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Numero do processo: 15374.981355/2009-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE DIPJ. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A contribuinte, a despeito de retificação de DCTF e apresentação de DIPJ com valores compatíveis ao crédito informado em DCOMP, tem direito subjetivo à compensação desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A apresentação de tais declarações, desacompanhadas de qualquer prova, não autorizam a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE DIPJ. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A contribuinte, a despeito de retificação de DCTF e apresentação de DIPJ com valores compatíveis ao crédito informado em DCOMP, tem direito subjetivo à compensação desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A apresentação de tais declarações, desacompanhadas de qualquer prova, não autorizam a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 98 13 55 /2 00 9- 69 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15374.981355/200969 Acórdão n.º 1003000.490 S1C0T3 Fl. 137 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 90/95) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 32125.18111.120408.1.3.040475 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. No acórdão a quo, a nãohomologação por ausência de crédito no DARF informado foi mantida tendo em vista a constatação de que os fundamentos do despacho recorrido são coerentes, uma vez que corretamente se reportam às informações prestadas pela interessada em DCTF ativa à época de sua emissão. Além disso, a contribuinte apresentou DIPJ 2008, relativa ao anocalendário 2007 (folhas 17/30), com débito de IRPJ do terceiro trimestre de 2007 de valor compatível ao crédito informado na DCOMP (folha 21), bem como, após tomar ciência do referido despacho decisório, retificou a DCTF (folhas 34/79), reduzindo o valor do débito, sem juntar, no entanto, qualquer documentação comprobatória do valor correto do débito de IRPJ que, retificado, geraria o crédito pleiteado no referido DARF. A recorrente, às folhas 107/110, alega, em síntese: I Que "conforme faz prova a DIPJ 2008, ano calendário 2007, entregue em 25/06/2008 (...), no 3º trimestre de 2007 foi apurado um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 7.769,21 (...). Contudo, por equívoco da contribuinte, esta recolheu aos cofres públicos o valor de R$ 64.123,68 (...) em 03 (três) darf~s pagos em 31/10/2007, 30/11/2007 e 28/12/2007 para o período de apuração em questão (...), fato que gerou o crédito de imposto referente ao pagamento indevido a maior de R$ 56.354,47 (...), passíveis de compensação"; II Que "a prova do crédito é clara e objetiva, pois consta declarado na DIPJ 2008, ano calendário 2007 da empresa, DIPJ essa entregue em 25/06/2008, ou seja, em data muito anterior a data do Despacho Decisório objeto da Manifestação de Inconformidade analisada pela DRJ/RJ1". Ao final do recurso voluntário, a recorrente cita, entre os documentos em anexo, "cópia das folhas 111, 038 e 039 do Livro Razão da Impugnante relativa ao ano de 2007 (DOC9)". Tal documentação, no entanto, não consta dos autos. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 15374.981355/200969 Acórdão n.º 1003000.490 S1C0T3 Fl. 138 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A recorrente argumenta como se tivesse acostado aos autos "cópia das folhas 111, 038 e 039 do Livro Razão da Impugnante relativa ao ano de 2007 (DOC9)", que poderia, em tese, constituir, ao menos parcialmente, documentação contábil e fiscal comprobatória da veracidade da retificação efetuada em DCTF. No entanto, nada acostou aos autos além de cópias de declarações, que, por óbvio, nada provam. A DIPJ 2008, ano calendário 2007, entregue em 25/06/2008 é documento informativo elaborado pela contribuinte, o qual, por si, só, não constitui prova das informações que traz, independentemente da data em que tenha sido entregue. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão, apesar da menção à "cópia das folhas 111, 038 e 039 do Livro Razão da Impugnante relativa ao ano de 2007 (DOC9)", tal documentação não consta dos autos. Ou seja, o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove a veracidade do valor retificado do débito, que supostamente teria gerado o crédito pleiteado no referido DARF. Apenas apresentou DIPJ original tempestiva coerente com suas alegações e retificou a DCTF posteriormente à ciência do despacho decisório de não homologação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001889/2003-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3002-000.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para a Unidade de Origem recalcular o total do montante dos créditos de FINSOCIAL em favor da contribuinte (de setembro de 1989 a março de 1992), isto é, considerando os créditos totais reconhecidos nas ações judiciais nº 93.0010022-0 e 910007784-4; elaborar planilha das compensações realizadas pela contribuinte de tais créditos com os débitos deste e de quaisquer outros processos; certificar-se que a correção utilizada encontra-se em acordo com as decisões judiciais e elaborar parecer conclusivo sobre a existência de saldo remanescente a pagar para as competências de janeiro e março de 1998.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para a Unidade de Origem recalcular o total do montante dos créditos de FINSOCIAL em favor da contribuinte (de setembro de 1989 a março de 1992), isto é, considerando os créditos totais reconhecidos nas ações judiciais nº 93.00100220 e 9100077844; elaborar planilha das compensações realizadas pela contribuinte de tais créditos com os débitos deste e de quaisquer outros processos; certificarse que a correção utilizada encontrase em acordo com as decisões judiciais e elaborar parecer conclusivo sobre a existência de saldo remanescente a pagar para as competências de janeiro e março de 1998. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 01 88 9/ 20 03 -8 1 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11020.001889/200381 Resolução nº 3002000.033 S3C0T2 Fl. 124 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do Auto de Infração nº 0002914, lavrado em decorrência de auditoria interna na DCTF transmitida pela contribuinte, referente ao 1º trimestre de 1998, visando exigir o pagamento da COFINS dos PA´s janeiro e março de 1998. Após ser intimada da autuação, a ora recorrente apresentou tempestivamente Impugnação em 07/07/2003 (fl. 03/04). Após a apresentação do recurso, foi analisado o processo e lavrada a Informação Fiscal de fls. 51/52 pelo SECAT da DRF Caxias do Sul, a qual revisou de ofício o Auto de Infração retromencionado para reduzir o débito referente a janeiro de 1998 e manter o débito de março de 1998. Em seguida, a Impugnação apresentada foi encaminhada para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que a considerou procedente em parte, por Acórdão que possui a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da • Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998 Ementa: LANÇAMENTO REVISTO DE OFICIO —Nada havendo a alterar após a revisão de ofício do lançamento que excluiu os valores extintos por compensação, é de manterse o principal após a revisão. MULTA DE OFÍCIO RETROAÇÃO BENIGNA MULTA DE MORA — Aplicada a multa de mora inerente à declaração que deu origem ao lançamento, por aplicação retroativa do artigo 25 da Lei nº 11.051, de 2004, nos termos do art.I06, inciso II, alínea "c" do CTN. Lançamento Procedente em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 86/92), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, argumentando, em linhas gerais, que o período de apuração dos créditos da contribuinte foi apenas parcialmente considerado pela Informação Fiscal e que a correção de tais créditos foi feita em desacordo com a decisão judicial. É o relatório, em síntese. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11020.001889/200381 Resolução nº 3002000.033 S3C0T2 Fl. 125 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A ora recorrente alega em sua defesa que o período de créditos de FINSOCIAL reconhecidos judicialmente e autorizados a serem compensados com débitos de COFINS se estende de setembro de 1989 a março de 1992, entretanto, a Informação Fiscal (fl. 51/52) teria somente considerado os créditos até abril de 1991. Assim, caso a autoridade fiscal tivesse considerado todo o período a ser restituído, não haveria saldo remanescente dos débitos lançados, pois estes foram devidamente compensados. Por fim, a contribuinte alega que seus créditos foram corrigidos monetariamente em desacordo com a decisão judicial, o que levou a um quantum a ser restituído inferior ao correto. Com efeito, constatase da própria Informação Fiscal que o período de crédito a ser restituído considerado foi de setembro de 1989 a abril de 1991, pois o período posterior estava sendo pleiteado em outra ação judicial e, por conseguinte, encontravase acompanhada em outro processo administrativo. Reproduzse excerto da Informação Fiscal: "Tratase de processo de acompanhamento do mandado de segurança n°93.00100220, no qual a interessada requeria o reconhecimento judicial de efetuar a compensação das contribuições indevidas do FINSOCIAL com os débitos da empresa relativos a qualquer tributo federal (fis. 331). À fl. 32, documento intitulado "Levantamento dos valores a serem compensados" apresentado pela interessada junto à petição inicial. 4,1 Em 1a instância, foi esclarecido que não havia litispendência com o mandado de segurança n°9100077844, já que este processo judicial trata dos periodos de apuração até abril/91, enquanto aquele trata dos periodos de apuração a partir de maio/91.(...)" Assim sendo, verificase que a alegação da contribuinte guarda certa verossimilhança, tendo em vista que eventuais créditos reconhecidos na ação judicial nº 9100077844 podem ter sido utilizados para compensar o saldo remanescente da COFINS das competências de janeiro e março de 1998. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem recalcular o total do montante dos créditos de FINSOCIAL em favor da contribuinte (de setembro de 1989 a março de 1992), isto é, considerando os créditos totais reconhecidos nas ações judiciais nº 93.00100220 e 9100077844, elaborar planilha das compensações Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11020.001889/200381 Resolução nº 3002000.033 S3C0T2 Fl. 126 4 realizadas pela contribuinte de tais créditos com os débitos deste e de quaisquer outros processos, certificarse que a correção utilizada encontrase em acordo com as decisões judiciais e elaborar parecer conclusivo sobre a existência de saldo remanescente a pagar para as competências de janeiro e março de 1998. Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte dessa diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996945/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.790
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 94 5/ 20 12 -5 8 Fl. 5934DF CARF MF Processo nº 10880.996945/201258 Resolução nº 3401001.790 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.964. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 5935DF CARF MF Processo nº 10880.996945/201258 Resolução nº 3401001.790 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 5936DF CARF MF Processo nº 10880.996945/201258 Resolução nº 3401001.790 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 5937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.723357/2013-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente BRUNO ALOISIO RESTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 33 57 /2 01 3- 95 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10855.723357/201395 Acórdão n.º 2002000.842 S2C0T2 Fl. 135 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 22/25), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$2.487,86 para saldo de imposto a pagar de R$5.849,83. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, consignando que o contribuinte não teria apresentado provas quanto à pensão declarada. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 11/9/2013, a NL foi objeto de impugnação, m 13/9/2013, às fls. 2/10 dos autos, na qual o contribuinte defendeu que faria jus à dedução da pensão declarada, indicando a juntada de comprovantes de rendimentos, consignando o pagamento dessa rubrica. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 31/34): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 18/5/2015 (fl. 38), o contribuinte, em 9/6/2015 (fl. 40), apresentou recurso voluntário, às fls. 40/131, no qual reconhece que deixou de apresentar documentação relativa ao acordo judicial da pensão, mas requer a apreciação dos documentos ora juntados. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10855.723357/201395 Acórdão n.º 2002000.842 S2C0T2 Fl. 136 3 O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. A autoridade autuante efetuou a glosa da pensão alimentícia judicial declarada, uma vez que o contribuinte não apresentara qualquer comprovação acerca do valor declarado. Por seu turno, o colegiado de primeira instância manteve a glosa, uma vez que a documentação acostada não se revelou hábil a respaldar a pensão declarada, conforme trecho a seguir reproduzido: Compulsando os autos, observase que se limitou o impugnante a apenas acostar os seus Comprovantes de Rendimentos (fls. 0810), onde consta, de fato, informação de pagamento de pensão alimentícia, contudo, não se dignou a juntar cópia da Sentença Judicial, do Acordo Homologado Judicialmente ou da Escritura Pública, onde supostamente deve estar consignada a obrigação alimentar, o valor a ser pago, quem são os alimentandos, dentre outros termos. Tal documento, como já se prelecionou acima, é elemento comprobatório essencial requerido pela legislação tributária para que o contribuinte tenha seu direito reconhecido. Assim, na ausência de comprovação hábil e idônea da pensão alimentícia declarada, há que manter a glosa efetuada. (destaques acrescidos) No recurso, consta documentação relativa à ação de reconhecimento e dissolução de sociedade de fato ajuizada em face do recorrente (fls.44/130), hábil a demonstrar que os descontos efetuados em folha de pagamento a título de pensão judicial (fls.8 e 10) estão respaldados em acordo homologado judicialmente. Destaco, em especial, os documentos de fls. 44/48, 66/68 e 92/93. Dessa forma, concluo que o recorrente faz jus a deduzir o valor declarado, sendo de se cancelar a glosa. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720496/2017-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
PRAZO DECADENCIAL. DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM.
Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. SIMULAÇÃO E FRAUDE PARA TRIBUTAÇÃO A MENOR. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERMEDIÁRIAS. ELISÃO FISCAL ABUSIVA.
O negócio jurídico realizado entre partes, sem propósito negocial e com o único intuito de reduzir tributos, pode ser desconsiderado para efeitos tributários pela autoridade administrativa, dando lugar ao lançamento de ofício sobre o fato jurídico tributário efetivamente ocorrido. A elisão fiscal abusiva, consistente no planejamento de tributação mais benéfica, desviando-se dos objetivos da legislação, prejudica todo o sistema tributário nacional, organizado com base nos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva.
DEDUÇÃO DE ICMS NA CONDIÇÃO DE SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO. ADIÇÃO IRREGULAR À RECEITA BRUTA DE IDÊNTICO VALOR. ANULAÇÃO DE EFEITOS. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA.
O equívoco do contribuinte em somar à receita bruta declarada os valores totais das notas fiscais, que inclui o ICMS por substituição, anula o também equivocado ato contábil de deduzir desta mesma receita bruta o mesmo valor de ICMS por substituição. Não há se falar em apropriação a maior de custos de ICMS, devendo a infração ser anulada quanto a esse ponto.
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS APURADOS EM PESSOA JURÍDICA DIVERSA DA AUTUADA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há permissivo legal para compensação do crédito apurado em pessoa jurídica diversa da autuada. A legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. ATUAÇÃO DECISIVA NA OPERAÇÃO QUE RESULTOU TRIBUTAÇÃO A MENOR POR MEIO DE ELISÃO FISCAL ABUSIVA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei os administradores de pessoas jurídicas de direito privado que efetivamente concorreram para a fraude e simulação em detrimento do Fisco.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. ATOS CONSCIENTES E PREMEDITADOS COM O INTUITO DE PAGAR MENOS IMPOSTOS.
A comprovação do intuito de pagar menos tributos, configurando fraude e simulação, com lesão direta ao Fisco, é suficiente para a aplicação da multa agravada.
Numero da decisão: 1402-003.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar provimento ao recurso de ofício; i.ii) rejeitar a arguição de nulidade do acórdão recorrido; i.iii) rejeitar a arguição de nulidade do lançamento; i.iv) acolher parcialmente a arguição de decadência relativamente às exigências de Contribuição ao PIS e COFINS nos períodos de janeiro a novembro de 2011; i.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à imputação de omissão de receitas e à dedução dos tributos pagos e despesas geradas nas operações praticadas pelas empresas distribuidoras interdependentes; i.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; i.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à ilegitimidade passiva das pessoas físicas; e ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas, divergindo o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 PRAZO DECADENCIAL. DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM. Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. SIMULAÇÃO E FRAUDE PARA TRIBUTAÇÃO A MENOR. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERMEDIÁRIAS. ELISÃO FISCAL ABUSIVA. O negócio jurídico realizado entre partes, sem propósito negocial e com o único intuito de reduzir tributos, pode ser desconsiderado para efeitos tributários pela autoridade administrativa, dando lugar ao lançamento de ofício sobre o fato jurídico tributário efetivamente ocorrido. A elisão fiscal abusiva, consistente no planejamento de tributação mais benéfica, desviando-se dos objetivos da legislação, prejudica todo o sistema tributário nacional, organizado com base nos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva. DEDUÇÃO DE ICMS NA CONDIÇÃO DE SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO. ADIÇÃO IRREGULAR À RECEITA BRUTA DE IDÊNTICO VALOR. ANULAÇÃO DE EFEITOS. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA. O equívoco do contribuinte em somar à receita bruta declarada os valores totais das notas fiscais, que inclui o ICMS por substituição, anula o também equivocado ato contábil de deduzir desta mesma receita bruta o mesmo valor de ICMS por substituição. Não há se falar em apropriação a maior de custos de ICMS, devendo a infração ser anulada quanto a esse ponto. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS APURADOS EM PESSOA JURÍDICA DIVERSA DA AUTUADA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há permissivo legal para compensação do crédito apurado em pessoa jurídica diversa da autuada. A legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. ATUAÇÃO DECISIVA NA OPERAÇÃO QUE RESULTOU TRIBUTAÇÃO A MENOR POR MEIO DE ELISÃO FISCAL ABUSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei os administradores de pessoas jurídicas de direito privado que efetivamente concorreram para a fraude e simulação em detrimento do Fisco. MULTA QUALIFICADA DE 150%. ATOS CONSCIENTES E PREMEDITADOS COM O INTUITO DE PAGAR MENOS IMPOSTOS. A comprovação do intuito de pagar menos tributos, configurando fraude e simulação, com lesão direta ao Fisco, é suficiente para a aplicação da multa agravada.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PRAZO DECADENCIAL. DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM. Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. SIMULAÇÃO E FRAUDE PARA TRIBUTAÇÃO A MENOR. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERMEDIÁRIAS. ELISÃO FISCAL ABUSIVA. O negócio jurídico realizado entre partes, sem propósito negocial e com o único intuito de reduzir tributos, pode ser desconsiderado para efeitos tributários pela autoridade administrativa, dando lugar ao lançamento de ofício sobre o fato jurídico tributário efetivamente ocorrido. A elisão fiscal abusiva, consistente no planejamento de tributação mais benéfica, desviando se dos objetivos da legislação, prejudica todo o sistema tributário nacional, organizado com base nos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva. DEDUÇÃO DE ICMS NA CONDIÇÃO DE SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO. ADIÇÃO IRREGULAR À RECEITA BRUTA DE IDÊNTICO VALOR. ANULAÇÃO DE EFEITOS. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA. O equívoco do contribuinte em somar à receita bruta declarada os valores totais das notas fiscais, que inclui o ICMS por substituição, anula o também equivocado ato contábil de deduzir desta mesma receita bruta o mesmo valor de ICMS por substituição. Não há se falar em apropriação a maior de custos de ICMS, devendo a infração ser anulada quanto a esse ponto. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS APURADOS EM PESSOA JURÍDICA DIVERSA DA AUTUADA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 96 /2 01 7- 55 Fl. 51648DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.649 2 Não há permissivo legal para compensação do crédito apurado em pessoa jurídica diversa da autuada. A legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. ATUAÇÃO DECISIVA NA OPERAÇÃO QUE RESULTOU TRIBUTAÇÃO A MENOR POR MEIO DE ELISÃO FISCAL ABUSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei os administradores de pessoas jurídicas de direito privado que efetivamente concorreram para a fraude e simulação em detrimento do Fisco. MULTA QUALIFICADA DE 150%. ATOS CONSCIENTES E PREMEDITADOS COM O INTUITO DE PAGAR MENOS IMPOSTOS. A comprovação do intuito de pagar menos tributos, configurando fraude e simulação, com lesão direta ao Fisco, é suficiente para a aplicação da multa agravada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar provimento ao recurso de ofício; i.ii) rejeitar a arguição de nulidade do acórdão recorrido; i.iii) rejeitar a arguição de nulidade do lançamento; i.iv) acolher parcialmente a arguição de decadência relativamente às exigências de Contribuição ao PIS e COFINS nos períodos de janeiro a novembro de 2011; i.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à imputação de omissão de receitas e à dedução dos tributos pagos e despesas geradas nas operações praticadas pelas empresas distribuidoras interdependentes; i.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; i.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à ilegitimidade passiva das pessoas físicas; e ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas, divergindo o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Fl. 51649DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.650 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação da Recorrente, conforme abaixo explanado. A Fiscalização constatou a utilização de um grupo de empresas, pertencentes ao Grupo BS de Pneus, que foram utilizadas para a prática de omissão de receita. A Recorrente mantinha relação de interdependência com suas distribuidoras no mercado atacadista e empresas de factoring (“Grupo BS de Pneus”), com a finalidade de reduzir o IPI devido em suas operações no mercado interno, bem como demais tributos incidentes sobre o faturamento e lucro. (No caso dos autos analisaremos apenas as infrações relativas ao IPRJ, CSLL, PIS e COFINS.) O Sr. Luiz Bonacin Netto é sócio administrador e responsável pelas distribuidoras de pneus listadas e também sócio administrador da Recorrente. A Fiscalização alega que as mencionadas distribuidoras de pneus figuravam nos documentos fiscais como adquirentes das mercadorias, mas que tais aquisições e revendas não ocorreram de fato. Acrescenta também, que o recebimento de valores das vendas era feito por intermédio da Mississipi Fomento de Negócios S/A e Ventura & Orion S/A, empresas Factoring. Segundo a Fiscalização, a Átila Pneus Ltda emitiu notas fiscais de venda de seus produtos importados em nome de suas distribuidoras de pneus, todas interdependentes, com valores de mercadorias muito abaixo do que vendia para o mercado. A Autoridade Fiscal afirma ainda que essas distribuidoras interdependentes não compraram ou revenderam os produtos importados pela Recorrente, apenas funcionando como anteparo para incidência dos impostos sobre o valor total das operações. E completa a descrição da fraude, informando que “o recebimento dos recursos não oferecidos à tributação se dava também por meio das pessoas jurídicas Mississipi Fomento de Negócios S/A e Ventura & Orion Gestão Empresarial S/A, empresas factoring interdependentes e do mesmo grupo econômico. A Fiscalização também constatou irregularidade na integralização do capital social da Recorrente. Segundo o Auditor Fiscal, não restou comprovado a origem dos recursos utilizados para a integralização do capital social da Recorrente no importe de R$ 12.600.000,00 de modo contrário ao contrato social e sem volume de operações comerciais capaz de justificar a existência de tal montante. Afirma que a Fiscalização que a própria Recorrente (e não os sócios) foi quem integralizou o capital social da empresa, que depois foi imediatamente convertido em créditos perante a empresa factoring Mississipi que tinha como administrador o Sr. Luiz Bonacin Filho, pai do administrador da fiscalizada (Sr. Luiz Bonacin Netto). Fl. 51650DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.651 4 Afirma também que todo o capital social da empresa foi utilizado na comprova dos créditos da Mississipi e que estes títulos de créditos eram de fato inexistentes, se considerados os balancetes apresentados e o momento da vida formal da empresa autuada, indício de mera simulação para encobrir o trânsito de valores significativos pela conta corrente da Recorrente. A fiscalização também afirma que para dar suporte documental a esta operação, a Recorrente e a Mississipi firmaram contrato de prestação de serviço seis meses após a criação da autuada, mas que não existe qualquer menção de pagamento pelos serviços prestados e que da análise da contabilidade da Recorrente, constatase que de janeiro de 2011 a maio de 2012 não houve lançamento de qualquer despesa de cobrança dos serviços prestados pela Mississipi, indício de que tal contrato serviria apenas para dar aparência de legalidade à transferência regular de recursos relativos a integralização para a Mississipi. Desta forma, decidiu lavrar Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, face a empresa Recorrente e os responsáveis solidários por ter sido declarado inapta a empresa autuada (processo de inaptidão 15165.722800/201483, fl. 11 do Termo de Descrição dos Fatos), que tratam das seguintes infrações a legislação tributária ocorridas nos anos de 2011 e 2012 (o processo 10980.725020/201620 que trata do Auto de Infração de IPI): 1 infração de omissão de receita constatada por meio de subfaturamento de vendas de mercadorias (pneus) onde emitiu nota fiscal de venda à com valor inferior ao realmente praticado (subfaturado) e concomitantemente emitiu nota fiscal de remessa à ordem para documentar operação mercantil diversa. 2 Apropriação a maior de custo de ICMS, relativo ao ICMS substituição tributária. (glosa). (Infração cancelada pela DRJ) Para a segunda infração a fiscalização entende que, é irregular adição à receita bruta do ICMS substituição tributária, o que gerou apropriação a maior de custo relativo ao ICMS escriturado nas notas fiscais de vendas de mercadorias na proporção do ICMS pago devido a substituição tributária. (parágrafo único do artigo 279 do RIR/00) Foi aplicada multa qualificada de 150% para todo o crédito exigido no Auto de Infração e imputada responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN aos sócios administradoras da Recorrente, Sr. Luiz Bonacin Netto e Gabriela Bonetto. O arbitramento foi feito com base na diferença encontrada entre o valor subfaturado e o valor efetivamente praticado, descontando o valor da recita subfaturada indicado na DIPJ. Ou seja, a receita efetivamente percebida menos a receita subfaturada declarada. Em seguida, aplicou as alíquotas vigentes à época. Tal procedimento está devidamente demonstrado às fls. 81/84 e no quadro indicado na página 83 do Termo de Demonstração dos Fatos. Dentre os dispositivos utiilzados para fundamentar a infração, a Fiscalização destacou os artigo 283 e 288 do RIR/99 para fundamentar a infração de omissão de receita. Após ter sido intimada do Auto de Infração a Recorrente apresentou impugnação refutando a acusação, a qual foi parcialmente provida para cancelar a infração de Fl. 51651DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.652 5 adição irregular à receita bruta, devido a apropriação indevida de ICMS pago como substituto tributário e registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. SIMULAÇÃO E FRAUDE PARA TRIBUTAÇÃO A MENOR. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERMEDIÁRIAS. ELISÃO FISCAL ABUSIVA. O negócio jurídico realizado entre partes, sem propósito negocial e com o único intuito de reduzir tributos, pode ser desconsiderado para efeitos tributários pela autoridade administrativa, dando lugar ao lançamento de ofício sobre o fato jurídico tributário efetivamente ocorrido. A elisão fiscal abusiva, consistente no planejamento de tributação mais benéfica, desviandose dos objetivos da legislação, prejudica todo o sistema tributário nacional, organizado com base nos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva. DEDUÇÃO DE ICMS NA CONDIÇÃO DE SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO. ADIÇÃO IRREGULAR À RECEITA BRUTA DE IDÊNTICO VALOR. ANULAÇÃO DE EFEITOS. TRIBUTAÇÃO INDEVIDA. O equívoco do contribuinte em somar à receita bruta declarada os valores totais das notas fiscais, que inclui o ICMS por substituição, anula o também equivocado ato contábil de deduzir desta mesma receita bruta o mesmo valor de ICMS por substituição. Não há se falar em apropriação a maior de custos de ICMS, devendo a infração ser anulada quanto a esse ponto. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ULTRAPASSADO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados, ante a ocorrência de simulação, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, prazo este ultrapassado no presente caso, ensejando a nulidade do auto de infração. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS APURADOS EM PESSOA JURÍDICA DIVERSA DA AUTUADA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há permissivo legal para compensação do crédito apurado em pessoa jurídica diversa da autuada. A legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas Fl. 51652DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.653 6 diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. ATUAÇÃO DECISIVA NA OPERAÇÃO QUE RESULTOU TRIBUTAÇÃO A MENOR POR MEIO DE ELISÃO FISCAL ABUSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei os administradores de pessoas jurídicas de direito privado que efetivamente concorreram para a fraude e simulação em detrimento do Fisco. MULTA AGRAVADA DE 150%. ATOS CONSCIENTES E PREMEDITADOS COM O INTUITO DE PAGAR MENOS IMPOSTOS. A comprovação do intuito de pagar menos tributos, configurando fraude e simulação, com lesão direta ao Fisco, é suficiente para a aplicação da multa agravada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seguida, a DRJ interpôs Recurso de Ofício e a Recorrente, juntamente com os responsáveis solidários, interpuseram Recurso Voluntário. A Recorrente e os responsáveis alegam nulidade do v. acórdão por ter deixado de analisar todas as alegações e documentos postos no processo e de resto repisam as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 51653DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.654 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso de Ofício: A matéria a ser analisada em sede de Recurso de Ofício trata do cancelamento da infração relativa a adição irregular à receita bruta (ou redução indevida do lucro por apropriação a maior do ICMSST), do ICMS pago devido a substituição tributária escriturado nas notas fiscais de vendas de mercadorias, o que contraria as normas de apuração do IRPJ previstas no artigo 279 do RIR/99. A DRJ decidiu por cancelar esta operação por entender o seguinte: Conforme relatado pela Autoridade Fiscal no Termo de Descrição dos Fatos, quando da abordagem da infração por redução indevida do lucro (fls. 48349 e ss), apurouse que houve apropriação a maior de ICMS por parte da Impugnante. Da receita bruta em 2011 declarada de R$ 90.067.468,49, a Impugnante deduziu ICMS no valor de R$ 19.643.630,61, mas teria direito ao montante de R$ 8.049.850,53, “... o qual seria o somatório de ICMS incidente sobre as vendas da fiscalizada Planilha "totais de vendas ICMS IPI PIS e COFINS 2011 e 2012", parte integrante do Auto de Infração, conforme suas notas fiscais de saída”. Ou seja, a Impugnante estaria deduzindo ICMS devido na condição de substituta tributária, o que é vedado pelos dispositivos citados pela Autoridade Fiscal (arts. 247 a 251 e 277 a 280, todos do RIR/99, com destaque grifado no art. 279 – fls. 48351 a 48354). Em primeiro lugar, não há descrição incorreta e imprecisa da infração ou da capitulação legal, como alegam os Impugnantes, visto que as informações dadas pela Autoridade são suficientes para embasar o auto de infração: descrição dos fatos ilegais cometidos pela autuada e dispositivos legais infringidos. Tanto não são incorretas ou imprecisas as informações fiscais que os Impugnantes puderam se defender e seus argumentos serão em parte acatados. A alegação de adição indevida à base de cálculo para efeito de tributação implicar assumir que, para o ano de 2011 valor de R$ 90.067.468,49 declarados a título de Receita de Revenda de Mercadorias na DIPJ (fl. 8455), e para 2012 – valor de R$ 272.274.000,33, incluiriam os valores pagos de ICMS na condição de substituto tributário. Tal contabilização e declaração seriam indevidas, já que o citado art. 279 do RIR/99, em seu parágrafo único determina que Fl. 51654DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.655 8 na receita bruta de vendas não se incluem os impostos destacados em que o vendedor seja mero depositário, como é o caso do ICMS por substituição tributária: “Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. “ Nesse sentido, veja o que consta do manual de ajuda da DIPJ 2012 (AC 2011) que orienta o preenchimento do campo de Receita (o mesmo para a DIPJ 2013): “Linha 06A/03 Receita de Venda de Produtos de Fabricação Própria no Mercado Interno Indicar, nesta linha, o valor da receita auferida no mercado interno correspondente à venda de produtos de fabricação própria e as receitas auferidas na industrialização por encomenda ou por conta e ordem de terceiros. Atenção: A pessoa jurídica não deve incluir o valor correspondente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que o vendedor é mero depositário e este imposto não integra o preço de venda da mercadoria. Não incluir, também, o valor correspondente ao ICMS cobrado na condição de substituto.” (grifei) Ocorre que a empresa autuada de fato, contrariando o que determina a legislação em vigor e o manual de preenchimento da DIPJ, errou na declaração de receita bruta, adicionando a ela (receita bruta) os valores de ICMS pagos na condição de substituto tributário. Analisandose a planilha citada pela Autoridade Fiscal (fls. 3763 a 5753), percebese que os valores considerados como receita bruta para os anoscalendário de 2011 e 2012, de R$ 90.070.551,82 e R$ 278.308.346,33, respectivamente (fls. 4376 e 5753), compostos pelo somatório dos valores das Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, contêm o ICMS por substituição tributária. A Autoridade Fiscal e o contribuinte consideraram como receita bruta o somatório dos valores totais das notas fiscais (o que inclui o ICMS por substituição), e não o somatório dos valores totais dos produtos, que só inclui o ICMS próprio. Em que pese o valor declarado pela empresa autuada na DIPJ 2013 ser de R$ 272.274.000,33, e o valor do somatório das notas Fl. 51655DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.656 9 fiscais ser de R$ 278.308.346,33, pode se concluir também pela inclusão do ICMS por substituição tributária nesse somatório, sendo que a diferença entre o declarado e o somado pelas notas fiscais não foi explicado pela Autoridade Fiscal ou pelos Impugnantes. Assim, em que pese o erro da empresa autuada em adicionar o ICMS por substituição tributária na receita bruta de vendas, fato este que talvez não tenha sido percebido pela Autoridade Fiscal, os efeitos foram cancelados na operação seguinte de dedução do ICMS, em que também se somou o ICMS por substituição. Não seria correto glosar essa dedução, já que no final das contas o efeito seria nulo. Em outras palavras, a empresa autuada adicionou indevidamente o valor de ICMS por substituição tributária à receita de vendas, mas em seguida subtraiu esse valor da mesma receita de vendas, o que anularia seus efeitos. Desse modo, não há que se falar em apropriação a maior de ICMS por parte da Impugnante, devendo as infrações por custos não comprovados nos valores de R$ 11.593.780,08 em 2011, e de R$ 37.783.120,32 em 2012, serem canceladas. Vejam D. Julgadores, não se discutiu no voto vencedor do v. acórdão recorrido sobre a possibilidade de se afastar a regra de definição legal de receita bruta. Inclusive restou consignado no voto do Relator acórdão "a quo", que a Recorrente se equivocou ao incluir o ICMS substituição tributária na receita bruta, contrariando o determinado na parágrafo único do artigo 279 do RIR/99. O que se pode constatar da fundamentação da decisão acima, é que no caso, restou provado materialmente que a Recorrente incluiu os valores relativos ao ICMS substituição tributária em sua receita bruta e depois excluiu determinado valor como custo na apuração do resultado, anulando o efeito do primeiro lançamento. Sendo assim, não cabe o lançamento sobre a infração aqui em análise, por não implicar em alteração do resultado final da apuração do imposto. Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício para manter esta parte do v. acórdão recorrido que cancelou a exigência relativa a adição irregular do ICMS relativo a substituição tributária à receita bruta. Recurso Voluntário: O Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. Fl. 51656DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.657 10 Em relação a alegação de nulidade do v. acórdão recorrido por não ter analisado todas as alegações da impugnação e os documentos constantes nos autos, entendo que não deve prosperar. O acórdão recorrido analisou todas as alegações e documentos pertinentes para formar a convicção e motivação do Relator e demais Julgadores da DRJ. O fato de não ter sido acolhida alguma alegação da Recorrente ou ter sido dada outra interpretação a determinado fato concernente a acusação não enseja nulidade do julgado "a quo". Desta forma, rejeito a alegação de nulidade do v. acórdão recorrido. Da alegação de nulidade do lançamento devido a falta de declaração (Ato Executivo) de inexistência das empresas distribuidoras: Conforme muito bem apontado no v. acórdão recorrido, não existe previsão legal no âmbito do processo administrativo federal de que é necessário Ato Declaratório Executivo prévio, que declare a inexistência de empresa, para que sejam desconsideradas pela Fiscalização durante a auditoria fiscal para o lançamento de ofício. E mesmo assim, no caso em análise, a Fiscalização construiu forte arcabouço probatório que comprova que as operações entre a Recorrente e as distribuidoras interdependentes não ocorreram da forma como foram documentadas nos documentos fiscais. A Fiscalização não afirma que as distribuidoras interdependentes não existiam. O Auditor Fiscal desconsiderou as operações albergadas nos documentos fiscais, eis que em seu entendimento, constatou subfaturamento das vendas de mercadorias. Ademais, existem diversos outros motivos que conduziram a lavratura do Auto de Infração, bem como para que a Fiscalização considerasse as operações simuladas. (Ou seja, a autuação não foi baseada na simulação de existência das distribuidoras.) Também não deve prevalecer a alegação da Recorrente de que toda a motivação invocada no Termo de Demonstração dos Fatos e nos Autos de Infração, fundase na desconsideração dos negócios jurídicos ocorridos entre a autuada e as outras pessoas jurídicas apontadas, com base no parágrafo único, do art. 116 do CTN. O Auditor Fiscal não utilizou tal dispositivo legal para fundamentar sua acusação e o auto de infração. Como muito bem apontado no v. acórdão recorrido, no caso em análise, a fiscalização considerou as operações praticadas entre a Recorrente, as distribuidoras de pneus e as empresas factoring como fictícias, levantado provas e fatos que levaram à sua conclusão de que ocorreram as infrações apontadas. Podese resumir os fatos que levaram ao auto da seguinte forma: 1 A existência do Grupo BS de Pneus, formado pela Recorrente, as distribuidoras de pneus e as empresas de factoring, todas interdependentes; 2 As aquisições e revendas das distribuidoras de pneus não ocorreram de fato, já que o motivo era apenas a redução do IPI a pagar (há diferença considerável de preços Fl. 51657DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.658 11 quando a venda era para as interdependentes, em comparação à venda para as demais não ligadas); 3 Todo o recebimento de valores das vendas era feito por intermédio das empresas de factoring do grupo, já que as distribuidoras pneus do grupo não possuíam recursos para a compra de produtos, não apresentaram movimentação financeira e não pagaram ou receberam pelas mercadorias comercializadas/revendidas para empresa que não eram do grupo; 4 Não houve comprovação da origem dos recursos da Recorrente para a integralização do capital social (R$ 12.600.000,00 integralizados por ela própria), convertidos imediatamente em créditos com as empresas de factoring do grupo, sem contrapartida e com contabilização de ativo fictício; 5 Inexistência de ativo imobilizado ou empregados; Como visto, além dos fatos constatados pela Fiscalização e acima indicados, existe uma série de provas que indicam não ter sido concretizada a operação do modo como escriturada ou lançada em notas fiscais de venda e remessa; provas essas corroboradas pela ausência de capacidade financeira das empresas citadas no relatório fiscal e que levaram a conclusão fiscal de que ocorreu a infração de omissão de receitas. Ou seja, não consta no Termo de Demonstração dos Fatos e nos Autos de Infração, de forma expressa, a desconsideração da personalidade jurídica de alguma das empresas nos termos do artigo 116 do CTN, mas sim um conteúdo fático e probatório que demonstram que as operações não ocorreram com apontadas nos documentos fiscais. O que restou constatado nos autos é a existência de um grupo empresarial composto por uma série de empresas que não tem capacidade econômica ou física e com escrituração contábil incompatível para suportar as operações indicadas nos documentos fiscais. Fato que levou a Fiscalização a investigar e concluir que o fluxo financeiro foi omitido. A acusação é baseada na afirmação da Fiscalização de que não há qualquer propósito negocial quando a Recorrente atua por intermédio de empresas que não cumpriram sua efetiva função de vender, pagar e receber. Tal é o caso da venda com utilização das distribuidoras de pneus interdependentes, com a única função de reduzir a tributação de IPI e demais tributos sobre a renda e adicionais. O que a fiscalização entende é que não se pode levar em consideração o negócio jurídico como lícito, quando, na realidade, se constatou que as distribuidoras de pneus não possuíam recursos para a compra dos produtos que alegam ter comprado (por meio de nota fiscal subfaturada emitida pela autuada), e não apresentaram movimentação financeira, seja para pagar os produtos que alegam ter comprado, seja para receber pelas mercadorias comercializadas às revendas que não eram do grupo. Sendo assim, rejeito as alegações preliminares de nulidade por falta de declaração formal de inexistência das empresas distribuidoras de pneus e de que o lançamento de ofício foi feito com base na premissa principal de que a Fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica das empresas distribuidoras nos termos do artigo 116 do CTN. De resto, para evitar repetições adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. Fl. 51658DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.659 12 A alegação dos Impugnantes de que a inexistência operacional das distribuidoras de pneus foi o pressuposto de fato para a lavratura do auto de infração não encontra suporte nos fatos relatados e documentos juntados pela Autoridade Fiscal. Diversos foram os motivos que conduziram à lavratura do auto de infração contra a empresa Átila Pneus Ltda, ora Impugnante. Não há que se levantar inexistência de procedimento administrativo visando a inaptidão de empresas distribuidoras de pneus (diversas empresas que fazem parte do grupo Grupo BS de Pneus), pois a autuada é outra, a empresa Átila Pneus Ltda. Aliás, não há norma que determine antes a declaração de inexistência de empresa (por meio de Ato Declaratório Executivo), mesmo que fosse a própria autuada a empresa não localizada ou que emitisse documentos fiscais com base em operações fictícias, pois tal declaração de inexistência não é condição de procedibilidade de auto de infração. Apenas para ilustrar, no presente caso houve a declaração de inaptidão da Impugnante Átila Pneus por meio do Ato Declaratório Executivo nº 37, de 05/03/2014 (fl. 8530), nos autos do PA nº 10907.720988/201219, decisão essa inicialmente suspensa por medida liminar em agravo de instrumento (fl. 22250). Posteriormente, houve mais um pedido de inaptidão da empresa firmado em 21/10/2014 (fls. 22243 a 22261), inclusive invocando o ADE anterior. O motivo da inaptidão e/ou do pedido de inaptidão posterior foi a inexistência de fato da autuada e a irregularidade em operações de comércio exterior. O ADE de inaptidão foi confirmado em primeira instância judicial (fls. 8496 a 8529), ao que parece revogando a liminar anteriormente concedida, mas a Impugnante recorreu da decisão, que não transitou em julgado até o momento (autos do procedimento comum nº 5033497 92.2015.4.04.7000/PR). Como dito acima, não há norma que determine a declaração de inaptidão de empresa para então se proceder à lavratura do auto de infração (o ADE não é condição de procedibilidade de auto de infração). No caso em análise, as operações fictícias entre a Impugnante e as distribuidoras de pneus, levantadas pela Autoridade Fiscal, compõem apenas uma parte dos fatos narrados e que levaram à conclusão da Autoridade pelas infrações apontadas. Podese sintetizar assim os fatos que levaram ao auto: 1 A existência do Grupo BS de Pneus, formado pela Impugnante, distribuidoras de pneus e empresas de factoring, todas interdependentes; 2 As aquisições e revendas das distribuidoras de pneus não ocorreram de fato, já que o motivo era apenas a redução do IPI a pagar (há diferença considerável de preços quando a venda Fl. 51659DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.660 13 era para as interdependentes, em comparação à venda para as demais não ligadas); 3 Todo o recebimento de valores das vendas era feito por intermédio das empresas de factoring do grupo, já que as distribuidoras pneus do grupo não possuíam recursos para a compra de produtos, não apresentaram movimentação financeira e não pagaram ou receberam pelas mercadorias comercializadas às revendas que não eram do grupo; 4 Não houve comprovação da origem dos recursos da Impugnante para a integralização do capital social (R$ 12.600.000,00 integralizados por ela própria), convertidos imediatamente em créditos com as empresas de factoring do grupo, sem contrapartida e com contabilização de ativo fictício; 5 Inexistência de ativo imobilizado ou empregados; Como visto, não há afirmação de que as distribuidoras não existiam de fato no local onde declaradas à RFB. Há, sim, uma série de provas que indicam não ter sido concretizada a operação do modo como escriturada ou lançada em notas fiscais de venda e remessa, provas essas corroboradas pela ausência de capacidade financeira das empresas citadas no relatório fiscal. De modo contrário ao alegado pela defesa e não demonstrado com a indicação de excertos do relatório ou do auto de infração lavrado, há afirmação pela Autoridade Fiscal que as operações entre a empresa autuada e as distribuidoras não ocorreram como informado em documentos fiscais ou na contabilidade da autuada, mas não que estas últimas não existiam. Em momento algum foi alegada a inexistência das Distribuidoras de Pneus, como afirmam os Impugnantes. O que a Autoridade Fiscal expôs em seu relatório é que essas distribuidoras de pneus interdependentes não atuavam de fato nas vendas de pneus pela Átila, servindo apenas como instrumento para redução do IPI (e demais tributos decorrentes). Tal conclusão pode ser retirada dos exemplificativos do relatório fiscal abaixo transcritos: “As mencionadas distribuidoras de pneus, como se exporá, figuravam como adquirentes para a revenda no mercado atacadista, das mercadorias da autuada no mercado interno, entretanto, tais aquisições e revendas não ocorreram de fato!” (fl. 48278) “Todavia, há que se ressaltar que a prática fraudulenta de evasão fiscal foi devidamente comprovada: a Átila Pneus Ltda. emitiu notas fiscais de venda de seus produtos importados em nome de suas distribuidoras de pneus, todas interdependentes, com incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados em importâncias muito pequenas, em razão dos valores de mercadorias adotados serem muito abaixo do mercado. Fl. 51660DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.661 14 Acontece que essas interdependentes não compraram, e muito menos revenderam, os produtos importados pela autuada!” (fl. 48285) “Na presente autuação, tencionase fazer prova de que o esquema fraudulento prosseguiu com o uso das distribuidoras de pneus interdependentes, todas sem capacidade econômica financeira para realizar o montante de operações foram registradas, nas notas fiscais emitidas pela autuada, indício de que as vendas documentadas nessas notas fiscais para essas distribuidoras, não ocorreram efetivamente. Isso porque tais distribuidoras não possuíam recursos para negociarem os ditos volumes de valores, não apresentaram movimentação financeira, e, como se verá, nem têm provas de pagamento ou recebimento dos valores relativos às supostas operações mercantis, o que, como já dito, será exposto mais detalhadamente em tópico posterior.” (fl. 48307) Como se verifica, constou do auto que as operações executadas pelas distribuidoras de pneus não refletiam o que constava dos documentos fiscais e contábeis. A existência física dessas empresas distribuidoras de pneus não foi analisada pela Autoridade Fiscal no relatório e não será discutida, e os Impugnantes até juntaram cópias de fotos e documentos que, em uma análise superficial, comprovam sua existência física. Mas essa existência das distribuidoras de pneus não é pressuposto da legalidade das operações para com a autuada Átila Pneus. Mais uma vez, diversos foram os motivos para a lavratura do auto de infração, entre os quais não se encontra a inexistência das distribuidoras. As emissões de documentos fiscais entre a Impugnante e as distribuidoras de pneus que não correspondiam aos fatos efetivamente praticados, com o intuito exclusivo de elidir o pagamento dos tributos devidos, levaram ao auto de infração. Indiferente, portanto, a existência ou não de procedimento administrativo para declaração de inaptidão das distribuidoras de pneus interdependentes, contribuintes diversos da empresa autuada Átila Pneus Ltda. Não prevalece a alegação de que toda a motivação invocada no auto de infração fundase na desconsideração dos negócios jurídicos entre a autuada e as outras pessoas jurídicas apontadas, parágrafo único do art. 116 do CTN. A Autoridade Fiscal sequer utilizou tal dispositivo legal para fundamentar seu auto de infração. Considerar como válidos todos os procedimentos e negócios jurídicos entre pessoas, já que ainda não regulamentado o parágrafo único do art. 116 do CTN, como pleiteiam os Impugnantes, seria equivalente a dar uma carta branca aos contribuintes para que recolhessem o que bem entendessem. Não foi essa a intenção do legislador, já que o Estado necessita das verbas oriundas dos tributos e a autonomia da vontade é limitada pela boafé e função social dos contratos. Fl. 51661DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.662 15 Nesse sentido o Enunciado 26 da I Jornada de Direito Comercial do CJF preceitua que “O contrato empresarial cumpre sua função social quando não acarreta prejuízo a direitos ou interesses, difusos ou coletivos, de titularidade de sujeitos não participantes da relação negocial”. De fato, ainda não foi disciplinado o procedimento para a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do parágrafo único do art. 116 do CTN. No caso em tela, não foram considerados, apenas, os efeitos tributários desse negócio, que tiveram por finalidade exclusiva a redução do recolhimento de tributos ao Fisco, que teria por destino toda a sociedade. Não subsiste a alegação de que a lei permite a livre negociação entre particulares, mormente porque não houve o dito propósito negocial, cuja intenção exclusiva foi a redução de tributos. Os negócios entre particulares não podem ser considerados válidos quando tenham o único intuito de evitar a correta tributação determinada pelo legislador. E tal fato ficou evidenciado quando da comparação entre notas fiscais emitidas a distribuidoras de pneus do mesmo grupo e atacadistas não interdependentes, já que para o último grupo a diferença de preço chegava constantemente a mais de 200% (fls. 48318 e 48319). Não há qualquer propósito negocial quando a Impugnante atua por intermédio de empresas que não cumpriram sua efetiva função de vender, pagar e receber. Tal é o caso da venda com utilização das distribuidoras de pneus interdependentes, com a única função de reduzir a tributação de IPI e demais tributos sobre a renda e adicionais. Não há negócio jurídico lícito quando, na realidade, se constata que as distribuidoras pneus não possuíam recursos para a compra de produtos que alegam ter comprado (por meio de nota fiscal subfaturada emitida pela autuada), e não apresentaram movimentação financeira, seja para pagar os produtos que alegam ter comprado, seja para receber pelas mercadorias comercializadas às revendas que não eram do grupo. As vendas entre a Impugnante Átila e as distribuidoras interdependentes, e os contratos de prestação de serviços entre elas e as empresas de factoring, havendo provas de que não ocorreram de fato, ferem frontalmente a boafé objetiva dos negócios jurídicos, com o único intuito de prejudicar terceiros alheios ao negócios, consistindo em elisão fiscal abusiva. A elisão fiscal abusiva, consistente no planejamento de tributação mais benéfica, deve ser coibida de todas as formas. Ela prejudica todo o sistema tributário nacional, organizado com base nos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva. Fl. 51662DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.663 16 Não se pode permitir que determinada pessoa se utilize de meio ilegal para reduzir suas obrigações, ao passo que outra, sem a mesma oportunidade ou conscientes da proibição, sejam tributadas em bases não isonômicas. Nesses caso, veja que o art. 149 do CTN, este sim apontado pela Autoridade Fiscal como fundamento para o lançamento fiscal (fl. 48360), já atribui a prerrogativa de efetuara e revisar o lançamento anterior, nos seguintes termos: [...] Ou seja, comprovada a fraude ou simulação por parte do sujeito passivo, autorizada está pela legislação vigente a revisão do lançamento pela Autoridade Fiscal. Repisese que a Autoridade Fiscal está desconsiderando, com fins estritamente tributários, os ato formais praticados pelo sujeito passivo (emissão de notas fiscais subfaturadas para as distribuidoras de pneus interdependentes e destas para as demais sem dependência), praticados com intuito único de evitar a incidência dos tributos devidos. Desta forma, rejeito as preliminares acima indicadas e alegadas pela Recorrente. Da alegação de decadência do direito da Fazenda Nacional lançar os créditos tributários: Em relação a decadência do direito de lançar o IRPJ e a CSLL, entendo que o v. acórdão deve ser mantido. Primeiramente, do que se pode constatar do autos, restou comprovado atos dolosos e simulados por parte da Recorrente, deslocandose assim a regra de contagem do prazo decadencial para o inciso I do artigo 173 do CTN. Como os fatos geradores ocorreram entre janeiro de 2011 à dezembro de 2012 e a Recorrente foi intimada do Auto de Infração em 08/05/2017, entendo que não ocorreu a decadência do direito de lançar os créditos. Vejamos. O termo inicial do prazo decadencial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Assim, quanto aos eventos ocorridos no anocalendário de 2011, temse o fato gerador no dia 31/12/2011, de modo que o lançamento poderia ter sido efetuado a partir do dia 1/1/2012. Considerando a regra do inciso I do art. 173 do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ser realizado é o dia 01/01/2013. Diante disso, resta evidente a inexistência de decadência, haja vista o sujeito passivo ter sido intimado do lançamento em maio de 2017, antes, portanto, do transcurso do prazo quinquenal. Sendo assim, não se configura a decadência em relação ao lançamento dos créditos do IRPJ e da CSLL. Fl. 51663DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.664 17 No tocante ao PIS e a Cofins, o fato gerador da contribuição é mensal e, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, os fatos geradores ocorridos até novembro de 2011, poderiam ser lançados no próprio anocalendário 2011, iniciandose o prazo decadencial, a partir de 01/01/2012 com encerramento em 31/12/2016. Assim, os fatos geradores do PIS e da Cofins, ocorridos de janeiro a novembro de 2011, se lançados mensalmente, estariam abrangidos pela decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 08/05/2017, extrapolando, portanto, o prazo de 5 anos. Desta forma, acolho parcialmente a prejudicial de decadência em relação aos créditos de PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 2011. Passo a analisar o mérito: Da alegação de validade do planejamento tributário elaborado pela empresa: Tal alegação da Recorrente, não deve ser acolhida. Restou comprovado nos autos que a Recorrente simulou preços de vendas e revendas de mercadorias visando reduzir a base tributável do IPI e omitir receita do IRPJ e CSLL da Fiscalização. A simulação praticada pela Recorrente e demais empresas do grupo, na intenção de transparecer operações sucessivas de compra e venda normais no mercado de venda e revenda de produtos pneumáticos, para dar aparência de regularidade dos pagamentos e a contabilização dos resultados, não pode ser considerado como planejamento tributário válido perante o Fisco. Ademais, mesmo que este Julgador considerasse este planejamento tributário com válido para o IPI, após a constatação nos autos da infração de omissão de receita para incidência do IPRJ e para CSLL, devido ao subfaturamento nas vendas de pneus, não permitiria que seu raciocínio e decisão fosse diferente da que restou registrada no v. acórdão recorrido. Desta forma, rejeito a alegação preliminar da Recorrente. Quanto a alegação da Recorrente de que só existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando estas realizam conjuntamente a situação configuradora do fato gerador: Alega a Recorrente que, como as empresas Mississipi Fomento de Negócios S/A e Ventura & Orion S/A não foram responsabilizadas pelo crédito tributário aqui discutido, a Fiscalização equivocouse ao afirmar que existia um grupo econômico, cujas empresas trabalharam em conjunto para reduzir a carga tributária ou evitar ter que pagar o tributo. Sendo assim entende que não restou devidamente comprovado a infração imputada de omissão de receita. Fl. 51664DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.665 18 Como muito bem apontado pelo v. acórdão recorrido, em que pese as empresas factoring Mississipi e Ventura não terem sido responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário, as informações trazidas do processo do auto de infração anterior (provas emprestadas) serviram para demonstrar que tais empresas foram essenciais para a concretização dos negócios jurídicos irregulares aqui discutidos e que existia sim grupo econômico, cujas empresas trabalharam em conjunto nas operações que ensejaram a infração aqui analisada. Restou comprovado nos autos que foi por intermédio dessas empresas factoring, que as distribuidoras de pneus não interdependentes repassavam os valores devidos nas compras de produtos à empresa Recorrente, real beneficiaria da transação. A participação das empresas de factoring e a ausência de fato nas transações das empresas distribuidoras de pneus interdependentes ficou, inclusive, comprovado com as respostas das empresas V10 e Plima às intimações da Autoridade fiscal (fls. 2352 a 2353 e 48137 a 48138). Também restou comprovado nos autos que a empresa Mississipi foi quem concedeu recursos para a Recorrente integralizar seu capital social. Sendo assim, ao contrário do que alegam os Recorrentes, as provas trazidas aos autos pela fiscalização e as obtidas junto aos processos administrativos anteriores nos levam a concluir de que existe grupo econômico, cujas empresas participaram ou tiveram estrita ligação com o fato gerador do tributo. Assim, entendo que restou comprovado nos autos que as distribuidoras de pneus interdependentes e as empresas de factoring pertencem ao grupo econômico da empresa Recorrente e participaram ativamente no fato gerador. As provas dos autos demonstram que a ligação entre as empresas não se resumi apenas ao DNA dos sócios diretores como alega a Recorrente, pelo que se pode constatar nos autos, as distribuidoras, as empresas factoring e a autuada participaram conjunta e ativamente da irregularidade tributária que ocasionou na infração de omissão de receita. Da alegação de capacidade operacional da empresa Recorrente Atila: Alega a Recorrente que a Fiscalização ultrapassou os limites do MPF ao utilizar prova emprestada de outro processo administrativo 10907.720989/201263, onde se discute a regularidade da empresa Recorrente, principalmente em relação a integralização do capital. Apenas para relembra, ao final de tal processo, foi declarada a inaptidão da empresa Recorrente, determinando sua baixa irregular. Primeiramente, entendo importante destacar que não se está exigindo nestes autos o valor relativo a irregularidade da integralização do capital social da empresa. Fl. 51665DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.666 19 Tal irregularidade foi utilizada pela Fiscalização para demonstrar a falta de capacidade econômica da Recorrente para importar e operacionalizar vendas no montante em que forma constatadas na acusação fiscal. Sendo assim, entendo que a Fiscalização não ultrapassou os limites previstos no MPF, eis que apenas foi buscar provas em outros processos que demonstram a falta de capacidade econômica da Recorrente, que posteriormente foi declarada inapta e foi baixada irregularmente. Ademais, a Fiscalização demonstrou problemas tanto na integralização do capital social da Recorrente, como também a falta de capacidade operacional, eis que não tinha empregados registrados. Quanto a alegações da Recorrente sobre a regular integralização de ser capital social, a DRJ decidiu da seguinte forma: Sem necessidade de consulta ao processo que julgou a irregularidade na integralização de capital da Átila Pneus Ltda, já que os próprios Impugnantes juntaram parte (apenas parte) dos comprovantes de depósito para integralização do capital (fls. 48564 a 48605), verificase que todas as cópias de cheques juntadas são de emissão da Mississipi Fomento de Negócios S/A. Ocorre que, em uma simples consulta à Segunda Alteração do Contrato Social da Átila Pneus, juntado pelos próprios Impugnantes (fls. 48459 a 48460), com a observação de que os mesmos não juntaram o contrato social inicial da empresa Átila, nos leva a conclusão de que, entre os seis sócios constantes do contrato, constam apenas pessoas físicas (não consta o nome da Mississipi como sócia). Desse modo, não havia motivos para que os depósitos efetuados para a integralização de capital da Átila Pneus (antiga Maxxis) o fossem por intermédio da Mississipi, como se um negócio regular estivesse sendo feito. Além disso e mais importante, o imediato retorno desse capital à Mississipi, sem qualquer contraprestação por parte desta à Átila Pneus, indicam que os valores transferidos tiveram apenas uma pequena passagem pela Átila Pneus, com intuito de aparentar integralização de capital (lícita). Tal manobra contábil é evidenciada pelos balancetes da Átila nos meses em que houve a integralização do capital (fl. 48292). Veja ainda que os valores foram integralizados em abril e maio de 2009, sendo que o contrato de prestação de serviços com a Mississipi foi celebrado somente em setembro de 2009 (fls 2192 a 2194). Não há, assim, como justificar a integralização de capital da autuada. (...) Fl. 51666DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.667 20 Desse modo, não prevalece a tabela colacionada pelos Impugnantes à fl. 48415, em que figura como depositante de todo o capital integralizado o próprio favorecido Maxxis Importadora. De fato, tal tabela foi extraída do Relatório Fiscal elaborado pelo Auditor Fiscal, mas elaborada com base em depósitos bancários fornecidos pela empresa, em que consta que o depositante é “o próprio favorecido” (fl. 48291). Provavelmente o depositante consta como o próprio favorecido no documento bancário porque foi a própria empresa (Maxxis, ou seu representante) quem levou o cheque até a boca do caixa e efetuou o depósito. Ademais, a empresa Mississipi (depositante) possui conta bancária na mesma agência que a autuada (depositária), o que justificaria a indicação de depósito em dinheiro, visto que, para a instituição bancária, o valor entra no mesmo instante em conta corrente. Porém, ciente da existência de cheques emitidos pela Mississipi, a afirmação dos Impugnantes de que “...os sócios efetivaram a integralização do capital em dinheiro, que não significa em espécie, mediante depósito na conta da própria sociedade empresária em questão...” (fl. 48415), deve ser tomada em sua acepção real, ou seja, quem efetuou a integralização do capital foi a Mississipi. [destaques não constam do original] Assim como o trecho do v. acórdão recorrido, ao analisar a documentação trazida aos autos em sede impugnação, constatei que restou devidamente comprovado que quem forneceu recursos para a Recorrente integralizar seu capital social foi a empresa factoring Mississipi, que não consta como sócia da autuada no contrato social. Outro ponto muito importante destacado pela DRJ nessa operação societária, consiste no retorno do capital integralizado à Mississipi. Temse que a Átila Pneus transferiu o montante de R$ 12.600.00,00 em favor da Mississipi imediatamente após a integralização do aumento de capital. Resumidamente, resto demonstrado nos autos que a Mississipi não era sócia da Recorrente no momento da integralização de capital e jamais poderia ter sido a pessoa responsável pela capitalização da Átila. O outro fato que configura a irregularidade na constituição da empresa diz respeito ao retorno do capital aportado na Átila à Mississipi, sem que houvesse justificativa para isso. Na prática, o valor de R$ 12.600.000,00 apenas transitou contabilmente pela Átila, mas sem qualquer pretensão de que constituísse realmente capital disponível a esta pessoa jurídica. Em relação aos empregados, a autoridade fiscal também questionou a ausência de funcionário registrados como empregados da contribuinte, o que demonstraria a falta de capacidade operacional da Átila. Em resposta a esse questionamento, a Recorrente alegou que a Átila contava com a mão de obra de empregados formalmente contratados por outras pessoas jurídicas do GRUPO BS PNEUS. Na visão da Recorrente, teria sido utilizada Fl. 51667DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.668 21 uma espécie de terceirização de mão de obra, entre pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Tal alegação da Recorrente demonstra que a Recorrente não tinha capacidade operacional para suportar as operações e análise e também comprova que realmente as empresas mencionadas na acusação participaram da irregularidade que ocasionou a infração tributária. Sendo assim, entendo que restou comprovado a falta de capacidade operacional da Recorrente. Por fim, entendo que a fiscalização não ultrapassou os limites da MPF ao buscar provas emprestadas em outros processos, que serviram apenas para comprovar a fala de capacidade operacional da Recorrente, que é um dos fundamentos utilizados para robustecer a acusação de omissão de receita e demonstrar a ligação entre as empresas do grupo Econômico. Em relação a infração relativa a omissão de receita devido ao subfaturamento, entendo que o v. acórdão deve ser mantido. Vejamos. A acusação afirma que a Recorrente realizou importação de pneumáticos para comercialização no mercado interno, equiparandose a industria em relação as operações de saídas das mercadorias, que é obrigado ao pagamento do IPI, eis que se considera que ocorreu o fato gerador na saída de produtos importados do estabelecimento. Esta operação descrita pela acusação já foi analisada pela Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Terceira Seção deste E. CARF/MF, que decidiu manter integralmente o Auto de Infração relativo a falta de pagamento do IPI, processo 10980.725020/201620. Vejamos a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. STJ. ART. 543C DO CPC/73. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento realizado sob a sistemática do artigo 543C do CPC/73, decidiu que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), quando houver antecipação de pagamento; e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento ou da ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 173, I do CTN). IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO Fl. 51668DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.669 22 CPC/73. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (ERESP 1403532/SC, art. 543C do CPC/73). A matéria sob repercussão geral sem decisão definitiva do STF deve ser julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. FRAUDE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARBITRAMENTO DO VALOR TRIBUTÁVEL. O art. 149, VII do CTN autoriza o lançamento de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Diante de um quadro robusto caracterizador de fraude, correto o arbitramento do efetuado no valor tributável do IPI, nos termos do art. 148 do CTN e art. 197 do RIPI/2010, pelo valor real da operação. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRAUDE. LICITUDE. NÃO CONFIGURADA. Não há que se falar em planejamento tributário lícito, quando a fiscalização apurou fraude quanto ao valor tributável do IPI, consubstanciada na intermediação por empresas interdependentes no mercado atacadista, com emissão de notas fiscais de "venda à ordem" com valor inferior ao praticado, revelado nas notas fiscais correspondentes de "remessas de mercadorias por conta e ordem de terceiro", bem como sem a comprovação dos pagamentos ou recebimentos nas operações realizadas pelas distribuidoras, as quais não possuíam recursos para negociar os volumes das operações autuadas e sequer apresentavam movimentação financeira. RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORES. Nos termos do art. 135 do CTN, respondem pelos créditos tributários os administradores da pessoa jurídica autuada por atos praticados com infração de lei, no caso, em face da fraude perpetrada para reduzir o montante de tributo a recolher envolvendo várias empresas do mesmo grupo econômico. Recurso Voluntário negado Para facilitar a compreensão do demais Julgadores, segue o gráfico feito pela Fiscalização de como funcionavam as operações: Fl. 51669DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.670 23 Ao continuar a auditoria, a Fiscalização se socorreu de provas emprestadas de outro processo 10907.720989/201263 e encontrou diversas irregularidades, tais como na constituição da empresa Recorrente, onde não conseguiu comprovar a origem dos recursos para a integralização de seu capital. Também restou comprovado nos autos que a Recorrente não tinha condições econômicas e físicas para importar a quantidade de mercadorias indicadas nos documentos fiscais, a ausência de empregados registrados, dentre outros fatos que demonstram a falta de capacidade econômica e física para praticar as operações de importação e as de venda e revenda. Em seguida, a Fiscalização constatou que a Recorrente mantinha relação de interdependência com suas distribuidoras de pneus para o mercado atacadista e também com outras empresas factoring Mississipi e Ventura pertencentes ao seu grupo empresarial, o Grupo BS de Pneus, com a finalidade de reduzir o IPI devido em suas operações no mercado interno, bem como demais tributos incidentes sobre o faturamento e lucro, estes últimos analisados nestes autos. Considera a Autoridade que as distribuidoras de pneus interdependentes não seriam contribuintes do IPI, permitindo lançamento apenas de parte desse tributo sobre o valor real das operações de venda no mercado interno da autuada, e incidência de IRPJ e reflexos a menor, em razão das notas fiscais terem sido emitidas em valor inferior ao efetivamente praticado. Também restou comprovado nos autos, que além de existir relação de interdependência entre a autuada e as distribuidoras de pneus mencionadas no Termo de Descrição dos Fatos, constatou que o Sr. Luiz Bonacin Netto é sócio administrador e responsável pelas distribuidoras de pneus listadas no termo e é também sócio administrador da Recorrente. Afirma também que as mencionadas distribuidoras de pneus figuravam como adquirentes, mas tais aquisições e revendas nunca ocorreram de fato. Fl. 51670DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.671 24 Foi constatado que o recebimento dos valores das vendas das mercadorias feitas pelas distribuidores interdependentes era por intermédio da Mississipi Fomento de Negócios S/A e pela Ventura & Orion S/A, ambas empresas que exerciam atividade de factoring e também pertencentes ao Grupo BS Pneus. Entretanto, não consta nos autos provas de que este valores foram remetidos/retornaram para as distribuidoras de pneus interdependentes. A Fiscalização também constatou que a Recorrente recebia diretamente os pagamentos das vendas feitas para distribuidoras/atacadistas não ligadas ao grupo econômico, fato que foi utilizado para comparar com os valores das vendas feitas para as distribuidoras interdependentes. Assim, segundo a Autoridade Fiscal, nesse período as operações de venda simuladas ocorreram por meio de empresas interdependentes com objetivo de efetuar a distribuição de seus produtos no mercado atacadista (distribuidoras de pneus) que, não sendo equiparadas a industria, não haveria destaque do IPI nas notas fiscais de sua emissão e também reduziria a receita a ser tributada pelo IRPJ e CSLL. Ou seja, resumidamente as operações que ensejaram a infração de omissão de receita ocorreram da seguinte forma: 1 a Átila Pneus Ltda emitiu notas fiscais de venda de seus produtos importados em nome de suas distribuidoras de pneus, todas interdependentes e que tinham como administrador o Sr. Luiz Bonacin Neto (sócioadministrador da Recorrente), sem incidência do IPI em importâncias muito pequenas, em razão dos valores de mercadorias adotados serem muito abaixo do mercado. 2 a fiscalização, ao comparar as vendas feitas para distribuidoras interdependentes com as vendas das mercadorias feitas para distribuidoras não pertencentes ao grupo, encontrou diferença de preço por volta de 100% a 200% a mais, e que os pagamentos das operações com as distribuidoras interdependentes eram feitos para as empresas factoring Mississipi Fomento de Negócios S/A. e Ventura & Orion Gestão Empresarial S/A (interdependentes e do mesmo grupo econômico), que após os repassava para Recorrente (fls. 48137/48138). 3 afirma ainda que na realidade essas empresas distribuidoras interdependentes não compraram ou revenderam os produtos importados pela autuada, apenas funcionando como anteparo à incidência do IPI sobre o valor total das operações de venda com preços inferiores ao de mercado e completa a descrição da infração, com a constatação de que o recebimento dos recursos não oferecidos à tributação (pagamento das vendas/revendas) se dava também por meio das pessoas jurídicas Mississipi Fomento de Negócios S/A. e Ventura & Orion Gestão Empresarial S/A (interdependentes e do mesmo grupo econômico). 4 constatou também que os contratos de prestação de serviço de cobrança elaborados entre a Recorrente e as empresas factoring Mississipi Fomento de Negócios S/A e Ventura & Orion apresentavam diversas inconsistências e irregularidades, tal como ausência de pagamentos pelos serviços, o que levou a conclusão de que tais operações relativas aos serviços de cobrança eram simuladas. 5 não restou comprovado contabilmente e também não consta nos autos provas de que os pagamentos das mercadorias compradas e vendidas pelas empresas Fl. 51671DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.672 25 interdependentes foram remetidos das empresas factoring Mississipi e Ventura para as distribuidoras ou para a Recorrente. 6 através de prova emprestada em outro processo, constatou irregularidade na integralização do capital da Recorrente, Atila Pneus, bem como não restou comprovado a capacidade econômica e física para praticar as operações em análise nos autos, tais como ausência de empregados, capital social incompatível com o valor das importações e ausência de empréstimos ou financiamentos passíveis de viabilizar as operações. 7 após o oferecimento da impugnação restou comprovado que quem integralizou o capital social da Recorrente no importe de R$ 12.600.000,00 foi a empresa factoring Mississipi, que não consta no contrato social como sócia da Recorrente e pertence ao mesmo grupo empresarial, sendo que o sócioadministrador da empresa factoring tem relação de parentesco íntimo com os sóciosadministradores da autuada. 8 em seguida, um mês depois dos depósitos feitos na conta corrente da empresa autuada a título de integralização de capital (03/2009), quase a integralidade desses valores (R$ 12.580.000,00) foi transferido para a Mississipi Fomento de Negócios S/A (4/2009), que converteu tal valor em créditos para a Recorrente. (fls. 48294). 9 após ter terminado as operações, a empresa Recorrente foi declarada inapta em processo administrativo específico. Tais tópicos acima indicados são relevantes, uma vez que possibilita visualizar o fechamento do planejamento tributário, ou seja, o artifício utilizado pela Átila Pneus para justificar contabilmente a transferência de valores em seu benefício e demonstra como o subfaturamento na venda para as distribuidoras interdependentes foi equalizado com o retorno de dinheiro para a Recorrente e seus responsáveis, por meio das operações artificiais com a Mississipi e a Ventura. Em segundo lugar, a falta de estrutura operacional da Recorrente evidencia que os negócios foram realizados dentro do espectro do GRUPO BS PNEUS, mediante o aporte de recursos na Átila Pneus sem o devido esclarecimento da sua origem e a utilização dos recursos materiais (tais como empregados) de outras empresas do GRUPO BS PNEUS. Isso demonstra a confusão patrimonial e gerencial das diversas pessoas jurídicas pertencentes ao GRUPO BS PNEUS, o que reforça a percepção de uma estrutura organizada, sob a mesma direção, voltada para obter vantagens tributárias indevidas. Desta forma, ao emitir notas fiscais de venda á ordem com valores subfaturados (meia nota) e, concomitantemente, de remessa à ordem, para documentar operação mercantil diversa, com o recebimento de valores não oferecidos a tributação por intermédio de terceiro interdependente, sem qualquer relação com a operação comercial praticada. Assim, através do preço efetivamente praticado na venda de produtos no mercado atacadista apurouse que houve redução indevida da base de cálculo do IR, bem como das demais contribuições, posto que a receita bruta de vendas é superior a declarada na DIPJ dos anoscalendário de 2011 e 2012, eis que o sujeito passivo apurou IRPJ com base na receita de vendas calculadas a partir de suas notas fiscais subfaturadas. Como parte da receita bruta de vendas efetivamente percebidas teria sido omitida posto que a renda bruta declarada na DIPJ Fl. 51672DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.673 26 não condizia ao total das vendas de produtos efetuadas pela Recorrente, comercializados nos anoscalendário 2011 e 2012, a fiscalização lavrou os Autos de Infração. Assim, a infração tributária ocasionou omissão de receitas em razão da emissão de meia nota, o que oportunizou a Recorrente deixar de pagar IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Sendo assim, restou comprovado nos autos que a própria autuada dava saída de seus produtos diretamente às comerciais atacadistas, não tendo efetivamente ocorrido a venda da Recorrente para as distribuidoras de pneus interdependentes e muito menos a revenda pelas distribuidoras de pneus para as pessoas jurídicas comerciais atacadistas independentes, tratandose de artifício elaborado com intuito de não oferecer valores à tributação de IPI, e, posteriormente, de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A autuada, e todas as demais pessoas jurídicas (distribuidoras de pneus e pessoa jurídica Mississipi Fomento de Negócios S/A e a pessoa jurídica Ventura & Orion – Gestão Empresarial S/A) envolvidas no sistema elaborado, tentaram encobrir o montante real das operações e as transferências de recursos. (Fl. 48335) Ou seja, restou comprovado que a empresa Recorrente tinha a prática de emitir notas fiscais para documentar as operações de saída de seus produtos com valor em torno de 25% a 50% do valor efetivamente praticado com as empresas atacadistas independentes (não ligadas), ocasionando a omissão de receita, praticada por meio de simulação e fraude. Esse foi o contexto fático que motivou o lançamento do crédito tributário discutido no presente processo administrativo, sob a acusação de omissão de receitas, o que reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Frente a tais fatos, a Fiscalização corretamente lavrou Auto de Infração, imputando omissão de receita caracterizada por subfaturamento no documento fiscal (notas fiscais), relativamente a receita de vendas e arbitrou como valor para fins de determinação da base de cálculo dos impostos e contribuições com os preços efetivamente praticados nas vendas de produtos ao mercado atacadista, isto é, o valor real da operação, aplicando alíquotas para arbitrar o imposto a ser pago com base em legislação indicada. De resto, para dissecar os demais acontecimentos fáticos, utilizo as alegações da D. Procuradoria da Fazenda Nacional feita em sua Contrarazões, as quais explicam muito bem a constatação da irregularidade e os motivos para ter sido lavrado os Autos de Infração. Passando ao subfaturamento, o ponto de partida para a autoridade fiscal foi a comparação entre os valores negociados pela ÁTILA PNEUS na venda de pneus para distribuidoras independentes e o preço praticado na venda para as distribuidoras interdependentes (parte relacionada). Para isso, a Fiscalização analisou as notas fiscais emitidas pela contribuinte, quando esta negociava com as distribuidoras independentes, e verificou que o procedimento da ÁTILA PNEUS consistia em emitir duas notas fiscais, conforme descrito no TVF (fl. 48319): Fl. 51673DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.674 27 1. A primeira, de venda CFOP n° 5.119 ou 6.119 – Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem, em cujo campo destinatário constava uma das distribuidoras de pneus interdependentes, com incidência de IPI; 2. A segunda, de remessa CFOP n° 5.923 ou 6.923 – Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem, cujo destinatário era uma das comerciais atacadistas não interdependentes, isto é, sem qualquer vínculo societário com a fiscalizada, e nesse caso, sem incidência de IPI, com valor das mercadorias em torno de 100% (cem por cento) a 200% (duzentos por cento) superior ao da primeira nota fiscal (CFOP 5.119 ou CFOP 6.119). Basicamente, a autoridade fiscal constatou que a ÁTILA PNEUS vendia os pneus importados para as distribuidoras independentes por intermédio das distribuidoras interdependentes, as quais tinham como administrador o Sr. LUIZ BONACIN NETTO. A partir da análise das notas, foi identificada uma diferença significativa entre o preço praticado nas duas operações, conforme se depreende do quadro que consta das fls. 4831848319. Mais precisamente, a nota CFOP n° 5.119 ou 6.119, que representava a operação intermediária realizada com as distribuidoras interdependentes, era emitida com o preço muito abaixo do valor de mercado dos pneus importados (subfaturamento). A razão para o preço notoriamente abaixo do valor real (mercado) é óbvia: reduzir significativamente a carga tributária da ÁTILA PNEUS, ao diminuir a base de cálculo do IPI (saída do estabelecimento do importador), do IRPJ e da CSLL (omissão de receitas reduzia o lucro do período) e do PIS/COFINS (omissão de receitas reduzia o faturamento). Por outro lado, a nota CFOP n° 5.923 ou 6.923, que representava a operação de venda para as distribuidoras independentes, era emitida com preço superior à operação intermediária, em percentual que variava de 100% a 200% do preço fixado em operações com distribuidoras interdependentes. Como se não bastasse os valores deixarem clara a existência de subfaturamento, a autoridade fiscal ainda ressalta que há indícios que permitem concluir que as operações intermediárias, realizadas por meio das distribuidoras interdependentes, não aconteceram efetivamente. Segundo o exposto no TVF: (...) as Distribuidoras de Pneus interdependentes, com Capital Social insuficiente (em torno de R$ 50.000,00 – cinquenta mil reais) para realizar o montante de operações comerciais que as Notas Fiscais de Saída da autuada demonstram, no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, sequer tiveram movimentação financeira, ou tiveram movimentação irrisória frente ao volume de operações de realizadas [sic], vide documentos comprobatórios – DIMOF das distribuidoras de pneus juntadas aos autos. Fl. 51674DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.675 28 Ou seja, não dispunham de capacidade econômicofinanceira (capital próprio0 para realizar aquisições de produtos da autuada para a revenda no mercado atacadista, como se que fazer crer por meio das notas fiscais de venda a ordem da autuada. O que de fato ocorria era tão somente venda direta da Átila Pneus Ltda. às comerciais atacadistas não interdependentes, a qual era documentada fraudulentamente como duas operações comerciais distintas, com o intuito de reduzir o valor do tributo IPI devido. Essas pessoas jurídicas interdependentes, ressaltase mais uma vez, tinham, à época dos fatos, como sócio administrador o também sócio administrador da fiscalizada, sr. Luiz Bonacin Netto, CPF n° 024.561.86940, e não eram contribuintes de IPI. Considerando a disparidade entre o volume e o valor dos produtos negociados pelas distribuidoras interdependentes e o porte econômico destas pessoas jurídicas – vide o exemplo da COMÉRCIO ATACADISTA DE PNEUS ARAÇATUBA LTDA (fl. 48322) –, a autoridade fazendária intimou os representantes legais das referidas distribuidoras para que esclarecessem como foram realizadas as operações. Mais precisamente, a Fiscalização indagou qual o lastro econômico que viabilizou a concretização das operações, tendo em vista o capital social modesto e a ausência de movimentação financeira verificado nas distribuidoras interdependentes. Em resposta, as distribuidoras interdependentes se limitaram a dizer que utilizaram a MISSISSIPI FOMENTO e a VENTURA & ORION para fazer a remessa ou pagamento pelas aquisições de pneus junto à ATILA PNEUS. Reparem, Srs. Conselheiros, que não foi esclarecida a origem dos recursos para a aquisição de pneus que foram “revendidos” para as distribuidoras independentes. Além disso, a autoridade fiscal chama a atenção para o fato de que as transferências de recursos ocorreram todas dentro do GRUPO BS PNEUS, vale dizer: as distribuidoras interdependentes enviaram recursos à MISSISSIPI FOMENTO ou à VENTURA & ORION, e coube a estas repassarem os valores para a ÁTILA PNEUS. Todas essas pessoas jurídicas tinham como elemento de conexão a figura dos administradores LUIZ BONACIN NETTO e a Sra. GABRIELA BONETO RODRIGUES, ou seja, pertenciam ao mesmo grupo empresarial. Igualmente, as distribuidoras interdependentes não conseguiram comprovar o pagamento pela revenda dos pneus que, supostamente, teriam adquirido da ÁTILA PNEUS e revendido para outras distribuidoras. A esse respeito, a resposta das distribuidoras interdependentes às indagações da Fiscalização se resumiu a afirmar que a MISSISSIPI FOMENTO ou a VENTURA & ORION recebiam o pagamento pelas revendas e repassavam à ÁTILA PNEUS. O problema é que as distribuidoras interdependentes não apresentaram nenhuma prova do recebimento de valores, a título de pagamento das Fl. 51675DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.676 29 revendas de pneus. Os únicos documentos apresentados à Fiscalização foram os livros contábeis, nos quais constavam registros de créditos e débitos perante a MISSISSIPI FOMENTO e a VENTURA & ORION – o que é manifestamente insuficiente para comprovar a regularidade das operações. E para finalizar o rol de indícios que demonstram o planejamento tributário abusivo, a autoridade fiscal ainda intimou as distribuidoras independentes, a fim de que estas esclarecessem como foram feitos os pagamentos relativos às “revendas” de pneus – formalmente feitas pelas distribuidoras interdependentes. Em resposta às intimações da Fiscalização, diversas distribuidoras independentes afirmaram que os pagamentos eram feitos à MISSISSIPI FOMENTO ou à VENTURA & ORION, e não às distribuidoras interdependentes (fls. 4832548329). Diante desse conjunto probatório, a autoridade fiscal concluiu que: Em face deste conjunto probatório colacionado aos autos: capital social das distribuidoras de pneus insuficiente, o que significa ausência de capacidade econômica financeira dessas pessoas jurídicas, juntamente com a sua ausência de movimentação financeira, fato que indica que não houve suporte financeiro de pessoas estranhas ao grupo econômico ao qual pertencem, muito menos recebimento de valores por supostas revendas a terceiro; bem como, o recebimento dos valores das supostas revendas diretamente pela autuada, os quais seriam devidos às distribuidoras; e/ou o recebimento dos valores das supostas revendas pelas interdependentes Mississipi Fomento de Negócios S/A. e Ventura & Orion – Gestão Empresarial S/A, sem prova do seu retorno às distribuidoras; em conjunto com, a relação de interdependência daquelas distribuidoras de pneus, com a autuada; e, por fim, a blindagem contábil utilizada pela fiscalizada, com auxílio, e em conluio, com outras pessoas jurídicas interdependentes e/ou pertencentes ao mesmo grupo econômico, há que se concluir pela devida comprovação da fraude tributária exposta nos autos. Visível é que a própria autuada dava saída de seus produtos diretamente às comerciais atacadistas, não tendo efetivamente ocorrido a venda da Átila Pneus Ltda. para as distribuidoras de pneus interdependentes, muito menos a revenda pelas distribuidoras de pneus para as pessoas jurídicas comerciais atacadistas, tratandose de mero artifício de esquema fraudulento com intuito de não oferecer valores à tributação de IPI, e, posteriormente, de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Isso significa que, no procedimento fiscal, comprovouse que a empresa tinha a prática de emitir notas fiscais para documentar as operações de saída de seus produtos em valor em torno de 25% a 50% (vinte e cinco por cento a cinquenta por cento) do valor efetivamente praticado, ocasionando a omissão de receita, infração praticada por meio de fraude. Fl. 51676DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.677 30 Por derradeiro, há que se ter em mente, por óbvio, que a autuada, e todas as demais pessoas jurídicas (distribuidoras de pneus e pessoa jurídica Mississipi Fomento de Negócios S/A e a pessoa jurídica Ventura & Orion – Gestão Empresarial S/A) envolvidas na fraude praticada, tentaram de todos os modos encobrir o ilícito, vem como as transferências de recursos no montante real das operações. (Fl. 48335) Esse foi o contexto fático que motivou o lançamento do crédito tributário discutido no presente processo administrativo, sob a acusação de omissão de receitas, o que reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Desta forma, em relação a esta infração, voto por conhecer do Recurso Voluntário e nego provimento. Do pedido de compensação dos tributos pagos pelas distribuidoras interdependentes para reduzir o montante de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS exigido no presente processo administrativo. A Recorrente requer que os tributos recolhidos e despesas/custos gerados pelas distribuidoras interdependentes sejam compensados com os exigidos no Auto de Infração. Tal requerimento da Recorrente não pode ser acolhido eis que não existe previsão legal para tal procedimento. A parte legitima para requerer a restituição de tais valores são as empresas distribuidoras que pagaram os tributos. A patrimônio, o dever de recolher imposto e as obrigações tributárias devem ser analisadas em separado, para que não ocorra confusão patrimonial entre a Recorrente e as empresas distribuidoras interdependentes. Ademais, o autuado não é o sujeito passivo legitimo para requerer tal compensação ou se beneficiar dos créditos gerados nas supostas operações praticadas pelas distribuidoras. Sendo assim, como não existe a possibilidade jurídica de se compensar os impostos e despesas/custos suportados pela distribuidora com os créditos exigidos nos Autos de Infração em epígrafe, rejeito o requerimento da Recorrente. De resto, utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. No que concerne à tese defendida de necessidade de compensação dos tributos cobrados no auto de infração com os pagos pelas Distribuidoras de Pneus, não há previsão legal para tal feito. A fiscalizada e autuada é a Átila Pneus Ltda., ora Impugnantes, e não as diversas distribuidoras de pneus. Fl. 51677DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.678 31 O caput do art. 170 do CTN é claro quanto à necessidade de lei para permitir a compensação entre tributos do mesmo sujeito passivo, mas silencia quanto à compensação entre pessoas jurídicas diversas: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A tributação da autuada não se confunde com a tributação das distribuidoras de pneus e a legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra. A omissão de receitas tributada na Átila Pneus apenas tomou por base o valor real das operações, ou seja, o valor total de receitas que seriam obtidas pela autuada caso não houvesse utilizado do planejamento ilegal, com base nos arts. 283 e 288 do RIR/99. No cálculo foram deduzidos, com razão, os valores de receita bruta declarados pela própria autuada em sua DIPJ (fl. 48343). Não procede, assim, a afirmação dos Impugnantes de que a fiscalização considerou “tudo como um único CNPJ”: a empresa fiscalizada e autuada no presente caso foi a Átila, utilizandose como base para o cálculo da receita bruta os valores omitidos da tributação, valor esse que foi obtido por meio da comparação dos valores de venda a pessoas interdependentes com os valores de venda a pessoas não interdependentes. Tal sistemática não implica em, necessariamente, somar os valores das receitas brutas dos diversos CNPJs das pessoas interdependentes, como querem fazer crer os Impugnantes. E não se pode extrair de nenhum trecho do auto de infração que foi essa a sistemática adotada (somar todas as receitas brutas das pessoas ligadas). De modo simples e objetivo, foi adotado para compor a omissão de receitas da Átila os valores reais de vendas, que coincidiu com os valores dos produtos das notas fiscais emitidas pelas distribuidoras de pneus do grupo, já que tais valores espelham a realidade do mercado. Nesse sentido a explicação do Auditor Fiscal (fl. 48341): Em síntese, temse que, primeiro, fezse prova de que não merecem fé os documentos fiscais da autuada, vez que emitiu notas fiscais em valor inferior ao que teria praticado, restando assim, autorizado o arbitramento do valor tributável. Segundo, que é de ciência do Fisco que o valor real da operação seria o constante das notas fiscais de CFOP n° 5.923 e 6.923 Fl. 51678DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.679 32 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem também de emissão da autuada, e, entre 100% (cem por cento) e 200% (duzentos por cento) superior ao valor declarado pelo sujeito passivo quando da emissão das notas fiscais das supostas "vendas à ordem". Enfim, não há como considerar os pagamentos realizados a título de IRPJ pelas distribuidoras de pneus interdependentes, ou mesmo deduzir suas despesas, visto que pessoas jurídicas diversas da fiscalizada Átila Pneus Ltda e seus patrimônios não seu confundem. No mais, mesmo que a lei permitisse tal compensação, a Impugnante Átila Pneus não detém autorização dos sócios das diversas distribuidoras de pneus para que transacione em seus nomes. Não há, assim, qualquer injustiça fiscal na autuação da Átila Pneus sem a compensação com tributos de terceiros, visto que ela deveria, desde o início de suas atividades, declarar seus tributos de modo correto e integral, para não sofrer qualquer tipo de sanção tributária. Do mesmo modo, o PIS e a COFINS foram lançados com base no art. 288 do RIR/99, que trata do lançamento de tributos reflexos do IRPJ, in verbis: Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Isso porque, ao omitir receitas na declaração de IRPJ, houve repercussão na apuração dessas contribuições, já que aferidos com base nessa receita declarada a menor. De modo similar ao aplicado ao IRPJ, acima explicado, não há que se considerar os créditos (ou pagamentos) ou mesmo despesas das diversas distribuidoras de pneus, visto que pessoas diversas da autuada. Desta forma, rejeito o pedido de compensação com os tributos pagos e despesas geradas nas operações praticadas pelas empresas distribuidoras interdependentes. Multa qualificada: Em relação a multa qualificada, entendo que devido a constatação de utilização de estrutura de grupo econômico, com empresas com sócios administradores em comum e com laços de parentescos intimo, bem como a existência de confusão patrimonial e prova de subfaturamento na venda de mercadorias consignando valor a menor do que o efetivamente ocorreu na realidade, não resta alternativa senão mantêla. Fl. 51679DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.680 33 De resto, colaciono os argumentos do v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto. Por fim, quanto à desproporcionalidade da multa de 150%, também não há que se concordar com as alegações dos Impugnantes. Verificase que os cálculos utilizados na cobrança estão em conformidade com o determinado na legislação em vigor indicada pela Autoridade Fiscal (Art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07), com exceção do glosa de custos não comprovados, que deverá ser retificada conforme exposto acima. O auto de infração foi lançado com o objetivo de cobrar os tributos que deveriam ter sido recolhidos espontaneamente pelo contribuinte ao longo do anocalendário de 2011 e 2012, além da multa de ofício estipulada em lei para omissão de receitas. Estando em vigor a legislação utilizada para a cobrança dos tributos e aplicação das penalidades, presumese que atenda aos ditames de justiça, adequação e proporcionalidade, não persistindo a alegação de utilização de tributo como meio confiscatório. Mesmo assim, qualquer alegação que exija algo além da análise de conformidade do ato administrativo de lançamento tributário com as normas vigentes, como a de ofensa a princípios constitucionais, não pode ser analisada nesta instância administrativa, somente podendo ser verificada pelo Poder Judiciário. Desta forma, voto por manter a multa qualificada para a infração de omissão de receita devido ao subfaturamento. Da ilegitimidade passiva das pessoas físicas no Autos de Infração: Em relação a alegação de ilegitimidade das pessoas físicas que foram incluídas no pólo passivo do Auto de Infração nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, entendo que não deve ser acolhida. A empresa Recorrente foi declarada inapta no processo administrativo 15165.722800/201483, sendo que no momento da lavratura dos Autos de Infração a pessoa jurídica autuada não existia mais devido sua dissolução irregular, sendo correto o redirecionamento da autuação face aos sócios e administradores da empresa, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. Tal ato da fiscalização já foi analisado pelo Superior Tribunal de Justiça em outras oportunidades, conforme jurisprudência abaixo apontada. Fl. 51680DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.681 34 "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. DISTRATO SOCIAL. EXTINÇÃO REGULAR DA PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ARTIGO 135, INCISO III, DO CTN E DA SÚMULA 435 DO STJ. RECURSO DESPROVIDO. A inclusão de diretores, gerentes ou representantes da executada no pólo passivo da execução fiscal é matéria disciplinada no artigo 135, inciso III, do CTN e somente é cabível nos casos de gestão com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato ou estatuto social ou, ainda, na hipótese de dissolução irregular da sociedade, que configura infração ao disposto no artigo 113, §2º, do CTN (REsp 474.105/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 19.12.03; EREsp 260.017, Rel. Min. José Delgado, DJU de 19.4.2004; ERESP 174.532/PR, DJ 20/08/2001; REsp 513.555/PR, DJ 06/10/2003; AgRg no Ag 613.619/MG, DJ 20.06.2005; REsp 228.030/PR, DJ 13.06.2005; STJ AgRg no AREsp 1.01734 / GO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/02402911 Humberto Martins Segunda Turma DJ: 17/04/2012 Die 25/04/2012). Desta forma, não verifico a alegada ilegitimidade passiva do lançamento de ofício e voto por negar provimento a mais este requerimento da Recorrente. Responsabilidade solidária: Em relação a aplicação de responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN para as pessoas físicas, entendo que o v. acórdão deve ser mantido. A Fiscalização imputou responsabilidade solidária devido ao fato das pessoas físicas constarem no contrato social como sócios administradores. Restou comprovado nos autos que foi produzido uma estrutura de grupo empresarial cujas empresas ou tinham os mesmos sócios administradores, ou os sócios administradoras tinham estreita relação de parentesco. De restos, acompanho os fundamentos do v. acórdão recorrido os quais colaciono abaixo para motivar meu voto. [...] Em relação à responsabilidade das pessoas físicas, todo o contexto probatório indica que houve, sem sombra de dúvidas, a prática de atos com infração à lei por parte dos Impugnantes e administradores da autuada Luiz Bonacin Netto e Gabriela Fl. 51681DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.682 35 Bonetto Rodrigues, aqui considerados responsáveis tributários solidários, nos termos do art. 135 – III do CTN: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Nesse caso, não há que se falar culpa, como alegam os Impugnantes. Ficou constatada a existência de dolo por parte dos Impugnantes na condução dos negócios realizados pela Átila Pneus, tendente a elidir o pagamento dos tributos devidos a título de IRPJ e reflexos. Nem há que se cogitar a necessidade de se provar o recebimento ou aproveitamento de valores em benefício próprio no ilícito praticado, já que o supracitado dispositivo do CTN determina a responsabilidade pelo crédito tributário por atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A participação ativa e definitiva dos Impugnantes na gestão e condução dos negócios da Átila Pneus, com exclusivo interesse na redução dos créditos tributários aqui lançados (o que configura o dolo), é suficiente para a responsabilização do art. 135. Na prática da fraude contábil e fiscal, lançando notas fiscais subfaturadas com a utilização de distribuidoras de pneus interdependentes e empresas de factoring para recebimento e ocultação de valores efetivamente recebidos, agiram em oposição à lei, permitindo a sua responsabilização solidária nos créditos devidos. Com efeito, as pessoas físicas acima foram as responsáveis pela exteriorização dos atos praticados de modo contrário à lei pelas empresas envolvidas, pessoas jurídicas anteriormente mencionadas. Não só foram as “cabeças pensantes” que organizaram e ordenaram toda a trama no intuito de ludibriar o Fisco, mas também foram as “mãos que assinaram” os diversos documentos jurídicos que embasaram o presente julgamento de mérito, na qualidade de administradores. Ou seja, os Impugnantes pessoas físicas pensaram e agiram com a finalidade de reduzir indevidamente os tributos, por intermédio das empresas nas quais atuavam, infringindo a lei que determina a correta tributação. A atuação deles, portanto, foi fator decisivo para a tributação a menor desvendada pela Autoridade Fiscal. Fl. 51682DF CARF MF Processo nº 10980.720496/201755 Acórdão n.º 1402003.815 S1C4T2 Fl. 51.683 36 Desta forma, voto por manter a responsabilidade solidária dos responsáveis solidários nos termos do artigo 135 do CTN. Lançamento decorrente da CSLL, PIS e COFINS: Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Pelo exposto e por tudo que consta nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para reconhecer a decadência do PIS e da COFINS do período de janeiro a novembro de 2011. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 51683DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001729/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 17 29 /2 00 7- 39 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10167.001729/200739 Acórdão n.º 2402007.005 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10167.001729/200739 Acórdão n.º 2402007.005 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10167.001729/200739 Acórdão n.º 2402007.005 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920390/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.988
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 39 0/ 20 12 -4 5 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.920390/201245 Resolução nº 3302000.988 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.920390/201245 Resolução nº 3302000.988 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.920390/201245 Resolução nº 3302000.988 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.920390/201245 Resolução nº 3302000.988 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.920390/201245 Resolução nº 3302000.988 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.920390/201245 Resolução nº 3302000.988 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.920390/201245 Resolução nº 3302000.988 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.721635/2013-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 16 35 /2 01 3- 33 Fl. 66DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0361.964 da 4ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: É tempestiva e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade a manifestação de inconformidade manejada pelo interessado, razão por que merece ser conhecida. Acerca dos procedimentos para se efetuar a opção de ingresso ao Simples Nacional, temse, no campo infralegal, a Resolução CGSN nº 94/2011: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção. A DRF de origem traz aos autos telas de sistemas da RFB (fls. 27 a 30) que permitem verificar que os débitos motivadores do indeferimento foram incluídos em parcelamento deferido em 25/03/2013. O despacho de folhas 31 ratifica as informações trazidas pelos sistemas. Sendo assim, verificase que os débitos motivadores do indeferimento do ingresso no Simples Nacional não se encontravam regularizados ou com exigibilidade suspensa no prazo regulamentar (31/01/2013). Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade e, no mérito, julgála improcedente. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13807.721635/201333 Acórdão n.º 1001000.421 S1C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto n° 70.235/72 e, portanto, dele eu conheço. A Recorrente, em seu Recurso Voluntário, argumenta que: · preliminarmente o recurso é endereçado à primeira Seção de Julgamento, de acordo com a Portaria MF 545/2013; · requereu o parcelamento dos débitos previdenciários em 29/01/2013; · o sistema não liberou a guia a ser paga em 31/01/2013; · somente em 01/03/2013, estava atualizado/disponível o parcelamento, que foi requerido em 29/01/2013, sendo deferido somente em 25/02/2013 concretizado o parcelamento junto ao INSS, doc. 09 julgamento da Receita Federal (sic); · o único responsável pela falha é a própria Receita Federal, sendo injusto o contribuinte ser penalizado por um erro que NÃO COMETEU; e · diante de todo o exposto, requer que seja aceita a preliminar apresentada, bem como aceitos todos os documentos e comprovantes, ora juntados, com o fim de confirmar o direito À INCLUSÃO NO REGIME DO SIMPLES NACIONAL, no período de 01/01/2013 a 31/12/2013, reformandose assim a integralmente a decisão que não reconheceu o direito do contribuinte. A preliminar, mencionada pela Recorrente, está correta, pois a competência para o julgamento deste recurso voluntário é da primeira Seção de Julgamento, portanto, preliminar acatada. Os débitos fiscais indicados no Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples foram incluídos no pedido de parcelamento, feito em 19/12/2012 (fl 2 a 24), e deferido em 25/03/2013, conforme atestado pela própria DRJ. Reproduzo o artigo 14 da Portaria PGFN/RFB 15/2009: Art. 14. O pedido de parcelamento deferido importa na suspensão da exigibilidade do crédito Adicionalmente, dispõe o artigo 16, da mesma Portaria 15: Fl. 68DF CARF MF 4 Art. 16. Atendidos os requisitos para a concessão do parcelamento, será feita a consolidação da dívida, considerandose como data de consolidação a data do pedido. § 1º Compreendese por dívida consolidada o somatório dos débitos a serem parcelados, acrescidos dos encargos e acréscimos legais ou contratuais, vencidos até a data do pedido do parcelamento. Pareceme inequívoco que, com base nos artigos, antes citados da referida Portaria 15, e com base na documentação comprobatória, constantes dos autos, não resta dúvidas de que os débitos fiscais estavam suspensos em 31/01/2013. Dessa forma, considerando que o deferimento do parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário desde a data do requerimento, no caso da Recorrente, não se aplica o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Outrossim, releva ressaltar, a guisa de esclarecimento, que o parcelamento, solicitado em 18/03/2013 (fl 22, do processo) não se refere a débito incluído (listado) no Termo de Indeferimento. Consequentemente, acato a preliminar e, no mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720797/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco confirme ou infirme os dados do Livro Razão, com a finalidade de investigar a comprovação dos créditos referentes a aquisições de pães, recheios e sobremesas. A confirmação poderá ser feita, a critério fiscal, por amostragem.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Rodolfo Tsuboi. O Conselheiro Leonardo Vinícius Toledo de Andrade se julgou impedido e foi substituído pelo Conselheiro Suplente Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Mallmann, OAB 51.454/ES, escritório Rozzini Freire Advogados.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco confirme ou infirme os dados do Livro Razão, com a finalidade de investigar a comprovação dos créditos referentes a aquisições de “pães, recheios e sobremesas”. A confirmação poderá ser feita, a critério fiscal, por amostragem. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Rodolfo Tsuboi. O Conselheiro Leonardo Vinícius Toledo de Andrade se julgou impedido e foi substituído pelo Conselheiro Suplente Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Mallmann, OAB 51.454/ES, escritório Rozzini Freire Advogados. Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, no valor total original de R$ 14.174.792, 18, incluindo multa de ofício e juros de mora. O crédito tributário foi constituído como resultado do trabalho do Auditor Fiscal da Receita Federal Wagner Antonio Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 79 7/ 20 13 -1 6 Fl. 6332DF CARF MF Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201001.137 S3C2T1 Fl. 6.332 2 O autuante aponta que a empresa aproveitou créditos indevidamente conforme os seguintes apontamentos, em resumo: 1 – glosa de créditos sobre aquisições de descartáveis em geral, porque não se enquadram nas atividades da empresa; 2 glosa de créditos de bens utilizados como insumos, informados em Dacon mas não comprovados; 3 – glosa de créditos sobre aquisição de serviços de higiene e limpeza, por não considerar tais serviços como insumos amparados pela legislação com geradores de crédito; 4 – glosa de serviços utilizados como insumos, e outras operações com direito a crédito, relativas aos seguintes títulos: Assistência Médica – Unimed; PCMSO; PPRA; Assistência Médica – Outras; Assistência Odontológica – Outras; Cesta Báscia – VR; Cesta Básica Física; Logística Alimentar e não alimentar; Assessoria Gestão e Qualidade; Assessoria RH/Treinamento; Equipamentos – Alojamento; 5 glosa de serviços de “Vale Transporte – fichas” e “Transporte Profissionais”, e insumos “Uniforme e EPI´s”, porque somente empresas de serviços de limpeza, conservação e manutenção podem utilizar tais gastos para apuração de créditos, cf. arts. 24 e 25 da Lei 11.898/2009; A empresa impugnou o lançamento, argumentando, em síntese: preliminarmente, nulidade do lançamento, por irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal; preliminarmente, decadência do direito de lançamento em relação a fatos geradores anteriores a 5 anos da data de ciência; que tem a atividade de restaurante industrial, e que a legislação do ICMS define tal atividade como prestação de serviços e venda de mercadoria; que os descartáveis glosados se referem a “copos, facas, garfos, colheres, bandejas, palitos, xícaras, marmitex, guardanapos” que são utilizados no serviços; que os valores glosados por falta de comprovação o foram por equívoco de extração de dados e confecção de planilha, por parte da impugnante, e que reputa como valores corretos os que constam do Dacon e Livro Razão, e não planilha que entregara; que o conceito de insumos aproveitáveis como crédito é mais extenso que a interpretação da Receita Federal; que os insumos de higiene e limpeza são essenciais para uma empresa de alimentação; que há regulmentações federais, estaduais e municipais nesse sentido (ANVISA); que as despesas com transportes de insumos – logística alimentar e não alimentar – devem ser permitidas; que possui mais de 2.000 restaurantes no Brasil e que necessita de transferir insumos entre eles, para melhor gerenciamento de prazos de vencimento dos alimentos; Fl. 6333DF CARF MF Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201001.137 S3C2T1 Fl. 6.333 3 uniformes, EPI´s, PPRAPrograma de Prevenção de Riscos ambientais e PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde ocupacional – são despesas obrigatórias pelas regulamentações a que a impugnante está submetida, e como tais, passíveis de gerar crédito; equipamentos – Alojamento – tratase de contratos de hotelaria firmados com a Petrobrás, que obrigavam a empresa a adquirir camas, equipamentos de lazer, utensílio de cozinha em geral; entende que o cumprimento do contrato abrange a prestação do serviço, sendo insumo permitido para creditamento; transporte profissionais – informa que se trata de despesas com deslocamento de funcionários, de suas residências para as dependências da empresa, entendendo que dada a inexistência de serviço de transporte regular obrigava a empresa a custear o transporte, e como obrigação, entende passível de creditamento; valetransporte, assistências médica e ondontológica, valerefeição e cesta básica – entende também pela possibilidade de crédito dessas despesas, no conceito amplo de insumos necessários à atividade que exerce; que a permissão trazida em 2009 pela Lei 11.898/2009, incso X do art. 3º, para “valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção”, também se lhe aplicaria, e que tal dispositivo legal teria caráter interpretativo; assessoria,RH/treinamento, assessoria, gestão – também entende como passíveis de crédito pelas considerações já feitas, acerca da possibilidade dada aos insumos necessários à atividade. A DRJ/Belém/PA – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0127.784, de 19/11/2013, decidiu pela procedência parcial da Impugnação. Transcrevo a ementa: Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 Ementa: APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES. PRODUTOS DESCARTÁVEIS E MATERIAIS DE LIMPEZA E HIGIENE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Produtos Descartáveis e Materiais de Higienização e Limpeza são insumos à atividade de fornecimentos de refeições coletivas e, portanto, os dispêndios correspondentes são geradores de crédito no regime não cumulativo. PIS. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. Fl. 6334DF CARF MF Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201001.137 S3C2T1 Fl. 6.334 4 O não recolhimento ou recolhimento a menor da contribuição, detectado em procedimento de fiscalização, obriga o contribuinte ao pagamento dos valores devidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção deconstitucionalidade e de legalidade Em razão do acolhimento, por parte da decisão recorrida, das arguições de decadência parcial, e possibilidade de créditos sobre produtos descartáveis e materiais de limpeza e higiente, houve exoneração de crédito lançado em valor superior ao limite de alçada da DRJ, e por consequência, houve Recurso de Ofício. A empresa então interpôs o Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos de defesa. Acrescenta: quanto aos créditos não comprovados, entende inexigíveis as notas fiscais, conforme entendeu a decisão recorrida, porque não foram exigidas pela fiscalização; que seria impraticável juntar mais de 50.000 notas fiscais aos autos; reitera que os valores a serem considerados são os do Dacon e do Livro Razão, que entende fazerem prova. quanto aos créditos sobre “Equipamentos – alojamento”, a decisão recorrida deixou de acatar os créditos não por questão de direito, mas porque a empresa não teria comprovado a vigência dos contratos em 2008; nesse sentido, aponta contrato que tinham vigência no ano de 2008; Em 09/12/2015, o processo foi a julgamento no Carf, que foi convertido em diligência por meio do Acórdão 3201000.564, para que, tendo em vista as notas fiscais juntadas em sede de Recurso Voluntário às fls. 6.152 a 6.212, “a unidade de origem verifique a existência de créditos referentes a insumos glosados por falta de comprovação do direito Fl. 6335DF CARF MF Processo nº 19515.720797/201316 Resolução nº 3201001.137 S3C2T1 Fl. 6.335 5 creditório tomando por base os livros contábeis e as notas fiscais a que estes crédtos se referem.” O relatório fiscal de diligência indica que as notas fiscais juntadas se referem a prestação de serviços da recorrente à Petrobrás, e portanto, não se trata de notas fiscais de insumos. A empresa manifestase em relação ao relatório, esclarecendo que as notas fiscais juntadas realmente dizem respeito à comprovação de que a recorrente prestou serviços à Petrobrás no ano de 2008, e não para comprovar os créditos na parte acusada de falta de comprovação; pede por nova diligência para análise dos documentos de fls. 734 a 4.952, para os fins de comprovação dos créditos cuja glosa foi motivada por falta de comprovação (item 1.8 do Termo de Verificação fiscal e item 2.2 do Recurso Voluntário), reiterando seu entendimento de que o Livro Razão performa a prova exigida. A Procuradoria da Fazenda Nacional manifestase no sentido de concordar com o relatório fiscal de diligência. Até aqui, o breve relato. Decido. Em relação à comprovação dos créditos de “pães, recheios e sobremesas”, a recorrente sustenta que existe a comprovação, que o Livro Razão é suficiente para comprovação, e que as notas fiscais exigidas pela decisão recorrida montam em mais de 50.000 documentos, que inviabilizariam a juntada. O Fisco e a decisão recorrida impuseram a apresentação das respectivas notas fiscais. Decerto que o Fisco pode exigir o lastro documental da contabilidade (artigos 219, 226 e 1.194, do Código Civil, art. 6º da Lei 10.593/2002, dentre diversos outros dispositivos), e a empresa não cuidou de os apresentar até o momento. Não obstante, esta Turma entende que o presente contexto fático se insere na dialética processual normal para tais casos, abrangida, no limite, ainda pelo §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Assim, é cabível a derradeira oportunidade para que a empresa apresente os lastros para a pretensão creditória. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que o Fisco confirme ou infirme os dados do Livro Razão, com o fim de comprovação dos créditos referentes a aquisições de “pães, recheios e sobremesas”. A confirmação poderá ser feita, a critério fiscal, por amostragem. Ao final, seja feito relatório fiscal conclusivo, com ciência ao contribuinte para manifestação, se o desejar, e retornese o processo ao Carf para continuidade do julgamento. Marcelo Giovani Vieira, relator. Fl. 6336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727829/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 12/07/2007, 12/07/2008
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência.
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS.
O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995.
Numero da decisão: 2401-005.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em exercício e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 12/07/2007, 12/07/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.453 1 1.452 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.727829/201279 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.222 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSO FÍSICA IRPF Recorrente DANIEL GUSTAVO DE PAULA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 12/07/2007, 12/07/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 29 /2 01 2- 79 Fl. 1453DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.454 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, REJEITOU as preliminares suscitadas e, no mérito, julgou IMPROCEDENTE a Impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 0371.018 (fls. 1.360/1.379): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, assume, por expressa disposição legal, a posição de sujeito passivo da obrigação tributária. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ISENÇÃO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. A prova documental deve ser mantida pelo adquirente enquanto for proprietário dos bens e direitos adquiridos, porquanto a operação de venda não tem por determinação legal que se realizar dentro do prazo decadencial de cinco anos previstos no artigo 173 do Código Tributário Nacional, o que limitaria o exercício do direito de propriedade no tempo. Não há prazo decadencial previsto para averiguação da veracidade de registros, principalmente em relação ao custo de Fl. 1455DF CARF MF 4 aquisição de bens envolvidos em operações que acarretem modificação no patrimônio do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% é devida nos lançamentos de ofício, nos casos de declaração inexata, incluindo equívocos cometidos pelos contribuintes, independentemente da intenção de fraudar o Fisco. A redução legal da multa de ofício é prevista pela legislação tributária quando ocorrer o pagamento ou o parcelamento do crédito tributário, observados os prazos estabelecidos. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1.218/1.266), lavrado contra o Contribuinte em 19/06/2012, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos anoscalendário 2007 e 2008, no valor de R$ 585.689,98, Juros de Mora, calculados até junho de 2012, no valor de R$ 265.746,75 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 439.267,49, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 1.290.704,22. Conforme consta no RELATÓRIO FISCAL RAF (fls. 1.227/1.251) a Fiscalização apurou omissão de ganho de capital em razão de erro cometido pelo Contribuinte na apuração do custo de aquisição das ações que possuía na sociedade Pilar Empreendimentos Imobiliários S/A, vendidas à sociedade Vulcabrás do Nordeste S/A, hoje denominada Vulcabrás Azaleia – CE Calçados e Artigos Esportivos S/A. Os Auditores Fiscais descrevem, no tópico IV – DOS ERROS NA AVALIAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO do RAF (fls. 1.232/1.243), os erros e as irregularidades encontradas nos demonstrativos trazidos pelo Contribuinte para justificar o custo de aquisição das ações da PILAR S/A, vendidas à Vulcabrás do Nordeste S/A, que resultaram em majoração indevida deste custo, em desacordo com a legislação vigente. Já no tópico V DO CÁLCULO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL (fls. 1.243/1.251), os Auditores Fiscais apresentaram dois demonstrativos, denominados (1) "Demonstrativo de Cálculo do Custo de Aquisição das Quotas Pilar Nestor de Paula" e (2) "Demonstrativo de Cálculo do Custo de Aquisição das Ações Pilar Daniel de Paula", elaborados para apurar as diferenças no cálculo do custo de aquisição. Os demonstrativos elaborados trazem na primeira coluna todas as informações prestadas pelo Contribuinte, referidas no tópico III do RAF (fl. 1.231), que representam a apuração do custo de aquisição levada ao "Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital" anexo à DIRPF do exercício de 2008, e, na segunda coluna, a evolução do custo de aquisição das cotas/ações na visão da fiscalização, seguindo a mesma forma adotada pela Contribuinte. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.455 5 Ao final chegam ao seguinte resultado: · Custo apurado pela Contribuinte na DIRPF R$ 20.420.611,58 · Custo apurado pela fiscalização R$ 16.516.011,76 · Diferença passível de tributação R$ 3.904.599,82 A diferença apurada foi considerada passível de tributação, sendo dividida em duas partes, de acordo com a proporção de cada parcela recebida nos anoscalendário 2007 e 2008, conforme quando a seguir: Fato Gerador Valor (R$) Multa (%) 12/07/2007 R$ 2.215.356,35 75 % 12/07/2008 R$ 1.689.243,56 75 % O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 23/06/2012, via Correio (AR fl. 1.252). Em 23/07/2012, interpôs impugnação (fls. 1.254/1.294), na qual, em síntese, traz as seguintes alegações: 1. Não incidência/isenção do IR, desde 1970, na incorporação de lucros para aumento de capital; 2. Licitude da utilização dos lucros para aumento de capital social como custo de aquisição; 3. Decadência do direito de lançar sobre operações contábeis declaradas, publicizadas e ocorridas há mais de 10 anos; 4. Aplicação da Lei Tributária vigente no momento da ocorrência do Fato Gerador; 5. A reavaliação da correção monetária aplicada em 1996 não pode ser revista em 2012 face à incidência da decadência do direito de lançar; 6. Ilegitimidade da cessionária para responder sobre qualquer discordância acerca do valor, pois recebeu em 1997 a participação societária exatamente pelo valor declarado pelo cedente (Nestor) em sua declaração de renda; 7. Que o mesmo raciocínio exposto no tópico anterior vale para a aquisição de cotas de capital mediante herança, em razão de sucessão. Salienta que neste caso há participação da Receita Estadual e chancela do Poder Judiciário quanto à valoração efetuada e sua rediscussão em momento futuro caracterizaria a anulação da partilha. Finaliza sua impugnação requerendo que seja desconstituído o lançamento, tornando insubsistente a autuação. Subsidiariamente, caso não seja acolhido seu pedido, pugna Fl. 1457DF CARF MF 6 pelo acolhimento parcial do pedido, “afastando o cálculo apresentado por qualquer dos argumentos apresentados”, bem como reduzindo a multa aplicada para o patamar de 20%. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, que, através do Acórdão nº 0371.018, decidiu REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, julgar IMPROCEDENTE a Impugnação, resultando na manutenção do imposto a pagar apurado, mais multa de ofício de 75% e juros de mora. Cientificado do Acórdão da DRJ/BSB, via Correio, em 14/06/2016 (AR – fl. 1.384), tempestivamente, em 14/07/2016, a apresenta seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1.393/1.444, onde faz uma síntese do Processo Administrativo e alega que: 1. Não houve equívoco algum a ser corrigido nas declarações prestadas pela contribuinte por ocasião da venda de das suas Ações da Pilar à Vulcabrás do Nordeste S.A.; 2. Ocorreu a decadência do direito de lançar sobre operações contábeis declaradas, publicizadas e ocorridas a mais de 10 anos; 3. A lei aplicável aos diversos atos e fatos ocorridos ao longo de mais de 30 anos deve ser aquela vigente no momento da ocorrência do fato gerador; 4. Os registros contábeis feitos pela pessoa jurídica, suas respectivas declarações, bem como as declarações de renda da Recorrente foram apresentados em exercícios anteriores e já estão protegidos pela imutabilidade estabelecida pela decadência do direito de lançar; 5. Passados mais de 15 anos da aquisição da participação societária por sucessão causa mortis, não há que se falar em glosa do fisco, seja porque o valor refletia o montante declarado pelo autor da herança, seja porque a reavaliação a valor presente já teria escoado o prazo para autuação sobre o ganho de capital, face à decadência; 6. A reavaliação da correção monetária aplicada em 1996 não pode ser revista em 2012 face à incidência da decadência do direito de lançar; 7. Desde 1970 que o lucro utilizado para aumento de capital é considerado como não tributável/isento, por força do art. 3º do DecretoLei nº 1.109/70; 8. Em 2001, ano da capitalização do lucro acumulado, a hipótese legal em vigor é o art. 10, parágrafo único, da Lei nº 9.249/95; 9. Desde 1996, as reservas constituídas com lucros acumulados, quando utilizadas para aumento de capital tinham o condão de agregar valor ao custo de aquisição; 10. É lícita a utilização dos lucros para aumento de capital social como custo de aquisição. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seu provimento a fim de desconstituir o Auto de Lançamento, tornando insubsistente a autuação realizada. Subsidiariamente requer o acolhimento parcial do recurso, afastandose a exigência fiscal por Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.456 7 qualquer dos argumentos expostos, bem como a redução da multa aplicada no percentual de 75% para o patamar de 20%. É o relatório. Fl. 1459DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência A Recorrente assevera que ocorreu a decadência do direito de lançar com relação às operações contábeis declaradas e publicizadas há mais de dez anos. Afirma que não se discute se o lançamento exarado pelos auditores observou o lapso temporal com relação aos fatos ocorridos em 2007. Sua irresignação consiste na glosa de operações contábeis realizadas no período anterior a cinco anos da ocorrência do fato gerador configurado em julho de 2007 e julho de 2008, não sendo mais permitido ao Fisco o questionamento dessas operações. Pois bem. É certo que a obrigação principal surge com a efetivação do fato gerador que consiste na situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, sendo o dever do agente fiscal proceder ao lançamento com o cálculo do montante do tributo devido, conforme determinado pelo Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.457 9 Nesse diapasão, constatase que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial se inicia da ocorrência do fato gerador, consoante normas positivadas no Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Dessa forma, o lançamento somente poderá ser realizado após a ocorrência do fato gerador, sendo, por conseguinte, obrigação do agente fiscal averiguar todas as circunstâncias que envolvam a obrigação tributária dele correspondente, inclusive com a análise de documentos relacionados a fatos societários e registros contábeis que trazem os respectivos reflexos tributários. No caso concreto, tratase de alienação de ações ocorridas em julho de 2007 e julho de 2008, sendo este (julho/2007 e julho/2008) o marco inicial para contagem do prazo decadencial. Isso porque, com relação ao imposto sobre a renda (inclusive o ganho de capital) devido pela pessoa física é aplicável o regime de caixa e o imposto é devido na medida em que os rendimentos e ganhos são efetivamente percebidos. Nesse sentido são claras as disposições dos artigos 2º e 21 da Lei 7.713/1988: Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. O prazo decadencial não se inicia com as operações contábeis declaradas se referidas operações não representavam fato gerador do tributo em questão. A simples averiguação da veracidade, legitimidade e idoneidade dos fatos contábeis e societários relacionados ao custo de aquisição das ações adquiridas pela Recorrente ocorreu por força da competência administrativa do fiscal decorrente do dever na constituição do crédito tributário. Fl. 1461DF CARF MF 10 Constatada a ocorrência do fato gerador e encontrandose dentro do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, poderá a fiscalização exigir da contribuinte documentos que comprovem se a obrigação tributária foi cumprida em consonância com a legislação tributária, caso referidos documentos repercutam na apuração do tributo devido (artigo 37 da Lei nº 9.430/96). Ora, no presente caso, a contribuinte utilizou no cálculo de apuração do ganho de capital, informações de anos anteriores que repercutiram no valor do custo de aquisição das ações alienadas em 2007. Referidas informações devem ser analisadas pelo fisco a fim de que possa proceder a correta apuração do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Ou seja, as regras do prazo decadencial previstas no Código Tributário Nacional referemse ao prazo para lançamento a contar da ocorrência do fato gerador e não à verificação dos documentos comprobatórios do resultado apurado. Assim, entendo que a Fiscalização pode exigir da contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo, nesse passo, a alegação de decadência. Portanto, rejeito a preliminar alegada. Custo de aquisição O Recorrente se insurge contra a exigência do Imposto de Renda sobre ganho de capital oriundo de alienação de participação societária da empresa Pilar Empreendimentos Imobiliários S.A. para a empresa Vulcabrás do Nordeste S.A, ocorrida em 12 de julho de 2007. Afirma ser indevida a apuração do valor do custo de aquisição. Segundo a fiscalização, no aumento de capital ocorrido em 2001 o contribuinte majorou indevidamente o custo de aquisição ao incluir a incorporação de lucros de R$ 19.872.969,43 na capitalização, acrescendo em R$ 3.974.593,89 ao custo de aquisição de suas quotas, equivalente ao percentual de participação de 20% aplicado sobre o total de lucros capitalizados. Conforme se observa no Relatório de Ação Fiscal, a fiscalização apurou equívocos na identificação do custo de aquisição quando da apuração do ganho de capital. Dissertou sobre a evolução do valor das quotas na participação societária e constatou a seguinte diferença: Segundo a acusação fiscal, com relação ao aumento de capital ocorrido em 2001, deveria ter sido atribuído custo zero à participação decorrente de capitalização desses lucros, de acordo com o histórico da legislação citada. Por outro lado, o contribuinte afirma que a fiscalização segregou todo o período em que o lucro foi apurado sem considerar a rubrica contábil registrada relativa ao aumento de capital ocorrida em 2001. Assevera que a sociedade privou seus sócios da distribuição do lucro para aumentar o capital, o que deve ser levado em consideração na Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.458 11 composição do chamado “custo de aquisição”. Se estes valores já vinham sendo informados nas declarações de renda das pessoas físicas, não se pode alegar agora que houve manobra com o propósito evasivo apenas em 2001 em que os sócios utilizaram esses lucros, tendo como consequência o aumento do custo de aquisição. Destarte, inobstante o entendimento firmado no item anterior de que, diante da constatação da ocorrência do fato gerador, tem o agente fiscal o poder/dever de averiguar os lançamentos contábeis que repercutam na apuração do tributo devido, não se verificando a decadência, cabe nesse ponto destacar que de acordo com o artigo 923 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), a escrituração contábil faz prova a favor do contribuinte quando esteja lastreada em documentos hábeis e idôneos: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Ressaltese que a fiscalização verificou o custo de aquisição estipulado pelo contribuinte a partir da análise dos lançamentos contábeis, devidamente respaldados nos documentos de alterações societárias. O contribuinte apresentou toda a documentação de suporte destacada nos lançamentos contábeis. Não houve desconsideração da contabilidade do Recorrente e nem mesmo qualquer indício de fraude ou simulação, conforme assentado em Relatório Fiscal. O ganho de capital foi apurado pelo contribuinte e o Imposto de Renda devidamente recolhido. Compulsando os autos, constatase que os fatos apresentados foram efetivamente lançados na contabilidade e encontramse respaldados por documentos hígidos atestados pelo agente fiscal que em nenhum momento os desconsiderou. O conjunto probatório ora analisado carreia à conclusão da idoneidade dos lançamentos contábeis efetuados e documentos apresentados. A partir de tal constatação da veracidade dos dados apresentados e que não ocorreu fraude ou simulação por parte do contribuinte, necessário a análise do ponto fulcral do lançamento que se consubstancia na glosa do acréscimo ao custo de aquisição do montante relativo ao aumento de capital respectivo. As afirmações constantes na decisão de piso concernentes à impossibilidade de se computar, como custo de aquisição de participação societária, a capitalização de lucros anteriores a 31/12/1988 e aos anos de 1994 e 1995, não influenciaram no lançamento efetuado, conforme corroborado no próprio Fiscal no Relatório de Autuação. A solução de tal conflito está na interpretação correta do parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, tendo em vista que, de forma taxativa, o Auditor Fiscal afirma que em relação ao aumento de capital ocorrido em 2001, deveria ter sido atribuído custo zero à participação decorrente da capitalização desses lucros, o que não se coaduna com a determinação legal. Vejamos os preceitos legais abaixo transcritos: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos Fl. 1463DF CARF MF 12 ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Conforme se constata do dispositivo legal, a partir de 1996, o aumento de capital realizado por uma pessoa jurídica por incorporação de lucros ou de reservas constituídas, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Isso porque os lucros acumulados e as reservas de lucros são parcelas dos lucros ainda não realizados. Quando se tornam lucros disponíveis, a sua utilização para o aumento de capital tem como contrapartida a bonificação de quotas aos sócios. Conforme esclarecido no próprio Relatório de Fiscalização, as reservas de lucros foram capitalizadas em 2001, o que possibilitou o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio, em face de autorização legal. O assunto é tratado no dispositivo do artigo 41 do Decreto 3.000/99 que afasta a incidência do imposto de renda sobre os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros: Art. 41. Não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados: I de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XVII, alínea "a"); II no anocalendário de 1993, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75); III de 1º de janeiro de 1994 a 31 de dezembro de 1995, observado o disposto no art. 3º da Lei nº 8.849, de 1994, com as modificações da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995; IV a partir de 1º de janeiro de 1996, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Parágrafo único. No caso do inciso IV, o lucro a ser incorporado pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado deverá ser apurado em balanço. De acordo com a Solução de Consulta nº 4.016 SRRF04/Disit, de 26 de agosto de 2016, o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. Vejamos: Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.459 13 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF REFORMA DA SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF04/DISIT Nº 43, DE 5 DE JUNHO DE 2013, PARA ALINHAMENTO À ORIENTAÇÃO DA COORDENAÇÃO GERAL DE TRIBUTAÇÃO (COSIT) REFERENTE À MATÉRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Conforme entendimento da Cosit, somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. Portanto, concluise que, na espécie, a incorporação ao capital social de reservas de capital não implica, para o acionista, o benefício do aumento do custo fiscal de aquisição do investimento. Dispositivos Legais: Lei nº 7.713, de 1988, art. 16; Lei nº 9.249, de 1995, art. 10. VINCULAÇÃO À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 10, DE 3 DE FEVEREIRO DE 2016. O custo de aquisição da participação societária informado pelo contribuinte levou em consideração a norma positivada no art. 135 do RIR/99, com a apuração do ganho de capital e o pagamento do Imposto de Renda devido, conforme documento adunado aos autos às fls. 24. No entanto, a Fiscalização não considerou o incremento no custo de aquisição decorrente da incorporação de lucros, conforme disposição legal já mencionada, o que levou a equivocada conclusão de que ocorreu insuficiência de pagamento de ganho de capital. Vêse, portanto, que no lançamento efetuado não foi aplicada a sistemática correta para a apuração do ganho de capital em face do equívoco na mensuração da base de cálculo apurada, no tocante ao custo de aquisição. Dessa forma, entendo que assiste razão ao Recorrente, devendo ser cancelado o lançamento. Em face do entendimento supra, tenho por prejudicado o pleito recursal pertinente à redução da multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, afastando a exigência contida no lançamento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1465DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia para divergir do voto da I. Relatora no que tange à utilização de lucros e reservas de lucros acumulados para fins de cômputo no custo de aquisição das participações societárias alienadas. Antes da análise da matéria de mérito, deixo consignado que acompanhei a rejeição da preliminar em que o recorrente alegou o impedimento de revisão por parte do Fisco das operações contábeis e capitalizações que resultaram ao longo do tempo em acréscimo do custo de aquisição da participação societária, porque protegidas pela imutabilidade do término do prazo decadencial. O ganho de capital equivale à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição. No caso dos autos, o marco temporal do fato gerador referente ao ganho de capital ocorre no momento da alienação da participação societária, que se deu em 2007 e 2008. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o agente fiscal poderá exigir os documentos comprobatórios do cumprimento da obrigação tributária, inclusive procedendo à reavaliação do custo de aquisição atribuído à operação pelo contribuinte, quando for o caso. Quanto à questão de fundo, a fiscalização detectou no curso do procedimento a majoração indevida do custo das quotas detidas pela contribuinte na empresa RALIA Participações Societárias Ltda, por ocasião do aumento de capital ocorrido em 01/07/2001. Segundo o Relatório Fiscal, os lucros incorporados ao capital social nessa data tinham a seguinte composição (fls. 1.241): No cômputo do custo de aquisição, o contribuinte utilizou indevidamente reserva de lucros cuja incorporação ao capital não pode refletir aumento de custo para o acionista/quotista, especificamente quanto aos lucros apurados até o ano de 1988 e nos anos calendário de 1994 e 1995. A capitalização de lucros de 1989 a 1993 foi aceita pelo agente fazendário. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.460 15 De maneira didática, o Relatório Fiscal faz um histórico detalhado a respeito da evolução da legislação aplicável ao incremento do custo de aquisição na hipótese de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reserva de lucros. Ao final, o agente lançador consolida a sua exposição por meio de um resumo, que copio na sequência (fls. 1.240): A interpretação fiscal não merece reparos, estando devidamente justificada em face da legislação atinente aos fatos ocorridos. Advoga o recorrente, entretanto, que no momento do aumento do capital efetivado no ano de 2001, pela utilização dos lucros acumulados para efeitos de capitalização, incidia no caso concreto o art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: 1 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (SUBLINHEI) 1 A Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, acrescentou novos parágrafos ao art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, passando o parágrafo único para o § 1º, porém sem alteração de conteúdo. Fl. 1467DF CARF MF 16 Qualquer interpretação do texto legal deve guardar compatibilidade com a norma jurídica abarcada pela "cabeça" do artigo, que trata de resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, dada a íntima conexão com os respectivos parágrafos do dispositivo de lei. Conforme a redação do então parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, permitiuse, com relação às pessoas físicas e jurídicas, a atualização do custo da aquisição de participação societária decorrente de aumento de capital social mediante incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros. Nada obstante, é requisito inafastável, segundo o preceptivo de lei, que tanto os lucros apurados, ou as reservas constituídas com os lucros, digam respeito a resultados ocorridos a partir do ano de 1996, o que afasta, a toda a evidência, a sua aplicação para as capitalizações com lucros apurados até o ano de 1995 (ou, dito de outra forma, antes de 01/01/1996). No que tange às capitalizações com lucros apurados em exercícios anteriores ao ano de 1996, como foi detalhado pelo agente fazendário, a possibilidade ou não de agregação de custo à participação societária mantém relação com a legislação pertinente ao regime de tributação da distribuição/capitalização de lucros estabelecida à época da apuração dos resultados, o que contribui, sem dúvida, para a segurança jurídica na aplicação da lei tributária. Inclusive, o procedimento fiscal que atribuiu o custo zero para as capitalizações de lucros apurados até o ano de 1988 e nos anos de 1994 e 1995 está amparado expressamente no inciso I do § 2º do art. 130 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), com matriz legal no § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 2º). § 1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). § 2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 4º): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; (...) (SUBLINHEI) Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 11080.727829/201279 Acórdão n.º 2401005.222 S2C4T1 Fl. 1.461 17 Prosseguindo com a análise dos argumentos de defesa trazidos pelo recurso voluntário, complemento com as seguintes considerações. O art. 3º do DecretoLei nº 1.109, de 26 de junho de 1970, bem como o art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, referemse à não incidência do imposto sobre a renda, extensível aos sócios beneficiários das quotas, quando do aumento de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas. Semelhante dispositivo integra o art. 3º da Lei nº 8.849, de 28 de janeiro de 1994, concebido para os lucros apurados nos anos de 1994 e 1995. Em um e outro caso, porém, não cuidam de custo de aquisição de participação detida pelo sócio, com repercussão em eventual apuração de ganho de capital na alienação da participação societária, mas sim de isenção na operação de capitalização de lucros ou reservas de lucros. A declaração parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do chamado Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL), previsto no art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, não tem relevância para o deslinde do processo administrativo em apreço. Com efeito, a tributação na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, vigorou apenas no período compreendido entre os anos de 1989 a 1992, tendo sido revogada, a partir de 1993, pelo art. 75 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que determinou a não incidência do imposto sobre os lucros apurados naquele ano calendário. Como ressaltado linhas acima, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento manteve intacta a parcela capitalizada correspondente ao sócio quanto aos lucros apurados nos anos de 1989 a 1993. No que diz respeito ao valor inicial do custo atribuído pelo contribuinte, a autoridade fazendária detalhou os motivos pelos quais a reavaliação de 1994 para 1995 consistiu em procedimento desprovido de amparo legal (fls. 1.232). O art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995, autorizou a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, com base no valor da Unidade Fiscal de Referência (UFIR), para as participações societárias cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995. A legislação infraconstitucional não ultrapassou os limites estabelecidos pela lei. Com efeito, a variação da UFIR durante o ano 1995 alcançou a cifra de 22,46% (Jan/1995: 0,6767 e Jan/1996: 0,8287), exatamente o mesmo valor indicado, na forma de multiplicador, pelo art. 20 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 31, de 22 de maio de 1996: Art. 20. Para as participações societárias adquiridas até 1994, o custo de cada aquisição será o valor em Reais constante da declaração relativa ao exercício de 1996, anocalendário 1995, atualizado até 1º de janeiro de 1996, mediante sua multiplicação por 1,2246. (...) Fl. 1469DF CARF MF 18 Por sua vez, segundo o 6º da IN SRF nº 69, de 28 de dezembro de 1995, o valor das participações societárias adquiridas até 1994 constante da declaração relativa ao exercício de 1996, anocalendário de 1995, deveria corresponder à conversão para Reais mediante a multiplicação da quantidade de UFIR por R$ 0,6767: Art. 6º A pessoa física sujeita à apresentação da Declaração de Ajuste Anual fica obrigada a apresentar relação pormenorizada dos bens e direitos que, no País ou no exterior, constituam, em 31 de dezembro de 1995, seu patrimônio e o de seus dependentes. § 1º Os bens e direitos serão expressos em Reais. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os valores dos bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1994, declarados em UFIR, serão convertidos para Reais mediante a multiplicação da quantidade de UFIR por R$ 0,6767. (...) A sistemática estabelecida significava que o valor dos bens em 31/12/1995 deveria ser igual ao valor de 31/12/1994, corrigindose o custo das participações societárias, até 1º de janeiro de 1996, no montante da variação da UFIR em 1995 (22,46%). Dessa feita, equivocouse o contribuinte quando utilizou o índice de 1,2246 sobre o valor reavaliado pela correção monetária de 1994 para 1995. Por derradeiro, no tocante ao custo de aquisição de participação societária por ocasião da doação de quotas efetuada pelo pai do recorrente, a fiscalização não criou óbice ao valor atribuído na doação/cessão com base na declaração de bens do doador (fls. 1.233). Além do mais, cabe assinalar que a doação efetivouse em 01/08/1997, portanto antes do advento do art. 23 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1470DF CARF MF
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