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Numero do processo: 10283.009765/2001-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO.
Detectada a omissão da Turma sobre ponto levantado no recurso, deve o vício ser sanado por meio de acórdão integrativo.
Numero da decisão: 9101-002.025
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade dos votos, embargos acolhidos e providos para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado Lojas Populares Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. Detectada a omissão da Turma sobre ponto levantado no recurso, deve o vício ser sanado por meio de acórdão integrativo. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade dos votos, embargos acolhidos e providos para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 97 65 /2 00 1- 29 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009765/200129 Acórdão n.º 9101002.025 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Mediante Acórdão n. 10708.380, a Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso de Lojas Populares Ltda., acolhendo a decadência para os fatos geradores ocorridos em 1996, conforme ementa abaixo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO DECADÊNCIA ART. 150, § 49 DO CTN MESMO EM CASO DE NÃO PAGAMENTO. No que se refere à decadência, mesmo nas situações em que não houve pagamento do tributo, aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro o art. 150, §49 do CTN. Isto porque o art. 146, III, "b" da CF/88, estipula que cabe à Lei Complementar tratar do instituto da decadência. Desta forma, no presente caso, é de ser declarado extinto o crédito tributário em relação ao período superior a 5 (cinco) anos entre o fato jurídico tributário e o Lançamento de Oficio. Tal acórdão foi objeto de recurso especial por parte da Fazenda Nacional em relação à CSLL, sob alegação de contrariedade à lei. Afirma que a decisão violou o art. 45 da Lei 8.212/91, que estabelece prazo de 10 anos, e que, mesmo que se adotasse o prazo de cinco anos, o termo inicial da contagem estaria errado, reportandose aos artigos 26, 27, 35 e 37 da Lei nº 8.981/95. O recurso especial foi julgado em sessão de 28 de julho de 2009, e improvido, conforme Acórdão 910100.221, com ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997 Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo quinquenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial não provido. Em face desse acórdão, a Fazenda Nacional ingressa com Embargos de Declaração, alegando omissão, pois não houve análise da parte do Recurso em que a Fazenda Nacional relaciona o dia do início da contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, 4º do CTN. É o relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009765/200129 Acórdão n.º 9101002.025 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. O Acórdão embargado analisou a questão da decadência exclusivamente no tocante à aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Contudo, na peça recursal aduziu a Fazenda Nacional que, caso se insista no prazo de cinco anos, o prazo não foi respeitado, porque o termo a quo não está correto, assim explicando: 9. Na decisão recorrida o prazo de 5 anos foi respeitado. Entretanto, o termo a quo é que não está correto. Tendo sido cientificado do auto de infração em 19/12/2001 e as compensações indevidas tendo ocorrido no anocalendário 1996, a Câmara considerou que o auto de infração estaria decadente. 10. Divergimos desse entendimento. Os arts. 25 e 27 da Lei nº 8.981/95 são elucidativos. Vejamolos: Art. 25. A partir de 1º de janeiro de 1995, o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos. Art. 27 Para efeito de apuração do Imposto de Renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. 11. Como visto o imposto de renda das pessoas jurídicas, no ano de 1995, era devido à medida que os rendimentos, ganhos e lucros fossem auferidos. Todavia, esses pagamentos eram feitos a título de antecipação. Desta forma, somente ao final do ano calendário é que se poderia definir com precisão o imposto a ser pago no ano. De outra forma, não faria sentido a expressão: "sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37". 12. Tudo isso fica mais evidente quando se lê o art. 35 da Lei nº 8981/95, em seus caput e parágrafo 2º: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009765/200129 Acórdão n.º 9101002.025 CSRFT1 Fl. 5 4 fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano calendário. 13. Neles se prevê a possibilidade de suspensão ou redução de pagamento de imposto devido. A lógica dessa previsão é permitir que um mês possa ter influência sobre o imposto devido no mês seguinte. Portanto, não temos meses estanques. Considerar que cada mês é um fato gerador isolado é contrário a essa lógica. Senão, vejamos. Imaginando que em determinado mês o contribuinte tivesse prejuízo e cada mês fosse um fato gerador, não haveria possibilidade de se fazer essa redução de pagamento do imposto devido neste mês em função de pagamentos anteriormente realizados. 14. Esse raciocínio não serve. Cada mês tem influência no mês seguinte e o limite dessa influência é o dia 31 de dezembro. Nessa data é que todos os ajustes do anocalendário devem ser feitos. Só então é que se pode considerar o fato gerador aperfeiçoado. Significa que somente neste momento é que se pode iniciar a contagem do prazo de decadência do art. 150. §4º do CTN. 15.0 raciocínio acima exposto demonstra que o prazo para o lançamento somente se encerrava no dia 31/12/2001. Como o contribuinte foi cientificado da lavratura do auto de infração em 19/1212001 o auto não está decadente. 16. Ante os fatos expostos, a Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão para que seja mantido o auto de infração. Em seguida, que o processo retome à Câmara para que a mesma se pronuncie sobre a matéria de fundo. Não tendo a Turma se manifestado sobre essa questão, acolho os embargos para suprir a omissão. Contudo, no mérito, equivocase Fazenda Nacional. Do teor dos itens 12 a 14 do seu recurso, acima transcrito, notase que a Recorrente está misturando dois sistemas que não se cumulam, mas não alternativos, conforme opte o contribuinte. Lembrado que, por disposição expressa de lei (art. 44 da Lei nº 8.383/91, art. 57 da Lei nº 8.981/95), aplicamse à CSLL as normas de apuração e pagamento relativas ao IRPJ, devendo se atentar para o fato que a Lei nº 8.383/91 introduziu profunda mudança quanto ao período base de incidência e pagamento do imposto de renda das pessoas jurídicas (sistema de bases correntes). A evolução da legislação sobe essa matéria, até a lei vigente no ano calendário de 1996 (a que se refere o litígio), está assim tratada por Sandra Faroni1: “ Lei no 8.393/91 1 "A Redução do períodobase de Incidência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e a nova sistemática de pagamento, nos casos de tributação com base no lucro real: reflexos no lançamento de ofício”. Trabalho publicado na obra coletiva intitulada “Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicado” – coordenação de Heleno Taveira Tôrres, Mary Elbe Queiroz e Raymundo Juliano Feitosa Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009765/200129 Acórdão n.º 9101002.025 CSRFT1 Fl. 6 5 De acordo com a Lei no 8.383/91, o fato gerador do IRPJ era mensal. Assim, cuida aquele diploma legal de estabelecer que: (a) o imposto será devido à medida em que os lucros forem auferidos, e as pessoas jurídicas devem apurar mensalmente a base de cálculo e o imposto devido com base em balanços ou balancetes mensais (art. 38); (b) as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem optar pelo pagamento, até o último dia do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa (art. 39); (c) as pessoas jurídicas obrigadas a pagar o imposto pelo lucro real e que tiverem optado por fazêlo a cada mês com base na estimativa deverão, anualmente, apresentar declaração de ajuste anual consolidando os resultados mensais (art. 43), sendo que os resultados mensais serão apurados, ainda que a pessoa jurídica tenha optado pela forma de pagamento por estimativa (art. 43, par. único). O Ministro da Fazenda foi autorizado a substituir a consolidação dos resultados mensais por resultados trimestrais, semestrais ou anuais (art. 94, parágrafo único), e com base nessa autorização, alterou, para a declaração de ajuste no anocalendário de 1992, pela consolidação de resultados semestrais (Portaria MF no 441/92). A autorização contida no parágrafo único do art. 94 não pode significar delegação para alterar períodobase de incidência, por ferir o princípio da legalidade. O conteúdo do princípio da legalidade não se conforma com a simples autorização para cobrar tributos. A lei deve conter todos os elementos definidores do fato gerador, da quantificação do tributo, da identificação do sujeito passivo. A definição da base de cálculo de tributo é matéria reservada exclusivamente à lei, e para os tributos cujos fatos geradores são complexivos, a determinação do período base de incidência é elemento definidor da base de cálculo. Por isso mesmo, o caput do art. 94 deixa claro que a autorização objetivava a simplificação e a desburocratização dos procedimentos e que se limita a expedir os atos necessários à execução do disposto na lei. E, no uso dessa competência, a Portaria Ministerial simplificou, permitindo que fossem levantados dois balanços, em lugar de 12. A consolidação, para efeito de declaração de ajuste, dos resultados semestrais, não significa que o períodobase seja semestral, e que os fatos geradores só se completaram em 30 de junho e 31 de dezembro. Os períodosbase são mensais, os respectivos fatos geradores ocorreram a cada mês, o imposto é devido a cada mês, como determina a lei. Apenas, com autorização legal, e para fins de simplificação e desburocratização, o Ministro da Fazenda autorizou que, ao final do anocalendário de 1992, a declaração fosse feita mediante a consolidação dos resultados semestrais. Lei no 8.541/92 Com a nova lei, o períodobase de incidência não se alterou. Restou estabelecido que: (a) o imposto será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem sendo auferidos, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009765/200129 Acórdão n.º 9101002.025 CSRFT1 Fl. 7 6 sendo a base de cálculo apurada mensalmente (arts. 1o e 2o); (b) A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, deverá apurar mensalmente os seus resultados, com observância da legislação comercial e fiscal (art. 3o); (c) as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento do imposto mensal calculado por estimativa (art. 23); (d) a pessoa jurídica que houver optado por pagar mensalmente o imposto com base na estimativa deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro (art. 25) e com base nele apresentar declaração anual de rendimentos (art. 28), apurando o imposto sobre o lucro real anual e dele deduzindo os valores pagos mensalmente por estimativa. A apuração do lucro real em 31 de dezembro não significa que o períodobase seja anual, e que o fato gerador só se completou em 31 de dezembro. A lei (art. 23) fala claramente que, por opção, o imposto mensal pode ser pago por estimativa. Por conseguinte, os períodosbase são mensais, os respectivos fatos geradores ocorreram a cada mês, o imposto é devido a cada mês Apenas, para simplificação em favor do contribuinte, permite a lei que ele pague o imposto mensalmente por estimativa e faça um “ajuste” ao final do ano. Lei no 8.981/95 Com a Lei no 8.981/95, o imposto continuou a ser devido a cada mês. Cuida aquele diploma legal de estabelecer que: (a) o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (art. 26); (b) para apuração do imposto relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mediante a aplicação de determinado percentual sobre a receita bruta registrada na escrituração, auferida na atividade (arts. 27 e 28); (c) as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real poderão: (c.1) optar pelo pagamento do imposto mensalmente por estimativa, deduzindo o valor pago do apurado com base no lucro real em 31 de dezembro do ano calendário, para efeito de determinar o saldo do imposto a pagar ou a compensar; ou (c.2) determinar, mensalmente, o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de acordo com a legislação comercial e fiscal (art. 37, § 6o).” Assim, é muito claro que a Lei nº 8.981/95, vigente no anocalendário de 1996, facultava às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real optarem pela apuração e pagamento do IRPJ e da CSLL segundo um dos dois sistemas: (1) efetuar o pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o lucro devidos, no curso do anocalendário, com base nas regras das estimativas previstas nos arts. 27 a 34 2 ou, (2) determinar, mensalmente, o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de acordo com a legislação comercial e fiscal, e, sobre essas bases, calcular o imposto e a contribuição 2 Art. 37, § 5º. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.009765/200129 Acórdão n.º 9101002.025 CSRFT1 Fl. 8 7 devidos, com vencimento no último dia útil do mês subsequente ao de encerramento do período mensal3. No presente caso, conforme constou do auto de infração, o contribuinte era sujeito ao lucro real mensal. Portanto, os fatos geradores ocorriam a cada mês, e não ao final do anocalendário, como postula a Fazenda Nacional. Pelas razões expostas, acolho os embargos declaratórios da Fazenda Nacional, para suprir a omissão, e mantenho inalterada a decisão do Acórdão n. 910100.221, que negou provimento ao recurso especial. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri 3 Art. 37, §§ 6º e 7º. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 23034.008223/2003-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/03/2002
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.863
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 82 23 /2 00 3- 84 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.008223/200384 Acórdão n.º 2403002.863 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, que, mesmo com impugnação intempestiva, deferiu parcialmente a impugnação impetrada contra a Notificação para Recolhimento de DébitoNRD n° 1.034/2003, reconhecendo os recolhimentos totais para algumas competências e parciais para outras. O débito foi reduzido para R$ 2.500,41 e passou a referirse às competências 10/98 a 03/2002. Com a edição da lei 11.457/2007, foi transferida à RFB a competência para promover a cobrança do estoque dos créditos constituídos pelo FNDE até 31/12/2006, em cobrança administrativa e à PGFN os créditos inscritos em Dívida Ativa do FNDE. O presente processo, que tramitava no FNDE, em fase de recurso, foi encaminhado para este CARF. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona: a) que a impugnação foi acolhida parcialmente, demonstrando que a cobrança, até esta data, foi considerada parcialmente indevida, haja vista a constatação de depósitos judiciais; b) a existência de dois processos judiciais discutindo a referida contribuição; c) que ambos os processos encontramse arquivados, embora já tenha a recorrente requerido o desarquivamento (cópias das petições anexas); d) que necessário se faz a constatação nos autos de ambos os processos quanto a existência de outros depósitos, requer: (i) expedição de ofícios à 2a vara da Justiça Federal de Bauru, a fim de que a mesma forneça cópia de todas as guias que foram remetidas ao processo pelo banco recolhedor; (ii) expedição de ofício à Caixa Econômica Federal, a fim de que a mesma também preste informações quanto aos recolhimentos judiciais efetuados nos autos de ambos os processos. Outrossim, caso assim não entendam Vossas Senhorias, data vênia, que seja concedido prazo à recorrente, a fim de que possa apresentar as demais guias relativas aos Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 recolhimentos judiciais, considerando que até o presente momento, conforme já comprovado, os autos ainda não foram desarquivados. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.008223/200384 Acórdão n.º 2403002.863 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. Análise do processo procedida pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru, abaixo transcrita aponta a intempestividade do recurso. 3. Recebido o presente processo nesta DRF, foi verificada a instrução processual em Cujos autos constam os seguintes documentos: NRD — Notificação para Recolhimento de Débito — fl. 47, demonstrativos fls. 48 a 50; AR da Notificação — fl. 51; • 4 Defesa intempestiva — fls. 54 a 123; "Deferimento Parcial" da defesa apresentada — fls. 149 a 151 —• .6 demonstrativo fls. 146/147; AR do resultado da apreciação da defesa em 11/08/2004 — fl 158; Recurso intempestivo, postado em 17/09/2004— fls. 159 a 164. Também a Informação nº 2623/2004/CGACI, CoordenaçãoGeral de Arrecadação, de Cobrança e de Inspeção, do FNDE, registra a intempestividade do recurso. 3. Informamos à empresa em epígrafe do deferimento parcial de sua defesa, conforme OFÍCIO N.° 1905/2004/SETAD/CGEARC/DIROF/FNDE/MEC às fls. 152 e 153, com recebimento confirmado pelo AR N.° RA399882871 BR à fl. 158. Apresentou intempestivamente recurso administrativo, às fls. 160 a 164, procedendo ao depósito de garantia de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 instância previsto no art. 15 § 2.° do Decreto 3.142 de 16/08/99 com redação data pelo art. 1. 0 do Decreto 4.943 de 30/12/03, fls. 164 e 165. CONCLUSÃO Voto pelo não conhecimento do recurso, em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907786/2011-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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(Incorporadora de GREEN VEÍCULOS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 86 /2 01 1- 00 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907786/201100 Acórdão n.º 3803006.534 S3TE03 Fl. 192 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 24 de agosto de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração setembro de 1999, no valor de R$ 942,75. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do comprovante de arrecadação, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/09/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907786/201100 Acórdão n.º 3803006.534 S3TE03 Fl. 193 3 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/09/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 02/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722568/201351, em que se analisa a declaração de compensação relativa ao crédito controvertido nestes autos, a qual, por meio de despacho decisório, não foi homologada, em razão do indeferimento do direito creditório. Em 11/10/2013, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, esta manejada para se contrapor à não homologação da declaração de compensação, repisou, quanto ao mérito, os mesmos argumentos de defesa anteriormente aduzidos e pleiteou o reconhecimento da prejudicialidade entre esta demanda e o pedido de restituição a ela vinculado, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Junto a essa segunda Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos, além dos documentos que já haviam sido apresentados anteriormente, cópia de parte do livro Razão. A DRJ Ribeirão Preto/SP, mais uma vez, não reconheceu o direito creditório, tendo sido o segundo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/1999 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907786/201100 Acórdão n.º 3803006.534 S3TE03 Fl. 194 4 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/09/1999 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instância em 21 de agosto de 2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 4 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestada a afirmativa da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete e do livro Razão, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907786/201100 Acórdão n.º 3803006.534 S3TE03 Fl. 195 5 No que tange à alegação de que o despacho decisório fora prolatado em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição, cumulado com declaração de compensação, referentes a valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907786/201100 Acórdão n.º 3803006.534 S3TE03 Fl. 196 6 recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos, além de cópia do balancete, cópia do livro Diário, sendo que, compulsando os autos, se verifica que tal afirmativa não se confirma, pois somente as cópias do balancete e do livro Razão foram juntadas às peças recursais interpostas em primeira instância. Quanto aos elementos de prova efetivamente carreados aos autos, é possível constatar que eles se restringem às informações relativas às receitas financeiras, não se identificando o faturamento, dado esse imprescindível à apuração da contribuição efetivamente devida no período. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907786/201100 Acórdão n.º 3803006.534 S3TE03 Fl. 197 7 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte no momento da Manifestação de Inconformidade não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. A meu ver, essa constatação, por si só, já impede que se acate o pedido do Recorrente, pois não se têm por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999), à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento foi acrescentado para suprir a falha de instrução do processo que já havia sido detectada na primeira instância. 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907786/201100 Acórdão n.º 3803006.534 S3TE03 Fl. 198 8 Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10320.900323/2006-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. INDEFERIMENTO.
A diligência realizada nos autos é esclarecedora e especifica que o crédito pleiteado no PER/DCOMP fora deferido e o valor do crédito foi utilizado em compensações realizadas no processo administrativo 10320.0001365/00-75, o que confirma que no momento da transmissão do pedido de compensação, o crédito não mais existia.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira suplente Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente subtituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luiz Fabiano Alves Penteado, João Lima Junior e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 SIMPLES. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. INDEFERIMENTO. A diligência realizada nos autos é esclarecedora e especifica que o crédito pleiteado no PER/DCOMP fora deferido e o valor do crédito foi utilizado em compensações realizadas no processo administrativo 10320.0001365/00-75, o que confirma que no momento da transmissão do pedido de compensação, o crédito não mais existia. Recurso conhecido e não provido.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 SIMPLES. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. INDEFERIMENTO. A diligência realizada nos autos é esclarecedora e especifica que o crédito pleiteado no PER/DCOMP fora deferido e o valor do crédito foi utilizado em compensações realizadas no processo administrativo 10320.0001365/0075, o que confirma que no momento da transmissão do pedido de compensação, o crédito não mais existia. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira suplente Maria Elisa Bruzzi Boechat. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 03 23 /2 00 6- 30 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente subtituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luiz Fabiano Alves Penteado, João Lima Junior e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Relatório Tratase de pedidos de compensação, em que alega a contribuinte ter transmitido PER/DCOMPs em 08/10/2003 e 15/10/2003, relativos a débito no valor de R$ 140,88, que foi informado de forma equivocada e esse débito foi parcelado junto à Procuradoria da Fazenda Nacional, inscrição n° 3160300549020, Processo n° 10320.500584/200319, portanto, o débito está devidamente quitado. Com isso, de maneira muito simplória e difícil até de entender, pediu a revisão das compensações realizadas, considerando apenas uma compensação, sendo os débitos extintos. Vejamos as transcrições trazidas no relatório da DRJ, como forma de entender melhor o pedido do contribuinte manifesta em sua defesa: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fl. 01) contra o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (fls.16) que, por falta de disponibilidade de crédito, não homologou a compensação declarada na DCOMP n° 36389.31661.151003.1.3.045708, transmitida em 15/10/2003 ( fls. 21/25) com respaldo nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Consta na descrição dos fatos que o crédito original informado pelo contribuinte teve origem no pagamento de tributo pago indevidamente mediante o DARF discriminado na referida DCOMP. Este, apesar de localizado, não pôde ser aproveitado uma vez que já havia sido integralmente restituído ao contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP sob análise (fls. 16). Cientificada do indeferimento, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que foram apresentadas duas DCOMP's para fins de se compensar o mesmo débito. Em virtude da duplicidade de declarações, pede que as DCOMP's sejam reanalisadas considerando um único débito, ou seja, desconsiderando uma das declarações em virtude do equívoco cometido no envio de duas DCOMP's com o mesmo débito. Alega, ainda, que o débito informado em ambas as DCOMP's foi objeto de parcelamento junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e que já está extinto por pagamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10320.900323/200630 Acórdão n.º 1201000.982 S1C2T1 Fl. 3 3 A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sob o seguinte fundamento: A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva, contudo, necessário se torna verificar, no presente caso, se tal peça de defesa reúne os demais requisitos formais de admissibilidade. Inicialmente, deve ser demarcado o objeto de litígio, uma vez que não houve contestação por parte da defendente em relação a não homologação de crédito originado, por pagamento a maior de SIMPLES, DCOMP n° 36389.31661.151003.1.3.04 5708, conforme Manifestação de Inconformidade à folha 01 do presente processo.Consta da IN RFB n° 900/2008, art. 66, §4°, a seguir transcrito, que a manifestação de inconformidade deverá seguir o rito processual do Decreto n° 70.235/72: Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. (.) § 4°A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e § 3° obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Devese, dessa forma, considerar como matérias nãolitigiosas, nos termos dos arts. 16 e 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações das Leis n° 8.748, de 1993, e 9.532, de 1997, nos seguintes termos: "Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n°8.748, de 9.12.1993) (.) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997)" (Grifouse). Na situação em epígrafe, a referida peça impugnatória não atende às normas disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal, pois, a defesa alega unicamente o fato do débito informado na DCOMP,ter sido objeto de parcelamento junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e encontrarse efetivamente quitado. O interessado, em momento algum contesta o fato do crédito informado na DCOMP não ter sido homologado, tampouco Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO 4 rechaça a fundamentação do Despacho Decisório, de inexistência do crédito informado (ver fls. 01 e 16). Conforme tela de consulta ao sistema SINCOR,TRATAPAGTO,CONSPAGTO (consulta dados de pagamento) anexada às fls. 27, o Pagamento Indevido ou a Maior já foi totalmente restituído ao contribuinte e/ou utilizado para quitar débitos do próprio contribuinte. Em relação ao cancelamento do débito informado nas DCOMP's, informamos que cabe a unidade preparadora verificar se já houve pagamento do mesmo, vez que o presente processo trata apenas do crédito, estando o débito controlado por outro processo. Assim, ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade apresentada. A contribuinte foi intimada da decisão em 08.01.2010, e apresentou Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Tercam Terraplanagem Construções e Assistência Mecânica Ltda. CNPJ: 63.436.414/000188, estabelecida à Rua São Jorge n° 452, São Cristóvão, São LuísMA, vem através deste, recorrer da decisão do acórdão, 0816. 515— 3ª Turma da DRJ/FOR, seção de 13 de novembro de 2009, proc. 10320.900323/200630: Em 10 de agosto de 2009, foi pedido a reanálise dos referidos PER/DCOMPS em referência, que fosse considerado apenas um débito em virtude do mesmo está em duplicidade, e a extinção deste, por ter sido pago. Pedimos que seja feito um confronto com todos os arquivos que consta na Receita Federal do Brasil, que dessa forma será comprovado a duplicidade desse débito. Pois é difícil termos dois débitos do mesmo fato gerador, da mesma natureza, no mesmo vencimento e do mesmo valor. O despacho decisório informa que foram localizados os créditos, mas usados integralmente para quitar débitos, gostaríamos que fosse informado qual mês foi alocado esse débito. Mediante o exposto e documentos acostados, pedimos que seja anulado o referido débito. Em decisão proferida por essa Colenda Turma, esse mesmo Relator entendeu por bem baixar os autos em diligência conforme voto abaixo transcrito: Quanto ao segundo ponto trazido nos autos, qual seja o pagamento indevido ou a maior fora totalmente restituído ao contribuinte, ao analisarmos as fls. 03 e 27 dos autos, encontro a mesma dúvida trazida pelo contribuinte em seu recurso: Decisão da DRJ Conforme tela de consulta ao sistema SINCOR,TRATAPAGTO,CONSPAGTO (consulta dados de pagamento) anexada às fls. 27, o Pagamento Indevido ou a Maior já foi totalmente restituído ao contribuinte e/ou utilizado para quitar débitos do próprio contribuinte. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10320.900323/200630 Acórdão n.º 1201000.982 S1C2T1 Fl. 4 5 Recurso Voluntário O despacho decisório informa que foram localizados os créditos, mas usados integralmente para quitar débitos, gostaríamos que fosse informado qual mês foi alocado esse débito. A Receita e a DRJ afirmaram que houve a restituição e o contribuinte analisa o despacho de não homologação para afirmar que os créditos foram usados integralmente para quitar débitos por meio de alocação. Esse é o ponto da lide que não fora devidamente esclarecido. Diante do exposto, determino a baixa dos autos em diligência, para que a DRF informe de maneira discriminada a questão do momento e da forma que ocorreu a restituição do crédito objeto da lide, e se houve alocação desse crédito para pagar débitos do contribuinte, conforme questionado no Recurso Voluntário. Tratase de necessidade de esclarecimento de fato e de justiça fiscal, em razão da dúvida colacionada pelo contribuinte frente à Administração Tributária Federal. A fiscalização, em cumprimento à diligência, apresentou o seguintes esclarecimentos: 1. Tratase de declaração de compensação n° 36389.31661.151003.1.3.045708 não homologada, na qual não foi reconhecido direito credit6rio ao valor original de R$ 2.372,11. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade que não foi conhecida pela DRJ. Inconformado, ingressou com recurso voluntário, contestando a decisão da primeira instancia de julgamento administrativo. 2. 0 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou "a baixa dos autos em diligência, para que a DRF informe de maneira discriminada a questão do momento e na forma que ocorreu 'a restituição4o crédito objeto da lide, e se houve alocação desse crédito para pagar 'débitos do contribuinte, conforme questionado no Recurso Voluntário". 3. 0 contribuinte alegou que o débito foi informado equivocadamente na declaração de compensação (Perdcomp), pois o mesmo parcelado e liquidado na Procuradoria da Fazenda Nacional, inscrição 3160300549020, processo n° 10320.500584/200319. 4. No Perdcomp em questão, o débito informado possui as seguintes características: código de receita 2172; período de apuração 01/03/2000; vencimento em 14/04/2000; valor de R$ 140,88 ( vide fl. 24). 5. Em consulta aos sistemas da RFB, verificouse que o sujeito passivo para o mesmo período e código de receita declarou em DCTF débito com os seguintes dados: período de apuração Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO 6 01/03/2000; vencimento em 14/04/2000; valor de R$ 140,88 (fl. 54). 6. Embora na referida DCTF o sujeito passivo tenha informado a compensação do débito, tal valor foi enviado a PFN pelo processo administrativo n° 10320.500564/200319, conforme tela à fl. 55. Atualmente esse processo esta localizado no arquivo da Procuradoria da Fazenda Nacional, não estando em cobrança portanto. 7. Quanto ao crédito pleiteado no Perdcomp, o despacho decisório n° 044/2002 já tinha deferido o direito creditório (fls. 59 a 64) e o valor foi utilizado em compensações realizadas no processo administrativo n° 10320.0001365/0075. Por isso, quando na transmissão do Perdcomp, o crédito não mais existia. 8. 0 valor do crédito ora discutido foi alocado para pagamento de débitos do sujeito passivo, conforme extrato de encerramento do citado processo às fls. 65 a 72. Este é o Relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, como já decidido em sede de Resolução, por isso o conheço. A diligência realizada nos autos é esclarecedora, especifica que o crédito pleiteado no PER/DCOMP em análise fora deferido e o valor do crédito foi utilizado em compensações realizadas no processo administrativo 10320.0001365/0075, o que confirma que no momento da transmissão do pedido de compensação, o crédito não mais existia. Diante disso, o valor do crédito fora alocado para pagamento de débitos devidamente discriminados às fls. 65 a 72 dos autos. Quanto à declaração do débito no valor de R$ 140,88, conforme se constata, a contribuinte declarou de forma equivocada em DCTF, conforme fl. 54 dos autos 3. 0 contribuinte alegou que o débito foi informado equivocadamente na declaração de compensação (Perdcomp), pois o mesmo parcelado e liquidado na Procuradoria da Fazenda Nacional, inscrição 3160300549020, processo n° 10320.500584/200319. 4. No Perdcomp em questão, o débito informado possui as seguintes características: código de receita 2172; período de apuração 01/03/2000; vencimento em 14/04/2000; valor de R$ 140,88 ( vide fl. 24). 5. Em consulta aos sistemas da RFB, verificouse que o sujeito passivo para o mesmo período e código de receita declarou em DCTF débito com os seguintes dados: período de apuração Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10320.900323/200630 Acórdão n.º 1201000.982 S1C2T1 Fl. 5 7 01/03/2000; vencimento em 14/04/2000; valor de R$ 140,88 (fl. 54). A despeito da informação feita pela contribuinte encontrarse equivocada, o débito de R$ 140,88 foi enviado à PFN, que deverá promover o cancelamento do mesmo, encerrandose o processo 10320.500564/200319, evitando, com isso, cobrança em duplicidade em relação ao mesmo débito. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito NEGOLHE provimento. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10680.916282/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE.
Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE. Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 62 82 /2 00 9- 57 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.916282/200957 Acórdão n.º 3402002.535 S3C4T2 Fl. 204 3 Relatório Versa o processo de compensação declarada no PER/DCOMP, de nº 03517.95618.261206.1.3.043796, no qual foi apontado como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior realizado pelo sujeito passivo no valor R$75.783,69 (setenta e cinco mil, setecentos e oitenta e três reais e sessenta e nove centavos), relativo à COFINS (cód. 2172) no período de 31/10/2003. O Despacho Decisório Eletrônico de fls. 04 – numeração eletrônica, não homologou a compensação pretendida ao argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos da contribuinte, não restando saldo creditório disponível. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório de fls. 04 – numeração eletrônica, em 29/04/2009, o contribuinte inconformado com a decisão proferida, apresentou, em 29/05/2009, Manifestação de Inconformidade de fls. 02/03 – numeração eletrônica. Na Manifestação apresentada, o contribuinte alegou que a homologação do pedido de compensação não ocorreu devido a um equivoco no ajuste da sua DCTF que deixou de refletir o pagamento indevido a maior, assim, em 28/05/2009, na tentativa de demonstrar o pagamento indevido, retificou a DCTF do 4º trimestre de 2003, bem como anexou cópia da declaração retificadora apontada. DO JULGAMENTO DA 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na Manifestação de Inconformidade apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, proferiu o Acórdão de nº. 0237.266, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 205DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Direito Creditório Não Reconhecido A 1ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que as retificações feitas pelo contribuinte (após o despacho decisório), em 28/05/2009, estão atingidas pelo instituto da decadência. DO RECURSO Cientificado em 13/02/2012, da Decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE, por meio de AR de fl. 46 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou em 14/03/2012, Recurso Voluntário a este Conselho, asseverando que a origem do direito creditório decorre de decisão judicial transitada em julgado em 17/02/2006, obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865 na qual pleiteava a não exigência da Cofins sobre a receita bruta total, prevista na Lei nº. 9.718/98. Portanto, após trânsito em julgado, o Recorrente passou a transmitir PER/Dcomp’s relativos aos recolhimentos efetivados a partir do período de novembro/2002, período a partir do qual passou a recolher mediante DARF a parcela da Cofins apurada sobre “Outras receitas”. Anexou à peça recursal cópias da certidão de inteiro teor emitida pelo TRF da 1ª Região acerca do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865, bem como, petição inicial, sentença e decisão final, com respectiva certidão de trânsito em julgado, Ofício TRF1 nº 0154/02 – STTUR, de 05/02/2003 ordenando a conversão em renda dos depósitos judiciais, Ofício CEF nº 349/2003, confirmando a conversão em renda dos depósitos judiciais; Livro Razão do exercício de 2003 e Extrato de pagamentos obtidos junto à RFB. DO JULGAMENTO DA 2ª INSTÂNCIA Através da Resolução n°.3402000.613, a 2ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, ao apreciar o recurso interposto pelo contribuinte, entendendo que o processo não reunia condições de receber um justo julgamento, houve por bem em converter o mesmo em diligência para que fossem adotadas as providências transcritas abaixo: a) Pautandose na decisão transitada em julgado da ação judicial, verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, com relação ao mês em que está sendo apontada a existência de crédito utilizado para compensação veiculada na DCOMP em análise; b) Manifestese conclusivamente sobre a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante; c) Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.916282/200957 Acórdão n.º 3402002.535 S3C4T2 Fl. 205 5 DA REALIZAÇÃO DA DILIGÊNCIA: Através do termo de intimação fiscal de fl. 169 – numeração eletrônica, o contribuinte foi intimado, em 17/03/2014 (tomou conhecimento por meio do portal eCAC), para apresentar no prazo 20 (vinte) dias a contar da data do recebimento da intimação, os Balancetes mensais de julho a outubro de 2003 – parte relativa às receitas auferidas. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou o balancete solicitado (fls. 176 e 177), bem como a memória de cálculo com as contas que expurgou da base de cálculo da contribuição (fl. 184). Também consta aos autos a solicitação de esclarecimentos sobre quais receitas que compunham as contas Garantia Ampliada, Retorno de seguro, Retorno de Despachante, Retorno de Acessórios e Descontos Obtidos. A resposta da contribuinte à solicitação está na fl. 187. A autoridade preparadora afirma no relatório de diligência fiscal de fls. 196 e 197 – numeração eletrônica, que os valores apresentados pelo contribuinte são coerentes com o balancete apresentado e totalizam R$ 2.526.123,08, logo, aplicando a esse valor a alíquota da Cofins (3%) se obtém o valor de R$ 75.783,69, valor esse que é informado pela contribuinte como crédito de pagamento a maior. Contudo, ressaltou que o demonstrativo incluiu as contas Garantia Ampliada, Retorno de Seguro, Retorno de Despachante e Retorno de Acessórios, constituídas por receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, que não devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Tendo em vista o exposto, a Autoridade Preparadora refez os cálculos reconhecendo o valor de R$ 74.494,96 como pagamento a maior da Cofins. Ao fim, registrou que o crédito pleiteado (R$ 75.783,69) foi utilizado pelo contribuinte em duas DCOMP, a de nº. 20223.45571.151206.1.3.043862 (crédito utilizado R$ 36.072,71), objeto do processo nº.10680.915584/200916; e a outra de nº. 03517.95618.261206.1.3.043796 (crédito utilizado R$ 39.710,98), objeto do presente processo. O contribuinte foi informado do relatório da Autoridade Preparadora por meio da caixa postal eCAC. Conforme as fls. 199 e 200 demonstram, a abertura do documento ocorreu em 16/05/2014 e a ciência por decurso de prazo ocorreu em 23/05/2014. Por fim, não houve manifestação do contribuinte. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado até a folha 202 (duzentas e dois), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Atendidos os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, conforme verificação efetuada já por conta do julgamento anterior, e, constatado o cumprimento da diligência nos termos em que solicitados na Resolução nº 3402000.613 entendo que possui agora, este processo, condições de receber um julgamento justo. A análise dos autos dá conta de que o despacho decisório indeferiu declaração de compensação, e consequentemente, manteve exigível crédito tributário sobre os tributos compensados, do que gerou insuficiência de recolhimentos, ante à conclusão da Fiscalização de que as retificações feitas pelo contribuinte (após o despacho decisório), na data de 29/04/2009, estariam atingidas pelo instituto da decadência. No entanto, tenho me posicionado no sentido de que quem origina o crédito é o pagamento indevido, e não a retificação (ou não) da DCTF (seja ela possível ou não, pelo decurso do prazo). A questão do prazo para se retificar a DCTF, no caso em concreto, é irrelevante para verificar se houve pagamento a maior, pois que não é a DCTF que constitui o crédito tributário, mas sim o pagamento indevido. E o pagamento indevido é decorrência de reconhecimento contido em decisão judicial própria do contribuinte, o que muda este caso na comparação com os casos de mero pagamento indevido em DARF. Neste caso, é a ação judicial, transitada em julgado em 02/2006, que permite a compensação, e não meramente o pagamento indevido feito sem ação. Superado isso, diante falta de análise do crédito pleiteado pela Recorrente até o momento, esta Turma determinou a realização de diligência fiscal a fim de verificar a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante. A referida Diligência chegou às seguintes conclusões: Originalmente, o contribuinte apurou a Cofins sobre uma base de cálculo de R$ 15.102.930,21, obtendo o valor a pagar de R$ 453.087,91, conforme DIPJ 2004 (fl. 189). A DCTF apresentava débito de R$ 453.087,90, vinculado a dois pagamentos, de R$ 377.304,21 e R$ 75.783,69 (fl. 190). Embora a DIPJ permaneça a mesma, a DCTF foi retificada e processada pelo Fiscel, que apresenta hoje o débito no valor de R$ 377.304,21, vinculado ao pagamento de mesmo valor. (fl. 191). Quanto ao pagamento de R$ 75.783,69, encontrase reservado para utilização no processo nº 10680.915584/200916 (fl. 192). O demonstrativo enviado pela empresa discrimina as contas que considera excluídas da base de cálculo da Cofins. Os valores informados são coerentes com o balancete apresentado e totalizam R$ 2.526.123,08. Aplicando a esse valor a alíquota da Cofins (3%) obtemos R$ 75.783,69, que é o valor informado como crédito de pagamento a maior. Porém, o demonstrativo inclui as contas “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.916282/200957 Acórdão n.º 3402002.535 S3C4T2 Fl. 206 7 Acessórios”, constituídas por receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, que não devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Por este motivo, os cálculos da empresa foram refeitos, conforme demonstrado a seguir: (...) Diante do exposto, sou pelo reconhecimento do pagamento a maior da Cofins, período de apuração julho de 2003, no valor de R$ 74.494,96. Registro que o crédito pleiteado (R$ 75.783,69) foi utilizado pelo contribuinte em duas DCOMP: •20223.45571.151206.1.3.043862 (crédito utilizado R$ 36.072,71), objeto do processo nº 10680.915584/200916; •03517.95618.261206.1.3.043796 (crédito utilizado R$ 39.710,98), objeto do presente processo. Observase que, a Autoridade Preparadora expressamente afirmou que ao se aplicar o disposto na decisão judicial em favor da Recorrente, reconheceuse a existência de pagamento a maior da Cofins, período de apuração outubro de 2003, porém, houve por bem refazer o cálculo do crédito pleiteado pelo contribuinte por considerar que, nos cálculos da Recorrente, as receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, não deveriam ter sido excluídas da base de cálculo da contribuição. Desta maneira, a Autoridade Preparadora glosou parte do crédito pleiteado, conforme se verifica no relatório de diligência fiscal. Porém, em face do reconhecimento de que apenas poderiam ser submetidas à tributação as receitas que preenchessem o conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tenho que as receitas operacionais, porém que não decorram de “faturamento”, assim entendido com a receita da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, não podem ser incluídos na base imponível das contribuições em análise. Deste modo, as receitas decorrentes de “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios”, revestemse de natureza de “outras receitas operacionais”, mas não se caracteriza como faturamento. Daí porque entendo ser equivocada a glosa realizada pela Autoridade Preparadora, posto que tais exclusões acabam ofendendo ao conceito de faturamento, contrariando o comando da declaração de inconstitucionalidade antes mencionada, de modo que, ao executar o comando desta decisão, deverá a autoridade preparadora afastar a glosa dos créditos sobre as rubricas acima mencionadas, homologando a compensação até o montante do credito disponível. Esta a razão – para que dúvidas não remanesçam – do porque do provimento ser parcial. Assim sendo, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito já levantado pela diligência, bem como para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição no período em questão, dos valores relativos à Fl. 209DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios” e, por fim, determinar a homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 13830.900036/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimir-se o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação.
Numero da decisão: 1301-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO CICALTU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimirse o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 00 36 /2 00 8- 20 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. A ora recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de folhas 01 a 14, pretendendo compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2005, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário 2005, no valor de R$ 6.846,22 (fls. 11/ 14). A autoridade administrativa proferiu Despacho Decisório (fl. 19), por meio do qual não reconheceu o alegado direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas, fundamentando que "não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp". Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 24/25), alegando, em síntese, que o direito creditório indicado se deu mediante compensação com valores recolhidos a maior em exercícios anteriores (anosbase 1995, 1996, 1997 e 1998); c) nos anosbase de 1996, 1997 e 1998, sendo que teria apresentado prejuízo fiscal, conforme demonstrado nas fichas de demonstração do lucro líquido, bem como apresentou saldo de pagamento de contribuição social sobre o lucro líquido, passível de compensação em períodos posteriores, conforme fichas de cálculo da contribuição sobre o lucro, pertencentes às declarações de rendimentos da pessoa jurídica, entregues em épocas oportunas, defendendo que nos anosbase subsequentes a 1996, a empresa apresentou prejuízo fiscal, com exceção do ano base de 2000, os recolhimentos devidos referentes à contribuição a ser recolhida mensalmente por estimativa foram sendo compensados, de conformidade com as DIPJ apresentadas nas épocas oportunas e que o crédito relativo ao ano base de 2002 a ser compensado em 2003 foi de R$ 24.003,81, conforme DIPJ/2002, entregue em 28/06/2003, sendo que o valor original do saldo negativo informado na PER/Dcomp diverge do valor do saldo negativo informado na DIPJ, em razão do programa exigir informação de valores iguais, ou seja, o valor do pedido a ser compensado e o valor do crédito de saldo negativo tem que ser idênticos. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 24/25, na qual alega, em síntese, que o direito creditório indicado se deu mediante compensação com valores recolhidos a maior em exercícios anteriores (anosbase 1995. 1996, 1997 e 1998); c) nos anosbase de 1996, 1997 e 1998, sendo que teria apresentado prejuízo fiscal, conforme demonstrado nas fichas de demonstração do lucro líquido, bem como apresentou saldo de pagamento de contribuição social sobre o lucro líquido, passível de compensação em períodos posteriores, conforme fichas de cálculo da contribuição sobre o lucro, pertencentes às declarações de rendimentos da pessoa jurídica, entregues em épocas oportunas e que nos anosbase subsequentes a 1996, a empresa apresentou prejuízo fiscal, com exceção do ano base de 2000, os recolhimentos devidos referentes à contribuição a ser recolhida mensalmente por estimativa foram sendo compensados, de conformidade com as DIPJ apresentadas nas épocas oportunas e que o crédito relativo ao ano base de 2004 a ser Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13830.900036/200820 Acórdão n.º 1301001.664 S1C3T1 Fl. 3 3 compensado em 2005 foi de R$ 13.652,24, conforme DIPJ/2005 e que no processo de crédito acima o valor correspondente ao período de crédito correto é de R$ 7.010,01, sendo R$ 5.169,53, referente ao janeiro a junho de 2005, e R$ 1.840,48, referente a julho a dezembro de 2005, conforme DCTF entregues e não o valor de R$ 7.200,17, como está demonstrando no Despacho Decisório, sendo que o valor de R$ 5.169,53, referente ao período de 13830.900031/200805 e incluído neste procedimento está sendo exigido em duplicidade e que o valor original do saldo negativo informado na PER/Dcomp diverge do valor do saldo negativo informado na DIPJ, em razão do programa exigir informação de valores iguais, ou seja, o valor do pedido a ser compensado e o valor do crédito de saldo negativo tem que ser idênticos, mas o direito de compensar o valor da contribuição social sobre o lucro pago a maior em exercícios anteriores é perfeitamente legal. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 44 em diante, indeferiu a solicitação da contribuinte assinalando que em 08/03/2007 foi entregue à recorrente o Termo de Intimação de folha 15, solicitando retificação da DIPJ correspondente ou apresentação de PER/Dcomp retificadora, nos seguintes termos: "Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação ". Feito este esclarecimento, registrou a decisão recorrida que a contribuinte, embora devidamente intimada, não apresentou à autoridade de origem quaisquer esclarecimentos, de modo que, no despacho decisório, a autoridade administrativa, a quem foi dada a competência originária da análise da declaração de compensação, entendeu inexistente o direito creditório em razão da divergência de valores informados na PER/Dcomp e DIPJ. Ressaltouse ainda, que no caso em tela, a recorrente pleiteia compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2005, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário 2005, pela sistemática do lucro real trimestral, o que evidenciaria a inconsistência lógica do pedido, por evidente impossibilidade de apuração simultânea de débito e crédito da contribuição no mesmo período. Afirmou a decisão recorrida, destarte, que a Manifestação de Inconformidade (fls. 12/14), estaria acompanhada dos documentos de folhas 15 a 30, informando que a divergência decorre dos saldos negativos de CSLL de anos anteriores (1995, 1996, 1997, 1998), que foram utilizados para quitação do referido tributo. Quanto à alegação de que os débitos objeto da PER/Dcomp de n° 08949.96958.210906.1.3.032686 já foram objeto de compensação no processo n° 13830.900031/200805, objeto de julgamento naquela mesma Sessão de Julgamento, verificou se que das provas juntadas não se permitiria tal conclusão, porquanto, embora a contribuinte alegue trataremse de mesmos débitos, constatase que no mês de abril de 2005 não há sequer identidade de valores, pois enquanto no processo n° 13830.9000 3 1/200805, compensase o montante de R$ 758,99, no presente processo o débito do mês de abril é de R$ 948,75 e porque caso os débitos de CSLL de janeiro a junho de 2005, objeto da presente Dcomp, no valor de R$ 5.169,53, refiramse a parte dos débitos declarados na PER/Dcomp n° 14507.34431.051005.1.3.030087 (processo n° 13830.900031/200805), no valor de R$ 5.359,69, tal afirmação somente pode ser edificada com prova das informações a eles Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 referentes, confrontando os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria efetivamente o tributo devido a título de CSLL nos meses de janeiro a junho de 2005. Diante deste cenário dos fatos, concluiu a decisão recorrida que não haveria reparos a promover no despacho decisório, eis que a intenção da contribuinte não seria outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado, o que evidenciaria inovação ao pedido inicial, de sorte que como novo pedido, não haveria de ser apreciado naquela instância julgadora, seja porque tal pedido não fora dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência precípua do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor do direito creditório em discussão, sob pena de avocar para si uma competência que não lhe é cabida, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas também de se verificar se o tributo reclamado originou efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em compensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear a restituição do tributo em questão. A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão acima relatada e interpôs Recurso Voluntário (fls. 54 em diante), reiterando seus argumentos já relatados, e aduzindo que estava convicta de que o procedimento adotado era plenamente de acordo com as normas reguladoras das matérias à época dos fatos, por isso deixou de fazer as retificações solicitadas pelo fisco. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13830.900036/200820 Acórdão n.º 1301001.664 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal visto no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de Declaração de Compensação (fls. 01 a 14), pretendendo compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2005, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário 2005, no valor de R$ 6.846,22 (fls. 11/ 14) A autoridade administrativa proferiu Despacho Decisório (fl. 14), por meio do qual não reconheceu o alegado direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas, fundamentando que "não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp". O acerto da decisão proferida pela autoridade administrativa, foi reconhecida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, porquanto a contribuinte apresentara na Manifestação de Inconformidade, fundamento distinto para o seu alegado direito creditório, em relação aquele apresentado nas declarações de compensação. Já assinalei em outras oportunidades, que eventuais entraves formais ou equívocos de preenchimento, não têm o condão, por si só, de invalidar um direito creditório que esteja comprovado nos autos, ou seja, não é razoável que uma compensação não seja homologada, pura e simplesmente, porque a apresentase alguma divergência entre o direito creditório indicado na DIPJ e aquele constante na declaração de compensação, quando for possível aferir a existência material do pretenso direito. Todavia, não é esta a hipótese dos autos. Na espécie, como anotado pela decisão recorrida a autoridade administrativa, longe de apenas reputar divergências entre os supostos créditos constantes na DIPJ com aqueles indicados nos PER/DCOMP, intimou a contribuinte, conforme se vê no Termo de folha 15, a retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período é, se fosse o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição, advertindo que outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deveriam ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido naquela intimação. O que se teve, portanto, ante a clara incongruência entre as informações prestadas pela contribuinte nas declarações de compensação, foi uma intimação saneadora dos vícios que já se apontava antes mesmo de proferirse o Despacho Decisório, tendo a contribuinte ignorado as determinações, punindo assim, o reconhecimento do pretenso direito creditório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Como cediço, no procedimento de compensação, mister que o contribuinte apresente, desde a primitiva declaração de compensação, que o seu direito creditório preenche os requisitos de certeza e liquidez, aferíveis de pronto, mas sempre possibilitando a verificação destes dois critérios. Tem razão a decisão recorrida, portanto, ao proclamar que nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimirse o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10074.001107/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/03/2005 a 13/11/2007
LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA.
No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a conclusão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9o do Decreto nº 70.235/76, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3101-001.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício
Henrique Pinheiro Torres- Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/03/2005 a 13/11/2007 LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a conclusão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9o do Decreto nº 70.235/76, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 11 07 /2 00 9- 10 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Tratase de Recurso de Ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e Portaria MF n° 3/2008, a qual, por unanimidade, exonerou a Interessada de pena de perdimento convertida em multa, conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: Período de apuração: 11/03/2005 a 13/ l l/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. O uso direto da conclusão de outro procedimento fiscal e a ausência de conexão da infração com as provas nas quais se fundamenta a aplicação da multa pela autoridade fiscal, não dá legitimidade à autuação fiscal. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. O resultado do julgamento decorreu da análise dos fatos que foram assim descritos pela decisão recorrida: Conforme disposto no Relatório de Verificação Fiscal, a presente ação fiscal é consequência do Ato Declaratório Executivo da IRF/RJO n° 15/09 (fls 77 e 78), no qual a interessada foi declarada Inapta perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), sendo considerada inexistente de fato (Processo n° lO074.000055/200875, cujas cópias encontramse juntadas aos autos, fls. 79 a 844). Esclarecem, as autoridades fiscais, que através daquele processo, a interessada foi declarada inapta, considerando que esta não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessário à realização do seu objeto, nem logrou comprovar a integralização do seu capital social. Em síntese, destaca os seguintes aspectos detalhados naqueles autos: 1) No processo n° 10074.001406/200512, a interessada solicitou revisão dos limites para operar no comércio exterior_(fls. 82 a 158); 2) Considerando a alteração contratual (fls. 97 a 100), que indicava aumento de capital social, a interessada foi intimada (fls. 161) a comprovar a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos utilizados; 3) Em resposta (fls. 162 a 166) a interessada informou que os recursos eram provenientes da venda de bem imóvel, não apresentando cópia de certidão de Registro de Imóveis ou qualquer outro documento que comprovasse a efetiva ocorrência do negócio imobiliário e da transferência dos recursos envolvidas nesta transação; 4) Que, embora o contrato social registrasse integralização de R$400.000,00, a interessada apresentou comprovação de transferência de RS 490.000,00 por parte dos sócios; 5) Novamente intimada (fls. 646 e 647) a apresentar a documentação comprobatória do negócio imobiliário e empréstimo efetuado entre os sócios, além de outros esclarecimentos pertinentes ao assunto a interessada não atendeu ao solicitado. Intimada mais uma vez (fls. 649 a 651), não apresentou resposta aos questionamentos; 6) Foi verificada, também, a existência de incompatibilidade entre as DIPJ 's dos exercícios 2004, 2005 e 2006 e as alterações contratuais de 29/05/2003 e Fl. 961DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.001107/200910 Acórdão n.º 3101001.749 S3C1T1 Fl. 961 3 11/03/2005 (fls. 94 a 100), cotejadas com as declarações do IRPF do sócio Vanderlei Paniagua (fls. 656 a 665). Valores declarados pelos sócios estão incompatíveis com os declaradas pela pessoa jurídica; Informam as autoridades fiscais que o ingresso de recursos de origem não comprovada contamina todas as operações da empresa pela impossibilidade de se definir que recursos foram utilizados em cada operação, por se tratar de um bem fungível. Indicam ainda que não foi imposto à interessada um ônus ilimitado de provar, mas que a prova da origem e efetiva entrega dos recursos deve ser realizada com documentação hábil, idônea e coincidente, em datas e valores. Finalmente, concluem que em consequência do estabelecido na ADE IRF/RJ n° 15/09, as importações processadas pela interessada foram consideradas irregulares, e estão sujeitas, portanto, à aplicação da multa prevista no § 1° do artigo 618 do Decreto n° 4.543/02 (§ 1° do artigo 689 Decreto n° 6.759/09), cuja matriz legal tem origem na MP n° 66/02, convertida posteriormente na Lei n° 10.637/02, artigo 59, que alterou a redação do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 (inciso V e §§ 1°, 2° e 3°). Impossibilitada a apreensão das mercadorias importadas, aplicouse a conversão do perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro, na forma determinada pelo artigo 73 da Lei n° 10.833/03. A autuação se refere às mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação listadas na planilha de folhas 39 a 45, registradas pela interessada. Cientificada, pela via pessoal (fls. 02, 38 e 46) a interessada apresentou a impugnação de folhas 847 a 869, anexando os documentos de folhas 870 a 927. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, por meio de uma filigrana jurídica maquinada pela fiscalização para burlar decisão judicial (Processo n° 2007.51.01.0178768), que acarretou no encerramento de procedimento instaurado em face da IN SRF n° 228/02, foi instaurado novo procedimento de investigação, tendo a fiscalização utilizado de um pedido de revisão de capital formulado anteriormente pela própria empresa com base na IN SRF n° 455/04 (processo n° 10074001406/200512); Que, há pacífica jurisprudência desta Delegacia de Julgamento da RFB, trata se de caso de violação ao principio da ampla defesa por caracterização de “conclusão emprestada”; Que, a IN 228, que embasou o auto de infração ora impugnado, viola, de uma única vez, uma série de direitos e garantias fundamentais da impugnante e de outros contribuintes; Que, os efeitos oriundos de eventual declaração de irregularidade não podem retroagir e atingir fatos pretéritos, as conclusões obtidas no âmbito da IN 228 somente lança seus efeitos para o futuro, não se permitindo a retroação, em garantia do direito adquirido e da segurança das relações jurídicas; Que, em relação ao relatório de representação fiscal que deu origem ao auto de infração ora impugnado (relatório de representação para inaptidão da empresa impugnante) a interessada esclarece que: a) não atendeu às intimações porque a empresa foi notificada acerca do encerramento da fiscalização, em virtude de ordem judicial (ainda que o juiz não o tivesse determinado), portanto, baseada no artigo 24, §2°, da IN SRF n° 650/06, decidiu a empresa em não prosseguir com o processo de Fl. 962DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 habilitação, deixando de efetuar o atendimento das intimações; b) a cópia da escritura ressaltada como ausente de comprovação documental foi juntada nas contrarazões à representação de inaptidão (fls. 768 a 771). Retificou as declarações de imposto de renda, situação que não pode ser tida por crime, impassível de correção, a legislação permite tais correções; c) a Empresa Eudora Comércio e Exportação Ltda. não faz parte do quadro societário da empresa impugnante, o sócio em comum, Sr. Felipe Vieira de Macedo, não encontrase com seu CPF em situação irregular, o que denota, inclusive, um exercício arbitrário e abusivo do acesso às informações fiscais dos contribuintes; Que, inexiste dano ao erário. A administração Pública não logrou comprovar ter suportado qualquer prejuízo, qualquer dano, mesmo porque se trataria de prova impossível, visto que dano não houve; ç Que, inexiste dolo específico, tratase de norma de natureza penal, portanto, deve seguir os princípios que regem tais normas; Que, é impossível aplicar a pena de perdimento das mercadorias, ocorreu revogação do dispositivo em face do contido na Lei n° 11.488/07 (artigo 33); Traz jurisprudência sobre o tema e requer: o acolhimento da presente impugnação para o fim de que o auto de infração impugnado seja julgado totalmente improcedente, cancelandose integralmente o débito fiscal nele reclamado; subsidiariamente, que seja aplicado o disposto na Lei n° 11.488/2007; e também, que toda e qualquer intimação seja realizada exclusivamente na figura de seu sócio Felipe Vieira de Macedo, em seu atual endereço residencial. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso de Ofício por atender aos requisitos de admissibilidade. Andou bem a decisão de primeira instância por afastar a aplicação de uma presunção genérica, que não aquela relativa ao tipo previsto no art. 23, § 2º, do DecretoLei 1.455/76, qual seja, a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Aqui, a questão está inserida na inaptidão do CNPJ em face da não comprovação da “origem de recursos utilizados na integralização do capital social da empresa, e não os recursos aplicados nas operações de comércio exterior”, justificando: “Para que se possa configurar a presunção prevista no § 2° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, é necessário que se caracterize que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, situação que, no entender deste relator, não se tipifica automaticamente com a publicação do Ato Declaratório Executivo da IRF/RJO n° 15/09. Em que pese o fato da constatação de uma das hipóteses previstas no artigo ll da IN SRF n° 228/2002 acarretar na obrigatória instauração de procedimento para declaração de inaptidão do CNPJ, não há previsão legal que estabeleça o contrário (declaração de inaptidão acarretar em não comprovação da origem dos recursos), Fl. 963DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.001107/200910 Acórdão n.º 3101001.749 S3C1T1 Fl. 962 5 isto porque os motivos que podem levar à declaração de inaptidão do CNPJ podem ser variados, incluindo aí, a hipótese de fraude na origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e interposição fraudulenta de pessoas nestas operações. Basta apenas fazer a leitura do artigo 34 da Instrução Normativa SRF n° 748/07:” Notese que para fazer repercutir a alegada falta na integralização do capital na presunção do art. 23, § 2º, do DecretoLei nº 1.455/76, seria necessário comprovar a conexão entre a alegada irregularidade na integralização do capital social e a irregularidade das importações realizadas. Tal procedimento não ocorreu porque , conforme aduziu a decisão recorrida, “a fiscalização simplesmente trouxe de outro processo administrativo, de natureza jurídica distinta, cópia daquele processo. E a partir do relatório nele contido tratou de aplicar a multa em comento, não trazendo a sua própria convicção devidamente sustentada na prova documental das alegações. Acabou por “emprestar” a conclusão daquele procedimento fiscal, sem contudo apresentar conexão com provas que ampare a pretensão fiscal da presente autuação, em verdade apenas faz referência ao que foi apurado no âmbito daquele procedimento”, aplicando aqui a “conclusão emprestada”. No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a conclusão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9o do Decreto nº 70.235/76, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. Ademais, seguiu com sabedoria a decisão recorrida aos aduzir que: “no presente caso, ainda que a fiscalização tenha juntado cópia dos autos relacionado ao processo de inaptidão da empresa, a mesma não logrou comprovar que tais elementos de prova se coadunam com a conduta que se pretende penalizar, isto porque, como já dito, aquele procedimento foi lastreado em outros motivos que não a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 964DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 18471.000733/2005-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.337
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/09/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, ROMILDO DE FREITAS MACHADO, foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 39/49, em nome de ROMILDO DE FREITAS MACHADO, relativo ao exercício de 2003, anocalendário 2002, o qual resultou em crédito tributário no montante de R$32.172,09, sendo R$ 12.540,00 de imposto, R$ 9.405,00 de multa de oficio proporcional, R$ 5.914,59 de multa isolada por falta de recolhimento de carnêledo e R$ 4.312,50 de juros de mora (calculados até 29/04/2005). O referido lançamento teve origem na constatação das infrações "Classificação Indevida, como isentos e não tributáveis, de rendimentos recebidos de fontes no exterior" e "Falta de Recolhimento do IRPF devido a titulo de CarneLedo", conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 45/47 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 32/38. Inconformado(a) com a exigência, da qual tomou ciência em 18/05/2005, o(a) interessado(a) apresentou impugnação em 16/06/2005 (fls. 53/74), com base na argumentação abaixo: Alega que é servidor(a) do quadro do PNUD e que junta comprovantes de pagamentos que tem como fonte pagadora o PNUD. Cita o art. 5°, parágrafo 2°, da Constituição Federal, para afirmar que as leis brasileiras não podem contrariar o disposto nos tratados ou convenções internacionais. Cita o art. 98, do CTN, para concluir pela prevalência dos tratados ou convenções internacionais sobre a legislação brasileira, ficando vedado ao legislador ordinário desobediência às suas disposições. Cita o artigo V, seção 18, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 27.784/50, bem como o art. 6° da 19° seção, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 52.288/63, que entende aplicável a seu caso em particular. Alega que o "Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica", promulgado pelo Decreto n° 59.308/1966, não estabelece distinções entre os diversos servidores do organismo internacional, concedendo os mesmo benefícios previstos no acordo com peritos, agentes e funcionários, abrangendo servidores tanto estrangeiros como nacionais. Alega que a autoridade fiscal se valeu do artigo 55, inciso V, do RIR199, para efetuar o lançamento, mas que na realidade se enquadra no art. 22, inciso IL do RIR199, já que os contracheques trazidos aos autos comprovam que é servidor(a) do PNUD, e que recebe rendimentos pagos por organismo internacional. Alega que as orientações emanadas nos Pareceres da COSIT, bem como as "Perguntas e Respostas" disponíveis no site da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/09/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.000733/200586 Acórdão n.º 220201.337 S2C2T2 Fl. 2 3 SRF, são no sentido de que somente os rendimentos decorrentes da prestação de serviço autônomo — remunerado por tarefa ou por hora — são tributados pelo IR. Justificase no sentido de afiiiiiar que possui vinculo jurídico laboral com o PNUD, restando caracterizada a relação de emprego, dada a existência de subordinação hierárquica, dependência econômica e habitualidade na prestação dos serviços. Cita doutrina para justificar o seu entendimento. Conclui que, como servidor(a) de organismo internacional, sujeitase As normas contratuais especificas estipuladas pelo PNUD, não se podendo cogitar de prestação de mero serviço autônomo, haja vista que os documentos apresentados comprovam o vinculo laboral com o PNUD. Entende que se enquadra no item n° 02 da pergunta n° 137 do "Perguntas Respostas", pois o de e 03 é destinado àqueles que prestam serviços ao PNUD/ONU sem vinculo empregatício, não guardando compatibilidade com os fatos dos autos. Afirma que não há que se alegar que seu nome teria que constar do anexo A IN/SRF n° 208, de 2002, porque a isenção do imposto de renda está prevista em normas legais superiores, que não podem ser afrontadas por obrigações acessórias constantes em simples instrução normativa. Cita o art. 123 do CTN e alega que não é o contrato particular mencionado no Termo anexo ao auto de infração e, sim, a lei, que deve dispor sobre quem deve arcar com o ônus tributário e se os rendimentos são ou não alcançados pela isenção e, ainda, se resta ou não caracterizado o vinculo laboral. Prossegue nesse entendimento afirmando que não prevalece a alegação contida no Termo anexo ao auto de infração, no sentido de que o contrato seria por prazo determinado, pois a continuidade da prestação do serviço estaria devidamente comprovada nos autos, o que afastaria o impugnante da condição de prestador de serviço autônomo. Dado o acima exposto, o(a) interessado(a) entende que faz juz a isenção tributária prevista na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agencias Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 52.288/63. Cita diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais para corroborar o seu entendimento. Reclama da aplicação concomitante da multa proporcional e da multa isolada, com base nos incisos I e III, parágrafo 1 0, do artigo 44 da lei n° 9.430/96, respectivamente. Entende que a multa prevista no inciso III, parágrafo 1°, do artigo 44, da lei n° 9.430/96, por ser isolada, não pode ser aplicada conjuntamente com a multa prevista no art. 44, inciso I, da mesma lei. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/09/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Acredita que ninguém pode ser apenado duplamente pelo mesmo ilícito e que a multa isolada deve ser afastada, por ser ilegal. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes para justificar o seu entendimento. Por fim, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração. Solicita, ainda, na hipótese de serem considerados tributáveis os rendimentos pagos pelo PNUD, seja afastada a aplicação da multa isolada por falta de amparo legal. Em 27 de setembro de 2007, os membros da 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento da Rio de Janeiro II, proferiram o Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF , Exercício: 2003 FUNCIONÁRIOS DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ISENÇÃO. Nem todos os funcionários da ONU fazem jus a isenção, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que necessitam de privilégios semelhantes aos dos agentes diplomáticos para o bom desempenho de suas funções. A determinação das categorias de funcionários beneficiados com os privilégios cabe ao Secretário Geral da ONU, a ser submetida 6. Assembléia Geral, devendo haver comunicação periódica dos nomes dos funcionários beneficiados aos Governos dos membros. Lançamento Procedente Irresignado o contribuinte, apresentou Recurso Voluntário reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. As fls. 118 a 119, ao contribuinte informa que já efetuou a pagamento parcial do débito, promovendo a desistência parcial excetuandose no que se refere a multa isolada. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/09/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.000733/200586 Acórdão n.º 220201.337 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Trata o presente processo, de lançamento decorrente da tributação de rendimentos recebidos pela interessada de organismo internacional. Acrescentese por pertinente que o recorrente já desistiu parcialmente do débito, restando para nossa análise apenas a multa isolada. No que toca ao lançamento da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada engloba valores recebidos do organismo internacional no PNUD, implementado no Brasil pela ONU Organização das Nações Unidas, mensalmente, apurados cujos valores foram lançados de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: “Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/09/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (...). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. Quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Diante do conteúdo dos autos, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada, aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/09/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.000733/200586 Acórdão n.º 220201.337 S2C2T2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/09/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11065.002885/2005-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITA DA CESSÃO DE CRÉDITO DO ICMS.
Conforme o julgamento, pelo STF, do RE nº 606.107, com Repercussão Geral na forma do art. 543-B, do CPC, não compõe a base de cálculo da COFINS não-cumulativa o valor auferido com a cessão do crédito do ICMS.
COFINS NÃO-CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA.
Até 30 de abril de 2004, faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento da COFINS não-cumulativa. Após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa.
Numero da decisão: 3401-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Robson José Bayerl - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITA DA CESSÃO DE CRÉDITO DO ICMS. Conforme o julgamento, pelo STF, do RE nº 606.107, com Repercussão Geral na forma do art. 543-B, do CPC, não compõe a base de cálculo da COFINS não-cumulativa o valor auferido com a cessão do crédito do ICMS. COFINS NÃO-CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA. Até 30 de abril de 2004, faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento da COFINS não-cumulativa. Após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa.
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RECEITA DA CESSÃO DE CRÉDITO DO ICMS. Conforme o julgamento, pelo STF, do RE nº 606.107, com Repercussão Geral na forma do art. 543B, do CPC, não compõe a base de cálculo da COFINS nãocumulativa o valor auferido com a cessão do crédito do ICMS. COFINS NÃOCUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA. Até 30 de abril de 2004, faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento da COFINS nãocumulativa. Após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Robson José Bayerl Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 28 85 /2 00 5- 66 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa do primeiro trimestre de 2005, totalizando R$ 1.621.835,70, protocolizado em 03/08/2005 (fl.01). A Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo/RS constatou que a Contribuinte não incluiu na base de cálculo da COFINS os valores obtidos com as cessões onerosas de créditos do ICMS, ocorridas entre julho de 2004 e junho de 2005, motivo pelo qual glosou parte dos créditos e deferiu o ressarcimento de apenas R$ 1.509.272,63. Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.92/109), a qual não obteve sucesso, pois a DRJ em Porto Alegre/RS manteve a decisão da delegacia de origem, ao prolatar acórdão (fls.111/114) com a seguinte ementa: “Ementa: RECEITA O crédito de ICMS transferido para terceiros faz parte da base de cálculo do PIS e da Cofins— não cumulativos”. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 05/06/2007 (fl.116) e interpôs Recurso Voluntário em 25/06/2007 (fls.117/141) alegando, em resumo, o seguinte: 1 O valor do crédito do ICMS tem natureza de imposto e não de receita, por isso não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS; 2 O crédito do ICMS decorre da exportação, portanto, caso fosse receita, seria uma receita de exportação e estaria protegida pelas normas de isenção da COFINS; 3 O §1°, do art. 3°, da Lei n.° 9.718/98, é inconstitucional e ilegal por ampliar o significado do termo faturamento; 4 O crédito da COFINS deve ser atualizado pela SELIC, entre a data de sua apuração e da sua efetiva utilização. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 11065.002885/200566 Acórdão n.º 3401002.778 S3C4T1 Fl. 149 3 Ao fim, a Recorrente pediu o reconhecimento integral do crédito pleiteado, atualizado pela Taxa Selic, desde a data de apuração até a data da utilização ou desde a data da protocolização do pedido. Estes autos foram apreciados pela primeira vez por este Conselho na sessão de 21/03/2012, ocasião na qual se resolveu sobrestar o julgamento com base no art. 62A, § 2º, do Regimento Interno do CARF. Não obstante, o aludido parágrafo foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, fazendo que a matéria retornasse para julgamento deste colegiado antes do julgado do STF do Recurso Extraordinário nº 570.122, que trata da mesma matéria. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente protocolizou pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa, mas a delegacia de origem glosou parte do crédito, em razão da falta de inclusão, na base de cálculo da contribuição, do lucro obtido com a cessão do crédito do ICMS. Sendo assim, o cerne da questão consiste na inclusão, ou não, do valor oriundo da cessão do crédito do ICMS, na base de cálculo da COFINS nãocumulativa, bem como sua atualização pela Taxa SELIC. 1. Da Inclusão, na Base de Cálculo da COFINS nãocumulativa, da Cessão do Crédito de ICMS. Um dos argumentos apresentados pela Recorrente é a de que a cessão de crédito do ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS, em razão inconstitucionalidade do art. 3o, da Lei nº 9.718/98. Realmente o STF, em 10/09/2008, na apreciação do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, julgou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Não obstante, a aludida lei trata da COFINS faturamento, enquanto o pedido de ressarcimento é referente à COFINS nãocumulativa, cuja base de cálculo está disposta no art. 1o, §2º, da Lei nº 10.833/03. Não obstante, o STF já decidiu também a matéria específica que concerne a inclusão na base do cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos dos valores referentes à Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 4 cessão de crédito do ICMS, por meio do Recurso Extraordinário nº 606.107, com Repercussão Geral reconhecida. A Suprema Corte definiu o seguinte: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 11065.002885/200566 Acórdão n.º 3401002.778 S3C4T1 Fl. 150 5 ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC” (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 2211 2013 PUBLIC 25112013) Como no julgamento do STF foi reconhecida a sistemática do art. 543B, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, é indevida a glosa em relação aos valores das cessões a terceiros dos créditos do ICMS. 2. Da Correção do Crédito da Cofins Não Cumulativa Pela Taxa Selic O debate acerca da aplicação da Taxa SELIC aos tributos é de longa data, isso porque essa Taxa SELIC tem uma natureza jurídica indefinida, não sendo somente juro, muito menos somente atualização monetária. Nesse contexto, interessante a definição dada por Alexandre Barros Castro (in Procedimento Administrativo Tributário – 2008. p. 201), para Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 6 quem a Taxa SELIC é “um misto complexo de juros e correção monetária, de características remuneratórias, ora utilizada com características moratórias, ora com caráter compensatório”. Esse misto entre juros moratórios e compensatórios leva ao debate da constitucionalidade da Taxa SELIC, matéria em que não se adentrará, pois não merece delongas no presente caso, além de ser vedada a apreciação de constitucionalidade pelas esferas administrativas. O fato é que a correção monetária dos créditos tributários a favor da União é autorizada pela Súmula nº 04 do CARF. No entanto, a aplicação da Taxa SELIC para corrigir os ressarcimentos dos contribuintes sempre padeceu de falta de previsão legal e, no caso de ressarcimento da COFINS nãocumulativo, a vedação é expressa, conforme o art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. Portanto, não há que se falar em atualização pela SELIC, haja vista a falta de previsão legal. Ex positis, dou provimento parcial ao Recurso interposto, para reconhecer o direito ao crédito pleiteado, sem a atualização Taxa SELIC. É como voto JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 16408.000183/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.188
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a diligência anteriormente realizada seja completada, com a intimação do interessado para manifestação no prazo de trinta dias e posterior retorno a este colegiado, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a diligência anteriormente realizada seja completada, com a intimação do interessado para manifestação no prazo de trinta dias e posterior retorno a este colegiado, para prosseguimento. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 64 08 .0 00 18 3/ 20 07 -0 3 Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.458 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 968/980) interposto em 02 de agosto de 2007 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (SP) (efls. 950/962), do qual o Recorrente teve ciência em 16 de julho de 2007 (efl. 967), que julgou procedente o auto de infração de fls. 897/917, lavrado em 19 de abril de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, redução da base de cálculo do carnêleão pleiteada indevidamente e de multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, verificadas nos anoscalendário de 2002 a 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual ocorre em 31 de dezembro; quando não declarados, para efeito de lançamento de ofício, o termo inicial do prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter feito o lançamento (CTN, art. 173, I). PROVA. EXAME DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. ORDEM JUDICIAL. Independe de ordem judicial o exame de arquivos magnéticos referentes às atividades de prestação de serviços sujeitas à fiscalização tributária federal, por ser decorrente tal exame do poder de polícia conferido à autoridade administrativa tributária. OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. São tributáveis os valores percebidos de pessoas físicas e jurídicas, a título de emolumentos e custas, decorrentes da prestação de serviços de cartório. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RENDIMENTOS NÃO DECLARADOS. Configurase como conduta dolosa a omissão de rendimentos tributáveis, em montante significativamente superior ao declarado, com o objetivo de evitar o recolhimento de tributos. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16408.000183/200703 Resolução nº 2101000.188 S2C1T1 Fl. 1.459 3 CARNÊLEÃO. OMISSÃO. MULTA ISOLADA. Incide a multa de ofício isolada sobre o não recolhimento do imposto devido a título de carnêleão, cujos rendimentos não foram declarados. Lançamento Procedente” (efls. 950/951). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 968/980, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. Em sessão realizada em 05 de março de 2009, este CARF converteu o julgamento em diligência, para que se apurasse se despesas com contribuições ao FUNREJUS e emolumentos pagos a terceiros já tinham sido deduzidos do Livro Caixa (efls. 987/1000). Realizada a diligência, foi elaborado o relatório de efls. 1443/1454, retornando os autos imediatamente a este CARF, para julgamento do recurso. É o relatório Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Realizada a diligência, foi produzido o documento de efls. 1443/1454, do qual o Recorrente não teve ciência. Assim, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto 7475, de 29 de setembro de 2011, tudo recomenda o retorno dos autos à DRF, para que o contribuinte seja cientificado do resultado da realização da diligência, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Eis o motivo pelo qual voto no sentido de converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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