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Numero do processo: 11020.720982/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/10/2008
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS-COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de nulidade. II) por maioria de votos negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim que dava provimento parcial para excluir juros e multa apenas sob as quantias depositadas.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/10/2008 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOSCOOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 09 82 /2 01 0- 18 Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de nulidade. II) por maioria de votos negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim que dava provimento parcial para excluir juros e multa apenas sob as quantias depositadas. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11020.720982/201018 Acórdão n.º 2401003.808 S2C4T1 Fl. 943 3 Relatório COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, Acórdão nº 10 35.861/2011, às fls. 585/590, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, concernentes à parte da empresa, incidentes o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços médicos de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, nos termos do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, em relação ao período de 12/2005 a 10/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 28/35. Tratase de Auto de Infração (Obrigação principal), lavrado em 19/11/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário devidamente consignado na folha de rosto da autuação. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas são os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo a cooperativa de trabalho na área de saúde denominada UNIMED NORDESTE RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA. em cumprimento aos contratos de prestação de serviços firmados entre os interessados. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 599/613, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. A corroborar a tese encimada, infere que o fiscal autuante não provou que os valores pagos pela recorrente se prestariam a retribuir os serviços prestados pelos cooperados da Unimed Nordeste para a própria empresa, o que representa vício material no lançamento. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que somente o valor repassado para o cooperado é base de cálculo das contribuições previdenciárias, na linha, inclusive, que estabelece as normas administrativas da própria Receita Federal do Brasil, que prescrevem percentuais na fatura (30% ou 60%), dependendo da natureza do contrato, ao contrário do que restou assentado na decisão recorrida. Em defesa de sua pretensão, ressalta que o fato da cooperativa utilizar (ou ter mencionado) na fatura a questão do ato cooperativo principal, ou mesmo ter destacado como base do IRRF, em nada se comprova ser este restrito aos valores repassados aos cooperados, Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 podendo a informação pertinente ao IRRF estar equivocada, impondo seja observado o princípio da verdade material. Sustenta que a autoridade julgadora de primeira instância não se debruçou sobre o tema acima relembrado, de crucial importância ao deslinde da controvérsia, mormente por se tratar de hipótese de exceção à regra. Defende que a Lei n° 9.876/99, ao revogar os preceitos da Lei Complementar n° 84/1996, contrariou inúmeros preceitos constitucionais, a começar pela ordem formal, eis que uma lei ordinária derrogou os ditames de outra lei complementar, o que não é admitido em nosso ordenamento jurídico pátrio, mormente quando a matéria tratada é reservada à lei complementar. Alega ser plenamente viável/possível a análise de inconstitucionalidade/ilegalidades das normas pela instância administrativa, sobretudo quando tal entendimento vem sendo admitido pela jurisprudência judicial e doutrina pátria. Explicita a melhor interpretação do artigo 291 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 que deverá ser levada a efeito na subsunção do fato à norma, concluindo que a forma correta para se apurar a contribuição devida sobre uma fatura de serviço médico prestado por cooperativas de trabalho, consiste em encontrar a base de cálculo resultante da multiplicação do índice de 30% (trinta por cento) ou 60% (sessenta por cento), conforme o caso, sobre o valor total da fatura, aplicandose, em ato contínuo, o percentual referente à alíquota da multi citada contribuição social a incidir sobre o montante concernente à base de cálculo. Ressalta que ingressou na Justiça contra a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pertinentes a prestação de serviços mediante cooperativas de trabalho, depositando parte dos débitos ora lançados, os quais não foram considerados por ocasião do lançamento fiscal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11020.720982/201018 Acórdão n.º 2401003.808 S2C4T1 Fl. 944 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. A corroborar a tese encimada, infere que o fiscal autuante não provou que os valores pagos pela recorrente se prestariam a retribuir os serviços prestados pelos cooperados da Unimed Nordeste para a própria empresa, o que representa vício material no lançamento. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos dos lançamentos foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos livros contábeis, Notas Fiscais, GFIP’s, e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Não bastasse isso, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. MÉRITO Consoante se positiva do Relatório Fiscal, às fls. 28/35, a lavratura da presente autuação se deu em virtude da constatação da falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por segurados contribuintes individuais cooperados mediante cooperativas de trabalho, conforme disposição constante do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 c/c artigo 201, inciso III, do RPS, que assim preceituam: “ LEI Nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Acrescentado pela Lei nº 9.876/99, com vigência a partir de 03/00. Até 02/00 vigorou a LC nº 84/96. Ver inciso III do art. 201 do Regulamento, Dec. nº 3.048/99 e § 2º do art. 1º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03)” (grifamos) “ RPS – DECRETO 3.048/99 Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] III quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 8º do art. 219;” (grifamos) Conforme se depreende dos dispositivos legais encimados, tratandose de serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, incide contribuição previdenciária calculada à base de 15% (quinze por cento) sobre as notas fiscais ou fatura de prestação de serviço. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência na forma constituída, argüindo a inconstitucionalidade/ilegalidade dos tributos ora exigidos, por afronta ao disposto nos artigos 195, inciso I, alínea “a”; 154, inciso I; e 156, inciso III, da Constituição Federal, tornando, assim, inconstitucional a cobrança consignada neste lançamento. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11020.720982/201018 Acórdão n.º 2401003.808 S2C4T1 Fl. 945 7 Mais uma vez, não obstante os fundamentos jurídicos adotados pela contribuinte em sua peça recursal, seu insurgimento não é capaz de macular a exigência fiscal consagrada no lançamento, como passaremos a demonstrar. Com efeito, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Assim, não há como se acolher a pretensão da contribuinte em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Ainda irresignada com a exigência fiscal, sustenta a recorrente que o fato da cooperativa utilizar (ou ter mencionado) na fatura a questão do ato cooperativo principal, ou mesmo ter destacado como base do IRRF, em nada se comprova ser este restrito aos valores repassados aos cooperados, podendo a informação pertinente ao IRRF estar equivocada, impondo seja observado o princípio da verdade material. Da mesma forma, inobstante o esforço da contribuinte, suas alegações não merecem acolhimento, não sendo capazes de rechaçar o lançamento ora contestado, como passaremos a demonstrar. Destarte, a presente autuação fiscal encontrase escorada em dois levantamentos: a) “W1” – Base de Cálculo Destacada na Fatura – Pertinente aos valores destacados pela cooperativa de trabalho nas faturas emitidas contra o sujeito passivo, que foi a importância que a contribuinte discriminou como base de cálculo; b) “W2” – Diferença entre o Valor do ACP e a Base de Cálculo Destacada na Fatura – Concernente à diferença entre o valor do Ato Cooperativo Principal – ACP e a base de cálculo destacada pela cooperativa de trabalho nas faturas emitidas contra a ora recorrente. Neste caso, a alíquota aplicada é de 15% sobre o valor do Ato Cooperativo Principal – ACP, constante em campo próprio das faturas emitidas pela UNIMED NORDESTE RS; Como se observa, o insurgimento da contribuinte relacionase ao levantamento W2, onde a fiscalização considerou como base de cálculo dos tributos lançados os valores informados a título de Ato Cooperativo Principal – ACP. Por sua vez, aduz a contribuinte que aludida denominação, associada ao fato de se prestar como base do IRRF, por si só, não tem o condão de comprovar que, de fato, referese aos valores repassados aos cooperados, capaz de ensejar a tributação em epígrafe. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11020.720982/201018 Acórdão n.º 2401003.808 S2C4T1 Fl. 946 9 Sem razão à contribuinte! Com efeito, consoante se depreende do Relatório Fiscal, não se aplicou o percentual de 30% ou 60%, em face do grau de risco do contrato, mas, sim, considerouse como base de cálculo o valor dos serviços discriminados pela própria Unimed Nordeste. Constatase, assim, que a própria fiscalização reconhece que os serviços prestados são de grande risco, o que atrairia o percentual de 30% sobre a nota fiscal e/ou fatura de prestação do serviço, se não estivesse discriminado em tais documentos o valor dos serviços médicos efetivamente repassado aos cooperados, na forma que prescreve o artigo 291, inciso I, da IN SRP n° 03/2005, e artigo 219 da IN RFB n° 971/2009, que assim estabelecem: “ IN SRP N° 03/2005 Art. 291 . Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; b) inferior a sessenta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; [...] IN RFB N° 971/2009 Art. 219. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de 15% (quinze por cento) devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou na fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; b) inferior a 60% (sessenta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; [...]” Extraise daí que somente quando os valores dos materiais utilizados nos serviços não estiverem discriminados nas notas fiscais ou faturas é que deverá ser levado a efeito o enquadramento do contrato como de grande ou pequeno risco, o que não se vislumbra no caso dos autos, onde a contribuinte fez constar de tais documentos aludida base de cálculo, a qual fora utilizada na constituição do crédito previdenciário sob análise. Reforça tal tese, o fato de referida base (Ato Cooperativo Principal) ter sido admitida para fins de cálculo do IRRF, como restou demonstrado no Relatório Fiscal, não tendo a contribuinte apresentado qualquer documento ou alegação que fosse capaz de rechaçar as provas materiais constantes dos autos, de sua própria autoria, impondo seja mantida a exigência fiscal na forma lançada. Como se observa, todo o procedimento adotado pelo fiscal autuante ao constituir o crédito tributário encontrase devidamente elencado nos autos e escorado nas normas que regulamentam a matéria, não havendo se falar em improcedência do feito. Relativamente aos depósitos judiciais parciais realizados pela contribuinte, como não representam a integralidade da exigência fiscal, não há se falar em afastamento dos juros e multa de mora. Em tempo, referidos valores aguardarão a decisão final a ser exarada nos autos do mandado de segurança impetrado pela autuada, convertendose em renda na hipótese de não acolhimento de sua pretensão, ou objeto de levantamento se obtiver êxito em sua empreitada. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11020.720982/201018 Acórdão n.º 2401003.808 S2C4T1 Fl. 947 11 ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/02/20 15 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10976.000320/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/07/2010
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
O fato da empresa ter apresentado os documentos em papel, não afasta a multa aplicada, tendo em vista, tratar-se de exigências distintas, fundamentadas em dispositivos legais diversos.
Numero da decisão: 2401-003.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim que davam provimento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relator
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A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. A exigibilidade dos arquivos está prevista no art. 11, §§1º, 3º e 4º da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8º da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. O fato da empresa ter apresentado os documentos em papel, não afasta a multa aplicada, tendo em vista, tratarse de exigências distintas, fundamentadas em dispositivos legais diversos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/07/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 03 20 /2 01 0- 76 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim que davam provimento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10976.000320/201076 Acórdão n.º 2401003.915 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.219.7183, em desfavor da recorrente, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 12, III da Lei 8.218/91. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 29, o contribuinte deixou de cumprir o prazo estabelecido pela RFB no Termo de Procedimento fiscal e no Termo de Intimação Fiscal, assinados respectivamente e, 22/04/2009 e 26/06/2009 para apresentação de arquivos digitais. Segunda a autoridade fiscal, configura infração ao art. 11, §§1°, 3° e 4 0 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada pela MP n o 2.15835, de 24/08/2001, ensejando a lavratura do presente Auto de Infração. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 12/07/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/07/2010. Não concordando com a autuação apresentou a empresa notificada principal, defesa, fl. 34 a 38: Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 96 e seguintes. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 96 e seguintes, onde alega: 1. Nulidade da decisão de primeira instância, uma vez que deixou de analisar o pedido de novo prazo para apresentação dos arquivos digitais. 2. A empresa apresentou todos os livros físicos (em meio papel) solicitados pelo auditor, sendo que este atingiu os fins a que , ainda que de outra forma, não ocasionando nenhum prejuízo ao fisco federal, já que dos referidos documentos comprovouse a regularidade da empresa/recorrente, perante o fisco. 3. Verificase a falta de razoabilidade e proporcionalidade da multa na forma como aplicada tomandose como base a receita bruta, restando em valor astronômico e confiscatório, já que provado nos autos que o recorrente não agiu com dolo. 4. Constatase a irregularidade da ação fiscal ao deixar transcorrer a bel prazer do auditor o período de seis meses sem qualquer procedimento fiscal, e após incluir referido período na soma do tempo para aplicação da multa em total prejuízo a recorrente. 5. Requer seja acolhido o recurso para que se cancele o de´bito fiscal apurado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 117. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a alegada nulidade da decisão de primeira instância, entendo que razão não assiste ao recorrente. Embora não tenha expressamente negado o pedido do recorrente de novo prazo para apresentação dos arquivos, entendo que seu pedido restou afastado, uma vez que a autoridade fiscal, indicou precisamente a impossibilidade de existir relevação com a apresentação tardio dos mesmos, uma vez que expressamente indicou a revogação do art. 291, pelo Decreto 6.727/2009. Assim, se incabível a relevação, por consequência, indeferido estaria o prazo de prorrogação pretendido pelo recorrente, para corrigir a falta. Superadas as preliminares, passo ao mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito conforme prevê o do art. 11, § 3º e 4 º da Lei n ° 8.218/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 12, III da Lei 8.218/91, a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante 5 anos, à disposição da .fiscalização. Conforme descrito no relatório fiscal a exigibilidade destes arquivos pelo fisco está prevista no art. 11, §§1 0 , 3 0 e 40 da Lei n° 8.218, de 29/08/1991 e Art. 8 0 da Lei 10.666/2003, e deverão ser apresentados de acordo com o leiaute definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, versão 1.0.0.1, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005 e, a partir de 01/06/2006, no Manad Versão 1.0.0.2, aprovado pela IN MPS/SRP no 12, de 20/06/2006. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10976.000320/201076 Acórdão n.º 2401003.915 S2C4T1 Fl. 4 5 § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. O próprio recorrente assume que não efetuou a entrega tendo em vista erro no sistema, contudo, dito argumento não é suficiente para refutar o lançamento. Também não é suficiente a alegação de que apresentou os documentos em meio papel, tendo em vista que tratase de exigências diversas, sendo que não há como afastar o fato de que a não apresentação de arquivos digitais, acaba por dificultar a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Não há que e falar que a entrega do documentos físicos, suprem a exigência, visto que tratamse de obrigações distintas, como objetivos específicos e previsão legal diversa. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, mas de servir como elemento inibidor quanto ao descumprimento das exigências fiscais. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, qual seja o art. 12, III da lei 8218/91, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. N mesmo sentido já se manifestou a autoridade julgadora, sendo que o recorrente não apresentou qualquer fato novo capaz de desconstituir o lançamento. Quanto a alegação de multa confiscatória, assim, como mencionado acima, a aplicação da mesma seguiu estritamente a legislação pertinente. Assim, não há erro no cálculo da aplicação da multa, pois o inciso III do art. 12 da Lei n o 8.218/91 estabelece que a multa é correspondente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período. No que tange a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a aplicação de multa, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na aplicação de multa, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10976.000320/201076 Acórdão n.º 2401003.915 S2C4T1 Fl. 5 7 Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 15215.720027/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL.
O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo está perempto e não deve ser conhecido pelo Colegiado, pois a tempestividade é pressuposto intransponível para a apreciação do recurso.
Numero da decisão: 2201-002.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo está perempto e não deve ser conhecido pelo Colegiado, pois a tempestividade é pressuposto intransponível para a apreciação do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 00 27 /2 01 2- 16 Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios 2008, 2009 e 2010, no qual se apurou o imposto de valor de R$ 521.143,67, acrescido da multa de ofício de 150%, no valor de R$ 781.715,49, e multa isolada de 50%, no valor de R$ 255.938,78. Sobre esses valores incidem os respectivos juros de mora. Conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 1.372 a 1.400), constatouse a omissão de rendimentos de R$ 107.962,85 no anocalendário 2007, R$ 144.570,27 em 2008 e R$ 550.210,11 em 2009, a partir de circularização dos pagamentos de honorário advocatícios declarados por pessoas físicas, aplicandose as respectivas multas isoladas pela falta de recolhimento mensal obrigatório. Na apuração do imposto foram deduzidos os dois dependentes declarados. Também foram apuradas omissões com base em depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada. Porém, neste caso, a soma dos depósitos foi dividida por três, que era o número de titulares da conta. A multa foi qualificada pelo fato de o contribuinte ter emitido documentos e registrado no livrocaixa, assim como na DAA, valores muito aquém dos efetivamente recebidos. A autoridade fiscal detalha em seu relatório as situações que a levaram a aplicar a multa de 150%, dentre as quais o confronto das informações declaradas pelo sujeito passivo com recibos fornecidos pelos clientes do escritório, ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho com a constatação da prática de registrar recebimentos de honorários por valores inferiores aos efetivamente praticados, representação de clientes do escritório ao Ministério Público Federal e à Secretaria da Receita Federal do Brasil noticiando a recusa do contribuinte e seus sócios em emitir recibos de honorários, e o alto valor dos rendimentos recebidos de pessoas físicas omitidos e dos depósitos em conta bancária com origem não comprovada. O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: Preliminarmente, requer a nulidade do Auto de Infração, no que tange ao lançamento do IRPF por omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e por depósitos bancários de origem não comprovada e da multa de ofício de 150%, por ausência de enquadramento legal das penalidades. Argumenta ter ocorrido cerceamento de defesa, na medida em que a Fiscalização teve quase 400 dias para realizar seu trabalho, ao passo que ao contribuinte foi assinalado o prazo de apenas 30 dias para preparar sua defesa, diminuído ainda pelos entraves burocráticos para a liberação de documentos. Ainda em preliminar, impugna todos os documentos carreados aos autos pela RFB, exceto os por ela gerados, por não conterem autenticação de fé pública, nos termos do Código de Processo Civil – CPC ou exibição em seu original, o que inquinaria de vício insanável todo o trabalho apresentado, por carência de provas. Alega ter sido quebrado ilegalmente o sigilo bancário do impugnante, sem recomendação expressa em decisão judicial, o que deve levar à anulação do Auto de Infração. Sustenta que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, o prazo decadencial de cobrança ocorre após o transcurso de 5 anos do fato Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15215.720027/201216 Acórdão n.º 2201002.652 S2C2T1 Fl. 3 3 gerador, estando portanto prescritos os créditos tributários (IRPF e multas) referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007. No mérito, o procurador do interessado informa que o escritório de advocacia do impugnante celebrou contrato de prestação de serviços com o Sindicato dos Ferroviários – Sindfer, a favor dos membros da categoria, denominados substituídos, em face da Vale S/A. Acrescenta que foram então movidas ações nos anos de 2004 até 2007, perante a Vara do Trabalho, especialmente nas comarcas de Governador Valadares, Coronel Fabriciano e Aimorés, sendo em sua maioria decididas favoravelmente, conforme se infere pelos diversos alvarás judiciais juntados aos autos. Aduz que, após o trânsito em julgado do processo judicial, iniciaramse os processos de execução, culminando com o pagamento aos substituídos, através de alvará judicial em nome do sindicato, com poderes para levantamento por meio do procurador, que seria um dos advogados do escritório de advocacia, inclusive o impugnante, com crédito em sua conta bancária. Esclarece que os saques da conta bancária para os pagamentos aos substituídos geralmente eram feitos de forma única, ou seja, o valor integral era levantado. Contudo, em diversas ocasiões o pagamento a alguns era feito posteriormente, por demora em sua localização, sendo o saldo restante novamente depositado, o que ocasionaria divergência entre os depósitos na conta do impugnante e os alvarás judiciais levantados. Acrescenta que somente permanecia na conta bancária do impugnante, com tributação do imposto de renda, o valor dos honorários advocatícios, com a emissão do correspondente recibo, quando o substituído aceitava proceder a este pagamento, não obrigatório, tendo sido inclusive celebrado acordo judicial em 24/10/2008, perante a 1ª Vara do Trabalho de Governador Valadares, com o Ministério Público do Trabalho, no sentido de não serem cobrados honorários advocatícios, pois a assistência jurídica prestada pelo Sindicato deveria ser feita de forma gratuita. Desta forma, prossegue, os valores oriundos de créditos em alvará judicial não traduzem remuneração própria do impugnante, pois seriam créditos de terceiros que apenas transitaram por sua conta bancária. Requer perícia contábil, indicando profissional e quesitos a serem respondidos, a fim de provar que todos os rendimentos auferidos na sua conta corrente seriam rendimentos de terceiros oriundos de crédito judicial, não podendo ser admitida simples análise pelo auditorfiscal como única forma de comprovação das diferenças a favor do Fisco. Reitera que a autoridade administrativa entendeu erroneamente que a todo e qualquer valor percebido a título de alvará judicial deveria ser aplicado honorário advocatício, o que não foi o caso, dado a seu caráter facultativo. Argumenta que, na pior das hipóteses, caso entenda devido o tributo sobre a movimentação financeira, esse deveria ter como base de cálculo os honorários advocatícios, cujo percentual era de 15% sobre o crédito, conforme acordo judicial citado e prática normal do escritório. Aduz que a movimentação financeira pode decorrer de rendimento já tributado, o que ocorreu com seus rendimentos próprios e declarados. Utilizar como base de cálculo todo o valor da movimentação financeira, prossegue, fere sobremaneira o princípio da legalidade, segurança jurídica e locupletamento sem causa, posto que o valor mencionado é decorrente de alvará judicial, sendo a conta corrente que tem como correntista os 3 sócios do escritório (Gilson, Mário e Geraldo) utilizada exclusivamente para esse fim. Ainda com relação à tributação dos depósitos bancários, alega que todos os três titulares da citada conta bancária sofreram procedimento fiscal próprio, conforme relatado pelo auditorfiscal, havendo intimação para comprovação da origem dos depósitos. Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Entretanto, prossegue, cada titular se manifestou no procedimento fiscal a qual estava submetido, o que implicou evidente prejuízo à defesa do impugnante, que desconhece o teor das justificativas e/ou comprovação dos demais titulares, bem como não conhece o teor das declarações anuais de ajuste de cada titular da conta corrente. Conclui o procurador do impugnante que, nesse sentido, não pode prosperar o lançamento sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, pela ausência de intimação de todos os titulares da conta corrente no presente procedimento fiscal. Pugna pela impossibilidade da cobrança de juros de mora sobre débitos de natureza fiscal pela taxa Selic, sendo o correto a aplicação apenas do percentual máximo de 1% ao mês. Combate a multa de ofício aplicada, que deveria ser limitada ao percentual de 2% ao mês, e sua qualificação em 150%, eleita por conclusão subjetiva da Fiscalização que se ancorou em depoimentos esparsos de alguns clientes, revestidos da condição de leigos, descuidados de sua organização documental, não sendo provada a intenção de dolosamente sonegar ou fraudar o Fisco, o que foi apenas presumido. Com relação à multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, argumenta que é pacífica a jurisprudência no sentido de que não é cabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com a multa isolada, devendo essa ser afastada. Por fim, o procurador do impugnante cita o princípio da capacidade contributiva, alegando que os critérios adotados na Fiscalização são decisivos para sua inserção no rol de inadimplentes, o que vai na contramão dos interesses público e governamental. Os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por meio do Acórdão nº 0941.070, de 16 de agosto de 2002, consideraram o lançamento procedente. O contribuinte foi cientificado, por caixa postal eletrônica, em 5 de agosto de 2012 (fl. 1.603). Em 22 de outubro de 2012, foi emitido o termo de perempção, tendo em vista o transcurso do prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) sem que o interessado tenha apresentado recurso à instância superior da decisão. Em 25 de outubro de 2012, às 12h35, o contribuinte tomou conhecimento da cartacobrança, pela abertura dos arquivos correspondentes no link “Processo Digital”, no “Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC)/opção Consulta Comunicados/Intimações” (fl. 1.614). Por meio do Memorando DRF/BHE/CAC – Contorno/EATPRO nº 4.781/2012, de 3 de dezembro de 2012, foi encaminhada ao SACAT/DRF/GVSMG a documentação protocolada em 30 de novembro de 2012, na qual inclui o recurso voluntário que reprisa as argumentações apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15215.720027/201216 Acórdão n.º 2201002.652 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário está perempto, uma vez que foi apresentado após o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vejamos a ordem cronológica dos fatos no quadro a seguir: Data/hora Folha Discrição 22/08/2012 1.602 O contribuinte abriu os arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção “Consulta Comunicados/Intimações”, tomando conhecimento do teor do Acórdão de Impugnação, da Intimação de Resultado de Julgamento, do Demonstrativo de Débitos e do DARF; 05/09/2012 1.603 Foi dada ciência ao contribuinte, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização do Acórdão de Impugnação, da Intimação de Resultado de Julgamento, do Demonstrativo de Débitos e do DARF, por meio da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 21/08/2012 Data da ciência por decurso de prazo: 05/09/2012 22/10/2012 1.608 Lavrado o Termo de Perempção, tendo em vista o transcurso do prazo regulamentar de 30 (trinta) dias disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, sem que o interessado tenha apresentado recurso voluntário. 25/10/2012 1.614 O Contribuinte abriu os arquivos (Carta/aviso de Cobrança, Demonstrativo de débitos e DARF), correspondentes no link “Processo Digital”, no “Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte” (Portal eCAC) por meio da opção “Consulta Comunicados/Intimações”: 10/11/2012 1.615 Foi dada ciência ao contribuinte, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização Carta/aviso de Cobrança, Demonstrativo de débitos e DARF, por meio da “Caixa Postal”, “Modulo eCAC” do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 25/10/2012 Data da ciência por decurso de prazo: 09/11/2012 30/11/2012 1618 Recepcionado na Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte o Recurso Voluntário. Assim, como a ciência se deu em 5 de setembro de 2012 e o recurso voluntário somente foi interposto em 30 de novembro de 2012, já havia fluído o trintídio legal, que teve seu termo final no dia 8 de outubro, segundafeira. O prazo para apresentação do recurso voluntário está disciplinado nos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe: Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O sujeito passivo deveria apresentar o recurso voluntário nos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão de primeiro grau. Após esse prazo, está materializada a preclusão do direito de recorrer e, conforme expresso no art. 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, cabe ao CARF julgar a perempção do recurso. Por esse motivo, este Colegiado fica impossibilitado de conhecer as razões de defesas suscitadas, tornandose definitiva na esfera administrativa a decisão de primeiro grau, nos termos do inciso I do art. 42 do Decreto acima citado. Ante ao exposto, uma vez comprovada a intempestividade do presente recurso voluntário, voto no sentido de não conhecêlo. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 18192.000072/2007-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO LANÇAMENTO REALIZADO. RENÚNCIA. SÚMULA CARF N. 01.
Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 2053-25.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo.
É cediço que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme enunciado da Súmula CARF n. 1:
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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RENÚNCIA. SÚMULA CARF N. 01. Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 2053 25.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo. É cediço que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme enunciado da Súmula CARF n. 1: Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 00 72 /2 00 7- 97 Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n" 230101.755. proferido pela I" Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 01/12/2010 (11s. 3745/3750) interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 3754/3765. com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Segue abaixo trecho da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de oficio ou à parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento s6 pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP. FIXAÇÃO DA PENALIDADE POR MEIO DE LEI. A penalidade aplicável para o caso de omissões ou inexatidões relativas a GFIP estava prevista no art. 32 da Lei 8.212/91, sendo que o RPS apenas regulamentava o conteúdo da referida lei. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFI LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18192.000072/200797 Acórdão n.º 9202003.479 CSRFT2 Fl. 7 3 As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, bene fi ciar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n " 8.2124991. Conforme previsto no art. 106, inciso II , alínea "c" do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas as contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for Insurgese a Fazenda Nacional contra a decisão que deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento, devido a regra decadencial expressa no art. 173. I, do CTN, os fatos geradores ocorridos antes de 01/2001. porém entendendo que a contagem do prazo decadencial dase a partir do fato imponível, e para redução da multa pela regra do artigo 32A, inciso I. da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09 (11s. 3745verso e 3750), enquanto a recorrente entende que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do entendimento mantido pelo CARF, também com fundamento no recurso repetitivo do STJ, de que a contagem da decadência regida pelo art. 173. I. do CTN, dáse partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (11s. 3763/3765), e, com relação à GFIP, diz que os paradigmas que apresenta divergem do acórdão recorrido em situação análoga à presente, visto que. segundo seu entendimento, o acórdão paradigma considerou ser legitima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente (fls. 3756/3759). Segundo a recorrente, o acórdão recorrido diverge do paradigma que apresenta, proferido pela lª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção (fls.3766/3788): Ac. 240100214 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 10/08/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS VALORES “EXTRA FOLHA” PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA. 15 DIAS. PEREMPTÓRIO. NÃO CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTAÇÃO DISPONIBILIZADA PELO JUÍZO. NÃO OCORRÊNCIA DE ILICITUDE. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. O prazo para apresentação de defesa é peremptório, não podendo ser dilatado pela autoridade administrativa. Não há cerceamento de defesa quando a autoridade aplica a lei. Não há ilicitude se a documentação foi regularmente disponibilizada à fiscalização pelo juiz de direito. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8: “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Os fatos que ensejaram a autuação ocorreram entre 10/1999 e 09/2001 e a lavratura do AI deuse em 10/08/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 28/09/2005. Face o exposto encontramse decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso especial para reformar o acórdão recorrido, restabelecendo a decisão de primeira instância. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu pelo seguimento do REsp [fls. 482 e ss]. Intimado, o interessado interpôs Recurso Especial que, por não atender os pressupostos regimentais, teve seu seguimento negado. Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 205325.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Sendo tempestivo o REsp interposto e demonstrada a divergência jurisprudencial, CONHEÇO do Recurso. Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 18192.000072/200797 Acórdão n.º 9202003.479 CSRFT2 Fl. 8 5 Insurgese a Fazenda Nacional contra a decisão que deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento, devido a regra decadencial expressa no art. 173. I, do CTN, os fatos geradores ocorridos antes de 01/2001. porém entendendo que a contagem do prazo decadencial dase a partir do fato imponível, e para redução da multa pela regra do artigo 32A, inciso I. da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09 (11s. 3745verso e 3750), enquanto a recorrente entende que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do entendimento mantido pelo CARF, também com fundamento no recurso repetitivo do STJ, de que a contagem da decadência regida pelo art. 173. I. do CTN, dáse partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (11s. 3763/3765), e, com relação à GFIP, diz que os paradigmas que apresenta divergem do acórdão recorrido em situação análoga à presente, visto que. segundo seu entendimento, o acórdão paradigma considerou ser legitima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente (fls. 3756/3759). Em 18 de junho de 2014, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha informou que o Sujeito Passivo ajuizou ação ordinária n. 205325.2011.4.01.3808 para questionar o mesmo débito, qual seja, aquele objeto do presente processo administrativo. É cediço que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme enunciado da Súmula CARF n. 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Da análise dos autos verifico que há identidade de objeto, o que, per se, repercute renúncia à instância administrativa. DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO por CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que seja restabelecido o lançamento original. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903775/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 75 /2 00 9- 51 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratam os autos da declaração de compensação nº 39931.03457.070406.1.3.040000,transmitida eletronicamente em 07/04/2006, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/09/2001 CÓDIGO DE RECEITA : 2089 VALOR TOTAL DO DARF : 21.040,09 DATA DE ARRECADAÇÃO: 30/11/2001 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 20/04/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 4), cuja decisão não homologou a declaração de compensação por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 406,32. Cientificado dessa decisão em 29/04/2009, o sujeito passivo apresentou em 28/05/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 4 3 Em síntese, a contribuinte esclarece que teria recolhido indevidamente três parcelas de IRPJ referentes ao período em análise. Uma vez constatado o recolhimento indevido, retificou suas declarações. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos autos cópias das declarações. Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por meio do PER/DCOMP em análise, cancelandose o débito fiscal dela decorrente. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0356.217, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em 20/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/01/2014. A Recorrente alega que: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 5 4 há equívoco na decisão recorrida ao sustentar que a pessoa jurídica deveria, em sua manifestação de inconformidade, provar, através dos seus assentamentos contábeis/fiscais embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido em seu nome pela fonte pagadora; tal entendimento é totalmente descabido na análise do presente contencioso administrativo fiscal posto que a Recorrente em sua impugnação item "d" deixou claro que o todo alegado poderia ser devidamente comprovado através da Declaração de Informações Econômico Fiscais/2002, entregue e encaminhada à Secreraria da Receita Federal do Brasil; é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ é a reprodução integral dos assentamentos contábeis/fiscais do sujeito passivo e, os dados nela contidos, estão permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que se fizerem necessárias; o crédito tributário que deu origem ao pedido de compensação não homologado pela Autoridade Administrativo preparadora, não tem sua origem em imposto de renda retido na fonte como sugerido pela ilustre JulgadoraRelatora fls. 45 dos autos, mas sim da diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações EconômicoFiscais, pertinente ao 3o Trimestre do AnoCalendário de 2001; conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ código da receita 2089, referente ao 3o Trimestre de 2001, apurado e informado na DIPJ somou a quantia de R$ 6.627,82 (seis mil, seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), e o valor recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos); havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos pela legislação tributária, a fonte pagadora deve proceder à devida retenção do imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a pagar/recolher; no Ano Calendário de 2001, submeteuse ao regime de tributação com base no Lucro Presumido e, no 3o Trimestre do período de apuração encerrado em 30 de setembro de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de R$ 63.201,54 (sessenta e três mil, duzentos e um reais e cinquenta e quatro centavos), em três parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF: IRPJ 3° Trimestre — PA 30/09/2001 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$ I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 TOTAL 63.201,54 após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2002 Ano Calendário de 2001 constatou que o valor efetivamente devido no 3o Trimestre de 2001, era de R$ 6.627,82 (seis mil seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos), fato este verificado em tempo posterior através de auditoria interna a fim de analisar os procedimentos de natureze contábil/fiscal adotados pela Recorrente; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 6 5 ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ fls. 15/19 dos autos e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF fls. 20/28 dos autos; diante da constatação das inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 3o Trimestre de 2001, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, em valores acima do efetivamente devido no montante de R$ 56.573,72 (cinquenta e seis mil, quinhentos e setenta e três reais e setenta e dois centavos), abaixo demonstrado: IRPJ 3o Trimestre PA 30/09/2001 Data venct0/recolhimento Valor Recolhido em R$ Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior I a Parcela 31/10/2001 20.831,79 6.627,82 14.203,97 2a Parcela 30/11/2001 21.040,09 21.040,09 3a Parcela 28/12/2001 21.329,66 21.329,66 TOTAL 63.201,54 6.627,82 56.573,72 o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento da quota recolhida em 30 de novembro de 2001, o qual está devidamente comprovado através das declarações apresentadas em sua impugnação; os valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 20/28 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 15/19 dos autos e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 12/14 . Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 39931.03457.070406.1.3.040000 (fls.04/10), transmitido em 07/04/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRRF, PIS/Pasep e CSRF no total de R$ 524,37, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 17.960,25, código – 2089, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2001; Data de Arrecadação: 30/11/2001, no valor de R$ 21.040,09. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 7 6 Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 20/04/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 21.040,09, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está sobejamente comprovado por meio dos valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 20/28 através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2002 AnoCalendário de 2001, recepcionada em 29 de dezembro de 2006 fls. 15/19 e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 12/14 . Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº 39931.03457.070406.1.3.040000, transmitido em 07/04/2006 e procedeu a retificação da DIPJ/2002 e DCTF relativa ao 3º trimestre de 2001 após a apresentação do PER/DCOMP ou seja em 29/12/2006. Portanto, na data da transmissão do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2002 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que, ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2001, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que, ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF como explicitado acima. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 8 7 De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ... A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar qual o percentual de aplicação se 8% (retificadora) ou 32% como apurado nas declarações originais. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 9 8 haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 07/04/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 20/04/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 28/05/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.903775/200951 Acórdão n.º 1802002.506 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 13001.720016/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2013
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS PELA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE.
Anula-se a decisão recorrida que, na apreciação de manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, inova nos fundamentos desse indeferimento.
Numero da decisão: 1803-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS PELA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Anulase a decisão recorrida que, na apreciação de manifestação de inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, inova nos fundamentos desse indeferimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 1. 72 00 16 /2 01 2- 16 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 56 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 57 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 33): A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido, tendo em vista a existência de 11 débitos previdenciários, cuja exigibilidade não está suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 16/02/2012 (fls. 13). Apresentou manifestação de inconformidade em 20/03/2012 (fls. 0205), alegando, em síntese, após fazer um histórico da trajetória da empresa, que parcelou todos os seus débitos, cuja exigibilidade está suspensa, conforme documentação anexa e, a final, requereu sua inclusão no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 06 e seguintes. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 32): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos previdenciários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 7/12/2013 (sábado) (fls. 39), a tempo, em 07/01/2014, apresenta a interessada Recurso de fls. 42 a 45, instruído com os documentos de fls. 46 a 51, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo, ainda, que sempre recolheu, tempestiva e regularmente, todas as parcelas dos parcelamentos e os mesmos foram deferidos, como demonstrado por meio dos documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade. Em mesa para julgamento. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 58 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada sob o seguinte fundamento (fls. 33, grifouse): A interessada argumentou que os débitos indicados no Termo de Indeferimento foram parcelados, conforme documentação juntada (fls. 12), mas não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros do referido período, o que comprovaria sua regularidade fiscal, nos termos do art. 205 do CTN. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. 5. Sucede que o fato a ser apreciado é se, na data de 31/01/2012, a Recorrente tinha ou não débitos que não estivessem sob efeito suspensivo, ou seja, se a Recorrente, na data de 31/01/2012, estava apta para a opção pelo Simples Nacional. 6. Esse fato é facilmente verificável nos sistemas da RFB, não podendo a mera falta de juntada de certidão negativa ou positiva de débitos servir de novo fundamento do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. 7. Nesse sentido, é o contido no art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que “Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal”: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 8. Dessa forma, o indeferimento da manifestação de inconformidade, pela decisão recorrida, somente pode se fundar na inexistência de quitação ou de parcelamento de débitos, em 31/01/2012, após necessária pesquisa nos sistemas da RFB que comprove cabalmente esse fato. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13001.720016/201216 Acórdão n.º 1803002.581 S1TE03 Fl. 59 5 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para ANULAR O ACÓRDÃO RECORRIDO, por inovação nos fundamentos do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.901091/2011-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 10 91 /2 01 1- 50 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de apreciar Manifestação de Inconformidade (fls. 2/20) interposta contra o Despacho Decisório (fl. 37) que não homologou a compensação declarada por meio de PER/DCOMP. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao segundo trimestre de 2005, com o débito de IRPJ respeitante ao período de apuração 01/10/ 2005, no valor de R$ 1.386,71. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts.165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o pagamento de CSLL realizado não foi integralmente utilizado para a quitação do correspondente débito, aduz que “a DIPJ foi retificada e demonstra a existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF”. Ao finalizar a peça de defesa, o contribuinte requer a improcedência do Despacho Decisório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 4 3 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0826.093 , de 07 de agosto de 2013, cientificado ao interessado em 19/08/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, principalmente quando há inconsistência entre as informações fornecidas por ele à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: existe o pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código 2372, conforme comprova a sua escrituração contábil acostada nos autos; a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escri turação contábil , esses fatos asseguram o direito da requerente; deve ser apresentada DCTF retificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escri turação contábil acostada nos autos; uma vez demonstrado que existe o pagamento indevido ou a maior que o devido da CSLL, deve ser reconhecido o crédito e homologado a compensação efetuada pela requerente; os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 5 4 os esclarecimentos e os documentos apresentados devem ser levados em consideração, uma vez que prova a existência do pagamento indevido ou a maior que o devido a ser reconhecido e compensado com os débitos apresentados no PER/DCOMP; enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta; o fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; a autoridade administrativa não homologou as compensações efetuadas sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento indevido, o que não é verdade, porque de fato existe o pagamento indevido, “logo as PER/DCOMPs devem ser homologadas”. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 27136.49176.051007.1.3.041195, transmitido em 05/10/2007, em que a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade, com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 2.528,05, código – 2372, relativo ao Período de Apuração: 30/06/2005; Data de Arrecadação: 28/07/2005, no valor de R$ 4.111,12. Consta do despacho decisório, emitido em 06/06/2011 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 4.111,12, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 6 5 No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está comprovado por meio dos valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do AnoCalendário de 2005, apresentada em 30/11/2010. E que deve ser apresentada DCTF ret ificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escrituração contábil acostada nos autos; Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº . 27136.49176.051007.1.3.041195, sem retificar a DCTF do 2º trimestre de 2005 e procedeu a retificação da DIPJ/2006 somente em 30/11/2010. Portanto, na data da transmissão (05/10/2007) do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2006 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escrituração contábil acostada nos autos e que, esses fatos asseguram o direi to da requerente. Pois bem, aqui não se discute a existência do pagamento da CSLL no valor de R$ 4.111,12, relativo ao 2º trimestre de 2005 mediante o DARF em 28/07/2005, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 2.528,05 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. Para comprovar o crédito relativo ao ano calendário de 2005, a Recorrente juntou aos autos as seguintes cópias: a) Termo de Abertura do Livro Diário nº 021 datado de 01/01/2006 e Termo de Encerramento datado de 31/12/2006, com termo de autenticação na Junta Comercial datado de 16/07/2009; b) Fl.nº 136 do mencionado Livro Diário em que registrado no dia 30/12/2006, “ Vr.ref.CSLL paga a maior no exercício de 2005 ....R$ 48.544,72”; e, c) Fl.nº 129 do Livro Razão com registro em 31/12/2006 do mesmo valor: R$ 48.544,72, apesar de no saldo da conta CSLL a compensar em 01/01/2006 constar como saldo anterior apenas o valor de R$ 9.528,69. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 7 6 A frágil documentação contábil de 2006 juntada pela Recorrente não demonstra qual o erro na apuração da CSLL e da base de cálculo declarada pela Recorrente na DIPJ/2006 (original), portanto, a Recorrente não traz aos autos qualquer documento produzido em 2005 que demonstre a real base de cálculo da CSLL durante o ano calendário de 2005 em face de suas atividades operacionais, se 32% ou 12% sobre a receita auferida no 2° Trimestre de 2005 ou erro na aplicação da alíquota de 9% sobre o lucro presumido. Enfim, a Recorrente não traz aos autos provas para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2006, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2005. A simples escrituração em 2006 de supostos valores pagos a maior em 2005 não comprova o crédito alegado pela Recorrente. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2006 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido. A Recorrente diz que os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; Aduz que a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 8 7 Não há que se confundir, o ato administrativo do lançamento de ofício quando produzido pelo Fisco, com aquele produzido pelo contribuinte (PER/DCOMP) no qual declara o direito creditório para compensações efetuadas pelo interessado. Com efeito, o lançamento tributário é ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, a declaração é produzida pelo próprio contribuinte (PERDCOMP), que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação; é dizer, submetese ao poder dever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901091/201150 Acórdão n.º 1802002.524 S1TE02 Fl. 9 8 obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 05/10/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 06/06/2011, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 19679.000042/2003-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/10/1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem - ou não - ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL
A LC 118/2005 somente aplica-se aos litígios posteriores a 08/06/2005 (final da vacatio legis prevista na lei), de acordo com julgamento do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria ora em análise (RE 566 621/RS). Nesse caso o direito de pleitear a restituição não está extinto, de acordo com a jurisprudência consagrada do e. STJ, dos cinco mais cinco anos (cinco anos previstos no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN combinados com os cinco anos do inciso I do artigo 168 do CTN).
PIS - ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.
Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6º, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/1995 e suas reedições terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Para os períodos de apuração entre setembro de 1995 a fevereiro de 1996 aplica-se a LC nº 07/70.
Numero da decisão: 3803-006.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Demes Brito, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1995 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem - ou não - ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL A LC 118/2005 somente aplica-se aos litígios posteriores a 08/06/2005 (final da vacatio legis prevista na lei), de acordo com julgamento do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria ora em análise (RE 566 621/RS). Nesse caso o direito de pleitear a restituição não está extinto, de acordo com a jurisprudência consagrada do e. STJ, dos cinco mais cinco anos (cinco anos previstos no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN combinados com os cinco anos do inciso I do artigo 168 do CTN). PIS - ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6º, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/1995 e suas reedições terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Para os períodos de apuração entre setembro de 1995 a fevereiro de 1996 aplica-se a LC nº 07/70.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1995 a 31/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL A LC 118/2005 somente aplicase aos litígios posteriores a 08/06/2005 (final da vacatio legis prevista na lei), de acordo com julgamento do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria ora em análise (RE 566 621/RS). Nesse caso o direito de pleitear a restituição não está extinto, de acordo com a jurisprudência consagrada do e. STJ, dos cinco mais cinco anos (cinco anos previstos no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN combinados com os cinco anos do inciso I do artigo 168 do CTN). PIS ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6º, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/1995 e suas reedições terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Para os períodos de apuração entre setembro de 1995 a fevereiro de 1996 aplicase a LC nº 07/70. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 00 42 /2 00 3- 57 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Demes Brito, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O contribuinte acima identificado requereu em 24/07/2003, por meio do presente processo administrativo, a restituição/compensação de valores recolhidos a título de PIS para os períodos de apuração de novembro de 1995 a outubro de 1998 (cópia de DARF às fls. 19 a 37). 2. Mediante o Despacho Decisório datado de 12/06/2008 (fls. 44 a 46Verso) e cientificado em 12/09/2008, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em São Paulo decidiu: INCONSTITUCIONALIDADE. Na ADIN 1.4170, o STF declarou inconstitucional somente a parte final do art. 18 da Lei n.º 9.715/98, restringindose a decisão ao período de 1.º de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996. DECADÊNCIA. Descabe a restituição dos valores recolhidos a título de PIS relativos a pagamentos anteriores a 24/07/1998, tendo em vista que, considerando a data de protocolo do pedido, 24/07/2003, o direito respectivo foi alcançado pela decadência, que se deu pelo transcurso do prazo de 5 anos contados da extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Assim, o Pedido de Restituição foi indeferido e as declarações de compensação, não foram homologadas. 3. Inconformado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte protocolou três manifestações de inconformidade: 3.1. Em 26/09/2008, protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 92 a 102 alegando: 3.1.1. O processo administrativo em epigrafe protocolizado em 2002, referese a pedido de compensação referente a débito tributário de Pis e Cofins 03/2002, cuja cópia já foi anexado ao presente. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 3 3 3.1.2. Nos termos do artigo 64 da IN/SRF n.º 600/2005 reproduzido, aplicase aos casos de compensações pendentes de análise em 01/10/2002 (que é o caso concreto da Requerente) o determinado no artigo 74, parágrafos 2.º, 4.º e 5.º da Lei 9430/96 reproduzido, ou seja, as Compensações foram realizadas há mais de 5 anos, estando homologadas tacitamente pela Receita Federal, a qual não se manifestou nesse período. Portanto, SMJ, deve ser entendida, por essa Autoridade Administrativa, como homologada a restituição, por inteligência e analogia de interpretação pela integração das normas tributárias, por falta de dispositivo legal que trate explicitamente da restituição tributária, uma vez que o processo estava aguardando manifestação por parte da Receita Federal. Nesta data pode se considerar homologado para o contribuinte o crédito oriundo desse processo pendente de análise, também por uma questão de segurança jurídica. 3.1.3. Quanto a homologação tácita da restituição, está plenamente evidenciado a relação havida entre a autora, ocorrida pelo protocolo de requerimento em 08/03/2001 e que até o presente momento está sem resposta por parte da SRF, com a letra da lei que dispõe acerca da homologação tácita como extinção definitiva do crédito tributário. 3.1.4. Por fim, diante dos documentos hábeis comprobatórios anexados, requer o reconhecimento da homologação tácita do direito à Restituição pleiteada e abandonada pela Administração Tributária para a compensação de débitos da requerente junto a esse órgão. 3.2. Em 26/09/2008, protocolou a Impugnação do Despacho Decisório, fls. 103 a 106 alegando: 3.2.1. A retroatividade do fato gerador do PIS à 01/10/95, prevista no artigo 18 da Lei 9715/98, publicada em 02/11/98 foi considerada inconstitucional de acordo com a decisão unânime do STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade 14170,no plenário de 02/08/99, cuja ata n.º 21/99 foi publicada no DJ extraordinário de 13/08/99, que circulou em 16/08/99, sendo já oficiado o Congresso Nacional e a Presidência da República, conforme movimentação processual. 3.2.2. Não se trata de um julgamento vinculado, mas de uma decisão de inconstitucionalidade do artigo 17 da MP 1325/96, 1212/95, 1249/95 e 1286/96 e posteriores reedições, que culminaram na Lei 9715/98 (artigo 18) no que se refere à retroatividade do fato gerador do PIS à 01/10/95, tornandose, então, inexistente o fato gerador no período considerado Inconstitucional, de 01/10/95 até a publicação da Lei 9715 em 25/11/98. 3.2.3. O STJ e o CC pacificaram em inúmeros acórdãos judiciais e administrativos, respectivamente, esse entendimento, que a prescrição do direito de pleitear restituição deve ter termo inicial após a extinção definitiva, ou seja contase 5 anos após a homologação tácita, que ocorre, após 5 anos do pagamento. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Temos, então, 10 anos do pagamento o prazo para pleitear a restituição. 3.3. Em 13/10/2008, protocolou a manifestação de inconformidade de fls. 70 a 83 alegando: 3.3.1 A Requerente protocolou seu pedido de Restituição em 24 de julho de 2003, e desde esta data não houve qualquer manifestação da autoridade administrativa anterior ao despacho decisório do qual foi dada ciência à empresa em 11 de setembro deste ano. 3.3.1.1. O prazo a que dispõe para decidir acerca do pleito da Requerente é de 5 anos, contados da data do protocolo do pedido e, portanto, findou em julho de 2008. 3.3.1.2. Quanto ao direito do contribuinte de restituir o que foi pago indevidamente, reproduz o art. 5º, XXII da CF e art. 165 do CTN. 3.3.1.3. Embora não há expressamente estabelecido prazo para a administração pública se manifestar em processos específicos de pedido de restituição e/ou ressarcimento, este há de ser definido por analogia, nos exatos termos em que preconiza o CTN, art. 108. 3.3.2. Quanto ao prazo para restituição de valores indevidamente recolhidos, o termo inicial a que se refere o inciso I do artigo 168, CTN, somente inicia com a homologação do pagamento antecipado, que no caso dos autos, ocorreu tacitamente. 3.3.2.1. Assim, o prazo prescricional iniciouse após decorridos 5 anos do fato gerador dos tributos, não estando alcançados pela decadência, tal como pretende a autoridade tributante. Nesse sentido, reproduz o Recurso do CC. 3.3.3. No tocante à declaração de inconstitucionalidade do PIS, através da ADIN Nº 1.4170, do qual resulta a inexistência de relação jurídica para esta exação no período de novembro/1995 a outubro/1998. 3.3.3.1. Isto porque, em nosso ordenamento jurídico vigora o princípio da proibição da repristinação, segundo o qual, a lei revogadora de outra também sendo revogada ou declarada inconstitucional, tal como ocorreu no presente caso, não enseja que a lei revogada volte a ter vigência. 3.3.3.2. A declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.715/98, que teve por base os pagamentos realizados indevidamente pela Recorrente, não implica em restabelecimento da vigência da lei anterior, tal como pretende a autoridade administrativa. 3.3.3.3. Se assim concebermos, estaremos infringindo frontalmente o princípio da proibição da repristinação, previsto no § 3º do artigo 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, conforme reproduzido. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 4 5 3.3.4. Por fim, requer seja reconhecido o direito a crédito em sua integralidade, assim como homologando todas as compensações declaradas com este crédito e produção de todos os meios de prova admitidos em direito, principalmente, documental e pericial, bem como, a apresentação de novos documentos e que sejam abertos novos prazos para que a Impugnante se manifeste sobre documentos juntados pela Impugnada. A DRJ em São Paulo I/SP deferiu parcialmente a solicitação, ficando a decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1995 a 31/10/1998 RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. PIS ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao Princípio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6º, e a IN SRF 06/2000, as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/1995 e suas reedições terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. Para os períodos de apuração entre setembro de 1995 a fevereiro de 1996 aplicase a LC nº 07/70. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, descabe aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação. COMPENSAÇÃO PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Após o transcurso deste prazo, não é dado à Administração pretender não homologar a compensação declarada. Solicitação Deferida em Parte Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, onde reitera os argumentos esgrimidos em primeira instância (homologação da restituição, por analogia e integração das normas tributárias; afastamento da decadência e inexistência de relação jurídica para esta exação no período de novembro/1995 a outubro/1998); ao final requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para reconhecer o direito à restituição pleiteada e homologar as compensações. Apresentado o recurso voluntário, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Em 15/02/2013, foi apresentada renúncia ao mandato, por parte da procuradora da recorrente. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar, penso que a renúncia ao mandato, por parte da procuradora da recorrente, só deve ter efeitos para o contencioso para além do julgamento do recurso voluntário, ficando totalmente preservado o direito de defesa da recorrente. DA INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA RESTITUIÇÃO Ainda in limine, devese atentar para a inexistência de homologação tácita da restituição, por analogia e integração das normas tributárias, como defende a recorrente. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 5 7 Nesse sentido, penso escorreita a fundamentação posta na decisão recorrida, e bem por isso deve ser ratificada nesta segunda instância, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99: 1 (...) 9. Quanto a aplicação da analogia (art. 108 do CTN) entre a homologação tácita do Pedido de Restituição e da Declaração de Compensação, cabe salientar que se trata de documentos completamente distintos, não havendo espaço para aplicar ao primeiro a homologação tácita prevista para o segundo. 9.1. Fazendo um breve histórico dos fatos para lembrar que, anteriormente, a compensação, conforme dispunha o art. 74 da lei 9.430 em sua primeira redação, deveria ser requerida. Reparese: Lei 9.430/96 “Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” 9.2. Posteriormente, o art. 49 da Medida Provisória 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei no 10.637, de 30.11.2002), trouxe nova redação ao art. 74 da lei no 9.430, de 1996, dando inovadores contornos ao instituto em debate ao instituir a compensação por via da Declaração de Compensação. 9.3. Noutras palavras, pelo regime da compensação declarada (atual redação da Lei 9.430/96, art. 74, § 1o) tudo se passa como se o contribuinte recebesse antecipadamente do Estado o numerário correspondente ao alegado direito creditório e o utilizasse para a imediata extinção dos seus débitos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...)”9.4. Com efeito, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A compensação se opera e é satisfeita desde logo, ainda que sob condição resolutória. 9.5. Diversamente, o pedido de restituição à Receita Federal em nenhuma hipótese é satisfeito desde logo. A Administração não entrega um cheque ao sujeito passivo, a título de restituição, sem antes deferir o pedido de restituição. 9.6. Aliás, o pedido de restituição é um requerimento, uma solicitação, um pedido, enfim. Daí, inclusive, a necessidade de haver uma decisão explícita – nunca tácita – da Administração, como, aliás, exige o art. 48 da Lei 9.784/99. Reparese: “Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência.” 9.7. Já no mecanismo compensatório estabelecido no art. 74 da Lei 9.430/96, com as inovações que principiaram com a Medida Provisória 66/2002, não existe um pedido de compensação, ou seja, não se requer ao Fisco a compensação. 9.8. A compensação não está vinculada a um pedido de compensação. A compensação se realiza desde logo pela entrega de uma “declaração de compensação”, não de um “pedido de compensação”. 9.9. Concluise não caber aplicar ao pedido de restituição, por analogia, a homologação tácita prevista para a declaração de compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte. 9.10. Ademais, a segurança jurídica se alcança justamente com uma decisão expressa quanto ao pedido de restituição e com o respeito às leis, entre elas a Lei 9.784/99, a qual exige que as solicitações do Administrado e os processos administrativos sejam enfrentados por decisão explícita da Administração. 10. O regime jurídico ao qual se submetem as compensações de tributos foi alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637/2002, resultado da conversão em lei da Medida Provisória nº 66/2002, que modificou a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Com efeito, segundo o § 2º do artigo mencionado, as compensações declaradas extinguem o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Ademais, o § 4º deste mesmo artigo prescreve que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa devem Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 6 9 ser tratados como declarações de compensação, desde o seu protocolo. 10.1. Portanto, os pedidos de compensação ainda não apreciados, à data da edição da referida Medida Provisória, devem ser tratados como declaração de compensação, surtindo os efeitos legais correspondentes a esta figura. 10.2. A Medida Provisória nº 135, publicada em 31/10/2003, incluiu o § 5.º no art. 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual o prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da entrega da declaração. Tendo em vista que a homologação ou não da compensação declarada gera efeitos na esfera jurídica do contribuinte, o ato só terá validade depois de sua intimação. Esta situação é similar à da lavratura de auto de infração, que exige a intimação do contribuinte para que o crédito tributário esteja constituído. Ora, considerando o disposto na Medida Provisória nº 135/2003, e que este ato legislativo prescreveu o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada, há que se concluir que, uma vez transcorrido o prazo legal, não é dado à autoridade administrativa senão reconhecer a homologação das compensações declaradas. Cabe ainda salientar que a MP acima trata da declaração de compensação e não do Pedido de Restituição que continua sem previsão legal do prazo qüinqüenal para homologação tácita. (...) Por outro giro, a decadência parcial decretada pela Administração Tributária, não merece ratificação, porquanto em sede recursal já pacificouse entendimento diverso. DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO A extinção parcial do direito da recorrente pleitear restituição, decretada pelo despacho decisório e ratificada pela decisão recorrida não merece prosperar, uma vez que a LC 118/2005 somente aplicase aos litígios posteriores a 08/06/2005 (final da vacatio legis prevista na lei), de acordo com julgamento do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria ora em análise (RE 566 621/RS). Bem por isso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem aplicando reiteradamente tal decisão da Corte Suprema aos seus julgados, por força do RICARF, art. 62A. 2 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Corolário disso, temse por tempestivo o pedido da recorrente em 24/07/2003 se se levar em conta a jurisprudência consagrada do e. STJ, dos cinco mais cinco anos (cinco anos previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN combinados com os cinco do inciso I do artigo 168 do CTN). DA INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS Quanto ao mérito, nada de relevante veio aos autos desde a decisão recorrida, que mostrouse irretocável em seus fundamentos de fato e de direito. Vale apenas observar que a decisão de piso decretara a decadência parcial do pedido, e bem por isso referia ao período de 03/1996 a 10/1998, ao invés de referirse a todo o período de apuração pleiteado: No presente caso, para os períodos de apuração entre 03/1996 a 10//1998, após a Resolução nº 49/95 do Senado Federal, que suspendeu a execução dos Decretoslei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, foi editada a Medida Provisória nº 1.212, em 28 de novembro de 1995, que passou a regular a referida contribuição. 8.1. A Medida Provisória nº 1.212/95 trazia, em seu art. 15, o seguinte comando: “Art.15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995.” 8.1.1. A Medida Provisória nº 1.212/95 foi reeditada sucessivamente (1.249; 1.286; 1.325; 1.365; 1.407; 1.447; 1.495; 1.4958; 1.4959; 1.49510; 1.49511; 1.49512; 1.495 13; 1.54614; 1.54615; 1.54616; 1.54617; 1.54618; 1.546 19; 1.54620; 1.54621; 1.54622; 1.54623; 1.54624; 1.546 25; 1.54626; 1.62327; 1.62328; 1.62329; 1.62330; 1.623 31; 1.62332; 1.62333; 1.67634; 1.67635; 1.67636; 1.676 37; 1.67638), até ser convertida na Lei nº 9.715/98, publicada no DOU em 26/11/1998. Todas as reedições e a própria lei de conversão sustentavam a mesma redação contida no originário art. 15. Transcrevo o art. 18 da Lei nº 9.715/98: “Art 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995.” 8.2. Contra a Medida Provisória nº 1.325/96 foi proposta ação direta de inconstitucionalidade (ADIN 1.417). A ação compreendeu a apreciação de todas as reedições posteriores e da própria lei de conversão. Contra as normas foram argüidas várias inconstitucionalidades, dentre as quais, sendo a única acolhida, a que foi apontada contra o art. 18 da Lei nº 9.715/98, que impunha a aplicação da sistemática inaugurada pela Medida Provisória nº 1.212/95 sobre os fatos geradores ocorridos desde 01/10/1995, vulnerando o princípio da irretroatividade constante no art. 150, III, “a” da Constituição Federal. 8.3. No julgamento da medida cautelar, em 07/03/1996, o STF, por unanimidade, determinou a suspensão temporária da expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 7 11 de 1º de outubro de 1995”, por entendêla contrária ao referido dispositivo constitucional. No julgamento meritório, em 02/08/1999, o Tribunal, também por unanimidade, confirmando o julgamento liminar, julgou inconstitucional a expressão acima transcrita. 8.4. Alega implicitamente o contribuinte que as sucessivas reedições da Medida Provisória nº 1.212/95, a cada 30 dias, impediram a fluência do prazo nonagesimal previsto no art. 195, § 6º, da Constituição Federal. 8.5. Segundo seu argumento, cada reedição do referido ato legal implicaria novo início da contagem do prazo, todavia tal raciocínio não se coaduna com a legislação e o entendimento jurisprudencial. O próprio STF, na invocada ADIN 1.417, no voto do Ministro Octávio Galotti, assim se manifestou a respeito: Recordo que data de 29 de novembro de 1995 a publicação da Medida Provisória nº 1.212, ponto de partida da estirpe legiferante ininterrupta de que ora nos ocupamos, e onde já se fazia presente (art. 15) a cláusula de vigência a partir de 1º de outubro de 1995. (grifei) 8.6. A expressão “estirpe legiferante ininterrupta” traduz o pensamento do STF quanto aos efeitos da Medida Provisória nº 1.212, de suas reedições e da Lei de conversão 9.715/98, mesmo anteriormente à Emenda Constitucional nº 32/2001. Se tal procedimento é considerado ininterrupto, ou seja, se os efeitos são produzidos desde a edição do ato inaugural, não se pode entender que a cada reedição ocorreria novo início do prazo nonagesimal. Da mesma forma, com a edição da lei de conversão, no que ela não diferir, permanecem os efeitos surgidos quando da edição da medida provisória originária. 8.7. Afirma também a inconformada que, com a declaração de inconstitucionalidade da expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995”, tornase inexistente o fato gerador desde 01/10/95 até 31/01/99. Também não procede tal argumento em face do entendimento do STF esposado no item anterior, qual seja, os efeitos são produzidos desde a edição do ato inaugural. 8.8. A norma, editada em 29/11/95, visava a atingir eventos anteriores à sua vigência, por isso a decretação de sua inconstitucionalidade. Tal posicionamento foi tomado, tanto na apreciação da medida cautelar, como no julgado de mérito. Transcrevo, respectivamente, excerto da ementa e do voto do relator proferido na decisão da medida cautelar: “4. Liminar concedida, em parte, para suspender o efeito retroativo imprimido, à cobrança, pelas expressões contidas no art. 17 da M.P. no 1.32596.” “É, contudo, inegável o relevo da argüição de retroatividade da cobrança, expressamente estipulada na cláusula final do art. 17 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 do ato impugnado, em confronto com o princípio consagrado no art. 150, III”, a”, da Constituição. Satisfeitos pressupostos legais à sua concessão, defiro, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender os efeitos da expressão ‘aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995’, contida no art. 17 da Medida Provisória nº 1.325, de 9 de fevereiro de 1996”. 8.9. No exame do mérito não houve modificação do entendimento, pertencente à ementa a disposição abaixo: “Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598.” (sic) 8.10. É claro o entendimento de que a apreciação de inconstitucionalidade referiase apenas ao efeito retroativo impingido pela Medida Provisória nº 1.212, decidindo o Supremo Tribunal Federal que a dita medida provisória somente produz efeitos a partir de sua edição, ou seja, a partir de 29 de novembro de 1995. 8.11. Conforme exposto anteriormente, a lei de conversão nada mais fez do que transformar o que era provisório em permanente, sendo mantidos os efeitos desde a edição da norma originária. Portanto é completamente desprovida de fundamento a alegação do contribuinte de que inexistiu o fato gerador de 01/03/1996 a 31/01/1999. 8.12. Ressaltese que somente a parte final do art. 18 da Lei nº 9.715 foi julgada inconstitucional, o restante da norma é totalmente eficaz, não cabendo alegação de que os pagamentos de valores no período questionado se constituam em créditos restituíveis ou compensáveis, pois os referidos valores, incluindo eventuais consectários legais, são devidos. 8.13. A edição da IN nº 06/2000 está dentro do contexto dos itens 8.9 e 8.10 porque, uma vez declarada a inconstitucionalidade do art. 17 da Medida Provisória nº 1.212 e de suas reedições, e do art. 18 da Lei nº 9.715/98, no que se refere à retroação dos efeitos a 01/10/95, começa a correr o prazo nonagesimal a partir da publicação da norma inaugural. 8.14. Não cabe a este órgão administrativo questionar a validade da IN nº 06/2000. Conforme a mesma IN, a Lei Complementar nº 7/70 deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, sendo aplicável aos fatos geradores dos períodos subseqüentes a Medida Provisória nº 1.212 e suas reedições, convertidas em Lei nº 9.715/98, in verbis: “Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: Izero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento;” 8.15. Portanto, para os períodos relacionados pelo contribuinte neste processo, posteriores a 29 de fevereiro de 1996, aplicase a Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19679.000042/200357 Acórdão n.º 3803006.911 S3TE03 Fl. 8 13 MP nº 1.212/95 não havendo que se falar em repristinação de lei. Posto isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 23/03 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19647.006058/2006-93
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. REVISÃO DO MONTANTE DO TRIBUTO DEVIDO.
Mesmo sob o pretexto de tão somente contestar o saldo negativo declarado pelo contribuinte, é vedado ao fisco revisar a apuração de tributo mediante glosa de despesas de depreciações, entre outras que influenciem a determinação da base tributável.
Tal situação ultrapassa a mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese da singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, §4º da Lei 9.430/96), constituindo-se verdadeiro lançamento e, por isso, sujeito a prazo decadencial.
Numero da decisão: 1801-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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IRPJ CSLL. Recorrente EDITORA JORNAL DO COMMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. REVISÃO DO MONTANTE DO TRIBUTO DEVIDO. Mesmo sob o pretexto de tão somente contestar o saldo negativo declarado pelo contribuinte, é vedado ao fisco revisar a apuração de tributo mediante glosa de despesas de depreciações, entre outras que influenciem a determinação da base tributável. Tal situação ultrapassa a mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese da singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, §4º da Lei 9.430/96), constituindose verdadeiro lançamento e, por isso, sujeito a prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 58 /2 00 6- 93 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte face a acórdão (e fl. 702) da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção em seu nome e desde que seja comprovada a inclusão das receitas correspondentes no cômputo do lucro real apurado. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis os custos e despesas que, além de preencherem os requisitos legais de necessidade e usualidade, ficam sujeitos à comprovação por documentação hábil e idônea da ocorrência e quitação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia e diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Consoante se verifica nas PER/DCOMPs de folhas 04 a 22 e 244/247, o contribuinte objetivou compensar pretensos créditos de saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2000 com débitos diversos próprios referentes ao IRPJ, PIS e COFINS. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1801002.069 S1TE01 Fl. 758 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Recife, entretanto, através do despacho decisório de efl. 376, com base no Termo de Verificação Fiscal (efls. 310328) e Termo de Informação Fiscal (efl. 374), não homologou as referidas compensações, determinando o encaminhamento à cobrança dos créditos não extintos, tudo em conformidade com a legislação. A destacar ainda, que, à efl. 681/683, em cumprimento às exigências da Lei n° 11.941/2009, o contribuinte já havia desistido parcialmente ao direito em que se funda a presente lide, mantendoa apenas no que se refere a parte do IRPJestimativas de abril e maio de 2002. Irresignado face ao acórdão da DRJ, o contribuinte apresenta recurso voluntário (efl. 721), aduzindo: a) Não poderia, em 11/08/08 (data do despacho decisório), proceder o, fisco, o refazimento da apuração fiscal do anocalendário de 2000, em virtude da decadência; que o prejuízo fiscal obtido no anocalendário 2000 foi homologado pela administração em 2005, ou seja, cinco anos após ocorrência do fato gerador. Não há de ser mais objeto de fiscalização fato já consumado pela própria administração; b) Que não pode prosperar o argumento trazido pelo órgão julgador que insiste em afirmar que é legal a exigência de apresentação de documentação, por ocasião de realização de diligência para verificação da existência de crédito fiscal, mais de 05 anos depois da ocorrência do fato gerador. Isso por que Auditoria somente se iniciou em 2006 e teve término no ano de 2008, portanto, portanto mais de 5 (cinco) anos da apuração do crédito; c) Quanto às Glosas e adições apuradas que o acórdão recorrido deixou de analisar os documentos que foram apresentados pela Recorrente que busca aqui o reconhecimento do seu direito; d) Quanto às Adições ao Lucro Real — Provisão para contingências, referente à diferença entre o registro do custo/despesa decorrente de provisão para contingências de INSS/FGTS, no valor de R$ 4.140.527,92 (fl.224), e o adicionado ao LLE (Lucro Líquido do Exercício), na apuração do Lucro Real, no montante de R$ 3.926.000,00, argumentou que foi adicionado ao LALUR mais que o valor lançado em custos e despesas em razão de ser considerado para efeito de adição o saldo das contas do passivo e não o contabilizado em despesas; que quando da provisão para o FGTS, apenas foi complementada a provisão, pois já existia saldo dos exercícios anteriores (ano de 1999) no valor de R$ 257.186,02, conforme informação já acostada no processo nas fls. 63; que dessa feita, o valor lançado no resultado do anocalendário de 2000 foi de R$ 3.511.813,98 para o FGTS, sendo tais informações de conhecimento da fiscalização que inclusive teve acesso ao LALUR do período, conforme documento fls. 81 e 81verso do processo; que, no entanto, a fiscalização comparou valores lançados em despesas na contabilidade de R$ 4.140.527,91 como parte da adição efetuada no LALUR no montante de R$ 3.926.000,00, chegando assim a uma diferença indevida de R$ 214.527,91, considerandoa indedutível; e) Glosa indevida de valores referentes às despesas e custos Desconsideração de quase todos os valores das despesas operacionais, no que tange a prestação de serviço por pessoa jurídica e outros custos (de R$ 14.944.243,00, apenas foi considerado o montante de R$ 8.663.644,20): que em seu caso específico, cada prestador de serviço pessoa jurídica poderá ter uma mesma nota relacionada em vários centros de custo; que em virtude do Fl. 759DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 grande lapso temporal decorrido entre a fiscalização e o período fiscalizado não foi possível a obtenção de documentos comprobatórios (notas fiscais) dos pagamentos realizados, contudo, foram apresentados registro contábeis referente às fichas financeiras de cada empresa e livro razão das operações realizadas que fazem prova em favor do contribuinte; que as pessoas jurídicas que não foram incluídas na DIRF, referente a lojistas e distribuidores que a época, e ainda hoje, fazem parte da carteira de prestadores de serviço da ora Recorrente, também obtiveram faturamento junto a esta, apresentando em sua defesa da mesma forma, declarações informando o faturamento obtido junto à Recorrente no anocalendário em debate; que no total somase um montante de R$ 2.459.378,94 de despesas obtidas naquele período pela Recorrente, todas efetivamente provadas; f) Glosa indevida de valores referentes à depreciação do maquinário e equipamento todas, referentes a maquinário adquirido em 1999, que, inicialmente, faziam parte da conta ativo imobilizado em andamento, e que, após a instalação total, passaram a integrar a conta ativo: que o maquinário relacionado foi financiado pela Recorrente no ano de 1999 pagandose de entrada 5% do valor total do bem; que inicialmente tais custos foram contabilizados na conta do ativo permanente em andamento; que mês a mês foi calculada e contabilizada sobre o saldo devedor o montante da variação cambial, que efetivamente faz parte do custo do maquinário, o que não foi considerado pela Autoridade Fiscal e pela DRJ, bem como contabilizou toda a despesa, despesas geradas para importação e instalação do equipamento que da mesma forma fazem parte do custo de aquisição do equipamento; que é inaceitável ter sido glosado todos os valores referentes à variação cambial, despesas com contratação e deslocamento de equipe técnica responsável pela instalação do maquinário e até mesmo o tributo pago a título de IPI e II; que a Recorrente não pode se creditar do IPI pago em virtude dos bens ao qual se refere o imposto ser direcionado ao ativo permanente da empresa, logo são irrecuperáveis, que assim sendo, tal valor só poderia ser considerado “custo”, e não pode sofrer glosa como pretende a Fiscal; que toda documentação referente ao procedimento acima relatado foi oferecido a fiscalização e desconsiderado sem fundamentos; g) Da homologação parcial do crédito de IR e CSLL retido na fonte por órgão público, código 6190: que o acórdão recorrido deixou de considerar que o não reconhecimento do crédito de IR e CSLL por parte da Empresa se deu única e exclusivamente por falta de informação em DIRF pelos órgãos públicos que não informaram as retenções realizadas, dificultando o trabalho da Recorrente para apresentação na sua defesa; que na impossibilidade de apresentar os demonstrativos de rendimento, a Recorrente juntou os extratos dos clientes e planilhas extraídos de sua contabilidade, acurando as retenções realizadas por esses órgãos, tudo a fim de demonstrar que efetivamente a retenção realizada pelas pessoas jurídicas de direito público efetivamente ocorreram; que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, razão pela qual os elementos até então apresentados devem ser considerados no deslinde do processo com espeque no parágrafo 1º do artigo 9º do DecretoLei n°. 1598; h) Do princípio da verdade material: que se faz necessário a revisão do despacho decisório ora combatido tendo por base a documentação acostada pela recorrente, em homenagem ao princípio da verdade material, devendo todos os documentos acostados em sua manifestação ser devidamente analisados, fato este não visualizado até este momento; i) Do in dubio pro contribuinte no mínimo paira dúvida quanto à interpretação da norma jurídica. E neste caso é de se aplicar o princípio da interpretação benigna constante do art. 112 do CTN, o que, certamente, resultará no reconhecimento do direito creditório; É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1801002.069 S1TE01 Fl. 759 5 Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Tenho como pertinente a irresignação do contribuinte quando argumenta que não poderia o fisco, em 11/08/08 (data do despacho decisório), revisar a apuração fiscal do anocalendário de 2000, sendo esta prejudicial em relação às demais. Isso por que tal comportamento fiscal, ainda que sob o pretexto de tão somente contestar o crédito declarado pelo contribuinte, acaba por revisar a apuração de tributo, na medida em que procede à incursão de despesas de depreciações, entre outras que influenciam a determinação da base tributável (conforme termo de verificação fiscal de efls 310 a 328). Não se trata, portanto, de mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese de uma singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, §4º da Lei 9.430/96). A situação encaixase, a bem da verdade, no caput do Art. 142 do CTN, posto que pretende revisar, para o intuito de se fazer exercer o direito da fazenda pública de recebimento do tributo, a apuração realizada pelo contribuinte: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O exercício do direito da Fazenda verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinando a matéria tributável, entretanto, está sujeito ao prazo temporal da decadência. Dormientibus non succurrit jus. Voto, portanto, em dar provimento ao recurso voluntário, homologandose as compensações intentadas. Alexandre Fernandes Limiro relator (assinado digitalmente) Fl. 761DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 6 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
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Numero do processo: 10920.722445/2011-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SISTEMA SIMPLES. ADE. EXCLUSÃO. EFEITOS.
Os efeitos do Ato Declaratório Executivo - ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional.
Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhê-las como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.147
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SISTEMA SIMPLES. ADE. EXCLUSÃO. EFEITOS. 1. Os efeitos do Ato Declaratório Executivo ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional. 2. Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 24 45 /2 01 1- 87 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, Relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social e a Terceiros, parte patronal e GILRAT (AI DEBCAD Nº 37.266.6019); Terceiros (AI DEBCAD nº 37.266.6035), bem como sobre desconto do segurado referente ao prólabore (AI DEBCAD Nº 37.266.6027). No batimento GFIP e GPS identificouse que o contribuinte fazia os recolhimentos como sendo optante pelo regimento tributário do Simples. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de novembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato de exclusão. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 5 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente foi notificada em 28 de novembro de 2011, do conteúdo dos autos de infração de nº 37.266.6019, 37.266.6027 e 37.266.6035, os quais, em função de sua exclusão do Simples Nacional e Federal, efetuaram fiscalização no período de janeiro de 2007 a outubro de 2010. Do lançamento a recorrente apresentou as devidas impugnações, as quais foram objeto de julgamento pela DRJ de Campo Grande – MS. Em que pesem os motivos que nortearam a decisão proferida a mesma não pode remanescer, devendo ser cancelado o auto de infração. O auto de infração foi gerado pelo fato de o contribuinte ter sido excluído do programa Simples. Embora tal situação esteja em discussão no processo próprio (10920.721793/201137 – Simples Nacional e 10920.721792/201192 – Simples Federal), foi igualmente trazida à discussão nestes autos, eis que legadas umbilicalmente as situações. A decisão que se recorre igualmente entende pela exclusão da empresa do simples, por entender que a mesma promove locação de mãodeobra. Porém, não há como subsistir tal decisão. Quando da lavratura do ato declaratório de exclusão, a fiscalização também já havia se apoiado no disposto no Parecer Cosit nº 69/1999. Por todos os motivos expostos, vêse que deve ser revista a decisão que sugeriu a exclusão da Impugnante do simples, eis que não ocorre sua atividade tratase de contrato de prestação de serviço, e não de locação de mãodeobra. Outra ilegalidade que a Receita Federal vem procedendo é em relação aos efeitos retroativos da exclusão. O auto de infração ora combatido originouse do processo de exclusão da empresa do Simples, processo de exclusão este que encontrase em fase de discussão administrativa. O presente auto de infração depende exclusivamente da decisão quanto à validade da exclusão do Simples. Decidindose tal exclusão de forma favorável à Recorrente, cairão por terra os lançamentos efetuados. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 6 5 A decisão da qual se recorre, não reconheceu o direito de se compensar os valores lançados com aqueles já recolhidos dentro da sistemática do Simples. Diante do exposto, requerse a reforma da decisão proferida pela DRJ, cancelandose assim o AI lavrado. Caso não seja este o entendimento, que se determine a suspensão deste processo até que se decida os processos que tratam da exclusão do Simples, o que esta sendo tratado em processos específicos; caso mantida a exclusão da empresa, requer sejam considerados os valores já recolhidos pela recorrente junto ao Simples, para fins de compensação com os valores ora lançados, bem como que referida compensação surta seus efeitos nos valores lançados a título de multa e juros. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de processo administrativo fiscal decorrente da exclusão do contribuinte do Sistema Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 209, de 10/11/2011, da DRF/Joinville/SC. Com a exclusão, operouse o efeito retroativo a partir de 1º de julho de 2007, conforme dispõe o inciso II do artigo 31 da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Em razão do ADE já referido, foram lançadas, nestes autos, as diferenças de alíquotas, pois a empresa passou a contribuir como aquelas não optantes. Em relação à exclusão propriamente dita, a empresa se defende do ato em outro processo administrativo que, na segunda instância, tramitará na primeira seção do CARF. O fato de haver outro processo administrativo além do que ora se discute não significa que aquele imporá efeito suspensivo relativamente a este. Os processos tramitam separados e um não depende do outro. No ponto, sem razão o contribuinte. Portanto, não há que se cogitar de invalidade do lançamento que originou este processo. Está bem evidenciado que a autoridade lançadora observou regiamente os mandamentos relativos à sua atividade e constituiu o crédito tributário em estrita observância às regras contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Os efeitos do Ato Declaratório Executivo – ADE são claros, situação que não impede o lançamento dos créditos tributários devidos em face da exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional. Além disto, como bem asseverou o julgador a quo, a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra ato de exclusão. De mais a mais, é também vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional. Destarte, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.722445/201187 Acórdão n.º 2803004.147 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
