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Numero do processo: 10783.901808/2010-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-006.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
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TAXA SELIC. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRAMAZINI GRANITOS E MÁRMORES THOMAZINI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 18 08 /2 01 0- 80 Fl. 161DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3802002.338, de 28/01/2014, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. NEGAÇÃO GERAL. NÃO ENFRENTAMENTO DO OBJETO DO LITÍGIO NA PETIÇÃO FORMALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O não enfrentamento da matéria na primeira instância recursal implica em preclusão processual, a teor do disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, meras negativas gerais apresentadas na peça vestibular não caracterizam recurso. O não enfrentamento expresso da matéria na petição inicial retrata a concordância tácita do sujeito passivo com os fatos ali relatados. Tal matéria deverá ser considerada como não impugnada, posto não haver sido contestada expressamente pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. A prescrição se interrompe, dentre outras hipóteses, pela caracterização de “qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor” (CTN, artigo 174, inciso IV). Por seu turno, a declaração de compensação “constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996). Considerando a realidade fática, em que a interessada, em 21/07/2010, foi cientificada do despacho decisório que homologou apenas em parte os débitos declarados na declaração de compensação formalizada em 11/08/2005, resta evidente que, quando da ciência da decisão em questão ainda não havia transcorrido o prazo de prescrição de cinco anos capitulado no caput do artigo 174 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10783.901808/201080 Acórdão n.º 9303006.521 CSRFT3 Fl. 162 3 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE. TERMO INICIAL. DATA DO ATO DE INDEFERIMENTO. Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso do qual se conhece em parte, para dar parcial provimento. Irresignada, a PFN interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto à possibilidade de atualização pela taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº CSRF/0203.718 e CSRF 930300720. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 146/149. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Os autos consubstanciam pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. O PER/DCOMP foi enviado em 11/08/2005; o Despacho Decisório, proferido em 06/07/2010. Pois bem. Conforme assentado no exame de admissibilidade do recurso especial, o acórdão recorrido entendeu abonar a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos, nos termos seguintes: Assim, no caso dos autos, a correção monetária só poderá ser admitida sobre a parte dos créditos cujo reconhecimento do direito ocorreu por força do acórdão proferido pela DRJ Juiz de Fora (já que sobre estes é que ocorreu a oposição estatal – parte indeferida pelo despacho decisório), e, mesmo assim, somente a partir de 06/07/2010, data em que foi proferido o Fl. 163DF CARF MF 4 despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito. (grifos do original) Os acórdãos paradigmas, todavia, em flagrante dissídio jurisprudencial, concluíram, como pretende a Recorrente, justamente o contrário: não há autorização legal para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre os valores de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. No mérito, como se sabe, o tema já se encontra pacificado no Poder Judiciário, conforme indica o seguinte acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, em decisão assim ementada: ESPECIAL Nº 1.467.934/RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10783.901808/201080 Acórdão n.º 9303006.521 CSRFT3 Fl. 163 5 escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Vêse, pois, que, conforme decidiu o STJ, a taxa Selic deve incidir a partir de findo o prazo de que dispõe a Administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar de sua apresentação (art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007). Contudo, considerando que a PFN é a Recorrente e que o reconhecimento da aplicação da taxa Selic se deu, no acórdão recorrido, a partir da data em que proferido o Despacho Decisório (quase cinco anos após a apresentação do pedido), não se pode reformálo aqui em prejuízo da Fazenda Pública. Ante o exposto, conheço do recurso especial da PFN e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.962459/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2004
Ementa:
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. PREVALÊNCIA DA RATIO DECIDENDI DE PRECEDENTE PRETORIANO DE CARÁTER VINCULANTE COM A ADEQUAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 170-A DO CTN.
Embora o pedido de compensação perpetrado pelo contribuinte tenha se contraposto à literalidade do art. 170-A do CTN, ao final do processamento judicial a lide por ele proposta foi julgada procedente, com base em precedente vinculante do STF. (RE n. 357.950) o que, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1o, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, ao prescrito no art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016.
Recurso voluntário provido para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STF (RE n. 357.950). Pedido de compensação a ser analisado pela instância competente apenas para fins de apuração quanto a adequação do montante compensado.
Numero da decisão: 3402-005.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2004 Ementa: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. PREVALÊNCIA DA RATIO DECIDENDI DE PRECEDENTE PRETORIANO DE CARÁTER VINCULANTE COM A ADEQUAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 170-A DO CTN. Embora o pedido de compensação perpetrado pelo contribuinte tenha se contraposto à literalidade do art. 170-A do CTN, ao final do processamento judicial a lide por ele proposta foi julgada procedente, com base em precedente vinculante do STF. (RE n. 357.950) o que, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1o, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, ao prescrito no art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. Recurso voluntário provido para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STF (RE n. 357.950). Pedido de compensação a ser analisado pela instância competente apenas para fins de apuração quanto a adequação do montante compensado.
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BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. PREVALÊNCIA DA RATIO DECIDENDI DE PRECEDENTE PRETORIANO DE CARÁTER VINCULANTE COM A ADEQUAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 170A DO CTN. Embora o pedido de compensação perpetrado pelo contribuinte tenha se contraposto à literalidade do art. 170A do CTN, ao final do processamento judicial a lide por ele proposta foi julgada procedente, com base em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 24 59 /2 00 8- 50 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 2 precedente vinculante do STF. (RE n. 357.950) o que, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1o, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, ao prescrito no art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. Recurso voluntário provido para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STF (RE n. 357.950). Pedido de compensação a ser analisado pela instância competente apenas para fins de apuração quanto a adequação do montante compensado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra Despacho Decisório não homologatório da compensação pleiteada. O Despacho Decisório da unidade de origem da RFB considerou inexistir o crédito informado, razão pela qual não homologou a compensação declarada. Contra esta decisão a contribuinte interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade onde alega, resumidamente, que: . Obteve concessão de segurança nos autos do MS n°2001.61.00.0276539 — 16a Vara Cível Federal da Subseção Judiciária de São Paulo — para afastar a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98, garantindo as impetrantes a observância das Leis Complementares 7/70 e 70/91 no que se refere à base de cálculo do PIS e da COFINS, observandose as alíquotas determinadas nas Leis n° 9.715/98 e 9.718/98 e reconhecendo o direito a compensação das quantias pagas "a maior" do PIS e da COFINS com parcelas vincendas das próprias contribuições. De acordo com o principio da verdade material que rege o procedimento administrativo, a Administração deve buscar o que é realmente a verdade, não ficando adstrita apenas As provas e aos documentos apresentados pelas partes no decorrer do processo administrativo. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 3 A Autoridade Fiscal, ao decidir pela nãohomologação do direito creditório da Requerente, fundamentou de forma singela o DespachoDecisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência desse direito. A decisão judicial proferida nos autos do MS n°2001.61.00.0276539 garantia o direito irrestrito A Requerente de compensar os valores recolhidos a maior, sendo os créditos tributários objetos do presente líquidos e certos, conforme se depreende da leitura dos demonstrativos anexados. . O valor do DARF recolhido pela Requerente corresponde à COFINS incidente sobre a totalidade das receitas. . Nesses termos, requer o cancelamento do despacho decisório e a homologação da compensação e a consequente extinção do crédito tributário. (...). A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para comprovar o direito líquido e certo.Também asseverou o colegiado de piso que compensação oriunda de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos arts. 170A do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou os fundamentos já aventados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.025, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.906342/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402005.025: "5. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da compensação realizada e a limitação do art. 170A do CTN no caso concreto 6. A limitação da controvérsia aqui posta é muito simples e não merece maiores digressões. Conforme se observa dos autos, o Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte, ao longo do processo administrativo, discutiu o seu direito de compensar valores indevidamente pagos a título de COFINS em razão do seu indevido alargamento da base de cálculo veiculado pela lei n. 9.718/98. Tal pedido foi realizado em 14 de novembro de 2003 (fl. 02), com base em decisão judicial proferida nos autos n. 2001.61.00.0276539 e que, naquela oportunidade, ainda estava pendente de trânsito em julgado. 7. Diante deste quadro e com base no já vigente art. 170A do CTN, inserido no sistema jurídico nacional por intermédio da lei complementar 104/01, referido pleito foi indeferido, haja vista que o contribuinte pretendia compensar até então "suposto" crédito tributário, uma vez que reconhecido por decisão judicial ainda pendente de trânsito em julgado. 8. Assim, levando em consideração que as disposições normativas que regem o direito de compensação são aquelas vigentes no momento do encontro de contas, uma primeira resposta possível para o caso decidendo e a mais fácil delas, digase de passagem seria simplesmente negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 9. Acontece que nem sempre as respostas ofertadas pelo Direito são fáceis, em especial quando o Direito é convocado para ser ponderado em concreto, i.e., diante da complexidade de um caso decidendo. Por outro giro verbal, o Direito não é uma ciência exata, o que, por conseguinte, afasta o advento de respostas cartesianas para que se possa prestigiar soluções aparentemente paradoxais. Tenho para mim que é exatamente este o caso dos autos. Antes, todavia, de externar a resolução que entendo cabível para o caso, convém neste instante fixar algumas premissas indispensáveis para sustentar a conclusão que será ulteriormente alcançada. 10. A primeira de tais premissas diz respeito ao mérito do crédito aqui vindicado, o qual não demanda maior reflexão. Tratase da sedimentada discussão acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS promovida pela lei n. 9.718/98, inconstitucionalidade essa reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 5 A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 11. O recorrente, em particular, promoveu ação judicial para declarar inexistente a relação jurídica calcada com base na lei n. 9.718/98, bem como para repetir/compensar os valores indevidamente recolhidos até então. Depois de mais de 16 (dezesseis) anos de tramitação1, sua demanda finalmente transitou em julgado com o advento de decisão reconhecendo a inconstitucionalidade de tal exigência tributária, bem como o direito a repetição/compensação dos valores indevidamente pagos. Este é o teor do julgado do TRF da 3a Região proferido em favor do contribuinte: DECISÃO Tratase de apelações e remessa oficial contra sentença que concedeu parcialmente a segurança para afastar a incidência do art. 3º, § 1º da Lei nº 9718/98 em relação à base de cálculo da COFINS e do PIS, mantendo a alíquota da COFINS de 3% nos termos do art. 8º, bem como autorizou a compensação dos valores a maior do PIS e da COFINS na forma da Lei nº 9718/98, com parcelas vincendas das próprias contribuições, nos termos da Lei nº 8383/91, com correção a partir de cada pagamento pelo Prov. 26/2001. 1 O processo promovido pelo contribuinte foi distribuído em 05/11/2001 e definitivamemte baixado em 31/05/2017, conforme pesquisa realizada junto ao sítio eletrônido do TRF da 3a. Região. Acessado em 10/01/2018: http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/?numeroProcesso=undefined Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 6 A Turma, na sessão de 17/12/2003, proferiu acórdão com o seguinte teor: "DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS (ARTIGO 195, I, CF). LEI Nº 9.718/98. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. 1. Ainda que ressaltando o meu posicionamento, rendome ao entendimento proferido em Argüição de Inconstitucionalidade apreciada pelo C. Órgão Especial deste E. Tribunal, no sentido de ser constitucional a alteração do regime de incidências fiscais, de que trata a Lei nº 9.718/98 em razão de o artigo 195 da CF não definir o que seja faturamento. 2. Elevação de alíquota e o benefício da compensação, previstos no artigo 8º da Lei nº 9.718/98, podem ser instituídos por lei ordinária e, na forma que o foram, não violaram qualquer preceito constitucional, sequer o da isonomia, como, recentemente, decidido pelo Supremo Tribunal Federal. 3. Assim, conforme decidido no supramencionado órgão, a Emenda Constitucional nº 20/98 apenas confirmou a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98, aferida desde a origem, ainda na vigência da redação anterior do inciso I do artigo 195. 4. Apelação da impetrante improvida. 5. Apelação da União Federal e remessa oficial providas." Foi interposto recurso extraordinário. A VicePresidência da Corte, examinando o recurso extraordinário, devolveu os autos à Turma para julgamento na forma do artigo 543B, § 3º, inc. II do Código de Processo Civil, à vista do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235 QO/MG, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. DECIDO. O acórdão proferido anteriormente pela Turma refletiu a interpretação vigente à época do respectivo julgamento que, porém, na atualidade, encontrase superada diante da consolidação, em sentido contrário, da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, firmada no sentido da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei 9718/98. Nos termos do entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal, foi reconhecida a inconstitucionalidade Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 7 da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98 e nesse sentido, ficou assentado (Informativo STF n° 408): "PIS e COFINS: Conceito de Faturamento Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3º, § 1º, define o conceito de faturamento ("Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.") v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, I, b, da CF, na redação dada pela EC 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3º, do § 1º da Lei 9.718/97, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718/97 o qual se deu em 1º.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) , poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4º do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF ("Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;"). RE 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio e RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE357950) (RE 346084) PIS e COFINS: Conceito de Faturamento 7 Em relação aos recursos extraordinários RE 357950/RS; RE 358273/RS; RE 390840/MG, todos de relatoria do Min. Marco Aurélio, ficaram vencidos: em parte, os Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do art. 8º da lei em questão; e, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 8 integralmente, os Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Nelson Jobim, presidente, que negavam provimento ao recurso. Em relação ao RE 346084/PR, ficaram vencidos: em parte, o Min. Ilmar Galvão, relator originário, que dava provimento parcial ao recurso para fixar como termo inicial do prazo nonagesimal o dia 1º.2.99, e os Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que davam parcial provimento para declarar a inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/97; integralmente, os Ministros Maurício Corrêa, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim, presidente, que negavam provimento ao recurso, entendendo ter havido a convalidação da norma impugnada pela EC 20/98. RE 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio e RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE357950) (RE346084) Assim, estando o acórdão, anteriormente proferido, em divergência com a orientação atual da Turma e da Corte Superior, cabe, nos termos do artigo do artigo 543B, § 3º, do Código de Processo Civil, o reexame da causa para adequação à jurisprudência consolidada, reconhecendose a autorização para o recolhimento da contribuição relativa do PIS e da COFINS, sem as alterações promovidas pela Lei nº 9.718/98, no tocante à modificação da sua base de cálculo. Destarte, mostrase desnecessária qualquer discussão acerca dos argumentos suscitados pelas partes e atinentes à aludida controvérsia. Assim, se o contribuinte recolheu aos cofres públicos valor superior àquele realmente devido, com base na majoração da base de cálculo do PIS e COFINS, veiculada pela Lei 9718/98, cabe a restituição do montante excedente. Quanto ao prazo extintivo para se pleitear a restituição/compensação de tributo pago indevidamente, esta E. Terceira Turma adotava o entendimento de que, nos tributos sujeitos à lançamento por homologação, aplicava se o prazo quinquenal invariavelmente, contado retroativamente da data da propositura da ação ou do requerimento administrativo, conforme interpretação conferida aos art. 150, §§1º e 4º e art. 168, I, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, no julgamento do REsp nº 1.002.932SP, o Superior Tribunal de Justiça, analisando a aplicação da Lei Complementar nº 118/2005, ressaltou o posicionamento de que, "tratandose de pagamentos indevidos antes da entrada em vigor da LC n. 118/2005 (9/6/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a tese dos "cinco mais cinco", desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 9 contagem do lapso temporal, regra que se coaduna com o disposto no art. 2.028 do CC/2002. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido". Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566621/RS, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Assim, para as ações propostas antes de 09/06/2005, aplica se o prazo prescricional decenal. Nesse sentido: INFORMATIVO Nº 634 Prazo para repetição ou compensação de indébito tributário e art. 4º da LC 118/2005 5 É inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 ["Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional"; CTN: "Art. 106. A lei aplica se a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados"]. Esse o consenso do Plenário que, em conclusão de julgamento, desproveu, por maioria, recurso extraordinário interposto de decisão que reputara inconstitucional o citado preceito v. Informativo 585. Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 10 Portanto, diante do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, pelo Supremo Tribunal Federal, revejo meu posicionamento, para reconhecer ser aplicável o prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para as ações propostas antes de 09/06/2005, tratandose de tributos sujeitos à lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional decenal para restituição do indébito tributário. Considerando que a presente ação foi ajuizada em 31/10/2001, aplicável o prazo prescricional decenal, contado retroativamente da data do ajuizamento da ação, motivo pelo qual a autora não decaiu do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados, eis que efetuados os pagamentos a partir de março/99. Quanto ao regime de compensação, a jurisprudência já se consolidou no sentido de que o regime aplicável é o vigente ao tempo da propositura da ação, ficando, portanto, o contribuinte sujeito a um dos seguintes diplomas legais: Lei nº 8383/91, de 10/12/1991; Lei nº 9430/96, de 27/12/1996 (redação originária); e Lei nº 10.637/02, de 30/12/2002 (alterou a Lei nº 9.430/96). Nesse sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C do CPC: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8383/91. LEI 9430/96. LEI 10637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (art. 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (art. 170, do CTN). 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua apenas entre tributos da mesma Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 11 espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do Decretolei 2.287/86. 4. A redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe:"Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". 5. Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.430/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em conseqüência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. 8. Deveras, com o advento da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, que acrescentou o artigo 170A ao Código Tributário Nacional, agregouse mais um requisito à compensação tributária a saber: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 12 conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). 9 a 16 (....) 17. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido, apenas para reconhecer o direito da recorrente à compensação tributária, nos termos da Lei 9.430/96. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (REsp n. 1137738/SP, Relator Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA SEÇÃO, j. em 09/12/2009, DJe 1º/2/2010) Assim, na vigência da Leis 8.383/91, a compensação devia ser efetuada somente entre contribuições e tributos da mesma espécie e destinação, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal. Outrossim, no regime da Lei nº 9.430/96, é possível a realização da compensação em relação a quaisquer tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, "desde que atendida a exigência de prévia autorização daquele órgão em resposta a requerimento do contribuinte, que não podia efetuar a compensação sponte sua" (AGRESP n. 1.003.874, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 03/11/2008). Com o advento da Lei nº 10.637/2002, não mais se exige o prévio requerimento do contribuinte e a autorização da Secretaria da Receita Federal para a realização da compensação em relação a quaisquer tributos e contribuições, porém, estabeleceu o requisito da entrega, pelo contribuinte, de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Outrossim, a Lei Complementar nº 104/2001 acrescentou o art. 170A ao Código Tributário Nacional, que determina que a compensação somente poderá ser efetuada após o trânsito em julgado da decisão judicial, sendo que a presente ação foi ajuizada na vigência da referida LC. No entanto, no presente caso, deve ser mantida a compensação na forma da Lei nº 8383/91, nos termos do estabelecido pelo MM. Juízo "a quo", pois não foi oferecido recurso pela impetrante. Superadas estas controvérsias, passo a analisar a aplicação de correção monetária para efeito da compensação pretendida pelo contribuinte. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 13 A compensação representa forma de extinção de crédito tributário que está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Assim, nas condições estabelecidas pela lei, a autoridade administrativa fica autorizada a proceder à compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou não, de titularidade do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A Jurisprudência é pacífica no sentido de que os casos de compensação do indébito implicam a correção monetária desde a data do recolhimento indevido. Quanto aos índices de atualização, a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, é no sentido de aplicação dos índices plenos de correção monetária (RESP nº 220.387, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 16.05.05, p. 279 e RESP nº 671.774, Rel. Min. Castro Meira, DJU de 09.05.05, p. 357). A partir de 01 de janeiro de 1996, deve ser utilizada exclusivamente a taxa SELIC que representa a taxa de inflação do período considerado acrescida de juros reais, nos termos do § 4º, art. 39, da Lei 9250/95, enquanto que no período anterior a 1º de janeiro de 1996, na esteira do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, são indevidos os juros de mora, por não estarem previstos legalmente (RESP 119434/PR, 2ª Turma do STJ, Relator Hélio Mosimann, DJU 11.05.98, fls. 70). "In casu", parcelas recolhidas a partir de março/99, e portanto deverá ser aplicada somente a taxa SELIC a partir desta data. Mantido o entendimento do julgamento anteriormente realizado do acórdão no tocante à constitucionalidade da alíquota da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 9718/98, pois tal questão já foi analisada e não é objeto do juízo de retratação. Ante o exposto, com base no artigo 543B, § 3º c/c artigo 557, § 1ºA, ambos do Código de Processo Civil, nego provimento à apelação da impetrante e à apelação da União Federal e dou provimento parcial à remessa oficial para que a compensação seja efetuada após o trânsito em julgado, nos termos da LC 104/01. Publiquese. Não havendo recurso desta decisão, retornem os autos à VicePresidência; porém, em caso contrário, voltemme conclusos para deliberação. São Paulo, 13 de março de 2012. CECÍLIA MARCONDES Desembargadora Federal Relatora. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 14 12. Por sua vez, a segunda premissa a ser aqui fixada diz respeito ao propósito do art. 170A do CTN e o contexto jurídico no qual tal dispositivo foi inserido. 13. Pois bem. De forma muito superficial é possível afirmar que o art. 170A do CTN impede que um determinado contribuinte goze de uma tutela provisória para fins de compensação, haja vista o caráter precário deste tipo de tutela jurisdicional. O escopo deste prescritivo legal é, em última análise, impedir ofensa aos princípios da segurança jurídica e da livre concorrência, na medida em que evita que apenas um ou poucos contribuintes sejam beneficiados (ainda que por um período de tempo) com uma tutela de caráter precário em detrimento de outros contribuintes que, em situação análoga, não foram amparados por esse mesmo tipo de tutela jurisdicional. 14. Tal dispositivo legal foi veiculado no CTN por intermédio da lei complementar n. 104/01. Naquele momento histórico a discussão acerca de uma transubjetivação das decisões judiciais era restrita aos efeitos erga omnes das decisões proferidas em controle concentrado de constitucionalidade2. A figura da repercussão geral e dos recursos especiais julgados sob o rito de repetitivos só surgiram com a inserção das disposições veiculadas pela Emenda Constitucional n. 45/04. 15. Percebese, pois, que o advento do art. 170A do CTN ocorreu antes da sedimentação de uma ideia de transubjetivação das lides, ou seja, antes de uma efetiva aproximação da nossa família jurídica ao regime do stare decisis. Acontece que, nos últimos anos, o que se vê no ordenamento jurídico nacional é uma proliferação de alterações legislativas no sentido de tentar promover uma aproximação da Civil Law brasileira ao modelo de precedentes, secularmente sedimentado nas famílias jurídicas adeptas do Common Law. 16. Transpondo quais questões para o âmbito tributário, o que este modelo almeja é que, com o advento de um precedente vinculante veiculado em um processo paradigmático, o contribuinte já tenha a certeza de qual será o resultado da sua específica demanda. Em última análise e no específico nicho tributário o que tal modelo pretende tutelar são os já citados valores de segurança jurídica e livre concorrência. Assim, apesar de aparentemente paradoxal, admitir a validade conteudística da compensação aqui perpetrada atende os valores jurídicos defendidos pelo próprio art. 170A do CTN. Tratase, pois, da ratio ius prevalecendo sobre a ratio legis3. 2 Nos termos do art. 28, parágrafo único da lei n. 9.868/99, “in verbis”: “Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal.)." 3 Nessa linha, Pontes de Miranda afirma que “o direito pode não ser escrito, ou, até mesmo, contra o que está escrito, concluindo, por conseguinte, que o direito, e não a lei como texto, é o que se teme seja ofendido. Alguns Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 15 17. Em compasso com as considerações aqui postas já é possível encontrar alguns precedentes judiciais em casos análogos ao aqui julgado, mais precisamente no sentido de permitir a concessão de tutela de evidência para fins de compensação tributária nas hipóteses do art. 311, inciso II do CPC4, o que tem sido admitido antes do trânsito da ação judicial proposta. É o que se observa, por exemplo, do precedente abaixo transcrito da lavra do TRF da 1ª Região e veiculado no âmbito dos autos n. 001477357.2010.4.01.3000. Assim decidiu o citado Tribunal neste caso: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO QUE ANTECEDEM A CONCESSÃO DE AUXÍLIO DOENÇA E SOBRE O ABONO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS (1/3). IMPOSSIBILIDADE. VERBAS INDENIZATÓRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE E FÉRIAS. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 170A DO CTN. TAXA SELIC. PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO QUINQUENAL ACOLHIDA. (...). II – Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado nos primeiros quinze dias de afastamento que antecedem a concessão do auxílio doença, seja por motivo de doença ou acidente e sobre o abono constitucional de férias (1/3), porquanto tais verbas se revestem de caráter indenizatório, não sendo consideradas contraprestação pelo serviço realizado. Precedentes do STF, STJ e desta Corte. III – A remuneração de férias e salário maternidade possuem natureza salarial e, por isso, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes. IV A compensação das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos empregados/segurados farseá com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, nos termos do disposto no art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007. Nos termos do CTN e da remansosa jurisprudência de escritores desavisados leram direito expresso, como se fosse lei escrita clara, lei explícita. É grave erro. O direito de que se fala é o direito em sua consistência de revelação. ("in" "Tratado da ação rescisória". 2ª. ed. Campinas: Bookseller, 2003. p. 279. 4 "Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: (...). II as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; (...)." Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 16 nossos Tribunais, a compensação poderá ocorrer com débitos vencidos ou vincendos. V Tendo em vista que a matéria relativa à exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga em virtude do afastamento do empregado no período de quinze dias que antecede a concessão de auxílio doença/acidente, bem assim sobre o abono constitucional de férias (1/3) encontrase, atualmente, pacificada nos colendos STF e STJ, não se mostra razoável aguardarse o trânsito em julgado de decisum para a efetivação da compensação do indébito tributário em referência, quando inexistente qualquer possibilidade de alteração da situação jurídica já reconhecida, nos autos. Ademais, segundo a inteligência do art. 557, caput e respectivo §1º, do CPC, o relator negará seguimento a recurso manifestamente em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, ou ainda, estando a decisão recorrida em manifesta contrariedade à súmula ou à jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento, de pronto, ao recurso, pelo que se verifica, assim, a inaplicabilidade do art. 170A, do CTN, na espécie, diante da perfeita harmonia do acórdão desta 8ª Turma com o entendimento jurisprudencial consolidado nos colendos STF e STJ nesta matéria, a possibilitar a eficácia plena e imediata da garantia fundamental da razoável duração do processo (CF, art. 5º, LXXVIII e respectivo §1º) na materialização instrumental do processo justo. (...). VII – Apelações da impetrante, da União Federal e remessa oficial parcialmente providas. (grifos nosso). 18. Voltandose ao caso decidendo é possível afirmar que toda a discussão aqui travada é decorrente, portanto, da morosidade na prestação da atividade judicativa (no presente caso, por exemplo, são mais de 15 anos para as resoluções judicial e administrativa), bem como do já citado status de fonte material que hoje é inegavelmente atribuído aos precedentes vinculantes. Apesar das inúmeras críticas que esse abrasileirado modelo de stare decisis pode sofrer5 a questão é uma só: tal sistema é fato consumado em nosso ordenamento jurídico, haja vista a existência de inúmeros institutos a prestigiar um aparente modelo de case law, tais como a repercussão geral, o julgamento de recursos sob o rito de repetitivos, as súmulas vinculantes, os incidentes de resolução de demandas repetitivas e de assunção 5 Particularmente tenho feito severas críticas ao que chamo de "Macunaíma Law". Nesse sentido: RIBEIRO, Diego Diniz. "Precedentes em matéria tributária e o novo CPC". "in" "Processo Tributário Analítico". CONRADO, Paulo César (org.). vol III. São Paulo: Noeses, 2016.; RIBEIRO, Diego Diniz. "O incidente de resolução de demandas repetitivas: uma busca pelo 'Common Law' ou mais um instituto para a codificação das decisões judiciais?". "in" "O novo CPC e seu impacto no direito tributário". 2a. ed. ARAUJO, Juliana Furtado Costa. CONRADO, Paulo César, (orgs.). São Paulo: Fiscosoft. 2016. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 17 de competência, o efeito erga omnes e vinculante atribuído às decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade, dentre tantos outros que poderiam ser aqui listados. 19 Aliás, seguindo este caminho, o art. 927 do CPC/20156 lista os tipos formais de precedentes vinculantes no país e, dentre eles, destacamse as decisões proferidas pelo Plenário do STF. Atualmente, inclusive, a posição sedimentada em um precedente vinculante exarado pelo STF tem o condão de até mesmo de relativizar a coisa julgada, conforme já reiteradamente decidido pelo próprio Pretório Excelso: “Ementa (...). 4. Ação Rescisória. Matéria constitucional. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF. 5. A manutenção de decisões das instâncias ordinárias divergentes da interpretação adotada pelo STF revelase afrontosa à força normativa da Constituição e ao princípio da máxima efetividade da norma constitucional. 6. Cabe ação rescisória por ofensa à literal disposição constitucional, ainda que a decisão rescindenda tenha se baseado em interpretação controvertida ou seja anterior à orientação fixada pelo Supremo Tribunal Federal. 7. Embargos de Declaração rejeitados, mantida a conclusão da Segunda Turma para que o Tribunal ‘a quo’ aprecie a ação rescisória.” (STF; RE n. 328.812 ED, Relator: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, j. em 06/03/2008. Também nesse esteio: RE n.º 500.043; AR 1478/RJ.). 20. Esse também tem sido o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALÍQUOTAS PROGRESSIVAS. CONSTITUCIONALIDADE DA MP 560/94 DECLARADA PELO STF. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 343/STF. 6 "Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados." Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 18 1. Embora não seja cabível, nos termos do que dispõe a Súmula 343/STF, a ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei quando a decisão rescindenda tiver se fundado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais, há que se excepcionar os casos em que a discussão versar sobre matéria de índole constitucional. 2. Vem prevalecendo na Primeira Seção desta Corte o entendimento de que, em se tratando de matéria constitucional, não há que se cogitar de interpretação apenas razoável acerca da lei, mas sim de interpretação juridicamente correta. . Como o STF reconheceu a constitucionalidade da aplicação da Medida Provisória nº 560/94 aos servidores públicos do Distrito Federal, mostrase cabível a ação rescisória. 4. Recurso especial provido. (STJ; REsp 982.673/DF, Rel. Ministro Castro Meira, 2ª. T., j. em 18/12/2007, DJ 11/02/2008, p. 1). 21. Aliás, reconhecendo a vinculação da Administração Pública aos precedentes pretorianos convém destacar o parecer 492/2011, que em sua ementa assim aduz: RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO OU JURÍDICOS. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. JURISPRUDÊNCIA DO PLENO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, e de forma automática, a eficácia vinculante das anteriores decisões transitadas em julgado, relativas a relações jurídicas de trato sucessivo, que lhes forem contrárias. 22. No mesmo sentido é a Portaria PGFN n. 502/2016, que em seu art. 2o, inciso V assim prescreve: Art. 2o. Sem prejuízo do disposto no artigo precedente, fica dispensada a apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões, interposição de recursos, bem como recomendada a desistência dos já interpostos, nas seguintes hipóteses: (...). V tema definido em sentido desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal STF, pelo Superior Tribunal de Justiça STJ ou pelo Tribunal Superior do Trabalho TST, em sede de julgamento de Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 19 casos repetitivos, inclusive o previsto no art. 896C do DecretoLei n. 5.542/1943; (...). 23. Todos esses dispositivos aqui mencionados visam, em última análise, salvaguardar um tratamento conteudisticamente igualitário entre diferentes jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por conseguinte, conferir a tais jurisdicionados segurança jurídica e justiça de índole material. 24. Diante de tudo o que fora até então exposto, resta claro que admitir como válido o pedido formulado pelo contribuinte, apesar de contraporse à literalidade da regra extraída do art. 170A do CTN, prestigia todos aqueles valores jurídicos tutelados pelas próprias regras que aparentemente "fundamentariam" tal rejeição. 25. Não obstante, negar o pedido do contribuinte é, em última análise, forçálo a buscar seu direito pela via judicial, o que está em patente descompasso com um dos escopos da existência do processo administrativo fiscal, qual seja, evitar a judicialização de demandas tributárias, o que, no presente caso, inclusive, limitarseia a uma exclusiva questão de forma, haja vista o disposto no já citado art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. 26. Ademais, tal rejeição também atentaria contra a ideia de um interesse público primário, na medida em que implicaria a movimentação da já assoberbada máquina pública (Poder Judiciário e PFN) em torno de uma demanda proforma, que certamente desembocará em uma única resposta possível: o provimento do pleito do contribuinte e a condenação da União em honorários sucumbenciais. Dispositivo 27. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reformar o despacho decisório proferido nos autos com o fim de que o pedido de compensação seja analisado, considerando a ratio veiculada pelo precedente vinculante do STF (RE n. 357.950)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para reformar o despacho decisório proferido nos autos com o fim de que o pedido de compensação seja analisado, considerando a ratio veiculada pelo precedente vinculante do STF (RE nº 357.950). (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 20 Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.721954/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não estabelece regra de competência na atuação do Auditor-Fiscal na realização do lançamento, mas tão somente normas procedimentais quanto ao gerenciamento das atividades de fiscalização.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008
APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE.
Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008
APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE.
Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria.
Numero da decisão: 3302-005.097
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento parcial e os Conselheiros Maria do Socorro e José Fernandes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
[assinado digitalmente]
Walker Araujo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF não estabelece regra de competência na atuação do AuditorFiscal na realização do lançamento, mas tão somente normas procedimentais quanto ao gerenciamento das atividades de fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE. Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 19 54 /2 01 1- 66 Fl. 6699DF CARF MF 2 Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento parcial e os Conselheiros Maria do Socorro e José Fernandes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. [assinado digitalmente] Walker Araujo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração, fls. 02/58 lavrados contra a contribuinte acima identificada, para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativa aos períodos de apuração de janeiro, agosto a dezembro de 2007; janeiro, fevereiro, abril, maio, julho a dezembro de 2008; e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro, agosto a dezembro de 2007; janeiro a maio, julho a dezembro de 2008. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto parcialmente o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Os autuantes informam no Termo de Verificação Fiscal: 2 Resumo da irregularidade apurada Fl. 6700DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.014 3 Foi constatada pela análise da escrituração contábil, de notas fiscais e de outros documentos a apropriação indevida de Créditos Básicos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,6%), decorrentes de aquisições de cacau, cuja correta apropriação seria de Créditos Presumidos do PIS (0,5 775%) e do COFINS (2, 66%) nas referidas operações comerciais. 3 Das DACON e DCTF apresentadas (...) A presente fiscalização se iniciou com a ciência do contribuinte em 31/12/2010, desta forma, as declarações válidas entregues a RFB (DACON / DCTF) seriam as que tiveram a data de entrega em 09/07/2010 para a DACON 2007, 18/08/2010 para a DCTF 2007, 30/07/2010 e 24/09/2010 para DACON 2008, 18/08/2010 e 07/10/2010 para DCTF 2008. Existe também um conjunto de DACON e DCTF Extemporâneas, isto é, apresentadas durante o período da presente fiscalização, destacadamente em 08/04/2011 (DACON 2007 e 2008), 26/04/2011 (DCTF 2007 e 2008). A contribuinte foi intimada a apresentar DACON e DCTF retificadoras que contivessem os valores correspondentes aos constantes no SINAL, refletindo os pagamentos anteriormente realizados, com base na Instrução Normativa IN/RFB n° 1.015/2010 artigos 10 e 16°; bem como, da Solução de Consulta Interna SCI COSIT n° 08/2007, a seguir parcialmente descrita: (...) Em resposta data de 24 de novembro de 2001, destacamos que a contribuinte apresentou a seguinte explanação: "Ocorre que os valores dos referidos recolhimentos estão incorretos, sendo maiores que os valores realmente devidos, o que ocorreu em virtude de uma interpretação errônea da legislação do Pis/Cofins feita pela empresa na apuração dos valores a recolher, sendo que os Dacons e os DCTFs retificadores apresentados, o foram justamente para se corrigir esse erro, apurandose então os reais valores de PIS e COFINS devidos pela mesma. Informamos ainda que os valores recolhidos a maior foram objetos de Pedidos de Restituição, os quais já foram devidamente transmitidos à Receita Federal. " As DACON e DCTF entregues em 2010 apresentavam valores zerados. Contudo nas declarações retificadoras entregues em 2011 havia o reconhecimento de parte dos pagamentos realizados. Em função desse reconhecimento parcial dos pagamentos efetuados, este levantamento de ofício decidiu por adotar os Fl. 6701DF CARF MF 4 valores contidos nessas últimas declarações com válidos para o presente trabalho. Em função da existência de Pedidos de restituição de pagamentos efetuados, relativos ao PIS e COFINS, houve Representação para o SEORT da Delegacia da Receita Federal de Itabuna Bahia para análise e providências necessárias quanto as PerdComp apresentadas à RFB. 4 Da Legislação Tributária Créditos Presumidos Por meio da Lei n° 10.925/2004 (com nova redação dada pela Lei n° 11.051/2004) foi instituída a modalidade de Crédito Presumido sobre os produtos e insumos adquiridos de pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas de produção, para a produção de mercadorias de origem animal e vegetal destinadas à comercialização. O termo "produzir" constante do caput do artigo 8° da Lei n° 10. 925/2004, deve ser empregado com o sentido de "dar nascimento ou origem a; dar o ser a; fazer existir; criar, gerar, fabricar, manufaturar", constituindo todo o processo de elaboração do produto em todas as etapas; isto é, a transformação, a industrialização, o acondicionamento e o processo de embalagem de forma que o produto final esteja em condições de comercialização. Da análise do artigo 8° da Lei n° 10. 925/2004, temse a conclusão que para se usufruir o crédito presumido é condicionante que a aquisição dos produtos seja realizada de pessoa física, cerealista, pessoa jurídica que explora atividade rural e sociedade de cooperativa de produção agropecuária. Portanto, por determinação dessa lei, as pessoas jurídicas desde que tributadas pelo Lucro Real que produzam mercadorias relacionadas no caput dos artigos 8° e 15 ° da Lei n° 10.925/2004 destinadas à alimentação humana ou animal, apurarão créditos presumidos para o PIS/Pasep e COFINS, para a dedução do valor devido em cada período de apuração dessas contribuições, na sistemática nãocumulativa, mediante aplicação das alíquotas previstas nas referidas normas sobre o valor dos produtos e insumos adquiridos e utilizados na industrialização e posteriormente comercializados o mercado interno e externo. A aquisição de cacau em grãos/amêndoas é' regulamentada por meio da IN 660/06 Instrução Normativa SRF n° 660, de 1 7 de julho de 2006 (Alterada pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009), que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre os créditos presumidos decorrentes da aquisição desses produtos, na forma dos arts. 8 °, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004. Da análise da legislação supracitada, o produto Cacau (na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) no código NCM 18. 01) é sujeito à Suspensão do PIS e COFINS na sua operação de venda, conforme inciso 1 b, do art.2° da IN 660/06. Contudo para que se usufrua o direito de suspensão das contribuições sociais citadas, as empresas jurídicas devem exercer as seguintes atividades (não cumulativas): I Cerealistas (a pessoa Fl. 6702DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.015 5 jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso 1 do art. 2º); II Atividade Agropecuária (a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei n” 8.023, de 12 de abril de 1990;) e III Cooperativa de produção agropecuária (a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção). Assim, da leitura do seu art. 3°, somente esses três tipos de pessoas jurídicas estão aptos a realizarem vendas de cacau com a suspensão do PIS e COFINS. Continuando, destacase que o seu art. 4° determina que a aplicação da suspensão das vendas conforme art. 2° e 3° da IN 660/06 é dispositivo obrigatório e não facultativo nos casos de vendas realizadas à pessoa jurídica que cumulativamente apure o imposto de renda com base no lucro real, que desempenhe atividade agroindustrial e que utilize o produto adquirido com suspensão (cacau) como insumo na fabricação de produtos destinados a alimentação humana (no caso em questão contido no inciso I e, art. 5 °, da IN 660/06). Art. 4° Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts.2° e 3° é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6°; e III utilizar a produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5°. § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009). Notase que todas essas características estão presentes no contribuinte sujeito desta ação fiscal. Assim, da aquisição de produtos agropecuários, dentre eles o cacau, respeitadas as determinações dos artigos 1” a 6° da IN 660/06, nascerá o direito do adquirente de descontar os créditos presumidos, conforme incisos I, II e III do art. 7° da IN 660/06. Art. 7° Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5°, os produtos agropecuários: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. Fl. 6703DF CARF MF 6 2°; (Redação dada pela instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) II adquiridos de pessoa física residente no Pais; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. Os valores dos créditos presumidos serão baseados nos custos de aquisição com a aplicação das percentagens de 0,5 775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) para 0 PIS e de 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento) para o COFINS, conforme artigo 8° da IN 660 Assim, concluise que a Delƒi Cacau Brasil Ltda apropriou indevidamente de Créditos Básicos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,65%) decorrentes de aquisições de cacau, nos anos calendário de 2007 e 2008, conforme descrevemos. Por outro lado, o parágrafo 3° do artigo 8° da IN 660/06 estabelece que os valores apurados dos créditos presumidos Não poderão ser objetos de compensação de créditos com outros tributos ou objetos de pedido de ressarcimento. (...) Os autuantes informam que, circularizados, os fornecedores da fiscalizada em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com suspensão do recolhimento do PIS e COFINS, pois desempenhavam todas as atividades típicas de cerealistas, conforme previstas na IN 660/06, isto é, afirmaram que como pessoa jurídica exerceram, na época da venda de cacau para a fiscalizada, cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau. Foram, então, elaboradas planilhas com (i) as compras de cacau que dariam direito à utilização do crédito presumido, em vez do crédito básico; (ii) os valores dos DACON retificadores; (iii) o confronto entre os pagamentos, os valores declarados em DCTF e os informados nos DACON; (iv) os valores do PIS e da Cofins lançados de ofício. Finalizando, assim consta do Termo de Verificação Fiscal: 1 7 Do lançamento , Considerando que as glosas mensais de créditos descritas nas Planilhas Fornecedores de Cacau Crédito Presumido constantes nos itens "Da Apuração de Ofício dos Créditos", para os anoscalendário de 2007 e 2008, respectivamente itens 7 e 13, estamos lançando mensalmente, através de Auto de Infração, os valores constantes nas tabelas "P1S E COFINS APURADOS DE OFÍCIO", para os anos calendário de 2007 e 2008, respectivamente nos itens 10 (subitens 10.1 e 10.2) e 16 (subitens 16.1 e 16.2), do qual este relatório é parte integrante e inseparável, o Tributo PIS e a COFINS que deixaram de ser recolhidos e a Multa de Oficio, de 75% de acordo com o art. 95 7 do RIR/99. Fl. 6704DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.016 7 18 Dos processos administrativos fiscais O Auto de Infração lavrado foi formalizado sob o Processo AdministrativoFiscal n° 13558. 721.954/2011 66. Informamos que foi formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais, conforme a Portaria RFB n° 2. 439/2010 e legislação especifica. Cientificada dos Autos de Infração em 22/12/2011 (Aviso de Recebimento AR à folha 2723), a contribuinte apresenta em 20/01/2012 as impugnações às folhas 2725/2745, sendo essas as razões de defesa, em síntese: 1. O MPF é nulo, pois foi emitido em violação ao disposto na Portaria n° 11.371/2007, vigente á época, atualmente Portaria n° 3.014/2011, posto que a autoridade não detinha competência (atribuição) para tal desiderato, visto que a competência para a expedição do MPF era exclusiva do Delegado da DRF de Itabuna, e não se encontra no âmbito das atribuições concorrentes; 2. A competência do Superintendente para emissão de MPF F referese somente a tributos e períodos já fiscalizados, e ainda que a portaria vigente à época lhe faltasse esta possibilidade, somente ocorreria no caso de fiscalização de uma DRF na jurisdição de outra, faculdade suprimida na Portaria RFB n° 3.014/2011; 3. Existe outra exceção, a do § 9° do art. 6°, que seria o caso de impedimento do Delegado da Receita Federal de Itabuna, o que nunca ocorreu; 4. O procedimento fiscal também é nulo por incompetência do órgão executor, DIFIS, ao qual está lotado um dos autuantes, pois dentre as atribuições das Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil não está a fiscalização e a autuação de contribuintes, exceto em relação ao descaminho e contrabando; 5. A competência da Difis está bem delimitada no art. 207 da referida portaria, e remete tão somente à coordenação e gerenciamento de atividades, não tendo qualquer autorização para execução, que é de competência privativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, jurisdicionante ou não; O 6. Mas como no caso concreto estamos diante de uma Equipe de Fiscalização dos Maiores Contribuintes EFMAC 5” Região, que segundo o Regimento, Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, deveria estar subordinada ao DIMAC ou SEMAC, nem mesmo ela detém tal competência, posto que suas funções, segundo o art. 211, limitamse a gerenciar as atividades de identificação e acompanhamento diferenciado de contribuintes de maior potencial tributário, inclusive a análise dos setores e grupos econômicos aos quais pertençam, e propor metas para as unidades da respectiva região fiscal, bem assim, 'elaborar a previsão, acompanhamento e análise de receitas, sendo, portanto, incompetente para a lavratura de auto de Fl. 6705DF CARF MF 8 infração ou a realização dos procedimentos de fiscalização, o que anula todo o procedimento; 7. A notificação de lançamento é nula por ausência dos requisitos do artigo 11 do Decreto n° 70.235/ 1972, o qual preceitua que, dentre outras coisas, deve constar da notificação a assinatura do chefe do setor, no caso dos autos, do chefe da DIFIS, o que não ocorreu na notificação, que veio somente com a assinatura do AFRFB que efetuou o lançamento/auto de infração; . . 8. Tal assinatura somente seria dispensada se o contribuinte tivesse aposto sua assinatura no Auto de Infração, o que não ocorreu, posto que a notificação de lançamento/auto de infração veio pelo correio; 9. No mérito, alega que adotou o procedimento autuado após consulta com os AFRFB de sua jurisdição, que detêm competência para tal ato em função do disposto no inciso "I" do art. 22 Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, que anuíram os procedimentos que serão minuciosamente explicados em tópico específico da impugnação, com a ressalva de que, se constasse da Nota Fiscal que a operação se dera com suspensão, os mesmos não concederiam créditos básicos, e ainda que se entenda que esta orientação não se coadunava com a legislação, foi o procedimento adotado pela contribuinte; 10. Eventual mudança de entendimento somente poderá ser aplicada para fatos geradores futuros, ao teor do disposto no art. 146 do CTN, ou, caso assim não se entenda, na hipótese improvável do auto de infração se manter higido, o que se admite para argumentar, que se aplique o disposto no parágrafo único do art.l00 do CTN; O AFRFB lançou o tributo baseado nas premissas de que (i) o cacau era in natura; (ii) o fornecedor era cerealista, (iii) o fornecedor efetuou a operação com suspensão; e (iv) a impugnante se enquadra nos requisitos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004, isto é, produz mercadorias destinadas a alimentação humana; . Porém, nenhum destes requisitos está presente neste caso, conforme DVD juntado à impugnação, contendo as etapas de produção desde a fazenda até a industrialização, provando que (i) o comerciante/intermediário na cadeia do cacau não é cerealista, pelo menos não nos termos da Lei n° 10.925/2004, e sua regulamentação, e da Instrução Normativa SRF 660/2006; (ii) o cacau circula em amêndoas e não in natura; (iii) e a mercadoria produzida pela impugnante não se destina a alimentação humana ou animal, mas sim à industrialização, apresentando um laudo técnico neste sentido; Os requisitos para que a pessoa jurídica possa se apropriar de créditos presumidos do PIS e da Cofins e, por conseguinte, adquirir mercadorias com suspensão da contribuição nos termos do art. 9° da Lei n° 10.925/2004 e do artigo 4° e 5° da IN SRF 660/2006, são que se produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal; ' A legislação enumera ainda as pessoas que poderão transferir créditos presumidos e vender com suspensão nos termos do art. Fl. 6706DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.017 9 9° da Lei 10.925/2004 e do artigo 4° e 5° da IN SRF 660/2006, que, no caso que nos interessa, e a definição de cerealista, ou seja, a pessoa que limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal; As vendas não foram efetuadas com suspensão, conforme demonstram os documentos fiscais anexos, e somente foram tomados créditos básicos em relação a estes documentos em virtude da orientação dada pela DRF em Itabuna, lembrando que a redação da IN da SRF da época ainda exigia uma declaração do comprador de que apurava imposto de renda pelo lucro real, que o insumo seria utilizado para produção das NCM do artigo 8° e que se destinava a alimentação humana ou animal; Ademais, alguns fornecedores são microempresas (Simples Nacional) e, portanto, não têm o que suspender, e nem estes e nem os outros fornecedores se enquadram no conceito de cerealistas; O cacau em amêndoa sai da fazenda pronto para a industrialização, e o cacau in natura jamais deixa a fazenda em que é colhido, sendo o comerciante mero especulador comercial; Para confirmar seu ponto de vista, o AFRFB solicitou declarações dos fornecedores quanto à sua condição e se a venda teria sido efetuada com suspensão, e transcrevese declaração de fornecedor que se esmera em dar a impressão de que é cerealista, comprovando que os fornecedores não são cerealistas, ao menos no que diz respeito ao cacau em amêndoas; Das afirmações acima, se comprova que os fornecedores já adquirem o produto acabado, inclusive de intermediário, motivo que os leva a concorrerem com a impugnante para a aquisição das amêndoas como afirmado na parte final; Ora se eles sabem que a impugnante vai semi elaborar o produto, e portanto a mercadoria não vai se destinar a alimentação humana ou animal, como podem afirmar que venderam com suspensão se a legislação exige que a mercadoria produzida com este insumo se destine a alimentação humana ou animal?; 21. Tais fatos comprovam que as vendas não foram efetuadas com suspensão, diferentemente do que afirmaram os vendedores, e que o AFRFB aceitou como verdadeiro; 22. Como visto, um dos requisitos para adquirir bens com suspensão nos termos da legislação aqui mencionada é a produção de mercadorias destinadas a alimentação humana ou animal, mas a impugnante não produz mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, não preenchendo sequer os requisitos para tal fim, conforme laudo técnico anexo; 23. As mercadorias produzidas pela impugnante têm tão somente grau alimentício, que nada mais é que o termo dado a todo Fl. 6707DF CARF MF 10 aditivo, matéria prima e material de origem animal, vegetal, mineral e química, livre de substâncias tóxicas ao ser humano, com digestibilidade, composição química e nutricional conhecida e que podem estar em contato e/ou fazer parte da composição/receita na preparação de alimento humano, como, por"exemplo, óleo' mineral lubrificante, carbonato de potássio, graxa lubrificante, materiais de embalagem (papel, plástico, PET, alumínio, etc); 24. Somente este fato isoladamente impede que as operações de aquisição de cacau em amêndoas se dêem com suspensão, e então, mesmo admitindo, para argumentar, que a aquisição fosse de cerealistas, ainda assim a venda não poderia ser feita com suspensão; 25. Conforme transcrição de trecho da afirmação do próprio fornecedor, este sabe da condição de semi elaborado do produto final (mercadoria) produzido pela impugnante e se reconheçam concorrentes na aquisição da amêndoa de cacau; 26. Quando a impugnante produz alimento humano, por encomenda, este alimento é o chocolate, que não se encontra no rol de NCM do artigo 8°, o que também impede que a aquisição se dê com suspensão; 27. Se superados todos os argumentos acima, o próprio auto de infração excedese em valores, isto é, exige mais tributo do que aquele efetivamente devido, ainda que adotados os equivocados critérios do AFRFB, pois computou como suspensas as operações efetuadas com empresas do Simples Nacional e deixou de computar o valor de aquisição das mercadorias importadas referentes a setembro de 2008; 28. Caso mantido o auto de infração, requer a exclusão da multa de oficio nos termos em que preconizada pela Solução de Consulta Interna SCI COSIT n° 8/2007; 29. Por fim, ressalta que não teve qualquer redução no preço nas operações realizadas que as justificassem terem sido efetuadas com suspensão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA lNClDÊNC1A DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO. Observada a obrigatoriedade da suspensão da incidência da Contribuição para O PIS/Pasep, e uma vez que O vendedor preenche todos os requisitos para sua implementação, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos básicos pelo adquirente da mercadoria. Fl. 6708DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.018 11 Desta forma, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal podem deduzir da contribuição para O PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens adquiridos como Insumos. CREDITO TRIBUTÁRIO PAGO, MAs NÃO CONFESSADO. PEDIDO DE, RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFICIO. Uma vez que o crédito tributário espontaneamente recolhido e não confessado em DCTF foi objeto de Pedido de Restituição, incabível a exoneração da multa de oficio incidente sobre a parcela lançada de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 29/02/2008, 30/04/2008 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA COFINS. APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO. Observada a obrigatoriedade da suspensão da incidência da Cofins, e uma vez que o vendedor preenche todos os requisitos para sua implementação, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos básicos pelo adquirente da mercadoria. Desta forma, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal podem deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens adquiridos como insumos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO, MAS NÃO CONFESSADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFICIO. Uma vez que o crédito tributário espontaneamente recolhido e não confessado em DCTF foi objeto de Pedido de Restituição, incabível a exoneração da multa de oficio incidente sobre a parcela lançada de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege O processo administrativo fiscal. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL. Fl. 6709DF CARF MF 12 As Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil possuem competência para o desenvolvimento das atividades de fiscalização, instrumentalizada pela emissão de Mandado de Procedimento Fiscal pelo Superintendente Regional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 24/07/2013, conforme AR de fl. 6.576, apresenta em 21/08/2013, fls. 6.577/6. Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Reitera os argumentos já apresentados em sede impugnatória, acrescentando: Da ausência da condição de Cerealista dos fornecedores. Para considerar os fornecedores cerealistas o órgão julgador desconsiderou a prova produzida DVD pelo fato de constar no contrato cláusula de padrão de qualidade. “Para se comercializar o cacau, são necessários os procedimentos descritos na legislação como caracterizadores de cerealista e, para tal constatação, prescinde a análise do DVD alegado pela impugnante. Vejase, neste sentido, os contratos de compra e venda anexados aos autos, onde consta cláusula de padrão de qualidade da mercadoria a ser cumprida pela vendedora, sob pena de devolução do valor acordado, e as respostas prestadas pelos diversos fornecedores em atendimento aos termos de diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, anexadas ás folhas 962/967, 973, 980, 984, 1008, 1015, 1031, 1037/1038, 1045, 1049, 1058, 1064/1069,1098,1131/1136,1146,1149,1198, 1200 e 1205." O que o órgão julgador não soube por não apreciar o DVD, é que por não realizarem as atividades descritas na legislação o preço da amêndoa cacau é ajustado após os descarregamento e abertura dos sacos contendo as amêndoas e somente então se pode verificar a qualidade do mesmo e o pagamento do preço acordado. Além do mais ê de se pressupor que sequer foi lido o Laudo Técnico acostado onde em sua página 2 afirma categoricamente que o beneficiamento ocorre na fazenda. Ao final destaca: Demais requerimentos: Acaso mantido o lançamento o que se admite para argumento, que seja afastada a multa de oficio aplicada tanto quanto pelo fato de o contribuinte ter efetuado o recolhimento do tributo aos cofres públicos, não servindo o argumento do Órgão julgador que foram formulados pedidos de restituição, posto que os mesmos podem ser indeferidos pela autoridade fazendária a que cabe o lançamento. Quanto pelo fato que cumulada com a multa moratória. É o relatório. Fl. 6710DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.019 13 Voto Vencido Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES Nulidade do MPF Sustenta a recorrente, em sua defesa, que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF é nulo, pois emitido em violação ao disposto na Portaria RFB n° 11.371, de 2007, vigente á época, sucedida pela Portaria RFB n° 3.014, de 2011, posto que a autoridade não detinha competência, visto que a competência para a expedição do MPF era exclusiva do Delegado da DRF de Itabuna, e não se encontra no âmbito das atribuições concorrentes. Observase que o cerne da questão reside em um suposto vício de competência. Vejamos. Tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, o CTN estabeleceu os requisitos essenciais ao lançamento, que é a formalização do crédito, ex vi do art. 142 do mesmo diploma legal, litteris: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." (grifei). Com efeito, registrese que a autoridade fiscal, no âmbito da RFB é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cujas competências privativas estão estabelecidas no art. 6º, da Lei nº 10.593, de 2002, com a nova redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, a seguir transcrito: "Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b)elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, Fl. 6711DF CARF MF 14 restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts.1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art.1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f)supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (...)" (Grifei) Observese que os pressupostos legais para a validade do auto de infração estão determinados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, in verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” 14. O mesmo diploma legal dispõe, em seu art. 59, sobre a nulidade no processo administrativo, nos seguintes termos: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Assim, do cotejo dos dispositivos acima gizados depreendese que a incompetência do agente autuante é como causa suficiente para invalidar o auto de infração e, por via de consequência, o lançamento nele consignado. No entanto, quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 6712DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.020 15 Ocorre que conforme já demonstrado o art. 6º, da Lei nº 10.593, de 2002, com a nova redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007 define a competência do servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário, sendo a competência para o ato administrativo a condição necessária para a sua validade jurídica do auto de infração. Assim respaldados na competência legal que lhes é assegurada, os autuantes requisitaram documentos e informações necessários à verificação das operações com cacau em face da norma excepcional que estabelece requisitos para a apuração do crédito presumido referente ao PIS/Pasep e COFINS, para a dedução do valor devido em cada período de apuração das referidas contribuições, na sistemática nãocumulativa. Inferese portanto, que o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal no pleno exercício de suas funções (art. 142, parágrafo único, do CTN), além de conter todos os requisitos indispensáveis à sua validade, não havendo, assim, que se cogitar a sua nulidade. No tocante ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, nomenclatura vigente à época, atualmente, Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF), cumpre esclarecer que se trata de um instrumento interno de planejamento das atividades fiscais, estabelecendo normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não atingindo a competência impositiva dos seus AuditoresFiscais já que decorrente expressamente de ato legal, não se confundindo com as normas procedimentais, emanadas de atos infra legais, estabelecidas para a execução do procedimento fiscalizatório. Dessumese portanto, que o MPF não é instrumento de outorga de competência, mas tão somente de controle gerencial da atuação de seus servidores fiscais, legalmente competentes para efetuar o lançamento. Logo, eventuais falhas ou equívocos no MPF, como também a sua ausência, não terão força para macular a competência do AuditorFiscal para efetuar o lançamento ou para inutilizar o ato por ele validamente efetivado. Quando muito, essas irregularidades deveriam ser sanadas, caso, de alguma forma, pudessem implicar cerceamento de defesa do sujeito passivo. No tocante à matéria sub examine, verificase que ao contrário do que argui a recorrente, dispõe a Portaria RFB n° 11.371, de 2007, vigente á época da autuação sobre a competência dos Superintendentes para a emissão do MPF, conforme minudentemente analisado pela decisão de piso: Vejamos os dispositivos da Portaria RFB n° 11.371, de 2007, que interessam à lide ora discutida: Dos Procedimentos Fiscais Art. 2° Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF Fl. 6713DF CARF MF 16 F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPF D). Art. 3°Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: 1 de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; () Do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 4” O MPF será' emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a 111 desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 , com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de novembro de 1997 , darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda. gov. br, com a utilização de código de acessa consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. () Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...) IV Superintendente da Receita Federal do Brasil; V Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil, de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras e de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais; e VI InspetorChefe das unidades constantes do Anexo IV § 7° Na impossibilidade de as autoridades de que tratam os incisos V e V1 do caput efetuarem a emissão ou alteração de MPF, o Superintendente da respectiva região fiscal poderá fazê lo. Art. 7° O MPF F, o MPF D e o MPF E conterão: I a numeração de identificação e controle; 11 os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); Fl. 6714DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.021 17 IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1° O MPF F e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § I ° será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPF F alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. (..) (negritos acrescidos) Como se vê, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é o instrumento que a autoridade fiscalizadora apresenta ao contribuinte fiscalizado para que este tome ciência, entre outras informações, do tributo e do período que serão examinados, qual fiscal está autorizado a realizar o trabalho e por quanto tempo. (...) O regramento trazido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, repisese, mero ato infralegal de natureza gerencial, não cria regra de competência, seja ela genérica ou específica, pois seria inadmissível pensar que uma portaria teria o condão de disciplinar matéria reservada à lei. Os auditores fiscais encontram o fundamento de validade para a execução da atividade administrativa do lançamento nos artigos 3° e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, transcritos a seguir: (...) No que tange à emissão do MPF pela Superintendência da Receita Federal do Brasil da 5ª Região Fiscal, e consequente competência da Equipe de Fiscalização dos Maiores Contribuintes EFMAC da Divisão de Fiscalização DIFIS, Fl. 6715DF CARF MF 18 vejase que quando o 7° do § art. 6° da Portaria RFB n° 11.371, de 2007 (§ 9° do art. 6° da Portaria RFB n° 3.014, de 2011), prevê que o Superintendente da respectiva região fiscal poderá emitir ou alterar MPF na impossibilidade de as autoridades de que tratam os incisos V e VI do caput fazêlo, não está determinando que somente nessas hipóteses o Superintendente poderá emitir o MPF. Também não há na referida portaria qualquer disposição de que o MPF somente poderá ser emitido pelo Superintendente no caso de fiscalização de uma DRF na jurisdição de outra. As Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil podem gerenciar o desenvolvimento das atividades de fiscalização, com fulcro no art. 205 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21, de dezembro de 2010 vigente à época dos fatos ora analisados, o que inclui a atividade de fiscalização propriamente dita: Art. 205. Às Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil SRRF compete, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, no âmbito da respectiva jurisdição, gerenciar o desenvolvimento das atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de acompanhamento dos contribuintes diferenciados, de interação com o cidadão, de comunicação social, de tributação, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de contabilidade, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização e modernização, bem assim supervisionar as atividades das unidades subordinadas e dar apoio técnico, administrativo e logístico às subunidades das Unidades Centrais localizadas na região ƒíscal.(negritos acrescidos) Portanto, improcede a alegação da impugnante quanto à nulidade do Auto de Infração, seja no tocante à emissão do MPF, seja no tocante à competência da EFMAC da DIFIS da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 5” Região. Este entendimento encontra inúmeros precedentes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a exemplo do recém julgado, acórdão nº 3402 003.310, de 28/09/2016, cuja ementa se transcreve a seguir, na parte de interesse: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 18/09/2009 a 13/10/2009 NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA DE MPF ESPECÍFICO PARA A REVISÃO ADUANEIRA. Eventuais irregularidades verificadas no MPF ou mesmo a sua própria inexistência não acarretam a nulidade do auto de infração, pois a competência do AuditorFiscal da Receita Federal decorre de disposição expressa do art.6º da Lei nº 10.593/2002, não podendo ser restringida por atos administrativos. Fl. 6716DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.022 19 MÉRITO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.27/58, o lançamento para a exigência de PIS e Cofins nos períodos indicados no referido TVF decorreu do fato de que [...a Delfi Cacau Brasil Ltda apropriou indevidamente de Créditos Básicos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,65%) decorrentes de aquisições de cacau, nos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme descrevemos], cujos fundamentos em interpretação à legislação de regência, artigos 8º , 9º e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, partem das seguintes premissas: (i) o cacau era in natura; (ii) o fornecedor se enquadrava como cerealista; agropecuária ou Cooperativa, (iii) o fornecedor efetuou a operação com suspensão; e (iv) a produz mercadorias destinadas a alimentação humana; Em sua peça recursal, a Recorrente ao repisar os argumentos já trazidos em sede de primeira instância alega que: (i) o comerciante/intermediário na cadeia do cacau não é cerealista, pelo menos não nos termos da Lei n° 10.925, de 2004, e sua regulamentação, e da Instrução Normativa SRF n° 660, de 2006; (ii) o cacau circula em amêndoas e não in natura; e (iii) a mercadoria produzida pela impugnante não se destina a alimentação humana ou animal, mas sim à industrialização.(grifei). O litígio portanto prendese a verificar as disposições da legislação que regem a espécie que ora se examina, bem como o suporte probatório trazido aos autos. Estabelece a Lei n° 10.925, de 2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009) Fl. 6717DF CARF MF 20 § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (redação dada pelo artigo 63 da Lei n” 11.196 de 21.11.2005).(grifei). (...) III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (redação dada pelo artigo 29 da Lei nº 11.051 de 29.12.2004) (grifei). § 2 O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridas ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10. 63 7, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10. 63 7, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 22 das Leis nas 10.63 7, de 30 de dezembro de 2002, e 10. 833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (redação dada pelo artigo 29 da Lei nº 11.051 de 29.12.2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1° do art. 8° desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (grifei) (...) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8° desta Lei, quando efetuada por Fl. 6718DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.023 21 pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1° do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6°e 7"do art. 8° desta Lei. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (grifei) () Destaca o TVF: Por meio da Lei n° 10.925 / 2004 (com nova redação dada pela Lei n° 11.051 / 2004) foi instituída a modalidade de Crédito Presumido sobre os produtos e insumos adquiridos de pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas de produção; para a produção de mercadorias de origem animal e vegetal destinadas à comercialização. O termo "produzir" constante do caput do artigo 8o da Lei n° 10.925/2004, deve ser empregado com o sentido de "dar nascimento ou origem a; dar o ser a; fazer existir; criar, gerar, fabricar, manufaturar", constituindo todo o processo de elaboração do produto em todas as etapas; isto é, a transformação, a industrialização, o acondicionamento e o processo de embalagem de forma que o produto final esteja em condições de comercialização. Da análise do artigo 8o da Lei n° 10.925/2004, temse a conclusão que para se usufruir o crédito presumido é condicionante que a aquisição dos produtos seja realizada de pessoa física, cerealista, pessoa jurídica que explora atividade rural e sociedade de cooperativa de produção agropecuária.(grifei) Portanto, por determinação dessa lei, as pessoas jurídicas desde que tributadas peio Lucro Real que produzam mercadorias relacionadas no caput dos artigos 8o e 15° da Lei n° 10.925/2004 destinadas à alimentação humana ou animal, apurarão créditos presumidos para o PIS/Pasep e COFINS, para a dedução do valor devido em cada período de apuração dessas contribuições, na sistemática nãocumulativa, mediante aplicação das alíquotas previstas nas referidas normas sobre o valor dos produtos e insumos adquiridos e utilizados na industrialização e posteriormente comercializados o mercado interno e externo.(grifei) Da análise da legislação supracitada, o produto Cacau (na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) no código NCM Fl. 6719DF CARF MF 22 18.01) é sujeito à Suspensão do PIS e COFINS na sua operação de venda, conforme inciso I b, do art.2° da IN 660/06. Contudo para que se usufrua o direito de suspensão das contribuições sociais citadas, as empresas jurídicas devem exercer as seguintes atividades (não cumulativas): I Cerealistas (a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2^); II Atividade Agropecuária (a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990;) e III Cooperativa de produção agropecuária (a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção). Assim, da leitura do seu art. 3o, somente esses três tipos de pessoas jurídicas estão aptos a realizarem vendas de cacau com a suspensão do PIS e COFINS. Continuando, destacase que o seu art. 4o determina que a aplicação da suspensão das vendas conforme art. 2o e 3o da IN 660/06 é dispositivo obrigatório e não facultativo nos casos de vendas realizadas à pessoa jurídica que cumulativamente apure o imposto de renda com base no lucro real, que desempenhe atividade agroindustrial e que utilize o produto adquirido com suspensão (cacau) como insumo na fabricação de produtos destinados a alimentação humana (no caso em questão contido no inciso I e, art. 5o, da IN 660/06). Notase que todas essas características estão presentes no contribuinte sujeito desta ação fiscal. (grifei) Em face dos requisitos previstos na legislação, estabeleceu a fiscalização a metodologia com vistas a identificar a natureza das operações da autuada, conforme discriminado no TVF, precisamente nos itens de 5 a 16.2, fls.33/57, assim foram identificados os grupos que forneceram cacau ( agropecuárias, cerealistas, cooperativas) nos respectivos período de apuração. Prosseguindo informam os autuantes que, circularizados, os fornecedores da fiscalizada em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com suspensão do recolhimento do PIS e COFINS, pois desempenhavam todas as atividades típicas de cerealistas, nos termos da legislação, tais como : limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau. De posse dessas informações foram elaboradas as seguintes planilhas: a) com as compras de cacau que dariam direito à utilização do crédito presumido, em vez do crédito básico; b) com os valores dos DACON retificadores; c) com o confronto entre os pagamentos, os valores declarados em DCTF e os informados nos DACON; e d) com os valores do PIS e da Cofins lançados de ofício. Das considerações acima é possível constatar que não assiste razão à defesa, primeiro porque a própria recorrente ao afirmar que os fornecedores não são cerealistas, pelo menos no modo estabelecido pela legislação, demonstra que um dos requisitos efetivamente não foi cumprido, já que a lei estabelece requisitos obrigatórios e não facultativos para que se enquadre a adquirente nas condições para apuração do crédito presumido. Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.024 23 Segundo porque afirma que o cacau não se destina ao consumo humano e sim à industrialização. Assim, o fato de destinarse à industrialização não descaracteriza a destinação ao consumo humano, visto que a industrialização em quaisquer de suas etapas visa aprimorar o produto com vistas ao atendimento de seu consumidor final. Por oportuno, cabe registrar que o ônus probatório, que tem sua matriz legal no 1artigo 333 do Código de Processo Civil CPC, vigente à época da apresentação da impugnação, na via administrativa submetese ao seguinte regramento do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito] e artigo 16, III, do citado diploma legal que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Assim, considerando que a recorrente não traz em sua peça recursal, qualquer elemento probatório visando corroborar suas alegações, fazse oportuno trazer excertos da decisão de piso, com vistas a análise probatória efetuada juntada à impugnação, uma vez que pertinentemente analisada. Em que pesem as alegações da autuada em sentido oposto, a documentação juntada pelo autuante ao processo (cópias de notas fiscais, demonstrativos, contratos de compra e venda, respostas dos fornecedores), bem como o Termo de Verificação Fiscal, de forma exaustiva comprova que as mercadorias adquiridas teriam que ser vendidas com suspensão da incidência das contribuições. Ainda que em algumas notas fiscais de venda de cacau não constasse informação neste sentido, há, ainda, em muitas outras, emitidas por diversas empresas, a expressão “saída com suspensão do PIS e da Cofins” como, por exemplo, às folhas 753/764. (...) A contribuinte acosta aos autos cópias de NF pretendendo comprovar que as mercadorias ali discriminadas foram vendidas sem a suspensão da incidência de PIS/Cofins, mas a análise de tal documentação em nada comprova a venda sem suspensão, eis que, como já referido, a suspensão era (e continua sendo) obrigatória, não sendo afastada pela falta de informação nas notas fiscais. Ora, para se analisar a obrigatória suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Cofins na venda das mercadorias, e o conseqüente direito ao cálculo do crédito presumido pelos adquirentes, devese observar fielmente o que determina a legislação de regência, cujo § 1° do art. 3° da IN 1 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Fl. 6721DF CARF MF 24 SRF n° 660, de 2006, expressamente estabelece que se entende por cerealista “a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, annazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2°”. Para se comercializar o cacau, são necessários os procedimentos descritos na legislação como caracterizadores de cerealista, e, para tal constatação, prescinde a análise do DVD alegado pela impugnante. Vejase, neste sentido, os contratos de compra e venda anexados aos autos, onde consta cláusula de padrão de qualidade da mercadoria a ser cumprida pela vendedora, sob pena de devolução do valor acordado, e as respostas prestadas pelos diversos fornecedores em atendimento aos Termos de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, anexadas às folhas 962/967, 973, 980, 984, 1008, 1015, 1031, 1037/1038, 1045, 1049,1058,1064/1069,1098,1131/1136,1l46,1149,1198,1200 e 1205. Da mesma forma, dissolvese a alegação da impugnante de que o cacau por ela adquirido circularia em amêndoas e não in natura, o que afastaria a conclusão do autuante. A prevalecer seu entendimento, somente as vendas do fruto inteiro do cacau seriam alcançadas pela suspensão da exigibilidade das contribuições, quando se sabe que o maior valor do fruto está exatamente nas amêndoas que são vendidas. Ademais, quando a Lei n° 10.925, de 2004, e a IN SRF n° 660, de 2006, versam sobre o cacau, tratam do código NCM 1801, que se refere ao “cacau inteiro ou partido, em bruto ou torrado”. Inexiste a ressalva pretendida pela impugnante, de que a legislação não a alcançaria por não se tratar de venda de cacau em natura. A impugnante alega, também, que a mercadoria por ela produzida não se destina a alimentação humana ou animal, mas sim à industrialização. Para tanto, anexa Laudo Técnico (fls. 248/2762) em que se conclui que “através das definições que faz dos produtos derivados do cacau em seu estágio inicial de industrialização (esmagamento) onde se encontram os produtos supra mencionados (líquor de cacau, manteiga de cacau e pó de cacau), estes não possuem características ou sequer condições para o consumo humano e apesar de apresentarem grau alimentício *, não se destinam ou atendem a legislação brasileira para consumo humano_ direto, sendo necessário primeiro uma próxima fase de industrialização destes na preparação de chocolates e outros produtos como confeitos, misturas e prémisturas”. Porém, improcede tal alegação, pois ainda que seja necessária posterior industrialização, até resultar no chocolate, o liquor de cacau, a manteiga de cacau e o pó de cacau têm como destino final a alimentação humana, conforme se verifica, inclusive, da lista de compradores dos produtos produzidos pela autuada.(grifei) Quanto à alegação de que “alguns fornecedores são microempresas (Simples Nacional) e portanto não têm o que suspender”, vejase que, ao contrário do que afirma a Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.025 25 impugnante, esse fato aumentaria o valor do crédito tributário a lançar de oficio, pois, nesta hipótese, a contribuinte não faria jus nem mesmo ao crédito presumido sobre as aquisições, sendo menor, conseqüentemente, a dedução dos valores apurados de PIS e de Cofins. Depreendese dos excertos acima que a decisão de piso manifestou conhecimento do DVD anexado pela impugnante, no entanto, entendeu, com escopo na prerrogativa que lhe confere o artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, prescindível sua análise em face dos requisitos exigidos pela legislação e os elementos probatórios anexados pela defesa. Verificase também que a decisão se reporta ao Laudo Técnico, com fundamentos para suas razões decisórias. Assim, os elementos probatórios anexados pela impugnante foram devidamente analisados pela decisão de piso. Cabe ainda destacar que também não assiste razão à Recorrente quanto à suposta consulta a Auditores da DRF de sua jurisdição, haja vista que a consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal encontrase regulada pelos arts. 46 a 53 do Decreto no 70.235, de 1972, e pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 12.788, de 2013 e somente quando formulada segundos os requisitos legais, produz os efeitos autorizados pela legislação, dentre os quais, temse que, se formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Quando a solução da consulta implicar pagamento, este deverá ser efetuado nesse prazo de 30 dias. Atualmente, a Instrução Normativa SRF nº1.396, de 2013, regulamenta os procedimentos relativos ao processo de consulta. Com relação à exclusão da multa de ofício, no caso de não ser acolhida suas razões meritórias, cabe registrar a análise procedida pela decisão de piso: Por meio da mencionada Solução de Consulta Interna n° 8, de 2007, a Coordenação Geral de Tributação COSIT da então Secretaria da Receita Federal se pronunciou no sentido de que, na hipótese de existir valor pago espontaneamente mas não confessado em DCTF pela contribuinte, deve o crédito tributário ser constituído de oficio, em sua totalidade, exonerandose a empresa da multa de oficio correspondente ao valor recolhido. Entretanto, conforme consulta aos sistemas da RFB, a contribuinte transmitiu Pedidos de Restituição dos pagamentos efetuados em valores superiores aos declarados, cujas restituições foram concluídas. Logo, não há como considerálos para quitação dos valores lançados de oficio, e conseqüentemente, inaplicável ao presente caso a SCI COSIT n° 8, de 2007, mantendose integralmente a aplicação da multa de oficio.(grifei). Assim restando demonstrado que a Recorrente não conseguiu infirmar a autuação através de prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos na ação fiscal, colhida vale ressaltar dos livros e Fl. 6723DF CARF MF 26 documentos comprobatórios da aquisição do produto cacau, apresentados pela autuada em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls.59/60 e demais. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Peço licença para discordar da decisão proferida pela i. Relatora que negou provimento ao recurso voluntário por entender, em síntese, que : (i) primeiro, a própria recorrente ao afirmar que os fornecedores não são cerealistas, pelo menos no modo estabelecido pela legislação, demonstra que um dos requisitos efetivamente não foi cumprido, já que a lei estabelece requisitos obrigatórios e não facultativos para que se enquadre a adquirente nas condições para apuração do crédito presumido; (ii) segundo, porque a Recorrente afirma que o cacau não se destina ao consumo humano e sim à industrialização. Assim, o fato de destinarse à industrialização não descaracteriza a destinação ao consumo humano, visto que a industrialização em quaisquer de suas etapas visa aprimorar o produto com vistas ao atendimento de seu consumidor final.; e (iii) por fim, que o recorrente não traz em sua peça recursal, qualquer elemento probatório com vistas a corroborar suas alegações em total inobservância ao artigo 333, do CPC, vigente à época dos fatos. Isto porque, no entendimento deste redator os documentos trazidos aos autos pela Recorrente demonstram que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria. Pois bem. No TVF, verificase que a fiscalização concluiu que, os fornecedores da fiscalizada em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com suspensão do recolhimento do PIS e COFINS, pois desempenhavam todas as atividades típicas de cerealistas, agropecuários e atacadistas, nos termos da legislação, tais como, limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau, senão vejamos: "As empresas circularizadas em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com a Suspensão do Recolhimento do PIS e da COFINS, pois desempenhavam todas as atividade típicas de cerealistas, conforme previstas na IN 660/06, isto é, afirmaram que como pessoa jurídica exerceram, na época da venda de cacau para a fiscalizada, cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau." Não obstante o trabalho realizado pela fiscalização junto aos fornecedores da Recorrente induza a conclusão de que as operações sob análise foram realizadas com a suspensão das contribuições, fato é que os documentos fornecidos pela Recorrente, demonstram uma realidade totalmente diversa do que fora apurada nos autos. Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.026 27 Com efeito, a Recorrente acostou aos autos cópias da Notas Fiscais que comprovam que as mercadorias discriminadas nos referidos documentos foram vendidas sem a suspensão da incidência, posto que ausente as informações concernentes a suspensão nas notas ficais, a teor da previsão contida no parágrafo 2º, artigo 2º, da IN 660/2006: "§2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com especificação do dispositivo legal correspondente". Referidas notas fiscais foram emitidas pelos próprios fornecedores da Recorrente que prestaram informações contrárias a fiscalização, entretanto, por inexistir qualquer processo ou ato declarando a irregularidade desses documentos, entendo que as informações contidas nas NF´s devem prevalecer em relação as declarações prestadas por aqueles fornecedores. Ressaltase, por oportuno, que no entendimento deste relator, a suspensão à época dos fatos não era obrigatória e dependia do requisito previsto na norma anteriormente citada. Diante disso, verificase que a ausência de menção expressa sobre a suspensão das contribuições nas NF´s, autoriza o contribuinte apurar e utilizar os créditos básicos relativos as aquisições de mercadorias objeto dos autos. Fora isso, insta tecer que a constituição do crédito tributário não pode, em hipótese alguma, ter como base recursos presuntivos. Tratase, inclusive, de procedimento vedado pelo ordenamento brasileiro, que, por afrontar o disposto no artigo 142 do CTN inválida a acusação fiscal. Nesse sentido, destacase a lição de Alberto Xavier2, da qual se extrai que, havendo a incerteza para o lançamento tributário em razão da falta de provas, este não deve ser efetuado: (...) é hoje concepção dominante que não pode falarse num ônus da prova do Fisco, nem em sentido material, nem em sentido formal. Com efeito, se é certo que este se sujeita às consequências desfavoráveis resultantes da falta de prova, não o é menos que a averiguação da verdade não é objeto de um simples ônus, mas de um dever jurídico. Tratase, portanto, de um verdadeiro encargos da prova ou dever de investigação, que não se vê vantagem em designar pr novos conceitos, ambíguos quanto à sua natureza jurídica, como o de ônus da prova objetivo, ônus da probabilidade ou situação, base ou condição da prova. Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de provas, esta deve absterse de pratica o lançamento (...)" Dessa forma, considerando que no presente caso a fiscalização partiu de mera presunção, baseada em declarações dos fornecedores da Recorrente , posto que as provas carreadas ao autos corroboram o direito do contribuinte, entendo que o Auto de Infração deve ser totalmente cancelado. Registrese, por oportuno, que o ônus de provar a irregularidade que ensejou a autuação pertence ao Fisco, não havendo possibilidade de atribuílo à Recorrente, conforme determinação prevista no artigo 9º, do Decreto nº 70.235/72, que determina que os autos de 2 Do Lançamento do Direito Tributário Brasileiro, 3ª edição, p. 154 a 158. Fl. 6725DF CARF MF 28 infração devem ser instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à caracterização do ilícito, a saber: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto redator. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado Fl. 6726DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.900071/2006-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-006.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, i) quanto ao crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda, vencidos Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. ii) quanto à correção da taxa selic, para reconhecer a atualização a partir do dia 360, exceto sobre o valor originalmente deferido pela autoridade preparadora, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente COMPEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PESCA E EXPORTACAO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, i) quanto ao crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda, vencidos Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. ii) quanto à correção da taxa selic, para reconhecer a atualização a partir do dia 360, exceto sobre o valor originalmente deferido pela autoridade preparadora, vencidas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 00 71 /2 00 6- 34 Fl. 225DF CARF MF 2 as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 380303.133, de 27/06/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Referida norma secundária extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. BASE DE CALCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. O crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10380.900071/200634 Acórdão n.º 9303006.364 CSRFT3 Fl. 226 3 de embalagem, para utilização no processo produtivo não permite a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de aproveitamento de crédito, por expressa vedação legal. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento de que não dá direito ao crédito presumido de IPI os serviços de industrialização por encomenda e quanto à não incidência da taxa Selic sobre os créditos ressarcidos. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 340100.916 e 930301.884. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 211/214. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 216/223). É o Relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido afastou a pretensão de ver incluídos, no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os serviços de industrialização por encomenda, assim como entendeu inexistir previsão legal para abonar a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos. Os acórdãos paradigmas, todavia, em flagrante dissídio jurisprudencial, concluíram justamente o contrário. No mérito, vemos assistir razão à contribuinte. No que concerne à primeira matéria, imaginemse as seguintes situações: uma primeira, em que a matériaprima sai do estabelecimento vendedor já definitivamente acabado e pronto para aplicação no processo produtivo do adquirente, ou seja, quando nela já se encontra aplicado aquele serviço que, se assim não fosse, o adquirente teria de encomendar a um terceiro a sua realização para o posterior emprego no seu processo produtivo. Neste caso, não se questiona que todo o valor do custo de aquisição da matériaprima gera o direito ao crédito pleiteado. Agora, uma segunda situação, na qual a matériaprima é adquirida do estabelecimento vendedor sem que nele tenha sido aplicado o serviço que se afigura necessário à sua utilização no processo produtivo do adquirente, que, por isso mesmo, o encomenda a um terceiro. Embora o gasto assim despendido seja incorporado ao custo da matériaprima, a tese encartada no acórdão recorrido o excluiu na determinação do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, pois no seu cálculo não se incluiria a hipótese de contratação de serviços. Todavia, a Lei nº 9.363, de 1996, autoriza o direito ao crédito sobre todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Não havendo óbice legal, entendemos que todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização no processo industrial devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que, sim, devem ser considerados na determinação do crédito presumido pelo encomendante. Fl. 227DF CARF MF 4 Adotando esse entendimento, confiramse os seguintes acórdãos desta mesma Turma e do Superior Tribunal de Justiça STJ: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (Acórdão nº 9303 001.721, de 07/11/2011). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (Acórdão nº 930301.623, de 29/09/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento o insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10380.900071/200634 Acórdão n.º 9303006.364 CSRFT3 Fl. 227 5 recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011) E, com relação à segunda matéria, como também vem entendendo esta Turma, a taxa Selic deve incidir a partir de findo o prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar de sua apresentação (art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007), conforme decidiu o mesmo STJ, aqui sob a sistemática dos recurso repetitivos: ESPECIAL Nº 1.467.934/RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, Fl. 229DF CARF MF 6 pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao recurso especial da contribuinte, para que, no cálculo do crédito presumido, consideremse os gastos na industrialização por encomenda, bem como que o valor a ser ressarcido (excluindose, portanto, o valor originariamente ressarcido pela unidade preparadora), seja corrigido pela taxa Selic a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido (360 dias), independentemente da época de sua apresentação. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10380.900071/200634 Acórdão n.º 9303006.364 CSRFT3 Fl. 228 7 Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013185/2005-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NA INSTÂNCIA A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE MERITÓRIA DOS PEDIDOS FORMULADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada na DRJ, a análise meritória do Recurso Voluntário não pode ser feita por esta instância recursal, eis que ausente requisito intrínseco de admissibilidade.
Numero da decisão: 1002-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NA INSTÂNCIA A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE MERITÓRIA DOS PEDIDOS FORMULADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada na DRJ, a análise meritória do Recurso Voluntário não pode ser feita por esta instância recursal, eis que ausente requisito intrínseco de admissibilidade.
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DCTF. INTEMPESTIVIDADE Recorrente ADRIANA ROCHA ACADEMIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NA INSTÂNCIA A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE MERITÓRIA DOS PEDIDOS FORMULADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Caracterizada a intempestividade da impugnação apresentada na DRJ, a análise meritória do Recurso Voluntário não pode ser feita por esta instância recursal, eis que ausente requisito intrínseco de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 31 85 /2 00 5- 87 Fl. 37DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 25 a 26) interposto contra o Acórdão n° 0214.408, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 19), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação da Contribuinte, em razão de sua intempestividade. Cumpre transcrever a ementa atinente ao caso: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓR1AS Anocalendário: 2003 Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Haja vista a precisão no resumo dos fatos, peço vênia para transcrever o trecho do Acórdão impugnado, o qual identificou a intempestividade na instância a quo: A manifestação da autuada é intempestiva. Conforme AR de fl. 13, a ciência do lançamento se deu em 05/08/2005. Assim sendo, o prazo regulamentar de 30 dias para impugnação, previsto no art. 15 do Dec. 70.235, de 1972, se encerrou em 06/09/2005. O documento constante nas fls. 01 a 03 só foi apresentado em 15/09/2005 (fl. 01, verso), após o encerramento do prazo. Ainda que se considere a data de vencimento da multa constante no auto de infração, a manifestação é intempestiva. Conforme fl. 04, o prazo para pagamento da exigência formalizada se encerrou em O5/09/2005. A pretensa impugnação só foi entregue em 15/09/2005. (...) Em face do exposto, voto no sentido de Não Conhecer da Impugnação apresentada e declarar impossibilitado o julgamento do mérito do Auto de Infração de fl. 04." (fls. 19 a 21) A Contribuinte, por seu turno, apresentou o Recurso Voluntário, no qual objetiva as seguintes providências: a) o reconhecimento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), haja vista a entrega da Declaração ao Órgão Fazendário; b) o cancelamento da multa aplicada em decorrência do atraso da entrega da DCTF; e c) a redução de 50% da multa, caso seja mantida a pecúnia punitiva, haja vista a espontaneidade da entrega da Declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10680.013185/200587 Acórdão n.º 1002000.020 S1C0T2 Fl. 3 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, descumpre requisitos de admissibilidade, portanto não o conheço. Sigo à análise do Recuso. 1. Do motivo para o não conhecimento do Recurso Voluntário Notase, de plano, que a decisão da DRJ atestou a intempestividade da impugnação com hialina clareza. Nesse espeque, forçoso reconhecer que não houve a instauração da fase litigiosa do processo, haja vista o nãoconhecimento da exordial defensiva. Em outras palavras: como não houve impugnação válida, sequer foi dado início à fase litigiosa do procedimento (arts. 14 e 15, do Dec. 70.235/72). Por assim ser, resta manifestamente incabível a via do Recurso Voluntário. Nessa trilha, o conhecimento do instrumento recursal acaba por ser inviável, e manifestaria claro descompasso com os ditames do Processo Administrativo Fiscal. 2. Da impugnação aos argumentos do Acórdão na instância a quo Ainda que fosse conhecido o presente Recurso Voluntário, e apenas para corroborar sua improcedência, não seria possível adentrar em seu mérito, pois lhe carece o cumprimento de requisitos intrínsecos. Conforme mencionado alhures, a impugnação da Recorrente foi apresentada a destempo, ou seja, restou manifestamente intempestiva. Ressalto, ainda, que este fato sequer foi mencionado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, nem mesmo em sede de preliminar. Portanto, foi possível notar que os fundamentos do Recurso Voluntário representaram o mesmo teor da Impugnação, sem tecer qualquer ataque ao estrito teor do Acórdão da DRJ. Quanto ao mais, o Acórdão proferido pela DRJ resta irretocável. A intempestividade flagrante obstou a análise meritória per se, o que impede que tal exame ocorra nessa instância recursal. Nesse espeque, o teor do Acórdão impugnado acaba por representar unicamente o objeto da tempestividade, o qual a Recorrente deveria ter abordado em suas razões de defesa. Assim, somente na eventualidade de ter sido atacada e afastada a pecha da intempestividade, é que seria possível adentrarse à quaestio juris da DCTF quando do julgamento deste indigitado Recurso. Por fim, cumpre colacionar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o qual já se debruçou sobre o tema, no sentido de inviabilizar a análise de Recurso Voluntário, quando caracterizada a intempestividade da Impugnação na instância a quo: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARTS. 14 E 15 DO DECRETO N. 70.235/72. REVELIA. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 35 DO DECRETO N. 70.235/72. APLICABILIDADE AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS PEREMPTOS E NÃO ÀS IMPUGNAÇÕES INTEMPESTIVAS. 1. Discutese nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. Fl. 39DF CARF MF 4 2. O Tribunal de origem, soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, o que justifica o não cabimento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes 3. Depreendese da interpretação do arts. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72 que a falta da impugnação da exigência, no prazo preconizado de trinta dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. 4. Aplicase o art. 35 do Decreto n. 70.235/72 aos casos em que o próprio recurso voluntário é considerado perempto, e não quando a impugnação da exigência não é conhecida em face da intempestividade. Recurso especial improvido. (RESP n. 1.240.018SC, Relatoria do Min. Humberto Martins) 3. Conclusão Ante as razões expostas acima, com fulcro nos arts. 14 e 15, do Dec. n° 70.235/72, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do presente Recurso Voluntário, com a conseqüente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 40DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.720782/2012-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 82 /2 01 2- 99 Fl. 553DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, referente ao seguinte Auto de Infração: AI DEBCAD nº 37.351.4484 – no valor de R$ 1.055.439,67 (um milhão, cinqüenta e cinco mil, quatrocentos e trinta e nove reais e sessenta e sete centavos), consolidado em 21/05/2012, referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, nas competências 01/2008 a 12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 12/16, os fatos geradores das contribuições lançadas ocorreram em razão da remuneração de serviços prestados por transportadores rodoviários autônomos, de honorários, prólabore e outros valores pagos a segurados contribuintes individuais. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a base de cálculo das contribuições apuradas corresponde a 20% (vinte por cento) sobre os valores pagos aos transportadores rodoviários autônomos e aos pagamentos feitos a outros contribuintes individuais, identificados nos lançamentos registrados no Livro Caixa de 2008. Segundo esse mesmo Relatório, os valores pagos aos transportadores autônomos foram lançados juntamente com os valores pagos a pessoas jurídicas, motivo pelo qual a empresa foi intimada a separálos; e todas as bases de cálculo e alíquotas aplicadas estão discriminadas no Discriminativo de Débito – DD anexo. Foi demonstrada a forma de aplicação da multa; identificado os levantamentos dos valores lançados, os créditos constituídos, os documentos examinados e documentos anexados. Os dispositivos legais que fundamentam o lançamento foram discriminados no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência, em tese, do crime previsto no art. 337A, inciso I, II do Código Penal – DecretoLei nº 2.848, de 07/12/1940. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 3 3 Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 19/06/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402003.633 (fls. 471/488), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que a contribuição previdenciária do condutor autônomo de veículo rodoviário incida sobre 20% do rendimento do bruto e que em relação à multa seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, caso mais benéfica, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. CONDUTOR DE VEÍCULOS. AUTÔNOMOS. FRETES. O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido no §4º do art. 201 do RPS corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 18/07/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/08/2013, Recurso Especial (fls. 490/499). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 1018/2013, da 4ª Câmara, de 01/10/2013 (fls. 502/503). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Fl. 555DF CARF MF 4 Cientificado do Acórdão nº 2402003.633, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 14/04/2014, o contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 515/529) da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido e contrarrazões (fls. 509/512) em 22/04/2014, portanto, tempestivamente. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 12/05/2017 (fls. 542/547). Em suas contrarrazões, o contribuinte argumenta que está correta a reclassificação da multa para de natureza moratória, e que, portanto, não há motivação para gerar a imposição da multa de ofício no patamar de 75%, uma vez que a recorrente, de forma zelosa, registrou na sua contabilidade todos os ingressos financeiros, bem como os repasses de valores a terceiros por conta dos fretes por estes realizados mediante agenciamento, dando ao Ente Tributário pleno conhecimento do procedimento por ela adotado. Ressalta que a pena administrativa deve ser orientada pelos mesmos princípios que regem a aplicabilidade da lei penal. Alega que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 c/c o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinam que as multas decorrentes de débitos oriundos de contribuições terão natureza moratória e que o percentual a ser aplicado será limitado a 20%, porém o Fisco quer a aplicação do somatório da multa citada e da multa prevista no artigo 32, parágrafos 4º, 5º e 6º da Lei nº 8.212/91, atualmente revogadas, que consignam multas em valores variáveis e no valor de 100% do valor devido. Assim, diz que “resta claramente demonstrado que a regra prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212/91 denota punição mais benigna”, e como no nosso ordenamento jurídico impera a regra da retroatividade da lei mais benigna, como dispõe o CTN em seu artigo 106, o acórdão prolatado deve ser mantido pela Câmara. Acrescenta que a jurisprudência do CARF é dominante no sentido da aplicabilidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, devendo a multa ser reduzida e ajustada a tal legislação, mais benéfica ao contribuinte É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 4 5 Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 502. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Para se contrapor ao Recurso especial, traz o sujeito passivo em sede de contrarrazões: Alega que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 c/c o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinam que as multas decorrentes de débitos oriundos de contribuições terão natureza moratória e que o percentual a ser aplicado será limitado a 20%, porém o Fisco quer a aplicação do somatório da multa citada e da multa prevista no artigo 32, parágrafos 4º, 5º e 6º da Lei nº 8.212/91, atualmente revogadas, que consignam multas em valores variáveis e no valor de 100% do valor devido. Assim, diz que “resta claramente demonstrado que a regra prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212/91 denota punição mais benigna”, e como no nosso ordenamento jurídico impera a regra da retroatividade da lei mais benigna, como dispõe o CTN em seu artigo 106, o acórdão prolatado deve ser mantido pela Câmara. Acrescenta que a jurisprudência do CARF é dominante no sentido da aplicabilidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, devendo a multa ser reduzida e ajustada a tal legislação, mais benéfica ao contribuinte Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 557DF CARF MF 6 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 5 7 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia Fl. 559DF CARF MF 8 seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 6 9 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº Fl. 561DF CARF MF 10 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11040.720782/201299 Acórdão n.º 9202006.437 CSRFT2 Fl. 7 11 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Fl. 563DF CARF MF 12 Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720450/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006
PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20).
GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE.
Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicam-se somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicam se somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 04 50 /2 01 1- 33 Fl. 351DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase de impugnação ao Auto de Infração das fls. 44/54, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP para formalizar a exigência da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos, no percentual de 75%, importando o crédito tributário em R$ 95.244,55, à época da autuação. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal das fls. 80/86, o procedimento fiscal objetivou apurar a legitimidade dos créditos do IPI objeto de pedidos de ressarcimento, sendo apuradas em seu curso as seguintes infrações: a) falta de lançamento do imposto nas saídas de águas gaseificadas classificadas no código 2201.10.00 da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 2002, que a fiscalização entendeu como não se enquadrarem na notação “NT” e sim estarem sujeitas à incidência do IPI por unidade nos termos da Nota Complementar [NC(222)] do respectivo capítulo; b) créditos básicos indevidos referentes a: i) aquisição de insumos para a fabricação de produtos “NT”; ii) aquisição de produtos diversos que não se enquadram como MP, PI e ME; e iii) aquisição de insumos utilizados em comum em produtos “NT” e tributados, que foram rateados de acordo com tabela de utilização fornecida pelo contribuinte. A fiscalização elaborou demonstrativos dos valores que deixaram de ser lançados por produto e por decêndio, das glosas de créditos, dos saldos da escrita fiscal antes da reconstituição e da reconstituição da mesma, conforme anexos das fls. 77/79 e 89/232 que compõe o presente auto de infração. O enquadramento legal das infrações se deu com base nos arts. 24, incisos II e III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 139, §§ 1° e 2°, 140, 142, 143, 149, 150, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso II, do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). A multa de ofício está sendo exigida com arrimo no art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Devidamente cientificada, a autuada vem, tempestivamente, por intermédio de seus procuradores credenciados pelos documentos das fls. 261/264, defenderse da imputação pelo arrazoado das fls. 238/260, cujas alegações, em síntese se transcreve: (...) Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 352 3 a) em relação aos valores da MULTA ISOLADA e dos débitos de IPI apurados, relativos ao período de abril a dezembro de 2006, o presente AUTO é improcedente, porque: a.i) a AUTORIDADE decaiu do direito de lavrar o AUTO para exigir tanto a MULTA ISOLADA quanto os débitos de IPI (pouco importando a absorção destes pelos créditos escriturais que a AUTORIDADE reconheceu ter a IMPUGNANTE), com relação ao período de abril de 2006, ante NÃO ter efetuado o respectivo lançamento no prazo de cinco anos contados do respectivo fato gerador (art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN); a.ii) o produto comercializado pela IMPUGNANTE, qual seja , água mineral natural gaseificada, não é tributado pelo IPI , uma vez que o fato desse produto ser gaseificado artificialmente não descaracteriza a sua condição de água mineral natural, sendo também abrangido pela Ex 01 da subposição 2201.10.00 da TIPI , cuja notação é NT e b) em relação à glosa dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos empregados tanto na fabricação de água mineral natural quanto da água mineral natural gaseificada, relativos ao período de abril a dezembro de 2006, o presente AUTO é improcedente, porque: b.i) prescreveu o direito de a AUTORIDADE realizar a glosa dos créditos escriturais relativos ao período de abril de 2006, porque a referida glosa foi realizada após vencido o prazo de cinco anos (aplicação, a contrario senso, do art. 1° do Decreto n° 2.0910, de 06. 01.1932); b.ii) a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI incidente na aquisição de insumos empregados na fabricação da água mineral natural e da água mineral natural gaseificada, em razão do princípio constitucional da não cumulatividade; e c) ainda que seja mantido o auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, deve ser mantido o crédito de IPI relativo à aquisição de insumos empregados na água mineral natural gaseificada, porque admitida a sua tributação pelo IPI. (...) Alega, ainda, que, em relação à exigência da multa isolada, a mesma é improcedente porque não houve descumprimento de obrigação acessória – falta de lançamento do imposto na nota fiscal, como também não houve cometimento de infração já que indicou que a operação de venda de água mineral natural gaseificada era e é não tributável pelo IPI. Aduz que a absorção do suposto débito que incidiria sobre a água mineral natural gaseificada impossibilita a cobrança da multa isolada por não ser admissível imposição de penalidade quando não há imposto devido. Por fim, pede que seja cancelado o auto de infração e a ordem de estorno dos respectivos créditos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, foi declarada definitiva na esfera administrativa a glosa não expressamente impugnada e Fl. 353DF CARF MF 4 julgada procedente em parte a impugnação, para cancelar integralmente a exigência da multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos e manter parcialmente a determinação do estorno dos créditos glosados, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O IPI é tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, Em tendo havido pagamento antecipado, flui o prazo decadencial em cinco anos da ocorrência do fato gerador. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. As águas minerais naturais, com ou sem gás, classificamse no código 2201.10.00, “ex” 01, da TIPI (RGI/SH 1 e 6 e RGC), que corresponde à notação NT na TIPI. CRÉDITOS DO IPI. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Os estabelecimentos industriais ou equiparados somente podem creditarse de insumos (MP, PI e ME) a serem aplicados em produtos tributados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Em 20/12/2013, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada com o provimento parcial da impugnação, em 26/12/2013, a recorrente juntou aos autos o recurso voluntário de fls. 300/308, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória quanto (i) a decadência do direito de a autoridade fiscal glosar parte dos créditos do IPI do mês de abril de 2006, e (ii) ao direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 353 5 O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A matéria litigiosa remanescente cingese a dois pontos: a) decadência do direito de glosar parte dos créditos do IPI do mês de abril de 2006, e (ii) o direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). Da decadência do direito de glosar créditos do IPI Em relação a esse ponto do dissenso, a recorrente alegou que, “se o Fisco tem o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador para lançar eventual débito de IPI não recolhido em razão da apuração de crédito escriturais, o prazo do Fisco para realizar a glosa desse mesmo crédito também tem de ser de 5 (cinco) anos.” No caso, o que a recorrente pleiteia é a extensão da regra sobre a decadência do direito de constituir o crédito tributário, fixada no art. 150, § 4º, do CTN para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, também para o direito de a fiscalização proceder a glosa de créditos escriturais do IPI. A matéria não é nova neste Colegiado. Com efeito, na Sessão de 24 de agosto de 2016, no julgamento dos embargos de declaração interpostos nos autos do processo nº 16095.720120/201388, por meio Acórdão nº 3302003.346, com base no bem fundamentado voto do nobre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, este Colegiado decidiu, por unanimidade, que os “prazos decadenciais previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado”. O enunciado das ementas do referido julgado ficaram assim redigidos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Embargos acolhidos em parte. Fl. 355DF CARF MF 6 Crédito Tributário Mantido em parte. E por refletir o entendimento deste Conselheiro, com respaldo no art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999, aqui adotase como razão de decidir os mesmos fundamentos exarados no voto condutor do referido julgado da lavra do i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, cujos excertos pertinentes sequem transcritos: Relativamente ao prazo decadencial para a constituição de crédito tributário, a matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Nos termos do julgamento do REsp 973.733/SC, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Assim, a tese defendida pela recorrente de que a homologação do pagamento se refere à atividade exercida não encontra guarida no Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, razão assiste à recorrente quanto à equiparação a pagamento homologável da dedução dos débitos escriturados com créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, nos termos do artigo 124 do RIPI/2002, vigente à época dos fatos: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Neste sentido, citase Acórdão nº 3403003.172, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento: DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 354 7 A dedução dos débitos, no período de apuração do IPI, dos créditos admitidos, de que resulta saldo credor equivale a pagamento e é hábil para deslocar a contagem do prazo decadencial para a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Embora correta, esta tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. A glosa repercute na apuração do IPI quando o contribuinte o utiliza para dedução de débitos, gerando saldos devedores de IPI, estes sim sujeitos ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Pelos mesmos fundamentos apresentados no voto transcrito, este Relator também entende que o regramento sobre decadência, em especial, os prazos decadenciais previstos tanto no art. 150, § 4º, quanto no art. 173, ambos do CTN, aplicase apenas ao direito de constituir o crédito tributário, mediante lançamento, mas não se aplica ao direito de glosar créditos escriturais do IPI, por se tratar de situação distinta não alcançada pelos citados preceitos legais. Com base nessas considerações e por falta de previsão legal, não se acata a alegada decadência suscitada pela recorrente. Do crédito do IPI referente ao insumo aplicado em produto “NT” Nos presentes autos, embora o Colegiado de julgamento de primeiro grau tenha reconhecido e decidido, em caráter definitivo, que “às águas minerais naturais, com e sem gás, aplicase o ‘Ex’ 01 Águas minerais naturais”, que tem a anotação Não Tributado (“NT”) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), a glosa em apreço referese apenas aos créditos relativos às águas minerais naturais sem gás. E em relação à este último produto não há qualquer dissenso de que ele seja produto com anotação “NT” na TIPI. Sabese que o direito de apropriação de créditos do IPI na aquisição de insumos aplicados nos produtos classificados na TIPI como “NT” é matéria que se encontra pacificada no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Aliás, a matéria foi objeto da Súmula CARF nº 20, que transcrita: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. O texto da referida Súmula não faz qualquer diferença entre os produtos classificados na TIPI como “NT”, logo significa que, diferentemente do alegado pela recorrente, com base no art. 195, II, do RIPI/2002, ela alcança todos os produtos com a anotação “NT” na citada Tabela, incluindo, os produtos imunes ao citado imposto. E diferentemente do que alegou a recorrente, os julgados paradigmas, que respaldaram a edição da referida súmula, induvidosamente, confirmam o entendimento aqui esposado de que o enunciado da citada súmula contempla, sem exceção, todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI. A título de exemplo, mencionase o Acórdão nº 20216.141, que trata do aproveitamento de créditos do IPI destacados nas notas fiscais de aquisição de insumos utilizados na produção de água mineral natural com ou sem gás, classificada no código 2201.10.00 Fl. 357DF CARF MF 8 da NCM, e incluída no “Ex” 01 da TIPI com a anotação “NT”, o mesmo produto fabricado pela recorrente. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, leiase o trecho extraído do voto condutor julgado que segue transcrito: Primeiramente registrase que não há controvérsia em relação a que o produto em relação ao qual postulase o ressarcimento de crédito dos insumos nele embutidos e classificado como não tributado (NT) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), sendo sua classificação fiscal, quer com relação à água natural ou gaseificada (água mineral natural adicionada de dioxido de carbono) 2201.10.00, EX 01. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002, a seguir reproduzido: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). (grifos não originais) A simples leitura do citado preceito legal revela que todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI estão fora do campo de incidência do imposto. E como a norma não fez qualquer exceção, certamente, não cabe ao intérprete fazêlo, especialmente, para fins de obtenção de benefício fiscal, que exige lei específica, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal de 1988. No mesmo sentido, o entendimento manifestado no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, que segue transcrito: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5ºdo Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10825.720450/201133 Acórdão n.º 3302005.327 S3C3T2 Fl. 355 9 De acordo com o citado ADI, em relação aos produtos amparados pela imunidade, o direito de apropriação de créditos do IPI, assegurado no art. 11 da Lei 9.779/1999 (matriz legal do art. 195, II, do RIPI/2002, citado pela recorrente) restringese aos produtos tributados na TIPI, que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Esse entendimento exposto no referido ADI está em conformidade com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002 e reflete a firme jurisprudência deste Conselho, explicitada por meio da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II do RICARF/2015. Da conclusão Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.723240/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr. Marco Alexandre Soares Silva, OAB/SC 17.420, escritório Eberhardt, Carrascoza & Advogados Associados.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr. Marco Alexandre Soares Silva, OAB/SC 17.420, escritório Eberhardt, Carrascoza & Advogados Associados. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Autos de Infração da COFINS (fls.18) e PIS (fl.03), lavrados em nome do contribuinte em epígrafe pertinente à RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 23 24 0/ 20 14 -5 4 Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 3 2 insuficiência do recolhimento das contribuições, nos períodos de apuração de 09/2009 a 12/2013, conforme abaixo discriminado: No Relatório Fiscal fl.33 e ss, consta que: 1. Analisando os DACON apresentados, verificouse que a contribuinte informou valores expressivos na linha “13. Outras Operações com Direito a Crédito” das fichas 06A e 16A, fichas estas que refletem as aquisições da contribuinte passíveis de aproveitamento de créditos na apuração das contribuições ao PIS e COFINS, respectivamente. Verificouse ainda que, invariavelmente, não foram apurados valores de contribuições a pagar, e nem houve excedentes de créditos, ou seja, o total de créditos informados em cada mês de apuração foi exatamente igual ao valor das contribuições apuradas; 2. Em atendimento da intimação formulada, a contribuinte apresentou a planilha “Item 2.9 Contas contábeis e valores linha 13.xls”, que contém não só a indicação das contas contábeis, mas informações relativas a todos os lançamentos relacionados aos créditos pretendidos pela contribuinte. A análise desta planilha demonstrou que os créditos informados se referem a períodos de apuração antigos, abrangendo o período de outubro de 2004 a dezembro de 2013. Além disso, as contas contábeis foram indicadas apenas pelo seu código, sem apresentar a respectiva descrição da conta contábil. Como se trata de créditos extemporâneos, contabilizados desde outubro de 2004, muitas das contas citadas não estão presentes na contabilidade do período sob auditoria; 3. Mesmo para as contas cujos códigos puderam ser identificados na contabilidade, não há certeza sobre a sua identificação, pois o plano de contas da contribuinte pode ter sofrido alterações no decorrer do período; 4. O que se percebe é que a contribuinte pretende um alargamento do conceito de insumo, indo muito além do previsto na legislação do PIS e COFINS, adiante comentada. Para pautar seu procedimento, se socorre de acórdão emanado pelo CARF, e afirma que "a esmagadora maioria da doutrina e da jurisprudência, inclusive administrativa" reconhece que o conceito de insumo, para fins da apuração não cumulativa das contribuições, abrange os custos e despesas operacionais necessários para que as receitas operacionais sejam auferida; 5. O argumento da contribuinte não pode prosperar. Diversos acórdãos mais recentes emanados pelo CARF abordam o tema, e Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 4 3 restringem sobremaneira o entendimento que a contribuinte pretende adotar; 6. A justificativa apresentada para os valores informados nos DACON como “outras operações com direito a crédito” foi o alargamento do conceito de insumo; 7. Questionada sobre o fato de não ter aproveitado estes créditos no correspondente período de apuração das contribuições, aproveitando os de forma extemporânea, a contribuinte asseverou que, a partir do momento em que encampou a tese do alargamento do conceito de insumos, fez um levantamento dos últimos cinco anos, retroagindo a 2004, apurando as operações que originalmente não foram consideradas como insumos para apuração destas contribuições (resposta ao quarto quesito do Termo de Intimação Fiscal 02); 8. Assim, os insumos incontroversos quanto ao creditamento das contribuições já haviam sido considerados nos próprios períodos de apuração de sua competência, enquanto os ora analisados só foram considerados como “insumos” devido ao alargamento indevido deste conceito; 9. É de se esperar, portanto, que as “demais operações com direito a crédito” assim classificadas pela RENAUXVIEW, possuam características que impeçam, à luz da legislação das contribuições, o aproveitamento de créditos para a sua apuração; 10. Ao observar a legislação de regência, verificase que, de modo geral, os créditos que podem ser descontados na apuração das contribuições são calculados em relação às seguintes operações: Aquisição de bens para revenda; Aquisição de insumos; Aluguéis pagos; Arrendamentos mercantis pagos; Despesas de depreciação de máquinas, equipamentos, edificações e benfeitorias; Devoluções de bens; e Energia elétrica; 11. Tal relação, entretanto, é apenas ilustrativa e não exaustiva, sendo importante destacar que mesmo nas operações citadas existem restrições e condições específicas para o aproveitamento de créditos, que devem ser analisadas em cada caso concreto. Uma destas restrições, por exemplo, referese ao fato de que as aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não geram direito ao crédito; 12. Conforme se verifica na argumentação da contribuinte, durante o procedimento fiscal, o ponto crucial de sua pretensão compreende a definição dos insumos que podem ser considerados como crédito no regime de incidência não cumulativa das contribuições PIS e COFINS, de que trata o art. 3º da Lei 10.833/2003; 13. Apesar da redação do dispositivo legal ser suficientemente clara ao vincular a utilização dos insumos com a fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a Instrução Normativa SRF 404/2004 aborda novamente a questão, em relação à apuração da COFINS. Quanto ao PIS, disposição idêntica encontrase na INSRF nº Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 5 4 247/2002, especificamente em seu artigo 66, com as alterações efetuadas pela INSRF nº 358, de 2003; 14. Das planilhas apresentadas pelo contribuinte, identificando as contas contábeis e as agrupando conforme as operações que, em sua visão, geram direito ao creditamento na apuração do PIS e da COFINS, cabem as observações a seguir: A) Despesas Financeiras Em relação a valores pertinentes a despesas bancárias, despesas c/abertura carta de crédito, juros de empréstimos, correção monetária de empréstimos, juros de mora, despesas debêntures, entre outras, cuja própria denominação já é suficientemente clara para identificar a natureza de tais despesas, como tipicamente financeiras, é mister esclarecer que, apenas por um curto período foi permitido o aproveitamento de créditos sobre determinadas despesas financeiras, especificamente enquanto vigeu a redação original do inciso V do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, alterados em 2004 pela Lei 10.865; Assim, no período sob análise, não há permissão para o creditamento pretendido. B) Despesas com Vendas As Despesas com Vendas consideradas pelo contribuinte, tais como Material de Expediente, Despesas Postais, Propaganda e Publicidade, Royalites, Amostras, Serviço de Manutenção e Reparo, Feiras e Eventos, Gratificações, Brindes Promocionais, Serviços de Terceiros, entre outros, não se enquadram nas operações que geram direito ao crédito de PIS e COFINS; C) Matériasprimas, materiais de embalagens e peças de manutenção A denominação dada a este grupo pela contribuinte, “Matériasprimas, materiais de embalagens, peças de manutenção”, dá a impressão de tratarse de insumos que podem ter sido efetivamente consumidos no processo produtivo, ou seja, passíveis de creditamento na apuração do PIS e COFINS não cumulativos; No entanto, devemos recordar que as operações sob análise só foram consideradas pela contribuinte como passíveis de creditamento a partir do momento em que foi adotado o alargamento do conceito de insumo. Assim, tais operações não foram originalmente consideradas como insumos para apuração destas contribuições, sendo previsível que contenham características que, de fato, impeçam o creditamento à luz da legislação das contribuições; Dentre as contas contábeis classificadas neste grupo a mais expressiva é a denominada “116806 Materiais Diversos”, com um total de R$ 4.208.616,56. Com apoio na planilha anexa a este termo (Lançamentos contábeis relacionados a Outras Operações com Direito a Crédito.xlsx) foram identificados os lançamentos contábeis mais representativos desta conta; O maior lançamento se refere a uma aquisição feita junto a um restaurante, denominado MANA do Brasil Restaurante Ltda, contabilizada em 25/08/2010, no valor de R$ 54.402,67. Além deste, pelo menos outros dois lançamentos dentre os 12 mais expressivos Fl. 969DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 6 5 estão vinculados a aquisição de alimentos, como denuncia o nome dos fornecedores, a saber : 18/12/2010 SEARA Alimentos S/A, no valor de R$ 16.785,40, e 18/12/2009: Atacadão Brusquense de Alimentos Ltda, no valor de RS 12.475,00; Tal constatação é suficiente para afastar a pretensão da contribuinte, pois despesas com alimentação não se enquadram no conceito de insumo para fins do regime não cumulativo de apuração das contribuições. Outras contas contábeis agrupadas pela contribuinte como “Matérias primas, materiais de embalagens, peças de manutenção” denotam, pela própria nomenclatura, não se tratar de insumos hábeis para o creditamento. É o caso da conta “116802 Material para escritório” (valor total de R$ 1.842.681,42), cuja denominação torna evidente o seu uso no setor administrativo, fugindo do conceito de insumo hábil a gerar crédito na apuração das contribuições. Há ainda neste grupo as contas “116805 Vasilhames/Embalagens de processo” e “116604 Material de Embalagem”, com valores totais de R$ 565.765,78 e R$ 394.588,93, respectivamente; A este respeito, a jurisprudência administrativa tem acatado o creditamento apenas das embalagens que são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, as chamadas embalagens de apresentação. Tais embalagens tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final, em quantidades compatíveis com sua venda no varejo; Já as embalagens para transporte, incorporadas apenas depois de concluído o processo produtivo, não podem gerar direito ao creditamento relativo às suas aquisições; No caso da empresa fiscalizada, sua produção consiste de tecidos, a serem vendidos para outras indústrias têxteis, ou para empresas varejistas, que os vendem ao consumidor final. Tais produtos não comportam embalagens de apresentação, mas apenas para viabilizar o transporte; Por tal motivo, a contribuinte não se creditou originalmente de tais valores, mas apenas após rever e alargar, indevidamente, o conceito de “insumo” para apuração das contribuições no regime não cumulativo. D) Diversos Custos de Produção Neste grupo foram considerados lançamentos que totalizam R$ 21.345.761,93. A expressiva maioria está vinculado à conta contábil “411510 Serviços de Terceiros P.J.”, alcançando R$ 14.590.941,73; Analisando os lançamentos contábeis relacionados pela contribuinte, verificase que a maciça maioria deste valor referese ao fornecedor RIO VIVO ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA, com diversos lançamentos alcançando o valor total de R$ 9.879.560,40 de 2004 a 2013. Conforme consulta ao sítio eletrônico da empresa (http://www.riovivo.com.br/), ela está habilitada a executar projetos, construir, gerenciar e operar Sistemas de Tratamento de Efluentes Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 7 6 Industriais e Sanitários,o que indica a natureza dos serviços prestados à contribuinte fiscalizada; Além deste prestador, outros identificados nos lançamentos contábeis permitem identificar a natureza dos serviços prestados, que seriam de assessoria, treinamento ou vinculados a tratamento de resíduos, tais como os seguintes: DJN ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA; FUNDAÇÃO BLUMENAUENSE DE ESTUDOS TÊXTEIS; RECICLE CATARINENSE DE RESÍDUOS LTDA; SENAI SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL; CATARINENSE ENGENHARIA AMBIENTAL S/A; e CAÇAMBA CIDADE LIMPA LTDA; Apesar de relevantes e necessários, tais serviços são auxiliares ou complementares ao processo produtivo, não podendo ser considerados como insumos para fins de creditamento para apuração das contribuições. E) Despesas Operacionais Diversas contas integrantes de tal grupo já evidenciam, pela sua descrição, o motivo da contribuinte não ter se creditado das contribuições nos períodos originais de tais aquisições, tais como Assinatura de Jornais e Revistas, Seguros, Benfeitorias, Associação de Classe, Assinaturas e Publicações, Despesas Postais, entre outras..São operações manifestamente impróprias para a geração de créditos para apuração das contribuições; A conta principal deste grupo, com lançamentos que remontam a R$ 12.921.077,56 no período, é a denominada “440319 Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica”. Analisando os lançamentos contábeis correspondentes, verificase que englobam despesas com advogados, serviços contábeis e de auditoria, serviços de informática, de segurança privada, dentre outros. Evidentemente não se tratam de serviços utilizados diretamente no processo produtivo das mercadorias sujeitas às contribuições PIS e COFINS; F) Gastos com Pessoal A descrição das contas contábeis e dos fornecedores indicados nos lançamentos contábeis demonstram que os gastos mais representativos se referem à alimentação, plano de saúde, bolsas de estudo, valetransporte e treinamento, que não permitem o creditamento para apuração das contribuições. G) Imobilizado A mera descrição deste grupo, e das contas contábeis que o compõem, já demonstra tratarse de instalações e equipamentos do imobilizado, sendo que apenas as respectivas despesas de depreciação podem gerar créditos na apuração das contribuições; Esta breve análise confirmou que, de fato, as operações sob análise contêm características que impedem o creditamento sobre o valor de tais aquisições, justificando o fato da contribuinte não ter aproveitado os respectivos créditos nos períodos originais de apuração das contribuições, mas apenas após rever e expandir, de maneira indevida, o conceito de insumo; Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 8 7 E justamente este aproveitamento de créditos a destempo caracteriza outro óbice para a pretensão da contribuinte. 15. Conforme a contribuinte afirma textualmente em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal 02, a partir do momento que a empresa resolveu adotar o conceito mais amplo de insumo para fins de apuração das contribuições, promoveu o "levantamento e a consequente tomada dos créditos dos cinco anos anteriores a essa tomada de decisão,a partir do que, esses créditos levantados foram sendo lançados em “outros créditos no DACON”; 16. De fato, a planilha “Item 2.9 Contas contábeis e valores linha 13.xls” apresentada em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal demonstra que a contribuinte apurou tais créditos desde outubro de 2004 até dezembro de 2013, e os aproveitou nos períodos de apuração de setembro de 2009 a dezembro de 2013; 17. Nem mesmo ao final de 2013 o aproveitamento de créditos pretendidos pela contribuinte foi feito nos meses de apuração corretos. Somente parte do valor informado no DACON de dezembro de 2013, e apenas no caso do PIS, são originários de operações daquele mês; 18. Assim, tais créditos relativos a períodos anteriores ao fato gerador da contribuição serão aqui doravante denominados como créditos extemporâneos; 19. Tais créditos extemporâneos sujeitamse à glosa integral, independentemente da eventual procedência do direito da contribuinte caso tivessem sido informados tempestivamente (procedência que, como já visto, não encontra amparo legal). Dispondo sobre o DACON encontravase em vigor em 2009 a IN RFB n° 940, de 19/05/2009 que, no caput de seu art. 14, e em específico o seu parágrafo primeiro, aborda a retificação de demonstrativos.Tal normativa foi substituída pela IN RFB n°. 1.015, de 05/03/2010 que tratou de idêntica forma o assunto, conforme seu artigo 10; 20. Com base em tais artigos, importa concluir que o aproveitamento dos créditos sob análise deveria ter sido feito mediante a retificação dos demonstrativos dos períodos próprios dos créditos. Ademais das prescrições normativas acima indicadas, ressaltese que a posição aqui adotada, quanto ao não acatamento desses créditos extemporâneos, não se fundamenta simplesmente em excessivo rigor formal para obstaculizar o direito em questão, mas sim da inarredável constatação de que o gozo do benefício fiscal em questão cingese à existência de controles mínimos por parte do fisco, em observância ao princípio da indisponibilidade do interesse público. Não se tem como apreciar créditos de 2004 no bojo da análise dos períodos de 2009, por exemplo. Os direitos daqueles anos pretéritos haveriam de ser apreciados em conjunto com as informações pertinentes àqueles períodos, até mesmo para se verificar se tais créditos, de fato, não foram utilizados em seus períodos próprios, condição indispensável para a pretensão da contribuinte, de os aproveitar extemporaneamente; Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 9 8 21 Além disso, o mecanismo da nãocumulatividade insculpido nas leis de regência requer que o débito e o total dos créditos apurados sejam confrontados no mesmo período de apuração. Assim, da mesma forma que não seria cabível um eventual acréscimo de débitos de 2004 ser agora informado como compondo débitos de 2009, também não é pertinente que o débito de 2009 seja confrontado com créditos de 2004, senão com saldos remanescentes deles, para obter a contribuição devida nesses períodos de apuração de 2009; 22. Mesmo a norma do parágrafo 4o do artigo 3o das leis 10.637 e 10.833, de que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes, não pode ser invocada pela contribuinte, uma vez que não devem caber dúvidas quanto ao seu alcance. Tal disposição trata de crédito excedente de um determinado mês, após o desconto com os débitos do mesmo período, ou seja, referese a valores devidamente informados nos DACON próprios e não aproveitados, por serem superiores ao débito apurado. Logo tal disposição não significa autorização para que se aproveite direitos de períodos anteriores da forma como pretendeu a contribuinte; 23. Assim, restou comprovado à exaustão que não é permitido o aproveitamento de créditos relativos a operações de períodos anteriores, que deve ser feito exclusivamente pela retificação dos demonstrativos dos competentes períodos de apuração. Devidamente cientificada em 19/09/2014 fl.76, a interessada apresentou, em 20/10/2014 fl.79 e ss, impugnação, alegando em resumo que: 1. De imediato, temos que o entendimento da autoridade fazendária, de exigir a retificação dos DACONs anteriores, para apropriação de créditos extemporâneos, não encontra eco na norma de regência do PIS/COFINS. Afinal, a partir do momento em que se adota tal procedimento não há extemporaneidade, na medida em que os créditos e débitos são confrontados dentro dos respectivos períodos de apuração; 2. Com o devido respeito, causa espécie a posição adotada no caso concreto pela autoridade fazendária, pois na sua visão os trabalhos investigativos teriam validade para desconsiderar informações dos DACONs apenas naquilo que prejudica a empresa. Já nos pontos em que isso beneficia a empresa, vem a alegação de que prevalecem as informações prestadas originariamente; 3. Não se olvide, jamais, da natureza rígida e exaustiva do sistema jurídico tributário, lastreado nos princípios da legalidade e da tipicidade (CF/88, arts. 5o, caput, II; e 150, I; e CTN, arts. 3º e 97), dos quais decorrem a exigência da formalização do crédito tributário via ato administrativo de lançamento, cujo ônus da prova da ocorrência do fato gerador e da identificação do montante tributável por determinada exação é do fisco; 4. Originandose o crédito tributário da correspondente obrigação tributária e esta da ocorrência, no mundo dos fatos, da prática de algum ato que implique no dever de pagar tributo, concluise que, diferentemente das prestações contratuais, que são obrigatórias por Fl. 973DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 10 9 força da vontade das partes contratantes, na relação tributária a obrigação de prestar não é volitiva, pois se impõe diretamente da lei, independentemente da manifestação de vontade daquele a quem a lei vincula a obrigação. Isso é o que se dessume, dentre outros, dos arts. 150, I, da Constituição Federal de 1988, e dos arts. 3o e 97, do Código Tributário Nacional; 5. Ao contrário do que restou assentado no relatório fiscal, no caso o ônus da prova não é apenas do contribuinte, mas compartilhado com o fisco, e a partir do momento em que a empresa aponta a origem dos créditos compensados, a fiscalização deverá realizar os trabalhos investigativos a seu encargo, isto é, auditar as informações correspondentes. É sob este aspecto que se invoca a verdade material; 6. No que interessa ao caso dos autos, os créditos utilizados pela empresa são reais, estando materialmente incólume a sua conduta. Não será, pois, o não cumprimento de mera formalidade que terá o condão de infirmar créditos ilegítimos. O que ocorre é que estamos diante de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que o contribuinte, internamente, na sua própria contabilidade, apura os valores devidos e os declara ao fisco; 7. Assim, se o DACON está em descompasso com a realidade da escrita da empresa, o que deve prevalecer é a realidade dos fatos, seja em prol do fisco (no caso de lançamento suplementar), seja a favor do contribuinte (para reconhecer crédito não acusado pelo sistema); 8. Enfim, sempre com o devido respeito, não há condições de subsistir a premissa adotada na fiscalização, no sentido de que a ausência de retificação prévia dos DACONs justificaria a glosa levada a cabo. Tratase de medida desnecessária, cabendo à autoridade fazendária adotar as medidas pertinentes à quantificação dos créditos apontados pelo contribuinte; 9. Ao tratar dos créditos extemporâneos apontados pela empresa, a fiscalização se apegou a alguns casos específicos, em torno dos quais existe certa controvérsia, sem observar, contudo, que em muitas hipóteses o crédito se sustenta mesmo diante da (incorreta) interpretação restritiva defendida pela fazenda; 10. Para todas as hipóteses levantadas pela fiscalização, com efeito, é muito claro o direito de crédito, ante o disposto no art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, devendo ser provida a presente impugnação neste aspecto igualmente. Como informado ao longo do procedimento fiscalizatório, a empresa entende que o seu direito aos créditos das contribuições em destaque é muito mais amplo do que vem reconhecendo a Receita Federal e a incorreção deste ponto demonstra a impropriedade das glosas levadas a efeito; 11. Em verdade, o rol de créditos contido nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, art. 3o, é meramente exemplificativo, não se limitando às hipóteses nele previstas textualmente; 12. Para que bem se possa desvendar a matéria posta sob exame, não se pode prescindir da análise do conteúdo e alcance do princípio constitucional da nãocumulatividade tributária; Fl. 974DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 11 10 13. De fato, com a edição da Emenda Constitucional nº 42/2003, a aplicabilidade deste princípio às contribuições sociais de que se está a tratar ganhou contornos constitucionais. Assim sendo, em que pese as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, decorrentes da conversão de medidas provisórias prévias, serem anteriores à mencionada previsão constitucional da nãocumulatividade, resta evidente que toda sua regulamentação deve ser harmonizada e compatibilizada com a sistemática constitucional vigente para esse primado tributário; 14. Nesse sentido, devese ter em mente que a tributação não cumulativa tem por finalidade neutralizar os efeitos da repercussão tributária dentro da cadeia de fabricação e circulação de produtos, impedindo que o repasse do ônus econômico da incidência do tributo ao preço do produto tributado (repercussão tributária) venha a onerar o empresário, que poderá compensar o tributo previamente incidente com o por ele devido; 15. Com isso, sob o ponto de vista econômico, tributase apenas o valor adicionado ou agregado ao produto fabricado por cada empresário e, como dito, neutralhizase o fenômeno da repercussão tributária ao longo da cadeia produtiva. Apenas o consumidor final, que não tem direito ao crédito do tributo, arcará economicamente com o ônus da imposição tributária; 16. Vale dizer, na sistemática da incidência tributária nãocumulativa, a regra é que o tributo incidente na etapa anterior seja sempre aproveitado pelo contribuinte empresário na etapa subsequente, vindo a onerar única e exclusivamente o consumidor final. Portanto, a vedação ao crédito do tributo incidente na etapa anterior, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada; 17. Para a máxima e efetiva aplicação do princípio da não cumulatividade, todas as despesas e custos pagos ou incorridos pelos contribuintes, onerados pelo PIS/COFINS, haverão de gerar, necessariamente, créditos para o abatimento do valor devido a título de essas contribuições, sob pena de tornar sua cobrança cumulativa; 18. Especificamente em relação às despesas financeiras, cuja negativa ao crédito reside nos arts. 21 e 37, da Lei n.° 10.865/2004, tais regras apresentamse eivadas de inconstitucionalidade, pois ofensivas ao primado da nãocumulatividade tributária, de observância obrigatória também para a cobrança das contribuições a COFINS e ao PIS, tal como exigido pelo § 12 do art. 195 da Magna Carta de 1988, acrescentado pela Emenda Constitucional n. 42/2003; 19. Com efeito, citado preceito constitucional, ao impor a observância do princípio da nãocumulatividade tributária sobre essas exações, facultou a legislação infraconstitucional, única e exclusivamente, definir os setores da economia para os quais haveria a sua incidência, não lhe outorgando competência para disciplinar quais as despesas e custos pagos ou incorridos pelos contribuintes seriam ou não passíveis de gerar crédito dessas exações; Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 12 11 20. Dessa forma, sem prejuízo do amplo direito de crédito defendido no tópico precedente, nos casos em tela, relativos a coleta de resíduos sólidos, tratamento de efluentes, cavaco, embalagens de transporte e peças de reposição, a empresa defende pontualmente o direito de crédito, com amparo nos precedentes supra; 21. Temse ainda que a glosa de créditos deu lugar à exigência de PIS/COFINS supostamente devidos, em cuja base de cálculo, é sabido, a fazenda insiste defender a inclusão do ICMS, destinado aos Estados. Segundo o artigo 110 do CTN, os conceitos de direito privado, utilizados pelo legislador constitucional, expressa ou implicitamente, não poderão ser alterados pelo legislador e muito menos pelo aplicador da norma. Tratase de dispositivo de conteúdo meramente didático, pois, evidentemente, a Constituição prevalece sobre as demais regras do ordenamento em vigor, independentemente de qualquer disposição ordinária em tal sentido; 22. De outro lado, na hipótese de a Constituição nao lançar mão de conceito de direito privado, o legislador ordinário poderá alterar institutos, equiparando relações que não encontram correspondência direta na vida civil (artigo 109, CTN). Poderá estatuir, que a doação equivale à compra e venda, para fins de exigência de determinado tributo; 23. Destarte, inequívoco se apresenta que está consagrado na ordem jurídica vigente, como barreira intransponível para a válida e legítima incidência das contribuições sociais previdenciárias (ou de seguridade social) denominadas PIS/COFINS, a percepção de faturamento e/ou receita, sendo esse o núcleo da hipótese de incidência autorizada para a cobrança dessas exações. Ou seja, a base de cálculo das mesmas está constitucionalmente prevista; 24. Nessa direação há de se atentar que somente poderão ser tidos por faturamento/receita os valores que representarem o ingresso de recursos financeiros que se aderem definitivamente ao patrimônio e à propriedade da pessoa que os auferiu, traduzindose, pois, em riquezas novas; 25. O ICMS não representa faturamento, mas sim ônus fiscal, razão pela qual não pode ser a ele equiparado. Por tal razão, é indene de dúvidas que não pode compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. De fato, o ICMS não constitui receita própria, mas sim receita alheia, no caso, do Estado credor. Tratase, na realidade, de ingresso de numerário que não integra o patrimônio da empresa, pois apenas transita pelos cofres e pela contabilidade desta para depois serem repassados ao Fisco Estadual sujeito ativo do referido tributo; 26. Logo, natural é que não se tribute valores que não pertencem à empresa e nem que não se refiram ao seu acréscimo patrimonial, porquanto resultaria numa tributação com efeito confiscatório, nos termos do inciso IV, do art, 150 da CF/88; 27. Outra questão a ser debatida na presente defesa circunda a impossibilidade de os juros Selic incidirem sobre a multa de ofício. O art. 161 do CTN, regra com status de lei complementar, apenas autoriza a incidência de juros sobre o principal não pago; Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 13 12 28. Em uma simples análise da norma, concluise que ela está a se referir ao principal, pois incidente sobre o valor não pago no vencimento, momento em que não existem acréscimos de multa ou juros; 29. Somente depois do vencimento se afigura cabível a incidência de tais acréscimos, e se a norma fala em valor devido no vencimento, ela está a se referir ao principal, e não aos seus acessórios. Entendimento diverso ao ora defendido implica em locuplemento ilícito do Estado, ante o abandono de suas funções públicas, para assumir papel de entidade privada, como se instituição bancária fosse, incorrendo em verdadeiro confisco, ao arrepio do disposto nos arts. 5º, caput, e 150, IV, da CF/88; 30. Tanto é procedente a tese ora levantada, que a própria legislação ordinária, Lei nº 9.430/96, prevê a incidência da taxa SELIC sobre os débitos relativos a tributos e contribuições, ou seja, sem qualquer menção de incidência de juros sobre multa; 31. Enfim, não colhe a conhecida prática adotada pela RFB de onerar a multa de ofício com a indevida incidência da taxa SELIC, devendo ser expurgada tal cobrança; 32. Em face do exposto, requer seja recebida e regularmente processada a presente impugnação, suspendendo a exigibilidade de todo o crédito tributário impugnado e, ao final, julgada integralmente procedente a defesa e por consequência cancelar os autos de infração combatidos, ou, quando menos, o seu cancelamento parcial, mediante expurgo das parcelas indevidas e cômputo de créditos extemporâneos legítimos, bem como exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Junto com a impugnação, o contribuinte carreou aos autos Procuração, documentos de identidade, Estatuto Social, além de cópias de diversas Notas Fiscais." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2013 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 14 13 É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os bens e serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2013 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os bens e serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2013 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) desnecessidade de retificação de declarações anteriores (DCTF e DACON); Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 15 14 (ii) que o art. 3°, §4°, das Leis 10637/2002 e 10833/2003 dispõe que o crédito (nãocumulativo de PIS/COFINS) não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes; (iii) não há amparo legal para exigir a retificação de DACONS's e DCTF's anteriores, para apropriação de créditos extemporâneos; (iv) que ao caso deve se aplicar o princípio de verdade material; (v) que não é o descumprimento de mera formalidade que possui o condão de infirmar créditos legítimos; (vi) são incontroversos os créditos pleiteados (insumos), e cita como exemplo: a) algodão utilizado na fabricação de tecidos; b) fio 40/1, utilizado na fabricação de tecidos; c) DEVEKOT RN, produto químico utilizado no beneficiamento do tecido; d) combustíveis, inclusive gás natural industrial, e lubtificantes, todos utilizados no processo produtivo; e) aluguéis de máquinas e equipamentos; f) serviços prestados por terceiros ao longo do ciclo produtivo, tais como tingimento de fios/tecidos, calandragem, estamparia; g) serviços de transporte de insumos. (vii) o rol de créditos contido nas Leis 10637/2002 e 10833/2003 é meramente exemplificativo, sendo amplo; (viii) deve ser respeitado o princípio da nãocumulatividade, devendo todas as despesas e custos incorridos gerar crédito; (ix) com relação as despesas financeiras, cuja negativa de crédito se deu em função dos arts. 21 a 37 da Lei 10865/2004, que tal regramento legal está eivado de inconstitucionalidade; (x) cita outras hipóteses de créditos, tais como, a) coleta de resíduos sólidos e tratamento de efluentes; b) cavaco; c) embalagens de transporte e d) peças de reposição, que nestas situações pontuais, a jurisprudência do CARF vem reconhecendo o direito ao crédito de PIS e COFINS; (xi) que o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, por não representar faturamento; (xii) não podem incidir juros sobre a multa de ofício, sendo que os juros somente podem incidir sobre o principal de acordo com o art. 161 do CTN; Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 16 15 (xiii) que a Lei 9430/1996 prevê a incidência da taxa SELIC sobre os débitos relativos a tributos e contribuições, sem fazer menção de incidência de juros sobre multa, e (xiv) o lançamento é ilíquido e incerto. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Denotase que parcela significativa do recurso referese ao direito de a recorrente se creditar do PIS e da COFINS (nãocumulatividade) sobre valores incorridos na aquisição de bens e serviços caracterizados como insumos. A recorrente cita como exemplos de insumos: a) algodão utilizado na fabricação de tecidos; b) fio 40/1, utilizado na fabricação de tecidos; c) DEVEKOT RN, produto químico utilizado no beneficiamento do tecido; d) combustíveis, inclusive gás natural industrial, e lubrificantes, todos utilizados no processo produtivo; e) aluguéis de máquinas e equipamentos; f) serviços prestados por terceiros ao longo do ciclo produtivo, tais como tingimento de fios/tecidos, calandragem, estamparia; g) serviços de transporte de insumos. Cita outras hipóteses de créditos, tais como, a) coleta de resíduos sólidos e tratamento de efluentes; b) cavaco; c) embalagens de transporte e d) peças de reposição Aqui, merece ser salientado o entendimento do Conselheiro Winderley Morais Pereira, externado no processo 10940.903774/201199 in verbis: "Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 17 16 incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos." Pala análise dos documentos e informações constantes dos autos, entendo que não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos (bens e serviços) glosados pela Fiscalização que integram o processo produtivo da recorrente e quais deles fariam jus a recorrente terem como mantidos para fins de creditamento. Sendo assim, em vista de todo o exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, bem como para fins de se ter efetiva noção do processo produtivo, serviços e produtos utilizados pela recorrente, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: (i) Intime a Recorrente a apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável uma vez por igual período, laudo que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, serviços, despesas, custos ora glosados na sua produção, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; O laudo deverá, entre outros: a) demonstrar a função de cada bem e serviço que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; b) esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; (ii) Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário, com a elaboração de relatório; (iii) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13971.723240/201454 Resolução nº 3201001.142 S3C2T1 Fl. 18 17 Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 982DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900906/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. TRIBUTOS REGULARMENTE DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos termos da Súmula 360/STJ, e dos REsp n. 962.379/RS e n. 1.149.022/SP, ambos na sistemática do art. 543-C do antigo CPC (artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados (v.g. em DCTF), mas pagos a destempo.
Numero da decisão: 3401-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INAPLICABILIDADE. TRIBUTOS REGULARMENTE DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da Súmula 360/STJ, e dos REsp n. 962.379/RS e n. 1.149.022/SP, ambos na sistemática do art. 543C do antigo CPC (artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados (v.g. em DCTF), mas pagos a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 09 06 /2 00 9- 12 Fl. 90DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 2 a 61, transmitido em 31/08/2004, buscando compensar crédito de COFINS com débitos de IRPJ, no valor de R$ 121.68. No Despacho Decisório Eletrônico de fls. 7/9, informase que o pagamento foi localizado, mas utilizado integralmente para quitar débitos da empresa, não restando saldo disponível para a compensação. Ciente do despacho em 06/04/2009 (fl. 10), a empresa interpôs Manifestação de Inconformidade em 29/04/2009 (fls. 11 a 23), alegando, em síntese, que: (a) antes de qualquer notificação por parte do fisco, pagou o equivalente a R$ 6.381,31, sendo R$ 1.044,15 a título de multa de mora, quando do recolhimento em atraso de débitos de COFINS; (b) por ter havido denúncia espontânea, a multa de mora, que tem caráter sancionatório (como atesta a Súmula no 565 do STF), é indevida, tendo sido objeto de pedido de compensação com débito de IRPJ; e (c) o STJ, no REsp no 111.470/SC, entre outros, assentou que é inexigível a multa de mora em casos como o presente . A decisão de primeira instância, proferida em 03/09/2009 (fls. 41 a 43) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os fundamentos de que: (a) a empresa apresentou declaração de compensação alegando a existência de direito creditório oriundo do recolhimento de multa de mora pelo pagamento a destempo de COFINS do período de apuração 01/06/2004 a 30/06/2004, argumentando que não seria devida a multa de mora, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea; e (b) é pacífico, administrativa e judicialmente, o entendimento de que não se configura a denúncia espontânea em relação a valores declarados em DCTF, tendo em vista já ser o débito de conhecimento do fisco. Após ciência da decisão da DRJ, em 28/09/2009 (AR de fl. 46), a empresa apresentou o Recurso Voluntário de fls. 48 a 61, em 19/10/2009, reiterando os argumentos expressos na peça inicial de defesa, e acrescentando que é equivocado o entendimento da DRJ de que valores declarados em DCTF não configuram denúncia espontânea, pois em alguns casos, como o presente, o pagamento sucede a denúncia espontânea. Em 10/08/2011, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução no 3401001.292, para que a unidade local informasse se o débito a que o recolhimento foi vinculado consta em DCTF, e, em caso afirmativo, se ela foi entregue antes do recolhimento (ou, em caso negativo, qual o instrumento que permitiu a sua vinculação ao pagamento realizado, indicando no caso de “processo” a sua natureza, isto é, se o processo referese a parcelamento, lançamento de ofício ou outro). Em resposta, a unidade preparadora da RFB anexou os documentos de fls. 69 a 73 (excerto de DCTF e consulta de pagamento), informando que houve, efetivamente, declaração em DCTF, anterior ao recolhimento (fls. 74/75), tendo a empresa tomado ciência do resultado da diligência em 19/06/2017 (fl. 85), sem emitir considerações adicionais. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em julho de 2017. Em janeiro e fevereiro de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11040.900906/200912 Acórdão n.º 3401004.449 S3C4T1 Fl. 91 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há apenas uma discussão no presente processo, referente à incidência de multa de mora em recolhimentos espontâneos. E, sobre a matéria, já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC, artigo 1036 do novo Código de Processo Civil), afirmando que a apresentação de DCTF ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do fisco: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (grifo nosso) 2 Adicionese ainda outro precedente do STJ sobre o tema, em caráter complementar, igualmente na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.149.022/SP): “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. 2 STJ, REsp n. 962.379RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, 22.out.2008. Fl. 92DF CARF MF 4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” 3 (grifo nosso) E as decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos são de acolhida obrigatória por este tribunal administrativo, por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF (em verdade, depois da Lei no 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19, V e § 5o da Lei no 10.522/2002, passaram a ser de acolhida obrigatória por toda a RFB). Há, inclusive, Súmula do STJ, relacionada ao primeiro precedente do STJ aqui citado, afirmando que “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos 3 STJ, REsp n. 1.149.022SP, Rel. Min. Luiz Fux, unânime, 9.jun.2010. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11040.900906/200912 Acórdão n.º 3401004.449 S3C4T1 Fl. 92 5 sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo” (Súmula no 360/STJ). No presente caso, como atesta o resultado da diligência, o débito em questão, correspondente à COFINS de março/2004, código de receita 58561 – valor de R$ 5.220,74, foi declarado em DCTF, ND 1000.000.2004.1720067122, entregue em 14/05/2004, e o pagamento objeto da controvérsia foi realizado em 14/06/2004. Assim, é inequívoco que o débito estava declarado em DCTF, e que foi pago a destempo, aplicandose ao caso a citada Súmula STJ e os precedentes julgados na sistemática dos recursos repetitivos, que vinculam este tribunal administrativo. Não há, então, que se falar em denúncia espontânea, no presente caso, não remetendo o presente contencioso ao artigo 138 do Código Tributário Nacional, como demandava a recorrente. E, por consequência, inexiste crédito resultante de pagamento indevido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900730/2013-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fim de guerrear a decisão de piso cujo enredo a ser tratado, cingese à manutenção de negativa de homologação de compensação sob fundamento de ausência de entrega de DCTF retificadora anteriormente à entrega da DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 73 0/ 20 13 -8 8 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 141 2 Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade A recorrente, em breve síntese, alega ter ocorrido pagamento a maior de Cofins, motivo pelo qual compensou com débito posterior. Em sua defesa, socorrese ao argumento de haver enviado DCTF retificadora, inserindo, portanto, a informação sobre a operação tributária efetuada, ressaltando, ter sido entregue anteriormente à emissão do Despacho Decisório. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade teve a seguinte ementa: Acórdão 0737.347 4ª Turma COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 28512.44809.070313.1.3.040152, transmitida em 07 de março de 2013, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 4.316,83, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, mediante Darf código 2172, em 23 de abril de 2010, no valor de R$ 44.517,99, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pela homologação parcial da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 04 de abril de 2013, reconhecendo somente o valor de R$ 17,23, uma vez que o valor recolhido já havia sido parcialmente utilizado para extinção de (a) débito relativo ao período de apuração a que se referia, no valor de R$ 41.789,07, e (b) no PER/Dcomp nº 08187.99631.070313.1.7.040300, restando crédito disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados na Dcomp. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 142 3 Inconformada com a homologação parcial da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que transmitiu a Dcomp em 07 de março de 2013 e a DCTF retificadora, com o valor correto do débito de Cofins, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010, em 28 de março de 2013. Ressalta a interessada que a transmissão da Dcomp e da DCTF retificadora ocorreram antes da emissão do Despacho Decisório, em 04 de abril de 2013. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp (em 07 de março de 2013), não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF foi correta. Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF (em 28 de março de 2013), esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp Recurso Voluntário O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Recurso Voluntário Em sede de seu peça recursal, a recorrente narra o histórico processual destacando tratarse o tema, de compensação de pagamento a maior de Cofins, cuja decisão de piso considerou legítima, sob o argumento: só se pode homologar a compensação, independentemente de outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. Neste sentido, contrapõe a decisão sob vergasta sob o fundamento de ter efetivado retificação de DCTF, posteriormente à Dcomp, mas anteriormente ao Despacho Decisório. DCTF Retificadora Alega a recorrente que, mesmo tendo ocorrido a mencionada retificação, mediante transmissão da DCTF retificadora, alega não ter sido reconhecido pelo sistema da Receita Federal, incitando, em seu favor, a IN 1.110/2010, cujo parágrafo primeiro traz conteúdo normativo autorizando à retificadora, ter a mesma natureza da declaração enviada. Traz jurisprudência desta casa em seu benefício. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 143 4 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual foram satisfeitos todos os pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O cerne discutido relacionase com o tema da possibilidade de alterarse a DCTF, para fins de corrigir o montante apurado, mediante transmissão de retificadora, após a prolação do despacho decisório. Ainda, de entenderse como legítimos os valores lançados anteriormente em DACON. Com o brilhantismo que lhe é peculiar, o presidente desta Turma Extraordinária vem sustentando corrente, na qual compreende em profundidade, a necessária oportunização, ao contribuinte, de momentos adequados à formação probatória, nos casos em que, consistentemente, descreveu na proposta de Resolução 3001000.043: Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 144 5 Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao terceiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 27809.10301.300508.1.3.118906, no Per/Dcomp 29057.71509.300508.1.3.117985, no Per/Dcomp 19492.01379.130809.1.7.116941 e no Per/Dcomp 11873.46918.120809.1.7.118359. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Por fim, arremata no sentido de haver a possibilidade de o contribuinte instruir os autos nesta fase recursal: É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábil fiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 145 6 da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Tal entendimento, exposto pelo ilustre conselheiro Orlando Rutigliani, encontra larga aceitação na jurisprudência desta Conselho, a exemplo, do acórdão abaixo transcrito, ao qual acato e cuja ementa espelha caso análogo: Acórdão 380201.111 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO NA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ APENAS NA FASE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Homologase a compensação declarada quando, na fase recursal, forem comprovados os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL. CONTRAPOSIÇÃO DE ARGUMENTO NOVO SUSCITADO NA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, não está alcançada pela preclusão, a prova documental apresentada na fase recursal, destinada a contrapor argumento novo suscitado somente na decisão recorrida. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. ORIGEM DO CRÉDITO COMPENSADO. ADMISSIBILIDADE. No âmbito do processo de compensação, inaugurado com a prolação do Despacho Decisório, uma vez comprovada, com documentação adequada, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do citado Despacho, a parcela do Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10850.900730/201388 Resolução nº 3001000.051 S3C0T1 Fl. 146 7 débito reduzida deve ser Conclusão Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. Conclusão Do exposto, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a unidade de origem. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 136DF CARF MF
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