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Numero do processo: 16095.720121/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010
IPI. REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL. REFRI.
No regime tributário especial de que tratam os arts. 58 J e seguintes da Lei nº 10.833/2003 - REFRI, a disposição do art. 43, X é incompatível com a disciplina restritiva do art. 58N da Lei no 10.833/2003, devendo o IPI ser recolhido na saída do estabelecimento industrial.
INCIDÊNCIA ÚNICA. RECOLHIMENTOS. ESTABELECIMENTOS.
O IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial. Como o REFRI alcança, por disposição legal expressa do próprio art. 58 J, todos os estabelecimentos da empresa e todos os produtos fabricados, não se pode exigir o IPI se houver prova de que ele já tenha sido recolhido, para os mesmos produtos, e sobre a mesma base, ainda que por outro estabelecimento da mesma empresa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Valcir Gassen que dava provimento. A Conselheira Maria Eduarda declarou-se impedida.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL. REFRI. No regime tributário especial de que tratam os arts. 58 J e seguintes da Lei nº 10.833/2003 REFRI, a disposição do art. 43, X é incompatível com a disciplina restritiva do art. 58N da Lei no 10.833/2003, devendo o IPI ser recolhido na saída do estabelecimento industrial. INCIDÊNCIA ÚNICA. RECOLHIMENTOS. ESTABELECIMENTOS. O IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial. Como o REFRI alcança, por disposição legal expressa do próprio art. 58 J, todos os estabelecimentos da empresa e todos os produtos fabricados, não se pode exigir o IPI se houver prova de que ele já tenha sido recolhido, para os mesmos produtos, e sobre a mesma base, ainda que por outro estabelecimento da mesma empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Valcir Gassen que dava provimento. A Conselheira Maria Eduarda declarouse impedida. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 21 /2 01 4- 11 Fl. 13849DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.403 2 Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 13850DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.404 3 Relatório Trata o presente processo do auto de infração de fls. 352 a 363, lavrado pela Sefis/DRF Guarulhos contra AMBEV S.A, CNPJ 07.256.557/002900, cód. 2945, no valor de R$ 32.208.595,12, multa de ofício no percentual de 75% no valor de R$ 24.156.446,36 e de juros moratórios no valor de R$ 12.448.952,33. A autuação se deu em razão da emissão, ao longo do anocalendário de 2010, de notas fiscais sem lançamento do IPI por utilização indevida de suspensão do imposto. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls 36 a 44), o estabelecimento autuado pertence a pessoa jurídica optante pelo Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias previsto nos arts. 58J e 58N da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 58J. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 58A desta Lei poderá optar por regime especial de tributação, no qual a Contribuição para o PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valor base, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência. (...) Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: I uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e II sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador equiparado a industrial. Parágrafo único. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no parágrafo único do art. 58A desta Lei. Ainda segundo o Termo de Verificação Fiscal, da análise das notas fiscais emitidas de janeiro a dezembro de 2010, contatouse que parte da produção de cervejas do estabelecimento foi transferida com a utilização dos CFOP’s 5.151, 6.151 e 6.408, com suspensão do IPI, com base no inciso X do art. 42 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002). Mas, sendo o contribuinte estabelecimento pertencente a pessoa jurídica optante pelo Regime Especial de Tributação, seus produtos estão sujeitos a incidência única, na saída do estabelecimento industrial. Por essa razão, não caberia a aplicação da suspensão de que trata o art. 42, inciso X, do RIPI/2002. Fl. 13851DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.405 4 A autoridade autuante informa que as operações de transferência de produtos foram realizadas por filial da empresa Companhia de Bebidas das Américas, CNPJ nº 02.808.708/000107, que foi incorporada pela Ambev S.A, CNPJ nº 07.256.557/000110. Finalmente, registra que, em decorrência desta incorporação, o auto de infração foi lavrado em nome do estabelecimento filial (CNPJ nº 07.256.557/002900) que deu continuidade às operações industriais efetuadas no mesmo endereço do estabelecimento fiscalizado e que respondem pelo imposto devido pelo estabelecimento extinto por incorporação, na condição de sucessora universal em direitos e obrigações, nos termos do art. 132 do CTN. O estabelecimento autuado (CNPJ nº 07.256.557/002900) e a matriz (CNPJ nº 07.256.557/000110) se insurgem contra a exigência, alegando, em síntese: a legitimidade da adoção do regime de suspensão nas transferências de bebidas entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por ser compatível com o modelo de tributação monofásica a que se sujeita a Impugnante; necessidade de cancelamento da autuação em face do efetivo recolhimento do IPI na saídas das mercadorias. Teria havido, no máximo, postergação no pagamento do imposto. Com esses fundamentos, requer o cancelamento da autuação e ainda solicita realização de diligência/perícia com o objetivo de demonstrar o alegado na Impugnação, especialmente o efetivo recolhimento do imposto. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG considerou improcedente a impugnação sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PRODUTOS ABRANGIDOS POR INCIDÊNCIA ÚNICA DO IPI NA SAÍDA DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE DE SAÍDA COM SUSPENSÃO. O Regime Especial de Tributação de que trata o art. 58N da Lei nº 10.833, de 2003, impõe, para os produtos por ele abrangidos, a incidência única de IPI no estabelecimento industrial que, portanto, não pode remeter com suspensão do imposto tais produtos para estabelecimento equiparado da mesma pessoa jurídica. PAGAMENTO REALIZADO POR ESTABELECIMENTO DISTINTO DAQUELE EM QUE OCORREU O FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA DE SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE DE QUE O PAGAMENTO APROVEITE AO ESTABELECIMENTO CONTRIBUINTE. É de se afastar a aplicação da solidariedade entre o estabelecimento autuado e a matriz da pessoa jurídica, por não haver interesse comum relativamente à prática dos fatos Fl. 13852DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.406 5 geradores. Quanto ao IPI, deve prevalecer a regra da autonomia dos estabelecimentos, não aproveitando ao estabelecimento autuado o pagamento realizado pelo estabelecimento comercial (equiparado a industrial), ainda que ambos pertençam à mesma pessoa jurídica. DILIGÊNCIA/PERÍCIA PARA VERIFICAÇÃO DE EFETIVO RECOLHIMENTO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE. Desnecessária a diligência/perícia para a verificação do efetivo recolhimento de imposto que, ainda que comprovado, não aproveitaria ao estabelecimento autuado. No recurso voluntário a recorrente repete alguns argumentos da impugnação e acrescenta outros, trazendo que: (a) é legítima a adoção do regime de suspensão nas transferências de bebidas entre estabelecimentos; (b) a norma didática do art. 42, caput, do Decreto 6.707/2008 visa ao não afastamento das regras gerais do imposto, exceto se contrárias ao regime especial, e a regra de suspensão não é contrária, mas compatível com o regime especial; (c) a suspensão prevista no art. 43,X do RIPI/2010 é opcional, enquanto a suspensão atinente ao regime geral de bebidas frias (arts. 58H e 58E da Lei no 10.833/2003) é mandatória; (d) desvirtuar o modelo monofásico significa tornálo plurifásico, o que não ocorreu, pois a suspensão apenas deslocou o pagamento para momento posterior, não gerando apropriação de crédito; (e) ainda que se pudesse entender que a interpretação do fisco é admissível, persiste dúvida razoável a respeito do tema, diante da não existência de vedação em lei, demandando a aplicação do art. 112 do CTN; (f) o auto deve ser cancelado, pois o IPI foi recolhido, ainda que de forma postergada, pelos estabelecimentos para os quais foram transferidas as mercadorias; (g) a constatação do pagamento do IPI na saída dos produtos dependia unicamente do exame da escrita fiscal e contábil da empresa, o que não foi feito, em que pese ter a DRJ reconhecido como incontroversa a matéria, rechaçando a solicitação de perícia; (h) em razão de os estabelecimentos serem da mesma pessoa jurídica, não é razoável, como propõe a DRJ, simplesmente ignorar o recolhimento feito por um estabelecimento diverso do que promoveu a saída tributada; (i) ainda que se considerassem os estabelecimentos “pessoas” distintas, haveria responsabilidade solidária, conforme art. 124, I do CTN; e (j) em face dos princípios da eficiência e da proporcionalidade, não é lícito à Administração exigir que o contribuinte satisfaça o débito para então pleitear sua restituição (solve et repete), sendo devidos no caso somente juros e multa isolados, cf. art. 42 da Lei no 9.430/1996. Fl. 13853DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.407 6 Mantémse, por fim, a demanda por diligência, na eventualidade de haver dúvida quanto ao direito pleiteado. É o relatório. Fl. 13854DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.408 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Os fatos relatados nos presente processo são incontroversos. A controvérsia está centrada na leitura e interpretação das normas atinentes ao tema. Primeiramente, importa lembrar que um Regime Especial de Tributação é a modalidade de tributação, onde determinado setor ou atividade empresarial tem uma forma diferenciada de aplicação tributária, em relação aos demais contribuintes. Por ter essa forma diferenciada de tributação, sujeita aos contribuintes por ele optantes ao seguimento estrito e rigoroso das normas atinentes ao regime. O processo trata do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias Refri. Esse regime da redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Contribuição para o PIS/Pasep; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) ; Contribuição para o PIS/PasepImportação; e CofinsImportação. Tem direito a optar pelo regime a pessoa jurídica que industrializa ou importa refrigerantes, refrescos, cervejas com e sem álcool, energéticos, repositores hidroeletrolíticos e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína. Esse regime é opcional e começa a valer a partir do primeiro dia do mês subsequente ao envio do termo de opção, do qual será prorrogado automático indefinidamente, salvo se a pessoa jurídica desistir deste. A autuação foi lavrada contra o estabelecimento filial CNPJ nº 07.256.557/002900 da empresa AMBEV S.A., em virtude do não pagamento do IPI na saída do estabelecimento industrial, destacandose que a AMBEV S.A. é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias REFRI, previsto nos arts. 58A e 58J a 58T da Lei nº 10.833/2003. Quanto aos fatos, nem fisco nem recorrente discordam. Isto é, não ocorreu o pagamento no momento da saída do estabelecimento industrial. Na leitura do inciso I do art. 58N da Lei no 10.833/2003, resolvida estaria a questão, sendo cabível a exigência: Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Fl. 13855DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.409 8 I uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) Parágrafo único. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no parágrafo único do art. 58A desta Lei (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) Ambas as partes concordam que o estabelecimento industrial autuado da AMBEV S.A. promoveu saídas para outros estabelecimentos da AMBEV S.A. (transferências para distribuição), indicando a existência de suspensão do imposto (com fundamento no art. 42, X do RIPI/2002 ou no art. 43, X do RIPI/2010). Tal dispositivo, no RIPI 2010 (Decreto no 7.212/2010, de conteúdo idêntico ao que constava no regulamento anterior Decreto nº 4.544/2002), estabelece que: Art.43. Poderão sair com suspensão do imposto: (...) X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um estabelecimento industrial ou equiparado a industrial para outro da mesma firma; Nesse momento surge a principal controvérsia dos autos. Pode a empresa optante pelo REFRI dar saídas de transferência com a suspensão de que trata o dispositivo do RIPI? A recorrente entende que sim, por não haver vedação expressa na legislação, e por não ser o comando geral de suspensão do IPI incompatível com o regime REFRI. Daí, estrutura seu fluxo de mercadorias com a logística em duas etapas, considerando que não são todos os estabelecimentos industriais que produzem todo os tipos de bebidas que são levados ao mercado. Os estabelecimentos industriais dão saída a produtos em transferência, com destino a centros de distribuição, sem destaque e sem recolhimento de IPI e nestas saídas há suspensão do IPI, com base no já citado artigo do RIPI. O recolhimento ocorre quando da saída dos produtos dos centros de distribuição para os estabelecimentos varejistas ou consumidores finais, segundo as regras do REFRI. O fisco, por sua vez, discorda da possibilidade de que a suspensão prevista no RIPI se aplique ao REFRI, porque segundo o já citado art. 58N da Lei nº 10.833/2003, o IPI “incide uma única vez” “na saída do estabelecimento industrial”, trazendo ainda como motivação o art. 42 do Decreto nº 6.707/2008, que regulamenta o REFRI e estabelece: Art. 42. As demais disposições da legislação relativa à Contribuição para o PIS/PASEP, à COFINS, à Contribuição para o PIS/PASEP Importação, à COFINS Importação e ao IPI aplicamse aos regimes previstos neste Decreto, naquilo que não forem contrárias. Fl. 13856DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.410 9 E as razões de contrariedade apontadas entre os dispositivos são descritas da seguinte forma pela fiscalização: Entende, assim, o fisco, que a suspensão é contrária à incidência concentrada no estabelecimento industrial. E, não incidindo a suspensão, o IPI deveria ter sido recolhido pelo estabelecimento industrial autuado, na saída aos centros de distribuição. Exige, assim, a fiscalização, a integralidade dos tributos, tratando a situação como simples ausência de recolhimento. Por consequência, considera irrelevantes as etapas seguintes à saída do estabelecimento industrial, promovidas por outros estabelecimentos da AMBEV S.A., o que é endossado pela DRJ em função da autonomia dos estabelecimentos. A recorrente, por sua vez, utiliza o mesmo art. 42 do Decreto 6.707/2008 para sustentar que não há contrariedade entre a incidência concentrada do REFRI e a suspensão de caráter geral do RIPI. O Regulamento do IPI de 2002 trata da suspensão como “Capítulo II” do “Título VII Da Obrigação Principal. E a mesma posição “geográfica” do tema é ocupada no RIPI/2010, que foi editado anos depois da criação do REFRI. No mesmo RIPI/2010, o art. 45 e os arts. 222 a 224 provam que o referido regulamento não ignorou a disciplina trazida nos artigos acompanhados de letras adicionados após o art. 58 da Lei no 10.833/2003: Art. 45. Sairão com suspensão do imposto os produtos sujeitos ao regime geral de tributação de que trata o art. 222: I do estabelecimento industrial, quando destinados aos estabelecimentos comerciais equiparados a industrial de que tratam os incisos XI, XII e XIII do art. 9o (Lei no 10.833, de 2003, art. 58H, caput e § 3o, Lei no 11.727, de 2008, art. 32, e Lei nº 11.827, de 2008, art. 1º); II do estabelecimento comercial equiparado a industrial, na forma do inciso XIII do art. 9o, quando destinados aos estabelecimentos equiparados a industrial de que tratam os incisos XI e XII daquele artigo (Lei no 10.833, de 2003, art. 58H, caput e §§ 1o e 3o, Lei no 11.727, de 2008, art. 32, e Lei nº 11.827, de 2008, art. 1o); e III do estabelecimento importador, quando destinados aos estabelecimentos equiparados a industrial de que tratam os incisos XIV e XV do art. 9o (Lei no 10.833, de 2003, art. 58H, caput e § 3o, Lei no º 11.727, de 2008, art. 32, e Lei no 11.827, de 2008, art. 1º). Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo não se aplica ao imposto devido pelos estabelecimentos industrial, encomendante ou importador no caso do § 2o do art. 25 (Lei no 10.833, de 2003, art. 58H, e Lei no 11.827, de 2008, art. 1o). (...) Fl. 13857DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.411 10 Art. 222. Os produtos classificados nos Códigos e Posições 2106.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do Código 2202.90.00, e 22.03, da TIPI, sujeitamse ao imposto conforme o regime geral de tributação previsto no Decreto no 6.707, de 23 de dezembro de 2008, em conformidade com a legislação de regência, na hipótese em que a pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos não optar pelo regime especial de que trata o art. 223 (Lei no 10.833, de 2003, art. 58A, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32). Parágrafo único. O disposto no caput, em relação às Posições 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína (Lei no 10.833, de 2003, art. 58V, e Lei no 11.945, de 2009, art. 18). Art. 223. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos referidos no art. 222 poderá optar por regime especial de tributação e apurar o imposto em função do valor base que será expresso em reais por litro, definido a partir do preço de referência, nas condições estabelecidas no Decreto no 6.707, de 2008, em conformidade com a legislação de regência (Lei nº10.833, de 2003, arts. 58A, 58J e 58O, Lei no 11.727, de 2008, art. 32, e Lei no 11.945, de 2009, art. 17). § 1º A opção pelo regime especial de que trata o caput: I alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante e abrange todos os produtos por ela fabricados ou importados (Lei no 10.833, de 2003, art. 58J, § 1º, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32); e II será exercida pelo encomendante, quando a industrialização se der por encomenda (Lei no 10.833, de 2003, art. 58J, § 3º, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32). §2º O imposto apurado na forma do caput incidirá: I uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no § 3o (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58N, inciso I, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32); e II sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador equiparado a industrial (Lei no 10.833, de 2003, art. 58N, inciso II, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32). § 3º Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto apurado na forma do caput será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no inciso VIII do art. 27 (Lei no 10.833, de 2003, art. 58N, parágrafo único, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32). Fl. 13858DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.412 11 Art. 224. Nas hipóteses de infração à legislação dos regimes de que tratam os arts. 222 e 223, a exigência de multas e juros de mora darseá em conformidade com os arts. 552 a 554 (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58S, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32). Dos referidos dispositivos, percebese que há regimes, o geral do art. 222 e o especial do art. 223, aplicáveis na industrialização e comercialização de determinadas bebidas, ambos sujeitos às condições definidas no Decreto 6.707/2008. Ou seja, o RIPI/2010 apenas inseriu dispositivos indicadores da existência dos regimes e da suspensão correspondente ao regime geral, remetendo a disciplina detalhada ao Decreto 6.707/2008, que é aquele que indicava, no art. 42, que seriam aplicáveis as normas gerais do imposto, no que não forem contrárias. No caso concreto, estamos tratando do regime especial do art. 223 que constitui uma alternativa ao regime geral, para o qual está prevista a suspensão art. 222. Assim, desde já, está clara a impossibilidade de aplicação dos dispositivos do art. 45 do RIPI ao caso concreto. A impossibilidade de aplicação simultânea de disposições dos regimes geral e especial resta evidente logo no início do Decreto 6.707/2008: Art. 2º Os importadores e as pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos listados no art. 1o ficam sujeitos ao regime geral ou ao regime especial previstos neste Decreto (Lei no 10.833, de 2003, art. 58A; Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008, art. 42, inciso IV, alínea “a”). Art. 3º Os importadores e as pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos de que trata o art. 1o que não fizerem a opção pelo regime especial nos termos do art. 28 estarão sujeitos ao regime geral de tributação (...) A própria empresa parece não ter adotado a suspensão do art. 45 (em que pese tenha mencionado em sua defesa os dispositivos legais correspondentes arts. 58E e 58H da Lei no 10.833/2003), pois a modalidade não prejudicaria o direito ao crédito, nos termos do art. 58H, § 2º da Lei no 10.833/2003 (o que se informa não ter ocorrido no caso concreto). A suspensão utilizada, devida ou indevidamente, pelo estabelecimento autuado, recordese, é a do art. 43, X do RIPI/2010 que é equivalente ao art. 42, X do RIPI/2002. E a opção pelo REFRI não é do estabelecimento, mas da empresa, valendo para todos os seus estabelecimentos, como expressamente dispõe o art. 58J da Lei no 10.833/2003, que traz importantes esclarecimentos: Art. 58J. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 58A desta Lei poderá optar por regime especial de tributação, no qual a Contribuição para o PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valorbase, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência. (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) Fl. 13859DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.413 12 § 1o A opção pelo regime especial de que trata este artigo aplicase conjuntamente às contribuições e ao imposto referidos no caput deste artigo, alcançando todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante e abrangendo todos os produtos por ela fabricados ou importados. (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) § 2o O disposto neste artigo alcança a venda a consumidor final pelo estabelecimento industrial de produtos por ele produzidos. (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) § 3o Quando a industrialização se der por encomenda, o direito à opção de que trata o caput deste artigo será exercido pelo encomendante. (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) Pelo texto do artigo, vêse que o legislador contempla apenas a venda direta, que é a venda a consumidor final pelo estabelecimento industrial e a industrialização por encomenda, não cogitando a hipótese de que o produto fosse enviado a outro estabelecimento da empresa (equiparado a industrial), de onde seria vendido ao consumidor final ou a varejistas. Poderseia imaginar que foi uma omissão do legislador e que poderia ser suprida pelo art. 43, X do RIPI, ou até que o legislador empregou de forma alargada a expressão “estabelecimento industrial”, assim abarcando o equiparado, mas analisando os demais artigos do regime geral e do REFRI, reforçase a tese de que a redação é intencional. Vejase que no regime especial sequer existe a figura do “equiparado”, como destaca o texto do art. 10 do Decreto no 6.707/2008: Art. 10. Para efeitos do regime geral, equiparase a industrial o estabelecimento (Lei no 10.833, de 2003, art. 58E): I comercial atacadista dos produtos a que se refere o art. 1º; II varejista que adquirir os produtos de que trata o art. 1º, diretamente do importador. E na base legal utilizada pelo fisco para a negativa, na autuação (art. 58N da Lei no 10.833/2003), há expressa menção ao equiparado no inciso II (situação diversa), deixando claro que o legislador distinguia os termos na redação: Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: (Incluído pela Lei n11.727, de 23 de junho de 2008) I uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) II sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador equiparado a industrial. (...) Fl. 13860DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.414 13 Ao que tudo indica, o REFRI é um regime especial de tributação que ofereceu atrativos sob o ponto de vista do quantum a pagar, e da centralização da incidência, com a desvantagem de ser restrito a vendas efetuadas pelo estabelecimento industrial e assim, não se aplicando às vendas pelo equiparado. E isso se conclui da redação dos artigos 58J a 58T da Lei no 10.833/2003, que não pode ser afastada por este julgador administrativo. Assim, no contexto aqui exposto, entendese que assiste razão ao fisco quando afirma que a disposição do art. 43, X é incompatível com a disciplina restritiva do art. 58N da Lei no 10.833/2003, devendo o IPI ser recolhido na saída do estabelecimento industrial. E também não se apresenta no caso em análise dúvida sobre a “lei tributária que define infrações” penalidades, nos termos do art. 112 do CTN. Se houvesse dúvida (no caso, não há, pois ela foi sanada pelos próprios dispositivos normativos), ela seria somente em relação à norma de incidência, e à aplicação ou não de suspensão, sequer versando sobre a amplitude de norma sancionatória ou infracional. Constatase que todos esses artigos foram revogados, assim como os demais que figuram do art. 58A ao art. 58V da Lei 10.833/2003, conforme disposição do art. 169, III, “b” da Lei 13.097/2015. O recurso voluntário traz esse argumento de que a citada Lei nº 13.097/2015, publicada em 20/01/2015, esclareceu a questão e sustentou como corretos os procedimentos realizados pelo contribuinte. O argumento da recorrente se baseia no art. 15 em seu parágrafo 5º, o qual transcrevo: Art. 15. As alíquotas do IPI incidente no desembaraço aduaneiro e na saída dos estabelecimentos industriais ou equiparados dos produtos de que trata o art. 14 são as seguintes: I 6% (seis por cento), para os produtos do inciso IV do art. 14; e II 4% (quatro por cento), para os demais produtos de que trata o art. 14, sem prejuízo de eventuais reduções previstas para os produtos que contiverem suco de fruta, extrato de sementes de guaraná ou extrato de açaí, nos termos da legislação aplicável. § 1º Na hipótese de saída dos produtos de que trata o art. 14 do estabelecimento importador, industrial ou equiparado nos termos do art. 18 para pessoa jurídica varejista ou consumidor final, as alíquotas de que trata este artigo ficam reduzidas em: I 22% (vinte e dois por cento) para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2015; e II 25% (vinte e cinco por cento) para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2016. § 2º As reduções de que trata o § 1o não se aplicam na hipótese em que os equipamentos referidos no art. 35 não estejam Fl. 13861DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.415 14 instalados ou em normal funcionamento, nos termos definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3º Na hipótese de inobservância das condições estabelecidas para aplicação das reduções de que trata o § 1o, o estabelecimento importador, industrial ou equiparado dos produtos de que trata o art. 14 responderá subsidiariamente com a pessoa jurídica adquirente pelo recolhimento do imposto que deixou de ser pago em decorrência das reduções de alíquotas previstas naquele parágrafo, com os acréscimos cabíveis (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015). § 4° O disposto no caput e no § 1o não se aplica na hipótese de saída dos produtos de que trata o art. 14 de estabelecimentos industriais ou equiparados de pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL. § 5º A partir da publicação desta Lei não será admitida a aplicação das regras de suspensão do IPI nas saídas promovidas pelos estabelecimentos industriais e equiparados das pessoas jurídicas relacionadas no art. 14. Analisandose os dispositivos da nova lei, observase que a recorrente tenta fazer uma interpretação a contrario sensu, para justificar que os procedimentos realizados a época do fato gerador foram corretos. Como dito no início do voto, um regime especial sujeita ao optante o cumprimento estrito das normas atinentes ao tema. Não pode o contribuinte escolher o momento de recolhimento do tributo a partir da interpretação das normas que criaram o regime especial. Caso fosse aceita a interpretação a contrario sensu apresentada pela recorrente, estarseia possibilitando a postergação do pagamento de acordo com a conveniência do contribuinte. Não entendo que essa lei seja interpretativa para fatos geradores anteriores a sua vigência. Entendo que a lei é clara para não admitir, a partir de sua vigência, a aplicação das regras de suspensão do IPI nas saídas promovidas pelos estabelecimentos industriais e equiparados das pessoas jurídicas relacionadas no art. 14 da lei. Isso não quer dizer que a suspensão do IPI para as situações do passado eram permitidas. Querer estender uma regra editada para tratar do futuro para desconstituir fatos geradores ocorridos no passado é ampliar os seus efeitos além do que foi previsto pelo legislador. Portanto, entendo que nesse ponto do recurso voluntário, não assiste razão à recorrente. Ultrapassado esse ponto, cumprese analisar a informação prestada pela recorrente de que os estabelecimentos da AMBEV S.A. que receberam os produtos transferidos pelo estabelecimento autuado efetivamente recolheram o IPI, nos moldes estabelecidos na legislação que rege o REFRI, inclusive com exemplos e documentos juntados, e evidências de Fl. 13862DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.416 15 que tanto a fiscalização quanto a DRJ observaram a sistemática de recolhimento, mas a entenderam irrelevante ao deslinde do presente processo. Para o deslinde da questão, alinho meu entendimento ao do Acórdão 3403 003.602, de 25 de fevereiro de 2015, cujo voto condutor do Conselheiro Rosaldo Trevisan transcrevo: Então, não se pode simplesmente tratar a operação como mera falta de recolhimento, na linha seguida pelo fisco. Se o REFRI é aplicável a todos os estabelecimentos da empresa, e se comprova que um estabelecimento da empresa efetuou o recolhimento, ainda que se respeite a autonomia dos estabelecimentos, qualquer pagamento por outro estabelecimento se torna indevido. E aí assiste razão ao argumento de existência de dupla cobrança, pelo fisco. Deveria a fiscalização ter prosseguido nas verificações (ainda que fosse para checar se efetivamente os recolhimentos efetuados pelos demais estabelecimentos respeitaram integralmente a forma de cálculo prevista para o REFRI). Retornandose ao art. 58N da Lei no 10.833/2003, percebese facilmente que o IPI incide uma única vez. Não se pode então ignorar recolhimentos efetuados pela empresa (ainda que por outros estabelecimentos) com a nítida e declarada intenção de saldar o débito decorrente da incidência de que trata o art. 58N, ainda mais quando o art. 58J da mesma lei afirma textualmente que a opção pelo REFRI se estende a todos os estabelecimentos e a todos os produtos. Não faz sentido, assim, que um dos estabelecimentos recolha o IPI e o outro igualmente o recolha, sobre a mesma base, em relação aos mesmos produtos. Afinal de contas, a incidência deve ser, nos termos da lei, única. Entendese, pelo exposto, que os valores recolhidos em relação aos produtos a que se refere a autuação (a serem apurados efetivamente pelo fisco) devem ser abatidos do montante lançado. Caso tenha havido recolhimento integral, mas a destempo, cabível apenas a manutenção de acréscimos moratórios, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430/1996. Na hipótese de a quantia recolhida ser insuficiente, mister se faz, em relação ao saldo devedor, manter, além dos juros de mora, a multa de ofício aplicada, de que trata o art. 80 da Lei no 4.502/1964, em função do disposto no art. 58S da Lei no 10.833/2003. Por fim, destaquese ser desnecessária a prova pericial ou a baixa em diligência, diante da decisão proposta. Fl. 13863DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16095.720121/201411 Acórdão n.º 3301002.928 S3C3T1 Fl. 1.417 16 Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja mantido o lançamento, mas afastados os montantes efetivamente recolhidos pelos estabelecimentos da mesma empresa em relação aos produtos constantes da autuação, a fim de evitar a dupla incidência do imposto, em respeito ao art. 58 N da Lei no 10.833/2003. Esclareço que caso tenha havido recolhimento integral, mas a destempo, entendo que é devida a multa de mora e os juros de mora nos termos do texto do voto. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 13864DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09 /05/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001042/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente
Acácia Sayuri Wakasugi - Relatora
EDITADO EM: 21 de novembro de 2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente Acácia Sayuri Wakasugi Relatora EDITADO EM: 21 de novembro de 2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acacia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .0 01 04 2/ 20 07 -0 5 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ACACIA SAYU RI WAKASUGI Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO E VOTO Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ACACIA SAYU RI WAKASUGI Processo nº 10280.001042/200705 Resolução nº 2102000.070 S2C1T2 Fl. 4 3 Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. Assim, com a fundamentação acima, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de controvérsia sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Acácia Sayuri Wakasugi Conselheira relatora Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ACACIA SAYU RI WAKASUGI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006116/2008-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO.
No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. RESP 923.012/MG - decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30% foi negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação a matéria da multa na sucessão foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. RESP 923.012/MG - decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30% foi negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação a matéria da multa na sucessão foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS/AMBEV (sucessora por incorporação de Cia. Brasileira de Bebidas) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 61 16 /2 00 8- 46 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.002 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecidos por unanimidade de votos e, no mérito, em relação à matéria da trava dos 30% foi negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e em relação a matéria da multa na sucessão foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto que votaram pela exclusão da multa com base em outro fundamento (Art. 76, da Lei 4502/64). O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela contribuinte acima identificada, fundamentados atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Esses recursos buscam reverter o que restou decidido no Acórdão nº 1301 000.957, de 14/06/2012, que foi rerratificado pelo Acórdão nº 1301001.407, de 13/02/2014, após julgamento de embargos de declaração apresentados pela contribuinte. Por meio dessas decisões, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial a recurso voluntário anteriormente apresentado pela contribuinte, para fins de afastar a aplicação da multa de ofício na empresa sucessora/incorporadora, e também para afastar a glosa das compensações das estimativas do IRPJ dos meses de janeiro e março de 2003 (matéria que não foi objeto dos recursos especiais). O Acórdão nº 1301000.957 foi assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LEI N° 8.981/95. TRAVA DE 30%. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.003 3 A partir do anocalendário 1995, para determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3º. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Em seu recurso especial, a PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à responsabilidade da incorporadora pela multa de oficio decorrente de débito tributário da pessoa jurídica sucedida. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: a e. câmara a quo reformou parcialmente a r. decisão de primeira instancia e cancelou o lançamento das multas de oficio, ao argumento de que o sucessor não responde pelas multas de natureza fiscal aplicadas em razão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida; entretanto, o entendimento do colegiado a quo diverge da jurisprudência desse Conselho e viola a lei, de modo que merece ser reformado; de plano, cumpre destacar, ainda, que o acórdão recorrido diverge, igualmente, da jurisprudência assentada do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que vincula as decisões do CARF, consoante a imposição do art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586/2010; o entendimento adotado pela c. câmara a quo diverge frontalmente do consubstanciado nos Acórdãos paradigmas nºs 10516.233 e CSRF/0202.396 (ementas transcritas); ao afastar a exigência da multa de oficio, o colegiado a quo limitouse a proceder à exegese literal do disposto no art. 132 do Código Tributário, dissociada das demais normas constantes no mesmo capítulo do CTN, principalmente do art. 129 do referido diploma legal; constituindose regra geral, o art. 129 deve ser aplicado a todas as disposições sobre a responsabilidade dos sucessores. Portanto, o artigo 132 do CTN deve ser interpretado como se referindo a "crédito tributário" (o que inclui a multa de oficio), e não apenas a "tributo", como ocorreria numa interpretação literal do art. 132; cumpre ressaltar, ainda, que não se desconhece que parte da doutrina — ressalvese, minoritária — entende que o art. 132 do CTN teria previsto a responsabilidade do Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.004 4 sucessor apenas pelos créditos tributários, sentido estrito, devidos, pela pessoa jurídica sucedida, e não pelas multas decorrentes de lançamento de oficio para exigir os tributos não pagos pelo sucedido; segundo essa corrente, a multa não seria transmissível em função do "princípio da personalização da pena", que prevê que "a punição não deve passar da pessoa do infrator". Assim, tal principio impediria que pessoas jurídicas sucessoras de sociedades incorporadas fossem responsabilizados por multas fiscais, decorrentes de atos das incorporadas; não é necessário esforço para se ver que os princípios oriundos de outras áreas do direito são inadequados para orientar a interpretação das normas que regem a sucessão entre pessoas jurídicas no âmbito do direito tributário. Isto resta claro ao se utilizar um principio de direito penal para tentar delimitar o sentido de uma norma, sobre sucessão tributaria; o princípio da personalização da pena se refere às penas intransmissíveis, dispostas nas leis penais, que são aquelas que possuem corno característica a "corporalidade", ou seja, tratam de punições corporais. As penas que incidem sobre o patrimônio, não são penas corporais. Desse modo, a contrario sensu, podem ser transmitidas a terceiros; a punição prevista pela lei tributária onera o patrimônio do contribuinte, que é composto de todos os seus direitos e obrigações. Este patrimônio é transmitido, mediante a incorporação ou fusão, cabendo ao sucessor o ônus de responder por tais obrigações; a doutrina majoritária subscreve o entendimento de que o sucessor é o responsável pelas multas devidas pelo sucedido, pois as multas, conforme o art. 113 do CTN, são obrigações tributárias; a tese da intransmissibilidade das multas fiscais pode dar oportunidade a inúmeras fraudes, pois as pessoas jurídicas poderiam se livrar das multas mediante simples incorporação da empresa sonegadora. Este é também o entendimento da Ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon, que afirmou, inclusive, estar acompanhada pela doutrina mais atual. Válido transcrever o entendimento da e. Ministra: (...) Contudo, mesmo doutrinariamente, na atualidade, sinalizase para prevalência da tese de que a responsabilidade dos sucessores estendese às multas, sejam elas moratórias ou punitivas, pelo fato de integrarem o passivo da empresa sucedida (...) (STJ, 2 Turma, Resp 32967/RS, rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 20/03/2000.) esse entendimento sempre prevaleceu na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (ementas transcritas); depois de reiterados julgamentos no sentido do que aqui se defende, o Superior Tribunal de Justiça ratificou a sua jurisprudência sob a sistemática dos recursos repetitivos (Art. 543C do CPC), no julgamento do RESP N° 923.012/MG; tal entendimento deve ser adotado no julgamento do presente recurso, consoante o que prescreve o art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MP n° 586/2010; Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.005 5 acrescentese que o Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente ao Fisco, aduzindo que o princípio da personalização da pena não tem guarida no direito tributário, e que a tese da intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de fraude ao Fisco (Recurso Extraordinário n. 83.613/SP); não diverge desse entendimento a jurisprudência do CARF, conforme o Acórdão CSRF/0202.589 (ementa transcrita); ademais, devese considerar que a responsabilidade pelo pagamento da multa de oficio é objetiva (art. 136 do CTN), o que torna irrelevante eventual boafé da empresa sucessora no pagamento dos tributos lançados de oficio; a análise de caráter subjetivo, no que se refere a multa de oficio, está adstrita à sua qualificação por conduta fraudulenta, o que não se discute nestes autos; cabe lembrar ainda que o Código Civil, ao disciplinar a transformação das sociedades, visando evitar o enriquecimento sem causa, possui regra expressa quanto ao direito creditório, senão vejamos: Art. 1.115. A transformação não modificará nem prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores. Parágrafo Único. A falência da sociedade transformada somente produzirá efeitos em relação aos sócios que, no tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de créditos anteriores à transformação, e somente a estes beneficiará. não bastasse, é de se lembrar que a Lei das Sociedades Anônimas dispõe em seu art. 227 que a incorporadora sucede a incorporada em todos os seus direitos e obrigações, não limitando a natureza jurídica das obrigações; destaquese que não existe nenhum dispositivo legal expresso que isente a incorporadora do pagamento da multa de oficio. E, em matéria de benefício fiscal, o CTN exige interpretação literal (art. 111); isto posto, não resta dúvida de que a empresa sucessora é responsável pelo pagamento de todo o crédito tributário devido pela sucedida, o que inclui tributo e multa, revelandose irrelevante a circunstância da exigência fiscal ter sido formalizada antes ou depois da incorporação; diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja dado provimento ao presente recurso, para que seja reformado o r. acórdão recorrido e restabelecida a exigência das multas de oficio. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 236/2012, de 07/12/2012, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que o sucessor deve responder pelas Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.006 6 multas fiscais, devidas em decorrência do não recolhimento de tributos pela sociedade incorporada. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao dispor que a responsabilidade tributária do sucessor não alcança a multa punitiva aplicada à empresa por ela incorporada. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. [...] De acordo. Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. A contribuinte foi intimada, mas não apresentou contrarrazões ao recurso especial da PGFN. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Em seu recurso especial, a contribuinte também afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, mas nesse caso a divergência diz respeito à compensação de prejuízos fiscais realizada por empresa que foi extinta por incorporação. Para o processamento de seu recurso, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: em 31/05/2005, a Companhia Brasileira de Bebidas foi incorporada pela Recorrente, deixando assim de auferir lucros. Em razão da extinção da incorporada, a empresa incorporadora não poderia compensar com lucros futuros auferidos em exercícios posteriores os prejuízos fiscais acumulados pela sucedida (RIR/99, art. 514). Por conseguinte, a incorporada compensou integralmente o prejuízo fiscal acumulado com o lucro apurado até a data de incorporação, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95; o direito buscado pela Recorrente é confirmado por outros julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em casos iguais ao presente, nos quais, diferentemente da conclusão adotada no acórdão desafiado por meio do presente recurso, se admitiu a compensação de prejuízos fiscais sem levar em conta a trava 30% justamente por se tratar da apuração de IRPJ no momento de extinção da pessoa jurídica; enquanto acórdão recorrido considera haver direito à compensação de prejuízos na extinção da pessoa jurídica somente até o limite de 30% do lucro tributável, os acórdãos paradigmas Acórdão CSRF n° 0104.258 e Acórdão nº 1103000.619, Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.007 7 diferentemente, afastam a referida limitação no aproveitamento de resultados fiscais negativos realizada nas hipóteses de incorporação, fusão, cisão ou dissolução (extinção da pessoa jurídica), reconhecendo o direito ao aproveitamento da integralidade da importância; a compensação de prejuízos fiscais superior a 30% não é vedada pela lei no caso de extinção da pessoa jurídica, tal como a avaliada no feito em questão. Conforme se verá adiante na exposição de motivos da própria Lei n° 9.065/95, assim como pelo exposto nos acórdãos paradigmáticos, a razão pela qual tal limite persiste é para assegurar uma tributação mínima, um "fluxo de arrecadação ". Uma vez que o ente é incorporado, esse motivo deixa de existir. Em outras palavras, a "trava" tornase inaplicável ao caso concreto, uma vez que não se subsume à hipótese e ao objetivo da lei; a posição adotada no acórdão atacado, a par de violar regras das Leis 8.981/95 e 9.065/95, que garantem o direito de utilização integral dos resultados negativos, está em contrariedade com as normas de interpretação do ordenamento jurídico pátrio; de fato, o art. 15 da Lei 9.065/95 não exprime uma norma de exceção, mas, ao contrário, estatui regra geral relativa à formação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo concedente e limitadora. Ocorre que essa norma deve ser vista na perspectiva das pessoas jurídicas em continuidade, contrariamente a daquelas em extinção, que não mais terão a oportunidade de compensar o saldo de prejuízos excedentes ao limite posto genericamente; nesse caso, não havendo vedação à compensação integral, estáse diante do chamado "silêncio eloqüente da lei". Ou seja, o silêncio da lei em um contexto de normas expressas a significar a existência de uma autorização para proceder da forma que não é expressamente vedada. Não se confunde com lacuna na lei, visto que essa é "falta de norma", enquanto o "silêncio eloqüente" é uma norma derivada da omissão consciente de inclusão de um comando proibitivo no texto legal; vejase que a lacuna, de um lado, exige a utilização de analogia (vedada nas compensações, exclusões e isenções do crédito tributário, em conformidade com arts. 170 e 111 do CTN), enquanto, de outro, o "silêncio" não comporta analogia, vez que significa a existência de norma inserida no "silêncio da lei" sob determinada situação que deveria estar abarcada expressamente por alguma norma. Tal situação já foi analisada e corroborada em situações análogas pelo STJ e STF (REsp nº 971.016/SC e RE nº 131.0138/SP); ainda, seria possível interpretar o comando legal de acordo com a "redução teleológica", que pressupõe a falta de norma plenamente adequada, ou melhor, há norma que não excluiu expressamente fato incompatível com seu próprio espírito (intenção). Ou seja, se o escopo da norma não tem relação com determinado fato, não há porque excluílo de seu âmbito de incidência o que se espera do aplicador é que nem se cogite a aplicação da norma sob outro escopo, não imaginado pelo legislador; conseqüentemente, poderia haver norma positiva e falta de norma de negação da aplicação da norma positiva em determinadas situações. Assim, existiriam "lacunas de interpretação" ou "falsas lacunas", de modo que para se verificar se há ou não uma regulamentação incompleta, fazse necessário verificar a intenção do legislador e/ou o espírito da lei. Por tal interpretação, concluise desde já que a intenção do legislador na Lei n. 9.065/65 não foi a de impedir a compensação da totalidade dos prejuízos; Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.008 8 no que concerne ainda ao art. 15 da Lei n° 9.065/95, a falsa lacuna consiste na ausência de uma ordenação negativa quanto à hipótese de extinção da pessoa jurídica. Nada obstante, sua intenção está em conformidade com a intenção do legislador, que é a de compensação integral dos estoques de prejuízos fiscais ao longo do tempo. Em complemento, verificase a norma está em harmonia com o art. 33 do DecretoLei n. 2341/87 (RIR/99, art. 514), que veda a transferência de prejuízos para a sucessora. Ou seja, falta a restrição da aplicação da trava às situações de extinção das pessoas jurídicas, não havendo expressão que pudesse levar a entendimento contrário; como, notadamente, o espírito do art. 15 da Lei n° 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, mas apenas postergála, não há outra conclusão possível senão a de que é permitida a compensação integral dos estoques de prejuízo fiscal no caso de extinção da pessoa jurídica, e, ademais, também naquelas em que, em virtude da norma do referido art. 33, a limitação frustra qualquer outra possibilidade de compensação do excedente; nesse sentido, ao não prever as hipóteses de aproveitamento de prejuízos fiscais em caso de extinção da pessoa jurídica, notandose omissão do legislador no art. 15 da Lei n° 9.065/95, terseia presente uma falsa lacuna na lei, fazendose necessário seu preenchimento por método interpretativo, qual seja, o da redução teleológica. Afinal, devese dar tratamento desigual para situações desiguais; in casu, o das pessoas jurídicas que continuam a operar e aquelas que são extintas. Em outras palavras, a trava se aplicaria apenas às empresas que permanecem em atividade; a conclusão é mandatória, pois a dicção legal (Lei n° 9.065/95, art. 15) revela o direito ao uso do estoque acumulado, até o seu esgotamento, limitandose apenas o percentual a ser adotado em cada exercício. A limitação de 30% serve somente para garantir ao Estado um fluxo de receitas mínimo ou satisfatório à sua manutenção. Isso inclusive está expresso na Exposição de Motivos de Medida Provisória n° 988/95, convertida na Lei n° 9.065/95: "Arts. 15 e 16 do Projeto: (...) A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo"; ao mesmo tempo, o artigo 514 do RIR/99 prescreve que, nas hipóteses de fusão, cisão e incorporação, é vedado às sucessoras compensarem os prejuízos fiscais mantidos pelas sucedidas; assim, da análise conjunta das regras, verificase que, se os prejuízos fiscais e as bases negativas não forem integralmente compensados na data de extinção da empresa, não poderão ser aproveitados após a operação societária, em função da vedação imposta pelo artigo 514 do RIR/99. Logo, a admissão de que a trava de 30% é aplicável no momento de extinção da sociedade por incorporação, fusão e cisão, conduziria necessariamente à inobservância do quanto estabelecem as Leis 8.981/95 e 9.065/95, que garantem às sociedades o direito de utilização integral dos seus resultados negativos acumulados; daí, então, que a contradição entre as normas em exame é aparente, devendo prevalecer a interpretação que as compatibilize, qual seja, a de que o limite de 30% é inaplicável nas situações de fusão, cisão e incorporação de sociedades. Não se trata de analogia, vedada pelo direito tributário (CTN, art. 108), mas de interpretação sistemática das normas, com o propósito de compatibilizar o comando implícito do conjunto de prescrições sobre o tema, coerente até mesmo com a aplicação de uma interpretação literal à matéria, fundada no artigo 111 do CTN; Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.009 9 não se trata de uma expectativa de direito à compensação de resultados negativos que veio a ser posteriormente modificada, mas do exercício de faculdade levando em consideração o que prescreve a integralidade do ordenamento em relação ao tema; não há como se entender que a incorporação implique a perda do direito à compensação, garantido até então à sucedida por incorporação. Como visto, a limitação vigente é apenas percentual e não temporal. Destarte, uma vez extinta a sociedade por incorporação, há de se resguardar e garantir o aproveitamento do seu prejuízo fiscal acumulado no balanço levantado por ocasião da incorporação, visto que, uma vez incorporada, esse aproveitamento está expressamente proibido pela incorporadora; o Superior Tribunal de Justiça considera a limitação anual à compensação resultados negativos legal unicamente porque não tolheu o direito ao aproveitamento integral dos valores registrados, mas apenas por escalonálos ao longo do prazo de duração da pessoa jurídica (Agr no REsp 516.849/CE, AgRg no REsp 1027320/SP e AgRg no REsp 944.427/SP); seguindo essa linha, esse E. Conselho de Recursos Fiscais, inclusive em decisões recentes, expôs entendimento de que a trava de 30% só faz sentido quando a empresa está em continuidade, vez que a manutenção do limite em caso de extinção, nada mais é do que obstar o aproveitamento do crédito e tributar o patrimônio da empresa e não a renda (Ac. 1103 001.093, Ac. 1103001.617 e Ac. 10195.872); portanto, deve ser reformado o acórdão recorrido, aplicandose ao caso o entendimento firmado nos acórdãos paradigmáticos, com o conseqüente reconhecimento da improcedência da autuação. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho exarado em 13/07/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Examinando os acórdãos apresentados como paradigmas, na íntegra, verificase que tratam de situação similar à analisada no acórdão recorrido, com conclusões distintas. Os acórdãos paradigmas, ao analisarem compensações de prejuízos fiscais sem o limite de 30%, em face incorporação, entenderam que a trava deixa de ser aplicável no caso de encerramento da atividade pela pessoa jurídica. O acórdão recorrido, por sua vez, entende que inexiste previsão legal para a não observância da trava de compensação dos prejuízos fiscais no caso de encerramento de atividades em face da incorporação da pessoa jurídica por outra. Assim, entendo que restou caracterizada a divergência jurisprudencial alegada. CONTRARRAZÕES DA PGFN Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.010 10 Em 28/07/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 03/08/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos abaixo: durante algum tempo a limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais, prevista nos diplomas legais acima indicados, foi objeto de questionamento pelos contribuintes, com base na tese de suposta inconstitucionalidade. Contudo, a controvérsia acabou dirimida pelo Supremo Tribunal Federal que, no julgamento do RE 344.994/PR, Relator designado Min. Eros Grau, declarou a constitucionalidade do art. 58 da Lei n.º 8.981/95, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica; idêntico entendimento foi adotado para a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (RE 545308, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CARMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2009, DJe055 DIVULG 25032010 PUBLIC 26032010 EMENT VOL0239505 PP01244); em ambos os julgados, o STF sacramentou posicionamento segundo o qual a compensação de prejuízos fiscais de exercícios anteriores constitui autêntico benefício fiscal, que pode ser revisto a qualquer tempo pelo ente público competente para a instituição do tributo, portanto, vinculado ao princípio da legalidade; outro fundamento relevante a ser destacado do julgamento do STF se refere à inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais anteriores face, justamente, à natureza jurídica do benefício tributário e o conceito de lucro; alega a recorrente que a trava de 30% só pode ser aplicada na existência de anoscalendário subseqüentes ao da aplicação da limitação, sendo, portanto, incompatível com situações em que a pessoa jurídica seja extinta em decorrência de fusão, incorporação ou cisão; sem razão a recorrente, contudo, pois seus argumentos não resistem a um confronto com os motivos determinantes exarados nas decisões do STF nos RE 344.994/PR e RE 545308/SP; sendo a compensação dos prejuízos fiscais de anos anteriores autêntico instrumento de política fiscal, ou seja, benefício fiscal, como fixado pelo STF, por óbvio, submetese ao princípio da legalidade estrita, não comportando interpretação extensiva ou por analogia, nos moldes propugnados no art. 111 do CTN; sob essa perspectiva, incumbe exclusivamente ao ente público competente pela instituição do tributo delinear os contornos legais do benefício fiscal a ser concedido. Tanto o contribuinte, como a autoridade autuante e o julgador devem se ater os ditames previstos na lei. Viola os princípios basilares da hermenêutica jurídica tributária concluir que, em se tratando de benefício fiscal, eventual silêncio do legislador significaria a permissão para extensão às situações não abrangidas pela lei de regência; precisamente sobre a questão aqui discutida, qual seja, compensação integral dos prejuízos fiscais sem respaldo legal, o Superior Tribunal de Justiça, de maneira similar, apreciando a possibilidade de empresa incorporadora aproveitar os prejuízos fiscais de anos anteriores de empresa incorporada, posicionouse pela impossibilidade da pretensão, justamente considerando a natureza jurídica de benefício fiscal da compensação (REsp 307389/RS); Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.011 11 as Leis nºs. 8.981/95 e 9.065/95 não estabeleceram qualquer exceção quanto à regra de 30% para compensação dos prejuízos fiscais relativamente à hipótese de extinção da empresa. Permitir que a incorporada compense integralmente os prejuízos fiscais de anos anteriores, sem qualquer respaldo legal, significa criar por mera exegese benefício fiscal, sem considerar usurpação de competência do ente federativo responsável pela instituição do tributo; de outro modo, embora a recorrente não veicule expressamente a pretensão de compensação de prejuízos fiscais da incorporada, haja vista o óbice legal (art. 514/RIR), o certo é que colima por vias transversas alcançar tal intento. Melhor dizendo, a pretensão constitui verdadeira burla tanto à previsão do art. 58 da Lei n.º 8.981/95, bem assim ao disposto no art. 514/RIR, segundo o qual “A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33)”; o acolhimento da pretensão da contribuinte demandaria a este Conselho Administrativo agir como legislador positivo, o que colide não somente com os propósitos deste Órgão Julgador Administrativo, cuja competência está atrelada ao controle da legalidade, mas, sobretudo, com o disposto no art. 2º da Constituição Federal; a não aplicação da trava de 30% para compensação dos prejuízos fiscais, prevista nos arts. 58 da Lei n.º 8.981/95 e 15 da Lei n.º 9.065/95, implicaria na decretação de inconstitucionalidade desses preceptivos legais, o que é vedado tanto pelo art. 62 do RICARF, como pelo enunciado da Súmula 2/CARF segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”; não se mostra ocioso rememorar que o Supremo Tribunal Federal já fixou entendimento de que, embora não declarando expressamente, o afastamento de um dispositivo legal no todo ou em parte pelo órgão julgador, significa, na realidade, a declaração da sua inconstitucionalidade. É o que diz a Súmula Vinculante 10/STF: Viola a cláusula de reserva de plenário (cf, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. exatamente sob essa perspectiva, a 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Acórdão 105.15.908, negou provimento ao recurso voluntário n.º 148.140, onde, identicamente, o contribuinte pugnava pela compensação integral dos prejuízos fiscais em razão de reorganização societária; em face desse julgado a empresa interpôs recurso especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual foi negado provimento pela Primeira Turma da CSRF, Acórdão 910100401, sessão de 02.11.2009 inteiro teor do julgado pendente de publicação. Confiramse os termos da certidão de julgamento: “Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial do contribuinte, sob o entendimento que o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores também é aplicável nos ajustes ao lucro real do balanço e encerramento das atividades da empresa, [...]”; é incontestável a necessidade de observância do limite legal de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, mesmo diante de casos de extinção da empresa por incorporação, tal como na hipótese dos autos; Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.012 12 desse modo, deve ser mantido o acórdão atacado quanto a essa matéria, negandose provimento ao recurso especial da contribuinte. É o relatório. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.013 13 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço dos recursos especiais, porque eles preenchem os requisitos de admissibilidade. A controvérsia que remanesceu no presente processo diz respeito à autuação de IRPJ por aplicação da chamada trava de 30% na compensação de prejuízo fiscal e também à exigência da correlata multa de ofício da empresa incorporadora, na condição de sucessora da empresa incorporada. No anocalendário 2005, a Cia. Brasileira de Bebidas foi incorporada pela empresa recorrente. Em razão desse evento societário, a empresa incorporada (e extinta) compensou integralmente o prejuízo fiscal acumulado com o lucro apurado até a data da incorporação, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95. Na ótica da Fiscalização, o excesso na compensação de prejuízo fiscal acarretou uma redução indevida da base de cálculo do IRPJ, o que resultou na lavratura de auto de infração para exigência do imposto que deixou de ser apurado e recolhido. Além disso, também foi exigida da incorporadora (na condição de sucessora) a multa de ofício de 75% lançada conjuntamente com o IRPJ. O lançamento foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (ora recorrida), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de, relativamente às matérias que interessam nesse momento, afastar a aplicação da multa de ofício na empresa sucessora/incorporadora. O recurso especial da PGFN objetiva restabelecer a exigência da multa de ofício para a empresa sucessora/incorporadora. Já o recurso especial da contribuinte (sucessora por incorporação) pretende afastar o lançamento do próprio IRPJ, defendendo o direito da compensação integral dos prejuízos fiscais, sem o limite legal de 30%, por se tratar de empresa extinta por incorporação. O julgamento deve ser iniciado pelo recurso especial da contribuinte, porque ele trata da rubrica principal (o próprio imposto). É que só há sentido em examinar a questão da multa se a exigência do imposto for mantida. Do contrário, a multa fica prejudicada pela sua relação de dependência com o IRPJ. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.014 14 RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE A contribuinte autuada argumenta que a empresa por ela incorporada poderia compensar integralmente o prejuízo fiscal acumulado com o lucro apurado até a data da incorporação, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95, verbis: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Ela sustenta suas razões em aspectos que abordam principalmente a implicação legal de o direito à compensação de prejuízo fiscal estar assegurado para os anos seguintes e as nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema (lá, como aqui, a recorrente era a contribuinte): Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.015 15 Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.016 16 da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.017 17 Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. [...] Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.018 18 caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei. Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.019 19 seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos. Também como fundamento deste voto, cito, na sequencia, o Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, decisão que retrata uma mudança de posicionamento no CARF, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO [...] Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: [...] Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.020 20 AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4. Já quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão. "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.021 21 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, coma a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. [...] Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. Vale trazer à baila o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação sobre a compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do imposto, conforme consta do voto vencedor que orientou aquela decisão: Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.022 22 Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima vênia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.023 23 força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). [...] Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente. [...] Há ainda o Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que também trata com profundidade de vários aspectos suscitados pela contribuinte em seu recurso: Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado [...] Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.024 24 atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993(com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.025 25 Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real).Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim,o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a“trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. ... [...] Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.026 26 normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art.177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: [...] Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. [...] Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. [...] O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estarseia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contra argumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativocontábil, não Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.027 27 transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repise se, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. [...] Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. [...] Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária. Os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida são corroborados pelas decisões acima referidas. O principal aspecto da polêmica em pauta, a meu ver, reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ não se dá dessa forma. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.028 28 Com efeito, o que se tributa é a renda (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE 344994, o Supremo Tribunal Federal STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais acima transcritas (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto (renda em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Multa de ofício e Common Law Relativamente à validade da multa de ofício, alega a recorrente haver deixado de observar o disposto no artigo 15 da Lei nº 9.065/95 em razão de entendimento consolidado pela jurisprudência administrativa definitiva (a exemplo do acórdão CSRF/0105.100, sessão de 19/10/2004). Explica que em tal situação deve ser adotado o disposto no artigo 76, II, “a”, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que assim estabelece: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...) Ocorre que a Lei nº 4.502/64 expressamente regula o antigo imposto sobre o consumo, atualmente substituído, no âmbito federal, pelo imposto sobre produtos industrializados – IPI. A Lei nº 4.502/64 se utilizou de uma antiga técnica legislativa que Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.029 29 consistia em delimitar no art. 1º de qual imposto estava tratando e nos demais artigos utilizarse apenas do termo “imposto”. Percorrendo a Lei nº 4.502/64, observase o seguinte: o artigo 2º trata do fato gerador do imposto, os artigos 6 a 9 cuida das isenções do imposto, o artigo 32 ocupase do ônus da não transferência do imposto para a restituição, e o artigo 76 maneja a questão do common law administrativo para o imposto. Portanto, se eu ampliar o termo imposto do artigo 76 da Lei nº 4.502/64 para o imposto de renda, por coerência eu teria que, por exemplo, estender as isenções dos artigos 6 a 9, o ônus do artigo 32, etc. Se eu andar por essa linha, as empresas que fabricam caixões, as empresas que fazem panelas, que produzem chapéus, que fabricam roupas de couro, as empresas que fazem material bélico para União, não pagarão mais imposto de renda. Conquanto a Lei nº 4.502/64 traga dispositivos de aplicação ampla, como os famosos artigos 71, 72 e 73, que tratam de sonegação, fraude e conluio, isso somente é possível porque a Lei nº 9.430/96 ... lhes faz expressa remissão, como se pode depreender do seu artigo 44, § 1º. (Acórdão nº 1201001.190, de 24/03/2015, fl. 855, relator Roberto Caparroz de Almeida). Logo, pela estrutura com que a Lei nº 4502/64 foi construída e porque o termo “imposto”, de que se vale o seu artigo 76, está destinado apenas para o IPI, então entendo que o stare decisis administrativo não tem efeito no âmbito do imposto de renda e nem da contribuição social sobre o lucro líquido (em relação à CSLL acredito nem haver espaço para essa investigação, pois é um espécimen diferente de imposto, ambos integrantes do gênero tributo, mas com características diferenciadoras bem acentuadas). Corrobora essa leitura, o fato de que o Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002) alberga, em seu art. 486, o art. 76 da Lei nº 4.502/64. E, de forma diversa, o Regulamento do IRPJ (Decreto nº 3.000/1999) não contempla o disposto no referido art. 76. Especificamente quanto às multas impostas em virtude de lançamento de ofício, o RIR/99 reproduz, em seu art. 957, o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual não traz hipótese semelhante àquela prevista no art. 76, II, “a”, da Lei nº 4.502/64. (Acórdão nº 1201000.888, de 2013, fl.12/13, já citado). Concluise, portanto, que a multa de ofício exigida nos presentes autos, imposta com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não pode ser afastada pelo prescrito no art. 76 da Lei nº 4.502/64. Nestes termos, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. RECURSO ESPECIAL DA PGFN Em seu recurso especial, a PGFN pretende restabelecer a exigência da multa de ofício, defendendo a possibilidade de sua aplicação na pessoa jurídica sucessora por incorporação. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do RESP n° 923.012/MG sob a sistemática dos recursos repetitivos (Art. 543C do CPC), manifestou o seguinte entendimento sobre a matéria em pauta: Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.030 30 EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...] VOTO [...] No tocante ao segundo ponto suscitado, qual seja, a responsabilidade da sucessora empresa incorporadora pela multa aplicada à empresa incorporada, impõese o conhecimento do recurso, ante o preenchimento dos requisitos de admissibilidade recursal. Deveras, a questão não é nova nesta Corte Superior, consoante dessumese dos seguintes precedentes: [...] Com efeito, não é outra a conclusão que desponta de uma interpretação conjunta dos dispositivos legais pertinentes, sitos na Seção II, do Código Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.031 31 Tributário Nacional, que versa a Responsabilidade dos Sucessores, in verbis: [...] Deveras, conquanto os arts. 132 e 133 do CTN refiramse tãosomente aos tributos devidos pelos sucedidos, se interpretados tais dispositivos conjuntamente com o art. 129, chegase à conclusão de que a regra naqueles insculpida aplicase também aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição. Nesse segmento, temse que os "créditos tributários" mencionados no aludido art. 129, na ótica do legislador, compreendem não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias, consoante dessumese do art. 113, § 1º, do Codex Tributário, litteris: [...] Nesse sentido, Sacha Calmon Navarro leciona que, in verbis: [...] Ex positis, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Primeiramente registro que a questão ora examinada sempre ganha relevância quando a autuação fiscal é realizada após o ato de incorporação (como aconteceu aqui), não havendo controvérsia sobre a responsabilização pela multa quando ela formalmente já faz parte do passivo da empresa a ser incorporada, ou seja, quando a autuação fiscal ocorre antes da incorporação. Digo isso porque é importante notar que a interpretação do STJ não faz qualquer distinção motivada por um confronto entre o momento da autuação fiscal e a data do evento societário. Ao contrário, ela leva em conta apenas a data do fato gerador, independentemente de o lançamento ter ocorrido antes ou depois do evento societário. De acordo com a ementa e o voto acima transcritos: no que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias; as normas de responsabilização aplicamse tanto aos créditos tributários definitivamente constituídos, quanto aos em curso de constituição; e a responsabilidade tributária do sucessor abrange também as multas (moratórias ou punitivas), desde que seu fato gerador (infração tributária) tenha ocorrido até a data da sucessão. Outro aspecto relevante é que o STJ reconhece a responsabilidade tributária do sucessor pelas multas, sem fazer qualquer ressalva quanto à existência de relação societária entre as empresas envolvidas (envolvimento dos mesmos administradores). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, ao proferir o Acórdão nº 9101001.967, na sessão de 19/08/2014, examinou essa mesma decisão do STJ, ocasião em que fiquei vencido pela interpretação que dela fiz, nos termos acima mencionados. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.032 32 O voto que orientou o referido Acórdão nº 9101001.967, com uma interpretação contrária àquela por mim manifestada, apresentou o seguinte entendimento em relação à decisão do STJ: Assim, temse que a posição do STJ não contraria o conteúdo do acórdão recorrido, pois caso o lançamento de crédito decorrente de fato gerador praticado pelo sucedido, seja efetuado após a extinção por incorporação, este não integrará o passivo adquirido pelo sucessor, razão pela qual sua responsabilidade fica afastada. Ocorre que, após o processamento de embargos de declaração interpostos contra a referida decisão do STJ no RESP n° 923.012/MG, aquele tribunal afastou qualquer polêmica ou dúvida que poderia existir sobre o significado de seu posicionamento, conforme esclarece a própria ementa do julgamento dos embargos: EMENTA EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo que o recurso de embargos de declaração, desafiado contra decisão judicial monocrática ou colegiada, se subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um destes requisitos: (a) obscuridade, (b) contradição ou (c) omissão, querendo isso dizer que, se a decisão embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido. Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade da observância rigorosa desses chamados pressupostos processuais, muito menos usar o recurso como forma de reversão pura e simples da conclusão do julgado. 2. As omissões e contradições apontadas, em verdade, não ocorreram; o que se constata é que o contribuinte pretende reverter o resultado do julgamento, tentando fazer prevalecer seu ponto de vista sobre os temas discutidos. 3. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do ICMS das mercadorias dadas em bonificação, [...] 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.033 33 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. Vale também transcrever os fundamentos do voto que orientaram a rejeição dos embargos pelo STJ, em relação à questão da responsabilidade do sucessor pelas multas: VOTO [...] 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: [...] 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 9. Todos esses aspectos foram bem examinados no acórdão embargado, in verbis: [...] 11. Ante o exposto, rejeitamse os Embargos Declaratórios. O STJ, portanto, reconhece a responsabilidade tributária do sucessor pelas multas sem fazer qualquer ressalva quanto à existência de relação societária entre as empresas envolvidas (envolvimento dos mesmos administradores). Além disso, deixa bastante claro que Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.034 34 essa responsabilidade independe do momento da autuação fiscal (se antes ou depois do evento societário). De acordo com o STJ, a leitura correta do Código Tributário Nacional CTN é a seguinte: no que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias; e a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos "créditos tributários" já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O que é importante perceber quanto ao tema da responsabilidade tributária dos sucessores, é que a referida decisão do STJ não faz distinção de tratamento entre o tributo e a multa que o acompanha. Tratandose de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, e considerando o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, tal posicionamento deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse contexto, não há como afastar a multa de ofício sob exame. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a exigência da multa de ofício para a empresa autuada, na condição de sucessora por incorporação. Em resumo, NEGO provimento ao recurso especial da contribuinte, e DOU provimento ao recurso especial da PGFN, nos termos acima mencionados. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.035 35 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na sessão de fevereiro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou os recursos especiais interpostos por COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS/AMBEV, sucessora por incorporação de COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS (doravante “contribuinte” ou “empresa incorporada”), e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”) no processo n. 19515.006116/200846, tendo como objeto o acórdão n. 1301000.957 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 3 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”), assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LEI N° 8.981/95. TRAVA DE 30%. A partir do anocalendário 1995, para determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3 e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. No julgamento dos recursos especiais interpostos pela, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) levada a termo no AIIM, bem como a cobrança de multa e juros de mora. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo cancelamento da autuação, os quais serão divididos em duas partes: 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável, considerada legítima pelo CARF à época dos fatos. 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. O núcleo do recurso especial ora em exame consiste em saber se, na hipótese de uma pessoa jurídica, submetida ao lucro real, apresentar lucros no exercício em que vier a ser extinta por incorporação (art. 227, § 3º, da Lei n. 6.404/64), poderá compensar integralmente, em sua última declaração de rendimentos, o seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) acumulado de exercícios anteriores, sem a “trava de 30%” que seria aplicável caso a sua existência fosse continuada (art. 15 da Lei nº 9.065/95). Para a melhor compreensão do tema, suponhase, por hipótese, que uma empresa inicie as suas atividades no “ano 1”, com o capital social integralizado pelos sócios de $4.000, Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.036 36 obtendo prejuízo no “ano 2” de $ 1.000, prejuízo no “ano 3” de $1.000 e lucro no “ano 4” de $3.000. O gráfico a seguir ilustra essa sequência de resultados: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Figura 01. Formação de prejuízos fisc a is seguida de período lucra vo. Nos anos “1”, “2” e “3”, naturalmente não haveria IRPJ devido sob a sistemática do lucro real. Esse tributo, por sua vez, poderia incidir no “ano 4”, para a tributação dos lucros obtidos. No entanto, para a apuração do referido resultado positivo, o contribuinte poderia considerar os resultados negativos obtidos nos exercícios anteriores, tendo em vista a necessária comunicação entre estes. Conforme a sistemática estabelecida pelo art. 15 da Lei nº 9.065/95, no “ano 4” e também em todos os próximos exercícios em que obtivesse resultados positivos, o contribuinte poderia compensar até 30% de seus lucros com os prejuízos fiscais (IRPJ) apurados naqueles anos “1”, “2” e “3”. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Saldo de prejuízos acumulados compensáveis em exercícios futuros (“ano 5”, “ano 6” etc) Compensação de prejuízos fis c a is Figura 02. “Trava de 30%”. Aplicação às empresas em con nua a vidade. Não há dúvida que legislador garantiu ao contribuinte o direito de compensar a totalidade do prejuízo fiscal (IRPJ), mas diluiu o seu exercício durante o tempo de atividade da empresa. A questão que se coloca no presente recurso especial consiste em saber como deve proceder o contribuinte quando não houver a aludida continuidade em suas atividades, especialmente em face de extinção por incorporação. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.037 37 Assim, no caso concreto ora em análise, a empresa incorporada possuía saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) acumulado de exercícios anteriores. No ano em que foi extinta em razão de incorporação (2005), havia obtido lucros e, em sua última declaração de rendimentos, os compensou com o aludido saldo. Diante da impossibilidade prosseguir compensando prejuízo fiscal (IRPJ) em exercícios futuros (pois, com a extinção, estes não existiriam), a contribuinte compreendeu inaplicável a “trava dos 30%”. A interpretação sustentada pelo contribuinte conduziria à tributação da renda, dos lucros obtidos durante o exercício de suas atividades, de tal forma que apenas o efetivo acréscimo patrimonial seria tributado pelo IRPJ, deixando a salvo desses tributos aquilo que corresponderia efetivamente ao seu patrimônio (o que, de fato, não é hipótese de incidência do IRPJ). Com vistas ao exemplo exposto nas figuras “1”, “2” e “3”, acima, a interpretação sustentada pelo contribuinte pode ser representada da seguinte forma: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Compensação de prejuízos fisc a is sem a “trava de 30%” Lucro tributável Patrimônio inicial Figura 03. “Trava de 30%”. Interpretação do contribuinte. Por um lado, é muito diferente a interpretação adotada pelo i. agente fiscal na lavratura do AIIM, bem como pela PFN em sua manifestação perante esta CSRF. Por esta, na hipótese de incorporação, fusão ou cisão, o contribuinte perderia até 70% do saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), de tal forma que referidos tributos incidiriam sobre o patrimônio da empresa. É o que ilustra o gráfico a seguir: Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.038 38 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Parcela do patrimônio tributada pelo IRPJ e CSL. Compensação de prejuízos fisc a is com “trava de 30%" Figura 04. “Trava de 30%”. Interpretação da PFN. É importante sublinhar que o presente caso não trata de “incorporação às avessas” ou de compensação de prejuízos da empresa incorporada contra os lucros da empresa incorporadora, as quais são tuteladas pelos arts. 513 e 514 do RIR/99. No presente caso, o saldo de prejuízo fiscal (IRPJ), apurado pela empresa incorporada foi compensado com os lucros obtidos por ela, em sua última declaração de rendimentos entregues em função de sua extinção por incorporação. 1.1. A tributação dos “acréscimos patrimoniais” do contribuinte. Na Constituição brasileira, há expressa e detalhada repartição de competências tributárias entre os entes federados, a qual estabelece quais signos presuntivos de capacidade contributiva podem ser onerados privativamente por cada um dos entes federados. A “renda” e o “lucro”, no caso, podem ser tributados exclusivamente pela União. Saber o sentido de “renda” e “lucro” é, então, essencial para a boa aplicação das normas constitucionais de distribuição de competência tributária e das normas de incidência tributária em sentido estrito. Isso explica as constantes discussões ao seu respeito, especialmente em torno de teorias como da “renda como acréscimo patrimonial” e da “rendaproduto (ou “teoria fonte”). A teoria da renda como acréscimo patrimonial pode ser compreendida a partir do caso Antártica1, julgado pelo Supremo Tribunal Federal cinco anos após a promulgação da Constituição de 1988, em que esteve em foco o conceito de “renda” presente no sistema 1 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDA CONCEITO. Lei n. 4.506, de 30.XI.64, art. 38, C.F./46, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. I. Rendas e proventos de qualquer natureza: o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso. C.F., 1946, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. II. Inconstitucionalidade do art. 38 da Lei 4.506/64, que institui adicional de 7% de imposto de renda sobre lucros distribuídos. III. R.E. conhecido e provido. (STF, RE 117887, Relator Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.039 39 tributário de 19642. Acompanhando o voto do Min. Carlos Velloso, houve unanimidade no Plenário do Tribunal quanto ao entendimento de que “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. Notese que, caso se adote um conceito de “renda” que a identifique como o produto (“teoria da rendaproduto” ou “teoria da fonte”), apenas o fruto, o produto dos bens de capital ou do trabalho poderiam ser considerados “renda”. Sob tal perspectiva, estaria excluído do conceito de renda quaisquer ganhos e perdas de capital obtidos pela alienação da fonte produtora da renda, já que, metaforicamente, a tributação alcançaria apenas os frutos da árvore, mas não a alienação da árvore em si.3 1.1.1. O papel da lei complementar para a definição de “renda” tributável. No atual sistema jurídico brasileiro, o debate sobre qual o conceito de renda tributável deve considerar que o art. 146 da Constituição Federal atribui à lei complementar a competência para estabelecer normas gerais, especialmente sobre a definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados no texto constitucional. Assim, embora não haja delimitação expressa na Constituição quanto ao signo “renda” para fins tributários, o art. 43 do CTN veicula norma que permite que o legislador ordinário se valha ao menos de duas significações possíveis: (i) o inciso I, ao se referir à “renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, se aproxima da teoria da rendaproduto; (ii) o inciso II, ao se referir a “proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior”, se aproxima da teoria da renda acréscimo patrimonial. Em ambos os casos, o conceito estabelecido pelo CTN exige que haja a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre a renda, a fim de que seja possível a tributação. O legislador complementar exige que haja a “aquisição de disponibilidade”, pouco importando ser ela “econômica” ou “jurídica”. O legislador ordinário deve eleger hipóteses de incidência do imposto de renda que estejam compreendidas nos referidos moldes estabelecidos pela Constituição e pelo CTN. 1.1.2. A decisão do legislador ordinário: a lógica da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL e a não tributação de situações que não geram acréscimo patrimonial. Independentemente das predileções doutrinarias quanto ao mais adequado conceito de “renda” e embora se possa argumentar que a Lei Complementar tenha outorgado possibilidades mais amplas, não há dúvida que o legislador ordinário utiliza sistematicamente, como 11/02/1993, DJ 23041993) 2 Anterior ao atual Código Tributário Nacional. 3 Vide, sobre o tema: LANG, Joachim. The influence of tax principles on the taxation of income from capital, p. 1821; BELSUNCE, HORACIO GARCÍA. El concepto de rédito en la doctrina y en el derecho tributario. Depalma : Buenos Aires, 1967, p. 88 e seguintes. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.040 40 diretriz central para a tributação da renda, a teoria da renda enquanto acréscimo patrimonial. A constatação é pragmática: as regras do imposto de renda brasileiro, de forma geral, conduzem a uma base tributável que tende ao acréscimo patrimonial realizado pelo contribuinte em um determinado intervalo de tempo. Na sistemática do lucro real, aplicável no caso, a base de cálculo adotada pelo legislador ordinário corresponde ao lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. O lucro líquido, no caso, será apurado com observância das disposições das leis comerciais. É o que prescreve o art. 247 do Decreto 3.000/99 (doravante “RIR/99”), que veicula o Regulamento do Imposto de Renda, com a sistematização de toda a legislação esparsa: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). (...) Por meio das “adições”, são incluídos à base de cálculo do tributo valores deduzidos na apuração contábil e que não são dedutíveis para fins fiscais, a exemplo de uma despesa indedutível de multa de trânsito. Com as “exclusões”, são excluídos da base de cálculo do tributo as receitas apuradas pela contabilidade que não sejam passíveis de tributação, a exemplo de dividendos isentos recebidos. Finalmente, pela “compensação”, o resultado tributável passível de tributação no período de apuração é diminuído pelos resultados negativos apurados em períodos anteriores. Especialmente em relação aos prejuízos fiscais, o RIR/99 reflete em seus arts. 519 e 510 das regras vigentes sobre a matéria: CAPÍTULO XIV COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Disposições Gerais Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). § 2º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 3º). Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.041 41 § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. A sistemática do lucro real, portanto, cristaliza a diretriz adotada pelo legislador ordinário de tributar os acréscimos patrimoniais, ainda que ajustes sejam realizados à apuração contábil. 1.2. A evolução legislativa a respeito da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) Na sistemática do lucro real, a compensação de prejuízos fiscais é elemento essencial da diretriz erigida pelo legislador para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A investigação da evolução legislativa sobre a matéria nos últimos 80 anos demonstra que o legislador ordinário jamais negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) ou de base negativa (CSL). Nos idos de 1947, a Lei n. 154 regulou a compensação de prejuízos fiscais, nos seguintes termos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá se deduzido, para compensação total ou parcial, no caso da inexistência de fundos de reserva ou lucros suspensos dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. A norma então estabelecida prescreveu que: i) o lucro apurado em um determinado exercício poderia ser integralmente compensado com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 3 anos para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Em 1976, o DecretoLei n. 1.493 trouxe ligeira alteração na regulamentação da matéria, estendendo o prazo prescricional de aproveitamento dos prejuízos fiscais: Art. 12. O prejuízo verificado num exercício a partir do períodobase relativo ao exercício de 1977 poderá ser compensado total ou parcialmente, com os lucros contábeis apurados dentro dos 4 (quatro) exercícios subseqüentes. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.042 42 § 1º Entendese como prejuízo, para os fins de Imposto de Renda o verificado na apuração contábil da pessoa jurídica no períodobase, diminuído dos custos despesas operacionais e encargos não dedutíveis. § 2º Decorridos 4 (quatro) exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes de prejuízos porventura não compensados. A norma em questão vigorou no sistema jurídico brasileiro até 1995, alterou pouco a sistemática anterior, prescrevendo que: i) lucro apurado em um determinado exercício poderiam ser integralmente compensados com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 4 anos (e não mais 3 anos) para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Notese que, sob a égide da norma vigente até 1995, inexistia discussão quanto à possibilidade de compensação integral dos prejuízos acumulados na última declaração de rendimentos da empresa extinta por incorporação. Afinal, a possibilidade de compensação integral, em um único período, era garantida inclusive às empresas em continuidade. Em 1987, o DecretoLei n. 2.341 regulou operações como as chamadas “incorporações às avessas” e situações específicas de aproveitamento de prejuízos fiscais em restruturações societárias, com a limitação, em especial, da compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora. Aludidas normas estão refletidas nos ars. 513 e 514 do RIR/99: Mudança de Controle Societário e de Ramo de Atividade Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Incorporação, Fusão e Cisão Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Em 1991, diante do novo cenário econômico e da sistemática então adotada de apuração mensal do IRPJ, a compensação de prejuízos fiscais foi objeto de nova regulação pela Lei n. 8.383/91: Art. 38. A partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas deverão apurar, mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. (…) Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.043 43 § 7° O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. § 8° Para efeito de compensação, o prejuízo será corrigido monetariamente com base na variação acumulada da Ufir diária. A Lei n. 8.383/91, como se vê, manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas deixou de prescrever prazo de prescrição ao seu exercício. Mas, logo em 1992, foi enunciada a Lei n. 8.541, que também manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas estabeleceu prazo para o seu exercício: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1° de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. Finalmente, em 1995, foi editada a nova tutela à compensação de prejuízos fiscais, que permanece vigente até a atualidade e é aplicável ao presente caso. Sucedendo a 8.981/95, a Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veicula norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos em sua totalidade, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Como se pode observar da evolução dos dispositivos legais que regulam a matéria nos últimos 80 anos, em nenhum momento o legislador negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu prejuízo fiscal. A ordenamento jurídico: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.044 44 Em alguns períodos da história, embora tenha estabelecido prazos ao exercício do direito, garantiu ao contribuinte o aproveitamento integral de prejuízos fiscais acumulados em ato único, inclusive (norma revogada); Vedou a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora, sem restringir de qualquer forma a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros (norma vigente); Garantiu ao contribuinte o aproveitamento da totalidade dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) acumulados de exercícios anteriores, mas diluiu o exercício desse direito no período de existência do contribuinte, sem prazo de prescrição (norma vigente). A Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veiculam norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos integralmente, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: 1.3. A “trava dos 30%”: norma de diferimento da compensação dos prejuízos fiscais A norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 regula a compensação de prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), sopesando os interesses de caixa da União com a diretriz central para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. Com vistas aos interesses de caixa da União, a norma postergou, adiou, diferiu o exercício do direito do contribuinte à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base negativa (CSL), de forma a manter um fluxo arrecadatório mais contínuo. Sob essa perspectiva, a sua explicação tem raízes mais no Direito financeiro e na necessidade de superávit nos orçamentos públicos anuais do que necessariamente no Direito tributário. Houvesse o legislador cumulado a “trava de 30%” a algum prazo de prescrição para a compensação dos prejuízos fiscais acumulados (por exemplo, 4 ou 5 anos), poderíamos ter, aí, um problema sistêmico. Ocorre que, nessa hipótese, o legislador poderia entrar em contradição com a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial. O diferimento em questão, contudo, não nega o direito do contribuinte ao aproveitamento da integralidade de seus prejuízos acumulados. Pelo contrário, ao afastar a limitação temporal ao seu aproveitamento, garantindo ao contribuinte valerse do tempo que for necessário até esgotar todo o seu estoque de prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), o legislador ordinário justamente reconhece que o aludido saldo poderá ser esgotado em sua totalidade. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.045 45 O legislador ordinário prescreveu norma pela qual os prejuízos fiscais acumulados serão diluídos nos períodos de apuração em que o contribuinte apresentar lucros, indefinidamente, até que se esgote todo o seu saldo de prejuízos. O pressuposto de incidência da norma é, então, a continuidade da pessoa jurídica, pois somente assim o diferimento e o aproveitamento integral diluído no tempo seria possível. A exposição de motivos da medida provisória posteriormente convertida na Lei n. 9.065/95 é relevante para essa análise, in verbis: “Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n. 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje ‘vacatio legis’ em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. (negrito acrescido) Também é de grande relevância a análise desenvolvida pelo TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.4 em face da eludida exposição de motivos, in verbis: “O recurso à E.M. é um importante indício da chamada mens legis. De um lado, ali se evidencia o objetivo do legislador: limitar, quantitativamente, sem retirar o direito de compensar até integralmente num mesmo ano. O exercício do direito à compensacã̧o do prejuízo, pela E.M., é que sofre uma limitação quantitativa. Não o próprio direito. Tanto que, como não há limite temporal para esse exercício do direito, e se trata até expressamente de prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de um ano (1995), que poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados em anos anteriores (até 31 de dezembro de 1994), com lucros auferidos em anos subsequentes, a simples postergação, à evidência, abrese espaço para a consideraçaõ de um âmbito de inferen̂cia ilocutiva: não poder haver perda ou eliminação do direito à compensaçaõ. É a lei que estabelece a garantia da plena utilização do saldo de prejuízos. Tratase de significado indireto (ilocucã̧o), isto é, por meio de uma elocução (asserção do direito de compensar, com limite quantitativo) o legislador assevera algo expressamente. Mas mediante essa asserção também realiza uma ação que não chega a asseverar: sem limitaçaõ de tempo, a garantia de utilizaçaõ é plena”. (negrito acrescido) No entanto, diante da ausência de continuidade da pessoa jurídica, tornase jurídica e faticamente impossível a diluição dos prejuízos fiscais em exercícios, sendo lícito ao contribuinte concentrar a sua compensação pelo término do diferimento. Nesse caso, o único limite aplicável à compensação de prejuízos fiscais acumulados, na hipótese de extinção da sociedade por incorporação, consiste nos lucros auferidos pela empresa no ano de sua extinção. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $2.000 venha a obter, no 4 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.046 46 ano de sua extinção, lucro de $ 1.000, restaria um saldo de prejuízos acumulados de $1.000, que não poderia vir a ser aproveitado por mais ninguém, incluindose a incorporadora (DecretoLei n. 2.341/87, art. 33). Ocorre que, em termos gerais, dois fatores interferem na velocidade e na grandeza com que se dará o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado: Prosperidade do contribuinte: Quanto maiores forem os lucros líquidos obtidos pelo contribuinte, proporcionalmente maior será a fatia do prejuízo que poderá ser compensada. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $100 obtiver desempenho que lhe proporcione lucro líquido de $1.000 após adições e exclusões previstas na legislação, tenha ela perspectiva de continuidade ou não, poderá compensar em um único ato todo esse seu estoque de prejuízos. Vitalidade do contribuinte (ou continuidade da pessoa jurídica): A diluição dos prejuízos fiscais acumulados nos períodos de apuração futuros pressupõe que a vitalidade do contribuinte proporcione a continuidade de suas atividades (aliada à sua prosperidade, que lhe garantirá lucros passíveis de compensação). Conjugando tais fatores, a norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 poderá apresentar as seguintes consequências em variados cenários: baixa prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será consumido mais lentamente e até que os lucros gerados sejam suficientes para a sua compensação integral, sem limite temporal; elevada prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será rapidamente consumido em face dos lucros gerados; elevada prosperidade vs. extinção da entidade: o saldo de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta; baixa prosperidade vs. extinção da entidade: o estoque de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta, mas como não seriam suficientes para absorver todo o prejuízo de exercícios anteriores, haverá saldo residual não aproveitado. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.047 47 Para a solução do caso concreto, devemos verificar qual interpretação dos arts. 15 da Lei n. 9.065/95 – a do contribuinte ou a da PFN – melhor se amolda a esse arcabouço normativo e, em especial, à diretriz da renda enquanto acréscimo patrimonial adotada pelo legislador. É forçoso reconhecer que a interpretação sustentada pelo contribuinte realmente se alinha à diretriz da tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A “Figura 03”, acima, evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade das atividades da empresa por conta de sua extinção por incorporação, deve haver o acerto final de contas, com a compensação do saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) da incorporada contra os seus próprios lucros. Tal interpretação coincide com aquela adotada pelo e. STJ em uma série de julgados (vide no tópico “1.4”, abaixo). Assim, por exemplo, nos acórdãos do REsp 516849/CE, do AgRg no REsp 944.427/SP e do AgRg no REsp 516.849/CE, a Primeira Turma daquele Tribunal reconheceu como pressuposto de legitimidade da “trava dos 30%” exatamente a manutenção do direito do contribuinte à compensação da totalidade de seus prejuízos, ainda que o seu exercício seja diluído no tempo: o legislador “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada”. Na mesma linha, a Segunda Turma do e. STJ, em acórdãos como do REsp 993.975/SP e do REsp 1.132.256/SP, concluiu que a norma em questão “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN”, bem como que “a legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem” (grifamos). Nos termos adotados pelo e. STJ, ao diferir o aproveitamento integral dos prejuízos acumulados (IRPJ) e da base negativa (CSL), o legislador estabeleceu um escalonamento, de forma que as empresas que apresentem continuidade – como ocorre em geral – devem observar a “trava dos 30%”. Coerentemente, esse percentual poderá ser superior na hipótese de não haver continuidade da pessoa jurídica, como se dá com a sua extinção por incorporação, fusão ou cisão. É digno de nota o voto da i. Min. Eliana Calmon, no REsp 993.975/SP, in verbis: “Pela legislação do imposto de renda, vigente até 30∕12∕94, era possível às empresas contribuintes compensar integralmente os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas apuradas e registradas no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), como previsto nos arts. 6º e 64 do DL nº 1.598∕77 e art. 12 da Lei 8.541∕92. Em 31∕12∕94, pela MP nº 812∕94, convertida na Lei nº 8.981∕95, limitouse a autorização da dedução do prejuízo compensável ao percentual de 30%, a partir de 1º de janeiro de 1995, conforme se observa dos arts. 42 e 58 do mencionado diploma legal. Apesar de limitada a dedução de prejuízos para o exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.048 48 A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. O diferimento da dedução, a meu ver, não descaracterizou o crédito, tendo sido somente manipulado pelo fisco, segundo critérios de política econômica e fiscal arrecadatória. A limitação, que no meu ponto de vista, constitui em empréstimo compulsório, é aquela que obsta a devolução de um valor tomado do contribuinte injustamente, como ocorreu em relação à correção monetária das demonstrações financeiras, quando a Lei 8.200∕91, em reconhecendo a ilegalidade da correção estipulada no balanço de 1989, permitiu a devolução escalonada. Na hipótese dos autos, diferentemente, não tomou o fisco valor do contribuinte. O contribuinte é que teve frustrada uma expectativa de ganho com o desenvolvimento de sua atividade empresarial e suportou prejuízos, tendo direito de abater as perdas nos anos posteriores, dentro de um limite que não seja devastador para o fisco, que já contava com exações vindas da atividade empresarial. (...) Uma outra argumentação, comum nas ações onde é defendida a tese do direito à dedução integral dos prejuízos, é a de que foi vulnerado o art. 110 do CTN, eis que não poderia a Lei nº 8.981∕95 subverter o conceito de renda. Como visto no início deste voto, entretanto, não houve subversão alguma, porque não se olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que se tornou escalonado.” Por sua vez, a “Figura 04” acima evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade, com a extinção da pessoa jurídica por incorporação, a interpretação sustentada pela PFN conduziria à tributação do patrimônio e não da renda. Caso essa interpretação seja adotada, não se tributária o acréscimo patrimonial (teoria da rendaacréscimo patrimonial), mas o próprio patrimônio; não se tributaria o produto do capital (teoria da renda produto), mas o próprio capital investido pelos sócios. Das duas interpretações apresentadas, apenas a sustentada pela PFN tem o condão de desvirtuar a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial eleita pelo legislador ordinário e, em afronta aos arts. 43 e 44 do CTN, transformar o IRPJ em tributo incidente sobre a propriedade. Tudo isso à revelia de decisão do Congresso Nacional, pois o legislador ordinário não pode ser acusado de ter cerceado o direito do contribuinte ao aproveitamento da totalidade de seus prejuízos fiscais (IRPJ) quando, na verdade, apenas diluiu o seu exercício no tempo de existência da pessoa jurídica. Esse também é o entendimento majoritário da doutrina. Destacase trecho do erudito estudo publicado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.5 sobre o tema, in verbis: “Assim, de um lado, a opção do legislador é garantir/autorizar a compensação de prejuízos à condição de uma limitação quantitativa (asserção expressa), manifestando 5 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.049 49 um direito de compensar prejuízos, sem limitação temporal (asserção implícita). Promover esse bem (direito de compensar prejuízos até o seu limite total, sendo integral a dedução) constitui, de outro, o objetivo, cujo fundamento, que Schauer (ver acima) chama de justificação da regra, aponta para respeito à isonomia, na medida em que se observa que uma periodicidade estanque, que terminaria por impedir a compensação de prejuízos anteriores com lucros posteriores, conduziria a um tratamento mais oneroso de determinados contribuintes (que praticassem atividades de maior risco, a exigir período maior de investimento até o surgimento de resultados positivos), o que violaria a igualdade. Aparece aqui aquela tensão (ver Schauer anteriormente citado) entre a regra (ao limite de 30%, prejuízos fiscais poderão ser compensados) e sua justificação (princípio da isonomia), que conduz, mediante teleologia, a novas generalizações. Isto é, ao teor da norma “é autorizado compensar prejuízos fiscais, desde que não ultrapasse o limite de 30%”, a generalização que a fundamenta (seu telos, seu objetivo: compensação de prejuízos até seu esgotamento total por exigen̂cia da isonomia) faz surgir significados indiretos, ali presentes em forma ilocutiva: a restrição quantitativa não deve implicar perda do direito de compensar prejuízos, até porque a ausência de restriçaõ temporal significa possibilidade de transferen̂cia para períodos posteriores até o seu esgotamento. Ou seja, partese da exigência de uma periodicidade estanque (até 30% no período) para uma nova generalização da regra por força da sua justificação: a periodicidade anual dos tributos não impede, ao contrário, autoriza a compensação de prejuízos acumulados, em períodos subsequentes. Pois bem, e dessa nova generalização (que atende, com base em isonomia, à diferença entre contribuintes) segue outra: o aproveitamento integral dos prejuízos, num único período, por sociedade incorporada, dada a impossibilidade de seu aproveitamento integral, diferido no tempo. Notese, na tensão regra/fundamento, passamos de uma generalização (direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo) para uma segunda (não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução) e dessa, para uma terceira (ressalvada a situação dos que de fato ou de direito estão impedidos ou impossibilitados de realizar o diferimento no tempo). Nos termos de Schauer, antes referidos, na segunda generalização temos uma sobreinclusão, na terceira, uma subinclusão, ambas dentro da mesma ratio legis.” (grifos do original) Na mesma linha, ao examinar a questão, IVES GANDRA DA SILVA MARTINS6 concluiu, in verbis: “a) não há lacuna na lei que limitou a 30% a compensação de prejuízos fiscais, pois apenas dedicada a empresas em funcionamento, como o STJ e a exposição de motivos das MPs e projetos de conversão em lei resultantes esclareceram; b) a lei objetivou, exclusivamente, distender, no tempo, o aproveitamento de prejuízo, MAS NÃO eliminálo, em havendo lucros; (...) A lei que permite a compensação do prejuízo determina QUE TODO O PREJUÍZO SERÁ COMPENSADO, DISTENDIDO NO TEMPO (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS DA LEI). A conclusão lógica é que se não há mais tempo para aproveitálo, em havendo lucros na extinção, a lei permite seu aproveitamento, de uma só vez, para que não haja tributação sobre um “não acréscimo 6 SILVA MARTINS, Ives Gandra da. Incorporação de empresa com extinção da incorporada Possibilidade de aproveitamento do prejuízo além de 30%, acesso em: http://www.fiscosoft.com.br/a/4qc6/incorporacaodeempresacom extincaodaincorporadapossibilidadedeaproveitamentodoprejuizoalemde30ivesgandradasilvamartins Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.050 50 patrimonial” vedado pelo CTN (arts. 43 e 44) e pelo artigo 150, inciso I, da Lei Suprema, que impõe o princípio da legalidade para a incidência tributária”. No presente voto, então, não se afastam os enunciados da Lei n. 9.065/95, bem como não se infirma a constitucionalidade7 de tais dispositivos no presente voto. Pelo contrário, aplicase ao caso concreto a norma prescrita pelo legislador ordinário, que encerra o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) com a extinção da pessoa jurídica. Interpretação diversa, tal qual a sustentada pela PFN, macularia a cobrança tributária de flagrante ilegalidade. 1.4. A jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário sobre o tema. O e. STF ainda não possui decisões a respeito do tema em análise. Não se pode confundir o presente caso com a discussão existente perante aquele Corte, afetada inclusive pelo rito da repercussão geral8, quanto à (in)constitucionalidade da “trava de 30%” em todos e quaisquer casos. Como foi dito, neste processo administrativo, inclusive por respeito ao RICARF9, assumese como legítima a “trava dos 30%” nos termos estabelecidos pelo legislador ordinário, o qual não prescreveu a sua aplicação às hipóteses de extinção da pessoa jurídica por incorporação, fusão ou cisão. Por sua vez, na linha da jurisprudência do e. STJ, a legalidade da “trava dos 30%” pressupõe a garantia ao contribuinte de que poderá aproveitar a totalidade dos seus prejuízos fiscais (IRPJ). No âmbito da 1a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da 7 Não cabe no bojo deste processo administrativo analisar possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicaçaõ ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” 8 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (STF, RE 591.340 RG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 09/10/2008) 9 RICARF, art. 62. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.051 51 Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 25/05/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. MP 812/94. LEIS 8.981/95 E 9.065/95. LIMITAÇÃO DE 30%. LEGALIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Esta Corte, em diversas oportunidades, manifestouse no sentido da legalidade da limitação de trinta por cento (30%) na compensação de prejuízos fiscais, sob o fundamento de que a Lei 8.981/95, que estabeleceu essa limitação, não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada. 2. É legal essa limitação, em relação à compensação de prejuízos fiscais verificados até o dia 31.12.1994, a partir do exercício de 1995, não havendo contrariedade ao princípio da anterioridade. 3. Agravo regimental desprovido. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.052 52 (STJ, AgRg no REsp 516.849/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 03/04/2006, p. 228) No âmbito da 2a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC NÃO CARACTERIZADA – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981/95: LEGALIDADE. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981/95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 993.975/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 2. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 3. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 4. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 5. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 1.132.518/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do recurso extraordinário 232.0849, relator o Ministro Relator Ilmar Galvão, decidiu que Medida Provisória nº 812∕94, convertida na Lei 8.981∕95, foi publicada no dia 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado financeiro do exercício, encerrado no mesmo dia, sendo irrelevante, para tanto, que o último dia do ano de 1994 tenha recaído num sábado, se não se acha comprovada a nãocirculação do Diário Oficial da União naquele dia. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.053 53 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido. (STJ, REsp 1.132.256/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2009) No âmbito do CARF, é possível divisar dois momentos distintos em sua jurisprudência. A primeira compreende o período entre 2001 e 2009, enquanto que a segunda teve início em meados de 2009/2010. No acórdão n. 10806682, de 20.9.2001, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, julgou ser válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “INCORPORAÇÃO — DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA — LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a . norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Ainda em 2001, o acórdão n. 10193438, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou que a compensação dos prejuízos, mesmo na hipótese de extinção por incorporação, deveria respeitar a “trava dos 30%”: “IRPJ COMPESAÇÃO DE PREJUÍZOS A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIAPOSTERGAÇÃO — Não há previsão legal para exigência de multa de mora sobre o imposto postergado MULTA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO — Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação.” A incipiente divergência foi sufragada logo em 2002, quando a CSRF julgou a questão. Assim, no acórdão n. 0104258, de 2.12.2002, a CSRF, por maioria, julgou válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada.” As decisões que se seguiram, tanto das Turmas Ordinárias quanto da CSRF, navegaram em águas tranquilas, firmes na compreensão de que seria válida a compensação dos prejuízos Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.054 54 fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação. Por unanimidade, o acórdão da CSRF n. 0105100, de 19.10.2004, confirmou tal entendimento: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal.” Destacamse as seguintes decisões das Turmas Ordinárias que se seguiram, boa parte por unanimidade de votos: IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão n. 10807456, de 2.7.2003, da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. (Acórdão n. 10194515, de 17.3.2004, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — EMPRESAS EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL A jurisprudência do Conselho que afasta a limitação só alcança a compensação feita na declaração final de extinção.” (Acórdão n. 10195856, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% – EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. (Acórdão n. 10195872, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão CSRF/0105.100, em Sessão de 19 de outubro de 2004, publicado no DOU de 28/02/2002). Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.055 55 (Acórdão n. 10709.243, de 05.12.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) CSL — INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM PROCESSO DE EXTINÇÃO (REGIME DE LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA) — TRAVA. DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE — A denominada trava de 30% na compensação de prejuízos, que pressupõe o principio de continuidade da empresa, não pode ser aplicada quando a sociedade se encontra em processo de extinção em razão do regime de liquidação ordinária em que se encontra. (Acórdão n. 10707.856, de 11.11.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, vez que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. (Acórdão n. 10709.447, de 13.8.2008, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – TRAVA – CISÃO – Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela do prejuízo proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30% do lucro líquido ajustado. (Acórdão n. 10196509, de 22.1.2008, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade). Em 02.10.2009, por voto de qualidade, a CSRF alterou esse entendimento até então corrente, como se observa no acórdão n. 910100401: IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Por fim, no julgamento do recurso especial objeto desta declaração de voto, realizado em fevereiro de 2016, novamente a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) pela não observância da “trava de 30%”, ainda que o contribuinte tenha sido extinto por incorporação. Permissa venia, conforme se procurou demonstrar, tal decisão destoa de todo o ordenamento jurídico. 1.5. Conclusão quanto ao mérito principal do recurso especial. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.056 56 O caso ora em análise envolve a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros, todos apurados antes do evento de extinção por incorporação, ocorrido em 2005. Pelo que foi exposto e em linha com meu voto proferido no julgamento do presente recurso especial, entendo que o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ), tal como prescrito pelo art. 15 da Lei n. 9.065/95 (“trava dos 30%”), encerrouse com a extinção da contribuinte pela incorporação realizada, não sendo legal a glosa levada a termo no AIIM. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável considerada legítima pelo CARF à época dos fatos. Por meio de memoriais, o contribuinte requer seja afastada a cobrança multa punitiva que lhe foi imposta pela compensação de seu saldo de prejuízo fiscal (IRPJ), sem a observância da “trava dos 30%”, em sua última declaração de rendimentos entregue em razão de sua extinção por incorporação, ocorrida em 2005. Alega que teria agido de boafé, acompanhando o entendimento consolidado deste Tribunal à época dos fatos, o que reclamaria a aplicação, inclusive, da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. A análise da questão demanda saber: Se há, no sistema jurídico brasileiro, proteção ao contribuinte que, de boafé, age de forma razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento; Se existente, qual seria a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose a possibilidade de cobrança do débito principal e das penalidades pecuniárias que o acompanham; Por fim, caso existente a referida proteção ao contribuinte, se o caso concreto se adequa às situações que reclamam a sua aplicação. 2.1. O sistema jurídico brasileiro protege o contribuinte que, de boafé, age de maneira razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento? Essa análise possivelmente representa um dos temas mais relevantes da teoria do Direito tributário, pois suscita posicionamentos relacionados à justiça e à sua efetiva concretização em um dado sistema jurídico, o que requer, para isso, igualdade, segurança Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.057 57 jurídica e boafé nas relações entre fisco e contribuinte. KLAUS TIPKE10 oferece um bom ponto de partida para a compreensão do presente caso, in verbis: “As Constituições dos Estados de Direito não permitem que o Direito Positivo seja dissociado da Ética. Elas partem do pressuposto de que é possível reconhecer o que é justo e o que é injusto. A Constituição Brasileira declarase por ‘uma sociedade livre, justa e solidária’. A Constituição Alemã não contém qualquer declaração expressis verbis em favor da justiça, mas estatui – assim como a Constituição Brasileira – o direito fundamental à igualdade perante a lei. Tratamento isonômico como corolário da justiça pressupõe, porém, um critério adequado de comparação, um tertium comparationis orientado pela justiça. Contudo, é amplamente aceito que o princípio da igualdade seja um produto da justiça. Não existe um critério uniforme para todo o Direito. Muito mais correto é que cada ramo do Direito tenha seu próprio critério. Em outras palavras, deve ser decidido qual princípio ou qual critério é adequado para o particular ramo do Direito, tal como o Direito Tributário. Na Alemanha falase, portanto, em justiça adequada à matéria. O que é adequado à matéria depende da finalidade da regulamentação do particular ramo do Direito. O Direito Penal orientado pela culpabilidade mede a pena justa segundo o grau de culpa. Subvenções são medidas segundo a necessidade ou segundo um mérito especial. Por isso se fala em princípio da necessidade e principio de mérito. Para o Direito Tributário é amplamente reconhecido que este deve ser orientado pelo princípio da capacidade contributiva. Isso não vale, porém, para normas extrafiscais.” A justiça naturalmente também deverá ser observada na lei tributária que define infrações. Mas nessa seara há peculiaridades especiais, pois, como bem observa MARIA ÂNGELA L. PAULINO PADILHA11, “é preciso ter em mente que os interesses punitivos não se confundem com os interesses arrecadatórios do Estado, sob pena de desvirtuarse o sistema repressivo de seus propósitos”. E não se espera apenas que o legislador imprima justiça ao sistema jurídico, cabendo esse dever também ao aplicador do Direito. MORIS LEHNER12 constata que o “princípio fundamental da tributação justa” não deve ser observado apenas na edição das leis, mas também quando de sua aplicação, de forma que a interpretação da lei também deve ser orientada por esse “princípio normativo diretivo”. O Direito brasileiro não se furtou de tais constatações, o que se comprova pela análise do CTN, especialmente em seus arts. 100 e 112. O art. 112 do CTN se dirige diretamente aos aplicadores do Direito tributário, inclusive aos Conselheiros do CARF, pois trata da interpretação da legislação ordinária. O Legislador Complementar, imbuído da competência que lhe foi outorgada pelo art. 146 da CF/88, torna mandatório ao intérprete considerar fatores como a “natureza ou às circunstâncias materiais do 10 TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo : Melhoramentos, 2002, p. 21. 11 PAULINO PADILHA, Maria Ângela Lopes. As Sanções no Direito Tributário. São Paulo : Noeses, 2015, p. XXIX. 12 LEHNER, Moris. Consideração econômica e tributação conforme a capacidade contributiva. Sobre a possibilidade de uma interpretação teleológica de normas com finalidades arrecadatórias. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; ZILVETI, Fernando Aurélio (coords.). Direito tributário: estudos em homenagem a Brandão Machado. São Paulo: Dialética, 2001, p. 1436. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.058 58 fato” e a sua “punibilidade”. Em caso de “dúvida” que circunde os referidos fatores, a norma deve ser aplicada “da maneira mais favorável ao acusado”. Eis a redação do dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Parece claro que tal norma persegue a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé nas relações entre o fisco e o contribuinte. Entre outras variáveis fáticas alcançadas por essa norma, as condutas praticadas pelo contribuinte que apresentem dúvida razoável quanto à sua legitimidade devem ser escusadas de penalização. Tratase de norma de escusa de penalidade à conduta razoável, que no Direito penal encontra paralelo no consagrado “erro de proibição”. A pedra de toque para a sua aplicação é a aferição, pelo intérprete, da razoabilidade da conduta praticada pelo contribuinte, o que reclama por critérios para a outorga dessa proteção. A seleção de critérios para a identificação de condutas razoáveis, que imponham dúvida quanto à sua legitimidade capaz de amenizar ao máximo possível a aplicação de penalidades tributárias, não é tarefa das mais simples, como observa a doutrina. Nesse sentido, leciona LUÍS EDUARDO SCHOUERI13, in verbis: “À primeira vista, o dispositivo acima [CTN, art. 112] poderia ser visto como de difícil aplicação prática, ou pelo menos de difícil controle, já que seu pressuposto – a dúvida – carrega extremo grau de subjetividade. Aquilo que para um é duvidoso surge no espírito de outrem com clareza. Entretanto, a peculiaridade do processo brasileiro – tanto o administrativo quanto o judicial – em que preveem órgãos colegiados de julgamento, com sessões públicas, oferece um controle objetivo da dúvida. Não é incomum, com efeito, que decisões sejam tomadas em estreita maioria, ou até mesmo por voto de qualidade do presidente do presidente órgão julgador. Em tais casos, a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida”. Entre os critérios que podem ser adotados para aludida aferição, o caso concreto nos impõe decidir se é ou não fator relevante a constância de um determinado entendimento pela a administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento, acompanhada da adoção, pelo contribuinte, de conduta trilhada nessa mesma direção. As decisões do CARF, produzidas para o controle da legalidade dos lançamentos tributários, são públicas e influenciam a tomada de decisões do mais cauteloso dos contribuintes. De fato, o particular que, de boafé, se preocupar em ser diligente e cumprir com todos os seus deveres perante o fisco brasileiro, sem dúvida precisará contar com o auxílio de 13 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.059 59 um consultor tributário (“compliance cost”), que terá como parte fundamental de seu trabalho verificar diligentemente como a administração fiscal, especialmente por seus órgãos decisórios, aplicam os enunciados legais que influenciam o caso sob a sua análise. Para bem localizar a questão, suponhase, por hipótese, que decisões reiteradas do CARF afirmem, de forma irrecorrível para variados contribuintes, que uma determinada conduta seria plenamente legítima (“permitido”), como ilustrado na representação gráfica a seguir: Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 05. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. A representação gráfica suscita propositadamente situação de ausência de homogeneidade absoluta das decisões, exatamente para evidenciar que esta não é uma exigência para a aplicação do art. 112 do CTN. Para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável, o Legislador Complementar exige que exista “dúvida” (CTN, art. 112, caput), o que não é afastada simplesmente por uma decisão divergente (“não permitido”) de uma série constante de decisões em um mesmo sentido (“permitido”). Bem compreendidos, julgados de Turmas Ordinárias do CARF, que destoem de uma série constante de decisões, tem um papel fundamental no processo de estabilização do Direito tributário, em que o Tribunal administrativo, no âmbito de sua competência, esclarece à sociedade qual o seu entendimento quanto à legítima aplicação das normas tributárias: tais decisões divergentes (“não permitido”) ensejam a atuação da CSRF para a uniformização da jurisprudência administrativa. Diante de uma decisão da CSRF, a sociedade pode compreender com mais certeza quais condutas são (ou têm sido) legitimadas pela administração fiscal, como um aceno de segurança jurídica àqueles que seguirem o mesmo caminho. Nos moldes de nosso sistema jurídico, a decisão da CSRF apresenta elevada eloquência para a transmissão de mensagem à sociedade que, de boafé, poderá compreender como deverá agir para estar em conformidade com o entendimento da administração fiscal. Graficamente, em continuidade à ilustração acima, poderíamos ter a seguinte imagem como decorrência de uma decisão da CSRF: Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.060 60 Permi do Permi do Permi do CSRF: PERMITIDO!!! Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 06. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Nesse seguir, independentemente de decisão divergente isolada (“outlines”), caso o contribuinte trilhe o mesmo caminho indicado por uma constância de decisões do CARF, confirmada por decisão ou decisões da CSRF, a sua conduta deve ao menos ser considerada razoável pela administração fiscal. Caso esse tribunal administrativo posteriormente altere o seu padrão de entendimento sobre o tema em questão, então será preciso reconhecer que haveria, ao menos, a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Essa questão foi analisada pelo CARF, por exemplo, em face da guinada de sua jurisprudência a respeito do planejamento tributário. Assim, no acórdão n. 10195.537, este Tribunal compreendeu que não seria legítimo punir o contribuinte que teria sido induzido, à época dos fatos, pela jurisprudência pretérita: PENALIDADE QUALIFICADA — INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE — ERRO DE PROIBIÇÃO — ARTIGO 112 DO CTN — SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI — Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudenciais contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Recurso provido parcialmente. (Acórdão n. 10195.537, Processo n. 11065.001589/200467, sessão de 24/05/2006) A aludida norma também encontra reforço no art. 100 do CTN: Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.061 61 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Como se observa, o art. 100 do CTN deixa clara a necessidade de exclusão de penalidade pecuniária caso o contribuinte obedeça normas complementares consubstanciadas, por exemplo, em decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inciso II) ou, ainda, em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). É preciso compreender claramente a relação estabelecida entre os arts. 100 e 112 do CTN. Se, por um lado, o art. 112 deixa em aberto quais critérios podem ser utilizados para que o aplicador verifique se há a “dúvida” que lhe obriga a interpretar a penalidade da forma mais favorável ao acusado, por outro, o art. 100 do CTN não exclui das decisões administrativas colegiadas a serventia de se prestarem à aferição da referida “dúvida” e da razoabilidade da conduta adotada pelo contribuinte. Também é preciso observar que constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal pode ser compreendido como práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, abarcadas pelo art. 100, III, do CTN. Tais normas encontram fundamento de validade na Constituição Federal. Entre outras normas constitucionais que podem ser citadas, merece destaque a que prescreve a observância no “princípio da razoabilidade”, explicitado por REGINA HELENA COSTA14 do seguinte modo ao lecionar sobre “princípios gerais do direito sancionador”: “Merece referencia, outrossim, o princípio da razoabilidade. No direito brasileiro, a razoabilidade encontra fundamento expresso no art. 5o, LIV, CR, segundo o qual “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. A razoabilidade é medida em relação ao interesse público específico. A razoabilidade deve ser tomada como aquilo que a sociedade pode admitir como uma das soluções possíveis para o caso concreto; é o padrão social a respeito de certas condutas e, portanto, só pode ser aferida em função da realidade, de um contexto determinado. Pensamos, assim, que razoabilidade e proporcionalidade sejam termos fungíveis, a significar diretriz implícita fundamentada nas ideias de devido processo legal substantivo e de justiça, com vistas à proteção da arbitrariedade” 14 COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 305 Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.062 62 Desse modo, os aplicadores do Direito tributário, entre eles os Conselheiros do CARF, possuem uma bússola prescrita pelo ordenamento jurídico para que, no caso de conduta razoável do contribuinte que suscite “dúvida” quanto à sua punibilidade, trilhem a interpretação mais favorável ao contribuinte. Não se pode deixar de observar que o art. 100, II, do CTN, erigiu “as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa” com status de normas complementares, desde que a lei lhes atribua “eficácia normativa”. Notese que o ordenamento atribui juridicidade às normas “gerais e abstratas”, “gerais e concretas”, “individuais e abstratas” ou “individuais e concretas”15. A todos esses enunciados prescritivos o sistema jurídico atribui “eficácia normativa”. E os acórdãos enunciados pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes, que compõem a série constante referida nas ilustrações acima, possuem “eficácia normativa”, de natureza individual e concreta. A atribuição de eficácia normativa individual e concreta às referidas decisões é suficiente para os propósitos da norma de escusa de penalidade à conduta razoável: evidenciar que outros contribuintes, mesmo que estranhos ao procedimento administrativo, poderiam ter justificáveis “dúvidas” sobre a vedação de uma conduta. Foi o que reconheceu o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, suscitado pelo contribuinte em sede de memoriais: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...) Deve ser verificada a relevância ao presente recurso especial desse dispositivo suscitado pelo contribuinte. Analisadas as normas do CTN sobre a matéria, é possível avançar na análise do ciclo de positivação do Direito tributário para cogitar, por hipótese, três possíveis reações do legislador ordinário: i) regular, sem restringir, a fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável; ii) restringir ou mesmo proibir que a interpretação mais favorável ao contribuinte em 15 É o que leciona PAULO DE BARROS CARVALHO, in verbis: “Por fontes do direito havemos de compreender os focos ejetores de regras jurídicas, isto é, os órgãos habilitados pelo sistema para produzirem normas, numa organização escalonada, bem como a própria atividade desenvolvida por essas entidades, tendo em vista a criação de normas. O significado da expressão fontes de direito implica refletirmos sobre a circunstância de que regra jurídica alguma ingressa no sistema do direito positivo sem que seja introduzida por outra norma, que chamaremos, daqui avante, de “veículo introdutor de normas”. Isso já nos autoriza a falar em “normas introduzidas” e “normas introdutoras”. Pois bem, nos limites desta proposta, as fontes do direito serão os acontecimentos do mundo social, juridicizados por regras do sistema e credenciados para produzir normas jurídicas que introduzam no ordenamento outras normas, gerais e abstratas, gerais e concretas, individuais e abstratas ou individuais e concretas. Agora, tais ocorrências serão colhidas enquanto atos de enunciação, já que os enunciados consubstanciam as próprias normas. Tratase de um conceito sobremaneira relevante porque a validade de uma prescrição jurídica está legitimamente ligada à legitimidade do órgão que a expediu, bem como ao procedimento empregado na sua produção.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000.pg 45) Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.063 63 caso de dúvida na penalização de conduta razoável; iii) quedarse silente, tendo em vista que os aplicadores do Direito tributário já se encontram suficientemente tutelados sobre a questão. O art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, como se vê, cuida da fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. O legislador ordinário requereu decisão da CSRF como requisito para a demonstração da razoabilidade da conduta do acusado capaz de evidenciar “dúvida” que lhe garanta a mais favorecida das interpretações e o afastamento de penalidades (“decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal”). Além disso, o legislador ordinário não exigiu qualquer constância de entendimento do Tribunal, valendose do singular (“decisão irrecorrível”) para fazer referência àquilo que serviria de escusa à aplicação de penalidade, enfatizando que o contribuinte não necessita ser parte do procedimento administrativo que deu origem à decisão paradigmático (“seja ou não parte o interessado”). Assim, perece correto compreender que a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, apresenta três espectros normativos. Primeiro, apenas declara a norma de escusa de penalidade à conduta razoável já prescrita pelo CTN, ao que se poderia chamar de meramente pedagógica ou didática16. Segundo, ao tornar prescindível a pluralidade das decisões de mesmo sentido, satisfazendose com uma única decisão irrecorrível da CSRF, o legislador ordinário tornou mais objetiva a aferição da “dúvida” que garante ao acusado a mais favorecida das interpretações. Por fim, ao exigir decisão irrecorrível da CSRF, o enunciado prescritivo por ser considera restritivo, pois tais condições não foram requeridas pelo legislador complementar. São controvertidas algumas questões sobre a eficácia da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Seria possível, por exemplo, questionar se haveria proporcionalidade na suposta distinção do legislador, em agraciar exclusivamente as relações jurídicotributárias atinentes ao IPI com uma norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Porque o legislador garantiria apenas em relação às relações em torno do IPI a aplicação de tal norma que, afinal, vivifica a segurança jurídica, a justiça fiscal e a boafé? No entanto, não me parece necessário enfrentar tais questionamentos, pois o presente caso seria igualmente solucionado com ou sem a aplicação direta da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Ocorre que, na hipótese da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ser aplicável apenas ao IPI e, assim, não poder ser suscitado aos casos envolvendo IRPJ, o art. 112 do CTN possui eficácia suficiente para vincular o julgador. Se o legislador ordinário quedouse silente ao voltar as suas atenções à tributação sobre a renda, o seu silêncio transmite a mensagem eloquente de que a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé administrativa foram adequada e suficientemente 16 Há no sistema jurídico normas cuja função é meramente pedagógica, declaratória, didática. Tais normas não são, em absoluto, imprescindíveis, já que não lhes cabe mais do que repisar de forma mais clara e eficaz à sociedade algum mandamento já existente no ordenando jurídico. A importância de normas gerais e abstratas meramente pedagógicas pode estar relacionada com a necessidade de se lembrar aos aplicadores do Direito a sua cogência, de modo que, quanto menor a eficácia social das normas do sistema jurídico, mais pertinência pode vir a ter enunciados prescritivos meramente pedagógicos, didáticos. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.064 64 prestigiadas pelo CTN, não sendo necessário mais qualquer atividade legislativa para dar eficácia à norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Da mesma forma, não é aplicável ao caso concreto o Parecer Normativo COSIT n. 23, de 6 de setembro de 2013, que trata da força vinculante de um acórdão administrativo em relação a terceiros. Ocorre que, no caso concreto, não se trata simplesmente de aplicar, com força de norma complementar, o teor de um acórdão do CARF, emanado em relação a um terceiro, com a consequente exclusão de penalidades (CTN, art. 100, II). Tratase de reconhecer se há ou não a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN decorrente da constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal, que se aproxima mais da hipótese do art. 100, III, do CTN. 2.2. Qual a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose o débito principal das penalidades pecuniárias que o acompanham? Na análise da obrigação tributária objeto do presente processo administrativo, é preciso distinguir o crédito tributário da penalidade pecuniária (CTN, art. 113, §1º). Ocorre que a norma de escusa de penalidade à conduta razoável apenas tem eficácia sobre a penalidade pecuniária, sem afetar a cobrança do tributo (CTN, art. 3o). O art. 146 do CTN tutela os casos em que a administração fiscal altera o seu entendimento quanto à correta aplicação de uma norma de incidência tributária. Para os contribuintes que tiveram as suas condutas já fiscalizadas para averiguação de subsunção a uma norma tributária no período em que a administração mantinha, por exemplo, entendimento de não incidência, o referido dispositivo do CTN prescreve a inalterabilidade da situação jurídica estabelecida. Em relação aos exercícios ainda não fiscalizados, no entanto, a novel interpretação poderia ser legitimamente adotada, não havendo direito adquirido desse contribuinte à interpretação pretérita. Por sua vez, a ressalva “em relação a um mesmo sujeito passivo”, contida no art. 146 do CTN, não estende a terceiros a garantia de que serão observados, pela administração fiscal, idênticos critérios jurídicos para o lançamento do tributo. Assim, se duas empresas concorrentes forem fiscalizadas pela primeira vez, para a averiguação de fatos semelhantes, em um mesmo período, pelo mesmo agente fiscal, não há, a priori, garantia a nenhuma delas de que lhes seja aplicada homogênea interpretação jurídica. Da mesma forma, ainda que todos os concorrentes de uma empresa obtenham da administração fiscal um mesmo entendimento (não cobrança de um tributo, por exemplo), não poderia esse contribuinte, apenas por esse fundamento, exigir da administração fiscal não ser cobrado desse tributo. Ocorre que “as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, que por qualquer razão venham a ser alteradas, tem relevância para afastar penalidades, mas não afetam a cobrança do tributo em si (CTN, art. 100, III e parágrafo único). Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.065 65 Como se constata, o ordenamento jurídico proíbe que o fisco castigue, com penalidades pecuniárias, o contribuinte que agiu, à época dos fatos, em conformidade com a interpretação então mantida pela administração fiscal. Mas a proteção em exame não proíbe a administração fiscal de alterar o seu entendimento e realizar a cobrança de certo tributo dentro do prazo de 5 anos, contados conforme o art. 150 ou 173 do CTN. Assim, se aplicável ao presente caso, a norma de escusa de penalidade à conduta razoável afastaria apenas a cobrança da multa imposta no AIIM. 2.3. O caso concreto se adequa às situações que reclamam a proteção da norma de escusa de penalidade à conduta razoável? No presente caso, é preciso aferir se, em 2005, quando a conduta do contribuinte foi concretizada, haveria uma padrão nas decisões deste Tribunal administrativo que indicasse como legítimo o caminho então trilhado. Já se verificou, na análise do mérito do presente recurso especial (vide tópico “1.4”), a evolução da jurisprudência do CARF atinente à “trava dos 30%”. A representação gráfica abaixo ilustra a constância do entendimento mantido pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes quando o contribuinte, em face de sua extinção por incorporação, realizou a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) sem a “trava dos 30%”. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.066 66 Ac. 108‐06682, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐93438, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes CSRF, Ac. 01‐04258 Ac. 108‐07456, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2001 2002 2003 CSRF, Ac. 01‐05100 2004 Ac. 101‐94515, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95856, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2004 2006 Figura 06. Constância de decisões do CARF sobre a “trava dos 30%”. 2005 ANO DA EXTINÇÃO POR INCORPORAÇÃO E COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO ACUMULADO Ac. 105‐15908, 5ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95872, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09243, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐96509, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐07.856, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09447, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2006 2007 2008 2009 2007 2008 CSRF, Ac. 9101‐00401 2016 JULGAMENTO DO CASO CONCRETO PELA CSRF: POR VOTO DE QUALIDADE, DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE (…) Como se observa, em 2005, o contribuinte estava imerso em um sistema jurídico no qual as decisões enunciadas pelo CARF, inclusive por sua CSRF, manifestavam com constância que, em face de extinção da pessoa jurídica por incorporação, seria legítima a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. A CSRF se manifestou sobre a matéria em 2002 e em 2004, considerando legítima tal conduta, sem destoar da imensa maioria dos acórdãos enunciados, por unanimidade de votos, pelas Turmas Ordinárias. É muito coerente a observação de ROBERTO DUQUE ESTRADA17 a respeito do cenário instaurado à época da conduta praticada pelo contribuinte (2005), in verbis: 17 ESTRADA, Roberto Duque. Não há segurança jurídica sem decisões estáveis, in CONJUR. Acesso em: http://www.conjur.com.br/2012nov21/consultortributarionaosegurancajuridicadecisoesestaveis Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.067 67 “Qualquer consultor em matéria tributária, entre dezembro de 2002 e outubro de 2009, quando indagado por clientes se uma pessoa jurídica, no período base de sua extinção, em virtude de cisão, fusão ou incorporação, poderia compensar integralmente o saldo de prejuízos fiscais acumulados, isto é, sem observar o limite de 30% de redução do lucro líquido, teria respondido afirmativamente à questão e classificado como muito remota a probabilidade de perda em eventual discussão administrativa. O consultor tributário fundamentaria sua resposta na jurisprudência consolidada da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), inaugurada pelo Acórdão CSRF/01 04.258, de 1o de dezembro de 2002, da relatoria do conselheiro Celso Alves Feitosa, assim ementado: (…)” Apenas a partir de 2009 (ou agosto de 2010, quando foi formalizado o acórdão n. 9101 00401, da CSRF) é possível identificar uma mensagem diferente transmitida pelo órgão máximo de julgamento da administração fiscal quanto à legitimidade da conduta em questão. Dessa forma, caso se compreendesse aplicável o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, para situações envolvendo a tributação da renda (e não apenas IPI), então será forçoso concluir que há substrato fático para a sua incidência ao caso concreto: o dispositivo exige uma única decisão irrecorrível da CSRF para suscitar o afastamento de penalidade, mas o contribuinte possuía, à época dos fatos, dois acórdãos da CSRF que reconheciam a legitimidade de seu agir. Não obstante, ainda que por qualquer razão se considere inaplicável ao presente caso a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ainda assim deve ser reconhecida a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. No presente caso, o padrão da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte à época da conduta praticada pelo contribuinte, inclusive em face das decisões da CSRF, demonstra que os atos praticados apresentavam elevada razoabilidade e não seriam, a priori, considerados como sujeitos à punibilidade. Quando muito, haveria “dúvida” (CTN, art. 112, caput) quanto à sua “punibilidade” (CTN, art. 112, III). Tais normas do CTN, que tratam da interpretação da legislação ordinária, se dirigem diretamente aos agentes fiscais e aos julgadores (administrativos ou judiciais), não havendo discricionariedade quanto à sua obediência. Notese que a aferição da “dúvida”, no presente caso, se torna manifesta pelo próprio julgamento do presente recurso especial, ocorrido em 2016. Neste, houve empate entre os julgadores, pois 5 deles entenderam como legítima a conduta praticada pelo contribuinte, embora outros 5 tenham entendido pela ausência de permissivo expresso no sistema para a sua realização. Por voto de qualidade do i. Presidente da Turma, considerouse como não permitido o aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas sem a “trava dos 30%”. Assim, se em 2005, quando a conduta foi praticada, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte indicava para a legitimidade dos atos praticados pelo contribuinte, em 2016 apenas um voto, em meio a um colegiado composto por 10 julgadores, seria suficiente Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.068 68 para que a conduta em questão fosse considerada perfeitamente legítima. Nesse caso, como adverte a doutrina acima analisada, “a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida” 18. 2.4. Conclusões finais quanto à imposição de multa contra o contribuinte. Por todos os fundamentos expostos, entendo que deve ser afastada a imposição da multa imposta no AIIM contra o contribuinte. No presente no caso, seria coerente que o contribuinte conduzisse os seus atos em conformidade com o padrão estabelecido pela constância das decisões do CARF, especialmente diante das decisões da CSRF que apontavam para a mesma direção. Se duas interpretações seriam possíveis, mas o órgão máximo de julgamento da administração fiscal confirmou que uma deles seria a correta, é razoável esperar que o contribuinte trilhasse por esse caminho, não sendo legítimo ao Estado lhe penalizar por agir de tal maneira. Certa vez, REGIS FERNANDES DE OLIVEIRA19 asseverou que “O contribuinte não pode se convencer da justiça da tributação a que se vê submetido porque não encontra racionalidade na tributação nacional. Registrase grande imoralidade fiscal no país”. Se a constatação desse professor estiver minimamente correta, urge que os operadores do Direito, especialmente os agentes fiscais e os membros dos tribunais administrativos e judiciários, empenhem os seus maiores esforços para que a justiça fiscal, a segurança judicia e a boafé nas relações entre fisco e contribuinte façam parte da realidade brasileira. Se no Brasil o contribuinte pode ter a confiança de, hoje, pautarse de boafé na forma como a administração fiscal interpreta e aplica reiteradamente uma certa norma jurídica, então nossa nação já terá evoluído para um Estado democrático de Direito que garante a segurança jurídica aos seus administrados. Contudo, se um particular corre o risco de amanhã vir a ser punido por ter agido exatamente da forma como a administração fiscal, por seu órgão máximo de julgamento, afirmava ser legítima à época dos fatos, então ainda falhamos vergonhosamente em termos de justiça fiscal, segurança jurídica e boafé nas relações mantidas entre fisco e contribuinte. É como voto. 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. 19 OLIVEIRA, Regis Fernandes de. Contribuições sociais e desvio de finalidade. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; (coord.). Direito Tributário: Homenagem a Paulo de Barros Carvalho. São Paulo: Quartier Latin, 2008. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 19515.006116/200846 Acórdão n.º 9101002.226 CSRFT1 Fl. 1.069 69 (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/04/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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Numero do processo: 10380.016768/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OCORRÊNCIA.
Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas.
SISTEMÁTICA SIMPLES NACIONAL. OBRIGATORIEDADE APRESENTAR LIVROS E DOCUMENTOS.
Empresa optante pelo SIMPLES não se exime do cumprimento de obrigação acessória prevista na legislação previdenciária.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. PERÍODO DE 01/2005 A 12/2006.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, a correção da falta dentro do prazo de impugnação, com pedido no prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. Não houve a correção da falta apontada pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OCORRÊNCIA. Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos sem atendimento às formalidades legais exigidas. SISTEMÁTICA SIMPLES NACIONAL. OBRIGATORIEDADE APRESENTAR LIVROS E DOCUMENTOS. Empresa optante pelo SIMPLES não se exime do cumprimento de obrigação acessória prevista na legislação previdenciária. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. PERÍODO DE 01/2005 A 12/2006. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, a correção da falta dentro do prazo de impugnação, com pedido no prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. Não houve a correção da falta apontada pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 67 68 /2 00 9- 78 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10380.016768/200978 Acórdão n.º 2401004.089 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/12/2009 (fls. 01/02). Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 44/49), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] Tratase de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória AI (DEBCAD nº 37.204.9613) emitido contra o sujeito passivo acima qualificado, doravante chamado de empresa ou impugnante, em razão de deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.112/91, com lastro em fundamentação legal contida na folha de rosto do AI. O auto importou em R$ 13.291,66. Intimada regularmente via Termo de Intimação Fiscal – TIFs nºa 01, 02, 03 e 04, de acordo com Relatório Fiscal (fl. 06), a empresa deixou de apresentar os seguintes documentos: livros Diário e Razão, Livro Caixa e Registro de Inventário, Livro de Inspeção do Trabalho e Contratos de locação de mãodeobra efetuados com terceiros (tomadores), no período de 01/2005 a 12/2006. (...) Inconformada com a autuação, cientificada em 30.12.2009 (fl. 02), apresentou o sujeito passivo impugnação em 29.01.2010, acostada às fls. 28/37 (documentos anexos das fls. 38/40), alegando em síntese que: Não há certeza e liquidez no crédito tributário combatido; O AI não é claro, fala de uma possível não entrega de documentos; Houve cerceamento do direito de defesa e do direito ao contraditório, o que contraria a Constituição Federal; Foram lavrados mais de quatro instrumentos de lançamento, com mais de 200 folhas e o prazo de 30 dias para contestação é obstacularizador dos princípios referidos acima; O relatório fiscal deve conter informações indispensáveis para sua validade, como contribuições exigíveis, hipóteses de Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 incidência e capitulação, conforme IN 03 e doutrina e jurisprudência; Alega o auditor, que a notificada deixou de apresentar livros contábeis, tais como Livro Diário, Razão, etc, naturalmente, considerando já julgado em definitivo, o Ato Declaratório que tem o objetivo de excluir a autuada do SIMPLES, uma vez que esta está dispensada de escrituração contábil (...) Mesmo que consideremos a hipótese do julgamento em definitivo do Ato Declaratório citado, ainda assim, a empresa não poderia ser penalizada por deixar de cumprir uma obrigação que na época estava dispensada e que só passará a ser obrigada a partir do julgamento em definitivo relativo a sua exclusão do SIMPLES. Requer: Em preliminar, pois, requerse: a) tornar insubsistente os lançamentos, objeto da AI n° 37.204.9613, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa, para que outro seja produzido ao amparo da lei e que possa oferecer condições de defesa; b) acaso não se acolha a pretensão anterior, reconheçase, a absoluta impossibilidade de lançamento de penalidade sobre infração oriundos de um Ato Declaratório, ainda em fase de impugnação no Contencioso Administrativo Fiscal da RFB; c) requer, por fim, a produção no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e, principalmente, perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos. [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário (fls. 56/62), no qual alega, em apertada síntese, que: (i) houve cerceamento ao direito de defesa; (ii) não houve a ocorrência da infração; (iii) houve correção da falha; e (iv) requer relevação da multa aplicada pelo Fisco. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10380.016768/200978 Acórdão n.º 2401004.089 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo em face do direito à ampla defesa e ao contraditório. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 05/06), nos seguintes termos: “[...] RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO A auditoria solicitou no Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF de 13/05/2009, vários documentos nele relacionados, conforme cópia anexa. Em 10/07/09, 09/09/09, 22/10/09 e 21/12/09 emitiu os Termos de Intimação Fiscal TIF, de N°s 01, 02, 03 e 04, respectivamente, solicitando a apresentação de documentos. Apesar de intimado por várias vezes, o contribuinte deixou de apresentar os seguintes documentos solicitados pelos termos acima citados: a) Livro Caixa e Registro de Inventário; b) Livro de Inspeção do Trabalho; c) Livro Diário; d) Livro Razão; e) Contratos de Locação de MãodeObra efetuados com terceiros (tomadores), no período de JAN/05 a DEZ/06. [...]” Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/41) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) e de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 08/16, e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 17/18 –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória, e a informação de que a Recorrente recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 05/06. Dentro do contexto fático, entendese que é impertinente a alegação da Recorrente de que o seu direito à ampla defesa e ao contraditório foi vilipendiado, em face da lavratura dos autos de infrações apresentados pelo Fisco de mais de 300 folhas, haja vista que a origem desses documentos decorrem exclusivamente de fatos constantes na própria documentação da Recorrente. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada e a identificação correta do sujeito passivo, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/41) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10380.016768/200978 Acórdão n.º 2401004.089 S2C4T1 Fl. 5 7 Diante disso, não acato a preliminar de nulidade ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Quanto à alegação de que inexiste a infração imputada pela auditoria fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência (Lei 9.317/1996). Tal alegação é infundada, ja que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente, devidamente intimada para a apresentação da escrituração contábil, deixou de apresentar ao Fisco tanto os Livros Caixa e Registro de Inventário como também os Livros Diário e Razão. Ressaltase que a Recorrente estaria dispensada de apresentar a escrituração contábil (Livros Diário e Razão), a teor do art. 7o, da Lei 9.317/1996, caso mantivesse, em boa ordem e guarda, e apresentasse ao Fisco: (i) o Livro Caixa, contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (ii) o Livro de Registro de Inventário, contendo os registros de estoques existentes no término de cada anocalendário; e (iii) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos anteriormente. Esta hipótese não foi verificada nos autos. Lei 9.317/1996 – Lei do SIMPLES FEDERAL: Art. 7o. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3o e 4o. § 1o A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) e de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 08/16, constatase a intimação para a apresentação dos livros contábeis e demais documentos. A não apresentação desses documentos ou a sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Com essa conduta, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Esse art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 232 e art. 233, parágrafo único: Do Exame da Contabilidade (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999) Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco integralmente os documentos solicitados por meio dos TIF (fls. 08/16) – incorreu na infração disposta no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10380.016768/200978 Acórdão n.º 2401004.089 S2C4T1 Fl. 6 9 Frisamos que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade para a aplicação da multa, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo. Lei 8.212/1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) (...) II a partir de RS 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispõe a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos. 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria Ministerial MPS/MF n°. 48, de 12/02/2009, DOU de 13/02/2009, reajustou os valores da multa para R$13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Com relação ao pedido de relevação da multa aplicada, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas nem formular o pedido dentro do prazo de impugnação (fls. 27/36), apesar de ser primária (fls. 01/07) e não ter incorrido em circunstância agravante (fls. 05/06). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Constatase que a Recorrente não corrigiu a falta apontada pelo Fisco, já que ela não apresentou o Livro Caixa e o Livro de Registro de Inventário, bem como não apresentou os Livros Diário e Razão, para as competências 01/2005 a 12/2006. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um único descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela, a simples falta de apresentação do Livro Caixa e Registro de Inventário ou falta de apresentação dos Livros Diário e Razão. Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação ou atenuação da multa, já que a ela estava obrigada a apresentar os livros contábeis contendo todas as formalidades estabelecidas pela legislação tributária, nos termos do art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/1999. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10380.016768/200978 Acórdão n.º 2401004.089 S2C4T1 Fl. 7 11 Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, pois o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10611.720601/2011-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/02/2009
NORMAS PROCESSUAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. REQUISITOS DA EXPRESSÃO "PRÁTICAS REITERADAS"
O despacho aduaneiro como medida ainda sujeita a revisão por expressa disposição legal não se reveste do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração necessário a caracterizar a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN, ainda que tenha havido a conferência física e documental (canal vermelho) e de forma repetida.
Numero da decisão: 9303-004.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez Lopes, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/02/2009 NORMAS PROCESSUAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. REQUISITOS DA EXPRESSÃO "PRÁTICAS REITERADAS" O despacho aduaneiro como medida ainda sujeita a revisão por expressa disposição legal não se reveste do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração necessário a caracterizar a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN, ainda que tenha havido a conferência física e documental (canal vermelho) e de forma repetida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez Lopes, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 06 01 /2 01 1- 69 Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.477 2 Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3201001.615 (fls. 2.424 a 2.435) proferido pela 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/03/2014, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO. MULTAS APLICADAS. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. Comprovado que a conduta do contribuinte decorre da adoção de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, aplicase a regra prevista no parágrafo único do art. 100 do CTN, excluindose as penalidades e os juros de mora exigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O processo tem por objeto a exigência de créditos tributários que, na data da autuação alcançavam a monta de R$398.590,10 (trezentos e noventa e oito mil, quinhentos e noventa reais e dez centavos), decorrentes de três autos de infração lavrados em face da Contribuinte, conforme descritos no relatório da decisão proferida pela DRJ (fls. 1.948 a 1.971). [...] Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.478 3 a) Auto de Infração de fls. 03127, por meio do qual foi constituído o crédito tributário relativo: a.1) ao Imposto de Importação, no valor de R$ 163.933,81, acrescido de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, na forma da legislação de regência; a.2) à multa por classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158/200135, no percentual de 1% sobre o valor aduaneiro, correspondente à quantia de R$84.018,05; b) Auto de Infração de fls. 128195, através do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação (COFINSImportação), no valor de R$ 3.606,53, acrescida de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, na forma da legislação de regência; c) Auto de Infração de fls. 196263, por meio do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação (PIS/PASEPImportação), no valor de R$ 783,48, acrescida de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, na forma da legislação de regência. De acordo com a descrição dos fatos, contida no Relatório de Ação Fiscal, integrante dos autos de infração, o procedimento de fiscalização restringiu se ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010 e teve por objetivo a análise da classificação fiscal das mercadorias importadas, na Nomenclatura Comum do Mercosul. Conforme relata a autoridade fiscal, o contribuinte indicou incorretamente o código 8506.80.90 da NCM na DI nº 09/02279828, e o código 8506.50.10 nas DIs relacionadas na fl. 266, para baterias (acumuladores) recarregáveis. (grifouse) Após cientificada da autuação, a Contribuinte insurgiuse por meio de Impugnação (fls. 1.830 a 1.842), julgada improcedente conforme Acórdão nº 08023.341 7ª Turma da DRJ/FOR, de 25/04/2012 (fls. 1.948 a 1.971), cujos fundamentos encontramse consubstanciados em sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, reputandose definitivo, na via administrativa, o correspondente crédito tributário exigido. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.479 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALIDADE. O desembaraço aduaneiro da mercadoria não configura homologação do pagamento efetuado pelo contribuinte. Inexistindo homologação de forma expressa, ela somente se configura com o decurso do prazo de cinco anos, contados do fato gerador. Antes de transcorrido o prazo quinquenal, constatada a insuficiência de recolhimento de tributos incidentes na importação, é cabível a revisão aduaneira e o consequente lançamento de ofício. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. INEXISTÊNCIA DE PRÁTICA ADMINISTRATIVA REITERADA. A prática administrativa reiterada, como norma complementar das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, somente se configura diante da inexistência de norma escrita sobre determinada matéria, motivando, assim, o surgimento dos usos e costumes administrativos, bem como quando tal prática estiver em consonância com a legislação que visa complementar e ainda se revelar o entendimento da Administração, de forma manifesta, inequívoca, conclusiva e oficial, acerca de determinado fato ou direito, excluindose do âmbito desse instituto jurídico, por decorrência, os atos contrários à legislação, aqueles praticados a título precário e ainda os informais e perfunctórios. O desembaraço da mercadoria, sem que tenha sido detectada infração durante o despacho de importação, não configura prática administrativa reiterada, visto que, por expressa determinação legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão no período qüinqüenal, e mormente quando o entendimento que prevaleceu para fins de tributação e controle aduaneiro da importação, em face das informações prestadas pelo contribuinte, contrariar a legislação de regência da matéria ou estiver em desacordo com os fatos apurados. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MULTAS. A insuficiência de pagamento de tributos e contribuições incidentes na importação, em decorrência de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento das diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, cumulada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. (grifouse) Inconformada com a decisão proferida pela DRJ, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2.024 a 2.043) sustentando, em apertada síntese, ter sido a classificação fiscal utilizada pelo importador uma exigência da própria fiscalização Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.480 5 aduaneira, no curso do despacho da DI 09/02279828, passando a ser por ele adotada nas subsequentes importações de baterias de pilhas de liion (íon de litio), aceitas pela fiscalização nos anos de 2009 e 2010, quando realizadas as 28 DI´s selecionadas para o canal vermelho. Referidas declarações de importação foram examinadas e confirmadas, sem objeções, pelos membros do Fisco, constituindose em prática reiterada da Administração Fazendária, induzindo o importador a erro e que, por isso, não autorizariam a cobrança de penalidades e juros de mora. Como resultado do julgamento do recurso voluntário, sobreveio o Acórdão nº 3201001.615 (fls. 2.424 a 2.435), ora recorrido, proferido pela 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/03/2014, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar as penalidades e os juros de mora exigidos, sob o fundamento de a Contribuinte ter observado a prática reiterada do Fisco, conforme art. 100, inciso III do Código Tributário Nacional CTN. No ensejo, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 2.437 a ), alegando, em síntese, (a) ser necessário pronunciamento do órgão normativo da Administração para caracterização de prática reiterada; (b) que o desembaraço aduaneiro das mercadorias sob o NCM 85065010 constituise em erro e não em prática reiterada; e (c) nos termos da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, a Administração pode anular seus próprios atos se eivados de vício que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos. Trouxe como paradigma o Acórdão nº 30333696. O recurso especial foi admitido por meio do despacho s/n, de 30/06/2015 (fls. 2.449 a 2.452), em razão da demonstração da divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de afastamento da aplicação da multa e dos juros de mora por ter a Contribuinte obedecido à prática reiterada do Fisco, conforme autoriza o art. 100, inciso III do CTN. O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (fls. 2.459 a 2.472) requerendo, em preliminar, o não conhecimento e, no mérito, a improcedência do apelo especial da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.481 6 O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, razão pela qual deve ter prosseguimento na parte em que admitido. A controvérsia delimitase à análise da divergência quanto à possibilidade de afastamento da aplicação de penalidades e dos juros de mora em razão da constatação de prática reiterada da Administração Pública por meio do desembaraço aduaneiro, nos termos expostos no art. 100, inciso III do CTN. Com o intuito de preservar a segurança jurídica na relação existente entre a Administração Pública e os seus administrados, no caso, a Contribuinte, estabeleceu o art. 100 do CTN como uma das normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais, e dos decretos, as práticas reiteradamente observadas pela Administração Pública, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (grifouse) A norma em referência assume especial relevo em um Estado de Direito, no qual a segurança jurídica exerce papel fundamental na proteção da confiança dos contribuintes ao praticarem atos jurídicos válidos e confirmados pelas Autoridades Administrativas, como no caso a Fiscalização, sem que posteriormente venham a sofrer autuações em razão das condutas anteriormente adotadas e convalidadas pela Administração Pública. O disposto no art. 100 do CTN, portanto, reflete o princípio da proteção da confiança legítima, constante no ordenamento jurídico brasileiro. Além disso, a legislação infraconstitucional previu ainda a irretroatividade da nova interpretação dada à lei pela Autoridade Administrativa, conforme art. 2º, inciso XIII, da Lei nº 9.784/99, visando conferir a devida proteção ao jurisdicionado. Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.482 7 Por esta razão, o atendimento às normas referidas no art. 100 do CTN, dentre elas as práticas reiteradamente observadas pelas Autoridades Administrativas, tem o condão de excluir a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Conforme relatado, em procedimento de revisão aduaneira, a Fiscalização examinou as DI´s da Contribuinte registradas no período de 01/2009 a 12/2010, referentes à importação de baterias de pilhas, classificadas nas posições NCM 85.06.5010 e 85.06.8090. Naquele ato, entendeu a Autoridade Administrativa estar equivocada a classificação fiscal adotada pela Contribuinte, enquadrando os produtos importados no código 85.07.8000 da Tarifa Externa Comum TEC e procedendo à cobrança dos tributos decorrentes dessa reclassificação por meio do Auto de Infração objeto deste processo administrativo. No entanto, ao classificar os produtos nas posições NCM 85.06.5010 e 85.06.8090, a Contribuinte estava observando prática reiterada da Administração Pública e, ainda, seguindo orientação formalizada pela mesma no despacho aduaneiro da DI nº 09/02279828, registrada em 20/02/2009, anteriormente ao período autuado, no qual consignou a Autoridade Fiscal ser correta a classificação fiscal no NCM 85.06.5010. A Fiscalização criou uma expectativa justa para a Contribuinte, que se adequou e seguiu a exigência, passando a adotar referido código para todas as subsequentes importações das baterias de pilhas, submetidas à Fiscalização e devidamente aprovadas nos anos de 2009 e 2010, caracterizandose em prática reiteradamente observada pela Administração Pública e, por conseguinte, afastando a aplicação das penalidades e dos juros de mora no caso concreto. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos O colegiado reiterou entendimento já manifestado em ocasiões anteriores no sentido de que a prática reiterada de que cuida o art. 100 do CTN requer pronunciamento inequívoco por parte da Administração. Nesta ocasião, também se reiterou não se revestir de tal requisito o despacho aduaneiro, ainda que proferido no curso do chamado canal vermelho de parametrização, em que se conferem tanto física quanto documentalmente as mercadorias submetidas a desembaraço. As razões são, basicamente, aquelas expendidas no voto de primeira instância, que peço vênia para transcrever aqui: Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.483 8 (...) Do texto legal extraise a ilação de que, na condição de instituto jurídico, a configuração de prática reiterada com natureza normativa, apta, portanto, a gerar direitos e obrigações, requer o atendimento de alguns requisitos, a saber: a) a prática reiterada pressupõe a inexistência de norma escrita específica a respeito de determinada matéria, motivando assim a adoção de práticas ou costumes, pela autoridade fiscal, com vista a regulamentar a execução da lei ou suprir uma lacuna legal, haja vista que, acaso exista norma disciplinando a mesma matéria é despiciendo instituir alguma prática administrativa e qualquer ato praticado nessa situação não se enquadra no conceito de “práticas reiteradas” de que trata o CTN; b) exatamente por ter o caráter de norma complementar, deve haver compatibilidade entre a prática tida por reiterada e as demais normas da legislação ou, em outras palavras, requerse a inexistência de norma escrita dispondo de modo diverso ao da conduta adotada pela autoridade administrativa, sob pena de a aventada “prática” não se caracterizar como norma complementar e sim verdadeiramente um ato flagrantemente ilícito; c) a configuração de uma prática reiterada deve revelar uma conduta inequívoca que, de forma manifesta, oficial e conclusiva, veicule o entendimento da Administração acerca de determinado fato ou direito (por interpretação analógica dos demais incisos do referenciado art. 100, os quais dispõem sobre atos dotados dessas características), excluindose, por decorrência, os atos praticados a título precário ou ainda os informais ou perfunctórios. (...) Ademais, não se deve erroneamente imputar ao desembaraço aduaneiro o caráter de ato homologatório do pagamento efetuado, da classificação indicada pelo importador na DI ou de quaisquer outros aspectos fiscais da importação. Essa ilação é evidenciada pelo art. 54 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 2º do Decretolei nº 2.472/1988, o qual autoriza expressamente o Fisco a examinar, no prazo de cinco anos do registro da DI, a regularidade do pagamento do imposto e da exatidão das informações prestadas pelo importador, por ocasião do despacho aduaneiro. Assim, sem embargo das considerações antes expendidas, estando o despacho aduaneiro pendente de revisão, por força de expressa disposição legal, não se pode, nessa situação, falar ainda na consumação de uma prática reiterada, a qual, para se configurar, como visto, pressupõe a existência de um ato conclusivo e manifesto da Administração, revelador da vontade inequívoca acerca de determinado fato ou direito e não meramente a prestação de informações pelo contribuinte na DI e Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.484 9 o despacho aduaneiro, durante o qual são praticados atos a título precário, porquanto passíveis de reexame. Portanto, estando os despachos sujeitos à revisão, por não haver transcorrido o interregno legal lhes atribua o caráter de imutabilidade, isso significa que não houve homologação por parte da autoridade fazendária, dispondo o fisco da prerrogativa de reexaminar a regularidade da importação, no período quinquenal, e exigir eventuais diferenças de tributos, multas e juros, inclusive decorrentes de classificação fiscal errônea da mercadoria. Cabe aduzir que eventual erro de fato ou de direito, ocorrido durante o despacho, seja por ato da autoridade administrativa, seja por ação do importador, não obsta a revisão aduaneira. Em face dos dispositivos legais acima mencionados, concluise que quaisquer dos procedimentos administrativos realizados no curso do despacho de importação não têm efeito homologatório das informações prestadas na DI e tampouco têm o condão de representar o entendimento formal, oficial e definitivo acerca da classificação da mercadoria ou de algum outro aspecto relativo à importação. Devese ter conta que eventual conferência realizada no curso do despacho não vai além de uma verificação preliminar e perfunctória. Não poderia ser diferente: os exames aprofundados e as diligências minuciosas não se compadecem com a celeridade que se deve imprimir ao despacho aduaneiro, só sendo realizados posteriormente à importação, exceto nas hipóteses de irregularidades ostensivas. Assim reclamam os intervenientes do comércio internacional e o próprio Estado, sempre a exigirem presteza das repartições alfandegárias. Daí o porquê de prever, a legislação aduaneira, mecanismos de seleção e distribuição das declarações por canais de conferência, possibilitando, cada vez com maior frequência, que ocorra, por meio do canal verde, o desembaraço automático da mercadoria sem exame de valor aduaneiro, sem análise documental e, até mesmo, sem verificação física, situação em que nenhum ato é praticado pela autoridade administrativa, pelo que, à obviedade, sequer caberia aventar a existência de prática reiterada. No caso concreto, porém, essas considerações genéricas devem ser complementadas, na medida em que o contribuinte trouxe mesmo aos autos (diferentemente do quanto afirmado na decisão da DRJ) pronunciamento escrito da autoridade administrativa, aparentemente, dotado das características exigidas acima. O fator determinante para que não tenhamos, mesmo assim, encampado o entendimento da decisão recorrida decorre da especificidade dos procedimentos de classificação fiscal. Como se sabe, ela se processa em estrita obediência às regras estabelecidas em convenção internacional e à vista daquela específica mercadoria por classificar. Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.485 10 Pois bem, examinando a determinação administrativa referente à DI 09/02279828, verificase que ali descreverase a importação de "Bateria de Pilhas, composição química LiIon (Íon de Lítio), 3,7 v, 1800mAh, p/ coletor Symbol MC1000, REF.: BTRYMC10EAB00", classificandoa no código 85068090. Esse específico produto é que foi objeto de determinação por parte da Aduana para que fosse classificado no código NCM 85060510. Já as mercadorias importadas objeto do presente auto de infração estão exaustivamente listadas pela autoridade responsável pelo lançamento nos anexos intitulados "Descrição das Mercadorias Importadas Declarado (sic) pelo Contribuinte" e "NCM Declarados e Descrição das Mercadorias". Da comparação entre as diversas descrições aí constantes e aquela objeto da retificação, o único ponto em comum é que são todas elas produzidas com Íon de Lítio, mas seus usos e características técnicas (voltagem, amperagem) diferem. Mais. No Relatório Fiscal que acompanha e explica o lançamento, a autoridade fiscal deixa claro: Assim sendo, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (TECNESH), a posição 8507 é a correta classificação fiscal no caso em tela. Vejamos o que dispõe a NESH: Tarifa Externa Comum (TEC) 85.07 ACUMULADORES ELÉTRICOS E SEUS SEPARADORES, MESMO DE FORMA QUADRADA OU RETANGULAR. 8507.10 De chumbo, do tipo utilizado para o arranque dos motores de pistão 8507.20 Outros acumuladores de chumbo 8507.30 De níquelcádmio 8507.40 De níquelferro 8507.80 Outros acumuladores 8507.90 Partes Os acumuladores elétricos ou "pilhas (ou baterias) secundárias" caracterizamse pelo fato de que a ação eletrolítica é reversível de modo que o acumulador pode ser recarregado. (...) Conforme anexo “NCM Declarados e Descrição das Mercadorias”, informou o contribuinte o NCM 8506.80.90 e o NCM 8506.50.10 nas Declarações de Importação que são objeto do presente procedimento fiscal, para a importação de baterias (acumuladores) recarregáveis como será demonstrado no transcorrer do presente Auto de Infração. Tal classificação mostrase incorreta, demandando atuação da fiscalização para o lançamento dos tributos, e penalidades, devidas. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.486 11 Ocorre que tal classificação (na posição 85.06) mostrase incorreta, senão vejamos porquê: 1. Nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, a posição 8506 é explicada como: 85.06 PILHAS E BATERIAS DE PILHAS, ELÉTRICAS (+). 8506.10 De bióxido de manganês 8506.30 De óxido de mercúrio 8506.40 De óxido de prata 8506.50 De lítio 8506.60 De arzinco 8506.80 Outras pilhas e baterias de pilhas 8506.90 Partes (...) A presente posição não compreende as pilhas elétricas recarregáveis, as quais se classificam, como acumuladores elétricos, na posição 85.07. Ressaltese que as notas explicativas são claras ao afirmar que, na posição 8506, não estão compreendidas as pilhas elétricas recarregáveis, as quais devem ser classificadas na posição 85.07. 2. Todas as mercadorias importadas sob estas classificações fiscais, a saber 8506.8090 e 8506.5010, são baterias (acumuladores) recarregáveis de composição LIION (ions de lítio). Tal informação é corroborada pela descrição das mercadorias feita pelos próprios fornecedores. Assim, após intimação, apresentou o contribuinte planilha descritiva das mercadorias importadas e objeto da presente ação fiscal. Tal descrição está no anexo nominado “Descrição das Mercadorias Importadas Declarado Pelo Contribuinte”. 3. Com base na tabela apresentada pelo contribuinte, foi apurado, em relação às baterias importadas, os discriminativos disponibilizados pelos fornecedores internacionais. Quando de sua impossibilidade, foi apurado junto à respectiva “invoice” a descrição da mercadoria. Tais documentos estão anexados sob o título “Documentação das Mercadorias Importadas”. 4. Resta indubitável que todas as mercadorias importadas, pela sua natureza, composição química e finalidade, conforme apurado pela fiscalização na documentação acostada junto a presente autuação e apurada junto à sítios da internet, são baterias recarregáveis de composição LIION. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 9303004.154 CSRFT3 Fl. 2.487 12 Em suma, com base nas informações acostadas nas diversas Declarações de Importação e em outras fontes consultadas, a autoridade fiscal que realizou a revisão aduaneira convenceuse de estar diante de baterias recarregáveis e não de meras baterias de íon de lítio como no caso objeto da determinação de retificação. Nesses termos, e em linha com tudo quanto já se disse, a nós nos pareceu que a aplicação do inciso III do art. 100 do CTN requereria um pronunciamento da Administração afirmando ou a) que baterias secundárias (recarregáveis) classificavamse no código pretendido pelo autuado, o que contrariaria frontalmente as NESH; ou b) que as mercadorias importadas constantes do auto de infração não são baterias recarregáveis. Mas tudo o que temos é uma determinação para que o sujeito passivo retifique a classificação de uma específica "bateria de pilha" para a posição referente a pilhas não recarregáveis. Da transcrição acima deflui que ele as classificara na posição atinente a outras pilhas e baterias quando há uma posição específica descrevendo o material de que se compõe aquela por ele importada; e isso é tudo que se pode concluir. Em outras palavras, naquela específica DI, a determinação da Administração Aduaneira não discutiu se a bateria era recarregável ou não. Aceitou que não era. Dos elementos coligidos nos autos, portanto, não há como afirmarse que os requisitos do artigo 100 para a dispensa da multa e dos juros estão, inequivocamente, presentes, mesmo que, em tese, se aceite que o pronunciamento da Administração determinando a retificação de uma específica DI pudesse cumprir tal papel. Com essas considerações, o colegiado deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional. E esse é o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator para o acórdão Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/07/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14120.000312/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO
O Acórdão do RE 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição. Com o advento da Lei 10.256/2011, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de sub-rogação, previsto no art. 30, IV, da Lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Patrícia da Silva, que deu provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Ana Paula Fernandes, que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Declaração de voto
EDITADO EM: 11/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DOS PRODUTORES DO CENTRO OESTE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO O Acórdão do RE 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição”. Com o advento da Lei 10.256/2011, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de subrogação, previsto no art. 30, IV, da Lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Patrícia da Silva, que deu provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Ana Paula Fernandes, que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 12 /2 00 9- 16 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.062 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Declaração de voto EDITADO EM: 11/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, AI DEBCAD nº 32.227.9384 (efl. 02), no qual foram constituídos o crédito lançado referese a contribuições devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural — SENAR, incidentes sobre os valores da aquisição de produção rural de pessoas físicas, apurados no exame dos livros contábeis Diário e Razão do período abrangido pela ação fiscal. O AI foi elaborado em 30/11/2009, com ciência em 07/12/2009. O relatório fiscal que trata desses AI está posto às efls. 18 a 20 dos autos. Em sua impugnação, às efls. 42 a 44, a cooperativa contestou o auto de infração, por estar ele ligado ao AI DEBCAD nº 37.227.9376, exigido no processo 14120.000313/200952, no qual são lançadas as contribuições destinada à seguridade social incidentes sobre a comercialização da produção rural relativas às mesma competências, devendo por isso ter o mesmo destino daquele. A 3ª Turma da DRJ/CGE considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0421.835 de 22/09/2010, às efls. 96 a 106, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 114 a 127. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.063 3 Aquele recurso foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 19/01/2012, no acórdão 230201.600, às efls. 135 a 171, que tem a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E CONTRIBUIÇÃO PARA SENAR. INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA. Inexiste vínculo jurídico interligando a contribuição para o SENAR com a contribuição previdenciária, tampouco esta se revela principal em relação àquela. As duas contribuições são totalmente autônomas, distintas e independentes; ostentam natureza jurídica diversa; possuem destinação constitucional bastante divisa uma em relação à outra; foram criadas e disciplinadas por documentos legislativos próprios e diversos, Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.064 4 além de os respectivos beneficiários serem pessoas jurídicas diferentes. Recurso Voluntário Negado O acórdão, por sua vez, teve a seguinte redação: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que votou pela procedência total do recurso. Intimada do acórdão em 05/04/2012 (efl. 178), a contribuinte interpôs embargos de declaração em 13/04/2012, às efls. 180 a 187. Tais embargos foram rejeitados pela Presidente Substituta da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, com a aprovação do despacho nº 2302178, conforme se observa às e fls. 283 a 286. A Fazenda Nacional, por sua vez, após a ciência (efl. 288) do mesmo acórdão e do ED a ele oposto pela contribuinte, em 06/12/2012, nada contestou. Ciente da denegação de seu embargos em 02/04/2013 (efl. 294) , a contribuinte interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 296 a 304, em 17/04/2013, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Em seu RE a contribuinte traz à discussão apenas matéria relativa a responsabilidade tributária mediante subrogacão, prevista no art. 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, alegando que esta teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo STF e assim, em face do inc. I do parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, invoca a aplicação daquele julgado, para sustentar a divergência, apresenta cópia integral do acórdão 2401002.254 como paradigma. O Presidente da Segunda seção de Julgamento do CARF através do Despacho s/n, às efls. 337 a 342, deu seguimento ao RE, por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade, em 05/08/2015. Encaminhado o despacho à Procuradoria da Fazenda em 10/09/2015, esta apresentou contrarrazões em 16/09/2015, às efls. 344 a 371. A Fazenda, preliminarmente, questiona a tempestividade do RE, tendo em vista que os embargos anteriormente opostos pela contribuinte também padeciam desse mal, sem que isso fosse constatado no despacho que denegara tais embargos. Ora, sendo os ED intempestivos, e sendo a tempestividade matéria de ordem pública, isso deveria ser revisto a qualquer tempo em que seja provocado e mesmo ex officio. Assim, sendo extemporaneos os ED, o RE também o seria. No mérito, afirma: A decretação de insubsistência da obrigação tributária por sub rogação do adquirente da produção do empregador rural pessoa Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.065 5 física, ordenada no RE 363.852/MG, somente permanece se presente o quadro jurídico analisado pelo STF, isto é, ausência de previsão no art. 195, I, da CF para cobrança de contribuição sobre receita bruta e lei ord inária tratando da matéria (Lei 8.540/92). Alterado esse contexto por novel legislação, in casu, a Lei n.º 10.256/2001, editada após a EC 20/98, válida a arrecadação da contribuição por meio da técnica da substituição tributária, nos termos do art. 30, inciso IV, da LCPS, que permaneceu vigendo no ordenamento em relação ao segurado especial. Para concluir, informa que em 17 de outubro de 2013, a Suprema Corte, sob a relatoria do Min Ricardo Lewandowski, deu provimento aos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional nos autos do RE nº 596.177/RS, no qual ficou explicitado que a decisão naqueles autos não abrange a discussão da constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Desde logo há que se apreciar a preliminar levantada nas contrarrazões, relativamente à suposta intempestividade dos embargos declaratórios, que estaria a contaminar a o prazo para apresentação do RE. Conforme apontado no relatório, o recurso voluntário foi cientificado à contribuinte em 05/04/2012 (efl. 178) e ela interpôs embargos de declaração em 13/04/2012, (efl. 180). Sobre esse fato não há dissenso. Contudo, 05/04/2012 era uma quintafeira, sendo o dia seguinte, 06/04/2012, feriado nacional (Paixão de Cristo ou Sextafeira Santa). Assim, a contagem do prazo para interposição dos ED só se iniciou na segundafeira, dia 09/04/2012, encerrandose o prazo no dia 13/04/2012, data da efetiva entrega dos ED; tempestivos, portanto. Assim, pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Ademais, entendo que o recurso deve ser desprovido, haja vista que a referida decisões do STF não se referiu à inconstitucionalidade do art. 30, inc. IV, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528 de 10/12/1997, mas à inconstitucionalidade da própria tributação do produtor rural, pessoa física, com base na receita bruta ou no faturamento, pois, até a vigência da EC 20 de 15/12/1998, essa receita demandaria lei complementar para sua tributação. Se esta não pode ser tributada a subrogação inexistiria por mera conseqüência lógica e não por inconstitucionalidade própria. A partir da referida emenda constitucional e da existência de nova lei regulando a relação jurídica da pessoa física com o fato gerador, a subrogação do art. 30, inc. IV, automaticamente incide. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.066 6 Argumentos que apóiam tal entendimento constam de forma clara e didática em voto da ilustre Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº 2401003.896 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Segunda Seção, por isso peço vênia para transcrevêlo: Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. O presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2010 a 12/2010. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei n° 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3° do art. 4° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei n° 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/1997 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n° 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP n° 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.067 7 foi alterada face nova redação dada pelo art. 3° da Lei 10.256/2001 no art. 6° da Lei 9.528/1997. "Art.6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário n° 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.068 8 Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. (...) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.069 9 (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: "A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRFda 4aRegião", assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciáriaprevista no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis n°s 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei n° 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário n° 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8°; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.070 10 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei n° 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei n° 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n°9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE .568 4, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional n° 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.071 11 produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n° 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei n° 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrrogação descrita no art. 30, IV da lei 8.212/91, nas redações dadas pelas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a turma, que a subrrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de subrrogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Citese do TRF: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE n° 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC n° 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." (Apelação n° 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 1ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Fl. 383DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.072 12 Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei n° 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, "deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91". Lei n° 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1° A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.073 13 Art. 12 ..... V......... a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não continua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer titulo, ainda que de forma não continua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do pais do domicilio; Art. 22 ................................. §5° O disposto neste artigo não se aplica à pessoa fisica de que trata a alinea "a" do inciso Vdo art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa fisica e do segurado especial referidos, respectivamente, na alinea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2° A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.074 14 §3° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4°Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30 IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor." Ora, caros leitores, o fato de o art. 1° da Lei n° 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea 'a' do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212/91, nas alíneas 'a' e 'b' do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas 'b', 'c' e 'd' do mesmo inciso V acima citado para 'c', 'd' e 'e', respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.075 15 E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso . V do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Aliás, o vocábulo "subrogação" assim como a referência ao "inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91" somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei n° 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE n° 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei n° 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.076 16 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.077 17 outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino "lex specialis derogat generali". A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial". Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrogação Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.078 18 em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97" não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8.212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8.212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8.212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. (...) Pelas razões acima expostas, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.079 19 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Embora o excelente voto do relator o qual eu acompanhei pelas conclusões, a fim de guardar coerência com aquilo que defendo e escrevo no âmbito acadêmico do Direito Previdenciário, preciso ressalvar que considero pertinentes algumas das alegações lançadas pelo contribuinte, chegando à mesma conclusão final que ele, de que a cobrança do tributo não é devida, uma vez que o dispositivo legal que o instituiu padece de inconstitucionalidade. Tal conclusão, inclusive, a meu modo de ver está dotada de forte razão jurídica e científica, contudo, para que a discussão versada nestes autos pudesse ter a decisão diametralmente oposta tencionada pelo contribuinte, seria necessária a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo de lei, que se encontra no presente momento dotado de vigência e legalidade. Observo que o controle de legalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso[3]: o controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado,sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto,incidenter tantum,exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço a contenda é de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Neste sentido, inclusive, o tema restou sumulado pelo CARF: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 14120.000312/200916 Acórdão n.º 9202003.836 CSRFT2 Fl. 1.080 20 “Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ainda, cumpre citar que a Lei nº 11.941/09, que alterou a redação de diversos dispositivos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo Administrativo Fiscal Federal (PAF), incluiu na redação deste o artigo 26A, que em linhas gerais delimita a competência do julgador em matéria de apreciação de constitucionalidade: no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Desse modo, a discussão trazida a este Tribunal, embora na minha convicção pessoal seja legítima, não compete ser solucionada pela via administrativa, pois a Carta Magna atribui expressamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade, seja de modo direto pelo Supremo Tribunal Federal, seja de modo difuso, efetuado por todas as instâncias na análise de casos concretos. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.018011/99-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência, pelo contribuinte, do inteiro teor do processo, após a decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. José Cabral Garofano, OAB SP nº 9659.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.?
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência, pelo contribuinte, do inteiro teor do processo, após a decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. José Cabral Garofano, OAB SP nº 9659. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 80 11 /9 9- 36 Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.008 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 1.763/1771 deste processo digital), reproduzido a seguir, observandose que a numeração nele citada referese à numeração do processo físico: A Fundação Conrado Wessel, acima identificada, foi instituída em testamento de 11/05/1988, por vontade do Sr. Ubaldo Conrado Augusto Wessel, tendo ocorrido o registro dos seus estatutos, no Cartório das Pessoas Jurídicas, aprovado por sentença prolatada em 12/04/1994 do MM Juiz de Direito da 11ª Vara da Família e das Sucessões da Comarca da Capital do Estado de São Paulo. Nos autos do processo n° 648/95, o mesmo juízo, ao concluir o processo de inventário, atribuiu à Fundação os bens deixados pelo Sr. Ubaldo Conrado Augusto Wessel através de sentença transitada em julgado em 11/09/1995 (fl. 29) e com carta de adjudicação de 18/09/1995. Em 17/06/1999, a interessada apresenta o pedido de restituição de fl. 01, relativamente ao imposto de renda pessoa física dos anoscalendário 1995/1999. Justifica sua solicitação segundo o fundamento de que, não obstante a adjudicação dos bens ter sido feita em 18/09/1995 e, dessa forma, o espólio ter sido encerrado, a sucessora, pessoa jurídica, continuou nos anos seguintes apresentando as declarações de ajuste em nome do falecido e utilizando o seu número de CPF. E que, somente em 17 de junho de 1999, a interessada identifica este equívoco e, por entender gozar de imunidade sobre os tributos incidentes sobre renda e patrimônio, requer a restituição dos valores recolhidos a título de IRPF nestes anoscalendário. Em 03/10/2000, a Divisão de Tributação, da extinta Delegacia da Receita Federal em São Paulo, proferiu o Despacho Decisório EQPIR/PF 1082/2000 (fls. 509/512), reconhecendo a declaração de fls. 489/499 como a Declaração Final de Espólio, com as correções indicadas na minuta de cálculo de fls. 508, e cancelar as declarações relativas aos exercícios 1996/1999. Faculta, ainda, à interessada a possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias a contar da ciência, contra esta decisão. Inconformado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade às fls. 520/536, em que alega, em síntese que: 1 em relação às glosas efetuadas pelo Fisco, na Declaração Final de Espólio, estas já não mais poderiam ser efetuadas, haja vista que tais fatos reportamse ao anocalendário 1995, atingido, assim, pela decadência, em conformidade com o art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional; 2 a Fundação tomou ciência do lançamento em 10 de novembro de 2000 e o prazo para a Fazenda levar a efeito tais glosas expirouse em 31/07/2000; Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.009 3 3 o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, dai o prazo a seguir é o do art. 150, §4º; 4 se os fatos geradores são tomados em bases mensais e assim se constitui o crédito tributário, nada tão óbvio que a homologação da atividade do contribuinte, também ser considerada mensalmente, uma vez que a declaração final de espólio não pode ser considerada como elemento constitutivo de direito; 5 quanto à glosa de R$ 85.000,00, dos rendimentos recebidos de aluguéis, a Fundação reconhece que não foi correta a alocação de valor em campo não adequado. Entretanto, tratase de despesa necessária à manutenção da fonte pagadora e neste ponto, a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuinte é pacifica; 6 no que tange à glosa de R$ 7.421,62, a glosa foi fundamentada pelo art. 81 do Regulamento do Imposto de Renda/1995, combinado à resposta e à pergunta 120 do Perguntas e Respostas 1RPF/1995; 7 o manual de "perguntas e Respostas" não pode ser tomado como verdade absoluta. Não é lei, uma vez que se trata de literatura fiscal, elaborada com o devido subjetivismo de quem pertencer A estrutura do órgão arrecadador; 8 o espólio deduziu tãosomente as despesas com impostos e taxas, as despesas pagas para recebimento e cobrança de aluguéis. Enfim todas usuais, normais e necessárias ao recebimento dos aluguéis e manutenção da fonte pagadora; 9 ao contribuinte que declarou os aluguéis recebidos pelas quantias globais, incluindo taxas, impostos, despesas com cobrança etc., é facultado deduzilas no momento da declaração, quer no livro Caixa, quer como redução no valor bruto declarado; 10 em relação à irregularidade apontada de que teria cometido erro no preenchimento na Declaração de Espólio, ao arrepio do art. 20, da Lei 8.981/95, há nova impropriedade da autoridade fiscal; 11 a Lei 8.981/95 dispôs sobre a fixação de Ufir trimestral e não como entendeu o r. despacho que se exigisse tributo nestes moldes, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1.01.95. Tanto é que o comando do art. 4° reza que só para os fatos ocorridos até 31.12.94 expressos em Ufir devem ser reconvertidos para reais com base no valor trimestral; 12 as Instruções Normativas citadas pela autoridade fiscal dispõem que o imposto de renda para as pessoas físicas com rendimentos não assalariados devem ser calculados em reais e não em Ufir, como consta do cálculo; Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.010 4 13 na medida em que os fatos geradores sob discussão ocorreram no período de janeiro a julho de 1995, a Fundação sempre entendeu que não poderia utilizar o formulário do ano base de 1994, para a Declaração Final de Espólio, pelo principal motivo que a mesma referiase a valores expressos em Ufir; 14 neste caso, era incabível prestar informações sobre fatos geradores ocorridos em 1995, na declaração de ajuste de 1994; 15 ressalta notório o fato de a ilustre autoridade fazendária ter constituído o crédito tributário com base em informações prestadas em formulário impróprio, utilizouse de expressão monetária que já não mais cabia a partir de 01.01.1995 e calculou o imposto devido com base na tabela progressiva que não se aplicava ao caso; 16 fato evidente é que os atos normativos citados no despacho constam tabelas progressivas expressas em reais e os valores constantes do demonstrativo estão expressos em Ufir; 17 o pedido contido na exordial restou decidido, implicitamente. Fato evidente é que a repartição fiscal preocupouse tãosomente com a Declaração Final de Espólio e levantar valores a serem cobrados da Fundação. Por meio da Resolução 289, de 25 de setembro de 2005, esta Terceira Turma, por unanimidade de votos, decidiu baixar o processo em diligência para que fosse apreciado o pedido de restituição de fl. 1, em relação a todos os outros anoscalendário objeto do pedido. O Despacho Decisório de fls. 610/615 deferiu em parte a solicitação do contribuinte, reconhecendo o direito creditório do contribuinte no valor indicado em suas tabelas, concluindo, ainda, que deve ser compensado o valor do imposto apurado na minuta de cálculo de fls. 508. Em 01/02/2008, o contribuinte apresenta nova manifestação de inconformidade de fls. 623/633, em que alega, em síntese que: 1 a autoridade fazendária estava obstada de efetuar qualquer glosa para os fatos geradores ocorridos entre janeiro e julho de 1995, em razão de ter ocorrido a decadência, conforme art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; 2 quanto aos R$ 85.000,00, entende que apenas houve erro no preenchimento da declaração, uma vez que tal dedução deveria constar em outro campo (deduções do livro Caixa) e não como redução direta do montante recebido; 3 em relação aos 7.421,62 Ufir glosados do livro Caixa, é inaceitável admitir que alguém possa produzir qualquer rendimento sem que tenha algum custo com a fonte produtora; 4 quanto ao cálculo do imposto devido, na manifestação anterior, foram apresentadas razões que demonstram que não se Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.011 5 pode utilizar o formulário e sua tabela do DIRPF do exercício 1995, anocalendário 1994, porquanto os fatos geradores ocorreram entre janeiro e julho de 1996; 5 requer o depósito do valor incontroverso na conta corrente de sua titularidade, conforme tabela anexada (fls. 631/633). Reconhecidos os pagamentos e realizados os cálculos de fls. 635/804, foi autorizada a restituição de R$ 90.639,21 (fls. 804). Em 11 de agosto de 2008, o contribuinte apresenta petição de fls. 805, confirmando o depósito de R$ 90.639,21 em sua conta e alegando não ter sido cientificado dos cálculos efetuados pela Administração, os quais apuraram o valor restituído. Em face de não constar nos autos prova de que o contribuinte tenha sido cientificado da restituição realizada, esta Terceira Turma, por meio do despacho n° 56, de 17 de outubro de 2008, resolve baixar o processo em diligência com o encaminhamento dos autos à Unidade de origem, para que o contribuinte fosse cientificado dos demonstrativos de restituição e compensação, facultandolhe a possibilidade de apresentar manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência. O contribuinte apresenta, então, nova manifestação de fls. 817/825, em que alega, em síntese, que: 1 sob a denominação de listagem de débitos remanescentes (fls. 775), apresentase um débito no valor de 34.167,01 Ufir, com vencimento em 30.12.94; 2 este valor corresponde precisamente àquele demonstrado à fl. 508, advindo das glosas levadas a efeito pela entrega da Declaração Final de Espólio, referentes a fatos geradores dos meses de janeiro a agosto de 1995; 3 o demonstrativo juntado pela Codac (fls. 776/779) sob o titulo Listagem de Créditos Remanescentes, emitido em 03/07/2008, o total reconhecido como valores histórico é de R$ 156.919,64; 4 já o demonstrativo constante do Despacho Decisório da Divisão de Orientação e Análise Tributária (fls. 610/615), no somatório das Tabelas 1 e 2, consta como crédito reconhecido da administrada o valor de R$ 160.947,81; 5 é notório que ha uma diferença a menor desfavorável ao contribuinte no valor de R$ 4.028,17; 6 não se sabe a razão por que foi reconhecido o direito creditório indiscutível de R$ 328.090,95 e só foi restituído R$ 90.639,21; 7 não é possível que se considere todo o rendimento recebido de aluguel sem a correspondente dedução das despesas ocorridas; Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.012 6 8 não foram consideradas as despesas normais, necessárias e usuais á percepção dos frutos (alugueis); 9 como constam dos demonstrativos o débito referese a 34.167,01, em 30/12/94, e não se sabe qual o valor da Ufir utilizada para conversão em Reais, uma vez que se fosse considerado o valor vigente de R$ 0,6767, o débito seria de R$ 23.120,81 e não R$ 39.299,51; 10 não há nos autos demonstrativo consolidado onde se possa conferir o valor originário subtraído da administrada, o valor efetivo adotado da Ufir, o valor atualizado e a taxa Selic adotada; os valores da multa de mora e juros que foram acrescidos; 11 não previsão de legal para cobrança de multa de mora e juros, na medida em que tão somente há atualização pela Selic. Os pedidos formulados por meio das Manifestações de Inconformidade da Interessada foram parcialmente deferidos, em acórdão assim ementado (fls. 1.761/1.781): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LIVRO CAIXA DEDUÇÕES. O contribuinte, pessoa física que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ALUGUEL. Pagamentos de honorários advocatícios não são dedutíveis dos rendimentos recebidos de aluguel, mormente quando relativos a despesas de inventário e testamento. DECLARAÇÃO FINAL DE ESPOLIO – TABELA PROGRESSIVA ANOCALENDÁRIO 1995. Nos casos de encerramento de espólio e de saída definitiva do território nacional, o Imposto de Renda devido será calculado mediante a utilização da tabela resultante da soma das tabelas Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.013 7 progressivas mensais em Reais vigentes no período abrangido pela tributação no anocalendário. IMPOSTO DE RENDA APURADO NA DECLARAÇÃO FINAL DE ESPÓLIO DATA DE VENCIMENTO ANO CALENDÁRIO 1995. A data do pagamento do imposto apurado na Declaração Final de Espólio é a própria data da entrega da declaração que, para o anocalendário 1995, é dez dias contados da adjudicação dos bens. DEMONSTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. Comprovado pelos demonstrativos de restituição elaborados pela autoridade fiscal que o valor efetivamente restituído foi inferior à quantia apurada, a parcela restante deve ser restituída. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/07/2009 (fl. 1.813) e da restituição que lhe foi deferida em 11/11/2009 (fl. 1.908), a Interessada postou nos correios (fl. 1.979), em 09/02/2010, o recurso de fls. 1.925/1.973. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Cabimento do recurso voluntário Não se conformando com o recebimento da "intimação" constante à fl. 870, a administrada, em 24/08/2009 (fl. 1.977), manifestou seu protesto quanto ao vício de forma que a tornava nula. Representou perante o Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo/SP requerendo fosse outra enviada consoante a legislação processual do PAF, facultandolhe dentro do prazo legal o direito de apelar ao CARF por não se conformar com o lançamento de oficio então guerreado (ANEXO I). De nada adiantou. Tudo leva a crer que a repartição fiscal incorreu em vício de forma processual e cerceou o direito de defesa da administrada por não lhe intimar com as formalidades legais e facultandolhe o direito de apelação ao CARF, da parte que foi lançada de ofício pelas glosas – provocado pela conclusão constante à fl. 915 (de 28.10.09): "Procedida via SIAFI a emissão da ordem bancária de n° 20090B 803.913, no valor de R$ 287.078,40, entregue ao Banco do Brasil S/A, Agência Libero Badaró. Após a confirmação da liquidação da presente OB, arquivese o processo pelo prazo de 05 (cinco) anos" (destaque na transcrição). A ilustre autoridade fazendária não se ateve ao fato de que restava uma quizila fiscal a ser resolvida na instância superior, como previsto no caput do art. 33 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores e a mesma não tinha e não tem competência para encerrar a discussão por um simples "despacho", determinando o arquivamento do processo. Como até este momento a administrada não foi regularmente intimada, sponte propria o faz aduzindo, tempestivamente, suas razões de recursais. Cerceamento do direito de defesa Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.014 8 Como matéria preliminar ao julgamento do mérito da quizila fiscal crédito tributário lançado de oficio, com cobrança de multa de mora e juros SELIC, liquidado sob a sistemática de compensação, no processo de repetição de indébito a detida leitura do processado dá conta de que a Recorrente por diversas insurgiuse contra o fato de não constar dos autos demonstrativo detalhado sobre o lançamento (valores compensados de ofício e consectários legais), para que a mesma pudesse exercer seu direito de defesa e do contraditório. A administrada tem o direito de saber a extensão da quantia que lhe foi subtraída (de forma clara) pela compensação de oficio, entre tributo, multa e juros. Para facilitar a comprovação do protesto da Recorrente, a mesma pede vênia pra transcrever excerto de sua argumentação na "TERCEIRA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE" (fl. 824): Em terceiro lugar, não ha nos autos um demonstrativo consolidado onde se possa conferir: 1. o valor originário subtraído da administrada; 2. o valor efetivo adotado para conversão da UFIR x REAIS. 3. o valor atualizado (em julho/2008) e qual a taxa SELIC adotada; 4. os valores da multa de mora e juros que foram ao principal corrigido, porquanto como está demonstrado a administrada não logrou chegar aos valores aos valores finais das glosas. Em quarto lugar, quando ocorre a situação retro falada, não há previsão legal para cobrança de multa de mora e juros, na medida em que tãosomente há atualização pela taxa SELIC que é o critério utilizado, sem exceção, pela Administração (tanto pelas DRJ's como pelas DRF's) nos demais Estados para compensar créditos e débitos de cada qual. É o instituto da CONFUSÃO, como forma de pagamento prevista no Código Civil. (destaques e grifos do original). Não há como verificar quanto foi, efetivamente, cobrado de principal, multa de mora, juros SELIC e o enquadramento legal que autoriza a imposição da penalidade, porquanto, repisase, inexiste nos autos tal demonstrativo consolidado. Correção do manifesto erro material Em sua "Terceira Manifestação de Inconformidade" a Recorrente acusou a ocorrência de erro material no valor total originário de R$ 4.028,17 o qual não integrou o valor total da quantia restituída, como também não foi aproveitado para compensar o tributo sobre as aludidas glosas. Comparandose as planilhas constantes dos autos demonstrativo originário da Recorrente (fls. 02/13), demonstrativo constante do despacho decisório da DIORT/DERAT (fls. 610/615) e demonstrativo da CODAC (fls. 776/797) exsurge a diferença discutida. No cotejo critico entre as duas primeiras não há qualquer diferença, restando claro que o Fisco reconhece a total procedência do pleito originário da administrada, não fazendo restrição sobre qualquer parcela recolhida indevidamente à época a título de IRPF, em nome do espólio. Procedendose da mesma forma, constatase haver divergência entre o segundo e terceiro demonstrativos destacase que ambos foram elaborados pelo próprio Fisco Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.015 9 quando, no segundo, não foram consideradas as parcelas de R$ 2.214,70 e R$ 1.215,55, (ambas de 30.10.98, DARF de fls. 145 e 146); como também há uma diferença contra a Recorrente na soma das parcelas, sob o código da receita 211, no exercício de 1996, no valor de R$ 597,92 (R$ 17.730,98 R$ 17.133,06). O total destas diferenças importa em R$ 4.028,17 (valores originários). Como já referenciado, isto não passou despercebido e foi motivo de protesto, muito embora a DRJ/SÃO PAULO II no Acórdão 1730.085, de 18.02.09 (fls. 844/854) não adentrou na discussão. Ainda que a ilustre autoridade julgadora tenha relatado o fato no Item 5 do Relatório (f1. 849), foi silente no voto do julgado, o que, de plano, já caracteriza o cerceamento do direito de defesa da administrada e enseja recurso ao CARF. Decadência A Recorrente insistiu que todo o período tributado os fatos geradores ocorridos até julho/1995 haviam sidos atingidos pela decadência tributária, por aplicação dos comandos ínsitos nas normas integrantes do artigo 150, § 4º, do CTN, porquanto tomou ciência da notificação da exação fiscal em 01.11.2000. Com entendimento diverso, a decisão desafiada decidiu que o prazo decadencial contase na forma do artigo 173, I, do CTN. No demonstrativo da CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac), às fls. 898/905, foi considerado todo o débito da Recorrente como "vencido em 18/08/1995", e a partir desta data aplicouse a taxa referencial Selic e imposta a multa de mora à razão de 20%. Se a decisão recorrida entendeu expressamente que a data do vencimento do débito deve ser 18.08.95 (conforme artigos 11 e 901, parágrafo único, do RIR/1994), e a partir daí manda cobrálo com os consectários legais, como pode no mesmo julgado, contraditoriamente, ter sustentado que o prazo decadencial tem seu dies a quo em 01.01.97? De onde o julgador tirou que não houve recolhimentos antecipados? A administrada, em nome do espólio, durante o anocalendário de 1995, recolheu regularmente o IRPF, mês a mês, por meio do CarnêLeão, que não foram objeto do pedido de restituição porque foram efetuados antes da adjudicação dos bens à Fundação Conrado Wessel. Não há no processado qualquer elemento (informação) que dê supedâneo a esta leviana asseveração da autoridade julgadora; pelo contrário, na DIRPF (fl. 500) consta, mensal e religiosamente, o recolhimento do CarnêLeão, no total anual R$ 4.472,32. Com a separação do período em que o contribuinte era o espólio (de janeiro a julho/1995), na Declaração Final do Espólio consta o pagamento de R$ 3.611,18 a título CarnêLeão (cf. fls. 487/489) e disto a fiscalização não fez qualquer reparo. As declarações de rendimentos que são tratadas nos artigos 11 e 901 do RIR/1994 é o mesmo documento e, serve exclusivamente para o caso de espólio, logo, deve ser entregue em 10 dias contados da adjudicação dos bens do espólio e, a partir desta considerar vencido eventual débito (apurado ou declarado), como também a partir desta mesma data passase a aceitála para qualquer efeito fiscal, inclusive para fluência da contagem dos juros SELIC e do prazo decadencial. Aplicação da multa de mora Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.016 10 Não se pode aceitar que a Administração retarde por mais de dez anos a restituição de valores indevidamente recolhidos e, depois, quando o faz, deduz da mesma o crédito tributário por glosa indevida de despesas com imposição de mula de mora. Vem de muitos anos o entendimento que não é cabível cobrança de multa de mora em revisão de declaração do IRPF quando no mesmo período de apuração também há, reconhecidamente, valor a restituir ao contribuinte. Mérito propriamente dito De plano, inexiste na processualística do direito pátrio tanto na esfera administrativa como na judicial uma manifestação do julgador, monocrático ou colegiado, do tipo "Despacho Decisório". O despacho não é terminativo e não exaure a instância (jurisdição) que o prolatou; ao passo que a decisão o faz, devolvendo a discussão à instância superior. De duas uma: ou é despacho ou é decisão. E não pode a administração fiscal louvarse neste "Despacho Decisório" para declarar a preclusão consumativa. Não há menor dúvida que toda a matéria discutida desde a primeira manifestação do contribuinte sempre esteve pendente de debate, embora tenha ou não sido repetida na segunda ou terceira "Manifestação de Inconformidade". A evidência, não se pode aceitar que a Autoridade julgadora deixou de julgar o mérito, sobre as glosas, por ter operado a preclusão processual. Preclusão? A Autoridade julgadora não leu as peças de defesa da administrada, em especial a última que se reporta às anteriores; ou, se leu, não entendeu; ou o pior, serviuse de sua função de agente público para empalmar fatos e silenciarse sobre os elementos de defesa, para não enfrentar o exercício do contraditório e da ampla defesa do cidadão (contribuinte). Poderia o ente produtivo perceber frutos sem gastar absolutamente nada, de qualquer espécie? Neste diapasão, poderia o espólio no anocalendário de 1995, ter recebido R$ 109.177,21 (cfe. fl. 854) e para tal não ter incorrido no pagamento de nenhuma despesa, nenhum centavo de qualquer natureza? Não se pode conceber a glosa da totalidade das despesas sob a alegação de falta de previsão legal, e que todo o produto merecia ser tributado pelo imposto de renda. Isto afronta o bomsenso. O aresto recorrido não aceitou que o espólio tivesse pago as despesas judiciais e extrajudiciais incorridas (inclusive aquelas de administração necessárias para o recebimento dos aluguéis lançadas no Livro Caixa), além dos honorários advocatícios pagos ao Dr. Antônio Lopes Filho. No caso presente discutese glosa de despesas e cabia ao fisco provar a impertinência da(s) aludida(s) despesas. Deveria a Fiscalização, com a tarefa de investigar a procedência da glosa, intimar o sujeito passivo e os emitentes para comprovarem documentalmente e justificarem a natureza dos desembolsos que ensejaram o registro das despesas e custos em suas declarações anuais de ajuste. Nunca glosar antes de investigar e intimar os emitentes e os adquirentes dos bens e serviços sob discussão. Não foi desta forma que procedeu a fiscalização, na medida em que, liminarmente, glosou “no atacado” todas as despesas informadas pelo sujeito passivo, nas Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.017 11 deduções informadas no LivroCaixa sob o simplista argumento de que não havia previsão legal para tal, sem sequer ter intimado ou investigado a natureza de tais dispêndios. Compulsando detidamente os autos constatase que não há qualquer termo de intimação à administrada para comprovar documentalmente ou justificar, de per si, cada um dos valores lançados no LivroCaixa, levando a efeito as glosas e, desta forma despropositada para manter na íntegra o Despacho Decisório (fls. 512). Não pode restar sob dúvida de que o pagamento de honorários advocatícios no ano de 1995 era imprescindível, uma vez que sem a presença de um advogado, em juízo, à época não se podia abrir o inventário do de cujus e, depois, todo o trabalho desenvolvido até a adjudicação dos bens à Fundação Conrado Wessel, consoante a vontade testada do mesmo. Se houvesse qualquer dúvida sobre tais pagamentos, deveria a fiscalização intimar tanto o prestador dos serviços como a tomadora no sentido de verificar o contrato de prestação de serviços firmado desde o óbito do testador em 23.05.93 até a adjudicação dos bens, em 08.08.95 e documentalmente, solicitar a comprovação das despesas lançadas. O advogado recebeu seus honorários e teve seu imposto de renda retido na fonte e disto a fiscalização não fez qualquer restrição. Logo, como as demais despesas no LivroCaixa o pagamento dos honorários advocatícios eram normais, necessários e usais para que se ultimasse toda a alteração jurídica necessária entre o espólio e a recém criada instituição beneficente sem fins lucrativos. Aliás, desde o início, a administrada concordou que havia um erro em sua Declaração Intermediária que deveria ser corrigido, quando lançou o valor de R$ 85.000,00 como redutor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, sendo que o correto seria também incluílo no LivroCaixa. A correção de tal erro, até de oficio, em nada prejudicaria a apuração final do imposto de renda do espólio, porque aumentaria o rendimento e, por outro lado, seria no mesmo montante deduzido como despesa constante do LivroCaixa. Ao final, o Interessado formula os seus pedidos na seguinte ordem: a) seja declarada a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, considerando o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, tendo em vista que a contagem do quinquídio legal deveria ter seu dies a quo a partir de 18.08.95 e não a partir de 01.01.97; b) seja corrigido o erro material levantado pela Recorrente e sequer foi relatado e julgado pela decisão desafiada; c) seja declarado impertinente o lançamento de ofício com multa de mora (20%), por tratarse de processo onde se discutia, originariamente, repetição de indébito, a qual também não constou do voto do acórdão atacado; d) sejam, no mérito, reconhecidas como necessárias, normais e usais a totalidade das despesas lançadas na Declaração Final do Espólio, glosadas pelo fisco sob o argumento de falta de amparo legal. Voto Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.018 12 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração das folhas do processo físico. Preliminar de conhecimento do recurso A decisão recorrida (fls. 1.761/1.781), datada de 18/02/2009, foi proferida nos seguintes termos (parte dispositiva do acórdão): Dessa forma, em face de todo o exposto, voto pelo DEFERIMENTO EM PARTE da solicitação de restituição apresentada, encaminhando os autos a EQPIR/DIORT/DERAT/SP, de forma que seja refeito o Demonstrativo de Compensação de fls. 779/787, para corrigir o valor do débito para R$ 25.113,75 e a data de vencimento do débito para 18/08/1995. O Aviso de Recebimento AR acostado aos autos em fl. 1.813, primeiro após a decisão de 1ª instância, está datado de 30/07/2009, mas não se refere à intimação da decisão recorrida, mas sim à “intimação” de fl. 1.807, que não está acompanhada de nenhum anexo, embora descrita nos seguintes termos: Pela presente intimação, dáse ciência do despacho exarado no processo administrativo em epígrafe 23/07/2009, cuja cópia segue anexa. A Recorrente manifestou seu protesto, em 24/08/2009, quanto ao vício de forma que tornava nula a referida “intimação” que lhe fora enviada. Representou perante o Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo/SP requerendo fosse outra enviada consoante a legislação processual do PAF, facultandolhe dentro do prazo legal o direito de apelar ao CARF por não se conformar com o lançamento de oficio então guerreado (ANEXO I, às fls. 1975 e 1977). Os documentos acostados às fls. 1.975 (AR datado de 26/08/2009) e 1.977 (correspondência do contribuinte ao Delegado da DRF em São Paulo) evidenciam a veracidade do protesto da Interessada. Confira: Para que depois não se venha dizer que a administrada não interpôs seu recurso voluntário dentro do trintídio legal após a ciência da decisão de primeira instancia como faculta o Decreto nº 70.235/72, com alterações posteriores , ad cautelam ora se manifesta, tempestivamente, sobre a irregularidade da "intimação". Não ha como se aceitar que o aludido expediente da repartição fiscal possa surtir os efeitos legais; uma vez que estão ausentes os elementos imprescindíveis para tal; inclusive e principalmente no que se refere a expressa faculdade de recurso ao CARF, bem como a discriminação dos valores mantidos no julgado da DRJ/SAO II e a efetivação do depósito bancário em conta corrente da administrada da parcela incontroversa reconhecida no decisum. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.019 13 Nesta ordem, Sr. Delegado, ora se requer seja, sem mais delongas, dado cumprimento à execução do v. aresto da DRJ/SAO II com expedição de nova intimação – em boa e devida forma para que a administrada possa exercer seu inalienável direito de defesa. À fl. 1.815 foi juntado um despacho com o seguinte teor: Tendo em vista tratarse de correção do valor do imposto a restituir e do valor do débito a ser compensado, conforme consta do Acórdão n° 1730.085 – 3ª Turma da DRJ/SPOII à fl. 1.761, PROPONHO o encaminhamento à Ecrer/Diort/Derat/SPO para prosseguimento, uma vez que o direito creditório já foi reconhecido por esta Eqpir PF. Após este encaminhamento foram juntados aos autos os seguintes documentos: a) Listagem de Débitos/Saldo Remanescentes (fls. 1.863/1.867); b) Demonstrativo de Compensação (fls. 1.869/1.881); c) Documento de dados a serem informados no SIAFI (fl. 1.883); d) Demonstrativo de Correção até 09/2009 dos Créditos Remanescentes (fls. 1.885/1.887); e) Documento intitulado “Compensação de Débito com Saldo a Restituir” (fl. 1.889); f) Extrato de Pagamentos Alocados e de Pagamentos não Utilizados (fls. 1.891/1.892); g) Demonstrativo de Correção até 10/2009 dos Créditos Remanescentes (fls. 1.893/1.895); h) um despacho autorizando a emissão de Ordem Bancária referente à restituição do período de 1995 a 1998, no valor de R$ 287.078,40, atualizado até 31/10/2009 (fl. 1.903); i) uma tela do sistema SIAFI denominada “Consulta Ordem Bancária” (fl. 1905); e j) a Intimação 7862/2009, dando conta de que “Por este instrumento fica o contribuinte ciente da restituição realizada através do despacho e da consulta ao sistema SIAFI em anexo” (fl. 1907), cujo aviso de recebimento, datado de 11/11/2009, está acostado aos autos em fl. 1.908. Nesse cenário, penso que o prazo inicial para a interposição do recurso deveria ser contado da cientificação dos cálculos efetuados pela Unidade de origem relativamente à restituição a ser paga ao Recorrente, uma vez que a primeira intimação não revestia os requisitos legais, impedindo ao contribuinte de exercer, em sua plenitude, o seu direito de defesa. Assim, o prazo recursal iniciarseia em 12/11/2009 (quintafeira) e encerrar seia em 11/12/2009 (sextafeira). Ocorre, todavia, que a intimação realizada em 11/11/2009 não contém os requisitos formais necessários à sua eficácia (não está acompanhada do acórdão recorrido, dentro outros requisitos), de modo que não se pode considerála realizada na referida data, para efeitos de interposição do recurso voluntário. Mas, então, qual a data deve ser considerada, no caso concreto, para contagem do prazo para interposição do recurso voluntário? Diante do relatado acima, entendo que o prazo deve ser contado a partir 17/12/2009, data em que um dos representantes da Recorrente (instrumento outorgando poderes à fl. 1.697), Sr. Rafael Cabral Garoffano, teve ciência pessoal do inteiro teor do processo, conforme “Termo de Vistas e Ciência de Processos” à fl. 1.909. Pois bem. Se a ciência ocorreu em 17/12/2009 (quintafeira), o prazo para interposição do recurso encerrarseia em 16/01/2010 (sábado), prorrogandose para Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.020 14 18/01/2010 (segundafeira). O recurso voluntário foi interposto em 09/02/2010 (envelope com a data de postagem nos Correios à fl. 1.979), revelandose, pois, intempestivo. No contexto acima delineado, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Concordo com a posição do ilustre relator quanto a intempestividade do recurso voluntário interposto porém, com ligeira divergência de motivação. Explico meu posicionamento. Cleide Previtalli Cais, citando Couture (O Processo Tributário, 7ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, pag. 192), nos recorda que: "(...) a idéia de processo é, necessariamente, teleológica, pois somente se explica por seu fim, já que processo por processo não existe" Clara a mensagem do processualista uruguaio: o processo só existe para que o possuidor do direito tenha um meio efetivo de exercêlo em face da inércia daquele de quem depende o exercício desse direito. Nesse sentido é que surge o interesse processual, também denominado interesse de agir, que se caracteriza como o meio obrigatório a ser usado pela autor para fazer valer a sua pretensão, assegurando o direito que lhe assiste. Portanto a pretensão do exercício de determinado direito demanda um processo, o devido processo legal. Tal processo não existe de per si, validando se somente como meio pelo qual o autor pode atingir seu objetivo, ou seja, o exercício de seu direito. Para tanto se faz necessário não só a propositura do devido processo, como também que tal instrumento cumpra o seu mister, ou seja, chegue ao seu fim, pacificando as relações sociais. Nesse contexto, mister recordar que o impulso processual compete às partes em razão da inércia da jurisdição, que como sabemos é característica desta. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.021 15 Não obstante essa característica, as regras processuais, justamente visando a celeridade processual garantia do tempo justo do processo impõem prazos para a realização dos atos processuais, prazos esses que são contados a partir de determinado termo. Tais termos, em regra, são contados a partir da ciência que a parte tem do ato ocorrido no processo, dito de maneira diversa, do conhecimento da comunicação da ocorrência de determinado ato. Tal comunicação é denominada citação ou intimação. A diferenciação entre ambas, nos dizeres de Moacyr Amaral Santos Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 2º Vol., 20ª ed., Ed. Saraiva, pag.181), pode ser entendida como: "A citação é uma das formas da comunicação processual. Outra é a intimação, que daquela se distingue. Citação é chamamento ao processo do réu a juízo para defender se de ação contra ele proposta. É ato constitutivo de relação processual. Destinatário da citação é o réu. A intimação pressupõe processo pendente, ao menos instaurado. É o ato pelo qual se comunica a alguém, para sua ciência, de algum ato praticado ou que se deva praticar (Frederico Marques)." (destacamos) Da cristalina definição do Saudoso Professor da Sempre Velha e Nova Academia de Direito, extraímos o cerne da intimação: ciência da ocorrência de ato processual ou necessidade de pratica do ato. Nada mais, nada menos do que ciência de ato processual ou de necessidade de que se realize um ato dessa natureza. Quem deve intimar e a quem se deve intimar? A resposta dessas questões são óbvias. A primeira se responde por: quem tem interesse no desenvolvimento do processo ou quem tem por função cuidar desse desenvolvimento. A segunda: intimase quem deve ser comunicado do ato processual ou quem tenha que praticar o ato processual. Justamente o ponto que se discute nos presentes autos. Como bem relatado pelo nobre Conselheiro Marcelo Vasconcelos o processo objeto do presente recurso voluntário padece de vícios de forma no tocante a comunicação de determinados atos processuais. A uma porque, nos dizeres do i. Relator: "Nesse cenário, penso que o prazo inicial para a interposição do recurso deveria ser contado da cientificação dos cálculos efetuados pela Unidade de origem relativamente à restituição a ser paga ao Recorrente, uma vez que a primeira intimação não revestia os requisitos legais, impedindo ao contribuinte de Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.022 16 exercer, em sua plenitude, o seu direito de defesa. Assim, o prazo recursal iniciarseia em 12/11/2009 (quintafeira) e encerrarseia em 11/12/2009 (sextafeira). Ocorre, todavia, que a intimação realizada em 11/11/2009 não contém os requisitos formais necessários à sua eficácia (não está acompanhada do acórdão recorrido, dentro outros requisitos), de modo que não se pode considerála realizada na referida data, para efeitos de interposição do recurso voluntário. Mas, então, qual a data deve ser considerada, no caso concreto, para contagem do prazo para interposição do recurso voluntário? Diante do relatado acima, entendo que o prazo deve ser contado a partir 17/12/2009, data em que um dos representantes da Recorrente (instrumento outorgando poderes à fl. 1.697), Sr. Rafael Cabral Garoffano, teve ciência do inteiro teor do processo, conforme “Termo de Vistas e Ciência de Processos” à fl. 1.909. Diante do exposto, não vejo distinção entre a primeira situação e a útlima conforme o entendimento do nobre Relator. A intimação é mero chamamento ao processo, quanto mais do autor do mesmo, do contribuinte, que tem interesse no findar do processo administrativo, no caso de ser detentor do direito de crédito, seja como réu, devedor de determinado valor a título de tributo, dívida ou valor que se discute no processo. Assim, o fato da intimação, cientificada em 11/11/2009, literalmente mencionar: “Por este instrumento fica o contribuinte ciente da restituição realizada através do despacho e da consulta ao sistema SIAFI em anexo” Não elide a ciência de que algo ocorreu no processo que pode contrariar ou favorecer os interesses da parte, demandando uma análise de seu conteúdo. Para mim, por todo o dito e ainda mais ao se recordar que o interesse processual é próprio da parte, a partir de 11 de novembro de 2009 contam se os prazos para os atos processuais necessários e cabíveis. Não obstante, não é de todo descabido o entendimento do Sr Relator, no sentido de tais prazos serem contados a partir da ciência decorrente das vistas ao processo por alguém vinculado à parte, independentemente da existência do poder de representação, uma vez que a intimação, como visto, é mera comunicação da existência de ato processual de interesse daquela. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso por intempestivo Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.018011/9936 Acórdão n.º 2201003.138 S2C2T1 Fl. 2.023 17 Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10830.004030/2005-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
COFINS CUMULATIVA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
As entidades de fins não lucrativos, que exerçam atividades mercantis, cujos eventuais resultados positivos revertam em seu favor, não se encontram sujeitas ao recolhimento da Cofins.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Possas, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martinez Lopes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Demes Brito.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de fins não lucrativos, que exerçam atividades mercantis, cujos eventuais resultados positivos revertam em seu favor, não se encontram sujeitas ao recolhimento da Cofins. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Possas, Gilson Macedo Rosenburg Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 40 30 /2 00 5- 99 Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.594 2 Maria Teresa Martinez Lopes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Demes Brito. Relatório Inicio o relatório, transcrevendo o que foi relatado no Acórdão nº 0524.225, de 24/11/2008, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS): 'Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 04/20. O feito, referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2000 a 2004, constituiu crédito tributário no total de R$ 919.137,82, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 429/432, a autoridade inicialmente qualifica a entidade autuada informando que: [...] 2 A fiscalizada é sociedade civil beneficente, de assistência social na área da saúde, com ênfase ao atendimento a pacientes do SUS (...) reconhecida de utilidade pública federal (...), de utilidade pública estadual (...), e de utilidade pública municipal (...). 3 Entregou regularmente as Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos exercícios financeiros de 2001 a 2005, anoscalendário 2000 a 2004 (.), sendo imune do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica (IRPJ) e, por extensão (¢1° do artigo 15 da Lei n° 9.532, de 1997) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e contribui para o Programa de Integração Social (PIS) sobre afolha de salários. Depois de detalhar o desenvolvimento da fiscalização, a autoridade autuante aponta a irregularidade apurada: 7 Da análise das contas representativas de receitas da entidade, através dos livros Razões Analíticos, verificamos que parte das receitas não pertence à atividade própria da mesma, conforme o rol do quadro abaixo: CONTA DESCRIÇÃO 410300014046 Receitas de aluguéis 410300024047 Rendas de juros e títulos 410300044049 Rendas diversas patrimoniais rodoviárias Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.595 3 410500014055 Rendas eventuais diversas 410500034057 Descontos ativos 8 Sobre estas receitas, pela sua natureza, deveria ter sido recolhida a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), por não estarem albergadas pelo manto da isenção, que alcança tão somente as receitas das atividades próprias da fiscalizada, conforme legislação de regência. Oportuno lembrar neste tópico que foi feita uma triagem na conta (410500014055 — rendas eventuais diversas), para dela extrair tãosomente as receitas que não pertencem às atividades próprias da fiscalizada. 9 A propósito do tema, a Secretaria da Receita Federal, no Manual de Perguntas e Respostas do Anocalendário de 2004, assim se pronunciou na pergunta n° 853: 853 — Relativamente à isenção da Cofins para as entidades elencadas no art. 13 da MP n° 2.15835, de 2001, qual a abrangência das receitas relativas às 'atividades próprias' a que se refere o art. 14, X, do mesmo diploma legal? Entendemse como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas normalmente alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, inclusive a sindical e a assistencial, mensalidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários. A isenção não alcança as receitas que são próprias de atividades de natureza econômicofinanceira ou empresarial. Por isso, não estão isentas da Cofins, por exemplo, as receitas auferidas com exploração de estacionamento de veículos; aluguel de imóveis; sorteio e exploração do jogo de bingo; comissões sobre prêmios de seguros; prestação de serviços e/ou venda de mercadoria, mesmo que exclusivamente para associados; aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, piscinas, campos esportivos, dependências e instalações; venda de ingressos para eventos promovidos pelas entidades; e receitas financeiras. (Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; MP n° 2.15835, de 2001, arts. 13, e 14, X; e PN CST n° 5, de 1992). Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.596 4 10 Como se observa, as receitas elencadas no item 7 retro, não estão abrangidas pela isenção. Por isso será procedido o lançamento "ex officio" para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COF1NS) [...] Cientificada da exigência em 23/08/2005, em 22/09/2005 a autuada interpôs a impugnação de fls. 294/308 em que alega o que segue: 1. não se discute nos autos a condição de sociedade civil beneficente de assistência social da impugnante; 2. o reconhecimento da imunidade da fiscalizada pela autoridade fiscal, ao menos com relação ao IRPJ é prova cabal e pressupõe que a Impugnante aplica integralmente no Pais os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, e não distribui qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a qualquer titulo; 3. na data da ciência do auto de infração, já teria expirado o direito de a Fazenda Pública constituir parte do crédito tributário, referente aos meses de competência de janeiro a agosto de 2000, tendo em vista o transcurso do prazo de cinco anos contados dos fatos geradores, nos termos do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional; 4. nos termos do art. 195, §7° da Constituição Federal a entidade está sob o abrigo da imunidade tributária em relação à Cofins; nesse contexto, lei ordinária ou medida provisória não poderiam regular o gozo da imunidade; do conflito entre a Constituição Federal e a lei ordinária ou medida provisória, a primeira sempre deverá prevalecer, devendo ser julgado improcedente o auto de infração; 5. o autor do feito fundamentou o auto em premissa falsa, ao anotar que parte das receitas da autuada não corresponderia à atividade própria, eis que o que importa, não é a origem dos recursos, mas a sua destinação; desse modo, com base em doutrina e jurisprudência combate as assertivas da fiscalização ao classificar as receitas de aluguéis, as rendas de juros e títulos e rendas patrimoniais vinculadas à exploração do Terminal Rodoviário de Campinas como atividades financeira ou econômico empresarial; 6. a Suprema Corte, na ADIN 1.802, suspendeu a eficácia e vigência e aplicabilidade do §1° do art. 12 da Lei n°9.532/97 que afasta da imunidade das instituições de assistência social sobre imposto incidente sobre rendimentos auferidos em aplicação financeira; nesse contexto, fica comprometido o ato administrativo do lançamento, na medida em que o autuante faz referência ao citado dispositivo no auto de infração, que trata de contribuição e não de imposto; 7. sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.06077282 impetrado contra autoridade do INSS e autoridade da Procuradoria do INSS em Campinas reconhece que a Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.597 5 impugnante teria observado as condições para a qualificação como entidade de fins filantrópicos, tendo em vista o preenchimento das condições expressas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991; 8. o §4° do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, que dispõe que o Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção se verificado o descumprimento das disposições do referido artigo, o qual foi acrescentado pela Lei n° 9.732/98, está com sua eficácia suspensa por força de medida liminar concedida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Constitucionalidade (ADIN) n° 2.0285[.. I ; 9. a condição da impugnante como entidade filantrópica sem fins lucrativos também teria sido reconhecida pelo Tribunal de Justiça do Paraná no âmbito de Apelação Cível interposta pela autuada contra o Estado do Paraná; 10. a atividade própria da impugnante, estatutariamente, é a prestação de assistência, sendo os recursos do Terminal Rodoviário concedidos por lei municipal vinculada ao estatuto e ao cumprimento da finalidade; os recursos do terminal não deixam de ser doações, eis que o poder público exige a contrapartida do atendimento à saúde e gratuito; a concessão da exploração do Terminal Rodoviário, efetuada na forma de filial, é fonte de renda; logo, impertinente a alegação de que tal atividade não se enquadra como assistência social; 11. ainda que a autuada não fosse beneficiada pela imunidade insculpida no art. 195, §7° da Constituição Federal, goza de isenção preconizada pela Medida Provisória n° 2.15835/2001, relativamente à sua fonte de renda, devendo o Auto de Infração ser julgado improcedente. 12. há vícios no auto de infração que o tornam nulo: o procedimento fiscal resulta de denúncia e representação de outro órgão, formulada em procedimento administrativo suspenso por força de recurso administrativo, consoante documentos exibidos ao auditor; houve desrespeito ao princípio da ampla defesa preconizado pelo inciso LV do art. 5° da Constituição Federal, já que não consta discriminação e caracterização do valor de cada receita tida por tributável, tendo sido englobado todos os valores.' A DRJ/CPS julgou improcedente a impugnação em decisão, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.598 6 Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADES PRÓPRIAS. Após a edição da Lei n° 9.718, de 1998, a Cofins incide sobre as receitas não decorrentes das atividades próprias das entidades beneficentes de assistência social. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF.Contra a decisão, foi apresentado recurso voluntário, por meio do qual, a contribuinte repetiu os argumentos trazidos na peça de impugnação." Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas alegações foram assim resumidas no acórdão 3202000.394, de 21/11/2001, ora recorrido: a. Preliminarmente, tanto a autoridade fiscal que procedeu ao lançamento do crédito tributário ora guerreado, quanto a DRJ/Campinas reconheceram, expressamente, que a Recorrente é entidade que goza de imunidade tributária; b. No que tange ao mérito, a Recorrente reitera sua imunidade, na medida em que se trata de entidade voltada à assistência social, nos exatos termos dos artigos 6º, 203 e 204 da Constituição Federal de 1988 (“CF/88”); c. Nos termos do art. 195, §7° da Constituição Federal, a entidade está sob o abrigo da imunidade tributária em relação à COFINS; nesse contexto, lei ordinária ou medida provisória não poderiam regular o gozo da imunidade; do conflito entre a Constituição Federal e a lei ordinária ou medida provisória, a primeira sempre deverá prevalecer, devendo ser julgado improcedente o auto de infração; d. Na linha de entendimento do Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando do julgamento do RE n° 146.1339/ SP, ficou pacificado que as contribuições sociais, como é o caso da COFINS, tem natureza tributária havendo, de tal sorte, a extensão da imunidade tributária constitucionalmente concedida às instituições de assistência social a estas exações tributárias; e. O STF, em caráter liminar, suspendeu a eficácia do inciso III, do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei n° 9.732/98, sob o entendimento de que a entidade beneficente é conceito que abrange, além de instituições de assistência social, entidades de saúde e educação para fins de beneficentes; f. A Recorrente é entidade imune, nos termos do artigo 195, parágrafo 7º, da CF/88, na medida em que cumpre todos os requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional (“CTN”) para ser reconhecida como entidade imune às contribuições sociais da COFINS; Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.599 7 g. A Recorrente já possui decisão judicial favorável reconhecendo que é entidade imune, nos termos do artigo 195, parágrafo 7º da CF/88, conforme decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 96.06.0772282; h. A imunidade é outorga constitucional, devendo ser aplicada como determina a CF/88, não podendo ser condicionada de forma restritiva, conforme entendimento da DRJ/Campinas, que embora tenha reconhecido a Recorrente como entidade imune, negou sua aplicação para as receitas advindas de outras atividades; i. Os valores de COFINS lançados referentes ao período entre janeiro de 2000 até julho de 2000 já teriam sido extintos pela decadência, na medida em que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, devendose observar o prazo previsto no parágrafo 4º, do artigo 150, do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador." O Colegiado do CARF negou provimento ao recurso voluntário. A ementa da decisão é a seguinte: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário, não podendo ser objeto de pronunciado pelo CARF. Ademais, o dispositivo legal que o Contribuinte alega padecer por vício de inconstitucionalidade, qual seja o artigo 55 da Lei Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.600 8 nº 8.212/91, nos termos da redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 9.732/98, foi revogada pelo artigo 44 da Lei nº 12.101/99. ENTIDADES BENEFICENTES. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE ATIVIDADES NÃO PRÓPRIAS. As entidades beneficentes de assistência social estão isentas da Cofins apenas em relação às receitas decorrentes de atividades próprias, nos termos do que dispõe a Lei 9.718 de 1998." Contra a decisão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência, sustentando que: i) a decisão recorrida deixou de reproduzir decisão do pleno do STF, em julgamento de Recurso Extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998; ii) a imunidade das entidades beneficentes não pode ser limitada, devendo abranger também as receitas decorrentes de atividades não próprias. O recurso especial foi admitido apenas em relação à matéria da imunidade, por meio do Despacho nº 3200153, de 13/12/2012. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo a decisão atacada. É o relatório. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.601 9 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A matéria em relação a qual foi reconhecida a divergência jurisprudencial resumese à questão da incidência da Cofins sobre receitas de entidade beneficente de assistência social, à luz da imunidade (isenção constitucional). 1. Razões do lançamento. A exigência de crédito tributário discutida nestes autos está fundamentada, entre outros, no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e no art. 12, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A contribuinte não havia submetido à tributação pela Cofins as seguintes receitas: receitas de aluguéis, rendas de juros e títulos, rendas diversas patrimoniais rodoviárias, rendas eventuais diversas e descontos ativos. Quanto à conta "rendas eventuais diversas", a fiscalização afirma que fez uma triagem na conta, para dela extrair tãosomente as receitas que não pertenciam às atividades próprias da contribuinte. Eis o enquadramento legal, extraído do auto de infração, fl. 1.050 do e processo. "Art. 1º da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições; artigos 13 e 14, X, da MP n° 2.158/200135; art. 12, §1° da Lei n° 9.532/97; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02." Vejase como dispõem estas leis: Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991: "Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social." Lei nº 9.718, de 27/11/1998 (redação da época do auto de infração) : Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.602 10 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...)" Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Lei nº 9.532, de 10/12/1997: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. (...)" MP nº 2.158351, de 24/08/2001: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...)” 1 Anteriormente, a restrição de aplicação da isenção constitucional apenas às receitas de atividades próprias estava prevista em outras medidas provisórias: MP n°s. 1.8075/1999, 1.858/1999 e 2.11332/2001. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.603 11 Em resumo: segundo a fiscalização, com base na legislação acima, as receitas que não fossem decorrentes de atividades próprias da pessoa jurídica deveriam ser tributadas pela Cofins. O atendimento às demais exigências para a fruição da isenção constitucional não foi posto em dúvida pela fiscalização, que assim se manifestou no Termo de Verificação Fiscal, fl. 1064 do eprocesso: "2 A fiscalizada é sociedade civil beneficente, de assistência social na área da saúde, com ênfase ao atendimento a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) reconhecida de utilidade pública federal pelo Decreto rt° 46.140, de 04 de junho de 1959, de utilidade pública estadual pela Lei n° 165, de 29 de outubro de 1973 e de utilidade pública municipal através da Lei n° 1.622, de 19 de outubro de 1956. 3 Entregou regularmente as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos exercícios financeiros de 2001 a 2005, anoscalendário 2000 a 2004, processadas respectivamente sob os n`'s 0132881, 0116705, 0066540, 0072519 (AC 2000 a 2003), sendo imune do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica (IRPJ) e, por extensão (§ 1° do artigo 15 da Lei n° 9.532, de 1997) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e, contribui para o Programa de Integração Social (PIS) sobre a folha de salários." A recorrente afirma que as receitas objeto do auto de infração não podem ser tributadas pela Cofins, por força da imunidade aplicável a entidades beneficentes de assistência social. Dois são os argumentos que sustentam o interesse da contribuinte, a saber: 1) Foi reconhecida pela fiscalização a imunidade em relação ao IRPJ e à CSLL, sendo implícita a extensão à Cofins; 2) A qualificação da receitas como "receitas de atividades próprias" deve se basear na sua finalidade e não na sua origem, de modo que, se as receitas forem utilizadas para a consecução das atividades de assistência social estará configurado que são receitas de atividades próprias. Delimitada a lide, passo ao julgamento. A Constituição Federal de 1988 disciplina a limitação ao poder de tributar: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.604 12 b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) §3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. §4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. (...)" “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I) do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro. (...) §7º São isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...)” Pela interpretação literal dos artigos supra, somente as entidades beneficentes de assistência que atendam às exigências de lei podem usufruir da imunidade para impostos, prevista no art. 150, VI, "c", da CF/1988, e da isenção constitucional2 para contribuições sociais, prevista no art. 195 da CF/1988. 2 Apesar de ser caso de imunidade, utilizo a palavra “isenção”, porque foi esta a utilizada pela CF, de 1988, e a qualifico como constitucional, logo, isenção constitucional. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.605 13 O art. 150, inciso VI, da CF/1988, dispõe especificamente sobre impostos, logo, esta imunidade não se aplica no presente caso, em que se discute a incidência de contribuição social. O art. 195 da CF/1988 trata de contribuições sociais, logo, há que se interpretar a norma de incidência da Cofins, à luz desta isenção constitucional. Uma vez que o art. 14, X, da MP nº 2.15835, de 2001, transcrito na seção precedente deste voto, norma que estabelece que estão isentas da Cofins apenas as receitas de atividades próprias, aplicase à Cofins, mas não se aplica aos tributos incidentes sobre o lucro, IRPJ e CSLL, não procede o argumento de que o fato de se ter reconhecido que a contribuinte faz jus à imunidade do IRPJ e da CSLL é suficiente para o reconhecimento também da isenção constitucional da Cofins. Assim como não procede alegação de que a imunidade não pode ser limitada, porque a própria carta magna, no art. 150, VI, "c", e no art. 195, §7º, estabelece que a não incidência dos impostos e das contribuições social está condicionada ao atendimento de requisitos estabelecidos em lei. Afastar a aplicação da MP nº 2.15835, de 2001, sob o argumento de que extrapolou os limites constitucionais, ao condicionar a isenção constitucional da Cofins às receitas relativas às atividades próprias da entidade, ou seja, sob o argumento de sua inconstitucionalidade, afrontaria o art. 62 do Anexo II do RICARF, de 2015, e a Súmula CARF nº 2, cujo enunciado é o seguinte: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." O segundo ponto a ser enfrentado diz respeito a qualificação da receita como "receitas de atividades próprias". A Autoridade Fiscal lavrou o auto de infração por entender que as receitas decorrentes de aluguéis, rendas de juros e títulos, rendas diversas patrimoniais rodoviárias, rendas eventuais diversas e descontos ativos, não são receitas próprias de hospitais. Pela linha adotada pela fiscalização, o que importa é a origem dos recursos e não sua destinação. Na minha visão essa tese só pode ser aplicada quando suspensa a imunidade ou a isenção condicionada pelo descumprimento dos requisitos impostos pela Legislação vigente, fato que não aconteceu neste processo. Cravada essa premissa, reproduzo voto da lavra do exconselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça que tratou do assunto no Acórdão nº 3402002.552, de 12 de novembro de 2014, o qual subscrevi e que espelha meu entendimento, verbis: (...) as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, assim consideradas as que não apresentem superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destinem “referido resultado, integralmente, à manutenção e ao Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.606 14 desenvolvimento dos seus objetivos sociais” e desde que atendam aos seguintes requisitos (cf. art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97): a) “não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados”; b) “aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; c) “manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão”; d) “conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial”; e) “apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal”. Da mesma forma, ao regulamentar a incidência das contribuições sociais para o PIS e a Cofins, os art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24/08/01 (DOU 27/08/01) isentou as atividades das referidas associações civis nos seguintes termos: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...) “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do ‘caput’" O Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, reproduziu a isenção das atividades das referidas associações civis nos arts. 9º e 46 dispondo que: “Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835 de 2001. art. 13): (...) Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.607 15 III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...)” “Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal. art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento: e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...)” Dos preceitos expostos resulta claro que as isenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram concedidas “intuitu personae” às “instituições” e “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, assim consideradas as que destinem seu “resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais” e as que atendam àqueles requisitos previstos na lei (cf. art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97), donde cumpre desde logo identificar as pessoas às quais a mesma se dirige. A rigor, a expressão “instituição sem fins lucrativos” utilizada pela Lei é redundante, pois há muito já se pacificaram a Doutrina e a Jurisprudência, no sentido de que o conceito de “instituição” é reservado unicamente àquelas entidades essencialmente “no profit”, que desinteressadamente prestam à coletividade os serviços de utilidade ou interesse públicos que ao Estado cumpre estimular, na sua função institucional de tutelar os direitos individuais e sociais assegurados pela Constituição. Nessa ordem de idéias a Suprema Corte há muito já assentou (cf. RTJ 38/182, 57/274, 111/694), que a cláusula “no profit” não traduz uma proibição ou exclusão ao exercício de qualquer atividade econômica ou financeira pela associação, mas sim a condição de que essas atividades sejam exercidas como instrumentos à consecução de suas finalidades institucionais de interesse público, condição esta cujo adimplemento é, à final, aferido pela comprovação, em cada caso concreto, da integral aplicação no País e nas aludidas finalidades, de todos os resultados líquidos de todas as atividades exercidas. Acolhendo estes preceitos de inegável juridicidade há muito consolidados pela Melhor Doutrina e pela Jurisprudência da Suprema Corte, verificase que o critério legal objetivamente estabelecido para a conceituação de uma entidade como Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.608 16 “instituição” isenta de impostos e contribuições (cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), vinculase fundamentalmente à aplicação e destinação final (e não à produção) dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades, ou seja, vincula se às cinco condições legalmente estabelecidas e consubstanciadas nas obrigações cumulativas de: a) aplicação final e integral dos recursos financeiros da entidade no país e em prol de suas finalidades institucionais não lucrativas e de interesse público; b) não distribuição qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a titulo de lucro ou participação no seu resultado c) “não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados”; d) “conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial”, documentos estes capazes de assegurar a exatidão de suas contas, e; e) “apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal”. Entretanto, verificase que ao definir o que seriam as “receitas das atividades próprias” das referidas associações civis isentadas das referidas contribuições, a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002, veio dispor em seu art. 47 que: "Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente àquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. (destaque acrescido)." Em suma, de seus expressos termos retro transcritos, verificase que, desconsiderando totalmente o critério legal (cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97) para a concessão da isenção às associações sem fins lucrativos (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades), a referida Instrução Normativa somente considerou isentas as referidas associações, em função do critério da produção das receitas auferidas por aquelas associações (“decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.609 17 lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”). Ao alterar o critério legalmente estabelecido para a concessão da isenção (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades; cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), através de critério não previsto em lei (critério da produção das receitas), a referida IN/SRF nº 247/02 incide em manifesta ilegalidade por violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN, eis que como há muito já lembrava Aliomar Baleeiro em memorável voto no STF: “... como regulamento em relação à lei (art. 99 do CTN), os atos normativos das autoridades administrativas não podem inovar, indo além do que está na lei ou no regulamento; subordinamse a este e àquele, pois se destinam à sua fiel execução. O mesmo quanto aos atos dos Diretores de Departamento e órgão hierarquicamente colocados abaixo do auxiliar imediato do Poder Executivo.” (...) “... são regras internas endereçadas aos funcionários, que lhes devem obediência, pelo princípio hierárquico até o limite da lei. Mas não suprem a lei nem o decreto regulamentar. Não compelem à obediência o cidadão, salvo na medida que expressam o que já está contido na lei.” (...) “A Portaria do Ministério da Fazenda, segundo os arts. 99 e 100, do Código Tributário Nacional, realmente participa do conceito genérico de ‘legislação tributária’ como norma complementar da lei ou do regulamento. Mas isso apenas para estabelecer pormenores de serviço interno a serem obedecidos pelos funcionários públicos, sem eficácia, todavia, para os cidadãos, salvo quando se limitam a exigir deles o que já está determinada na lei tributária.” (cf. Ac. do STF no A.I. nº 57.279, 1ª Turma, Rel. Min. Aliomar Baleeiro, publ. in RDA vol. 119/32022). A par de desbordar do conceito legalmente estabelecido, a pretendida exclusão da isenção, de receitas decorrentes de Convênios e Contratos realizados com diversas empresas privadas ou não, que comprovadamente têm por objeto os serviços inseridos no mister institucional da Recorrente qual seja, de desenvolvimento e pesquisas científicas e projetos nas diversas áreas de influência, tais como Licenciamento de uso de software, implantação, suporte, atualização e manutenção de sistemas, Serviços de Testes laboratoriais, consultorias diversas, Análises, Configuração, Projetos de Gestão, Projetos de Energia Elétrica, Projetos de Segurança, Royalties e Locação de imóveis, obviamente deturpa a isenção concedida “intuitu personae” às “instituições” e “associações civis,” cuja caracterização como entidades “no profit”, já assentou a Suprema Corte, não pode traduzir uma proibição ou exclusão do exercício de qualquer outra atividade econômica ou financeira para a consecução de suas atividades institucionais (cf. decisões do STF in RTJ 38/182, 57/274, 111/694), mas muito ao revés, se traduz na condição essencial de que essas atividades (econômicas e financeiras) sejam exercidas como instrumentos à consecução de suas finalidades institucionais de interesse público, cujo adimplemento é, à final, aferido pela aplicação e destinação Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.610 18 final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho daquelas atividades, e comprovado pelo cumprimento das cinco condições legais retro mencionadas (cf. art. 14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “a” a “e” e § 3º da Lei nº 9.532/97). Nesse sentido enfocando receitas de patrocínio, locação e de outras atividades mercantis, tem entendido a Jurisprudência Administrativa como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “(...) IRPJ – RESULTADO FINANCEIRO DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS LUCRO REAL. O resultado financeiro, encontrado pela diferença entre as receitas recebidas e as despesas pagas, das entidades sem fins lucrativos não traduz o conceito de lucro real passível de tributação pelo imposto de renda, sistemática que requer a elaboração de demonstrações financeiras segundo as leis comerciais e fiscais, com reconhecimento, inclusive, da variação monetária do poder de compra da moeda (correção monetária de balanço). COFINS – VERBA DE PATROCÍNIO RECEBIDA POR ASSOCIAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA. A parcela efetivamente recebida a título de patrocínio, por entidade sem finalidade lucrativa, não se enquadra no conceito de faturamento previsto no art. 2 da Lei Complementar 70/91, não sendo alcançada pela incidência da COFINS, ainda que não registrada na contabilidade.CSSL E ILL – (...) .Recurso provido.” (cf. Acórdão 10805885 da 8ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 118538 , Proc. nº 10580.005882/9512, em sessão de 20/10/99, Rel. Cons. José Antônio Minatel) “PIS ENTIDADES DE FINS NÃO LUCRATIVOS. As entidades de fins não lucrativos, inclusive aquelas que possuem "departamentos" sem personalidade jurídica própria, que exerçam atividades mercantis, cujos eventuais resultados positivos revertam em seu favor, não se encontram sujeitas ao recolhimento do PIS/faturamento. Recurso provido. (cf. ACÓRDÃO 20213279 da 2ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 115047, Proc. nº 10860.001788/9908 em sessão de 19/09/2001, Rel. Cons. Eduardo da Rocha Schmidt) “COFINS. LOCAÇÃO DE IMÓVEL. (...). ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. CONCEITO DE FATURAMENTO. ARTIGO 2º LC 70/91. LEI Nº 9718/98. (...). A locação de bem imóvel, realizado por pessoa jurídica que não tenha a negociação de imóveis como atividade, assim a entidade sem fins lucrativos, está fora do âmbito de incidência traçado pelo artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso parcialmente provido”(cf. ACÓRDÃO 20309296 da 3ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 122412, Proc. nº 10580.000823/0005, em sessão de 05/11/03, Rel. Cons. César Piantavigna) Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 9303003.857 CSRFT3 Fl. 1.611 19 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721118/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Quando a razão para afastar-se a exigência tributária decorre de matéria de prova, não há que se falar em vício formal contido no ato administrativo do lançamento.
É de se rejeitar os embargos quando não se constata no acórdão recorrido a omissão apontada pela interessada.
Numero da decisão: 1201-001.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos pela Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Quando a razão para afastarse a exigência tributária decorre de matéria de prova, não há que se falar em vício formal contido no ato administrativo do lançamento. É de se rejeitar os embargos quando não se constata no acórdão recorrido a omissão apontada pela interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, contra o acórdão nº 1201001.227, da lavra desta Turma. Alega a embargante, em resumo, o seguinte: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 11 18 /2 01 3- 02 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.398 S1C2T1 Fl. 3 2 Pela análise do acórdão 1201001.227, verificase que a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, em virtude de vício no método de apuração dos valores cobrados. Data venia, esse julgado incorreu em contradição, pois o argumento ligado a vício na metodologia aplicada para a determinação do tributo, ou seja, a violação do art. 142 do CTN, do art. 10, V do Decreto nº 70.235, etc enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento. (...) Convém destacar que é indispensável o saneamento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Grifos nossos) Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma sane a contradição existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Realizado o exame de sua admissibilidade, em 26/01/2016 os embargos foram admitidos por observarem os requisitos estabelecidos no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (redação original, posteriormente modificada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016). Cientificada do despacho que admitiu os embargos, a interessada apresentou contrarrazões alegando, em resumo, que não houve a contradição aventada pela PGFN, muito menos vício formal no lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Pois bem, basta o exame da abaixo transcrita ementa ao acórdão embargado para que se possa concluir que são manifestamente improcedentes os embargos opostos pela Fazenda Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.721118/201302 Acórdão n.º 1201001.398 S1C2T1 Fl. 4 3 Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real. De fato, a Turma embargada afastou a exigência por haver entendido que a autoridade fiscal deixara de demonstrar que a escrituração da contribuinte continha vícios, erros ou deficiências que autorizassem o arbitramento do lucro. Tratase de matéria de prova, conforme expressamente mencionado no voto condutor. Inexiste, portanto, o apontado vício formal no ato administrativo do lançamento uma vez que tal vício, como é cediço, decorre de erro na formalização daquele ato, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, daí porque não há que se falar em omissão da Turma quanto a sua apreciação. Tendo em vista todo o exposto, voto por não acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 590DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 19805.000824/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTENTE.
A NFLD apresenta todos os requisitos essenciais para sua subsistência, inexistindo vícios que a tornem nula. Os fatos geradores desta NFLD são diferentes dos fatos geradores da NFLD 35.754.092-1, inexistindo, assim, duplicidade de cobrança.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHO TEMPORÁRIO.
A inexistência de registro prévio da empresa de trabalho temporário no órgão competente, impede seu enquadramento no FPAS 6550.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTENTE. A NFLD apresenta todos os requisitos essenciais para sua subsistência, inexistindo vícios que a tornem nula. Os fatos geradores desta NFLD são diferentes dos fatos geradores da NFLD 35.754.092-1, inexistindo, assim, duplicidade de cobrança. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHO TEMPORÁRIO. A inexistência de registro prévio da empresa de trabalho temporário no órgão competente, impede seu enquadramento no FPAS 6550. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO INEXISTENTE. A NFLD apresenta todos os requisitos essenciais para sua subsistência, inexistindo vícios que a tornem nula. Os fatos geradores desta NFLD são diferentes dos fatos geradores da NFLD 35.754.0921, inexistindo, assim, duplicidade de cobrança. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHO TEMPORÁRIO. A inexistência de registro prévio da empresa de trabalho temporário no órgão competente, impede seu enquadramento no FPAS 6550. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 80 5. 00 08 24 /2 00 9- 99 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19805.000824/200999 Acórdão n.º 2401004.151 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/2001 a 09/2002 Data de lavratura do Auto de Infração: 30/05/2005 Data de ciência do Auto de Infração: 01/06/2005. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de DecisãoNotificação nº 21.4384/0030/2005 (Fls.594/596) proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária BOITUVA – SP que julgou procedente o lançamento realizado pela fiscalização em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluído na NLFD DEBCAD 35.754.0891. O crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 386/394, diz respeito a contribuições devidas Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa; financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho; e as destinadas a outras Entidades. As contribuições lançadas tiveram como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados, declaradas em GFIP, referentes ao período 01/2001 a 09/2002. O débito lançado foi consolidado em 30/05/2005, perfazendo o montante de R$250.646,57 (Duzentos e cinqüenta mil, seiscentos e quarenta e seis reais e cinqüenta e sete centavos). A empresa não comprovou ter registro prévio no Departamento Nacional de Mãodeobra no Ministério do Trabalho e Previdência Social, atualmente Ministério do Trabalho e Emprego, para que fizesse jus ao enquadramento no FPAS 6550 (trabalho temporário), e em face disso foi considerada como FPAS 5070 (prestação de serviços), para o referido período. O levantamento que faz parte deste relatório chama se FT2 Folha de Pagamento prestação de Serviço.. A Lei 6019/74 acima citada em seu art.4° condiciona o funcionamento de empresas de trabalho temporário ao prévio registro no Departamento Nacional de mãodeobra no Ministério do Trabalho e Previdência Social, atualmente, Ministério do Trabalho e Emprego. Foi solicitado através de Termo de Intimação de documentos — TIAD, emitido em 03/05/2005, o Registro acima mencionado. A empresa apresentou somente um registro, cópia anexa, datado de 18 de outubro de 2002, cuja validade é de 02 (dois) anos a contar da data de sua expedição, devido a isso o período de 08/00 a 09/02 não foi considerado como TRABALHO TEMPORARIO pertencente ao FPAS 6550 e sim PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS pertencente ao FPAS 5070. No período de 08 a 12/00 a empresa não apresentou movimentação por isso o período incluso nesta notificação iniciase em 01/01. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Como a Recorrente é optante pelo Lucro Presumido, não é obrigada por Lei a possuir Livros Diário e Razão., apresentando livros Caixa 01, 02, 03, 04 e 05, correspondentes ao anos 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 respectivamente. Além dos livros Caixa foram examinados os seguintes: Folhas de Pagamento do período 01/2001 a 10/2004, devidamente rubricadas por esta fiscalização; Rescisões de Contratos de Trabalho Notas Fiscais de Serviços; Relação Anual de Informações Sociais RATS; Imposto de Renda Pessoa Jurídica Anosbase 2001, 2002 e 2003. O lançamento engloba a contribuição do segurado e da empresa, no entanto os valores referente ao desconto de segurados empregados foram todos devidamente reolhidos em época própria. A empresa é cedente de mãodeobra em regime de trabalho temporário, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, define em seu art.219 §1° cessão de mãodeobra, conforme abaixo transcrito: "§ 1ª Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende se como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços continuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros." (grifo da fiscalização) A Recorrente deixou de apresentar para a fiscalização folhas de pagamentos de tomadores variados. Devido a isto a fiscalização fez os lançamentos das bases de cálculo e das contribuições descontadas dos segurados de acordo com declarado pelo contribuinte _em GFIP dados retirados do sistema da Previdência Social, cujas cópias estão anexadas aos autos. Durante a ação fiscal foi constatado que a empresa deixou de prestar todas as informações de fatos geradores de contribuição social, em virtude disto foi emitido Auto de Infração (CFL 68) DEBCAD número 35.754.0956. A empresa apresentou Impugnação, em face da DN nº21.4384/0030/2005, entretanto o lançamento foi julgado procedente: Inconformada apresentou Recurso Administrativo às fls. 604/620 alegando em síntese que: no período compreendido entre 08/2000 a 09/2002 estava enquadrada como empresa de mãodeobra em regime de trabalho temporário (FPAS 6550), pois protocolou requerimento de registro como empresa de trabalho temporário junto à Secretaria das Relações do Trabalho em 19/12/2000, porém, o órgão 'expedidor demorou para a emissão, a qual só ocorreu em 18/10/2002, entretanto, tem eficácia "ex tunc", retroagindo à data do requerimento; Fl. 801DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19805.000824/200999 Acórdão n.º 2401004.151 S2C4T1 Fl. 4 5 o presente débito tributário decorre do contrato de prestação de serviços de mãodeobra temporária para execução de obra de construção civil. Logo os débitos foram lançados por meio de dados do sistema – declarados em GFIP. requer a nulidade do lançamento e arquivamento da NFLD, afirmando provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em lei, sem exceção. Entretanto, o referido recurso administrativo não restou apreciado tendo em vista a decisão proferida pela DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA DE SOROCABA/SP que julgou o presente recurso deserto, em face da ausência do depósito recursal de 30%. Inconformado com a presente decisão, o autuante interpôs Mandado de Segurança com pedido de liminar perante a Justiça Federal em Sorocaba/SP. No entanto, não logrou êxito, já que a liminar foi negada. Mais uma vez, interpôs recurso de Agravo de Instrumento no processo em comento, o qual também foi julgado improcedente, levando ao consequente arquivamento do presente feito. Contudo, posteriormente, União requereu o desarquivamento do feito, ocasião em que foi dado seguimento ao presente recurso administrativo, mediante o despacho da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Sorocaba (fls 988) informando que restou reformada pelo E. TRF da 3a• Regido a decisão prolatada nos autos do mandado de segurança no. 2006.61.10.0001145 a que se reporta os despachos anteriores, concedendo à executada a ordem requerida, dessa forma, restou decidido pelo mencionado Tribunal Federal que o contribuinte poderia promover recurso administrativo sem o prévio depósito recursal de 30%. Assim, diante dos fatos acima expostos, e sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 29/11/2005, conforme AR juntado às fls. 602, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 29/11/2005, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO RECURSO O Recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, restandolhe assegurado a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do ja mencionado Decreto nº 70.235/72. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal, já que enfrentou as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, nos termos do artigo 31 da redação dada pela Lei nº 8.748/93. O Recurso referese ao enquadramento do FPAS nos levantamentos lançados na presente NFLD e que dizem respeito ao período 01/2001 a 09/2002. A empresa defende seu enquadramento no FPAS 6550 (regime de trabalho temporário, já a fiscalização entendeu como correto o FPAS 5070, visto que a empresa não apresentou registro prévio no Departamento Nacional de Mãodeobra no Ministério do Trabalho e Previdência Social. Notese que a exigência do referido registro prévio é legal, disposta no art. 50 da Lei n° 6019/74, in verbis: Art. 5° 0 funcionamento da empresa de trabalho temporário dependerá de registro no Departamento Nacional de Milodeobra do Ministério do Trabalho e Previdência. Em suas alegações a empresa tenta demonstrar que cumpria essa exigência pois havia requerido o registro em 19/12/2000 e obteve o seu deferimento do pedido e expedição do registro em 18/10/2002, devendo seu efeito deve retroagir à data do pedido. Pela análise do documento trazido pela defesa às fls. 298 está expresso que a validade do registro se dá a partir da data de sua expedição, ou seja, a partir de 18/10/2002, a saber: Fl. 803DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 19805.000824/200999 Acórdão n.º 2401004.151 S2C4T1 Fl. 5 7 "0 presente certificado tem validade de 02 (dois) anos a contar da data de sua expedição." (g. n.) Nesse diapasão, improcede a alegação da defesa, eis que não logrou comprovar o cumprimento da exigência imposta pela Lei n° 6019/74,tendo sido correto, portanto, o levantamento do débito utilizandose o FPAS 5070. Já no que se refere ao protesto por todos os meios de prova admitidos, cumpre esclarecer que após a publicação da Portaria MPS n° 520, de 19/05/2004, DOU 20/05/2004, a constituição de provas no processo administrativo previdenciário deve observar seu artigo 9°, logo notificação em epígrafe foi emitida na estrita observância ao que prescrevem os dispositivos legais apontados no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, parte integrante da presente NFLD. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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