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Numero do processo: 10814.009547/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 10/12/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Fl. 165DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n°03/08455291, em 10/12/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 582,78 (Quinhentos e oitenta e dois reais e setenta e oito centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5° das Medidas Provisórias n’s 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 42/43), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 10/12/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/10845291 tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 23/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 582,78 (Quinhentos e oitenta e dois reais e setenta e oito centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009547/200572 Acórdão n.º 310201.028 S3‐C1T2 Fl. 2 3 Anexou às fls. 22 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 46). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 46). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Noticia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Fl. 167DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 47/48 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITORIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 49/52). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 56/70, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10.182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10.182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 56/70 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Fl. 168DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009547/200572 Acórdão n.º 310201.028 S3‐C1T2 Fl. 3 5 Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de Fl. 170DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009547/200572 Acórdão n.º 310201.028 S3‐C1T2 Fl. 4 7 cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE Fl. 171DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 05 de maio de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 07/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10580.720634/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.088
Decisão:
Vistos, relatados e discutivos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário em razão da matéria - sigilo bancário, nos termos do voto do relator.
Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão objeto de repercussão geral, no Supremo Tribunal Federal.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário em razão da matéria sigilo bancário, nos termos do voto do relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão objeto de repercussão geral, no Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 63 4/ 20 08 -1 8 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.035 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1020/1032 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 969/1012) que manteve, em parte, o crédito tributário quanto aos autos de infração do Simples do anocalendário 2004. Quanto aos fatos, consta que a fiscalização da RFB, em 19/05/2008, lavrou: a) autos de infração do Simples (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS), anocalendário 2004 (fls. 762/802), imputando a infração Omissão de Receitas valor tributável R$ 930.157,87, com imposição de multa qualificada de 150% sobre esses tributos lançados, conforme transcrição, ipsis litteris: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Valores apurados conforme extratos bancários do contribuinte, para o anocalendário 2004,referentes a créditos efetuados em contas dos Bancos Bradesco, Brasil , Unibanco e Sudameris,os quais não t iveram suas origens comprovadas pelo contribuinte. O fato está detalhado minuciosamente no Relatório Fiscal , parte integrante deste auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/01/2004 R$ 47.071,42 150,00 29/02/2004 R$ 39.954,23 150,00 31/03/2004 R$ 84.624,03 150,00 30/04/2004 R$ 70.686,34 150,00 31/05/2004 R$ 63.093,21 150,00 30/06/2004 R$ 62.067,78 150,00 31/07/2004 R$ 163.612,43 150,00 31/08/2004 R$ 47.913,53 150,00 30/09/2004 R$ 117.703,50 150,00 31/10/2004 RS 83.466,78 150,00 30/11/2004 R$ 60.050,78 150,00 31/12/2004 RS 89.913,84 150,00 (. . .) Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.036 3 b) auto de infração de descumprimento de obrigação acessória (fls. 799/800), in verbis: (. . .) 001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. FALTA/ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS O contribuinte não forneceu, no prazo estabelecido à Receita Federal do Brasil , a informação de que estaria excluído do SIMPLES na condição de microempresa, nos moldes do § 3 o do art . 13 e do art . 21 da Lei n° 9.317/96, f icando sujei to à multa de 10% do total dos impostos econtribuições devidos no mês que anteceder o início dos efei tos da exclusão. Data Valor Multa Regulamentar 01/02/2005 R$ 159,82 (. . .) Em complemento à descrição dos fatos, consta Termo de Verificação Fiscal (fls.747/761): (...) I) DOS FATOS (...) A empresa fiscalizada, uma sociedade empresária limitada que atua no comércio varejista de materiais de iluminação, elétricos e de telecomunicações, apresentou, no anocalendário 2004, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (PJSI 2005) na condição de Microempresa, com sistemática de apuração do SIMPLES. Na mencionada declaração informou, para todos os meses do ano, não ter auferido nenhuma receita decorrente da prestação de serviços ou do comércio de bens. O responsável pelo preenchimento da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica foi o Sr. Wagner Andrade Souza, CPF n° 803.850.60572, sócio da fiscalizada que detinha 90% do capital social; o outro sócio, Sr. Werner Andrade Souza, CPF n° 018.209.32559, era detentor dos 10% remanescentes do capital social. (...) O início da ação fiscal no contribuinte supracitado se deu em 24 de agosto de 2007 com a ciência do Termo do Início de Fiscalização, dada por via postal com Aviso de Recebimento (AR), conforme comprovante anexo aos autos. Nesta data o contribuinte foi intimado a apresentar ao fisco, em 20 (vinte) dias contados da ciência, sua escrituração contábil (Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário) e fiscal para o ano de 2004, incluindo os extratos bancários das contas correntes movimentadas pela empresa naquele ano e o contrato social da empresa, com suas alterações. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.037 4 Em 19 de setembro de 2007 o contribuinte dirigiuse ao fisco, (...), para requerer dilação do prazo concedido no Termo de Início de Fiscalização, de mais 90 (noventa) dias, contados da data do protocolo da solicitação. A alegação apresentada fora de que o contador anterior da empresa não escriturou os lançamentos contábeis como obrigado estava, por lei (art. 7o, §1° da Lei n° 9.317/96), a fazer. Nesta data, nenhuma comprovação fora exibida ao fisco de providência adotada junto aos bancos para a obtenção dos extratos bancários exigidos. Analisada a solicitação do contribuinte, lavrei Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 20/09/2007, por mim assinado e pelo representante do contribuinte, o qual concedeu prorrogação de prazo de mais 20 (vinte) dias, para a entrega da documentação. Salientou o Termo de Constatação que a prorrogação concedida alcançou a apresentação do Livro Caixa, Livro de Registro de Inventário, contrato social e alterações e eventuais documentos auxiliares. Com relação aos extratos bancários, primeiramente solicitados ao contribuinte e por ele não apresentados, sem manifestação de providências adotadas para tanto, o fisco afastou o sigilo bancário do contribuinte, haja vista haver ação fiscal em curso e ser imprescindível o acesso à movimentação financeira do mesmo para a auditoria em curso, conforme hipóteses previstas no art. 33, inciso I e § 5o da Lei n° 9.430/96 e no art. 3o, inciso VII do Decreto n° 3.724/2001. Em 24 de outubro de 2007 o contribuinte compareceu ao Serviço de Fiscalização desta Delegacia da Receita Federal do Brasil para apresentar o contrato social e suas alterações e grande volume de Notas Fiscais (Entrada e Saída, inclusive de anos não objeto da fiscalização, como 2003 e 2005), documentos sem nenhuma repercussão fiscal na sistemática do SIMPLES (recibos de correio, comprovantes de pagamentos de título e restaurantes, contas de luz e água, correspondências internas, etc); todos os documentos encontravamse desordenados e as notas fiscais incompletas, sem abrangência de todos os meses de 2004. Apresentou também extratos de alguns meses de algumas contas bancárias movimentadas em 2004, os quais não permitiam uma auditoria completa. Ressaltese que, apesar do prazo concedido e dilatado, para entrega dos documentos, o contribuinte deixou de apresentar, em 24/10/2007, o Livro de Registro de Inventário (no qual deveriam constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, conforme determina o art. 7°, § 1º alínea "b" da Lei n° 9.317/2006). O LivroCaixa apresentado naquela data, por sua vez, não fora assinado pelo responsável legal do contribuinte, não possuindo, portanto, nenhum valor legal. Em 03/01/2008 o contribuinte fora novamente intimado a comparecer ao fisco para receber Termo de Intimação Fiscal n° 002, no qual fora reintimado a apresentar, em 05 (cinco) dias úteis daquela data, o Livro de Registro de Inventário e intimado, no mesmo prazo, a apresentar o Livro Caixa devidamente assinado e as Notas Fiscais de Saída ordenadas, expurgandose aquelas que não se referiam ao período fiscalizado. Assinou o Termo mencionado o bacharel Bernardo Miranda Fontes, CPF n° 071.012.52591, cuja outorga de poderes para representar o contribuinte já havia sido concedida em 20/07/2007. O mesmo recebeu, através do Termo de Devolução de Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.038 5 Documentos n° 003 o Livro Caixa sem assinatura, as Notas Fiscais de Entrada e de Saída e os extratos bancários apresentado sem ordem cronológica e sem corresponder à totalidade dos com os quais manteve movimentação financeira. Apesar de declarar no Termo de Constatação Fiscal n° 004, de 03/01/2008, que possuía contabilidade organizada, e que forneceria os livros Diário e Razão, estes nunca fooram entregues. Em 15/01/2008 foi protocolizada correspondência dirigida ao fisco informando o contribuinte que não apresentaria Livro de Registro de Inventário, por não existir contabilidade do período fiscalizado. (...) Finalmente, após analisar os extratos bancários enviados pelas quatro (quatro) instituições financeiras com as quais o contribuinte transacionou em 2004 (Bancos Unibanco, Sudameris, Bradesco e do Brasil), constatouse uma movimentação financeira que ultrapassou hum milhão de reais. Após se efetuar a conciliação das contas bancárias envolvidas, expurgandose lançamentos entre contas da mesma titularidade, o contribuinte fora intimado, em 16/01/2008, através do Termo de Intimação Fiscal n° 005, a justificar a origem dos créditos efetuados na contas n° 7235411 da agência 872 do Banco Unibanco, n° 0235653000 da agência 520 do Banco Sudameris, n° 8095 da agência 33260 do Banco Bradesco e n° 6739 da agência 2976 do Banco do Brasil. (...) II) DA SISTEMÁTICA DO "SIMPLES" (...) Consulta às bases da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Sistema SINAL05 Consulta Pagamento) evidenciou que o contribuinte efetuou recolhimentos mensais, no ano de 2004, vinculados ao código de receita 6106, que corresponde ao pagamento do Simples. A última parcela paga, em 12/01/05, referente ao mês de dezembro de 2004, informa ao fisco uma receita bruta acumulada de RS 59.978,54, o que acarretou pagamentos mensais à alíquota mínima de 3% sobre a receita bruta. Frisese que os valores de receita bruta mensal acumulada utilizados pelo contribuinte para os cálculos dos Darf divergem completamente daqueles informados na DIPJ 2005, na qual a receita anual informada é nula. Abaixo apresentamos os valores mensais recolhidos a título de Simples. (...) DAS INFRAÇÕES DETECTADAS 01) Depóstios bancários não contabilizados Depósitos bancários de origem não comprovada. Embora o contribuinte fiscalizado não possuísse os livros e documentos exigidos pela legislação, nos termos do art. 47 da Lei 8.981/95, por Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.039 6 falta de amparo legal, é incabível o arbitramento do lucro no caso de empresa optante pelo SIMPLES, antes da formalização da exclusão da mesma naquele regime de tributação simplificado, uma vez que neste regime não se apura lucro. Desta forma, esta fiscalização conduziu a constituição do crédito tributário de acordo com os percentuais de tributação preconizados pela Lei 9.317/96, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte optantes pelo SIMPLES. A exigência tributária decorreu do confronto entre os dados da movimentação financeira do contribuinte e os dados informados na sua Declaração Anual Simplificada, anocalendário 2004, o qual constatou grande divergência de valores. A autuação teve como pressuposto a constatação de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, mediante intimação, com documentação hábil e idônea. Observese que todas as contas auditadas foram previamente conciliadas, expurgandose os créditos decorrentes de transações entre contas de mesma titularidade, bem como dos estornos de encargos e de CPMF. Os créditos de origem não comprovada foram corroborados pelas Notas Fiscais apresentadas ao fisco, mediante intimação, contabilizadas no Livro Caixa, elaborado por exigência fiscal. (...) Pisese que o contribuinte, em todo o ano de 2004, declarou à Receita Federal como nulas suas receitas (na PJSI) e recolheu a título de SIMPLES, à alíquota de 3%, o correspondente a uma receita bruta de R$ 59.978,54. (Obs: a contribuinte apresentou ao fisco a Declaração Simplificada do Simples – PJSI 2005, anocalendário 2004 com valores zerados (fls. 06/23), porém fez pagamentos de tributos no Simples de forma avulsa sobre faturamento – receita bruta anual – de R$ 59.978,54) (...) No presente caso, em virtude da não comprovação da origem dos recursos recebidos pelo contribuinte, a fiscalização lançou de ofício, a título de omissão de receita, todos os depósitos bancários não contabilizados e identificados nas contas correntes da mesma, nos termos dos artigos 42 da Lei 9430/96 e do artigo 199 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99). Estendeuse à fiscalizada todas as presunções legais de omissão de receitas existentes na legislação vigente para os impostos e contribuições abrangidos pelo SIMPLES, procedendose à recomposição do resultado do período e à tributação do valor apurado como omitido, de acordo com os percentuais progressivos fixados em relação à receita bruta acumulada. (...) 02) Falta de comunicação da exclusão da empresa no Sistema SIMPLES Os trabalhos fiscais demonstraram que a microempresa ultrapassou, durante o anocalendário de 2004, o limite de receita bruta acumulada de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), e não efetuou, como lhe era Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.040 7 obrigação acessória fazer, nos moldes dos art. 13, inciso II, parágrafos 2o e 3o, da Lei n° 9.317/96, até o último dia útil do mês de janeiro de 2005, a comunicação de sua exclusão no SIMPLES na condição de Microempresa. Como conseqüência, e conforme determina o art. 21 do já mencionado diploma legal, foi aplicada uma multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que antecedeu o início dos efeitos da exclusão, valor este que não poderia ser inferior a R$ 100,00 (cem reais). "Art. 21° A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados no § 3o do art. 13, sujeitará a pessoa jurídica a multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), insusceptível de redução". (...) No caso em tela, o contribuinte deixou de enquadrarse como Microempresa no mês de março de 2004, quando sua receita acumulada totalizou R$ 171.649,68. Isto posto, concluise que a multa isolada cabível, pela falta de comunicação pela pessoa jurídica, de sua exclusão do SIMPLES, na condição de Microempresa, conforme determina o art. 21 da Lei n° 9.317/96, é de 10% sobre o imposto devido no mês de fevereiro de 2004. (...) IV) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS MULTA QUALIFICADA O lançamento de ofício implicou também a aplicação de multa de 150%, conforme disposto no art. 957 do RIR/99, in verbis: (...) Este fisco defrontouse com o evidente intuito de fraude de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento da Receita Federal do Brasil da ocorrência de fato gerador decorrente da percepção das receitas não oferecidas à tributação, receitas estas provenientes de diversas contas bancárias, conforme atestam as inúmeras notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. Nenhuma receita fora declarada pelo contribuinte na sua declaração do SIMPLES. Assim, tendo sido constatado o intuito doloso de sonegar, inconteste é a aplicação da multa qualificada. (...) Valores tributáveis mensais (e tributos lançados) estão demonstrados, além do auto de infração, no Termo de Verificação fiscal (fls. 747/761). O crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 178.048,54 (computados multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 30/04/2008), e está assim discriminado: Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.041 8 Auto de Infração Principal Juros de Mora (calc. até 30/04/2008) Multa de 150% Total IRPJ – Simples 4.039,32 2.001,26 6.058,96 12.099,54 PIS – Simples 4.039,32 2.001,26 6.058,96 12.099,54 CSLL – Simples 8.591,15 4.380,63 12.886,71 25.858,49 CofinsSimples 18.509,03 9.540,13 27.763,52 55.812,68 Contr. INSS – Simples 23.950,39 12.142,54 35.925,54 72.018,47 Simples – Multa Regulamentar 159,82 TOTAL 178.048,54 O sujeito passivo tomou ciência, pessoalmente, dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal, em 29/05/2008 (fl. 807), apresentando impugnação em 30/06/2008 (fls.808/825), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1 Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: a) que foi extrapolado o prazo 120 dias para a conclusão dos trabalhos do MPF; que a prorrogação por escrito, por mais 60 dias, ocorreu intempestivamente; b) que houve quebra ilegal do sigilo bancário sem ordem judicial; que, após ciência do termo de início de fiscalização, em razão da falta de escrituração contábil/fiscal do anocalendário 2004, pediu dilação de prazo de 90 (noventa) dias para fazer a escrituração contábil/fiscal, e assim atender à intimação fiscal (fls. 24/25); que a fiscalização concedeu dilação de prazo (outros vinte dias), conforme Termo de Constação Discal nº 001, de 20/09/2007 – fl. 28; porém, antes que houvesse a entrega dos registros contáveis (Livro Caixa, Livro Inventário e documentos de suporte dos registros contáveis), houve pelo fisco a emissão da Requisição de Movimentação Financeira – RMF para as instituições financeiras, em 03/10/2007 (fls. 30/41); que, por fim, o fisco não considerou os registros contábeis escriturados (efetuados após ciência do Termo de Início de Fiscalização); que houve precipitação da fiscalização em obter os extratos bancários. 2 Mérito: 2.1 – Juntada de documentos: que o cerne da autuação fiscal se funda na presunção de omissão de receitas sobre depósitos a crédito em contas correntes da impugnante, apesar de contabilizados e justificados durante o procedimento de fiscalização; que os créditos decorreram, simplesmente, de empréstimos e financiamentos bancários, bem como de contrato de mútuo entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico conforme instrumento de contrato social de fls. 828/830 e 833/834; que prestou esclarecimentos/justificativas à fiscalização em duas oportunidades, em 20/02/2008 e 27/03/2008, quanto à origem dos créditos em suas contas correntes bancárias (fls. 331/352 e 837/838); que, entretanto, a fiscalização não acolheu suas explicações e os documentos apresentados; Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.042 9 que, por conseguinte, na ocasião da apresentação da impugnação, juntou aos autos tais documentos já exibidos à fiscalização (fls. 826/955), ou seja: a) cópias de extratos bancários (fls. 841/871 e 872/896); b) registros contábeis, demonstrando o conta corrente, extraídos do livro razão da autuada (fls. 897/954); c) cópia do instrumento de contrato de mútuo (fls. 839/840); 2.2 Quanto ao valor da omissão de receitas: a) que devem ser expurgados das contas correntes (Banco do Brasil, Unibanco, Sudameris e Bradesco) os créditos de transferência eletrônica (on line) no montante de R$ 377.977,98, anocalendário 2004, que decorreram de aportes financeiros realizados pela empresa interligada ENERGY SAVER DO BRASIL LTDA ME, inscrita no CNPJ: 05.198.240/000166, respaldados em contrato de mútuo – suprimento de numerário (conta corrente entre as empresas ligadas). Juntou cópia de instrumento de mútuo, válido por dois anos, celebrado em 03/03/2003 (fls.839/840). Em relação à exclusão pleiteada, juntou planilha de fl. 820 (impugnação), listando, identificando, todos os créditos feitos na conta mantida, especificamente, no Bradesco que entende provenientes do dito mútuo, no total de R$ 101.367,70; que durante o procedimento de fiscalização já havia prestado informações ao fisco, nesse sentido (fls. 331/354); a1) que os valores de transferências entre empresas interligadas devem, portanto, ser expurgados da base de cálculo do crédito tributário perseguido pelo fisco; a2) que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme o Código Tributário Nacional: (i) é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido, como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; (ii) de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais; a3) que, portanto, o valor de tais transfêrencias entre empresas interligadas (contrato de mútuo, conta corrente) não pode ser considerado como acréscimo patrimonial, uma vez que, em algum momento futuro, será devolvido ao mutuante, não se enquadrando, assim, na hipótese de incidência da norma tributária; a4) que, da simples análise dos extratos bancários das sociedades, se constata existência de coincidência de data e valores de transferências entre as contas das empresas ligadas; que, destarte, se faz necessário conciliar as contas bancárias, para exclusão dos valores a título de empréstimo e devolução de empréstimo; b) que empréstimos bancários, a exemplo de financiamento para Capital de Giro, além de estorno de cheques não pagos, absurdamente foram considerados como entrada de receita tributável pela auditoria, apesar de justificados pela contribuinte; que as incongruências podem ser facilmente detectadas. Senão vejase: b1) que, no extrato da conta no Banco Brasdesco, se verifica, por amostragem, que no dia 21/01/04 existe um lançamento de crédito automático da Energy Saver através de DOC no valor de R$ 4.990,00 e o mesmo foi considerado pelo fisco como omissão de receitas; Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.043 10 b2) no dia 22/01/08, houve um crédito irregular na conta do Bradesco de R$ 125,00 e no mesmo dia foi estornado pelo próprio banco; b3) que, no sentido de comprovar operação de mútuo entre empresas ligadas, consta do extrato Bradesco que ingressou a crédito na conta corrente da impugnante R$ 5.000,00 em 06/02/2004 proveniente da Energy Saver; que, entretanto, no dia 03/03/2004, houve lançamento a débito, na mesma conta bancária de R$ 3.600,00 (transferência) – destino Energy Saver; que está nítido que as transferências ocorreram licitamente, respaldadas em contrato de mútuo, onde há lançamento a débito e a crédito entre as empresas do mesmo grupo, sem, contudo, ensejar qualquer mácula de fraude à legislação tributária; c) que a indicação de receitas nulas, na Declaração Anual Simplificada, ano calendário 2004, decorreu da precariedade das informações contábeis a que esteve submetida durante aquele ano, apesar de ter pago os tributos, os quais foram perfeitamente reconhecidos pela AuditoraFiscal; d) que, como a contabilidade da impugnante estava desorganizada e, por isso, não confiável, teria o mesmo efeito de informar receita nula ou qualquer outro valor. A intenção da contribuinte, naquele momento, não foi prestar informação falsa ao fisco, mas tão somente cumprir com a sua obrigação acessória, fugindo da multa pela não apresentação da Declaração Simplificada do Simples; d) que, posteriormente, a impugnante sentiu a necessidade de organizar melhor a sua contabilidade, momento que a regularizou; e) que os créditos foram totalmente contabilizados pela impugnante e levados os livros a registro na JUCEB, o que derruba a tese de omissão de receitas; f) que as origens dos recursos, por seu turno, também foram plenamente comprovadas através de extratos bancários, de livros contábeis e de justificativas apresentadas pelo contribuinte durante a ação fiscal, contudo não aceitas pela AuditoraFiscal; g) que em face da presunção de omissão de receitas, o fisco penaliza triplamente a impugnante: (i) por considerar tributáveis recursos oriundos de empréstimos, seja bancário ou de mútuo; (ii) por qualificar a multa de ofício para 150%, ao capitular a deficiência administrativa da impugnante em norma mais severa; (iii) por representar fiscalmente para fins penais os sócios da impugnante; h) que, não obstante a impugnação apresentada e em homenagem ao debate, considera incontroverso, em relação ao principal lançado do anocalendário 2004, apenas o valor de R$ 16.873,28, conforme cópia de parte de suposta declaração retificadora – Ficha 4A (fls. 955/966), em relação à Declaração Simplificada PJSI 2005, anocalendário 2004, transmitida com valores nulos (zerados). Não juntou aos autos compovante de entrega de que tal declaração retificadora tivesse sido, eventualmente, transmitida eletronicamente. 2.3 – Multa Qualificada (150%): que o fisco não comprovou dolo de fraude na conduta da impugnante. Por fim, com base nessas razões, a contribuinte, pediu: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.044 11 a) preliminarmente, a nulidade dos autos de infração, por vícios formais, materiais (vício na execução do MPF e quebra do sigilo bancário sem ordem judicial); b) no mérito, caso seja vencida na preliminar suscitada, a exclusão das transferências entre empresas ligadas que transitaram pelas suas contas bancárias e dos empréstimos bancários obtidos (refazer a conciliação bancária para expurgo das parcelas de origem comprovada); c) que seja reconhecido, como devido, tãosomente o principal do Simples no valor de R$ 16.873,28; d) que seja desconsiderada a representação fiscal para fins penais, e afastada a multa qualificada de 150%, pela falta de comprovação de dolo de fraude. A DRJ/Fortaleza, em face das razões suscitadas pela contribuinte em sua defesa, julgou a impugnação procedente em parte, ou seja: a) reduziu o montante das receitas omitidas de R$ 930.157,87 para R$ 906.639,39; b) deferiu o aproveitamento dos créditos (os recolhimentos efetuados espontaneamente a título do Simples do anocalendário 2004); c) reduziu a multa ofício de 150% para 75%; d) exonerou o crédito tributário da multa regulamentar aplicada por descumprimento de obrigação acessória do Simples. A propósito, a decisão a quo tem a seguinte ementa (fls.969/971), in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRORROGAÇÃO DA VALIDADE REGULARIDADE Os Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) foram prorrogados sem lapso temporal entre eles, e com a regular cientificação do sujeito passivo, inocorrendo pois qualquer irregularidade. Mesmo que houvesse ocorrido o vencimento do prazo do MPF, sem sua regular prorrogação, isso não constituiria hipótese legal de nulidade do lançamento, visto que o MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE FALTA DE ATENDIMENTO A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.045 12 intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRECIAÇÃO INCOMPETÊNCIA DAS DRJ As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ não detêm competência legal para apreciação de manifestações de contribuintes contra Representação Fiscal para Fins Penais lavrada por AFRFB, no exercício das suas funções. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE REVISÃO DA ATIVIDADE DE LANÇAMENTO Incumbe à autoridade julgadora efetuar, de ofício, eventuais reparos no lançamento tributário maculado por vícios de legalidade, de modo a fazer coincidir a atividade estatal com os ditames da lei tributária, se desses reparos não resultar agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL Incumbe ao titular da conta bancária, regularmente intimado, demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores ali creditados. Na falta dessa comprovação, incide a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EMPRÉSTIMOS COMPROVADOS PELO HISTÓRICO DA TRANSAÇÃO INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS Os créditos em conta bancária cujo histórico revela operação de empréstimo contratada pelo respectivo titular junto ao próprio banco não podem ser tratados como depósitos de origem não comprovada, para fins de aplicação da presunção legal de receita estatuída no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BANCÁRIOS VALORES ESTORNADOS, COMPROVADOS PELO HISTÓRICO DA TRANSAÇÃO INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS Os créditos em conta bancária estornados pelo próprio banco, conforme histórico aposto no extrato bancário, não podem ser tratados como depósitos de origem não comprovada, para fins de aplicação da presunção legal de receita estatuída no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.046 13 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL VALOR PROBANTE A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. A falta da documentação hábil e idônea em que estariam suportados os fatos registrados na contabilidade exclui desta o valor probante. OMISSÃO DE RECEITA ESCRITURAÇÃO DAS OPERAÇÕES AUTENTICAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO NA JUNTA COMERCIAL EFEITO O fato de levar a registro na Junta Comercial o Livro Diário contendo a escrituração das operações com base nas quais a fiscalização apurou omissão de receitas não opera o jurídico efeito de excluir a infração em que a contribuinte incorreu. A competência legal para apuração de infrações tributárias e lançamento de ofício do respectivo crédito é privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA DE OFÍCIO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE SÚMULA CARF N° 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF n° 25). Se a lei estabelece uma gradação de penas para a mesma infração, é lógico que a conduta sancionada com pena mais rude deve ter, em relação à conduta mais brandamente apenada, uma diferença qualitativa relevante, sobretudo se a diferença entre as multas cominadas é de 100%. LANÇAMENTO DE OFÍCIO VALORES RECOLHIDOS PELO SUJEITO PASSIVO DEDUTIBILIDADE A autoridade fiscal deve considerar os valores de impostos e contribuições referentes ao período de apuração fiscalizado, recolhidos pelo sujeito passivo, lançando apenas as diferenças apuradas. MULTA REGULAMENTAR FALTA DE COMUNICAÇÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES EXCESSO DE RECEITA BRUTA A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados, sujeita a contribuinte a multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), insusceptível de redução. No caso de a pessoa jurídica incorrer em excesso de receita bruta que a descaracterize legalmente como microempresa, a multa pela falta de comunicação incide sobre os impostos e contribuições relativos ao mês de dezembro do ano em que registrado o dito excesso, uma vez que os efeitos da exclusão só se operam a partir do primeiro dia do ano subseqüente. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.047 14 Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Inconformada com esse decisum (na parte que restou vencida) do qual tomou ciência em 22/11/2010 (fl. 1019), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22/12/2010 de fls. 1020/1032, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Reiterou a preliminar de nulidade do lançamento fiscal suscitada na instância a quo, por vício na execução do MPF e por quebra ilegal do sigilo bancário sem ordem judicial; No mérito, mediante pedido de diligência fiscal/perícia contábil, retiterou pela exclusão, em relação ao valor tributável da infração omissão de receitas, de todos as parcelas a título de empréstimos bancários ou mútuo entre empresas ligadas que transitaram pela conta bancária e que foram lançados equivocadamente como receitas omitidas; que é necessário proceder ajustes no valor tributável da infração imputada, pois, a título de exemplo, em relação à conta corrente mantida ou movimentada no Bradesco, identificou, por amostragem, operações de mútuo (entre empresas ligadas) computadas, indevidamente, no valor tributável da infração imputada, conforme da planilha (fl. 1029). É o relatório. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.048 15 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência de crédito tributário mediante autos de infração do Simples (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição –INSS) por omissão de receitas (Lei nº 9.430/96, art. 42), quanto ao anocalendário 2004. A contribuinte foi objeto de procedimento de fiscalização tendo em vista que entregara ao fisco a declaração do Simples sem movimento (receitas zeradas ou nulas) do ano calendário 2004. Ainda, a contribuinte, tendo tomado ciência do início do procedimento de fiscalização e da intimação para apresentação dos extratos bancários e dos livros contábeis e fiscais (Livro Caixa, Inventário etc) do anocalendário 2004, pediu dilação de prazo, reconhecendo, expressamente, a falta de escrituração contábil e fiscal; porém, em relação aos extratos bancários não apresentados no prazo legal dado no termo de início de fiscalização, o fisco não concedeu dilação de prazo, expedindo a RFM para os bancos e, em relação à escrituração contábil efetuada tardiamente (após a dilação de prazo), a fiscalização não levou em consideração o livro Caixa, pois não assinado pelo responsável técnico ou legal e os livros Inventário, Razão e Diário jamais foram apresentados à fiscalização. A decisão a quo reduziu o valor tributável da infração omissão de receitas imputada do anocalendário 2004 de R$ 930.157,87 para R$ 906.639,39, expurgando os valores de origem comprovada a título de empréstimos bancários contraídos pela recorrente, conforme fundamentação constante do voto condutor da decisão ora recorrida (fl. 1009). Quanto a parcela litigiosa do valor tributável da infração omissão de receitas, nas razões do recurso a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida na parte que restou vencida na instância a quo, suscitando as seguintes questões: a) preliminar de nulidade do lançamento fiscal por vícios formais ou matériais na execução do MFP e por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; e, b) no mérito: da necessidade de realização de diligência fiscal para exclusão, em relação ao valor tributável controvertido da infração omissão de receitas, de todos as parcelas a título de empréstimos bancários ou mútuo entre empresas ligadas, cujos valores transitaram pelas contas correntes bancárias e que foram, equivocadamente, considerados pelo fisco como receitas omitidas; que, em relação ao montante tributável controvertido da infração omissão de receitas: Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.049 16 a) busca a exclusão de R$ 377.977,98 referente a transferências a título de empréstimos contraídos da empresa ligada Energy Saver, cujos valores transitaram nas contas correntes mantidas nas instituições financeiras (Banco do Brasil, Sudameris, Unibanco e Bradesco). Nesse sentido, apenas a título ilustrativo, identificou na conta corrente mantida no Bradesco as parcelas indicadas na planilha (fls.820 ou 981/982) e que teriam sido, indevidamente, computadas pelo fisco no valor da infração imputada; que juntou cópia da escrituração (fls. 897/952) e cópias do extratos bancários (fls. 841/896); b) busca a exclusão de todos os valores atinentes a empréstimos bancários contraídos e que transitaram pelas contas correntes e que ainda não teriam sido expurgados. QUESTÃO PREJUDICIAL Existe uma questão prejudicial para exame do mérito da presente contenda. A recorrente questiona, nos presentes autos, a legalidade da legislação que autorizou a transferência de dados, movimentação financeira de suas contas correntes, diretamente pelos bancos ao fisco, mediante RMF (sem autorização judicial), na forma da LC nº 105/2001 (art. 6º) e Decreto nº 3.724/2001. A legalidade dessa legislação do afastamento do sigilo bancário sem autorização judicial, mas mediante emissão de regular RMF, é matéria objeto de discussão, questionamento, em infindáveis Recursos Extraordinários em tramitação no Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu, especificamente, no RE 601.314SP, conforme decisão publicada no DJ 20/11/2009, o caráter de repercusão geral à matéria (suspensão do julgamento desse processo), enquanto não enfrentada a questão de mérito pelo Órgão Pleno da Suprema Corte. Isso implicou, por conseguinte, sobrestamento do julgamento desse RE e dos demais RE em tramitação na Suprema Corte e, também, dos processos em tramitação, nessa matéria, nas demais instâncias do Poder Judiciário e, também, na esfera administrativa. No caso, não há dúvida alguma nos presentes autos que o fisco utilizou o mecanismo da Requisição de Movimentação Financeira (RMF) para obter das instituições financeiras os dados de movimentação finaceira da recorrente. A propósito, nessa parte, transcrevo trecho da narrativa dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos de infração (fls. 799/800): (...) Analisada a solicitação do contribuinte, lavrei Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 20/09/2007, por mim assinado e pelo representante do contribuinte, o qual concedeu prorrogação de prazo de mais 20 (vinte) dias, para a entrega da documentação. Salientou o Termo de Constatação que a prorrogação concedida alcançou a apresentação do Livro Caixa, Livro de Registro de Inventário, contrato social e alterações e eventuais documentos auxiliares. Com relação aos extratos bancários, primeiramente solicitados ao contribuinte e por ele não apresentados, sem manifestação de providências adotadas para tanto, o fisco afastou o sigilo bancário do contribuinte, haja vista haver ação fiscal em curso e ser imprescindível o acesso à movimentação financeira do mesmo para a auditoria em curso, conforme hipóteses Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.050 17 previstas no art. 33, inciso I e § 5o da Lei n° 9.430/96 e no art. 3o, inciso VII do Decreto n° 3.724/2001. (...) Finalmente, após analisar os extratos bancários enviados pelas quatro (quatro) instituições financeiras com as quais o contribuinte transacionou em 2004 (Bancos Unibanco, Sudameris, Bradesco e do Brasil), constatouse uma movimentação financeira que ultrapassou hum milhão de reais. Após se efetuar a conciliação das contas bancárias envolvidas, expurgandose lançamentos entre contas da mesma titularidade, o contribuinte fora intimado, em 16/01/2008, através do Termo de Intimação Fiscal n° 005, a justificar a origem dos créditos efetuados na contas n° 7235411 da agência 872 do Banco Unibanco, n° 0235653000 da agência 520 do Banco Sudameris, n° 8095 da agência 33260 do Banco Bradesco e n° 6739 da agência 2976 do Banco do Brasil. (...) No âmbito deste Egrégio Conselho, em relação a essa questão o art. 62A e parágrafos, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, dipõem, in verbis: Art. 62A.. (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ainda, no âmbito do CARF foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03 Janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, in verbis: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Apenas para argumentar, o Recurso Extraordinário (RE) 601.314SP foi manejado em face de decisão que julgou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.051 18 2001, que permite o repasse, transferência, das informações financeiras de correntistas, por parte dos bancos, ao fisco, mediante emissão da RMF. Nas razões do citado RE na Suprema Corte, contudo, consta a argumentação que esse dispositivo legal seria inconstitucional, uma vez que permite a trasferência de informações financeiras de correntistas dos bancos ao fisco sem autorização judicial, o que configura quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. Em face disso, no RE 601.314SP, como já dito alhures, foi reconhecido pelo STF o caráter de repercussão geral à matéria, conforme decisão publicada no DJ 20/11/2009. A questão foi levada para Sessão de Julgamento do Pleno do STF, no dia 20/12/2010. Ou seja: nessa data o pleno do STF se reuniu para julgar, especificamente, o RE 389.808 –PR contra decisão do TRF/4ª Região. O RE citado tratava de questionamento da constitucionalidade do repasse de dados de movimentação financeira de correntista pelo banco ao fisco, mediante RMF (sem autorização judicial). Quanto ao resultado do julgamento, por maioria simples de votos dos presentes, os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deram provimento ao Recurso Extraordinário (RE 389.808PR) em que a empresa GVA Indústria e Comércio S/A questionava o acesso da Receita Federal a informações bancárias da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial. Vale dizer, por cinco votos a quatro, os Ministros do STF entenderam que não pode haver acesso a esses dados bancários sem ordem do Poder Judiciário. Porém, essa decisão não teve caráter erga omnes, pois, pela ausência de um Ministro do STF na Sessão de julgamento, não se atingiu a maioria absoluta de votos. Na sequência, Ministros que haviam votado se aposentaram e jamais foi possível repetir a mesma bancada ou formação para conclusão da votação. Por conseguinte, a decisão valeu apenas para as partes do processo no citado RE. Portanto, a questão da constitucionalidade do acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeria de contribuintes (transferência de dados dos bancos para o fisco, mediate RFM) ainda será enfrentada pelo Pleno do STF, em face de sua nova composição/formação, em face do nº infindável de Recursos Extraordinários pendentes de julgamento que tramitam pela Corte Suprema. e em face da declaração ou reconhecimento do caráter de repercussão geral à matéria. Enquanto isso não ocorrer (julgamento dessa matéria pelo Pleno do STF), propugno pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso/processo administrativo, consoante RICARF, pois não há condições de ser julgado, em face do caráter de prejudicialidade da matéria aqui suscitada ou questionada pela recorrente, pois depende de julgamento pelo Pleno do STF, inclusive, tendo sido reconhecida de repercussão geral pela Suprema Corte. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.720634/200818 Resolução nº 1802000.088 S1TE02 Fl. 1.052 19 Por tudo que foi exposto, voto para sobretar o julgamento do recurso/processo. Após formalização desta Resolução, os autos do processo serão movimentados para a Secretaria da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão objeto de repercussão geral em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11128.006792/2005-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 21/07/2004
Produto comercialmente denominado "VITAMIN E 50% POWER FEED GRADE".
Tratando-se de preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pré-misturas, há que se promover sua reclassificação fiscal, empregando-se o subirem 2.309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, ao invés do 29.36,28.12, originalmente indicado pelo Sujeito Passivo.
Multa de Oficio de 75%. Aplicabilidade.
O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, 1 da Lei n° 9.430, de 1996, na medida em que representa prestação de "declaração inexata", maxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF if 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de oficio em razão de erro de classificação, ainda que a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita.
Multa por Ausência de Licença de Importação. Inaplicabilidade.
O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decreto-lei nº 37, de 1966. É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.708
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial recurso voluntário para afastar exclusivamente a multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de licença de importação.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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CASSAB COM, IND. LIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/07/2004 Produto comercialmente denominado "VITAM1N E 50% POWER FEED GRADE". Tratando-se de preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pré-misturas, há que se promover sua reclassificação fiscal, empregando-se o subirem 2.309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, ao invés do 29.36,28.12, originalmente indicado pelo Sujeito Passivo. Multa de Oficio de 75%. Aplicabilidade. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, 1 da Lei n° 9.430, de 1996, na medida em que representa prestação de "declaração inexata", maxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF if 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit ri" 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de oficio em razão de erro de classificação, ainda que a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. Multa por Ausência de Licença de Importação. Inaplicabilidade, O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decreto-lei n" 37, de 1966 É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Assinado cliginfliTIE'llie aro 10/09/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO toM dIgit .a-nenle onr 10/0I1010 por LUIS MARCELO C:ILJ RRA DE CAS E mi id o : ,;rn 21.)109:'2010 polo N.linist,-::cin do Fazenda 1)1 . (:ARI . MÍ H 142 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial recurso voluntário para afastar exclusivamente a multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de licença de importação, Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro, Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Auto de infração, lavrado em 10/10/200.5, para a cobrança da diferença do 1.1 — imposto de importação, do IPI, da contribuição para o P1S/PASEP e da COF1NS - Importação, bem como os acréscimos legais cabíveis, tendo em vista desclassificação fiscal da mercadoria importada. Consta da "Descrição dos Fatos" (folha 03), que faz parte integrante do citado auto de inflação, que: - através da D1 n" 04/0712916-7, registrada em 21/07/2004, o contribuinte importou a seguinte mercadoria 18.000 kg. de Vitamina E, nome técnico Acetato de DL-Alfa-Tocoferol, adotando o código tarifário NCM 2936 28 12, com aliquota do 1.1. de 0,00%, do IPI de 0,00%, PIS-importação de 0,00% e COFINS-importação de 0,00% A mercadoria foi desembaraçada através do canal verde de conferência aduaneira; - a fiscalização, posteriormente, verificou que a descrição da mercadoria informada na D..I encontrava-se incorreta, tendo sido omitido o nome comercial "VITAMIN E 50% POWER FEED GRADE", conforme constava da/atura comercial,. - o contribuinte informou ao fazer a descrição detalhada da mercadoria que a "classificação adotada está de acordo com a Decisão DIANA/COANA no, 002/99" Ocorre que a citada Decisão refere-se tão somente aos produtos MICRO VIT E PROMIX 50, do fabricante Rhône-Poulenc Nutrition Animale e ROVIMIX E-50 Adsorbato, do fabricante 171 Hoffinann — La Roche AG, portanto, diferentes da mercadoria importada através da DI 04/0712916-7; - em outra D1 do importador (no. 03/0084294/0) que foi objeto de conferência física com retirada de amostras (LAR 283/EQPEA), resultou na emissão do Laudo de Análise no. 0553.01 de 26/03/2003. Este Laudo informa que "não se tratava somente de Acetato de Vitamina E (tocofetol)", confirme indicado pelo contribuinte, mas sim de "Preparação constituída de Acetato de Tocoferol (Acetato de Vitamina E) e substâncias inorgânicas à base de sílica (excipiente), na forma de Alsl'Á lado digiLnln len te rn 10'W/2010 prJr [TOS mARcELO GUERRA DE CASTRO Auti: .1 . triTtRin digitalmente t,:m 1#A , 09i2O to Ni LUIS rviAt;IGE1. o GUERRA DE CASTRO Emitido F-11 20/0tV2t0 10 pio Ministõrio Fazendo 2 Dr H 143 S3-C1 T2 Ft 2 Processo n" 11128 006792/2005-29 Acórdão o" 3102-00 708 microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração animal c/ou pré-misturas"; - com base na 1`: e 6" RGI/SH a classificação correta para o produto é NCM .2.309.90 90; - o novo código NC11/1 2309.90.90 exige LI — licença de importação não-automática, a qual deixou de ser apresentada tempestivamente,. - assim, fica evidenciado que o importador adotou posição tarifária incorreta, deixou de apresentar a competente L1 e descreveu a mercadoria de forma incorreta. A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 27/12/2005 (ft 62 — verso), apresentou tempestivamente a Impuenação, em 2.5/01/2006 (fls. 63/s.$), onde alega em síntese que: - o produto importado pela hnplignante foi corretamente classificado sob o código 2936 2812, como Acetato de D ou DL Alfa de Tocoferol, nome técnico da Vitamina E .50%;,. - o enquadramento tarifário adotado pelo contribuinte para a correta classificação tarifária das mercadorias .foi baseado em resposta da DINOM — Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias, à Consulta Administrativa formulada pelo S1NDIRAÇÕES - Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (processo 10168.003154/98+36); - a fiscalização deve aplicar as decisões proferidas pelo DINOM/SRF, órgão máximo e competente para dirimir todas as dúvidas atinentes à correta classificação fiscal das mercadorias; - as Decisões proferidas em Consulta Fiscal vinculam a Administração Pública,- - na Notas Explicativas ao Capítulo estão expressamente indicados os produtos que "devem ser classificados como provitamina.s ou vitaminas na acepção da posição .2936", estando incluída nesta lista a Vitamina E. Transcreve trechos da citada Nota; - a Vitamina E 50kenr seu estado puro, somente é termoestável na ausência de oxigênio (ar) e da luz, propriedade que a torna de difícil manuseio e comercialização, pois, para efeito de estocagem e transporte, requer o acondicionamento a vácuo, em recipientes herméticos. Assim, a Vitamina E na forma de pó foi produzida a partir da sua absorção pelo dióxido de silício, passando, com isso, do estado líquido para o estado sólido (pá), adquirindo, inclusive, grande estabilidade para transporte, estocagem e manipulação, sem que esta adsorção interferisse nas propriedades bioquímicas da vitamina. De acordo COM a NESH , os produtos da presente posição podem ser estabilizados para torná-las aptos à conservação ou transporte por adsorção em substâncias apropriadas (ácido .sílico, por exemplo); Assinado cligiIalrnenla em 10100/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulenli(:ado digitalmente em 10/02/2010 por LUIS MARCELO GUERRA nE CASTRO Em/ido em 20/09/201C) polo Ministério da Fazenda 3 DE CART' M..E 1 i 44 - a presença de outros elementos tais como Acetato de rocojerol e Substância Inorgânica a base de Sílica, não tornam os produtos uma 'preparação empregada na alimentação de animais", capaz de exclui-los do capítulo 29; - é incabível a multa por importação desamparada de guia de impor fação ou documento equivalente por entender que a classificação fiscal adotada está correta, além disso, afirma que descreveu devidamente o produto por ela importado. Portanto, aduz que a mercadoria foi descrita sem nenhuma espécie de imprecisão que pudesse prejudicar sua identificação no momento da realização do despacho de importação. - requer que seja declarada a nulidade do auto de infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor ., decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classcação de Mercadorias Data do lato gerador.. 21/07/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Preparação constituída de Acetato de Tocaferol (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica (excipiente), na Mina de microesfera,s, a ser utilizada pelas indústrias . formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classifica-se no código NCM 2309.90 90, Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão recorrida em 23/03/2009, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 17/04/2009, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, acrescentando exclusivamente suas considerações acerca da aplicação das conclusões exaradas na Decisão Coana n° 002/1999, que, segundo alega, trata de produto idêntico ao debatido no presente litígio, É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção, O litígio trazido ao conhecimento deste Colegiada, como já mencionado, diz respeito à definição da correta classificação do produto comercialmente descrito como "V1TAMIN E 50% POWER FEED GRADE" e, se ratificado o equívoco apontado pelo Fisco, quais seriam as multas aplicáveis. Analiso cada uni desses pontos isoladamente a seguir, ligitalic ente ern iOOi2O10 por t..LiiS MARCELO GUERRA DE CAS1RO Autenticado dt'idniente 10400/2010 Doi' LUIS MARCELO GUERRA I3E CASTRO Emitido em 2010.1/20 I O pelo minisVnio da Fazenda 4 H 145 S3-C1 T2 Fl 3 Dl CA RU M.E Processo n" 11128 006792/2005-29 Acórdão n." 3102-00 708 1 — Classificação Fiscal Com relação à primeira questão, pelo menos segundo os elementos constantes dos autos, razão não assiste ao Recorrente, que pretendia empregar o código 2936,28,12 1 . A meu ver o produto em discussão deve ser classificado no subitem 2309..9090 da Nomenclatura Comum do Mercosul, código defendido pelo Fisco Com efeito, preliminarmente, há que se ter em mente que o produto ora debatido, efetivamente, não está formalmente protegido pelo palio da solução de consulta n° 002, de 1999, na medida em que, efetivamente, não se encontra elencado no rol de mercadorias submetidas à análise que culminou com aquele ato, que se limitou a ratificar a classificação de dois produtos com origem e fabricante diversos. Mais importante que que tal aspecto formal, a meu ver é a diferença entre as premissas que orientaram a expedição daquela solução de consulta cujas conclusões de pretende ver replicadas e as que foram consideradas pelo Fisco quando da lavratura do auto de infração litigioso De fato, segundo o D. parecerista, o processo de adsorção 2 (não confundir com absorsão) ao qual o produto consultado teria sido submetido não o tornaria apto a um fim especifico, confira-se excerto da pré-falada Solução de Consulta: Ora, como as mercadorias 1 e 2 são insumos para a produção das pré-misturas e a sílica expandida, posta nestas duas mercadorias, não modifica o caráter do acetato de dl-alfa- tocoferol, preservando sua aplicação geral, deve-se desconsiderar a posição 2309 para abrigar tais mercadorias. Além disto, há também aqui uma indicação valiosa sobre a posição mais adequada para comportar as mercadorias I e 2, ou seja, aposição 2936. Consequentemente, deveria ser aplicada a regra interpretativa assentada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) da posição 2309, que diz: Excluem-se da presente posição; e) As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou cmtiaglomerantes, por adsorção em uri, substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o cavale,' de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29,36). 1 2936 28 12 Acetato de D- ou DL-alfa-tocofero/ 2 processo pelo qual átomos, moléculas ou íons são retidos na superficie de sólidos através de interações de natureza química ou física (cf Dicionário Houaiss, edição eletrônica) Assinacr,) digitalmenle em 1O/09/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Aulenticado digitalmente em 1010912010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAS! RO ErnRido em 20109/2010 pelo Ministério da Fazenda 5 1)1:" (;:ARI' MI i. 1=16 Por outro lado, considerou o D parecerista que o processo de adsorção teria finalidade apta a atrair as Notas do Capítulo 29 e as Nesh da posição 2936, Confira-se: As Notas do Capítulo 29 da NCM apresentam o comando: 1 - Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente capitulo apenas comprvendem.. c) Os produtos das posições 2936 a 2939, os éteres e ésteres de açúcares e respectivos sais, da posição 2940 e os produtos da posição 2941, de constituição química definida ou não; f) Os produtos das alíneas "a", "b", "c', "d" ou "e" acima, adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; Desse modo as duas mercador ias em pauta podem ser locadas no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul. A certeza a respeito dessa locação advém das NESH, no seu Subcapítzdo X1 Provitaminas, Vitaminas e Hormônios, que orienta assim: Os produtos da presente posição podem ser estabilizados para tomá-los aptos à conservação ou transporte, - por adição de agente antioxidante, - por adição de agentes antiaglamerantes (hidratos de carbono, por exemplo), - por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, matérias graxas, por exemplo), mesmo plastificadas, ou - por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silício°, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tomem par ticularmente aptos para usos espec(ficos de prqfèrência à sua aplicação geral. Nessa mesma esteira, trouxe o parecerista à colação parecer do Comitê do Sistema Harmonizado (HSC) acerca da classificação (documento COM/AS - 21 Feb. 1998)„ De se registrar que, posteriormente, dito documento foi publicado por meio da Instrução Normativa SIZE - n° 99/99, onde se lia: Código: 2936 28 I. Preparações constituídas de vitamina E (cerca de 50% em peso) estabilizadas em zuna matriz por meio de agentes antioxidantes e de outros aditivos ou embebidas em sílica amorfa para sua conservação ou transporte. c. rn 10f09/2010 por LUIS MARCE1...0 GUERRA DE CASTRO equl 1ISPOW2010 por UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 20,1(f1/21.1 I R pelo Minisiário da Fazenda 6 11 147 S3-C1 T2 Fl 4 DE CA17.1" MT' Processo n° 11128006792/2005-29 Acórdão n " 3102-00 708 Ocorre que, no vertente processo, as características que deram suporte à solução de consulta são expressamente rejeitadas pelo laudo técnico que respaldou a autuação3. Confira-se as conclusões do instituto de análise (destaquei): Trata-se de Preparação constituída de Acetato de Tocoferol,. (Acetato de Vitamina E) e Substâncias (sic) inorgânicas à base de sílica (excipiente), na .forma de inicivesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal elou pré-misturas. Segundo Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (cópia anexa), preparações contendo 50% de Acetato de Vitamina E são utilizadas exclusivamente na produção de ração animal, após pré-mistura sobre um suporte adequado. ( A sílica na quantidade presente não têm .função de antiaglonierante, impureza, estabilizante e nem de agente antipoeira. Corno é possível verificar, o Laboratório Nacional de Análises, após a realização de exames laboratoriais no produto importado (e não o consultado), afirmou categoricamente que a sílica empregada deixa o produto apto a ser empregado em urna tinção específica, e que, por outro lado, tal substância não tem a função de estabilizante. Acerca do valor tais afirmações, não custa recordar o que diz o art. .30, capta e §§, do Decreto ri 70.235, de 1972,4 que determina a adoção, em seus aspectos técnicos, dos laudos elaborados pelo Laboratório Nacional de Análises, salvo se comprovada a improcedência desses laudos. Se não foi trazida aos autos qualquer elemento que infirme as conclusões dos experts, não vejo como deixar de considerá-las. Aliás, se cotejados os documentos de lavra do próprio Sujeito Passivo, a informação que se extrai é a de que o produto em discussão realmente só pode ser utilizado na finalidade apontada no laudo técnico. Veja-se o que consta do extrato de Licença de Importação à fl, 34 Produto 01 - Especificação VITAMINA E 3 Doc. à fi. 53. Art. 30, Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres, § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos, § 2" A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3" Atribuir-se-á eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei if 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) Aiooio dignahnenle E:ro 10/09/2010 por LUS MARCELO GUERRA DE CASTRO AOlonado 7digitialrfluide 1{.)?09/2010 lin LUC MARCELO GUERRA DE CASIRc-i) Emitido am 20/01:V20 10 polo Nfinistrin da Fazenda DE CARI . MI El 1.48 NOME TECNICO. AC7E:TATO DE DL-ALFA-TOCOFEROL NOME CIENTIFICO, ACETATO DE 2,5,7,8 TEIRAMETIL-2 (4,8,12-TRIIVIETIL TRICEDIL 6-CROMANOL) USO DO PRODUTO: SUPLEMENTO VITAMINICO EXCLUSIVO EM ATIVIDADES AGROPECUARIAS/ALIMENTAÇÃO ANIMAL (destaquei) (4 Nessa moldura, não vejo assumir a premissa de que o produto litigioso é idêntico ao que foi alvo da consulta fiscal, nem, consequentemente, tomar emprestadas as conclusões da Solução de Consulta 002, de 1999. Da mesma -forma, restou demonstrado que as notas do Capítulo 29 rejeitam a classificação do produto na posição 2936, em homenagem à RGI n° 1, não há como acatar a pretensão do Sujeito Passivo. Relembre-se do que diz a referida regra: 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES Importante ainda é recordar a Nesh que esclarece o conteúdo desse comando (destaquei): 1'9 Na disposição III) h) a frase "desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e No(as", destina-se a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capitulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capitulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias Conseqüentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, ai se incluiriam por aplicação da Regra 2 b) Restaria, portanto, avaliar se o subitem indicado pelo Fisco é realmente o que melhor classifica a mercadoria litigiosa. 2309 PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS 2309.90 Outras 2309.90.90 Outras Sendo certo que, de acordo com o laudo técnico, o produto importado é empregado com insumo na produção de ração animal, é importante que se tome em consideração as Nesh da posição 2309, onde se lê (os destaques não constam do original): Esta posição compreende não só as preparações forrageiras adicionadas de melaço ou de açúcares, como também as preparações empregadas na alimentação de animais, Assinado digitalmente rn 1G109/2010 por I.U[S, MARCELO GUERRA DE CASTRO Autentit.:ado digilalmenk ., em 1ni090010 par LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emilido em 20!09/20 O pio Ministério da Fazenda 8 1 49 S3-Cl T2 Fl 5 1.) A R1' MI Processo n" 11128 006792/2005-29 Acórdão n " 3102-00 708 constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, destinados: I) quer a fornecer ao animal uma alimentação diária racional e balanceada (alimentos completos); 2) quer a completar os alimentos produzidos na propriedade agrícola, por adição de algumas substâncias orgânicas ou inorgânicas (alimentos complementares); 3) quer a entrar na fabricação dos alimentos completos ou dos alimentos complementares. ) - OUTRAS PREPARAÇÕES A - AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A FORNECER AO ANIMAL A TOTALIDADE DOS ELEMENTOS NUTRITIVOS NECESSÁRIOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO DIÁRIA RACIONAL EBALANCEADA (ALIMENTOS COMPOSTOS "COMPLETOS") Estas preparações caracterizam-se pelo fato de conterem produtos que pertencem a cada um dos três grupos de elementos nutritivos seguintes: I) Elementos nutritivos denominados "energéticos" constituídos de matérias hidrocarbonadas, tais como amido, açúcar, celulose e gorduras, e destinados a serem queimados pelo organismo animal, para produzirem a energia necessária à vida e alcançar os objetivos dos criadores de animais. Podem citar-se como exemplo de substâncias de.sta espécie os cereais, beterrabas semi-sacarinas, sebos e palhas. 2) Elementos nutritivos ricos em substâncias protéicas ou minerais, designados "construtores". Ao contrário dos precedentes, estes elementos não são "queimados" pelo organismo animal, mas intervêm na formação dos tecidos e dos deferentes produtos animais (leite, ovos, etc.). São essencialmente constituídos por matérias protéicas ou minerais.. Podem citar-se como exemplo de matérias ricas em substâncias protéicas utilizadas para este fim, as sementes de leguminosas, as borras da indústria da cerveja, as tortas (bagaços) e os subprodutos lácteos. As matérias minerais destinam-se, principalmente, &formação do esqueleto do animal e, no caso das aves, da.s cascas dos ovos. As mais utilizadas contêm cálcio, fósforo, cloro, sódio, potássio, ler, o, iodo, etc .3) Elementos nutritivos "funcionais". São substâncias que asseguram a boa assimilação pelo organismo animal, dos elementos hidrocarbonados, protéicos e minerais. Citam-se as vitaminas, os oligoelenzentos, os antibióticos. A ausência ou carência destas substâncias ocasiona, na maior parte dos casos, pertubações na saúde do animal. digi151mente •rn 1C) ;092010 por L1115 MARCELO GUERRA DE CASTRO Auk:ritir.:ado O 1;31rnerift.: em 10i0/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAS1 RO Emitido em 20/09/2010 polo Miniszéro da Fazenda 9 CARI MI El. 150 C- AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS "COMPLETOS" OU "COMPLEMENTARES" DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comerciahnente pré-misturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos 03 vezes denominados "aditivos"), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma fbrma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde:- vitaminas ou pra vitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc A leitura sistemática dessas notas, permite concluir que, de acordo com a literatura técnica acostada ao laudo, a mercadoria importada se insere no grupo das preparações destinadas à fabricação de alimentos compostos, na condição de elemento nutritivo "funcional" e, como tal, correta é o seu enquadramento na posição 2309. Dentre os desdobramentos da referida posição citam-se: 2309 10.00 Alimentos para cães e gatos, acondicionados para venda a retalho 2309.90 Outras Sendo certo que não se discute sua aplicação corno alimento para cães ou gatos, restaria empregar a suposição 2309,90 Outras e, dentre os desdobramentos dessa subposição, o 2309,90.90, eis que não ventilou a presença de qualquer característica capaz de atrair o enquadramento nos itens 230990A0 a 2309.90,90 2309.90.10 Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos completos) 2309.90.20 Preparações à base de sal iodado, farinha de ossos, farinha de concha, cobre e cobalto 2309 90.30 Bolachas e biscoitos 2309.90.40 Preparações contendo Diclazuril 2309 90. 90 Outras 2 - Multa de Oficio Assinado digitaintenlo orn 111/09/2010 por LUiS MARCELO GUERRA DE CASTRO A‘Aenliuw10 :JigitalrEmde era 10/0F1/201) lizu LUIS MARCE1f.) GUERRA DE CASTRO Emitido era 20/0912010 [rido Ministério da Fazenda 10 1-1 151 S3-C1T2 Fl. 6 1:.)F Ci\ Processo n" 11128.006792/2005-29 Acórdão n.° 3102-00 708 Corno é cediço, o erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, 1 da Lei n° 94.30, de 1996 5 , na medida em que representa prestação de "declaração inexata". Nessa esteira, restando caracterizado que, de fato, a classificação declarada não é a cabível, somente seria possível afastar a penalidade se verificada circunstância excludente expressamente enumerada no Ato Declaratório Interpretativo SRF ri' 13, de 10/09/2002, em cujo art 1° se lê: Art. 1 0 Não constitui infração punível com a multa prevista no art 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Ar!, 2 0 Fica revogado o Ato Declaratário (Normativo) Cosi, n" 10, de 16 de janeiro de 1997. Conforme é possível extrair do referido dispositivo, a hipótese de erro de classificação não faz parte das condutas taxativamente elencadas no referido ato: reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex. Não custa destacar que, como se extrai do artigo 2" do mesmo ADI 13, de 2002, o ato declaratório que dava respaldo à exclusão da multa em razão de erro de classificação (ADN 10, de 1997) foi expressamente revogado desde 10/09/2002, data significativamente anterior ao fato gerador objeto do litígio6, Tão significativa quanto a ausência de previsão normativa para a pretensão é o fato de a descrição da mercadoria, diferentemente do alegado pela Recorrente, contém inexatidão capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco, Relembre-se, foi alegado que o produto estaria albergado por uma solução de consulta que contempla mercadoria diversa. 3- Multa por Falta de Licença de Importação Com relação a esse aspecto do lançamento, estou em que razão assiste ao sujeito passivo. Por razões diversas das manejadas, entendo que não se configurou a infração abstratamente prevista no art. 169 do Decreto-lei n° 37, de 1966, que teve sua redação alterada 5 Ari. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A declaração de importação litigiosa foi registrada em 21/07/2004. Assioarlo digilatinonte oro 10/0912010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO ALlieWinad0 digilárne-nte r-:an 10/0912010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 1 Emitido ern 201 0()121110 polo 11,finislério da Fazenda DF CAIU MI' El 152 pela Lei n° 6562, de 1978, à época regulamentado pelo Art 633 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 2002. Veja-se a redação do dispositivo regulamentar: Art. 633. Aplicam-se, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas., por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto-lei n°37, de 1966, art. 169 e § 6", com a redação dada pela Lei n" 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 29; II - de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decreto-lei n° 37, de 1966, art. 169, inciso 1, alínea "h" e § 6°, com a redação dada pela Lei n° 6,562, de 18 de setembro de 1978, art. 29; e Dúvida não há que o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento não-automático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g, o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigida, a não-automática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada em violação ao controle administrativo das importações, bem jurídico expressamente tutelado pelo art. 633 anteriormente transcrito. Ocorre que, por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Ou seja, se tanto o código tarifário indicado pelo Fisco, quanto o defendido pelo sujeito passivo estiverem sujeitos ao mesmo tratamento administrativo, não vejo como considerar que a mercadoria deixou de ser licenciada em razão do erro de classificação. Compulsando os autos, em especial o trecho do relatório fiscal à fl. 04 e o extrato de Licença de Importação à fl. 34, verifica-se que, apesar de lograr êxito na demonstração do equívoco na indicação da classificação fiscal, não restou demonstrado o prejuízo ao controle administrativo produzido por tal erro. Aliás, o que se infere do referido extrato é que o produto em análise foi efetivamente alvo de controle por parte do Ministério da Agricultura e Produção Agropecuária, mesmo órgão que seria responsável pelo controle administrativo, caso viesse a ser empregado o código tarifário correto. Assinado digilalf lente ern 10/09/2010 por LUIS NIARCELO GUERRA DL CASTRO Autentiitado digitalmente em 100912010 por 1..t.1 MARC,.:ELO GUERRA DE CASI RO Emitido erri 20169. 12010 peio Ntinistrio da Fatedlda 12 11. J53 S3-C1T2 El 7 CARE, N11. Processo n'' 11128 006792/2005-29 Acérdào n " 3102-1:10 708 4- Conclusão Ante a tais considerações, voto no sentido de dar parcial provimentó ao recurso voluntário para afastar exclusivamente a multa de trinta por cento do valor aduaneiro da mercadoria importada, capitulada no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro de 2002. Luis Marcelo Guerra de Castro Assinado cligiTtleWct. tml 10/09/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO AtAtillicado digitalmente etrn 10/09/201D por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emitido -t, t11 2010912010 polo Minislário da Fazenda 13
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Numero do processo: 12267.000321/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/05/2005
DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR.
DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN.
Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal.
O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2301-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em reconhecer a existência de vício no lançamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não reconhecer o vício, para análise do mérito; b) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em reconhecer o vício como formal.
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Declaração de voto: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em reconhecer a existência de vício no lançamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não reconhecer o vício, para análise do mérito; b) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em reconhecer o vício como formal. Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 21 /2 00 8- 28 Fl. 7667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Redator ‘ad hoc’ (assinado digitalmente) Declaração de voto: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 7668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.497 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra decisão que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. O crédito lançado por intermédio da NFLD se refere à contribuições sociais devidas aos Terceiros. Segundo Relatório Fiscal (fls. 255), o fato gerador das contribuições apuradas ocorreu com o pagamento de rubricas a título de reembolso de despesas diversas, consideradas pela fiscalização como sendo remuneração indireta, tendo em vista que a recorrente, apesar de intimada por meio de TIAD, deixou de apresentar a documentação solicitada. A autoridade lançadora informa que a empresa notificada ingressou com ações judiciais relativas às contribuições ao SAT e aos Terceiros, SESC, SENAC e SEBRAE, sendo o objetivo do presente crédito a prevenção da decadência. Esclarece que a fiscalização usou das prerrogativas previstas no artigo 33 da Lei n° 8212/91, especialmente no seu § 3o, e apurou o presente crédito sobre o total das remunerações pagas pela empresa à totalidade dos seus empregados, considerando todos eles como envolvidos nas atividades comerciais da empresa. A recorrente impugnou o débito alegando, entre outras coisas, cerceamento de defesa, por não ser possível o deslocamento de volumosa documentação, concentrada na sede da empresa, à filial do Rio de Janeiro, e incompetência da fiscalização para realizar o procedimento, uma vez que a sede da Impugnante está localizada em Rio das Flores, RJ, fora, portanto, da área de abrangência da Delegacia Previdenciária que procedeu à ação fiscal, que culminou no lançamento ora discutido. Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0811/2006 (fls. 975), julgou o lançamento procedente, e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls.1.011) , alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência de parte do débito e a possibilidade de juntada de provas no curso do processo administrativo. No mérito, tenta demonstrar a inexigibilidade das contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE para empresas prestadoras de serviço. Sustenta que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, a recorrente em nenhum momento se furtou à apresentação dos documentos por ela solicitados, informando que toda a documentação se encontrava na sede da empresa, em Rio das Flores. Assevera que os documentos anexados no recurso comprovam que os valores lançados na conta contábil “reembolso de despesas” não podem ser considerados salário Fl. 7669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 4 indireto, pois não remuneram o empregado, representando custeio de despesas incorridas em nome da empresa, sujeitas a posterior prestação de contas. Discorre sobre os princípios básicos da contabilidade, para concluir que os lançamentos constantes dos livros contábeis servem de prova absoluta, sendo de responsabilidade da fiscalização demonstrar que estes estão irregulares, e entende que é absurda a base de cálculo arbitrada pela fiscalização, uma vez que a recorrente apresentou a documentação que comprova a sua movimentação contábil. Ressalta que em nenhum momento a recorrente se negou a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, mas, ao contrário, colocou à disposição aqueles que lhes foram solicitados, e discorre sobre os reembolsos de despesas efetuados pela empresa, frisando que tais pagamentos nada acrescenta ao patrimônio dos empregados, mas apenas lhe permite recuperar o numerário despendido. Por meio do Despacho de fls. 2.413, a SRP baixou o processo em diligência, para que a fiscalização analisasse as provas documentais apresentadas pela recorrente em sede recursal, o que resultou na Informação Fiscal de fls. 2.424, por meio da qual a autoridade fiscalizadora retificou o lançamento, acatando parcialmente as alegações da recorrente. Os autos foram, em 27/06/2008, encaminhados ao então Segundo Conselho de Contribuintes e, em 07/05/2013, a recorrente solicitou a juntada do Laudo Técnico Pericial acerca do arquivo utilizado pela fiscalização, do acórdão com certidão de trânsito em julgado reconhecendo como domicílio fiscal da Empresa Município diverso daquele em que foi procedida a fiscalização, bem como documentos que comprovam que outras fiscalizações foram realizadas no domicílio fiscal da Empresa, em Rio das Flores. É o relatório. Fl. 7670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.498 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, registro o que se segue. Constatase que a notificada pugna, em sua defesa, pelo reconhecimento da nulidade do lançamento, argumentando cerceamento de defesa, por não ser possível o deslocamento de volumosa documentação solicitada pelo fiscal, concentrada na sede da empresa, à filial do Rio de Janeiro, e incompetência da fiscalização para realizar o procedimento, uma vez que a sede da Impugnante está localizada em Rio das Flores, RJ, fora, portanto, da área de abrangência da Delegacia Previdenciária que procedeu à ação fiscal, que culminou no lançamento ora discutido. Contudo, tal argumento não foi trazido em sede de recurso, e não deve ser conhecido de ofício, por não ser matéria de ordem pública. Todavia, ciente de que esse não é o entendimento da maioria dos membros deste Colegiado, e ciente ainda de que outros lançamentos lavrados contra a recorrente na mesma ação fiscal foram julgados nulos ao argumento de que houve desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo, esta Relatora passa, a seguir, à analise dos argumentos trazidos em sede de impugnação em relação à tal matéria.. Entendo que o fato de a ação fiscal ter se realizado em estabelecimento distinto do domicílio fiscal eleito pelo contribuinte não enseja a nulidade do ato do lançamento. Não restou demonstrado, pela recorrente, que houve prejuízo para a sua defesa o fato de a fiscalização ter se desenvolvido em estabelecimento distinto do domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Para que seja decretada a nulidade do lançamento, a recorrente teria que comprovar que os fatos narrados acarretaram prejuízo a sua defesa. A Consultoria Jurídica do MPS já fixou entendimento de que a alegação de nulidade deve vir acompanhada da demonstração do prejuízo a defesa, o que não ocorreu no presente caso. O PARECER/CJ Nº 3.014/2003, dispõe que: (...) 9. Consoante uníssono entendimento jurisprudencial, a alegação de nulidade deve vir acompanhada da demonstração objetiva do prejuízo para a defesa, bem assim sua influência na apuração da verdade substancial e seus reflexos na decisão da causa (nesse Fl. 7671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 6 sentido: STJ, REsp nº 250.086/RR, Sexta Turma, Rel. Min. Vicente Leal, DJ de 12/11/2001, p. 178; TRF/1ª Região, ACR 93.01.052614/BA, Quarta Turma, Rel. Juiz Hilton Queiroz, DJ de 18/01/2002).(grifei) Observase que a recorrente não logrou demonstrar que tal fato tenha cerceado seu direito de defesa, ou trazido prejuízo que ensejasse a nulidade do lançamento. A intimação para apresentação de documentos em domicilio diverso daquele eleito pela recorrente não configurou cerceamento de defesa, já que em nenhum momento, de seu recurso, a recorrente afirmou que não tenha recebido as intimações. No caso presente, observase que a recorrente recebeu a fiscalização, tolerou o procedimento fiscal, apresentou parcialmente a documentação solicitada pela fiscalização e, quando das respostas às intimações e após a lavratura da NFLD, alegou que aquele não seria o seu domicílio tributário. Entretanto, o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos e, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte o fato de a ação fiscal se realizar em estabelecimento diverso, não há que se reconhecer a nulidade da NFLD. O art. 127, § 2º, do CTN confere legitimidade à ação fiscal, uma vez que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos. Nesse sentido é a manifestação do Conselheiro Marco André Ramos Vieira em declaração de voto em processo de interesse da ora recorrente, cujo trecho reproduzo a seguir: Os trabalhos realizados por meio de equipe fiscal em outra localidade da desejada pelo sujeito passivo não ocasiona o cerceamento do direito de defesa, uma vez que a fiscalização caracterizase por uma fase investigativa, precedente à fase litigiosa. Na fase de investigação, o Auditor utilizará das prerrogativas do art. 142 do CTN, verificando a ocorrência do fato gerador, constituindo o crédito tributário, determinando a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo, e se for o caso, aplicando a penalidade. Sendo essa etapa exclusiva, e de ofício, tarefa da fiscalização, não há participação do sujeito passivo. Com a constituição do crédito, por meio do lançamento, haverá a notificação do sujeito passivo, momento a partir do qual lhe é facultada a impugnação do lançamento realizado; lhe sendo, aí sim, assegurado o contraditório e ampla defesa. Dessa forma, concluo que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período Fl. 7672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.499 7 correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Por todo o exposto, entendo que a NFLD não deve ser anulada, mesmo porque o Decreto nº 70.235/72 dispõe, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima, já que a NFLD foi lavrada por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte da NFLD juntamente com todos os relatórios que a integram, e entre eles o Relatório Fiscal da Infração, que encerra toda informação necessária para proporcionar, à notificada, a ampla defesa. Assim, não há que se falar em nulidade da NFLD. Nesse sentido, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 7673DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 8 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Redator 'ad hoc' Peço vênia a nobre Relatora, em que pese a perfulgência de seu voto, mas dele discordo, eis que há questão preliminar a ser analisada, referente ao equívoco cometido pelo Fiscal, quando do domicilio tributário do sujeito passivo. Esta Turma antes enfrentou questão igual nos autos do processos sob nº 12045.000459/200751, cujo o voto condutor foi do nobre Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes e, em razão de sua abrangência, transcrevo, pedindo vênia para fazer dele minhas palavras, onde assim foi a pronuncia: “... 3. Nesse aspecto, na assentada anterior, a então 2' CAJ resolveu enfrentar a questão do domicílio fiscal e não acatar a preliminar levantada pelo contribuinte, conforme declaração de voto dos membros daquele Colegiado no sentido de acompanhar o voto do Conselheiro Marco André Vieira, proferido nos seguintes termos: "Não acato esta verificação face o mesmo ser protelatório e, em segundo, quanto à preliminar do estabelecimento centralizador, não confiro razão a recorrente pois de acordo com o art. 127 do CTN a administração tributária pode eleger estabelecimento distinto ao apontado pelo contribuinte, não se tratou de fiscalização coordenada, mas sim, de fiscalização centralizada no estabelecimento situado na Rua São José nº 90, 7º Andar. É como voto." 4. Ocorre que tal questão não fez parte do dispositivo final do julgado, até porque o que a Câmara fez foi converter o julgamento em diligência, conforme assevera o resultado final do decisum: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em sessão realizada hoje, DECIDEM os membros da 2" Camara de julgamento do CRPS, preliminarmente e por unanimidade CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. na forma do voto do (a) relator (a) em sua fundamentação." 5. Ressaltese que, em momento algum, fez parte do dispositivo da decisão a solução dada pela 2' CAJ sobre a preliminar do domicilio fiscal do recorrente, ou seja, não houve trânsito em julgado administrativo quanto a essa questão, de maneira que podemos enfrentála novamente para firmar posicionamento definitivo. 6. Além do mais o Decreto 70.235 em seu artigo 59, inciso II, assevera que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa, que é exatamente o caso ora em tela. A seu turno a Lei 9.784/99, em seu artigo 63, §2°, Fl. 7674DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.500 9 também autoriza a administração a rever de oficio o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. 7. E eu não tenho dúvida alguma que o desrespeito ao domicílio tributário do contribuinte levou a uma ação clara por parte do fisco de cerceamento do direito de defesa do recorrente, sendo o caso de se rever de oficio o entendimento asseverado pela então 2ª CAJ 8. Frisese ainda que a questão poderia ser enfrenta, novamente, sob o ponto de vista do surgimento de fato novo, ocorrido após a conversão do julgamento em diligência, capaz de alterar o lançamento fiscal em seu nascedouro. 9. Como de fato ocorreu episódio novo, qual seja a decisão judicial no sentido de reconhecer o erro no domicilio tributário do recorrente, inclusive com determinação no sentido de "julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ", portanto, estabelecimento diferente daquele escolhido pelos auditores para executar procedimento fiscalizatório. 10. Com efeito, compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.6921001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 11. Com razão o contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicilio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 12. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicilio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 13. Com dito alhures, a questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicilio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso H, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontrase em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Fl. 7675DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 10 Por conta da 20a alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (lis. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, n" 90 — Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nª 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciciria que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicilio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2o do art. 127 do CT1V, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicilio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Não obstante repute louvável toda e qualquer medida administrativa que tenha como escopo resguardar o munas fiscalizatório dos órgãos públicos, mormente em se tratando de hipótese de persecução de débitos ,fiscais, a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicilio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do C7'N verificase que, a principio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2° do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicilio eleito..." , não se revela apropriada, visto que a definição do domicilio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da .fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora ,figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação ,fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a Fl. 7676DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.501 11 desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicílio tributário. O Municipio de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distância da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstância ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização/arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legitimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Divida Ativa e posterior ajuizamento de execuções ,fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da q “,..atão ata em temillem u Luttatutus.iiu de que. Lu dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS n" 6.247, de 28 de dezembro de 1999 que, revogando a Portaria n°458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995, promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicilio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declara, como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n°04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ Condeno o Réu no reembolso das custas judiciais e no pagamento de Fl. 7677DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 12 honorários de advogado, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. É como voto. EMENTA ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE – DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. O §º 20 do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio .fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III — Recurso provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes asacima indicadas. Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, à unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, constante dos autos, que fica fazendo parte integrante do presente julgado. Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2007. (data de julgamento) SERGIO SCHWAITZER RELATOR PROCESSO N°20035101.0224300 IV APELAÇÃO CÍVEL ( AC 1346266 ) AUTUADO EM 14.07.2004 PROC. ORIGINÁRIO N"200351010224300 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 19CI APTE: MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA ADV: JOAO LUIZ PINTO DA NOBREGA E OUTROS Fl. 7678DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.502 13 APDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADV: FERNANDO UNO VIEIRA RELATOR: DES.FED.SERGIO SCHWAITZER 7A. TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Em 07/12/2007 12:40 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(0) Décima Nona Vara Federal do Rio de Janeiro(GR 00/0162527)07/0162527 Em 27/11/2007 12:40 Trânsito em Julgado DATA DO ÚLTIMO PRAZO: • Em 05111/2007 16:44 Recebimento NA (0) SUBSECRETARIA DA 7A. TURMA ESPECIALIZADA" 14. Considerando a decisão judicial, a qual não pode ser desconhecida da administração, temos como assegurado que o domicilio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 15. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. 16. Com efeito, a fiscalização deixou de observar a legislação que disciplina a matéria relativa ao domicílio tributário, a começar pelo próprio Código Civil: Código Civil: "Art. 75. Quanto as pessoas jurídicas, o domicilio é: IV das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações ou onde elegerem domicilio especial no seu estatuto ou atos constitutivos." 10. A seu turno, o Código Tributário Nacional assevera com clareza. "Art. 127. Na falta de eleição. pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: ... Fl. 7679DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 14 II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às ,firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicilio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2"A autoridade administrativa pode recusar o domicilio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior." 17. Pelos dispositivos legais acima alinhavados, constatase que é pacifico o entendimento quanto ao estabelecimento do domicilio tributário por intermédio da fixação da sede da empresa. É bem verdade que o órgão fiscalizador pode recusar o domicilio eleito nas hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CTN, mas desde que o faça de forma justificada. Para tanto, o ato normativo cuidou de estabelecer regras para a fixação de oficio do domicilio. Neste caso, o estabelecimento centralizador é aquele onde se encontra a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral. 18. Em síntese, temos que, em regra, é respeitada a vontade do sujeito passivo na eleição de seu domicilio tributário e, conseqüentemente, de seu estabelecimento centralizador perante o fisco, que pode ser alterada de oficio nas hipóteses, comprovadamente, de impedimento ou dificuldade para a realização da auditoria fiscal. E no presente caso a fiscalização em momento algum recusou o domicilio eleito pelo recorrente preferindo, entretanto, defender o acerto da fiscalização no estabelecimento determinado pelos próprios auditores. 19. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 20. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. 21. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicilio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vicio formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 22. Assim, voto pela ANULAÇÃO do lançamento. Sala das Sessões, em ' de outubro de 2009” Fl. 7680DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.503 15 Como muito bem relatou o Conselheiro – Relator Damião Cordeiro de Moraes não houve respeito à vontade do sujeito passivo quanto a eleição do domicilio tributário, e, por esta razão há de ser reconhecido a nulidade da autuação por vício, cujo qual o declino como vício material, eis que diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento, onde está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. Ele trata da própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. No caso em tela vêse que o vício cometido pela autoridade fiscalizadora traz embaraço tamanho aos autos do processo que inviabiliza o Recorrente de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO O Recurso aviado acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido para DARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima expostas. Wilson Antonio de Souza Corrêa – Redator 'ad hoc' (assinado digitalmente) Fl. 7681DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 16 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos relacionados à matéria apresentada pela recorrente ou que consideramos como de ordem pública. Com a devida vênia, divergimos do ilustre Redator quanto ao desfecho do presente. Inicialmente, concordamos com a premissa de que a fiscalização intimou a recorrente, por diversas vezes em local diverso de seu domicílio fiscal, apesar de ser este local um de seus estabelecimentos. O trânsito em julgado da ação declaratória proposta pela recorrente nos leva a adotar tal premissa. Ressaltamos, entretanto, que o provimento jurisdicional somente declara o domicílio fiscal sem prever qualquer conseqüência para a a intimação enviada para domicílio diverso daquele de eleição nos moldes do CTN. A partir disso, o Redator concluiu que estaríamos diante de um caso de nulidade por vício material sem, contudo, apontar o fundamento legal para tanto. Tal argumentação genérica em relação à nulidade, registrese, foi acompanhada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9202002.413, julgado em 07 de novembro de 2012. Na tentativa de apontar a fundamentação legal que teria levado a tais posições, poderíamos buscar os fundamentos legais no art. 32 da Portaria 520/2004, in verbis: Art. 32. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 7682DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.504 17 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Certamente o caso não envolve lançamento por pessoa incompetente, então poderíamos justificar a nulidade pela preterição do direito a defesa ou por problemas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). De plano, podemos afastar a possibilidade de tal fato intimações na fase fiscalizatória em local diverso do domicílio de eleição acarretar cerceamento de defesa, tendo em conta que na fase fiscalizatória o procedimento é inquisitório, não se sujeitando os atos praticados nessa fase aos ditames do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a tese de que a intimação dos atos da autoridade fiscal em domicílio diverso daquele de eleição do contribuinte acarrete nulidade por cerceamento de defesa. Quanto ao MPF, passamos a registrar nossa aposição. Mandado de Procedimento Fiscal. Eventuais vícios no MPF não afetam relação jurídica fisco x contribuinte. Procedimentos fiscais concluídos entre 12/2007 a 06/2011. Partimos para desvendar as conseqüências jurídicas para o lançamento tributário de eventuais vícios quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Como nesta Câmara tratamos do julgamento de segunda instância de recursos que versem sobre o que o regimento desta Casa denomina de contribuições previdenciárias, bem como sobre as contribuições devidas a terceiros, temos que, de início, identificar a legislação aplicável ao MPF relativamente a tais tributos. No que tange às contribuições previdenciárias, o MPF foi criado pelo Decreto 3.969/2001, publicado em 16/10/2001, tendo mantido sua vigência até a edição do Decreto 6.104/2007, publicado em 02/05/2007. Assim, as regras relativas ao MPF devem ser buscadas Fl. 7683DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 18 no Decreto 3.969/2001, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, e no Decreto 3.724/2001, alterado pelo Decreto 6.104/2007, a partir de 02/05/2007. Para complementar as normas dos Decretos, foram editadas portarias, sendo aplicáveis a Portaria 4.066/2007, de 02/05/2007 a 11/12/2007, a Portaria 11.371/2007, de 12/12/2007 a 28/06/2001, e a Portaria 3.014/2011, de 29/06/211 até a presente data. Para o período que interessa ao caso é aplicável a Portaria 11.371/2007. Em resumo, o MPF, segundo o texto do art. 2º do Decreto 3.724/2001, é definido como uma ordem específica que instaura o procedimento fiscal, podendo ser um MPF destinado à fiscalização (MPFF), destinado a realização de diligência (MPFD) ou destinado a casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária ou previdenciária (MPFE) sendo sua emissão realizada por algumas autoridades definidas no art. 6º da Portaria 11.371/2007. Interessanos o MPFF, pois é este instrumento que pode preceder a constituição de crédito tributário pelo lançamento. Entre as informações constantes do MPFF destacamos o prazo para realização do procedimento fiscal (inciso IV do art. 7º, Portaria 11.371/2007), o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, o período de apuração correspondente e as verificações a serem procedidas para constatar a correta determinação das respectivas bases de cálculo, em relação aos valores declarados ou recolhidos nos últimos exercícios (§1º do art. 7º da Portaria 11.371/2007). O MPFF tem prazo inicial de 120 dias, podendo ser prorrogado quantas vezes for necessário, art.12 da Portaria 11.371/2007. Havendo o decurso de prazo, extinguese o MPFF, no entanto, o art. 15 da mesma Portaria estabelece que a extinção do MPF não implica nulidade dos atos praticados, podendo novo MPF ser emitido para a conclusão do procedimento fiscal. Considerando a síntese que fizemos sobre as normas que regem a matéria, podemos sugerir três violações possíveis às disposições da legislação sobre o assunto no seguintes casos: 1. Instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF; 2. Prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF; 3. Conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPF F e sem prorrogação ou um novo MPF tenha sido emitido. Para a primeira delas instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF o Decreto 3.724/2001 não previu, diretamente, qualquer conseqüência jurídica. No Fl. 7684DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.505 19 entanto, o descumprimento de tal norma pode ensejar responsabilização funcional por desobediência, por parte do servidor, ao dever de cumprir as normas legais e regulamentares, conforme estabelecido pelo art. 116, inciso III da Lei 8.112/90. Em relação à segunda violação – prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF – a portaria determinou no art. 16 que a extinção do MPF não implica em nulidade dos atos praticados. Mais uma vez poderia o servidor ser chamado responder por descumprimento de norma legal ou regulamentar, mas, seguindo o que determinou a legislação, os atos praticados seriam válidos. No caso da terceira violação possível conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPFF e sem que tenha havido prorrogação ou um novo MPF tenha sido emitido – a Portaria 11.371/2007 ou mesmo o Decreto 3.724/2001 não trazem qualquer previsão de nulidade. Portanto, qualquer eventual violação dos dispositivos do Decreto 3.724/2001 e das portarias que regem a matéria em relação ao MPF não gera conseqüências para a relação jurídica fisco x contribuinte, podendo, a depender do caso e de instauração de processo administrativo disciplinar, ensejar punição administrativa aos envolvidos. Passamos para a investigação de quais seriam as hipóteses de nulidade do lançamento validamente existentes em nosso ordenamento jurídico. Veremos as nulidades do ato administrativo do lançamento, sem abordarmos as nulidades processuais que podem surgir após o início do litígio com a apresentação da impugnação. Sabemos que o CTN foi recepcionado como lei materialmente complementar que veicula normas gerais em matéria tributária, tendo tratado do lançamento nos arts. 142 a 150. No entanto, o CTN não traz, explicitamente, qualquer hipótese de nulidade para o lançamento. Apesar de não fazêlo explicitamente, a interpretação sistemática das normas do CTN nos revela as hipóteses de nulidade do lançamento. Sendo o lançamento atividade privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142, a doutrina já reconheceu que sua natureza jurídica é de ato administrativo. Sobre o assunto, Paulo de Barros Carvalho esclareceu que: “lançamento é ato jurídico e não procedimento.... Consiste muitas vezes, no resultado de um procedimento, mas com ele não se confunde. O Fl. 7685DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 20 procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.”1 Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” Tomando o conteúdo de tal dispositivo, a doutrina2 identifica os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Segundo o escólio de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, os atos administrativos que possuem tais vícios são atos anuláveis.3 Com relação ao MPF, dois vícios têm sido apontados como ensejadores de nulidade: o vício de competência e o vício relativo à forma. Entre os que enxergam na ausência do MPF um vício de competência, encontramos a Conselheira Liége Lacroix Thomasi, que, no Acórdão 230100.076, de 03 de março de 2009, bem como em diversos outros do mesmo ano, incidentalmente expressou seu 1 Cf. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 2634. 2 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13ª ed., São Paulo: Atlas, 2001, p. 21924. 3 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 226. Fl. 7686DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.506 21 entendimento de que o MPF era um requisito formal indispensável para a prática do lançamento, pois representava “a habilitação do agente para o exercício da competência”. Também a exAuditoraFiscal, Mary Elbe Queiroz, vê no MPF um instrumento que atribui competência ao Auditor na medida em que afirma que este é o “veículo normativo legalmente autorizado para estabelecer as regras de competência e investir o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil nos poderes de fiscalizar de modo individualizado determinado contribuinte”.4 Respeitosamente, discordamos da ilustre Conselheira e da exAuditora. Já tivemos oportunidade de escrever sobre o assunto e aqui aproveitaremos algumas anotações daquele trabalho.5 Temos como induvidosa a importância da competência para os atos administrativos a ponto de cristalizarse o brocardo: defeito nenhum existe tão grande quanto o da competência.6 Embora tratando competência como sinônimo de capacidade, José Cretella Júnior7 fornecenos a dimensão da competência para o ato administrativo dizendo que “a falta de capacidade ou incapacidade do agente, quer absoluta, quer relativa, torna o ato ilegal, passível de conseqüências que podem culminar com seu total aniquilinamento”. Maria Sylvia Zanella Di Pietro8, professora titular de Direito Administrativo da Universidade de São Paulo, ao tratar dos vícios relativos ao sujeito, defende que “visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei...”9 A autora tratando do elemento sujeito do ato administrativo defineo como “aquele a quem a lei atribui competência para a prática do ato”. A ilustre professora das Arcadas, ao afastar a discricionariedade em relação à competência, reitera a gênese da norma que estatui a competência, insistindo que “a competência para a prática dos atos administrativos é fixada em lei; é inderrogável, seja pela vontade da administração, seja por acordo com terceiros”. 4 Cf. QUEIROZ, Mary Elbe. O Mandado de Procedimento Fiscal. Formalidade essencial, vinculante e obrigatória para o início do procedimento fiscal. Revista Fórum de Direito Tributário. Belo Horizonte, ano 7, n. 37, p. 5398, jan./fev. 2009, (p. 96). 5 Cf. SILVA, Mauro José. A competência para o lançamento e o Mandado de Procedimento Fiscal. Tributação em revista. n. 37, p. 1017, jul./set. 2001. 6 Nullus est maior defectus quam defectus potestatis. 7 Cf. CRETELLA JÚNIOR, José. Tratado de direito administrativo, vol. II, Teoria do ato administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 1966, p. 149. 8 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 186. 9 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 220. Fl. 7687DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 22 Em outra obra10, a autora caracteriza a origem na lei como garantia para o administrado no trecho: “Visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei e também quando o sujeito pratica exorbitando de suas atribuições” Amparados nessas seguras lições, já concluímos que “a fixação da gênese normativa da competência na lei encontra respaldo, portanto, da pacífica interpretação da doutrina sobre o instituto, e é autêntica garantia para o administrado”.11 Oportuno lembrar que não podemos confundir competência tributária com competência para o lançamento. Possuir competência tributária – aptidão para criar tributos in abstrato que é conferida constitucionalmente aos entes federativos – não se confunde com competência para o lançamento, pois esta deve ser entendida como a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo. Ao dizermos que competência para o lançamento é a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo tornase oportuno retomarmos a doutrina de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. A autora, instada, em 2002, a opinar quanto à competência para o ato administrativo do lançamento tributário, considerando o conteúdo do art. 142 do CTN e as leis instituidoras dos tributos, asseverou que: “A primeira observação a fazer é no sentido de que a competência para a realização dos procedimentos fiscais é privativa dos AuditoresFiscais nos termos do artigo 8° da Medida Provisória n° 2.17529, já analisada, e da legislação tributária também já mencionada. Como também é de sua competência privativa a constituição, me diante lançamento, do crédito tributário. Sendo sua a competência, por força de lei, não há fundamento legal para a sua limitação por meio de portaria da Secretaria da Receita Federal[referindose à Portaria SRF 3.007/2001 que primeiro tratou da matéria no âmbito da SRF]. Certamente não há impedimento a que as autoridades indicadas na portaria emitam o MPF quando tiverem conhecimento de fatos que devam ser objeto de fiscalização ou de diligência. Mas essa possibilidade não pode limitar ou impedir a iniciativa de cada AuditorFiscal para o exercício das atribuições que são inerentes ao seu cargo e cuja omissão pode caracterizar ilícito administrativo, civil e até criminal. 10 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 220. 11 Cf. SILVA, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 14. Fl. 7688DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.507 23 Também não há o mínimo fundamento legal para que o exercício de uma atribuição inerente a um cargo público fique dependendo de determinação de autoridade superior. (...) Aliás, contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa. Mencionando, mais uma vez, o conceito de cargo público contido no artigo 3° da Lei no. 8.112/90, verificase que, por ele, o cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades; sendo criado por lei, conforme parágrafo único do mesmo dispositivo, a lei é que define esse conjunto de atribuições e responsabilidades.”12 Merece destaque o trecho na qual a autora, com energia, afirma que “contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa”13. Com a maestria que lhe é peculiar, autora não deixou de considerar que o parágrafo único do art. 142 do CTN estatui que a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” e concluiu que: “o AuditorFiscal tem o dever irrenunciável de exercer todas as atribuições próprias do cargo, por força de lei, não podendo depender, para exercêlas, de decisão de autoridades superiores nem sofrer qualquer tipo de limitação. A omissão no desempenho de suas atribuições caracteriza improbidade administrativa, conforme artigo 11, inciso II, da Lei nº 8.249, de 2.6.92. Além disso, estará cumprindo ordem manifestamente ilegal se for impedido ou limitado no exercício de suas atribuições com base em MPF emitido em desacordo com a lei.”14 12 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella; MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Princípios constitucionais da administração pública. Aspectos relativos à competência do AuditorFiscal da Receita Federal e sua função de servidor de Estado. Brasília: Unafisco Sindical, 2002, p. 478. 13 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 48. 14 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 4950. Fl. 7689DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 24 Em conclusão de seu parecer, a autora asseverou que: “A competência para realizar o ato administrativo do lançamento tributário é do AuditorFiscal da Receita Federal, em razão de sua investidura no cargo, cujas atribuições são definidas em lei. Essa competência não pode ser condicionada ou limitada por portaria administrativa. O AuditorFiscal da Receita Federal pode exercer as suas atribuições independentemente da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal ou quando este esteja com prazo de validade vencido, sem que isto caracterize incompetência ou vício de nulidade que possa ser declarado pelas autoridades incumbidas do julgamento nos processos de contencioso administrativo.” (grifei) O entendimento acima expresso é corroborado pela sentença proferida em sede de mandado de segurança, pelo juiz Ivan Velasco Nascimento, da 8ª Vara Federal, segundo a qual a norma administrativa que disciplinava o MPF à época, Portaria SRF nº 1.265, de 1999, “é colidente com outras normas tributárias que ocupam patamares mais elevados”, afirmando ainda que: “Não há dúvida de que a exigência de prévia emissão do MPF F, para que o auditor possa cumprir o seu dever, ante a constatação da ocorrência de fato típico, é medida de efeito concreto que hostiliza o disposto no artigo 95 da Lei n° 4.502/94 c/c artigo 9º do DecretoLei 1.024/69 e cerceia o direito e dever, líquido e certo, do auditor executor da fiscalização”. Existem julgados do antigo 2º Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que já consideraram que problemas no MPF não acarretam nulidade no lançamento por vício de competência. Tratavam de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, mas podem ser aplicáveis ao caso, pois tudo que tratamos aqui sobre as nulidades do ato administrativo do lançamento não dependem de norma específica aplicável somente às contribuições previdenciárias. Vejamos dois Acórdãos: 20214693 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, principalmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela Fl. 7690DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.508 25 ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal, mas, de nada adianta estar habilitado pelo MPF, se não forem lavrados os termos que indiquem o início ou o prosseguimento do procedimento fiscal. E, mesmo mediante um MPF, o procedimento de fiscalização apenas estará formalizado após notificação por escrito do sujeito passivo, exarada por servidor competente. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que força o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização; isto importa em que, se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. CSRF/0202.543 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. Considerando as lições doutrinárias e a jurisprudência administrativa, bem como respeitando as normas que validamente regem a matéria, expressamos nossa conclusão de que o Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento.15 Apresentada nossa posição em relação à ausência de causa para nulidade do lançamento por vício de competência nos casos lançamento não precedidos de MPF ou que foram precedidos de MPF com algum vício de emissão ou prorrogação, passamos a enfrentar a 15 Cf. SILVA, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 17. Fl. 7691DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 26 segunda possibilidade de causa para nulidade do ato administrativo de lançamento: vício de forma ou vício por ausência de formalidades essenciais. Entre os que defendem a existência de vício de forma encontramos o ilustre Conselheiro dessa Turma, Damião Cordeiro de Moraes, que se manifestou nesse sentido no voto que proferiu na ocasião do julgamento do recurso 268.580. O Conselheiro concluiu que “o MPF é elemento imprescindível (formalidade essencial) a validade do ato de fiscalização, que precede a constituição do crédito tributário”. No mesmo sentido, a exAuditora Mary Elbe entendeu que o MPF “adquiriu status de um instrumento e uma formalidade essencial, indispensável para que o lançamento, como produto final do procedimento fiscal, seja executado e considerado válido”. No raciocínio de ambos os juristas encontramos duas premissas: o veículo normativo que institui o MPF seria apto a instituir uma formalidade essencial para o lançamento e os procedimentos de fiscalização são imprescindíveis para o ato administrativo do lançamento. Veremos que ambas as premissas devem ser afastadas. Já dissemos que a Constituição Federal, no art. 146, inciso III, alínea “b”, exige que as normas gerais sobre o lançamento sejam estabelecidas em Lei Complementar, sendo que os arts. 142 a 150 do CTN exercem tal função. Especialmente no art. 142 não encontramos a exigência de uma formalidade essencial que pudesse ser equiparada ao MPF. Ou seja, não há previsão no CTN para a existência de uma formalidade essencial para o lançamento similar ao MPF. Considerando que o MPF foi instituído por Decreto, fácil concluir que seu “status” de formalidade essencial – se é que existe foilhe concedido por norma infra legal que não estava autorizada para tanto pelo texto constitucional. Quanto ao lançamento ser, necessariamente, precedido por procedimento inquisitorial investigatório, Paulo de Barros Carvalho já foi categórico em assentar que “o procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.”16 Além de tal lição doutrinária, podemos observar que inúmeros lançamentos são realizados sem que qualquer procedimento investigatório seja realizado em situações nas quais a autoridade lançadora dispõe de todos os elementos para, em estrita obediência aos ditames do art., 142 do CTN, “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” . No campo da lógica simples já podemos descaracterizar a natureza de formalidade essencial do MPF, pois o que é essencial não se dispensa, existe em todos os casos, está sempre presente, o que não constitui a realidade do MPF. 16 CARVALHO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 2634. Fl. 7692DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.509 27 Ainda que fosse admitido o status de formalidade essencial ao MPF, esta seria uma exigência para o procedimento inquisitorial de investigação e não para o ato administrativo do lançamento que pode, como vimos, prescindir de um prévio trabalho investigativo. Assim, concluímos que o Mandado de Procedimento Fiscal diz respeito ao procedimento inquisitorial de investigação fiscal e não ao ato administrativo do lançamento em si, não possuindo, outrossim, status de formalidade essencial capaz de causar nulidade por vício formal no referido ato administrativo. Por fim, há aqueles, como a exAuditorFiscal, Mary Elbe,17 que entendem que o MPF é um instrumento garantidor do contraditório e da ampla defesa, ou mesmo outros, como o Conselheiro Leonardo no voto do recurso 268.580, que entendem a existência do MPF como corolário da segurança jurídica. Como é cediço não podemos falar em contraditório e ampla defesa na fase que antecede a conclusão do lançamento, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois concluído o lançamento e instalado o litígio administrativo com a apresentação da impugnação é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Quanto à segurança jurídica, Leandro Paulsen18 conclui que são cinco os seus possíveis conteúdos: (i) certeza do direito; (ii) intangibilidade das posições jurídicas; (iii) estabilidade das situações jurídicas;(iv) confiança no tráfego jurídico; e (v) tutela jurisdicional. 17 Cf. QUEIROZ, op. cit., (nota ), p. 62. 18 Cf. PAULSEN, Leandro. Segurança jurídica, certeza do direito e tributação: a concretização da certeza quanto à instituição de tributos através das garantias da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 165. Fl. 7693DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 28 Considerando que o conteúdo de certeza do direito diz respeito ao conhecimento do direito vigente e aplicável aos casos, de modo que as pessoas possam orientar suas condutas conforme os efeitos jurídicos estabelecidos, buscando determinado resultado jurídico ou evitando conseqüência indesejada, podemos admitir sua relação com a existência do MPF. No entanto, todas as normas a serem consideradas na aplicação da segurança jurídica devem ter sido validamente inseridas no ordenamento jurídico e estarem em plena vigência. Nesse sentido, Ricardo Lobo Torres,19 citando Tipke, afirma que a segurança jurídica é a segurança da regra. Assim, tendo sido demonstrado que não há qualquer regra validamente inserida no ordenamento jurídico que atribua o efeito de nulidade aos eventuais vícios relacionados ao MPF, não há qualquer violação à segurança jurídica a conclusão de que vícios quanto ao instrumento administrativo não geram efeitos na relação fisco x contribuinte. Por oportuno, não podíamos concluir nossa manifestação sem enfrentar a questão de que a existência do MPF pode contribuir para diminuir os eventuais desvios de conduta das autoridades fiscais e o aparecimento de golpistas particulares que atuariam como falsos AuditoresFiscais. A eventual função de auxílio ao combate a tais ilícitos que o MPF pode exercer não legitima, de per si e em afronta ao direito positivo, a consideração de que ocorreria nulidade quando da existência de quaisquer vícios quanto a tal instrumento de controle administrativo. Em apoio a nossa posição, tomamos, mais uma vez, as seguras lições da administrativista Maria Sylvia Zanella Di Pietro sobre o assunto. Afirmou a professora em parecer no qual considerou os efeitos da existência do MPF: “Os desvios de conduta, sempre possíveis de ocorrer, pela omissão no exercício das atribuições próprias do cargo, devem ser objeto de apuração e aplicação das sanções cabíveis. Não podem, contudo, levar a adoção ou imposição de medidas normativas contrárias à lei(...).” 20 Por todo o exposto, concluímos que a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas, insistimos, sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. Voltando para o caso presente, em resumo, portanto, não temos configurada quaisquer das hipóteses do art. 32 da Portaria 520/2004. 19 Cf. TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. II; Valores e princípios constitucionais tributários. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 173. 20 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Erro! Indicador não definido.), p. 50. Fl. 7694DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.510 29 Porém, poderíamos justificar a declaração de nulidade do lançamento se alguns dos elementos do ato administrativo do lançamento estivesse deficiente. Ocorre que não vislumbramos qualquer vício nos pressupostos de fato e de direito do lançamento. O lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Fl. 7695DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 30 Já existe manifestação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastando a nulidade em casos de problemas com o domicílio fiscal de eleição do contribuinte. Vejamos: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Acórdão nº 20601429 do Processo 35301010276200690 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÃ"NOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÃSNCIA DOMICà LIO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO NO INTERESSE DO FISCO. O domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado. Portanto, de per si, a intimação da recorrente durante a fase fiscalizatória em estabelecimento diferente daquele que elegeu para seu domicílio fiscal não causa nulidade no lançamento. No entanto, cada intimação em domicílio diverso daquele eleito deve ser, a princípio, considerada não realizada. Dizemos a princípio, pois a entrega equivocada da intimação é sanada na medida em que o contribuinte responde à referida intimação ou comparece no processo. Ma s a existência de tais vícios na intimação podem afetar nossa conclusão, se o lançamento for feito com base em arbitramento, a depender da justificativa para este procedimento especial. No caso presente, de fato, o lançamento foi realizado com fundamento no arbitramento previsto no §3º do art. 33 da Lei 8.212/91, in verbis conforme texto vigente à época dos fatos: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e Fl. 7696DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.511 31 aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9 de Julho de 2001) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Para tanto, a fiscalização apontou como motivação os itens 4.1 a 4.4 do Relatório Fiscal. Como podemos extrair do dispositivo em destaque, o motivo para o arbitramento deve ser a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Nesse sentido, parecenos que a motivação para o lançamento seria aquela constante dos itens 4.3. 1 a 4.3.3 e 4.4. 4.3. Por deixar a MI Montreal de: 4.3.1. apresentar os comprovantes de despesas relativos aos pagamentos e todos os documentos que fundamentaram os lançamentos contábeis das despesas lançadas nas contas abaixo discriminadas, onde conste no histórico do lançamento contábil os documentos denominados Comprovantes de Pequenas Despesas (CPD's) e Resumos de Prestação de Contas (RPC's); 4.3.2. apresentar a relação dos segurados vinculados aos pagamentos destas despesas, contendo a qualificação dos mesmos (CNPJ filial, nome completo, CPF, data de admissão, data de demissão, matrícula na empresa etc.); 4.3.3. identificar a natureza jurídica da prestação laborativa destes segurados (segurado empregado, autônomo, contribuinte individual, cooperado de cooperativa de trabalho etc. ). (...) 4.4. Por apresentar os arquivos digitais, definidos no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD), aprovado pela Portaria MPS/SRP N'058, de 2810112005, Diário Oficial da União (DOU) de 3110112005, com formatos e conteúdos incompatíveis com aqueles exigidos no referido manual (...) A questão a desvendar que interessa ao deslinde do presente é se os documentos e informações acima enumerados deixaram de ser apresentados ou confeccionados adequadamente por conta da intimação da recorrente em domicílio diverso daquele que elegeu em conformidade com o CTN. Fl. 7697DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS 32 Ora, nesse aspecto caberia à própria recorrente apontar que a intimação em estabelecimento que não correspondia ao seu domicílio fiscal resultou na impossibilidade de atendimento da intimação ou no seu atendimento deficiente, o que teria resultado em uma motivação falseada do arbitramento. Mas em nenhum momento tal argumento foi utilizado no Recurso Voluntário. A recorrente NUNCA reclamou que não recebeu as intimações. Depois que compareceu ao processo para apresentar sua defesa poderia ter manifestado sua surpresa em relação às intimações que nos autos constam, mas não o fez. O que reclamou é que a justificação do arbitramento não permitia identificar quais documentos não apresentou. Porém, o que ocorreu foi que a recorrente não observou os itens 4.3 e 4.4 acima transcritos, fixandose tão somente no conteúdo do item 1.5 do Relatório Fiscal para argumentar que a justificativa para o arbitramento foi genérica. Aliás, contrariando a tese de que teria havido prejuízo à Recorrente quanto ao atendimento das intimações, a Recorrente, em seu Recurso Voluntário, demonstra conhecer bem o conteúdo das intimações quando diz: "Os fiscais se limitaram a solicitar documentos e mais documentos somente para poder fundamentar seu absurdo procedimento através da recusa desses imaginários documentos. Repitase: a contabilidade da Recorrente não apresenta indícios de fraude. Da análise mais detida dos documentos anexados a este Recurso, outra não pode ser a conclusão senão a de que, ou a fiscalização não examinou todos os documentos disponibilizados correta e adequadamente, ou sequer os solicitou empresa na medida em que foram surgindo as dúvidas com relação aos lançamentos contábeis objetos desta NFLD. " A Recorrente discute a conclusão da autoridade fiscal de considerar não atendida a intimação, mas não demonstra desconhecer ou ter tido dificuldade em atender as intimações pela fato de ter sido intimada em local diverso de seu domicílio. E mesmo em relação ao acerto dos documentos apresentados, apesar de a fiscalização ter apresentado com clareza o que teria levado ao arbitramento, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que os motivos para o arbitramento não existiam, pois seus argumentos são genéricos. Assim, não tendo havido prejuízo para a Recorrente quanto ao atendimento das intimações decorrente do fato de ser outro seu domicílio fiscal, entendemos que o caso não enseja nulidade. Por oportuno, toda essa discussão sobre a validade de intimação recebida em estabelecimento que não seja o domicílio de eleição já havia sido pacificada nos antigos Conselhos de Contribuintes em virtude do conteúdo do Decreto 70.235/72. Embora não aplicável diretamente ao caso devido à data dos fatos geradores, serve para ilustrar como a questão tem sido tratada, como podemos conferir abaixo: Acórdão nº 10194717 do Processo 10768010249200285 20/10/2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA A indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é Fl. 7698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS Processo nº 12267.000321/200828 Acórdão n.º 2301003.687 S2C3T1 Fl. 2.512 33 procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer. NULIDADE DA INTIMAÇÃO INEXISTÊNCIA Valida a ciência tomada por pessoa com vinculação notória tanto com a incorporada quanto com a incorporadora, além de procurador da holding. NULIDADE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO VALIDADE A teor do disposto no artigo 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto 70.235/72, os procedimentos quanto ao lançamento serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Pelo exposto, mais uma vez pedimos vênia ao Redator para divergir de sua proposição de nulidade, votando na inexistência de nulidade por vício material e na necessidade de análise do mérito. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 7699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por BERNADETE D E OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002903/2005-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE
DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
A divergência interpretativa somente resta caracterizada quando, diante de
situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que
em face do mesmo arcabouço normativo que orientou o acórdão recorrido.
Não se presta a demonstrar o alegado dissídio interpretativo o paradigma
proferido quando as normas jurídicas que orientaram o acórdão recorrido
sequer encontravam-se em vigor.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira e Eduardo de Souza Leão (suplente convocado). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designado AD HOC para formalização do voto vencido.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada
EDITADO EM: 25/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente resta caracterizada quando, diante de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face do mesmo arcabouço normativo que orientou o acórdão recorrido. Não se presta a demonstrar o alegado dissídio interpretativo o paradigma proferido quando as normas jurídicas que orientaram o acórdão recorrido sequer encontravamse em vigor. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira e Eduardo de Souza Leão (suplente convocado). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 03 /2 00 5- 29 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignado AD HOC para formalização do voto vencido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada EDITADO EM: 25/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2802 00.476, proferido em 22/09/2010, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 02/02/2011, conforme intimação constante às fls. 267, o representante da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados pelo Despacho as fls. 275/276, do qual tomou ciência em 24/05/2011 e protocolizou o Recurso Especial, em 25/05/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suscita a recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 22/09/2010, a 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou o Recurso Voluntário n° 170.393, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 280200.476, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA 1RPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002903/200529 Acórdão n.º 9202003.545 CSRFT2 Fl. 16 3 Devem ser excluídos da base de cálculos, os valores comprovadamente referentes as verbas de períodos pretéritos, pois, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009 e do Ato Declaratório PGFN n° 1, de 27 de março de 2009. Recurso provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos do relator. O recurso está manejado quanto à discussão sobre a alegada incidência do imposto sobre a totalidade dos rendimentos recebidos acumuladamente. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado seguido de sua respectiva ementa: 10615.696 Ementa IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Incide imposto de renda sobre a totalidade dos rendimentos recebidos acumuladamente em razão do trabalho assalariado, nos termos do artigo 12 da Lei n° 7.713/88. IRPF MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Tendo a fonte pagadora (Centro Técnico Aeroespacial) prestado informação equivocada aos seus funcionários com relação à natureza de rendimentos pagos acumuladamente, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento da declaração de ajuste anual é escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de ofício. Recurso parcialmente provido. Submetido ao exame de admissibilidade, a i. Presidente entendeu pela admissibilidade/seguimento do Recurso Especial interposto. Perpassado tal procedimento, o Contribuinte foi devidamente intimado do decisum e recurso, tendo apresentado, tempestivamente, contrarrazões. É o relatório. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora Designada AD HOC para formalização do voto vencido. Pelo fato de o ConselheiroRelator ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Sendo tempestivo o REsp interposto e demonstrada a divergência jurisprudencial, CONHEÇO do Recurso. O cerne do litígio é o recebimento de rendimentos acumuladamente em decorrência na ação trabalhista RT 260/96, por meio da qual foram pleiteadas diversas verbas trabalhistas. Às folhas 29 consta a declaração da advogada na referida RT, discriminando que o valor bruto foi de R$178.544,23, no qual está incluído R$44.583.63 referente aos honorários do advogado (25%) e o imposto de renda na fonte de R$13.296,76. Em atenção às informações produzidas pelo Perito Judicial, de fls. 238 e seguintes, resta claro que as verbas referemse a diversos períodos, conforme sua natureza, a saber: 1) Horas extras de fevereiro de 1991 a julho de 1995; 2) Reflexo de horas extras sobre os DSR's e sobre o 130 mês de dezembro dos 1991, 1992, 1993 e 1994; 3) Reflexo de horas extras sobre as férias — mês de maio ou junho de 1991 a 1995; 4) Reflexo de horas extras sobre as verbas rescisórias , sobre saldo salarial em dobro, diferenças salariais — period() de afastamento (correção monetária) e diferença do adicional de transferência julho de 1995; e 5) Gratificação semestral janeiro e julho de 1995. Fica claro que os valores foram recebidos no ano 2000 de forma acumulada. O acórdão prolatado pelo DRJ recorrido fundamentouse no art. 56 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), cuja matriz legal é o art. 12 da lei n° 7.713/1998 para reconhecer que se aplica ao caso o regime de caixa. Peço licença aos i. Conselheiros para utilizar como razões de decidir as lições constantes do Acórdão n. 2801003.771. Registrese constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002903/200529 Acórdão n.º 9202003.545 CSRFT2 Fl. 17 5 FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011) Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Contudo, os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados em decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A (in)constitucionalidade ainda não foi declarada pelo Pretório Excelso e o dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, já se manifestou, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002903/200529 Acórdão n.º 9202003.545 CSRFT2 Fl. 18 7 pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentais) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520DJe 08/02/2013) Houve inclusive a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 que sedimentou o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. É fato também que esse Parecer da PGFN foi posteriormente revogado, mas de tal sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor, que transcrevemos, registrando que se encontra suspenso: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). “SUSPENSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. (Suspende o Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), que dispõe sobre a dispensa de recursos nos casos de imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, em face do acolhimento de Repercussão Geral pelo STF dos RREE 614.406 e 614.232). Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), editado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional com fundamento no PARECER PGFN/CRJ 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13.05.2009, Seção I, p. 9. Reconhecimento de Repercussão Geral nos RREE 614.406 e 614.232. Suspensão (Parecer PGFN nº 2.331, de 27.03.2010). Assim o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda publicado no Diário Oficial da União em 13 de maio de 2009, teve os seus efeitos suspensos em 27/10/2010, por intermédio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, o que significa dizer que a sua aplicação se restringe aos lançamentos efetuados no período de produção de seus efeitos (13/05/2009 a 27/03/2010). Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinamos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) No Recurso Especial (REsp 1118429 / SP) ao qual foi atribuída a sistemática dos “repetitivos”, acima transcrito, tratase de revisão de benefício previdenciário, uma vez que Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002903/200529 Acórdão n.º 9202003.545 CSRFT2 Fl. 19 9 era esse o caso que estava em julgamento. Contudo, observo que o Tribunal Superior vem aplicando a mesma tese também aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de sentença judicial trabalhista. Vejamos: Resp 383.309/SC. Recurso Especial 2001/01569679 Relator Ministro João Otávio de Noronha.Data do julgamento 07/03/2006 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. 2. O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. 3. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas às alíquotas vigentes à época em que eram devidos referidos rendimentos. 4. .... 5. Recurso especial parcialmente provido. (sublinhei/destaquei) No mesmo sentido: Resp 704.845/PR Recurso ESPECIAL 2004/01654173, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2008. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA E CONTRIBUINTE. INCLUSÃO DE MULTA. RENDIMENTOS ACUMULADOS. ALÍQUOTA APLICÁVEL 2. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas as alíquotas vigentes à época em que eram devidos os referidos rendimentos. (destaquei). Ainda, no REsp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Rel. Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) O que o STJ entende, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador, e que o artigo 12 da Lei nº 7.713/1998 rege o aspecto temporal, mas não o aspecto quantitativo: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial, usando essa interpretação como fonte de aplicação do direito e fundamento para decidir. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002903/200529 Acórdão n.º 9202003.545 CSRFT2 Fl. 20 11 Para sepultar qualquer discussão, aplico o art. 62A1, do RICARF, o entendimento manifestado pela Excelsa Corte que, sob repercussão geral, no mesmo sentido do já consignado nesse humilde voto: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.(RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe 043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL 0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ) Assim sendo, desnecessário discutir sobre a natureza das verbas envolvidas. DISPOSITIVO Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Especial interposto, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Discordo do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. O apelo visa rediscutir a forma de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, em cumprimento de decisão judicial. À guisa de paradigma, foi indicado o Acórdão nº 10615.696. Antes de proceder ao exame do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações, obviamente que em face do mesmo arcabouço normativo. Com efeito, não haveria qualquer sentido em estabelecerse dissídio jurisprudencial em face de arcabouços normativos diversos, sendo o contexto jurídico do paradigma muito anterior àquele em que foi exarado o acórdão recorrido. Destarte, tornase imprescindível perquirir sobre o arcabouço normativo que teria orientado os julgados recorrido e paradigma, mormente quando a matéria em questão vem sendo objeto de significativas alterações, principalmente no âmbito do Poder Judiciário. No caso do acórdão recorrido, tratase de rendimentos recebidos acumuladamente, em cumprimento de decisão judicial, cujo julgamento pelo CARF ocorreu em 22/09/2010, portanto já sob a égide do Parecer PGFN/CPJ/Nº 287, de 2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 2009, do Parecer PGFN/CAT 815/2010 e do art. 62 do RICARF. Confirase o voto condutor do acórdão recorrido (fls. 266): “O acórdão recorrido fundamentouse no art. 56 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), cuja matriz legal é o art. 12 da lei n° 7.71,3/1998 para reconhecer que se aplica ao caso o regime de caixa. É mister julgar o presente recurso voluntário com fundamento na Jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente, da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou repercussão geral ao tema e da publicação do Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN n° 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010 editados com fulcro na Lei nº10.522, de 19 de julho de 2002. O referido Ato Declaratório autoriza a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sabre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o calculo ser mensal e não global’, mencionando os seguintes julgados do STJ Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (Di 3110512004); Resp I 075'700/RS (DJ 17112/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901 945/PR (DJ 16/08/2007), Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002903/200529 Acórdão n.º 9202003.545 CSRFT2 Fl. 21 13 De acordo com o art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, é vedado aos membros do CARF afastar a aplicação de lei ou decreto, salvo nas hipóteses excepcionais descritas nos incisos do parágrafo único daquele artigo, entre as quais a lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 (alínea "a", inciso II, do parágrafo único do art. 62). Os casos que deram origem à jurisprudência em apreço referiamse a revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retomo ao serviço ativo. Em todos eles os valores são reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. Ademais, não houve decisão do STJ de anulação da exação, apenas ordem para refazer os cálculos. A titulo ilustrativo, é possível cotejar alguns dos principais julgados que consolidaram a jurisprudência do STJ: (...) Na mesma linha da jurisprudência consolidada no STJ, uma interpretação sistemática e não apenas literal, devese implementar essa interpretação nos casos que com ela for compatível. No caso dos autos, a situação é análoga aos julgados acima apontados, logo, por se referir a rendimentos de anos pretéritos recebidos acumuladamente em decorrência da RT 260/96, o valor lançado de ofício no auto de infração deve ser excluído da base de cálculo, nos termos do Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN n° 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010. Ao mesmo tempo, não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídico, mas tão somente afastar a exigência indevida. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso.” Assim, em face dos citados atos normativos, o Colegiado a quo entendeu por afastar a exigência. Quanto ao paradigma, foi indicado o Acórdão nº 10615.696, cujo julgamento no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes ocorreu em 26/07/2006, portanto muito antes da edição dos atos normativos que orientaram o acórdão recorrido. Constatase, assim, que o paradigma diz respeito a julgamento ocorrido anteriormente à edição do Parecer PGFN/CPJ/Nº 287, de 2009, do Ato Declaratório PGFN nº Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 1, de 2009, do Parecer PGFN/CAT 815/2010 e do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que orientaram o acórdão recorrido. Destarte, o julgado indicado pela Fazenda Nacional à guisa de paradigma jamais poderia conferir aos citados atos normativos, interpretação diversa da esposada no acórdão recorrido, simplesmente porque tais atos normativos, que constituíram as razões de decidir do aresto atacado, sequer existiam àquela época (2006). Com efeito, o voto condutor do paradigma trata da interpretação pura e simples do art. 12 da Lei 7.713, de 1988, que à época daquele julgamento efetivamente era o único ato normativo que tratava da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. A Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, interposto já em 25/05/2011, informa que em função de julgado proferido pelo STF em sessão de 20/10/2010, foi editado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2331/2010, suspendendose a eficácia do Ato Declaratório nº 1, de 2009, que dentre outras normas orientara o acórdão recorrido. Nesse passo, poderia ter indicado paradigma já com o novo entendimento, ou mesmo um paradigma que, analisando os atos normativos que orientaram o acórdão recorrido, tivesse chegado a conclusão diversa. Entretanto, o paradigma indicado, repitase, foi proferido em contexto normativo muito anterior àquele que orientou o recorrido, quando nenhum dos atos normativos nele citados existia no mundo jurídico. Assim, seria impossível que o paradigma trouxesse outra interpretação senão aquela adstrita à literalidade do art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988. O ordenamento jurídico tem buscado a evolução e, no que tange à prestação jurisdicional, tanto a esfera administrativa como a judicial têm adotado providências no sentido da celeridade e praticidade dos julgamentos. Nessa direção podem ser citadas soluções tais como as decisões judiciais na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, e no que tange ao CARF destacamse os comandos dos artigos 62 e 62A, do RICARF. Ademais, as próprias leis tributárias específicas vêm sendo aperfeiçoadas, no sentido de pacificar conflitos. Entretanto, tais medidas revelarseão inócuas, se a cada recurso a Instância Especial tiver de retroceder a fases muito anteriores do arcabouço normativo, em que tais mecanismos ainda não tinham seu lugar no mundo jurídico. Assim sendo, no entender desta Conselheira não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, razão pela qual não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002903/200529 Acórdão n.º 9202003.545 CSRFT2 Fl. 22 15 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por LUIZ EDUARD O DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.007327/00-43
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/07/1988 a 31/12/1995
EMBARGOS. REQUISITOS.
Atendidos os requisitos regimentais previstos no art. 65 do RICARF, os embargos devem ser conhecidos e acolhidos parcialmente a fim de sanar o período prescrito.
Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 9900-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão recorrida, nos termos do voto do Relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão recorrida, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/07/1988 a 31/12/1995 EMBARGOS. REQUISITOS. Atendidos os requisitos regimentais previstos no art. 65 do RICARF, os embargos devem ser conhecidos e acolhidos parcialmente a fim de sanar o período prescrito. Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão recorrida, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 27 /0 0- 43 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados em 7 de maio de 2013 contra o Acórdão no 9900000.663 Pleno, de 28 de agosto de 2012, do Pleno, que, relativamente a pedido de restituição, deu provimento ao recurso extraordinário do Procurador, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/07/1988 a 31/12/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Assiste razão à embargante quando aponta o erro referente ao termo final do período prescrito. Onde o relator escreveu 30/09/2000 era para ser grafado 30/09/1990. Tal equívoco resultará em um período prescrito maior que o devido e poderá, realmente, causar uma confusão na execução do acórdão ora embargado. O resultado seria provimento total e não parcial, conforme ficou consubstanciado no resultado do julgamento, caso não se corrigisse o referido erro. O erro na data do termo final do período cujo direito de se pleitear a restituição estaria prescrito faz com que seja necessário um novo julgamento para que seja acertado o acórdão proferido, corrigindose termo final da prescrição ocorrida. Como foram atendidos os requisitos regimentais previstos no art. 65 do RICARF, conheço os presentes embargos e os acolho parcialmente, sem efeitos infringentes a fim de reratificar o acórdão ora embargado nos termos acima. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10980.007327/0043 Acórdão n.º 9900000.946 CSRFPL Fl. 3 3 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 13884.000577/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF.
Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnê-leão, deve-se restabelecer o valor informado pelo contribuinte em sua DIRPF, em razão do erro na informação prestada pela fonte pagadora.
DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS.
Na ausência de indícios de irregularidade quanto aos recibos apresentados pelo contribuinte para comprovação das despesas, não se justifica a exigência, por parte do Fisco, da comprovação da efetividade do pagamento ou da prestação dos serviços. Nessas condições, o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar a despesa.
Recurso provido
Numero da decisão: 2201-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF. Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnê-leão, deve-se restabelecer o valor informado pelo contribuinte em sua DIRPF, em razão do erro na informação prestada pela fonte pagadora. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. Na ausência de indícios de irregularidade quanto aos recibos apresentados pelo contribuinte para comprovação das despesas, não se justifica a exigência, por parte do Fisco, da comprovação da efetividade do pagamento ou da prestação dos serviços. Nessas condições, o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar a despesa. Recurso provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA.
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ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF. Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnêleão, devese restabelecer o valor informado pelo contribuinte em sua DIRPF, em razão do erro na informação prestada pela fonte pagadora. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. Na ausência de indícios de irregularidade quanto aos recibos apresentados pelo contribuinte para comprovação das despesas, não se justifica a exigência, por parte do Fisco, da comprovação da efetividade do pagamento ou da prestação dos serviços. Nessas condições, o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar a despesa. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 05 77 /2 01 1- 26 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Em sessão plenária do dia 11 de fevereiro de 2015 foi julgado no CARF o processo nº 13884.000577/201126, porém até o momento o Conselheiro Relator não formalizou o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, nos termos do art. 17, inciso III, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, conforme Despacho de fl. 229. Transcrevese a minuta do relatório lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao anocalendário 2008/ exercício 2009, emitida em 28/02/2011, no valor total de R$ 14.606,28, incluídos multa e juros de mora calculados até 28/02/2011, em face da constatação de omissão de rendimentos e deduções indevidas por despesas médicas (fls. 05/10, conforme numeração de fls. após digitalização dos autos). A recorrente apresentou Impugnação de fls. 02/04, acompanhada dos documentos de fls. 05/13, pela qual requereu o cancelamento do débito fiscal, alegando, em síntese, que não houve qualquer irregularidade, de acordo com os seguintes argumentos. Com relação aos rendimentos de aluguéis ou Royalties recebidos de Pessoas Jurídicas, argumenta a recorrente que é usufrutuária de imóvel comercial locada à pessoa física Cláudia Maria de Oliveira Sobreira Marcondes, “(...) conforme demonstrativo de alugueres recebidos exercício 2007, no valor de R$14.400,00 (...)”. Todavia, esta informou à Receita Federal pagamentos como se realizados por sua pessoa jurídica CLAUDIA MARIA DE OLIVEIRA SOBREIRA MARCONDES ME, CNPJ nº 57.220.337/000121, no valor de R$15.620,00. Já sobre a infração de dedução indevida com despesas médicas, a contribuinte afirma que estas referemse à despesas da próprias e que apresentou declaração dos profissionais que prestaram os serviços. Argumenta ainda não entender porque a Receita Federal não intimou os profissionais responsáveis pela emissão dos recibos para que prestem os esclarecimentos necessários, já que alega a recorrente ter efetuado os tratamentos, apresentando os recibos e declaração dos profissionais que comprovam o fato, “(...) conforme consta do termo de impugnação de 13884001542/201023.” A DRFBJ afastou as preliminares argüidas e julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 128/135 da cópia digitalizada do processo), informando ainda que os recibos emitidos por Marisa de Fátima Maciel Muraoka não atendem aos requisitos legais exigidos – ausente o endereço profissional. verificouse que os documentos de Maria Teresa Mazzocca Dourado, além de não conter o endereço profissional, não trazem o dia de sua emissão, mas apenas mês e ano. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário (fls. 150/164) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13884.000577/201126 Acórdão n.º 2201002.673 S2C2T1 Fl. 120 3 Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator had doc para formalizar o acórdão. Transcrevese a minuta do voto lida em sessão e disponibilizada pelo Conselheiro Relator no repositório institucional de minutas de acórdãos (Pasta "P"): Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Rendimentos de Aluguéis ou Roylties Recebidos de Pessoas Jurídicas Alega a recorrente, em sede de Impugnação, que não houve omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, locatária CLÁUDIA MARIA DE OLIVEIRA SOBREIRA MARCONDES, durante o exercício 2009, ano calendário 2008, tendo a recorrente apresentado tais valores em sua Declaração de Ajuste Anual. A DRFJ afirma, por outro lado, que as informações prestadas pela pessoa jurídica de CLAUDIA MARIA DE OLIVEIRA SOBREIRA MARCONDES ME, CNPJ nº 57.220.337/000121, no valor de R$ 15.620,00, divergem daquelas apresentadas pela recorrente (fls. 53). Em suas razões recursais, junta demonstrativo de recebimentos de aluguéis e contratos de locação (fls), e cujo respectivo imposto foi devidamente recolhido por carnêleão (fl. ). Há inclusive notificação da recorrente à locatária pessoa física, para que esta retifique a sua DIRF, na qual consta como locatária a pessoa jurídica CLAUDIA MARIA DE OLIVEIRA SOBREIRA MARCONDES ME. Aliás, conforme observação feita pela própria DRJ (fl. 140), os documentos constantes do dossiê fiscal da recorrente comprovam que, desde 1992, o imóvel comercial loja nº 13 do Shopping Center Esplanada é de propriedade de Cláudio Martins Barreto e Luciano Martins Barreto, com usufruto da Sra. Glória Maria Martins (fls. 79/87) e, em 1994, foi locado para a Sra. Cláudia Maria de Oliveira Sobreira Marcondes, CPF 137.680.04899, na condição de pessoa física (fls. 61/67). A DIRF apenas tem por efeito vincular o declarante à veracidade das informações prestadas, bem como determina a responsabilidade da fonte pagadora pelo recolhimento do imposto declarado como retido. Não se presta a criar obrigação tributária a terceiro, ao menos que a fiscalização tenha demonstrado, de modo inequívoco, a omissão de rendimentos dos alugueis recebidos pela pessoa física, o que ao meu ver, não restou devidamente comprovado nos autos em razão do contrato de locação apresentado firmado em nome da pessoa física e da declaração de rendimentos recebidos de pessoas físicas e cujo imposto foi recolhido por carne leão. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Posto isso, voto pelo cancelamento da glosa referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Deduções por Despesas Médicas A validade dos recibos e declarações deve ser avaliada apenas em virtude do que dispõe a lei, conforme exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250/95, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. De acordo com a decisão recorrida os recibos emitidos por Maria Teresa Mazzocca Dourado e Ângela Martins Ferreira Silva não atendem aos requisitos legais exigidos, dada a ausência da indicação do endereço profissional. Os documentos de Maria Teresa Mazzocca Dourado, além de não conter o endereço profissional, não trazem o dia de sua emissão, mas apenas mês e ano. A exigência de provas adicionais quanto à veracidade dos recibos não podem ser fundadas exclusivamente em ilações subjetivas a respeito da forma de pagamento ou dos valores do tratamento, mas, sim, em provas concretas a respeito da ausência de prestação de serviços ou dos pagamentos efetuados. Com base nos enunciados legais acima apontados, passo à análise dos recibos glosados pela autoridade fiscal. Reconheço a dedutibilidade das despesas com os profissionais Manoel Luiz Gonçalves Brito (fls. 184/18) Maria Tereza Mazzocca Dourado (fls. 187), Ângela Martins Ferreira Silva (fl. 199) e Luiz Henrique Rocha Rebello (fls. 193 e seguintes). Lá constam, nome, endereço, inscrição profissional e CPF dos profissionais e indicação do beneficiário do tratamento, qual seja, o próprio recorrente. Neste sentido, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ACÓRDÃO: 9202003.159: DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. O fato das declarações terem sido juntadas apenas na fase recursal, não impede o seu reconhecimento, por força da verdade material e do formalismo moderado. Nesse sentido CARF, 2a. Seção 2a Turma Especial, ACÓRDÃO: 2802 002.155: DOCUMENTOS TRAZIDOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO. Conhecese de documentos trazidos em sede recursal, em homenagem ao princípio do formalismo moderado. Por fim, dado provimebnto integral ao recurso, prejudicada a alegação da confiscatoriedade da multa de ofício. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13884.000577/201126 Acórdão n.º 2201002.673 S2C2T1 Fl. 121 5 Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a improcedência da acusação de omissão de rendimentos provenientes de aluguéis e reconhecer a dedutibilidade das despesas médicas glosadas. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc para formalização do acórdão (Despacho de efl. 229) Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/08/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10980.723763/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL.
Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10.865/2004.
Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Dmorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10.865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10.865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 63 /2 00 9- 36 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’morim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 579), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte WOODGRAIN DO BRASIL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0633.997, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada por insuficiência de direito creditório, negandoo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento de crédito da Cofins não cumulativa vinculado às receitas de exportação do 1º trimestre de 2007, no valor de R$ 554.117,72 (quinhentos e cinqüenta e quatro mil e cento e dezessete reais e setenta e dois centavos), formalizado através do PER/DCOMP nº 13523.26068.020908.1.1.090096. A análise do referido pedido foi realizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que, em conclusão aos trabalhos realizados, emitiu o Despacho Decisório DRF/CTA, de 30 de junho de 2010, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 372.425,51 (trezentos e setenta e dois mil e quatrocentos e vinte e cinco reais e cinqüenta e um centavos). Ressaltese que a análise do pedido foi efetuada em atendimento a liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2009.70.00.0210978/ PR. Conforme consta da decisão mencionada, a autoridade fiscal realizou, primeiramente, um ajuste nos valores das receitas informadas no DACON. Foram considerados como receitas de exportação e do mercado interno os valores constantes dos Livros de Registro de Saídas, excluindose os valores das receitas financeiras.. Em conseqüência dessas correções, a autoridade procedeu a um novo cálculo do rateio proporcional a ser aplicado sobre os valores dos créditos da não cumulatividade. No tocante aos créditos da nãocumulatividade a autoridade administrativa realizou glosas nas seguintes rubricas: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723763/200936 Acórdão n.º 3802004.198 S3TE02 Fl. 581 3 a) Bens Utilizados como Insumos: relativamente às Notas Fiscais da empresa Vidia Comércio e Serviços Técnicos Ltda., CNPJ nº 00.737.615/000103, cujas aquisições foram realizadas com “Suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS”, em razão do Ato Declaratório Executivo nº 22/2005, que habilitou a interessada como empresa preponderante exportadora nos termos da IN/SRF nº 595, de 2005. Nessa situação descrita, as aquisições teriam ocorrido sem a incidência das contribuições (PIS/PASEP e a COFINS), em razão da suspensão das contribuições prevista no artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, com a redação da Lei 10.925/2004. b) Despesas de Energia Elétrica: relativamente às despesas constantes das faturas que não correspondam ao consumo de energia elétrica, tais como encargos moratórios (juros, multa e correção monetária) e taxa de iluminação pública; c) Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos: glosa de todas as Notas Fiscais apresentadas, tendo em vista que as mesmas já haviam sido contabilizadas na rubrica “Bens utilizados como Insumo”; d) Despesas de Fretes pagos na operação de venda: nesta rubrica foram considerados somente os fretes internacionais pagos pela empresa exportadora a transportador domiciliado no Brasil (empresa nacional); foram glosados, portanto, os valores de fretes internacionais cujos pagamentos foram realizados a agentes nacionais, que representam transportador não domiciliado no Brasil, em atendimento ao disposto no inciso II, § 3º, art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado: relativamente aos encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, em atendimento ao artigo 31 da Lei nº 10.865/2004. Por fim, a autoridade fiscal realizou a apuração dos créditos do mercado interno e do mercado externo do trimestre, levandose em consideração os ajustes anteriormente mencionados (nas receitas, no rateio proporcional e nos créditos) e o Saldo de Crédito do Mês Anterior (relativo ao mercado interno), e descontandose dos créditos apurados os valores da contribuição devida do próprio trimestre, gerada em decorrência das saídas tributadas. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 02/07/2010 e apresentou, em 03/08/2010, a manifestação de inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende no primeiro tópico (“Do Princípio da Não Cumulatividade”) a aplicação plena da não cumulatividade. Argumenta que o legislador ordinário não pode restringir a não cumulatividade da contribuição, uma vez que a mesma tem status constitucional, implementado através da Emenda Constitucional nº 42/2003, que deu nova redação ao § 12, artigo 195, da Constituição Federal. . Sustenta que a não cumulatividade aplicada ao PIS e a Cofins “se opera de forma Fl. 582DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS, isso porque para as contribuições, referida sistemática consiste em uma redução da base de cálculo com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores.” Em resumo, argumenta a interessada “que o regime nãocumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes tem o direito ao crédito dacontribuição exigidos anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, objetivo primordial dessa sistemática.” Nos dois tópicos seguintes (“Das Despesas com Fretes Internacionais” e “Do Princípio da Estrita Legalidade”) a contribuinte dirige sua inconformidade contra as glosas relativas às despesas com fretes internacionais. Relata que no despacho decisório a autoridade fiscal proferiu o entendimento “de que o crédito de PIS/COFINS decorrente de despesas com fretes internacionais é passível de aproveitamento, desde que o seu pagamento seja feito ao transportador domiciliado no Brasil, não bastando para tal que o seu agente o seja.”. Sustenta que o entendimento da autoridade fiscal é equivocado e não merece manutenção em face dos princípios da legalidade e da estrita legalidade tributária (art. 5º, inciso II e art. 150, inciso I da Constituição Federal). Argumenta que “não se vislumbra nos regramentos aplicáveis ao caso (Lei 10.637/02 e 10.833/03) qualquer dispositivo que obstaculize ou mesmo limite o aproveitamento do crédito oriundo de despesas com frete internacional, mesmo que praticada por agente transportador”, e que para se realizar o aproveitamento do crédito as referidas leis exigem somente: que o ônus do pagamento do frete seja suportado pelo vendedor, e; que o frete seja pago ou creditado à pessoa jurídica domiciliada no país. Sustenta que estas exigências foram atendidas pela empresa, “uma vez que, na qualidade de vendedora, arcou com os custos relativos ao frete para a remessa de sua mercadoria ao exterior e referida despesa foi paga à empresa estabelecida no território brasileiro, pouco importando se tais empresas correspondem a agentes transportadores.” Para sustentação de sua tese colaciona cópia das ementas das Soluções de Consulta nº 169/2006 da 10º RF e nº 175/07 da 9º RF. Na seqüência, no tópico “Dos Encargos de Depreciação – Bens Adquiridos antes de 01/05/2004”, a interessada defende a inconstitucionalidade do art. 31, da Lei 10.865/2004, que trata da vedação de desconto de créditos relativos à depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos antes de 01/05/2004. Argumenta que referido artigo atingiu fatos pretéritos e afrontou os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária e da segurança jurídica. Em corroboração a sua tese colaciona cópia de parte do Acórdão do processo judicial nº 2005.71.010.0044698. Por fim, nos últimos dois tópicos (“Das Demais Glosas” e “Das Provas”) , a contribuinte aduz que: discorda das demais glosas realizadas, dizendo que a improcedência das mesmas “será comprovada oportunamente através da juntada de documentos Fl. 583DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723763/200936 Acórdão n.º 3802004.198 S3TE02 Fl. 582 5 hábeis e idôneos, os quais certamente ensejarão no reconhecimento integral do crédito reclamado”; e que em face do direito à ampla defesa e ao contraditório “pretende provar o alegado por meio de todos as prova em direito admitidas, principalmente através da juntada de novos documentos, a fim de evidenciar melhor a idoneidade do crédito ora guerreado.” Diante dos argumentos apresentados, a contribuinte requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade e que o despacho decisório seja reformado, de modo que seja reconhecido integralmente o crédito pleiteado. É o relatório. Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a rejeição ao direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE INTERNACIONAL. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de PIS/PASEP, na sistemática de não cumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO. Com a edição da Lei nº 10.865, de 2004, somente poderão ser aproveitados os créditos dos encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, e requer o reconhecimento da homologação de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 579), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. O Recurso Voluntário, assim como a manifestação de inconformidade, combate as glosas realizadas em basicamente dois itens: Despesas com fretes internacionais (objeto de dois tópicos do recurso); Encargos de depreciação. Relativamente à digressão sobre o princípio da nãocumulatividade que inaugura a argumentação de mérito do Recurso Voluntário, como se trata de argumentação ampla e, a rigor, principiológica (que não pode ser apreciada pelo CARF, conforme verbete Sumular nº 02), não adentrarei em sua análise pormenorizadamente. O Recurso Voluntário não ataca frontalmente as glosas referentes a insumos adquiridos (i) com fim específico de exportação; (ii) junto a empresa preponderantemente exportadora; além de (iii) encargos financeiros decorrentes de pagamento em atraso de faturas de energia elétrica (despesas com multas, juros e correção monetária) e contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Isso pois, diferentemente da manifestação de inconformidade, não há o questionamento quanto às “demais glosas”, pelo que reputo como não mais contestadas tais vedações, nos termos do art. 17 do RPAF, aplicável mutatis mutandi ao Recurso Voluntário. De toda forma, no que tange às duas glosas combatidas pelo Recorrente, passase às considerações de mérito. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723763/200936 Acórdão n.º 3802004.198 S3TE02 Fl. 583 7 1. Despesas com fretes internacionais Foram glosadas despesas incorridas com fretes nas operações de venda, pagos a agentes nacionais que representam transportador estrangeiro. A glosa dessas despesas embasouse no art. 3o, § 3o, II, das leis 10.637/2002 (para o PIS) e 10.833/2003 (para a COFINS), o qual assim dispõe: "§ 3oO direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País;" A decisão recorrida entendeu correta a glosa procedida pela autoridade administrativa, ante a presunção de que Conforme a legislação citada, para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não ocorre no caso em tela. Na verdade a interessada contrata pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicam à atividade de agenciamento de fretes internacionais (agente marítimo) e faz o pagamento do serviço de transporte para elas, sendo de ser ressaltado que o agente marítimo não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço; o valor entregue para o agente, na verdade corresponde ao pagamento do armador. Ocorre que o agente marítimo (agente do armador) é mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes, que são o pagamento do proponente pela prestação do serviço de transporte. Portanto, para que a exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País) fosse atendida, seria preciso que o transportador (o prestador do serviço de transporte marítimo internacional) fosse domiciliado no País, donde, nos casos em que o transportador não tenha domicilio no País, não há o direito a crédito, mesmo que o agente do transportador tenha domicílio no País. O Recorrente, ao seu turno, defende a legitimidade do aproveitamento das referidas despesas como desconto ante a premissa de que há “apenas dois requisitos que merecem observância para que se faça jus aos créditos, quais sejam: 1) o ônus dos valores despendidos com o frete deve ser suportado pelo vendedor, no caso a Recorrente; e 2) os custos relativos ao frete devem ser pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. A celeuma se restringe, portanto, à definição se a utilização de agente marítimo brasileiro se enquadra no inciso II do § 3o do art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendo, diferentemente do que supõe o Recorrente, que as despesas incorridas no caso não devem ser aproveitadas como desconto. Explico. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 No caso em tela, consta dos autos que o frete foi prestado por transportador estrangeiro (pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, portanto). Tal é a essência da despesa incorrida pelo Recorrente. Apesar de todas as ressalvas cabíveis ao caso do ponto de vista principiológico, inclusive de ordem isonômica em acordos internacionais comerciais celebrados pelo Brasil, fato é que ao CARF é vedado apreciar a inconstitucionalidade das normas tributárias. Todavia, do ponto de vista puramente legal, o comando vigente permite o aproveitamento de despesas como desconto apenas se estas forem incorridas com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Fato é que a norma se refere a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, e concretamente o crédito se deu a um agente marítimo domiciliado no País. Ocorre, contudo, que esse crédito se refere a uma prestação de serviços efetivada por estrangeiro, e a utilização de um intermediário por este não reflete a materialidade da despesa incorrida. Notese que a Recorrente em momento algum afirma que o agente marítimo lhe prestou qualquer serviço de transporte, mas apenas se pauta na expressão legal e do fato de ter havido crédito em favor de pessoa jurídica domiciliada no País. Ora, o agente marítimo em termos concretos nada mais é do que um mero mandatário do transportador domiciliado fora do País. A respeito de sua caracterização, trago digressão da Em. Min. Eliana Calmon no RESP 731226 (DJ de 20/09/2007): "(...)pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador,nos portos de carga ou descarga,de ajudar o capitão emqualqueroperaçãoedecuidardosinteressesdonavioedacarga,nãosóperantea sautoridades,mastambémnasrelações privadas(SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil,n.º34,abril/junho1979,p.54).O agente marítimo comprometese a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Valese, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art. 658 do CC de 2002.” Assim, havendo mera relação de mandato (ou seja, simples intermediação) entre o agente marítimo e o Recorrente, não se pode caracterizar que o frete tenha sido pago a pessoa jurídica domiciliada no País. Concretamente o frete foi pago a pessoa jurídica domiciliada no estrangeiro, todavia por intermédio de um representante legal seu. Noutras palavras, a natureza do creditamento feito em favor do agente marítimo se deu em razão de atividade de intermediação, dado que este fornecedor efetivamente não prestou serviço de transporte para o Recorrente. O transportador está domiciliado fora do País, de modo que a opção de pagar a um intermediário domiciliado no Brasil é ato de mera escolha, ação volitiva da Recorrente, sem essência econômica suficiente e apta a alterar o critério de tributação (que se percebe no discrímen legal entre a contratação de uma empresa transportadora domiciliada no País ou no exterior). Fl. 587DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723763/200936 Acórdão n.º 3802004.198 S3TE02 Fl. 584 9 O CARF já se posicionou no mesmo sentido, conforme se verifica do Acórdão 3403002.718, de relatoria do Em. Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (sessão de 29 de janeiro de 2014), cuja ementa segue abaixo: "PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIROREPRESENTADOPORAGENTEMARÍTIMOSEDIADONO PAÍS.DIREITODECRÉDITO. Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente." Diante do exposto, não merece acolhida o pleito da Recorrente quanto a tais despesas. 2. Dos encargos de depreciação O item remanescente discute a glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos anteriormente a 01/05/2004, nos termos do art. 31 da lei nº 10.865/2004. Dispõe a referida norma: "Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma doinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1oPoderão ser aproveitados os créditos referidos noinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1ode maio. § 2oO direito ao desconto de créditos de que trata o § 1odeste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3oÉ também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica." A decisão recorrida foi bastante objetiva nesse aspecto, apenas indicando que necessita obedecer as regras vigentes, e que quaisquer formas de contestação do texto legal devem ser obtidas pela via própria, que não a administrativa. O Recorrente, ao seu turno, constrói argumento de cronologia das normas, indicando que desde o início da vigência das Medidas Provisórias que restaram convertidas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, foi permitido aos contribuintes aproveitar como descontos créditos relativos a encargos de depreciação. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Prossegue afirmando que, já que as normas existem desde o nascedouro do regime não cumulativo, o contribuinte teria direito adquirido aos créditos (fl. 629 dos autos), de modo que houve ato jurídico perfeito prócontribuinte em relação aos plurimencionados créditos (fl. 630). Entendo que o contribuinte teria razão em seus fundamentos, caso estivéssemos diante de glosa retroativa de créditos aproveitados antes da vigência da lei 10.865/2004. Porém, esse não é o caso: nos autos tratase de encargos de depreciação em período posterior ao início da vigência da lei 10.865/2004. Dessa forma, não me parece ser o caso de se considerar que o contribuinte teria direito imutável e irrevogável aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação, sendo certo que eventual aumento na carga tributária (oriundo da vedação ao aproveitamento dos encargos a partir de maio de 2004, nos termos do art. 31 da lei 10.865/2004) é, em última análise, resultado da auto tributação imposta pela própria sociedade, por intermédio de seus mandatários no Congresso Nacional. Não há, nesse sentido, nenhuma vedação legal (como é o caso do art. 178 do CTN, que veda a revogação de isenções concedidas por prazo certo e em caráter oneroso) à alteração no aproveitamento de créditos. A título ilustrativo valhome, a propósito, da fundamentação adotada no Mandado de Segurança 2005.71.000044698, cujas razões de decidir foram trazidas à lume pelo Recorrente quando da concessão de liminar: "Quanto à análise da sucessão de regimes estabelecidos para a não cumulatividade do PIS e da COFINS, tenho que o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica não alcançam a dimensão preconizada na inicial. O legislador não fica eternamente vinculado à extensão e ao alcance do benefício fiscal concedido em determinado momento, podendo, da mesma forma com que é permitida a revogação da isenção, reduzilo ou suprimilo, na presença de motivação suficiente e adequada para tanto. Existem diversos graus de retroatividade, e a que aqui se trata é a retroatividade mínima referindose ao efeito futuro dos atos passados." Em se tratando de depreciação e amortização, o tratamento contábil e financeiro que lhes é dispensada pode assumir uma feição semelhante a uma relação continuativa. Existem financiamentos que são amortizados no longuíssimo prazo, e certos bens mais refratários ao processo de obsolescência podem gerar encargos de depreciação que venham a superar dez anos. Ora, os princípios constitucionais trazidos à lume pela impetrante não tutelam planejamentos tributários desta amplitude, visam a proteger direitos de bruscas alterações de curto e médio prazo, não se podendo engessar a atividade legislativa de tal forma que se impeça a adequação dos benefícios concedidos aos imperativos de uma política industrial, ou à situação estrutural (não conjuntural) da política econômicofiscal. Em suma, entendo ser lícito ao legislador que implanta regime tributário totalmente novo (como o PIS/Cofins não cumulativo) algumas alterações e correções de rota, quando não evidenciado lesão aos princípios da retroatividade média (contraprestações estatais descumpridas quando da alteração legislativa) e máxima (situações consumadas no passado). Somese a isso a noção de que a depreciação que visa a compensar o desgaste de máquinas e equipamentos em face do decurso do tempo e a amortização tocante ao prazo em que é imputado determinado custo financeiro são apropriadas em quotas Fl. 589DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723763/200936 Acórdão n.º 3802004.198 S3TE02 Fl. 585 11 mensais, ou seja, apenas incorporamse ao patrimônio do beneficiado á medida em que passam a integrar a sua contabilidade. Inexistindo a possibilidade da amortização ou da depreciação imediata, não há violação ao princípio da irretroatividade ou da Segurança Jurídica, pois há uma expectativa de benefício fiscal que só se transmuda em direito adquirido à medida em que cada período contabilmente relevante para a amortização/depreciação é atingido. Destarte, não entendo haver guarida aos argumentos do contribuinte, quanto a este item de seu Recurso. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 17883.000532/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Ocorre que, para haver a presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o lançamento deve estar fundado na prova inequívoca de que houve depósitos na conta corrente ou de investimento do contribuinte investigado, sendo o extrato da conta objeto da fiscalização elemento essencial à validade do lançamento, inclusive para que seja conferido se o contribuinte é, de fato, o titular da conta corrente investigada.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ESPÓLIO.
A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio.
Numero da decisão: 2102-003.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 01/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Bernardo Schmidt, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Nubia Matos Moura, Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Ocorre que, para haver a presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o lançamento deve estar fundado na prova inequívoca de que houve depósitos na conta corrente ou de investimento do contribuinte investigado, sendo o extrato da conta objeto da fiscalização elemento essencial à validade do lançamento, inclusive para que seja conferido se o contribuinte é, de fato, o titular da conta corrente investigada. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ESPÓLIO. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 05 32 /2 00 8- 17 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 133 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 01/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Bernardo Schmidt, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Nubia Matos Moura, Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício em decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 121/127, que julgou procedente a impugnação do contribuinte e exonerou o crédito tributário de IRPF lançado através do auto de infração de fls. 53/62, lavrado em 03/12/2008, relativo aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, com ciência do contribuinte em 09/12/2008 (fl. 63). A autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício tendo em vista que o valor exonerado de tributo e encargos de multa (lançamento principal e decorrentes) é superior ao limite de alçada determinado pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 6.951.084,79, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 54/56, o lançamento teve origem na seguinte infração: “001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores depositados na conta corrente mantida no BANCO REAL do contribuinte, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 134 3 que regularmente intimado, não comprovou, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos conforme DESCRITO NO TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL [fls. 51/52] (...) Enquadramento legal: Art. 849 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei nº 10.451/2002. Art. 1º da Lei nº 11.119/05; Art. 1º da Lei º 11.311/06.” De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fl. 51), a fiscalização foi instaurada em razão da existência de depósitos bancários na conta corrente do contribuinte incompatível ao rendimento por ele declarado. Tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar documentação que justificasse tais valores, a autoridade fiscal lançou o imposto de renda sobre os seguintes valores (planilha de fl. 52): DA IMPUGNAÇÃO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 135 4 Em 31/12/2008, o espólio do contribuinte, por meio de sua inventariante, apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 66/67, por meio da qual expôs, em síntese, a seguinte matéria de defesa: I. O Auditor Fiscal intimou a Inventariante do contribuinte autuado, para apresentar diversos documentos, dentre eles os extratos bancários do de cujus. II. O de cujus fazia fretamento como pessoa física e vendia bebidas, possivelmente essa seria origem de tais depósitos, que deve possuir os correspondentes pagamentos de mercadorias (bebidas); III. Por não possuir tais extratos tornouse impossível questionar os pagamentos existentes. Ressaltou que em momento algum forneceu ao Auditor qualquer documento relativo ao Banco real face às dificuldades em localizálos; IV. A inconsistência do Auto de Infração encontrase nitidamente em sua origem dada à precariedade dos elementos utilizados pelo Auditor e a ausência de forma face aos meios de apuração da base de cálculos, principalmente a documental que aparentemente se deu por via transversa desconhecida pelo impugnante; V. Os depósitos em conta corrente do contribuinte possivelmente deveriam estar ligados a atividade do mesmo como pessoa jurídica de pequeno porte associado à prestação de serviços de fretamento; VI. Considerando que os extratos bancários que motivaram a lavratura do Auto de Infração não foram entregues pelo contribuinte e são por este desconhecido, e que face ao tempo decorrido entre os supostos depósitos efetuados naquela conta e a época atual, com gravame do falecimento do contribuinte, a Inventariante não tem condições de afirmar se tais depósitos de fato pertencem ao de cujus, considerando ainda que a mesma desconhece os meios pelos quais esses extratos chegaram as mãos da autoridade fiscalizadora; VII. Por esse motivo, a Inventariante deixou de responder aos termos de intimação, uma vez que nem teve acesso àqueles extratos bancários e gostaria, por justiça que fosse investigado a quebra de sigilo bancário por parte da autoridade fiscalizadora. Ao verificar que a inventariante do espólio de Osmar de Almeida Franco, em sua defesa, se declarou impossibilitada de se defender da exigência, tendo em vista que não tomou conhecimento dos extratos bancários que motivaram o lançamento, tampouco da forma como a Fiscalização teve acesso aos dados bancários do falecido, a autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência para (fl. 84): i) Que a autoridade lançadora junte aos autos o dossiê completo da Fiscalização acerca do lançamento ora em litigio, incluindo todos os Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 136 5 extratos bancários que ensejaram a apuração da infração, esclarecendo, ainda, qual foi o meio de obtenção dos referidos extratos. Se for o caso, juntar as respectivas Requisições de Movimentação Financeira; e ii) intimar a inventariante para juntar aos autos a certidão de óbito de Manoel de Almeida Franco; Posteriormente, determinou a reabertura do prazo de defesa do contribuinte. A autoridade lançadora argumentou, à fl. 86, que os extratos bancários foram entregues à fiscalização espontaneamente, conforme consta de nosso Relatório Final exarado em 30 de dezembro de 2008. Para a confirmação do exposto, solicitou fosse encaminhado ofício ao Banco Real para esclarecer como se obtiveram informações relativas a Movimentação Financeira do contribuinte referentes aos anos calendários 2004, 2005 e 2006. Em resposta ao ofício de fl. 93, o Banco Santander (sucessor do Banco Real) informou que efetuou pesquisas através do nome e do CPF do contribuinte fiscalizado, na qual não identificou nenhuma intimação dentro do período 2004/2005/2006 (fl. 95). Assim, a autoridade fiscal expediu o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fl. 96, argumentando que, de acordo com a resposta do Banco Santander, os dados que embasaram o auto de infração objeto dos presentes autos não utilizou Requisição de Movimentação Financeira. Neste sentido, ratificou que o acesso a tais informação ocorreu com a entrega espontânea dos extratos por parte do contribuinte. Portanto, intimou o inventariante para apresentar esclarecimentos no prazo de 30 dias, conforme estipulado pela DRJ. A inventariante do espólio do contribuinte, por sua vez, acostou aos autos a Certidão de óbito de fls. 92, conforme solicitado pela fiscalização. Quando intimada do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fl. 96, a inventariante do espólio do contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: I. a comprovação de que o Espolio não detinha tais extratos restou comprovada quando o Inventariante não conseguiu atender as intimações da fiscalização na época ocorridas em 20/05/2008 e 09/07/2008; II. afirmou que recebeu um Termo de Intimação em 19/08/2008 solicitando que a mesma comprovasse a origem de supostos depósitos em uma conta corrente de titularidade principal do de cujus, ou seja, quem possuía tais informações confidenciais do contribuinte era o próprio Auditor; III. estranhou a forma como o Auditor conseguiu elementos para proceder o lançamento, e agora pretende que o Espólio forneça os mesmos documentos para materializar o seu próprio lançamento; IV. ratificou que não tinha conhecimento dos documentos que serviram de base de calculo no Termo de Intimação datado de 19/08/2008. Portanto, requereu que a fiscalização explicasse ou apresentasse os extratos que o Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 137 6 Auditor utilizou para proceder tais lançamentos e quem forneceu os mesmos e de que forma; V. estranhou também o fato de, na respectiva fase do processo administrativo, precisar fornecer os elementos que materializaram o lançamento, o qual classificou como realizado por amostragem; VI. defendeu a inconsistência do Auto de Infração, dada a sua inconsistência e precariedade dos elementos utilizados pelo Auditor e a ausência de forma face aos meios de apuração da base de cálculos, principalmente a documental que aparentemente se deu por via transversa, desconhecida pelo impugnante; VII. portanto, considerando (i) a inexistência (confessada pela fiscalização no Termo de Intimação) dos supostos documentos que motivaram a lavratura do Auto de Infração (ratificando que os mesmos não foram entregues pelo contribuinte), (ii) que a autoridade fiscalizadora afirma não possuir documentos idôneos que motivaram a amostragem, e (iii) que o Ofício encaminhado ao Banco Santander pela Receita Federal em 21/01/2012 obteve como resposta a ausência de qualquer intimação de RMF do contribuinte no período 2004/2005/2006, a Inventariante ratifica os termos da impugnação pela improcedência do lançamento, ante a inexistência de qualquer documento legal que lastreie o lançamento. Ao receber os autos para julgamento, a autoridade julgadora de origem determinou novamente o retorno dos autos à DRF para que fossem juntados aos autos os extratos bancários que embasaram o presente lançamento, conforme solicitado à fl. 84 (fl. 118). Em resposta, o auditor fiscal responsável alegou que “os extratos bancários que embasaram o trabalho foram devolvidos ao representante do espólio sem que a fiscalização se ativesse na ocasião, à necessidade de protocolo”. Ademais, afirmou que, “para atender ao relator, somente com nova fiscalização e emissão de RMF” (fl. 119). DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 121/127 dos autos, julgou improcedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 138 7 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. No entanto, na ausência de elemento indispensável à comprovação da infração, não se materializa a presunção legal de rendimentos omitidos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora fundamentou sua decisão no fato de que “seria imprescindível que os extratos bancários estivessem inseridos no processo, pois tais documentos representariam a materialização da infração apurada e, por conseguinte, seriam o ponto de partida para a análise do presente lançamento”. Portanto, ante a ausência dos extratos, não há como subsistir o presente lançamento. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme exposto, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício tendo em vista que o valor exonerado de tributo e encargos de multa (lançamento principal e decorrentes) é superior ao limite de alçada determinado pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00). Este recurso de ofício compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 139 8 Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima De acordo a Descrição dos Fatos de fls. 54/56 e com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 51/52 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de o contribuinte não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias mantida no Banco Real (atual Santander) durante os anoscalendário 2004, 2005 e 2006. O espólio do contribuinte, através de sua inventariante (Sra. Terezinha Ferla Franco), defendeu que não possuía os extratos bancários do de cujus, o que impossibilitou impugnar o lançamento. Ademais, afirma que, em momento algum, forneceu tais extratos à fiscalização, acusando, inclusive, que tais documentos foram obtidos por “via transversa desconhecida pelo impugnante”. De fato, não há, nos autos, qualquer extrato que embase o lançamento. Existem apenas as planilhas de fls. 23/28 e fls. 32/43, elaboradas pela própria fiscalização. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto. Ocorre que, para haver a presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o lançamento deve estar fundado na prova inequívoca de que houve depósitos na conta corrente ou de investimento do contribuinte investigado. Ou seja, o extrato da conta objeto da fiscalização – por ser elemento essencial à validade do lançamento – deve estar acostados aos autos. Neste sentido, colaciono jurisprudência deste CARF: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Constatandose que houve contradição entre os fundamentos da decisão e as provas constantes dos autos, devem ser parcialmente acolhidos os embargos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS O lançamento deve estar calcado em provas materiais e concretas dos fatos nele imputados. A ausência de prova nos autos de que a conta corrente autuada é de titularidade do contribuinte macula a exigência nessa parte. DEPÓSITO BANCÁRIO QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO INFORMAÇÕES BANCÁRIAS Licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 140 9 informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. PAF NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. Embargos acolhidos. Recurso parcialmente provido. (processo nº 10235.000857/200461; 4ªCâmara do 1º Conselho de Contribuintes; julgado em 05/02/2009) Ora, não havendo nos autos a prova de que houve a realização de depósitos na conta do contribuinte, não há que se falar em presunção de omissão de receita. Isto porque, por inferência lógica, a presunção de omissão de receita é uma hipótese de incidência do imposto de renda que necessita da existência de duas premissas: (i) a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira; e (ii) a não comprovação, pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. Caso não seja observada alguma das premissas (ou seja, caso não haja a comprovação da existência dos depósitos em conta ou caso o titular da conta comprove a origem dos mesmos com fontes já tributadas ou isentas), não haverá, por consequência, a presunção de omissão de receita a ensejar o lançamento. Inclusive, não há, nos autos, sequer a comprovação de que a conta investigada no Banco Real é de titularidade do contribuinte fiscalizado. Ademais, a autoridade julgadora de primeira instância observou que houve erro na construção do lançamento, na medida em que, desde o início da fiscalização, a autoridade lançadora conhecia a condição de inventariante da Sra. Terezinha Franco e, mesmo assim, exigiu da mesma a comprovação de origem de depósitos bancários do de cujus. Neste sentido, tendo em vista que a comprovação da origem de depósitos bancários é uma obrigação personalíssima do titular da conta bancária, por expressa determinação do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o lançamento relativo ao período em que o contribuinte ainda estava vivo (jan/2004 a 14/10/2005) não poderia prevalecer, conforme entendimento deste CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 17883.000532/200817 Acórdão n.º 2102003.245 S2‐C1T2 Fl. 141 10 Exercício: 2005, 2006 IRPF DEPÓSITO BANCÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ESPÓLIO A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da contacorrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio. CONTA BANCÁRIA EM CONJUNTA FALTA DE INTIMAÇÃO NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29). (processo nº 10980.723560/201083; 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF; julgado em 18/06/2013) Portanto, entendo que deve ser mantido o acórdão proferido pela DRJ de origem, no sentido de julgar procedente a defesa do contribuinte e exonerar o crédito tributário lavrado. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a decisão da DRJ. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 01/04/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10925.907293/2012-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 93 /2 01 2- 21 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 19.521,32, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/05/2004. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907293/201221 Acórdão n.º 3803005.791 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907293/201221 Acórdão n.º 3803005.791 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907293/201221 Acórdão n.º 3803005.791 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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