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7174210 #
Numero do processo: 13971.720596/2012-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano-calendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime.
Numero da decisão: 1001-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues,José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES

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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, NÃO foram pagos ou parcelados, dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano-calendário de 2012, não deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime.

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1001­000.338  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  05 de fevereiro de 2018  Matéria  Indeferimento de Opção ­ SIMPLES  Recorrente  SMILE MODA INTIMA LTDA. EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2012  SIMPLES  NACIONAL.  INDEFERIMENTO  DA  OPÇÃO.  NÃO  REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS.  Comprovado  que  os  débitos  com  a  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil  RFB,  NÃO  foram  pagos  ou  parcelados,  dentro  do  prazo  de  opção  pelo  Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no ano­calendário de 2012, não  deve ser promovida a inclusão da contribuinte nesse regime.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  EDUARDO MORGADO RODRIGUES ­ Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Eduardo  Morgado  Rodrigues,  José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 05 96 /2 01 2- 74 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13971.720596/2012­74  Acórdão n.º 1001­000.338  S1­C0T1  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 106 a 107) interposto contra o Acórdão  nº  01­28.136,  proferido  pela  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belém/PA  (fls.  99  a  101),  que,  por  unanimidade,  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  ora  Recorrente,  decisão  esta  consubstanciada na seguinte ementa:  " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  ANO­CALENDÁRIO: 2012  Ementa:  SIMPLES  NACIONAL.  INDEFERIMENTO  DA  OPÇÃO.  NÃO  REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS.  Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do  Brasil  RFB,  NÃO  foram  pagos  ou  parcelados,  dentro  do  prazo  de  opção  pelo  Simples  Nacional,  ou  seja,  até  31  de  janeiro  no  ano­ calendário  de  2012,  não  deve  ser  promovida  a  inclusão  da  contribuinte nesse regime.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio"    Por  sua  precisão  na  descrição  dos  fatos  que  desembocaram  no  presente  processo, peço  licença para adotar e  reproduzir os  termos do  relatório da decisão da DRJ de  origem:  "  1.  Trata­se  de  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  contribuinte acima identificado contra o TERMO DE INDEFERIMENTO, fl.92, que  impediu sua adesão ao Simples Nacional 2012, com data de registro em 17/02/2012.  2. O motivo do indeferimento foi a existência de:  Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil,  cuja  exigibilidade  não  está  suspensa.  Fundamentação  Legal:  Lei  Complementar ns 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V.  Lista de Débitos  1)Débito: 364801824  2)Débito: 366939548  3)Débito: 390594008  4)Débito: 395333326  5)Débito: 395333334  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13971.720596/2012­74  Acórdão n.º 1001­000.338  S1­C0T1  Fl. 4          3 3.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade  em  09/03/2012,  fl.02/03,  o  contribuinte alega que:  Parcelou  os  cinco  débitos  constantes  do  Termo  de  Indeferimento,  conforme cópias dos comprovantes de pagametnos.  4.  Foi  realizada  uma  solicitação  ao  SERVIÇO  DE  CONTROLE  E  ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO (SECAT), para verificação da situação dos  débitos em 31/01/2012, fl.93, com resposta à fl.94/95."  Insta dizer que a solicitação feita à SECAT obteve a seguinte resposta:  "O débito 36.480.182­4 era passível de consolidação no parcelamento especial  da Lei nº 11941/2009, na modalidade PGFN­PREV­ART1º. O contribuinte efetuou  a opção em 07/10/2009.  Porém,  o  pedido  de  parcelamento  foi  cancelado  em  29/12/2011  pela  não  apresentação de informações de consolidação. Conforme consulta à PGFN, não há  pedido  de  revisão  da  consolidação.  Portanto,  o  débito  está  exigível  desde  o  cancelamento do pedido de parcelamento."  Inconformada  com  a  decisão  de  primeiro  grau  que  indeferiu  a  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  a  ora  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário  concordando com a decisão de piso de que o débito supracitado realmente havia ficado de fora  do parcelamento, nos termos narrados pela SECAT, no entanto, alega que foi um equivoco e  que sempre teve a intenção de incluir todos os débitos nos parcelamentos realizados.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues  O presente Recurso Voluntário é  tempestivo e atende aos demais  requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.  Primeiramente, impende lembrar que a legislação tributária competente veda  a adesão ao regime simplificado por empresas que tenham débito sem a exigibilidade suspensa  para com o fisco, conforme se colaciona abaixo.  Art.  17. Não poderão  recolher  os  impostos  e  contribuições  na  forma  do  Simples  Nacional  a  microempresa  ou  a  empresa  de  pequeno porte:  ...  V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social  INSS,  ou  com  as  Fazendas  Públicas  Federal,  Estadual  ou  Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13971.720596/2012­74  Acórdão n.º 1001­000.338  S1­C0T1  Fl. 5          4 Outrossim,  conforme  já demonstrado no Relatório que  integra  esta decisão,  foi  detectado  pela  autoridade  competente  débitos  que  poderiam  ter  sido  parcelados  e  não  o  foram, informação esta que foi referendada pela própria Recorrente.  Impende dizer que a atenção e o zelo pelos pela forma como seus negócios e  atos  são praticados  é de  responsabilidade  exclusiva do Contribuinte. Outrossim, não  se deve  olvidar  que  a  atividade  administrativa  pública  é  vinculada  a  Lei,  não  cabe  à  Autoridade  Administrativa deixar de aplicar as regras legalmente estabelecidas, ainda que acredite na boa  fé  da  contribuinte  que  por  eventual  lapso  tenha  esquecido  de  incluir  determinado  débito  no  parcelamento aderido.  Desta forma, resta dizer que a decisão de piso bem analisou o caso e portanto  merece ser convalidada.  Em  face  a  todo  o  exposto,  VOTO  pelo  NÃO  PROVIMENTO  do  Recurso  Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem.  (assinado digitalmente)  Eduardo Morgado Rodrigues ­ Relator                                Fl. 114DF CARF MF

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7234207 #
Numero do processo: 16327.720595/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os juros Selic sobre a multa de ofício. Os Conselheiros Diego Weis Jr e Raphael M. Abad votaram pelas conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da da Contribuição para o PIS/Pasep. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO. A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra tem natureza jurídica de operação de alienação de ações em sentido amplo uma vez que há transferência de propriedade das ações de uma das sociedades para a integralização do capital social da outra sociedade. Neste caso, a primeira sociedade transforma-se em subsidiária integral da segunda. AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO FINANCEIRO. CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. As ações de sociedades anônimas ou companhias abertas são ativos financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos realizáveis a curto ou a longo prazo. No balanço patrimonial da sociedade, tais direitos classificam-se no ativo circulante, se realizável no curso do exercício social subsequente, ou no ativo realizável a longo prazo, se realizável após término do exercício seguinte. Por se tratar de direitos realizáveis, as ações não podem ser incluídos no subgrupo investimento, porque neste subgrupo são registrados apenas os direitos decorrentes de participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e empreendimento controlado em conjunto). OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. AÇÕES RECEBIDAS DA NOVA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE. No balanço patrimonial da sociedade empresária investidora, as ações recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e BM&F S/A., resultantes do processo de desmutualização das associações civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&F), classificam-se, obrigatoriamente, no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, conforme o prazo de realização. Esse tipo de direito não integra o subgrupo do investimento, reservado para registro somente das participações permanentes em outras sociedades. SOCIEDADE CORRETORAS. OBJETO SOCIAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECEITA BRUTA DA ATIVIDADE PRINCIPAL OU TÍPICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE. Nas sociedades corretoras, que têm como um dos seus objetos sociais a compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras companhias, sob qualquer modalidade (incorporação, resgate, venda etc.) integra a receita bruta da atividade principal ou típica das referidas sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE Integra a base de cálculo da Cofins a receita auferida pelas sociedades corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa Holding S/A. recebidas em decorrência do denominado processo de desmutualização das bolsas de valores (associações civis), inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas ações pela Nova Bolsa S/A. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. Recurso Voluntário Negado.

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3302­005.318  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de março de 2018  Matéria  PIS/COFINS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  ITAÚ CORRETORA DE VALORES S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008  OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA.  ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO.  A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra  tem natureza  jurídica  de  operação  de  alienação  de  ações  em  sentido  amplo  uma  vez  que  há  transferência  de  propriedade  das  ações  de  uma  das  sociedades para a  integralização do capital  social da outra sociedade. Neste  caso, a primeira sociedade transforma­se em subsidiária integral da segunda.  AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO  FINANCEIRO.  CLASSIFICAÇÃO  PATRIMONIAL.  ATIVO  CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.  As  ações  de  sociedades  anônimas  ou  companhias  abertas  são  ativos  financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos  realizáveis  a  curto  ou  a  longo prazo. No balanço  patrimonial  da  sociedade,  tais  direitos  classificam­se  no  ativo  circulante,  se  realizável  no  curso  do  exercício  social  subsequente,  ou  no  ativo  realizável  a  longo  prazo,  se  realizável  após  término  do  exercício  seguinte.  Por  se  tratar  de  direitos  realizáveis,  as  ações  não  podem  ser  incluídos  no  subgrupo  investimento,  porque  neste  subgrupo  são  registrados  apenas  os  direitos  decorrentes  de  participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e  empreendimento controlado em conjunto).  OPERAÇÃO  DE  DESMUTUALIZAÇÃO  DAS  BOLSAS.  AÇÕES  RECEBIDAS  DA  NOVA  SOCIEDADE  EMPRESÁRIA.  CLASSIFICAÇÃO  CONTÁBIL.  ATIVO  CIRCULANTE  OU  REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE.  No  balanço  patrimonial  da  sociedade  empresária  investidora,  as  ações  recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e  BM&F  S/A.,  resultantes  do  processo  de  desmutualização  das  associações     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 95 /2 01 3- 01 Fl. 824DF CARF MF     2 civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias &  Futuros  de  São  Paulo  (BM&F),  classificam­se,  obrigatoriamente,  no  ativo  circulante  ou  no  realizável  a  longo  prazo,  conforme  o  prazo  de  realização.  Esse tipo de direito não  integra o subgrupo do investimento, reservado para  registro somente das participações permanentes em outras sociedades.  SOCIEDADE  CORRETORAS.  OBJETO  SOCIAL.  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES.  RECEITA  BRUTA  DA  ATIVIDADE  PRINCIPAL  OU  TÍPICA.  BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.  Nas  sociedades  corretoras,  que  têm  como  um  dos  seus  objetos  sociais  a  compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras  companhias,  sob  qualquer  modalidade  (incorporação,  resgate,  venda  etc.)  integra  a  receita  bruta  da  atividade  principal  ou  típica  das  referidas  sociedades  e,  por  conseguinte,  a base de cálculo da da Contribuição para o  PIS/Pasep.  PROCESSO  DE  DESMUTUALIZAÇÃO  DAS  BOLSAS  DE  VALORES.  AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA  ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES.  INCLUSÃO  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP. POSSIBILIDADE  Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a receita auferida  pelas  sociedades  corretoras,  proveniente  da  alienação  das  ações  da  BM&F  S/A.  e  da Bovespa Holding  S/A.  recebidas  em  decorrência  do  denominado  processo  de  desmutualização  das  bolsas  de  valores  (associações  civis),  inclusive, as decorrentes do processo de incorporação e resgate das referidas  ações pela Nova Bolsa S/A.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008  OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA.  ALIENAÇÃO EM SENTIDO AMPLO.  A operação de incorporação de ações de uma sociedade empresária por outra  tem natureza  jurídica  de  operação  de  alienação  de  ações  em  sentido  amplo  uma  vez  que  há  transferência  de  propriedade  das  ações  de  uma  das  sociedades para a  integralização do capital  social da outra sociedade. Neste  caso, a primeira sociedade transforma­se em subsidiária integral da segunda.  AÇÕES DE COMPANHIA ABERTA. VALORES MOBILIÁRIOS. ATIVO  FINANCEIRO.  CLASSIFICAÇÃO  PATRIMONIAL.  ATIVO  CIRCULANTE OU REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.  As  ações  de  sociedades  anônimas  ou  companhias  abertas  são  ativos  financeiros do tipo valores mobiliários, contabilmente, tratados como direitos  realizáveis  a  curto  ou  a  longo prazo. No balanço  patrimonial  da  sociedade,  tais  direitos  classificam­se  no  ativo  circulante,  se  realizável  no  curso  do  exercício  social  subsequente,  ou  no  ativo  realizável  a  longo  prazo,  se  realizável  após  término  do  exercício  seguinte.  Por  se  tratar  de  direitos  realizáveis,  as  ações  não  podem  ser  incluídos  no  subgrupo  investimento,  porque  neste  subgrupo  são  registrados  apenas  os  direitos  decorrentes  de  participações permanentes em outras sociedades (em coligadas, controladas e  empreendimento controlado em conjunto).  Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 825          3 OPERAÇÃO  DE  DESMUTUALIZAÇÃO  DAS  BOLSAS.  AÇÕES  RECEBIDAS  DA  NOVA  SOCIEDADE  EMPRESÁRIA.  CLASSIFICAÇÃO  CONTÁBIL.  ATIVO  CIRCULANTE  OU  REALIZÁVEL A LONGO PRAZO. OBRIGATORIEDADE.  No  balanço  patrimonial  da  sociedade  empresária  investidora,  as  ações  recebidas das sociedades anônimas de capital aberto Bovespa Holding S/A. e  BM&F  S/A.,  resultantes  do  processo  de  desmutualização  das  associações  civis Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias &  Futuros  de  São  Paulo  (BM&F),  classificam­se,  obrigatoriamente,  no  ativo  circulante  ou  no  realizável  a  longo  prazo,  conforme  o  prazo  de  realização.  Esse tipo de direito não  integra o subgrupo do investimento, reservado para  registro somente das participações permanentes em outras sociedades.  SOCIEDADE  CORRETORAS.  OBJETO  SOCIAL.  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES.  RECEITA  BRUTA  DA  ATIVIDADE  PRINCIPAL  OU  TÍPICA.  BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE.  Nas  sociedades  corretoras,  que  têm  como  um  dos  seus  objetos  sociais  a  compra e venda de ações, a receita auferida na alienação de ações de outras  companhias,  sob  qualquer  modalidade  (incorporação,  resgate,  venda  etc.)  integra  a  receita  bruta  da  atividade  principal  ou  típica  das  referidas  sociedades e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins.  PROCESSO  DE  DESMUTUALIZAÇÃO  DAS  BOLSAS  DE  VALORES.  AÇÕES DA BM&F S/A. E DA BOVESPA HOLDING S/A. RECEITA DA  ALIENAÇÃO MEDIANTE RESGATE E INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES.  INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. POSSIBILIDADE  Integra  a  base  de  cálculo  da  Cofins  a  receita  auferida  pelas  sociedades  corretoras, proveniente da alienação das ações da BM&F S/A. e da Bovespa  Holding  S/A.  recebidas  em  decorrência  do  denominado  processo  de  desmutualização  das  bolsas  de  valores  (associações  civis),  inclusive,  as  decorrentes  do  processo  de  incorporação  e  resgate  das  referidas  ações  pela  Nova Bolsa S/A.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008  JUROS DE MORA.  INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA  DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE.  A multa  de  oficio  incide  sobre  o  valor  do  crédito  tributário  devido  e  não  pago,  acrescido  dos  juros  moratórios,  calculados  com  base  na  variação  da  taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida  multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de  Fl. 826DF CARF MF     4 Deus e Raphael M. Abad que davam provimento integral ao recurso voluntário e o Conselheiro  Diego Weis Jr  (Suplente convocado) que dava provimento parcial para excluir os  juros Selic  sobre  a multa  de  ofício. Os Conselheiros Diego Weis  Jr  e Raphael M. Abad  votaram  pelas  conclusões. O Conselheiro José Renato P. de Deus fará declaração de voto.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Maria  do  Socorro  Ferreira Aguiar, Walker Araújo,  José  Fernandes  do Nascimento,  Raphael  Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adota­se  o  relatório  integrante  do  acórdão  nº  1301­002.016  (fls.  799/816),  cujos  excertos  pertinentes  ao  litígio  remanescente  sobre  às  autuações da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seguem transcritos:  Trata o presente processo de autos de infração para constituição  de  créditos  tributários  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS),  por  fatos  geradores  ocorridos  no  anocalendário  2008. Integram também o processo autos de infração de multas  exigidas  isoladamente  por  falta/insuficiência  no  recolhimento  das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. O total da exação  alcançou  R$  313.244.484,02  na  data  do  lançamento  (demonstrativo às fls. 2/3), aí incluídos juros moratórios e multa  de ofício de 75%.  As infrações apuradas pelo Fisco foram:  [...]  d) Falta de oferecimento à  tributação pelo PIS e pela COFINS  da  receita  auferida  na  alienação  das  ações  ordinárias  da  Bovespa Holding na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A  em  08/05/2008  (R$  32.030.690,17  de  ações  preferenciais  e  R$  461.188.674,88 de ações ordinárias da Nova Bolsa S/A).  Por  clareza,  transcrevo  a  seguir  alguns  excertos  do  Termo  de  Verificação Fiscal (fls. 263/286):  3.1. Breve histórico das Bolsas e da sua desmutualização  Convencionou­se  chamar  de  desmutualização  o  conjunto  de  alterações societárias ocorridas em agosto de 2007, amplamente  divulgadas  na mídia,  em que a Bolsa de Valores de São Paulo  (Bovespa), então associação civil sem fins lucrativos,  transferiu  suas  atividades  para  uma  companhia  aberta  (sociedade  Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 826          5 anônima). Assim, o acervo que pertencia à entidade civil passou  a ser acervo da sociedade empresarial Bovespa Holding S/A.  A  associação  Bovespa  aprovou  sua  desmutualização  na  Assembleia  Geral  Extraordinária  (AGE)  de  28/08/2007,  que  consistiu  no  seguinte:  o  primeiro  procedimento  foi  a  cisão  parcial da associação Bovespa, com redução do seu patrimônio  em  99,7%;  em  seguida,  a  parcela  do  patrimônio  cindido  foi  incorporado às empresas Bovespa Serviços e Participações S.A.  (BVSP)  e  Bovespa  Holding  S/A;  posteriormente  houve  a  incorporação das ações da BVSP e da Companhia Brasileira de  Liquidação e Custódia (CBLC) pela Bovespa Holding S/A.  [...]Dessa  forma,  com  o  recebimento  dessas  ações,  os  antigos  associados  passaram  a  ser  acionistas  da  nova  companhia  em  que se converteu a Bolsa.  Encerrada a desmutualização, partiuse para a oferta das ações  no  mercado,  via  IPO  (Initial  Public  Offering)  Oferta  Pública  Inicial,  que  ocorreu  em  26/10/2007,  momento  em  que  as  corretoras,  agora  acionistas  da  Bovespa  Holding,  venderam  parte de suas ações em oferta ao público em geral.  Também a Bolsa de Mercadorias e Futuro – BM&F, passou por  processo  semelhante  ao  acima  descrito.  O  processo  de  desmutualização  que  resultou  na  reestruturação  da  BM&F  consistiu na sua cisão parcial, com versão da parcela cindida de  seu patrimônio para a BM&F S/A.  [...]  3.2. A 1TAÚ CORRETORA, como acionista da Bovespa Holding  S/A e da BM&F S/A:  Em  31/12/2007,  a  ITAÚ  CORRETORA  possuía  um  saldo  de  20.376.818 ações da Bovespa Holding, contabilizadas na rubrica  2.1.5.10.20.1 Ações e Cotas Bovespa S/A – Holding (Razão 2150  008),  perfazendo  o  montante  de  R$  44.563.947,88,  conforme  demonstrativo  da  posição  acionária  e  razão  apresentados  pela  contribuinte.  Em relação à BM&F,  em 31/12/2007,  possuía  8.860.584  ações  da BM&F S/A, com um custo unitário de R$1,00, perfazendo um  montante  contabilizado  na  rubrica  2.1.5.10.005  Ações  e  Cotas  BMF S/A (Razão 2150 009) de R$ 8.860.584,00.  3.3.  Incorporação  das  Ações  da  BOVESPA  e  da  BM&F  por  Nova Bolsa S/A Em 17/04/2008 a Bovespa Holding S/A e a Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  BM&  F  S/A  publicaram  um  fato  relevante, comunicando ao mercado o objetivo de integrar suas  atividades  através  da  incorporação  de  ambas  pela  pessoa  jurídica  Nova  Bolsa  S/A,  CNPJ  09.346.601/000125,  doravante  denominada  Nova  Bolsa,  que  a  partir  de  08  de  maio  de  2008  incorporaria as ações de ambas bolsas.  (...)  Fl. 828DF CARF MF     6 Abaixo  reproduzimos  algumas  etapas  da  reorganização  societária  descrita  no  comunicado,  que  seriam  implementadas  em ordem cronológica:  a) incorporação BM&F, a valor contábil, resultando na emissão,  por  Nova  Bolsa,  em  favor  dos  acionistas  de  BM&F,  de  ações  ordinárias,  na  proporção  de  1:1,  ou  seja,  com  a  emissão  de  1.010.785.800 ações ordinárias da Nova Bolsa, e na consequente  extinção de BM&F S/A;  b)  na  mesma  data,  em,  assembleia  distinta  e  subsequente,  Incorporação  de  Ações  Bovespa Holding,  a  valor  de mercado,  passando  Bovespa  Holding  a  ser  subsidiária  integral  de  Nova  Bolsa  e  resultando  na  emissão  de  1.030.012.191  ações  ordinárias  e  72.288.840  ações  preferenciais  resgatáveis  em  favor  dos  acionistas  de  Bovespa  Holding,  em  substituição  às  ações  de  Bovespa  Holding  que  passarão  a  ser  propriedade  de  Nova Bolsa;  c)  também  na mesma  data,  resgate  das  ações  preferenciais  de  Nova  Bolsa  emitidas  em  favor  dos  acionistas  da  Bovespa  Holding, pelo valor de R$ 17,15340847 por ação;  d)  a  partir  da  realização  das  assembleias  que  aprovarem,  as  incorporações  e  o  resgate  acima  referidos,  será  iniciado  o  processo  de  registro  de  Nova  Bolsa  perante  a  Comissão  de  Valores Mobiliários (‘CVM’) e a listagem de suas ações no Novo  mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S/A BVSP (‘BVSP’),  com  consequente  cancelamento  dos  registros  da  BM&F  e  da  Bovespa Holding.  Nessa  ocasião  a  ITAÚ  CORRETORA  possuía  as  já  citadas  20.376.818  ações da Bovespa Holding  ao valor  contábil  de R$  44.563.947,88.  No  processo  de  incorporação  de  ações,  uma  ação  da  Bovespa  Holding  passou  a  valer  1,42485643  ações  da  Nova  Bolsa,  de  forma  que  pelas  20.376.818  ações  BOVH3  que  a  ITAÚ  CORRETORA  detinha  foram  recebidas  29.034.040  ações  de  emissão da Nova Bolsa.  Os acionistas da Bovespa Holding também receberam ações PN  resgatáveis  da  Nova  Bolsa,  na  proporção  de  uma  ação  PN  resgatável  para  cada  10  ações  da  Bovespa  Holding.  A  ITAÚ  CORRETORA recebeu 2.037.682 ações PN resgatáveis da Nova  Bolsa  em  maio/2008  passando  a  deter  o  total  de  31.071.722  ações da Nova Bolsa.  As 8.860.584 ações da BM&F S/A foram incorporadas ao valor  contábil  de R$  8.860.584,00.  Portanto,  o  valor  contábil  dessas  ações passou a totalizar R$ 53.424.531,88.  No  caso  dos  detentores  de  ações  da  BM&F  S/A,  cujo  valor  patrimonial  era  de  R$  1,00  (um  real)  por  ação,  ficou  estabelecido que receberiam uma ação da Nova Bolsa para cada  ação da BM&F S/A.  Já no caso da Bovespa Holding S/A o valor unitário atribuído a  cada ação ordinária foi de R$ 24,82.  Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 827          7 (...)  Dessa forma, em 08 de maio de 2008 foi efetuado o resgate das  2.037.682  ações  PN  da  Nova  Bolsa  pelo  valor  de  R$  34.953.191,68,  conforme  resposta  á  Intimação  Fiscal  em  13/03/2013  apresentada  pelo  contribuinte.  Nessa  operação  a  ITAÚ  CORRETORA  reconheceu  um  lucro  na  venda  de  R$  32.030.690,17 (R$ 34.953.191,68 R$ 2.922.501,51).  A ITAÚ CORRETORA, entretanto não adicionou o resultado da  venda dessas ações à base de cálculo do PIS e da COFINS. Por  ser  sociedade  corretora,  sujeitase  à  tributação  do  PIS  e  da  COFINS nos moldes dos artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98 (art. 8º  da Lei 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei 10.833/03). Dessa forma  deve  ser  adicionada na  base  de  cálculo  dessas  contribuições o  resultado auferido no resgate das ações preferenciais, no valor  de R$ 32.030.690,17.  No  processo  de  incorporação  das  ações  da  Bovespa  Holding  pela  Nova  Bolsa,  o  valor  unitário  atribuído  a  cada  ação  ordinária  da  Bovespa  Holding  S/A  foi  de  R$  24,82,  conforme  item 3.4 do ‘Fato relevante’ publicado em 17.04.08. Dessa forma  o  valor  total  do  investimento avaliado a preço de mercado por  ocasião da incorporação era de R$ 505.752.622,76 (20.376.818  x R$ 24,82). A incorporação das ações da Bovespa Holding S/A  pela  Nova  Bolsa  S/A  caracterizase  como  alienação  de  ações,  representa  a  receita  bruta  auferida  pela  ITAÚ  CORRETORA  nesta  operação  e  o  ganho  deveria  ter  sido  apurado  conforme  abaixo:  Valor  de  mercado  ações  Bovespa  na  incorporação:  R$  505.752.622,76  (­)  Valor  contábil  ações  Bovespa  na  incorporação:  R$  44.563.947,88  (=)  Resultado  líquido  na  incorporação  de  ações:R$  461.188.674,88  (...)  Assim, a composição da carteira de ações da Nova Bolsa passou  a ser:  Entidade  Qde.de Ações  Custo Unitário  Valor Total  BM&F S/A  8.860.584  1,00  8.860.584,00  Bovespa Holding S/A  20.376.818  24,82  505.752.622,76  Bovespa Holding S/A  8.657.222  0,00  0,00  Total  37.894.624,00  13,58011  514.613.206,76  O  custo  médio  das  ações  da  Nova  Bolsa  S/A,  resultado  da  incorporação  das  ações  da  Bovespa Holding  e  da BM&F  S/A,  passou a ser de R$ 13,58011, conforme demonstrado acima.  Nos  meses  de  janeiro,  junho  e  dezembro  de  2012  a  ITAÚ  CORRETORA  alienou  22.232.960  as  ações  BM&F  BOVESPA  ON,  tendo  apurado  o  resultado  conforme  demonstrativo  denominado  ‘Venda  de  Ações’  apresentado  no  Doc.  3  do  Fl. 830DF CARF MF     8 complemento  da  resposta  à  Intimação  Fiscal  apresentada  em  15/05/2013:  (...)  Considerando o  custo médio apurado após a  incorporação das  ações da Bovespa Holding de R$ 13,58011, o custo das ações da  Nova  Bolsa  vendidas  em  2012  seria  de  R$  301.926.042,43.  Dessa forma teria apurado um prejuízo de R$ 65.895.637,76.  (...)  Em resumo, comparando as duas  tabelas chegamos à diferença  abaixo:  Data da Venda  2012  Quantidade de ações ON vendidas  22.232.960  Valor da venda  236.030.404,67  Custo ações considerando custo médio de R$ 17,40340244  301.926.042,43  Resultado apurado  ­65.895.637,76  Resultado apurado pelo contribuinte  206.400.126,43  Diferença: resultado apurado ­ resultado reconhecido  ­272.295.764,19  Constata­se,  então  que,  parte  do  ganho  de  R$  461.188.674,88  apurado em maio de 2008 foi postergado para o ano­calendário  de  2012,  quando  foram  alienadas  22.232.960  ações  da  Nova  Bolsa  e  foram  reconhecidos  lucros  indevidos,  conforme  se  constata acima.  Em  sua  resposta  à  Intimação  Fiscal  em  22/05/2012,  a  ITAÚ  CORRETORA apresentou cópias das bases de cálculo do IRPJ e  da  CSLL  com  base  no  bala/iço  de  suspensão  e  suspensão  no  ajuste em dezembro de 2012,  tendo apurado um Lucro Real de  R$  321.435.163,68  e  Base  de  Cálculo  da  CSLL  de  R$  310.874.979,54.  Conforme  já vimos anteriormente o resultado líquido obtido na  incorporação de ações em 2008 foi de R$ 461.188.674,88, sendo  que  parte  deste  resultado,  no  valor  de  R$  188.892.910  será  tributado pelo IRPJ e CSLL, em 2008, de acordo com os artigos  247, 248, 251, parágrafo único, e 277 do RIR/99 e parte dele, no  valor  de  R$  272.295.764,19,  será  tributado  como  postergação,  de acordo com os artigos 248, 249,  inciso II, 251, 273, 274 do  RIR/99.  Por  ser  sociedade  corretora,  a  contribuinte  sujeita­se  à  tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2°, 3º e  outros da Lei n° 9.718/99 (art. 8º, I, da Lei n° 10.637/2002 e art.  10, I, da Lei n° 10.833/2003). Dessa forma deve ser adicionado  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  o  valor  de  R$  461.188.674.88  que  é  o  resultado  auferido  na  incorporação  de  ações em maio de 2008. (Grifou­se)  [...]  3.4.  Caracterização  da  incorporação  de  ações  da  BOVESPA  Holding  S/A  pela  Nova  Bolsa  S/A  como  alienação  sujeita  à  incidência do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL.  Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 828          9 Examinando  os  registros  contábeis,  constatamos  que  a  ITAÚ  CORRETORA, após subscrever as ações da BOVESPA Holding  S/A  e  em  seguida  as  ações  da  BM&F  S/A,  recebidas  em  devolução,  de  patrimônio,  resultantes  do  processo  de  desmutualização  em  2007,  classificou  referidas  ações  no  Ativo  Permanente.  No Brasil, a classificação contábil dos ativos e passivos de uma  sociedade  empresarial  não  está  ao  arbítrio  dos  agentes  econômicos.  A  matéria  tem  disciplina  normativa  na  Lei  n°  6.404/76 Lei das Sociedades por Ações.  (...)  A classificação das ações da BOVESPA Holding S.A, BM&F S/A  e da Nova Bolsa S/A no Ativo Permanente é equivocada, pois a  situação  é  diferente  da  existente quando da aquisição  do  título  patrimonial  da  BOVESPA  e  da  BM&F.  Naquela  época  para  usufruir  os  serviços  prestados  pela  BOVESPA  e  pela  BM&F  (associações sem fins lucrativos) era prérequisito a aquisição do  título  patrimonial.  Com  a  transformação  das  associações  em  BOVESPA Holding  e BM&F  (sociedades  anônimas),  deixou  de  existir  a  necessidade  de  manutenção  das  ações  (conversão  do  título)  no  ativo  permanente.  Pelo  contrário,  conforme  demonstraremos  as  ações  não  podem  ser  classificadas  no  permanente,  pois  possuem  a  natureza  jurídica  de  ativo  financeiro e a intenção do contribuinte foi de auferir benefícios  econômicos com a valorização do preço da ação.  (...)  Portanto,  as  ações  da  BOVESPA,  posteriormente  substituídas,  por ações da Nova Bolsa, e em seguida parcialmente alienadas  em 2012, conforme resposta à intimação fiscal, deveriam ter sido  classificadas no Ativo Circulante e não no Permanente.  Como o  evento  de  incorporação de  ações da BOVESPA S.A,  a  valor  de  mercado,  CONFIGURA  ALIENAÇÃO  ficta,  pois  acarretará  a  liquidação do  investimento  temporário  original,  o  ganho  líquido  (receita  financeira)  deverá  ser  objeto  de  tributação  pelo  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS.  Como  consequência,  o  investimento  original  deverá  ser  baixado  e  o  novo  ativo  recebido  escriturado  ao  custo  de  aquisição  correspondente  ao  preço  de  mercado  constante  do  laudo  de  avaliação.  A operação de incorporação de ações está prevista no artigo 252  da  Lei  n°  6.404/76  (Lei  das  Sociedades  Anônimas),  e  corresponde  a  uma  forma  de  alienação  em  sentido  amplo,  conforme exposto na doutrina a seguir transcrita.  (...)  Ou  seja,  considerando  que  no  ato  jurídico  não  há  uma  mera  substituição  de  ativos,  e  sim  uma  transmissão  onerosa  da  propriedade de ativos mensurados por laudo de avaliação, temos  Fl. 832DF CARF MF     10 que  a  incorporação  de  ações  constitui  uma  das  espécies  do  gênero alienação, no sentido amplo. Tal entendimento acarreta a  tributação da pessoa física e da pessoa jurídica.  (...)  Conforme tratamos anteriormente, a ITAÚ CORRETORA, como  instituição  integrante do Sistema Financeiro Nacional, à  época  dos fatos, tinha por objeto social a prática de todas as operações  permitidas  às  sociedades  corretoras  de  valores  mobiliários  e  câmbio,  operando na  compra,  venda e  distribuição de  títulos  e  valores  mobiliários  e  de  câmbio,  conforme  Resolução  n°  1.655/89,  parcialmente  transcrita  a  seguir,  a  qual  disciplina  a  constituição  ,  a organização e o  funcionamento das  sociedades  corretoras de valores mobiliários:  (...)  Em resumo, sobre os resultados obtidos em 2008, serão lavrados  na  presente  data  Autos  de  Infração  para  a  exigência  do  IRPJ,  CSLL, PIS e COFINS, discriminados abaixo:  Data  Matéria  Base  Tributo  31/05/2008  Receita no resgate de ações PN  32.030.690,17  PIS e Cofins  31/05/2008  Resultado  na  alienação  de  ações  na  incorporação  das  ações  da  Nova  Bolsa  e  alienação  em  períodos  subsequentes  188.892.910,69  IRPJ e CSLL  31/12/2008  Postergação em 2012  272.295.764,19  IRPJe CSLL  31/05/2008  Resultado  na  alienação  de  ações  devido  à  incorporação  de  ações  da  Nova Bolsa  461.188.674,88  PIS e Cofins  (...)” (Grifou­se)  A  impugnação (fls. 324/393) ao  lançamento  foi sintetizada pelo  relator do processo em primeira instância como segue:  [...]  j) no tópico “Quanto ao PIS e à Cofins” alega que a autoridade  fiscal  afirmou  que  toda  e  qualquer  receita  decorrente  da  atividade  operacional  da  contribuinte  deve  integrar  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  mas  desconsidera  que  o  STF  já  decidiu que tais contribuições, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei  nº 9.718, de 1998, só podem incidir sobre o faturamento, assim  entendido  a  receita  bruta  na  venda  de  mercadorias,  de  mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não  procedendo  a  pretensão  fiscal  de  exigilas  sobre  receita  financeira;  que  a  questão  relativa  à  inconstitucionalidade  da  ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por  força do  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  já  foi  decidida  pelo  Plenário  do  STF  ao  julgar  os  Recursos  Extraordinários  nºs  346.084, 357.390, 358.273 e 390.840;  k) alega que o Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, ao analisar a  repercussão  da  jurisprudência  do  STF  para  as  instituições  financeiras  e  sociedades  seguradoras,  considerando  que  a  mercadoria é necessariamente, por definição, um bem corpóreo,  concluiu que a natureza das receitas decorrentes das atividades  Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 829          11 do  setor  financeiro  e  de  seguros  pode  ser  classificada  como  serviços  para  fins  tributários,  estando  sujeita  à  incidência  das  contribuições  em  causa,  exceto  no  que  diz  respeito  ao  “plus”  contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998;  l) assim como as receitas dos bancos que a título de “operações  bancárias” devem compor a base de cálculo do PIS e da Cofins  restringemse aos “serviços”, ou seja, à intermediação financeira  na captação de  recursos  (“spread”), no caso concreto  somente  podem integrar a base de cálculo das referidas contribuições a  receita  decorrente  da  intermediação  na  compra  e  venda  de  ações,  ou  seja,  a  taxa de corretagem cobrada pela  impugnante  de  seus  clientes;  que  o  plenário  do  STF  no  julgamento  do  RE  101.3397/ SP, deliberando sobre matéria tributária (inciso III do  art.  3º  do  Decretolei  nº  1.438,  de  1975),  declarou  em  decisão  unânime  a  inconstitucionalidade  da  norma  que,  a  pretexto  de  tributar  prestação  de  serviço,  determinava  a  incidência  do  imposto  sobre  atividade  que  não  se  destinava  ao  consumo  de  terceiro;  m) que só podem integrar a base de cálculo da Cofins e do PIS  as  receitas  decorrentes  de  atividades  exercidas  em  favor  de  terceiros,  o  que  exclui,  ipso  facto,  da  base  de  cálculo  das  referidas contribuições os valores decorrentes da venda de ações  de  propriedade  da  impugnante;  que  constam  de  seu  estatuto  social  algumas  atividades  básicas  que  embora  na  grande  maioria das vezes sejam realizadas no interesse de seus clientes,  são  também  realizadas  com  seu  próprio  capital,  como  as  operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários e  as  operações  em  bolsa  de  mercadorias  e  futuros;  quando  as  operações com recursos próprios são realizadas no seu único e  exclusivo interesse, não há intermediação financeira alguma;  n) no tópico “Do Registro do Investimento no Ativo Permanente  –Previsão Expressa da Exclusão da Receita de Alienação de tal  Ativo da Base de Cálculo do PIS e da Cofins” aduz que os arts.  2º e 3º, IV, da Lei nº 9.718, de 1998, dispõem que excluemse da  receita  bruta  a  receita  decorrente  da  venda  de  bens  do  ativo  permanente;  que  a  autoridade  fiscal  transcreveu  apenas  parcialmente  o  Ofício  Circular  22/2004DG  da  Bovespa  para  justificar o entendimento de que as ações em questão deveriam  ter  sido  registradas  no  ativo  circulante;  contudo,  tal  ofício  confirma  que  o  elemento  fundamental  para  se  definir  se  determinado bem deve ser  classificado no  ativo  permanente ou  circulante  é  a  intenção  da  sociedade  no  momento  de  sua  aquisição;  o) o fato de a impugnante somente ter efetuado a venda de parte  das ações da Nova Bolsa em 2012 é a prova inequívoca de que  referidas  ações  foram  corretamente  registradas  em  seu  ativo  permanente,  uma  vez  que  de  fato  não  foram  consideradas  investimento;  que  tal  entendimento  é  aplicável  às  ações  preferenciais que acabaram sendo resgatadas em 2008, quando  da  incorporação  de  ações,  uma  vez  que  a  caracterização  do  investimento  em  ativo  permanente  se  deu  quando  de  sua  Fl. 834DF CARF MF     12 aquisição e sua classificação não pode ser alterada em razão de  fato posterior que escapa à vontade da impugnante;  p)  que  os  títulos  patrimoniais  da  Bovespa  e  da  BM&F  que  a  impugnante era obrigada a  ter a  fim de operar no mercado de  capitais  sempre  foram  tidos  como  investimento  diretamente  vinculado  às  suas  atividades,  de  modo  que  sempre  estiveram  registrados em conta do ativo permanente; que o fato de ter sido  permutado  por  outro  não  enseja  tratamento  contábil  diferente,  na medida em que apenas substituíram os  títulos originais, não  representando  novo  ativo;  não  obstante  tais  operações  impliquem  diferentes  procedimentos  formais,  substancialmente  têm  por  objetivo  alterar  a  roupagem  das  entidades  personificadas  sem contudo alterar­lhes  a  essência  patrimonial  que permanece  íntegra; daí porque a doutrina entende que  tais  operações têm sempre por escopo a continuidade patrimonial da  entidade personificada – substância –mas sob outra forma;  q)  é  da  essência  da  operação  de  cisão  que  os  antigos  sócios/acionistas da sociedade cindida recebam em substituição  da  participação  societária  anterior,  participação  societária  nova,  na  sociedade  que  absorveu  o  patrimônio  da  cindida,  de  modo  que  a  situação  patrimonial  dos  sócios/acionistas  permanece exatamente igual; que as ações não foram adquiridas  com a  intenção de  serem vendidas em seguida, mas resultaram  de todo o processo de desmutualização; ainda que fosse o caso,  a mera intenção de alienação de ativo permanente não autoriza  a  alteração  da  classificação  contábil  (Solução  de  Consulta  n°  36/06, da SRRF da 7ª Região);  r) no tópico “A Não incidência de Juros de Mora Sobre Multa de  Ofício”  protesta  contra  a  provável  exigência  de  juros  de mora  sobre a multa de ofício, porquanto a legislação somente autoriza  a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo  ou da contribuição, não autorizando o cálculo dos juros sobre o  valor da multa;  s)  ao  final,  no  “Pedido”,  requer  a  acolhida  da  presente  impugnação  para  o  fim  de  ser  reconhecer  a  insubsistência  do  auto  de  infração  lavrado,  se  antes  não  reconhecida a  nulidade  material dos autos de IRPJ e CSLL, como medida de Direito e de  Justiça.  A  1ª  Turma  da  DRJ  em  Curitiba/PR  analisou  a  impugnação  apresentada  pela  contribuinte  e,  por  via  do  Acórdão  nº  0643.395, de 29/08/2013 (fls. 504/540), considerou procedente o  lançamento com a seguinte ementa:  [...]  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2008  RECEITA  BRUTA.  ALIENAÇÃO  DAS  AÇÕES  DA  BOVESPA  HOLDING.  COMPRA  E  VENDA  DE  TÍTULOS  E  VALORES  MOBILIÁRIOS POR CONTA PRÓPRIA.  Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 830          13 A  receita  bruta  apurada  na  alienação  das  ações  da  Bovespa  Holding, na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A, integra  a  base  de  cálculo  da  contribuição  devida  no  exercício  de  atividade empresarial típica de instituição financeira.  PARTICIPAÇÕES  SOCIETÁRIAS  EM  OUTRAS  EMPRESAS.  INVESTIMENTOS  DESTINADOS  À  NEGOCIAÇÃO.  CONTABILIZAÇÃO  NO  ATIVO  CIRCULANTE  OU  NO  REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.  As  participações  societárias  em  outras  empresas  devem  ser  registradas  no  ativo  circulante  ou  no  realizável  a  longo  prazo  (ativo não circulante) quando destinados à negociação, portanto  constituem  ativo  financeiro  por  terem  característica  de  aplicação temporária ou especulativa.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social Cofins  Ano­calendário: 2008  RECEITA  BRUTA.  ALIENAÇÃO  DAS  AÇÕES  DA  BOVESPA  HOLDING.  COMPRA  E  VENDA  DE  TÍTULOS  E  VALORES  MOBILIÁRIOS POR CONTA PRÓPRIA.  A  receita  bruta  apurada  na  alienação  das  ações  da  Bovespa  Holding, na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A, integra  a  base  de  cálculo  da  contribuição  devida  no  exercício  de  atividade empresarial típica de instituição financeira.  PARTICIPAÇÕES  SOCIETÁRIAS  EM  OUTRAS  EMPRESAS.  INVESTIMENTOS  DESTINADOS  À  NEGOCIAÇÃO.  CONTABILIZAÇÃO  NO  ATIVO  CIRCULANTE  OU  NO  REALIZÁVEL A LONGO PRAZO.  As  participações  societárias  em  outras  empresas  devem  ser  registradas  no  ativo  circulante  ou  no  realizável  a  longo  prazo  (ativo não circulante) quando destinados à negociação, portanto  constituem  ativo  financeiro  por  terem  característica  de  aplicação temporária ou especulativa.  [...]  Recurso Voluntário  Ciente  da  decisão  de  primeira  instância  em  18/09/2013,  conforme Termo de Ciência  por Decurso  de Prazo à  fl.  545,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  02/10/2013  conforme carimbo de recepção à folha 547.  [...]  No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados:  [...]  Fl. 836DF CARF MF     14 Especificamente  quanto  ao  PIS  e  à  COFINS  (repete,  mais  ou  menos  com  as  mesmas  palavras,  os  argumentos  aduzidos  em  sede de impugnação):  o  Impossibilidade  de  tributação  da  receita  financeira  por  essas contribuições, diante da inconstitucionalidade do art.  3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998.  o Ofensa à orientação do Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007.  o Existência de  previsão expressa  de  exclusão,  da base  de  cálculo  das  contribuições,  da  receita  da  alienação  de  investimentos registrados no ativo permanente, o que seria o  caso sob análise.  Argumentos  contrários  à  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa de ofício.  Contrarrazões da Fazenda Nacional  A Fazenda Nacional, por seu Procurador, com base no § 2º do  art.  48  do  Regimento  Interno  do  CARF  em  vigor,  apresentou  suas  contrarrazões  (fls.  642/690)  ao  recurso  voluntário  interposto pela contribuinte.  Em apertada síntese, a Fazenda Nacional sustenta a inexistência  das  alegadas  nulidades;  a  existência  de  efetiva  alienação  (no  que se refere ao ganho de capital na incorporação de ações); a  possibilidade  de  cumulação  da  multa  isolada  e  da  multa  de  ofício;  e  a  correção  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício.  Inexistem  contrarrazões  específicas  acerca  dos  lançamentos  de  PIS e COFINS.  Desistência parcial  Às fls. 709/732 encontro documento que dá conta da desistência  parcial  do  recurso  interposto  nos  presentes  autos,  para  fins  de  adesão  à  quitação  com  benefícios  estabelecidos  pela  Lei  nº  13.043/2014.  A  requerente  esclarece  que  a  desistência  alcança  os  “débitos  decorrentes  da  suposta  omissão  de  receita/postergação  de  pagamento  relativos  ao  ‘Resultado  na  alienação  de  ações  na  incorporação  das  ações  da Nova Bolsa  e  alienações em períodos posteriores’ (débitos de principal de IRPJ  e  CSL,  e  multas  de  oficio  e  juros  de  mora  decorrentes  desta  suposta  omissão  de  receita)”.  Requer,  ainda,  “o  regular  processamento  do  feito  quanto  à  parte  remanescente  em  discussão,  relativa  aos  supostos  débitos  de  PIS  e  COFINS  (e  multas e juros correlatos)”.  [...]  O extrato do processo (fls. 789/790) e o Termo de Transferência  de  Crédito  Tributário  (fl.  791)  atestam  que  foram  transferidos  para  o  processo  nº  16327.720584/201585  todos  os  débitos  de  IRPJ  e  CSLL,  incluídos  os  juros,  multas  proporcionais  e  as  multas  exigidas  isoladamente.  No  presente  processo  permaneceram exclusivamente as exigências de PIS e COFINS, e  respectivos consectários legais.  Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 831          15 [...] (grifos do original)  Diante da desistência parcial do recurso voluntário e da inexistência de litígio  concernente  à  aplicação  da  legislação  do  IRPJ,  a  demandar manifestação  das  Turmas  da  1ª  Seção de Julgamento, aliada a constatação de que o litígio remanescente limita­se à aplicação  da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em lançamentos agora autônomos  e não mais caracterizados como reflexos, com respaldo no art. 4º, I, do Anexo II do RICARF,  na  Sessão  de  4  de  maio  de  2016,  por  meio  do  acórdão  nº  1301­002.016  (fls.  799/816),  os  membros  da  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  declinaram  da  competência  de  julgamento da matéria  litigiosa remanescente para alguma das Turmas Ordinárias  integrantes  desta Terceira Seção de Julgamento.  Enviado  para  esta  3ª  Seção,  o  presente  processo  foi  distribuído  a  este  Conselheiro, para relato e julgamento das matérias litigiosas remanescentes, concernentes aos  lançamentos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  a matéria  litigiosa  remanescente  é  da  competência  deste  Colegiado  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  deve  ser  conhecido.  Previamente,  é oportuno  esclarecer  que,  embora  os  lançamentos  objeto  dos  presentes autos contemplassem a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL) e das multas isoladas decorrentes do suposto  recolhimento a menor das estimativas desses tributos, referentes a maio de 2008, em razão da  desistência parcial  do  recurso  em apreço,  atualmente,  remanescem em questão,  nestes  autos,  apenas  à  cobrança  dos  débitos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social (Cofins), respectivas multas de ofício e juros de mora.  Da motivação da autuação e do objeto da controvérsia  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF),  os  lançamentos  da  Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins foram motivados pela não inclusão na base de cálculo  das  referidas  contribuições  do  ganho  auferido  pela  autuada,  em  8/5/2008,  na  alienação  de  ações, composto de duas parcelas:  a) R$ 461.188.674,88,  de ganho  apurado  na  alienação  de  20.376.818  ações  ordinárias da Bovespa Holding S/A., mediante operação de incorporação das citadas ações ao  patrimônio da Nova Bolsa S/A.; e  b) R$ 32.030.690,17, de ganho apurado na alienação de 2.037.682 das ações  preferenciais  (resgatáveis)  da  Nova  Bolsa  S/A.,  mediante  resgate  das  respectivas  ações  por  parte da companhia emitente.  Fl. 838DF CARF MF     16 Em  relação  a  última  operação,  não  existe  controvérsia  de  que  se  trata  de  operação alienação ou venda de ações, uma vez que a própria a recorrente reconheceu o ganho  de  R$  32.030.690,17  (R$  34.953.191,68  ­  R$  2.922.501,51),  obtido  na  referida  operação,  entretanto, não o adicionou à base de cálculo das referidas contribuições, sob o argumento de  que se tratava de receita obtida na venda de bens do ativo permanente, excluída da cobrança  das  citadas  contribuições,  nos  termos  do  art.  3º,  §  2º,  IV,  da  Lei  9.718/1998.  Portanto,  em  relação a esse ponto, a controvérsia cinge­se à classificação contábil das ações no momento da  alienação  e  obrigatoriedade  (ou  não)  da  tributação  pelas  citadas  contribuições  do  ganho  auferido na operação.  A  título  de  esclarecimento,  sabe­se  que  o  resgate  de  ações  trata­se  de  operação de alienação que se encontra disciplinada no art. 441, § 1º, do Lei 6.404/1976 (Lei das  Sociedades Anônimas ou Lei das S/A.) e que consiste no pagamento do valor das ações pela  companhia  emissora,  com  vistas  a  retirá­las  definitivamente  de  circulação  e  que  pode  ser  realizada com ou sem redução do capital social. Por meio da operação de resgate, a companhia  emissora das ações realiza o pagamento ao acionista do valor das ações por este detidas, com  objetivo  de  retirá­las  definitivamente  de  circulação.  Trata­se,  portanto,  de  modalidade  de  alienação que resulta na extinção da ação.  No  que  tange  ao  ganho  de  R$  461.188.674,88,  obtido  na  alienação/incorporação das 20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., a recorrente  não  concordou  com  a  natureza  jurídica  da  operação,  bem  como  com  a  não  inclusão  do  correspondente ganho na base de cálculo das mencionadas contribuições. Logo, em relação a  esse ponto, a controvérsia envolve tanto a natureza jurídica da operação quanto à classificação  contábil  das  ações  no momento  da  alienação  e  obrigatoriedade  (ou  não)  da  tributação  pelas  citadas contribuições do ganho auferido na operação.  Da natureza jurídica da operação de incorporação de ações: alienação ou  subrogação real?  Diferentemente  da  operação  de  resgate,  em  torno  da  operação  de  incorporação  de  ações,  há  franca  controvérsia  quanto  a  sua  natureza  jurídica.  Para  a  fiscalização,  a  operação  de  incorporação  de  ações  representa  uma  forma  de  alienação  em  sentido amplo.  No direito positivo,  a  referida operação  encontra­se definida no  art.  252  da  Lei das S/A., a seguir transcrito:                                                              1  "Art.  44. O estatuto ou  a  assembléia­geral  extraordinária pode  autorizar  a  aplicação  de  lucros ou  reservas  no  resgate ou na amortização de ações, determinando as condições e o modo de proceder­se à operação.  §  1º  O  resgate  consiste  no  pagamento  do  valor  das  ações  para  retirá­las  definitivamente  de  circulação,  com  redução ou não do capital social, mantido o mesmo capital, será atribuído, quando for o caso, novo valor nominal  às ações remanescentes.  § 2º A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do capital social,  de quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da companhia.  § 3º A amortização pode ser integral ou parcial e abranger todas as classes de ações ou só uma delas.  §  4º O  resgate  e  a  amortização  que  não  abrangerem  a  totalidade  das  ações  de  uma mesma  classe  serão  feitos  mediante  sorteio;  sorteadas  ações  custodiadas  nos  termos  do  artigo  41,  a  instituição  financeira  especificará,  mediante rateio, as resgatadas ou amortizadas, se outra forma não estiver prevista no contrato de custódia.  § 5º As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas por ações de fruição, com as restrições fixadas  pelo  estatuto ou pela  assembléia­geral  que deliberar  a  amortização;  em qualquer  caso,  ocorrendo  liquidação  da  companhia,  as  ações  amortizadas  só  concorrerão  ao  acervo  líquido  depois  de  assegurado  às  ações  não  a  amortizadas valor igual ao da amortização, corrigido monetariamente.  § 6oSalvo disposição em contrário do estatuto social, o resgate de ações de uma ou mais classes só será efetuado  se,  em  assembléia  especial  convocada  para  deliberar  essa  matéria  específica,  for  aprovado  por  acionistas  que  representem, no mínimo, a metade das ações da(s) classe(s) atingida(s). Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)"  Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 832          17 Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao  patrimônio de outra companhia brasileira, para convertê­la em  subsidiária  integral,  será  submetida  à  deliberação  da  assembléia­geral  das  duas  companhias  mediante  protocolo  e  justificação, nos termos dos artigos 224 e 225.  §  1º  A  assembléia­geral  da  companhia  incorporadora,  se  aprovar  a  operação,  deverá  autorizar  o  aumento  do  capital,  a  ser  realizado  com as  ações  a  serem  incorporadas  e nomear  os  peritos  que  as  avaliarão;  os  acionistas  não  terão  direito  de  preferência  para  subscrever  o  aumento  de  capital,  mas  os  dissidentes  poderão  retirar­se  da  companhia,  observado  o  disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas  ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457,  de 1997)  § 2º A assembléia­geral da companhia cujas ações houverem de  ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto  de  metade,  no  mínimo,  das  ações  com  direito  a  voto,  e  se  a  aprovar,  autorizará  a  diretoria  a  subscrever  o  aumento  do  capital  da  incorporadora,  por  conta  dos  seus  acionistas;  os  dissidentes  da  deliberação  terão  direito  de  retirar­se  da  companhia,  observado  o  disposto  no  art.  137,  II,  mediante  o  reembolso  do  valor  de  suas  ações,  nos  termos  do  art.  230.(Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997)  §  3º  Aprovado  o  laudo  de  avaliação  pela  assembléia­geral  da  incorporadora,  efetivar­se­á  a  incorporação  e  os  titulares  das  ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as  ações que lhes couberem.  §  4o  A  Comissão  de  Valores  Mobiliários  estabelecerá  normas  especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações  de  incorporação  de  ações  que  envolvam  companhia  aberta.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ­ grifos não originais  Já  para  a  recorrente,  a  operação  de  incorporação  de  ações  não  configura  operação  de  alienação  de  ações,  mas  operação  de  simples  substituição  de  participações  societárias ou substituição de ações da sociedade incorporada pelas da incorporadora. Segundo  a recorrente, ela não alienou as ações da Bovespa Holding S/A. que então detinha, mas apenas  recebeu  em  troca  dessas  ações  outras  ações  emitidas  pela  Nova  Bolsa  S/A.,  tudo  isso  em  decorrência do fato de as citadas sociedades terem deliberado pela incorporação das ações da  primeira pela segunda.  Na doutrina, também não há consenso sobre a natureza jurídica da operação  de  incorporação de ações. Nessa  seara, verifica­se a presença de duas correntes doutrinárias.  Uma defende que se trata subrogação real ou mera substituição de ações. A outra defende que  se  trata de operação de  incorporação e  alienação  (ficta) de  ações da  companhia  incorporada,  semelhante ao aumento de capital mediante aporte de bens.  A  primeira  corrente  é  liderada  pelo  Prof.  Dr.  Nelson  Eizirik,  para  quem  a  operação de incorporação de ações trata­se de uma modalidade de subrogação, consoante se lê  no excerto extraído da sua obra, que segue transcrito:  Fl. 840DF CARF MF     18 Verifica­se  na  operação  de  incorporação  de  ações  uma  substituição  de  ações.  Os  acionistas  cujas  ações  foram  incorporadas, independentemente de sua vontade, recebem ações  da companhia incorporadora existindo no caso uma modalidade  de sub­rogação.  [...]  A  sub­rogação  de  um  bem  por  outro,  pressupõe,  necessariamente,  a  equivalência  de  valores.  Dessa  forma,  na  operação  de  incorporação  de  ações,  não  há  alteração  no  patrimônio  do  acionista  cujas  ações  foram  substituídas  por  novas  ações  da  sociedade  incorporadora.  Aos  acionistas  serão  atribuídas  novas  ações  cujos  valores  deverão  corresponder  exatamente  à  participação  que  previamente  detinham  na  sociedade que deve suas ações incorporadas.2  Por sua vez, o entendimento da segunda corrente é sustentado, por exemplo,  por Fran Martins3 e Modesto Carvalhosa. Para este autor a operação de incorporações de ações  é um negócio sui generis que envolve, ao mesmo tempo, uma  incorporação e uma alienação  fictas, conforme se infere do trecho de sua obra, que transcrito:  Trata­se, o negócio de incorporação de ações, ao mesmo tempo  de  uma  incorporação  e  de  uma  alienação  fictas.  No  primeiro  caso,  porque  não  se  incorpora  uma  sociedade  em  outra,  na  medida em que a incorporada subsiste como pessoa jurídica, ou  seja, como sociedade mercantil de direito privado, revestindo o  tipo  companhia.  No  segundo  caso,  porque  o  controlador  da  sociedade  incorporada  aliena  não  apenas  suas  ações  à  incorporadora,  mas  também  as  dos  minoritários,  num  negócio  sui  generis,  que  lembra  a  expropriação  do  direito  administrativo.  Trata­se,  com  efeito,  de  negócio  sui  generis,  a  que,  por  lei,  está  permanentemente  sujeito  o  acionista  minoritário  da  incorporada:  ter  suas  ações  vendidas  à  incorporadora independentemente de sua vontade. 4  No mesmo  sentido,  a  abalizada  doutrina  de  Luís  Eduardo  Schoueri  e  Luiz  Carlos  de  Andrade  Jr.,  exposta  no  artigo  intitulado  “Incorporação  de  Ações:  Natureza  Societária e Efeitos Tributários”, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário nº 200,  mai.  2012,  p.  44­72,  de  onde  se  extrai  os  pertinentes  e  relevantes  excertos,  que  seguem  transcritos:  Deve­se assinalar, também, que a incorporação de ações opera­ se mediante um aumento de capital da sociedade incorporadora  das  ações  (parágrafo  1º),  o  qual  é  subscrito,  pela  diretoria  da  sociedade  cujas  ações  serão  incorporadas,  “por  conta”  dos  sócios  desta  (parágrafo  2º).  Esse  aumento  de  capital  é,  então,  integralizado, mediante a  transferência da  totalidade das ações  da companhia por último referida. Em vista disso, os sócios da  companhia  cujas  ações  foram  incorporadas  recebem,                                                              2  EIZIRIK,  Nelson.  Incorporação  de  ações:  Aspectos  Polêmicos.  In:  WARDE  JR.,  Walfrido  Jorge  (Coord.).  Fusão, Cisão, Incorporação e Temas correlatos. São Paulo: Quartier Latin, 2009, p. 89.  3 MARTINS, Fran. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, v. 3, Rio de Janeiro: Forense, 1975, p. 316.  4 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. 4º volume: tomo II: arts. 243 a 300: lei  6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as modificações da lei 11.941, de 27 de maio de 2009 – 4ª ed. rev. e atual.  – São Paulo: Saraiva, 2011. p. 172.  Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 833          19 diretamente,  as  novas  ações  emitidas  pela  companhia  “incorporadora’.  Por  fim,  no  que  tange  ao  valor  pelo  qual  as  ações  devem  ser  incorporadas,  vê­se  nos  parágrafos  1º  e  3º  que  as  ações  incorporadas,  bem  como  as  ações  a  serem  emitidas  para  substituí­las,  devem  ser  avaliadas  por  peritos  nomeados  pela  assembleia  geral  da  companhia  que  as  incorporará.  É  dessa  avaliação que será extraída a chamada relação de troca.  Nesse cenário, identificam­se duas correntes doutrinárias quanto  à definição da natureza jurídica do instituto:  i) Primeira corrente: vê na incorporação de ações uma operação  semelhante  ao  aumento  de  capital  mediante  a  conferência  de  bens,  que,  portanto,  implica  a  alienação  das  ações  incorporadas; e  ii)  Segunda  corrente:  não  vê  nesse  negócio  verdadeira  alienação,  mas  simples  substituição  de  ações  em  razão  de  subrogação real.  [...]  Se  a  substituição  jurídica  implica  que  o  bem  sub­rogado  desempenhe  a  mesma  função  que  o  substituído,  em  vista  da  manutenção  da  relação  originária,  seria  necessário,  para  se  demonstrar que tal ocorre na incorporação de ações, evidenciar:  i) qual seria a relação originária;  ii)  qual  seria  o  papel  desempenhado  pelo  bem  substituído  na  relação originária;  iii) que a relação originária se manteria;  iv)  qual  o  papel  desempenhado  pelo  bem  subrogado  nessa  mesma relação.  [...]  O  exame  das  ponderações  acima  expostas  nos  leva  a  concluir  que não há, na incorporação de ações, a substituição jurídica a  que alude Nelson Eizirik, pois:  i) a relação originária não se mantém. Antes da incorporação de  ações, o sócio é titular de participação da sociedade “A”. Após  a  operação,  passa  a  ser  titular  de  participação  na  sociedade  “B”. Não existe identidade entre as relações jurídicas existentes  antes  (sócio  ­ “A”)  e depois  (sócio  ­ “B”) da  incorporação de  ações.  Imagine­se,  por  exemplo,  que  a  classe  das  ações  fosse  diferente,  antes  e  após  a  operação.  Isso  bem  seria  possível,  evidenciando a diferença entre as relações jurídicas observadas;  ii) o papel desempenhado pelo bem substituído não se confunde  com  o  do  bem  sub­rogado.  O  bem  substituído  legitimava,  por  exemplo, o sócio, a receber dividendos da sociedade “A”, ou a  Fl. 842DF CARF MF     20 participar  das  assembleias  da  sociedade  “A”,  etc. O  bem  sub­ rogado, diversamente,  legitima o sócio a receber dividendos da  sociedade  “B”,  ou  a  participar  das  assembleias  da  sociedade  “B”, etc.  [...]  É importante que fique claro que, como qualquer ficção jurídica,  a  sub­rogação  real  baseia­se  num  juízo  relativo.  O  bem  sub­ rogado não ocupa o lugar do bem substituído a título universal,  “para  todos  os  fins  de  direito”.  O  juízo  relativo  em  questão  refere­se  a  uma  característica  especial  do  bem  substituído,  consistente  no  fato  de  ele  estar  inserto  numa  relação  jurídica  particular.  Assim,  quando  ocorre  a  sub­rogação  real,  o  novo  bem ocupa, fictamente, o lugar do velho, em tal relação. [...]  [...]  Nesse  contexto,  não  vislumbramos  a  previsão  de  sub­rogação  real no artigo 252 da Lei das Sociedades Anônimas.  Ali, não criou, o legislador, qualquer ficção. Em momento algum  o  dispositivo  dá  a  entender  que  as  ações  de “B” deveriam  ser  consideradas como ações de “A”. Não vemos, ademais, que a lei  tenha  estabelecido  a  substituição  das  ações mediante  um  juízo  relativo,  ou  seja,  com vistas a uma  relação  jurídica particular.  Pelo  contrário,  as  ações,  tanto  da  companhia  “incorporada”,  como as da “incorporadora”, são tratadas em si e por si. Prova  disso é, como se disse acima, que as ações de “B” não autorizam  o  sócio  a  exercer  quaisquer  direitos  em  face  de  “A”,  o  que  decorre  da  relação  jurídica  particular  em  que  se  encontram  insertas as ações desta.  [...]  Ainda  que  houvesse  sub­rogação  real  na  operação,  haveria  transferência das ações. O bem substituído deve, para que possa  ceder  lugar  ao  substituto,  deixar  a  posição  que  ocupa  inicialmente. Ou seja, a  transferência de ações é,  sob qualquer  perspectiva,  inegável.  Acabamos  de  ver,  outrossim,  que  a  previsão  de  uma  autorização  legal  para  que  a  companhia  “incorporada”  disponha  das  ações  de  seus  acionistas  não  prejudica essa transferência.  Dessa feita, o artigo 9º da Lei das Sociedades Anônimas resolve  a questão:  “Art. 9º. Na  falta de declaração expressa em contrário, os  bens transferem­se à companhia a título de propriedade.”  Uma  vez  que  o  artigo  252  não  informa,  expressamente,  a  que  título  as  ações  da  sociedade  “incorporada”  são  transferidas  à  sociedade  “incorporadora”,  a  questão  não  comporta  dúvidas:  há  transferência  da  propriedade  daquelas  ações;  há  alienação  destas, na incorporação de ações.  [...]  Ante o exposto, concluímos que a incorporação de ações:  Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 834          21 i)  é  um  negócio  típico  do  Direito  Societário,  voltado  à  concentração empresarial;  ii) que se operacionaliza mediante:  a) aumento de capital da sociedade ‘incorporadora’, em regime  extraordinário,  porquanto  ausente  o  direito  de  preferência  dos  acionistas destas;  b) a subscrição e integralização deste por meio da transferência  das  ações  da  sociedade  ‘incorporada’,  também  sob  regime  extraordinário,  uma  vez  que  a  lei  atribui  à  diretoria  desta  sociedade uma autorização para fazê­lo no lugar dos acionistas;  iii) que apresenta os seguintes efeitos:  a)  a  alienação  das  ações  da  “incorporada”,  a  título  de  integralização do capital da “incorporadora”;  b)  transformação  dos  sócios  da  “incorporada”  em  sócios  da  “incorporadora”; e  c)  conversão  da  “incorporada”  em  subsidiária  integral  da  “incorporadora”.5  Do  cotejo  entre  os  entendimentos  esposados  pelas  duas  correntes  doutrinárias,  este  Conselheiro  convenceu­se  que  a  segunda  é  a  que  melhor  reflete  a  real  a  natureza jurídica da operação de incorporação de ações definida no art. 252 do Lei das S/A. e  que  foi  operacionalizada  entre  a Bovespa Holding  S/A.  e  a Nova Bolsa  S/A.  (que  passou  a  denominar­se BM&FBovespa S/A.),  ou  seja,  que  se  trata  de uma operação  de  alienação  das  ações da primeira, a título de integralização do capital da segunda, em que, simultaneamente,  há  transformação  dos  sócios  da  primeira  em  sócios  da  segunda  e  conversão  da  primeira  em  subsidiária integral da segunda.  No mesmo  sentido,  o  entendimento manifestado  pela  2ª  Turma  do Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais  (CSRF)  por meio  do  acórdão  nº  9202­00.662,  cujo  enunciado  segue reproduzido:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2005  IRPF  ­ OPERAÇÃO DE  INCORPORAÇÃO DE AÇÕES  ­  GANHO DE CAPITAL.  As operações que importem alienação a qualquer titulo, de  bens  e  direitos,  estão  sujeitos  a  apuração  do  ganho  de  capital.  A incorporação de ações constitui uma forma de alienação  em sentido amplo.                                                              5  SCHOUERI,  Luís  Eduardo,  ANDRADE  JR.,  Luiz  Carlos  de.  Incorporação  de  Ações:  Natureza  Societária  e  Efeitos Tributários. REVISTA DIALÉTICA DE DIREITO TRIBUTÁRIO (RDDT). n. 200, mai. 2012, p. 45.  Fl. 844DF CARF MF     22 O  sujeito  passivo  transferiu  ações,  por  incorporação  de  ações,  para  outra  empresa,  a  título  de  subscrição  e  integralização  das  ações  que  compõem  seu  capital,  pelo  valor de mercado.  A  diferença  a maior  (entre  o  valor  de mercado  e  o  valor  constante na declaração de bens) deve ser tributada como  ganho de capital.  Recurso especial provido.  Enfim, revela­se contraditória a alegação da recorrente de que, em relação a  referida operação de incorporação e para fins de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e  Cofins,  inexiste  a  alienação  e,  ao  mesmo  tempo,  admitir  e  anuir  que  a  mesma  operação  representa alienação de ações, para fins de apuração de ganho de capital submetido à tributação  pelo IRPJ e CSLL.  Por  todas  essas  razões,  chega­se  a  conclusão  de  que  a  operação  de  incorporação de ações configura operação de alienação de ações, uma vez que há transferência  da  propriedade  das  ações  da  sociedade  cedente,  para  fim  de  integralização  do  capital  da  sociedade cessionária, e os acionistas da primeira, recebem da segunda novas ações a valor de  mercado em substituição as ações cedidas pela primeira. Em decorrência da referida operação  de alienação, houve receita auferida pela recorrente, porém, se ela integrará ou não a base de  cálculo das referidas contribuições, é a questão que será a seguir analisada.  Da tributação da receita de alienação/resgate de ações  Segundo  a  fiscalização,  por  ser  sociedade  corretora,  os  resultados  obtidos  pela autuada “nas operações de venda das ações PN resgatáveis da Nova Bolsa e alienação das  ações da Bovespa Holding no processo de incorporação de ações pela Nova Bolsa, comporiam  o  resultado  operacional,  sujeito  à  incidência  das  contribuições  do  PIS  e  da COFINS,  pois  o  objeto social da empresa, previsto em seu estatuto contemplava a compra e venda de títulos e  valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria”.  Com  efeito,  na  condição  de  instituição  financeira  integrante  do  Sistema  Financeiro Nacional  (SFN), na data do  fato gerador,  induvidosamente, a  recorrente  tinha por  objeto  social  a  prática  de  todas  as  operações  permitidas  às  sociedades  corretoras  de  valores  mobiliários e câmbio, dentre as quais, merece destaque as operações de (i) subscrever emissões  de  títulos  e  valores  mobiliários  para  revenda  e  (ii)  comprar  e  vender  títulos  e  valores  mobiliários por conta própria, respectivamente, previstas no art. 2º, II e IV, do Regulamento  Anexo  a  Resolução  1.655/1989  do  Conselho  Monetário  Nacional  (CMN),  que  disciplina  a  constituição,  a  organização  e  o  funcionamento  das  sociedades  corretoras  de  valores  mobiliários.  Para  facilitar  a  compreensão,  seguem  transcritos  os  preceitos  normativos  relevantes extraído do citado Regulamento:  Art. 1° A sociedade corretora de títulos e valores mobiliários é  instituição  habilitada  à  prática  das  atividades  que  lhe  são  atribuídas pelas Leis nºs 4.728, de 14.07.65, 6.385, de 07.12.76,  e regulamentação aplicável.  Art. 2°A sociedade corretora tem por objeto social:  [...]  Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 835          23 II  ­  subscrever,  isoladamente  ou  em  consórcio  com  outras  sociedade autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários  para revenda.  [...]  IV  ­  comprar  e  vender  títulos  e  valores  mobiliários  por  conta  própria e de  terceiros, observada regulamentação baixada pela  Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas  suas respectivas áreas de competência;  [...].(grifos não originais)  De acordo com o previsto no preceito normativo em destaque, a atividade de  venda/alienação de ações próprias (da sua propriedade) faz parte do objeto social e, portanto,  integra  a  atividade  principal  ou  típica  (ou  operacional,  como  denominou  a  fiscalização)  das  sociedade  corretoras  de  valores mobiliários.  Em  decorrência,  tais  receitas,  inequivocamente,  integram o faturamento ou a receita bruta das  referidas sociedades e, portanto, da recorrente,  tendo  em  conta  que,  consoante  o  seu  Estatuto,  o  seu  objeto  social  compreende  a  prática  de  todas  as  operações  permitidas,  pelas  disposições  legais  e  regulamentares,  às  sociedades  corretoras de valores mobiliários e câmbio, o que, obviamente, inclui a venda de ações de sua  propriedade ou carteira própria de ações.  Por  sua  vez,  a  recorrente  alegou  que,  ao  considerar  que  toda  e  qualquer  receita decorrente de atividade operacional integrava a base de cálculo da Contribuição para o  PIS/Pasep e Cofins, a autoridade fiscal simplesmente desconsiderou o que decidira o STF, no  julgamento  dos  RREE  nºs  346.084/PR,  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  sobre  o  alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, no sentido de que, nos termos dos  arts. 2o e 3o da Lei 9.718/1998, as ditas contribuições só incidiriam “sobre o faturamento, assim  entendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de  qualquer  natureza,  não  procedendo  a  pretensão  fiscal  de  exigir  tais  contribuições  sobre  receita financeira.”  Inicialmente, cabe consignar que a ação é um título representativo da menor  parcela  do  capital  social  da  sociedade  anônima  ou  companhia  e,  se  emitido  por  companhia  aberta, sabidamente, tem natureza jurídica de ativo financeiro, especificamente, na condição de  valor mobiliário6.  Em  face  dessa  característica,  os  resultados  positivos  (lucros)  obtidos  nas  operações  de  alienação  de  ações  de  companhias  abertas  de  propriedade  das  sociedades  corretoras  (carteira  própria  de  ações),  quando  por  elas  realizadas/alienadas,  no  mercado  de  capitais  ou  fora  dele,  são  considerados  receitas  operacionais  ou  receitas  operacionais  bruta,  uma vez que decorrente da atividade empresarial típica ou principal.  Da mesma forma, no Plano Contábil das  Instituições do Sistema Financeiro  Nacional  (COSIF)  os  resultados  positivos  obtidos  nas  operações  de  venda/alienação  das                                                              6 No mesmo sentido, a abalizada doutrina do Prof. Samuel Carvalho Gaudêncio, para quem "apenas as ações das  companhias  abertas  serão  consideradas  valores mobiliários,  em  razão  do  investimento  de  um  terceiro,  captado  mediante uma oferta pública, fato esse que não ocorre com as ações de uma companhia fechada, tendo em vista  que,  nesse  cenário,  não  há,  por  exemplo,  uma  oferta  pública  com  o  intuito  de  captar  recursos  de  terceiro."  (GAUDÊNCIO,  Samuel  Carvalho.  Tributação  dos  valores mobiliários.  2.  ed.  São  Paulo:  IOB SAGE,  2017,  p.  100)  Fl. 846DF CARF MF     24 referidas ações também foram considerados como receitas operacionais e registrados na conta  “7.1.9.15.00­77:  LUCROS EM OPERACOES DE VENDA OU DE TRANSFERENCIA DE  ATIVOS FINANCEIROS”, pertencente ao subgrupo “7.1 ­ RECEITAS OPERACIONAIS”.  Assim, se para as sociedades corretoras, as receitas auferidas na alienação de  ações  são  consideradas  receitas operacionais de  venda de  ativos  financeiros,  provenientes da  atividade  principal,  inequivocamente,  tais  receitas  integram  o  conceito  de  faturamento,  definido no art. 2º da Lei Complementar 70/1991, a seguir transcrito:  Art. 2º A contribuição de que trata o artigo anterior será de  dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim  considerado  a  receita bruta das vendas de mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer  natureza. (grifos não originais)  E  para  as  instituições  financeiras,  incluindo  as  sociedades  corretoras  de  títulos  e  valores mobiliários,  a  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  é  a  receita  bruta  operacional,  com  as  exclusões  estabelecidas  no  art.  1º8  da  Lei  9.701/1998.  Assim,  resta  demonstrado,  que  a  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  alcança  todas  as  receitas  da  atividade  principal  ou  típica  das  sociedades  corretoras  de  títulos  e  valores  mobiliários,  a  exemplo, da atividade de alienação de ações (ativos financeiros).  Esse  é  o  entendimento  que  se  extrai  da  decisão  do  STF,  que  declarou  a  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das  referidas contribuições, previsto  no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, em relação as  receitas das atividades desenvolvidas pelas  pessoas jurídicas do setor financeiro.  A citada decisão do plenário do STF, proferida no âmbito do julgamento dos  RREE  nºs  346.084/PR,  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  limitou­se  em  analisar  e  declarar  a  inconstitucionalidade  apenas  do  alargamento  da  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  que  se  encontrava  previsto  no  atualmente  revogado  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  9.718/1998. Entretanto,  registre­se  que,  embora  a definição  de  faturamento  não  tenha  sido o  objeto  dos  referidos  julgados,  inequivocamente,  nos  vários  votos  condutores  dos  referidos  julgados foram feitas menções ao alcance da referida definição, no sentido de nele incluir não  só as recitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou da combinação  de ambos, bem como todas receitas próprias ou típicas da atividade da pessoa jurídica.  Assim, em relação à definição ou ao alcance do conceito de faturamento das  instituições  financeiras,  por  economia  processual  e  com  respaldo  no  §  1º  do  art.  50  da  Lei  9.784/1999, aqui adota­se como razão de decidir os fundamentos expostos com profundidade e  clareza  pelo  nobre Conselheiro Paulo Guilherme Dêrouléde  no  voto  condutor do  acórdão  nº  3302­004.100, proferido por  este Colegiado na  recente Sessão de 25 de  abril  de 2017,  cujos  excertos pertinentes seguem reproduzidos:  Destarte,  impende  discorrer  sobre  o  alcance  das  decisões  proferidas  nos  RREE  nº  346.084/PR;  nº  357.950/RS;  nº                                                              7 Segundo o COSIF,  a  função da  referida  conta  é  "registrar,  pela  instituição vendedora ou  cedente,  o  resultado  positivo apurado em uma operação de venda ou de transferência de ativos financeiros que foram por ela baixados,  integral ou proporcionalmente."  8 "Art. 1º  Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social ­  PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas  referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou  deduções da receita bruta operacional auferida no mês:"  Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 836          25 358.273/RS;  e  nº  390.840/MG,  para  verificar  o  alcance  da  decisão proferida no mandado de segurança em apreço.  No  julgamento  do  RE  390.840/MG,  o  voto  do Ministro  relator  Marco  Aurélio  concluiu,  de  forma  genérica,  que  considera­se  “receita bruta ou  faturamento o que decorra quer da venda de  mercadorias,  quer  da  venda  de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços, não se considerando receita de natureza diversa”.  Por sua vez, o Ministro Cezar Peluso, em voto­vista, considerou  faturamento  “entendido  como  resultado  econômico  das  operações empresariais típicas”, constituindo a base de cálculo  da contribuição e concluiu seu voto nos seguintes termos:  “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei  nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e  qualquer receita”...  Quanto  ao  caput  do  art.  3º,  julgo­o  constitucional,  para  lhe  dar  interpretação conforme à Constituição,  nos  termos do  julgamento  proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta  como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita  bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado  pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das  receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.”  O Ministro Peluso, em esclarecimentos, enfatizou:  “Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que  não  fique  nenhuma  dúvida  ao  propósito.  Quando  me  referi  ao  conceito  construído  sobretudo  no  RE  150.755,  sob  a  expressão  "receita  bruta  de  venda  de  mercadorias  e  prestação  de  serviço",  quis  significar que  tal  conceito  está  ligado à  idéia de produto do  exercício  de  atividades  empresariais  típicas,  ou  seja,  que  nessa  expressão  se  inclui  todo  incremento  patrimonial  resultante  do  exercício de atividades empresariais típicas.   Se  determinadas  instituições  prestam  tipo  de  serviço  cuja  remuneração  entra  na  classe  das  receitas  chamadas  financeiras,  isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo  empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita  bruta igual a faturamento" .  Em debates, transcrevem­se algumas passagens:  MIN. MARCO AURÉLIO (RELATOR):  “Presidente,  na  condição  de  relator,  permita­me  aos  colegas  escancarar a questão versada neste processo.  Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação  anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa  lei  preceituou  algo  que  se  mostrou  consentâneo  com  o  Diploma  Maior:  “art.  3º.  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.”  Fl. 848DF CARF MF     26 O  Tribunal  estabeleceu  a  sinonímia  “faturamento/receita  bruta”,  conforme  decisão  proferida  na  ADC  nº  1­1/DF  –  receita  bruta  evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa.  O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional.  O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional.  (...)”  Por seu turno, o Ministro Carlos Britto assentou:   “Por  isso  estou  insistindo na  sinonímia “faturamento”  e “receita  operacional”,  exclusivamente,  correspondente  àqueles  ingressos  que  decorram  da  razão  social  da  empresa,  da  sua  finalidade  institucional.  Logo, receita operacional é receita bruta de  tais vendas, mas não  incorpora  outras  modalidades  de  ingresso  financeiro:  royalties,  aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações, etc”   Cumpre  observar  que,  de  forma  geral,  restou  assentada  a  sinonímia  entre  faturamento  e  receita  bruta,  abrangendo  o  produto  das  atividades  típicas  no  dizer  do  Ministro  Cezar  Peluso, ou a atividade precípua da empresa, expressão utilizada  pelo  Ministro  Marco  Aurélio,  ou  ainda,  os  ingressos  que  decorram  da  razão  social  da  empresa,  termos  utilizados  pelo  Ministro Carlos Britto.  Menciona­se,  corroborando  tal  assertiva,  o  julgamento  do  agravo regimental no RE 400.479­8/RJ, que questionava, dentre  outros, a inclusão dos prêmios de seguros recebidos na base de  cálculo  da  COFINS,  no  qual  o  Ministro  Peluso  confirmou  a  jurisprudência da Suprema Corte ao proferir voto nos seguintes  termos:  “Seja qual  for  a  classificação que  se dê às  receitas  oriundas dos  contratos  de  seguro,  denominados  prêmios,  o  certo  é que  tal  não  implica  na  sua  exclusão  da  base  de  incidência  das  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS,  mormente  após  a  declaração  de  inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo  Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na  decisão  agravada,  o  conceito  de  receita  bruta  sujeita  à  exação  tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços,  mas  a  soma  das  receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (grifo  não original)  Por  fim,  o  alcance  do  termo  faturamento  ou  receita  bruta  abarcando a atividade  empresarial  típica restou assente no RE  585.235­1/MG,  no  qual  reconheceu­se  a  repercussão  geral  do  tema concernente ao alargamento da base de  cálculo do PIS  e  da  Cofins  prevista  no  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  e  reafirmou­se a  jurisprudência  consolidada pela Corte  Suprema  nos leading cases. Transcreve­se a ementa:  EMENTA.  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º  da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  DE  1º.9.2006;  REs  nº  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 837          27 inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  ACÓRDÃO Vistos,  relatados e discutidos estes autos, acordam os  Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a  Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade  da ata de  julgamento e das notas  taquigráficas, por unanimidade,  em  resolver  questão  de  ordem  no  sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional,  reafirmar  a  jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º  do  artigo  3º  da  Lei9.718/98  e  negar  provimento  ao  recurso  da  Fazenda Nacional,  tudo  nos  termos  do  voto  do Relator.  Vencido,  parcialmente,  o Senhor Ministro Marco Aurélio,  que  entendia  ser  necessária  a  inclusão  do  processo  em  pauta.  Em  seguida,  o  Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de  súmula  vinculante  sobre  o  tema,  e  cujo  teor  será  deliberado  nas  próximas  sessões,  vencido  o  Senhor Ministro Marco Aurélio,  que  reconhecia  a  necessidade  de  encaminhamento  da  proposta  à  Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar  Mendes.  Ausentes,  justificadamente,  o  Senhor  Ministro  Celso  de  Mello,  a  Senhora  Ministra  Ellen  Gracie  e,  neste  julgamento,  o  Senhor Ministro Joaquim Barbosa.   Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso Relator No  voto, o Ministro Cezar Peluso consignou:  “1.  O  recurso  extraordinário  está  submetido  ao  regime  de  repercussão  geral  e  versa  sobre  tema  cuja  jurisprudência  é  consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta,  violando,  assim,  a  noção  de  faturamento  pressuposta  na  redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e  cujo  significado  é  o  estrito  de  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou  seja,  soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais....”(grifei)  Salienta­se,  ainda,  que  a  incidência  de  PIS  e  Cofins,  especificamente,  sobre  as  receitas  financeiras  das  instituições  financeiras  está  sendo  julgada  no  RE  609.096/RS,  no  qual  foi  reconhecida a repercussão geral do tema, em 03/03/2011, o que  implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos  dos  RREE  nº  346.084/PR;  nº  357.950/RS;  nº  358.273/RS;  e  nº  390.840/MG  e,  conseqüentemente,  ainda  não  foi  decidida  pela  Suprema Corte.   Frise­se que no AG. REG. no AG.REG. no RE 582.258  /MG, o  Ministro  relator  Ricardo  Lewandowski,  em  06/04/2010,  esclareceu  que  a  inclusão  das  receitas  financeiras  auferidas  pelas  instituições  financeiras  não  se  confundiam  com  o  debate  acerca  da  inconstitucionalidade  do  §1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/1998, conforme se depreende da ementa a seguir:  EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS  O  RECONHECIMENTO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA DO  SUPREMO.  INCLUSÃO DAS RECEITAS  FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS  NO  CONCEITO  DE  FATURAMENTO.  MATÉRIA  ESPECÍFICA  NÃO  PREQUESTIONADA.  DECISÃO  DE  RECONSIDERAÇÃO  Fl. 850DF CARF MF     28 QUE  ALTERA  O  CONTEÚDO  DECISÓRIO  E  CONTRARIA  AS  RAZÕES  DE  DECIDIR  DA  DECISÃO  RECONSIDERADA.  REABERTURA  DE  PRAZO  PARA  RECORRER.  AGRAVO  IMPROVIDO.   I  ­  O  STF  não  tem  competência  para  determinar,  de  imediato,  a  aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato  normativo considerado inconstitucional.   II ­ A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas  por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de  incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a  constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989. Ausência  de  prequestionamento  da  primeira  matéria,  que  impossibilita  a  análise do recurso quanto ao ponto.   III ­ Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair  ou  exceder  os  fundamentos mantidos  na  decisão modificada,  não  configura  mera  correção  de  erro  de  fato,  mas  caracteriza  nova  decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso.   IV ­ Agravo regimental improvido.”  Destarte, entendo que a declaração de inconstitucionalidade do  § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nos leading cases não afastou a  tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades  empresarias  típicas  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  reconhecida  no  RE  585.235­1/MG,  mas,  ao  contrário,  a  reafirmou. Ressalte­se que  a  repercussão  geral  reconhecida  no  referido  RE  implica  sua  reprodução  nos  julgamentos  administrativos  no  âmbito do CARF,  conforme disposto no  art.  62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF.  Além disso,  resta  claro  que  o  próprio STF  entende que  o  tema  específico  relativo  à  tributação  das  receitas  financeiras  auferidas pelas instituições financeiras não foi objeto do debate  sobre  a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/1998  travado  nos  leading  cases,  mas,  pelo  contrário,  é  tema específico do RE 609.096, submetido à repercussão geral.  De  outro  giro,  a  partir  das  decisões  do  STF,  o  Parecer  PGFN/CAT nº 2.773/2007 abordou o conceito de  serviços para  as  instituições  financeiras  e  seguradoras,  cujos  argumentos  transcrevo abaixo:  “9.  Com  efeito  o  enquadramento  da  atividade  de  bancos  e  de  seguros  no  setor  terciário  da  economia  (serviços)  é  contemplado  no  Acordo  Geral  sobre  Comércio  de  Serviços  (GATS),  firmado  durante  a  rodada  de  negociações  multilaterais  promovidas  no  âmbito  de  Acordo  Geral  sobre  Tarifas  e  Comércio  1994  (GATT  1994) – Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30  de dezembro de 1994.  ...  31. Recentemente,  o STF,  ao  julgar a ADI nº 2591,  entendeu  por  submeter  tais  atividades  à  disciplina  do  Código  de  Defesa  do  Consumidor, em face do disposto no §2º do art. 3º da Lei 8.078, de  1990,  que  delimita  o  serviço  como “qualquer  atividade  fornecida  no  mercado  de  consumo,  mediante  remuneração,  inclusive  as  de  natureza  bancária,  financeira,  de  crédito  e  securitária,  salvo  as  decorrentes  das  relações  de  caráter  trabalhista”.  Tal  decisão  Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 838          29 prestigiou  a  doutrina  de  Nelson  Nery  Junior,  que  consignou  in  verbis:”  Todas  as  operações  e  contratos  bancários  se  encontram  sob o  regime  jurídico do CDC”, em detrimento daqueles que não  entendem  que  tais  serviços  se  submetam  ao  regime  jurídico  do  CDC.  32.Dessa forma,  fica claro que a atividade bancária é constituída  por serviços que são disponibilizados aos clientes, dentre os quais  se  inclui  a  intermediação  financeira.  Efetivamente,  o  ponto  fundamental  do  presente  trabalho  é  possuir  a  clara  avaliação  do  que  se  pode  considerar  serviço  para  fins  tributários.  Assim,  o  conceito  de  serviço,  deve  ser  considerado  sob  o  “contexto  sistemático  da  Constituição”,  que  “leva  à  conclusão  de  que  o  conceito  constitucional  de  serviço  não  coincide  com  o  emergente  da  acepção  comum,  ordinária,  desse  vocábulo”.  Foi  Alfredo  Augusto Becker – apoiado em Pontes de Miranda – quem melhor  mostrou que a norma jurídica como que “deturpa” ou “deforma”  os  fatos,  do  mundo,  ao  erigi­los  em  fatos  jurídicos”.9  Ainda,  segundo  Aires  Barreto,  “serviço  tributável  é  o  desempenho  de  atividade economicamente apreciável, produtiva de utilidade para  outrem,  porém  sem  subordinação,  sob  regime  de  direito  privado,  com fito de remuneração”.10   33.Com efeito, o  conceito de serviços não se  limita àqueles assim  caracterizados  na  legislação  e  na  doutrina  especificamente  bancárias,  na  qual  as  atividades  da  instituições  financeiras,  em  geral,  discriminadas  entre  operações  bancárias  (em  síntese,  relacionadas  à  intermediação  financeira)  e  serviços  bancários  (estes,  em  síntese,  relacionados  à  prestação  direta  de  serviços  pelas  instituições a  seus usuários, clientes ou não, e normalmente  remunerados sob a forma de tarifas).  35.Tal  conceito  (de  serviços)  compreende  a  totalidade  das  atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do  seu  objeto  social  legalmente  tipificado –  ou  seja,  compreendendo  tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros,  como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros  do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na  Rodada Uruguai  do GATT  (1994)  e  promulgado  pelo Decreto  nº  1.355, de 30 de dezembro de 1994.   (...)  50.  Nesse  passo,  temos  que  a  natureza  jurídica  dos  serviços  de  intermediação  financeira  não  é  diferente  da  natureza  jurídica  de  quaisquer outros serviços colocados, pelas instituições financeiras,  à disposição de seus clientes. Ontologicamente a única diferença é  a forma como se aufere a receita proveniente de tais serviços.  51. De  fato,  a  receita  auferida  pelos  serviços  de  fornecimento  de  talão  de  cheques,  extratos,  compensação  de  cheques,  etc.,  é  proveniente de pagamentos  diretos  feitos pelos  clientes  (por meio  do  débito  automático  de  tarifas  correspondentes  nas  contas  de  depósito dos mesmos). Por outro lado, as receitas provenientes dos  serviços  de  intermediação  ou  aplicação  de  recursos  são  decorrentes exatamente de  tais  transações, ou seja, correspondem                                                              9 Barreto, Aires F.  in ISS – Atividades‑Meio e Serviço‑Fim. Revista Dialética de Direito Tributário, p. 78, nº 5, fevereiro, 1996,  citado  por  Karla  Patrícia  de  Castro  Almeida    ‑  Direito  Tributário  –  Estudos  em  Homenagem  a  Hugo  de  Brito  Machado,  Fortaleza, Imprensa Universitária, 2003, p. 160.  10 Op. Cit., p. 160.  Fl. 852DF CARF MF     30 à diferença apurada entre os valores originariamente aplicados, o  seu rendimento, e o valor que contratualmente deve ser devolvido  ao aplicador ao final da operação, o que se convencionou chamar  de spread, como já demonstrado.  (...)  66. Em face dos argumentos acima expendidos, conclui­se que:  (...)  f)  no caso da COFINS o conceito de  receita bruta é o contido no  art. 2º da LC nº 70, de 1991, isto é, as receitas advindas da venda  de mercadorias e da prestação de serviços;  g) no caso do PIS o conceito de receita bruta é o contido no art. 1º  da Lei nº 9.701, de 1998;  h)  serviços  para  as  instituições  financeiras  abarcam  as  receitas  advindas  da  cobrança  de  tarifas  (serviços  bancários)  e  das  operações bancárias (intermediação financeira);  i)  serviços  para  as  seguradoras abarcam as  receitas advindas do  recebimento dos prêmios;  (...)  66.  Têm­se,  então,  que  a  natureza  das  receitas  decorrentes  das  atividades  do  setor  financeiro  e  de  seguros  pode  ser  classificada  como  serviços  para  fins  tributários,  estando  sujeita  à  incidência  das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos  §§  5º  e  6º  do mesmo  artigo,  exceto  no  que  diz  respeito  ao  ‘plus’  contido  no  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  considerado  inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.950­9/RS  e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.”  Percebe­se que as conclusões obtidas no Parecer PGFN/CAT nº  2.773/2007  se  coadunam  com  o  entendimento  exarado  no  RE  585.235­1/MG,  e  prestigiam  o  princípio  da  universalidade  na  manutenção  da  seguridade  social  (art.  195,  caput  da  Constituição  Federal)  e  da  capacidade  contributiva  (art.  145,  §1º  da  Constituição  Federal),  revelando,  pois,  legítimas  as  incidências  de  PIS  e  Cofins  sobre  as  receitas  oriundas  das  atividades empresariais dos contribuintes.  Neste  sentido,  citam­se  julgados  de  outras  turmas  deste  Conselho em processos da própria recorrente, a saber:  Acórdão nº 3403­003.522:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  BASE  DE  CÁLCULO.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  AUSÊNCIA  DE  INCLUSÃO  NA  DISCUSSÃO  SOBRE  A  CONSTITUCIONALIDADE DO  §  1º  DO  ART. 3º DA LEI no 9.718/1998.  A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a  instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela  aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei no 9.718/1998,  aplicadas  as  exclusões  e  deduções  gerais  e  específicas  previstas  nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das  Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 839          31 receitas  auferidas  por  instituições  financeiras  no  conceito  de  faturamento,  para  fins  de  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP,  não  se  confunde  com  o  debate  envolvendo  a  constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998, como  já reconheceu o STF.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  AUSÊNCIA  DE  INCLUSÃO  NA  DISCUSSÃO  SOBRE  A  CONSTITUCIONALIDADE  DO  §  1º  DO  ART.  3º  DA  LEI  no  9.718/1998.   A  base  de  cálculo  da  COFINS  em  relação  a  instituições  financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do  disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as  exclusões  e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º  do  referido  art.  3º.  A  discussão  sobre  a  inclusão  das  receitas  auferidas por  instituições  financeiras  no  conceito de  faturamento,  para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate  envolvendo  a  constitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  no  9.718/1998, como já reconheceu o STF.  Acórdão nº 3301­002.761:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008  TEMPESTIVIDADE  VÍCIO  DE  REPRESENTAÇÃO  PROCESSUAL  Conhecido  o  Recurso,  uma  vez  que  o  vício  de  representação  processual foi sanado em prazo razoável.  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Programa  de  integração  Social  PIS  e  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  COFINS  Anos­calendário: 2005, 2006, 2007 e 2008  DESRESPEITO  À  COISA  JULGADA  CONCEITO  DE  FATURAMENTO  INCONStITUCIONALIDADE DO §  1°  do ART.  3° DA LEI N° 9.718/98  Não  houve  afronta  à  coisa  julgada  inconstitucionalidade  da  ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do  art.  3° da Lei n° 9.718/98 pois as  receitas  financeiras  são  típicas  da  atividade  fim  das  instituições  financeiras  e,  portanto,  componentes do seu faturamento.   FATURAMENTO  PARA  AS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS  RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LC 116/03  A tipificação dos bens e serviços foi posta em segundo plano pelo  STF,  posto  que,  para  ser  sofrer  a  incidência  das  contribuições,  basta  que  a  receita  seja  decorrente  do  objeto  social  da  pessoa  jurídica.   Fl. 854DF CARF MF     32 DIREITO  À  COMPENSAÇÃO  DE  VALOR  RECOLHIDO  A  MAIOR COM A CONTRIBUIÇÃO DEVIDA  Deve ser admitida a compensação dos valores pagos a maior, à luz  do  princípio  da  verdade  material,  comum  ao  Procedimento  e  Processo Administrativo Tributário.   MULTA DE OFÍCIO VALORES NÃO DECLARADOS EM DCTF  INCONSTITUCIONAL, DADO AO CARÁTER CONFISCATÓRIO  Aplicável a multa de ofício sobre os valores apurados no curso da  ação  fiscal,  não  declarados  na  DCTF.  Não  compete  ao  CARF  pronunciar­se sobre inconstitucionalidade de lei tributária.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito tributário Mantido em Parte   Cita­se,  também,  decisão  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais – CSRF – que negou provimento a  recurso  especial do  contribuinte  no  Acórdão  nº  9303­002.934,  processo  10675.720829/2010­23,  julgado  em  04/06/2014,  cuja  ementa  transcreve­se:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Data  do  fato  gerador:  31/01/2004  PIS/PASEP.  BASE  DE  CÁLCULO.  LEI  9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE.  DECISÃO  STF.  REPERCUSSÃO GERAL.  As  decisões  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no  artigo  543­B  do  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  no  julgamento  do  recurso  apresentado  pelo  contribuinte.  Artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  Declarado  inconstitucional  o  §  1º  do  caput  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98,  integra  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  COFINS  e  da  Contribuição  para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita  bruta  advinda  das  atividades  operacionais  típicas  da  pessoa  jurídica.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.  Conclui­se, portanto, que as receitas decorrentes das atividades  empresariais  típicas  das  instituições  financeiras  se  sujeitam  à  incidência do Pis e da Cofins.  Assim  como  a  jurisprudência  do  STF,  a  jurisprudência  consolidada  do  Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem manifestado o entendimento de que, para fins  de  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  o  faturamento  compreende  o  conjunto  de  receitas  decorrentes  da  execução  da  atividade  empresarial. A  título  de  exemplo,  cita­se o REsp nº 929.521/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujo enunciado da  ementa segue transcrito:  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­ C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  COFINS.  LOCAÇÃO  DE  BENS MÓVEIS.  INCIDÊNCIA.  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO  535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.  Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 840          33 1.  A  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ COFINS incide sobre as receitas provenientes das  operações  de  locação  de  bens  móveis,  uma  vez  que  "o  conceito  de  receita  bruta  sujeita  à  exação  tributária  envolve,  não  só  aquela  decorrente  da  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços, mas  a  soma  das  receitas oriundas do exercício das atividades empresariais"  (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes  da  locação de bens  imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a):  Min.  Cezar  Peluso,  Segunda  Turma,  julgado  em  03.10.2006,  DJ  27.10.2006).  Precedentes  das  Turmas  de  Direito Público  do  STJ  acerca  de  receitas  decorrentes  da  locação  de  bens  móveis:  AgRg  no  Ag  1.136.371/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.08.2009,  DJe  27.08.2009;  AgRg  no  Ag  1.067.748/RS,  Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,  Segunda Turma,  julgado  em  19.05.2009,  DJe  01.06.2009;  REsp  1.010.388/PR,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira Turma,  julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009;  e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda,  Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007.  2.  Deveras,  "a  base  de  incidência  da  COFINS  é  o  faturamento,  assim  entendido  o  conjunto  de  receitas  decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no  conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos  até  mesmo  os  bens  imóveis,  com  mais  razão  se  há  de  reconhecer  a  sujeição  das  receitas  auferidas  com  a  operações  de  locação  de  bens  móveis  à  mencionada  contribuição"  (REsp  1.010.388/PR,  Rel.  Ministro  Teori  Albino Zavascki, Primeira Turma,  julgado em 03.02.2009,  DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  19.08.2004, DJ 06.09.2004).  3.  Conseqüentemente,  a  definição  de  faturamento/receita  bruta  engloba  as  receitas  advindas  das  operações  de  locação  de  bens móveis,  que  constituem  resultado mesmo  da atividade econômica empreendida pela empresa.  4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal  de  origem,  embora  sucintamente,  pronuncia­se  de  forma  clara  e  suficiente  sobre  a  questão  posta  nos  autos.  Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a  um,  os  argumentos  trazidos  pela  parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para  embasar a decisão.  5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é  passível de apreciação em sede de recurso especial.  Fl. 856DF CARF MF     34 6.  A  ausência  de  similitude  fática  entre  os  arestos  confrontados  obsta  o  conhecimento  do  recurso  especial  pela alínea "c", do permissivo constitucional.  7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte,  desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  Proposição  de  verbete sumular.11  Ainda em relação à abrangência do conceito de faturamento, concernente às  atividades  das  instituições  financeiras,  cabe  trazer  à  colação  as  lúcidas  e  oportunas  considerações  apresentadas  pelo  brilhante  Ex­Conselheiro  Ricardo  Paulo  Rosa,  no  voto  condutor do acórdão nº 3302­003.237, proferido na Sessão de 22 de junho de 2016, de se extrai  os excertos pertinentes que sequem reproduzidos:  E há, ainda, outras questões que precisam ser consideradas.  Resgatando mais  uma  vez  o  arcabouço  normativo  histórico  da  Cofins,  vê­se  que  foi  a  Lei  Complementar  nº  70/91  que,  ao  disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  Cofins,  seu  raio  de  alcance e fonte de financiamento das atividades fins das áreas de  saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições a  que se refere o § 1° do art. 22 da Lei nº 8.212/91 do pagamento  da  Contribuição,  elevando,  concomitantemente,  a  alíquota  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida.  Lei Complementar 70/91  Art.  11.  Fica  elevada  em  oito  pontos  percentuais  a  alíquota  referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991,  relativa à contribuição social sobre o  lucro das  instituições a que  se  refere  o  §  1°  do  art.  22  da  mesma  lei,  mantidas  as  demais  normas  da  Lei  n°  7.689,  de  15  de  dezembro  de  1988,  com  as  alterações posteriormente introduzidas.  Parágrafo  único.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  disposto  neste  artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre  o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar.  Lei 8.212/91  Art.  23.  As  contribuições  a  cargo  da  empresa  provenientes  do  faturamento  e  do  lucro,  destinadas  à  Seguridade  Social,  além  do  disposto  no  art.  22,  são  calculadas  mediante  a  aplicação  das  seguintes alíquotas:  I  ­  2%  (dois  por  cento)  sobre  sua  receita  bruta,  estabelecida  segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25  de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº  2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores;  II  ­  10%  (dez  por  cento)  sobre  o  lucro  líquido  do  períodobase,  antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do  art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990.                                                              11 BRASIL. STJ. REsp 929.521/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe  13/10/2009.  Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 841          35 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a  alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por  cento).  § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o  art. 25.  Merece especial atenção a exclusão prevista no parágrafo único  do artigo 11 da Lei Complementar 70/91. Partindo da premissa  de  que  a  lei  não  contém  expressões  inúteis,  falece  razão  à  determinação de que as instituições relacionadas o § 1° do art.  22  da  Lei  8.212/91,  dentre  elas  a  litigante,  sejam  excluídas,  acaso  elas  não  estivessem,  pelo  comando  geral  da  Norma,  incluídas.  Isso  significa  dizer  que,  já  na  vigência  da  Lei  Complementar 70/91, as atividades desenvolvidas pela  litigante  estavam  sujeitas  ao  pagamento  da  Contribuição,  pois  enquadrar­se­iam no conceito de serviços.  A  despeito  disso,  fato  é  que,  após,  a  Lei  9.718/98  e  outras  medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP  2.158/01  e,  mais  tarde,  as  Leis  10.637/03  e  10.833/03,  que  introduziram o Sistema Não­Cumulativo das Contribuições para  o PIS/Pasep e Cofins, foi revisto o Sistema de financiamento da  Seguridade  Social  como  um  todo,  e  incluídas,  expressamente,  dentre outras,  as  corretoras no  rol  de  contribuintes  sujeitos ao  recolhimento  da  exação  fiscal,  como  se  extrai  do  texto  dos  parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98.  § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22  da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os  efeitos  da  COFINS,  as  mesmas  exclusões  e  deduções  facultadas  para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para  o PIS/PASEP  § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o  PIS/PASEP e COFINS,  as pessoas  jurídicas  referidas no  § 1o  do  art.  22  da Lei  no  8.212,  de 1991,  além  das  exclusões  e  deduções  mencionadas  no §  5o,  poderão  excluir  ou  deduzir:  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 215835, de 2001)  Como  dito  de  início,  a  declaração  de  inconstitucionalidade  alcançou  exclusivamente  o  parágrafo  primeiro  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98.  De  tudo  o  que  se  coloca,  fica  claro  que  não  somente o  caput do artigo, mas  os demais parágrafos  e  toda a  regulamentação  superveniente  deixou  de  ser  atingida  e  permanece até hoje em vigor. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º  do  artigo  3º,  assim  como  na  MP  2.158/01,  encontram­se  exclusões  permitidas  da  base  de  cálculo  das  Contribuições  apuradas  no  Sistema  Cumulativo,  que  não  fariam  nenhum  sentido se a base continuasse adstrita às receita proveniente das  vendas de bens e  serviços,  no  caso do  conceito de  serviços  ser  interpretado  tão  restritivamente  como  frequentemente  se  pretende.  E, veja­se, se o que se discute é a possibilidade de que estejam  extirpados  do  ordenamento  jurídico  todas  as  disposições  normativas  introduzidas  pelo  artigo  3º  da  Lei  9.718/98  e  MP  Fl. 858DF CARF MF     36 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do  pagamento  da  Cofins  e  não  apenas  das  receitas  atípicas,  uma  vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da  Lei  Complementar  70/91  decorre  das  disposições  introduzidas  pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01.  Com base nessas considerações e sob pena de completa ineficácia de todo o  arcabouço legal que trata da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins das pessoas  jurídicas  do  setor  financeiro,  a  conclusão  inevitável  é  no  sentido  de  que  todas  as  receitas  decorrentes  das  atividades  empresariais  principais  ou  típicas  das  instituições  financeiras  sujeitam­se à incidência das referidas contribuições, por integrarem o conceito de faturamento  do setor financeiro.  Com  base  nessas  considerações,  resta  demonstrado  que  o  conceito  de  faturamento  compreende  a  totalidade  das  atividades  desenvolvidas  pelas  instituições  financeiras  integrantes  do  objeto  social  legalmente  especificado  e  não  apenas  as  receitas  de  prestação de serviços, em sentido estrito, como alegado pela recorrente.  Da natureza das receitas auferidas pela recorrente  No  recurso  em  apreço,  a  recorrente  alegou  que  a  autuação  em  apreço  contrariava a conclusão esposada no Parecer PGFN/CAT n° 2.773, de 2007, no sentido de que,  para  fins  tributários,  era  de  prestação  de  serviços  a  natureza  das  receitas  decorrentes  das  atividades do setor financeiro e de seguros. Logo, no caso das sociedades corretoras de títulos e  valores mobiliários, somente a receita decorrente da intermediação na compra e venda de ações  (serviço  prestado  para  um  terceiro  mediante  remuneração),  ou  seja,  somente  a  taxa  de  corretagem  cobrada  pela  recorrente  de  seus  clientes  integrava  a  base  de  cálculo  das  citadas  contribuições. Assim, como as receitas das operações de alienação/venda de ações da própria  recorrente, objeto das presentes autuações, foram realizadas com recursos próprios e no único e  exclusivo  interesse  da  recorrente,  não  havia  intermediação  financeira  alguma  e,  por  conseguinte,  não  havia  prestação  de  serviços. Assim,  para  a  recorrente,  as  receitas  auferidas  nas citadas operações não integrava a base de cálculo das referidas contribuições.  Não é verdade que a conclusão esposada no referido Parecer fora no sentido  de  que  todas  receitas  típicas  do  setor  financeiro  tinham  natureza  de  prestação  de  serviços.  Consta da conclusão do citado Parecer (item 6612, alínea “h”) que as receitas de prestação de  serviços  das  instituições  financeiras  “abarcam  as  receitas  advindas  da  cobrança  de  tarifas  (serviços  bancários)  e  das  operações  bancárias  (intermediação  financeira)”.  Portanto,  ao  contrário do afirmado pela recorrente, as receitas de prestação de serviços são o gênero do qual  são espécies as receitas advindas, por exemplo, “da cobrança de tarifas (serviços bancários) e  das operações bancárias (intermediação financeira)”.  Além disso, não há qualquer afirmação no âmbito do citado Parecer de que as  demais receitas típicas ou principais das atividades do setor financeiro não integram a base de  cálculo das referidas contribuições, como asseverado pela recorrente. Ao contrário, segundo o  item 35 do citado Parecer, a seguir transcrito, o conceito de serviços “compreende a totalidade  das  atividades  desenvolvidas  pelas  instituições  financeiras  em  torno  do  seu  objeto  social                                                              12 “66. Em face dos argumentos acima expendidos, conclui­se  que:  [...]  h)  serviços  para  as  instituições  financeiras  abarcam  as  receitas  advindas  da  cobrança  de  tarifas  (serviços  bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira);  [...]"  Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 842          37 legalmente  tipificado  ­  ou  seja.,  compreendendo  tanto  as  “operações”  quanto  os  “serviços”  bancários/financeiros”:  35.  Tal  conceito  (de  serviços)  compreende  a  totalidade  das  atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno  do  seu  objeto  social  legalmente  tipificado  ­  ou  seja.,  compreendendo  tanto  as  “operações”  quanto  os  “serviços”  bancários/financeiros,  como  caracterizado  no  item  5  do  Anexo  sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de  Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e  promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994.  E  nos  termos  do  artigo  2º,  IV,  do  Regulamento  Anexo  à  Resolução  1.655/1989 do CMN, a venda ou alienação das ações da própria sociedade corretora de título e  valores  mobiliários  (carteira  de  ações  própria)  faz  parte  do  seu  objeto  social,  logo,  inequivocamente, a receita proveniente dessas operações faz parte do faturamento das referidas  sociedades. Logo, por se tratar de receita típica ou principal da recorrente, inequivocamente, a  referida receita  integra a base de cálculo das  referidas contribuições, conforme anteriormente  demonstrado.  Da  mesma  forma,  registre­se  ainda  que,  no  COSIF,  tais  receitas  integram  o  subgrupo  das  receitas  operacionais  ou  receitas  brutas  operacionais,  conforme  anteriormente  demonstrado.  No  caso,  o  que  a  recorrente  defende  é  a  adoção  do  conceito  civilista  de  serviços,  consistente  em  obrigação  de  fazer.  No  entanto,  para  fins  tributários,  a  acepção  do  termo  é  mais  abrangente,  ou  seja,  na  seara  tributária  o  conceito  de  serviços  adotado  é  o  econômico e não o civilista, como defende a recorrente.  Nesse sentido, o entendimento manifestado pela atual jurisprudência do STF,  esposada  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  651.703/PR,  realizado  na  recente  Sessão de 29/9/2016, sob o regime repercussão geral, que tratou da questão atinente à cobrança  do ISS sobre as atividades das operadoras de planos de saúde e seguro­saúde, e onde assunto  sobre  alcance  conceito  de  serviços,  para  efeitos  tributários,  foi  abordado  com  profundidade  conforme se verifica no enunciado da ementa do referido julgado, que segue transcrito:  EMENTA:RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  ISSQN.  ART.  156,  III,  CRFB/88.  CONCEITO  CONSTITUCIONAL  DE  SERVIÇOS  DE  QUALQUER  NATUREZA. ARTIGOS 109 E 110 DO CTN. AS OPERADORAS  DE PLANOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE (PLANO  DE SAÚDE E SEGURO­SAÚDE) REALIZAM PRESTAÇÃO DE  SERVIÇO  SUJEITA  AO  IMPOSTO  SOBRE  SERVIÇOS  DE  QUALQUER NATUREZA­ISSQN, PREVISTO NO ART. 156, III,  DA CRFB/88.  1. O  ISSQN  incide  nas  atividades  realizadas  pelas Operadoras  de  Planos  Privados  de  Assistência  à  Saúde  (Plano  de  Saúde  e  Seguro­Saúde).  2. A coexistência de conceitos jurídicos e extrajurídicos passíveis  de recondução a um mesmo termo ou expressão, onde se requer  a  definição  de  qual  conceito  prevalece,  se  o  jurídico  ou  o  extrajurídico,  impõe  não  deva  ser  excluída,  a  priori,  a  possibilidade  de  o  Direito  Tributário  ter  conceitos  implícitos  Fl. 860DF CARF MF     38 próprios ou mesmo fazer remissão, de forma tácita, a conceitos  diversos  daqueles  constantes  na  legislação  infraconstitucional,  mormente  quando  se  trata  de  interpretação  do  texto  constitucional.  3. O Direito Constitucional Tributário adota conceitos próprios,  razão pela qual não há um primado do Direito Privado.  4.  O  art.  110,  do  CTN,  não  veicula  norma  de  interpretação  constitucional,  posto  inadmissível  interpretação  autêntica  da  Constituição  encartada  com  exclusividade  pelo  legislador  infraconstitucional.  5. O conceito de prestação de “serviços de qualquer natureza” e  seu  alcance  no  texto  constitucional  não  é  condicionado  de  forma  imutável  pela  legislação  ordinária,  tanto  mais  que,  de  outra  forma,  seria  necessário  concluir  pela  possibilidade  de  estabilização  com  força  constitucional  da  legislação  infraconstitucional,  de  modo  a  gerar  confusão  entre  os  planos  normativos.  6. O texto constitucional ao empregar o signo “serviço”, que, a  priori,  conota  um  conceito  específico  na  legislação  infraconstitucional,  não  inibe  a  exegese  constitucional  que  conjura o conceito de Direito Privado.  7. A exegese da Constituição configura a limitação hermenêutica  dos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional, por isso que,  ainda  que  a  contraposição  entre  obrigações  de  dar  e  de  fazer,  para  fins  de  dirimir  o  conflito  de  competência  entre  o  ISS  e  o  ICMS,  seja  utilizada  no  âmbito  do Direito Tributário,  à  luz  do  que  dispõem os  artigos  109  e  110,  do CTN,  novos  critérios  de  interpretação  têm  progressivamente  ampliado  o  seu  espaço,  permitindo  uma  releitura  do  papel  conferido  aos  supracitados  dispositivos.  8. A doutrina do tema, ao analisar os artigos 109 e 110, aponta  que  o  CTN,  que  tem  status  de  lei  complementar,  não  pode  estabelecer  normas  sobre  a  interpretação  da Constituição,  sob  pena  de  restar  vulnerado  o  princípio  da  sua  supremacia  constitucional.  9.  A  Constituição  posto  carente  de  conceitos  verdadeiramente  constitucionais,  admite  a  fórmula  diversa  da  interpretação  da  Constituição  conforme  a  lei,  o  que  significa  que  os  conceitos  constitucionais não são necessariamente aqueles assimilados na  lei ordinária.  10. A Constituição Tributária deve  ser  interpretada de acordo  com  o  pluralismo  metodológico,  abrindo­se  para  a  interpretação segundo variados métodos, que vão desde o literal  até  o  sistemático  e  teleológico,  sendo  certo  que  os  conceitos  constitucionais  tributários  não  são  fechados  e  unívocos,  devendo­se recorrer também aos aportes de ciências afins para  a sua interpretação, como a Ciência das Finanças, Economia e  Contabilidade.  11.  A  interpretação  isolada  do  art.  110,  do  CTN,  conduz  à  prevalência  do método  literal,  dando  aos  conceitos  de Direito  Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 843          39 Privado  a  primazia  hermenêutica  na  ordem  jurídica,  o  que  resta  inconcebível.  Consequentemente,  deve­se  promover  a  interpretação  conjugada  dos  artigos  109  e  110,  do  CTN,  avultando  o  método  sistemático  quando  estiverem  em  jogo  institutos e conceitos utilizados pela Constituição, e, de outro, o  método  teleológico quando não haja a constitucionalização dos  conceitos.  12. A unidade do ordenamento jurídico é conferida pela própria  Constituição,  por  interpretação  sistemática  e  axiológica,  entre  outros valores e princípios relevantes do ordenamento jurídico.  13.  Os  tributos  sobre  o  consumo,  ou  tributos  sobre  o  valor  agregado,  de  que  são  exemplos  o  ISSQN  e  o  ICMS,  assimilam  considerações  econômicas,  porquanto  baseados  em  conceitos  elaborados  pelo  próprio  Direito  Tributário  ou  em  conceitos  tecnológicos,  caracterizados  por  grande  fluidez  e  mutação  quanto à sua natureza jurídica.  14. O critério econômico não se confunde com a vetusta teoria  da  interpretação  econômica  do  fato  gerador,  consagrada  no  Código Tributário Alemão de 1919, rechaçada pela doutrina e  jurisprudência,  mas  antes  em  reconhecimento  da  interação  entre  o Direito  e  a Economia,  em substituição  ao  formalismo  jurídico,  a  permitir  a  incidência  do  Princípio  da  Capacidade  Contributiva.  15. A classificação das obrigações  em  “obrigação de  dar”,  de  “fazer”  e  “não  fazer”,  tem  cunho  eminentemente  civilista,  como  se  observa  das  disposições  no  Título  “Das Modalidades  das  Obrigações”,  no  Código  Civil  de  2002  (que  seguiu  a  classificação do Código Civil de 1916), em: (i) obrigação de dar  (coisa certa ou incerta) (arts. 233 a 246, CC); (ii) obrigação de  fazer (arts. 247 a 249, CC); e (iii) obrigação de não fazer (arts.  250 e 251, CC), não é a mais apropriada para o enquadramento  dos  produtos  e  serviços  resultantes  da  atividade  econômica,  pelo que deve ser apreciada cum grano salis.  16.  A  Suprema  Corte,  ao  permitir  a  incidência  do  ISSQN  nas  operações  de  leasing  financeiro  e  leaseback  (RREE  547.245  e  592.205),  admitiu  uma  interpretação  mais  ampla  do  texto  constitucional quanto ao conceito de “serviços” desvinculado do  conceito  de  “obrigação  de  fazer”  (RE  116.121),  verbis:  “EMENTA:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  ISS.  ARRENDAMENTO  MERCANTIL.  OPERAÇÃO DE LEASING FINANCEIRO. ARTIGO 156, III, DA  CONSTITUIÇÃO  DO  BRASIL.  O  arrendamento  mercantil  compreende  três modalidades,  [i]  o  leasing  operacional,  [ii]  o  leasing financeiro e [iii] o chamado leaseback. No primeiro caso  há  locação,  nos  outros  dois,  serviço.  A  lei  complementar  não  define o que é serviço, apenas o declara, para os fins do inciso  III do artigo 156 da Constituição. Não o  inventa,  simplesmente  descobre o que é serviço para os efeitos do inciso III do artigo  156  da  Constituição.  No  arrendamento  mercantil  (leasing  financeiro),  contrato  autônomo  que  não  é  misto,  o  núcleo  é  o  Fl. 862DF CARF MF     40 financiamento,  não  uma  prestação  de  dar. E  financiamento  é  serviço, sobre o qual o ISS pode incidir, resultando irrelevante  a existência de uma compra nas hipóteses do leasing financeiro  e  do  leaseback.  Recurso  extraordinário  a  que  se  nega  provimento.”  (grifo  nosso)  (RE  592905,  Relator  Min.  EROS  GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 02/12/2009).  17.  A  lei  complementar  a  que  se  refere  o  art.  156,  III,  da  CRFB/88,  ao  definir  os  serviços  de  qualquer  natureza  a  serem  tributados  pelo  ISS  a)  arrola  serviços  por  natureza;  b)  inclui  serviços  que,  não  exprimindo  a  natureza  de  outro  tipo  de  atividade,  passam  à  categoria  de  serviços,  para  fim  de  incidência  do  tributo,  por  força  de  lei,  visto  que,  se  assim  não  considerados,  restariam  incólumes  a  qualquer  tributo;  e  c)  em  caso de operações mistas, afirma a prevalência do serviço, para  fim de tributação pelo ISS.  18. O artigo 156,  III, da CRFB/88, ao referir­se a serviços de  qualquer  natureza  não  os  adstringiu  às  típicas  obrigações  de  fazer, já que raciocínio adverso conduziria à afirmação de que  haveria  serviço apenas nas prestações de fazer, nos  termos do  que  define  o  Direito  Privado,  o  que  contrasta  com  a  maior  amplitude semântica do termo adotado pela constituição, a qual  inevitavelmente leva à ampliação da competência tributária na  incidência do ISSQN.  19. A regra do art. 146,  III, “a”, combinado com o art. 146, I,  CRFB/88,  remete  à  lei  complementar  a  função  de  definir  o  conceito “de  serviços  de  qualquer  natureza”,  o  que  é  efetuado  pela LC nº 116/2003.  20.  A  classificação  (obrigação  de  dar  e  obrigação  de  fazer)  escapa  à  ratio  que  o  legislador  constitucional  pretendeu  alcançar,  ao  elencar  os  serviços  no  texto  constitucional  tributáveis  pelos  impostos  (v.g.,  serviços  de  comunicação  –  tributáveis  pelo  ICMS,  art.  155,  II,  CRFB/88;  serviços  financeiros  e  securitários  –  tributáveis  pelo  IOF,  art.  153,  V,  CRFB/88;  e,  residualmente,  os  demais  serviços  de  qualquer  natureza – tributáveis pelo ISSQN, art. 156. III, CRFB/88), qual  seja,  a  de  captar  todas  as  atividades  empresariais  cujos  produtos fossem serviços sujeitos a remuneração no mercado.  21. Sob este ângulo, o conceito de prestação de serviços não tem  por  premissa  a  configuração  dada  pelo  Direito  Civil,  mas  relacionado ao oferecimento  de uma utilidade  para  outrem, a  partir  de  um  conjunto  de  atividades  materiais  ou  imateriais,  prestadas  com habitualidade  e  intuito  de  lucro,  podendo  estar  conjugada ou não com a entrega de bens ao tomador.  22.  A  LC  nº  116/2003  imbricada  ao  thema  decidendum  traz  consigo  lista  anexa  que  estabelece  os  serviços  tributáveis  pelo  ISSQN, dentre eles, o objeto da presente ação, que se encontra  nos itens 4.22 e 4.23, verbis: “Art. 1º O Imposto Sobre Serviços  de  Qualquer  Natureza,  de  competência  dos  Municípios  e  do  Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços  constantes  da  lista  anexa,  ainda  que  esses  não  se  constituam  como atividade preponderante do prestador.  (…) 4.22 – Planos  de medicina de grupo ou individual e convênios para prestação  Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 844          41 de  assistência  médica,  hospitalar,  odontológica  e  congêneres.  4.23  –  Outros  planos  de  saúde  que  se  cumpram  através  de  serviços de  terceiros  contratados,  credenciados,  cooperados ou  apenas  pagos  pelo  operador  do  plano  mediante  indicação  do  beneficiário.”  23.  A  exegese  histórica  revela  que  a  legislação  pretérita  (Decreto­Lei  nº  406/68)  que  estabelecia  as  normas  gerais  aplicáveis  aos  impostos  sobre  operações  relativas  à  circulação  de mercadorias e sobre serviços de qualquer natureza  já  trazia  regulamentação  sobre  o  tema,  com o  escopo de alcançar  estas  atividades.  24.  A  LC  nº  116/2003  teve  por  objetivo  ampliar  o  campo  de  incidência  do  ISSQN,  principalmente  no  sentido  de  adaptar  a  sua  anexa  lista  de  serviços  à  realidade  atual,  relacionando  numerosas  atividades  que  não  constavam  dos  atos  legais  antecedentes.  25. A base de  cálculo do  ISSQN  incidente  tão  somente  sobre a  comissão, vale dizer: a receita auferida sobre a diferença entre o  valor  recebido  pelo  contratante  e  o  que  é  repassado  para  os  terceiros prestadores dos serviços, conforme assentado em sede  jurisprudencial.  27.  Ex  positis,  em  sede  de  Repercussão  Geral  a  tese  jurídica  assentada  é:  “As  operadoras  de  planos  de  saúde  e  de  seguro­ saúde  realizam  prestação  de  serviço  sujeita  ao  Imposto  Sobre  Serviços  de  Qualquer Natureza  –  ISSQN,  previsto  no  art.  156,  III, da CRFB/88”.  28. Recurso extraordinário DESPROVIDO.13  A exata compreensão do significado e alcance do conceito de serviço, para  efeitos  tributários,  pode  ser  obtida  a  partir  da  leitura  dos  fundamentos  apresentados  no  voto  condutor  do  julgado  da  lavra  do  i.  Relator,  o Ministro  Luiz  Fux,  cujos  excertos  relevantes,  seguem transcritos:  Antes,  porém,  de  adentrar  especificamente  ao  mérito  propriamente  dito  da  questão,  necessário  estabelecer  certas  premissas conceituais  indispensáveis para melhor compreensão  tema.  [...]  O aspecto primordial para a  compreensão da  incidência deste  tributo  encontra­se  na  definição  do  que  se  enquadra  como  serviço,  uma  vez  que  apenas  as  atividades  classificadas  como  tal, à luz da materialidade constitucional do conceito de serviço,  são  passíveis  de  atrair  a  obrigatoriedade  do  imposto,  previsto  em lei complementar.  [...]                                                              13  BRASIL.  STF.  RE  651703,  Rel.  Min.  LUIZ  FUX,  Tribunal  Pleno,  j.  em  29  set.  2016,  PROCESSO  ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL ­ MÉRITO DJe­086 DIVULG 25­04­2017 PUBLIC 26­04­2017.  Fl. 864DF CARF MF     42 Imperioso ressaltar que não se preconiza a tese da interpretação  econômica  no  Direito  Tributário,  o  que  enfraqueceria  a  segurança  jurídica, mas,  também, não se predica o primado do  Direito Privado como o único critério a nortear a interpretação  do texto constitucional.  [...]  Essa assertiva conduz à conclusão de que não deve ser excluída,  a priori,  a  possibilidade  de  o  Direito  Tributário  ter  conceitos  implícitos próprios ou mesmo fazer remissão, de forma tácita, a  conceitos  diversos  daqueles  constantes  na  legislação  infraconstitucional, mormente quando  se  trata  de  interpretação  do texto constitucional.  É  que,  consoante  essa  Corte  afirmou  nos  RREE  547.245  e  592.905,  não  há  um  primado  do  Direito  Privado,  pois,  sem  dúvida, é viável que o Direito Tributário ­ e primordialmente o  Direito Constitucional Tributário  ­  adote  conceitos próprios. A  possibilidade  de  o  Direito  Tributário  elaborar  conceitos  específicos  decorre,  em  última  análise,  do  fato  de  ser  Direito  Positivo.  Os conceitos conotados por seus enunciados podem identificar­ se  com  aqueles  consagrados  em  dispositivos  já  vigentes,  mas  essa identidade não é necessária. Nem mesmo a necessidade de  se  proceder  à  exegese  rigorosamente  jurídica  do  texto  constitucional  implica  a  inexorável  incorporação,  pela  Constituição, de conceitos infraconstitucionais.  [...]  Ademais,  é  cediço  que  a  Constituição  é  carente  de  conceitos  verdadeiramente  constitucionais,  pelo  que  o  princípio  da  interpretação da lei conforme a Constituição pode ganhar cores  de  uma  interpretação  da  Constituição  conforme  a  lei.  No  entanto,  a  referida  assertiva  não  significa  que  os  conceitos  constitucionais  são necessariamente aqueles encontrados na  lei  ordinária.  Assim,  embora  se  deva  conferir  deferência  à  interpretação  adotada  pelo  legislador  ordinário,  reputando­se  válida  a  chamada interpretação da Constituição conforme a lei, a mesma  não se pode conferir caráter absoluto, cessando nas zonas onde  não  houver  certeza  quanto  ao  real  alcance  do  texto  constitucional.  Dentro dessa ordem de ideias, a opinio doctorum encarta­se no  sentido de que a Constituição Tributária dever ser  interpretada  de  acordo  com  o  pluralismo  metodológico,  abrindo­se  para  a  interpretação segundo variados métodos, que vão desde o literal  até  o  sistemático  e  teleológico;  por  isso  que  os  conceitos  constitucionais  tributários  não  são  fechados  e  unívocos,  devendo­se recorrer também aos aportes de ciências afins para a  sua  exegese,  como  a  Ciência  das  Finanças,  a  Economia  e  a  Contabilidade.  Consectariamente não se admite a interpretação isolada do art.  110,  do  CTN,  sob  pena  conduzir  o  método  literal  à  primazia  Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 845          43 hermenêutica na ordem jurídica ao Direito Privado. Da  leitura  conjugada  entre  os  artigos  109  e  110,  do  CTN,  ao  contrário,  avultam  em  importância,  de  um  lado,  o  método  sistemático  ­  quando estiverem  em  jogo  institutos  e  conceitos  utilizados  pela  Constituição  ­  e,  de  outro,  o  método  teleológico  ­  quando  não  haja a constitucionalização dos conceitos.  Desta sorte, conclui­se que, embora os conceitos de Direito Civil  exerçam  um  papel  importante  na  interpretação  dos  conceitos  constitucionais  tributários,  eles  não  exaurem  a  atividade  interpretativa.  [...]  É inequívoco, assim, que a ideia de unidade do sistema jurídico  repousa muito mais  no  plano  axiológico  do  que  no  linguístico,  não  havendo  porquanto  qualquer  óbice  a  que  determinada  palavra tenha um sentido diferente no Direito Tributário.  Sem  embargo,  não se  pode  associar  essas  ideias  desenvolvidas  pelos tributaristas pós­positivistas com as teorias economicistas,  como  a  da  interpretação  econômica  do  fato  gerador,  cuja  concepção  se  orientava,  principalmente,  no  aumento  da  arrecadação,  conforme  a  norma  do  Código  Tributário  Alemão  de 1919 idealizada por Enno Becker.  Nos dias atuais, ao contrário, a utilização do critério econômico  como  decorrência  do  aspecto  teleológico  não  deriva  de  uma  preocupação arrecadatória, mas de uma apreciação axiológica  baseada nos Valores da Igualdade e da Solidariedade, dos quais  derivam os Princípios da Igualdade, Capacidade Contributiva e  Solidariedade.  Deve­se  reconhecer  a  interação  entre  o Direito  e  a Economia,  em  substituição  ao  formalismo  jurídico.  A  interpretação  é  simultaneamente  jurídico­econômica,  ainda  que,  para  a  formação dos conceitos tributários passem pelo filtro jurídico.  [...]  Porquanto,  a  Suprema  Corte,  no  julgamento  dos  RREE  547.245  e  592.905,  ao  permitir  a  incidência  do  ISSQN  nas  operações  de  leasing financeiro  e  leaseback sinalizou  que  a  interpretação do conceito de “serviços” no texto constitucional  tem um  sentido mais  amplo  do  que  tão  somente  vinculado ao  conceito  de  “obrigação  de  fazer”,  vindo  a  superar  seu  precedente  no  RE  116.121,  em  que  decidira  pela  adoção  do  conceito de serviço sinteticamente eclipsada numa obrigação de  fazer.  [...]  A finalidade dessa classificação (obrigação de dar e obrigação  de  fazer)  escapa  totalmente  àquela  que  o  legislador  constitucional  pretendeu  alcançar,  ao  elencar  os  serviços  no  texto  constitucional  tributáveis  pelos  impostos  (por  exemplo,  Fl. 866DF CARF MF     44 serviços  de  comunicação  ­  tributáveis  pelo  ICMS;  serviços  financeiros  e  securitários  ­  tributáveis  pelo  IOF;  e,  residualmente,  os  demais  serviços  de  qualquer  natureza  ­  tributáveis pelo ISS), qual seja, a de captar  todas as atividades  empresariais  cujos  produtos  fossem  serviços,  bens  imateriais  em  contraposição  aos  bens materiais,  sujeitos  a  remuneração  no mercado.  [...]  Assim,  embora  seja  possível  verificar  a  existência  de  corrente  doutrinária  a  identificar  o  conceito  de  serviços  com  obrigação  de fazer, há também categorização no sentido de que o conceito  econômico  de  prestação  de  serviço  não  se  confunde  com  o  conceito de prestação de serviço de Direito Civil [...].  [...]  Sob este ângulo, o conceito de prestação de serviços não tem por  premissa  a  configuração  dada  pelo  Direito  Civil,  mas  relacionado  ao  oferecimento  de  uma  utilidade  para  outrem,  a  partir  de  um  conjunto  de  atividades  imateriais,  prestados  com  habitualidade  e  intuito  de  lucro,  podendo  estar  conjugada  ou  não com a entrega de bens ao tomador. (grifos não originais)  Assim, resta demonstrado que a firme jurisprudência atual do STF, para fins  tributários, adota o conceito econômico de serviço e não o conceito civilista. Logo, encontra­se  superada  o  entendimento  esposado na  pretérita  jurisprudência  da Colenda Corte,  baseada no  conceito civilista de serviços, especialmente, o entendimento exarado no RE nº 101.339­7/SP,  julgado em 14/3/1984, citado pela recorrente em suporte aos seu argumento de defesa.  Também  há  na  doutrina  entendimento  no  sentido  de  que  o  conceito  econômico de prestação de serviço não se confunde com o conceito de prestação de serviço de  cunho civilista, a título de exemplo, cita­se o magistério do Prof. Bernardo Ribeiro de Moraes,  para quem:  Serviço, portanto, vem a ser o resultado da atividade humana na  criação  de  um  bem  que  não  se  apresenta  sob  a  forma  de  bem  material, v.g., a atividade do transportador, do locador de bens  imóveis, do médico, etc.  O  conceito  econômico  de  “prestação  de  serviço”  (fornecimento  de  bem  imaterial)  não  se  confunde  nem  se  equipara  ao  conceito  de “prestação  de  serviços”  do  direito  civil, que é conceituado como  fornecimento apenas de  trabalho  (prestação de serviços e o fornecimento mediante remuneração,  do trabalho a terceiro). O conceito econômico não se apresenta  acanhado,  abrange  tanto  o  simples  fornecimento  de  trabalho  (prestação de  serviços de direito civil)  como outras atividades:  v.g.:  locação  de  bens  móveis,  transporte,  publicidade,  hospedagem,  diversões  públicas,  cessão  de  direitos,  depósito,  execução  de  obrigações  de  não  fazer,  etc.  (venda  de  bens  imateriais).14 (grifos não originais)                                                              14 MORAES, Bernardo Ribeiro de. Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços. 1ª Ed, 3ª  tiragem. São Paulo:  Editora Revista dos Tribunais, 1984, p. 42­43.  Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 846          45 No direito positivo, também encontra diplomas legais que adotam o conceito  amplo  de  serviço,  a  exemplo,  da  Lei  8.078/1990  (Código  de  Defesa  do  Consumidor)  que  considera  serviço  qualquer  atividade  fornecida  no  mercado  de  consumo,  mediante  remuneração,  inclusive  as  de  natureza  bancária,  financeira,  de  crédito  e  securitária,  salvo  as  decorrentes  das  relações  de  caráter  trabalhista  .  E  tal  estipulação  legal  foi  declarada  constitucional pelo STF, no julgamento da ADI 2.591.  Assim, se para efeito de incidência tributária, o  termo serviço tem sentido e  alcance  amplos,  significa  que  uma  clara  opção  pelo  conceito  econômico  de  serviço,  que  compreende  todas  as  atividades  empresariais  cujos  produtos  compreendem  serviços,  bens  imateriais  em contraposição  aos bens materiais,  sujeitos  à  remuneração  pelo mercado, o que  inclui a operação de venda de bens imateriais, a exemplo, da venda de ações e demais valores  mobiliários e ativos financeiros pelas sociedade corretoras.  Por todas essas considerações, resta demonstrado que a receita decorrente das  operações de alienação de ações pelas sociedades corretoras integra o conceito de receita bruta  operacional e, por conseguinte, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.  Da classificação contábil das ações alienadas pela recorrente  Superados os pontos da  lide anteriormente  analisados,  passa­se  a analisar o  ponto  atinente  à  classificação  contábil  adotada  pela  recorrente  por  ocasião  da  aquisição  e  registro contábil das ações vendidas/alienadas, que deram ensejam as autuações em apreço.  Previamente,  é  oportuno  relembrar  que  foram  duas  operações  distintas  de  venda/alienação  de  ações  que  motivaram  as  autuações  em  questão:  a)  a  alienação  de  20.376.818 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A., mediante operação de incorporação das  citadas  ações  ao  patrimônio  da  Nova  Bolsa  S/A.;  e  b)  a  alienação  de  2.037.682  ações  preferenciais  (resgatáveis)  da Nova Bolsa S/A., mediante  operação  de  resgate  realizada  pela  sociedade emitente das respectivas ações.  De  acordo  com  o  TVF,  para  a  fiscalização,  a  correta  classificação  ou  enquadramento  contábil  das  referidas  ações  deveria  ter  sido  feita  pela  recorrente  no  ativo  circulante, por força do que dispõem os arts. 179 e 183, I, da Lei 6.404/1976, vigentes na data  dos fatos geradores, a seguir transcritos:  Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:  I  ­  no  ativo  circulante:  as  disponibilidades,  os  direitos  realizáveis  no  curso  do  exercício  social  subseqüente  e  as  aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte;  II ­ no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após  o  término  do  exercício  seguinte,  assim  como  os  derivados  de  vendas,  adiantamentos  ou  empréstimos  a  sociedades  coligadas  ou  controladas  (artigo  243),  diretores,  acionistas  ou  participantes  no  lucro  da  companhia,  que  não  constituírem  negócios usuais na exploração do objeto da companhia;  III ­ em investimentos: as participações permanentes em outras  sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis  no  ativo  circulante,  e  que  não  se  destinem  à  manutenção  da  atividade da companhia ou da empresa;  Fl. 868DF CARF MF     46 IV  ­  no  ativo  imobilizado:  os  direitos  que  tenham  por  objeto  bens  corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da  empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de  operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle  desses bens;(Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007)  VI ­ no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos  destinados  à  manutenção  da  companhia  ou  exercidos  com  essa  finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei  nº 11.638,de 2007)  Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da  empresa  tiver  duração  maior  que  o  exercício  social,  a  classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo  desse ciclo.  [...]  Art.  183.  No  balanço,  os  elementos  do  ativo  serão  avaliados  segundo os seguintes critérios:  I ­ as aplicações em instrumentos financeiros,  inclusive derivativos, e  em direitos e títulos de créditos, classificados no ativo circulante ou no  realizável a longo prazo:(Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007)  a) pelo seu valor de mercado ou valor equivalente, quando se tratar de  aplicações  destinadas  à  negociação  ou  disponíveis  para  venda;  e  (Incluída pela Lei nº 11.638,de 2007)  b)  pelo  valor  de  custo  de  aquisição  ou  valor  de  emissão,  atualizado  conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável  de realização, quando este for inferior, no caso das demais aplicações  e os direitos e títulos de crédito;(Incluída pela Lei nº 11.638,de 2007)  [...] (grifos não originais)  Enquanto que a recorrente alegou que a adequada classificação contábil das  referidas ações era no ativo permanente, porque, desde os títulos patrimoniais da Bovespa e da  BM&F (associações), que ela era obrigada a deter para poder operar no mercado de capitais,  sempre foram tidos como investimento diretamente vinculado às suas finalidades, de modo que  sempre  estiveram  registrados,  desde a data de  sua  aquisição,  em conta do  ativo permanente.  Por  outro  lado,  o  fato  de  tal  ativo  (“participação  societária  ­  títulos  patrimoniais”)  ter  sido  permutado por outro ativo (“participação societária ­ ações”) não ensejaria tratamento contábil  diferente,  na  medida  em  que  as  ações  apenas  substituíram  os  títulos  originais,  não  representando  ativo  novo  (houve  alteração  apenas  de  forma,  e  não  de  substância,  porque  o  patrimônio subjacente é exatamente o mesmo).  Com  base  nesse  entendimento,  a  recorrente  alegou  que  as  receitas  proveniente  da  venda/alienação  das  referidas  ações  não  integravam  a  base  de  cálculo  das  referidas contribuições, porque se trava de receita obtida na venda/alienação de bens do ativo  permanente, expressamente excluída da base de cálculo das referidas contribuições, por força  do disposto no art. 3º, § 2º, IV, da Lei 9.718/1998, a seguir transcrito:  Art.  3o  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  [...]  Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 847          47 §   2 º   Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2°,  excluem­se  da  receita  bruta:  [...]  IV  ­   a   receita  decorrente  da  venda  de  bens  do  ativo  permanente.  A comparação entre os dois entendimentos deixa evidente que, no  caso  em  apreço, o ponto fulcral da controvérsia reside na classificação contábil das ações recebidas pela  recorrente  em  substituição  aos  título  patrimoniais  que  a  recorrente  possuía  perante  as  associações Bovespa e BM&F, em decorrência do denominado processo de desmutualização  das bolsas.  E o referido fato econômico­financeiro  teve repercussão não só de natureza  formal,  como alegou a  recorrente,  como  também repercussão de natureza  substancial,  com a  evidente  alteração  da  qualidade  e  do  valor  do  novo  direito  que  passou  a  integrar  o  acervo  patrimonial da recorrente.  Com efeito, se antes do referido processo de desmutualização a recorrente era  obrigada a manter uma participação de caráter permanente, sob forma de títulos patrimoniais,  nas  associações  civis BM&F e Bovespa,  como condição para operar no mercado de capitais  por  meio  da  bolsa  de  valores,  após  os  denominados  processos  de  desmutualização  (cisão  parcial)  das  citadas  associações  ocorridos,  respectivamente,  nos  dias  28/8/2007  e  20/9/2007,  em  substituição  aos  referidos  títulos  patrimoniais,  a  recorrente  (assim  como  os  demais  associados)  recebeu  ações,  inicialmente,  emitidas  pela Bovespa Holding S/A.  e BM&F S/A.  Posteriormente, em 8/5/2008, as ações recebidas das  referidas companhias  foram convertidas  em ações da Nova Bolsa S/A., mediante operação de incorporação de ações. E a Nova Bolsa  S/A. passou denominar­se BM&FBovespa S/A.  Em decorrência desse processo de desmutualização (cisão parcial das citadas  associações), sabe­se que a obrigação de manter a participação societária nas novas sociedades  anônimas,  como  condição  necessária  para  operar  no mercado  de  capitais,  deixou  de  existir.  Além  disso,  não  foi  estabelecida  qualquer  restrição  para  alienação  das  ações  recebidas  em  substituições dos extintos títulos patrimoniais.  Dada  essa  nova  e  diferente  realidade  patrimonial,  os  extintos  título  patrimoniais foram substituídos por ações de livre negociação emitidas pelas novas sociedades  anônimas  de  capital  aberto  recém  criadas.  Em  decorrência,  em  vez  de  títulos  patrimoniais,  ativos  financeiros  de  natureza  permanente,  a  recorrente  a  passou  a  ter  ativos  financeiros  (valores mobiliários) de livre negociação, inclusive, no mercado de capitais por intermédio da  bolsa  de  valores.  E  nessa  condição,  os  novos  ativos  financeiros  ou  as  novas  ações,  evidentemente,  tratam­se  de  direitos,  cuja  natureza  contábil  é  completamente  distinta  dos  anteriores  títulos  patrimoniais  substituídos  no  patrimônio  da  recorrente.  Estes,  inequivocamente,  de  natureza  permanente,  aquelas  (as  coes)  de  natureza  temporária,  por  ser  um direito realizável, ou, em linguagem contábil, um bem de venda.  E a classificação contábil das referidas ações (ativos financeiros realizáveis) é  definida,  independentemente,  da  forma  de  aquisição  (compra  e  venda,  permuta,  dação  em  pagamento etc.). Logo, para efeito de determinação da classificação contábil das novas ações,  certamente,  o  fato de  elas  terem  sido  adquiridas  em substituição dos  títulos patrimoniais das  Fl. 870DF CARF MF     48 referidas  associações  não  tinha  qualquer  relevância.  E  pela mesma  razão,  também não  tinha  qualquer  influência  sobre  a  classificação  contábil  a  ser  corretamente  adotada,  o  fato  de  as  referidas  ações  terem  sido  atribuído  valor  equivalente  aos  dos  citados  títulos  patrimoniais,  o  que somente ocorreu na operação de cisão das referidas associações civis.  Assim,  por  força  do  disposto  no  art.  179,  I  e  II,  da  Lei  6.404/1976,  na  condição direitos  realizáveis,  conforme o prazo de  alienação,  a  classificação  contábil  correta  das  referidas  ações  era  no  ativo  circulante,  se  havia  a  intenção  de  alienadas  no  curso  do  exercício  social  subsequente, ou ativo  realizável a  longo prazo,  se a  intenção era negociá­las  após  o  término  do  exercício  seguinte,  jamais  no  ativo  permanente  investimento,  por  não  representar participações permanentes em outras sociedades. Assim, o fato determinante para a  definição da  referida classificação  foi o  fato de as  referidas ações  serem valores mobiliários,  ativos financeiros (instrumentos financeiros, segundo as normas do Comitê de Pronunciamento  Contábil ­ CPC, que atualmente disciplina o assunto), obrigatoriamente, classificados no ativo  circulante ou realizável a longo, conforme o prazo de realização.  Ressalta­se,  por  oportuno,  que  a  referida  classificação  contábil  não  é  determinada  por  razões,  inteiramente,  de  cunho  subjetivo  da  sociedade  (intenção  íntima  ou  psicológica dos seus prepostos), mas por critérios objetivos associados a elementos de cunho  subjetivo, que,  se corretamente aplicados, o  resultado será a correta classificação contábil do  bem ou direito nos correspondentes subgrupos do ativo da entidade.  Aliás,  se  fosse  possível  a  adoção  do  critério meramente  subjetiva,  ou  seja,  apenas  da  intenção,  como defendido  pela  recorrente,  inequivocamente,  cada  entidade  faria  a  classificação contábil dos seus elementos patrimoniais da forma que melhor lhe aprouvesse. E  essa possibilidade, caso fosse admitida pelas normas contábeis, certamente,  inviabilizaria não  só  a  adequada  e  normal  tributação  das  operações  societárias,  previstas  em  lei,  como  ainda  inviabilizaria  qualquer  parâmetro  de  comparação  das  informações  contábeis  da  própria  entidade ao longo do tempo, bem como das informações contábeis entre entidades distintas, o  que transformaria os dados contábeis em fonte insegura e instável de informações econômico­ financeiras das entidades contábeis. O que em vez de fonte segura de informação patrimonial,  financeiras e econômicas, a contabilidade transformar­se­ia num amontoado caótico de dados  sem ou com pouca utilidade prática.  No  âmbito  da  classificação  contábil,  o  aspecto  subjetivo  tem  relevância  e  pertinência,  mas  desde  que  observados  os  parâmetros  objetivos  determinados  nas  normas  contábeis, nos princípios de contabilidade e, especialmente, na legislação societária. Assim, se  a recorrente adquire um bem ou direito realizável (bem de venda), mas não pretende aliená­lo  até  o  final  do  exercício  seguinte,  a  sua  correta  classificação  contábil  é  no  ativo  realizável  a  longo  prazo,  jamais  no  subgrupo  investimento,  porque  o  fato  dele  ser  realizável,  a  lei  já  determina  que  a  sua  classificação  fiscal  será  sempre  no  ativo  realizável,  ou  seja,  no  ativo  circulante ou ativo realizável a longo, conforme o prazo intencional da sua realização.  Nesse contexto, obviamente, a intenção tem relevância, mas para definir em  qual grupo do  realizável  (ativo circulante ou  realizável a  longo prazo) o bem ou direito  será  classificado,  mas  jamais  poderá  ser  desconsiderado  o  aspecto  objetivo,  independente  da  natureza do bem ou do direito,  classificá­lo  em qualquer grupo contábil  do  ativo. Em outras  palavras, se o bem ou direito for realizável, o aspecto subjetivo (a intenção) será relevante para  enquadrá­lo  no  circulante  ou  realizável  a  longo  prazo,  mas  não  para  alterar  a  natureza  intrínseca do bem ou direito, de modo que ele possa se enquadrado em qualquer outro grupo do  ativo.  Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 848          49 No  que  se  refere  especificamente  à  incorporação  de  ações,  a  recorrente  alegou que, como tal evento não contara com a sua participação ativa, ou seja, como acionista  da  Bovespa  HoldingS  S/A  tivera  mera  participação  passiva,  já  que  se  limitara  a  receber,  compulsoriamente, as novas ações da Nova Bolsa S/A. em substituição às ações da Bovespa  Holdings S/A.,  não  se podia  falar em  “intenção” de  alienação dessas  ações  em 2008  já que,  caso  não  tivesse  ocorrido  a  referida  incorporação  de  ações,  tal  “intenção”  só  teria  se  materializado (e ainda assim em parte) em 2012, quando ocorreu a venda parcial das ações da  Nova Bolsa S/A.  Previamente,  é  pertinente  esclarecer  que,  no  caso  em  tela,  os  títulos  patrimoniais das associações Bovespa e BM&F foram convertidas em ações, respectivamente,  em  28/8/2007  e  20/09/2007,  e  as  operações  de  incorporação  das  ações  da Bovespa Holding  S/A. e de resgate das ações da Nova Bolsa S/A, objeto das presentes autuações, ocorreram no  dia 31/5/2008.   Com  base  nesse  esclarecimento  e  pelas  razões  anteriormente  aduzidas,  a  alegação  da  recorrente  não  procede.  A  uma,  porque  as  referidas  operações  de  alienação  ocorreram  antes  do  final  do  exercício  seguinte,  portanto,  em  relação  a  essas  operações  o  critério  subjetivo  da  intenção  não  se  aplica  ao  caso  em  tela,  uma  vez  que  as  operações  de  alienação ocorreram antes do final do exercício seguinte.  A duas, porque o fato de ela  ter alienado (vendido) as ações  remanescentes  recebidas da Nova Bolsa S/A. somente no ano de 2012 obrigava­lhe a classificar as referidas  ações no ativo realizável a longo, ou a transferi­las do ativo circulante para ativo realizável a  longo prazo, se inicialmente, classificara as ditas ações naquele subgrupo, porém, em hipótese  alguma, tais ações poderiam ser classificadas no ativo permanente investimento, porque não se  tratava de participação permanente em outra sociedade.  A  duas,  porque,  embora  a  decisão  de  incorporação  tenha  sido  deliberada,  exclusivamente,  pelas  sociedades  cedente  e  cessionária,  por  meio  da  maioria  dos  seus  acionistas, incluindo a recorrente, esta poderia ter exercido o direito de retirar­se da companhia  cedente  (Bovespa  Holdings  S/A.),  o  que  não  o  fez,  e  ser  reembolsada  dos  valores  de  suas  ações, nos termos do art. 230 da Lei 6.404/1976, conforme previsto no art. 252, § 2º, do citado  diploma legal, que segue transcrito:  Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao  patrimônio de outra companhia brasileira, para convertê­la em  subsidiária  integral,  será  submetida  à  deliberação  da  assembléia­geral  das  duas  companhias  mediante  protocolo  e  justificação, nos termos dos artigos 224 e 225.  [...]  § 2º A assembléia­geral da companhia cujas ações houverem de  ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto  de  metade,  no  mínimo,  das  ações  com  direito  a  voto,  e  se  a  aprovar,  autorizará  a  diretoria  a  subscrever  o  aumento  do  capital  da  incorporadora,  por  conta  dos  seus  acionistas;  os  dissidentes  da  deliberação  terão  direito  de  retirar­se  da  companhia,  observado  o  disposto  no  art.  137,  II,  mediante  o  reembolso  do  valor  de  suas  ações,  nos  termos  do  art.  230.  (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) ­ grifos não originais.  Fl. 872DF CARF MF     50 Cabe  ressaltar  ainda  que,  em  consonância  com  o  que  determina  a  Lei  das  S/A.,  o  COSIF  (plano  de  contas  das  instituições  financeiras)  determina  que  as  instituições  financeiras  devem  registrar  as  ações  das  companhias  abertas  livres  de  negociação  no  ativo  circulante  ou  no  realizável  a  longo  prazo,  especificamente,  no  subgrupo  “Títulos  e  Valores  Mobiliários”, nas contas da estrutura codificada, a seguir detalhada:  1.0.0.00.00­7 Circulante e Realizável a Longo Prazo    1.3.0.00.00­4 Títulos e Valores Mobiliários      1.3.1.00.00­7 Livres        1.3.1.20.00­1 Títulos de Renda Variável          1.3.1.20.10­4 Ações de Companhias Abertas  De  outra  parte,  por  se  tratar  de  direitos  realizáveis,  as  novas  ações  de  companhias  abertas  recebidas  pela  recorrente,  certamente,  não  poderiam  ser  registradas  nas  contas do  ativo permanente  investimento,  segundo a  classificação  legal  anterior,  ou no  ativo  não circulante investimento, na classificação legal atual. No subgrupo investimento, segundo o  disposto no art. 179, III, da Lei 6.404/1976, anteriormente transcrito, são registrados apenas os  direitos  representativos  de  participações  permanentes  em outras  sociedades,  denominados  de  aplicação de capital, não serem realizados de forma temporária ou com fim especulativo. Dada  essa  característica,  neste  subgrupo  deve  ser  registrado  apenas  direitos  não  realizáveis  representativos  de  participações  societárias  permanentes,  tais  como  as  participações  em  coligadas, controladas e outras sociedades que façam parte do mesmo grupo econômico ou que  esteja  sob  controle  comum, bem como em outras  sociedades  em que a participação não  seja  temporária ou especulativa, como estratégia operacional, visando a segurança no fornecimento  de insumos, na venda dos produtos etc. São os investimentos em participações em controladas,  coligadas e empreendimentos controlados em conjunto (joint venture), segundo a terminologia  adotada pelos CPC 18 e 48.  A propósito, ao se manifestar sobre a classificação contábil das participações  societárias,  por  meio  do  Parecer  de  Orientação  CVM  nº  17/198915,  a  Superintendência  de  Normas  Contábeis  da  Comissão  da  Valores  Mobiliários  (CVM),  entidade  normativa  do  mercado  de  valores  mobiliários,  prestou  os  seguintes  relevantes  esclarecimentos  a  seguir  transcritos:  10. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS  Do  ponto  de  vista  da  LEI  Nº  6.404,  os  direitos  (inclusive  participação societária) realizáveis após o término do exercício  seguinte devem ser classificados no Realizável a Longo Prazo e  no Circulante se realizados no decorrer do exercício seguinte.   Já  em  Investimentos  (no  Ativo  Permanente)  devem  ser  classificadas as participações permanentes em outras sociedades  e  os  direitos  de  qualquer  natureza,  não  classificáveis  no  ativo  circulante  (e  no  Realizável  a  Longo  Prazo)  e  que  não  se  destinem à manutenção da atividade da companhia.   Assim,  pode­se  ter  participações  societárias  tanto  classificadas  no  Circulante/Realizável  a  Longo  Prazo  quanto  em                                                              15  Disponível  em:  <http://www.cvm.gov.br/legislacao/pareceres­orientacao/pare017.html>.  Acesso  em  13  nov.  2017.  Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 849          51 Investimentos­Ativo Permanente. A diferença é que a primeira é  de  caráter  temporário  e  a  segunda  permanente  (o  que  não  significa que a empresa não possa vir a vendê­las um dia).   Isto  posto,  cabe  distinguir  as  participações  permanentes  das  participações  temporárias.  As  participações  permanentes  são  aplicações de interesse exclusivamente operacional, destinadas à  manutenção,  complementação  ou  diversificação  das  atividades  próprias  da  companhia,  ou  exercidas  com  essa  finalidade.  São  as  participações  previstas  no  §  3º  do  artigo  2º  da  LEI  Nº  6.404/76:  "  A  companhia  pode  ter  por  objeto  participar  de  outras  sociedades:  ainda  que  não  prevista  no  estatuto,  a  participação é facultada como meio de realizar o objeto social,  ou para beneficiar­se de incentivos fiscais".  Neste  caso  ressalta  o  interesse  da  companhia  investidora  em  participar  do  empreendimento,  inclusive  beneficiando­se  de  incentivos fiscais em projetos de sua iniciativa.   No  caso  dos  investimentos  em  ações  ou  quotas  de  outras  empresas, embora possam ser realizados para atender aos mais  diversos objetivos, pode­se agrupá­los da seguinte forma:   a) participações voluntárias de caráter meramente especulativo  ou  com  o  objetivo  de  obter,  independentemente  de  prazo,  rendimentos produzidos pela sua valorização e negociação. São  normalmente as  aplicações  feitas  em Bolsa,  embora  a  empresa  possa  manter  "permanentemente"  uma  carteira  de  ações  comprando e vendendo ações de acordo com a  sua expectativa  de  valorização,  este  é  tipicamente  um  investimento  temporário  (classificação:  Ativo  Circulante  ou  Realizável  a  Longo  Prazo,  consoante a expectativa de alienação);   b)  participações  voluntárias  exercidas  para  extensão  ou  complementação das atividades da investidora, ou mesmo para  diversificação  (horizontalização)  dessas  atividades,  ou  ainda  como  estratégia  operacional  (segurança  no  fornecimento  de  insumos, eliminação de concorrência etc). Neste caso espera­se  não o rendimento da valorização dessas ações no mercado, mas  sim  o  rendimento,  produzido  pelas  operações  da  empresa  investida ou pela melhoria operacional da empresa investidora.  Assim,  mesmo  que  um  investimento  dessa  natureza  possa,  a  qualquer momento, ser alienado, não deve ser considerado como  temporário, são investimentos permanentes (classificação: Ativo  Permanente/Investimentos);   c)  participações  compulsórias:  normalmente  decorrem  das  aplicações de incentivos fiscais, mas podem surgir em função de  outros  motivos  e  interesses  econômicos,  como  é  o  caso  das  participações  em  ações  de  companhias  telefônicas  (planos  de  expansão)  e  outras  participações  até  em  decorrência  de  imposição legal.   As  participações  compulsórias  dificilmente  apresentam  características  de  "permanente",  como  visto  acima.  Deve  ser  Fl. 874DF CARF MF     52 feita  uma  exceção  para  os  casos  de  aplicações  em  projetos  próprios nas áreas incentivadas.  Com  base  no  referido  Parecer,  fica  esclarecido  que,  por  ter  natureza  compulsória  e  caráter  de  permanente,  a  correta  classificação  contábil  dos  extintos  títulos  patrimoniais  emitidos  pelas  referidas  associações  era  no  ativo  permanente,  subgrupo  investimento,  das  sociedades  corretoras. De  outro modo,  a  correta  classificação  contábil  das  ações recebidas pela recorrente (ações de companhias abertas), investimento temporário, com o  objetivo de obter, independentemente de prazo, rendimentos produzidos pela sua valorização e  negociação,  era  no  ativo  circulante  ou  realizável  a  longo  prazo,  conforme  o  prazo  de  sua  realização ou alienação. Jamais no subgrupo investimento do ativo permanente.  A doutrina tem apresentado o mesmo entendimento sobre a matéria. A título  ilustrativo  traz­se  à  colação  o  ensinamento  dos  Profs.  Sérgio  de  Iudícibus,  Eliseu Martins  e  Ernesto Rubens Gelbcke sobre o tema:  10.2.2 Natureza das Contas. O art. 179 da Lei nº 6.404/76, em  seu item III, estabelece que serão classificadas:  [...]  Verifica­se  por  esse  texto  legal  que  no  subgrupo  Investimentos  deverão  estar  classificados  dois  tipos  de  ativos,  ou  seja,  as  Participações  permanentes  em  outras  sociedades  e  outros  investimentos permanentes, ambos analisados a seguir:  a)  PARTICIPAÇÕES  PERMANENTES  EM  OUTRAS  SOCIEDADES.  Essas  participações  são  os  tradicionais  investimentos  em  outras  empresas,  na  forma  de  ações  ou  de  quotas.  Devem  ter  a  característica  de  permanente,  ou  seja,  incluem­se aqui somente os investimentos em outras sociedades  que  tenham  a  característica  de  aplicação  de  capital,  não  de  forma temporária ou especulativa, existindo efetiva  intenção de  usufruir  dos  rendimentos  proporcionados  por  esses  investimentos.  [...]  b)  OUTROS  INVESTIMENTOS  PERMANENTES.  O  outro  tipo  de ativo classificável em investimentos, segundo o texto da Lei nº  6.404/76,  refere­se  aos  ‘direitos  de  qualquer  natureza,  não  classificáveis  no  ativo  circulante,  e  que  não  se  destinem  à  manutenção da atividade da companhia ou da empresa’.  [...]  Cabe  entender  que  esses  tipos  de  ativos  devem  também  ter  a  característica de permanente,  isto é, não devem ser  valores ou  bens destinados à negociação.  Além  disso,  são  ativos  que  não  têm  uma  destinação  definida  quanto  a  seu  uso  na  manutenção  da  atividade  da  empresa,  mesmo que possam vir a ter no futuro. 16 (grifos não originais)                                                              16 Manual de contabilidade das sociedades por ações. São Pualo. Atlas, 2007, p.  135­137  Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 850          53 Em  suma,  as  ações  ou  quotas  de  capital  representativas  de  participações  permanentes  em  outras  sociedades,  por  serem  investimento  de  caráter  permanente,  devem  registradas  no  subgrupo  investimento,  anteriormente  pertencente  ao  grupo  permanente  e  atualmente ao ativo não circulante.  De outra parte, os investimentos de caráter temporário em outras sociedades  (instrumentos  financeiros),  especialmente,  em  ações  de  companhias  abertas,  considerados  ativos  financeiros  do  tipo  valores  mobiliários,  independentemente  do  prazo  de  realização  (alienação),  são  classificáveis  no  ativo  circulante  ou  no  realizável  a  longo  prazo,  jamais  no  subgrupo investimento, pelas razões anteriormente aduzidas.  No  mesmo  sentido,  o  entendimento  esposado  nos  recentes  julgados  da  3ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  por meio  dos Acórdãos  nºs  9303­ 005.447,  9303­005.448  e  9303­005.490.  A  título  de  exemplo,  para  melhor  compreensão,  seguem transcritos os enunciados da ementa do último julgado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007  TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.  Classificam­se  no  Ativo  Circulante  as  disponibilidades  e  os  direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.  As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em  decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa  de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias  & Futuros  de  São Paulo BM&F,  que  foram negociadas  dentro  do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem  ser registradas no Ativo Circulante.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA  OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.  Nas  instituições  financeiras, que  têm as operações de compra e  venda  de  ações  compreendidas  no  objeto  social,  a  base  de  cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta  operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da  empresa  auferidas  com  a  venda  de  ações  da  BM&F  S.A.  e  da  Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações  societárias denominadas “desmutualização”.  Com  base  nessas  considerações,  resta  demonstrado  que  a  correta  classificação contábil das ações alienadas pela recorrente era no ativo circulante, uma vez que  foram alienadas no dia 8/5/2008, portanto, antes do  término do exercício seguinte, haja vista  que  (i)  as  20.376.818  ações  ordinárias  da  Bovespa  Holding  S/A.,  alienadas  mediante  incorporação, foram adquiridas em 28/8/2007 e (ii) as 2.037.682 ações preferenciais da Nova  Bolsa S/A. foram resgatadas no mesmo dia da incorporação.  Da cobrança de juros sobre a multa de ofício lançada  Fl. 876DF CARF MF     54 Enfim, a recorrente alegou que a legislação somente autorizava a incidência  de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, mas não autoriza, como  pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa de ofício aplicada.  A  matéria  já  é  de  conhecimento  do  Colegiado  e  já  foi  objeto  de  análise  anterior  por  este  Conselheiro,  em  que  esposado  o  entendimento  que  os  juros  moratórios,  calculados com base na variação da taxa Selic, incidem tanto sobre o débitos tributários quanto  sobre a multa de ofício lançada.  A incidência sobre os tributos e contribuições administrados pela RFB dá­se  forma direta, nos termos do artigo 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  (...).  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do art. 5º, a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (destacou­se)  Da  mesma  forma,  há  expressa  previsão  legal  para  cobrança  de  juros  moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, sobre os valores das multas aplicadas  isoladamente, segundo determinação do art. 43 da Lei 9.430/1996, a seguir reproduzido:  Art.  43. Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.  Ora,  se  os  preceitos  legais  anteriormente  transcritos  pertencem  ao  mesmo  diploma  legal,  resta  evidenciado  que  o  legislador,  deliberada  e  intencionalmente,  conferiu  tratamento  distinto  para  ambas  as  situações,  mas  com  o  objetivo  de  conferir  tratamento  isonômico para as duas situações.  E  a  razão  da  específica  previsão  legal  para  a  cobrança  dos  juros  de  mora  sobre a multa isolada revela­se óbvia. Entretanto, não havia necessidade de determinação legal  específica para a mula de ofício calculada sobre o valor do tributo lançado, pois, se a multa de  ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do  pagamento,  tal  gravame,  automaticamente,  também  integrará  o  valor  da  multa  de  ofício  proporcional. Dito de outra forma, não são os juros moratórios que incidem sobre a multa de  ofício nesta hipótese, mas sim a multa de ofício que incide sobre o crédito tributário acrescido  de juros moratórios.  Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 851          55 Logo,  por  força  dessa  característica,  o  valor  dos  juros  moratórios  sempre  comporá o valor da multa proporcional ou de ofício, calculada sobre a “totalidade ou diferença  de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do  art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996.  No mesmo sentido, o entendimento explicitado nos enunciados das ementas  dos julgados das 1ª e 3ª Turmas da CSRF, que seguem transcritos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à  penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está  sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até  o  mês  anterior  ao  pagamento,  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016,  Sessão  de  15/08/2013,  Acórdão  nº  9303­002400.  Relator  Joel  Miyazaki).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos  legais  previstos,  estão  sujeitas  à  incidência  de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e Custódia  SELIC para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  do  pagamento.  (CSRF,  1ª  Turma,  Processo  nº  13839.001516/200664,  Sessão  de  15/05/2013,  Acórdão nº 9101­001657. Relator designado Valmir Sandri)  Esse também é o entendimento das Turmas que compõem a Primeira Seção  do STJ, conforme explicitado no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, cujo enunciado  da ementa segue transcrito:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.   1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.  2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) ­ (grifos não originais)  Fl. 878DF CARF MF     56 Por  todas  essas  razões,  fica  demonstrado  que  os  juros  moratórios  incidem  diretamente  sobre o valor da multa  isolada e  indiretamente  sobre o valor da multa de ofício,  calculada proporcionalmente ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses  os juros moratórios são devidos.  Da conclusão  Por todo o exposto, vota­se por negar provimento ao recurso, para manter na  íntegra a decisão recorrida.  assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                Declaração de Voto  Conselheiro José Renato Pereira de Deus.  Por  entender  complexa  a matéria  e  entendendo  não  estar  preparado  para  a  prolação de minha posição quanto a matéria, na sessão de 30 de janeiro p.p., solicitei vistas do  presente processo para melhor me aprofundar no assunto.  Feitos os estudos necessários relacionado a matéria, com a devida vênia, ouso  divergir da posição defendida pelo N. Conselheiro Relator  José Fernandes,  fundamentando­a  nos seguintes termos.  Quando  da  realização  das  operações  objeto  do  presente  processo,  foi  amplamente  noticiado  que  a  BOVESPA  ASSOCIAÇÃO  CIVIL  sofreria  uma  cisão  parcial,  sendo certo que uma parte de seu patrimônio seria destinada a BOVESPA HOLDING S/A., e  outra  parte  para  a  BOVESPA  SERVIÇOS  E  PARTICIPAÇÕES  S/A.,  sendo  esta  por  derradeiro, sendo incorporada pela BOVESPA HOLDING.  Em brevíssimas linhas o entendimento da fiscalização, da decisão piso e do  N. Relator do  presente  processo,  em 28/08/2007,  houve  a  devolução  de  capital  por  parte  da  BOVESPA  e  aquisição  de  ações  por  parte  das  corretoras  associadas,  como  é  o  caso  da  recorrente.  Desta  forma,  uma  vez  que  as  ações  da  BOVESPA HOLDING  teriam  sido  adquiridas em 28/08/2007, e parte delas alienadas em 08/05/2008, fato esse que supostamente  demonstraria  a  intenção  de  negociação  das  ações  e  não  um  investimento  permanente,  a  recorrente deveria ter contabilizado/escriturado tais ações na conta do ativo circulante e não no  ativo permanente.  Nesse  diapasão,  estando  diante  de  receita  proveniente  da  venda  de  ações,  sendo essa uma das atividades da recorrente expressa em seu objeto social, estaria­se defronte  de receita passível de inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS.  Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 852          57 A  fiscalização  entendeu  que  a  operação  societária  praticada  pela  BM&F  e  BOVESPA, com a consequente  transformação em Companhias  (S/As),  fato esse que  levaria,  segundo  critérios  jurídicos  e  contábeis,  a  caracterização  de  uma  operação  de  devolução  de  capital.  Não  nos  distanciemos  da  premissa  de  que  em  momento  algum  foram  tais  operações  consideradas  atípicas  ou  ilegais,  uma  vez  que  estão  devidamente  disciplinadas  na  Lei das S/As (6.404/76), vejamos:  Art.  227. A  incorporação é a operação pela qual  uma ou mais  sociedades  são absorvidas por outra, que  lhes  sucede em todos  os direitos e obrigações.  Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere  parcelas  do  seu  patrimônio  para  uma  ou  mais  sociedades,  constituídas  para  esse  fim  ou  já  existentes,  extinguindo­se  a  companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio,  ou dividindo­se o seu capital, se parcial a versão.  Pois bem. Se sou proprietários de ações ou quotas de uma certa entidade e,  por  razões  de  reorganização  societária  que  afetam  sua  forma  jurídica,  tais  títulos  devam  ser  substituídos  por  títulos  da  "nova"  entidade,  esse  fato  não  altera  a  natureza  contábil  desses  títulos, pois representam a priori a propriedade indireta daquela entidade.  Porém, essa não é a visão externada pela fiscalização e pela decisão de piso.  Para  eles  a  desmutualização  deve  ser  dividida  em  duas  transações  distintas,  sendo  uma  de  devolução  do  patrimônio  das  associações  e  a  outra  a  integralização  de  capital  nas  novas  sociedades.  Contudo, essa visão entendo distorcida, uma vez que, como pode­se observar  não ocorreu restituição de recursos, muito menos transferência de resultados aos investidores,  outrora obtidos e retidos pela antiga BOVESPA.  Em que pese ter sido o voto vencido por decisão de qualidade, por se tratar de  caso idêntico ao aqui tratado, e por representar meu entendimento quanto a matéria, peço vênia  para  tomar como razão de decidir os excertos  trazidos pelo  I. Conselheiro Walker Araújo no  acórdão nº 3302­003.237, observe­se:  Correto o procedimento adotado pela Recorrente.  Isto  porque,  na  operação  denominada  "desmutualização"  os  títulos  patrimoniais  convertidos  em  ações  não  resultaram  nova  aquisição  de  participação  societária,  tampouco  devolução  de  capital investido. O que ocorreu de fato, foi a mera substituição  de  título  patrimoniais  por  ações  resultantes  de  operações  de  cisão  e  incorporação  do  patrimônio  das  associações  sem  fins  lucrativos.  Com efeito, as ações recebidas pela Recorrente não foram dadas  em  pagamento  pelas  sociedades  anônimas,  como  também  não  houve  mudança  da  titularidade  dos  títulos  patrimoniais.  Os  títulos patrimoniais inicialmente registrados pela Recorrente em  seu  ativo  permanente  foram  apenas  substituídos  nominalmente  Fl. 880DF CARF MF     58 por  ações,  não  representando,  como  pretende  a  fiscalização,  nova aquisição de participação societária.  Ou seja, ações não foram compradas no mercado para venda, já  existiam  no  patrimônio  da  Recorrente  como  investimento  permanente.  Some­se  a  isso,  que  há  equivalência  das  ações  e  dos  títulos  patrimoniais  registrados  pela  Recorrente,  evidenciando,  assim,  se  tratar  de  mera  substituição  de  um  título  representativo  de  capital por outro.  É  de  se  observar,  ainda,  que  os  títulos  patrimoniais  foram  adquiridos à época pela Recorrente para o fim de investimento e  como requisito/condição imprescindível para operar na Bolsa de  Valores.  Desta  forma,  como  a  intenção  da  Recorrente  não  era  a  comercialização propriamente dita, os  investimentos adquiridos  como  condição  para  operar  na  Bolsa  de  Valores  foram  registrados no ativo permanente.  Portanto,  considerando  que  os  investimentos  em  discussão  iniciaram  o  ano  de  2007  como  título  patrimonial,  o  fato  de  a  BOVESPA e a BM&F terem sido desmutualizada em agosto e do  IPO ter ocorrido posteriormente, não altera a natureza do bem  que  continua  sendo  investimento  próprio  e,  consequentemente,  não  justifica  a  mudança  de  classificação  contábil  no  próprio  exercício e a reclassificação.  Neste  sentido,  destaco  os  julgamentos  proferidos  por  este  Conselho  Administrativo  Fiscal  que  analisaram  questões  idênticas as discutidas neste processo:  "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Exercício: 2007  DESMUTUALIZAÇÃO  DA  BOVESPA  E  DA  BM&F.  SUBSTITUIÇÃO  DOS  TÍTULOS  PATRIMONIAIS  POR  AÇÕES.  A  operação  denominada  desmutualização  das  bolsas  não  implicou  a  dissolução  de  que  trata  o  art.  61  do Código Civil  e  tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos  títulos  patrimoniais,  que  se  encontravam  classificados  no  ativo  permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as  quais  foram  emitidas  em  quantidade  equivalente  ao  valor  monetário daqueles  títulos patrimoniais, uma vez que  tais ações  eram representativas do mesmo patrimônio."  PIS  E  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  ALIENAÇÃO  ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM  SUBSTITUIÇÃO  DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS.  A  receita  auferida  com  a  venda  das  ações  recebidas  em  substituição  dos  títulos  patrimoniais  das  antigas  Bovespa  e  BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por  Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 853          59 se  tratar  de  alienação  de  patrimônio  próprio,amparada  pelo  art.  3º, IV, da Lei nº 9.718/98.  Recurso  provido.  (Acórdão  3403003447  4ª  Câmara/3ª  Turma  Ordinária Relator Antônio Carlos Atulim Sessão 10.12.2014)"  ***  "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007  DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA  DE  AÇÕES  IMPOSSIBILIDADE  DE  SIMPLES  DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA  A  operação  decorrente  de  documentos  societários  devidamente  registrados  na  Junta  Comercial  e  de  acordo  com  o  objetivo  pretendido  pelos  associados  só  pode  ser  desconsiderado,  de  acordo  com  a  jurisprudência  deste  Tribunal,  se  o  propósito  negocial  não  for  verdadeiro,  o  que  não  ocorreu. Outra  hipótese  seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a  desmutualização  foi  equivocado,  nulo ou  ilegal  e  nestes  termos  revisse  o  próprio  ato  societário  realizado  pela  BOVESPA  (art.  116,  CTN),  pois  se  não  for  revisto,  o  ato  societário  torna­se  negócio  jurídico  perfeito,  e  não  pode  ser  desconsiderado  enquanto válido.  VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS  A  receita  decorrente  da  venda  de  ativos  está  fora  do  campo de  incidências  da  contribuição  à  COFINS.  Bens  adquiridos  com  a  intenção  de  permanência  devem  ser  registrados  no  ativo  permanente.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007  DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA  DE  AÇÕES  IMPOSSIBILIDADE  DE  SIMPLES  DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA  A  operação  decorrente  de  documentos  societários  devidamente  registrados  na  Junta  Comercial  e  de  acordo  com  o  objetivo  pretendido  pelos  associados  só  pode  ser  desconsiderado,  de  acordo  com  a  jurisprudência  deste  Tribunal,  se  o  propósito  negocial  não  for  verdadeiro,  o  que  não  ocorreu. Outra  hipótese  seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a  desmutualização  foi  equivocado,  nulo ou  ilegal  e  nestes  termos  revisse  o  próprio  ato  societário  realizado  pela  BOVESPA  (art.  116,  CTN),  pois  se  não  for  revisto,  o  ato  societário  torna­se  negócio  jurídico  perfeito,  e  não  pode  ser  desconsiderado  enquanto válido.  VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE PIS  Fl. 882DF CARF MF     60 A  receita  decorrente  da  venda  de  ativos  está  fora  do  campo de  incidências  da  contribuição  ao  PIS.  Bens  adquiridos  com  a  intenção  de  permanência  devem  ser  registrados  no  ativo  permanente.  Recurso Voluntário Provido (Acórdão 3302001.871 3ª Câmara/2ª  Turma Relator Sessão 27.11.2012 Relator Walber José da Silva)"  Destaca­se  parte  do  voto  proferido  pelo  Conselheiro  Antônio  Carlos Atulim no processo nº 16327.721734/201144 (Acórdão nº  3403003.447, de 10/12/2014), cujas razões de decidir retratam o  meu entendimento sobre o tema:  A  questão  posta  para  deslinde  por  parte  deste  colegiado  não  é  nova. Trata­se mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da  COFINS sobre as  receitas provenientes da venda das ações que  resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e  da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações.  É  incontroverso  que  o  contribuinte  ora  autuado  é  sucessor  de  instituição  financeira  que  possuía  nas  contas  do  Ativo  Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da  BM&F.  Com  a  transformação  societária  da  antiga BM&F  na  sociedade  por  ações  BM&F  S/A  e  na  incorporação  da  CBLC  pela  BOVESPA  HOLDING,  ocorridas  em  2007,  o  contribuinte  recebeu  3.882.732  de  ações  da  BOVESPA  HOLDING  em  conversão das  antigas  ações da CBLC e 4.981.610 de  ações da  BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F.  Também  é  incontroverso  que  o  título  social  e  as  ações,  então  existentes  no Ativo  Permanente/Investimentos  do Banco,  foram  convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente  à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades.  São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução  de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da  desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender  as  ações  recebidas  em  conversão. A  intenção  ou  não  de  venda  seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no  permanente.  Basicamente  a  fiscalização  e  a  decisão  de  primeira  instância  entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F  S/A  recebidas  pelo  Banco,  em  razão  da  desmutualização,  constituíam  um  outro  ativo  diferente  do  título  patrimonial  da  antiga BM&F e das ações da antiga CBLC.  Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele  em  que  se  deveria  averiguar  a  intenção  (ou  não)  de  a  pessoa  jurídica o alienar,  classificando­o  em conta do  circulante ou do  permanente.  No  caso,  entendeu  a DRJ que  como  a  intenção  do  contribuinte  era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no  circulante. Tratando­se de receita proveniente da venda de ações  classificadas  no  ativo  circulante,  e  estando  essa  atividade  incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratar­se­ia de receita  Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 854          61 operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da  COFINS.  Embora  não  tenha  sido  explicitamente  citado,  o  entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61  do  Código  Civil,  que  determina  a  devolução  de  patrimônio  aos sócios quando da dissolução das associações.  Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto,  pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram  seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios.  É de  conhecimento  público  e  notório  que  as  duas  entidades  desapareceram do cenário  jurídico no processo denominado  desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução  e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o  ponto  de  vista  jurídico.  O  que  houve  no  caso  da  desmutualização  foi  uma  cisão  seguida de  incorporação. Na  cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os  seus  sócios,  ele  é  transferido  diretamente  para  a  nova  entidade  que  se  originou.  O  que  houve  no  caso  da  “desmutualização”  foi  a  transformação  de  um  tipo  de  sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do  Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil  estabelece  que  o  ato  de  transformação  da  sociedade  independe  de  dissolução  ou  liquidação  e  obedecerá  aos  preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do  tipo em que vai  se  converter,  enquanto que o  art.  2.033,  do  mesmo  Código,  autoriza  as  associações  a  sofrerem  cisão,  fusão e incorporação.  Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma  associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A  foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que  se cogitar de ilegalidade na operação.  Não  tendo  ocorrido  a  dissolução  das  antigas  entidades,  não  há  como  sustentar  as  premissas  adotadas  pela  DRJ,  no  sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que  as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos  títulos patrimoniais até então existentes.  O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais  das  associações  civis  pelas  ações  das  novas  companhias,  como  resultado  das  operações  societárias  de  cisão  seguida  de  incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e  pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC  foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no  processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que  possuíam  valor  monetário  equivalente  aos  dos  títulos  substituídos.  Tanto  os  antigos  títulos  patrimoniais,  quanto  as  ações  em  que  foram  transformados,  são  papéis  representativos  de  frações  do  mesmo  patrimônio.  Assim,  mostra­se  temerária  a  premissa  de  Fl. 884DF CARF MF     62 que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos  títulos patrimoniais.  Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era  representado  pelos  títulos  patrimoniais  (e  pelas  ações  da  CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não  houve  aquisição  de  novo  ativo  no  momento  da  desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do  contribuinte  neste  momento  para  obrigá­lo  a  fazer  a  reclassificação  para  o  ativo  circulante.  E  ainda  que  essa  reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a  condição  de  ser  um  investimento,  ou  seja,  uma participação  do  Banco no patrimônio de terceiros.  Não  se  olvide  que  nos  longínquos  tempos  em  que  os  contribuintes  estavam  obrigados  à  correção  monetária  das  demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava  a  reclassificação  de  bens  do  ativo  permanente  para  o  ativo  circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo  CST nº 3/801).  Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos  títulos  classificados  no  permanente/investimentos  foram  sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa  alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8.  Em  face  do  exposto,  impõe­se  a  conclusão  lógica  de  que  a  simples pretensão da pessoa  jurídica no sentido de  alienar bens  destinados  à  utilização  na  exploração  do  objeto  social  ou  na  manutenção  das  atividades  da  empresa  não  autoriza,  para  os  efeitos  da  legislação  do  imposto  de  renda,  a  exclusão  dos  elementos  correspondentes  registrados  em  contas  do  ativo  permanente,  devendo  a  cifra  respectiva  continuar  integrando  aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.  classificado no ativo permanente  e  está expressamente  excluído  da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso  IV, da Lei nº 9.718/98.  E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº  1.598/77)  que  trata  o  resultado  da  venda  de  bens  do  ativo  permanente  como  ganho  ou  perda  de  capital,  ou  seja,  como  resultado não operacional.  Tributar  a  venda  dessas  ações  por  meio  do  PIS  e  da  COFINS  seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar  a venda dos veículos pertencentes a sua  frota. Ou então obrigar  uma  construtora  a  tributar  a  eventual  venda  do  edifício  que  constitui  sua  sede  própria.  Considerando  que  a  aferição  da  natureza  não  operacional  dessas  receitas  se  constitui  em  verdadeiro  antecedente  lógico  para  sua  exclusão  das  bases  de  cálculo,  resta  evidente  que  o  desfecho  ação  judicial  2006.03.00.1059671  não  tem  nenhuma  influência  sobre  este  processo.  Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao  recurso.(grifado)  Conclui­se, portanto, que os títulos da Bovespa e da BM&F que  eram  de  propriedade  da  sociedade  tinham  a  mesma  característica  de  bens  do  ativo  permanente  e  que  as  ações  Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16327.720595/2013­01  Acórdão n.º 3302­005.318  S3­C3T2  Fl. 855          63 recebidas  em  decorrência  da  cisão  seguida  de  incorporação  deveriam ser registradas em seu ativo permanente.  Assim, entendo que as ações de emissão da Bovespa Holding S.A  e  da  BM&F  S.A  recebidas  pela  Recorrente  em  decorrência  do  processo  de  “desmutualização”  da  BOVESPA  foram  corretamente  classificadas  no  ativo  permanente  da Recorrente,  fato que afasta a incidência do PIS e da COFINS, nos termos do  inciso IV, do §2º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98.  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  (...)  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  (...)  IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  Por fim, é imperioso consignar que a informação prestada pela  BOVESPA Holding à todos os associados, por meio da Circular  nº  225/2007DG,  no  sentido  de  que  as  ações  “substituídas”  deveriam ser registradas através dos critérios abaixo descritos,  não inválida o procedimento contábil adotado pela Recorrente:  Os  detentores  de  ações  de  emissão  da  CBLC  deverão  também  reconhecer os efeitos do processo de desmutualização, baixando  o valor convertido em ações de emissão da Bovespa Holging S/A  e, conforme sua opção:  *registrar  o  correspondente  valor  no  Ativo  Circulante,  em  subconta  específica  da  conta  Títulos  de  Renda Variável  (conta  COSIF nº 1.3.1.20), das ações de emissão da BOVESPA Holding  S/A  recebidas  em substituição,  se a decisão  for  a de considerar  essas  ações  como  sendo  título  disponíveis  para  negociação  ou  venda,   ou  *manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica  da  conta  Ações  e  COtas  (conta  do  COSIF  nº  2.1.5.10.),  se  a  decisão for a de considerar essas ações como investimento.  Lembramos  que  os  acionistas  da  Bovespa  Holding  S/A,  a  seu  critério,  considerando  seus  objetivos  de  investimento,  poderão  realizar  uma  alocação  mista,  entre  o  Ativo  Circulante  e  Ativo  Permanente.  Isto  porque,  vincular  o  contribuinte  ao  cumprimento  de  regras  instituídas por meio de circular, destoa das regras previstas no  inciso II, do artigo 5º, da Constituição Federal, que preceitua:  Fl. 886DF CARF MF     64 " Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa  senão em virtude de lei".  Pelas razões acima expostas, entendo equivocada a autuação, bem como sua  manutenção  pela  decisão  de  primeira  instância,  dou  integral  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus  Fl. 887DF CARF MF

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Numero do processo: 16832.000265/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, correta a decisão que entendeu por negá-la. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, correta a decisão que entendeu por negá-la. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 565          1 564  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16832.000265/2010­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­002.770  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de fevereiro de 2018  Matéria  SIMPLES ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  FAESON DISTRIBUIDORA E SERVIÇOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2006  NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL.  Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e  formação da convicção do julgador, correta a decisão que entendeu por negá­ la.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA  DE COMPROVAÇÃO.  Caracterizam omissão de  receita, por presunção  legal, os valores creditados  em conta de depósito mantida  junto a  instituição financeira, em relação aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  deixe  de  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  SÚMULA CARF nº 2.  Este  Conselho  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 02 65 /2 01 0- 35 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 566          2   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.    Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 567          3 Relatório  FAESON  DISTRIBUIDORA  E  SERVIÇOS  LTDA,  já  qualificado  nos  autos, recorre da decisão proferida pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) ­ DRJ/RJI (fls. 470 e ss), que, por unanimidade de votos,  manteve os lançamentos.  Do Lançamento  Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 312 e  ss), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram:   Trata  o  presente  processo  de  impugnação  aos  Autos  de  Infração  de  fls.  249/308,  os  quais  exigem  da  interessada  o  recolhimento  das  seguintes  importâncias,  todas  apuradas sob as regras do Simples, correspondentes ao ano calendário de 2006:  ­ IRPJ ­ SIMPLES ­ R$123.755,21  ­ PIS/Pasep ­ SIMPLES ­ R$90.517,31  ­ CSLL ­ SIMPLES ­ R$126.527,89  ­ COFINS ­ SIMPLES ­ R$371.650,77  ­ INSS ­ SIMPLES ­ R$1.068.677,12  Já com a incidência de multa de 75% e juros de mora.  A exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2007 foi tratada em outro processo  16832.000266/2010­80  Como consta nos Autos de Infração, foi feito o lançamento de oficio a título  de (i) omissão de receitas por conta de depósitos bancários origem não justificada, nos termos  do art.42 da Lei n° 9.430/96 e, também, (ii) por insuficiência de recolhimento dos impostos e  contribuições apurados então pelo Simples.  Da Impugnação  Nos  termos  da  decisão  da  DRJ,  segue  o  relato  da  Impugnação,  de  fls.  314/364, que aduziu os seguintes argumentos:  ­ que o auto é nulo por falta de fundamentação porque há menção a normas  instituídas  em  período  pretérito  ao  advento  da  Lei  9.317/98  que  não  se  identifica com a hipótese de incidência, fato gerador e base de cálculo, além  da não correspondência da narrativa com a conclusão do relatório.  Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 568          4 ­  que  houve  desrespeito  ao  principio  da  estrita  legalidade,  visto  que  a  existência de depósitos bancários não representa fato gerador do imposto de  renda.  ­  que o  crédito  contido  em extrato bancário não é  renda ou  faturamento  e  não poderia ser utilizado como base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS  e Contribuição para Seguridade;  ­  que  se  a  empresa  ultrapassou  o  limite  de  faturamento  previsto  na  lei  do  SIMPLES,  deveria  ser  excluída  da  sistemática  e  a  tributação  seria  pelo  Lucro Presumido ou pelo Lucro Real;  ­  que  não  foram  excluídos  os  empréstimos  realizados  por  terceiro,  entre  familiares, como ajuda para fluxo de caixa; ­ que seria necessário realização  de prova pericial, conversão do processo em diligência;  ­  que  não  houve  motivação  para  a  multa,  que  não  houve  critério  de  proporcionalidade e razoabilidade tornando­a confiscatória;  ­ que o artigo 21 da Lei 9.317/96 prevê multa diferente da aplicada.  Em julgamento realizado em 10 de junho de 2011, a 8ª Turma da DRJ/RJI,  considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 12­37­804, assim  ementado:   ASSUNTO: SISTEMA  INTEGRADO DE PAGAMENTO DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2006  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA  DE COMPROVAÇÃO.  Caracterizam omissão de  receita, por presunção  legal, os valores creditados  em conta de depósito mantida  junto a  instituição financeira, em relação aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  deixe  de  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  DILIGENCIA. INDEFERIMENTO.  Quanto ao pedido de diligência, apesar de ser facultado ao sujeito passivo tal  pleito, em conformidade com o art. 16,  IV do Decreto n° 70.235/72  (PAF),  compete  à  autoridade  julgadora  decidir  sobre  sua  efetivação,  devendo  indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou  impraticáveis, na forma do art. 18 do referido diploma normativo.  AUSÊNCIA DE PROVAS  Nos  termos  do  Decreto  n°  70.235,  de  6  de março  de  1972,  a  impugnação  deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por  si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário.  MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O PRINCIPAL.  Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 569          5 Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, apurada falta  de  recolhimento ou mesmo a  sua  insuficiência,  aplicável  é  a multa de 75%  sobre o imposto apurado, a ser exigido de oficio.  MULTA DE OFÍCIO.  CONFISCO.  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.  COMPETÊNCIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  Pais,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade,  restringindo­se  a  instância  administrativa  ao  exame  da  validade  jurídica  dos  atos  praticados  pelos  agentes do fisco.    Impugnação Improcedente  Credito Tributário Mantido      Do Recurso Voluntário  A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 501 e ss, onde reforça os  argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendo­se aos seguintes pontos:  ­ Da Preliminar ­ Cerceamento de Defesa ­ Necessidade de Perícia;  ­ Da Preliminar de Falta de Fundamentação;  ­  Do  mérito  ­  que  os  depósitos  bancários  não  refletem  caracterização  de  riqueza, tratando­se de mera presunção legal;  ­ Do regime de tributação ­ deveria ela ter sido tributada pelo Lucro Real ou  Presumido;  ­ Que deveriam ter sido excluídos os empréstimos;   ­ Do afastamento da multa e/ou a sua redução,   ­ Do sobrestamento do feito em razão do RE/STF 601.314.  Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 18/10/2017.  É o relatório.  Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 570          6 Voto             Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora  A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS  e INSS no regime simplificado ­ SIMPLES, relativo ao ano­calendário de 2006, totalizando o  crédito tributário de R$1.781.128,31, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora.   Ela  foi  cientificada  do  teor  do  acórdão  da  DRJ/RJ1  e  intimada  ao  recolhimento  dos  débitos  em  19/02/2014  (AR  de  fl.  499/500),  e  apresentou  em  21/03/2014,  recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 501/555.  Já  que  atendidos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  nº  70.235/72, e tempestivo, dele conheço.  Conforme  o  TVF,  fls.  246/247,  a  autuação  se  deu  em  razão  de  depósitos  bancários sem comprovação de origem.  1 ­ Do pedido de perícia  Em  sede  de  impugnação,  o  recorrente  já  havia  requerido  a  realização  de  perícia, e diante da negativa, o repete em sede recursal, formulando quesitos para tanto:    1. Da solicitação de diligência e de perícia    Quanto  ao  pedido  de  diligência  e  de  perícia,  apesar  de  ser  facultado  ao  sujeito  passivo  tal  pleito,  em  conformidade  com  o  art.  16,  IV  do  Decreto  n°  70.235/72  (PAF),  compete  à  autoridade  julgadora  decidir  sobre  sua  efetivação,  devendo  indeferir  sempre  que  considerar  as  pretendidas  provas  como  prescindíveis  ou  impraticáveis, na forma do art. 18 do referido diploma normativo.    A  realização  de  diligências  tem  por  finalidade  a  elucidação  de  questões  que  suscitem  dúvidas  para  o  julgamento  da  lide.  Assim,  o  deferimento  de  um  pedido  dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, bem  como dirimir dúvidas que o exame dos autos não seja suficiente para esclarecer.     No  que  se  refere  especificamente  aos  pedidos  contidos  na  impugnação,  cumpre  consignar que a solução do presente litígio vincula­se apresentação de documentos  cuja guarda e conservação compete à própria interessada, nos termos da legislação  tributária, como se verá adiante. Portanto, torna­se desnecessário o acionamento de  autoridades  fiscais,  visto  que  é  suficiente  a  apresentação  de  documentos  da  sociedade para solução do litígio.    No  presente  caso,  o  feito  fiscal  contém  todos  os  elementos  necessários  para  seu  prosseguimento,  inexistindo  nos  autos  qualquer  dúvida  de  ordem  técnica  que  dependa  de  novas  ações  a  fim  de  aferir  dados  factuais.  A  argumentação  da  interessada  encontra­se  desprovida  de  qualquer  elemento  concreto  de  sua  necessidade.  Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 571          7   Logo,  diante  do  convencimento  da  desnecessidade  de  quaisquer  esclarecimentos  adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido.    Penso  de  igual  forma,  não  entendo que  seja  imprescindível  a  realização  de  perícia,  quando  o  presente  caso  se  trata  de  omissão  de  receitas  por  depósito  bancário  sem  comprovação de sua origem.  Preliminar de Falta de fundamentação  A  recorrente  alega  que  o  auto  seria  nulo  por  citar  legislação  anterior  a  Lei  9.317/96 que instituiu o regime simplificado.  A legislação citada é pertinente a situação, já que de acordo com o artigo 18  da Lei 9317/96:  Art.  18°  Aplicam­se  à  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte  todas as  presunções  de  omissão  de  receita  existentes  nas  legislações  de  regência  dos  impostos  e  contribuições  de  que  trata  es  ta  Lei,  desde  que  apuráveis  com  base  nos  livros  e  documentos  a  que  estiverem  obrigadas  aquelas  pessoas  jurídicas.  O  auto  de  infração  cita  os  artigos  que  tratam  da  presunção  de  omissão  de  receita dos depósitos não comprovados, da forma de tributação da omissão receita e da forma  de tributação na sistemática do SIMPLES.  Ademais, no caso em tela, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam  ensejo  a  declaração  de  nulidade  do  auto  de  infração.  Ademais,  este  contém,  dentre  outros  requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas  formalidades  é  que  implicaria  na  invalidade  do  lançamento,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa.   O contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas,  rebatendo­as,  mediante  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que  demande a anulação da decisão a quo:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.   § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.   Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 572          8 §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.   § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)   Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para  embasamento, não verifico contradição, questões de mérito serão analisadas adiante.   Assim, deixo de conhecer também, desta preliminar argüida.  Do mérito  Alega, em síntese, o recorrente, que os depósitos efetuados não representam  efetiva obtenção de rendimento e/ou faturamento  tributável, de forma que não ocorreu o fato  gerador a ensejar o presente lançamento de ofício, resultando em cobrança ilegal e arbitrária de  imposto.  Ora, a presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários  de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei  nº 9.430/96:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa física ou jurídica;  Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 573          9 II  no  caso de  pessoa  física,  sem prejuízo  do  disposto  no  inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  §  5º  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.  §  6º  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  Alega  também  que  parte  dos  créditos  se  referem  a  empréstimos  realizados  por terceiro entre familiares como ajuda para fluxo de caixa.  Realmente,  empréstimos  ocorrem  em  empresas,  e  representam  créditos,  no  entanto,  sua  alegação,  não  veio  acompanhada  das  provas,  assim,  não  passam  de  meros  argumentos.  Assim,  sem  trazer  nenhuma  comprovação  da  origem  dos  depósitos,  de  se  manter o lançamento em sua totalidade.  Do Regime de Tributação  Alega, ainda o Recorrente, que ao  ter ultrapassado o  limite de permanência  no SIMPLES, deveria ter sido excluído do regime e deveria ser tributado pelo regime do Lucro  Real  ou  Presumido,  trazendo  legislação  de  cada  um  dos  tributos,  bem  como  planilha  com  simulações de cada uma delas.  Ora, nos termos da Lei 9.317/96, art. 15, a exclusão do SIMPLES ocorrerá a  partir do ano­calendário seguinte ao estouro do limite imposto:  Art. 9 ­ Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:  I  ­  na  condição  de  microempresa  que  tenha  auferido,  no  ano­ calendário  imediatamente anterior,  receita bruta  superior a R$  240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais);  Art.  13.  A  exclusão  mediante  comunicação  da  pessoa  jurídica  dar­se­á:  ­ por opção.  Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 574          10 II ­ obrigatoriamente, quando:  a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do  art. 90;  Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os  arts. 13 e 14 surtirá efeito:  (...)  IV  ­ a partir do ano­calendário  subseqüente aquele em que  for  ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e  lido art. 90; (grifei)  Assim, correto o regime aplicado para o lançamento.  3 ­ Da natureza Confiscatória da Multa  Alega  ainda  excesso  de  penalidade,  e  pugna pela  aplicação  tão­somente  de  20%,  penalidade  moratória.  Aqui  aplicada  a  multa  de  ofício  nos  termos  do  art.  44  da  Lei  9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos  da Súmula CARF n. 02:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  4 ­ Pedido de Sobrestamento  Requer,  ainda,  a  recorrente  o  sobrestamento  do  feito  em  razão  do RE/STF  601.314.  Tal  pedido  se  mostra  prejudicado,  em  razão  do  já  decidido  pelo  Supremo  Tribunal Federal, no citado recurso extraordinário, no tocante à quebra do sigilo bancário, na  sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu  por maioria de votos a seguinte:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio  da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado  do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese:  “A  Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo em vista o caráter  instrumental da norma, nos  termos do artigo  144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente,  justificadamente,  a  Ministra  Cármen  Lúcia.  Presidiu  o  julgamento  o  Ministro  Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ”  Ademais,  transcrevo  o  dispositivo  legal  que  permite  o  acesso  à  movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de  2001:  Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16832.000265/2010­35  Acórdão n.º 1301­002.770  S1­C3T1  Fl. 575          11 instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.  Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.  CONCLUSÃO  Diante de  todo o  acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário,  afastar as preliminares arguidas, para no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO.    (assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto                                Fl. 575DF CARF MF

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Numero do processo: 11052.001422/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, é constitucional as normas dispostas na Lei Complementar nº 105/01 que autorizam que a Receita Federal obtenha dados bancários diretamente pelas instituições financeiras quando da existência de procedimento fiscal. Não há que se falar em nulidade do auto de infração. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida de se manter no Simples Federal (Lei n° 9.317/1996). A exclusão do Simples surte efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2006 RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OPÇÃO. SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que, na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está excluída do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão do Simples surte efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.
Numero da decisão: 1201-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA

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1201­002.095  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2018  Matéria  SIMPLES e SIMPLES NACIONAL  Recorrente  DISTRIBUIDORA DE ARTIGOS ESPORTE GOUVEENSE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos  10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.  De  acordo  com  a  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  repercussão  geral,  no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP,  é constitucional  as normas  dispostas  na  Lei  Complementar  nº  105/01  que  autorizam  que  a  Receita  Federal  obtenha  dados  bancários  diretamente  pelas  instituições  financeiras  quando da existência de procedimento fiscal. Não há que se falar em nulidade  do auto de infração.   ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2006  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM  NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE.   A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção  da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96:  respeitou os limites  legais ao individualizar os lançamentos considerados de  origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar  a origem dos depósitos bancários.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 14 22 /2 01 0- 93 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 3          2 RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES.  A  pessoa  jurídica  que,  na  condição  de  empresa  de  pequeno  porte,  tenha  auferido, no  ano­calendário  imediatamente  anterior,  receita bruta  superior  a  R$  2.400.000,00  está  impedida  de  se  manter  no  Simples  Federal  (Lei  n°  9.317/1996). A  exclusão  do  Simples  surte  efeito  a  partir  do  ano­calendário  subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.  ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2006  RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES.  OPÇÃO. SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE.  A  pessoa  jurídica  que,  na  condição  de  empresa  de  pequeno  porte,  tenha  auferido, no  ano­calendário  imediatamente  anterior,  receita bruta  superior  a  R$  2.400.000,00  está  excluída  do  Simples Nacional  (Lei  Complementar  nº  123/2006).  A  exclusão  do  Simples  surte  efeito  a  partir  do  ano­calendário  subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Gisele Barra Bossa ­ Relatora  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de  Aguiar,  Luis  Henrique Marotti  Toselli  e Gisele  Barra  Bossa.  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.  Relatório  1.  Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte  deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:    “Trata  o  presente  processo  de  autos  de  infração  lavrados  em  21/12/2010  no  âmbito  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil no Rio de Janeiro IDRF/ RJ1, relativos ao ano­calendário  de 2006, por meio dos quais são exigidos do interessado acima  identificado  o  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  jurídica­IRPJ/  SIMPLES  no  valor  de R$ 29.659,96  (fls.41/67),  a  contribuição  para o programa de integração social­PIS/SIMPLES no valor de  Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 4          3 R$  21.808,56  (fls.  68/77),  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido­CSLL/SIMPLES  no  valor  de  R$30.190,83  (fls.78/87),  a  contribuição  para  financiamento  da  seguridade  social­ COFINS/SIMPLES  no  valor  de  R$  88.909,22  (fls.88/98)  e  a  contribuição para seguridade social­INSS/SIMPLES no valor de  R$ 255.852,81 (fls. 99/107), todos acrescidos de multa de ofício  de 75% e de encargos moratórios.  2. Dos fatos.  3. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal­TVCF  de fls. 38/39, o interessado, optante pelo SIMPLES FEDERAL no  ano­calendário  de  2006,  uma  vez  intimado,  apresentou  o  livro  Diário  e  alegou  que  os  extratos  bancários  foram  extraviados  (fl.32).  4.  A  fiscalização  então  solicitou  os  extratos  bancários  às  instituições  financeiras,  por  intermédio  de  requisição  de  movimentação financeira, em observância ao disposto no art. 3º,  inciso VII, do Decreto nº 3.724, de 2001. De posse dos referidos  documentos, elaborou planilhas  contendo os  valores creditados  que  foram  submetidos  ao  interessado  para  a  comprovação  de  sua origem (fl.367).  5.  Ante  a  falta  de  apresentação  dos  documentos  relativos  aos  depósitos listados, foi levado a efeito o lançamento de ofício.  6. Das infrações.  6.1 Omissão de receita, correspondente aos depósitos bancários  efetuados  nas  contas  correntes  cujas  origens  não  foram  comprovadas,  já  excluídos  os  valores  declarados  a  título  de  receita  bruta  na  declaração  simplificada  da  pessoa  jurídica­ SIMPLES  (PJSI 2007). Enquadramento  legal: art. 24 da Lei nº  9.249/1995. Arts. 2º, § 2º, 3º §1º, alínea “a”, 5º, 7º, §1º, 18 da  Lei nº 9.317/1996. Art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Art. 3º da Lei nº  9.732/1998. Arts. 186, 188, 199 e 849 do RIR/1999.  6.2 Insuficiência de valor recolhido, tendo em vista a omissão de  receita  apurada.  Enquadramento  legal:  art.  5º  da  Lei  nº  9.317/1996 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/1998. Arts. 186 e 188, do  RIR/1999.  6.3 Em decorrência,  foram ainda lavrados os autos de infração  de CSLL, COFINS, PIS e INSS.  6.4  O  interessado  foi  excluído  do  SIMPLES  FEDERAL  E  NACIONAL,  a  partir  de  01/01/2007  e  01/07/2007,  respectivamente,  uma  vez  que  ultrapassou  o  limite  de  receita  bruta  estabelecido  na  Lei  nº  9.317,  de  1996,  e  alterações  posteriores,  para  permanecer  no  sistema  simplificado  de  recolhimento de tributo (Atos Declaratórios Executivos DRF/RJ1  nºs 149 e 150, ambos de 16/11/2011, juntados às fls.101/102 do  processo nº 11052.001423/2010­38, em apenso).  7. Da impugnação.  Fl. 536DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 5          4 8. Cientificado dos autos de infração (27/12/2010) e da exclusão  do  SIMPLES  (21/11/2011),  o  interessado  apresentou  em  18/01/2011  a  impugnação  de  fls.  262/268,  acompanhada  dos  documentos de fls. 469/473, alegando, em síntese, que:  ­ nulidade de lançamento, em face de quebra indevida de sigilo  bancário;  ­ créditos identificados sob os históricos REDUÇÃO DE SALDO  DEVEDOR,  TRANSFERÊNCIA  ENTRE  AGÊNCIAS,  CPMF  TRANSF, EMPRÉSTIMOS devem ser expurgados do cálculo dos  tributos exigidos, por representarem efetivo ingresso de recursos  de terceiros nas contas correntes do interessado;  ­  também devem ser excluídos os  ingressos  correspondentes ao  pagamento  de  vendas  realizadas  por  cartões  de  crédito/débito  que  já  haviam  sido  objeto  de  operações  anteriores  de  antecipações de recebíveis;   ­ os valores recebidos de administradoras de cartões de créditos  foram  imediatamente  repassados  à  instituição  bancária  para  pagamento dos valores antecipados sob os históricos “TRANSF.  AUTOMÁTICA CCDI”  ­  sob  pena  de  caracterizar  uma  dupla  tributação,  não  se  pode  admitir  a  tributação  dos  créditos  realizados  pelas  administradoras de cartões de créditos ao mesmo tempo em que  se  exigem  os  tributos  sobre  os  créditos  decorrentes  da  antecipações dessas receitas;  ­  não  foram  deduzidos  os  pagamentos  efetuados  ao  longo  do  ano­calendário;  ­ não existe a alegada insuficiência de recolhimento.  2.   Em  sessão  de  20  de  dezembro  de  2012,  a  2ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  por  unanimidade de votos,  deu parcial  provimento  à  impugnação apresentada  (fls.  259/265),  nos  termos  do  voto  relator,  Acórdão  nº  12­51.558  (fls.  444/459),  para  manter  a  exclusão  do  interessado  do Simples Federal  e  do Simples Nacional  a  partir  de 01/01/2007  e 01/07/2007,  respectivamente,  e  declarar  devidos:  a)  o  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  jurídica  IRPJ/SIMPLES  no  valor  de R$  23.854,13;  b)  a  contribuição  para  o  programa  de  integração  social  PIS/SIMPLES  no  valor  de  R$  17.563,34,  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  CSLL/SIMPLES no valor de R$ 24.385,00, a contribuição para  financiamento da seguridade  social COFINS/SIMPLES no  valor  de R$ 71.886,92  e  a  contribuição  para  seguridade  social  INSS/ SIMPLES no valor de R$ 206.487,64, todos acrescidos de multa de ofício de 75% e de  encargos moratórios.  3.  A ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  NULIDADE DO LANÇAMENTO.  Fl. 537DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 6          5 Afasta  ­  se  a  nulidade  arguida,  ante  a  comprovação  de  que  o  auto  de  infração  foi  formalizado  com  obediência  a  todos  os  requisitos previstos em lei.  QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO.  As informações prestadas por instituições financeiras à Fazenda  Nacional,  quando  indispensáveis  à  instrução  de  processo  administrativo  fiscal  e  observadas  as  garantias  individuais  previstas  na  Constituição  Federal,  não  configuram  quebra  de  sigilo bancário.”.  “ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES  Ano­calendário:2006  DEPÓSITO  NÃO  COMPROVADO.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO DE RECEITA.  A presunção legal de omissão de receita, prevista no art. 42 da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  autoriza  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  sujeito  passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos  recursos.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO.  MUDANÇAS  DE  ALÍQUOTA.  Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças  de  faixas  de  receita  bruta  acumulada  por  constatação  de  omissão  de  receitas,  impõe­se  a  exigência  de  ofício  das  insuficiências de recolhimento.  RECEITA  BRUTA  SUPERIOR  AO  LIMITE.  IMPOSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS.  A  pessoa  jurídica  que,  na  condição  de  empresa  de  pequeno  porte,  tenha  auferido,  no  ano­calendário  imediatamente  anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida  de optar pelo Simples. A exclusão do Simples surte efeito a partir  do ano­calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o  limite estabelecido.”.  “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário:2006  RECEITA  BRUTA  SUPERIOR  AO  LIMITE.  IMPOSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS.  A  pessoa  jurídica  que,  na  condição  de  empresa  de  pequeno  porte,  tenha  auferido,  no  ano­calendário  imediatamente  anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 está impedida  de optar pelo Simples. A exclusão do Simples surte efeito a partir  Fl. 538DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 7          6 do ano­calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o  limite estabelecido.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte.”.  4.  A DRJ/RJ1 não acatou os argumentos da Recorrente,  em síntese,  sob os  seguintes fundamentos:  4.1. A nulidade do lançamento só é levada a efeito quando se comprova que o  auto de infração não foi formalizado com obediência a todos os requisitos de validade previstos  no  artigo  142  do Código Tributário Nacional  e  quando  se  apresenta  no  processo  algum dos  motivos  apontados nos  artigos 10  e 59 do Decreto nº 70.235/72, o que não ocorreu no  caso  presente.  4.2.  Cabe  a  Receita  Federal,  por  intermédio  de  seus  agentes,  solicitar  diretamente  às  instituições  financeiras  dados  bancários  do  sujeito  passivo,  sem  que  isso  caracterize  quebra  de  sigilo  bancário.  Esta  possibilidade  está  prevista  tanto  no  artigo  197,  inciso  II  do  Código  Tributário  Nacional,  quanto  na  Lei  Complementar  nº  105/2001  (lei  considerada  constitucional,  conforme  decisão  do  Supremo Tribunal  Federal,  em  repercussão  geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP.  4.3. Nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, configura­se omissão de receita  o ingresso de numerários em conta corrente bancária do contribuinte, quando não comprovada  a origem desses valores mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Trata­se de  presunção legal, tida como relativa, passível de ser afastada caso o sujeito passivo da relação  jurídica prove que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade.  4.4. No caso em tela, durante o procedimento fiscal, o interessado não logrou  êxito  em  comprovar  a  origem  dos  valores  creditados  em  suas  contas  bancárias mantidas  no  Unibanco  (contas  correntes  nº  205795­7  e  206002­7,  ambas  na  agência  0067)  e  Bradesco  (conta corrente nº 25.501­7, agência 1803­1).  4.5.  Além  disso,  a  impugnação  não  trouxe  documentos  necessários  à  instrução do processo administrativo, conforme determina o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72  e, de acordo com a súmula nº 5 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF “na  presunção  relativa  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  prevista  no  art.  42,  da  Lei  nº  9.430, de 1996, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova da origem dos depósitos bancários.”  4.6.  Foi  possível  afastar,  pelo  histórico  de  alguns  créditos  efetuados  nas  contas correntes do interessado, a presunção de omissão de receita.  4.7. Equivoca­se o contribuinte ao afirmar que no lançamento tributário não  foram  considerados  os  pagamentos  efetuados  no  decorrer  do  ano.  O  que  ocorre  é  que,  em  decorrência da alteração de faixa de receita bruta ao se computar a receita omitida, ocorreram  mudanças  de  alíquotas  em  relação  aos  valores  anteriormente  declarados  e  recolhidos  pelo  contribuinte.  4.8.  Manteve­se  a  exclusão  do  contribuinte  do  regime  de  tributação  do  Simples,  tendo  em  vista  que  a  receita  bruta  apurada  no  ano­calendário  de  2006(R$  3.538.766,22) ultrapassou o limite previsto no artigo 2º, inciso II, da Lei nº 9.317/96.  Fl. 539DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 8          7 5.  Cientificada  da  decisão  (AR  de  04/08/2014,  fls.  473),  a  Recorrente  interpôs Recurso Voluntário (fls. 477/481) em 03/09/2014, reiterando as razões já expostas em  sede  de  impugnação  (fls.  259/265)  e  centrou  seu  pedido  para  que  o  auto  de  infração  seja  considerado  nulo  em  razão  da  quebra  de  sigilo  bancário  ocasionado  pela  fiscalização  de  origem, bem como para seja mantida no regime do Simples.   É o relatório.   Voto             Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora  6.  O  recurso  é  tempestivo  e  cumpre  os  demais  requisitos  legais  de  admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar.   Preliminar  I. Da Quebra de Sigilo Bancário  7.  Segundo  alegado  pela  Recorrente,  houve  a  ilegal  quebra  de  seu  sigilo  bancário  no  momento  em  que  o  auditor  fiscal  obteve  os  extratos  bancários  da  empresa  diretamente nas instituições financeiras.   8.  Entende ser  ilegal a quebra de seu sigilo bancário sob  três  fundamentos:  (i) o sigilo bancário é direito constitucional de  todo cidadão, conforme disposto no artigo 5º,  inciso XII da Constituição Federal; (ii) somente é possível o exame de documentos fiscais pela  fiscalização após  instauração de procedimento  administrativo,  como disposto no  artigo 6º da  Lei Complementar nº 105/01; e (iii) a entrega de tais informações deve ocorrer somente após as  instituições financeiras comunicarem o cliente por escrito.  9.  O fornecimento desses dados está previsto em lei. Nos termos do inciso II,  do  artigo  197,  do  CTN,  as  instituições  financeiras  estão  obrigadas  a  fornecer  ao  fisco  as  informações solicitadas:  “Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à  autoridade  administrativa  todas  as  informações  de  que  disponham  com  relação  aos  bens,negócios  ou  atividades  de  terceiros.(...)  II  –  os  bancos,  casas  bancárias,  Caixas  Econômicas  e  demais  instituições financeiras;  10.  Como bem disposto pela  respeitável autoridade fiscal, o sigilo bancário  tem  por  finalidade  a  proteção  contra  a  divulgação  ao  público  dos  negócios  das  instituições  financeiras  e  de  seus  clientes.  Assim,  a  partir  da  prestação,  por  parte  das  instituições  financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, o  sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, transfere­se a responsabilidade para a autoridade  administrativa solicitante e aos agentes fiscais que a ele tenham acesso no estrito exercício de  suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art.  199 do CTN, sob pena de incorrerem em infração administrativa e penal.  Fl. 540DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 9          8 11.  O  sigilo  bancário  possuía  regramento  específico  na  Lei  nº  4.595,  de  1964, que, em seu art. 38 e § 1º, restava expresso que as instituições financeiras conservariam  sigilo  em  suas  operações  ativas  e  passivas  e  serviços  prestados,  e  que  as  informações  e  esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestados pelo Banco Central da República  do Brasil  ou  pelas  instituições  financeiras,  e  a  exibição  de  livros  e  documentos  em  juízo  se  revestiriam sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas  na causa, que deles não poderiam servir­se para fins estranhos à mesma.  12.  A partir da Lei Complementar (LC) nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que  dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras (revogando expressamente o art.  38, da Lei nº 4.595, de 1964) determina, no art. 1º, que as instituições financeiras conservarão  sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados; e define, no § 3º, incisos III e  IV, que não constitui violação do dever de sigilo, o fornecimento das informações de que trata  o § 2º, do art. 11, da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, e a prestação de informações nos  termos e condições estabelecidos nos artigos 2º a 7º e 9º, respectivamente.  13.  Com  efeito,  as  autoridades  fiscais  passaram  a  requisitar  e  obter  as  informações  da  movimentação  bancária  diretamente  junto  às  instituições  financeiras,  sem  autorização judicial.  14.  Nos  termos  do  artigo  6º  e  parágrafo  único  da  LC  nº  105,  de  2001,  regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, as autoridades e os agentes  fiscais  tributários  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e  tais exames sejam considerados  indispensáveis pela autoridade administrativa competente. No mais, o resultado dos exames, as  informações  e  os  documentos  devem  ser  conservados  em  sigilo,  observada  a  legislação  tributária. A requisição deve ser formalizada por meio de Solicitação de Emissão de Requisição  de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF.  15.  Conforme redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, ao § 3º do art. 11 da  Lei nº 9.311 de 1996, a RFB resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo  das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo  tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para  lançamento do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº  9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores.  16.  O Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, ao regulamentar o art. 6º  da LC nº  105,  de  2001,  relativamente  à  requisição,  acesso  e uso,  pela RFB,  de  informações  referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas,  definiu  no  art.  4º  e  §  1º  que  poderão  requisitar  as  informações  relativas  à  movimentação  financeira as autoridades competentes para expedir o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)  e  que  a  requisição  será  formalizada  mediante  documento  denominado  Requisição  de  Informações sobre Movimentação Financeira.  17.  Feitas  estas  considerações,  é  clara  a  inocorrência  de  quebra  do  sigilo  bancário, mas mera  observância,  por parte da  autoridade  fiscal,  da  legislação  permissiva  em  análise.   18.  Ademais,  diferentemente  do  alegado  pela  Recorrente,  em  2016  o  Supremo Tribunal Federal julgou, em repercussão geral (RE nº 601.314/SP), constitucionais os  Fl. 541DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 10          9 dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal obter dados  bancários de contribuintes diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial:  “RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  AO SIGILO  BANCÁRIO. DEVER  DE  PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS  A  TRIBUTOS  DISTINTOS  DA  CPMF.  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  DA  NORMA  TRIBUTÁRIA.  LEI  10.174/01.  1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre  o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar  tributos,  ambos  referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que  se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da  tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a  autonomia  individual  e o autogoverno coletivo.  2. Do ponto de  vista  da  autonomia  individual,  o sigilo  bancário é  uma  das  expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas  atividades  e  informações  bancárias  livres  de  ingerências  ou  ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer  que  seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria  instituição  financeira.  (...).  4.  Verifica­se  que  o  Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros  constitucionais,  ao  exercer  sua  relativa  liberdade  de  conformação  da  ordem  jurídica,  na  medida  em  que  estabeleceu  requisitos  objetivos  para  a  requisição  de  informação  pela  Administração  Tributária  às  instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados  a  respeito  das  transações  financeiras  do  contribuinte,  observando­se  um  translado  do  dever  de sigilo da  esfera  bancária  para  a  fiscal.  5.  A  alteração  na  ordem  jurídica  promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  aquela  se  encerra  na  atribuição  de  competência  administrativa  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que  evidencia  o  caráter  instrumental da norma em questão. Aplica­se, portanto, o artigo  144, §1º, do Código Tributário Nacional.”  (  STF  ­  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/SP  ­  Relator:  Ministro  Ricardo  Lewandowski  ­  Julgamento  de  22/10/2009)  (grifo nosso).  19.  De acordo com a ementa destacada acima, prevaleceu o entendimento de  que  a  aplicação  do  normativo  não  resulta  em  quebra  de  sigilo  bancário,  mas  sim  em  transferência  do  sigilo  da  órbita  bancária para  a  fiscal,  ambas  protegidas  contra  o  acesso  de  terceiros.   20.  Além disso, a solicitação dos dados bancários pela fiscalização foi feita  primeiramente à Recorrente no decorrer do procedimento fiscal, momento em que declarou não  estar mais em posse destes documentos (fls. 30).  Fl. 542DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 11          10 21.  Portanto,  considerando  que  a  Recorrente  foi  intimada  a  apresentar  os  extratos bancários, informando não tê­los, e que a requisição destes extratos pelo agente fiscal  não  caracteriza  quebra  de  sigilo  bancário,  nos  termos  da  legislação  e  do  precedente  do  Supremo Tribunal Federal (RE nº 601.314/SP), não acolho o pedido da Recorrente.  Mérito  I. Do Ônus da Prova no caso de Omissão de Receitas  22.  Nos  termos  do  §1º,  do  artigo  7°  e  do  artigo  18  da  Lei  n°  9.317/1996,  deve  o  contribuinte  optante  pelo  Simples  escriturar  ao  menos  o  Livro  Caixa  com  toda  sua  movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  pertinentes,  todos  os  documentos  que  serviram de suporte para esta escrituração, verbis:   Art. 7°(..)  § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam  dispensadas  de  escrituração  comercial  desde  que  mantenham,  em  boa  ordem  e  guarda  e  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações que lhes sejam pertinentes:  a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua  movimentação financeira, inclusive bancária;  b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar  registrados os estoques existentes no término de cada ano­ calendário;  c)  todos  os  documentos  e  demais  papéis  que  serviram  de  base  para  a  escrituração  das  livros  referidas  nas  alíneas  anteriores.  (...)  Art.  18.  Aplicam­se  à  microempresa  e  à  empresa  de  pequeno  porte  todas as  presunções  de  omissão  de  receita  existentes  nas  legislações  de  regência  dos  impostos  e  contribuições  de  que  trata  esta  Lei,  desde  que  apuráveis  com  base  nos  livros  e  documentos  a  que  estiverem  obrigadas  aquelas  pessoas  jurídicas.   23.  Adicionalmente, os referidos artigos 18, da Lei nº 9.317/1996, 24 da Lei  nº 9.249/1995 e 42, da Lei nº 9.430/96, não deixam dúvidas que a contribuinte está sujeita à  presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base  em depósito bancário de origem não comprovada.  24.  Importante  consignar  que,  conforme dispõe  a Súmula CARF nº  26:  "A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada".  Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 12          11 25.  Portanto,  basta  ao  fisco  demonstrar  a  existência  de depósitos bancários  de  origens  não  comprovadas  para  que  se  presuma,  até  prova  em  contrário,  a  cargo  do  contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Trata­se de presunção legal do tipo juris  tantum e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na  lei  como necessário e  suficiente  ao  estabelecimento  da  presunção,  para  que  fique  evidenciada  a  omissão  de  rendimentos.  26.  Vejam que,  o  aproveitamento  dos  dispositivos  supra  juntamente  com  a  interpretação constante da Súmula CARF nº 26, devem observar os limites da lei. Não se trata  de "cheque em branco" dado às autoridades fiscais para aplicar indistintamente tal presunção.   27.  Assim,  considero  fundamental  a  observância de  dois  pressupostos  para  legitimar a adoção da presunção em questão: respeito aos limites legais constantes do artigo 42,  da  Lei  nº  9.430/96,  leia­se  individualização  dos  lançamentos  considerados  de  origem  não  comprovada  e  efetiva  intimação  do  contribuinte  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários.   28.  Primeiro, a autoridade deve cuidar de  respeitar as disposições e  limites  constantes, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis:  "  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  §2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão  analisados  individualizadamente,  observado  que  não  serão considerados:  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário, não ultrapasse 0 valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil  reais)."  29.  A  partir  da  análise  do  dispositivo  supra,  o  lançamento  com  base  em  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  tem  validade  apenas  se  a  autoridade  fiscal  individualiza  os  depósitos  que  entende  como  não  comprovados,  para  que,  com  base  nessa  segregação, o autuado se defenda e apresente provas.  Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 13          12 30.  Nesse sentido, é o r. Acórdão nº 1302001.642, cuja ementa segue abaixo  transcrita, verbis:  "OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  INTIMAÇÃO  PARA  COMPROVAÇÃO  POR  VALORES  GLOBAIS.  FALTA  DE  INDIVIDUALIZAÇÃO  DOS  CRÉDITOS.  IMPROCEDÊNCIA  DO LANÇAMENTO.  Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  datas  e  valores,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  A  ausência  de  intimação  que  discrimine  individualizadamente  os  créditos  a  serem  comprovados,  nos  termos  da  lei,  implica  a  improcedência  do  lançamento".  (Processo  nº  18471.001400/200736,  Acórdão  nº  1302001.642, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 1ª Seção, Sessão  de 5 de fevereiro de 2015, Relator Waldir Veiga Rocha). (grifos  nossos)  31.  Da leitura do julgado em questão, fica claro o dever da autoridade fiscal  de intimar regularmente o contribuinte para que esclareça a origem dos créditos bancários e de  fazer constar da intimação a discriminação individualizada dos valores a serem comprovados.  Tais deveres asseguram o direito dos contribuintes ao contraditório efetivo e a ampla defesa1,  bem como convergem com o disposto no artigo 142, do CTN.   32.   Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o  fato  adotado  como  indiciário  e  sua  consequência  lógica,  a  fim  de  que  se  realize  o  primado  básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido.   33.  Os  indícios  em  questão  decorrem  de  questões  fáticas  levantadas  tanto  pela  autoridade  fiscal,  por  meio  de  suas  plataformas  tecnológicas  de  dados,  como  pelo  contribuinte,  que  legalmente  intimado,  deve  fazer  prova  da  origem  dos  créditos  bancários  recebidos  e  demonstrar  a  ocorrência  de  lançamentos  em  duplicidade  e/ou  que  não  correspondem  às  receitas  tributáveis,  como  é  o  caso  dos  resgates,  estornos  e  transferências  entre contas do mesmo titular.   34.  No  presente  caso,  a  douta  autoridade  fiscal  cuidou  de  atender  os  dois  pressupostos hábeis a  legitimar a presunção de omissão de receitas dos créditos bancários de  origem não comprovada.                                                              1 Lei nº 13.105/2015  Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais,  aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao  juiz zelar pelo  efetivo contraditório.  Lei nº 9.784/1999  Art.  2º A Administração  Pública  obedecerá,  dentre  outros,  aos  princípios  da  legalidade,  finalidade, motivação,  razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e  eficiência.    Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 14          13 35.  A contribuinte foi intimada em 14/12/2009 a apresentar, relativamente ao  ano­calendário  2006,  dentre  outros  documentos,  o  Livro  Caixa  ou  Livros  Diário  e  Razão  e  extratos  de  todas  as  contas  bancárias  mantidas  pela  empresa  (fl.  26).  Somente  parte  da  solicitação do agente fiscal foi atendida pela contribuinte (fls. 29, apresentação do Livro Diário  2006). Além disso, a Recorrente apresentou declaração informando não mais ter a guarda dos  extratos bancários  como  requerido pelo  agente  fiscal  (fls.  30). Diante do não atendimento,  o  agente fiscal solicitou os extratos diretamente às instituições financeiras (fls. 109).   36.  Em impugnação a Recorrente alegou, mas não comprovou, que o auditor  fiscal teria considerado omissão de receitas valores não tributáveis ou já tributados, como nos  casos de depósitos denominados “redução de saldo devedor”, “transferências entre agências”,  “CPMF transferência” entre outros (fls. 259/265).  37.  Não  obstante  a  ausência  de  comprovação  por  parte  da  contribuinte  em  seus instrumentos de defesa (fls. 259/265 (Impugnação) e fls. 495/499 (Recurso Voluntário)), a  r. decisão da DRJ, em virtude do histórico de alguns créditos efetuados nas contas correntes da  interessada, afastou presunção de omissão de receitas nas situações supra, conforme planilha de  fls. 450/454 e procedeu ao respectivo ajuste da base de cálculo.  38.  Verifica­se  claramente  que  as  autoridades  fiscais,  ao  cruzar  as  declarações e extratos bancários enviados pela Recorrente, cuidaram de excluiu as receitas não  tributáveis e de individualizar os lançamentos dos depósitos e créditos bancário de origem não  comprovada.  39.  De fato, não se está tributando os depósitos e créditos bancários ou que  sejam  esses  os  fatos  geradores  do  imposto  de  renda  e  dos  demais  tributos  abrangidos  pelo  Simples. Tributa­se  sim,  a  importância  financeira  creditada  em beneficio  da Recorrente  que,  pelo  fato  de  não  estar  escriturada,  declarada  ou  justificada,  deve  ser  considerada  receita  omitida, segundo a legislação acima reproduzida, respeitados os pressupostos da própria lei.   40.  Diante da presunção legal de que esse montante na verdade se origina de  receita tributável auferida e não declarada, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem  dos recursos.  41.  Do  exposto,  considero  irreparável  r.  condução  do  procedimento  fiscalizatório  que  ensejou  a  lavratura  do  auto  de  infração  e  a  condução  do  processo  administrativo fiscal no tocante à aplicação da presunção de omissão de receitas constante do  artigo art. 42 da Lei nº 9.430/96.   42.  Logo,  não  acolho  o  pedido  da  Recorrente  e  entendo  satisfatórios  os  ajustes e demais provas/indícios apresentados pela autoridade fiscal.   II.  Da  Exclusão  do  Simples  Federal  (Lei  nº  9.317/1996)  e  do  Simples  Nacional  (Lei  Complementar nº 123/2006)  43.  A  Recorrente  foi  excluída  do  SIMPLES  FEDERAL  E NACIONAL,  a  partir  de  01/01/2007  e  01/07/2007,  respectivamente,  uma  vez  que  ultrapassou  o  limite  de  receita bruta estabelecido na Lei nº 9.317, de 1996, e alterações posteriores, para permanecer  no sistema simplificado de  recolhimento de  tributo  (Atos Declaratórios Executivos DRF/RJ1  nºs  149  e  150,  ambos  de  16/11/2011,  juntados  às  fls.101/102  do  processo  nº  11052.001423/2010­38, em apenso).   Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11052.001422/2010­93  Acórdão n.º 1201­002.095  S1­C2T1  Fl. 15          14 44.  Como  a  Recorrente  não  trouxe  elementos  para  refutar  a  autuação  em  questão,  tampouco  argumentos  específicos  em  seus  instrumentos  de  defesa,  considero  a  questão incontroversa.     Conclusão  45.  Diante do  exposto,  estando o  auto  de  infração  em  consonância  com as  normas  legais  que  regulamentam  a matéria, VOTO  no  sentido  de CONHECER  do  presente  RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Gisele Barra Bossa                            Fl. 547DF CARF MF

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Numero do processo: 13888.905781/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 124          1 123  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.905781/2012­86  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­001.248  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  01 de fevereiro de 2018  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  KSPG AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente substituto e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Waldir  Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel  Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz  e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  PER/DCOMP  apresentada  pela  empresa  KSPG  AUTOMOTIVE BRAZIL  LTDA.,  em  que  pelo  Despacho Decisório  emitido  pela  DRF  não  homologou  Declaração  de  Compensação  eletrônica  (nº  15201.56852.200410.1.3.04­1014),  sustentando pela seguinte fundamentação:  "A  partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP".  (...)  "Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada".     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 05 78 1/ 20 12 -8 6 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.905781/2012­86  Resolução nº  3402­001.248  S3­C4T2  Fl. 125          2 Cientificada,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  alegando, em síntese, que:  ­  em 11/02/2010  foi  retificada  a  apuração de PIS e COFINS  referente  ao mês  outubro de 2009, e logo em seguida sua obrigação acessória DACON ­ Mensal 1.6 do mesmo  período (anexo IV);   ­  o  imposto  referente  ao  (...)  (PIS)  apurado  inicialmente  no  valor  de  R$  792.427,77, após retificação da apuração, passou para R$ 625.461,49, restando um crédito de  R$ 166.966,28.   ­  visto  que  o  (...)  (PIS)  foi  recolhido  em  25/11/2009  (anexo  III),  após  a  retificação da apuração restava compensar o valor pago a maior. (...).  Ao analisar o despacho decisório  (...) percebeu que não havia sido retificada a  DCTF referente a outubro de 2009 (anexo IV).  A  referida Manifestação  de  Inconformidade  foi  analisada  pela  Administração  Tributária. No entanto, os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, não foram acolhidos pela  primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão proferido  pela  DRJ  em Ribeirão  Preto/SP  sob  nº  14­51.604,  de  26/06/2014,  conforme  ementa  abaixo  reproduzida (fls. 38):  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 25/11/2009   DIREITO CREDITÓRIO. PROVA.  O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova  de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído  ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório  carreado  aos  autos  pela  interessada  elemento  que  permita  a  verificação  da  existência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  frente  à  legislação  tributária,  o  direito  creditório  não  pode  ser  admitido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Em 18/09/2014  a Recorrente  foi  devidamente  cientificada  conforme consta do  Despacho de fl. 49 e não resignada com a r. decisão, a empresa em 03/10/2014 (fl. 50), interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário  (RV),  (fls.  51/63)  no  qual,  repisa  os  argumentos  de  sua  impugnação  e  em  suma,  alega  o  descabimento  das  glosas  dos  créditos,  argumentando  as  seguintes razões:  ­  que  a  DRJ  em  Ribeirão  Preto/SP,  indeferiu  a  solicitação  da  Recorrente  ratificando a decisão da DRF, sob o argumento de que: "(...) Como visto, há uma inconsistência  nos  documentos  trazidos  aos  autos,  inconsistência  essa  que  somente  o  recurso  à  contabilidade  do  sujeito passivo poderia resolver. No entanto,  tal elemento de prova não foi  juntado pela interessada,  Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.905781/2012­86  Resolução nº  3402­001.248  S3­C4T2  Fl. 126          3 razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral  do crédito pleiteado, mantendo­se incólume o Despacho Decisório".  ­ que conforme amplamente relatado no Acórdão, para que o direito creditório  seja reconhecido é necessário que seja apresentada documentação fiscal hábil e idônea através  da qual se demonstre o crédito em discussão;  ­ explica a empresa que o montante  recolhido a maior a  título de COFINS foi  devidamente escriturado nos documentos contábeis da empresa, conforme se verifica da análise  do balancete do período de fevereiro de 2010 (fl. 114) na conta 115190 denominada "COFINS  a  Recuperar  s/  Entradas"  que  no  final  de  fevereiro  de  2010  perfazia  o  montante  de  R$  159.202,71. Vale esclarecer que, na escrituração contábil o montante é reportado pelo seu valor  histórico,  sem  o  acréscimo  da SELIC  e  que  em  tal  conta  contábil  estão  reportados  todos  os  créditos de COFINS a recuperar da empresa, incluindo os montantes de outros créditos;  ­  que  é  possível  verificar  que  no  Livro  Razão  (fls.  115/118)  da  empresa  de  30/04/2010 foi contabilizada a baixa do crédito na mesma conta„ contábil  identificada acima  (115190)  no  valor  de  R$  166.966,28,  cuja  observação  menciona  "compensação  de  PIS  e  COFINS referente 03/2010 conforme PER/DCOMP";  ­  que  analisando  o  Razão  (fls.  115/118)  da  empresa  é  possível  verificar  que  foram efetuados quatro lançamentos na data de 30/04/2010 cuja somatória é de R$ 166.942,11,  conforme  demonstrado  à  fl.  59  do  recurso;  tais  valores  comprovam  que  havia  crédito  de  COFINS a ser  compensado, cuja origem provém do pagamento a maior do DARF  recolhido  em 25/11/2009;  ­ não restam dúvidas de que trata­se de erro material cometido pelo contribuinte  quando da apuração do tributo;  ­  aborda  o  Princípio  da  Verdade  Material  no  Processo  Administrativo  Tributário:  no  processo  administrativo  tributário  deve  predominar  o  princípio  da  verdade  material, no sentido de  se buscar descobrir  se  realmente ocorreu ou não o  fato gerador, para  que então se tenha certeza de que a obrigação/direito teve seu nascimento efetivado. Assim o  objetivo da fiscalização é o de apurar os fatos concretos ocorridos;  Tal premissa é verdadeira e deve ser aplicada para o reconhecimento do direito  de compensação, postulado pela Recorrente. Portanto, deve ser admitida a apuração da verdade  concreta,  passível  de  comprovação  por  meio  dos  documentos  apresentados  pela  Recorrente  (DACON, DARF, PER/DCOMP, Livro Razão, Balancete, etc) e outros que possam vir a ser  posteriormente juntados  Por  fim,  requer  o  provimento  do  recurso  voluntário,  para  reforma  integral  da  decisão proferida em primeira instância administrativa.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator.  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.905781/2012­86  Resolução nº  3402­001.248  S3­C4T2  Fl. 127          4 1. Da admissibilidade do Recurso   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado.  3. Objeto da lide  Trata  a  presente  lide  de  PER/DCOMP  apresentada  pela  empresa  KSPG  AUTOMOTIVE BRAZIL  LTDA.,  em  que  pelo  Despacho Decisório  emitido  pela  DRF  não  homologou Declaração  de Compensação  eletrônica  nº  15201.56852.200410.1.3.04­1014,  e  a  decisão  recorrida  ratificou  a  decisão  da  DRF,  alegando  falta  de  documentos  probatórios  da  existência do crédito do PIS pleiteado.  4. Quanto ao MÉRITO  Primeiramente se faz necessário relembrar que a DCOMP se presta a formalizar  o  encontro  de  contas  entre  o  contribuinte  e  a  Fazenda  Pública,  por  iniciativa  do  primeiro  a  quem  cabe,  portanto,  a  responsabilidade  pelas  informações  sobre  os  créditos  e  os  débitos,  cabendo ao Fisco a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a  homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o  inverso se verifica.  No  caso  sob  análise,  quando do  exame das  declarações  prestadas  pela própria  Recorrente à RFB,  revelou­se que o  crédito utilizado na  compensação declarada não existia.  Por  conseguinte,  não  havia  saldo  disponível  para  suportar  uma nova  extinção,  desta  vez  por  meio  de  compensação.  Decorre  disso  que  o  Despacho  Decisório  (fl.  32)  foi  emitido  corretamente, já que baseado nas informações disponíveis pela Administração Tributária.  Conforme  amplamente  relatado  no  Acórdão  recorrido,  para  que  o  direito  creditório  seja  reconhecido  é  necessário  que  seja  apresentada  documentação  fiscal  hábil  e  idônea através da qual se demonstre o crédito em discussão: Veja­se trecho reproduzido:  "(...) A  contribuinte,  não  obstante,  sustenta  a  existência  do  crédito,  o  qual,  segundo  alega,  decorreria  de  retificação  da  apuração  da  contribuição.  A  partir  dos  novos  resultados,  teria  retificado o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais,  mas não a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais.  (...)  Como  visto,  há  uma  inconsistência  nos  documentos  trazidos  aos  autos,  inconsistência essa que somente o recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia  resolver.  No  entanto,  tal  elemento  de  prova  não  foi  juntado  pela  interessada,  razão  pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento  integral do crédito pleiteado, mantendo­se incólume o Despacho Decisório.   Importa destacar que a contribuinte não apresenta sequer um demonstrativo ou uma  razão  pela  qual  teria  retificado  a  apuração  original.  Nenhum  documento  contábil.  Nada. (Grifei)  Agora,  em  fase  de  recurso  voluntário,  a  Recorrente  informa  que,  "(...)  O  montante  recolhido  a  maior  a  título  de  COFINS  foi  devidamente  escriturado  nos  documentos contábeis da empresa, conforme se verifica da análise do balancete do período  de  fevereiro  de  2010  (Doc.  de  fls.  115/118)  na  conta  115190  denominada  "COFINS  a  Recuperar  s/  Entradas"  que  no  final  de  fevereiro  de  2010  perfazia  o  montante  de  R$  159.202,71.  Vale  esclarecer  que,  na  escrituração  contábil  o montante  é  reportado  pelo  seu  Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.905781/2012­86  Resolução nº  3402­001.248  S3­C4T2  Fl. 128          5 valor histórico, sem o acréscimo da Selic e que em tal conta contábil estão reportados todos os  créditos de PIS a recuperar da empresa, incluindo os montantes de outros créditos".   Informa  também  que  acostou  os  autos  cópia  de  vários  outros  documentos  comprobatórios,  tais  como:  extrato  de  conta  do  Livro  Razão  de  30/04/2010,  Balancete  Comparado  de  fevereiro  de  2010  a  abril  de  2010;  Documentos  contábil  onde  consta  o  lançamento do DARF; cópia dos DACON original referente a outubro/2009 (docs. anexados às  fls. 83 a 118).  Ao  final  aduz  que  não  restam  dúvidas  de  que  por  tratar­se  de  erro  material  cometido pelo contribuinte quando da apuração do tributo, o recolhimento a maior efetuado por  este deve ser revertido em favor do mesmo, na forma de compensação, conforme pleiteado na  PER/DCOMP, mencionada.  Assim,  restaria  à  Recorrente  comprovar  o  seu  direito  ao  crédito  pleiteado,  com base nos documentos comprobatórios acostados aos autos (fls. 83/118).  5. Da conversão dos autos em Diligência  Pois  bem.  Como  acima  exposto,  entendo  que  há  razoável  dúvida  quanto  à  certeza  e  liquidez  dos  alegados  direitos  aos  créditos  que  a  Recorrente  pretende  compensar  nestes  autos.  É  certo  que  é  condição  indispensável  à  compensação  de  tributos  a  liquidez  e  certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário  Nacional ­ CTN).   Necessário,  neste  sentido,  a  comprovação  cabal  da  existência  desses  supostos  créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil­fiscal do  contribuinte  e  outros  elementos  probatórios  que  ensejar  necessário,  tais  como  os  que  foram  acostados aos autos às fls. 83/118.   Deste  modo,  visando  propiciar  a  ampla  oportunidade  para  a  Recorrente  esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material,  da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em  diligência,  uma vez que esse novos documento  apensados  ainda não  foram examinados pelo  Fisco.  Em  face  do  acima  exposto,  nos  termos  dos  artigos  18  e  29  do  Decreto  n°  70.235/72,  proponho  a  realização  de  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  da  DRF/PIRACICABA/SP,  proceda  à  análise  de  todos  os  fatos,  argumentos,  cópias  de  documentos,  dos  livros  contábeis  e  demonstrativos  que  foram  apresentados  junto  com  o  Recurso Voluntário (fls. 51/118), no que se refere aos créditos pleiteados neste processo.   Para  tanto,  se  entender  necessário,  a  autoridade  fiscal  poderá  intimar  a  interessada para apresentar outros documentos e/ou informações, a critério da fiscalização, com  vistas  a  esclarecer  e  comprovar  a  existência  dos  supostos  créditos  suscetíveis  de  serem  utilizados na compensação tratados neste PAF.  Desta  forma,  o  processo  deve  retornar  à  repartição  de  origem  ­ Delegacia  da  Receita  Federal  em  Piracicaba/SP,  para  realização  da  diligência,  a  fim  de  se  apurar  e  confirmar, ou não, as seguintes afirmações da Recorrente:  Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.905781/2012­86  Resolução nº  3402­001.248  S3­C4T2  Fl. 129          6 "(...)  Diante  do  exposto,  não  restam  dúvidas  de  que  por  tratar­se  de  erro  material cometido pelo contribuinte quando da apuração do tributo, o recolhimento a maior  efetuado por este deve ser revertido em favor do mesmo, na forma de compensação, conforme  pleiteado na PER/DCOMP, acima mencionada". (Grifei)  (i) diante da noticia acima, o Fisco deve esclarecer se há (ou não) a existência  comprovada  do  direito  aos  créditos  suscetíveis  de  serem  utilizados  na  compensação  tratados  nestes autos; e  (ii)  ao  término  dos  trabalhos,  a  autoridade  fiscal  da  DRF,  deverá  elaborar  Relatório  Conclusivo  sobre  os  fatos  apurados  nesta  solicitação  de  diligência,  podendo  inclusive, manifestar­se sobre a possível existência de crédito líquido e certo suscetível de ser  utilizado pela Recorrente contestada nos demais itens do Recurso Voluntário (fls. 51/63).  Encerrada  a  instrução  processual  a  Interessada  deverá  ser  intimada  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  conforme  art.  35,  parágrafo  único,  do Decreto  nº  7.574, de 29 de setembro de 2011.  Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se  dê prosseguimento ao julgamento.  É como voto.  (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra      Fl. 129DF CARF MF

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Numero do processo: 10835.901963/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-28T11:47:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-28T11:47:05Z; Last-Modified: 2018-03-28T11:47:05Z; dcterms:modified: 2018-03-28T11:47:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:96f0cf5c-4478-446d-b244-5f998181ba90; Last-Save-Date: 2018-03-28T11:47:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-28T11:47:05Z; meta:save-date: 2018-03-28T11:47:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-28T11:47:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-28T11:47:05Z; created: 2018-03-28T11:47:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-03-28T11:47:05Z; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; 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podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade  processual de seu exercício, configurando­se a preclusão consumativa, a par  de representar, se admitida, indevida supressão de instância.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos César Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido  Gil,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Flávio  Machado  Vilhena  Dias,  Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 19 63 /2 00 9- 18 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10835.901963/2009­18  Acórdão n.º 1302­002.607  S1­C3T2  Fl. 3          2    Relatório  Trata­se  de  Recurso  apresentado  em  relação  ao  Acórdão  nº  14­32.271,  proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão  Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito  passivo, e cuja ementa é a seguinte:  "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO.  Pendente,  nos  autos,  a  comprovação  do  crédito  indicado  na  declaração  de  compensação  formalizada,  impõe­se  o  seu  indeferimento.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional."  O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração  de  Compensação  (PER/DComp)  nº  01859.62682.140605.1.3.04­1073,  por  meio  do  qual  compensa  suposto  crédito  de  sua  titularidade,  referente  a  pagamento  indevido  ou  a maior  a  título de IRPJ, período de apuração de julho de 2003, com débito(s) relativo(s) à Contribuição  ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep) , período de apuração de maio de 2005.  Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada,  por inexistência do alegado crédito.  Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se  limita  a  alegar  a  existência  do Documento  de  Arrecadação  de  Receitas  Federais  (Darf)  que  embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp.  O  Acórdão  recorrido  entendeu  que  não  foram  comprovadas  a  liquidez  e  certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório.  Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por  meio do qual sustenta que:  a)  o  motivo  da  compensação  pelo  contribuinte  é  o  desenvolvimento  de  atividade hospitalar;  b) o Fisco,  ao homologar várias  compensações promovidas  sob os mesmos  fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre  a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido;  Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10835.901963/2009­18  Acórdão n.º 1302­002.607  S1­C3T2  Fl. 4          3  c)  a Recorrente  está  cadastrada  sob  a Classificação Nacional  de Atividades  Econômicas (CNAE) 8640­2­02 "Laboratórios clínicos";  d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art.  27,  inciso  II, da  Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por  sua vez,  reporta­se  à  Resolução  ­  RDC  nº  50,  de  21  de  fevereiro  de  2002,  da  Agência  Nacional  de  Vigilância  Sanitária  (Anvisa),  parte  II,  subitem  2.1,  atribuição  4,  tópico  4.4,  "Anatomia  patológica e citopatologia";  e)  à  luz  dos  documentos  apresentados,  a  Recorrente  atende  à  legislação  relativa à definição de "serviços hospitalares";  f)  o  Acórdão  recorrido  "contraria  as  conclusões  de  procedimento  fiscal  realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500­2007­00032­ 2),  no  qual  se  reconheceu  que  a  Recorrente  atende  às  exigências  legais  e  regulamentares  concernentes  à  referida  condição  e,  portanto,  faz  jus  ao  percentual  diferenciado  para  apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços";  g)  a exigência do Fisco  de  exigir  estrutura permanente  e de  funcionamento  ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional;  h)  eventuais  dúvidas  foram  dissipadas  com  a  edição  de  Instruções  Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório  Interpretativo  SRF  nº  18,  de  23  de  outubro  de  2003,  que  considerou  "serviços  hospitalares"  aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que  possuam  estrutura  física  condizente  para  a  execução,  dentre  outras  atividades,  da  relativa  à  anatomia patológica;  i)  igualmente,  considerar­se­ia  serviços  hospitalares  os  prestados  pelos  estabelecimentos  assistenciais  de  saúde  constituídos  por  empresários  ou  sociedades  empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma  atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro);  j)  apenas  nos  casos  em  que  a  receita  provém,  unicamente,  do  trabalho  intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%;  k)  as  Instruções  Normativas  que  regulamentaram  a  matéria  em  comento  acabaram  por  imputar  requisitos  subjetivos  contrários  ao  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995;  l)  ainda  assim,  a  estrutura  da  Recorrente  atende  a  todas  as  normas  acima  referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal;  m)  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  meio  do  julgamento  do  REsp  nº  1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º,  III, "a", e  20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com  foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa;  n) por  fim,  requer que,  para  contrapor  fatos  trazidos na decisão  combatida,  por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do  Termo de Verificação Fiscal nº 0810500­2007­00032­2 / DRF Presidente Prudente (SP).  É o Relatório.  Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10835.901963/2009­18  Acórdão n.º 1302­002.607  S1­C3T2  Fl. 5          4  Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1302­002.563,  de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/2009­61, paradigma ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302­002.563):  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  primeira  instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo  apresentado  recurso  em  27  de  abril  de  2011  (fls.  24  a  56),  dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33  do  Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  aplicável  por  força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de  1996.  O  Recurso  é  assinado  por  sócio­administrador,  com  poder  de  representação, conforme fls. 48 a 55.  A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª  Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art.  7º  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF  (RI/CARF),  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015.  Ocorre  que  o  cotejo  entre  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado  permite  a  constatação  de  que  todas  as matérias  contidas  neste  último apelo não foram trazidas naquela primeira peça.  Nos termos da legislação de regência do processo administrativo  fiscal,  a  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  devendo dela  constar  todos os motivos de  fato  e  de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e  as  razões  e  provas  das  alegações  (arts.  14  e  16  do Decreto  nº  70.235, de 1972).  Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do  contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte  e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por  ocasião  da  impugnação,  sob  pena  de  supressão  de  instância  e  violação ao princípio do devido processo legal.   Admitem­se,  contudo,  algumas  exceções  à  essa  regra  de  preclusão consumativa.  Em  primeiro  lugar,  são  admitidas  as  provas  apresentadas  em  momento  posterior,  desde  que  presente  alguma  das  hipóteses  trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de  1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de  força  maior;  fato  ou  direito  superveniente;  contraposição  de  fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos).  Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10835.901963/2009­18  Acórdão n.º 1302­002.607  S1­C3T2  Fl. 6          5  A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam  ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias  de ordem pública.  Todas  as  conclusões acima  expostas  em  relação à  impugnação  são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não­ homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e  11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996.  É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24  a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que  se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do  Recorrente  em  trazê­la  aos  autos  neste  momento,  quando  deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade.  Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de  Direito  .Processual  Civil,  18a  ed,  Salvador:  Ed.  Juspodium,  2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona:  "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder  processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido  exercido,  pouco  importa  se  bem  ou  mal.  Já  se  praticou  o  ato  processual pretendido, não sendo possível corrigi­lo, melhorá­lo  ou  repeti­lo.  A  consumação  do  exercício  do  poder  o  extingue.  Perde­se o poder pelo exercício dele."  É  exatamente  o  caso  dos  presentes  autos.  Se  o  Recorrente  se  limitou,  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  a  alegar  a  existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação,  sem  explicitar  minimamente  a  composição  do  suposto  crédito  que  ensejou a  compensação, não pode,  em  sede de Recurso ao  CARF,  inovar  completamente  os  seus  argumentos  de  defesa,  para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele  primeiro recurso.  A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo  dos  recursos,  sobre  a  qual  o  mesmo  autor  (Curso  de  Direito  Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3,  p. 143) se manifesta nos seguintes termos:  "A  extensão  do  efeito  devolutivo  significa  delimitar  o  que  se  submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem.  A  extensão  do  efeito  devolutivo  determina­se  pela  extensão  da  impugnação:  tantum  devolutum  quantum  apellatum.  O  recurso  não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao  âmbito  do  julgamento  (decisão)  a  quo.  Só  é  devolvido  o  conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)."   Há  diversos  precedentes,  no  âmbito  de  todas  as  Seções  deste  Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  que  concluem  pelo  reconhecimento  da  preclusão  consumativa  em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo.  Apenas para citar algumas mais recentes:  "PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  PRECLUSÃO.  É  o  contribuinte  quem  delimita  os  termos  do  contraditório  ao  formular  a  seu  pedido  ou  defesa,  conforme o  caso,  e  instruí­lo  com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra,  as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de  exceção  para  tal  preclusão,  a  exemplo  (i)  das  constantes  dos  Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10835.901963/2009­18  Acórdão n.º 1302­002.607  S1­C3T2  Fl. 7          6  incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii)  de  quando  o  argumento  possa  ser  conhecido  de  ofício  pelo  julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por  ser  necessário  à  formação  do  seu  livre  convencimento,  neste  último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência  de  tais hipóteses de  exceção no caso  concreto. Não se  conhece  de  recurso  voluntário  que  traz  exclusivamente  argumentos  novos,  não  aventados  na  manifestação  de  inconformidade.Recurso  Voluntário  Não  Conhecido."  (Acórdão  nº 1401­002.047 ­ 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira  Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de  Carli Germano)  "ÔNUS  DA  PROVA.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  ARTIGO  170  DO  CTN.  Em  processos  que  decorrem  da  não­ homologação de  declaração de  compensação,  o  ônus  da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  que  deverá  apresentar  e  produzir  todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza  de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).  MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE  COMPENSAÇÃO.  ARTIGOS  16  E  17  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  Seguindo  o  disposto  no  artigo  16,  inciso  III  e  parágrafo  4º,  e  artigo  17,  do Decreto  nº  70.235/1972,  a  regra  geral  é  que  seja  apresentada  no  primeiro momento  processual  em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação  da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na  apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de  restituição  e/ou  compensação,  podendo  a  prova  ser  produzida  em  momento  posterior  apenas  de  forma  excepcional,  nas  hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua  apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira­se a  fato  ou  a  direito  superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos",  sob  pena  de  preclusão."  (Acórdão nº  3401­004.146  ­  4ª Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator  Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco)  "PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  POSSIBILIDADE  DE  ANÁLISE  DE  NOVOS  ARGUMENTOS  E  PROVAS  EM  SEDE  RECURSAL.  PRECLUSÃO.  A  manifestação  de  inconformidade  e  os  recursos  dirigidos  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  seguem  o  rito  processual  estabelecido  no  Decreto  nº  70.235/72,  além  de  suspenderem  a  exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e  5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos  de defesa  e as provas devem ser apresentados na manifestação  de inconformidade interposta em face do despacho decisório de  não  homologação  do  pedido  de  compensação,  precluindo  o  direito  do  Sujeito  Passivo  fazê­lo  posteriormente,  salvo  se  demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º  do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303­005.208 ­ 3ª Turma,  Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017,  Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello)  Isto  posto,  voto  pelo  não  conhecimento  do  recurso  do  sujeito  passivo.  Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10835.901963/2009­18  Acórdão n.º 1302­002.607  S1­C3T2  Fl. 8          7  No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deu­se em 30  de março de 20111, e o recurso voluntário foi apresentado em 27 de abril de 2011.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                                Fl. 70DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.004216/2010-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Tratando-se de exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em não conhecimento do Recurso Especial, sob a alegação de ter o acórdão recorrido aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 99, uma vez que esta somente é aplicável às exigências relativas a obrigações principais. DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Acórdão nº  9202­006.422  –  2ª Turma   Sessão de  29 de janeiro de 2018  Matéria  NORMAS GERAIS ­ DECADÊNCIA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ITW DELFAST DO BRASIL LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  PAF ­ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL.  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.  Tratando­se  de  exigência  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, não há que se falar em não conhecimento do Recurso Especial, sob  a  alegação  de  ter  o  acórdão  recorrido  aplicado  o  entendimento  da  Súmula  CARF nº 99, uma vez que esta somente é aplicável às exigências relativas a  obrigações principais.   DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  Tratando­se  de  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado,  aplicando­se o art. 173, inciso I, do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em dar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 16 /2 01 0- 52 Fl. 230DF CARF MF     2  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri  e  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício).  Ausente,  justificadamente,  a  conselheira Adriana Gomes Rêgo.  Relatório  Trata­se de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos:  PROCESSO  DEBCAD  TIPO  FASE  19515.004215/2010­16  37.309.511­2  (Emp.  e  SAT)   Obrig. Principal  Recurso Especial  19515.004214/2010­63  37.309.513­9 (Terceiros)  Obrig. Principal  Recurso Especial  19515.004216/2010­52  37.252.533­4 (AI 78)  Obrig. Acessória  Recurso Especial  19515.004217/2010­05  37.309.507­4 (AI­34)  Obrig. Acessória  Sem  interposição  de  Recurso Especial  19515.004218/2010­41  37.309.512­0 (AI ­68)  Obrig. Acessória  Recurso Especial    O  presente  processo  trata  do  Debcad  37.252.533­4  (AI  ­78),  lavrado  em  razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e  Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas referentes a  Contribuintes  Individuais, nas competências de 01/2005 a 12/2005. A ciência do  lançamento  ocorreu em 10/12/2010 (fls. 30 a 32).  Em  sessão  plenária  de  16/07/2013,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário,  prolatando­se o Acórdão nº 2403­002.143 (e­fls. 194 a 200), assim ementado:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA  Nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadencial  das Contribuições  Previdenciárias  é  de  05  (cinco)  anos,  nos  termos  do  art.  150,  §  4º  do  CTN,  quando  houver  antecipação  no  pagamento,  mesmo  que  parcial,  por  força  da  Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.  Recurso Voluntário Provido em Parte."  A decisão foi assim registrada:  "ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  voto,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  a  decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art.  150, parágrafo 4º do CTN."  Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.004216/2010­52  Acórdão n.º 9202­006.422  CSRF­T2  Fl. 231          3  O  processo  foi  encaminhado  à  PGFN  em  13/09/2013  (Despacho  de  Encaminhamento  de  e­fls.  494  do  processo  principal)  e,  em  1º/10/2013,  foi  interposto  o  Recurso Especial de e­fls. 201 a 210 (Despacho de Encaminhamento de e­fls. 513 do processo  principal).  O  apelo  está  fundamentado  nos  arts.  67  e  68,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a decadência.  Nesse passo,  a Fazenda Nacional pede a  aplicação do art.  173,  inciso  I,  do  CTN, tendo em vista tratar­se de multa por descumprimento de obrigação acessória, hipótese  em que não há que se falar em pagamento antecipado de tributo.  Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  Despacho  nº  2400­ 244/2014, de 24/02/2014 (e­fls. 211/212).   Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho  que lhe deu seguimento em 02/02/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de e­fls.  218), a Contribuinte ofereceu, em 13/02/2015, as Contrarrazões de e­fls. 220 a 227 (carimbo de  e­fls. 220), contendo os seguintes argumentos:  ­  o  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  sequer  deverá  ser  admitido,  haja  vista  que  o  acórdão  recorrido  aplicou  entendimento  pacífico  no  CARF,  consubstanciado no enunciado nº 99;  ­ desta forma, deverá ser aplicado o § 2o, do artigo 67, do Regimento Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  concluindo­se  pela  inadmissibilidade  do  Apelo Especial intentado pela recorrente;  ­ superada a preliminar acima, o que não se espera, cumpre esclarecer que o  Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nos presentes autos versa, exclusivamente,  sobre a reforma do acórdão no tocante à aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, que trata do  prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação;  ­ neste sentido, se é certo que as Contribuições Previdenciárias encontram­se  submetidas ao regime de lançamento por homologação, forçoso concluir que o prazo para que  o ente tributante exerça seu direito de efetuar o lançamento deve ser contado a partir da data de  ocorrência do fato gerador da obrigação tributária;  ­ importante ressaltar, ainda, que a Contribuinte procedeu aos recolhimentos  mensais das contribuições previdenciárias, conforme documentos anexados à sua Impugnação,  deixando  apenas  de  incluir  determinadas  rubricas  na  base  de  cálculo,  por  terem  caráter  indenizatório;  ­  não  se  trata  de  inexistência  de  recolhimento,  mas  sim  de  entendimento  quanto  à  composição  da  base  de  cálculo,  o  que  deveria  ter  sido  discutido  pelo  órgão  arrecadador dentro do prazo previsto no § 4o, do artigo 150, do CTN;  ­  concluindo­se  que  a  Contribuinte  apurou  e  recolheu  a  contribuição  previdenciária que entendia devida em todas as competências do período autuado, não há que  se falar em inaplicabilidade do artigo 150, § 4o, do CTN;  Fl. 232DF CARF MF     4  ­  exatamente  neste  sentido  é  que  foi  sedimentado  o  entendimento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  quando  da  edição  da  Súmula  n°  99,  de  09/12/2013;  ­ portanto, não restam dúvidas de que o acórdão aplicou corretamente o prazo  decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, haja vista tratar­se de um tributo sujeito ao  lançamento por homologação, em que houve pagamento em todas as competências.  Ao  final,  a  Contribuinte  pede  que  seja  negado  provimento  ao  recurso,  mantendo­se integralmente o acórdão recorrido.  Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando  perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade.  Trata­se de Auto de Infração lavrado em razão da apresentação de Guias de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social  (GFIP)  com  informações  incorretas  ou  omissas  referentes  a  contribuintes  individuais,  nas  competências de 01/2005 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 10/12/2010 (fls. 30 a  32).  Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega que o Recurso Especial não  deve ser conhecido, uma vez que o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da Súmula  CARF nº 99, aprovada em 09/12/2013.   De plano,  esclareça­se  que,  quando da  interposição  do Recurso Especial,  o  art. 67, § 2º, do então vigente RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009,  tinha  a  seguinte redação:  "Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial  interposto  contra  decisão  que  der  à  lei  tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.  (...)  §  2º  Não  cabe  recurso  especial  de  decisão  de  qualquer  das  turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de  Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do  CARF,  ou  que,  na  apreciação  de  matéria  preliminar,  decida  pela anulação da decisão de primeira instância." (grifei)  Verificando­se o inteiro teor do acórdão recorrido, prolatado em 16/07/2013,  é possível  constatar que  a decisão  aplicou  somente a Súmula Vinculante nº 08 do STF,  sem  qualquer referência à Súmula CARF nº 99. E nem poderia ter sido utilizada a citada súmula,  tendo  em  vista  que  esta  foi  aprovada  em  sessão  de  09/12/2013,  portanto  posteriormente  à  prolação  do  acórdão  recorrido,  em 16/07/2013. Ademais, a Súmula CARF nº  99  é  aplicável  somente  aos  casos  de  exigências  relativas  a  obrigações  principais,  cujo  lançamento  é  por  homologação, o que enseja a discussão acerca da antecipação de pagamento. Com efeito,  tal  discussão  não  se  coaduna  com  a  exigência  de  multas  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias, cujo lançamento é de ofício.   Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19515.004216/2010­52  Acórdão n.º 9202­006.422  CSRF­T2  Fl. 232          5  Assim,  conheço  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  e  passo a examiná­lo.  Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede a aplicação do art. 173, inciso I, do  CTN, o que afastaria a decadência declarada no acórdão recorrido.  Com  efeito,  o  presente  processo  trata  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  cujo  lançamento  é  levado  a  cabo  na  modalidade  de  ofício,  e  não  de  homologação,  portanto  não  se  harmoniza  com  a  problemática  de  existência  ou  não  de  pagamento antecipado. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem  possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador.  Destarte,  considerando­se  que  a  Contribuinte  foi  cientificada  do  Auto  de  Infração  em  10/12/2010,  e  que  os  fatos  geradores  ora  tratados  ocorreram  no  período  de  01/2005 a 12/2005, aplicando­se o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência.  Diante  do  exposto,  conheço  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional e, no mérito, dou­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                                Fl. 234DF CARF MF

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Numero do processo: 11065.725079/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011 EMABARGOS DE DECLARAÇÃO. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se considera preclusa matéria que não tenha sido definitivamente julgada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA E FUNDAMENTAÇÃO. Ainda que não se tenha verificado as omissões apontadas no recurso manejado, deverá a decisão recorrida ser alterada, de ofício, para a adequação entre a ementa e a sua fundamentação no tocante à responsabilização solidária dos sócios.
Numero da decisão: 2201-004.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. De ofício, proceder à correção do erro material constante do Acórdão nº 2201-003.719, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente  (Assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011 EMABARGOS DE DECLARAÇÃO. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não se considera preclusa matéria que não tenha sido definitivamente julgada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA E FUNDAMENTAÇÃO. Ainda que não se tenha verificado as omissões apontadas no recurso manejado, deverá a decisão recorrida ser alterada, de ofício, para a adequação entre a ementa e a sua fundamentação no tocante à responsabilização solidária dos sócios.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos. De ofício, proceder à correção do erro material constante do Acórdão nº 2201-003.719, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente  (Assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.

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2201­004.281  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de março de 2018  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  IBROWSE ­ CONSULTORIA & INFORMÁTICA LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011   EMABARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  DEFINITIVIDADE  NA  ESFERA  ADMINISTRATIVA.  Não  se  considera  preclusa  matéria  que  não  tenha  sido  definitivamente  julgada.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CONTRADIÇÃO.  EMENTA  E  FUNDAMENTAÇÃO.  Ainda  que  não  se  tenha  verificado  as  omissões  apontadas  no  recurso  manejado, deverá a decisão recorrida ser alterada, de ofício, para a adequação  entre  a  ementa  e  a  sua  fundamentação  no  tocante  à  responsabilização  solidária dos sócios.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em  conhecer  e rejeitar os embargos interpostos. De ofício, proceder à correção do erro material constante do  Acórdão nº 2201­003.719, nos termos do voto do Relator.     (Assinado digitalmente)   Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente    (Assinado digitalmente)   Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 79 /2 01 3- 70 Fl. 8806DF CARF MF Processo nº 11065.725079/2013­70  Acórdão n.º 2201­004.281  S2­C2T1  Fl. 8.799          2             Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório       A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão n° 2201­ 003.719 (fls. 8.763/85), o qual restou assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAISPREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011  CONTRATAÇÃO  DE  PESSOA  FÍSICA  POR  INTERPOSTA  EMPRESA.  OCORRÊNCIA  DOS  ELEMENTOS  CARACTERIZADORES  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO  PAGA A SEGURADO EMPREGADO.  O  fisco,  ao  constatar  a  ocorrência  da  relação  empregatícia,  dissimulada  em  contratação  de  pessoa  jurídica,  deve  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  exigir  as  contribuições  sociais sobre remuneração de segurado empregado.  SERVIÇOS  INTELECTUAIS.  PRESENÇA  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  CARACTERIZAÇÃO  COMO  SEGURADO  EMPREGADO.  FATOS  GERADORES  OCORRIDOS  APÓS  O  ADVENTO  DO  ART.  129  DA  LEI  N°  11.196/2005.  POSSIBILIDADE.  Mesmo  após  a  entrada  em  vigor  do  art.  129  da  Lei  n.  11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a  ocorrência  da  relação  de  emprego,  caracterizar  como  empregado  aquele  trabalhador  que  presta  serviço  intelectuais  com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.  SUJEIÇÃO  PASSIVA.  RESPONSABILIDADE.  SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN.  Cabível  a  imputação  de  solidariedade  às  pessoas,  físicas  ou  jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato  gerador  da  obrigação principal.  Igualmente,  e  sem  prejuízo  da  primeira  imputação,  correta  a  inclusão,  como  responsável  tributário,  à  pessoa  física  que,  agindo  na  condição  de  mandatário,  preposto,  diretor,  gerente  ou  representante  de  pessoa  jurídica  de  direito  privado  pratique  condutas  que  caracterizem  infração  à  lei  ou  excesso  de  poderes,  como  sonegação fiscal e fraude.    A decisão foi registrada nos seguintes termos:    Fl. 8807DF CARF MF Processo nº 11065.725079/2013­70  Acórdão n.º 2201­004.281  S2­C2T1  Fl. 8.800          3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no  mérito,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  excluir a responsabilidade solidária dos sócios e a qualificadora  da multa de ofício.    EMBARGOS         Os  autos  foram  encaminhados  à Procuradoria  da Fazenda Nacional  ­  PFN em  18/08/2017  (despacho  de  encaminhamento  de  fl.  8.786).  Em  20/09/2017  (despacho  de  encaminhamento  de  fls.  8.792),  a  Fazenda  Nacional  opôs  embargos  de  declaração  (fls.  8.787/91).         A embargante aponta que a decisão do CARF deu provimento para exclusão da  qualificadora da multa, todavia, essa questão não havia sido impugnada pelo sujeito passivo, o  que redundou na prolação de decisão ultra petita.         Argumenta  que  a  jurisprudência  do  STJ  admite  o  manejo  dos  embargos  declaratórios para adequação de julgado que vai além do pedido.    ADMISSIBILIDADE         O Despacho de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls.8794/8796)  decidiu admitir o recurso, nos termos seguintes:    De fato. Analisando­se a decisão de primeira instância, observa­ se ali registro da preclusão da matéria multa qualificada. Eis o  excerto do voto condutor do acórdão de piso:  Das matérias não impugnadas  O sujeito passivo não contestou expressamente os juros e a multa  aplicada, pelo que se consideram matérias não impugnadas, nos  termos do art. 17 do Decreto n°. 70.235/72.             Deste  modo,  ao  decidir  pela  exclusão  da  qualificadora  da  penalidade,  o  colegiado  deu  provimento  além  do  que  foi  pedido  pelo  sujeito  passivo,  caracterizando,  sem  dúvida, decisão ultra petita.        Observe­se  que  sequer  foi  registrado  no  voto  condutor do  acórdão  embargado  que  a  questão  estava  sendo  conhecida  de  ofício  pelo  colegiado.  Também  não  há  na  ementa  qualquer referência a essa questão, o que nos leva a reconhecer a existência de omissão, quanto  a essa matéria.  É o relatório.  Voto             Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator  Fl. 8808DF CARF MF Processo nº 11065.725079/2013­70  Acórdão n.º 2201­004.281  S2­C2T1  Fl. 8.801          4     Alega  a  embargante  que  a  decisão  vergastada,  ao  excluir  a  qualificadora  da  multa de ofício, redundou em uma prolatação de decisão ultra petita. Assevera, que a decisão  de  primeira  instância  considerou  a  matéria  como  não  impugnada,  eis  que  não  houve  insurgência do sujeito passivo quanto aos juros e multa na impugnação.       A  bem  da  verdade,  a  peça  impugnatória,  de  início,  assinala  que  o  crédito  tributário, constituído além do valor principal, por juros (R$ 351.496,16) e de multa de ofício  (R$ 1.884.400,88) é fruto da desqualificação de vinte e duas relações de serviço de empresas  listadas na conta contábil “prestador de serviço” para relações de trabalho.      Em  toda  a  extensa  narrativa  da  peça  impugnatória,  depreende­se  que  o  entendimento  da  defesa  foi  de  que  o  valor  da  multa  de  ofício  qualificada  decorre  de  um  entendimento  equivocado  da  Fiscalização,  ao  considerar  uma  simulação  nas  relações  contratuais estabelecidas entre empresas.       Destarte, ao que parece, o ato volitivo de simular contratos, se afigura como o  motivo  encontrado  pela  Fiscalização  para  qualificar  a multa  de  ofício. Digo  parece,  porque,  como  exposado  no  acórdão  recorrido,  a  autoridade  fiscal  não  explicitou  os  motivos  que  a  levaram a proceder à qualificação da multa de ofício.      Nesse diapasão, entendo que a contribuinte, ao se defender da descaracterização  dos contratos celebrados sob a égide do direito civil para contratos que envolvem relações de  trabalho, manifestou inconformismo com a qualificação da multa de ofício.      Todavia, o acórdão recorrido firmou entendimento de que a conduta dolosa de  simular  contratos  para  esconder  a  ocorrência  do  fato  gerador  não  restou  suficientemente  demonstrada, ao ponto de autorizar a qualificação da multa de ofício de 75% para 150%, ou  seja, entendeu o acórdão combatido que a autoridade fiscal não  justificou, não apresentado a  necessária motivação para qualificar a multa de ofício.      É  certo  que  a  decisão  de  primeira  instância  considerou  a  matéria  como  não  impugnada. Todavia, referida decisão foi combatida através do manejo de recurso voluntário,  em que a ora embargada manifestou inconformismo com a qualificação da multa de ofício ao  asseverar em suas  razões  recursais  (fl.8707):  (...) Além disso,  por  considerar a  existência de  simulação,  aplicou  multa  de  150%,  sobre  o  tributo,  chegando  ao  elevado  valor  do  crédito  tributário  constituído.  Prossegue,  aduzindo  que  a  decisão  de  primeira  instância  manteve  íntegro o lançamento, devendo ser revisada por este órgão colegiado.      É verdade que a embargada não discorreu várias laudas ou mesmo linhas acerca  especificamente  do  tema  multa  de  ofício  qualificada,  no  entanto,  isso  se  deve  ao  seu  entendimento de que a multa só foi qualificada porque os aludidos contratos foram tidos como  simulados. O art. 17 do Decreto nº 70.235/72 deve ser  interpretado em conformidade com o  ordenamento jurídico que esse diploma legal está inserido.      O  processo  administrativo  fiscal,  que  se  norteia  pelo  princípio  do  formalismo  moderado  e  em  que  se  aplica  o  jus  postulandi,  não  deve  ser  engessado  por  defesas  eminentemente  técnicas  ou  complexas.  No  caso  dos  autos,  o  relator  do  acórdão  recorrido  entendeu que a tese defendida, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, de ausência  de simulação nas avenças celebradas, também, atacavam a causa da qualificação da multa.  Fl. 8809DF CARF MF Processo nº 11065.725079/2013­70  Acórdão n.º 2201­004.281  S2­C2T1  Fl. 8.802          5     Ocorre,  porém,  que  a  autoridade  fiscal  detalhou  todo  o  modus  operandi  da  embargada com o objetivo de caracterizar a relação de trabalho, mas descuidou de justificar a  aplicação da qualificação da multa de ofício.      Desse modo, entendo que não houve a omissão ou mácula apontada no despacho  de admissibilidade, razão pela qual rejeito os Embargos de Declaração nesse tocante.      No entanto, cumpre ressaltar que a presente via recursal devolve ao colegiado a  análise  de  todos  os  aspectos  da  decisão  prolatada,  sendo  imperioso  reconhecer  que  há  uma  contradição  no  julgado  não  apontada  nos  Embargos  de Declaração  que merece  saneamento.  Isso porque a  ementa do  julgado em  relação à  responsabilidade  solidária  dos  sócios  está  em  sentido oposto à fundamentação e parte dispositiva da decisão recorrida.      Constatado o erro material, a ementa é passível de correção de ofício, devendo  integrar a decisão em seu último tópico como:  SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE.   Incabível  a  imputação  de  solidariedade  às  pessoas,  físicas  ou  jurídicas,  quando  não  estiver  suficientemente  comprovado  o  interesse  comum  na  situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.  Conclusão  Ante  o  exposto,  voto  por  rejeitar  os  Embargos  de  Declaração  opostos,  ressalvando,  contundo,  a  existência  de  erro  material  passível  de  reconhecimento  de  ofício,  devendo o último tópico da ementa ser alterado nos termos supra declinados.    (Assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator                                                Fl. 8810DF CARF MF Processo nº 11065.725079/2013­70  Acórdão n.º 2201­004.281  S2­C2T1  Fl. 8.803          6     Fl. 8811DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.923112/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 24/11/2009 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.826
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 24/11/2009 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.

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3302­004.826  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de outubro de 2017  Matéria  COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO  DÉBITO.  Recorrente  ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do Fato Gerador: 24/11/2009  CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.  No  processo  administrativo  fiscal  não  pode  o  advogado  receber  intimação,  notificação  e  outras  mensagens  que  por  expressa  disposição  legal  cabe  ao  contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  VÍCIO  FORMAL  OU  MATERIAL.  NULIDADE  POR  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.  Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em  Per/Dcom,  despacho decisório ou  acórdão  recorrido  que  atendem os  requisitos  formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões  de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente  o contraditório e o direito de defesa.  COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA   Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os  créditos  quanto  os  débitos  sofrem  a  correspondente  incidência  de  acréscimos  legais  por  ocasião  do  encontro  de  contas  (valoração),  resultando  sempre  em  desequilíbrio quando presente a mora.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros  Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Dèrouléde ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 12 /2 01 2- 78 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.923112/2012­78  Acórdão n.º 3302­004.826  S3­C3T2  Fl. 3          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar,  Charles  Pereira  Nunes,  José  Renato  Pereira  de  Deus  e  Lenisa  Rodrigues  Prado.  Ausente,  justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.    Relatório  A  recorrente  acima  qualificada  apresentou  Declaração  de  Compensação  pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela  RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior.  Por meio  de Despacho Decisório  emitido  pela DERAT­SP,  a  compensação  declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido  como origem do crédito pretendido  revelou­se  insuficiente para quitar os débitos  informados  no PER/DCOMP.  Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que  sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendo­as nos seus devidos prazos ou por  força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho  Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a  maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a  mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores  declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque  são do mesmo período de apuração.  A DRJ  indeferiu a manifestação de  inconformidade nos  termos do Acórdão  06­045.293. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo  sujeito passivo, os débitos  sofrem a  incidência de acréscimos  legais até  a data da entrega da  Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência.  Cientificada  daquela  decisão  a  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  onde alega em síntese que:  · existe  nulidade  do  despacho  decisório  e  do  acórdão  recorrido  por  ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir  o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente,  com consequente cerceamento do direito de defesa;  · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal  qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e  multa aplicável;  · não houve prejuízo para o Erário, pois  apenas houve erro na  rubrica no  DARF, e não atraso no recolhimento;  · a  cobrança  de  multa  de  mora  sem  atraso  no  recolhimento  constitui  enriquecimento sem causa  Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.923112/2012­78  Acórdão n.º 3302­004.826  S3­C3T2  Fl. 4          3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de  apuração é o mesmo para o crédito e o débito.  · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos;  · reitera a necessidade de  suspensão da  exigibilidade do crédito  tributário  em análise , finalmente  ·  solicita que a advogada da causa seja  intimada e informada de  todas as  publicações sob pena de arguição de nulidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­004.825, de  25  de  outubro  de  2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.923119/2012­90,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­004.825):  "O  Recurso  deve  ser  conhecido  por  ter  sido  apresentado  tempestivamente  e  atender  os  demais  pressupostos  e  requisitos  de admissibilidade.  Do  pedido  do  subscritor  do  recurso  (advogada)  para  recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por  ela indicado.  No  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  PAF  ­  o  artigo  10  do  Decreto  nº  7.574  estabelece  as  formas  de  intimação  sempre  direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e  seguintes  da  Lei  nº  9.784,  de  1999  ­  Processo  Administrativo  Federal  ­  também  não  prevê  que  o  advogado  possa  ser  comunicado dos atos de interesse do administrado que em última  instância  é  quem  sofrerá  seus  efeitos.  Atente­se,  ainda,  que  a  intimação  em  sede  de  PAF  é  de  competência  da  RFB  não  havendo  pronunciamento  normativo  do  CARF  amparando  a  pretensão, assim sendo, indefiro o pedido.   Do alegado cerceamento ao direito de defesa  Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim  como  a  Decisão  recorrida  estão  perfeitamente  fundamentados,  com  enquadramento  legal,  descrição  dos  fatos  e  cálculo  da  valoração  (detalhamento  da  compensação,  valores  devedores  e  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923112/2012­78  Acórdão n.º 3302­004.826  S3­C3T2  Fl. 5          4 emissão  de  DARF,  fl.  11),  portanto  não  há  que  se  falar  em  nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa.   Mérito  Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no  preenchimento  de  código  em  DARF  pago,  cujo  valor  a  Recorrente  deseja  aproveitar  para  pagamento  do  débito  correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer  os acréscimos legais da multa de mora.   A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há  notícia  de  que  os  mesmos  não  tenham  sido  informados  nas  correspondentes  declarações  entregues  antes  do  PerDcomp,  assim  sendo,  os  fatos  mostram­se  incontroversos  e  dispensam  diligência.  Não  se  vislumbra  incorreção  no  procedimento  da  RFB  na  análise  do  PerDcomp  que  culminou  com  cobrança  de  débitos  indevidamente  compensados  em virtude do contribuinte não  ter  considerado  a  multa  de  mora  no  pagamento/compensação  dos  débitos.  Pois bem, um  tributo  só é considerado efetivamente pago,  total  ou  parcialmente,  quando  o  sistema  de  dados  da  Fazenda  Nacional  compara  o  código  informado  no  DARF  com  o  correspondente  código  do  débito  informado  em  declaração  específica  e  faz  a  vinculação  entre  ambos.  Caso  contrário  o  valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como  crédito e não como pagamento, podendo por isso  ser restituído  acrescido dos juros compensatórios.  Por  outro  lado  o  débito  formalmente  declarado,  que  não  corresponde  ao  código  informado  equivocadamente  no  DARF,  continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa  de mora.  Optando  ou  não  a  contribuinte  pela  compensação,  sempre  haverá  cobrança  de  mora  se  o  débito  não  foi  formalmente  liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha  sido realizado o pagamento indevido.   A  sistemática  de  análise  de  PerDcomp  não  altera  essas  duas  situações  distintas  e  independentes  (pagamento  indevido  e  pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas  na  data  da  entrega  do  PerdComp,  momento  da  valoração  do  crédito para  restituição e automática  conversão em pagamento  do  débito  em  aberto,  total  ou  parcialmente,  mediante  compensação.  Repita­se que este encontro de contas sempre será desfavorável  ao  contribuinte  tendo  em  vista  que  o  código  do  débito1,                                                              1 Lei 9.430, de 1996  Art.  61. Os débitos para  com a União, decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela Secretaria da  Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923112/2012­78  Acórdão n.º 3302­004.826  S3­C3T2  Fl. 6          5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF,  não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre  acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais  até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a  ser  restituído  e  compensando  sofre  somente  os  juros  compensatórios  mensais,  calculados  também  até  a  data  da  entrega do PerDcomp.  Em  resumo,  se  no momento  da  valoração,  ou  seja  na  data  da  transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já  estava  sujeito  a  acréscimos  moratórios,  e  o  crédito  com  seus  acréscimos  não  foram  suficientes  para  quitá­los,  então  a  compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do  débito considerado  indevidamente compensado, exigindo­se, em  consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3.  A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando  existe  saldo residual de crédito na compensação homologada a  ser aproveitado em outro(s) PerdComp.   A  situação  parece  injusta  mormente  porque  o  pagamento  indevido  ou  a  maior  decorre  em  regra  de  um  erro  do  contribuinte  que  não  pretendia  ficar  em  mora,  porém  não  é  o  caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verifica­se que não foi  a RFB que deu causa ao erro.   Ademais,  mesmo  sem  levar  em  consideração  os  transtornos  e  custos que os erros causam à administração, há de se observar  ainda que o  julgador administrativo está vinculado à  lei, ainda                                                                                                                                                                                           na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento,  por dia de atraso.  §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo  previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do  art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.     2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído,  reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de  juros de 1% (um por cento) no mês em que:  II­ houver a entrega da Declaração de Compensação ...;  § 1º No cálculo dos  juros de que  trata o caput, observar­se­á, como termo  inicial da  incidência:  (Redação dada  pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009)  III­  na hipótese de pagamento indevido ou a maior:  c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997;    3 Lei nº 9.430 /1996  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito...  § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência  dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá­lo  a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos  indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  IN 900/2009  Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.    Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923112/2012­78  Acórdão n.º 3302­004.826  S3­C3T2  Fl. 7          6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e  forma  de  apuração  dos  valores,  e  assim  não  pode  deixar  de  reconhecer  a  aplicação  destas  formalidades  legais  utilizadas  para  cálculo  da  restituição  de  pagamentos  indevidos  e  para  cobrança  de  débitos  vencidos,  independente  deste  tipo  de  erro  cometido pela contribuinte que o deixou em mora.  Não  se  vislumbra  ilegalidade  no  procedimento  da  Receita  Federal  e  tampouco  enriquecimento  ilícito  da  União,  pois  decorrente da lei.  Conclusão  Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no  mérito nego provimento ao recurso voluntário."  Da mesma  forma que  ocorreu  no  caso  do  paradigma,  no  presente  processo  o(s) débito(s) que  se procuravam compensar  já  se  encontravam vencidos na data  em que  foi  transmitida a DCOMP inicial.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                                  Fl. 144DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.679850/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 84          1 83  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.679850/2009­77  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­004.329  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de março de 2018  Matéria  DCOMP ELETRÔNICO ­ PGIM  Recorrente  TIM CELULAR S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2006  DÉBITO  INFORMADO  EM  DCTF.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO DO ERRO.  A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados,  desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para  modificar Despacho Decisório.  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Constatada  a  inexistência  do  direito  creditório  por  meio  de  informações  prestadas  pelo  interessado  à  época  da  transmissão  da  Declaração  de  Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já  existia naquela ocasião.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator.  EDITADO EM: 22/03/2018     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 50 /2 00 9- 77 Fl. 84DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.  Relatório  Trata  o  presente  de  Declaração  de  Compensação  formalizada  por  meio  eletrônico e registrada sob o número 19590.16912.180607.1.3.04­9920, fl. 02 a 04, com a qual  o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito  tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente.  Tal  documento  foi  analisado  pelo  Sistema  da Controle  de Créditos  ­  SCC,  tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de  jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos  que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do  suposto  pagamento  indevido  ou  a  maior,  integralmente  utilizado  para  extinguir  débito  declarado pelo contribuinte.  Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl.  07,  não  concordando  com  seus  termos,  o  contribuinte  apresentou,  em  03/12/2009,  a  manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22.  Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos:  Preliminar:  ­ do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade;  Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151  do Código Tributário Nacional.  ­ da carência de fundamentação do Despacho Decisório.  Sustenta  a nulidade  do Despacho Decisório  por  entender  que  a  carência  de  sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa.  Mérito:  ­  O  mero  preenchimento  incorreto  da  declaração  não  gera  direito  à  crédito em favor da fazenda nacional ­ da necessária observância aos princípios da busca  pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade.  Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero  equívoco  cometido  na  elaboração  das  DCTF  originais  apresentadas  e  da  incapacidade  do  sistema informatizado da RFB.   Afirma  e  que,  se  fosse  dada  ao  contribuinte  a  chance  de  apresentar  explicações à Fazenda Nacional, pouparia­se tempo com cobranças infundadas, já que qualquer  Agente  Fiscal  que  analisasse  a  situação  em  tela  notaria  que  houve  tão  somente  um  erro  de  preenchimento de declaração.  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.679850/2009­77  Acórdão n.º 2201­004.329  S2­C2T1  Fl. 85          3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias  que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os  fatos  que  dão  ensejo  à  cobrança,  em  particular  se  já  possui  dados  para  identificá­los,  não  podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte.  Informa  já  estar  levantando  internamente  toda  a documentação probante do  seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do  crédito indicado na DCOMP.  Por  fim,  após  ratificar  os  pedidos  de  atribuição  de  efeito  suspensivo  e  de  reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em  diligência  para  que  seja  efetivamente  examinada  sua  escrita  fiscal  para  confirmação  do  seu  direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada.  Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP considerou­a improcedente, nos  termos do Acórdão de fl. 43 a 49, cujas conclusões podem ser assim resumidas:  (...)  Primeiramente,  esclarece­se  à  douta  manifestante  que,  ao  contrário  do  que  alega,  o  despacho  decisório  do  presente  processo não é nulo pois,  foi assinado por  servidor competente  no  exercício  de  suas  funções  e  sem  preterimento  do  direito  de  defesa da contribuinte. (...)  A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra  que  os  alegados  pagamentos  indevidos  foram  utilizados  para  quitar  débitos  declarados  em  DCTF  ,  não  restando  qualquer  crédito para ser compensado. (...)   Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há  qualquer  nulidade  no  despacho  decisório  em  comento,  não  assistindo razão a reclamante. (...)   Relativamente  à  alegação  que  teria  cometido  erros  no  preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o  crédito  que  utilizou  nas  PER/DCOMP  ,  observa­se  que  a  contribuinte  limita­se  a  declarar  o  fato  mas  não  logrou  apresentar qualquer prova do que alega.  De  fato, a  contribuinte  limita­se alegar a  existência de  erro de  preenchimento,  erro  nos  cálculos  de  apuração  de  tributo,  erro  no  pagamento  em  DARF,  mas  reconhece  perfeitamente  não  haver  apresentado  qualquer  DCTF  retificadora  até  a  data  da  ciência do Despacho Decisório. (...)  Alias  a  simples  alegação  e  mesmo  a  apresentação  de  DCTF  retificadora  não  faz  qualquer  prova,  por  si  só, nessa  altura  do  rito  processual,  devendo,  ao  contrário,  vir  acompanhada  dos  documentos  comprobatórios  de  eventual  equivoco  cometido  na  elaboração da declaração original..  Assim,  a  contribuinte  deveria  ter  acostado  aos  autos  a  sua  escrituração  contábil/fiscal  do  período,  em  especial  os  Livros  Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa.   Fl. 86DF CARF MF     4 (...)  Tratando­se  de  exibição  de  documentos,  cuja  guarda  e  apresentação  compete  à  contribuinte,  desnecessária  se  revela  também  a  realização  de  diligencias,  que  se  presta  mais  a  elucidar  detalhes  cuja  prova  cabe  ao  Fisco  Federal,  não  aplicável ao presente  caso, conforme  infere dos dispositivos do  Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria:  Cientificado do Acórdão da DRJ em 29/11/2010, conforme AR de fl. 51, e  ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 52  a 68, que, em sua  essência,  reafirma as alegações  já produzidas na  impugnação, e que serão  detalhadas no curso voto abaixo.  É o relatório necessário.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator  Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade,  conheço do Recurso Voluntário.  DA  CARÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO  Após  resumir  os  fatos,  o  recorrente  contesta  a  conclusão  do  Acórdão  recorrido  de  que  a motivação  do  despacho  decisório  e  os  demais  elementos  do mesmo  são  suficientemente  claros.  Afirma  que  tal  ato  administrativo  é  absolutamente  carente  de  fundamentação, do que resulta sua nulidade.  Alega  que,  embora  o  avanço  da  tecnologia  imponha  o  tratamento  de  demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos  na  Constituição  federal,  resultando  em  prejuízo  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa,  já  que  desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado.  Não merecem acolhida as alegações recursais.  A  análise  superficial  do Despacho Decisório  de  fl.  05  não  deixa  nenhuma  dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada.  Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua  data  de  transmissão,  o  tipo  de  crédito  pleiteado  (pagamento  indevido  ou  a  maior),  as  características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que  tal  recolhimento  teria  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  débitos  do  contribuinte,  indicando código de receita e data do vencimento de tal débito.  Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação  para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida.   Portanto,  presentes  os  elementos  necessários  ao  pleno  entendimento  das  razões  que  levaram  à  não  homologação  da  compensação  declarada,  além  de  terem  sido  observados  todos  os  requisitos  de  validade  do  ato  administrativo,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade arguida.  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679850/2009­77  Acórdão n.º 2201­004.329  S2­C2T1  Fl. 86          5 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA  VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE  Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero  equívoco  cometido  na  elaboração  das  DCTF  originais  apresentadas  e  da  incapacidade  do  sistema  informatizado  da RFB  fazer  o  cruzamento  destas  com  as  informações  prestadas  via  DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos.   Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações  à  Fazenda  Nacional,  pouparia­se  tempo  com  cobranças  infundadas,  já  que  qualquer  Agente  Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa  ora em comento.  Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a  impossibilidade  da  DRJ  e  do  Carf  reconhecerem  direito  a  crédito  sem  suporte  documental  produzido previamente pelo contribuinte.  Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para  a  necessidade  da  Administração  Pública  investigar  e  valorar  corretamente  os  fatos  que  dão  ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificá­los, não podendo se ater a  minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte.  Afirma  que  a  não  homologação  da  compensação  ofende  ao  Principio  da  Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas.  Destaca  que  a  Autoridade  recorrida  desconsiderou  seu  protesto  pela  apresentação posterior da DCTF retificada.  Como  é  de  elementar  sabença,  no  exercício  de  seu  mister,  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  promove  a  verificação  da  legalidade  dos  atos  administrativos  produzidos  no  curso  do  procedimento  fiscal  e  do  julgamento  em  primeira  instância,  cotejando  os  fatos  identificados  e  os  efetivamente  ocorridos  com  a  legislação  tributária correspondente.  No  caso  ora  sob  análise,  temos  que  o  contribuinte,  utilizando  de  indébito  tributário  decorrente  de  pagamento  a  maior  ou  indevido,  extinguiu  débitos  de  sua  responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados..  § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação. (...)   Fl. 88DF CARF MF     6 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação.  Dentro  do  lapso  temporal  legal,  a  Autoridade  Administrativa  emitiu  o  Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado  na  compensação  estaria  integralmente  comprometido  com  a  liquidação  de  débito  confessado  pelo contribuinte em DCTF.  Por  sua  vez,  o  recorrente  reconhece  que  houve  erro  nas  informações  prestadas  na  DCTF  ativa  na  data  análise  da  DCOMP,  tendo  apresentado  a  impugnação  alegando  que  estaria  levantando  internamente  toda  a  documentação  probante  do  seu  direito  creditório e providenciando a retificação da DCTF.  Como  se  vê,  pelas  palavras  do  próprio  recorrente,  o  crédito  utilizado  na  DCOMP  apresentada  em  junho  de  2007  ainda  não  havia  sido  levantado  na  época  da  manifestação  de  inconformidade,  em  2009.  Tampouco  foi  juntada  aos  autos  a  DCTF  retificadora, a qual  foi,  conforme  informações disponíveis nos  sistemas da RFB, apresentada  em  03/12/2009,  evidentemente  após  ciência  do  inteiro  teor  do  Despacho  Decisório  ora  sob  análise.  Assim, dispõe o Decreto­Lei nº 2.124/1984:  Art.  5º  O  Ministro  da  Fazenda  poderá  eliminar  ou  instituir  obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados  pela Secretaria da Receita Federal.  § 1º O documento que  formalizar o  cumprimento de obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para a exigência do referido crédito.  Portanto,  considerando  que,  no  momento  da  ulterior  homologação  do  procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos,  por  meio  de  instrumento  hábil  e  suficiente  a  sua  exigência,  não  deixavam  dúvidas  da  inexistência de crédito passível de restituição ou compensação.   A  criação  do  Sistema  de  Controle  de  Créditos­SCC  objetivou  dar  maior  celeridade  e  segurança  à  necessária  conferência  dos  pedidos  de  restituição,  ressarcimentos  e  declarações  de  compensação  formalizados  pelos  contribuintes.  Naturalmente,  trata­se  de  ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem  indicar a  existência dos direitos pleiteados. Por outro  lado, quando a complexidade da demanda exige,  remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados.  Das  situações  possíveis  de  serem  tratadas  eletronicamente,  sem  sombra  de  dúvida,  os  indébitos  tributários  decorrentes  de  pagamentos  indevidos  ou  a maior  são,  como  regra,  os  que  apresentam  menor  complexidade  de  análise,  já  que  basta  o  SCC  localizar  o  pagamento,  identificar  suas  características  e  verificar,  no  sistema  próprio,  se  há  débitos  compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou  a maior.  Assim,  não  merece  prosperar  a  alegação  da  defesa  sobre  a  suposta  incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas  verificações  e  as  alegações  recursais  sobre  o  erro  no  preenchimento  da  DCTF  apenas  corroboram a excelência do  trabalho efetuado pelos  sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o  Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679850/2009­77  Acórdão n.º 2201­004.329  S2­C2T1  Fl. 87          7 contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação  da DCOMP ou da impugnação.  Menos  procedente  ainda  é  a  argumentação  recursal  de  que  o  contribuinte  deveria  ter  sido  instado  a  apresentar  explicações  à  Fazenda  Nacional.  Se  assim  fosse,  em  particular  nestes  casos  mais  simples,  do  que  teria  adiantado  a  construção  de  um  sistema  eletrônico  para  tratamento  de  demandas  dessa  natureza,  já  que  um  simples  cotejo  de  informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal?  Portando,  em  uma  análise  primária,  nota­se  que  a  não  homologação  em  discussão é procedente, o que não  impede que se reconheça, em respeito à verdade material,  que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário  que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro.   Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil):  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Assim,  caso  a  retificação  tivesse  ocorrido  antes  do  procedimento  de  homologação,  decerto  que  caberia  ao  Fisco  buscar  elementos  que  apontassem  eventual  impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a  retificação em momento posterior  àquele  em que o Fisco  exerce  com precisão o  seu direito,  passa  ser  do  contribuinte  o  ônus  de  provar  a  existência  de  fato  impeditivo, modificativo  ou  extintivo do direito da Fazenda.  Ocorre que o contribuinte limita­se a contestar a Decisão recorrida afirmando  a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu  crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos  autos  nenhuma  documentação  que  tenha  sido  produzida  em  tal  levantamento  e  que  pudesse  lastrear  a  alegação  de  erro.  Por  outro  lado,  a  DCTF  retificadora,  ainda  que  não  haja  impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si  só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos.   As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados  no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido  oposto  poderiam  ser  citadas,  com  se  verifica  no Acórdão  nº  3201­001.713  da  2ª  Câmara/1ª  Turma Ordinária:  DÉBITO  INFORMADO  EM  DCTF.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO DO ERRO  A  simples  retificação  de  DCTF  para  alterar  valores  originalmente  declarados,  desacompanhada  de  documentação  hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho  Decisório.  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Fl. 90DF CARF MF     8 Constatada  a  inexistência  do  direito  creditório  por  meio  de  informações prestadas pelo interessado à época da transmissão  da  Declaração  de  Compensação,  cabe  a  este  o  ônus  de  comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.  Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto  pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão  do  julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o  julgamento sobre a  procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez  e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito.  Nota­se  que, mesmo  sabendo da  necessidade de  apresentação  de  elementos  probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando  o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a  termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do  fato gerador que pretende ver alterado.  É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de  ato  administrativo  que  tenha  constituído  crédito  tributário  em  razão  de  infração  à  legislação  tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante  do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma  evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente.  Assim,  não  tendo  sido  apresentado  pelo  recorrente  elementos  que  justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros  de  fato que  levaram à  retificação da DCTF  em momento posterior  à Decisão  administrativa,  correta  a decisão  recorrida  ao  negar  a  conversão  do  julgamento  em diligência  e  ao  entender  improcedente a manifestação de inconformidade.  Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da  Estrita  Legalidade,  da Verdade Material,  da Razoabilidade  ou  da  Proporcionalidade. Afinal,  todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis;  não  foi  efetivamente  comprovada  a  ocorrência  de  erro  de  fato;  a  cobrança  de  um  débito  indevidamente compensado é medida que se  impõe como consequência da não homologação  da compensação, devendo sobre estes  incidir os acréscimos  legais previstos para os casos de  pagamento a destempo.  Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema.  DO  ESCORREITO  PROCEDIMENTO  DE  COMPENSAÇÃO  REALIZADO PELA ORA RECORRENTE  Sustenta  a  defesa  que,  apresentada  a  DCTF  retificadora,  a  qual  corrigiria  equívoco contido na DCTF ativa no momento da  análise da  compensação declarada,  cai  por  terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado.  Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que  o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente.   Por  fim,  não  tendo  sido  possível  apresentar  a  manifestação  de  inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário,  requer sua  apreciação.  Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.679850/2009­77  Acórdão n.º 2201­004.329  S2­C2T1  Fl. 88          9 Ao  contrário  do  que  quer  fazer  crer  a  defesa,  mesmo  com  o  recurso  voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada.  Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito  ao  esforço  argumentativo  do  recorrente,  mas  não  merecem  qualquer  acolhida,  devendo  às  questões  do  ônus  da  prova  e  do  conteúdo  probatório  contido  nos  autos  serem  aplicadas  as  razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para,  da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão.  Conclusão  Por  tudo que  consta nos  autos,  bem assim nas  razões  e  fundamentos  legais  que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário.   Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Relator                              Fl. 92DF CARF MF

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