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Numero do processo: 10830.912131/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.844
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 31 /2 01 2- 64 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.871, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912131/201264 Acórdão n.º 3301003.844 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979305/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 05 /2 00 9- 88 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979305/200988 Acórdão n.º 1201001.726 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979305/200988 Acórdão n.º 1201001.726 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979305/200988 Acórdão n.º 1201001.726 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10880.979305/200988 Acórdão n.º 1201001.726 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720035/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por ser intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por ser intempestivo. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 35 /2 01 1- 12 Fl. 745DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de São Paulo (Acórdão 16 68.285), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte contra auto de infração lavrado para a cobrança de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (“CIDEroyalties ou CIDEremessas”), acrescida de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2007. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório acórdão recorrido in verbis: 1. A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal, que resultou na lavratura do Auto de Infração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, Remessas ao Exterior (fls. 528/533 observese que os números de folha mencionados no presente processo referemse sempre à numeração digital), relativo aos valores não declarados e não recolhidos, referentes a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007. 2. O tributo calculado, multa de ofício e juros de mora calculados até 11/2011 totalizam o montante de R$ 1.427.946,19 (um milhão, quatrocentos e vinte e sete mil,novecentos e quarenta e seis reais e dezenove centavos). 3. Os demonstrativos do cálculo dos juros e demais acréscimos legais, bem como o enquadramento legal, fazem parte do referido Auto de Infração. 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 535/540) consta a descrição dos fatos relacionados ao procedimento de auditoria, contendo as intimações feitas à contribuinte e documentos/esclarecimentos por ela apresentados; e a descrição da infração apurada, base legal, base de cálculo e demonstrativo dos valores apurados, dos quais se extrai as seguintes informações: Da análise documental, constatamos que no período de 01/01/2007 a 31/12/2007, foram remetidos ao exterior o valor de R$ 6.516.098,74 para pagamento de despesas com prestação de serviços de marketing e consultoria à empresa MDX Electronics, LLC, nos Estados Unidos da América. Foi citada a Lei nº 10.168/2000, que institui a incidência da CIDE, com alterações pela Lei nº 10.332/2001. Da análise dos contratos firmados com a empresa MDX Electronics, LLC, nos Estados Unidos da América, constatamos que os mesmos se referem à prestação de serviços de assessoria em propaganda e publicidade relativa a venda e distribuição dos produtos de marca Vtech e Motorola; Na legislação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, esse serviço é caracterizado como sendo de Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201112 Acórdão n.º 3402004.361 S3C4T2 Fl. 112 3 prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, portanto, sujeito ao recolhimento da CideRemessa O demonstrativo dos valores apurados encontrase à fl. 538. Consta ainda que está incluso na base de cálculo da contribuição o valor de 15% do IRRF. O contribuinte não declarou na DCTF e, nem, efetuou pagamento da CideRemessa. O valor apurado da CideRemessa devida foi de R$ 651.609.87 (seiscentos e cinqüenta e um mil e seiscentos e nove reais e oitenta e sete centavos). 5. A documentação entregue pela contribuinte, que respaldou os lançamentos efetuados, encontrase juntada ao presente processo. 6. A interessada tomou ciência do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal em 29/11/2011, por meio do Diretor Financeiro da interessada, conforme fls. 529 e 540, e interpôs a impugnação de fls. 545/569 em 19/12/2011, alegando, em síntese, que: 6.1 Após descrição dos fatos relacionados ao procedimento fiscal, afirma que a contribuição não incide no presente caso, demonstrando em seguida seus argumentos. 6.2 Em preliminares, trata de vícios do Auto de Infração. Cita o art. 9o do Decreto nº 70.235/72, e defende que a Autoridade Fiscal deixou de instruir o Auto de Infração na forma determinada pelo dispositivo, pois o mesmo não foi instruído com laudo, depoimento e elemento de prova. 6.3 A Autoridade Fiscal limitouse a informar que a Impugnante não recolheu a CIDEREMESSA, cujos fatos geradores referem se ao período entre 01/01/2007 e 31/12/2007, se valendo de meras alegação. 6.4 Nula é, portanto, a autuação em comento, pois esta carece de requisitos indispensáveis à comprovação de eventual ilícito, o que obsta, inclusive, o regular exercício do direito à ampla defesa, do qual é titular a Impugnante. 6.5 Aliás, o cerceamento do direito de defesa também é causa de nulidade do ato administrativo, de acordo com o prescrito pelo art. 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72. 6.6 O agente fiscalizador se baseou em meras suposições para a lavratura das autuações, pois não se fazem presentes as cópias das escriturações fiscais da empresa que o levaram a concluir pela prática das infrações, o que traz incerteza quanto à sua ocorrência, e viola o principio da ampla defesa, em desrespeito ao que preceitua o inciso LV, do artigo 5o da Constituição Federal. Fl. 747DF CARF MF 4 6.7 O IRRF foi incluído na base de cálculo da CIDE. Contudo, o Imposto de Renda na remessa ao exterior não compõe a base de cálculo da contribuição. Tal ato é ilegal, e muda substancialmente o valor da contribuição, da multa e dos juros aplicados, tornando nula a autuação, pois tem que ser revestida de liquidez e certeza. 6.8 Cita doutrina para demonstrar seu entendimento. 6.9 No corpo do auto de infração devem estar determinados com absoluta clareza o sujeito passivo da obrigação, a descrição dos fatos geradores, com a respectiva fundamentação, os fatos que caracterizarão a matéria tributável, os fatos que caracterizam a infração à legislação tributária e que ensejam a aplicação de penalidade, o cálculo do tributo devido e da multa que houver de ser aplicada e, por derradeiro, a identificação do nome e matricula da autoridade administrativa que o efetuou, além da respectiva assinatura. 6.10 O lançamento é o ato administrativo vinculado, definido no art. 142 do CTN, que estabelece o conjunto de elementos que deve compôlo, o que não foi observado no caso em exame, pois não demonstra com clareza, exatidão e perfeição os fatos supostamente praticados pela Impugnante, que caracterizam a infração à legislação tributária. Portanto, há falha de natureza formal no lançamento, sendo o Auto de Infração nulo. 6.11 Quanto ao mérito, defende a não incidência da CIDE Remessas. 6.12 Conforme contrato anexo (Docs.04/05), a Impugnante foi contratada pela empresa MDX para prestar serviços de distribuição de produtos da marca Motorola comercializado por esta última. 6.13 Neste sentido, a MDX Eletronics, na qualidade de detentora dos direitos de exploração dos produtos, contratou a Impugnante para que esta revenda os produtos licenciados da Motorola. 6.14 É equivocado o entendimento da fiscalização de que os valores remetidos ao Exterior pela Impugnante estariam sujeitos ao recolhimento da CIDE, vez que esta não “é detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior”. 6.15 Ademais, os valores remetidos ao exterior não são discriminados no rol dos pagamentos de royalties listados no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, que regulamentou as disposições da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2002, como passíveis da exigência. Não é sobre qualquer pagamento a título de royalties que incide a CIDE, pois o regulamento explicita e discrimina os contratos que estarão sujeitos a tal incidência, não havendo qualquer referência ao contrato de Distribuição. Não há se falar, portanto, em incidência da CIDE. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201112 Acórdão n.º 3402004.361 S3C4T2 Fl. 113 5 6.16 No presente caso não houve qualquer transferência de tecnologia, que constitui o âmago da exação prevista no artigo 2o da Lei n° 10.168/2000, que justifique a incidência da CIDE. 6.17 A administração deve se pautar pelo princípio da legalidade e, na presente autuação, é flagrante violação do regulamento da CIDE. O administrador só pode agir nos exatos termos da lei e do regulamento, uma vez que sua atividade é vinculada, inclusive no lançamento de crédito tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional). 6.18 Assim, os valores pagos, creditados ou remetidos pela Impugnante ao exterior decorrentes da distribuição de produtos da empresa MDX Eletronics não constituem fato gerador da CIDE. 6.19 Cita decisão administrativa para corroborar seu entendimento. 6.20 Na hipótese de entendimento de que nas operações efetuadas pela Impugnante incidia a contribuição, mesmo assim a autuação não procede. Conforme "DEMONSTRATIVO DOS VALORES APURADOS CIDEREMESSA", item 14 do relatório fiscal, a Impugnante remeteu ao exterior o valor de R$ 5.498.428,33, deveria recolher a quantia de R$ 1.374.607,08, sendo: CIDE (10%) = R$ 549.842,83, IRRF (15%) = R$ 824.764,25, no TOTAL (25%) = R$ 1.374.607,08. 6.21 A autuação não procede porque o débito foi pago, inclusive recolhido a maior, pois conforme comprovantes anexos, a Impugnante recolheu o valor de R$ 1.847.310,78. 6.22 Não há que se falar que a autuação fiscal procede pelo fato da Impugnante ter recolhido todo o montante com a guia do Imposto de Renda. Houve apenas erro de classificação, não havendo redução de recolhimento ao fisco federal, vez que houve o correto recolhimento do débito, ou seja, alíquota de 25% sobre o valor de R$ 5.498.428,33. 6.23 Requer seja extinto o débito, nos termos do art. 156, I, do CTN, face o pagamento do débito. 6.24 O IRRF não compõe a base de cálculo da CIDE na remessa de royalties ao exterior, conforme entendimento sedimentado pelo Conselho de Contribuintes. Cita acórdão do CARF para respaldar seu entendimento. 6.25 Não poderia ser diferente, vez que não há previsão em lei que determine a inclusão do tributo na base de cálculo da contribuição. 6.26 Requer a exclusão do Imposto de Renda da base de cálculo da CIDE. 6.27 Na remota hipótese da autuação prevalecer, a multa deve ser reduzida. Fl. 749DF CARF MF 6 6.28 A multa, no presente caso, é aviltante em relação ao fato considerado como infração. Deve haver um equilíbrio entre a falta cometida e a sanção a ser imposta, traduzindose como a proporcionalidade entre a falta e a penalidade. A exigência da multa em percentuais elevados representa um verdadeiro excesso de exação, porque, pune confiscatoriamente o contribuinte por ter adotado um procedimento absolutamente legítimo, inclusive amparado pelas normas e princípios constitucionais. 6.29 Cita decisões judiciais e doutrinas para respaldar seu entendimento. 6.30 No tocante aos juros, o preceito legal enunciado no parágrafo 1° do artigo 161 do CTN é soberano ao informar que "os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês" isto é, não poderão ser superiores a doze por cento ao ano. No entanto, o discriminativo de débito consolidado aponta acréscimos legais a título de juros e multa exorbitantes. 6.31 A cobrança dós juros, na forma pretendida pela ora embargada, não guarda consonância com a mais abalizada jurisprudência. 6.32 Ademais, a cobrança de juros sobre juros, e aplicação da chamada Taxa Referencia do Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) para título federal, ou seja, os juros pagos pelo governo nos títulos públicos, acumulada mensalmente, denominado OverSelic, ultrapassa o limite de 1% a.m., configurando Abuso de Poder, e aumento direto do tributo. 6.33 É evidente o caráter confíscatório e desproporcional da multa e dos juros pretendidos na cobrança em apreço. 6.34 Requer a Impugnante, conforme preliminares minuciosamente narradas, seja anulada a presente autuação. 6.35 Pelo princípio da eventualidade, requer a Impugnante seja JULGADO TOTALMENTE IMPROCEDENTE a presente autuação, vez que sobre as remessas efetuadas pela Impugnante não incidem a CIDEREMESSA. 6.36 Ainda pelo princípio da eventualidade, requer a Impugnante seja JULGADO TOTALMENTE IMPROCEDENTE a presente autuação, vez que o tributo foi integralmente recolhido. 6.37 Outrossim, requer a exclusão do imposto da base de cálculo da contribuição. 6.38 Na vaga hipótese de não ser reconhecida a total improcedência da infração, a Impugnante requer seja relevada a penalidade aplicada, principalmente em relação à multa extremamente excessiva, pelos motivos expostos. 6.39 Requer seja intimado o órgão autuante para se manifestar em 30 dias, acerca da Impugnação. 6.40 Outrossim, requer que todas as intimações sejam efetivadas em nome de LEANDRO ALVES COELHO, OAB/BA n° 22.854, com escritório profissional na Avenida Firmino Alves, 60, 12° Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201112 Acórdão n.º 3402004.361 S3C4T2 Fl. 114 7 Andar, Sala 1201, Edf. Módulo Center Centro, Itabuna/BA, EP 45.600000; e PAULO ROSENTHAL, OAB/SP n° 188.567, com escritório na Rua Lisboa, nº500 São Paulo – SP, CEP 05413 000. Sobreveio então o Acórdão 1668.285, da 6ª Turma da DRJ/SPO negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente será considerado nulo o ato administrativo praticado por agente incompetente. Artigo 12, I, do Decreto nº 7.574 de 29/09/2011. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em falta de clareza, de desconhecimento dos fatos que fundamentaram os Autos de Infração, e de documentação que comprove o crédito tributário, o que seria um óbice ao direito à ampla defesa, quando os lançamentos efetuados se basearam nos documentos fornecidos pela interessada, a descrição dos fatos é clara, e a fundamentação legal está discriminada na exigência fiscal. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. O julgador da esfera administrativa deve observar as normas legais e regulamentares, não podendo desrespeitar textos legais vigentes sob pena de responsabilidade funcional (§ único do art. 142 do CTN; artigo 7º, inciso V, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 341/2011; e artigo 116, inciso III, da Lei nº 8.112/1990. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações por via postal em nome dos procuradores, em razão de inexistência de previsão legal de intimação em endereço diverso do domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Fl. 751DF CARF MF 8 Constatada a falta de declaração e de recolhimento de débitos pelo sujeito passivo, deve ser formalizado o crédito tributário pelo lançamento. CIDE. INCIDÊNCIA. REMESSAS AO EXTERIOR. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior. (§ 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, alterada pela Lei nº 10.332/2001). CIDE. BASE DE CÁLCULO. O valor do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de excesso de exação ou confisco, de norma regularmente editada. JUROS. TAXA SELIC. É procedente a utilização da taxa SELIC para o cálculo de juros de mora, pois se encontra amparada em lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Foi dada ciência eletrônica (DTE) da decisão à Contribuinte em 08/06/2015 (fls 605 a 609). Em seu recurso voluntário (fls 670/694), protocolado em 13/08/15, irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente foi regularmente intimada do acórdão da DRJ em Curitiba, que manteve o presente auto de Infração e Imposição de Multa em 08 de junho de 2015. A despeito disso, apresentou Recurso Voluntário somente em 13 de agosto de 2015, ou seja, trinta e cinco dias após expirado o prazo para tal. Em seu recurso voluntário a Contribuinte não apresentou qualquer justificativa que poderia alterar o termo final do seu prazo. Assim, vale repisar que a ciência do acórdão da primeira instância ocorreu em 08/06/15, quinze dias após a data das postagem (22/05/2015) do Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico da Contribuinte, nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'a' do Decreto 70.235/72. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16561.720035/201112 Acórdão n.º 3402004.361 S3C4T2 Fl. 115 9 Pois bem. O próprio Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo a Contribuinte apresentado o Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há duvidas que a peça recursal é intempestiva, não sendo possível seu conhecimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por não conhecer o presente recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001235/2007-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002,2003
LUCRO ARBITRADO.
O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal.
IRRF.
Pode ser deduzido do tributo apurado na forma do lucro arbitrado aquele retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada tem cabimento no caso de os fatos apurados pela autoridade fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da Recorrente de subtrair valores à tributação pela omissão de receitas em decorrência da não escrituração das notas fiscais de serviços
prestados em cotejo com as informações constantes nas DSPJ - Inativa.
PIS, COFINS, CSLL.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal.
Numero da decisão: 1801-000.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado (I) por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir os valores retidos pelas fontes pagadoras, nos termos do voto da Relatora (II) por voto de qualidade, no mérito, manter a
multa de ofício proporcional qualificada. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Sandra Maria Dias Nunes e Rogério Garcia Peres que reduziam o percentual para
75% (setenta e cinco por cento).
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002,2003 LUCRO ARBITRADO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. IRRF. Pode ser deduzido do tributo apurado na forma do lucro arbitrado aquele retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada tem cabimento no caso de os fatos apurados pela autoridade fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da Recorrente de subtrair valores à tributação pela omissão de receitas em decorrência da não escrituração das notas fiscais de serviços prestados em cotejo com as informações constantes nas DSPJ - Inativa. PIS, COFINS, CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-28T19:24:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2412289_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-28T19:24:40Z; Last-Modified: 2010-12-28T19:24:40Z; dcterms:modified: 2010-12-28T19:24:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2412289_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:d7ac06f5-f76e-4817-995c-a03d8e53d4d7; Last-Save-Date: 2010-12-28T19:24:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-28T19:24:40Z; meta:save-date: 2010-12-28T19:24:40Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2412289_0.doc; modified: 2010-12-28T19:24:40Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-28T19:24:40Z; created: 2010-12-28T19:24:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2010-12-28T19:24:40Z; pdf:charsPerPage: 2098; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-28T19:24:40Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 358 1 357 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.001235/2007-01 Recurso nº 168.431 Voluntário Acórdão nº 1801-00.416 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de dezembro de 2010 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Recorrente CONSTRUTORA CHAGAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002,2003 LUCRO ARBITRADO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. IRRF. Pode ser deduzido do tributo apurado na forma do lucro arbitrado aquele retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada tem cabimento no caso de os fatos apurados pela autoridade fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da Recorrente de subtrair valores à tributação pela omissão de receitas em decorrência da não escrituração das notas fiscais de serviços prestados em cotejo com as informações constantes nas DSPJ - Inativa. PIS, COFINS, CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado (I) por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir os valores retidos pelas fontes pagadoras, nos termos do voto da Relatora (II) por voto de qualidade, no mérito, manter a multa de ofício proporcional qualificada. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes Fl. 365DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 da Silva, Sandra Maria Dias Nunes e Rogério Garcia Peres que reduziam o percentual para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório I - Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 04/12, com a exigência do crédito tributário no valor de R$19.824,26, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, referente aos quarto trimestres dos anos-calendário de 2003 e 2004 apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado, uma vez que não houve apresentação da escrituração obrigatória. A infração se fundamenta na omissão de receitas em decorrência da não escrituração das notas fiscais de serviços prestados (Termo de Retenção de Blocos de Notas Fiscais, fl. 59), em conformidade com as informações constantes nos Demonstrativos de fls. 60/63 em cotejo com aquelas constantes nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Inativa (DSPJ - Inativa), fls. 74/79. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II - O Auto de Infração às fls. 13/21 com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.032,99 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 22/30 com a exigência do crédito tributário no valor de R$78.615,60 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, bem como parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. Fl. 366DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10650.001235/2007-01 Acórdão n.º 1801-00.416 S1-TE01 Fl. 359 3 IV – O Auto de Infração às fls. 31/39 a exigência do crédito tributário no valor de R$28.164,06 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada em 24/09/2007, fl. 160, a Recorrente apresentou a impugnação em 23/10/2007, fls. 169/178. Aduz que não restou caracterizado o dolo, fraude ou simulação, já que desconhecia o teor das informações prestadas à RFB pelo seu contador. Aponta erros materiais nos valores dos tributos exigidos, procurando demonstrar as quantias recolhidas antes do início da ação fiscal e retidas pelas fontes pagadoras que não foram consideradas como deduções das exigências. Traz argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados, bem como entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto e tendo em vista os fundamentos e provas ora apresentadas e, Considerando que restou comprovado que a Impugnante sofreu a retenção na fonte do Imposto de Renda e das Contribuições (PIS, COFINS e CSLL) constantes das notas fiscais relacionadas nos Demonstrativos de fls. 60/62; Considerando que nos termos do art. 36 de Lei n° 10.833/2003, os valores retidos são considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte a título de imposto e contribuições, sem qualquer restrição ou condição; Considerando que o fisco não pode exigir que o contribuinte faça prova de que os valores que lhe foram retidos pelas fontes pagadoras tenham sido efetivamente recolhidos; Considerando que os valores das contribuições efetivamente pagos pelo contribuinte devem ser excluídos da exigência; Considerando que para a exigência da multa qualificada de 150% há que se provar que o contribuinte tenha adotado conduta intencional de fugir ao pagamento dos tributos; Considerando que a qualificação da multa se deu porque a Impugnante apresentou DIPJ Inativa quando efetivamente teve atividade no período; Considerando que, conforme restou provado nos autos, referida Declaração foi apresentada por iniciativa exclusiva do contador da empresa, sem que o seu sócio gerente tivesse conhecimento; Considerando que nestas circunstâncias a jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido de ser incabível a aplicação da multa qualificada; A impugnante REQUER a Vossa Senhoria seja acolhida a presente impugnação para: a) Que seja determinado a exclusão das exigências dos valores já pagos a titulo de PIS e COFINS, relativos ao ano de 2004, indicados no quadro do item 12; Fl. 367DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 b) Que sejam deduzidos das exigências os seguintes valores retidos na fonte pelas pessoas jurídicas tomadoras dos serviços da Impugnante; b.1)A título de Imposto de Renda no 4° trimestre ano de 2003, a importância de R$ 127,32, conforme demonstrado no item 15; b.2)Relativos às Contribuições (PIS, COFINS e CSLL), do ano de 2004, os valores retidos indicados no quadro do item 18; c) Que seja determinada a redução da multa de lançamento de ofício ao percentual básico de 75% (setenta e cinco por cento), visto que incabível a qualificação da multa na hipótese de inexistência de conduta dolosa por parte da contribuinte. Nestes termos, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12-19.574, de 13/06/2008, fls. 306/314: “Lançamento Procedente em Parte” pela dedução das quantias recolhidas antes do início da ação fiscal: Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA. A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis, mediante arbitramento, quando o contribuinte não apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal. PAGAMENTOS ANTES DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DAS DIFERENÇAS. Deve ser exigida de oficio a diferença entre os tributos apurados e os correspondentes recolhimentos efetuados antes da ação fiscal. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RETIDOS NA FONTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE DOCUMENTO EMITIDO PELA FONTE PAGADORA. Os impostos e contribuições retidos na fonte somente poderão ser compensados pelo beneficiário dos rendimentos se o mesmo possuir comprovante de rendimentos em seu nome emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. As notas fiscais emitidas pelo prestador de serviços, com destaque dos valores retidos, não se prestam à comprovação da retenção. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Cabível a multa de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de oficio, se comprovado que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, como deixar reiteradamente de declarar a totalidade das receitas, visando a ocultar a ocorrência do fato gerador. Notificada em 30/06/2008, fl. 324-verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25/07/2008, fls. 325/336, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10650.001235/2007-01 Acórdão n.º 1801-00.416 S1-TE01 Fl. 360 5 Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Diante de todo o exposto e tendo em vista os fundamentos e provas ora apresentadas e, e Considerando que restou comprovado que a Recorrente sofreu a retenção na fonte do Imposto de Renda e das Contribuições (PIS, COFINS e CSLL) constantes das notas fiscais relacionadas nos Demonstrativos de fls. 60/62; Considerando que houve dedução a menor do IRRF no 4º Trimestre de 2003 e no 1º e 3º Trimestres de 2004, conforme demonstrado; Considerando que nos termos do art. 36 de Lei n° 10.833/2003, os valores retidos são considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte a título de imposto e contribuições, 'sem qualquer restrição ou condição; Considerando que para a exigência da multa qualificada de 150% há que se provar que o contribuinte tenha adotado conduta intencional de fugir ao pagamento dos tributos; Considerando que a qualificação da multa se deu porque a Recorrente apresentou DIPJ Inativa quando efetivamente teve atividade no período; Considerando que, conforme restou provado nos autos, referida Declaração foi apresentada por iniciativa exclusiva do contador da empresa, sem que o seu sócio gerente tivesse conhecimento; Considerando que nestas circunstâncias a jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido de ser incabível a aplicação da multa qualificada; A Recorrente REQUER a Vossa Senhoria Seja acolhido o presente Recurso para: I - Que sejam deduzidos das respectivas exigências os valores retidos pelas pessoas jurídicas tomadoras dos serviços da Recorrente, a seguir indicados: a) A título de Imposto de Renda no 4º trimestre ano de 2003, a importância de R$ 127,32 conforme demonstrado nos itens 13 a 15; b)A título de Imposto de Renda os valores de R$ 26,09 e R$ 89,75 nos 1° e 3° Trimestres de 2004, respectivamente, relativos às retenções efetuadas pelo SAAE - Serviço Autônomo de Águas e Esgoto, conforme demonstrado e provado no item 16; c) Relativos às Contribuições - PIS, COFINS e CSLL - nos meses de março a dezembro de 2004, os valores retidos mensalmente e indicados no quadro do item 21, discriminados mensalmente, nos casos de PIS e COFINS e, trimestralmente, no caso da CSLL. II - Que seja determinada a redução da multa de lançamento de oficio ao , percentual básico de 75% (setenta e cinco por cento), visto que incabível a sua qualificação na hipótese de inexistência de conduta dolosa por parte da contribuinte, como medida de JUSTIÇA. Nestes termos, Fl. 369DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Sobre a apresentação da DIPJ Retificadora, o Código Tributário Nacional (CTN) determina: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Vale ressaltar o enunciado da Súmula CARF n 33, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. No presente caso, as DIPJ Retificadoras dos anos-calendário de 2003, fls. 74 e 80/114, e de 2004, fls. 74 e 115/149, constam nos registros internos da RFB como apresentadas em 20/06/2007, ou seja, após o início da ação fiscal, consubstanciado no Termo cientificado à Recorrente em 10/04/2007, fls. 43/45. Assim, estes documentos não produzem quaisquer efeitos para fins da presente exigência fiscal. Em relação ao erro material que a Recorrente alega ter cometido, vale privilegiar o princípio da verdade real. Neste sentido, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos. Sobre o lançamento, o RIR, de 1999, fixa: Fl. 370DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10650.001235/2007-01 Acórdão n.º 1801-00.416 S1-TE01 Fl. 361 7 Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). [...] Art.540. Poderá ser deduzido do imposto apurado na forma deste Subtítulo o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 9.532, de 1997, art. 10). [...] Art.815. As pessoas jurídicas que compensarem com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora (Lei nº 4.154, de 1962, art.13, §3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 64). [...] Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). [...] Art.942.As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Art.943.A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). [...] §2ºO imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e 2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Fl. 371DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 162299 Número do Processo 10508.000648/2004-61 Turma 5ª Câmara Contribuinte TECVAN INFORMÁTICA LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 16/10/2008 Relator(a) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Nº Acórdão 105-17289 Tributo / Matéria IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Ementa Assunto: IRPJ, CSLL, COFINS, PIS Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: [...]. IRPJ - DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ART. 526 DO RIR/99 - Comprovada a retenção na fonte de imposto de renda, por meio de informes de rendimentos bancários, é possível deduzir tal montante do valor de imposto devido, nos termos do art. 526 do RIR/99. [...] Nº Recurso 162299 Número do Processo 10508.000648/2004-61 Turma 5ª Câmara Contribuinte TECVAN INFORMÁTICA LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 16/10/2008 Relator(a) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Nº Acórdão 105-17289 Tributo / Matéria IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Ementa Assunto: IRPJ, CSLL, COFINS, PIS Ano- calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: [...] IRPJ - DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ART. 526 DO RIR/99 - Comprovada a retenção na fonte de imposto de renda, por meio de informes de rendimentos bancários, é possível deduzir tal montante do valor de imposto devido, nos termos do art. 526 do RIR/99. Está registrado na Termo de Verificação Fiscal, fls. 40/42: É cientificado, em 27/08/2007, da prorrogação do mandado de procedimento fiscal e intimado a apresentar o efetivo recolhimento dos valores retidos, sob pena de desconsiderá-los, conforme AR fls 151 a 153. Não respondeu a intimação acima, até a presente data e, portanto, os valores retidos considerados foram os contidos nas DIRFs apresentadas à Receita Federal do Brasil pelas pessoas jurídicas às quais foram prestados serviços. [...] Em 20/06/2007, apresentou, o contribuinte, DIPJ, intempestiva, para os anos- calendário de 2003 e 2004, com tributação pelo lucro presumido, quando deveria apresentar a de lucro real trimestral, contudo, os valores informados como receita, naquela DIPJ, serviram para ratificar os valores constantes das planilhas e dos blocos de notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. [...] Fl. 372DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10650.001235/2007-01 Acórdão n.º 1801-00.416 S1-TE01 Fl. 362 9 A Fiscalização, com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, dos sistemas informatizados da SRFB, de relatórios internos, extraiu e compilou os [...] dados [...] Ao analisar a receita da empresa no período de 2003 a 2004, acima demonstrada, fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da empresa com base na receita conhecida, já que empresa não possui contabilidade regular, conforme disposto no art. 530, inciso III, do RIR/99. O sujeito passivo deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos. A Recorrente que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro. Como ficou comprovado nos autos, no período objeto da ação fiscal, o imposto devido trimestralmente foi determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, uma vez que a Recorrente não apresentou à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal a que estava obrigada. O IRPJ deve ser apurado conforme os critérios previstos na legislação tributária (Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, na Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1996 e na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no arbitrado pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período somente o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas computadas na sua determinação. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstram sua afirmativa. Por esta razão devem ser deduzidos dos tributos devidos os valores retidos pelas fontes pagadoras e evidenciadas mediante Comprovantes Anuais de Retenção, fls. 337/356, na proporção das receitas computadas na sua determinação. Verifica-se que nos anos- calendário de 2003 e 2004, o valor tributável apurado de ofício a título de receita bruta auferida nos Autos de Infração, fls. 04/39, é compatível com quase a totalidade dos valores constantes nos Comprovantes Anuais de Retenção apresentados pelas fontes pagadoras, fls. 337/346. Para fins dos cálculos dos montantes dos tributos devidos formalizados nos Autos de Infração, fls. 04/39, foram considerados os valores informados nos documentos apresentados pela Recorrente, fls. 80/149, os quais se referem à retenção na fonte. Por esta razão, devem ser deduzidos dos montantes dos tributos devidos as quantias atinentes à retenção na fonte incidentes proporcionalmente sobre as receitas computadas na sua determinação, desde que comprovados e que não foram considerados para no procedimentos fiscal. No presente caso, a legislação permite a dedução dos valores de IRRF referentes aos códigos de arrecadação nºs: - 1708 - prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas, de acordo com o art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e com os Comprovantes Anuais de Retenção apresentados pelas fontes pagadoras, fls. 337/344, em cotejo com os valores já deduzidos, fls. 80/149, por ocasião do procedimento fiscal tem-se: IRPJ Fl. 373DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Fato Gerador Trimestre Ano calendário de 2003 Rendimento Bruto – R$ Valor Retido Comprovado e Não Considerado na Exigência Fiscal R$ 1º Trimestre 147.695,84 0,00 2º Trimestre 90.110,54 0,00 3º Trimestre 77.611,10 0,00 4º Trimestre 69.593,60 127,32 - 5952 – prestações de serviços caracterizadamente de natureza profissional efetuados por pessoas jurídicas, em conformidade com a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que determina: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) [...] Art. 31. O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente. Conforme os Comprovantes Anuais de Retenção apresentados pelas fontes pagadoras, fls. 346/356, tem-se: CSLL Trimestre Ano-Calendário 2004 Rendimento Bruto – R$ Valor Retido Comprovado e Não Considerado na Exigência Fiscal R$ 1º Trimestre 99.493,84 258,01 2º Trimestre 94.807,47 868,19 3º Trimestre 145.041,00 1.398,80 4º Trimestre 140.034,40 1.352,89 PIS Fl. 374DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10650.001235/2007-01 Acórdão n.º 1801-00.416 S1-TE01 Fl. 363 11 Fato Gerador Ano-Calendário - 2004 Rendimento Bruto – R$ Valor Retido Comprovado e Não Considerado na Exigência Fiscal R$ Janeiro 28.779,26 0,00 Fevereiro 44.912,28 0,00 Março 25.801,70 167,60 Abril 27.246,00 177,08 Maio 55.806,64 362,74 Junho 11.754,75 76,39 Julho 38.857,50 251,96 Agosto 25.225,00 163,35 Setembro 80.958,50 525,63 Outubro 25.225,00 163,36 Novembro 64.359,00 417,73 Dezembro 50.450,00 326,72 Cofins Fato Gerador Ano-Calendário - 2004 Rendimento Bruto – R$ Valor Retido Comprovado e Não Considerado na Exigência Fiscal R$ Janeiro 28.779,26 0,00 Fevereiro 44.912,28 0,00 Março 25.801,70 774,04 Abril 27.246,00 230,52 Maio 55.806,64 1.674,27 Junho 11.754,75 352,63 Julho 38.857,50 1.165,72 Agosto 25.225,00 756,05 Setembro 80.958,50 2.428,75 Outubro 25.225,00 756,75 Novembro 64.359,00 1.930,78 Dezembro 50.450,00 1.513,50 Logo, cabe razão em parte a Recorrente, uma vez que devem ser deduzidos dos montantes dos tributos devidos as quantias atinentes à retenção na fonte incidentes proporcionalmente sobre as receitas computadas na sua determinação, desde que comprovados e que não foram considerados para no procedimentos fiscal. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. A Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, determina: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 375DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 12 I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Por seu turno, a Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 40/42 Em 10/04/2007 o contribuinte foi intimado através do Termo de início de Fiscalização a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os esclarecimentos e documentos constantes daquele termo que justifiquem a apresentação de DIPJ de inativa, sendo que foi detectado pelos sistemas internos da Receita Federal do Brasil o exercício remunerado de serviços por parte da empresa para os anos-calendário de 2003 e 2004. (fls. 43 a 45). [...] O contribuinte teve retido, conforme termo de retenção, em 20/06/2007, 03 blocos de notas fiscais, com emissões de 05/08/2002 a 28/12/2004; 04 planilhas contendo a receita mensal de 2003 e 2004, fls. 59 a 63. [...] Em 20/07/2007, apresentou o contribuinte, resposta ao termo acima, em que justifica a apresentação de declarações de inativa para posterior regularização, informa que retificou as DIPJs e encaminha cópia das mesmas, fls. 66 a 149. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10650.001235/2007-01 Acórdão n.º 1801-00.416 S1-TE01 Fl. 364 13 [...] Como não fez pagamento do imposto com o código de Presumido, nem com o de estimativa está obrigada à tributação pelo lucro real trimestral, tendo, indevidamente, entregue DIPJ como inativa, apesar de ter exercido atividade e emitido notas fiscais referente aos materiais e serviços prestados. Em 20/06/2007, apresentou, o contribuinte, DIPJ, intempestiva, para os anos- calendário de 2003 e 2004, com tributação pelo lucro presumido, quando deveria apresentar a de lucro real trimestral, contudo, os valores informados como receita, naquela DIPJ, serviram para ratificar os valores constantes das planilhas e dos blocos de notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 22/11/2010): Nº Recurso 151691 Número do Processo 10120.004334/2005-62 Turma 1ª Turma Contribuinte FRANCISCO DE ASSIS SILVA - O GOIANO Tipo do Recurso - Recurso de Divergência do Procurador - Dado Provimento Por Maioria Data da Sessão 10/11/2008 Relator(a) José Clóvis Alves Nº Acórdão CSRF/01- 06.021 Tributo / Matéria IRPJ - AF - lucro arbitrado Decisão Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Jose Carlos Passuello e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA - CONDUTA CONTINUADA.- Da conduta continuada se extrai a intenção (dolo), para concluir-se pela aplicação da multa qualificada nos termos do artigo 71 da Lei nº 4.502/64. O fato do contribuinte entregar DIPJs em três anos como inativa, tendo faturamento expressivo declarado ao Estado para efeito de ICMS e no quarto ano declarado valor ínfimo em relação ao faturamento real, pode- se pode concluir pela existência de dolo, necessário à aplicação da norma contida no artigo 71 da Lei nº 4.502/64. [...] Recurso especial provido. [...] Nº Recurso 160751 Número do Processo 19647.011400/2006-77 Turma 8ª Turma Especial Contribuinte PAULO SERGIO ANDRADE DA SILVA MERCADINHO-ME Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 16/09/2008 Relator(a) João Francisco Bianco Nº Acórdão 198-00022 Tributo / Matéria Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 [...] EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Não se trata de mera declaração inexata, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%, a informação constante na DAS de valores “zerados” de faturamento mensal, como se pessoa jurídica estivesse inativa, quando a recorrente estava Fl. 377DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 14 operando e apurando receitas normalmente. Recurso Voluntário Negado. O dolo precisa efetivamente ficar demonstrado. Ressalte-se que os fatos apurados pela autoridade fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da Recorrente de subtrair valores à tributação pela omissão de receitas em decorrência da não escrituração das notas fiscais de serviços prestados, em conformidade com as informações constantes nos Demonstrativos de fls. 59/63 em cotejo com aquelas informadas nas DSPJ – Inativa de fls. 74/79 dos anos-calendário de 2003 e 2004. Por conseguinte, o lançamento não contém incorreções. No que se refere à interpretação da legislação e entendimentos jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos aos quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Em face de o exposto, voto, no mérito, por dar provimento em parte recurso voluntário para admitir os valores retidos pelas fontes pagadoras. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 378DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 13884.002784/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
ARBITRAMENTO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA FISCAL. FALTA DO LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO ORIGINAL. IMPROCEDÊNCIA
A apresentação do Livro Registro de Inventário sem registro, autenticação e com supostas incorreções, não são razões suficientes para desclassificação da escrita e arbitramento do lucro, quando o contribuinte não deu causa ao extravio do livro original e, em substituição, apresentou planilhas eletrônicas em correspondência com os valores registrados na escrituração comercial
Numero da decisão: 1301-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 ARBITRAMENTO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA FISCAL. FALTA DO LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO ORIGINAL. IMPROCEDÊNCIA A apresentação do Livro Registro de Inventário sem registro, autenticação e com supostas incorreções, não são razões suficientes para desclassificação da escrita e arbitramento do lucro, quando o contribuinte não deu causa ao extravio do livro original e, em substituição, apresentou planilhas eletrônicas em correspondência com os valores registrados na escrituração comercial
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DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA FISCAL. FALTA DO LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO ORIGINAL. IMPROCEDÊNCIA A apresentação do Livro Registro de Inventário sem registro, autenticação e com supostas incorreções, não são razões suficientes para desclassificação da escrita e arbitramento do lucro, quando o contribuinte não deu causa ao extravio do livro original e, em substituição, apresentou planilhas eletrônicas em correspondência com os valores registrados na escrituração comercial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 27 84 /2 00 3- 13 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13884.002784/200313 Acórdão n.º 1301002.581 S1C3T1 Fl. 371 2 Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório extraído do Acórdão nº 10516.244, referente ao julgamento do recurso voluntário realizado em 24/01/2007, complementandoo ao final: "CEREALISTA TURCI LEÃO LTDA., empresa já qualificada nestes autos, foi autuada em 29/05/2003, com ciência em 01/07/2003, relativamente à Contribuição Social CSLL (fls.125/128), no montante de R$ 48.251,35, nele incluído o principal, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/04/2003. O auto de infração em tela é reflexo do auto de infração do IRPJ (processo administrativo n° 13884.005041/200214). Consoante discriminado no Termo de Verificação e Descrição dos Fatos do IRPJ 1997 MP n° 0812000/00063/02 (fls. 55/60), foram constatadas as seguintes irregularidades: o Livro Registro de Inventário da empresa, livro fiscal de uso obrigatório, além de não estar devidamente registrado e autenticado, está escriturado de forma que não discrimina, especifica, ou identifica as mercadorias em estoque, impossibilitando averiguar a justeza dos valores nele inscritos; . a planilha de estoque exercício de 1997, com a demonstração do estoque final das mercadorias no mês de dezembro/97, está incompleta e inconsistente. Não estão relacionados os documentos de entrada e saída das mercadorias e os valores informados como custos finais unitários em dezembro/97 são incompatíveis com os valores reais obtidos com a recomposição do quantitativo do estoque referente aos saldos em dezembro/97; pelas planilhas apresentadas, vêse que as mesmas não se prestam para suprir a falta de escrituração regular no Livro de Registro de Inventário e a falta dos registros de movimentação dos estoques da empresa, tornandose impossível à determinação com segurança do Custo das Mercadorias Vendidas e do Lucro Real da contribuinte; a autoridade tributária com base no artigo 539, inciso II do RIR/1994, arbitrou o lucro de empresa; Inconformada com as exigências fiscais das quais tomou ciência em 01/07/2003, a contribuinte interpôs, em 30/07/2003 a impugnação de fls. 138/144, na qual alega, em síntese: a) que se fosse aceito o arbitramento do lucro, as apurações trimestrais do fato gerador em 31/03/1997, 30/06/1997 e 30/09/1997 estriam alcançadas pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional; b) que a empresa não mantém controle de estoque permanente, fazendo inventário físico ao final da cada período, utilizandose do método PEPS para valoração de seus estoques; Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13884.002784/200313 Acórdão n.º 1301002.581 S1C3T1 Fl. 372 3 c) que em atendimento às intimações fiscais, encaminhou mapa em que estão arroladas item por item as mercadorias em estoque em 31/12/1997, bem como mapa nas mesmas condições das mercadorias em estoque em 31/12/1996; d) quanto às discrepâncias apresentadas pela fiscalização com relação aos estoques de Cedrinho/Cambará e Mogno, afirma que a autoridade autuante errou, pois não incluiu o valor do frete e não excluiu o valor do ICMS recuperável na valoração do estoque; e) que possui Livro Modelo 7, inventário de mercadorias em estoque, apreendido pela fiscalização estadual em 13/11/1992, conforme auto de apreensão n 041959, e não devolvido até a data da apresentação da impugnação; f) que possui os lançamentos de inventário item por item em planilhas eletrônicas, e que lançou pra fins de registro os valores globais em um Livro Modelo 7 sem autenticação, e quando da devolução do livro original pelo fisco estadual, faria os registros exigidos; g) que no anocalendário de 1997 apurou prejuízo fiscal compensável de R$ 71.126,65 e, desta forma, qualquer glosa ou recomposição do resultado resultaria em redução do prejuízo compensável e não em crédito tributário sujeito a pagamento; Em 23 de maio de 2006, a 2a Turma/DRFJ Campinas SP julgou o lançamento procedente, conforme ementas abaixo transcritas: "DECADÊNCIA. CSLL Nos termos do art. 45, inciso I, da lei n° 8.212, de 1991, é de 10 (dez) anos o prazo para a constituição de crédito tributário relativo à CSLL, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. ' , . TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL; O entendimento adotado no lançamento reflexo da CSLL acompanha o decidido acerca da exigência matriz do IRPJ, em virtude de íntima relação de causa e efeito que os vincula". Irresignada com a decisão "a quo", a contribuinte ofereceu recurso voluntário (fls. 185/194), alegando, em síntese: a) Decadência. Entende que a decadência para o IRPJ é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Como o presente auto é reflexo do IRPJ, "se o IRPJ decaiu, não existe Lucro Líquido, portanto a CSLL também decaiu" b) Que possui escrita fiscal e contábil em perfeitas condições, portanto, passível de análise e se necessário, reconstituição de qualquer das contas existentes em sua contabilidade; c) Que toda a documentação solicitada estava à disposição da autoridade autuante; d) Que inclusive foi apresentada em planilha a movimentação do estoque; e) Que continua em disposição, devidamente arquivada, toda documentação de suporte; Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13884.002784/200313 Acórdão n.º 1301002.581 S1C3T1 Fl. 373 4 f) Que o Sr. Relator se deteve a fazer defesa do auto de infração elaborado pelo colega autor do feito; g) Que o que consta da decisão do Sr. Relator são divagações, num esforço para manter uma autuação que não tem fundamento jurídico para prosperar; h) Que existem Acórdãos em abundância que indicam que os motivos para arbitramento do lucro, são insuficientes para tal, portanto, inexiste lucro, conseqüentemente deixa de existir a CSLL, motivo da presente. i) Solicitando, por fim, o acolhimento de suas razões e contra razões e que se cancele no total o auto de infração, julgando a procedência total do recurso, por ser ato de justiça e direito. Conforme despacho de fl. 206, os bens arrolados não são passíveis de registro e como não existem outros, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para a apreciação deste Colegiado. É o relatório." Ao apreciar o Recurso Voluntário, na sessão realizada em 24/01/2007, a 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu a preliminar de decadência e deu provimento ao recurso voluntário da recorrente. Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando em síntese: Não cabe ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar o art. 45 da Lei nº 8.212/91 pois estaria declarando sua inconstitucionalidade e o órgão não possui competência para apreciar a validade de normas legais frente à Constituição; O art. 45 da Lei nº 8.212/91 é norma especial frente ao art. 150, § 4º do CTN, e, como este mesmo diploma admite a edição de normas específicas sobre o prazo decadencial, inexiste qualquer conflito entre essas disposições; O prazo decadencial de 10 anos estabelecido pela Lei nº 8.212/91 referese ao lançamento das contribuições destinadas à seguridade social independentemente do sujeito ativo da obrigação; A jurisprudência do STJ entende que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos em que houver pagamento antecipado, tem prazo decadencial de cinco anos contados a partir do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Inexistindo pagamento antecipado não há o que se homologar e, neste caso, o termo inicial do prazo decadencial de dez anos deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, A recorrente apresentou, tempestivamente, contrarrazões ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, reiterando as alegações constantes da impugnação e recurso voluntário e requereu a confirmação do acórdão que reconheceu a decadência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13884.002784/200313 Acórdão n.º 1301002.581 S1C3T1 Fl. 374 5 No julgamento realizado em 11/05/2009 a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu a decadência dos lançamentos de CSLL relativos ao anocalendário de 2007 e negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário onde alega que não havendo pagamento antecipado, aplicase o dies a quo previsto no art. 173, I, do CTN, uma vez que não se trata de lançamento por homologação, mas simples lançamento exofficio. Entende que a aplicação do art. 150 § 4º do CTN somente é aplicável aos casos em que tenha havido o efetivo pagamento adiantado do crédito tributário, porém, no caso concreto, em que não houve recolhimento antecipado, não há o que se homologar, devendo ser aplicado o termo inicial previsto no art, 173, I do CTN. Na apreciação do Recurso Extraordinário, a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela aplicação do repetitivo do STJ que consolidou e entendimento de que, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não há pagamento o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I, do art. 173 do CTN e não no art. 150 § 4º. Dessa forma, foi dado provimento ao recurso extraordinário da Fazenda e determinado o retorno dos autos à Câmara a quo para o julgamento do mérito apenas quanto ao fato gerador de 12/1997. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Tratase o auto de infração de lançamento reflexo de CSLL, decorrente da autuação de IRPJ em que foi efetuado o arbitramento do lucro no ano de 1997, através do processo administrativo fiscal nº 13884.005041/200214. Consta do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração, que o Livro Registro de Inventário da empresa, além de não estar devidamente autenticado e registrado, está escriturado de forma que não discrimina, especifica, ou identifica as mercadorias em estoque, impossibilitando averiguar a justeza dos valores nele inscritos. Por este motivo, a escrituração tornouse imprestável para a determinação com segurança do lucro real da contribuinte, restando caracterizada a hipótese de arbitramento prevista no art. 539 II do RIR/94. Considerando que o mérito da autuação relativa ao IRPJ foi objeto de análise no processo administrativo nº 13884.005041/200214, com decisão administrativa transitada em julgado favoravelmente à recorrente, bem assim, em virtude da íntima relação de causa e efeito entre o lançamento principal, IRPJ, e o reflexo de CSLL, adoto as razões de decidir constantes do Acórdão nº 10515.819, de 22/06/2006, da lavra do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, a seguir transcritas: "MÉRITO ARBITRAMENTO — LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13884.002784/200313 Acórdão n.º 1301002.581 S1C3T1 Fl. 375 6 No mérito, compulsados os elementos trazidos ao processo, não identificamos razões suficientes para a desconsideração da escrita da recorrente, uma vez que: 1. a empresa, quando intimada, apresentou toda a documentação requisitada pela fiscalização, colocando à sua disposição todos os livros contábeis e fiscais, bem como os documentos de entrada e saída de mercadorias; 2. a ausência da apresentação do Livro Registro de Inventário se deu por razão alheia à vontade da empresa, uma vez que o citado Livro tinha sido apreendido pela fiscalização estadual; 3. a empresa, visando suprir a falta do Livro Registro de Inventário, ofereceu demonstrativos nos quais encontramse perfeitamente discriminadas as mercadorias do seu estoque; 4. os demonstrativos apresentados pela empresa à fiscalização guardam inteira relação com os valores contabilizados; 5. os exemplos trazidos pela autoridade fiscal, bem como as razões indicadas para demonstrar a existência de uma suposta inconsistência dos números oferecidos pela empresa, não permitem criar a convicção da imprestabilidade da escrituração da recorrente. Ademais, se deve ressaltar que, no arbitramento do lucro fundamentado na desclassificação da escrita oferecida pelo sujeito passivo, não sendo o caso da existência de indícios de fraude, os erros ou deficiências detectados que desautorizam a apuração do lucro real devem restar indubitavelmente comprovados. No caso vertente, a deficiência essencial apontada pela autoridade fiscal, qual seja, a de que o Livro Registro de Inventário da empresa, além de não estar devidamente registrado e autenticado, foi escriturado sem que fossem discriminadas, especificadas ou identificadas as mercadorias em estoque, não pode se revelar como razão suficiente para a desclassificação da escrituração uma vez que, em substituição, a recorrente apresentou planilhas eletrônicas, nas quais as mercadorias em estoque foram devidamente especificadas, discriminadas e identificadas, e mais, os valores consignados guardavam total correspondência com os registrados na escrituração comercial." Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13884.002784/200313 Acórdão n.º 1301002.581 S1C3T1 Fl. 376 7 Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902458/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 24 58 /2 00 9- 91 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.902458/200991 Acórdão n.º 1402002.645 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.902458/200991 Acórdão n.º 1402002.645 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.902458/200991 Acórdão n.º 1402002.645 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.902458/200991 Acórdão n.º 1402002.645 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000225/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO.
No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa.
Numero da decisão: 3302-004.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 02 25 /2 00 2- 41 Fl. 793DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, com fundamento no crédito presumido, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, e Portaria MF nº 38/97, do período de apuração referente ao 2º trimestre de 2002. A contribuinte impetrou mandado de segurança, fls. 2921, a fim de que seus pedidos de compensação fossem analisados, e obteve a segurança pleiteada, na qual a sentença determinou que o processo administrativo fosse instruído em 30 dias e decidido nos trinta dias seguintes. Sobreveio o despacho decisório, indeferindo o pedido, fls. 319 e seguintes, cuja ementa é transcrita abaixo: CRÉDITO PRESUMIDO IPI: O crédito presumido é apurado com base no valor dos insumos efetivamente consumidos na industrialização dos produtos exportados, e, para tanto, deve a requerente fornecer os elementos de cálculo necessários à avaliação desses insumos. Tal beneficio fiscal, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, foi instituído pela Medida Provisória 948/95 e suas reedições, que posteriormente foi convertida na Lei n° 9.363/96. Sua utilização deverá observar as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, cabendo à interessada a prova dos fatos que tenha alegado. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 340 e seguintes, onde alegou em síntese que: 1. Que ela foi intimada pela SAORT/DRF/Blumenau pela intimação fiscal nº 041/2007 para apresentar documentos, visando à análise dos pedidos de homologação de declarações de compensação de tributos. A contribuinte solicitou prorrogação de prazo para a entrega de documentos, contudo, a DRF em Blumenau indeferiu o pedido de prorrogação sob o argumento de que a análise estava sendo examinada em atendimento à decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.72.05.0051978/SC, onde foi fixado um prazo de 60 (sessenta dias) para finalização do procedimento; 2. Afirma que possui toda a documentação e não pode ser privada do direto de ver seu crédito tributário compensado em razão da não apresentação de todos os documentos. Ela informa que teve que instruir simultaneamente 24 (vinte e quatro) processos administrativos de compensações de tributos, envolvendo vários exercícios fiscais, atendendo rigorosamente as diretrizes impostas pelas portarias e instruções normativas da SRF, tanto que necessitou contratar serviços especializados de assessoria especializada na área para dar atendimento as exigências, o que lamentavelmente não foi possível diante da exiguidade do prazo concedido; 3. Sustenta que ela pode juntar documentos em qualquer fase do processo administrativo, em razão do princípio da verdade documental, razão pela qual requereu a juntada dos documentos exigidos pela autoridade fiscal, solicitando revisão da decisão de indeferimento do pedido de compensação. 1 Todas as páginas, referencidas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13977.000225/200241 Acórdão n.º 3302004.697 S3C3T2 Fl. 3 3 Houve o julgamento da manifestação de inconformidade pela DRJ/Ribeirão Preto, fls. 436 e seguintes, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 446 e seguintes, onde reafirmou as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou: 1. Ela é empresa fabricante e exportadora de móveis e esquadrias de madeira. Durante muitos anos, vem desenvolvendo atividades de produção destinadas especificamente à exportação, direcionando seus esforços ao comércio exterior; 2. Em razão do princípio da verdade material, os documentos anexados na fase impugnatória devem ser analisados e assim já decidiu este Tribunal Administrativo que a apresentação dos documentos na fase de impugnação é válido; 3. Pleiteia pela nulidade do acórdão da DRJ, devendo os autos serem baixados à gerência de origem, de modo que a autoridade originária analise o pedido da interessada à luz dos documentos por ela trazidos aos autos. Sobreveio, então, julgamento do CARF, acórdão nº 380300.733, de 29 de setembro de 2010, Relator Alexandre Kern, que anulou a decisão da DRJ, a ementa do julgado é transcrita abaixo, fls. 470: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. INTIMAÇÃO. ARQUIVAMENTO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários pela autoridade competente para a respectiva Fl. 795DF CARF MF 4 apresentação implicará o apreciação de pedido de ressarcimento, o não atendimento no prazo fixado arquivamento do processo, que hão deverá ter seguimento enquanto o requerente não atender o solicitado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS NO MOMENTO PROCESSUAL DA RECLAMAÇÃO. A prova documental que instrui a Manifestação de Inconformidade, tempestivamente apresentada, deve ser conhecida pela autoridade julgadora de primeira instância administrativa. O processo retornou à DRJ/Ribeirão Preto, que devolveu o presente processo ao órgão preparador para, fls. 480: Diante do teor do acórdão proferido pelo CARF entendo que o presente processo deva ser baixado em diligência para que a fiscalização se pronuncie sobre: 1°) A documentação juntada pelo interessado atendeu as intimações, inclusive o arquivo magnético (CD) apresentado, feitas no decorrer do exame do pedido? 2°) A documentação juntada pelo interessado prova no todo ou em parte o direito creditório alegado? (Em caso afirmativo, em quanto montaria tal crédito contra a Fazenda nacional?). Sobreveio a informação fiscal, fls. 484, onde demonstrou quais itens foram atendidos e não atendidos, e em relação a um documento específico informou, in verbis: Tendo em vista a não apresentação dos itens 11 e 13 restou não comprovado o direito creditório alegado, com destaque para o item n° 13, que trata da apresentação da memória de cálculo, que nos termos do artigo 6° da IN SRF n° 23/97 deve ser mantida pela empresa em boa guarda. A contribuinte, então, manifestouse, fls. 491, no sentido de que a lei não prevê que, para a comprovação do direito ao crédito, se faz necessária a apresentação da memória de cálculo, nem mesmo o mencionado artigo 6º, da IN SRF nº 23, de 1997. Solicita prorrogação de prazo para juntar a memória de cálculo e o anexo V. Posteriormente, a contribuinte ainda apresentou memória de cálculo de crédito presumido e o anexo V, fls. 711, complementando assim a Manifestação de Informação Fiscal da Requerente protocolada no início de junho de 2011. O acórdão da DRJ/Ribeirão Preto julgou improcedente novamente a segunda manifestação de inconformidade, fls. 716. A ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13977.000225/200241 Acórdão n.º 3302004.697 S3C3T2 Fl. 4 5 É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A contribuinte, então, apresentou novamente Recurso Voluntário, fls. 724, onde repisou a argumentação apresentada e acrescentou: 1. Que a alegação da DRJ/Riberão Preto no sentido de não comprovação do crédito por intempestividade é infundada, afirma que mesmo não apresentada a memória de cálculo, não poderia o julgador concluir que não está comprovado o direito alegado; 2. Diz que no anexo V, em formato exigido pela SRFB, consta a relação das entradas de insumos, demonstrados todos os produtos com seu respectivo destaque de IPI, dos CFOP's 1.11 e 2.11, que deram origem ao crédito. Além disso, estão relacionadas todas as Notas Fiscais de exportação direta e indireta, que compõem os CFOP's informados em documento anexo e arquivo digital; 3. Afirma que os documentos constantes dos autos, juntamente aos que seguiram em anexo por ocasião à Manifestação à Informação Fiscal, protocolada em 01/06/2011 (memória de cálculo), comprovam a existência do crédito reclamado; 4. Suscita que não houve zelo por parte da fiscalização na análise dos documentos apresentados, uma vez que eles atendem ao exigido na legislação, pois os cálculos foram baseados no que prescreve o artigo 3º, da Portaria 38/1997. Os autos subiram, novamente, a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde por meio da Resolução nº 3803000.231, Relator Jorge Victor Rodrigues, o feito foi convertido em diligência para, fls. 761: Na medida em que o recorrente apresentou farta documentação tendente à comprovação do alegado, bem assim requereu a juntada aos autos às fls. 463/465, de novos documentos intitulados como Memória de Cálculo de Créditos Presumidos, outrora solicitados pela fiscalização e que não foram oportunamente examinados pelo juízo a quo, para que não se caracterize a afronta ao artigo 5º, LIV e LV, da CF/88, e para que se cumpram os preceitos contidos no princípio da verdade material, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, com vistas ao pronunciamento pela autoridade competente acerca da existência e do quantum de crédito presumido de IPI dispõe o sujeito passivo, para fim do ressarcimento postulado. Fl. 797DF CARF MF 6 Sobreveio informação fiscal, fls. 784, com abertura do documento pela contribuinte, fls. 790, em 10 de julho de 2015, mas sem qualquer tipo de manifestação por parte desta. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do Recurso Voluntário 2.1. Momento para apresentação da documentação A Recorrente faz uma retrospectiva fática no início do seu Recurso Voluntário, posteriormente, insurgese contra a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, que entendeu, por sua vez, que houve a preclusão temporal e que a contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Ela fundamenta o seu direito crédito no artigo 1º, da Lei nº 9.393, de 1996, e diz que o crédito pleiteado pode ser comprovado por meio das informações contidas nos autos, relacionando os documentos que se encontram acostados e que comprovam o referido crédito. Quanto ao momento de apresentação da documentação, não vejo qualquer óbice à apresentação no momento da manifestação da inconformidade, período no qual se instaura o real litígio entre o contribuinte e a Secretaria da Receita Federal, fazendo uma analogia entre a impugnação administrativa e a manifestação de inconformidade: Decreto nº 70.235/1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Ocorre que, pela análise dos autos, quando estes retornaram a Este Egrégio Tribunal Administrativo e houve a conversão do feito em diligência, a contribuinte foi intimada para apresentar uma série de documentos, fls. 778, que não foi atendida, superando, portanto, a alegação do momento para apresentação da documentação. 2.2. Princípio da verdade material A Recorrente argumenta que apresentou a documentação e que a decisão da DRJ/Ribeirão Preto desrespeita o princípio da verdade material, ademais, cita uma série de precedentes do Carf. Pelos mesmos fundamentos, adotados no tópico anterior, a argumentação encontrase superada pela conversão do feito em diligência e o não atendimento por parte da Recorrente da intimação realizada. 2.3. Cerceamento ao direito de defesa Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13977.000225/200241 Acórdão n.º 3302004.697 S3C3T2 Fl. 5 7 A Recorrente alega que o entendimento da DRJ/Ribeirão Preto, ao fundamentar que após a apresentação do contencioso administrativo não pode mais analisar a documentação, fere o direito de defesa com previsão constitucional, e, portanto, pela falta de análise deve ser considerada nula, citando, mais uma vez, uma série de precedentes do Carf. Afirma que os cálculos foram realizados em conformidade com a legislação pertinente, qual seja, a Portaria nº 38, de 1997. Mais uma vez, voltase ao fato de que o feito foi convertido em diligência com a finalidade de apurar os valores dos créditos presumidos, mas por falta de iniciativa da própria Recorrente a diligência não foi concluída. Cabe esclarecer que o ônus da prova, quanto à existência de crédito ou não, cabe à Recorrente nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015. Portanto, diante da falta de produção probatória por parte da Recorrente, tornase improcedente o pedido contido no Recurso Voluntário quanto à verificação dos créditos. Quanto ao pedido de que as intimações sejam dirigidas ao escritório do patrono da Recorrente, não há previsão legal para tal determinação, pois o artigo 67, da Lei nº 9.532, de 1997, determina que as intimações serão "por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo." Portanto, o domicílio tributário, eleito pela Recorrente, é o local das intimações. 2.4. Conclusão Por todo exposto, conheço o recurso voluntário, mas nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 799DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006598/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/08/2008
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.444
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/08/2008 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/08/2008 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 65 98 /2 00 9- 77 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.251da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/08/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 13/08/2008 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/08/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.006598/200977 Acórdão n.º 3402004.444 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.007189/2004-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA.
Descabe a autuação por omissão de receitas financeiras quando restar comprovado que o sujeito passivo não as auferiu, conforme demonstrado em declarações retificadoras das respectivas instituições financeiras.
GLOSA DE DESPESAS DE JUROS E DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. DESCABIMENTO.
As despesas com juros e variações monetárias passivas são dedutíveis sempre que o interessado comprovar, mediante documentos idôneos, a legitimidade dos contratos de empréstimo celebrados com agentes financeiros no exterior, inclusive mediante registro das operações no Banco Central do Brasil.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado.
TAXAS DE JUROS. SELIC. APLICAÇÃO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
Numero da decisão: 1201-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Descabe a autuação por omissão de receitas financeiras quando restar comprovado que o sujeito passivo não as auferiu, conforme demonstrado em declarações retificadoras das respectivas instituições financeiras. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS E DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. DESCABIMENTO. As despesas com juros e variações monetárias passivas são dedutíveis sempre que o interessado comprovar, mediante documentos idôneos, a legitimidade dos contratos de empréstimo celebrados com agentes financeiros no exterior, inclusive mediante registro das operações no Banco Central do Brasil. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. TAXAS DE JUROS. SELIC. APLICAÇÃO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
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INOCORRÊNCIA. Descabe a autuação por omissão de receitas financeiras quando restar comprovado que o sujeito passivo não as auferiu, conforme demonstrado em declarações retificadoras das respectivas instituições financeiras. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS E DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. DESCABIMENTO. As despesas com juros e variações monetárias passivas são dedutíveis sempre que o interessado comprovar, mediante documentos idôneos, a legitimidade dos contratos de empréstimo celebrados com agentes financeiros no exterior, inclusive mediante registro das operações no Banco Central do Brasil. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. TAXAS DE JUROS. SELIC. APLICAÇÃO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 71 89 /2 00 4- 28 Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão deste Conselho que resolveu converter o julgamento em diligência, peço vênia para reproduzila, conforme segue: Tratase de autos de infração e imposição de multa relativos ao IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS, COFINS) lavrados pela DRF de Manaus/AM, referentes ao anocalendário de 1999 (fls. 06/28), cujo crédito tributário exigido à época perfazia a soma total, incluindo juros e multa, de R$ 74.634.466,76 (Setenta e quatro milhões, seiscentos e trinta e quatro mil, quatrocentos e sessenta e seis reais e setenta e seis centavos). Durante o procedimento fiscalizatório, o Sr. Agente fiscal apurou divergências entre o total dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras declaradas à Receita Federal pelas respectivas fontes pagadoras (Banco BCN e Banco Bandeirantes) e o total das receitas financeiras escrituradas pela Recorrente. Diante disso, foi constituído o crédito tributário relacionado ao IRPJ e à CSLL em razão de omissão de receitas financeiras, bem como de PIS e COFINS reflexos. Ainda, o Sr. Agente fiscal, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, glosou a dedução das despesas financeiras com juros passivos, bem como das variações cambiais passivas incidentes sobre o empréstimo contraído com o Japan Bankers Trust Company e constituiu o respectivo crédito tributário de IRPJ e CSLL. Segundo seu entendimento, a obrigação firmada pela Recorrente com o citado banco na verdade referese à venda de títulos internacionais sem garantia, oferecidos no mercado externo (eurobônus) e adquiridos pela própria Gradiente Eletrônica S/A, através de sua controlada integral CIA. TILESTAR, pessoa jurídica com sede no Uruguai, donde conclui que não há dívida alguma com o Japan Bankers Trust Company, cabendo a este tão somente o papel de intermediário na colocação dos títulos no mercado externo. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 4 3 Por fim, durante a autuação fiscal, para fins de apuração do IRPJ, também foi constatado pelo Sr. Agente Fiscal que havia diferença a maior entre o valor do IRRF oriundo de aplicações financeiras deduzido na DIPJ e o total das retenções declaradas à Receita Federal pelas respectivas fontes pagadoras através das DIRFs. Desta forma, houve a glosa da diferença compensada a maior pela Recorrente no importe de R$ 650.582,38. Cientificada da lavratura dos autos de infração em 27/12/2004, a Recorrente apresentou Impugnação Administrativa em 26/01/2005. Quanto ao primeiro item da autuação referente à omissão de receitas no importe total de R$ 9.109.921,83, oriundas da diferença entre o total dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras declarados à Receita Federal pelas respectivas fontes pagadoras no valor de R$ 16.007.902,14 e o total das receitas financeiras escrituradas no montante de R$ 6.897.980,31, esclarece a Recorrente que tal diferença deve ser desmembrada em três valores que, somados, correspondem à integralidade: (i) R$ 4.670.472,38; (ii) R$ 4.150.758, e (iii) 288.690,64. Nesta seara, explica que o montante do item (i) foi declarado indevido pelo próprio Banco Bandeirantes S.A. em carta enviada à Secretaria da Receita Federal datada de 04/01/2005; que a quantia referente ao item (ii) também foi incorretamente apurada pelo Banco de Crédito Nacional, uma vez que a totalidade dos rendimentos auferidos pela Recorrente naquela instituição financeira, no anocalendário de 1.999, foi de R$ 88.854,89 e, por fim, que o valor do item (iii) referese a rendimentos de aplicações financeiras contabilizados de acordo com o princípio de competência e os tributos sobre eles incidentes j á foram recolhidos nos exercícios de 1997 e 1998. Trouxe documentos de fls. 167/242. Desta feita, conclui que nada é devido a título de omissão de receitas financeiras. Quanto ao segundo e terceiro itens da autuação, a Recorrente explica que em 11/07/1997, na qualidade de emitente, firmou "Contrato Multilateral" com Bankers Trust Company, na qualidade de fiduciário, Bankers Trust Luxembbourg S.A., na qualidade de agente de transferência e com Japan Bankers Trust Company Ltd., na qualidade de agente pagador do principal, conforme cópia apensada aos autos (fls. 31 a 170 do Anexo 1). O objetivo do mencionado contrato era a emissão de notas promissórias ("Notes") da Recorrente no mercado internacional, no montante de US$ 100.000.000,00, através do agente pagador, a fim de captar recursos financeiros a serem aplicados em suas atividades no Brasil. Esclarece que as "Notes" são títulos emitidos por empresas brasileiras através de instituições no exterior, buscando financiar as operações da empresa brasileira, sendo o agente Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 5 4 pagador o responsável exclusivo pela distribuição e colocação pública dos mencionados títulos no mercado internacional. Assim, ressalta que os valores por ela devidos a título de juros ou qualquer outro pagamento aos detentores dos "Notes" foi feito diretamente ao agente pagador (Japan Bankers Trust Company Ltd.) que, por sua vez, os repassou aos diversos possuidores dos títulos, conforme cláusula 4.01 e seguintes do contrato multilateral firmado, não havendo pagamento direto e exclusivo à empresa controlada, CIA. TILESTAR S/A e nem envio de recursos desta à Recorrente, como entendeu o fisco. Alega, ainda, que seguiu os ditames legais brasileiros, fazendo prova de que os documentos a ela relacionados foram devidamente registrados no Banco Central do Brasil (fls. 69 a 72 do presente processo). Nesse diapasão, entende que tais deduções são legítimas, vez que se enquadram como despesas operacionais previstas no artigo 299 do RIR/99, sendo incontestável seu fundamento econômico como medida de capitalização e incremento das atividades da empresa. Desta feita, conclui que o lançamento oriundo da glosa dos valores relativos aos juros e variações cambiais passivas efetuado pelo fisco, supondo que as "Notes" emitidas pela Recorrente foram adquiridas por ela mesma através de sua controlada integral CIA. TILESTAR S.A., não pode persistir, vez que se baseia em mera presunção, cabendo ao Fisco o ônus da prova, nos termos do artigo 333 do CPC. Cita jurisprudência sobre o assunto. No que tange ao quarto item da autuação, referente à glosa da compensação a maior de IRRF no montante R$ 650.582,38, assevera a Recorrente que o entendimento do fisco restou equivocado, devendo ser cancelado o lançamento perpetrado. Isto porque o valor total da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do anocalendário de 1.999 nunca foi de R$ 3.197.787,15, segundo informado pelo Sr. Agente Fiscal em fls. 29/30, mas sim de R$ 1.431.734,71, conforme planilha de fls. 68 e demonstrativo de rendimentos dos bancos de fls. 193/210 do Anexo I. Neste sentido, esclarece a Recorrente que o IRPJ apurado no valor de R$ 3.848.369,53 foi efetivamente quitado por meio de compensação da seguinte forma: (i) R$ 1.187.766,68 foi compensado com o IRRF do anocalendário de 1999, cujo total apurado foi de R$ 1.431.734,71, conforme cópia do livro Razão de fls. 211 do Anexo I e (ii) R$ 2.660.602,85 foi compensado com crédito tributário oriundo do processo administrativo n.° 10283.007499/9805 (fls. 212/213 do Anexo I). Por fim, insurgese a Recorrente contra a aplicação da Taxa Selic, pugnando pela aplicação de juros de mora de 1% ao mês, conforme previsto no artigo 161, parágrafo 1" do CTN. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 6 5 Ainda em sua Impugnação, alega a Recorrente que houve erro nos valores apurados como devidos pela autoridade fiscal, vez que esta lançou como prejuízos compensados e base de cálculo negativa compensada o montante de R$ 2.733.426,55, quando o valor correto neste campo seria de R$ 26.331.171,51. Deste modo, o valor tributável pelo IRPJ e pela CSLL seria reduzido de R$ 85.037.145,15 para R$ 61.439.400,19, ensejando a redução da quantia de R$ 20.249.878,32 da presente autuação. Ademais, insurgese que o valor relativo ao adicional da CSLL no montante de R$ 128.146,68 não encontra qualquer explicação ou planilha no auto de infração que possa identificálo. Ao analisar os autos, a DRJ em Belém, em 14/04/05, converteu o julgamento da impugnação em diligência, a fim de que: (i) fossem anexadas aos autos provas de que os recursos captados pela Recorrente foram enviados por sua controlada CIA TILESTAR S/A; (ii) fosse oficiado ao Banco Central do Brasil para a confirmação do recebimento de recursos na ordem de US$ 100.000.000,00 que originaram a glosa de despesas com juros e variação cambial; (iii) fossem intimados os bancos Bandeirantes S/A e BCN S/A para que informassem qual foi o total das receitas financeiras da Recorrente no anocalendário de 1999; (iv) que fosse enviada à DRJ cópia integral do processo administrativo n.° 10283.007499/9805, que deu origem aos créditos de IRRF compensados pela Recorrente, e (v) que após a satisfação dos itens acima fosse novamente intimada a Recorrente para apresentar novos argumentos. Em 05/07/2006, a DRF de Manaus encerrou a diligência realizada. Nessa seara, concluiu inicialmente que o contribuinte tem razão ao afirmar erro nos cálculos do IRPJ e da CSLL, pois realmente só foi deduzido como prejuízo fiscal/base negativa o montante de R$ 2.733.576,55, sendo efetuados novos cálculos. Além disso, constatou também que razão assiste ao contribuinte quanto à inexistência de omissão de receitas financeiras, vez que tanto os valores dos rendimentos quanto dos respectivos IRRF pagos e retidos pelos bancos Bandeirantes S/A e BCN S/A foram retificados, conforme declarações apensadas. Ademais, a diferença de R$ 288.690,94 também deve ser excluída, vez que se refere a rendimentos escriturados pelo regime de competência (fls. 169 a 242). Desta feita, assevera o Sr. Agente Fiscal que, em razão da inexistência de omissão de receitas financeiras, a infração descrita no quarto item (compensação a maior de IRRF) deverá ser retificada para desconsiderar os valores não retidos pelo Banco Bandeirantes S/A e pelo Banco BCN S/A, mas incluídos no cálculo da diferença de imposto apurada. Ainda neste ponto, destaca não possuir previsão legal a compensação efetuada pelo contribuinte diretamente na DIPJ de créditos de IRRF em exercícios anteriores com débitos de IRPJ. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 7 6 Quanto à coleta de provas no sentido de que os recursos captados pela Recorrente foram, na verdade, enviados por sua controlada integral, o Sr. Agente Fiscal se pautou nas Notas Explicativas da Administração às Demonstrações Financeiras. Na nota n.° 09 referente às Demonstrações Financeiras de 31/12/1997, a Recorrente informou que em julho/1997 emitiu títulos Eurobônus no total de 100; na nota n.° 12 das Demonstrações Financeiras de 31/12/1999, informou que durante o ano de 1.999 efetuou através de sua subsidiária integral, CIA TILESTAR S/A, a compra parcial dos referidos Eurobônus no importe de US$ 8.960.000,00, com deságio de 78,1%; na nota n.° 10 das Demonstrações Financeiras de 31/12/2.001, informou que entre 30/09/1999 e 31/12/2001 efetuou a compra parcial dos referidos Eurobônus através de sua subsidiária integral, detendo em 31/12/2.001 o valor equivalente a US$ 65.410.000,00 e na nota n.° 11 das Demonstrações Financeiras de 31/12/2.002, informa que entre 30/09/1999 e 11/07/2002 efetuou a compra integral dos referidos Eurobônus através de sua subsidiária integral, detendo em 31/12/2.002 o valor equivalente a US$ 100.000.000,00. Assim, concluiu o Sr. Agente Fiscal que os títulos Eurobônus emitidos em 1997 somente foram adquiridos pela CIA TILESTAR S/A durante os anos de 1999 a 2002, ressalvando que a Recorrente demonstrou o efetivo recebimento do valor total dos títulos em 11/07/97, pagos pela instituição financeira intermediária (Japan Bankers Trust Company). Em relação aos ofícios enviados ao Banco Central do Brasil para esclarecimentos sobre o recebimento de recursos na ordem de US$ 100.000.000,00 pela Recorrente e à DRF solicitando cópia do processo administrativo, esclareceu o Sr. Agente Fiscal que as respostas seriam enviadas diretamente à DRJ. Diante das conclusões acima, foram refeitos os cálculos dos autos de infração, apurandose o total de R$ 59.459.613,90 a título de IRPJ e CSLL, atualizado até 31/05/2006, excluindo os valores relativos ao PIS e à COFINS. Devidamente cientificado do término da diligência em 05/07/2006, o Recorrente apresentou nova Manifestação em 04/08/2006. Inicialmente, repisou as razões constantes de sua Impugnação no sentido de serem dedutíveis os juros e as variações cambiais passivos glosados pela fiscalização, vez que a operação realizada consistiu efetivamente na tomada de empréstimo destinado ao financiamento de suas atividades operacionais, ainda que as "Notes" emitidas tenham sido adquiridas integralmente por sua controlada (CIA TILESTAR S/A) durante os anos de 1999 a 2002. Por fim, insurgiuse a Recorrente contra o agravamento da exigência fiscal constante do item "4" do auto de infração (Compensação a maior de IRRF sobe aplicações financeiras), Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 8 7 afirmando que jamais compensou o IRPJ devido neste período com créditos de IRRF que lhes foram indevidamente atribuídos durante a fiscalização e depois sumiram em razão da retificação das DIRFs. Assevera que compensou o IRPJ com créditos efetivamente existentes de IRRF no importe de R$ 1.431.734,71, valor este não contestado pela fiscalização, e com créditos oriundos do processo administrativo n.° 10283.007499/9805, no montante de RS 2.660.602,85, conforme informado na DIPJ do anocalendário de 1.999. Sustenta a compensação realizada na Lei 9430/96 e IN SRF 21/97 que permitiam a compensação de créditos tributários do sujeito passivo com parcelas vencidas ou vincendas de quaisquer tributos administrados pela SRF, sendo certo que em se tratando de tributos vincendos da mesma espécie o procedimento independia de prévio requerimento à SRF. Esclarece, ao final, que os créditos relacionados ao processo administrativo n.° 10283.007499/9805 são oriundos de retenções de Imposto de Renda sobe aplicações financeiras nos anos de 1995 a 1998, os quais não puderam ser compensados à época em virtude de apuração de prejuízo. Ao julgar as impugnações do contribuinte, a DRJ em Belém manteve parcialmente o lançamento efetuado a título de IRPJ e cancelou os lançamentos relacionados à CSLL, ao PIS e à COFINS. Quanto à glosa das despesas com juros e variação monetária passiva decorrente de empréstimo captado no exterior, entendeu a DRJ que diante das provas existentes nos autos não há como se inferir que no anocalendário de 1997 foi a controlada (CIA TILESTAR S/A), e não Japan Bankers Trust Company Ltd., quem disponibilizou à Recorrente os recursos na ordem de 100 (cem) milhões de dólares, os quais seriam oriundos da compra dos "Notes" emitidos no mercado exterior. Isto porque, conforme extrato bancário da Recorrente apensado aos autos (fls. 251), os recursos oriundos da emissão dos "Notes" foram disponibilizados na conta mantida junto ao Banco Itaú em julho de 1997, enquanto a empresa controlada adquiriu os "Notes" emitidos pela Recorrente somente durante os anos de 1999 a 2002, restando claro que não se trata do mesmo pagamento. Alegou, ademais, que o relato do Sr. Agente Fiscal indica a ocorrência de simulação. Todavia, é requisito desta que esteja presente o dolo, a manifesta vontade de fraudar o fisco. O dolo, por sua vez, não pode ser presumido, devendo existir prova cabal de sua existência. Desta feita, inexistindo prova do dolo, a DRJ reconheceu a improcedência desta parte do lançamento. Em relação à omissão de receitas financeiras, diante das provas existentes nos autos de que houve erro por parte das instituições bancárias (Banco Bandeirantes S/A e Banco BCN S/A) que retificaram as DIRFs apresentadas, bem como diante da confirmação de que a outra parte do débito imputado originava se de receitas financeiras j á oferecidas à tributação pelo regime de competência, a DRJ cancelou o lançamento efetuado. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 9 8 No tangente à compensação a maior do IRRF, inicialmente a DRJ afastou o agravamento do lançamento sugerido pelo Sr. Agente Fiscal, uma vez que decaído o direito do fisco de constituir mencionado crédito tributário, nos termos do artigo 173, I, do CTN. Por outro lado, entendeu a DRJ que, em que pese a Recorrente devesse ter apurado a quantia de R$ 2.416.634,82 a pagar, não constou em sua DIPJ a informação do valor devido (fl. 101), de modo que não há débito confessado. Inobstante isso, ocorreu a homologação da DIPJ, não sendo permitida a alteração dos valores nela indicados. Por conseqüência, como a Recorrente não declarou o IRPJ devido na DIPJ, nada há a ser compensado. Ademais, sustenta a DRJ que como o processo administrativo de compensação teve início em 1998 e a Recorrente somente teve ciência do presente lançamento de IRPJ em 27/12/2004, é possível concluir que não existe pedido de compensação do valor ora exigido, de modo que deve ser mantido o lançamento nesta parte. Ao final, a DRJ manteve a incidência dos juros com base na Taxa Selic. Intimada do acórdão prolatado pela DRJ, a Recorrente interpôs tempestivamente Recurso Voluntário em 31/10/2006, com identidade de alegações efetuadas em sua Impugnação e Manifestação quanto à parte do crédito tributário mantido. Acresce apenas em sua argumentação que não é justo ser punida com a desconsideração da compensação efetuada tão somente por ter cometido um lapso involuntário de não declarar o tributo devido na DIPJ. Cita jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que a não apresentação ou preenchimento incorreto da DCTF não pode ser condição para se exigir tributo extinto por compensação aperfeiçoada e arremata alegando que o próprio pedido de compensação constitui confissão de dívida, sendo desnecessária a declaração em DIPJ. Como visto, em sessão de 31 de agosto de 2006, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Belém, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento relativo ao IRPJ e improcedentes os lançamentos a título de CSLL, PIS e COFINS, conforme decisão de fls. 318 e seguintes. Da decisão houve Recurso de Ofício, por força do limite de alçada, posto que o Acórdão da DRJ afastou grande parte das autuações. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, com ênfase na pequena parcela em que restou vencida. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 10 9 É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como foram autuadas várias infrações faremos a análise tópica dos pontos controvertidos, conforme segue. a) Omissão de receitas financeiras Este primeiro tópico, que é objeto do Recurso de Ofício, referese à autuação de omissão de receitas financeiras na apuração do resultado do exercício de 1999, caracterizada pela diferença entre o total dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras declarados à Receita Federal pelas fontes pagadoras, no valor de R$ 16.007.902,14, e o total das receitas financeiras escrituradas nos registros do contribuinte: R$ 6.783.650,54 + R$ 114.329,77, de sorte que a fiscalização apurou diferença no montante de R$ 9.109.921,83, que considerou tributável a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A interessada esclarece que o total da diferença corresponderia a três valores distintos: R$ 4.670.472,38, R$ 4.150.758,81 e R$ 288.690,64, relativos aos Bancos Bandeirantes, BCN e a aplicações financeiras escrituradas de acordo com o regime de competência. A Delegacia de Julgamento de Belém propôs diligência para que os valores fossem apurados e eventualmente confirmados. A autoridade fiscal, ao concluir os trabalhos, assim se manifestou (fls. 285 destacaremos): Antecipando sobre a resposta dada para o subitem 6.3 do referido despacho DRJ (intimação de instituições financeiras), constatamos que tanto os valores dos rendimentos como os respectivos IRRF pagos e retidos pelos bancos Bandeirantes (rendimentos de R$ 4.670.472,38 e IRRF de R$ 934.094,47) e BCN (rendimentos de R$ 4.150.758,81 e IRRF de R$ 830.151,60), conforme alegações constantes do item 4.2 da impugnação (fls. 150/152), não foram recebidos pelo contribuinte, tendo em vista que as declarações retificadoras apresentadas constam do sistema de controle da Receita Federal (vide telas em anexo). Por outro lado, verificamos que a diferença de R$ 288.690,94 (vide fls. 169 a 242) referese a rendimentos de aplicações financeiras escrituradas pelo regime de competência, devendo ser excluída da infração apontada pela fiscalização. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 11 10 Assim sendo e tendo em vista que os valores retificados dos rendimentos e dos respectivos IRRF efetivamente recebidos e retidos dos bancos Bandeirantes e BCN estão incluídos nos demonstrativos de fls. 32, 63, 65 e 66, o total da omissão de registro de receitas financeiras na escrituração deve ser considerado como improcedente (item 001 do AI de IRPJ). Verificase, portanto, que quanto a este tópico não merece reparos a decisão recorrida, pois a autoridade diligenciante reconheceu o equívoco dos informes de rendimentos apresentados pelas fontes pagadoras e constatou que as correspondentes declarações retificadoras foram apresentadas à Receita Federal e confirmam os argumentos da interessada. No mesmo sentido, apurouse que o valor de R$ 288.690,94 autuado refere se a receitas financeiras já oferecidas à tributação pelo regime de competência, o que também justifica a sua exclusão dos lançamentos. b) Glosa de despesas financeiras e glosa de variações monetárias passivas A fiscalização alega que a interessada não poderia deduzir, no exercício de 1999, juros passivos e valores a título de variação monetária passiva relativos ao empréstimo contraído com o Japan Bankers Trust Company, por entender que a operação teria sido simulada, uma vez que os títulos oferecidos no mercado internacional teriam sido adquiridos pela própria empresa, por meio de sua controlada integral, a Cia. Tilestar S/A. Entendeu a autoridade fiscal que não havia qualquer dívida com o Japan Bankers Trust Company, que teria sido apenas o intermediário da operação. Ante a falta de apresentação de documento hábil e idôneo que lastreasse a obrigação, a fiscalização glosou os juros e as variações cambiais passivas, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano de 1999, sob o argumento de que não havia base legal para a dedutibilidade. Podemos constatar que a autoridade fiscal entendeu como inexistente o vínculo com a entidade financeira estrangeira, pois os títulos teriam sido adquiridos pela sua subsidiária integral e qualquer dedução a título de despesas ou encargos financeiros seria ilegítima, por não se enquadrar no conceito de despesas operacionais do artigo 299 do RIR/99. A matéria também foi objeto de diligência proposta pela instância de piso, que a partir das novas provas coletadas constatou que (destacaremos): 1) O Banco Central do Brasil aprovou a captação, por parte da impugnante, de 100 milhões de dólares americanos a serem disponibilizados no dia 11 de julho do anocalendário de 1997. A captação deuse por meio de empréstimo contraído junto ao Japan Bankers Trust Company Limited (fls. 69 a 72); 2) os recursos foram efetivamente recebidos pela impugnante em julho do anocalendário de 1997, conforme cópia de extrato de conta corrente mantida junto ao Banco Itaú S/A (fl. 251); 3) No registro da operação de câmbio junto ao Banco Central, que teve o Banco Itaú S/A como comprador da moeda estrangeira, consta que os recursos foram enviados pelo Japan Bankers Trust Company Ltd (fls. 252 a 257); Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 12 11 4) A garantia do empréstimo recebido deuse por meio de notas promissórias que passaram a ser comercializadas pelo fornecedor dos recursos (Japan Bankers Trust Ltd) no mercado internacional, nos termos do contrato anexado às folhas 31 a 170 do anexo I; 5) No curso do anocalendário de 1999, a controlada da impugnante, Compañía Tilestar, sediada no Uruguai, comprou parte dos eurobônus atrelados ao empréstimo obtido pela impugnante. Conforme relato no documento à folha 261, a aquisição deuse com deságio em relação ao valor de face dos títulos; 6) Esta operação foi registrada nas Notas Explicativas das demonstrações financeiras da impugnante referente ao ano calendário de 1999 (fl. 74) e serviu de base para a fiscalização da Receita Federal glosar os juros e variações monetárias passivas relacionados à operação do empréstimo de 100 milhões de dólares americanos sob o argumento de que tratouse de recurso enviado pela própria impugnante por meio de sua subsidiária. A partir dos elementos ao norte transcritos, a decisão de primeira instância afastou a glosa dos juros e das variações monetárias passivas, sob o argumento de que a fiscalização teria presumido a artificialidade da operação, sem, contudo, ter logrado êxito em demonstrar a sua ilegitimidade. Este tópico também foi objeto de Recurso de Ofício. Concluise pelo acerto da decisão recorrida, pois não se sustenta, com base nos documentos acostados aos autos, a tese de que a operação teria sido feita "no âmbito da própria interessada", com a transferência de recursos pela Cia. Tilestar, já em 1997. A suposta simulação da operação, que envolveria diversos agentes financeiros (Credit Suisse First Boston Limited (agente de lançamento dos títulos), Japan Banker Trust Company Ltd. (financiador), Bank Trust Company (fiduciário e agente de pagamento) e Banker Trust Luxembourg S/A (agente de transferência e de pagamento), exigiria que a autoridade fiscal qualificasse a multa e apresentasse representação fiscal para fins penais, providências que não foram adotadas quando do lançamento. Com efeito, não há como presumir o alegado dolo na operação, até porque os documentos indicam que o valor do empréstimo que teve como garantia a emissão de notas promissórias no exterior foi efetivamente recebido pela interessada do agente financiador, o Japan Banker Trust Company Ltd., conforme extrato a seguir reproduzido: Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 13 12 Nesse cenário, caberia à autoridade fiscal comprovar, para além de qualquer dúvida, que os valores remetidos teriam como origem a controlada Cia. Tilestar e não o agente financiador estrangeiro, até porque o contrato e a operação foram registrados no Banco Central e constam das demonstrações financeiras da empresa. E mais: a documentação acostada aos autos, o relatório da diligência solicitada pela DRJ e as declarações da empresa indicam que somente em 1999 teve início o processo de aquisição, com deságio, de parte dos títulos relativos ao empréstimo recebido em 1997, como aduz a defesa: Quando da primeira aquisição de Notes pela Tilestar, como muito bem narrado no Relatório Anual da Impugnante, a Cia. Tilestar fez um bom negócio, ao ser capaz de adquirir, no mercado, Notes emitidas pela Impugnante no valor de face de US$ 8.960.000,00 (equivalentes, à época, a R$ 17.224.000,00) por valor equivalente a R$ 3.767.000,00, gerando um ganho de R$ 13.457.000,00, ganho este devidamente contabilizado na Tilestar e integrante de seu lucro, também devidamente reconhecido no balanço da Impugnante e incluído na base de IRPJ e CSLL em 31 de dezembro de 2001, como estabeleceu a Medida Provisória n° 2.15835/2001. Vejam, Senhores Julgadores, que não foram razões tributárias, mas sim, oportunidades de mercado que fizeram com que a Cia. Tilestar adquirisse Notes emitidas pela Impugnante. Desta forma, verifiquese que, nos anos de 1999 e 2000, a Cia. Tilestar apenas era detentora de 8,96% do total das Notes emitidas, total esse que representava US$ 100 milhões. Neste caso, o máximo que a fiscalização poderia tentar considerar como indedutível sem nenhuma base legal, frisese bem seria apenas uma pequena parcela das despesas financeiras relativas às Notes. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 14 13 Nova aquisição de Notes pela Cia. Tilestar somente foi realizada no ano de 2001, passando essa a ser detentora de Notes equivalentes a US$ 65,41 milhões. Ainda assim, o restante das Notes estava em poder de investidores do mercado financeiro internacional. No ano de 2002, justamente em face da mudança das condições do mercado internacional, aliado ao fato de a Cia. Tilestar dispor de recursos financeiros e também ao fato de que os investidores teriam novamente o direito de exercício de "put", a Cia. Tilestar enxergou como boa a oportunidade de adquirir mais Notes, passando a deter 100% delas De se notar que não há como acolher a glosa integral de despesas relativas ao anocalendário de 1999 sob o argumento de que desde o momento da operação (em 1997), os recursos obtidos seriam oriundos da Cia. Tilestar. Não há nos autos provas nesses sentido, razão pela qual não merece reparos a decisão recorrida. c) Compensação a maior do IRRF Este tópico referese à compensação procedida pela empresa, considerada incorreta pela fiscalização, de valores de IRRF incidentes sobre rendimentos decorrentes de aplicações financeiras. A autoridade fiscal apurou diferença entre o valor deduzido na DIPJ do período, de R$ 3.848.369,53, e o total das retenções declarado à Receita Federal pelas respectivas fontes pagadoras, mediante entrega de declarações de IRRF, no valor de R$ 3.197.787,15, durante o anocalendário de 1999, o que ensejou a glosa da diferença, no valor de R$ 650.582,38, que teria sido compensada a maior. A defesa da interessada aduziu que: Vale esclarecer que o valor apurado de IRPJ, qual seja, R$ 3.848.369,53, foi efetivamente pago pela IMPUGNANTE no tempo e modo devidos (não em espécie, mas por meio da compensação), sendo certo, portanto, que tal montante está composto por: (i) R$ 1.187.766.68, valor compensado com o IRRF do ano calendário de 1999 e constante do total apurado no mesmo ano, no valor de R$ 1.431.734,71 (vide cópia do livro Razão doc. 09); e (ii) R 2.660.602,85, parcela de valor objeto do processo administrativo n. 10.283.007499/98 05 (doc. 10) e devidamente compensado com o IRRF. Este foi o único valor mantido pela decisão de piso, a partir dos seguintes fundamentos: De acordo com o auto de infração, no anocalendário de 1999 a impugnante deduziu, na apuração do IRPJ, o valor de R$ Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 15 14 3.848.369,53 a título de IRRF. No curso da ação fiscal, restou evidenciado que o valor a deduzir seria de R$ 3.197.787,15; restando um diferença tributável na ordem de R$ 650.582,38 a título de glosa de dedução indevida Assim, a diferença apurável é de R$ 3.848.369,53 R$ 1.431.734,71 = R$ 2.416.634,82. A impugnante justifica esse valor com a decisão da DRF/Manaus de deferir pedido de compensação formulado, conforme documentos às folhas 212 e 213 do anexo I. A respeito desta parte da exação, a fiscalização destaca no Relatório de Diligência que não existe previsão legal que ampare a impugnante na adição de valores pleiteados em processo de compensação na linha 13 da ficha 13A da DIRPJ. A informação está plenamente de acordo com a legislação em vigor. De fato, a impugnante deveria ter apurado R$ 2.416.634,82 de IRPJ a pagar. A apuração de valor a pagar não indica que a quitação se dê somente por meio de pecúnia. Pode ser que seja aquiescida a compensação do valor devido. E neste particular que reside o dilema deste processo. Como não consta na DIRPJ a informação do valor devido (fl.101), não há que se falar em débito confessado. A informação é relevante na medida em que já ocorreu a homologação da DIRPJ, de sorte que não é exeqüível qualquer alteração dos valores ali indicados. Assim, temse que a impugnante não declarou IRPJ devido na DIRPJ; o que inviabiliza a abordagem do assunto sob a ótica do pedido de compensação. Nada há a ser compensado em relação ao IRPJ no anocalendário de 1999. Com efeito, pelo número do processo de compensação (10283.007499/9805) é possível constatar que o pedido foi protocolado no anocalendário de 1998. Como a ciência do lançamento deuse em 27 de dezembro de 2004; somente nesta data a impugnante tomou conhecimento de que havia o valor de R$ 650.582,38 de IRPJ a ser recolhido. Como o lançamento foi materializado após o pedido de compensação/restituição, é possível concluir que não existe pedido de restituição/compensação do valor lançado pela fiscalização. Nesses termos, há que ser reconhecer a dedução irregular do valor no IRPJ devido, o que justifica a exação. Sustenta a interessada que a compensação realizada se deu com base nos dispositivos legais, que permitiam a compensação de créditos tributários vincendos com débitos da mesma espécie, independentemente de prévio requerimento à Receita Federal, e que não seria justo ser punida com a desconsideração da compensação efetuada apenas por não ter declarado, por lapso, o tributo compensado na DIPJ. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 16 15 Em sessão de 15 de outubro de 2008, a 2a Turma da 1a Câmara do Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Ora, no caso em análise, a DRJ determinou a baixa dos autos em diligência para que fosse anexada cópia do processo administrativo n.° 10283.007499/9805. Contudo, a única informação prestada pela autoridade fiscal responsável em fls. 212 e 213 do Anexo I é a de que existe um pedido de restituição e que o contribuinte pode compensar tributos que não são da mesma natureza desde que observe as normas procedimentais da IN 21/97. Ora, esta informação não é suficiente, por si só, para confirmar a real existência do crédito tributário pleiteado, bem como o cumprimento do disposto no art. 14, §3o da IN 21/97, insofismável, portanto, a necessidade de uma nova diligência. A autoridade fiscal encarregada da diligência não se manifestou sobre a existência de direito creditório, mas apenas informou os procedimentos adotados (fls. 674): Então, em atendimento à citada Resolução n. 10102.674, anexamos a este processo de exigência de crédito tributário CÓPIA INTEGRAL dos processos n. 10283007499/9805 e 10283008294/200212, de pedido de compensação de créditos tributários, tendo em vista que o primeiro foi anexado ao segundo, em 200703, conforme tela do sistema Comprot anexa. Por oportuno, esclarecemos que estivemos pessoalmente na PGFNAM para solicitar o envio dos autos originais dos processos n. 10283007499/9805 e 10283008294/200212, para fins de DIGITALIZAÇÃO dos mesmos, e verificamos que os referidos processos encontramse com carga daquele Órgão em virtude da conexão com o processo n. 10283003953/200658, de pedido de compensação de créditos tributários, ao qual estão vinculadas duas inscrições de débitos em dívida ativa da União, nos valores totais de R$ 17.156.007,58 e de R$ 1.605.023,67, conforme telas Resultado de Consulta Inscrição Localizada, em anexo, emitidas em 030614. Como não se pode apurar, com base nas informações e documentos colacionados, a existência de direito creditório (informação também presente nos documentos de fls. 670 e 673), entendo que não há como acolher a pretensão da interessada, razão pela qual não merece reparos a decisão de primeira instância. d) Juros SELIC Por fim, no que respeita à utilização da SELIC como taxa de juros, a posição deste Conselho encontrase sumulada, de modo que não podem prosperar os argumentos em sentido contrário aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10283.007189/200428 Acórdão n.º 1201001.805 S1C2T1 Fl. 17 16 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento, assim como NEGO provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912099/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 99 /2 01 2- 17 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.840, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912099/201217 Acórdão n.º 3301003.813 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 199DF CARF MF
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