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Numero do processo: 10825.000674/2008-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. 01010. FORMA. PRAZO.
A opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano-calendário.
A opção pelo Simples Nacional dever á ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção.
Numero da decisão: 1001-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Morgado Rodrigues
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. 01010. FORMA. PRAZO. A opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano-calendário. A opção pelo Simples Nacional dever á ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.000674/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.408 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de março de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente JOAO VICTOR COCITO CORREA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. 01010. FORMA. PRAZO. A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. A opção pelo Simples Nacional dever á ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 06 74 /2 00 8- 20 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10825.000674/200820 Acórdão n.º 1001000.408 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 51 a 61) interposto contra o Acórdão nº 1435.268, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/PR (fls. 43 a 45), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. 01010. FORMA. PRAZO. A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. A opção pelo Simples Nacional dever á ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, em relação ao Despacho Decisório proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária — SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru, que indeferiu o seu pedido de opção retroativa ao Simples. 0 contribuinte aduz que tinha a intenção de optar pelo Simples Nacional desde a abertura da empresa, mas por possível erro no sitio da RFB na internet sua opção não foi concluída; que acreditava que a sua opção houvesse sido efetivada, uma fez que foi gerado para ele um código de acesso, passando a emitir guias de pagamento no modelo DARFSIMPLES e a recolher os tributos também nesse regime; e que apenas tomou conhecimento de que não era optante meses após, quando houve restrição na emissão da guia DARFSIMPLES. Aduz haver comprovado a intenção inequívoca de optar pelo Simples Nacional e que a opção s6 não foi realizada em decorrência de "erro de fato", devendo ser autorizada a sua inclusão no Simples Nacional com efeitos retroativos, sendo equivocado o 'entendimento de que a inclusão retroativa 56 se aplica ao Simples Federal. Transcreve ementas de Acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes. Requer , a reforma da decisão para que seja deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10825.000674/200820 Acórdão n.º 1001000.408 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando os mesmos termos já expostos na peça oferecida à primeira instância. Contudo, o Recurso interposto fora distribuído erroneamente para a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção deste conselho. Por sua vez, esta colenda Turma declinou a competência para a 1ª Seção, que é a regimentalmente competente para a matéria sob litígio, conforme consta do Acórdão de fls. 6265. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Conforme disposto no artigo 7º da Resolução CGSN 4/07, o Simples Nacional é um regime tributário que depende de formalização da opção, através da interne, dentro de determinado prazo: • Art. 70 A op cão pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até ,seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 32deste artigo e observado o disposto no § 3° do art. 21. No presente caso, o contribuinte não efetuou a opção Pelo Simples Nacional na forma e prazo previstos para tanto. A simples obtenção de código de acesso ao Portal do Simples Nacional não é suficiente para comprovar que ele tenha realizado a opção pelo Simples Nacional. Ademais, nas guias apresentadas pelo próprio contribuinte (Documento de Arrecadação do Simples Nacional DAS), relativas as competências 12/2007 e 01/2008, consta a informação de que empresa não era optante pelo Simples Nacional. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10825.000674/200820 Acórdão n.º 1001000.408 S1C0T1 Fl. 5 4 Já o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16/02, adotado com o fundamento pelas decisões transcritas na manifestação de inconformidade, que prevê a retificação de oficio para a inclusão retroativa no Simples, quando comprovada a intenção do contribuinte em aderir ao sistema, possui aplicação restrita à sistemática do Simples Federal. Assim sendo, deve ser mantida a decisão que indeferiu a inclusão retroativa do contribuinte como optante pelo Simples Nacional. DIANTE DO EXPOSTO, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade ao indeferimento do pedido de opção retroativa pelo Simples. (...)" Devese adicionar a estes argumentos que, conforme cediço, é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é função deste julgador zelar pela boa aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Assim, com base em tudo que foi exposto, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13660.000531/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 01/07/2010
ISENÇÃO. IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS DESTINADOS A PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
Restou demonstrado nos autos, que embora duas diligências tenham sido solicitadas pela autoridade julgadora, a interessada não logrou comprovar o atendimento da condição que lhe garantia o benefício fiscal.
Numero da decisão: 3302-005.295
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Sem Crédito em Litígio
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 01/07/2010 ISENÇÃO. IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS DESTINADOS A PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. Restou demonstrado nos autos, que embora duas diligências tenham sido solicitadas pela autoridade julgadora, a interessada não logrou comprovar o atendimento da condição que lhe garantia o benefício fiscal.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
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IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS DESTINADOS A PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. Restou demonstrado nos autos, que embora duas diligências tenham sido solicitadas pela autoridade julgadora, a interessada não logrou comprovar o atendimento da condição que lhe garantia o benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 05 31 /2 01 0- 51 Fl. 88DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. RESOLUÇÃO CARF, conforme a seguir transcrito: (...) Tratase da aquisição de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com as alterações da Lei nº 10.182, de 2001, dos arts. 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.690, de 2003, e da Lei nº 10.754, de 2003.(grifei). O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls.20/22, fundamentado no fato de que a enfermidade descrita no laudo de avaliação não está contemplada pela norma que confere a isenção solicitada (parecer do NUSAPMF). A Interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual insiste na legitimidade do pedido de isenção. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 01/07/2010 ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Argumenta que o DETRAN/MG reconheceu sua incapacidade para dirigir automóveis comuns, estando apta apenas a dirigir veículos automotores com adaptação, entendidos esses como veículos com direção hidráulica. Por essa razão, está isenta do IPVA e do ICMS/MG. Explica alguns detalhes da lesão sofrida em face do Câncer de Mama e consequente mastectomia total com axilectomia a que foi submetida. Em conseqüência da AXILECTOMIA resultaram lesionadas, de forma definitiva, terminações nervosas, estruturas musculares, seccionadas durante o procedimento. Que resultou com sequela dessa cirurgia, o MEMBRO SUPERIOR DIREITO, operado tornandoo vulnerável a inchaços, fazendose necessário acompanhamento Fisioterápico Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13660.000531/201051 Acórdão n.º 3302005.295 S3C3T2 Fl. 89 3 Permanente para a DRENAGEM LINFÁTICA no sentido de prevenir possíveis deformidades muitas vezes IRREVERSÍVEIS. Com base nisso, defende que, conforme disposição de Lei (art. 1º, § 1º da Lei 8.989/95 com alteração da Lei 10690/03, art. 2º), todos deficientes poderão beneficiarse da isenção, “desde que apresentem alteração completa ou parcial em um ou mais segmentos do corpo, acarretando o comprometimento da função física, exceto deformidade meramente estética”. Acrescenta que, com base nas mesmas provas e argumentos, obteve, também, isenção do IOF Processo n° 13660.000532/201003. Por derradeiro, requer a juntada do Laudo Médico expedido pelo INCA III – Instituto Nacional do Câncer Unidade III, atestando que encontrase ainda em tratamento. É o relatório. Através da Resolução Carf nº 3102000.308, de 24/04/2014, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, analise e exija o preenchimento de todas as condições especificadas na Instrução Normativa SRF n° 988/09, e, considerando necessário, determine a realização de novo laudo, realizado segundo as disposição da Norma infralegal, no qual, inclusive, sejam analisadas as sequelas da mastectomia e enquadradas ou não na codificação CID10. Em decorrência da diligência foi emitido o despacho de fl. 84. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da efetividade da intimação Em resposta à diligência foi emitido o despacho de fl. 84. Em atendimento ao disposto na Resolução 31020038 (fl.73/77),procedemos à intimação da interessada para regularização do processo. Tendo em vista a solicitação de fl. Fl. 90DF CARF MF 4 52, enviamos intimação para o endereço ali informado e para o endereço constante do nosso cadastro. A correspondência enviada para o Rio de Janeiro foi recebida em 03/09/2015. Não houve manifestação da interessada, até a presente data. Isso posto, proponho o retorno dos autos ao CARF para continuidade. Observase que foram efetuadas 2 (duas) intimações à interessada, a primeira, no endereço indicado por esta no recurso voluntário, cujo AR de fl. 81, comprova a ciência em 03/09/2015 e a outra, conforme AR de fls.82/83, onde constam 3(três) tentativas de entrega pelos Correios. Ocorre que embora improfícua a intimação no endereço cadastral de Minas Gerais, houve a efetiva ciência da intimação efetuada no endereço do Rio de Janeiro, este indicado pela própria interessada no recurso voluntário, logo considerase efetuada a intimação da aludida resolução, nos termos do § 2º, II do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Da instrução probatória Tratase o caso em apreço sobre a Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, na aquisição de automóveis por pessoas portadoras de deficiência física, regido pelas normas a seguir dispostas: · Lei nº 8.989, de 1995 Art.1°(...) § 1º Para a concessão do beneficio previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei n°10.690, de 16.6.2003) (...) Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei.(grifei). · Decreto nº 3.298, de 1999: Art.3o Para os efeitos deste Decreto, considerase: I deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano;(grifei). Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13660.000531/201051 Acórdão n.º 3302005.295 S3C3T2 Fl. 90 5 Art 4° É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: 1deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando se sob a .forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto n°5.296, de 2004)(grifei) · Instrução Normativa RFB Nº 988, de2009: § 1º Para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado: I no caso de deficiência física, o disposto no art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995, com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com suas alterações posteriores; e (...) Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de:(grifei). a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); (...) Observase do Anexo IX: DEFICIÊNCIA FISICA E/OU VISUAL (1) (Definições de acordo com o Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, e CID10) DEFINIÇÕES Fl. 92DF CARF MF 6 I deficiência física É considerada pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (observar, quanto a esse aspecto, as alterações do Decreto nº 3.298, de 1999). (1) Observação: A deficiência deve ser atestada por equipe (dois médicos) responsável pela área correspondente à deficiência(grifei). Tratandose a isenção de uma das categorias do Direito Tributário, preceitua o art. 111 do C.T.N., "verbis": "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; ......................................................................."(grifei). Com efeito, isenção é a dispensa do pagamento do tributo devido, feita por disposição expressa de lei e por isso excepcionada da tributação. O direito excepcional deve ser interpretado literalmente, conforme se verifica da leitura do artigo do C.T.N., retrocitado. Assim, para habilitarse ao gozo do benefício isencional em comento deve o interessado preencher os requisitos exigidos pela legislação pertinente, nos prazos exigidos para tal. Com vistas a constatar o atendimento das condições impostas pela legislação pertinente, verificase que a análise probatória dos autos foi minuciosamente analisada pelas decisões precedentes, sendo relevante destacar os seguintes excertos da citada Resolução CARF: À referida folha 37, encontrase despacho do Presidente da Terceira Turma de Julgamento de Juiz de Fora, com o seguinte teor: Senhor Chefe da SAORT/DRFVARGINHA/ MG. Que se intime a interessada a apresentar novo laudo (nos moldes do anexo IX da IN SRF N° 988/2009), que analise as sequelas da mastectomia e as enquadre na codificação CID10. Além disso, que se leve em conta, no novo laudo, as denominações que constam da Lei n° 8989/95 como deficiências passíveis de concessão do beneficio (paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia ou hemiparesia). Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13660.000531/201051 Acórdão n.º 3302005.295 S3C3T2 Fl. 91 7 Também que se Considere o fato de que se há deformidade adquirida de membro, que tal seja dito explicitamente.(grifei). OBS: A INTIMAÇÃO DEVE REPRODUZIR OS EXATOS TERMOS DO TEXTO SUPRA. Como se percebe, a interessada não apresentou novo laudo médico atestando a condição informada nos autos. Quanto a isso, não tenho dúvidas de que tal providência era necessária, a julgar pelo Parecer Médico Pericial à folha 19 do Processo, que, para maior clareza, abaixo reproduzo. PARECER MÉDICO PERICIAL N°. 041310 Interessado: Laudelina Bandeira da Rocha Theodoro Processo: 13660.000531/201051IPI por deficiências. Decisdo: A Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, após perícia presencial e análise documental de interesse para o exame médico pericial, concluiu que o interessado não apresenta deficiência, portanto não preenche os critérios do ponto de vista médico para enquadramento no beneficio pleiteado.(sic) Fundamento Legal: Leis n°8.989/95 e alterações 9.137/96, 10.182/01, 10.754/03 e 10.690/03. Noutro giro, à folha 55, é possível observar a inclusão nos autos de Laudo de Avalição emitido pelo Instituto Nacional do Câncer acusando “deficiência motora parcial do membro superior direito, sequela cirúrgica”. (...) Primeiro, como já foi dito, o Laudo de Avalição emitido pelo Instituto Nacional do Câncer data do ano de 2006. Já o Laudo Médico Pericial nº 041310, acima transcrito, do ano de 2010. Em tais circunstâncias, possível fazer a suposição de que a condição física da contribuinte tenha sido revista ou mesmo tenhase alterado. Segundo, o Laudo de Avaliação emitido pelo Instituto Nacional do Câncer refere uma “deficiência motora parcial do membro superior direito, sequela cirúrgica”. Não faz menção à ocorrência de dificuldade no desempenho das funções, como estabelecido na Lei nº 8.989/95, com redação da Lei nº. 10.690/03; nem ao enquadramento da sequela como incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano, em conformidade como disposto no Decreto nº. 3.298/992. Constatase que o diploma legal (Lei nº 8.989, de 1995) que preceitua a isenção ora em análise, conforme dicção do artigo 3º definiu a competência da RFB para o reconhecimento da isenção, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os Fl. 94DF CARF MF 8 requisitos previstos na lei. Nesse sentido a Instrução Normativa RFB Nº 988, de 2009, definiu a apresentação de Laudo de Avaliação, na forma do Anexo IX, para deficiente físico. Em que pese a patologia apresentada e possíveis sequelas posteriores, que pelo senso comum de cognição se mostrem compatíveis com o pleito da interessada, inferese pelas normas de regência que a caracterização da deficiência e o grau de acometimento, se parcial ou total, pressupõe avaliação médica especializada, de modo que embora a Certidão e Laudo Pericial do DETRAN/MB, fl. 4/5, emitidos em 14/03/2008, demonstrem a necessidade de carro adaptado para direção hidráulica, o PARECER MÉDICO PERICIAL N°. 041310, fl.20, de 16/08/2010, emitido pela Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícia da Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda/MG, contemporâneo ao pedido da interessada, protocolado em 01/07/2010, fl.01, decide categoricamente que [...após perícia presencial e análise documental] o interessado não apresenta deficiência, portanto não preenche os critérios do ponto de vista médico para enquadramento no beneficio pleiteado, e deixando a interessada de atender a duas diligências solicitadas, tanto pela instância a quo, quanto por esta instância julgadora, visando trazer aos autos a caracterização da deformidade adquirida no membro referido, quanto às sequelas da mastectomia, se enquadradas ou não na codificação Código Internacional de Doenças CID10, haja vista que a interessada apresenta também em recurso voluntário um Laudo de Avaliação emitido pelo Instituto Nacional do Câncer, emitido em 2006 que se refere uma “deficiência motora parcial do membro superior direito, sequela cirúrgica”, mantémse o indeferimento visto que o PARECER MÉDICO PERICIAL, fl.20 não atesta a condição prevista nas normas de regência. Ressalvese ainda que, embora argua a recorrente que com base nas mesmas provas e argumentos, obteve, também, isenção do IOF, conforme Processo n° 13660.000532/201003, deixou de carrear aos autos a decisão arguida. Em consulta ao e processo em 12/02/2018, verificase que referido não está na base do eprocesso. Assim, da análise das peças acostadas aos autos, constatase que o interessado não atendeu às exigências expressas no art. 1º, IV, c/c o art. 3º da Lei nº 8.989, de 1995, disciplinada pela IN/SRF nº RFB Nº 988, de 2009, nos precisos termos do art. 2º, I, "a", condição necessária, entre as demais exigências, para o reconhecimento da isenção em tela. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909119/2011-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 19 /2 01 1- 53 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10850.909119/201153 Acórdão n.º 9303006.204 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.735, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10850.909119/201153 Acórdão n.º 9303006.204 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10850.909119/201153 Acórdão n.º 9303006.204 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10850.909119/201153 Acórdão n.º 9303006.204 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13846.720035/2013-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 72 00 35 /2 01 3- 91 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13846.720035/201391 Acórdão n.º 1001000.305 S1C0T1 Fl. 86 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0361.935, de 24/06/2014 (efls. 12/14), objetivando a reforma do referido julgado. Em 31/01/2013, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 15/02/2014 (efl. 05), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Competências 1) Competência 11/2012 Valor: R$ 7.355,25 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese, que regularizou os seus débitos tempestivamente. A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL DECISÃO INDEFERITÓRIA DA OPÇÃO DE INGRESSO NÃO REGULARIZAÇÃO DAS PENDÊNCIAS NO PRAZO REGULAMENTAR A REGULARIZAÇÃO DE EVENTUAIS PENDÊNCIAS IMPEDITIVAS AO INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL DEVE SER FEITA ENQUANTO NÃO VENCIDO O PRAZO PARA A SOLICITAÇÃO. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente pessoalmente da decisão de primeira instância em 25/11/2014, conforme documento à efl. 63, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 26/12/2014 (e fls. 67/71), conforme envelope de postagem à efl. 75/76. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13846.720035/201391 Acórdão n.º 1001000.305 S1C0T1 Fl. 87 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de os referidos débitos não estarem com a exigibilidade suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que os débitos foram regularmente quitados dentro do prazo para a solicitação da opção, pois "os comprovantes de pagamento das GPS's datam de 31.01.2013 e não 01.02.2013, conforme consta do acórdão". Não apresenta nenhum documento. Não merece reparo o pronunciamento da Turma Julgadora de Primeira Instância em declarar que o recolhimento do resíduo do débito motivador do indeferimento foi efetuado em 01/02/2013, conforme mostra a cópia da tela do sistema de arrecadação da DATAPREV, colacionado nos autos à efl. 07. A recorrente não comprovou que o pagamento foi efetuado em 31/01/2013 tal como alega. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13846.720035/201391 Acórdão n.º 1001000.305 S1C0T1 Fl. 88 4 Conforme disposto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, o favorecimento fiscal instituído pela Lei Complementar é somente para os contribuintes que não possuem pendências com débitos tributários no prazo limite para a solicitação da opção, não se enquadrando a recorrente nesta situação em 31/01/2013, pois com relação ao débito fiscal o pagamento foi efetuado somente em 01/02/2013. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspenso perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006273/2005-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
MULTAS INCLUÍDAS EM PARCELAMENTO DÍVIDA ATIVA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE CORRELAÇÃO COM AS EXIGÊNCIAS DO PROCESSO. Insuficiência probatória com o objetivo de comprovar que os créditos tributários exigidos administrativamente são os mesmos que aqueles parcelados em Dívida Ativa da União.
Numero da decisão: 1002-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. MULTAS INCLUÍDAS EM PARCELAMENTO DÍVIDA ATIVA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE CORRELAÇÃO COM AS EXIGÊNCIAS DO PROCESSO. Insuficiência probatória com o objetivo de comprovar que os créditos tributários exigidos administrativamente são os mesmos que aqueles parcelados em Dívida Ativa da União.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
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EDUCACIONAL LOPES FERREIRA LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. MULTAS INCLUÍDAS EM PARCELAMENTO DÍVIDA ATIVA. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE CORRELAÇÃO COM AS EXIGÊNCIAS DO PROCESSO. Insuficiência probatória com o objetivo de comprovar que os créditos tributários exigidos administrativamente são os mesmos que aqueles parcelados em Dívida Ativa da União. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 62 73 /2 00 5- 15 Fl. 46DF CARF MF 2 Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do anocalendário de 2000, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) (efl. 5). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2) alegando em síntese que tal cobrança não poderia prosperar haja vista a inclusão dos débitos em sistema de parcelamento especial PAES que englobavam competências até janeiro de 2003. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 3ª Turma da DRJ/FOR proferise o Acórdão nº 0815.426 (efls. 17/20) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário, destacando que teria consultado o pedido de adesão àquele acordo, no entanto, sem encontrar as exigências em litígio. Por outro lado, faz ressalva que "eventual juntada ao parcelamento de valores que não haviam sido incluídos compete à Delegacia da Receita Federal de Lançamento (DRF) e não a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) Em sede de recurso voluntário, alegase mais uma vez o parcelamento dos débitos contidos no processo, contudo, desta vez, tais exigências estariam sendo quitadas mediante DARF's emitidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Ou seja, dáse a entender que houve a inscrição em dívida ativa e que, como tal, negociouse o montante correspondente naquela instância. É o relatório Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Com efeito, encaro com estranheza que débitos deste contencioso tenham sido enviados à Dívida Ativa da União, afastandose da condição imposta pelo art. 151, inc. III do CTN. Vejo, não obstante, que foram encartados DARF's no código 5282, referentes a "outras multas" adimplidas junto ao representante judicial da Fazenda Nacional (efls. 32/43). Diante do objetivo sintético complexo probatório, não há evidências que façam a conexão entre tais documentos de arrecadação e as exigências deste processo, de modo que compreendo que a contribuinte não trouxe elementos suficientes para atestar a legitimidade do direito pleiteado. Além disso, conforme tela encartada em efl. 44, tais débitos ainda estariam sendo controlados pela RFB. Não vejo, portanto, como deferir o pedido. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10380.006273/200515 Acórdão n.º 1002000.100 S1C0T2 Fl. 3 3 Ante ao enfretamento da questão levantada, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.724397/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM PAGAMENTO DE ROYALTIES. LIMITE LEGAL. VIGÊNCIA.
O art. 71 da Lei nº 4.506/64 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/58, persistindo, portanto, mesmo para as beneficiários residentes no país, as regras para dedução das despesas com pagamento de royalties. Precedentes do STF e STJ.
DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS E USO DE TECNOLOGIAS, KNOW HOW E GOODWILL
A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, uso de tecnoogias, know how e goodwill somente será admitida com a averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
LEI TRIBUTÁRIA. PERCENTUAL DE MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo deAndrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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LIMITE LEGAL. VIGÊNCIA. O art. 71 da Lei nº 4.506/64 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/58, persistindo, portanto, mesmo para as beneficiários residentes no país, as regras para dedução das despesas com pagamento de royalties. Precedentes do STF e STJ. DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS E USO DE TECNOLOGIAS, KNOW HOW E GOODWILL A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, uso de tecnoogias, know how e goodwill somente será admitida com a averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 LEI TRIBUTÁRIA. PERCENTUAL DE MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 43 97 /2 01 2- 84 Fl. 1927DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo deAndrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 13888.724397/201284 Acórdão n.º 1402002.820 S1C4T2 Fl. 1.928 3 Relatório Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, constatou a autoridade autuante o pagamento de royalties indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2007, razão pela qual lavrou os autos de infração de fls. 16671669 (IRPJ) e de fls. 16751677 (CSLL). De acordo com a autoridade lançadora, a interessada deduziu indevidamente na determinação do lucro real despesas a título de royalties pelo uso de marcas e transferência tecnológica junto à empresa vinculada Dedini S/A Equipamentos e Sistemas, CNPJ 67.541.961/000184, ao deixar de averbar os respectivos contratos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), cuja dedutibilidade só é admitida a partir dessa providência, nos termos do § 3º, do art. 355, do RIR/99; fazer creditamentos ou pagamentos à pessoa jurídica vinculada; e: deixar de comprovar, com apresentação de documentação hábil e idônea, que a despesa é necessária para que a empresa mantenha a posse, o uso ou a fruição do bem ou direito que produz o rendimento. A interessada impugnou o feito alegando em apertada síntese que: 1) O art. 74, da Lei nº 3.470/58; matriz legal do § 3º, do art 355, do RIR/80; teria sido revogado pela Lei nº 4.506/64 que estabeleceu novo disciplinamento da matéria; 2) Não haveria possibilidade de registro no INPI pois as marcas estavam registradas em nome de terceiros. Ainda que houvesse tal necessidade, não deveria ter como base o pedido de registro, mas sim a data em que foi ajuizada a ação para reaver a propriedade da marca, momento esse anterior à autuação; 3) Os pagamentos seriam necessários e vinculados às atividades por ela exercidas; 4) A indedutibilidade não se aplicaria à base de cálculo da CSLL; 5) Solicita dedução do IRPJ na base de cálculo da CSLL e viceversa; 6) Requer seja determinado o desconto do PAT nos limites admitidos; 7) Reclama pela nulidade da multa de ofício em função da natureza confiscatória dos percentuais imputados; e: 8) Aduz que não seriam devidos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 1929DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP prolatou o Acórdão 1443.284 considerando a impugnação totalmente improcedente, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007 LIMITES À DEDUÇÃO DOS ROYALTIES PAGOS PELO USO DE MARCA COMERCIAL E POR LICENÇA DE USO DE TECNOLOGIAS, KNOW HOW E GOODWILL ART. 74 DA LEI Nº 3.470/1958: NÃOREVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI Nº 4.506/1964 NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DO CONTRATO NO INPI INDEDUTIBILIDADE DOS ROYALTIES QUANDO PAGOS A INTEGRANTE DO MESMO GRUPO SOCIETÁRIO NÃODEDUÇÃO DA CSLL NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ INCONSTITUCIONALIDADE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A Lei nº 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/1958, permanecendo vigentes os limites à dedutibilidade de royalties previstos nesta norma. A dedução de royalties pagos em razão do uso de marca comercial e por licença de uso de tecnologias, know how e goodwill depende de registro e/ou averbação dos respectivos contratos no INPI. São indedutíveis os royalties pagos a empresa integrante do mesmo grupo societário, quando as circunstâncias evidenciarem o caráter de liberalidade do dispêndio. Por expressa disposição legal, a CSLL não é deduzida na apuração do lucro real. A autoridade administrativa não tem competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei. É legítima a exigência de juros sobre multa de ofício não paga no vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2007 LIMITES À DEDUÇÃO DE ROYALTIES APLICAÇÃO À CSLL NÃODEDUÇÃO DO IRPJ NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL AUTO REFLEXO A partir da vigência do art. 28 da Lei nº 9.430/1996, aplicamse à CSLL as mesmas vedações e limitações para dedução de custos e despesas do IRPJ, salvo disposição contrária expressa em Lei. Por expressa disposição legal, o IRPJ não é deduzido na apuração da base de cálculo da CSLL. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 13888.724397/201284 Acórdão n.º 1402002.820 S1C4T2 Fl. 1.929 5 Devidamente cietificado, o sujeito passivo apresenta recurso voluntário ratificando as razões de defesa da peça impugnatória indicads nos itens 1, 2, 3, 7 e 8. Traz novas razões de defesa com base na Lei nº 4.131/62 que não foram suscitadas na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A Fiscalização não acatou a dedução de despesa com royalties tendo como principal razão o decumprimento do § 3º, do art. 355, do RIR/99; no que se refere à necessidade de registro dos contratos no INPI. Esse dispositivo do Regulamento tem como matriz legal o art. 74, da Lei nº 3.470/58. Em função disso, a defesa trouxe extensa argumentação defendendo que tal dispositivo legal teria sido revogado tacitamente. Na impugnação, a interessada suscita que essa revogação ocorreu através dos art. 56 e 71 da Lei nº 4.506/64. Já no recurso voluntário, afirma que tal revogação ocorreu pelo art. 12, da Lei nº 4.131/62, dispositivo esse que sequer foi mencionado na peça impugnatória. Em relação à Lei nº 4.131/62, é discutível a possibilidade de o sujeito passivo trazer, em sede de recurso voluntário, razões de defesa não apresentadas na impugnação, a não ser que provocado por alguma especificidade da decisão de primeira instância, o que representa um exceção que entendo não ter ocorrido no presente caso. Ainda assim, não me furto a esclarecer no que tange à Lei nº 4.131/62 que a alegação é totalmente improcedente. Isso porque o referido diploma foi matriz legal do caput e §§ 1º e 2º do art. 355 do RIR/99. Isso significa que o legislador, ao redigir o mencionado art. 355, inclusive o § 3º, tinha em mente as disposições da Lei nº 4.131/62. Impossível a revogação tácita suscitada. Já no que tange à Lei nº 4.506/64, tanto a jurisprudência administrativa como a judicial estão consolidadas pela inexistência da revogação tácita do art. 74, da Lei nº 3.470/58 (§ 3º, do art. 355, do RIR/99). Fl. 1931DF CARF MF 6 De imediato, cabe registrar o entendimento prolatado no Acórdão 1201 001.529 (sessão de 06/10/2016); que trata exatamente do mesmo caso para essa mesma pessoa jurídica em outro anocalendário. Quanto ao § 3º, do art. 355, do RIR/99, aquela decisão assim se manifestou: [...] Reiterase que a dicção legal do supracitado normativo, em pleno vigor e validade, é veemente no sentido condicionar a dedutibilidade dos royalties pagos à obrigatoriedade de averbação do contrato referente ao uso ou cessão da marca ou transferência de tecnologia perante o INPI. Quanto a este ponto, instaurouse discussão calorosa quanto à criação da Lei nº 4506/64, especificamente diante do conteúdo normativo de seu art. 71, que teria colocado em xeque a aplicação fática do art. 74 da Lei nº 3740/58. Fosse verdadeira e legalmente possível tal assertiva, cairia por terra a manifestação válida do art. 355, §3º do RIR/99. No entanto, devese deixar claro que a Lei nº 4506/64, apesar de inovar e trazer modificações a sistemática de dedutibilidade dos “royalties”, em nada atingiu as disposições legais da Lei nº 3470/58. Enquanto a primeira traz específicas definições sobre a dedutibilidade de royalties referentes ao uso de marcas de indústrias e comércio pagos ou creditado a beneficiários domiciliados no exterior, a segunda, de modo abrangente, acaba por abarcar a garantia dos limites de dedutibilidade no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil. Validase, assim, por consequência lógica, a aplicação do art. 355, §3º do RIR/99. [...] A CSRF vai na mesma linha conforme se vê pelo Acórdão 9101002.572, sessão de 13/03/2017 (destaque acrescido): DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM PAGAMENTO DE ROYALTIES. LIMITE LEGAL. VIGÊNCIA. DEFINIÇÃO DO COEFICIENTE LEGAL. ATIVIDADE DE PREPARO E VENDA DE PRODUTOS ALIMENTARES. O art. 71 da Lei nº 4.506/64 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/58, persistindo, portanto, mesmo para as beneficiários residentes no país, o limite para dedução das despesas com pagamento de royalties. Precedente do STF. A dedutibilidade das despesas com o pagamento de royalties pelo direito de utilizar a marca do franqueador e de fabricar ou comercializar os mesmos produtos por eles fabricados ou comercializados, utilizando os mesmos processos de fabricação, comercialização ou de exploração do negócio, relativamente a produtos alimentares, sujeitase ao limite de 4% da receita liquida das vendas do produto fabricado ou vendido, conforme previsto na Portaria MF 436, de 1958. No âmbito do Poder Judidiciário, o STJ é categórico (Resp nº 378.575 – RS): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MARCAS E PATENTES. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ROYALTIES . ART. 74 DA LEI N. 3.470/58. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 4.506/64. NÃOOCORRÊNCIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 13888.724397/201284 Acórdão n.º 1402002.820 S1C4T2 Fl. 1.930 7 1. O art. 71 da Lei n. 4.506/64, ao estabelecer modificações em relação à dedutibilidade de despesas com royalties, não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance. 2. Precedentes: STF, RE n. 104.3687SP, relator Ministro NÉRI DA SILVEIRA, DJ de 28.2.1992. STJ, REsp n. 204.696RJ, relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 22.8.2005; REsp n. 260.513RS, relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 24.10.2005. Vêse que nos precedentes mencionados consta entendimento prolatado em decisão do STF. Do até aqui exposto, entendo que o § 3º, do art. 355, do RIR/99 está em pleno vigor, restringindo a dedução de despesas com royalties ao registro do respectivo contrato no INPI. Quanto à alegada impossibilidade de averbação do contrato no INPI, a decisão fez precisa avaliação que endosso como razões decidir e abaixo transcrevo: Quanto a essas alegações, é preciso ressaltar, de início, que a glosa de despesas de royalties que deu causa aos lançamentos envolveu dois contratos distintos. O primeiro deles é o “Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avenças” (DIB nº 521/2006), por meio do qual a DEDINI obrigouse a pagar à DZ S/A 1% da receita de venda líquida mensal pela licença de uso das marcas de propriedade desta. O segundo deles é o “Contrato de uso de Bens Intangíveis” (DIB nº 001/2007), mediante o qual a DEDINI obrigouse a pagar à DZ S/A 2,5% da receita de venda líquida mensal pela licença de uso das tecnologias patenteáveis ou não, know how e goodwill de titularidade da DZ S/A. As alegações da impugnante relativas à impossibilidade de averbação do contrato de licenciamento das marcas “Dedini” evidentemente não alcançam a glosa das despesas de royalties decorrentes do “Contrato de uso de Bens Intangíveis” (DIB nº 001/2007), pois nesse caso não havia qualquer óbice ao registro do contrato, nos termos do art. 211 da Lei nº 9.279/1996, in verbis: Art. 211. O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. A decisão relativa aos pedidos de registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do pedido de registro. Registrese, ainda, que, conforme esclarece o próprio Instituto Nacional da Propriedade Industrial em seu sítio na rede mundial de computadores internet (http://www.inpi.gov.br/portal/artigo/contrato_de_tecnologia_1351692514525#12), os contratos de fornecimento de tecnologia e de assistência técnica e científica são registráveis por qualquer das partes contratantes, tendo, como um dos seus efeitos, a dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados. A autoridade autuante, no “Relatório de Fiscalização”, esclarece que, da glosa total de R$ 35.423.199,17 a título de royalties indedutíveis para o anocalendário de 2007, a parcela de R$ 25.302.285,12 corresponde a despesas a título de tecnologia, vale dizer, baseadas no “Contrato de uso de Bens Intangíveis” (DIB nº 001/2007). Fl. 1933DF CARF MF 8 Esta glosa, pelas razões já referidas, não é atingida pelas alegações da impugnante ora apreciadas. No tocante à alegação de que a DZ S/A estava impossibilitada de averbar no INPI o contrato de licenciamento das marcas “Dedini” registradas em nome da M. DEDINI S/A METALÚRGICA e da NG METALÚRGICA LTDA, devese ponderar que a operação societária de cisão da M. DEDINI S/A METALÚRCIA ocorreu em 21/06/1996 e a parcela cindida, na qual estão incluídas as marcas, foi incorporada à BADONI ATB INDÚSTRIA METALMECÂNICA S/A em 01/07/1996. Finalmente, a BADONI ATB INDÚSTRIA METALMECÂNICA S/A foi incorporada à DZ S/A em 31/10/1996. Portanto, as operações societárias que transferiram a titularidade das marcas “Dedini” à DZ S/A ocorreram todas em 1996. Até o ano 2000 esta empresa, integrante do mesmo grupo societário que a DEDINI, permaneceu inerte, sem providenciar as devidas alterações de registros das marcas no INPI. Somente em 2000 foi ajuizada ação para que fosse declarado que a DZ S/A era, de fato, a titular das marcas. A ação ordinária 2000.51.01.005226 2, na qual foi discutida a titularidade das marcas, que tramitou perante a 27ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, foi julgada procedente em 2008, conforme a sentença de fls. 17471752, com declaração de que a DZ S/A é a titular das marcas “Dedini”. Também o TRF da 2ª Região prolatou acórdão (fls. 17551780) no mesmo sentido, acórdão esse que transitou em julgado em 25/01/2011, conforme consulta ao endereçohttp://www.trf2.jus.br/Paginas/Resultado.aspx?Content=4CA46B7382EE6 06F13660929B39F965E?proc=200051010052262&andam=1&tipo_consulta=1&mo v=3 na internet. Diante disso, a impossibilidade de averbação no INPI do “Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avencas” (DIB nº 521/2006) foi provocada pela própria inércia da DZ S/A em promover as alterações devidas no registro, empresa esta integrante do mesmo grupos societário da DEDINI. Mais que isso, a DEDINI tinha ciência, quando da celebração desse contrato, da existência de demanda judicial entre a DZ S/A e as empresas M. DEDINI METALÚRGICA LTDA e NG METALÚRGICA LTDA acerca da titularidade das marcas “Dedini”, conforme consta dos considerandos da avença, nos seguintes termos (fl. 226): CONSIDERANDO que as MARCAS estão depositadas junto ao INPI, e que as MARCAS são objeto de ação judicial movida pela DZ sob nº 2000.51.01.005226 2, contra M. DEDINI METALÚRGICA LTDA e a NG METALÚRGICA LTDA, perante o Douto Juiz Federal da 09ª (Nona) Vara da Seção Judiciária do Rio de Janeiro; CONSIDERANDO que as rés M. DEDINI METALÚRGICA LTDA e NG METALÚRGICA LTDA, estão buscando uma composição amigável, nos autos da ação supramencionada, de modo a ser consolidada na DZ a propriedade das MARCAS; RESOLVEM as partes firmar o presente Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avencas (o “Contrato”), que está regido pelas cláusulas e condições seguintes: Destarte, a DEDINI, quando da celebração do contrato, já tinha ciência de que estaria impossibilidade, enquanto não houvesse o deslinde da demanda judicial, de averbalo no INPI, de modo que o descumprimento do requisito legal para que fosse dedutível a despesa de royalties já era de seu conhecimento quando o acordo foi firmado. Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 13888.724397/201284 Acórdão n.º 1402002.820 S1C4T2 Fl. 1.931 9 Sendo assim, pelo descumprimento da condição estabelecida no § 3º, do art. 355, do RIR/99, as despesas seriam indedutíveis. A rigor, a análise feita até aqui tornaria desnecessário o exame dos demais itens. Mesmo que, por hipótese, fosse afastada tanto a questão da desnecessidade das despesas como o fato de as envolvidas pertencerem ao mesmo grupo econômico, a restrição tratada nos itens anteriores deste voto inibiria a dedução. Apenas na hipótese de ser vencido pelos meus pares, passo a analisar esses dois itens do recurso. Em relação à impossibilidade de dedução dos royalties pagos a empresa do mesmo grupo econômico, é restrição baseada no inciso I, do art. 353, do RIR/99, a intenção do legislador foi evitar que houvesse distribuição de recursos a pessoa ligadas sob pretexto de royalties. Conforme entendimento exarado em julgamento anterior neste colegiado tratando da mesma matéria (Acórdão 1402000.905), é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico a restrição à dedutibilidade de custos e despesas das pessoas jurídicas, quando tais encargos operamse no campo restrito da liberalidade empresas ligadas. Ou seja, a lei tributária não proíbe a prática de operações mercantis, como aquelas aqui analisadas, mas lhes atribui efeitos próprios no campo de apuração do IRPJ. Com isso fica também prejudicada a arguição de que as despesas eram necesssárias. Quanto à suposta ilegalidade do inciso I, do art. 353, do RIR/99, no que se refere às pessoas jurídicas, tratandose de normativo aprovado por Decreto plenamente inserido no ordenamento, não compete a esta Corte fazer tal juízo de valor. Ratificase que essas questões só tem relevância se superada a restrição de dedução sem registro do respectivo contrato no INPI. Quanto às demais razões de defesa, a suposta ausência de prejuízo ao erário em função das empresas integrarem o mesmo grupo econômico é matéria que não foi suscitada na peça impugnatória, tendo sido, portanto, atingida pela preclusão. Ainda assim, vale registrar que em termos contábeis o resultado apurado pelas pesos jurídicas não se misturam. Em relação à multa de ofício, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da penalidade nos moldes lá estipulados. A arguição quanto à eventual natureza confiscatória do percentual da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentes de todas as turmas da CSRF: Fl. 1935DF CARF MF 10 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). De todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 1936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.003051/2002-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2001
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL.
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IR-Fonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo.
Processo volvido à Unidade de origem para proferir novo despacho decisório.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1402-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que a autoridade administrativa mediante novo despacho decisório apure o direito creditório, levando em conta a totalidade do IRRF comprovado, para fins de homologação das compensações no limite do crédito reconhecido, sendo incabível verificar se os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação, haja vista o transcurso do prazo decadencial para retificar a apuração dos tributos devidos pelo contribuinte, à data da ciência do despacho decisório. Tudo nos termos do voto vencedor que passa a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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COMPENSAÇÃO Recorrente CIA DE GÁS DE SÃO PAULO COMGÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Processo volvido à Unidade de origem para proferir novo despacho decisório. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11831.003051/200205 Acórdão n.º 140200.592 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que a autoridade administrativa mediante novo despacho decisório apure o direito creditório, levando em conta a totalidade do IRRF comprovado, para fins de homologação das compensações no limite do crédito reconhecido, sendo incabível verificar se os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação, haja vista o transcurso do prazo decadencial para retificar a apuração dos tributos devidos pelo contribuinte, à data da ciência do despacho decisório. Tudo nos termos do voto vencedor que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório CIA DE GÁS DE SÃO PAULO COMGÁS recorre a este Conselho, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), contra a decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I em primeira instância, que deferiu em parte seu pleito. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório exarado pela DERAT/SPO/DIORT, na apreciação de pedidos de restituição de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001, formalizados por meio destes autos e dos Processos nos 11831.003049/2002 28, 11831.003048/200283 e 11831.003052/200241, apensos ao presente, cumulados com pedidos de compensação com débitos próprios, convertidos em declarações de compensação (DCOMP), por força do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, com as alterações da Lei n° 10.637/2002. Por meio do referido Despacho Decisório (fls. 268 a 276), a DIORT deferiu parcialmente o pedido de restituição e homologou as compensações declaradas, até o limite de crédito reconhecido, uma vez considerada a dedução do imposto retido na fonte, incidente sobre ganhos no mercado de renda variável (operações de swap), proporcionalmente às receitas Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11831.003051/200205 Acórdão n.º 140200.592 S1C4T2 Fl. 3 3 declaradas, e comprovado parcialmente o imposto retido na fonte por órgãos públicos. Cientificada em 29/05/2007 (fl. 277, verso), a interessada, representada por procurador (fl. 309), apresentou, em 27/06/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 297 a 308, onde constam, em síntese, as seguintes alegações: relativamente ao imposto retido na fonte, deve ser reconhecido em favor da empresa, em face do princípio republicano, o crédito de R$ 200.422,56, aferido pela Receita Federal em pesquisa ao sistema SIEF/DIRF, e não aquele informado na linha 13 da Ficha 12A da DIPJ/2002, no valor de R$ 7.900,67; quanto ao imposto retido na fonte por órgãos públicos, o valor de R$ 126,63, determinado pela aplicação da alíquota de 0,24% sobre o montante do rendimento bruto obtido em pesquisa ao sistema SIEF/DIRF, é baixo face ao montante que a requerente apura com lastro nos documentos comprobatórios anexados ao pedido de restituição e compensação (fls. 3 a 14 do Processo n° 11831.003052/200241, em apenso, e resumo de fl. 303 do processo principal); não é viável apurar o valor do imposto retido na fonte sobre operações de swap, pela aplicação direta da alíquota sobre o saldo de ganhos da linha 21 da Ficha 06A da DIPJ/2002; uma vez que os resultados intermediários apurados na operação de swap não caracterizam a materialização de ganhos da contratante até o final do período de apuração, é correta a opção da requerente pelo procedimento de contabilização do resultado pelo valor combinado dos ganhos e perdas ao final da operação, a teor do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e da Instrução Normativa SRF n° 247/2002; conforme Ficha 43 da DIPJ/2002, os valores retidos na fonte nessas operações totalizam R$ 7.234.964,06, que é superior ao crédito pleiteado; deve ao menos ser reconhecido, como crédito em favor da requerente, o montante de R$ 6.616.042,12, obtido pela aplicação da alíquota de 20% sobre o total das receitas declaradas em DIRF (R$ 33.080.210,62, conforme apontado no item 4.5.1 da intimação 2.618/2007). Por fim, requer a realização de perícia e a produção de provas, tais como juntada de DCTF, DIPJ, informes de rendimentos e outros documentos que comprovem todos os dados relativos aos créditos pleiteados. A decisão recorrida está assim ementada: PERÍCIA. Considerase não formulada a solicitação de perícia que deixar de atender os requisitos elencados no Decreto n° 70.235/1972. Não é cabível a realização de perícia, quando os fatos puderem ser comprovados nos autos, pela apresentação de documentos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11831.003051/200205 Acórdão n.º 140200.592 S1C4T2 Fl. 4 4 PROTESTO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. PRECLUSÃO. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar. A apresentação posterior de provas é condicionada à demonstração da ocorrência de uma das hipóteses previstas no artigo 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/1972. PROVA DO INDÉBITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. Para efeito de determinação do saldo de IRPJ a ser restituído ou compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Verificada a existência de IRRF não considerado pela Delegacia de origem, relativo a rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e fornecimentos a órgãos públicos, porém não comprovado o oferecimento à tributação de parte dos ganhos líquidos em renda variável, o que justifica a glosa do IRRF correspondente, é parcialmente procedente o pleito, homologandose as compensações pendentes, vinculadas aos pedidos de restituição objeto do presente litígio, até o limite do direito creditório adicionalmente reconhecido. Solicitação Deferida em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11831.003051/200205 Acórdão n.º 140200.592 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase pedido de reconhecimento de direito creditório relativo ao saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do anocalendario de 2001. Prazo decadencial para revisar a apuração do Lucro Real regularmente apurado e declarado pelo contribuinte. Na análise dos autos alguns pontos chamaramme a atenção de plano, a saber: i) a DIPJ do anocalendário de 2001 foi apresentada pelo contribuinte em 11/05/2002 (fl. 31), dentro do prazo estabelecido na legislação, tendo o contribuinte apurado prejuízo fiscal de R$ 69.977.664,00 (fl. 42) e Imposto de Renda Retido na fonte de R$ 7.208.121,00 (fl. 43). ii) o pedido de compensação do contribuinte foi protocolado em 12/6/2002 (fl.1 ), no qual foi pleiteado o reconhecimento do direito creditorio no valor original R$ 6.934.964,06 (relativo apenas ao IRFonte sobre aplicações financeira – SWAP). iii) O despacho decisório da DERAT/SP, objeto do litígio, foi proferido somente em 17/05/2007, cientificado em 29/05/2007 (fls. 268 a 277verso), mais de 5 anos após a ocorrência do fato gerador do IRPJ anocalendário de 2001. iv) No aludido despacho decisório não há qualquer referência à escrituração contábil e fiscal da contribuinte, todas as verificações e procedimentos estão calcados na Declaração do IRPJ e nos registros da Receita Federal. v) o contribuinte informou em sua declaração de PJ os rendimentos e retenções de IRFonte,conforme ficha 06, linha 21, cópia às fls. 251. vi) No despacho decisório é indiretamente procedida a revisão do lucro real apurado pelo contribuinte no anocalendário 2001, mediante verificação se os rendimentos e receitas objeto das retenções de imposto de renda na fonte foram oferecidos à tributação. Os valores que a autoridade administrativa considerou que não foram tributados, repito, apenas a partir da análise das DIPJ, embora regularmente retido pelas fontes pagadoras e declarado pela contribuinte, foram objeto de “glosas proporcionais” do IRFonte, ao invés de acrescido ao lucro real, para fins de recálculo do imposto devido, conforme descrito no item 4.5.1 do despacho decisório (fl. 271). Vejamos a transcrição do trecho do voto condutor do acórdão recorrido que contem a explicação do procedimento fiscal, considerado correto também pela turma julgadora de 1a. instancia: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11831.003051/200205 Acórdão n.º 140200.592 S1C4T2 Fl. 6 6 No que tange ao imposto sobre operações de swap (código 5273), a glosa parcial foi motivada pela falta de comprovação do oferecimento à tributação de parte dos rendimentos auferidos nessas operações. A DIORT entende que o valor a ser deduzido corresponde a 20% dos rendimentos declarados na linha 21 (ganhos aufer. no merc. de ren. variável, exc. daytrade) da Ficha 06A da DIPJ (fl. 251). A interessada argumenta que seria correta a sua opção pelo procedimento de contabilização do resultado pelo valor combinado dos ganhos e perdas ao final da operação, a teor do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, a seguir reproduzido: (...) Todavia, a legislação tributária já previa a tributação das operações de swap quando da liquidação do contrato, a teor do artigo 756 do RIR/1999: (...) Por conseguinte, os rendimentos informados pelas fontes pagadoras, no presente caso, corresponderiam ao resultado positivo apurado na liquidação das operações. Eventual equívoco nas informações prestadas por intermédio das DIRF deveria ser demonstrado pela interessada, com a apresentação dos livros e documentos de sua escrituração. Nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Desse modo, o pedido de restituição deve estar necessariamente instruído com as provas em que se fundamenta. No caso de saldo negativo de IRPJ decorrente de imposto retido na fonte, deve ser comprovado o cômputo, na determinação do lucro real, dos rendimentos correspondentes, a teor do disposto no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, in verbis: (...) Constatase que a autoridade administrativa, apesar de ter feito verificações do regular retenção e recolhimento de imposto de renda pelas fontes pagadoras do contribuinte, considerou apenas um percentual desse valor para fins de reconstituição do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do contribuinte. Esse artifício, a meu ver, destinouse a contornar o transcurso do prazo decadencial para rever a apuração do lucro real do contribuinte, e não pode ser admitido. Repito, o correto seria reconstituir o lucro real incluindo eventuais receitas omitidas, obviamente com análise da escrituração do contribuinte. No presente caso, à luz da legislação e da jurisprudência, o Fisco tinha 5 (cinco) anos para fiscalizar a apuração do lucro real do contribuinte, mas somente realizou o procedimento em maio de 2007, quando já havia sido atingidos pelo transcurso do prazo decadencial. Em relação ao anocalendário objeto do procedimento (2001), houve recolhimento antecipado (pelas próprias retenções em fonte), cabível, pois, a aplicação do art. 150 parágrafo 4o. do CTN na contagem do prazo decadencial. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de JustiçaSTJ, cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11831.003051/200205 Acórdão n.º 140200.592 S1C4T2 Fl. 7 7 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).(...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) É certo que a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento desse pelo contribuinte. Porem, Não pode haver auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim a própria formação do saldo. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11831.003051/200205 Acórdão n.º 140200.592 S1C4T2 Fl. 8 8 O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve, prazo de 5 anos contatados do pedido, investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido de sua formação, cabendo ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente. Todavia, não foi apenas essa a situação que se verificou no presente caso: além de verificar o IRFonte, a Autoridade Administrativa realizou, indiretamente, a auditoria do lucro real. Diante do exposto, quanto a essa matéria, cumpre determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que a autoridade administrativa mediante novo despacho decisório apure o direito creditório, levando em conta a totalidade do Imposto de Redito na Fonte (antecipação) comprovado, sendo incabível, no presente caso, verificar se os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação, haja vista o transcurso do prazo decadencial para retificar a apuração dos tributos devidos pelo contribuinte, à data da ciência do despacho decisório. Reitero que a reconstituição deve partir do lucro real apurado e declarado pelo contribuinte, no caso prejuízo fiscal e zero de tributo a recolher no ajuste. No que tange às retenções de IR (antecipação), deverá ser tomado o valor originalmente declarado pelo contribuinte, fl. 43, isso porque o contribuinte também possuía o prazo de 5 anos para refazer suas apurações e retificar sua contabilidade/declarações para alterar esses valores. Por fim, cumpre registrar que o contribuinte deverá ser cientificado do novo despacho decisório da Unidade de Origem e, caso não concorde, poderá apresentar nova impugnação à DRJ, reiniciando o litígio. 4) Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que a autoridade administrativa mediante novo despacho decisório apure o direito creditório, levando em conta a totalidade do IRRF declarado e comprovado, para fins de homologação das compensações no limite do crédito reconhecido, sendo incabível verificar se os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação, haja vista o transcurso do prazo decadencial para retificar a apuração dos tributos devidos pelo contribuinte, à data da ciência do despacho decisório. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905364/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 64 /2 01 2- 54 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10283.905364/201254 Acórdão n.º 3302004.947 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10283.905364/201254 Acórdão n.º 3302004.947 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.526. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10283.905364/201254 Acórdão n.º 3302004.947 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10283.905364/201254 Acórdão n.º 3302004.947 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10283.905364/201254 Acórdão n.º 3302004.947 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 10620.001143/2003-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF.
Súmula CARF nº 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL.
Não comprovado que os rendimentos considerados omitidos são decorrentes de atividade rural, os mesmos devem ser submetidos à regra geral de tributação das pessoas físicas.
Demonstrado que os valores declarados como receita da atividade rural não se confundem com os depósitos de origem não comprovada, não há que se falar em exclusão dos valores informados em DIRPF da base de cálculo do tributo lançado.
Numero da decisão: 2201-004.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF. Súmula CARF nº 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. Não comprovado que os rendimentos considerados omitidos são decorrentes de atividade rural, os mesmos devem ser submetidos à regra geral de tributação das pessoas físicas. Demonstrado que os valores declarados como receita da atividade rural não se confundem com os depósitos de origem não comprovada, não há que se falar em exclusão dos valores informados em DIRPF da base de cálculo do tributo lançado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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PRESUNÇÃO LEGAL. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. Não comprovado que os rendimentos considerados omitidos são decorrentes de atividade rural, os mesmos devem ser submetidos à regra geral de tributação das pessoas físicas. Demonstrado que os valores declarados como receita da atividade rural não se confundem com os depósitos de origem não comprovada, não há que se falar em exclusão dos valores informados em DIRPF da base de cálculo do tributo lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 11 43 /2 00 3- 46 Fl. 711DF CARF MF 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Trata o presente do Auto de Infração relativo a Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF, fl. 07 a 17, pelo qual a Autoridade Fiscal constituiu crédito tributário, consolidado em dezembro de 2003, no valor total de R$ 170.057,48. O procedimento fiscal alcançou os anos calendários de 1998 a 2000 e concluiu pela ocorrência de infração à legislação tributária em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ciente da imputação fiscal em dezembro de 2003, inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 440 a 445, com a qual buscou demonstrar a improcedência do lançamento mediante análise, mês a mês, dos rendimentos considerados omitidos, cotejandoos com ingressos decorrentes de indenização recebida do DNER, venda de gado e leite de suas propriedades rurais, bem assim resgates de aplicações financeiras. Debruçada sobre os termos da impugnação, fl. 565 a 573, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente os argumentos do contribuinte, com destaque para os seguintes excertos, 572: (...) Registrese que, embora o interessado argumente que os valores depositados são originados de indenização judicial recebida do DNER, a fiscalização cuidou de considerar tais valores antes de efetuar o lançamento. Assim, observase que referidos valores já foram excluídos (fl. 9). Quanto à alegação de que a origem dos depósitos corresponde a receitas de venda de gado e leite das propriedades rurais do impugnante, essa não pode ser acatada, uma vez que veio desacompanhada de qualquer elemento que a corroborasse. Conforme esposado, os documentos anexados à impugnação, bem como os demais documentos constantes dos autos, não são, por si sós, suficientes para comprovar a origem dos depósitos, pois não há coincidência de data nem valores e o interessado não logrou apresentar nenhum documento que evidenciasse que os valores decorrentes das transações apontadas transitaram de fato pelas contas bancárias objeto do lançamento. Desse modo, não restou comprovada a origem dos depósitos, de sorte que descabe o argumento de que, em caso de apuração de qualquer valor, o tratamento a ser adotado é aquele previsto para a atividade rural. Ademais, a fiscalização também cuidou de excluir os valores comprovadamente derivados da atividade rural (fl. 9). Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 712 3 (...) Não obstante, com relação ao argumento de que o depósito, em 28/02/2000, no valor de R$ 81.461,03, na conta no 6.0631, do Banco do Brasil é decorrente de resgate da conta de poupança no 6.0633 também do Banco do Brasil, conforme extrato anexo, este merece ser acolhido, eis que os documentos às fls. 420, 439 e 440 comprovam a transferência. de numerário e também são coincidentes em datas e valores. Assim, cumpre excluir referido valor. Dessa forma, o imposto suplementar relativo ao exercício 2001, anocalendário 2000, é reduzido a R$ 9.878,18 [32.279,97 — (81.461,03 x 27,5%)] _ fl. 14. Em decorrência, o imposto suplementar global é reduzido à R$ 49.145,74 (21.394,49 + 17.873,07 + 9.878,18) _ fl. 15. Ciente do Acórdão da DRJ em 05 de outubro de 2006, conforme AR de fl. 577, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 588 a 595, no qual reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação, acrescentando, ainda, argumento de que os valores teriam sido informados como receita da atividade rural. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, os Membros da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolveram converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução de fl. 602 a 608, cuja finalidade pode ser resumida na emissão de intimações a terceiros para confirmar data, valor e natureza dos negócios que justificaram os respectivos pagamentos. Cumprida a diligência determinada, inclusive com ciência e manifestação do autuado, os autos retornaram a este Conselho, sendo novamente submetido ao Colegiado de 2ª Instância, que exarou o Acórdão de fl. 579 a 585 (notase erro na inclusão do Acórdão nos autos eletrônicos, já que assumiu numeração inferior à informada no momento da formalização do acórdão, apresentandose, portanto, fora de ordem, sem, contudo representar qualquer prejuízo à lide administrativa. Ademais, foi juntada cópia do Acórdão a partir de fl. 652, minimizandose ainda mais a questão da ordem das peças processuais). Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS LEI 9.430, DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada servem para justificar os valores depositados ou creditados em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. Recurso Voluntário Provido Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional formalizou o Recurso Especial de f. 662 a 668, em particular por discordar da conclusão do Acórdão recorrido sobre a desnecessidade de coincidência de datas e valores para demonstrar a origem das receitas omitidas. O recurso em tela teve o seu seguimento deferido nos termos da Decisão de fl. 672/673. Fl. 713DF CARF MF 4 Ao ser cientificado da formalização do Recurso Especial, o autuado apresentou as contrarrazões de fl. 681 a 683, no qual pugnou pela manutenção da decisão recorrida Submetida ao crivo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi exarado o Acórdão de fl. 692 a 705, que concluiu, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno à câmara a quo para análise das questões não apreciadas no recurso voluntário. Assim o voto condutor delimitou matéria e concluiu o mérito da lide: Faço notar, a propósito, que o lançamento sob análise abrangeu, consoante demonstrativos de efls. 11 a 16, um total de 9 (nove) depósitos considerados como de origem não comprovada pela autoridade autuante. Em sede de julgamento de 1ª instância, a autoridade julgadora considerou como devidamente comprovado o depósito datado de 28/02/2000, no valor de R$ 81.461,03 (vide efls. 565 a 573), permanecendo assim sob apreciação em sede de Recurso Voluntário os seguintes 8 (oito) depósitos, tidos como não comprovados e assim tributados consoante art. 42, da Lei no. 9.430, de 1996: (...) Ressalto, a propósito, que ainda que não tenha se discorrido no Recorrido acerca da comprovação do depósito no valor de R$ 13.496,40, de 15/03/1999 (nem mesmo acerca da sua possível exclusão por se tratar de depósito em conta conjunta), no entanto, se deu provimento integral ao Recurso Voluntário na instância ordinária. A partir de tal consideração, ou seja, que não se deu provimento por força de comprovação documental quanto ao referido depósito de R$ 13.496,40, ao notar também que a decisão recorrida não foi objeto de decisão integrativa por terem inexistido embargos e, ainda, ao verificar que se atém a argumentação da recorrente exclusivamente à divergência entre se poder ou não considerar comprovados depósitos para os quais não haja coincidência de datas e valores com a respectiva documentação comprobatória, considero objeto de trânsito em julgado administrativo a exclusão do valor do depósito em questão, a saber, no valor de R$ 13.496,40, datado de 15/03/1999. Passa assim o litígio no âmbito desta instância especial a estar composto da discussão acerca da comprovação ou não, para fins de elidir a aplicação do art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, dos seguintes depósitos: Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 713 5 (...)Assim, entendo que não há como se considerar os depósitos aqui em litígio restaram individualmente comprovados para fins de afastamento da presunção do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996 e, destarte, me posiciono pela reforma do recorrido, de forma a que sejam considerados como não comprovados os seguintes créditos, objeto de tributação e que julgo serem aqueles que permanecem, a esta altura, sob litígio no âmbito desta CSRF: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para considerar como não comprovados os depósitos acima resumidos, com retorno ao Colegiado a quo, a fim de que este se manifeste acerca das questões constantes do Recurso Voluntário que restaram não apreciadas, por prejudicadas, a saber: a) Tributação de créditos ocorridos em contacorrente conjunta sem a devida intimação de todos os cotitulares; b) Exclusão de receitas declaradas em DIRPF do montante objeto de tributação. Da Decisão acima, o contribuinte foi devidamente cientificado, conforme fl. 707/708. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Como bem destacado acima, o presente voto está restrito a avaliar, exclusivamente em relação aos depósitos abaixo listados, as questões que não foram tratadas no curso do primeiro julgamento levado a termo na Instância Ordinária deste Colegiado Administrativo, a saber: a) Tributação de créditos ocorridos em contacorrente conjunta sem a devida intimação de todos os cotitulares; b) Exclusão de receitas declaradas em DIRPF do montante objeto de tributação. Fl. 715DF CARF MF 6 Da tributação de créditos ocorridos em contacorrente conjunta Inicialmente, devese ressaltar que nem o Recurso Voluntário ou mesmo a impugnação apresentaram qualquer questionamento sobre a titularidade conjunta de contas de depósito, sendo a questão suscitada inicialmente no corpo da Resolução que converteu o julgamento em diligência, fl. 607. Posteriormente, a mesmo tema foi lembrado pelo Acórdão exarado da Câmara Superior de Recursos Fiscais que determinou que este Colegiado ordinário se manifestasse sobre a questão. Não obstante, há de se reconhecer o caráter de matéria de ordem pública que envolve o tema, já que o seu tratamento inadequado resulta em nulidade do lançamento fiscal, por vício material, por não ter observado integralmente os preceitos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN). O lançamento em tela está lastreado na presunção legal disposta no art. 42 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 714 7 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Como se depreende da clareza do teor do § 6º do art. 42 da Lei 9.430/96, no caso de conta de depósito ou de investimento mantida em conjunto por titulares, que tenham apresentado declarações de rendimentos em separado, o valor dos rendimentos ou receitas deve ser imputado a cada titular, mediante divisão entre o total dos rendimentos e receitas pela quantidade de titulares da conta. Naturalmente, em sendo efetuada tal imputação, indispensável que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos valores em tela, sendo certo que, a comprovação efetuada por um afasta a presunção de omissão em relação a todos os demais. Sobre o tema, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Na planilha de depósitos ainda sob lide administrativa, é possível constatar que os de numero 1 e 3, efetivados em 1998, foram identificados na conta mantida junto ao Banco Mercantil do Brasil sob o nº 01100.0448, cujos extratos constam dos autos a partir de fl. 132 e não deixam dúvidas de que se trata de conta bancária mantida em conjunto com a Sra. Maria do Carmo Fernandes Pereira Evangelista. Na DIRPF relativa ao exercício de 2009, fl. 18, não foi assinalado o campo destinado a informar que tal ajuste se deu em conjunto. Não há nos autos evidência de que tenha sido intimada a Sra. Maria do Carmo P. Evangelista. Fl. 717DF CARF MF 8 Cotejando a os itens 1 e 3 da planilha supra com os extratos de março e junho de 1998, fl. 137 e 141, respectivamente, resta evidente que os depósitos nos valores de R$ 20.690,00 e de R$ 35.616,00 foram integralmente submetidos à tributação no Auto de Infração ora sob análise. Desta forma, desnecessárias maiores considerações já que, caso a segunda titular da conta bancaria fosse intimada e comprovasse a origem de tais valores, nada teria sido lançado no procedimento fiscal em tela. Por outro lado, caso esta não tivesse logrado êxito em tal comprovação, o presente lançamento deveria ter considerado como omitida a proporção de 50% de cada depósito. Portanto, constatase que, exclusivamente em relação às omissões de rendimentos apuradas por depósitos bancários na conta mantida junto ao Banco Mercantil do Brasil, sob o nº 01100.0448, em conjunto com a Sra. Maria do Carmo P. Evangelista, nos valores de R$ 20.690,00 (24/03/1998) e R$ 35.616,00 (25/06/1998), o Agente Fiscal, no exercício de sua competência privativa, não se desincumbiu da obrigação de apurar corretamente o montante do tributo devido e identificar adequadamente o sujeito passivo, o que impõe o reconhecimento da improcedência da imputação, por não terem sido observados integralmente os preceitos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN). Exclusão de receitas declaradas em DIRPF do montante objeto de tributação. Remanescendo em discussão apenas os depósitos 2, 4, 5, 6 e 7 da planilha supra, cuja procedência da imputação fiscal sobre tais montantes foi questionada no Recurso voluntário por duas razões básicas, por supostamente se referirem a venda de gado e por terem sido declaradas, total ou parcialmente, como receita da atividade rural. Em relação à alegação de se tratar de recursos proveniente da comercialização de gado, não há espaço para que retomemos a questão, já que a CSRF já analisou o seu mérito e entendeu que não procedem os argumentos recursais. Assim, resta tratarmos da alegação expressa na peça recursal de eventual declaração dos rendimentos em tela como receita da atividade rural, tema que não foi suscitado em sede de impugnação, resultando em inovação da lide no curso do julgamento de 2ª Instância. Importante destacar o que prevê o Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 715 9 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Desta forma, analisar os argumentos de que os valores considerados omitidos foram informados em DIRPF como receita da atividade rural, por não terem sido expressamente contestados na impugnação, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência. Ainda assim, por mera simpatia ao debate, passase à análise das alegações recursais: Depósito de R$ 26.028,03 19/05/1998 O recorrente alega que teria recebido no período, em razão de venda de gado ao Frigorífico Níger e a Melquíades SanguinetteME, a importância total de R$ 20.034,00, valor este que teria sido declarado no mês de maio de 1998, o que resultaria em uma diferença ainda passível de tributação no valor de R$ 5.994,03. Ora, atender o pleito recursal seria, indiretamente, excluir integralmente a força decisória contida no Acórdão exarado pela CSRF, que entendeu que tais vendas não se prestam a comprovar a origem dos valores considerados omitidos. Assim, tratandose de recursos diversos, forçoso concluir que o valor declarado é relativo às vendas efetuadas e comprovadas, mas não se confunde com o montante considerado omitido no período. O mesmo raciocínio vale para os demais meses citados no Voluntário, razão pela qual entendo que não merecem acolhida as alegações formuladas, impondose o não provimento do recurso nesta tema. Por fim, merece destaque a alegação expressa na peça recursal de que a decisão recorrida teria desprezado a argumentação expendida na impugnação sobre o tratamento a ser dado à receita apurada pela fiscalização, que mereceria tratamento diferenciado por se tratar de receita de atividade rural. Ora, como já bem explicitado no Relatório e no presente Voto, os valores sobre os quais se assentou o lançamento fiscal não tiveram sua origem comprovada. Assim, não havendo efetiva demonstração de que sejam relativos à atividade rural, não há que se falar em tratamento diferenciado dispensado às receitas decorrentes da exploração da atividade rural, em particular no presente caso, em que resta inconteste que os valores de rendimentos recebidos pelo contribuinte, além de terem origem em atividade rural, são resultado de aplicações financeiras e de proventos de aposentadoria ou pensão. Nesta esteira, não se omitiu a decisão recorrida ao não se manifestar sobre o tratamento tributário diferenciado requerido pelo contribuinte, já que a manutenção da exigência nos termos formulados pelo autor do procedimento fiscal é uma consequência lógica da conclusão de que não houve comprovação da origem dos recursos. Fl. 719DF CARF MF 10 Assim, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida quanto à tributação dos rendimentos considerados omitidos nos termos da regra geral dos rendimentos de pessoa física (tabela progressiva na declaração de ajuste anual). Portanto, nego provimento ao Recurso neste tema. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expressos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir de tributação os valores dos depósitos identificados na conta mantida no Banco Mercantil do Brasil, sob o nº 01100.0448, cuja titularidade é compartilhada com a Sra. Maria do Carmo Fernandes Pereira Evangelista. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 720DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722199/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 14/11/2006, 28/10/2010, 30/11/2010, 14/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. PAGAMENTO ANTES DA PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O pagamento efetuado após a ciência do termo de início do procedimento fiscal, porém antes da perda da espontaneidade quanto ao fato gerador fiscalizado, serve à redução do valor do imposto apurado pelo lançamento de ofício.
PRELIMINAR. BUSCA E APREENSÃO. ILICITUDE DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de demonstração pelo interessado de que o acervo probatório produzido pela acusação fiscal foi obtido como produto de busca e apreensão considerada ilegal pelo Poder Judiciário não autoriza a decretação da nulidade do auto de infração.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Sujeita-se à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. É improcedente, contudo, o lançamento fiscal que não demonstra, por meio da linguagem de prova, os pressupostos para a incidência da tributação extraordinária.
Numero da decisão: 2401-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. Processo julgado em 8/3/18, às 9 horas.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 14/11/2006, 28/10/2010, 30/11/2010, 14/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. PAGAMENTO ANTES DA PERDA DA ESPONTANEIDADE. O pagamento efetuado após a ciência do termo de início do procedimento fiscal, porém antes da perda da espontaneidade quanto ao fato gerador fiscalizado, serve à redução do valor do imposto apurado pelo lançamento de ofício. PRELIMINAR. BUSCA E APREENSÃO. ILICITUDE DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de demonstração pelo interessado de que o acervo probatório produzido pela acusação fiscal foi obtido como produto de busca e apreensão considerada ilegal pelo Poder Judiciário não autoriza a decretação da nulidade do auto de infração. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeita-se à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. É improcedente, contudo, o lançamento fiscal que não demonstra, por meio da linguagem de prova, os pressupostos para a incidência da tributação extraordinária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. Processo julgado em 8/3/18, às 9 horas. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
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PAGAMENTO ANTES DA PERDA DA ESPONTANEIDADE. O pagamento efetuado após a ciência do termo de início do procedimento fiscal, porém antes da perda da espontaneidade quanto ao fato gerador fiscalizado, serve à redução do valor do imposto apurado pelo lançamento de ofício. PRELIMINAR. BUSCA E APREENSÃO. ILICITUDE DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de demonstração pelo interessado de que o acervo probatório produzido pela acusação fiscal foi obtido como produto de busca e apreensão considerada ilegal pelo Poder Judiciário não autoriza a decretação da nulidade do auto de infração. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. É improcedente, contudo, o lançamento fiscal que não demonstra, por meio da linguagem de prova, os pressupostos para a incidência da tributação extraordinária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 99 /2 01 1- 06 Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.076 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. Processo julgado em 8/3/18, às 9 horas. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.077 3 Relatório Cuidase de recursos de ofício e voluntário interpostos em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), por meio do Acórdão nº 0245.408, de 19/06/2013, cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido (fls. 1.755/1.782): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 14/11/2006, 28/10/2010, 30/11/2010, 14/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Nos lançamentos de ofício, a multa qualificada, no percentual de 150%, será aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, segundo caracterização feita em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. PAGAMENTO Na parte em que comprovado o efetivo pagamento da obrigação, antes do início da ação fiscal, cancelase o crédito tributário correspondente. Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.078 4 2. O lançamento fiscal foi feito em nome da empresa SBDE Sociedade Brasileira de Embalagens e Descartáveis Ltda, CNPJ 86.445.822/000100, atualmente denominada Copobrás S/A Indústria e Comércio de Embalagens. 3. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.234/1.246, que a autuação fiscal é composta do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), com data do fato gerador em 14/11/2006, 28/10/2010, 30/11/2010 e 14/12/2010, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) sobre base de cálculo reajustada, acrescido de juros de mora e da multa de ofício qualificada (150%). 3.1 O Auto de Infração, às fls. 1.249/1.253, foi lavrado com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, cujas disposições estão reproduzidas no art. 674 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). 4. Pelo que consta da acusação fiscal, o procedimento de auditoria teve como motivação preliminar um relatório elaborado pela CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da RFB (Copei), no contexto da Operação "Monte Éden" (fls. 886/1.229). 4.1 Segundo a documentação, foi identificado um esquema de remessa ilegal de recursos financeiros para o exterior pertencentes ao grupo catarinense "Schlickmann", com ulterior repatriação para o território brasileiro, sob aparente legalidade, mediante a utilização de uma empresa de fachada no Uruguai, chamada ORILANCO SOCIEDAD ANÓNIMA ("Orilanco"). 4.2 A Orilanco sociedade anônima financeira de investimento, com tratamento fiscal privilegiado na forma da legislação uruguaia, ingressou como sócia cotista minoritária em agosto de 2004 e, posteriormente, deixou o quadro societário da recorrente em agosto de 2010. 4.3 Afirma a fiscalização, entretanto, que a "Orilanco" não tinha existência de fato, seus representantes eram pessoas de confiança, ou "laranjas", ligadas ao grupo familiar "Schlickmann", e o fluxo financeiro era integralmente controlado pela própria pessoa jurídica autuada. 4.4 Os recursos remetidos indevidamente ao exterior retornaram ao país em forma de investimentos pela Orilanco às empresas do grupo, Incoplast Indústria e Comércio de Plásticos Ltda, Copobrás Indústria de Plásticos Ltda e Incoplast Embalagens Ltda, que foram posteriormente incorporadas pela Sociedade Brasileira de Descartáveis e Embalagens Ltda, ora recorrente. De acordo com o apurado pela investigação, com base nos dados sobre transferências de capitais estrangeiros registrados no Banco Central do Brasil (Bacen), o montante movimentado nas operações alcançou a cifra de US$ 7,6 milhões (sete milhões e seiscentos mil dólares americanos). 4.5 Ao final, em vista das provas colhidas, o agente fiscal concluiu que os pagamentos destinados à Orilanco, discriminados no Quadro abaixo, caracterizavam uma remessa da pessoa jurídica a beneficiário não identificado, em que a sociedade uruguaia representava somente uma aparência de destinatário. A autoridade tributária inferiu também que a causa de tais pagamentos era desconhecida, na medida em que não representavam remessas a título de investimento de capitais, tampouco resgates com essa mesma finalidade. Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.079 5 Quadro Data Valor da remessa original (R$) Justificativa do fiscalizado 14/11/2006 186.546,46 Remessa de lucros 28/10/2010 3.500.000,00 30/11/2010 3.500.000,00 14/12/2010 3.000.000,00 Venda da participação da Orilanco, no valor de R$ 10.000.000,00, mediante pagamento em 3 parcelas 5. Sobre o imposto de renda calculado, a fiscalização fez incidir a multa qualificada no importe de 150%, por entender que restou caracterizado o evidente intuito de fraude, através de operações de movimentação de capitais estrangeiros, interposição de pessoas e empresas inexistentes de fato, ocultando o destinatário dos recursos e a natureza real dos pagamentos. 6. A pessoa jurídica autuada foi cientificada do lançamento em 11/11/2011 e impugnou, em 08/12/2011, a exigência fiscal (fls. 1.254 e 1.256/1.317). 7. Ao apreciar o litígio instaurado, a decisão de piso reconheceu o pagamento parcial do imposto de renda sobre o mesmo fato gerador, quando das remessas enviadas ao exterior, ainda que os recolhimentos tenham ocorrido sob a denominação de ganho de capital obtido com a venda de quotas societárias (fls. 1.576 e 1.754). 7.1 Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 8. Intimada por via postal da decisão do colegiado de primeira instância em 08/07/2013, às fls. 1.783/1.786, a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário no dia 06/08/2013 (fls. 1.798/1.854). 8.1 Em breve resumo, enumero os argumentos de fato e direito aduzidos pela recorrente contra o acórdão recorrido: (i) em preliminar, há nulidade do lançamento diante da ilicitude das provas, uma vez que a alegada inexistência da sociedade Orilanco sustentase inteiramente em documentos e informações da Operação "Monte Éden", colhidos por intermédio de diligência policial de busca e apreensão realizada no escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados; Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.080 6 (ii) há nulidade do lançamento por ter o agente fiscal presumido o fato gerador, que deve estar plenamente identificado segundo a linguagem competente, assumindo o caráter de suposições e/ou conjecturas as hipóteses levantadas pela autoridade fazendária; (iii) ainda em preliminar, também há nulidade do lançamento em decorrência da desconsideração da escrituração contábil regular do contribuinte pelo agente fiscal, sem a demonstração da inveracidade dos documentos que lastreiam os registros contábeis, assim como dos esclarecimentos que foram ofertados ao Fisco; (iv) no mérito, alega que as remessas de recursos destinaramse a beneficiário identificado, a companhia Orilanco, uma sociedade formal e materialmente existente, que efetivamente realizou negócios com a recorrente; (v) o Registro de Operação Financeira (ROF) no Bacen não implica, necessariamente, um efetivo ingresso de moeda estrangeira no país, eis que há diversas situações nas quais tal procedimento é realizado sem qualquer movimentação financeira concreta entre as partes envolvidas; (vi) a absoluta incompreensão a respeito das operações cambiais realizadas, tanto pela autoridade fiscal quanto pelos julgadores de primeira instância, acabou criando um cenário irreal e fantasioso, o que levou a crer na existência de operações financeiras em valores muitos superiores aos que efetivamente ocorreram, deixando transparecer, inclusive, que a liquidação de alguns desses empréstimos jamais teria acontecido; (vii) os demais aspectos que sustentam a autuação fiscal remanescem absolutamente frágeis; e (viii) não sendo cancelada a exigência fiscal, a multa qualificada deverá ser afastada, diante da ausência de dolo, sonegação, fraude ou conluio, os quais, como se sabe, não se presumem. 9. Por meio da Resolução nº 2401000.552, de 07/02/2017, o julgamento foi convertido em diligência, com a seguinte finalidade (fls. 2.028/2.034): (...)[para] a autoridade fiscal manifestarse, conclusivamente, a respeito da natureza e do volume de recursos das operações financeiras entre Connecticut Bank of Commerce (CBC), Hudson United Bank (HUB), "Orilanco" e a recorrente (e suas incorporadas), considerando especificamente os argumentos e documentos apresentados no recurso voluntário às fls. Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.081 7 1.827/1.839 e 1.880/2.015, em confronto com as alegações carreadas aos autos pela acusação fiscal. 10. A diligência foi cumprida, tendo a autoridade responsável manifestadose conforme fls. 2.037/2.041. 10.1 Em resumo, o agente fiscal designado procurou realçar os principais fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal e reduzir a importância do debate, motivado pelo recurso voluntário, a respeito do montante dos aportes de recursos financeiros destinado ao longo dos anos às empresas do grupo da recorrente. Defende a falta de conexão dos aportes com a exigência fiscal, que tem como fato gerador da obrigação tributária um momento posterior, quando da saída de recursos financeiros da recorrente com destino a uma empresa de fachada, a Orilanco, localizada no Uruguai. 11. Oportunizado o contraditório à recorrente, não consta manifestação sobre a diligência fiscal (fls. 2.042/2.046). 12. Por fim, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.082 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Recurso de Ofício Juízo de Admissibilidade 13. O recurso de ofício, formalizado na própria decisão, foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 14. Recentemente, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 14.1 Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 15. Conforme decisão de piso, para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, o valor excluído do imposto e da multa de ofício é superior ao montante mínimo de R$ 2.500.000,00 (fls. 1.781/1.782). 16. Logo, conheço do recurso de ofício. Mérito 17. O sujeito passivo tomou ciência do Termo de Início de Ação Fiscal em 16/09/2010, que indicou os anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 como períodos a serem auditados (fls. 03/06). 18. Apenas a partir do Termo de Intimação Fiscal nº 11, recebido pelo contribuinte em 05/07/2011, que a fiscalização, conforme item 11.10, intimou o contribuinte para comprovar a natureza e as circunstâncias dos pagamentos detectados na contabilidade como realizados à Companhia Orilanco, nos dias 28/10/2010, 30/11/2010 e 14/12/2010, totalizando a importância exata de R$ 10 milhões, a título de remessas enviadas para o exterior (fls. 125/130). Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.083 9 18.1 Até aquele momento, as intimações fiscais estavam direcionadas a outros tributos, período e/ou matérias relacionados às atividades do contribuinte. Por esse motivo, relativamente à matéria discutida no recurso de ofício, entendo que a perda da espontaneidade do sujeito passivo ocorreu somente a partir do dia 05/07/2011, com a ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 11. 19. Segundo a memória de cálculo apresentada, os pagamentos efetuados pela recorrente nos dias 28/10/2010, 30/11/2010 e 14/12/2010, num total de R$ 3.075.893,37, confirmados pelos sistemas informatizados, foram calculados com base na incidência da alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o ganho de capital na operação de alienação das participações societárias situadas no Brasil por não residente com sede em país considerado de tributação favorecida, à época dos fatos (fls. 1.575/1.576 e 1.754). 20. Dessa feita, com acerto a decisão de piso que aceitou o imposto de renda recolhido espontaneamente pelo sujeito passivo para fins de dedução do montante do tributo calculado pelo agente lançador, independentemente da qualificação dada aos pagamentos pela empresa fiscalizada. Os valores recolhidos mantém conexão com os fatos geradores lançados, eis que referemse aos mesmos fatos jurídicos objeto do presente lançamento fiscal. 21. Cumpre, portanto, negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Juízo de Admissibilidade 22. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares Ilicitude das Provas 23. A operação denominada "Monte Éden", deflagrada em junho de 2005, consistiu em uma ação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Secretaria da Receita Federal contra a evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, tendo por alvo escritórios de advocacia que prestavam assessoria para abertura de empresas "offshores" e serviços de "blindagem patrimonial" em favor de seus clientes.1 24. A recorrente menciona o "Habeas Corpus" nº 149.008/PR, em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) declarou imprestáveis os elementos de prova colhidos na busca e apreensão realizada no escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados, na Operação "Monte Éden", relativamente a investigados que não eram, inicialmente, objeto da ação policial. 1 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0107200502.htm Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.084 10 25. A despeito do conteúdo do relatório da Copei da RFB, às fls. 886/910, confeccionado a partir da Operação "Monte Éden", entendo que não há elementos contundentes, hábeis e suficientes para assegurar que as informações nele reproduzidas acerca da existência da sociedade "Orilanco", e seus laços com a recorrente, foram obtidas como produto da busca e apreensão levada a efeito no escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados. 26. Ao contrário, pareceme que as informações são fruto de investigação própria do órgão fazendário, ainda que apoiada em dados e/ou informações fornecidos pela Polícia Federal. 27. Induzir, como tenta fazer o recurso voluntário, que o acervo probatório produzido pela acusação fiscal está escorado em documentos apreendidos pela Polícia Federal naquele escritório de advocacia, sendo imprestável como prova por violação da legislação pátria, é uma passo adiante e contaminado de incertezas. Não há indícios sérios e precisos no processo administrativo quanto às alegações ofertadas pelo sujeito passivo, tão somente conjecturas amparadas por meio de discurso genérico. 28. Desse feita, rejeito a preliminar quanto à ilicitude das provas suscitada pela recorrente. Presunção do Fato Gerador e Desclassificação da Escrituração Contábil 29. Examino em conjunto as alegações de impossibilidade de aplicação de presunção ao caso vertente, bem como a indevida desconsideração da prova préconstituída representada pela escrituração contábil do contribuinte, quando esteja respaldada por meio de documentação. 30. Pois bem. A linha de defesa do sujeito passivo confundese com o mérito da autuação fiscal. Não há impedimento para utilização das presunções simples ("hominis") para a criação de obrigações tributárias pela autoridade fiscal, garantida, evidentemente, a ampla defesa e o contraditório na fase contenciosa administrativa. Tal como as provas diretas, as provas indiretas igualmente conferem certeza jurídica bastante no âmbito tributário. 31. No decorrer de procedimento fiscalizatório, o agente fiscal identificou a presença de fatos conhecidos, e decidiu tomálos, segundo seu convencimento fundamentado, como indícios da existência de fato jurídico tributário relevante indiretamente conhecido, produzindo o enunciado presuntivo individual e concreto. 31.1 Resultado desse raciocínio lógico, a autoridade lançadora deduziu, a despeito da documentação e dos esclarecimentos apresentados pela empresa fiscalizada, que os pagamentos efetuados destinaramse a beneficiário não identificado, e que não havia comprovação da sua verdadeira causa, atraindo a aplicação da tributação extraordinária prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.085 11 32. A presunção em direito tributário admite prova em contrário, de modo que a inexistência dos fatos indiciários, a falta de causalidade jurídica entre fato indiciário e fato presumido ou mesmo a gravidade, precisão e concordância dos indícios2 são aspectos probatórios que devem ser apreciados e valorados pela autoridade julgadora na fase própria do exame do mérito. 33. Da mesma maneira, não encontra óbice jurídico a desconsideração pela autoridade fiscal da contabilidade regular do contribuinte como dotada de força probatória quando repute que não está corroborada por documentação hábil e idônea que lhe suporte a veracidade. 34. No caso sob análise, para o Fisco os elementos indiciários coletados a partir da investigação da Copei da RFB, assim como as provas identificadas durante a execução do procedimento fiscal, quando avaliados em conjunto, são suficientemente graves e convergentes para concluir pela inveracidade intelectual de documentos e esclarecimentos que dão respaldo à escrituração contábil. 35. Em uma e outra hipótese acima mencionada, o ato administrativo foi devidamente motivado pela autoridade fiscal, que trouxe aos autos segundo a sua livre convicção os elementos de prova que estariam aptos a corroborar, no caso concreto, a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. 36. Quando da apreciação probatória, ao julgador administrativo caberá inferir, mediante raciocínio fundamentado, se os fatos afirmados pelo Fisco são dotados de força probante suficiente para manter o lançamento de ofício ou, em outra perspectiva, são insatisfatórios para assegurar os pressupostos que servem de suporte à exigência do crédito tributário. 37. Assim exposto, igualmente cabe rejeitar as demais alegações de nulidade do ato fiscal. Mérito 38. A conversão do julgamento em diligência fiscal, às fls. 2.028/2.034, foi estipulada com a intuito de obter da fiscalização esclarecimentos adicionais sobre a natureza e o volume de recursos das operações financeiras entre Connecticut Bank of Commerce (CBC), Hudson United Bank (HUB), Orilanco e as empresas do grupo da recorrente, levando em consideração que tanto o Termo de Verificação Fiscal quanto o acórdão recorrido indicavam a existência de movimentação de valores bastantes superiores aos documentos carreados no recurso voluntário (fls. 1.827/1.839 e 1.880/2.015). 39. No entanto, a autoridade tributária responsável pelo cumprimento da diligência fiscal esquivouse de confrontar os elementos de prova correlatos, conforme solicitado pelo colegiado. 2 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no direito tributário. 2ª ed., São Paulo : Editora Quartier Latin, 2005, pág. 139/141. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.086 12 39.1 Segundo declarou, a imputação fiscal é restrita à incidência tributária na saída dos recursos da recorrente destinados à companhia Orilanco, e não à entrada de moeda estrangeira no País, cuja eventual legalidade dessas operações de ingresso nada mudaria com relação aos ilícitos tributários apurados quando da remessa de valores ao exterior (fls. 2.037/2.041). 40. Pois bem. A avaliação sobre a relevância de informações solicitadas por meio de diligência para fins de subsidiar a decisão em processo administrativo compete ao julgador, e não à autoridade fazendária incumbida de sua realização A função do agente público responsável pelo cumprimento da diligência é colaborar com o desenvolvimento do processo tributário, nos termos em que determinado pela instância administrativa, auxiliando a convicção do julgador quanto às matérias controvertidas (art. 36, § 3º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). 41. O relatório elaborado pela Copei da RFB, no contexto da Operação "Monte Éden", aborda com detalhes o volume de recursos que teria sido enviado ao Brasil, supostamente pertencentes ao grupo "Schlickmann", a partir de um mecanismo irregular de repatriação de valores outrora remetidos ao exterior à margem dos controles do sistema financeiro nacional, alcançando a cifra de US$ 8,6 milhões (fls. 886/1.229). 42. Por sua vez, os elementos colhidos na Operação "Monte Éden" integram o Termo de Verificação Fiscal, inclusive com a menção expressa pelo agente fazendário a respeito do envio pela Orilanco às empresas do grupo "Schlickmann" de um total de US$ 7,6 milhões (fls. 1.234/1.246). 42.1 Não há dúvidas que o volume e as circunstâncias da movimentação de capitais estrangeiros para as empresas do grupo mantêm íntima conexão com a motivação para o lançamento fiscal, ainda que não constitua o fundamento principal do ilícito tributário, tendo papel importante também como justificativa para a exarcebação do percentual da multa de oficio, dado o evidente intuito de fraude. Senão vejamos um trecho da acusação fiscal (fls. 1.240): (...) Mas as provas não param por aí. Conforme levantado pela operação MONTE EDEN, a ORILANCO “enviou para as empresas do grupo Schlickmann US$ 7,6 milhões, sendo US$ 3,6 milhões para a Incoplast Indústria e Comércio de Plásticos Ltda., US$ 2,0 milhões para a Copobras Industrial de Plásticos Ltda. e US$ 2,0 milhões para a Incoplast Embalagens Ltda”, todas incorporadas pela SBDE. E ainda que “o que se estranha, contudo, é o fato de ter financiado importações somente de empresas pertencentes a um único grupo econômico no Brasil – grupo com o qual mantém íntimas relações” (fl. 901). (...) 43. Na decisão de piso, o julgador de primeira instância, após a identificação das principais operações a partir da documentação que instrui os autos, afirma que houve transferência de recursos às empresas do grupo "Schlickmann" na expressiva quantia de US$ 15,2 milhões, o que significava um valor em aberto de US$ 11,4 milhões, sem qualquer garantia documental (fls. 1.776). Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.087 13 (...) 31.1 Notese que a pretensa investidora uruguaia, credora da SBDE da importância de US$ 15.200.000,00, passa a compor o quadro societário da devedora mediante a subscrição da importância de US$ 3.800.000,00 (capital + reserva de ágio). Deixa a sociedade mediante o recebimento de US$ 5.847.414,36 sem qualquer litígio aparente. Absolutamente não é crível que uma empresa intitulada “investidora” não invista esforços para o recebimento dos US$11.400.000,00 restantes, sem qualquer garantia documental. (...) 44. Não só a acusação fiscal, como também a decisão de primeira instância, dão claro destaque às operações de remessas de dólares americanos à autuada e suas incorporadoras, por meio de empréstimos concedidos pelo Connecticut Bank of Commerce, posteriormente adquirido pelo Hudson United Bank, e pela investidora Orilanco, como forma de justificar a atuação da empresa uruguaia como pessoa interposta, nada mais do que um "braço" das sociedades brasileiras. 45. Contudo, nessa questão específica de entrada de dólares, as constatações partiram de uma interpretação equivocada dos dados extraídos do sítio na Internet do Banco Central do Brasil, por aparentemente ignorar que a existência de Registro de Operações Financeiras (ROF) não implica, necessariamente, em novo ingresso de valores oriundos do exterior, existindo diversas situações regulamentadas pela autarquia federal que envolvem a liquidação simbólica de contratos de câmbio, na qual o registro da operação de câmbio é obrigatório mesmo que não se tenha o fluxo real de recursos financeiros entre as partes contratantes. 46. As explicações fls. 1.827/1.839, acompanhadas das cópias dos documentos de fls. 1.880/2.015, são esclarecedoras e satisfatórias da relação existente entre cada uma das operações realizadas, evidenciando, ao menos sob a ótica dos registros cambiais, o ingresso de divisas no montante total de US$ 3,8 milhões, inicialmente através de crédito proveniente do Connecticut Bank of Commerce, adquirido depois pelo Hudson United Bank; posteriormente, com a assunção da dívida pela Orilanco; e, finalmente, com a conversão do montante em participação acionária na recorrente, na forma de investimento externo. 47. A falta de compreensão dos registros das operações de câmbio realizadas, atribuindo as autoridades fazendárias uma movimentação financeira de ingressos incompatível com os dados apresentados nos autos, não leva à necessária conclusão da improcedência do lançamento fiscal. No caso em apreço, é imprescindível avaliar os demais aspectos que sustentam a autuação fiscal. 48. Com efeito, o lançamento fiscal incide sobre as saídas de recursos financeiros da recorrente à Orilanco, notadamente por ocasião da retirada da empresa uruguaia do quadro de acionistas, mediante a alienação da sua participação societária, em que não teria ficado identificado o real beneficiário dos desembolsos realizados, nem comprovada a restituição a título de devolução de capital investido. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.088 14 49. A partir do histórico das operações, recordo que as cópias dos documentos particulares que instruem este processo administrativo indicam que os empréstimos oriundos do Connecticut Bank of Commerce, sucedido por Hudson United Bank, datam dos anos de 2000 e 2001. 49.1 No ano de 2002, a Orilanco firmou protocolos de intenção com as empresas do grupo "Schlickmann" para a assunção da dívida contraída com a instituição financeira americana, propondo a quitação do crédito assumido através do efetivo pagamento ou da conversão em participação societária nas companhias brasileiras, na qualidade de empresa investidora (fls. 1.334/1.397). A admissão formal da Orilanco como sócia das empresas brasileiras ocorreu em agosto/2004 (fls. 247/269, 1.485/1.504 e 1.515/1.522). 49.2 Nos instrumentos particulares de mútuo e outras avenças, com efeitos exclusivamente entre as partes, que antecederam a entrada da companhia uruguaia como quotista no capital social das empresas brasileiras, a Orilanco declarou que procedeu, embora não contenha os autos algum documento comprobatório emitido pela própria instituição financeira, à quitação da dívida contraída inicialmente pelas empresas do grupo "Schlickmann" junto ao Hudson United Bank, sucessor do Connecticut Bank of Commerce (fls. 1.340/1.344, 1.356/1.360 e 1.372/1.376). 50. A exigência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte foi apurada nas remessas ao exterior efetuadas pela recorrente por não comprovação da identidade do beneficiário, nem da causa da operação, com tributação prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. 51. Uma das situações que justifica a incidência da tributação extraordinária é quando a fiscalização detecta o repasse de numerário a terceiro e, uma vez regulamente intimada, a fonte pagadora não presta informação sobre o efetivo beneficiário dos pagamentos e/ou da sua causa. Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.089 15 52. Ocorre que a empresa fiscalizada não permaneceu inerte, na medida em que indicou à fiscalização o beneficiário e a causa de pagamento, ou seja, remessas destinadas à companhia Orilanco a título de retorno pela venda da participação societária que a companhia uruguaia tinha nas empresas do grupo da recorrente, com fundamento em protocolos de intenções, alterações contratuais, registro de operações no Banco Central e escrituração contábil. 53. Por essa razão, no presente caso, recai sobre o Fisco, assim entendo, o ônus probatório de demonstrar, mediante provas diretas e/ou indiretas, que a Orilanco não passava de uma sociedade meramente de fachada interposta na operações com aparência de investimentos externos e que a causa dos pagamentos realizados, apesar da documentação apresentada, era desconhecida, porque diversa da remessa de capitais e resgate desses investimentos pela companhia estrangeira. 54. O conjunto fáticoprobatório carreado aos autos pelo agente lançador, no entanto, a despeito de reunir elementos relevantes para contextualização das operações ao longo do tempo, é insuficiente para assegurar a inexistência de fato da companhia Orilanco, assim como não é apto para o fim de corroborar a acusação fiscal de que o propósito da remessa de valores ao exterior configura qualquer outro menos a devolução de capital investido no país. 55. Não há como negar que o procedimento fiscal teve como impulso as investigações realizadas a partir da chamada Operação "Monte Éden" envolvendo a suspeita de remessa ilegal de moeda ao exterior e o posterior subterfúgio de repatriação desses recursos ao país, em forma de investimento externo em participação societária, por meio de companhias anônimas situadas em países com falta de transparência fiscal. 55.1 Para lograr êxito na comprovação de ilícitos dessa natureza e nível de sofisticação, é inevitável a busca por uma intensa cooperação internacional para a coleta de provas, sob pena de as autoridades públicas ficarem limitadas ao campo das conjecturas, carecendo de uma base de conexão contundente para fazer prevalecer os fatos que são alegados. 55.2 Diante disso, é inegável que a ausência de elementos nos autos que dão força à evasão de divisas e ao nascedouro ilícito do dinheiro acaba por atenuar a construção de uma realidade diversa para a origem e o destino dos capitais movimentados, bem como da natureza da operação efetivada com a Orilanco, hipótese a que chegou a decisão de piso a partir de uma falsa percepção dos registros das operações de câmbio. 56. O relatório elaborado pela Copei da RFB, no contexto da Operação "Monte Éden", o qual induziu a deflagração da auditoria fiscal no contribuinte e respaldou os motivos de fato do lançamento tributário, longe de constituirse em um documento de prova acabado, contém importantes indícios para fins de aprofundamento do processo investigativo da realidade das operações (fls. 886/1.229). 57. É inviável, como revela a instrução deste processo, que as provas indispensáveis à comprovação do alegado ilícito tributário estejam apoiadas, com a ressalva de um ou outro fato, exclusivamente no mencionado relatório da Copei da RFB, o qual muitas vezes está desacompanhado do adequado elemento concreto que dá suporte às conclusões da equipe responsável pela redação do documento. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.090 16 58. Ao examinar os indícios trazidos pela fiscalização, percebese, desde logo, a existência de uma forte proximidade entre a Orilanco e as empresas do grupo "Schlickmann", visto que a companhia uruguaia manifestou o interesse em assumir uma dívida de US$ 3,8 milhões, junto a um banco situado nos Estados Unidos, recebendo como contrapartida investimentos em participações societárias em empresas de outro país sem preocupação com a realização de um estudo prévio a respeito da viabilidade do negócio, mediante estimativa dos riscos do investimento. Ao menos, nos autos, faltam elementos de prova da adoção de tais medidas preparatórias (fls. 1.237/1238 e 1.334/1.397). 58.1 Além do que o representante da Orilanco no Brasil, Sr. Marcos de Oliveira Mendes, previamente a sua designação como procurador, manteve uma relação profissional como advogado do grupo empresarial da família, e o diretor da Orilanco, a partir de 28/07/2005, Sr. Marco Rogério San Roman, representava o grupo empresarial da família "Schlickmann" antes da sua investidura pela assembleia de acionistas (fls. 896/899 e 1.238/1.240). 59. Todavia, tais fatos apontados não levam à conclusão de inexistência fática da Orilanco. Mesmo a eventual condição de extensão do grupo "Schlickmann", como pretende convencer a autoridade fazendária, não é de molde para justificação da tributação do imposto de renda com fundamento no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. 59.1 A Orilanco é uma "offshore" uruguaia, constituída na forma de Sociedade Financeira de Inversão (Safis), com objeto social na realização de negócios fora daquele país, garantido o sigilo dos investidores e das movimentações bancárias. O anonimato dos controladores é da essência desse tipo de sociedade, que inclusive impõe a aplicação de alíquotas mais altas, devidamente regulada na lei brasileira, nas remessas de dinheiro a tal espécie de companhia. 59.2 A falta de notícias a respeito de atividades da Orilanco no Brasil, salvo as operações em relação às empresas do grupo "Schlickmann", não descarta, como lembra a recorrente, que investimentos dentro do Uruguai ou em outros países do mundo tenha sido realizados. 59.3 Por sinal, palpável mesmo é o fato que a receita anual da recorrente, considerando as empresas do grupo envolvidas na operação, passou de cerca de R$ 335 milhões no ano de 2004, quando a Orilanco ingressou no capital social, para aproximadamente R$ 620 milhões no ano de 2010, momento da venda da participação acionária da Orilanco, o que demonstra coerência com a proposta de realização de investimento no grupo empresarial "Schlickmann" e a obtenção de ganho de capital pelo investidor (fls. 2.017/2.021). 60. Observo, ainda, que a autoridade lançadora atribui destacada importância ao vínculo de trabalho assalariado mantido pelo Sr. Marco Rogério San Roman com a Prefeitura do Município de Mauá (SP), no anocalendário de 2005, constatado a partir dos dados de retenção na fonte do imposto de renda, com alusão, inclusive, a que a situação representava uma prova cabal da utilização da pessoa física na condição de "laranja" da companhia uruguaia (fls. 1.231 e 1.239/1.240). Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.091 17 60.1 O dado colhido pela fiscalização não deixa de ser intrigante para fins de despertar uma possível continuidade do processo investigativo. Nada obstante, tem sua força axiológica como prova bastante prejudicada, tendo em conta o período das remunerações informadas pelo órgão público municipal, referente aos meses de janeiro a maio/2005, enquanto o Sr. Marco Rogério San Roman assumiu a presidência da Orilanco, segundo o próprio agente fiscal, a partir de 28/07/2005 (fls. 1.237). 61. Assinalo que a companhia uruguaia remeteu, por solicitação da empresa recorrente, uma vasta documentação com a finalidade de comprovar o seu regular funcionamento, tais como faturas de água, energia elétrica, condomínio e regularidade fiscal, corroborada por declaração de contador público independente (fls. 1.609/1.751). A própria natureza da atividade da Orilanco não lhe impõe a necessidade de grande estrutura física e humana para funcionamento. 62. Por sua vez, a fiscalização dá ênfase a criação da companhia uruguaia, constituída em 24/04/1998 com o assessoramento do escritório Rozemblum & Associados, localizado em Montevidéu, especializado em venda de sociedades anônimas uruguaias sem atividade, assim como sociedades "offshore" estrangeiras, ficando estabelecido o endereço desse escritório para a entrega de correspondências destinadas a Orilanco (fls. 270/299, 925/926 e 928/930). 62.1 O Fisco também sobreleva o primeiro endereço da Orilanco, o qual constou em Montevidéu no mesmo local que funcionava a empresa Olinec Uruguai, um escritório de assessoramento financeiro especializado em prestação de serviços "offshore", envolto, segundo apurado, em acusações de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal (fls. 893, 925/926 e 932/933). 63. Com a devida vênia, são todos fatos que têm sua importância, não discordo, porém reclamam certamente elementos adicionais de ligação para conferir o peso que o Fisco pretender lhes dar com vistas à contextualização das operações realizadas alguns anos depois pela Orilanco. 64. Acrescento, por fim, que a retirada da Orilanco da sociedade mantida com a recorrente efetivouse por meio da Vigésima Quinta Alteração e Consolidação do Contrato Social, em que se fixou o valor da operação de retorno do capital em R$ 10 milhões, divididos em três parcelas (fls. 582/600). 64.1 Datada de 10/08/2010, a alteração contratual foi protocolada, em 03/09/2010, na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, cujo registro foi efetivado pelo órgão em 22/09/2010, ao passo que a ação fiscal na recorrente teve início em 16/09/2010, quando o processo de arquivamento do ato já havia começado (fls. 03/06). 64.2 Na ocasião da saída da companhia uruguaia da sociedade brasileira, a recorrente recolheu, na condição de responsável tributário, o imposto de renda sobre os valores remetidos ao exterior no ano de 2010, como ganho de capital, utilizandose de uma alíquota mais severa de 25% sobre os pagamentos (fls. 1.575/1.576 e 1.754). Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.092 18 65. Em vista do exposto, entendo que a fiscalização não conseguiu demonstrar os pressupostos para aplicação da tributação extraordinária prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, sobre as remessas de valores à Orilanco, cabendo a exclusão do crédito tributário remanescente da decisão de primeira instância. 66. Deixo de apreciar as demais argumentos do recurso voluntário, por absoluta desnecessidade para o deslinde do julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto por (i) CONHECER do recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO; e (ii) CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2092DF CARF MF
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