autuação para a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP, dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, tal matéria deve ser decidida no processo específico. Recurso Voluntário Negado.
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INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. Fazse configurada a ciência do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva impugnação. AUSÊNCIA DE MPF ACOSTADO AOS AUTOS. MPF EMITIDO POR MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO À época dos fatos, a emissão de MPF se dava por meio eletrônico, motivo pelo qual a sua ausência nos autos não importa em nulidade do auto de infração. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. DECADÊNCIA. DEPÓSITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 35 48 /2 01 0- 01 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento, ainda que parcial, do valor exigido, aplicandose para fins de decadência o art. 173, I do CTN. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio nas instâncias administrativas. MULTA POR DEIXAR DE DECLARAR OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. DISCUSSÃO TRAVADA EM PROCESSO ESPECÍFICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTES AUTOS Tendo o contribuinte sofrido autuação para a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP, dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, tal matéria deve ser decidida no processo específico. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/201001 Acórdão n.º 2402004.088 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/11/2010 (fl. 3), decorrente de lançamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos (0,2% SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida pela Cooperativa Regional Tritícola Santiaguense Ltda de produtores rurais pessoas físicas a ela associados e de terceiros, em competências compreendidas entre 03/2005 a 08/2008. A autoridade fiscal deixou de lançar multa de ofício, ocasião em que apenas fora lançada a multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento). O Recorrente interpôs impugnação (fls. 4799) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto AlegreRS, ao analisar o presente caso (fls. 235244), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) é válida prorrogação de Mandado de Procedimento fiscal, desde que não esteja extinto; (ii) a produção de provas pericial deve observar a legislação atinente – seu indeferimento não pode ter como escopo a supressão de oportunidade perdida para tanto por parte do contribuinte; (iii) inexistente a decadência ao caso. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 249268) argumentando que: (i) fora indeferida produção de prova pericial – consequente cerceamento de defesa; (ii) que restou ausente o Mandado de Procedimento Fiscal; (iii) não houve fundamentação específica para a procedência do Auto de Infração; (iv) a pretensão fazendária está fulminada pela decadência; (v) o tributo em exigência é inconstitucional; (vi) inexiste declaração inexata de GFIP; e (vii) não lhe fora aplicada a multa mais benéfica ao caso. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Indeferimento do pedido de perícia. Ausência de violação a princípios constitucionais Preliminarmente, a Recorrente alega que a decisão recorrida deve ser anulada, por ofensa ao devido processo legal, ao princípio da razoabilidade e da legalidade, posto que indeferiu o pedido de perícia solicitado para que todas as suas alegações fossem devidamente apreciadas. Entende a Recorrente que se o contribuinte arguiu a necessidade de perícia, não pode a autoridade administrativa eximirse de cumprila. Sustenta ainda que, no presente caso, a perícia seria totalmente necessária, pois demonstraria, de modo cabal, que as bases de cálculo identificadas pela fiscalização são improcedentes, tendo gerado um tributo muito maior que o devido. No entanto, é importante pontuar que os valores consubstanciados no relatório de lançamentos foram apurados pelo auditor fiscal de acordo com os documentos que foram encontrados na empresa, transferindo à Recorrente, a partir daí, o ônus de provar que a incidência da contribuição previdenciária sobre tais valores não merece prosperar. Assim, através de argumentos genéricos quanto a um suposto erro na apuração da base de cálculo do tributo, percebese que a Recorrente busca instaurar perícia para “refazer” o trabalho dos auditores fiscais, sem embasamento legal, o que não se admite. As alegações de que o indeferimento de prova pericial ofende o princípio do devido processo legal, da legalidade e da verdade material, são totalmente insubsistentes, posto que foi dado prazo legal para que toda a matéria de defesa fosse alegada pela Recorrente, não podendo os órgãos da administração fazendária se subsumir à vontade do contribuinte, sem que haja embasamento plausível para tanto. Da impugnação e do recurso apresentados pelo contribuinte notase que ele não traz uma única competência onde a fiscalização teria cometido qualquer equívoco na apuração da base de cálculo. Muito embora se reconheça que, em determinados casos, o prazo de 30 dias pode ser curto para se colacionar todas as provas para a apuração do direito alegado, é mister destacar que o contribuinte não teve apenas os 30 dias de prazo da impugnação para realizar tal mister. Ainda que a prova que o contribuinte diz ser essencial não pudesse ser produzida nesse curto espaço de tempo, não era vedado ao contribuinte vir aos autos, mesmo que após o protocolo da sua impugnação, e demonstrar, através de documentos, ainda que de forma exemplificativa, o equívoco que alega ter cometido a fiscalização, realizando o devido cotejamento do seu alegado direito com as provas apresentadas. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/201001 Acórdão n.º 2402004.088 S2C4T2 Fl. 4 5 Não há, portanto, procedência na alegação de nulidade da decisão recorrida por indeferir o pedido de produção de prova pericial. Da suposta nulidade pela ausência de Mandado de Procedimento Fiscal A Recorrente traz na impugnação a alegação de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não fora juntado aos autos. Consequentemente, alega que os efeitos seriam os mesmos de sua inexistência. Todavia, o MPF foi emitido exclusivamente de forma eletrônica e disponibilizado na internet com a utilização de código de acesso consignado no Termo de Início de Procedimento Fiscal constante às fls. 39 do Processo Administrativo Fiscal 11060.003550/201072, anexo (como, aliás, podese confirmar ainda hoje mediante consulta no endereço eletrônico da Receita Federal). Nesse tocante, ressaltase que a Portaria RFB nº 11.371/07, que dispunha sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vigente à época da autuação, estabelecia o seguinte: “Do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 , com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997 , darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.” Analisandose o MPF disponível no site da Receita Federal do Brasil, é possível extrair ainda as seguintes informações: · Emissão: 19/09/2008, com vencimento em 17/01/2009 (120 dias) · 1ª Prorrogação por 60 dias: até 18/03/2009; · 2ª Prorrogação por 60 dias: até 17/05/2009; · 3ª Prorrogação por 60 dias: até 16/07/2009; · 4ª Prorrogação por 60 dias: até 14/09/2009; · 5ª Prorrogação por 60 dias: até 13/11/2009; · 6ª Prorrogação por 60 dias: até 12/01/2010; · 7ª Prorrogação por 60 dias: até 13/03/2010; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 · 8ª Prorrogação por 60 dias: até 12/05/2010; · 9ª Prorrogação por 60 dias: até 11/07/2010; · 10ª Prorrogação por 60 dias: até 09/09/2010; · 11ª Prorrogação por 60 dias: até 08/11/2010; · 12ª Prorrogação por 60 dias: até 07/01/2011. Não há que se falar, assim, igualmente, em vício no lançamento pelo fato de não ter ocorrido prorrogações no prazo de vigência do respectivo MPF. Por fim, ainda no tocante ao tema nulidade do procedimento de fiscalização, é preciso afirmar que o contribuinte foi cientificado do encerramento da ação fiscal e da autuação em 24/11/2010 (Auto de Infração, fls. 3, e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fls. 47 do Processo Administrativo Fiscal 11060.003550/201072, anexo), antes, portanto, do vencimento da última prorrogação, obedecendo ao parágrafo único do artigo 14 da Portaria RFB nº 11.371/2007. Logo, não há que se falar em nulidade da autuação, visto que observados os requisitos legais. Fundamentação do Auto de Infração Da suposta ausência de discriminação dos valores autuados A Recorrente sustenta que houve falha na fundamentação da presente autuação, que fora impossível de se identificar os valores exatos da autuação e que o auto de infração não menciona a qual processo administrativo fiscal estaria relacionado. Analisando o processo, verificase que às fls. 3742 constam o relatório fiscal e os seus anexos, onde se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária, bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. Está claro pela análise do processo que a autuação versa sobre contribuições devidas à outras entidades e fundos (0,2% SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, incidente sobre a comercialização de produção rural adquirida pela cooperativa, de produtores rurais pessoas físicas a ela associados e de terceiros. Ainda, importante salientar que o Auto de Infração previdenciário é identificado pelo número do Debcad – de conhecimento do Recorrente, tanto é que o citou em sua impugnação , de modo que a ausência de indicação de número do processo administrativo, ainda que isso tivesse ocorrido, não implicaria em invalidade do ato, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do lançamento, até mesmo porque não houve qualquer prejuízo ao contribuinte em sua defesa. Da Decadência A Recorrente defende que parte da pretensão fazendária estaria fulminada pela decadência – competências de 03/2005 a 10/2005, vez que o Auto de Infração foi lavrado em 23/11/2010. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/201001 Acórdão n.º 2402004.088 S2C4T2 Fl. 5 7 Invoca, para tanto, o art. 150, § 4º do CTN, sustentando que houve o pagamento oportuno do valor devido. Contudo, analisandose os autos constatouse, através do Relatório Discriminativo do Débito, juntado às fls. 1121, que não houve pagamento antecipado de qualquer valor a título das contribuições ora exigidas, não havendo também nos autos qualquer documento que comprove esse recolhimento. Verificase, igualmente, que não houve conversão em renda dos depósitos judiciais realizados pelo contribuinte nos autos da Ação Judicial nº 2008.71.00.0298211, proposta pelo contribuinte para contestar a exigência da contribuição autuada, não havendo que se falar, portanto, em pagamento antecipado para fins de aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Como não houve, de qualquer forma, o pagamento antecipado, aplicase o disposto no art. 173, I do CTN, segundo o qual o prazo de 5 anos para a lavratura do respectivo auto de infração passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vejase: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Identificado o dispositivo legal de regência para a contagem do prazo decadencial no presente caso, tomemos como base o primeiro e mais antigo lançamento objeto da fiscalização, que remonta à competência de 03/2005, para verificar se a ação fiscal estaria fulminada pela decadência. Nos termos do inciso I do supracitado dispositivo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a exigência da contribuição não recolhida, referente à competência 03/2005, seria 01/01/2006, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (ano de 2005). Levandose adiante o raciocínio e completando com o que determina o caput do artigo, o termo final para o lançamento do crédito seria 5 anos após 01/01/2006. Ou seja, 01/01/2011. Como o auto de infração foi lavrado em 11/2010, não há que se falar em decadência da exigência, haja vista ter decorrido 4 anos e 11 meses do termo a quo para a contagem do prazo decadencial relativo ao fato gerador mais remoto da autuação, motivo pelo qual deve subsistir o crédito em favor da Fazenda Nacional. Inconstitucionalidade do Tributo e Inexistência de Declaração Inexata (GFIP) Traz a Recorrente o argumento de que seria inconstitucional a exigência das contribuições em apreço. Pretende, inclusive, a declaração de inconstitucionalidade dos tributos por intermédio da Ação Judicial nº 2008.71.00.298211. Ocorre, no entanto, que a existência ou propositura, pelo Recorrente, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 nas instâncias administrativas, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80, verbis: Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo (mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória) importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Parênteses nossos. Nesse sentido, prosseguirão no processo administrativo discussões apenas em relação às matérias distintas da constante do processo judicial. Por isso, as alegações de inconstitucionalidade não serão abordadas nesse julgamento, haja vista a sua submissão ao Poder Judiciário. No tocante à alegação do contribuinte quanto à ausência de descumprimento de obrigação acessória (apresentar as GFIP’s com dados não correspondentes a todos os fatos geradores), verificase que tal discussão está sendo tratada em processo próprio (Processo Administrativo nº 11060.003545/201060, AI Debcad nº 37.256.9153, CFL 68), não cabendo, portanto, qualquer manifestação a respeito desta questão neste processo. O mesmo vale em relação à exigência de contribuição previdenciária que foi depositada judicialmente pelo sujeito passivo, vez que foram objeto de outros lançamentos (Processo Administrativo nº 11060.003546/201012, AI Debcad nº 37.256.9170 e Processo Administrativo nº 11060.003549/201048, AI Debcad nº 37.256.9188). Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, ficando suspensa a cobrança na origem até a conclusão do processo principal nº 11060.003549/201048. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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