Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13971.720596/2012-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS.
Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano-calendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime.
Numero da decisão: 1001-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano-calendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.720596/2012-74
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843817
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.338
nome_arquivo_s : Decisao_13971720596201274.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13971720596201274_5843817.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7174210
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008114167808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720596/201274 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.338 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente SMILE MODA INTIMA LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no anocalendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 05 96 /2 01 2- 74 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13971.720596/201274 Acórdão n.º 1001000.338 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 106 a 107) interposto contra o Acórdão nº 0128.136, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 99 a 101), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2012 Ementa: SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano calendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o TERMO DE INDEFERIMENTO, fl.92, que impediu sua adesão ao Simples Nacional 2012, com data de registro em 17/02/2012. 2. O motivo do indeferimento foi a existência de: Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar ns 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1)Débito: 364801824 2)Débito: 366939548 3)Débito: 390594008 4)Débito: 395333326 5)Débito: 395333334 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13971.720596/201274 Acórdão n.º 1001000.338 S1C0T1 Fl. 4 3 3. Em sua Manifestação de Inconformidade em 09/03/2012, fl.02/03, o contribuinte alega que: Parcelou os cinco débitos constantes do Termo de Indeferimento, conforme cópias dos comprovantes de pagametnos. 4. Foi realizada uma solicitação ao SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO (SECAT), para verificação da situação dos débitos em 31/01/2012, fl.93, com resposta à fl.94/95." Insta dizer que a solicitação feita à SECAT obteve a seguinte resposta: "O débito 36.480.1824 era passível de consolidação no parcelamento especial da Lei nº 11941/2009, na modalidade PGFNPREVART1º. O contribuinte efetuou a opção em 07/10/2009. Porém, o pedido de parcelamento foi cancelado em 29/12/2011 pela não apresentação de informações de consolidação. Conforme consulta à PGFN, não há pedido de revisão da consolidação. Portanto, o débito está exigível desde o cancelamento do pedido de parcelamento." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário concordando com a decisão de piso de que o débito supracitado realmente havia ficado de fora do parcelamento, nos termos narrados pela SECAT, no entanto, alega que foi um equivoco e que sempre teve a intenção de incluir todos os débitos nos parcelamentos realizados. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, impende lembrar que a legislação tributária competente veda a adesão ao regime simplificado por empresas que tenham débito sem a exigibilidade suspensa para com o fisco, conforme se colaciona abaixo. Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13971.720596/201274 Acórdão n.º 1001000.338 S1C0T1 Fl. 5 4 Outrossim, conforme já demonstrado no Relatório que integra esta decisão, foi detectado pela autoridade competente débitos que poderiam ter sido parcelados e não o foram, informação esta que foi referendada pela própria Recorrente. Impende dizer que a atenção e o zelo pelos pela forma como seus negócios e atos são praticados é de responsabilidade exclusiva do Contribuinte. Outrossim, não se deve olvidar que a atividade administrativa pública é vinculada a Lei, não cabe à Autoridade Administrativa deixar de aplicar as regras legalmente estabelecidas, ainda que acredite na boa fé da contribuinte que por eventual lapso tenha esquecido de incluir determinado débito no parcelamento aderido. Desta forma, resta dizer que a decisão de piso bem analisou o caso e portanto merece ser convalidada. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720595/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO.
A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda.
AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.
As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto).
OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE.
No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades.
SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep.
PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE
Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO.
A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda.
AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.
As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto).
OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE.
No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades.
SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE.
Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins.
PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE
Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE.
A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720595/2013-01
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854829
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.318
nome_arquivo_s : Decisao_16327720595201301.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : José Fernandes do Nascimento
nome_arquivo_pdf_s : 16327720595201301_5854829.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7234207
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008140382208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 64; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 824 1 823 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720595/201301 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.318 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ITAÚ CORRETORA DE VALORES S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transformase em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificamse no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 95 /2 01 3- 01 Fl. 824DF CARF MF 2 civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificamse, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transformase em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificamse no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 825 3 OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificamse, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Fl. 826DF CARF MF 4 Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante do acórdão nº 1301002.016 (fls. 799/816), cujos excertos pertinentes ao litígio remanescente sobre às autuações da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seguem transcritos: Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. Integram também o processo autos de infração de multas exigidas isoladamente por falta/insuficiência no recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. O total da exação alcançou R$ 313.244.484,02 na data do lançamento (demonstrativo às fls. 2/3), aí incluídos juros moratórios e multa de ofício de 75%. As infrações apuradas pelo Fisco foram: [...] d) Falta de oferecimento à tributação pelo PIS e pela COFINS da receita auferida na alienação das ações ordinárias da Bovespa Holding na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A em 08/05/2008 (R$ 32.030.690,17 de ações preferenciais e R$ 461.188.674,88 de ações ordinárias da Nova Bolsa S/A). Por clareza, transcrevo a seguir alguns excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 263/286): 3.1. Breve histórico das Bolsas e da sua desmutualização Convencionouse chamar de desmutualização o conjunto de alterações societárias ocorridas em agosto de 2007, amplamente divulgadas na mídia, em que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), então associação civil sem fins lucrativos, transferiu suas atividades para uma companhia aberta (sociedade Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 826 5 anônima). Assim, o acervo que pertencia à entidade civil passou a ser acervo da sociedade empresarial Bovespa Holding S/A. A associação Bovespa aprovou sua desmutualização na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 28/08/2007, que consistiu no seguinte: o primeiro procedimento foi a cisão parcial da associação Bovespa, com redução do seu patrimônio em 99,7%; em seguida, a parcela do patrimônio cindido foi incorporado às empresas Bovespa Serviços e Participações S.A. (BVSP) e Bovespa Holding S/A; posteriormente houve a incorporação das ações da BVSP e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) pela Bovespa Holding S/A. [...]Dessa forma, com o recebimento dessas ações, os antigos associados passaram a ser acionistas da nova companhia em que se converteu a Bolsa. Encerrada a desmutualização, partiuse para a oferta das ações no mercado, via IPO (Initial Public Offering) Oferta Pública Inicial, que ocorreu em 26/10/2007, momento em que as corretoras, agora acionistas da Bovespa Holding, venderam parte de suas ações em oferta ao público em geral. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuro – BM&F, passou por processo semelhante ao acima descrito. O processo de desmutualização que resultou na reestruturação da BM&F consistiu na sua cisão parcial, com versão da parcela cindida de seu patrimônio para a BM&F S/A. [...] 3.2. A 1TAÚ CORRETORA, como acionista da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A: Em 31/12/2007, a ITAÚ CORRETORA possuía um saldo de 20.376.818 ações da Bovespa Holding, contabilizadas na rubrica 2.1.5.10.20.1 Ações e Cotas Bovespa S/A – Holding (Razão 2150 008), perfazendo o montante de R$ 44.563.947,88, conforme demonstrativo da posição acionária e razão apresentados pela contribuinte. Em relação à BM&F, em 31/12/2007, possuía 8.860.584 ações da BM&F S/A, com um custo unitário de R$1,00, perfazendo um montante contabilizado na rubrica 2.1.5.10.005 Ações e Cotas BMF S/A (Razão 2150 009) de R$ 8.860.584,00. 3.3. Incorporação das Ações da BOVESPA e da BM&F por Nova Bolsa S/A Em 17/04/2008 a Bovespa Holding S/A e a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S/A publicaram um fato relevante, comunicando ao mercado o objetivo de integrar suas atividades através da incorporação de ambas pela pessoa jurídica Nova Bolsa S/A, CNPJ 09.346.601/000125, doravante denominada Nova Bolsa, que a partir de 08 de maio de 2008 incorporaria as ações de ambas bolsas. (...) Fl. 828DF CARF MF 6 Abaixo reproduzimos algumas etapas da reorganização societária descrita no comunicado, que seriam implementadas em ordem cronológica: a) incorporação BM&F, a valor contábil, resultando na emissão, por Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, ou seja, com a emissão de 1.010.785.800 ações ordinárias da Nova Bolsa, e na consequente extinção de BM&F S/A; b) na mesma data, em, assembleia distinta e subsequente, Incorporação de Ações Bovespa Holding, a valor de mercado, passando Bovespa Holding a ser subsidiária integral de Nova Bolsa e resultando na emissão de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis em favor dos acionistas de Bovespa Holding, em substituição às ações de Bovespa Holding que passarão a ser propriedade de Nova Bolsa; c) também na mesma data, resgate das ações preferenciais de Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding, pelo valor de R$ 17,15340847 por ação; d) a partir da realização das assembleias que aprovarem, as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado o processo de registro de Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (‘CVM’) e a listagem de suas ações no Novo mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S/A BVSP (‘BVSP’), com consequente cancelamento dos registros da BM&F e da Bovespa Holding. Nessa ocasião a ITAÚ CORRETORA possuía as já citadas 20.376.818 ações da Bovespa Holding ao valor contábil de R$ 44.563.947,88. No processo de incorporação de ações, uma ação da Bovespa Holding passou a valer 1,42485643 ações da Nova Bolsa, de forma que pelas 20.376.818 ações BOVH3 que a ITAÚ CORRETORA detinha foram recebidas 29.034.040 ações de emissão da Nova Bolsa. Os acionistas da Bovespa Holding também receberam ações PN resgatáveis da Nova Bolsa, na proporção de uma ação PN resgatável para cada 10 ações da Bovespa Holding. A ITAÚ CORRETORA recebeu 2.037.682 ações PN resgatáveis da Nova Bolsa em maio/2008 passando a deter o total de 31.071.722 ações da Nova Bolsa. As 8.860.584 ações da BM&F S/A foram incorporadas ao valor contábil de R$ 8.860.584,00. Portanto, o valor contábil dessas ações passou a totalizar R$ 53.424.531,88. No caso dos detentores de ações da BM&F S/A, cujo valor patrimonial era de R$ 1,00 (um real) por ação, ficou estabelecido que receberiam uma ação da Nova Bolsa para cada ação da BM&F S/A. Já no caso da Bovespa Holding S/A o valor unitário atribuído a cada ação ordinária foi de R$ 24,82. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 827 7 (...) Dessa forma, em 08 de maio de 2008 foi efetuado o resgate das 2.037.682 ações PN da Nova Bolsa pelo valor de R$ 34.953.191,68, conforme resposta á Intimação Fiscal em 13/03/2013 apresentada pelo contribuinte. Nessa operação a ITAÚ CORRETORA reconheceu um lucro na venda de R$ 32.030.690,17 (R$ 34.953.191,68 R$ 2.922.501,51). A ITAÚ CORRETORA, entretanto não adicionou o resultado da venda dessas ações à base de cálculo do PIS e da COFINS. Por ser sociedade corretora, sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98 (art. 8º da Lei 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei 10.833/03). Dessa forma deve ser adicionada na base de cálculo dessas contribuições o resultado auferido no resgate das ações preferenciais, no valor de R$ 32.030.690,17. No processo de incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa, o valor unitário atribuído a cada ação ordinária da Bovespa Holding S/A foi de R$ 24,82, conforme item 3.4 do ‘Fato relevante’ publicado em 17.04.08. Dessa forma o valor total do investimento avaliado a preço de mercado por ocasião da incorporação era de R$ 505.752.622,76 (20.376.818 x R$ 24,82). A incorporação das ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S/A caracterizase como alienação de ações, representa a receita bruta auferida pela ITAÚ CORRETORA nesta operação e o ganho deveria ter sido apurado conforme abaixo: Valor de mercado ações Bovespa na incorporação: R$ 505.752.622,76 () Valor contábil ações Bovespa na incorporação: R$ 44.563.947,88 (=) Resultado líquido na incorporação de ações:R$ 461.188.674,88 (...) Assim, a composição da carteira de ações da Nova Bolsa passou a ser: Entidade Qde.de Ações Custo Unitário Valor Total BM&F S/A 8.860.584 1,00 8.860.584,00 Bovespa Holding S/A 20.376.818 24,82 505.752.622,76 Bovespa Holding S/A 8.657.222 0,00 0,00 Total 37.894.624,00 13,58011 514.613.206,76 O custo médio das ações da Nova Bolsa S/A, resultado da incorporação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, passou a ser de R$ 13,58011, conforme demonstrado acima. Nos meses de janeiro, junho e dezembro de 2012 a ITAÚ CORRETORA alienou 22.232.960 as ações BM&F BOVESPA ON, tendo apurado o resultado conforme demonstrativo denominado ‘Venda de Ações’ apresentado no Doc. 3 do Fl. 830DF CARF MF 8 complemento da resposta à Intimação Fiscal apresentada em 15/05/2013: (...) Considerando o custo médio apurado após a incorporação das ações da Bovespa Holding de R$ 13,58011, o custo das ações da Nova Bolsa vendidas em 2012 seria de R$ 301.926.042,43. Dessa forma teria apurado um prejuízo de R$ 65.895.637,76. (...) Em resumo, comparando as duas tabelas chegamos à diferença abaixo: Data da Venda 2012 Quantidade de ações ON vendidas 22.232.960 Valor da venda 236.030.404,67 Custo ações considerando custo médio de R$ 17,40340244 301.926.042,43 Resultado apurado 65.895.637,76 Resultado apurado pelo contribuinte 206.400.126,43 Diferença: resultado apurado resultado reconhecido 272.295.764,19 Constatase, então que, parte do ganho de R$ 461.188.674,88 apurado em maio de 2008 foi postergado para o anocalendário de 2012, quando foram alienadas 22.232.960 ações da Nova Bolsa e foram reconhecidos lucros indevidos, conforme se constata acima. Em sua resposta à Intimação Fiscal em 22/05/2012, a ITAÚ CORRETORA apresentou cópias das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com base no bala/iço de suspensão e suspensão no ajuste em dezembro de 2012, tendo apurado um Lucro Real de R$ 321.435.163,68 e Base de Cálculo da CSLL de R$ 310.874.979,54. Conforme já vimos anteriormente o resultado líquido obtido na incorporação de ações em 2008 foi de R$ 461.188.674,88, sendo que parte deste resultado, no valor de R$ 188.892.910 será tributado pelo IRPJ e CSLL, em 2008, de acordo com os artigos 247, 248, 251, parágrafo único, e 277 do RIR/99 e parte dele, no valor de R$ 272.295.764,19, será tributado como postergação, de acordo com os artigos 248, 249, inciso II, 251, 273, 274 do RIR/99. Por ser sociedade corretora, a contribuinte sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2°, 3º e outros da Lei n° 9.718/99 (art. 8º, I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei n° 10.833/2003). Dessa forma deve ser adicionado na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor de R$ 461.188.674.88 que é o resultado auferido na incorporação de ações em maio de 2008. (Grifouse) [...] 3.4. Caracterização da incorporação de ações da BOVESPA Holding S/A pela Nova Bolsa S/A como alienação sujeita à incidência do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 828 9 Examinando os registros contábeis, constatamos que a ITAÚ CORRETORA, após subscrever as ações da BOVESPA Holding S/A e em seguida as ações da BM&F S/A, recebidas em devolução, de patrimônio, resultantes do processo de desmutualização em 2007, classificou referidas ações no Ativo Permanente. No Brasil, a classificação contábil dos ativos e passivos de uma sociedade empresarial não está ao arbítrio dos agentes econômicos. A matéria tem disciplina normativa na Lei n° 6.404/76 Lei das Sociedades por Ações. (...) A classificação das ações da BOVESPA Holding S.A, BM&F S/A e da Nova Bolsa S/A no Ativo Permanente é equivocada, pois a situação é diferente da existente quando da aquisição do título patrimonial da BOVESPA e da BM&F. Naquela época para usufruir os serviços prestados pela BOVESPA e pela BM&F (associações sem fins lucrativos) era prérequisito a aquisição do título patrimonial. Com a transformação das associações em BOVESPA Holding e BM&F (sociedades anônimas), deixou de existir a necessidade de manutenção das ações (conversão do título) no ativo permanente. Pelo contrário, conforme demonstraremos as ações não podem ser classificadas no permanente, pois possuem a natureza jurídica de ativo financeiro e a intenção do contribuinte foi de auferir benefícios econômicos com a valorização do preço da ação. (...) Portanto, as ações da BOVESPA, posteriormente substituídas, por ações da Nova Bolsa, e em seguida parcialmente alienadas em 2012, conforme resposta à intimação fiscal, deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante e não no Permanente. Como o evento de incorporação de ações da BOVESPA S.A, a valor de mercado, CONFIGURA ALIENAÇÃO ficta, pois acarretará a liquidação do investimento temporário original, o ganho líquido (receita financeira) deverá ser objeto de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Como consequência, o investimento original deverá ser baixado e o novo ativo recebido escriturado ao custo de aquisição correspondente ao preço de mercado constante do laudo de avaliação. A operação de incorporação de ações está prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), e corresponde a uma forma de alienação em sentido amplo, conforme exposto na doutrina a seguir transcrita. (...) Ou seja, considerando que no ato jurídico não há uma mera substituição de ativos, e sim uma transmissão onerosa da propriedade de ativos mensurados por laudo de avaliação, temos Fl. 832DF CARF MF 10 que a incorporação de ações constitui uma das espécies do gênero alienação, no sentido amplo. Tal entendimento acarreta a tributação da pessoa física e da pessoa jurídica. (...) Conforme tratamos anteriormente, a ITAÚ CORRETORA, como instituição integrante do Sistema Financeiro Nacional, à época dos fatos, tinha por objeto social a prática de todas as operações permitidas às sociedades corretoras de valores mobiliários e câmbio, operando na compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários e de câmbio, conforme Resolução n° 1.655/89, parcialmente transcrita a seguir, a qual disciplina a constituição , a organização e o funcionamento das sociedades corretoras de valores mobiliários: (...) Em resumo, sobre os resultados obtidos em 2008, serão lavrados na presente data Autos de Infração para a exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, discriminados abaixo: Data Matéria Base Tributo 31/05/2008 Receita no resgate de ações PN 32.030.690,17 PIS e Cofins 31/05/2008 Resultado na alienação de ações na incorporação das ações da Nova Bolsa e alienação em períodos subsequentes 188.892.910,69 IRPJ e CSLL 31/12/2008 Postergação em 2012 272.295.764,19 IRPJe CSLL 31/05/2008 Resultado na alienação de ações devido à incorporação de ações da Nova Bolsa 461.188.674,88 PIS e Cofins (...)” (Grifouse) A impugnação (fls. 324/393) ao lançamento foi sintetizada pelo relator do processo em primeira instância como segue: [...] j) no tópico “Quanto ao PIS e à Cofins” alega que a autoridade fiscal afirmou que toda e qualquer receita decorrente da atividade operacional da contribuinte deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, mas desconsidera que o STF já decidiu que tais contribuições, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, só podem incidir sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta na venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigilas sobre receita financeira; que a questão relativa à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por força do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, já foi decidida pelo Plenário do STF ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840; k) alega que o Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, ao analisar a repercussão da jurisprudência do STF para as instituições financeiras e sociedades seguradoras, considerando que a mercadoria é necessariamente, por definição, um bem corpóreo, concluiu que a natureza das receitas decorrentes das atividades Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 829 11 do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998; l) assim como as receitas dos bancos que a título de “operações bancárias” devem compor a base de cálculo do PIS e da Cofins restringemse aos “serviços”, ou seja, à intermediação financeira na captação de recursos (“spread”), no caso concreto somente podem integrar a base de cálculo das referidas contribuições a receita decorrente da intermediação na compra e venda de ações, ou seja, a taxa de corretagem cobrada pela impugnante de seus clientes; que o plenário do STF no julgamento do RE 101.3397/ SP, deliberando sobre matéria tributária (inciso III do art. 3º do Decretolei nº 1.438, de 1975), declarou em decisão unânime a inconstitucionalidade da norma que, a pretexto de tributar prestação de serviço, determinava a incidência do imposto sobre atividade que não se destinava ao consumo de terceiro; m) que só podem integrar a base de cálculo da Cofins e do PIS as receitas decorrentes de atividades exercidas em favor de terceiros, o que exclui, ipso facto, da base de cálculo das referidas contribuições os valores decorrentes da venda de ações de propriedade da impugnante; que constam de seu estatuto social algumas atividades básicas que embora na grande maioria das vezes sejam realizadas no interesse de seus clientes, são também realizadas com seu próprio capital, como as operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários e as operações em bolsa de mercadorias e futuros; quando as operações com recursos próprios são realizadas no seu único e exclusivo interesse, não há intermediação financeira alguma; n) no tópico “Do Registro do Investimento no Ativo Permanente –Previsão Expressa da Exclusão da Receita de Alienação de tal Ativo da Base de Cálculo do PIS e da Cofins” aduz que os arts. 2º e 3º, IV, da Lei nº 9.718, de 1998, dispõem que excluemse da receita bruta a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente; que a autoridade fiscal transcreveu apenas parcialmente o Ofício Circular 22/2004DG da Bovespa para justificar o entendimento de que as ações em questão deveriam ter sido registradas no ativo circulante; contudo, tal ofício confirma que o elemento fundamental para se definir se determinado bem deve ser classificado no ativo permanente ou circulante é a intenção da sociedade no momento de sua aquisição; o) o fato de a impugnante somente ter efetuado a venda de parte das ações da Nova Bolsa em 2012 é a prova inequívoca de que referidas ações foram corretamente registradas em seu ativo permanente, uma vez que de fato não foram consideradas investimento; que tal entendimento é aplicável às ações preferenciais que acabaram sendo resgatadas em 2008, quando da incorporação de ações, uma vez que a caracterização do investimento em ativo permanente se deu quando de sua Fl. 834DF CARF MF 12 aquisição e sua classificação não pode ser alterada em razão de fato posterior que escapa à vontade da impugnante; p) que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F que a impugnante era obrigada a ter a fim de operar no mercado de capitais sempre foram tidos como investimento diretamente vinculado às suas atividades, de modo que sempre estiveram registrados em conta do ativo permanente; que o fato de ter sido permutado por outro não enseja tratamento contábil diferente, na medida em que apenas substituíram os títulos originais, não representando novo ativo; não obstante tais operações impliquem diferentes procedimentos formais, substancialmente têm por objetivo alterar a roupagem das entidades personificadas sem contudo alterarlhes a essência patrimonial que permanece íntegra; daí porque a doutrina entende que tais operações têm sempre por escopo a continuidade patrimonial da entidade personificada – substância –mas sob outra forma; q) é da essência da operação de cisão que os antigos sócios/acionistas da sociedade cindida recebam em substituição da participação societária anterior, participação societária nova, na sociedade que absorveu o patrimônio da cindida, de modo que a situação patrimonial dos sócios/acionistas permanece exatamente igual; que as ações não foram adquiridas com a intenção de serem vendidas em seguida, mas resultaram de todo o processo de desmutualização; ainda que fosse o caso, a mera intenção de alienação de ativo permanente não autoriza a alteração da classificação contábil (Solução de Consulta n° 36/06, da SRRF da 7ª Região); r) no tópico “A Não incidência de Juros de Mora Sobre Multa de Ofício” protesta contra a provável exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, porquanto a legislação somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, não autorizando o cálculo dos juros sobre o valor da multa; s) ao final, no “Pedido”, requer a acolhida da presente impugnação para o fim de ser reconhecer a insubsistência do auto de infração lavrado, se antes não reconhecida a nulidade material dos autos de IRPJ e CSLL, como medida de Direito e de Justiça. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0643.395, de 29/08/2013 (fls. 504/540), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: [...] Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 RECEITA BRUTA. ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DA BOVESPA HOLDING. COMPRA E VENDA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS POR CONTA PRÓPRIA. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 830 13 A receita bruta apurada na alienação das ações da Bovespa Holding, na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A, integra a base de cálculo da contribuição devida no exercício de atividade empresarial típica de instituição financeira. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS EM OUTRAS EMPRESAS. INVESTIMENTOS DESTINADOS À NEGOCIAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO NO ATIVO CIRCULANTE OU NO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As participações societárias em outras empresas devem ser registradas no ativo circulante ou no realizável a longo prazo (ativo não circulante) quando destinados à negociação, portanto constituem ativo financeiro por terem característica de aplicação temporária ou especulativa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 RECEITA BRUTA. ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DA BOVESPA HOLDING. COMPRA E VENDA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS POR CONTA PRÓPRIA. A receita bruta apurada na alienação das ações da Bovespa Holding, na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A, integra a base de cálculo da contribuição devida no exercício de atividade empresarial típica de instituição financeira. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS EM OUTRAS EMPRESAS. INVESTIMENTOS DESTINADOS À NEGOCIAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO NO ATIVO CIRCULANTE OU NO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As participações societárias em outras empresas devem ser registradas no ativo circulante ou no realizável a longo prazo (ativo não circulante) quando destinados à negociação, portanto constituem ativo financeiro por terem característica de aplicação temporária ou especulativa. [...] Recurso Voluntário Ciente da decisão de primeira instância em 18/09/2013, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 545, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2013 conforme carimbo de recepção à folha 547. [...] No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: [...] Fl. 836DF CARF MF 14 Especificamente quanto ao PIS e à COFINS (repete, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos aduzidos em sede de impugnação): o Impossibilidade de tributação da receita financeira por essas contribuições, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. o Ofensa à orientação do Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007. o Existência de previsão expressa de exclusão, da base de cálculo das contribuições, da receita da alienação de investimentos registrados no ativo permanente, o que seria o caso sob análise. Argumentos contrários à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Contrarrazões da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional, por seu Procurador, com base no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do CARF em vigor, apresentou suas contrarrazões (fls. 642/690) ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em apertada síntese, a Fazenda Nacional sustenta a inexistência das alegadas nulidades; a existência de efetiva alienação (no que se refere ao ganho de capital na incorporação de ações); a possibilidade de cumulação da multa isolada e da multa de ofício; e a correção da incidência de juros sobre a multa de ofício. Inexistem contrarrazões específicas acerca dos lançamentos de PIS e COFINS. Desistência parcial Às fls. 709/732 encontro documento que dá conta da desistência parcial do recurso interposto nos presentes autos, para fins de adesão à quitação com benefícios estabelecidos pela Lei nº 13.043/2014. A requerente esclarece que a desistência alcança os “débitos decorrentes da suposta omissão de receita/postergação de pagamento relativos ao ‘Resultado na alienação de ações na incorporação das ações da Nova Bolsa e alienações em períodos posteriores’ (débitos de principal de IRPJ e CSL, e multas de oficio e juros de mora decorrentes desta suposta omissão de receita)”. Requer, ainda, “o regular processamento do feito quanto à parte remanescente em discussão, relativa aos supostos débitos de PIS e COFINS (e multas e juros correlatos)”. [...] O extrato do processo (fls. 789/790) e o Termo de Transferência de Crédito Tributário (fl. 791) atestam que foram transferidos para o processo nº 16327.720584/201585 todos os débitos de IRPJ e CSLL, incluídos os juros, multas proporcionais e as multas exigidas isoladamente. No presente processo permaneceram exclusivamente as exigências de PIS e COFINS, e respectivos consectários legais. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 831 15 [...] (grifos do original) Diante da desistência parcial do recurso voluntário e da inexistência de litígio concernente à aplicação da legislação do IRPJ, a demandar manifestação das Turmas da 1ª Seção de Julgamento, aliada a constatação de que o litígio remanescente limitase à aplicação da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em lançamentos agora autônomos e não mais caracterizados como reflexos, com respaldo no art. 4º, I, do Anexo II do RICARF, na Sessão de 4 de maio de 2016, por meio do acórdão nº 1301002.016 (fls. 799/816), os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção declinaram da competência de julgamento da matéria litigiosa remanescente para alguma das Turmas Ordinárias integrantes desta Terceira Seção de Julgamento. Enviado para esta 3ª Seção, o presente processo foi distribuído a este Conselheiro, para relato e julgamento das matérias litigiosas remanescentes, concernentes aos lançamentos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, a matéria litigiosa remanescente é da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, é oportuno esclarecer que, embora os lançamentos objeto dos presentes autos contemplassem a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL) e das multas isoladas decorrentes do suposto recolhimento a menor das estimativas desses tributos, referentes a maio de 2008, em razão da desistência parcial do recurso em apreço, atualmente, remanescem em questão, nestes autos, apenas à cobrança dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), respectivas multas de ofício e juros de mora. Da motivação da autuação e do objeto da controvérsia De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), os lançamentos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins foram motivados pela não inclusão na base de cálculo das referidas contribuições do ganho auferido pela autuada, em 8/5/2008, na alienação de ações, composto de duas parcelas: a) R$ 461.188.674,88, de ganho apurado na alienação de 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., mediante operação de incorporação das citadas ações ao patrimônio da Nova Bolsa S/A.; e b) R$ 32.030.690,17, de ganho apurado na alienação de 2.037.682 das ações preferenciais (resgatáveis) da Nova Bolsa S/A., mediante resgate das respectivas ações por parte da companhia emitente. Fl. 838DF CARF MF 16 Em relação a última operação, não existe controvérsia de que se trata de operação alienação ou venda de ações, uma vez que a própria a recorrente reconheceu o ganho de R$ 32.030.690,17 (R$ 34.953.191,68 R$ 2.922.501,51), obtido na referida operação, entretanto, não o adicionou à base de cálculo das referidas contribuições, sob o argumento de que se tratava de receita obtida na venda de bens do ativo permanente, excluída da cobrança das citadas contribuições, nos termos do art. 3º, § 2º, IV, da Lei 9.718/1998. Portanto, em relação a esse ponto, a controvérsia cingese à classificação contábil das ações no momento da alienação e obrigatoriedade (ou não) da tributação pelas citadas contribuições do ganho auferido na operação. A título de esclarecimento, sabese que o resgate de ações tratase de operação de alienação que se encontra disciplinada no art. 441, § 1º, do Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas ou Lei das S/A.) e que consiste no pagamento do valor das ações pela companhia emissora, com vistas a retirálas definitivamente de circulação e que pode ser realizada com ou sem redução do capital social. Por meio da operação de resgate, a companhia emissora das ações realiza o pagamento ao acionista do valor das ações por este detidas, com objetivo de retirálas definitivamente de circulação. Tratase, portanto, de modalidade de alienação que resulta na extinção da ação. No que tange ao ganho de R$ 461.188.674,88, obtido na alienação/incorporação das 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., a recorrente não concordou com a natureza jurídica da operação, bem como com a não inclusão do correspondente ganho na base de cálculo das mencionadas contribuições. Logo, em relação a esse ponto, a controvérsia envolve tanto a natureza jurídica da operação quanto à classificação contábil das ações no momento da alienação e obrigatoriedade (ou não) da tributação pelas citadas contribuições do ganho auferido na operação. Da natureza jurídica da operação de incorporação de ações: alienação ou subrogação real? Diferentemente da operação de resgate, em torno da operação de incorporação de ações, há franca controvérsia quanto a sua natureza jurídica. Para a fiscalização, a operação de incorporação de ações representa uma forma de alienação em sentido amplo. No direito positivo, a referida operação encontrase definida no art. 252 da Lei das S/A., a seguir transcrito: 1 "Art. 44. O estatuto ou a assembléiageral extraordinária pode autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o modo de procederse à operação. § 1º O resgate consiste no pagamento do valor das ações para retirálas definitivamente de circulação, com redução ou não do capital social, mantido o mesmo capital, será atribuído, quando for o caso, novo valor nominal às ações remanescentes. § 2º A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da companhia. § 3º A amortização pode ser integral ou parcial e abranger todas as classes de ações ou só uma delas. § 4º O resgate e a amortização que não abrangerem a totalidade das ações de uma mesma classe serão feitos mediante sorteio; sorteadas ações custodiadas nos termos do artigo 41, a instituição financeira especificará, mediante rateio, as resgatadas ou amortizadas, se outra forma não estiver prevista no contrato de custódia. § 5º As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas por ações de fruição, com as restrições fixadas pelo estatuto ou pela assembléiageral que deliberar a amortização; em qualquer caso, ocorrendo liquidação da companhia, as ações amortizadas só concorrerão ao acervo líquido depois de assegurado às ações não a amortizadas valor igual ao da amortização, corrigido monetariamente. § 6oSalvo disposição em contrário do estatuto social, o resgate de ações de uma ou mais classes só será efetuado se, em assembléia especial convocada para deliberar essa matéria específica, for aprovado por acionistas que representem, no mínimo, a metade das ações da(s) classe(s) atingida(s). Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)" Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 832 17 Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230.(Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) grifos não originais Já para a recorrente, a operação de incorporação de ações não configura operação de alienação de ações, mas operação de simples substituição de participações societárias ou substituição de ações da sociedade incorporada pelas da incorporadora. Segundo a recorrente, ela não alienou as ações da Bovespa Holding S/A. que então detinha, mas apenas recebeu em troca dessas ações outras ações emitidas pela Nova Bolsa S/A., tudo isso em decorrência do fato de as citadas sociedades terem deliberado pela incorporação das ações da primeira pela segunda. Na doutrina, também não há consenso sobre a natureza jurídica da operação de incorporação de ações. Nessa seara, verificase a presença de duas correntes doutrinárias. Uma defende que se trata subrogação real ou mera substituição de ações. A outra defende que se trata de operação de incorporação e alienação (ficta) de ações da companhia incorporada, semelhante ao aumento de capital mediante aporte de bens. A primeira corrente é liderada pelo Prof. Dr. Nelson Eizirik, para quem a operação de incorporação de ações tratase de uma modalidade de subrogação, consoante se lê no excerto extraído da sua obra, que segue transcrito: Fl. 840DF CARF MF 18 Verificase na operação de incorporação de ações uma substituição de ações. Os acionistas cujas ações foram incorporadas, independentemente de sua vontade, recebem ações da companhia incorporadora existindo no caso uma modalidade de subrogação. [...] A subrogação de um bem por outro, pressupõe, necessariamente, a equivalência de valores. Dessa forma, na operação de incorporação de ações, não há alteração no patrimônio do acionista cujas ações foram substituídas por novas ações da sociedade incorporadora. Aos acionistas serão atribuídas novas ações cujos valores deverão corresponder exatamente à participação que previamente detinham na sociedade que deve suas ações incorporadas.2 Por sua vez, o entendimento da segunda corrente é sustentado, por exemplo, por Fran Martins3 e Modesto Carvalhosa. Para este autor a operação de incorporações de ações é um negócio sui generis que envolve, ao mesmo tempo, uma incorporação e uma alienação fictas, conforme se infere do trecho de sua obra, que transcrito: Tratase, o negócio de incorporação de ações, ao mesmo tempo de uma incorporação e de uma alienação fictas. No primeiro caso, porque não se incorpora uma sociedade em outra, na medida em que a incorporada subsiste como pessoa jurídica, ou seja, como sociedade mercantil de direito privado, revestindo o tipo companhia. No segundo caso, porque o controlador da sociedade incorporada aliena não apenas suas ações à incorporadora, mas também as dos minoritários, num negócio sui generis, que lembra a expropriação do direito administrativo. Tratase, com efeito, de negócio sui generis, a que, por lei, está permanentemente sujeito o acionista minoritário da incorporada: ter suas ações vendidas à incorporadora independentemente de sua vontade. 4 No mesmo sentido, a abalizada doutrina de Luís Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Jr., exposta no artigo intitulado “Incorporação de Ações: Natureza Societária e Efeitos Tributários”, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário nº 200, mai. 2012, p. 4472, de onde se extrai os pertinentes e relevantes excertos, que seguem transcritos: Devese assinalar, também, que a incorporação de ações opera se mediante um aumento de capital da sociedade incorporadora das ações (parágrafo 1º), o qual é subscrito, pela diretoria da sociedade cujas ações serão incorporadas, “por conta” dos sócios desta (parágrafo 2º). Esse aumento de capital é, então, integralizado, mediante a transferência da totalidade das ações da companhia por último referida. Em vista disso, os sócios da companhia cujas ações foram incorporadas recebem, 2 EIZIRIK, Nelson. Incorporação de ações: Aspectos Polêmicos. In: WARDE JR., Walfrido Jorge (Coord.). Fusão, Cisão, Incorporação e Temas correlatos. São Paulo: Quartier Latin, 2009, p. 89. 3 MARTINS, Fran. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, v. 3, Rio de Janeiro: Forense, 1975, p. 316. 4 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. 4º volume: tomo II: arts. 243 a 300: lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações da lei 11.941, de 27 de maio de 2009 – 4ª ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2011. p. 172. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 833 19 diretamente, as novas ações emitidas pela companhia “incorporadora’. Por fim, no que tange ao valor pelo qual as ações devem ser incorporadas, vêse nos parágrafos 1º e 3º que as ações incorporadas, bem como as ações a serem emitidas para substituílas, devem ser avaliadas por peritos nomeados pela assembleia geral da companhia que as incorporará. É dessa avaliação que será extraída a chamada relação de troca. Nesse cenário, identificamse duas correntes doutrinárias quanto à definição da natureza jurídica do instituto: i) Primeira corrente: vê na incorporação de ações uma operação semelhante ao aumento de capital mediante a conferência de bens, que, portanto, implica a alienação das ações incorporadas; e ii) Segunda corrente: não vê nesse negócio verdadeira alienação, mas simples substituição de ações em razão de subrogação real. [...] Se a substituição jurídica implica que o bem subrogado desempenhe a mesma função que o substituído, em vista da manutenção da relação originária, seria necessário, para se demonstrar que tal ocorre na incorporação de ações, evidenciar: i) qual seria a relação originária; ii) qual seria o papel desempenhado pelo bem substituído na relação originária; iii) que a relação originária se manteria; iv) qual o papel desempenhado pelo bem subrogado nessa mesma relação. [...] O exame das ponderações acima expostas nos leva a concluir que não há, na incorporação de ações, a substituição jurídica a que alude Nelson Eizirik, pois: i) a relação originária não se mantém. Antes da incorporação de ações, o sócio é titular de participação da sociedade “A”. Após a operação, passa a ser titular de participação na sociedade “B”. Não existe identidade entre as relações jurídicas existentes antes (sócio “A”) e depois (sócio “B”) da incorporação de ações. Imaginese, por exemplo, que a classe das ações fosse diferente, antes e após a operação. Isso bem seria possível, evidenciando a diferença entre as relações jurídicas observadas; ii) o papel desempenhado pelo bem substituído não se confunde com o do bem subrogado. O bem substituído legitimava, por exemplo, o sócio, a receber dividendos da sociedade “A”, ou a Fl. 842DF CARF MF 20 participar das assembleias da sociedade “A”, etc. O bem sub rogado, diversamente, legitima o sócio a receber dividendos da sociedade “B”, ou a participar das assembleias da sociedade “B”, etc. [...] É importante que fique claro que, como qualquer ficção jurídica, a subrogação real baseiase num juízo relativo. O bem sub rogado não ocupa o lugar do bem substituído a título universal, “para todos os fins de direito”. O juízo relativo em questão referese a uma característica especial do bem substituído, consistente no fato de ele estar inserto numa relação jurídica particular. Assim, quando ocorre a subrogação real, o novo bem ocupa, fictamente, o lugar do velho, em tal relação. [...] [...] Nesse contexto, não vislumbramos a previsão de subrogação real no artigo 252 da Lei das Sociedades Anônimas. Ali, não criou, o legislador, qualquer ficção. Em momento algum o dispositivo dá a entender que as ações de “B” deveriam ser consideradas como ações de “A”. Não vemos, ademais, que a lei tenha estabelecido a substituição das ações mediante um juízo relativo, ou seja, com vistas a uma relação jurídica particular. Pelo contrário, as ações, tanto da companhia “incorporada”, como as da “incorporadora”, são tratadas em si e por si. Prova disso é, como se disse acima, que as ações de “B” não autorizam o sócio a exercer quaisquer direitos em face de “A”, o que decorre da relação jurídica particular em que se encontram insertas as ações desta. [...] Ainda que houvesse subrogação real na operação, haveria transferência das ações. O bem substituído deve, para que possa ceder lugar ao substituto, deixar a posição que ocupa inicialmente. Ou seja, a transferência de ações é, sob qualquer perspectiva, inegável. Acabamos de ver, outrossim, que a previsão de uma autorização legal para que a companhia “incorporada” disponha das ações de seus acionistas não prejudica essa transferência. Dessa feita, o artigo 9º da Lei das Sociedades Anônimas resolve a questão: “Art. 9º. Na falta de declaração expressa em contrário, os bens transferemse à companhia a título de propriedade.” Uma vez que o artigo 252 não informa, expressamente, a que título as ações da sociedade “incorporada” são transferidas à sociedade “incorporadora”, a questão não comporta dúvidas: há transferência da propriedade daquelas ações; há alienação destas, na incorporação de ações. [...] Ante o exposto, concluímos que a incorporação de ações: Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 834 21 i) é um negócio típico do Direito Societário, voltado à concentração empresarial; ii) que se operacionaliza mediante: a) aumento de capital da sociedade ‘incorporadora’, em regime extraordinário, porquanto ausente o direito de preferência dos acionistas destas; b) a subscrição e integralização deste por meio da transferência das ações da sociedade ‘incorporada’, também sob regime extraordinário, uma vez que a lei atribui à diretoria desta sociedade uma autorização para fazêlo no lugar dos acionistas; iii) que apresenta os seguintes efeitos: a) a alienação das ações da “incorporada”, a título de integralização do capital da “incorporadora”; b) transformação dos sócios da “incorporada” em sócios da “incorporadora”; e c) conversão da “incorporada” em subsidiária integral da “incorporadora”.5 Do cotejo entre os entendimentos esposados pelas duas correntes doutrinárias, este Conselheiro convenceuse que a segunda é a que melhor reflete a real a natureza jurídica da operação de incorporação de ações definida no art. 252 do Lei das S/A. e que foi operacionalizada entre a Bovespa Holding S/A. e a Nova Bolsa S/A. (que passou a denominarse BM&FBovespa S/A.), ou seja, que se trata de uma operação de alienação das ações da primeira, a título de integralização do capital da segunda, em que, simultaneamente, há transformação dos sócios da primeira em sócios da segunda e conversão da primeira em subsidiária integral da segunda. No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 2ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) por meio do acórdão nº 920200.662, cujo enunciado segue reproduzido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer titulo, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. 5 SCHOUERI, Luís Eduardo, ANDRADE JR., Luiz Carlos de. Incorporação de Ações: Natureza Societária e Efeitos Tributários. REVISTA DIALÉTICA DE DIREITO TRIBUTÁRIO (RDDT). n. 200, mai. 2012, p. 45. Fl. 844DF CARF MF 22 O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido. Enfim, revelase contraditória a alegação da recorrente de que, em relação a referida operação de incorporação e para fins de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inexiste a alienação e, ao mesmo tempo, admitir e anuir que a mesma operação representa alienação de ações, para fins de apuração de ganho de capital submetido à tributação pelo IRPJ e CSLL. Por todas essas razões, chegase a conclusão de que a operação de incorporação de ações configura operação de alienação de ações, uma vez que há transferência da propriedade das ações da sociedade cedente, para fim de integralização do capital da sociedade cessionária, e os acionistas da primeira, recebem da segunda novas ações a valor de mercado em substituição as ações cedidas pela primeira. Em decorrência da referida operação de alienação, houve receita auferida pela recorrente, porém, se ela integrará ou não a base de cálculo das referidas contribuições, é a questão que será a seguir analisada. Da tributação da receita de alienação/resgate de ações Segundo a fiscalização, por ser sociedade corretora, os resultados obtidos pela autuada “nas operações de venda das ações PN resgatáveis da Nova Bolsa e alienação das ações da Bovespa Holding no processo de incorporação de ações pela Nova Bolsa, comporiam o resultado operacional, sujeito à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, pois o objeto social da empresa, previsto em seu estatuto contemplava a compra e venda de títulos e valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria”. Com efeito, na condição de instituição financeira integrante do Sistema Financeiro Nacional (SFN), na data do fato gerador, induvidosamente, a recorrente tinha por objeto social a prática de todas as operações permitidas às sociedades corretoras de valores mobiliários e câmbio, dentre as quais, merece destaque as operações de (i) subscrever emissões de títulos e valores mobiliários para revenda e (ii) comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria, respectivamente, previstas no art. 2º, II e IV, do Regulamento Anexo a Resolução 1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que disciplina a constituição, a organização e o funcionamento das sociedades corretoras de valores mobiliários. Para facilitar a compreensão, seguem transcritos os preceitos normativos relevantes extraído do citado Regulamento: Art. 1° A sociedade corretora de títulos e valores mobiliários é instituição habilitada à prática das atividades que lhe são atribuídas pelas Leis nºs 4.728, de 14.07.65, 6.385, de 07.12.76, e regulamentação aplicável. Art. 2°A sociedade corretora tem por objeto social: [...] Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 835 23 II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedade autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. [...] IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; [...].(grifos não originais) De acordo com o previsto no preceito normativo em destaque, a atividade de venda/alienação de ações próprias (da sua propriedade) faz parte do objeto social e, portanto, integra a atividade principal ou típica (ou operacional, como denominou a fiscalização) das sociedade corretoras de valores mobiliários. Em decorrência, tais receitas, inequivocamente, integram o faturamento ou a receita bruta das referidas sociedades e, portanto, da recorrente, tendo em conta que, consoante o seu Estatuto, o seu objeto social compreende a prática de todas as operações permitidas, pelas disposições legais e regulamentares, às sociedades corretoras de valores mobiliários e câmbio, o que, obviamente, inclui a venda de ações de sua propriedade ou carteira própria de ações. Por sua vez, a recorrente alegou que, ao considerar que toda e qualquer receita decorrente de atividade operacional integrava a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, a autoridade fiscal simplesmente desconsiderou o que decidira o STF, no julgamento dos RREE nºs 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, sobre o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, no sentido de que, nos termos dos arts. 2o e 3o da Lei 9.718/1998, as ditas contribuições só incidiriam “sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigir tais contribuições sobre receita financeira.” Inicialmente, cabe consignar que a ação é um título representativo da menor parcela do capital social da sociedade anônima ou companhia e, se emitido por companhia aberta, sabidamente, tem natureza jurídica de ativo financeiro, especificamente, na condição de valor mobiliário6. Em face dessa característica, os resultados positivos (lucros) obtidos nas operações de alienação de ações de companhias abertas de propriedade das sociedades corretoras (carteira própria de ações), quando por elas realizadas/alienadas, no mercado de capitais ou fora dele, são considerados receitas operacionais ou receitas operacionais bruta, uma vez que decorrente da atividade empresarial típica ou principal. Da mesma forma, no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) os resultados positivos obtidos nas operações de venda/alienação das 6 No mesmo sentido, a abalizada doutrina do Prof. Samuel Carvalho Gaudêncio, para quem "apenas as ações das companhias abertas serão consideradas valores mobiliários, em razão do investimento de um terceiro, captado mediante uma oferta pública, fato esse que não ocorre com as ações de uma companhia fechada, tendo em vista que, nesse cenário, não há, por exemplo, uma oferta pública com o intuito de captar recursos de terceiro." (GAUDÊNCIO, Samuel Carvalho. Tributação dos valores mobiliários. 2. ed. São Paulo: IOB SAGE, 2017, p. 100) Fl. 846DF CARF MF 24 referidas ações também foram considerados como receitas operacionais e registrados na conta “7.1.9.15.0077: LUCROS EM OPERACOES DE VENDA OU DE TRANSFERENCIA DE ATIVOS FINANCEIROS”, pertencente ao subgrupo “7.1 RECEITAS OPERACIONAIS”. Assim, se para as sociedades corretoras, as receitas auferidas na alienação de ações são consideradas receitas operacionais de venda de ativos financeiros, provenientes da atividade principal, inequivocamente, tais receitas integram o conceito de faturamento, definido no art. 2º da Lei Complementar 70/1991, a seguir transcrito: Art. 2º A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. (grifos não originais) E para as instituições financeiras, incluindo as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, a base de cálculo das referidas contribuições é a receita bruta operacional, com as exclusões estabelecidas no art. 1º8 da Lei 9.701/1998. Assim, resta demonstrado, que a base de cálculo das referidas contribuições alcança todas as receitas da atividade principal ou típica das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, a exemplo, da atividade de alienação de ações (ativos financeiros). Esse é o entendimento que se extrai da decisão do STF, que declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, em relação as receitas das atividades desenvolvidas pelas pessoas jurídicas do setor financeiro. A citada decisão do plenário do STF, proferida no âmbito do julgamento dos RREE nºs 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, limitouse em analisar e declarar a inconstitucionalidade apenas do alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, que se encontrava previsto no atualmente revogado § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998. Entretanto, registrese que, embora a definição de faturamento não tenha sido o objeto dos referidos julgados, inequivocamente, nos vários votos condutores dos referidos julgados foram feitas menções ao alcance da referida definição, no sentido de nele incluir não só as recitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, bem como todas receitas próprias ou típicas da atividade da pessoa jurídica. Assim, em relação à definição ou ao alcance do conceito de faturamento das instituições financeiras, por economia processual e com respaldo no § 1º do art. 50 da Lei 9.784/1999, aqui adotase como razão de decidir os fundamentos expostos com profundidade e clareza pelo nobre Conselheiro Paulo Guilherme Dêrouléde no voto condutor do acórdão nº 3302004.100, proferido por este Colegiado na recente Sessão de 25 de abril de 2017, cujos excertos pertinentes seguem reproduzidos: Destarte, impende discorrer sobre o alcance das decisões proferidas nos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 7 Segundo o COSIF, a função da referida conta é "registrar, pela instituição vendedora ou cedente, o resultado positivo apurado em uma operação de venda ou de transferência de ativos financeiros que foram por ela baixados, integral ou proporcionalmente." 8 "Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês:" Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 836 25 358.273/RS; e nº 390.840/MG, para verificar o alcance da decisão proferida no mandado de segurança em apreço. No julgamento do RE 390.840/MG, o voto do Ministro relator Marco Aurélio concluiu, de forma genérica, que considerase “receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa”. Por sua vez, o Ministro Cezar Peluso, em votovista, considerou faturamento “entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas”, constituindo a base de cálculo da contribuição e concluiu seu voto nos seguintes termos: “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”... Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” O Ministro Peluso, em esclarecimentos, enfatizou: “Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento" . Em debates, transcrevemse algumas passagens: MIN. MARCO AURÉLIO (RELATOR): “Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” Fl. 848DF CARF MF 26 O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Por seu turno, o Ministro Carlos Britto assentou: “Por isso estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorram da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações, etc” Cumpre observar que, de forma geral, restou assentada a sinonímia entre faturamento e receita bruta, abrangendo o produto das atividades típicas no dizer do Ministro Cezar Peluso, ou a atividade precípua da empresa, expressão utilizada pelo Ministro Marco Aurélio, ou ainda, os ingressos que decorram da razão social da empresa, termos utilizados pelo Ministro Carlos Britto. Mencionase, corroborando tal assertiva, o julgamento do agravo regimental no RE 400.4798/RJ, que questionava, dentre outros, a inclusão dos prêmios de seguros recebidos na base de cálculo da COFINS, no qual o Ministro Peluso confirmou a jurisprudência da Suprema Corte ao proferir voto nos seguintes termos: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (grifo não original) Por fim, o alcance do termo faturamento ou receita bruta abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 837 27 inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso Relator No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei) Salientase, ainda, que a incidência de PIS e Cofins, especificamente, sobre as receitas financeiras das instituições financeiras está sendo julgada no RE 609.096/RS, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema, em 03/03/2011, o que implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos dos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG e, conseqüentemente, ainda não foi decidida pela Suprema Corte. Frisese que no AG. REG. no AG.REG. no RE 582.258 /MG, o Ministro relator Ricardo Lewandowski, em 06/04/2010, esclareceu que a inclusão das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras não se confundiam com o debate acerca da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme se depreende da ementa a seguir: EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO Fl. 850DF CARF MF 28 QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido.” Destarte, entendo que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nos leading cases não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS, reconhecida no RE 585.2351/MG, mas, ao contrário, a reafirmou. Ressaltese que a repercussão geral reconhecida no referido RE implica sua reprodução nos julgamentos administrativos no âmbito do CARF, conforme disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, resta claro que o próprio STF entende que o tema específico relativo à tributação das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras não foi objeto do debate sobre a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 travado nos leading cases, mas, pelo contrário, é tema específico do RE 609.096, submetido à repercussão geral. De outro giro, a partir das decisões do STF, o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 abordou o conceito de serviços para as instituições financeiras e seguradoras, cujos argumentos transcrevo abaixo: “9. Com efeito o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) – Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. ... 31. Recentemente, o STF, ao julgar a ADI nº 2591, entendeu por submeter tais atividades à disciplina do Código de Defesa do Consumidor, em face do disposto no §2º do art. 3º da Lei 8.078, de 1990, que delimita o serviço como “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista”. Tal decisão Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 838 29 prestigiou a doutrina de Nelson Nery Junior, que consignou in verbis:” Todas as operações e contratos bancários se encontram sob o regime jurídico do CDC”, em detrimento daqueles que não entendem que tais serviços se submetam ao regime jurídico do CDC. 32.Dessa forma, fica claro que a atividade bancária é constituída por serviços que são disponibilizados aos clientes, dentre os quais se inclui a intermediação financeira. Efetivamente, o ponto fundamental do presente trabalho é possuir a clara avaliação do que se pode considerar serviço para fins tributários. Assim, o conceito de serviço, deve ser considerado sob o “contexto sistemático da Constituição”, que “leva à conclusão de que o conceito constitucional de serviço não coincide com o emergente da acepção comum, ordinária, desse vocábulo”. Foi Alfredo Augusto Becker – apoiado em Pontes de Miranda – quem melhor mostrou que a norma jurídica como que “deturpa” ou “deforma” os fatos, do mundo, ao erigilos em fatos jurídicos”.9 Ainda, segundo Aires Barreto, “serviço tributável é o desempenho de atividade economicamente apreciável, produtiva de utilidade para outrem, porém sem subordinação, sob regime de direito privado, com fito de remuneração”.10 33.Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades da instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 35.Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 50. Nesse passo, temos que a natureza jurídica dos serviços de intermediação financeira não é diferente da natureza jurídica de quaisquer outros serviços colocados, pelas instituições financeiras, à disposição de seus clientes. Ontologicamente a única diferença é a forma como se aufere a receita proveniente de tais serviços. 51. De fato, a receita auferida pelos serviços de fornecimento de talão de cheques, extratos, compensação de cheques, etc., é proveniente de pagamentos diretos feitos pelos clientes (por meio do débito automático de tarifas correspondentes nas contas de depósito dos mesmos). Por outro lado, as receitas provenientes dos serviços de intermediação ou aplicação de recursos são decorrentes exatamente de tais transações, ou seja, correspondem 9 Barreto, Aires F. in ISS – Atividades‑Meio e Serviço‑Fim. Revista Dialética de Direito Tributário, p. 78, nº 5, fevereiro, 1996, citado por Karla Patrícia de Castro Almeida ‑ Direito Tributário – Estudos em Homenagem a Hugo de Brito Machado, Fortaleza, Imprensa Universitária, 2003, p. 160. 10 Op. Cit., p. 160. Fl. 852DF CARF MF 30 à diferença apurada entre os valores originariamente aplicados, o seu rendimento, e o valor que contratualmente deve ser devolvido ao aplicador ao final da operação, o que se convencionou chamar de spread, como já demonstrado. (...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) f) no caso da COFINS o conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de 1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços; g) no caso do PIS o conceito de receita bruta é o contido no art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998; h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao ‘plus’ contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” Percebese que as conclusões obtidas no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 se coadunam com o entendimento exarado no RE 585.2351/MG, e prestigiam o princípio da universalidade na manutenção da seguridade social (art. 195, caput da Constituição Federal) e da capacidade contributiva (art. 145, §1º da Constituição Federal), revelando, pois, legítimas as incidências de PIS e Cofins sobre as receitas oriundas das atividades empresariais dos contribuintes. Neste sentido, citamse julgados de outras turmas deste Conselho em processos da própria recorrente, a saber: Acórdão nº 3403003.522: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI no 9.718/1998. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 839 31 receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI no 9.718/1998. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. Acórdão nº 3301002.761: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 TEMPESTIVIDADE VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL Conhecido o Recurso, uma vez que o vício de representação processual foi sanado em prazo razoável. ASSUNTO: Contribuição para o Programa de integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Anoscalendário: 2005, 2006, 2007 e 2008 DESRESPEITO À COISA JULGADA CONCEITO DE FATURAMENTO INCONStITUCIONALIDADE DO § 1° do ART. 3° DA LEI N° 9.718/98 Não houve afronta à coisa julgada inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 pois as receitas financeiras são típicas da atividade fim das instituições financeiras e, portanto, componentes do seu faturamento. FATURAMENTO PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LC 116/03 A tipificação dos bens e serviços foi posta em segundo plano pelo STF, posto que, para ser sofrer a incidência das contribuições, basta que a receita seja decorrente do objeto social da pessoa jurídica. Fl. 854DF CARF MF 32 DIREITO À COMPENSAÇÃO DE VALOR RECOLHIDO A MAIOR COM A CONTRIBUIÇÃO DEVIDA Deve ser admitida a compensação dos valores pagos a maior, à luz do princípio da verdade material, comum ao Procedimento e Processo Administrativo Tributário. MULTA DE OFÍCIO VALORES NÃO DECLARADOS EM DCTF INCONSTITUCIONAL, DADO AO CARÁTER CONFISCATÓRIO Aplicável a multa de ofício sobre os valores apurados no curso da ação fiscal, não declarados na DCTF. Não compete ao CARF pronunciarse sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Citase, também, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – que negou provimento a recurso especial do contribuinte no Acórdão nº 9303002.934, processo 10675.720829/201023, julgado em 04/06/2014, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Concluise, portanto, que as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas das instituições financeiras se sujeitam à incidência do Pis e da Cofins. Assim como a jurisprudência do STF, a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem manifestado o entendimento de que, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, o faturamento compreende o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial. A título de exemplo, citase o REsp nº 929.521/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 840 33 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que "o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais" (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de apreciação em sede de recurso especial. Fl. 856DF CARF MF 34 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea "c", do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Proposição de verbete sumular.11 Ainda em relação à abrangência do conceito de faturamento, concernente às atividades das instituições financeiras, cabe trazer à colação as lúcidas e oportunas considerações apresentadas pelo brilhante ExConselheiro Ricardo Paulo Rosa, no voto condutor do acórdão nº 3302003.237, proferido na Sessão de 22 de junho de 2016, de se extrai os excertos pertinentes que sequem reproduzidos: E há, ainda, outras questões que precisam ser consideradas. Resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que foi a Lei Complementar nº 70/91 que, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividades fins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei nº 8.212/91 do pagamento da Contribuição, elevando, concomitantemente, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 11 BRASIL. STJ. REsp 929.521/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 13/10/2009. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 841 35 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Merece especial atenção a exclusão prevista no parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91. Partindo da premissa de que a lei não contém expressões inúteis, falece razão à determinação de que as instituições relacionadas o § 1° do art. 22 da Lei 8.212/91, dentre elas a litigante, sejam excluídas, acaso elas não estivessem, pelo comando geral da Norma, incluídas. Isso significa dizer que, já na vigência da Lei Complementar 70/91, as atividades desenvolvidas pela litigante estavam sujeitas ao pagamento da Contribuição, pois enquadrarseiam no conceito de serviços. A despeito disso, fato é que, após, a Lei 9.718/98 e outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, foi revisto o Sistema de financiamento da Seguridade Social como um todo, e incluídas, expressamente, dentre outras, as corretoras no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal, como se extrai do texto dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Como dito de início, a declaração de inconstitucionalidade alcançou exclusivamente o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. De tudo o que se coloca, fica claro que não somente o caput do artigo, mas os demais parágrafos e toda a regulamentação superveniente deixou de ser atingida e permanece até hoje em vigor. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo, que não fariam nenhum sentido se a base continuasse adstrita às receita proveniente das vendas de bens e serviços, no caso do conceito de serviços ser interpretado tão restritivamente como frequentemente se pretende. E, vejase, se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP Fl. 858DF CARF MF 36 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins e não apenas das receitas atípicas, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01. Com base nessas considerações e sob pena de completa ineficácia de todo o arcabouço legal que trata da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins das pessoas jurídicas do setor financeiro, a conclusão inevitável é no sentido de que todas as receitas decorrentes das atividades empresariais principais ou típicas das instituições financeiras sujeitamse à incidência das referidas contribuições, por integrarem o conceito de faturamento do setor financeiro. Com base nessas considerações, resta demonstrado que o conceito de faturamento compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras integrantes do objeto social legalmente especificado e não apenas as receitas de prestação de serviços, em sentido estrito, como alegado pela recorrente. Da natureza das receitas auferidas pela recorrente No recurso em apreço, a recorrente alegou que a autuação em apreço contrariava a conclusão esposada no Parecer PGFN/CAT n° 2.773, de 2007, no sentido de que, para fins tributários, era de prestação de serviços a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros. Logo, no caso das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, somente a receita decorrente da intermediação na compra e venda de ações (serviço prestado para um terceiro mediante remuneração), ou seja, somente a taxa de corretagem cobrada pela recorrente de seus clientes integrava a base de cálculo das citadas contribuições. Assim, como as receitas das operações de alienação/venda de ações da própria recorrente, objeto das presentes autuações, foram realizadas com recursos próprios e no único e exclusivo interesse da recorrente, não havia intermediação financeira alguma e, por conseguinte, não havia prestação de serviços. Assim, para a recorrente, as receitas auferidas nas citadas operações não integrava a base de cálculo das referidas contribuições. Não é verdade que a conclusão esposada no referido Parecer fora no sentido de que todas receitas típicas do setor financeiro tinham natureza de prestação de serviços. Consta da conclusão do citado Parecer (item 6612, alínea “h”) que as receitas de prestação de serviços das instituições financeiras “abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira)”. Portanto, ao contrário do afirmado pela recorrente, as receitas de prestação de serviços são o gênero do qual são espécies as receitas advindas, por exemplo, “da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira)”. Além disso, não há qualquer afirmação no âmbito do citado Parecer de que as demais receitas típicas ou principais das atividades do setor financeiro não integram a base de cálculo das referidas contribuições, como asseverado pela recorrente. Ao contrário, segundo o item 35 do citado Parecer, a seguir transcrito, o conceito de serviços “compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social 12 “66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: [...] h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); [...]" Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 842 37 legalmente tipificado ou seja., compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros”: 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado ou seja., compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994. E nos termos do artigo 2º, IV, do Regulamento Anexo à Resolução 1.655/1989 do CMN, a venda ou alienação das ações da própria sociedade corretora de título e valores mobiliários (carteira de ações própria) faz parte do seu objeto social, logo, inequivocamente, a receita proveniente dessas operações faz parte do faturamento das referidas sociedades. Logo, por se tratar de receita típica ou principal da recorrente, inequivocamente, a referida receita integra a base de cálculo das referidas contribuições, conforme anteriormente demonstrado. Da mesma forma, registrese ainda que, no COSIF, tais receitas integram o subgrupo das receitas operacionais ou receitas brutas operacionais, conforme anteriormente demonstrado. No caso, o que a recorrente defende é a adoção do conceito civilista de serviços, consistente em obrigação de fazer. No entanto, para fins tributários, a acepção do termo é mais abrangente, ou seja, na seara tributária o conceito de serviços adotado é o econômico e não o civilista, como defende a recorrente. Nesse sentido, o entendimento manifestado pela atual jurisprudência do STF, esposada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 651.703/PR, realizado na recente Sessão de 29/9/2016, sob o regime repercussão geral, que tratou da questão atinente à cobrança do ISS sobre as atividades das operadoras de planos de saúde e segurosaúde, e onde assunto sobre alcance conceito de serviços, para efeitos tributários, foi abordado com profundidade conforme se verifica no enunciado da ementa do referido julgado, que segue transcrito: EMENTA:RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ISSQN. ART. 156, III, CRFB/88. CONCEITO CONSTITUCIONAL DE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. ARTIGOS 109 E 110 DO CTN. AS OPERADORAS DE PLANOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE (PLANO DE SAÚDE E SEGUROSAÚDE) REALIZAM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO SUJEITA AO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZAISSQN, PREVISTO NO ART. 156, III, DA CRFB/88. 1. O ISSQN incide nas atividades realizadas pelas Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde (Plano de Saúde e SeguroSaúde). 2. A coexistência de conceitos jurídicos e extrajurídicos passíveis de recondução a um mesmo termo ou expressão, onde se requer a definição de qual conceito prevalece, se o jurídico ou o extrajurídico, impõe não deva ser excluída, a priori, a possibilidade de o Direito Tributário ter conceitos implícitos Fl. 860DF CARF MF 38 próprios ou mesmo fazer remissão, de forma tácita, a conceitos diversos daqueles constantes na legislação infraconstitucional, mormente quando se trata de interpretação do texto constitucional. 3. O Direito Constitucional Tributário adota conceitos próprios, razão pela qual não há um primado do Direito Privado. 4. O art. 110, do CTN, não veicula norma de interpretação constitucional, posto inadmissível interpretação autêntica da Constituição encartada com exclusividade pelo legislador infraconstitucional. 5. O conceito de prestação de “serviços de qualquer natureza” e seu alcance no texto constitucional não é condicionado de forma imutável pela legislação ordinária, tanto mais que, de outra forma, seria necessário concluir pela possibilidade de estabilização com força constitucional da legislação infraconstitucional, de modo a gerar confusão entre os planos normativos. 6. O texto constitucional ao empregar o signo “serviço”, que, a priori, conota um conceito específico na legislação infraconstitucional, não inibe a exegese constitucional que conjura o conceito de Direito Privado. 7. A exegese da Constituição configura a limitação hermenêutica dos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional, por isso que, ainda que a contraposição entre obrigações de dar e de fazer, para fins de dirimir o conflito de competência entre o ISS e o ICMS, seja utilizada no âmbito do Direito Tributário, à luz do que dispõem os artigos 109 e 110, do CTN, novos critérios de interpretação têm progressivamente ampliado o seu espaço, permitindo uma releitura do papel conferido aos supracitados dispositivos. 8. A doutrina do tema, ao analisar os artigos 109 e 110, aponta que o CTN, que tem status de lei complementar, não pode estabelecer normas sobre a interpretação da Constituição, sob pena de restar vulnerado o princípio da sua supremacia constitucional. 9. A Constituição posto carente de conceitos verdadeiramente constitucionais, admite a fórmula diversa da interpretação da Constituição conforme a lei, o que significa que os conceitos constitucionais não são necessariamente aqueles assimilados na lei ordinária. 10. A Constituição Tributária deve ser interpretada de acordo com o pluralismo metodológico, abrindose para a interpretação segundo variados métodos, que vão desde o literal até o sistemático e teleológico, sendo certo que os conceitos constitucionais tributários não são fechados e unívocos, devendose recorrer também aos aportes de ciências afins para a sua interpretação, como a Ciência das Finanças, Economia e Contabilidade. 11. A interpretação isolada do art. 110, do CTN, conduz à prevalência do método literal, dando aos conceitos de Direito Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 843 39 Privado a primazia hermenêutica na ordem jurídica, o que resta inconcebível. Consequentemente, devese promover a interpretação conjugada dos artigos 109 e 110, do CTN, avultando o método sistemático quando estiverem em jogo institutos e conceitos utilizados pela Constituição, e, de outro, o método teleológico quando não haja a constitucionalização dos conceitos. 12. A unidade do ordenamento jurídico é conferida pela própria Constituição, por interpretação sistemática e axiológica, entre outros valores e princípios relevantes do ordenamento jurídico. 13. Os tributos sobre o consumo, ou tributos sobre o valor agregado, de que são exemplos o ISSQN e o ICMS, assimilam considerações econômicas, porquanto baseados em conceitos elaborados pelo próprio Direito Tributário ou em conceitos tecnológicos, caracterizados por grande fluidez e mutação quanto à sua natureza jurídica. 14. O critério econômico não se confunde com a vetusta teoria da interpretação econômica do fato gerador, consagrada no Código Tributário Alemão de 1919, rechaçada pela doutrina e jurisprudência, mas antes em reconhecimento da interação entre o Direito e a Economia, em substituição ao formalismo jurídico, a permitir a incidência do Princípio da Capacidade Contributiva. 15. A classificação das obrigações em “obrigação de dar”, de “fazer” e “não fazer”, tem cunho eminentemente civilista, como se observa das disposições no Título “Das Modalidades das Obrigações”, no Código Civil de 2002 (que seguiu a classificação do Código Civil de 1916), em: (i) obrigação de dar (coisa certa ou incerta) (arts. 233 a 246, CC); (ii) obrigação de fazer (arts. 247 a 249, CC); e (iii) obrigação de não fazer (arts. 250 e 251, CC), não é a mais apropriada para o enquadramento dos produtos e serviços resultantes da atividade econômica, pelo que deve ser apreciada cum grano salis. 16. A Suprema Corte, ao permitir a incidência do ISSQN nas operações de leasing financeiro e leaseback (RREE 547.245 e 592.205), admitiu uma interpretação mais ampla do texto constitucional quanto ao conceito de “serviços” desvinculado do conceito de “obrigação de fazer” (RE 116.121), verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. ISS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. OPERAÇÃO DE LEASING FINANCEIRO. ARTIGO 156, III, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O arrendamento mercantil compreende três modalidades, [i] o leasing operacional, [ii] o leasing financeiro e [iii] o chamado leaseback. No primeiro caso há locação, nos outros dois, serviço. A lei complementar não define o que é serviço, apenas o declara, para os fins do inciso III do artigo 156 da Constituição. Não o inventa, simplesmente descobre o que é serviço para os efeitos do inciso III do artigo 156 da Constituição. No arrendamento mercantil (leasing financeiro), contrato autônomo que não é misto, o núcleo é o Fl. 862DF CARF MF 40 financiamento, não uma prestação de dar. E financiamento é serviço, sobre o qual o ISS pode incidir, resultando irrelevante a existência de uma compra nas hipóteses do leasing financeiro e do leaseback. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (grifo nosso) (RE 592905, Relator Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 02/12/2009). 17. A lei complementar a que se refere o art. 156, III, da CRFB/88, ao definir os serviços de qualquer natureza a serem tributados pelo ISS a) arrola serviços por natureza; b) inclui serviços que, não exprimindo a natureza de outro tipo de atividade, passam à categoria de serviços, para fim de incidência do tributo, por força de lei, visto que, se assim não considerados, restariam incólumes a qualquer tributo; e c) em caso de operações mistas, afirma a prevalência do serviço, para fim de tributação pelo ISS. 18. O artigo 156, III, da CRFB/88, ao referirse a serviços de qualquer natureza não os adstringiu às típicas obrigações de fazer, já que raciocínio adverso conduziria à afirmação de que haveria serviço apenas nas prestações de fazer, nos termos do que define o Direito Privado, o que contrasta com a maior amplitude semântica do termo adotado pela constituição, a qual inevitavelmente leva à ampliação da competência tributária na incidência do ISSQN. 19. A regra do art. 146, III, “a”, combinado com o art. 146, I, CRFB/88, remete à lei complementar a função de definir o conceito “de serviços de qualquer natureza”, o que é efetuado pela LC nº 116/2003. 20. A classificação (obrigação de dar e obrigação de fazer) escapa à ratio que o legislador constitucional pretendeu alcançar, ao elencar os serviços no texto constitucional tributáveis pelos impostos (v.g., serviços de comunicação – tributáveis pelo ICMS, art. 155, II, CRFB/88; serviços financeiros e securitários – tributáveis pelo IOF, art. 153, V, CRFB/88; e, residualmente, os demais serviços de qualquer natureza – tributáveis pelo ISSQN, art. 156. III, CRFB/88), qual seja, a de captar todas as atividades empresariais cujos produtos fossem serviços sujeitos a remuneração no mercado. 21. Sob este ângulo, o conceito de prestação de serviços não tem por premissa a configuração dada pelo Direito Civil, mas relacionado ao oferecimento de uma utilidade para outrem, a partir de um conjunto de atividades materiais ou imateriais, prestadas com habitualidade e intuito de lucro, podendo estar conjugada ou não com a entrega de bens ao tomador. 22. A LC nº 116/2003 imbricada ao thema decidendum traz consigo lista anexa que estabelece os serviços tributáveis pelo ISSQN, dentre eles, o objeto da presente ação, que se encontra nos itens 4.22 e 4.23, verbis: “Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. (…) 4.22 – Planos de medicina de grupo ou individual e convênios para prestação Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 844 41 de assistência médica, hospitalar, odontológica e congêneres. 4.23 – Outros planos de saúde que se cumpram através de serviços de terceiros contratados, credenciados, cooperados ou apenas pagos pelo operador do plano mediante indicação do beneficiário.” 23. A exegese histórica revela que a legislação pretérita (DecretoLei nº 406/68) que estabelecia as normas gerais aplicáveis aos impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre serviços de qualquer natureza já trazia regulamentação sobre o tema, com o escopo de alcançar estas atividades. 24. A LC nº 116/2003 teve por objetivo ampliar o campo de incidência do ISSQN, principalmente no sentido de adaptar a sua anexa lista de serviços à realidade atual, relacionando numerosas atividades que não constavam dos atos legais antecedentes. 25. A base de cálculo do ISSQN incidente tão somente sobre a comissão, vale dizer: a receita auferida sobre a diferença entre o valor recebido pelo contratante e o que é repassado para os terceiros prestadores dos serviços, conforme assentado em sede jurisprudencial. 27. Ex positis, em sede de Repercussão Geral a tese jurídica assentada é: “As operadoras de planos de saúde e de seguro saúde realizam prestação de serviço sujeita ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN, previsto no art. 156, III, da CRFB/88”. 28. Recurso extraordinário DESPROVIDO.13 A exata compreensão do significado e alcance do conceito de serviço, para efeitos tributários, pode ser obtida a partir da leitura dos fundamentos apresentados no voto condutor do julgado da lavra do i. Relator, o Ministro Luiz Fux, cujos excertos relevantes, seguem transcritos: Antes, porém, de adentrar especificamente ao mérito propriamente dito da questão, necessário estabelecer certas premissas conceituais indispensáveis para melhor compreensão tema. [...] O aspecto primordial para a compreensão da incidência deste tributo encontrase na definição do que se enquadra como serviço, uma vez que apenas as atividades classificadas como tal, à luz da materialidade constitucional do conceito de serviço, são passíveis de atrair a obrigatoriedade do imposto, previsto em lei complementar. [...] 13 BRASIL. STF. RE 651703, Rel. Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, j. em 29 set. 2016, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe086 DIVULG 25042017 PUBLIC 26042017. Fl. 864DF CARF MF 42 Imperioso ressaltar que não se preconiza a tese da interpretação econômica no Direito Tributário, o que enfraqueceria a segurança jurídica, mas, também, não se predica o primado do Direito Privado como o único critério a nortear a interpretação do texto constitucional. [...] Essa assertiva conduz à conclusão de que não deve ser excluída, a priori, a possibilidade de o Direito Tributário ter conceitos implícitos próprios ou mesmo fazer remissão, de forma tácita, a conceitos diversos daqueles constantes na legislação infraconstitucional, mormente quando se trata de interpretação do texto constitucional. É que, consoante essa Corte afirmou nos RREE 547.245 e 592.905, não há um primado do Direito Privado, pois, sem dúvida, é viável que o Direito Tributário e primordialmente o Direito Constitucional Tributário adote conceitos próprios. A possibilidade de o Direito Tributário elaborar conceitos específicos decorre, em última análise, do fato de ser Direito Positivo. Os conceitos conotados por seus enunciados podem identificar se com aqueles consagrados em dispositivos já vigentes, mas essa identidade não é necessária. Nem mesmo a necessidade de se proceder à exegese rigorosamente jurídica do texto constitucional implica a inexorável incorporação, pela Constituição, de conceitos infraconstitucionais. [...] Ademais, é cediço que a Constituição é carente de conceitos verdadeiramente constitucionais, pelo que o princípio da interpretação da lei conforme a Constituição pode ganhar cores de uma interpretação da Constituição conforme a lei. No entanto, a referida assertiva não significa que os conceitos constitucionais são necessariamente aqueles encontrados na lei ordinária. Assim, embora se deva conferir deferência à interpretação adotada pelo legislador ordinário, reputandose válida a chamada interpretação da Constituição conforme a lei, a mesma não se pode conferir caráter absoluto, cessando nas zonas onde não houver certeza quanto ao real alcance do texto constitucional. Dentro dessa ordem de ideias, a opinio doctorum encartase no sentido de que a Constituição Tributária dever ser interpretada de acordo com o pluralismo metodológico, abrindose para a interpretação segundo variados métodos, que vão desde o literal até o sistemático e teleológico; por isso que os conceitos constitucionais tributários não são fechados e unívocos, devendose recorrer também aos aportes de ciências afins para a sua exegese, como a Ciência das Finanças, a Economia e a Contabilidade. Consectariamente não se admite a interpretação isolada do art. 110, do CTN, sob pena conduzir o método literal à primazia Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 845 43 hermenêutica na ordem jurídica ao Direito Privado. Da leitura conjugada entre os artigos 109 e 110, do CTN, ao contrário, avultam em importância, de um lado, o método sistemático quando estiverem em jogo institutos e conceitos utilizados pela Constituição e, de outro, o método teleológico quando não haja a constitucionalização dos conceitos. Desta sorte, concluise que, embora os conceitos de Direito Civil exerçam um papel importante na interpretação dos conceitos constitucionais tributários, eles não exaurem a atividade interpretativa. [...] É inequívoco, assim, que a ideia de unidade do sistema jurídico repousa muito mais no plano axiológico do que no linguístico, não havendo porquanto qualquer óbice a que determinada palavra tenha um sentido diferente no Direito Tributário. Sem embargo, não se pode associar essas ideias desenvolvidas pelos tributaristas póspositivistas com as teorias economicistas, como a da interpretação econômica do fato gerador, cuja concepção se orientava, principalmente, no aumento da arrecadação, conforme a norma do Código Tributário Alemão de 1919 idealizada por Enno Becker. Nos dias atuais, ao contrário, a utilização do critério econômico como decorrência do aspecto teleológico não deriva de uma preocupação arrecadatória, mas de uma apreciação axiológica baseada nos Valores da Igualdade e da Solidariedade, dos quais derivam os Princípios da Igualdade, Capacidade Contributiva e Solidariedade. Devese reconhecer a interação entre o Direito e a Economia, em substituição ao formalismo jurídico. A interpretação é simultaneamente jurídicoeconômica, ainda que, para a formação dos conceitos tributários passem pelo filtro jurídico. [...] Porquanto, a Suprema Corte, no julgamento dos RREE 547.245 e 592.905, ao permitir a incidência do ISSQN nas operações de leasing financeiro e leaseback sinalizou que a interpretação do conceito de “serviços” no texto constitucional tem um sentido mais amplo do que tão somente vinculado ao conceito de “obrigação de fazer”, vindo a superar seu precedente no RE 116.121, em que decidira pela adoção do conceito de serviço sinteticamente eclipsada numa obrigação de fazer. [...] A finalidade dessa classificação (obrigação de dar e obrigação de fazer) escapa totalmente àquela que o legislador constitucional pretendeu alcançar, ao elencar os serviços no texto constitucional tributáveis pelos impostos (por exemplo, Fl. 866DF CARF MF 44 serviços de comunicação tributáveis pelo ICMS; serviços financeiros e securitários tributáveis pelo IOF; e, residualmente, os demais serviços de qualquer natureza tributáveis pelo ISS), qual seja, a de captar todas as atividades empresariais cujos produtos fossem serviços, bens imateriais em contraposição aos bens materiais, sujeitos a remuneração no mercado. [...] Assim, embora seja possível verificar a existência de corrente doutrinária a identificar o conceito de serviços com obrigação de fazer, há também categorização no sentido de que o conceito econômico de prestação de serviço não se confunde com o conceito de prestação de serviço de Direito Civil [...]. [...] Sob este ângulo, o conceito de prestação de serviços não tem por premissa a configuração dada pelo Direito Civil, mas relacionado ao oferecimento de uma utilidade para outrem, a partir de um conjunto de atividades imateriais, prestados com habitualidade e intuito de lucro, podendo estar conjugada ou não com a entrega de bens ao tomador. (grifos não originais) Assim, resta demonstrado que a firme jurisprudência atual do STF, para fins tributários, adota o conceito econômico de serviço e não o conceito civilista. Logo, encontrase superada o entendimento esposado na pretérita jurisprudência da Colenda Corte, baseada no conceito civilista de serviços, especialmente, o entendimento exarado no RE nº 101.3397/SP, julgado em 14/3/1984, citado pela recorrente em suporte aos seu argumento de defesa. Também há na doutrina entendimento no sentido de que o conceito econômico de prestação de serviço não se confunde com o conceito de prestação de serviço de cunho civilista, a título de exemplo, citase o magistério do Prof. Bernardo Ribeiro de Moraes, para quem: Serviço, portanto, vem a ser o resultado da atividade humana na criação de um bem que não se apresenta sob a forma de bem material, v.g., a atividade do transportador, do locador de bens imóveis, do médico, etc. O conceito econômico de “prestação de serviço” (fornecimento de bem imaterial) não se confunde nem se equipara ao conceito de “prestação de serviços” do direito civil, que é conceituado como fornecimento apenas de trabalho (prestação de serviços e o fornecimento mediante remuneração, do trabalho a terceiro). O conceito econômico não se apresenta acanhado, abrange tanto o simples fornecimento de trabalho (prestação de serviços de direito civil) como outras atividades: v.g.: locação de bens móveis, transporte, publicidade, hospedagem, diversões públicas, cessão de direitos, depósito, execução de obrigações de não fazer, etc. (venda de bens imateriais).14 (grifos não originais) 14 MORAES, Bernardo Ribeiro de. Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços. 1ª Ed, 3ª tiragem. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1984, p. 4243. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 846 45 No direito positivo, também encontra diplomas legais que adotam o conceito amplo de serviço, a exemplo, da Lei 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor) que considera serviço qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista . E tal estipulação legal foi declarada constitucional pelo STF, no julgamento da ADI 2.591. Assim, se para efeito de incidência tributária, o termo serviço tem sentido e alcance amplos, significa que uma clara opção pelo conceito econômico de serviço, que compreende todas as atividades empresariais cujos produtos compreendem serviços, bens imateriais em contraposição aos bens materiais, sujeitos à remuneração pelo mercado, o que inclui a operação de venda de bens imateriais, a exemplo, da venda de ações e demais valores mobiliários e ativos financeiros pelas sociedade corretoras. Por todas essas considerações, resta demonstrado que a receita decorrente das operações de alienação de ações pelas sociedades corretoras integra o conceito de receita bruta operacional e, por conseguinte, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Da classificação contábil das ações alienadas pela recorrente Superados os pontos da lide anteriormente analisados, passase a analisar o ponto atinente à classificação contábil adotada pela recorrente por ocasião da aquisição e registro contábil das ações vendidas/alienadas, que deram ensejam as autuações em apreço. Previamente, é oportuno relembrar que foram duas operações distintas de venda/alienação de ações que motivaram as autuações em questão: a) a alienação de 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., mediante operação de incorporação das citadas ações ao patrimônio da Nova Bolsa S/A.; e b) a alienação de 2.037.682 ações preferenciais (resgatáveis) da Nova Bolsa S/A., mediante operação de resgate realizada pela sociedade emitente das respectivas ações. De acordo com o TVF, para a fiscalização, a correta classificação ou enquadramento contábil das referidas ações deveria ter sido feita pela recorrente no ativo circulante, por força do que dispõem os arts. 179 e 183, I, da Lei 6.404/1976, vigentes na data dos fatos geradores, a seguir transcritos: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Fl. 868DF CARF MF 46 IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens;(Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007) VI no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo. [...] Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: I as aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de créditos, classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo:(Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) a) pelo seu valor de mercado ou valor equivalente, quando se tratar de aplicações destinadas à negociação ou disponíveis para venda; e (Incluída pela Lei nº 11.638,de 2007) b) pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização, quando este for inferior, no caso das demais aplicações e os direitos e títulos de crédito;(Incluída pela Lei nº 11.638,de 2007) [...] (grifos não originais) Enquanto que a recorrente alegou que a adequada classificação contábil das referidas ações era no ativo permanente, porque, desde os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F (associações), que ela era obrigada a deter para poder operar no mercado de capitais, sempre foram tidos como investimento diretamente vinculado às suas finalidades, de modo que sempre estiveram registrados, desde a data de sua aquisição, em conta do ativo permanente. Por outro lado, o fato de tal ativo (“participação societária títulos patrimoniais”) ter sido permutado por outro ativo (“participação societária ações”) não ensejaria tratamento contábil diferente, na medida em que as ações apenas substituíram os títulos originais, não representando ativo novo (houve alteração apenas de forma, e não de substância, porque o patrimônio subjacente é exatamente o mesmo). Com base nesse entendimento, a recorrente alegou que as receitas proveniente da venda/alienação das referidas ações não integravam a base de cálculo das referidas contribuições, porque se trava de receita obtida na venda/alienação de bens do ativo permanente, expressamente excluída da base de cálculo das referidas contribuições, por força do disposto no art. 3º, § 2º, IV, da Lei 9.718/1998, a seguir transcrito: Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 847 47 § 2 º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: [...] IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. A comparação entre os dois entendimentos deixa evidente que, no caso em apreço, o ponto fulcral da controvérsia reside na classificação contábil das ações recebidas pela recorrente em substituição aos título patrimoniais que a recorrente possuía perante as associações Bovespa e BM&F, em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas. E o referido fato econômicofinanceiro teve repercussão não só de natureza formal, como alegou a recorrente, como também repercussão de natureza substancial, com a evidente alteração da qualidade e do valor do novo direito que passou a integrar o acervo patrimonial da recorrente. Com efeito, se antes do referido processo de desmutualização a recorrente era obrigada a manter uma participação de caráter permanente, sob forma de títulos patrimoniais, nas associações civis BM&F e Bovespa, como condição para operar no mercado de capitais por meio da bolsa de valores, após os denominados processos de desmutualização (cisão parcial) das citadas associações ocorridos, respectivamente, nos dias 28/8/2007 e 20/9/2007, em substituição aos referidos títulos patrimoniais, a recorrente (assim como os demais associados) recebeu ações, inicialmente, emitidas pela Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A. Posteriormente, em 8/5/2008, as ações recebidas das referidas companhias foram convertidas em ações da Nova Bolsa S/A., mediante operação de incorporação de ações. E a Nova Bolsa S/A. passou denominarse BM&FBovespa S/A. Em decorrência desse processo de desmutualização (cisão parcial das citadas associações), sabese que a obrigação de manter a participação societária nas novas sociedades anônimas, como condição necessária para operar no mercado de capitais, deixou de existir. Além disso, não foi estabelecida qualquer restrição para alienação das ações recebidas em substituições dos extintos títulos patrimoniais. Dada essa nova e diferente realidade patrimonial, os extintos título patrimoniais foram substituídos por ações de livre negociação emitidas pelas novas sociedades anônimas de capital aberto recém criadas. Em decorrência, em vez de títulos patrimoniais, ativos financeiros de natureza permanente, a recorrente a passou a ter ativos financeiros (valores mobiliários) de livre negociação, inclusive, no mercado de capitais por intermédio da bolsa de valores. E nessa condição, os novos ativos financeiros ou as novas ações, evidentemente, tratamse de direitos, cuja natureza contábil é completamente distinta dos anteriores títulos patrimoniais substituídos no patrimônio da recorrente. Estes, inequivocamente, de natureza permanente, aquelas (as coes) de natureza temporária, por ser um direito realizável, ou, em linguagem contábil, um bem de venda. E a classificação contábil das referidas ações (ativos financeiros realizáveis) é definida, independentemente, da forma de aquisição (compra e venda, permuta, dação em pagamento etc.). Logo, para efeito de determinação da classificação contábil das novas ações, certamente, o fato de elas terem sido adquiridas em substituição dos títulos patrimoniais das Fl. 870DF CARF MF 48 referidas associações não tinha qualquer relevância. E pela mesma razão, também não tinha qualquer influência sobre a classificação contábil a ser corretamente adotada, o fato de as referidas ações terem sido atribuído valor equivalente aos dos citados títulos patrimoniais, o que somente ocorreu na operação de cisão das referidas associações civis. Assim, por força do disposto no art. 179, I e II, da Lei 6.404/1976, na condição direitos realizáveis, conforme o prazo de alienação, a classificação contábil correta das referidas ações era no ativo circulante, se havia a intenção de alienadas no curso do exercício social subsequente, ou ativo realizável a longo prazo, se a intenção era negociálas após o término do exercício seguinte, jamais no ativo permanente investimento, por não representar participações permanentes em outras sociedades. Assim, o fato determinante para a definição da referida classificação foi o fato de as referidas ações serem valores mobiliários, ativos financeiros (instrumentos financeiros, segundo as normas do Comitê de Pronunciamento Contábil CPC, que atualmente disciplina o assunto), obrigatoriamente, classificados no ativo circulante ou realizável a longo, conforme o prazo de realização. Ressaltase, por oportuno, que a referida classificação contábil não é determinada por razões, inteiramente, de cunho subjetivo da sociedade (intenção íntima ou psicológica dos seus prepostos), mas por critérios objetivos associados a elementos de cunho subjetivo, que, se corretamente aplicados, o resultado será a correta classificação contábil do bem ou direito nos correspondentes subgrupos do ativo da entidade. Aliás, se fosse possível a adoção do critério meramente subjetiva, ou seja, apenas da intenção, como defendido pela recorrente, inequivocamente, cada entidade faria a classificação contábil dos seus elementos patrimoniais da forma que melhor lhe aprouvesse. E essa possibilidade, caso fosse admitida pelas normas contábeis, certamente, inviabilizaria não só a adequada e normal tributação das operações societárias, previstas em lei, como ainda inviabilizaria qualquer parâmetro de comparação das informações contábeis da própria entidade ao longo do tempo, bem como das informações contábeis entre entidades distintas, o que transformaria os dados contábeis em fonte insegura e instável de informações econômico financeiras das entidades contábeis. O que em vez de fonte segura de informação patrimonial, financeiras e econômicas, a contabilidade transformarseia num amontoado caótico de dados sem ou com pouca utilidade prática. No âmbito da classificação contábil, o aspecto subjetivo tem relevância e pertinência, mas desde que observados os parâmetros objetivos determinados nas normas contábeis, nos princípios de contabilidade e, especialmente, na legislação societária. Assim, se a recorrente adquire um bem ou direito realizável (bem de venda), mas não pretende alienálo até o final do exercício seguinte, a sua correta classificação contábil é no ativo realizável a longo prazo, jamais no subgrupo investimento, porque o fato dele ser realizável, a lei já determina que a sua classificação fiscal será sempre no ativo realizável, ou seja, no ativo circulante ou ativo realizável a longo, conforme o prazo intencional da sua realização. Nesse contexto, obviamente, a intenção tem relevância, mas para definir em qual grupo do realizável (ativo circulante ou realizável a longo prazo) o bem ou direito será classificado, mas jamais poderá ser desconsiderado o aspecto objetivo, independente da natureza do bem ou do direito, classificálo em qualquer grupo contábil do ativo. Em outras palavras, se o bem ou direito for realizável, o aspecto subjetivo (a intenção) será relevante para enquadrálo no circulante ou realizável a longo prazo, mas não para alterar a natureza intrínseca do bem ou direito, de modo que ele possa se enquadrado em qualquer outro grupo do ativo. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 848 49 No que se refere especificamente à incorporação de ações, a recorrente alegou que, como tal evento não contara com a sua participação ativa, ou seja, como acionista da Bovespa HoldingS S/A tivera mera participação passiva, já que se limitara a receber, compulsoriamente, as novas ações da Nova Bolsa S/A. em substituição às ações da Bovespa Holdings S/A., não se podia falar em “intenção” de alienação dessas ações em 2008 já que, caso não tivesse ocorrido a referida incorporação de ações, tal “intenção” só teria se materializado (e ainda assim em parte) em 2012, quando ocorreu a venda parcial das ações da Nova Bolsa S/A. Previamente, é pertinente esclarecer que, no caso em tela, os títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F foram convertidas em ações, respectivamente, em 28/8/2007 e 20/09/2007, e as operações de incorporação das ações da Bovespa Holding S/A. e de resgate das ações da Nova Bolsa S/A, objeto das presentes autuações, ocorreram no dia 31/5/2008. Com base nesse esclarecimento e pelas razões anteriormente aduzidas, a alegação da recorrente não procede. A uma, porque as referidas operações de alienação ocorreram antes do final do exercício seguinte, portanto, em relação a essas operações o critério subjetivo da intenção não se aplica ao caso em tela, uma vez que as operações de alienação ocorreram antes do final do exercício seguinte. A duas, porque o fato de ela ter alienado (vendido) as ações remanescentes recebidas da Nova Bolsa S/A. somente no ano de 2012 obrigavalhe a classificar as referidas ações no ativo realizável a longo, ou a transferilas do ativo circulante para ativo realizável a longo prazo, se inicialmente, classificara as ditas ações naquele subgrupo, porém, em hipótese alguma, tais ações poderiam ser classificadas no ativo permanente investimento, porque não se tratava de participação permanente em outra sociedade. A duas, porque, embora a decisão de incorporação tenha sido deliberada, exclusivamente, pelas sociedades cedente e cessionária, por meio da maioria dos seus acionistas, incluindo a recorrente, esta poderia ter exercido o direito de retirarse da companhia cedente (Bovespa Holdings S/A.), o que não o fez, e ser reembolsada dos valores de suas ações, nos termos do art. 230 da Lei 6.404/1976, conforme previsto no art. 252, § 2º, do citado diploma legal, que segue transcrito: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. [...] § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) grifos não originais. Fl. 872DF CARF MF 50 Cabe ressaltar ainda que, em consonância com o que determina a Lei das S/A., o COSIF (plano de contas das instituições financeiras) determina que as instituições financeiras devem registrar as ações das companhias abertas livres de negociação no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, especificamente, no subgrupo “Títulos e Valores Mobiliários”, nas contas da estrutura codificada, a seguir detalhada: 1.0.0.00.007 Circulante e Realizável a Longo Prazo 1.3.0.00.004 Títulos e Valores Mobiliários 1.3.1.00.007 Livres 1.3.1.20.001 Títulos de Renda Variável 1.3.1.20.104 Ações de Companhias Abertas De outra parte, por se tratar de direitos realizáveis, as novas ações de companhias abertas recebidas pela recorrente, certamente, não poderiam ser registradas nas contas do ativo permanente investimento, segundo a classificação legal anterior, ou no ativo não circulante investimento, na classificação legal atual. No subgrupo investimento, segundo o disposto no art. 179, III, da Lei 6.404/1976, anteriormente transcrito, são registrados apenas os direitos representativos de participações permanentes em outras sociedades, denominados de aplicação de capital, não serem realizados de forma temporária ou com fim especulativo. Dada essa característica, neste subgrupo deve ser registrado apenas direitos não realizáveis representativos de participações societárias permanentes, tais como as participações em coligadas, controladas e outras sociedades que façam parte do mesmo grupo econômico ou que esteja sob controle comum, bem como em outras sociedades em que a participação não seja temporária ou especulativa, como estratégia operacional, visando a segurança no fornecimento de insumos, na venda dos produtos etc. São os investimentos em participações em controladas, coligadas e empreendimentos controlados em conjunto (joint venture), segundo a terminologia adotada pelos CPC 18 e 48. A propósito, ao se manifestar sobre a classificação contábil das participações societárias, por meio do Parecer de Orientação CVM nº 17/198915, a Superintendência de Normas Contábeis da Comissão da Valores Mobiliários (CVM), entidade normativa do mercado de valores mobiliários, prestou os seguintes relevantes esclarecimentos a seguir transcritos: 10. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Do ponto de vista da LEI Nº 6.404, os direitos (inclusive participação societária) realizáveis após o término do exercício seguinte devem ser classificados no Realizável a Longo Prazo e no Circulante se realizados no decorrer do exercício seguinte. Já em Investimentos (no Ativo Permanente) devem ser classificadas as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante (e no Realizável a Longo Prazo) e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia. Assim, podese ter participações societárias tanto classificadas no Circulante/Realizável a Longo Prazo quanto em 15 Disponível em: <http://www.cvm.gov.br/legislacao/pareceresorientacao/pare017.html>. Acesso em 13 nov. 2017. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 849 51 InvestimentosAtivo Permanente. A diferença é que a primeira é de caráter temporário e a segunda permanente (o que não significa que a empresa não possa vir a vendêlas um dia). Isto posto, cabe distinguir as participações permanentes das participações temporárias. As participações permanentes são aplicações de interesse exclusivamente operacional, destinadas à manutenção, complementação ou diversificação das atividades próprias da companhia, ou exercidas com essa finalidade. São as participações previstas no § 3º do artigo 2º da LEI Nº 6.404/76: " A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades: ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais". Neste caso ressalta o interesse da companhia investidora em participar do empreendimento, inclusive beneficiandose de incentivos fiscais em projetos de sua iniciativa. No caso dos investimentos em ações ou quotas de outras empresas, embora possam ser realizados para atender aos mais diversos objetivos, podese agrupálos da seguinte forma: a) participações voluntárias de caráter meramente especulativo ou com o objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação. São normalmente as aplicações feitas em Bolsa, embora a empresa possa manter "permanentemente" uma carteira de ações comprando e vendendo ações de acordo com a sua expectativa de valorização, este é tipicamente um investimento temporário (classificação: Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo, consoante a expectativa de alienação); b) participações voluntárias exercidas para extensão ou complementação das atividades da investidora, ou mesmo para diversificação (horizontalização) dessas atividades, ou ainda como estratégia operacional (segurança no fornecimento de insumos, eliminação de concorrência etc). Neste caso esperase não o rendimento da valorização dessas ações no mercado, mas sim o rendimento, produzido pelas operações da empresa investida ou pela melhoria operacional da empresa investidora. Assim, mesmo que um investimento dessa natureza possa, a qualquer momento, ser alienado, não deve ser considerado como temporário, são investimentos permanentes (classificação: Ativo Permanente/Investimentos); c) participações compulsórias: normalmente decorrem das aplicações de incentivos fiscais, mas podem surgir em função de outros motivos e interesses econômicos, como é o caso das participações em ações de companhias telefônicas (planos de expansão) e outras participações até em decorrência de imposição legal. As participações compulsórias dificilmente apresentam características de "permanente", como visto acima. Deve ser Fl. 874DF CARF MF 52 feita uma exceção para os casos de aplicações em projetos próprios nas áreas incentivadas. Com base no referido Parecer, fica esclarecido que, por ter natureza compulsória e caráter de permanente, a correta classificação contábil dos extintos títulos patrimoniais emitidos pelas referidas associações era no ativo permanente, subgrupo investimento, das sociedades corretoras. De outro modo, a correta classificação contábil das ações recebidas pela recorrente (ações de companhias abertas), investimento temporário, com o objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação, era no ativo circulante ou realizável a longo prazo, conforme o prazo de sua realização ou alienação. Jamais no subgrupo investimento do ativo permanente. A doutrina tem apresentado o mesmo entendimento sobre a matéria. A título ilustrativo trazse à colação o ensinamento dos Profs. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke sobre o tema: 10.2.2 Natureza das Contas. O art. 179 da Lei nº 6.404/76, em seu item III, estabelece que serão classificadas: [...] Verificase por esse texto legal que no subgrupo Investimentos deverão estar classificados dois tipos de ativos, ou seja, as Participações permanentes em outras sociedades e outros investimentos permanentes, ambos analisados a seguir: a) PARTICIPAÇÕES PERMANENTES EM OUTRAS SOCIEDADES. Essas participações são os tradicionais investimentos em outras empresas, na forma de ações ou de quotas. Devem ter a característica de permanente, ou seja, incluemse aqui somente os investimentos em outras sociedades que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esses investimentos. [...] b) OUTROS INVESTIMENTOS PERMANENTES. O outro tipo de ativo classificável em investimentos, segundo o texto da Lei nº 6.404/76, referese aos ‘direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa’. [...] Cabe entender que esses tipos de ativos devem também ter a característica de permanente, isto é, não devem ser valores ou bens destinados à negociação. Além disso, são ativos que não têm uma destinação definida quanto a seu uso na manutenção da atividade da empresa, mesmo que possam vir a ter no futuro. 16 (grifos não originais) 16 Manual de contabilidade das sociedades por ações. São Pualo. Atlas, 2007, p. 135137 Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 850 53 Em suma, as ações ou quotas de capital representativas de participações permanentes em outras sociedades, por serem investimento de caráter permanente, devem registradas no subgrupo investimento, anteriormente pertencente ao grupo permanente e atualmente ao ativo não circulante. De outra parte, os investimentos de caráter temporário em outras sociedades (instrumentos financeiros), especialmente, em ações de companhias abertas, considerados ativos financeiros do tipo valores mobiliários, independentemente do prazo de realização (alienação), são classificáveis no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, jamais no subgrupo investimento, pelas razões anteriormente aduzidas. No mesmo sentido, o entendimento esposado nos recentes julgados da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio dos Acórdãos nºs 9303 005.447, 9303005.448 e 9303005.490. A título de exemplo, para melhor compreensão, seguem transcritos os enunciados da ementa do último julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a correta classificação contábil das ações alienadas pela recorrente era no ativo circulante, uma vez que foram alienadas no dia 8/5/2008, portanto, antes do término do exercício seguinte, haja vista que (i) as 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., alienadas mediante incorporação, foram adquiridas em 28/8/2007 e (ii) as 2.037.682 ações preferenciais da Nova Bolsa S/A. foram resgatadas no mesmo dia da incorporação. Da cobrança de juros sobre a multa de ofício lançada Fl. 876DF CARF MF 54 Enfim, a recorrente alegou que a legislação somente autorizava a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, mas não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa de ofício aplicada. A matéria já é de conhecimento do Colegiado e já foi objeto de análise anterior por este Conselheiro, em que esposado o entendimento que os juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, incidem tanto sobre o débitos tributários quanto sobre a multa de ofício lançada. A incidência sobre os tributos e contribuições administrados pela RFB dáse forma direta, nos termos do artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destacouse) Da mesma forma, há expressa previsão legal para cobrança de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, sobre os valores das multas aplicadas isoladamente, segundo determinação do art. 43 da Lei 9.430/1996, a seguir reproduzido: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se os preceitos legais anteriormente transcritos pertencem ao mesmo diploma legal, resta evidenciado que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico para as duas situações. E a razão da específica previsão legal para a cobrança dos juros de mora sobre a multa isolada revelase óbvia. Entretanto, não havia necessidade de determinação legal específica para a mula de ofício calculada sobre o valor do tributo lançado, pois, se a multa de ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício proporcional. Dito de outra forma, não são os juros moratórios que incidem sobre a multa de ofício nesta hipótese, mas sim a multa de ofício que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 851 55 Logo, por força dessa característica, o valor dos juros moratórios sempre comporá o valor da multa proporcional ou de ofício, calculada sobre a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. No mesmo sentido, o entendimento explicitado nos enunciados das ementas dos julgados das 1ª e 3ª Turmas da CSRF, que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº 9101001657. Relator designado Valmir Sandri) Esse também é o entendimento das Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme explicitado no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifos não originais) Fl. 878DF CARF MF 56 Por todas essas razões, fica demonstrado que os juros moratórios incidem diretamente sobre o valor da multa isolada e indiretamente sobre o valor da multa de ofício, calculada proporcionalmente ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses os juros moratórios são devidos. Da conclusão Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus. Por entender complexa a matéria e entendendo não estar preparado para a prolação de minha posição quanto a matéria, na sessão de 30 de janeiro p.p., solicitei vistas do presente processo para melhor me aprofundar no assunto. Feitos os estudos necessários relacionado a matéria, com a devida vênia, ouso divergir da posição defendida pelo N. Conselheiro Relator José Fernandes, fundamentandoa nos seguintes termos. Quando da realização das operações objeto do presente processo, foi amplamente noticiado que a BOVESPA ASSOCIAÇÃO CIVIL sofreria uma cisão parcial, sendo certo que uma parte de seu patrimônio seria destinada a BOVESPA HOLDING S/A., e outra parte para a BOVESPA SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A., sendo esta por derradeiro, sendo incorporada pela BOVESPA HOLDING. Em brevíssimas linhas o entendimento da fiscalização, da decisão piso e do N. Relator do presente processo, em 28/08/2007, houve a devolução de capital por parte da BOVESPA e aquisição de ações por parte das corretoras associadas, como é o caso da recorrente. Desta forma, uma vez que as ações da BOVESPA HOLDING teriam sido adquiridas em 28/08/2007, e parte delas alienadas em 08/05/2008, fato esse que supostamente demonstraria a intenção de negociação das ações e não um investimento permanente, a recorrente deveria ter contabilizado/escriturado tais ações na conta do ativo circulante e não no ativo permanente. Nesse diapasão, estando diante de receita proveniente da venda de ações, sendo essa uma das atividades da recorrente expressa em seu objeto social, estariase defronte de receita passível de inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 852 57 A fiscalização entendeu que a operação societária praticada pela BM&F e BOVESPA, com a consequente transformação em Companhias (S/As), fato esse que levaria, segundo critérios jurídicos e contábeis, a caracterização de uma operação de devolução de capital. Não nos distanciemos da premissa de que em momento algum foram tais operações consideradas atípicas ou ilegais, uma vez que estão devidamente disciplinadas na Lei das S/As (6.404/76), vejamos: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. Pois bem. Se sou proprietários de ações ou quotas de uma certa entidade e, por razões de reorganização societária que afetam sua forma jurídica, tais títulos devam ser substituídos por títulos da "nova" entidade, esse fato não altera a natureza contábil desses títulos, pois representam a priori a propriedade indireta daquela entidade. Porém, essa não é a visão externada pela fiscalização e pela decisão de piso. Para eles a desmutualização deve ser dividida em duas transações distintas, sendo uma de devolução do patrimônio das associações e a outra a integralização de capital nas novas sociedades. Contudo, essa visão entendo distorcida, uma vez que, como podese observar não ocorreu restituição de recursos, muito menos transferência de resultados aos investidores, outrora obtidos e retidos pela antiga BOVESPA. Em que pese ter sido o voto vencido por decisão de qualidade, por se tratar de caso idêntico ao aqui tratado, e por representar meu entendimento quanto a matéria, peço vênia para tomar como razão de decidir os excertos trazidos pelo I. Conselheiro Walker Araújo no acórdão nº 3302003.237, observese: Correto o procedimento adotado pela Recorrente. Isto porque, na operação denominada "desmutualização" os títulos patrimoniais convertidos em ações não resultaram nova aquisição de participação societária, tampouco devolução de capital investido. O que ocorreu de fato, foi a mera substituição de título patrimoniais por ações resultantes de operações de cisão e incorporação do patrimônio das associações sem fins lucrativos. Com efeito, as ações recebidas pela Recorrente não foram dadas em pagamento pelas sociedades anônimas, como também não houve mudança da titularidade dos títulos patrimoniais. Os títulos patrimoniais inicialmente registrados pela Recorrente em seu ativo permanente foram apenas substituídos nominalmente Fl. 880DF CARF MF 58 por ações, não representando, como pretende a fiscalização, nova aquisição de participação societária. Ou seja, ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. Somese a isso, que há equivalência das ações e dos títulos patrimoniais registrados pela Recorrente, evidenciando, assim, se tratar de mera substituição de um título representativo de capital por outro. É de se observar, ainda, que os títulos patrimoniais foram adquiridos à época pela Recorrente para o fim de investimento e como requisito/condição imprescindível para operar na Bolsa de Valores. Desta forma, como a intenção da Recorrente não era a comercialização propriamente dita, os investimentos adquiridos como condição para operar na Bolsa de Valores foram registrados no ativo permanente. Portanto, considerando que os investimentos em discussão iniciaram o ano de 2007 como título patrimonial, o fato de a BOVESPA e a BM&F terem sido desmutualizada em agosto e do IPO ter ocorrido posteriormente, não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Neste sentido, destaco os julgamentos proferidos por este Conselho Administrativo Fiscal que analisaram questões idênticas as discutidas neste processo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio." PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 853 59 se tratar de alienação de patrimônio próprio,amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido. (Acórdão 3403003447 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária Relator Antônio Carlos Atulim Sessão 10.12.2014)" *** "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição à COFINS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE PIS Fl. 882DF CARF MF 60 A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências da contribuição ao PIS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão 3302001.871 3ª Câmara/2ª Turma Relator Sessão 27.11.2012 Relator Walber José da Silva)" Destacase parte do voto proferido pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim no processo nº 16327.721734/201144 (Acórdão nº 3403003.447, de 10/12/2014), cujas razões de decidir retratam o meu entendimento sobre o tema: A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 854 61 operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de Fl. 884DF CARF MF 62 que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigálo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso.(grifado) Concluise, portanto, que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16327.720595/201301 Acórdão n.º 3302005.318 S3C3T2 Fl. 855 63 recebidas em decorrência da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. Assim, entendo que as ações de emissão da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A recebidas pela Recorrente em decorrência do processo de “desmutualização” da BOVESPA foram corretamente classificadas no ativo permanente da Recorrente, fato que afasta a incidência do PIS e da COFINS, nos termos do inciso IV, do §2º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Por fim, é imperioso consignar que a informação prestada pela BOVESPA Holding à todos os associados, por meio da Circular nº 225/2007DG, no sentido de que as ações “substituídas” deveriam ser registradas através dos critérios abaixo descritos, não inválida o procedimento contábil adotado pela Recorrente: Os detentores de ações de emissão da CBLC deverão também reconhecer os efeitos do processo de desmutualização, baixando o valor convertido em ações de emissão da Bovespa Holging S/A e, conforme sua opção: *registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta COSIF nº 1.3.1.20), das ações de emissão da BOVESPA Holding S/A recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo título disponíveis para negociação ou venda, ou *manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e COtas (conta do COSIF nº 2.1.5.10.), se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Lembramos que os acionistas da Bovespa Holding S/A, a seu critério, considerando seus objetivos de investimento, poderão realizar uma alocação mista, entre o Ativo Circulante e Ativo Permanente. Isto porque, vincular o contribuinte ao cumprimento de regras instituídas por meio de circular, destoa das regras previstas no inciso II, do artigo 5º, da Constituição Federal, que preceitua: Fl. 886DF CARF MF 64 " Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Pelas razões acima expostas, entendo equivocada a autuação, bem como sua manutenção pela decisão de primeira instância, dou integral provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Fl. 887DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000265/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL.
Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, correta a decisão que entendeu por negá-la.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-002.770
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, correta a decisão que entendeu por negá-la. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16832.000265/2010-35
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848827
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-002.770
nome_arquivo_s : Decisao_16832000265201035.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
nome_arquivo_pdf_s : 16832000265201035_5848827.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7187944
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008178130944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 565 1 564 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000265/201035 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.770 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAESON DISTRIBUIDORA E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, correta a decisão que entendeu por negá la. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 02 65 /2 01 0- 35 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 566 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 567 3 Relatório FAESON DISTRIBUIDORA E SERVIÇOS LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJI (fls. 470 e ss), que, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 312 e ss), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: Trata o presente processo de impugnação aos Autos de Infração de fls. 249/308, os quais exigem da interessada o recolhimento das seguintes importâncias, todas apuradas sob as regras do Simples, correspondentes ao ano calendário de 2006: IRPJ SIMPLES R$123.755,21 PIS/Pasep SIMPLES R$90.517,31 CSLL SIMPLES R$126.527,89 COFINS SIMPLES R$371.650,77 INSS SIMPLES R$1.068.677,12 Já com a incidência de multa de 75% e juros de mora. A exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2007 foi tratada em outro processo 16832.000266/201080 Como consta nos Autos de Infração, foi feito o lançamento de oficio a título de (i) omissão de receitas por conta de depósitos bancários origem não justificada, nos termos do art.42 da Lei n° 9.430/96 e, também, (ii) por insuficiência de recolhimento dos impostos e contribuições apurados então pelo Simples. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 314/364, que aduziu os seguintes argumentos: que o auto é nulo por falta de fundamentação porque há menção a normas instituídas em período pretérito ao advento da Lei 9.317/98 que não se identifica com a hipótese de incidência, fato gerador e base de cálculo, além da não correspondência da narrativa com a conclusão do relatório. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 568 4 que houve desrespeito ao principio da estrita legalidade, visto que a existência de depósitos bancários não representa fato gerador do imposto de renda. que o crédito contido em extrato bancário não é renda ou faturamento e não poderia ser utilizado como base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição para Seguridade; que se a empresa ultrapassou o limite de faturamento previsto na lei do SIMPLES, deveria ser excluída da sistemática e a tributação seria pelo Lucro Presumido ou pelo Lucro Real; que não foram excluídos os empréstimos realizados por terceiro, entre familiares, como ajuda para fluxo de caixa; que seria necessário realização de prova pericial, conversão do processo em diligência; que não houve motivação para a multa, que não houve critério de proporcionalidade e razoabilidade tornandoa confiscatória; que o artigo 21 da Lei 9.317/96 prevê multa diferente da aplicada. Em julgamento realizado em 10 de junho de 2011, a 8ª Turma da DRJ/RJI, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1237804, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DILIGENCIA. INDEFERIMENTO. Quanto ao pedido de diligência, apesar de ser facultado ao sujeito passivo tal pleito, em conformidade com o art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72 (PAF), compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma do art. 18 do referido diploma normativo. AUSÊNCIA DE PROVAS Nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a impugnação deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 569 5 Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado, a ser exigido de oficio. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 501 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Da Preliminar Cerceamento de Defesa Necessidade de Perícia; Da Preliminar de Falta de Fundamentação; Do mérito que os depósitos bancários não refletem caracterização de riqueza, tratandose de mera presunção legal; Do regime de tributação deveria ela ter sido tributada pelo Lucro Real ou Presumido; Que deveriam ter sido excluídos os empréstimos; Do afastamento da multa e/ou a sua redução, Do sobrestamento do feito em razão do RE/STF 601.314. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 18/10/2017. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 570 6 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2006, totalizando o crédito tributário de R$1.781.128,31, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos em 19/02/2014 (AR de fl. 499/500), e apresentou em 21/03/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 501/555. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Conforme o TVF, fls. 246/247, a autuação se deu em razão de depósitos bancários sem comprovação de origem. 1 Do pedido de perícia Em sede de impugnação, o recorrente já havia requerido a realização de perícia, e diante da negativa, o repete em sede recursal, formulando quesitos para tanto: 1. Da solicitação de diligência e de perícia Quanto ao pedido de diligência e de perícia, apesar de ser facultado ao sujeito passivo tal pleito, em conformidade com o art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72 (PAF), compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma do art. 18 do referido diploma normativo. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, bem como dirimir dúvidas que o exame dos autos não seja suficiente para esclarecer. No que se refere especificamente aos pedidos contidos na impugnação, cumpre consignar que a solução do presente litígio vinculase apresentação de documentos cuja guarda e conservação compete à própria interessada, nos termos da legislação tributária, como se verá adiante. Portanto, tornase desnecessário o acionamento de autoridades fiscais, visto que é suficiente a apresentação de documentos da sociedade para solução do litígio. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua necessidade. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 571 7 Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido. Penso de igual forma, não entendo que seja imprescindível a realização de perícia, quando o presente caso se trata de omissão de receitas por depósito bancário sem comprovação de sua origem. Preliminar de Falta de fundamentação A recorrente alega que o auto seria nulo por citar legislação anterior a Lei 9.317/96 que instituiu o regime simplificado. A legislação citada é pertinente a situação, já que de acordo com o artigo 18 da Lei 9317/96: Art. 18° Aplicamse à microempresa e a empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata es ta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. O auto de infração cita os artigos que tratam da presunção de omissão de receita dos depósitos não comprovados, da forma de tributação da omissão receita e da forma de tributação na sistemática do SIMPLES. Ademais, no caso em tela, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. O contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 572 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para embasamento, não verifico contradição, questões de mérito serão analisadas adiante. Assim, deixo de conhecer também, desta preliminar argüida. Do mérito Alega, em síntese, o recorrente, que os depósitos efetuados não representam efetiva obtenção de rendimento e/ou faturamento tributável, de forma que não ocorreu o fato gerador a ensejar o presente lançamento de ofício, resultando em cobrança ilegal e arbitrária de imposto. Ora, a presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 573 9 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Alega também que parte dos créditos se referem a empréstimos realizados por terceiro entre familiares como ajuda para fluxo de caixa. Realmente, empréstimos ocorrem em empresas, e representam créditos, no entanto, sua alegação, não veio acompanhada das provas, assim, não passam de meros argumentos. Assim, sem trazer nenhuma comprovação da origem dos depósitos, de se manter o lançamento em sua totalidade. Do Regime de Tributação Alega, ainda o Recorrente, que ao ter ultrapassado o limite de permanência no SIMPLES, deveria ter sido excluído do regime e deveria ser tributado pelo regime do Lucro Real ou Presumido, trazendo legislação de cada um dos tributos, bem como planilha com simulações de cada uma delas. Ora, nos termos da Lei 9.317/96, art. 15, a exclusão do SIMPLES ocorrerá a partir do anocalendário seguinte ao estouro do limite imposto: Art. 9 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: por opção. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 574 10 II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 90; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subseqüente aquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e lido art. 90; (grifei) Assim, correto o regime aplicado para o lançamento. 3 Da natureza Confiscatória da Multa Alega ainda excesso de penalidade, e pugna pela aplicação tãosomente de 20%, penalidade moratória. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4 Pedido de Sobrestamento Requer, ainda, a recorrente o sobrestamento do feito em razão do RE/STF 601.314. Tal pedido se mostra prejudicado, em razão do já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, no citado recurso extraordinário, no tocante à quebra do sigilo bancário, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ” Ademais, transcrevo o dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16832.000265/201035 Acórdão n.º 1301002.770 S1C3T1 Fl. 575 11 instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares arguidas, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001422/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, é constitucional as normas dispostas na Lei Complementar nº 105/01 que autorizam que a Receita Federal obtenha dados bancários diretamente pelas instituições financeiras quando da existência de procedimento fiscal. Não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE.
A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários.
RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida de se manter no Simples Federal (Lei n° 9.317/1996). A exclusão do Simples surte efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2006
RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OPÇÃO. SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está excluída do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão do Simples surte efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.
Numero da decisão: 1201-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, é constitucional as normas dispostas na Lei Complementar nº 105/01 que autorizam que a Receita Federal obtenha dados bancários diretamente pelas instituições financeiras quando da existência de procedimento fiscal. Não há que se falar em nulidade do auto de infração. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida de se manter no Simples Federal (Lei n° 9.317/1996). A exclusão do Simples surte efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2006 RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OPÇÃO. SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está excluída do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão do Simples surte efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11052.001422/2010-93
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854505
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.095
nome_arquivo_s : Decisao_11052001422201093.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GISELE BARRA BOSSA
nome_arquivo_pdf_s : 11052001422201093_5854505.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7234168
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008184422400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.001422/201093 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.095 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2018 Matéria SIMPLES e SIMPLES NACIONAL Recorrente DISTRIBUIDORA DE ARTIGOS ESPORTE GOUVEENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, é constitucional as normas dispostas na Lei Complementar nº 105/01 que autorizam que a Receita Federal obtenha dados bancários diretamente pelas instituições financeiras quando da existência de procedimento fiscal. Não há que se falar em nulidade do auto de infração. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 14 22 /2 01 0- 93 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 3 2 RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida de se manter no Simples Federal (Lei n° 9.317/1996). A exclusão do Simples surte efeito a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2006 RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OPÇÃO. SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está excluída do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão do Simples surte efeito a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados em 21/12/2010 no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IDRF/ RJ1, relativos ao anocalendário de 2006, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídicaIRPJ/ SIMPLES no valor de R$ 29.659,96 (fls.41/67), a contribuição para o programa de integração socialPIS/SIMPLES no valor de Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 4 3 R$ 21.808,56 (fls. 68/77), a contribuição social sobre o lucro líquidoCSLL/SIMPLES no valor de R$30.190,83 (fls.78/87), a contribuição para financiamento da seguridade social COFINS/SIMPLES no valor de R$ 88.909,22 (fls.88/98) e a contribuição para seguridade socialINSS/SIMPLES no valor de R$ 255.852,81 (fls. 99/107), todos acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. 2. Dos fatos. 3. Conforme Termo de Verificação e Constatação FiscalTVCF de fls. 38/39, o interessado, optante pelo SIMPLES FEDERAL no anocalendário de 2006, uma vez intimado, apresentou o livro Diário e alegou que os extratos bancários foram extraviados (fl.32). 4. A fiscalização então solicitou os extratos bancários às instituições financeiras, por intermédio de requisição de movimentação financeira, em observância ao disposto no art. 3º, inciso VII, do Decreto nº 3.724, de 2001. De posse dos referidos documentos, elaborou planilhas contendo os valores creditados que foram submetidos ao interessado para a comprovação de sua origem (fl.367). 5. Ante a falta de apresentação dos documentos relativos aos depósitos listados, foi levado a efeito o lançamento de ofício. 6. Das infrações. 6.1 Omissão de receita, correspondente aos depósitos bancários efetuados nas contas correntes cujas origens não foram comprovadas, já excluídos os valores declarados a título de receita bruta na declaração simplificada da pessoa jurídica SIMPLES (PJSI 2007). Enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Arts. 2º, § 2º, 3º §1º, alínea “a”, 5º, 7º, §1º, 18 da Lei nº 9.317/1996. Art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Art. 3º da Lei nº 9.732/1998. Arts. 186, 188, 199 e 849 do RIR/1999. 6.2 Insuficiência de valor recolhido, tendo em vista a omissão de receita apurada. Enquadramento legal: art. 5º da Lei nº 9.317/1996 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/1998. Arts. 186 e 188, do RIR/1999. 6.3 Em decorrência, foram ainda lavrados os autos de infração de CSLL, COFINS, PIS e INSS. 6.4 O interessado foi excluído do SIMPLES FEDERAL E NACIONAL, a partir de 01/01/2007 e 01/07/2007, respectivamente, uma vez que ultrapassou o limite de receita bruta estabelecido na Lei nº 9.317, de 1996, e alterações posteriores, para permanecer no sistema simplificado de recolhimento de tributo (Atos Declaratórios Executivos DRF/RJ1 nºs 149 e 150, ambos de 16/11/2011, juntados às fls.101/102 do processo nº 11052.001423/201038, em apenso). 7. Da impugnação. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 5 4 8. Cientificado dos autos de infração (27/12/2010) e da exclusão do SIMPLES (21/11/2011), o interessado apresentou em 18/01/2011 a impugnação de fls. 262/268, acompanhada dos documentos de fls. 469/473, alegando, em síntese, que: nulidade de lançamento, em face de quebra indevida de sigilo bancário; créditos identificados sob os históricos REDUÇÃO DE SALDO DEVEDOR, TRANSFERÊNCIA ENTRE AGÊNCIAS, CPMF TRANSF, EMPRÉSTIMOS devem ser expurgados do cálculo dos tributos exigidos, por representarem efetivo ingresso de recursos de terceiros nas contas correntes do interessado; também devem ser excluídos os ingressos correspondentes ao pagamento de vendas realizadas por cartões de crédito/débito que já haviam sido objeto de operações anteriores de antecipações de recebíveis; os valores recebidos de administradoras de cartões de créditos foram imediatamente repassados à instituição bancária para pagamento dos valores antecipados sob os históricos “TRANSF. AUTOMÁTICA CCDI” sob pena de caracterizar uma dupla tributação, não se pode admitir a tributação dos créditos realizados pelas administradoras de cartões de créditos ao mesmo tempo em que se exigem os tributos sobre os créditos decorrentes da antecipações dessas receitas; não foram deduzidos os pagamentos efetuados ao longo do anocalendário; não existe a alegada insuficiência de recolhimento. 2. Em sessão de 20 de dezembro de 2012, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à impugnação apresentada (fls. 259/265), nos termos do voto relator, Acórdão nº 1251.558 (fls. 444/459), para manter a exclusão do interessado do Simples Federal e do Simples Nacional a partir de 01/01/2007 e 01/07/2007, respectivamente, e declarar devidos: a) o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ/SIMPLES no valor de R$ 23.854,13; b) a contribuição para o programa de integração social PIS/SIMPLES no valor de R$ 17.563,34, a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL/SIMPLES no valor de R$ 24.385,00, a contribuição para financiamento da seguridade social COFINS/SIMPLES no valor de R$ 71.886,92 e a contribuição para seguridade social INSS/ SIMPLES no valor de R$ 206.487,64, todos acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. 3. A ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 6 5 Afasta se a nulidade arguida, ante a comprovação de que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. As informações prestadas por instituições financeiras à Fazenda Nacional, quando indispensáveis à instrução de processo administrativo fiscal e observadas as garantias individuais previstas na Constituição Federal, não configuram quebra de sigilo bancário.”. “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2006 DEPÓSITO NÃO COMPROVADO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. A presunção legal de omissão de receita, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA. Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõese a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. IMPOSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida de optar pelo Simples. A exclusão do Simples surte efeito a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.”. “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário:2006 RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. IMPOSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida de optar pelo Simples. A exclusão do Simples surte efeito a partir Fl. 538DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 7 6 do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.”. 4. A DRJ/RJ1 não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 4.1. A nulidade do lançamento só é levada a efeito quando se comprova que o auto de infração não foi formalizado com obediência a todos os requisitos de validade previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional e quando se apresenta no processo algum dos motivos apontados nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, o que não ocorreu no caso presente. 4.2. Cabe a Receita Federal, por intermédio de seus agentes, solicitar diretamente às instituições financeiras dados bancários do sujeito passivo, sem que isso caracterize quebra de sigilo bancário. Esta possibilidade está prevista tanto no artigo 197, inciso II do Código Tributário Nacional, quanto na Lei Complementar nº 105/2001 (lei considerada constitucional, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. 4.3. Nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, configurase omissão de receita o ingresso de numerários em conta corrente bancária do contribuinte, quando não comprovada a origem desses valores mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Tratase de presunção legal, tida como relativa, passível de ser afastada caso o sujeito passivo da relação jurídica prove que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. 4.4. No caso em tela, durante o procedimento fiscal, o interessado não logrou êxito em comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias mantidas no Unibanco (contas correntes nº 2057957 e 2060027, ambas na agência 0067) e Bradesco (conta corrente nº 25.5017, agência 18031). 4.5. Além disso, a impugnação não trouxe documentos necessários à instrução do processo administrativo, conforme determina o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72 e, de acordo com a súmula nº 5 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF “na presunção relativa de omissão de receita ou de rendimentos prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova da origem dos depósitos bancários.” 4.6. Foi possível afastar, pelo histórico de alguns créditos efetuados nas contas correntes do interessado, a presunção de omissão de receita. 4.7. Equivocase o contribuinte ao afirmar que no lançamento tributário não foram considerados os pagamentos efetuados no decorrer do ano. O que ocorre é que, em decorrência da alteração de faixa de receita bruta ao se computar a receita omitida, ocorreram mudanças de alíquotas em relação aos valores anteriormente declarados e recolhidos pelo contribuinte. 4.8. Mantevese a exclusão do contribuinte do regime de tributação do Simples, tendo em vista que a receita bruta apurada no anocalendário de 2006(R$ 3.538.766,22) ultrapassou o limite previsto no artigo 2º, inciso II, da Lei nº 9.317/96. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 8 7 5. Cientificada da decisão (AR de 04/08/2014, fls. 473), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 477/481) em 03/09/2014, reiterando as razões já expostas em sede de impugnação (fls. 259/265) e centrou seu pedido para que o auto de infração seja considerado nulo em razão da quebra de sigilo bancário ocasionado pela fiscalização de origem, bem como para seja mantida no regime do Simples. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminar I. Da Quebra de Sigilo Bancário 7. Segundo alegado pela Recorrente, houve a ilegal quebra de seu sigilo bancário no momento em que o auditor fiscal obteve os extratos bancários da empresa diretamente nas instituições financeiras. 8. Entende ser ilegal a quebra de seu sigilo bancário sob três fundamentos: (i) o sigilo bancário é direito constitucional de todo cidadão, conforme disposto no artigo 5º, inciso XII da Constituição Federal; (ii) somente é possível o exame de documentos fiscais pela fiscalização após instauração de procedimento administrativo, como disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01; e (iii) a entrega de tais informações deve ocorrer somente após as instituições financeiras comunicarem o cliente por escrito. 9. O fornecimento desses dados está previsto em lei. Nos termos do inciso II, do artigo 197, do CTN, as instituições financeiras estão obrigadas a fornecer ao fisco as informações solicitadas: “Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens,negócios ou atividades de terceiros.(...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; 10. Como bem disposto pela respeitável autoridade fiscal, o sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e de seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, transferese a responsabilidade para a autoridade administrativa solicitante e aos agentes fiscais que a ele tenham acesso no estrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199 do CTN, sob pena de incorrerem em infração administrativa e penal. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 9 8 11. O sigilo bancário possuía regramento específico na Lei nº 4.595, de 1964, que, em seu art. 38 e § 1º, restava expresso que as instituições financeiras conservariam sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, e que as informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo se revestiriam sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa, que deles não poderiam servirse para fins estranhos à mesma. 12. A partir da Lei Complementar (LC) nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras (revogando expressamente o art. 38, da Lei nº 4.595, de 1964) determina, no art. 1º, que as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados; e define, no § 3º, incisos III e IV, que não constitui violação do dever de sigilo, o fornecimento das informações de que trata o § 2º, do art. 11, da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, e a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º a 7º e 9º, respectivamente. 13. Com efeito, as autoridades fiscais passaram a requisitar e obter as informações da movimentação bancária diretamente junto às instituições financeiras, sem autorização judicial. 14. Nos termos do artigo 6º e parágrafo único da LC nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, as autoridades e os agentes fiscais tributários poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. No mais, o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo, observada a legislação tributária. A requisição deve ser formalizada por meio de Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF. 15. Conforme redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311 de 1996, a RFB resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. 16. O Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, ao regulamentar o art. 6º da LC nº 105, de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela RFB, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, definiu no art. 4º e § 1º que poderão requisitar as informações relativas à movimentação financeira as autoridades competentes para expedir o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e que a requisição será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. 17. Feitas estas considerações, é clara a inocorrência de quebra do sigilo bancário, mas mera observância, por parte da autoridade fiscal, da legislação permissiva em análise. 18. Ademais, diferentemente do alegado pela Recorrente, em 2016 o Supremo Tribunal Federal julgou, em repercussão geral (RE nº 601.314/SP), constitucionais os Fl. 541DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 10 9 dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal obter dados bancários de contribuintes diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. (...). 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional.” ( STF Recurso Extraordinário nº 601.314/SP Relator: Ministro Ricardo Lewandowski Julgamento de 22/10/2009) (grifo nosso). 19. De acordo com a ementa destacada acima, prevaleceu o entendimento de que a aplicação do normativo não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência do sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. 20. Além disso, a solicitação dos dados bancários pela fiscalização foi feita primeiramente à Recorrente no decorrer do procedimento fiscal, momento em que declarou não estar mais em posse destes documentos (fls. 30). Fl. 542DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 11 10 21. Portanto, considerando que a Recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários, informando não têlos, e que a requisição destes extratos pelo agente fiscal não caracteriza quebra de sigilo bancário, nos termos da legislação e do precedente do Supremo Tribunal Federal (RE nº 601.314/SP), não acolho o pedido da Recorrente. Mérito I. Do Ônus da Prova no caso de Omissão de Receitas 22. Nos termos do §1º, do artigo 7° e do artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, deve o contribuinte optante pelo Simples escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram de suporte para esta escrituração, verbis: Art. 7°(..) § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração das livros referidas nas alíneas anteriores. (...) Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. 23. Adicionalmente, os referidos artigos 18, da Lei nº 9.317/1996, 24 da Lei nº 9.249/1995 e 42, da Lei nº 9.430/96, não deixam dúvidas que a contribuinte está sujeita à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada. 24. Importante consignar que, conforme dispõe a Súmula CARF nº 26: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada". Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 12 11 25. Portanto, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal do tipo juris tantum e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. 26. Vejam que, o aproveitamento dos dispositivos supra juntamente com a interpretação constante da Súmula CARF nº 26, devem observar os limites da lei. Não se trata de "cheque em branco" dado às autoridades fiscais para aplicar indistintamente tal presunção. 27. Assim, considero fundamental a observância de dois pressupostos para legitimar a adoção da presunção em questão: respeito aos limites legais constantes do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, leiase individualização dos lançamentos considerados de origem não comprovada e efetiva intimação do contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. 28. Primeiro, a autoridade deve cuidar de respeitar as disposições e limites constantes, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis: " Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse 0 valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais)." 29. A partir da análise do dispositivo supra, o lançamento com base em depósito bancário de origem não comprovada tem validade apenas se a autoridade fiscal individualiza os depósitos que entende como não comprovados, para que, com base nessa segregação, o autuado se defenda e apresente provas. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 13 12 30. Nesse sentido, é o r. Acórdão nº 1302001.642, cuja ementa segue abaixo transcrita, verbis: "OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO POR VALORES GLOBAIS. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ausência de intimação que discrimine individualizadamente os créditos a serem comprovados, nos termos da lei, implica a improcedência do lançamento". (Processo nº 18471.001400/200736, Acórdão nº 1302001.642, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 1ª Seção, Sessão de 5 de fevereiro de 2015, Relator Waldir Veiga Rocha). (grifos nossos) 31. Da leitura do julgado em questão, fica claro o dever da autoridade fiscal de intimar regularmente o contribuinte para que esclareça a origem dos créditos bancários e de fazer constar da intimação a discriminação individualizada dos valores a serem comprovados. Tais deveres asseguram o direito dos contribuintes ao contraditório efetivo e a ampla defesa1, bem como convergem com o disposto no artigo 142, do CTN. 32. Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o fato adotado como indiciário e sua consequência lógica, a fim de que se realize o primado básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido. 33. Os indícios em questão decorrem de questões fáticas levantadas tanto pela autoridade fiscal, por meio de suas plataformas tecnológicas de dados, como pelo contribuinte, que legalmente intimado, deve fazer prova da origem dos créditos bancários recebidos e demonstrar a ocorrência de lançamentos em duplicidade e/ou que não correspondem às receitas tributáveis, como é o caso dos resgates, estornos e transferências entre contas do mesmo titular. 34. No presente caso, a douta autoridade fiscal cuidou de atender os dois pressupostos hábeis a legitimar a presunção de omissão de receitas dos créditos bancários de origem não comprovada. 1 Lei nº 13.105/2015 Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Lei nº 9.784/1999 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 14 13 35. A contribuinte foi intimada em 14/12/2009 a apresentar, relativamente ao anocalendário 2006, dentre outros documentos, o Livro Caixa ou Livros Diário e Razão e extratos de todas as contas bancárias mantidas pela empresa (fl. 26). Somente parte da solicitação do agente fiscal foi atendida pela contribuinte (fls. 29, apresentação do Livro Diário 2006). Além disso, a Recorrente apresentou declaração informando não mais ter a guarda dos extratos bancários como requerido pelo agente fiscal (fls. 30). Diante do não atendimento, o agente fiscal solicitou os extratos diretamente às instituições financeiras (fls. 109). 36. Em impugnação a Recorrente alegou, mas não comprovou, que o auditor fiscal teria considerado omissão de receitas valores não tributáveis ou já tributados, como nos casos de depósitos denominados “redução de saldo devedor”, “transferências entre agências”, “CPMF transferência” entre outros (fls. 259/265). 37. Não obstante a ausência de comprovação por parte da contribuinte em seus instrumentos de defesa (fls. 259/265 (Impugnação) e fls. 495/499 (Recurso Voluntário)), a r. decisão da DRJ, em virtude do histórico de alguns créditos efetuados nas contas correntes da interessada, afastou presunção de omissão de receitas nas situações supra, conforme planilha de fls. 450/454 e procedeu ao respectivo ajuste da base de cálculo. 38. Verificase claramente que as autoridades fiscais, ao cruzar as declarações e extratos bancários enviados pela Recorrente, cuidaram de excluiu as receitas não tributáveis e de individualizar os lançamentos dos depósitos e créditos bancário de origem não comprovada. 39. De fato, não se está tributando os depósitos e créditos bancários ou que sejam esses os fatos geradores do imposto de renda e dos demais tributos abrangidos pelo Simples. Tributase sim, a importância financeira creditada em beneficio da Recorrente que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, respeitados os pressupostos da própria lei. 40. Diante da presunção legal de que esse montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos. 41. Do exposto, considero irreparável r. condução do procedimento fiscalizatório que ensejou a lavratura do auto de infração e a condução do processo administrativo fiscal no tocante à aplicação da presunção de omissão de receitas constante do artigo art. 42 da Lei nº 9.430/96. 42. Logo, não acolho o pedido da Recorrente e entendo satisfatórios os ajustes e demais provas/indícios apresentados pela autoridade fiscal. II. Da Exclusão do Simples Federal (Lei nº 9.317/1996) e do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006) 43. A Recorrente foi excluída do SIMPLES FEDERAL E NACIONAL, a partir de 01/01/2007 e 01/07/2007, respectivamente, uma vez que ultrapassou o limite de receita bruta estabelecido na Lei nº 9.317, de 1996, e alterações posteriores, para permanecer no sistema simplificado de recolhimento de tributo (Atos Declaratórios Executivos DRF/RJ1 nºs 149 e 150, ambos de 16/11/2011, juntados às fls.101/102 do processo nº 11052.001423/201038, em apenso). Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11052.001422/201093 Acórdão n.º 1201002.095 S1C2T1 Fl. 15 14 44. Como a Recorrente não trouxe elementos para refutar a autuação em questão, tampouco argumentos específicos em seus instrumentos de defesa, considero a questão incontroversa. Conclusão 45. Diante do exposto, estando o auto de infração em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905781/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.905781/2012-86
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830256
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.248
nome_arquivo_s : Decisao_13888905781201286.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13888905781201286_5830256.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7121382
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008188616704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 124 1 123 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.905781/201286 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.248 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 01 de fevereiro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente KSPG AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentada pela empresa KSPG AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA., em que pelo Despacho Decisório emitido pela DRF não homologou Declaração de Compensação eletrônica (nº 15201.56852.200410.1.3.041014), sustentando pela seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". (...) "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 05 78 1/ 20 12 -8 6 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.905781/201286 Resolução nº 3402001.248 S3C4T2 Fl. 125 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: em 11/02/2010 foi retificada a apuração de PIS e COFINS referente ao mês outubro de 2009, e logo em seguida sua obrigação acessória DACON Mensal 1.6 do mesmo período (anexo IV); o imposto referente ao (...) (PIS) apurado inicialmente no valor de R$ 792.427,77, após retificação da apuração, passou para R$ 625.461,49, restando um crédito de R$ 166.966,28. visto que o (...) (PIS) foi recolhido em 25/11/2009 (anexo III), após a retificação da apuração restava compensar o valor pago a maior. (...). Ao analisar o despacho decisório (...) percebeu que não havia sido retificada a DCTF referente a outubro de 2009 (anexo IV). A referida Manifestação de Inconformidade foi analisada pela Administração Tributária. No entanto, os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão proferido pela DRJ em Ribeirão Preto/SP sob nº 1451.604, de 26/06/2014, conforme ementa abaixo reproduzida (fls. 38): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/11/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 18/09/2014 a Recorrente foi devidamente cientificada conforme consta do Despacho de fl. 49 e não resignada com a r. decisão, a empresa em 03/10/2014 (fl. 50), interpôs o presente Recurso Voluntário (RV), (fls. 51/63) no qual, repisa os argumentos de sua impugnação e em suma, alega o descabimento das glosas dos créditos, argumentando as seguintes razões: que a DRJ em Ribeirão Preto/SP, indeferiu a solicitação da Recorrente ratificando a decisão da DRF, sob o argumento de que: "(...) Como visto, há uma inconsistência nos documentos trazidos aos autos, inconsistência essa que somente o recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia resolver. No entanto, tal elemento de prova não foi juntado pela interessada, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.905781/201286 Resolução nº 3402001.248 S3C4T2 Fl. 126 3 razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral do crédito pleiteado, mantendose incólume o Despacho Decisório". que conforme amplamente relatado no Acórdão, para que o direito creditório seja reconhecido é necessário que seja apresentada documentação fiscal hábil e idônea através da qual se demonstre o crédito em discussão; explica a empresa que o montante recolhido a maior a título de COFINS foi devidamente escriturado nos documentos contábeis da empresa, conforme se verifica da análise do balancete do período de fevereiro de 2010 (fl. 114) na conta 115190 denominada "COFINS a Recuperar s/ Entradas" que no final de fevereiro de 2010 perfazia o montante de R$ 159.202,71. Vale esclarecer que, na escrituração contábil o montante é reportado pelo seu valor histórico, sem o acréscimo da SELIC e que em tal conta contábil estão reportados todos os créditos de COFINS a recuperar da empresa, incluindo os montantes de outros créditos; que é possível verificar que no Livro Razão (fls. 115/118) da empresa de 30/04/2010 foi contabilizada a baixa do crédito na mesma conta„ contábil identificada acima (115190) no valor de R$ 166.966,28, cuja observação menciona "compensação de PIS e COFINS referente 03/2010 conforme PER/DCOMP"; que analisando o Razão (fls. 115/118) da empresa é possível verificar que foram efetuados quatro lançamentos na data de 30/04/2010 cuja somatória é de R$ 166.942,11, conforme demonstrado à fl. 59 do recurso; tais valores comprovam que havia crédito de COFINS a ser compensado, cuja origem provém do pagamento a maior do DARF recolhido em 25/11/2009; não restam dúvidas de que tratase de erro material cometido pelo contribuinte quando da apuração do tributo; aborda o Princípio da Verdade Material no Processo Administrativo Tributário: no processo administrativo tributário deve predominar o princípio da verdade material, no sentido de se buscar descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, para que então se tenha certeza de que a obrigação/direito teve seu nascimento efetivado. Assim o objetivo da fiscalização é o de apurar os fatos concretos ocorridos; Tal premissa é verdadeira e deve ser aplicada para o reconhecimento do direito de compensação, postulado pela Recorrente. Portanto, deve ser admitida a apuração da verdade concreta, passível de comprovação por meio dos documentos apresentados pela Recorrente (DACON, DARF, PER/DCOMP, Livro Razão, Balancete, etc) e outros que possam vir a ser posteriormente juntados Por fim, requer o provimento do recurso voluntário, para reforma integral da decisão proferida em primeira instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.905781/201286 Resolução nº 3402001.248 S3C4T2 Fl. 127 4 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. 3. Objeto da lide Trata a presente lide de PER/DCOMP apresentada pela empresa KSPG AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA., em que pelo Despacho Decisório emitido pela DRF não homologou Declaração de Compensação eletrônica nº 15201.56852.200410.1.3.041014, e a decisão recorrida ratificou a decisão da DRF, alegando falta de documentos probatórios da existência do crédito do PIS pleiteado. 4. Quanto ao MÉRITO Primeiramente se faz necessário relembrar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo ao Fisco a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso sob análise, quando do exame das declarações prestadas pela própria Recorrente à RFB, revelouse que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório (fl. 32) foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis pela Administração Tributária. Conforme amplamente relatado no Acórdão recorrido, para que o direito creditório seja reconhecido é necessário que seja apresentada documentação fiscal hábil e idônea através da qual se demonstre o crédito em discussão: Vejase trecho reproduzido: "(...) A contribuinte, não obstante, sustenta a existência do crédito, o qual, segundo alega, decorreria de retificação da apuração da contribuição. A partir dos novos resultados, teria retificado o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, mas não a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. (...) Como visto, há uma inconsistência nos documentos trazidos aos autos, inconsistência essa que somente o recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia resolver. No entanto, tal elemento de prova não foi juntado pela interessada, razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral do crédito pleiteado, mantendose incólume o Despacho Decisório. Importa destacar que a contribuinte não apresenta sequer um demonstrativo ou uma razão pela qual teria retificado a apuração original. Nenhum documento contábil. Nada. (Grifei) Agora, em fase de recurso voluntário, a Recorrente informa que, "(...) O montante recolhido a maior a título de COFINS foi devidamente escriturado nos documentos contábeis da empresa, conforme se verifica da análise do balancete do período de fevereiro de 2010 (Doc. de fls. 115/118) na conta 115190 denominada "COFINS a Recuperar s/ Entradas" que no final de fevereiro de 2010 perfazia o montante de R$ 159.202,71. Vale esclarecer que, na escrituração contábil o montante é reportado pelo seu Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.905781/201286 Resolução nº 3402001.248 S3C4T2 Fl. 128 5 valor histórico, sem o acréscimo da Selic e que em tal conta contábil estão reportados todos os créditos de PIS a recuperar da empresa, incluindo os montantes de outros créditos". Informa também que acostou os autos cópia de vários outros documentos comprobatórios, tais como: extrato de conta do Livro Razão de 30/04/2010, Balancete Comparado de fevereiro de 2010 a abril de 2010; Documentos contábil onde consta o lançamento do DARF; cópia dos DACON original referente a outubro/2009 (docs. anexados às fls. 83 a 118). Ao final aduz que não restam dúvidas de que por tratarse de erro material cometido pelo contribuinte quando da apuração do tributo, o recolhimento a maior efetuado por este deve ser revertido em favor do mesmo, na forma de compensação, conforme pleiteado na PER/DCOMP, mencionada. Assim, restaria à Recorrente comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com base nos documentos comprobatórios acostados aos autos (fls. 83/118). 5. Da conversão dos autos em Diligência Pois bem. Como acima exposto, entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar nestes autos. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte e outros elementos probatórios que ensejar necessário, tais como os que foram acostados aos autos às fls. 83/118. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência, uma vez que esse novos documento apensados ainda não foram examinados pelo Fisco. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF/PIRACICABA/SP, proceda à análise de todos os fatos, argumentos, cópias de documentos, dos livros contábeis e demonstrativos que foram apresentados junto com o Recurso Voluntário (fls. 51/118), no que se refere aos créditos pleiteados neste processo. Para tanto, se entender necessário, a autoridade fiscal poderá intimar a interessada para apresentar outros documentos e/ou informações, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação tratados neste PAF. Desta forma, o processo deve retornar à repartição de origem Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para realização da diligência, a fim de se apurar e confirmar, ou não, as seguintes afirmações da Recorrente: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.905781/201286 Resolução nº 3402001.248 S3C4T2 Fl. 129 6 "(...) Diante do exposto, não restam dúvidas de que por tratarse de erro material cometido pelo contribuinte quando da apuração do tributo, o recolhimento a maior efetuado por este deve ser revertido em favor do mesmo, na forma de compensação, conforme pleiteado na PER/DCOMP, acima mencionada". (Grifei) (i) diante da noticia acima, o Fisco deve esclarecer se há (ou não) a existência comprovada do direito aos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação tratados nestes autos; e (ii) ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados nesta solicitação de diligência, podendo inclusive, manifestarse sobre a possível existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente contestada nos demais itens do Recurso Voluntário (fls. 51/63). Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901963/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.901963/2009-18
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850974
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.607
nome_arquivo_s : Decisao_10835901963200918.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10835901963200918_5850974.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7197994
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008191762432
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-28T11:47:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-28T11:47:05Z; Last-Modified: 2018-03-28T11:47:05Z; dcterms:modified: 2018-03-28T11:47:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:96f0cf5c-4478-446d-b244-5f998181ba90; Last-Save-Date: 2018-03-28T11:47:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-28T11:47:05Z; meta:save-date: 2018-03-28T11:47:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-28T11:47:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-28T11:47:05Z; created: 2018-03-28T11:47:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-03-28T11:47:05Z; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-28T11:47:05Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.901963/200918 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.607 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP. IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 19 63 /2 00 9- 18 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10835.901963/200918 Acórdão n.º 1302002.607 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1432.271, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 01859.62682.140605.1.3.041073, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de julho de 2003, com débito(s) relativo(s) à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep) , período de apuração de maio de 2005. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10835.901963/200918 Acórdão n.º 1302002.607 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10835.901963/200918 Acórdão n.º 1302002.607 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10835.901963/200918 Acórdão n.º 1302002.607 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10835.901963/200918 Acórdão n.º 1302002.607 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10835.901963/200918 Acórdão n.º 1302002.607 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 30 de março de 20111, e o recurso voluntário foi apresentado em 27 de abril de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004216/2010-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Tratando-se de exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em não conhecimento do Recurso Especial, sob a alegação de ter o acórdão recorrido aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 99, uma vez que esta somente é aplicável às exigências relativas a obrigações principais.
DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratando-se de exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em não conhecimento do Recurso Especial, sob a alegação de ter o acórdão recorrido aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 99, uma vez que esta somente é aplicável às exigências relativas a obrigações principais. DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.004216/2010-52
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841777
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.422
nome_arquivo_s : Decisao_19515004216201052.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004216201052_5841777.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7173095
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008254676992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 230 1 229 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.004216/201052 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.422 – 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria NORMAS GERAIS DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITW DELFAST DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratandose de exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em não conhecimento do Recurso Especial, sob a alegação de ter o acórdão recorrido aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 99, uma vez que esta somente é aplicável às exigências relativas a obrigações principais. DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratandose de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 16 /2 01 0- 52 Fl. 230DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.004215/201016 37.309.5112 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004214/201063 37.309.5139 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004216/201052 37.252.5334 (AI 78) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.004217/201005 37.309.5074 (AI34) Obrig. Acessória Sem interposição de Recurso Especial 19515.004218/201041 37.309.5120 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Debcad 37.252.5334 (AI 78), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas referentes a Contribuintes Individuais, nas competências de 01/2005 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 10/12/2010 (fls. 30 a 32). Em sessão plenária de 16/07/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.143 (efls. 194 a 200), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN." Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.004216/201052 Acórdão n.º 9202006.422 CSRFT2 Fl. 231 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 13/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 494 do processo principal) e, em 1º/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 201 a 210 (Despacho de Encaminhamento de efls. 513 do processo principal). O apelo está fundamentado nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a decadência. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista tratarse de multa por descumprimento de obrigação acessória, hipótese em que não há que se falar em pagamento antecipado de tributo. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 244/2014, de 24/02/2014 (efls. 211/212). Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 02/02/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 218), a Contribuinte ofereceu, em 13/02/2015, as Contrarrazões de efls. 220 a 227 (carimbo de efls. 220), contendo os seguintes argumentos: o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional sequer deverá ser admitido, haja vista que o acórdão recorrido aplicou entendimento pacífico no CARF, consubstanciado no enunciado nº 99; desta forma, deverá ser aplicado o § 2o, do artigo 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, concluindose pela inadmissibilidade do Apelo Especial intentado pela recorrente; superada a preliminar acima, o que não se espera, cumpre esclarecer que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nos presentes autos versa, exclusivamente, sobre a reforma do acórdão no tocante à aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, que trata do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação; neste sentido, se é certo que as Contribuições Previdenciárias encontramse submetidas ao regime de lançamento por homologação, forçoso concluir que o prazo para que o ente tributante exerça seu direito de efetuar o lançamento deve ser contado a partir da data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; importante ressaltar, ainda, que a Contribuinte procedeu aos recolhimentos mensais das contribuições previdenciárias, conforme documentos anexados à sua Impugnação, deixando apenas de incluir determinadas rubricas na base de cálculo, por terem caráter indenizatório; não se trata de inexistência de recolhimento, mas sim de entendimento quanto à composição da base de cálculo, o que deveria ter sido discutido pelo órgão arrecadador dentro do prazo previsto no § 4o, do artigo 150, do CTN; concluindose que a Contribuinte apurou e recolheu a contribuição previdenciária que entendia devida em todas as competências do período autuado, não há que se falar em inaplicabilidade do artigo 150, § 4o, do CTN; Fl. 232DF CARF MF 4 exatamente neste sentido é que foi sedimentado o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando da edição da Súmula n° 99, de 09/12/2013; portanto, não restam dúvidas de que o acórdão aplicou corretamente o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, haja vista tratarse de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que houve pagamento em todas as competências. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas referentes a contribuintes individuais, nas competências de 01/2005 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 10/12/2010 (fls. 30 a 32). Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega que o Recurso Especial não deve ser conhecido, uma vez que o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 99, aprovada em 09/12/2013. De plano, esclareçase que, quando da interposição do Recurso Especial, o art. 67, § 2º, do então vigente RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, tinha a seguinte redação: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância." (grifei) Verificandose o inteiro teor do acórdão recorrido, prolatado em 16/07/2013, é possível constatar que a decisão aplicou somente a Súmula Vinculante nº 08 do STF, sem qualquer referência à Súmula CARF nº 99. E nem poderia ter sido utilizada a citada súmula, tendo em vista que esta foi aprovada em sessão de 09/12/2013, portanto posteriormente à prolação do acórdão recorrido, em 16/07/2013. Ademais, a Súmula CARF nº 99 é aplicável somente aos casos de exigências relativas a obrigações principais, cujo lançamento é por homologação, o que enseja a discussão acerca da antecipação de pagamento. Com efeito, tal discussão não se coaduna com a exigência de multas por descumprimento de obrigações acessórias, cujo lançamento é de ofício. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19515.004216/201052 Acórdão n.º 9202006.422 CSRFT2 Fl. 232 5 Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinálo. Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o que afastaria a decadência declarada no acórdão recorrido. Com efeito, o presente processo trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é levado a cabo na modalidade de ofício, e não de homologação, portanto não se harmoniza com a problemática de existência ou não de pagamento antecipado. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador. Destarte, considerandose que a Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração em 10/12/2010, e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 01/2005 a 12/2005, aplicandose o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.725079/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011
EMABARGOS DE DECLARAÇÃO. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Não se considera preclusa matéria que não tenha sido definitivamente julgada.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA E FUNDAMENTAÇÃO.
Ainda que não se tenha verificado as omissões apontadas no recurso manejado, deverá a decisão recorrida ser alterada, de ofício, para a adequação entre a ementa e a sua fundamentação no tocante à responsabilização solidária dos sócios.
Numero da decisão: 2201-004.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. De ofício, proceder à correção do erro material constante do Acórdão nº 2201-003.719, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011 EMABARGOS DE DECLARAÇÃO. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se considera preclusa matéria que não tenha sido definitivamente julgada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA E FUNDAMENTAÇÃO. Ainda que não se tenha verificado as omissões apontadas no recurso manejado, deverá a decisão recorrida ser alterada, de ofício, para a adequação entre a ementa e a sua fundamentação no tocante à responsabilização solidária dos sócios.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.725079/2013-70
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853140
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.281
nome_arquivo_s : Decisao_11065725079201370.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11065725079201370_5853140.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. De ofício, proceder à correção do erro material constante do Acórdão nº 2201-003.719, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7214727
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008259919872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 8.798 1 8.797 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.725079/201370 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201004.281 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IBROWSE CONSULTORIA & INFORMÁTICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011 EMABARGOS DE DECLARAÇÃO. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se considera preclusa matéria que não tenha sido definitivamente julgada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA E FUNDAMENTAÇÃO. Ainda que não se tenha verificado as omissões apontadas no recurso manejado, deverá a decisão recorrida ser alterada, de ofício, para a adequação entre a ementa e a sua fundamentação no tocante à responsabilização solidária dos sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. De ofício, proceder à correção do erro material constante do Acórdão nº 2201003.719, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 79 /2 01 3- 70 Fl. 8806DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201004.281 S2C2T1 Fl. 8.799 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão n° 2201 003.719 (fls. 8.763/85), o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAISPREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011 CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N° 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Fl. 8807DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201004.281 S2C2T1 Fl. 8.800 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade solidária dos sócios e a qualificadora da multa de ofício. EMBARGOS Os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN em 18/08/2017 (despacho de encaminhamento de fl. 8.786). Em 20/09/2017 (despacho de encaminhamento de fls. 8.792), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 8.787/91). A embargante aponta que a decisão do CARF deu provimento para exclusão da qualificadora da multa, todavia, essa questão não havia sido impugnada pelo sujeito passivo, o que redundou na prolação de decisão ultra petita. Argumenta que a jurisprudência do STJ admite o manejo dos embargos declaratórios para adequação de julgado que vai além do pedido. ADMISSIBILIDADE O Despacho de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls.8794/8796) decidiu admitir o recurso, nos termos seguintes: De fato. Analisandose a decisão de primeira instância, observa se ali registro da preclusão da matéria multa qualificada. Eis o excerto do voto condutor do acórdão de piso: Das matérias não impugnadas O sujeito passivo não contestou expressamente os juros e a multa aplicada, pelo que se consideram matérias não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto n°. 70.235/72. Deste modo, ao decidir pela exclusão da qualificadora da penalidade, o colegiado deu provimento além do que foi pedido pelo sujeito passivo, caracterizando, sem dúvida, decisão ultra petita. Observese que sequer foi registrado no voto condutor do acórdão embargado que a questão estava sendo conhecida de ofício pelo colegiado. Também não há na ementa qualquer referência a essa questão, o que nos leva a reconhecer a existência de omissão, quanto a essa matéria. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Fl. 8808DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201004.281 S2C2T1 Fl. 8.801 4 Alega a embargante que a decisão vergastada, ao excluir a qualificadora da multa de ofício, redundou em uma prolatação de decisão ultra petita. Assevera, que a decisão de primeira instância considerou a matéria como não impugnada, eis que não houve insurgência do sujeito passivo quanto aos juros e multa na impugnação. A bem da verdade, a peça impugnatória, de início, assinala que o crédito tributário, constituído além do valor principal, por juros (R$ 351.496,16) e de multa de ofício (R$ 1.884.400,88) é fruto da desqualificação de vinte e duas relações de serviço de empresas listadas na conta contábil “prestador de serviço” para relações de trabalho. Em toda a extensa narrativa da peça impugnatória, depreendese que o entendimento da defesa foi de que o valor da multa de ofício qualificada decorre de um entendimento equivocado da Fiscalização, ao considerar uma simulação nas relações contratuais estabelecidas entre empresas. Destarte, ao que parece, o ato volitivo de simular contratos, se afigura como o motivo encontrado pela Fiscalização para qualificar a multa de ofício. Digo parece, porque, como exposado no acórdão recorrido, a autoridade fiscal não explicitou os motivos que a levaram a proceder à qualificação da multa de ofício. Nesse diapasão, entendo que a contribuinte, ao se defender da descaracterização dos contratos celebrados sob a égide do direito civil para contratos que envolvem relações de trabalho, manifestou inconformismo com a qualificação da multa de ofício. Todavia, o acórdão recorrido firmou entendimento de que a conduta dolosa de simular contratos para esconder a ocorrência do fato gerador não restou suficientemente demonstrada, ao ponto de autorizar a qualificação da multa de ofício de 75% para 150%, ou seja, entendeu o acórdão combatido que a autoridade fiscal não justificou, não apresentado a necessária motivação para qualificar a multa de ofício. É certo que a decisão de primeira instância considerou a matéria como não impugnada. Todavia, referida decisão foi combatida através do manejo de recurso voluntário, em que a ora embargada manifestou inconformismo com a qualificação da multa de ofício ao asseverar em suas razões recursais (fl.8707): (...) Além disso, por considerar a existência de simulação, aplicou multa de 150%, sobre o tributo, chegando ao elevado valor do crédito tributário constituído. Prossegue, aduzindo que a decisão de primeira instância manteve íntegro o lançamento, devendo ser revisada por este órgão colegiado. É verdade que a embargada não discorreu várias laudas ou mesmo linhas acerca especificamente do tema multa de ofício qualificada, no entanto, isso se deve ao seu entendimento de que a multa só foi qualificada porque os aludidos contratos foram tidos como simulados. O art. 17 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado em conformidade com o ordenamento jurídico que esse diploma legal está inserido. O processo administrativo fiscal, que se norteia pelo princípio do formalismo moderado e em que se aplica o jus postulandi, não deve ser engessado por defesas eminentemente técnicas ou complexas. No caso dos autos, o relator do acórdão recorrido entendeu que a tese defendida, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, de ausência de simulação nas avenças celebradas, também, atacavam a causa da qualificação da multa. Fl. 8809DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201004.281 S2C2T1 Fl. 8.802 5 Ocorre, porém, que a autoridade fiscal detalhou todo o modus operandi da embargada com o objetivo de caracterizar a relação de trabalho, mas descuidou de justificar a aplicação da qualificação da multa de ofício. Desse modo, entendo que não houve a omissão ou mácula apontada no despacho de admissibilidade, razão pela qual rejeito os Embargos de Declaração nesse tocante. No entanto, cumpre ressaltar que a presente via recursal devolve ao colegiado a análise de todos os aspectos da decisão prolatada, sendo imperioso reconhecer que há uma contradição no julgado não apontada nos Embargos de Declaração que merece saneamento. Isso porque a ementa do julgado em relação à responsabilidade solidária dos sócios está em sentido oposto à fundamentação e parte dispositiva da decisão recorrida. Constatado o erro material, a ementa é passível de correção de ofício, devendo integrar a decisão em seu último tópico como: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. Incabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, quando não estiver suficientemente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração opostos, ressalvando, contundo, a existência de erro material passível de reconhecimento de ofício, devendo o último tópico da ementa ser alterado nos termos supra declinados. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 8810DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201004.281 S2C2T1 Fl. 8.803 6 Fl. 8811DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923112/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 24/11/2009
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.826
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 24/11/2009 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.923112/2012-78
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830863
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-004.826
nome_arquivo_s : Decisao_10880923112201278.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880923112201278_5830863.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7125437
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008264114176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.923112/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.826 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 24/11/2009 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 12 /2 01 2- 78 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.923112/201278 Acórdão n.º 3302004.826 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.293. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.923112/201278 Acórdão n.º 3302004.826 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923112/201278 Acórdão n.º 3302004.826 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923112/201278 Acórdão n.º 3302004.826 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923112/201278 Acórdão n.º 3302004.826 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679850/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.679850/2009-77
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853166
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.329
nome_arquivo_s : Decisao_10880679850200977.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 10880679850200977_5853166.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7215435
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050008273551360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 84 1 83 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679850/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.329 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PGIM Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 50 /2 00 9- 77 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 19590.16912.180607.1.3.049920, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma e que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.679850/200977 Acórdão n.º 2201004.329 S2C2T1 Fl. 85 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 43 a 49, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Fl. 86DF CARF MF 4 (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 29/11/2010, conforme AR de fl. 51, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 52 a 68, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679850/200977 Acórdão n.º 2201004.329 S2C2T1 Fl. 86 5 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 88DF CARF MF 6 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. Tampouco foi juntada aos autos a DCTF retificadora, a qual foi, conforme informações disponíveis nos sistemas da RFB, apresentada em 03/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679850/200977 Acórdão n.º 2201004.329 S2C2T1 Fl. 87 7 contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 90DF CARF MF 8 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.679850/200977 Acórdão n.º 2201004.329 S2C2T1 Fl. 88 9 Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
