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Numero do processo: 15211.720029/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PRELIMINAR. DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO. COISA JULGADA PERANTE A FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste coisa julgada perante a fiscalização tributária a decisão da Justiça do Trabalho em que foram partes da reclamação trabalhista o contribuinte e sua antiga empregadora. Inteligência do art. 506 do CPC/2015 e art. 472 do CPC/1973.
NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS NO CONTEXTO DA PERDA DE EMPREGO
Quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
(Assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto, Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (Suplente Convocado), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO. COISA JULGADA PERANTE A FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Inexiste coisa julgada perante a fiscalização tributária a decisão da Justiça do Trabalho em que foram partes da reclamação trabalhista o contribuinte e sua antiga empregadora. Inteligência do art. 506 do CPC/2015 e art. 472 do CPC/1973. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS NO CONTEXTO DA PERDA DE EMPREGO Quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 1. 72 00 29 /2 01 4- 15 Fl. 267DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto, Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (Suplente Convocado), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR): Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 18/22, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2011, anocalendário 2010, que converte saldo de imposto a restituir de R$ 27.162,65 em imposto a pagar de R$ 9.269,14, multa de ofício de R$ 6.951,85, e demais encargos legais, que, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fl. 19 constatou: · omissão de rendimentos recebidos acumuladamente – Tributação Exclusiva, no valor de R$ 128.248,01. Tendo sido devidamente cientificado do lançamento em 06/02/2014 (fl.41) o interessado ingressou com a impugnação de fls. 02/3, instruído com os documentos de fls.14/17. Considerase a impugnação tempestiva, tendo em vista que não consta dos autos sua data de protocolo; além da declaração contida no despacho de fl. 42. A impugnação foi apresentada pelo representante legal, devidamente constituído, através do documento de fl. 14. Insurgese contra a notificação argumentando que os valores ora discutidos não se configurariam como omissão de rendimentos, tendo em vista que teriam sido declarados de acordo com o determinado em sentença no processo trabalhista de n° 018830094.20045.03.0099. Sustenta que a autoridade tributária estaria considerando na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física os valores relativos aos juros moratórios, o que estaria em desacordo com a decisão da Justiça do Trabalho. Manifestase contrariamente ao entendimento da Receita Federal do Brasil no que diz respeito à tributação dos juros de mora recebidos em função da ação trabalhista, tendo em vista que jurisprudência dos tribunais superiores já teria decidido que os mesmos seriam isentos, independentemente da natureza das verbas sobre as quais incidem. Sendo assim, a tributação sobre o valor total dos rendimentos recebidos e declarados como isentos e não tributáveis em sua DAA seria indevida. Ilustra a questão trazendo jurisprudência referente ao tema. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 268 3 Defende, ainda, que no que diz respeito à base de cálculo e alíquotas de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente a decisão judicial já fez coisa julgada, não cabendo à RFB discutir ou contestar os valores constantes no processo. O valor do imposto retido estaria de acordo com os cálculos homologados, cuja decisão teria transitado em julgado, não cabendo ao fisco o direito de alterálos. Requer o acolhimento da defesa e o conseqüente cancelamento do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Física Exercício: 2011 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não são normas gerais, razão pela qual seus julgados ficam restritos à ocorrência objeto da decisão. RENDIMENTOS PAGOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.NATUREZA DAS VERBAS. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO.ISENÇÃO. NECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL. O cálculo efetuado no processo da Justiça Trabalhista não tem efeito vinculante quanto à natureza tributável das verbas pagas, porque a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza constitui fato gerador do IRPF,considerandose isentos apenas os rendimentos expressamente previstos em lei. AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS. Por expressa disposição da legislação tributária, há incidência de imposto de renda sobre os juros de mora correspondentes às verbas tributáveis percebidas por meio de ação trabalhista. O contribuinte foi cientificado da referida decisão (AR fls. 59) e apresentou o recurso voluntário de fls. 61/72, no qual reitera as alegações suscitadas quando da impugnação. Na sessão de 04 de julho de 2017 esta turma decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2202000.780 para que o Recorrente junte aos autos os seguintes documentos do processo 018830082.2004:5.03.0099 que tramitou perante a 2ª Vara de Governador Valadares/MG: a) petição inicial; b) contestação c) sentença d) certidão de trânsito em julgado e) liquidação de sentença f) cópia da execução. Fl. 269DF CARF MF 4 Intimado, o contribuinte juntou os documentos solicitados às fls. 95/259. Nessa documentação, consta o Despacho Alvará nº 028/2013 (fls. 233/234) emitido 2ª Vara do Trabalho de Governador Valadares, cujo teor é o seguinte: Tendo em vista que o Imposto de Renda, no caso em apreço, em razão do valro incontroverso ter sido liberado ao reclamante em 12 de julho de 2010, dever ser calculado mês a mês (regime de competência), na forma prevista no art. 12A da Lei 7.713/1998 (alterado pela MP 497/2010) e da IN 1.127/2011 da SRF/MF, bem como reiterados posicionamentos do STJ nesse sentido (REsp 505081/RS, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T, j. em 06/04/2004, DJ 31/05/2004, p. 185; REsp 1075700/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, 2ª T, j. em 05/11/2008; AgRg no REsp 641.531/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell, 2ª T., em 21/10/2008, DJe 21/11/2008; REsp 901.945/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, 1ª T, j. em 02/08/2007, DJ 16/08/2007, p. 300), e que não devem incidir sobre os juros de mora (Orientação Jurisprudêncial nº 400, da SDI, do TST); Considerando que, no caso, segundo o quadro de cálculos de fls. 1.192, apresentado pela reclamada, a base de cálculo do Imposto de Renda, referentemente ao reclamante, foi R$ 441.850,80, mas que, excluída dela a importância de R$ 128.284,01 de juros de mora (que não deveriam compôla), deveria ser, em 30 de abril de 2007, R$ 313.566,79; Considerando que, atualizada aludidade base de cálculo com o mesmo índice determiando no despacho de fls. 1600 1,0353504 na data da liberação do crédito ao substituído supracitado, a mesma era de R$ 324.651,79; Considerando que, tomandose como base as diretrizes da Instrução Normativa nº 1.127, de fevereiro de 2011, da Receita Federal, apurandose o Imposto de Renda sobre base de cálculo sem os juros de mora, com a alíquota 27,5%, e deduzindose R$ 662,94 cinquenta e oito vezes (número de meses do débito acumulado), encontramos R$ 50.828,64 de Imposto de Renda o que significa que R$ 69.999,62 de valor calculado ao título, à fls. 1.192, pela reclamada, e do reclamente. Considerando, assim, que o valor de R$ 69.999,62, acrescido de correção monetária a partir de 30 de abril de 2007, pelo índice 1,0353504, bem como de juros de 1% ao mês, no total de 39%, no importe, portanto, até 09 de julho de 2010, data da liberação do crédito incontroverso de R$ 100.739,04, deve, também, ser liberado ao reclamante, com rendimentos a partir da data da sobredita liberação. (...) De acordo com despacho supra transcrito fica claro que o valor de R$ 128.284,01 referese aos juros de mora recebidos em decorrência da ação trabalhista ajuizada pelo ora Recorrente, bem como que a natureza indenizatória da referida verba foi definida pela justiça do trabalho e não foi objeto do competente recurso por parte da União Federal. Com efeito, conforme se constata pela decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (fls. 239) a impugnação apresentada pela União Federal à sentença de liquidação se Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 269 5 limitou a contestar os valores que serviram de base de cálculos das contribuições sociais, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Por sua vez, a UNIÃO interpôs IMPUGNAÇÃO À SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO, insurgindose contra a decisão que homologou os cálculos periciais, asseverando, em síntese, que a atualização dos créditos previdenciários devem ser apurados utilizandose a taxa SELIC; mas a prestação dos serviçso que, sendo competente esta Especializada para, nos termos do artigo 114 da Constituição Federal, executar não apenas as contribuições previdenciárias, mas, também, os seus acréscimentos, deve ser determinada a cobrança da multa moratória e consectários, a partir do mês de vencimento da obrigação; que a alíquota aplicável à cota patronal não está correta; que as diferenças de adicional noturno não compuseram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ao final, requereu o acolhimento da impugnação para que os cálculos sejam corrigidos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINAR A maior parte do Recurso Voluntário destinase a pleitear a aplicação da decisão proferida na demanda trabalhista 0188300.2004.5.03.0099, que tramitou na 2ª Vara do trabalho de Governador Valadares/ MG. Em outras palavras, o recurso requer a aplicação da coisa julgada ao lançamento ora promovido pela União Federal. O Código de Processo Civil (2015), assim como anterior, determina que a coisa julgada não abrange terceiros, conforme se verifica pela leitura do artigo 506, abaixo transcrito: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros Fundamental, entretanto, fazer distinção entre os limites subjetivos da coisa julgada e a extensão subjetiva da eficácia da sentença, pois, esta última, opera fora dos limites subjetivos da coisa julgada . Essa preciosa distinção, de enormes conseqüências práticas para o caso em questão, foi formulada por Enrico Tullio Liebman em sua obra Eficácia e Autoridade da Sentença 1, nestes termos: 1 LIEBMAN, Enrico Tullio – Eficácia e Autoridade da Sentença e outros escritos sobre a coisa julgada. Ed. Forense, 2 edição, 1981, p. 123 Fl. 271DF CARF MF 6 “A sentença, como ato de autoridade ditado por um órgão do Estado, reivindica naturalmente, perante à todos, seu ofício de formular qual seja o comando concreto da lei, ou, mais genericamente, a vontade do Estado, para um caso determinado. As partes, como sujeitos da relação a que se refere a decisão, são certamente as primeiras que sofrem a sua eficácia, mas não há motivo que exima os terceiros de sofrêla igualmente. Uma vez que o juiz é o órgão ao qual atribui o Estado o mister de fazer atuar a vontade da lei no caso concreto, apresentase sua sentença como eficaz exercício dessa função perante todo ordenamento jurídico e todos os sujeitos que nele operam. ... O juiz que, na plenitude de seus poderes e com todas as garantias outorgadas pela lei, cumpre sua função, declarando, resolvendo ou modificando uma relação jurídica, exerce essa atividade (e não é possível pensar diversamente) para um escopo que outra coisa não é senão a rigorosa e imparcial aplicação da lei; e não se compreenderia como esse resultado todo objetivo e de interesse geral pudesse ser válido e eficaz só para determinados destinatários e limitados a eles. Concepção assim restrita dos efeitos da sentença poderia ser lógica quando tinha o processo caráter de atividade privada, e o fundamento da eficácia da sentença era um contrato ou quase contrato pelo qual se submetiam as partes, mais ou menos voluntária e livremente ao iudicium e à sentença que se devia prolatar. Mas desde que recebe a sentença a sua eficácia do poder soberano da autoridade em cujo nome é pronunciada, da qualidade pública e estatal do órgão que a prolata (visto que já se logrou plena consciência desta verdade), seria de todo em todo inexplicável que valesse ela só para um e não para todos em formulação da vontade do Estado no caso concreto.(grifamos) A prova de que os efeitos da sentença atingem terceiros, segundo Liebman2, encontrase nos institutos da intervenção e oposição de terceiros, expressamente previstos no capítulo VI do Código de Processo Civil (Código de 1973). Com efeito, qual a necessidade de assegurar a intervenção de terceiros no processo se esse só produzisse os seus efeitos entre os litigantes? Alega o Recorrente que, tendo em vista que a União Federal participou do processo de conhecimento perante à Justiça do Trabalho, deveria se submeter a coisa julgada lá formada. Em outras palavras, não teria a Receita Federal competência para realizar lançamento que tivesse como objeto o mérito das questões decididas no mencionado processo, sob pena de ofensa à coisa julgada. A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina os efeitos das decisões trabalhistas em relação à União Federal, nestes termos: Art. 831 A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. 2 LIEBMAN, Enrico Tullio, ob cit, p. 127 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 270 7 Art. 832 Da decisão deverão constar o nome das partes, o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da decisão e a respectiva conclusão. § 1º Quando a decisão concluir pela procedência do pedido, determinará o prazo e as condições para o seu cumprimento. § 2º A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas pela parte vencida. § 3o As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso. § 4o A União será intimada das decisões homologatórias de acordos que contenham parcela indenizatória, na forma do art. 20 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, facultada a interposição de recurso relativo aos tributos que lhe forem devidos § 5o Intimada da sentença, a União poderá interpor recurso relativo à discriminação de que trata o § 3o deste artigo. § 6o O acordo celebrado após o trânsito em julgado da sentença ou após a elaboração dos cálculos de liquidação de sentença não prejudicará os créditos da União. (...) Exatamente por impor à União Federal os efeitos da sentença é que o referido artigo lhe confere a possibilidade de recurso relativamente aos tributos que lhe são devidos. Dessa forma, não se sustenta, a conclusão firmada pela decisão recorrida de que a sentença trabalhista estaria restrita às partes do processo. Em primeiro lugar, porque não existe o direito de crédito antes de definido pela Justiça do Trabalho. Esse direito de crédito só nasce depois de reconhecido judicialmente pela justiça competente. Em segundo lugar, porque ao prever expressamente a legitimidade recursal da União, enquanto terceiro sujeito aos efeitos da sentença trabalhista, assegura o direito ao contraditório. O Tribunal Superior do Trabalho TST, após anos de discussões doutrinárias e jurisprudenciais acerca da constitucionalidade da determinação de retenção por parte do Magistrado Laboral, fixou a Súmula n. 368, que assim dispõe: Súmula n. 368 do TST DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS E FISCAIS. COMPETÊNCIA. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO. FORMA DE CÁLCULO. I A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais II É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultante de crédito do empregado oriundo de condenação judicial, devendo ser calculadas, em relação à incidência dos descontos fiscais, mês a mês, nos termos do art. 12A da Lei n. 7.713, de 22.12.1988, com a redação dada pela Lei n. 12.350/2010. (grifo nosso). Fl. 273DF CARF MF 8 O Supremo Tribunal Federal, esclareceu os limites da competência da Justiça do trabalho, inclusive em relação ao Imposto de Renda, conforme se verifica pela decisão abaixo transcrita: COMPETÊNCIA EXECUÇÃO TÍTULO JUDICIAL TRABALHISTA DESCONTOS PREVIDENCIÁRIO E DO IMPOSTO DE RENDA CONTROVÉRSIA. Cumpre à própria Justiça do Trabalho, prolatora do título judicial e competente para a execução respectiva, definir a incidência, ou não, dos descontos previdenciários e para o imposto de renda. (RE 196517, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Segunda Turma, julgado em 14.11.2000, DJ 20.04.2001. (grifamos) Dessa forma, entendo que a sentença condenatória prolatada pela justiça do trabalho produz efeitos perante a União Federal e, como visto pelos documento trazidos aos autos, ela não recorreu da parte da sentença que determinou a exclusão dos juros. Em face do exposto acolho a preliminar de coisa julgada. II MÉRITO Ainda que superada a preliminar de coisa julgada é indispensável a documentação juntada em cumprimento da diligência demonstrou que os valores glosados referemse à juros recebidos em decorrência de ação movida pelo Recorrente junto à justiça do trabalho. Sobre o tema, transcrevo as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, redator designado para o Acórdão 2101002.547: Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no sentido de que tais rendimentos, a princípio, deveriam seguir a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...]Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 271 9 quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros incidentes sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF. Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento de verbas no âmbito de rescisão do contrato de trabalho, consoante posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa da decisão cujo teor aqui se adota : PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não (grifei). Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a Fl. 275DF CARF MF 10 incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...]4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...]7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (grifamos) Como se verifica pela decisão acima transcrita Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, acolho a preliminar de coisa julgada e, caso superada a preliminar suscitada, no mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia à ilustre Relatora a divergir em parte com seu voto, pois não concordo com seu entendimento em relação ao acolhimento da preliminar. Ocorre que sustenta a recorrente a aplicação da decisão proferida na demanda trabalhista nº 0188300.2004.5.03.0099, que tramitou na 2ª Vara do trabalho de Governador Valadares/ MG. Em outras palavras, conforme referiu a Relatora, o recurso requer a aplicação da coisa julgada ao lançamento ora promovido pela União. A Conselheira Relatora bem referiu o disposto no artigo 506 do Código de Processo Civil/2015, que assim determina: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. (grifouse) Por sua vez, o Código de Processo Civil//1973, no artigo 472, assim tratava do assunto: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 272 11 Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. (grifouse) Conforme se verifica, seja pela legislação processual revogada ou pela ora em vigência, a coisa julgada faz coisa entre as partes, ou seja, entre o contribuinte e sua ex empregadora, polo passivo da ação trabalhista. Ademais, está claro na legislação proceussal não prejudicará terceiros, tal qual a Fazenda Nacional. Importa referir que cabe a Receita Federal do Brasil realizar a fiscalização tributária dos tributos federais, podendo ela se insurgir em face do decidido pela Justiça do Trabalho, cujo processo não foi parte. Acrescento, por oportuno, que o mesmo não poderia ser procedido na hipótese de a decisão ser da Justiça Federal em ação que tenha sido parte a União (Fazenda Nacional), porém não é este o caso ora em análise. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto, Redator designado Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.906579/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 06 57 9/ 20 14 -9 7 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de pedido de restituição do Contribuinte onde foi exarado despacho decisório indeferitório, referente ao exercício de 2013, no valor de R$ 1.777,44 conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 02. A autoridade fiscal indeferiu o mencionado pedido de restituição em face do pagamento objeto do pedido de restituição estar alocado aos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade (fl.10 e fl.19), alegando, em síntese, que é portador de moléstia grave do período de 11.04.2006 a 11.04.2011, além do período de novembro de 2012 a novembro de 2017, e, consequentemente, isento do imposto de renda, tendo retificado sua declaração dos exercícios de 2009 a 2012, tornando o pagamento objeto do pedido de restituição indevido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0437.815 da 1ª Turma da DRJ/CGE, às fls. 27/28, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A falta de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte impede seu reconhecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 54/55), no qual o contribuinte Informa que no decorrer de 11/04/2006 a 11/04/2011 e novembro de 2012 foi acometido por doença grave conforme laudos anexados ao presente processo. Nesses períodos, recolheu através de DARF, código 0211, IRPF indevidamente, pois já estava isento de acordo com a Lei nº 7.713/88. Conforme consta do acórdão recorrido, restou evidenciado que somente uma parte do imposto seria isento, quais sejam, novembro e dezembro de 2012. Informa que até a data da interposição do recurso ainda não havia sido ressarcido dos valores. Nesses termos, requer a revisão do acórdão hostilizado. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Todavia, o julgamento foi convertido em diligência, Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 4 3 determinando que a Secretaria da Receita Federal do Brasil junte aos autos cópias das declarações do imposto de renda do contribuinte durante o período questionado, ou seja, relativa aos exercícios 2010; 2011; 2012 e 2013, anoscalendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, bem como das declarações retificadoras. Referida determinação sobrou atendida pelo que se observa dos documentos juntados às fls. 72/123. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DO MÉRITO Tratase de pedido de restituição interposto com vistas a reaver o valor do Imposto de Renda de Pessoa Física referente ao exercício 2013, Ano Calendário 2012, no valor total de R$ 1.777,44 (hum mil setecentos e setenta e sete reais e quarenta e quatro reais). A isenção do imposto de renda sobre proventos da aposentadoria está prevista na Lei nº 7.713, de 1998, artigo 6º, inciso XIV, com redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004, a saber: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”; Ainda em relação à isenção acima referida, a Lei nº 9.250, de 1995, no artigo 30 e §§ estabeleceu a forma do seu reconhecimento. Recordese: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 5 4 § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)”. Portanto, a isenção dos rendimentos dependem da comprovação que eles sejam decorrentes de aposentadoria ou reforma; que a doença esteja arrolada no inciso XIV, artigo 6º da Lei nº 7.713/88 e que o interessado apresente laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, fixando o prazo de validade e a data de início da incapacidade provocada pela doença. No caso presente, o interessado comprovou a moléstia grave, bem como a sua condição de aposentado. Assim, resta nos autos a discussão de qual o período a isenção é devida. Compulsando os autos, verificase que o Contribuinte foi, inicialmente, mediante laudo médico pericial, emitido em 16/01/2013, considerado portador de carcinoma de próstata, CID C 61, 150, 125.5, neoplasia maligna, desde 11/04/2006. O mesmo laudo, todavia, considerou a moléstia como passível de controle, determinando a sua validade até 11/04/2011 (fl.21). Por outro lado, consta um segundo laudo médico, datado de 03/09/2013, no qual se observa que o contribuinte foi acometido por câncer de pele (CID C44.2 e C44.6) desde novembro de 2012, sendo a doença passível de controle e a validade do laudo até 08/11/2017. A DRJ em Campo Grande entendeu que não assiste razão ao contribuinte tendo vista que o apenas os rendimentos recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro de 2012 são tributáveis. Recordese: “Não assiste razão ao contribuinte que apresentou o laudo médico oficial do INSS caracterizando a moléstia a que foi acometido o contribuinte no período de 11.04.2006 a 11.04.2011, e novembro de 2012 a novembro de 2017 fls. 10. Considerando que o ano calendário relativo aos recolhimentos referemse a 2012 e a isenção a partir de novembro de 2012, somente uma parte dos rendimentos recebidos em 2012, quais sejam os recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro/2012 tributáveis. Considerando ainda que não há elementos nos autos para que se identifique os rendimentos tributáveis e isentos no período de 2012, não há como se deferir o pedido de restituição por falta de liquidez e certeza, pois, o pedido de restituição foi do recolhimento do imposto sobre a renda do ano todo de 2011, cuja declaração original considerou os rendimentos tributáveis, que ocasionou os recolhimentos. Pelos motivos acima, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado”. Conforme se observa da Manifestação de Inconformidade (fl.10), o contribuinte informa que confeccionou declaração retificadora (nº 2264179196), relativa aos exercícios Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 6 5 2010; 2011; 2012 e 2013, anoscalendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, requerendo a restituição dos valores que estaria isento nesse período. As respectivas retificadoras foram juntadas da seguinte forma: Exercício 2010 (fls. 78/81); Exercício 2011 (fls. 94/98); Exercício 2012 (fls. 106/110); e Exercício 2013 (fls. 118/123). Ocorre que, após análise da documentação acima mencionada, constatouse que para que se possa formar a convicção necessária ao julgamento da presente lide, fazse imperiosa a juntada de novos documentos, razão pela qual, converto o presente julgamento em diligência para solicitar que: a) A Unidade de Origem junte aos presentes autos as DIRF´s do ano calendário 2012 de todas as fontes pagadoras que tenha como beneficiário o Recorrente; b) Caso não seja possível identificar as remunerações referentes aos meses de novembro e dezembro de 2012 com base nas DIRF´s acima solicitadas, o Recorrente deverá ser intimado para discriminar os valores recebidos no ano calendário de 2012, com os respectivos documentos comprovatórios. Ressaltese que é a solicitação de rendimentos do ano calendário de 2012 que compõem a declaração da pessoa física, ou seja o Contribuinte deve apresentar somente o que ele declarou em Imposto de Renda. Após, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721608/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2009
IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 150, § 4o, DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF. No entanto, existindo pagamento, aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do mesmo CTN.
IPI. REGIME ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 56 DA MP 2.158-35/2001. REQUISITOS.
O direito ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP no 2.158-35/2001 depende do cumprimento cumulativo dos requisitos ali estabelecidos, sendo incabível a fruição do crédito se a empresa, intimada a comprovar o atendimento dos requisitos, não o faz, pedindo prazo adicional, ao final do qual nada apresenta em complemento.
Numero da decisão: 3401-005.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos valores lançados que indicaram como fato gerador 01/09/2008. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 150, § 4o, DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. No entanto, existindo pagamento, aplicase a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do mesmo CTN. IPI. REGIME ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 56 DA MP 2.15835/2001. REQUISITOS. O direito ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP no 2.158 35/2001 depende do cumprimento cumulativo dos requisitos ali estabelecidos, sendo incabível a fruição do crédito se a empresa, intimada a comprovar o atendimento dos requisitos, não o faz, pedindo prazo adicional, ao final do qual nada apresenta em complemento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos valores lançados que indicaram como fato gerador 01/09/2008. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 16 08 /2 01 3- 28 Fl. 311DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 151, lavrado em 30/09/2013, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente a escrituração e utilização de valores indevidos a título de crédito presumido sobre frete, no período de 01/09/2008 a 01/12/2009, no valor original de R$ 5.338.863,63, a sofrer ainda acréscimos de juros de mora e multa de ofício (75%), com detalhamento em Relatório Fiscal. No Relatório Fiscal de fls. 16 a 21, narra a fiscalização que: (a) a empresa invocou benefício fiscal previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001, mas não cumpriu o requisito para fruição constante na alínea “b” do § 1o do referido artigo, que exige que no preço da operação esteja incluído o frete pago pelo adquirente, devendo, conforme Regulamento do IPI (RIPI) de 2002 (art. 339, V, “f”), tal valor estar explicitamente indicado na Nota Fiscal da operação; (b) houve ainda o descumprimento do requisito que figura na alínea “c” do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 (frete compreendendo a totalidade do trajeto, do estabelecimento industrial até o local de entrega), visto que a empresa não cobra o frete para levar seus veículos da sede até o local de entrega do produto ao adquirente; (c) intimada a apresentar documentação comprobatória do cumprimento dos requisitos para fruição do benefício, a empresa não o fez; e (d) já houve procedimento anterior, lavrado contra a mesma empresa, e mantido pela DRJ, no processo administrativo no 10860.721154/201212. Ciente da autuação em 30/09/2013 (fl. 3), a empresa apresentou Impugnação em 30/10/2013 (fls. 51 a 65), argumentando, em síntese, que: (a) o valor do frete somente pode ser informado na nota fiscal quando o emitente é o próprio prestador do serviço de transporte, o que não ocorreu no caso, visto que a empresa contratou o frete junto a empresas terceirizadas, cobrandoos dos consumidores finais juntamente com o preço dos veículos, sendo prova cabal disso a sistemática adotada nas notas fiscais (CIF – exemplo às fls. 55/56); (b) não se exige, para fruição do benefício, que conste o frete explicitamente na nota fiscal, mas apenas que este seja cobrado juntamente com o preço dos produtos; (c) o frete abrange a totalidade do trajeto desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente, havendo confusão, por parte da fiscalização, em relação à política de preços da empresa em diferentes locais do país (que está dentro da liberalidade comercial da empresa), sendo os preços dos fretes diferentes, por região, ao contrário do que afirma o fisco (exemplos às fls. 59 a 62); e (d) a interpretação dada pelo fisco ao art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 é demasiadamente restritiva, sequer encontrando respaldo na literalidade da norma. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 11/02/2014 (fls. 133 a 140), acordandose unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) a empresa incide em flagrante engano quando afirma que “o valor do frete somente pode ser informado na nota fiscal quando o emitente é o próprio prestador do serviço de transporte”, pois se depreende da simples e direta leitura do art. 339 do 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 312 3 RIPI/2002 que o quadro “Transportador/volumes Transportados” da nota fiscal modelos 1 ou 1ª destinase, especificamente, ao registro do nome ou razão social do transportador, e, na hipótese de o transportador ser o próprio remetente ou o destinatário, tal circunstância deverá ser indicada no campo “Nome/Razão Social”, do quadro “Transportador/Volumes Transportados”, com a expressão “Remetente” ou “Destinatário”, conforme elucida o art. 342, XII, do mesmo RIPI/2002; (b) ao optar por, supostamente, levar as despesas de transporte à composição do preço de venda dos produtos em tela, o sujeito passivo deu a tais dispêndios a natureza de custo da produção, deixando de lhes aplicar o tratamento de frete; (c) o contribuinte, quando intimado a fazer prova do direito invocado, simplesmente fez informar que “não pode apresentar as informações/documentos acerca do crédito presumido IPI/frete”, e, reiterando sua conduta, já em sede de impugnação, deixou de exibir qualquer documentação contábil ou fiscal que corroborem sua alegação, limitandose a produzir, ao seu querer, planilhas avulsas; e (d) a ausência de documentação comprobatória impede ainda que se repute atendida a condição presente na alínea “c” do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001, sequer havendo exibição dos contratos firmados com os transportadores para comprovar o alegado, incumbindo ao demandante do crédito a prova do cumprimento dos requisitos exigidos na legislação. Ciente da decisão de piso em 06/03/2014 (cf. termo de fl. 143), a empresa apresentou recurso voluntário em 04/04/2014 (fls. 145 a 166), reiterando os argumentos expressos em sua impugnação, e acrescentando que, tendo em vista que a ciência da autuação se deu em 30/09/2013, parte do crédito tributário se encontra fulminada pela decadência (fatos geradores anteriores a 30/09/2008), conforme art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional e REsp no 973.733/SC, que vincula as decisões do CARF. O processo foi encaminhado ao CARF pelo despacho de fl. 218, de 25/04/2014, que atestou a tempestividade da peça recursal, e distribuído a conselheiros que, posteriormente, renunciaram ao mandato, sendo a mim redistribuído, por sorteio, em fevereiro de 2018. Cabe derradeiramente destacar que a empresa apresentou, em 07/02/2018, peça denominada de “razões complementares” (fls. 276 a 292), mencionando a Solução de Consulta SRRF09/Disit no 26/2012, que traz parágrafo no sentido de que o frete seria obrigatório na nota fiscal apenas quando for cobrado em separado do comprador, um precedente do CARF (Acórdão no 3402004.086), e a exposição de motivos da Medida Provisória no 2.11329. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Fl. 313DF CARF MF 4 O presente contencioso versa, basicamente, sobre a leitura jurídica do benefício (regime especial de apuração do IPI) estatuído pelo art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001. No entanto, traz a recorrente ao colegiado, ainda que de forma tardia, pois não invocada na origem, matéria que se revela de ordem pública: a eventual ocorrência de decurso do prazo decadencial, e que será aqui analisada tãosomente em função da natureza do tema. Da decadência A autuação, como relatado, referese ao período de 01/09/2008 a 01/12/2009, e foi cientificada ao sujeito passivo em 30/09/2013. Entende a recorrente que seria aplicável ao caso a regra decadencial presente no art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A recorrente invoca ainda em seu favor precedente do STJ (REsp no 973.733/SC), julgado na sistemática do artigo 543C do antigo CPC (atual artigo 1036 do novo CPC, veiculado pela Lei no 13.105/2015), e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o artigo 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 313 5 previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) Fl. 315DF CARF MF 6 De fato, é assentado neste tribunal administrativo o entendimento de que se aplica a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, caso exista pagamento, e que, na ausência de pagamento, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do mesmo CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Nesse sentido, diversas decisões do CARF, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3401004.472, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.abr.2018) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403003.106 e 107, no 3403 003.305, no 3101001.267, no 3302002.589, no 3403002.767, no 9202003.060, no 9303002.849 e no 9303002.857). No caso concreto, tratase de glosa de crédito presumido, e não, propriamente, de ausência de pagamento, não havendo que se falar em aplicação do art. 173, I do CTN. Ademais, no texto da própria autuação se destaca que trata o lançamento de recolhimento a menor (fl. 4): Sendo a ciência da autuação em 30/09/2013, esta não pode, então, exigir valores referentes a fatos geradores anteriores a 30/09/2008, impondose o afastamento da exigência assim detalhada na autuação (ainda à fl. 4): Analisada a questão referente à decadência, passase ao tema principal da autuação, que se refere à aplicação do disposto no art. 56 da Medida Provisória no 2.158 35/2001. Do crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 314 7 O art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 estabeleceu regime especial de apuração do IPI, prevendo crédito presumido em relação à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte de alguns produtos: “Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput, em todas as operações de saída do estabelecimento industrial; c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. § 2o O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. § 3o Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente.” (redação original – grifo nosso) Tal redação, destaquese, sofreu sensíveis alterações de texto em 21/11/2008 (com efeitos imediatos), pela Lei no 11.827, que, em seu art. 3o, II, b, passou a dispor: “b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial”. E, mais recentemente, em 2011, recebeu o acréscimo de um § 4o, interpretativo (pois invoca o art. 106, I do CTN) pela Lei no 12.407/2011, dispondo: “O regime especial de tributação de que trata este artigo, por não se configurar como benefício ou incentivo fiscal, não impede ou prejudica a fruição destes”. Como relatado, acusa a fiscalização, no caso em análise, que a empresa não cumpriu o requisito para fruição constante na alínea “b” do § 1o do referido artigo, que exige que no preço da operação esteja incluído o frete pago pelo adquirente, devendo, conforme Regulamento do IPI (RIPI) de 2002 (art. 339, V, “f”), tal valor estar explicitamente indicado na Nota Fiscal da operação, e que não cumpriu também o requisito que figura na alínea “c” do Fl. 317DF CARF MF 8 inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 (frete compreendendo a totalidade do trajeto, do estabelecimento industrial até o local de entrega), visto que a empresa não cobra o frete para levar seus veículos da sede até o local de entrega do produto ao adquirente. Acrescenta o fisco, ainda, que a empresa, intimada a apresentar documentação comprobatória do cumprimento dos requisitos para fruição do benefício, não o fez. De fato, consta dos autos que a empresa foi intimada, em 27/08/2013 (fls. 28/29), a apresentar relação de despesas incorridas com frete em 2008/2009, e a colocar à disposição da fiscalização, para eventual checagem, memórias de cálculo, registros contábeis/fiscais que comprovassem o cumprimento das condições previstas no inciso II do art. 56 da referida MP. Em 04/09/2013, a empresa apresentou as seguintes respostas às indagações do fisco: E, em 25/09/2013, registrou a fiscalização que a empresa não poderia apresentar os documentos solicitados, com ciência do representante da empresa: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 315 9 Após a lavratura de tal termo de constatação, nada mais foi apresentado pela empresa à fiscalização, o que culminou na lavratura do auto de infração. Em sede de impugnação, a empresa argumenta, inicialmente, que o valor do frete somente pode ser informado na nota fiscal quando o emitente é o próprio prestador do serviço de transporte, o que não ocorreu no caso, visto que a empresa contratou o frete junto a empresas terceirizadas, cobrandoos dos consumidores finais juntamente com o preço dos veículos, sendo prova cabal disso a sistemática adotada nas notas fiscais. Tal argumento foi legitimamente rechaçado, pela DRJ, no julgamento de piso, visto que o art. 339 do RIPI/2002 expressa que o quadro “Transportador/volumes Transportados” da nota fiscal modelos 1 ou 1ª destinase, especificamente, ao registro do nome ou razão social do transportador, e, na hipótese de o transportador ser o próprio remetente ou o destinatário, tal circunstância deverá ser indicada no campo “Nome/Razão Social”, do quadro “Transportador/Volumes Transportados”, com a expressão “Remetente” ou “Destinatário”, conforme elucida o art. 342, XII, do mesmo RIPI/2002. Aliás, o argumento utilizado pela DRJ para rechaçar a tese da defesa sequer é enfrentado especificamente no recurso voluntário. O valor do frete, no caso em análise, então, indiscutivelmente não foi incluído na nota fiscal, e deveria ter sido incluído. Resta saber se a não inclusão do frete nas notas fiscais é relevante para o preenchimento do requisito estabelecido na alínea “b” do inciso II do § 1o art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001: ser o valor do frete cobrado “juntamente com o preço dos produtos”. A matéria não é nova neste colegiado. Tanto o autuante quanto a recorrente invocam precedentes em seu favor. A fiscalização cita, na autuação, que, em processo de teor idêntico (de no 10860.721154/201212), teria sido mantido o lançamento administrativamente, o que checamos em nome da verdade material. Em tal processo, percebese que, no CARF, o julgamento foi convertido em diligência, unanimemente, por meio da Resolução no 3201000.439, de 23/10/2013, acompanhandose voto da Cons. Mércia Helena Trajano D’Amorim, para que a unidade preparadora da RFB, superando a questão referente a constarem os valores discriminados em nota fiscal, verificasse se o frete compôs a base de cálculo, foi inserido no preço de venda, e se foi contabilizado em conta segregada de receita com venda do veículo. Demandou a conversão em diligência também providência a cargo da postulante ao crédito, para que comprove se “houve declaração (ou contrato de quem pratica o frete) e apresente planilha com os fretes diferenciados dos Estados (análise por parte da fiscalização, inclusive)”. No retorno da diligência, foi negado provimento ao recurso voluntário, por maioria, no meio do Acórdão no 3201002.247, de 23/06/2016, vencidos os Cons. Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, após a unidade preparadora da RFB informar que “nenhum dos frete pagos... foi acompanhado de seus registros contábeis”. Assim, concluiu a relatora, com acolhida da maioria do colegiado, que “a recorrente não juntou cópia de nota fiscal que apresentasse o destaque do valor do frete, tampouco, apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete, abonado pela diligência solicitada”. Fl. 319DF CARF MF 10 Na ocasião, o Cons. Cássio Schappo apresentou declaração de voto, onde esclareceu porque votava pelo provimento ao recurso voluntário: O contribuinte por sua vez comprova que é o contratante do serviço de transporte e faz a juntada do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga, onde consta que o frete é pago por conta do remetente. Da mesma forma indica da Nota Fiscal de Saída do produto que o frete é por conta do emitente e por fim, junta planilha de custo do produto vendido onde contém incluído o frete. Cabe destacar que o presente processo, no atual estado, não reúne as circunstâncias assinaladas na citada declaração de voto. O referido Acórdão no 3201002.247, por fim, foi objeto de embargos de declaração, por parte do contribuinte, unanimemente rejeitados pelo colegiado, no Acórdão no 3201002.766, de 25/04/2017, não sendo admitido o recurso especial interposto pela empresa (por não rezarem os paradigmas assinalados sobre o tema em análise – carência probatória – mas sobre necessidade de destaque em nota fiscal). Interposto agravo regimental, foi dado seguimento ao recurso especial, em 06/07/2018. Assim, o precedente invocado pela fiscalização, embora lhe favoreça, ainda não teve desfecho administrativo. A recorrente, por seu turno, invoca, como precedente que lhe beneficia, o Acórdão no 3402004.086, que trata do mesmo tema de fundo: aplicação do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001: “REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001)” (Rel. Cons. Maysa de Sá Pittondo Deligne, maioria, vencidos os Cons. Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, sessão de 27.abr.2017). Vêse, pelo voto condutor de tal julgado, que, com fundamento na Solução de Consulta SRRF/09 no 26/2012, entendeuse que o valor do frete somente deve ser incluído na nota fiscal se cobrado em separado, bastando para o cumprimento dos requisitos impostos pelo art. 56 da MP e pela norma infralegal que o disciplina (IN SRF no 91/2001) ser comprovado que o frete seja cobrado conjuntamente com o preço da mercadoria. Naquele julgado há ainda argumento que, no presente processo, é suscitado pela empresa em sua peça recursal: a Exposição de Motivos da Medida Provisória no 2.11329, que deu origem ao art. 56 da MP no 2.15835/2001. A transcrição da referida exposição de motivos, naquele processo, só endossa nossa percepção de que apesar de ser obrigatória e relevante a inclusão em nota fiscal, como aqui já exposto, o descumprimento de tal requisito não enseja, por si, necessariamente, a negativa do crédito, visto que o requisito legal reside na “cobrança conjunta”, que pode ser comprovada por outros meios que não a nota fiscal. No entanto, naquele processo, narra a relatora que o problema não era probatório, mas simplesmente de ausência de destaque nas notas fiscais: Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 316 11 “De fato, considerando todos os requisitos apontados acima, a fiscalização indicou que a Recorrente não teria adimplido aquela trazida nos pontos (c.2) e (c.3) por não ter segregado o valor do frete na nota fiscal. Contudo, todo o requisito (c) foi devidamente adimplido pela Recorrente vez que, como informado pela própria fiscalização, ela realizou as operações de saída com uma cláusula C&F, qual seja, cláusula CIF, arcando com o valor do frete realizado entre o estabelecimento industrial e o local de entrega do produto ao adquirente, incluindo esse valor na composição do preço da mercadoria (em conformidade, como visto, com o art. 2o, §2 o e art. 5 o da IN n. 91/2001). Da mesma forma, indicou em todas as suas notas fiscais que o frete foi por ela arcado na condição de “Emitente" das notas fiscais. Acrescese que a Recorrente trouxe aos autos documentos demonstrando, de forma exemplificativa, que os valores dos fretes foram incluídos no preço dos produtos (efls. 140/245), evidenciando o cumprimento dos requisitos legais. Entretanto, salientese que em qualquer momento essas questões foram postas em xeque na presente autuação, vez que a fiscalização relatou o procedimento adotado pela Recorrente de incluir o preço do frete por ela contratado no preço das mercadorias. Contudo, no seu entendimento, esse frete deveria vir apartado na nota fiscal. No presente caso, repitase, o único fundamento da autuação foi no sentido de que o frete não constava destacado nas notas fiscais e não teria sido arcado pelos adquirentes.” (grifo nosso) No presente processo, como aqui se relatou, a discussão é também probatória, e inclui o descumprimento da alínea “c” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Assim, guarda o caso em análise pouca semelhança com aquele julgado. De qualquer forma, aproveitamos a ocasião para endossar nossa acordância com a conclusão da citada decisão no sentido de que a simples ausência de destaque na nota fiscal não é suficiente, por si, para a negativa do crédito presumido previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001. E adotamos tal premissa no julgamento do presente processo, já acrescentando que tal conclusão foi confirmada unanimemente no julgamento daquele mesmo precedente por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001).” (Acórdão no 9303 006.465, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 13.mar.2018) Fl. 321DF CARF MF 12 Apesar de acordarmos com a conclusão de que a simples ausência de destaque na nota fiscal não é suficiente, por si, para a negativa do crédito presumido previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001, discordamos da afirmação presente no Acórdão no 3402004.086, de que “o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente”. Reiterese que, como exposto pela DRJ no julgamento de piso, e não enfrentado especificamente pela recorrente, no presente processo, o art. 339 do RIPI/2002 expressa que o quadro “Transportador/volumes Transportados” da nota fiscal modelos 1 ou 1ª destinase, especificamente, ao registro do nome ou razão social do transportador, e, na hipótese de o transportador ser o próprio remetente ou o destinatário, tal circunstância deverá ser indicada no campo “Nome/Razão Social”, do quadro “Transportador/Volumes Transportados”, com a expressão “Remetente” ou “Destinatário”, conforme elucida o art. 342, XII, do mesmo RIPI/2002. Esta turma de julgamento apreciou, recentemente, a matéria, no Acórdão no 3401005.030: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.” (Rel. Cons. Mara Cristina Sifuentes, maioria, vencidos os Cons. André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sessão de 22.mai.2018) Na ocasião, a relatora endossou o voto vencedor do Cons. Waldir Navarro Bezerra, no acórdão no 3402003.119, de 22/06/2016, e foi por mim acompanhada, pois tal voto não se apega unicamente ao destaque em nota fiscal, embora o considere obrigatório, como se percebe da transcrição a seguir: “Podese verificar nas cópias de notas fiscais de fls. 70, 76, 80 e 84, que não há nenhum destaque do valor do frete nas referidas notas ficais (NF) de venda emitidas. A autuada não juntou nenhuma cópia de NF que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 1.241, 1.244 e 1.247), nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete, salvo as telas (prints) anexadas do sistema contábil (corporativo) da empresa. Ou seja, o Fisco concluiu que na ausência do destaque do frete nas notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente, denota que o frete não teria sido considerado para o cálculo do preço de venda dos veículos. (...) Preliminarmente, há que se ressaltar que não procede a alegação da Recorrente de que a legislação do IPI não determina o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda. Muito pelo contrário. Além do citado art. 3º da IN SRF nº 21/01, o art. 339, inciso V, alínea “f” do RIPI/2002 (repetido no art. 413, inciso V, alínea “f” do RIPI/2010), estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal:” Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 317 13 No entanto, percebo que, no presente processo, a motivação para a negativa de crédito com fundamento na alínea “b” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 resumese à falta de destaque em nota fiscal (fl. 18): Fosse somente essa a imputação fiscal, teria o presente processo o mesmo destino daqueles em igual situação, a improcedência do lançamento, ou, ainda, a conversão em diligência para que fosse esclarecida eventual dúvida sobre o cômputo do frete ou o fato de este ter efetivamente sido cobrado conjuntamente com o preço do produto. Mas, como exposto, a imputação fiscal se alastra à alínea “c” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 (fl. 18): E é em relação a esse tema que constam todas as intimações, citadas ao início deste tópico, que restaram sem atendimento. Em sua impugnação, a empresa, sobre o assunto, sustenta que o frete abrange a totalidade do trajeto desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente, havendo confusão, por parte da fiscalização, em relação à política de preços da empresa em diferentes locais do país (que está dentro da liberalidade comercial da empresa), sendo os preços dos fretes diferentes, por região, ao contrário do que afirma o fisco (exemplos às fls. 59 a 62). Às fls. 59 a 62, vêse a informação de que, em relação à Nota Fiscal 2489, de 14/05/2009 (valor de R$ 64.847,60), R$ 580,00 se referem a frete (com destino ao Paraná), e no que se refere à Nota Fiscal 29544, de 11/06/2008 (valor de R$ 79.493,73), R$ 580,00 se referem a frete (também com destino ao Paraná), e que, no que tange à Nota Fiscal 2489, de Fl. 323DF CARF MF 14 14/05/2009 (valor de R$ 65.175,05), R$ 950,00 se referem a frete (com destino ao Mato Grosso do Sul). E afirmava a então impugnante, após os exemplos, que (fl. 62): Temos forte oposição a tal afirmação. Descartandose a nota fiscal exemplificativa que sequer se refere ao período autuado (11/06/2008), vemos que as informações sobre as outras duas, de mesmo número e data (o que, por si, já chama a atenção, na reprodução abaixo, lado a lado), trazem simples dados de controle interno da recorrente, sem qualquer respaldo probatório: À fls. 117, entre os anexos da Impugnação, encontro a Nota Fiscal eletrônica 2489, que corresponde a venda para o Mato Grosso do Sul, mas nenhum elemento que faça menção ao valor do frete, e nenhum documento adicional que comprove ter compreendido o valor do frete (que sequer consta do documento) a totalidade do trajeto, em atendimento à citada alínea “c”. Fazemos coro à decisão de piso, então, quando esta conclui (fl. 140) que: “Neste passo, a ausência de documentação probatória impede, ainda, que se repute atendida a condição da alínea “c” do art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001. Não obstante a constatação de que o não atendimento de uma única condição é causa impeditiva à fruição do regime especial, fato é que a obstinada não exibição dos contratos firmados com os transportadores, em sendo diversos estes, bem como dos competentes registros e documentos relativos às operações de saída, aptos a demonstrar que as mesmas foram conduzidas com cláusula C & F e que alcançaram a totalidade do trajeto, faz reputar que houve o descumprimento das condições do regime especial, caracterizando a falta de recolhimento do correspondente imposto sobre produtos industrializados.” Em síntese, o direito ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP no 2.15835/2001 depende do cumprimento cumulativo dos requisitos ali estabelecidos, sendo incabível a fruição do crédito se a empresa, intimada a comprovar o atendimento dos Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 318 15 requisitos, não o faz, pedindo prazo adicional, ao final do qual nada apresenta em complemento. Apesar de ter sido incorreta a premissa adotada para o lançamento com fundamento na alínea “b” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.158 35/2001, a fundamentação também na alínea “c”, em função de carência probatória que persiste no presente processo, leva à procedência da autuação, e à manutenção do crédito tributário lançado, à exceção daquele anteriormente indicado como afetado pela decadência. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos valores lançados que indicaram como fato gerador 01/09/2008. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.722197/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal, com a ciência do sujeito passivo que apresentou impugnação e Recurso Voluntário desenvolvendo argumentação contestatória de sua defesa. Preliminar afastada.
SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA
Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrá-los ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SÚMULA CARF Nº 1
Matéria objeto de discussão judicial o que dá ensejo a renúncia à instância administrativa, por força da aplicação da Súmula CARF nº 1
ABONO FUNDEB
O lançamento se refere à diferenças de remunerações pagas e não declaradas em GFIP, obtidas dos arquivos digitais do sujeito passivo (MANAD), não fazendo qualquer referência a abono FUNDEB.
RETENÇÃO DE 11% SOBRE AS NOTAS FISCAIS. SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL EXECUTADO MEDIANTE EMPREITADA TOTAL. EQUÍVOCO NA CONFIGURAÇÃO DOS FATOS PELO LANÇAMENTO
De acordo com os documentos adunados aos autos, constata-se que o serviço de construção civil foi executado mediante empreitada total, pois a responsabilidade pela execução, fiscalização e materiais da obra foi assumida em sua totalidade pela construtora contratada. Ocorreu erro na configuração dos fatos apurados, razão da insubsistência do lançamento.
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
Numero da decisão: 2401-005.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o crédito tributário apurado no Auto de Infração - AI Debcad 51.041.793-6. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier que negava provimento ao recurso. Vencido o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que dava provimento parcial em menor extensão.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal, com a ciência do sujeito passivo que apresentou impugnação e Recurso Voluntário desenvolvendo argumentação contestatória de sua defesa. Preliminar afastada. SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrá-los ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SÚMULA CARF Nº 1 Matéria objeto de discussão judicial o que dá ensejo a renúncia à instância administrativa, por força da aplicação da Súmula CARF nº 1 ABONO FUNDEB O lançamento se refere à diferenças de remunerações pagas e não declaradas em GFIP, obtidas dos arquivos digitais do sujeito passivo (MANAD), não fazendo qualquer referência a abono FUNDEB. RETENÇÃO DE 11% SOBRE AS NOTAS FISCAIS. SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL EXECUTADO MEDIANTE EMPREITADA TOTAL. EQUÍVOCO NA CONFIGURAÇÃO DOS FATOS PELO LANÇAMENTO De acordo com os documentos adunados aos autos, constata-se que o serviço de construção civil foi executado mediante empreitada total, pois a responsabilidade pela execução, fiscalização e materiais da obra foi assumida em sua totalidade pela construtora contratada. Ocorreu erro na configuração dos fatos apurados, razão da insubsistência do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal, com a ciência do sujeito passivo que apresentou impugnação e Recurso Voluntário desenvolvendo argumentação contestatória de sua defesa. Preliminar afastada. SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrálos ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SÚMULA CARF Nº 1 Matéria objeto de discussão judicial o que dá ensejo a renúncia à instância administrativa, por força da aplicação da Súmula CARF nº 1 ABONO FUNDEB O lançamento se refere à diferenças de remunerações pagas e não declaradas em GFIP, obtidas dos arquivos digitais do sujeito passivo (MANAD), não fazendo qualquer referência a abono FUNDEB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 21 97 /2 01 4- 70 Fl. 2557DF CARF MF 2 RETENÇÃO DE 11% SOBRE AS NOTAS FISCAIS. SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL EXECUTADO MEDIANTE EMPREITADA TOTAL. EQUÍVOCO NA CONFIGURAÇÃO DOS FATOS PELO LANÇAMENTO De acordo com os documentos adunados aos autos, constatase que o serviço de construção civil foi executado mediante empreitada total, pois a responsabilidade pela execução, fiscalização e materiais da obra foi assumida em sua totalidade pela construtora contratada. Ocorreu erro na configuração dos fatos apurados, razão da insubsistência do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o crédito tributário apurado no Auto de Infração AI Debcad 51.041.7936. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier que negava provimento ao recurso. Vencido o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que dava provimento parcial em menor extensão. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, interpostos em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 3 3 (DRJ/BSB) que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0368.629 (fls. 2141/2159): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparados as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. ÓRGÃO PÚBLICO. O Órgão Público é equiparado à empresa, nos termos do art. 15, I, da Lei n.º 8.212/91. Incidem contribuições para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos servidores efetivos na qualidade de segurados empregados. SERVIDORES TEMPORÁRIOS DO ESTADO. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO COM O RGPS São segurados do Regime Geral de Previdência Social os servidores públicos admitidos pelo Município mediante contratos de trabalho temporário, ainda que esses servidores permaneçam prestando serviços por tempo superior ao previsto em seus contratos. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO CRÉDITO O recolhimento das contribuições previdenciárias efetuado indevidamente ao RPPS não altera a responsabilidade do Estado pelo recolhimento dessas contribuições para o RGPS. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. Os valores pagos a título de adicional constitucional de férias (1/3) e de rateios pagos a professores (FUNDEF/FUNDEB) compõem o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária, não havendo previsão legal para sua exclusão, por não se enquadrarem no rol taxativo e exclusivo do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não impedem o lançamento do crédito fiscal. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Fl. 2559DF CARF MF 4 As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada esta oportunidade de defesa, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de cinco Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, consolidados em 08/10/2014, referentes ao não recolhimento das contribuições destinadas a Seguridade Social, e não declaração em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, correspondente ao período de 01/2010 a 12/2010: 1. DEBCAD nº 51.064.7898: relativo à quota patronal e para os Riscos Ambientais do Trabalho RAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviços à SEDUC, no valor de R$ 33.065.467,13 (fls. 60/66); 2. DEBCAD nº 51.064.7901: relativo a contribuições dos segurados contratados e contribuintes individuais, não declarados em GFIP, no valor de R$ 2.412.287,47 (fls. 67/71); 3. DEBCAD nº 51.064.7910: relativo à parte dos segurados empregados, provenientes do Quadro Suplementar, incidentes sobre as remunerações destes, no valor de R$ 12.642.177,19 (fls. 72/77); 4. DEBCAD nº 51.064.7928: relativo às contribuições pagas às pessoas físicas sem vínculos empregatícios, considerados contribuintes individuais autônomos no mês 12/2010, proveniente da DIRF, no valor de R$ 426.742,70 (fls. 78/82); 5. DEBCAD nº 51.064.7936: relativo aos valores de retenção destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas emitidas por prestador de serviços, e não recolhidas pelo tomador, no valor de R$ 299.145,17 (fls. 83/87). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 88/95): 1. Os fatos geradores do lançamento referemse aos valores pagos, devidos ou creditados aos segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS a serviço da SEDUC, não pertencentes ao Regime Próprio de Previdência da Secretaria de Estado da Educação do Estado do Amazonas (AMAZONPREV) e não declarados em GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 4 5 2. No ano de 2000 o então Governador do Estado do Amazonas, por meio da Lei Estadual nº 2.624/2000, aprovada pela Assembléia Legislativa, efetivou mais de 10 mil empregados celetista/temporários em vários órgãos do Estado, sem concurso público, considerandoos estáveis em decorrência da edição da citada Lei, e desconsiderados pela fiscalização, uma vez que do ponto de vista legal, deverão ter seus benefícios negados pelo Regime Próprio do Estado e serão absorvidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, sem que tenha havido a correspondente fonte de custeio; 3. O presente Auto de Infração abrange os seguintes fatos geradores: a. Contribuição previdenciária incidente sobre pagamento a trabalhador com vínculo empregatício; b. Contribuição previdenciária incidente sobre pagamento a trabalhador sem vínculo empregatício; c. Não recolhimento de retenção pelo tomador de serviços – SEDUC referentes a valores destacados em Notas Fiscais para o INSS pelo prestador de serviços que se presumem devidamente retidos; 4. Com relação aos trabalhadores considerados com vínculos, são os celetistas/temporários considerado estáveis pela SEDUC em decorrência da Lei estadual nº 2.624/2000; 5. Com relação aos trabalhadores sem vínculos, tratase de pagamentos a 540 pessoas, declarados na DIRF, no código 588 Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício, que não foram declarados em GFIP; 6. Com relação aos valores destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas, são as emitidas pela Kairos Construtora Ltda., sem o devido recolhimento pela SEDUC; 7. O crédito previdenciário foi apurado com base na análise das GFIP, DIRF 2010 e 2011 e nas Notas Fiscais Eletrônicas do prestador de serviços Kairos Construtora Ltda., CNPJ nº 02.549.438/000159, haja vista não ser possível detectar os recolhimentos no CNPJ do prestador. Em 14/10/2014 o Contribuinte tomou ciência pessoal dos Autos de Infração lavrados (fls. 60, 67, 72, 78 e 83) e, em 13/11/2014, tempestivamente, apresentou impugnações distintas para cada AIOP: 1. DEBCAD nº 51.064.7898: Juntada às fls. 1687 a 1704, instruída com os documentos nas fls. 1704 a 1758. Juntadas novamente às fls. 2044 a 2061, instruída com os documentos nas fls. 2062 a 2115; Fl. 2561DF CARF MF 6 2. DEBCAD nº 51.064.7901: Juntada às fls. 2030 a 2035, instruída com os documentos nas fls. 2036 a 2043; 3. DEBCAD nº 51.064.7910: Juntada às fls. 1759 a 1772, instruída com os documentos nas fls. 1773 a 1822; 4. DEBCAD nº 51.064.7928: Juntada às fls. 2015 a 2020, instruída com os documentos nas fls. 2021 a 2029; 5. DEBCAD nº 51.064.7936: Juntada às fls. 1826 a 1840, instruída com os documentos nas fls. 1841 a 2014. Diante das impugnações tempestivas, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0368.629, em 23/06/2015, a 5ª Turma votou no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, reduzindo a alíquota SAT/GILRAT de 3,1750% para 1,5875%, conforme tabela constante do voto na fl. 2156. Decidiuse também pelo RECUSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o previsto no artigo 34, inciso I do Decreto 70.235/72, em razão do valor exonerado ser superior ao previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, vigente à época. Em 18/08/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (fl. 2172) e, em 17/09/2015, inconformado com a decisão tomada interpôs o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 2176 a 2197, instruída com os documentos nas fls. 2198 a 2469 e documentos nas fls. 2480 a 2552. No RV fala da sua tempestividade (fl. 2176), faz um breve resumo dos fatos e da decisão decorrida (fls. 2176/2177) e se insurge contra a cientificação da Ação Fiscal, argumentando que o Estado só foi cientificado quando já estavam encerrados todos os prazos concedidos para apresentação de documentos (fls. 2177/2179). Segue argumentando: 1. Com relação aos DEBCAD’s nº 51.064.7899 e nº 51.064.7910, sobre: a. O Quadro Suplementar de Servidores (fls. 2179/2183); b. A falta de análise dos argumentos acerca da aposentadoria pelo RPPS de vários servidores (fl. 2183); c. As parcelas que não integram o Salário de Contribuição (fls. 2183/2189); 2. Com relação ao DEBCAD nº 51.064.7936, sobre a Retenção de 11% (fls. 2189/2196). Conclui o RV requerendo ao Órgão Julgador, em observância aos argumentos e razões de fato e de direito expostos: 1. O conhecimento do Recurso Voluntário apresentado; Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 5 7 2. A baixa dos autos em diligência para que sejam verificados os pontos arguidos (Servidores não vinculados a Lei 2.624/2000; Indevida inclusão de parcelas no Salário de Contribuição; Serviços de construção civil realizados por empreitada total); 3. A procedência do RV para o efeito de reformar o lançamento. Com relação aos DEBCAD’s nº 51.064.7901 e 51.064.7928), eles foram pagos pelo Contribuinte, conforme se verifica no Extrato de Processo (fls. 2471/2476). É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Recurso de Ofício Em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Com efeito, a verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente, conforme sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. Fl. 2563DF CARF MF 8 No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada (fl. 2156). Por todo o exposto, não conheço do Recurso de Ofício, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente. Recurso Voluntário O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade do Lançamento O Recorrente se insurge contra o lançamento e pleiteia a sua nulidade sob a alegativa de cerceamento do direito de defesa. Alega que a intimação do Estado ocorreu na fase final da ação fiscal, o que acarretou na falta de esclarecimentos acerca da existência de servidores estabilizados pelo art. 19 do ADCT e já aposentados. Pois bem. A Procuradoria Geral do Estado do Amazonas foi intimada do Termo de Ciência e Procedimento Fiscal, em 04/09/2014, (fls. 53/55), objetivando a obtenção de informações e esclarecimentos acerca dos fatos narrados. Em 19/09/2014, foi protocolado o Ofício número 2951/2014, emitido pelo órgão do governo do Estado sujeito à fiscalização (Secretaria de Educação SEDUC), através do qual foram prestados esclarecimentos e anexadas as justificativas relacionadas ao Termo de Constatação, Intimação e Solicitação de Esclarecimentos nº 01. Ou seja, opcionalmente, o sujeito passivo apresentou sua resposta por meio de um dos órgãos do executivo do ente federativo, o qual tinha relação direta com a obrigação tributária objeto da fiscalização, esclarecendo inclusive que não havia GFIP a ser retificada. Conforme se vê, durante o procedimento de auditoria fiscal, o Estado do Amazonas tomou conhecimento da fiscalização, ocasião em que lhe foi oportunizado apresentar todos os esclarecimentos necessários relativamente aos fatos alegados nas intimações fiscais. Posteriormente, após o lançamento fiscal, e já na fase contenciosa do processo administrativo, apresentou suas razões de defesa e procedeu a juntada de documentos com o fito de contrapor à acusação fiscal que lhe foi imposta. Nesse diapasão, não há que se falar em nulidade por cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito carreadas pelo Auditor Fiscal, com a ciência do sujeito passivo que ofereceu impugnação e Recurso Voluntário desenvolvendo argumentação contestatória de sua defesa. Se as razões do lançamento são suficientes ou não, será analisado por ocasião da apreciação do mérito do Recurso. Assim, afasto a preliminar suscitada. Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 6 9 Mérito Dos Segurados empregados temporários A Recorrente se insurge contra o lançamento efetuado aduzindo que existem servidores alcançados pelo art. 19 do ADCT e afirma que os documentos adunados aos autos comprovam referida situação. Inicialmente, mister se faz esclarecer que a publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1988, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, trouxe profundas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos vinculamse obrigatoriamente ao RGPS. Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: "Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Fl. 2565DF CARF MF 10 Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, assim determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assevera a Recorrente que as funções exercidas pelos servidores admitidos em caráter temporário corresponderiam às atribuições próprias de servidores em cargos efetivos e que muitos servidores seriam alcançados pela estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT, cuja transcrição segue: Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público. Nesse ponto, cabe destacar que o Parecer MPS/CJ nº 3.333, publicado no Diário Oficial da União de 29.10.2004, ao interpretar a abrangência do Parecer nº GM 030/02, da Advocacia Geral da União, assim concluiu quanto àqueles que estão albergados pelo RPPS: i) aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição da República aos servidores que por força do disposto no art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT foram considerados estáveis no serviço público, desde que submetidos a regime estatutário; ii) aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição da República aos servidores não estabilizados por não cumprirem o interregno de 05 (cinco) anos previsto no caput do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, desde que a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja permanente e estejam submetidos a regime estatutário; iii) aplicase a exegese literal do art. 40 da Constituição da República aos servidores admitidos no serviço público após a promulgação da Constituição de 1988, somente sendo aplicável o regime previdenciário próprio previsto no caput do citado artigo aos servidores nomeados para cargo de provimento efetivo. De acordo com o explicitado no Relatório Fiscal, durante o ano de 2000, o Estado do Amazonas, através da Lei Estadual nº 2.624/2000, aprovada pela Assembléia Legislativa, efetivou, sem concurso, mais de 10 mil empregados celetistas/temporários em vários órgãos do Estado, transformando as funções exercidas pelos temporários da Lei nº 1.674/84 em cargos, e enquadrando os servidores que as exerciam em quadro suplementar. Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 7 11 Conforme relatado pela fiscalização, referida Lei foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, tendo em vista a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI interposta pelo Ministério Público Estadual. Cabe ressaltar que o Recurso Extraordinário (RE nº 658375) apresentado pelo Estado do Amazonas não foi conhecido pelo STF que também negou provimento ao Agravo Regimental interposto contra o não conhecimento do RE, prevalecendo a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça, restando assim vedada qualquer forma de estabilidade excepcional do servidor público não prevista no ADCT da Constituição da República, possibilitando a transformação das funções em cargo apenas para aqueles servidores abrangidos pela estabilidade excepcional, o que não ocorreu no presente caso. Nesse contexto, não obstante os documentos adunados ao processo administrativo pelo Recorrente, constatase que referidas provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos estabelecido no referido artigo, para enquadrálos ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. Destarte, a alteração das funções em cargos operada com o advento Lei nº 2.624, de 2000, não descaracterizou a natureza temporária das atribuições dos servidores, que, por esta razão, continuaram vinculados ao RGPS. No que tange à alegação de que a vinculação dos servidores temporários ao RGPS traria insegurança jurídica e prejuízos para estes, porque nunca conseguiriam se aposentar, referido argumento não cabe à análise deste Conselho por se tratar de situação extra autos, criada pelo próprio sujeito passivo, não havendo, in casu, competência normativa para a análise da discussão acerca da aposentadoria apresentada em Recurso Voluntário. Ademais, conforme bem colocado na decisão de piso, ainda que a intenção do contribuinte tenha sido de beneficiar os servidores regularizando a sua situação funcional, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Sendo assim, a auditoria fiscal, ao aplicar a legislação, não tem faculdade discricionária, somente a vinculada nos termos do que disciplina o artigo 142, parágrafo único, do CTN, não podendo, portanto, agir de forma diversa, ainda que por uma nobre razão. Assim, deve ser mantido o lançamento nos termos em que efetivados. Do terço constitucional de férias A Recorrente se insurge contra a exigência de contribuição sobre 1/3 de férias. Traz aos autos decisão judicial proferida em que reconhece a ilegalidade da exigência da contribuição patronal e de terceiros incidente sobre o terço constitucional de férias (fls. 2094/2102), o que dá ensejo a renúncia à instância administrativa quanto à matéria discutida judicialmente, por força da aplicação da Súmula CARF nº 1. Fl. 2567DF CARF MF 12 Ademais, cabe ressaltar que referida rubrica não foi objeto de lançamento e a Recorrente sequer demonstrou quais os valores deveriam ser excluídos da base de cálculo. Dessa forma, não conheço do recurso quanto à matéria suscitada. Abono FUNDEB Cingese ainda contra o abono FUNDEB, aduzindo que em face da sua não habitualidade deveria ser excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias. No entanto, verificase que a fiscalização nada menciona acerca da inclusão desse abono na base de cálculo do lançamento, não constando essa rubrica nos autos de infração ora combatidos. Observase que o lançamento se refere às diferenças de remunerações pagas e não declaradas em GFIP, obtidas dos arquivos digitais do sujeito passivo (MANAD), não fazendo qualquer referência FUNDEB. Ademais, o Recorrente não traz os fundamentos que embase o argumento inserido em sua defesa no sentido de que a verba paga a título de FUNDEB estaria livre da incidência da contribuição previdenciária. Em face do exposto, concluise pela improcedência do argumento recursal. Retenção dos 11% sobre as Notas Fiscais Segundo o Recorrente, o serviço tratado no lançamento foi o de construção civil, que enseja a retenção quando prestado tanto mediante cessão de mão de obra, quanto por empreitada de mão de obra. No entanto, o lançamento foi absolutamente omisso quanto a este ponto, sem detalhar os elementos necessários à sua efetivação, conforme estatuído no art. 142 do Código Tributário Nacional. Inicialmente, cabe ressaltar que o inciso VI do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, estabelece a responsabilidade solidária do dono da obra, conforme se infere a seguir: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Conforme se depreende do dispositivo legal acima referido, a retenção é uma faculdade à disposição do dono da obra (contratante), com o objetivo de elidir a responsabilidade solidária, que lhe fora atribuída legalmente, pelo cumprimento das obrigações Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 8 13 relativas às contribuições previdenciárias decorrentes da utilização de mão de obra na construção civil. Nos termos dispostos no artigo 220 do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99), cabe ao dono da obra exigir do construtor a comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias, sendolhe facultada a retenção da importância correspondente: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Destarte, já no caso da retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, a empresa contratante dos serviços é incluída no polo passivo da relação jurídicotributária, na qualidade de responsável por substituição, decorrente do disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, assim disposta: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. [...] § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; Fl. 2569DF CARF MF 14 II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Importante, outrossim, destacar o que determina o Regulamento da Previdência Social: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216 § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: III construção civil; § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. Ainda nesse contexto, verificase que o § 5º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 atribui a responsabilidade exclusivamente ao contratante, caso não efetue a retenção e o recolhimento. Vejamos: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Nesse diapasão, ao contratar obra de engenharia civil a administração deveria efetuar a retenção em uma das hipóteses anteriormente colocadas. Ainda sobre o tema, o artigo art. 71 da Lei nº 8.666/93, estabelece tão somente a responsabilidade fiscal do contratado resultante da execução do contrato, sendo que a sua inadimplência não transfere à administração a responsabilidade pelo pagamento. No entanto, no caso de execução do contrato efetuada nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o contratante continua responsável pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 9 15 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) Destaquese ainda decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça que explicita, de forma pormenorizada, as normas atinentes à matéria debatida: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. DONO DA OBRA E CONSTRUTOR OU EMPREITEIRO. SUBSTITUTOS TRIBUTÁRIOS. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA (SÚMULA 126/TRF ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA CF/88). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (CF/88 ATÉ A LEI 9.711/98). RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE EMPREITADA DE MÃODEOBRA (LEI 9.711/98). [...] 19. Deveras, quanto ao último regime legal vislumbrado, convém assinalar que, cotejandose as normas contidas nos artigos 30, inciso VI, e 31, caput, da Lei 8.212/91, ambas com a redação dada pela Lei 9.528/97, dessumese que a responsabilidade solidária instituída entre os substitutos tributários (dono da obra e construtor, no que pertine às contribuições sociais devidas pela mãodeobra) e substituto e contribuinte (dono da obra e construtor, respectivamente, no que pertine às contribuições devidas pela empresa contratante da mãodeobra), no que concerne à construção civil, passou a ser, exclusivamente, regulada pelo artigo 30. 20. A Lei 9.711, de 20 de novembro de 1998, por seu turno, reformulou inteiramente o artigo 31, prescrevendo forma diferenciada de recolhimento das contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, e caracterizando, como serviço executado mediante cessão de mãodeobra, a "empreitada de mãode obra". 21. A doutrina do tema afirma que: "Relativamente aos contratos de empreitada de mãodeobra, a Lei 9.711/98 submete expressamente ao regime de substituição tributária do art. 31, da Lei 8.212/91, de modo que, mesmo que não se trate, efetivamente, de um contrato típico de cessão de mãodeobra, resta abrangido pelo novo regime. Fl. 2571DF CARF MF 16 Quanto aos demais contratos atinentes à construção civil, apenas haverá submissão à retenção se configurada efetiva cessão de mãodeobra. Do contrário, aplicável será apenas a solidariedade prevista no art. 30, VI, da Lei 8.212/91" (Leandro Paulsen, in "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência", 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006, pág. 1.033). 22. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no REsp 1177895/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 17/08/2010). (Grifamos). Traçadas essas premissas, cabe no caso, examinar de que forma se deu a obra de construção civil. De acordo com os documentos adunados aos autos, constatase que o serviço de construção civil foi executado mediante empreitada total pois a responsabilidade pela execução, fiscalização e materiais da obra foi assumida em sua totalidade pela construtora contratada (Kairos Construtora Ltda.). Frisese que na cláusula segunda do contrato consta que a execução dos serviços deve ser realizada sob o regime de empreitada total (fl. 1845 e 1884), o que atrai a incidência do artigo 30 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o lançamento foi efetuado com base no disposto no artigo 31 do mesmo diploma legal, o que configura erro na configuração dos fatos apurados. Ademais, a IN RFB nº 971/2009 preceitua que aos órgãos públicos da administração direta, autarquias e fundações de direito público, não se aplica a retenção dos 11% (onze por cento), quando contratantes de obra de construção civil mediante empreitada total, in verbis: Art. 164. A contratante de empreitada total poderá elidirse da responsabilidade solidária mediante a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços contra ela emitido pela contratada, inclusive o consórcio, a comprovação do recolhimento do valor retido, na forma prevista no Capítulo VIII do Título II, e a apresentação da documentação comprobatória do gerenciamento dos riscos ocupacionais, na forma prevista no art. 291, observado o disposto no art. 145. § 3º A partir de 21 de novembro de 1986, não existe responsabilidade solidária dos órgãos públicos da administração direta, autarquias e fundações de direito público, portanto, a esses não se aplica a retenção prevista neste artigo quando forem contratantes de obra de construção civil mediante empreitada total. Conforme se percebe o fiscal não fez a correta aplicação do artigo 142 do CTN, em virtude de claro erro na caracterização dos fatos. Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 10 17 Diante do exposto, acolho os argumentos inseridos no Recurso Voluntário, razão porque deve ser cancelado o lançamento com relação ao Auto de Infração nº 51.041.793 6. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso de Ofício; CONHEÇO parcialmente do Recurso Voluntário, afasto a preliminar suscitada e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para cancelar o lançamento com relação ao Auto de Infração nº 51.041.7936. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2573DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000238/2009-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESPESAS COM SEGUROS. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível a apropriação de créditos da não cumulatividade, do PIS e da Cofins, sobre despesas de seguros, pois não se trata de um insumo aplicado no processo produtivo da recorrente. Além disso não é uma despesa de armazenagem do produto acabado.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos do PIS e da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-006.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DESPESAS COM SEGUROS. DIREITO AO CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a apropriação de créditos da não cumulatividade, do PIS e da Cofins, sobre despesas de seguros, pois não se trata de um insumo aplicado no processo produtivo da recorrente. Além disso não é uma despesa de armazenagem do produto acabado. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos do PIS e da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 38 /2 00 9- 72 Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801001.508, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS DE SEGURO. IMPOSSIBILIDADE. O dispêndio com seguro contratado para a armazenagem de mercadorias em armazéns gerais, ainda que cobrado conjuntamente com despesas de armazenagem, não gera direito a crédito por ausência de previsão legal. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, artigo 15 combinado com o artigo 13, da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo que: · O acórdão recorrido deve ser reformado a fim de deferir, de forma integral, o direito ao ressarcimento no que tange as taxas de seguro, pois como devidamente comprovado, configurase como despesa de armazenagem indispensável ao desempenho da atividade desenvolvida, nos termos do art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03; Fl. 410DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 4 3 · O reconhecimento do direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária pela Selic sobre o crédito concedido em favor do sujeito passivo. Em Despacho às fls. 387 a 389, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · Na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a nãocumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Nos termos do dispositivo legal supra (Lei 9.250/95, art. 39, § 4º), a Taxa SELIC consiste em taxa de juros. Ora, juros legais é matéria de direito estrito que não permite a aplicação por analogia1, de modo que, diante da ausência de previsão legal específica, é indefensável a sua incidência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. O simples confronto das ementas comprova a divergência em relação às duas matérias suscitadas pelo sujeito passivo. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 5 4 Dessa forma, conheço o recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 7 6 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 8 7 Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 9 8 que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 10 9 As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 11 10 § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; Fl. 418DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 12 11 e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 13 12 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 14 13 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 15 14 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 16 15 Nessa linha, apenas trago que o STJ ao apreciar, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 –trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Não obstante, o STJ deverá ainda apreciar os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, temse que a discussão envolve gastos com seguro que é cobrado pelos armazéns gerais no armazenamento dos produtos do sujeito passivo. Recordase que o sujeito passivo tem como objeto social o comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café adquiridos de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas. Sendo assim, pela atividade do sujeito passivo, inegável ser essencial os gastos com armazenagem de seus produtos. Não obstante, vêse que, em verdade, incluem se nos gastos de armazenagem, compondo esse custo de armazenagem, o seguro contratado pelo prestador de serviço, não havendo condições de contratar o serviço de armazenagem sem o custo do seguro. O que, por conseguinte, vêse que tal despesa teria em sua essência intrinsecamente natureza de despesa de armazenagem, e não de despesa de seguro. Somente seria despesa de seguro para o sujeito passivo, caso o contratante fosse o sujeito passivo. O que não é o caso. O sujeito passivo contratou o serviço de armazenagem e, como o prestador adquiriu seguro, compôs o custo da prestação e serviço de armazenagem o seguro contratado por terceiro. O que resta tratar tal custo como despesa de armazenagem. Não há que se deslocar a despesa de seguro ao sujeito passivo, eis que nem é parte do contrato de seguro. Tanto que a rubrica correta a ser considerada nesse caso é somente despesa de armazenagem, isso também em respeito ao CPC 47. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 17 16 Considerando o exposto, entendo que tal despesa é essencial à atividade do sujeito passivo, enquadrandose perfeitamente ao conceito de insumo, para fins de creditamento de que trata o art. 5º da Lei 10.637/02: “Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Frisese tal entendimento o acórdão 3803003.864, 3803003.861, 3803 003.860, 3803003.863, 3803003.862, 3803003.865 e 3201002.820. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 18 17 No que tange à possibilidade de aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais referentes ao PIS e a Cofins não cumulativos, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Vêse que, nos termos do art. 5º da Lei 10.637/02, os créditos constituídos podem ser utilizados mediante dedução do valor das mesmas contribuições a recolher ou para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo, inclusive, ser objeto de ressarcimento em pecúnia se, até o final de cada trimestre do ano civil, a pessoa jurídica não conseguir utilizar o crédito nas formas prescritas em lei. Não obstante, tal ressarcimento deve observar a legislação específica aplicável à matéria. Recordase novamente o dispositivo (Grifos meus): “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 19 18 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Nos termos do § 2º do art. 5º da Lei, a pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º do mesmo artigo, poderá solicitar o ressarcimento em dinheiro OBSERVADA A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA APLICÁVEL À MATÉRIA. Sendo assim, não há como se aplicar a vedação de se atualizar monetariamente ou aplicar os juros Selic trazida pelo art. 13 da Lei para todos os casos de ressarcimento, eis que se deve observar a legislação “específica” aplicável à matéria. Para melhor elucidar a aplicação desse dispositivo, importante recordar os dizeres dos art. 13 e 15 da Lei 10.833/03 (Grifos meus): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Em breve leitura, podese entender que há vedação expressa para atualizar o crédito de PIS e Cofins não cumulativo passível de ressarcimento de que trata o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 20 19 No entanto, tal como traz o art. 5, §2º da Lei 10.637/02 – no ressarcimento devese observar a legislação aplicável à matéria. Considerando esse dispositivo, é de se ressurgir à jurisprudência assentada pelo STJ, que entende que o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco", na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ. O que, por conseguinte, vêse que o requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento. Conforme lição do Ministro Mauro Campbell Marques, temse que: "(...) a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada 'resistência ilegítima' exigida pela Súmula n. 411/STJ [...]” Sendo assim, antes de se analisar se cabe ou não juros compensatórios no ressarcimento solicitado pelo sujeito passivo, devese observar o dispositivo que trata dessa matéria – qual seja, o art. 24 da Lei 11.457/2007, conforme expressamente impõe o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Tal enunciado impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 427DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 21 20 “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” Considerando o conjunto da norma aplicável, vêse que o deferimento dos pedidos de ressarcimento deve observar o prazo legal. O que, por conseguinte, se for observado o prazo legal, não há que se falar em atualização monetária, eis que não haveria "resistência ilegítima". Caso contrário, devese aplicar sobre o crédito a ser ressarcido a taxa Selic desde a data de sua constituição até a data em que ocorrer o ressarcimento ou for utilizada para compensação. Frisese tal entendimento o recente REsp 1607697/RS, apreciado pelo STJ em 23 de agosto de 2016, que consignou a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. REQUISITO. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. MORA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DO PRAZO LEGAL PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Cingese a controvérsia a definir o termo inicial da correção monetária no ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos pagos, no âmbito administrativo, após o transcurso do prazo de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/2007). 2. No presente caso, a resistência ilegítima imputada ao Fisco diz respeito exclusivamente à mora observada para satisfação do crédito. 3. O acórdão recorrido decidiu que a atualização monetária é devida desde a data do protocolo dos processos administrativos. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO: PRESSUPOSTO PARA A CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO FISCAL (SÚMULA 411/STJ) 4. Segundo a jurisprudência assentada pelo STJ, o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em Fl. 428DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 22 21 outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco”, na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3/8/2009, sob o regime do art. 543C do CPC). 5. O requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento caso dos autos , como aliás, ficou definido na fundamentação do acórdão paradigma (EAg 1.220.942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/4/2013). TERMO INICIAL CONDICIONADO À VERIFICAÇÃO DO ILEGÍTIMO ÓBICE ESTATAL, IN CASU, A MORA 6. No que concerne à sistemática do PIS e da Cofins não cumulativos caso dos autos , cumpre destacar que a própria legislação impede expressamente a correção monetária dos créditos fiscais quando aproveitados regularmente sob a forma de ressarcimento (arts. 6°, § 2°, 13 e 15, VI, da Lei 10.833/2003). 7. O art. 24 da Lei 11.457/2007 impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 8. Nesse contexto, o deferimento dos pedidos de ressarcimento no prazo legal, ou seja, antes de escoados 360 dias do protocolo, não dá ensejo à atualização monetária, justamente pela ausência do requisito referente à "resistência ilegítima". 9. Em recente julgado, a Primeira Seção assentou que a correção monetária somente pode ser aplicada após o transcurso do aludido prazo do art. 24 da Lei 11.457/2007 (AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 1°/7/2015). No Mesmo sentido: AgRg no REsp 1.468.055/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 26/5/2015; AgRg no REsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/3/2015; AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 23 22 10. A lógica dessa orientação decorre da premissa de que, "no caso do contribuinte acumular créditos escriturais em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, não havendo resistência ilegítima do Fisco para a pronta utilização do crédito, afigurase indevida a incidência de correção monetária, salvo se houver disposição legal específica para tanto" (AgRg no REsp 1.159.732/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 11/6/2015). 11. Não se está a confundir correção monetária com juros de mora, mas a reconhecer que a mora é a resistência ilegítima que dispara o cômputo da correção monetária. 12. Recurso Especial provido” Em vista do exposto, é de se concluir que caso o sujeito passivo acumule créditos em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, e restar caracterizada a resistência ilegítima para a pronta utilização do crédito, é de se aplicar a incidência dos juros compensatórios – taxa Selic, conforme preceitua o art. 5, § 2º, da Lei 10.637/02, não se podendo aplicar de forma genérica os arts. 13 e 15 da Lei 10.833/03 a todos os casos de ressarcimento. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo Fl. 430DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 24 23 do produto industrializado, assim como da incidência de juros sobre o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS não cumulativo. A discussão sobre o direito de apurar créditos sobre despesas incorridas pela pessoa jurídica gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da não cumulatividade previsto na Lei nº 10.637, de 2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as despesas incorridas com seguros de armazenagem de produtos destinados à venda e/ ou revenda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais despesas integram o custo da prestação de serviços de armazenagem de produtos. Contudo, ao contrário do seu entendimento, o contribuinte, segundo prova seu Contrato Social, é uma comercial exportadora e importadora e não uma prestadora de serviços. Também, do exame das copias dos DACON carreadas aos autos, verificase que ele não auferiu nenhum receita de prestação de serviços de armazenagem de produtos. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002 que trata das possibilidades de creditamento do PIS: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 431DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 25 24 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 432DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 26 25 I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...)." Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos do produtos adquiridos para revenda, em relação à atividade comercial, e os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda e na prestação de serviços, em relação à atividade industrial e de prestação de serviços. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Concordo que as despesas incorridas com seguros de armazenagem de produtos destinados à venda e/ ou revenda estão vinculadas às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos nem na prestação de serviços não é possível tal creditamento. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16366.000238/200972 Acórdão n.º 9303006.875 CSRFT3 Fl. 27 26 Assim, por se tratar de gastos com bens que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos nem na prestação de serviços, mas em outros setores da empresas, devem ser mantidas as glosas dos créditos do PIS sobre as referidas despesas. Importante ressaltar também que não se trata de despesa de armazenagem diretamente a ela vinculada, a invocar a possível aplicação do inc. IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, pois não foram despesas de seguro contratada pela recorrente. Quanto à atualização monetária do ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS não cumulativo, de fato, pagamento de juros compensatórios calculados à taxa Selic, é expressamente vedada pela Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo da Cofins, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata aLei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). VI no art. 13 desta Lei.” Assim, não há que se falar em atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos do PIS não cumulativo, pela taxa Selic. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720406/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anocalendário:
2005, 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO.
Consoante o art. 145, do CTN; uma das formas de alterar o lançamento de
oficio é por meio da impugnação do sujeito passivo. O art. 18, do Decreto .
70.235/72 também determina a devolução do prazo para impugnar somente
nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da
fundamentação legal da exigência. A mera redução da alíquota e conseqüente
exclusão de parte do lançamento não ensejam a nulidade total do auto de
infração.
Retificase
a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi
aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o
montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei.
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE
SUSPENSA.
Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa
constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução
para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso
I, da Lei 9.249/1995. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições,
os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA.
Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de
sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se
inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação.
Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume,
deve ser expressa.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SAPLI. INSTRUMENTO HÁBIL.
O SAPLI é alimentado por informações prestadas pelo próprio contribuinte,
portanto pode ser utilizado pela fiscalização como instrumento hábil de
controle dos prejuízos fiscais, devendo o contribuinte, para contraditálo,
fazer prova.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.
Mantémse
o lançamento se não demonstrada a existência de saldo de
prejuízos fiscais em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada
na declaração de rendimentos.
Numero da decisão: 1301-000.830
Decisão: Os membros da Turma acordam dar provimento parcial ao recurso
voluntário, para: a) por unanimidade, excluir da base de cálculo do IRPJ exigido o valor de R$68.197,35; b) pelo voto de qualidade, afastar a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade
suspensa da base tributável da CSLL. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier, e c) por maioria, afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Waldir
Rocha e Alberto Pinto.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Consoante o art. 145, do CTN; uma das formas de alterar o lançamento de oficio é por meio da impugnação do sujeito passivo. O art. 18, do Decreto . 70.235/72 também determina a devolução do prazo para impugnar somente nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. A mera redução da alíquota e conseqüente exclusão de parte do lançamento não ensejam a nulidade total do auto de infração. Retificase a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SAPLI. INSTRUMENTO HÁBIL. O SAPLI é alimentado por informações prestadas pelo próprio contribuinte, portanto pode ser utilizado pela fiscalização como instrumento hábil de controle dos prejuízos fiscais, devendo o contribuinte, para contraditálo, fazer prova. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Mantémse o lançamento se não demonstrada a existência de saldo de prejuízos fiscais em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada na declaração de rendimentos.
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ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Consoante o art. 145, do CTN; uma das formas de alterar o lançamento de oficio é por meio da impugnação do sujeito passivo. O art. 18, do Decreto . 70.235/72 também determina a devolução do prazo para impugnar somente nos casos de agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. A mera redução da alíquota e conseqüente exclusão de parte do lançamento não ensejam a nulidade total do auto de infração. Retificase a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. MULTA. Tributo e multa não se confundem, tendo em vista que esta tem o caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa objeto de incorporação. Inteligência dos arts. 3o. e 132 do CTN. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SAPLI. INSTRUMENTO HÁBIL. O SAPLI é alimentado por informações prestadas pelo próprio contribuinte, portanto pode ser utilizado pela fiscalização como instrumento hábil de controle dos prejuízos fiscais, devendo o contribuinte, para contraditálo, fazer prova. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Mantémse o lançamento se não demonstrada a existência de saldo de prejuízos fiscais em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada na declaração de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) por unanimidade, excluir da base de cálculo do IRPJ exigido o valor de R$68.197,35; b) pelo voto de qualidade, afastar a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa da base tributável da CSLL. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier, e c) por maioria, afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Waldir Rocha e Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DEINF/SP, relativos aos anos calendário de 2005, 2006, 2007 a 2008, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado, na qualidade de sucessor do Banco ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S.A, CNPJ 05.515.360/000140, o imposto sobre a renda de pessoa jurídica no valor de R$ 2.261.112,92 (fls. 304/310) e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL no valor de R$ 1.632.711,62 (fls. 311/317), acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 295/303, a ABN DOIS PARTICIPAÇÕES optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, nos anos calendário em fiscalização. Em 30/06/2005 e 28/11/2008 ocorreram cisões parciais. Em 30/09/2009, a incorporação pelo interessado. A ABN DOIS PARTICIPAÇÕES questiona judicialmente alguns tributos e contribuições, entre eles o PIS e a COFINS incidentes sobre receita de juros sobre capital próprio (mandado de segurança nº 2005.61.00.0002329), adicionados à base de cálculo do IRPJ em 31/12/2005 (adição a menor em R$ 68.197,35), 31/12/2006, 31/12/2007 e 28/11/2008 (adição a maior em R$ 15.554.927,21) mas não adicionados à base de cálculo da CSLL. Os juros incidentes sobre os tributos suspensos não foram adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. As contrapartidas das despesas com tributos suspensos constam provisionadas nas contas do grupo 4.94.50.90 (PROVISÃO PARA RISCOS FISCAIS OUTROS). Na cisão ocorrida em 30/06/2005, houve a versão de 21,77% do patrimônio para outra empresa do grupo. De acordo com a DIPJ apresentada na data do evento, foi apurado prejuízo não operacional de R$ 2.802.273,46 e prejuízo fiscal de R$ 4.554.775,35. Observado o disposto no art. 36, § 6º, alínea “ a”, da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, o percentual remanescente da cisão parcial (78,23%), conforme demonstrado no sistema SAPLI, em 01/07/2005, resultou em saldo de prejuízo não operacional o valor de R$ 2.192.218,53 e de prejuízo operacional a compensar no valor de R$ 1.370.982,23. No período de 01/07 a 31/12/2005, o interessado compensou prejuízo fiscal no valor de R$ 1.917.086,75, ou seja, com excesso de R$ 546.104,52. Posteriormente, em 28/11/2008 (cisão parcial), compensou o prejuízo fiscal inexistente de R$ 2.306.956,08. Uma vez que os tributos com exigibilidade suspensa e os juros sobre eles incidentes correspondem a provisões frente a futuras incertezas, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fiscalização procedeu ao lançamento tributário. Na apuração do crédito tributário, foram consideradas as reconstituições das compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Da autuação de IRPJ. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Provisões não dedutíveis relativas a tributos com exigibilidade suspensa. Enquadramento legal: art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/1995. Art. 344, § 1º, do RIR/1999. Da autuação de CSLL. Provisões não dedutíveis relativas a tributos com exigibilidade suspensa. Enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988. Art. 13, I da Lei nº 9.249/1995. Art. 28 da Lei nº 9.430/1996. Art. 37 da Lei nº 10.637/2002. Na impugnação de fls. 325/359, em 07/01/2011, acompanhada dos documentos de fls. 360/375, a interessada alega, em síntese, que: Houve erro na constituição do crédito tributário do IRPJ, pois foi aplicada a alíquota de 10% de adicional de imposto sobre a totalidade da base de cálculo ajustada em desconformidade com as determinações legais; De acordo com o art. 542 do Regulamento do Imposto de Renda, o adicional de imposto será devido somente sobre a parcela que excedeu ao montante mensal de R$ 20.000,00, proporcionalmente multiplicado pela quantidade de meses considerados na apuração do imposto; O vício apontado macula integralmente o lançamento; Na apuração de excesso de compensação de prejuízo fiscal, foi levado em consideração o SAPLI, sistema de uso privativo da Receita Federal do Brasil e que só possui efeitos se devidamente acompanhado de provas concretas das divergências, o que não ocorreu no presente caso, sendo certo que os valores declarados estão de acordo com a legislação de regência; Nulidade do auto de infração lavrado com base em equivocado fundamento legal, uma vez que os valores considerados indedutíveis não possuem a natureza de provisões, mas sim de despesas efetivas; A suposta “provisão” foi constituída em decorrência da suspensão da exigibilidade de obrigações tributárias, amparada pelo mandado de segurança nº 2005.61.00.0002329; Na qualidade de instituição securitária, é legalmente equiparada a uma instituição financeira, tipo de sociedade que deve observar de forma mais criteriosa possível as normas e princípios contábeis, incluindo as manifestações do Banco Central e da CVM; Buscando evidenciar os conceitos que seriam utilizados em suas normas, a CVM editou a Deliberação CVM nº 489/05, que aprovou o Pronunciamento do IBRACON NPC nº 22, sobre provisões, passivos, contingências passivas e ativas; Tratase de conceitos (classificações) distintos, cujo reconhecimento, nas demonstrações contábeis, também se dará de forma diferenciada; O item 8 do Pronunciamento evidencia que o termo provisões não se confunde com o termo contingências passivas e estas, por sua vez, se diferenciam dos passivos, pois são apenas passivos não reconhecidos; Evidenciase, assim, o erro material cometido pela fiscalização quando afirmou que foram deduzidas despesas com a constituição de provisões de juros referente a Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 3 5 tributos suspensos por medida judicial e dos próprios tributos com exigibilidade suspensa, quando, na verdade, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05, o que se deduziu foram despesas com a constituição de passivos efetivos, decorrentes do surgimento de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado, gerado pelo dever de recolher tributos e seus acréscimos moratórios; O fato de o crédito tributário estar suspenso, como é o caso dos autos, não interfere em nada na natureza da obrigação. O crédito tributário decorre da obrigação principal e é constituído pelo ato de lançamento, nos termos dos arts. 139 e 142 do CTN, é esse também o entendimento expresso da CVM, conforme descrito no Anexo II da Deliberação nº 489/05; considerando que as despesas com juros incidentes sobre os tributos com exigibilidade suspensa seguem as mesmas regras de dedutibilidade aplicáveis a estes últimos, e, ainda, que a despesa com a constituição deste passivo foi deduzida da base de cálculo da CSLL exatamente conforme dispõe a legislação tributária e as normas da CVM, não poderá subsistir a autuação em questão; ad argumentandum, não há que alegar a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa e dos juros sobre eles incidentes da base de cálculo da CSLL, por falta de dispositivo legal que determine a adição desse montante; as regras de dedutibilidade previstas no art. 41, § 1º , da Lei nº 8.981/1995 aplicamse tão somente na determinação do lucro real; a Lei nº 9.249/195, por sua vez, ao dispor sobre os ajustes obrigatórios a serem feitos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL em nenhum momento fez menção à dedutibilidade ou não dos tributos e contribuições. E, desse modo, tendo em vista que a Lei nº 8.981/1995 apenas dispôs sobre a base de cálculo do IRPJ, não há como se exigir que o contribuinte seja tributariamente onerado, sem que haja previsão de lei expressa, em cumprimento ao princípio da estrita legalidade; impossibilidade de lançamento de multas na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão; nos termos do art. 132 do CTN, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então se atribuir ou não a responsabilidade ao incorporador; a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se lançada antes do ato sucessório; as multas lançadas somente poderiam ser imputadas ao interessado acaso as infrações tivessem sido cometidas por empresas incorporadas cujos administradores fossem os mesmos que os seus ou, ao menos, que as incorporadas pertencessem ao seu grupo econômico (Súmula CARF nº 47); não é o que se verifica no presente caso: o Banco Sudameris Brasil S/A foi incorporado pelo Banco ABN AMRO Real S/A e, posteriormente, este o foi pelo Banco Santander Brasil S/A, todos eles instituições financeiras pertencentes a diferentes grupos econômicos, com administração completamente distintas e independentes; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 dessa forma, além das multas terem sido lançadas após a sucessão, sobre fatos de responsabilidade exclusiva da empresa incorporada, não se pode admitir, também, a transferência das penalidades em razão do seu caráter personalíssimo, conforme já assentou a jurisprudência judicial e administrativa sobre o tema; os juros calculados com base na taxa SELIC não podem ser exigidos sobre a multa lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Posteriormente, em 10/01/2011, o interessado retificou a impugnação no que diz respeito às informações sobre a incorporação: a ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S.A é que foi incorporada pelo interessado. Tratase de empresas pertencentes a diferentes grupos econômicos, com administrações completamente distintas e independentes (fl.376). A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do Acórdão 1237.833, de 14/06/2011 da DRJ/RJI, (fls.381), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anos calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE Incabível a alegação de nulidade, comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e não se apresenta nos autos nenhum dos motivos apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, sujeitandose à incidência de juros Selic se não for paga tempestivamente. MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidas pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anos calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anos calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Segundo a legislação de regência, são indedutíveis na apuração do lucro real os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa por força de Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 4 7 provimento judicial. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de dedutibilidade. ERRO DE CÁLCULO DO ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. Retificase a exigência, ante a comprovação de que o percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo a seguir ao voto. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório que tratase no presente processo de exigências de IRPJ e CSLL cumulados de multa de ofício de 75% e juros de mora, decorrentes de autos de infração, lavrados em 08/12/2010, em vista da constatação pela autoridade fiscal que a contribuinte: (I) excluiu indevidamente da base de calculo do IRPJ e CSLL tributos com a exigibilidade suspensa e os juros correspondentes e, (II) compensou em excesso prejuízos fiscais nos anos calendários de 2005 e 2008. A apreciação do recurso voluntário darseá na ordem que apresentada as matérias: I) “DA ILIQUIDEZ E INCERTEZA DO AUTO DE INFRAÇÃO” Neste ponto ataca a ora recorrente a nulidade do auto de infração alegando que a fiscalização aplicou a alíquota de 25% (15% + adicional de 10%) em desconformidade com a legislação (art. 542 do RIR/1999). Aduzindo que o vício apontado não só atinge a apuração do IRPJ, mas, também, com relação ao suposto excesso de compensação de prejuízo fiscal. A autoridade julgadora de primeira instancia assim decidiu: “Assiste razão ao interessado ao alegar erro no cálculo do adicional de IRPJ, uma vez que a fiscalização não observou o disposto no art. 542 do RIR/1999: Art. 542. A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência de adicional de imposto à alíquota de dez por cento. O percentual de 10% foi aplicado sobre a totalidade da base de cálculo ajustada, sem excluir o montante mensal de R$ 20.000,00 previsto em lei. O cálculo manifestamente errado, ainda que reduza o crédito tributário anteriormente exigido, não macula a estrutura do lançamento, razão pela qual não dá causa a sua nulidade. Isto posto, é devido o IRPJ no valor de R$ 2.177.112,92” Na redução do IRPJ devido acima o relator de primeira instância considerou a compensação de prejuízos fiscais conforme demonstrado no voto condutor. Com relação a nulidade do lançamento, me filio às argumentações contida no voto, a saber: “A nulidade do lançamento só é levada a efeito quando se comprova que o auto de infração não foi formalizado com obediência a todos os requisitos de validade previstos no art. 142 do Código Tributário NacionalCTN e quando se apresenta no processo algum dos motivos apontados nos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, o que não ocorreu no caso presente. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 5 9 Se o crédito tributário foi apurado de forma equivocada, como alega o interessado, há que se reconhecer a improcedência total ou parcial da exigência, mas não inquina de nulidade o auto de infração” II) “DA INDEVIDA ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO PELA TURMA JULGADORA” Neste item a recorrente alega que “Ainda, em que pese ter sido reconhecido, acertadamente, pela Turma Julgadora, o equivoco cometido pela Fiscalização, com relação à conclusão não se pode atribuir o mesmo êxito aos Srs. Julgadores, que deixarem de cancelar integralmente o auto de infração de IRPJ, mesmo diante da nulidade apontada, para tentar consertálo determinando que o montante principal lançado fosse retificado de R$ 2.261.112,92 para R$. 1.177.112,92. Contudo a decisão recorrido merece ser reformada por esse E. Conselho, a fim de que o auto de infração seja integralmente cancelado, tendo em vista a evidente incompetência da Turma Julgadora para constituir novos lançamentos.” Cita diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes. Tal alegação, ao meu ver, não encontra respaldo no Direito Tributário. O art. 145 do CTN assim determina: "Art. 145. o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: 1— impugnação do sujeito passivo; II — recurso de oficio; III — iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." Ou seja, é exatamente pela apreciação da impugnação que surge a oportunidade de ajustar o lançamento à legislação utilizada como ânimo. In casu, foi exatamente o que fez a autoridade julgadora a quo. Reduziu a base de cálculo e conseqüentemente o montante do crédito tributário anteriormente determinado com a finalidade de atender a todos os ditames legais que envolvem o lançamento, passíveis de serem corrigidos, afastando os vícios e erros de aplicação da lei, ou declarando nulo, em parte ou no todo, quando insanáveis. Por outro lado, o art. 18 do Decreto 70.235/72, que trata da realização de diligências, assim determina no § 3o.: 3° Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada." (g.n.) Da simples leitura do dispositivo acima constatase que a devolução do prazo para impugnação é numerus clausus, ou seja; é garantida legalmente somente em caso de "agravamento da exigência fiscal, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência". Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 E nenhuma dessas circunstâncias foi motivo para o provimento parcial da impugnação. Verificase nos acórdãos reproduzidos pela recorrente, como suporte aos seus argumentos, que os mesmos são referentes à ocorrência de um dos fatos narrados na norma, o que não é o caso dos presentes autos. Assim, inexistiram agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, existiu apenas correção de alíquota na apuração do crédito tributário com imperfeição pelo agente fiscal. Esse fato não enseja nulidade do procedimento, mas somente o seu aperfeiçoamento. Para isso existem as instâncias administrativas recursais. III) “DA NATUREZA DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA COMO OBRIGAÇÕES LEGAIS” IV) “DA AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À BASE DE CALCULO DA CSLL DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA” V) “DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS RELATIVOS A TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA” VI) “DA NECESSIDADE DE RESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA TIPICIDADE CERRADA” Aqui a recorrente protesta que os valores considerados indedutíveis não possuem a natureza de provisões, mas de despesas efetivas. De modo que o dispositivo aplicável não é o art. 13 da Lei 9.249/95, mas sim o art. 41, da Lei 8.981/95. Aduz, mais: “Diante da ausência de previsão legal para adição à base de calculo da CSLL dos tributos com exigibilidade suspensa e à base de calculo do IRPJ e da CSLL dos juros respectivos, verificase que a Turma Julgadora, ao manter a glosa das referidas despesas, desrespeitou o princípio constitucional da legalidade.” Cabe, de início, transcrever o art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável” Pois bem, antes de adentrar na matéria de fato discutida neste item, fazse necessário algumas considerações acerca das normas que tratam do regime de competência, da dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa, e por fim, do conceito de provisão e despesas (contas a pagar) que trará subsídios para definir a presente lide. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/76), a escrituração da companhia deve observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e Fl. 539DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 6 11 registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Por este regime, as receitas devem ser contabilizadas no períodobase em que constituído o direito ao seu recebimento, os custos e as despesas, naquele em que constituído o dever jurídico de efetuar o pagamento. Sendo assim, as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente do seu recebimento ou pagamento. Portanto, por estar condicionada a um evento futuro, que poderá resultar em efeitos favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, evidenciase que o valor do tributo/contribuição com exigibilidade suspensa é uma provisão e não despesas incorridas (contas a pagar) conforme entende a recorrente. Com o advento da Lei n° 8.981/95, seu artigo 41 reintroduziu o regime de competência para a dedutibilidade dos tributos e contribuições na determinação do lucro real, com exceção para os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172/66, havendo ou não depósito judicial, conforme disposto no § 1°. do referido dispositivo legal, a seguir transcrito: "Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n°5.172. de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." Assim, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95 e tendo em vista a necessidade da formação da provisão para o registro dos tributos com exigibilidade suspensa, em função de sua contingência passiva em exercício futuro, os valores apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Da mesma forma em relação aos juros e atualização monetária correspondente às provisões, eis que o acessório sempre acompanha a natureza de seu principal, pois o mesmo inexiste sozinho. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho, vejamos alguns exemplos: "IRPJ. CSLL. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10196.271, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 152.038, Relator Paulo Roberto Cortez, julgado em 09.08.2007)” "CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, Fl. 540DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10195.727, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 135.395, Relator Valmir Sandri, julgado em 20.09.2006)” "PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Configurandose numa situação de solução indefinida que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos cuja exigibilidade estiver suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Publicado no D.O.U. n° 57, de 25/03/2008. (Acórdão 10323.339, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 136.419, Relator Leonardo de Andrade Couto, julgado em 22.01.08)” O fato é que, a razão para que a lei determine a indedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa é a simples inexistência da despesa efetiva, na medida em que os tributos sobre os quais incidem podem ou não serem devidos/pagos, dependendo do resultado final do processo judicial. Em sendo assim, por constituir os juros em acessórios do principal, seria ilógico admitir sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e mais ilógico ainda querer uma norma especifica para tratar de sua dedutibilidade, eis que um não vive sem o outro (principal/juros). Sendo assim, não merece prosperar a alegação do contribuinte de que os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa representam verdadeiras despesas e não meras provisões, bem como os juros respectivos. VII “DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE MULTAS NA HIPÓTESE DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO” Da recorrente: “Caso não sejam acolhidos os argumentos até aqui expostos, suficientes para a reforma da decisão recorrida e o cancelamento integral do auto de infração objeto do presente processo, não poderá prosperar as multas de ofício mantida , pois ainda que se tivesse sido cometida alguma infração, o que se alega ad argumentandum, não teria sido cometida pela Recorrente, mas por sua incorporada ABN AMRO Brasil Dois Participações S/ª” Em convergência com reiteradas manifestações deste E. Conselho adoto a linha de raciocínio que em se tratando de responsabilidade da sucessora, nos termos do art. 132 do CTN, restringese ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo parte a multa. Cabendo citar o Acórdão n. 10194.480, de 28/01/2004, cuja ementa tem a seguinte redação: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 7 13 "RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. O sucessor não responde pela multa de natureza fiscal que deve ser aplicada em razão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida, em exigência fiscal formalizada após a incorporação." E o Acórdão de n 10193.582, assim ementado: "RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. Multa. Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Inteligência dos arts. 3.° e 132 do CTN.» Decisão do STF no RE n.° 90.834MG, relator o Ministro DJACI FALCÃO, RTJ n.° 93, pág. 862)." Nesse sentido, peço vênia para transcrever trechos do voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Tereza Martinez López, no Acórdão n° 20219.436, de 05/11/2008. O CTN reserva um capítulo específico à responsabilidade tributária (Capítulo V), dentre os inseridos no título da obrigação tributária. Composto pelos arts. 128 a 138, pode ser dividido em três partes: A primeira envolve uma disposição geral (art. 128), que em verdade dispõe mais especificamente sobre a responsabilidade por substituição tributária ou responsabilidade originária, em que o substituto é eleito em lugar do contribuinte de antemão, antes da ocorrência do fato jurídico tributário, nos termos em que a lei estabelecer; a segunda trata da responsabilidade tributária por transferência ou supletiva 3, relativa aos sucessores (arts. 129 a 133) e aos terceiros enumerados no art. 134 do CTN, em que os responsáveis somente assumem a responsabilidade tributária em virtude de fatos posteriores ao surgimento da obrigação tributária; a última se refere à responsabilidade por infrações, tratadas nos arts. 136 a 138. Interessa, na presente análise, a responsabilidade tributária por transferência, enquadrada como sujeição passiva indireta, regulada pelos arts. 129 a 135 do CTN. Mais especificamente a responsabilidade dos assim chamados sucessores (art. 132). No caso específico, a figura da incorporação. Nesse contexto, é de suma importância transcrever o disposto no art. 132 assim redigido: Art. 132 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Uma primeira conclusão, não sujeita a contestação, quer doutrinária ou jurisprudencial, é a de que o "tributo" será sempre devido pela pessoa jurídica que resultar de incorporação. Isto porque a lei assim expressamente o diz. O CTN construiu sua sistematização em torno do art.3°, o qual define o tributo como: "uma prestação pecuniária compulsória, em moeda (...), que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei...". É importante ressaltar, pela própria dicção legal, o que não é tributo, ou seja: tributo não é sanção decorrente de ato ilícito. Em conseguinte, toda vez que o contribuinte efetuar um pagamento aos Fl. 542DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 cofres públicos por ter cometido um ilícito, tal prestação não constitui tributo, mas multa. E multa não é tributo. Por outro lado, a contrariu sensu, caberia a indagação de saber como o legislador, contrariando o art. 3° do CTN, classifica a penalidade pecuniária como uma espécie de obrigação tributária. Isto porque, o § 3° do art. 113 do CTN, ao dizer que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária" traz de forma contraditória o disposto na regra principal estabelecida pelo art. 3°. Em outras palavras, o art. 3° descarta a sanção como tributo para, depois, o art. 113, § 3°, do CTN transformar a pena pecuniária advinda da inobservância de uma obrigação legal, em obrigação tributária. Nesse embate, esta Conselheira fica na sistematização construída pelo art. 3° do CTN, regra matriz do ordenamento básico do próprio código tributário. A incorporação é de direito a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra sociedade. Em conseqüência dessa absorção extinguese a sociedade incorporada, sucedendolhe, em todos os direitos e obrigações, a sociedade incorporadora. A operação de incorporação pode ser realizada entre sociedades que tenham controle societário comum (dentro do mesmo grupo econômico) ou que não tenham vínculo algum, como é o caso dos autos. Em se tratando de responsabilidade tributária, as expressões utilizadas no CTN, numa interpretação literal, devem ser lidas como se referindo aos seguintes valores: "crédito tributário" engloba todos os valores concernentes à obrigação tributária: além do valor do tributo (principal), o dos juros e o das penalidades (multa de mora ou de oficio); "tributo" quer dizer valor principal, com inclusão dos juros de mora (mas não das penalidades), se o recolhimento for efetivado após o prazo de vencimento (os juros são aplicados em decorrência da mora, simplesmente, não se confundindo com penalidade) e; "penalidade" referese à multa de oficio ou à multa de mora (uma ou outra), embora saibamos que outras penas, como a de apreensão e perdimento de mercadoria também são utilizadas, em menor grau. De forma didática, confirase especificamente as expressões utilizadas no Código Tributário Nacional, pelo legislador: os arts. 128, 129, 130, 135 CTN crédito tributário; os arts. 131, 132 e 133 CTN Tributo; o art.134 CTN penalidades de caráter moratório. Em se tratando de imposição de multa, imprescindível a obediência ao princípio da legalidade e o da tipicidade, que se completam como instrumento de defesa da liberdade humana. Onde o legislador não faz referência, não cabe ao intérprete fazêlo. Feitas as considerações acima, podese dizer que, como regra geral, a denominação "tributo" inserida no art. 132 do CTN não é extensiva à multa. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 8 15 Há de se observar haver hipóteses em que o sucessor responde ou não pela multa. Para tanto, importante se dividir a matéria em três tópicos: "i créditos tributários definitivamente constituídos, isto é, as dívidas fiscais anteriores à sucessão; ii créditos tributários em curso de constituição, ou melhor, as dívidas fiscais que estavam sendo apuradas ou lançadas no momento da sucessão; e iii créditos tributários constituídos depois da sucessão, ou seja, as dívidas constituídas posteriormente à data da sucessão, embora originárias até a sucessão." Interessanos o grupo (iii) porque o início da fiscalização é posterior à incorporação. Neste grupo estão representados os créditos tributários constituídos depois da sucessão, ou seja, as dívidas constituídas posteriormente à data da sucessão, embora originárias até a sucessão. A jurisprudência dos tribunais superiores e de parte dos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, na interpretação do art. 132 do CTN, é pacífica no sentido de que a transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada (constituída) antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Como prémencionado, não é o caso ora analisado, porque o início da fiscalização é posterior à incorporação. A responsabilidade não se presume, deve ser expressa. Se não há previsão, responsabilidade não há. Portanto, em se tratando de responsabilidade da sucessora, nos termos do art. 132 do CTN, restringese ao tributo não pago pela sucedida, dele não fazendo parte a multa. Neste item, dou provimento parcial ao recurso para afastar a multa de ofício por se tratar de incorporação antes do início da fiscalização. VIII “DA EFETIVA ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DO IRPJ DA DIFERENÇA DE R$.68.197,35” Aqui, também, cabe razão a recorrente. Constatase do Termo de Verificação Fiscal que o valor de R$.68.197,35 referente a PIS/COFINS do mês de dezembro/2005, com exigibilidade suspensa foi considerado pela fiscalização como não adicionado ao Lucro Real. No recurso voluntário a contribuinte anexa o “Demonstrativo do Lucro Real” do período de 01/01/2005 a 30/06/2005 onde encontrase registrado como ADIÇÃO o valor de R$ 4.357.338,76 e EXCLUSÃO o valor de R$ 4.289.141,41 a título de PIS/COFINS com exigibilidade suspensa, sendo a diferença no valor de R$ 68.197,35. O que de fato resta comprovado que o valor da diferença foi adicionado ao Lucro Real apurado quando da cisão parcial do período de 01/01/2005 a 30/06/2005. O saldo remanescente de R$.6.869.302,65 referese ao montante adicionado após cisão parcial (01/07/2005 a 31/12/2005). Portanto é de se concluir deva ser excluído da base de calculo do IRPJ exigido o valor de R$ 68.197,35. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 IX “DA INEXISTÊNCIA DE EXCESSO DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NO ANO BASE DE 2005” Ao contrario do alegado pela recorrente os fatos atestam a consistência dos valores constantes do demonstrativo SAPLI, a partir de informações prestadas pelo próprio contribuinte nas DIPJs. Observase, no Livro LALUR, que os prejuízos apurados em 30/06/2005 “Não Operacional” no montante de R$ 2.802.273,46 e “Prejuízo Fiscal” no montante de R$ 1.752.501,89 (fls. 202/203). Entretanto, em face da cisão parcial, só poderia dispor de 78,23% destes prejuízos, ou seja, “Prejuízo não operacional” 2.192.218,53 e “Prejuízo fiscal” de R$ 1.370.982,23. Verificase, no caso, divergência entre os valor de prejuízos controlados no SAPLI e os informados no LALUR, em 31/12/2005. “Prejuízo não operacional”, SAPLI: R$ 2.192.218,53 e LALUR: R$ 2.306.956,08; “Prejuízo Fiscal”, SAPLI: R$ 1.370.982,23 e LALUR: R$ 1.917.086,40. Resta demonstrado que a parcela correspondente ao valor vertido do prejuízo não operacional para outra empresa (R$ 610.054,93) não foi excluída do saldo de prejuízo controlado no LALUR. Relativamente ao prejuízo fiscal, a parcela excluída foi inferior à devida, ou seja, não corresponde ao percentual vertido de 21,77%. Quanto à alegada transferência de parte do prejuízo não operacional para operacional (R$ 495.317,38), cabe destacar que a alteração procedida no LALUR não encontra respaldo na DIPJ (fls.379/380) e no balancete de verificação de junho de 2005 (fl.224). Em ambos os demonstrativos, o prejuízo não operacional é de R$ 2.802.273,46, tal qual escriturado inicialmente no LALUR. Portanto a suposta transferência não tem qualquer efeito fiscal. Desta feita, se na apuração do lucro real do período de 01/07 a 31/12/2005, foi compensado prejuízo fiscal de R$ 1.917.086,75, conquanto o saldo existente fosse de R$ 1.370.982,23, houve sim compensação indevida de R$ 546.104,52. Na apuração do lucro real em 28/11/2008 (nova cisão parcial), também ocorreu compensação indevida de R$ 2.306.956,08. Isto porque, nesta data, o único prejuízo existente era o não operacional, que nos termos da legislação supracitada só poderia ser utilizado para compensar lucro de mesma natureza. Conforme demonstração de resultado transcrita na Ficha 06 A da DIPJ (fl.142), não foi apurado resultado não operacional positivo no período de 01/01 a 28/11/2008. Concluise, pois, que na apuração do crédito tributário, agiu corretamente a fiscalização ao reconstituir as compensações efetuadas pela contribuinte em conformidade com a legislação vigente, mesmo porque a recorrente não comprova, nos autos, as alegações de sua defesa. X DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA” Penso que a matéria deixa de ter importância em razão do entendimento acima relatado por este Conselheiro Relator de que em se tratando de incorporação, não há de se exigir a multa, nos termos do que dispõe o art. 132 do CTN. Em razão do exposto, prejudicada está a sua apreciação. É certo que também, somente na eventualidade de ser vencida pelos meus ilustres pares desta Eg. Turma, no que diz respeito à exclusão da multa, em face da incorporação, é que a questão deve ser enfrentada. Não sendo este o caso, desnecessária a sua análise. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720406/201040 Acórdão n.º 1301000.830 S1C3T1 Fl. 9 17 A vista do todo acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário no sentido de (I) excluir da base de calculo do IRPJ exigido o valor de R$ 68.197,35 e; (II) afastar a multa de ofício por se tratar de incorporação antes do início da fiscalização. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 546DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10384.900875/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2011 a 30/06/2011
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL.
Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3401-005.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 08 75 /2 01 2- 41 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado nos meses de abril, maio e junho de 2011 (2º trimestre), no valor de R$ 15.254,16. Em ato contínuo declarou, também, via PER/DCOMP a compensação desse crédito com débitos de IRPJ do 2º Trimestre de 2008 e do 4º Trimestre de 2011; e CSLL do 2º e 2º Trimestre de 2011. Do Despacho Decisório A DRF de Teresina em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação declarada, pela inexistência de crédito a ser utilizado (rastreamento nº 031029667 de 04/09/2012) e procedeu com a intimação da contribuinte para efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. O Despacho vem fundamentado nos seguintes termos: "Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho". Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que tem direito ao montante do crédito presumido de IPI requerido, pois a Lei nº 9.363/96 não faz restrição ao fato de o produto exportado ser ou não tributado pelo IPI, além da jurisprudência de nossos tribunais ser uníssona nesse sentido e transcreve diversos julgados; (ii) contesta a redução da base de cálculo do crédito presumido com a glosa das aquisições de pessoa física, cooperativa e transferência entre matriz e filial, porque o benefício tem como escopo principal desonerar os produtos finais para exportação, compensandose as contribuições do PIS/Pasep e da COFINS embutidos nos preços das matériasprimas e insumos usados no processo de fabricação, inclusive os recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa, acrescidos do material de embalagem. Transcreve vasta jurisprudência a seu favor sobre a matéria. (iii) requer, ainda, o reconhecimento da correção monetária de seu crédito pela SELIC, desde a data do pedido de ressarcimento. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Cabe destacar do voto, com relação as demais matérias relacionadas a aquisições de cooperativa, de pessoas físicas e de transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, que a decisão de piso atevese ao motivo para o indeferimento, citando a seguinte parte: “Não obstante as considerações anteriores, nos deparamos com impedimento legal para a concessão do Crédito Presumido do IPI requerido nas Per/Dcomps acima discriminadas, tendo em vista que toda a receita de exportação da empresa, no período 01/2009 a 09/2011 seja proveniente do produto quartzito mourisca, classificado sob o código 2506.20.00, da Tabela de Incidência do IPI, classificado NT, que, nos termos do art. 21 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 420/2004, não dá direito ao Crédito Presumido do IPI” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final improcedente a glosa realizada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 5 4 A peça recursal limitase a reproduzir aquilo que foi dito na Manifestação de Inconformidade, sem contestar nenhum ponto das razões que fundamentaram a decisão recorrida. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 6 5 Quanto a verificação fiscal realizada, embora sendo por amostragem, sobre os documentos fiscais de compra de insumos no período e sua correta escrituração, efetuando glosas referente aquisições de pessoas físicas, de cooperativa e também, de produtos objeto de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, a interessada preferiu defender simplesmente a tese de que o crédito é presumido e todos os custos de produção atinentes a matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, devem ser, irrestritamente, considerados. A lide, portanto, restringese a discussão sobre o enquadramento do produto exportado denominado “quartzitos”, classificado sob o código 2506.20.00 da tabela TIPI, considerada como produto NT, tido como único produto exportados no período, afastando, dessa forma, a totalidade do crédito pretendido. Os argumentos colocados no voto da decisão de piso tem por definição que estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (IPI), excluídos aqueles a que correspondem a notação “NT” (nãotributado). Esse, inclusive, foi o entendimento externado pela CSRF 3º Turma, contido no voto vencedor do acórdão nº 9303 004.890 (23/03/2017), que ao analisar os art. 2º e 8º do RIPI/2002, fez a seguinte colocação: Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Com relação a recorrente não há dúvida que a mesma seja estabelecimento industrial, pois o próprio fisco atesta que outros produtos são industrializados por ela e assim foram reconhecidos. A incidência do IPI não se dá pela classificação do estabelecimento, mas sim, se o produto foi ou não industrializado, se passou por alguma etapa do processo de industrialização. O conceito de produto industrializado está definido no art. 3º do Decreto 7.212/2010: “Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária”. O que caracteriza industrialização, está definido no art. 4º do mesmo Decreto: Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 7 6 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Mais adiante, no art. 5º do Decreto 7.212/2010, está relacionado tudo que “Não se considera industrialização” e nenhum de seus itens relaciona o produto de classificação 2506.20.00, ou dos produtos classificados na TIPI como “NT”. Vem contribuir para a presente discussão o julgado a seguir transcrito: O IPI incide sobre o produto, não sobre a produção. Incide sobre o produto industrializado, não sobre a industrialização. Ou, como salientou o Ministro José Delgado, "não é o ato de industrialização que gera a incidência do IPI, posto que este recai no produto objeto da industrialização" (STJ, REsp 216.217/SP, 1ª Turma, DJ de 29/11/1999, p. 130) Em suma, a Constituição não estabelece a tributação da industrialização, mas prevê a incidência do imposto sobre a operação que tem produto industrializado como objeto. Não há, pois, óbice de natureza constitucional de que o contribuinte do IPI seja pessoa diversa daquela que realizou o processo de industrialização. A limitação contida no art. 153, IV, da Constituição diz respeito apenas ao alcance das expressões "produto" e "industrializado". Produto é aquilo que é criado, gerado, elaborado. É o bem com expressão econômica, destinado ao comércio ou consumo. E para estar sujeito à incidência do tributo, o produto deve ser industrializado, o que significa nos termos do art. 46 do CTN, ter sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (TRF4 501375927.2011.4.04.7108, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 08/08/2013). Até aqui poderíamos atribuir razão a recorrente, caso o fato restringisse apenas ao enquadramento do produto objeto da glosa, na classificação em código da TIPI na condição de NT – nãotributado. Mas o que afasta a pretensão da recorrente, do direito de se apropriar de crédito presumido de IPI nas exportações de “quartzitos”, classificação NCM 2506.20.00, é a completa ausência de provas de que o produto passou por algum processo ou submetido a qualquer operação que lhe modificasse sua natureza. Nada foi trazido aos autos em matéria de prova da submissão do produto “quartzitos” ao processo de industrialização. Diante da ausência de qualquer material informativo sobre o produto exportado, objeto de glosa de crédito presumido de IPI, levome a concluir que efetivamente realizouse a exportação de “quartzito” embalado em seu estado natural, na forma como Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10384.900875/201241 Acórdão n.º 3401005.127 S3C4T1 Fl. 8 7 extraído da mina, sem ser submetido a nenhuma operação que o modificasse, impedindo seu enquadramento como produto industrializado. Com relação a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o crédito requerido, a partir do seu pedido, não assiste razão à recorrente. O pedido de ressarcimento veio acompanhado de declaração de compensação, que independentemente do resultado da análise fiscal e do resultado desse julgamento, não restará crédito a ser restituído. Totalmente despiciendo esse pedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900307/2006-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
Numero da decisão: 1002-000.294
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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A. CASTRO GREIDANUS SERVIÇOS AGRÍCOLAS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indeferese o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 03 07 /2 00 6- 40 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 35 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 32) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 23/29), proferida em sessão de 05 de fevereiro de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0620.905, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 02) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 01947.98945.271003.1.3.040126, transmitido em 27/10/2003, e não homologou a compensação declarada, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO . DECADÊNCIA. A apresentação depois de decorrido o prazo decadencial de Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, a qual deveria substituir a Declaração Anual Simplificada, em face da a contribuinte ter sido excluída do beneficio, impede a apreciação do pleito de compensação. Compensação não Homologada Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de pedido de PER/DCOMP N.º 01947.98945.271003.1.3.040126, protocolizado em 27/10/2003, no valor de R$ 1.202,75, atinentes ao período de apuração 30/06/2002, com valores supostamente apurados pelo Lucro Presumido, relativos ao anocalendário de 2002, em decorrência de a interessada ter sido excluída da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. Instruindo o pedido consta cópia de DARFSimples (código de receita 6106) de fl. 8. A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do despacho decisório de fls. 02, tomou a seguinte decisão Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 1.202,75. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 36 3 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte foi cientificada em 04/08/2008 (AR de fl. 13), e apresentou, em 21/08/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 01, onde esclarece que ao ser excluída do Simples, efetuou levantamento do valor total dos débitos pelo lucro presumido e recolheu as diferenças devidas, compensando com os valores já recolhidos sob o código 6106, por meio de PER/DCOMP, razão pela qual entende que o pleito deve ser deferido. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2002 6106 R$ 1.394,32 23/07/2002 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1278305231 R$ 1.394,32 DB: cód 6106 PA 01/06/2002 R$ 1.394,32 Valor Total R$ 1.394,32 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a não homologação da compensação. A decisão recorrida não acolheu o pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, quando já presente a decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002. Eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Assim, tendo sido excluída do Simples a contribuinte tinha a obrigação de retificar a declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples. (...) Ocorre que tal providência não foi adotada e a interessada se limitou a pedir a compensação dos valores recolhidos sob a sistemática do Simples, com parcelas decorrentes de apuração de seu resultado pelo Lucro Presumido, sem proceder a entrega da declaração referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido. Conforme consta dos documentos acostados ao processo, tal iniciativa só foi adotada depois que a contribuinte tomou conhecimento da não homologação do pleito, ou seja, a declaração retificadora foi apresentada, apenas, em 13/08/2008. Cabe também ressaltar que ela não apresentou as DCTF do ano calendário de 2002, conforme tela do sistema SIEF. Assim, quando da análise dos pedidos de PER/DCOMP, a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada entregue à época própria e cujos valores já haviam sido quitados por DARF específico. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 37 4 Para estabelecer se a entrega da declaração retificadora obedeceu ao prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, importa analisar em qual modalidade de lançamento o Simples está inserido, ou seja, se ela constitui lançamento por declaração ou por homologação. (...) No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (último dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n.º 437.546. Neste caso há que se reconhecer que a administração tributária, depois de efetuar a exclusão da interessada, deixou fluir o prazo decadencial sem adotar medidas concretas, visando o efetivo cumprimento da norma, em relação ao anocalendário de 2002, razão pela qual entendo que o pleito da interessada é inócuo. A inércia da autoridade fiscal e a intempestividade da ação do contribuinte contribuíram para que só se tomasse conhecimento da situação irregular da interessada, com relação ao anocalendário de 2002, depois de já decorrido o prazo decadencial. Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (específico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. Indeferido o pleito, a contribuinte foi cientificada em 04/08/2008. Só então, providenciou a apresentação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido, conforme tela de fl. 19, que foi recepcionada em 13/08/2008. Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 38 5 das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) quando da transmissão das PER/DCOMP a interessada deixou de apresentar a competente Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido que daria suporte a apreciação do pleito, portanto, quando da apreciação do pedido o que a autoridade fiscal constatou foi a existência de uma Declaração Anual Simplificada, cujos débitos haviam sido extintos pelos DARF que a interessada pretende utilizar para abater débitos do Lucro Presumido; ii) as PER/DCOMP apresentadas em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto terem sido transmitidas antes da vigência das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003; iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de dívida; iv) quando da recepção das PER/DCOMP não se procedeu ao lançamento dos valores nelas informados com vistas a preserválos do instituto da decadência já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação obedece ao disposto no § 4.º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, qual seja, cinco anos a contar da data fato gerador; v) a apresentação intempestiva da Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, ocorrida depois de a contribuinte ter tomado ciência do indeferimento ao pedido de compensação é inócua pois, em se tratando de empresa que era do Simples, os fatos geradores do anocalendário de 2002 já foram atingidos pela decadência, sendo improcedente; e vi) finalmente, deve ser declarada improcedente qualquer tentativa de a autoridade fiscal vir a exigir algum valor por ventura remanescente. Conclusão do Voto Isso posto, voto por não acolher a reclamação contra o indeferimento do pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, protocolizado em 27/10/2003, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, em face da decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002, e por manter a não homologação das compensações declaradas. No recurso voluntário, o contribuinte alega que a decisão vergastada não acatou o PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte na qual se compensavam valores anteriormente recolhidos na modalidade do Simples com valores devidos no lucro presumido. Diz que, após ter realizado os cálculos pelo lucro presumido, recolheuse os valores devidos em espécie, compensandose os valores anteriormente recolhidos na sistemática do Simples. Sustenta que o Conselho de Contribuintes em decisão unânime já reconheceu que os valores recolhidos na sistemática do Simples obrigatoriamente devem ser compensados com os tributos devidos pelo regime do lucro presumido (Acórdão n.º 10323414, Diário Oficial da União, Seção 1, de 3 de setembro de 2008, página 28). Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 39 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Vencido Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 20/02/2009, sextafeira, efls. 30/31, e protocolo em 11/03/2009, efl. 32), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito observo que assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 40 7 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento, em Despacho Decisório (DD), de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto, supostamente, não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da suposta situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da suposta utilização integral do valor recolhido, de modo que não restaria saldo residual para restituição. Ocorre que, é equivocado afirmar que houve a utilização integral do DARF em quitação de definitivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), pois o recolhimento se processou no código 6106 (Simples) para apuração de tributação no Regime Especial, no entanto o contribuinte foi excluído do Simples e, exatamente, por isso, gerou o pedido compensação, objetivando aproveitar os pagamentos no código 6106 para integralizar o que era devido a partir da apuração dos novos valores tributáveis com base no lucro presumido (vide PER/DCOMP efls. 4/8). Tanto é que a DRJ reconheceu esta problemática, reconhecendo que não houve utilização integral do DARF em efetivo e definitivo crédito tributário, porém, pasmem, ao meu ver criando novo impasse, modificou o critério jurídico da decisão do despacho decisório, que era pela inexistência de saldo do DARF, para afirmar que, na verdade, tinhase uma questão de decadência. De qualquer sorte, aplico o § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com suas alterações, para não decretar a nulidade. Ora, a não homologação do PER/DCOMP teve por critério jurídico a inexistência de saldo do DARF; a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada do Simples entregue à época própria e cujos valores foram quitados com o DARF. Reconhece a DRJ que, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106, os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, face a não transmissão da declaração retificadora (Declaração Anual pelo Lucro Presumido). Logo, resta evidente que a DRJ reconhece que este critério jurídico é equivocado e não subsiste, porém, em contraponto à vedação do art. 146 do CTN, a primeira instância sustenta alegada decadência do direito de restituição (outro critério jurídico para não homologar a compensação). Deveras, a DRJ informa que o sujeito passivo foi excluído do Simples e, neste diapasão, fundamenta que ele estaria obrigado a retificar a sua declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples, sendo que, neste contexto, o sujeito passivo não teria tomado a providência a tempo e modo, assim Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 41 8 incidindo na decadência para os recolhimentos no código 6106 (código do Simples), de forma que não poderia haver a compensação, pois, com a entrega da declaração retificadora, referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido, apenas em 13/08/2008, estarseia diante da decadência para fatos geradores do anocalendário 2002. Não me parece razoável concordar com a mudança do critério jurídico, de toda sorte, é bom anotar que a DRJ vai mais além e, apesar de não ter homologado a compensação, a primeira instância consigna que os PER/DCOMP apresentados em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto que foram transmitidos antes da vigência das alterações que o caracterizaram como tal, também atesta que não se transmitiu DCTF, que também caracterizaria uma eventual confissão de dívida, e, por fim, informa que não se procedeu ao lançamento dos valores informados no PER/DCOMP com vistas a preserválos do instituto da decadência do lançamento de ofício (relativo as diferenças) já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação, obedece ao disposto no § 4.º do art. 150 do CTN, concluindo que é improcedente qualquer tentativa da autoridade fiscal exigir algum valor porventura remanescente no PER/DCOMP não homologado. Portanto, a DRJ reconhece a decadência do contribuinte e reconhece, de igual modo, a decadência da Administração Tributária, mas no dispositivo, na conclusão do voto, fala só na decadência do contribuinte. De mais a mais, observo o disposto na Súmula CARF n.º 76, a qual enuncia que: "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 180301.000, de 2/8/2011, 910101.037, de 27/6/2011, 910100.949, de 29/3/2011, 1402 00.017, de 28/7/2009, 10517.110, de 26/6/2008. Além disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Vejase. O objeto em comento é PER/DCOMP com créditos lastreados em DARF, com Código 6106 (Simples), no qual se utiliza o crédito para compensar recolhimento do lucro presumido para período de apuração originalmente do Simples, que foi recalculado por força da exclusão do regime especial. Neste diapasão, a conclusão é uma só, qual seja, não há óbice ao aproveitamento de pagamentos realizados com o código 6106 (Simples), quando for utilizado o crédito para compensar tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime adotado justamente em razão da exclusão do Simples. Isto porque, de acordo com a Súmula CARF n.º 76, nem mesmo seria preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento deveria ser realizado por simplória dedução, logo,neste contexto, não teríamos as decadências. Se foi a própria Administração Tributária quem excluiu o sujeito passivo do Simples, não se pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão ou, ainda, alegar decadência do direito a restituição. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 42 9 Por fim, repitase, novamente, que a DRJ afirma que não se pode cobrar o contribuinte, sob o argumento de que decaiu o direito de constituição, não tendo o PER/DCOMP do caso concreto força de confissão de dívida, face à época em que transmitido, enfrentando, inclusive, o óbice de outro enunciado sumular, qual seja, a Súmula CARF n.º 52 ("Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício."). Entendo, pois, que devese resolver o caso em favor do contribuinte como melhor medida ao litígio tributário. Considerando o esposado, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento, reformando integralmente a decisão recorrida para homologar o PER/DCOMP. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Voto Vencedor Conselheiro Aílton Neves da Silva Redator designado. Peço vênia para discordar do voto proferido pelo Ilustre conselheiro Leonam que dava provimento à declaração de compensação, por acreditar não haver crédito tributário apto a ser compensado nos presentes autos, o que conduziria à não homologação do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, porém, com fundamento diverso do consignado no Despacho Decisório que não homologou a referida compensação. Explico a seguir. Primeiramente, revisitando os fatos processuais, constato, às efls. 3, que a compensação declarada não foi homologada, conforme indicado no excerto abaixo: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 43 10 O PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte apresentava as seguintes características (efls. 09/10): Como se observa, o PER/DCOMP pretendeu compensar débitos do Simples Federal do período de apuração de 30/06/2002 (código 6106) com débitos de COFINS (código 2172) e IRPJ (código 2089) do anocalendário de 2002 decorrentes de apuração pelo regime de Lucro Presumido. Observase, ainda, que o indeferimento do PER/DCOMP foi calcado na constatação de que o pagamento de R$ 1.394,32 já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do Simples Federal, constando, inclusive, DARF de recolhimento nos autos comprovando o fato (efls. 09). Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 44 11 Para continuidade da análise, convém tecer alguns comentários acerca do instituto da compensação. É cediço que a compensação tributária é instituto jurídico previsto em lei e forma de extinção de crédito tributário, o qual opera pelo encontro de contas relativas a créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Logo, para que seja possível aferir a escorreição do ato administrativo que não homologou a declaração de compensação perpetrada no Despacho Decisório, penso ser necessário, primeiramente, reconhecer ou não a higidez de seus elementos componentes, quais sejam, o débito e o crédito dela constantes. Nessa trilha, verifico que, com relação ao crédito (pagamento indevido), o Despacho Decisório de não homologação da compensação teve como fundamento a não caracterização do recolhimento de R$ 1.394,32 como direito creditório do contribuinte, eis que o autor do Despacho Decisório entendeu que o referido recolhimento estava indisponível, em razão de ter sido alocado a débitos de tributos apurados no regime do Simples Federal do ano calendário de 2002. A relatora do Acórdão de Impugnação pronunciouse sobre essa matéria, entendendo que foi equivocada a conclusão da autoridade administrativa que considerou não disponível o recolhimento de R$ 1.394,32 para fins de compensação, conforme excerto abaixo: Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (especifico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. De fato, assiste razão à relatora do Acórdão de Impugnação, eis que a Declaração do Simples do anocalendário de 2002 não poderia ter sido considerada no Despacho Decisório que não homologou a compensação porque deixou de ter validade jurídica, em razão da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002 (efls. 16), tanto assim que foi posteriormente cancelada (efls. 19). O fato de o recolhimento de R$ 1.394,32 ter sido alocado a um crédito tributário que deixou de existir caracterizou o pagamento indevido a partir do cancelamento da declaração do Simples do anocalendário de 2002, gerando um crédito líquido, certo e apto a compor declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, na forma do artigo 165 do CTN1. 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 45 12 Com base nesse breve relato, reconheço a legitimidade do crédito pleiteado no PER/DCOMP no valor de R$ 1.394,32. Quanto ao débito (crédito tributário), vejo que no PER/DCOMP apresentado constou a informação de apuração de tributos para o anocalendário de 2002 no regime do Lucro Presumido. Compulsando os autos constato que a Declaração do Simples do ano calendário de 2002, que foi cancelada em virtude da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002, foi substituída pela declaração no regime do Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 para aquele mesmo período DIPJ/2003 a qual encontravase na situação cadastral "liberada". Dos fatos até aqui relatados e diante de uma análise perfunctória, poderseia concluir pela higidez do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte e, conseqüentemente, por sua homologação, porquanto a DIPJ/2003 pelo lucro presumido encontravase liberada para o ano de 2002 e porque o recolhimento feito a título de Simples sob código 6106 ficou disponível para compensação a partir do cancelamento da Declaração do Simples do anocalendário de 2002. Ocorre que a aplicação do instituto da compensação exige, além do reconhecimento de créditos líquidos e certos a favor do contribuinte, a existência de crédito tributário a liquidar. É o que diz o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse sentido, constato que a DIPJ/2003 não tinha caráter constitutivo de crédito tributário à época dos fatos, e o entendimento pacificado, tanto na Administração Tributária quanto na Jurisprudência, é que somente os saldos a pagar de tributos declarados em DCTF é que poderiam ser inscritos em Dívida Ativa da União. O art. 1º da IN SRF nº 77/98 caminha nesse sentido: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 46 13 Dívida Ativa da União. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000) Constato, ainda, que os débitos informados na DIPJ/2003 não foram constituídos por meio de DCTF, eis que as informações constantes do processo indicam que não houve entrega da DCTF pelo contribuinte nesse período. Vejase trecho extraído do Acórdão de Impugnação nesse sentido: Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) (...) (...) iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de divida; (...) Considerando que a DIPJ possuía apenas caráter informativo e que não houve lançamento em DCTF do débito declarado no PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, aplicarseia ao caso em questão o art. 23 da IN SRF nº 210/2002 (grifos nossos): Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Em resumo, chegase à conclusão de que o débito constante da PER/DCOMP no valor de R$ 1.394,32 deveria, à época dos fatos, ter sido constituído por meio de lançamento de ofício; a uma, porque referido débito não foi lançado por DCTF e, a duas, porque, inobstante constar no PER/DCOMP transmitido em 27/10/2003 a confissão do débito de R$ 1.394,32, os efeitos de confissão de dívida só foram atribuídos às declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, conforme bem pontuado no Acórdão de Impugnação (in verbis): Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 47 14 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Constato não haver nos autos qualquer documento indicando que os débitos informados no PER/DCOMP foram constituídos por meio de auto de infração na forma do artigo 23 da IN SRF nº 210/2002. Assim, por qualquer ângulo de análise e à luz da legislação regente da matéria e dos documentos constantes do processo, podese afirmar que o débito constante do PER/DCOMP debatido neste processo não foi constituído nem por DCTF, nem por DCOMP e nem por auto de infração, o que nos leva à corroborar a conclusão externada no Acórdão de Impugnação abaixo transcrita, segundo a qual operouse a decadência do direito de lançamento da referida obrigação tributária, em razão de tratarse de lançamento por homologação e por ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data de ocorrência do fato gerador do tributo (in verbis): No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no Ultimo dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (Ultimo dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n° 437.546. Portanto, considerando que os débitos fiscais apurados na DIPJ/2003 e informados no PER/DCOMP não foram objeto de lançamento e, portanto, não possuíam a qualificação jurídica de crédito tributário tal qual exigido pelo artigo 170 do CTN, correta foi a negativa de homologação da declaração de compensação pela autoridade administrativa, sendo, porém, equivocado o fundamento utilizado no Despacho Decisório de não homologação, porque a invalidade da compensação caracterizouse não pela ausência de crédito líquido e certo, mas por inexistência de débito compensável, evidenciada pela falta de constituição do pretenso crédito tributário decorrente dos débitos fiscais informados na DIPJ/2003. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 48 15 Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.921412/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte.
Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado.
Numero da decisão: 3002-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrente TEKINOX MANUTENÇÃO E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte. Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 14 12 /2 00 9- 11 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 95 dos autos: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta por Tekinox Manutenção e Montagens Industriais Ltda, CNPJ 57.521.825/000179, em contrariedade ao indeferimento integral do ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP nº 11010.71537.030609.1.5.012049, referente ao saldo credor de IPI apurado no 1º trimestre de 2007, no montante de R$ 15.254,40 (quinze mil, duzentos e cinquenta e quatro reais, quarenta centavos). De acordo com o despacho decisório (fl. 11), o valor pleiteado não foi reconhecido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Cientificada da decisão em 05/11/2009, a interessada manifestou a sua inconformidade em 24/11/2009. Em síntese, a sua defesa se resumiu aos seguintes termos: I – DOS FATOS A matéria debatida se funda especificamente em pedido de PER/DCOMP, por manter os créditos em sua escrita fiscal, oriundos na Lei 9.779/99. A fazenda não reconheceu os créditos, no entanto, é mister que a origem dos créditos estão devidamente comprovados, conforme documentos anexo (sic), dando suporte à totalidade do pedido. II – DAS PROVAS O Contribuinte apresenta os documentos que suportaram os seu pedido, quais sejam: • Cópias do Livro Registro de Apuração do IPI. • Cópias da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Além da documentação relatada, juntada às fls. 12/58, o contribuinte também juntou com sua manifestação de inconformidade (fls. 02/03): i) cartão de CNPJ (fl. 4); ii) atos de constituição e representação da Empresa (fls. 05/10); iii) Despacho decisório (fl. 11 e 85); iv) PER/DCOMP (fls. 59/84); v) demonstrativo de créditos e débitos (fls.86/88). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 130 3 Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada, não integrando, assim, o objeto da lide. PRODUÇÃO DE PROVA. RAZÕES DA CONTESTAÇÃO. Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Dessarte, não cabe à autoridade julgadora de primeiro grau, diante do conjunto de documentos apresentados na impugnação, demonstrar que cada um deles possibilita comprovar o que a defesa pretende, ainda mais se nem ao menos há alguma alegação específica do que se pretende. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão da primeira instância (fls. 94/97) fundamentouse, assim, na ausência de indicação específica das discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório e na ausência de correlação, na defesa, de seu conteúdo com os documentos apresentados. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 07/12/2012 (vide Termo de ciência por decurso de prazo à fl. 100 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/12/12, Recurso Voluntário (fls. 102/116). Em seu recurso, o recorrente alega que: i) houve cerceamento de defesa por falta de fundamentação do despacho decisório; ii) tem o direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 Lei 9.779/99; iii) obedeceu aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, afirma que juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Em seus pedidos, requereu, preliminarmente, o cancelamento da decisão de primeira instância, por inobservância do artigo 19 da IN 600/05. No mérito, a homologação do crédito pretendido. Alternativamente, pediu a devolução do processo à primeira instância, para fiscalização da documentação referente ao crédito e realização, ou não, de sua homologação, sob pena de cerceamento de defesa. Nesta oportunidade, reapresentou a documentação de representação da empresa (fls. 117/126). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 131DF CARF MF 4 Consoante acima narrado, constou do despacho decisório que o pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte fora indeferido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sua defesa, o contribuinte alegou, de forma genérica, que possuiria direito ao ressarcimento da integralidade do crédito tributário alegado, tendo anexado, nesta oportunidade, livro de apuração do IPI, no intuito de comprovar o alegado. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, visto que a defesa apresentada não teria indicado, de forma específica, as discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório, nem a correlação eventualmente existente entre o seu conteúdo e os documentos apresentados. Em seu recurso voluntário, então, o contribuinte alegou, resumidamente que: i) teria havido cerceamento do seu direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório; ii) teria direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 lei 9.779/99; iii) teria obedecido aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, afirma que juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Quanto a tais argumentos, entendo que não assiste razão ao contribuinte, consoante restará devidamente analisado em sucessivo. No que tange ao argumento preliminar disposto no item i) acima, é fácil constatar que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, com a indicação das razões que levaram ao indeferimento do pleito, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Quanto à alegação disposta no item ii), de fato, é certo que o contribuinte possui o direito de requerer o ressarcimento de saldo credor que eventualmente entende fazer jus, o que não lhe foi vetado. Porém, da mesma forma que lhe é garantido o direito de petição, é dever da administração pública indeferilo quando constatar a inconsistência do pedido apresentado. E foi justamente o que ocorreu no caso vertente. No que concerne ao item iii), penso que a mera alegação de que teria obedecido aos ditames da IN 600/05 não possui o condão de afastar a fundamentação constante do despacho decisório no sentido de que o crédito já teria sido utilizado em períodos subsequentes. Competia ao contribuinte requerente comprovar o direito creditório pleiteado, o que inocorreu. Quanto ao item iv), entendo que, no momento do despacho decisório, a fiscalização não está obrigada a exigir documentação comprobatória do contribuinte, podendo este ser proferido tanto manualmente quanto eletronicamente, quando constatada a inconsistência do pleito apresentado conforme dados constantes do sistema da Receita Federal do Brasil. E é justamente por essa razão que se admite que o contribuinte inicie a fase de contraditório por meio de apresentação de manifestação de inconformidade, oportunidade em que deverá trazer aos autos, para fins de julgamento, não apenas os argumentos de defesa, como também a documentação comprobatória do seu direito creditório pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 131 5 Sobre este assunto, trazse à colação esclarecimento quanto ao procedimento adotado no caso de análise eletrônica de PER/DCOMP, constante do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: 14. Como o caso em tela tem como peculiaridade a análise eletrônica do PER/DCOMP, convém descrever sucintamente como ela ocorre. 14.1. Primeiramente, o sujeito passivo transmite o PER/DCOMP informando os créditos aos quais julga ter direito e confessando os débitos. 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. Fl. 133DF CARF MF 6 15. Caso o contribuinte não tenha seu pedido deferido ou a compensação integralmente homologada, está garantido seu direito de manifestar inconformidade sob o rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com esteio no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 1996. Na hipótese de discordância da análise preliminar acima referida, concluindo o sujeito passivo ser incabível a retificação de declarações ou o cancelamento do PER/DCOMP no prazo a ele conferido para autorregularização, é por ocasião da manifestação de inconformidade que deve apresentar justificativas ou documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Ademais, é válido destacar que o art. 19 da IN 600/05 confere à autoridade fiscal a faculdade de, caso entendam necessário, requerer a produção de provas complementares para fins de julgamento da demanda. Notese que o referido dispositivo legal possui em sua redação o verbo "poderá". Ocorre que, no presente caso, diante da completa inexistência de argumentos de combate ao teor do despacho decisório proferido, por falha do próprio contribuinte, não houve como a DRJ sequer identificar qual a matéria objeto de defesa, tendo concluído pela desnecessidade de produção de novas provas. Ao assim proceder, entendo que tampouco cerceou o direito de defesa do contribuinte, visto que a realização de diligência para este fim é apenas uma faculdade, a depender da avaliação acerca da sua necessidade. Por fim, no que compete ao item (v), penso que a mera juntada do livro de apuração de IPI, sem que seja feita qualquer conciliação entre a documentação apresentada com os fatos que pretende o contribuinte comprovar, ou mesmo com os fatos indicados no despacho decisório que pretende combater, não surte os efeitos pretendidos pelo recorrente. Da leitura da peça recursal apresentada, verificase que o contribuinte insiste na mesma falha já constante da sua manifestação de inconformidade, limitandose a repisar que teria direito à integralidade do direito creditório alegado, contudo, não tendo se insurgido de forma específica acerca das razões constantes do despacho decisório, em especial no que tange à afirmativa de que já teria utilizado o saldo credor em períodos subsequentes. Ainda que a documentação acostada aos autos fosse apta a comprovar a integralidade do saldo credor alegado pelo contribuinte, é certo que este determinado crédito poderia ter sido utilizado pelo contribuinte posteriormente, o que sequer foi refutado pelo contribuinte nos presentes autos. Nesse contexto, concordo com a fundamentação constante da decisão da DRJ no sentido de que o contribuinte não trouxe aos autos elementos suficientes a se contrapor ao conteúdo do despacho decisório. Até porque, é cediço que o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de ressarcimento e/ou compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de ressarcimento) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 132 7 Sobre o assunto, trazse à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5: "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrálo ou exercêlo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte." Nessa mesma linha de raciocínio, reproduzse a ementa do voto condutor do julgado proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10480.904515/200844: “No caso específico dos pedidos de restituição e compensação de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Da conclusão Diante das razões acima expostas, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.946804/2012-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.284
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 68 04 /2 01 2- 94 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 115 2 A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 57/64) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 45/49), proferida em sessão de 13 de janeiro de 2015, consubstanciada no Acórdão n.º 0365.571, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/12) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/07/2012 (efl. 34), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 33951.42518.290208.1.3.040020, transmitido em 20/02/2008, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 116 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 SIMPLES FEDERAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Simples Federal tem como base para recolhimento a receita bruta mensal, podendo ser deduzidas somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, vedada qualquer outra exclusão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de n.º 33951.42518.290208.1.3.040020, transmitida eletronicamente em 29/02/2008, com base em créditos relativos ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 03/07/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 34), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 7.365,96. Cientificado dessa decisão em 12/07/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 10/08/2012, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 12, acrescida de documentação anexa, alegando, em síntese que: a) a discussão referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins é uma discussão entabulada pelos contribuintes há muitos anos; b) a exclusão da base se cálculo do PIS/Cofins se impunha pois o seu valor não é abrangido pelo conceito de faturamento, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 117 4 sendo o ICMS receita do Erário Estadual; nenhum agente econômico fatura o imposto, mas apenas as mercadorias ou serviços; c) após a decisão prolatada nos autos do Recurso Especial n.º 240.785, a base de cálculo do PIS/Cofins não poderia englobar receita ou faturamento de terceiros, sob pena de desvirtuar a estrutura de arrecadação dos impostos, entendimento que é compartilhado com alguns doutrinadores; d) por força dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, foi realizado o trabalho de recuperação dos valores indevidamente pagos, utilizando os instrumentos legais postos à disposição do contribuinte; e) a aplicação de nova legislação viola os princípios da segurança jurídica e da não surpresa do contribuinte, uma vez que este já estava preparado para realizar a compensação como sempre fez, sendo, portanto, inconstitucional a modificação da regra no meio do jogo; f) o art. 74, § 3.º, inciso IX, da Lei n.º 9.430, de 1996, incluído pela MP 449, de 2008, pode e deve ser questionado perante o Poder Judiciário; g) os pressupostos trazidos pela IN 900/2008 não podem ser de tal ordem a inviabilizar o direito dos beneficiados com o afastamento do instituto da compensação previsto na Constituição Federal. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3377676441 R$ 4.414,50 DB: cód 6106 PA 31/01/2007 R$ 4.414,50 Valor Total R$ 4.414,50 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: No caso em concreto, a opção em ser tributado pelo Simples Federal foi exercida pela contribuinte. O Simples é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 118 5 criado pela Lei n.º 9.317, de 1996, e alterações posteriores, estabelecido em cumprimento ao que determina o art. 179 da Constituição Federal de 1988. É uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta mensalmente auferida. As ME e as EPP inscritas no Simples Federal não poderão gozar de nenhum outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido, além daqueles expressamente previstos na legislação específica, inclusive em relação a substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo, isenção, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 5.º da Lei n.º 9.317/96 estabelece que a apuração do montante mensalmente devido será determinado mediante a aplicação de percentual sobre a receita bruta mensal auferida pela pessoa jurídica, conforme transcrição a seguir. Art. 5.º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais (...) Ainda, nos termos do § 2.º do art. 2.º da Lei n.º 9.317, de 1996, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Portanto, se a previsão legal determinou que o percentual seria aplicado sobre a receita bruta mensal, não cabe a interpretação de que a incidência se daria sobre a receita líquida, considerando a exclusão dos impostos incidentes sobre a receita bruta, tais como: ICMS, PIS, Cofins e ISS. Por fim, os precedentes jurisprudenciais dos citados órgãos de julgamento coletivo, invocados pela interessada, aplicamse ao caso em concreto, não se enquadrando ao caso em exame. Dessa forma, não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a Administração Tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do Código Tributário Nacional. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão proferida pela autoridade administrativa. No recurso voluntário, o contribuinte inova e apresenta argumentos diversos da manifestação de inconformidade. Nesta a discussão dos créditos devese a discussão, levantada pelo contribuinte, referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS. Acerca desta temática a DRJ se manifestou e afastou o alegado crédito por entender que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo, logo não reconhecia o crédito. No recurso, inovando nos debates, o contribuinte agora alega que o tema a ser discutido é uma suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação no valor de R$ 7.365,96, que não foi homologado por inexistir o crédito, enquanto o próprio pedido de reconhecimento do créditos seria num montante menor. Alega que o pedido de compensação Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 119 6 contém erro de fato. Haveria equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2008, mas não poderia cancelar o PER/DCOMP, pois já havia despacho decisório de indeferimento da compensação. Sustenta, outrossim, em inovação, que é uma escola estando sujeita ao ISS e não ao ICMS. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 10/11/2015, terçafeira, efls. 50/51, e protocolo em 09/12/2015, efl. 56), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto as matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade e discutidas no recurso voluntário, quais sejam, as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, sob argumento de que o pedido de compensação contém erro de fato, havendo equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2008, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS. Vejase, o suposto erro no preenchimento do pedido de compensação não foi relatado na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. Por outro lado, não compete a segunda instância administrativa o procedimento de cancelamento ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, ainda que a destempo, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Eventual erro de fato, neste momento e após despacho decisório, deve ser, inicialmente, objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 120 7 A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 121 8 Logo, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Na manifestação de inconformidade o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 122 9 maior), porém não lhe assiste razão, até porque no recurso voluntário o contribuinte diz que sequer é contribuinte do ICMS, sendo contribuinte do ISS. Além disto, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS (ou do ISS) da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS, no entanto o debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 123 10 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 123DF CARF MF
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