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Numero do processo: 16020.000198/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, e estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revela-se inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa ao instituto alegado.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, e estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revela-se inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa ao instituto alegado. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
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IMPROCEDÊNCIA. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, e estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revelase inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa ao instituto alegado. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 01 98 /2 00 7- 16 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 02 de outubro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 16020.000194/200720, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário apresentado por ELLENCO CONSTRUÇÕES LTDA. em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal, a recorrente foi tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção civil, em especial os serviços prestados por subempreiteira por cada prestador de serviço. O relatório recorrido dispõe o seguinte: "Constituiu fato gerador das contribuições lançadas a remuneração devida aos segurados empregados da empresa Antônio Carlos Martins Capela do Alto ME que prestaram serviços em obras de construção civil da Ellenco Construtora`Ltda., no período de 01/1997 a 07/1998. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais prestação de serviços. O crédito foi constituído em nome da Ellenco Construtora Ltda., com fundamento na responsabilidade solidária do construtor com as subempreiteiras, prevista no artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91. As contribuições lançadas foram objeto de crédito previdenciário anteriormente constituído, mas anulado, em razão de vício formal, pelo' Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS (Acórdão n° 608/2006), com decisão definitiva em 26/04/2006. A empresa Ellenco Construtora Ltda apresentou impugnação, acompanhada de documentos, requerendo a nulidade do lançamento por falta de motivação e, subsidiariamente, a procedência parcial do lançamento em Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 4 3 razão da ausência da responsabilidade solidária da impugnante e dos serviços contratados não se enquadrarem na definição de obra de construção civil, sob os seguintes argumentos: Ausência de motivação O artigo 37, caput da Lei n° 8.212/91, estabelece que a NFLD deve discriminar, de forma clara e precisa, os fatos geradores de contribuição previdenciária. A motivação do ato administrativo foi alçada a princípio pelo artigo 2° da Lei n° 9.784/99. O lançamento foi efetuado em nome da impugnante (responsável solidária) em razão desta não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelas subempreiteiras que contratou para executar obras de construção civil. A imposição dessa responsabilidade solidária depende da comprovação da ocorrência do fato gerador, ou seja, que a subempreiteira executou obra de construção civil. Contudo, a fiscalização não comprovou que os serviços contratados pela impugnante enquadravamse como obra de co trução civil, apenas presumiu essa situação, valendo se do artigo 33, § 3° da Lei n° 8.212/91 O fato do contribuinte não apresentar a documentação requisitada pela fiscalização não permite a esta praticar o lançamento sem qualquer atividade investigatória. Modificase apenas a qualidade da prova. Ao invés da prova direta, a fiscalização pode se valer da prova indireta, pela verificação de indícios da ocorrência do fato gerador. Entretanto, sequer a prova indiciária foi investigada pela fiscalização. Ela apenas verificou os livros Diário da impugnante, eximindose de verificar as notas fiscais de serviços que descreviam as atividades executadas pelas empresas terceirizadas. Não há nos autos qualquer prova de que os serviços contratados pela impugnante figuram como obra de construção civil. A indicação do nome da empresa terceirizada não constitui fato que, por si só, convença da existência da execução de obra de construção civil. Ausência de fundamentação legal Por não ter investigado a realidade dos serviços contratados pela impugnante e por esta ser uma empresa construtora, a fiscalização supôs que todos os serviços que ela subempreita são obras de construção civil. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 5 4 Conforme definição estabelecida pela legislação tributária complementar vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (Ordem de Serviço INSS/DAF n° 165/1997). obra de construção civil é a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo. Ao se examinar a inscrição da empresa terceirizada no CNP.l/MF e as atividades descritas na planilha que instrui o Relatório Fiscal, é possível formar convicção de que ela não executou obra de construção civil, e sim locação de equipamentos mecânicos. Por se tratar de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. a responsabilidade solidária do contratante decorre do artigo 31 e não do artigo 30, Vl da Lei 8.212/91. A Entretanto, não está registrado no Relatório Fiscal, e tampouco. na planilha Fundamento Legais do Débito, a fundamentação legal que autoriza o lançamento em nome do tomador de serviços de cessão de mão de obra. A omissão de fundamentação legal configura vicio insanável e implica em nulidade do lançamento. Inexistência de responsabilidade solidária Ao lançamento deve ser aplicada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. A responsabilidade solidária do construtor com o subempreiteiro apenas adveio com a Lei n° 9.528/97. Em sua redação original, o artigo 30. Vl da Lei n° 8.212/9l somente previa responsabilidade solidária entre o proprietário. o incorporador, o dono da obra ou o condômino. Assim, para o período anterior à Out/ 1997, não existe fundamento legal que autorize a fiscalização a responsabilizar o proprietário incorporador, dona da obra ou condômino com o subempreiteiro. É nulo de pleno direito qualquer ato administrativo regulamentar que estabeleça a responsabilidade solidária entre as partes, em especial, o itein 15 da Os INSS/DAF n° 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124, ll do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). INSS/DAF n° 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124, ll do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 6 5 A despeito disso, a fiscalização responsabilizou à impugnante pelas obrigações previdenciárias descumpridas pela subempreiteira de obra de construção civil, relativas ao período de 01/1997 a 07/1998. Inaplicabilidade do artigo 124, I do CTN Caso, ainda, o sujeito ativo pretenda convalidar o lançamento com fundamento no artigo 124, l do CTN, isso não será permitido, pois este dispositivo não foi informado como fundamento legal do lançamento. Inexatidão da base de cálculo De acordo com o capítulo Vl da OS INSS/DAF n° 51/1992 e com o capítulo V da OS INSS/DAF n° 165/1997, a aferição da base de cálculo deve levar em consideração a utilização de equipamentos mecânicos pela subempreiteira. Embora a subempreiteira tenha executado serviços de terraplenagem, o que reduziria a aferição da base de cálculo para 5% do valor da nota fiscal de serviços, esse limite não foi respeitado no lançamento. Portanto, ele deve ser retificado. A empresa Antônio C`arlos1Martins Capela do Alto ME, regularmente notificada, não apresentou impugnação. Remetidos aos autos a DRF de origem para que a autoridade lançadora indicasse os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil, ela apresentou Relatório Fiscal Complementar, acompanhado de documentos, na qual precisou os motivos adotados para fundamentar o lançamento. A Ellenco Construtora Ltda, regularmente cientificada do resultado da diligência. manifestouse pela nulidade do lançamento, sob os seguintes argumentos: A motivação inicial do ato administrativo não pode ser modificada após a sua lavratura. Caso a motivação inicial seja insuficiente, o ato administrativo deve ser declarado nulo. Não obstante, a informação fiscal apresentou motivação sem fundamento em fatos, apenas em especulações da autoridade administrativa. São três os motivos apresentados pela fiscalização: a terceirização do serviço pressupõe sua vinculação á atividade fim da impugnante; a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE; e o fato da impugnante não fazer prova do contrário. Contudo, existem inúmeras atividadesmeio que podem ser terceirizadas (p.ex limpeza, manutenção e segurança); o CNAE não pode ser aceito como legislação tributária (art. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 7 6 100 do CTN). devendo prevalecer a definição do item l da OS INSS/DAF n° 165/97, vigente à época dos fatos geradores; e 0 ônus probatório é sempre da autoridade administrativa, que é obrigada a investigar a ocorrência dos fatos geradores. A fiscalização afirma que faz prova da natureza dos serviços pelas cópias de livro Razão da impugnante, porém, a escrituração contábil não serve como elemento probatório dos serviços prestados por terceiros, porquanto não descreve os serviços tomados pela impugnante. A empresa Antônio Carlos Martins Capela do Alto ME, regularmente cientificada do resultado da diligência, não se manifestou". Em recurso voluntário a recorrente reproduz as mesmas razões de primeira instância, acrescentando o seguinte: NFLD. Nulidade absoluta. Modificação dos motivos determinantes. a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); Alega a decadência em razão de nova decisão administrativa; A elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 02 de outubro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 16020.000194/200720, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 02 de outubro de 2018: Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE ALEGADA Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 8 7 A recorrente sustenta a nulidade do auto de infração, alegando que não há indicação das descrições dos fatos, necessários para lavratura do referido auto, bem como alteração dos motivos determinantes, em desobediência ao que prescreve o art. 10º, inciso III, do Decreto lei ° 70.235/72. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Já o art. 60, do Decreto 70.235/1972, in fine, menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como identificou elementos que pudessem chegar às conclusões do lançamento. Conforme o relatório fiscal, constatase que: "Trata o presente de créditos apurados em favor da Seguridade Social, devidos pela empresa supra, referentes à parte patronal e empregados, excluídas as contribuições de Outras Entidades Terceiros, tendo em vista tratarse de debito de responsabilidade solidária, de acordo com o contido no Art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91 e Art. 42, caput do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173, de 05/03/1997 ( Nesta ação fiscal reportarse também ao anexo FLD Fundamentos Legais do Débito". Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 9 8 De todo o andamento processual, verificase que o lançamento fiscal foi anulado em razão de vício formal, e que posteriormente, seguiu sua marcha processual normalmente. Entretanto, o vício formal não alterou o critério jurídico adotado para autuação fiscal. Por outro lado, ao realizar a especificação do Lançamento, em sede de diligência fiscal, a autoridade administrativa apontou o seguinte: “ DA DILIGÊNCIA Retorna o presente processo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Ribeirão Preto (SP), com as seguintes solicitações: A) Solicitase que...“a autoridade fiscal Lançadora indique os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil” (sic); B) Junte, quando possível, os elementos de prova que possuir. C) Do resultado da diligência deverá ser cientificada a interessada para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias. II DA INFORMAÇÃO FISCAL em face dos quesitos solicitados, passamos às informações correspondentes: A) Os motivos que levaram a autoridade fiscal a concluir que os serviços prestados pela empresa prestadora de serviço foram prestados na atividade de construção civil, estão demonstrados, inicialmente, pela própria atividade fim da defendente, bem como, na atividade da contratada. A.1) A Ellenco tem como atividade principal, conforme seu contrato social, o ramo de engenharia Elétrica e civil, envolvendo: construções elétricas, telefônicas, civis por administração, civis por conta própria, projetos, serviços topográficos, Comércio de materiais de construção civil, elétricos e telefônicos, Terraplanagem, compra e venda de imóveis, pavimentação asfáltica, serviços de construção e recuperação de pontes, viadutos, passarelas, galerias, obras em concreto armado ou protendido em geral e serviços correlatos; Usina de Massa Asfáltica; Serviços de Limpeza Urbana e Gestão de Aterros. A.2) Com certeza, para o cumprimento de suas atividades, indicadas em seu contrato social, a defendente, até por uma questão de demanda, precisou “terceirizar” suas atividades, e para essa tarefa não poderia contratar outra empresa que não estivesse intimamente associada à atividade da tomadora que, por conseguinte, esta relacionada à construção civil" A.2.1) Antes de qualquer citação de que a defendente não contratou apenas empresas ligadas à construção civil, deixamos claro que estamos nos atendo às empresas prestadoras de serviços que a fiscalização verificou e constatou a correlação entre o serviço prestado e a atividade de construção civil. A.3) A autoridade fiscal, além dos motivos mencionados, utilizouse, naturalmente, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 10 9 CNAE, também denominada "CÓdigo CNAE", divulgada pela Resolução n° 54, de 19 de dezembro de 1994, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, publicada no Diário Oficial em 26 de dezembro de 1994, da qual transcrevemos a parte relacionada à construção: F CONSTRUÇÃO 45 construção 45.1 preparação do terreno 45.110 demolição e preparação do terreno 45.128 perfurações e execução de fundações destinados a construção civil 45.136 grandes movimentações de terra 45.2 construção de edifícios e obras de engenharia civil 45.21 7 edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) inclusive ampliação e reformas completas 45.225 obras viárias inclusive manutenção 45.233 grandes estruturas e obras de arte 45.241 obras de urbanização e paisagismo 45.250 montagens industriais 45.292 obras de outros tipos 45.3 obras de infraestrutura para engenharia elétrica. eletrônica e engenharia ambiental 45.31 4 construção de barragens e represas para geração de energia elétrica 45.322 construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica 45.330 construção de estações e redes de telefonia e comunicação ' 45.349 construção de obras de prevenção e recuperação do meio ambiente 45.4 obras de instalações 45.411 instalações elétricas 45. 420 instalações de sistemas de ar condicionado, de ventilação e refrigeração 45.438 instalações hidráulicas, sanitárias. de gás, de sistema de prevenção contra incêndio, de páraraios. de segurança e alarme 45.497 outras obras de instalações 45.5 obras de acabamentos e serviços auxiliares da construção 45.51 9 alvenaria e reboco 45.527 impermeabilização e serviços de pintura em geral 45.594 outros serviços auxiliares da construção” Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 11 10 Das informações prestadas, é possível compreender exatamente os serviços que foram prestados, sendo possível, portanto, identificar os elementos que levaram a fiscalização a realizar o Lançamento fiscal. Nesses termos, estando o lançamento formalmente adequado, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, onde foram corrigidas formalidades necessárias, revelase inviável falar em nova nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. DO MÉRITO DA DECADÊNCIA Nesse quesito, a recorrente alega o seguinte: "Não assiste razão à autoridade administrativa, e tampouco à autoridade julgadora, ao defender que, uma vez anulado o lançamento por vício formal, a Fazenda tem um novo prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. O artigo 173, inciso II do CTN não estabelece uma hipótese de interrupção do prazo decadencial para a constituição do crédito, o que, data vênia, seria uma violação ao princípio jurídico elementar de que a decadência não se interrompe. Além da fragilidade deste raciocínio, caso prevaleça, estarseia submetendo contribuinte ao exclusivo arbítrio do sujeito ativo, o que não pode ser admitido. Se ele pratica lançamentos fiscais formalmente nulos, o contribuinte não pode aguardar ad eternum que o sujeito ativo aprenda a praticar seu munus, respeitando as prerrogativas do contribuinte". Como visto, o lançamento fiscal foi anulado, por vício formal, o que possibilita ao fisco realizar novo lançamento. Nesse sentido, o art. 173, inciso II, do CTN dispõe o seguinte: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Nesse sentido, é claro o dispositivo citado de que a fazenda tem o poder dever de realizar novo lançamento dentro do prazo de cinco anos, contados da decisão que anular, por vício formal, o lançamento. A decisão que anulou a primeira NFLD foi proferida em 26 de abril de 2006, e a recorrente se manifestou novamente em março de 2009 (efl. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 12 11 109). Portanto, dentro do prazo quinquenal a que poderia intimar a responsável para sua manifestação. DA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO E DA BASE DE CÁLCULO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA A fiscalização identificou valores a serem recolhidos para a Seguridade Social. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais prestação de serviços. Nesse sentido, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) Conforme a diligência fiscal realizada, foram lançadas as seguintes informações: A.4) A defendente tenciona demonstrar que os serviços selecionados pela autoridade fiscal para a apuração do presente débito não estão relacionados à atividade da construção civil, no entanto em nenhum momento ela descreve a que tipo de atividade a prestadora de serviços efetuou o seu trabalho. Nem sequer trouxe aos autos qualquer evidência de que os serviços estiveram atrelados à outra atividade. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 13 12 B) No que tange aos elementos de prova, na presente diligência, intimamos a Ellenco a fornecer cópias das notas fiscais relacionadas nos autos, bem como a apresentação dos Livros contábeis concernentes ao período de O1/2006 O1/2009. A defendente não nos apresentou a totalidade das notas fiscais, mas, as que foram apresentadas demonstram, por amostragem, o tipo de serviço prestado. B.1) Juntamos, também, aos autos, cópias de folhas extraídas dos Livros Razão, conforme o período, dos anos de 1996 a 1998, demonstrando os lançamentos contábeis relacionados aos valores apurados nessa NFLD, também por amostragem, conforme seguem Livro Razão 96 fls. 209, 210, 245, 248 e 253 Livro Razão 98 fls. 222 e 317. B.2.) Solicitada à empresa a informação a respeito de contrato de prestação de serviços que, eventualmente, poderia ter sido elaborado entre a tomadora e a prestadora, ela nos apresentou a declaração (juntamos aos autos) informando que: “os contratos, referentes ao T/PF n° 0811000.2008.0057, não foram reduzidos a termo, porquanto foram celebrados verbalmente.” No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. Igualmente, conforme se verifica do Lançamento o montante foi arbitrado em razão das informações prestadas e também omitidas pela recorrente. Nesse sentido, a recorrente alega que há insuficiência probatória dos documentos acostados aos autos, diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 14 13 cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 15 14 Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO Fl. 201DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 16 15 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mãode obra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriode contribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, cabe transcrever aqui, também, o item 12 e 13 do relatório fiscal: "12. Constituem fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento do crédito, pagamentos efetuados a várias Sub empreiteiras, cujas guias vinculadas não foram fornecidas e com recolhimentos verificados através da Conta Corrente (INSS) estando Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 202DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 17 16 zerados ou com valores inexpressivos em relação ao valor das faturas sendo que estas empresas indicadas conforme Relatório de Fatos Geradores (na atual nomenclatura é 0 RL Relatório de Lançamentos que neste caso é exclusivo de cada tomador embora extraído do relatório original de Fatos Geradores compilado na integra conforme dito em item 2 e do qual a empresa recebeu uma via para controle e conferência). 13. A empresa Ellenco apresenta em sua contabilidade dois centros de custos mais utilizados, a saber: CUSTOS/OBRAS de TE RRAPLENA GEM E CUSTOS/OBRAS DA TE LESP, em cujos custos são lançadas as despesas com SUBEMPREI TA DAS, SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURIDICA, MATERIAL EMPREGADO NA OBRA, DESPESA COM LOCAÇÃO, DESPESAS GERAIS, ETC". Ainda, o relatório fiscal, consoante diligência administrativa, é claro em informar: "A) Os motivos que levaram a autoridade fiscal a concluir que os serviços prestados pela empresa prestadora de serviço foram prestados na atividade de construção civil, estão demonstrados, inicialmente, pela própria atividade fim da defendente, bem como, na atividade da contratada. A.1) A Ellenco tem como atividade principal, conforme seu contrato social, o ramo de engenharia Elétrica e civil, envolvendo: construções elétricas, telefônicas, civis por administração, civis por conta própria, projetos, serviços topográficos, Comércio de materiais de construção civil, elétricos e telefônicos, Terraplanagem, compra e venda de imóveis, pavimentação asfáltica, serviços de construção e recuperação de pontes, viadutos, passarelas, galerias, obras em concreto armado ou protendido em geral e serviços correlatos; Usina de Massa Asfáltica; Serviços de Limpeza Urbana e Gestão de Aterros A.2) Com certeza, para o cumprimento de suas atividades, indicadas em seu contrato social, a defendente, até por uma questão de demanda, precisou “terceirizar” suas atividades, e para essa tarefa não poderia contratar outra empresa que não estivesse intimamente associada à atividade da tomadora que, por conseguinte, esta relacionada à construção civil" A.2.1) Antes de qualquer citação de que a defendente não contratou apenas empresas ligadas à construção civil, deixamos claro que estamos nos atendo às empresas prestadoras de serviços que a fiscalização verificou e constatou a correlação entre o serviço prestado e a atividade de construção civil. A.3) A autoridade fiscal, além dos motivos mencionados, utilizouse, naturalmente, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, também denominada "CÓdigo CNAE", divulgada pela Resolução n° 54, de 19 de dezembro de 1994, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, publicada no Diário Oficial em 26 de dezembro de 1994, da qual transcrevemos a parte relacionada à construção" Fl. 203DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 18 17 Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” Portanto, foi constatado que os recolhimentos não são condizentes com os fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Desse modo, deve ser mantido o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento, bem como a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Embora os dispositivos acima transcritos já concluam a responsabilidade solidária da recorrente, passo a abordar o tema de maneira objetiva. É alegado pela recorrente que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° Fl. 204DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 19 18 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). CONCLUSÃO Voto, portanto, por rejeitar a preliminar alegada, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16020.000198/200716 Acórdão n.º 2301005.670 S2C3T1 Fl. 20 19 Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004988/2006-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 20/08/2001 a 31/03/2002
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
MEDIDA JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVER DE OFÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.
A medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não tem o condão de impedir a sua constituição, mas tão somente obsta a prática de atos executórios de cobrança do crédito tributário. O lançamento de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa destina-se a prevenir a decadência, constituindo-se em dever de ofício da autoridade fiscal, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 3401-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento, não foi substituído por suplente na votação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. MEDIDA JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVER DE OFÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. A medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não tem o condão de impedir a sua constituição, mas tão somente obsta a prática de atos executórios de cobrança do crédito tributário. O lançamento de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa destinase a prevenir a decadência, constituindose em dever de ofício da autoridade fiscal, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento, não foi substituído por suplente na votação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 49 88 /2 00 6- 53 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 439 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em virtude da constatação de débitos de IPI declarados em DCTFs como vinculados a créditos ainda em discussão administrativa no Processo nº 13003.000314/200113, apurados entre os períodos de 20/08/2001 e 31/03/2002. Em 25/07/2006, a contribuinte, ora recorrente, cientificada do auto de infração, apresentou impugnação, situada às fls. 88 a 107. Em 30/03/2009, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) prolatou o Acórdão nº 1018.849, situado às fls. 268 a 270, sob a relatoria da AuditoraFiscal Margareth Aydos Pujol, conhecendo da impugnação para julgála parcialmente procedente, a fim de afastar a multa de ofício de 75% sobre o IPI lançado, mantendo apenas a multa de mora de 20%, em conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, nos termos da ementa abaixo transcrita: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A concessão de medida liminar em Mandado de Segurança suspendendo a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento para prevenir a decadência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTFs para prevenir a decadência, pois o lançamento de ofício é atividade privativa da autoridade fiscal. MULTA DE MORA Aplicase a multa de mora, no caso de lançamento de ofício por falta de recolhimento de débito declarado em DCTF. Diante da exoneração parcial do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 440 3 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual alegou, em síntese: (i) extinção dos débitos devido à aplicação do §2º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; (ii) caso este entendimento não prevalecesse, a exigibilidade estaria suspensa em virtude dos recursos apresentados no Processo Administrativo nº 13003.000314/200113; e (iii) o lançamento é indevido, pois os débitos foram incluídos nas DCTFs do período, constituindose o crédito tributário em sua integralidade. Em 27/06/2016, este colegiado proferiu a Resolução CARF nº 3401 001.176, de minha relatoria, por unanimidade de votos, para "converter o julgamento em diligência, para que: (i) confirme estar o valor em referência parcelado; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, relacionando os débitos parcelados com os débitos discutidos no presente processo; (iii) intime a contribuinte para que se manifeste, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento". A unidade (Equipe de Parcelamento Fazendário PARFAZ da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário/Dicat da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I – DRF RJ I da Superintendência Regional – 7ª Região Fiscal – SRRF07), em despacho situado às fls. 428 a 429, nos seguintes termos: 1 O contribuinte desistiu, em 2015, formalmente de seu questionamento em relação ao pedido de compensação (não homologada) controlada pelo processo 13003.000.314/200113 para incluir os créditos tributários resultantes no parcelamento da Lei 12.865/2013. O contribuinte NÃO os incluiu na consolidação, cujo prazo expirou em 29/09/2017 de acordo com a IN RFB nº 1.735/2017. No entanto, peticionou revisão de consolidação através do processo 15463.722.334/201714 para inclusão dos débitos controlados pelo processo 11080.004.988/200653, dentre outros. 2 – Ao solicitar a inclusão dos débitos controlados pelo processo 11080.004.988/200653, o contribuinte está desistindo de qualquer discussão administrativa em relação ao Auto de Infração, porém apenas aqueles recursos que são próprios, já que não há como desistir do Recurso de Ofício. Resumo (processo 13003.000.314/200113): • Pedido de restituição/compensação em nome de SINTEKO PRODUTOS QUÍMICOS; • compensação não homologada pela DRF/POA/SEORT em 06/10/2004 (ciência em 27/10/2004); • manifestação de inconformidade em 26/11/2004; • Acórdão DRJ/FNS nº 6.703 de 07/10/2005 – Solicitação indeferida (não pode haver compensação com créditos de terceiros); Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 441 4 • Recurso Voluntário em 23/02/2006; • Lavratura dos Autos de Infração em 20/06/2006 É importante destacar que os débitos do processo 13003.000.314/200113 foram excluídos do Profisc e estão controlados apenas no Sief nos seguintes processos de Auto de Infração: • 11080.004.988/200653 (débitos de IPI) – motivo da diligência em epígrafe. Este processo NÂO foi incluído na consolidação da Lei 12.865/2013 porém consta pedido de revisão. • 11080.004.987/200617 (débitos de COFINS) • 11080.004.843/200652 (débitos de PIS) e que o contribuinte incluiu na consolidação do parcelamento da Lei 12.865/2013 (modalidade artigo 1º) apenas os processos 11080.004.987/200617 e 11080.004.843/200652. Tendo prestado as informações solicitadas, proponho a devolução dos autos à EACCAF/EAC/DICAT/DRF RJI para as correções no Sief e informação ao CARF. Após as providências necessárias, solicito o retorno do processo 11080.004.988/2006 53 a esta equipe para posterior inclusão no parcelamento da Lei 12.865/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. O recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele não tomo conhecimento, como se passa a expor. 2. Entendeu a decisão a quo não ser aplicável a multa de ofício no percentual de 75%, na forma preconizada pelo art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Logo, a multa aplicada deve ser reduzida para multa de mora, no percentual de 20% (vinte por cento), conforme disposto no art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 442 5 3. Observese que eventual constatação de desistência da contribuinte em virtude da adesão a programa de parcelamento incentivado não tem efeitos sobre a apreciação do recurso de ofício, que deve prosseguir em seu impulso institucional. No entanto, assentese de competência este colegiado para conhecer da matéria em virtude de o crédito exonerado não ter atingido o limite de alçada, conforme se denota da análise do trecho pertinente da decisão recorrida: Manifestou a impugnante o entendimento de que seria inaplicável a multa de ofício, por ter declarado os valores devidos em DCTF, cabendo somente a multa de 20% sobre o valor do débito. A autoridade fiscal fundamentou o lançamento pela falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e aplicou a multa de ofício no percentual de 75% sobre o valor lançado por força do disposto no art. 80, inciso I, da Lei n” 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, (fl. 23), No caso sob análise, a autuada declarou em DCTF os valores lançados, fls. 26/41, não sendo aplicável a multa de ofício no percentual de 75%, na forma preconizada pelo art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Logo, a multa aplicada deve ser reduzida para multa de mora, no percentual de 20% (vinte por cento), conforme disposto no art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acato, neste aspecto, a impugnação da autuada. (...) Diante do exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte o lançamento reduzindo a multa de ofício para multa de mora, cujo percentual é de 20% (vinte por cento), e em conseqüência cancelar o valor de R$ 1.355.631,98 (um milhão, trezentos e cinqüenta e cinco mil, seiscentos e trinta e um reais e noventa e oito centavos), mantendo integralmente o restante do crédito tributário ciado no Auto de Infração de fls. 08/ 17" (seleção e grifos nossos). 4. Verificase, assim, que o valor exonerado pela decisão recorrida, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que dispôs nos seguintes termos: Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 443 6 pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 5. Assim, o recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele não conheço. 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Dada a informação da unidade no sentido de não ter a contribuinte realizado a inclusão dos débitos controlados pelo presente Processo nº 11080.004.988/200653, na consolidação da Lei 12.865/2013, entendo não falecer competência a este colegiado para analisar o mérito e, neste sentido, transcrevo a parte pertinente da decisão recorrida a respeito da questão central, voltada a discutir a possibilidade de lançamento de crédito com exigibilidade suspensa, que entendo ser sequer uma faculdade, mas uma verdadeira obrigação (dever de ofício) da autoridade fiscal cujos limites, ademais, encontramse regulados pelo art. 63 da Lei nº 9.430/1996: Tratase de Auto de Infração lavrado em 20/06/2006, referente ao período de 20/08/2001 a 31/03/2002, no valor total de R$ 7.221.000,66, fls. 08/17, por insuficiência de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em razão de compensação de créditos não reconhecidos pela administração. O pedido de compensação que motivou a exigência do crédito tributário foi apreciado nos autos do processo administrativo n° 13003000314/200113 e não foi homologado, conforme cópia do despacho decisório, fl. 81, que aprovou o Parecer DRF/POA n° 691, de setembro de 2004, fls. 72/80 (...) A fiscalização constituiu o crédito com exigibilidade suspensa com o objetivo de prevenir a decadência do direito, conforme disposto no inciso IV do art. 151 da CTN, dada a medida liminar exarada nos autos do Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 444 7 Mandado de Segurança 2006.71.00.0171937 que determinou à autoridade impetrada se abster de exigir os créditos tributários vinculados ao processo administrativo n° 13003000314/200113, enquanto pendente de julgamento em instância administrativa. Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados dos dispositivos das fls. 11 e 17. Regularmente cientificada, em 26/06/2006, conforme consta do auto de infração, fl. 09, a autuada apresentou uma impugnação tempestiva em 25/07/2006, fls. 88/107, subscrita por procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas folhas 108), na qual, após breve relato dos fatos, alega: a) a improcedência do auto de infração em razão da suspensão da exigência do crédito tributário por força de concessão de medida liminar em mandado de segurança; b) que informou os valores autuados pelo fisco através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, encontrandose os créditos tributários já constituídos por auto lançamento confissão de dívida, sendo inadmissível a constituição de crédito através do lançamento de ofício, por gerar duplicidade de cobrança que é vedada pela Carta Magna; c) que a cobrança da multa de ofício é indevida, pois os débitos foram declarados em DCTF; d) que os créditos estão extintos pelo instituto da compensação, na forma do disposto no art 156, II, do CTN. Ao final, requer a desconstituição do lançamento. É o Relatório. Afirma o impugnante a improcedência do lançamento de ofício, pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.71.00.0171937, alegando que esta suspensão abrange qualquer ato tendente ou que culmine a exigência do referido crédito. E, de fato, na cópia da decisão liminar juntada às fls. 43/44, consta a seguinte decisão: Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 445 8 “...Em que pese observar que a autoridade coatora, na decisão administrativa que indeferiu os pedidos de compensação, desconsiderou os fatos de que os créditos que o impetrante afirma possuir são também administrados pela Receita Federal, e de que os pedidos foram feitos quando ainda em vigor a redação original do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que não explicitava a impossibilidade de compensação com créditos de terceiros; tanto que foi editada a Instrução Normativa n” 21/97, que permitia textualmente tal pleito, havendo, nesse aspecto, fumaça do bom direito, tenho que não cabe ao juiz impedir a autoridade administrativa de praticar o ato vinculado do lançamento. DEFIRO, por isso, EM PARTE A LIMINAR, determinando à autoridade coatora que eventual auto de infração lavrado contra a impetrante faça a ressalva de suspensão da exigibilidade do respectivo crédito, até decisão administrativa definitiva e/ou ulterior deliberação deste juízo. ”(grifo nosso) Em cumprimento a decisão judicial acima a autoridade fiscal fez o lançamento com a seguinte informação: “...O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo nº 2006.71.00.0171937 da Primeira Vara Federal Tributária de Porto Alegre/RS (art. 151, incisos II e IV do CTN)”. Improcedente a alegação do impugnante, pois a formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, consoante dispõe o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a Fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. O ato de lançamento, visando a constituir crédito referente a tributo não recolhido no prazo legal, se constitui em dever de ofício da Fiscalização, em relação ao qual não há qualquer margem de discricionariedade. Considerando que o lapso decadencial não comporta possibilidade de suspensão ou interrupção de fluência, o lançamento do crédito tributário regularmente efetivado, no prazo legal, constitui procedimento legítimo para preservar o direito Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 446 9 legalmente assegurado à Fazenda Pública e, concomitantemente, prevenir sua perda por decurso de prazo. Aliás, a decisão judicial retro transcrita ressalta este posicionamento ao dispor que não cabe ao juiz impedir a autoridade administrativa de praticar o ato vinculado do lançamento. Lançamento de ofício valores informados em DCTF Não há irregularidade no fato de o Fisco ter procedido ã lavratura do auto de infração em tela. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício é privativa da autoridade fiscal e, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que o crédito formalizado esteja vinculado a processo de compensação ainda pendente de decisão final na esfera administrativa. No presente caso a formalização do crédito tributário teve por objetivo resguardar os direitos da Fazenda Nacional prevenindoa dos efeitos da decadência. Com efeito, o documento elaborado pelo sujeito passivo que formaliza 0 cumprimento de obrigação acessória, DCTFs de fls. 26/41, comunicando a existência de crédito tributário, não é lançamento na acepção do CTN, constituindose em instrumento de confissão de divida. Assim não há a alegada duplicidade de lançamento. Por fim, cumpre ressaltar que a cobrança destes créditos será efetivada, se for o caso, por intermédio do deste auto de infração, após cessada a suspensão de sua exigibilidade, para ser evitada a duplicidade de cobranças. Extinção do crédito tributário compensação Quanto ao argumento de que os créditos estão extintos por força do instituto da compensação, cumpre dizer que o presente crédito foi constituído com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, que entendeu que a autoridade coatora não proceda a procedimentos de cobrança enquanto não decidido o processo administrativo n° 13003000314/200113. Assim, enquanto pendente o julgamento das compensações efetuadas no processo citado, não pode este órgão julgador se manifestar sobre o mérito destas compensações e conseqüentemente sobre a extinção do crédito pleiteada. Verificase que na data de hoje, conforme pesquisa no site Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11080.004988/200653 Acórdão n.º 3401005.349 S3C4T1 Fl. 447 10 do conselho de contribuintes, ainda não há decisão definitiva sobre o processo n° 13003000314/200113. 8. Assim, com base nestes fundamentos, voto por não conhecer do recurso de ofício, e conhecer e, no mérito, negar provimento integral ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 447DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001056/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais relativamente a um dos paradigmas, o Recurso Especial deve ser conhecido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
É nulo por vício material o lançamento de Imposto de Renda sobre movimentação financeira no exterior, formalizado em face de procurador e não da empresa beneficiária final dos depósitos. Tornam-se incontroversos os fatos afirmados pelo Contribuinte, reiterados no acórdão recorrido e não contestados no Recurso Especial.
Numero da decisão: 9202-007.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais relativamente a um dos paradigmas, o Recurso Especial deve ser conhecido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo por vício material o lançamento de Imposto de Renda sobre movimentação financeira no exterior, formalizado em face de procurador e não da empresa beneficiária final dos depósitos. Tornam-se incontroversos os fatos afirmados pelo Contribuinte, reiterados no acórdão recorrido e não contestados no Recurso Especial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais relativamente a um dos paradigmas, o Recurso Especial deve ser conhecido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo por vício material o lançamento de Imposto de Renda sobre movimentação financeira no exterior, formalizado em face de procurador e não da empresa beneficiária final dos depósitos. Tornamse incontroversos os fatos afirmados pelo Contribuinte, reiterados no acórdão recorrido e não contestados no Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 56 /2 00 7- 94 Fl. 453DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a omissão de rendimentos relativa ao anoscalendário de 2001 a 2004. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 42 a 46 assim registra: "O contribuinte acima identificado, é apontado, conforme relação de documentos anexa a este termo, como responsável pela empresa Kaybee Exim Pte Ltda (CNPJ: 05.700.775/0001 93), a qual figura como beneficiária final de recursos financeiros movimentados no exterior, por meio de contas mantidas junto as instituições financeiras "Lespan TBL" e MTB Hudson Bank ; e como ordenante, em uma operação, junto ao MTB Hudson Bank." Em sessão plenária de 09/05/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402005.800 (efls. 415 a 423), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O erro na identificação do sujeito passivo resulta em nulidade do lançamento por vicio material.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, dar lhe provimento.” O processo foi encaminhado à PGFN em 04/07/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 424) e, em 11/08/2017, foi interposto o Recurso Especial de efls. 425 a 431 (Despacho de Encaminhamento de efls. 432). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir a nulidade do lançamento natureza do vício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 28/08/2017 (efls. 435 a 439). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: pela leitura do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, percebese que os requisitos elencados, dentre eles, a qualificação do autuado, possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; Fl. 454DF CARF MF Processo nº 19515.001056/200794 Acórdão n.º 9202007.397 CSRFT2 Fl. 454 3 temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o erro na identificação do sujeito passivo, apontado pelo colegiado como causa do cancelamento do Auto de Infração, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; contudo, não é essa a situação retratada nos autos, pois a infração tributária resta devidamente evidenciada no Relatório Fiscal do Auto de Infração, este que também se fez acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados; a propósito, a jurisprudência administrativa é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a ilegitimidade da parte seria suficiente para decidir pela improcedência do Auto de Infração, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que o vício do lançamento seja declarado como de natureza formal. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 15/09/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 450), o Contribuinte ofereceu, em 29/09/2017 (carimbo de efls. 444), as Contrarrazões de efls. 444 a 449, contendo os seguintes argumentos: cumpre salientar que o provimento do presente recurso em nada afetará o Contribuinte, pois, tanto a nulidade do auto por vício formal como a improcedência do auto de infração, acarretarão na exoneração do crédito tributário lançado contra o contribuinte eleito, vez que reconhecida sua ilegitimidade passiva, e esse reconhecimento não foi questionado no presente recurso; não obstante ser inócuo o presente recurso em face do Contribuinte, necessário esclarecerse que o Recurso Especial apresentado não reúne mínimas condições de admissibilidade; isso porque a recorrente não demonstrou, de maneira clara e insofismável, a divergência dos critérios de julgamento entre os acórdãos paradigma e o recorrido, deixando, inclusive, de fazer a demonstração analítica da divergência e a confrontação entre os trechos dos acórdãos que se mostrariam contraditórios. Ao final, o Contribuinte requer seja não conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Caso assim não se entenda, requer seja apenas reconhecida a nulidade do lançamento, nos termos do pedido formulado pela recorrente. Fl. 455DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido multa de ofício qualificada e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos relativa ao anoscalendário de 2001 a 2004. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 42 a 46, o Contribuinte é apontado como beneficiário da movimentação de recursos no exterior, no papel de responsável pela empresa Kaybee Exim Pte Ltda, que figura como beneficiária final desses recursos, por meio de contas mantidas junto às instituições financeiras "Lespan TBL" e MTB Hudson Bank. O Contribuinte teria figurado também como ordenante em uma operação junto ao MTB Hudson Bank, que não foi objeto de lançamento, visto que não foi detectada Variação Patrimonial a Descoberto. Nas demais operações, em que constou como beneficiário, a infração imputada foi de omissão de rendimento recebidos do/no exterior. O Colegiado recorrido, com fundamento nos artigos 121 e 142 do CTN, e na Solução de Consulta Cosit nº 8, de 2013, declarou a nulidade do lançamento por vício material, considerando a existência de erro na identificação do sujeito passivo. No entender da Turma, não teria sido comprovada a participação do Contribuinte como ordenante ou beneficiário das remessas e, quanto à empresa Kaybee Exim Pte Ltda, considerada a beneficiária final das remessas, o Contribuinte não seria sócio e sim procurador, com poderes apenas para a abertura da empresa no Brasil, sendo que sua inclusão no registro da Receita Federal como procurador responsável pela citada empresa ocorreu em maio de 2003, ou seja, após a realização da maior parte dos depósitos. Confirase o que consta do voto do acórdão recorrido: "Não obstante o documento colacionado à fl. 127 sugerir que as contas destinatárias dos recursos são de titularidade do Recorrente, uma análise mais detalhada dos comprovantes de transferências, com auxílio dos laudos de exame econômico financeiro realizado pelos peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, nos abastece de diferentes informações. Verificase que as contas bancárias são de titularidade da empresa Kaybee Exim Pte Ltd. e que o Recorrente não foi citado como beneficiário ou ordenante em nenhuma das transações alvo do presente lançamento. Uma vez esclarecido que a titularidade das contas não é do Recorrente e que este não participou das transações fiscalizadas, vale buscar entender qual seu papel/participação na empresa Kaybee Exim Pte Ltd, para fins de verificação de uma possível imputabilidade do mesmo às aludidas infrações fiscais. Conforme extrato de consulta no sistema da Receita Federal (fl. 78), verificase que os sócios/diretores da pessoa jurídica acima mencionada são os Srs. VIKRAM KUMAR CHAND e GOVIND KARUNAKARAN. A Kaybee Exim Pte Ltd foi cadastrada no Brasil em 30/05/2003 na qualidade de empresa estrangeira cuja Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.001056/200794 Acórdão n.º 9202007.397 CSRFT2 Fl. 455 5 atividade econômica principal seria comércio atacadista de tecidos (CNAE 46.41901). O cadastro da empresa foi realizado pelo Recorrente tendo em vista procuração para tal (fl. 335 a 345), outorgada em 01/07/2002. Verificase que os poderes outorgados na respectiva procuração são referentes, exclusivamente, a abertura da empresa no Brasil. (...) Não há julgo como imputar vinculação direta e pessoal do mesmo em relação com os fatos geradores analisados, na forma do art. 121, I do Código Tributário Nacional, tendo em vista que: 1. O Recorrente não é sócio da Kaybee Exim Pte Ltd; 2. O Recorrente não participou das transações bancárias; 3. Os depósitos são oriundos de empresas sediadas no Uruguai, Ilhas Caymã, e Ilhas Britânicas Virgens; Entendo, desta forma, que não foram preenchidos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: (...) Neste sentido, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (“COSIT”), na Solução de Consulta Interna nº 8/2013, já pronunciou seu entendimento de que o erro na identificação do sujeito passivo ocorre quando há imprecisão do confronto entre a norma tributária com o fato jurídico tributário em um dos elementos do conseqüente da regramatriz de incidência, neste caso, qual seja, o pessoal. (...) Por fim, apenas para reforçar a inimputabilidade do Recorrente, vale mencionar que o presente processo trata de fatos geradores ocorridos em sua maioria nos anoscalendários de 2001 e 2002, sendo que o Recorrente apenas foi incluído no registro da Receita Federal como procurador responsável pela Kaybee Exim Pte Ltd Maio/2003, ou seja, após os alegados depósitos terem sido realizados." A Fazenda Nacional, sem contestar a existência do erro, pede apenas que, na declaração de nulidade do lançamento, o vício seja considerado de natureza formal e não material. Reiterase que a Fazenda Nacional não contesta a existência de erro na eleição do sujeito passivo, portanto este ponto não mais se encontra em discussão. Com efeito, o Recurso Especial, partindo da premissa de que o erro efetivamente ocorreu, limitouse a questionar a natureza do vício. Fl. 457DF CARF MF 6 Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, alegando ausência de cotejo analítico entre os acórdãos em confronto. Quanto ao cotejo analítico, esclareçase que a Fazenda Nacional está dispensada de demonstrar o prequestionamento, conforme § 5º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF. No que tange ao § 8º do mesmo dispositivo regimental, este determina que a divergência deve ser demonstrada analiticamente, com a indicação dos pontos no paradigma colacionado, que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Tal pressuposto foi cumprido pela Fazenda Nacional que, após colacionar as ementas dos paradigmas, resumiu o ponto de divergência suscitado, de sorte que não se vislumbra o descumprimento de pressuposto recursal. Confirase: "PROCESSO Nº: 13830.000397/200106 ACÓRDÃO N°: 30330.909 RECORRENTE: DRJ/CAMPO GRANDE/MS INTERESSADO: CIA. AGRÍCOLA E PASTORIL FAZENDA RIO PARDO “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. RECURSO DE OFÍCIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO”. [destaques acrescidos]. Processo nº 11176.000096/200703 Acórdão nº 230201.330 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão 29 de setembro de 2011 Recorrente: MUNICÍPIO DE SANTO ANTONIO DA PLATINA Recorrida: FAZENDA NACIONAL “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2006 Ementa: SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O erro na identificação do sujeito passivo acarreta a anulação do lançamento por vício formal. Processo Anulado Observese que, diversamente da conclusão adotada pela decisão recorrida, as decisões acima entenderam que o erro na identificação do sujeito passivo é vício de natureza formal, que poderia ensejar apenas a nulidade do lançamento, repitase, por vício de forma, mas não a improcedência total da exigência. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.001056/200794 Acórdão n.º 9202007.397 CSRFT2 Fl. 456 7 Constatase, portanto, interpretação divergente da legislação tributária, em especial quanto ao artigo 142 do CTN. Dessa forma, fica evidenciada a divergência jurisprudencial no que toca às consequências que o erro na identificação do sujeito passivo pode acarretar ao lançamento." (destaques da Recorrente) A despeito de demonstrar os pontos específicos em que os paradigmas divergiram do acórdão recorrido, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em função de dissídio interpretativo em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo. Com estas considerações, constatase que, no caso do acórdão paradigma, a conclusão no sentido de que o erro na identificação do sujeito passivo seria de natureza material foi ancorada na interpretação dos artigos 121 e 142 do CTN e na Solução de Consulta Cosit nº 8/2013, de 08/03/2013. Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por julgado em que, em situação fática semelhante à do acórdão recorrido, em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo, a conclusão fosse no sentido de que tratarseia de vício formal. Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 30330.909, de 10/09/2003 este obviamente não poderia aplicar Solução de Consulta Cosit que sequer existia ao tempo de sua prolação. Ainda que se entendesse que a Solução de Consulta constituiria apenas obter dictum, e que a conclusão do recorrido teria sido ancorada principalmente nos artigos 121 e 142 do CTN, o paradigma continua desatendendo às especificações que demonstrariam a divergência. Isso porque ele trata de Recurso de Ofício em que, corroborandose a decisão de primeira instância, aplicouse especificamente a IN SRF nº 94, de 1997, revogada em 2005, que elencava os requisitos básicos para a validade do ato de lançamento oriundo de Malha Fiscal, o que não é o caso recorrido. Confirase o voto do paradigma: "Tem razão a interessada em suas alegações, as quais foram corroboradas pela autoridade singular, que julgou o lançamento nulo, na forma do Acórdão de fls. 47/51 e que, por bem analisar e fundamentar os fatos, passo adotar na íntegra, conforme transcrito abaixo, como se meu voto fosse: '(...) De fato houve um erro no lançamento no que concerne à identificação do sujeito passivo, pois pelos documentos de malha trabalhados (fls. 14/15) o imóvel objeto do lançamento seria o da interessada, mas por alguma razão no auto de infração figurou outro imóvel o que caracteriza vício formal. No que se refere à legislação aplicável ao caso concreto, segue abaixo reprodução parcial, tanto da IN SRF nº 94/97, que dispõe sobre as regras a ser observadas no lançamento de oficio (com atenção aos requisitos constantes do art. 142 da Lei n° 5.172/66 CTN, sob pena de nulidade do feito), quanto do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 02/99, que dispõe sobre a nulidade de lançamentos que contiverem vício formal (incluídos aqueles providenciados em desacordo com a IN Fl. 459DF CARF MF 8 SRF n° 94/97, retrocitada), que deve ser declarada de oficio pela autoridade competente, discorrendo, ainda, sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário declarado nulo por vício formal: (...)" Destarte, este paradigma não é apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, visto que foi prolatado à luz de legislação que, além de já revogada ao tempo da prolação do acórdão recorrido, é específica para lançamentos decorrentes de Malha Fiscal, no caso relativa ao ITR, o que não é o caso do recorrido. Com efeito, esse paradigma tratou de erro no trabalho de Malha Fiscal, em que o imóvel rural atribuído à Contribuinte não era efetivamente o dela, o que em nada se assemelha à situação do acórdão recorrido. Quanto ao segundo paradigma Acórdão nº 230201.330, de 29/09/2011 este também não poderia ter analisado Solução de Consulta exarada em 2013, tampouco cita expressamente o art. 142, do CTN, que orientou o acórdão recorrido. Entretanto, estando o citado dispositivo legal vigente à época em que foi proferido o acórdão paradigma, o fato de este não aplicálo, por si só, não é causa para ser rechaçado como apto a demonstrar o dissídio, muito pelo contrário. Com efeito, a opção do paradigma pela não aplicação de dispositivo legal aplicado pelo recorrido, sendo as situações fáticas similares, já constitui uma divergência interpretativa do arcabouço jurídiconormativo vigente. Ademais, o paradigma analisou o art. 121, do CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que na verdade constitui a operacionalização do art. 142 do CTN, o que já é suficiente para aproximarse o seu contexto jurídiconormativo, do contexto do recorrido. Resta, então, verificar se existe similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, constatase que ele trata da exigência de Contribuições Previdenciárias relativas a segurados empregados e contribuintes individuais de hospital considerado pela Fiscalização como integrante da administração direita do município. Confirase: Relatório Trata a notificação (...) de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2001 a 07/2006, referentes ao HOSPITAL NOSSA SENHORA DA SAÚDE, que foi considerado pela fiscalização como parte da Administração Direta do Município de Santo Antonio da Platina. O relatório fiscal de fls. 60 a 65, diz que a caracterização do fato se deu porque o poder executivo e legislativo indicam três representantes no Conselho Administrativo do Hospital, que os débitos de fiscalizações anteriores foram incluídos no parcelamento especial concedido à prefeitura, que há a cessão de três motoristas que são funcionários da prefeitura, mas prestam serviço no hospital e que os prefeitos nomeiam pessoas para os cargos de confiança como provedor, tesoureiro e diretor administrativo, sendo que alguns secretários da saúde exerceram a função de presidente do conselho de administração do hospital. Nesse contexto, tal como ocorreu no acórdão recorrido, as provas foram analisadas, concluindose, em ambos os julgados, que o autuado não poderia ser considerado o sujeito passivo da obrigação tributária. Ressaltese que em nenhum dos julgados infirmouse a ocorrência do fato gerador, concluindose tãosomente pela impossibilidade de exigir o tributo Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19515.001056/200794 Acórdão n.º 9202007.397 CSRFT2 Fl. 457 9 daquele que foi colocado no pólo passivo da obrigação tributária. Ocorre que, no caso do acórdão recorrido, como se viu, declarouse a nulidade do lançamento por vício material. Já no caso do paradigma, a nulidade foi declarada por vício formal. Confirase o paradigma: Com relação a argüição da recorrente acerca da impossibilidade de figurar no pólo passivo na notificação, teço as seguintes considerações. O Código Tributário Nacional conceitua o sujeito passivo da obrigação principal, que vem consubstanciada nesta notificação fiscal, no seu artigo 121, dispondo: (...) Assim, o sujeito passivo é o devedor da obrigação tributária, ou seja, é a pessoa que tem o dever de prestar, ao credor ou sujeito ativo, o objeto da obrigação. É a pessoa que, à vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento do tributo. No que diz respeito ao sujeito passivo da obrigação tributária principal, o CTN o define como contribuinte ou responsável. Portanto, o contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O sujeito passivo da obrigação principal caracterizase, independentemente dos aspectos econômicos implícitos na relação jurídica tributária, pela prática de um comportamento qualificado como tributável pela legislação tributária. (...) A fiscalização não demonstrou que o Município tenha efetivamente a responsabilidade pela administração do Hospital, que arque com as despesas do mesmo, que implemente recursos para o seu funcionamento, que coordene suas atividades, enfim que tenha ingerência total sobre o seu funcionamento. Pelos elementos constantes do processo, temos que o Hospital Nossa Senhora da Saúde é pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ, com Estatuto advindo de Lei Municipal, não restando identificado por qualquer documento, ou pela contabilidade de que faça parte da Administração Direta do Município de Santo Antonio da Platina e que este seja o verdadeiro contribuinte, sujeito passivo desta notificação. Assim, entendo que no procedimento da fiscalização e na formalização do lançamento não foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, pois não houve a correta identificação do sujeito passivo. O erro na identificação do sujeito passivo impõe a anulação do lançamento por vício formal, já que descumprido o artigo 10, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72, verbis: (...)" Destarte, em síntese, ambos os julgados recorrido e paradigma sem infirmarem a ocorrência do fato gerador, analisando as respectivas provas, concluíram que os Fl. 461DF CARF MF 10 autuados não poderiam revestirse da sujeição passiva. Enquanto no recorrido tal conclusão levou à declaração de nulidade por vício material, no paradigma entendeuse que o vício seria de natureza formal, o que no entender desta Conselheira caracteriza a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, no que tange ao segundo paradigma, tendo o apelo atendido aos pressupostos regimentais, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. No presente caso, uma vez que a renda atribuída ao Contribuinte não lhe pertenceria, e sim à empresa beneficiária, o ato de lançamento encontrase eivado de vício em sua própria substância, que lhe prejudica a existência e validade, na medida em que o crédito tributário não poderá ser considerado constituído, sem que a sujeição passiva esteja devidamente comprovada. Assim, admitindose como incontroversas as conclusões do acórdão recorrido já que não contestadas pela Recorrente tratase de situação que nem mesmo dá ensejo à caracterização da relação jurídicotributária, uma vez que o lançamento foi levado a efeito em face de sujeito passivo considerado estranho à relação obrigacional tributária, tendo ocorrido, consequentemente, vício material no lançamento. Destarte, referida nulidade não diz respeito à forma do lançamento, mas ao seu conteúdo, à sua materialidade, ao sujeito passivo da obrigação tributária. Não se pode olvidar, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e cabe à autoridade lançadora identificar corretamente o sujeito passivo da exigência, o que não ocorreu no presente caso, conforme afirmouse no acórdão recorrido, sem contestação por parte da Recorrente. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.900059/2006-70
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.
PARCELAMENTO. EFEITOS.
Parcelamento corresponde a confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial do débito.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. PARCELAMENTO. EFEITOS. Parcelamento corresponde a confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial do débito. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
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REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. PARCELAMENTO. EFEITOS. Parcelamento corresponde a confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial do débito. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 00 59 /2 00 6- 70 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10467.900059/200670 Acórdão n.º 1003000.252 S1C0T3 Fl. 544 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 504/506, numeração em papel) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 02/04, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior. O referido despacho decisório não homologou a compensação tendo em vista que o valor apontado como pagamento indevido ou a maior (R$ 2.917,88 correspondentes a CSLL de dezembro de 1999) já havia sido objeto de parcelamento, bem como pelo fato de, intimada, a contribuinte ter deixado de apresentar os livros fiscais/contábeis referentes ao ano calendário em lide. O acórdão a quo manteve a nãohomologação com fundamento na extinção do prazo para a contribuinte retificar os referidos débitos em DCTF, quando o fez, em 20/10/2006, bem como pelo fato de que a documentação contábil acostada pela empresa juntamente com sua impugnação, no balancete à folha 424, demonstra a apuração da CSLL a pagar em dezembro de 1999 no exato valor declarado na DCTF original, de R$ 2.917,88. A recorrente alega, às folhas 524/534, em síntese, que não houve decadência do direito de retificar a DCTF, já que, sendo a CSLL tributo lançado por homologação, conforme entendimento do STJ, tal prazo decadencial findaria apenas dez anos após a data do fato gerador, isto é , em 31 de dezembro de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. As decisões administrativas constantes do processo trazem duas razões individualmente suficientes para não homologar a compensação em questão: I O valor apontado como pagamento indevido ou a maior (R$ 2.917,88 correspondentes a CSLL de dezembro de 1999) já havia sido objeto de parcelamento, o qual corresponde a confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil, como consta do próprio requerimento de parcelamento à folha 01; Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10467.900059/200670 Acórdão n.º 1003000.252 S1C0T3 Fl. 545 3 II Ainda que a razão anterior não fosse suficiente (confissão irretratável da divida por força de lei), um eventual erro de fato na declaração do referido débito, que tenha gerado o alegado pagamento indevido ou a maior, não foi comprovado pela contribuinte na documentação contábil acostada juntamente com sua impugnação, no balancete à folha 424, o qual demonstra a apuração da CSLL a pagar em dezembro de 1999 no exato valor declarado na DCTF original, de R$ 2.917,88. No recurso voluntário, a contribuinte insurgese contra a decadência do direto de retificar a DCTF, questão que não socorre à contribuinte, em face das demais razões já expostas e individualmente suficientes para fundamentar a nãohomologação. A não comprovação do alegado pagamento indevido ou a maior pela documentação contábil acostada aos autos em sede de impugnação, apontada no acórdão a quo, não foi contestada pela recorrente, constituindo matéria não impugnada, conforme art. 17 do PAF. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721053/2014-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DEPENDENTES - LIMITAÇÕES LEGAIS.
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Ainda, os dependentes para fins de Imposto de Renda são aqueles constantes no artigo 77 do RIR/99.
Numero da decisão: 2002-000.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Ausente justificadamente, Mônica Renata Mello Fereira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DEPENDENTES - LIMITAÇÕES LEGAIS. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Ainda, os dependentes para fins de Imposto de Renda são aqueles constantes no artigo 77 do RIR/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente, Mônica Renata Mello Fereira Stoll.
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Recorrente ANTONIO CARLOS DE AMORIM SIQUEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DEPENDENTES LIMITAÇÕES LEGAIS. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Ainda, os dependentes para fins de Imposto de Renda são aqueles constantes no artigo 77 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 10 53 /2 01 4- 71 Fl. 59DF CARF MF 2 Ausente justificadamente, Mônica Renata Mello Fereira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de dedução indevida com dependente, dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesas com instrução. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 7.980,32, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 25 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: 2. De conformidade com a Descrição dos Fatos e enquadramento legal, fls. 08/10, foram consideradas indevidas as seguintes deduções, por falta de atendimento ao Termo de Intimação; a) Dependente no valor de R$ 1.974,72; b) Despesas Médicas de R$ 23.953,28; c) Despesas com instrução de R$ 3.091,35. 3. O contribuinte apresentou defesa (fls. 03) , contestando às glosas efetuadas, apresentou documentos para comprobação. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, em 06/10/2017, no acórdão 1157.499, às efls. 43 a 47, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 55 e 56, no qual alega, em resumo, que devem ser afastadas as glosas das despesas médicas remanescentes, respectivamente com a senhora Regina Coeli Pinto C. Siqueira, Henrique Pinto Coelho Siqueira e senhora Hercília Guimarães de Amorim Siqueira, vez que dependem economicamente do contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10073.721053/201471 Acórdão n.º 2002000.407 S2C0T2 Fl. 60 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 18/09/2017, efls. 51, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 16/10/2017, efls. 55, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A autoridade revisora já afastou a glosa das seguintes despesas médicas, conforme decisão da DRJ: 6. Trata a presente lide trata ; das glosas das deduções com Dependente, Despesas Médicas e Despesas com instrução. 6.1 A autoridade revisional, com base nos documentos apresentados restabeleceu as deduções pleiteadas a título de dependente e despesas com instrução. Quanto à Dedução das Despesas Médicas, foi restabelecida parcialmente no valor total de R$ 6.140,28 relativa ao contribuinte e a parcela que foi paga em nome do dependente JULIO PINTO COELHO SIQUEIRA à UNIMED DE VOLTA REDONDA, no valor total de R$ 3.674,59, totalizando em R$ 9.814,87. Foi mantida à glosa no valor de R$ 14.138,41. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 61DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10073.721053/201471 Acórdão n.º 2002000.407 S2C0T2 Fl. 61 5 comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de Fl. 63DF CARF MF 6 prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10073.721053/201471 Acórdão n.º 2002000.407 S2C0T2 Fl. 62 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Com relação aos dependentes, o artigo 77 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (grifos nossos) I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifos nossos). § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem Fl. 65DF CARF MF 8 cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). A DRJ, analisando a DAA ano calendário 2012/exercício 2012 do contribuinte atestou que o único dependente declarado é JULIO PINTO COELHO SIQUEIRA. Logo, apenas as despesas relativas ao dependente nos limites legais, conforme artigo acima colacionado, são dedutíveis. Segue excerto da DRJ que explicita muito bem a questão: 9.1 Verificase que nos documentos apresentados referente às despesas médicas, constam em nome de Regina Coeli Pinto C. Siqueira e Henrique Pinto Coelho Siqueira, Hercilia Guimarães de Amorim Siqueira . Ressaltase que os dependentes para fins de plano de saúde, tem um conceito mais amplo, o que não se enquadra na definição de dependentes para fins do imposto de renda, conforme transcrição da legislação, no item 8 do presente voto.(grifos nossos) 9.2 Portanto, o contribuinte tem apenas um dependente para fins de imposto de renda, as demais pessoas relacionadas nos documentos do plano de saúde, não são seus dependentes para fins de imposto de renda. Salientes, que as referidas pessoas ao apresentar suas declarações de ajuste anual no modelo completo, poderão pleitear os valores das suas despesas com plano de saúde. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10073.721053/201471 Acórdão n.º 2002000.407 S2C0T2 Fl. 63 9 Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720067/2011-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS CARF Nº 108 e 115. RICARF. ART. 67, §3º. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA IN 243.
Não é conhecido Recurso Especial contra acórdão que adota entendimento de Súmula CARF, nos termos do artigo 67, §3º, do RICARF (Portaria MF 343/2015).
O acórdão recorrido amolda-se à Súmula CARF nº 108, que prevê: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.".
Ademais, adota o entendimento expresso na Súmula CARF nº 115: "A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.".
Recurso Especial não conhecido quanto a estes temas.
CONHECIMENTO. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. FRETE. SEGUROS.
É conhecido o recurso especial quanto a esta matéria diante da divergência na interpretação da lei tributária, conforme decisão da Presidente de Câmara.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisando-se o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, opera-se segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 12.715, DE 2012. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. EXCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Com a Lei nº 12.715, de 2012 (conversão da MP nº 563, de 2012) o mecanismo de comparabilidade passou por alteração em relação à Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de se excluir da apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos incidentes na importação.
Numero da decisão: 9101-003.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS CARF Nº 108 e 115. RICARF. ART. 67, §3º. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA IN 243. Não é conhecido Recurso Especial contra acórdão que adota entendimento de Súmula CARF, nos termos do artigo 67, §3º, do RICARF (Portaria MF 343/2015). O acórdão recorrido amoldase à Súmula CARF nº 108, que prevê: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.". Ademais, adota o entendimento expresso na Súmula CARF nº 115: "A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.". Recurso Especial não conhecido quanto a estes temas. CONHECIMENTO. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. FRETE. SEGUROS. É conhecido o recurso especial quanto a esta matéria diante da divergência na interpretação da lei tributária, conforme decisão da Presidente de Câmara. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 67 /2 01 1- 18 Fl. 8354DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.355 2 Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 12.715, DE 2012. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. EXCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Com a Lei nº 12.715, de 2012 (conversão da MP nº 563, de 2012) o mecanismo de comparabilidade passou por alteração em relação à Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de se excluir da apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos incidentes na importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Fl. 8355DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.356 3 Relatório Tratase de processo julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, quando foi negado provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado (acórdão nº 1201001.651): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ERROS DE CÁLCULO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A utilização do método mais favorável é uma faculdade do contribuinte, e não uma imposição à fiscalização. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos Fl. 8356DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.357 4 segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. Constando compensações indevidas, devese efetuar o lançamento correspondente, mesmo que a autuação que lhe deu causa (ajustes de preços de transferência) esteja pendente de confirmação O contribuinte foi intimado em 07/06/2017 (fls. 8.079), interpondo recurso especial em 22/06/2017 (fls. 8.082). Em síntese, neste recurso alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) Nulidade por erro na apuração da base de cálculo, identificando o acórdão paradigma nº 10809.139 e 2202003.151; (ii) Ilegalidade da IN SRF 243/2002, com os paradigmas 1301001.410 e 1202001.025; (iii) Impossibilidade de incluir as despesas de frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado para fins de PRL, constando como acórdão paradigma o de nº 1401001.594 e 9101002.420; (iv) Incidência de juros de mora sobre multa de ofício, com paradigma nº 9101000.722 e 3402004.113. O Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção admitiu em parte o recurso, quanto a duas matérias: Considerando que, consoante o exposto no presente despacho, foram preenchidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, e que foi demonstrada, em parte, a existência de divergência jurisprudencial, DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL interposto pelo sujeito passivo EPSON PAULISTA LTDA, com relação às matérias “ilegalidade da IN SRF nº 243/2002”, “inclusão, no cálculo do preço praticado, dos valores do frete, seguro, e tributos incidentes na importação”, e “juros de mora sobre a multa de oficio”. Fl. 8357DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.358 5 O contribuinte foi intimado quanto à decisão que admitiu em parte o seguimento do recurso especial (fls. 8.332), sem que tenha apresentado recurso. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 8.335) requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora. O recurso especial foi admitido quanto a duas matérias: (i) ilegalidade da IN 243; (ii) despesas de frete, seguro e tributos na apuração do preço praticado para fins de PRL e (iii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial quanto à segunda matéria (frete, seguros e tributos no preço praticado), nos termos do artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Passo a enfrentar o conhecimento das demais matérias: Conhecimento – Ilegalidade da IN 243 A Primeira Turma da CSRF aprovou Súmula em 03/09/2018, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 115:A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. O acórdão recorrido, embora proferido antes da aprovação da Súmula, teve os mesmos fundamentos da Súmula, como se verifica do trecho da ementa desta decisão: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Fl. 8358DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.359 6 Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. Ademais, é pertinente destacar que o Regimento Interno do CARF impede o conhecimento de recurso especial, quando o acórdão recorrido alinhese ao entendimento de súmula CARF, mesmo que aprovada posteriormente à interposição do recurso especial: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, não conheço o recurso especial quanto à ilegalidade da IN 243. Conhecimento – Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Também em 03/09/2018, aprovouse Súmula tratando da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. O acórdão recorrido fundamentase no mesmo sentido, extraindose de sua ementa: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. Assim, não conheço o recurso especial quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por força do artigo 67, §3º do RICARF e da Súmula CARF 108. Mérito – PRL – Frete, Seguros e Tributos Passo a enfrentar o mérito quanto à única matéria admitida. Fl. 8359DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.360 7 O citado §6º, do artigo 18, § da Lei nº 9.430/1996, com redação vigente ao tempo dos fatos em discussão nestes autos (anocalendário de 2006), dispunha que: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Notese que a contratação de seguro e de frete entre pessoas independentes impõe a exclusão no cálculo do preço parâmetro, afinal, a manipulação de preço só poderia ocorrer entre partes relacionadas como explicitado pelo caput do artigo 18 – que é sua razão de ser, incorporando o princípio arm’s lenght. No mesmo sentido, os tributos incidentes na importação, que, por óbvio, são devidos a pessoa não vinculada ao importador. Este é o sentido, seja literal, seja teleológico do § 6º do artigo 18. O § 6º do artigo 18 dispõe que os valores de frete e de seguro integram o custo, desde que o ônus seja do importador – assim como prevê que os valores de tributos incidentes na importação integram o custo tout court. Integram o custo para quê? Para dedutibilidade. O § 6º do artigo 18 não diz que os valores de frete e de seguro, desde que o ônus seja do importador, integram o custo para efeito do cálculo do preço parâmetro, ou para efeito de aplicação do método do inciso II do caput do artigo 18 (PRL) ou de qualquer outro método previsto nesse artigo. Realmente, não haveria sentido em se reduzir “margem de lucro” calculada sobre os valores de frete e de seguro, cujo ônus tenha sido do importador, nem sobre tributos incidentes na importação. Eis, portanto, o sentido literal como o finalístico do § 6º do artigo 18. Tais valores integram o custo para efeito de dedutibilidade. No contexto das normas que regulam os preços de transferência, entendo que a originária redação do artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/1996 autorizava a exclusão de frete, seguro e tributos, do cálculo do preço parâmetro. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte. Conclusão Conforme razões expostas, conheço do recurso especial do contribuinte quanto à matéria despesas de frete e seguro pagos a terceiros na apuração do preço praticado para fins de PRL, não admitindo este recurso quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e quanto à ilegalidade da IN 243, por força do artigo 67, §3º do RICARF e das Súmula CARF 108 e 115. No mérito, voto por dar provimento ao recurso especial na matéria conhecida. Fl. 8360DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.361 8 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. relatora, peço vênia para discordar em relação ao mérito. Para discorrer sobre a matéria inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro, cabe transcrever a redação do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, caput e § 6º, dada antes da alteração promovida pela Lei nº 12.715, de 2012, transcrito na sequência: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: [...] III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: [...] (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Primeira constatação é que a comparabilidade é o valor principal a ser tutelado na matéria atinente aos preços de transferência. E, recusar a aplicação da comparabilidade é o mesmo que ignorar o princípio do arm's length. A operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. E, quanto ao caso em análise, concernente aos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, só dois mecanismos podem ser seguidos: (1) incluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, ou (2) excluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Fl. 8361DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.362 9 Precisamente nesse contexto se justifica a existência do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, porque apresenta um tratamento diferente daquele previsto na regra geral para a apuração do custo contábil pelo art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1° O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo. Não há coincidência na construção do sistema de tributação. Como regra geral de dedutibilidade, incluemse os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. Por isso, a legislação de preços de transferência, para buscar um parâmetro de comparação adequado entre preço praticado e preço parâmetro, teve que expressamente se manifestar, por meio do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, para esclarecer que a regra geral de dedutibilidade não seria aplicável. Ou seja, para fins de apuração do preço de transferência, os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação não são dedutíveis, devendo integrar o custo. Portanto, como se pode observar, a redação do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996 consagra o mecanismo de inclusão, na apuração dos preços praticado e parâmetro, dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Inclusive, a IN SRF nº 243, de 2002, não vacila sobre o entendimento: Art. 4º (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Em suma, sob a égide do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, não restam dúvidas sobre o assunto: integram o custo (apuração do preço praticado), para efeito de dedutibilidade (registrase a exceção à regra geral disposta no art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. E não há que se falar que a nova redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, teria alterado tal entendimento. Fl. 8362DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.363 10 Pelo contrário, confirmou que a comparabilidade sempre foi o valor principal a ser tutelado. Basta observar nova redação dada ao § 6º em debate, e ao novel § 6º A: § 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Primeiro, ao se revogar a redação antiga do § 6º, eliminase a restrição colocada ao preço praticado aplicável sobre a regra de dedutibilidade geral do art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Ou seja, passase a permitir a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ou seja, os dispêndios voltam a seguir a regra geral e passam a ser dedutíveis. E, na mesma medida, com a nova redação do § 6º e o novo § 6ºA, determinase que na apuração do preço parâmetro pelo método PRL, não serão mais considerados os valores de frete, seguro (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ora, no ordenamento anterior à redação da Lei nº 12.715, de 2012, o § 6º dirigiase ao preço praticado, e estabelecia exceção à regra geral de dedutibilidade, determinando pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação, vez que, na determinação do preço parâmetro, tais dispêndios eram considerados. Como já dito, a comparabilidade se operava mediante o mecanismo de inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Por sua vez, com a redação da Lei nº 12.715, de 2012, operacionalizouse caminho inverso. O § 6º e § 6ºA dirigemse ao preço parâmetro. Revogase a restrição à regra de dedutibilidade geral (art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), ou seja, na determinação do preço praticado passa a ser permitida a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação. E, precisamente por isso, a nova redação do § 6º e § 6ºA determina que passam a não integrar a apuração do preço parâmetro os valores de frete, seguro e tributos na importação. A comparabilidade passa a ser operada mediante o outro mecanismo: a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Preservada, portanto, a comparabilidade entre os preços parâmetro e praticado. Fl. 8363DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 9101003.818 CSRFT1 Fl. 8.364 11 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 8364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.002454/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Os valores correspondentes ao PIS/Cofins retidos na fonte devem ser utilizados para dedução do que for devido a título dessa contribuição. O excesso de retenção não configura pagamento indevido ou a maior. Até a publicação da Medida Provisória nº 413/2008, não havia possibilidade de restituição, por falta de previsão legal, do PIS/Cofins retidos na fonte, tampouco era legalmente admitida a sua compensação.
Numero da decisão: 3201-004.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente S M SISTEMAS MODULARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Os valores correspondentes ao PIS/Cofins retidos na fonte devem ser utilizados para dedução do que for devido a título dessa contribuição. O excesso de retenção não configura pagamento indevido ou a maior. Até a publicação da Medida Provisória nº 413/2008, não havia possibilidade de restituição, por falta de previsão legal, do PIS/Cofins retidos na fonte, tampouco era legalmente admitida a sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 24 54 /2 00 5- 61 Fl. 487DF CARF MF 2 Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, com origem nos meses de abril a junho de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: A contribuinte protocolou o pedido de restituição, pleiteando reaver valores retidos no período de apuração em questão, nos termos do §4° do art. 3° da Lei n° 10.485, de 2002, alterado pela Lei n° 10.865, de 2004, a título de antecipação da contribuição social devida. Ao crédito pleiteado foi vinculada a declaração de compensação. Mediante o Despacho Decisório, o titular da unidade local indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou as compensações declaradas. Como fundamento à decisão, a autoridade registrou que os valores retidos na fonte não são passíveis de enquadramento nas regras de compensação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que não se tratam de créditos passíveis de restituição ou ressarcimento, como expressamente diz o artigo. Disse ainda, citando a Solução de Divergência Cosit n° 8, de 2007, que se o valor da retenção foi calculado corretamente não há pagamento indevido ou a maior. Acrescentou que somente a partir da vigência da Medida Provisória n° 413, de 2008, alterada pela MP n'425 do mesmo ano, e posteriormente convertida na Lei n° 11.727, de 2008, é que se abriu a possibilidade de restituição ou compensação do valor retido a título de PIS e Cofins que superasse o montante devido no encerramento do período de apuração. Até então, o saldo negativo de retenção somente poderia ser deduzido das contribuições devidas nos períodos de apuração seguintes. Cientificada do teor da decisão, alegou em síntese que: a) o pedido de restituição é decorrente das normas de retenção constantes dos §§3° e 4° do artigo 3° da Lei n° 10.485, de 2002, alterado pelo artigo 36 da Lei n° 10.865, de 2004; após o cálculo dos valores devidos da contribuição, apurouse excesso de retenção, daí o surgimento de direito de crédito da contribuinte; b) a possibilidade de restituição ou compensação do excesso de retenção da Cofins e do PIS prevista no art. 5° da Lei d 11.727, de 2008, resultado da conversão da MP n° 413 do mesmo ano, não se trata de introdução de direito novo aos contribuintes, mas de reconhecimento de um direito que já existia; C) a Solução de Divergência Cosit n° 8, de 2007, dirigese aos casos em que as retenções se deram por órgãos públicos, no contexto do art. 64 da Lei n° 9.430, de 1996, não se estendendo à situação da interessada, em que as retenções foram feitas no Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10860.002454/200561 Acórdão n.º 3201004.276 S3C2T1 Fl. 488 3 âmbito de regulação própria para o setor automotivo, conforme Lei n° 10.485, de 2002; para essas situações havia também soluções de consulta da Receita Federal (..) que confirmavam o direito à restituição ou compensação com outros tributos; a diferença de tratamento se justifica: no caso das retenções feitas por órgãos públicos há restrição expressa da legislação pertinente (o artigo 64 da Lei n° 9.430) determinando que os valores retidos somente pudessem ser compensados com tributos da mesma espécie. Inexiste tal obstáculo nas outras formas de retenção, não havendo motivo para negar direito à recuperação dos valores antecipados de PIS e Cofins que se revelavam indevidos. Reitera, por fim, a legitimidade de seu procedimento e pleiteia o deferimento do pedido de restituição e a homologação das declarações de compensação. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CPS n.º 0530.080, de 23/08/2010 (fls. 452 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. Os valores correspondentes à contribuição social retidos na fonte somente podem ser utilizados como dedução do que for devido a título dessa contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 466 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 489DF CARF MF 4 A Recorrente apresentou pedidos de restituição de contribuições retidas na fonte. A unidade de origem, contudo, indeferiuos, ao fundamento de inexistir, no caso, por falta de previsão legal, o direito reclamado, tal como preconiza a Solução de Divergência Cosit nº 8, de 24/07/2007: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. EXCESSO DE RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. Rubrica Os valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep retidos na fonte somente podem ser utilizados como dedução do que for devido a título dessa contribuição. O excesso de retenção não configura pagamento indevido ou a maior. Não é possível, por falta de previsão legal, a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou a restituição em dinheiro. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 64 e 74; Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005; art. 16, incisos I e II; Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; art. 3º, §§ 10 e 20 do art. 50; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, • art. 15; Instrução Normativa SRF nA 460, de 18 de outubro de 2004; Instrução Normativa SRF nº 517, de 22 de fevereiro de 2005; Instrução Normativa SRF nº 598, de 28 de dezembro de 2005; Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. EXCESSO DE RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. Rubrica Os valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep retidos na fonte somente podem ser utilizados como dedução do que for devido a título dessa contribuição. O excesso de retenção não configura pagamento indevido ou a maior. Não é possível, por falta de previsão legal, a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou a restituição em dinheiro. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 64 e 74; Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005; art. 16, incisos I e II; Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; art. 3º, §§ 10 e 20 do art. 50; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, • art. 15; Instrução Normativa SRF nA 460, de 18 de outubro de 2004; Instrução Normativa SRF nº 517, de 22 de fevereiro de 2005; Instrução Normativa SRF nº 598, de 28 de dezembro de 2005; Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10860.002454/200561 Acórdão n.º 3201004.276 S3C2T1 Fl. 489 5 Outros processos apresentados pela Recorrente, envolvendo idêntico tema, já foram julgados por este mesmo Conselho Administrativo. Porque concordamos com os seus fundamentos, passamos a reproduzir o voto proferido no processo administrativo nº 10860.001434/200573, relatado pelo Conselheiro Marcos Antonio Borges (Acórdão nº 3801 001.872, de 21/05/2013), adotandoo, também aqui, como razão de decidir: A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre do excesso de retenção na fonte apurados após o cálculo dos valores devidos da contribuição para a Cofins, conforme as normas de retenção constantes dos §§3° e 4º do artigo 3° da Lei n° 10.485, de 2002, alterado pelo artigo 36 da Lei n° 10.865, de 2004. A decisão recorrida foi no sentido da impossibilidade da compensação ou restituição desses valores por falta de previsão legal. Com efeito, não assiste razão à recorrente, como veremos. Assim dispunham o citado artigo da Lei n° 10.485, de 2002, com a redação vigente á época: Art. 3° As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à • incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei n'10.865, de 2004) (...) § 3° Os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica fabricante dos produtos relacionados no art. 1º desta Lei a pessoa jurídica fornecedora de autopeças, exceto pneumáticos e câmarasdear, estão sujeitos à retenção na fonte da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 4º O valor a ser retido na forma do § 3 ° deste artigo constitui antecipação das contribuições devidas pelas pessoas jurídicas fornecedoras e será determinado mediante a aplicação, sobre a importância a pagar, do percentual de 0,5% (cinco décimos por cento) para a contribuição para o PIS/PASEP e 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para a COFINS. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 5° Os valores retidos na quinzena deverão ser recolhidos ao Tesouro Nacional até o último dia útil da semana subseqüente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica fornecedora de autopeças. (Redação dada pela Lei n° 10.925, de 2004) (...) Ou seja, os valores retidos nas hipóteses da retrocitada lei seriam considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação as respectivas contribuições, podendo ser deduzidos, pelo contribuinte, das Fl. 491DF CARF MF 6 contribuições de mesma espécie, devidas relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. É o que dispõe ainda a norma regulamentadora IN SRF n° 594, de 2005: Art. 1 º.. (...) XI autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei n o 10.485, de 2002, e alterações posteriores. (...) Art. 45. Está sujeito à retenção na fonte da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o pagamento referente à aquisição das autopeças de que trata o inciso XI do art. 1 ° , quando efetuado por pessoa jurídica fabricante: I de peças, componentes ou conjuntos destinados aos produtos de que trata o inciso IX do art. 1 ° ; e II de produtos de que trata o inciso IX do art. 1 ° (...) Art. 46. Os valores retidos na forma do art. 45 constituem antecipação das contribuições devidas pela pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos no encerramento do respectivo período de apuração. § 1 ° A pessoa jurídica beneficiária pode deduzir, do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas, os valores retidos na forma do art. 45. § 2 ° A dedução de que trata o § 1 ° pode ser efetuada em relação às contribuições decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Conforme se verifica a contribuição retida na fonte (PIS e Cofins), calculada conforme a hipótese acima prevista, é considerada como antecipação do devido, não se caracterizando como um pagamento indevido ou a maior de tributo, o qual daria ensejo à restituição ou compensação. Ocorrendo, portanto, um valor de retenção superior ao valor efetivamente devido pelo contribuinte, calculado ao final do período de apuração, entendese que apenas se antecipou mais do que o valor devido no final de apuração. Entretanto, a Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008 (convertida na Lei nº 11.727, de 2 de junho de 2008), em seu art. 5º, inovou por completo, estabelecendo um novo tratamento a ser dado aos excessos de retenção na fonte, nos seguintes termos: “Art. 5º Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10860.002454/200561 Acórdão n.º 3201004.276 S3C2T1 Fl. 490 7 § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3o A partir da publicação desta Medida Provisória, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, apurados em períodos anteriores, poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo.”(negritos nossos) Sendo assim, a partir da publicação da MP nº 413, de 2008, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar a título de contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins no mês de apuração, ou seja, quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês, os valores retidos na fonte a título de contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. Anotese que o citado dispositivo foi regulamentado pelo Decreto nº 6.662, de 25 de novembro de 2008, que no seu art. 2º dispõe: (...) Art. 2º A partir de 4 de janeiro de 2008, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Desta feita, resta muito claro, que na época em que foi protocolado o pedido de restituição e transmitidas as DCOMPs tratadas no presente processo (26/04/2005), não era possível, em conformidade com a legislação acima transcrita (§§3° e 4º do artigo 3° da Lei n° 10.485, de 2002 e art. 46 da IN SRF n° 594, de 2005,), a restituição ou compensação tributária (nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e alterações) dos possíveis saldos relativos aos valores retidos na fonte a título da Contribuição da Cofins. Com efeito, antes da MP nº 413, de 2008, alterada pela MP nº 425, de 30 de abril de 2008, e posteriormente convertida na i n° 11.727, de 23 de junho de 2008, não havia a menor possibilidade de restituirse a contribuição retida na fonte. Isso porque, é até desnecessário ressaltar, o valor a restituir era disciplinado apenas no art. 165 do CTN, de forma Fl. 493DF CARF MF 8 que somente o tributo indevido ou maior que o devido, assim considerado na data do seu pagamento, é que poderia ser objeto de restituição. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10860.002454/200561 Acórdão n.º 3201004.276 S3C2T1 Fl. 491 9 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Em que pese as bem fundamentadas razões do Relator, ouso divergir. O fundamento central do voto condutor é no sentido de que não seria possível a restituição de valores retidos na fonte a título de PIS e COFINS por inexistência de legislação que a autorize. Todavia, entendo que a inexistência de previsão de procedimento específico para a restituição pretendida não configura vedação para tanto. Até porque, é sabido, o direito à restituição de valores recolhidos indevidamente ou a maior a título de tributos decorre de previsão geral constante do próprio art. 165 do Código Tributário Nacional e do art. 74 da Lei nº 9.430/98. A presente Declaração de Voto tem por objetivo salientar que não se trata aqui de negar vigência à texto de lei ou reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Até porque, como dito, a negativa do direito postulado pelo contribuinte não decorre de expressa vedação legal, mas, sim, de inexistência de autorização legal. Logo, o presente entendimento se funda na existência de norma geral autorizadora de aplicabilidade imediata, a meu ver, violada com a negativa proposta pela autoridade fiscal. Uma vez comprovado que os valores retidos à título de PIS e COFINS foram superiores ao efetivamente devido pelo contribuinte, é de se autorizar o direito à sua restituição, condicionado, por evidente, à comprovação de existência do crédito. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724405/2014-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE
São dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos obtidos por via judicial, devidamente comprovados por documentação hábil.
Numero da decisão: 2001-000.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE São dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos obtidos por via judicial, devidamente comprovados por documentação hábil.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE São dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos obtidos por via judicial, devidamente comprovados por documentação hábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 44 05 /2 01 4- 32 Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2012, anocalendário de 2011, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 53.953,16. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que faria jus ao abatimento de R$ 17.600,00 relativo a honorários advocatícios pagos a advogada Valéria Aparecida Ferreira dos Santos – OAB/PR 49266 A DRJ Belém, no decorrer da análise dos fatos, demonstra seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as suas alegações, posto que os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar a parceria que alegou existir, tal como contrato devidamente registrado em que restasse estabelecido o percentual cabível a cada um ou outra forma de parceria. Além disso, ressaltou a DRJ que nos extratos de todos os processos apresentados, só consta como patrono das causas o próprio impugnante, fls 16 a 46. Por fim, demonstra que foi verificado nos Sistemas da SRF que o valor informado de R$ 17.600,00 que alegou haver repassado à outra profissional, sequer foi oferecido à tributação pela mesma, além de não haver vinculação empregatícia. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte apenas ratifica através de uma frase, que deseja que seja considerado o valor do pagamento dos honorários de R$ 17.600,00, sem trazer nenhuma nova prova para corroborar o quanto sustentado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Dos honorários advocatícios O recorrente pleiteia que, do valor total recebido acumuladamente, deve ser considerada a despesa dos honorários advocatícios no valor de R$ 17.600,00. Ocorre que , conforme fora salientado pela DRJ Belém, o contribuinte apresentou documentos que não foram suficientes para comprovar a parceria que alegou Fl. 84DF CARF MF Processo nº 19985.724405/201432 Acórdão n.º 2001000.714 S2C0T1 Fl. 3 3 existir, tal como contrato devidamente registrado em que restasse estabelecido o percentual cabível a cada um ou outra forma de parceria. Ademais, repitase, fora evidenciado que nos extratos de todos os processos apresentados, só consta como patrono das causas o próprio impugnante, fls 16 a 46. Por fim a DRJ ainda demonstra que foi verificado nos Sistemas informatizados da Secretaria que o valor informado de R$ 17.600,00 que alegou haver repassado à outra profissional, sequer foi oferecido à tributação pela mesma, além de não haver vinculação empregatícia. Tendo em vista que em sede de Recurso Voluntário o recorrente não traz nenhum nova prova que confirme o real pagamento dos honorários e que a advogada Valéria Aparecida Ferreira dos Santos – OAB/PR 49266 patrocinou a causa e recebeu essa quantia, entendo que deve ser mantida a decisão a quo e portanto negado provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter o lançamento fiscal efetuado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.910447/2009-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. PER/DCOMP RETIFICADOR. APRESENTAÇÃO APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO DISPONÍVEL.
A legislação de regência da matéria impede que seja admitido o PER/Dcomp retificador quando este é apresentado depois da decisão administrativa que apreciou o PER/Dcomp original.
Constatado que o pretendido direito creditório decorre de eventual crédito remanescente de PER/Dcomp retificador que não foi admitido, permanecem válidos os pressupostos adotados pela autoridade fiscal, ao sustentar que o valor do crédito reconhecido foi insuficiente para a amortização dos débitos informados nos PER/Dcomp admitidos.
Numero da decisão: 3001-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. PER/DCOMP RETIFICADOR. APRESENTAÇÃO APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO DISPONÍVEL. A legislação de regência da matéria impede que seja admitido o PER/Dcomp retificador quando este é apresentado depois da decisão administrativa que apreciou o PER/Dcomp original. Constatado que o pretendido direito creditório decorre de eventual crédito remanescente de PER/Dcomp retificador que não foi admitido, permanecem válidos os pressupostos adotados pela autoridade fiscal, ao sustentar que o valor do crédito reconhecido foi insuficiente para a amortização dos débitos informados nos PER/Dcomp admitidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 256 1 255 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.910447/200908 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.599 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria DCOMP RESSARCIMENTO IPI RETIFICAÇÃO A DESTEMPO Recorrente CLICHERIA BLUMENAU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. PER/DCOMP RETIFICADOR. APRESENTAÇÃO APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO DISPONÍVEL. A legislação de regência da matéria impede que seja admitido o PER/Dcomp retificador quando este é apresentado depois da decisão administrativa que apreciou o PER/Dcomp original. Constatado que o pretendido direito creditório decorre de eventual crédito remanescente de PER/Dcomp retificador que não foi admitido, permanecem válidos os pressupostos adotados pela autoridade fiscal, ao sustentar que o valor do crédito reconhecido foi insuficiente para a amortização dos débitos informados nos PER/Dcomp admitidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 180 a 253) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 1463.311, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 04 47 /2 00 9- 08 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13971.910447/200908 Acórdão n.º 3001000.599 S3C0T1 Fl. 257 2 Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, referente ao julgamento realizado em 26.10.2016 (efls. 173 a 175). Da decisão de 1ª instância O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE REDUÇÃO DO MONTANTE DOS DÉBITOS COMPENSADOS EM RETIFICADORA NÃO ADMITIDA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DÉBITO CONSTANTE DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. ÔNUS DO INTERESSADO. Alegando a interessada a incorreção de débito informado em PER/DCOMP, a qual possui natureza de confissão de dívida nos termos do art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, competiria trazer aos autos documentação idônea comprovando o erro de fato suscitado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Da síntese dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto, na parte de interesse ao presente julgamento, o relatório da decisão recorrida, que reproduzo, verbis: Relatório Tratase de processo no qual o interessado pleiteia o ressarcimento de crédito de IPI apurado ao final do 1º trimestre de 2003, no montante de R$ 37.669,41. Pretende que referido crédito seja utilizado na compensação de outros débitos de sua responsabilidade. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 07, foi reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado, ou seja, R$ 37.669,41, e homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito ora fixado. No entanto, apesar do crédito pleiteado ter sido totalmente deferido, não foi suficiente para a extinção total dos débitos declarados nas compensações vinculadas ao presente processo. São indicados os seguintes valores no saldo devedor consolidado: principal – R$ 1.223,41, multa – R$ 244,67, juros – R$ 346,65. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13971.910447/200908 Acórdão n.º 3001000.599 S3C0T1 Fl. 258 3 Inconformado com a decisão, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 03/04, alegando que: o crédito declarado no PER/DCOMP nº 33870.04326.161203.1.3.01 1424 referente ao 1º trimestre de 2003 não foi utilizado na sua totalidade até 16/03/2004, data em que foi entregue; houve outro PER/DCOMP na seqüência, o de nº 02337.13573.160304.1.7.1.010038, restando um saldo remanescente de R$ 8.904,03; este saldo remanescente passou a ser utilizado a partir de 17/10/2007, através de um Pedido de Ressarcimento Residual do crédito; na análise do Despacho Decisório, o PER/DCOMP de nº 31221.48457.171007.1.3.010051 está com a situação de homologado, porém este PER/DCOMP foi retificado sob o nº 07796.91099.010408.1.7.019090, diminuindo o valor do débito compensado restando um saldo remanescente de R$ 1.501,90 que foi utilizado para compensação através do PERD/COMP nº 37913.51399.160408.1.3.012875 que no despacho consta como não homologado. Por fim, requereu a verificação do PER/DCOMP nº 31221.48457.171007.1.3.010051 e do retificador nº 07796.91099.010408.1.7.019090 reconhecendo a nulidade do Despacho Decisório em questão por ter saldo suficiente para homologar o PER/DCOMP nº 37913.51399.160408.1.3.012875; e a baixa dos débitos em questão. Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário para, após narrar os fatos que resultaram na não homologação do PER/DComp nº 37913.51399.160408.1.3.012875, aduzir que o direito à devolução ou repetição de indébito tributário encontra amparo no princípio que veda o locupletamento sem causa, e sua compensação está assegurada pelo artigo 165 do CTN e pelos artigos 41, 89 e 90 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20.11.2012. Anexa a cópia da DCTF do 2º semestre de 2007, dos termos de abertura e encerramento do livro Diário nº 32, e página 343, e das páginas 268 e 269 do Razão Auxiliar contas Cofins e PIS. Nestes termos, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 20.12.2016 para ser analisado por este Carf (efl. 255), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13971.910447/200908 Acórdão n.º 3001000.599 S3C0T1 Fl. 259 4 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recurso voluntário foi apresentado em 12.12.2016, conforme observase do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 254); após ciência no dia 10.11.2016, conforme depreendese do "Aviso de Recebimento AR" juntado à efl. 178. Cotejando as datas acima mencionadas, confirmase que a petição recursal foi interposta no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Do mérito Da síntese dos fatos À guisa de esclarecimento, em face do argumentos tecidos pelo Recorrente, dúvida não persiste quanto ao fato de o contribuinte ter apresentado PER/Dcomp Retificador depois de Decisão Administrativa que homologou o pedido formulado em PER/Dcomp originalmente apresentado, para fins de elucidar essa questão factual, reproduzo trecho de sua Manifestação de inconformidade, apresentada em 04.11.2010, vejamos, verbis: Manifestação de Inconformidade I) Preliminar. Em 05/10/2010 foi emitido pela Receita Federal do Brasil Despacho Decisório de nº 887144988 (anexo1). Nº do Processo de Crédito 13971901.522/200851 relativo ao Perd/Comp de nº 33870.04326.161203.1.3.011424 entregue em 16.12.2003 demonstrando o crédito de IPI existente no 1º Trimestre de 2003, originado de compra de matériaprima, homologando parcialmente as compensações do respectivo saldo, negando o Perd/Comp nº.: 37913.51399.160408.1.3.012875 (...) II) Mérito: O crédito declarado em Perd Comp nº 33870.04326.161203.1.3.011424 (anexo2) referente o 1º trimestre de 2003 não foi utilizado na sua totalidade até 16.03.2004 data em que foi entregue, houve outro Perd Comp na Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13971.910447/200908 Acórdão n.º 3001000.599 S3C0T1 Fl. 260 5 seqüência o de nº 02337.13573.160304.1.7.1.010038 (anexo3) restando um saldo remanescente de R$8.904,03. Este saldo remanescente passou a ser utilizado a partir de 17.10.2007, através de um Pedido de Ressarcimento Residual do crédito, porque a versão 3.3 do Programa Gerador PERD/COMP não permitiu fazer apenas a declaração de compensação, era preciso estar vinculado a declaração de compensação um nº com o Pedido de Ressarcimento de IPI. Desta forma, fizemos o pedido como Ressarcimento Residual de IPI através do Perd/Comp nº 25469.96234.171007.1.1.010228 (Anexo4) informando o saldo Inicial e remanescente, o número dos Perd/comp's vinculados ao crédito já utilizado onde também consta todas as notas fiscais entrada da origem do crédito (anexo 8) e o livro de apuração do IPI do respectivo período (Anexo9). Observamos que, na análise do referido despacho decisório o Perd/Comp de nº 31221.48457.171007.1.3.010051(anexo5) está com a situação de homologado, porém este PERD/COMP foi retificado sob o nº 07796.91099.010408.1.7.019090 (Anexo 6) diminuindo o valor do débito compensado restando um saldo remanescente de R$ 1.501,90 que foi utilizado para compensação através do PERD/COMP nº 37913.51399.160408.1.3.012875 (anexo7) que no despacho consta como não homologado. Os débitos compensados e vinculados ao referente Saldo a Ressarcir em valor originário reconhecido através do Despacho Decisório no valor originário de R$ 37.669,41 não foi utilizado além do que é de direito, demonstrado através de planilha excel a composição conforme PERD/COMP's entregues (Anexo 10). (...) Da fundamentação A matéria objeto do contencioso administrativo restringese à insuficiência do crédito para homologar a compensação informada no PER/Dcomp nº 37913.51399.160408.1.3.012875, tendo em vista ter o contribuinte compensado débito em montante superior ao valor do crédito informado. Em suma, a questão posta no inconformismo do Recorrente relacionase com a possibilidade legal de o PER/Dcomp de nº 31221.48457.171007.1.3.010051 (original) ser objeto de retificação pelo PER/Dcomp nº 07796.91099.010408.1.7.019090, mesmo após decisão administrativa que homologou o pleito contido no PER/Dcomp original e, por consequência, ver homologada a compensação pleiteada no PER/Dcomp nº 37913.51399.160408.1.3.012875, em razão da diminuição do valor do débito compensado que havia sido inicialmente informado naquele PER/Dcomp original 31221.48457.171007.1.3.01 0051, a fim de justificar a existência de um saldo credor remanescente, indicado no PER/Dcomp nº 37913.51399.160408.1.3.012875. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13971.910447/200908 Acórdão n.º 3001000.599 S3C0T1 Fl. 261 6 Neste sentido, é de ressaltar, tal como acertadamente assentou a Decisão Recorrida, ao afirmar que o Despacho Decisório anexado à efl. 168, o PER/Dcomp retificador nº 07796.91099.010408.1.7.019090 não foi admitido, sendo que desta decisão, o contribuinte foi cientificado em 05.06.2009 (efl. 169), sem, sequer, opor resistência à autoridade fiscal competente. Isto porque ao compulsarmos a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 norma de regência da matéria em vigor à época dos fatos, observase que a autoridade fiscal age com acerto quando não admite a tentativa de retificação do PER/Dcomp de nº 31221.48457.171007.1.3.010051, na medida em que seu artigo 57 prescreve textualmente que o "Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59". (grifei) Desta feita, não há reparo à decisão proferida no acórdão vergastado, quando assenta que "permanecem válidos os pressupostos adotados no Despacho de Decisório de fl. 07, dado que o valor do crédito de IPI reconhecido para o 1º trimestre de 2003 foi insuficiente para a amortização dos débitos informados nos PER/DCOMPs admitidos", bem como quando assevera que a "análise a respeito da correção da não admissão do PER/Dcomp retificador nº 07796.91099.010408.1.7.019090 não faz parte das atribuições legais desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, estando, ademais, tal questão preclusa". Da conclusão Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662599/2012-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2009
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
Numero da decisão: 1003-000.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 25 99 /2 01 2- 15 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.662599/201215 Acórdão n.º 1003000.325 S1C0T3 Fl. 78 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 35/38) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 36791.28291.181110.1.3.049908 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. A recorrente, às folhas 45/51, faz menção ao acórdão recorrido e repete, ipsis litteris, os argumentos de sua impugnação, razão pela qual transcrevese aqui a síntese constante do relatório do acórdão a quo: O manifestante fez uma síntese dos fatos, tendo salientado que vinha acumulando créditos decorrentes da retenção dos 11% a título de “antecipação”, instituída pela Lei nº 9.711, de 1998, cuja constitucionalidade foi proclamada pela Corte Suprema. Assevera que, com a mudança da legislação, foi possível ao sujeito passivo compensar, indiretamente, o seu crédito referente aos tributos da União com o seu débito referente à contribuição previdenciária, cujo titular é o INSS, e créditos desta com tributos administrados pela Receita Federal. Como se sabe, voluntariamente, não seria possível ao sujeito passivo compensar a contribuição previdenciária retida na fonte, nem obter seu parcelamento. Porém, aqui se trata de compensação por iniciativa oficial. Faz menção à legislação pertinente ao assunto em pauta, além de citar entendimentos doutrinários e jurisprudência. Conclui o manifestante destacando a perfeita condição fática e jurídica que permite a compensação de contribuições previdenciárias com os demais débitos tributários administrados pela Receita Federal. Ao final, requer seja "recebida o presente Recurso Voluntário, julgandoo procedente e homologando a compensação, procedendo a devida manutenção dos créditos requeridos nos processos de ressarcimento com o débitos já informados". É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.662599/201215 Acórdão n.º 1003000.325 S1C0T3 Fl. 79 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator Na ausência de qualquer informação no processo acerca das datas de ciência do acórdão a quo e de apresentação do Recurso Voluntário (envelope de postagem à folha 74 sequer faz menção ao processo), considero, em benefício da contribuinte, ser este tempestivo, portanto dele conheço. Tendo a contribuinte repetido seus argumentos da impugnação, sem apresentar qualquer comprovação de suas alegações, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: Segundo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Por outro lado, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte – , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.662599/201215 Acórdão n.º 1003000.325 S1C0T3 Fl. 80 4 desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. A apuração de IRPJ é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. Também a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples menção à existência de supostos créditos “relativos à retenção de 11% do INSS” (sic), não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DIPJ e DCTF pertinentes à apuração do IRPJ relativo ao período de apuração de 30/06/2009, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior e atestar a certeza e liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 80DF CARF MF
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