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Numero do processo: 13629.000317/2005-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, após a ocorrência do fato gerador, não autoriza a sua exclusão da tributação do ITR.
Numero da decisão: 9202-006.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, após a ocorrência do fato gerador, não autoriza a sua exclusão da tributação do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Em sessão plenária de 20/05/2008, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 30239.468 (fls. 138 a 147), assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 03 17 /2 00 5- 23 Fl. 236DF CARF MF 2 “ASSUNTO2 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURALITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. Para ser reconhecida para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal, deve, além de ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou ter o protocolo do requerimento tempestivo do ADA, estar averbada em cartório à margem da matricula do imóvel, admitindose que tal providência seja tomada depois de ocorrido o fato gerador do Imposto, mas até a apresentação da impugnação ao lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Cientificada do acórdão em 12/09/2008 (fls. 148), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (fls. 151), o Recurso Especial de fls. 152 a 163, com fundamento nos artigos 7º, inciso I, e 15, do Regimento Interno da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais, visando rediscutir o restabelecimento da ARL – Área de Reserva Legal, levada a cabo na decisão recorrida, alegando contrariedade à lei nº 9.636, de 1996, c/c art. 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965 (§ 8º do art. 16, da MP nº 2.16667/2001 à época) e 111 do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 302.229, de 26/09/20008 (fls. 161 a 163). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: da análise das alegações e documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar a não tributação da área de utilização limitada/reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência de registro imobiliário tempestivo para que a área seja considerada não tributável; no que se refere à legislação utilizada para justificar a exigência, cabe invocar, primeiramente, o disposto no art. 10, da Lei nº 9.393, de 1.996, que diz, verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando~se a homologação posterior.” a exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do ITR está prevista na alínea "a", inciso II, § 1º, do referido art. 10, da citada Lei nº 9.393, de 1.996, a seguir transcritos: § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 237 3 a exigência da averbação da área de utilização limitada/reserva legal à margem do seu registro imobiliário, a seu turno, está prevista, originariamente, no § 2° do art. 16, da Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1.989, hoje § 8º do mesmo dispositivo, conforme alteração da MP nº 2.16667, de 2001, a saber: "Art. 16. (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. ” desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei n° 9.393, de 1.996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência averbação à margem da matrícula do imóvel; além disso, tal exigência foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43, de 1997, com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67, de 1997: "Art. 10 (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67 97 de 01/09/I997) I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997)" por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto o art. 1°, caput, da Lei nº 9.393, de 1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1º de janeiro de cada ano; assim, as áreas de utilização limitada/reserva legal somente serão excluídas de tributação, se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício; tanto é verdade, que atualmente esse prazo consta expressamente indicado no parágrafo 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (Regulamento do ITR), que consolidou toda a legislação do ITR, da seguinte forma: "Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob Fl. 238DF CARF MF 4 regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001). § 1º. Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador." dessa forma, a averbação da área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deveria ocorrer até 01/01/2001, data do respectivo fato gerador, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996; ocorre que, no presente caso, referida averbação somente ocorreu em 06/02/2001, donde se pode concluir que tal providência foi intempestiva para o exercício em questão (2001), só podendo vir a justificar a não tributação dessa área, a partir do exercício de 2002; acrescentese, conforme já aventado em relação à outra matéria, que, tratandose de isenção ou exclusão da tributação, conforme determina o art. 111 do CTN, deve ser observado o rigor da interpretação literal da lei; na realidade, a averbação da área de reserva legal, mais do que um meio acessório de promover a proteção da referida área, constitui um compromisso público firmado pelo proprietário do imóvel, de que aquela área será devidamente conservada, dando maiores garantias à preservação de uma área necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos sistemas ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e à proteção de fauna e flora nativas; esse compromisso tornase de fácil compreensão, pois, caso contrário, seria totalmente inócuo o incentivo à preservação do meio ambiente. Imaginese a hipótese de o contribuinte poder apresentar a DITR, por seguidos exercícios, suprimindo áreas da tributação, com a alternativa de providenciar o cumprimento da exigência de averbação em cartório a qualquer tempo, podendo fazêlo, inclusive, somente quando solicitado pela fiscalização do imposto, como ocorreu no caso em tela; se assim fosse, nenhum efeito resultaria da medida de incentivo a conservação do meio ambiente, pois o proprietário da terra usaria o beneficio da isenção fiscal e o Poder Público não teria qualquer garantia, o que não ocorre quando da existência da averbação da área no registro de imóveis; assim sendo, constatada a averbação intempestiva da área declarada como de utilização limitada/reserva legal, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração; o lançamento do imposto suplementar apurado pela fiscalização, em relação às áreas declaradas como de utilização limitada/reserva legal e preservação permanente, indevidamente excluídas da tributação do ITR do exercício de 2001, está fundamentado no art. 14, da Lei nº 9.393, de 1.996, que assim dispõe: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. a Secretária da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 238 5 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização. cabe acrescentar que a própria Medida Provisória nº 2.166, de 2001 art. 3º, para não deixar dúvidas quanto à cobrança do imposto suplementar, se comprovado que as áreas excluídas do ITR não estão devidamente regularizadas, alterou a redação do art. 10, da Lei nº 9.393, de 1.996, acrescentando: "Art 10 (...) § 7º: A declaração para fim de isenção do ITR relativo às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d” do inciso II, § 1º deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira. sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” a cobrança do imposto correspondente às áreas não averbadas / averbadas intempestivamente não pode ser entendida como uma "sanção", pois, na realidade, o que houve foi a exigência do imposto apurado pela fiscalização, em relação às áreas declaradas como de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, indevidamente excluídas do ITR, nos termos da legislação citada anteriormente; no caso, pode ser entendida como sanção a cobrança de juros e multa calculados sobre o valor do imposto suplementar, nos termos da legislação de regência; assim, é de ser reconhecido que não restou comprovado o cumprimento, tempestivo, das exigências anteriormente fundamentadas, para fins de restabelecer, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, devendo, portanto, ser mantida a tributação. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja conhecido e provido o Recurso Especial, mantendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 17/02/2009 (AR de fls. 165/verso), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 04/03/2009 (envelope de fls. 186), as Contrarrazões de fls. 166 a 186, contendo os seguintes argumentos, em resumo: a averbação da área de reserva legal depende da emissão de Termo de Preservação de Floresta" o que não foi feito pelo Órgão competente, conforme determina o parágrafo 4° do artigo l6 da Lei 477l, de 1965; a área de reserva legal “deve ser aprovada" pelo órgão ambiental estadual competente, ou mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada; a realidade fática e material demonstrou que a área estava preservada, tanto que foi pelo órgão competente aceita; Fl. 240DF CARF MF 6 a Lei 9396, de1996 define que as áreas sujeitas ao pagamento do ITR são aquelas “aproveitáveis", na qual não estão computadas as áreas de uso limitado, no caso 20% da propriedade a título de reserva legal; o Ibama certificou a existência da área de reserva legal e da impossibilidade de averbação desta área antes do órgão estadual emitir o “termo de preservação florestal"; a efetiva isenção do Imposto para as áreas de reserva legal e de preservação permanente depende da observância dos preceitos contidos no Código Tributário Nacional: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. o presente lançamento diz respeito ao exercício de 2001, portanto a DITR, tendo o fato gerador do imposto ocorrido no dia primeiro de janeiro daquele mesmo ano, conforme previsto no artigo l° da Lei 9.393, de 1996, o que de vital importância no que concerne aos efeitos do disposto do artigo 105 do Código Tributário Nacional na solução da presente lide: Art. 105 A legislação tributária aplicase imediatamente aos fotos geradores futuro e aos pendentes, assim entendidos, aqueles cujo ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do artigo 116. até a entrada em vigor da Lei 10.165, de 27/12/2000, a exoneração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em decorrência do existência de áreas de preservação permanente e de reserva legal estava vinculada as exigências contidas nas leis então vigentes, ademais o ADA foi entregue no ano de 1998 ao Ibama; o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural tem função extrafiscal, com a qual se lhe atribui finalidade mais ampla, superando a meramente arrecadatória, com vistas a utilização da propriedade particular em benefício da coletividade; esta é a razão que está a desonerar o pagamento do imposto as áreas de reserva legal e de preservação permanente, entre outras; o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (Regulamento do ITR), assim dispõe: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; (...) § 4° O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3° e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 239 7 ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis". o que se depreende do texto legal é que a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR está inserida em um programa mais amplo de controle do uso dos recursos naturais disponíveis, no qual se previu, inclusive, nova fonte de recursos destinada ao financiamento da fiscalização ambiental; sem a obtenção do ADA na data da ocorrência do fato gerador do imposto (prazo alargado por atos normativos do Secretaria da Receita Federal) e do “termo de preservação de florestas", requisitos formais definidos em Lei como necessários para a concessão do favor, não havia como Contribuinte usufruir da isenção, pois o Estado não havia cumprido e não satisfeito o seu dever, ao tempo e condições em que efetivou a declaração do ITR revisado pela fiscalização, estando tal exigência, sem dúvida, em consonância com toda a lógica que alicerça a obrigatoriedade de apresentação desse documento, conforme antes demonstrado; o cerne da questão está na data de averbação em cartório da área de reserva legal; tal exigência não é de total domínio do particular, o êxito depende da observâncio e implementação do próprio Estado e de cada um de seus elementos constitutivos; a averbação da reserva legal não é obrigação independente da vontade do órgão competente, pois foi criada restrição ao seu uso, impedindo que sua destinação sejo alterada por futuros compradores; não houve nenhum prejuízo o foto de a averbação terse dado depois do fato gerador, até o momento admitido em lei para a apresentação das provas Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) 4.°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese o contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) § 5.°. A juntada de documentos após a impugnação dever ser requerida a autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nos alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97) Fl. 242DF CARF MF 8 § 6.°. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97). assim, poderia a Contribuinte apresentar a matrícula do imóvel, averbada com a área de reserva legal até a data de apresentação da impugnação ao lançamento de ofício; ademais, a efetiva averbação se deu poucos dias após o fato gerador da DITR/2001, menos de trinta dias; tais pressupostos são corroborados pela aplicação do supramencionado artigo 179 do Código Tributário Nacional, em combinação com o artigo 155, verbis. Art. 155. A concessão da moratória [leiase isenção] em caráter individual não gera direito adquirido e será revogada de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições [definidas em Lei,conforme 179] ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos [definidos em Lei,conforme 179] para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: há ainda que salientar por definitivo e detalhadamente que o artigo 16 da Lei 4.771, de 1965, determina que a definição e averbação da área de reserva legal não é de responsabilidade do proprietário rural mas sim da autoridade estadual competente; no caso do Estado de Minas Gerais como se dá este processo de definição e averbação da área de reserva legal, segundo o artigo l6 da Lei Estadual l4.309, de 2002, c/c artigo l8 do Decreto 43710, de 2002, que a regulamenta, não deixando dúvidas da necessidade do Estado definir o local exato e emitir o Termo de Preservação de Florestas, assinado por ele, para só então ser encaminhado ao Cartório de Registro de Imóveis; portanto, importantes conceitos legais da Lei 4771, de 1965, devem ser melhor estudados e considerados, vejamos: a área de reserva legal de uma propriedade não é uma faculdade do produtor, e sim uma obrigação (art. l6 da lei 4.771, de 1965); esta área deverá ser representativa e necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. l°, § 2°, III), portanto, não podendo, em hipótese alguma, ser explorada no ano anterior, sob pena de não servir à reserva legal da propriedade; quem define o local onde será localizada a reserva legal, é o órgão estadual competente (art. l6, § 4°), somente após esta definição é que será emitido o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, assinado pelo órgão para ser encaminhado ao cartório de registro de imóveis, sem o que é impossível ser averbada; a modalidade de reserva legal desta propriedade é a de área já preservada (art. l6, § 4°), e não as demais, nas quais a área poderia ter sido utilizada no ano anterior e ser preservada nos moldes do artigo 44, incisos I, II e III da Lei 4771, de 1965; assim, para alcançar o intuito da Lei 4771, de 1965, em relação à área de reserva legal, precisou a empresa primeiro requerer ao órgão estadual competente, antes Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 240 9 mesmo do ano de 2000 (exercício de 2001), para que fosse definida pela autoridade competente, a área de “uso limitado", o que seria impossível se tivesse explorado no ano anterior; assim, a área de 209,6 ha era imprestável à exploração, seja ela de que tipo tosse, portanto, excluídas das áreas aproveitáveis e da base de cálculo do imposto; uma vez liberado pelo órgão competente o Termo de Preservação de Floresta, o que ocorreu apenas no início de 2001, foi o documento averbado em Cartório de Registro de imóvel, pois a área já estava preservada, e em hipótese alguma poderá ter sido explorada no ano de 2000, por servir às obrigações ambientais da propriedade rural; esta área de aproximadamente 209,6 hectares, por ser considerada inaproveitável para qualquer natureza, e particularmente para efeitos tributários, é aquela não prevista dentre as descritas no inciso IV, do artigo 10 da lei 9393; por conseqüência, não pode servir de base ao cálculo no coeficiente do grau de utilização da propriedade rural, conforme determina o inciso VI, do artigo 10, da Lei 9393; portanto, o espírito do legislador (que pensou também nos efeitos ambientais de preservação ambiental) não pode ser preterido pelo espírito arrecadatório, pois se pudesse poderia a empresa ter utilizado aquela área e manter o seu grau de utilização em 100%, sem pensar na questão ambiental; o que se pretende proteger é o espírito da lei (CTN) que certamente não pensou apenas naqueles que averbaram um “Termo de Preservação de Floretas", precedido de vistoria e ato do Estado, mas principalmente para aquele que efetivamente preservou a área e dela não tirou qualquer proveito, para ao final ser considerada aproveitável e não utilizada, o que é um contrasenso; estes fatos serão devidamente provados por certidão inequívoca de vistoria de campo, emitida pelo órgão competente juntada nos termos da lei; certamente se o Estado possuísse a agilidade necessária à entrega deste termo de preservação de florestas, certamente antes seria a entrega deste documento ao cartório; antes mesmo do exercício de 2001 não havia qualquer tipo de exploração naquela porção de terra por ser uma área de preservação ambiental; caso ocorresse qualquer tipo de exploração naquela área no ano anterior ou anteriores, ela seria considerada imprestável para servir de reserva legal a ser averbada, devendo, pois ser a área de reserva legal considerada nas modalidades do artigo 44 da Lei 477l, de 1965, o que não ocorreu e está provado pelo Termo de Preservação de Florestas assinado pelo Estado que não faz qualquer menção ao fato, é o chamado princípio da verdade material; vêse, pois, a improcedência da glosa, que não está consoante com o entendimento do legislador, por isto a linha de pensamento que regula esta matéria deriva da determinação contida no § 7°, do artigo 10, da Lei 9.393, de 1996 (com redação alterada pela Medida Provisória n° 208064); Fl. 244DF CARF MF 10 não obstante as relevantes questões opostas, temos outro muito importante, que é o tato de ter sido apresentado e requerido ainda no ano de 1998, no dia 19 de setembro, ao Ibama, órgão competente, através do ADA Ato Declaratório Ambiental, protocolado sob o número 3l000625400 (cópia anexa), que fosse a área de 208,2 hectares, considerada como sendo de utilização limitada, assim, mutatis mutandi, por entendimento da lei e da fiscalização em outros processos em relação ao uso do ADA, fica acertado que a apresentação do ADA, antes do exercício, dá sim, direito a autuado, de se utilizar daquela área como de utilização limitada; outro mister muito importante é o fato de que o pedido da empresa, após protocolização do ADA Ato Declaratório Ambiental, onde já constava a área de 209,6 hectares como de utilização limitada (pois iria se tornar a área de reserva legal), o Órgão conveniado, o Ibama, esteve na propriedade e declarou via certidão, já entregue na Delegacia da Receita Federal de Coronel Fabriciano, e novamente encaminhado (DOC. ANEXO), o que se segue: “A vistoria no imóvel foi realizada com auxílio de uma planta topográfica e da documentação fundiária da propriedade. Verificamos que a data de protocolo do ADA n° 31000625400, foi de 2l de setembro de 1998. A área informada como reserva legal foi de 208 ha. Informamos ainda que o proprietário rural, às suas expensas, não pode averbar a área de reserva legal porque, conforme determina o artigo 16, § 4°, da Lei 4771/65, de 15/09/65, o órgão estadual competente será responsável por definir a área de reserva legal de uma propriedade. No caso de Minas Gerais , é o IEF Instituto Estadual de Florestas, que após vistoria , define a área e emite o Termo de Preservação de Florestas, com as características e confrontações desta área, e só após, com este termo assinado pelo Órgão e pela empresa que será encaminhado a cartório de registro de imóveis para ser averbado. O embasamento legal utilizado pelo órgão competente para definição da reserva legal foi o artigo l6 da Lei 4771/65. Pela característica fisionômicas da vegetação da reserva legal, concluise que não ocorre exploração florestal nesta área antes mesmo do ano de 1998." (destaques do Contribuinte) não há dúvida de que, desde o ano de l998, a empresa tenta, sem sucesso, conseguir junto ao órgão estadual competente, o Instituto Estadual de Florestas, este termo para ser averbado; enquanto isto, a Contribuinte não deveria pagar o imposto sobre esta área, que não podia ser explorada (uso limitado); notase que o Termo foi liberado e averbado apenas em fevereiro de 2001 ou seja, um mês após o fato gerador do ITR/200l, mas dentro do prazo de 6 meses a que se refere o inciso II, do artigo 17 da lN SRF nº 73, de 2000; do mesmo texto legal, vem a ordem jurídica para se fazer o lançamento suplementar, apenas se o contribuinte não requerer o fato ou se este não for reconhecido pelo Ibama; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 241 11 no caso em tela, não só foi requerido no prazo, como também o Ibama reconheceu a existência da área de reserva legal (artigo 2° da Lei 4771, de 1965), ainda que não estivesse averbada em 01/0l/2001. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do recurso ou, caso assim não se entenda, que a ele seja negado provimento. Distribuído o processo na Instância Especial, o julgamento foi convertido em diligência à Unidade de Origem, para que esta verificasse, junto ao Instituto Estadual de Florestas, a efetiva data em que a Contribuinte solicitou o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta mencionado na matrícula de fls. 17, bem como esclarecesse acerca da procedência das informações constantes do Laudo Técnico de Vistoria de fls. 80/81, conforme Resolução n º 9202000.034, de 25/08/2016 (efls.217 a 228). Solicitadas as referidas informações, por meio do Ofício nº 0446/2017, de 21/08/2017 (efls.231/232), o Instituto Estadual de Florestas IEF/MG quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional, contra decisão não unânime proferida em 20/05/2008, foi interposto na modalidade de contrariedade à lei (artigos 7º, inciso I, e 15, do Regimento Interno da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais). Destarte, sendo tempestivo e estando de acordo com a regra de transição estabelecida no artigo 4º, da Portaria MF 256, de 2009, o Recurso Especial deve ser conhecido. Esclareçase que, embora o Contribuinte, em sede de Contrarrazões, peça o não conhecimento do apelo, não apresenta qualquer fundamento para o suposto óbice quanto à sua admissibilidade, de sorte que tal argumento não será considerado. Tratase de exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2001, tendo em vista glosa de 208,2 hectares relativos a ARL Área de Reserva Legal, uma vez que a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel ocorrera em data posterior à do fato gerador. No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que a averbação, embora posterior ao fato gerador, ocorreu antes da impugnação. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a manutenção da glosa, em face da intempestividade da averbação. Quanto à ARL, há efetivamente um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. Destarte, ao fazer referência à Lei Ambiental, a Lei nº 9.393, de 1996, na verdade condiciona a exclusão da tributação da ARL – Área de Reserva Legal à averbação tempestiva no respectivo registro de imóveis. Fl. 246DF CARF MF 12 Assim, a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei nº 7.803, de 1989, determinava a averbação da ARL Área de Reserva Legal, conforme a seguir: “Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área”. (grifei) Não se trata, portanto, de simples formalidade ou de atividade meramente declaratória, mas sim da própria constituição da área, que inexiste antes de que seja promovida a competente averbação. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), a averbação da ARL deve ser providenciada até esta data. No caso em apreço, tratandose do ITR do exercício de 2001, a averbação deveria ter sido providenciada até 1º/01/2001, o que só foi feito em 06/02/2001 (fls. 17). Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega que o atraso na averbação da Reserva Legal seria devido ao Poder Público, e que desde 1998 tentava conseguir, sem sucesso, junto ao Instituto Estadual de Florestas, o termo para ser averbado. Nesse sentido, apresenta Laudo Técnico de Vistoria, firmado por Fábio Milagres Rodrigues, Analista Ambiental do Ibama/MG (fls. 80/81). Entretanto, conforme certidão de fls. 17, a averbação da ARL Área de Reserva Legal de 208,25 hectares foi efetuada em 06/02/2001, e o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta foi firmado pela Contribuinte junto ao IBDF Delegacia Estadual do IBDF em Minas Gerais, IEF/MG, em 15/01/2001, portanto também posteriormente ao fato gerador. Com efeito, não consta dos autos qualquer documento comprovando que dito termo tenha sido solicitado antes do fato gerador, tampouco foi comprovada eventual morosidade do órgão ambiental mineiro, resultando improfícua a diligência solicitada por meio da Resolução nº 9202000.034, de 25/08/2016. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, restabelecendo a glosa da área declarada como de utilização limitada, no exercício em questão. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13629.000317/200523 Acórdão n.º 9202006.572 CSRFT2 Fl. 242 13 Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000550/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008
BENEFÍCIO FISCAL. CARÁTER OBJETIVO. DESNECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL.
O despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador.
PENA DE PERDIMENTO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTOS. FALSIDADE. INTUITO DE FRAUDE.
A fatura comercial original assinada pelo exportador consta no rol de documentos que devem instruir o despacho de importação. A apresentação de documento diverso não equivale a caracterizá-lo como falso. A imposição da pena de perdimento pressupõe que seja demonstrado cabalmente o intuito de falsificação da fatura.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-004.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator "ad hoc" para formalizar o voto. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 31 de agosto de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator "ad hoc".
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 BENEFÍCIO FISCAL. CARÁTER OBJETIVO. DESNECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. O despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. PENA DE PERDIMENTO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTOS. FALSIDADE. INTUITO DE FRAUDE. A fatura comercial original assinada pelo exportador consta no rol de documentos que devem instruir o despacho de importação. A apresentação de documento diverso não equivale a caracterizálo como falso. A imposição da pena de perdimento pressupõe que seja demonstrado cabalmente o intuito de falsificação da fatura. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator "ad hoc" para formalizar o voto. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 31 de agosto de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 05 50 /2 01 0- 07 Fl. 22427DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator "ad hoc". Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Lenisa Rodrigues Prado. "Submetese a apreciação deste Colegiado o Recurso de Ofício em tela, em obediência aos ditames do art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/20171. A questão tem início na lavratura de auto de infração em desfavor da contribuinte TAP Manutenção e Engenharia Brasil S.A. porque não comprovou ter quitado os tributos e contribuições federais no período em que importou mercadorias com o benefício da isenção prevista na Lei n. 9.069/1995 (01/05/2005 a 31/12/2008). Por esse motivo, exigiuse da contribuinte todos os tributos incidentes sobre as operações, acrescidos de juros de mora e multa de mora. A fiscalização alega que a contribuinte usou nos despachos de importação invoices falsas, com o objetivo de agilizar os trâmites aduaneiros, dissimulando importações em caráter temporário e simulando importações a título definitivo com isenção e redução dos tributos e contribuições. Por esse motivo foi acrescido a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos limites determinados pelo § 1º do art. 618 do Regulamento Aduaneiro vigente há época dos fatos. Cientificada sobre a autuação sofrida, a contribuinte apresentou impugnação tempestivamente (fls. 14021/14035). Relativo à ausência de certidão negativa, argumentou que os benefícios de isenção e de alíquota zero dos art. 2° e 3° da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, e do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, são de caráter unicamente objetivo e não misto. Portanto, com fulcro no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 7, de 7 de julho de 1998, 1 Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 22428DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.426 3 entendeu que a comprovação da regularidade fiscal estava dispensada e que o lançamento neste aspecto deve ser declarado improcedente. Acrescenta ser equivocado o entendimento de que a alteração trazida pelo Decreto n° 5.268, de 9 de novembro de 2004, tenha alterado a natureza da isenção, pois além de entender que não tenha havido tal alteração, pondera que decreto regulamentar não possui o condão de alterar o disposto em lei: "(...) norma de isenção fiscal concedida peremptoriamente por lei somente pode ser alterada por outra norma de mesma hierarquia. Assim, tratandose de benefícios previstos em lei ordinária (Leis n° 8.032/90 e 10.865/04), tais benefícios somente poderiam ser alterados por nova lei de igual hierarquia, qual seja, nova lei ordinária" (fl. 140281). Invoca ainda os art. 111, 176 e 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e 172 do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002. Quanto à utilização de invoices falsas, a contribuinte esclareceu que os documentos eram emitidos pela Varig S.A., através do sistema Spec2000, que uniformizava as faturas dos clientes e emitia um único documento na matriz ou na filial (Galeão ou Porto Alegre). Naquela oportunidade a contribuinte questionou a alegação da fiscalização de que as importações deveriam ser obrigatoriamente realizadas por admissão temporária, pois o Decreto n. 4.765, de 24/06/2003 teria revogado o parágrafo único do Decreto n. 4.543/2002. Em 28 de abril de 2011 foi determinada a baixa do processo em diligência para juntada de documento com conseqüente reabertura de prazo para complementação da impugnação. Na peça complementar de impugnação (fls. 1414114149), foram reiterados os argumentos anteriormente trazidos na impugnação original relativamente à análise da isenção. Em 16 de setembro de 2011, através da Resolução n° 11, foi determinada nova baixa do processo em diligência, nos seguintes termos: "(...) deve o processo retornar à unidade de origem para determinação dos valores dos tributos por adição de DI para cada uma das três exigências" (fl. 14195). Como conseqüência, determinouse a nova reabertura do prazo para complementação da impugnação "(...) acerca de tãosomente os novos elementos eventualmente trazidos aos autos e comprovar sua alegação de autorização para uniformização de faturas a cargo de uma única empresa (Varig) " (fl. 14195). A autoridade lançadora esclareceu: "(...) que, embora o relatório descreva estas duas irregularidades, houve o lançamento no sistema SAFIRA de apenas uma delas, tendo em vista que uma cobrança se sobrepõe a outra. Ou seja, a cobrança do II e do IPI se daria ou pela ausência de CND (que abrange todas as mercadorias) ou por se tratar de ferramentas que não estariam abrangidas por tal isenção. Neste sentido, optamos por lançar em virtude da ausência de CND (...)" (fl. 21890). Complementou: "Não obstante, anexei em fls. 21.864, tabela com os valores de II e IPI, caso houvesse um lançamento destacado. (...) Com relação a falta de certidão negativa, as DIs estão relacionadas em fls. 04 (volume I) a fls. 301 (volume II), com os respectivos valores tributáveis e valores individualizados por infração eDI (...)" (fls. 2189021891). Fl. 22429DF CARF MF 4 Quanto à não indicação das Declarações de Importações, e de seus respectivos valores, que foram objeto da conversão da pena de perdimento, esclareceu a autoridade lançadora: "Com relação ao item 2, referente à pena de perdimento por falsidade documental, como no SAFIRA não há campo específico para colocação do número da DI, o valor foi lançado de forma consolidada resultando no total de R$ 28.711.529,43, conforme fls. 1692 deste processo (volume IX). O relatório, por sua vez, no caso específico desta infração, reportase à TABELA III (item 5.2 do relatório anexo ao auto de infração, fls. 6.969, V. XXXIX), onde consta a relação das DIs autuadas com a conversão do perdimento em multa equivalente 100% do valor aduaneiro. Ocorre, de fato, que o valor aduaneiro não foi relacionado, por DI, na TABELA III. Por este motivo, anexamos novamente a relação das DIs da TABELA III (fls. 21.865), com os respectivos valores aduaneiros, cuja soma coincide com o valor consolidado lançado no SAFIRA para esta infração" (fl. 21891). Após manifestação acima, foi novamente reaberto o prazo para complemento dos argumentos impugnatórios e esclarecimentos acerca do mecanismo de uniformização das faturas. Em sua manifestação, a impugnante requer seja reconhecida a nulidade dos lançamentos pela ausência de individualização dos débitos exigidos pelo Fisco. Quanto ao pedido de comprovação da alegação da existência de autorização pelo Decex de uniformização das faturas, reiteroua e juntou cópia de carta enviada em fevereiro de 1992 pela Varig àquele órgão. Por fim, assim se manifestou acerca da responsabilidade pela busca da comprovação (fl. 21901): "Importante frisar que o DECEX é um órgão da própria Receita Federal e que eventuais dúvidas podem ser dirimidas em um simples ofício ao órgão, haja vista que a impugnante, em razão do decorrer de longos anos, não possui todos os documentos antigos relacionados à antiga VARIG. Ou seja, é necessário que seja expedido ofício ao DECEX para dirimir tal questão" Em 2011, sendo optante pelo parcelamento previsto nos art. 1° e 3° da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a ora impugnante solicitou exclusão dos débitos do presente processo do pedido de parcelamento (a indicação para parcelamento não abrangeu a totalidade dos débitos do processo), alegando ter indicado equivocadamente tais valores e não ter apresentado desistência da impugnação. No âmbito do processo n° 11520.720051/201160, restou decidido pela exclusão dos débitos do processo n° 18208.075608/201198, processo para o qual foram transferidos os débitos indicado para parcelamento (fl. 22011). Em 26 de fevereiro de 2014, sob a premissa de inexistir previsão de sistemas para revisão de débitos da Lei n° 11.941/2009, ou seja, ausente mecanismo para cancelamento da inclusão dos débitos no parcelamento e retorno dos mesmos ao presente processo, foi decidido pelo Chefe da Dicat/Demac/RJO pelo apensamento do Processo n° 18208.075608/201198 ao presente e envio à Sacat/IR/RJ (fls. 2201622017), que encaminhou o processo a esta DRJ para julgamento. Em agosto de 2014, a impugnante peticiona "(...) requerendo a juntada da mesma aos autos, para contribuir com o iminente julgamento dos doutos julgadores" (fl. 22044). Sustenta que atende tanto ao critério objetivo quanto subjetivo para concessão de isenção. Afirma, então, que a motivação dos autos limitouse à não apresentação de certidão negativa de débitos, para fins de comprovação de regularidade junto à Receita Federal, como prescrito pelo art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Arrola uma série de dispositivos regulamentadores e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) acerca Fl. 22430DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.427 5 da vedação de exigência de certidão negativa de débitos federais para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Conclui com o entendimento de que devam ser declarados improcedentes os autos de infração pois o gozo da isenção não estaria condicionada à comprovação da regularidade fiscal do importador. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, exonerando a integralidade da cobrança tributária, em decisão que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 BENEFÍCIO FISCAL. CARÁTER OBJETIVO. DESNECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. O despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 PENA DE PERDIMENTO. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. DOCUMENTOS. FALSIDADE. INTUITO DE FRAUDE. A fatura comercial original assinada pelo exportador consta no rol de documentos que devem instruir o despacho de importação. A apresentação de documento diverso não equivale a caracterizálo como falso. A imposição da pena de perdimento pressupõe que seja demonstrado cabalmente o intuito de falsificação da fatura. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Às folhas 22.419/22.420 dos autos eletrônicos está acostado Despacho exarado pela Superintendência Regional 7ª Região Fiscal/ Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro/ DEMAC/RJO, onde está registrado que: "Em atendimento ao despacho decisório exarado no processo 11520.720.051/201160, cópia de folhas 22.151 a 22.156, a transferência de parte dos débitos do presente processo para o processo 18208.075.608/2011 98, em função da adesão ao parcelamento da Lei n. 11.941/2009, foi desfeita, e o processo 10074.000.550/201007 voltou a controlar a totalidade dos débitos, extratos de folhas 22.157 a 22.418. Com a implementação do sistema de revisão de consolidação da Lei n. 11.941/2009, o processo 18208.075.608/201198 foi excluído do parcelamento, e sendo assim, foi possível que a transferência de débitos Fl. 22431DF CARF MF 6 fosse desfeita, uma vez que, os débitos foram selecionados para parcelamento equivocadamente pelo contribuinte, que desejava prosseguir com a impugnação, conforme explicação contida no despacho de folhas 22.016 a 22.017. Implementada as alterações, conforme o despacho decisório de folhas 22.151 a 22.156, estando o presente processo controlando a totalidade dos débitos, proponho o retorno deste processo à SACAT/IRF/RJ para que seja analisado o envio do mesmo ao CARF para prosseguimento do julgamento". Diante da ordem emanada no documento acima transcrito e por força do por força do que dispõe o art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/2017, os autos deste processo administrativo em tela ascenderam a este Conselho É o relatório." Voto Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto da Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. "MÉRITO Os lançamentos objeto do presente processo referemse a duas situações distintas. A primeira decorre da suposta obrigatoriedade de comprovação da regularidade fiscal do importador para fruir os benefícios de isenção e de alíquota zero dos art. 2° e 3°, da Lei n° 8.032/1990, e do art. 8°, da Lei n° 10.865/2004. A segunda situação provem da suposta utilização de documentação falsa para instrução dos despachos de importação. 1. LANÇAMENTO DECORRENTE DA DESQUALIFICAÇÃO DA ISENÇÃO DE II E IPI E DA ALÍQUOTA ZERO DE PIS/PASEP IMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO Os fundamentos elencados pela autoridade fiscal para promover a autuação contra a contribuinte TAP são, em síntese, os seguintes: "Constatouse que a AUTUADA não conseguiu comprovar a quitação dos tributos e contribuições federais no período em que importou mercadorias com o beneficio da isenção. Assim, por tratarse de isenção mista (concedida em função da pessoa do importador e da destinação das mercadorias), com base na Lei n. 9.069/95, art. 60, foi revogado o benefício, indevidamente concedido, cobrandose da AUTUADA os tributos e contribuições incidentes sobre as operações, acrescidos de juros de mora e multa de mora. Indo além, verificouse que a AUTUADA usou nos despachos de importação, elencados na planilha anexa, INVOICES comprovadamente falsas. O objetivo da empresa seria agilizar os trâmites aduaneiros dissimulando importações em caráter temporário e simulando importações a título definitivo com incidência de isenções e redução dos tributos e contribuições. Desta forma, nestas operações foi exigida Fl. 22432DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.428 7 multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do art. 618, § 1º do Regulamento Aduaneiro vigente à época" (fl. 13823). "Entretanto, o documento de folhas 84 a 97 do Anexo XIX, informa que, no período compreendido entre abril de 2004 a julho de 2009, a TAP não possuía Certidão Negativa de Débitos nem Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa. Não obstante, a empresa foi intimada (item 4.2) a fazer prova da quitação dos tributos, apresentando Certidões Negativas de Débitos ou Certidões Positivas de Débitos com efeitos de Negativa referentes às contribuições federais no período compreendido entre 01/2005 a 12/2008. Nada foi apresentado a este respeito. Portanto, a TAP não comprovou a quitação de tributos e contribuições federais (...) Não fazendo prova da quitação de tributos e contribuições, resta a esta fiscalização revogar a isenção das importações relacionadas na TABELA I em anexo, nos termos do art. 155 combinado com o art. 179 do CTN, cobrando os tributos renunciados, acrescidos de juros e da multa de mora, deixando de propor a aplicação de multa de ofício por vedação expressa do inciso II do art. 155" . (fls. 13840/13841). Os dispositivos abaixo transcritos eram os vigentes há época dos fatos: *Sobre o Imposto de Importação: Art. 113 do Decreto n. 4.543/2002 Interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do Imposto de Importação (Lei n. 5.172/66, art. 111. inciso II). *Sobre o PIS/Pasep Importação e COFINS Importação: Lei n. 10.865/2004 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, as alíquotas de: (...) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (...) VII partes e peças da posição 88.03 destinadas aos veículos e aparelhos da posição 88.02 da NCM; (...) § 13. O Poder Executivo regulamentará: I o disposto no § 10 deste artigo, e II a utilização do benefício da alíquota 0 (zero) de que tratam os incisos I a VII do § 12 deste artigo. Lei n. 10.925/2004 Art. 6º Os arts. 8º (...) da Lei n. 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 8 (...) Fl. 22433DF CARF MF 8 § 12 (...) VI aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; VII partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluídos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves de que trata o inciso VI deste parágrafo, de seus motores, suas partes, peças componentes, ferramentais e equipamentos. Decreto n. 5.171/2004 (com a redação conferida pelo Decreto n. 5.268/2004) Art. 4º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação nas operações de importação de: (...) VI aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; e VII partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluídos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves de que trata o inciso VI deste artigo, de seus motores, suas partes, peças componentes, ferramentais e equipamentos. (...) § 3º O disposto neste artigo, em relação aos incisos VI e VII do caput, somente será aplicável ao importador que fizer prova da posse ou propriedade da aeronave. § 4º Na hipótese de o § 3º, caso a importação seja promovida I por oficina especializada em reparo, revisão, manutenção de aeronaves, esta deverá: a) apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave, e; b) estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa; II para operação de montagem, a empresa montadora deverá apresentar o certificado de homologação e o projeto de construção aprovado, ou documentos de efeito equivalente, na forma da legislação específica. A instância de origem julgou os lançamentos tributários improcedentes porque o ADN Cosit n. 7/1998 delimitou que os benefícios de natureza puramente objetiva prescindem da comprovação da regularidade fiscal. A propósito, segue texto do Ato Declaratório mencionado: "O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF n. 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei n. 9.069, de 29 de junho de 1995, declara, Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que o despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador" (grifos adicionados). Como muito bem reconhecido pela instância de origem, para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal não se exige certidão emitida pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 22434DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.429 9 A propósito: Instrução Normativa SRF n. 93/2001 Art. 16. Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, no âmbito da SRF, é vedada a exigência de certidão de que trata o art. 1º, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade encarregada da análise do pedido. Em julgamento sobre direitos e fatos análogos aos do processo sob análise, este Conselho assim se pronunciou: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO VINCULADA. QUALIDADE DO IMPORTADOR E DESTINAÇÃO DO BEM. PREENCHIMENTO DAS CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Uma vez que comprovada na impugnação a condição definida em Lei para a concessão e fruição do beneficio fiscal previsto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, deve ser exonerado o crédito tributário constituído em face do não atendimento da exigência de comprovação feita pela Fiscalização Federal no curso do procedimento de fiscalização. IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. PARTES, PEÇAS E COMPONENTES. FERRAMENTAS. POSSIBILIDADE As operações de importação de ferramentas nos moldes do processo em análise encontramse abarcadas pela isenção para "partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações" prevista na alínea "j" do inciso II do artigo 2° da Lei n° 8.032/1990. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. APRESENTAÇÃO. RESPONSABILIDADE. E. vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Conforme atos normativos expedidos pela própria Receita Federal do Brasil, a verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe a unidade da RFB encarregada da análise do pedido. (Acórdão n. 3102001.854, Recorrente BHS Brazilian Helicopter Services Taxi Aereo, Relator Conselheiro Ricardo Paulo Rosa). Por esses motivos, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. II. SOBRE OS LANÇAMENTOS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO FALSA. Conforme relatório da fiscalização, a grande quantidade de importações declaradas como sem cobertura cambial chamou atenção dos auditores fiscais e ensejou aprofundamentos das análises. Após tecer várias considerações, desde os tipos de declaração de importação, modalidades de despacho e regimes de importação, o relatório pontua que as Declarações de Importação eram para consumo, com despacho na modalidade normal e foram instruídas com invoices de aquisição das mercadorias. Concomitantemente foram tais operações informadas como desacobertadas cambialmente. Fl. 22435DF CARF MF 10 Além disso, haveria informação prestada pela importadora de que seria "Material de cliente para atender aeronave em admissão temporária no Brasil em fase de revisão" (fl. 13845). Ainda, foi constatado que empresas completamente diferentes emitiam invoices com aparência idêntica e com a mesma assinatura. As autoridades concluíram que "(...) restou patente que as INVOICES apresentadas nos despachos aduaneiros elencados na planilha anexa não foram emitidas pelos vários fornecedores ali apontados, mas sim por uma mesma pessoa diversa deles" (fl. 13846). Alguns parágrafos adiante do auto de infração encontrase a seguinte observação: "(...) As características extrínsecas de documentos falsos associadas à falta de pagamento das aquisições ali registradas indicaram claramente que as INVOICES apresentadas eram falsas" . Buscou, então, a autoridade fiscal entender o motivo da irregularidade. Traçou uma série de premissas, de ordem comercial e fiscoaduaneira, e concluiu que deveria ter sido utilizado o regime de admissão temporária para essas operações sem cobertura cambial, o que não teria acontecido por entender que o procedimento de desembaraço seria menos célere. Afirmou na fl. 13847: "Diante desta realidade e do binômio celeridade/qualidade, a AUTUADA buscou, a margem da licitude, uma alternativa que atendia suas necessidades em todos os aspectos(tributos e rapidez). Assim, para dissimular a entrada temporária do bens, simulou a aquisição das mercadorias apresentando uma declaração de importação para 'consumo', modalidade de despacho 'normal', com pedido de isenção e redução dos tributos incidentes sobre a operação. Ocorre que este tipo de despacho aduaneiro somente é cabível para mercadorias trazidas a titulo definitivo pertencentes ao importador, pois, como seu próprio nome informa, destinase ao consumo das mercadorias. Além disso, a isenção pleiteada, também só é cabível nestes casos de importação definitiva" . Concluiu na folha seguinte: "Em face disso tudo, com o claro objetivo de desembaraçar rapidamente suas cargas, a AUTUADA dissimulou a real natureza da operação de entrada temporária dos bens, simulando uma operação de importação para consumo com pedido de isenção e redução dos tributos. Para tanto, sabendo que não poderia utilizar as INVOICES originais descrevendo uma simples remessa temporária de produtos, apresentou INVOICES forjando uma operação de aquisição que NUNCA aconteceu". Com base nos raciocínios ora apresentados e com fulcro na legislação aduaneira foi aplicada pena de perdimento das mercadorias por uso de documento falso para instrução dos despachos de importação, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. O acórdão que exonerou o contribuinte das penalidades impostas pelo auto de infração sob julgamento, reconheceu que o argumento de defesa deveria prevalecer; "o regime de admissão temporária não era de adoção obrigatória ao caso. A ausência de cobertura cambial pode ser requisito para a escolha de determinado regime, mas o contrário não é verdadeiro. A opção pelo regime comum é plausível desde que devidamente instruído". Também não merece reformas a conclusão a que chegou o relator da impugnação, quando assevera que: Fl. 22436DF CARF MF Processo nº 10074.000550/201007 Acórdão n.º 3302004.912 S3C3T2 Fl. 22.430 11 "Além disso, o documento apresentado como fatura para instrução do despacho é tido como falso, situação que alberga o lançamento efetuado. Entretanto, a não apresentação da fatura original assinada pelo exportador (art. 493, II, do Decreto n° 4.543/2002) mas uma fatura emitida de maneira diversa, não significa que tal documento seja falsificado para fins de perpetração de uma fraude. O intuito doloso de falsificar o documento deve estar cabalmente demonstrado, com fortes elementos probatórios, o que não é o caso dos autos". Em fina sintonia com a conclusão entalhada no acórdão recorrido, entendo que caberia à fiscalização demonstrar de maneira irrefutável a falsidade documental alegada para imposição da pena de perdimento. Ausente a comprovação da falsificação, poderseia, no máximo, reputar como não apresentado documento obrigatório para instrução do despacho, fato ensejador de aplicação de penalidade específica. Portanto, entendo que o lançamento por uso de documento falso não deve proceder. Diante de tudo que foi exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado Relatora Fl. 22437DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.905488/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 88 /2 01 2- 68 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10183.905488/201268 Acórdão n.º 3201003.486 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.840, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10183.905488/201268 Acórdão n.º 3201003.486 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908085/2009-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
Numero da decisão: 3001-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 85 /2 00 9- 83 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10166.908085/200983 Acórdão n.º 3001000.271 S3C0T1 Fl. 3 2 Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS (cód.2172) do período de apuração 09/2006 com crédito do mesmo tributo, por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 09/2005, arrecadado na data de 14/10/2005. Do Despacho Decisório A DRF de Brasília em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.3), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 09/2005. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando o ocorrido da seguinte forma: 1. que parte de sua receita, no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, estaria sujeita a alíquota zero de incidência do PIS e da COFINS, correspondente a produtos tributados no sistema monofásico, em face de grande volume de suas vendas serem Chopp, cervejas e refrigerantes; 2. por ter ocorrido a tributação normal de seu faturamento no período acima mencionado, efetuou o recolhimento de PIS e COFINS em valores maior que o devido; 3. constatado o erro na apuração dos impostos fez a retificação da DIPJ e passou a realizar as compensações a partir de março/2006 através de PER/DCOMP; 4. ao tomar conhecimento do Despacho Decisório procurou o Plantão Fiscal da Receita Federal e foi orientado a apresentar DCTF retificadora, para demonstrar o correspondente crédito passível de compensação; 5. ao final pede deferimento da compensação praticada; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BSB, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10166.908085/200983 Acórdão n.º 3001000.271 S3C0T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 27) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, repisa os fatos e apela para busca da verdade material no processo administrativo; menciona outros julgados do CARF condescendentes a juntada de novos documentos probatórios com o recurso voluntário; que em face de ter havido o pagamento a maior que o devido, como bem demonstra as planilhas anexadas, tem o direito de realizar compensações do tributo e espera a compensação do crédito informado em PER/DCOMP. Do julgamento do Recurso Voluntário A 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, no acórdão de nº 3803003.484, sessão de 25/09/2012, negou provimento por unanimidade de votos, ratificando a decisão de piso. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10166.908085/200983 Acórdão n.º 3001000.271 S3C0T1 Fl. 5 4 Do Recurso Especial Cientificado da decisão de Segundo Grau a interessada tempestivamente ingressou com Recurso Especial. Primeiramente expôs os pressupostos de admissibilidade e com base no formalismo moderado (Lei nº 9.784/99), também, no princípio da razoabilidade que se aplicado com cautela, equilíbrio, moderação e harmonia, bem pode conduzir aos efeitos desejados. Esclarece ainda, “que a juntada de novos documentos no Recurso Voluntário tem respaldo sim no processo administrativo fiscal, no princípio da legalidade e o da verdade material que orienta e autoriza a Administração Pública a aceitar e buscar as provas que venham a demonstrar, a posteriori, a existência de vícios que tornem ilegal o ato administrativo. Os processos administrativos de que resultem sanções ao contribuinte poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício”. Adota como paradigma decisões da 2ª Seção de Julgamento do CARF que demonstram divergência de entendimento, com relação a possibilidade de juntada de novos documentos com o recurso voluntário, onde se destaca o seguinte trecho: “Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário”. Em suas razões finais pede para declarar nulo o Acórdão da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por ofensa aos princípios da busca da verdade material e do formalismo moderado. Do exame de Admissibilidade do Recurso Especial Presentes os pressupostos de admissibilidade o Recurso Especial foi admitido, pois “a matéria foi prequestionada no acórdão recorrido, os paradigmas apresentados foram proferidos por colegiados distintos do da decisão recorrida e não sofreram reforma, restou demonstrada a divergência alegada e não foi constatado que as teses paradigmas tenham sido superadas pela CSRF”. Com base no fundamento do RICARF o exame de admissibilidade foi submetido ao Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que aprovou e encaminhou à Câmara Superior de Recursos Fiscais (3ª Turma) para prosseguimento. Da ciência do Despacho pela PFN Cientificada a PFN, a mesma apresentou contra razões ao recurso especial, requerendo que seja negado provimento, uma vez que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a seu encargo, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. Da decisão do Recurso Especial Levado a julgamento o presente Recurso Especial pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na data de 16/05/2017, Acórdão nº 9303005.091, por unanimidade de votos, dele tomou conhecimento e no mérito deulhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão das provas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10166.908085/200983 Acórdão n.º 3001000.271 S3C0T1 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com base nas decisões acima apresentadas, incorridas no presente processo, ficou superada a preclusão de provas no processo administrativo tributário na forma como conduzido pela recorrente em seu recurso voluntário. Da mesma forma é de se reconhecer como válida a DCTF retificadora para fins de análise e posterior homologação dos créditos pretendidos. Portanto, em cumprimento ao dispositivo de sentença prolatada pela CSRF, procedese a análise de mérito do recurso voluntário, que restou prejudicada na decisão contida no acórdão proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em primeiro plano surgiu a apresentação de DCTF retificadora que tratou de acertar os corretos valores devidos de PIS e COFINS para o período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006. Por ter sido apresentada, a DCTF retificadora, em data posterior a emissão do Despacho Decisório, a DRJ/BSB – 4ª Turma sustentou que essa simples entrega, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior; que incumbe ao sujeito passivo fazer a demonstração das provas que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10166.908085/200983 Acórdão n.º 3001000.271 S3C0T1 Fl. 7 6 prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DIPJ, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. A premissa menor que compõe a ementa do acórdão do Recurso Especial, tratado nesse processo, resume com precisão a questão que envolve a apresentação de prova no processo administrativo tributário, “verbis”: Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10166.908085/200983 Acórdão n.º 3001000.271 S3C0T1 Fl. 8 7 quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentadas ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Merece ser reproduzido aqui, por oportuno, parte em destaque dos fundamentos do acórdão do Recurso Especial que determinou a análise de mérito nos presentes autos: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. O fato material que resultou em revisão de base de cálculo do PIS/COFINS, diz respeito a não exclusão do total de suas vendas mensais realizadas no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, dos valores correspondentes às saídas de produtos enquadrados no regime MONOFÁSICO de tributação, instituído pela Lei 10.147/2000. Tal regime consiste em mecanismo semelhante à substituição tributária, pois atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo tributo devido em toda cadeia produtiva ou de distribuição subsequente. O art. 2º da Lei 10.147/2000 define que: “São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador”. Com respaldo nessa previsão legal a recorrente sustentou em sua manifestação de inconformidade, que realizou grande volume de vendas de Chopp, cervejas e refrigerantes, sujeitos ao regime monofásico e que efetivamente foram tributados pelo regime normal de incidência do PIS/COFINS. A revisão de cálculo dessas contribuições é que Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10166.908085/200983 Acórdão n.º 3001000.271 S3C0T1 Fl. 9 8 redundou em saldo credor pelo pagamento a maior que o devido e objeto dos pedidos de compensação via PER/DCOMP. As DCTFs retificadoras nada mais representam, conforme os argumentos de defesa, do que o repasse ao fisco dos corretos valores devidos de PIS e COFINS do período antes mencionado. Caso a unidade julgadora de primeiro grau tivesse remetido os autos a unidade de origem para que promovesse a análise das DCTFs retificadoras, talvez o deslinde do litígio tivesse outro rumo. As razões recursais reforçam essa tese com a juntada de provas que evidenciam as operações com produtos enquadrados no regime monofásico, planilhas e livros fiscais, plenamente vinculados ao objeto da recorrente. Não reconhecer a análise de mérito de todas as operações realizadas pelo sujeito passivo para o período que deu causa ao levantamento do crédito pleiteado, é incorrer em cerceamento do amplo direito de defesa, desrespeito ao princípio da verdade material e o da moralidade que rege os atos da Administração Pública, em não impedir exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900169/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. As conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 06331.68019.120606.1.3.033436, transmitido em 12/06/2006, fls. 02/130) de créditos relativos a saldo negativo de CSLL, referente ao ano calendário de 2005 (exercício 2006), no valor original de 1.501.494,35 e composto exclusivamente de retenções na fonte, com débitos próprios de COFINS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 16 9/ 20 11 -3 1 Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 3 2 2. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face da Homologação parcial da Declaração de Compensação(DCOMP) nº 06331.68019.120606.1.3.033436 (2 a 130), que aponta como crédito saldo negativo de CSLL apurado no exercício 2006 (período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2005). A autoridade administrativa recorrida não reconheceu o direito creditório integralmente porque não confirmou no sistema DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) toda a CSLL informada na DCOMP como retida na fonte por outras pessoas jurídicas. A declarante informou retenções na fonte de R$ 1.501.494,35 e no banco de dados da administração tributária foi confirmado apenas o montante de R$ 585.635,48, o que resultou em saldo negativo disponível de R$ 585.635,48, resultado da diferença entre o valor confirmado e a CSLL devida de zero (fl. 132). As parcelas confirmadas de CSLL retida na fonte, bem como as não confirmadas e as confirmadas parcialmente encontramse no detalhamento da análise do crédito (fls. 132 a 150). À fl. 151 encontrase o Detalhamento da Compensação dos débitos declarados que aponta a homologação parcial formalizada na DCOMP 06331.68019.120606.1.3.033436. Cientificada do despacho decisório em 21/02/2011 (fls. 154), a contribuinte, irresignada, apresentou em 22/03/2011, representada por mandatária (fls. 171 a 174) a manifestação de inconformidade de fls. 155 a 168, instruída com os documentos de fls. 203 a 1155, na qual afirma que: (i) Preliminarmente, alega nulidade do despacho decisório, pois não fora previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre seu crédito, conforme determina o art. 65 da IN RFB nº 900/2008; (ii) Caso não reconhecido a ventilada nulidade, pede para que os sistemas informatizados da administração pública federal (Siafi e Dirf) sejam consultados para que sejam confirmadas as retenções sofridas pela manifestante; (iii) Aduz que, do valor reconhecido de retenções de R$ 915.858,87, R$ 296.208,20 foram realizadas com suporte no art. 30 da Lei nº 10.833/2003 e R$ 619.650,67, com base no art. 34 da mesma Lei; (iv) No que tange ao montante de R$ 296.208,20, aduz que comprova a retenção de R$ 140.342,64, conforme informes de rendimentos juntados (Doc. 04) e pormenorizadamente elencados nos Anexos I e I.1 da planilha anexa (Doc. 05); (v) No que concerne ao montante de R$ 619.650,67, aduz comprovar a retenção de R$ 553.489,59, conforme informes de rendimentos juntados (Doc. 06) e pormenorizadamente elencados no Anexos II da planilha anexa (Doc. 05); Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 4 3 (vi) Assim, a Manifestante comprova cabalmente a retenção de R$ 693.832,23, sendo que a diferença de R$ 222.026,64 é comprovada pelos relatórios contábeis anexos (Anexos III e IV da planilha anexa, Doc. 05); (vii) Caso se entenda que os documentos acostados são insuficientes para o reconhecimento do saldo negativo de CSLL, requer a realização de diligência para que se respondam os seguintes quesitos: quais as faturas emitidas pela Manifestante no anocalendário 2005 que ensejaram a retenção de CSLL na forma dos artigos 30 e 34 da Lei nº 10.833/2003?; referidas faturas foram emitidas com indicação dos tributos que deveriam ser retidos pelas fontes pagadoras?; é coincidente o valor líquido das notas fiscais com os valores recebidos pela Manifestante?; referidos documentos demonstram que a Manifestante recebeu a receita líquida?; qual o valor apurado de saldo negativo da CSLL no anocalendário 2005? Ao final, pede o reconhecimento integral do saldo negativo no valor de R$ 1.501.494,35 e a homologação total da compensação declarada.” 3. Em sessão de 12 de fevereiro de 2015, a 1ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 68/91) relativa aos saldos credores de IRPJ, anocalendário 2005, nos termos do Acórdão nº 1665.669 (fls. 1039/1065), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RETENÇÕES NA FONTE. CONFIRMAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RECONHECIDO. Comprovado nos autos que a manifestante sofreu retenções na fonte de CSLL que não foram consideradas pela autoridade recorrida na formação do saldo negativo, cabe homologar a declaração de compensação até o novo limite reconhecido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA. MEIO DE PROVA ALTERNATIVO. OMISSÃO DA FONTE PAGADORA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A contribuição retida por fonte pagadora de rendimentos somente poderá ser compensada com a verificada no final do respectivo período de apuração, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou, mediante outros meios de prova, quando evidenciada a recusa ou omissão no fornecimento daquele comprovante. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte” Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 5 4 Conforme tabela abaixo, a DRJ/SPO reconheceu o direito creditório no montante adicional de R$ 148.820,58, restando não reconhecido o valor final de R$ 767.038,29. Valor original 1.501.494,35 Reconhecido no Despacho Decisório 585.635,48 Diferença não reconhecida objeto de Manifestação de Inconformidade 915.858,87 Valor Reconhecido na DRJ 148.820,58 Diferença não reconhecida objeto de Recurso Voluntário 767.038,29 4. Em apertada síntese, a DRJ/SPO fundamentou sua decisão nos seguintes aspectos: 4.1. Indeferiu o pedido diligência formulado pela contribuinte por entender desnecessário, vez que os documentos e questões trazidos aos autos constituem conjunto probatório suficiente capaz de ser analisado à luz das normas aplicáveis ao caso concreto. Não demanda conhecimento técnico especializado diverso daquele que está na esfera de competência legal do AuditorFiscal da RFB. 4.2. Não reconhece a nulidade suscitada com base no art. 65, IN RFB 900/2008, por entender que o dispositivo em questão não é norma cogente apta a impor uma obrigação ao Auditor Fiscal da RFB. Portanto, não teria do dever de intimar a contribuinte a apresentar documentos probatórios adicionais relativos à origem do direito creditório. 4.3. Para que possa aproveitar as antecipações de IRRF, considera dever e ônus do sujeito passivo (i) oferecer à tributação os respectivos rendimentos e (ii) instruir os autos com todos os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora. 4.4. Sustenta que a contribuinte atendeu ao primeiro requisito e apenas parcialmente o segundo, pois não apresentou a totalidade dos comprovantes de retenção, conforme previsto no artigo 55, da Lei nº 7.450/1985 e modelo previsto no artigo 31, da IN/SRF nº 480/2004, tampouco demonstrou ter tomado, em época própria, qualquer iniciativa para obter, junto às fontes pagadoras, os respectivos informes de rendimentos e de retenção de tributos e contribuições. 4.5. Argumenta que a contribuinte pretende substituir a ausência parcial de documentos com relatórios contábeis e pedido de diligência. Considera que o contribuinte não pode transferir seu encargo de apresentação de prova documental para o fisco. 5. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1210/1231) em 13/05/2015 (termo de abertura de documento (DTE/Portal eCAC) de 13/04/2015, fls. 1206/1207 e envio eletrônico do recurso às fls. 1208/1209), reiterando algumas das razões já expostas em sede de manifestação de inconformidade (fls. 155/168) e complementando sua razões de defesa com os seguintes argumentos: 5.1. Nulidade do Despacho Decisório ante a violação do artigo 65, da IN RFB 900/2005 (Vigente à Época). · O citado dispositivo impõe à autoridade administrativa que, em caso de dúvida, condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 6 5 comprobatórios do crédito tributário pleiteado pelo sujeito passivo ou ainda determinar a realização de diligência. · As autoridades fiscais não efetuaram a confirmação da integralidade do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, anocalendário 2005, por meio da análise das DIRFs submetidas pelas fontes pagadoras e de seus sistemas internos (SIAFI Sistema de Acompanhamento Financeiro), tanto no caso das retenções realizadas por órgãos públicos como por outras pessoas jurídicas. 5.2. Nulidade da decisão proferida pela DRJ/SPO ante o indeferimento injustificado do pedido de diligência. · Sustenta que o indeferimento imotivado da prova pericial ou do pedido de diligência requeridos, macula de nulidade o caso, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por tolher o pleno exercício do direito de defesa, especialmente porque a douta autoridade fiscal desconsiderou as provas juntadas nos autos. 5.3. No mérito, trouxe os seguintes pontos de destaque: I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos valores não confirmados e justificados pelas autoridades fiscais · Sustenta que a DRJ aceitou diversos Informes de Rendimentos apresentados pela ora Recorrente, entretanto, falhou ao efetuar o cálculo da CSLL que teria sido retida e que, por conseguinte, poderia compor o Saldo Negativo pleiteado. · Nos informes de rendimentos apresentados pela Recorrente, verificase que os códigos de retenção variavam entre 5952, 5987, 6190 e 6147. Consequentemente e em entendimento alinhado com o acórdão, nos termos das Instruções Normativas 459/2004 e 1.234/2012, temse que para as retenções sob os códigos 5952, 6147 e 6190, a fim de que se possa apurar o montante de CSLL retido em fonte, é necessária a proporcionalização do total de tributos retidos à razão de, respectivamente, 1/4.65, 1/5.85 e 1/9.45. Contudo, a Recorrente ao verificar que mesmo tendo apresentado os respectivos Informes de Rendimentos e tendo utilizado o montante creditório limitado à fração exclusiva de CSLL, não teve a totalidade do crédito reconhecido pela DRJ. · Decorrente desse erro, deve ser reconhecido crédito adicional de R$ 4.376,41, bem com o outros valores oriundos do erro apontado. I.2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP · A partir da análise da tabela apresenta pela DRJ às fls. 1172/1201, verificouse que foram desconsiderados, por mero erro no preenchimento da DCOMP, tanto créditos apontados pela própria autoridade fiscal em valor superior ao reportado pela Recorrente como aqueles por ela localizados, mas não declarados pelo contribuinte, o que não pode prevalecer com fundamento nos próprios julgados do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 7 6 · Sustenta que houve mero erro de fato quando do preenchimento da informação em PER/DCOMP, o que não pode, inclusive de acordo com a própria jurisprudência do C. CARF, afastar o direito ao crédito respectivo, sob pena de enriquecimento ilícito da União. · Assim, deve a autoridade fiscal reconhecer direito creditório complementar no valor de R$ 13.039,51 (cotejo da planilha de fls. 1172/1201 e fls. 1221/1223). II. Das retenções comprovadas mediante outros meios · A Recorrente sustenta que as autoridades fiscais desprezaram os demais documentos apresentados durante o deslinde do feito, mesmo sendo meios idôneos e aptos a comprovar a totalidade das retenções de CSLL sofridas. Tal procedimento, inclusive, contraria a uníssona jurisprudência administrativa. · Nessa linha, argumenta que muito embora o documento ordinário hábil a comprovar as retenções na fonte suportadas pelo sujeito passivo seja o Informe de Rendimentos, esse não é o único meio de prova. · Considera que a falta desse documento não basta para indeferir de plano o direito creditório e, por essa razão, ainda em sede de Manifestação de Inconformidade ofertou à apreciação das autoridades fiscais Relatório Contábil (fls. 445/661), no qual consta a indicação da razão social da fonte retentora, seu respectivo CNPJ, mês e ano em que ocorreu a citada retenção na fonte da ora Recorrente, o amparo legal a respaldar a retenção na fonte, o valor cobrado pela prestação de serviço, o montante total de retenção na fonte por nota fiscal, o valor exclusivamente referente a CSLL, dentre outras informações. Portanto, entende ter apresentado o detalhamento de todas as retenções as quais compuseram o crédito formalizado em PER/DCOMP. · Com fundamento no princípio da verdade material e na jurisprudência, sustenta que não pode ser penalizada por não ter recebido Informe de Rendimentos das fontes pagadoras. E consigna que, não há na legislação pátria nenhuma norma que determine à pessoa jurídica que sofreu a retenção apresentar negativa expressa da fonte pagadora em fornecer o Informe de Rendimentos. IV. Da Tributação da Receita que gerou as Retenções · A DRJ reconheceu que a contribuinte ofertou à tributação a totalidade das receitas que originaram as retenções de CSLL (fls. 1169). Portanto, este ponto é incontroverso nos autos, não cabendo qualquer discussão adicional. 5.4. Por fim, requerer o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para o fim de decretar a nulidade da decisão da DRJ ou decidindo em favor do contribuinte (artigo 59; 3° do Decreto 70.235/72), reconhecendo integralmente o Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2005 pleiteado, homologandose as compensações declaradas. 5.5. No mais, se os esclarecimentos prestados e a documentação ofertada ainda não forem suficientes para comprovar a íntegra do Saldo Negativo de CSLL de exercício 2006, pugna pela realização de diligência ou perícia, nos termos do art. 16, IV, Decreto Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 8 7 70.235/72, a fim de corroborar que efetivamente sofreu a totalidade das retenções na fonte alegadas. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 8. Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, que o direito creditório não merece ser reconhecido. 9. Nos termos do artigo, art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. 10. Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. 11. No mais, assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 12. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 13. Por mais que a Recorrente não tenha efetuado a retificação das declarações, tal circunstância não pode obstar o legítimo direito de crédito do contribuinte. Exceção à essa regra se dá justamente quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 14. Logo, somente diante da efetiva análise documental e mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar o motivo pelo qual as provas acostadas merecem ser desconsideras/ignoradas, que o direito creditório não deve ser reconhecido. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 9 8 15. Ademais, o direito creditório do contribuinte não pode ser inviabilizado pela conduta omissa da fonte pagadora. Não há na legislação pátria nenhuma norma que determine à pessoa jurídica que sofreu a retenção apresentar negativa expressa da fonte pagadora em fornecer o Informe de Rendimentos. Imaginemos a situação em que a fonte pagadora foi extinta, como o sujeito passivo obteria a negativas de fornecimento do informe por escrito? 16. De outra parte, é inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, a autoridade fiscal poderá (i) condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios adicionais; (ii) realizar diligência fiscal no estabelecimento do contribuinte; (iii) oficiar aos órgãos da administração pública que efetuaram a retenção; e (iv) buscar informações através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL, com fundamento no artigo 65, da IN RFB 900/2005 e nos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784/1999, verbis: IN RFB 900/2005 Art. 65. A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 17. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 18. O atendimento dos pressupostos constantes dos itens 21 e 23 garante isonomia aos litigantes, o pleno exercício da boafé, da cooperação processual e do contraditório efetivo. São mecanismos importantes capazes levar à verdade material e trazer satisfatividade às decisões proferidas, conforme prevê os artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, verbis: Lei nº 13.105/2015 Art. 5o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 10 9 ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. Lei nº 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 19. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência. 20. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila1 "para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 21. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para a própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 22. Outro aspecto relevante diz respeito à necessária aplicação do artigo 29, da Lei nº 9.784/992. Em que pese o interessado tenha o dever de provar os fatos que alega (artigo 36, da Lei n º 9.784/99), as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício e os atos de instrução que exijam a atuação do interessado devem realizarse de modo menos oneroso para estes. 23. Em termos práticos, as autoridades fiscais dispõem de eficientes meios para obtenção de determinadas provas, compartilham dados e informações entre órgãos da administração pública e possuem plataformas tecnológicas de dados alimentadas pelos órgãos e 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 11 10 pelos próprios contribuintes, capazes de viabilizar a segura tomada decisão pelo julgador, reduzir os custos procedimentais e estruturais, bem como garantir que os atos sejam realizados de modo menos oneroso às partes. 24. Não foi por acaso que a Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), em seu artigo 373, trouxe a possibilidade de distribuição diversa do ônus da prova diante da impossibilidade ou excessiva dificuldade da parte de cumprir o encargo. Essas medidas cooperativas trazem maior equilíbrio entre as partes, celeridade na condução e assertividade nas decisões. 25. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. I. Das retenções comprovadas mediante Informes de Rendimento I. 1. Dos valores não confirmados e justificados pelas autoridades fiscais 26. A ora Recorrente argumenta que a a DRJ aceitou diversos Informes de Rendimentos apresentados por ela, entretanto, falhou ao efetuar o cálculo da CSLL que teria sido retida e que, por conseguinte, poderia compor o Saldo Negativo pleiteado. Traz como exemplo duas incidências, quais sejam: 26.1. Verificase que a Recorrente sofreu um total de retenções na fonte de R$ 67.621,90 (R$ 414,32 + R$ 441,21+ R$ 66.766,37), todos referentes a fonte pagadora de CNPJ 00.000.000.000191 e sob o código de arrecadação 6147. Apenas 1/5.85 deste total corresponde a antecipações de CSLL, o qual nos levaria a porção de crédito de R$ 11.559,30 refletida neste comprovante. Contudo, de R$ 11.559,30 foi reconhecido R$ 7.211,46 no acórdão recorrido (vide linhas 2, 3 e 4 da tabela de fls. 33 do acórdão), sem que tenha havido qualquer justificativa para a desconsideração da monta de R$ 4.347,84 (R$11.559,30 R$7.211,46) de valores de antecipações de CSLL lastreadas em informe de rendimentos. 26.2. O mesmo equívoco pode ser verificado quanto ao crédito comprovado nos informes de rendimentos de fls. 983, 985 e 986, em que somente foi reconhecido o saldo de R$ 800,98 em adição aos R$ 1.797,05, confirmados em Despacho Decisório (total de R$ 2.598,03), quando minimamente deveria reconhecer a fiscalização o valor complementar de R$ 829,55. 27. Diante desse exemplos, deve a autoridade fiscal, no curso da diligência, se certificar de eventuais incidências/valores decorrentes do erro apontado para fins de reconhecer crédito adicional respectivo. I. 2. Dos valores não confirmados pela DRJ em razão de mero erro no preenchimento da DCOMP 28. Conforme acima esclarecido, meros erros de fato no preenchimento da DCOMP não podem preterir o direito creditório do contribuinte. 29. De acordo com a jurisprudência desse E. Conselho, é fundamental que o contribuinte comprove (i) a efetiva ocorrência da retenção e (ii) que tais rendimentos foram oferecidos à tributação. Essa, inclusive, parece a melhor interpretação da Súmula do CARF nº 80, segundo a qual: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 12 11 devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." 30. No acórdão da DRJ (fls. 1161/1202) e mais precisamente às fls. 1169, restou consignado que a Recorrente atendeu ao primeiro requisito. 31. Quanto ao segundo, mesmo confirmando que a Recorrente sofreu as retenções de IRPJ relativas aos códigos 6190, 6147 (órgãos públicos) e 5952 (pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de Direito Privado), vide tabela de fls. 1172/1201, a autoridade julgadora, nos casos em que a contribuinte não declarou alguns valores retidos ou declarou em valores inferiores aos localizados pelas autoridades fiscais, entendeu que não caberia a ela majorar de ofício o PER/DCOMP (fls. 1172). Logo, deixou de considerar complementarmente esses créditos (zerados). 32. Contudo, estamos tratando de saldo creditório decorrente de retenções efetuadas por órgãos públicos reconhecido pelas próprias autoridades fiscais, porém não considerados para fins de composição do Saldo Negativo de CSLL, anocalendário 2005. Desconsiderar tais valores não só afronta o princípio da verdade material como figura enriquecimento ilícito da União, real bis in idem. 33. Temos que, a desconsideração dos documentos apresentados pela Recorrente e dos valores confirmados pela própria autoridade fiscal, a par de não ser amparo legal, viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, especialmente quando estamos tratando dos códigos de retenção 6190 e 6147 que envolvem serviços prestados pela Recorrente aos próprios órgãos públicos. 34. Por meio da planilha segregada de incidências apresentada pela Recorrente às fls. 1221/1223 em cotejo com a tabela da DRJ de fls. 1172/1201, mesmo confirmando a ocorrência das retenções de CSLL na monta total de R$ 13.039,51, não reconheceu esse crédito. 35. Portanto, desde já devem ser reconhecidos os créditos já confirmados pela própria DRJ às fls. 1172/1201, descontada eventual diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ. 36. Logo, desde já acolho o pedido da Recorrente no sentido de que devem ser devidamente apreciadas e consideradas tais circunstâncias fáticas para fins de reconhecimento do direito creditório complementar. Portanto, cabível o pedido de diligência. II. Das retenções comprovadas mediante outros meios 37. A Recorrente sustenta que as autoridades fiscais desprezaram os demais documentos apresentados durante o deslinde do feito, mesmo sendo meios idôneos e aptos a comprovar a totalidade das retenções de CSLL sofridas. 38. Ainda em sede em sede de Manifestação de Inconformidade, ofertou à apreciação das autoridades fiscais o Relatório Contábil de fls. 445/661, no qual consta a indicação da razão social da fonte retentora, seu respectivo CNPJ, mês e ano em que ocorreu a citada retenção na fonte da ora Recorrente, o amparo legal a respaldar a retenção na fonte, o Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 13 12 valor cobrado pela prestação de serviço, o montante total de retenção na fonte por nota fiscal, o valor exclusivamente referente a CSLL, dentre outras informações. Portanto, entende ter apresentado o detalhamento de todas as retenções as quais compuseram o crédito formalizado em PER/DCOMP. 39. De fato, as autoridades fiscais, em caso de dúvidas acerca da idoneidade de documentação apresentada pela Recorrente, devem intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos, realizar diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou buscar a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL e/ou ofício aos órgãos da envolvidos para fins de resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 40. Nesse sentido, embora não acolha o pedido de perícia requerido pela Recorrente, cujos quesitos foram formulados à luz da documentação de fls. 445/661, considero fundamental converter o julgamento em diligência para que a prova apresentada seja apreciada e sejam tomadas as providências que serão abaixo relacionadas. 41. Ressaltese que, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/99, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício e os atos de instrução que exijam a atuação do interessado devem realizarse de modo menos oneroso para estes. 42. No mais, também em homenagem aos princípios acima citados, saliento que é dever da Recorrente apresentar com clareza, coerência e assertividade a composição dos valores e respectivos comprovantes que detém relativos às retenções por sofridas, de forma organizada e alinhada ao declarado em DCOMP ou apta a justificar eventuais erros de fato. 43. A documentação probatória contábil e fiscal (além das declarações, as notas fiscais podem fazer às vezes, por exemplo), deve ser suficiente para suprir a ausência do informe de rendimentos e cabe ao contribuinte justificar a ausência do referido documento. 44. A falta de declarações, esclarecimentos e provas eficientes sobre a composição dos montantes retidos que estejam exclusivamente em posse do contribuinte, acabam por dificultar sobremaneira a atividade da autoridade fiscal e dos julgadores, critérios estes serão observados quando do retorno dos autos para julgamento definitivo. 45. Diante do exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Aprecie e confirme no curso da diligência, eventuais erros de cálculo da CSLL (item 31) para fins de reconhecer crédito adicional respectivo. (ii) Reconheça os créditos já confirmados pela própria autoridade fiscal às fls. 1172/1201, ainda que por erro de fato da contribuinte não constem da DCOMP ou constem a menor, descontada a diferença do que já foi reconhecido quando do despacho decisório e do r. acórdão da DRJ (vide planilha de fls. 1221/1223). (iii) Informe o montante dos créditos comprovados e reconhecidos pela r. decisão da DRJ para fins de analisar se houve utilização da diferença recolhida a maior em outro PER/DCOMP apresentado pela contribuinte. Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 16682.900169/201131 Resolução nº 1201000.386 S1C2T1 Fl. 14 13 (iv) Relativamente às retenções comprovadas por outros meios, aprecie o Relatório Contábil de fls. fls. 445/661 e, em caso de dúvidas: intime o contribuinte a prestar esclarecimentos assertivos, realize diligência fiscal em seu estabelecimento e/ou busque a confirmação das informações (retenções indicadas na DCOMP e documentação complementar/suporte apresentada) através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL e/ou ofício aos órgãos envolvidos, para fins de resguardar o direito creditório do contribuinte e, em última análise, a busca da verdade material. 46. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 1372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000456/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Embora a requerente tenha obtido êxito no julgamento de primeira instância quanto a não obrigatoriedade de a empresa exportadora enquadrar-se no disposto no Decreto-lei nº 1.248/72, não demonstrou cabalmente nos autos o atendimento a outro requisito necessário para fazer jus ao crédito presumido respectivo, qual seja, que as remessas das mercadorias do estabelecimento industrial deram-se com o "fim específico de exportação".
Consideram-se vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento parcial provimento ao Recurso para que a DRF analisasse a certeza e liquidez do crédito. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, que dava provimento integral ao Recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se suspeito.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Embora a requerente tenha obtido êxito no julgamento de primeira instância quanto a não obrigatoriedade de a empresa exportadora enquadrar-se no disposto no Decreto-lei nº 1.248/72, não demonstrou cabalmente nos autos o atendimento a outro requisito necessário para fazer jus ao crédito presumido respectivo, qual seja, que as remessas das mercadorias do estabelecimento industrial deram-se com o "fim específico de exportação". Consideram-se vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. Recurso Voluntário negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 513 1 512 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.000456/200241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.925 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria IPI Crédito Presumido Recorrente COINBRAFRUTESP COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Embora a requerente tenha obtido êxito no julgamento de primeira instância quanto a não obrigatoriedade de a empresa exportadora enquadrarse no disposto no Decretolei nº 1.248/72, não demonstrou cabalmente nos autos o atendimento a outro requisito necessário para fazer jus ao crédito presumido respectivo, qual seja, que as remessas das mercadorias do estabelecimento industrial deramse com o "fim específico de exportação". Consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento parcial provimento ao Recurso para que a DRF analisasse a certeza e liquidez do crédito. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, Relator, que dava provimento integral ao Recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse suspeito. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 04 56 /2 00 2- 41 Fl. 513DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo. Relatório Para bem relatar o feito, socorrome do relatório elaborado pela decisão recorrida: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo DERAT, que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI e não homologou as compensações declaradas. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 10.276/2001, no valor total de R$ (...), relativo ao 4° trimestre de 2002. Apresentou também, declarações de compensação deste crédito com débitos próprios. O pedido foi indeferido em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, com base na informação fiscal de fls. 117/123 que, em resumo, passo a relatar: 1. Exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inciso I, art. 2° do DecretoLei n° 1.248/72 (trading company), ou não registradas na SECEX, num total de R$ 162.278.628,49; 2. Inclusão no valor da Receita Operacional Bruta acumulada no ano das receitas decorrentes de revendas de mercadorias do mês de setembro de 2002, sendo que a ROB foi alterada para R$ 228.565.335,97; 3. Calculado o valor do crédito presumido acumulado para o 4° trimestre/2002, obtevese o valor de R$ 9.633.494,12; como a contribuinte já teve deferido em trimestres anteriores o valor de R$ 15.890.088,81, o resultado final para o 4° trimestre é um saldo negativo de crédito presumido de IPI de R$ 6.256.594,89, o qual deve ser contabilizado pela empresa CoinbraFrutesp S/A, CNPJ n° 46.347.795/000100, que incorporou a interessada em 18/12/2002. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 131/142, defendendo a inclusão, no cálculo da receita de exportação, das exportações realizadas por empresas comerciais exportadoras, mesmo que não estejam formalizadas como uma tradingcompany, por considerar Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 514 3 que se encontra atendido o fim especifico de exportação. Acrescentou que a exclusão desses valores afrontaria os princípios da legalidade e da isonomia. Acrescentou que a empresa Coinbra Frutesp S/A (autuada) possui o Registro Especial de Exportação de que trata o inciso I do artigo 2° do DL n° 1.248/72. Assim sendo, as exportações efetuadas por intermédio da sua filial (Coinbra Frutesp S/A — CNPJ n° 46.347.795/000614) devem ser reconhecidas pela fiscalização, dentre aquelas efetuadas por intermédio de tradingcompany, já que o registro aplicase a empresa e não a seus estabelecimentos. Por fim, solicitou que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório na sua integralidade e homologadas as compensações declaradas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida A. glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida A baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM 0 FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado a expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ONUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: i) alteração de critério jurídico por parte da DRJ; ii) que as exportações foram efetivamente realizadas; iii) repisou suas razões anteriormente esposadas. É o relatório. Voto Vencido Fl. 515DF CARF MF 4 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Cumpre frisar, inicialmente, que o objeto desta lide abarca exclusivamente a exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inc. I, art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72 (trading company), ou não registradas na SECEX. A Recorrente sustenta que foi atendido o fim específico de exportação, e que o direito ao crédito presumido não se restringe às vendas para o exterior, realizadas por meio de trading companies. Assim estabelece o art. 1º da Lei 9.363/96, verbis: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. A discussão, portanto, cingese a determinar o conceito de "empresa comercial exportadora" a que se refere tal ato legal. E sobre isso, é preciso que se deixe claro, a decisão recorrida foi exemplar, com um longo e elaborado arrazoado sobre o alcance da expressão, a qual utilizamos como razão de decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei 9784/99: A resposta à pergunta n° 26 do "Perguntas e Respostas sobre Crédito Presumido do IPI", encaminhado pela Nota MF/SRF/Cosit/Cotip/Dipex n° 312, de 3 de agosto de 1998, denota que são admitidas, no cálculo do crédito presumido, as vendas a empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação, e não apenas as vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decreto lei n° 1.248, de 1972, citado no despacho decisório controvertido, conhecidas como trading companies, que são espécie do gênero "empresa comercial exportadora". Para maior clareza, eis a transcrição da resposta mencionada: 26) No caso de empresas comerciais exportadoras, de quem é a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, no caso de não exportação, e como se dá a saída do produtor? Resposta: As saídas do produtor para as empresas comerciais exportadoras, inclusive as destinadas as empresas constituídas sob a forma do Decretolei no 1.248/72, são efetuadas com suspensão do IPI (art. 36, inciso VIII, alínea 'a', do RIPI/82, correspondente ao art. 40, inciso VI, 'a', do RIPI/98. Com relação ao crédito presumido do PIS/Pasep e Cofins, que tenha sido aproveitado ou ressarcido a titulo de IPI, caso não tenha ocorrido a exportação no prazo de 120 dias, ou o produto tenha sido vendido no mercado interno, roubado etc., o responsável pelo seu Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 515 5 recolhimento é a empresa comercial exportadora (0 42 a 72 do art. 2° da Lei n2 9.363/96, e art. 5° da Portaria MF n° 38/97. Sobre a interpretação do art. 36, VIII, "a", do RIPI, de 1982, citado na resposta transcrita, já havia sido editado o Parecer CST/Sipe n° 1.213, de 31 de maio de 1984, cuja ementa diz o seguinte: A referência feita pelo art. 36, inciso VIII, letra 'a', do RIPI/82, a 'empresas comerciais que operam no comércio exterior' alcança as empresas exportadoras, de modo genérico e não apenas as 'trading companies' de que trata o Decretolei 172 1.248/72. O referido parecer menciona, em apoio à conclusão a que chegou, o PN CST n2 878, de 1971, e a Instrução Normativa SRF n2 11, de 15 de março de 1982 (item 1). Manifestase também a SRF por meio do Parecer Normativo CST n° 42, de 1975, que trata de Estímulos à Exportação, entendimento semelhante ao descrito acima. Por oportuna, reproduzse a seguir o seu texto: PARECER NORMATIVO CST N°42/75 IPI ESTÍMULOS À EXPORTACÃO As atividades da Empresa Comercial Exportadora regulada pelo Decretolei n° 1.248/72 não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da empresa exportadora ou que opera no comércio exterior, referida no artigo 8° do Decreto n°64.833/69 e no artigo 7°, Inciso X, letra "a", do RIPI. O Decreto n°64.833, de 17 de julho de 1969, que regulamentou o Decretolei n° 491, de 05 de março de 1969, dispôs em seu artigo 8°, que: "os estímulos fiscais à exportação, inclusive os de que trata este decreto, aplicamse, igualmente, ao fabricante de produtos industrializados que tenha a sua exportação efetivada por intermédio de empresas exportadoras, de cooperativas, de consórcios de exportadores, de consórcios de produtores ou de entidades semelhante." 2. Procurase, agora, esclarecer se as operações de exportação efetivadas por intermédio de empresas exportadoras foram, de alguma forma, atingidas pelos dispositivos do Decretolei n°1.248, de 29 de novembro de 1972. 3. O Decretolei n° 1.248/72. como se declara no seu artigo 1°, trata de operações de compra de mercadorias no mercado interno, realizadas por Empresa Comercial Exportadora, para o fim especifico de exportação. A efetivação da exportação corre por ordem e conta da Empresa Comercial Exportadora, mas a operação de compra realizada no mercado interno gera, de imediato, beneficios fiscais para o produtorvendedor (art. 30). Para este, vale dizer, a opera cão interna se equipara a uma exportação efetiva para todos os efeitos, inclusive a isenção do IPI (RIPI. artigo 90, inc. II). Fl. 517DF CARF MF 6 4. Enquanto os benefícios fiscais tornamse definitivos para o produtorvendedor com a simples realização da operação no mercado interno, são totalmente transferido à Empresa Comercial Exportadora os ônus tributários, que, porventura, venham a se tornar devidos pela não efetivação da exportação, pela revenda das mercadorias no mercado interno ou pela destruição das mesmas mercadorias (art. 5). 5. Às Empresas Comerciais Exportadoras, por sua vez, são garantidos benefícios fiscais na área do imposto de renda (artigo 4°). 6. Quanto à empresa exportadora ou que opera no comercio exterior, sua atuação, nos precisos termos do dispositivo legal transcrito no item 1 deste parecer, é de simples intermediária e os estímulos fiscais gerados por exportação por ela efetivada destinamse integralmente ao estabelecimento industrial que 6, de direito, o exportador. 7. A remessa, pelo estabelecimento industrial, de mercadorias cuja exportação será efetivada pela empresa que opera no comércio exterior, não gera, por si só, beneficios fiscais, mas apenas traduz uma operação interna beneficiada pela suspensão do IPI e sujeita a controles especiais. A matéria já foi objeto de diversos Pareceres Normativos, merecendo destaque o de n°878, de 1971. 8. Acrescentese, também, que, diversamente do que ocorre com a Empresa Comercial Exportadora, a empresa que opera no comércio exterior não se subordina a quaisquer exigências da legislação tributária para sua constituição. 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais a exportação de manufaturados, entre a Empresa Comercial Exportadora de que trata o Decretolei n° 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no artigo 8° do Decreto n° 64.833/69 e no artigo 70, inciso X, letra "a", do RIPI.Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra. Como se vê, de acordo com o PN CST n° 42, de 1975, a empresa exportadora ou que opera no comércio exterior, não regulada pelo DecretoLei n° 1.248, de 1972, a sua atuação é de simples intermediária e os estímulos fiscais gerados por exportação por ela efetivada destinamse integralmente ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. A remessa, pelo estabelecimento industrial, de mercadorias cuja exportação será efetivada pela empresa que opera no comércio exterior, não gera, por si só, benefícios fiscais, mas apenas traduz uma operação interna beneficiada pela suspensão do IPI e sujeita a controles especiais. Tal entendimento continua sendo mantido pela SRF nas respostas às consultas formuladas pelos contribuintes, como se pode exemplificar pela Solução de Consulta SRRF/9ªRF DISIT n° 108/2004, onde a interessada indagou se: "poderia conceder (sic) os beneficios fiscais estabelecidos na legislação para exportação direta, como a isenção ou suspensão do IPI, PIS e COFINS, e bem como na (sic) manutenção do Crédito Presumido do PIS/COFINS, nas vendas destinadas ao mercado interno com Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 516 7 o fim especifico de exportação através de Empresas Comerciais Exportadoras constituídas sob forma de Limitada" [...] "com capital mínimo abaixo ou não adequado pelo fixado através do Conselho Monetário Nacional, desde que estas empresas comprovem a exportação dentro do prazo conforme a legislação vigente", tendo sido respondido o seguinte: O DecretoLei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, trata das empresas comerciais exportadoras conhecidas com "Trading Companies". Por força desse DecretoLei, são condições básicas para configurar uma Trading Company a constituição sob a forma de sociedade por ações, capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional e certificado de registro especial, concedido pelo Departamento de Comércio Exterior (Decex) em conjunto com a Secretaria da Receita Federal — SRF. A diferença básica entre esse tipo de empresa (Trading Company) e as demais empresas comerciais exportadoras reside no fato de as últimas não estão sujeitas a tantas exigências, não precisando cumprir os requisitos do citado DecretoLei n° 1.248, de 1972, aplicandoselhes as leis comerciais e civis que regem as demais sociedades empresariais. O Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do IPI/2002), em todos os artigos em que se refere a empresa comercial exportadora, não faz referência a que seja aquela de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, com exceção do art. 285, que dispõe sobre as exportações de tabaco em folhas, onde determina que as comerciais exportadoras desse produto sejam as instituídas pelo Decreto—Lei n°1.248, de 1972. O Parecer Normativo CST n° 42, de 1975, esclarece que as diferenças entre a empresa comercial exportadora comum e aquela de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, advêm, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. Conforme esse Parecer, o DecretoLei n° 1.248, de 1972, como declara em seu art. 1°, trata das operações de compra de mercadorias no mercado interno, realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim especifico de exportação, efetivada por sua ordem e conta, sendo que a operação de compra realizada no mercado interno gera, de imediato, benefícios fiscais para o produtorvendedor (art. 3°), fazendo com que a opera cão interna se equipare a uma exportação efetiva para todos os efeitos. No mesmo momento, os ônus tributários são totalmente transferidos para a empresa comercial exportadora, os quais se tornarão devidos, seja pela não efetivação da exportação, pela revenda das mercadorias no mercado interno ou pela destruição das mesmas mercadorias (art. 5°). O referido DL n° 1.248, de 1972, em seu art. 4°, garante a essas empresas benefícios fiscais na área do imposto de renda. Em compensação, as comerciais exportadoras reguladas por este Decreto Lei, conforme visto anteriormente, esteio sujeitas a exigências maiores. Ainda de acordo com o PN CST n° 42, de 1975, quanto à empresa exportadora ou que opera no comércio exterior, não regulada Fl. 519DF CARF MF 8 pelo DecretoLei n° 1.248, de 1972, a sua atuação é de simples intermediária e os estímulos fiscais gerados por exportação por ela efetivada destinamse integralmente ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. A remessa, pelo estabelecimento industrial, de mercadorias cuja exportação será efetivada pela empresa que opera no comércio exterior, não gera, por si só, benefícios fiscais, mas apenas traduz uma operação interna beneficiada pela suspensão do IPI e sujeita a controles especiais. Quanto à suspensão do IPI, o Decreto n°4.544, de 2002 (RIPI/2002), em seu art. 42, V. "a", é claro ao estabelecer que sairão com suspensão do IPI as vendas realizadas pelo estabelecimento industrial à empresa comercial exportadora, desde que os produtos sejam remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados com o fim especifico de exportação, por conta e ordem desta. Somente não cabe a suspensão do IPI quando a exportação para o exterior é realizada pelo próprio produtor dos produtos industrializados, na condição de produtorexportador, visto tratarse de imunidade albergada na Constituição Federal, art. 153, ,sS' 3°, III, reproduzida no RIPI, art. 18, II Assim, se ao referirse a "empresas comerciais exportadoras constituídas sob a forma Ltda, cujo capital mínimo não está adequado pelo fixado através do Conselho Monetário Nacional " pretende a consulente indicar aquelas empresas exportadoras não reguladas pelo DecretoLei n°1.248, de 1972, poderá se valer dos benefícios concedidos pela legislação desde que os produtos de sua fabricação sejam remetidos diretamente para embarque ou para recinto alfandegados com o fim especifico de exportação, por conta e ordem das referidas empresas comerciais exportadoras. De todo o exposto, concluise que sairão com suspensão do IPI as vendas realizadas pelo estabelecimento industrial its empresas comerciais exportadoras, desde que os produtos sejam remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados com o fim especifico de exporta cão, por conta e ordem destas. Ainda se poderia confirmar esta interpretação pelo disposto na Instrução Normativa SRF n.° 95, de 06 de agosto de 1998: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto na Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Portaria MF n°38, de 27 de fevereiro de 1998, resolve: Art. 1º Aprovar o programa gerador do Demonstrativo de Exportação, na versão 2.0, para uso obrigatório pelas empresas comerciais exportadoras que houverem adquirido mercadorias de empresa produtora vendedora com o fim especifico de exportação. Parágrafo único. O programa a que se refere este artigo está disponível para os declarantes nas unidades da Secretaria da Receita Federal SRF e em seu site na INTERNET, no seguinte endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br . Art. 2° A empresa comercial exportadora referida no artigo anterior fica obrigada a apresentar o Demonstrativo de Exportação, no trimestre em que ocorrer pelo menos um dos seguintes eventos: I adquirir de mercadoria de empresa produtora vendedora, corn o fim especifico de exportação; Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 517 9 II exportar mercadoria que tenha sido adquirida de empresa produtora vendedora, com o fim especifico de exportação; III recolher impostos e contribuições na condição de responsável nos termos dos 40 a 70 do art. 2° da Lei 9.363, de 1996, relativos aos produtos adquiridos de empresa produtora vendedora com a finalidade especifica de exportação. Também nos convênios assinados pela Unido a expressão "empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação" não se restringe apenas as vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei nº 1.248/72, como se constata a seguir: (...) Portanto, diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas, no cálculo do crédito presumido, as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2°, e não apenas as vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei n° 1.248, de 1972. Sendo assim, entendo que devem ser incluídas, no cálculo do crédito presumido, as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independente de serem favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei nº 2 1.248/72, desde que estas vendas tenham tido o fim especifico de exportação, ou seja, que os produtos sejam remetidos diretamente para embarque ou para recintos alfandegados, com o fim especifico de exportação. Este entendimento vem sendo adotado por esta Turma de julgamento há algum tempo. Como se vê da longa e minuciosa citação, o conceito de empresa comercial exportadora vai bem além do âmbito das trading companies e isso foi reconhecido pela DRJ mas a glosa foi mantida sob argumento de que o contribuinte não comprovou o fim específico de exportação. Nos termos da decisão recorrida: não há qualquer indicação de que os produtos vendidos à empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. Todavia, esta conclusão contraria diametralmente o verificado pela fiscalização no Despacho Decisório que analisou o pedido de ressarcimento do contribuinte, senão vejamos (fl. 139): Fl. 521DF CARF MF 10 Como se verifica no Despacho, restaram comprovadas as vendas para empresas com a finalidade de exportação e corretamente declaradas no Demonstrativo de Apuração do crédito presumido de IPI de fl. 118, o único motivo para a negativa do crédito foi o critério restritivo utilizado pela DRF, de limitar às hipóteses de venda para trading companies afastado isso, não há dúvidas sobre a ocorrência das exportações e, portanto, não restam quaisquer óbices ao aproveitamento do crédito pretendido. Desse modo, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos créditos presumidos no caso de vendas para empresas comerciais exportadoras. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13854.000456/200241 Acórdão n.º 3402004.925 S3C4T2 Fl. 518 11 Voto Vencedor Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento divergi do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. Embora o julgador de primeira instância tenha concordado com a então impugnante no que concerne ao fato de que deveriam ser incluídas, no cálculo do crédito presumido, as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independentemente de serem essas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei nº 1.248/72, ressalvou a necessidade de que tais vendas tivessem tido o fim especifico de exportação, o que não teria restado comprovado nos autos, eis que não havia qualquer indicação de que os produtos vendidos a empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. No recurso voluntário, alega a interessada que: "Não obstante entenda que esse fato já se encontra superado, tendo em vista que nunca houve qualquer dúvida acerca da exportação das mercadorias, a ora Recorrente pede vênia para juntar documentos que comprovam as exportações ocorridas e que geraram o direito ao beneficio fiscal ora em comento (doc. 02)". No entanto, não basta que se comprove que as exportações foram efetivamente realizadas, devendose também comprovar que as mercadorias saíram do estabelecimento da recorrente com "fim específico de exportação", ou seja, diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora/adquirente. Conforme decidido no Acórdão nº 3402004.342, de 29/08/2017, sob a relatoria do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, "Consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições". A interessada não laborou no recurso voluntário no sentido de que as exportações se deram com o "fim específico de exportação". A atividade de "provar" não se limita a simplesmente juntar documentos aos autos, especialmente nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos. Provar significa associar registros e documentos de forma individualizada na peça recursal. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento. Quem pleiteia o ressarcimento do crédito presumido sobre exportações realizadas por intermédio de outra empresa é que deve provar que se tratou de uma remessa com "fim específico de exportação", na forma prevista em lei. Fl. 523DF CARF MF 12 A alegação de ofensa ao art. 146 do CTN não prospera, primeiro porque não se trata de lançamento, mas de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI; segundo porque o critério jurídico a ser adotado para a fruição de benefício ou incentivo fiscal é sempre o atendimento ao disposto na legislação atinente a espécie. Embora a interessada tenha obtido êxito no julgamento de primeira instância quanto ao afastamento do óbice colocado no despacho decisório, no que concerne a não obrigatoriedade de a empresa exportadora enquadrarse no disposto no Decretolei nº 1.248/72, não demonstrou cabalmente nos autos o atendimento a outro requisito necessário, na forma da lei, para fazer jus ao crédito presumido respectivo, qual seja, que as remessas das mercadorias deramse com o "fim específico de exportação". Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.687247/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 36216.28926.170407.1.3.045351, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 87 24 7/ 20 09 -6 9Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.687247/200969 Resolução nº 3401001.333 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte defendeu a efetiva existência do crédito utilizado e atribuiu a não homologação da compensação a um equívoco no preenchimento na DCTF, o que, todavia, não poderia ser obstáculo à repetição do indébito, utilizado na compensação, devendo prevalecer o princípio da verdade material. Foram juntadas cópias da PERDCOMP e DCTF. A DRJ Porto Alegre/RS julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU ADMINISTRATIVOS. A apreciação de alegação de afronta a princípios constitucionais/administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão. Verificado que ambos os pagamentos alegados estão vinculados a débitos confessados em DCTF, não há como reconhecer o direito creditório em litígio, não se homologando a compensação declarada. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. SUFICIÊNCIA DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Se as informações e documentos que instruem os autos são suficientes para o convencimento do julgador, a realização de diligência é desnecessária. Ainda mais quando o constatado pela DRF jurisdicionante está baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ou seja, em sua própria contabilidade. CITAÇÕES/TRANSCRIÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA E DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da RFB expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada a decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, nem a posições doutrinárias acerca de determinadas matérias. DA OFENSA À VERDADE MATERIAL. DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E EFICIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.687247/200969 Resolução nº 3401001.333 S3C4T1 Fl. 5 3 Não há que se falar em ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência quando o ato administrativo encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido emitido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto.” O recurso voluntário, com alguma variação, reprisou a peça recursal inaugural, esclarecendo que o indébito originavase de recolhimento indevido de Cofins sobre aquisição de software, acrescendo a alegação de inexistência de dano ao erário e a possibilidade de juntada posterior de prova documental. Coligidos ao recurso vieram cópias de contratos de câmbio, DARF, DCTF e PERDCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exige uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embase, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada agregam, entretanto, no recurso voluntário, trouxe cópias de contratos de câmbio e esclareceu a pretensa origem do indébito, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente, considerando que o recolhimento indevido diria respeito à Cofins sobre aquisição de software. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.687247/200969 Resolução nº 3401001.333 S3C4T1 Fl. 6 4 restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913322/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.013
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 22 /2 01 1- 71 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.301, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913322/201171 Acórdão n.º 3402005.013 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900200/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.174
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 02 00 /2 01 2- 01 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa/mercado interno e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito concedido. Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 4 3 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas indústrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. A Recorrente contesta ainda a exclusão dos créditos que foram glosados, pleiteando o seu reconhecimento e a homologação das compensações declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06 054.541. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido, em síntese: · Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; · Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; · Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; · Que seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; · Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de aluguéis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 5 4 à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos aluguéis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; · Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; · Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.163, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900124/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.163): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 7 6 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 8 7 citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 9 8 combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 10 9 O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prendese ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante frisar que no presente processo o litígio abarca o direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, que encontram correspondência com os pleiteados pela Recorrente no caso do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13227.900200/201201 Acórdão n.º 3302005.174 S3C3T2 Fl. 11 10 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.903838/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 38 38 /2 01 2- 68 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI que foi indeferido pelo Despacho Decisório (Eletrônico) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, que não reconheceu na sua totalidade o crédito pleiteado através de PER/DCOMP e não homologando as compensações vinculadas que excediam o limite do montante porventura reconhecido. O crédito foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 00.455.985/000492. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Na Informação Fiscal que acompanha o DDE a justificativa para a glosa assim foi expressa: “Referido estabelecimento industrial opera dentro da planta industrial de um fabricante de óleos vegetais para alimentação, onde produz com exclusividade embalagens "pet" de 900 ml. (garrafas plásticas), classificadas na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) no códigofiscal 3923.30.00, tributadas à alíquota de 15%. Com base nas vias originais das notas fiscais de aquisições colocadas à nossa disposição, constatamos que a quase totalidade dos citados insumos foram adquiridos da empresa Valfilm Amazônia Ind. e Com. Ltda., estabelecida na Zona Franca de Manaus, com a isenção do IPI prevista no art° 69, inciso II do Decreto n° 4.544/2002 (art° 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010). Mesmo hão havendo imposto destacado nas referidas notas fiscais, a Interessada em sua escrita fiscal aproveitou créditos presumidos do mesmo na ordem de 15% sobre valor do insumo adquirido. (grifei). Intimada a informar e identificar a base legal em que se baseou para aproveitar citados créditos presumidos, a mesma assim se pronunciou: "A empresa adquire produtos originários da Zona Franca de Manaus, classificação fiscal 3923.30.00 tributados na TIPI à alíquota de 15% (quinze por cento), mas que em face do disposto no artigo 69, inciso II, do Decreto n° 4.544/2002 (art. 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010) são isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Por esse motivo, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999: nos artigos 164, 165 e 167, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), na nãocumulatividade do IPI prevista no art. 153, IV, § 3o, II da Constituição Federal de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 4 3 1988 e alicerçada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal conforme decisão originada do RE212.484/RS, DJ de 27/1198, nos períodos compreendidos do 1o trimestre de 2008 ao 4o trimestre de 2010 creditouse do imposto calculado à alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor das compras efetuadas, a título de crédito presumido. ...” Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, com as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega a tempestividade da manifestação. Sustenta que não estaria comprovado que a intimação por via postal teria sido improfícua, fato que teria ensejado a intimação por edital. Diz ter ficado sabendo que o débito compensado já se encontrava em cobrança final em 05 de novembro de 2013, quando verificou que o processo administrativo havia sido incluído no Relatório de Situação Fiscal emitido pela Receita Federal do Brasil na situação “DEVEDOR”. E assim, considerando que nesta data a Requerente foi devidamente intimada, o prazo para contestação encerraria em 05 de dezembro de 2013. Alega ainda que, até a presente data, sequer teria obtido cópia do Processo Administrativo Eletrônico. Quanto ao mérito, defende o aproveitamento de crédito de IPI referente a aquisições de insumos fornecidos pela empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., com a isenção prevista no art. 9º do Decretolei 288/1967 e do então vigente artigo 69, II, do RIPI/2002. Considera equivocado o posicionamento do AuditorFiscal no sentido de que o simples fato de não ter sido cobrado imposto na etapa produtiva antecedente impediria o aproveitamento do crédito pelo adquirente do produto beneficiado na etapa subsequente, pois esse entendimento seria incompatível com o princípio da nãocumulatividade do IPI, sobre o qual discorre. Reportase ao entendimento manifestado pelo Exmo. Ministro Nelson Jobim no voto vencedor do Recurso Extraordinário n.° 212.4842/RS, julgado pelo Tribunal Pleno do E. Supremo Tribunal Federal, que transcreve em parte. Ataca também a menção ao Parecer PGFN n.° 405/2003, que não teria eficácia normativa em relação ao presente caso, pois referese à possibilidade de creditamento do IPI nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero, não havendo nenhuma relação com as operações isentas do IPI, provenientes da Zona Franca de Manaus de que se trata neste processo. Sustenta que a circunstância de se tratar de insumos provenientes da ZFM daria ainda mais guarida ao seu direito pois se trata de isenção peculiar, com natureza de incentivo regional, que somente será efetivo se o direito ao crédito for mantido em favor do adquirente. Tanto que o próprio E. Supremo Tribunal Federal consignou recentemente no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.819 que o julgamento ali proferido para as hipóteses de creditamento de IPI decorrente de aquisições de insumos isentos não contempla os casos de insumos beneficiados por isenção concedida à Zona Franca de Manaus. Finalizando, solicita o cancelamento dos débitos e o arquivamento do processo administrativo. Uma vez que se encontrava esgotado o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, o interessado interpôs ação de mandado de segurança (M.S n° 0002832.23.2013.4.02.5120) junto à 2a Vara Federal de Nova Iguaçu, na qual obteve liminar que assegurou a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados e o direito ao exame de manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: "(...) DEFIRO A LIMINAR Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 5 4 para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto dos processos administrativos arrolados na inicial, devendo as manifestações de inconformidade apresentadas nos referidos processos administrativos (n°s 10735.903830/201200, 10735.903831/201246. 10735.903832/201291, 10735.903833/201235, 10735.903834/201280. 10735.903835/2012 24, 10735.903836/201279, 10735.903838/201268. 10735.903839/201211, 10735.903840/201237, 10735903.829/201277 e 10735.903837/201213) serem processadas e encaminhadas para julgamento.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 10053.128. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.216, de 26 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10735.903831/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.216): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em pesquisa no site deste E. Conselho constatei que foi formalizado o processo nº 19515.721546/201278, decorrente de autuação fiscal na referida empresa em relação à glosa de créditos indevidos por aquisições de insumos isentos, provenientes da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., localizada na Zona Franca de Manaus, isenta de IPI nos termos dos art. 69, I e II e 134, II do Decreto nº 4.544/2002. Informa o referido processo que as glosas foram efetuadas após a auditoria fiscal nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER transmitidos para utilização dos saldos credores do IPI apurados pela Lorenpet, no período de apuração de 1º trimestre/2007 ao 4º trimestre/2008. Estando o PER/DCOMP do presente processo abrangido na referida autuação, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 3301003.626, de 23/05/2017, com escopo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 6 5 1999, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIA PRIMA.ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art.25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Recurso Voluntário Negado. Excertos do voto: Glosa dos créditos de IPI relativo à aquisição de matériaprima com isenção de IPI Não há reparos a serem feitos na decisão de piso, pois a legislação tributária não permite a apropriação de créditos escriturais na aquisição de matériasprimas isentas aplicadas na industrialização, provenientes da Zona Franca de Manaus, como a seguir se expõe. A nãocumulatividade estabelecida no art. 153, § 3º, II, da CF, implica que os produtos que tenham sido tributados pelo IPI geram créditos na entrada em estabelecimentos contribuintes para fins de compensação com o que for devido a título desse mesmo tributo em saídas tributadas realizadas num período de apuração, confrontados os créditos e débitos no RAIPI. A nãocumulatividade voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Disso decorre que se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento, assim, se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou nãoincidência),então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. Posteriormente ao julgamento do RE nº 212.484, citado pela Recorrente, o STF, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiu de modo contrário à sua pretensão: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 7 6 Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E, IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO.INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008. Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI:(grifei) IP. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011. Ademais, não há qualquer vinculabilidade do RE nº 212.484, uma vez que o RE nº 592.891, em repercussão geral, ainda não julgado, tratará também do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM, quer isto dizer que não há posicionamento assentado do STF sobre a questão específica da Zona Franca de Manaus. Requer a Recorrente o sobrestamento deste processo até decisão final de mérito no RE nº 592.891. Todavia, não há previsão Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 8 7 regimental para essa suspensão, no RICARF atualmente em vigência, Portaria nº 343/2015. Por fim, devese destacar que o RE nº 566.819 deve ser adotado para os casos em que os produtos sejam provenientes da Zona Franca de Manaus, uma vez que a lógica da desoneração é a mesma. O STJ, em recurso repetitivo, no REsp nº 1.134.903 SP, DJ 24/06/2010, consignou a impossibilidade de creditamento nas entradas isentas:(grifei). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008) 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade),matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 9 8 matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em seguida, o REsp nº 1.429.525SP, DJ 20/02/2014, com base no recurso repetitivo acima, expressamente indicou:(grifei). TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU FAVORECIDOS COM ALÍQUOTA ZERO PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO (ART. 557, CPC). Do voto do relator Mauro Campbell Marques extraise o seguinte trecho: De observar que, muito embora o item "6" da ementa suso transcrita indique a negativa de conhecimento dos recursos especiais onde se discute o direito ao creditamento relativo às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, mutatis mutandis, tendo já havido o julgamento da matéria pelo STF, deve ser utilizada a mesma lógica para ser conhecido o recurso e aplicada a jurisprudência do Pretório Excelso, prestigiando a uniformização jurisprudencial e a isonomia fiscal, indiferente tratarse de isenção proveniente da Zona Franca de Manaus, posto que a lógica é a mesma.(grifei). Por conseguinte, nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação do princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 10 9 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. No sentido de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citese o acórdão nº 3403003.242 (j. 16/09/2014), no qual a Recorrente Lorenpet figura também como parte: Assunto: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS.IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. Além disso, a Súmula CARF n° 18 prescreve que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Entendo que a alíquota zero e a isenção têm a mesma repercussão de não gerarem recolhimento na entrada, o que veda o creditamento, como acima já se defendeu. Ainda na mesma linha de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citase o julgado de 27/09/2016, proferido no processo 19515.001412/201075, da mesma empresa conforme a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 11 10 Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.DECADÊNCIA. Nos casos em que há pagamento antecipado do imposto, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CREDITAMENTO. IPI. INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não dá direito ao creditamento do tributo, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não umulatividade. Cabe destacar que neste processo a empresa apresentou recurso especial, o qual foi negado seguimento de forma definitiva, uma vez que o acórdão recorrido observou decisão do STJ proferida sob a sistemática dos recursos repetitivos. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio cingese ao direito a créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10735.903838/201268 Acórdão n.º 3302005.223 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 120DF CARF MF
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