Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10508.720503/2015-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.823
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud, que lhe negava provimento. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Relatório
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10508.720503/2015-32
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921386
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-000.823
nome_arquivo_s : Decisao_10508720503201532.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10508720503201532_5921386.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud, que lhe negava provimento. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulede - Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório
dt_sessao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7483839
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870323609600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2.442 1 2.441 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.720503/201532 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.823 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de setembro de 2018 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO DRAWBACK Recorrente BARRY CALLEBAUT BRASIL IND. E COM DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud, que lhe negava provimento. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulede Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança de R$ 54.345.830,13, relativa a exigência de impostos e contribuições incidentes sobre a importação de insumos (II; PIS/COFINSImportação), acrescida de juros de mora e multa de ofício e, Contribuição para AFRMM Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, pelo fato da Recorrente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .7 20 50 3/ 20 15 -3 2 Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.443 2 ter descumprido o regime de Drawback modalidade suspensão para os 07 (sete) Atos Concessórios de Drawback a seguir descritos: Atos Concessórios Número Registro Validade 20080013945 16/05/2008 16/05/2010 20080013970 15/05/2008 15/05/2010 20080026850 20/03/2009 22/03/2010 20080130585 18/03/2009 18/03/2010 20090002172 10/03/2009 10/03/2011 20090022823 26/05/2009 26/05/2011 20090073312 17/12/2009 19/12/2012 Conforme se verifica na conclusão do Termo de Verificação Fiscal (fls.1.293 1.317), as irregularidades constatadas pela fiscalização foram as seguintes: "84.CONCLUSÃO: Não é possível a verificação com exatidão da vinculação física entre o cacau importado e os produtos exportados, em cumprimento ao pactuado pelo Ato COncessório de Drawback, objetos desta fiscalização. Embora se saiba que a fiscalizada realiza mistura de cacau importado com nacional (com teor médio de mistura mensal superior a 80% de cacau nacional), e destine a maior parte dessa mistura ao mercado interno. E pela faltar de apresentação dos controles necessários, principalmente o controle alternativo, com escrituração de lançamento operação por operação, ou no mínimo diários, como já mencionado, não é possível verificar com exatidão a quantidade de insumo importado que foi destinado ao mercado interno, nem a quantidade que retornou para o exterior. Portanto, a fiscalizada inadimpliu o regime Drawback Suspensão, tanto por não lograr êxito em prova a vinculação física do produto importado contido no produto exportado, quanto por dar saída do insumo importado com benefício ao mercado interno sem o pagamento dos tributos na importação, e desta maneira não preenche as condições de usufruir de tal benefício. 85. A falta de apresentação dos controle e registros exigidos pela legislação fragiliza sobre maneira o controle aduaneiro sobre as mercadorias importadas nesse Regime especial, desvirtuando tal incentivo à exportação. Ademais, esses requisitos são essenciais para aplicação do benefício, que deverão observar os Princípios Constitucionais da Isonomia (art. 150, II), da Livre Concorrência (art.170, IV), além do efetivo Controle Aduaneiro (art. 237). 86.(...) Constatado o inadimplemento do Benefício Drawback Suspensão, conforme demonstrado, a fiscalizada perde o direito a usufruir do benefício em questão, e toda importação benefíciada pelo regime será enquadrada em regime de importação comum, com incidência de todos os tributos suspensos no momento da importação, com os devidos acréscimos legais. Intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação (fls.1.442 1.492), alegando, em síntese apartada: preliminarmente (i) os créditos lançados foram atingidos pela decadência; (ii) incompetência da RFB para analisar e criar requisitos de concessão do regime de Drawback: Súmula 100 do CARF; (iii) Incoerência interna do Auto de Infração pela impossibilidade de verificação dos produtos exportados versus afirmação de que não houve exportação da totalidade do produto importado; (iv) impossibilidade de lançamento com base em presunção simples; (v) a legislação possibilita que o fisco se utilize de arbitramento exatamente para evitar meras presunções; (vi) inversão do ônus da prova; meritoriamente, (vii) princípio da equivalência: possibilidade de utilização de cacau nacional Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.444 3 na fabricação dos derivados destinados à exportação sob o regime de Drawback; (viii) Fungibilidade das Amêndoas de Cacau; e (ix) impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Em 08 de abril de 2016, foi proferido o acórdão nº 16071.169 (fls.2.2682.305) julgando, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação para manter o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/03/2010 DRAWBACK. O Beneficiário desembaraçou mercadorias com suspensão de impostos. Findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário nenhuma das providências para adimplir o regime, resolveuse a suspensão, exigindo os tributos devidos, nas importações. A Fiscalização e controle de regimes especiais, como é o caso do “Drawback”, é de competência da Receita Federal do Brasil por envolver renúncia fiscal. O Princípio da Vinculação Física deve ser estritamente observado pelo beneficiário do Regime. O adimplemento da obrigação do Regime Aduaneiro Especial de Drawback modalidade suspensão implica em um controle a respeito dos insumos importados efetivamente utilizados nos produtos exportados, e não apenas do produto exportado. Intimada de decisão de piso em 07.03.2016 (fls. 2.308), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 05.04.2016 (fls.2.3102.359), requerendo, inicialmente, a nulidade da decisão de primeira instância por ausência de apreciação de argumentos apresentados em sede de impugnação e, no mais, reproduz os demais argumentos já suscitados em sua defesa. Em 27 de abril de 2017, o processo foi convertido em diligência para saneamento do processo, no sentido da Recorrente regularizar sua representação processual. Em petição protocolada em 26.05.2017, a Recorrente, mesmo discordando da solicitação do Relator, regularizou sua representação processual através da procuração e atos constitutivos carreados às fls. 2.3762.401. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 07.03.2016 (fls. 2.308) e protocolou Recurso Voluntário em 05.04.2016 (fls.2.3102.359), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Conforme exposto anteriormente, o processo envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.445 4 II Preliminares Prejudicial de mérito II.1 Nulidade da decisão recorrida Ausência de apreciação de argumentos relevantes da impugnação Neste ponto, a Recorrente requer a decretação da nulidade da decisão de primeira instância, por entender que o relator "a quo" não analisou nenhuma das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte atinente ao cumprimento do Regime de Drawback. Contudo, entendo que o fato de inexistir menção expressa aos documentos e a todos os argumentos suscitadas pela Recorrente não é causa de nulidade, considerando que o julgador fundamentou sua decisão com base nos argumentos que ele entendeu necessário da solucionar a lide. Com efeito, o lançamento fiscal foi mantido basicamente com base nos seguintes argumentos: (i) pela ausência de comprovação da vinculação física; e (ii) que o insumo objeto de análise não pode ser substituído por outro, por entender que insumo importado é infungível. Especificamente em relação a ausência de manifestação quanto ao procedimento de arbitramento, entendo que essa matéria esta intrinsecamente relacionado com a questão envolvendo a utilização de presunções simples, devidamente abortada na decisão recorrida, a saber: A empresa fiscalizada teve inúmeras intimações e reintimações, e reabertura de novos prazos para que consertasse sua escrituração e apresentasse novos comprovantes e controles, e ainda assim, não logrou êxito em comprovar a vinculação física do insumo importado, nem apresentou documentos que se permitisse apurar, com segurança, a destinação do insumo importado via Drawback Suspensão. O impugnante alega nos itens 45 à 48 da impugnação: Como visto, a D. Autoridade Fiscal acusa a Impugnante de não manter controles suficientes para que se saiba ao certo o percentual de insumos importados utilizados nas mercadorias exportadas vinculadas ao regime de drawback. Ao mesmo tempo, a D. Autoridade Fiscal afirma categoricamente que isso ocorreu (descumprimento do regime de drawback), e efetua o lançamento contra a Impugnante de todos os tributos antes suspensos. Esses entendimentos contraditórios entre si são a evidência de que as acusações não encontram respaldo em quaisquer provas efetivas, sendo fruto de meras presunções simples (omnis) adotadas pela D. Autoridade Fiscal. Pior. A D. Autoridade expressamente utiliza de suposições para concluir que a Impugnante destinou parte dos produtos industrializados com insumo importado ao mercado interno (fl. 13 do doc. 3.2), ... Não há qualquer presunção ou contradição nos elementos da ação fiscal. O Regime Aduaneiro Especial Drawbak Suspensão é pautado no Princípio da Vinculação Física, conforme demonstrado, e o inadimplemento dessa obrigação acarreta a exigência dos tributos suspensos e demais acréscimos legais. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.446 5 Ou seja, para a DRJ a fiscalização apurou a base de cálculo considerando, com base na documentação constante nos autos, que o regime fora totalmente desrespeitado pela Recorrente, inexistindo, assim, presunção simples e necessidade de arbitramento. Portanto, entendo que a ausência de menção expressa quanto os argumentos e documentos trazidos Recorrente, não é causa de nulidade da decisão recorrida. Assim, deve ser afastado o pedido de nulidade pleiteado pela Recorrente. II.2 Incompetência da RFB para analisar e criar requisitos da concessão do regime drawback Nesse ponto, defende a autuada que a Receita Federal não teria competência para fiscalizar o regime aduaneiro de Drawback, pertencendo tal atribuição exclusivamente à Secex. Tal alegação não merece prosperar. Inicialmente, relembrese que a concessão do drawback, na modalidade suspensão, nos termos do art. 314 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, encontravase inserida no rol das competências da Comissão de Política Aduaneira. Posteriormente, com o advento da Lei nº 8.085, de 23 de outubro de 1990, as atribuições da extinta Comissão de Política Aduaneira foram transferidas para a Secretaria Nacional de Economia, do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, que, por meio da Portaria SNE nº. 427, de 25/08/92, disciplinou a concessão do regime, atribuindo ao antigo Departamento de Comércio Exterior Decex, competência para conceder o regime nas modalidades suspensão e isenção, bem como proceder ao acompanhamento e verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Nesse contexto, foi editada a portaria MEFP nº 594, de 25 de agosto de 1992, que disciplina: Art. 1º A concessão e a aplicação do regime aduaneiro especial de "drawback" nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, previstas nos incisos I e II, do art. 314, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 março de 1985, se regem pelo disposto nesta Portaria. Parágrafo único. O regime de "drawback" poderá ser concedido conforme previsto no art. 315, do Regulamento Aduaneiro. Art. 2º Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2º, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Art. 3º Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.447 6 Com a publicação da Lei nº 8.490, de 19 de novembro de 1992, as atribuições da Secretaria Nacional de Economia foram transferidas para a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Departamento da Receita Federal, para a Secretaria da Receita Federal (SRF), posteriormente transformada na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Ora, se, até o presente momento, não consta revogação do ato administrativo em questão, é evidente que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, à época do lançamento Secretaria da Receita Federal, detinha competência para a realização das verificações realizadas. Com efeito, indiscutivelmente, não cabe à RFB invadir a competência da Secex, que se limita, nos termos do sobredito ato governamental, à formalizar a concessão do regime, acompanhálo e verificar o adimplemento do compromisso de exportar, mas isso não deixa o Fisco a reboque das conclusões daquele órgão de controle administrativo. Ou seja, como muito bem disse a Portaria suso transcrita, compete à RFB, a qualquer tempo, verificar o regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados e, se for o caso, concluir que a recorrente descumpriu tais condicionantes para o reconhecimento da exclusão do crédito tributário. Tal conclusão encontrase pacificada no âmbito da Administração Tributária, como demonstra a Súmula CARF nº 100, a seguir transcrita: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Ante o exposto, afastase a preliminar suscitada. II. 3 Decadência Os tributos incidentes nas importações estão inseridos na modalidade de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Neste caso, aplicase o prazo decadencial previsto no § 1º do referido artigo 150. Por outro lado, não havendo pagamento, não há o que se homologar e, nesse caso, aplicase à regra prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, reproduzido no artigo 138 do Decretolei nº 37, de 1966 anteriormente citado. No caso do drawback suspensão o prazo decadencial deverá ser estabelecido com base no artigo 173, I, do CTN, uma vez que, nesse caso, não ocorre o recolhimento prévio dos tributos, não havendo, pois, que se falar em homologação do lançamento prevista no § 4° do artigo 150 do CTN. A questão da decadência no regime aduaneiro especial de Drawback já foi pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adota o prazo decadencial em Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.448 7 conformidade com o artigo 173, inciso I, do CTN, conforme se verifica na ementa no acórdão 9303001.411: Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/10/1994, 17/11/1994, 18/11/1994, 16/12/1994 DRAWBACK. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para a contagem do prazo decadencial, na hipótese de descumprimento do Drawback, devese aplicar o artigo 173, inciso I, do CTN, tendo em vista que o lançamento somente pode ocorrer após o término do prazo previsto no Ato Concessório, contandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício, independentemente de pagamento. Esse entendimento, inclusive, já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]7. Recurso especial desprovido. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.449 8 Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62A2 do Regimento Interno deste Conselho, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido julgado, no sentido de que, sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Vale lembrar que o entendimento explicitado por este Conselho e pelos Tribunais Superiores estão em total consonância com o disposto no art. 752 do RA/2009, a seguir transcrito: Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei no 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei no 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. [...]§ 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. (grifos não originais) Ressaltase, por oportuno, que o termo de início deverá ser estabelecido a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. Os 30 dias ulteriores ao encerramento do regime correspondem ao prazo que o beneficiário tem para, quanto ao produto importado eventualmente remanescente, reexportálo, destruílo sob controle aduaneiro, ou nacionalizálo, conforme previsto no inciso art. 390, I, do Regulamento Aduaneiro de 2009 (antiga redação do artigo 342, do Dec. 4.543/02), a seguir transcrito: Art. 390. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior; (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). 2 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.450 9 c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; ou (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). d) entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas e ônus, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlas; (Incluído pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Encerrado o regime e transcorrido o período de 30 dias para a adoção de uma das providências contidas artigo 390, I, do Regulamento Aduaneiro, poderá a Fazenda Pública, no prazo de 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, examinar se os requisitos inerentes ao incentivo em tela foram ou não cumpridos, e, sendo o caso, constituir os créditos tributários relativos aos tributos incidentes na importação. Com base na regra de contagem anteriormente definida, verificase que não houve consumação do instituto da decadência ao presente caso, conforme se demonstra na planilha abaixo: Atos Concessórios Número Registro Validade Marco Inicial Prazo Decadencial Início Prazo Decadencial 173, I, CTN Data da Ciência do Auto de Infração 20080013945 16/05/2008 16/05/2010 16/06/2010 01/01/2011 01/01/2016 20080013970 15/05/2008 15/05/2010 15/06/2010 01/01/2011 01/01/2016 20080026850 20/03/2009 22/03/2010 22/04/2010 01/01/2011 01/01/2016 20080130585 18/03/2009 18/03/2010 18/04/2010 01/01/2011 01/01/2016 20090002172 10/03/2009 10/03/2011 10/04/2011 01/01/2012 01/01/2017 20090022823 26/05/2009 26/05/2011 26/06/2011 01/01/2012 01/01/2017 20090073312 17/12/2009 19/12/2012 19/01/2013 01/01/2014 01/01/2019 15/12/2015 Portanto, resta afastada o pedido realizado pela Recorrente. III Mérito No mérito, a controvérsia cingese, em síntese, às seguintes questões: (i) a vinculação física como requisito do regime drawback suspensão; (ii) a fungibilidade das amêndoas de cacau utilizadas como insumos de produção dos produtos industrializados e exportados pela Recorrente; e (iii) a existência de controle de estoque específico, para atender o requisito da vinculação física. III.1 Da vinculação física como requisito do drawback suspensão. Inicialmente é imperioso destacar que o Princípio da Vinculação Física é o princípio basilar que rege o funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback – modalidade Suspensão. O decreto nº 3.904, de 31 de agosto de 2001, ao tratar do Princípio da Vinculação Física, no art. 3º , o fez de forma direta, deixandoo explícito nos seguintes termos: “Art. 3º As mercadorias submetidas a despacho aduaneiro ao amparo do regime de drawback deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas.“ Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.451 10 O Decreto nº 4.543 de 26 de dezembro de 2002, antigo Regulamento Aduaneiro, ao se referir ao Princípio da Vinculação Física por sua vez, manteve a mesma redação do art. 3º do decreto 3.904/01 no seu art. 341: “Art. 341 As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas.” Do Parecer Normativo/CST/nº. 12/79 podemos extrair a seguinte orientação: “...a vinculação no caso de Drawback, é sempre de natureza física ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matériasprimas e produtos intermediários importados devem ser totalmente utilizados na industrialização de bens a exportar...” Com base nos preceitos anteriormente citados e, por entender que a vinculação física entre produto importado/exportado é requisito indispensável para o contribuinte usufruir dos benefícios do regime Drawback Suspensão, afasto os argumentos explicitados pela Recorrente no sentido que o referido regime depende, unicamente, da exportação das mercadorias produzidas com a utilização dos insumos importados, sem a necessidade de observância do princípio da vinculação física. III.2 Da necessidade de diligência. Em que pese inexistir pedido de perícia/diligência por parte da Recorrente, este Relator entende primeiramente que, revelase de todo dispensável a realização de prova pericial, porque, sabidamente, a produção desse tipo de prova somente se revela necessária quando a especificidade ou a complexidade da matéria a ser examinada demanda a participação de pessoas especializadas no assunto. Dada essa peculiaridade, a realização desse tipo de prova somente se justifica se presente a necessidade de conhecimento técnicos ou científicos sobre o objeto a ser examinado, o que, obviamente, não se vislumbra no caso em tela, posto que se trata da análise de um mero sistema de controle de estoque, que a recorrente alegou possuir e que a autoridade fiscal confirmou a sua existência, segundo exposto nos excertos extraídos do Termo de Verificação Fiscal, que seguem transcritos: Diante dos fatos, CONSTATAMOS no curso da visita, os fatos abaixo relacionados: 1. A referida empresa mantém controles e registros em separado do estoque de amêndoas de cacau importada sob o regime aduaneiro de crawback, bem como de todas as amêndoas de cacau adquiridas no mercado interno, que ficam armazenadas por origem e por lotes, cujas amostras foram previamente analisadas e classificadas, segundo suas diferentes propriedades. 2. Quanto aos produtos acabados é possível afirmar com certeza que a empresa possui controles eficazes para identificar a alocação que foi feita, com exatidão, em cada produto produzido. 3. Todo produto produzido recebe um código de produto, e um código de lote de produção, que no depósito de produtos terminados ficam separados por códigos e lotes. Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.452 11 4. Que apesar da empresa manter segregação e controle das diferentes matérias primas e de seus produtos, existe a mistura de suas matérias primas (amêndoas de cacau), mediante receita previamente estabelecida, conforme diferentes tipos de amêndoas, para a produção de seus produtos (liquor, Torta, Mateiga e Pó). 5. O momento da mistura ocorre após os Silos de amêndoas de cacau, que segue para os tanques de massa. 6. As amêndoas de cacau são compradas e armazenadas separadamente nos armazéns, depois seguem para a fábrica, que entram nas esteiras, recebem tratamentos e seguem paras os Silos. Tanto as amêndoas de cacau Bahia como as importadas, são armazenadas separadamente nos Silos. E seguida, conforme o tipo, são requisitadas para os tanques de massa, conforme receita do Blend (mistura). Nesse momento ocorre a mistura das amêndoas, que no dia da visita tinha a proporção de 70% de cacau Bahia, 10% de cacau Pará e 20% de cacau importado de Ghana. Nos tanques de massa, já misturadas, seguem para a produção do Liquor, Manteiga, Torta e Pó. Todos os produtos produzidos a partir daqui possuem a composição especifica no Blend. 7. As amêndoas de cacau apresentam diferenças de qualidade, e a empresa às classificam, separandoas em Fino, Tipo I, Tipo II, Tipo III e desclassificado (TipoIV). Cabe ainda esclarecer que as constatações resumidas nos excertos transcritos foram obtidas pela autoridade fiscal durante visita ao estabelecimento fabril da recorrente, para fim de conhecer o seu processo produtivo, conforme se denota nas informações apresentadas no TVF. A autoridade fiscal ainda relatou que, durante a referida visita, constatou que a recorrente possuía um sistema de controle rígido de separação das matériasprimas por origem e por classificação de tipos (qualidade), inclusive quanto às características orgânicas (físicas) decorrentes de origem e de qualidade, o que provava que as amêndoas de cacau de diversas origens e classificação não eram equivalentes nem fungíveis, (item 67 e ss). De outra parte, embora intimada a apresentar os Livros Registro de Controle de Produção e Estoque do período fiscalizado, a recorrente limitouse a apresentar planilhas e relatórios, que, segundo a fiscalização, não atendia ao que fora por ela solicitado, principalmente, por não conter os lançamentos operação por operação, nem as totalizações diárias, e deste modo não refletia a realidade fabril da fiscalizada, o que o tornava imprestável para averiguar o cumprimento do requisito da vinculação física entre matériaprima importada e produto exportado. De outra parte, no recurso em apreço, a Recorrente alegou, em síntese que: (i) a quantidade e valor de insumos importados pelo qual se comprometeu foram cumpridos; (ii) o prazo para importação dos insumos foi cumprido; (iii) a quantidade e valor de cada um dos produtos exportados foram cumpridos; e (iv) o prazo para realização das exportações foi cumprido; (v) todos os atos concessórios foram baixados pela SECEX após verificação de seu total cumprimento; e (vi) todos os documentos fornecidos à fiscalização confirmam o procedimento adotado pela Recorrente. Embora a legislação não tenha especificado um sistema controle específico de vinculação física, para fim de comprovação do requisito da vinculação física, certamente, a recorrente deveria dispor de um sistema de controle de estoque que possibilitasse a fiscalização confirmar o cumprimento do referido requisito. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.453 12 E no caso em tela, a própria fiscalização informou que a recorrente dispunha de um sistema de controle de estoque que permitia a “rastreabilidade das amêndoas de cacau por origem (nacionais ou importadas) e que, no curso do procedimento fiscal, os dados do referido sistema lhe foram fornecidos. Por todo o exposto, votase pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização da unidade da Receita Federal de origem, proceda a apuração da quantidade e do valor dos insumos importados que entraram na composição dos produtos exportados, intimando, para tanto, a Recorrente para apresentar, em meio magnético e de acordo com as especificações da fiscalização, os elementos necessários para a realização da referida apuração, que deverá ser atendido dentro do prazo estabelecido. Após, a fiscalização deverá elaborar relatório fiscal conclusivo e cientificar a recorrente de todo o trabalho realizado para, se desejar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias), manifestarse a respeito. Enfim, com ou sem manifestação da recorrente, os autos deverão retornar a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900420/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL
Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS.
Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
Numero da decisão: 3302-005.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.900420/2010-86
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916710
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.809
nome_arquivo_s : Decisao_16682900420201086.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 16682900420201086_5916710.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7467328
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870336192512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1790; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900420/201086 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.809 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria Intempestividade Credito de IPI Recorrente VALID SOLUÇÕES E SERVIÇOS DE SEGURANÇA EM MEIOS DE PAGAMENTO E IDENTIFICAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratarse de mercadoria NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 04 20 /2 01 0- 86 Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Em razão da precisão com que retratou os fatos relevantes ao deslinde da presente questão, transcrevo e adoto o relatório proferido pela DRJ, verbis: "Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente da análise de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, materializado pela apresentação do PER nº 37935.18706.150408.1.1.017126, relativamente ao 1º trimestre de 2008, no montante de R$ 264.201,96 (duzentos e sessenta e quatro mil, duzentos e um reais, noventa e seis centavos), apurado pelo estabelecimento de CNPJ 33.113.309/001895. O crédito pleiteado foi aproveitado em compensação declarada na DCOMP nº 37387.01872.150408.1.3.019945. Contudo, o direito creditório foi reconhecido em R$ 820,10 (oitocentos e vinte reais e dez centavos) e a compensação homologada no limite deste valor. De acordo com o despacho decisório (fls. 9/10), a redução do direito pleiteado decorreu, basicamente, da glosa de créditos indevidos efetivados em procedimento fiscal. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 115/116) esclarece que os créditos foram glosados em razão de que os correspondentes insumos foram empregados na produção de cartões magnéticos, a qual encontrase excluída do campo de incidência do IPI, nos termos em que decidiu o Poder Judiciário (fls. 23/26). A interessada foi cientificada do despacho decisório em 15/10/2010. Em 16/11/2010, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 28/43), defendendo a nulidade do Termo de Verificação Fiscal e, no mérito, o direito ao crédito em face do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. Pugna, também, pela inaplicabilidade da multa de ofício e juros de mora. Em breve síntese, aduz: 1 Nulidade do Termo de Verificação Fiscal. Segundo a manifestante, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório na elaboração do Termo de Verificação Fiscal. A Fiscalização solicitou pouquíssimos Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 4 3 documentos, incapazes de levarem a uma conclusão sólida a respeito da legalidade do creditamento. Não foi dada oportunidade à interessada de apresentar documentos referentes à operação. 2 Princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. A Constituição prevê, expressamente, o princípio da não cumulatividade do IPI, que consiste na autorização ao creditamento do valor pago nas operações anteriores. Diferentemente do ICMS, não há qualquer exceção para o IPI. Assim, o direito ao creditamento existe mesmo nos casos em que não há efetivo pagamento de IPI na saída posterior, como na isenção, alíquota zero e não incidência. São irrelevantes maiores discussões sobre a natureza das operações posteriores que sejam praticadas pelos contribuintes. 3 Multa e juros de mora. A multa e os juros devem ser afastados com fundamento no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. O Fisco sempre reconheceu o direito de crédito de IPI em operações idênticas à presente. Não pode, bruscamente, mudar seu entendimento sobre algum aspecto da questão, vedando a compensação sempre realizada pela interessada e aceita pelo mesmo. É o relatório do essencial." Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual suscitou os argumentos que integraram a Impugnação, que pode ser sintetizado como a possibilidade de manutenção dos créditos ante a tributação dos impressos gráficos à alíquota de 0% de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator 1. Da Tempestividade. Com o advento da Lei 12.844, de 19 de julho de 2013, o prazo para interposição de Recurso Administrativo ao CARF passou a ser contado a partir da data da consulta no endereço eletrônico a ele atribuído, caso isto ocorra antes do quinquídio posterior à data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, verbis: Art. 33. O art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 23. ........................................................................ Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o ............................................................................... III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; O prazo para a interposição do Recurso Voluntário, por sua vez, é de 30 dias computados de forma contínua, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, na precisa forma dos artigos 5º e 33 do Decreto 70.235/72 Decreto 70.235/72. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto é de se levar em consideração os seguintes eventos e prazos aferidos pela Receita Federal do Brasil. Consulta no Endereço Eletrônico: 12.11.2014 (quartafeira). Disponibilização na Caixa Postal eletrônica: 12.11.2014. Ciência por decurso de prazo: 27.11.2014. Fim do prazo recursal (30 dias): 12.12.2014. Protocolo do Recurso 17.12.1014. Por esta razão a Receita Federal do Brasil entendeu que o término do prazo para a interposição do Recurso Voluntário se deu 30 dias após a consulta da Recorrente no endereço eletrônico, qual seja em 12.12.2014, uma sextafeira. A Receita Federal do Brasil entendeu que como a interposição do Recurso Voluntário ocorreu tão somente em 16.12.2014, seria intempestivo. No entanto, é de se notar que a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que ocorreu a "disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica", o que pode ter gerado uma dúvida razoável acerca do termo inicial do prazo. Ademais, é de se notar que a Recorrente, ao consultar a Caixa Postal Eletrônica não obrigatoriamente acessou o teor da decisão, deixando para fazêlo ao fim do decurso do quinquídio que compreende a "ciência por decurso de prazo". Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 6 5 Por estes motivos, existindo fundada e razoável dúvida acerca do termo inicial do prazo recursal, entendese que deve prevalecer a interpretação favorável ao contribuinte que, por sua vez, é a que em maior intensidade prestigia o contraditório e o devido processo legal. 2. Do Mérito. A questão meritória submetida à análise por meio do presente recurso cinge se à possibilidade jurídica da Recorrente aproveitarse dos créditos de IPI oriundos da aquisição de matéria prima usada na fabricação de produtos, atividade esta que o Poder Judiciário já afirmou não ser sujeita à incidência do IPI, verbis: "Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, CONCLUISE QUE A ATIVIDADE NÃO É FATO GERADOR DO IPI." Destaques nossos. (Recurso Especial n. 437.324RS 2002/0054820 já baixado ao tribunal de origem desde 13.11.2003, conforme o Sitio do Superior Tribunal de Justiça) A vedação para que este colegiado se manifeste acerca desta matéria advém da letra expressa da Súmula CARF n. 01, que veda a este colegiado apreciar questão já submetida ao crivo do Poder Judiciário, verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Assim, a discussão é limitada à possibilidade jurídica da utilização de créditos tributários decorrentes da aquisição de matéria prima empregada em operações não sujeitas ao IPI. Diante da não incidência do IPI sobre a atividade em foco, por estar à margem do âmbito de incidência do referido tributo, é forçosa a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, especificamente o já citado parágrafo 3º do seu art. 2º, que determina o estorno dos créditos originários de aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagens destinados à fabricação de produtos não tributados, inteligência ilustrada pela Súmula CARF n. 20, verbis. "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 3. Conclusões Conclusivamente, por tratarem os autos de pretensão de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas utilizadas em operação que o Poder Judiciário já reconheceu estar fora do âmbito de incidência do IPI, não tributáveis ou NT, em Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 7 6 processo ajuizado pela própria Recorrente, não é juridicamente possível o aproveitamento dos créditos por ela pretendidos. Por esta razão voto no sentido de negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 652DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13738.000869/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE.
A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução.
PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13738.000869/2008-47
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911643
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.767
nome_arquivo_s : Decisao_13738000869200847.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13738000869200847_5911643.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7438385
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870383378432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 263 1 262 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13738.000869/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.767 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria REDUÇÃO DE ALÍQUOTA IPI Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS PRIMO SCHINCARIOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 08 69 /2 00 8- 47 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 264 2 Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). REGULARIDADE FISCAL. A autorização para a redução de alíquota do imposto é concedida objetivamente ao produto que atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento e esteja devidamente registrado no órgão competente daquele Ministério, prescindindo da comprovação da regularidade fiscal de seu fabricante. IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Sem Crédito em Litígio. Na origem, a fabricante de bebidas apresentou, em 30.05.2008, requerimento de redução de alíquota de IPI, nos termos do art. 65, I, do RIPI (Dec. 4.544/2002), sustentando que o produto em questão foi submetido a registro na Coordenação de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA e, com base no resultado das análises que revelam sua conformidade com os padrões exigidos, foi expedido certificado de registro, passando o produto a fazer jus à redução de 50% da alíquota do IPI desde a data do Registro no MAPA. Mediante solicitação do SEORT da DRF em Niterói/RJ, o MAPA confirmou que o produto enquadrase nos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo órgão ministerial. (fl. 56) No Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 60 a 62, foram constatadas: i) a existência de irregularidades fiscais no âmbito da RFB e PGFN; ii) a impossibilidade de comprovação eletrônica de regularidade do contribuinte perante o FGTS, por meio do sítio da CEF; iii) a existência de inscrição do contribuinte no Cadastro Informativo Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 265 3 de créditos não quitados do setor público federal (CADIN), tendo sido a recorrente intimada para, no prazo de 10 (dez) dias comprovar a regularização das pendências apontadas. Cientificada em 15.06.2009, a empresa apresentou, em 22.06.2009, o Certificado de Regularidade perante o FGTS, bem como informou estar providenciando os demais itens, solicitando prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias. Até o início do mês de agosto, conforme parecer de fls. 143 a 145, permaneciam as pendências junto à RFB que impossibilitavam a concessão do benefício. Assim, foi emitido Despacho Decisório comunicando o indeferimento do requerimento de redução de alíquota do IPI. (fl. 147) Cientificada em 29.09.2009, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 29.10.2009, alegando em sua defesa: a) Que o art. 60 da Lei nº 9.069/2005, não se aplica ao caso de redução de alíquota do IPI, que é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA, estando assim registrado no órgão competente desse ministério, conforme dispõe a NC 221 da TIPI; b) Foi comprovado nos autos que a autoridade competente atestou a adequação do produto aos requisitos estabelecidos pela NC 221 da TIPI, fazendo, portanto, jus à redução da alíquota. Nesse sentido, cita precedente da 3ª Turma da DRJ/JFA; Em sessão de 19.03.2010, a 3ª Turma da DRJ/JFA julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito à redução de alíquota pleiteada a partir da data de protocolo do pedido perante a RFB (30.05.2008) e determinando à DRF/Niterói/RJ a expedição do Ato Declaratório competente para este fim. Cientificado em 24.09.2010 (sextafeira), o recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo em 25.10.2010, defendendo, em síntese, que a redução de alíquota deveria ser concedida a partir do registro que atesta o atendimento aos padrões de identidade e qualidade concedido em 28.04.2008 e não a partir do pedido de redução junto à RFB, realizado em 30.05.2008, vez que o Ato Declaratório da RFB é, como ensina o próprio nome, meramente declaratório, e não constitutivo do direito do contribuinte. Cita doutrina e precedentes do 2º Conselho de Contribuintes. Requer ao fim, a intimação do patrono, por correspondência, de todas as decisões proferidas no presente processo, bem como a realização de sustentação oral de suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 266 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. Tendo a instância a quo reconhecido a existência do direito pleiteado pela recorrente, a pretensão recursal restringese ao termo inicial do benefício de redução da alíquota do IPI, incidente sobre os refrigerantes e refrescos que contenham suco de fruta ou extrato de semente de guaraná, classificados no código 2202.10.00 da TIPI, e que atendam aos padrões de identidade e qualidade do MAPA, estando registrados nesse Ministério, nos termos da NC (221) da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4542/2002. 1 Do marco inicial para a fruição do benefício previsto na NC (221) da TIPI. (Dec. 4542/02) Sustenta a recorrente que o Ato Declaratório da RFB não tem o condão de constituir o direito a redução, mas tão somente declarar o direito préexistente do contribuinte, que por sua vez constituise pelo registro do produto no órgão competente do MAPA, certificando o atendimento aos padrões de identidade e qualidade exigidos por esse Ministério. Assim, entende a recorrente que o marco inicial para a fruição do benefício pretendido é a data do registro do produto no MAPA. Já a decisão recorrida, defende que o início da vigência da redução de alíquotas é a data do protocolo do pedido de reconhecimento do direito perante a Receita Federal. Com o advento da IN RFB 11.185/2011 a redução de alíquota em comento ficou condicionada, a partir da edição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, à observância exclusiva do disposto nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006. Isso porque o Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010 deixou de exigir ato declaratório, para cada caso, pela Receita Federal, como condição para a fruição da redução de alíquota sobre os refrescos e refrigerantes. Vejamos. Assim dispunha o art. 65 do RIPI/2002: Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; (grifos nossos) Já o art. 200 do RIPI/2010, apregoa que: Art. 200. Os produtos dos Capítulos 17, 18, 21, 22 e 24 da TIPI relacionados nesta Seção sujeitamse, por unidade ou por determinada quantidade de produto, ao imposto, fixado em reais, conforme tabelas de Classes de valores ou valores Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 267 5 constantes das Notas Complementares NC (171), NC (181), NC (212), NC (223), NC (241) e NC (242) da TIPI e da Tabela do art. 209 (Lei no 7.798, de 1989, arts. 1o, caput e § 2º, alínea “b”, e 3º). Da comparação entre os dispositivos acima transcritos, percebese que enquanto o RIPI/2002 exigia expressamente a declaração da Receita Federal para a efetiva aplicação da redução de alíquotas constantes das notas complementares que menciona, o RIPI/2010 passou a prever que o imposto devido seria aquele fixado nas tabelas de classes de valores ou constante das Notas Complementares, deixando de mencionar qualquer tipo de ato declaratório condicionante à aplicação da redução prevista em tais notas. Assim, têmse que a partir do início da vigência do RIPI/2010, deixou de ser necessária, para o gozo da redução de alíquota do IPI sobre refrigerantes e refrescos, a emissão de ato declaratório pela Receita Federal, bastando a observância ao disposto nas Notas Complementares e, posteriormente, ao disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.185/2011. Ocorre que o caso em tela referese a período sob a égide do RIPI/2002, quando ainda vigente a exigência ato declaratório da Receita Federal para a fruição da redução de alíquota pretendida. Não havendo nada que justifique a aplicação retroativa do RIPI/2010. Nas lições de Mello (2014) 1, atos administrativos declaratórios são aqueles que afirmam a preexistência de uma situação de fato ou de direito. Exemplo: a conclusão de uma vistoria em edificação afirmando que está ou não em condições habitáveis; uma certidão de que alguém é matriculado em escola pública. Ainda segundo Mello (2014), os atos administrativos podem ser: a) perfeito, válido e eficaz quando, concluído o seu ciclo de formação, encontrase plenamente ajustado às exigências legais e está disponível para deflagração dos efeitos que lhe são típicos; b) perfeito, inválido e eficaz quando, concluído o seu ciclo de formação e apesar de não se achar conformado às exigências normativas, encontrase produzindo os efeitos que lhe seriam inerentes; c) perfeito, válido e ineficaz quando, concluído seu ciclo de formação e estando adequado aos requisitos de legitimidade, ainda não se encontra disponível para eclosão de seus efeitos típicos, por depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva, ou autorização, aprovação ou homologação, a serem manifestados por uma autoridade controladora; d) perfeito, inválido e ineficaz quando, esgotado seu ciclo de formação, sobre encontrarse em desconformidade com a ordem jurídica, seus efeitos ainda não podem fluir, por se encontrarem na dependência de algum acontecimento previsto como necessário para a produção dos efeitos (condição suspensiva ou termo inicial, ou aprovação ou homologação dependentes de outro órgão). 1 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, São Paulo: Malheiros, 2014. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 268 6 Têmse, portanto, que a exigência da declaração da SRF, prevista pelo art. 65, I, do RIPI/2002, materializase como condição de eficácia tributária ao ato de reconhecimento, pelo órgão competente, do atendimento às condições e padrões de qualidade e identidade exigidos pelo MAPA. Sem o atendimento a tal condição de eficácia, o reconhecimento, pelo órgão competente, do atendimento aos padrões de qualidade e identidade exigidos, pode até ser ato administrativo perfeito e válido, porém, é ineficaz, vez que depende de autorização/homologação da Secretaria da Receita Federal (autoridade controladora). Destarte, à luz da legislação vigente a época dos fatos, enquanto o registro no MAPA materializa o atendimento às situações de fato previstas na norma tributária existência de suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná e atendimento aos padrões de qualidade e identidade daquele ministério o ato declaratório da SRF lhe confere eficácia jurídico tributária para fins de redução da alíquota do IPI. Assim, razão não assiste à recorrente, pois na data dos fatos exigia a legislação vigente que a redução de alíquotas fosse declarada pela Receita Federal em cada caso, impedindo, por dedução lógica, que a fruição do benefício tivesse início a partir da concessão do registro do produto no MAPA. Isso porque ainda não satisfeita a condição de eficácia jurídico/tributária do ato administrativo que reconheceu o atendimento às situações fáticas inerentes ao produto. Nessa toada, não merece reparos a decisão recorrida, que reconheceu como marco inicial da eficácia jurídico/tributária da redução de alíquotas em comento a data do protocolo do pedido junto à autoridade fiscal. No mesmo sentido já decidiu a 1ª Turma da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento, em acórdão de nº3201001.516, de relatoria do conselheiro Daniel Mariz Gudiño. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. Frisese que uma vez de posse do certificado de registro e adequação do produto junto ao MAPA, poderia o contribuinte ter realizado o protocolo do pedido de reconhecimento da redução de alíquotas no mesmo dia, ou, no mais tardar, no dia seguinte. Ou seja, o contribuinte tinha plenas condições e total interesse em formalizar tal pedido o quanto antes, não se afeiçoando justificável a pretensão de querer transferir o ônus de seus obstáculos operacionais ao erário. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 269 7 2 Da intimação de atos e decisões em nome do patrono do recorrente e da sustentação oral. Por fim, esclareçase que não há previsão legal para sustentar o requerimento de que as intimações dos atos a serem produzidos no presente feito sejam realizadas em nome dos patronos da recorrente. Ademais, a realização de sustentação oral possui rito próprio para solicitação, devendo ser encaminhada ao presidente da turma de julgamento mediante preenchimento de formulário específico, não estando a apreciação de tal requerimento na esfera de competências dos conselheiros. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900421/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL
Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS.
Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
Numero da decisão: 3302-005.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.900421/2010-21
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918735
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.806
nome_arquivo_s : Decisao_16682900421201021.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 16682900421201021_5918735.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7475213
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870385475584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900421/201021 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.806 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria Tempestividade de Recurso Voluntário crédito de IPI Recorrente VALID SOLUÇÕES E SERVIÇOS DE SEGURANÇA EM MEIOS DE PAGAMENTO E IDENTIFICAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratarse de mercadoria NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 04 21 /2 01 0- 21 Fl. 630DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad. Relatório Em razão da precisão com que retratou os fatos relevantes ao deslinde da presente questão, transcrevo e adoto o relatório proferido pela DRJ, verbis: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente da análise de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, materializado pela apresentação do PER nº 20673.61012.180708.1.1.015077, relativamente ao 2º trimestre de 2008, no montante de R$ 376.084,77 (trezentos e setenta e seis mil, oitenta e quatro reais, setenta e sete centavos), apurado pelo estabelecimento de CNPJ 33.113.309/001895. O crédito pleiteado foi aproveitado em compensação declarada na DCOMP nº 25836.90526.180708.1.3.010247. Contudo, o direito creditório foi reconhecido em R$ 1.316,93 (um mil, trezentos e dezesseis reais, noventa e três centavos) e a compensação homologada no limite deste valor. De acordo com o despacho decisório (fls. 9/10), a redução do direito pleiteado decorreu, basicamente, da glosa de créditos indevidos efetivados em procedimento fiscal. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 27/28) esclarece que os créditos foram glosados em razão de que os correspondentes insumos foram empregados na produção de cartões magnéticos, a qual encontrase excluída do campo de incidência do IPI, nos termos em que decidiu o Poder Judiciário (fls. 23/26). A interessada foi cientificada do despacho decisório em 15/10/2010. Em 16/11/2010, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 32/47), defendendo a nulidade do Termo de Verificação Fiscal e, no mérito, o direito ao crédito em face do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. Pugna, também, pela inaplicabilidade da multa de ofício e juros de mora. Em breve síntese, aduz: 1 Nulidade do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 4 3 Segundo a manifestante, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório na elaboração do Termo de Verificação Fiscal. A Fiscalização solicitou pouquíssimos documentos, incapazes de levarem a uma conclusão sólida a respeito da legalidade do creditamento. Não foi dada oportunidade à interessada de apresentar documentos referentes à operação. 2 Princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. A Constituição prevê, expressamente, o princípio da não cumulatividade do IPI, que consiste na autorização ao creditamento do valor pago nas operações anteriores. Diferentemente do ICMS, não há qualquer exceção para o IPI. Assim, o direito ao creditamento existe mesmo nos casos em que não há efetivo pagamento de IPI na saída posterior, como na isenção, alíquota zero e não incidência. São irrelevantes maiores discussões sobre a natureza das operações posteriores que sejam praticadas pelos contribuintes. 3 Multa e juros de mora. A multa e os juros devem ser afastados com fundamento no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. O Fisco sempre reconheceu o direito de crédito de IPI em operações idênticas à presente. Não pode, bruscamente, mudar seu entendimento sobre algum aspecto da questão, vedando a compensação sempre realizada pela interessada e aceita pelo mesmo. É o relatório do essencial. Quando da apreciação da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgoua improcedente lavrando as seguintes ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. ANULAÇÃO DO CRÉDITO MEDIANTE ESTORNO. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados., respeitadas as ressalvas admitidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 5 4 DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Aos litigantes são assegurados o contraditório e a ampla defesa. No processo administrativofiscal, o litígio é instaurado no momento em que o sujeito passivo insurgese contra a decisão da autoridade fiscal, apresentando a sua contestação. Não há que se falar em cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa se, na intimação de ciência, abriuse a oportunidade para que o sujeito passivo pudesse apresentar a sua defesa, com os recursos e meios inerentes ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Incidem, também, juros de mora calculados com base na variação da taxa SELIC. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual suscitou os argumentos que integraram a Impugnação, que pode ser sintetizado como a possibilidade de manutenção dos créditos ante a tributação dos impressos gráficos à alíquota de 0% de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator 1. Da Tempestividade. Com o advento da Lei 12.844, de 19 de julho de 2013, o prazo para interposição de Recurso Administrativo ao CARF passou a ser contado a partir da data da Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 6 5 consulta no endereço eletrônico a ele atribuído, caso isto ocorra antes do quinquídio posterior à data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, verbis: Art. 33. O art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 23. ........................................................................ § 2o ............................................................................... III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; O prazo para a interposição do Recurso Voluntário, por sua vez, é de 30 dias computados de forma contínua, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, na precisa forma dos artigos 5º e 33 do Decreto 70.235/72 Decreto 70.235/72. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto é de se levar em consideração os seguintes eventos e prazos aferidos pela Receita Federal do Brasil. Consulta no Endereço Eletrônico: 12.11.2014 (quartafeira). Disponibilização na Caixa Postal eletrônica: 12.11.2014. Ciência por decurso de prazo: 27.11.2014. Fim do prazo recursal (30 dias): 12.12.2014. Protocolo do Recurso 17.12.1014. Por esta razão a Receita Federal do Brasil entendeu que o término do prazo para a interposição do Recurso Voluntário se deu 30 dias após a consulta da Recorrente no endereço eletrônico, qual seja em 12.12.2014, uma sextafeira. A Receita Federal do Brasil entendeu que como a interposição do Recurso Voluntário ocorreu tão somente em 16.12.2014, seria intempestivo. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 7 6 No entanto, é de se notar que a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que ocorreu a "disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica", o que pode ter gerado uma dúvida razoável acerca do termo inicial do prazo. Ademais, é de se notar que a Recorrente, ao consultar a Caixa Postal Eletrônica não obrigatoriamente acessou o teor da decisão, deixando para fazêlo ao fim do decurso do quinquídio que compreende a "ciência por decurso de prazo". Por estes motivos, existindo fundada e razoável dúvida acerca do termo inicial do prazo recursal, entendese que deve prevalecer a interpretação favorável ao contribuinte que, por sua vez, é a que em maior intensidade prestigia o contraditório e o devido processo legal. 2. Do Mérito. A questão meritória submetida à análise por meio do presente recurso cinge se à possibilidade jurídica da Recorrente aproveitarse dos créditos de IPI oriundos da aquisição de matéria prima usada na fabricação de produtos, atividade esta que o Poder Judiciário já afirmou não ser sujeita à incidência do IPI, verbis: "Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, CONCLUISE QUE A ATIVIDADE NÃO É FATO GERADOR DO IPI." Destaques nossos. (Recurso Especial n. 437.324RS 2002/0054820 já baixado ao tribunal de origem desde 13.11.2003, conforme o Sitio do Superior Tribunal de Justiça) A vedação para que este colegiado se manifeste acerca desta matéria advém da letra expressa da Súmula CARF n. 01, que veda a este colegiado apreciar questão já submetida ao crivo do Poder Judiciário, verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Assim, a discussão é limitada à possibilidade jurídica da utilização de créditos tributários decorrentes da aquisição de matéria prima empregada em operações não sujeitas ao IPI. Diante da não incidência do IPI sobre a atividade em foco, por estar à margem do âmbito de incidência do referido tributo, é forçosa a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, especificamente o já citado parágrafo 3º do seu art. 2º, que determina o estorno dos créditos originários de aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagens destinados à fabricação de produtos não tributados, inteligência ilustrada pela Súmula CARF n. 20, verbis. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 8 7 "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 3. Conclusões Conclusivamente, por tratarem os autos de pretensão de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas utilizadas em operação que o Poder Judiciário já reconheceu estar fora do âmbito de incidência do IPI, não tributáveis ou NT, em processo ajuizado pela própria Recorrente, não é juridicamente possível o aproveitamento dos créditos por ela pretendidos. Por esta razão voto no sentido de negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 636DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720104/2014-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003
DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES. SOLICITAÇÃO. RECUSA. SONEGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. ARBITRAMENTO. IMPORTÂNCIA DEVIDA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, ou sua apresentação deficiente, a autoridade tributária poderá apurar a base de cálculo das contribuições, mediante arbitramento, e lançar de ofício a importância devida.
LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em violação ao direito de defesa.
ALEGAÇÃO GENÉRICA DE RECOLHIMENTO. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL.
A alegação genérica, imprecisa e sem qualquer demonstração de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal.
LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. MERA CORREÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO ANULADO. NÃO SUJEIÇÃO. NOVO PRAZO.
Em havendo anulação de lançamento por vício formal, há reabertura do novo prazo de cinco anos para a realização de lançamento substitutivo, com vistas, meramente, à correção do vício formal, iniciando- se a contagem do prazo na data em que se tornou definitiva a decisão anulatória, não cabendo a aplicação do prazo decadencial a que estava sujeito o lançamento anulado.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4.
Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2402-006.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator) e Gregorio Rechmann Junior, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES. SOLICITAÇÃO. RECUSA. SONEGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. ARBITRAMENTO. IMPORTÂNCIA DEVIDA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, ou sua apresentação deficiente, a autoridade tributária poderá apurar a base de cálculo das contribuições, mediante arbitramento, e lançar de ofício a importância devida. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em violação ao direito de defesa. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE RECOLHIMENTO. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL. A alegação genérica, imprecisa e sem qualquer demonstração de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. MERA CORREÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO ANULADO. NÃO SUJEIÇÃO. NOVO PRAZO. Em havendo anulação de lançamento por vício formal, há reabertura do novo prazo de cinco anos para a realização de lançamento substitutivo, com vistas, meramente, à correção do vício formal, iniciando- se a contagem do prazo na data em que se tornou definitiva a decisão anulatória, não cabendo a aplicação do prazo decadencial a que estava sujeito o lançamento anulado. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4. Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.720104/2014-76
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918530
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.473
nome_arquivo_s : Decisao_19515720104201476.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 19515720104201476_5918530.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator) e Gregorio Rechmann Junior, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7473791
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870403301376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720104/201476 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.473 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL Recorrente ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES. SOLICITAÇÃO. RECUSA. SONEGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. ARBITRAMENTO. IMPORTÂNCIA DEVIDA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, ou sua apresentação deficiente, a autoridade tributária poderá apurar a base de cálculo das contribuições, mediante arbitramento, e lançar de ofício a importância devida. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em violação ao direito de defesa. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE RECOLHIMENTO. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL. A alegação genérica, imprecisa e sem qualquer demonstração de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. MERA CORREÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO ANULADO. NÃO SUJEIÇÃO. NOVO PRAZO. Em havendo anulação de lançamento por vício formal, há reabertura do novo prazo de cinco anos para a realização de lançamento substitutivo, com vistas, meramente, à correção do vício formal, iniciando se a contagem do prazo na data em que se tornou definitiva a decisão anulatória, não cabendo a aplicação do prazo decadencial a que estava sujeito o lançamento anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 04 /2 01 4- 76 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 3 2 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4. Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator) e Gregorio Rechmann Junior, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução de fls. 272 e seguintes, deste Conselho: Tratase de julgamento de recurso voluntário (fls. 207/264), interposto pelo sujeito passivo contra decisão de primeira instância (fls. 190/203), que declarou improcedente a sua impugnação apresentada contra os Autos de Infração AI integrantes do processo acima referenciado. Os lançamentos correspondem à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social (AI n.º 37.383.8131) e para outras entidades ou fundos (AI n.º 37.383.8140). Fl. 320DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 4 3 De acordo com o relatório fiscal de fls. 121/123, os lançamentos foram efetuados em substituição à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 35.580.4522, anulada por vício formal em julgamento administrativo de segunda instância. Vale frisar que a declaração de nulidade da NFLD foi determinada pelo Acórdão n.º 2401002.498, de 20/06/2012, tendo entendido o colegiado do CARF que o erro na indicação da existência ou não de declaração dos fatos geradores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP representa erro não passível de retificação, que acarreta na nulidade do lançamento por vício formal. Voltando ao relatório, ali se afirma que o fato da empresa não haver disponibilizado toda a documentação solicitada durante o procedimento de auditoria acarretou na lavratura de AI por descumprimento de obrigação acessória, além de apuração da base de cálculo por aferição indireta. Acerca da metodologia utilizada para apuração da matéria tributável, assim se pronunciou o fisco: A empresa foi cientificada da decisão a quo em 05/11/2014 (fl. 205) e apresentou recurso em 05/12/2014, trazendo as alegações que em síntese reproduzo. Discrepâncias e inovações em relação ao lançamento substituído decadência Apresentando os números da apuração fiscal para as competências 01/1999 e 02/1999, o sujeito passivo sustenta que as alterações promovidas pelo fisco no lançamento em relação ao original vão além da correção do vício que ensejou a sua declaração de nulidade. Acrescenta que a planilha colacionada ao lançamento substitutivo demonstra ter sido feito uma apuração mais aprofundada, além de que há divergência nos números apresentados. Conclui que tal inovação implica em considerar os AI sob enfoque como novos lançamentos, que devem respeitar os prazos decadenciais previstos no art. 150, § 4.º do CTN. Assim, os lançamentos teriam sido integralmente fulminados pela decadência, posto que se referem ao período de 01/1999 a 01/2003 e a cientificação dos mesmos somente ocorreu em 06/02/2014. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 5 4 Apresentação de documentos Para a recorrente, o acórdão da DRJ equivocouse ao chancelar a aferição indireta em razão da falta de apresentação de documentos solicitados pelo fisco, posto que há informações nos autos do lançamento originário dando conta de que teriam sido apresentados todos os documentos exigidos pela fiscalização. Nulidade por afronta aos princípios da legalidade, da tipicidade e da verdade material Para que surja o crédito tributário consubstanciado no lançamento é indispensável que a obrigação tributária, da qual resulta o crédito, seja consequência da realização de um fato imponível que se ajuste em todos os seus contornos a uma hipótese de incidência prevista em lei. Os fatos com que a autoridade fiscal pretende embasar os lançamentos, inexistem ou, no mínimo, não foram quantificados com exatidão. Nesse sentido, não pode a norma jurídica incidir sobre uma simples "suspeita" ou "suposição". A desconsideração de documentos apresentados viola o princípio da verdade material, cuja observância é obrigatória no processo administrativo tributário. Além de que a aferição indireta, da forma como praticada, compromete a higidez do crédito tributário que se encontra superdimensionado. Nulidade por ausência de vinculação e de suporte fático O fato gerador, conforme definido no CTN, deve ser um fato cujas características em tudo se identifiquem com a descrição constante na lei. No caso em apreço, não se configurou o fato gerador pretendido pela autoridade lançadora, o que gerou uma autuação por presunção. Além de que houve arbitramento por aferição indireta, com respaldo em instrução normativa, instrumento sem força para instituição de sanções e penalidades. Ônus da prova Não basta que o fisco alegue ter ocorrido o fato gerador, é imperioso que se comprove a sua real ocorrência, através de provas, evidências ou indícios, estes últimos nas hipóteses de presunção legal, o que não é o caso. Na espécie inexistem provas, evidências ou indícios. Insubsistência dos fundamentos ensejadores da nulidade do lançamento original Em que pese o entendimento do acórdão que cancelou o lançamento original ter ido no sentido de que ocorrera vício meramente formal, há que se considerar que a indicação errônea da fundamentação não constitui mera formalidade, afetando sim a essência do lançamento. O fisco ao apontar que o lançamento está fundamentado em informações "declaradas em GFIP" induz o sujeito passivo a se Fl. 322DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 6 5 defender desta circunstância, se esta indicação está incorreta, é evidente que se trata de vício substancial. Identificação de recolhimentos não computados e conexão entre processos O sujeito passivo apresenta a relação de todas as NFLD lavradas durante a ação fiscal, para concluir pela existência de conexão entre os débitos sob questão e a NFLD n.º 35.580.4530 (PAF n.º 18186.000179/200714). Alega que para a competência 12/1999 não há correspondência entre os valores apropriados para todos os débitos e as quantias que foram efetivamente recolhidas, apresenta cálculos. Conclui que as divergências apontadas, que se reproduzem em todas as outras competências, tornam os dois lançamentos nulos ou improcedentes. Inclusão de valores que não correspondem a remuneração Os lançamentos devem ser declarados improcedentes, uma vez que as contribuições incidiram sobre valores que são discriminados pela legislação como não integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Erro na base de cálculo A aferição indireta foi justificada para casos em que as remunerações constantes em folhas de pagamento estariam "muito aquém dos valores mínimos estabelecidos", todavia, o fisco não mencionou no relatório fiscal quais esses parâmetros e critérios que autorizariam a aferição indireta. No seu entender tal omissão representa causa de nulidade/improcedência do lançamento. Não cabimento da aferição indireta O saláriodecontribuição foi obtido por aferição indireta como sendo correspondente a 40% do valor constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Ocorre que os pressupostos considerados para a adoção deste procedimento excepcional não correspondem à realidade. Aponta que o relatório da NFLD substituída afirma que foram examinadas, dentre outros documentos, folhas de pagamento, ao passo que o relato que acompanha os AI sob exame afirma que não teriam sido apresentadas algumas folhas. Todavia, em diligência realizada no processo relativo à NFLD substituída, o fisco afirmou que: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 7 6 O mesmo ocorreu em relação ao processo conexo, NFLD n.º 35.580.4530. Isso leva à conclusão que na diligência foram apresentados os documentos que permitiriam aferir diretamente as remunerações, o que derruba a justificativa para adoção do procedimento de aferição indireta no presente caso. Inexatidão das afirmações do fisco acerca do valor da remuneração Citando o exemplo da Nota Fiscal emitida para a tomadora de serviços CODERP, para o mês de maio de 1999, conforme planilha de fl. 37, procura demonstrar que o salário médio por trabalhador foi de R$ 3.250,80, o qual jamais pode ser considerado aquém daquele praticado no mercado de trabalho. Nesse sentido, conclui que o pressuposto utilizado pelo fisco para justificar o arbitramento não se sustenta. Divergência entre documentos produzidos pelo fisco Menciona a existência de divergência entre bases de cálculo apresentadas nas planilha de fls 36/45 com aquela juntada às fls. 123/138, o que levaria inexoravelmente à conclusão de que o lançamento é impreciso e de que não deve prevalecer sua presunção de veracidade. Outros erros apontados Acrescenta que o fisco incorreu em erro ao mencionar que as notas fiscais deveriam constar das folhas de pagamento, em absoluta contrariedade às normas contábeis, que obrigam apenas a sua escrituração nos livros. As planilhas apresentadas pelo fisco são insuficientes para fundamentar os lançamentos. A correta caracterização do fato gerador e mensuração das bases de cálculo não poderiam prescindir de indicação do total de segurados, além dos termos e valores dos contratos de prestação de serviços firmados com as tomadoras da recorrente, dentre outros elementos. Contribuições a terceiros Sendo demonstrada a improcedência da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tal fato também torna sem substância a apuração das contribuições para outras entidades e fundos. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 8 7 Multa Não comprovada a ocorrência de infração, incabível a aplicação da norma sancionadora, devendose, portanto, afastar a imposição da multa ou, alternativamente, a relevação da penalidade. Ao final, pediu a declaração de nulidade ou insubsistência dos lançamentos, a exclusão da multa e limitação dos juros a 1% am. O processo foi juntado por conexão ao de n.º 18186.000179/200714, conforme se vê do despacho de fl. 269. O julgamento do feito foi convertido em diligência, para julgamento em conjunto com o processo conexo, PAF 18186.000179/200714. Vejase: A pedido deste Julgador, o processo sob discussão foi juntado ao de n.º 18186.000179/200714, tendo em vista a clara conexão existente entre os feitos. Considerando que o processo considerado conexo foi convertido em diligência, conforme Resolução n.º 2402000.584, exarada nesta mesma sessão, devese também converter o presente julgamento em diligência, de modo que os feitos tenham tramitação conjunta e sejam julgados na mesma ocasião. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Esclarecimentos iniciais Exceto no tocante aos juros moratórios, a impugnação está centrada em afirmações que dizem respeito à nulidade do lançamento. Tais afirmações foram basicamente reprisadas em sede de recurso voluntário e serão analisadas e julgadas a seguir. 3 Da nulidade do lançamento Como afirmado, o sujeito passivo, desde a impugnação, vem defendendo que o lançamento seria nulo, pelas variadas razões expostas na defesa e reafirmadas em seu recurso voluntário. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 9 8 Realmente, e no entender deste relator, o fisco arbitrou a base de cálculo das contribuições de forma ilegal. Devese observar que o CARF, ao declarar a nulidade do lançamento originário, por vício formal, não chegou a enfrentar essa questão, de tal maneira que sobre ela não houve trânsito em julgado. Vale transcrever, nesse contexto, parte do voto condutor do acórdão proferido no PAF 18186.000182/200738, relativo ao lançamento anulado: Noto, todavia, que não há em nenhum dos discriminativos apresentados pelo fisco uma demonstração de como as guias de pagamento foram apropriadas. Ocorre que os dois relatórios que apresentam os recolhimentos efetuados e a apropriação dos valores recolhidos, o RDA – Relatório de Documentos Apresentados e o RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, não foram acostados pelo fisco. Impossível, diante dessa omissão, se saber onde foram alocados todos os recolhimento efetuados, mormente nessa ação fiscal, em que foram lavradas quinze NFLD. Diante dessa constatação, ficamos diante de duas alternativas, quais sejam: baixar o processo em diligência pela quarta vez, para que o fisco possa acostar relatório demonstrativo da apropriação das guias de recolhimento ou declarar a nulidade do lançamento, em razão do vício de cerceamento do direito de defesa do administrado. A solução que adotamos em dois outros processos originados na mesma ação fiscal (18186.000133/200703 e 18186.000179/200714) foi remeter o processo à Auditoria para que se juntasse demonstrativo de apropriação das guias recolhidas em nome do sujeito passivo. Todavia no presente caso, vejo que há um erro que ficou evidente logo na primeira solicitação de diligência fiscal. É que o fisco adotou para o levantamento FG4 a codificação “Declarado em GFIP”, esse procedimento teve como repercussão a alteração no percentual de multa, ficando a mesma reduzida, nos termos do revogado § 4.º do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 35 (...) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Todavia, considerandose que a remuneração foi obtida por aferição indireta não haveria como tais fatos geradores terem sido declarados na GFIP, ficando evidente o erro cometido pelo fisco. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 10 9 Diante dessas constatações, acho que a melhor saída é declarar a nulidade do lançamento, neste caso, por vício formal, haja vista que o vício situouse em elemento que não tem vinculação com os fatos geradores ou com a base tributável, referindose a incorreção na classificação do lançamento, o que, sem dúvida, não representa erro substancial. O presente lançamento, de natureza substitutiva, é relativo às contribuições incidentes sobre as remunerações e foi efetuado ao argumento de que o sujeito passivo não teria apresentado as folhas de pagamento, ou então os valores das remunerações seriam muito aquém dos valores mínimos estabelecidos. Da narrativa dos fatos, constante do relatório fiscal de fls. 121 e seguintes, extraise o seguinte: Todavia, no PAF conexo sob o nº 18186.000179/200714, a autoridade fiscal expressamente asseverou, à fl. 210, que o sujeito passivo teria apresentado os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas, as GFIPs mês a mês e demais documentos solicitados, conforme TIAD em anexo. Vejase: A fiscalização não se limitou a afirmar que foram apresentadas as folhas de pagamento, tendo afirmado sim que foram apresentadas "todas as folhas de pagamento respectivas", donde se destaca a expressão todas a indicar a totalidade e a expressão respectivas a indicar que também seriam relativas às notas fiscais anteriormente mencionadas. O TIAD à que se referiu o agente fazendário está à fl. 208 do PAF conexo e nele se observa a extensão da documentação solicitada (vide abaixo), a qual teria sido apresentada pelo contribuinte, o que derrui a assertiva feita no relatório do lançamento substitutivo, segundo a qual a empresa não teria apresentado a documentação. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 11 10 De outro modo, o relatório fiscal é demasiadamente sucinto e a fiscalização não conseguiu demonstrar as razões fáticas e jurídicas que permitiriam concluir que os valores das remunerações estariam muito aquém dos valores mínimos estabelecidos. Chama a atenção, aliás, essa expressão "muito aquém dos valores mínimos estabelecidos". Ela é genérica e não indica quais seriam os valores mínimos e nem quem teria estabelecido tais montantes. À outra conclusão poderia se chegar se a administração tivesse demonstrado, de forma minimamente circunstanciada, que as remunerações declaradas pelo sujeito passivo não condiziriam com os valores reais pagos e que a precariedade da documentação seria insuficiente para quantificálas. O § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Esse dispositivo está inspirado no art. 148 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará a base de cálculo do tributo sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Neste caso, todavia, há uma informação expressa no PAF conexo segundo a qual a recorrente teria apresentado a documentação, conforme TIAD em anexo. Portanto, como o presente lançamento está calcado num arbitramento que se revela, aos olhos deste relator, ilegal, deve ser cancelado o crédito tributário nele constituído. Dos precedentes deste Conselho, depreendese que só é admissível o arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Vejase com destaques: Fl. 328DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 12 11 [...] NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. [...] Recurso de Ofício Negado; Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo10166.723934/201315; Nº Acórdão2401 004.471, julgado em 16/08/2016) Se este Conselheiro for vencido neste ponto, cabe acrescentar que não procedem as demais alegações de nulidade por afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade, por ausência de vinculação e de suporte fático, etc. Abstraindose a questão relativa à ilegalidade do arbitramento, a autoridade lançadora identificou o fato gerador das contribuições e determinou a matéria tributável, tendo, ainda, identificado o sujeito passivo e proposto a aplicação da penalidade correspondente. Como bem destacado pela decisão de piso, "não se cogita de dúvidas quanto a ocorrência do fato gerador tributado, mas, tão somente, acerca da falta de elementos para precisar a expressão de seu elemento valorativo – expressão econômica do fato gerador referente à base de cálculo". Por outro lado, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada nos demais aspectos e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para Fl. 329DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 13 12 os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Dito de outra forma, e tirante a questão do arbitramento, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa da recorrente. Em desfecho deste tópico, e como bem decidido pela DRJ, a alegação genérica e imprecisa de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias não deve ser provida, pois a administração fazendária fez a devida apropriação dos valores previamente adimplidos pelo sujeito passivo, como consta textualmente no relatório fiscal. A título elucidativo, vejase o disposto no item 8 do relatório da autuação: 4 Da decadência Não procede a alegação de decadência. Ao contrário do que afirma e sugere a recorrente, o novo lançamento é meramente substitutivo do anterior lançamento anulado por vício formal e não houve introdução de novos critérios jurídicos, nem mesmo no elemento quantitativo. Tãosomente foram apropriados os valores que a fiscalização, quando do lançamento originário, não havia apropriado, o que representa mera correção de erro de fato, e não correção de erro de direito apta a ensejar a introdução de novos fundamentos no ato administrativo. Nesse ponto, deveser observar que a fiscalização apenas agiu de boafé; e ela obviamente não pretendia efetuar um lançamento maculado com os mesmos erros de cálculo do lançamento originário. E não cabe rediscutir se o vício identificado pelo CARF, na decisão que anulou o lançamento originário, seria formal ou material, pois já ficara decidido, sob o abrigo da coisa julgada, que o vício seria formal. Não houve, por nenhuma das partes, a interposição de recurso para alterar o que ficara decidido naquela primeira ocasião e a matéria obviamente fez coisa julgada. Em havendo anulação de lançamento anterior por vício formal, há reabertura do prazo para lançamento, com início de sua contagem na data em que se tornar definitiva a decisão que julgou pela anulação. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 14 13 Na doutrina, é uníssono o entendimento segundo o qual essa norma implica a reabertura do prazo extintivo, como demonstra o professor Leandro Paulsen, ao transcrever os excertos dos professores Paulo de Barros Carvalho, Luciano Amaro e Ives Gandra da Silva Martins1. Em verdade, a inexistência de qualquer celeuma doutrinária e mesmo jurisprudencial a esse respeito provavelmente se deva à clareza do dispositivo legal, como se vê abaixo: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Logo, negase provimento ao recurso voluntário neste ponto. 5 Dos juros moratórios A tese da recorrente relativa aos juros moratórios é rechaçada pela Súmula CARF nº 4. Desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, negase provimento ao recurso neste ponto. 6 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do lançamento. Se vencido for na preliminar, voto, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à ilegalidade do arbitramento. Antes de considerações outras, esclarecemos que todos os números de página, citados no presente voto vencedor, dizem respeito ao processo 18186.000182/200738, que corresponde ao primeiro lançamento fiscal, o qual foi anulado por vício formal, pelo CARF, em 20/6/12, segundo o Acórdão nº 2401002.498, fls. 339 a 345. Pois bem, na falta de apresentação de documentos ou pela sua apresentação deficiente, a autoridade tributária pode lançar, de ofício, a importância devida. Essa é a inteligência que se extrai da Lei 8.212, de 24/7/91, art. 33, § 3º, tanto em sua redação vigente ao tempo do primeiro lançamento, quanto em sua redação vigente ao tempo do lançamento substitutivo, senão, vejamos: Primeiro lançamento Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). [...]§ 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Lançamento substitutivo Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 16 15 Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Em seu voto, sustenta o Relator que o arbitramento realizado seria ilegal, uma vez que a justificativa para a sua realização, ou seja, a falta de apresentação de documentos, teria sido afastada (ou desacreditada) pela informação fiscal de fls. 188 a 189, que assim dispôs: Em diligência à empresa foi solicitada a apresentação dos documentos que deram origem às folhas de pagamento relativas ao período 01/99 a 01/2003, conforme TIAD em anexo, tendo sido apresentados: os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas, as GFIPS/SEFIPS mês a mês e demais documentos solicitados. Se levarmos em conta, unicamente, essa informação fiscal, de fato, o arbitramento parece não ter se justificado, porém, dado que estamos falando de cancelamento de crédito tributário, devemos empreender uma análise mais rigorosa dos autos, que é o que faremos a partir de agora. Para tal, convém trazermos à baila, inicialmente, a informação consignada no relatório fiscal, fls. 33 a 34, referente ao primeiro lançamento (consolidado em 27/6/03), e que ensejou a apuração das contribuições por aferição indireta: 3.1 A empresa embora notificada através do TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), datado de 27/03/2003, deixou de apresentar a documentação pertinente aos fatos abaixo relacionados o que ensejou a lavratura do Auto de Infração n 35.510.6787, levando esta fiscalização a apurar o presente débito através da aferição indireta. 3.2 As diferenças de remunerações pagas aos segurados empregados, apuradas através do cálculo de 40% (quarenta por cento) sobre as Notas Fiscais/Faturas da empresa, quando não foram apresentadas as Folhas de Pagamentos correspondentes as referidas Notas Fiscais/Faturas discriminados na Planilha "Empresas com Valores Calculados em 40%" em negrito a coluna FOPAG, parte integrante do presente. 3.2.1 Os casos em que a coluna FOPAG não aparece em destaque, foi usado o mesmo critério (40%), tendo em vista que a Folha de Pagamento apresentada era muito aquém do valor mínimo legalmente estabelecido. Segundo se extrai dessa transcrição, não obstante ter sido intimada por meio de TIAD2, a empresa deixou de apresentar parte das folhas de pagamento e apresentou folhas de pagamento com valores "muito aquém do valor mínimo legalmente estabelecido", o que levou a fiscalização a apurar as contribuições por meio de aferição indireta, sendo considerado, como base de cálculo, o percentual de 40% do valor das notas fiscais/faturas emitidas. 2 Segundo a informação fiscal de fl. 46, do processo 18186.000182/200738, o TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), o TIAF (Termo e Início da Ação Fiscal), o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) e os contratos da empresa seguem em anexo ao Debcad nº 35.580.3801. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 17 16 Cientificado do lançamento, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 47, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 48 a 67 (vinte páginas), em 21/7/03, na qual alega, exclusivamente, questões de direito, sem dizer, em uma linha sequer, que teria entregado os documentos à fiscalização e que, por isso, a aferição indireta seria indevida. Após o recebimento da defesa, o Contencioso Administrativo Previdenciário do INSS3 detectou uma inconsistência na classificação do levantamento FG4, uma vez que foi classificado, no Discriminativo Analítico do Débito (DAD), como “Fato gerador declarado em GFIP”, o que é incompatível com o procedimento de aferição indireta. Em face a isso, o processo retornou à fiscalização para que esclarecesse o ocorrido e tomasse as providências necessárias com vistas ao saneamento dessa inconsistência. A fiscalização emitiu, então, a informação de fls. 188 a 189, que serviu de base ao voto do Relator, e cujo conteúdo integral transcrevemos a seguir: Em diligência à empresa foi solicitada a apresentação dos documentos que deram origem às folhas de pagamento relativas ao período 01/99 a 01/2003, conforme TIAD em anexo, tendo sido apresentados: os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas, as GFIPS/SEFIPS mês a mês e demais documentos solicitados. Quanto ao fato de nas competências 13/99, 01/00, 02/00 e 13/00 terem sido as guias de recolhimento a Previdência Social, quitadas e lançadas na Administração Geral e não contendo a identificação dos tomadores, informamos que tal fato não invalida os recolhimentos, sendo apenas uma obrigação acessória, salientamos que nas competências de "13 salário" as informações eram prestadas juntamente com a competência "Dezembro" na GFIP/SEFIP e quanto às informações referentes aos tomadores foi solicitado à empresa para juntamente com os tomadores de serviços providenciasse os ajustes de guias de recolhimento no setor de arrecadação da Secretaria da Receita Previdenciária. Quanto ao item 6, fls. 180, afirmando que o lançamento foi classificado com "Fato Gerador Declarado em GFIP”, esclarecemos que foram declarados em GFIP os valores das Folhas de Pagamento da empresa mês a mês, porém não poderia ter sido lançado um valor "AFERIDO", por impossibilidade de se saber de antemão o seu conteúdo. Portanto estes valores lançados não constam de declaração em GFIP. Quanto ao item 8, fls. 180: Não foram lançadas as Contribuições a Título de "Financiamento dos benefícios decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho", embora os valores recolhidos em GPS/GRPS, pela empresa e retenções de 11% nas notas fiscais, englobem os mesmos. Quanto ao item 9, fls. 180: A empresa apresentou os documentos contábeis, bem como os respectivos Livros Diários, para o período de 01/99 a 01/2003. 3 Instituto Nacional do Seguro Social. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 18 17 Quanto aos itens 11 a 15, fls. 180/181: A empresa não foi informada que houve lançamento com base no procedimento de aferição indireta art 33, §3°, da Lei 8.212. Os Fatos Geradores lançados no presente processo não foram declarados em GFIP/SEFIP, em virtude de os mesmos terem sido aferidos indiretamente. Impossibilitada a elaboração de Relatório Fiscal Substitutivo, por ter a empresa apresentado os documentos que deram origem à aferição indireta. Portanto esta fiscalização fica impossibilitada de elaborar o Relatório Fiscal Substitutivo, por ter havido lançamento incorretamente classificado. Verificado que não foram considerados todos os valores de créditos da empresa nesta fiscalização, no batimento de Folhas de pagamento X Diários X Valores recolhidos, sendo necessária ação fiscal para apuração correta de valores de divergência. (Grifos no original) Conforme se observa na transcrição acima, além de confirmar a inconsistência na classificação do levantamento, esse relato traz informações imprecisas, contraditórias e obscuras. No primeiro parágrafo consta que teria sido realizada diligência na empresa e que esta teria apresentado, dentre outros documentos, as notas fiscais e todas as folhas de pagamento respectivas, porém, não é esclarecido se essas notas fiscais e folhas de pagamento seriam aquelas já examinadas pela fiscalização. Cabe destacar, inclusive, que nenhum desses documentos, supostamente apresentados, foram carreados aos autos, apesar da empresa ter sido intimada para apresentar cópia dos documentos (vide TIAD de fl. 187). Ademais, quando a informação fiscal diz que teriam sido apresentadas "as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas", entendemos, e não vemos como se entender de forma diferente, que foram apresentadas notas fiscais (não se sabe quantas e nem quais) e que também foram apresentadas todas as folhas de pagamento referentes a essas notas fiscais. Logo, esse parágrafo da informação fiscal se mostra deveras impreciso e inconclusivo. O terceiro parágrafo da transcrição, por sua vez, encontrase eivado de clara contradição e obscuridade, pois, ao mesmo tempo em que diz que os valores foram declarados em GFIP, também diz que não foram declarados em GFIP. E, sabese lá o que o AuditorFiscal quis dizer com a frase: "porém não poderia ter sido lançado um valor ‘AFERIDO’, por impossibilidade de se saber de antemão o seu conteúdo". Por fim, no último parágrafo, é dito apenas que não “foram considerados todos os valores de créditos da empresa nesta fiscalização” e que seria “necessária ação fiscal para a apuração correta de valores de divergência”, contudo, não é feita qualquer demonstração a esse respeito, em que pese tal demonstração ser primordial, sobretudo porque está sendo questionada a regularidade do procedimento fiscal realizado. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 19 18 Na sequência, tendo em vista as informações prestadas pela fiscalização e tratadas acima, a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), de São Paulo I (SP), por meio do despacho de fls. 192 a 195, converteu os autos em diligência, em 26/11/07, para que fossem verificados e justificados quais seriam “os reais valores a serem lançados, indicando detalhadamente os motivos das divergências verificadas”. Em 11/9/09, por meio do Termo de Início de Diligência de fls. 216 a 217, foi solicitada à empresa a apresentação dos seguintes documentos: Atos Constitutivos e Alterações. Folhas de Pagamento de Empregados de 07/1995 a 01/2003. Folhas de Pagamento e/ou recibos de Autônomos de 07/1995 a 01/2003. Folhas de Pagamento e/ou recibos de PróLabore de 07/1995 a 01/2003. Resumos das Folhas de Pagamento. Tabela de incidência do sistema da Folha de Pagamento. Documentação de SalárioFamília. Documentação de SalárioMaternidade. Fichas ou Livro de Registro de Empregados. Processos Trabalhistas e GPS respectivas de 10/1996 a 12/1998. Plano de Contas, Livros Diário e Livros Razão dos anos 1995 a 2003. GFIPs de 12/1998 a 01/2003. Guias de FGTS de 07/1995 a 11/1998. Guias de Recolhimento de 07/1995 a 01/2003. Documentação de fornecimento de ValeTransporte Comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Contratos de seguros, seguros médicos e similares. Notas de Fiscais de Prestação de Serviços da empresa (faturamento). Procuração para preposto outorgando poderes para atender esta fiscalização, se for o caso. Tornar disponíveis outros documentos fiscais que suportam a escrituração dos livros comerciais e fiscais. Em resposta a essa solicitação, a empresa carreou aos autos apenas a manifestação de fls. 218 a 219, datada de 17/9/09, na qual alega que a apresentação desses documentos seria desnecessária, uma vez que os “créditos da Fazenda” estariam atingidos pela “decadência e/ou prescrição”. Oras, se os documentos realmente foram apresentados à fiscalização, na diligência anterior, a empresa poderia, ao menos, ter dito isso nessa manifestação, porém, limitouse a alegar questão de direito (decadência/prescrição), nada mais dizendo. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 20 19 Inconformada com a resposta da empresa, a DRJ de São Paulo I (SP), por meio do despacho de fls. 226 a 233, de 16/11/09, solicitou nova diligência, esclarecendo que os créditos não estariam atingidos pela decadência ou prescrição. Porém, em resposta a essa terceira diligência, fls. 238 a 241, a empresa, mais uma vez, não apresentou os documentos solicitados, alegando apenas que “a documentação outrora juntada nesses autos [seria] suficiente para afastar toda e qualquer pretensão de cobrança”, reafirmando, ainda, a tese de que os créditos estariam prescritos ou decadentes. Portanto, diante desse quadro, abstraindose a inconclusiva informação fiscal de fls. 188 a 189, é possível se inferir que, à exceção dos documentos examinados inicialmente pela autoridade lançadora, nenhum outro documento foi apresentado pela empresa, até o encerramento da terceira diligência. Desse modo, a informação fiscal de fls. 188 a 189 se revela em total dissonância com o conjunto dos autos, não tendo, dessa forma, o condão de infirmar o lançamento efetuado, exceto quanto ao erro na classificação do levantamento, o qual já foi sanado no segundo lançamento fiscal. Sendo assim, não restou evidenciada qualquer ilegalidade no arbitramento efetuado, devendo, pois, ser mantido o lançamento substitutivo, na forma como realizado pela fiscalização. Conclusão Isso posto NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.904997/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10805.904997/2009-11
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914105
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.025
nome_arquivo_s : Decisao_10805904997200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 10805904997200911_5914105.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7449409
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870409592832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 65 1 64 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.904997/200911 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3002000.025 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Data 19 de setembro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente COLNAGHI INDUSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IPI, no valor de R$ 4.112,95, relativo ao período de apuração dezembro/2004, com débitos também de IPI (fls. 2 a 6). Por meio de Despacho Decisório à fl. 21, a Delegacia da Receita Federal em Santo André decidiu pela não homologação da compensação porque o crédito relativo ao Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 04 99 7/ 20 09 -1 1 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Resolução nº 3002000.025 S3C0T2 Fl. 66 2 Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 25 a 45), a recorrente esclareceu que recolheu o tributo em duplicidade e, ao elaborar o PER/Dcomp, informou erroneamente a data do primeiro Darf, 14/01/2005, que foi realmente utilizado para quitar débitos de IPI, ao invés de informar 31/01/2005, data de pagamento do segundo Darf de mesmo valor. Para comprovar sua alegação, anexou os 2 Darfs (fl. 27), acompanhados do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e de atos de constituição e de representação da empresa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1437.925 (fls. 52 a 54), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, sob a fundamentação de que cabia à Delegacia de Julgamento aferir a conformidade dos procedimentos fiscais em relação às normas vigentes e que, no caso em tela, havia previsão normativa para que o sujeito passivo retificasse o PER/Dcomp anteriormente ao Despacho Decisório. Uma vez proferida a decisão, a retificação não podia mais ser aceita. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 07/10/2005 PER/DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da PER/DCOMP, é admitida sua retificação, desde que se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Considerase pendente de decisão administrativa, a declaração de compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 06/03/2013, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 68 e protocolizou seu Recurso Voluntário em 20/03/2013, conforme carimbo aposto à sua página inicial fl. 58. Em seu Recurso Voluntário (fls. 58 e 59), a recorrente esclarece que, ao constatar o pagamento em duplicidade, esteve diversas vezes na Receita Federal para solicitar orientação sobre a correção do erro. Na época não existia o eCAC e, a partir das informações que conseguiu obter, efetuou 3 retificações da DCTF do 1º semestre/2005, em 20/06/2007, 31/10/2007 e 26/09/2008, mas não teria sido orientada a retificar a DCTF do 4º trimestre/2004. Apenas após a emissão do Despacho Decisório o contribuinte ficou ciente da falha na retificação. Reforça que o pagamento de 31/01/2005 consta como disponível sem alocação e solicita que a decisão seja revista, tendo em vista o erro escusável e a dificuldade financeira pela qual passa a empresa. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Resolução nº 3002000.025 S3C0T2 Fl. 67 3 Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, esclareçase que, em atenção ao princípio da fungibilidade, recebese como recurso voluntário o “pedido de revisão da cobrança” formulado pelo contribuinte que, em tudo o mais, atende aos pressupostos de recurso dessa natureza. Neste processo, frente à aparente comprovação do pagamento em duplicidade efetuada pelo contribuinte, por meio da juntada dos Darfs originais, a Delegacia de Julgamento respondeu que a retificação da declaração de compensação deveria ter sido solicitada anteriormente à emissão do Despacho Decisório pela DRF/Santo André, em cumprimento ao que dispõe a IN RFB nº 900/2008, e que o entendimento da RFB, expresso por meio de atos normativos, vincula a DRJ, não sendo possível desconsiderar o marco temporal definido para a retificação. Entendo que cabe razão a ambas as partes: o contribuinte provou tempestivamente o pagamento em duplicidade, pelo o que teria direito à restituição, ao passo que o julgador tem de observar limites de competência e processuais – em relação ao Darf informado na Per/Dcomp realmente não há pagamento disponível. Entretanto, considero que o erro que se discute, que a DRJ acertadamente qualificou como inexatidão material, traz como consequência a possibilidade de sua correção, não estando este Colegiado adstrito aos prazos estabelecidos em instrução normativa da Receita Federal quando há elementos suficientes nos autos para se aperceber da sua natureza e da pertinência das alegações do sujeito passivo, com suporte no art. 32 do Decreto nº 70.235/ 1972: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. (grifado) O direito a ser restituído por um pagamento em duplicidade é evidente, tendo sido providenciada a juntada tempestiva das provas. Contam a favor do contribuinte suas tentativas de corrigir a situação junto à Receita Federal, ainda que infrutíferas. Notase, pelo teor dos recursos e pelos diversos erros cometidos, uma certa dificuldade em compreender os procedimentos administrativos, mas não se constata omissão. Dessa forma, entendo que pode ser superado o óbice alegado pela primeira instância, promovendose a correção de ofício da data do Darf informado no PER/Dcomp, em atenção ao princípio da verdade material. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Resolução nº 3002000.025 S3C0T2 Fl. 68 4 para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720316/2007-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO.
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
Numero da decisão: 9303-007.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.720316/2007-22
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901270
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.140
nome_arquivo_s : Decisao_10380720316200722.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10380720316200722_5901270.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7422943
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870420078592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 254 1 253 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.720316/200722 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.140 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria Taxa SELIC Ressarcimento Créditos Cofins Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CASCAVEL COUROS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 03 16 /2 00 7- 22 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 9303007.140 CSRFT3 Fl. 255 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 223 a 230), contra Acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 197 a 206), sob a seguinte Ementa: Acórdão nº: 3403001.292 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ATUALIZAÇÃO ENTRE O PEDIDO E O DEFERIMENTO. CABIMENTO. O direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data em que se concretiza o ressarcimento ao contribuinte, decorre da demora a que dá causa a própria Administração Tributária em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento judicial consolidado a respeito do ressarcimento de IPI (STJ, EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), inclusive em caráter de recurso repetitivo (STJ, REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009), que deve ser transportado para o PIS/Cofins não cumulativo. Recurso provido. A recorrente, inicialmente, havia oposto Embargos de Declaração (fls. 210 a 214), que foram rejeitados (fls. 217 a 219). Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 213), a PGFN alega que (i) o artigo 13 da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente a incidência da Taxa SELIC sobre créditos oriundos de ressarcimento da Cofins nãocumulativa e (ii) a jurisprudência do STJ na qual se escorou o Acórdão recorrido aplicase somente ao IPI e, ainda, apenas quando há oposição estatal ilegítima ao aproveitamento dos créditos. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 238 a 243). É o Relatório. Voto Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 9303007.140 CSRFT3 Fl. 256 3 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. A aplicação extensiva, para a Cofins nãocumulativa, das decisões judiciais vinculantes do STJ relativas à atualização pela Taxa SELIC de créditos do IPI solicitados em ressarcimento (ainda com ressalvas) é, com a devida vênia, descabida, pois, para a contribuição, há expressa disposição legal em contrário, na Lei nº 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Há Acórdãos recentes desta mesma Turma neste sentido, como exemplificado a seguir (este, inclusive, de minha lavra): Acórdão nº 9303006.305 (de 26/01/2008) .................... CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Como é cediço dizer, “a lei me basta”, mas, sabendo que há posições em contrário, utilizome, em caráter enfático, da mesma jurisprudência do STJ aventada no Acórdão recorrido, para demonstrar que a relativa aos créditos do IPI não se aplica às contribuições, analisando, primeiramente, a contrario sensu, o que diz o Ministro Luiz Fux logo ao início da Ementa do Acórdão no REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 9303007.140 CSRFT3 Fl. 257 4 Notese também, que a Súmula nº 411, do mesmo STJ, só fala do IPI: Súmula 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Complementando (pois, conforme já dito, a lei me dá guarida, de forma expressa, ao não reconhecimento da aplicação da Taxa SELIC) as minhas razões de decidir, grifei o Item 2 da Ementa acima transcrita – e também parte da Súmula nº 411 –, para consignar que, ainda que este julgamento fosse aplicável também para PIS/Cofins, no caso concreto, não houve oposição estatal ilegítima (que se configura somente quando a decisão da Unidade de Origem foi revertida nas instâncias administrativas de julgamento), o que se vê reiterado, como causa para a aplicação da Taxa SELIC, na outra decisão do STJ trazida no Acórdão recorrido (REsp nº 993.164/MG, também de relatoria do Ministro Luiz Fux) a qual, apesar de versar sobre o Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº. 9.363/96), nada mais faz, em relação ao tema sob discussão, que dar “aplicação analógica” à primeira decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96 ... CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL... .................... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Para comprovar que não houve reversão do decidido pela Unidade de Origem, transcrevo trecho do Relatório de Acórdão recorrido a respeito: Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (*) transmitido pelo contribuinte em 14/05/2007, correspondente ao saldo de créditos acumulado no 2º trimestre de 2006 (fl. 1). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza/CE (DRF), por meio do Despacho Decisório de fls. 69, que ratificou as conclusões da Informação Fiscal de fls. 67/68, reconheceu o direito de crédito, Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 9303007.140 CSRFT3 Fl. 258 5 destacando, no entanto, que sem a incidência de juros na forma SELIC, por se tratar de ressarcimento, ... (*) Na realidade, foi da Cofins (fls. 005). Na sua Manifestação de Inconformidade (fls. 131), o contribuinte pede tão somente que o Despacho Decisório seja reformado “na parte em que negou o direito da Recorrente a incidência da SELIC sobre o valor do crédito da COFINS reconhecido administrativamente ...” (anotandose que a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente pela DRF/Fortaleza – fls. 161 a 153), único pedido, da mesma forma, reiterado no Recurso Voluntário (fls. 180). Por derradeiro, afasto aqui o argumento, que alguns defendem, de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei (a regra geral é só a possibilidade da compensação dos créditos da nãocumulatividade com débitos do próprio tributo). À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720064/2016-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho.
Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos.
MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa incidente sobre a parcela do lançamento que foi reconhecida como devida pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.720064/2016-24
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916685
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.719
nome_arquivo_s : Decisao_19515720064201624.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720064201624_5916685.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa incidente sobre a parcela do lançamento que foi reconhecida como devida pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7467303
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870422175744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720064/201624 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.719 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente HERBALIFE INTERNACIONAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 64 /2 01 6- 24 Fl. 1162DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa incidente sobre a parcela do lançamento que foi reconhecida como devida pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório HERBALIFE INTERNACIONAL DO BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Belém/PA, Acórdão nº 01033.494/2017, às efls. 1075/1098, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente à cota patronal, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2011 a 12/2011, conforme Relatório Fiscal, às fls. 766/784 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no Auto de Infração abaixo relatado: Conforme depreende do Relatório Fiscal, a auditoria narra que o lançamento foi efetuado com base na Escrituração Contábil Digital (ECD), Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF) e Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), referentes ao Ano Calendário 2011; assim como, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social (GFIP) das competências 01/2011 a 12/2011, entregues pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB). Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 3 3 Comunica que intimou a empresa a apresentar documentos, concedeu prazo complementar, após solicitação do contribuinte, para entrega dos documentos faltantes. Narra que na impossibilidade de leitura do arquivo digital das folhas de pagamento por erro na geração, lavrou termo de constatação e reintimou a empresálo, com alternativa de que poderia apresentar planilhas mensais em EXCEL contendo as remunerações pagas aos contribuintes individuais, com respectiva base de cálculo das contribuição previdenciárias, descontos e valor devido à Previdência Social. Após nova reintimação, a empresa apresentou arquivo no padrão estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD). Informa sobre os documentos solicitados durante a ação fiscal, intimações, reintimações, e termos de continuidade do procedimento fiscal. Noticia que pediu à empresa que discriminasse os pagamentos efetuados a contribuintes individuais declarados em DIRF e GFIP, anexando planilhas contendo as diferenças entre os valores informados nessas duas declarações, a fim de que ela as esclarecesse. Após os esclarecimentos do contribuinte, e diante de todos os documentos apresentados por ele, o lançamento foi efetuado, considerando os fatos narrados em seqüência. Assevera que quando da apresentação pela empresa, da composição do valor informado na DIPJ/2011, na linha 03/2011 (Prestação de Serviços por PF sem Vínculo Empregatício) no valor de R$ 135.204.184,34. Como essas informações não estavam discriminadas por contribuinte individual, a empresa foi intimada a informar as contas contábeis nas quais estavam escrituradas as remunerações pagas a eles e declaradas em GFIP. Em resposta à intimação, foram identificadas as seguintes contas: Entretanto, além de remuneração a contribuintes individuais, foram escriturados nessas contas pagamentos a pessoas jurídicas e a residentes no exterior, o que inviabilizou a identificação dos valores totais pagos àqueles segurados, uma vez que não estavam contabilizados em contas relacionadas à folha de pagamento. Noticia que esses segurados são em maioria representantes comerciais (distribuidores ou consultores independentes) de produtos da Herbalife, contratados para esse fim. Acrescenta que eles são vendedores que compram a mercadoria dessa empresa e revendem para o consumidor final ou para outros distribuidores, cuja remuneração decorre de percentual sobre o volume de vendas, lucro sobre vendas de atacado e de varejo, royalties, e bonificações de incentivo, conforme Plano de Vendas e Marketing da impugnante. Comunica que o lançamento foi efetuado com base nos pagamentos aos contribuintes individuais a título de “lucro no atacado” e a outros pagamentos de natureza não identificada pela empresa e não declarados em GFIP. Descreve que a entrada do distribuidor ou consultor independente na Herbalife se dá com a aquisição de um Kit Internacional de Distribuição (conjunto de produtos da empresa) de um outro Distribuidor Independente, que se torna distribuidor ascendente na Fl. 1164DF CARF MF 4 rede de vendas. Entre os elementos que compõem esse Kit está a Proposta de Distribuição Internacional, que após preenchida e assinada, passa por aprovação na sede mundial da Herbalife, dando autorização para que a aquisição de produtos seja feita diretamente da empresa ou do distribuidor ascendente. Relata que o preço da aquisição de produtos se dá de acordo com o volume de vendas do distribuidor, que ao indicar outros distribuidores como vendedores, adquire os produtos a um preço que considera tanto seu volume de vendas quanto dos distribuidores indicados por ele. Acrescenta que essa metodologia está estabelecida no Plano de Vendas e Marketing da empresa (PVM), onde cada produto possui uma pontuação, e os pontos de volume acumulados correspondem à produção de vendas dos distribuidores e são utilizadas para qualificação e benefícios; quanto mais produtos adquirem, mais eles sobem na cadeia de vendas, passando por Distribuidor Independente, Consultor Sênior, Supervisor, Membros da Equipe TAP e Presidentes, seus ganhos variam conforme o volume de compras, estabelecidos no PVM da empresa, que também oferece outros benefícios. Narra que após intimações para apresentação de comprovantes de pagamento a contribuintes individuais, com indicação de contabilização, e esclarecimentos quanto às divergências entre o declarado em GFIP e DIRF, a empresa demonstrou que as diferenças apontadas pela fiscalização decorrem dos “lucros no atacado”, sobre os quais entende não incidir contribuição previdenciária. Relata que o contribuinte esclareceu que parte das diferenças entre os valores de DIRF e GFIP se refere a ganhos comerciais dos consultores independentes, decorrentes de descontos sobre o preço das vendas (descontos remanescentes) repassados aos distribuidores, e que tais ganhos por serem tributáveis pelo Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) são informados em DIRF, e não foram informados em GFIP por não configurarem contraprestação de serviços. Quanto à rubrica “outras diferenças”, a empresa não conseguiu identificar de onde eram provenientes. Noticia ter o contribuinte informado que esses repasses constituem uma reserva de mercado dos consultores que possuem maior desconto, para permitirem que os distribuidores indicados por eles (que possuem menor desconto) comprem produtos diretamente da Herbalife, assim, aqueles recebem um ganho sobre os produtos adquiridos diretamente por seus indicados, preservando seus ganhos comerciais, e evitando conflito de interesses entre consultores, sendo que o ganho líquido da Herbalife é sempre o mesmo, independente de o distribuidor adquirir os produtos diretamente dela ou do consultor que o indicou. Acrescenta que a empresa justifica que esse valor não se trata de pagamento por bem ou serviço recebido da empresa e por isso entende não incidir contribuição previdenciária, razão pela qual não foi declarado em GFIP. Comunica que a empresa demonstrou que as diferenças apontadas pela fiscalização correspondem aos “lucros no atacado”, nomenclatura de mesma grandeza do “desconto por atacado”, já que se trata da diferença entre o preço com desconto que o consultor ascendente paga pelos produtos e o preço com desconto que o consultor descendente paga pelos produtos que comprar daquele, ou diretamente da Herbalife. Relata que em resposta à intimação a empresa entende que os lucros no atacado não remuneram serviços prestados pelos consultores independentes, papel esse feito pelos royalties e bônus pagos pela Herbalife, que remuneram as atividades de captação, treinamento, incentivo e retenção de outros consultores independentes, e por isso são declarados em GFIP. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 4 5 Informa que a empresa remunerou contribuintes individuais, pela venda de seus produtos, não declarou a remuneração em GFIP, e conseqüentemente, não recolheu a contribuição previdenciária devida, em função disso, foi efetuado o lançamento, que também contém valores pagos a esses segurados, cuja natureza de pagamento a empresa não conseguiu identificar, nem explicou porque eles não foram oferecidos à tributação. Acrescenta que os rendimentos obtidos pelos distribuidores (vendedores) são valores pagos pela contraprestação de serviços de vendas ou de intermediação de vendas, em decorrência de vínculo laboral pactuado entre as partes, por meio do Contrato de Distribuição, e que a nomenclatura “lucro no atacado” não descaracteriza a natureza dos pagamentos efetuados pela retribuição aos serviços prestados de vendas de produtos. Apresenta a base de cálculo utilizada no lançamento, que foi obtida da diferença entre o valor pago a contribuintes individuais, extraído da escrituração contábil, e o valor declarado em GFIP. Noticia ter aplicado a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do inciso I do caput e § 1° do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, c/c inciso I do art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Belém/PA entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1.112/1.152, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, primeiramente aduz sobre as características de seu canal de vendas, nos seguintes termos: A Recorrente é empresa dedicada à comercialização de produtos por meio do canal de vendas diretas, mediante o qual, em vez de disponibilizar seus produtos a grandes varejistas, as empresas optam por vendêlos a revendedores diretos, que fazem os produtos chegarem ao consumidor final por meio de contato pessoal, sem estabelecimento fixo. Esses revendedores, dependendo do plano de negócio de cada empresa, podem vender os produtos a outros revendedores ou diretamente ao consumidor final, podendo auferir, em ambas as hipóteses, lucro com a venda do produto – no atacado ou no varejo. Alega que o consultor, ao contrário do que relata o Auditor Fiscal, não presta serviços de vendas ou intermediação, nem é representante comercial, é um revendedor, que compra e revende os produtos da recorrente em nome próprio, sendo seu parceiro comercial, explicando a metodologia do "negócio Herbalife". Fl. 1166DF CARF MF 6 Explicita que a receita líquida da recorrente se resume a 50% (cinqüenta por cento) de todas as vendas efetuadas. Tal receita jamais oscila, não importando se o produto é vendido (i) pela própria contribuinte para o consultor varejista ou atacadista ou (ii) em nome da Recorrente, mas para o consultor atacadista. Ressaltese, nesse sentido que, quando a venda é efetuada em nome da Recorrente, mas em prol do consultor atacadista, a recorrente repassa a quem de direito, de acordo com o seu plano de marketing, o valor sobressalente à sua receita líquida própria. Justamente por isso, em todos os noventa e um países em que a Recorrente tem atividades, inclusive no Brasil, os valores referentes às vendas efetuadas em seu nome, mas para o consultor independente, são contabilizados como redução de receita, não como despesa. Isto porque, de fato, tratase de verdadeira receita de terceiros que a Recorrente repassa a quem de direito. Explica que o ganhos comerciais são o “lucro no varejo” e o “lucro no atacado”, que são caracterizados por descontos outorgados pela Herbalife ao consultor, transcrevendo trechos do Manual para explicar como esses ganhos são obtidos. Ressalta que apesar de o “lucro no atacado” envolver repasse financeiro ao consultor, feito pela Herbalife, ele configura ganho comercial baseado em desconto. Assevera que os ganhos decorrentes de serviços, denominados royalties e bônus, decorrentes “das atividades de captação, desenvolvimento, treinamento e motivação das equipes de vendas”, dependem da qualificação e têm correlação direta com os volumes de venda, que servem de base para o cálculo dos próprios ganhos. Arrazoa que o consultor ao assinar o contrato e se tornar um consultor independente, constrói um verdadeiro negócio para si e para sua família, acostando aditamentos contratuais para demonstrar a transferência do negócio Herbalife a sucessores familiares dos Consultores. Expõe que o consultor qualificado ao desconto pode comprar o produto da Herbalife e revender aos seus consultores descendentes com o desconto que estes têm direito de adquirir (geralmente, menor que o da ascendente), ou pode permitir que eles comprem diretamente da Herbalife com o desconto menor, e esta devolve ao consultor ascendente a diferença do desconto que caberia a ele, sob a forma de ganho, por isso, “o lucro no atacado” é também denominado “desconto remanescente”. Argumenta que a indicação de outras pessoas, nem o volume de vendas efetuado por estas, qualificam o consultor que as indicou para níveis maiores de desconto. Acrescenta que se trata de ganho comercial, que pode ser auferido sem qualquer repasse de valores pela recorrente, nos casos em que o consultor descendente compra diretamente do consultor ascendente. Dessa forma, afirma que há equívoco da fiscalização ao relatar que “lucro no atacado” são valores pagos aos distribuidores em função do volume de vendas, e, portanto, não há prestação de serviço pelo consultor quer seja para qualificação ao nível maior de desconto, quer seja para percepção do “lucro no atacado”, inclusive porque, o consultor precisa manter anualmente a qualificação que lhe permite auferir esses ganhos, senão retorna ao status que seu volume de pontos alcançar, podendo inclusive ser ultrapassado por um consultor que estava abaixo dele na organização, evidenciando que a percepção do “lucro no atacado” não tem a ver com a indicação de pessoas para sua equipe. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 5 7 incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Insurgese quanto a fundamentação da decisão de piso com base Estatuto do Vendedor Direto, constante do site da Associação Brasileira de Vendas Diretas (ABEVD), norma orientativa, não restritiva, e que, quando refletida na prática de cada uma de suas associadas, admite particularidades. E, se bem se compreendeu os tipos de receita auferidos pelos consultores dependentes da Recorrente, expostos no item 16 e seguintes desta peça, notarseá que a estrutura de ganhos da Recorrente situase exatamente dentro dos patamares sugeridos pela norma da ABEVD utilizada pela ilustre Relatoria, na modalidade multinível: os ganhos comerciais (lucros no atacado e no varejo) decorrem da venda dos produtos e os ganhos remuneratórios (royalties e bônus) decorrem da captação, treinamento, motivação e retenção de outros consultores independentes. Deveras, a autoridade Julgadora utilizou de norma que não se aplica ao caso concreto, uma vez que, além de ser genérica, trata da contraprestação pelo agenciamento de novos consultores, que, como já se viu, é remunerado pela Recorrente por meio de bônus e royalties. Aduz não ser possível prosperar o entendimento da autoridade Julgadora de ‚que os valores pagos a título de ‘lucro no atacado’ aos consultores independentes decorrem da prestação de serviços de venda, e de divulgação dos produtos da empresa‛, uma vez que: (i) a lógica do lucro no atacado é exatamente inversa. Isso é, não há prestação de serviços de venda ou divulgação de produtos do consultor em prol da Recorrente. Na realidade, a atividade de Recorrente que é em prol dos consultores independentes. Ademais, também não prospera o entendimento da autoridade julgadora de que o lucro no atacado seria um "plus ao serviço prestado pelo consultor de nível superior, como forma de que este atraia mais consultores a sua rede de vendas, e por fim aumente as vendas da própria Herbalife, (...) apenas revenderia seus produtos aos consultores, uma vez que obteria o mesmo percentual de desconto.(...) A pr{tica do ‘lucro por atacado’ abre caminho para que a Herbalife venda diretamente a consultores da linha descendente de um consultor independente, incentivandoos a atrair mais pessoas à rede, e aumentarem seu volume de compras diretamente da Herbalife". Afirma que não existe o interesse do consultor em linha ascendente de fomentar as compras dos consultores em linha descente, a fim de garantir a sua qualificação para auferir o lucro no atacado, por toda sistemática da empresa na requalificação anual. Explicita que o lucro no atacado não possui natureza remuneratória. Tratase de um ganho comercial do consultor independente a ele repassado pela Recorrente. Por assim ser, não pode tal rubrica sofrer a incidência de contribuição previdenciária Argumenta que embora o consultor não esteja obrigado a se dedicar ao negócio Herbalife e trabalhar determinadas horas por dia, aqueles que evoluem na escala e obtêm lucro no atacado, acabam se dedicando e prestando serviços com habitualidade. Aponta que pessoas naturais que assim exercem sua atividade comercial, com intuito de lucro são equiparadas a pessoas jurídicas para fins fiscais, conforme art. 150, § 1o, II, do Regulamento do Imposto de Renda. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Fl. 1168DF CARF MF 8 Cita a Solução de Consulta nº 11, de 09 de fevereiro de 2015, da Coordenação Geral de Tributação (COSIT) da Receita Federal do Brasil, que trata da equiparação à pessoa jurídica da pessoa física que explora atividade comercial com fins de lucro, mediante revenda de bens a terceiros, e sua obrigação, de uma vez equiparada, adotar os mesmos procedimentos contábeis e fiscais aplicados àquela. Para demonstrar a ocorrência da equiparação de seus consultores à pessoa jurídica, expõe que estes realizaram com habitualidade elevadas compras de produtos para revenda em nome próprio e participaram de numerosos eventos de desenvolvimento de suas equipes de venda. Nesse sentido, entende que não há cabimento a exigência de recolhimento de contribuições previdenciárias sobre pagamentos efetuados pela empresa a eles, uma vez que para fins fiscais tais pagamentos terão sido feitos a pessoas jurídicas e não a físicas, assim como, assevera ser indevida qualquer multa decorrente de falta de informação em GFIP. Insurgese contra a majoração da multa, ressaltando a inexistência de valores a serem recolhidos. Transcreve jurisprudências deste Tribunal, no sentido de que se for excluída a exigência do imposto, ou julgado improcedente o lançamento da obrigação principal, da mesma forma deve ser excluída a multa aplicada sobre ele. Explica ainda que, referida multa é indevida, porque, no caso de sonegação, além da intenção de lesar o Fisco, essa lesão deve ser feita por meio de qualquer das condutas tipificadas no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Utilizando esse argumento, diz que não existe sonegação em tese, termo utilizado no Relatório Fiscal, ou por mera presunção, pois para a caracterização desse instituto não se admite dúvida, uma vez que na existência desta, a penalidade deve ser aplicada de forma mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112, do Código Tributário Nacional. Reproduz jurisprudências do CARF para afirmar que na aplicação da multa qualificada deve haver a inequívoca comprovação do dolo. Aduz que a fiscalização majorou a multa sem comprovação do dolo por parte do contribuinte, uma vez que esta não pretendeu sonegar qualquer tributo, tendo informado à SRFB todos os pagamentos efetuados aos consultores, a exemplo da Escrituração Contábil Digital, da DIRF e da DIPJ. Nesse sentido, questiona “onde estaria o intuito de sonegação de alguém que entregou DIPJ e DIRF contendo todos os pagamentos e repasses feitos aos Consultores?”. Assevera que não declarou em GFIP os repasses de Lucro no Atacado aos consultores, porque possui convicção de que essa verba não tem natureza de remuneração por serviços prestados, e que já tinha explicado tudo o aqui alegado à fiscalização, motivo que afastaria a acusação de sonegação. Acrescenta ainda que cooperou com a fiscalização, e transcreve trechos do Relatório Fiscal, que se referem às respostas e esclarecimentos prestados pela empresa durante o procedimento fiscal. Afirma que, ao contrário do que relata a fiscalização, lançou em títulos próprios de sua contabilidade, de forma individualizada as remunerações pagas aos consultores, sobre as quais há incidência de contribuição previdenciária, assim como, os repasses de valores a eles Arrazoa que forneceu documentos auxiliares, referentes aos valores contabilizados, citando o art. 258, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda, que dispõe que a empresa pode fazer sua escrituração contábil de forma resumida, desde que mantenha livros auxiliares e os documentos que demonstre sua veracidade. E por isso, não concorda com as condutas de sonegação e intuito de fraude que lhe foram atribuídas. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 6 9 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como bem explicitado pela decisão a quo, tendo sido cientificada pessoalmente dos Autos de Infração em 23/01/2016, por via postal, o contribuinte optou por efetuar o pagamento do crédito tributário abaixo demonstrado, relativo aos pagamentos que não conseguiu justificar durante o procedimento fiscal, apenas quanto ao principal, juros e multa de 75% por não concordar com a multa qualificada de 150%, anexa DARF devidamente quitado (fls. 896): Portanto, em relação a tais valores não foi instaurado o contencioso administrativo pelo fato de o sujeito passivo ter efetuado o pagamento dos créditos lançados. Assim, observase que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 58 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Dito isto, vamos nos ater a questão do "lucro no atacado" e a multa qualificada. MÉRITO NEGÓCIO HERBALIFE LUCRO NO ATACADO MARKETING MULTINÍVEL Primeiramente cabe esclarece quais as vertentes sobre a resolução do lançamento, são elas: Fl. 1170DF CARF MF 10 se as atividades desempenhadas pelos consultores configuramse como prestação de serviços à Herbalife, estamos diante de uma hipótese de incidência tributária, onde o “lucro no atacado” pago a eles constitui remuneração, fato gerador das contribuições sociais previdenciárias, com razão a autoridade lançadora; ou caso se conclua ser mera relação mercantil, ganho comercial, estaríamos fora da hipótese de incidência das contribuições, conforme defendido pela contribuinte. A recorrente, rebatendo as contribuições aqui exigidas, expôs todo o funcionamento de seu canal de vendas ("negócio herbalife"), diferenciando todas as "operações da cadeia" e, enfatizando sempre que a relação entre ela e os consultores independentes é, e sempre foi, comercial (de compra e revenda). Explicita que a receita líquida da recorrente se resume a 50% (cinqüenta por cento) de todas as vendas efetuadas. Tal receita jamais oscila, não importando se o produto é vendido (i) pela própria contribuinte para o consultor varejista ou atacadista ou (ii) em nome da Recorrente, mas para o consultor atacadista. Ressaltese, nesse sentido que, quando a venda é efetuada em nome da Recorrente, mas em prol do consultor atacadista, a recorrente repassa a quem de direito, de acordo com o seu plano de marketing, o valor sobressalente à sua receita líquida própria. Justamente por isso, em todos os noventa e um países em que a Recorrente tem atividades, inclusive no Brasil, os valores referentes às vendas efetuadas em seu nome, mas para o consultor independente, são contabilizados como redução de receita, não como despesa. Isto porque, de fato, tratase de verdadeira receita de terceiros que a Recorrente repassa a quem de direito. Explica que o ganhos comerciais são o “lucro no varejo” e o “lucro no atacado”, que são caracterizados por descontos outorgados pela Herbalife ao consultor, transcrevendo trechos do Manual para explicar como esses ganhos são obtidos. Ressalta que apesar de o “lucro no atacado” envolver repasse financeiro ao consultor, feito pela Herbalife, ele configura ganho comercial baseado em desconto. Assevera que os ganhos decorrentes de serviços, denominados royalties e bônus, decorrentes “das atividades de captação, desenvolvimento, treinamento e motivação das equipes de vendas”, dependem da qualificação e têm correlação direta com os volumes de venda, que servem de base para o cálculo dos próprios ganhos. Arrazoa que o consultor ao assinar o contrato e se tornar um consultor independente, constrói um verdadeiro negócio para si e para sua família, acostando aditamentos contratuais para demonstrar a transferência do negócio Herbalife a sucessores familiares dos Consultores. Expõe que o consultor qualificado ao desconto pode comprar o produto da Herbalife e revender aos seus consultores descendentes com o desconto que estes têm direito de adquirir (geralmente, menor que o da ascendente), ou pode permitir que eles comprem diretamente da Herbalife com o desconto menor, e esta devolve ao consultor ascendente a diferença do desconto que caberia a ele, sob a forma de ganho, por isso, “o lucro no atacado” é também denominado “desconto remanescente”. Argumenta que a indicação de outras pessoas, nem o volume de vendas efetuado por estas, qualificam o consultor que as indicou para níveis maiores de desconto. Acrescenta que se trata de ganho comercial, que pode ser auferido sem qualquer repasse de valores pela recorrente, nos casos em que o consultor descendente compra diretamente do consultor ascendente. Dessa forma, afirma que há equívoco da fiscalização ao Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 7 11 relatar que “lucro no atacado” são valores pagos aos distribuidores em função do volume de vendas, e, portanto, não há prestação de serviço pelo consultor quer seja para qualificação ao nível maior de desconto, quer seja para percepção do “lucro no atacado”, inclusive porque, o consultor precisa manter anualmente a qualificação que lhe permite auferir esses ganhos, senão retorna ao status que seu volume de pontos alcançar, podendo inclusive ser ultrapassado por um consultor que estava abaixo dele na organização, evidenciando que a percepção do “lucro no atacado” não tem a ver com a indicação de pessoas para sua equipe. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Insurgese quanto a fundamentação da decisão de piso com base Estatuto do Vendedor Direto, constante do site da Associação Brasileira de Vendas Diretas (‚ABEVD‛), norma orientativa, não restritiva, e que, quando refletida na prática de cada uma de suas associadas, admite particularidades. E, se bem se compreendeu os tipos de receita auferidos pelos consultores dependentes da Recorrente, expostos no item 16 e seguintes desta peça, notarseá que a estrutura de ganhos da Recorrente situase exatamente dentro dos patamares sugeridos pela norma da ABEVD utilizada pela ilustre Relatoria, na modalidade multinível: os ganhos comerciais (lucros no atacado e no varejo) decorrem da venda dos produtos e os ganhos remuneratórios (royalties e bônus) decorrem da captação, treinamento, motivação e retenção de outros consultores independentes. Deveras, a autoridade Julgadora utilizou de norma que não se aplica ao caso concreto, uma vez que, além de ser genérica, trata da contraprestação pelo agenciamento de novos consultores, que, como já se viu, é remunerado pela Recorrente por meio de bônus e royalties. Aduz não ser possível prosperar o entendimento da autoridade Julgadora de ‚que os valores pagos a título de ‘lucro no atacado’ aos consultores independentes decorrem da prestação de serviços de venda, e de divulgação dos produtos da empresa‛, uma vez que: (i) a lógica do lucro no atacado é exatamente inversa. Isso é, não há prestação de serviços de venda ou divulgação de produtos do consultor em prol da Recorrente. Na realidade, a atividade de Recorrente que é em prol dos consultores independentes. Ademais, também não prospera o entendimento da autoridade julgadora de que o lucro no atacado seria um "plus ao serviço prestado pelo consultor de nível superior, como forma de que este atraia mais consultores a sua rede de vendas, e por fim aumente as vendas da própria Herbalife, (...) apenas revenderia seus produtos aos consultores, uma vez que obteria o mesmo percentual de desconto.(...) A pr{tica do ‘lucro por atacado’ abre caminho para que a Herbalife venda diretamente a consultores da linha descendente de um consultor independente, incentivandoos a atrair mais pessoas à rede, e aumentarem seu volume de compras diretamente da Herbalife". Afirma que não existe o interesse do consultor em linha ascendente de fomentar as compras dos consultores em linha descente, a fim de garantir a sua qualificação para auferir o lucro no atacado, por toda sistemática da empresa na requalificação anual. Explicita que o lucro no atacado não possui natureza remuneratória. Tratase de um ganho comercial do consultor independente a ele repassado pela Recorrente. Por assim ser, não pode tal rubrica sofrer a incidência de contribuição previdenciária Fl. 1172DF CARF MF 12 Argumenta que embora o consultor não esteja obrigado a se dedicar ao negócio Herbalife e trabalhar determinadas horas por dia, aqueles que evoluem na escala e obtêm lucro no atacado, acabam se dedicando e prestando serviços com habitualidade. Aponta que pessoas naturais que assim exercem sua atividade comercial, com intuito de lucro são equiparadas a pessoas jurídicas para fins fiscais, conforme art. 150, § 1o, II, do Regulamento do Imposto de Renda. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A situação ora em debate, se encaixa no sistema de compensação multinível (marketing multinível/marketing de rede), que se trata de uma estratégia empresarial de distribuição de bens e serviços, onde a divulgação dos produtos se dá pela indicação “boca a boca” feita por distribuidores independentes. Por esse trabalho, tais distribuidores recebem bônus, que seriam utilizados nas milionárias campanhas de propaganda tradicional. Além da indicação dos produtos, os distribuidores poderão indicar outros distribuidores e, assim, construir uma organização de escoamento de produtos com possibilidades de ganhos ilimitados. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila alguns apontamentos acerca da matéria (marketing multinível), por não estarmos tão habituados ao tema. O marketing multinível também tratado, às vezes, como marketing de rede, teve origem nos EUA, nos idos dos anos 1940. Desde então, passou por vários ciclos, adaptou se a diferentes momentos da economia mundial e se espalhou por diversos países. No Brasil, há vários modelos de negócios já consolidados baseados nesse formato e hoje é a atividade profissional principal (em alguns casos, a única) de muita gente. Os negócios do tipo multinível baseiam o seu sistema de comercialização em dois pilares fundamentais: a venda direta e a criação de uma rede. A venda direta consiste em ir diretamente aos consumidores para oferecer e vender os produtos ou serviços da empresa, de uma forma pessoal ou através do uso da Internet. Enquanto a criação de uma rede consiste em convidar outras pessoas para que participem como Distribuidores Independentes na empresa de multinível, na qual estás associado. Se aceitarem entrar na empresa, passarão a formar parte da rede e vai ganhar uma vantagem por cada venda feita pelos distribuidores recrutados. Vale esclarecer ainda, que não podemos confundir o MMN (marketing multinível) com as pirâmides. A primeira é uma atividade legalizada, baseada na comercialização de produtos e serviços, baseandose em princípios e fundamentos éticos e legais e pode gerar bons rendimentos aos parceiros, dependendo, é claro, dos resultados de cada um. Já as pirâmides financeiras são negócios totalmente distintos do marketing multinível. Elas são esquemas ilegais de movimentação financeira. Portanto, estamos diante de um negócio legal. Feitas às considerações encimadas, passamos a expor o nosso entendimento. Apesar de estarmos falando de uma matéria não usual, esta já foi apreciada por este Egrégio Conselho, pela 1º Turma Ordinária da 3º Câmara da 2º Seção de Julgamento, em sessão de 06 de novembro de 2014, acórdão de nº 2301004.218. Por oportuno, transcreve se o voto do ilustre Relator Wilson Antonio de Souza Correa, no tocante a matéria aqui discutida: DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DE TRABALHO ENTRE A RECORRENTE E SEUS DISTRIBUIDORES E COMPRADORES DE SEUS PRODUTOS Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 8 13 Em síntese a Recorrente diz que faz parte do grupo FLP – Forever Living Products, que por sua vez fabrica e comercializa produtos de saúde e outros do gênero. E, como integrante do grupo FLP atua na área de vendas diretas e utiliza um ‘Plano de Marketing Único’, que incentiva e apóia a compra e o uso dos seus produtos através de uma rede de compradores. Explica que a rede de compradores funciona com indicação de outros compradores, sendo assim: A é comprador e indique B, para que indique C e assim sucessivamente, sendo que o primeiro, ou seja, A, recebe sobre as suas compras na FLP e sobre as compras dos indicados sucessivamente, formando uma rede, onde quem é o primeiro recebe mais, já que todas as compras a ele serão contabilizadas. Neste planejamento todos os compradores para comprarem e venderem mais têm que realizar mais indicação de compradores e fazer um trabalho forte de marketing, sendo que a tarefa principal não é o marketing sim a venda, para eles, distribuidores, sendo que o primeiro é um mero instrumento para realização do segundo, razão pela qual se revela impróprio o entendimento da decisão de piso ao comparar este procedimento com a venda direta que aduz o estatuto do vendedor. Desta forma, explicita, os valores pagos aos distribuidores pela Recorrente não se refere a venda, mas sim a compra por ele realizada, não esquecendo cada qual pertencer a uma rede de compradores o que possibilita a variação de ganhos, ou seja, quanto mais distribuidores ele tiver, mais ele terá de bonificação. Assim, poderemos resumir o ponto nodal da questão, pois para a Fiscalização os valores pagos aos prestadores de serviços têm como base as vendas por eles realizadas e para a Defendente os valores pagos têm como base as compras realizadas por seus contratantes/compradores. É como se ela estivesse bonificando os seus compradores, ou seja, quanto mais compra, mais recebe bônus e ela é paga por seus distribuidores para gerir este ‘Plano de Marketing Único’, ainda que seja 1 real ao mês. O contrato apresentado nos autos não deixa dúvida quanto a sua literalidade de que a prestadora de serviço é a Recorrente que também é remunerada, ainda que seja 1 real por mês. E onde ela ganha nesta transação comercial? Na venda do produto por ela produzido e no marketing gratuito do seu produto. Para a Recorrente não há legislação que tribute a operação acima e não pode a fiscalização, por analogia enquadrar os distribuidores como contribuintes individuais. Aduz também a Recorrente que os prêmios distribuídos por ela não podem ser considerados como pagamento de contraprestação de serviço, isto porque os valores que transitam pelo patrimônio dela a título de VAR, são devolvidos na forma de prêmio. Registro minhas reverências ao projeto elaborado pela Recorrente, eis que de fato ele não contraria nenhuma legislação, mas o tenho como desfigurado pelo simples fato de os Fl. 1174DF CARF MF 14 distribuidores não serem distribuidores e sim vendedores, conforme o Estatuto do vendedor que o conceitua como uma pessoa que participa do sistema de distribuição de uma empresa de venda direta. Podendo ser agente comercial independente, contratado por empreitada, revendedor ou distribuidor independente, representante empregado ou por conta própria, franqueado ou similar. Assim, não vejo razão à Recorrente, também neste quesito. DO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS – BONIFICAÇÕES A Recorrente alega que a base de cálculo utilizada pela Fiscalização está equivocada, eis que a sua operação realizada pelo seu Plano de Marketing Único é diferenciado de uma rede de vendedores/distribuidores, pois o vendedor que se encontra no topo da lista é beneficiado por compras indireta de outros distribuidores/compradores/vendedores. Como dito acima, o planejamento foi elaborado e se admitíssemos o projeto estaríamos diante de distribuidores conforme consta no contrato e não vendedores, conforme é a realidade fática. Sendo considerados vendedores a operação cai na vala comum e neste sentido a base de cálculo acompanha a regra geral, havendo como base as vendas realizadas como um todo. Entretanto, quando trata das BONIFICAÇÕES, onde informa a Fiscalização que observou divergências entre os valores declarados na DIRF como rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e os informados na GFIP da Recorrente, sendo incluindo na base da cálculo do lançamento, o que julgo indevido, eis que ausente a comprovação de fato gerador que possa justificar. Veja, a bonificação declarada e que não consta na DIRF não representa um fato ou conjunto de fatos a que o legislador vincula o nascimento da obrigação jurídica de pagar um tributo determinado. Alguns doutrinadores do direito tributário propõem distinguir fato descrito na hipótese legal (hipótese de incidência) e fato imponível. Nesse sentido, a definição de Geraldo Ataliba é precisa: "Tal é a razão pela qual sempre distinguirmos estas duas coisas, denominando hipótese de incidência ao conceito legal (descrição legal, hipotética de um fato, estado de fato, ou conjunto de circunstâncias de fato) e fato imponível, efetivamente acontecido num determinado tempo ou local, configurando rigorosamente a hipótese de incidência". O Código Tributário Nacional do Brasil (CTN) utiliza a expressão fato gerador tanto no momento que se refere ao que Geraldo Ataliba chamou de hipótese de incidência tanto quanto ao fato imponível, deixando para que o intérprete da norma reconheça o significado referido segundo o contexto em que se encontra. O CTN faz menção ao fato gerador nos artigos 114 e 115. De acordo com o texto do artigo 114 do CTN, fato gerador da obrigação principal é a hipótese definida em lei como necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 9 15 Por sua vez, o artigo 115 diz que fato gerador da obrigação acessória é a hipótese que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Nesta seara, vejo que as bonificações não estão rigorosamente incluídas em hipótese de incidência, razão pela qual excluo do lançamento, conforme requerido pelo Recorrente. Com razão em parte. Face a isto, a conclusão do ilustre Relator, consoante voto parcialmente acima transcrito, foi no sentido de, naquele caso, dar parcial provimento ao recurso voluntário para "reconhecer que não deve compor a base de cálculo as bonificações pagas ao vendedores/empregados por ausência de comprovação do fato gerador", decisão esta que foi acompanhada por unanimidade pelos demais Conselheiros daquela Colenda Turma. Com a devida vênia ao entendimento exarado pelo ilustre Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, venho discordar que há uma relação de trabalho, ou até mesmo de emprego, pois os chamados "Consultores"/"Distribuidores" não podem ser considerados como "Vendedores", o que daria ensejo a incidência de contribuição previdenciária, considerandoos como contribuintes individuais, ou ainda, como empregados. Nesse sentido, em 16 de fevereiro de 2016, quando da apreciação do processo nº 16832.000057/201036, o qual sobreveio o acórdão nº 2402004.992, a 2º Turma Ordinária da 4º Câmara da 2º Seção de Julgamento deste Conselho, com a relatoria do Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, acordaram por unanimidade em dar provimento ao recurso voluntário, por compreenderem que não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque as "bonificações", não têm como contrapartida prestação de serviços à recorrente por Distribuidores/Vendedores de produto por ela fornecidos. Vejamos a ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, segundo o qual, a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato, de sorte que sua realização no âmbito tributário ocorre com a aplicação do princípio da verdade material, o qual permite que no processo administrativo o julgador busque a Fl. 1176DF CARF MF 16 verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Recurso Voluntário Provido. Analisando a operação comercial da recorrente, me filio ao entendimento acima, pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de "lucros no atacado" aos "consultores" dos produtos da recorrente. Verificase que na modelagem de negócio da contribuinte, conforme demonstrado pelo Relatório Fiscal e pelos instrumentos contratuais acostados aos autos, é que os consultores autorizados adquirem produtos com desconto da recorrente para revendêlos e parte do valor, como obrigação da recorrente com os seus consultores, são repassados a estes, em conformidade com os critérios estabelecidos. Explico. Ao atingir determinado nível de qualificação, o consultor independente se torna um verdadeiro atacadista. A Recorrente, por sua vez, conhecedora das limitações destes consultores independentes que não possuem estrutura logística estrutura básica para a correta armazenagem dos produtos (que, no caso da Recorrente, por se tratar de produtos alimentícios, exige maiores cuidados), veículo para fazer o transporte de quantidades maiores, contrato com transportadora, dentre outros – e financeira – disponibilidade de caixa para comprar, armazenar e transportar o produto até o consumidor final , para operacionalizar sua atividade comercial, a Recorrente toma para si tais responsabilidades e garante o ganho comercial advindo da operação de venda para o consultor independente. Tratase de verdadeira reserva de mercado, assegurada pela Recorrente, e concretizada pelo repasse do lucro no atacado para o consultor para tanto qualificado. Com isso, a peticionante garante que o consultor qualificado para auferir lucro no atacado não se oponha à aquisição do produto diretamente a ela, o que poderia facilmente ocorrer se não lhe fosse dada a garantia de que seu ganho seria mantido. Nessa esteira, a Recorrente assegura também que: (i) não haverá falta de produto no mercado, por conta de eventual indisponibilidade de caixa de algum consultor; (ii) os produtos ficarão armazenados de maneira correta e conforme exigido pela legislação pertinente; (iii) os produtos chegarão ao destino com rapidez e segurança; (iv) os lucros no atacado serão repassados no prazo correto e a quem de direito, quando há mais de um consultor beneficiado pela mesma operação de venda. E, o ponto mais importante para a saúde do ‚negócio Herbalife, assegura tratativas pacíficas entre a empresa e seus consultores, evitando atritos comerciais. Entendo, portanto, que a relação jurídica entre a contribuinte, uma empresa de "marketing multinível", que fabrica e comercializa produtos de nutrição, controle de peso, entre outros do gênero, com seus consultores não possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes, no que concerne o lucro no atacado, é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Neste sentido, como muito bem destacou o ilustre Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, no voto do acórdão nº 2402004.992, que peço vênia para substanciar os fundamentos já expostos, senão vejamos: (...) não somente pelo que se plasma nos instrumentos analisados, mas também pela realidade dos fatos, apenas para argumentar, sabese que, assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, de forma que o que vale é a ocorrência real dos fatos e não o que está escrito. Assim, mesmo que não Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 10 17 fossem textualmente compreendidos os instrumentos envolvidos, dado ao que não se constata nenhuma prestação de serviço dos beneficiários dos bônus para a recorrente, tomandose por fundamento o princípio da primazia da realidade, não há o que se falar em ocorrência do fato gerador da contribuição social previdenciária ora exigida. Com supedâneo nesse princípio significa dizer: mesmo que fosse considerada a existência de uma relação prestacional entre a empresa e os beneficiados (compradores e vendedores), mesmo assim, reiterese, o referido bônus daquela relação não decorreria, uma vez que os ditos pagamentos consubstanciamse ou decorrem de mera devolução de valores colocados sob a guarda e/ou administração da recorrente pelos distribuidores autorizados. Do até aqui apontado, o que se constata dos autos é a inocorrência do fato gerador das contribuições ora exigidas, eis que em momento algum se verificou o pagamento por prestação de serviço remunerado pelos segurados, razão pela qual não deve subsistir o lançamento em análise, de sorte que não há caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária. Ora, entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração para retribuir o trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre o "lucro no atacado" pago aos consultores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. Assim, no presente caso, não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque os valores pagos, como já demonstrado, não têm como contrapartida prestação de serviços a recorrente por Consultores/Vendedores de produtos por ela fornecidos. Tratandose de uma relação puramente mercantil. DA MULTA QUALIFICADA PARTE RECONHECIDA E PAGA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 1178DF CARF MF 18 Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 19515.720064/201624 Acórdão n.º 2401005.719 S2C4T1 Fl. 11 19 sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Pois bem. Ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da falta de recolhimento da contribuição devida, tampouco meros indícios; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. Assim, é nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição das contribuições a serem pagas. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Fl. 1180DF CARF MF 20 No presente caso, estamos diante de um evidente equívoco, reconhecido e corrigido (pago) pelo contribuinte, não havendo por parte do auditor fiscal qualquer indicação de conduta dolosa. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000221/2010-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES. ADESÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA OPÇÃO.
A formalização da Opção ao Simples é requisito indispensável para a adesão ao regime, não bastando apenas o preenchimento de seus requisitos.
Numero da decisão: 1001-000.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES. ADESÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA OPÇÃO. A formalização da Opção ao Simples é requisito indispensável para a adesão ao regime, não bastando apenas o preenchimento de seus requisitos.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.000221/2010-20
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5905247
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.710
nome_arquivo_s : Decisao_10840000221201020.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10840000221201020_5905247.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7433863
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870462021632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1250; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.000221/201020 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.710 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente JC MAZZONETTO COMERCIO DE VEICULOS E MAQUINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES. ADESÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA OPÇÃO. A formalização da Opção ao Simples é requisito indispensável para a adesão ao regime, não bastando apenas o preenchimento de seus requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 02 21 /2 01 0- 20 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10840.000221/201020 Acórdão n.º 1001000.710 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 107 a 113) interposto contra o Acórdão nº 0129.745, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 69 a 73), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Ementa A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação inconformidade (fls. 83/87), de 16/06/2014, contra Despacho Decisório (fls. 75/76), de 14/05/2014, ciência em 22/05/2014 (fl. 82), que Indeferiu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional a partir de 01/01/2009 (fls. 01/06). 2. Segundo aquele Despacho Decisório, não consta nenhuma solicitação (pesquisa de fl. 26) de opção pelo Simples Nacional feita durante o ano de 2009. Logo, houve descumprimento do prazo previsto no art 17A da Resolução CGSN n° 004, de 30 de maio de 2007. 3. Inconformado com o indeferimento, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 83/87), de 16/06/2014, em que fundamenta suas razões: a) O Contribuinte fez sua opção pela tributação pelo simples nacional no inicio do ano de 2009 e a solicitação de opção não foi processada pelo sistema, ocorre que recolheu todos os seus impostos pelo simples nacional de acordo com a Lei complementar n° 123/2006 alterada pela Lei complementar n° 128/2008, conforme cópia dos DAS recolhidos em anexo, além disso, não existem restrições que o impeça de optar ou recolher seus impostos pelo simples nacional já que atende todas as exigências da Lei. b) Apresenta jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que entenderia que o contribuinte que demonstrasse que tinha intenção de optar, deveria ser enquadrado de oficio retroativamente (decisões com relação à lei anterior)." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10840.000221/201020 Acórdão n.º 1001000.710 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando, em breve síntese, que preenchia os requisitos necessários para a adesão ao regime do SIMPLES, teria efetuado a solicitação de Opção, contudo por um erro de fato ela não teria sido processada regularmente. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. À época dos fatos, o regime do SIMPLES era regulamentado pela Resolução CGSN nº 04/07. Dentre as regras e requisitos definidos, esta resolução estabelecia o rito formal para o ingresso da pessoa jurídica optante ao regime, conforme se transcreve: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Desta forma, resta evidente que para a empresa poder apurar seus tributos pelo regime simplificado não bastava apenas preencher os requisitos necessários ao enquadramento, mas também realizar o ato formal de declarar à fiscalização, dentro do prazo estabelecido, a sua opção de forma irretratável. Por sua vez, às fls. 30 dos autos consta extrato do Histórico gerado pelo sistema do Simples Nacional apontando a inexistência de qualquer solicitação realizada pela Recorrente. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10840.000221/201020 Acórdão n.º 1001000.710 S1C0T1 Fl. 5 4 Outrossim, a Contribuinte não traz aos autos qualquer elemento que demonstre a real tentativa de realizar a Opção tempestivamente e/ou qualquer indício que aponte para a eventual ocorrência de erro por parte dos sistemas da administração fazendária. Destarte, não há qualquer subsídio que justifique a inexistência da solicitação formal pela Opção ou a sua dispensa, não sendo possível reconhecer sequer que a Contribuinte efetivamente tentou aderir ao Simples no mês de Janeiro de 2009. Repisase, ainda que tenha demonstrado estar em dia com suas obrigações e ter passado o período inteiro recolhendo seus tributos como se na sistemática do Simples estivesse, tais circunstâncias não servem para suprir a necessidade de efetiva Opção prévia. Desta forma, não há subsídio para que seja reconhecido o direito da Recorrente ao enquadramento retroativo no Simples Nacional. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17698.720344/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-005.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17698.720344/2013-63
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916702
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.804
nome_arquivo_s : Decisao_17698720344201363.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 17698720344201363_5916702.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7467320
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870528081920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 311 1 310 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17698.720344/201363 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.804 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2018 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ROBERTO RODRIGUES GODINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o anocalendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao anocalendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 72 03 44 /2 01 3- 63 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 17698.720344/201363 Acórdão n.º 2401005.804 S2C4T1 Fl. 312 2 Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 42.470,52, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 6/8), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009, em virtude de omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte das fontes pagadoras Despachantes Figurelli Ltda, no valor de R$ 1.247,00 e Bigfer – Indústria e Comércio de Ferragens Ltda, no valor de R$ 4.447,00 (tendo sido considerado o correspondente IRRF no valor de R$ 224,74). Foi também apurada a omissão dos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte em virtude do processo judicial trabalhista nº 00305.922/920, no valor de R$ 175.114,22. Em impugnação apresentada às fls. 2/5, o contribuinte concorda com a omissão de rendimentos apurada relativamente às fontes pagadoras de CNPJ nºs 87.747.168/000143 e 92.534.593/000194. Com relação à omissão de rendimentos apurada no valor de R$ 175.114,22, informa tratarse de importância recebida nos autos da Ação Trabalhista nº 00305.922/962, com Sentença prolatada referente a 83 meses, cujo valor deve ser diluído no período de 01/01/1985 a 28/02/1992, conforme documentos em anexo. Entende que tais valores são isentos. A DRJ/RJ1, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1262.246 de fls. 195/202, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. O lançamento é efetuado de ofício quando o contribuinte deixa de informar rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, implicando redução do imposto devido no ajuste anual. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O total dos rendimentos recebidos acumuladamente pela pessoa física, juntamente com juros e atualização monetária, até 31 de dezembro de 2009, estão sujeitos à incidência do IRPF no mês do recebimento ou crédito, nos exatos termos do art do art. 12 da Lei Tributária nº 7.713, de 1988. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada Fl. 312DF CARF MF Processo nº 17698.720344/201363 Acórdão n.º 2401005.804 S2C4T1 Fl. 313 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 13/1/14 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 205), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/2/14, fl. 207, no qual alega que os rendimentos recebidos são isentos, pois deveriam ter sido consideradas as tabelas referentes ao período de 01/01/1985 a 28/02/1992, a que ser referem os rendimentos recebidos acumuladamente em 2009. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. INTRODUÇÃO Dentre os diversos fatos geradores que determinaram a lavratura do auto de infração, o sujeito passivo impugnou apenas a parte relativa ao rendimento recebido acumuladamente devido à ação trabalhista. E sobre esta matéria apresentou recurso. RENDIMENTO RECEBIDO EM AÇÃO TRABALHISTA Para o rendimento recebido acumuladamente RRA até anocalendário de 2009, devese observar o disposto na Lei 7.713/98, art. 12, na redação vigente à época do fato gerador: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vêse, portanto, que o comando legal vigente à época determinava que o imposto incidiria no mês do recebimento dos valores acumulados, utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos, adotandose como base de cálculo o montante global pago. Contudo, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Tal decisão, afastou o regime de caixa, determinando o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a Fl. 313DF CARF MF Processo nº 17698.720344/201363 Acórdão n.º 2401005.804 S2C4T1 Fl. 314 4 utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. O Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3/5/16, dispõe que: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, deve ser adotado por este órgão julgador o entendimento exarado pelo STF e para o cálculo do IRPF incidente sobre os RRA, decorrentes de ação judicial, anocalendário 2009, devese considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao anocalendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
