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Numero do processo: 10746.904193/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 93 /2 01 2- 51 Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10746.904193/201251 Acórdão n.º 3301004.339 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.842, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.567. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o indeferimento total do Pedido de Restituição. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10746.904193/201251 Acórdão n.º 3301004.339 S3C3T1 Fl. 4 3 Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente"(sic). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.331, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904181/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.331): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10746.904193/201251 Acórdão n.º 3301004.339 S3C3T1 Fl. 5 4 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10746.904193/201251 Acórdão n.º 3301004.339 S3C3T1 Fl. 6 5 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o desacerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o indeferimento total do PER apresentado, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1056DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.006427/2010-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO
Conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada intempestivamente, não há o que ser analisado em sede recursal, vide ausência de lide.
Numero da decisão: 2002-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO Conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada intempestivamente, não há o que ser analisado em sede recursal, vide ausência de lide.
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TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO Recorrente MIGUEL SALABERRY FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO Conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada intempestivamente, não há o que ser analisado em sede recursal, vide ausência de lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 64 27 /2 01 0- 62 Fl. 144DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 78 a 82), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se constatou a dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.077,16, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 01 a 27 dos autos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 24/07/2013, no acórdão 0353.267, às efls. 105 a 10, julgou a impugnação intempestiva. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 127 a 134, no qual alega, em resumo, que: § solicita prioridade na tramitação, fundamentado no Estatuto do Idoso; § que a decisão da DRJ que julgou a impugnação intempestiva não deve prosperar, pois o contribuinte foi intimado em endereço diverso do qual residia. § o lançamento é efeito confiscatório do lançamento; da constituição do crédito tributário; da dedutibilidade das despesas glosadas; das despesas incorridas com a família; das obrigações com os alimentandos; dos comprovantes originais das despesas médicas apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 11/11/2013, efls. 119, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 25/11/2013, efls. 127, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A autuação fiscal baseouse na glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação, declarada intempestiva pela DRJ, pois apresentada fora do prazo previsto no artigo 15 do Decreto nº 70.235/72 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10166.006427/201062 Acórdão n.º 2002000.140 S2C0T2 Fl. 142 3 Art. 15. A impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada no órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Conforme decisão da DRJ: O contribuinte, em sua impugnação, alega que a impugnação é tempestiva porque a Notificação de Lançamento foi enviada para o seu endereço antigo (SQD SQSW 504, bloco H, apartamento 311, Sudoeste, Brasília, DF), mesmo tendo ele feito a retificação de seu domicílio fiscal na Secretaria da Receita Federal em 01/02/2010. Ocorre que a ciência da Notificação de Lançamento, segundo o AR de fls. 42, ocorreu em 31/03/2008, praticamente dois anos antes da data que o próprio contribuinte admite ter feito a alteração. Em consulta aos sistemas, observaseque nas Declarações de Ajuste Anualdos Exercícios 2007 (entregue em 13/04/2007), 2008 (entregue em 29/04/2008) e 2009 (entregue em 27/03/2009), o endereço consignado pelo contribuinte foi o mesmo, SQSW 504, bloco H, apartamento 311, Sudoeste, Brasília, DF. Somente a partir da DIRPF/2010, entregue em 26/04/2010, o interessado atualizou seu endereço para SQN 215, bloco G, apartamento 106, Asa Norte, Brasília, DF. Assim, não resta dúvidas de que o contribuinte foi cientificado em seu domicílio tributário eleito à época do Lançamento e que só veio a trocar o seu endereço dois anos mais tarde. Tanto é assim que no processo de nº 10166.000959/201096, relativo à Notificação de Lançamento do Exercício 2009 e cuja correspondência foi enviada para o endereço sito ao Sudoeste, o contribuinte não só tomou ciência, em 31/12/2009, como se defendeu tempestivamente, dentro do prazo, em 01/02/2010. (...) O AR de fls. 42, faz prova de que o documento foi entregue, em 31/03/2008, na SQSW 504, bloco H, apartamento 311, Sudoeste, Brasília, DF, domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Dessa forma, o contribuinte apresentou sua impugnação após o prazo previsto de 30 (trinta) dias, em 29/07/2010, observandose na contagem o disposto no art. 9º (caput) e Parágrafo único do mesmo Decreto nº 7.574/2011. Fl. 146DF CARF MF 4 É dever do próprio contribuinte informar seu domicílio fiscal à Administração, isto pois a escolha deste é uma prerrogativa do contribuinte, como se vê no artigo 127 do Código Tributário Nacional (CTN Lei 5.172/66): Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Ainda, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Ainda, não há o que se analisar nesta instância, já que, conforma artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa no processo administrativo: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Logo, como não há qualquer comprovação do recorrente de que informou ao Fisco sua alteração de endereço, não há que se falar em qualquer vício na intimação Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10166.006427/201062 Acórdão n.º 2002000.140 S2C0T2 Fl. 143 5 Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.900830/2006-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito informado na respectiva declaração é inexistente.
DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA.
Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo.
Numero da decisão: 1001-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito informado na respectiva declaração é inexistente. DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA. Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 08 30 /2 00 6- 95 Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10183.900830/200695 Acórdão n.º 1001000.565 S1C0T1 Fl. 865 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 824/853) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 0418.970, de 06/11/2009, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (efls. 805/813), objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão de fl. 01, que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração n° 31431.11004.140803.1.3.042630, sob o fundamento de inexistência do crédito indicado, no valor de R$476,26. Alegou a requerente haver compensado débitos de IRPJ com saldo negativo do mesmo tributo, tendo cometido erro formal quanto ao preenchimento da declaração, na qual equivocadamente foi indicado como origem do crédito pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria saldo negativo de IRPJ. O crédito entretanto, malgrado o erro contido na declaração de compensação Dcomp, existiria e teria sido, segundo afirma a requerente, corrigido e submetido à autoridade administrativa. Disse ainda que, em vão, tentou retificar a Dcomp, já que a autoridade nem sequer a examinou. Insistiu em afirmar que o crédito pleiteado existe, que houve erro formal, que agiu de boafé e que o direito de retificar a declaração é autorizado pela Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Concluiu sustentando que a decisão impugnada fere o princípio da razoabilidade. Citou precedentes do Conselho de Contribuintes. Ao final, pugnou sucessivamente pela homologação da compensação ou pelo acolhimento da declaração retificadora e, caso, não aceitos os pedidos anteriores, que lhe seja assegurado prazo de cinco anos, contados da decisão final, para utilização do crédito. Requereu fazer sustentação oral. Em nova petição, a requerente reiterou a alegação de erro de preenchimento; aduziu, como fundamento, os princípios da verdade material e da isonomia; e invocou o art. 100, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN, que eleva à condição de norma complementar as práticas reiteradamente observadas pela autoridade administrativa. Citou precedentes do Conselho de Contribuintes e da própria DRF Cuiabá. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10183.900830/200695 Acórdão n.º 1001000.565 S1C0T1 Fl. 866 3 Anocalendário: 2003 SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação que disciplina o processo administrativo tributário e o regimento interno da Receita Federal do Brasil não prevêem a possibilidade de sustentação oral nos julgamentos de primeira instância. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EXAME ORIGINÁRIO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. A correção do erro mediante apresentação de declaração retificadora não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA. Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão de primeira instância em 31/08/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 822, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 21/09/2010, conforme carimbo aposto à efl. 824. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, ou seja, que houve um erro formal; que apurou o lucro com base lucro real e, tendo verificado que recolheu à maior o imposto por estimativa, alega o direito à restituição ou compensação; os princípios da verdade material e da isonomia; que Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10183.900830/200695 Acórdão n.º 1001000.565 S1C0T1 Fl. 867 4 tentou retificar a Dcomp, mas a autoridade sequer a examinou; transcreve julgados do Carf favoráveis ao seu pleito, e que lhe seja assegurado prazo de cinco anos, contados da decisão final, para utilização do crédito. Requereu ainda a sustentação oral. No recurso, apresenta planilhas com os resultados apurados e discorre sobre a apuração dos resultados em anos anteriores, bem como transcreve a legislação que rege o tema. Por fim, a recorrente alegou que "O mero preenchimento de PER/DCOMP de maneira equivocada não pode penalizar a Recorrente de maneira a inviabilizar um direito seu, garantido pela legislação pátria". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever excertos a seguir voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (grifos constam do original) (...) A compensação formalizada na declaração n° 31431.11004.140803.1.3.04 2630 não foi homologada, porquanto indicava como crédito um valor que não ostentava aquela qualidade. O pretenso crédito, segundo consta da própria Dcomp (fl. 39), foi identificado pelo código de arrecadação 5993, referente a pagamento de IRPJ por estimativa mensal, que em nada se confunde com o saldo negativo do IRPJ, que só é apurado ao final do período base. Portanto, o direito creditório, se existente, nasceria apenas quando do encerramento do ano e sua expressão econômica seria a diferença entre o total dos valores antecipados (pagamentos por estimativa e retenções na fonte) e o valor devido, apurado no período compreendido entre os meses de janeiro a dezembro. Assim, ao indicar como crédito pagamentos por estimativa, a requerente consignou na declaração crédito inexistente, o que inviabiliza a compensação. Esse erro, aliás, é admitido pela própria impugnante, que tentou, embora tardiamente, retificar a declaração. Entretanto, ao fazêlo, acabou reconhecendo tacitamente a existência dos motivos que serviram de fundamento à decisão impugnada. O erro presente na Dcomp assume, portanto, a condição de matéria incontroversa. Assim, a questão central do processo não consiste propriamente em comprovar a existência do erro, mas sim na sua natureza e nas consequências que ele acarreta para a Dcomp. Em suma, o problema resumese em saber se, apesar do erro, a compensação pode ser homologada. O exame da Dcomp deixa entrever que o equívoco cometido não se prendeu apenas à forma; ele é também de conteúdo. Não houve apenas preenchimento incorreto. A requerente indicou como crédito um valor que como tal não existia. Quando se examinam os dados inseridos na Dcomp referentes ao tipo de crédito, à data de arrecadação e vencimento, ao valor do principal e por fim ao tributo, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. O dado mais eloqüente, nesse sentido, é a data de transmissão da Dcomp, que se deu antes de findo o período base, ou seja, a iniciativa de compensar precede o nascimento do próprio crédito (o saldo negativo de IRPJ). É fora de dúvida, por todas essas razões, que a intenção era compensar os valores referentes a estimativa, o que a lei não autoriza, salvo se o próprio pagamento por estimativa tivesse sido feito em desacordo com a lei. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10183.900830/200695 Acórdão n.º 1001000.565 S1C0T1 Fl. 868 5 Não pode ser acolhido, por outro lado, o argumento de que existe pela Administração prática reiterada que dê respaldo à pretensão da requerente. O que foi trazido aos autos são decisões dos órgãos de jurisdição administrativas (conforme a dicção do CTN). Estas, entretanto, assumem a condição de norma complementar, segundo o art. 100, inciso II, do mesmo código, apenas se houver lei lhes atribuindo eficácia normativa, o que no caso não existe. Além disso, quase todas as decisões mencionadas se referem à retificação de declaração de ajuste anual, que em vários aspectos diferem da declaração de compensação, o que desaconselha a utilização do mesmo entendimento por simples analogia, sem ponderar as peculiaridades que afastam as duas situações. Quanto à declaração retificadora, que a requerente pretende seja examinada, à DRJ (e da mesma forma, ao CARF INCLUÍDO) falece competência para tanto, dado que a apreciação deve ser feita primeiramente pela unidade local, cabendo a este órgão de julgamento (DRJ) se manifestar em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito já proferida. Nesse sentido, dispõe o art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutoria de sua ulterior homologação. (...) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) § 9° É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, (g.n.) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10183.900830/200695 Acórdão n.º 1001000.565 S1C0T1 Fl. 869 6 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. O parágrafo 9º é claro ao dispor que a impugnação (aqui denominada de manifestação de inconformidade) que se sujeita ao rito processual do Decreto n° 70.235/1972 é apenas aquela que ataca decisão não homologatória de compensação. A decisão passível de ser reexaminada pela DRJ é a que enfrenta o mérito. Se a autoridade a quo, por qualquer motivo, não admitir a declaração ou deixar de examinála, sem adentrar no mérito, a decisão só poderá ser atacada mediante recurso hierárquico, previsto no art. 56 da Lei n° 9.784/1999. Finalmente, no que toca à pretensão de interromper o prazo de decadência, é necessário lembrar que as disposições que cuidam dessa matéria são de ordem pública, sujeitas ao princípio da legalidade estrita, não podendo ser alteradas nem pelo contribuinte, nem pela autoridade administrativa. Conclusão. Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer a manifestação de inconformidade e, no mérito, negarlhe provimento. Quanto ao pedido de sustentação oral de suas razões de defesa, a recorrente deverá seguir o § 2º, do art. 61A, do RICARF Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe da forma e do momento oportuno para tal, verbis: § 2º (...) eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, (...). (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Outrossim, não há previsão regimental para a intimação do recorrente da data e hora da realização da reunião de julgamento. As pautas de julgamento de processos que serão analisados, são publicadas no sitio do CARF e no DOU, para conhecimento da sociedade. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10183.900830/200695 Acórdão n.º 1001000.565 S1C0T1 Fl. 870 7 Fl. 870DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901035/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.410
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 10 35 /2 01 3- 80 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.727, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.901035/201380 Acórdão n.º 3301004.410 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.723933/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2012
DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
OPERAÇÕES DE MÚTUO. SÓCIOS. CONTRATOS. DESCARACTERIZAÇÃO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas tendo como mutuários os sócios da empresa, sendo de se concluir que os valores creditados tratavam-se de rendimentos recebidos a título de remuneração, assim considerados como tributáveis.
PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade.
Numero da decisão: 2401-005.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negar provimento, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2012 DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. OPERAÇÕES DE MÚTUO. SÓCIOS. CONTRATOS. DESCARACTERIZAÇÃO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas tendo como mutuários os sócios da empresa, sendo de se concluir que os valores creditados tratavam-se de rendimentos recebidos a título de remuneração, assim considerados como tributáveis. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negar provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.723933/201366 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.512 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2012 DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. OPERAÇÕES DE MÚTUO. SÓCIOS. CONTRATOS. DESCARACTERIZAÇÃO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas tendo como mutuários os sócios da empresa, sendo de se concluir que os valores creditados tratavamse de rendimentos recebidos a título de remuneração, assim considerados como tributáveis. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, negar provimento, nos termos do relatório e voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 39 33 /2 01 3- 66 Fl. 1928DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Inicialmente, cumpre destacar que os Processos 13971.723932/201311 e 13971.723934/201319 encontramse apensos aos presentes autos conforme termo de apensação de fls. 1.600/1.601. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado, em 02/12/2013, os Auto de Infração (DEBCAD 51.014.1595 no valor de R$ 6.643.692,84, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social relativas às competências 02/2009 a 11/2012. Constam do Relatório Fiscal (fls. 17/35), os seguintes fatos: “[...] 1.4 Constatouse que a empresa remunerou seus diretores através de empréstimos (contratos de mútuo), os quais foram considerados irregulares por esta fiscalização, conforme exposto no presente Relatório da Fiscalização – REFISC, originando o presente Auto de Infração. II – DO TIPO DE CRÉDITO APURADO 2. Este relatório é parte integrante do Processo Administrativo Fiscal – COMPROT, acima referenciado, o qual corresponde ao Auto de Infração de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social referentes às importâncias não recolhidas e não declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento ao FGTS e informações à Previdência Social pelo contribuinte, incidentes sobre importâncias pagas a segurados contribuintes individuais, com base na legislação previdenciária. [...] III – DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 13971.723933/201366 Acórdão n.º 2401005.512 S2C4T1 Fl. 3 3 3. O procedimento fiscal teve início em 27/06/2012, conforme Termo de Início de Fiscalização (Doc. 02), cujo escopo inicial era a verificação da regularidade quanto aos recolhimentos do IRPJ e CSLL relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009; 3.1 Na análise dos documentos apresentados pelo contribuinte foi identificada a realização de empréstimos concedidos pela empresa a seus sócios os quais, conforme detalharemos no Capítulo VII/VIII abaixo, foram considerados como retiradas prólabore. 3.2 Diante de tal constatação o Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.0.01.002012000904 foi alterado em 16/09/2013 (Doc. 01 – fl. 2), passando a incluir as contribuições previdenciárias para o período de 01/2008 a 12/2012, informação esta constante do Termo de Intimação Fiscal nº 2012/009013, de 17/09/2013 (Doc. 14). [...] VII – PRÓ LABORE/PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS/EMPRÉSTIMOS 7.1 PRÓ LABORE: Os sócios da empresa de 01/2008 até a competência 03/2011 e 05/2011 foram remunerados com uma retirada de ‘prólabore’ mensal de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), conforme valores constantes na GFIP’s do período (Doc. 21) a seguir transcrito no quadro XV, de forma exemplificativa. 7.2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS: A Conta de ‘Dividendos a Pagar’ – Conta Reduzida 1550 iniciase com um saldo de R$ 8.531.833,32 e após dividendos distribuídos aos sócios no período, encerra o exercício de 2008 com um saldo credor de R$ 1.463.253,09. [...]” A Fiscalização identificou a existência de “contratos de mútuo em conta corrente”, de prazo indeterminado, firmados entre o Contribuinte e os seus administradores (Jannivaldo Marques Santos, Cláudia Oliveira Peres, Zila Meire Tambelini Nakano e Sérgio Luiz Janikian); os empréstimos seriam concedidos mediante “comunicações internas”; sendo comprovados por registros contábeis e prazo máximo de dois anos para quitação, sem incidência de juros. Destaca a Fiscalização que a sociedade deliberou que “todos os valores superiores ao montante de R$ 4.000,00 (prólabore) recebidos por eles, seria considerado Fl. 1930DF CARF MF 4 mútuo não sendo devido nenhuma remuneração a título de juros, devendo ser devolvido apenas o valor integral emprestado” As bases de cálculo consideradas estão demonstradas nos Anexos I a IV e se encontram totalizados no “Discriminativo de Débito” do Auto de Infração. Sob o aspecto da decadência, considerando que as contribuições previdenciárias não foram declaradas em GFIP, a Fiscalização considerou incidente a regra do inciso I do artigo 173 do CTN, não havendo, por isso, decadência, nem mesmo em relação a competências compreendidas no ano de 2008. Em face da ocorrência em tese do crime tipificado no artigo 337A do Código Penal, a Fiscalização informa que, para os devidos fins, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. Devidamente cientificada do Auto de Infração em 13/12/2013 (fl. 3), a Recorrente apresentou Impugnação em 14/01/2014, cujas razões (fls. 1.603 a 1.623), alega, em síntese, o que segue: (I) A Fiscalização teria considerado irregulares os contratos de mútuo. E, na sequência, ressalva que a Fiscalização teria entendido que os valores emprestados não teriam sido devolvidos; (II) Argumenta que a Fiscalização teria se fundamentado em depoimento de exsócio, em ação judicial; (III) Alega que na composição da base de cálculo das contribuições previdenciárias, a Fiscalização considerou que todos os valores recebidos a titulo de mútuo pelos sócios, seriam na verdade pró labore e, portanto, enquadráveis no conceito de salário contribuição, demonstrando o desconhecimento das características dos negócios jurídicos, bem como nítida interpretação econômica, gerando tributação por analogia; (IV) Defende foram atendidos todos os critérios para configuração do mútuo, não sendo razoável que o Fisco, por mera arbitrariedade, desconsidere o negócio jurídico praticado e convertao em outro. E acrescenta: “O efetivo desembolso não é situação suficiente para transmudar o contrato. Contudo, ainda que fosse, por amor à argumentação, no caso concreto houve pagamento”. Tanto que reconhecido pela Representação Fiscal às fls. 11 do Relatório Fiscal, bem como perceptível através dos lançamentos no Livro Razão, no qual, a título exemplificativo, vêse em 21 de julho de 2009 o desembolso, para pagamento, via encontro de contas com os lucros acumulados no período, dos contratos de mútuo pelos sócios de mais de 5 milhões de reais. Se não bastasse o fato supracitado, ainda foram feitos pagamentos em espécie, de modo que não é possível obliterar que os sócios adimpliam com suas obrigações. Destaca que por se tratar de contrato de mútuo, reconhecia em sua DCTF, e contabilidade, bem como pagava os valores devidos a título de IOF, sobre tais operações, tornando ainda mais patente que as operações em comento são operações de crédito, cujos montantes eram depositados nas contas dos sócios. Esclarece, ainda, que o IOF não é devido quando diante do pró labore, tornando irrefutável que o enquadramento sob este regime é mera ficção fiscal com intuito arrecadatório. Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 13971.723933/201366 Acórdão n.º 2401005.512 S2C4T1 Fl. 4 5 (V) Discorre acerca da natureza do prólabore no sentido de “que não se coaduna à operação de mútuo celebrada” e ressalva que os valores pendentes de devolução estão sendo, inclusive, cobrados. (VI) Quanto à possibilidade de desconsideração de negócios jurídicos argumenta que “É preciso salientar, que não é permitido à Fazenda Pública desconsiderar negócios jurídicos, sob pena de furtar competências que lhe são alheias, em violação à tripartição de poderes”. (VII) Quanto às circunstâncias de que os contratos de mútuo não foram integralmente quitados, argumenta: “Em vista disso, não é possível manter a primeira ficção elaborada pelo Fisco, qual seja, os contratos de mútuo estão irregulares pelo não pagamento integral. Dizse ficção, pois na busca de termo adequado não há outro que coadune melhor com a pretensão fazendária. É obvio que, quando raras as vezes, alguns valores de mútuo não foram quitados dentro do prazo, tal cenário não é o bastante para transformálos em outro negócio jurídico”. E acrescenta: “que o único efeito decorrente do atraso no adimplemento é a incidência de juros, que estão previstos no contrato de mútuo, como se vê na clausula 4ª, não se podendo falar em transmutação do negócio jurídico graças a isso”. (VIII) Sustenta a nulidade da prova emprestada pela fiscalização ao fundamento de que “a segunda ficção, que não se justifica, é o uso de depoimentos furtados de processo alheio ao objeto da presente lide com o intuito de fazer prova da existência de fato imponível”. (IX) Ao final, requer o cancelamento dos autos, em face da falta de ilegalidade da “reclassificação dos contratos de mútuo” ou a baixa dos autos em diligência para eventuais esclarecimentos necessários. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1454.444 da 17ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 1.744/1.760, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Confirase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/11/2012 DESCLASSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. Em face das disposições dos artigos 118, 142 e 149 do CTN e não obstante as disposições do § único do artigo 116 do CTN, a Administração Tributária, por seus agentes (o AFRFB, no caso) tem o poderdever, não propriamente de desclassificar ou descaracterizar, mas de enquadrar mais precisa e corretamente os atos e negócios jurídicos formalizados pelos contribuintes, sempre que forem apurados fatos e circunstâncias que os caracterizem como fatos geradores de tributos. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Fl. 1932DF CARF MF 6 A intimação do Contribuinte, quanto aos atos relativos ao processo administrativo fiscal, deve se dar nos termos e condições do artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972. PROVAS PRODUÇÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIAS. No âmbito do processo administrativo fiscal a produção de provas dáse nos termos das pertinentes disposições do Decreto 70.235/1972, sendo, por isso, desconsiderados protestos genéricos por realização de provas ou pedidos de realização de diligências, sem apresentação de fundados e justificados motivos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Recorrente foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 24/11/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1.765. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.767/1.796, argumentando, resumidamente, o que segue: (I) Que a recorrente cumpriu todos os requisitos legais referentes aos contratos de mútuo, tendo inclusive pago o IOF devido. Necessário, portanto, que os negócios jurídicos não sejam desconsiderados e os AI’s sejam cancelados; (II) Que houve vício de incongruência ao desconsiderar os contratos de mútuo realizados; (III) Que as provas utilizadas para corroborar as alegações sustentadas pela fiscalização são eivadas de nulidade, porquanto foram extraídas de processo alheio, tratandose de depoimentos contraditórios e de lide que acabou em acordo; (IV) Que a não devolução dos valores contratados devem ser considerados como remissão da dívida, que tem efeito tributário de doação, e não como prólabore; (V) Que, subsidiariamente, como a tributação é realizada pelo lucro real, devem ser deduzidos os pagamentos do prólabore; Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Todavia, o julgamento foi convertido em diligência (fls. 1.900/1.905), determinando que a Secretaria da Receita Federal do Brasil a) proceda a juntada ao presente processo administrativo da integralidade dos autos judiciais nº. 008.09.0261671 que lhe serviram de embasamento para a conclusão de que os contratos de mútuo na verdade eram pagamento de prolabore; e b) que esclareça as planilhas elaboradas e, mais, que indique se os pagamentos/quitações realizados pelos seus beneficiários foram excluídos ou não da base de cálculo do lançamento, bem como apontando a sua vinculação a cada contrato de empréstimo e demonstrando se tratase de quitação total/parcial. Intimado e reintimado (fls. 1.910/1.920) para juntar cópia integral dos autos judiciais nº 008.09.0261671, que tramitou na 05ª Vara Cível da Comarca de Blumenau/SC, o Recorrente quedouse inerte. Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 13971.723933/201366 Acórdão n.º 2401005.512 S2C4T1 Fl. 5 7 Por sua vez, a Fiscalização prestou a informação fiscal de fls. 1.921/1.923. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 24/11/2014 conforme Avisos de Recebimento à fl. 1.765, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 22/12/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Dos contratos de mútuo De início, cabe destacar que, em que pese este Conselho tenha convertido o julgamento em diligência (Resolução nº 2401000.547 – fls. 1.900/1.905) determinando a juntada de cópia ao presente processo administrativo da integralidade dos autos judiciais nº. 008.09.0261671 que serviram de embasamento para a conclusão de que os contratos de mútuo na verdade eram pagamento de prólabore, verificase que a determinação supra não restou atendida tendo em vista que apesar de intimado e reintimado via Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), o contribuinte quedouse inerte. Apesar disso, a fiscalização enviou a mesma intimação via Correios ao endereço da empresa registrado na RFB, a qual, porém, foi devolvida com a informação “Mudouse” (fl. 1.920). Diante das referidas constatações, verificase que o Auditor Fiscal envidou todos os esforços no sentido de obter as cópias em questão, sem, contudo, lograr êxito nas suas diligências. Confirase: “No tocante à cópia dos aludidos autos judiciais, que tramitaram na 05ª Vara Cível da Comarca de Blumenau/SC, e cujos excertos foram referenciados pela Fiscalização no PAF em comento, informo que intimei e reintimei o contribuinte via Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) para obtenção da documentação (fls. 1910 a 1915) mas não obtive nenhuma resposta. Também enviei a mesma intimação via Correios ao endereço da empresa registrado na RFB, a qual, porém, nos foi devolvida por não localização (fl. 1920). Deste modo, uma vez resultado infrutíferas as diversas tentativas de intimação, o que me causou estranheza, decidi realizar algumas consultas nos sistemas da RFB para verificar a situação do contribuinte junto ao Fisco. Como resultado, constatei que o este se encontra omisso de entrega de diversas declarações desde o ano de 2014, com destaque para DCTF cujo último envio à RFB ocorreu em 10/06/2015 (referente ao período de apuração de abril/2015). Assim, não obstante constar como ATIVA Fl. 1934DF CARF MF 8 nos nossos sistemas, os indícios apontam para uma situação de INATIVIDADE da empresa. Pesquisei também o dossiê da ação fiscal para verificar se porventura a Autoridade Tributária responsável lançamento havia lá anexado a cópia integral dos autos judicias, mas a tentativa restou frustrada. Ainda tentei obter outras informações e documentos relacionados a essa ação junto ao site do Poder Judiciário de Santa Catarina. Ocorre que, para consulta às decisões e aos demais despachos proferidos no âmbito desse processo é necessário terse em mãos a chave do processo. Portanto, não obstante o empenho deste AuditorFiscal, infelizmente não foi possível atender ao CARF em relação a esse quesito”. Dessa forma, em que pese tenham sido tomadas todas as providências à correta instrução e esclarecimentos necessários à elucidação dos fatos, tendo, inclusive, ocorrido sucessivas intimações ao contribuinte – interessado no deslinde da controvérsia – para apresentar as provas, este mantevese silente. Tecidos tais esclarecimentos, passo à análise do recurso propriamente dito. Como se vê, a Recorrente argumenta que o Auditor Fiscal partiu de uma premissa de que teria ocorrido suposta violação dos comandos contidos no artigo 28 da Lei nº 8.212/91, para afirmar que não teriam sido recolhidos integralmente os tributos sobre salário decontribuição, entre fevereiro de 2009 e novembro 2012. Tece esclarecimentos de “que o contrato de mútuo não é solene, portanto, não há na legislação cível descrição cogente da forma como será feita, sendo aceito, inclusive, o contrato verbal” e acrescenta que para a “caracterização do mútuo, basta que ocorra a entrega do bem e que mutuário esteja obrigado à restituição da coisa”. Defende que no caso em debate, como reconhece o próprio v. acórdão recorrido, há contrato firmado entre as partes estabelecendo as condições da entrega e restituição e, como se observa dos lançamentos contábeis feitos, os numerários foram entregues aos mutuários. Argumenta que “Inclusive a RECORRENTE, por se tratar de contrato de mútuo, reconhecia em sua DCTF, e contabilidade, bem como pagava os valores devidos a título de IOF sobre tais operações – fatores ignorados pelo v. acórdão – tornando ainda mais patente que as operações em comento são operações de crédito, cujos montantes eram depositados nas contas dos sócios”. Ao final, sustenta que “foram atendidos todos os critérios para configuração do mútuo, não sendo razoável que o Fisco, por mera arbitrariedade, desconsidere o negócio jurídico praticado e convertao em outro, devendo, portanto, o v. acórdão ser reformado, cancelandose os autos de infração lavrados”. Pois bem. Com a análise dos autos, verificase, a partir dos argumentos expostos na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, bem como dos argumentos expostos pela Recorrente, que a questão controvertida referese, principalmente, à matéria probatória atinente aos contratos de mútuo colacionados aos autos. Resta analisar se os pagamentos efetuados aos administradores decorreram efetivamente dos contratos de mútuo ou se caracterizam remuneração indireta ou pagamento Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 13971.723933/201366 Acórdão n.º 2401005.512 S2C4T1 Fl. 6 9 sem causa, pois incontroverso que os pagamentos foram realizados pela Recorrente (pessoa jurídica) para os sócios que mantinham vínculo. Sobre os contratos de mútuo, utilizados pela Recorrente para justificar os pagamentos efetuados, os seguintes dispositivos do Código Civil assim determinam: “Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. [...] Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.” A respeito do tema, Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald assim elucidam: “Seguindo o caminho pavimentado pelo conceito adotado pelo Código Civil (art. 586), notase que o mútuo constituise como contrato típico e nominado, com uma natureza jurídica bem definida: i) é contrato real, por exigir tradição; ii) é unilateral, por estabelecer obrigações para uma das partes apenas; iii) é informal, não exigindo o cumprimento das formalidades; iv) pode se apresentar como gratuito ou oneroso, a depender de sua finalidade; [...] A unilateralidade do negócio decorre do fato de que, formado o contrato pela entrega da coisa, somente o mutuário terá obrigações, Fl. 1936DF CARF MF 10 como o dever de restituíla.” (CHAVES DE FARIAS, Cristiano. ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil. Vol. 4. 3ª ed. rev., ampl. e atual. Editora Juspodivm: Bahia, 2013. p. 777) De acordo com a fiscalização, os sócios receberam empréstimos da MERCOSUL, com base nos contratos de mútuo firmados, sendo que somente parte dos valores recebidos foram liquidados, conforme as seguintes operações: “1. Conta Razão da Sócia Cláudia Oliveira Peres (doc. 17, Anexo I, QUADROS XXI, XXII e XXIII, Relatório Fiscal): Ao ser incorporada a empresa da qual era sócia, foi realizado o lançamento correspondente ao seu débito com a empresa incorporada, no montante de R$ 1.754.720,50 (abril de 2008). Para amortizar os empréstimos contraídos pela Cláudia foi realizado, em 31/12/2008, o lançamento de R$ 3.604.975,92 (referente à participação da sócia nos lucros). Entretanto, em 02/01/2009, houve estorno deste lançamento, que deixou, assim, de produzir efeitos. Em três ocasiões a Cláudia realizou quitação parcial dos empréstimos recebidos: (i) 01/01/2009 – R$ 3.174.924,66; (ii) 21/07/2009 – R$ 2.215.953,31 (“encontro de contas” com lucros devidos à sócia); (iii) 24/03/2009 – R$ 140.000,00. Estes valores foram deduzidos dos montantes atribuídos à sócia (coluna IX do anexo I). Assim, em 07/2011, quando a sócia Cláudia deixou de ser responsável pela empresa, restava um saldo remanescente de R$ 10.478.659,91 (Anexo I). 2. Zila Meire Tambelini Nakano (doc. 20, Anexo II, QUADRO XXIV, Relatório Fiscal): Constam, em 2008/2009, lançamentos contábeis para amortizar os empréstimos recebidos, amortizações estas na forma de devolução em espécie ou por “encontro de contas” (empréstimos recebidos versus lucros devidos à sócia). Foram constatados os valores de R$ 144.943,66 (01/01/2009) e R$ 1.972.301,01 (21/07/2009) – coluna IX do Anexo II. Até 07/2011 (data em que deixou de ser responsável pela empresa) foi, então, apurado o saldo de R$ 2.641.156,30, para o qual não consta quitação (Anexo II). 3. Jannivaldo Marques Santos (doc. 18, Anexo III, QUADROS XXV, XXVI e XVII, Relatório Fiscal): Ao ser incorporada a empresa da qual era sócio, foi realizado o lançamento correspondente ao seu débito com a empresa incorporada, no montante de R$ 541.267,86 (abril de 2008). Para amortizar os empréstimos contraídos pelo Jannivaldo foi realizado, em 31/12/2008, o lançamento de R$ 1.060.287,02 (referente à participação do sócio nos lucros). Entretanto, em 02/01/2009, houve estorno deste lançamento, que deixou, assim, de produzir efeitos. Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 13971.723933/201366 Acórdão n.º 2401005.512 S2C4T1 Fl. 7 11 Em duas ocasiões o Jannivaldo realizou quitação parcial dos empréstimos recebidos (através de “encontro de contas” com lucros devidos ao sócio): (i) 01/01/2009 – R$ 325.303,53; (ii) 21/07/2009 – R$ 1.374.828,40. Ocorreram, também, outras amortizações em espécie (Anexo III), tendo sido deduzidos dos empréstimos concedidos ao sócio (coluna IX do Anexo III), restando, então, em 11/2012, o saldo de R$ 2.830.479,47 (Anexo III). 4. Sérgio Luiz Janiakin (doc. 19, Anexo IV, QUADRO XXIV, Relatório Fiscal): A Fiscalização relata que, para amortizar os empréstimos concedidos ao Sérgio, foi constatado um único lançamento, que foi realizado em 31/12/2008, no valor de R$ 706.858,03, relativo à participação do sócio nos lucros. Entretanto, em 02/01/2009, houve o estorno do lançamento, que, assim, deixou de produzir efeitos (Anexo IV, QUADRO XXIV). Até 06/2009 (data em que deixou de ser responsável pela empresa) foi, então, apurado o saldo de R$ 1.487.402,54, para o qual não consta quitação (Anexo IV).” Assim, verificase que não houve a quitação integral dos referidos empréstimos pelos mutuários. Além disso, os contratos de mútuo firmados entre as partes contratantes dão conta, de acordo com a cláusula 3ª, que “sobre os valores dos empréstimos mencionados não incidirão juros” a exemplo do que se observa dos documentos de fls. 384/386; 810/815. E mais, na Ata de Reunião de Administração datada de 01/05/2008 (fl. 142), restou convencionado entre os sócios que todos os valores superiores ao montante de R$ 4.000,00 (prólabore) recebidos por eles, seria considerado mútuo, não sendo devido nenhuma remuneração a título de juros, devendo apenas ser devolvido o valor integral emprestado. Encontramse juntadas aos autos cópias de depoimentos dos sócios Jannivaldo (fl. 1.591) e Sérgio (fls. 1.592/1.593) em ação judicial indenizatória movida pelo sócio Sérgio contra a sócia Cláudia e outros, dos quais se evidenciam a existência de uma deliberação dos sócios de receberem mensalmente a importância de R$ 50.000,00, independentemente de quaisquer considerações acerca da efetiva disponibilidade de recursos; valores estes que seriam registrados parcialmente (R$ 4.000,00) como prólabore, sendo o saldo revestido da condição de “contratos de mútuo”. Diante de tais constatações, a Fiscalização, considerando as disposições contratuais, que previam a quitação dos empréstimos em dois anos, e considerando principalmente que parte dos saldos dos empréstimos foi sendo transferida sucessivamente de um exercício para outro, culminando, inclusive, com a saída dos mutuários da sociedade, sem que os empréstimos tivessem sido resgatados, classificou tais empréstimos como prólabore. Fl. 1938DF CARF MF 12 Sobre o tema em relevo, reputo como correto o entendimento adotado pela Fiscalização e convalidado pela primeira instância administrativa de julgamento. Notese, pelas disposições do Código Civil anteriormente transcritas, que a obrigatoriedade de restituição do valor e a temporalidade são requisitos básicos para enquadramento do empréstimo como mútuo, sob pena de configurarse doação ou pagamento por causa diversa que não a estipulada no acordo de vontades. No caso concreto, os contratos de mútuo, redigidos todos segundo o mesmo padrão, prevêem a restituição das quantias entregues em 02 (dois) anos. Todavia, sobrou constatado que o referido prazo sistematicamente foi descumprido. Tanto é verdade que, na medida em que os mutuários se retiravam da sociedade, ficaram pendentes vultosas quantias, que se transformaram em “créditos” do Contribuinte, e que, no caso de sócio retirante, foram cobrados através de meras e singelas “cartas de cobrança extrajudicial”, que inclusive encontramse apócrifas, conforme se observa do documento de fls. 1.733/1.736. Igualmente causa espécie a inexistência de cláusula dispondo sobre a cobrança de juros, situação a qual, ainda que não vedada normativamente, se distancia da presunção legal contida no artigo 591 do Código Civil citado anteriormente, segundo o qual no empréstimo destinado a fins econômicos são devidos juros. Tendo em vista essas constatações, exsurge a precariedade dos contratos em foco para fins de comprovação da efetividade dos mútuos a que se referem. É de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado nas declarações, livros caixa e razão estão sujeitos à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Diz o artigo 33 da Lei nº 8.212/91: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.” Nesse sentido, a autoridade administrativa fiscal possui prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos que não reflitam a realidade, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. Assim, uma vez verificado que o sujeito passivo utilizase de simulação ou de fraude para se esquivar do pagamento de tributo, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos, por ele constatados, em detrimento da verdade jurídica aparente (formal). Ou seja, uma vez evidenciada a simulação, não resta outra opção à fiscalização a não ser descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento tributário, a relação real entre o contribuinte e seus prestadores. Nesse sentido dispõe o Código Tributário Nacional: Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 13971.723933/201366 Acórdão n.º 2401005.512 S2C4T1 Fl. 8 13 “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;” Sendo assim, resta evidente a possibilidade de o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil desconsiderar os atos e fatos simulados e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos, não havendo que se cogitar qualquer ilegalidade. Conforme descrito acima, entendo encontrarse dentro da competência da Autoridade Fiscal a caracterização tais empréstimos como prólabore para efeitos previdenciários, desde que efetivamente demonstrado por meio dos elementos identificados durante a fiscalização que esclarecem como se dava efetivamente a referida operação. Notese que um dos princípios norteadores do direito é o da “primazia da realidade”, ou seja, atribuirse maior relevância a realidade dos fatos, ou como no caso concreto, como se dava o pagamento e a devolução/quitação dos contratos formalmente apresentados. Assim, uma vez constatado que há pagamento de prólabore revestido de “contrato de mútuo”, cabe à autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, desconsiderar a forma sob a qual a contratação se deu para, com base na realidade emergente, apurar as contribuições devidas e condutas incompatíveis com a legislação aplicável. Em caso como tais, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividade, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Ora, conforme demonstrado anteriormente, tais fatos restam devidamente comprovados pela robusta prova documentação produzida nos autos, de modo que agiu corretamente a fiscalização ao desconsiderar o negócio celebrado entre a Recorrente e os então sócios. Sendo assim, reputo como correto o procedimento fiscal, e, com essas mesmas conclusões acima, afasto a alegação da Recorrente quanto à “Remissão de Dívida”, porquanto, como vimos, não se trata de um “perdão da dívida”, até mesmo porque os alegados empréstimos foram desconstituídos pela Fiscalização, que, corretamente os reenquadrou como prólabore. Fl. 1940DF CARF MF 14 3. Das provas utilizadas A Recorrente insiste na alegação de que “os autos de infração em comento utilizam as citações extraídas do processo judicial estranho à lide como forma de embasar suas conclusões – eivando sua argumentação novamente com vício insanável, pois não poderia ter utilizado aqueles depoimentos como elemento probatório”. Entretanto, razão não lhe assiste. Salientese de imediato que, via de regra, não há qualquer óbice à utilização de prova emprestada, conforme se observa do artigo 372 do Código de Processo Civil, aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal. “Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.” A utilização de uma prova produzida em outro processo não exige identidade de partes, prescindindose que sejam as mesmas partes na origem e no processo de destino da prova emprestada, conforme entendimento da jurisprudência pátria (Embargos em Recurso Especial nº 617.428/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 4/6/2014). A jurisprudência deste conselho segue no mesmo sentido. Recordese: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE. Conceituase prova emprestada como aquela prova produzida no âmbito de outra relação jurídica processual, sendo apresentada para formar a convicção do julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar. Tal forma de prova é tradicionalmente aceita âmbito do processo administrativo. Contudo, para resguardar os direitos fundamentais dos contribuintes, somente é admitida a prova emprestada para basear auto de infração se cumpridos dois requisitos de admissibilidade cumulativamente, quais sejam: i) que a prova tenha sido originalmente produzida sob o crivo do contraditório; e i) que o sujeito passivo da obrigação tributária, cujos interesses são postos em análise pela prova emprestada no processo administrativo, tenha participado do referido contraditório original, ou seja, seja do parte no processo do qual a prova foi transladada. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, Relatora Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Acórdão nº 3402004.290, Data da Sessão: 29/06/2017) PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. (CARF, 2ª Seção, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro Cleberson Alex Friess, Acórdão nº 2401004.874, Data da Sessão: 06/06/2017) Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 13971.723933/201366 Acórdão n.º 2401005.512 S2C4T1 Fl. 9 15 NULIDADE UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. A utilização de conjunto probatório utilizado como prova subsidiária produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária. A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. (CARF, 2ª Seção, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Acórdão 2201003.657, Data da Sessão: 06/06/2017) Não é demais lembrar que, no tocante aos documentos e às informações que amparam o lançamento tributário, o contraditório e a ampla defesa foram garantidos ao contribuinte no contencioso administrativo fiscal. Observase, também, que o Auto de Infração está acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito e que o lançamento atende todos os requisitos legais. A autuada, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendolhe sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Além disso, após cientificada do lançamento, a interessada teve 30 (trinta) dias para apresentar a sua impugnação e anexar aos autos todas as provas que julgasse relevantes para desconstituir a exigência. Ademais, na apreciação de provas no processo administrativo tributário, a legislação tributária confere ao órgão julgador o livre convencimento de sua validade para os fins de que são propostas. Por fim, vale destacar a assertiva da decisão recorrida no sentido de que os autos do processo judicial que tramitou perante a 5ª Vara Cível da Comarca de Blumenau (SC) serviram apenas para corroborar as evidências constatadas pela Fiscalização. Recordese: “A menção de depoimentos extraídos de ação judicial e suas juntadas aos autos visa simplesmente corroborar as evidências extraídas do conjunto de fatos apurados: a frequente prática pelo Contribuinte de transferências de recursos aos sócios, formalizadas, a priori, como contratos de mútuo, mas, entretanto, a serem eventualmente Fl. 1942DF CARF MF 16 “regularizadas” com operações de “encontros de contas”, ou, apenas circunstancialmente, com restituições de recursos em dinheiro. A convicção da Fiscalização não se baseia nestas ‘provas’, é óbvio. Estas ‘provas’ apenas confirmaram as constatações extraídas dos registros contábeis e documentos fiscais produzidos pelo próprio Contribuinte, provas necessárias e suficientes para dar sustentação aos lançamentos fiscais.” Portanto, forte nessas razões, rejeito a nulidade arguida. Por fim, nada a prover quanto ao pedido de compensação ou restituição dos valores eventualmente declarados e recolhidos, porquanto estes poderão ser feito pelo Contribuinte por meio próprio, atendidos os respectivos requisitos legais. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1943DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905562/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente IJB Câmbio e Turismo LtdaME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Recorrente transmitiu pedido de ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 62 /2 01 2- 10 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.905562/201210 Acórdão n.º 3301004.535 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado, diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Em manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte que entre a data de transmissão do PER até a ciência do despacho decisório transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 29 da IN SRF nº 600/2005. Logo, requer a homologação tácita do pedido de ressarcimento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, pois entendeu a 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão n° 02052.326, que não há previsão legal para o pleito do contribuinte. Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.528, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10380.905554/201273, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.528): "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e não pedido de compensação, logo não há falarse de homologação tácita, por inexistência de previsão legal. Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Esse dispositivo legal trata de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10380.905562/201210 Acórdão n.º 3301004.535 S3C3T1 Fl. 4 3 também diversos. Como bem apontado pela DRJ, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Em suma, a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação. Observese que neste processo não houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Assim, inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos, dessa forma, não há como se acolher o requerimento do contribuinte. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900425/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT).
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.117
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.900425/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.117 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria IPI Crédito produto "NT" Recorrente SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 25 /2 01 1- 91 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10315.900425/201191 Acórdão n.º 3301004.117 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos declarados. A autoridade competente, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pedido em razão do produto que a empresa produz e comercializa ser, exclusivamente, água mineral natural (sem gás) classificada como NT (nãotributado) na TIPI, não podendo portanto creditarse do IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na produção de tal produto. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§ 3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em primeira Decisão, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ao apreciar Recurso Voluntário, o Colegiado do Carf, em primeira assentada, deliberou por anular a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. O processo retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10315.900425/201191 Acórdão n.º 3301004.117 S3C3T1 Fl. 4 3 Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório, na essência do que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.105, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10315.900419/201134, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.105): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda resumese à pretenso direito aos créditos previstos na Lei nº 9779, de 1999, art. 11, pelas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME), utilizados na produção de mercadorias nãotributadas (NT) pelo IPI. 1. Do Crédito de IPI Produto NT Assim dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10315.900425/201191 Acórdão n.º 3301004.117 S3C3T1 Fl. 5 4 Em atenção à prerrogativa disposta no final do art. 11, suso transcrito, a RFB, então SRF, publicou a IN SRF nº 33, de 1999, disciplinando a apuração e a utilização de créditos do IPI, na espécie. Posteriormente o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) consolidou e ratificou o entendimento constante da IN/SRF nº 33/99, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. E mais, o mesmo RIPI de 2002, art. 164, inciso I, replicado no Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), art. 226, inciso I, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Do trabalho fiscal realizado, consubstanciado em informações colhidas relativas aos anos de 2006 a 2009, restou concluso que a atividade da empresa é a produção exclusivamente de água mineral, sem gás, classificada na TIPI como "NT". Isso é incontroverso. A própria recorrente declarou que os produtos de sua fabricação limitamse a quatro itens, todos referentes a água mineral natural, sem gás: (i) Garrafão de 20 L. (ii) Garrafão de 10 L, (iii) Garrafas de 500 ML e (iv) Garrafas de 1.500 ML. Ademais, à exceção dos Garrafões (10L e 20L) que são incorporados ao Ativo Permanente da empresa, os demais produtos adquiridos com incidência de IPI são utilizados como insumos na fabricação de água mineral natural. Portanto, resta concluso que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os "insumos" são integralmente destinados a fabricação de produtos "NT". Assim, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não poderá apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não por outra razão, dispõe o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), art. 251, § 1º, repetindo o texto constante do Decreto nº 4.544/2002, art. 190, § 1º: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10315.900425/201191 Acórdão n.º 3301004.117 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Por derradeiro, pondo uma pá de cal na celeuma, o Carf publicou a Súmula CARF n° 20, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 2. Constitucionalidade de Lei Sustenta a recorrente, em exaustivas divagações, que o indeferimento de seu direito aos créditos de IPI, além de fundamentarse em Decreto que entende inconstitucional, afronta aos princípios constitucionais da não cumulatividade, seletividade e isonomia. Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, sejam pelos fundamentos suso expostos ou por seus próprios fundamentos, nos termos da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), art. 27, § 3º, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. 3. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10315.900425/201191 Acórdão n.º 3301004.117 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 12963.000277/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2005
AUTUAÇÃO POR DEIXAR DE INSCREVER SEGURADOS EMPREGADOS A SERVIÇO DA MESMA. CARACTERIZA-SE ESTA INFRAÇÃO PELA NÃO FORMALIZAÇÃO, NO PERÍODO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS, DOS CONTRATOS DE TRABALHO COM OS RESPECTIVOS OBREIROS NO PERÍODO DE 08/2004 A 02/2005. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2201-004.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes e Douglas Kakazu Kushiyama.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes e Douglas Kakazu Kushiyama.
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CARACTERIZASE ESTA INFRAÇÃO PELA NÃO FORMALIZAÇÃO, NO PERÍODO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS, DOS CONTRATOS DE TRABALHO COM OS RESPECTIVOS OBREIROS NO PERÍODO DE 08/2004 A 02/2005. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 02 77 /2 00 7- 18 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes e Douglas Kakazu Kushiyama. Relatório O presente Auto de Infração (DEBCAD 37.034.6246 CFL 56) foi lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória, ou seja, por deixar de inscrever segurados empregados a serviço da mesma. Caracterizase esta infração pela não formalização, no período da efetiva prestação dos serviços, dos contratos de trabalho com os respectivos obreiros. Embora a empresa fosse obrigada a fazer, deixou de proceder as devidas formalizações dos contratos de trabalho com diversos trabalhadores a seu serviço, visto que não efetuou o registro dos mesmos no Livro ou Ficha de Registro de Empregados e na Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS, conforme estabelece, respectivamente, os Artigos 41 e 29 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT. A Fiscalização constatou que a empresa efetuou pagamentos de salário a diversos trabalhadores sob sua responsabilidade. Ocorreu, entretanto, que o referido empregador não promoveu a inscrição de tais trabalhadores (formalização dos contratos de trabalho) conforme prescreve o Art. 17 da Lei Nr. 8.213/1991, combinado com o Art. 18, Inciso I, Parágrafo 1°. Do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nr. 3.048/1999. Anteriormente, havia sido lavrado o Auto de Infração DEBCAD 35.564.903 9 (Código de Fundamento Legal 56), que cobrava multa decorrente do fato de a Autuada, ora Recorrente, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra oriundas das empresas contratadas (Sinovo e Construaço), deixou de reter 11% (onze por cento) do valor bruto das nota fiscais de serviço NFS relacionadas e efetuar o recolhimento das contribuições retidas em nome das referidas empresas cedentes de mãodeobra (contratadas). Neste auto (DEBCAD 35.564.9039), aplicouse multa e o contribuinte efetuou o pagamento com o benefício da redução de multa em 50% (cinquenta por cento). Posteriormente, foi emitida DecisãoNotificação DN Nr. 11.428.4/0062/2004 que determinou a extinção do crédito, em razão do pagamento da penalidade imputada, dentro do prazo deferido para interposição de defesa, ocorrendo redução de 50% do valor da autuação. No caso, entendeuse que a prática de nova infração a dispositivo legal diferente, dentro de 5 (cinco) anos da data da decisão administrativa homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior configura reincidência genérica, fato que enseja a aplicação de multa em seu valor mínimo, elevado em duas vezes, nos termos do art. 290, inciso V e parágrafo único, combinado com o art. 292, inciso IV, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12963.000277/200718 Acórdão n.º 2201004.290 S2C2T1 Fl. 106 3 De acordo com a fiscalização, em razão da existência de circunstância agravante( reincidência específica ) e da inexistência de circunstância atenuante (Art. 291 do RPS), a multa aplicada é a prevista no Art. 92 da Lei Nr. 8.212/1991, combinado com o Art. 283, “caput”, Parágrafo 2°. do Regulamento da Previdência SocialRPS (Decreto Nr. 3.048/1999 ), atualizada pela PORTARIA Nr. 142, de 11.04.2007, do Ministério da Previdência Social( Art. 9°, Inciso V), nos termos do Art. 102 da lei Nr. 8.212/1991 e Art. 373 do RPS, no valor de RS 1.195,13 para cada um dos 07 (sete) segurados não inscritos, elevada em 3 (três) vezes, corresponde a R$ 25.097,73 (Vinte e Cinco Mil, noventa e Sete Reais e Setenta e Três Centavos). O contribuinte apresentou defesa e documentos (fls. 59/81) em que requereu a improcedência da autuação ou, alternativamente, a relevação ou atenuação da mesma, alegando em apertada síntese, conforme constou do relatório da decisão de primeira instância: Primeiramente, demanda seja concedida a decadência qüinqüenal das supostas infrações cometidas antes de 10/2002, com base em jurisprudência que considera inconstitucional o prazo decadencial de 10 (dez) anos das contribuições previdenciárias. No mérito, alega que a capitulação legal da infração é a ausência de inscrição de segurados no RGPS e não a falta de inscrição dos trabalhadores em qualquer outro documento, tendo o AuditorFiscal autuado pela falta de registro dos mesmos no Livro ou Ficha de Registro de Empregados e na Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS. Aduz que o Relatório Fiscal não demonstrou os requisitos indispensáveis ao enquadramento dos segurados LUIZ AUGUSTO DE LIMA, FERNANDO RODRIGUES RENATO, FÁBIO PRADO, LÁZARO CARMO PEREIRA, MÁRCIO ORTIZ DA SILVEIRA e LÁZARO NILSON VILAS BOAS na condição de empregados, quais sejam: não eventualidade, subordinação jurídica, pessoalidade e onerosidade, requerendo a exclusão dos valores das multas referentes a eles, acrescentando que receberam apenas um pagamento, caracterizando trabalho eventual. Ademais, acrescenta que O trabalhador LÁZARO NILSON VILAS BOAS nunca trabalhou na empresa, conforme declaração de fls. 77. Discorda da caracterização da reincidência da infração e do consequente agravamento do valor da multa por dois motivos. Primeiro, porque a ação fiscal que culminou com a lavratura da presente autuação teve como motivação nova constituição de crédito devido à anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.564.9047, de 08/04/2004, devendo assim a presente ação ser considerada continuação daquela e não uma nova, o que desconfiguraria a reincidência Fl. 127DF CARF MF 4 Em segundo lugar, independente do primeiro argumento, aduz que o art. 290, V, parágrafo único, estabelece que caracteriza reincidência a prática de nova infração dentro de cinco anos da extinção do crédito referente à infração anterior. No presente caso, as infrações relatadas foram anteriores ao trânsito em ato administrativo do Auto de Infração n° 35.564.9039, apontado como a infração que gerou a reincidência, o que se deu em 21/10/2004, com a emissão da Decisão que extinguiu o crédito quitado em 13/09/2004. Por fim, o autuado protesta pela produção de provas adicionais incluindose a juntada de documentos, no momento e condições que se apresentarem necessários. (...) Analisando os argumentos de defesa, foi proferida decisão (fls. 89/98) pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG), que julgou o lançamento procedente em parte, cujos tópicos de defesa podem ser resumidos da seguinte forma: "DECADÊNCIA (...) Assim, a Lei n° 8.212/91 regula inteiramente a questão do prazo decadencial da contribuição previdenciária, não cabendo aplicar o Código Tributário Nacional, que dispõe sobre normas gerais, para suprir eventuais lacunas na legislação. Cumpre assim à Administração Tributária, portanto, seguir expressamente o que preceitua a legislação pertinente à matéria previdenciária, a qual determina que o referido prazo decadencial é de 10 (dez) anos, posto que o mesmo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (...) O auditorfiscal relata que a autuada deixou de inscrever no Regime Geral da Previdência Social (RGPS) 7 (sete) segurados, fimdamentando a obrigação no art. 17 da Lei n° 8.213/91 e art. 18, inciso I e §1° do RPS, transcritos abaixo: (...) Caracteriza, portanto, esta infração, a não inscrição ,de segurado empregado, e não de qualquer segurado. Dentre o rol de segurados informados pela autoridade fiscal, observase que MÁRIO H. B. LÁZARO, LUIZ AUGUSTO DE LIMA, FERNANDO RODRIGUES RENATO, FÁBIO PRADO, LÁZARO CARMO PEREIRA e MÁRCIO ORTIZ DA SILVEIRA apresentam características de segurados empregados. Os elementos caracterizadores, quais sejam pessoalidade, não eventualidade, subordinação e remuneração, foram estabelecidos pela Lei n° 8.212/91, em seu artigo 12, inciso I, alinea “a”, in verbis: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12963.000277/200718 Acórdão n.º 2201004.290 S2C2T1 Fl. 107 5 (...) Foram constatados os elementos que caracterizam o vínculo trabalhista: nãoeventualidade: as funções eram exercidas no atendimento de atividades normais da empresa, nas funções de operador de máquina, servente de pedreiro, carpinteiro, mestre de obras e armador. Também é comprovada pela inclusão em folha de pagamento, GFIP e, nos casos detalhados no presente Voto, houve o registro posterior dos contratos de trabalho; subordinação jurídica: observada pela prestação de serviços nos canteiros de obras da empresa, sujeitandose ao cumprimento de exigências por parte da mesma; pessoalidade: as pessoas físicas foram identificadas e desempenhavam as funções pessoalmente; onerosidade: perfeitamente caracterizada pela inclusão em folhas de pagamento, recibos e documento “Adiantamento de Salários”. Assim, restando configurada a condição de segurados empregados, a empresa deveria ter procedido as devidas anotações do contrato de trabalho, tanto no livro ou ficha de registro de empregados, quanto na Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS, sendo que a sua comprovada omissão caracteriza a infração em tela. Quanto aos segurados FERNANDO RODRIGUES RENATO, FÁBIO PRADO, LÁZARO CARMO PEREIRA e MÁRCIO ORTIZ DA SILVEIRA, a descrição no Relatório Fiscal comprova que foram registrados em 01/05/2002 o primeiro, e em 01/O6/2002 os demais, portanto em momento anterior à ação fiscal desenvolvida na empresa, caracterizandose a denúncia espontânea. Relativamente ao segurado LÁZARO NILSON VILAS BOAS, não consta do processo elementos suficientes para caracterizar o mesmo como segurado empregado, tendo em vista que a identificação de “Adiantamento de Salário” pago em 20/04/2002 (47) comprova a prestação de serviços, mas não a subordinação ou a nãoeventualidade. Como a capitulação legal da autuação diz respeito à não inscrição de segurado empregado constatada na ação fiscal em curso, as multas referentes aos segurados FERNANDO RODRIGUES RENATO, FÁBIO PRADO, LÁZARO CARMO PEREIRA, MÁRCIO ORTIZ DA SILVEIRA e LÁZARO NILSON VILAS BOAS devem ser excluídas deste lançamento, permanecendo os valores lançados em relação aos segurados MÁRIO H. B. LÁZARO e LUIZ AUGUSTO DE LIMA. A multa aplicada inicialmente, portanto, deve ser alterada para o valor de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e Fl. 129DF CARF MF 6 vinte e seis centavos), correspondente a multiplicação do valor previsto no art. 283, §2° do RPS e atualizado pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos) pelo número de segurados empregados não inscritos, no caso 2 (dois). A impugnante alega que não cabe considerar a existência de agravante reincidência para fins de gradação da multa aplicada, uma vez que ação fiscal que originou a lavratura do presente AI é continuação da ação iniciada em 2004, onde foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.564.9047, de 08/04/2004, tornada nula por meio da Decisão Notificação DN n° 11.431.4/0001/2006, de 06/01/2006, que determinou a lavratura de NFLD substitutiva, e não um novo procedimento fiscal. A nova NFLD recebeu 0 n° 37.034.6289, de 22/10/2007. Determina o art. 657, § 1° da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária IN SRP n° 03, de 14/07/2005: (...) Assim, resta claro que os procedimentos devem ser considerados distintos para fins de caracterização de reincidência. Caso fosse continuidade da ação anterior, teria sido emitido um Mandado de Procedimento Fiscal Complementar para seqüência da mesma, conforme a IN SRP n° 03/2005. (...) Com relação à alegação de não ter ocorrido nova infração após o pagamento do Auto de Infração lavrado na ação anterior, também não assiste razão ao defendente. Em pesquisa junto aos arquivos informatizados DATAPREV/INSS, constatase o pagamento do AI 35.564.9039 em 13/09/2004. Não configura reincidência a prática de infração em período anterior ao pagamento de Auto de Infração lavrado em ação fiscal anterior. Constatase no Relatório Fiscal que a infração referente à não inscrição dos segurados MARIO II. B. LÁZARO e LUIZ AUGUSTO DE LIMA ocorreram em 08/2004 (data da 1 constatação de pagamento, ou seja, quando deveria ter tido seu contrato formalizado) e 09/2002, respectivamente. Assim, quando das ocorrências das infrações apontadas no presente AI a empresa não era reincidente, considerado o pagamento do Auto n° 35.564.9039 ocorrido em 13/09/2004, conforme art.290, inciso V e parágrafo único do RPS, que dispõe: (...) Dessa forma, e de acordo com o artigo 16, parágrafo único da Portaria RFB n 10 375 de 16 de agosto de 2007 (DOU 24/08/2007), a multa aplicada a maior em Auto de Infração será corrigida na própria decisão, com abertura de prazo para Fl. 130DF CARF MF Processo nº 12963.000277/200718 Acórdão n.º 2201004.290 S2C2T1 Fl. 108 7 recurso ou pagamento com redução de vinte e cinco por cento, pelo que se exclui da autuação a agravante por reincidência, assim como as infrações consideradas improcedentes, discriminadas acima. Passase à análise da solicitação de atenuação ou relevação da multa. Os requisitos necessários para tais benefícios relativos à multa administrativa, aplicada em razão de descumprimento de obrigação acessória à legislação tributária, que versa sobre a cobrança de contribuições previdenciárias, estão previstos no art. 291 do RPS, que diz: (...) Da análise dos autos, constatase que a autuada não corrigiu a falta apontada. Desta forma, não apresentou circunstância atenuante, consoante o estabelecido no caput do art. 291 do RPS e, por conseqüência, concluise pela manutenção do valor da multa aplicada, de acordo com a legislação vigente acima explicitada, não tendo como relevála ou atenuála, uma vez que a Autuada não se enquadra no disposto no § 1° do art. 291 e inc. V do art. 292, ambos do RPS. Em relação ao requerimento de juntada posterior de documentos, devese observar que a Portaria RFB n° 10.875, de 16/08/2007, exige que as provas sejam apresentadas na impugnação, precluindo o direito de apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a ocorrência de um dos casos previstos nos incisos 1 a 111 do parágrafo primeiro de seu artigo 7°, caso em que deverá ser requerida tal juntada, mediante petição e demonstrando, com fundamentos, a ocorrência de uma destas condições, in verbis: (...) Diante de todo o exposto, voto no sentido da PROCEDÊNCIA EM PARTE da autuação e da penalidade aplicada no Auto de Infração Debdad n° 37.034.6246, de 19/10/2007, em conformidade com as disposições contidas na normatização em vigor, alterandose o valor do crédito para R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos). Cientificada do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, conforme fl. 100, tempestivamente, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 101 a 104, no qual pugna apenas pelo reconhecimento da decadência quinquenal. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. Fl. 131DF CARF MF 8 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Decadência Por constituir matéria preliminar de mérito e por ser a única matéria em discussão no Recurso Voluntário do contribuinte, passo à análise da alegação de de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vigente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise foi lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória, ou seja, por deixar de inscrever segurados empregados a serviço da mesma. Caracterizase esta infração pela não formalização no período da efetiva prestação dos serviços dos contratos de trabalho com os respectivos obreiros que compreende as competências 08/2004 a 02/2005 (fl. 30), bem como a outros períodos. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN), cujo teor merece destaque: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 12963.000277/200718 Acórdão n.º 2201004.290 S2C2T1 Fl. 109 9 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Ocorre que o prazo decadencial, no presente caso, nos termos do disposto na súmula CARF nº 99, devese reconhecer o pedido do Recorrente: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma, nos presentes autos, não se trouxe prova de que houve pagamento antecipado do valor considerado pelo contribuinte, de modo que só me resta concluir pela aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). No caso em questão, a ciência do contribuinte da lavratura do presente auto de infração ocorreu em 22/10/2007 de modo que não há que se falar em decadência. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 133DF CARF MF 10 Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000063/2008-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte junte o extrato analítico das contribuições, e em sendo apresentado que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização de diligência, por entender que caberia ao sujeito passivo ter juntado a prova ao seu recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte junte o extrato analítico das contribuições, e em sendo apresentado que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização de diligência, por entender que caberia ao sujeito passivo ter juntado a prova ao seu recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.33/40) contra decisão de primeira instância (fls.26/29), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 81 .0 00 06 3/ 20 08 -0 3 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13881.000063/200803 Resolução nº 2002000.003 S2C0T2 Fl. 3 2 Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato jurídico perfeito, como o impugnante aposentouse em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, para manter o auto de infração em sua integralidade. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boafé. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O acórdão do STJ no REsp nº 669.120 DF, de lavra do Min. João Otávio de Noronha, citado no Recurso Voluntário, restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA LEIS N. 7.713/88 E 9.250/95. IMPOSTO DE RENDA. RESTITUIÇÃO. 1. Na vigência da Lei n. 7.713/88, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado, incluindo a parcela referente à contribuição para a previdência privada, assim, não se afigura viável, sob pena de ofensa ao postulado do non bis in idem, haver novo recolhimento de imposto de renda sobre as mencionadas parcelas custeadas pelo empregado para complementação dos proventos de aposentadoria. 2. Na vigência da Lei n. 9.250/95, como o participante passou a deduzir da base de cálculo – consistente nos seus rendimentos brutos – as contribuições recolhidas à previdência privada, deixou de haver incidência na fonte. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13881.000063/200803 Resolução nº 2002000.003 S2C0T2 Fl. 4 3 3. Tendo ocorrido a aposentadoria do empregado/participante antes de 1º/1/1996, não incidirá imposto de renda sobre o benefício (complementação da aposentadoria), mesmo após a vigência da Lei n. 9.250/95, em razão do ato jurídico perfeito. 4. Se o empregado/participante aposentouse após 1º/1/1996, não incidirá imposto de renda sobre o benefício calculado proporcionalmente às contribuições recolhidas sob a égide da Lei n. 7.713/88, mas apenas sobre a parcela correspondente às contribuições recolhidas na vigência da Lei n. 9.250/95. 5. Nos contratos de previdência privada firmados após 1º/1/1996, o imposto de renda incidirá sobre os benefícios quando da aposentadoria. 6. A parte que sucumbe na demanda deve arcar com as custas e com os honorários advocatícios. 7. Recurso especial parcialmente provido. Perfilho do entendimento adotado pelo STJ com relação a incidência do imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria, levandose em conta a data da aposentadoria, e explico: Como diz a decisão do C.STJ, na vigência da Lei n. 7.713/88, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado (aí incluída a parcela de contribuição à previdência privada), não se afigura viável, sob pena de ofensa ao preceito do non bis in idem, haver novo recolhimento daquela exação (IR) sobre os valores nominais das complementações dos proventos de aposentadoria do beneficiário da previdência privada. Já na vigência da Lei n. 9.250/95, como o participante passou a deduzir da base de cálculo – consistente nos seus rendimentos brutos – as contribuições recolhidas à previdência privada, deixou de haver incidência na fonte. Assim, se a aposentadoria ocorreu antes de 01/01/96, não incidirá Imposto de Renda sobre o benefício (complementação da aposentadoria), mesmo após a vigência da Lei 9.250/95, em razão do ato jurídico perfeito, e no caso de a aposentadoria ter ocorrido após 01/01/96, não incidirá o Imposto de Renda sobre o benefício calculado proporcionalmente às contribuições recolhidas sob a égide da Lei 7.713/88, mas apenas sobre a parcela correspondente às contribuições recolhidas na vigência da Lei 9.250/95". Cumpre destacar que o recorrente aposentouse em 15/12/1996, conforme carta de concessão de fl.9, sendo que neste caso há de se aplicar a proporcionalidade pretendida, ou seja, o Imposto de Renda deve incidir somente sobre o proporcional das parcelas correspondente à contribuições recolhidas na vigência da Lei 9.250/95, pois caso contrário estarseia cobrando o imposto em duplicidade uma vez que anteriormente a lei suso citada, o imposto de renda era recolhido na fonte e incidia sobre os rendimentos brutos do empregado (aí incluída a parcela de contribuição à previdência privada). Destaco, por oportuno, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através da edição do Ato Declaratório nº 4/2006 comunga do mesmo entendimento que não incide imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13881.000063/200803 Resolução nº 2002000.003 S2C0T2 Fl. 5 4 dezembro de 1995. Ocorre que no período compreendido entre 1º de janeiro de 1979 a 31 de dezembro de 1988, por aplicação do DecretoLei nº 1.642/78, as contribuições para planos de previdência privada poderiam ser deduzidas da renda bruta na declaração do imposto sobre a renda, sendo que a tributação sobre estas contribuições também desaguariam no preceito non bis in idem. Assim, quanto a questão de direito, não há dúvidas que o contribuinte o tem, porém para que lhe seja reconhecido o direito ao recálculo do imposto devido mister se faz que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrandose a proporcionalidade pretendida. A simples regra de três como quer o contribuinte não pode ser aceita, pois inclui as parcelas que foram pagas pela empregadora, e sobre essas não há isenção. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e baixo em RESOLUÇÃO para que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrando se a proporcionalidade pretendida, em relação ao valores recebidos da Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189. Determinase, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.001054/2003-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
ATIVIDADE VEDADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO
O exercício de atividade consubstanciada em serviços de organização de eventos ou assemelhados não encontra óbice â opção pela sistemática do SIMPLES, nos moldes da Solução de Divergência Cosit 10, de 15 de julho dc 2002.
Numero da decisão: 9101-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 ATIVIDADE VEDADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO O exercício de atividade consubstanciada em serviços de organização de eventos ou assemelhados não encontra óbice â opção pela sistemática do SIMPLES, nos moldes da Solução de Divergência Cosit 10, de 15 de julho dc 2002.
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NÃO CARACTERIZAÇÃO O exercício de atividade consubstanciada em serviços de organização de eventos ou assemelhados não encontra óbice â opção pela sistemática do SIMPLES, nos moldes da Solução de Divergência Cosit 10, de 15 de julho dc 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 10 54 /2 00 3- 61 Fl. 129DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 30335.792, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES perpetuada no âmbito da Lei 9.137/96, pela constatação de que a prestação de serviços de organização de eventos ou assemelhados não encontra óbice â opção pela sistemática do SIMPLES. O processo tem origem no Ato Declaratório O. 445.314, de 07/08/2003 (fl. 04), expedido pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em Niterói — RJ, determinando a exclusão do interessado do regime do SIMPLES, em razão de: "atividade econômica vedada: 74993/07 Serviços de organização de festas e eventos — exceto culturais e desportivos" O interessado ingressou com Solicitação de Revisão da Execução da Opção pelo Simples SRS (fls. 01/03), mas aquela Delegacia indeferiu seu pleito com base na atividade econômica que consta do contrato social do interessado. Irresignado com o despacho denegatório, de que foi cientificado ãs fl. 17/18, o interessado apresentou a impugnação de fls. 19/20, alegando, em síntese, que o CNAEFiscal foi informado, equivocadamente, no código 74993/07 (Serviços de organização de festas e eventos exceto culturais e desportivos), quando o correto é o código 55247/02 (Serviços de Buffet), quando é nesta atividade que está concentrada toda a receita da empresa. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do Interessado, ao argumento de que a prestação de serviços de "organização de shows" compreendese entre as atividades econômicas impeditivas da opção pela sistemática do SIMPLES. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 ATIVIDADE VEDADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO O exercício de atividade consubstanciada em serviços de organização de eventos ou assemelhados não encontra óbice â opção pela sistemática do SIMPLES, nos moldes da Solução de Divergência Cosit 10, de 15 de julho de 2002. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator." Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13739.001054/200361 Acórdão n.º 9101003.564 CSRFT1 Fl. 130 3 Cientificada da decisão, Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, onde solicitou que o D. Colegiado se manifestasse acerca da exclusão do contribuinte do SIMPLES em face das atividades constantes do objeto social da empresa e que permaneciam vedadas, que eram: organização de shows e produção de gravações audiovisuais de quaisquer espécie para as quais, usualmente, há contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Ao analisar a admissibilidade dos referidos embargos, o Presidente da Câmara os rejeitou, ressaltando que a prestação de serviços constante no contrato social, por si só, não veda a opção, senão aquela perante a qual a pessoa jurídica efetivamente aufere receita, e que a omissão alegada não fora demonstrada com precisão. Diante disso, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência alegando o acórdão ora recorrido não merece prosperar, pois a previsão no objeto social de uma empresa de atividade vedada aos optantes do SIMPLES é causa suficiente à sua exclusão desse sistema especial, independente do exercício ou não da atividade. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo não haver reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade, portanto, dele conheço. Sobre o mérito da questão, entendo, também, que não merece prosperar a pretensão fazendária. Como visto, pretende a Fazenda que aqui se reconheça que o simples fato de constar atividades no contrato social do contribuinte já seria suficiente para sua exclusão do regime do SIMPLES, regulado pela Lei 9.137/96, artigo 9º, XIII. Nesse contexto, necessária a análise de tal regra, para averiguação da melhor técnica de interpretação a ser aplicada, para sua compreensão: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, Fl. 131DF CARF MF 4 psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Percebam que o comando legal é no sentido de que não poderia optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que prestasse os serviços profissionais ali descritos. Da análise de tal regra é possível identificar que o núcleo da vedação era para a atividade efetivamente executada pela pessoa jurídica, não para atividade constante de seu objeto social, mas que não fosse executada. Logo, não há como atender à pretensão fazendária. Bem andou a decisão a quo ao identificar a atividade efetivamente realizada pela contribuinte em questão e entender que se tratava de atividade cuja pessoa jurídica que a exercesse não estava impedida de utilizar o regime simplificado então vigente. Vale a transcrição de trecho da referida decisão: Nessa esteira, A própria administração tributária federal, pacificou entendimento acerca da matéria na Solução de Divergência Cosit 10, de 15 de julho de 2002: "Empresa que presta serviços de orzanizacdo de festas e recepções pode optar pelo Simples. Fica, entretanto, vedado o seu ingresso e permanência no sistema se dentre suas atividades incluir a contrata 0o de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados." (grifo nosso) Destarte, sendo a atividade declarada e efetivamente exercida não vedada ao SIMPLES, nem havendo outros impedimentos legais, não há respaldo legal a impedir a opção de enquadramento no aludido Sistema. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 132DF CARF MF
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