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Numero do processo: 10830.001350/2004-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 01/11/2000
MOTIVAÇÃO DA EXCLUSÃO. PROVA DA CIÊNCIA.
Documento de controle interno de postagens não tem força probatória para confirmar a entrega de intimação por via postal exigida pelo inciso II do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 1002-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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Recorrente MINI MERCADO KALUPRI LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/11/2000 MOTIVAÇÃO DA EXCLUSÃO. PROVA DA CIÊNCIA. Documento de controle interno de postagens não tem força probatória para confirmar a entrega de intimação por via postal exigida pelo inciso II do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 13 50 /2 00 4- 14 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10830.001350/200414 Acórdão n.º 1002000.254 S1C0T2 Fl. 230 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 219 a 223) interposto contra o Acórdão n.º 1432.892, proferido pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (efls. 211 a 213), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente. A referida decisão contém a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES NACIONALEXCLUSÃO.DÉBITO JUNTO A PGFN. A comprovação da quitação dos débitos junto a PGFN põe fim à causa da exclusão da empresa no Sistema Integrado de pagamento de Impostos e Contribuições (SIMPLES) e torna licito o restabelecimento de sua condição de optante, a partir do primeiro dia do ano seguinte a regularização. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Sem Crédito em Litígio • Acórdão Acordam os membros da la Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PROCEDENTE EM PARTE. Uma vez que reflete com bastante clareza os fatos, transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/RPO: [...] A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Campinas foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 01/11/2000, ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, de 05/12/1996 e alterações posteriores, por pendências com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Insurgindose contra a referida exclusão, a impugnante apresentou Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples (SRS) junto àquela Delegacia que se manifestou pela improcedência do citado pleito. Inconformada, a contribuinte, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que só ficou sabendo da exclusão através de consulta da situação fiscal da empresa em 12/03/2004, quando precisou de uma Certidão Negativa de Débito A exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional deuse através do Ato Declaratório Executivo )ADE n°407659 de 29/9/2000 , por existência de débitos com exigibilidade não suspensa (fls. 43), cuja ciência ocorreu em 01/12/2000, constatada através do sistema de vedações e exclusões do Simples — SI VEX (Fls..35). Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10830.001350/200414 Acórdão n.º 1002000.254 S1C0T2 Fl. 231 3 Somente em janeiro de 2009, foi expedido o Despacho Decisório de fls. 52/53, esclarecendo a interessada que a divida que deu origem a exclusão foi objeto de parcelamento e extinção por pagamento no ano de 2006. A contribuinte, após, tomar ciência do Despacho Decisório citado, ingressou com a Manifestação de Inconformidade onde alega que não sabia da existência de débitos inscritos e que não foi notificado da sua exclusão do Simples, fato comprovado pela não localização do AR. Alega ainda, cerceamento do direito de defesa por desconhecer o fato. Ao final, pede que seja revisto o Ato de exclusão. Em sede de recurso voluntário, pede a nulidade do Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão do SIMPLES a partir de 01/11/2000 por falta de cientificação deste ato ao contribuinte, na oportunidade, o que no seu entender configurou cerceamento de defesa. Sugere também o risco de haver bitributação, considerandose a destinação de parcelas dos pagamentos de tributos efetuados regularmente na sistemática do SIMPLES. Ao final, pede que seja declarada a improcedência da decisão recorrida e o reconhecimento de seu enquadramento no SIMPLES no período de 01/11/2000 a 31/12/2006. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. O Recorrente discorda da validade da sua exclusão do SIMPLES que produz efeitos a partir de 01/11/2000. De início digase que o recorrente não contesta a legitimidade do débito que motivou o enquadramento na vedação à opção pelo SIMPLES de que trata o inciso XV do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96. A respeito desse enquadramento, no interesse da melhor análise da forma e requisitos exigidos para que seja declarada a exclusão de ofício do SIMPLES, cabe observar os dispositivos da citada Lei, transcritos abaixo, vigentes à época dos fatos contestados: Lei n.º 9.317/96: (...) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10830.001350/200414 Acórdão n.º 1002000.254 S1C0T2 Fl. 232 4 (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; b) ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. b) ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. § 2° A microempresa que ultrapassar, no anocalendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), estará excluída do SIMPLES nessa condição, podendo mediante alteração cadastral, inscreverse na condição de empresa de pequeno porte. (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10830.001350/200414 Acórdão n.º 1002000.254 S1C0T2 Fl. 233 5 II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9º; (...) § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Logo, a orientação legal é para que seja providenciada a exclusão de ofício quando se materializar alguma das situações descritas no art. 9.º e não houver comunicação do fato pelo contribuinte à SRF (hoje, RFB), com efeitos a partir do mês seguinte à exclusão no caso dos autos. A argumentação essencial do recorrente é de que não foi cientificado da exclusão no ano 2000, da qual só tomou conhecimento em 2004 ao pretender obter uma certidão negativa de débitos. Alega lesão ao princípio do contraditório e ampla defesa e pede que seja declarada a improcedência da decisão de 1.º instância, por nulidade do Ato Declaratório Executivo correspondente à sua exclusão e, consequentemente, reconhecimento do seu enquadramento no SIMPLES. O pedido referese ao período de 01/11/2000 a 31/12/2006. Assinala ainda que efetuou, em 2006, o pagamento dos débitos associados à hipótese do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96 motivadores de sua exclusão. Compulsando os autos, percebese que a solução do litígio depende fundamentalmente de se considerar ou não regularmente cientificado o contribuinte acerca de sua exclusão do SIMPLES. Para a melhor análise, deve ser levado em consideração o art. 23, II, do Decreto n.º 70.235/72, reproduzido abaixo: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (grifei). Em vários momentos, conforme indicam documentos acostados aos autos, foi implementada a busca do aviso de recebimento referente à intimação que informa sobre a exclusão do SIMPLES (docs. de efls. 39, 44, 51 e 52), e a certeza que registra o poder público limitase a declarar a não localização nem do AR, nem do ADE respectivo — doc. de efl. 53. O acórdão recorrido posicionouse pela suficiência do que indica o documento de efl. 39 quanto a provar a entrega da intimação que cientificou da exclusão do SIMPLES, e acrescenta que em razão da apresentação da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), de fl. 01, em março de 2004, o contribuinte confirma que tomou ciência da exclusão. Conclui, então, que não houve violação do direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10830.001350/200414 Acórdão n.º 1002000.254 S1C0T2 Fl. 234 6 Não posso concordar com as razões da Turma recorrida. A questão passa por atribuir ou não força probatória a um documento produzido unilateralmente e que não se reveste da condição de ato administrativo. Não há presunção de legitimidade a ser cogitada. O documento de efl. 39 é tão somente uma extração de dados de sistema de controle interno das postagens da SRF, SUCOP, que dentre outras informações aponta ter havido a entrega da correspondência adstrita ao SIVEX (Sistema de Vedações e Exclusões) em 01/12/2000. É evidente que o propósito do inciso II do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72, quando se refere a prova do recebimento da intimação por via postal, não está a admitir que essa prova possa se resumir a uma mera informação eletrônica de um sistema de controle interno do órgão fiscalizador, cuja inserção digital submetese a toda sorte de dúvidas acerca da imparcialidade, precisão, fidelidade etc. Repitase que não se está diante de um ato administrativo. A prova efetiva da entrega da intimação contendo o ADE de exclusão do SIMPLES se faria incontestável através do AR, com assinatura do recebedor. É verdade que não há esse caráter de exclusividade probatória do AR, pois não existe impedimento para que seja a ciência provada por outras formas, como por exemplo a confirmação por escrito do intimado, a apresentação tempestiva de recurso administrativo que demonstre integral conhecimento do teor do ADE ou de outro ato que se deseje comunicar etc. No entanto, penso que não é possível atribuir a necessária força probatória ao documento mencionado no acórdão recorrido, a fim de suprir a ausência do AR, nem aceitar as razões pelas quais ali se entendeu que a SRS e a manifestação de inconformidade, apresentadas respectivamente em março de 2004 e abril de 2009, demonstram que o contribuinte lá atrás, em 2000, teve ciência do teor do ADE relativo a sua exclusão do SIMPLES. Já é um indício a favor da falta de ciência o fato de o contribuinte informar na SRS que só se inteirou a respeito da exclusão ao tentar emitir uma Certidão Negativa de Débitos, e não constar da dita SRS qualquer argumento ligado à circunstância de haver débito inscrito em dívida ativa. Somente em abril de 2009, no corpo da sua manifestação de inconformidade, demonstra o recorrente ter conhecimento do que fundamentou a sua exclusão do SIMPLES, provavelmente por conta de a matéria ter sido levantada nas razões de decidir do despacho decisório de efl. 57. Acrescente se que, ainda que se pudesse envolver aqui a aplicação do princípio da instrumentalidade das formas, admitindose que ao mostrar conhecer o teor do ato de exclusão na peça de defesa de abril de 2009 (manifestação de inconformidade) a ciência do contribuinte restaria materializada, não é de se supor que esta ciência confirmada somente em 2009 possa ser lida como reiteração da ciência em 11/2000, ou como convalidação dos dados constantes do documento SRF/SUCOP, efl. 39, ou ainda como substituição do AR específico ausente nos autos. Como não considerar ter havido prejuízo na falta de ciência no momento oportuno, se, com o transcorrer dos vários anos frustraramse ao tempo devido diversas linhas de defesa tempestivas, sob diversas modalidades? Ademais, poderia o recorrente terse valido de mecanismos para suspender a exclusão enquanto discutia o seu mérito, incluindo mandado de segurança, ou poderia, em face de sua situação financeira naquele momento, liquidar a dívida imediatamente ao saber da existência dos débitos. Ou seja, houve prejuízo claro para o exercício da ampla defesa ao se oportunizar especificamente o motivo da exclusão para o contribuinte somente após transcorridos 9 anos, com a ciência do despacho decisório que enfrentou a SRS. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10830.001350/200414 Acórdão n.º 1002000.254 S1C0T2 Fl. 235 7 Embora não presente nas contestações do recurso voluntário, é relevante perceber que o próprio ADE no qual se identificariam as circunstâncias da exclusão e a motivação não foi encontrado. Em nenhum momento aparece nos autos, e, seria o caso pensar em solicitar diligência com o escopo de buscálo, não tivesse sido já realizada essa busca no âmbito administrativo — infrutífera —, conforme indicam os documentos de efls. 51 a 53. Conclusão. Por tudo acima, cumpre reconhecer razão aos argumentos do recurso voluntário, concluindo que um documento de controle interno de postagens não tem força probatória para confirmar a entrega de intimação por via postal de que trata o art. 23, II, do Decreto n.º 70.235/72. Portanto, VOTO pelo PROVIMENTO do recurso voluntário, no sentido de restabelecer o enquadramento do recorrente no SIMPLES no período 01/11/2000 a 31/12/2006. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720959/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 59 /2 01 1- 83 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 16327.720959/201183 Acórdão n.º 3201003.991 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando o seguinte: a) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores, interrompendose a atividade econômica exercida até então pelo falido, que só poderá ser exercida em casos excepcionais, com as operações sendo lançadas em livros especiais; b) a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa, sendo a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos, mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, personalizála; c) por não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias; d) as atividades próprias da Administração da Massa Falida são a arrecadação e a realização dos ativos. bem como o pagamento aos credores, não produzindo nenhuma disponibilidade patrimonial, pois é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva; e) não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial, sendo inconsistente a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social; f) diferentemente das empresas em atividade, a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor; g) extraordinariamente, pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, sendo apenas nos casos anormais que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nessas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos em que vier a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico; h) a não ser que seja dado continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; i) com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado; Fl. 42DF CARF MF Processo nº 16327.720959/201183 Acórdão n.º 3201003.991 S3C2T1 Fl. 4 3 j) a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial, sendo absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial; k) seria uma ofensa ao artigo 153, III, da Constituição Federal se a execução dos bens do devedor fosse considerada como fato gerador de impostos; l) a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido, sendo sua realização revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor; m) à luz do artigo 60 da Lei nº 9.430/1996, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 038.318, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) a apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente; 2) as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa e arguindo que a decisão recorrida era equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99 e que não tinha aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 16327.720959/201183 Acórdão n.º 3201003.991 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.988, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 16327.720956/201140, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.988): Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 16327.720959/201183 Acórdão n.º 3201003.991 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 16327.720959/201183 Acórdão n.º 3201003.991 S3C2T1 Fl. 7 6 O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.720959/201183 Acórdão n.º 3201003.991 S3C2T1 Fl. 8 7 "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 10708.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 10708.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.720959/201183 Acórdão n.º 3201003.991 S3C2T1 Fl. 9 8 Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/200739; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900657/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 57 /2 00 9- 11 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.900657/200911 Acórdão n.º 1401002.536 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0121.937 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de CSLL não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 05/12/2008, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 03/2005. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de CSLL Código de Receita: 2484, relativo ao período de apuração de 03/2005; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes verificou que recolheu valor superior ao efetivamente devido.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.900657/200911 Acórdão n.º 1401002.536 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de 03/2005, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.900657/200911 Acórdão n.º 1401002.536 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 37048.331600/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSENCIA DE IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO
De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Sendo assim, não tendo sida apresentada a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. PRESTADORA DE SERVIÇO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando todos relatórios foram entregues à prestadora de serviços, nos quais consta a indicação clara de onde os valores foram extraídos bem como os dispositivos legais que ampararam o lançamento
Numero da decisão: 2202-004.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da primeira votação. A relatora mudou seu encaminhamento de voto,não mais propondo o conhecimento de ofício da decadência.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSENCIA DE IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Sendo assim, não tendo sida apresentada a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. PRESTADORA DE SERVIÇO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando todos relatórios foram entregues à prestadora de serviços, nos quais consta a indicação clara de onde os valores foram extraídos bem como os dispositivos legais que ampararam o lançamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da primeira votação. A relatora mudou seu encaminhamento de voto,não mais propondo o conhecimento de ofício da decadência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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AUSENCIA DE IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Sendo assim, não tendo sida apresentada a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. PRESTADORA DE SERVIÇO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando todos relatórios foram entregues à prestadora de serviços, nos quais consta a indicação clara de onde os valores foram extraídos bem como os dispositivos legais que ampararam o lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da primeira votação. A relatora mudou seu encaminhamento de voto,não mais propondo o conhecimento de ofício da decadência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 04 8. 33 16 00 /2 00 6- 84 Fl. 356DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Trata o presente processo de crédito tributário de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, parte devida pelos segurados (que não teria sido objeto de retenção por parte da empresa) e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, GILRAT. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em comento fora lavrada em substituição à NFLD n° 35.007.3546, cientificada ao sujeito passivo em 01/12/1999, e anulada pela 4° Câmara de Julgamento através do Acórdão n° 724/2005 Oficio n° 10/4° CAJ/CRPS, de 04/04/2006 em face da omissão no relatório de Fundamentos Legais do Débito do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, como também pelo fato de a NFLD ter arrolado, de forma englobada, os 169 prestadores de serviço restando violados os direitos constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa do Contribuinte. A referida NFLD foi lavrada para apurar e cobrar os créditos decorrentes do instituto da responsabilidade solidária, sendo excluídas as contribuições devidas a Terceiros em cumprimento ao Parecer/CJ n° 1.710 de 05/04/99, aprovado pelo Ministro da Previdência e Assistência e Social em 07/04/99. De acordo com o Relatório Fiscal, o fato gerador diz respeito às contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados da empresa MONTANA LDTA (CNPJ n° 33.082.082/000110), aferidas com base nas notas fiscais, faturas e recibos de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, pelas quais a contratante responde solidariamente, conforme previsto no art. 31, da Lei n° 8.212/91, com as alterações do art. 2° da Lei n° 9.032/95 e art. 4° da Lei n° 9.129/95. O Salário de Contribuição foi apurado mediante aplicação do percentual de 40% (quarenta por cento), conforme determinado pela Ordem de Serviço INSS/DAF nº 176/1997. Os valores dos documentos relacionados no Relatório de Lançamentos RL foram identificados nas Notas Fiscais (NF) e nos lançamentos contábeis (livro Razão e Diário) apresentados na fiscalização anterior. Constam no mesmo RL o número da NF, seu valor, data de pagamento da fatura, percentual de apuração do salário de contribuição e número do contrato de prestação de serviços. A CSN, embora regularmente notificada por Aviso de Recebimento AR (fls.31 ), não apresentou impugnação. A empresa prestadora de serviços MONTANA LTDA, foi cientificada do lançamento em 03/03/2009, AR de fls.39 endereçado ao Sócio Fernando Catarino Henriques Fl. 357DF CARF MF Processo nº 37048.331600/200684 Acórdão n.º 2202004.373 S2C2T2 Fl. 357 3 Fernandes, manifestou (fls.52/57) após o recebimento do termo de revelia (fls. 49) alegando, em síntese: a) Preliminarmente a.1) O poder de fiscalizar extraído da leitura dos artigos 194 e 195 do Código Tributário Nacional (CTN), não exime a autoridade fiscal de submeter a sua atividade aos princípios informadores e reguladores do procedimento fiscalizatório, constituídos das fases propulsória, instrutória, dispositiva e de comunicação; a.2) que não foi previamente notificada quanto à fiscalização (fase propulsória). Tomou conhecimento da NFLD de forma perfunctória, através de exfuncionário em sua residência, ratificando a ilegitimidade do procedimento e o prejuízo de defesa; b) Mérito b.1) A empresa não foi previamente notificada quanto à ação fiscal e não teve oportunidade de apresentar a documentação pertinente, e somente teve conhecimento do conteúdo da ação fiscal quando do recebimento da NFLD, no prazo de defesa; b.2) Esclarece que em razão da sua incorporação está desativada e seus arquivos são terceirizados, encontrando dificuldade para apuração dos documentos. Manifesta se pela juntada dos documentos comprobatórios de sua adimplência em relação aos recolhimentos previdenciários (maio de 1998); b.3) Manteve os funcionários próprios contratados para a prestação de serviços de empreitada e sub empreitada, tendo a responsabilidade pela quitação dos consectários legais (salários e outras verbas). Tinha também a responsabilidade pelo pagamento dos encargos incidentes sobre a folha de pagamento. Cabe neste ponto a elisão da responsabilidade solidária; b.4) Junta cópias da GRPS e da folha de pagamento. Requer seja deferido o pedido preliminar de cancelamento' da NFLD; b.5 Pelo princípio da busca da verdade requer renovação do prazo para manifestação de defesa, vez que evidente o prejuízo quanto ao amplo direito de defesa e contraditório suportado pela impugnante. C. Apresenta nova impugnação (fls. 138/143) alegando que: c.1). A aplicação da REVELIA nas relações processuais surgiu como fonna de penalizar a omissão, porém sua aplicação jamais deverá sobrepuj ar o fato concreto; c.2). Cumpre esclarecer que a impugnante jamais foi intimada legalmente a apresentar defesa do procedimento fiscalizatório que deu origem a NFLD, fato que corrobora para a insubsistência da alegada revelia (Intimação n° 312/2007); c.3). A empresa MONTANA LTDA não consta no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tampouco no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), passando somente a constar na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD); Fl. 358DF CARF MF 4 c.4). Apresenta documentação pertinente ao procedimento fiscalizatório que culminou com a indigitada NFLD (a mesma anexada à primeira defesa); c.5) Requer o cancelamento da NFLD por perda de seu objeto, estando extinto o crédito tributário nos tennos do artigo 156 inciso I do Código Tributário Nacional (CTN); c.6) Requer ainda o cancelamento da revelia aplicada e protesta pela juntada de novos documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 204): ASSUNTO: CONTR1BU1ÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998 Responsabilidade solidária Construção civil. A empresa tomadora de serviços na construção civil responde solidariamente com a contratada, pelo cumprimento das obrigações decorrentes de Lei. Sigilo fiscal Ocorrência É vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício. . A manifestação da prestadora somente se dará após o encerramento da fiscalização e sua devida cientificação. Cerceamento de defesa Inocorrência. Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, nos quais consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. Pedido de produção de provas Indeferimento. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação.. A Companhia Siderúrgica Nacional e a empresa Montana S/A foram cientificadas das decisões conforme se verifica pelos AR´s contantes às fls. 215 (17/12/2008) e 216 (19/12/2008). A intimação nº 015/2009 de 27/01/2009 (fls. 217) atesta a ocorrência de trânsito em julgado referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.048.3316 em relação à Companhia Siderúrgica Nacional CSN. Da mesma forma, a intimação nº 016/2009 de 27/01/2009 (fls. 219) atesta a ocorrência de trânsito em julgado referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.048.3316 em relação à empresa Montana Ltda; Todavia, a Companhia Siderúrgica Nacional apresentou o recurso voluntário de fls. 236/256, no qual alega, resumidamente, o seguinte: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 37048.331600/200684 Acórdão n.º 2202004.373 S2C2T2 Fl. 358 5 a) Preliminarmente: a.1) Tempestividade do recurso, tendo em vista que a intimação do Acórdão recorrido que julgou procedente o lançamento, se deu no dia 17/12/2008 quartafeira, findando se, assim, no dia 16/01/2009 (sextafeira) data em que foi postado pelo correio (SEDEX fls. 323); b) Decadência dos fatos geradores ocorridos na competência 05/1998, uma vez que lavratura da presente NFLD se deu no dia 14.12.06 e que, diferentemente no alegado na decisão recorrida, não se aplica o artigo 173, II, do CTN, uma vez que o lançamento não foi anulado por vício formal; b) Quanto ao mérito, alega que: b.1) a responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na sua redação originária, deve ser observada no momento da exigibilidade do crédito previdenciário e não na sua constituição, sendo obrigatória a averiguação, por parte da fiscalização, da efetiva inadimplência da prestadora de serviços antes de efetuar qualquer lançamento contra a tomadora; b.2) que a mera constatação de que a empresa prestadora de serviço não sofreu fiscalização à época em que prestou serviços à Recorrente, não tendo sido intimada a apresentar qualquer tipo de documento à Recorrida, não é suficiente para que se realize o lançamento em nome da tomadora de serviço. Isso porque, o fato da prestadora de serviços não ter sido fiscalizada pelo INSS não pode conduzir à conclusão de que ela é inadimplente; b.3) em momento algum foi efetuada a análise da escrituração contábil da empresa prestadora para verificar sua inadimplência limitandose a utilizar os valores contidos nas ntoas fiscais emitidas pela prestadora como base para aferição indireta; b.4) o débito foi constituído mediante presunção do não pagamento do devedor principal o que conflitaria com a norma que prevê a responsabilidade solidária. b.5) que a Recorrente não pretende negar a existência de responsabilidade solidária entre a tomadora e a prestadora de serviços relativamente às contribuições previdenciárias, tampouco alegar a existência de benefício de ordem. O que se pretende é esclarecer que a Recorrente não pode ser responsabilizada, ainda que solidariamente, por um débito cuja existência sequer foi constatada. A empresa MONTANA LTDA, notificada por meio do AR de fls. 215 em 19/12/2008 (sextafeira), apresentou em 19/01/2009 o recurso voluntário de fls. 324/328, no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) o lançamento é nulo pois, na qualidade de responsável solidária e não subsidiária, deveria ter o direito de participar de todo o procedimento fiscalizatório; b) que o ex sócio não possui legitimidade para receber citações e notificações em nome da empresa; Fl. 360DF CARF MF 6 c) que deve ser admitida a juntada de novos documentos, nos termos previstos no §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que não participou do procedimento de fiscalização. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Diante dos fatos narrados no relatório, analisaremos, separadamente, os recursos voluntários apresentados pela tomadora de serviço CSN e pela prestadora Montana Ltda. 1)RECURSO APRESENTADO PELA COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN 1.1) PRELIMINARES 1.1.1) DA TEMPESTIVIDADE Diante do teor da intimação nº 015/2009 de 27/01/2009 (fls. 217) (que alega atesta a ocorrência de trânsito em julgado referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.048.3316 ) é fundamental a análise detida da tempestividade do recurso interposto pela Companhia Siderurgica Nacional CSN. Conforme alegado pela Recorrente, entendo que o recurso é tempestivo. Isso porque a Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância pelo AR del fls. 215 datado de 17/12/2008 (quartafeira). Dessa forma, o prazo de 30 dias para interposição de recurso voluntário findaria em 16/01/2009 (sextafeira). Conforme se verifica pelo documento de fls. 323, em 16/01/2009 a empresa postou, via SEDEX, o presente recurso voluntário. Nesses termos, não há que se falar em intempestividade. 1.1.2) DA POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE RECURSO POR PARTE DA TOMADORA. Antes de analisarmos a preliminar de decadência pela Recorrente, é importante verificar a admissibilidade ou não do recurso por ela interposto. Isso porque, conforme descrito no relatório da presente decisão, não foi apresentada a impugnação por parte da tomadora de serviço, ora Recorrente. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Sendo assim, não tendo apresentado a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação à Recorrente. Todavia, a situação dos autos possui peculiaridades que merecem ser analisadas com cuidado. Isso porque, embora a empresa Recorrente (tomadora de serviços) não tenha apresentado impugnação, a devedora solidária (prestadora de serviço) apresentou. Sendo assim, há que se questionar se a impugnação apresentada pela devedora solidária teria o condão de instaurar a fase litigiosa em relação aos demais devedores solidários. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 37048.331600/200684 Acórdão n.º 2202004.373 S2C2T2 Fl. 359 7 A resposta, ao meu ver, está no vínculo estabelecido entre os devedores solidários que poderá ser distinto conforme a norma que dispõe sobre a solidariedade. Isso porque existem hipóteses em que a norma de solidariedade estabelece um listiconsório simples e, em outras, unitário. Haverá litisconsórcio simples quando a decisão, embora proferida no mesmo processo, puder ser diferente para cada um dos litisconsortes e unitário quando a decisão tiver que ser uniforme para todos os interessados. É o que dispõe o artigo 116 do CPC/2015: Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. A identificação da natureza do litisconsórcio estabelecido no presente processo (se simples ou unitário) é fundamental para verificarmos se é possível ou não ao Recorrente aproveitarse da Impugnação oposta pela devedora solidária. Isso porque, de acordo com o artigo 117 do CPC/2015: Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar. (grifamos) No mesmo sentido, o parágrafo único do artigo 509 do CPC/73, reproduzido no 1005 do CPC/2015, determina que: Art. 1.005. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns. (grifamos) A solidariedade discutida nesses autos vinha prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91 que, em sua redação original, dispunha o seguinte: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados , exceto quanto ao disposto no art. 23. Com o advento das Leis 9.032, de 28 de abril de 1995 e 9.129, de 20 de novembro de 1995, o referido artigo passou a vigora as seguintes alterações: Art. 31 (...) § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as a atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, Fl. 362DF CARF MF 8 manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor , quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. . (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95)" (grifamos) Verificase, assim, que a situação que está no antecedente da norma de responsabilidade solidária é o seguinte: Antecedente Consequente Critério Material: Deixar de exigir do executor dos serviços cópia autenticada da guia de recolhimento e respectiva folha de pagamento; Critério Temporal: data da quitação da nota fiscal ou fatura; Critério Espacial: Território Nacional Critério Pessoal: Sujeito Ativo: União Federal. Sujeito Passivo: tomadores de serviço; Critério Quantitativo: contribuições não recolhidas pelos prestadores de serviço. Por sua vez, a norma de incidência relativa à prestadora de serviços é a seguinte: Antecedente Consequente Critério material: pagar salário Critério Temporal: no final de cada mês Critério Espacial: Território Nacional Critério Pessoal: Sujeito Ativo: União Federal. Sujeito Passivo: prestadores de serviço; Critério Quantitativo: Base de cálculo: folha de salário, Alíquota X. Dessa forma, não há que se falar em litisconsórcio unitário, uma vez que os antecedentes das normas são distintos. Com efeito, caso o devedor solidário tenha cumprido a obrigação acessória de exigir a guia de recolhimento e folha de salário, ainda que elas sejam falsas e, portanto, não correspondam a um recolhimento efetivo, não haverá a incidência da norma de responsabilidade solidária. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 37048.331600/200684 Acórdão n.º 2202004.373 S2C2T2 Fl. 360 9 De acordo com o artigo 116 do CPC/2016 "o litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes". Conforme demonstrado, é possível que se mantenha a obrigação da prestadora quanto ao pagamento das contribuições e não permaneça a obrigação solidária da tomadora. Para tanto, basta que esta última tenha se desimcumbido da obrigação de exigir do prestador as guias de recolhimento e a folha de salário. Em face de todo o exposto, não conheço do recurso voluntário, uma vez que, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72 não foi devidamente instaurado o contencioso administrativo, em face da ausência de impugnação por parte do Recorrente. Diante do não conhecimento do recurso fica prejudicada a análise da preliminar de decadência, bem como das demais questões de mérito suscitadas. 2) DO RECURSO APRESENTADO PELA EMPRESA MONTANA LTDA O recurso apresentado pela empresa MONTANA LTDA é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 2.1) DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DA EMPRESA NO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. Alega a Recorrente que o lançamento é nulo pois, na qualidade de responsável solidária e não subsidiária, deveria ter o direito de participar de todo o procedimento fiscalizatório. Conforme restará demonstrado, a decisão recorrida não deixou de reconhecer a natureza solidária do vínculo entre a prestadora de serviço e a empresa originalmente fiscalizada. Na solidariedade passiva (como é o caso dos autos) o credor tem a faculdade de exigir o montante total da dívida de um dos devedores solidários ou de ambos. No caso em questão, a fiscalização, originalmente, optou por exigir o total das contribuições da tomadora de serviço. No entanto, tendo em vista que a quitação eventualmente efetuada pela prestadora de serviço acabaria por aproveitar o tomador (art. 125, I do CTN), a prestadora foi incluída no pólo passivo do lançamento. Correta, portanto, a decisão recorrida quando afirma que: 9. Quanto à alegação de que a prestadora de serviços MONTANA não foi previamente notificada, cabe esclarecer que se trata de lançamento por responsabilidade solidária, cuja fundamentação legal já foi devidamente esclarecida neste Acórdão. Por não ter sido a empresa contratada fiscalizada, não lhe foram enviados documentos, tais como Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, Tenno de Encerramento da Ação Fiscal TEAF e Relação de outras NFLD lavradas, uma vez que são estes exclusivos da empresa fiscalizada, que tem direito ao sigilo fiscal. 10. Ressaltese que o artigo 198 do Código Tributário Nacional (CTN) veda a divulgação, para qualquer fim, da situação econômica e financeira dos contribuintes, bem como sobre a natureza ou estado de seus negócios ou atividades, não podendo, portanto, a fiscalização fornecer informações à contratada a respeito da ação fiscal na contratante. Fl. 364DF CARF MF 10 11. A MONTANA recebeu, apenas, os elementos referentes à responsabilidade solidária, a fim de lhe propiciar a perfeita compreensão do lançarnento e não ferir direitos da contratante, tendo sido assegurado à executora dos serviços 0 prazo de defesa, previsto no artigo 37, § 1°, da Lei 8.212/1991. Não foi, assim, cerceada a defesa da impugnante ou desrespeitado o devido processo legal. Pelo contrário, a Administração agiu de acordo com os ditames legais, em especial o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Ambas, contratante e contratada, respondem solidariamente pelas obrigações aqui discutidas e, portanto, são sujeitos passivos do tributo. 2.2) DA ILEGITIMIDADE DO EXSÓCIO RECEBER NOTIFICAÇÕES Alega a Recorrente que o ex sócio não possui legitimidade para receber citações e notificações em nome da empresa; Nesse ponto, cumpre ressaltar que a referida alegação, mesmo que supostamente procedente, careceria de utilidade prática, uma vez que a Recorrente apresentou tempestivamente a Impugnação. Ademais, como bem observou a decisão recorrida: 12. Equivocase a impugnante ao argüir o cancelamento do lançamento, ante a alegação de que tomou conhecimento da NFLD através de exfuncionário; 12.1. Vejase que, o artigo 662, inciso II, §§ 3°, 4” e 8°, da IN/SRP n° 003/2005, vigente à época do lançamento, dispõe sobre a cientificação do sujeito passivo: Art. 662. O sujeito passivo será cientiƒicado da NFLD e do AI da seguinte forma: (...) II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (grifei) (...) §3 Na hipótese do inciso II do caput, o encaminhamento dos documentos deverá ser efetuado, preferencialmente, em até três dias após a lavratura da NFLD ou do AI, considerando se cientificado o sujeito passivo na data do efetivo recebimento ou, se omitida a mencionada data do recebimento, quinze dias após a data da expedição da intimação. §4 Os meios de intimação previstos nos incisos I e II do caput não estão sujeitos a ordem de preferência. (...) §8 O sujeito passivo é obrigado a manter atualizado o endereço perante o respectivo órgão previdenciário, sob pena de serem tidas como eficazes as notificações encaminhadas ao endereço anterior. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 37048.331600/200684 Acórdão n.º 2202004.373 S2C2T2 Fl. 361 11 12.2. Cabe ressaltar que, a pessoa fisica consignada no Relatório Consulta Externo por CNPJ (fls. 32/33), era sócio administrador da MONTANA, que exerceu a administração da empresa no período da notificação; 12.3. A apresentação da defesa tempestiva demonstra que foi correto o encaminhamento e o entendimento da notificação. Assim sendo, a fiscalização apenas atendeu ao comando do referido ato nonnativo, identificando, no relatório pertinente, o sócio da empresa e seu respectivo periodo de atuação. 13. Quanto à REVELIA temse que a mesma foi tomada sem efeito através da Comunicação 025/2008 (fls. 150), recebida pela MONTANA LTDA em 04/04/2008 através de Aviso de Recebimento AR (fls. 156). , 2.3) DA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS EM FASE RECURSAL Por fim, alega a Recorrente que que deve ser admitida a juntada de novos documentos, nos termos previstos no §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que não participou do procedimento de fiscalização. Este conselho tem flexibilizado a preclusão prevista no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em razão do princípio da verdade material. Todavia, embora requeira a juntada de novos documentos em suas razões recursais, a Recorrente não provome a juntada de qualquer documento. Sendo assim, resta prejudicado o referido pedido. 2) CONCLUSÃO Em face do exposto: a) não conheço do recurso voluntário apresentado pela Companhia Siderúrgica Nacional em virtude de ausência de impugnação por parte da empresa. b) conheço do recurso voluntário apresentado Montana Ltda e nego provimento. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 366DF CARF MF 12 Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910487/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 04 87 /2 01 0- 62 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.910487/201062 Acórdão n.º 1401002.438 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: Com vistas a evitar a decadência de seu crédito, apresentou, em 19/05/2005, pedido de restituição, para que não perdesse o direito a sua utilização e durante o prazo de cinco anos a Fazenda Pública não se manifestou a respeito do pedido de restituição, ocorrendo, desta forma, a sua homologação em 19/05/2010. Na data de 24/04/2001, recolheu indevidamente valores a título de CSLL relativos ao anocalendário de 1997. Neste contexto, em 2007, enviou DCOMP (retificada posteriormente), utilizando o crédito de CSLL, para quitar débitos. Ao final requereu a reforma do despacho decisório recorrido para que seja julgada a manifestação de inconformidade procedente, declarando a insubsistência da cobrança do débito constante na Declaração de Compensação não homologada. Após reconhecida a inexistência de decadência em relação ao pedido de restituição protocolado pelo contribuinte, quanto ao mérito, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, considerando as quantias recolhidas a título de tributo administrados Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.910487/201062 Acórdão n.º 1401002.438 S1C4T1 Fl. 4 3 pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de fevereiro/1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.910487/201062 Acórdão n.º 1401002.438 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10680.910487/201062 Acórdão n.º 1401002.438 S1C4T1 Fl. 6 5 CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006907/2010-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2011
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS.
Dada a vinculação da autoridade tributária à lei e não tendo sido apresentada prova capaz de demonstrar que não havia débito junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade suspensa, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2011.
Numero da decisão: 1002-000.312
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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EXCLUSÃO. DÉBITOS. Dada a vinculação da autoridade tributária à lei e não tendo sido apresentada prova capaz de demonstrar que não havia débito junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade suspensa, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 69 07 /2 01 0- 44 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10768.006907/201044 Acórdão n.º 1002000.312 S1C0T2 Fl. 54 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ (DRJ/RJO) mediante o Acórdão n.º 1235.218, de 18/01/2011 (efls. 38 a 41). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Através do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/RJO n° 432415/2010 (fl. 29), o interessado foi excluído do Simples Nacional, “em virtude de possuir os débitos deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa, relacionados abaixo, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3°, combinada com o inciso I do art. 5°, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007”(grifei), produzindo efeitos a partir de 01/01/2011. O interessado, cientificado em 23/09/2010 (fls. 31/32), apresentou, em 14/10/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 1/3. Na referida peça alega, em síntese, que requereu judicialmente ordem para compensar recolhimentos indevidos do FINSOCIAL e do PIS. Encerra solicitando a homologação das compensações efetuadas. Nesta Turma, foi juntada a consulta de fl. 34. [...] Inconformado com a decisão da DRJ/RJO, o contribuinte apresenta recurso voluntário com as seguintes alegações e argumentos, de forma resumida: 1 Havia recolhido a maior os tributos FINSOCIAL e PIS em razão da inconstitucionalidade da majoração destes, de modo que passou a ser credora dos valores recolhidos a maior; 2 O Tribunal Regional Federal da 2.ª Região autorizou a compensação dos créditos de PIS com débitos de mesma natureza; 3 Solicitou a compensação do PIS nos termos da sentença que afirma já transitada em julgado, porém foi negada a homologação e ainda foi o recorrente excluído do Simples; 4 Houve desrespeito a decisão judicial; Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10768.006907/201044 Acórdão n.º 1002000.312 S1C0T2 Fl. 55 3 5 A IN 517 e a 600/2005 não podem se opor à Lei n.º 8.383/91, que regulou o art. 170 do CTN, e a Lei n.º 9.430/96, pois que são atos administrativos, hierarquicamente inferiores às leis ordinárias. Ao final pede que seja reformada a decisão de primeiro grau, que sejam reconhecidos em seu favor os créditos recolhidos a maior, que sejam apropriadas as compensações efetuadas e reconhecidas judicialmente, que seja extinta a cobrança decorrente da compensação não homologada, e que seja mantida a empresa no Simples. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Em princípio é importante destacar que o presente processo trata de exclusão do Simples e não da controvérsia acerca da compensação dos débitos que a motivaram, a qual o recurso voluntário informa que é objeto de ação judicial. Ainda em preâmbulo, impõese registrar que não há nos autos qualquer documento que comprove o trânsito em julgado da ação judicial que o recorrente afirma ter reconhecido seu direito à compensação dos créditos advindos de pagamento a maior dos tributos FINSOCIAL e PIS, e que a leitura das decisões judiciais juntadas na impugnação demonstra que nestas só foi admitida a compensação de débitos referentes a PIS, o que não inclui débitos originados por falta de, ou pagamento a menor, pelo regime de tributação Simples Nacional — débitos que constam da efl. 31 e 34. outro aspecto ligado às decisões judiciais de fls. 12 a 25 é que as duas decisões são declaratórias do direito de compensar com o PIS os valores pagos a maior, e condenatória apenas com relação aos honorários e custas. Não há sentença mandamental ou ordem implícita nas duas decisões endereçada à Receita Federal que possa caracterizar descumprimento, como pretende fazer crer que ocorreu o recorrente. É relevante destacar que o tema cuja discussão foi levada pelo contribuinte para o âmbito do poder judiciário sequer pode mais ser tratado administrativamente Só os temas distintos residuais, se houver, como dispõe a Súmula CARF n.º 1, texto abaixo: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Verifico também a ausência nos autos de elementos ligados ao pedido administrativo de compensação (DCOMP) que teria sido providenciado pelo contribuinte recorrente ao tempo em que obteve decisão favorável do Poder Judiciário. O que há no Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10768.006907/201044 Acórdão n.º 1002000.312 S1C0T2 Fl. 56 4 processo é a referência a três processos, em fls. 26 a 28, que cuidariam da compensação alegada, porém nenhum documento adstrito a eles foi juntado a este processo. Ou seja, relativamente às alegações de que há sentença judicial definitiva obrigando a administração tributária a proceder a compensação dos débitos que originaram a exclusão do Simples Nacional, não há elementos de prova juntados pelo recorrente ao tempo da impugnação e em fase de recurso voluntário. Quanto à alegação de que os débitos foram compensados mas não homologados, o recorrente deixou de discriminar as compensações que teria providenciado, e a quais créditos, débitos e tributos se dirigem. Nem ao menos há um demonstrativo com as indicações necessárias para análise dos valores compensados ou pendentes. Por fim, é preciso dizer que a controvérsia trazida no recurso voluntário acerca da impossibilidade de as IN 517 e a 600/05 se oporem à Lei n.º 8.383/91 é matéria preclusa, pois não foi levantada na manifestação de inconformidade de fls. 1 a 3, ao passo que, também não diz respeito ao presente processo. O que demonstram os elementos de prova contidos nos autos é que ao tempo da exclusão do Simples Nacional havia débitos do próprio Simples Nacional em relação os quais não foi identificada nenhuma das hipóteses de suspensão de que trata o art. 151 do CTN. Logo, tenho que concordar com a decisão recorrida que entendeu como acertada a aplicação, pela administração tributária, dos dispositivos legais vigentes ao tempo da exclusão do regime, evidenciada através do ADE DRF/RJO n.º 432414/2010: Art. 17, V, da Lei Complementar n.º 123/2006, 3.º, II, "d", e 5.º , I, da Res. do CGSN n.º 15/2007, e 12, XVI, da Res. CGSN n.º 4/2007. Não provada nos autos a regularização dos débitos ao tempo da exclusão do Simples Nacional, devem ser mantidos os seus efeitos na forma legal exigida — art. 31, § 2.º, da Lei Complementar n.º 123/2006. A autoridade administrativa vinculase à lei, e, assim, a publicação do ADE de exclusão do Simples Nacional revelase cumprimento de determinação legal. Por tudo analisado, nego provimento ao recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão de 1.ª instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001703/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS COM EMFERMAGEM. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. EXCEÇÃO. INTERNAMENTO. FATURA HOSPITALAR.
A previsão legal de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas não abrange despesas com enfermagem, exceto quando decorrentes de internamento do contribuinte ou de seus dependentes e integrarem a fatura emitida por estabelecimento hospitalar.
Numero da decisão: 2402-006.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao Recurso, vencidos os Conselheiros Gregório Rechmann Júnior (Relator), João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa e Renata Toratti Cassini, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS COM EMFERMAGEM. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. EXCEÇÃO. INTERNAMENTO. FATURA HOSPITALAR. A previsão legal de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas não abrange despesas com enfermagem, exceto quando decorrentes de internamento do contribuinte ou de seus dependentes e integrarem a fatura emitida por estabelecimento hospitalar.
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DEDUÇÕES. ENFERMAGEM. Recorrente CAROLINA BARBOSA DO AMARAL GURGEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS COM EMFERMAGEM. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. EXCEÇÃO. INTERNAMENTO. FATURA HOSPITALAR. A previsão legal de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda de pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas não abrange despesas com enfermagem, exceto quando decorrentes de internamento do contribuinte ou de seus dependentes e integrarem a fatura emitida por estabelecimento hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os Conselheiros Gregório Rechmann Júnior (Relator), João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa e Renata Toratti Cassini, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 17 03 /2 01 1- 54 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11610.001703/201154 Acórdão n.º 2402006.155 S2C4T2 Fl. 131 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 15ª Tuma da DRJ/SP1, consubstanciada no Acórdão nº 1651.616, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: DA NOTIFICAÇÃO O processo referese a Notificação de Lançamento de fl.(s) 14 a 18 relativo ao(s) ano(s)calendário de 2007. Foi exigido o valor de R$ 46.365,97. A notificação decorreu da Dedução Indevida de Despesa Médica. DA INFORMAÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase relatado nos autos, em síntese: • Dedução Indevida de Despesas Médicas Foi glosado o valor de R$ 93.120,00 deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação dos Fatos MARIA TEREZA DA COSTA LISBOA R$ 48.880,00. VERA LUCIA DAS GRAÇAS LOPES R$ 44.240,00. Falta de previsão legal para sua dedução. DA IMPUGNAÇÃO A Notificação de Lançamento foi lavrada em 7/2/2011. A ciência pelo(a) contribuinte ocorreu em 15/2/2011. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação de fl(s) 2 a 8, em 10/3/2011, alegando, em síntese: O dependente da Requerente, Sr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, encontravase no anocalendário de 2007 acometido pelo Mal de Alzheimer, em estágio avançadíssimo, demandando assistência de enfermagem intensiva e permanente 24 (vinte e quatro) horas por dia. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11610.001703/201154 Acórdão n.º 2402006.155 S2C4T2 Fl. 132 3 Em função dessa severa doença, a Requerente pagou por serviços de enfermagem que foram prestados em sua residência ao seu dependente pelas Sras. Maria Tereza da Costa Lisboa e Vera Lúcia das Graças Lopes Andrade. As despesas com despesas médicas, ainda que realizadas na residência do contribuinte, são plenamente dedutíveis, conforme reconhecido pela jurisprudência administrativa. O pagamento com as despesas com os serviços de enfermagem prestados pelas Sras. Maria Tereza da Costa Lisboa e Vera Lúcia das Graças Lopes Andrade estão devidamente documentadas. A DRJ, mantendo o entendimento da fiscalização, julgou improcedente a impugnação. Cientificado dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 50/62, por meio do qual reitera o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa das seguintes deduções: MARIA TEREZA DA COSTA LISBOA R$ 48.880,00. VERA LUCIA DAS GRAÇAS LOPES R$ 44.240,00. Em sua defesa, o Recorrente esclareceu, desde a impugnação apresentada, que tais despesas se referem a serviços de enfermagem prestados em sua residência ao seu dependente – Sr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. A decisão de primeira instância, corroborando o entendimento da fiscalização, manteve a glosa das deduções em análise sob o fundamento de que as despesas com enfermagem domiciliar não seriam dedutíveis por falta de previsão legal. O cerne da controvérsia em sede recursal cingese, pois, à glosa de despesas médicas com serviços de enfermagem prestados a domicílio, no entender da decisão de 1ª instancia, indedutíveis, por ausência de previsão legal. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11610.001703/201154 Acórdão n.º 2402006.155 S2C4T2 Fl. 133 4 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; No caso específico de enfermagem em residência, se comprovado, como no presente caso, que o paciente, dependente da Recorrente, requer cuidados médicos permanentes, passível de internação hospitalar, as despesas com enfermagem em residência encontramse sob o campo de abrangência da lei; portanto, dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda. De fato, considerando não apenas o objetivo da norma, mas, sobretudo, o fato de que a legislação expressamente admite a dedução de pagamentos efetuados a hospitais, no quais, por certo, estão contabilizados os custos dos enfermeiros(as) empregados(as), não se afigura razoável não reconhecer esse mesmo direito em relação as despesas com enfermagem nos casos de tratamento domiciliar. Neste mesmo sentido, são os acórdãos 2802001.845, 280200.164, 102 42.369 e 0244.851. Assim, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer a dedutibilidade com as despesas com serviços de enfermagem a domicílio (serviços de home care), no valor de R$ 93.120,00. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto ao cancelamento da glosa da dedução das despesas com enfermagem. No caso em tela, em que pese a possível necessidade de cuidados médicos permanentes, a despesa com enfermagem, havida com o dependente da Recorrente e paga isoladamente, não está abarcada pela isenção prevista no art. 8º, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/95, que traz um rol taxativo de despesas dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda. Senão, vejamos: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11610.001703/201154 Acórdão n.º 2402006.155 S2C4T2 Fl. 134 5 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Ademais, nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, deve ser interpretada literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Nesse particular, trazemos à baila a seguinte lição de Hugo de Brito Machado1: Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a ampliação do alcance, como sua restrição. Todavia, é bem verdade que as despesas com enfermagem até poderiam ser deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda se tivessem decorrido de internamento e integrado fatura emitida por estabelecimento hospitalar, situação essa na qual teríamos a subsunção do fato à norma prevista no art. 8º, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/95: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (grifo nosso) Porém, não é o que ocorre no caso em análise, uma vez que os pagamentos teriam sido efetuados diretamente a duas profissionais, por serviços de enfermagem prestados em residência. 1 MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 32ª edição, Malheiros, São Paulo, 2011, p. 114. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11610.001703/201154 Acórdão n.º 2402006.155 S2C4T2 Fl. 135 6 Portanto, ante à impossibilidade de fazermos uma interpretação ampliativa do art. 8º, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/95, para incluirmos, no rol das deduções, a despesa com enfermagem paga isoladamente, não nos resta outra alternativa, a não ser mantermos a decisão de primeira instância. Conclusão Isso o posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.729996/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2011 a 31/03/2013
NULIDADE. LANÇAMENTO. DÉBITO CONFESSADO.
Não há que se falar em nulidade do lançamento fora dos casos previstos no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não há impedimento legal a que se efetue lançamento de débito já confessado, desde que não acarrete duplicidade de cobrança e não seja acompanhado da multa de oficio.
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. IMPOSSIBILIDADE.
É procedente a glosa quando o sujeito passivo efetua a compensação de contribuições previdenciárias com supostos créditos provenientes de títulos da dívida pública.
MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada de 150% e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INEXISTÊNCIA.
A aplicação da responsabilidade passiva solidária, contida no art. 124, I, do CTN, exige a presença de interesse jurídico comum, ou seja, que as pessoas sejam sujeitos - ou que tenham aptidão - da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2402-006.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencido o conselheiro Gregorio Rechmann Junior; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário do devedor originário, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos de Cláudio de Castro Fonseca e Fernando de Castro Fonseca, de modo a afastar a solidariedade a eles atribuída, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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LANÇAMENTO. DÉBITO CONFESSADO. Não há que se falar em nulidade do lançamento fora dos casos previstos no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não há impedimento legal a que se efetue lançamento de débito já confessado, desde que não acarrete duplicidade de cobrança e não seja acompanhado da multa de oficio. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. IMPOSSIBILIDADE. É procedente a glosa quando o sujeito passivo efetua a compensação de contribuições previdenciárias com supostos créditos provenientes de títulos da dívida pública. MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada de 150% e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INEXISTÊNCIA. A aplicação da responsabilidade passiva solidária, contida no art. 124, I, do CTN, exige a presença de interesse jurídico comum, ou seja, que as pessoas sejam sujeitos ou que tenham aptidão da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencido o conselheiro Gregorio Rechmann Junior; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário do devedor originário, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 99 96 /2 01 5- 11 Fl. 4516DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.517 2 conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos de Cláudio de Castro Fonseca e Fernando de Castro Fonseca, de modo a afastar a solidariedade a eles atribuída, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 09.12.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária e Multa Isolada, como a seguir resumido: DEBCAD 51.078.1578 Compensação indevida em GFIP principal de R$ 11.634.551,31, acrescido de multa de mora e juros legais Selic; e DEBCAD 51.078.1586 Multa isolada por compensação indevida principal de R$ 17.593.453,70. Foi atribuída responsabilidade solidária a outros 12 (doze) contribuintes. Para a descrição dos fatos, sirvome do acórdão de piso de fls. 4411/4413: Informa que os arquivos digitais de folha de pagamento continham erros, e só na reapresentação de um segundo arquivo foi possível realizar a fiscalização. Ao fazer o batimento entre a folha de pagamento e a GFIP, constatou que havia muitos segurados declarados em GFIP com Número de Identificação do Trabalhador (NIT) diferente do constante em folha de pagamento, apesar de terem o mesmo nome, e segurados declarados em GFIP que não constavam em folha de pagamento. Relata que desde 04/2013 a empresa vem realizando sua contribuição previdenciária patronal substitutiva sobre a Receita, nos temos da Medida Provisória nº 612, de 4 de Fl. 4517DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.518 3 abril de 2013, Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013 e Instrução Normativa RFB nº 1.436, de 30 de dezembro de 2013. Entretanto, a fiscalização recaiu apenas sobre contribuições sociais declaradas em GFIP. Noticia que analisou todos os recolhimentos efetuados por meio de Guias da Previdência Social (GPS) e os parcelamentos em andamento ou protocolados, que se referiam apenas aos valores já declarados em GFIP, e que lançou apenas as contribuições que não tinham sido declaradas nesse documento. Comunica ainda que, desde o início da desoneração da folha a empresa abandonou a prática de declarar em GFIP com compensação indevida. Havia sido fiscalizada em 2009 e 2011, quando também foram levantados débitos por compensação ilegal em GFIP,com crédito inexistente ou de títulos adquiridos de terceiros emitidos para o Porto de Recife. O Auditor Fiscal conjectura que podem ter deixado de declarar em GFIP, porque com a alteração legislativa a contribuição patronal sobre remuneração passou a ser de 1% sobre a Receita Bruta. Conta que a empresa esclareceu ter negociado a aquisição de três títulos da dívida pública emitidos pelas obras do Porto de Recife para quitar débitos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB). Informa que esses títulos foram adquiridos de pessoas físicas e jurídicas, as quais não são parte no processo judicial – JF/GO – 3ª Vara – 200135000068982, onde se discute a validade/valor deles, que foram emitidos no início do Século XX, e foram atingidos pela prescrição na década de sessenta, conforme consta no Acórdão que foi apresentado à fiscalização e contém o seguinte trecho: “Nos termos da remansosa jurisprudência desta Corte, os títulos que os agravantes pretendem compensar já estão fulminados pela prescrição, porque não resgatados em tempo oportuno, nos termos do art. 3º do DecretoLei 263/67 e suas posteriores alterações”. Ressalta que, apesar de não haver decisão judicial nesse processo concedendo direito à compensação, foram compensados milhões de reais em GFIP entre 2006 a 03/2013, com títulos públicos. Para isso foram assinados contratos com os prestadores de serviços de compensação tributária, em 09/10/2006 e 29/05/2007, e de cessão de ativos, cujo objetivo era pleitear a compensação dos seus débitos de natureza tributária, perante a SRFB e o INSS, Fl. 4518DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.519 4 até o montante de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) em débitos. Narra que esses ativos foram transferidos por 2 (duas) Escrituras Públicas, feitas na mesma data, no valor total de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), referente à aquisição de parte das apólices nº 183.450 e nº 036.983, emitidas pelo Decreto Estadual do Estado do Pernambuco nº 393, de 06/04/1935, e do Decreto Federal nº 196, de 21/06/1935, para a realização das Obras do Porto de Recife e do Fundo de Fomento da Produção. Houve ainda a aquisição de parte de uma terceira apólice, nº 168.025, emitida por esses Decretos, por meio de outra escritura pública, lavrada em 12.05.2008, no valor de R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais). Essas partes das 3 (três) apólices foram avaliadas em 2005 por R$ 9.500.000,00 (nove milhões e quinhentos mil reais), por Marcos F Nascimento, da empresa MFN Consultoria Financeira, com sede no Rio de Janeiro. Menciona que os contratos de transferência, de 09/10/2006 e 29/05/2007 foram assinados pelo procurador da ESTRELA Distribuidora de Eletrodomésticos Ltda (ESTRELA), Firas Omar Said; pelo representante da CENTRUSConsultoria Empresarial Ltda (CENTRUS), Hercules Helou; e pelo representante da FONSECA Assessoria e Consultoria Tributária Ltda (FONSECA), Fernando de Castro FONSECA; e teve por testemunhas Edilson Ferreira dos Santos, CPF 043.665.73334; e Lucelio Alexandre de Moraes, CPF 077.203.431 15, que foi procurador da ESTRELA nas três escrituras públicas citadas acima. Os créditos compensados foram cedidos por FONSECA, representada, no ato, por Cláudio de Castro Fonseca (CLÁUDIO), CPF 251.786.79172. Expõe que a empresa ESTRELA pagaria à CENTRUS 40% do valor das partes das apólices cedidas (R$ 9.500.000,00), o que corresponderia a R$ 3.800.000,00 (três milhões e oitocentos mil reais), que seriam depositados na conta da desta empresa, prestadora dos serviços para compensação tributária em GFIP e DCTF. Com relação a esse pagamento, a auditoria cita que foram localizados depósitos bancários no valor de R$ 552.368,00 (quinhentos e cinquenta e dois mil trezentos e sessenta e oito mil reais) do período de 12/2006 a 08/2008; 25 (vinte e cinco) notas fiscais emitidas pela CENTRUS, no valor de R$ 43.700,00 (quarenta e três mil e setecentos reais); e 3 (três) recibos particulares emitidos pela CENTRUS, no valor de R$ 46.400,00 (quarenta e seis mil e quatrocentos reais). O total desses comprovantes no valor de R$ Fl. 4519DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.520 5 642.468,00 (seiscentos e quarenta e dois mil quatrocentos e sessenta e oito reais), pagos entre o período de 2006 a 2008, representou 17% (dezessete por cento) do preço contratado; e 6,8% (seis vírgula oito por cento) da avaliação das apólices adquiridas. Em contrapartida, o valor compensado no período de 2006 a 2013 foi de R$ 35.719.362,74 (trinta e cinco milhões setecentos e dezenove mil trezentos e sessenta e dois reais e setenta e quatro centavos), de 2006 a 2013, sendo que quase R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) foram compensados no período de apuração, de 04/2011 a 03/2013. Relata que os vendedores dos títulos foram o proprietário da empresa CENTRUS, dois proprietários da empresa FONSECA, e Ledison Donizete de Morais. Acrescenta que todos eles participaram da decisão de adquirir, vender, compensar em GFIP créditos previdenciários inexistentes, recebendo ou usufruindo de valores ilegais, indevidos e não embasados em decisão judicial. Anexa planilha sobre a negociação dos ativos, indicando as partes, datas do provimento e da suspensão da tutela antecipada, data e teor dos acórdãos apresentados à fiscalização (que não estão disponíveis no site do Tribunal), e informa que nenhum dos vendedores das apólices é parte do Processo Judicial JF/GO 200135000068982. Narra que a empresa não apresentou GFIP retificadora, apesar de intimada a fazêlo. Que todas as compensações são ilegais e indevidas, demonstrando a intenção de deixar de declarar/pagar as contribuições previdenciárias devidas. Alude que as condutas praticadas são, em tese, crimes definidos no art. 297, § 3º do Código Penal, e incisos I e IV da Lei nº 8.137/90, e que as compensações foram realizadas entre os dias 06/05/2011 a 18/06/2014 para as competências 04/2011 a 03/2013, que foram realizadas, em tese, com fraude e máfé. Informa da necessidade de arrolamento de bens, inclusive em relação aos devedores solidários. Ao final relaciona todos os solidários com respectiva motivação. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 4409/4442. Em seu Recurso Voluntário às fls. 4451/1161, aduz em síntese: I Da nulidade do lançamento de ofício da contribuição e da multa de mora: Fl. 4520DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.521 6 Que o lançamento seria prescindível, na medida em que os débitos já estariam declarados em GFIP. Que não se pode lançar um valor que já se encontra declarado, portanto lançado. Que uma vez glosada a compensação não haveria que se falar em novo lançamento, mas apenas em cobrança do débito tributário já declarado. 2 Da improcedência da multa isolada: Que não restou devidamente comprovada a falsidade na declaração apresentada pela recorrente. Que a conduta daquele que declara todos os fatos ao fisco, por meio de GFIP, não se coaduna com a intenção de quem quer ocultar situação que possa impedir ou retardar o recolhimento do tributo. 3 Da ofensa ao direito de petição: Que impor penalidade em decorrência do exercício de um direito que é garantido constitucionalmente representa, sem sombras de dúvidas, uma mitigação desse mesmo direito, e, via de conseqüência, um atentado contra a própria Constituição Federal. Às fls. 4469/4488 consta o recuso voluntário apresentado por Fernando de Castro Fonseca, aduzindo em resumo: 1 Da ilegitimidade passiva do sócio Fernando de Castro Fonseca para figurar como parte no pólo passivo da presente demanda. Que o sócio não figurou como parte no contrato, apenas representou a pessoa jurídica na celebração do negócio jurídico, da mesma forma como a empresa ESTRELA DISTRIBUIDORA DE ELETRODOMÉSTICOS LTDA. foi representada pelos seus respectivos sócios, conforme se verifica no contrato firmado entre as partes. Que a lei reconhece a pessoa jurídica como um instituto jurídico importante para o exercício da atividade empresarial. Por conseguinte, temse dois tipos de pessoa natural do sócio e a pessoa jurídica. Dessa divisão originase da separação patrimonial, que aparta os bens do sócio dos bens da sociedade. Tal princípio limita a responsabilidade do sócio, resguardando o seu patrimônio pessoal de inopinados infortúnios. 2 Da desconsideração da personalidade jurídica e o princípio da autonomia patrimonial no Direito Tributário. Que em função do princípio da autonomia patrimonial haveria uma total separação do patrimônio da pessoa jurídica e das pessoas físicas de seus sócios. Que em qualquer situação em que a sociedade seja devedora, tanto de seus clientes, fisco como de qualquer terceiro a ela ligado, seus sócios jamais responderão pelos atos que foram praticados em nome da sociedade, mesmo que tenham sido eles próprios os responsáveis pelos atos que geraram tal dívida. De acordo com o Princípio da Autonomia Patrimonial sempre será o patrimônio da sociedade que responderá pelos atos desta, e não o de seus sócios. Que atribuir a um dirigente de uma empresa a culpa de cometimento de infração à lei ou a estatutos da empresa, sejam essas infrações de gravidade menor ou maior, de Fl. 4521DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.522 7 caráter cível ou penal tem que ser comprovadas tendo como base os fundamentos do direito penal de responsabilidade. Que na melhor forma de direito, vêse que para o processo serão legitimados aqueles que fizeram parte da relação jurídica de direito material deduzida em juízo, e como FERNANDO DE CASTRO FONSECA não é parte no contrato não pode ser parte no presente processo administrativo, sendo imperioso a sua exclusão. 3 Do mérito: Que não há que se falar do crime previsto no artigo 297§ 3º do CPB. 4 Do lançamento de ofício: Que o lançamento seria prescindível, na medida em que os débitos já estariam declarados em GFIP. Que os valores contidos nas GFIP's representam a realidade dos recolhimentos da referida empresa, sendo que não houve redução do montante do imposto devido. Que no caso dos autos, a Contribuinte Estrela Distribuidora de Eletrodomésticos LTDA, apurou e declarou, por meio de GFIP, o valor dos tributos a pagar e o montante dos créditos que pretendia compensar. Assim, uma vez glosada a compensação pela RF, não haveria se falar em novo lançamento, mas apenas em cobrança do débito tributário já declarado, nada mais do que isto. 5 Da multa isolada: Que não se pode admitir que o simples fato de a Impugnante ter utilizado créditos da dívida pública, diferentemente daquele previsto no caput do art. 89 da Lei n° 8.212/1991, não é suficiente para, por si só, atestar a falsidade de sua declaração. Que como é de sabença curial, a falsidade não se presume, ela carece de comprovação, o que não ocorreu no caso em espécie, pois a autoridade administrativa em momento algum provou que a Impugnante tivesse inserido nas GFIP correspondentes informações diversas da realidade, muito menos que teria feito de maneira intencional com o propósito de suprimir ou reduzir tributos. Às fls. 4492/4511 consta o recurso voluntário apresentado por Cláudio de Castro Fonseca, trazendo, a rigor, as mesmas razões de defesa que trouxe o sócio Fernando. É o relatório. Fl. 4522DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.523 8 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 15.06.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 08.07.2016. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Fernando e Cláudio, sujeitos passivos solidários, tomaram ciência do acórdão de piso em 04.07.2016 (fls. 4446), por meio de sua advogada, e apresentaram seus recursos tempestivamente em 03.08.2016 (fls. 4469 e 4491). De igual sorte, passo a conhecêlos. Em preliminar, tanto o contribuinte principal quanto os outros dois citados alhures, alegaram a nulidade do lançamento em função de os débitos já estarem declarados em GFIP. Não vejo dessa forma. Não entendo que o fato de os débitos se encontrarem confessados em declaração revestida com essa natureza (confissão de dívida) por si só seria impeditivo a que esses mesmos débitos fossem constituídos por meio do lançamento de ofício. Fl. 4523DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.524 9 Por óbvio que a depender do caso, como por exemplo, a de o débito se encontrar vinculado em DCTF a uma suspensão de exigibilidade fundada em liminar inexistente, a administração tributária não teria o mínimo interesse na constituição de ofício desse crédito tributário, na medida em que o fato de o débito se encontrar já confessado seria condição suficiente para o prosseguimento na cobrança administrativa e, por ventura, na sua inscrição em Dívida Ativa. No mesmo sentido, para o caso de valor declarado como devido em GFIP e vinculado a GPS inexistente não há, como regra, a abertura de prazo para contencioso administrativo, posto que o débito já se encontra regularmente confessado. Ocorre que em alguns situações, quando há, por exemplo, a redução do valor apurado e confessado em função de uma compensação declarada (Declaração de Compensação ou GFIP), a lei impõe que o prosseguimento na cobrança seja precedida, se assim entender o sujeito passivo, do contencioso administrativo regido pelo decreto 70.235/72. A Compensação Fazendária, por força do disposto no §11 do artigo 74 da Lei 9.430/96 1; a Previdenciária, por aplicação do §11 do artigo 89 da Lei 8.212/91 2. Assim, diferentemente do sugerido pelos recorrentes, a desconsideração das compensações promovidas não autorizariam ao fisco o imediato prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados. Em que pese o procedimento para glosa de compensações estar previsto, hoje, em norma específica, não vislumbro impedimento legal a que tal cobrança se dê por meio de auto de infração, instrumento legal que põe termo ao procedimento de ofício3, desde que observadas as condições a seguir: Que seja aplicada a multa de mora (20%) e não aquela típica do lançamento de oficio (multa de ofício de 75%); Que não haja duplicidade de cobrança (por meio de auto de infração e por meio de despacho decisório); e Que seja oportunizado ao autuado o rito recursal previsto no Dec 70.235/72 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 2 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de salário família e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 4524DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.525 10 Nesses termos, não vejo reparos a serem promovidos no lançamento. MULTA ISOLADA DE 150%. Como parte do mérito, os recorrentes se insurgem contra a multa isolada aplicada, ao fundamento de que não se pode admitir que o simples fato de a Impugnante ter utilizado créditos da dívida pública, diferentemente daquele previsto no caput do art. 89 da Lei n° 8.212/1991, seria o suficiente para, por si só, atestar a falsidade de sua declaração. Pois bem. O § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/91 assim dispõe: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (destaquei) A seu turno, falsidade é qualidade daquilo que é falso, que, na sequência, pode ser assim definido 4: Diferentemente da seara criminal, onde para se ter um provimento condenatório fazse necessário, como regra5, provar o dolo na conduta comissiva ou omissiva do agente, na medida em que a pena traz, a rigor, restrições ao seu consagrado direito constitucional à liberdade; no âmbito tributário temse como regra, quanto à imposição de penalidade, a desnecessidade de se apontar/provar o dolo na conduta do contribuinte, como se denota do artigo 136 infra colacionado, eis que, aqui, a penalidade traz implicações, em última análise, ao direito à propriedade. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nesse rumo, podese concluir que enquanto no âmbito criminal, a regra é que se demonstre a intenção (dolo) na conduta do agente; no tributário, a responsabilidade pela 4 https://www.google.com.br/search?ei=c3BwWrr1B8SkwAS0x6bgDA&q=falso&oq=falso&gs_l=psy ab.3...64012.64481.0.65192.5.5.0.0.0.0.0.0..0.0....0...1c.1.64.psyab..5.0.0....0.UblEjFLKuI 5 Ressalvados os tipos expressos na lei penal para o s quais basta a culpa na conduta. Fl. 4525DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.526 11 infração é de natureza objetiva, bastando, para tanto, que se demonstre a ação (ou omissão), o resultado reprovável e o nexo de causalidade entre ambos. Perceba que quando o legislador tributário pretendeu exigir do Estado a comprovação da intenção do agente, o fez expressamente na lei, consoante se denota do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Nesse mesmo sentido, são os acórdão 9202003.931, de 12.054.2016 e 9202 005160, de 25.01.2017, adiante ementados: COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Fl. 4526DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.527 12 Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIOS EM AÇÃO JUDICIAL DE CONTRIBUIÇÕES DIVERSAS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos antes mesmo de decisão judicial ou declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Prosseguindo quanto ao caso em tela. O contribuinte, no período de 04/2011 a 03/2013, efetuou várias e várias compensações em GFIP aproximadamente 2.755 apresentadas por diversos dos seus estabelecimentos, consoante sintetizado na planilha de fls. 2140/2248. Os valores compensados chegaram, por vezes, a 3/4 do total do débito apurado (vide fls 2249/2372). Referidas compensações tiveram o condão de reduzir, na GFIP, o valor devido que alimentou a cobrança automática previdenciária. Vale dizer: o valor informado como compensado deixou de ser cobrado automaticamente pelos sistemas previdenciários. Nessa linha, não há dúvida de que as várias compensações informadas em GFIP não se alinharam à realidade ou à verdade. Cumpre lembrar que a COMPENSAÇÃO como modalidade de extinção do crédito tributário – tem seu permissivo legal no artigo 170 do CTN, ao estabelecer que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.”. Nessa esteira, o artigo 89 da Lei 8.212/91 é claro ao estabelecer que as Compensações Previdenciárias darseão, somente e tão somente, nas hipóteses de pagamento indevido ou maior do que o devido daquelas mesmas exações. E mais, nos termos e condições estabelecidos pela RFB. Por sua vez, o artigo 44 da Instrução Normativa RFB 900/2008 (Art. 56 da IN RFB 1.300/2012) conduz à mesma conclusão. O parágrafo 12 do artigo 74 da Lei 9.430/96, em que pese tratar das compensações envolvendo Créditos Tributários Fazendários, por força do § único do artigo 26 Fl. 4527DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.528 13 da Lei 11.457/2007, demonstra a repulsa do legislador ordinário em admitir a Compensação Tributária quando o pretenso crédito referirse, entre outros, a título público ou a tributos e contribuições não administrados pela RFB. Veja, são dispositivos que vigoram há, no mínimo, 20 (vinte) anos. Em outras palavras: há muito não se admite – administrativamente – a Compensação Tributária nos moldes como – deliberadamente pretendeu o contribuinte. É Dizer: com a utilização de supostos créditos decorrentes de Títulos da Dívida Pública". Neste caso, seriam três títulos da dívida pública emitidos pelas obras do Porto de Recife para quitar débitos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB). Note, não bastassem as disposições legais e infra legais em sentido contrário, que admitem, a rigor, a Compensação Previdenciária com créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou maior que o devido dessas mesmas contribuições, o contribuinte agindo – indiscutivelmente – de forma livre e consciente, pretendeu modificar característica essencial do crédito tributário, no caso, sua exigibilidade, na medida em que fez inserir – deliberadamente em suas GFIP, elementos inexatos que conduziriam à sua extinção, na forma do art. 156, II do CTN. Nesse aspecto, cumpre ainda destacar que as Compensações Previdenciárias em GFIP, diferentemente do que ocorre com as Fazendárias em DCOMP, são promovidas pelo contribuinte sem, de início, qualquer informação acerca da natureza do crédito utilizado, propiciando, num primeiro momento, uma compensação sem o controle efetivo do Fisco. E disso – pelo que se infere – pretendeu se valer o contribuinte. Em outras palavras: não me resta qualquer dúvida que o contribuinte, ao inserir em suas aproximadamente 2.700 GIPS, durante 3 longos anos, com vistas a eximirse do pagamento do tributo devido, informações falsas no tocante a compensações, na medida em que procurou valerse de supostos créditos inegável e indubitavelmente não admitidos – há muito – pela legislação tributária, acabou por dar ensejo à penalidade prevista no § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/91. Somese a isso o assentado pela Fiscalização, reproduzido nas linhas a seguir: Contatamos que, logo no início da “desoneração de folha”, a empresa abandonou sua antiga prática de declarar GFIP com compensação indevida, ilegal e baseada em crédito inexistente. Esta empresa já havia sido anteriormente fiscalizada em 2009 e 2011, quando já haviam sido constatadas compensações ilegais em GFIP. Nas fiscalizações anteriores já haviam sido lavrados débitos de valores substanciais, pela mesma prática de compensar em GFIP crédito inexistente ou de títulos adquiridos de terceiros emitidos para o Porto de Recife. Pode ser que tenham deixado de compensar ilegalmente em GFIP devido a legislação ter reduzido a contribuição previdenciária, pois, a partir de 04/2013, a contribuição patronal de 20% Fl. 4528DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.529 14 sobre remunerações foi substituída pela contribuição previdenciária de 1% da Receita Bruta. Destarte, de acordo com as evidências acima dispostas, que apontam para a inexistência de qualquer dúvida razoável acerca da impossibilidade de utilização dos direitos creditórios sob análise, entendo que, in casu, restou caracterizada a existência de máfé pelos contribuintes, sendo de se manter a multa isolada, na forma como aplicada pela autoridade autuante. Ainda sobre o tema, sustenta a autuada que impor penalidade em decorrência do exercício de um direito que é garantido constitucionalmente representa, sem sombras de dúvidas, uma mitigação desse mesmo direito, e, via de conseqüência, um atentado contra a própria Constituição Federal. Com isso, quer fazer crer que a aplicação da multa estaria, de alguma forma, restringindo seu exercício constitucional de petição. Vale destacar que a multa aplicada tem assento em disposição legal de observância obrigatória pela autoridade autuante e pelo julgador administrativo, dela não devendo se afastar. Apenas para constar: há uma diferença substancial entre declarar compensações inexistentes, reduzindo, indevida e deliberadamente, o valor devido do débito a ser controlado pelos sistemas de cobrança previdenciária e o exercício do direito de PEDIR assegurado constitucionalmente a todos os brasileiros. Enquanto que na primeira o resultado pretendido foi alcançado independentemente do prévio consentimento da administração, na segunda, nada se tem antes da decisão da autoridade que teria sido instada a manifestarse. Por fim, os sócios Fernando e Cláudio alegam ilegitimidade passiva para figurarem como parte no pólo passivo da presente demanda, na medida em que não figuraram como partes no contrato, apenas representaram a pessoa jurídica na celebração do negócio jurídico, da mesma forma como a empresa ESTRELA DISTRIBUIDORA DE ELETRODOMÉSTICOS LTDA foi representada pelos seus respectivos sócios. Prosseguem ao sustentar que a lei reconhece a pessoa jurídica como um instituto jurídico importante para o exercício da atividade empresarial. Por conseguinte, terse iam dois tipos de pessoa natural do sócio e a pessoa jurídica. Dessa divisão originase da separação patrimonial, que aparta os bens do sócio dos bens da sociedade. Tal princípio limita a responsabilidade do sócio, resguardando o seu patrimônio pessoal de inopinados infortúnios. Aduzem ainda que em função do princípio da autonomia patrimonial haveria uma total separação do patrimônio da pessoa jurídica e das pessoas físicas de seus sócios e que em qualquer situação em que a sociedade seja devedora, tanto de seus clientes, do fisco, como de qualquer terceiro a ela ligado, seus sócios jamais responderiam pelos atos que foram praticados em nome da sociedade, mesmo que tenham sido eles próprios os responsáveis pelos atos que geraram tal dívida. E mais, de acordo com o Princípio da Autonomia Patrimonial sempre será o patrimônio da sociedade que responderá pelos atos desta, e não o de seus sócios. Reforçam que atribuir a um dirigente de uma empresa a culpa de cometimento de infração à lei ou a estatutos da empresa, sejam essas infrações de gravidade menor ou maior, de caráter cível ou penal tem que ser comprovadas tendo como base os fundamentos do direito penal de responsabilidade. Fl. 4529DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.530 15 E que na melhor forma de direito, temse que para o processo serão legitimados aqueles que fizeram parte da relação jurídica de direito material deduzida em juízo, e como FERNANDO e CLÁUDIO não são partes no contrato não podem ser parte no presente processo administrativo, sendo imperiosa a exclusão dos mesmos. Assiste razão, neste ponto, aos recorrentes. Notase do excerto a seguir colacionado, extraído da decisão de piso, que para que fosse atribuída, com fulcro no artigo 135, III do CTN, responsabilidade aos sócios da empresa FONSECA pelos créditos tributários devidos pela fiscalizada, fezse necessário, antes, sustentar a responsabilidade solidária entre a fiscalizada e aquela empresa FONSECA, à luz do artigo 124, I, ainda no CTN. Portanto devem ser mantidos como responsáveis tributários os impugnantes FERNANDO e CLÁUDIO, proprietários da empresa FONSECA, restando salientar que a inclusão dessa empresa no pólo passivo da relação tributária se deu não pelo fato de integrarem o mesmo grupo econômico da empresa fiscalizada, mas pela existência do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal; e a inclusão das pessoas físicas como solidários, se deu não pelo fato de serem sócios administradores da ESTRELA, mas por serem proprietários da FONSECA, e terem praticado em nome desta atos com infração de lei, que não o simples inadimplemento. Por sua vez, o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 3, juntado às fls. 613, evidencia a motivação utilizada pela autoridade autuante, bem como os dispositivos legais de que se valeu. De forma genérica, dos artigos 124, 135 e 137 do CTN e do inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/91 (solidariedade entre empresas que integram o mesmo grupo econômico). Confirase: Como minuciosamente colocado pela autoridade julgadora de piso, não se está a cogitar a desconsideração da personalidade jurídica de qualquer das empresas envolvidas. O que se tem é a responsabilização da empresa FONSECA, por força do artigo Fl. 4530DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.531 16 124, I, do CTN 6 e, em última análise, a de seus sócios (Fernando e Cláudio), com fulcro no artigo 135, III, do mesmo diploma 7. Vale ressaltar, como ainda bem assentou o acórdão recorrido, que fiscalização não responsabilizou solidariamente FERNANDO e CLÁUDIO por serem sócios da empresa fiscalizada, mas por serem proprietários da empresa FONSECA, que vendeu os títulos prescritos para compensação da fiscalizada, tendo eles, participado diretamente da negociação, inclusive os seus nomes constam nos contratos e escrituras de aquisição dos títulos. Vide os Termos de sujeição Passiva Solidária nºs 3, 6 e 8, de fls.612, 618 e 622, respectivamente. Como se nota dos documentos trazidos aos autos, houve o intuito de fraudar a declaração por todos os partícipes da negociação, pois, conforme apontado no Relatório Fiscal, fls. 639/640, a tutela antecipada foi suspensa em 13/05/2002, e os títulos públicos foram negociados em 09/10/2006, 29/05/2007 e 12/05/2008, ou seja, mesmo sabedores de que a tutela estava suspensa, assinaram um contrato em que o objeto era a "negociação do título para compensação de créditos previdenciários". O contrato de cessão de crédito e prestação de serviço foi estipulado entre a empresa ESTRELA Distribuidora de Eletrodomésticos Ltda, e as empresas CENTRUS Consultoria Empresarial Ltda., e FONSECA Assessoria e Consultoria Tributária Ltda, sendo que FERNANDO e CLÁUDIO são sócios desta. O objeto do contrato de cessão, teria sido específico para compensação de créditos tributários, conforme se observa, fls. 2657/2658: 6 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 7 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 4531DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.532 17 Notase do excerto extraído que se trata de um contrato de cessão e prestação de serviços especializados, ou seja, além da cessão do crédito, as contratadas CENTRUS Consultoria Empresarial Ltda., e FONSECA Assessoria e Consultoria Tributária Ltda seriam responsáveis por tomar todas as medidas legais para pleitear a compensação dos débitos da contratante ESTRELA Distribuidora de Eletrodomésticos Ltda. Observase ainda que, tanto a contratante quanto as contratadas estavam cientes da natureza e condição do ativo financeiro que seria utilizado para a compensação. Ou seja, sabiam que era um ativo ilíquido e incerto, e de forma alguma poderiam ser utilizados para compensação tributária, pelos estritos requisitos legais do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nos contratos de cessão de ativos e prestação de serviços, de onde se extraíram os trechos acima, é possível ver que as pessoas responsáveis pelo alcance do objeto do contrato seriam remuneradas em 10% do valor dele, ou seja, quem estivesse diretamente envolvida para a compensação seria remunerado. Os outros 30% corresponderiam à aquisição do ativo. E ainda, o contrato estipulava que as contratadas ficariam responsáveis por todos os trâmites necessários para a compensação seja na esfera administrativa, seja na esfera judicial. Fl. 4532DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.533 18 Verificase no instrumento contratual que as contratadas apresentariam o relatório da GFIP com o lançamento do valor compensado, como demonstração de que o objeto havia sido atingido, ou seja, logo após a entrega da declaração que reduziria ou zeraria o valor devido, as contratadas apresentariam o resultado de seu trabalho, demonstrando que os débitos da contratante tinham sido compensados. Pelo que se infere dos termos pactuados, ocorreu uma verdadeira parceria entre contratante e contratadas; de um lado, a contratante forneceu dados a serem declarados em GFIP com relação à remuneração dos segurados, e de outro, as contratadas forneceram os valores de compensação que seriam declarados em cada competência, não importando onde a declaração tenha sido feita, se na sede ou filiais da contratada ou se na sede das contratadas, porque em uma ou outra, houve necessidade de informações que se complementaram para que a GFIP de cada competência fosse elaborada. Além disso, há no contrato a previsão do cancelamento da cessão, em caso de inadimplemento por parte da contratante, às fls. 2661. Ou seja, ela faz compensação de créditos tributários com valores que não lhe pertencem em absoluto, não são líquidos e certos, podendo lhe ser retirados a qualquer momento, restando o prejuízo aos cofres públicos; finge ter o que efetivamente não tem. Não tenho dúvidas de que a empresa FONSECA detinha interesse econômico/financeiro na operação irregular, na medida em que ao declarar compensações inexistentes era por isso remunerada. E aqui, mais uma vez, filiome a conclusão de que créditos tão frágeis como esses, jamais poderiam ter sido usados para compensar débitos tributários. Impossível imaginar que os representantes de uma empresa de assessoria e consultoria tributária não tivessem conhecimentos suficientes para saber que títulos dessa natureza não poderiam ser utilizados para tal compensação, regra disposta na principal ferramenta legislativa tributária, o Código Tributário Nacional. Nas escrituras públicas de cessão dos créditos, fls. 2669/2674, é possível ver que quem representou a empresa FONSECA nessa transferência foi o sócio CLÁUDIO. Dos documentos acostados aos autos pelos impugnantes CLÁUDIO e FERNANDO, observase o seguinte: a) Custódia de apólice da CEF, de recebimento de títulos depositados por Flávia Caroline Peixoto Rezende, de 12/03/2002 (fls. 4225): faz referência ao número da apólice que estaria no anverso, mas não é possível identificálo, pois a cópia não está visível. b) Termo de transferência de custódia feita por Flávia Caroline Peixoto Rezende para Paulo Ferreira de Oliveira, do título ao portador (4226): no termo são transferidos também os direitos dos autos da ação ordinária que busca a validade do título junto ao Governo Federal. O termo é um documento particular, de 22/10/2004. A transferência foi assinada pela procuradora de Flávia (Ivete Peres Borges), mas a procuração outorgando esse direito a ela não foi acostada aos autos. Não há referência ao valor da apólice. Fl. 4533DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.534 19 c) Termo de transferência de custódia feita por Paulo Ferreira de Oliveira para FONSECA, da apólice nº 036983, no valor de R$ 7.425.201,41 que está custodiada na CEF (fls. 4227): transfere também os direitos dos autos da ação ordinária que busca a validade do título junto ao Governo Federal. É um documento particular, de 27/06/2005. d) Custódia de apólice da CEF, de recebimento de títulos depositados por Flávia Caroline Peixoto Rezende, de 12/03/2002 (fls. 4237): número da apólice 183.450. e) Termo de transferência de custódia feita por Flávia para Paulo Ferreira de Oliveira do título ao portador (fls. 4238): pelo termo são transferidos também os direitos dos autos da ação ordinária que busca a validade do título junto ao Governo Federal. O termo é um documento particular, de 22/10/2004. A transferência foi assinada pela procuradora de Flávia (Ivete Peres Borges), mas não foram acostados aos autos a procuração dando esse direito a ela. Não faz referência ao valor da apólice. f) Termo de transferência de custódia feita por Paulo Ferreira de Oliveira para FONSECA, da apólice nº 183450, no valor de R$ 7.425.201,41 que está custodiada na CEF (fls. 4239): são transferidos também os direitos dos autos da ação ordinária que busca a validade do título junto ao Governo Federal. É um documento particular, de 27/06/2005. Quem representa a FONSECA nessa transferência é Fernando de Castro FONSECA. Esses documentos evidenciam que tanto FERNANDO, quanto CLÁUDIO participaram da negociação dos títulos e compensação de créditos inexistentes, como representantes da FONSECA nos contratos de cessão ou nas escrituras públicas declaratórias de cessão, ou ainda nos termos de transferência de custódia dos títulos. Eles repassaram títulos públicos adquiridos de terceiros por meio de contrato, cujo objeto era a compensação de dívidas tributárias da fiscalizada. Denotase dos fatos que sabiam que os títulos ainda não eram líquidos e certos e mesmo assim, fecharam um acordo com a empresa fiscalizada para que esses fictícios créditos fossem compensados. Eram sabedores de que os títulos ainda estavam sub judice, onde se discutia sua prescrição, negociaram títulos de terceiros e nem eram parte no processo que discutia a liquidez e certeza deles. Por sua vez, são administradores da FONSECA Assessoria e Consultoria Tributária, conforme pode ser observado no contrato social dessa empresa, às folhas 4168, na cláusula sexta que dispõe: “A Administração da sociedade ficará a cargo dos sócios: CLÁUDIO DE CASTRO FONSECA E FERNANDO DE CASTRO FONSECA, os quais poderão representar a sociedade em conjunto ou em separado [...].” Frisese, mais, conforme identificado pela DRJ, que a empresa FONSECA e seus sócios não eram parte no processo que discutia a validade dos títulos transferidos. Nem foi apresentada qualquer procuração que desse legitimidade para que Ivete Peres Borges assinasse em nome de Flávia o termo de transferência do título a Paulo Ferreira de Oliveira. Nesse aspecto, não foi suficientemente demonstrada que essa transferência era legítima, na hipótese de os títulos serem válidos. Como demonstrado, as negociações de transferência de títulos ocorreram em 2006 e 2007, mas os efeitos dos contratos de cessão de crédito e prestação de serviços se estenderam até 2013, visto que havia previsão no contrato de que ele se aperfeiçoaria com a Fl. 4534DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.535 20 apresentação de relatório pelas contratadas, entre elas a empresa FONSECA, cujas compensações foram realizadas entre os dias 06/05/2011 a 18/06/2014, para as competências 04/2011 a 03/2013. Conforme contrato de cessão de crédito, às fls. 4146/4147, dos 40% sobre o valor da cártula, 30% seria destinado ao pagamento pela aquisição do ativo financeiro, e 10% para mão de obra. Se o ativo financeiro supostamente pertencia à empresa FONSECA, então esta recebeu pela transferência do ativo financeiro, por meio de seus sóciosadministradores, conforme firmado em contrato. Quanto ao argumento de que em razão do princípio da autonomia patrimonial, haveria uma total separação do patrimônio da pessoa jurídica e das pessoas físicas de seus sócios, valhome do excerto a seguir, extraído, ipsi literis, do voto condutor do acórdão recorrido: Confirase: O CTN prevê a distinção de responsabilidade entre a pessoa jurídica e as pessoas dos diretores, gerentes ou seus representantes. Tal distinção encontra seu fundamento de validade na lógica premissa segundo a qual, uma vez constituída a pessoa jurídica, por ficção legal, acaba por assumir um rol de direitos e obrigações absolutamente distintos dos direitos e obrigações peculiares às pessoas físicas e jurídicas que compõem o seu quadro societário. Com efeito, ao manifestarem sua affectio societatis, as pessoas físicas ou jurídicas traduzem parcelas patrimoniais próprias à constituição e consolidação do capital social do novo ente que se formam, provendoo com recursos financeiros suficientes, ao menos, em tese, para satisfazer suas obrigações, legitimandoo à existência financeira própria. Dessa maneira, a distinção de responsabilidades e, por conseguinte, a limitação da responsabilidade dos sócios impõese como regra lógica. Contudo, o tempo mostrou que a mente humana é fecunda na criação de formas de desvirtuamento dos fenômenos naturais. Neste contexto, verificouse uma gama de atos praticados com subversão da lógica inerente à distinção de personalidade, agindo muitos sócios com manifesta intenção de se locupletar à custa da personalidade jurídica, escondendo seu patrimônio pelo manto da pessoa jurídica. Eis, então, que o ordenamento passou a prever situações em que, não obstante o fenômeno da personificação, haveria a atribuição de responsabilidade solidária entre a pessoa jurídica e o sócio que agiu de forma indevida, prevendo casos específicos onde tal situação ocorreria. O artigo 135 do CTN é um caso. Contudo, em que pese reconheça como reprovável e lamentável a conduta dos recorrentes em função dos fatos e evidências trazidos aos autos, não vejo como Fl. 4535DF CARF MF Processo nº 10120.729996/201511 Acórdão n.º 2402006.472 S2C4T2 Fl. 4.536 21 responsabilizálos pelos créditos tributários devidos pela fiscalizada, posto que a hipótese legal aventada, consoante jurisprudência deste Conselho, não se amolda ao caso em análise. Vejase: RESPONSABILIDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. INTERESSE COMUM. A aplicação da responsabilidade passiva solidária, contida no art. 124, I, do CTN, exige a presença de interesse jurídico comum, ou seja, que as pessoas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador. O mero interesse econômico entre tais sujeitos ou mesmo o interesse jurídico reflexo, oriundo de outra relação jurídica afasta a aplicação do mencionado dispositivo legal. 2301004.800 RESPONSABILIDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. INTERESSE COMUM. A aplicação da responsabilidade passiva solidária, contida no art. 124, I, do CTN, exige a presença de interesse jurídico comum, ou seja, que as pessoas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador. O mero interesse econômico entre tais sujeitos ou mesmo o interesse jurídico reflexo, oriundo de outra relação jurídica afasta a aplicação do mencionado dispositivo legal. 2401004.858 Ante o exposto, CONHEÇO dos recursos apresentados para REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso do devedor originário e DAR provimento aos recursos dos sócios CLÁUDIO e FERNANDO. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 4536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928611/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 11 /2 00 9- 34 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.928611/200934 Acórdão n.º 1401002.584 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.928611/200934 Acórdão n.º 1401002.584 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 31/10/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.928611/200934 Acórdão n.º 1401002.584 S1C4T1 Fl. 5 4 conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.928611/200934 Acórdão n.º 1401002.584 S1C4T1 Fl. 6 5 Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660295/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 95 /2 01 2- 13 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660295/201213 Acórdão n.º 3401004.699 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660295/201213 Acórdão n.º 3401004.699 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.660295/201213 Acórdão n.º 3401004.699 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.660295/201213 Acórdão n.º 3401004.699 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.660295/201213 Acórdão n.º 3401004.699 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.660295/201213 Acórdão n.º 3401004.699 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 85DF CARF MF
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