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Numero do processo: 10935.724861/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2010
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.CPP. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente.
ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
SIMPLES NACIONAL. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A empresa optante pelo Simples Nacional que auferir receitas decorrentes da revenda de mercadorias sujeitas à substituição tributária da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, terá direito, na apuração do montante devido no mês relativo a cada uma dessas Contribuições, à redução do valor a ser recolhido na forma do regime simplificado, questão devidamente contemplada pela fiscalização no lançamento.
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não declaradas constituem-se receitas omitidas ao Fisco.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada, nos termos da Súmula CARF nº 14.
(Assinado Digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.CPP. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL SIMPLES NACIONAL. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A empresa optante pelo Simples Nacional que auferir receitas decorrentes da revenda de mercadorias sujeitas à substituição tributária da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, terá direito, na apuração do montante devido no mês relativo a cada uma dessas Contribuições, à redução do valor a ser recolhido na forma do regime simplificado, questão devidamente contemplada pela fiscalização no lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 48 61 /2 01 3- 12 Fl. 1293DF CARF MF 2 quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada, nos termos da Súmula CARF nº 14. (Assinado Digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado Digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo que por unanimidade julgou pela improcedência da Impugnação apresentada, mantendo os créditos tributários lançados em sua totalidade. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10935.724861/201312 Acórdão n.º 1402003.132 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 10/12/2013 (fl. 965), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins, Contribuição Patronal Previdenciária, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2010 (período de janeiro a maio). A autuação pertinente ao período de junho/2010 a dezembro de 2012, no regime do Lucro Presumido, foi lançada no processo 10935.724835/201394, tendo sido prolatado, por esta mesma Turma de Julgamento, o Acórdão nº 16 64.289, em 18/12/2014, que considerou totalmente procedente o lançamento. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 964 a 1010) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1011 a 1020), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Omissão de Receitas – Depósitos ou Investimentos em Instituição Financeira com Origem Não Comprovada (código 33330007) – caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, 25, 26, Inciso II e § 2º, e 34, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e atualizações; 9º, 13, 14, Inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008; 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; 287 do RIR/1999. 2.2. Diferença de Base de Cálculo Diferença de Base de Cálculo (código 33331001) – com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, 25, e 26, Inciso II e § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, § 1º, 6º, e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso II, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 2.3. Insuficiência de Recolhimento – Diferença de Alíquota (código 33332001) – decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos às fls. 979 a 986, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso III, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 3. O AI foi subdividido em Auto de Infração e Notificação Fiscal (fls. 964 e 965), Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fls. 966 a 968), Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre as Receitas do Simples Nacional (fls. 969 a 978), Demonstrativo de Valores Apurados por Insuficiência de Recolhimento (fls. 979 a 986), Demonstrativo de Valores de Impostos/Contribuições Sobre Diferenças Apuradas (fls. 987 a 996), Demonstrativo de Multas e Juros e Enquadramento Legal (fls. 997 a 1004) e Demonstrativo de Valores Devidos (fls. 1005 a 1009) e Termo de Encerramento (fl. 1010). 4. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 4.1. IRPJ com base nos artigos 13, Inciso I, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e Fl. 1295DF CARF MF 4 alterações, formalizando crédito tributário calculado até 12/2013 no montante de R$ 26.340,82. 4.2. CSLL com base nos artigos 13, Inciso III, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 12/2013 no montante de R$ 26.336,81. 4.3. COFINS com base nos artigos 13, Inciso IV, 18 §§ 1º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º, e 6º, Inciso II, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 12/2013 no montante de R$ 78.498,42. 4.4. PIS com base nos artigos 13, Inciso V, 18 §§ 1º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º, 6º, Inciso II, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 12/2013 no montante de R$ 18.649,56. 4.5. CPP com base nos artigos 13, Inciso VI, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 12/2013 no montante de R$ 224.702,36. 5. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, Inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e os artigos 15 e 16, Inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 07/02/2008 – infração de omissão de receitas por presunção legal – depósitos bancários – 150,00%), e o artigo 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e os artigos 15 e 16, Inciso II, da Resolução CGSN nº 30, de 07/02/2008 – infração de omissão de receitas da atividade – 75,00%); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações (fl. 1004). 6. Irresignada com os lançamentos, em 07/01/2013 a empresa apresentou a impugnação às fls. 1154 a 1162, instruída com os documentos às fls. 1163 a 1167, na qual alega, em síntese, o seguinte: 6.1. A recorrente possui, em seu ramo de atividade, “Comércio de Peças e Acessórios para Veículos e Prestação de Serviços de Balanceamento e Geometria de Pneus”, sendo que sua principal atividade econômica consiste em venda de pneumáticos, a segunda é o comércio de peças para veículos, e a terceira é a prestação de serviços, embora nesta o faturamento seja mínimo. 6.2. Em relação ao comércio de pneumáticos, o art. 18, “caput”, da Lei Complementar nº 123/2006, registra que o valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte comercial, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação da tabela do Anexo I, e determina, em seu § 4º, Inciso IV, que o contribuinte deverá considerar, destacadamente, para fim de pagamento, as receitas decorrentes da venda de mercadorias sujeitas a substituição tributária e tributação concentrada em uma única etapa (monofásica), bem como, em relação ao ICMS, antecipação tributária com encerramento de tributação. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10935.724861/201312 Acórdão n.º 1402003.132 S1C4T2 Fl. 1.113 5 6.3. Com base na retromencionada lei devem ser excluídos do AI os valores lançados a título de PIS e Cofins, uma vez que já recolhidos pelos fabricantes. 6.4. Nos itens 5.4 e 5.5 do Termo de Verificação Fiscal a fiscalização não entrou no mérito da situação especial, definida na lei acima citada, que contempla a incidência de PIS e Cofins para os produtos comercializados pela contribuinte, e simplesmente fundamentou o lançamento “por reflexo”. 6.5. O Termo de Verificação Fiscal, em seu item 6 (Das Penalidades), letra f, afirma que “...Observase pelos DACONs entregues à Receita Federal que, além de não tributar corretamente a receita já declarada em outros instrumentos, decidiu simplesmente zerar a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS naquele ano e em diversos meses dos anos subsequentes”, e na letra h, “...Entendemos que, no presente caso, esses elementos estiveram presentes e objetivaram, ao que tudo indica, reduzir artificialmente os tributos. A conduta da contribuinte, ao apresentar a DASN, DIPJs e DACONs dos anos calendário 2010 a 2012 com valores zerados ou inferiores aos reais, caracterizou, na nossa opinião, uma omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, tal qual descrito pelo artigo 71 da Lei n° 4.502 de 30/11/1964, acima transcrito.” 6.6. Da análise dos trechos, depreendese que, julgando tratarse de conduta omissiva dolosa, houve a elevação da multa em 150%, o que elevou consideravelmente os valores das multas. 6.7. Ora, com a devida vênia, devese salientar que não há valores a serem informados na DACON e DIPJ. Tratase simplesmente de produtos com substituição tributária, com amparo no artigo 18 da Lei Complementar nº 123/2006, tendo a contribuinte cumprido a norma legal que estabelece as alíquotas zero para as referidas contribuições. 6.8. Assim, a qualificação da multa, de 75% para 150%, é ilegal, além de apresentar característica confiscatória que penaliza a contribuinte. 6.9. Ainda no T.V.F, o autuante assevera que “... Já a omissão de registro da movimentação bancária, em flagrante desrespeito às regras vigentes, caracteriza uma fraude contábil, figura esta compatível com o descrito pelo artigo 72 do mesmo mandamento legal”, e acrescenta que “Face ao exposto, entendemos que a conduta da contribuinte configura, em tese, sonegação e intuito de fraude tipificadas pelos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502 de 1964, não restando à fiscalização outro caminho senão o de aplicar a multa em dobro, em conformidade com o § 1º do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996.” 6.10. A defendente não concorda com a afirmação “...configura, em tese, sonegação e intuito de fraude tipificadas...”. 6.11. Embora a movimentação bancária será devidamente explicada e justificada em item próprio, mais adiante, que certamente levará à exoneração do crédito tributário, a aplicação em dobro da multa é incabível. 6.12. Não há o que se falar em fraude. Se a contribuinte tivesse de fato a intenção de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, não iria efetuar depósitos bancários, e sim ocultaria as verbas disponíveis de outra maneira. No presente caso nada foi ocultado, muito menos com artifícios ilícitos. Fl. 1297DF CARF MF 6 6.13. A movimentação financeira do ano 2010 é explicada em função da transição causada pela aquisição de um Grupo de Segmento da Empresa Roso e Filhos Ltda, no ano de 2010. 6.14. Neste período, da transição, tinhase uma empresa constituída, com data de 10/12/2009, porém, sem a liberação da bandeira. Assim, deviase trabalhar com a empresa do antigo proprietário (Roso e Filhos Ltda), até a liberação por parte da Brigestone, para que se pudesse operar com esta marca. Entre a liberação e o período de transição decorreram quatro meses, período em que eram emitidas notas fiscais em nome da Roso e Filhos Ltda da parte que coube como vendas realizadas pelos novos proprietários, além da parte de vendas da empresa Roso e Filhos Ltda. 6.15. No início do mês de maio de 2010, iniciouse a emissão de notas fiscais pela empresa F1 Comércio de Pneus e Auto Center Ltda, e praticamente toda a movimentação financeira operouse pela empresa Caveglion e Caveglion Ltda., em virtude de a empresa nova não contar com crédito junto às instituições financeiras. 6.16. A fim de que se possa demonstrar esta nova demanda pela Caveglion e Caveglion Ltda, a Empresa F1Comercio e Pneus e Auto Center Ltda, no período de maio a dezembro de 2010, faturou o valor de R$ 2.891.443,79, não computados os meses de janeiro a abril de 2010, emitidos pela empresa Roso e Filhos Ltda, que não fazem parte deste grupo. 6.17. O valor acima mencionado, do ponto de vista da defendente, deve ser reduzido das diferenças encontradas pela RFB. 6.18. Quanto aos meses de janeiro a abril de 2010, farseá uma analise dos valores de cheques descontados, para que se alcance um parâmetro mínimo. 6.19. Cumpre citar que as receitas de vendas estão à disposição para verificação, no Livro Diário e Razão n° 01 de 2010, já escriturado, da empresa Fl Comércio de Pneus e Auto Center Ltda. 7. A defendente prossegue, no contraditório apresentado, com argumentação semelhante à apresentada acima, tecendo considerações acerca da movimentação financeira apurada pela RFB no ano de 2010, que deveria ser atribuída, em parte e de acordo com sua avaliação, às retrocitadas empresas, e enfatiza que não houve sonegação e intuito de fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. 8. A requerente assinala que está convicta que suas ponderações serão levadas em consideração pelos d. julgadores, com o objetivo de cancelar ou exonerar totalmente o lançamento, mas consigna que se não for este o entendimento, enfatiza a necessidade de redução da multa para o percentual de 75%. Enfatiza os pontos já externados anteriormente, de que não restou comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico ou fraude, e que não teve o intuito de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador. Conclui que se tivesse agido de máfé não depositaria em banco o produto financeiro resultado de uma sonegação fraudulenta, com dolo, etc. (cita e transcreve julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do antigo Conselho de Contribuintes). Após analisar a impugnação, a r. DRJ proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2010 Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10935.724861/201312 Acórdão n.º 1402003.132 S1C4T2 Fl. 1.114 7 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.CPP. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2010 SIMPLES NACIONAL. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A empresa optante pelo Simples Nacional que auferir receitas decorrentes da revenda de mercadorias sujeitas à substituição tributária da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, terá direito, na apuração do montante devido no mês relativo a cada uma dessas Contribuições, à redução do valor a ser recolhido na forma do regime simplificado, questão devidamente contemplada pela fiscalização no lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2010 MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. CONFISCO. O percentual da multa de ofício e dos Juros Selic aplicados está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestarse a respeito de eventual alegação de afronta ao princípio da vedação ao confisco. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário em que sustenta que as receitas omitidas são derivadas da venda de pneumáticos, sujeitas, portanto, à alíquota zero de PIS/COFINS, nos termos da Lei n. 10.485/2002. A recorrente juntou cópia da alteração do contrato social, que teria, a seu ver, a fora de comprovar a comercialização de pneumáticos e peças para veículos. Sustenta o princípio da verdade material para suscitar o conhecimento das notas fiscais por amostragem juntadas para comprovar sua atividade empresarial. Fl. 1299DF CARF MF 8 Afirma que a movimentação financeira excedente ocorreu por motivo da aquisição de uma nova empresa F1 – Comércio de Pneus e autocenter LTDA. Sustenta ainda a aplicação do art. 112 do CTN, visto que a interpretação subjetiva por parte do Agentefiscal não é inconteste. Afirma ainda que a multa tem caráter confiscatório e ofenderia aos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva. Não teria ocorrido o fato gerador d obrigação tributária, do que decorreria a inexistência da multa. Afirma ainda que não houve máfé, sendo indevida a qualificação da multa ao patamar de 150%. Sustenta por fim a interpretação benigna, não podendo a multa ser pautada em presunções. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO: 2.1. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS A Recorrente foca seu Recurso nas contribuições ao PIS/PASEP e na COFINS, sustentando a não incidência dessas contribuições pois suas receitas, ainda que omissas, seriam derivadas da venda de pneumáticos e outras peças sujeitas à alíquota zero por força dos arts. 3 e 5 da Lei n. 10.485/02, teria juntado notas fiscais por amostragem para comprovar sua atuação. Em que pese os argumentos aduzidos pela Recorrente, não podemos concordar com a interpretação proposta. Inicialmente, cumpre destacar que o art. 111 do CTN impõe a interpretação literal de normas que disponham sobre o crédito tributário, gênero do qual incluo a alíquota zero. Nessa toada, somente poderseia aplicar a alíquota zero aos valores comprovadamente oriundos da venda no varejo ou atacado de pneumáticos, no caso em espécie, doutra forma se estaria privilegiando a ausência de controle e escrituração contábil fiscal, pois aplicando alíquota zero baseado única e exclusivamente na declaração da Recorrente de que a receita omitida é oriunda da venda de pneumáticos. No caso, a parcela referente a apuração monofásica foi desconsiderada, pois sabidamente referente a venda de pneumáticos no varejo. A meu ver, correta a interpretação que aplica a regra geral da alíquota de PIS/COFINS prevista no anexo I, pois não há como se verificar a subsunção do fato à norma que determinou a alíquota zero. Notese que o mero fato de uma atividade constar no contrato social de uma empresa, não implica o reconhecimento de que qualquer receita omitida que se venha a tomar conhecimento derive desta atividade. Assim, não há como se afirmar ou se infirmar que a receita omitida derive da venda de pneumáticos no varejo ou atacado, como quer fazer crer a Recorrente. Ausentes provas contundentes, creio que se faz imperiosa a interpretação mais conservadora prevista no art. 111 do CTN. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10935.724861/201312 Acórdão n.º 1402003.132 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Isto posto, ainda que reconheçase a documentação apresentada pelo contribuinte, não é ela o bastante para gerar convencimento suficiente da tese aqui sustentada. Motivo pelo qual afasto os argumentos aduzidos quanto à aplicação da alíquota zero prevista na Lei n. 10.845/02. 2.2. Da movimentação bancária Em relação à movimentação bancária, sustentou o contribuinte em sede de impugnação, e reiterou em agora em Recurso Voluntário: Fl. 1301DF CARF MF 10 Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10935.724861/201312 Acórdão n.º 1402003.132 S1C4T2 Fl. 1.116 11 Fl. 1303DF CARF MF 12 A r. DRJ decidiu a este respeito que: 47. A defendente argumenta que a movimentação financeira do ano 2010 é explicada em função da transição causada pela aquisição de um Grupo de “Segmento” da Empresa Roso e Filhos Ltda, no ano de 2010. Acrescenta que neste período, da transição, tinhase uma empresa constituída, com data de 10/12/2009, porém, sem a “liberação da bandeira”, tendo trabalhado com a empresa do antigo proprietário (Roso e Filhos Ltda), até a liberação por parte da Brigestone, para que se pudesse operar com esta marca, sendo que entre a liberação e o período de transição decorreram quatro meses, período em que eram emitidas notas fiscais em nome da Roso e Filhos Ltda da parte que coube como vendas realizadas pelos novos proprietários, além da parte de vendas da empresa Roso e Filhos Ltda. 48. Em continuidade à sua defesa, registra que no mês de maio de 2010 iniciouse a emissão de notas fiscais pela empresa F1 Comércio de Pneus e Auto Center Ltda, e praticamente toda a movimentação financeira operouse pela empresa Caveglion e Caveglion Ltda, em virtude de a empresa nova não contar com crédito junto às instituições financeiras. 49. A defendente prossegue, no contraditório apresentado, com argumentação semelhante à apresentada acima, tecendo considerações acerca da movimentação financeira apurada pela RFB no ano de 2010, que deveriam ser atribuídas, em parte e de acordo com a sua avaliação, às retrocitadas empresas. 50. Os argumentos da defendente não se sustentam. Todos os créditos bancários a ela atribuídos tiveram seus registros devidamente amparados nos extratos bancários por ela própria repassados à fiscalização, sendo plenamente cabível a aplicação da presunção legal estabelecida na legislação. 51. Os diversos quadros por ela colacionados à defesa, que segundo o seu entendimento, justificam a alocação de créditos bancários à supracitadas empresas, não têm o condão de reduzir o volume de créditos bancários atribuídos à recorrente e não justificados. 52. Esclareçase que a aplicação do disposto no art. 42, § 5o, da Lei nº 9.430/1996, exige a comprovação minuciosa, com registro detalhado, nos extratos bancários, dos créditos bancários pertencentes a terceiros, com relação das datas, valores, etc, conjunto probatório inexistente na defesa apresentada e, igualmente, em seus anexos. A meu ver assiste melhor razão ao fisco, haja vista o descumprimento do art. 42, §5, da Lei n.º 9.430/96, principalmente no que tange a comprovação de que a receita pertence a terceiro, ainda que a narrativa pudesse fazer sentido, a ausência de lastro documental impõe a manutenção do auto nesse ponto não tendo a contribuinte se desincumbido de seu ônus probante. 2.3. Da multa Inicialmente, cumpre destacar que este e. CARF não pode conhecer de argumentos que impliquem em não aplicar a Lei por motivo de inconstitucionalidade, conforme dispõe o art. 62 do RICARF. Assim, não conheço dos argumentos relativos a confiscatoriedade, ofensa ao princípio da capacidade contributiva alegados pela Recorrente. Também afasto argumento relativo ao art. 114 do CTN, visto que entendo pela ocorrência dos fatos geradores, ainda que se verifiquem a partir da presunção prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. Nesse ponto decidiu a DRJ que: Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10935.724861/201312 Acórdão n.º 1402003.132 S1C4T2 Fl. 1.117 13 55. No presente caso, o fato de a contribuinte não ter esclarecido a origem dos créditos bancários configura o evidente intuito de fraude e o dolo descrito nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual § 1º (antigo inciso II) do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Não é lógico, razoável ou proporcional afirmar que esta diferença tão grande entre o declarado e o que realmente aconteceu decorre apenas de erro. Notese que a parcela do lançamento decorrente de receitas escrituradas e não declaradas contém a multa de ofício regular (75%), prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 acima transcrito. Entretanto, entendo que a multa deve ser reduzida ao patamar de 75% por força do que dispõem as Súmulas 14 e 25 do CARF. Percebase que é justamente o fato de haver omissão que motiva o lançamento da multa qualificada, o que a nosso ver afronta diretamente o conteúdo das súmulas. O mero fato de a receita declara ser muito inferior à receita omitida não implica em comprovado intuito de fraude. Nesse ínterim, entendo que a fiscalização não se desvencilhou do ônus que lhe cabia. Assim, entendo que a multa deve ser reduzida. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, para provelo parcialmente para reduzir a multa ao patamar de 75%, mantendo o principal conforme lavrado no auto. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 1305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.723702/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
PROVA. DADOS DE COMPUTADOR. LEGITIMIDADE. QUESTIONAMENTO EM JUÍZO.
É legítima a utilização de dados de computador da empresa fiscalizada, mormente quando a própria empresa questiona a medida da RFB em juízo, sem sucesso.
GRUPO ECONÔMICO. OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
Configurada a existência de grupo econômico (ainda que não esteja formalmente constituído, com personalidade jurídica própria), com abundantes elementos apresentados pela fiscalização que nutrem a convicção de existência de coordenação e interesse comum entre as empresas de tal grupo e seus administradores (formais e informais) para importação de mercadorias, ocultando-se, sob o manto de empresa trading que alega, nas declarações de importação, ser importadora e adquirente das mercadorias (mas reconhece saber de antemão que importava para tal grupo), verifica-se a simulação que dá ensejo à penalidade de perdimento, prevista no artigo 23, V do Decreto-Lei no 1.455/1976, convertida em multa no valor aduaneiro das mercadorias, em caso de não localização destas, como nos autos.
PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. DETERMINAÇÃO COM BASE EM DOCUMENTOS E DADOS DAS EMPRESAS. OBJETIVIDADE. NÃO AFASTAMENTO.
Determinado o preço efetivamente praticado nas importações a partir de documentos e dados das empresas, com critérios objetivos, e com argumentos não afastados pela defesa, deve ser acolhido o valor aduaneiro calculado a partir de tais preços.
MULTA CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA.
Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, o art. 44 da Lei no 9.430/1996).
MULTA DE OFÍCIO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE.
É possível a aplicação da multa substitutiva do perdimento com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, por expressa previsão legal, que não pode ser administrativamente afastada, por força da Súmula CARF no 2.
MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento (ou a multa que a substitui) às mercadorias relativas à operação.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA.
Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entende-se que é dever do autuante, ao arrolá-los sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. RE 559.607/SC-RG.
Devem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 559.607/SC, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62, § 2o de seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 3401-004.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, para excluir as parcelas referentes ao ICMS e às próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS(PASEP-importação e da COFINS-importação, na autuação, em função do RE no 559.607/SC, julgado, com repercussão geral, pelo STF, e do art. 62, § 2o do RICARF. O colegiado reconheceu ainda, por unanimidade de votos, a existência de recurso de ofício, pela exoneração da totalidade do montante lançado em relação a um sujeito passivo, negando-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 PROVA. DADOS DE COMPUTADOR. LEGITIMIDADE. QUESTIONAMENTO EM JUÍZO. É legítima a utilização de dados de computador da empresa fiscalizada, mormente quando a própria empresa questiona a medida da RFB em juízo, sem sucesso. GRUPO ECONÔMICO. OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Configurada a existência de grupo econômico (ainda que não esteja formalmente constituído, com personalidade jurídica própria), com abundantes elementos apresentados pela fiscalização que nutrem a convicção de existência de coordenação e interesse comum entre as empresas de tal grupo e seus administradores (formais e informais) para importação de mercadorias, ocultando-se, sob o manto de empresa trading que alega, nas declarações de importação, ser importadora e adquirente das mercadorias (mas reconhece saber de antemão que importava para tal grupo), verifica-se a simulação que dá ensejo à penalidade de perdimento, prevista no artigo 23, V do Decreto-Lei no 1.455/1976, convertida em multa no valor aduaneiro das mercadorias, em caso de não localização destas, como nos autos. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. DETERMINAÇÃO COM BASE EM DOCUMENTOS E DADOS DAS EMPRESAS. OBJETIVIDADE. NÃO AFASTAMENTO. Determinado o preço efetivamente praticado nas importações a partir de documentos e dados das empresas, com critérios objetivos, e com argumentos não afastados pela defesa, deve ser acolhido o valor aduaneiro calculado a partir de tais preços. MULTA CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, o art. 44 da Lei no 9.430/1996). MULTA DE OFÍCIO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE. É possível a aplicação da multa substitutiva do perdimento com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, por expressa previsão legal, que não pode ser administrativamente afastada, por força da Súmula CARF no 2. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento (ou a multa que a substitui) às mercadorias relativas à operação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entende-se que é dever do autuante, ao arrolá-los sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. RE 559.607/SC-RG. Devem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 559.607/SC, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62, § 2o de seu Regimento Interno.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, para excluir as parcelas referentes ao ICMS e às próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS(PASEP-importação e da COFINS-importação, na autuação, em função do RE no 559.607/SC, julgado, com repercussão geral, pelo STF, e do art. 62, § 2o do RICARF. O colegiado reconheceu ainda, por unanimidade de votos, a existência de recurso de ofício, pela exoneração da totalidade do montante lançado em relação a um sujeito passivo, negando-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DADOS DE COMPUTADOR. LEGITIMIDADE. QUESTIONAMENTO EM JUÍZO. É legítima a utilização de dados de computador da empresa fiscalizada, mormente quando a própria empresa questiona a medida da RFB em juízo, sem sucesso. GRUPO ECONÔMICO. OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Configurada a existência de grupo econômico (ainda que não esteja formalmente constituído, com personalidade jurídica própria), com abundantes elementos apresentados pela fiscalização que nutrem a convicção de existência de coordenação e interesse comum entre as empresas de tal grupo e seus administradores (formais e informais) para importação de mercadorias, ocultandose, sob o manto de empresa “trading” que alega, nas declarações de importação, ser importadora e adquirente das mercadorias (mas reconhece saber de antemão que importava para tal grupo), verificase a simulação que dá ensejo à penalidade de perdimento, prevista no artigo 23, V do DecretoLei no 1.455/1976, convertida em multa no valor aduaneiro das mercadorias, em caso de não localização destas, como nos autos. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. DETERMINAÇÃO COM BASE EM DOCUMENTOS E DADOS DAS EMPRESAS. OBJETIVIDADE. NÃO AFASTAMENTO. Determinado o preço efetivamente praticado nas importações a partir de documentos e dados das empresas, com critérios objetivos, e com argumentos não afastados pela defesa, deve ser acolhido o valor aduaneiro calculado a partir de tais preços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 37 02 /2 01 3- 82 Fl. 4932DF CARF MF 2 MULTA CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, o art. 44 da Lei no 9.430/1996). MULTA DE OFÍCIO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE. É possível a aplicação da multa substitutiva do perdimento com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, por expressa previsão legal, que não pode ser administrativamente afastada, por força da Súmula CARF no 2. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento (ou a multa que a substitui) às mercadorias relativas à operação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. RE 559.607/SCRG. Devem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP importação e da COFINSimportação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 559.607/SC, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62, § 2o de seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, para excluir as parcelas referentes ao ICMS e às próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP Fl. 4933DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.933 3 importação e da COFINSimportação, na autuação, em função do RE no 559.607/SC, julgado, com repercussão geral, pelo STF, e do art. 62, § 2o do RICARF. O colegiado reconheceu ainda, por unanimidade de votos, a existência de recurso de ofício, pela exoneração da totalidade do montante lançado em relação a um sujeito passivo, negandolhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 3 a 1541, exigindo imposto de importação, acrescido de juros de mora e multa de ofício majorada (150%), e multa proporcional ao valor aduaneiro, por detecção de subfaturamento e ocultação do real adquirente, totalizando R$ 6.772.308,05. São arroladas como responsáveis solidárias à empresa “ALVO IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDAME” (doravante “ALVO”) as empresas “TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA” (doravante “TEKTOYO”) e “PELCO COMERCIAL LTDA” (doravante “PELCO”), e as pessoas físicas “ROBERTO ANTONIO MIERES BARROS” (doravante “ROBERTO”), “SILVIA CARINA GERZVOLF” (doravante “SILVIA”), “MURILO MONCONILL PINHEIRO” (doravante “MURILO”), “JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET” (doravante “JOSÉ”), “DANIELA COSTA FORNECK” (doravante “DANIELA”), “ALEXANDRE TRIANDAFELEDIS” (doravante “ALEXANDRE”), e “LEONARDO FELIPE TOMASI” (doravante “LEONARDO”). No Relatório de Fiscalização (RF) anexo à autuação, de fls. 156 a 364, narra se que: (a) o procedimento fiscal decorre de ação de verificação de esquema fraudulento de importação por parte do chamado “GRUPO TOYO” (que abrange as empresas “TEKTOYO”, e “PELCO”, entre outras – composições societárias à fl. 162), a quem se imputa a constituição deliberada de um esquema de importação e distribuição subfaturada de bens, inclusive com ocultação do real adquirente, valendose da empresa interposta “ALVO”; (b) o relatório é parte integrante de outras três autuações, nos processos no 15165.723691/201250 (“KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S.A.”), no 15165.723690/201213 (“A. BRASIL COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA”), e no 15165.723421/201320 (“SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA”), e foi atualizado/adaptado em novembro de 2013 (atualizações às fls. 299 a 301) para servir de fundamento a este e a outro processo (no 15165.723416/201317 – “ALVO”); (c) foram objeto de análise fiscal, neste processo, 26 Declarações de Importação (DI), registradas pela “ALVO” (24 neste processo e 2 no citado processo no 15165.723416/201317), como sendo por conta própria, de 11/12/2008 a 14/07/2010 (lista à fl. 163), nas quais se detectou subfaturamento; (d) a empresa 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 4934DF CARF MF 4 “TEKTOYO”, constituída em 11/12/2000, tendo no quadro societário “ROBERTO” e “SILVIA”, teve carga retida, na importação, por uso de fatura falsa, em 2003, em Paranaguá, e retornou a registrar importações em seu nome somente em 2011, tendo sido ainda apreendidas mercadorias por uso de fatura falsa e interposição fraudulenta em importações de outras empresas que tinham em seu quadro societário “SILVIA” ou “ROBERTO”; (e) a empresa “PELCO”, que tem como um de seus sócios “MURILO”, foi habilitada em 12/09/2008 a operar no comércio exterior, na modalidade simplificada de encomendante, e, à época da autuação, aparentava estar com atividades paralisadas, tendo mudado endereço para uma sala comercial; (f) como demonstrações da unidade operacional do grupo, destacase, entre outros (fls. 169 a 179) que: (f1) foram localizadas, nas dependências da “PELCO”, três orçamentos elaborados pela “TEKTOYO”; (f2) a funcionária da “TEKTOYO” Eliza conseguia emitir relatórios de todas as vendas efetuadas pela “PELCO”, com valores, notas, clientes relativos a janeiro e fevereiro de 2010; (f3) houve tratativas por email entre “MURILO” (sócio da “PELCO”) e Eliza (funcionária da “TEKTOYO” sobre rescisões da “TEKTOYO”, pedindo parecer de “ROBERTO”; e (f4) verificouse email de “MURILO” (“PELCO”) solicitando a “ROBERTO” (“TEKTOYO”) extrato bancário da “PELCO”; (g) desde o início das investigações, principalmente no decorrer de 2010, a empresa “TEKTOYO” enxugou o seu quadro de funcionários, saiu do galpão que ocupava e mudouse para uma pequena sala comercial, e, após a diligência efetuada pela fiscalização, passou a tomar medidas retornando a situação anterior, em contra partida a empresa “PELCO” passou a ser desativada, havendo 19 funcionários (conforme consulta ao CNIS) transferidos da “TEKTOYO” para a “PELCO” nos meses próximos à diligência, em 2010 (fls. 179 a 181, apresentandose, ainda, à fl. 182, fluxo de retorno de 11 funcionários da “PELCO” à “TEKTOYO”; (h) há ainda outros documentos (como boletos bancários, em nome do “MURILO”, sócio da “PELCO”, informando o endereço da “TEKTOYO”, arrecadado durante diligência na sede da “PELCO”) e pesquisas na internet (identidade de contatos e equivalência detectada no recorte do código fonte), que vinculam inegavelmente as empresas (fls. 187 a 194); (i) no documento de planejamento estratégico de “JOSÉ” (fl. 195) destacase, em empresa do grupo, o papel de “ROBERTO” (responsável pela parte financeira), “MURILO” (operacionalidade das compras no exterior e estoques) e “JOSÉ” (sem vínculo formal com as empresas do grupo, com responsabilidade por controle de mãodeobra das empresas do grupo, compreendendo pagamentos, treinamentos, atividades), entre outros; (j) também há vinculação financeira entre as empresas, conforme documentos de fls. 200 a 212); (k) endossam ainda as relações entre as empresas do chamado “Grupo TOYO” os documentos de fls. 213 a 221 (concentração de informações contábeis e fiscais por um mesmo programa de computador, funcionária da “TEKTOYO” contratando emissão de notas fiscais da “PELCO”, etc.); (l) durante diligência na “TEKTOYO”, foram tomadas declarações de “ROBERTO”, que informou que a empresa realiza aquisições no mercado interno após as apreensões de cargas em Paranaguá, e que a marca (ICEL) nos produtos, que teria sido transferida por seu sogro a um funcionário, em função de dívidas trabalhistas, era estampada após análise e calibragem por sua empresa, sendo que, na mesma diligência, restou retido um computador, tendo a empresa buscado em juízo que seu conteúdo não fosse analisado (com decisão negando a tutela antecipada inicialmente concedida e permitindo a continuidade dos trabalhos de fiscalização); (m) o “modus operandi” das importações é descrito e documentado às fls. 228 a 248 (a partir de ordens de compra do “Grupo TOYO”, por “ROBERTO” ou “JOSÉ”, os fabricantes, em Shanghai e Hong Kong entregam a mercadoria, na China, a uma exportadora, que as reúne e subfatura, indicando um único suposto exportador, remetendo ao Brasil – foi localizado no servidor de dados da “TEKTOYO” o arquivo magnético que gerou fatura apresentada em despacho de importação, com base em planilha de autoria de “ROBERTO” – onde são distribuídas, após a importação, integralmente a empresas do “Grupo TOYO”); (n) nas orientações aos fabricantes (fls. 248 a 255), o Grupo “TOYO” solicitava, v.g., que o painel dos equipamentos deve ser sem qualquer marca, logotipo, número ou modelo que identifique o fabricante, o envio deve ser apenas do Fl. 4935DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.934 5 produto; que os documentos instrutivos do despacho devem ser descritos com os modelos/descrição fornecidos; que as embalagens devem ser padrão, sem desenhos ou marcas; e que os documentos não devem ser enviados junto à carga; (o) com base nas informações coletadas, a fiscalização elaborou planilha com o fluxo das mercadorias (descrita às fls. 255/256), do embarque até a entrega a empresas do “Grupo TOYO”, percebendose que havia prática de emissão de notas fiscais de saída antes dos registros das DI correspondentes, que se soma à falta de capital da empresa importadora “ALVO” para suportar as operações, e a remessas efetuadas pelo “Grupo TOYO” diretamente aos fornecedores estrangeiros (fls. 261 a 266); (p) o “modus operandi” do subfaturamento é demonstrado e documentado às fls. 266 a 295, com detalhamento para cinco declarações de importação (DI no 10/06192443, no 10/03158279, no 08/19829247, no 08/19890868 e no 10/01287683); (q) a valoração aduaneira, pelo valor real de transação, é efetuada partindo da “planilha ORDER paradigma”, amparandose, ainda, em outros documentos (Doc. 15: referências preços e equivalência descrição e explicações às fls. 296 e 298/299); (r) a empresa “ALVO”, em 2010, dois anos depois de habilitada para operar no comércio exterior, já apresentava um histórico de importações de cerca de 2 milhões de dólares, superior a quatro vezes ao estimado para a capacidade da empresa, enquanto seus sócios revelavam rendimentos e patrimônios absolutamente incompatíveis com os montantes movimentados pela empresa, tendo sido instaurado procedimento especial de controle aduaneiro, em 23/07/2010, para melhor elucidar a situação; (s) a “ALVO” não foi capaz de comprovar a integralização e o aumento de seu capital social, nem a origem lícita de recursos para a DI no 10/11488894, ratificandose a incompatibilidade patrimonial dos sócios (“ALEXANDRE”, com 99% das cotas, sequer havia declarado rendimentos à RFB, e explicou que, por problemas financeiros, tinha o “nome sujo no mercado”, e não podia, antes, entrar formalmente na constituição social da empresa, que era 99% de “DANIELA”, sua esposa, que, por sua vez, declarava rendimentos ínfimos – R$ 18.000,00 – em relação a seus aportes no aumento de capital da “ALVO”); (t) todas as importações da “ALVO” relacionadas a instrumentos para medida e controle eram integralmente revendidas às empresas “PELCO” e “TEKTOYO”, com notas de saída emitidas antes mesmo do registro da DI correspondente, e a “ALVO” se recusou a apresentar extratos bancários referentes à conta de importações, e os livros Diário e Razão, sendo a conclusão do procedimento em relação à empresa pela “não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de importação” na citada DI, havendo declaração de inaptidão da empresa “ALVO” em 24/10/2011 (com efeitos a partir de 01/01/2009); (u) o “Grupo TOYO” suportava operações da “ALVO”, não somente com recursos financeiros para o registro e desembaraço das cargas, mas estendia a própria logística, ao fornecer inclusive espaço físico e infra estrutura para suas operações, como se percebe nos email de fls. 305/306; (v) caracterizada a falsidade da fatura (e/ou a interposição fraudulenta), o que se impõe é a aplicação da pena capital de perdimento ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, sendo que, nesta última hipótese, cabível, acrescido dos respectivos consectários legais, o lançamento dos impostos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos em face do denominado “subfaturamento”, a teor da disposição contida no inciso III do § 4o do art. 1o do DecretoLei no 37/1996, na redação dada pela Lei no 10.833/2003; (w) a decadência, nos casos de dolo, como o presente, regese pelo artigo 173, I do Código Tributário Nacional (CTN); e (x) às fls. 324 a 329, são consignados os responsáveis solidários e as planilhas de cálculo referentes às duas DI registradas em 2008 (úteis ao processo no 15165.723416/201317), e, às fls. 330 a 363, as mesmas informações no que se refere às DI registradas em 2009 e 2010 (de que trata o presente contencioso). Cientes da autuação os dez sujeitos passivos, cinco deles por edital (fl. 4441 – “PELCO”, “ROBERTO”, “SILVIA”, “DANIELA” e “ALVO”), depois de frustrada a Fl. 4936DF CARF MF 6 tentativa de ciência pessoal (fls. 4414 a 4422, e 4432 a 4434), apresentaram impugnação (quadroresumo à fl. 4612) as seguintes pessoas: “ALVO”, “TEKTOYO” (ciente em 07/12/2013 – fl. 4413), em conjunto com “PELCO”, “ROBERTO” e “MURILO” (ciente em 06/12/2013 – fl. 4424), “SILVIA”, “JOSÉ” (ciente em 06/12/2013 – fl. 4426) e “LEONARDO” (ciente em 10/12/2013 – fl. 4436). “ALEXANDRE” (ciente em 13/12/2013 – fls. 4406/4407), que chegou a demandar prorrogação de prazo para apresentar impugnação, e “DANIELA”, foram revéis. A empresa “ALVO” (fls. 4442 a 4464) alegou, em síntese, em sua impugnação, datada de 28/01/2014, que: (a) a autuação é nula por inexistência de justa causa para sua lavratura, por inocorrência de qualquer ilicitude; (b) houve ofensa ao princípio da vedação ao confisco e ofensa ao direito de propriedade; (c) houve excesso de exação; (d) a empresa atuou como “trading”, recebendo as faturas com as operações já negociadas entre fornecedor e adquirente (empresas do grupo TOYO), não tendo havido participação da “ALVO” em quaisquer fraudes praticadas por empresas do referido grupo; (d) a situação que ensejou a invocada interposição fraudulenta ante a ausência de capacidade econômica se equipara, atualmente, à hipótese prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007; e (e) alternativamente, houve inobservância da solidariedade, por não terem sido chamadas as empresas envolvidas nas operações tidas como fraudulentas, e deve ser permitido o parcelamento dos débitos eventualmente remanescentes. Por seu turno, em impugnação conjunta, datada de 20/12/2013, as empresas “TEKTOYO” e “PELCO”, e as pessoas físicas “ROBERTO” e “MURILO” (fls. 4466 a 4538), argumentaram, basicamente, que; (a) a autuação é nula, por conter prova discutida na via judicial, analisada em 14/07/2012 (violação ilegal de computador em desrespeito a ordem judicial, pois apresentou recurso de apelação recebido com efeito devolutivo e suspensivo em 29/08/2012, tendo a Fazenda interposto embargos, que alterou o efeito apenas para devolutivo, somente a partir de 25/09/2012, data em que a RFB poderia ter examinado o equipamento); (b) a fiscalização não demonstrou a existência de grupo econômico, sendo as empresas distintas e com patrimônio próprios, somente existindo grupo empresarial e solidariedade passiva quando há “vinculação societária”, tendo sido as importações efetuadas pela “ALVO”; (c) é ilegal a imputação à empresa “PELCO”, pois não há prova de cisão ou sucessão em relação à empresa, nem individualização das importações que tenham beneficiado a referida empresa; (d) há confusão, por parte do fisco, entre pessoas físicas e jurídicas, arrolando sócios e não sócios sem qualquer fundamento jurídico, pois não houve interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, não havendo qualquer documento ou email de “ROBERTO” ou “MURILO” determinando a importação ou ordem de subfaturamento, e a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135 do CTN tem natureza subsidiária, e demanda configuração de dolo; (e) a autuação é nula por violação às regras de valoração aduaneira e à verdade material, por fundarse em meras suposições e amostragens, e trazer conclusões apenas sobre cinco DI, sendo duas delas referentes a outro processo; (f) há impossibilidade de aplicação da multa substitutiva do perdimento a mercadorias revendidas antes de 2010 (Lei no 12.350), assim como do comando regulamentar alterado em 2010 (artigo 689, § 3oA), em face da irretroatividade in pejus; (g) a multa de 150% é inaplicável, em face de violação à legalidade e à vedação ao confisco; e (h) há inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo das contribuições devidas na importação, mormente em face do RE no 559.607RG/SC. Em sua impugnação, “SILVIA” (fls. 4550 a 4568) defendeu que há ilegitimidade passiva, por ser sócia minoritária e não ter interesse comum ou benefício próprio, nem existir prova de seu envolvimento nas condutas imputadas, ou de que tivesse poder de gerência ou decisão. No mais, repete o argumento externado na impugnação conjunta de “TEKTOYO”, “PELCO”, “ROBERTO” e “MURILO”, aqui relatada sob a letra “d” (confusão, por parte do fisco, entre pessoas físicas e jurídicas). Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.935 7 Por sua vez, “JOSÉ”, em sua impugnação (fls. 4570 a 4588), aduziu que: (a) nunca foi sócio nem gestor ou administrador de nenhuma das empresas relacionadas na autuação, sendo mero prestador de serviços, atuando como consultor, comprador e tradutor, não tendo poder de gerência/decisão. No mais, reprisa os argumentos externados na impugnação de “SILVIA”. E, derradeiramente, em sua impugnação, “LEONARDO” (fls. 4591 a 4603) afirmou que foi incorretamente incluído como devedor solidário, pois jamais exerceu cargo de gestão ou direção, nem assinou nenhum documento da empresa, sendo mero quotista minoritário (10%), não se enquadrando nas hipóteses de responsabilidade previstas no CTN, mormente no artigo 135, que exige a prova de conduta dolosa. Em 04/12/2014 ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 4634 a 4681), no qual se decidiu unanimemente pela exclusão do polo passivo do Sr. “LEONARDO”, e pela improcedência das demais impugnações, sob os seguintes fundamentos: (a) não prospera a alegação de que a fiscalização não poderia ter deslacrado o computador (e utilizado as informações registradas no equipamento) em razão do recurso interposto pela empresa “TEKTOYO” junto ao Poder Judiciário, visto que ela o fez quando sequer a empresa havia interposto o recurso acolhido nos efeitos suspensivo e devolutivo – ademais, a ação já transitou em julgado em desfavor da empresa; (b) muito embora no plano formal as empresas do chamado “Grupo TOYO” possuam quadro societário independente (sem vínculos) e administração própria, no plano concreto, isto é, no plano dos fatos efetivamente praticados o que se vislumbra é que as sociedades apontadas como pertencentes ao referido grupo de fato atuam em harmonia, sincronia e funcionalmente como membros de um mesmo corpo (fazendo menção a elementos presente no processo que levam a tal conclusão – fls. 4650 a 4652), e nem as autuações nem a responsabilização estão sustentadas na existência de um grupo econômico formal nos termos da legislação de regência; (c) as alegações de que as empresas do “Grupo TOYO” teriam apenas adquirido as mercadorias estrangeiras no mercado interno não prospera, pois as provas acostadas aos autos (cópias de documentos das empresas pertencentes ao grupo, planilhas eletrônicas de controle, correspondências comerciais eletrônicas – fls. 4652 a 4654) foram obtidas mediante diligência realizada nas próprias empresas; (d) o procedimento adotado para fins de importação das mercadorias estrangeiras não foi o previsto na legislação de regência, empresas do “Grupo TOYO” permaneceram ocultas perante a autoridade aduaneira, situação agravada com a constatação de que os valores declarados pelas empresas interpostas estão aquém daqueles efetivamente praticados; (e) o conjunto de documentos, indicados por operação de importação, apresenta coincidência entre as mercadorias neles descritas e as quantidades. Há notória identidade entre as quantidades e mercadorias registradas nos controles paralelos encontrados por ocasião das diligências na sede das empresas do “Grupo TOYO” e os registros formalmente realizados nas declarações de importação, de modo que não procede a alegação de que a fiscalização tenha baseado suas conclusões em meros indícios e presunções carentes de provas: a amostragem realizada se revelou adequada e suficiente; (f) o texto do artigo 689, § 3oA do Regulamento Aduaneiro é eminentemente interpretativo, pois o Decreto não pode, sabidamente, estabelecer penalidade, e não consta da autuação que as mercadorias tenham sido “revendidas”, mas “não localizadas”, nem a defesa informa o local onde estariam as mercadorias armazenadas; (g) a declaração de apenas parte do real valor pago pelas mercadorias importadas, caracteriza a fraude (de valor), como definida no artigo 72 da Lei no 4.502/1964, permitindo a majoração da multa de ofício, estando também materializada a hipótese prevista no artigo 71 da mesma lei; (h) considerando o fato de que a fiscalização logrou encontrar os valores transacionados à margem daqueles declarados (documentos encontrados em poder do próprio “Grupo TOYO”) e que foi possível fazer a conexão entre as Fl. 4938DF CARF MF 8 mercadorias importadas em cada operação de importação e os respectivos documentos de controle interno do referido grupo, há que se considerar que no presente caso a fiscalização obteve sucesso em reconstituir os valores efetivamente praticados nas operações de importação em análise; (i) as multas aplicadas tratam de infrações de natureza diversa (a primeira visa coibir o recolhimento de tributos a menor, e a segunda pretende coibir práticas danosas ao Erário relacionadas à entrada de mercadorias estrangeiras no País), podendo ser cumuladas; (j) é vedado ao julgador administrativo apreciar a constitucionalidade de norma legal vigente; (k) a decisão no RE no 559.607RG/SC não gera efeitos erga omnes automaticamente; (l) não se verifica excesso de exação nos autos, estando o lançamento fundamentado e dentro da legalidade; (m) as penalidades aplicadas não se confundem coma prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007, voltada a punir a pessoa jurídica que cede nome para operações de comércio exterior de terceiros; (n) nas infrações, houve participação direta da empresa “ALVO” (importadora e alegadamente adquirente), e das reais adquirentes “PELCO” e “TEKTOYO”, que agiram de maneira conjunta, coordenada e harmônica com vistas a trazer as mercadorias do exterior, permanecendo ocultas perante a autoridade aduaneira e mais, introduzindo tais mercadorias com valores inferiores àqueles efetivamente praticados junto aos seus reais fornecedores no estrangeiro (elementos apontados às fls. 4677/4678) ; (o) as correspondências comerciais eletrônicas demonstram a intensa participação dos sócios administradores nos processos decisórios ligados às importações e aos pagamentos (inclusive “SILVIA”, que, apesar de ser sócia minoritária, é quem estava de posse do computador de onde forma retiradas grande parte das informações usadas na autuação), e de “JOSÉ”, que participava de reuniões estratégicas e exercia atividades gerenciais de fato (fl. 4679); e (p) a fiscalização não logrou demonstrar a participação de “LEONARDO” nas infrações imputadas. Cientificados os dez sujeitos passivos a respeito da decisão da DRJ (conforme quadro sintético à fl. 4929), seis deles apresentam recurso voluntário tempestivo: as empresas “PELCO” (cientificada por edital em 13/03/2015 – fl. 4707) e “TEKTOYO” (cientificada pela via postal em 22/01/2015 – fl. 4695), e as pessoas físicas “ROBERTO” (cientificado por edital em 13/03/2015 – fl. 4707), “MURILO” (cientificado pela via postal em 21/01/2015 – fl. 4698), “SILVIA” (cientificada por edital em 13/03/2015 – fl. 4707), e “JOSÉ” (cientificado pela via postal em 20/01/2015 – fl. 4701); incorrendo em revelia a empresa “ALVO” e as pessoas físicas “ALEXANDRE”, “DANIELA” e “LEONARDO” (este excluído do polo passivo pela DRJ). No recurso voluntário interposto conjuntamente por “TEKTOYO” e “MURILO” (fls. 4719 a 4800), em 18/02/2015, são reiterados os argumentos apresentados na impugnação, acrescentandose que: (a) o julgador de piso deixou de enfrentar a tese de nulidade referente à prova discutida na via judicial; (b) nem mesmo o simples fato de certas empresas figurarem dentro de um grupo econômico caracteriza por si só a responsabilidade para fins fiscais, e a fraude e o interesse comum devem ser demonstrados por prova, e essas circunstâncias sequer foram levadas em consideração quando do julgamento pela DRJ; (c) a pessoa física não pode ser responsabilizada só por ser sócia ou administradora, conforme Súmula STJ no 430; (d) em momento algum o relator do acórdão aponta quais sócios agiram em conluio, fraude ou simulação, nas importações, individualizadamente; (e) houve efetiva revenda das mercadorias, pelo período em que foram importadas, e sua específica destinação; e (f) é ilegal a manutenção, pela DRJ, da base de cálculo alargada das contribuições, mesmo ciente da decisão do STF no RE no 559.607RG/SC, vinculante para a Administração. No recurso voluntário apresentado por “JOSÉ” (fls. 4801 a 4820), também em 18/02/2015, são reiterados os argumentos externados em sede de impugnação, acrescendo se inconformidade com a utilização de informações constantes no computador apreendido, que seria prova ilegítima, pois discutida em juízo. Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.936 9 Por sua vez, no recurso voluntário interposto por “PELCO” e “ROBERTO” (fls. 4822 a 4903), em 10/04/2015, são repisadas as alegações iniciais, acrescidas as mesmas observações recursais efetuadas por “TEKTOYO” e “MURILO”. Por fim, no recurso voluntário apresentado por “SILVIA” (fls. 4904 a 4921), ainda em 10/04/2015, há reprodução dos argumentos de defesa apresentados na impugnação, acrescidos do mesmo questionamento suscitado por “JOSÉ”, em relação á utilização de dados do computador apreendido. No CARF, o processo foi distribuído a conselheiro que não mais faz parte do colegiado, tendo sido enviado a novo sorteio em 09/08/2016 (fl. 4931). Em agosto de 2016, o processo foi a mim distribuído, no novo sorteio. O processo foi indicado para a pauta nos meses de janeiro a julho de 2017, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em agosto, o processo não foi pautado, em virtude de ausência justificada do relator, na sessão. Em setembro e outubro, foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. Não houve sessões de julgamento em novembro e dezembro de 2017. Em janeiro, fevereiro e março de 2018, o processo também foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles se tomando conhecimento. Pelo fato de ter o julgador de piso exonerado a integralidade do montante lançado em relação a um devedor (“LEONARDO”), reconheceu de ofício o colegiado, durante o julgamento, no CARF, que houve recurso de ofício da decisão de piso. No entanto, alinhou se à DRJ ao reconhecer que realmente não houve, nos autos, elementos que apontem para a efetiva participação de tal pessoa nas infrações imputadas, pelo que deve ser negado provimento as tal recurso de ofício, mantendose a decisão de piso nesse aspecto. Cabe destacar, ainda, a revelia, em sede recursal, da empresa “ALVO”, e que “ALEXANDRE” e “DANIELA” já incorriam em revelia desde a instância inaugural, quando foram regularmente intimados sem sucesso no endereço informado para fins cadastrais à RFB, e por edital. Resta, então, analisar, no recurso voluntário, os argumentos recursais das empresas “PELCO” e “TEKTOYO”, e das pessoas físicas “ROBERTO”, “MURILO”, “SILVIA”, e “JOSÉ”. As razões de defesa versam, basicamente, sobre os seguintes temas: (a) legitimidade da prova que foi objeto de discussão judicial; (b) caracterização de grupo econômico e interposição fraudulenta; (c) valoração aduaneira e atendimento da verdade material; (d) qualificação da multa de ofício; (e) possibilidade de cumulação entre as multas aplicadas, e sua relação com a multa prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007; e Fl. 4940DF CARF MF 10 irretroatividade (em face da Lei no 12.350/2010, e do artigo 689, § 3oA do Regulamento Aduaneiro) e vedação ao confisco; (f) responsabilidade das pessoas jurídicas e físicas; e (g) inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo das contribuições devidas na importação (RE no 559.607RG/SC). Eis os limites da lide. Adicionese, ainda em caráter preliminar, em relação aos demais processos citados no relatório, que dois deles aguardam julgamento no CARF (processos no 15165.723691/201250 – “KOMPORT COMERCIAL IMPORTADORA S.A.”, e no 15165.723416/201317 – “ALVO”, referente às DI do ano de 2008), um foi objeto de conversão em diligência por problemas de ciência detectados (no 15165.723421/201320 – “SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA”), e um foi julgado em março de 2017 (no 15165.723690/201213 – “A. BRASIL COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA”), por meio do Acórdão no 3402003.851, no qual decidiu o colegiado do CARF unanimemente, “dar provimento parcial aos recursos voluntários para: a) Exonerar a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em face da decadência; b) Excluir as responsabilidades solidárias da Sra. JACIRA OLÍMPIA FERREIRA e do Sr. NILTON FERREIRA OLIMPIO; e c) Exonerar parcialmente a exigência de PIS/Pasep importação e Cofins importação relativamente à exclusão das suas bases de cálculo do valor do ICMS e das próprias contribuições): “DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial disposto no art. 139 do Decretolei no 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. Nos termos do art. 124, I e do art. 135, III do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhada de provas idôneas que vinculem a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato. IMPORTAÇÃO. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS E VALOR DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. É inconstitucional a inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS importação e da Cofinsimportação. Precedentes do STF RE nº 559.937 Repercussão Geral.” (Rel. Cons. Maria Aparecida Martins de Paula) No entanto, nenhum desses processos obsta a apreciação do presente contencioso autônomo, pelo colegiado. 1. Da prova objeto de discussão judicial A questão referente à apreensão de computador em diligência na “TEKTOYO” e a utilização de seu conteúdo como prova é trazida em todos os recursos voluntários, e já restava esclarecida no relatório fiscal (fls. 223/224): “Através (sic) do TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL restou consignado a retenção de 01 computador, denominado naquela oportunidade “máquina do servidor” e, neste mesmo ato, o sócio fora intimado a comparecer à Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Fl. 4941DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.937 11 Curitiba IRF/CTA/PR, Seção de Procedimentos Especiais Aduaneiros SAPEA , no dia 18/08/2010 às 09:30 h, para acompanhar a deslacração e cópia desta máquina para análise de seu conteúdo. No dia 16/08/2010 a empresa impetrou mandado de segurança Nº 501160421.2010.404.7000 objetivando que a fiscalização se abstivesse de verificar o respectivo computador, devolvendoo sem que seu conteúdo fosse analisado. No mesmo dia obteve decisão judicial para que a RFB não promovesse a deslacração do equipamento, porém determinou que o mesmo permanecesse em posse da fiscalização até a análise das informações a serem prestadas pela Receita Federal a qual foi cientificada em 17/08/2010.(...) No dia 11/10/2010 a decisão com relação à devolução ou não do computador ao interessado foi postergada para o momento da sentença. Em função disso, a análise de seu conteúdo foi suspensa até a referida decisão. (...) Em 03/11/2010 fora julgado o MS, extinto o processo, sem julgamento do mérito, passando, desde 06/10/2010 a transitar como Ação Ordinária.sob Nº 501631654.2010.404.7000/PR, porém tendo sido, em 27/10/2010, concedida a TEKTOYO a Antecipação de Tutela para que fosse suspenso o andamento de qualquer procedimento oriundo da apreensão de documentos e computadores por parte do fisco. Diversas peças foram produzidas, por ambas as partes, depoimentos judiciais tomados, tanto de servidores da RFB quanto de funcionários da empresa, e, finalmente, em função da decisão exarada pela MM. Juíza Federal Gisele Lemke, em 29 de junho de 2012, fora autorizado o prosseguimento regular do exame do computador apreendido pela revogação da tutela antecipada anteriormente concedida, (...) Com o fito de dar continuidade ao procedimento fiscal, agora desprovido de óbice a seu prosseguimento, em 04/07/2012 foi expedido o MPFFiscalização 091520020120001778 (...).(grifo nosso) A defesa, desde a impugnação, questionou a utilização dos dados do computador, afirmando que estava discutindo a matéria em juízo, e que havia apresentado recurso de apelação em 20/07/2012, recurso este que foi recebido em 29/08/2012 em seus efeitos suspensivo e devolutivo, tendo o efeito suspensivo sido retirado apenas em 25/09/2012, após interposição de embargos pela Fazenda, em 20/09/2012. E que teria a RFB descumprido a decisão judicial ao deslacrar o computador em 14/07/2012, antes de 25/09/2012. O argumento nitidamente não se sustenta, bastando a simples análise cronológica dos fatos. Ao tempo da deslacração (julho de 2012), não existia óbice à análise do conteúdo, expressamente autorizado pela sentença, tendo sido obtidos os efeitos suspensivo e devolutivo, como afirma a própria defesa, apenas em 29/08/2012, com cessação do suspensivo em 25/09/2012. Fl. 4942DF CARF MF 12 Ademais, como destacou o julgador de piso, houve trânsito em julgado da ação judicial em desfavor da “TEKTOYO”, permitindo inequivocamente a utilização dos dados como prova. Nas peças recursais não se adiciona elemento novo em relação ao tema, já devidamente esclarecido, mas se acusa a decisão e piso de deixar de enfrentar a tese da nulidade referente à prova discutida na via judicial. Nesse aspecto, confunde a defesa omissão da DRJ com discordância em relação ao que ela decidiu. A DRJ, indubitavelmente, tratou do tema, enfrentando os argumentos de defesa, e rechaçandoos (de tal monta que os recursos voluntários não contrapuseram seus argumentos, limitandose a afirmar que houve omissão), como resta claro às fls. 4648 a 4650: “De outra sorte, não prospera a alegação de que a fiscalização não poderia ter deslacrado o computador (e utilizado as informações registradas no equipamento) em razão do recurso interposto pela Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA junto ao Poder Judiciário. A Sentença prolatada em 29/06/2012 pelo Poder Judiciário é cristalina (fl. 1.820), naquela data restou revogada a tutela concedida anteriormente, não houve qualquer restrição ou condição imposta por referida Sentença: Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTES OS PEDIDOS DA AUTORA e revogo a tutela antecipada anteriormente concedida. ...(Grifos acrescidos) Por sua vez, afastado o obstáculo ao exercício do direito de realizar o procedimento fiscal, a fiscalização em 24/07/2012 lavrou Termo de Abertura e Rompimento de Lacre (fl. 1.930) e deu prosseguimento ao curso da fiscalização. A notícia à folhas 4.470, de que a Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. apresentou Recurso de Apelação em 20/07/2012 e que referido recurso foi recebido em 29/08/2012 em seu duplo efeito (Devolutivo e Suspensivo) não afasta a licitude do procedimento realizado ou indica a existência de qualquer ilegalidade ou desobediência à ordem judicial vigente por ocasião da realização do procedimento realizado em 24/07/2012. Na data em que realizado o procedimento de análise das informações e documentos contidos em meio magnético no servidor de dados (computador), a fiscalização estava amparada por Sentença do Poder Judiciário que encontravase (sic) vigente. Logo, não procede a alegação de que tenha ocorrido qualquer desrespeito aos limites estabelecidos pelo Poder Judiciário. Em face da Sentença regularmente emitida não haviam (sic) motivos, nem de fato, nem de direito que fossem aptos a suspender o procedimento de fiscalização. A pretensão das impugnantes é que a fiscalização deveria aguardar até uma data incerta a Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. contestar (ou não, visto que tratase (sic) Fl. 4943DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.938 13 de direito da autora da ação e não dever) a Sentença prolatada. A lei não socorre tal pretensão, ainda mais que, uma vez afastado o óbice imposto, o prazo para exercício do direito da Fazenda passa a fluir. Também não subsiste a pretensão relacionada à suspensão do presente processo administrativo em razão da indicada inexistência de trânsito em julgado. No máximo poderia haver (como se verá adiante) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, isto se atendidas as condições previstas na alínea “a” da “conclusão” do Parecer Normativo Cosit n.07, de 22/8/2014. Contudo, consulta ao sitio da internete (sic) do Poder Judiciário em 07/07/2014 por este Relator (FONTE:http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=con sulta_processual_resultado_pesquisa&txtValor=5016316542010 4047000&selOrigem=TRF&chkMostrarBaixados=&todasfases =S&selForma=NU&todaspartes=&hdnRefId=73c8d339d4d9b4 74062993a827905cc5&txtPalavraGerada=PJrn&txtChave=) indica que em 19/08/2013 ocorreu o trânsito em julgado da ação n° 501631654.2010.404.7000. O Acórdão prolatado pela Egrégia 2a. Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em 09/07/2013, por unanimidade de votos, negou provimento ao apelo da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., restando consignada a seguinte Ementa (FONTE:https://eproc.trf4.jus.br/eproc2trf4/controlador.php?ac ao=acessar_documento_publico&doc=41373473241366201040 000000095&evento=41373473241366201040000000057&key= 217396d43e230310b083d4058154dde79685c6f6e08e80aff4b1a1 a03fa739fb): (...) 1. Tratandose de diligência fiscal realizada nas dependências da empresa, a legislação determina apenas que o código do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) conste no Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIDF) sendo o MPF emitido exclusivamente em meio eletrônico, e dele tomando ciência, o sujeito passivo, por intermédio da internet, com a utilização do código de acesso consignado no TIDF. 2. No ato de diligência fiscal devidamente amparado por MPF, a equipe de fiscalização não necessita de autorização do sujeito passivo para cada ato de fiscalização. Para isso é que existe o MPF. A autorização é dada pela lei, mostrandose desnecessária a autorização do sujeito passivo para cada ato de investigação, sob pena de inviabilizar a atividade de fiscalização tributária. (...) 5. A legislação autoriza a verificação de todos os documentos da empresa, inclusive daqueles em meio magnético, permitindo expressamente a apreensão de livros e equipamentos inexistindo ilegalidade na apreensão de computador da empresa, sendo irrelevante o fato de ele se encontrar fora das dependências da empresa. Fl. 4944DF CARF MF 14 6. A reunião, no mesmo computador, de arquivos eletrônicos da empresa com arquivos pessoais dos sócios não possui o condão de vedar o acesso da fiscalização aos documentos eletrônicos da empresa. Se o empresário resolve misturar sua vida pessoal e empresarial, não pode pretender se esquivar dos ônus dessa desordem organizacional. (...)” Endossamos, no mérito, tanto as conclusões da DRJ quanto o que restou decidido em juízo, e deve ser cumprido administrativamente. Em suma, o cenário que se apresenta é o de uma empresa que, sabedora da gravidade das informações constantes em seu computador, moveu esforços administrativa e judicialmente, sem sucesso, para impedir o fisco de utilizar tais informações em lançamento relativo a infrações aduaneiras. Improcedentes, assim, os argumentos de que estaria eivada de vício a utilização das referidas provas. 2. Da caracterização de grupo econômico e da interposição fraudulenta No que se refere à caracterização de grupo econômico, há que se destacar, também em endosso ao que já asseverou a instancia de piso, que confunde a defesa a caracterização de grupo econômico de fato (ligações entre as empresas, que atuavam de forma coordenada com um propósito comum) com grupo econômico em sua definição legislativa/normativa. Por certo que o fisco não está a afirmar que as empresas associaramse formalmente para constituir um grupo, com personalidade jurídica própria, para cometer de infrações. Sequer se mostra plausível tal compreensão da autuação. Vejase que o relatório fiscal narra, como relatado, como demonstrações da unicidade operacional do grupo, que: (1) foram localizadas, nas dependências da “PELCO”, três orçamentos elaborados pela “TEKTOYO”; (2) a funcionária da “TEKTOYO” Eliza conseguia emitir relatórios de todas as vendas efetuadas pela “PELCO”, com valores, notas, clientes relativos a janeiro e fevereiro de 2010; (3) houve tratativas por email entre “MURILO” (sócio da “PELCO”) e Eliza (funcionária da “TEKTOYO” sobre rescisões da “TEKTOYO”, pedindo parecer de “ROBERTO”; (4) verificouse email de “MURILO” (“PELCO”) solicitando a “ROBERTO” (“TEKTOYO”) extrato bancário da “PELCO”; (5) desde o início das investigações, principalmente no decorrer de 2010, a empresa “TEKTOYO” enxugou o seu quadro de funcionários, saiu do galpão que ocupava e mudouse para uma pequena sala comercial, e, após a diligência efetuada pela fiscalização, passou a tomar medidas retornando a situação anterior, em contra partida a empresa “PELCO” passou a ser desativada, havendo 19 funcionários (conforme consulta ao CNIS) transferidos da “TEKTOYO” para a “PELCO” nos meses próximos à Fl. 4945DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.939 15 diligência, em 2010 (fls. 179 a 181, apresentandose, ainda, à fl. 182, fluxo de retorno de 11 funcionários da “PELCO” à “TEKTOYO”; (6) há ainda outros documentos (como boletos bancários, em nome do “MURILO”, sócio da “PELCO”, informando o endereço da “TEKTOYO”, arrecadado durante diligência na sede da “PELCO”) e pesquisas na internet (identidade de contatos e equivalência detectada no recorte do código fonte), que vinculam inegavelmente as empresas (fls. 187 a 194); (7) no documento de planejamento estratégico de “JOSÉ” (fl. 195) destaca se, em empresa do grupo, o papel de “ROBERTO” (responsável pela parte financeira), “MURILO” (operacionalidade das compras no exterior e estoques) e “JOSÉ” (sem vínculo formal com as empresas do grupo, com responsabilidade por controle de mãodeobra das empresas do grupo, compreendendo pagamentos, treinamentos, atividades), entre outros; (8) também há vinculação financeira entre as empresas, conforme documentos de fls. 200 a 212); e (9) endossam ainda as relações entre as empresas do chamado “Grupo TOYO” os documentos de fls. 213 a 221 (concentração de informações contábeis e fiscais por um mesmo programa de computador, funcionária da “TEKTOYO” contratando emissão de notas fiscais da “PELCO”, etc.). E a citada relação é ilustrativa, sendo abundantes os elementos apresentados pela fiscalização que nutrem a convicção de existência de coordenação e interesse comum entre as empresas do chamado “Grupo TOYO” e seus administradores (formais e informais). Não soa plausível à defesa, nesse cenário, persistir na tese (que insiste em sustentar) de que as empresas apenas adquiriam mercadorias no mercado interno, da empresa “ALVO”. Aliás, vejase o que afirma a própria empresa “ALVO”, em sua impugnação (fls. 4453/4454): Fl. 4946DF CARF MF 16 (...) Não busca, assim, o fisco, caracterizar que as empresas se uniram formalmente, mas apresentar o cenário de ocultação existente. Vejase que a empresa “ALVO”, mesmo sabedora de que as importações se destinavam ao “Grupo TOYO”, registrava as declarações de importação como sendo por conta própria. E que os ocultados, empresas do referido grupo, o sabiam, e promoviam, de fato, as importações, com faturamento, pagamento, e operacionalidade. Isso é suficiente para caracterização de ocultação do real adquirente, nas operações, ainda mais quando a própria importadora assume que as mercadorias sabidamente se destinavam ao “Grupo TOYO”, e que há dezenas de correspondências eletrônicas e tratativas prévias entre gestores (formais e informais) das empresas do referido grupo, carreadas aos autos, no sentido de promoção das importações como se fossem da empresa “ALVO”, inclusive com menções expressas a não aposição de marcas relacionadas ao “Grupo TOYO” (vide orientações aos fabricantes, fls. 248 a 255). E a defesa não questiona o cerne da imputação fiscal, limitandose a apenas sustentar que não havia um grupo econômico no sentido formal da expressão, e insistindo em afirmar que meramente adquiria produtos no mercado interno quando as provas constantes no relatório fiscal levam à uníssona conclusão de que a “ALVO” importava mercadorias de fornecedores estrangeiros do “Grupo TOYO”, e notoriamente direcionadas ao referido grupo. O cenário descrito não é de interposição “inocente”, mas de simulação, no sentido de mostrar à Aduana uma realidade que não correspondia à efetivamente ocorrida, ocultando fatos relevantes ao controle aduaneiro (como real exportador, real importador/adquirente, condições da transação), que, inclusive, poderiam possibilitar a identificação das irregularidades ainda antes dos desembaraços das DI. Caracterizada, indubitavelmente, a ocultação do real adquirente, e a interposição fraudulenta a que se refere o artigo 689 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009, utilizado como fundamento da autuação), em seu inciso XXII (mercadoria estrangeira, na importação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros), que é simples reprodução de base legal: artigo 23, V do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. E, diante da não localização da mercadoria, cabível a substituição da pena de perdimento por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, conforme § 3o do artigo 23 do citado DecretoLei no 1.455/1976 (antes ou depois da alteração promovida pela Lei no 12.350/2010), que constitui a base legal do artigo 689, § 1o, do Regulamento Aduaneiro. Argumenta, sobre a multa substitutiva, a defesa, que as mercadorias teriam sido revendidas, sem qualquer documentação de amparo, apenas se fundando na plausibilidade de que, pela sua natureza, as mercadorias certamente teriam sido revendidas. Mas a imputação fiscal, seja na autuação ou no relatório fiscal, é de que a mercadoria não foi localizada. Fl. 4947DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.940 17 Houvesse a empresa, no curso do procedimento fiscal, informado a quem revendeu cada uma das mercadorias e/ou onde estavam, teria o fisco efetuado a apreensão, para fins de aplicação da pena de perdimento, e não se estaria aqui discutindo multa, nem exigência de tributos. Basta examinar a construção jurídica da substituição da pena de perdimento por multa, em 2002, e da não incidência do imposto de importação, em 2003, e das contribuições, em 2004: “DecretoLei no 1.455/1976, art. 23, V, e §§ 1o e 3o (na redação dada pela Lei no 10.637/2002, resultante da conversão da MP no 66/2002) “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias:(...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida” “DecretoLei no 37/1966, art. 1o, § 4o, III (na redação dada pela Lei no 10.833/2003, resultante da conversão da MP no 135/2003) “Art. 1o (...) § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida.” “Lei no 10.865/2004, art. 2 (resultante da conversão da MP no 164/2004) “Art. 2o As contribuições instituídas no art. 1o desta Lei não incidem sobre: (...) III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos;” Fl. 4948DF CARF MF 18 A cobrança da multa e a exigência dos tributos tem estreito vínculo com a possibilidade efetiva de apreensão das mercadorias. Não havendo possibilidade de apreensão, o perdimento é substituído por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A revenda, que passou a figurar na redação do § 3o do artigo 23 do Decreto Lei no 1.455/1976 com o advento da Lei no 12.350/2010 (resultante da conversão da MP no 497/2010), e não tem relação com a situação narrada nestes autos (e, por isso não foi aplicada retroativamente, como parece entender a defesa), buscou harmonizar a redação de todos esses dispositivos. No caso, diante da não localização da mercadoria, foi aplicada a multa, em obediência ao comando normativo vigente à época dos fatos. Procedente, assim, o lançamento, no que imputa, no caso, a prática de ocultação do real adquirente, com interposição fraudulenta, não afastada pela defesa (e até confirmada pela empresa “ALVO”, em sede de impugnação). Mas foram dois os motivos para aplicação da multa substitutiva do perdimento: a ocultação e o subfaturamento, como se percebe no relatório fiscal (v.g., à fl. 320): “De certo que, no caso em que a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, ou pela interposição fraudulenta, a caracterização do dano ao Erário é induvidosa e o valor consignado nestas faturas comerciais é imprestável devendo, para efeitos de aplicação da pena, ser utilizado o REAL valor aduaneiro praticado, a ser apurado pela fiscalização. Dito de outro modo, uma vez caracterizada a falsidade da fatura (e/ou a interposição fraudulenta), o que se impõe é a aplicação da pena capital de perdimento ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, sendo que, nesta última hipótese, cabível, acrescido dos respectivos consectários legais, o lançamento dos impostos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos em face do denominado “subfaturamento”, (...)” Entendemos, aqui, acertada a aplicação da multa substitutiva do perdimento pela configuração de ocultação do real adquirente, e também, que não se pode aplicar duas penas de perdimento, em um mesmo momento, a uma única mercadoria, assim como não se pode aplicar simultaneamente duas multas substitutivas do perdimento a uma mesma mercadoria. Isso, a um primeiro olhar, poderia soar como prejudicial à análise da multa substitutiva do perdimento por “subfaturamento”, visto que já mantido o perdimento uma vez, por ocultação do real adquirente. Mas como destaca o próprio fisco, a segunda imputação vem acrescida da discussão do valor aduaneiro (inclusive do próprio preço efetivamente praticado) para a mercadoria, e, portanto, altera o valor lançado, além de possibilitar o lançamento de diferenças em relação aos tributos incidentes na importação. Fl. 4949DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.941 19 Por isso, ao contrário do que aconteceria se o perdimento tivesse efetivamente sido aplicado (com apreensão de fato das mercadorias), é relevante aqui analisar a segunda imputação de perdimento. Sem embargo, as discussões sobre cabimento da penalidade de perdimento por subfaturamento (ou de aplicação alternativa da multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da MP no 2.15835/2001, nos casos de falsidade ideológica), passam a ser secundárias, visto que já mantido o perdimento por ocultação, estandose a tratar apenas, no tópico a seguir, do efetivo valor aduaneiro a ser tomado em conta no lançamento. Em outras palavras, se (a) configurado o subfaturamento, mantémse o perdimento por ocultação, aplicandose a multa correspondente ao valor aduaneiro, e a multa por falta de pagamento de tributos, tendo por base o valor aduaneiro apurado; e (b) se afastado o subfaturamento, mantémse o perdimento com base no valor aduaneiro declarado para as mercadorias, não havendo que se falar em exigência de diferenças de tributos. Dito isso, necessário se torna analisar a questão referente à valoração aduaneira. 3. Da valoração aduaneira e da verdade material A alegação fiscal é de que houve subfaturamento, ensejador tanto do perdimento quanto da exigência das diferenças de tributos correspondentes, sendo detalhada no item 4.4 do Relatório Fiscal, que, já ao início (fl. 266), esclarece: Os três exemplos apresentados em tal item do relatório se referem às DI no 10/06192443 e no 10/03158279 (fls. 266 a 273), a duas DI que são objetos de autuação em processo diverso, com fundamento no mesmo relatório fiscal (DI no 08/19829247 e no 08/19890868 – processo no 15165.723416/201317), e à DI no 10/01287683 (fls. 286 a 295). Em relação às DI no 10/06192443 e no 10/03158279, a fiscalização apresenta caso em que houve divisão de embarques (com drástica redução de valores, de 63% Fl. 4950DF CARF MF 20 diferença de US$ 25.000,00) e pagamento de valores não declarados, além de ocultação do real adquirente. Junta a fatura comercial (fl. 267), emitida um dia após a data constante da planilha de controle da “TEKTOYO”, de autoria de “ROBERTO” (fl. 268), com acompanhamento do assunto por “MURILO” e “JOSÉ” (“YOHNNY”), conforme correios eletrônicos de fls. 270/271. Na operação para a DI no 10/06192443, a empresa “ALVO” emitiu nota fiscal de saída antes mesmo da nota fiscal de entrada, e do desembaraço aduaneiro, sendo os produtos repassados à “PELCO”. No que tange ao pagamento, conforme ordem de compra, 50% deveriam ser adiantados e o restante pago em 30 dias após a entrega, e, efetivamente, a diferença não declarada (US$ 25.000,00) foi transferida eletronicamente em adiantamento à encomenda em 28/01/2010, pelo Citibank/New York (documento à fl. 273). Após o adiantamento a carga foi embarcada, sendo o restante do pagamento ao exportador por meio de contrato de câmbio. No que se refere à DI no 10/01287683, foram localizadas três faturas comerciais de diferentes fabricantes, consignadas à “TEKTOYO” (duas delas, uma proforma e uma comercial) e à “ALVO”, que, também cotejadas com a planilha de “ROBERTO”/ “TEKTOYO”, evidenciam substanciais reduções de valores, da ordem de 72% (fls. 289/290), com acompanhamento de “ALEXANDRE” / “ALVO”, conforme correspondência eletrônica de fl. 291, sendo as mercadorias destinadas 90% para a “PELCO” e 10% para a “TEKTOYO”, com notas fiscais de saída emitidas antes da nota fiscal de entrada e do desembaraço aduaneiro, e solicitação de recursos por “ALEXANDRE” (boleto de R$ 75.000,00), vinculado à operação, sendo o câmbio remetido a empresa alheia à transação, com autorização do suposto exportador para favorecer tal terceiro. A defesa sustenta que a autuação é nula por violação às regras de valoração aduaneira (por não se basear em critérios objetivos) e à verdade material (por fundarse em meras suposições e amostragens, e trazer conclusões apenas sobre cinco DI, sendo duas delas referentes a outro processo, e as outras três de 2010, não tendo sido analisada objetivamente nenhuma DI de 2009). No mais, a defesa (“TEKTOYO” e “MURILO” – fl. 4748; e “PELCO” e “ROBERTO” – fl. 4851) afirma que: Rechaça, assim, a defesa, a utilização da planilha encontrada nos computadores da “TEKTOYO”, com arquivos de autoria de “ROBERTO”, afirmando que não há provas de que seja este o efetivo valor de transação. Fl. 4951DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.942 21 No entanto, não aponta a defesa qualquer argumento que refute o fato de ter, por exemplo, sido remetido ao exterior o valor constante na planilha, e não aquele que está registrado na fatura, como se percebe no primeiro exemplo narrado pela fiscalização. Sequer aponta a defesa um único caso em que não sejam verídicas ou coerentes as conclusões do fisco, fundadas na documentação regularmente carreada aos autos. O fisco aponta uma metodologia clara e objetiva para comprovar o que alega, e acrescenta, ao final do relatório fiscal, planilha para cada uma das DI autuadas. Ademais, com a documentação carreada aos autos, e disponível à defesa, tal metodologia poderia ser também objetivamente questionada, e não genericamente rechaçada sob o pretexto de que poderia ser correto um terceiro valor, que não o declarado pela empresa nem o constante das planilhas, adotado pelo fisco. Bastaria à defesa comprovar a incorreção objetivamente em um único caso, para que pudesse, também exemplificativamente, demandar extensão de suas conclusões. Ou bastaria, apenas, nos exemplos citados, encontrar uma incongruência, que impedisse a adoção do valor da planilha encontrada no computador que tanto resistiu em disponibilizar ao fisco. Como destacou o julgador de piso (fl. 4668): “Considerando o fato de que a fiscalização logrou encontrar os valores transacionados à margem daqueles declarados (documentos encontrados em poder do próprio “GRUPO TOYO”) e que foi possível fazer a conexão entre as mercadorias importadas em cada operação de importação e os respectivos documentos de controle interno do “GRUPO TOYO”, há que se considerar que no presente caso a fiscalização obteve sucesso em reconstituir os valores efetivamente praticados nas operações de importação em análise. Não se tratam de preços arbitrados aleatoriamente. (...) No caso dos autos foi possível apurar o preço praticado em cada uma das operações de importação com base nos documentos de controle do “GRUPO TOYO” (fls. 2.095 a 3.071). Não houve a adoção de valor paradigma, mas sim a conexão entre as declarações de importação e os registros de controle de cada operação de importação, não se trata de amostragem, mas de aplicação individual. Embora seja improvável a existência de grandes variações de preço de uma mesma mercadoria para um mesmo fabricante no espaço de tempo correspondente ao autuado, o critério adotado não foi este, mas sim a conexão entre planilha de controle e operação de importação. À folhas 331 a 363 a fiscalização indica para cada mercadoria a planilha de controle interno correspondente e outras informações relacionadas a cada um dos itens autuados.” Quando à acusação de defesa de que a amostra exemplificativa é insuficiente, e sequer contempla DI de 2009, sendo as DI de 2010 de datas muito próximas, destacase que resulta de má compreensão do contexto da autuação, que trata de todas as 24 DI, com planilha completa ao final, e que poderia ter qualquer de seus dados questionados. Ademais, ao longo Fl. 4952DF CARF MF 22 de outros itens da autuação são detalhados exemplos distintos, tanto do ano de 2009 quanto do ano de 2010. Vejase a DI no 09/15671241, citada na autuação, que resulta de carga embarcada em Hong Kong, em 30/08/2009 (cópia conhecimento de carga à fl. 237, mostrando o embarcador/SINOMETER e o consignatário /“ALVO”). Na fatura correspondente, apurase subfaturamento de 66%, sendo que o fisco tomou o cuidado de não lançar os valores correspondentes a mercadorias de difícil individualização, como cabos e acessórios, e quando houvesse dúvidas (vejase a explicação à fl. 238). Após apresentar cópia da fatura instrutiva da declaração de importação (fl. 239), afirma a fiscalização: Assim, não só a descrição das mercadorias, mas também seu preço, a serem informados ao fisco nas declarações de importação, restavam nas mãos do chamado “Grupo TOYO”. Mencionese ainda a DI no 10/01257172, também constante na autuação, e registrada e desembaraçada em 25/01/2010. No servidor de dados da “TEKTOYO”, fora localizado também o arquivo magnético que gerou a fatura apresentada no despacho de importação, tendo como autor “ROBERTO” (em 19/10/2010), como se registra à fl. 242. Pertinente ainda a transcrição de email trocado entre “ALEXANDRE” / “ALVO”, com “ROBERTO” / “TEKTOYO” e “MURILO” / “PELCO” (fl. 246), sobre como deve ser a descrição das mercadorias nas notas fiscais de venda ao “Grupo TOYO”, mostrando onde estava o poder de decisão (fls. 246 a 248 – aqui transcrevemos apenas algumas das correspondências colacionadas pela fiscalização): Fl. 4953DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.943 23 Enganase, assim, a defesa, ao afirmar que não se buscou a verdade material ou que se contentou o fisco com exemplos que não adotam critérios objetivos ou não se prestam à compreensão da integralidade das operações. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e Fl. 4954DF CARF MF 24 seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 Aliás, tal observação sobre a verdade material tem relevante relação com a alegação de defesa (“TEKTOYO” e “MURILO” – fl. 4757; e “PELCO” e “ROBERTO” – fl. 4860) de que: Mirandose o excerto transcrito da autuação (fl. 256), percebese seu contexto, revelador da citada falta de colaboração: “Tendo em vista a não localização da empresa importadora ALVO e da negativa de entrega dos documentos contábeis e fiscais da ZENGRA, algumas informações não puderam ser levantadas. Apesar de não ter sido possível completar integralmente esta planilha, a análise não ficou prejudicada pelo fato de diversos outros documentos, colecionados e reunidos junto ao respectivo processo de importação, demonstraramse suficientes para indicar que os mesmos foram destinados às empresas do Grupo TOYO.” (grifo nosso) Veja que além de o excerto não tratar de subfaturamento, prestase a confirmar que o acervo probatório, em sua integralidade, supre a referida falta de colaboração. Com fundamento nos documentos acostados aos autos, resta evidente não só a interposição fraudulenta nas DI citadas no item 4.4 do relatório fiscal, mas seu modus operandi, que endossa a figura trazida pela autuação à fl. 228: 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 4955DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.944 25 Pelo exposto, mantémse o valor aduaneiro utilizado no lançamento, devidamente fundamentado, e que não afronta qualquer disposição do AVAGATT (pelo contrário, endossa e homenageia o primado do valor de transação) e não rechaçado a contento pela defesa, e que deve ser utilizado na multa substitutiva do perdimento por ocultação, tratada no tópico anterior, e no cálculo das diferenças de tributos correspondentes. Sobre a multa aplicável a tais diferenças, e sua relação com a multa substitutiva do perdimento, dispõese nos tópicos a seguir. 4. Da qualificação da multa de ofício Segundo a fiscalização, a multa de ofício foi duplicada (de 75% para 150%) porque foram apresentadas, ao longo de todo o relatório fiscal, provas incontestáveis da pratica de fraudes, simulações e conluios por parte dos agentes envolvidos no cometimento das irregularidades, atendendo ao pressuposto do artigo 645, II do Regulamento Aduaneiro, que tem por base legal a Lei no 9.430/1996, artigo 44. Sobre a existência de fraude e simulação, os tópicos anteriores não deixam dúvida, mas a majoração a que se refere o artigo 44 da Lei no 9.430/1996 demanda não só fraude ou simulação, mas a configuração de uma das situações específicas descritas nos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (grifo nosso) A partir do narrado nos tópicos anteriores (ocultação do real adquirente, mediante simulação, com interposição fraudulenta, e subfaturamento), resta patente, nos autos, a configuração de mais de uma circunstância prevista nos artigos 71 e 72 da lei. Como bem destacou a DRJ (fls. 4665/4666): “A declaração de apenas parte do real valor pago pelas mercadorias importadas, caracteriza a fraude (de valor), como definida no artigo 72 da Lei no 4.502/1964, pois é ação dolosa que modifica característica essencial do fato gerador da Fl. 4956DF CARF MF 26 obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido. (...) Os atos praticados pelos autuados demonstram o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador, obtendo como resultado a redução do montante do tributo devido, materializando também a hipótese prevista no artigo 71 da Lei n.º 4.502, de 1964: (...)” Sendo apenas uma das circunstâncias suficiente para a majoração, cristalino o cabimento da aplicação da multa em patamar majorado, no caso em análise. Sobre tal multa, a defesa questiona ainda sua conformidade com o princípio da vedação ao confisco. Por mais que tal princípio, ao menos em nosso texto constitucional (artigo 150, IV), se refira a tributos (e não a penalidades), cabe reiterar que o patamar estabelecido para a multa é expresso na lei, sendo a questão referente a eventual razoabilidade/proporcionalidade de lege ferenda. Estando o artigo 44 da Lei no 9.430/1996 vigente, não tem este tribunal administrativo competência para afastálo em função de eventual inconstitucionalidade, como assevera a Súmula CARF no 2. Nenhuma violação também à legalidade, sequer havendo vestígios de excesso de exação, visto que respeitada estritamente a legislação que rege as penalidades e a exigência de tributos. Improcedentes, assim, as razões de defesa em relação a este tópico. 5. Da relação entre as multas aplicadas e outras multas A multa de ofício aplicada, sobre a qual se tratou no tópico anterior, traz expressa previsão legal no sentido de que não prejudica a aplicação de outras penalidades. Dispõe o art. 44 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 11.488/2007: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” (grifo nosso) Fl. 4957DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.945 27 Em simples leitura, percebese nitidamente que a multa do § 1o, originalmente presente no inciso II do art. 44 da lei, não é incompatível com a aplicação de outras penalidades administrativas, por expressa disposição legal, que já constava tanto na redação original da lei quanto no texto da Medida Provisória no 351, de 22/01/2007 (art. 14), da qual decorre a Lei no 11.488/2007. Assim, afirmar que tal multa é incompatível com a substitutiva do perdimento, como deseja a defesa, equivale a novamente tentar afastar disposição expressa de lei, tarefa vedada a este tribunal pela já referida Súmula CARF no 2. Ademais, recordese a construção jurídica trazida no tópico 2 deste voto, no qual resta claro que o perdimento, se substituído por multa, não obsta a incidência de tributos. E se incidem tributos e estes não foram pagos, cabível também a multa de ofício por falta de pagamento, a ser majorada nas circunstâncias previstas no próprio texto do artigo 44 da Lei no 9.430/1996, aqui já reproduzido. Em adição, percebase que as multas aplicamse a situações distintas (uma a ocultação de real adquirente e subfaturamento e outra a falta de pagamento de tributos). É perfeitamente possível haver ocultação de real adquirente e/ou subfaturamento sem que haja falta de pagamento de tributos (v.g., alíquota zero ou importações restritas/proibidas), assim como é frequente haver falta de pagamento de tributos em importações nas quais não se configure ocultação do real adquirente ou subfaturamento. No entanto, estando presentes ambas as hipóteses (ocultação do real adquirente e/ou subfaturamento e falta de pagamento de tributos), cabível a aplicação das duas multas. Alega ainda a defesa, em relação à multa substitutiva do perdimento, que seria aplicável, benignamente, ao caso, a multa prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, em detrimento da multa substitutiva do perdimento. Novamente improcedentes as alegações, pois a multa prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007 não exclui a aplicação da pena de perdimento (ou da multa que a substitui), sendo incorreto se falar, no caso, em bis in idem, ou derrogação, como já decidiu este colegiado, recentemente, de forma unânime, nos Acórdãos no 3401003.172, de 17/05/2016; 3401003.289, de 24/01/2017; 3401003.312, de 25/01/2017; e 3401003.892, de 26/07/2017. Vejase o que restou consignado neste último julgado citado, e aqui se endossa: “(...) na ocultação comprovada, como é a imputada neste autos, a pena de perdimento afeta materialmente o acobertado e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado, e que a jurisprudência deste CARF (mencionandose precedentes) vem endossando tal posicionamento, reiteradamente, o que encontra, inclusive, apoio em decisões judiciais (também reproduzidas no voto condutor do Acórdão no 3401003.172). Não há, assim, bis in idem, mas penalidades aplicadas em função de distintas materialidades. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Fl. 4958DF CARF MF 28 A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. A única incompatibilidade da multa prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, é com a declaração de inaptidão (como esclarece o próprio parágrafo único do citado art. 33). Assim, a multa do artigo 33 da Lei no 11.488/2007 não derroga benignamente a multa substitutiva do perdimento, como deseja a defesa, nem prejudica sua aplicação, sendo apenas incompatível tal multa (sequer aplicada nestes autos) com eventual declaração de inaptidão pelos mesmos fatos. Por fim, levanta ainda a defesa, em relação às multas, dois óbices referentes a irretroatividade: um calcado na alteração promovida pela Lei no 12.350/2010 ao § 3o do artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (inclusão do termo “revenda”), tema já tratado no tópico 2 deste voto, e outra versando sobre o artigo 689, § 3oA do Regulamento Aduaneiro, incluído pelo Decreto no 7.213/2010. Como destacou o julgador de piso, a redação do § 3oA do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro não pode criar penalidade, mas simplesmente revelar entendimento sobre penalidade já criada por lei (no caso, o artigo 105, VI, do DecretoLei no 37/1966, que estabelece a pena de perdimento para mercadoria “estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado”) Aliás, o texto do artigo 689, § 3oA do Regulamento Aduaneiro foi novamente alterado em 2013, pelo Decreto no 8.010, e agora dispõe: “O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica”. Por certo que nenhuma alteração regulamentar criou ou revogou penalidade estabelecida em lei, e nem poderia fazêlo. E não nos parece que o artigo 689, § 3oA esteja sendo invocado pela fiscalização para dar aplicação retroativa, passando a exigir com ele penalidade que antes não era exigida. Buscou a alteração efetuada pelo Decreto no 7.213/2010, assim como aquela presente no Decreto no 8.010/2013, fazer com que a RFB adotasse procedimento uniforme, diante de entendimentos divergentes sobre a aplicação do comando legal. Tal debate, no entanto, é coadjuvante, diante do já exposto ao final do tópico 2 deste voto, quando afirmamos que as discussões sobre cabimento da penalidade de perdimento por subfaturamento (ou de aplicação alternativa da multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da MP no 2.15835/2001, nos casos de falsidade ideológica), passam a ser secundárias, visto que já mantido o perdimento por ocultação. Portanto, não subsistem os argumentos de defesa em relação a este tópico. 6. Da responsabilidade A responsabilidade solidária recaiu sobre os adquirentes dos produtos importados pela “ALVO”: “PELCO” e “TEKTOYO” (artigo 124 do CTN). Em relação às Fl. 4959DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.946 29 pessoas físicas (“ROBERTO”, “SILVIA”, “MURILO”, “JOSÉ”, “DANIELA”, “ALEXANDRE”, e “LEONARDO”), a imputação de responsabilidade se deu com fundamento no artigo 135, III do CTN, por atos praticados pelos sócios e gerente das empresas do “Grupo TOYO”, foram cometidos com infração da lei. Invoca ainda a fiscalização o artigo 95, I e V do DecretoLei no 37/1966 (reproduzido no artigo 603, I e V do Regulamento Aduaneiro), que estabelece que “respondem pela infração, conjunta ou isoladamente”, “quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie”, e “o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste , por intermédio de pessoa jurídica importadora”. As alegações comuns de defesa, suscitadas tanto em sede de impugnação quando de recurso voluntário, são no sentido de que teria a fiscalização confundido a responsabilidade das pessoas físicas com aquela atinente às empresas, arrolando sócios e não sócios sem qualquer fundamento jurídico, de que não teria havido interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária; e de que a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135 do CTN tem natureza subsidiária, e demanda configuração de dolo. No mais, “ROBERTO” e “MURILO” afirmam que não haveria qualquer documento ou email deles determinando a importação ou ordem de subfaturamento. “SILVIA” alega ausência de interesse comum e benefício próprio, e que seria mera sócia minoritária, sem poder de gerência ou decisão. “JOSÉ”, por sua vez, sustenta que nunca foi sócio nem gestor ou administrador de nenhuma das empresas relacionadas na autuação, sendo mero prestador de serviços, atuando como consultor, comprador e tradutor, não tendo poder de gerência/decisão. E, derradeiramente, “LEONARDO” afirma ter sido incorretamente incluído como devedor solidário, pois jamais exerceu cargo de gestão ou direção, nem assinou nenhum documento da empresa. Tendo operado a revelia para “DANIELA” e “ALEXANDRE”, e tendo sido “LEONARDO” excluído do polo passivo pela decisão de piso (o que, reiterese, é por nós endossado, visto realmente não haver, nos autos, elementos que apontem para a efetiva participação de tal pessoa nas infrações imputadas), resta analisar a responsabilidade de três empresas (“ALVO”: “PELCO” e “TEKTOYO”) e das quatro pessoas físicas (“ROBERTO”, “MURILO”, “SILVIA” e “JOSÉ”). Quanto às empresas, restou claro, pelo descrito nos tópicos anteriores, que a empresa “ALVO”, que declarava ser importadora e adquirente das mercadorias, em verdade importava para o chamado “Grupo TOYO”, do qual fazem parte “TEKTOYO” e “PELCO”, que tinham pleno conhecimento e domínio de toda a operação, dos preços praticados e declarados, e das informações que deveriam e não deveriam ser de conhecimento do fisco, inclusive providenciando, por meio de seus administradores, “ROBERTO” e “MURILO”, todos os trâmites, coordenadamente, em importações que eram declaradas como sendo da “ALVO”. Não vejo na autuação a eventual confusão a que alude a defesa, entre pessoas físicas e jurídicas, cada qual responsabilizada com fundamentos distintos, de forma justificada. E tampouco vislumbro como subsidiária a responsabilidade expressa no artigo 135 do CTN. A responsabilidade atribuída a pessoas físicas com fundamento no artigo 135, a nosso ver, não afasta a responsabilidade das empresas. O tema é polêmico na doutrina. Luciano AMARO, por exemplo, afirma que o dispositivo (art. 135, III do CTN) Fl. 4960DF CARF MF 30 exclui do pólo passivo da obrigação a figura do contribuinte (que, em princípio, seria a pessoa em cujo nome e por cuja conta agiria o terceiro), ao dispor no sentido de que o executor do ato responda pessoalmente. A responsabilidade pessoal deve ter aí o sentido (que já se adivinhava no art. 131) de que ela não é compartilhada com o devedor “original” ou “natural”. Não se trata, portanto, de responsabilidade subsidiária do terceiro, nem de responsabilidade solidária. Somente o terceiro responde “pessoalmente”. Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver a prática de ato para o qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. [...] O problema está em se definir os atos a que se refere o art. 135. 3 (grifo nosso) Hugo de Brito MACHADO, no entanto, considera inaceitável tal entendimento, afirmando que A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não são os únicos. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”. Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para a atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do contribuinte. 4 (grifo nosso) Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES, em obra coordenada por Paulo Afonso Brum Vaz e Leandro Paulsen, redige artigo específico sobre o art. 135, III, do CTN, sustentando que [...] é de se ter em mente que a doutrina classificou a responsabilidade tributária como por substituição ou por transferência. Haverá responsabilidade por substituição quando é esquecido, desde logo, o contribuinte, e chamado a responder pela obrigação o responsável, e responsabilidade por transferência quando este somente é chamado a responder após a tentativa de satisfação da obrigação em face do contribuinte (subsidiária) ou quando são acionados de forma conjunta (solidariedade). 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 318319. 4 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 21. ed. Malheiros: São Paulo, 2002, p. 142. Fl. 4961DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.947 31 [...] A este trabalho nos interessa uma modalidade de responsabilidade de terceiros, especialmente aquela delineada no art. 135, III, do CTN. Da análise inicial da responsabilidade tributária em sentido amplo, [...] temse que aquela prevista no art. 135, III, do CTN pode ser classificada como responsabilidade por transferência, pois há a exigência do tributos do contribuinte (a sociedade empresária), não sendo excluída a responsabilidade desta pelo cumprimento da obrigação. Aliás, conforme ensina Zenildo BODNAR, ainda que se proceda à responsabilização do sócio gerente ou do administrador, esta não exclui a responsabilidade da pessoa jurídica, face ao princípio da separação patrimonial entre a pessoa jurídica e os seus sócios. 5 (grifo nosso). Outro trabalho específico sobre o tema, merecedor do Prêmio CARF 2010 de monografias em Direito Tributário, de autoria de Fabrizio Candia dos SANTOS, apresenta visão complementar sobre o tema, dispondo que [...] ao tratar da responsabilidade de terceiros, o CTN estabeleceu duas regras distintas: uma, conservando a sua caracterização de terceiro para vinculálo subsidiariamente ao credor nos casos em que, por sua omissão ou ação, reste inadimplida obrigação tributária. Em outra ponta, caso um ato ilícito do terceiro produza um fato gerador, deixa o mesmo (sic) de ser terceiro para vincularse pessoal e solidariamente à obrigação. A solidariedade decorre do comum interesse na situação que constitui o fato gerador, interesse esse revelado no momento em que excede os limites da lei. 6 (grifo nosso) A análise destes dois últimos posicionamentos é ainda mais enriquecedora quando aliada aos ensinamentos de Paulo de Barros CARVALHO, que entende tratarem os artigos referentes à responsabilidade de terceiros (como o art. 135) não de uma relação tributária, mas de uma relação de cunho obrigacional, de índole sancionatória (sanção administrativa): Nosso entendimento é no sentido de que as relações jurídicas integradas por sujeitos passivos alheios ao fato tributado apresentam a natureza de sanções administrativas. [...] Tudo fica mais evidente, porém, quando atinamos ao disposto na Seção II – “Responsabilidade de Terceiros”. Sob o manto jurídico da solidariedade, escondese a providência sancionatória, de maneira nítida e insofismável. [...] Cremos haver demonstrado a natureza do vínculo que se instala, sempre que pessoa externa ao acontecimento do fato jurídico tributário é transportada para o tópico de sujeito 5 ALVES, Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro. Resstudo da responsabilidade tributária (Art. 135, III, do CTN) em face da Lei COmplementar n. 123, de 14122006. In PAULSEN, Leandro; VAZ, Paulo Afonso Brum (org.). Curso Modular de Direito Tributário. Florianópolis: Conceito, 2008, p. 213214. 6 SANTOS, Fabrizio Candia dos. A responsabilidade tributária de todos os sócios na dissolução irregular de sociedades limitadas. In I Prêmio CARF de monografias em direito tributário 2010. Brasília: Valentim, 2011, p. 225226. Fl. 4962DF CARF MF 32 passivo. Teremos uma relação jurídica, de cunho obrigacional, mas de índole sancionatória. Alguns autores invocam a extinção da obrigação tributária, quando o responsável paga a dívida, como um argumento contrário à tese que advogamos. O argumento, todavia, é inconsistente. Nada obsta a que o legislador declare extinta a obrigação tributária, no mesmo instante em que também se extingue a relação sancionatória. Dáse por satisfeito, havendo conseguido seu objetivo final. 7 (grifo nosso) A que obrigação tributária se refere o professor da USP e da PUC/SP, quando fala que o legislador pode declarála extinta com o termo da relação sancionatória? Certamente o rigor terminológico do mestre não faria com que sustentasse que está extinta uma obrigação que jamais nasceu. E se ela nasceu, tem alguém no polo passivo. E esse alguém é originariamente o contribuinte. Percebase que aquilo que Paulo de Barros CARVALHO designa como sanção administrativa é albergado pela chamada responsabilidade tributária em sentido amplo, referida por Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES. E notese ainda que, independentemente de ser designada a pessoa a que se refere o art. 135, III como responsável tributário ou responsável por sanção administrativa, a figura do contribuinte é inafastável. Arrematese a discussão sobre o tema com a ponderação de Ricardo Lobo TORRES, que, objetivamente, assevera que Outra coisa é a responsabilidade de que cuida o art. 135. Nela existe a solidariedade ab initio, e o responsável se coloca junto do contribuinte desde a ocorrência do fato gerador. [...]. A Fazenda credora pode dirigir a execução contra o contribuinte ou o responsável. 8 (grifo nosso) Aliás, esse é o entendimento externado por este CARF. A título ilustrativo, transcrevase excerto de Acórdão unânime da 1a Seção, proferido em 2011: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. SOLIDARIEDADE. I Condutas do sócioadministrador, desde a não escrituração das operações contábeis, passando pelo não envio declarações obrigatórias de pessoa jurídica, consubstanciaram uma série de atos ordenados, um por um, visando ocultar as receitas auferidas que deveriam ter sido oferecidas á tributação. Tais ações e omissões, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, caracterizaram o dolo, restando demonstrada subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. II O termo “pessoalmente responsável”, do artigo 135 do CTN, trata de responsabilidade surgida direta e pessoalmente, o que não quer dizer, contudo, que a pessoa jurídica fique desobrigada, até porque, caso o fosse, deveria haver uma menção expressa de exclusão de responsabilidade. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.O decidido em relação à matéria 7 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 324327. 8 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Tributário e Financeiro. 14. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, p. 268. Fl. 4963DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.948 33 principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. 9 (grifo nosso) Também na Terceira Seção a matéria foi decidida de forma unânime: “SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária.” 10 (grifo nosso) A construção jurídica mais sólida, assim, a nosso ver, aponta para a manutenção das empresas (“ALVO”: “PELCO” e “TEKTOYO”) no polo passivo, ainda que haja atribuição de responsabilidade a pessoas físicas com fundamento no art. 135, III do CTN. A descrição das infrações, ao longo deste voto, não deixa dúvidas a respeito do interesse comum, da coordenação de esforços, e da operacionalidade conjunta para o cometimento da infração. E as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. E também a pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações. É a dicção do artigo 95 do DecretoLei no 37/1966, invocado na autuação. A respeito da imputação às pessoas físicas, não vislumbro ofensa à Súmula no 430 do STJ, que dispõe: “O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente”. Por certo que há independência entre as pessoas físicas e jurídicas, e somente as pessoas (físicas ou jurídicas) que contribuíram para a prática da infração (sejam ou não sócios, sejam ou não administradores) é que respondem pela infração. Assim decidiu este colegiado, recentemente: “RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas.” (Acórdão no 3401003.426, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação a esse tema, sessão de 28 mar. 2017.) No presente processo, alegam as defesas de “ROBERTO” e “MURILO” que não haveria nos autos nenhuma prova de sua participação. Mas não é isso que se vê nas abundantes correspondências que não só endossam o modus operandi descrito pela 9 CARF. Acórdão 1302000.458. 3a Câmara. 1a Seção. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello, unânime, Sessão de 26.jan.2011. 10 CARF. Acórdãos 3403001.763 e 764, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.set.2012. Fl. 4964DF CARF MF 34 fiscalização, mas atestam intensa participação de tais pessoas físicas na prática das infrações e a simbiótica entre as empresas “TEKTOYO” e “PELCO”. Basta a leitura do relatório fiscal para atestar a intensa participação de “ROBERTO” e “MURILO” em correspondências nas quais se percebe claramente simulação, mostrando ao fisco uma realidade distinta da sabida como verdadeira por ambos, no que se refere aos reais importadores/exportadores e preços praticados. Não precisamos ir além do aqui já relatado e não refutado especificamente pela defesa, demonstrando inequivocamente a prática de ocultação do real adquirente e subfaturamento, condutas que demandaram a participação ativa de “ROBERTO” e “MURILO”. Vejase, em endosso, o email transcrito à fl. 234 do relatório fiscal (destacandose os de igual importância, às fls. 235 e 236): Ainda em endosso as mensagens de fls. 246/247: Fl. 4965DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.949 35 E, para não se alongar nos exemplos de nítida conexão e coordenação entre as empresas, perpetrada mormente nas pessoas de “ROBERTO” e “MURILO”, fiquemos com o email de fls. 248/249: Fl. 4966DF CARF MF 36 E, para concluir, em relação a “MURILO” e ROBERTO”, citemos as correspondências de fls. 250/251: No caso de “SILVIA”, esposa de “ROBERTO”, embora se reconheça que era sócia minoritária, em que pese ser sócia administradora, cabe destacar que é quem estava de posse do computador de onde foram retiradas grande parte das informações usadas na autuação, como recorda a DRJ (fl. 4679): As alegações apresentadas pela Sra. SILVIA CARINA GERZVOLF, do baixo percentual de participação societária, que exercia atividades rotineiras, e que não participou da gestão da empresa nem das operações em trato, não podem ser acatadas. Segundo própria petição da impugnante junto ao Poder Judiciário (fls. 1.761) o computador (servidor de dados) onde foram encontradas boa parte das provas acostadas aos autos estava em poder da impugnante que alegou seu uso para fins de exercício profissional, mas que, como visto nos autos, possuía registros contábeis, gerenciais e estratégicos das empresas do “GRUPO TOYO”. A alegação apresentada naquele documento é de que o referido equipamento estaria em sua residência para o exercício profissional da advocacia. Portanto, a convicção deste Relator é de que a responsabilidade tributária foi corretamente atribuída à interessada, na medida em que disponibilizou o equipamento principal que se destinava ao controle direto e paralelo (planilhas com os preços efetivamente praticados) dos dados gerenciais do “GRUPO TOYO”:” Fl. 4967DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.950 37 Dá conta a fiscalização, ainda, de pagamentos efetuados pela “PELCO” de despesas pessoais de “SILVIA”, corroborando o vínculo estabelecido pela fiscalização e não rechaçado a contento pela defesa (fl. 201). No que se refere a “JOSÉ” (YOHNNY), que sequer constava formalmente como sócio das empresas, restou indiscutivelmente configurada a participação, seja pela presença em reuniões estratégicas, ou pelo exercício de fato de gerência, como destacado na decisão de piso (fl. 4678/4679): “A responsabilidade solidária atribuída ao Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET não pode ser igualmente afastada. Além dos documentos anteriormente citados, que em não raros casos possuem menção ou interferência do autuado, o próprio impugnante em diversas oportunidades diferentes se apresentou como diretor/gerente das empresas do “GRUPO TOYO”. O impugnante participava das “reuniões” estratégicas do grupo, e exercia atividades gerenciais junto aos fornecedores estrangeiros. A alegação de que nunca fora sócio de qualquer uma das empresas do “GRUPO TOYO” não é apta a afastar a responsabilidade decorrente do exercício de fato da atividade de “diretor” ou “gerente” do grupo, como atestam os documentos acostados aos autos. Igualmente não se pode acatar a alegação de que sua apresentação perante terceiros como gestor do grupo se destinava apenas a facilitar o acesso a estes. A responsabilidade atribuída ao impugnante não decorre apenas do tratamento que este utilizava perante terceiros, mas sim da sua efetiva participação nas operações das empresas pertencentes ao “GRUPO TOYO”. São correspondências comerciais e relatórios do próprio grupo que comprovam o estatus gerencial do autuado. Portanto, a responsabilidade tributária não pode ser afastada, isto, independentemente do fato de o impugnante não possuir “formalmente” vinculo social ou empregatício com as empresas do “GRUPO TOYO”.” No relatório fiscal (fl. 251), resta patente a compreensão de “JOSÉ” (“YOHNNY”) do modus operandi, e sua participação: Também há participação de “JOSÉ” (“YOHNNY”) na prática de divisão dos boletos para facilitar o uso indistinto das empresas do “Grupo TOYO” (fl. 260) e no Fl. 4968DF CARF MF 38 acompanhamento dos desembaraços (fl. 272). Na planilha referente a composição dos valores (fls. 331/332) também aparecem email trocados entre “JOSÉ” (“YOHNNY”) e outros responsáveis pelo “Grupo TOYO”. Em síntese, a partir do modus operandi identificado, endossamos a conclusão da fiscalização externada à fl. 206 do mesmo relatório fiscal, embora efetivamente reconheçamos participação mais intensa de “ROBERTO” e “MURILO”. Pelo exposto, são improcedentes as alegações de defesa também neste item, devendo ser mantida a composição do polo passivo da autuação presente após a decisão de piso (que excluiu apenas “LEONARDO”). 7. Da base de cálculo as contribuições, na importação Por fim, questiona a defesa a base de cálculo utilizada para as contribuições devidas na importação, em face do RE no 559.607RG/SC. Sobre o tema, cabe destacar que, por ser a matéria de cumprimento compulsório por este CARF (art. 62, § 2o do Anexo II do Regimento Interno do colegiado), a base de cálculo das contribuições (COFINSimportação e Contribuição para o PISPASEP importação) deve respeitar o que ficou decidido definitivamente pelo SRF no Recurso Extraordinário (RE) no 559.607/SC, com repercussão geral reconhecida. O citado RE versa sobre a questão da inclusão (ou não) do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo da COFINSimportação e da Contribuição para o PIS/PASEPimportação, tema a respeito do qual o STF reconheceu a existência de Repercussão Geral (tema no 01) em 26092007. Conforme DJE de 16/10/2013 (publicado em 17/10/2003), o STF reconheceu em plenário a inconstitucionalidade do acréscimo do ICMS e das próprias contribuições à base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, sendo o Min. Dias Toffoli encarregado de redigir o acórdão, rejeitandose questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional que suscitava que fossem modulados os efeitos da decisão: “Prosseguindo no julgamento, o Tribunal negou provimento ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, e, tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, determinou a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Dias Toffoli. Em seguida, o Tribunal rejeitou questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 20.03.2013” (grifo nosso) Fl. 4969DF CARF MF Processo nº 15165.723702/201382 Acórdão n.º 3401004.474 S3C4T1 Fl. 4.951 39 Em consulta ao sítio web do STF, atestase que a Fazenda apresentou embargos de declaração em 12/11/2013, que foi juntada petição em 23/01/2014, e que os autos estavam conclusos para o relator desde 04/02/2014. Em 17/09/2014 os embargos foram rejeitados. E em 14/10/2014 foi publicado o acórdão em relação aos embargos: “Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade de parte do inciso I do art. 7º da Lei 10.865/04. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. Embargos de declaração não acolhidos.” (grifo nosso) O processo teve trânsito em julgado em 24/10/2014, passando a vincular os julgamentos deste colegiado, por força art. 62, § 2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Assim, devem ser excluídos, da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, nas autuações, as parcelas referentes ao ICMS e às próprias contribuições, como vem reconhecendo unanimemente este colegiado, inclusive de ofício. Considerações Finais Pelo exposto, voto por dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, para excluir as parcelas referentes ao ICMS e às próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, na autuação, em função do RE no 559.607/SC, julgado, com repercussão geral, pelo STF, e do art. 62, § 2o do RICARF. E, ainda, por reconhecer, de ofício, a existência de recurso de ofício, pela exoneração da totalidade do montante lançado em relação a um sujeito passivo, negandolhe provimento. Rosaldo Trevisan Fl. 4970DF CARF MF 40 Fl. 4971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001112/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. LEGITIMIDADE.
Encontra-se definitivamente superada a discussão quanto à legitimidade da autoridade fiscal em acessar as informações relativas à movimentação financeira do contribuinte, quando esse procedimento é realizado de acordo com as normas que o regulamentam.
INCONSTITUCIONALIDADE. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. LEGITIMIDADE. Encontra-se definitivamente superada a discussão quanto à legitimidade da autoridade fiscal em acessar as informações relativas à movimentação financeira do contribuinte, quando esse procedimento é realizado de acordo com as normas que o regulamentam. INCONSTITUCIONALIDADE. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
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AUSÊNCIA DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. LEGITIMIDADE. Encontrase definitivamente superada a discussão quanto à legitimidade da autoridade fiscal em acessar as informações relativas à movimentação financeira do contribuinte, quando esse procedimento é realizado de acordo com as normas que o regulamentam. INCONSTITUCIONALIDADE. ENUNCIADO Nº 2 DA SÚMULA CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 11 12 /2 00 5- 99 Fl. 115DF CARF MF 2 Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 101/109) apresentado em face do Acórdão nº 0415573, da DRJ/CGE (fls. 85/90), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual foi constituído crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF (fls. 58/64). O auto de infração foi lavrado com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, após procedimento que teve origem na constatação da discrepância entre o valor da renda declarada pela contribuinte (R$ 32.919,28) e a quantia por ela movimentada em suas contas bancárias (R$ 819.264,76). A impugnação do sujeito passivo deu origem ao Acórdão recorrido, que lhe deu parcial provimento para determinar a exclusão do valor de R$ 60.000,00 da base de cálculo do lançamento, em vista da comprovação da sua origem. A ciência dessa decisão ocorreu em 27/10/2008 (fl. 93) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 26/11/2008 (fls. 101/109). Em suas razões recursais, a contribuinte apresenta precedentes judiciais e argumentos com os quais pretende demonstrar a correção de seu entendimento de que "a Lei Complementar 105/01 é inconstitucional, tanto do ponto de vista da quebra do sigilo bancário em si, quanto do procedimento fiscal nela previsto, qual seja, investigação sem contraditório". Com base nessa conclusão, requer seja reconhecida a "inconstitucionalidade a Lei Complementar nº 105/2001" e anulado "na integra o presente processo administrativo". Neste Conselho, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10805.001112/200599 Acórdão n.º 2201004.526 S2C2T1 Fl. 116 3 Conforme evidencia o relatório, a defesa está calcada unicamente em alegação de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001. Ocorre, porém, que essa linha de argumentação esbarra na determinação constante no seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, em sede judicial, essa matéria foi solucionada em sentido contrário às pretensões da contribuinte quando o pleno do Supremo Tribunal Federal STF, em julgamento realizado nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973 (Repercussão Geral) fixou as seguintes teses: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal." "A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN." De acordo com o §2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B do CPC/1973 devem ser obrigatoriamente reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, é necessário reconhecer a improcedência dos argumentos de defesa. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001250/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/COFINS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO.
Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.113
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/COFINS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
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AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 12 50 /2 00 8- 22 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre PER/DCOMP mediante o qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de PIS não cumulativo vinculado à receita do mercado interno. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, homologando as declarações de compensação até o limite dos créditos e determinando a cobrança dos débitos não compensados. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o direito ao ressarcimento de créditos básicos na aquisição no mercado interno vinculados à receita tributada e do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O julgador de primeira instância não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Ao contrário do que entende a contribuinte, a Lei nº 10.925/2004 fala apenas em dedução, não mencionando a possibilidade de manutenção ou utilização de eventual saldo, condição indispensável para a subsequente compensação com débitos de outros tributos, ou ressarcimento em dinheiro de valor remanescente. Ademais, o art. 2º do ADI SRF nº 15/2005 refere que não poderão ser objeto de compensação ou ressarcimento eventuais créditos presumidos apurados na forma do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Tratandose de ressarcimento de PIS não cumulativo, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 15 da mesma Lei vedam a atualização monetária entre a protocolização do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento. Cabe aos contribuintes, em defesa ao crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. No caso em tela, entendese que a contribuinte não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações. Limitouse a afirmar a existência dos pretendidos créditos, nada apresentando de novo. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, mediante o qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.111, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10820.001239/200862, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.111): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O pedido da recorrente para notificação para sustentação oral deve ser indeferido à míngua de previsão legal ou regimental. Ademais, o § 1º do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2016, determina que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento, em conformidade com os arts. 58 e 59 do referido Regimento Interno. Em análise de vários pedidos de ressarcimento da contribuinte de PIS/Cofins, constantes em diversos processos administrativos, relativos aos períodos de apuração do primeiro trimestre de 2005 até o último trimestre de 2007, concluiu a fiscalização no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal que: a) O sujeito passivo tem direito ao ressarcimento ou compensação de saldos credores de créditos básicos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada à alíquota zero no mercado interno. Os valores desses créditos apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro; b) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, por falta de previsão legal, sendo a sua utilização restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subseqüentes;e, c) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno presumido, relacionados às atividades agroindustriais. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Os valores desses créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 4 utilizados apenas na dedução da própria contribuição devida no mesmo período de apuração ou nos subseqüentes, devendo ser apurados de forma segregada, com o seu saldo controlado durante todo o período de sua utilização. i) Créditos básicos: Conforme consignado no PARECER SAORT, as receitas não tributadas no mercado interno foram constituídas de vendas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Para tais receitas foram apurados os créditos da contribuição não cumulativa na forma dos arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, cuja manutenção na escrita contábil pelo estabelecimento vendedor encontrava amparo legal no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, tornandose passíveis de resssarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela RFB, com a entrada em vigor, em 19/05/2005, do art. 16, incisos I e II da Lei n° 11.116/2005. A fiscalização considerou a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta de vendas de leite pasteurizado no mercado interno, somente a partir de 30/12/2004. Quanto aos demais produtos fabricados pela contribuinte, a redução da alíquota a zero foi considerada apenas a partir de 1° de março de 2006 (queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão); e de 15 de junho de 2007 (bebidas e compostos lácteos, queijo provolone, queijo parmesão), conforme disposições contidas, respectivamente, nos incisos II e III do art. 3º do Decreto n° 5.630/051. No que nada há a reparar. Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência 1 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: (...) Xleite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano; (Vigência) XIleite em pó, integral ou desnatado, destinado ao consumo humano; e (Vigência) XIIqueijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Vigência) XIIIleite em pó semidesnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XIVqueijo provolone, queijo parmesão e queijo fresco não maturado; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XVsoro de leite fluido a ser empregado na industrialização de produtos destinados ao consumo humano. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). (...) Art.3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de: I30 de dezembro de 2004, em relação ao disposto nos incisos VIII a X do caput do art. 1º deste Decreto; e II1º de março de 2006, em relação ao disposto nos incisos XI e XII do caput do art. 1º deste Decreto. III15 de junho de 2007, em relação ao disposto nos incisos XIII, XIV e XV do caput do art. 1o e no § 3o do mesmo artigo deste Decreto. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). Art.4o Fica revogado o Decreto no 5.195, de 26 de agosto de 2004. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 5 da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006. Não obstante o entendimento desta Relatora, constante no Acórdão nº 3402003.170, de 20 de julho de 2016, no sentido de que "Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004", tratando o presente processo de pleito relativo a período posterior ao início da vigência da suspensão considerado pela autoridade administrativa (04/04/2006), não houve aqui prejuízo à contribuinte. A recorrente não contesta que não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno, para os quais a utilização é restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subsequentes. Apenas questiona: "Como poderá restar saldo credor a ser ressarcido se as receitas de venda são tributadas?" Ora, de todo modo, o ressarcimento, quando permitido, só é possível, obviamente, quando houver saldo remanescente de créditos na escrita da contribuinte. Dessa forma, com relação aos créditos básicos foi concedido à requerente todo o ressarcimento a que tinha direito sobre as receitas não tributadas, não cabendo reforma na decisão recorrida que manteve o despacho decisório. ii) Crédito presumido da agroindústria: Acerca do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sustenta a recorrente que teria direito ao ressarcimento com relação às vendas efetuadas à alíquota zero, nos termos dos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 6 Como se vê, o ressarcimento permitido pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005 é cabível somente na hipótese de saldos credores decorrentes da apuração na forma: a) dos arts. 3ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 ou b) do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não havendo qualquer previsão nesse sentido quanto ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para o qual, inclusive, só foi autorizada a dedução dos valores das contribuições devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a impossibilidade de compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 7 I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 8 do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 340101.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3º. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 9 Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Dessa forma, a decisão recorrida há de ser mantida também nesta parte. iii) Correção monetária Por fim, requer a recorrente a correção monetária do saldo credor a ser ressarcido, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Tais artigos assim dispõem: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 10 De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Waldir Navarro Bezerra Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10820.001250/200822 Acórdão n.º 3402005.113 S3C4T2 Fl. 0 11 Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000608/2005-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a existência de omissão no julgado, acolhem-se os embargos de declaração a fim sanar o vício.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. INCIDÊNCIA SOBRE O RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
Não se toma conhecimento do recurso especial quanto à matéria que não tenha sido prequestionada no acórdão recorrido.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento.
Numero da decisão: 9303-006.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em acolhê-los para, rerratificando o Acórdão nº 9303-005.312, de 25 de julho de 2017, sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para não conhecer, por unanimidade de votos, do recurso especial na parte que trata do crédito presumido do IPI e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso especial quanto à correção do ressarcimento de créditos de PIS e COFINS pela taxa Selic. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de omissão no julgado, acolhem-se os embargos de declaração a fim sanar o vício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. INCIDÊNCIA SOBRE O RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. Não se toma conhecimento do recurso especial quanto à matéria que não tenha sido prequestionada no acórdão recorrido. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento.
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Verificada a existência de omissão no julgado, acolhemse os embargos de declaração a fim sanar o vício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. INCIDÊNCIA SOBRE O RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. Não se toma conhecimento do recurso especial quanto à matéria que não tenha sido prequestionada no acórdão recorrido. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em acolhêlos para, rerratificando o Acórdão nº 9303005.312, de 25 de julho de 2017, sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para não conhecer, por unanimidade de votos, do recurso especial na parte que trata do crédito presumido do IPI e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso especial quanto à correção do ressarcimento de créditos de PIS e COFINS pela taxa Selic. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento ao recurso especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 08 /2 00 5- 19 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11065.000608/200519 Acórdão n.º 9303006.307 CSRFT3 Fl. 356 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em face do Acórdão 9303 005.312, com base no pressuposto regimental da omissão (art. 65, § 1º, I, do RICARF). Conforme se verifica no despacho de admissibilidade, o recurso especial do contribuinte foi integralmente admitido. Isso significa que a CSRF deveria ter se manifestado sobre as três questões em relação às quais foram apresentados acórdãos paradigmas, quais sejam: a) incidência da contribuição sobre os valores relativos à cessão onerosa de créditos do ICMS; b) não incidência da contribuição sobre o ressarcimento do crédito presumido de IPI; e c) correção monetária do ressarcimento da contribuição pela taxa Selic. Ocorre que o acórdão recorrido só se manifestou sobre a questão da incidência da contribuição sobre os valores resultantes da cessão onerosa de créditos do ICMS, omitindose quanto às duas outras matérias. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. Conforme se verifica no despacho de admissão dos embargos, no momento da formalização do acórdão foi constada omissão quanto à apreciação de divergências que foram admitidas na ocasião do juízo de prelibação. As questões que deixaram de ser analisadas foram as seguintes: a) incidência da contribuição sobre o crédito presumido de IPI; e b) correção do ressarcimento pela taxa Selic. Relativamente à questão da incidência da contribuição sobre o ressarcimento do crédito presumido de IPI, embora o contribuinte tenha apresentado paradigmas desta matéria, a questão não pode ser conhecida por este colegiado por falta de prequestionamento no acórdão recorrido. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11065.000608/200519 Acórdão n.º 9303006.307 CSRFT3 Fl. 357 3 O art. 67, § 5º, do RICARF1, estabelece que o recurso especial só pode ter seguimento se a matéria estiver prequestionada no Acórdão recorrido. No caso concreto, o exame do acórdão recorrido revela que não houve deliberação e nem decisão quanto à incidência da contribuição sobre o valor do ressarcimento do crédito presumido de IPI, o que impede a Câmara Superior de conhecer o recurso especial nesta parte. Relativamente à questão da correção do ressarcimento da contribuição pela taxa Selic, a divergência jurisprudencial é de rápido deslinde. É que há expressa disposição legal sobre a matéria no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. O art. 15, inc. VI, da lei acima citada estendeu a vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS. Assim, em estrita observância do princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que manteve o indeferimento ao pedido de atualização monetária do ressarcimento, e negar provimento ao recurso especial do contribuinte nesta parte. Com esses fundamentos, acolho os embargos de declaração para sanar as omissões apontadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso especial quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 1 § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720132/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constata a omissão apontada pelo contribuinte no acórdão embargado é de rigor a apreciação das razões de defesa apontadas com a finalidade de sanar o vício na decisão.
ITR. ÁREA APROVEITÁVEL PARA FINS DE APURAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO. EXCLUSÃO DE ÁREA CONSIDERADA COMO TRIBUTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de averbação da área Reserva Legal na Matrícula do imóvel implica a sua não exclusão da tributação do ITR. Sendo considerada tributável, tem-se como consequência lógica que esta mesma área compõe a área aproveitável do imóvel para fins de apuração do grau de utilização (uma vez que não há, no caso, discussão acerca da área ocupada por benfeitorias).
Numero da decisão: 2201-004.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos, para, sanar a decisão constante do Acórdão 2201-002.675, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Douglas Kakazu Kushiyama.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 10/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OMISSÃO. Constata a omissão apontada pelo contribuinte no acórdão embargado é de rigor a apreciação das razões de defesa apontadas com a finalidade de sanar o vício na decisão. ITR. ÁREA APROVEITÁVEL PARA FINS DE APURAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO. EXCLUSÃO DE ÁREA CONSIDERADA COMO TRIBUTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. A falta de averbação da área Reserva Legal na Matrícula do imóvel implica a sua não exclusão da tributação do ITR. Sendo considerada tributável, temse como consequência lógica que esta mesma área compõe a área aproveitável do imóvel para fins de apuração do grau de utilização (uma vez que não há, no caso, discussão acerca da área ocupada por benfeitorias). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos, para, sanar a decisão constante do Acórdão 2201002.675, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Douglas Kakazu Kushiyama. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 01 32 /2 00 7- 36 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 252 2 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 10/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Embargos de Declaração de fls. 208/218, interposto contra o Acórdão nº 2201002.675, de fls. 189/199, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o VTN informado pela contribuinte em sua DITR/2003. A partir desse ponto, considerando a clareza e didática do relatório dos fatos componentes do acórdão nº 2201002.675 proferido por esta C. 1ªTurma da 2ª Câmara da Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF, acostado às fls. 189/199, passo a adotálo para relatar parte do presente relatório, na forma abaixo: Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, ano calendário 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 586.514,69, calculado até 30/11/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Nova Grataú”, cadastrado na RFB sob o nº 3.073.7303, com área declarada de 2.551,0 ha, localizado no Município de Angra dos Reis/RJ. A fiscalização efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de utilização limitada (266,0 ha), além de rejeitar o VTN declarado de R$ 6.000.000,00 ou R$ 2.352,01/ha, sendo arbitrado o valor de R$ 21.992.119,98, com base no valor médio de R$ 8.620,98/ha indicado no SIPT (Sistema de Preços de Terras) da Receita Federal. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ∙ apresenta um relato dos fatos da presente Notificação de Lançamento; após transcrever o art. 29 do CTN, informa que em 11.08.2006, alienou a FAZENDA aos Srs. Sebastião Emilio do Valle Neto e Luiza Helena Valle, fato que se comprova pela respectiva ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA e mostra o quê dispõe o art. 130 do CTN e conclui Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 253 3 que a responsabilidade pelo crédito tributário é transmitida ao adquirente do imóvel cuja propriedade lhe foi transmitida, independentemente da forma de transferência (no presente caso, por meio de compra e venda); ∙ nesse sentido, transcreve palavras de HUGO DE BRITO MACHADO e mostra entendimentos do STJ e farta jurisprudência dos 2º e 3º Conselhos de Contribuintes e requer, preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento por ilegitimidade do sujeito passivo; ∙ nos termos do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n 2 2.166, de 2001, “a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multas previstos nessa Lei caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis”; ∙ nesse sentido, transcreve entendimentos do CC e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; ∙ para fins de comprovação das informações prestadas no DIOT, procurou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA (órgão legalmente responsável pela fiscalização e comprovação das APPs e das áreas de utilização limitada) e protocolou o Ato Declaratório Ambiental ADA relativo ao ano base de 2003, pelo qual formalizou a existência de uma área total de 266,0 ha de Reserva Legal em seu imóvel rural; ∙ assim, não há como a fiscalização considerar que tal área não poderá ser excluída para fins de ITR, uma vez que, além de informada em seu DIOT, ela foi declarada ao IBAMA por meio de ADA; ∙ e nem se diga que, para o gozo da isenção do referido imposto sobre esta área, seria necessário, ainda, que a IMPUGNANTE tivesse averbado a área de Reserva Legal da FAZENDA no Registro do Geral de Imóveis (RGI); ∙ a falta de averbação da área de Reserva Legal não tem o condão de afastar a isenção de ITR, pois seu objetivo não tributário, já que visa, tão somente, atribuir a responsabilidade de preservação da referida área a eventuais adquirentes, sem que estes possam alegar o desconhecimento da limitação quanto a sua exploração e nesse sentido, transcreve entendimentos do CC e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; ∙ comprovada, portanto, a existência da área de Reserva Legal, visto que a mesma já foi, inclusive, declarada em ADA, e por outro lado, a desnecessidade da averbação dessa área no RGI para fins de isenção do ITR, tornase descabida Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 254 4 a sua exclusão do cálculo da área tributável da FAZENDA, razão pela qual o AUTO deve ser cancelado quanto a este item; ∙ transcreve o inciso IV, parágrafo 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96 e conclui que havendo as áreas imprestáveis para a exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal (ainda que elas não se enquadrem no conceito de APP, Reserva Legal, interesse ecológico ou servidão florestal ou ambiental, sejam cobertas por florestas nativas ou ocupadas por benfeitorias), devem ser elas excluídas para fins de cálculo do GU do imóvel; ∙ essa conclusão, além de decorrer do próprio texto legal, encontra amparo no fim pretendido pelo legislador ao definir quais seriam as áreas aproveitáveis de imóveis rurais; ∙ a Constituição Federal de 1988 (CF/88), em § 4º, estabelece expressamente que as alíquotas fixadas de modo a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas e a Lei 9.393/96 está em linha com a CF; ∙ a correta aferição da Área Aproveitável, deve, portanto, ser determinada a partir da exclusão de todas as áreas que, mesmo não consideradas de utilização limitada (APP, reserva legal etc.) ou não ocupadas por benfeitorias, revelamse comprovadamente imprestáveis para exploração econômica; ∙ o ITR, por sua finalidade extrafiscal, somente poderá tributar de forma mais gravosa aqueles proprietários de terras que, podendo, deixem de utilizar produtivamente áreas de sua propriedade; ∙ de acordo com a certidão emitida pelo IBAMA, datada de 13.07.2004, a FAZENDA possui uma área de 2.335,0 ha recobertas por Mata Atlântica, que exatamente a soma da área de APP (2.069,0 ha) e da área de Reserva Legal (266,0 ha) informadas como existentes na FAZENDA; ∙ a CF/88, em seu § 4º do art. 225, reconhece que as áreas de Mata Atlântica constituem patrimônio nacional, devendo sua utilização ser realizada na forma da lei e dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente; ∙ o art. 1º do Decreto nº 750, de 10.02.1993, proíbe "o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica"; ∙ ou seja, com a publicação do referido Decreto, a IMPUGNANTE ficou impossibilitada de utilizar economicamente uma área total de 2.335,0 ha, dentro dos quais estão inseridos os 266,0 ha referentes a área de Reserva Legal informada no DIOT; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 255 5 ∙ desde o momento em que as referidas áreas foram consideradas intocáveis, passaram a estar automaticamente excluídas da tributação pelo ITR, pois, de fato, tornaramse áreas não passíveis de aproveitamento agrícola, pecuário, granjeiro, aquícola ou florestal, a teor do que dispõe o inciso IV, § 1º, do art. 10 da Lei 9.393/96; ∙ inconteste que a fiscalização não poderia ter considerado aproveitável a área de Mata Atlântica de 2.335,0 ha que o IBAMA atesta existir na FAZENDA (correspondente a soma do total informado a titulo de APP e de Reserva Legal), dai por que é de todo descabido o aumento da alíquota de ITR imposto, de 0,30% para 6,0%, relativo ao ano de 2004; ∙ a IMPUGNANTE alienou a FAZENDA em 2006, e esta, de acordo com avaliação realizada aquela época, a qual, inclusive, serviu de base para fins de cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) estava avalizada em R$ 13.800.000,00, valor que foi adotado na conclusão do negócio (inferior, inclusive, ao valor do imóvel declarado no DIAT); ∙ como desconsiderar o preço de avaliação da FAZENDA, o qual foi utilizado na sua venda, se o método do preço de mercado visa justamente estabelecer um valor que a FAZENDA poderia alcançar em caso de negociação?; ∙ não há razão para que a fiscalização atribua o valor de R$ 35.992.119,98, pois, em hipótese alguma, a IMPUGNANTE conseguiria vender a FAZENDA a este valor (correspondente à quase três vezes o prego alcançado com a venda ocorrida em 2006); ∙ da área total da FAZENDA (2.551,0 ha), apenas 214,0 ha constituem área aproveitável para exploração agrícola, pecuária, extrativista e vegetal, pois como visto, 2.069,0 ha correspondem à APP e 266,0 ha, à área de reserva legal; ∙ mostra entendimento do Engenheiro José Carlos Pellegrino e do Engenheiro Adilson José Magossi sobre avaliações de propriedades rurais, mostra entendimentos do CC e conclui que o potencial produtivo influi diretamente no preço de mercado das terras agrícolas; ∙ é evidente que, se a FAZENDA fosse formada apenas de área produtiva, a rentabilidade da sua atividade agrícola seria maior e o seu preço de mercado tenderia a se assemelhar aos propostos pelo SIPT. Todavia, esta não é a realidade dos fatos; ∙ é completamente descabido o valor arbitrado à FAZENDA pela fiscalização, seja porque desconsiderou o efetivo preço adotado em sua venda, seja porque não levou em consideração as peculiaridades do imóvel, baseandose somente em dados genéricos; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 256 6 ∙ finalmente, pede e espera que seja o AUTO integralmente cancelado, com a conseqüente extinção do crédito tributário dele decorrente. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, tendo em vista os dados cadastrais constantes da DITR/2003 e observada a legislação pertinente. A transferência dos direitos de propriedade de bens imóveis pressupõe a existência de escritura pública levada a registro junto ao competente Cartório de Registro de Imóveis, sem o que, não há que se falar em subrogação do crédito tributário. DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL As áreas de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, devem estar averbadas à margem da matrícula do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2003), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 08/06/2012 (fl. 135), a Sociedade Industrial e Agrícola Fazenda Nova Grataú apresenta Recurso Voluntário em 09/07/2012 (fls. 137/170), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.” Quando da apreciação do apelo da RECORRENTE (fls. 137/167), esta Colenda Turma deu parcial provimento apenas para restabelecer o VTN informado pela contribuinte em sua DITR/2003. No que diz respeito à área de reserva legal de 266ha, não acatou as alegações de defesa tendo em vista a não averbação da referida área no Cartório de Registro de Imóveis. Transcrevo a ementa relativa ao acórdão proferido naquela ocasião: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 257 7 Exercício: 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA. PROPRIEDADE OU POSSE DIRETA. Nos casos em que for constatada a contemporaneidade do exercício da posse direta e da propriedade, o imposto poderá ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos “coexistentes”. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” O EMBARGANTE, devidamente intimado do Acórdão nº 2201002.675 em 22/05/2015, conforme termo de fl. 232, apresentou os Embargos de Declaração de fls. 208/218 em 29/05/2015. Em suas razões, alega o EMBARGANTE que o aresto proferido teria incorrido em omissão devido à ausência de manifestação quanto à insurgência expressa acerca da qualificação da área de utilização limitada como área aproveitável e, portanto, incluída no cálculo do GU da FAZENDA, tendo disso resultado uma majoração da alíquota do ITR de 0,3% para 6,0%. Cito, abaixo, trecho do despacho de admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls. 249/250): “Em seu instrumento de Embargos alega a suplicante que o aresto proferido incorre em omissão, em síntese, a saber: 3.3. Entretanto, além de sustentar que tal área não deveria ser enquadrada como área tributável da FAZENDA, o que, como visto acima, foi objeto de análise pelo ACÓRDÃO EMBARGADO, tendo sido por ele rechaçado, em seu recurso voluntário a EMBARGANTE também alegou, subsidiariamente, que a área de utilização limitada não poderia ser considerada área aproveitável e, portanto, incluída no cálculo do GU da FAZENDA, tendo disso resultado uma majoração da alíquota do ITR de 0,30% para 6,0%. (...) Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 258 8 3.7. Contudo, esse argumento, objeto de toda a Seção 4 do recurso voluntário da EMBARGANTE, não foi analisado pelo ACÓRDÃO EMBARGADO, que não teceu qualquer consideração a seu respeito. Pois bem, compulsandose o Recurso Voluntário às fls. 137/170, verificase que a Contribuinte insurge contra a área aproveitável para fins de apuração do Grau de utilização (GU), alegando, essencialmente, que "... as áreas que não forem passíveis de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal (ainda que não se enquadrem no conceito de APP, Reserva Legal, interesse ecológico ou servidão florestal ou ambiental, sejam cobertas por florestas nativas ou ocupadas por benfeitorias), devem ser excluídas para fins de cálculo o GU do imóvel"; no entanto o acórdão embargado não se manifestou, especificamente, sobre esse ponto.” É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Os embargos de declaração são tempestivos. Conforme fundamentos expostos na decisão de admissibilidade de fls. 249/250, houve omissão no acórdão embargado pois, a despeito da decisão explicitar que a falta de averbação da área Reserva Legal na Matrícula do imóvel foi o fator determinante para a não exclusão desta área da tributação do ITR, não houve no acórdão embargado manifestação específica sobre a área aproveitável para fins de apuração do cálculo Grau de Utilização – GU. Sendo assim, deve ser suprida a omissão apontada. A RECORRENTE pleiteia a revisão do GU de seu imóvel, pois o fator calculado pela fiscalização fez saltar a alíquota do ITR de 0,3% para 6%. A Lei nº 9.393/96 prevê que o GU é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável (art. 10, §1º, VI). Sobre o tema, transcrevo abaixo os dispositivos da mencionada lei pertinentes à questão (vigentes à época dos fatos): “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 259 9 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do inciso II; V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; O presente caso limitouse a discutir a área aproveitável do imóvel, haja vista que o lançamento não modificou a área reportada como utilizada pelo contribuinte, conforme demonstrativos de apuração abaixo colacionado (fl. 04): Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 260 10 Verificase que a modificação do GU foi um reflexo exclusivo da não aceitação da área de 266ha como Área de Utilização Limitada, que é a área reportada pela RECORRENTE como Reserva Legal. Tal ponto foi discutido no acórdão embargado, oportunidade em que esta Colenda Turma decidiu pela não exclusão desta área da tributação do ITR ante a falta de sua averbação na Matrícula perante o Cartório de Registro de Imóveis. Contudo, no entender da RECORRENTE, para fins de cálculo do GU do imóvel devem ser excluídas as áreas imprestáveis para a exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, ainda que elas não se enquadrem no conceito de APP, Reserva Legal, interesse ecológico ou servidão florestal ou ambiental, sejam cobertas por florestas nativas ou ocupadas por benfeitorias. A despeito das alegações apresentadas pela RECORRENTE, entendo que o GU determinado pela autoridade lançadora não merece ajuste. É que, conforme já exposto, o art. 10, §1º, da Lei nº 9.393/96 determina que, para apuração da área aproveitável, devem ser excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias, além das áreas previstas nas alíneas do inciso II do mesmo dispositivo legal, que, por sua vez, determina o que vem a ser a área tributável do imóvel. Nesta ordem de ideias, é possível constatar que a área aproveitável é igual à área tributável do imóvel excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias: Área Aproveitável = Área Tributável – Área ocupada com Benfeitorias Feitos esses esclarecimentos, entendo que a manutenção dos 266ha como área aproveitável do imóvel para fins do cálculo do GU é uma consequência lógica da decisão embargada, que não considerou tal área como passível de exclusão da tributação pelo ITR. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10073.720132/200736 Acórdão n.º 2201004.310 S2C2T1 Fl. 261 11 Considerando a premissa de que a área aproveitável é igual a área tributável excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias, e tendo em vista que o acórdão embargado considerou a área de 266ha como tributável (não há discussão acerca da área ocupada por benfeitorias), temos como consequência lógica que esta mesma área de 266ha compõe a área aproveitável do imóvel. Sendo assim, os 266ha devem ser levados em consideração quando do cálculo do GU do imóvel. Em outras palavras, a partir da premissa adotada acima, podese também interpretar que a Área Tributável = Área Aproveitável + Área ocupada com Benfeitorias. Neste sentido, ao considerar a área de 266ha como tributável (situação já julgada no acórdão embargado) inferese que referida área: (i) ou é aproveitável; (ii) ou é ocupada com benfeitorias. No presente caso, a área ocupada com benfeitorias é incontroversa (2,0ha). Portanto, também por este viés, é possível constatar que a área de 266ha é aproveitável. O laudo emitido pelo IBAMA apresentado pela RECORRENTE (fls.106/107) não foi suficiente para afastar a tributação do ITR sobre a área por ele considerada como de Reserva Legal (266,0 ha). Sendo assim, por estrita observação dos dispositivos legais já citados, o não acolhimento, pelo acórdão embargado, da área de 266ha como Reserva Legal deve, necessariamente, refletir no calculo do GU, haja vista que, após o lançamento, mencionada área não excluída da tributação do ITR passou a ser considerada como aproveitável para todos os efeitos. Do contrário seria possível acontecer situações esquisitas, em que determinada área não ocupada com benfeitorias fosse considerada tributável, porém não aproveitável. Neste sentido, não merece qualquer reparo o julgamento espelhado no acórdão nº 2201002.675. Conclusão Em razão do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada pelo contribuinte. Assim, analisando o questionamento não apreciado no acórdão nº 2201002.675, nego provimento ao Recurso Voluntário na parte relativa ao pleito do contribuinte acerca da exclusão dos 266ha do cômputo da área aproveitável para fins de apuração do GU do imóvel. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.721910/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO RASO DOS DOCUMENTOS E LAUDOS ACOSTADOS PELA DEFESA.
O cerceamento do direito de defesa não pode ser invocado somente por falta de enfrentamento de algum ponto trazido no recurso, se a linha de convicção do julgador já se formou com base nos demais elementos e documentos anexados ao processo e desde que a citada falta de enfrentamento não interfira na conclusão a que se chegou. Pedido que se afasta.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CONVICÇÃO DO JULGADOR.
Se os elementos acostados ao processo são suficientes para que o julgador forme sua convicção, forçoso afastar pedido de diligência.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INSTRUMENTOS FINANCEIROS COBERTOS POR MEIO DE HEDGE. INAPLICAÇÃO DE LIMITE DE DEDUÇÃO DE PERDA.
Se há comprovação de que a contratação de instrumentos financeiros derivativos com cobertura cambial por meio de hedge teve o propósito de neutralizar os efeitos decorrentes da variação cambial a que estavam sujeitas as operações da empresa, correto é o entendimento de que a regra específica do art. 76, §4º da Lei 8.981/1995 (base legal do inciso X do art. 249 do RIR/1999) não se aplica a estes casos, cabendo a dedução integral de eventual perda incorrida na operação. Lançamento que se afasta.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À SUA BASE DE CÁLCULO DE PERDAS EM OPERAÇÃO DE HEDGE.
Nem todos os ajustes impostos ao IRPJ aplicam-se indistintamente à CSLL. No caso concreto, não há previsão legal de adição à base da CSLL do valor de perdas em cobertura cambial que foram descaracterizadas com tal pela fiscalização, pois referida regra legal somente é aplicável ao IRPJ, sendo inclusive reconhecida pela própria RFB por meio de Solução de Consulta (SC COSIT 198/2014). Lançamento que se afasta.
Numero da decisão: 1401-002.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade, negar provimento ao pedido de diligência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO RASO DOS DOCUMENTOS E LAUDOS ACOSTADOS PELA DEFESA. O cerceamento do direito de defesa não pode ser invocado somente por falta de enfrentamento de algum ponto trazido no recurso, se a linha de convicção do julgador já se formou com base nos demais elementos e documentos anexados ao processo e desde que a citada falta de enfrentamento não interfira na conclusão a que se chegou. Pedido que se afasta. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CONVICÇÃO DO JULGADOR. Se os elementos acostados ao processo são suficientes para que o julgador forme sua convicção, forçoso afastar pedido de diligência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 INSTRUMENTOS FINANCEIROS COBERTOS POR MEIO DE HEDGE. INAPLICAÇÃO DE LIMITE DE DEDUÇÃO DE PERDA. Se há comprovação de que a contratação de instrumentos financeiros derivativos com cobertura cambial por meio de hedge teve o propósito de neutralizar os efeitos decorrentes da variação cambial a que estavam sujeitas as operações da empresa, correto é o entendimento de que a regra específica do art. 76, §4º da Lei 8.981/1995 (base legal do inciso X do art. 249 do RIR/1999) não se aplica a estes casos, cabendo a dedução integral de eventual perda incorrida na operação. Lançamento que se afasta. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À SUA BASE DE CÁLCULO DE PERDAS EM OPERAÇÃO DE HEDGE. Nem todos os ajustes impostos ao IRPJ aplicam-se indistintamente à CSLL. No caso concreto, não há previsão legal de adição à base da CSLL do valor de perdas em cobertura cambial que foram descaracterizadas com tal pela fiscalização, pois referida regra legal somente é aplicável ao IRPJ, sendo inclusive reconhecida pela própria RFB por meio de Solução de Consulta (SC COSIT 198/2014). Lançamento que se afasta.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO RASO DOS DOCUMENTOS E LAUDOS ACOSTADOS PELA DEFESA. O cerceamento do direito de defesa não pode ser invocado somente por falta de enfrentamento de algum ponto trazido no recurso, se a linha de convicção do julgador já se formou com base nos demais elementos e documentos anexados ao processo e desde que a citada falta de enfrentamento não interfira na conclusão a que se chegou. Pedido que se afasta. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CONVICÇÃO DO JULGADOR. Se os elementos acostados ao processo são suficientes para que o julgador forme sua convicção, forçoso afastar pedido de diligência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INSTRUMENTOS FINANCEIROS COBERTOS POR MEIO DE HEDGE. INAPLICAÇÃO DE LIMITE DE DEDUÇÃO DE PERDA. Se há comprovação de que a contratação de instrumentos financeiros derivativos com cobertura cambial por meio de hedge teve o propósito de neutralizar os efeitos decorrentes da variação cambial a que estavam sujeitas as operações da empresa, correto é o entendimento de que a regra específica do art. 76, §4º da Lei 8.981/1995 (base legal do inciso X do art. 249 do RIR/1999) não se aplica a estes casos, cabendo a dedução integral de eventual perda incorrida na operação. Lançamento que se afasta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 19 10 /2 01 4- 35 Fl. 5021DF CARF MF 2 CSLL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À SUA BASE DE CÁLCULO DE PERDAS EM OPERAÇÃO DE HEDGE. Nem todos os ajustes impostos ao IRPJ aplicamse indistintamente à CSLL. No caso concreto, não há previsão legal de adição à base da CSLL do valor de perdas em cobertura cambial que foram descaracterizadas com tal pela fiscalização, pois referida regra legal somente é aplicável ao IRPJ, sendo inclusive reconhecida pela própria RFB por meio de Solução de Consulta (SC COSIT 198/2014). Lançamento que se afasta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade, negar provimento ao pedido de diligência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), que, por meio do Acórdão 1285.598, de 22 de fevereiro de 2017, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de autos de infração (fls. 4685 a 4699) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 51.062.424,37, e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 18.391.112,77 lavrados contra a interessada acima em relação a operações que impactaram o resultado da empresa no anocalendário de 2009. Sobre os valores lançados incidiu multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e demais encargos de juros moratórios. Fl. 5022DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.022 3 Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 4701 a 4726), em síntese, que a autuação se deu pelo fato de a fiscalização entender que as perdas com operações de derivativos realizadas pela empresa no anocalendário não poderiam ser deduzidas integralmente do lucro líquido para apuração do lucro real, estando esse valor de dedução limitado aos ganhos obtidos com esse tipo de operação. Além disso, entendeu a fiscalização que as operações com derivativos realizadas não tiveram função de proteção de um item do patrimônio contra a oscilação de valor (hedge), mas sim de especulação, o que também não permitiria a dedução integral dessas perdas quando da apuração do lucro real do anocalendário de 2009. Abaixo constam trechos da análise realizada pela fiscalização: 1 Tratase de ação fiscal levada a efeito junto à empresa acima referida, tributada pelo Lucro Real, com apuração anual no anocalendário de 2009, doravante denominada de fiscalizada ou contribuinte, cujos objetivos sociais, em conformidade com o Estatuto Social são: indústria de beneficiamento de tabacos em folha, o comércio, importação e exportação desses produtos e o comércio de bens de produção, como implementos e insumos para a agricultura, sementes, fertilizantes, corretivos e inseticidas. Ainda, segundo o contrato, a critério da Diretoria e atendendo à consecução do objetivo social, a Companhia poderá importar máquinas, equipamentos, insumos e matériasprimas. [...] II DAS PERDAS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL 5 Considerando que na DIPJ 2010, anobase 2009, estão declaradas vultosas perdas relativas às operações no mercado de renda variável, no início do procedimento fiscal, através do TIPF, itens 5 a 9, instamos a fiscalizada a apresentar os respectivos contratos; demonstrativo contendo dados dessas operações, como datas, valores, instituições financeiras e resultados; a demonstrar a correlação das datas de vencimento e valores entre os derivativos e os direitos e obrigações que estariam sendo protegidos, assim como apresentar os contratos de financiamento sujeitos às oscilações do câmbio. [...] 7 Com a primeira resposta, entregou uma explanação sobre a estratégia de hedge para o ano de 2009, cujo documento, em breve síntese, esclarece: • a empresa financiava cada safra antecipando o recebimento das vendas ao mercado externo, via financiamentos à exportação (ACC, ACE, PPE, PA e Desconto de Cambiais), sendo 97% da produção voltada ao exterior; • com base nas cotações do Dólar americano praticadas nestes financiamentos formava uma taxa média, que era utilizada na conversão dos custos e despesas em reais para dólares, bem como servia para a formação do preço de venda do tabaco aos clientes; • que a estratégia de "hedge" adotada desde 2004 proporcionou uma taxa média de dólar competitiva, fazendo a empresa ganhar mercado. • Também informou que a empresa tem uma previsão de suas necessidades mensais de capital de giro de acordo com o andamento da safra, que podem variar, mas normalmente não se alteram; Fl. 5023DF CARF MF 4 • Que para se proteger da queda do dólar e garantir suas exportações, foram feitas operações com derivativos a serem liquidadas no momento da tomada dos financiamentos à exportação, assim como no do recebimento daquelas exportações sem antecipação via financiamentos, que de regra ocorriam entre outubro e dezembro. [...] 8 Na explanação também constam os resultados de cada tipo de derivativo, como transcrito a seguir, assim como as contas contábeis em que escrituradas as perdas/ganhos. Quadro A – Resumo das Perdas com NDF’s ano 2009 Instituição Financeira Total das perdas com NDF's Contabilizadas na conta: 316.06.08.0060 (Resultado) Contabilizadas na conta: 1.2.1.50.01.0001 (Desp. Exercícios Seguintes ANC) Banco PINE 597.034,89 597.034,89 Banco Safra 4.411.338,91 4.411.338,91 Banco ABC Brasil 530.514,78 530.514,78 Banco ABN Real 5.267.491,00 5.267.491,00 Banco BANIF 5.382.294,00 5.382.294,00 Banco BNP Paribas 179.550,00 179.550,00 Banco Bradesco 202.400,00 202.400,00 Santander 10.763.265,00 10.763.265,00 Votorantim 40.850,03 40.850,03 Unibanco 44.606.912,25 44.606.912,25 West LB 2.753.169,83 2.753.169,83 HSBC (prot. insumos) 401.700,05 401.700,05 HSBC 4.879.223,50 4.879.223,50 Citibank 7.525.030,02 7.525.030,02 Total 87.540.774,26 75.136.520,74 12.404.253,52 Quadro B Resumo das Perdas com Contratos de Termo de Moeda com Funcionalidade, TARN, TARF, TEF ano 2009: Instituição Financeira Total das perdas Contabilizadas na conta: 316.06.08.0060 (Resultado) Contabilizadas na conta: 1.2.1.50.01.0001 (Desp. Exercícios Seguintes ANC) CITI BANK 83.821.932,21 83.821.932,21 HSBC 52.530.000,00 52.530.000,00 UN1BANCO 25.000.000,00 25.000.000,00 BNP PARIBAS 47.156.000,00 47.156.000,00 MERRILL LYNCH 4.294.800,00 4.294.800,00 Total 212.802.732,21 51.450.800,00 161.351.932,21 Quadro C Resumo das Perdas com SWAP'S, com objetivo de reduzir custo financeiro, ano 2009: Instituição Financeira Total das perdas com SWAP'S Contabilizadas na conta: 316.06.08.0060 (Resultado) Contabilizadas na conta: 1.2.1.50.01.0001 (Desp. Exercícios Seguintes ANC) VOTORANTIM 9.950.000,00 9.950.000,00 ITAUBBA 59.395.106,47 16.683.000,00 42.712.106,47 UNIBANCO 11.563.649,79 11.563.649,79 Total 80.908.756,26 26.633.000,00 54.275.756,26 Fl. 5024DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.023 5 Quadro D Resumo das Perdas com Compra e Venda de Call ano 2009: Instituição Financeira Total das perdas com SWAP’S Contabilizadas na conta: 316.06.08.0060 (Resultado) Contabilizadas na conta: 1.2.1.50.01.0001 (Desp. Exercícios Seguintes ANC) CITIBANK 6.706.427,31 6.706.427,31 BNP PARIBAS 1.900.000,00 1.900.000,00 VOTORANTIM 2.499.999,99 2.499.999,99 ITAUBBA 24.787.893,54 24.787.893,54 Total 35.894.320.84 11.106.427,30 24.787.893,54 Quadro E Resumo dos ganhos com operação de SWAP e variação cambiai sobre empréstimo para capital de giro Instituição Financeira Total dos ganhos com SWAP'S Contabilizados na conta: 316.06.08.0060 (Resultado) Contabilizados na conta: 1.2.1.50.01.0001 (Desp. Exercícios Seguintes ANC) Contabilizados na conta: 316.06.01.0030 (Resultado) CITIBANK 7.572.831,57 9.429.837,94 4.762.764,04 HSBC 3.383.180,31 SBC 50.299,03 UNIBANCO 3.186.291,07 ITAU BBA 8.017.397,59 8.017.397,59 0,00 Total 22.209.999,57 0,00 17.447.235,53 4.762.764,04 9 Objetivando esclarecer de que forma os derivativos contribuíam para a obtenção de uma taxa média do Dólar mais competitiva, foi expedido o Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 2, de 19/08/2014, que também contemplava outros questionamentos para o entendimento da situação, entre os quais justificar a diferença entre as perdas informadas na DIPJ e na explanação de estratégias. [...] 11 Em 11/09/2014, novamente em meio papel e digital (código "hash" d6f384d0cd301ba97406bd54b4463e8b), entregou a resposta de cada um dos questionamentos do TIF n° 2, apresentando o quadro resumo abaixo: Quadro F RESUMO GERAL DAS PERDASGANHOS COM DERIVATIVOS Tipo Perda/Ganho Total em R$ Contabilizadas na conta: 316.06.08.0060 (Resultado) Contabilizadas na conta: 1.2.1.50.01.0001 (Desp. Exercícios Seguintes ANC) Contabilizadas na conta: 316.06.01.0030 (Resultado) NDF'S 87.540.774,26 75.136.520,74 12.404.253,52 Termo de moeda c/ Funcionalidde 212.802.732,21 51.450.800,00 161.351.932,21 Swaps 80.959.055,29 26.683.299,03 54.275.756,26 Compra e Venda de Call 35.894.320,84 11.106.427,30 24.787.893,54 Ganho Swaps 22.209.999,57 17.447.235,53 4.762.764,04 TOTAL 394.986.883,03 164.377.047,07 235.372.600,00 4.762.764,04 Fl. 5025DF CARF MF 6 [...] 15 Portanto, no Lucro Real de 2009 está computado como resultado das operações com renda variável uma perda líquida de R$ 394.986.883,03, conforme Quadro F. 16 Com este preâmbulo passamos a analisar com base na legislação que regula o assunto, a possibilidade da fiscalizada deduzir integralmente do lucro líquido para apuração do lucro real as perdas no mercado de renda variável que excederem aos ganhos, bem como a exclusão do lucro real,cujas operações, segundo se depreende das respostas, teriam sido realizadas visando à proteção. Quanto ao regime tributário das operações financeiras 17 O regime tributário das operações financeiras e as regras para dedução das perdas em renda variável das operações realizadas no Brasil encontramse previstos na Lei n° 8.981/95, no Capítulo VI Da tributação das Operações Financeiras, Seção II Do Mercado de Renda Variável (artigos 72 a 75) e na Seção III Das Disposições Comuns à Tributação das Operações Financeiras (artigos 76 e 77), com alterações posteriores. 18 Neste contexto, assim dispõe o art. 72, § 4°, sobre os ganhos e perdas em operações de renda variável: "Art. 72. Os ganhos líquidos auferidos, a partir de 1° de janeiro de 1995, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da Legislação vigente, com as alterações introduzidas por esta lei. (...) § 4° As perdas apuradas nas operações de que trata este artigo poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos nos meses subseqüentes, em operações da mesma natureza." (Sublinhei) 19 As operações de renda variável, realizadas por meio de swap, foram tratadas no artigo 74 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, da seguinte forma: "Art. 74. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1º. A base de cálculo do imposto das operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. § 2º. O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação do respectivo contrato. § 3º. Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas no termos da legislação vigente. " (Sublinhei) 20 Por sua vez, o artigo 76, § 4º, estabeleceu que as perdas nas operações de renda variável são dedutíveis até o limite dos ganhos em operações da mesma natureza, podendo as perdas excedentes ser excluídas na apuração do Lucro Real nos Fl. 5026DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.024 7 anos subsequentes, até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas nestas operações (§ 5°): "Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) (...) § 3° As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade), realizadas em mercado de renda fixa ou de renda variável, não serão dedutíveis na apuração do lucro real. § 4° Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5° Na hipótese do § 4°, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anoscalendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995)" (Sublinhei) 21 O artigo 77 excepciona a aplicação do regime de tributação previsto no Capítulo VI, para os rendimentos ou ganhos líquidos, nas situações que especifica, bem como determina que estes deverão compor a base de cálculo prevista nos arts. 28 ou 29 e o lucro real, conforme transcrito abaixo. "Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995): I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, inclusive sociedade de seguro, previdência e capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil; II revogado; III nas operações de renda variável realizadas em bolsa, no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, ou através de fundos de investimento, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I; (Redação dada pela Lei n° 9.249, de 26.12.1995) IV na alienação de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas, e de participações societárias que permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições; V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. Fl. 5027DF CARF MF 8 § 1°. Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. § 2°. O Poder Executivo poderá definir requisitos adicionais para a caracterização das operações de que trata o parágrafo anterior, bem como estabelecer procedimentos para registro e apuração dos ajustes diários incorridos nessas operações. § 3°. Os rendimentos e ganhos líquidos de que trata este artigo deverão compor a base de cálculo prevista nos arts. 28 ou 29 e o lucro real. (...)" (Sublinhei) 22 É princípio basilar de hermenêutica jurídica que a lei não contém palavras inúteis, logo, quando o caput do artigo 77 não trunca a oração após a palavra "aplica", o que não lhe modificaria o sentido, e passa a especificar possíveis resultados das operações referidas nos incisos, rendimentos ou ganhos líquidos, omitindo outro possível, é porque não quis dar a este o mesmo tratamento. Logo, concluise que era intenção do legislador ver aplicadas as regras do Capítulo VI às perdas líquidas, entre elas a limitação da dedução destas até o montante dos ganhos. 23 Ressaltase que embora o capítulo discipline a tributação das operações financeiras, sendo logicamente tributáveis apenas rendimentos ou ganhos líquidos, ele também disciplina o tratamento a ser dado às perdas, que influem no resultado, como nos artigos 72, § 4°, 74, § 3°, 76, §§ 3°, 4° e 5°, daí porque não se pode argumentar que o artigo 77 só poderia se referir aos rendimentos e ganhos. 24 Vejase que o § 3° do artigo 77, cingido pelo caput, também não regula o tratamento a ser dado às perdas, determinando que apenas os rendimentos e ganhos líquidos componham as bases de cálculo do imposto mensal e o Lucro Real. Portanto, se o Capítulo VI não fosse aplicável às perdas líquidas nas aplicações financeiras haveria uma lacuna na lei, para as empresas não financeiras, a ser preenchida pelas normas gerais, quando existe lei específica disciplinando o assunto. 25 Enfatizase, ainda, que o § 3° remete aos artigos 28 e 29 da lei, sendo que apenas o artigo 29 autoriza deduzir da receita bruta as perdas nas operações de renda variável, mas apenas para as pessoas jurídicas referidas no art. 36, III (instituições financeiras e assemelhadas), enquanto que esta possibilidade não consta no artigo 28, da apuração da receita bruta das demais empresas. 26 Ademais, analisando as normas do capítulo VI, para interpretação do alcance do artigo 77, constatase que dispõem sobre a tributação do imposto de renda na fonte, incidente sobre os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e variável, sendo este o regime de tributação afastado. Em meio a este capítulo se encontram os §§ 4° e 5°, do artigo 76, antes transcritos, os quais, diversamente, tratam de regras de dedutibilidade/adição e de exclusão para fins de apuração do Lucro Real, sendo matrizes do inciso X do parágrafo único do artigo 249 e da alínea "e" do artigo 250, ambos do RIR/99, os quais tratam dos ajustes ao lucro líquido para apuração do lucro real. 27 Da exegese dessas normas, extraise que é o regime de tributação na fonte que foi então afastado nas operações classificadas como de cobertura (inciso V do Fl. 5028DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.025 9 artigo 77 da Lei 8.981/95), mas não a limitação para a dedutibilidade das perdas prevista no § 4° do artigo 76 da Lei 8.981/95, pois não se trata de um regime de tributação, bem como que às perdas não são objeto do artigo 77, logo aplicáveis a estas as regras do Capítulo VI. 28 Registrase que posteriormente sem referir o inciso V do artigo 77 da 8.981/95, mas regulando diversamente o assunto adveio o artigo 5° d a Lei 9.779/99, que estabeleceu a incidência do imposto de renda na fonte em qualquer aplicação ou operação financeira, inclusive nas de cobertura (hedge), excetuando as operações das empresas referidas no inciso I do artigo 77 da Lei 8.981/95 (instituições financeiras e afins), não alterando para estas o tratamento vigente até então. Lei 9.779/99: "Art. 5° Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam se à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura (hedge), realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos. Parágrafo único. A retenção na fonte de que trata este artigo não se aplica no caso de beneficiário Parágrafo único. A retenção na fonte de que trata este artigo não se aplica no caso de beneficiário referido no inciso I do art. 77 da Lei n° 8.981, de 1995, com redação dada pela Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995." 29 Com a norma acima transcrita, alterando expressamente a tributação das operações de cobertura (hedge), referidas no inciso V do artigo 77 da Lei 8.981/95, evidenciase que o artigo 77 afastava apenas o regime de tributação nas operações financeiras elencadas, entre elas as de cobertura, que a partir de então passaram também a ter incidência do IRRF, como as demais operações, tornando inócuo o conteúdo do artigo para as empresas não citadas no inciso I do artigo 77 da Lei 8.981/95, visto que os rendimentos e ganhos passaram a ser tributados na fonte, sendo as perdas tratadas conforme o § 4° do artigo 76. 30 O artigo continua produzindo efeitos para as instituições financeiras e afins, isto porque as negociações desses contratos constituem atividades operacionais das mesmas, enquadrandose na regra geral de dedutibilidade, podendo as perdas, ressalvadas aquelas onde não cumpridas as obrigações acessórias ou houver óbice legal, serem integralmente contrapostas aos ganhos nas demais atividades operacionais. Vejase que na própria lei 8.981/95, há previsão legal, só aplicável às instituições financeiras e assemelhadas, de dedução das perdas nas operações de renda variável para apuração da receita bruta (alínea a.6 do § 1° do artigo 29). [...] 35 Esta vertente de interpretação, encontra guarida na jurisprudência administrativa, que já em 2001 adotava a tese no sentido de considerar que a regra do artigo 77 da Lei n. 8.981 visava excluir a limitação da dedução das perdas nas operações de cobertura apenas para as instituições financeiras, conforme podemos verificar na fundamentação do voto (página 16, segundo item) da conselheira Sandra Maia Faroni, relatora do Recurso n° 123.264, na sessão de 18 de abril de 2001, na Primeira Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: Fl. 5029DF CARF MF 10 "A partir de 1995, de acordo com o art. 76 § 4°, da Lei 8.981/95, permaneceu a limitação da dedutibilidade (as perdas são dedutíveis até o limite dos ganhos) para as empresas não financeiras, e pelo art. 77, passaram, as perdas, a ser integralmente dedutíveis para as instituições financeiras, desde que cumpridas as obrigações acessórias pertinentes (no caso de swap, registro das operações)." (Sublinhei) 36 Mais recentemente, em 20/03/2009, a 5a Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Recurso n° 158.993, acórdão n° 180500.031, entendeu só aplicável a dedutibilidade nas operações de hedge, quando os objetos do contrato tiverem relação com as atividades operacionais da pessoa jurídica, o que só ocorreria com as instituições financeiras, conforme ementa que a seguir transcrevemos: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1999 APLICAÇÃO FINANCEIRA "SWAP" VARIAÇÃO CAMBIAL LIMITE PARA A COMPENSAÇÃO DE PERDAS As perdas apuradas em operações de swap somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos nestas mesmas operações (art. 76, § 4°, da Lei 8.981/1995). No caso de operações de swap com finalidade de cobertura (hedge), o limite para a dedução de perdas só não é aplicável quanto o objeto do hedge estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica (art. 77, V, da Lei 8.981/1995). Tratandose de swap e outros derivativos, isto só ocorre com as instituições financeiras, não abrangendo as demais empresas (art. 5° da Lei 9.779/1999). CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE Apurada, em relação a um tributo, infração que repercute em outro tributo, impõese o lançamento deste por tributação reflexa, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN. Não havendo qualquer elemento que demande uma apreciação específica por tributo, cabe estender a este outro a mesma decisão proferida para aquele considerado como principal." (Sublinhei) [...] Quanto à caracterização das operações como de cobertura (hedge) 38 Embora os entendimentos acima sejam suficientes para o lançamento, adentramos na análise das operações realizadas, no intuito de verificar se configuram operações de cobertura (hedge), condição que na evidente interpretação da fiscalizada aos dispositivos legais autorizaria a dedutibilidade total das perdas no exercício em que ocorreram. 39 Iniciamos com a definição da doutrina sobre hedge, formulada por M. Hoji, in Administração Financeira: Uma Abordagem Prática, 4a ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 229, que se transcreve: Fl. 5030DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.026 11 "O hedge consiste em assumir uma posição no mercado, de forma que os resultados econômicos e financeiros sejam do mesmo valor absoluto, mas de sentido oposto aos produzidos pelos ativos ou passivos de risco em questão, anulando eventuais variações em seus preços. " 40 No trabalho elaborado por Flávio Dias Rocha, "A contabilização das Operações de Hedge: Uma Análise Teórica e Prática, disponível no endereço eletrônico http://ww.aedb.br/seget/artigos.php?pag=4, que foi apresentado no II Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia – SEGET 2005, o autor observa, segundo pesquisa realizada, que as operações de hedge possuem uma série de características, das quas destacamos: • Elas buscam eliminar o risco de perda. Mas, ao fazer isso, eliminam as chances de obtenção de ganhos. Logo, o recebimento líquido ou o desembolso líquido (dependendo da posição do agente na transação) será sempre constante. • As finalidades dos agentes que realizam uma operação de hedge podem ser categorizadas em dois tipos básicos. O primeiro é a cobertura, cujo objetivo seria a proteção de um item do patrimônio contra uma forte oscilação de valor. Nesse caso, temse uma redução ou, até mesmo, uma eliminação do risco. O segundo tipo é a especulação, onde o objetivo é a obtenção de ganhos financeiros. Nesta situação, ocorre uma modificação ou um aumento no nível de exposição ao risco. (grifou se) 41 Já Fernando Nogueira da Costa, Economista e Professor do IEUnicamp, em seu curso de Macroeconomia Aberta, na parte onde trata da cobertura do risco de câmbio, mais especificamente sobre bolsas de futuro, disponível no seguinte endereço https:// fernandonogueiracosta.wordpress.com/2010/03/10/coberturado riscodecambio/, assim leciona sobre hedge: "(...) O hedge é o ato de defenderse de um risco por meio de arranjos compensatórios. É a tomada de posição em mercado futuro oposta à posição assumida no mercado à vista, para minimizar o risco de perda financeira decorrente de alteração de preços adversa. Então, fazer hedge é gerenciar, administrar o risco, conseguir quase um seguro de preço, para o bem ou ativo transacionado. Através do hedging, a perda, resultante da mudança no preço à vista da commodity, será aproximadamente (ou até integralmente) compensada por um lucro com a mudança no preço a futuro, no qual assumiu a posição contrária. (...)" 42 Com o advento da Lei n. 8.981/95, no § 1° do artigo 77, transcrito anteriormente, foi instituído um conceito normativo de hedge, considerando como tais (de cobertura) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: (a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; (b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Fl. 5031DF CARF MF 12 43 Extraise desta norma que outros objetivos das operações de renda variável, não se enquadram na definição legal como de cobertura, lembrando que a atividade fiscal é vinculada e obrigatória, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. [...] 48 Frente às condições da lei n° 8.981/95 e as definições contidas nos pronunciamentos, de pronto concluise que as operações de renda variável efetuados pela fiscalizada não se enquadram na situação (a), visto que o objeto dos contratos era o Dólar Americano, cujas negociações não estão entre suas atividades operacionais, ligados ao tabaco. O fato de exportar a totalidade de sua produção, realizando as negociações em moeda estrangeira, poderia enquadrálas na hipótese (b), a proteção de direitos ou obrigações. 49 Entretanto, atendendo ao TIPF, em 11/07/2014 a fiscalizada esclareceu as razões e as estratégias que motivaram a contratação das operações com derivativos, conforme transcrito a seguir: "A CTA Continental Tobaccos Alliance S/A, estabelecida na Rodovia RSC 453, km 2,2, em Venâncio Aires, RS, CNPJ: 00.095.840/000185, é uma sociedade anônima de capital fechado, tem um sócio norteamericano pessoa jurídica e seis sócios brasileiros pessoa física. Não tem controladora, coligada ou afiliada no exterior e seus negócios são realizados exclusivamente pela empresa sediada em Venâncio Aires RS. Logo, a administração financeira da empresa, bem como tudo que a envolve, é realizada no Brasil. Assim, ao contrário de algumas de suas concorrentes, que tem Matrizes no exterior, a empresa teve em 2009 perdas com operações de hedge exclusivamente ocorridas no Brasil, ao contrário destas que apresentaram perdas nos Estados Unidos e em outros países porque fizeram também operações de proteção no exterior. Para que haja um bom entendimento da estratégia de hedge adotada pela empresa antes da crise de 2008, iniciada no final de Setembro daquele ano, é necessário entender como a taxa de câmbio implica diretamente em seu negócio. Primeiramente faremos uma breve explanação da formação do preço de venda para exportação, em dólar americano. A empresa tem quase a totalidade de suas vendas de tabaco voltadas para exportação, 97% em média, vendendo para mais de 40 países. Os preços são negociados em Dólares Americanos, com raríssimas exceções quando são negociados em Euros. Mas em hipótese alguma os preços são praticados na moeda local, Real. Ao contrário do preço de venda, que é praticado em dólares, praticamente todos os custos e despesas são praticados na moeda local, Real. A matériaprima adquirida dos produtores rurais tem preço em Real, bem como o material de embalagem, mãodeobra direta e indireta, gastos e fabricação, despesas administrativas, despesas de vendas despesas de escoamento da produção e financeiras são em Reais. Inexiste importação de itens do custo, que pudessem amenizar o impacto do descasamento entre as duas moedas, Real e Dólar. Por este motivo a taxa do dólar implica diretamente da formação do preço de venda FOB. Exemplo: Fl. 5032DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.027 13 Exemplo 1 Exemplo 2 Custo tabaco cru por kg: R$ 7,50 R$ 7,50 Custo overheads por kg: R$ 1.50 R$ 1,50 Total: R$ 9,00 R$ 9,00 Taxa câmbio p/conversão em dólar: R$ 1,80 R$ 2,25 Custo para formação do preço de Venda em dólar americano: USD 5,00 USD 4,00 Logo, quanto mais alta a taxa média de câmbio obtida no ano, menor o custo em dólar e consequentemente, preço mais competitivo para exportação ou maior lucro. Importante entender ainda, quando se dá a formação da taxa média de câmbio da empresa, para a conversão dos custos em Reais para Dólares. É entre os meses de janeiro e agosto de cada ano que a empresa adquire e paga toda a matériaprima de seus produtores rurais integrados, paga todo o custo da mãodeobra sazonal, o material de embalagem, energia elétrica, lenha para caldeira, material de manutenção industrial, etc. Ou seja, são os meses de safra e é neste período que é necessário o maior volume de capital de giro, cerca de 80% da necessidade do todo o ano. Logo, são nestes meses que a empresa se financia recorrendo às linhas específicas de financiamento para o comércio exterior como os Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC), Pré Pagamentos de Exportação (PPE), Adiantamentos de Contratos de Exportação (ACE) e Desconto de Cambiais ao Exterior (nestes últimos casos, com cambais já embarcadas mas a receber futuramente dos clientes). A empresa pode ainda receber antecipadamente o valor da exportação via Pagamento Antecipado (PA) de algum cliente. A empresa não teria esta necessidade se tivesse capital de giro próprio para primeiramente custear toda a safra, vender e somente depois receber suas vendas, o que não é o caso. Então, nos meses de Janeiro a Agosto é o momento em que a CTA Continental recorre a estes financiamentos específicos para exportação, com bancos locais, via ACC, e estrangeiros, via PPE e "vende" antecipadamente os dólares que recebe futuramente dos clientes, quando estes pagam os valores dos produtos exportados. Resumindo, a empresa financia cada safra antecipando o recebimento de suas exportações via contratação de ACC, PPE, ACE, PA e Desconto de Cambiais. Quando ocorre a exportação e o recebimento dos valores exportados a empresa quita estes financiamentos. Como ela se financia neste período vendendo os dólares no mercado, é neste momento que se dá a formação da taxa média que a empresa utiliza para a conversão dos custos em Reais para Dólares. Importante salientar ainda, que se utiliza taxa média para formação de preço a todos os clientes e não taxas de câmbio individuais pelo dia de fechamento dos negócios com Fl. 5033DF CARF MF 14 cada um, até porque a compra de tabaco (matériaprima) acontece diariamente e às vezes são necessários meses para se comprar todo o tabaco que compõe um determinado blend (misturas de tabaco) adquirido por um cliente externo. Isto justifica porque a empresa fez o maior volume de hedge em anos anteriores e para 2009, para os meses em que ela se financia e não para os meses em que ela recebe efetivamente os valores exportados. Importante salientar que a empresa tem uma previsão de suas necessidades mensais de capital de giro. Estes valores podem variar, para mais ou para menos, de acordo com o andamento da safra, mas normalmente a previsão + para a necessidade de capital de giro e tomada de dólares para o ano, não se altera. Reforçando a acima colocado, exemplificamos e comprovamos abaixo que o valor recebido por uma exportação feita a prazo, em caso de antecipação ocorrida pela tomada de ACC ou PPE, é o valor que a empresa recebe em sua conta bancária no momento da tomada do financiamento para exportação e não após o embarque da mercadoria e pagamento da exportação pelo cliente no exterior. (....) Resumindo: a empresa recebe o maior volume de suas exportações antecipadamente via tomada de financiamentos específicos para esta finalidade (financiamentos a exportações). As tomadas destes financiamentos ocorrem, geralmente, entre Janeiro e Agosto de cada ano. Os valores recebidos pelas exportações que a empresa não antecipou com financiamento, ela recebe fechando câmbio pronto. Isto acontece nos meses de Outubro a Dezembro, meses para os quais também era feito hedge. A estratégia de hedge que a empesa (sic) vinha adotando desde 2004, proporcionou uma taxa média de dólar para formação de preço de venda muito competitiva e com isto a empresa ganhou mercado e perspectiva de chegar a USD 550 milhões de exportação em 2009, baseado em indicações dos clientes. Exemplo de indicação de compra maior que se concretizou em 2009, foi da Philip Morris International que em 2008 adquiriu da empresa USD 43,756,000.00 e em 2009 aumentou sua compra em mais de 100%, para USD 89,980,566.06. Além deste cliente outros indicaram maior volume de compras para 2009, além de a empresa ter assinado, com o cliente Eastern Tobacco Co, Egito, um contrato de exportação de tabaco para cinco anos, no valor total aproximado de USD 150,000,000.00. Para este incremento importante de produção e exportação a empresa iniciou, em 2008, o investimento em uma nova unidade de beneficiamento (fábrica) no município de Araranguá, SC, que conjuntamente com a unidade de Venâncio Aires ampliou sua capacidade de produção para 150 mil toneladas. A empresa se preparou para firmar sua produção e exportação acima de 120 mil toneladas. No ano de 2008 a empresa fez hedge para 2009, no total da expectativa de exportação em dólares para aquele ano. Além de proteger o volume de suas exportações a ocorrer em 2009, a Fl. 5034DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.028 15 empresa fez hedge do contrato de exportação de cinco anos, firmado em 2008 com o cliente Eastern Tobacco Co., para o qual a empresa estava buscando um PPE (PréPagamento de Exportação) e que seria desembolsado em 2009. Assim, a empresa fez hedge, vendendo dólar futuro, no total de USD 700,000,000.00 para o ano de 2009 (USD 550,000,000.00 + USD 150,000,000.00). A perspectiva que se desenhava para o Real em relação ao Dólar Americano, para o ano de 2009, era de valorização somente. Um dos principais motivos que levava o mercado financeiro a projetar isto era de que o Brasil, em 30/04/2008, recebeu da agência Standard & Poor's Nota de Risco classificada como Grau de Investimento o que levava a acreditar que a forte entrada de dólares no Brasil, ocorrida após 30/04/2008, que levou o dólar a oscilar de 1,6872 para 1,5919, em 30/06/2008 e 1,5666 em 31/07/2008 (ver anexo Taxas de Câmbio Pasta Boletim FOCUS e Taxas de Câmbio BACEN) continuaria a acontecer. A pesquisa FOCUS do BACEN, projetava na última semana Junho de 2008, dóíar de 1,63 para final de 2008 e 1,70 para o final de 2009. Na última semana de Julho de 2008, eram projetadas as taxas de 1,60, para final de 2008 e 1,70 para final de 2009 (ver anexos Boletim FOCUS do BACEN de cada final de mês Pasta Boletim FOCUS e Taxas de Câmbio BACEN). Tudo indicava que a valorização do Real continuaria a acontecer. Ante este cenário econômico a empresa realizou as seguintes operações no Mercado de Hedge, para se proteger da queda do dólar e garantir suas exportações. Vendeu dólar no Mercado Futuro, via operações de NDF (Non Deliverable Forward) e operações de Termo de Moeda com Funcionalidade. As operações foram feitas para serem liquidadas no momento da tomada de Financiamentos para Exportação, via ACC ou PPE e também para o momento do recebimento do saldo, que não foram antecipadas via financiamentos. (.....)” (grifamos) [...] 51 Como relatou a fiscalizada, praticamente todos os custos e despesas são em reais, a matériaprima adquirida dos produtores, o material de embalagem, a mão deobra direta e indireta, os gastos de fabricação, despesas administrativas, despesas de vendas, despesas de escoamento da produção são realizadas em reais. Portanto não há risco cambial a ser protegido neste período. 52 O que se extrai sucintamente das respostas da fiscalizada antes transcritas é que tendo seus custos e despesas em reais e vendendo sua produção em dólares, buscava com as estratégias de "hedge", travar a taxa do dólar utilizada na conversão dos custos, despesas e lucros, até a época dos recebimentos dos financiamentos às exportações. Desta maneira, ante a tendência de apreciação do Real frente ao Dólar Americano, conseguia converter os custos e despesas por uma taxa mais elevada, o que permitia a redução do preço de venda em dólares. Em síntese, objetivava definir um preço do tabaco em dólares que lhe proporcionasse competitividade. Fl. 5035DF CARF MF 16 53 Visando o travamento desta taxa do dólar, que lhe garantiria o resultado desejado, firmou várias espécies de contratos de derivativos, a maioria na posição vendida, com vencimentos para a época em que tomava os financiamentos à exportação, quando receberia os valores em reais correspondentes às exportações vindouras. Com está estratégia, acaso o Dólar se depreciasse em relação ao Real, receberia menos reais pelos ACC, que seriam compensados pelos ganhos nas operações com derivativos, ocorrendo o inverso caso houvesse a depreciação do Real ante ao Dólar. Exemplificando: Supondo que a taxa desejada/utilizada fosse R$ 2,00 por Dólar, que seria travada mediante os derivativos. Teríamos as seguintes possibilidades quando do recebimento dos reais referentes aos ACC e as liquidações dos derivativos: Taxa Dólar Montante de Taxa Resultado do Valor do Valor Taxa do Dólar contratada moeda hipotética NDF no ACC em recebido em (combinando no NDF em negociada no do Dólar vencimento USD R$ pelo ACC resultado R$ Contrato no vencto. R$ derivativo NDF USD NDF R$ com ACC) R$ (a) (b) (c) (d) (e) (f) (g) = (a)(c)*(b) =(e)*(c) =[(d)+(f)]/(b) 2,00 1.000.000,00 2,00 0,00 1.000.000,00 2.000.000,00 2,00 2,00 1.000.000,00 1,80 200.000,00 1.000.000,00 1.800.000,00 2,00 2,00 1.000.000,00 2,10 100.000,00 1.000.000,00 2.100.000,00 2,00 54 No exemplo acima, demonstramos como a empresa conseguia manter a taxa do dólar utilizandose das operações com NDF, garantindo também a manutenção da receita em reais. Ressaltamos que algumas das operações realizadas tinham características diferentes que serão avaliadas adiante. 55 Embora esclarecidas as razões dessas operações, a título de afastar interpretação de que pudessem ter a finalidade de proteger outros itens do patrimônio, reforçamos que os derivativos eram contratados com vencimentos para as épocas das tomadas dos financiamentos às exportações, portanto, não poderiam estar protegendoos. Ademais, esses financiamentos prescindem de proteção contra a variação cambial, pois serão liquidados com as divisas pagas pelos importadores, não havendo descasamento da moeda. Também, conforme item 4 da última resposta, todas as exportações foram precedidas de financiamentos à exportação, não existindo exportação sujeita a risco cambial, visto que a receita em reais foi recebida antecipadamente, consoante explanação da própria fiscalizada na resposta de 11/07/2014. 56 Conforme item 3 da resposta de 11/09/2014, a partir de agosto de cada anos os clientes indicam de forma preliminar os volumes e qualidades de tabaco que pretendem adquirir na safra vindoura (do ano seguinte), algumas empresas indicam com maior antecedência, para que a processadora possa planejar a safra. A concretização das vendas se inicia em fevereiro se estendendo até junho, momentos em que são definidos os volumes, as misturas (blends) e os preços finais. 57 Portanto, não havia compromisso firme de preços fechados com os clientes na época da contratação dos derivativos que precisassem de cobertura, nada referindo a fiscalizada sobre ativos ou passivos a serem protegidos. Existiam preços convertidos em dólares por uma taxa contratada nos derivativos, que a fiscalizada buscava manter pelas características do mercado. Embora não tivesse compromisso de preço, podendo teoricamente modificálos conforme a taxa do Dólar vigente e demais custos/despesas envolvidos, por questões de mercado, de concorrência, preferia operar com derivativos, dentro de uma estratégia comercial adotada em anos anteriores. Fl. 5036DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.029 17 58 Visto de outra forma, a estratégia consistia em vender o produto por um preço menor, compensando a diminuição da receita da atividade operacional com os almejados ganhos da atividade de investimento, o que confere a essas operações conotação especulativa e não protetiva. 59 Compreendida a estratégia de "hedge" adotada pela fiscalizada, concluise que não está contemplada na norma do § 1º do artigo 77 da Lei 8.981/99, pois não visava proteger das oscilações de preços e taxas nenhum direito ou obrigação, fazendo parte de uma estratégia comercial que buscava oferecer/garantir um preço competitivo. 60 Também não se configura como operação de cobertura sob a visão doutrinária, segundo a qual o objetivo do hedge é assumir uma posição no mercado de derivativos cujo resultado seja no mesmo valor, ou próximo, mas oposto aos resultados produzidos pelos ativos e passivos sujeitos a risco, visando neutralizar eventuais variações. 61 Como consequência, mesmo se aceita a possibilidade de dedução integral das perdas superiores aos ganhos, quando as operações se caracterizassem como de hedge, não poderia haver a dedução do excedente aos ganhos, posto que, sob o prisma da lei e mesmo da doutrina, as operações não se enquadravam como de cobertura a direitos ou obrigações cabendo o lançamentos pelos mesmos valores referidos no item 37. 62 Além desse motivo, existem outros que também descaracterizam algumas operações como sendo de cobertura, à luz do conceito estabelecido na norma, assim como na doutrina. 63 Os chamados Termos de Moeda com Funcionalidade geraram uma perda de R$ 212.802.732,21. Nesses produtos financeiros, como nos Termos de Moeda tradicionais (NDF's), as partes envolvidas acordavam taxas de câmbio para ajuste futuro, mas com algumas distinções relevantes, a saber: · Em cada contrato existiam várias datas e taxas de verificação; · Havia um limite definido para os ganhos da fiscalizada (vendedora da moeda), com condição resolutiva do contrato quando atingido o valor máximo de ganho; · Não havia limites para as perdas e, principalmente; · As eventuais perdas eram calculadas em dobro em relação aos eventuais ganhos, por meio de aplicação de fatores multiplicadores definidos no contrato. 64 Como atrativo dessas operações de alta exposição cambial, eram acordadas taxas a termo mais vantajosas para a contratante do que as fixadas no mercado no momento da celebração das operações (vide o contrato do Unibanco, no item III dos considerandos), sinalizando possíveis e maiores ganhos, o que talvez explique a contratação destes derivativos com tamanho risco, frente as operações de NDF normais. 65 Embora tenhamos demonstrado que a fiscalizada não estava protegendo direitos ou obrigações com os derivativos contratados, apenas para expor outro argumento, suponhamos que tivesse esse objetivo. Nesta situação os itens patrimoniais não estariam cobertos adequadamente pelos termos de moeda com Fl. 5037DF CARF MF 18 funcionalidade, pois esse derivativo tem alta exposição cambial, configurada pela limitação dos ganhos em R$ 0,25/0,30 por Dólar contratado, que poderia não ser suficiente para cobrir a redução das receitas protegidas, na eventualidade de uma apreciação acentuada do Real, além disso, o direito ficaria descoberto a partir do atingimento do limite de ganho e, principalmente, quando ocorresse o oposto, porque as perdas financeiras seriam o dobro de eventual incremento de receita da operação protegida. 66 Por sua vez, as operações com contratos de "Compra e venda de Call", segundo a explanação das estratégias de "hedge", foram realizadas visando neutralizar as exposições vendidas em outros derivativos, evidenciando o seu caráter especulativo e não protetivo de direitos e obrigações, gerando perdas de R$ 35.894.320,84. Vide transcrição abaixo: "3) OPERAÇÕES PARA PROTEGER A POSIÇÃO VENDIDA DA ALTA DO DÓLAR OPÇÃO DE COMPRA DE CALL Com o desencadear da crise financeira, e a disparada do dólar e empresa realizou algumas operações de compra de dólar (operação inversa à exposição que tinha, já que estava vendida em dólar), comprando call para limitar o valor das perdas que estava sofrendo ou que previa sofrer. Realizou as operações e compra de dólar (Compra de call), com os seguintes bancos e pagou os seguintes prêmios: 3.1) Banco Citibank: R$ 6.706.427,31 3.2) Banco BNP Paribas: R$ 1.900.000,00 3.3) Banco Votorantim: R$ 2.499.999,99 4) OPERAÇÕES PARA PROTEGER A POSIÇÃO VENDIDA DA ALTA DO DÓLAR OPÇÃO DE COMPRA DE CALL SIMULTÂNEA COM VENDA DE CALL Com a subida abrupta do dólar em Outubro de 2008 que saiu do patamar de 1,9213 no dia 1o para 2,3924 no dia 8, a empresa negociou com o ITAUBBA uma Compra de Call, para ficar comprada nas mesmas taxas de vencimento das operações de SWAP'S em que estava vendida. Em troca, aceitou ficar vendida, via Venda de Call para o ano de 2009, na mesma quantidade de dólares dos vencimentos que ocorreram em 2008 e que acabou não pagando ajuste negativo. Resumindo, a empresa protegeu posição vendida em 2008 abrindo nova posição vendida em 2009. Em 19/01/2009 liquidou antecipadamente as operações de Venda de Call, juntamente com as operações de Swap que tinha com o ITAUBBA, sofrendo perda de R$ 24.787.893,54. Ver documentos anexos das operações de Compra e Venda de Call, controles internos, contratos e nota de liquidação da operação." 67 Somandose ao motivo alegado pela fiscalizada o fato das operações no mercado de opções permitirem ganhos nos seus exercícios concomitantes com ganhos nos itens patrimoniais protegidos, à luz da definição doutrinária, não se enquadram como hedge, embora sejam derivativos. Fl. 5038DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.030 19 68 Outra situação que descaracteriza a operação como sendo de "hedge" é a sua liquidação antecipada, visto que, sendo uma legítima operação de hedge, não há que se liquidar antecipadamente, pois a perda na operação financeira seria compensada com o aumento da receita da operação protegida e viceversa. Liquidando antecipadamente as operações por iniciativa da empresa, evidenciase o caráter especulativo, pois busca estancar as perdas do lado financeiro, enquanto em tese aferiria ganhos com o item patrimonial até então protegido. Nessas situações temos alguns contratos de NDF, que geraram perdas de R$ 10.262.279,50 (Banco ABN Real, HSBC e Santander) todos de Termos de Moeda com Funcionalidade e os contratos de compra e venda de CALL. III DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS 69 Pelos mesmos motivos expostos acima, será alterada a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, impondose o lançamento por tributação reflexa, nos termos do artigo 142, parágrafo único do CTN, mediante a aplicação das alíquotas previstas na legislação, sobre as novas bases de cálculos. IV DAS MULTAS APLICADAS 70 Sobre a diferença de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não apurados/recolhidos pela fiscalizada, há a incidência da multa de ofício prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96. "Lei n° 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)" Cientificado da decisão (fls. 4730 e 4731), em 03/11/2014, o interessado apresentou impugnação (fls. 4737 a 4738) na qual constam, dente outras, as seguintes alegações: 3. IMPUGNAÇÃO 3.1. OPERAÇÕES E DOCUMENTOS NÃO FORAM EXAMINADOS [...] Pelo mesmo "Termo de Início do Procedimento Fiscal" foi a empresa intimada para "demonstrar a correlação das datas de vencimento e valores de referência dos contratos das operações de renda variável, com as datas e valores dos contratos que representam os direitos ou obrigações que estariam sendo protegidos pelos derivativos De 01/01/2008 a 31/12/2009" (item 8 fls. 4). No mesmo ato intimouse a fiscalizada para demonstrar as "operações de créditos tomados mês a mês e seus montantes em Reais e em moeda estrangeira, que eram sujeitos às oscilações do câmbio " (item 9 fls.4) Fl. 5039DF CARF MF 20 Esses demonstrativos foram prontamente entregues ao Fisco e estão juntados aos autos às fls. 137/156, sendo elucidativos para atestar a regularidade nas contratações operações de hedge nos anos de 2008, assim como evidenciam que essas operações tiveram seus vencimentos distribuídos ao longo do ano de 2009, com maior volume concentrado no período de aquisição de insumos (safra), período em que também se concentra o maior volume de operações de financiamento em moeda estrangeira (Dólar), principalmente por meio do conhecido ACC Adiantamento de Contrato de Câmbio, PPE Pré pagamento de Exportação, PA Pagamento antecipado de clientes e de ACE Adiantamento de Câmbio de Exportação. No entanto, esses documentos e dados concretos que demonstram a conexão das operações de hedge, assim como os contratos e registros contábeis dessas operações que montam mais de 4.500 páginas destes autos, todos sem exceção foram sumariamente ignorados pela fiscalização, sendo imperativo que sejam analisados e considerados pela autoridade julgadora para que se faça justiça no deslinde da controvérsia, evitandose o condenável cerceamento ao direito de defesa. Como não houve análise por parte da Fiscalização, a Impugnante está fazendo juntada de novo Relatório, agora produzido por Auditoria Independente, indicando os direitos e obrigações contratados em moeda volátil (DÓLAR) que justificam as operações de cobertura (hedge). No Anexo I estão identificados os contratos relacionados com "Adiantamentos Cambiais", indicando o volume contratado em DÓLAR e a taxa de conversão dessa moeda para REAL em cada operação. No Anexo II estão relacionados, um a um, os contratos de operações de hedge contratados em 2008 que têm vencimento no ano de 2009, com o volume contratado em DÓLAR e a taxa de conversão futura esperada na data da contratação. Simples análise visual comparativa entre os dois Anexos é suficiente para atestar a necessidade do instrumento de hedge que, diante da atípica crise mundial ocorrida no período, não se mostrou suficiente para neutralizar integralmente as variações efetivamente ocorridas. 3.2. AJUSTES (ADIÇÃO E GLOSA DE EXCLUSÃO) NÃO SE APLICAM NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Além dos vícios já apontados, a Impugnante requer o pronto cancelamento do Auto de Infração da CSLL, em razão de ausência de comando legal prevendo esses ajustes para recomposição da base de cálculo dessa contribuição. De acordo com o art. 3o da Lei n° 7.689/88, indicado como "Enquadramento Legal" no Auto de Infração, a base de cálculo da CSLL será determinada mediante os seguintes ajustes expressos: Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § I o Para efeito do disposto neste artigo: [...] c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n° 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) Fl. 5040DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.031 21 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n° 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n° 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei n" 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluídopela Lei n°8.034, de 1990) [...] Portanto, em sendo procedente a acusação fiscal mais uma vez, só para argumentar —, não há norma legal considerando as perdas com derivativos como "não dedutíveis" para apuração da base de cálculo da CSLL, uma vez que a única regra jurídica que trata do tema (§ 4o do art. 76 da Lei n° 8.981/95) faz expressa referência somente ao "LUCRO REAL", que é base de cálculo do IRPJ e não da CSLL. Confirase a redação: "Art. 76. [...] § 4o Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. " (grifamos) Além de só fazer referência ao "LUCRO REAL", é pertinente destacar que essa regra transcrita contém significativa ressalva no artigo seguinte (art. 77), afastando essa dedutibilidade limitada até mesmo na apuração do 'LUCRO REAL" para as perdas sofridas em "operações de cobertura" {hedge que é a hipótese dos autos), como se vê dos dispositivos transcritos: "Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) [...] V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. Fl. 5041DF CARF MF 22 § I o Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica." Os dispositivos legais transcritos indicam, com clareza meridiana, que as perdas com derivativos só foram tratadas na Lei n° 8.981/95 para efeito de apuração do "Lucro Real", que é a base de cálculo do IRPJ, e assim mesmo afastando a limitação dessa dedutibilidade aos ganhos, para as operações com natureza de "hedge" que são as operações comprovadas nestes autos. NÃO HÁ REGRA LEGAL RESTRINGINDO A DEDUTIBILIDADE DESSAS PERDAS PARA A CSLL! [...] Vale destacar que até mesmo a administração tributária já reconheceu a inexistência de base legal para exigência da CSLL na hipótese dos autos, como se vê do pronunciamento pela recente Solução de Consulta, cuja ementa é a seguir transcrita: "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 198, DE 9 DE JULHO DE 2014 ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL EMENTA: RENDA VARIÁVEL. PERDAS. DEDUÇÃO. As pessoas jurídicas que apuram o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ com base no lucro real poderão deduzir da base de cálculo da CSLL as perdas em operações realizadas no mercado de renda variável, sem a limitação imposta pelo § 4o do art. 76 da Lei n°8.981, de 1995. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n° 8.981 de 1995, arts. 57, 72 e 76. Instrução Normativa RFB n° 1.022, de 2010. " (grifamos) [...] 3.4. OS QUESTIONADOS DERIVATIVOS Derivativo é um instrumento financeiro cujo valor depende (deriva) valores de outros ativos, taxas ou índices. Em geral esses valores ou índices são preços de ativos negociados no mercado financeiro. No entanto, podese criar derivativo de praticamente qualquer coisa, desde que haja cotação fornecida por órgão oficial, reconhecido pelas partes que o negociam. Um grupo de autores renomados da FIPECAPFI se ocupou de conceituar derivativos dizendo: "Derivativo é um instrumento financeiro ou outro contrato com todas as seguintes características: a) seu valor se altera em resposta às mudanças de uma taxa de juros especificada, do preço de um instrumento financeiro, do preço de commodities, de taxa de câmbio, de um índice de preço ou taxas, de rating de crédito ou índice de Fl. 5042DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.032 23 crédito, ou outras variáveis, selecionadas no caso de variáveis não financeiras não relacionadas a uma parte contrato; b) não requer investimento inicial líquido ou requer investimento inicial que é menor do que seria necessário no caso de outros contratos como respostas similares às mudanças nos fatores de mercado; e c) será liquidado em data futura;" 1 Pelo conceito transcrito acima, podese concluir que derivativos são instrumentos financeiros e não ativos financeiros, pois esses podem apresentar posições ativas ou passivas. Esses instrumentos têm preço derivado de outro tipo de ativo ou índice. Os derivativos não implicam assim em compra ou venda de um ativo, mas sim na compra ou venda de um direito sobre o ativo. Esse direito pode ser o de adquirir o ativo a um determinado preço e uma data futura, ou de receber o diferencial da taxa ou índice. No mercado atualmente, este instrumento chamado derivativo tem uso regular de proteção, que originou o chamado hedge, palavra inglesa que quer dizer cobertura. A função do hedge é proteger um ativo ou passivo das oscilações do mercado. Em capítulo exclusivo que trata das "Perdas em Operações de Hedge", na clássica obra "Imposto de Renda das Empresas", encontramos elucidativas ponderações do doutrinador Edmar Oliveira Andrade Filho que merecem ser transcritas: "Sob o aspecto funcional, o hedge (também referido por "operação de cobertura") é uma política de proteção patrimonial. Do ponto de vista jurídico, o hedge não é um tipo contratual, eis que pode ser realizado por uma série de negócios jurídicos em diversos mercados. Em regra, o instrumento jurídico do hedge é o contrato de swap (troca), nas diversas modalidades (índices, moedas, mercadorias etc.) permitidas no mercado de capitais do Brasil e de outros países. [...] Após o advento da Lei nº 8.981/95, foi instituído um conceito normativo de hedge. De fato, de acordo com o § 1º do art. 77 da citada Lei n°8.981, são consideradas como tais (de cobertura) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto negociado: (a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; (b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. " E, em tom conclusivo, arremata o referido autor: "O que o conceito normativo está a explicitar é que proteção faz parte do caráter de uma operação de cobertura, e isto pressupõe a preexistência de um objeto a ser protegido. Logo, é uma contradição em termos dizer que há "hedge com finalidade especulativa"; ao menos no ordenamento jurídico brasileiro, Fl. 5043DF CARF MF 24 para ser considerada como de hedge, uma operação deve ter finalidade de proteção"? Os tipos de derivativos são ilimitados, mas no caso em questão os derivativos tinham por objeto hedge de moeda estrangeira. Os derivativos aplicados pela impugnante foram na grande maioria na modalidade "Swaps" e NDF ou Non deliverable Forward, ou seja, de termo de moeda sem a entrega física. Nesses contratos é fechado um acordo, mas o que é pago é o diferencial e não é entregue a moeda estrangeira. Justificouse no caso concreto o fato de que a impugnante compra matériaprima em Reais, processa e exporta, realizando previamente vendas em Dólar, bem como toma recursos também em Dólar para financiar a operação de compra de matéria prima. Os efeitos do câmbio no negócio da impugnante são gigantescos, e no caso justificaram a proteção contratada. a) Contabilização dos derivativos [...] O Conselho Federal de Contabilidade CFC através da Resolução nº 1.199 de 21.10.2009, regulamentou a matéria de forma que os resultados dos derivativos devam ser reconhecidos no resultado simultaneamente com o registro contábil das perdas e ganhos no item objeto de hedge: "Contabilidade de operação de hedge (hedge accounting) 67. Para entidades que realizam operações com derivativos (e alguns instrumentos financeiros não derivativos ver item 69) com o objetivo de hedge em relação a um risco específico determinado e documentado, há a possibilidade de aplicação da metodologia denominada contabilidade de operações de hedge (hedge accounting). Essa metodologia faz com que os impactos na variação do valor justo dos derivativos (ou outros instrumentos financeiros não derivativos) utilizados como instrumento de hedge sejam reconhecidos no resultado de acordo com o reconhecimento do item que é objeto de hedge. Essa metodologia, portanto, faz com que os impactos contábeis das operações de hedge sejam os mesmos que os impactos econômicos, em consonância com o regime de competência. 68. As operações com instrumentos financeiros destinadas a hedge devem ser classificadas em uma das categorias a seguir: (a) Hedge de valor justo hedge da exposição às mudanças no valor justo de ativo ou passivo reconhecido, compromisso firme não reconhecido ou parte identificada de ativo, passivo ou compromisso firme, atribuível a um risco particular e que pode impactar o resultado da entidade. Nesse caso temse a mensuração do valor justo do item objeto de hedge. Por exemplo, quando se tem um derivativo protegendo um estoque, ambos (derivativo e estoque) são mensurados pelo valor justo em contrapartida em contas de resultado. Outro exemplo: quando se tem um derivativo protegendo uma dívida préfixada, o derivativo e a dívida são mensurados pelo valor justo em contrapartida em resultado. (b) Hedge de fluxo de caixa hedge da exposição à variabilidade nos fluxos de caixa que (i) é atribuível a um risco particular associado a ativo ou passivo (tal como todo ou parte do Fl. 5044DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.033 25 pagamento de juros de dívida pós fixada) ou a transação altamente provável e (ii) que podem impactar o resultado da entidade. (c) Hedge de investimento no exterior como definido na NBC T 7 Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis, que consiste no instrumento financeiro passivo considerado como proteção (hedge) de investimento no patrimônio líquido de investida no exterior quando houver, desde o seu início, a comprovação dessa relação de proteção entre o passivo e o ativo, explicitando a natureza da transação protegida, do risco protegido e do instrumento utilizado como proteção, deve ser feita mediante toda a documentação pertinente e a análise de efetividade. 69. Nesta Interpretação, hedge é a designação de um ou mais derivativos realizados com terceiros, externos à entidade (hedges intercompany são permitidos desde que envolvam uma terceira parte), com o objetivo de compensar, no todo ou em parte, os riscos decorrentes da exposição às variações no valor justo ou no fluxo de caixa de qualquer ativo, passivo, compromisso ou transação futura prevista, registrada contabilmente ou não, ou ainda grupos ou partes desses itens com características similares e cuja resposta ao risco objeto de hedge ocorra de modo semelhante. A exceção para o uso de instrumentos financeiros não derivativos como instrumentos de hedge, para que possa ser aplicada a metodologia de contabilidade de operações de hedge de acordo com esta Interpretação, acontece no caso de instrumento de hedge para proteger o risco de variação cambial. 74. Os instrumentos financeiros derivativos destinados a hedge e os respectivos itens objeto de hedge devem ter o seguinte tratamento: (a) para aqueles classificados na categoria hedge de valor justo e avaliados como efetivos, a valorização ou a desvalorização do valor justo do instrumento destinado a hedge e do item objeto de hedge devem ser registrados em contrapartida da adequada conta de receita ou despesa, no resultado do período; (b) para aqueles classificados na categoria hedge de fluxo de caixa, a valorização ou desvalorização do instrumento destinado a hedge deve ser registrada: (i) a parcela efetiva do ganho ou perda do instrumento de hedge que é considerado hedge efetivo deve ser reconhecida diretamente no patrimônio líquido, especificamente na conta de ajuste de avaliação patrimonial; (ii) a parcela não efetiva do ganho ou perda com o instrumento de hedge deve ser reconhecida diretamente na adequada conta de receita ou despesa, no resultado do período. 75. Entendese por parcela efetiva aquela em que a variação no item objeto de hedge, diretamente relacionada ao risco Fl. 5045DF CARF MF 26 correspondente, é compensada pela variação no instrumento de hedge, considerando o efeito acumulado da operação. 76. Os ganhos ou perdas decorrentes da valorização ou desvalorização mencionadas no item 74(a) devem ser reconhecidos no resultado simultaneamente com o registro contábil das perdas e ganhos no item objeto dehedge. [...] c) a dedução das perdas é legítima, além de necessária [...] A impugnante, em momento algum contratou derivativos em montante superior aos direitos ou obrigações que pretendia proteger. As perdas contabilizadas em 2009, que foram objeto do Relatório Fiscal, tiveram origem nos contratos de derivativos que estavam em aberto em 31 de dezembro de 2008, os quais somavam valor nominal inferior aos direitos e obrigações impactados pela oscilação do câmbio, como se vê do balanço patrimonial da empresa constante da DIPJ às fls. 4646/4648. Ademais, em todos os lançamentos contábeis das referidas perdas há histórico "elucidativo e expresso demonstrando que se tratava de operação de hedge, ou seja, contratada para cobertura de riscos cambiais em razão de ser empresa eminentemente exportadora. Mais uma vez, invocase o magistério de Edmar Oliveira Andrade Filho que assim escreve: "A lei não exige que os negócios com a finalidade de hedge sejam elevados à categoria de atividade econômica que deva ser inscrita ou mencionada nos objetos sociais das sociedades empresárias: a lei exige apenas que exista algo a ser protegido e que este algo (contratos) decorra do giro normal dos negócios. As operações de hedge observadas as normas editadas pelas autoridades monetárias não podem ser referidas unicamente aos ativos e passivos já contabilizados: afinal, por vezes, a proteção pode ser requerida para operações futuras contratadas (e ainda não finalizadas ou realizadas efetivamente) com base em preços flutuantes e sujeitos às oscilações de mercado " (grifamos) E, conclui com sabedoria o referido autor: "Portanto, é temerário qualificar uma operação como "especulativa" unicamente se ela não estiver atrelada a valores que possam ser identificados no Balanço Patrimonial como ativos e passivos já registrados em razão de fatos contábeis já ocorridos ".5(grifamos) Ademais, a falta de exame dos documentos e das operações pelo Fisco fez com que olhasse para um só lado, ignorando o outro efeito decorrente da mesma oscilação cambial atípica ocorrida no período, que está vinculado às operações questionadas pela fiscalização. Com efeito, não pode ser desprezada a significativa "variação cambial ativa" que impactou positivamente o resultado da pessoa jurídica de 2009, fruto de contratos de exportação (direitos) indexados pela mesma moeda Fl. 5046DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.034 27 dos derivativos (Dólar). Ora, se a oscilação do Dólar provocou perdas com os instrumentos de proteção (hedge), é inegável que por outro lado provocou também o reconhecimento de ganhos significativos com "variação cambial ativa" dos direitos protegidos, no montante de R$ 120.154.464,47 (DIPJ Ficha 06A, linha 19 e 39 fls. 4.592) e R$ 39.835.840,00 (Relatório Fiscal, fls. 4.705), totalizando 159.990.304,47, montante esse muito próximo do valor da perda que está sendo adicionada pelo Fisco, sob o falacioso fundamento de ser encargo indedutível. [...] E em sua impugnação a interessada também solicita a realização de diligências, caso paire alguma dúvida das afirmações contidas em suas justificativas ou sobre os documentos inseridos no presente processo, e protesta alegações contra a atualização das penalidades por meio da utilização da taxa Selic. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1285.598, de 22 de fevereiro de 2017, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência desnecessária ao julgamento da lide, conforme disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, haja vista os documentos constantes do processos são suficientes para comprovação dos fatos alegados na impugnação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 PERDAS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. HEDGE. São plenamente dedutíveis na determinação do lucro real as perdas verificadas pela pessoa jurídica em aplicações financeiras em bolsa e em swap quando tais aplicações tiverem como finalidade o hedge. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. PERDAS COM DERIVATIVOS. Quando não se prova que a operação no mercado de derivativos se relaciona à proteção dos direitos e obrigações da contribuinte, fica descaracterizado o propósito de cobertura de risco (hedge) da operação. Nesse caso, para fins de dedutibilidade na determinação do lucro real, impõese o reconhecimento das perdas apuradas em operações de derivativos somente até o limite dos ganhos auferidos nas operações de mesma natureza. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. RENDA VARIÁVEL. PERDAS. DEDUÇÃO Fl. 5047DF CARF MF 28 As pessoas jurídicas que apuram o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ com base no lucro real poderão deduzir da base de cálculo da CSLL as perdas em operações realizadas no mercado de renda variável, sem a limitação imposta pelo § 4º do art. 76 da Lei nº 8.981, de 1995. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 03/03/2017 (efl. 4.874), e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 23/03/2017 (efls. 4.879 a 4.928), conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada de e fl. 4.877, repetindo os argumentos apresentados na impugnação, e acrescentando argumentos para combater a decisão de piso, incluindo pedido de nulidade por cerceamento de defesa. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator A admissibilidade dos Recursos (de Ofício e Voluntário) será tratada nos tópicos destinados a cada um deles. RECURSO DE OFÍCIO A DRJ excluiu do lançamento fiscal os valores correspondentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como o valor exonerado ultrapassa o montante de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no Diário Oficial da União de 09/02/2017, o recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A fiscalização havia efetuado o lançamento da referida contribuição social por reflexo do lançamento do IRPJ, por entender que os valores de perdas em operações de Fl. 5048DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.035 29 renda variável não poderiam ter sido lançados pela empresa como despesas, tampouco excluídos do cálculo do lucro real no anocalendário de 2009, veja (efl. 4.708): 25. Enfatizase, ainda, que o § 3º remete aos artigos 28 e 29 da lei, sendo que apenas o artigo 29 autoriza deduzir da receita bruta as perdas nas operações de renda variável, mas apenas para as pessoas jurídicas referidas no art. 36, III (instituições financeiras e assemelhadas), enquanto que esta possibilidade não consta no artigo 28, da apuração da receita bruta das demais empresas. No entanto, a DRJ entendeu que não há base legal para aplicar o mesmo entendimento do IRPJ para a contribuição social. Pois bem. Antes de entrar no mérito da questão, entendo que não precisaria adentrar na discussão da CSLL, pois como se verá adiante, estou propondo dar provimento ao recurso voluntário. Entretanto, por amor ao debate, enfrento a questão postulada no recurso de ofício. Nem todos os ajustes impostos ao IRPJ aplicamse, indistintamente, à CSLL. Tributos distintos com bases legais distintas devem ser avaliados separadamente. O dispositivo legal invocado pela fiscalização para tributar o IRPJ e, por reflexo, a CSLL, traz no seu caput tratamento a ser dispensado ao Imposto de Renda a ser Retido na Fonte, que em grande parte é utilizado com antecipação do IRPJ calculado ao fim do período de apuração. Assim, em uma análise perfunctória já se pode perceber que a regra legal não aspirou mencionar a comentada contribuição social: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (...) § 4º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. Além disso, não há no ordenamento jurídico nenhuma norma que estenda à CSLL a aplicação do referido dispositivo legal supra, tanto no que se refere às perdas com cobertura cambial (como entendeu a fiscalização), como em relação à caracterização de cobertura cambial com intuito meramente especulativo (como entendeu a DRJ). Tenho dito em meus votos que existem ajustes aplicáveis a ambos os tributos. Como exemplo, posso citar a adição de despesas não necessárias à atividade empresarial, baseada no art. 299 do RIR/99, que, em um primeiro momento, podese inferir que não se aplica à CSLL como creem muitos . No entanto, a partir de uma interpretação gramatical, sistemática e finalística da lei, apresento digressão com intento de comprovar que o referido dispositivo aplicase, sim, a ambos os tributos (IRPJ e CSLL), vejase: Fl. 5049DF CARF MF 30 (fundamento para aplicação à CSLL sobre adição de despesas não necessárias início) O art. 299, do RIR/99 determina que, para ser considerada uma despesa como operacional, para fins fiscais, deve tal despesa ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. A redação proposta pelo art. 13 da Lei 9.249/1995, que também apresentou ajustes ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, incluiu ressalva de que o art. 47 da Lei 4.506/64, que é a base legal do art. 299 do RIR/99, continua sendo aplicado aos dois tributos aqui discutidos. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (negritei) Na acepção gramatical, a redação acima representa uma "oração", que é um conjunto linguístico que se estrutura em torno de um verbo ou locução verbal2. Diferentemente de um "período", que é a frase constituída de uma ou mais orações, formando um todo, com sentido completo3. O período pode ser simples ou composto. Período Simples é aquele constituído por apenas uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. Período Composto é aquele constituído por duas ou mais orações, as quais podem ser coordenadas ou subordinadas. Como se trata de apenas uma oração, ou período simples, concluise que os signos constantes na redação legal devem ser concatenados entre si para que deem ensejo ao propósito do texto legal. Diferentemente de um período composto em que uma eventual redação legal poderia ter orações que não conversariam entre si, não teriam a obrigatoriedade de concatenar os signos de uma (oração) com os de outra (oração). Esta definição serve para que se perceba a impossibilidade de se dissociar a parte final da parte inicial do artigo acima. Ou seja, fica muito claro que o advérbio de modo "independentemente" faz uma ressalva para ambos os tributos, inseridos na oração como uma finalidade ("para") que busca a norma "Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido" . Logo, a construção de todo o dispositivo legal nos leva a deduzir que a regra contida art. 47 da Lei 4.506/64, que é a base legal do art. 299 do RIR/99, também se aplica à Contribuição Social para o Lucro Líquido. (fundamento para aplicação à CSLL sobre adição de despesas não necessárias término) 2 extraído do site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_(gram%C3%A1tica), em 29/01/2018 3 extraído do site: https://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint4.php, em 29/01/2018 Fl. 5050DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.036 31 Não obstante meu posicionamento sobre a regra do art. 299 do RIR/99 que, a meu ver, é regra geral de impedimento de dedução fiscal , no caso concreto há que se reconhecer que os fundamentos para o lançamento são diferentes. A fiscalização fundamentou seu lançamento com base nos arts. 247 e 249 do RIR/99, que tratam, respectivamente, do conceito de lucro real e das adições ao lucro real de despesas e custos que ali indica. Já as perdas nas operações realizadas com cobertura cambial, que, segundo o fisco, se aplicam ao caso concreto, constam no inciso X do art. 249 do RIR/99. Até por essa disposição específica, corretamente o fisco não fundamentou o lançamento no art. 299 do RIR/99. Veja o teor do caput do art. 249 e de seu inciso X do RIR/99: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração: (...) X as perdas apuradas nas operações realizadas nos mercados de renda variável e de swap, que excederem os ganhos auferidos nas mesmas operações Quer dizer, para a regra específica tratada no art. 249, X, do RIR/99, que se aplica somente ao IRPJ, deveria haver indicação, na norma legal, de tratamento extensivo à CSLL; mas isso é algo que não se encontra no ordenamento jurídico. A própria Receita Federal reconhece que tal regramento legal somente é aplicável ao IRPJ, ao ser provocada a se manifestar sobre esta regra, exarando decisão por meio da Solução de Consulta COSIT 198/2014, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL RENDA VARIÁVEL. PERDAS. DEDUÇÃO. As pessoas jurídicas que apuram o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ com base no lucro real poderão deduzir da base de cálculo da CSLL as perdas em operações realizadas no mercado de renda variável, sem a limitação imposta pelo § 4º do art. 76 da Lei nº 8.981, de 1995. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, arts. 57, 72 e 76. Instrução Normativa RFB nº 1.022, de 2010. Nesse sentido, tenho por convicção que a regra do inciso X do art. 249 do RIR/99 (base legal § 4º do art. 76 da Lei 8.981/1995) somente se aplica ao IRPJ, não se estendendo à CSLL. Diante disso, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 5051DF CARF MF 32 DILIGÊNCIA A recorrente faz pedido de diligência para que sejam analisados os documentos apresentados ainda na fase impugnatória e que, segundo a pugnante, não foram analisados percucientemente pela DRJ. Afirma que, se a DRJ analisasse os documentos e fosse coerente em sua decisão, manteria somente o valor de glosa correspondente ao volume de operações de US$ 150.705.050,77, que é o valor de cobertura que ultrapassou o volume de exportações do ano de 2009. Pois bem. O pedido de diligência deve ser atendido se o julgador não estiver preparado para formar sua convicção quanto ao julgamento da lide. É o que dita o art. 18 do decreto nº 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. No caso dos autos, entendo que minha convicção está formada, como se verá adiante. Sendo assim, julgo desnecessário baixar o processo em diligência, pelo que proponho o afastamento de tal pedido. NULIDADE A recorrente, mesmo sem criar tópico específico para tanto, pede por nulidade por cerceamento de defesa. Entende que a DRJ se limitou a enfrentar trecho raso do relatório de auditoria anexado à impugnação. Cita que a delegacia de piso não enfrentou questionamento sobre a suposta glosa excessiva de valores praticada pela fiscalização no lançamento fiscal. Isto porque no Lalur, o valor excluído pela empresa, decorrente das perdas com operação de cobertura cambial, era de R$ 195.536.760,00, mas o fisco glosou o montante de R$ 235.372.600,00. Insiste em afirmar que a fiscalização apresentou o art. 249 do RIR/99 como base legal para seu lançamento, mas não indicou em qual inciso se encaixa a motivação para a autuação. Ao final, adverte satisfazerse com a superação da preliminar de nulidade caso seja dado provimento ao seu recurso no mérito, em conformidade com o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 5052DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.037 33 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Pois bem. Entendo que nem todos os argumentos da recorrente se encaixam no conceito de nulidade do lançamento fiscal ou da decisão de piso. O artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 somente admite como hipótese de nulidade do lançamento o seguinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O cerceamento do direito de defesa não pode ser invocado somente por falta de enfrentamento de algum ponto trazido no recurso, se a linha de fundamentação do julgador não necessita perpassar pelo combate de tal questão. E foi o que percebi no caso concreto. Mesmo com a apresentação do laudo e de demais documentos que intentam comprovar a necessidade de se acobertar as operações financeiras da recorrente, a delegacia de piso concluiu que a operação foi meramente especulativa. Veja nos trechos do acórdão que a análise do laudo não serviria para a DRJ alterar seu posicionamento (com destaques nossos): No entanto, embora a afirmação de que não haveria risco cambial a ser protegido não possa ser considerada, a conclusão da fiscalização de que as operações com derivativos realizadas pela empresa não visavam a proteger a empresa de oscilações de preços e taxas de direitos ou obrigações, mas sim faziam parte de uma estratégia comercial da empresa, está correta. (...) Conforme justificado pela empresa, a sua estratégia de hedge consistiu em contratar operações com derivativos, no ano de 2008, para proteger os contratos de empréstimo que seriam celebrados em 2009. Ou seja, a empresa procurava proteger algo que ainda não existia, e que para o qual havia apenas a perspectiva de que viesse a existir. Como esse algo a proteger eram contratos de empréstimo, a empresa procurava proteger o valor de um passivo que ainda não fazia parte de sua contabilidade, o que não parece se enquadrar nas características de uma operação de hedge. (...) Além dessas constatações, que demonstram que as operações com derivativos não tinham o objetivo de hedge, devese considerar que, a princípio, as operações que deveriam ser protegidas contra variações cambiais não seriam os empréstimos tomados pela empresa, mas sim seus contratos de vendas de mercadorias para o exterior. Os empréstimos foram decorrentes da necessidade de fluxo de caixa para cumprimento desses contratos. Fl. 5053DF CARF MF 34 E se não bastasse isso, esses instrumentos de empréstimo utilizados para financiar exportações (ACC, ACE, PPE, etc) possuem o “efeito colateral” de atuar como proteção cambial, pois os efeitos da variação da moeda estrangeira atuam de forma oposta nas duas operações. Se há uma valorização da moeda estrangeira, a perda com a variação monetária passiva no contrato de empréstimo é compensada com o ganho na conversão para reais do valor da exportação, e viceversa. Ou seja, pelo fato da i) empresa procurar proteger algo (um passivo) que ainda não existia; ii) que as operações a serem protegidas deveriam ser seus contratos de venda, e não os empréstimos tomados por ela; e iii) que os empréstimos (ACC, ACE, PPE, etc) tomados pela empresa já serviriam como proteção cambial, a DRJ entendeu que o lançamento deveria ser mantido. Essa conclusão, a meu ver, independe do enfrentamento de demais documentos apresentados pela ora recorrente. Por exemplo, a conclusão referente à busca de proteção sobre passivo ainda inexistente decorreu de informações prestadas pela própria empresa. Assim, não vejo que a falta de análise de alguns elementos e documentos cercearam o direito de defesa da empresa. Outros pontos também não devem resultar na nulidade do lançamento fiscal: Não entendo que o argumento quanto à glosa de exclusão do valor de R$ 235.372.600,00, e não do valor de R$ 195.536.760,00 (constante no Lalur), encaixase às questões de nulidade constantes no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 reproduzido alhures, mas sim de questão meritória, que poderia ser invocada por motivação em erro material cometido pelo fisco, o qual poderia ser corrigido no julgamento por este colegiado. Quanto à falta de indicação do inciso do art. 249 do RIR/99, tenho que a recorrente talvez não tenha efetuado leitura detalhada do Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do auto de infração. Realmente, no corpo do auto de infração, há indicação do art. 249 do RIR/99, sem citação do inciso a que se sujeitou o lançamento fiscal. Entretanto, a fiscalização cita o inciso X do mesmo artigo para fundamentar seu lançamento. Veja no TVF (efl. 4.706 a 4.708): 20 Por sua vez, o artigo 76, § 4º, estabeleceu que as perdas nas operações de renda variável são dedutíveis até o limite dos ganhos em operações da mesma natureza, podendo as perdas excedentes ser excluídas na apuração do Lucro Real nos anos subsequentes, até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas nestas operações (§ 5º): “Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (…) § 3º [...] § 4º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente Fl. 5054DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.038 35 serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. (...) 26 Ademais, analisando as normas do capítulo VI, para interpretação do alcance do artigo 77, constatase que dispõem sobre a tributação do imposto de renda na fonte, incidente sobre os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e variável, sendo este o regime de tributação afastado. Em meio a este capítulo se encontram os §§ 4º e 5º, do artigo 76, antes transcritos, os quais, diversamente, tratam de regras de dedutibilidade/adição e de exclusão para fins de apuração do Lucro Real, sendo matrizes do inciso X do parágrafo único do artigo 249 e da alínea “e” do artigo 250, ambos do RIR/99, os quais tratam dos ajustes ao lucro líquido para apuração do lucro real. Vêse claramente que a fiscalização citou o inciso X do art. 249 do RIR/99, que tem como base legal o § 4º do art. 76 da Lei nº 8.981/1995, para fundamentar as referidas glosas. Desta forma, não há nenhum indicativo de que houve cerceamento do direito de defesa da recorrente, tampouco algum vício que pudesse tornar nulo o lançamento fiscal. Observo, outrossim, que o lançamento tributário em comento foi efetuado em obediência ao disposto no artigo 142, do CTN, e somente se materializou após a autoridade fiscal estar convicta da ocorrência do fato gerador do tributo aqui discutido: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por fim, convém mencionar, ao contrário do que alega a recorrente, que o disposto no artigo 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972 foi estritamente obedecido pela autoridade fiscal no lançamento aqui debatido: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 5055DF CARF MF 36 Desta forma, entendo que o alegado cerceamento de defesa está distante do lançamento deste auto de infração e da decisão da DRJ, pelo que proponho afastar o pedido de nulidade. MÉRITO Quanto ao mérito, algumas questões precisam ser elucidadas para este julgador formar sua convicção para o julgamento da lide: a) As operações de derivativo com cobertura cambial por hedge submetemse à regra específica do inciso X do art. 249 do RIR/99 (base legal § 4º do art. 76 da Lei nº 8.981/1995)? b) Caso negativa a resposta da letra "a", as operações perpetradas pela empresa tiveram cunho especulativo? c) Sendo positiva a resposta da letra "b", aí sim aplicase a regra específica do inciso X do art. 249 do RIR/99? d) Em relação ao caso concreto, caso negativa a resposta da letra "b", toda a perda decorrente do valor acobertado por meio de hedge poderia ser deduzida integralmente do lucro real, independentemente das exportações efetuadas no ano de 2009? Vejamos! Limite de dedução de perdas de operações com cobertura por Hedge Concordo com o posicionamento da DRJ de que a perda por cobertura cambial por meio de hedge não está na regra estabelecida no inciso X do art. 249 do RIR/99 (base legal § 4º do art. 76 da Lei nº 8.981/1995). Desta forma, trarei aqui trechos do acórdão da DRJ que confirmam que a regra específica não pode ser aplicada aos instrumentos financeiros com cobertura de hedge, dos quais me servirei como razões para decidir: (início da transcrição do voto da DRJ) Conforme afirma a fiscalização, o fato de não constar do caput do art. 77 da Lei nº 8.981/95 citação expressa a perdas seria demonstração da intenção do legislador de que fossem aplicada às operações de hedge, citadas no inciso V desse artigo, as regras gerais de dedutibilidade previstas no capítulo VI. Embora essa seja uma interpretação possível, considerandose somente a literalidade do texto, é sabido que nem sempre o legislador consegue materializar no texto da lei a sua intenção de forma a não deixar dúvidas quanto à interpretação da norma, tanto que determinados dispositivos legais são alvo de interpretações diametralmente opostas. E esse parece ser o caso do art. 77 da Lei nº 8.981/95. Embora o texto do artigo não faça menção expressa às perdas com operações financeiras, essa era a sua intenção. Fl. 5056DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.039 37 Outra afirmação da fiscalização é de que, pelo fato de estar inserido no capítulo VI, o art. 77 só poderia estar tratando de exceções à regra geral de tributação na fonte. Cabe observar que o art. 77 trata de exceções a regras contidas no capítulo VI, no qual constam, no art. 76, regras de dedutibilidade para perdas em operações financeiras. Ou seja, esse capítulo não possui regramentos somente em relação à tributação na fonte. E utilizandose o raciocínio da fiscalização, como poderia o art. 76, o qual traz em seu caput referência expressa à tributação na fonte de rendimentos de aplicações financeiras conter regramento referente a dedutibilidade de perdas com essas operações. (...) E como visto, para corroborar seu entendimento, a fiscalização se vale da alteração na legislação acerca da incidência de imposto de renda na fonte em operações financeiras efetuada pela Lei nº 9.779/99. No entanto, ao contrário da conclusão expressa no TVF, a aprovação dessa lei demonstra que a intenção do legislador era de que não houvesse limitação de dedutibilidade para as perdas com operações de hedge, conforme pode ser verificado na exposição de motivos (fls. 4.823 a 4.834), publicada no Diário do Congresso Nacional do dia 14/01/1999, da Medida Provisória nº 1.788/98, a qual foi convertida na Lei nº 9.779/99: O art. 5º trata da incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos em aplicações ou operações financeiras de renda fixa ou variável, incluindo, nessa forma de tributação, as de hedge, realizadas por meio de swap, como forma de equalização com as demais operações realizadas no mercado financeiro, mantida, no entanto, a possibilidade de se reconhecer, integralmente, nos balanços das empresas, eventuais perdas incorridas nessas operações. Portanto, conforme verificado acima, a intenção do legislador era a de manter a possibilidade de dedutibilidade integral das perdas. E é evidente que só é possível manter algo que já existe, concluindose que essa possibilidade já constava da Lei nº 8.981/95. E em consulta à exposição de motivos da Medida Provisória nº 812/1994, publicada no Diário do Congresso Nacional do dia 19/01/1995 (fls. 4.835 a 4.840), a qual foi convertida na Lei nº 8.981/95, verificase a intenção do legislador de que as operações de hedge recebessem tratamento diferenciado do regime geral de tributação das operações financeiras (fls. 4.832) por constituírem mecanismos de proteção contra riscos, conforme verificado abaixo: O art. 77 excepciona do regime geral de tributação das operações financeiras, entre outros, os rendimentos em renda fixa auferidos pelas instituições financeiras, tendo em vista estarem eles compreendidos no próprio objeto social dessas instituições. Os resultados das demais operações relacionadas no referido dispositivo já estavam previstos na legislação como integrantes do lucro real, com exceção das operações de hedge, que recebem esse tratamento por representarem mecanismos de proteção contra riscos inerentes à própria atividade operacional. Fl. 5057DF CARF MF 38 E embora pareça claro nesse texto que a intenção do legislador ao se referir a “regime geral de tributação” ia além da tributação na fonte, outros trechos da exposição de motivos (fls. 4.830) corroboram a interpretação de que a limitação da dedutibilidade prevista na norma tinha por objetivos desestimular possíveis fraudes em operações financeiras e impedir que perdas com despesas consideradas como não necessárias à atividade operacional fossem deduzidas ilimitadamente: Ainda em relação às operações de que trata a Seção II deste capítulo, há previsão expressa para a tributação das operações de “swap”, que apresentam características de renda variável. Para evitar situações de simulação de prejuízos nessas operações, somente será admitido o reconhecimento de perdas em “swap” registrado nas condições previstas pelo Banco Central do Brasil. [...] Para a pessoa jurídica tributada com base no lucro real é restabelecido o regime que vigorou até 1992, qual seja, dos rendimentos das operações financeiras integrarem o lucro real e o imposto de renda na fonte ou pago mensalmente ser deduzido dquele apurado na declaração. É importante salientar que, embora se determine tratamento unificado para a tributação dos rendimentos financeiros com os operacionais, existem dispositivos que limitam a compensação das perdas incorridas em operações financeiras como lucro operacional. Tal limitação, além de desestimular fraudes em tais operações, para reduzir o pagamento do imposto, atinge perdas que não podem ser consideradas como despesas necessárias às atividades operacionais da pessoa jurídica. E como verificado no texto referente ao art. 77, as operações de hedge são consideradas pelo legislador como “mecanismos de proteção contra riscos inerentes à própria atividade operacional”. Em vista do exposto, única conclusão possível é a de que as perdas com operações de hedge utilizadas para proteção de riscos relativos a atividade operacional da empresa não estão sujeitas à limitação contida no art. 76, §4º, da Lei nº 8.981/95. (término da transcrição do voto da DRJ) Percebo que o legislador entendeu que a cobertura cambial por meio de hedge intencionava proteger os negócios das empresas dos riscos cambiais a que se sujeitariam, neutralizando os efeitos de eventual disparidade. Assim, permitiu que as perdas decorrentes de hedge poderiam ser deduzidas do IRPJ, em razão de sua característica de improbabilidade de certeza e por não serem desejadas em uma operação financeira. Desta forma, entendo que não se pode limitar a dedução para as perdas em operações financeiras com cobertura de hedge. Os motivos que levaram a recorrente a acobertar as operações financeiras Fl. 5058DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.040 39 Neste ponto, devese avaliar se a empresa firmou os contratos com objetivo de manter sua operação de produção e exportação saudável ou se estaria mascarada por um objetivo meramente especulativo. Para tal avaliação, devese buscar analisar a operação de produção e comercialização dos produtos da empresa, bem como dos instrumentos financeiros e dos motivos que deram ensejo à necessidade de cobertura cambial. 1 Funcionamento da operação de derivativo com cobertura (hedge) No Parecer Jurídico (efl. 4.975) anexado pela recorrente, há uma descrição das etapas de aquisição de insumos, de produção e exportação de produtos manuseados pela empresa e das operações financeiras efetuadas pela recorrente, veja: Figura 3. – Operações de hedge praticadas pela CTA. Como se vê, a operação da CTA pode ser subdividida em 04 (quatro) etapas distintas, que ocorrem em momentos diferentes do tempo (conforme, inclusive, atesta o cronograma de planejamento da companhia doc. 01). Senão, vejamos: (i) em t1 a CTA levanta recursos no mercado interno (crédito rural) para financiar a safra local de tabaco; (ii) em t2 a CTA celebra contratos (ACC, PPE e ACE, por exemplo) com investidores no exterior, para antecipação dos recebíveis dos produtos que serão exportados; (iii) em t3, em contrapartida aos financiamentos realizados, a CTA recebe o produto da lavoura (tabaco) e exporta para seus clientes no exterior; e, finalmente Fl. 5059DF CARF MF 40 (iv) em t4 os recursos em moeda estrangeira auferidos pela CTA diretamente no exterior são empregados para liquidação das obrigações assumidas em t1. No "Cronograma CTA" a que se refere o parecer jurídico (Doc. 01), a recorrente apresentou mais detalhadamente o ciclo de produção do tabaco, denominado de "Ciclo de Vida da Safra do Tabaco (2009) do Plantio à Exportação" (efls. 4.996 a 4.999), em que consignou o seguinte: 1) De março a junho de 2008, a CTA contrata a operação junto ao produtor rural. Nesta fase é assinado o contrato de financiamento de safra, desde a semente até os fertilizantes. O produtor neste contrato promete entregar sua produção para quitar sua dívida, que, em média, não supera 30% da expectativa de comercialização que ele terá no ano seguinte. Na prática, a CTA adquire todos os insumos agrícolas necessários para serem revendidos ao produtor rural, de abril a agosto de 2008. Parte da venda dos insumos é financiada por crédito rural (nós contratamos a operação em nome dos produtores) e parte em carteira. O produtor rural realiza o plantio do tabaco de junho a agosto de 2008, colhe de outubro/08 a janeiro/09; 2) Durante o ano de 2008, a CTA contrata operações de derivativos, vendendo dólares futuro para casar com o momento em que tomará ACC/PPE/PA/Desc. Cambiais e também fechamento de câmbio pronto, no caso de sobra de performance (este último para casar com as operações de dólar futuro para dez/2009); 3) De janeiro a agosto de 2009 o produtor vende sua produção para a CTA. Neste momento é cobrado o débito referente à venda de insumos, e a CTA paga o saldo referente a comercialização da safra à vista. Neste período também é processado todo o tabaco cru e transformado em processado, que é o produto final. Logo, este é o “período de safra” da CTA, quando a empresa compra a matéria prima produzida pelo produtor rural, paga a mãodeobra sazonal, a energia elétrica contratada, o material de embalagem, etc. É neste período que ocorre o pagamento de 80% de todos os custos e despesas que a empresa tem no ano. Por isto, é neste período que a CTA contrata as operações de financiamento à exportação e recebe antecipadamente os dólares de suas nossas exportações futuras. Os instrumentos de derivativos foram feitos em 2008 para casar, a maioria, com este período; 4) No período do final de fevereiro a junho de 2009, a CTA venda a safra aos clientes do exterior, firmando preço e contratos; 5) O embarque do tabaco processado inicia em maio/2009 e se estende até maio de 2010; e, por fim, 6) O recebimento do tabaco faturado aos importadores ocorre de julho/2009 a maio/2010, quando são liquidados os financiamentos de ACC, PPE e PA, tomados no primeiro semestre de 2009. A recorrente afirmou que a safra de 2009 foi devidamente planejada, semeada, desenvolvida e colhida de março de 2008 a janeiro de 2009 na propriedade agrícola. Nesse período, a empresa já havia financiado 30% da safra, por meio de crédito rural adquirido no mercado e por meio de recursos próprios, o que denota que já assumia compromissos de adquirir a safra para posterior venda. Em 2009, a safra foi adquirida pela recorrente, com recursos advindos da venda dos dólares que receberia das exportações que se concretizariam posteriormente. Por fim, ao receber os pagamentos dos clientes do exterior, liquidava os financiamentos à exportação. Fl. 5060DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.041 41 Como visto, todo o procedimento, desde a intenção em adquirir os insumos até a exportação do produto e liquidação dos financiamentos, não se resume apenas a um exercício social. Desta forma, é preciso ter uma visão macro sobre todo o processo de produção e comercialização do tabaco para analisar se a cobertura cambial tinha como propósito a proteção da atividade operacional. O quadro e a descrição abaixo resumem os reflexos, no ano de 2009, das operações financeiras efetuadas pela recorrente (efl. 4.977): Dito isto, vejase agora a representação gráfica das operações da CTA considerando essas informações e aplicandoas ao anocalendário 2009, objeto do Auto de Infração (Figura 4): Figura 4. – Operações de hedge praticadas pela CTA no anocalendário 2009. Ou seja, durante o ano de 2008 (t0), já sabendo da necessidade da antecipação dos recebíveis de exportação (altamente provável): (i) em t1(mar/jun08) a CTA levanta recursos no mercado interno (crédito rural e capital de giro próprio) para financiar a financiar a safra local de tabaco (venda de insumos); (ii) em t2(2009) a CTA celebra contratos (ACC, PPE e ACE, por exemplo) com investidores no exterior, para antecipação dos recebíveis dos produtos que serão exportados; Fl. 5061DF CARF MF 42 (iii) em t3(jan/ago09), em contrapartida aos financiamentos realizados (venda de insumos), a CTA recebe o produto da lavoura (tabaco) e paga, à vista, aos seus fornecedores, utilizandose dos recursos obtidos com a antecipação dos recebíveis de exportação; (iv) em t4(fev/jun09) o tabaco recebido pela CTA é exportado para seus clientes no exterior, oportunidade em que a companhia recebe numerário em moeda estrangeira; e, finalmente, (v) em t5(jul09/maio10) os recursos em moeda estrangeira auferidos pela CTA diretamente no exterior são empregados para liquidação das obrigações assumidas em t2, sendo eventuais oscilações da moeda estrangeira que podem afetar o fluxo de caixa das obrigações passivas assumidas (t2) e dos recebimentos (t4) cobertas pelos derivativos contratados em t04. De acordo com resposta apresentada pela própria recorrente, no caso em questão os derivativos tinham por objeto hedge de moeda estrangeira. Os derivativos aplicados pela impugnante foram na grande maioria na modalidade "Swaps" e NDF ou Nondeliverable Forward, ou seja, de termo de moeda sem a entrega física. Nesses contratos é fechado um acordo, mas o que é pago é o diferencial, sendo que a moeda estrangeira não é entregue. O hedge servia como cobertura cambial até a liquidação do (obtenção) do financiamento (obtido) para exportação dos produtos fabricados pela recorrente, por meio de Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC), PréPagamentos de Exportação (PPE), Adiantamentos de Contratos de Exportação (ACE) e Desconto de Cambiais ao Exterior, que são linhas específicas de financiamento de exportação. A recorrente, nesses casos, "vende" antecipadamente os dólares que receberá futuramente de seus clientes, quando estes pagam os valores dos produtos exportados. Como ela se financia "vendendo" os dólares, é nesse momento que há necessidade de estabelecer uma taxa média para conversão dos custos em reais para dólares, em razão de todo o seu custo ser formado em reais. A DRJ, por sua vez, se apegou, para caracterizar a cobertura cambial como especulativa e manter o lançamento fiscal, ao fato de que a recorrente contratava a cobertura dos derivativos antes de produzir e exportar seus produtos. Segundo a delegacia de piso, esta conduta dissociava do propósito da cobertura de hedge conforme regra estabelecida pelo § 1º do art. 77 da Lei nº 8.981/1995: § 1º Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Não obstante posicionamento da DRJ, ousome dela discordar. 4 Uma descrição mais detalhada das atividades da CTA no financiamento e exportação da cultura local de tabaco pode ser encontrada no doc. 01 anexo, do qual foram extraídas as datas indicadas acima Fl. 5062DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.042 43 O hedge faz parte de uma estratégia negocial presente em empresas que contratam com o público residente no exterior e pode/deve ser firmado quando se há grande probabilidade da citada variação cambial. Esta é a lição que se extrai de trecho do acórdão 1101001.013, de 03/12/2014, de relatoria da Cons. Edeli Pereira Bessa, que faz remição a magistério de Elidie Palma Bifano: (...) Isto porque operações realizadas com finalidade de hedge não têm caráter especulativo, mas sim prestamse a reduzir os riscos da atividade negocial. E todos aqueles que operam com exportações correm o risco da flutuação do câmbio, podendo beneficiarse com variações cambiais ativas, ou ser prejudicado sensivelmente por variações cambiais passivas. Assim, a contratação da posição oposta assegura a neutralidade dos efeitos do câmbio no resultado, impedindo, inclusive, que a matéria seja analisada apenas sob a ótica dos ganhos líquidos obtidos nestes investimentos. Em suporte a estas afirmações reproduzse as lições de Elidie Palma Bifano, in O Mercado Financeiro e o Imposto sobre a Renda (São Paulo: Quartier Latin, 2ª edição atualizada e ampliada, 2011, p. 331333): 2. O HEDGE588 E SEUS INSTRUMENTOS 2.1. Generalidades A atividade negocial se sujeita a riscos variados e o administrador de empresa, por força da tarefa que lhe foi delegada por lei e pelos sócios, deve estar atento e precaverse. O mercado desenvolveu diversos instrumentos, cujo objetivo é dar proteção à empresa, evitando ou minimizando a concretização de riscos. Os riscos a que a empresa se expõe dependem do mercado onde opera, mas, também, de seu relacionamento com o mundo, hoje dito global. Os principais riscos, facilmente identificáveis em qualquer empresa, em qualquer país, são: (i) de crédito, (ü) de taxas de câmbio; (m) de preços. Considerando esses riscos, o administrador adota medidas com o fito de reduzilos ou eliminálos, tomando posição inversa àquela que assumiu na sociedade: vai ao mercado e adquire contratos, em posição inversa àqueles contratos da sociedade que julga representativos de risco. Com isso conseguirá neutralizar ou, no mínimo, reduzir os riscos da volatilidade dos elementos que informam os negócios que desenvolve. Ao adquirir contratos com o objetivo de protegerse, o administrador da sociedade munese de instrumentos, no linguajar do mercado, com a finalidade de hedge (proteção)589. O contrato com finalidade de proteção inserese nos mercados futuros, pois objetiva reduzir ou eliminar riscos que possam vir a concretizarse e esse é, certamente, o mais importante referencial desse tipo de negócio: o risco é, sempre, futuro. As operações, desenvolvidas pelos interessados em obter proteção para direitos ou obrigações, no mercado, são denominadas derivativos, pois derivam de um direito ou obrigação, não necessariamente registrado como ativo ou Fl. 5063DF CARF MF 44 passivo financeiro (de risco) mantidos pelo investidor590 e enquadrados como instrumentos financeiros. Os instrumentos financeiros caracterizados como derivativos não implicam saída de recursos, no momento em que as partes negociam, pois não há investimento inicial de caixa: "apostase" em determinado índice, valor mobiliário, preço, evento, inclusive da natureza591, e similares, que garantam a proteção pretendida. Os envolvidos no negócio sempre estão em posições opostas, pois se um ganha o outro perde. Somente por ocasião da liquidação da obrigação, por aquele que a assumiu contratualmente, é que existe movimentação de recursos que sempre ocorre por diferença entre o que se "apostou" e o que se deve pagar. A CVM592 definiu, pela primeira vez, os instrumentos financeiros como ativos ou passivos financeiros representados por disponibilidades, contratos do mercado financeiro, participações societárias, dentre outros, que correspondem a um ativo ou passivo financeiro em outra sociedade593. As operações financeiras mais comuns, desenvolvidas com a finalidade de hedge, em bolsa são a futuro, swap e opções. Além das operações de bolsa, podem ser contratados instrumentos financeiros, derivativos, sempre com a finalidade de hedge, com instituições financeiras para tanto autorizadas, em mercado dito de balcão, com registro em entidades específicas que não a bolsa ou, até, entre particulares. Dentre esses contratos envolvendo instrumentos financeiros fora de bolsa, com a finalidade de proteção, sobreleva o contrato de swap, já referido, resolvido pelo pagamento da diferença ao final de um certo período. Essa troca permite minimizar riscos relacionados a certos mercados sujeitos à volatilidade. O CPC adotou essa mesma definição como se observa de seus pronunciamentos 38 e 39 que tratam, respectivamente, do reconhecimento/mensuração e da apresentação dos instrumentos financeiros. Não entendo que necessariamente deve haver um contrato fixo que demonstre que a empresa se sujeitará a um processo de variação cambial para que o hedge seja contratado. Ao contrário, entendo que há possibilidade de a empresa se cercar dos riscos da variação cambial, mesmo que ainda não se saiba sobre qual montante estará vulnerável. Este também é o entendimento esposado por Edmar Oliveira Andrade Filho, com o qual coaduno: "A lei não exige que os negócios com a finalidade de hedge sejam elevados à categoria de atividade econômica que deva ser inscrita ou mencionada nos objetos sociais das sociedades empresárias: a lei exige apenas que exista algo a ser protegido e que este algo (contratos) decorra do giro normal dos negócios. As operações de hedge observadas as normas editadas pelas autoridades monetárias não podem ser referidas unicamente aos ativos e passivos já contabilizados: afinal, por vezes, a proteção pode ser requerida para operações futuras contratadas (e ainda não finalizadas ou realizadas efetivamente) com base em preços flutuantes e sujeitos às oscilações de mercado" (negritei) Fl. 5064DF CARF MF Processo nº 13005.721910/201435 Acórdão n.º 1401002.352 S1C4T1 Fl. 5.043 45 Bem. Concordo com o posicionamento do I. jurista e afirmo minha concordância e meu entendimento porque, conforme visto acima, a empresa é eminentemente exportadora, e por isso grande é a probabilidade de venda (ao exterior) de seus produtos. Para comprovar tal fato, podese recorrer também ao histórico da empresa, que evidencia a proporção das vendas ao exterior em relação às vendas no mercado interno. No ano em que se debate o fato gerador apurado pelo fisco, por exemplo, as exportações corresponderam a 87,95%5 (oitenta e sete vírgula noventa e cinco por cento) do total de receita apurada pela recorrente, o que denota que a empresa era eminentemente exportadora. Querer obstaculizar uma forma organizacional de minimizar os riscos de uma empresa, é caminhar na contramão da globalização, do incentivo ao aprimoramento das exportações, da balança comercial favorável, é mitigar o dever do administrador da empresa de zelar pelo melhor resultado que não se resume apenas em lucro, mas principalmente em crescimento sustentável. Extraindo o excesso de cobertura cambial que a recorrente contratou, há que se verificar que os valores de cobertura e da exportação não são tão diferentes a ponto de se concluir pelo caráter meramente especulativo da contratação do hedge. É claro que há casos em que se utiliza deste expediente para "caçoar" o mercado financeiro, agindo no mínimo com imprudência, tudo isso com objetivo meramente lucrativo. Mas não percebo que esse é o caso da recorrente. E esta minha convicção tornase mais contundente quando percebo que nos anos de 2007 e 2008 a empresa apurou ganho referente à cobertura cambial. E me arrisco a perguntar: Por que não houve questionamento acerca da natureza do hedge (se era especulativa)? Com a devida venia, ousome a responder: Não se fez porque houve tributação do ganho decorrente da cobertura cambial. O que percebo é que quando se trata de perda, o interesse do fisco tornase suavizado em razão da dedução da perda de cobertura cambial na base de cálculo do IRPJ. Não obstante tal juízo, entendo que a Fazenda, permissa venia, não está avaliando o inconfundível: que uma perda de cobertura cambial é geralmente ocasionada por um ganho na receita de exportação, e por isso, resulta em um aumento de tributação. Este ganho e esta perda é que definem o hedge: que é um instrumento pelo qual se busca a neutralidade cambial decorrente de operação financeira firmada com o exterior. Também não entendo que a intenção em reduzir custos de produção (ou mantêlos em patamares condizentes com a realidade de determinado momento) pode definir a cobertura como especulativa. Ora, é dever de todo administrador buscar maximizar seus ganhos operacionais ou reduzir suas perdas, sendo que dentre as decisões a serem tomadas revelase 5 Fonte: DIPJ 2010, anocalendário 2009. Ficha: 06A ND: 0001464906 Fl. 5065DF CARF MF 46 necessária a manutenção ou a redução dos custos operacionais, para o desenvolvimento da atividade das empresas. Como se diz popularmente: "Isso faz parte do negócio". O que deveria ser avaliado é se a cobertura cambial em nada se encaixava ou não tinha sequer uma vinculação com o exercício da atividade operacional da empresa. Entretanto, como já amplamente demonstrado neste voto, há estreita relação entre as coberturas contratadas e as exportações efetuadas. Esta relação pode ser confirmada na análise dos Anexos I e II juntados à impugnação da ora recorrente. É de se reparar que os valores acobertados correspondem ao valor das exportações. A exceção se refere ao valor de US$ 150.705.050,77, que decorre de contrato para entrega de produtos a longo prazo (5 anos). Mesmo assim, é nítido o intento operacional do hedge, pois se trata de pedido que iria se concretizar em longo prazo, o que também não desnatura o propósito do hedge contratado. Desta forma, entendo correto o procedimento adotado pela empresa para dedução integral das perdas com cobertura cambial, efetuada por meio de hedge. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR as arguições de nulidade, NEGAR provimento ao pedido de diligência e, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário e NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 5066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.005301/2007-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984.
INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO.
A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente TENGE INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise sobre a eventual ocorrência de problemas informáticos no sistema da Receita Federal não foi trazida à baila em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 53 01 /2 00 7- 10 Fl. 51DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (erroneamente designado "manifestação de inconformidade") interposto em 25/11/2014 contra o Acórdão n° 1626.267, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/ SP I (efls. 32 à 34), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada nos seguintes termos: A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela conheço. Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. Em sua impugnação, a contribuinte não nega que entregou a declaração com atraso. Apenas pretende ver afastada a multa pelo atraso na entrega da referida declaração, alegando que não conseguiu enviála no prazo por dificuldade de obter informações acerca do de seu correto preenchimento, bem como a instabilidade no sistema de transmissão da RFB. Cabe destacar, inicialmente, que a multa por atraso na entrega da DCTF está prevista na legislação tributária, cujos dispositivos estão citados no auto de infração de fl. 4, não podendo a autoridade administrativa deixar de observar o seu cumprimento, pois, conforme o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A legislação não deixa margem à dúvida. Se a DCTF foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, a contribuinte esté sujeita à multa. Não há previsão legal para a dispensa da penalidade imposta, tendo em vist a dificuldade no envio da citada declaração por meio da internet. Ademais, a RFB não pode ser responsabilizada por problemas de hardware/software existentes no equipamento do contribuinte. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13811.005301/200710 Acórdão n.º 1002000.113 S1C0T2 Fl. 3 3 Ressaltese, ainda, que, segundo o CTN, art. 136, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, estando caracterizada a situação Mica que originou o lançamento nenhum reparo há de se lhe fazer. Diante do exposto, voto no sentido de considerar a impugnação IMPROCEDENTE e por conseqüência manter na integra o crédito tributário exigido. Percebese, pois, que os argumentos apresentados na Impugnação circundaram a discordância da Contribuinte em pagar a multa pelo descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF), em virtude de problemas informáticos, verbis: I.a 0 contribuinte apresentou corretamente, mas fora do prazo regulamentar, a DCTF referente ao 2° semestre de 2005, via Internet, em 10/04/2006; I.b — A DCTF — Declaração de débitos e créditos Tributários Federais, foi corretamente • preenchida com antecedência de pelo menos 1(um) mês, isto é 07/03/2006; I.c — Ocorre que nas tentativas de transmissão via internet, durante pelo menos 3(três)semanas antes do prazo de entrega, o sistema da Receita Federal não concluía a operação com a seguinte mensagem "hasch do arquivo inválido" "txt. erro"; I.d — Na negativa da Receita Federal em concluir o recebimento da DCTF, contatamos o Setor de Suporte Técnico da Receita Federal, que demorou todo esse período 3(três) semanas para nos assessorar na solução do problema técnico apresentado. I.e — 0 contribuinte recebeu em duplicidade as Notificações acima referenciadas. Noutro giro, em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte aponta unicamente a ocorrência de prescrição intercorrente, fundada no art. 14, da Lei n.º 11.457/07: O contribuinte TENGE, protocolou em 10/12/2007 a impugnação referente aos AUTOS DE INFRAÇÃO – RASTREAMENTOS Nros: 720096333 e 729062972, de 17/10/2007 e 10/11/2007. Ocorre que somente na data de 24/11/2014 recebeu mensagem em sua caixa postal digital referente ao processo 13811.005301/200710. Portanto a Receita Federal do Brasil demorou 7 (sete) anos para se posicionar quanto a sustentação da impugnação. Neste ato a TENGE vem REQUERER à V.Sas. a EXTINÇÃO/CANCELAMENTO da presente cobrança, fundamentada na Lei nro. 11457, de 16 de Março de 2007, artigo 24 que estabelece “É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (Trezentos e Fl. 53DF CARF MF 4 sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo; contudo, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não o conheço. Da preclusão consumativa Percebese de imediato que os argumentos abordados em sede de Recurso Voluntário não foram objeto de análise na DRJ de origem. Tampouco constaram nas razões de Impugnação em primeira instância. Notase, pois, que o Recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a Recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer; mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e constante no Recurso Voluntário, qual seja, a existência de preclusão intercorrente. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário, deixando de apreciar a referida matéria, inclusive, para evitar supressão de instância. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13811.005301/200710 Acórdão n.º 1002000.113 S1C0T2 Fl. 4 5 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), 3301002.475 (3.ª Seção/3.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária) e 3402004.013 (4.ª Câmara/2.ª Turma Ordinária). Da aplicação da Súmula 11 do CARF Contudo, ainda que fosse superado tal óbice preclusivo, observo que não há que se acolher a ocorrência de prescrição intercorrente. Nesse espeque, procedo com a análise por se tratar de matéria já pacificada e sumulada no âmbito do CARF, razão pela qual não há prejuízo em sua apreciação. O processo administrativo fiscal é regido pelo Decreto nº 70.235/72. Assim, como não há na legislação de regência a previsão da prescrição intercorrente, é impossível a sua aplicação no âmbito do processo administrativo fiscal. E nem poderia haver, pois o instituto da prescrição somente extingue o direito de ação, ainda não materializado em favor do Fisco, pois o crédito tributário objeto desse processo administrativo ainda não está definitivamente constituído, por efeito do art. 151, III, do CTN, verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;” Ademais, a Súmula nº 11 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afasta a aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Esclareçase que a prescrição intercorrente apenas passou a ser expressamente prevista – para a execução fiscal – a partir da edição da Lei nº 11.051/2004, que incluiu o §4º ao art. 40 da Lei nº 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais – LEF). Contudo, a LEF é considerada legislação especial, vez que disciplina a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fl. 55DF CARF MF 6 União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Portanto, suas regras não podem ser aplicadas no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, a fluência do prazo prescricional somente se inicia com o trânsito em julgado da decisão administrativa, ocasião que torna definitiva a constituição do crédito tributário, não havendo motivos para se levantar a hipótese de ocorrência da prescrição, tampouco da prescrição intercorrente, quando sequer há crédito constituído. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721450/2016-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Assinado digitalmente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 21 45 0/ 20 16 -7 0 Fl. 777DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3201001.290 S3C2T1 Fl. 3 2 Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sujeitas ao regime não cumulativo, referentes às competências de janeiro e fevereiro de 2011. Os lançamentos decorreram da falta de recolhimento das contribuições devidas sobre o faturamento mensal pelos fatos de: i) o interessado ter deixado de incluir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de subvenções concedidas por Estados da União, correspondentes à redução ou à concessão de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); ii) o autuante ter reduzido a zero os saldos dos créditos das contribuições apurados pelo interessado, para as competências de abril e junho de 2010, remanescentes ao final de dezembro de 2010; e, iii) de o autuante ter glosado parte dos créditos aproveitados (descontados) pelo interessado no período objeto dos lançamentos em discussão, conforme Relatório Fiscal às fls. 199/236. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos (fls. 245/302), alegando, em síntese: I) em preliminar: I.1) a decadência quinquenal do direito de a Fazenda Nacional exigir ou glosar os créditos objetos dos lançamentos em discussão, nos termos do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que: primeiro, houve compensação/desconto do crédito, em face dos débitos apurados; e, segundo, foi enviado o Dacon no qual está demonstrada a compensação/desconto dos créditos com os débitos das respectivas contribuições, ora exigidas; e, finalmente, os débitos resultantes foram informados em DCTF; defendeu também a extinção dos respectivos créditos tributários, mediante a compensação/desconto, nos termos do inciso II do art. 156 do CTN, e a aplicação do art. 150, § 4º; por outro lado, segundo dispõe a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, §§ 1º, 2º e 5º, a compensação efetuada por ele, com créditos das contribuições, extinguiu os créditos tributários declarados nos Dacons e nas DCTFs, devendo ser aplicado o § 4º do art. 150; I.2) a indevida desconsideração do saldo credor do período anterior não objeto de fiscalização do período: segundo o interessado, os valores constituídos por meio dos autos de infração referemse a dois fatores: 1) a glosa de créditos apropriados, referentes ao 1º trimestre de 2011; e, 2) à desconsideração do saldo credor do período anterior; quanto ao fator 2, o saldo desconsiderado se refere à composição de saldo credor do 4º trimestre de 2010 e de períodos anteriores que sucessivamente impactaram os saldos transferidos que, como citado pelo Autuante, foram objeto de outro processo; contudo tais saldos não podem ser desconsiderados para fins de apuração dos lançamentos em discussão, visto que os autos de infração dos períodos anteriores foram impugnados e os processos encontramse em fase de julgamento o que suspende suas exigências, conforme art. 151, inciso III, do CTN; e, II) no mérito: II.1) as subvenções recebidas dos Estados não integram o faturamento, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, e, consequentemente, a base de cálculo do PIS e da Cofins, determinada na Constituição Federal (CF) de 1988; discorreu sobre a contabilização dos seus valores; a constituição do crédito tributário; o princípio da legalidade; as exclusões de receitas da base de cálculo das contribuições; o princípio da segurança jurídica; concluindo que doações para investimento, como no presente caso, não constituem receitas e, Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3201001.290 S3C2T1 Fl. 4 3 portanto, não integram a base de cálculo das contribuições, sendo que a Fiscalização não observou os princípios citados para considerálas receitas e, consequentemente, tributálas; alegou ainda que ao lançar os valores das subvenções, na conta Reserva de Capital Reserva de Subvenção para Investimento, tais valores transitaram pelas contas de receitas (faturamento) e compuseram a base de cálculo do PIS e da Confins, implicando tributação indireta; sustentou que a concessão de benefícios, por parte dos Estados, exige em contrapartida a fomentação da economia local, a não redução da arrecadação e aplicação dos benefícios em aumento dos recursos locais, conforme se evidencia do posicionamento da Diretoria Econômica e Financeira do Estado de Pernambuco, publicado em seu "site", do qual transcreveu parte às fls. 282/284; sustentou também que as subvenções concedidas pelos demais Estados têm o mesmo propósito, ou seja, fomentar o desenvolvimento regional, mediante a implantação de unidades industriais; II.2) redução a zero dos saldos anteriores: não procede a redução a zero dos saldos credores de períodos anteriores aos lançamentos em discussão, tendo em vista que tais saldos estão sendo discutidos em outro processo administrativo (13971.724090/201587); os valores referentes àquele período somente podem ser cobrados depois da decisão definitiva, na esfera administrativa, naquele processo, o que ainda não ocorreu; II.3) glosas de créditos: II.3.1) fretes sobre devoluções: tais fretes, segundo seu entendimento, constituem custos de aquisição e de produção suportados pelo vendedor e, portanto, geram créditos passíveis de aproveitamento, nos termos do artigo 3º, II das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003; alegou ainda que não há disposição legal expressa vedando seu aproveitamento; II.3.2) fretes sobre transferências parte 1, referentes ao transporte de produtos acabados, de insumos ou de produtos em elaboração: defendeu o aproveitamento de créditos calculados sobre estas rubricas sob o fundamento de que constituem custos de produção e/ ou de comercialização; II.3.3) fretes relativos à transferência parte 2: defendeu o aproveitamento de créditos sobre as despesas de fretes em outras operações entre seus estabelecimentos, envolvendo (i) aquisição de insumo para produção, (ii) aquisição de insumo para a agroindústria (crédito presumido) e (iii) vendas sob o fundamento de que se enquadram no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003; II.3.4) fretes (outros): (i) nas vendas com transportador pessoa física, (ii) sem identificação da nota fiscal e (iii) operações sem direito a crédito: nestas rubrica reconheceu a glosa efetuada pela Fiscalização. Para fundamentar a impugnação apresentou extenso arrazoado sobre: "I DA AUTUAÇÃO; II PRELIMINAR: a) Da decadência; b) Da desconsideração do saldo credor do período anterior Não objeto de fiscalização do período; III DO DIREITO: a) DA MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES; a.1) Subvenção Para Investimento: Dos Valores Lançados Em Reserva De Capital; NO MÉRITO DESTE ITEM; d) as doações e subvenções para investimento; b) DA REDUÇÃO A ZERO DOS SALDOS ANTERIORES DE CRÉDITO; c) DAS GLOSAS FISCAIS APLICADAS NOS CRÉDITOS APURADOS NO PERÍODO: c.1) Glosa relativa aos Fretes; c.1.1) Glosa relativa aos Fretes de Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3201001.290 S3C2T1 Fl. 5 4 Devolução; c.1.2) Glosa relativa Fretes de Transferência Parte 1; c.1.3) Glosa relativa Fretes de Transferência Parte 2; c.1.4) Glosa Relativa a fretes nas vendas, com transportador pessoa física; c.1.5) Fretes sem Identificação da Nota Fiscal; c.1.6) Fretes em operação sem Direito a Crédito; IV PEDIDO", concluindo, ao final, que os lançamentos são improcedentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO, DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. A contagem do prazo quinquenal da decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, quando não há antecipação de pagamentos, é feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. A base de cálculo da contribuição sujeita ao regime não cumulativo é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluídas as receitas expressamente previstas em lei. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE SUBVENÇÕES. EXCLUSÃO. Somente as receitas de subvenções comprovadamente aplicadas em investimentos imobilizados podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins com incidência não cumulativa. SALDOS CREDORES. PERÍODOS ANTERIORES. DESCONSIDERAÇÃO. Correta a desconsideração dos saldos credores de períodos anteriores, na apuração da diferença da contribuição lançada e exigida, pelo fato de tais saldos terem sido objetos de processos próprios nos quais foram analisadas a certeza e liquidez dos valores aproveitados (descontados). DESPESAS. FRETES DEVOLUÇÕES, TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS. GLOSAS DE CRÉDITOS. Correta a glosa dos créditos sobre despesas com fretes de devoluções, transferências de produtos em elaboração, acabados, insumos entre os estabelecimentos do interessado por não se enquadrarem no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse na íntegra as mesmas ementas e conclusões de mérito do PIS à Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3201001.290 S3C2T1 Fl. 6 5 Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Trata o presente processo de auto de infração para exigência de PIS e COFINS a partir da recomposição da base de cálculo. Dentre as motivações elencadas pela Fiscalização, foi reduzido a zero os saldos dos créditos das contribuições apurados pelo interessado, para as competências de abril e junho de 2010, remanescentes ao final de dezembro de 2010. Este procedimento da Fiscalização ocorreu com base no procedimento Fiscal constante do Processo Administrativo 13971.724090/201587, que foi objeto de impugnação e recurso voluntário e aguarda decisão neste Conselho. Consultando os sistemas informatizados do CARF é possível identificar que o Processo Administrativo 13971.724090/201587 está sob relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro na Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Ao apreciar o referido processo, a Segunda Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse distribuído ao Relator o Processo Administrativo 13971.720616/201550 em razão da conexão processual, estando o processo sobrestado até que sejam adotadas as providências determinadas, conforme observado na conclusão da resolução. 9. Diante do quadro aqui delineado resolvo que a presente decisão seja submetida à apreciação do d. Presidente da 3ª. Seção de julgamento deste Tribunal Administrativo para que, homologando o que fora aqui decidido, determine a distribuição por dependência do processo administrativo n. 13971.720616/201550 para a minha pessoa. Até que referida providência seja tomada, determino o sobrestamento do feito em epígrafe, bem como do processo já afetado por conexão (10314.723792/201418) No caso em tela a necessidade do julgamento do presente processo em conjunto com o Processo 13971.724090/201587 foi ressaltado no Acórdão da primeira instância, conforme o trecho do voto vencido, transcrito abaixo. III desconsideração de saldos credores de períodos anteriores. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3201001.290 S3C2T1 Fl. 7 6 Conforme demonstrado nos autos, mais especificamente no Relatório Fiscal (fls. 199/236), itens 69 a 71, na apuração das contribuições devidas e exigidas nos lançamentos em discussão, a Fiscalização não levou em conta os saldos credores apurados pelo interessado para períodos anteriores (04, 06 e 07 a 12/2010), por terem sido objeto de Per/Dcomps, listados às fls. 217, e pelo fato de a certeza e liquidez dos créditos descontados terem sido objeto do processo administrativo nº 13971.724090/201587. Os créditos pleiteados no referido processo (13971.724090/201587) não foram reconhecidos pela Fiscalização que glosou os valores descontados (aproveitados) pelo interessado e exigiu por meio de lançamentos de ofício. A impugnação apresentada contra os lançamentos, objetos daquele processo, foi analisada e julgada improcedente por esta DRJ, nos termos do acórdão nº 14 61.647, datado de 28 de junho de 2016. Assim, demonstrado e provado que a certeza e liquidez dos saldos credores apurados para os períodos anteriores foram objeto de processo próprio, inclusive, com decisão desfavorável ao interessado, correta a desconsideração destes saldos, ou seja, a redução a zero dos valores, na apuração das contribuições ora exigida. (grifo nosso) Consultando os autos é possível identificar a conexão do presente processo ao processo 13971.724090/201587. A teor do relatado também é possível em consulta ao sistema eprocesso confirmar que o processo está sob a relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. De acordo com o relatado e as consultas ao sistema eprocesso, resta configurada a conexão dos processos já listados. O art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, traz as determinações a serem adotados quando do julgamento de processos vinculados. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3201001.290 S3C2T1 Fl. 8 7 despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Nos termos do art. 6º, § 2º os processos conexos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo. Assim, considerando que o sorteio do processo conexo foi sorteado e recebido em momento anterior ao presente processo. Entendo, que o presente processo deverá ser redistribuído ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, nos termos do art. 6º, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Winderley Morais Pereira Fl. 783DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001880/00-29
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-00.916
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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