Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5637314 #
Numero do processo: 19515.722289/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006,2007 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. O restabelecimento de prejuízo de período anterior, em razão de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa, permite a compensação e o aproveitamento do montante pelo contribuinte do IRPJ. BASES NEGATIVAS DE CSLL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às bases negativas de CSLL, decorrente de tributação reflexa, a possibilidade de compensação na hipótese de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1201-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Roberto Carrapoz de Almeida

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006,2007 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. O restabelecimento de prejuízo de período anterior, em razão de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa, permite a compensação e o aproveitamento do montante pelo contribuinte do IRPJ. BASES NEGATIVAS DE CSLL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às bases negativas de CSLL, decorrente de tributação reflexa, a possibilidade de compensação na hipótese de lançamento cancelado por decisão transitada em julgado na esfera administrativa.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

numero_processo_s : 19515.722289/2011-19

conteudo_id_s : 5383557

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1201-000.947

nome_arquivo_s : Decisao_19515722289201119.pdf

nome_relator_s : Roberto Carrapoz de Almeida

nome_arquivo_pdf_s : 19515722289201119_5383557.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014

id : 5637314

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:06 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

conteudo_txt : Metadados => date: 2014-08-15T13:52:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; xmp:CreatorTool: CNC Capture; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; pdfa:PDFVersion: A-1b; dc:creator: CNC Solution; dcterms:created: 2014-08-15T13:52:25Z; Last-Modified: 2014-08-15T13:52:25Z; dcterms:modified: 2014-08-15T13:52:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:03859e55-9d95-4540-9c42-b257c5976730; Last-Save-Date: 2014-08-15T13:52:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC Capture; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-08-15T13:52:25Z; meta:save-date: 2014-08-15T13:52:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-08-15T13:52:25Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solution; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solution; pdfaid:conformance: B; meta:author: CNC Solution; meta:creation-date: 2014-08-15T13:52:25Z; created: 2014-08-15T13:52:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2014-08-15T13:52:25Z; pdf:charsPerPage: 210; access_permission:extract_content: true; pdfaid:part: 1; access_permission:can_print: true; Author: CNC Solution; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-08-15T13:52:25Z | Conteúdo => Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 450DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 451DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 452DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA

_version_ : 1713047033250578432

score : 1.0
5597753 #
Numero do processo: 10530.901531/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO. IRPJ A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10530.901531/2009-23

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5374194

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1802-002.237

nome_arquivo_s : Decisao_10530901531200923.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : NELSO KICHEL

nome_arquivo_pdf_s : 10530901531200923_5374194.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014

id : 5597753

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:15 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033254772736

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 363          1 362  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10530.901531/2009­23  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­002.237  –  2ª Turma Especial   Sessão de  29  de  julho de 2014  Matéria  DCOMP ­ Eletrônica  Recorrente  COMPERAÇO ­Comércio e Indústria de Ferro e Aço Ltda  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  PAGAMENTO  DE  ESTIMATIVA  MENSAL.  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL.  APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LUCRO REAL NEGATIVO.  IRPJ  A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO.  Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para  aferição da  liquidez e certeza do direito creditório pleiteado  (valor original)  para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito  utilizado  na  DCOMP  (valor  original)  como  saldo  negativo  e  respectiva  atualização nos termos da legislação de regência, determinando­se à unidade  de  origem  da  RFB  que  proceda  a  correspondente  homologação  da  compensação tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.     (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.          AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 15 31 /2 00 9- 23 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 364          2   (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa,  José  de  Oliveira  Ferraz  Corrêa,  Nelso  Kichel,  Marciel  Eder  Costa,  Henrique  Heiji  Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.  Fl. 364DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 365          3   Relatório  Cuidam os autos do Recurso Voluntário de e­fls. 306/314 contra decisão da  2ª  Turma  da  DRJ/Salvador  (e­fls.  296/301)  que  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  improcedente.  Quanto  aos  fatos,  consta  que  em  09/11/2005  a  contribuinte  transmitiu  eletronicamente  via  internet,  por  meio  do  Programa  PER/DCOMP,  a  declaração  de  compensação tributária nº 18544.37259.091105.1. 3.04­0971 (fls.36/39), onde consta:  a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita  5993, do PA outubro/2005, data de vencimento 30/11/2005, assim especificado:  ­ principal: R$ 663,00;  ­multa moratória: R$ 0,00;  ­ juros de mora: R$ 0,00;  Total: R$ 663,00.  b)  crédito  utilizado:  aproveitamento  de  direito  creditório  de  R$  656,17  (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal,  código de receita 5993, do PA 31/12/2004, DARF valor de R$ 26.126,33 (valor original), data  do recolhimento 31/01/2005.  Entretanto, na DIPJ 2005, ano­calendário 2004 (Ficha 11), consta, quanto ao  PA 31/12/2004,  débito  informado do  IRPJ  estimativa mensal  o  valor  de R$ 26.126,33,  com  base na  receita  bruta  e  acréscimos  (e­fl.  187). Da mesma  forma,  na DCTF desse PA  consta  débito  confessado  do  IRPJ  =  R$  26.126,33  (e­fl.  71).  Por  isso,  o  despacho  decisório  da  DRF/Feira  de  Santana,  de  25/03/2009,  não  reconheceu  o  direito  creditório  pleiteado,  não  homologando a compensação  tributária  informada, pois o  recolhimento citado está vinculado  ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF.  A  propósito,  transcrevo  o  disposto  no Despacho Decisório  eletrônico  (e­fl.  34), in verbis:  (...)  3­FUNDAMENTAÇAO,  DECISÃO  E  ENQUADRAMENTO  LEGAL   Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito  original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$  656,17.  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  Fl. 365DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 366          4 para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  (...)  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação declarada.  (...)  Inconformada com essa decisão da qual  tomou ciência em 30/04/2009 (e­fl.  288),  a  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  de  e­fls.  04/19  em  13/05/2009, conforme protocolo (e­fls. 268/270) e despacho de e­fl. 289.  Em suas razões, a Contribuinte, em síntese, frisou:  ­ que apurou prejuízo fiscal no ano­calendário 2004 (Lucro Real negativo e  Base de Cálculo Negativa da CSLL);   ­ da “impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob  pena  de  criar  tributação  sobre  o  patrimônio  e  não  sobre  a  renda  e  o  lucro”;  insurge­se,  por  conseguinte, contra a trava de 30% (Lei nº 8.981/95, arts. 42 e 58; e Lei 9.065/96, art. 15);   Obs:  aqui,  convém  esclarecer,  que  a  Contribuinte,  data  venia,  fez  confusão  entre  compensação de prejuízos e compensação de débitos com créditos;   Em anexo à Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte juntou:  I  ­  cópia  da DIPJ  2005,  ano­calendário  2004  (e­fls.  179/251),  onde  consta  informado que:  a) apurou prejuízo contábil no ano­calendário 2004 (R$ 675.524,73) – Ficha  Ficha 6A – Demonstração do Resultado (e­fls. 183/184);   b) apurou Lucro Real negativo ( R$ 675.524,73) – Ficha 09A­ Demonstração  do Lucro Real (e­fl. 184) e Base de Cálculo Negativa da CSLL (R$ 675.524,73) – Ficha 17 ­  Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (e­fl. 194);  c)  apurou  IRPJ  e  CSLL,  estimativas mensais,  com  base  na  receita  bruta  e  acréscimos, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (e­fls.  185/188) e Ficha Ficha 16 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (e­fls. 190/193);   d)  preencheu  parcialmente  a  Ficha  12A  –  Cálculo  do  Imposto  de  Renda  sobre o Lucro Real – e­fl. 189 (informou apenas Lucro Real negativo) e a Ficha 17 – Cálculo  da CSLL – e­fl. 194 (informou base de cálculo negativa da CSLL). Ou seja, deixou de apurar,  informar eventual saldo negativo dessas exações fiscais;  II  ­  juntou  comprovante  de  pagamento  do  IRPJ  estimativa  mensal  do  PA  31/12/2004, no valor de R$ 26.126,33 – cópia do DARF de 31/01/2005, valor R$ 26.126,33;  Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 367          5 III – juntou cópia de Balanço Patrimonial dos anos­calendário 2004 e 2005;  Demonstração  dos  Custos  dos  Serviços;  Demonstração  do  Custo  das  Mercadorias  e  Demonstração do Resultado dos anos­calendário 2004 e 2005 (e­fls. 252/269).  Posteriormente, por meio do requerimento (e­fl. 276) datado de 14/07/2009 e  com  o  intuito  de  comprovar  a  existência  do  crédito  utilizado  na  compensação  em  análise,  a  Contribuinte  fez  a  juntada  das DCTF  retificadoras  relativas  aos  quatro  trimestres  do  ano­ calendário de 2004, retirando, "zerando" todos os débitos informados, confessados nas DCTF  primitivas,  quanto  às  estimativas  mensais  do  IRPJ  e  da  CSLL  desse  ano­calendário  (e­fls.  277/286).  Por  sua  vez,  a  DRJ/Salvador,  apreciando  a  lide,  julgou  a Manifestação  de  Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (e­fls. 296/301), cuja ementa  transcrevo a seguir, in verbis:  (...)  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004   RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.  O reconhecimento do  indébito depende da efetiva comprovação  do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   (...)  Nesse sentido, consta da fundamentação do voto condutor do citado acórdão  (e­fls. 300/301):  (...)  Considerando  que  as  estimativas  devidas  na  forma  da  Lei  n2  9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução  na  apuração  anual  do  IRPJ  e/ou  da  CSLL,  o  procedimento  correto,  à  luz  da  legislação  fiscal  supra  mencionada,  seria  a  retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo  negativo do  IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à  compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005.  Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de  Inconformidade,  confirmando  o  Despacho  Decisório  n°  de  rastreamento  824957946,  emitido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do Brasil  em Feira  de Santana,  que  não  reconheceu  o  direito  creditório,  no  valor  original  de R$656,17  (seiscentos  e  Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 368          6 cinqüenta  e  seis  reais  e  dezessete  centavos),  referente  a  irecolhimento  de  estimativa  mensal  de  IRPJ,  do  período  de  apuração  de  dezembro/2004,  e  não  homologou  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  de  n°  18544.37259.091105.1.3.04­ 0971 (fls. 34 a 37).   (...)  Ciente  desse  decisum  em  06/03/2012,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  em  09/03/2012  (e­fls.  309/317)  ,  conforme  Despacho  de  Encaminhamento  (e­fl.  324).  Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis:  (...)  O credito foi originário do DARF ­ 5993 ­ IRPJ de dezembo de  2004 para pagamento de debito (IRPJ e CSLL) referente a MAIO  de 2005.  A  compensação,  transmitida  pelo  sistema  eletrônico,  denominado  PER/DCOMP,  foi  julgada  não  homologada,  por  entender  inexistir  o  crédito  (prejuízo  fiscal  e  base  de  cálculo  negativa) a autorizá­la.  Apresentada  manifestação  de  inconformidade  fora  a  mesma  julgada  improcedente  não  sendo  reconhecido  o  crédito  e  consequentemente negando a  compensação efetuada no  sentido  de que:  ...os  recolhimentos  obrigatórios  de  estimativas  mensais,  efetuados  de  acordo  com  as  determinações  legais,  somente  serão passíveis de configurar pagamento  indevido ou a maior,  ao  final  do  ano­calendário,  caso  o  contribuinte  apure  saldo  negativo  do  tributo,  este  sim  passível  de  restituição  ou  compensação.  Examinando  a  Ficha  09A  ­ Demonstração  do  Lucro Real  da  DIPJ/2005 (fl.186), vê­se que a pessoa jurídica apurou prejuízo  fiscal, referente ao ano ­calendário de 2004, no montante de R$  675.524,73.  Entretanto,  todos  os  campos  de  preenchimento  de  valores  da  Ficha 12 A ­ Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real  ­ encontram­se zerados.  ...  o  contribuinte  não  apresentou  prova  documental  de  que  o  valor do recolhimento da estimativa de IRPJ, relativa ao mês de  dezembro  de  2004,  não  foi  apurado  em  consonância  com  as  determinações legais...  Dessa forma, o recolhimento da estimativa de IRPJ do mês de  de  dezembro  2004,  efetuado  pela  Contribuinte,  no  valor  constante do DARF utilizado para a compensação em analise,  não constitui pagamento indevido ou a maior, (...)  Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 369          7 Considerando  que  as  estimativas  devidas  na  forma  da  Lei  n.  9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução  na  apuração  anual  do  IRPJ  e/ou  da  CSLL,  o  procedimento  correto,  a  luz  da  legislação  fiscal  supra mencionada,  seria  a  retificação  da  D1PJ/2005,  a  fim  de  proceder  ao  calculo  do  saldo  negativo  do  IRPJ,  na  Ficha  12  A  e,  posteriormente,  proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro  de 2005.  Contudo  tal  decisão  não  merece  prosperar  pelos  motivos  que  passaremos a expor.  (...)  I  ­IMPOSSIBILIDADE  DE  SE  EVITAR  A  COMPENSAÇÃO  DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO.  =  DESARRAZOABILIDADE  E  DESPROPORCIONALIDADE.  Entendeu  o Nobre  Julgador  por  desconsiderar  o  crédito  objeto  da  compensação  pleiteada  tendo  em  vista  o  erro  no  preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF.  (...),tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005  a FICHA 12 A e, a medida a ser adotada seria a retificação da  DIPJ/2005, a fim de proceder ao calculo do saldo negativo do  IRPJ, na Ficha 12 A.  Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o  tempo  já  decorrido  desde  a  sua  obrigatoriedade  quanto  a  apresentação.  Diante  disto  não  pode  ser  prejudicada  a  ora  recorrente  pelo  mero erro formal apontado.  O crédito existe!  Tal prova encontra­se nos autos através da juntada do balanço  patrimonial  (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo  declarado no valor de R$ 675.524,73.  (...)  Por  fim,  Recorrente  pediu  provimento  ao  recurso,  para  reconhecimento  do  crédito pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação.  Em  face  das  alegações  da  Recorrente  e  tendo  em  vista  o  entendimento  da  Súmula  CARF  nº  84,  na  Sessão  de  11/06/2013  está  Colenda  2ª  Turma  Especial,  por  unanimidade,  converteu  o  julgamento  em  diligência  ­  Resolução  nº  1802­000.230  (e­fls.  326/333),  baixando  os  autos  do  processo  à  unidade  de  origem  da  RFB,  para  realização  de  instrução  processual  complementar,  conforme  fundamentação  do  voto  condutor  (e­fls.  331/333):  (...)  Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 370          8 Compulsando  os  autos,  observa­se  que  nos  anos­calendário  2004  e  2005  a  contribuinte  estava  submetida  ao  regime  de  apuração do  IRPJ  e  da CSLL,  com base  no Lucro Real  anual,  com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por  estimativa mensal.  À  luz  da  legislação  tributária  federal,  sempre  que  há,  comprovadamente,  pagamento  indevido  ou  maior,  é  cabível  a  repetição do indébito tributário.  No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal  do IRPJ, cabe observar o seguinte:  a)  os  contribuintes  que  fizeram  opção,  para  determinado  ano­ calendário,  pelo  lucro  real  anual  têm  obrigação  de  antecipar  pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base  na  receita  bruta  mensal  ou  com  base  em  balancete  mensal  de  suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de  prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim,  não  há  que  se  falar  ou  objetar  recolhimentos  mensais,  pagamentos  por  antecipação,  indevidos  ou  a  maior  dessas  exações  fiscais,  quando  efetuados  em  estrita  observância  da  legislação  de  regência  e  em  estrita  observância  da  base  de  cálculo  (receita  bruta  mensal  ou  com  base  em  balancete  de  suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano  de  eventual  contribuição  já  superada  pelos  recolhimentos  efetuados  ou  apuração  de  prejuízo,  esse  fato  não  torna  os  recolhimentos,  pagamentos  por  antecipação,  indevidos,  pois  foram  antecipados  na  forma  da  legislação  de  regência.  Ainda,  na hipótese de apuração de prejuízo  fiscal no encerramento do  ano­calendário ou apuração de CSLL cujas estimativas pagas já  superaram  a  exação  fiscal  apurada  no  ajuste  anual,  os  pagamentos  assim  antecipados  de  estimativa  mensal  serão  devolvidos como saldo negativo;  b)  entretanto,  considera­se  pagamento  indevido  ou  a maior  de  estimativa  mensal  quando,  de  plano,  observa­se  que  ele  extrapola, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o  balanço  de  suspensão/redução.  Nessa  situação,  é  cabível  a  restituição  ou  devolução/aproveitamento  do  excesso  do  pagamento  mensal  por  antecipação  do  referido  período  de  apuração  (não  relacionado  com  a  receita  bruta  ou  com  balancete  de  suspensão  ou  redução),  já  no  próprio  ano­ calendário,  sem  necessidade  de  levá­lo  para  o  saldo  negativo,  em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005  pelo  art.  11  da  IN  RFB  900/2008.  Nesse  sentido,  também  é  o  entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis:  Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título  de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.  Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos  a  falta  de  elementos  de  prova  para  formação  de  convicção  do  julgador quanto ao mérito da lide, pois:  Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 371          9 1)  ­  Quanto  ao  pretenso  direito  creditório  do  IRPJ  do  PA  dezembro/2004:  a)  embora  a  recorrente  alegue  a  apuração  de  prejuízos  no  encerramento do ano­calendário 2004(Ficha 09) e que a Ficha  12A  da  DIPJ  2005  teria  sido  preenchida  incorretamente,  ou,  seja,  de  forma  incompleta,  sem  indicação  do  IRPJ  pago  por  antecipação  desse  ano­calendário  e  sem  apuração  do  saldo  negativo, não consta dos autos a escrituração contábil, ou seja,  há  necessidade  de  análise  da  escrituração  contábil  se  o  IRPJ  estimativa  mensal  e  o  prejuízo  foram  apurados  nos  termos  da  legislação de regência;  b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento  da  citada  Ficha  12A,  a  contribuinte  não  pode  ser  prejudicada  quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípío  da verdade mterial;   c)  entretanto,  não  há  cópia  da  escrituração  contábil  (livros  razão,  Diário  e  Lalur),  para  comprovação  se  os  pagamentos  antecipados  mensalmente  foram  efetuados  correntamente  com  base  na  receita  bruta  e  acréscimos  e  se  os  alegados  prejuízos  estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil.  Diante  do  exposto,  e  em  observância  ao  princípio  da  verdade  material, propugno pela conversão do julgamento em diligência,  para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para:  a)  apurar,  à  luz  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  se  houve  realmente  equívoco  no  preenchimento  da  Ficha  12A  da  DIPJ  2005, ano­calendário 2004;  b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar  se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de  existir  o direito  creditório pleiteado, apurar  se ele decorreu de  excesso  de  pagamento  por  antecipação  no  referido  mês  (recolhimento  sem  relação  com  a  receita  bruta mensal  ou  sem  relação  com  o  balancete mensal  de  suspensão/redução)  ou  se,  simplesmente,  é  hipótese  de  restituição  de  saldo  negativo,  em  face  do  pagamento,  por  antecipação,  ter  sido  realizado  exatamente  nos  termos  da  legislação  de  regência,  mas,  no  encerramento do ano­calendário respectivo, houve apuração de  prejuízo ou se simplesmente os recolhimentos antecipados foram  maiores do que o imposto apurado no ajuste anual;  c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na  escrituração  contábil  e  fiscal,  apresentando  as  conclusões  e  resultados  da  diligência  fiscal  quanto  ao  direito  creditório  pleiteado;  d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as  conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta)  dias  a  partir  da  ciência  para,  se  quiser,  apresentar  contrarrazões.  Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 372          10 Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte,  retornem  os  autos  a  este  CARF,  para  prosseguimento  do  julgamento.  (...)  Realizada  a  instrução  complementar  do  processo,  conforme  Relatório  de  Diligência Fiscal (e­fls. 357/359), retornaram os autos para julgamento da lide. Antes disso, foi  dada ciência do resultado da diligência à Recorrente para se manisfetar, em querendo, porém  deixou transcorrer o lapso temporal in albis.  É o relatório.                              Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 373          11   Voto             Conselheiro Nelso Kichel, Relator.   O  recurso é  tempestivo e atende aos pressupostos para  sua admissibilidade.  Por conseguinte, dele conheço.  Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária.  Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida,  para  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado  e  extinção  dos  débitos  mediante  homologação da compensação objeto dos autos.  Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito.  A  Recorrente  demanda  o  reconhecimento  do  crédito  de R$  656,17  (valor  original),  referente  pagamento  do  IRPJ  estimativa mensal,  código  de  receita  5993,  do  PA  31/12/2004,  valor  de  R$  26.126,33  (valor  original),  data  do  recolhimento  31/01/2005,  sob  alegação de que:  a)  esse  pagamento  fora  efetuado  a  maior  ou  indevidamente,  pois  no  ano­ calendário  2004  apurou  prejuízo  contábil,  inclusive  Lucro  Real  negativo  e  Base  de  Cálculo  Negativa da CSLL;  b)  que  cometeu  errou  ou  equívoco  formal  ao  deixar  de  preencher  parte  da  Ficha 12 – Cálculo do  Imposto  (na 1ª  parte,  apurou Lucro Real negativo de R$ 675.524,73,  porém  deixou  de  preencher  a  2ª  parte,  ou  seja,  os  campos  atinentes  à  apuração  do  imposto,  pagamento antecipado de estimativa, e saldo a pagar ou a restituir= saldo negativo);  c) que o crédito existe e esse erro ou equívoco não pode, por si só, impedir a  restituição do valor pleiteado.  O despacho decisório, como já narrado no relatório, negou o direito creditório  pleiteado,  pois  o  valor  recolhido  fora  totalmente  alocado,  consumido,  pelo  débito  estimativa  mensal do IRPJ do referido PA confessado na DCTF.  Por sua vez, a decisão recorrida, ao denegar o crédito, acrescentou mais um  fundamento, conforme voto condutor do acórdão (e­fls. 300/301):  (...)            Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 374          12 Considerando  que  as  estimativas  devidas  na  forma  da  Lei  n2  9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução  na  apuração  anual  do  IRPJ  e/ou  da  CSLL,  o  procedimento  correto,  à  luz  da  legislação  fiscal  supra  mencionada,  seria  a  retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo  negativo do  IRPJ, na Ficha 12 A e, posteriormente, proceder à  compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005.  Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de  Inconformidade,  confirmando  o  Despacho  Decisório  n°  de  rastreamento  824957946,  emitido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do Brasil  em Feira  de Santana,  que  não  reconheceu  o  direito  creditório,  no  valor  original  de  R$656,17  (seiscentos  e  cinqüenta  e  seis  reais  e  dezessete  centavos),  referente  a  irecolhimento  de  estimativa  mensal  de  IRPJ,  do  período  de  apuração  de  dezembro/2004,  e  não  homologou  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  de  n°  18544.37259.091105.1.3.04­ 0971 (fls. 34 a 37)   (...)  Como visto, a lide envolve matéria de fato.  Para  resolução  da  contenda,  torna­se  necessário  verificar  nos  autos  se  há  elementos de convicção, ou seja:  a) se há provas da existência do prejuízo fiscal, Lucro Real negativo do ano­ calendário  2004  à  luz  da  escrituração  contábil  e  respectivos  documentos  de  suporte,  que  possam justificar o crédito pleiteado e relevar o citado erro formal de preenchimento da Ficha  12A da DIPJ 2005, ano­calendário 2004;  b) se há elementos de provas de que houve pagamento indevido de estimativa  mensal do IRPJ (pagamento totalmente desvinculado da receita bruta mensal e acréscimos) ou  se trata de mero recolhimento estimativa mensal do IRPJ nos termos da legislação de regência,  mas que deve ser  restituído como saldo negativo, em face da apuração de prejuízo fiscal, ou  Lucro Real negativo, no encerramento do ano­calendário;  O  fato  da  Recorrente  ter  deixado  de  preencher  os  campos  da  Ficha  12A  atinentes à apuração do saldo negativo, por si só, não configura óbice à resitituição do crédito,  conforme Súmula CARF 84.  Nesse  contexto,  na  sessão  de  julgamento  de  11/06/2013  está  Colenda  2ª  Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência ­ Resolução nº 1802­ 000.230  (e­fls.  326/333),  baixando  os  autos  do  processo  à  unidade  de  origem  da RFB,  para  realização de instrução processual complementar, conforme  fundamentação do voto condutor  (e­fls. 331/333), já transcrita no relatório.        Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 375          13 Realizada  a  instrução  complementar  do  processo  pela  fiscalização  da  RFB  (DRF­Feira de Santana), conforme Relatório de Diligência Fiscal (e­fls. 357/359), tem­se que  a irresignação da Recorrente merece prosperar, pois restou comprovado o prejuízo fiscal e  Lucro Real negativo, ano­calendário 2004, e que o crédito pleiteado deve ser restituído como  saldo  negativo,  pois  o  recolhimento  da  estimativa  deu­se  com  base  na  receita  bruta  e  acréscimos, nos termos da legislação de regência.  A  propósito,  transcrevo  os  fundamentos  e  a  conclusão  do  Relatório  de  Diligência (e­fls. 357/359), in verbis:  (...)  01.A presente diligência foi motivada com o objetivo de prestar  esclarecimentos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, no sentido de dar seguimento à apreciação de Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  2a  Turma  da  DRJ/Salvador  que  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  improcedente,  conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls.. 296/301).  02.Ciente  desse  decisum  em  06/03/2012,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  em  09/03/2012  alegando  impossibilidade  de  se  evitar  a  compensação  dos  prejuízos  por  mero  erro  de  preenchimento  da  Declaração  de  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ  2005)  e,  também,  da  DCTF,  acrescentando  que  tal  fato  não  seria  razoável  e,  além  disso,  desproporcional. Tal erro se deu devido ao fato de estar zerada  na DÍPJ  2005  a  Ficha  12A  e  a  medida  a  ser  adotada  seria  a  retificação  da DIPJ  2005,  a  fim  de  se  proceder  ao  cálculo  do  Saldo Negativo de CSLL na própria Ficha 12A.  03.Contudo,  tal  retificação  não  poderia  ser  feita  naquele  momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade  quanto  à  apresentação  e,  diante  disto,  não  poderia  ser  prejudicada pelo mero erro formal apontado. Alegou, ainda, que  o crédito existe e que tal prova encontra­se nos autos através da  juntada  do  balanço  patrimonial,  o  qual  comprova que  houve o  prejuízo  declarado  no  valor  de  R$  675,524,73.  Por  fim,  a  recorrente pediu provimento ao recurso.  04.Conforme Voto  do  nobre  relator, Conselheiro Nelso Kichel,  há falhas na instrução do processo. Embora a recorrente alegue  a  apuração  de  prejuízos  no  encerramento  do  ano­calendário  2004  e  que  a  Ficha  12A  da  DIPJ  2005  teria  sido  preenchida  incorretamente, ou seja, de forma incompleta, sem indicação do  IRPJ  pago  por  antecipação  nesse  ano­calendárío  e  sem  apuração do saldo negativo, não consta nos autos a escrituração  contábil,  ou  seja,  há  necessidade  de  análise  da  escrituração  contábil  e  se  o  IRPJ  estimativa  mensal  e  o  prejuízo  foram  apurados  nos  termos  da  legislação  de  regência.  Do  mesmo  modo,  não  há  cópia  da  escrituração  contábil  (Livros  Razão,  Diário  e  Lalur)  para  comprovação  se  os  pagamentos  antecipados  mensalmente  foram  efetuados  corretamente  com  base  na  receita  bruta  e  acréscimos  e  se  os  alegados  prejuízos  estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil.  Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 376          14 05.Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade  material,  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  converteu o  julgamento em diligência, com retorno dos autos à  DRF ­ Feira de Santana para:  a)  apurar,  à  luz  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  se  houve  realmente  equívoco  no  preenchimento  da  Ficha  12A  da  DIPJ  2005, ano­calendário 2004;  b) à luz da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, apurar  se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de  existir  o direito  creditório pleiteado, apurar  se ele decorreu de  excesso  de  pagamento  por  antecipação  no  referido  mês  (recolhimento  que  extrapolou,  ou  seja,  sem  relação  com  a  receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de  suspensão/redução)  ou  se,  simplesmente,  é  hipótese  de  restituição  de  saldo  negativo,  em  face  do  pagamento,  por  antecipação,  ter sido  feito exatamente nos  termos da legislação  de  regência,  mas,  no  encerramento  do  ano­calendário  respectivo, houve apuração de prejuízo ou a CSLL apurada  foi  superada pelos recolhimentos por antecipação;  c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na  escrituração  contábil  e  fiscal,  apresentando  as  conclusões  e  resultados  da  diligência  fiscal  quanto  ao  direito  creditório  pleiteado;  d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as  conclusões resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta)  dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarazões.  06.  Visando  trazer  aos  autos  os  elementos  necessários  que  pudessem  atender  à  diligência  soliciitada,  o  interessado  foi  intimado, mediante  Intimação DRF/FSA/SEORT n° 617/2013, à  fl. 335, da qual tomou ciência em 22/11/2013, conforme Aviso de  Recebimento  ­  AR,  à  fl.  336,  a  apresentar  os  Livros  Razão  e  Diário do Ano­Calendário 2004, mais o Livro Lalur.  7.  Dentro  do  prazo  concedido,  o  interessado  apresentou  os  documentos solicitados.  8. Iniciou­se a análise da documentação solicitada buscando­se  confirmar  as  informações  contidas  na  DIPJ  2005  (ano­ calendário 2004) e DCTF.  9. Observando­se a conta "IRPJ a Recuperar" (conta 12.691­6),  verificou­se que o lançamento relativo ao mês de dezembro/2004  (31/12), no valor de R$ 26.126,33, vide fl. 337, corresponde ao  valor  declarado  na  DIPJ  2005,  na  Ficha  11,  vide  fl.  349,  e,  também, na DCTF Original vide fl.. 351.        Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 377          15 10.  Em  seguida,  observou­se  outra  conta,  "'IRPJ  Recolher"'  (conta 23.101­2), e nessa conta também foi escriturado o mesmo  valor, RS 26.126,33, relativo ao mês de dezembro/2004, pago em  31/01/2005, vide fl. 338.  11­Analisando­se a Receita Bruta da Empresa (Base de Cálculo  do  IRPJ),  vendas  à  vista +  vendas  a  prazo,  observou­se  que  o  lotal  da  Receita  Bruta  correspondeu  a  R$  1.322.067,05,  R$  748.455,49 {vendas à vista) + R$ 573.611,56 (vendas a prazo),  vide fls. 352 a 355. Aplicando­se o percentual de 8,0 % sobre a  receita bruta da empresa chega­se à base de cálculo do IRPJ, R$  105.765,36, e,  finalmente, aplicando­se o percentual de 15,0 %  sobre  a  base  de  cálculo  do  IRPJ, mais  o  adicionnal  de  10,0%  sobre a parcela da base de cálculo que exceder o limite mensal  de  R$  20.000,00,  encontra­se  o  valor  devido  para  o  IRPJ,  RS  24.441,34.  12. Observou­se uma pequena divergência (menor que 10 %) em  relação ao valor declarado em DIPJ e DCTF pelo  interessado,  porém,  resta demonstrado, a partir das verificações  realizadas,  bem  como  da  documentação  juntada  aos  autos,  qual  seja,  páginas  do  Livro  Razão,  DIPJ  2005  e DCTF,  que,  no  mês  de  dezembro  de  2004,  o  IRPJ  devido  foi  calculado nos  termos  da  Legislação  de Regência,  ou  seja,  com base  na Receita Bruta  e  Acréscimos.  A  diferença  declarada  a  maior  (R$  1.684,99)  em  DIPJ,  vide  fl.  349,  e  DCTF,  vide  fl.  351,  refere­se,  muito  provavelmente,  aos  acréscimos  à  receita  bruta  (rendimentos  auferidos  nas  operações  de  mútuo  realizadas  entre  pessoas  jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas;  ganhos  auferidos  na  alienação  de  participações  societárias;  ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge); receita de  locação  de  imóvel:  variações  monetárias  ativas;  ganhe»  de  capital; dentre outros).  Confirmou­se  no  sistema  interno  da Receita Federal  do Brasil,  Sinal 05, o pagamento de IRPJ  (código: 5993), no valor de R$  26.126,33, realizado em 31/01/2005, vide fl. 356.  14.Verificou­se,  por  meio  ela  Ficha  06A,  Demonstração  do  Resultado,  vide  fls.  339  e 340,que  o  interessado  apurou  Lucro  Líquido Negativo  no  ano­calendário  2004,  R$  ­  675.524,73,  c,  conseqüentemente,  apurou  Lucro  Real  Negativo  (Prejuízo),  no  valor de R$ ­ 675.524,73, vide fl. 342.  15.No  presente  caso,  a  apuração  do  lucro  líquido  foi  demonstrada pelo contribuinte naFicha 06A, vide fls. 339 e 340,  da DIPJ 2005. Conferimos as Fichas 04A e 05A e confrontamos  os valores de custo dos produtos de fabricação própria vendidos  bem  como  o  custo  das  mercadorias  revendidas  e  despesas  operacionais  ali  apurados  com  os  valores  lançados  na  Demonstração do Resultado.      Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 378          16 16.Ao  preencher  a  Ficha  12A  da DIPJ  2005,  vide  fl.  350,  o  interessado deveria ter lançado na linha 17 a totalidade do IRPJ  Mensal Pago por Estimativa, ao longo de todo o ano­calendário  2004,  e  que  está discriminado, mensalmente, na  Ficha  11,  vide  fls.  343 a 349. Somando­se  todo o  IRPJ  efetivamente pago,  de  janeiro  a  dezembro,  chega­se  ao  valor  de  RS  262.295,28,  conforme tabela abaixo:  Mês  Valor Pago  Mês  Valor Pago  Mês  Valor Pago   Janeiro  R$ li.405,66 Março  R$ 23.478,88  Maio  RS 26.483,23  Fevereiro  R$ 15.272,70 Abril  RS 18.585,75  Junho  RS 31.322,78  Julho  R$ 20.592,38 Setembro  RS 20.732,08  Novembro  R$ 24.363,07  Agosto  R$ 23.701,60 Outubro  RS 20.230,82  Dezembro  RS 26.126,33  TOTAL= R$ 262.295,28  Com  o  lançamento  da  totalidade  do  "IRPJ  Mensal  Pago  Por  Estimativa", na Ficha 12A  (linha  17),  seria  apurado um Saldo  Negativo de IRPJ, na Linha 20, de RS 262.295,28. No presente  caso,  a  hipótese  é  de  restituição  de  Saldo  Negativo  e  não  de  Pagamento  Indevido  de  estimativa  mensal  de  IRPJ,  pois  a  antecipação  da  estimativa  mensal  foi  apurada  exatamente  nos  termos  da  Legislação  de  Regência  e  no  encerramento  do  ano­ calendário houve apuração de Prejuízo.  Conclui­se,  portanto,  que  houve  realmente  equívoco  no  preenchimento  da  Ficha  12A  da  DIPJ  2005,  ano­calendário  2004,  e  que  existe  o  direito  creditório, mas  na  forma de  Saldo  Negativo e não de pagamento indevido de estimativa mensal de  IRPJ,  pois  o  pagamento,  por  antecipação,  referente  ao mês  de  dezembro de 2004 foi feito exatamente nos termos da legislação  de regência.  (...)  Conforme  resultado  do  Relatório  de  Diligência  Fiscal  (transcrito  acima),  restou comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original utilizado)  para fins de compensação tributária, há de se reconhecer, por conseguinte, o crédito utilizado  na  DCOMP  (valor  original)  como  saldo  negativo,  e  respectiva  atualização  na  forma  da  legislação de regência.  Fica  sem  efeito  a  DCTF  retificadara  relativa  ao  PA  objeto  do  crédito  pleiteado, permanecendo válida a DCTF primitiva, restando considerada a Ficha 12A da DIPJ  2005, ano­calendário 2004, como a seguir:  Ficha 12A – Cálculo do Imposto   a)  apuração do imposto = 0,00;   b) estimativas pagas = R$ 262.295,28; e   c) IRPJ a pagar “saldo negativo” = R$ 262.295,28.    Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901531/2009­23  Acórdão n.º 1802­002.237  S1­TE02  Fl. 379          17 Portanto,  reconheço  o  crédito  pleiteado,  objeto  dos  autos,  de  R$  656,17  (valor  original),  referente  pagamento  do  IRPJ  estimativa  mensal  do  PA  dezembro/2004,  na  condição  de  saldo  negativo  do  IRPJ  do  ano­calendário  2004,  a  ser  corrigido  na  forma  da  legislação de regência, e determinar à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente  homologação da compensação tributária.  Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso.    (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel                            Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL

score : 1.0
5572057 #
Numero do processo: 10830.907406/2011-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201404

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10830.907406/2011-67

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5370363

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3802-002.926

nome_arquivo_s : Decisao_10830907406201167.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : Solon Sehn

nome_arquivo_pdf_s : 10830907406201167_5370363.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014

id : 5572057

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:10 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033268404224

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 67          1 66  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.907406/2011­67  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­002.926  –  2ª Turma Especial   Sessão de  23 de abril de 2014  Matéria  COFINS­COMPENSAÇÃO  Recorrente  CITRATUS ­ IBERTECH DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2007  COFINS.  ICMS.  EXCLUSÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.  A exclusão do  Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo  com  a  legislação  vigente  (Lei  nº  10.833/200e,  art.  1º,  §  3º,  III;  Lei  nº  9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art.  3º, parágrafo único; Lei nº  10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição  tributária  (Icms­ST).  No  demais  casos,  pressupõe  o  reconhecimento  da  inconstitucionalidade da  incidência, matéria que,  como  se  sabe,  é objeto da  Ação  Direta  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  14,  no  Supremo  Tribunal  Federal.  Antes  do  julgamento  desta,  não  há  como  se  afastar  a  inclusão  do  Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal  e,  nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  02,  pela  incompetência  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a  inconstitucionalidade de  atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 74 06 /2 01 1- 67 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 (assinado digitalmente)  SOLON SEHN ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano  Damorim  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro  Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos  resumidos na ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2007  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  Na  falta  de  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a  maior,  não há que se falar de crédito passível de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  O  interessado  apresentou  o  PER/Dcomp  (Pedido Eletrônico  de Restituição,  Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração  de Débitos  e Créditos  Tributários  Federais).  Tal  fato  fez  com  que  o  pagamento  continuasse  atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação.  Em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  o  Recorrente  alegou  que  o  crédito  seria  decorrente  do  recolhimento  indevido  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins,  resultante  da  inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de  receita  tributária  dos  Estados  da  Federação,  o  referido  imposto  não  faria  parte  da  receita  auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição  afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente, nas razões de fls. 56 e ss., reitera os argumentos apresentados  na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida.  É o relatório. Voto             Conselheiro Solon Sehn  O  sujeito  passivo  teve  ciência  da  decisão  no  dia  09/10/2013  (fls.  65),  interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 56). Assim, presentes os demais requisitos  de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido.  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907406/2011­67  Acórdão n.º 3802­002.926  S3­TE02  Fl. 68          3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo  com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º,  Lei  nº  9.715/1998,  art.  3º,  parágrafo  único;  Lei  nº  10.637/2002,  art.  1º,  §  3º,  II),  somente  é  autorizada  no  regime  de  substituição  tributária  (Icms­ST).  No  demais  casos,  a  exclusão  pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe,  é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal.  Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do  Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da  Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para  declarar a  inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do  Regimento Interno:  Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal;  ou  II  ­  que  fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar nº 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar nº 73, de 1993.  Vota­se pelo desprovimento do recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator                          Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4     Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

score : 1.0
5597837 #
Numero do processo: 10880.909837/2006-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10880.909837/2006-13

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5374458

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3801-003.873

nome_arquivo_s : Decisao_10880909837200613.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES

nome_arquivo_pdf_s : 10880909837200613_5374458.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014

id : 5597837

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:16 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033273647104

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 10          1 9  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.909837/2006­13  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3801­003.873  –  1ª Turma Especial   Sessão de  23 de julho de 2014  Matéria  PIS ­ BONIFICAÇÕES  Recorrente  MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 30/06/2000  BASE  DE  CÁLCULO.  BONIFICAÇÕES  EM  PRODUTOS.  EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES.  Os  valores  a  título  de  concessão  de  bonificações  autônomas  em  produtos  equiparam­se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da  base de cálculo da contribuição.   COMPENSAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO.  RECONHECIMENTO  DO  DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.  Caracterizado  o  recolhimento  a  maior  da  contribuição  é  cabível  o  reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.  O  Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a  Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Sérgio  Celani,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel,  Marcos  Antônio  Borges  e  Paulo  Antônio  Caliendo  Velloso  da  Silveira.    AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 37 /2 00 6- 13 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/2006­13  Acórdão n.º 3801­003.873  S3­TE01  Fl. 0          2 Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata­se de Despacho Decisório que não homologa Declaração  de  Compensação  (fl  1).  A  razão  foi  a  falta  de  crédito  pois  o  pagamento  no Darf  indicado  (data:  30/06/00  ;  receita:  8109 –  Pis)  foi  todo  usado  para  quitar  débitos  e  não  restou  saldo  passível  para  a  compensação  declarada  (Pis  agosto  de  2003;  valor: 909,86;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do  CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96.  Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4).   Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003  (processadas separadamente).   Por  isso, em 27/8/2008, houve manifestação de  inconformidade  (processo  10.880.909811/2006­67)  reproduzida  nos  demais  (fl  12 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins,  para análise conjunta da defesa e das provas e argui:  a)  nulidade,  pela  falta  de  intimação  prévia  para  prestar  esclarecimentos;  b) devem ser apreciados os documentos ora  juntados, sob pena  de cerceamento;  c)  no  mérito,  ter  recolhido  indevidamente  Pis  e  Cofins  de  setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação  (sem  auferir  receita),  que  não  geravam  obrigação  fiscal,  pois  não eram vendas.  Ao  final,  requer  emissão  de  novo Despacho  e/ou  homologação  das  compensações  deste  e  dos  procedimentos  que  pleiteia  anexar.  Apensa  documentos  da  representação  processual  e  societários.  No  processo  10880.909811/2006­67  foram  juntadas  cópias  de  notas  fiscais de bonificações,  apurações mensais,  planilhas dos  alegados indébitos e demonstrativos contábeis.  A  DRJ  em  São  Paulo  I  (SP)  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita:  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando  o  ato  administrativo  obedece  às  suas  formalidades  essenciais  não cabe falar em nulidade.   CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/2006­13  Acórdão n.º 3801­003.873  S3­TE01  Fl. 0          3 Não  fica  configurado  cerceamento  de  defesa  quando  o  contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório,  sendo­lhe  possibilitada  a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade no prazo legal.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  NÃO  COMPROVAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado  a  um  débito  do  próprio  interessado  expressa  a  inexistência  de  direito  creditório  para  fins  de  compensação  e  é  circunstância  apta  a  embasar  a  não­homologação  de  compensação.  A  alegação  da  existência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é  suficiente  para  reformar  decisão  não  homologatória  de  declaração de compensação.  Discordando da decisão  de primeira  instância,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir.  Em  breve  arrazoado,  inicialmente,  descreve  os  fatos  citando  trechos  da  decisão recorrida.  Postula  a  reforma  do  acórdão  da  DRJ  argumentando  que,  de  fato,  as  operações  de  bonificação  praticadas  pela  recorrente  não  possuíam  a  natureza  de  desconto  incondicional  aplicado  às  suas  vendas  no  período  e  que  a  recorrente  não  fundamentou  sua  manifestação de inconformidade segundo essa premissa.  Pugna  pela  homologação  da  compensação  em  análise  com  base  no  fundamento de que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas  vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita).   Sustenta que a inexistência de vínculo entre suas operações de bonificação e  as  vendas  praticadas  no  caso  concreto  é  patente,  pois  suas  bonificações  decorreram  do  cumprimento  de  obrigações  pactuadas  contratualmente  junto  a  seus  clientes:  bonificá­los  (premiá­los) com mercadorias em face da ocorrência de fatos específicos (aniversário de loja,  renovação de contrato, aniversário contratual, superação de metas de vendas, etc).  Apresenta  trechos  de  contratos  firmados  com  os  destinatários  das  mercadorias  oferecidas  em  bonificação.  Pontua  que  as  operações  de  bonificação  têm  como  objetivo o estreitamento do vínculo comercial entre vendedor e comprador, proporcionando a  fidelização de suas relações comerciais.  Tece  comentários  sobre  a  espécie  de  bonificação  comumente  conhecida  no  âmbito empresarial como “dúzias de treze”.  Insiste  que  as  operações  de  bonificação  da  recorrente  não  se  caracterizam  como “dúzias de treze”.  Destaca  o  caráter  de  gratuidade  de  que  se  revestem  as  operações  de  bonificação  praticadas  pela  recorrente,  impossibilitando  a  incidência da  contribuição  sobre  o  montante das notas fiscais que as documentaram.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/2006­13  Acórdão n.º 3801­003.873  S3­TE01  Fl. 0          4 Alega  que  nas  bonificações  praticadas  pela  recorrente  não  houve  qualquer  recebimento de receita supostamente integrante do resultado do período.  Colaciona jurisprudência do CARF.   Por  fim,  requer  a  reforma  do  acórdão  recorrido  e  homologado  o  crédito  compensado.  Posteriormente apresenta petição  requerendo a  juntada das  cópias das notas  fiscais,  do  balancete  contábil  e  da  planilha  de  recomposição  da  base  de  cálculo  das  contribuições sociais ora tratadas.   É o relatório.  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/2006­13  Acórdão n.º 3801­003.873  S3­TE01  Fl. 0          5 Voto             Conselheiro Flávio de Castro Pontes  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  recursais, portanto dele tomo conhecimento.  A  controvérsia  desse  litígio  administrativo  cinge­se  a  verificar  se  as  bonificações concedidas em produtos podem ser excluídas da receita bruta na composição da  base de cálculo da contribuição.   A recorrente sustenta que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira  desvinculada  de  suas  vendas,  ou  seja,  foram  realizadas  gratuitamente  (sem  auferimento  de  receita).  Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado.  A  legislação  de  regência,  art.  3º,  §  2º,  inciso  I  da  Lei  nº  9.718,  de  27  de  novembro de 1998, disciplina:  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica.  (Vide  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  §  1º  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada  para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  ­  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o  Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário; (grifou­se)  Pelos  documentos  comprobatórios  juntados  aos  autos,  constata­se  que,  de  fato,  as  saídas  de  produtos  a  título  de  bonificações  foram  autônomas,  isto  é,  não  estavam  vinculadas  as  operações  de  vendas  específicas,  portanto  não  configuram  descontos  incondicionais.   Cabe,  mais,  acrescentar  que  as  bonificações  em  discussão  caracterizam­se  como doações,  sendo que o estabelecimento vendedor entrega ao adquirente uma quantidade  de produtos, sem vinculação com uma venda,  isto é, não é cobrado qualquer valor do cliente  pela quantidade excedente de produtos entregues.  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/2006­13  Acórdão n.º 3801­003.873  S3­TE01  Fl. 0          6 O fato gerador da contribuição em discussão é o auferimento de receita pela  pessoa jurídica. Diferentemente do fato gerador do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a  saída do produto do estabelecimento não implica na incidência da contribuição.  Resta evidente que a incidência da contribuição está associada ao ingresso de  receita, o que não ocorreu no presente caso. Colhe­se do processo que não houve o ingresso de  recursos financeiros no patrimônio da interessada.  É  de  se  ver,  portanto,  que  as  operações  em  discussão  não  podem  ser  consideradas  como  bonificações,  mas  sim,  como  doações.  Assim,  a  saída  de mercadorias  a  título de doações não está no campo de incidência da contribuição.  Neste  sentido  a  Solução  de  Consulta  Solução  de  Consulta  editada  pela  Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 130, de 03 de maio de 2012, assim ementada:  Assunto: Contribuição  para  o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO  DO  TRIBUTO.  BONIFICAÇÕES  EM  MERCADORIAS  VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA.   As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação  de  venda,  concedidas  na  própria  Nota  Fiscal  que  ampara  a  venda,  e  não  estiverem  vinculadas  á  operação  futura,  por  se  caracterizarem  como  redutoras  do  valor  da  operação,  constituem­se  em  descontos  incondicionais,  previstos  na  legislação de regência do tributo como valores que não integram  a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser  excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep.   BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A  TÍTULO GRATUITO,  DESVINCULADAS  DE OPERAÇÃO DE  VENDA..  A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida  legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil.   Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por  liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação  de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como  caracterizá­la  como  desconto  incondicional,  pois  não  existe  valor  de  operação  de  venda  a  ser  reduzido.  Por  não  haver  atribuição de valor,  pois que a Nota Fiscal que acompanha a  operação  tem  natureza  de  gratuidade,  natureza  jurídica  de  doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato  gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida.  Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita,  não  integra  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep.  Dispositivos  Legais:  Artigo  195  da  CF/88;  Artigo  1º  Lei  nº  10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.(rgifou­ se)  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/2006­13  Acórdão n.º 3801­003.873  S3­TE01  Fl. 0          7 Na mesma direção a Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação  da 10ª Região Fiscal, de nº 136, de 21 de agosto de 2012:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO.  BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO.  A  concessão  de  bonificação  em mercadorias,  desvinculada  de  uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída  entre  as  hipóteses  de  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep, por não configurar receita.  Dispositivos Legais: CF, de 1988, art. 195, I, “b”; Lei nº 10.406,  de 2002, Código Civil, art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º,  §§ 1º e 2º, e 3º, I e II; Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º, IX, e 15,  II; IN SRF nº 51, de 1978; PN CST nº 113, de 1978. (grifou­se)  No  caso  vertente  restou  comprovado  que  as  bonificações  em  tela  caracterizam­se  como  doações  e  não  estão  sujeitas  à  incidência  da  contribuição  porque  não  configuram receitas. Trata­se de uma despesa operacional da pessoa jurídica.  Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo  165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:   I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;   II  ­  erro na  edificação do  sujeito passivo,  na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento; (...)  Quanto  ao  direito  à  restituição  do  indébito,  Luciano  Amaro  em  Direito  Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece:  O  direito  à  restituição  do  indébito  encontra  fundamento  no  princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do  que ocorre no direito privado.  Registre­se,  por  oportuno,  que  não  se  exige  para  o  reconhecimento  do  indébito  a  retificação  da  DCTF,  pois  o  importante  é  aferir  a  liquidez  e  certeza  do  pretenso  crédito,  de  acordo  com  o  artigo  170  da  Lei  nº  5.172,  de  25/10/1966  (Código  Tributário  Nacional).   No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos  conjunto probatório. Registre­se, por fim, que essa decisão reconhece apenas o direito material  da  recorrente  de  excluir  da  base  de  cálculo  da  contribuição Cofins,  período  de  apuração  de  30/11/1999,  os  valores  das  notas  fiscais  a  título  de  bonificações.  Incumbe  à  Delegacia  de  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909837/2006­13  Acórdão n.º 3801­003.873  S3­TE01  Fl. 0          8 origem  com  base  na  escrituração  fiscal  (Livros,  DCTF,  etc)  e  contábil  apurar  o  valor  do  pagamento indevido ou a maior (quantum) e homologar a compensação até o limite do crédito  reconhecido (atualizável pela taxa Selic).  Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário  para  reconhecer o direito da recorrente de excluir da receita bruta na composição da base de  cálculo da Cofins as bonificações concedidas em produtos e homologar a compensação até o  limite do crédito a ser apurado pela Delegacia de origem.     (assinado digitalmente)   Flávio de Castro Pontes ­ Relator                                Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5635272 #
Numero do processo: 10746.721026/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazê-lo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-001.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: mar

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201311

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a possibilidade de apresentar defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES. INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE. Demonstrados os requisitos do art. 135, III, do CTN, deve ser declarada a responsabilidade solidária pela obrigação tributária dos sócios e/ou representantes da empresa contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Quando o contribuinte é intimado diversas vezes para apresentar os livros e documentos fiscais e deixa de fazê-lo, resta à autoridade fiscalizatória realizar o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10746.721026/2011-96

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5383152

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1302-001.225

nome_arquivo_s : Decisao_10746721026201196.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : mar

nome_arquivo_pdf_s : 10746721026201196_5383152.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.

dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013

id : 5635272

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:56 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033308250112

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.075          1 1.074  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10746.721026/2011­96  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.225  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de novembro de 2013  Matéria  Normas Gerais de Direito Tributário  Recorrente  FRINORTE ­ ALIMENTOS LTDA e outros  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NULIDADE.  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Não  se  configura  nulidade  por  cerceamento  de  defesa  quando  foi  oportunizada  ao  recorrente  a  possibilidade  de  apresentar  defesa,  inclusive  com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado.   RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS/REPRESENTANTES.  INFRAÇÃO A LEI. POSSIBILIDADE.  Demonstrados  os  requisitos  do  art.  135,  III,  do  CTN,  deve  ser  declarada  a  responsabilidade  solidária  pela  obrigação  tributária  dos  sócios  e/ou  representantes da empresa contribuinte.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DOS  LIVROS  E  DOCUMENTOS  FISCAIS.  POSSIBILIDADE  DE  ARBITRAMENTO.  Quando o contribuinte é  intimado diversas vezes para apresentar os livros e  documentos fiscais e deixa de fazê­lo, resta à autoridade fiscalizatória realizar  o arbitramento do lucro em cumprimento ao art. 530, III, do RIR/99.  OFENSA  A  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  INCOMPETÊNCIA.  SÚMULA 2/CARF.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de  lei tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares  e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cristiane     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 10 26 /2 01 1- 96 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     2 Costa e Alberto Pinto que mantinham na sujeição passiva indireta apenas a sócia com poderes  de administração e reduziam o percentual de multa de ofício para 75%.  (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ALBERTO  PINTO  SOUZA  JUNIOR  (Presidente),  EDUARDO DE ANDRADE,  CRISTIANE  SILVA COSTA,  MARCIO  RODRIGO  FRIZZO, WALDIR  VEIGA  ROCHA,  LUIZ  TADEU MATOSINHO  MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.  Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.076          3 Relatório  Trata­se de análise de recurso voluntário.  Exige­se, na origem, tributos não recolhidos em razão de omissão de receitas.  Em  suma,  trata­se  de  IRPJ  (R$  10.956.361,80)  e  CSLL  (R$  4.963.333,65),  constituídos  no  processo  n.  10746.721026/2011­96  (fls.  03/16).  Separadamente,  exige­se  PIS  (R$  2.877.715,56)  e  COFINS  (R$  13.281.765,10),  constituídos  processo  n.  10746.721027/2011­ 31(fl. 04/19).  Os processos mencionados foram decididos separadamente na DRJ, mas, ao  serem distribuídos no CARF, foi determinada a reunião em razão da conexão (Res. n.º 1302­ 000.220), razão pela qual a presente decisão envolve ambos os procedimentos.  Isto posto, tem­se que o AFRFB convenceu­se pela ocorrência dos seguintes  fatos, consoante narra o Relatório Fiscal (fl. 18/28 do PAF 10746.721026/2011­96):  (i) Que a empresa foi  intimada do Termo de  Início do Procedimento Fiscal  em 11/03/2010 (fl. 37/40) para apresentar documentos contábeis e fiscais;  (ii) A empresa respondeu ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, através  da  sócia  (Ana Paulina Meneses da Costa),  informando a suspensão de  suas  atividades  em  setembro/2007  e  indicando  o  nome  de  uma  contadora  como  responsável  pela  prestação  de  informações  à  RFB  (fl.  41). Não  apresentou  nenhum documento solicitado.   (iii) A partir de 03/05/2010  todos os documentos  lavrados e enviados pelos  Correios à empresa recorrente retornaram, com a informação de que mudou  de endereço. Dessa Forma, entendeu o AFRFB pela notificação da empresa  por meio de editais (art. 10, IV, do Dec. 7.574/11) (fl. 42/66);  (iv) Foram abertos, em 09/06/2010, sete Mandados de Procedimento Fiscal –  Diligência (fl. 67/80), com o fim de coletar  informações  junto a clientes da  empresa  recorrente,  solicitando  as  notas  fiscais  de  compras  realizadas  na  empresa  recorrente  durante  o  ano­base  fiscalizado,  com  os  respectivos  comprovantes de pagamento (fl. 275/930);  (v)  Expediu­se  ofício  à  Junta  Comercial  solicitando  o  Contrato  Social  da  empresa (fl. 82/119). Solicitou­se também as guias de informação e apuração  mensal  do  ICMS  (GIAM)  (fl.  120)  e  os  arquivos Sintegra  da  empresa.  Foi  informado que a empresa apresentou apenas as GIAMs dos meses de janeiro  a julho e de outubro de 2007 (fls. 120/148­940/941);  (vi)  Em  29/10/2010  foram  lavrados  Termos  de  Cientificação  e  Intimação  Fiscal  em  nome  dos  sócios  da  empresa  recorrente  –  Sra.  Ana  Paulina  Meneses  da Costa  e  Frinorte  Empreendimentos  Participações  Ltda.  –,  bem  como em nome dos sócios da Frinorte Empreendimentos Participações Ltda.  Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     4 (Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Roberto Augusto Menezes da Costa e  Renato Mauro Menezes Costa), sendo enviado pelos Correios (fl. 149/175);  (vii) Dos Termos acima citados, apenas a Sra. Ana Paulina Meneses da Costa  foi  cientificada  pela  via  postal  (fl.  151),  sendo  os  demais  devolvidos  pelos  Correios. Assim,  foi  publicado  o  edital  n.º  02/2011  para  ciência  do Termo  lavrado em nome da Frinorte Empreendimentos e Participações (fl. 152). Não  houve nenhuma manifestação ou apresentação de documentos;  (viii)  A  empresa  recorrente  não  entregou  nenhuma  DCTF  e/ou  DIPJ,  nem  realizou qualquer recolhimento de IRPJ ou CSLL para o período em análise;  (ix) Que a empresa teria que apurar o IRPJ pelo lucro real trimestral, pois não  optou pelo lucro presumido e teve receitas superiores a R$ 48.000.000,00 em  2007;  (x) Que a empresa não apresentou nenhum  livro ou documento contábil  ou  fiscal,  apesar  de  intimada  várias  vezes,  o  que  impossibilita  a  apuração  do  lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro  tributável, segundo o art. 530, III, do Dec.   n.º 3000/99;  (xi)  Para  fins  de  determinação  do  lucro,  utilizou­se  dos  valores  declarados  pela empresa à SEFAZ/TO, através das GIAMs, para os meses de janeiro a  julho e outubro, de 2007, conforme anexo I (fl. 29);  (xii) Para os meses de agosto e setembro de 2007, utilizou­se como receita  bruta de vendas as notas  fiscais de  saída, emitidas pela empresa recorrente,  obtidas junto aos principais clientes desta, segundo anexo II e III (fl. 30/33);  (xiii) Desta forma, o lucro arbitrado foi determinado mediante a utilização do  percentual de 9,6% sobre a receita bruta trimestral, de acordo com o art. 16,  Lei n. 9.249/95, c.c. art. 27, da Lei n. 9.430/07;  (xiv) Com relação à CSLL, a sua base de cálculo foi determinada pelo valor  correspondente a 12% da receita bruta trimestral, conforme Lei n. 9.430/96,  art. 29, I, c.c. e IN SRF n.º 93/97, art. 56, I;  (xv) Os valores do lucro arbitrado e da base de cálculo da CSLL, bem como a  apuração do IRPJ e CSLL, estão demonstrados no anexo IV (fl. 34);  (xvi)  Para  fins  de  apuração  do  PIS  e  da COFINS  foi  realizada  a  apuração  pelo regime cumulativo, de acordo com a Lei n. 10.637/02, art. 8º, II, e a Lei  n. 10.833/03, art. 10, II;  (xvii) A base de cálculo do PIS/COFINS para os meses de janeiro a julho e  outubro de 2007,  foi determinada através das vendas brutas, descontadas as  devoluções,  informadas  pela  empresa  recorrente  à  SEFAZ/TO,  desconsiderando as vendas realizadas para o exterior, tudo conforme anexo V  (fl. 35);  (xvii)  Para  os  meses  de  agosto  e  setembro  de  2007  foi  utilizado  para  obtenção da receita bruta, os valores das notas fiscais de saída emitidas pela  empresa (anexos II e III – fl. 30/33), sendo apurado o PIS/COFINS conforme  anexo VI (fl. 36);  Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.077          5 (xviii) Ficou demonstrada a intenção do sujeito passivo de ocultar os valores  de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS uma vez que informou os valores  de  vendas  somente  à  SEFAZ/TO  através  de  GIAM,  caracterizando  prática  reiterada e incorrendo a empresa em sonegação, segundo o art. 71, I, da L. n.º  4.502/64, razão pela qual aplicou­se a multa qualificada de 150% (art. 44, I, e  §1º, da Lei n. 9.430/96);  (xix)  A multa  qualificada  foi  agravada  para  225%  (art.  44,  §2º,  da  Lei  n.  9.430/96),  uma  vez  que  não  foi  apresentado  nenhum  livro  comercial  ou  fiscal, bem como os arquivos em meio digital  relativos à contabilidade e às  notas fiscais, solicitados no decorrer da fiscalização;  (xx) Que o contrato social da empresa recorrente (Frinorte Alimentos Ltda.)  demonstra que o quadro  societário  é  formado por Ana Paulina Meneses  da  Costa (10%) e Frinorte Empreendimentos e Participações S.A. (90%);  (xxi)  Por  sua  vez,  a  Frinorte  Empreendimentos  e Participações  S.A.  tem  o  quadro  societário  composto  por  Rogério  Marcio  Menezes  Costa,  Renato  Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa (10% cada), e  Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. (70%);  (xxii) Que a empresa Marcélia 3 Empreendimentos e Participações S.A. tem  como  diretores  os  Srs.  Rogério  Marcio  Menezes  Costa,  Renato  Mauro  Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa;  (xxiii)  Que  a  partir  da  4ª  alteração  contratual  da  empresa  recorrente  (fl.  98/105) houve a previsão de assinatura de pelo menos um representante da  Frinorte  Empreendimentos  e  Participações  S.A.  em  quaisquer  transações  bancárias,  além  da  assinatura  da  sócia  Ana  Paulina  Meneses  da  Costa,  evidenciado  funções  administrativa­gerenciais  dos  Srs.  Rogério  Marcio  Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes  da Costa;  (xxiv)  Que  a  empresa  Marcélia  3  Empreendimentos  e  Participações  S.A.  aparece na 5ª alteração contratual da empresa (fl. 107/113);  (xxv) Que os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes  Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa tomaram vultosos empréstimos  da empresa recorrente, segundo informações das Declarações de IRPF;  (xxvi) Que a Confederação Nacional da Indústria – CNI publica em seu sítio  virtual como principal executivo da empresa recorrente o Sr. Renato Mauro  Menezes Costa;  (xxvii) Que a Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO publicou  notícia na qual o Sr. Rogério Marcio Menezes Costa aparece como diretor da  empresa recorrente (fl. 942);  (xxiii) Que o Ministério Público Federal  do Tocantins  apresentou denúncia  de  crime de sonegação  de contribuição previdenciária  sobre os Srs. Renato  Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     6 Mauro  Menezes  Costa  e  Rogério  Marcio  Menezes  Costa,  citados  como  proprietários da empresa recorrente (fl. 943);  (xxix)  Assim,  foi  lavrado  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  individualizado  para  os  sócios  da  empresa  recorrente  Sra.  Ana  Paulina  Meneses da Costa, e os Srs. Rogério Marcio Menezes Costa, Renato Mauro  Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, com base no art. 135,  III, do CTN, por omissão na declaração e recolhimento dos tributos federais  referente ao período fiscalizado, de maneira reiterada, pois a omissão ocorreu  durante  todo  o  ano­calendário  de  2007,  caracterizando  assim  a  prática  de  sonegação, conforme art. 71, I, da L. n.º 4.502/64;  (xxx)  Ressaltou  ainda  o  AFRFB  que  a  empresa  fiscalizada  estava  com  o  CNPJ  ativo  junto  à  RFB  e  o  seu  contrato  social  não  faz  menção  de  encerramento  das  atividades,  caracterizando  dissolução  irregular  da  sociedade com fundamento no art. 135, III, do CNT, c/c a Súmula 435/STJ,  por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal.  Encerrada a fiscalização, os recorrentes tiveram ciência dos autos de infração  em  30/11/2011,  como  se  verifica  de  fl.  946/950,  do  PAF  10746.721026/2011­96  (IRPJ  e  CSLL), e fl. 949/953, do PAF 10746.721027/2011­31 (PIS/COFINS).  Na  sequência,  os  recorrentes  apresentaram  impugnação  em  27/12/2011  em  ambos os processos. Em análise das defesas, a DRJ entendeu pela integral improcedência dos  argumentos. É o que se nota da ementa do acórdão exarado no PAF 10746.721026/2011­96 (fl.  990/1019):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA – IRPJ. Ano­calendário: 2007.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  VÍCIOS.  CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputa­se válido o auto  de infração formalizado em conformidade com as normas legais  e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação  processual,  de  modo  a  permitir  que  o  sujeito  passivo,  na  impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ARGUIÇÃO  DE  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  Devem  ser  mantidos  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária  os  sócios­administradores  da  pessoa  jurídica  autuada,  quando  comprovada  a  prática  de  infração  à  lei,  uma  vez  que  o  art.  135  do  CTN  trata  de  responsabilidade solidária.  ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve  ser  arbitrado  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  deixa  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  e  documentos  em  conformidade  com  as  normas  de  escrituração  comercial e fiscal.  OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE  COMPETÊNCIA.  Os  órgãos  julgadores  administrativos  não  detêm  competência  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade  contra  diplomas  legais  regularmente  editados,  devendo  a  autoridade  administrativa  constituir  o  Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.078          7 crédito  tributário  em  conformidade  com  o  estipulado  pela  legislação.  MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao  Fisco Estadual  e  a  omissão  reiterada das mesmas  informações  ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos  tributos  devidos,  constituem  fatos  que  evidenciam  conduta  dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  INDEFERIMENTO.  Indefere­se  pedido  de  produção  de  provas  adicionais  quando  estas  são  desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada  em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe  sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a  impugnação.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA – IRPJ. Ano­calendário: 2003  ACÓRDÃO.  IMPUGNAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  TRANSCRIÇÃO  NA  ÍNTEGRA.  NECESSIDADE.  Deve  ser  transcrito o acórdão desde o assunto, ano­calendário etc., até o  resultado.  ACÓRDÃO.  FORMA  DE  ELABORAÇÃO.  CONSULTAR  MANUAL  DE  REDAÇÃO.  Tenho  um  manual  de  redação  do  CARF com indicações de como fazer a ementa.  Lançamento Procedente.  No  mesmo  sentido  está  a  ementa  do  acórdão  proferido  no  PAF  10746.721027/2011­31 (fl. 994/1020):  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  Ano­ calendário: 2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  VÍCIOS.  CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputa­se válido o auto  de infração formalizado em conformidade com as normas legais  e que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação  processual,  de  modo  a  permitir  que  o  sujeito  passivo,  na  impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ARGUIÇÃO  DE  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  Devem  ser  mantidos  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária  os  sócios­administradores  da  pessoa  jurídica  autuada,  quando  comprovada  a  prática  de  infração  à  lei,  uma  vez  que  o  art.  135  do  CTN  trata  de  responsabilidade solidária.  OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE  COMPETÊNCIA.  Os  órgãos  julgadores  administrativos  não  detêm  competência  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade  contra  diplomas  legais  regularmente  editados,  devendo  a  autoridade  administrativa  constituir  o  Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     8 crédito  tributário  em  conformidade  com  o  estipulado  pela  legislação.  MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao  Fisco Estadual  e  a  omissão  reiterada das mesmas  informações  ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos  tributos devidos, constituem atos que evidenciam conduta dolosa  e implicam a qualificação da multa de ofício.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  INDEFERIMENTO.  Indefere­se  pedido  de  produção  de  provas  adicionais  quando  estas  são  desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada  em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe  sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a  impugnação.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE  SOCIAL  –  COFINS  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  VÍCIOS.  CONTRADITÓRIO  E  AMPLA  DEFESA.  Reputa­se  válido  o  auto  de  infração  formalizado  em  conformidade  com  as  normas  legais  e  que  contém  todos  os  requisitos formais exigidos pela legislação processual, de modo  a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito  ao contraditório e à ampla defesa.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ARGUIÇÃO  DE  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  Devem  ser  mantidos  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária  os  sócios­administradores  da  pessoa  jurídica  autuada,  quando  comprovada  a  prática  de  infração  à  lei,  uma  vez  que  o  art.  135  do  CTN  trata  de  responsabilidade solidária.  OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE  COMPETÊNCIA.  Os  órgãos  julgadores  administrativos  não  detêm  competência  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade  contra  diplomas  legais  regularmente  editados,  devendo  a  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  em  conformidade  com  o  estipulado  pela  legislação.  MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prestação de informações ao  Fisco Estadual  e  a  omissão  reiterada das mesmas  informações  ao Fisco Federal, acompanhada da ausência de pagamento dos  tributos  devidos,  constituem  fatos  que  evidenciam  conduta  dolosa e implicam a qualificação da multa de ofício.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  INDEFERIMENTO.  Indefere­se  pedido  de  produção  de  provas  adicionais  quando  estas  são  desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada  em desacordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe  sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a  impugnação.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Intimados  das  decisões  supratranscritas  (fl.  1029/1039  do  PAF  10746.721026/2011­96; fl. 1031/1040 e 1084 do PAF 10746.721027/2011­31), os recorrentes  Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.079          9 apresentaram,  então,  recursos  voluntários,  nos  quais  ventilam  exatamente  as  mesmas  argumentações para ambos os processos. Em resumo:   (i) Cerceamento ao direito de defesa e do contraditório, pois alegam que não  tiveram  oportunidade  de  se manifestar  sobre  o  arbitramento  realizado  uma  vez os processos correram à revelia, requerendo nulidade dos mesmos;  (ii)  Que  o  AFRFB  desconsiderou  a  personalidade  jurídica  da  empresa  recorrente de forma arbitrária e sem respaldo legal, pois, segundo o art. 50,  do  CC,  esta  somente  pode  ser  realizada  pelo  Poder  Judiciário  e  sob  a  presença de requisitos legais, o que não se comprovou no caso;  (iii)  Que  o  art.  134,  do  CTN,  somente  permite  a  responsabilização  por  terceiros  quando  se  demonstra  a  impossibilidade  do  cumprimento  pela  obrigação  tributária  e,  ainda,  apenas  com  relação  às  matérias  de  caráter  moratório (penalidades);  (iv)  Que  o  art.  135,  do  CTN,  apresenta  as  pessoas  que  serão  responsabilizadas  no  caso  de  prática  de  atos  com  excesso  de  poderes  ou  infração  a  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  não  se  configurando  o  mero  inadimplemento  hipótese  de  responsabilidade  subsidiária  dos  sócios,  conforme entendimento do STJ;  (v)  Que  segundo  o  entendimento  pacífico  do  STJ  e  doutrina  majoritária  a  responsabilidade  prevista  nos  art.  134  e  135,  do  CTN,  é  de  natureza  subsidiária, pelo que devem os recorrentes pessoas físicas serem excluídos do  polo passivo do lançamento tributário;  (vi) Inexistência de fraude e sonegação, pois, a empresa recorrente observava  o  método  de  apuração  do  lucro  real  para  determinar  os  tributos  federais  devidos;   (vii)  Absoluta  boa­fé  quando  da  instauração  do  procedimento  fiscal,  pois  colocou à disposição do AFRFB contador responsável pelas transmissões de  suas informações fiscais, o qual nunca foi contatado;  (viii) Que o AFRFB não pode presumir  a ocorrência de  fatos  geradores de  obrigação  tributária, sendo que a presunção do art. 42, da Lei 9.430/96 não  pode  alterar  o  conceito  de  renda  ou  provento  para  ampliar  seu  conceito,  conforme art. 110, do CTN. Juntou jurisprudência que trata o tema;  (ix) Que  a  empresa  recorrente  não  pode  ser  submetida  ao  recolhimento  do  tributo uma vez que o arbitramento realizado exorbita o valor real do imposto  devido;   (x)  Que  a  penalidade  imposta  possui  caráter  confiscatório,  superando  sua  capacidade contributiva, o que é vedado pela Constituição Federal;  (xi)  Que  não  foram  observados  os  princípios  da  capacidade  econômica,  razoabilidade ou proporcionalidade;  Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     10 (xii)  Que  a  multa  qualificada  e  agravada,  no  importe  de  225%,  é  desproporcional  e  desarrazoada,  pois  não  houve  oportunidade  para  que  os  sócios  responsabilizados  prestassem  informações  e  esclarecimentos  necessários;  (xiii)  Que  o  STF  reconheceu  a  repercussão  geral  das  multas/sanções  exorbitantes,  devendo  o  processo  administrativo  fiscal  ser  sobrestado  até  o  pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria (no RE 640.452/RO);   (xiv)  Preliminarmente,  requereu  a  nulidade  do  auto  de  infração  por  cerceamento  do  direito  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa  e  a  exclusão  dos  sócios  da  empresa  por  ilegalidade  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  em  âmbito  administrativo  e  por  ilegalidade  da  declaração  de  responsabilidade solidária, quando sua natureza é subsidiária;  (xv)  No  mérito,  requereu  a  improcedência  do  auto  de  infração,  pois  as  obrigações  teriam  sido  prescritas  de  forma  inadequada.  Alternativamente,  requer a exclusão da multa ou sua aplicação de acordo com os princípios da  razoabilidade,  proporcionalidade,  capacidade  contributiva  do  contribuinte  e  vedação ao confisco, em respeito à Constituição Federal;  (xvii)  Por  fim,  pede  o  sobrestamento  do  processo  administrativo  até  o  pronunciamento definitivo pelo STF acerca do RE n.º 640.452/RO.  É o relatório.      Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.080          11   Voto             Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos  de admissibilidade, então dele conheço.  1. Das Alegações Preliminares  1.1 Do Direito à Defesa e ao Contraditório  Os  recorrentes  alegam  o  cerceamento  ao  direito  de  defesa  e  ofensa  ao  princípio  do  contraditório,  pois  não  teriam  tido  a  oportunidade  de  se  manifestarem  sobre  o  arbitramento  do  lucro  que  originou  o  crédito  tributário  combatido.  Assim,  invocaram  a  nulidade do processo administrativo com amparo no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72.  O princípio do  contraditório e da ampla defesa  traduz a necessidade de dar  conhecimento da existência da ação e dos atos a ela inerentes, bem como de facultar às partes o  uso  dos  meios  de  defesa  e  a  possibilidade  de  manifestarem­se,  como  bem  ensina  Marcos  Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López:  (...)  O  princípio  do  contraditório  tem  íntima  ligação  com  o  da  igualdade das partes e se traduz de duas  formas: por um lado,  pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação  de  todos  os  atos  do  processo  às  partes  e,  de  outro,  pela  possiblidade  das  partes  reagirem  aos  atos  que  lhe  forem  desfavoráveis,  ou  seja,  os  litigantes  têm  direito  de  deduzir  pretensões  e  defesas,  realizarem  provas  que  requereram  para  demonstrar  a  existência  do  direito,  em  suma,  direito  de  serem  ouvidos  paritariamente  no  processo  em  todos  os  seus  termos.  (NEDER,  Marcos  Vinicus;  LÓPEZ,  Maria  Teres  Martínez;  Processo  administrativo  fiscal  federal  comentado;  3  ed.;  São  Paulo: Dialética, 2010)  Isto posto, e considerando o que nos autos consta, é possível concluir que o  direito dos recorrentes à ampla defesa e ao contraditório foi observado em todo o procedimento  fiscal e administrativo, pois estes tiveram a possibilidade de contraditar os atos da autoridade  fiscalizadora.  Melhor esclarecendo.   Consoante  se denota do  art.  14,  do Decreto n.º  70.235/72,  a  instauração  da  fase  litigiosa  apenas  se  realiza  com  a  apresentação  da  impugnação  do  contribuinte,  após  o  lançamento do crédito tributário, in verbis:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     12 Conclui­se, portanto, que até a apresentação da impugnação o procedimento  desenvolve­se inquisitorialmente, ou seja, até que o sujeito passivo seja intimado da lavratura  do auto de infração e do lançamento do crédito tributário, inexiste caráter contencioso conflito  de  interesses,  mas  apenas  dever  de  fiscalização  do  Fisco  e  dever  de  colaboração  do  contribuinte.  Nesta  fase, o sujeito ativo apenas deverá ser cientificado naquelas situações  expressamente previstas na lei, tal como ocorre por meio do “Termo de Início da Verificação  Fiscal”, onde consta o número do Mandado de Procedimento Fiscal e a senha para seu acesso  pelo sítio eletrônico da RFB.  Examinando os autos, observa­se que a empresa recorrente  foi devidamente  intimada do início do procedimento fiscal (fl. 37/40 ­ PAF 10746.721026/2011­96; fl. 40/43 ­  PAF  10746.721027/2011­31),  tanto  que  inclusive  respondeu  à  intimação,  na  pessoa  de  sua  sócia  Ana  Paulina  Menezes  da  Costa  (fls.  41  ­  PAF  10746.721026/2011­96;  fl.  44  ­  PAF  10746.721027/2011­31).   Não bastasse isto, como já relatado,  todos os demais atos do AFRFB foram  devidamente informados aos recorrentes por intimação pela via postal, a princípio, e por edital,  quando aquelas foram devolvidas pelos Correios (fl. 149/175 ­ PAF 10746.721026/2011­96; fl.  152/178 ­ PAF 10746.721027/2011­31), tudo conforme art. 23, do Decreto 70.235/72.   Tanto é assim que os recorrentes buscam a anulação do procedimento fiscal  apenas por não terem sido intimados a se manifestarem sobre o arbitramento do lucro realizado  pelo AFRFB.  Merece  destaque o  fato  de  que  os  recorrentes  não  responderam a  nenhuma  das  intimações  realizadas durante o procedimento  fiscal,  não  entregaram quaisquer  livros ou  documentos fiscais e contábeis da empresa, restando ao AFRFB proceder conforme determina  o art. 530, inciso III, e art. 537, ambos do Decreto 3.000/99:  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430,  de 1996, art. 1º): (...)  III ­ o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária  os  livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o  Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;  Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será  computado  para  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  devido  e  do  adicional,  se  for  o  caso,  no  período  de  apuração  correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249,  de 1995, art. 24).  No  caso  da  omissão  de  receita,  prevista  no  art.  537,  supratranscrito, não há nenhuma previsão de que o contribuinte  deve  ser  intimado  a  apresentar  esclarecimentos  antes  de  o  AFRFB realizar o lançamento, sendo que, no presente caso, não  havendo  a  entrega  dos  livros  e  documentos  fiscais  solicitados,  determinou­se o lucro pelo arbitramento, sobre o qual ocorreu a  incidência tributária, como bem esclarecido no Relatório Fiscal  e seus anexos (fl. 18/28 ­ PAF 10746.721026/2011­96; fl. 21/31 ­  PAF 10746.721027/2011­31).  Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.081          13 Depois  de  realizado  o  lançamento  tributário  através  dos Autos  de  Infração,  os  recorrentes  foram  regularmente  intimados  (fl.  946/950  ­  PAF  10746.721026/2011­96;  fl.  949/953  ­  PAF  10746.721027/2011­31)  para  apresentarem  suas  impugnações,  oportunidade  em  que  poderiam  ter  se  insurgido  contra  o  arbitramento  de  forma  a  demonstrar  sua  receita  no  exercício  fiscalizado  e  comprovar  a  insubsistência  da  forma  de  determinação  do  imposto.  Ou  seja,  neste  momento,  poderiam  fazer valer seu direito à ampla defesa e ao contraditório.  No mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho:  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  CONTRADITÓRIO.  DIREITO  DE DEFESA. É na impugnação apresentada ao auto de infração  que  o  contribuinte  exerce  seu  direito  de  defesa  e  exercita  o  contraditório  ao  arbitramento  do  lucro  e  não  durante  a  apuração  do  crédito  tributário  no  curso  do  processo  investigatório. (...) (Primeiro Conselho de Contribuinte. Acórdão  n.º  1201­00.080.  Rel.  Regis Magalhães  Soares Queiroz.  Sessão  de 14/05/2009)    CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  Não  há  que  se  cogitar  em  nulidade  do  lançamento  de  ofício  quando,  no  decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada  ao  contribuinte  a  possibilidade  de  exercício  do  direito  ao  contraditório  e à ampla defesa.  (...)  (CARF. Acórdão n.º  3102­ 001.870. Rel. Winderley Morais Pereira. Sessão de 23/05/2013)    NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não  se  confirmando  o  erro  ou  a  falta  de  enquadramento  legal  das  exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora,  deve  ser  rejeitada  a  alegação  de  cerceamento  de  direito  de  defesa,  principalmente  quando  o  exame  da  impugnação  evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação das  exigências.  ARBITRAMENTO  DOS  LUCROS.  É  cabível  o  arbitramento dos lucros quando o sujeito passivo não apresenta  os livros e documentos de sua escrituração contábil. (...) (CARF.  Acórdão n.º  1202­000.960. Rel. Geraldo Valentim Neto.  Sessão  de 09/04/2013)    PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  AUSÊNCIA  DE  INTIMAÇÃO.  CIÊNCIA  POR  AVISO DE  RECEBIMENTO.  CERCEAMENTO  DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto  de  infração  que  seja  lavrado  por  autoridade  competente,  com  observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº  70.235/72,  contendo  a  descrição  dos  fatos  e  enquadramentos  legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de  defesa,  mormente  quanto  se  constata  que  o  mesmo  conhece  a  matéria fática e legal e exerceu, nos prazos devidos, o seu direito  Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     14 de  defesa.  (...)  (CARF. Acórdão  n.º  2801­003.053.  Rel. Marcio  Henrique Sales Parada. Sessão de 18/06/2013).    PREVIDENCIÁRIO.  DO  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o  conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito  de  resposta  ou  de  reação  se  encontraram  plenamente  assegurados  e  praticados.  AFERIÇÃO  INDIRETA.  A  fiscalização  previdenciária  tem  suporte  legal  para  apurar  as  importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  constituindo­se  em  presunção  legal  relativa,  cumprindo  ao  contribuinte o ônus da prova em contrário. (...) (CARF. Acórdão  n.º  2403­001.563.  Rel.  Ivacir  Júlio  de  Souza.  Sessão  de  14/08/2012)  Dessa  forma,  voto  por  afastar  a  preliminar  de  nulidade  do  processo  administrativo  por  cerceamento  de  defesa,  uma  vez  que  tal  direito  foi  oportunizado  aos  recorrentes.  1.2 Da Responsabilidade Tributária  Os  recorrentes  alegam  ilegalidades  na  responsabilização  dos  sócios  da  empresa fiscalizada, postulando a exclusão da Sra. Ana Paulina Menezes da Costa e dos Srs.  Rogério Márcio Menezes Costa, Renato Mauro Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da  Costa do polo passivo da obrigação tributária.  Em um primeiro momento,  importa destacar que  as  argumentações  sobre o  art.  50,  do  CC,  e  o  art.  134,  do  CTN,  encontram­se  desconexos  com  a  fundamentação  dos  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  para  os  sócios  da  empresa  recorrente,  pois  estes  fundamentam­se  no  art.  135,  III,  do  CTN  ,  e  Súmula  435/STJ    (fl.  932/939  ­  PAF  10746.721026/2011­96;  fl.  935/942  ­  PAF  10746.721027/2011­31),  pelo  que  se  faz  desnecessário maiores dilações sobre tais alegações.  Sob  a  visão  das  autoridades  precedentes,  a  responsabilização  pessoal  dos  sócios  da  empresa  com  fundamento  no  art.  135,  III,  do  CTN  seria  justificada  pelo  fato  da  empresa  recorrente  não  ter  entregue  nenhuma  DCTF  e/ou  DIPJ,  não  ter  recolhido  IRPJ  ou  CSLL  durante  o  período  fiscalizado,  mesmo  auferindo  renda,  como  se  verificou  das  informações  declaradas  ao  SEFAZ/TO  e  das  notas  fiscais  de  vendas  obtidas  junto  aos  seus  principais clientes.   Inobstante a prática dos atos acima, entendo que o fundamento principal deve  centrar­se  no  teor  da  súmula  435  do  STJ,  uma  vez  que  é  incontroverso  que  a  Frinorte  Alimentos efetuou a baixa regular de sua inscrição junto à Administração Fazendária Estadual,  o mesmo não ocorrendo no âmbito federal. Assim, quanto à sócia Ana (administradora), aplica­ se o verbete abaixo:  Súmula  435,  STJ.  Presume­se  dissolvida  irregularmente  a  empresa  que  deixar  de  funcionar  no  seu  domicílio  fiscal,  sem  comunicação  aos  órgãos  competentes,  legitimando  o  redirecionamento da execução fiscal para o sócio­gerente.  Quanto  aos  demais  sócios,  ficou  comprovado  pelo  AFRFB  que  estes  detinham  relevante  influência  sobre  as  decisões  que  são  próprias  dos  administradores  de  Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.082          15 sociedades empresariais, consoante esclarece o AFRFB na seguinte passagem, que adoto como  razões de decidir (fls. 27 e ss.):  45.  A  inclusão  dos  Srs.  Rogério  Márcio  Menezes  Costa,  CPF  574.915.266­91,  Renato  Mauro  Menezes  Costa,  CPF  574.915.506­49,  e  Roberto  Augusto  Menezes  da  Costa,  CPF  564.238.026­53, no pólo passivo dessa ação  fiscal deu­se pelos  seguintes fatos:  ­  A  partir  da  4ª  alteração  do  Contrato  Social  da  Frinorte  –  Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura  de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos  e  Participações  Ltda  (Roberto,  Renato  ou  Rogério)  em  quaisquer  transações  bancárias,  tais  como  assinaturas  de  cheques,  ordens  de  pagamentos,  contratos  de  empréstimos  e  transferências  financeiras,  além  da  assinatura  da  sócia  Ana  Paulina Meneses da Costa, evidenciando funções administrativo­ gerenciais dos três citados;  ­  A  empresa Marcélia  3  Empreendimentos  e  Participações  S/A  está com a situação cadastral não habilitado pelo fisco de Goiás,  desde  de  2003,  segundo  página  do  SINTEGRA.  No  entanto,  aparece  em  alteração  contratual  da Frinorte  – Alimentos  Ltda  na  data  de  05/04/2007,  com assinatura  dos  Srs. Renato Mauro  Menezes Costa e Rogério Márcio Menezes Costa.  ­  Os  três  citados  anteriormente  (Roberto,  Renato  ou  Rogério)  tomaram empréstimos junto à Frinorte  – Alimentos Ltda, nos valores de R$300.000,00, R$1.420.000,00  e  R$1.480.000,00,  respectivamente,  segundo  informações  declaradas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física  dos mesmos;  ­ Em página da internet da Confederação Nacional da Indústria  – CNI, especificamente no catálogo de exportadores brasileiros,  o  Sr.  Renato Mauro Menezes  Costa  aparece  como  o  principal  executivo da Frinorte – Alimentos Ltda;   ­ Em notícia no site da Associação Brasileira de Frigoríficos –  ABRAFRIGO,  datada  de  18/06/2007,  o  Sr.  Rogério  Márcio  Menezes  Costa  aparece  como Diretor  da  Frinorte  – Alimentos  Ltda;  ­  O  Ministério  Público  Federal  do  Tocantins  apresentou  denúncia de crime de sonegação de contribuição previdenciária  sobre  os  Srs.  Renato Mauro Menezes  Costa  e  Rogério Márcio  Menezes  Costa,  citados  na  notícia  como  proprietários  da  Frinorte – Alimentos Ltda. (grifo não original)  Não  bastasse  isto,  a  empresa  fiscalizada  não  apresentou  nenhum  livro  ou  documento  contábil  e  fiscal,  mesmo  após  intimada  diversas  vezes,  nem  os  apresentou  nas  oportunidades  em  que  exerceu  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  (impugnação  e  recurso  voluntário).  Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     16 Assim, correta foi a responsabilização das pessoas físicas recorrentes, pois o  lançamento da obrigação tributária se originou dos atos realizados pela empresa e pelas pessoas  físicas em afronta à legislação tributária, como ficou comprovado através do Relatório Fiscal  (fl.  18/28  ­  PAF  10746.721026/2011­96;  fl.  21/31  ­  PAF  10746.721027/2011­31),  quando  aqueles encontravam­se na função de representantes da empresa recorrente.  No mesmo  sentido,  não  subsiste  a  alegação  dos  recorrentes  de  que o mero  inadimplemento  não  implica  na  responsabilização  dos  sócios  da  contribuinte,  uma  vez  que  existem provas em sentido diverso, consoante dito acima.  Já com relação à suposta ilegalidade na responsabilização solidária dos sócios  quando presente os  requisitos do art. 135,  III, do CTN, não guardam razão as  alegações dos  recorrentes,  visto  que  o  entendimento  deste  Conselho  tem  se  dirigido  em  sentido  contrário,  observe­se:  (...)  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  SÓCIO­ ADMINISTRADOR.  FRAUDE  FISCAL.  CRIME  CONTRA  A  ORDEM  TRIBUTÁRIA.  A  sequência  de  atos,  robustamente  comprovados  nos  autos,  demonstra  o  intuito  doloso  da  contribuinte  em  modificar  as  características  essenciais  da  ocorrência  do  fato  gerador,  caracterizando  a  fraude  fiscal,  e  corresponde  a  tipo  previsto  na  lei  de  crimes  contra  a  ordem  tributária, razão pela qual os sócios­administradores devem ser  responsabilizados  solidariamente  com  a  pessoa  jurídica,  consoante norma do artigo 135,  inciso III do CTN. (...) (CARF.  Acórdão n.º  1402­001.316. Rel.  Leonardo Henrique Magalhães  de Oliveira. Sessão de 05/03/2013)    (...)  SOLIDARIEDADE  E  RESPONSABILIDADE  DE  TERCEIROS.  DISTINÇÃO.  (...)  Os  mandatários,  administradores,  prepostos,  diretores,  gerentes,  sócios,  sejam  eles  de  fato  ou  de  direito,  só  se  tornam  terceiros  responsáveis  nos  casos  em  que,  por  ação  ou  omissão,  praticarem  uma  das  condutas  descritas  nos  artigos  134,  135  e  137,  do  CTN.  (...)  (CARF.  Acórdão  n.º  1402­001.188.  Rel.  Moisés  Giacomelli  Nunes da Silva. Sessão de 11/09/2012)    SOLIDARIEDADE  PASSIVA.  SÓCIO  RETIRANTE  DA  SOCIEDADE. A responsabilidade solidária de sócio por dividas  tributárias  da  sociedade  só  pode  ser  imposta quando presentes  os requisitos do art. 135 do CTN, qual seja, quando os créditos  tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos".(...)  (CARF. Acórdão n.º 1201­00.217. Rel. Regis Magalhães Soares  de Queiroz. Sessão de 28/01/2010)    RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  —  Para  fins  de  responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei N„_  5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional,  entende­se como responsável solidário o sócio, pessoa fisica ou  jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência  sobre  a  pessoa  jurídica,  independentemente  da  denominação  Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.083          17 conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação  tributária.  (...)  (CARF.  Acórdão  n.º  1102­00.322.  Rel.  Ivete  Malaquias Pessoa Monteiro. Sessão 02/09/2010)  Nestes  termos,  voto  no  sentido  de manter  a  Sra.  Ana  Paulina Menezes  da  Costa  e  os  Srs.  Rogério  Márcio  Menezes  Costa  e  Renato  Mauro  Menezes  Costa,  todos  recorrentes,  como  responsáveis  solidários  da  obrigação  tributária  lançada  em  desfavor  da  empresa recorrente, pelos fatos acima descritos.  Como bem observou o julgador da DRJ, em seu acórdão, com relação ao Sr.  Roberto  Augusto Menezes  da  Costa  não  há  procuração  nos  autos  para  sua  representação  e  sequer seu nome consta na qualificação dos recorrentes, no prefácio na peça recursal, pelo que  não se poderia conhecer qualquer pleito em nome deste, subsistindo sua sujeição passiva pela  obrigação tributária tal como realizado pelo fisco.  2. Do Mérito  2.1. Da Alegação de Inexistência de Fraude ou Sonegação  Os  recorrentes  buscam  desqualificar  o  lançamento  tributário  sobre  o  lucro  arbitrado alegando que o montante do tributo lançado exorbita o valor real que seria devido.  Contudo,  há  de  se  ressaltar  que  os  recorrentes  em  nenhum  momento  demonstram  qual  seria  o  suposto  valor  real  do  tributo  devido,  não  apresentam  nenhum  documento contábil  ou  fiscal capaz de afastar arbitramento do seu  lucro, apenas  se esmeram  num discurso que trata sobre presunções, referindo­se inclusive ao art. 42, da Lei n. 9.430/96,  que  em  nada  tem  relação  com  o  lançamento  ora  em  discussão,  correlacionando­o  com  a  impossibilidade  das  normas  tributárias  alterarem  os  conceitos  de  direito  privado.  Assertivas  que em nada lhe aproveitam nesta oportunidade.  O fato é que a empresa recorrente, bem como seus sócios,  foram intimados  diversas  vezes  para  tomar  ciência  do  procedimento  fiscal  e,  também,  para  apresentação  de  documentos solicitados pelo fisco (fl. 37/40; 149/175 ­ PAF 10746.721026/2011­96; fl. 40/43;  152/178  ­  PAF  10746.721027/2011­31),  sendo  que  em  nenhum  momento  atenderam  à  solicitação  do AFRFB,  não  justificaram  a  impossibilidade  ou  pediram  prorrogação  de  prazo  para fazê­lo.  Sobre o tema, convém observar a jurisprudência deste Conselho:  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  INFRAÇÃO. DEIXOU DE  EXIBIR  LIVROS  OU  DOCUMENTOS  À  FISCALIZAÇÃO.  Constitui  infração  deixar  a  empresa  de  exibir  quaisquer  documentos  ou  livros  relacionados  com  as  contribuições  previdenciárias,  consoante art.  33,  §2º  da Lei  nº  8.212/91.  (CARF. Acórdão n.º  2401­003.076.  Rel.  Carolina  Wanderley  Landim.  Sessão  de  19/06/2013)  Assim,  restou  ao  AFRFB  proceder  ao  arbitramento  do  Lucro  da  empresa  recorrente, nos moldes do art. 530, III, do RIR, que assim ensina:  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     18 arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430,  de 1996, art. 1º):[...]  III ­ o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária  os  livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o  Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...]  Importa destacar, mais uma vez, que mesmo na oportunidade da impugnação  do  lançamento  tributário,  ou  do  recurso  voluntário,  não  houve  qualquer  comprovação  da  existência dos procedimentos fiscais e contábeis mantidos pela empresa contribuinte, atendo­se  os recorrentes em fundamentar sua defesa em inexistente e incabível irregularidade formal do  lançamento.  Desta  forma,  entendo  correto  o  proceder  do  AFRFB  pelo  arbitramento  do  lucro  e  lançamento  do  tributo  conforme  o  art.  537,  do  RIR,  através  das  informações  transmitidas pela empresa recorrente ao  fisco estadual e,  também, das notas  fiscais de  saídas  obtidas  com  seus maiores  clientes,  como  bem  descrito  no Relatório  Fiscal  (fl.  18/28  ­  PAF  10746.721026/2011­96; fl. 21/31 ­ PAF 10746.721027/2011­31).  Ademais, os recorrentes admitem a falta de transmissão ao fisco da DIPJ e a  DCTF  referente  ao  ano­calendário  fiscalizado,  mesmo  tendo  ordinariamente  realizado  a  transmissão  de  informações  da  sua  receita  ao  fisco  estadual,  ou  seja,  é  evidente  o  dolo  dos  recorrentes  em  não  informar  ao  fisco  federal  as  receitas  obtidas,  com  o  fim  de  impedir  ou  retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.  Dessa  forma,  voto  no  sentido  de  manter  o  lançamento  tributário  sobre  o  Lucro  arbitrado  uma vez  que, mesmo  intimada várias  vezes,  a  empresa  contribuinte  ou  seus  representantes não apresentaram os livros e documentos fiscais e contábeis, nem demonstraram  na  oportunidade  da  impugnação  e  deste  recurso  quaisquer  informações  que  pudessem  desabonar o valor da obrigação tributária lançada.  2.2.  Da  Incompetência  para  Pronúncia  sobre  Inconstitucionalidade.  Da  Multa  Qualificada e Agravada.  Os recorrentes se insurgem contra o valor do lançamento tributário, inclusive  no  que  tange  a  multa  no  percentual  de  225%,  alegando  ofensa  a  diversos  princípios  constitucionais.  Contudo,  este  Conselho  é  incompetente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade da lei, observe­se:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Assim,  uma vez  que os  recorrentes  invocam princípios  como  a  vedação  ao  confisco  e  a  capacidade  contributiva  para  combater  o  lançamento  tributário,  tem­se  a  impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema. O lançamento  realizado  pelo  AFRFB  está  em  consonância  com  a  legislação  vigente,  devidamente  demonstrada  no Relatório  Fiscal,  razão  pela  qual  é  improcedente  o  recurso  voluntário  neste  ponto.  Buscam ainda os recorrentes o sobrestamento do processo administrativo em  face do  julgamento RE n.º 640.452/RO no que  tange as multas/sanções aplicadas. Entretanto  não há compatibilidade entre a matéria tratada no presente feito (multa de ofício qualificada e  agravada)  e  no  recurso  especial  paradigma  (que  versa  sobre  multas  isoladas  aplicadas  por  descumprimento de obrigação  tributária acessória, em razão da prática de atos dos quais não  decorra crédito tributário).  Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.084          19 Assim, voto no sentido de manter o lançamento tributário.  3. Da Conclusão  Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário  interposto, para manter os créditos tributários lançados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS,  bem como a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto.  E  manter  a  responsabilidade  tributária  da  sócia  e  administradora  Sra.  Ana  Paulina Menezes da Costa e os dos administradores de fato os Srs. Rogério Márcio Menezes  Costa e Renato Mauro Menezes Costa. Ressaltando que o sócio Sr. Roberto Augusto Menezes  da Costa permanece como responsável tributário por não ter recorrido.  (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo – Relator.                Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     20 Declaração de Voto  Conselheira Cristiane Silva Costa  Com a devida vênia ao  entendimento do nobre Conselheiro Relator, divirjo  da  existência  de  responsabilidade  tributária  dos  Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério  Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa.  Sobreleva  considerar  a  disposição  contida  no  artigo  135,  III,  do  Código  Tributário Nacional:  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos: (...)  III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  A existência de  atos praticados  com excesso de poderes  ou  infração de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  por  força  do  artigo  135,  III,  é  condição  indispensável  para  a  responsabilização  tributária.  Como  também  é  indispensável  que  estes  figurassem  como  diretores, gerentes ou representantes da devedora (Frinorte Alimentos Ltda.).   Com relação à responsabilidade tributária atribuída nestes autos, é importante  mencionar  que  são  reproduzidos  os  seguintes  fundamentos  em  cada  um  dos  Termos  de  Sujeição Passiva Solidária, com relação aos Sr. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio  Menezes  Costa  e  Roberto  Augusto  Menezes  da  Costa:  “contribuiu  para  a  omissão  na  declaração  e  recolhimento  dos  tributos  federais  referentes  ao  período  fiscalizado”  e,  ainda,  que “ficou caracterizado também a dissolução irregular da Frinorte – Alimentos Ltda, já que  a  situação  cadastral  no  Sistema  Integrado  \de  Informações  sobre  Operações  Interestaduais  com Mercadorias e Serviços – SINTEGRA é, desde 20/11/2007, não habilitado, ainda que o  CNPJ do  contribuinte  esteja  ativo  perante  à RFB  e o  seu Contrato  Social  e Alterações  não  faça nenhuma menção de paralisação ou encerramento das atividades.” Nesse contexto, com  a  aplicação  do  artigo  135,  III,  do  Código  Tributário  Nacional  e  do  Enunciado  nº  435,  da  Súmula do Superior Tribunal de Justiça lhes foi atribuída a responsabilidade tributária.  Ocorre que o Srs. Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes  Costa  e  Roberto  Augusto Menezes  da  Costa  não  figuravam  como  sócios  e  tampouco  como  administradores da pessoa  jurídica autuada (Frinorte Alimentos Ltda.), mas apenas  sócios de  uma das cotistas desta sociedade. Este fato é confirmado pelos documentos sociais acostados  aos autos às fls. 83 a 119: Nesse contexto, inadequada a aplicação do artigo 135, III, do Código  Tributário Nacional.   Destaque­se precedente do E. Superior Tribunal de Justiça, quando  trata da  atribuição de responsabilidade na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, verbis:   TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL.  EXECUÇÃO  FISCAL.  REDIRECIONAMENTO.  ART.  135  DO  CTN.  DISSOLUÇÃO  IRREGULAR.  Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10746.721026/2011­96  Acórdão n.º 1302­001.225  S1­C3T2  Fl. 1.085          21 1.  Esta  Corte  Superior  firmou  entendimento,  no  REsp  1.101.728/SP, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, no  sentido  de  que  o  redirecionamento  da  execução  fiscal  para  o  sócio­gerente da empresa somente é cabível quando comprovado  que ele agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o  estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa.  2.  O  redirecionamento  da  execução  fiscal,  na  hipótese  de  dissolução irregular da sociedade, pressupõe a permanência do  sócio na administração da empresa ao  tempo da ocorrência da  dissolução.  3. Agravo regimental não provido.  (Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial n. 473765,  Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21.03.2014)  Portanto, também na hipótese de dissolução irregular é imprescindível que a  pessoa física  figure como administrador da pessoa  jurídica devedora, exigindo­se, ainda, que  exerça tal função ao tempo da dissolução irregular.  Sobreleva  considerar  que,  especificamente  quanto  aos  Srs.  Renato  Mauro  Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto Augusto Menezes da Costa, consta  no Relatório Fiscal de fls. 18 a 28:  A  inclusão  dos  Srs.  Rogério  Márcio  Menezes  Costa,  CPF  574.915.26691,  Renato  Mauro  Menezes  Costa,  CPF  574.915.50649,  e  Roberto  Augusto  Menezes  da  Costa,  CPF  564.238.02653,  no  pólo  passivo  dessa  ação  fiscal  deu­se  pelos  seguintes fatos:  A  partir  da  4ª  alteração  do  Contrato  Social  da  Frinorte  –  Alimentos Ltda, em 16/08/2004, houve a previsão de assinatura  de pelo menos um representante da Frinorte Empreendimentos e  Participações Ltda  (Roberto, Renato ou Rogério) em quaisquer  transações bancárias,  tais como assinaturas de cheques, ordens  de  pagamentos,  contratos  de  empréstimos  e  transferências  financeiras,  além da  assinatura da  sócia Ana Paulina Meneses  da  Costa,  evidenciando  funções  administrativo­gerenciais  dos  três citados;  Os exatos termos da cláusula do contrato social  referida no Relatório Fiscal  são os seguintes:  CLÁUSULA  OITAVA  –  DA  ADMINISTRAÇÃO  DA  SOCIEDADE.   A  administração dos  negócios  da sociedade  será  exercida  pela  sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA, conforme indicada  na forma deste Instrumento, que representará a sociedade ativa  e passiva, judicial e extrajudicialmente.   Parágrafo Primeiro – Todas as transações bancárias, tais como  assinaturas  de  cheques,  ordens  de  pagamento,  contratos  de  empréstimos  e  transferências  financeiras,  serão  sempre  Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA     22 realizados  com  assinaturas  em  conjunto,  sendo  uma  das  assinaturas da sócia ANA PAULINA MENEZES DA COSTA e a  outra  de  um  dos  administradores  do  sócio  FRINORTE  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA.  Tais  transações  poderão  também  ser  realizadas  por  intermédio  de  procuradores  com  poderes  expressos  para  tal  finalidade,  mediante instrumentos públicos outorgados por ambos os sócios.  Nota­se,  assim,  que  s  representantes  da  Frinorte  Empreendimentos  e  Participações Ltda. (Renato Mauro Menezes Costa, Rogério Márcio Menezes Costa e Roberto  Augusto Menezes da Costa) não passaram a ter poderes amplos de administração da Frinorte  Alimentos  Ltda.,  mas  apenas  para  assinatura  de  documentos  relacionados  às  transações  bancárias. E  estas  assinaturas  em  transações bancárias  certamente não  lhes  atribuem poderes  para a prática de eventuais atos com excesso de poderes, infração de lei, do contrato social ou  estatutos, na forma tratada pelo artigo 135, III, do Código Tributário Nacional.  Diante  de  tais  razões,  rendendo  minhas  homenagens  ao  voto  do  Ilustre  Conselheiro Relator, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo do pólo  passivo  os  Srs.  Renato  Mauro  Menezes  Costa,  Rogério  Márcio  Menezes  Costa  e  Roberto  Augusto Menezes da Costa.  (assinado digitalmente)  CRISTIANE SILVA COSTA – Conselheira.      Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/09/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA

score : 1.0
5589511 #
Numero do processo: 10935.906238/2012-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/10/2008 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/10/2008 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.

turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10935.906238/2012-03

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5372772

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3802-003.205

nome_arquivo_s : Decisao_10935906238201203.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10935906238201203_5372772.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.

dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014

id : 5589511

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:45 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033321881600

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 11          1 10  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.906238/2012­03  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­003.205  –  2ª Turma Especial   Sessão de  27 de maio de 2014  Matéria  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Recorrente  L A G MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 16/10/2008  Recurso Voluntário não conhecido  A  manifestação  de  inconformidade  apresentada  fora  do  prazo  legal  não  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento  nem  comporta  julgamento  de  primeira instância quanto às alegações de mérito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano Damorim­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra,  Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 38 /2 01 2- 03 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  3a  Turma  da  DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação  de  inconformidade  apresentada.  Em  ato  contínuo,  o  despacho  decisório  pela  DRF  de  Cascavel/PR,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por  meio  do  PER/DCOMP,  devido  à  inexistência  de  crédito  pleiteado,  já  que  o  pagamento  de  PIS/PASEP,  do  período  acima  indicado,  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento,  de  débito  da  contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do fato gerador: 16/10/2008  PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO  CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo  o  direito  creditório  informado  em  PERD/DCOMP,  é  de  se  indeferir o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das  contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte  integrante do preço das  mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando  for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  a  análise  da  conformidade da atividade de  lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em  âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Não Conhecida  Direito Creditório Não Reconhecimento.  Em  sede  de  impugnação  e  de  recurso,  o  contribuinte  apresenta  os mesmos  argumentos,  que,  em  síntese,  se  referem  à  inconstitucionalidade  da  cobrança  do  PIS  e  da  COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido  pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso.  É o relatório.  Voto             Admissibilidade do Recurso.  Tendo em vista que a matéria posta para análise –  inconstitucionalidade da  inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906238/2012­03  Acórdão n.º 1802­003.205  S1­TE02  Fl. 12          3 colegiado,  já  que  não  é  permitido  aos  Conselheiros  do  CARF  se  pronunciarem  sobre  os  aspectos  constitucionais de  lei  tributária. É de  rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que  determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei  tributária.  Precedentes: Acórdão nº 101­94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103­21568,  de 18/03/2004 Acórdão  nº 105­14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108­06035, de 14/03/2000  Acórdão nº 102­46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203­09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201­ 77691,  de  16/06/2004  Acórdão  nº  202­15674,  de  06/07/2004  Acórdão  nº  201­78180,  de  27/01/2005 Acórdão nº 204­00115, de 17/05/2005.  Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso  ora interposto (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira ­ Relator                                Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

score : 1.0
5594136 #
Numero do processo: 10670.001383/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004 RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor correspondente a 30% do valor da autuação, permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto ao PAT do Ministério do Trabalho e ou o Fornecimento de Tickets Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a incidência do artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9, inciso III e o parágrafo 10 do Regulamento da Previdência Social - RPS, porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201201

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004 RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor correspondente a 30% do valor da autuação, permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto ao PAT do Ministério do Trabalho e ou o Fornecimento de Tickets Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a incidência do artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9, inciso III e o parágrafo 10 do Regulamento da Previdência Social - RPS, porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10670.001383/2007-89

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5373663

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2301-002.542

nome_arquivo_s : Decisao_10670001383200789.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

nome_arquivo_pdf_s : 10670001383200789_5373663.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.

dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012

id : 5594136

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:01 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033328173056

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2180; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 76          1 75  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10670.001383/2007­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­002.542  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de janeiro de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  FIAÇÃO DE TECIDOS SANTA BARBARA LTDA.  Recorrida  SRP­SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 01/12/2003, 31/05/2004  RECURSO INTERPOSTO SEM DEPÓSITO RECURSAL  Recurso interposto sem o recolhimento do depósito ou arrolamento no valor  correspondente  a  30%  do  valor  da  autuação,  permissível  face  Súmula  Vinculante n° 21 do STF  PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR  Da mera formalidade de ausência de inscrição por falta de atualização junto  ao  PAT  do  Ministério  do  Trabalho  e  ou  o  Fornecimento  de  Tickets  Alimentação sem que haja inscrição no PAT, não configura a  incidência do  artigo 28, I da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Artigo 214, parágrafo 9,  inciso  III  e  o  parágrafo  10  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  porque, havendo contornos do programa que atende ao objeto que é alimentar  o trabalhador, é bastante assaz para justificar a não incidência.  Recurso Voluntário Provido  Crédito Tributário Exonerado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do  colegiado:  I) Por maioria de  votos:  a)  em dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos Mauro José Silva e Marcelo  Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro  de Moraes.  (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA – Presidente  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 13 83 /2 00 7- 89 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     2 WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator    (assinado digitalmente)  DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Declaração de Voto  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Marcelo  Oliveira,  Adriano  Gonzales  Silverio,  Damião  Cordeiro  de  Moraes,  Mauro  José  Silva,  Leonardo  Henrique Pires Lopes.  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/2007­89  Acórdão n.º 2301­002.542  S2­C3T1  Fl. 77          3 Relatório  Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  (NFLD)  materializada pelo n° 37.043.311­4, consolidada em 21/12/2006, no montante de R$ 38.394,32  (Trinta e oito mil,  trezentos e noventa e quatro reais e  trinta e dois centavos) em desfavor da  empresa Recorrente por distribuir  ticket de  alimentação aos  seus  empregados,  no período de  12/2003  a  05/2004,  sem  a  devida  inscrição  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  (PAT).  De acordo com o relatório fiscal (fls. 23/25) a conseqüência da ausência da  inscrição  da  empresa  no  PAT,  caracteriza  o  fornecimento  de  tais  tickets  como  salário  contribuição, de acordo com o que dispõe o  artigo 28,  inciso  I da Lei nº 8.212/99 c/c  artigo  214,  §  9º,  inciso  III  e  o  §10  do  Regulamento  da  Previdência  Social  –  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n° 3.048/99.  Para a apuração completa do débito, foi verificado que a empresa cadastrou­ se no PAT em 30/03/1999 e somente cadastrou­se novamente em 11/05/2004, conforme prevê  os  documentos  anexados  pela  empresa  após  a  ciência  do TIAD – Termo  de  Intimação  para  Apresentação de Documentos datados em 12/09/2006.  No  entanto,  o  artigo  30  da  Portaria  Interministerial  n°  5,  do Ministério  do  Trabalho e Emprego, da Fazenda e da Saúde, de 30 de novembro de 1999, publicada no DOU  em 3 de dezembro de 1999, dispõe que a adesão ao PAT poderá ser efetuada a qualquer tempo  e  terá  validade  a  partir  da  data  de  registro  do  formulário  de  adesão  na  ECT,  por  prazo  indeterminado.  Todavia,  como  já  foi  mencionado,  a  empresa  se  cadastrou  no  PAT  em  30/03/1999, período anterior a vigência da Portaria supramencionada, considerando, assim, que  os atos normativos anteriores determinavam que a vigência do cadastro no PAT seria de apenas  um ano.   Segundo  a  fiscalização,  como o último cadastro  realizado pela  empresa  em  data  anterior  a  publicação  da  referida  Portaria,  em  30/03/1999,  e  o  cadastro  por  prazo  indeterminado, de acordo com os ditames da nova Portaria, ocorreu somente em 11/05/2004, os  valores  pagos  aos  segurados  empregados  a  título  de  alimentação,  no  período  de  12/2003  a  05/2004, inclusive, devem ser considerados como salário de contribuição, já que nesse período  a empresa não tinha cadastro válido no PAT.  A  empresa  alega  que  apresentou  e­mail  encaminhado  ao  Ministério  do  Trabalho, no qual consta que não era necessária nova inscrição para aqueles que já haviam se  cadastrado em 1999.  Em virtude da  empresa não  ter declarado os  referidos valores  em GFIP  foi  lavrado o Auto de Infração n° 37.043.310­6.  Por  fim,  o  relatório  fiscal  expõe  que  o  “fato  do  ato  de  suprimir  ou  reduzir  contribuição social previdenciária mediante omissão de informação na Guia de Recolhimento  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     4 do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP configurar, em tese, o ilícito tipificado  no art. 337­A do Decreto­Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, acrescido  pela Lei n°. 9.983, de 14/07/2000, será comunicado do  fato a autoridade pública competente  para a proposição de eventual ação penal ­ Ministério Público Federal, em relatório à parte.”  Irresignada  com  a  autuação,  a  Recorrente  apresentou  sua  impugnação  tempestiva (fls.33/37) onde, em síntese, alega a improcedência dos fatos narrados no relatório  fiscal,  sob  o  argumento  de  que  a  empresa  esteve  regularmente  inscrita  no  Programa  de  Alimentação do Trabalhador ­ PAT.   Para corroborar com tal argumento, acostou na impugnação a resposta do e­ mail  encaminhado  a  "COORDENAÇÃO  DO  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  DO  TRABALHADOR" do "MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO", com o ofício datado  de 12 de janeiro de 2007. In verbis:  “Em atenção a solicitação de Vossa Senhoria, informamos que a  empresa  Fiação  e  Tecidos  Santa  Bárbara  Ltda.,  CNPJ  22.662.142/0001­57,  está regular no Programa de Alimentação  do Trabalhador — PAT, anos de 1992, 1993, 1995, 1996, 1997,  1998 e 1999, sendo assim a inscrição realizada no exercício de  1999  passou  a  ter  validade  por  tempo  indeterminado,  não  havendo a necessidade de renovar  sua  inscrição neste período,  pois sua validade foi válida até 31/12/2003, conforme a Portaria  Interministerial n° 05 de 30 de novembro de 1999, em vigor, em  anexo.  2.  Entretanto,  de  forma  a  proceder  a  uma  avaliação  mais  criteriosa dos resultados alcançados pelo Programa, foi baixada  a Portaria n° 66 de 19 de dezembro de 2003, dispondo sobre o  recadastramento, até maio de 2004, das empresas participantes  do PAT,  o  qual  foi  prorrogado  até  29  de  agosto  de  2004  pela  Portaria n° 81 de 27 de maio de 2004 e a Portaria n° 69 de 02  de março de 2004, que dispõe sobre o efeito retroativo a 1° de  janeiro de 2004, da inscrição de pessoas jurídicas beneficiárias  no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT.  3. Informamos, ainda, que a empresa efetuou o recadastramento  em  2004,  esse  é  por  tempo  indeterminado.  Para  maiores  esclarecimentos  favor  entrar  em  contato.  Atenciosamente.  Matilde Francelino de Sousa — Coordenadora Substituta."   Defende,  ainda,  que  ao  fazer  o  recadastramento  em  11/05/2004,  a  empresa  colocou­se em situação regular junto ao PAT, em relação aos meses de janeiro a maio de 2004,  conforme  dispõe  o  artigo  1°  da  Portaria  nº  69  de  02  de março  de  2004,  que  prevê  o  efeito  retroativo da inscrição de pessoas jurídicas beneficiárias no referido Programa:   "Art. 1° As inscrições de pessoas jurídicas como beneficiárias no  Programa  de  Alimentação  do  trabalhador  (PAT),  efetuadas  no  período  de  1°  de  março  a  31  de  maio  de  2004  terão  efeito  retroativo a 10 de janeiro de 2004."  Nesse  sentido,  a  empresa  aduz  sua  regular  inscrição  junto  ao  PAT, motivo  pelo  qual  não  enseja  a  distribuição  dos  tickets  como  salário  contribuição,  no  período  de  dezembro de 2003 a maio de 2004.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/2007­89  Acórdão n.º 2301­002.542  S2­C3T1  Fl. 78          5 Por fim, a empresa requer o cancelamento da NFLD e que sejam apuradas as  responsabilidades e determinada a reparação dos danos sofridos pela impugnante, por ter sido  imputada  injustamente  a prática de  ato  ilícito penal,  bem como a punição daqueles que pelo  exercício arbitrário do poder de fiscalizar, que buscaram prejudicar tanto financeiramente como  moralmente a empresa, ora Recorrente.   No entanto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão  n° 02­16.544 proferido pela 9ª Turma da DRJ/BHE (fls. 57/62), julgou procedente em parte o  lançamento fiscal na NFLD nº 37.043.311­4, mantendo o lançamento referente a competência  de 12/2003.  Assevera, que a empresa, ora Recorrente, deveria  ter requerido nova adesão  ao  PAT  após  a  publicação  da  Portaria  Interministerial  n  05,  de  30  de  novembro  de  1999,  adesão  esta  que  teria  validade  até  a  publicação  da  nova  Portaria  que  dispõe  sobre  o  recadastramento.   Ressalta,  ainda,  que  as normas posteriores não  asseguravam que o  cadastro  feito  em  data  anterior  à  publicação  da  mencionada  portaria  teria  validade  por  prazo  indeterminado.  Ato  contínuo,  DRJ/BHE  conclui  que  até  31/12/2003  a  empresa  não  demonstrou  que  estaria  inscrita  no  PAT  já  que  só  apresentou  o  comprovante  de  adesão  ao  programa feito em 30/03/1999.  E, por  fim, a DRJ/BHE decidiu que não procede aos  lançamentos  referente  aos períodos de competências 01/2004 a 05/2004, tendo em vista que a Portaria 69, de 02 de  março de 2004 concedeu efeitos retroativos à 1° de janeiro de 2004 para as inscrições efetuadas  no período de 10 de março a 31 de maio de 2004, situação a que se enquadra a empresa pois  providenciou novo cadastro em 11/05/2004.   Em síntese, a decisão foi proferida nesse sentido:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2004  PREVIDENCIÁRIO.  TICKET  ALIMENTAÇÃO.  NÃO  INSCRIÇÃO NO PAT. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  A  parcela  "in  natura"  recebida  sem  que  a  empresa  tenha  efetivado  sua  adesão  ao  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  ­  PAT  integra  o  salário  de­  contribuição.  Lançamento Procedente em Parte.”  Inconformada  com  a  aludida  decisão,  a  Recorrente  interpôs,  tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 67/69) alegando, em síntese o que segue:  ­ Preliminarmente:  a)  Pela  apreciação  do  Recurso  Voluntário,  sem  ao  menos  precisar  instruí­lo  com  prova  de  depósito  administrativo  no  valor  correspondente  a,  no  mínimo,  30%  (trinta  por  cento)  da  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     6 condenação discutida, por entender que tal exigência vai contra  a decisão do Supremo Tribunal Federal.  b) Aduz, ainda, que está propondo Mandado de Segurança, com  pedido  de  liminar,  com  o  objetivo  de  ver  apreciado  o  presente  recurso  administrativo,  independente  da  efetivação do  depósito  recursal prévio.  ­ Mérito:  b)  Reitera  os  argumentos  já  expostos  na  impugnação  supramencionada. Em síntese, requer o cancelamento da NFLD  n°  37.043.311­4,  respaldado  no  argumento  de  que  a  empresa  sempre  esteve  regularmente  inscrita  no  Programa  de  Alimentação do Trabalhador ­ PAT.  Eis o relato dos fatos.  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/2007­89  Acórdão n.º 2301­002.542  S2­C3T1  Fl. 79          7 Voto             Conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa , Relator  Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito.  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação ‘a quo’ sem  o recolhimento do depósito ou arrolamento, o que permissível  face Súmula Vinculante n° 21  do STF, ‘in verbis’:  STF  Súmula  Vinculante  nº  21  ­  PSV  21  ­ DJe  nº  223/2009  ­  Tribunal Pleno de 29/10/2009 ­ DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009  ­  DOU  de  10/11/2009,  p.  1  Constitucionalidade  ­  Exigência de Depósito ou Arrolamento Prévios de  Dinheiro ou Bens para Admissibilidade de Recurso  Administrativo.   É  inconstitucional  a  exigência  de  depósito  ou  arrolamento  prévios  de  dinheiro  ou  bens  para  admissibilidade  de  recurso  administrativo. GN  Como dizem os latinos: ‘na clareza da lei cessa sua interpretação’.  Estando  a  impugnação  e  o  recurso  voluntário  tempestivos,  não  havendo  a  necessidade de recolhimento de depósito recursal e tão pouco arrolamento de bens, em razão  de  Súmula  Vinculante,  os  pressupostos  extrínsecos  encontram­se  adequados,  merecendo  avaliação as preliminares e ao exame do mérito.  DO PAT – PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR  Penso  não  ser  apropriada  a  forma  com que  a  administração Pública  trata  o  empresariado  com  relação  ao  PAT,  especificamente  no  caso  em  tela,  onde  a  Recorrente  cumpriu  com  o  objeto  principal  do  programa,  ou  seja,  oferecer  melhores  condições  ao  trabalhador, e por mera formalidade ser considerada inadimplente com o mesmo.  De  mais  a  mais,  a  Recorrente  procurou  tempestivamente  e  antes  da  ação  fiscal o Ministério do Trabalho e ficou presa na burocracia de informações desencontradas ou  sem a devida condução legal, o que fere frontalmente o princípio da eficiência pública.  É  que  as  formalidades  que  prendem  o  empresariado  em  inscrição  e  não  inscrição,  renovação  de  certo  período,  noutro  período  a  desnecessária  renovação,  no  meu  modesto pensar é um desrespeito do Estado para com aqueles e, ‘permissa venia’, chega a raia  de afrontar  até mesmo o princípio da  legalidade. Sim, porque o que  é  legal dentro de pouco  tempo  passa  ser  ilegal,  haja  vista  que  a  própria  administração  pública  mudou  a  regra  em  diversas fase da existência do PAT, não informando devidamente os empregadores.  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     8 A  desordem  e  o  desmando  na  administração  pública  causa  ingerência  ao  empresariado,  que  se  vê  à  mercê  desta  balbúrdia,  perdendo mercado  à  concorrência,  sendo  execrado na Justiça do Trabalho e ainda tendo que pagar multas exorbitantes quando não acode  a determinação de recadastramento.  No  caso  em  tela,  tenho  que  houve  uma  inscrição  inicial  no  PAT,  onde  a  Recorrente atendeu,  ao menos naquele momento,  as necessidades  estatuídas pela  lei  vigente.  Tenho  que  houve  alteração  nas  regras,  e  esta  alteração  é  que  trouxe  prejuízo  á  Recorrente,  sendo considerada pela fiscalização irregularidade, ensejadora de penalidade tributária.  Seja  como  for,  mesmo  não  acudindo  a  determinação  de  recadastramento  a  Recorrente continuou a executar o Programa de Alimentação ao Trabalhador, razão pela qual  tenho que entendeu a fiscalização haver necessidade de cumprir formalidades, independente de  se saber se o programa vinha sendo executado ou não. Mas, como ficou evidenciado nos autos,  a Recorrente realizava o programa quando foi autuada, injustamente.  E neste sentido, o conspícuo Superior Tribunal de Justiça, por diversas vezes  tem se manifestado, acolhendo a tese de que o Programa tem que atender as suas finalidades,  independente de ter acudido suas formalidades. ‘In verbis’:  RECURSO ESPECIAL 1.051.294/PR ­ 2008/0087373­0   Ministra ELIANA CALMON   T2 ­ SEGUNDA TURMA – 10/02/2009  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO  ­  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR ­ SALÁRIO IN NATURA  ­  DESNECESSIDADE  DE  INSCRIÇÃO  NO  PROGRAMA  DE  ALIMENTAÇÃO  DO  TRABALHADOR­PAT  ­  NÃO­ INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio  empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o  objetivo  de  proporcionar  o  aumento  da  produtividade  e  eficiência  funcionais,  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  sendo  irrelevante  se  a  empresa  está  ou  não  inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador ­ PAT.  2. Recurso especial não provido.    ACÓRDÃO  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  acordam  os Ministros  da  Segunda  Turma  do  Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do(a)  Sr(a).  Ministro(a)­Relator(a)."  Os  Srs.  Ministros  Castro  Meira,  Humberto  Martins,  Herman  Benjamin  e  Mauro  Campbell  Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora.   AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.119.787 - SP (2009⁄0112976-2) EMENTA Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10670.001383/2007­89  Acórdão n.º 2301­002.542  S2­C3T1  Fl. 80          9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA.PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílio-alimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832⁄RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13⁄11⁄2007, DJ10⁄12⁄2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409⁄PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20⁄06⁄2006, DJ 24⁄08⁄2006 p. 102; REsp 719.714⁄PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06⁄04⁄2006, DJ 24⁄04⁄2006 p. 367; REsp 659.859⁄MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14⁄03⁄2006, DJ 27⁄03⁄2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. 3. Agravo Regimental desprovido PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que o pagamento do auxílio-alimentação in natura, ouseja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 827.832⁄RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13⁄11⁄2007, DJ 10⁄12⁄2007 p. 298) Assim, coaduno o meu modesto pensar com o Superior Tribunal de Justiça,  onde  mais  vale  atender  a  finalidade  do  Programa  de  Alimentação  ao  Trabalhador,  ou  seja,  alimentar o trabalhador, do que cumprir as formalidades.   CONCLUSÃO  Isto  posto,  por  acudir  as  exigências  processuais,  tenho  que  deve  ser  conhecido  o  presente  recurso  aviado,  para  acolher  os  fortes  argumentos  da  Recorrente,  julgando procedente em sua totalidade, já que não há necessidade de recolhimento de depósito  recursal, e quanto ao PAT tenho que as pequenas formalidades que não foram cumpridas não  são assaz para desfigurar a essência do programa que é alimentar o trabalhador.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Wilson Antonio de Souza Corrêa ­ Relator  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES     10                   Declaração de Voto  1.  A  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  vem  pacificando  o  entendimento  no  sentido  de  que o  pagamento  ‘in  natura’  do  auxílio­alimentação  não  sofre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária,  por  não  constituir  natureza  salarial,  esteja  o  empregador  inscrito  ou  não  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  ­  PAT.  Com  tal  atitude,  a  empresa  planeja,  apenas,  proporcionar  o  aumento  da  produtividade  e  eficiência  funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp  719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006).  2. Neste  sentido,  entendo que  os  valores  pagos  a  título  de  alimentação  não  está  no  escopo  salarial,  dada  a  natureza  jurídica  indenizatória  e,  portanto,  não  é  devida  a  contribuição social previdenciária imposta pelo fisco.    (assinado digitalmente)  Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes   Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES

score : 1.0
5567487 #
Numero do processo: 10580.731531/2012-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 IRPF. DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADO. Afasta-se a glosa por falta de comprovação da relação de dependência, quando comprovado nos autos que se trata de companheira, com a qual o declarante possui filho, e de enteado. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ÔNUS DO FISCO. QUALIFICAÇÃO FUNDAMENTADA EXCLUSIVAMENTE EM CONDUTA REITERADA. PRECEDENTES DA 2ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Ainda que o contribuinte não tenha se desincumbido do ônus de provar as despesas declaradas, é do Fisco o dever de provar o dolo na conduta do contribuinte, do contrário a multa de ofício, embora cabível, não pode ser aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, a fundamentação para a qualificação da multa foi exclusivamente a conduta reiterada em três exercícios. Tem prevalecido na jurisprudência da 2ª Turma da CSRF que a prática da infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o evidente intuito de fraude que justificaria a qualificação da multa. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201408

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 IRPF. DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADO. Afasta-se a glosa por falta de comprovação da relação de dependência, quando comprovado nos autos que se trata de companheira, com a qual o declarante possui filho, e de enteado. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ÔNUS DO FISCO. QUALIFICAÇÃO FUNDAMENTADA EXCLUSIVAMENTE EM CONDUTA REITERADA. PRECEDENTES DA 2ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Ainda que o contribuinte não tenha se desincumbido do ônus de provar as despesas declaradas, é do Fisco o dever de provar o dolo na conduta do contribuinte, do contrário a multa de ofício, embora cabível, não pode ser aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, a fundamentação para a qualificação da multa foi exclusivamente a conduta reiterada em três exercícios. Tem prevalecido na jurisprudência da 2ª Turma da CSRF que a prática da infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o evidente intuito de fraude que justificaria a qualificação da multa. Recurso provido em parte.

turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10580.731531/2012-60

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5369721

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2802-003.047

nome_arquivo_s : Decisao_10580731531201260.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

nome_arquivo_pdf_s : 10580731531201260_5369721.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014

id : 5567487

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:07 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033335513088

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 235          1 234  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.731531/2012­60  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­003.047  –  2ª Turma Especial   Sessão de  13 de agosto de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  DILSON SACRAMENTO PAIVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009, 2010  IRPF. DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADO.  Afasta­se  a  glosa  por  falta  de  comprovação  da  relação  de  dependência,  quando  comprovado  nos  autos  que  se  trata  de  companheira,  com  a  qual  o  declarante possui filho, e de enteado.  IRPF.  DESPESAS  MÉDICAS.  COMPROVAÇÃO.  PRESENÇA  DE  INDÍCIOS  EM  DESFAVOR  DOS  RECIBOS.  INTIMAÇÃO  FISCAL.  ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE.  Recibos  emitidos  por  profissionais  da  área  de  saúde  com  observância  aos  requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas  médicas,  salvo  quando  comprovada  nos  autos  a  existência  de  indícios  veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por  ausência de outros elementos de prova.  IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA.  ÔNUS  DO  FISCO.  QUALIFICAÇÃO  FUNDAMENTADA  EXCLUSIVAMENTE EM CONDUTA REITERADA. PRECEDENTES DA  2ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF).  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  CONDUTA  DOLOSA  DO  CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.  Ainda  que  o  contribuinte  não  tenha  se  desincumbido  do  ônus  de  provar  as  despesas  declaradas,  é  do  Fisco  o  dever  de  provar  o  dolo  na  conduta  do  contribuinte,  do  contrário  a multa  de  ofício,  embora  cabível,  não  pode  ser  aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, a fundamentação para  a  qualificação  da  multa  foi  exclusivamente  a  conduta  reiterada  em  três  exercícios. Tem prevalecido na  jurisprudência da 2ª Turma da CSRF que  a  prática da infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o  evidente intuito de fraude que justificaria a qualificação da multa.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 15 31 /2 01 2- 60 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Recurso provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para  restabelecer  a  dedução  de  dois  dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator.   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator.    EDITADO EM: 18/08/2014  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros  Jaci  de Assis  Júnior,  German  Alejandro  San  Martín  Fernández,  Ronnie  Soares  Anderson,  Julianna  Bandeira  Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).     Relatório  Trata­se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios  2008,  2009  e  2010,  ano­calendário  2007,  2008  e  2009,  respectivamente,  devido  a  glosa  de  deduções  de  previdência  privada,  dependentes,  despesas  com  instrução,  despesas  médicas  e  pensão judicial, com aplicação de multa de ofício qualificada pautada pelo intuito de fraude na  declaração sistemática de despesas indevidas em três exercícios.  O impugnante sustentou que o lançamento era nulo por desconsiderar provas  apresentadas e pelo fato de a descrição dos fatos impossibilitar o direito de defesa, no mérito,  sustentou  que  as  despesas  são  verdadeira,  que  foram  comprovadas  e  que  não  agiu  de  forma  fraudulenta.  O  acórdão  recorrido  deferiu  a  impugnação  em  parte,  em  síntese,  com  a  fundamentação de que (a) o auto de  infração descreveu de forma clara e suficiente as glosas  efetuadas e que não houve cerceamento do direito de defesa por alegada  falta de informação  sobre os documentos que não teriam sido aceitos como prova, pois a defesa pode ser exercida  com  a  juntada  de  provas  à  impugnação;  (b)  ficha  do  empregado  não  comprova  relação  de  dependência  e  não  foram  apresentados  documentos  das  pessoas  que  foram  declaradas  como  companheira  e  enteado,  todavia  admitiu­se  a dedução  dos  pais;  (c)  quanto  à  qualificação  da  multa,  os  fatos  relatados  pelo  autuante  comprovam  que  o  contribuinte  informara  falsamente  deduções  exageradas,  sistemática  e  repetidamente  em  diversos  exercícios  com  objetivo  de.enganar a Administração e obter restituições indevidas e a prática reiterada da irregularidade  basta  para  revelar  o  dolo,  especialmente  quando  associada  aos  valores  significativos  das  restituições;  a  alegação  de  que  não  dispõe  dos  documentos  foge  ao  campo  do  possível,  principalmente quando se trata de contribuições à previdência privada que declara à Mongeral  em três exercícios, ou da pensão alimentícia a que estaria obrigado, documentos que poderiam  ser obtidos a qualquer tempo nas correspondentes Instituições.  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/2012­60  Acórdão n.º 2802­003.047  S2­TE02  Fl. 236          3 Ciente da decisão em 1707/2013, o  recorrente  interpôs o  recurso voluntário  em 06/08/2013, que em resumo, constitui­se das seguintes alegações:  Preliminares  1.  a  autoridade  fiscal  não  indicou  elemento  seguro  de  prova  ou  indício  veemente de  falsidade ou  inexatidão para desconsiderar os documentos  apresentados, adotou  interpretação do art. 73 do RIR1999 em desarmonia com o Estado de Direito e não observou os  termos do §1º do art. 845 do RIR1999, a título de exemplo, indaga qual a razão de não terem  sido considerados quatro dos cinco dependentes declarados, notadamente porque o documento  que  serviu  de  base  para  que  a  autoridade  fiscal  considerasse  comprovada  a  relação  de  dependência de Diego de Souza Paiva é o mesmo que comprova a relação de dependência dos  demais, e a descrição feita no Termo de Verificação Fiscal não possibilita o exercício do direito  de defesa; adotando a mesma espécie de conduta a autoridade fiscal glosou as demais deduções  e entendeu que o  contribuinte agiu com  intuito deliberado de  fraudar;  a  subjetiva apreciação  das provas desrespeitou o §1º do art. 904 do RIR1999;  2. sem saber quais os documentos foram ou não aceitos e em que medida os  mesmos  serviram  para  o  lançamento  e  quais  os  fundamentos  jurídicos  em  que  se  baseou  a  autoridade lançadora, sustenta a legalidade das deduções:  3. Roque Ribeiro Paiva e Aurelina Sacramento Paiva são pais biológicos do  impugnante, condição reconhecida em primeira instância, Lucas de Souza Mendes é enteado,  filho  de  sua  companheira  Soraia  Pereira  de  Souza,  condições  constantes  na  ficha  de  dependentes prestadas pelo empregador, o que pode ser igualmente constatado pela análise dos  documentos  anexos  que  atestam  coabitação,  desde  2004,  (com  a  companheira)  e  filiação  (enteado);  4. Corrobora a assertiva de que não agiu fraudulentamente, o fato de ter um  outro  filho,  Rafael  Ribeiro  Paiva,  que  não  declarou  como  dependente,  pois  já  consta  como  dependente da ex­esposa;  5.  a  glosa  das  despesas  com  instrução  e médicas  relativas  aos  dependentes  decorreu da glosa dos dependentes;  6.  ratifica que  realizou as despesas médicas declaradas, que efetivou gastos  com  o  filho  biológico  do  primeiro  casamento,  em  que  pese  não  haver  pensão  judicial  formalizada,  e  que  não  agiu  fraudulentamente,  sustenta  que  não  se  pode  confundir  a  inexistência de documentos comprobatórios e o intuito de fraude; sem a prova contundente do  intuito  fraudulento,  consoante  doutrina  e  precedentes,  deve­se  aplicar  o  art.  112  do  Código  Tributário Nacional – CTN.  O  recorrente  desistiu  do  recurso  voluntário  em  relação  ao  ano­calendário  2007 (fls. 223 e ss.).   Consequentemente, o crédito tributário correspondente foi transferido para o  processo 10580­721.282/2014­66 (fls. 232).  O  processo  foi  distribuídos  a  este Relator,  por  sorteio,  durante  a  sessão  de  maio de 2014.  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 É o relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  Preliminares  No Termo de Verificação Fiscal, que integra o auto de infração, foi descrito  que  após  a  intimação  fiscal,  houve  um  pedido  de  prorrogação  de  prazo  e  em  seguida  o  contribuinte apresentou parte da documentação solicitada, do que decorreu a glosa parcial das  deduções, os valores  comprovados  foram acatados, a  falta de apresentação de documentação  comprobatória foi o que motivou a glosa.  O Termo de Verificação Fiscal é suficiente para o exercício do contraditório  e da ampla defesa.  O  recorrente  alega  que  não  foi  informado  o motivo  da  desconsideração  da  documentação,  mas  não  comprova  que  tenha  apresentado  documentos  não  acatados  pela  Fiscalização.  Houvesse  apresentado  como  alega,  poderia  ter  comprovado  na  fase  contenciosa sem qualquer prejuízo.  Preliminar rejeitada.  Mérito  Em relação aos ano­calendário 2008 e 2009 as glosas em litígio referem­se a  contribuições à previdência privada, dependentes  (Soraia e Lucas), despesas com  instrução e  despesas médicas.  O  recorrente  alega  que  não  tem  documento  comprobatório  relativo  às  despesas médicas e com instrução.  De outro giro, comprova que possui com a Srª Soraia Pereira de Souza o filho  Diego  de  Souza  Paiva  (fls.  189)  e  vida  em  comum  (co­habitação,  co­titularidade  de  conta  corrente, dependência na empresa em que trabalha).   Portanto, está comprovado o direito a ter a companheira como dependente.  Às fls. 217, comprovou­se que o dependente declarado Lucas Souza Mendes  Santos é  filho de Soraia de Souza Mendes Santos e que possuía menos de 21 anos nos ano­ calendário em análise.   É razoável concluir que se  trata da mesma Srª Soraia, e que a diferença em  parte do nome (Soraia Pereira de Souza x Soraia de Souza Mendes Santos) se deve à alteração  nominal  em  virtude  de  casamento  (possivelmente  com  o  pai  de  Lucas,  Sr.  Antônio  Jorge  Mendes Santos),  entendimento  reforçado pelo cadastro no Banco do Brasil  (fls. 193), o qual  mostra que Pereira de Souza faz parte do nome do pai da Srª Soraia.  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/2012­60  Acórdão n.º 2802­003.047  S2­TE02  Fl. 237          5 A dedução em questão é prevista no art. 35 da lei 9.250/1995:  Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c,  poderão ser considerados como dependentes:  (...)   II ­ o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por  mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho;   III  ­  a  filha,  o  filho,  a  enteada  ou  o  enteado,  até  21  anos,  ou  de  qualquer  idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho;(...)  Com isso, deve­se restabelecer a dedução de dependentes referente a Soraia  Pereira de Souza (companheira) e Lucas Souza Mendes Santos (enteado).  A falta de comprovação das demais deduções legitima as glosas respectivas.  Da qualificação da multa de ofício.  A apuração de imposto decorrente da glosa das deduções, independentemente  do dolo, tem como conseqüência imediata a aplicação da multa de ofício, mas para que haja a  qualificação dessa multa exige­se da autoridade lançadora a prova do dolo.  Uma  glosa  de  despesa  por  falta  de  comprovação,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da multa  de  ofício. Cabe  à  autoridade  fiscal  autuante,  e  não  ao Órgão  Julgador  descrever a fundamentação para a qualificação.  Neste caso concreto, a fundamentação foi registrada no Termo de Verificação  Fiscal (fls. 102): “A prática sistemática de pleitear deduções não comprovadas, em três anos­ calendário  consecutivos,  demonstra  que  o  contribuinte  agiu  com  dolo,  objetivando  reduzir  a  base de cálculo do imposto, de modo a aumentar o valor a ser restituído.”   A  autoridade  fiscal  fundamentou­se,  exclusivamente,  na  reiteração  da  conduta em exercícios seguidos para comprovar o intuito doloso, porém a jurisprudência da 2ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  –  CSRF  tem  considerado  que  a  conduta  reiterada, isoladamente, não é suficiente para qualificar a multa de ofício, como se exemplifica  pelos excertos de precedentes abaixo, da 2ª Turma da CSRF.  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF   Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005   IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  GLOSAS  DESPESAS  MÉDICAS, PENSÃO, DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. MULTA  QUALIFICADA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  COMPROVADOS.  SIMPLES  CONDUTA  REITERADA.  IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a  legislação tributária, especialmente artigo 44,  inciso I, § 1º, da  Lei  nº  9.430/96,  c/c Sumula  nº  14  do CARF,  a  qualificação da  multa de ofício,  ao percentual de 150%  (cento  e  cinqüenta por  cento), condiciona­se à comprovação, por parte da fiscalização,  do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo  feito, não prospera a aplicação da multa qualificada, sobretudo  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     6 quando  a  autoridade  lançadora  utiliza  como  lastro  à  sua  empreitada  a  simples  reiteração  da  conduta,  fundamento  que,  isoladamente,  não  se  presta  à  aludida  imputação,  consoante  jurisprudência  deste  Colegiado.  Recurso  especial  negado.  (acórdão 9202­002.341, de 24 de  setembro de 2012, no mesmo  sentido  o  acórdão  9202­002.340,  de  mesma  data).  (grifos  acrescidos)  IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  CONDUTA  REITERADA. MULTA QUALIFICADA.  IMPOSSIBILIDADE. A  apontada  conduta  reiterada de pessoa  física nos  exercícios  de  2002, 2003 e 2004, por si só, não caracteriza evidente intuito de  fraude,  que  justifique  a  imposição  da  multa  qualificada  de  150%,  prevista  no  inciso  II,  do  artigo  44,  da Lei  n°.  9.430,  de  1996.  Precedentes  da  2ª  Turma  da  CSRF.  RECEITAS  DA  ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS  DIFERENTES  DE  NOTAS  FISCAIS  E  DOCUMENTOS  OFICIAIS.  POSSIBILIDADE.  É  admitida  a  comprovação  de  receitas  da  atividade  rural  com  documentos  diversos  daqueles  usualmente  utilizados  para  esse  fim,  como ocorreu  no  presente  caso, posto que comprovada está a receita oriunda de venda de  gado. Mesmo admitindo a comprovação de receitas da atividade  rural  com  documentos  diversos  daqueles  usualmente  utilizados  para  esse  fim,  o  contribuinte  não  logrou  êxito  nesta  comprovação.  Pelo  contrário,  o  fisco  promoveu  a  glosa  das  receitas  de  atividade  rural  com  a  venda  de  cereais  porque  comprovou que o recorrente não exerceu a referida atividade em  decorrência  da  inexistência  das  despesas  necessárias  e  imprescindíveis  à alegada produção agrícola. Recurso  especial  da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do Contribuinte  provido em parte. (Acórdão 9202­002.361, de 25 de setembro de  2012). (grifos acrescidos)  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF   Ano­calendário: 1998, 1999, 2000, 2001   IRPF.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  MULTA  QUALIFICADA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  COMPROVADOS.  SIMPLES  CONDUTA  REITERADA  E/OU  ELEVADO  MONTANTE  MOVIMENTADO.  IMPOSSIBILIDADE  QUALIFICAÇÃO.  De  conformidade com a  legislação  tributária,  especialmente artigo  44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF,  a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento  e cinqüenta por cento), condiciona­se à comprovação, por parte  da  fiscalização,  do  evidente  intuito  de  fraude  do  contribuinte.  Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa,  sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à  sua  empreitada  a  simples  reiteração  da  conduta  e/ou  o  volume/montante  da  movimentação  bancária  do  contribuinte,  fundamentos  que,  isoladamente,  não  se  prestam  à  aludida  imputação,  consoante  jurisprudência  deste  Colegiado.  (...)  (grifos acrescidos) (acórdão 9202­002.653, de 24/04/2013)  (...)  IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  MULTA  QUALIFICADA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.731531/2012­60  Acórdão n.º 2802­003.047  S2­TE02  Fl. 238          7 COMPROVADOS.  SIMPLES  CONDUTA  REITERADA.  IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO.  A qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento  e cinqüenta por cento), condiciona­se à comprovação, por parte  da  fiscalização,  do  evidente  intuito  de  fraude  do  contribuinte.  Assim, não prospera a aplicação da multa qualificada com base  em  simples  reiteração  da  conduta,  fundamento  que,  isoladamente, quando da inocorrência de conduta (comissiva) do  sujeito  passivo  no  sentido  de  impedir  a  ciência,  por  parte  da  autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador, não se presta à  aludida  imputação,  consoante  jurisprudência  deste  Colegiado.(Acórdão  9202003.096,  de  25/03/2014.  No  mesmo  sentido:  Acórdão  9202­002.956,  de  06/11/2013).(grifos  acrescentados)  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF   Ano­calendário: 2003, 2004, 2005   IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  MULTA  QUALIFICADA.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  COMPROVADOS.  SIMPLES  CONDUTA  REITERADA.  IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.   De  conformidade  com  a  legislação  tributária,  especialmente  artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do  CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150%  (cento e cinqüenta por cento), condiciona­se à comprovação, por  parte  da  fiscalização,  do  evidente  intuito  de  fraude  do  contribuinte.  Assim  não  o  tendo  feito,  não  prospera  a  qualificação  da  multa,  sobretudo  quando  a  autoridade  lançadora  utiliza  como  lastro  à  sua  empreitada  a  simples  reiteração  da  conduta  do  contribuinte,  fundamento  que,  isoladamente,  não  se  presta  à  aludida  imputação,  consoante  jurisprudência  deste  Colegiado.  Recurso  especial  negado.  (Acórdão 9202­003.195, de 08/05/2014) (grifos que não constam  do original)  Enfim, de um lado o recorrente não se desincumbiu de provar as despesas, de  outro, o Fisco não se desincumbiu do dever de provar o dolo, o que justifica manter a glosa,  porem desqualificar a multa, exigindo­a no patamar da multa de ofício regular (75%).  Portanto, vota­se pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário para  restabelecer a dedução de dois dependentes e afastar a qualificação da multa de ofício.   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     8                 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

score : 1.0
5583979 #
Numero do processo: 10680.015129/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão recorrida acrescenta outros argumentos àqueles já constantes do Termo de Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito tributário se mantém inalterado. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar a manutenção deste lançamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o interesse comum, é de ser mantida a solidariedade. IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 2102-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/07/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão recorrida acrescenta outros argumentos àqueles já constantes do Termo de Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito tributário se mantém inalterado. Os argumentos utilizados pela decisão recorrida não são argumentos diversos daqueles tomados pela autoridade lançadora, mas serviram apenas como um plus, a justificar a manutenção deste lançamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o interesse comum, é de ser mantida a solidariedade. IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10680.015129/2008-20

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5371908

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2102-003.014

nome_arquivo_s : Decisao_10680015129200820.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora

nome_arquivo_pdf_s : 10680015129200820_5371908.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/07/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.

dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014

id : 5583979

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033345998848

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 395          1 394  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.015129/2008­20  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­003.014  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de julho de 2014  Matéria  IRRF, Pagamentos sem Causa  Recorrente  ARQUIVO EMPRESARIAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005  DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.  Inexiste agravamento da situação da Recorrente nos casos em que a decisão  recorrida  acrescenta  outros  argumentos  àqueles  já  constantes  do  Termo  de  Verificação Fiscal para justificar a manutenção do lançamento, pois o crédito  tributário  se  mantém  inalterado.  Os  argumentos  utilizados  pela  decisão  recorrida  não  são  argumentos  diversos  daqueles  tomados  pela  autoridade  lançadora,  mas  serviram  apenas  como  um  plus,  a  justificar  a  manutenção  deste lançamento.   RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  HIPÓTESES.  INTERESSE  COMUM.  A  responsabilidade  solidária  por  crédito  tributário  só  pode  ocorrer  nas  hipóteses  e  nos  limites  fixados  na  legislação,  que  a  restringe  às  pessoas  expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na  situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado o  interesse comum, é de ser mantida a solidariedade.  IRPF.  DECADÊNCIA.  ENTENDIMENTO  STJ.  APLICAÇÃO  DO  ART.  62­A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.   A  questão  da  decadência  nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  teve  sua  repercussão  geral  reconhecida  pelo  Eg.  STJ,  que,  utilizando­se da sistemática prevista no art. 543­C do CPC, ao julgar o REsp  973.733/SC  (Rel  Min.  Luiz  Fux,  julgado  em  12.8.2009),  reiterou  o  entendimento  no  sentido  de  que,  em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de  cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário,  nos  termos  do  art.  173,  I,  do  CTN.  Obrigatoriedade  de  aplicação  deste  entendimento, nos termos do art. 62­A do Regimento Interno deste Conselho.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 51 29 /2 00 8- 20 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   2 TAXA SELIC   Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic  como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.  MULTA  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.  Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art.  44,  II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com  evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei  nº. 4.502, de 1964. O evidente  intuito de fraude deverá ser minuciosamente  justificado e comprovado nos autos.   PAGAMENTO  SEM  CAUSA  OU  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO.  A  pessoa  jurídica  que  efetuar  a  entrega  de  recursos  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titulares,  contabilizados  ou  não,  cuja  operação  ou  causa  não  comprove mediante documentos hábeis e  idôneos,  sujeitar­se­á à  incidência  do  imposto,  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%,  a  título  de  pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.   Assinado Digitalmente   Jose Raimundo Tosta Santos ­ Presidente  Assinado Digitalmente   Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti ­ Relatora  EDITADO EM: 30/07/2014  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  JOSE  RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA,  MARCO  AURELIO  DE  OLIVEIRA  BARBOSA,  ROBERTA  DE  AZEREDO  FERREIRA  PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.  Relatório  Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de  fls. 7/27 para exigência do  Imposto sobre a Renda retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos  cuja  causa  não  foi  demonstrada  ou  relacionados  a  operações  não  comprovadas,  conforme  o  TVF de fls. 29/38.  Cientificada  do  lançamento,  por meio  de  edital,  a  Interessada  apresentou  a  impugnação de fls. 209/245. Sua irresignação foi assim resumida pela decisão recorrida:.  Fl. 746DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 396          3 Tempestividade  •  A  impugnante  tomou  ciência  do  auto  de  infração em 21.11.2009, por via postal. 0 prazo para a defesa é  de trinta dias, nos termos do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de  1972. Sendo assim, o prazo não se encerra antes de 22.12.2007.  Apresentada  nessa  data,  a  impugnação  é  manifestamente  tempestiva.  Resenha dos fatos • A pretensão por parte da Fazenda Nacional  de  responsabilizar  Marco  Aurélio  Prata  é  totalmente  improcedente,  uma  vez  que,  sendo  ele  mero  contador  da  empresa,  não  há  nenhuma  prova  de  que  tenha  agido  de  forma  dolosa,  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  a  par  da  simples  falta  de  pagamento  do  tributo.  Não  obstante,  insiste  a  fiscalização  em  conferir  a  essa  pessoa  fisica  a  mencionada  responsabilidade, como se isso fosse possível fazer ao arrepio da  lei e das provas que se juntam à impugnação.  •  As  acusações  da  fiscalização,  sobre  repousarem  em  meros  indícios  não  comprovados  e,  por  isso,  sem maior  valia,  podem  ser facilmente contestadas por meio da documentação acostada  aos autos, esta sim, probante e robusta.  Preliminares • Questiona­se a legitimidade do termo de sujeição  passiva solidária, uma vez que o Decreto n° 70.235, de 1972, a  ele não  faz nenhuma referência. Não se alegue que o artigo 8°  desse decreto e o artigo 135 do CTN dariam embasamento legal  ao documento.  • t sabido que todos os termos e atos lavrados pelas autoridades  fiscais prescindem de autorização legal e de normas infralegais  para  surtir  os  efeitos  que  lhes  são  próprios  e  ser  validamente  eficazes. Não é o que se verifica do termo de sujeição, que nem  sequer  traz  sua  fundamentação  legal.  Por  essa  razão,  é  requerido  que  seja  o  documento  desentranhado  dos  autos,  sob  pena de nulidade.  • 0 processo administrativo fiscal  fundamentou­se,  inicialmente,  no Decreto n° 70.235, de 1972,  legislação vetusta e por demais  posta  em  prática,  principalmente  nos  inúmeros  acórdãos  emitidos  pelo  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda. Tais normas  visam disciplinar as duas  vertentes mais  importantes  do  processo  administrativo  fiscal,  a  saber,  os  procedimentos  fiscais  e  de  julgamento  e  os  instrumentos  necessários para realização desses procedimentos.  •  Entre  estes  últimos  avultam  os  termos  expedidos  pela  fiscalização no curso dos procedimentos de auditoria fiscal. São  eles conhecidos e vigentes até o momento presente:  termo  de  inicio  de  fiscalização,  termo  de  intimação  e  reintimação  fiscal,  termo de  retenção de documentos,  termo de  lacração de móveis, termo de encerramento da ação fiscal, todos  criados  em  atos  administrativos  infralegais,  os  quais  contem  a  sua normatização e limites.  Fl. 747DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   4 •  0  termo de  sujeição  é  documento  desconhecido  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal.  Não  havia  sido  emitido nos procedimentos anteriores e trata­se de coisa inédita,  verdadeiro  corpo  estranho  à  intimação  e  ao  auto  de  infração.  Por isso, não pode compor o processo fiscal.  •  Por  se  apoiar  a  pretensão  fiscal  em  flagrante  nulidade  processual  e  tendo  em  vista  se  tratar  de  documento  espúrio  e  sem  nenhuma  referencia  quanto  a  sua  criação  e  origem  legal,  pede­se  que  seja  desconsiderado,  com  o  consequente  cancelamento do lançamento e arquivamento dos autos.  Mérito — decadência • A fiscalização adotou entendimento que  diverge frontalmente da melhor jurisprudência administrativa.  • Desde a vigência do Decreto­lei n° 1.967, de 1982, o imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas  (IRPJ)  tornou­se  um  tributo  lançado  por  homologação. Uma  vez  vigorante  o  novo  sistema,  continuou  o  IRPJ  a  incidir  anualmente  sobre  os  lucros,  a  despeito  de  as  empresas  não  aguardarem  mais  uma  manifestação do fisco antes de realizarem o recolhimento.  •  Com  o  agravamento  do  processo  inflacionário,  o  legislador  transformou  o  IRPJ  em  imposto  mensal,  por  meio  da  Lei  n°  8.383,  de  1991.  Portanto,  não  resta  dúvida,  quer  na  jurisprudência,  quer na doutrina, que o IRPJ é  tributo  lançado  por homologação e incide sobre o lucro apurado mensalmente.  • Cai por terra o entendimento, hoje superado, de que, nos casos  em  que  não  houve  recolhimento,  iniciar­se­ia  a  contagem  do  prazo de decadência do primeiro dia do exercício seguinte ao da  ocorrência do  fato gerador,  o qual  só é aplicável nos casos de  impostos lançados por declaração.  • Uma vez fixada a espécie de lançamento do IRRF, pago pelas  pessoas jurídicas (por homologação) e os períodos relativos aos  fatos  geradores  apurados,  todos  mensais,  torna­se  forçoso  concluir que o lançamento fiscal relativo aos meses de janeiro a  novembro  de  2003  é nulo de  pleno  direito.  Já  havia decaído  o  direito  do  fisco  com  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  21.11.2003, em decorrência do disposto no § 4 0 do artigo 150  do CTN.  • Conforme demonstra ementa de acórdão atribuído ao Conselho  de  Contribuintes,  é  possível  afirmar  que  a  orientação  jurisprudencial  solidificou­se  ainda mais  a  partir  da  edição  da  Lei  n°8.383,  de  1991,  que  deslocou  o  fato  gerador do  IRPJ do  período anual para o mensal e atribuiu ao contribuinte o dever  de apurar o IRPJ sem exame prévio ou notificação da autoridade  administrativa.  • Ao efetuar o lançamento, a autuante fez tabula rasa do contido  no artigo 150, § 4°, do CTN e da jurisprudência sobre a matéria,  tentando  tributar  supostos  fatos  geradores  já  atingidos  pela  decadência,  sem  ter  provado  a  existência  de  ato  doloso  ou  de  outra  circunstância  agravante.  A  Fazenda  Pública  somente  poderia  constituir  crédito  tributário  de  IRRF  caso  os  pagamentos tivessem ocorridos após 21.11.2003.  Fl. 748DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 397          5 •  Nestas  circunstâncias,  espera­se  que  a  preliminar  ora  suscitada seja acolhida e que seja determinado o cancelamento  da exigência fiscal. A decadência está provada, uma vez que os  períodos  considerados  para  cálculo  do  IRRF  pelo  lançamento  são os quatro trimestres de 2003.  Estão  atingidos  pela  decadência,  na  melhor  hipótese,  os  onze  primeiros meses de 2003.  Ilegalidade dos  juros Selic na correção de débitos  tributdrios  •  Não  obstante  a  existência  de  súmula  do Primeiro Conselho  de  Contribuintes em sentido contrário, contesta­se a  legalidade da  aplicação dos juros Selic ao débito lançado.  •  0  artigo  13  da  Lei  n°  9.065,  de  1995,  apontado  como  fundamento  legal  da  exigência  de  juros,  padece  de  vícios  que  impedem sua aplicação.  • 0 legislador não se ocupou de esclarecer o que seria essa taxa  ou  de  determinar  como  ela  devia  ser  calculada,  mas  simplesmente  ordenou  que  fosse  aplicada.  Esse  é  o  primeiro  defeito  jurídico  da  norma.  0 CTN determina  que  o  crédito  não  integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora  e,  se  a  lei  não  dispuser  de  modo  diverso,  os  juros  serão  calculados à taxa de um por cento ao mês (art. 161, § 1°). Assim,  o  CTN  estava  exercendo  a  obrigação  de  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária  quanto  ao  crédito  (art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988— CF 1988).  • Existe a possibilidade de cobrar juros diversos do montante de  1%  ao  mês,  mas  a  forma  como  serão  calculados  deve  obrigatoriamente estar fixada em lei, em seu sentido estrito, pois  só  a  ela  é  permitido  determinar  uma  taxa  de  juros  diversa  da  prevista no CNT. Isso, porém, não foi feito na norma citada.  • Como a  taxa  Selic  era  uma  taxa  já  existente  (foi  criada  pela  Resolução BC n° 1.124, de 1996), regulamentada e fixada pelo  Banco  Central,  é  esse  órgão  quem  está  fixando  e  regulamentando a taxa de juros a ser paga pelo contribuinte em  atraso. As leis determinadoras da aplicação da  taxa Selic nada  determinam,  a  não  ser  que  o  Banco  Central  fixe  os  juros  que  julgue convenientes.  • Tal situação encerra verdadeira e ilegal delegação de poderes.  O CTN  determinou  que  competia  ao  legislador  ordinário  fixar  uma  taxa  de  juros  diferente  da  de  um  por  cento,  e  não  que  caberia ao Banco Central essa atividade, ou que competia a lei  ordinária  atribuir  a  um  órgão  do  Executivo  a  tarefa  de  estabelecer parâmetros da  taxa de  juros dos débitos  tributários  em atraso.  • 0 CTN regula as limitações ao poder de tributar, funcionando  como um  estatuto  do  contribuinte. Dessa  forma,  ao  determinar  que a  taxa de juros é de um por cento se a  lei não dispuser de  forma contrária, o CTN não está permitindo ao legislador fixar  Fl. 749DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   6 uma  taxa  de  juros  superior  a  um  por  cento  ao  mes,  mas  tão  somente  inferior.  Nesse  sentido  é  a  doutrina  que  examinou  a  matéria.  Sendo a  taxa Selic  invariavelmente  superior a um por  cento,  sua  incidência  nos  débitos  tributários  é  novamente  contrária ao § 10 do artigo 150 da CF 1988.  Segundo essa regra constitucional, é vedado exigir ou aumentar  imposto sem lei que o estabeleça.  •  Os  juros  incidem  por  um  descumprimento  da  norma  legal,  configurando, por consequência, uma sanção. As sanções devem  estar previstas em lei em sentido estrito.  •  Torna­se  ainda  mais  evidente  a  inconstitucionalidade  da  aplicação  da  taxa  Selic  quando  se  verifica  o  descompasso  existente  entre  a  natureza  e  fundamentação  da  taxa  Selic  e  as  relações  existentes  no  campo  tributário.  Ela  reflete  a  liquidez  dos  recursos  financeiros  do  mercado  monetário.  Seu  uso  para  correção  dos  débitos  tributários  é  inadequado,  pois  ela  diz  respeito  A  álea  e  ao  risco  do  mercado  financeiro.  Todavia,  contribuinte  não  é  investidor  e  tributo  devido  não  é  titulo  federal.  • As  características da  taxa Selic,  a  falta de previsão  legal e a  inadequação entre  sua natureza  e o  campo  tributário,  que  vêm  somar­se A delegação de competência contrária ao CTN, tornam  sua aplicação aos débitos tributários absolutamente inaceitável,  razão pela qual deve ser prontamente afastada.  In aplicabilidade da multa agravada de 150% • Com respeito A  matéria  em  epígrafe,  transcreve­se  na  impugnação  o  voto  proferido  no  acórdão  n  103­21527  pela  Terceira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  no  qual  é  examinada  a  impropriedade  de  aplicar  a multa  agravada  a  supostos  ilícitos  não comprovados como tais, a exemplo dos descritos no auto de  infração,  sobretudo  se  se  considera  que  a  tributação  proposta  repousa totalmente sobre pagamentos sem causa, capitulo que se  insere no rol das presunções legais.  •  Na  situação  dos  autos,  de  forma  idêntica,  não  ficaram  provadas  a má­fé  e  a  ilicitude  dos  atos  praticados,  razão  pela  qual  a  penalidade  em  comento  não  tem  como  prosperar.  Os  argumentos  da  defesa  aqui  expostos  demonstram  a  saciedade  que existem inúmeras dúvidas e meias provas na ausência de um  correto  levantamento  dos  fatos.  Além  disso,  todos  os  faturamentos  da  empresa  tiveram  os  impostos  federais  retidos,  conforme a Lei n° 10.833 e o artigo 31 do RIR. Se os  impostos  federais foram retidos, recolhidos e declarados pelos tomadores  de  serviços,  não  há  falar  em  má­fé  e  ilicitude  dos  fatos  praticados pela impugnante.  Toda distribuição  de  lucro  é  isenta,  conforme Lei  n°  9.249,  de  1995, artigo 10. Estas circunstâncias  invalidam a auditoria e a  suposta comprovação, absolutamente inexistente, dos ilícitos.  •  Cabe  invocar  a  Súmula  14  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  segundo  a  qual,  a  simples  apuração de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  oficio,  sendo  necessária  a  Fl. 750DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 398          7 comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo.  Após a edição dessa súmula, o tema já não comporta discussões.  •  0  julgado  põe  fim  a  eventuais  dúvidas  acerca  do  assunto  e  indica  a  necessidade  de  aprofundamento  maior  da  auditoria  fiscal quando se tratar da apuração de ilícitos tipificados como  crime  de  natureza  tributária.  Tal  pesquisa,  a  exemplo  da  situação  em  exame,  não  é  feita  pela  fiscalização,  nos  casos  de  tributação  por  presunção  de  pagamentos  supostamente  feitos  sem causa. Diante da inexistência de prova efetiva da má­fé ou  do  evidente  intuito  de  fraude  não  há  falar  em  multa  de  150%  nem em representação  fiscal para  fins penais. Não é o outro o  entendimento  do  Conselho  de  Contribuintes,  conforme  as  ementas transcritas na impugnação.  • A citada súmula vem em boa hora, pois a fiscalização andava  exorbitando em autuações fiscais a esse titulo, aplicando a multa  majorada  em  qualquer  circunstância,  sem  se  preocupar  em  provar o evidente intuito de fraude.  •  Admitir  a  aplicação  da  penalidade  agravada  em  autuações  pautadas em mera presunção de omissão de receitas por falta de  comprovação  de  origem  dos  depósitos  bancários  implica  legitimar  a  acusação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  por  presunção da presunção, o que afronta o disposto no artigo 44,  inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que exige a prova do crime  para a exasperação da penalidade.  •  Uma  vez  comprovada  a  inaplicabilidade  da  penalidade  agravada em autuações pautadas em mera presunção, espera­se  que  a  preliminar  seja  acolhida  e  que  seja  determinado  o  cancelamento  da  exigência  fiscal  relativa  aos  anos­calendários  de 2003, 2004, e 2005.  Impossibilidade  de  responsabilização  pessoal  do  impugnante  pelo  débito  tributário  •  A  argumentação  da  Fazenda  Nacional  para  atribuir  responsabilidade  pessoal  a Marco Aurélio Prata,  nos termos do artigo 135 do CTN, não deve prevalecer, uma vez  que  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  uniformemente entende que a falta de pagamento de tributo não  enseja  essa  responsabilidade,  porque  não  caracteriza  infração  de lei.  • 0 fisco, contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritária,  entende  que  é  despiciendo  perquirir  se  houve  dolo  ou má­fé  e  que a simples falta de recolhimento dos tributos no prazo legal é  suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal do dirigente,  gerente ou  representante de pessoa  jurídica de direito privado.  Todavia,  segundo  o  artigo  135  do  CTN,  não  respondem  por  débito  fiscal  da  sociedade  os  diretores,  sócios­gerentes  e  representantes  legais  que  não  tenham  praticado  atos  com  excesso  de  poderes  ou  com  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos.  •  A  regra  é  não  responderem  essas  figuras  pessoalmente.  Sua  responsabilização é exceção, que s6 se faz oportuna quanto aos  Fl. 751DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   8 tributos incidentes sobre atos praticados com excesso de poderes  ou com infração de lei, contrato social ou estatutos.  • Tem razão Hugo de Brito Machado ao sustentar que a falta de  recolhimento  de  tributo  constitui  uma  ilicitude,  porquanto  o  conceito  lato  de  ilícito  é  o  descumprimento  de  qualquer  dever  jurídico, decorrente de lei ou contrato. Mas a infração a que se  refere o artigo 135 não é objetiva, e sim subjetiva, dolosa. Dos  casos de responsabilidade de terceiros por mera culpa, nos atos  em que intervierem e pelas omissões de que foram responsáveis,  cuida o artigo 134.  No  artigo  135,  o  dolo  é  elementar  e  ha  de  ser  rigorosamente  provado.  Abona­se  o  argumento  com  exemplo  de  decisão  atribuida ao Supremo Tribunal Federal.  • Não há falar em responsabilidade pessoal da pessoa fisica do  procurador  da  empresa pela  divida desta,  uma  vez  que  não  há  nenhuma  prova,  nem  mesmo  alegação,  de  que  tenha  agido  de  forma dolosa, com excesso de poderes ou infração de lei, a par  da simples falta de pagamento de tributo. Ilustra­se o argumento  com a citação de inúmeras decisões atribuídas h. Justiça.  • A responsabilidade dos dirigentes pelo pagamento dos tributos  não  recolhidos  pela  pessoa  jurídica  depende  da  intenção  do  agente ou do responsável, sem embargo do disposto nos artigos  135 e 136 do CTN. A própria disposição do artigo 136 do C'TN  encerra  caráter  supletivo,  evidenciado  por  sua  própria  introdução  e  deve  ser  interpretada  em  harmonia  com  o  artigo  112 do mesmo CTN, que versa sobre princípios de interpretação  e  aplicação  e  abre  ensanchas  A  consideração  equitativa  dos  conflitos fiscais e em harmonia com o artigo 137 do CTN.  •  Portanto,  é  descabida  a  indicação  de  Marco  Aurélio  Prata  como responsável solidário pelo débito não pago pela empresa,  razão pela qual  se  impõe o arquivamento do  termo de sujeição  passiva e o cancelamento do débito que lhe foi imputado.  Mérito  das  imputações  •  A  impugnante  declarou  o  total  das  receitas por ela recebidas nos anos­calendários de 2003, 2004 e  2005. Nada havia  de  irregular nas DIPJ  e DCTF  entregues. A  autuação  fiscal  foi  feita  não  por  receitas  recebidas,  mas  por  meros pagamentos feitos. Todos os dados constantes no auto de  infração  foram  retirados  das  declarações  apresentadas  pela  impugnante.  Assim,  a  fiscalização  nada  descobriu  de  ilícito  no  proceder da impugnante como contribuinte de tributos federais,  valendo­se  de  dados  que  lhe  foram  ofertados  pela  própria  impugnante. Esse procedimento,  por  si  s6,  afasta as  figuras do  dolo e da má­fé, que existem sempre quando a empresa age de  forma dissimulada, ocultando práticas ou falsificando dados que  serão  entregues  a autoridade  fiscal. Na  situação  vertente,  não  houve, em nenhum momento, tal ocultação, o que significa que a  autuante  não  trouxe  aos  autos  nenhum  dado  novo  nem  desconhecido. Ao contrário, a fiscalização sempre se referiu aos  dados  das  declarações  apresentadas  pela  impugnante.  Não  houve  tampouco  declaração  inexata,  mas  meros  pagamentos  feitos pela  impugnante considerados sem causa,  tudo dentro de  Fl. 752DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 399          9 procedimento no qual se aplica uma presunção legal criada em  lei.  •  Marco  Aurélio  Prata  sempre  se  apresentou  perante  a  fiscalização  como  contador  da  empresa,  nunca  deixando  de  prestar,  por  outro  lado,  informações  a  respeito  A  autoridade  fiscal.  A prova disso pode ser vista, com facilidade, na resposta que o  interessado  deu  A  fiscalização,  em  03.10.2007,  conforme  documento que se encontra nos autos, no qual esta dito que ele  era  o  único  contador  responsável  pelos  serviços  contábeis  prestados pela empresa no ano­calendário de 2003, na condição  de  profissional  liberal  autônomo,  devidamente  registrado  no  Conselho Regional de Contabilidade.  • Do  fato de a pessoa  fisica mencionada ser apenas contratada  (e não sócia), a fiscalização inferiu que houve má­fé e, por via de  consequência,  crime  de  sonegação  fiscal.  A  pretensão  da  autuante,  porém,  não  pode  subsistir.  A  pessoa  fisica  envolvida  nunca  negou  ter  sido  contratada  pela  empresa  como  contador  que lhe prestaria serviços. Não se vislumbra crime algum no fato  de  uma  empresa  contratar  profissional  qualquer,  terceirizando  os serviços por ela vendidos.  Recorde­se  que  todos  os  dados  utilizados  pela  fiscalização  na  lavratura do auto de infração, ou foram obtidos diretamente nas  declarações apresentadas pela  impugnante, ou  foram entregues  e declarados pelo contador Marco Aurélio Prata à autuante. Tal  procedimento afasta a possibilidade de se cogitar em má­fé.  •  Conforme  certidão  que  se  junta  A  impugnação,  a  autuada  nunca  teve,  em  momento  algum,  José  Ferreira  Primo  como  sócio, absolutamente nada sabendo os demais sócios a respeito  da  figura  dele.  A  menção  ao  seu  nome  decorreu  de  erro  grosseiro  de  digitação  do  seu CPF  n°989.671.268­91  no  lugar  do CPF n° 405.640.106­34 do verdadeiro sócio, João Batista de  Azevedo, ocorrido por ocasião da primeira alteração contratual.  •  0  fato  pode  ser  comprovado  claramente,  pois  as  alterações  posteriores, constantes nos autos em momento algum mencionam  a pessoa ou o CPF de José Ferreira Primo. Assim, em momento  algum  seu  nome  foi  usado  indevidamente  ou  sem  seu  consentimento.  0  erro  s6  foi  detectado  quando  arquivada  a  6a  alteração  contratual,  pois  na  transmissão  dos  dados  da  alteração  para  a  Receita  Federal  se  constatou  que  a  participação societária da empresa totalizava 101 %, ou seja, os  mesmos  1%  de  participação  constante  na  primeira  alteração  contratual de propriedade de João Batista de Azevedo.  • Cabe perguntar, de qualquer forma, quais vantagens, licitas ou  ilícitas,  teve  a  autuada  em  declarar  um  sócio  que  ela  própria  desconhecia.  A  fiscalização  não  responde  a  essa  pergunta  no  termo  de  verificação  fiscal;  limita­se  a  levantar  dúvidas  a  respeito  da  lisura  do  procedimento  da  autuada.  Reitera­se  o  pedido  de  que  a  declaração  juntada  a  esta  impugnação  seja  Fl. 753DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   10 examinada  pelos  julgadores.  Conforme  provado,  a  inclusão  do  nome do desconhecido José Ferreira Primo não se deu por culpa  da  autuada,  mas  por mero  erro  de  digitação. Dessa  falha  não  adveio  nenhuma  vantagem  para  a  autuada.  Nessas  condições,  não  pode  produzir  e  embasar  entendimentos  desfavoráveis  A  autuada  no  aspecto  processual  e  jurídico,  razão  pela  qual  se  pede que o episódio  seja desconsiderado como  irreal,  fictício e  absurdo.  •  Juntam­se  à  impugnação  documentos  que  provam  ter  sido  Marco  Aurélio  Prata  fiscalizado  pela  DRF/Belo  Horizonte  quanto ao  exercício de 2005. Em consequência, em 06.08.2008  foi  lavrado  um  auto  de  infração,  que  foi  impugnado  pelo  interessado.  Isso  vai  de  encontro  ao  disposto  no  artigo  906  do  RIR 1999.  •  Não  consta  do  procedimento  fiscal  nenhum  documento  que  possa substituir a ordem prevista no preceito citado. Trata­se de  preceito  legal  imprescindível,  razão  pela  qual  o  lançamento,  quanto ao exercício de 2005 deve ser integralmente considerado  nulo.  0  mandado  de  procedimento  legal  não  pode  substituir  a  ordem  escrita  a  que  alude  tal  norma.  A  esse  respeito  já  se  pronunciou  o Primeiro Conselho  de Contribuintes,  afastando a  possibilidade de acolher tal entendimento.  • Em face do exposto, pedimos que seja acatada a preliminar de  nulidade  ora  exposta,  arquivando­se  o  feito  fiscal  quanto  ao  exercício de 2005. A preliminar vale  tanto para a pessoa  fisica  de  Marco  Aurélio  Prata  quanto  para  a  Arquivo  Empresarial  Ltda,  uma  vez  que  ambas,  no  entendimento  da  fiscalização,  respondem  pelo  crédito  tributário.  Assim,  o  provimento  pelo  tribunal  administrativo  de  parte  de  uma  das  impugnações  aproveita a outra naquilo que lhe for favorável.  •  Finalmente,  juntam­se  A  impugnação  o  livro  caixa,  onde  se  declara  o  faturamento  com  todos  os  impostos  federais  retidos,  conforme  Lei  n°  10.833  e  o  artigo  31  do  RIR  e  no  qual  se  encontra  provada  a  causa  dos  pagamentos  feitos  nos  anos  de  2003 a 2005.  • Compulsando­se as páginas desse livro, convence­se de que: a)  a  empresa  teve  obviamente  custos  e  despesas,  como  qualquer  empresa; b) os cheques sacados na boca do caixa e que tiveram  como  beneficiária  a  própria  empresa  eram  destinados  a  pagamentos diversos, os quais, por sua vez, estavam destinados  a  cobrir  despesas  diversas,  além  de  lucros  distribuídos  aos  sócios,  isentos de  imposto de  renda,  conforme Lei n° 9.249, de  1995, e artigo 10 do RIR.  • Caso se aceite o entendimento da fiscalização como correto e  válido,  haveria  de  se  concluir  que  nos  três  anos  fiscalizados  a  empresa  não  teve  nenhum  custo  ou  despesa,  já  que  todos  os  pagamentos  feitos  por  ela  foram  considerados  receitas  ou  pagamentos sem causa.  •  Tal  conclusão  é  absurda  e  não  pode  prosperar,  por  conflitar  frontalmente com o principio básico de contabilidade, aplicável  ao IRPJ, segundo o qual não existe receita sem despesa.  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 400          11 Poder­se­ia  eventualmente  questionar  parte  dos  pagamentos  feitos, mas nunca todos eles como pagamento sem causa.  •  A  vista  dos  livros  caixa  ora  apresentados,  os  pagamentos  foram  realizados  com  cheques  sacados  na  boca  do  caixa,  em  razão  de  serem  os  valores  destinados,  posteriormente,  ao  pagamento  de  diversas  despesas,  que  beneficiariam  diversos  profissionais. De qualquer forma, a existência de um livro razão,  no  qual  são  discriminados  os  pagamentos  feitos  pela  autuada,  merecerá a atenção e apreciação dos julgadores.  Pedido  • Em  face do exposto,  requer­se que  sejam acatadas as  razões de defesa e que o feito seja arquivado.  O sócio Marco Aurélio Prata,  tendo  tomado  ciência  do  lançamento  por  via  postal,  apresentou  a  impugnação  de  fls.  268/304,  com  conteúdo  idêntico  ao  da  peça  impugnatória ofertada pela pessoa jurídica.  Na  análise  de  todos  estes  argumentos,  os  integrantes  da  DRJ  em  Belo  Horizonte  decidiram  pela  integral  manutenção  do  lançamento,  rejeitando  as  nulidades  suscitadas e mantendo também a sujeição passiva solidária.  Inconformada,  a  contribuinte  interpôs  o  Recurso  Voluntário  (em  conjunto  com  o  responsável  solidário)  de  fls.  366/388,  por  meio  do  qual  afirma  que  as  razões  de  impugnação  estariam  sendo  reiteradas,  e  que  por  terem  sido  os  lançamentos  julgados  em  conjunto  (em  face  da  empresa  e  da  pessoa  física),  o  Recurso  interposto  era  um  só  para  aproveitar a ambos. Daí porque seriam objeto do recurso não só o lançamento do IRRF, mas  também a sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Marco Aurélio Prata.   Pugnou pelo reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, a qual teria se  tornado  um  verdadeiro  apêndice  do  Auto  de  Infração,  já  que  acabou  por  trazer  mais  fundamentos  para  o  lançamento,  ao  invés  de  simplesmente  julgar  as  razões  de  impugnação.  Entende que deveria  ter sido  intimada a contraditar  tais argumentos, por serem  inovações no  processo.  Suscitou  ainda  a  decadência  parcial  do  lançamento,  quanto  aos  fatos  geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2003, indevida utilização da taxa Selic como  juros, e a inaplicabilidade da multa qualificada de 150%.  Seu pedido final foi assim resumido:  Em face a todo o exposto, requer a Impugnante o acolhimento de  suas  razões  de  defesa  relativas  (1)  ao  pedido  de  anulação  da  decisão  de  primeira  instância,  tendo  em  vista  a  existência  de  cerceamento do direito de defesa, (2) decadência do direito de o  fisco  lançar,  (3)  a  aplicação  indevida  dos  juros  SELIC  e  (4)  o  agravamento  injustificado  da  multa  de  oficio  pela  não  comprovação da prática de qualquer ilícito penal.  Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento.  É o Relatório.  Fl. 755DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   12   Voto             Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora   A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 25.03.2009, como atesta  o AR de fls. 365. O Recurso Voluntário  foi  interposto em 22.04.2009 (dentro do prazo  legal  para tanto), e preenche os requisitos legais ­ por isso dele conheço.  Conforme  relatado,  trata­se  de  lançamento  para  exigência  de  IRRF  sobre  pagamentos  cuja  causa  deixou  de  ser  comprovada.  O  lançamento  foi  efetuado  em  face  da  pessoa  jurídica  Arquivo  Empresarial,  mas  foi  também  lavrado  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  em  nome  de Marco  Aurélio  Prata.  A  decisão  recorrida  foi  uma  só,  que  tratou  de  ambas as Impugnações.  Em  face  de  tal  decisão,  a  pessoa  jurídica  Arquivo  Empresarial  interpôs  o  Recurso Voluntário, no qual afirma que:  Outra  observação  de  suma  importância  a  ser  feita  é  a  resumida no fato de que havia, na época da lavratura dos autos  de  infração,  duas  notificações  fiscais,  a  primeira  do  processo  fiscal de no. 10.680.015129/2008­20, relativo à pessoa jurídica  Arquivo  Empresarial  Ltda.,  e  outra  notificação  fiscal  mencionando o mesmo número, relativa pessoa física de Marco  Aurélio Prata, CPF no. 428.562.806­68. Ambas as  notificações  estão ora juntas, tendo sido julgadas na mesma ocasião e pelo  mesmo acórdão da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte.  Pugna assim que o Recurso Voluntário – apesar de estar em seu próprio nome  – seja aproveitado para ambas as partes.   Este pedido merece acolhida por dois motivos. Primeiro, porque o AR de fls.  365,  por meio  do  qual  deu­se  ciência  “às  partes”  da  decisão  recorrida  está  em  nome  do  Sr.  Marco Aurélio Prata, tendo o nome da pessoa jurídica ao lado, entre parêntesis. Pelo que consta  dos autos, este foi o único AR enviado, de forma que houve verdadeira confusão entre as partes  (sujeito passivo principal e responsável solidário).   Em segundo lugar, foi o Sr. Marco Aurélio que assinou o recurso em nome  da empresa (ou em conjunto com ela), demonstrando que corroborava tudo o quanto estava ali  expresso. Acresça­se a isto que a própria decisão recorrida trata as impugnações de forma una,  razão pela qual seria, a meu ver, um formalismo exacerbado a exigência de que ambas as partes  interpusessem seus respectivos Recursos Voluntários.   Assim, entendo que o Recurso interposto deve ser entendido como recurso de  ambas as partes interessadas, aproveitando a ambas.  Passa­se, então, à sua análise.  Em  sua  defesa,  os Recorrentes  suscitam:  i)  a  nulidade da  decisão  recorrida  que  inovou  no  fundamento  utilizado  para  manter  o  lançamento,  notadamente  no  que  diz  respeito à qualificação da multa de ofício; ii) a falta de previsão legal para a lavratura do termo  de sujeição passiva solidária; iii) a decadência com relação aos meses de janeiro a novembro de  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 401          13 2003; iv) a ilegalidade da incidência da Selic sobre o crédito tributário; v) inaplicabilidade da  multa  agravada  de  150%;  vi)  impossibilidade  de  responsabilização  pessoal  do  Sr.  Marco  Aurélio Prata; vii) a se admitir que todos os pagamentos efetuados pela empresa não tiveram  causa,  estar­se­ia  admitindo  que  a mesma  não  teve  quaisquer  custos  e  despesas,  o  que  seria  inadmissível.   Nulidade da decisão recorrida  Alegam  os  Recorrentes  que  teria  havido  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  na  medida  em  que  a  decisão  recorrida  teria  inovado  ao  justificar  as  razões  para  a  manutenção da multa de ofício qualificada aplicada ao lançamento.  No  entanto,  a  alegada  inovação  não  implica  em  qualquer  nulidade  no  processo.  Isto  porque  a  decisão  recorrida  apenas  trouxe  mais  argumentos  a  justificar  a  qualificação da multa,  sem que  tais argumentos  agravassem a  situação da Recorrente, pois o  crédito  tributário  já  estava  devidamente  constituído  através  do  lançamento.  Os  argumentos  utilizados  pela  decisão  recorrida  não  são  argumentos  diversos  daqueles  tomados  pela  autoridade  lançadora,  mas  serviram  apenas  como  um  plus,  a  justificar,  no  entender  das  autoridades julgadoras, a manutenção da qualificação da multa de ofício aqui aplicada. Como  não  houve  qualquer  tipo  de  agravamento  à  situação  da Recorrente,  não  há  que  se  falar  em  nulidade.  Ademais, com a abertura do prazo para interposição do Recurso Voluntário,  abriu­se  o  prazo  para  a  Recorrente  contraditar  todos  os  argumentos  utilizados  pela  decisão  recorrida, de forma que cerceamento do seu direito de defesa não há (e não houve).  Por isso, não merece a colhida a referida preliminar.  Termo de Sujeição Passiva Solidária e a Responsabilização do Sr. Marco  Aurélio Prata  Conforme  mencionado  anteriormente,  o  Recurso  Voluntário  foi  interposto  pela pessoa jurídica (Arquivo Empresarial Ltda.) e também pela pessoa física (Marco Aurélio  Prata) contra a qual foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 42/43. Nele foi  questionada esta sujeição passiva que, segundo os Recorrentes, não encontra fundamento em  lei. Como os Recorrentes tratam em 2 tópicos diversos deste mesmo tema, ficam ambos aqui  reunidos para fins deste julgamento.  A  justificativa  utilizada  pela  autoridade  lançadora  para  lavrar  o  referido  termo de sujeição passiva foi a seguinte:  Verificou­se  que  a  empresa  não  pagou  e  nem  declarou  à  Secretaria da Receita Federal do Brasil o Imposto de Renda na  Fonte  sobre  os  pagamentos  efetuados  às  pessoas  física  e  jurídicas  nos  anos­calendário  de  2003  a  2005,  caracterizados  como pagamentos sem causa.  Verificou­se  ainda  que,  aliado  à  omissão  quanto  à  obrigação  tributária, o contribuinte retirou­se de direito da sociedade sem,  no entanto, deixar de exercer as funções de sócio administrador.  Fl. 757DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   14 Desse modo, a infração à legislação tributária e a simulação de  retirada da sociedade se  revestem de atos pessoais do sócio de  fato.  Em vista desses acontecimentos, que estão detalhados no Termo  de  Verificação  Fiscal  —  TVF  anexado  neste  processo,  cabe  consignar,  primeiramente,  que  o  artigo  121  do  Código  Tributário Nacional — CTN relaciona como Sujeito Passivo da  obrigação principal, juntamente com o Contribuinte, a figura do  RESPONSÁVEL.  Assim, restando caracterizada a Sujeição Passiva Solidária nos  termos dos artigos 121, 124 e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966  (Código  Tributário  Nacional),  fica  o  Sujeito  Passivo  Solidário  supra  mencionado  CIENTIFICADO  da  exigência  tributária  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  lavrado  contra  a  Pessoa  Jurídica  ARQUIVO  EMPRESARIAL  LTDA,  CNPJ  65.165.847/0001­71,  na  data  de  24/12/2008,  e  controlado  pelo  Processo  Administrativo  Fiscal  n°  10680.015129/2008­20,  do  qual faz parte o presente Termo.  Como  se  vê,  a  lavratura  deste  termo  foi  fundada  na  premissa  de  que  o  Sr.  Marco  Aurélio  Prata  teria  ocultado  do  Fisco  o  fato  de  ainda  atuar  como  administrador  da  pessoa  jurídica  autuada,  e  teve  como  base  legal  os  arts.  121,  124  e  135,  III  do  CTN,  cuja  aplicabilidade neste caso concreto é a seguir analisada.  Quanto  à  aplicação  das  referidas  normas  em  casos  como  este,  já  me  manifestei  por  ocasião  do  julgamento  do Acórdão  nº  2102­00.562,  de  12  de maio  de  2010,  ocasião em que foi apreciada a sujeição passiva solidária de forma semelhante ao julgamento  realizado pela então 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, através de voto cuja relatoria  foi do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, e do qual se extrai:  (...)  Da responsabilidade solidária  (...)  Pois bem, o Código Tributário Nacional — CTN, no seu artigo  121  assim  delimita  as  possibilidades,  em  geral,  da  sujeição  passiva tributária principal. Diz, verbis:  "Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  1—  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  —  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei."  A  doutrina  caminha  unida  no  entendimento  que  essa  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação  que  constitua  o  fato  gerador  corresponde  à  própria  realização  do  fato  gerador.  Isso  é  particularmente  claro  quanto  aos  fatos  geradores  definidos  em  Fl. 758DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 402          15 função  de  estado  da  pessoa,  isto  é  ser  proprietário  de  imóvel,  importar  mercadoria  obter  a  disponibilidade  de  renda,  etc.  Assim,  o  sujeito  passivo  emerge  da  própria  definição  do  fato  gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, "é  no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência  que  colhemos  elementos  informadores  para  a  determinação  do  sujeito passivo."  A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do CTN só  deixa  margem  a  duas  possibilidades  de  sujeição  passiva  tributária,  isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a  obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e  direta  com  o  fato  gerador,  nos  termos  acima  referidos,  ou  ser  expressamente apontadas pela lei.  Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação  aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade  solidária, além do art. 121,  II, os artigos 124,  I  e 135,  II  e  III.  Passo  ao  exame  desses  outros  dispositivos.  Reza  o  art.  124,  verbis:  "Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  —  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II — as pessoas expressamente designadas por lei.  Cuida­se  no  caso,  da  hipótese  referida  no  inciso  1.  A  questão  aqui  é  definir  o  alcance  da  expressão  "interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  do  imposto",  tema  controvertido  dada  a  vagueza  da  expressão.  Paulo  de  Barros  Carvalho  a  reconhece  quando  diz  que  "o  interesse  comum  dos  participantes  na  realização  do  fato  jurídico  tributário  é  o  que  define, segundo o  inc. 1, o aparecimento da solidariedade entre  os  devedores",  mas  exclui  a  simples  participação  nos  acontecimentos  envolvendo  o  fato  gerador  como  critério  definidor  do  vínculo  de  solidariedade.  Diz  Paulo  de  Barros,  "aquilo  que  vemos  repetir­se  com  freqüência,  em  casos  dessa  natureza,  é  que  o  interesse  comum  dos  participantes  no  acontecimento factual não representa um dado satisfatório para  a  definição  do  vinculo  da  solidariedade".  É  dizer,  não  basta  participar  dos  fatos  envolvendo  os  acontecimentos  caracterizadores  do  fato  gerador.  É  como  no  exemplo  mencionado por Paulo de Barros Carvalho de uma operação de  compra  e  venda  de  mercadorias,  onde  ambos,  comprador  e  vendedor,  têm  interesse  comum  na  operação,  porém  não  se  cogita de responsabilidade solidária entre ambos.  Concordando  com  essas  ponderações,  penso  que  o  "interesse  comum" referido no inciso I do art. 124 deve ser interpretado em  conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121.  Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva  às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que têm  relação pessoal e direta com o  fato gerador, ao versar sobre a  responsabilidade solidária, não pode o mesmo CTN referir­se a  Fl. 759DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   16 situação que amplia essas possibilidades. É dizer, esse interesse  comum  referido  no  inciso  I  deve,  necessariamente,  estar  associado  a  uma  relação  pessoal  e  direta  com  o  fato  gerador.  Assim,  além  das  pessoas  expressamente  apontadas  pela  lei,  seriam  solidariamente  obrigadas  ao  pagamento  do  tributo  pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a  situação que constitua o fato gerador. Luciano Amaro propõe a  seguinte  solução  para  a  interpretação  do  art.  124,  I  coerente  com a regra do art. 121, a saber:  "O  interesse  comum  no  fato  gerador  põe  o  devedor  solidário  numa  posição  também  comum.  Se  em  dada  situação  (a  co­ propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio  como  contribuinte,  nenhum  dos  coproprietários  seriam  qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio  Fisco­contribuinte,  o  lugar  do  segundo  (ou  seja,  o  lugar  de  contribuinte).  Ocorre  que  cada  qual  só  se  poderia  dizer  contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse  à  sua  quota  de  interesse  na  situação.  Como  a  obrigação  tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia,  em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu  quinhão  de  interesse.  O  que  determina  o  Código  Tributário  Nacional  (art.  124,  I)  é  a  solidariedade  de  ambos  como  devedores  da  obrigação  inteira,  onde  se  poderia  dizer  que  a  condição  de  sujeito  passivo  assumiria  forma  híbrida  em  que  cada  co­devedor  seria  contribuinte  na  parte  que  lhe  toca  e  responsável pela porção que caiba ao outro." (pp. 308)  Penso  que  a  grande  virtude  dessa  construção  é  explicitar  a  vinculação  do  interesse  comum  do  art.  124,  I  à  condição  de  sujeito passivo como contribuinte, do 121, I. Isto é, para figurar  como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria  que  estar  numa  posição  em  que  poderia  ser  considerada  contribuinte,  ainda  que  em  relação  a  apenas  uma  parte  da  obrigação.  A  sujeição  passiva  solidária  decorreria  da  impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela  da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do  legislador,  no  caso  de  interesse  comum,  de  atribuir  responsabilidade  solidária,  sem  interferir  na  divisão,  entre  os  co­obrigados  da  parcela  de  cada  um.  O  exemplo  geralmente  mencionado pela doutrina e referido por Luciano Amaro é o da  co­propriedade de imóvel. Todos os co­proprietários estariam na  situação  referida  no  art.  121,  I  e,  portanto,  poderiam  ser  considerados  contribuintes,  pelo  menos  em  relação  ao  seu  quinhão.  Não  basta,  portanto,  para  ser  apontado  responsável  solidário,  nos termos do art. 124, I do CTN, que a pessoa concorra para a  realização do fato gerador, que participe de ações que culminem  com a ocorrência do  fato gerador. É preciso que, mais do que  participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas,  que  envergue  a  condição pessoal  ou  realize  as  ações  definidas  como  necessárias  à  ocorrência  do  fato  gerador:  obter  a  disponibilidade  de  renda,  ter  o  domínio  útil  de  imóvel,  obter  receita, etc.  No  caso  que  se  examina,  trata­se  de  lançamento  para  formalização de exigência de Imposto sobre a Renda, exigido da  Fl. 760DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 403          17 fonte  pagadora.  Sem  examinarmos,  por  enquanto,  essa  circunstância de o imposto ser de tributação exclusiva de fonte,  a  autuação  não  demonstra  que  os  indigitados  obrigados  solidários  tenham  sido  os  beneficiários  da  disponibilidade  econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai  da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para a  realização dos pagamentos irregulares e para a ocultação desses  fatos por meios fraudulentos.  Por  tudo  o  que  foi  acima  exposto,  essa  participação  não  está  compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com  base no art. 124, I do CTN.  A autuação menciona, também, como fundamento da imputação  de  responsabilidade  solidária  o  art.  135,  II  e  III,  que  a  seguir  transcrevo:  "Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatuto:  (...)  II— os mandatários, prepostos ou empregados;  III  —  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas de direito privado."  (...)  Para  admitir­se,  no  caso,  a  responsabilidade  solidária,  com  fundamento  no  135,  II  e  III,  ter­se­ia,  necessariamente,  que  excluir a contribuinte (...) do pólo passivo.   (...)  (Ac. nº 104­21.662, julgado em 21.06.2006)  O estudo feito pelo Conselheiro Pedro Paulo esclarece de forma brilhante a  aplicação das referidas normas em casos como o presente. De acordo com os esclarecimentos  acima, resta claro que a solidariedade no Direito Tributário pode decorrer de duas situações: a)  expressa disposição legal; ou b) idêntico interesse das partes na situação que “constitua o fato  gerador” da obrigação.  No caso em tela, não se poderia aplicar o inc. II do art. 124 do CTN, já que  inexiste disposição legal expressa que inclua o Sr. Marco Aurélio como responsável solidário  pelo credito tributário. Também não se aplica o art. 135 do CTN, pois, como visto, para tanto  seria  necessário  que  o  Sr.  Marco  Aurélio  passasse  a  ser  o  único  responsável  pelo  crédito  tributário – o que também não é o caso.  Assim,  resta  analisar  se  seria  possível  a manutenção  do  Sr. Marco Aurélio  como  responsável  solidário  em  face  do  disposto  no  inc.  I  do  art.  124  do  CTN,  que  assim  determina:   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  Fl. 761DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   18  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  (...)  Sobre  o  conceito  de  “interesse  comum”  mencionado  pela  referida  norma,  Aliomar Baleeiro assim o define:   O CTN não diz em que consiste ou em que casos se manifesta o  ‘interesse  comum’.  A  lei  tributária  o  dirá.  Em  princípio,  os  participantes  do  fato  gerador.  Na  prática  de  ato  jurídico  ou  negócio  podem  ser  todas  as  partes,  e  disso  há  exemplo  no  próprio CTN, arts. 42 e 66.  (em Direito Tributário Brasileiro, 11ª Ed., atualizada por Mizabel  Abreu Machado Derzi, pág. 728).  Já Fabio Fanucchi  assim  se manifestou  acerca  da  solidariedade  em matéria  tributária, ao tratar do art. 124, I, do CTN:  Na  verificação  da  solidariedade  de  fato,  entretanto,  não  é  impossível  que  se  cometam  excessos,  tentando  envolver  a  responsabilidade  de  terceiros  numa  relação  obrigacional  tributária  de  cujo  fato  gerador  não  se  tenham  beneficiado  ou,  nele,  não  tenham  interesse  comum  ao  do  sujeito  passivo.  É  possível  que  a  lei  crie  a  solidariedade  do  transmitente,  do  tabelião e do oficial do registro de imóveis, por exemplo, face ao  imposto  de  transmissão  de  uma  operação  na  qual  estejam  envolvidos,  porém,  se  não  o  fizer  de  forma  expressa,  é  impossível, sob alegação de solidariedade de fato, traze­los para  dentro  da  relação  tributária  só  porque  participaram  da  operação  tributável,  quando  se  verifica  que  nenhuma  dessas  pessoas tem interesse igual ao do adquirente do imóvel, erigido  em  contribuinte pela  lei. Entretanto,  havendo  lucro  numa dada  transação  comercial  tributável,  que  beneficia  a  mais  de  uma  pessoa  natural,  embora  elas  não  estejam  relacionadas  entre  si  por  constituição  jurídica  (sociedade  de  direito),  ainda  assim  responderão  por  igual  pela  obrigação  tributária  daí  nascida,  como  se de  direito  a  sociedade  fosse. Aí  sim, os  interesses  das  diversas pessoas seriam absolutamente idênticos.   (em  “Curso  de  Direito  Tributário  Brasileiro,  Ed.  Resenha  Tributária Ltda./IBET São Paulo, 4ª ed., pág. 249/250).  No  caso  em  exame,  não  há  qualquer  disposição  de  lei  que  determine  a  solidariedade em questão; no entanto, como bem salientado pela autoridade lançadora, pode­se  dizer  sim  que  o  Sr.  Marco  Aurélio  Prata  tivesse  interesse  comum  com  a  pessoa  jurídica  Arquivo  Empresarial  na  realização  dos  pagamentos  “sem  causa”  que  deram  origem  a  este  lançamento, já que ele mesmo (ou pessoas a ele relacionadas, cf. tabelas de fls. 40/42) foram os  principais beneficiários dos mesmos. É o que demonstra o Termo de Verificação Fiscal, verbis:  11 ­ Diante dos fatos narrados fica comprovado que o Sr. Marco  Aurélio Prata, apesar de não constar mais do quadro societário  da  empresa,  conforme  alterações  contratuais  ocorridas,  nunca  deixou de exercer as funções de sócio de fato da mesma em vista  de haver permanecido no controle da conta­corrente da Arquivo  Empresarial  Ltda,  sendo  responsável,  em  conjunto  com  sua  esposa,  pela  emissão  de  todos  os  cheques  sacados  da  referida  Fl. 762DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 404          19 conta corrente que os beneficiaram direta ou indiretamente e de  ter  assinado os Pareceres  dos  balanços  da Construtora Aterpa  S/A, exercendo atividade típica da sociedade. (grifamos)  Assim, restou configurado aí o interesse comum a que alude o inc.  I do art.  124  do  CTN,  razão  pela  qual  é  de  se  reconhecer  que  está  correta  a  inclusão  do  Sr. Marco  Aurélio no pólo passivo do lançamento em questão, não merecendo acolhida a pretensão das  partes quanto à sua exclusão.  Neste sentido:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  1RPJ  Ano­calendário:  2004,  2005  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO.  LIMITES.  A  utilização  das  informações  sobre as movimentações fmanceiras para efetuar lançamento de  oficio, relativo a fatos geradores ocorridos antes da vigência da  Lei n° 10.174/2001, é legitimada pelo § 1° do art. 144 do CTN,  por se  tratar de mero procedimento que ampliou os poderes de  investigação das autoridades fiscais.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  A  responsabilidade  solidária  pressupõe  o  interesse  jurídico  que  surge  a  partir  ­da  existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do  mesmo  lido.  de  uma  mesma  relação  jurídica  privada  que  constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato  que  movimentavam  recursos  em  conta  corrente  de  pessoa  jurídica  é  prova  do  interesse  comum  das  pessoas  físicas  que  movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio.  MULTA  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  No caso de lançamento de oficio será aplicada multa calculada  sobre  o  crédito  tributário  apurado,  no  percentual  de  150%,  quando caracterizado o evidente  intuito de  fraude por parte do  autuado, uma vez constata a existência de grupo econômico que  ocultava não  só o  real  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  mas toda a obrigação tributária, repetidamente.  Recurso Voluntário Negado.  (1202­00.037, de 13.05.2009)  Decadência   Neste tópico de seu recurso, a Recorrente afirma que teriam sido abrangidos  pela decadência  os  créditos  lançados  cujos  fatos  geradores  tivessem ocorrido  entre  janeiro  e  agosto de 2003, já que a ciência do Auto de Infração se deu em novembro de 2008 ­ com base  no art. 150, § 4º do CTN, que deveria ser aplicado à hipótese.  Com efeito, a questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  teve  sua  repercussão  geral  reconhecida  pelo  Eg.  STJ,  que,  utilizando­se  da  sistemática prevista no art. 543­C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux,  julgado em 12.8.2009),  reiterou o entendimento no sentido de que, em se  tratando de  tributo  sujeito a  lançamento por homologação não declarado e  inadimplido, o Fisco dispõe de cinco  Fl. 763DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   20 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN.  De acordo com este entendimento, somente nos casos em que o pagamento  foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, como determina  o art. 150, § 4º, do CTN.  O art. 62­A do Regimento Interno deste Conselho estabelece que devem ser  obedecidas  pelas  turmas  julgadoras  as  decisões  proferidas  pelo  Eg.  STJ  quando  a  matéria  julgada o tiver sido com base na sistemática do art. 543 (‘B’ e ‘C’) do CPC, verbis:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Exatamente o caso da discussão em tela.  Por  isso, para que se possa analisar em cada caso concreto  julgado por este  Conselho a efetiva ocorrência, ou não, da decadência, é preciso que se analise antes de mais  nada se houve o pagamento antecipado do imposto. Somente então é que se pode analisar qual  a forma do cômputo do prazo decadencial: se com base no art. 150 ou 173 do CTN.  No  caso  que  ora  se  analisa,  não  há  qualquer  prova  nos  autos  de  que  tenha  sido  efetuado  qualquer  recolhimento  a  título  de  IRRF  sobre  os  pagamentos  tidos  como  sem  causa (e que deram origem a este lançamento). Assim, não há que se falar na aplicação do art.  150,  §  4º  ao  caso  concreto,  em  face  da  inexistência  de  antecipação.  Este  foi,  aliás,  o  fundamento  tomado  pela  decisão  recorrida  para  negar  o  pedido  da  Recorrente,  como  se  depreende do seguinte trecho:  Para  dirimir  a  questão,  basta  que  se  considere  o  segundo  requisito.  Este  não  foi  observado,  já  que  a  autuada  não  apresenta  comprovantes  de  que  foi  quitado,  total  ou  parcialmente,  o  IRRF  incidente  sobre  os  pagamentos  não  comprovados que deram ensejo ao lançamento. Na impugnação  tampouco se alega que semelhante quitação tenha sido feita.  Como  se  trata  de  IRRF,  para  o  fim  de  determinar  o  inicio  do  prazo  de  decadência,  cumpre  verificar  a  ocorrência  ou  não  de  pagamento  em  relação  a  cada  evento  isoladamente.  Para  esse  propósito,  não  se  computa  como  pagamento  eventual  quitação  de  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  que  a  autuada  tenha  efetuado em relação a rendimentos próprios (seja sob a forma de  retenções na  fonte em que  figura  como beneficiária, seja  sob a  forma de antecipações por estimativa, seja ainda pagamentos do  saldo apurado na declaração de ajuste anual), porque a autuada  é  sujeito  passivo  do  IRRF  exigido  na  condição  de  apenas  responsável  (por  ter  sido a  fonte  pagadora).  0  fato gerador  do  imposto de renda da pessoa  jurídica diz­se complexo, porque o  que  o  caracteriza  é  a  obtenção  de  lucro  ou  resultado  fiscal  positivo ao final da apuração. 0 lucro, por sua vez, grosso modo  apura­se somente ao final do período de apuração, com o soma  dos  ganhos  e  a  subtração  das  perdas  geradas  pelas  atividades  operacionais e não operacionais da empresa. No caso do IRRF,  Fl. 764DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 405          21 porém,  cada  pagamento  de  rendimento  a  determinado  beneficiário constitui um fato gerador completo e isolado e deve  ser  analisado  individualmente  e  independentemente  do  fato  gerador das obrigações tributárias próprias da fonte pagadora.  Por  fim,  e  apenas  por  amor  à  argumentação,  é  de  se  destacar  que  a multa  aplicada  ao  lançamento  foi  qualificada,  razão pela qual  a  regra  aplicável  à  espécie  seria,  em  princípio, aquela do art. 173, I do CTN, e não a do referido art. 150.  Diante destes argumentos, não há que se falar na ocorrência da decadência.  Da Selic  A Recorrente suscita a inaplicabilidade da taxa Selic sobre o crédito tributário  objeto deste lançamento, ao argumento de que seria ilegal a sua aplicação.  Este pedido, porém, também não merece acolhida. Quanto a este assunto, foi  editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais.”.  Por  isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de  Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa.  Da Qualificação da Multa  Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que a multa de ofício não  poderia  ter  sido  qualificada,  pois  seria  inaplicável  a  ilícitos  não  comprovados.  Pugnou  pela  aplicação da Súmula 14 do Conselho de Contribuintes.  Do Termo de Verificação Fiscal  é possível  extrair  os  seguintes  argumentos  para justificar a qualificação da multa:  18  ­  Considerando  que  ficou  comprovada  a  intenção  do  fiscalizado de ocultar sua condição de sócio da empresa Arquivo  Empresarial  Ltda,  visando  com  isto  eximir­se  das  obrigações  que tal condição lhe imputaria, incorrendo portanto na previsão  de  sonegação  contida  no  inciso  II  do  artigo  71  da  Lei  n°  4:502/64 e art. 299 do Decreto­ Lei n° 2.848/40 (Código Penal),  efetuaremos  o  lançamento  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na fonte com multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso II,  da Lei n° 9.430/96, que dispõe:  Decorre  daí  que  a  justificativa  tomada  pela  autoridade  lançadora  para  qualificar a multa neste lançamento fora o fato de que o “responsável”, Sr. Marco Aurélio Prata  teria  agido  com  o  intuito  de  esconder  do  Fisco  sua  condição  de  sócio  da  referida  pessoa  jurídica.  A decisão recorrida, por outro lado, tomou por base os seguintes argumentos  para  justificar  a  manutenção  da  qualificação  da  multa  e,  com  isso,  afastar  a  pretensão  da  Recorrente quanto a este aspecto do seu inconformismo: i) o fato de o Sr. Marco Aurélio ter se  Fl. 765DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS   22 “ocultado” como sócio da pessoa jurídica; ii) o fato de a empresa não estar localizada em seu  endereço cadastrado no sistema da Receita Federal (e estar situada em local não sabido); iii) o  fato  de  a mesma  ter  efetuado  alteração  do  seu  objeto  social,  excluindo  do  contrato  social  a  atividade  contábil  quando  ainda  a  exercia;  iv)  o  fato  de  nem  a  empresa  nem  o  Sr.  Marco  Aurélio  terem  conseguido  comprovar  a  destinação  dos  pagamentos  efetuados.  A  conclusão  tomada foi a de que:   Ante o conjunto de circunstâncias mencionadas nos parágrafos  precedentes,  está  solidamente  demonstrado  que  a  infração  apurada  se  enquadra,  em  tese,  na  hipótese  de  ilícito  penal  tributário  previsto  no  artigo  71,  inciso  II,  da  Lei  n°  4.502,  de  1964.  Segue­se  também  que  se  justifica  a  aplicação  da  penalidade qualificada de 150%.  Além de todos os motivos já salientados no Termo de Verificação Fiscal e na  decisão recorrida, deve ser ressaltado o fato de que o Sr. Marco Aurélio – a despeito de não ser  mais  formalmente  o  sócio  da  pessoa  jurídica  em  tela  (usando  nomes  de  terceiros  que  não  exerciam efetivamente a administração da pessoa jurídica), era o verdadeiro responsável pelos  pagamentos sem causa efetuados, ao mesmo tempo em que era beneficiário dos mesmos.  Por tudo isso, a qualificação é de ser mantida.  Responsabilização pessoal do Sr. Marco Aurélio  Este  tópico  já  foi  objeto  de  análise  acima,  quando  se  tratou  do  termo  de  sujeição passiva solidária, razão pela qual não há necessidade de apreciá­lo novamente.  Comprovação dos pagamentos  O  último  tópico  suscitado  pela  Recorrente  diz  respeito  à  comprovação  dos  beneficiários dos pagamentos efetuados. Afirma, de forma genérica, que todos os pagamentos  por ela efetuados não poderiam ter sido desconsiderados, sob pena de presumir­se que nenhum  custo ou despesa ela teve, quando isso não corresponde à realidade.  Tal pedido, porém, não merece acolhida.  Primeiramente  por  ser  excessivamente  genérico,  já  que  para  comprovar  os  beneficiários  e  as  causas  dos  pagamentos  por  ela  efetuados,  caberia  a  ela  comprovar  documentalmente  cada  um  destes  pagamentos,  apontando  –  um  a  um  ­  os  respectivos  beneficiários e causas. Não tendo agido assim, não há como reputar comprovada a causa dos  mesmos.  Além disso, a decisão recorrida já tratou de esclarecer as razões pelas quais o  Livro Caixa de fls. 254/266 não poderia ser utilizado como prova, sendo certo que caberia à  Recorrente ter trazido a documentação que lastreasse as informações lá escrituradas, sob pena  das mesmas não serem acolhidas por esta Turma Julgadora.   Sem as provas das causas dos pagamentos que deram origem ao lançamento,  está o mesmo correto e deve ser mantido por seus próprios fundamentos.  Diante  do  exposto, VOTO  no  sentido  de REJEITAR  as  preliminares  e,  no  mérito, NEGAR provimento ao Recurso.  Assinado Digitalmente   Fl. 766DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.015129/2008­20  Acórdão n.º 2102­003.014  S2­C1T2  Fl. 406          23 Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti                                 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 02/08/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS

score : 1.0
5596151 #
Numero do processo: 11060.003548/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2007 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. Faz-se configurada a ciência do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva impugnação. AUSÊNCIA DE MPF ACOSTADO AOS AUTOS. MPF EMITIDO POR MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO À época dos fatos, a emissão de MPF se dava por meio eletrônico, motivo pelo qual a sua ausência nos autos não importa em nulidade do auto de infração. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. DECADÊNCIA. DEPÓSITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento, ainda que parcial, do valor exigido, aplicando-se para fins de decadência o art. 173, I do CTN. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio nas instâncias administrativas. MULTA POR DEIXAR DE DECLARAR OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. DISCUSSÃO TRAVADA EM PROCESSO ESPECÍFICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTES AUTOS Tendo o contribuinte sofrido autuação para a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP, dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, tal matéria deve ser decidida no processo específico. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2007 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. Faz-se configurada a ciência do contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva impugnação. AUSÊNCIA DE MPF ACOSTADO AOS AUTOS. MPF EMITIDO POR MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO À época dos fatos, a emissão de MPF se dava por meio eletrônico, motivo pelo qual a sua ausência nos autos não importa em nulidade do auto de infração. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE VALORES NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos anexos do relatório fiscal se encontram discriminados os valores considerados pela autoridade fiscal para formalizar a autuação, as situações que deram causa à incidência da contribuição previdenciária bem como a explicação detalhada dos motivos que levaram a fiscalização a autuar a Recorrente. DECADÊNCIA. DEPÓSITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento, ainda que parcial, do valor exigido, aplicando-se para fins de decadência o art. 173, I do CTN. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio nas instâncias administrativas. MULTA POR DEIXAR DE DECLARAR OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. DISCUSSÃO TRAVADA EM PROCESSO ESPECÍFICO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTES AUTOS Tendo o contribuinte sofrido autuação para a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP, dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, tal matéria deve ser decidida no processo específico. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11060.003548/2010-01

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5373886

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2402-004.088

nome_arquivo_s : Decisao_11060003548201001.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

nome_arquivo_pdf_s : 11060003548201001_5373886.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.

dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014

id : 5596151

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:07 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047033398427648

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11060.003548/2010­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.088  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de maio de 2014  Matéria  Contribuições Previdenciárias  Recorrente  COOPERATIVA TRITÍCOLA SANTIAGUENSE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2007  PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  As  provas  devem  ser  apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos  casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial  realizado  sem atender aos requisitos legais. Consequentemente, não há que se falar em  cerceamento de defesa.  AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO  ELETRÔNICA. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE.  Faz­se  configurada  a  ciência  do  contribuinte  do Mandado de Procedimento  Fiscal diante da sua disponibilização por meio eletrônico e da sua respectiva  impugnação.  AUSÊNCIA  DE  MPF  ACOSTADO  AOS  AUTOS.  MPF  EMITIDO  POR  MEIO ELETRÔNICO. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO  À época dos  fatos,  a emissão de MPF  se dava por meio  eletrônico, motivo  pelo  qual  a  sua  ausência  nos  autos  não  importa  em  nulidade  do  auto  de  infração.  NULIDADE  PELA  AUSÊNCIA  DE  DISCRIMINAÇÃO  DE  VALORES  NA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Nos  anexos  do  relatório  fiscal  se  encontram  discriminados  os  valores  considerados pela  autoridade  fiscal  para  formalizar a  autuação,  as  situações  que  deram  causa  à  incidência  da  contribuição  previdenciária  bem  como  a  explicação  detalhada  dos  motivos  que  levaram  a  fiscalização  a  autuar  a  Recorrente.  DECADÊNCIA.  DEPÓSITO.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  PARCIAL. REGRA DO ART. 173, I DO CTN.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 35 48 /2 01 0- 01 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES     2  Não se equipara o depósito judicial sem conversão em renda ao pagamento,  ainda que  parcial,  do  valor  exigido,  aplicando­se  para  fins  de  decadência  o  art. 173, I do CTN.  PROPOSITURA  DE  AÇÃO  JUDICIAL  COM  O  MESMO  OBJETO.  RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA  A  existência  ou  propositura,  pelo  sujeito  passivo,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto  do  lançamento  importa  em  renúncia  ou  em  desistência  do  litígio nas instâncias administrativas.  MULTA  POR  DEIXAR  DE  DECLARAR  OS  FATOS  GERADORES  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  EM  GFIP.  DISCUSSÃO  TRAVADA  EM  PROCESSO  ESPECÍFICO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  ANÁLISE NESTES AUTOS  Tendo  o  contribuinte  sofrido  autuação  para  a  exigência  de  multa  pelo  descumprimento de obrigação acessória relativa a não declaração, em GFIP,  dos  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  tal  matéria  deve  ser  decidida no processo específico.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.       Julio César Vieira Gomes ­ Presidente      Nereu Miguel Ribeiro Domingues ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo,  Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/2010­01  Acórdão n.º 2402­004.088  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se de auto de infração constituído em 23/11/2010 (fl. 3), decorrente de  lançamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos (0,2% ­ SENAR – Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Rural),  incidentes  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização da produção rural adquirida pela Cooperativa Regional Tritícola Santiaguense  Ltda  de  produtores  rurais  pessoas  físicas  a  ela  associados  e  de  terceiros,  em  competências  compreendidas entre 03/2005 a 08/2008.  A autoridade fiscal deixou de lançar multa de ofício, ocasião em que apenas  fora lançada a multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento).  O  Recorrente  interpôs  impugnação  (fls.  47­99)  requerendo  a  total  improcedência do lançamento.   A  d. Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em  Porto Alegre­RS,  ao  analisar o presente caso (fls. 235­244), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) é  válida  prorrogação  de Mandado  de  Procedimento  fiscal,  desde  que  não  esteja  extinto;  (ii)  a  produção de provas pericial deve observar a legislação atinente – seu indeferimento não pode  ter como escopo a supressão de oportunidade perdida para tanto por parte do contribuinte; (iii)  inexistente a decadência ao caso.  A Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 249­268) argumentando que:  (i)  fora  indeferida produção de prova pericial  –  consequente  cerceamento de defesa;  (ii)  que  restou ausente o Mandado de Procedimento Fiscal;  (iii) não houve fundamentação específica  para  a  procedência  do  Auto  de  Infração;  (iv)  a  pretensão  fazendária  está  fulminada  pela  decadência;  (v) o  tributo  em exigência  é  inconstitucional;  (vi)  inexiste declaração  inexata de  GFIP; e (vii) não lhe fora aplicada a multa mais benéfica ao caso.  É o relatório.  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES     4    Voto             Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator  Primeiramente,  cabe  mencionar  que  o  presente  recurso  é  tempestivo  e  preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  Indeferimento do pedido de perícia. Ausência de violação a princípios constitucionais  Preliminarmente,  a  Recorrente  alega  que  a  decisão  recorrida  deve  ser  anulada,  por  ofensa  ao  devido  processo  legal,  ao  princípio  da  razoabilidade  e da  legalidade,  posto  que  indeferiu  o  pedido  de  perícia  solicitado  para  que  todas  as  suas  alegações  fossem  devidamente apreciadas.  Entende a Recorrente que se o contribuinte arguiu a necessidade de perícia,  não pode a autoridade administrativa eximir­se de cumpri­la.  Sustenta  ainda  que,  no  presente  caso,  a  perícia  seria  totalmente  necessária,  pois demonstraria, de modo cabal, que as bases de cálculo identificadas pela fiscalização são  improcedentes, tendo gerado um tributo muito maior que o devido.  No  entanto,  é  importante  pontuar  que  os  valores  consubstanciados  no  relatório de lançamentos foram apurados pelo auditor fiscal de acordo com os documentos que  foram encontrados na empresa, transferindo à Recorrente, a partir daí, o ônus de provar que a  incidência da contribuição previdenciária sobre tais valores não merece prosperar.  Assim,  através  de  argumentos  genéricos  quanto  a  um  suposto  erro  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  tributo,  percebe­se  que  a  Recorrente  busca  instaurar  perícia  para “refazer” o trabalho dos auditores fiscais, sem embasamento legal, o que não se admite.  As alegações de que o indeferimento de prova pericial ofende o princípio do  devido processo legal, da legalidade e da verdade material, são totalmente insubsistentes, posto  que foi dado prazo legal para que toda a matéria de defesa fosse alegada pela Recorrente, não  podendo os órgãos da administração fazendária se subsumir à vontade do contribuinte, sem que  haja embasamento plausível para tanto.  Da impugnação e do recurso apresentados pelo contribuinte nota­se que ele  não  traz  uma  única  competência  onde  a  fiscalização  teria  cometido  qualquer  equívoco  na  apuração da base de cálculo.  Muito embora se reconheça que, em determinados casos, o prazo de 30 dias  pode ser curto para se colacionar todas as provas para a apuração do direito alegado, é mister  destacar que o contribuinte não teve apenas os 30 dias de prazo da impugnação para realizar tal  mister. Ainda que a prova que o contribuinte diz ser essencial não pudesse ser produzida nesse  curto  espaço  de  tempo,  não  era  vedado  ao  contribuinte  vir  aos  autos,  mesmo  que  após  o  protocolo  da  sua  impugnação,  e  demonstrar,  através  de  documentos,  ainda  que  de  forma  exemplificativa,  o  equívoco  que  alega  ter  cometido  a  fiscalização,  realizando  o  devido  cotejamento do seu alegado direito com as provas apresentadas.   Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/2010­01  Acórdão n.º 2402­004.088  S2­C4T2  Fl. 4          5 Não há, portanto, procedência na alegação de nulidade da decisão recorrida  por indeferir o pedido de produção de prova pericial.  Da suposta nulidade pela ausência de Mandado de Procedimento Fiscal   A  Recorrente  traz  na  impugnação  a  alegação  de  que  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  não  fora  juntado  aos  autos.  Consequentemente,  alega  que  os  efeitos seriam os mesmos de sua inexistência.  Todavia,  o  MPF  foi  emitido  exclusivamente  de  forma  eletrônica  e  disponibilizado  na  internet  com  a  utilização  de  código  de  acesso  consignado  no  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  constante  às  fls.  39  do  Processo  Administrativo  Fiscal  11060.003550/2010­72,  anexo  (como,  aliás,  pode­se  confirmar  ainda  hoje mediante  consulta  no endereço eletrônico da Receita Federal).   Nesse  tocante,  ressalta­se  que  a  Portaria  RFB  nº  11.371/07,  que  dispunha  sobre  o  planejamento  das  atividades  fiscais  e  estabelecia  normas  para  a  execução  de  procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do  Brasil, vigente à época da autuação, estabelecia o seguinte:  “Do Mandado de Procedimento Fiscal  Art.  4º  O  MPF  será  emitido  exclusivamente  em  forma  eletrônica  e  assinado  pela  autoridade  outorgante,  mediante  a  utilização  de  certificado  digital  válido,  conforme  modelos  constantes dos Anexos de I a III desta Portaria.  Parágrafo  único. A  ciência  pelo  sujeito  passivo  do MPF,  nos  termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 ,  com  redação  dada  pelo  art.  67  da  Lei  nº  9.532,  de  10  de  novembro  de  1997  ,  dar­se­á  por  intermédio  da  Internet,  no  endereço  eletrônico  www.receita.fazenda.gov.br,  com  a  utilização  de  código  de  acesso  consignado  no  termo  que  formalizar o início do procedimento fiscal.”  Analisando­se  o  MPF  disponível  no  site  da  Receita  Federal  do  Brasil,  é  possível extrair ainda as seguintes informações:  ·  Emissão: 19/09/2008, com vencimento em 17/01/2009 (120 dias)  ·  1ª Prorrogação por 60 dias: até 18/03/2009;  ·  2ª Prorrogação por 60 dias: até 17/05/2009;  ·  3ª Prorrogação por 60 dias: até 16/07/2009;  ·  4ª Prorrogação por 60 dias: até 14/09/2009;  ·  5ª Prorrogação por 60 dias: até 13/11/2009;  ·  6ª Prorrogação por 60 dias: até 12/01/2010;  ·  7ª Prorrogação por 60 dias: até 13/03/2010;  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES     6  ·  8ª Prorrogação por 60 dias: até 12/05/2010;  ·  9ª Prorrogação por 60 dias: até 11/07/2010;  ·  10ª Prorrogação por 60 dias: até 09/09/2010;  ·  11ª Prorrogação por 60 dias: até 08/11/2010;  ·  12ª Prorrogação por 60 dias: até 07/01/2011.  Não há que se falar, assim, igualmente, em vício no lançamento pelo fato de  não ter ocorrido prorrogações no prazo de vigência do respectivo MPF.  Por fim, ainda no tocante ao tema nulidade do procedimento de fiscalização,  é  preciso  afirmar  que  o  contribuinte  foi  cientificado  do  encerramento  da  ação  fiscal  e  da  autuação em 24/11/2010 (Auto de Infração, fls. 3, e Termo de Encerramento do Procedimento  Fiscal  –  TEPF,  fls.  47  do  Processo  Administrativo  Fiscal  11060.003550/2010­72,  anexo),  antes, portanto, do vencimento da última prorrogação, obedecendo ao parágrafo único do artigo  14 da Portaria RFB nº 11.371/2007.  Logo, não há que se falar em nulidade da autuação, visto que observados os  requisitos legais.   Fundamentação do Auto de Infração ­ Da suposta ausência de discriminação dos valores  autuados  A  Recorrente  sustenta  que  houve  falha  na  fundamentação  da  presente  autuação, que fora impossível de se identificar os valores exatos da autuação e que o auto de  infração não menciona a qual processo administrativo fiscal estaria relacionado.  Analisando o processo, verifica­se que às fls. 37­42 constam o relatório fiscal  e  os  seus  anexos,  onde  se  encontram  discriminados  os  valores  considerados  pela  autoridade  fiscal  para  formalizar  a  autuação,  as  situações que deram causa  à  incidência da  contribuição  previdenciária,  bem  como  a  explicação  detalhada  dos motivos  que  levaram  a  fiscalização  a  autuar a Recorrente.  Está claro pela análise do processo que a autuação versa sobre contribuições  devidas  à  outras  entidades  e  fundos  (0,2%  ­  SENAR  –  Serviço Nacional  de Aprendizagem  Rural,  incidente  sobre  a  comercialização  de  produção  rural  adquirida  pela  cooperativa,  de  produtores rurais pessoas físicas a ela associados e de terceiros.  Ainda,  importante  salientar  que  o  Auto  de  Infração  previdenciário  é  identificado pelo número do Debcad – de conhecimento do Recorrente, tanto é que o citou em  sua impugnação ­, de modo que a ausência de indicação de número do processo administrativo,  ainda que isso tivesse ocorrido, não implicaria em invalidade do ato, motivo pelo qual não há  que  se  falar  em nulidade do  lançamento,  até mesmo porque não houve  qualquer prejuízo  ao  contribuinte em sua defesa.   Da Decadência  A  Recorrente  defende  que  parte  da  pretensão  fazendária  estaria  fulminada  pela decadência – competências de 03/2005 a 10/2005, vez que o Auto de Infração foi lavrado  em 23/11/2010.  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11060.003548/2010­01  Acórdão n.º 2402­004.088  S2­C4T2  Fl. 5          7 Invoca,  para  tanto,  o  art.  150,  §  4º  do  CTN,  sustentando  que  houve  o  pagamento oportuno do valor devido.  Contudo,  analisando­se  os  autos  constatou­se,  através  do  Relatório  Discriminativo  do  Débito,  juntado  às  fls.  11­21,  que  não  houve  pagamento  antecipado  de  qualquer valor a título das contribuições ora exigidas, não havendo também nos autos qualquer  documento que comprove esse recolhimento.  Verifica­se,  igualmente,  que  não  houve  conversão  em  renda  dos  depósitos  judiciais  realizados  pelo  contribuinte  nos  autos  da  Ação  Judicial  nº  2008.71.00.029821­1,  proposta pelo contribuinte para contestar a exigência da contribuição autuada, não havendo que  se falar, portanto, em pagamento antecipado para fins de aplicação do art. 150, § 4º do CTN.  Como  não  houve,  de  qualquer  forma,  o  pagamento  antecipado,  aplica­se  o  disposto no art. 173, I do CTN, segundo o qual o prazo de 5 anos para a lavratura do respectivo  auto de  infração passa  a  ser contado do primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia ter sido efetuado. Veja­se:  “Art.  173. O  direito  de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;”  Identificado  o  dispositivo  legal  de  regência  para  a  contagem  do  prazo  decadencial no presente caso, tomemos como base o primeiro e mais antigo lançamento objeto  da fiscalização, que remonta à competência de 03/2005, para verificar se a ação fiscal estaria  fulminada pela decadência.  Nos  termos  do  inciso  I  do  supracitado  dispositivo,  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  para  a  exigência  da  contribuição  não  recolhida,  referente  à  competência  03/2005,  seria  01/01/2006,  primeiro  dia do  exercício  seguinte  àquele  em que  o  lançamento poderia ter sido efetuado (ano de 2005).   Levando­se adiante o raciocínio e completando com o que determina o caput  do artigo, o  termo final para o  lançamento do crédito seria 5 anos após 01/01/2006. Ou seja,  01/01/2011.  Como  o  auto  de  infração  foi  lavrado  em  11/2010,  não  há  que  se  falar  em  decadência  da  exigência,  haja  vista  ter  decorrido  4  anos  e  11 meses  do  termo  a quo  para  a  contagem do prazo decadencial relativo ao fato gerador mais remoto da autuação, motivo pelo  qual deve subsistir o crédito em favor da Fazenda Nacional.   Inconstitucionalidade do Tributo e Inexistência de Declaração Inexata (GFIP)  Traz a Recorrente o argumento de que seria inconstitucional a exigência das  contribuições  em  apreço.  Pretende,  inclusive,  a  declaração  de  inconstitucionalidade  dos  tributos por intermédio da Ação Judicial nº 2008.71.00.29821­1.  Ocorre, no entanto, que a existência ou propositura, pelo Recorrente, de ação  judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência do litígio  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES     8  nas  instâncias  administrativas,  nos  termos  do  parágrafo  único  do  art.  38  da  Lei  6.830/80,  verbis:  Parágrafo  Único  ­  A  propositura,  pelo  contribuinte,  da  ação  prevista neste artigo (mandado de segurança, ação de repetição  do  indébito ou ação anulatória)  importa  em renúncia ao poder  de  recorrer  na  esfera  administrativa  e  desistência  do  recurso  acaso interposto. Parênteses nossos.  Nesse sentido, prosseguirão no processo administrativo discussões apenas em  relação  às  matérias  distintas  da  constante  do  processo  judicial.  Por  isso,  as  alegações  de  inconstitucionalidade  não  serão  abordadas  nesse  julgamento,  haja  vista  a  sua  submissão  ao  Poder Judiciário.   No tocante à alegação do contribuinte quanto à ausência de descumprimento  de obrigação acessória (apresentar as GFIP’s com dados não correspondentes a todos os fatos  geradores),  verifica­se  que  tal  discussão  está  sendo  tratada  em  processo  próprio  (Processo  Administrativo nº 11060.003545/2010­60, AI Debcad nº 37.256.915­3, CFL 68), não cabendo,  portanto, qualquer manifestação a respeito desta questão neste processo.  O mesmo vale em relação à exigência de contribuição previdenciária que foi  depositada  judicialmente  pelo  sujeito  passivo,  vez  que  foram  objeto  de  outros  lançamentos  (Processo Administrativo  nº  11060.003546/2010­12,  AI  Debcad  nº  37.256.917­0  e  Processo  Administrativo nº 11060.003549/2010­48, AI Debcad nº 37.256.918­8).  Diante  do  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  do  recurso  para,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  ficando  suspensa  a  cobrança  na  origem  até  a  conclusão do processo principal nº 11060.003549/2010­48.  É o voto.    Nereu Miguel Ribeiro Domingues.                            Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES

score : 1.0