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Numero do processo: 11040.720118/2017-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL.
É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa.
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovadas documentalmente as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento.
Numero da decisão: 2002-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovadas documentalmente as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento.
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DEDUÇÕES LEGAIS. PENSÃO JUDICIAL. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente VICENTE SACCO NETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovadas documentalmente as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 01 18 /2 01 7- 54 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 115 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas e pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/17), alegando, em síntese, que os valores de pensão e com plano de saúde Cassi estão consignados em seu comprovante de rendimentos. Em relação ao plano de saúde da alimentanda, indica a juntada de declaração emitida pela empresa correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) negou provimento à Impugnação (fls. 76/80). Cientificado dessa decisão em 7/11/2017 (fl.84), o contribuinte apresentou, em 16/11/2017 (fl.87), Recurso Voluntário (fls. 87/108), no qual apresenta as seguintes alegações: I) Pensão Alimentícia Diante da afirmação constante da decisão recorrida de que o comprovante juntado por ele fora superado pela apresentação da DIRF retificadora, acessou o sítio da fonte pagadora e imprimiu novo comprovante, o qual corrobora o valor declarado, de R$61.116,50. Afirma que esse valor pode ser verificado também nos contracheques juntados. Ressalta que a divergência pode ser explicada pelo fato de a DIRF apresentada não incluir os valores de sua aposentadoria pagos pelo INSS. III) Despesas Médicas Defende que o comprovante de rendimentos por si só se revela hábil para lhe proporcionar a dedução dos valores ali consignados, relativos a plano de saúde e a parte de despesas com consultas não reembolsadas pelo plano. Cita a Solução de Consulta COSIT nº 173/2015, que esclareceu que os pagamentos à operadora de plano de saúde podem ser deduzidos da base de cálculo se comprovados por documentação hábil e idônea. Acrescenta que é de se presumir que a Cassi apresentou à RFB a Declaração de Serviços Médicos e de Saúde DMED, instituída pela IN RFB nº 985/2009. Em relação à Unimed, indica a juntada de documento complementar, contendo data, carimbo e assinatura do responsável pela sua emissão. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.110). É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 116 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Pensão Judicial Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Nesse tocante, a autuação registra: A DRJ/SPO decidiu: O impugnante alega que não houve dedução indevida da pensão alimentícia judicial, conforme demonstraria o comprovante de rendimentos de fls.13, emitido em 28/02/2014 pela fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Todavia, o comprovante de rendimentos em questão foi superado pela apresentação de DIRF retificadora por parte da fonte pagadora, em 13/01/2015, conforme consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, às fls.70/75. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 117 4 A partir da DIRF retificadora em questão, observase que os valores de deduções de pensão alimentícia sobre os rendimentos tributáveis foram de R$3.422,83 (fls.71), R$5.061,32 (fls.73), e R$34.368,98 (fls.74), cujo somatório é R$42.853,13, ou seja, o valor reconhecido pela notificação de lançamento, Sendo assim, não há reparos a fazer à glosa da dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Do exame dos contracheques juntados pelo sujeito passivo (fls.92/97), verificase o desconto das rubricas "INSS P.A. FORA CONVENIO" E PENSÃO ALIMENTÍCIA S/ PREVI", que, somadas, totalizam R$61.096,10, uma diferença de R$20,40 para o valor consignado no comprovante juntado, de R$61.116,50 (fl.90), e deduzido pelo contribuinte (fl.25). Do confronto entre as informações da DIRF e do comprovante de rendimento, constatase que a diferença entre o valor deduzido pelo sujeito passivo e aquele acatado pela autoridade fiscal decorre da pensão judicial paga sobre rendimentos cuja tributação está sendo discutida na justiça (tributação com a exigibilidade suspensa, à fl.74). Entretanto, a autoridade autuante não fez menção a tal fato e nem a decisão de piso, de tal forma que o contribuinte não apresentou defesa quanto a dedutibilidade da pensão paga sobre esses rendimentos. O sujeito passivo demonstra que foi descontado dos valores deduzidos por ele, contrapondose à acusação fiscal que limitouse a apontar o valor dedutível. A motivação do lançamento deve ser explícita e clara de modo a permitir a identificação da suposta irregularidade que acarretou a exigência imputada ao sujeito passivo, propiciando a ele a possibilidade de exercer na plenitude o seu direito constitucional de defesa e suprir as lacunas observadas pela autoridade fiscal nos documentos apresentados. Portanto, a glosa da pensão judicial deve ser cancelada. Despesas Médicas No tocante às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). A autuação consigna: Após reproduzir a legislação de regência, a decisão de piso aponta: No caso em tela, compulsandose os documentos trazidos pelo impugnante, observase que, às fls.13, consta um comprovante Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 118 5 de rendimentos com a seguinte informação complementar: CASSI – Caixa Assistência Funcionários BB – CNPJ 33.719.485/000127: R$7.713,73. Cumpre ressaltar que não houve a discriminação dos beneficiários do pagamento ao plano de saúde em questão, o que inclusive já havia sido solicitado pelo Termo de Intimação de fls.38, razão pela qual não se comprovou que a despesa médica, no valor de R$7.713,73, seria relativa ao próprio tratamento do interessado e ao de seus dependentes. Acerca do documento de fls.15, intitulado “Relatório de Pagamentos –Exercício 2013”, com carimbo da UNIMED Pelotas/RS, tratase de uma simples impressão, sem nenhuma assinatura de responsável, ou data de emissão, que não discrimina sequer o CPF do cliente e do beneficiário, e que veio desacompanhada de qualquer comprovante de efetivo pagamento por parte do contribuinte, como cheques, extratos bancários, ou recibos. Logo, não há elementos hábeis e suficientes para comprovar a despesa médica no valor de R$10.087,55. Dessa forma, deve ser mantida a glosa referente à dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$17.801,28. Em seu recurso, além dos contracheques mensais, o sujeito passivo apresentou partes do regulamento do plano de saúde Cassi (fls. 98/105). Em pesquisa ao sítio da instituição, confirmase que as disposições trazidas pelo contribuinte encontramse em vigor. Segundo esse documento, a contribuição é de 3% sobre o valor total dos benefícios de aposentadoria (artigo 35, inciso II`, à fl.103), o que confere com o valor descontado mensalmente do sujeito passivo. Constatase ainda que o plano não estabelece contribuição adicional por dependente. Assim sendo, entendo que o contribuinte faz jus a deduzir o valor de R$7.713,73, uma vez que esse seria o valor a ser pago por ele em seu benefício independentemente da existência de dependentes. Quanto ao valor de R$697,62, consignado em seu comprovante de rendimentos como Participação em consultas, constatase que não foi informado na DIRPF (fl.22) e, consequentemente, não existe litígio acerca dele a ser apreciado por esta instância de julgamento. Notese que a autuação apontou a glosa do valor de R$7.713,73 em relação a Cassi (fl.9). No tocante à Unimed, o sujeito passivo já comprovara que estava obrigado ao pagamento do plano de saúde do excônjuge por força de decisão judicial. No documento de fl. 15, emitido por Unimed Pelotas/RS, consta que ele é o contratante e o beneficiário, o ex cônjuge. Considerando as falhas na documentação apontadas na decisão de piso, o contribuinte juntou ao seu recurso o relatório de fl. 106, o qual noticia o pagamento ao plano de saúde do montante de R$10.307,00, em benefício do excônjuge. Assim, essa glosa também deve ser cancelada. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 119 6 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, no sentido de cancelar integralmente as glosas das deduções de pensão alimentícia judicial e das despesas médicas. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901034/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2003
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO..
A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).
Numero da decisão: 9303-006.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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REQUISITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOHNSON CONTROLS DO BRASIL AUTOMOTIVE LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO.. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 34 /2 00 8- 14 Fl. 222DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.821, de 23/05/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação uma vez comprovada a existência do direito creditório aduzido em DCOMP. Recurso ao qual se dá provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento de que é possível a retificação de DCTF após o despacho decisório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 180200153. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 170/172. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 178/197). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, enquanto o acórdão recorrido decidiu que a retificação da DCTF após o despacho decisório não pode impedir a apreciação da compensação declarada, o paradigma adotou o entendimento contrário. A divergência, portanto, é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13819.901034/200814 Acórdão n.º 9303006.275 CSRFT3 Fl. 223 3 legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. E, segundo o acórdão recorrido, é como procedeu a contribuinte, conforme registrado no seguinte parágrafo do seu voto condutor: A decisão de primeira instância silenciou a respeito dessa questão, tendo indeferido o pleito exclusivamente com base na aduzida impossibilidade legal de retificação da DCOMP. Tal possibilidade, todavia, subsiste, uma vez comprovado o cometimento de erro material quando do preenchimento da declaração, como, entendo, está caracterizado no caso presente, frente às evidências retratadas nos autos. Uma vez demonstrada a veracidade dos argumentos aduzidos pela recorrente, e caracterizado o equívoco cometido quando do preenchimento da DCOMP em exame, deverá ser acatada a retificação procedida, com a consequente homologação da compensação objeto dos autos até o exaurimento do crédito em favor do sujeito passivo, devendo a unidade responsável pela execução deste julgado apenas cuidar para verificar se os pagamentos apontados pela reclamante estão realmente disponíveis no sistema. (g.n.) Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 224DF CARF MF 4 Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721682/2011-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2009
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação.
Numero da decisão: 9202-006.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 07/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 07/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 16 82 /2 01 1- 37 Fl. 224DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301003.242 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 22 de janeiro de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2009 CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. NATUREZA JURÍDICA DO SENAR Natureza jurídica da contribuição destinada ao SENAR, onde está alcançada pela imunidade tributária capitulada pelo artigo 149, § 2°, I, após a Emenda Constitucional n° 33 de 11 de Dezembro de 2001. SENAR insculpido no § 5º do art. 22A da Lei nº 8.212/1991 tem natureza jurídica tributária específica de uma CIDE, dado a sua finalidade e dos demais aspectos de sua regra matriz de incidência. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 15 a 32, o crédito tributário fora constituído porque, não obstante as receitas decorrentes da exportação da produção rural estarem sujeitas à incidência da contribuição devida ao SENAR, por se tratar, como se viu, de contribuição de interesse da categoria econômica não abrangida pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, na redação que lhe foi dada pela Emenda Constitucional n.º 33, de 2001, o sujeito passivo deixou de oferecer as receitas obtidas com a exportação de sua produção, no período de julho de 2006 a agosto de 2009 à referida tributação. Irresignada, o ora Recorrente impugnou a autuação requerendo, em síntese: a imunidade das receitas advindas da exportação, considerando que as contribuições de interesse de categoria profissional e econômica, como no caso o SENAR, são espécies do Gênero denominado contribuição social, estando ao alcance da imunidade prevista no § 2º do art. 149 da Constituição Federal; bem como aduzindo a inaplicabilidade da multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário tal como autuado. Contudo, em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi reformada a decisão e dado provimento ao recurso, na íntegra. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 3 3 Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 187 a 205, com o fito de rediscutir a aplicação da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, sobre à contribuição destinada ao SENAR, nas receitas decorrentes de exportação, no qual, acerca da divergência, a Recorrente Sustenta que o Acórdão vergastado adotou entendimento distinto do posicionamento adotado nos Acórdãos nº 240102.240 e 401003.188. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 208 a 209, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que afirma o acórdão recorrido, constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável; b) é assente na doutrina e na jurisprudência que a contribuição ao SENAR possui a natureza jurídica de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois se destina a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, que é o produtor rural, sendo exigida de contribuintes vinculados a este setor e a arrecadação é destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais, tendo, portanto, a natureza de contribuições de interesse das categorias profissionais; c) no §2º, inciso I, apenas encontra‑ se prevista a imunidade das receitas de exportação em relação às “contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico”. Observe‑ se que se o termo “contribuições sociais” tivesse sido utilizado pelo constituinte em seu sentido amplo, para abranger as contribuições de interesse de categorias profissionais e as de intervenção no domínio econômico, não teria repetido esta última espécie na redação do já citado inciso I do § 2o do artigo 149; d) resta claro que a imunidade prevista em relação às receitas decorrentes da exportação não abrange as contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas. Por meio de contrarrazões, fls. 215 a 220, a Contribuinte não se insurgiu relativamente ao conhecimento do recurso, sustentando, em síntese, quanto ao mérito: Fl. 226DF CARF MF 4 a) as contribuições destinadas ao SENAR não devem incidir sobre as receitas de exportação, em razão da imunidade constitucional, conforme reconhecido no Acórdão, tendo natureza jurídica de CIDE; b) a EC n.º 33/2001 inovou no ordenamento jurídico com algumas disposições com caráter tributário, inclusive a imunidade relativa às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas de origem de exportação, cujo objeto é incentivar a indústria nacional, fazendo com que o produto fique mais atrativo no mercado internacional, pelo menos no preço, se comparado ao produto estrangeiro; c) a imposição pela Receita Federal de tributar a contribuição ao SENAR, nas receitas decorrentes de exportação, através da IN n.º 971/2009, afronta a norma constitucional do art. 150, inciso I, que dispõe de modo expresso a necessidade de que a instituição ou aumento de tributo, por parte da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, seja formalizada unicamente mediante lei; d) em todas as atividades constitucionais desenvolvidas e efetivamente praticadas, vêse que o SENAR não possui nenhuma função fiscalizatória ou representativa de qualquer categoria profissional ou econômica; e) todas as funções reportam aos propósitos constitucionais contidos no art. 170 e seguintes da Constituição, afigurandose como forma de intervenção no domínio econômico; f) o SENAR descrito no § 5º do art. 22A da Lei 8.212/91 tem natureza jurídica tributária específica de uma CIDE, dado a sua finalidade e dos demais aspectos de sua regra matriz de incidência e, como tal, está sujeito às regras de imunidade previstas no art. 149 da CF. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, o presente Auto de Infração decorre do não recolhimento das contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre as receitas provenientes da comercialização da produção com adquirentes residentes no exterior. Com a análise da divergência apontada, observase que o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional tem como objetivo rediscutir a aplicação da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, sobre à contribuição destinada ao SENAR, nas receitas decorrentes de exportação. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 4 5 Cumpre destacar que tal matéria foi delimitada como objeto da controvérsia, em razão do reconhecimento da divergência apontada pela Recorrente, no Despacho de Admissibilidade do Recurso; bem como diante da ausência de impugnação referente ao conhecimento pela Recorrida, em sede de contrarrazões. Sobre o tema, a Recorrente entende que a contribuição ao SENAR é contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. Por outro lado, a Recorrida assevera que a contribuição sob análise tem natureza jurídica tributária específica de uma CIDE, dada a sua finalidade e os demais aspectos de sua regra matriz de incidência e, como tal, está sujeito às regras de imunidade previstas no art. 149 da CF. Assim, caso o referido tributo seja considerado como uma contribuição social ou uma contribuição de intervenção no domínio econômico, estará abarcado pela imunidade, não podendo ser ele exigido sobre as receitas decorrentes de exportação; ao passo que, na hipótese de se reputar como contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, a norma imunizante não poderá ser aplicada, havendo incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da exportação. A matéria controvertida possui extrema relevância jurídica, considerando a divergência na doutrina e na jurisprudência acerca da exata natureza de tais contribuições: se são contribuições sociais gerais; se são contribuições interventivas; ou ainda se configuram contribuições de interesse das categorias profissionais. Inicialmente, com o fim de se buscar uma interpretação adequada para a classificação das contribuições ao SENAR, cabe destacar os ensinamentos doutrinários sobre a distinção do tributo em análise. Consoante o comando inserto no art. 4º, I e II, do CTN, a destinação ou a finalidade do produto da arrecadação é irrelevante para a qualificação da espécie tributária ou de sua natureza jurídica específica, nos termos abaixo transcritos: Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. A esse respeito, Hamilton Dias preleciona: No fundo, entretanto, o fato gerador das contribuições tem uma configuração toda especial, pois não é, como nos impostos, condição necessária e suficiente ao surgimento da obrigação, por supor a existência de um especial interesse do sujeito passivo em certa atividade estatal. Assim, o pressuposto ou causa da obrigação é esse benefício, embora se tome como parâmetro referencial ou fato de exteriorização, algo que ocorre no mundo fenomênico, semelhantemente aos impostos. Fl. 228DF CARF MF 6 Acerca do tema, Miguel Reale, discorrendo sobre o fato imponível das contribuições, assevera que: o fato gerador não atua como mera causa da exação, como acontece com os impostos, mas sim como causa qualificada pela finalidade que lhe é inerente. Segundo Luciano Amaro, as contribuições distinguem umas das outras pela finalidade a cujo atendimento se destinam. E prossegue o eminente autor, em outra passagem de sua respeitada doutrina: É a circunstância de as contribuições terem destinação específica que as diferencia dos impostos, enquadrandoas, pois como tributos afetados à execução de uma atividade estatal ou paraestatal específica, que pode aproveitar ou não ao contribuinte (...). Acrescenta Hamilton Dias de Souza e Ives Gandra da Silva, no Curso de direito tributário, que: Nos impostos, basta a ocorrência do fato gerador para nascer a obrigação tributária, ao passo que nas contribuições a obrigação só nasce se verificados, concomitantemente, o benefício e o fato descrito na norma. As contribuições desfrutam de muitos qualificativos na doutrina, dentre eles: parafiscais, especiais e sociais. Contudo, o nome dado ao instituto não possui tanta relevância quanto essência jurídica. O art. 149, caput, da Constituição, enumera três tipos de contribuições da seguinte forma: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Como se evidencia, o preceptivo discrimina as seguintes contribuições federais: a) contribuições sociais; b) contribuições de intervenção no domínio econômico; e c) contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas. As contribuições para os Serviços Sociais (sistema S) traduzemse nas receitas repassadas a entidades, na maior parte de direito privado, não integrantes da administração pública, mas que realizam atividades de interesse público. Nas palavras de Maria Sylvia Zanella Di Pietro: Essas entidades não prestam serviço público delegado pelo Estado, mas atividades privada de interesse público, serviço não exclusivo do Estado; Exatamente por isso são incentivadas pelo Poder Público. A atuação estatal, no caso, é de fomento e não de prestação de serviço público. (DI PIETRO, 2013, p. 201). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 5 7 Para Ricardo Lobo Torres, tratase de arrecadação do Parafisco, isto é, dos órgãos paraestatais incumbidos de prestar serviços paralelos aos da Administração, através de orçamento especial, que convive com o orçamento fiscal (art. 165, § 5º, da CF). Dispostas essas considerações, cabe salientar que a marca das contribuições especiais é que sua arrecadação deve ser carreada para o financiamento de atividades de interesse público, beneficiando certos grupos, e direta ou indiretamente o contribuinte. Dado o panorama geral, colaciono abaixo a legislação atinente às contribuições ao SENAR: Lei 8.212/91 Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social;(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Lei 8.315/91 Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. (...) Art. 3° Constituem rendas do Senar: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: a) agroindustriais; Fl. 230DF CARF MF 8 b) agropecuárias; c) extrativistas vegetais e animais; d) cooperativistas rurais; e) sindicais patronais rurais; II doações e legados; III subvenções da União, Estados e Municípios; IV multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V rendas oriundas de prestação de serviços e da alienação ou locação de seus bens; VI receitas operacionais; VII contribuição prevista no art. 1° do DecretoLei n° 1.989, de 28 de dezembro de 1982, combinado com o art. 5° do DecretoLei n° 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que continuará sendo recolhida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); VIII rendas eventuais. § 1° A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são beneficiários diretos. § 2° As pessoas jurídicas ou a elas equiparadas, que exerçam concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso I deste artigo, permanecerão contribuindo para as outras entidades de formação profissional nas atividades que lhes correspondam especificamente. § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. Para a caracterização das contribuições ao SENAR como contribuição de intervenção no domínio econômico seria necessário entender elas possuem caráter extrafiscal como nítidos instrumentos de planejamento, corrigindo as distorções e abusos de seguimentos descompassados, e não somente carreando recursos para os cofres públicos. A mencionada intervenção ocorre com a regulação das atividades econômicas as quais se atrelam, geralmente relativas às disposições constitucionais da Ordem Econômica e Financeira, art. 170, I a IX, e seguintes da Constituição Federal, consoante os princípios abaixo colacionados: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 6 9 I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995 De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Extraise, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Ao meu ver, as contribuições de intervenção no domínio econômico são mais abrangentes, no aspecto da sua destinação, que as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois aquelas fomentam determinado setor com o fim de Fl. 232DF CARF MF 10 incentivar e instigar o mercado, de forma pragmática, principalmente em momentos de crise, contribuindo na regulação da ordem econômica e refletindo políticas do governo que afetam toda a sociedade, e estas têm sua aplicação adstrita ao financiamento das respectivas categorias profissionais ou econômicas, em áreas específicas, apenas para o seu fomento. No que tange à distinção entre as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas e as contribuições sociais, entendo que estas contribuições também possuem maior abrangência, ao se destinarem ao financiamento social (bemestar e justiça social), de um modo geral, e não voltado ao interesse de determinadas categorias. Além disso, outra distinção salutar reside no fato de que os recursos o produto das contribuições sociais gerais que ingressam aos cofres públicos decorrentes da sua arrecadação mantém o caráter público e serão aplicados conforme sua vinculação (as verbas arrecadadas são mantidas em poder do Estado para sua aplicação finalística), enquanto os produtos das contribuições que ingressam aos cofres do SENAR perdem o caráter de recurso público, como já decidiu o STF (AG .REG. NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.953). Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais. Diante de todo o exposto, notase que a Recorrida não faz jus à imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720975/2014-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 09 75 /2 01 4- 56 Fl. 57DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 20 a 24, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2012, anocalendário de 2011, por meio do qual foi constatada omissão de rendimentos, relativo a fonte pagadora Instituto Nacional de Seguro Social INSS, no valor de R$ 31.321,74, gerando assim a exigência de imposto de renda suplementar no valor de R$ 6.088,49. O interessado foi cientificado da notificação em 06/08/2014 (fls.26) e apresentou impugnação em 15/08/2014 (fls. 02 e 03), instruída co documentos de fls, 04 e 18. Alega, em síntese, que o rendimento reputado omitido é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 17613.720975/201456 Acórdão n.º 2001000.234 S2C0T1 Fl. 3 3 O contribuinte sustenta que encontrase aposentado desde junho de 2008 (fl. 13), entretanto entende a DRJ que ele não apresentou laudo médico nos moldes estabelecidos na legislação acima. Alega a DRJ de Belo Horizonte que o laudo de fl. 10 não foi emitido por serviço médico oficial. No campo destinado à identificação do serviço médico oficial apenas foi aposto o carimbo de identificação do médico Ricardo Ferreira Moura. O fato de tal laudo ter recebido carimbo de CNPJ do INSS não o torna oficial. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos Fl. 59DF CARF MF 4 atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portador de moléstia grave. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000259/2010-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, CORRETORAS E BANCOS. VENDA DE AÇÕES "DESMUTUALIZAÇÃO" . RECEITA BRUTA OPERACIONAL .
As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
Numero da decisão: 9303-006.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, CORRETORAS E BANCOS. VENDA DE AÇÕES "DESMUTUALIZAÇÃO" . RECEITA BRUTA OPERACIONAL . As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
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BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, CORRETORAS E BANCOS. VENDA DE AÇÕES "DESMUTUALIZAÇÃO" . RECEITA BRUTA OPERACIONAL . As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 59 /2 01 0- 98 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 786 2 conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3301003.001, proferido pela – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que há incidência do PIS e da COFINS, sobre as receitas auferidas por corretoras de valores com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram lavrados, em 15/03/2010, contra a contribuinte acima identificada: a) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 6.692.734,34 (sendo R$ 3.382.607,23 a título da contribuição, R$ 773.171,70, a título de juros de mora calculados até 26/02/2010 e R$ 2.536.955,41, a título de multa de oficio 75%), referente aos fatos geradores ocorridos em 30/10/2007, 16/11/2007 e 30/11/2007 (fls. 72 a 76). A exigência está fundamentada nos arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002; art. 18 da Lei n°10.684/2003 e arts. 1°e 2° da Lei n°9.718/1998; b) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 1.087.769,30 (sendo R$ 549.673,67 a título da contribuição, R$ 125.640,39, a título de juros de mora calculados até 26/02/2010 e R$ 412.255,24, a título de multa de oficio 75%), referente aos fatos geradores ocorridos em 30/10/2007, 16/11/2007 e 30/11/2007 (fls. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 787 3 67 a 71). A exigência está fundamentada nos arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 26 e 51 do Decreto n° 4.524/2002 nos arts. 1° e 2° da Lei n°9.715/1998. 1.1. A ciência da autuação deuse em 15/03/2010, conforme consignado As fls. 68 e 73. 2. 2. De acordo com o disposto nas folhas de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 297 e 302), a infração apurada referese a "FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO" das contribuições para o PIS e COFINS. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em decorrência da denominada operação de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, negociadas poucos meses após o seu recebimento, deverão ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL DE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. O resultado apurado com a venda das ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. deve ser classificado como receita financeira, operacional, própria da atividade da recorrente, corretora de títulos e valores mobiliários. Assim, por se enquadrarem como receitas derivadas da atividade operacional da pessoa jurídica, tais negociações deverão compor a base de cálculo da COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em decorrência da denominada operação de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM& F, negociadas poucos meses após o seu recebimento, deverão ser registradas no Ativo Circulante. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL DE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 788 4 O resultado apurado com a venda das ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. deve ser classificado como receita financeira, operacional, própria da atividade da recorrente, corretora de títulos e valores mobiliários. Assim, por se enquadrarem como receitas derivadas da atividade operacional da pessoa jurídica, tais negociações deverão compor a base de cálculo do PIS/Pasep. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 PRÁTICAS REITERADAS DA ADMINISTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. LEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Legítima a exigência da multa de ofício e dos juros de mora, eis que não caracterizadas as aduzidas práticas reiteradas da Administração em sintonia com a tese defendida pelo sujeito passivo. Inaplicável ao caso o disposto no artigo 100, inciso III, do CTN. Recurso ao qual se nega provimento". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto à escrituração das ações da BOVESPA HODING S.A e da BM&F S.A. decorrentes de processo de desmutualização como Ativo Circulante ou Permanente, para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS. A matéria foi prequestionada, posto que expressamente enfrentada no voto condutor do acórdão recorrido. Em suas razões a Contribuinte indicou a legislação que entende haver divergência na sua interpretação: artigo 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/1998, artigo 179 da Lei nº 6.404/76, e Parecer Normativo CST nº 108/78. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigmas, os acórdãos n°s 3403001.829 (fls. 671/696) e 3403003.373 (fls. 697/704), com cópia de inteiro teor extraída do sítio do CARF. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 744/747. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 749/773, requer que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume o julgado recorrido. É o relatório. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 789 5 Voto Demes Brito Conselheiro Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito quanto à escrituração das ações da BOVESPA HODING S.A e da BM&F S.A. decorrentes de processo de desmutualização no Ativo Circulante ou Permanente, para fins de tributação ou não pelo PIS e COFINS. Com efeito, quanto esta matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303 004.232, de Relatoria da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, pronunciada na sessão de julgamento de 11/08/2016, a qual restou vencida, sendo designado para elaboração do voto vencedor este Relator. Dessa forma, utilizo o referido julgado como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica. Vejamos: "Sintome honrado novamente em ser designado Redador para elaboração do Voto Vencedor sobre a "desmutualização". Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de todos os fundamentos. Explico: No presente caso, a controvérsia cravase na discussão dos efeitos jurídico tributários advindos do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” das bolsas, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. Matéria que subiu para o colegiado julgar. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 790 6 Neste sentido, não há qualquer controvérsia quanto a admissibilidade do Recurso Especial, superada a discussão referente ao paradigma utilizado pela Recorrente ser de uma corretora de títulos e valores mobiliários, e atividade da Recorrida ser uma instituição financeira (Banco), considerando que em ambos processos as vendas das ações estariam sujeitas à incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista que o objeto social da Contribuinte abrange a negociação de títulos e valores mobiliários, a qual adquiriu as ações com objetivo de revendêlas Versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS, sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da BM&F S/A e BOVESPA, relativo ao fato gerador de 30/11/2007 a 31/12/2007, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas nas Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como conseqüência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. Sem embargo, no atual contexto constitucional em que se proclama o interprete utilizarse de expedientes objetivos, aplicase uma dose botulínica no texto normativo, tornando o julgador o solipsista de exercer o papel de interprete dos preceitos jurídicos. Neste sentido, em sua tese de doutoramento “Teoria Complexa do Direito”, Luiz Orlando Zanon Junior, bem acentua os preceitos de interpretação e aplicação das normas jurídicas aos casos concretos: “Cabe ao juiz efetuar a interpretação e aplicação das Normas Jurídicas aos casos concretos, na qualidade de seu destinatário principal, mediante o procedimento lógico dedutivo de subsunção. De acordo com tal processo decisório, o intérprete deve primeiro fixar a amplitude da Norma Jurídica previamente dada pelo legislador ou encontrada em um precedente, que consubstancia a premissa maior, e, depois, encaixar as peculiaridades fáticas de um determinado caso, que correspondem às premissas menores, dentro dos quadros normativos previamente fixados, segundo uma lógica meramente dedutiva1.” Deste modo, investindo contra decisão da 4º Câmara da 1º Turma Ordinária, a Fazenda Nacional sustenta em seu recurso que: "A extinção das associações sem fins lucrativos somente poderia resultar na reversão de seu patrimônio à entidade sem fins econômicos ou na restituição aos associados. Admitir a possibilidade de que, por meio de cisão e incorporação, fosse possível empreender a transferência dos bens da 1 Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Fls.114115 Florianópolis: Cejur, 2013. ebook http://acadjud.tjsc.jus.br/ebooks Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 791 7 associação à sociedade por ações, transformandoa em sociedade por ações, seria violar frontalmente o art. 61 do Código Civil. Quanto a incidência do PIS e COFINS sobre a receita da venda de ações, a contribuinte escriturou no ATIVO CIRCULANTE as ações recebidas da BOVESPA S.A. e BM&F S.A., em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas. Dessa maneira, resta inquestionável que a intenção do contribuinte era alienar os mencionados ativos na oferta pública de ações (IPO), promovida pela BOVESPA S.A. e pela BM&F S.A., nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. A própria contribuinte escriturou de modo correto as ações recebidas em seu Ativo Circulante". Por outro lado, a Relatora do Voto Vencido sustenta pela inadmissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional, defendendo que o paradigma indicado não se presta a comprovar a divergência, considerando que: "o acórdão indicado como paradigma traz em seu bojo pressuposto inaplicável ao presente caso: temse como contribuinte uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, cuja atividade precípua é, dentre outras, a compra e venda, por conta própria, de títulos e valores mobiliários. Nos presentes autos, temse no pólo passivo da exigência tributária uma instituição financeira". Quanto ao mérito do Recurso, a Relatora vencida defende que: "não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98". Para concluirmos quais são os efeitos jurídicotributários decorrentes do processo de "desmutualização" das bolsas, temos que verificar se as receitas decorrentes das vendas das ações seriam tributadas pelas contribuições PIS/COFINS, percorrendo de modo pragmático os dispositivos legais sobre o tema, e a forma correta de contabilização das ações recebidas no processo. Dos Títulos Patrimoniais da BM&F e BOVESPA Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 792 8 organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 793 9 IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 794 10 Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras e instituições financeiras (BANCOS) possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores Em 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi instituída mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou encarregada de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 795 11 patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em conseqüência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 796 12 Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras e instituições financeiras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, ou em alguns casos instituições financeiras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.” Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 797 13 Por fim, em assembléias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Do Regime Jurídico das Associações e seus efeitos Tributários O acórdão recorrido, sustentou em suas razões decidir pela aplicação do instituto próprio das sociedades anônimas, o qual entendeu cabível os institutos da transformação, cisão e da incorporação. Sendo que teria ocorrido uma transformação da sociedade civil sem fins lucrativos em sociedade anônima, acompanhada da troca de ativos – títulos patrimoniais que foram substituídos por ações, operação esta que, por ter sido efetuada a valor contábil, não produziria nenhum efeito fiscal. Vejamos: "Com a transformação societária daquelas entidades em sociedades por ações (a denominada desmutualização das bolsas), os títulos sociais então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco foram transformados em ações em quantidade monetariamente equivalente ao valor dos aludidos títulos. Tendo em vista que o Banco já sabia de antemão que iria alienar parte dasações de sua propriedade, baixou os títulos do ativo permanente e passou a contabilizálos no ativo circulante". Penso que não houve transformação das entidades sem fins lucrativos nas sociedade por ações na engenhosa estrutura societária/tributária denominada "desmutualização", o que de fato ocorreu, sucessivamente, para cada uma das bolsas (BOVESPA E BM&F) foi uma operação de cisão, em que todos os ativos mais importantes para a consecução das atividades das bolsas foram alocados numa das parcelas cindidas enquanto, na outra, restou pequena parte do patrimônio; e uma operação de incorporação, em que a parcela cindida operacional foi incorporada pela sociedade anônima correlata, Bovespa Holding S.A. ou BM&F S.A. Portanto, aplicação do regime jurídico da lei nº 6.404/76 (sociedade por ações) não poderia ter sido aplicada a época dos fatos geradores, oriundos das operações de "desmutualização" levadas a termo pelas Bolsas. Neste sentido, vejamos o que o artigo 5º da Resolução CNM nº 2.690/2000, dispõe: Art. 5º O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: [...] VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores; Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 798 14 [...] Deste modo, para os mais aguerridos e apaixonados pela tese, esqueceramse de observar a Resolução CNM nº 2.690/2000, a qual, permite que as bolsas de valores á época poderiam ser constituídas como Associações Civis ou como Sociedades Anônimas. Eis que o artigo 1º, da Resolução CMN, também elucida de modo pragmático a questão. Vejamos: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 6º O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 7º As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com préqualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. (...) Como demonstrado, a Resolução CMN nº 2.690/2000 faculta a constituição societária de qualquer uma das formas, seja por meio de associação civil sem fins lucrativos ou sociedade anônima. Assim, as bolsas de valores poderiam traçar diretrizes tanto para as que adotaram a estrutura jurídica de associação ou quanto para aquelas que adotaram a forma de S.A. Por outro lado, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização indica sua aplicação somente às sociedades empresárias. Ainda assim, não penso como os que defendem a aplicação de institutos próprios de sociedades empresárias com fundamento em interpretação literal e isolada do artigo 2033, verbis: Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 799 15 Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Da interpretação do dispositivo legal, ainda que se admita a aplicação de cisão, incorporação, às sociedades civis, não se pode furtar das conseqüências contidas no artigo 61 do Código Civil. Ou seja, caso se entenda aplicável os institutos da cisão e incorporação às sociedades civis, por força de interpretação isolada do Art. 2.033 do CC, as estipulações próprias à natureza de sociedades civis sem fins lucrativos não podem ser desprezadas, sob pena de ofensa ao critério da especificidade, prestigiado até mesmo pelo citado artigo 2.033. Contudo, o art..2.033 ressalva sua aplicação em caso de legislação específica. No que se refere às associações civis, a Lei nº 6.015, de 1973, não versa sobre os institutos de fusão, cisão, incorporação e transformação para as associações civis. Portanto, a matéria possui tratamento específico e exclusivo nos artigos 53 a 61 do Código Civil. Em todos os artigos do Codex que versam sobre as Associações fica claro o distanciamento entre elas e a finalidade econômica. Ainda que fosse admitido o apelo da Recorrente, a aplicação de institutos como transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias, apenas para mitigar a solução das atividades desenvolvidas pelas Bolsas de Valores, me parece discrepante dos regimes jurídicos legais, não há como se furtar das normas, considerando que os associados receberam de volta o patrimônio e utilizaramse do mesmo para integralização das ações na sociedade Anônima. Dos Efeitos dos Registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subseqüente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F S.A), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 800 16 II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a Recorrente pretendia vender, no curso do exercício social ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 801 17 em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, prevêem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Temse que a Recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 802 18 Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, o Supremo Tribunal Federal STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal refere se ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos prevêem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Da Jurisprudência dos Tribunais sobre a "desmutualização" Vale a pena destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento utilizado no presente voto. Vejamos: TRF 2 Processo nº 000655923.2008.4.02.5101 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de ser uma sociedade civil e convertendo se em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 803 19 com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido. TRF 3 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 804 20 lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃOVistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário.Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do artigo 61 doCódigo Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tãosomente às sociedades e não às associações. Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 805 21 casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados. "AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 0001164 33.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3". Com essas considerações, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 806 22 Fl. 806DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721007/2011-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Súmula nº 4 - CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2001-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a dedução das despesas médicas as quais foram apresentadas as declarações com todas as informações essenciais para sua comprovação; no que se refere às despesas com o Plano de Saúde Instituto Municipal de Assistência a Saúde do Funcional e Coopertran mantém-se as glosas de R$10.499,60 (dez mil, quatrocentos e noventa e nove reais e sessenta centavos) e R$45,97 (quarenta e cinco reais e noventa e sete centavos). Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Súmula nº 4 - CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a dedução das despesas médicas as quais foram apresentadas as declarações com todas as informações essenciais para sua comprovação; no que se refere às despesas com o Plano de Saúde Instituto Municipal de Assistência a Saúde do Funcional e Coopertran mantém-se as glosas de R$10.499,60 (dez mil, quatrocentos e noventa e nove reais e sessenta centavos) e R$45,97 (quarenta e cinco reais e noventa e sete centavos). Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.721007/201157 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.250 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente SANDRA REGINA ARANEO BASSANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a dedução das despesas médicas as quais foram apresentadas as declarações com todas as informações essenciais para sua comprovação; no que se refere às despesas com o Plano de Saúde Instituto Municipal de Assistência a Saúde do Funcional e Coopertran mantémse as glosas de R$10.499,60 (dez mil, quatrocentos e noventa e nove reais e sessenta centavos) e R$45,97 (quarenta e cinco reais e noventa e sete centavos). Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 10 07 /2 01 1- 57 Fl. 93DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 16 a 19, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 46.082,57 , por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário total no valor de R$27.683,53, incluindo juros de mora e multa de ofício. Questiona a aplicação dos juros Selic. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação, juntando recibos e declarações médicas para evidenciar as prestações do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, cita jurisprudência vasta e doutrina para corroborar seus argumentos. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em relação ao Juros Selic, apresenta defesa totalmente esclarecedora e traz à baila a Súmula CARF de número 4 , a qual não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e declaração em anexo. Reitera o questionamento da aplicação dos juros Selic. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13819.721007/201157 Acórdão n.º 2001000.250 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento de psicoterapia, fisioterapia e dentário contendo nome completo dos prestadores, com CPF/CNPJ dos prestadores, credenciamento profissional, valor pago pela contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Acrescentese que juntou também declaração emitida por todos e cada um dos profissionais, contendo todos os detalhes do serviço prestado. Quanto as despesas com o Plano de Saúde Instituto Municipal de Assistência a Saúde do Funcional no valor de R$ 10.499,57 a notificada limitouse a anexar a Certidão nº 134/2010 na qual informa apenas que a Sra. IDA ARANEO, dependente da notificada, esteve inscrita naquela Autarquia Municipal sob n°. 7.3.06183.509, desde 10/08/1994 até 08/10/2008, como assistida da notificada, e no período de 01/01/2005 até 08/10/2008, não recebeu reembolso Médico, de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Dentista, no Plano "Individual Especial", que abrange Prestação de Assistência. Com efeito, é de se manter a glosa considerando que a notificada não logrou comprovar qual o valor pago ao aludido plano de saúde em favor da Sra IDA ARANEO e quem efetuou o mesmo. Quanto as despesas com a Fl. 95DF CARF MF 4 Coopertran no valor de R$ 45,97, de acordo com a legislação acima transcrita, não há previsão legal para sua dedução como despesas médicas. No que se refere ao informe apresentado pelo referido plano e acostado aos autos em sede de Recurso Voluntário, não está consoante com os valores apresentados para dedução. Merece, pois, serem mantidas as glosas em relação à ambas as despesas (Coopertran e Plano de Saúde Instituto Municipal de Assistência a Saúde do Funcional). A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Não há dúvidas que a legislação de regência acima transcrita estabelece que na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos no anocalendário a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativo ao seu tratamento e ao de seus dependentes. Tal dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu (inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Com relação aos recibos médicos e notas fiscais emitidos por profissionais/clinicas, temos que esclarecer que a Lei nº 9.250, de 1995, no §2°, III, do mesmo artigo 8°, reforça, ainda, que a possibilidade de dedução prevista na alínea ‘a’ do inciso II limitase a pagamentos comprovados e logo a seguir enumera os requisitos formais dos quais estes comprovantes devem ser revestidos, como nome do emitente, endereço, CPF ou CNPJ. É regra geral no Direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, sofre as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Nesse sentido, como já mencionado anteriormente, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar com comprovantes as Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13819.721007/201157 Acórdão n.º 2001000.250 S2C0T1 Fl. 4 5 despesas, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Em princípio, admitese como prova hábil de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo, por parte do Fisco, dúvida, outras provas podem ser solicitadas. Quanto as despesas com a ASSOCIAÇÃO MEDICA BRASILEIRA DE ACUPUNTURA no valor de 839,00 e FUNDAÇÃO ZERBINI no valor de 548,00 é de se ressaltar que a notificada declarou os mesmos como despesas de instrução e a autoridade lançadora efetuou a glosa como despesas médicas. Fazse necessário esclarecer que o erro verificado e relatado neste voto, se refere a erro material, cuja natureza comporta revisão a qualquer tempo processual. Nos termos do art.60, do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora poderá efetuar as correções cabíveis em respeito ao princípio da legalidade e da verdade material. Assevere, neste particular, que o fato gerador que deu ensejo ao presente lançamento ocorreu ano calendário 2006, assim, não cabe comando para a DRF lavrar Auto de Infração complementar para cobrar a diferença de crédito tributário, tendo em vista a decadência do direito do fisco efetuar tal lançamento. Com efeito, é de se excluir o valor glosado no montante de R$ 1.387,00. Dessa forma é de se manter a glosa no valor de R$ 44.695,57. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelos prestadores dos serviços, assinadas e datadas pelos mesmos, não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 97DF CARF MF 6 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção da contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido da Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas as quais foram apresentadas as declarações com todas as informações essenciais para sua comprovação. No que se refere às despesas com o Plano de Saúde Instituto Municipal de Assistência a Saúde do Funcional , entendo que não foram devidamente comprovadas e em relação à Coopertran, não há previsão legal para tal. Portanto, mantidas as glosas de R$10.499,60 e R$45,97. Por fim, em relação ao juros Selic, conforme já foi mencionado acima, a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13819.721007/201157 Acórdão n.º 2001000.250 S2C0T1 Fl. 5 7 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para acatar parte das despesas médicas solicitadas, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000879/2005-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Ementa:
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. SISTEMÁTICA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. A opção pela sistemática de tributação no ano-calendário é determinante para a verificação da eventual obrigatoriedade na entrega da Declaração de tributos e contribuições federais.
Numero da decisão: 1002-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. SISTEMÁTICA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. A opção pela sistemática de tributação no ano-calendário é determinante para a verificação da eventual obrigatoriedade na entrega da Declaração de tributos e contribuições federais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. SISTEMÁTICA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. A opção pela sistemática de tributação no anocalendário é determinante para a verificação da eventual obrigatoriedade na entrega da Declaração de tributos e contribuições federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 08 79 /2 00 5- 47 Fl. 131DF CARF MF 2 Declaração de Débito e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do anocalendário de 2002, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) (efl. 7). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2/6) suscitando basicamente a ilegalidade da fundamentação adotada como base para constituição das exações, bem como o inconformismo com a automática responsabilidade do sujeito passivo decorrente da transmissão eletrônica das declarações em atraso, uma vez que, segundo consta, caberia exclusivamente ao fisco a iniciativa de constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 2ª Turma da DRJ/RJOI proferise o Acórdão nº 1219.258 (efls. 101/105) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 109/110), sustentando que a Administração Tributária Federal teria adotado entendimentos diferentes em face de situações semelhantes. Para tanto, traz ao conhecimento deste Conselho a existência de outros processos administrativos em seu nome, julgados definitivamente no âmbito da RFB, e que, a despeito de versarem sobre o mesmo tema, afastaram a exigência das multas por atraso na DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Trazendo objetividade à apreciação, reproduzo as informações básicas referentes aos processos administrativos que, supostamente, teriam julgamentos conflitantes. Processo Ano calendário Valor exigido (R$) Decisão DRJ Fls. da decisão Andamento 13702.000879/200547 2002 2.000,00 Lançamento procedente 101/105 Em julgamento 13702.000874/200514 2000 200,00 Lançamento improcedente 125/127 Julgado definitivamente 13702.000871/200581 2001 200,00 Lançamento improcedente 112/114 Julgado definitivamente Compulsando os autos, de acordo com as provas trazidas pela recorrente, verifico que as ditas alegações de inconsistência não procedem, considerando que a solução do Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13702.000879/200547 Acórdão n.º 1002000.017 S1C0T2 Fl. 56 3 litígio perpassa pela leitura da efl. 99, onde constam a sistemática de declaração eleita com o correspondente anocalendário. Primeiramente, à luz do processo em análise (1ª linha superior da tabela anexa ), verifico que exigências vinculamse ao anocalendário 2002, tendo em conta que, segundo a relação de entrega de declarações (efl.99), a sistemática de tributação eleita pela recorrente foi o lucro presumido. As pessoas jurídicas optantes por esta forma de recolhimento estão obrigadas à entrega da DCTF e sujeitamse a multa mínima de R$ 500,00, de acordo com o inc. II, do §3º, do art. 7º, da Lei nº 10.406/2002. Com efeito, tais fundamentos de fato e de direito, vistos isoladamente já são suficientes para manter a exigência encampada nos autos. Entretanto, com o fito de dirimir quaisquer incertezas jurídicas, enfrento as supostas incoerências levantadas na petição. Dentre as alegações, há a situação que resultou no afastamento da multa por atraso na entrega da DCTF no bojo do PA nº 13702.000874/200514. Naquele processo, a decisão que ensejou o cancelamento da penalidade (efl. 125) foi consubstanciada pela circunstância de que, no anocalendário 2000, a recorrente encontravase enquadrada na sistemática de recolhimento pelo Simples. Fato este que por si só, não constituía a obrigação de entrega da citada declaração instrumental. Nesse caso, foi corretamente cancelada a exigência. Quanto ao PA nº 13702.000871/200581, temse situação diferente das demais. Em verdade, a relação de entrega de declarações (efl. 99) não deixa claro a prevalência do lucro resumido ou o simples como forma de tributação eleita. Todavia, qualquer que fosse a sistemática, haveria erro na quantificação e na legislação que embasou a exigência de R$ 200,00 para o anocalendário 2001. Conforme bem explicado pela decisão da DRJ correspondente (efls. 112/114), se acaso o contribuinte optou pelo simples, não haveria obrigatoriedade na entrega da DCTF. Por outro lado, sendo a opção pelo lucro presumido a prevalente, a multa mínima a ser exigida seria de R$ 500,00 e não R$ 200,00, tal qual constou equivocadamente daqueles autos. Ou seja, de uma forma ou de outra, houve o correto cancelamento da exação, posto que evidente o erro no enquadramento legal e quantificação no quantum devido. De todo exposto, fica claro que as três situações apresentadas como forma de defesa não se confundem e que, por isso, tiveram tratamentos jurídicos adequados, distintos e plenamente justificados. Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 133DF CARF MF 4 Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720072/2015-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
APURAÇÃO DA COFINS COM BASE NA FORMA CUMULATIVA ESTABELECIDA PELO INC. XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003.
As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadram-se no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999.
EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do ano-calendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento).
ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE.
A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. Constitui prova para a imputação o fato de o agente encontrar-se na direção da sociedade empresarial na data do cumprimento da obrigação lastreada por DCTFs de conteúdo falseado e que se mostrou inadimplida, possuindo poderes de decisão, relativamente ao recolhimento dos tributos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
APURAÇÃO DA COFINS COM BASE NA FORMA CUMULATIVA ESTABELECIDA PELO INC. XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003.
As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadram-se no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999.
EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do ano-calendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento).
ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE.
A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. Constitui prova para a imputação o fato de o agente encontrar-se na direção da sociedade empresarial na data do cumprimento da obrigação lastreada por DCTFs de conteúdo falseado e que se mostrou inadimplida, possuindo poderes de decisão, relativamente ao recolhimento dos tributos.
Recurso voluntário não conhecido e recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003. As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadramse no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999. EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do anocalendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. Constitui prova para a imputação o fato de o agente encontrarse na direção da sociedade empresarial na data do cumprimento da obrigação lastreada por DCTFs de conteúdo falseado e que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 00 72 /2 01 5- 52 Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 3 2 se mostrou inadimplida, possuindo poderes de decisão, relativamente ao recolhimento dos tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 APURAÇÃO DA COFINS COM BASE NA FORMA CUMULATIVA ESTABELECIDA PELO INC. XX DO ART. 10 DA LEI Nº 10.833/2003. As receitas decorrentes de execução por administração, empreitada ou subempreitada de serviços de montagem e desmontagem mecânica, de montagem elétrica e de montagem de instrumentação/automação, dentre outros serviços a eles semelhantes, a serem executados juntamente com os serviços de construção civil, enquadramse no conceito de atividades auxiliares e complementares da construção civil no termos delineados pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999. EMPRESA EM PLENA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA ANUAL DE ELEVADA MONTA. DCTFs SEM INDICAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A apresentação, relativamente a todos os 12 (doze) meses do anocalendário, de DCTFs com a indicação de que nada era devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, quando na realidade a pessoa jurídica se encontrava em plena atividade, auferindo significativos valores de receita bruta, denota o evidente intuito de fraude em seu procedimento, o que legitima a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). ATO ABUSIVO OU ILEGAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. A responsabilização tributária exige que as pessoas arroladas pela autoridade fiscal tenham diretamente praticado, determinado a execução, ou até mesmo tolerado a prática de ato abusivo e ilegal, estando em posição de influir para a sua não ocorrência e não o fazendo. Constitui prova para a imputação o fato de o agente encontrarse na direção da sociedade empresarial na data do cumprimento da obrigação lastreada por DCTFs de conteúdo falseado e que se mostrou inadimplida, possuindo poderes de decisão, relativamente ao recolhimento dos tributos. Recurso voluntário não conhecido e recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos lançamento de ofício de PIS e COFINS em relação ao exercício 2010. Em suma, a fiscalização, após análise dos contratos apresentados, entendeu que nem todos os serviços prestados pela empresa poderiam ser enquadrados como serviços de construção civil, reenquadrando alguns, especificamente, na sistemática nãocumulativa, daí a origem do crédito tributário em cobrança. No Termo de Início de Fiscalização, dentre outros documentos solicitados, a empresa foi intimada (item "e") a prestar "esclarecimentos sobre as atividades por ela exercidas", ao que respondeu, consoante consta do TVF (fls. 32/46): “A G & E MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA, exerce como atividades: a Prestação de Serviços de Construção Civil e seus serviços auxiliares e complementares. Tem como principal cliente a PETROBRÁS e empresas do Grupo, e através de processos licitatórios vencedores é contratada, para execução dos serviços de construção civil e auxiliares e complementares, com preços predeterminados, em regime de empreitada Global ou Parcial, para a realização dos mesmos. Estamos anexando os contratos de prestação de serviços com a PETROBRÁS e suas controladas, que representaram mais de 90% do faturamento anual da empresa. Portanto, a empresa está enquadrada no Regime de Tributação CUMULATIVO para o PIS E COFINS, à luz do inciso XX do artigo 10º da Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003”. Consoante Termo de Intimação nº 1 (fl. 1902), de 04/12/2014, já no curso do procedimento fiscalizatório, averba o Fisco: Com respeito ao demonstrativo de apuração dos créditos das contribuições solicitado na referida intimação, respondeu o contribuinte que não iria apresentar, pois “... ao permanecer no Regime Cumulativo de tributação do PIS e COFINS, a empresa não tomou créditos fiscais sobre as aquisições de insumos (bens, serviços ou materiais de revenda) nem sobre aquisição de ativo imobilizado ou a sua depreciação”, e que, “A empresa, ao adotar o Regime de Tributação Cumulativo para o PIS e COFINS, entende estar cumprindo o que Fl. 4338DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 5 4 determina a Lei 10833/2003 artigo 10º inciso XX, e as orientações dadas pela própria Receita Federal através de Soluções de Consultas...”. Foi oportunizado ao contribuinte em duas ocasiões, diante da análise dos contratos entregues com foco na investigação do tipo de serviços prestados (se construção civil ou não), para que fosse apresentado "o demonstrativo de apuração dos créditos de PIS/COFINS, tendo sido informado que parte das receitas sujeitavase à incidência não cumulativa das contribuições". Todavia, consigna a fiscalização, "o contribuinte eximiuse de apresentar o demonstrativo de créditos solicitados, alegando serem suas receitas sujeitas ao regime cumulativo nos termos do art. 10, XX, da Lei 10.833/2003 XX ("as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015" redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010). Afirmou, ainda, estar cumprindo o que determina o preceito acima, bem como supostas orientações dadas pela própria Receita Federal, através da Solução de Consulta SRRF 7ª RF/Disit nº 6, de 27 de janeiro de 2011, da SC COSIT nº 5, de 31 de agosto de 2005, e da SC COSIT nº 2, de 3 de maio de 2010, todas com as suas interpretações, segundo o contribuinte, confirmadas através da Solução de Divergência COSIT nº 11, de 27 de agosto de 2014. Sobre tais atos, manifestouse a fiscalização no TVF: Conquanto esteja clara a posição da Cosit em se alinhar com a tendência de adoção de conceito ampliativo de construção civil, tendo o ramo econômico como gênero, permitindose a inclusão das atividades auxiliares e complementares às obras propriamente ditas, adotando a interpretação constante do ADN Cosit nº 30/99, esta abrangência não pode ser ilimitada e deve ser analisada caso a caso para os serviços não elencados no ADN Cosit nº 30/99. Na situação anteriormente descrita ficou claro, por exemplo, que os serviços de manutenção de máquinas não se encaixam no conceito de obras de construção civil, ficando as receitas deles decorrentes submetidas ao regime não cumulativo das contribuições. Foram verificados os seguintes contratos: O Fisco analisou contrato a contrato, como repiso na sequência: Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 6 5 Contrato 7000.0052362.09.2 CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob regime de empreitada por preços unitários, dos serviços de suprimento, construção, montagem e instalação para a Drenagem Fechada no Terminal Aquaviário de Guamaré, em conformidade com os termos e condições nele estipulados e no seu Memorial Descritivo. ANÁLISE: 49. Em seu Anexo N° 1 Memorial Descritivo, no Escopo Geral dos Serviços (Item 3) consta a informação de que os serviços envolverão as disciplinas: Civil, Tubulação, Elétrica e Instrumentação, desde já sinalizando que parte das receitas auferidas neste contrato devem estar submetidas ao regime cumulativo e parte sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das contribuições. 50. Os serviços da área civil são descritos como demolição; escavação; reaterro; remoção; lançamento de concreto; recomposição de piso, revestimento e canaletas em concreto; pintura e montagem de estrutura metálica; montagem de cobertura com telhas de alumínio. Tais serviços estão elencados no ADN Cosit n° 30/99. 51. No entanto, receitas decorrentes dos demais serviços deste contrato estariam sujeitas à não cumulatividade. São eles: na área de Mecânica desmontagem e montagem de conjunto motobomba; na área de Tubulação desmontagem e montagem de tubulação e válvulas; na área de Elétrica desconexão e remoção de cabos e eletrodutos, lançamento e montagem de eletroduto, montagem de caixas de passagem, luminárias, interruptores, tomadas, botoeira ligadesliga, barra de aterramento; na área de instrumentação montagem de eletroduto, teste de cabo eletrônico para sinal analógico, montagem e instalação de indicadores de pressão e de transmissores de nível. Contrato 0802.0000259.10.2 CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob o regime de preços unitários, com parcelas a preços globais e parcelas a preços unitários, dos serviços de construção e montagem, com fornecimento de materiais e equipamentos, para inversão do fluxo do SCOMP Macaíba, localizado no Município de Macaíba, Estado do Rio Grande do Norte, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e em seus anexos. 1.2 O objeto do presente Contrato compreende o seguinte escopo: análise de consistência e consolidação do projeto executivo, Data Book e As Built, obras de construção civil e montagem eletromecânica. Fl. 4340DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 7 6 ANÁLISE: 52. Em seu Anexo I Memorial Descritivo MD4450.206521 940PIG001, cujo objetivo, dentre outros, é descrever os serviços, encontrase o Detalhamento do Escopo dos Serviços (Item 4). 53. No item 4.2 Obras de Construção Civil estão detalhados todos os serviços de construção civil que a contratada deverá executar, tais como: instalação do canteiro de obras, escavação, construção de bases e suportes em concreto armado, construção de infraestrutura destinada às instalações elétricas e de instrumentação da área da Estação, execução de reaterro compactado, recomposição de pisos e passeios em concreto, realização de pintura de acabamento dos suportes e das passarelas, realização de demolições de bases, passeios e escadas. 54. Não há dúvidas de que os itens descritos no parágrafo anterior encaixamse no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, muitos deles elencados no ADN Cosit n° 30/99. No entanto, neste contrato, ainda há outros serviços. 55. No item 4.3.3 Serviços de Montagem e Desmontagem Mecânica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de pré fabricação de "spools" (trechos de tubulações); montagem e interligação mecânica; pintura de tubulações, acessórios, suportes e equipamentos; testes de tubulações e acessórios; identificação de tubulação e de equipamentos; alimentação provisória do Ponto de Entrega existente; intervenção no gasoduto Nordestão com parada para instalação de Spool e válvulas de bloqueio. 56. Neste item encontramse serviços de montagem mecânica industrial relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. Um fato que evidencia isto é que para a intervenção no Gasoduto acima citada exigiase a elaboração e execução de um plano de montagem para esta interligação, conforme especificado no item 4.3.3.1.7.1 do Anexo I, cujo conjunto de operações deveria ser planejado por Engenheiro Mecânico responsável técnico da obra. 57. No item 4.3.4 Serviços de Montagem Elétrica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de interligação dos cabos de alimentação elétrica do Painel da UIP; interligação elétrica de todos os flanges das linhas de gás natural; aterramento de todos os suportes e carcaças da instrumentação eletrônica, dos atuadores pneumáticos, dos eletrodutos metálicos, das passarelas metálicas, das caixas de junção e caixas PullBoxes (PullPoints). 58. No item 4.3.5 Serviços de Montagem de Instrumentação/Automação, do Anexo I, estão detalhados os ser» os de operacionalização do Sítio de Testes do CTGÁS; Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 8 7 demais serviços para inversão e interligação das instalações existentes. 59. Nestes dois últimos itens analisados encontramse serviços de montagem elétrica industrial e montagem pneumática de instrumentação relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. 60. Outro fato que evidencia a existência, neste contrato, de serviços de outras áreas que não podem ser caracterizados como "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil" é a formação profissional dos técnicos que devem ser disponibilizados pela contratada para a consecução dos serviços contratados, conforme item 7 Recursos de Mão deObra e Qualificação, do Anexo I, a saber: Técnico em Tubulação ou Mecânica com experiência em montagem e caldeiraria em obras industriais; Inspetor de Elétrica e Instrumentação/Automação com experiência em montagem de sistemas elétricos, sistemas de instrumentação e automação industrial; Técnico em Instrumentação, Eletrônica ou Automação com experiência em instrumentação ou elétrica industrial; além de um Técnico em Mecânica, Civil ou Elétrica para Supervisor da Obra e um Engenheiro Civil, Mecânico ou Elétrico para Gerente da Obra. Contrato 0802.0000272.10.2 CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO 1.1 O presente CONTRATO tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob o regime de empreitada por preços unitários, com parcelas a preços globais e parcelas a preços unitários, dos serviços de substituição dos scrapers das estações de Guamaré/RN e Macaíba/RN, em conformidade com os termos e condições nele estipulados e em seus anexos. 1.2 O objeto do presente Contrato compreende o seguinte escopo: análise de consistência e consolidação do projeto executivo, Data Book e As Built, obras de construção civil e montagem eletromecânica. ANÁLISE: 61. Em seu Anexo I Memorial Descritivo, cujo objetivo, dentre outros, é descrever os serviços, encontrase o Detalhamento do Escopo dos Serviços (Item 4). 62. No item 4.2 Obras de Construção Civil estão detalhados todos os serviços de construção civil que a contratada deverá executar, tais como: instalação do canteiro de obras, escavação, demolição e remoção, construção de encaminhamentos subterrâneos em envelopes em concreto, construção de infra estrutura destinada às instalações elétricas e de instrumentação da Estação de Guamaré, execução de reaterro compactado, recomposição de áreas e trechos atingidos pelas escavações, realização de pintura de acabamento dos suportes e das Fl. 4342DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 9 8 passarelas, realização de demolições de bases, passeios e escadas. 63. Não há dúvidas de que os itens descritos no parágrafo anterior encaixamse no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, muitos deles elencados no ADN Cosit n° 30/99. No entanto, neste contrato, ainda há outros serviços. 64. No item 4.3.3 Serviços de Montagem e Desmontagem Mecânica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de pré fabricação de "spools" (trechos de tubulações); montagem e interligação mecânica; pintura de tubulações, acessórios, suportes e equipamentos; testes de tubulações e acessórios; identificação de tubulação e de equipamentos; alimentação provisória dos Pontos de Entrega; intervenção no gasoduto Nordestão com parada para instalação de Spool e válvulas de bloqueio. 65. Neste item encontramse serviços de montagem mecânica industrial relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. Um fato que evidencia isto é que para a intervenção no Gasoduto acima citada exigiase a elaboração e execução de um plano de montagem para esta interligação, conforme especificado no item 4.3.3.1.7.1 do Anexo I, cujo conjunto de operações deveria ser planejado por Engenheiro Mecânico responsável técnico da obra. 66. No item 4.3.4 – Serviços de Montagem Elétrica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de interligação dos cabos de alimentação elétrica do Painel da UIP; interligação elétrica de todos os flanges das linhas de gás natural; aterramento de todos os suportes e carcaças da instrumentação eletrônica, dos atuadores pneumáticos, dos eletrodutos metálicos, das passarelas metálicas, das caixas de junção e caixas PullBoxes (PullPoints). 67. No item 4.3.5 – Serviços de Montagem de Instrumentação/Automação, do Anexo I, estão detalhados os serviços de instalação de transmissores/transdutores, manômetros, transmissores de pressão manométrica, detectores de passagem de PIG nas estações de Guamaré e Macaíba;instalações, elétrica e pneumática, para o acionamento de válvulas nas estações de Guamaré e Macaíba; lançamento, testes e interligação de todos os cabos e multicabos elétricos; realização de integração de software de toda a instrumentação destinada aos novos Scrapers da cada estação 68. Nestes dois últimos itens analisados encontramse serviços de montagem elétrica industrial e montagem pneumática de instrumentação relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. 69. Outro fato que evidencia a existência, neste contrato, de serviços de outras áreas que não podem ser caracterizados como “obras e serviços auxiliares e complementares da construção Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 10 9 civil” é a formação profissional dos técnicos que devem ser disponibilizados pela contratada para a consecução dos serviços contratados, conforme item 7 – Recursos de MãodeObra e Qualificação, do Anexo I, a saber: Técnico em Tubulação ou Mecânica com experiência em montagem e caldeiraria em obras industriais; Inspetor de Elétrica e Instrumentação/Automação com experiência em montagem de sistemas elétricos, sistemas de instrumentação e automação industrial; Técnico em Instrumentação, Eletrônica ou Automação com experiência em instrumentação ou elétrica industrial; além de um Técnico em Mecânica, Civil ou Elétrica para Supervisor da Obra e um Engenheiro Civil, Mecânico ou Elétrico para Gerente da Obra. Contrato 0802.0000098.08.2 CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO 1.1 – O presente Contrato tem por objeto a execução, pela CONTRATADA, sob o regime de empreitada por preço global, dos serviços de construção e montagem da Estação de Distribuição de Gás (EDG) Atalaia e suas interligações, localizado no município de Aracaju, no estado de Sergipe, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e em seus anexos. 1.2 – O objeto do presente Contrato compreende o seguinte escopo: elaboração do projeto executivo, construção civil, construção e montagem mecânica, montagem elétrica, montagem e interligação de instrumentação/automação, elaboração do GIS (Geografic Information System), condicionamento, comissionamento e PréTAC (Teste Prelimiar à Aceitação de Campo), apoio ao TAC (Teste de Aceitação de Campo), apoio à préoperação e operação assistida, elaboração do Data Book e As Built e fornecimento de materiais. ANÁLISE: 70. Em seu Anexo I Memorial Descritivo, cujo objetivo, dentre outros, é descrever os serviços, encontrase o Detalhamento do Escopo dos Serviços (Item 3). 71. No item 3.5 C&M Serviços de Construção Civil estão detalhados todos os serviços de construção civil que a contratada deverá executar, tais como: raspagem superficial do terreno, remoção de britas, aterro parcial de lagoa, escavação, descarte adequado de resíduos e posterior recomposição de pisos, construção de abrigo para cromatógrafo, avaliação topográfica e identificação de instalações subterrâneas, construção de bases em concreto estrutural armado, construção de pavimento em concreto simples, execução de serviço de drenagem pluvial e contaminada, construção de bacias diques, construção de cercas, realização de pintura das bases e pisos de concreto e dos pilares e vigas do abrigo. 72. Não há dúvidas de que os itens descritos no parágrafo anterior encaixamse no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, muitos deles elencados no Fl. 4344DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 11 10 ADN Cosit n° 30/99. No entanto, neste contrato, ainda há outros serviços. 73. No item 3.6 C&M Serviços de Construção e Montagem Mecânica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de pré fabricação de "spools" (trechos de tubulações); movimentação e montagem dos skids, scrapers, vasos, filtros e válvulas na base de concreto; instalação de novos lançadores, recebedores, lançador/recebedor de pig; construção de linhas enterradas de gás natural processado ou gás rico; construção de linha aérea com gás natural processado ou gás rico; interligação de gasoduto com o PE; montagem do PE; interligação de gasodutos; instalação dos vasos separadores e dos filtros coalescedores; instalação de skids e silenciadores; pintura de tubulações, acessórios, suportes e equipamentos; testes de tubulações e acessórios; identificação de tubulações, válvulas e equipamentos. 74. No item 3.7 C&M Serviços de Montagem Elétrica, do Anexo I, estão detalhados os serviços de infraestrutura para encaminhamento e interligação de cabos elétricos; interligação do quadro de distribuição de força a UPS; instalação e interligação do painel de distribuição de energia estabilizada a nova UPS; instalação elétrica do novo abrigo do cromatógrafo; instalação e substituição de postes; aterramento geral. 75. No item 3.8 Serviços de Montagem de Instrumentação/Automação, do Anexo I, estão detalhados os serviços de construção e montagem de todo sistema de instrumentação. 76. Nestes dois últimos itens analisados encontramse serviços de montagem elétrica industrial e montagem pneumática de instrumentação relacionados a outras áreas da engenharia que não a de construção civil especificamente. 77. Outro fato que evidencia a existência, neste contrato, de serviços de outras áreas que não podem ser caracterizados como "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil" é a formação profissional dos técnicos que devem ser disponibilizados pela contratada para a consecução dos serviços contratados, conforme item 4.19 Recursos de MãodeObra e Qualificação, do Anexo I, a saber: Inspetor de Tubulação ou Mecânico com experiência em montagem e caldeiraria em obras industriais; Inspetor em Elétrica com experiência em montagem de sistemas elétricos e de proteção elétrica na indústria de Petróleo; Inspetor de Instrumentação com experiência em montagem de sistemas de instrumentação/automação na indústria de Petróleo ou Petroquímica; Técnico de Instrumentação/Automação; Técnico de Dutos; além de um Engenheiro Mecânico, Civil ou Elétrico para Coordenador de Projetos e um Engenheiro Civil, Mecânico ou Elétrico para Gerente da Obra. 78. Corroborando a análise dos contratos acima realizada estão as informações constantes do sítio da empresa na internet e do Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 12 11 contrato social. Em sua página na rede mundial de computadores a empresa definese como "uma empresa de montagem e manutenção industrial, sediada na Bahia, com atuação nacional nas áreas de petróleo&gás, petroquímica, energia, siderurgia e celulose” e destaca como suas principais linhas de serviço a Construção e Montagem e Paradas de Manutenção. Na Cláusula 2ª do seu Contrato Social destaca como seu objetivo social, dentre outros, Prestação de Serviços Especializados de Engenharia e Manutenção Industrial. Com bases nessas análises, concluiu a fiscalização que "a maior parte dos serviços contratados não se enquadram no conceito de obras de construção civil, por estarem relacionados a outras áreas da engenharia (elétrica e mecânica) que não a de construção civil especificamente, e por não se caracterizarem como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como os exemplificados no ADN Cosit nº 30/1999". E concluiu a fiscalização: 80. Tal fato enseja que a tributação das receitas auferidas na realização dessas atividades seja feita pela sistemática não cumulativa de apuração do PIS/COFINS. 81. Então, temos o caso da coexistência dos dois regimes. A empresa está submetida ao regime de incidência não cumulativa para a maior parte de suas receitas, enquanto que as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, estão excluídas desse regime. 82. Em função desta constatação, para a correta aplicação dos dois regimes (cumulatividade e não cumulatividade), foi intimado o contribuinte, por meio do TIF nº 1, a apresentar: a. Planilha segregando os valores de receita por tipo de serviço executado; e b. Demonstrativo de apuração dos créditos das respectivas contribuições, conforme opção dada pela legislação vigente, apresentando notas fiscais referentes a aquisições de insumos e de bens do ativo imobilizado e documentos comprobatórios de despesas. 83. Em sua resposta, o contribuinte apresentou demonstrativo de faturamento por contrato, mas informou não ser possível a separação do faturamento por tipo de serviço executado, além de se eximir de apresentar o demonstrativo de apuração de créditos, conforme explicitado nos parágrafos 13, 14 e 24 a 27 deste Termo de Verificação Fiscal. 84. Em função da omissão da empresa fiscalizada, todas as receitas serão consideradas sob o regime da não cumulatividade. Ademais, foi aplicada a multa de ofício qualificada, assim motivada pelo Fisco: Fl. 4346DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 13 12 93. A empresa fiscalizada informou, em sua DIPJ, ter auferido receitas de prestação de serviços/revenda de mercadorias tributáveis, no anocalendário de 2010, no valor de R$ 23.216.148,00. No entanto, embora tenha apresentado os DACON, referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro, com as informações de apuração do PIS e da COFINS e tenha escriturado valores de PIS e COFINS a pagar (nas contas contábeis do passivo circulante 2.01.02.01.002 – PIS a Recolher e 2.01.02.01.003 – COFINS a Recolher), não confessou os débitos de PIS e COFINS nas DCTF. 94. Vale ressaltar que, inicialmente, a empresa havia entregue os DACON e a DIPJ zeradas e, após intimação específica para este fim, apresentou as declarações retificadoras. 95. Não é razoável supor que tal discrepância entre as informações prestadas ocorreu por um simples “erro material”. Não se trata de um erro de cálculo, de uma transcrição errônea de um valor da escrita fiscal para as declarações, mas sim da entrega de 12 (doze) DCTF sem qualquer informação/confissão de débitos de PIS/COFINS. A grande quantidade de declarações apresentadas contendo informações falsas forma um conjunto de circunstâncias que demonstra, de forma clara e evidente, a intenção, o propósito do fiscalizado de não submeter suas receitas à tributação. 96. A prática reiterada de apresentar declarações fiscais contendo informações falsas só leva a fortalecer as conclusões sobre a sua deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ... 98. Não há dúvidas de que a RFB não tem condições de fiscalizar todos os contribuintes. Ao prestar declarações falsas, tornando o levantamento de indícios para uma fiscalização mais difícil, a empresa pode ludibriar o Fisco, desviando a atenção deste para outros contribuintes. 99. Diante de todo o exposto, concluise que o contribuinte, dolosamente, tentou impedir o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador, em virtude do mesmo escriturar valores de PIS e COFINS a pagar, e não confessar esses débitos em DCTF, infringindo o disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, que caracteriza tal prática como sonegação fiscal. 100. Esta infração enseja a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida provisória nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488/07, a seguir transcrito. Desta forma, será aplicada a multa de ofício no percentual de 150%. Fl. 4347DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 14 13 Por fim, a fiscalização imputou responsabilização solidária aos sócio da autuada, Srs. JOSÉ ANTÔNIO TEIXEIRA DOS SANTOS, CPF 202.153.55415, FRANCISCO SOLANO MOREIRA, CPF 033.799.65391, e ROGÉRIO COSTA FERNANDES TORRES, CPF 105.095.00382. Impugnado o lançamento pela pessoa jurídica (fls. 1.957/1.987) e pelos responsáveis tributários, a DRJ/FOR, em 02/05/2016, julgou (fls. 4.234/4.280) o lançamento parcialmente procedente, considerando, em relação aos contratos que não foram objeto de análise pelo TVF, que deve ser aplicado o regime cumulativo "na forma adotada pela empresa e constante das DACON retificadoras apresentadas". Também entendeu a decisão a quo, que os contratos "7000.0052362.09.2, 0802.0000098.08.2 referemse à prestação de um serviço de execução de obra de construção civil e de atividades auxiliares ou complementares da construção civil, com acessório fornecimento de equipamentos, cabendo a aplicação do inciso. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003". Em relação aos contratos 0802.0000259.10.2 e 0802.0000272.10.2, foram analisados em conjunto, uma vez que a descaracterização feita pela fiscalização foi a de serviço de montagem e desmontagem mecânica, serviços de montagem elétrica e serviços de montagem instrumentação/automação, igualmente foram considerados como prestação de serviço de construção civil. Assim, o lançamento foi mantido em relação ao valor declarado inicialmente em DCTF, da forma como contabilizado, as quais foram retificadas com valores zerados das indigitadas contribuições, restando mantida a exigência dos valores constantes no quadro à fl. 4.279. Igualmente, foi mantida a multa qualificada e a responsabilização dos sóciosolidários. Exonerado o lançamento em valor acima da alçada, foi interposto recurso de ofício. Intimados dessa decisão, foi apresentado recurso voluntário, em peça única, da empresa e dos sócios responsáveis solidários (fls. 4303/4304), no qual, em suma, alegam os recorrentes: 1 Que a decisão recorrida ao acolher a modalidade da base de cálculo na forma cumulativa, como vinha fazendo a empresa, teria desnaturado o auto de infração, entendendo que tal fato seria suficiente para afastar a multa qualificada, o que não foi feito. Averba que o agente fiscal não teria logrado demonstrar a atitude comissiva ou omissiva dolosa a que alude o art 71 da Lei 4.502/64, com a finalidade de impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação). Sua assertiva tem como fundamento o fato de o agente fiscal no item 99 do TVF, não ter descrito em qual dos incisos do art. 71 a conduta dos recorrentes se enquadraria, embora concorde que no item 96 daquele Termo, tenha a autoridade fiscal motivado nos seguintes termos: Entende que o fato de ter apresentado as DACON e DCTF com saldo zero não se amolda ao inciso do art. 71 da Lei 4.502/64, concluindo que "não houve nem impedimento, nem retardamento do conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária". Consigna que "ao não se apurar omissões de receita na escrituração contábil, não houve impedimento ou retardamento do conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária, pois o que aconteceu é que sua obrigação tributária escriturada no livro razão não foi lançada". Na sequência, defende que não houve ocorrência da infração penal a que alude o art. 1º, I, da Lei 8.137/90, alegando novamente que "somente Fl. 4348DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 15 14 poderia ter ocorrido supressão ou redução dolosa se a base de cálculo houvesse sido reduzida dolosamente, o que entende ter inocorrido"; 2 Que presta serviço exclusivamente à PETROBRÁS e suas coligadas e, como tal, tais empresas na qualidade de substitutas tributária estão obrigadas a fazerem retenção e recolhimento das contribuições, conforme IN RFB 1.234/2012, cujo art. 2º transcreve. Faz tal colocação para afirmar, ao depois, que se as contribuições foram retidas pelas contratantes na sua época própria "onde estaria a intenção deliberada da recorrente, ou dos recorrentes em retardar, fraudar ou sonegar impostos?"; 3 Por fim, pugna pela ausência de responsabilidade tributária dos sócios, pois entende que nos termos do art. 135, III, do CTN, só haveria de falarse em infração à lei se "houvesse vedação legal para tal na hipótese de obras de construção civil". Contudo, afirma, esse não é o caso, porquanto os recorrentes ao optar pelo regime cumulativo o fez com respaldo da legislação de regência da questão, pelo que, igualmente, não há que se falar em prática de ato excesso de poder. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista a petição de fls. 4.328, constatase que houve desistência do recurso voluntário tendo em vista a adesão ao PERT, IN RFB 1711/2017. Dessa forma, não conheço do mesmo. RECURSO DE OFÍCIO O valor exonerado ultrapassou o valor de alçada, pelo que conheço do recurso de ofício. Emerge do relatado que a r. decisão exonerou o contribuinte em relação a dois fatos, a saber: a) primeiramente o valor tributado pela fiscalização considerou o valor de todos os contratos que foram objeto de pagamento no ano de 2010 (a totalidade das receitas auferidas nesse anocalendário), enquanto o objeto da fiscalização deuse pela análise de somente cinco contratos. Daí a diferença de R$ 11.185.860,14 entre o escriturado e o apurado pela fiscalização. Da mesma forma, restou aclarado que em relação ao contrato 0802.0047281.08.2, não foi emitida nenhuma notafiscal em 2010, período objeto da auditoria. A r. decisão fez um proficiente análise desses fatos. Vejase o seguinte excerto: Lembrandose que os contratos de prestação de serviço analisados no TVF foram os de números 0802.0047281.08.2, 7000.0052362.09.2, 0802.0000259.10.2, 0802.0000272.10.2 e 0802.0000098.08.2, constatase que a despeito de a autoridade fiscalizadora haver discorrido sobre o de nº 0802.0047281.08.2, Fl. 4349DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 16 15 nenhum faturamento em relação a ele foi verificado no ano de 2010, de modo que neste julgado as considerações do AFRFB a serem sopesadas são somente aquelas relacionadas aos contratos de números 7000.0052362.09.2, 0802.0000098.08.2, 0802.0000259.10.2 e 0802.0000272.10.2. Além disso, com base no demonstrativo supra é possível se afirmar que os 4 (quatro) contratos analisados representam pouco mais de 50% da receita bruta da pessoa jurídica no período fiscalizado. Em relação a elas, entendeu o agente fazendário estarem presentes receitas sujeitas aos dois regimes de apuração do PIS/Pasep e da Cofins. Como o contribuinte não segregou as receitas e não mensurou os créditos pertinentes à parcela sujeita à não cumulatividade, aplicou o regime não cumulativo para a integralidade dos contratos. Além disso, estendeu a não cumulatividade para todos os demais contratos, em relação aos quais nenhuma análise efetivou em seu TVF, procedimento com o qual não comungo. Assim, nesse ponto há de ser negado provimento ao recurso de ofício porque, de fato, houve um flagrante equívoco da fiscalização. b) a outra questão que foi objeto da exoneração foi a análise feita pela r. decisão em relação a cada um dos contratos analisados pelo Fisco. Foram analisados os quatro contratos, considerando que em relação aquele que fiz menção alhures sequer foram emitidas notas fiscais no período fiscalizados, pelo que não foi sequer objeto de verificação. A r. decisão fez uma minudente e aprofundada análise, concluindo, em síntese, em relação a todos eles, que subsumiamse à hipótese prevista no inciso XX da Lei 10.833/2003, ou seja, deveriam os valores decorrentes nos contratos analisados serem tributados na modalidade cumulativa, ao contrário do que concluiu o Fisco. Porém, antes de adentrar em cada um dos contratos o r. decisum fez um apanhado da legislação e o entendimento da Administração acerca da matéria. Detenhome nos fundamentos que entendo mais pertinentes, até para que formemos nosso juízo, vez que a matéria vem se repetindo nos julgados desta Turma. A leitura combinada do inc. XX do art. 10 com o inc. V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, permite entendamos que, no que tange à apuração do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil permanecem sujeitas à apuração cumulativa, não se lhes aplicando os comandos legais pertinentes à apuração não cumulativa dessas duas contribuições sociais. Acontece que a exata delimitação do que pode ser compreendido como obra de construção civil não é encontrada nas normas que regulam o exercício da profissão, tampouco na legislação tributária, o que tem gerado insegurança no meio jurídico, em especial na seara tributária, resultando em entendimentos divergentes para uma mesma situação. Foi o que ocorreu, por exemplo, com uma empresa dedicada às atividades de instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, ventilação, refrigeração e de prevenção contra incêndio, que formulou consulta sobre o enquadramento dessas Fl. 4350DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 17 16 atividades como obras de construção civil e cuja resposta foi pela impossibilidade de assim proceder, como verificado na ementa abaixo reproduzida: Solução de Consulta SRRF08 nº 248, de 2012 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. REGIME DE APURAÇÃO. As atividades de instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, ventilação, refrigeração e de prevenção contra incêndio não se enquadram no conceito de “obras de construção civil” e, portanto, as receitas decorrentes de seu exercício estão sujeitas ao regime não cumulativo da Cofins. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 10, XX; Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 322, I e X, e anexo VII. Diferente, contudo, foi o entendimento manifestado pela SRRF da 7ª Região Fiscal para uma situação semelhante à anterior: Solução de Consulta SRRF07 nº 06, de 2011 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Obras de Construção Civil. Alcance da expressão na legislação relativa à sistemática não cumulativa. As atividades de construção, ampliação e reformas prediais preventivas e corretivas em sistemas elétricos, hidráulicos, hidrossanitários e de refrigeração, por estarem expressamente citadas no ADN Cosit nº 30, de 1999 ou por terem a mesma natureza daquelas nele incluídas, enquadramse na expressão “obras de construção civil”, estando, portanto, até 31/12/2010, as receitas auferidas com sua exploração sujeitas a apuração da Cofins no regime cumulativo. Dispositivos Legais: Lei no 10.833, de 2003, inciso XX do art. 10; Ato Declaratório Normativo Cosit no 30, de 1999. Enquanto a Divisão de Tributação da SRRF da 8ª Região Fiscal, situada em São Paulo, entendeu que as atividades de “instalações elétricas, hidráulicas, de sistemas de ar condicionado, ventilação, refrigeração e de prevenção contra incêndio” não se enquadravam no conceito de obras de construção civil, a Divisão de Tributação da SRRF da 7ª Região Fiscal, localizada no Rio de Janeiro, deliberou que atividades relacionadas com “sistemas elétricos, hidráulicos, hidrossanitários e de refrigeração” dizem respeito a obras de construção civil. A decisão favorável à pretensão da consulente, formulada pela SRRF da 7ª RF, teve por substrato o disposto em Ato Declaratório Normativo editado pela Coordenação do Sistema de Tributação (Cosit), a seguir transcrito: Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 1999 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF Nº 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso V do Fl. 4351DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 18 17 art. 9º da Lei Nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 , com as alterações promovidas pelo art. 4º da Lei Nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: 1. a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; 2. sondagens, fundações e escavações; 3. construção de estradas e logradouros públicos; 4. construção de pontes, viadutos e monumentos; 5. terraplenagem e pavimentação; 6. pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e 7. quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Não obstante o dispositivo legal apresentado haver sido emitido em razão do Simples Federal, Lei nº 9.137, de 1996, o certo é que foi utilizado com balizamento para que se estabeleça o que pode ser considerado como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil e, em assim sendo, as receitas das obras e serviços decorrentes serem tributados na forma cumulativa de apuração do PIS/Pasep e da Cofins. O mencionado ADE, convém registrar, mencionou de forma expressa algumas atividades que podem ser consideradas como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, ou seja, as atividades de “sondagens, fundações e escavações”; de “construção de estradas e logradouros públicos”; de “construção de pontes, viadutos e monumentos”; de “terraplenagem e pavimentação”; e de “pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias”. Todavia, referidas atividades não estão relacionadas de forma exaustiva, em numeros clausus, ou de forma fechada. Ao contrário disso, seu último item contém a afirmação de que “quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo” também podem ser consideradas obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil. Assim, algumas regiões fiscais vinham dando uma interpretação mais restritiva para o que pode ser considerado como obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, como verificado na Solução de Consulta SRRF08 nº 248, de 2012. Outras, atentas à forma abrangente como foi redigido o Ato Declaratório Executivo nº 30, de 1999, acharam por bem adotar uma conceituação acentuadamente ampliativa para a temática em abordagem, como foi o caso da Solução de Consulta SRRF07 nº 06, de 2011. A questão foi levada à apreciação do órgão central da RFB, o que resultou na edição da Solução de Divergência Cosit nº 11, de 2014. Fl. 4352DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 19 18 Solução de Divergência Cosit nº 11, de 27 de agosto de 2014 EXPRESSÃO "OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL". SIGNIFICADO NA LEGISLAÇÃO REFERENTE AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA DA COFINS. Para efeito de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, enquadramse, no conceito de obras de construção civil, as obras e os serviços auxiliares e complementares, tais como aqueles exemplificados no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999. Após o responsável pela elaboração da Solução de Divergência em análise fazer constar inexistir na legislação do PIS/Pasep e da Cofins a delimitação do conceito do que deva ser entendido como obra de construção civil, teceu comentários relacionados à motivação do tratamento dado à matéria pelo Decreto nº 3.048, de 1999, e pela Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. O Decreto nº 3.048, de 1999, é bastante restritivo quanto ao tema em questão, o que é justificável por razões práticas, pois as regras relativas à construção civil culminam em responsabilidade tributária para os sócios das empresas responsáveis pelas obras, cominação que é necessária para dar mais efetividade ao crédito tributário mas que demanda intensa atividade da Administração Tributária em sua fiscalização. Evitando expandir por demasia as hipóteses de responsabilidade tributária, o legislador optou por restringir, para esse fim, o conceito de obra de construção civil à determinadas atividades estritamente relacionadas a este ramo econômico, sem prejuízo da existência de diversas outras atividades a ele afetas. Como não poderia deixar de ser, o conceito de obra de construção civil constante do inciso I do art. 322 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, é exatamente igual ao constante do § 13 do art. 257 do Decreto nº 3.048, de 1999. Adicionalmente, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, diferenciou os conceitos de “obra de construção civil” e de “serviço de construção civil”. Para as pessoas jurídicas que executam “obra de construção civil” foi determinada a responsabilidade tributária sobre as contribuições previdenciárias devidas, enquanto para aquelas que realizam “serviço de construção civil” seguem as prescrições previstas para os contribuintes em geral. Concluiu o representante do órgão central que a classificação de atividades de construção civil que emerge da legislação previdenciária é meramente instrumental, com alcance adstrito ao campo das contribuições previdenciárias, não dando azo a qualquer aplicabilidade no cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. O dispositivo legal observado na sequência foi a Lei Complementar nº 116, de 2003, que trata do Imposto sobre Serviços (ISS), e que descreveu no item 7.02 de seu Anexo Único o alcance a ser dado às obras de construção civil: Lei Complementar nº 116, de 2003 – Anexo Único Lista de Serviços 7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, Fl. 4353DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 20 19 terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos; Prosseguindo, apresentou a norma que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), que especificou os serviços de construção nos seguintes moldes: Decreto nº 7.708, de 2012 Seção I – Serviços de Construção NBS – Descrição do Serviço 1.0101 – Serviços de construção de edificações residenciais 1.0126 – Serviços de instalação elétrica 1.0127 – Serviços de tubulação para fornecimento e escoamento de águas 1.0128 – Serviços de instalação de aquecimento, ventilação e ar condicionado A partir das normas apresentadas, inferiu a autoridade responsável pela Solução de Divergência ora comentada ser notória a tendência da adoção de um conceito ampliativo para a construção civil, muito provavelmente em razão da enorme diversidade de atividades e funcionalidades que se encontram atreladas às modernas construções humanas sobre o solo. Por se encontrar alinhada com essa tendência é que o órgão central da RFB adotou a interpretação constante do já transcrito Ato Declaratório Interpretativo Cosit nº 30, de 1999, que, como visto, estatuiu que a atividade de construção civil abrange os seus serviços auxiliares e complementares, tais como a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; sondagens, fundações e escavações; construção de estradas e logradouros públicos; construção de pontes, viadutos e monumentos; terraplenagem e pavimentação; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. E na referida Solução de Divergência restou assentado que: 42. Assim, mantendose o entendimento desta Cosit acerca da matéria, concluise que as atividades da consulente de instalação de redes hidráulicas e elétricas, de instalação de sistemas centrais de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação e de prevenção contra incêndio enquadramse como serviços prestados no âmbito da execução de obras de construção civil. Consequentemente, as receitas advindas dessas prestações submetemse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sob a sistemática de apuração cumulativa dessas exações, por aplicação do citado inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Assinalou, ademais, que “tal preceptivo alcança apenas as receitas decorrentes das prestações dos serviços que menciona, e, como não estabelece ressalva, alcança também as receitas decorrentes de eventual fornecimento de bens na prestação de tais Fl. 4354DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 21 20 serviços”. Por outro lado, “não alcança a venda de bens, ainda que haja alguma prestação de serviços acessória, bem como a prestação de serviços diversos dos arrolados por ele”. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento e da r. decisão, hão de ser rechaçadas. O minudente Termo de Verificação Fiscal (TVF) deixa perfeitamente delimitada a matéria tributável, quer quanto ao mérito quer quanto à sua liquidez. Com o objetivo de melhor esclarecer seu ponto de vista, efetuou a seguinte comparação: a) contratação de uma pessoa jurídica para preparação da estrutura e instalação de arcondicionado central em um edifício. Nessa hipótese, o contrato é preponderantemente de prestação de serviço auxiliar em obra de construção, sendo o fornecimento de bens etapa necessária para a prestação. Destarte, aplicável às receitas auferidas com a prestação de tal serviço o regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003; b) aquisição de arcondicionado a ser entregue instalado na parede do edifício. Nessa hipótese, o contrato é preponderantemente de compra e venda de bens, sendo o serviço de instalação apenas acessório. Assim, não são aplicáveis à espécie as disposições do mencionado dispositivo legal, sendo o regime de apuração das contribuições relativas à receita de venda estabelecido conforme as regras gerais. Do exposto até aqui concluo que será necessário, portanto, que seja verificada a preponderância da relação econômica estabelecida caso a caso, sem podermos fazer uma análise linear da matéria, pois tratandose de uma prestação de serviço de “execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil”, com acessório fornecimento de bens, mostrase aplicável o inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, o que remete o caso para a apuração cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins. Esse é o entendimento da Administração. Ao revés, tratandose de fornecimento de bens com acessória prestação de serviços de construção civil, não há como se aplicar a regra do inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, devendo o PIS/Pasep e a Cofins serem calculados pelo regime não cumulativo. Como observação final, destacou a referida Solução de Divergência que “na hipótese de a pessoa jurídica apresentar tanto receitas sujeitas ao regime de apuração cumulativa, como receitas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devem ser observadas as disposições constantes dos §§ 7º a 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e dos §§ 7º a 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que, em síntese, somente permitem a apuração de créditos da não cumulatividade das aludidas contribuições em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa”. E conclui: Fl. 4355DF CARF MF Processo nº 13502.720072/201552 Acórdão n.º 3402004.984 S3C4T2 Fl. 22 21 48. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo ao autor do recurso que as receitas decorrentes de instalações hidráulicas, elétricas, de sistemas centrais de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação e de prevenção contra incêndio se subsumem ao conceito de execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil de que trata o inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Sintetizando, tratandose de prestação de serviços de construção civil, ainda que auxiliares e complementares desta atividade, com acessório fornecimento de materiais, será o caso de aplicação do inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, remetendo a situação para a apuração cumulativa. Caso tenhamos uma operação comercial de venda de produtos, acoplada a uma prestação acessória de serviços de construção civil, a apuração das contribuições sociais se dará na forma não cumulativa. E com base nesse raciocínio, a bem lançada decisão recorrida analisou minuciosamente um a um dos contratos, chegando a conclusão, em síntese, que a prestação de um serviço de execução de obra de construção civil e de atividades auxiliares ou complementares da construção civil, com acessório fornecimento de equipamentos, cabendo a aplicação do inc. XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, com base no exposto e também com arrimo na bem lançada fundamentação da r. decisão, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, não conheço do recurso voluntário e nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 4356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004214/2010-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 14 /2 01 0- 63 Fl. 356DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.004215/201016 37.309.5112 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004214/201063 37.309.5139 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004216/201052 37.252.5334 (AI 78) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.004217/201005 37.309.5074 (AI34) Obrig. Acessória Sem interposição de Recurso Especial 19515.004218/201041 37.309.5120 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5139, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 30 a 42. Em sessão plenária de 16/07/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.141 (efls. 302 a 313), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 9202006.424 CSRFT2 Fl. 357 3 A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 494 do processo principal) e, em 01/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 314 a 331 (Despacho de Encaminhamento de efls. 513 do processo principal). O apelo está fundamentado nos arts. 64, II, e 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir as seguintes matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conforme Despacho nº 2400243/2014, de 24/02/2014 (efls. 332 a 335), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame nº 2400347R/2014, de 07/05/2014 (efls. 336). Quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 02/02/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 342), a Contribuinte ofereceu, em 13/02/2015, as Contrarrazões de efls. 344 a 353 (carimbo de efls. 344), contendo os seguintes argumentos, relativamente à matéria que obteve seguimento: conforme muito bem observado no acórdão recorrido, antes da Medida Provisória n° 449 não havia a previsão de aplicação da multa de ofício mas sim a multa de mora aplicada em duas modalidades distintas: (i) uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e (ii) outra decorrente da notificação fiscal de lançamento; Fl. 358DF CARF MF 4 posteriormente, com o advento da referida MP, que passou a vigorar a partir de 04/12/2008 e foi convertida na Lei n° 11.941, de 2009, surgiu a previsão da multa de ofício com a nova redação dada ao artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, e com a inclusão do artigo 35 A no dispositivo legal mencionado acima; neste sentido, nos termos do artigo 144, do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, de modo que em relação aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de mora e, em relação aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de ofício; deste modo, também quanto à aplicação da multa, não poderá ser admitido ou provido o Recurso Especial, e, por conseguinte, deverá ser feito o recálculo da multa com base no artigo 61, da Lei n° 9.430, de 1996, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, relativamente à matéria que obteve seguimento aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, nesta parte. Embora a Contribuinte, em sede de Contrarrazões, alegue que o Recurso Especial não poderia ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da súmula nº 99 do CARF, verificase que a citada súmula referese à matéria da decadência, cujo seguimento foi negado ainda na fase de admissibilidade, conforme os despachos de efls. 515 a 519. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5139, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 30 a 42. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. A retroatividade benigna encontrase prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 9202006.424 CSRFT2 Fl. 358 5 II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação original da Lei nº 8.212, de 1991, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 360DF CARF MF 6 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifei) Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (grifei) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 19515.004214/201063 Acórdão n.º 9202006.424 CSRFT2 Fl. 359 7 Destarte, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 362DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720313/2011-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 03 13 /2 01 1- 22 Fl. 72DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0733.313, da 3ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, bem como pela existência de atividade econômica vedada (consultoria) consoante o artigo 17, incisos V e XIII, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dela conheço. Cumpreme registrar – para o melhor entendimento da lide – que a solicitação da opção pelo Simples Nacional se deu em 1212010e que o registro do Termo de Indeferimento da Opção se deu somente em 2122011. Inicialmente, acerca do prazo de que dispõe a interessada para realizar aopção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim dispõe: Art. 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. ....................... § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 04, de 3052007, cujo artigo 7º assim estabelece: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)(grifei) De acordo com o Termo de Indeferimento, de fls. 4, as pendências que impediram o sujeito passivo de efetuar a opção Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10865.720313/201122 Acórdão n.º 1001000.271 S1C0T1 Fl. 3 3 pelo Simples Nacional, para o anocalendário 2010, foram a existência de débito de natureza previdenciária e não previdenciária, além praticar atividade econômica vedada para optante pelo Simples Nacional, qual seja: CONSULTORIA EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO [CNAE 64040/ 00] Sobre o tema, o artigo 17, inciso V da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] XIII – que realize atividade de consultoria; [...] Em sua impugnação, fls. 2 e 3, a interessada afirma que o ramo de atividade da empresa “NÃO É MAIS a atividade de ‘consultoria em tecnologia da informação’, conforme pode ser verificado pela cópia do comprovante de inscrição no CNPJ da empresa.” Está nos autos, fls. 6, o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral do CNPJ, onde consta o Código e descrição da atividade econômica principal: 85.99604 Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial e como atividades econômicas secundárias: 85.99604 – Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial e 85.99699 – Outras atividade de ensino não especificadas anteriormente. Vê se também nos autos às fls. 20 a 23, a Segunda Alteração Contratual da empresa, onde consta a alteração de seus objetivos sociais, como se lê abaixo: (omiti). De se dizer que tal alteração contratual foi protocolada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas de São João da Boa Vista – SP, em 10/3/2010, como provam as anotações contidas no corpo do documento:(omiti) A Interessada informou esta situação à RFB em 17/3/2010, onde foi considerada a data do evento [alteração contratual] o dia 10/3/2010. Esta situação contraria frontalmente o que dispõe o art. 7º, inciso I, da Resolução do CGSN nº 4, já citada, onde há a determinação de que as pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional devam ser regularizadas até o último dia útil do mês de janeiro do ano da solicitação da opção. No presente caso a regularização quanto que diz respeito à atividade Fl. 74DF CARF MF 4 econômica se deu 10/3/2010, situação que por si só seria suficiente para a manutenção do indeferimento. Quanto aos débitos previdenciários – anotados no termo de indeferimento – a Interessada afirma em sua impugnação que “OS DÉBITOS PARA COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA CUJA EXIGIBILIDADE NÃO ESTÁ SUSPENSA, FOI PARCELADA E OS PAGAMENTOS ESTÃO EM DIA”. Em consulta a sistema corporativo da RFB constatase que o pedido de parcelamento foi transmitido pela Interessada somente em 21/12/2010: Em consulta a sistema corporativo da RFB constatase que o pedido de parcelamento foi transmitido pela Interessada somente em 21/12/2010: Outra vez contrariando a orientação da já citada Resolução do CGSN nº 4. Quanto aos débitos não previdenciários – anotados no termo de indeferimento – interessa afirma que foram integralmente pagos em 30/12/2010. Em consulta a sistema de pagamentos da RFB constataseque foram arrecadados em 23/12/2010: Pelo exposto, constatase que a empresa não regularizou as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, até o prazo estipulado pelo inciso I do §1ºA, do artigo 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007 Assim, diante do exposto, concluise que a Impugnante não atendeu a todas as determinações da legislação para poder ser incluída no Simples Nacional, pelo que mantenho o Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, para o ano calendário de 2010. A Interessada requer que seja inserida no Simples Nacional para o anocalendário de 2011, o que não se pode apreciar nestes autos uma vez que tratase de indeferimento para a opção para 2010. A apreciação de sua entrada – em 2011 – no sistema do Simples Nacional por este órgão julgador dependeria de indeferimento à solicitação de opção por este regime para o anocalendário de 2011, o que não ocorreu. Se houvesse ocorrido, tudo se passaria em outro processo administrativo, que não neste.. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10865.720313/201122 Acórdão n.º 1001000.271 S1C0T1 Fl. 4 5 A recorrente fez a opção pelo Simples Nacional em 12/01/2010, em relação ao anocalendário de 2010, portanto, dentro do prazo estabelecido pela legislação. Conforme apontado pela própria DRJ: "o registro do Termo de Indeferimento da Opção se deu somente em 21/2/2011" (sic). A Recorrente confundiuse em seu Recurso Voluntário, assim como o fizera quando da impugnação, sobre o ano calendário em discussão. Em seu recurso alega o direito à opção no anocalendário de 2011,quando, na realidade deveria ser o de 2010. Quanto a este, nada há o que acrescentar à decisão da DRJ posto que as irregularidades apontadas no Termo de Indeferimento foram devidamente comprovadas e regularizadas pela Recorrente, só que após o prazo legal. Portanto, em relação ao anocalendário de 2010, a Recorrente não tinha o direito à opção pelo Simples Nacional, nos termos dos incisos V e XIII, do art. 17, da LC 123/2006. Recurso voluntário negado, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 76DF CARF MF
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