Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,203)
- Segunda Câmara (27,795)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,279)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,809)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,698)
- Segunda Turma Ordinária d (15,668)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,240)
- Segunda Turma Ordinária d (12,220)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,267)
- Quarta Câmara (83,745)
- Terceira Câmara (65,768)
- Segunda Câmara (54,342)
- Primeira Câmara (18,838)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,598)
- Segunda Seção de Julgamen (112,498)
- Primeira Seção de Julgame (74,880)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,897)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,950)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,665)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,196)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,003)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10074.001343/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/11/2005 a 12/12/2007
DRAWBACK. ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO.
Demonstrada a adimplência no compromisso de exportar, aperfeiçoa-se a isenção dos tributos suspensos sob condição resolutória, quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback.
Numero da decisão: 3201-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 04/11/2005 a 12/12/2007 DRAWBACK. ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Demonstrada a adimplência no compromisso de exportar, aperfeiçoa-se a isenção dos tributos suspensos sob condição resolutória, quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10074.001343/2009-28
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735446
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.850
nome_arquivo_s : Decisao_10074001343200928.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10074001343200928_5735446.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6814697
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210030391296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1408; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.001343/200928 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.850 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria DRAWBACK Recorrente EISA ESTALEIRO ILHA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 04/11/2005 a 12/12/2007 DRAWBACK. ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Demonstrada a adimplência no compromisso de exportar, aperfeiçoase a isenção dos tributos suspensos sob condição resolutória, quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 13 43 /2 00 9- 28 Fl. 858DF CARF MF 2 O presente processo retornou após atendimento de diligência formulado pela turma julgadora, razão pela qual transcrevo o relatório da resolução: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 12.834.477,10, referentes a: imposto de importação, imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição COFINS importação, contribuição PIS/PASEP — importação, juros de mora — calculados até 31/08/2009 e multa proporcional (75%) em face do descumprimento de obrigações necessárias à permanência no regime de drawback suspensão, visto ter sido constatado inadimplemento do compromisso de exportar. Depreendese dos autos, e em especial do Termo de Constatação (fls. 329 a 337), que a autuada submeteu ao Regime de Drawback, amparada pelo Ato Concessório n° 20030194440 — Suspensão Embarcação Genérico — diversas mercadorias para serem utilizadas na fabricação de uma embarcação destinada à exportação. O Ato Concessório em tela foi deferido pelo DECEX em 02/12/2003 (fl. 355), tendo sido prorrogado até 15/12/2007. Relatam as autoridades fiscais que o Ato Concessório sob análise foi considerado totalmente inadimplente pela SECEX, conforme consta do Sistema Drawback Web, com diagnóstico feito em janeiro de 2009 (fl. 364). Informam ainda que, apesar das diversas solicitações do contribuinte, o DECEX, no uso legal de suas atribuições, não prorrogou o prazo para a exportação do bem, mantendo a data final em 15/12/2007. Por outro lado, intimada a interessada, esta apresentou, entre outros documentos, cópia da nota fiscal de saída n° 2667 (fl. 345), emitida em 07/08/2009, e referente à entrega da embarcação, citando inclusive o Ato Concessório no corpo da nota fiscal, sendo destinatário da mesma a empresa UP OFFSHORE APOIO MARÍTIMO LTDA.(CNPJ n° 04.754.815/000117). Assim, considerando que a embarcação não foi exportada dentro do prazo concedido, e que o órgão competente (SECEX) não atestou o cumprimento, pelo beneficiário do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, das obrigações assumidas no Ato Concessório, as autoridades fiscais lavraram as autuações em comento, visto ter sido caracterizado o inadimplemento total do compromisso pactuado. Ressaltam as autoridades que não houve o adimplemento do compromisso de exportação nem adoção, por parte do contribuinte, de qualquer providência descrita no artigo 342 do Decreto n° 4.543/02, sendo devidos os tributos até então suspensos em face do Regime Especial do "Drawback", visto que não recolhidos de forma espontânea. Regularmente intimada (pessoalmente às folhas 03, 80, 172, 251, 327 e 337), a interessada apresentou impugnação tempestiva às folhas 392 a 400, com documentos anexados às folhas 401 a 439. Apresenta as seguintes alegações, em síntese: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10074.001343/200928 Acórdão n.º 3201002.850 S3C2T1 Fl. 94 3 Que, havendo sido cumpridos, integralmente, todos os requisitos legais, o DECEX anuiu ao pedido, expedindo o Ato Concessório Eletrônico n° 2003.0194440, com prazo de expiração inicial de dois anos, contado do Registro da primeira Declaração de Importação, 07/11/2005, e validade até 15/12/2007; Que, apesar do cumprimento de todos os requisitos à fruição do beneficio, o DECEX, sem motivação válida, revogou o Drawback, como se a Impugnante houvesse inadimplido seu compromisso (o que não é verdade); Que o DECEX praticou uma série de atos omissivos e um ato comissivo final, eivado de ilegalidade e contrário às provas de cumprimento da obrigação pela impugnante. Traz histórico das petições, respostas e nãorespostas; Que não é possível conhecer o porquê de o DECEX haver registrado o "inadimplemento total", visto não haver apontado o motivo, mas apenas citado o artigo em que se encontram todos os motivos possíveis; Que compete sim, à autoridade fiscal verificar a verdade material, com o fim de imprimir liquidez e certeza a seu lançamento; Requer seja julgado improcedente o presente auto de infração, exonerandose a Impugnante do crédito tributário ora lançado.” A DRJFlorianópolis/ SC julgou improcedente a impugnação (fls. 442/446), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 04/11/2005 a 12/12/2007 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Constatada a inadimplência no compromisso de exportar, cabível é a exigência dos tributos suspensos quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 462/471), repisando idênticos argumentos expendidos na impugnação. Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, o colegiado houve por bem converter o julgamento em diligência, para averiguar se a tela do DECEX que comprovaria o cumprimento do regime, refletia a realidade externada pela Recorrente: Em 02/01/2012 após, portanto, a apresentação do recurso voluntário a recorrente fez juntar novo documento (efl.816/817), por meio do qual informou que o DECEX teria sanado o erro Fl. 860DF CARF MF 4 cometido, qual seja, teria corrigido a informação da situação de “inadimplência total” do Ato Concessório nº. 2003.0194440, para a situação “baixado”, demonstrando, assim, que a suposta situação de inadimplência em que se encontrava anteriormente decorreu de falhas operacionais do DECEX. Informa a recorrente que, naquele documento (efl. 819), extraído do endereço eletrônico https://siscomex.desenvolvimento.gov.br/Drawback_Web/Consul tarACCNPJ.do, obtido em 07/12/2011, consta que o Ato Concessório 2003.019440, com data de registro de 07/11/2005, tipo embarcação genérico, encontrase na situação “baixado”. Primeiramente, entendo cabível a juntada do novo documento aos autos, mesmo após já apresentado o recurso voluntário, visto tratarse de fato superveniente, na forma como previsto no Decreto nº. 70.235/72, art. 16, §4º, b. Por outro lado, entendo de bom alvitre sejam os autos baixados em diligência para que se confirmem os fatos alegados pela recorrente, tendo em vista, inclusive, a péssima qualidade da digitalização do documento constante dos autos à efl. 819, que não deixa ver, com a clareza necessária, os dados trazidos pela recorrente. A Recorrente juntou manifestação do DECEX e as telas legíveis do sistema e o relatório da autoridade preparadora, corroborou os dados apresentados. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, do retorno da diligência não se levantou quaisquer considerações ou suspeitas, aptas a infirmar as demonstrações de cumprimento do regime aduaneiro especial de drawback embarcação. O exposto, sem mais delongas, já é suficiente para demonstrar a improcedência do auto de infração. Nesses termos, julgo procedente o recurso voluntário. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10074.001343/200928 Acórdão n.º 3201002.850 S3C2T1 Fl. 95 5 Fl. 862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.902538/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EXIGÊNCIA, DE OFÍCIO, DE MULTA DE MORA EM COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA TACITAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DE TRIBUTO DECAÍDO POR VIAS TRANSVERSAS. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de ofício, por parte do fisco, de valor de multa de mora sobre declaração de compensação homologada tacitamente caracteriza lançamento, por vias transversas, de tributo já decaído, devendo ser restabelecido o crédito.
Numero da decisão: 1401-001.914
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 EXIGÊNCIA, DE OFÍCIO, DE MULTA DE MORA EM COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA TACITAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DE TRIBUTO DECAÍDO POR VIAS TRANSVERSAS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício, por parte do fisco, de valor de multa de mora sobre declaração de compensação homologada tacitamente caracteriza lançamento, por vias transversas, de tributo já decaído, devendo ser restabelecido o crédito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10882.902538/2012-78
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5749464
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.914
nome_arquivo_s : Decisao_10882902538201278.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882902538201278_5749464.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6875830
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210038779904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 292 1 291 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.902538/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.914 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2017 Matéria SALDO NEGATIVO DE IRPJ Recorrente NOVA CIDADE DE DEUS PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 EXIGÊNCIA, DE OFÍCIO, DE MULTA DE MORA EM COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA TACITAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DE TRIBUTO DECAÍDO POR VIAS TRANSVERSAS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício, por parte do fisco, de valor de multa de mora sobre declaração de compensação homologada tacitamente caracteriza lançamento, por vias transversas, de tributo já decaído, devendo ser restabelecido o crédito. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 25 38 /2 01 2- 78 Fl. 292DF CARF MF 2 Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão nº 1455.664, de 27 de novembro de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo abaixo o relatório do Acórdão da DRJ/RPO: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ/RPO) Trata o presente processo do PER/DCOMP protocolizado sob o nº 30640.65363.180108.1.3.025206, no qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco/SP, proferiu o Despacho Decisório de fl. 152, o qual não deferiu qualquer valor a ser restituído e não homologou a compensação em virtude de não confirmação Valor do Saldo Negativo disponível. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Inconformada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 08/19, na qual alega, em síntese, no que se refere ao PER/DCOMP nº 30640.65363.180108.1.3.025206, o seguinte: É descabida a "não confirmação" das estimativas de 2004 pagas pela Impugnante mediante compensação, uma vez que embora de fato tais compensações não tenham sido homologadas, a Impugnante apresentou no competente processo nº 10882.001396/200339 a sua manifestação de inconformidade (doc. 06), e de qualquer modo ainda que a mesma a final não seja aceita o valor correspondente já está sendo exigido naqueles autos, de modo que o não reconhecimento daquele crédito implica exigência de tributo cm duplicidade. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento nesta DRJ. A 6ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por meio do Acórdão nº 1455.664, de 27 de novembro de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, que teve a seguinte Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA IRPJ. VALORES DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO NÃO CONFIRMADOS. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 293 3 O saldo negativo da IRPJ pode ser objeto de pedido de restituição ou utilizado como crédito em declaração de compensação somente se confirmado que os valores a título de antecipação excedem o valor devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa foi cientificada do acórdão da DRJ/RPO na data de 12/03/2015 (cf. AR de fl. 172). Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fl. 191 a 210) tempestivamente na data de 10/04/2015, repetindo basicamente os argumentos já trazidos na 1ª (primeira) fase recursal: Fl. 294DF CARF MF 4 Alega que a DRJ inovou no critério de glosa das compensações, ao tratar que as estimativas arroladas como débito em declarações de compensação não homologadas não devem compor o saldo negativo a ser compensável neste processo, alegando ter sido esta a razão para a não homologação da referida DCOMP no Despacho Decisório. Assim, pede a nulidade da decisão da DRJ, por ter partido de premissa diferente daquela que partiu a fiscalização. Entretanto, com base no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, pede o provimento do recurso voluntário, com base nas suas razões de mérito: I PRELIMINARMENTE I.1 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA (FLS. 167/171) Alega a recorrente que a DRF homologou parcialmente a DCOMP 10283.58359.090207.1.3.029252 e não homologou a DCOMP 30640.65363.180108.1.3.02 5206, esta última objeto deste processo, reconhecendo integralmente o saldo negativo informado nas DCOMPs, mas entendendo ser insuficiente este crédito para fazer face à integralidade dos débitos compensados. A empresa cita que o Despacho Decisório, apesar de fazer menção à não confirmação de parte das estimativas de 2004 cuja compensação não foi homologada, como visto, reconheceu integralmente o saldo negativo cuja restituição foi pleiteada e indicada pela Recorrente em suas DCOMPs, apenas deixando de conceder a homologação porque o crédito reconhecido não era suficiente para fazer frente à totalidade dos débitos compensados, o que por si só é suficiente para eivar de nulidade a r. decisão recorrida. E para que não restem dúvidas de que foi este o entendimento firmado pelo despacho decisório, no próprio Processo Administrativo n. 10882.902414/2012 92 (processo de crédito) foi proferido despacho propondo “o arquivamento deste processo encerrado por deferimento TOTAL do valor pleiteado” (doc. 02, fls. 161). Conclui assim: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 294 5 I.2 A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA DCOMP N. 10283.58359.090207.1.3.029252 IMPLICA A HOMOLOGAÇÃO TAMBÉM DA DCOMP N. 30640.65363.180108.1.3.025206 OBJETO DESTE PROCESSO Fl. 296DF CARF MF 6 II DO MÉRITO II.1 O CRÉDITO RECONHECIDO É SUFICIENTE PARA FAZER FACE TANTO À DCOMP N. 10283.58359.090207.1.3.029252, COMO À DCOMP N. 30640.65363.180108.1.3.025206 Ainda que superada a questão preliminar, o que se admite apenas para argumentar, de qualquer modo é manifestamente improcedente a imputação de multa de mora de 20% aos débitos objeto da DCOMP n. 10283.58359.090207.1.3.029252, sendo o crédito remanescente após as compensações objeto daquela DCOMP suficiente para fazer face também à integralidade dos débitos da DCOMP n. 30640.65363.180108.1.3.025206. Alega a Recorrente que as compensações foram feitas com débitos de Pis e Cofins de períodos anteriores à data da compensação. Isto porque a empresa havia impetrado o Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0338534 para não recolher Pis e Cofins sobre JCP. Desta forma, a empresa traça o histórico da ação judicial para concluir que os débitos compensados estavam com a exigibilidade suspensa até 12/01/2007, data em que foi publicada decisão que reconheceu o efeito devolutivo no acolhimento do recurso de agravo de instrumento processo 2006.03.00.1074568, interposto pela União Federal (fls. 73). Sendo assim, pede para afastar a multa de mora de 20% em face da aplicação do disposto no art. 63 da Lei 9430/1996, em razão da compensação dos débitos exigidos dentro do prazo de 30 dias contados da publicação da decisão que revogou a suspensão da exigibilidade do crédito da União. II.2 DA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO OBJETO DO PRESENTE FEITO INDEPENDENTEMENTE DO RESULTADO OBTIDO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO N. 10882.001396/200329, EM QUE ESTÃO SENDO DISCUTIDAS AS COMPENSAÇÕES DAS ESTIMATIVAS DE 2004 A empresa alega que, mesmo que se entenda por afastar os argumentos anteriormente aduzidos, devese avaliar o seguinte: A DRJ não poderia indeferir o pedido de homologação dos créditos com base no indeferimento de compensação de saldos negativos apurados no anocalendário de 2002, que são objeto do processo nº 10882.001396/200339, pois os débitos eventualmente não homologados naquele processo serão objeto de cobrança com os devidos acréscimos legais. Critica o conteúdo da declaração de voto constante na decisão de piso, em que reforça a decisão da turma de não homologação do crédito do processo nº 10882.001396/200339, por se aplicar no caso o teor do Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011. Segundo a recorrente, o referido Parecer trata de estimativa não computada no ajuste anual, não se aplicando ao caso concreto, que, por sua vez, pode ter os valores de crédito indeferido perfeitamente cobrados, inclusive conforme entendimento exarado pelo Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, apresentando conclusão da Procuradoria de que há "possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 295 7 do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste", conclusão que a recorrente entende que se aplica ao caso deste processo. Informa que a Solução de Consulta Cosit nº 18/2006 conclui que "na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ;". Afirma que, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1396/2013, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.434/2013, aqueles atos têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil. Traz posicionamento da DEINF (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras) reconhecendo expressamente que uma vez declarados os débitos, os efeitos quanto à não homologação de sua compensação se darão, com os acréscimos devidos, naqueles autos. II. 3 PREJUDICIALIDADE: NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO FEITO Pede subsidiariamente o sobrestamento do presente feito, até decisão final a ser proferida no Processo Administrativo nº 10882.001396/200339, ou, ainda, ao menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, em face da manifesta relação de prejudicialidade entre os processos, nos termos do art. 265, IV, "a" do revogado Código de Processo Civil (CPC), hoje constante no art. 313, V, "a", do novo CPC. Distribuído o processo no CARF, coube a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. O pedido de restituição que deu origem a este processo de compensação foi integralmente deferido pela Delegacia de Fiscalização, conforme se pode verificar dos documentos acostados no Recurso Voluntário (confirmados no eprocesso). Desta forma, é de se arguir se os créditos oriundos deste processo originário podem ser questionados quanto à sua certeza e liquidez. Fl. 298DF CARF MF 8 PRELIMINAR DE NULIDADE I1 Nulidade da Decisão Recorrida A empresa alega que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade fundamentando seu voto na impossibilidade de recolhimento de estimativas com declarações de compensação ainda pendentes de verificação pela RFB, não fundadas na certeza e liquidez dos créditos passíveis de compensação. Como alega que o Despacho Decisório reconheceu a totalidade do crédito pleiteado pela recorrente, a decisão recorrida estaria eivada de nulidade. Pois bem. Ultrapasso esta preliminar de nulidade, tendo em vista que minha decisão vai ao encontro com o que dispõe o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) MÉRITO I.2 A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA DCOMP N. 10283.58359.090207.1.3.02 9252 IMPLICA A HOMOLOGAÇÃO TAMBÉM DA DCOMP N. 30640.65363.180108.1.3.025206 OBJETO DESTE PROCESSO A recorrente argumenta que, pelo fato da DCOMP n° 10283.58359.090207.1.3.029252 ter sido homologada tacitamente, os débitos compensados na DCOMP nº 30640.653.180108.1.3.025206, objeto deste processo, também deveriam ser homologados, uma vez que o saldo remanescente de R$ 1.905.486,01 seria suficiente para compensar os débitos aqui indicados. É que a DRF homologou parcialmente a DCOMP n° 10283.58359.090207.1.3.029252 por imputar multa moratória aos débitos ali compensados (em razão de terem sido ultrapassados os prazos legais de recolhimento). Por outro lado, como a própria DRF informa no Despacho Decisório que a DCOMP nº 10283.58359.090207.1.3.029252 deverá ser homologada tacitamente, no limite do crédito alegado, a recorrente alega que não há dúvida de que a compensação se deu nos exatos termos em que declarada na referida DCOMP, ou seja, sem indicação de compensação de multa moratória. Desta forma, conclui que o valor remanescente de R$ 1.905.486,01 é suficiente para compensar os débitos aqui indicados. Entendo que tem razão a recorrente. A DRF homologou a DCOMP 10283.58359.090207.1.3.029252, justificando que houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, transcrito abaixo: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 296 9 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, a fiscalização não deveria atribuir um valor maior àquele informado pela recorrente na compensação já homologada tacitamente, como a aplicação de multa de mora sobre os débitos compensados na referida declaração de compensação. Conduzindo seu despacho decisório desta forma, posso concluir que a fiscalização efetuou lançamento tributário decaído, por vias transversas. No meu sentir, a fiscalização se utilizou deste expediente para driblar a homologação tácita já reconhecida no PER nº 19863.10924.090207.1.2.021451 e na DCOMP nº 10283.58359.090207.1.3.029252. Nesse sentido, entendo que deve ser afastado o fundamento utilizado pela fiscalização, devendo a compensação constante neste processo ser homologada. Os demais pontos argumentados pela recorrente tornamse insubsistentes em razão do deferimento de seu pleito. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 300DF CARF MF 10 Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720131/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 99.
As contribuições previdenciárias se sujeitam a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN quando da existência das condições previstas no dispositivo legal. Cabimento, no caso concreto, das disposições da Súmula nº 99 do CARF.
PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101/10. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do ano-calendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba.
PLR. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
É contrária à natureza jurídica do PLR a tentativa de conferir efeitos retroativos à norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Acordo próprio ou convenção coletiva de trabalho, firmados ao final do exercício fiscal e que fixem o pagamento de PLR com fundamento em fatos retroativos, não atendem o requisito legal de previsibilidade (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, §1º, II) exigido para a não incidência da contribuição previdenciária patronal (Lei nº 8.212/91, Art. 28, §9º, j), o que torna o pagamento a esse título um rendimento do empregado, passível de incidência da contribuição.
ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
No caso de a participação nos lucros ou resultados ser negociada por uma comissão escolhida pelas partes (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, I), é imperativo legal que dela participe um representante indicado pelo sindicato da categoria profissional dos empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias.
CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho e apenas no caso de os empregados não estarem organizados em sindicato, ou na recusa deste, é que a negociação poderá ser feita pela federação ou, na falta desta, pela confederação respectiva, ou mesmo diretamente pelos próprios empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem as contribuições previdenciárias.
PLR. VERIFICAÇÃO DA LEGALIDADE. LANÇAMENTO.
Para que se constate a incidência das contribuições previdenciárias, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pela impugnante a título de PLR não se enquadram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração e este procedimento não guarda vínculo com a desconsideração de negócio jurídico, mas afasta a alegação da sua presunção.
ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 2 DO CARF.
É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-003.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro, José Alfredo Duarte Filho que dava provimento parcial. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.720131/2014-78
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5734996
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.593
nome_arquivo_s : Decisao_16327720131201478.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 16327720131201478_5734996.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro, José Alfredo Duarte Filho que dava provimento parcial. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6811997
ano_sessao_s : 2017
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 99. As contribuições previdenciárias se sujeitam a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN quando da existência das condições previstas no dispositivo legal. Cabimento, no caso concreto, das disposições da Súmula nº 99 do CARF. PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101/10. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do ano-calendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba. PLR. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É contrária à natureza jurídica do PLR a tentativa de conferir efeitos retroativos à norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Acordo próprio ou convenção coletiva de trabalho, firmados ao final do exercício fiscal e que fixem o pagamento de PLR com fundamento em fatos retroativos, não atendem o requisito legal de previsibilidade (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, §1º, II) exigido para a não incidência da contribuição previdenciária patronal (Lei nº 8.212/91, Art. 28, §9º, j), o que torna o pagamento a esse título um rendimento do empregado, passível de incidência da contribuição. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. No caso de a participação nos lucros ou resultados ser negociada por uma comissão escolhida pelas partes (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, I), é imperativo legal que dela participe um representante indicado pelo sindicato da categoria profissional dos empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho e apenas no caso de os empregados não estarem organizados em sindicato, ou na recusa deste, é que a negociação poderá ser feita pela federação ou, na falta desta, pela confederação respectiva, ou mesmo diretamente pelos próprios empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem as contribuições previdenciárias. PLR. VERIFICAÇÃO DA LEGALIDADE. LANÇAMENTO. Para que se constate a incidência das contribuições previdenciárias, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pela impugnante a título de PLR não se enquadram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração e este procedimento não guarda vínculo com a desconsideração de negócio jurídico, mas afasta a alegação da sua presunção. ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 2 DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210077577216
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-05T19:25:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-06-05T19:25:05Z; Last-Modified: 2017-06-05T19:25:05Z; dcterms:modified: 2017-06-05T19:25:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:50eef8e4-d049-4fa8-83e9-9e7ef5fa70a3; Last-Save-Date: 2017-06-05T19:25:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-06-05T19:25:05Z; meta:save-date: 2017-06-05T19:25:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-06-05T19:25:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-06-05T19:25:05Z; created: 2017-06-05T19:25:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 64; Creation-Date: 2017-06-05T19:25:05Z; pdf:charsPerPage: 2180; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-06-05T19:25:05Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.644 1 1.643 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720131/201478 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.593 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2017 Matéria Participação sobre lucros e resultados Recorrente BANCO ABC BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 99. As contribuições previdenciárias se sujeitam a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN quando da existência das condições previstas no dispositivo legal. Cabimento, no caso concreto, das disposições da Súmula nº 99 do CARF. PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101/10. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do anocalendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba. PLR. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É contrária à natureza jurídica do PLR a tentativa de conferir efeitos retroativos à norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Acordo próprio ou convenção coletiva de trabalho, firmados ao final do exercício fiscal e que fixem o pagamento de PLR com fundamento em fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 31 /2 01 4- 78 Fl. 1708DF CARF MF 2 retroativos, não atendem o requisito legal de previsibilidade (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, §1º, II) exigido para a não incidência da contribuição previdenciária patronal (Lei nº 8.212/91, Art. 28, §9º, “j”), o que torna o pagamento a esse título um “rendimento” do empregado, passível de incidência da contribuição. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. No caso de a participação nos lucros ou resultados ser negociada por uma comissão escolhida pelas partes (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, I), é imperativo legal que dela participe um representante indicado pelo sindicato da categoria profissional dos empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho e apenas no caso de os empregados não estarem organizados em sindicato, ou na recusa deste, é que a negociação poderá ser feita pela federação ou, na falta desta, pela confederação respectiva, ou mesmo diretamente pelos próprios empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem as contribuições previdenciárias. PLR. VERIFICAÇÃO DA LEGALIDADE. LANÇAMENTO. Para que se constate a incidência das contribuições previdenciárias, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pela impugnante a título de PLR não se enquadram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração e este procedimento não guarda vínculo com a desconsideração de negócio jurídico, mas afasta a alegação da sua presunção. ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 2 DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.645 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro, José Alfredo Duarte Filho que dava provimento parcial. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.482/1.565) interposto contra decisão da DRJFlorianópolis (fls. 1.421/1.462) que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve em parte o crédito tributário lançado através dos Autos de Infração DEBCAD nº 51.025.6287 (fls. 691/701) e nº 51.025.6295 (fls. 702/711) nos valores de R$ 17.755.976,18 e R$ 2.014.158,98, respectivamente, já acrescidos de multa de ofício (75%), além de multa e juros moratórios lavrados em decorrência de procedimento fiscal realizado nos registros do Recorrente (fls. 29/32) – precedido de Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.66.002012 003135 (fls. 03) e Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 04) – relativos às Contribuições devidas à Previdência Social, da seguinte forma: a. DEBCAD 51.025.6287: Contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa (patronal), considerando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados a título de PLR nos períodos de fevereiro, março, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2009; e a contribuição correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT); b. DEBCAD 51.025.6295: Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA), que foram apuradas utilizando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados no período de apuração de janeiro a dezembro de 2009. Fl. 1710DF CARF MF 4 A fiscalização esclarece ter verificado pagamentos de valores classificados como “Participação nos Lucros ou Resultados (PLR)” sem o atendimento dos requisitos legais estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, além de pagamentos de rendimentos a diretoresempregados sobre os quais não foram recolhidas integralmente as contribuições sociais devidas, noticiando, mais pormenorizadamente, o quanto relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC 6ª Turma da DRJ/FNS, cujo trecho, pela clareza e pormenores, adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcrito: “I) Pagamentos de PLR em mais de duas vezes no mesmo ano civil Segundo a fiscalização, os pagamentos a titulo de PLR no período fiscalizado foram realizados com base em Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre participação dos empregados nos lucros ou resultados dos bancos em 2008 e 2009 e em programas de participação nos lucros ou resultados firmados entre o banco fiscalizado e os seus empregados, representados por Comissão de Empregados, para os anos 2008 e 2009, tendo sido verificado que tais pagamentos desatenderam à disciplina prevista no § 2º do art. 3º da Lei n.º 10.101, de 2000, que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou quando pago por mais de duas vezes no mesmo ano civil. II) Acordo sobre Programa de PLR assinado ao final do período Também de acordo com a fiscalização, o segundo instrumento de negociação (programa) possui vigência retroativa e, portanto, não foi elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei, pelo que entendeu a autoridade autuante que os empregados, durante todo o ano de 2009, ou mais precisamente até 21/12/2009, desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento da PLR só foram estabelecidos posteriormente, no final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. A este quadro aduz a fiscalização que, de acordo com o documento apresentado pela empresa intitulado "Comunicado", datado de 15/12/2009, somente nesta data os empregados do banco foram convocados a participar da escolha dos representantes que iriam compor a Comissão de Negociação para discutir e aprovar o programa de PLR a ser aplicado no exercício de 2009, em razão de que concluiu a autoridade autuante que, até a data de 15/12/2009, não se havia iniciado qualquer negociação de PLR e assim, para o ano de 2009, não há que se falar em metas preestabelecidas. III) Acordo sobre Programa de PLR sem participação do Sindicato Relata, ainda, a fiscalização que os empregados do banco fiscalizado são representados pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região na sua base territorial, mas, no entanto, nenhum dos Acordos sobre Programas Próprios de PLR contou com a participação de um representante desse sindicato. Aduz a fiscalização que, durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo apresentou uma carta (sem comprovação de seu envio e/ou recebimento), datada de 09/11/2007, endereçada ao Sindicato dos Bancários e Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.646 5 Financiários de São Paulo (doravante denominado Sindicato da Categoria), solicitando o comparecimento de um representante desse Sindicato para participar da Reunião de Negociação e Aprovação do Programa de PLR, a ser realizada no dia 27/11/2007. Relata a autoridade autuante que também foi apresentada carta, datada de 20/12/2007, enviada ao Sindicato da Categoria, segundo a qual: em 09/11/2007, o banco convocou o citado sindicato a participar da reunião de negociação do programa de PLR a ser realizada em 27/11/2007 em sua sede. O convite foi recepcionado pelo Sindicato no dia 14/11/2007 (recepção não comprovada). Contudo, não houve indicação e nem acompanhamento de um representante sindical na referida reunião e, de acordo com a mencionada carta, sem razões que justificassem a referida ausência. Relata, ainda, a fiscalização que, nessa mesma carta, o banco asseverou que, por não restar alternativa que justificasse o adiamento da reunião de negociação do programa de participação nos lucros ou resultados, foi constituída a Comissão de Empregados e ato contínuo fixadas as regras requeridas pela legislação, objetivando não prejudicar os empregados do Banco e que, após serem observadas todas as formalidades requeridas pela lei, houve a tentativa de arquivar cópia do referido Programa junto ao Sindicato, ocasião em que foram surpreendidos com a recusa no recebimento do mencionado documento. Em razão disso, descreve a autoridade autuante que, de acordo com o banco fiscalizado, para que não fosse alegada nenhuma omissão quanto ao cumprimento das formalidades legais e visando a proteção dos direitos tanto dos empregados quanto do banco em relevo, foi providenciada Notificação Extrajudicial (registro n° 003.340.819), de 21/12/2007, ocasião em que a correspondência ora tratada foi entregue com Aviso de Recebimento em 24/12/2007, com o fito de dar ciência e publicidade do acordo celebrado entre as partes interessadas. Relata, ainda, a fiscalização que foi apresentada uma carta, datada de 23/12/2009, enviada ao Sindicato da Categoria, segundo a qual: em 14/12/2009, o banco convocou o citado sindicato a participar da reunião de negociação do programa de PLR a ser realizada em 21/12/2009 em sua sede. O convite foi recepcionado pelo Sindicato no dia 16/12/2009 (recepção não comprovada), porém não houve indicação e nem acompanhamento de um representante sindical na referida reunião. No ponto destacou a fiscalização o seguinte excerto constante da carta sob apreço: "Registrese que no início do ano de 2009 (no mês de abril de 2009) o Banco procurou o Sindicato com o intuito de firmar um instrumento coletivo chegando inclusive a submeter ao Sindicato, via eletrônica, uma sugestão de texto para o Programa, nos moldes do Programa então vigente, e que já abrange todos os Empregados do Banco. Não obtivemos retorno". Segundo a fiscalização, nessa mesma carta, o banco asseverou também que, por não restar alternativa que justificasse o adiamento da reunião de negociação do programa de participação nos lucros ou resultados, foi constituída a Comissão de Empregados e ato contínuo fixadas as regras Fl. 1712DF CARF MF 6 requeridas pela legislação, objetivando não prejudicar os empregados do Banco; Em razão disso, descreve a autoridade autuante que, de acordo com o banco fiscalizado, para que não fosse alegada nenhuma omissão quanto ao cumprimento das formalidades legais e visando a proteção dos direitos tanto dos empregados quanto do banco em relevo, foi providenciada Notificação Extrajudicial (registro n° 001.729.761), de 29/12/2009, ocasião em que a correspondência ora tratada foi entregue com Aviso de Recebimento em 30/12/2009, com o fito de dar ciência e publicidade do acordo celebrado entre as partes interessadas. Da análise conjugada das cartas supramencionadas com os programas, destacou a fiscalização o que segue: a) Com relação à prorrogação do Programa Próprio de 2007 para o ano de 2008, não houve participação do sindicato da categoria. A empresa não efetuou qualquer convite/comunicação de tal fato ao sindicato, nem efetuou o arquivamento do documento que deliberou essa prorrogação do programa na entidade sindical; b) Não houve o arquivamento na entidade sindical do Programa Próprio de 2007, por recusa do sindicato da categoria; c) Não restou comprovado o arquivamento na entidade sindical do Programa Próprio de 2009 (celebrado em 21/12/2009); d) A despeito do Programa Próprio, de 2009 arrolar dentre as "Partes" o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, devese atentar que o mesmo não é parte do programa celebrado, tendo sido apenas convidado segundo a empresa; e) Todas as negociações dos Programas de PLR para 2007, 2008 e 2009, foram realizadas sem a participação do Sindicato da Categoria. Segundo a autoridade autuante, ainda que a entidade sindical tenha permanecido silente, tal fato não supre a obrigatoriedade do representante do Sindicato da Categoria na referida negociação, requisito este exigido por lei, uma vez que a intenção legislativa foi a de proteger o direito dos empregados: a) ao exigir a participação de um representante do sindicato da categoria nas negociações quando o instrumento destas for uma comissão escolhida pelas partes, e b) ao prever que o acordo celebrado seja arquivado no sindicato. Tais mandamentos, no entanto, não foram observados. IV) Inexistência de Regras Claras e Objetivas nos Instrumentos de Negociação No ponto, relata a fiscalização que, em 04 de abril de 2013, junto à carta datada de 01/04/2013, e conforme os itens 02 e 03 desta, foram apresentados pela empresa os contratos de metas e "planilha com a composição do cálculo dos valores pagos a título de PLR" (na verdade foram entregues duas planilhas). Segundo a autoridade autuante, os contratos de metas apresentados não podem ser assim considerados, devido às seguintes irregularidades: a) nenhum deles traz a assinatura do empregado e/ou do gestor; b) nenhum deles demonstra a data de estipulação das regras acordadas; Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.647 7 c) nenhum deles contém a data de ciência de tais regras nem do contrato em si por parte dos empregados, sendo impossível a comprovação de quando os empregados tomaram conhecimento das metas envolvidas no pagamento. Já no que se refere às planilhas com a composição do cálculo dos valores pagos a título de PLR, relata a fiscalização ter verificado que em alguns casos há utilização de alíquotas absurdamente superiores àquelas estipuladas como máximo nos Anexos II dos Programas Próprios, uma vez que, conforme referidos anexos, a maior alíquota possível é de 15%, porém constam das planilhas alíquotas de 79,87%; 73,68%; 84,60% e 77,95%. A este quadro aduz a autoridade lançadora que tampouco foi demonstrado pela contribuinte como foram obtidos os valores constantes das colunas "Resultado 1" e "Resultado 2". Ressalta, ainda, a autoridade autuante que a escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, por serem impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1° do art. 2º da Lei n° 10.101, de 2000, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, pois, o quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, sem depender de critérios subjetivos de avaliação. Segundo a fiscalização, todos os problemas até aqui relatados, como periodicidade dos pagamentos de PLR inadequada, retroatividade da vigência de programa, programas próprios que não contam com a participação do representante sindical da categoria profissional, metas que não foram pactuadas previamente, ausência de regras claras e objetivas, dentre outros, são fatos acessórios em relação àquele que parece ser o principal, qual seja o fato de ser típico da atividade da empresa — setor bancário o pagamento de remunerações variáveis/bônus por meio de PLR. No ponto, destaca a fiscalização que, do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados excedia em dezenas de vezes o valor do saláriobase (do ordenado) do próprio empregado, como destacados por amostragem no Demonstrativo PLR x Ordenado. Há casos em que o valor da PLR excede em mais de cinquenta vezes o saláriobase do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura dos programas e dos seus anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos. Segundo a autoridade autuante, percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR nada mais são do que instrumento de premiação/gratificação/bonificação ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Aduz a autoridade lançadora que muitos empregados receberam valor superior à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma, sendo evidente que tais pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do salário "oficial" pelo qual foram contratadas, pois a verdadeira remuneração dessas pessoas não é o salário "oficial" que recebem e sim os valores exorbitantes travestidos de "participações nos resultados". Fl. 1714DF CARF MF 8 Pondera a autoridade autuante ser consenso que os profissionais do mercado financeiro, principalmente os de níveis gerenciais e acima, são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam e, nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Ocorre que, quando a suposta "participação nos lucros ou resultados" paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio saláriobase contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração. Esse fato contraria claramente o caput do art. 30 da Lei n° 10.101, de 2000, que prevê que a participação não substitui ou complementa a remuneração, visto que, como evidenciado acima, para muitos empregados beneficiários, a PLR passa a ser a remuneração principal e, como tal, integra o salário de contribuição, pelo que, por mais esse motivo, a fiscalização considerou demonstrado que as verbas a título de PLR foram pagas aos empregados da empresa em desacordo com a Lei n° 10.101, de 2000. V) Remuneração dos diretores empregados No ponto, relata a fiscalização que, da análise das GFIP apresentadas pela empresa, verificouse que todos os diretores foram enquadrados como contribuintes individuais quando do preenchimento da informação relativa à categoria do trabalhador. Alguns foram enquadrados com o código 05 Contribuinte individual Diretor não empregado com FGTS e outros com o código 11 Contribuinte individual Diretor não empregado e demais empresários sem FGTS. Em suma, de acordo com a GFIP, nenhum dos diretores era empregado do banco e, em virtude disso, a empresa efetuou o recolhimento da contribuição social patronal à alíquota de 22,5% sobre o total das remunerações pagas aos diretores, nos moldes do que disciplina a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. No entanto, relata, ainda, a autoridade autuante que, durante o procedimento fiscal foi constatado o pagamento de verbas a título de férias e de décimo terceiro salário aos diretores (com exceção do Sr. Tito Enrique da Silva Neto), verbas estas típicas de uma relação empregatícia e, por esse motivo, a empresa foi intimada a esclarecer a situação e a natureza jurídica do vínculo laboral de seus diretores. Em resposta à intimação, na Carta datada de 08 de agosto de 2013, entregue nessa mesma data, a empresa informou que os diretores eram empregados e que, por equívoco, foram enquadrados na GFIP como contribuintes individuais, quando, ao revés disso, deveria ter sido utilizado o código 01 — Empregado, em razão de que a fiscalização concluiu que a empresa não recolheu todas as contribuições sociais devidas incidentes sobre a remuneração de seus diretores, empregados, o que ensejou a cobrança do que não foi recolhido. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte juntou a documentação colacionada às fls 933 a 1346 e apresentou a impugnação de fls. 875 a 932, onde, em síntese: Noticia que pagou a parcela do crédito tributário que foi exigida pelo fato de ter equivocadamente informado na GFIP a remuneração de diretores empregados como remuneração paga a contribuintes individuais, em razão de que requer o reconhecimento da extinção parcial do crédito tributário relativo ao levantamento "DE Diretores Empregados" constantes dos autos de infração para o período de fevereiro a dezembro/2009, haja vista que os Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.648 9 pagamentos foram realizados nos exatos termos do disposto no artigo 28 da Lei n.° 11.941, de 2009, e bem assim de acordo com o artigo 156, I, do Código Tributário Nacional (CTN); Ademais disso, alega que, tendo em conta que parte das “contribuições previdenciárias, patronal, RAT, FNDE e Incra e a multa por descumprimento de obrigação acessória” se referem a fato gerador ocorrido em 02/2009, isto é, pagamentos de PLR realizados entre os dias 20/02/2009 e 25/02/2009 (Doc. 04 informativo de pagamento comprovante de retorno do banco), e a intimação das autuações fiscais ocorreu apenas no dia 26/02/2014, o crédito tributário está parcialmente extinto pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4°; do Código Tributário Nacional (CTN); Alega que o mesmo ocorre com o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2009, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de seus diretores empregados, uma vez que, ultrapassado o período de cinco anos, configurase a decadência, também nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN; Em outro plano, alega que a cobrança de juros sobre a multa de mora, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, ao que transcreve excertos de decisões administrativas coligidas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que versaram sobre a incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício; Relativamente ao pagamento de verbas aos empregados a título de PLR, alega ser evidente que a autoridade autuante, muito embora não o tenha explicitado, buscou recurso no permissivo do artigo 116, parágrafo único, do CTN, porquanto, se há uma PLR validamente ajustada entre a impugnante e seus empregados e se a Constituição Federal nega a natureza remuneratória dos pagamentos realizados a este título, o único meio que poderia, em tese, autorizar a exigência das contribuições previdenciárias combatidas, seria, de fato, a desconsideração daquele Programa, sob o fundamento de que teria sido ajustado com a exclusiva "finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo", no caso, de uma verba remuneratória; Aduz que, no entanto, a jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de que a "desconsideração de negócio jurídico demanda a existência de provas contundentes de simulação" e tal não foi observado no caso presente, em que há verdadeira desconsideração sem demonstração, sequer alegação, de simulação/dissimulação, não havendo, a toda a evidência, provas contundentes que pudessem sustentar a desconsideração da PLR, até porque, validamente ajustada entre impugnante e seus empregados, nos precisos termos da legislação de regência; Neste contexto, reclama que fiscalização descaracterizou a PLR por mero palpite ou desconfiança e para nela enxergar o pagamento de bônus/prêmio, o que não se pode admitir, pois, a seu ver, para aferir se os empregados tiveram conhecimento (das regras ou metas) e se os valores pagos corresponderiam, de fato, às metas ajustadas, bastaria uma simples Fl. 1716DF CARF MF 10 diligência à sede da impugnante, para questionar pessoalmente os empregados que participaram da comissão de negociação, além dos que foram avaliados e receberam os pagamentos a título de PLR, ao que aduz que, muito embora esse expediente seja comumente utilizado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, no caso presente, assim não se procedeu, desconsiderandose tanto os documentos entregues (caso das avaliações), quanto à forma de sua realização, em prol de uma tese de invalidade do procedimento de avaliação, que, além de não encontrar sustentação, restringe também o amplo acesso da impugnante ao seu direito constitucional à ampla defesa; Reputa de rematado absurdo imaginar que os empregados da impugnante aceitariam não ter prévio conhecimento das metas estabelecidas nos Programas de PLR, não ter conhecimento do sistema de avaliação e que, ainda assim, aceitassem um valor aleatório a título de PLR, ao que aduz que a Lei n° 10.101, de 2000, não faz qualquer exigência no sentido de que o conhecimento das metas, a avaliação e demais documentos internos da empresa, que dizem respeito à implementação dos Programas de PLR, estejam assinados por todas as partes envolvidas, pelo que, a seu ver, fazer tal exigência extrapola completamente os parâmetros legais sobre a matéria, em flagrante afronta ao artigo 166, IV, do Código Civil, uma vez que os Programas de PLR celebrados pela impugnante revestemse perfeitamente de todos os requisitos previstos em lei, de modo que jamais poderá ser desconsiderado com base em exigências feitas pela fiscalização, completamente alheias a qualquer previsão legal; Alega que a autoridade autuante não indicou em seu relatório a previsão legal que exige a assinatura das partes ou qualquer outro requisito relativo ao documento interno de metas e avaliação, cujo descumprimento poderia invalidar os Programas de PLR celebrados, em razão de que entende que a presente autuação pautouse na alegação fiscal de descumprimento de regras não previstas em nosso ordenamento jurídico; Reclama que todos os pagamentos de PLR realizados pela impugnante decorreram de programas que, ao menos aos olhos das partes integrantes das negociações, possuíam um arcabouço de regras claras e objetivas, previamente pactuadas, cuja elaboração e definição observou os ditames legais e jurisprudência consolidada do CARF, e mesmo que assim não se entenda, alega que os palpites e desconfianças apresentados pela fiscalização não são capazes de invalidar referidos Programas de PLR, além do que a desconsideração dos atos jurídicos sob análise ainda dependeria de regulamentação legal, nos termos do parágrafo único do artigo 116 do CTN, regulamentação esta que ainda não existe; Discorre sobre o preceito constitucional atinente à participação nos lucros ou resultados que se encontra contido no inciso XI do art. 7º da Carta da República e alega que à cláusula segunda dos Programas de PLR sob apreço constam os seguintes objetivos: i) alinhar os objetivos entre o banco e empregados; ii) estimular a performance e a criatividade dos empregados com foco em aumento do resultado para o banco; iii) reconhecer o esforço individual de cada um no alcance de melhores resultados, por intermédio de metas preestabelecidas; e iv) distribuir lucros ou resultados aos empregados, como forma de reconhecimento pelo esforço; Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.649 11 Argumenta que a natureza jurídica dos valores pagos a título de PLR não depende simplesmente da existência de vínculo de emprego e da prestação de serviço como ocorre com o salário ou a remuneração, mas sim de um concurso de fatores, dentre eles o desempenho da empresa em geral e do empregado, pelo que a distribuição dos lucros e resultados deve ser analisada sob vários ângulos, levandose em conta (i) o envolvimento do trabalhador, (ii) sua integração no desenvolvimento do empreendimento, bem como (iii) na forma de sua distribuição, que contempla a coletividade, baseada em critérios objetivos e subjetivos, ao que aduz que a Lei n.° 10.101, de 2000, trouxe as disposições que vieram a nortear essa negociação, trazendolhe balizamento e contornos orientadores e, bem assim, limitativos, porém, a seu ver só veio a reforçar que cabe ao intérprete garantir ao direito o máximo de eficácia no cumprimento do mandamento constitucional; Argumenta também que a Lei n.° 10.101, de 2000, assegurou que as condições estipuladas para a PLR obedeçam a critérios de publicidade ampla com relação às partes envolvidas, para que as regras sejam claras e possam ser compreendidas pela população dos eventuais contemplados, e previu, também, regras de periodicidade de pagamentos, sendo que tais características foram integral e cabalmente observadas na constituição dos Programas em questão, pelo que se extrai da cláusula oitava de referidos programas, segundo a qual o pagamento feito a título de PLR deve observar as regras do programa e, bem assim, aquelas estabelecidas em seus anexos, assinados pelos representantes do banco e dos empregados, tendo sido estipulado, de acordo com o parágrafo único da citada cláusula, que, para o pagamento da PLR seriam tomados como base: (i) o percentual de atingimento de metas por cada empregado, apurado a partir do respectivo contrato de metas; (ii) o resultado financeiro do banco dentro no (sic) menor grau de quebra, quando possível até mesmo quebra individual, em outros casos de maneira coletiva, conforme especificado no anexo II; e (iii) uma alíquota de distribuição de resultado dividida entre os integrantes de cada uma das áreas discriminadas na cláusula quinta, observado o anexo II e respeitando a estrutura hierárquica do banco, a fim de cumprir com o disposto no artigo 2º, § 1°, incisos I e II, da Lei n.° 10.101, de 2000; Alega que um plano de PLR adotado entre empresa e seus empregados, que decorra de programa ou convenção coletiva ou de comissão eleita ou de política própria, desde que, públicos e não supressivos ou substitutivos da remuneração, é válido e produz regulares efeitos entre as partes e terceiros, pois, a Constituição não permitiu, e a lei também não o fez, que os efeitos próprios da adoção de uma PLR, em quaisquer de suas formas, sejam objetos de desclassificação por quem quer que seja, nem mesmo pelo Poder Público, ao que reitera que a desclassificação/desconsideração de determinado ato jurídico, tais quais os pagamentos realizados pela impugnante a título de PLR, dependia da comprovação da prática do ato com abuso de forma, ou finalidade evasiva, e mediante simulação, conforme descrito no parágrafo único, do artigo 116 do Código Tributário Nacional, com a redação dada pela Lei Complementar n.º 104, de 2001, dispositivo esse cuja aplicação ainda carece de lei regulamentadora; Fl. 1718DF CARF MF 12 Aduz que, na espécie, a fiscalização constatou a regularidade de valores remuneratórios pagos num determinado período (semestre) e o comparou com o valor de PLR distribuído, interpretando que a boa distribuição efetivada denotaria complemento salarial, sem, no entanto, se ater ao conteúdo dos Programas, à atividade da impugnante, nem às circunstâncias que influenciaram o desempenho da impugnante no período, pelo que, a seu ver, a afirmação de que os valores distribuídos teriam natureza remuneratória, retributiva, de substituição salarial, parte de uma presunção fiscal inaceitável para lastrear a lavratura da presente autuação, pois, competia – e compete à fiscalização comprovar a afirmação de que se trataria de substituição salarial, o que não ocorreu e, jamais poderia ocorrer, na medida em que não se tratou de pagamento de verba remuneratória, mas sim de efetiva distribuição dos resultados positivos obtidos pela “companhia”; Em razão disso, entende que a exigência de contribuições sociais sobre tais valores afronta: i) o disposto no artigo 195, I, " a " da Constituição Federal, na medida em que extrapola a hipótese de incidência ali prescrita já que se trata de participação nos lucros e não de remuneração; ii) o disposto no artigo 7º , XI, da Carta Magna que, ao assegurar como direito dos trabalhadores a participação nos lucros e resultados, dispõe expressamente que a participação está desvinculada da remuneração, ou seja não possui natureza remuneratória, afastando, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias; iii) o disposto nos artigos 22, 1 e 28, 1 e § 9º, alínea " j ", todos da Lei n.° 8.212, de 1991, que preveem como fato gerador da contribuição previdenciária, devida pela empresa e pelos empregados, o total das remunerações pagas/recebidas destinadas a retribuir o trabalho, excluindo expressamente da tributação os valores recebidos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; iv) o parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, e; v) os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada que informam a tributação; Feitas essas considerações, defendese da imputação de que teria realizado pagamento de antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade não prevista em lei, ao argumento de que a participação em lucros e resultados prevista nos programas em análise foi, efetivamente, distribuída (paga) nos termos exigidos pela legislação de regência, sendo que os pagamentos aludidos pela fiscalização foram feitos da seguinte maneira: 1) em fevereiro de 2009 foram realizados pagamentos a empregados ativos referente à 2a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2008; 2) em março de 2009 foram realizados pagamentos a empregados desligados referente à 2a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2008; 3) em agosto de 2009 foram realizados pagamentos a empregados ativos referente à 1a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2009; 4) em setembro de 2009 foram realizados pagamentos a empregados desligados referente à 1a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2009, e; 5) em outubro de 2009 foram realizados pagamentos a empregados referente à PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período; Dado esse contexto, alega que a distribuição de PLR em relevo em momento algum desrespeitou o disposto no § 2º do artigo 3º da Lei n.º 10.101, de Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.650 13 2000, uma vez que, pelo que se depreende do disposto na cláusula décima do Programa celebrado em 2008, a segunda parcela da PLR relativa ao ano de 2008 seria paga aos empregados apenas em fevereiro de 2009 (item 1) e, em caso de desligamento do empregado, este pagamento seria realizado somente aos empregados desligados, em março de 2009 (item 2); Alega que, da mesma forma, conforme disposto no Programa de PLR relativo a 2009, foi realizado o pagamento da primeira parcela em agosto de 2009 (item 2), sendo que os empregados desligados receberam o valor a título de PLR em setembro de 2009 (item 4), ao que aduz ter realizado também pagamento de PLR aos seus empregados, no período autuado, em conformidade com a previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho celebrada entre o Sindicato representativo da impugnante e o Sindicato representativo de seus empregados, relativamente ao ano de 2009; Transcreve as disposições contidas no inciso II e alínea "a" da cláusula segunda da mencionada Convenção Coletiva, que preveem o pagamento de uma antecipação da PLR no prazo de dez dias após a assinatura da convenção, e em razão de que alega que estava obrigada pelo referido dispositivo a efetuar o pagamento de parcela da PLR, relativamente à Convenção firmada por seu Sindicato Patronal; Ademais disso, alega que nenhum dos empregados da impugnante recebeu mais do que dois pagamentos relativamente a cada Programa de PLR dentro do período mínimo de um ano, em total consonância com a legislação, ao que aduz o argumento de que, para que não restem dúvidas quanto à distinção entre os pagamentos realizados, tornando patente a não infringência à regra estipulada pela legislação e evidenciando que jamais ocorreu mais de dois pagamentos em período inferior a um semestre no mesmo ano civil, basta confrontar os pagamentos realizados aos empregados desligados e aqueles que receberam na data prevista pelo acordo, para verificar que jamais coincidirá o empregado; Alega, ainda, que os pagamentos realizados por força da Convenção Coletiva de Trabalho correspondem a um valor único idêntico para todos os empregados, não havendo que se falar, portanto, em mais de dois pagamentos no mesmo ano; Em outro plano, defendese da imputação de que os Programas Próprios de participação nos lucros ou resultados, por terem sido assinados apenas ao final de seus períodos de vigência, não estariam de acordo com os requisitos estipulados pela Lei n° 10.101, de 2000, ao argumento de que, em relação ao ano de 2008, não há que se falar em qualquer questionamento relativo à data de assinatura do programa, haja vista que esta ocorreu em 30 de novembro de 2007, valendo também para o período de 2008, ou seja, para esse ano a assinatura ocorreu antes mesmo do início do período aquisitivo; Ademais disso, argumenta que não é a data da assinatura do Programa de PLR que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes, uma vez que a assinatura das partes no documento apenas evidencia o acordo final a que chegaram após todo o trâmite previsto pela legislação a todo e qualquer acordo de participação nos lucros e resultados, ao que aduz que a data da assinatura traz consigo uma série de fatos que, apesar de não estarem explicitados, não podem ser reputados como inexistentes; Fl. 1720DF CARF MF 14 Nesse rumo, alega que antes mesmo da assinatura do Programa de PLR, a impugnante já havia dado conhecimento aos seus empregados (internamente) de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR, não existindo, portanto, margem para a alegação de ausência de prévias negociações, sem o que a comissão de empregados não tem condições de aquilatar os benefícios e restrições carreados pelo Programa que foram chamados a avaliar; Alega que emitiu mensagens de divulgação interna para os empregados sobre o cumprimento das metas e início do período de avaliações relativas ao Programa de2009, pelo que durante todo o ano de 2009 os empregados tinham conhecimento e tomaram parte nas tratativas para a celebração do Programa de PLR; Destaca que, além disso, as características, os critérios e as condições do Programa de PLR mencionado são extremamente semelhantes (senão idênticas) aos Programas de PLR celebrados em anos anteriores, o que significa dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos utilizados na distribuição de PLR; Reclama que somente uma visão parcial dos fatos poderia sustentar a hipótese segundo a qual a Comissão de Empregados pudesse ser chamada a avaliar, aprovar e assinar o Programa de PLR na data em que este lhe fosse apresentado pela impugnante e sem qualquer poder de crítica sobre seu conteúdo, ao que aduz que a Lei n° 10.101, de 2000, exige que a distribuição de PLR decorra de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer, uma vez que, a seu ver, a análise sistemática da lei indica que a negociação deve anteceder ao pagamento, o que foi observado pela impugnante; Transcreve excertos de decisões administrativas coligidas junto ao CARF que esposam referido entendimento e reitera que, havendo pleno conhecimento dos empregados quanto às metas claras e objetivamente estipuladas e, bem assim, conhecimento sobre o sistema de avaliação adotado, ainda que assim não fosse, a data da assinatura do acordo jamais poderia ser considerada como descumprimento de requisito para a sua validade, ao que aduz que o Programa Próprio de PLR objeto da autuação foi assinado antes da aferição e divulgação do atingimento das metas e resultados pela impugnante, sendo que o pagamento da participação somente ocorreu após a assinatura e realização do lucro, não havendo que se falar em descumprimento de qualquer requisito do acordo ou da legislação vigente; No que tange à imputação de ausência de participação do Sindicato dos empregados da impugnante nas negociações, alega que, seguindo a dicção do artigo 2º, inciso I, da Lei n.° 10.101, de 2000, convocou o Sindicato para participar das negociações que culminaram com a assinatura dos Programas de PLR nos anos de 2008 e 2009, mas que o Sindicato recusouse a participar; Mais precisamente, alega que, buscando a renovação de seu Programa de PLR celebrado em 2007, antes mesmo do início do ano de 2008, convocou o Sindicato para participar de Reunião de Negociação e aprovação do Programa de PLR (vide carta datada de 09 de novembro de 2007), o qual, entretanto, não compareceu, em razão de que, colimando resguardar o direito de seus empregados e, bem assim, em cumprimento do disposto na Lei Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.651 15 10.101, de 2000, encaminhou uma via do acordo de PLR celebrado em 27/11/2007 para arquivo na entidade sindical, o qual foi devidamente recepcionado, conforme Notificação Extrajudicial n° 003.340.819; Aduz que, da mesma forma, com relação ao ano de 2009, a impugnante contatou o Sindicato para discutir os termos do Programa de PLR a ser celebrado com seus empregados (vide email datado de 27/04/2009) e, por não ter obtido qualquer retorno, encaminhou ao Sindicato a notificação extrajudicial n° 001.729.760, informando que havia procurado o Sindicato, porém, sem retorno e, colimando resguardar o direito de seus empregados, prosseguiu com a discussão das metas e termos do Programa de PLR internamente com a Comissão de Empregados; Alega que, apesar dos diversos contatos feitos, nenhum representante do Sindicato compareceu na negociação que culminou no acordo assinado em 21/12/2009, pelo que, conhecedora da legislação de regência, a impugnante encaminhou uma via do referido acordo de PLR, para arquivamento na entidade sindical, o qual foi devidamente recebido, conforme Notificação Extrajudicial n° 001.729.761 e, bem assim, adotou o mesmo procedimento em relação ao Ministério do Trabalho, apresentando cópia do Programa de PLR celebrado à Subdelegacia Regional do Trabalho em 15/03/2010; Dado este quadro, argumenta que, se o Sindicato representativo da categoria de seus empregados não se manifesta no sentido de tutelar o interesse de seus sindicalizados, a impugnante, ao prosseguir com a negociação e celebração dos Programas de PLR, apenas privilegiou os interesses dos seus empregados em detrimento da conduta adotada pela entidade sindical que assim deveria proceder; Nesse norte, entende que, ainda que exista a previsão legal que determina a presença do Sindicato da respectiva categoria profissional na comissão escolhida pelas partes envolvidas, é evidente que tal norma deve ser flexibilizada quando ocorre a recusa por parte do Sindicato, como ocorreu no caso vertente, sob pena de cerceamento do direito das partes de negociarem a PLR mediante a formação de comissão, como autoriza a legislação de regência, pelo que, a seu ver, não há que se falar em desqualificação dos planos em análise por ofensa ao artigo 2º, inciso I da MP n.º 1.698, de 1998, e tampouco do artigo 2º, inciso I e § 2º, da Lei n.° 10.101, de 2000; Quanto à imputação de inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação, alega que o Contrato de Metas individual, que consta do Anexo I dos Programas de PLR em relevo, indicou claramente o método de avaliação descrevendo as metas a serem atingidas por cada empregado em cada uma das áreas da empresa; Reclama que em momento algum foi levada em consideração pela autoridade autuante a real complexidade de observação e mensuração da multiplicidade de funções, áreas, capacidades e estratégias de uma instituição financeira que, em tese, poderiam impossibilitar a fixação de regras claras e objetivas para implantação de um Programa de PLR e, por conseguinte, também foi ignorado o fato de que, a despeito de tamanha complexidade, as partes acordaram e foram capazes de estabelecer regras claras e objetivas para todas e quaisquer situações dos empregados; Fl. 1722DF CARF MF 16 Ademais disso, alega que as metas definidas pelo acordo em questão não são subjetivas, mas ainda que assim fossem, isto não invalidaria o acordo firmado segundo o entendimento veiculado em diversas decisões administrativas coligidas junto ao CARF, ao que aduz que, muito embora a Receita Federal se coloque como uma espécie de validador das condições pactuadas na PLR, os requisitos de clareza e objetividade estabelecidos na legislação, a seu ver, não se destinam ao Fisco Federal, que é parte totalmente estranha ao ajuste pactuado, mas, exclusivamente, para seus reais interessados que são a empresa e seus empregados; Argumenta que, se empregador e empregado consideraram que as cláusulas dos Programas de PLR estão suficientemente claras e objetivas a ponto de permitirlhes a celebração dos Programas, o Fisco não tem qualquer poder ou competência para intervir nessas relações, notadamente cinco, seis, ou até sete anos depois de entabuladas, para estabelecer, ele próprio, seus conceitos acerca do que seja essa clareza e objetividade e muito menos para descaracterizar a natureza que a lei lhes atribui sem a contrapartida de uma evidência cabal em qualquer dos autos de infração da existência de vícios que, na forma da lei, podem contaminar a validade daqueles atos jurídicos; Aduz que, não obstante conste dos Programas sob apreço a clara previsão de metas relacionadas aos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, como definido pela Lei n° 10.101, de 2000, o próprio diploma legal prevê que poderão ser definidos outros critérios e condições, na linha, também, do que já foi decidido pelo CARF, e destaca que, relativamente à avaliação dos empregados, a cláusula sexta de ambos os Programas de PLR estabelece que o programa conta com um contrato de metas, conforme modelo que representa o Anexo I deste documento, que deve ser estabelecido de comum acordo entre o empregado e sua respectiva chefia no inicio do período de apuração (que será semestral), além do que estabelece que este contrato de metas tem duas partes, sendo a primeira composta por metas quantitativas e a segunda por metas qualitativas; Alega que, na prática, os pagamentos de PLR pautaramse, efetivamente, na avaliação individual de cada empregado, para aferir se eles atingiram os critérios objetivos e subjetivos componentes de sua respectiva meta, e essa avaliação se converteu no montante pago a título de PLR, contrariamente ao que sustenta o Relatório Fiscal, além do que, em que pese tais fichas (de avaliação) não estarem assinadas pelos empregados, alega que inexiste na legislação vigente dispositivo que estabeleça a necessidade de assinatura nos documentos internos pertinentes ao atingimento de metas e avaliações dos empregados, sendo que, conforme se pode notar das telas extraídas do sistema interno da impugnante, as avaliações individuais encontramse disponíveis a todos os empregados por meio eletrônico, evidenciando, assim, a razão de tais documentos não estarem individualmente assinados; Ressalta, ainda, que, além do acesso às avaliações, por intermédio de seu sistema interno, a impugnante disponibiliza a seus empregados diversas informações, tais como os Contratos de Metas firmados, pelo que, diferentemente do que sustenta a fiscalização, não há que se falar em necessidade de assinatura individual em cada uma das fichas para validar tais documentos, uma vez que (i) inexiste previsão legal para tanto e (ii) tais documentos são disponibilizados eletronicamente a todos os empregados; Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.652 17 Reproduz exemplo de demonstrativo que alega espelhar as avaliações dos empregados no período e alega que a distribuição de PLR foi paga aos empregados de acordo com a proporção do atingimento de suas metas, sendo que não há qualquer vedação contida na Lei n.° 10.101, de 2000, ou qualquer outra que regule ou tenha regulado a matéria, que limite a distribuição dos lucros ou resultados, de modo que é irrelevante, portanto, o fato destacado pela fiscalização no sentido de que o valor distribuído a título de PLR foi, em determinados casos, maior do que a remuneração normalmente percebida pelo empregado; Argumenta, ainda, que o fato de o montante pago a título de participação superar o valor pago a título de salário revela, na verdade, que tais Programas foram efetivamente praticados, sendo levado a efeito o seu principal objetivo, qual seja compartilhar com os seus empregados os resultados auferidos pela empresa, pois, consoante o espírito constitucional, o pagamento de participação nos resultados da empresa em valores elevados demonstra a efetiva distribuição de riquezas, melhorando a condição social dos indivíduos e estimulando o desenvolvimento econômico de toda a sociedade, pois, tais sujeitos passarão a consumir mais produtos aquecendo toda a cadeia produtiva; Quanto à imputação de que, para efeito do cálculo da PLR de certos empregados, foram aplicadas alíquotas superiores àquelas previstas nos Programas de PLR de 2008 e 2009, alega que as alíquotas mencionadas pela fiscalização constam da Coluna "Alíquota 1" da Planilha contida às fls. 539 e 540 dos presentes autos, e em nada se relacionam com as descritas nos Programas; Alega que as alíquotas a que se refere a autoridade autuante, na verdade, dizem respeito à porcentagem de distribuição de PLR de acordo com o resultado por área (de atividade) na impugnante, conforme disposto no parágrafo único da cláusula oitava do aludido Programa, segundo o qual o pagamento da PLR teria por base (i) o percentual de atingimento de metas por cada empregado, apurado do respectivo contrato de metas; (ii) o resultado financeiro do banco dentro do menor grau de quebra, quando possível até mesmo quebra individual, em outros casos de maneira coletiva, conforme especificado no Anexo II; e iii) uma alíquota de distribuição de resultado dividida entre os integrantes de cada uma das áreas discriminadas na cláusula quinta, observado o Anexo II e respeitando a estrutura hierárquica do banco a fim de cumprir com o disposto no artigo 2º, § 1°, incisos I e II, da Lei n.° 10.101, de 2000; Neste quadro, alega que tal porcentagem referese à proporção de participação de cada empregado nesta distribuição por área, definida de acordo com o salário de cada empregado, pelo que a "alíquota" mencionada pela fiscalização, na verdade, corresponde à proporção de participação com base em seu salário em relação ao total a ser distribuído nesta forma de PLR e, para chegar a tal conclusão, bastaria à fiscalização ter analisado os valores alocados na Coluna "PLR Programa Próprio" e verificado que o valor pago pela impugnante a estes empregados sobre tal rubrica não superou nem mesmo um saláriobase, tornando impossível concluir que as alíquotas praticadas superaram o limite estabelecido no Programa, ao que Fl. 1724DF CARF MF 18 aduz que as alíquotas efetivamente praticadas, conforme indicado na mesma planilha não ultrapassaram 5%, ou seja, estão dentro do limite acordado entre a impugnante e seus empregados; Reclama, ainda, que não há nos autos qualquer prova produzida pelo Fisco de que os pagamentos de PLR tivessem objetivo de substituir ou complementar a remuneração devida aos empregados da impugnante, ao que aduz que os empregados que receberam os maiores valores de PLR são aqueles que, em razão de seus esforços e de suas responsabilidades pessoais, mais contribuíram para a geração dos resultados almejados pela empresa e que em parte foram distribuídos; Argumenta que, se essa distinção não fosse possível, contrariado estaria o objetivo do artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, na medida em que, se independentemente do esforço envidado, todos os empregados recebessem o mesmo montante, não haveria porque todos, individual e coletivamente, se aplicarem na consecução das metas fixadas, de forma a alcançar os maiores e melhores resultados possíveis e, dessa forma, o incentivo à produtividade, pretendido pela Lei n° 10.101, de 2000, não seria alcançado; Reclama que as afirmações da autoridade autuante estão calcadas em mera presunção e que não existe causa legal capaz de justificar os argumentos adotados pela fiscalização para fundamentar as autuações, já que não há qualquer elemento de prova no sentido de que os valores pagos a título de PLR substituíram ou complementaram a remuneração dos empregados; Em outro plano, ainda, alega ser descabida a cobrança da contribuição adicional de 2,5% sobre a base de cálculo da contribuição patronal ao argumento de que não existe um liame entre o empregador e o beneficiário direto da atividade estatal custeada, liame este que deveria existir por decorrência lógica do princípio da isonomia tributária; Nesta linha, argumenta que o Estado deve prover a sociedade dos sistemas de previdência e assistência social e o custo dessa atividade se dilui entre todos, mas que há uma categoria especial de contribuintes que se beneficiará desse mesmo sistema de forma indireta e mediata, que são os contribuintes empregadores, na medida em que seus empregados irão sempre usufruir do sistema de seguridade que legitima a cobrança das contribuições sociais sobre o lucro, folha de salários e faturamento, sendo isto decorrente do princípio da retributividade a que se submetem tais exações; Reclama que não se justifica que apenas esta categoria de contribuintes, instituições financeiras e equiparadas, como é o caso da impugnante, esteja sujeita à incidência da contribuição previdenciária patronal acrescida da contribuição adicional à alíquota de 2,5%, enquanto usufrui da mesma parcela de atuação do Estado na manutenção da Seguridade Social, em razão de que entende que tais regras (artigo 3º, § 2º da Lei n° 7.787, de 1989 e artigo 22, § 1º da Lei n.° 8.212, de 1991) encontramse irremediavelmente maculadas pelo vício da inconstitucionalidade; Neste mesmo rumo, alega que a Emenda Constitucional n.º 20, de 1998, que acrescentou a previsão segundo a qual as contribuições sociais em relevo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica ou da utilização intensiva da mãodeobra, não tornou legítima a exigência da contribuição adicional atacada por ser vedado ao Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.653 19 poder constituinte derivado propor emenda constitucional tendente a abolir cláusulas pétreas, como são os direitos e garantias individuais e, entre eles, o princípio da isonomia previsto no art. 5º da Magna Carta; Em outra vertente, alega ser também inconstitucional a exigência de contribuição destinada ao Incra, por malferir o disposto nos artigos 149, § 2º, III, “a” e “b”, 167, XI e 194, V, todos da Constituição Federal, além de, a seu ver, referida contribuição já ter sido revogada pela Lei n.º 8.212, de 1991; Finalmente, em face do exposto, requer: a) seja acolhida a preliminar suscitada na presente impugnação, extinguindose parcialmente o crédito tributário pelo pagamento, assim como pela sua patente decadência, nos termos do artigo 156, I e V do Código Tributário Nacional; b) sejam julgados integralmente improcedentes os lançamentos fiscais, referentes aos pagamentos efetuados a título de PLR; c) se assim não se entender, que se proceda à exclusão dos adicionais de 2,5% da alíquota para as instituições financeiras, e da contribuição ao INCRA.” A Impugnação foi julgada procedente em parte, para manter em parte o crédito tributário, conforme assim ementado pela DRJFlorianópolis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO. DECADÊNCIA. Segundo parecer exarado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do §4º do art. 150 do CTN, para fins de cômputo do prazo de decadência. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. FIXAÇÃO PRÉVIA DAS METAS. AFERIÇÃO DO CUMPRIMENTO. O comprometimento prévio com a produtividade antes de iniciado o período a que se refere a apuração do lucro ou do resultado é um imperativo lógico Fl. 1726DF CARF MF 20 jurídico da moldura legal que, sob os auspícios da atual Carta Política, definiu a PLR como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho comprometido com a produtividade e, para tanto, exige que dos instrumentos decorrentes da negociação, além de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, também devem constar mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. É inviável emprestar eficácia retroativa a norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Cientificado da decisão de primeira instância em 22/07/2014 (fls. 1.640), que julgou procedente em parte a Impugnação apenas para reconhecer a decadência da exigência fiscal relativa ao período de janeiro de 2009, o Recorrente interpôs tempestivamente, em 06/08/2014, Recurso Voluntário (fls. 1.482/1.565), nos seguintes termos: i. As contribuições ao FAT, FNDE e INCRA incidentes sobre as remunerações dos diretores empregados deixaram de ser recolhidas por equívoco cometido no preenchimento da GFIP, pois foi declarado que as remunerações foram pagas a contribuintes individuais “diretores nãoempregados”, enquanto deveria ter sido informado que foram pagas a “diretoresempregados”; ii. A partir equivoco cometido, o Recorrente diligenciou até a DEFIS (Delegacia Especial das Instituições Financeiras de São Paulo), obteve DARFs e recolheu as contribuições relativas ao período de fevereiro a dezembro de 2009, não atingidas pela decadência, seguindo as orientações obtidas; iii. Não obstante, foi surpreendido pelo r. despacho decisório de fls. 1.375, o qual informou que os pagamentos efetuados sob código 2158 (RAT) foram alocados para as devidas competências, mas que o código de recolhimento utilizado para as contribuições de terceiros, qual seja, o 2187, estava errado e que, por ter recolhido a contribuição ao FNDE (código 2164) e ao INCRA (código 2249) na mesma guia, seria impossível a sua retificação; iv. Apesar disso, mesmo assim o Recorrente informa que promoverá novamente o pagamento do crédito tributário relativo as contribuições acima mencionadas; v. Decadência: A DRJ incorreu em flagrante equívoco ao rejeitar a alegação de decadência quanto aos pagamentos efetuados a título de PLR em 25/02/2009, exclusivamente por fundarse na ausência de comprovação de pagamento de PLR nesse período, pois foram juntados às fls. 554 a 574 dos autos documentos que comprovam o mencionado pagamento, como por exemplo, 1) o Relatório gerado em 19/02/2009 (fls. 1.020 a 1.032), no qual constam (i) os nomes dos empregados que receberam Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.654 21 pagamentos a título de PLR em 25/02/2009; (ii) a conta bancária para crédito; (iii) o valor líquido de PLR a ser creditado; e, na última página do relatório, (iv) o valor líquido total de PLR pago naquele período, no montante de R$ 9.920.399,91. Frisou que o aludido relatório possui o nome de "Líquido Salarial por Período", por mera limitação de sistema, tanto que serviu como base para o lançamento fiscal; 2) a ordem para pagamento de PLR no montante de R$ 9.920.399,61, relativa ao período entre 20/02/2009 a 25/02/2009, autorizada em 20.02.2009 (fls. 1.033); 3) Autenticações bancárias (fls. 1.034 a 1.066), por meio das quais é possível verificar (i) o nome do empregado, (ii) o valor depositado e (iii) a data; vi. A DRJ constatou, por equívoco, que os valores constantes nos documentos apresentados não coincidiriam com os considerados na base de cálculo das contribuições exigidas relativamente à competência de 02/2009, por não se ter apercebido que nos documentos juntados constam os valores líquidos pagos, enquanto que a fiscalização, para lançar o crédito tributário, se utiliza dos valores brutos; vii. Com o intuito de melhor ilustrar o entendimento dos documentos apresentados, explicou passoapasso a correta interpretação dos fatos e informações nestes descritas, concluindo ter restado comprovado o pagamento de PLR em 25/02/2009 e, por isso, considerando que a intimação fiscal ocorreu no dia seguinte (26/02/2009), a exigência fiscal relativa às contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre os mencionados pagamentos está viciada pela decadência, operada anteriormente ao lançamento, com base no artigo 150, § 4º, do CTN e na Súmula 99 do CARF, pois os pagamentos antecipados que autorizam o início da contagem do prazo de decadência ocorreram, conforme comprovam os documentos juntados às fls. 1.067 a 1.075 e Item 4.2 do Relatório Fiscal; viii. Juros sobre Multa de Ofício: A fundamentação da autoridade julgadora acerca da impossibilidade da contestação da “exigência de juros de mora sobre multa de ofício” em sede de Impugnação viola os princípios da economia e celeridade processual, na medida em que só se poderia se questionar a sua exigência na via judicial, após o fim o processo administrativo, bem como o direito constitucional à ampla defesa administrativa, prevista no artigo 50, inciso LV da CF. Ao exigir juros sobre a multa de ofício, a autoridade fiscal violou o princípio da legalidade, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial administrativo transcritos. Assim, a DRJ não poderia ter se furtado a analisar os argumentos do Recorrente, sob pena de nulidade da decisão proferida; ix. Análise de Todas as Matérias Impugnadas: Transcreveu o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, bem como o artigo 59 da CF, para fundamentar sua alegação de que a decisão emanada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento deve abordar expressamente todas as razões de defesa suscitadas, sendo um requisito indispensável à garantia do devido processo e ao seu processamento e que, por não ter ocorrido isso no caso em tela, é nula a decisão recorrida, por cerceamento de defesa. Reforçou seu entendimento mediante transcrição de doutrina e julgados do E. CARF, requerendo o reconhecimento da nulidade da decisão de piso; x. Desconsideração dos Pagamentos de PLR por Presunção do Agente Fiscal: Com base em mera presunção deduzida pelo agente fiscal, este indevidamente desconsiderou os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, o que jamais Fl. 1728DF CARF MF 22 poderá se admitir, pois a desconsideração de um negócio jurídico demanda a existência de provas contundentes de simulação ou dissimulação, conforme entendimento do E. CARF, o que não se verificou na presente demanda; xi. Quanto à alegação da impossibilidade de comprovação do conhecimento dos empregados quanto às metas traçadas no PLR pelos documentos apresentados, bem como se os valores pagos corresponderiam às metas ajustadas, bastaria que a autoridade fiscal diligenciasse até a sede do Recorrente e questionasse pessoalmente os empregados que participaram da comissão de negociação e aqueles que foram avaliados e receberam PLR, conforme expediente costumeiramente utilizado pela fiscalização da RFB, com base no princípio da verdade material, que não agiu dessa forma no presente caso pois, se assim o tivesse feito, teria conhecimento da verdade dos fatos; xii. Foi exigência dos próprios empregados a previsão de pagamento de um valor mínimo de PLR, desde que houvesse lucro a ser distribuído, sendo que o Recorrente não teve outra alternativa senão concordar com este pedido, para ver aprovado o programa para todos seus empregados; xiii. Não há que se falar em natureza salarial dos valores pagos a título de PLR por haver a previsão de um pagamento mínimo, que não poderia macular todo o Plano de PLR, de modo que as contribuições deveriam incidir apenas nos casos de pagamento mínimo. Ademais, em nenhuma passagem do relatório fiscal que fundamentou as autuações originarias do presente processo ficou caracterizado que a natureza salarial dos valores pagos a título de PLR se daria por conta da referida previsão. Portanto, resta evidente que o acórdão proferido pela DRJ inovou a fundamentação utilizada pela fiscalização para configurar a obrigação tributária, motivo pelo qual o acórdão recorrido deve ser declarado nulo, uma vez que preterido o direito à ampla defesa e praticada a inovação do lançamento tributário por autoridade incompetente, nos termos do inciso II, do artigo 59 c/c o artigo 61, ambos do Decretolei 70.235/1972; xiv. Defendeu que o valor de PLR não consiste em salário, sequer em remuneração habitual do empregado, proveniente do trabalho, mas sim decorre da condição de “trabalhador”/”empregado”, que para o seu recebimento deve ocorrer um concurso de fatores, como a existência de lucros, o envolvimento do trabalhador, sua integração com no desenvolvimento do empreendimento, e a forma de distribuição coletiva; xv. O Plano de PLR do Recorrente observou os requisitos legais disposto pela Lei nº 10.101/2000, pois foi viabilizado mediante a participação de comissão representativa dos seus empregados e, por isso, não tem natureza remuneratória como alega o agente fiscal, que não comprovou a existência de simulação ou abuso de forma, tendo sua conduta infringido os seguintes dispositivos legais: a) artigo 195, I, "a", da CF, na medida em que extrapola a hipótese de incidência prescrita, já que se trata de participação nos lucros e não de remuneração; b) artigo 70, XI, da CF, que ao assegurar como direito dos trabalhadores à participação nos lucros e resultados, dispõe expressamente que esta é desvinculada da remuneração, ou seja, não possui natureza remuneratória, afastando, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias; c) artigos 22, I e 28, I e § 9º, alínea "j", da Lei nº 8.212/91, que preveem como fato gerador da contribuição previdenciária, devida pela empresa e pelos empregados, o total das "remunerações" pagas/ recebidas "destinadas a retribuir o trabalho", excluindo expressamente da tributação os valores recebidos a título de "participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei especifica"; d) artigo 116, parágrafo único, do CTN; e princípios da Estrita Legalidade e da Tipicidade Cerrada; Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.655 23 xvi. Periodicidade do Pagamento de PLR: Não houve pagamento de PLR acima da periodicidade legal, pois os pagamentos a esse título ocorreram da seguinte forma: 1. fevereiro de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; 2. margo de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; 3. agosto de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à lª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; 4. setembro de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 1ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; 5. outubro de 2009 — pagamento a empregados referente a PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período. i. Como se depreende do disposto acima, do programa celebrado em 2008 (fls. 745 a 757), a segunda parcela do PLR seria paga aos empregados apenas em fevereiro de 2009 (Item 1 acima). No caso de desligamento de empregado, este pagamento seria realizado em margo de 2009 (item 2 acima); ii. Da mesma forma, conforme disposto no Programa de PLR de 2009 (fls. 758 a 771), foi realizado o pagamento da primeira parcela em agosto de 2009 (item 3 acima), sendo que os empregados desligados receberam o valor a título de PLR em setembro de 2009 (item 4 acima); iii. O pagamento do PLR aos empregados se deu conforme a previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho celebrada entre o Sindicato representativo do Recorrente e o Sindicato representativo dos seus empregos (fls. 772 a 777); iv. Exceções à periodicidade acima apontada somente ocorram com os pagamentos realizados: (i) em Junho, a Jefferson Cesar de Oliveira; em (ii) Novembro, a Etvaldo Paraíso Aratijo; e em (iii) Dezembro, a Fabiano Augusto Ferreira Izidoro, Fabiano Barbosa da Silva, Gabriela Redona Chiste, Ingrid Romano Fernandes, Luciana Buarque dos Santos, Ricardo Aranda Palopoli, Ronaldo Adolpho Gudin, Sidnei Silva Borges e Simone Barbosa de Andrade, empregados desligados ao longo do anocalendário de 2009, conforme planilha acostada às fls. 554 a 624; v. Para comprovar que o PLR foi pago conforme a periodicidade determinada pela lei, basta confrontar os pagamentos realizados aos empregados desligados e aqueles que receberam na data prevista pelo acordo, se verificara que jamais coincidira o empregado; vi. PréViabilidade do Plano de PLR: Não há qualquer irregularidade quanto aos pagamentos realizados pelo Recorrente a titulo de PLR nos exercícios de 2008 e 2009; vii. Não é a data da assinatura do Programa de PLR que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes ou o conhecimento por parte dos empregados das metas a serem alcançadas; a assinatura das partes no documento, bem ao contrário, Fl. 1730DF CARF MF 24 evidencia apenas o acordo final a que chegaram depois de todo o trâmite previsto pela legislação a todo e qualquer acordo de participação nos lucros e resultados; viii. Antes mesmo da assinatura do Programa de PLR, o Recorrente já havia dado conhecimento aos seus empregados (internamente) de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR, não existindo, portanto, margem para a alegação de ausência de prévias negociações, sem o que a comissão de empregados não tem condições de aquilatar os benefícios e restrições carreados pelo programa que foram chamados a avaliar; ix. Para melhor elucidar tal situação, basta analisar as mensagens de divulgação interna para os empregados sobre o cumprimento das metas e início do período de avaliações relativas ao Programa de 2009 já juntada aos autos, bem como anexo email de 20.02.2009, pelo qual os empregados foram lembrados que o prazo para contratação de metas se findaria em 27.02.2009; x. Durante todo o ano de 2009 os empregados tinham conhecimento e tomaram parte nas tratativas para a celebração do Programa de PLR, conforme declarações assinadas por eles próprios; xi. As características, os critérios e as condições do Programa de PLR são extremamente semelhantes (senão idênticos) aos Programas de PLR celebrados em anos anteriores, o que significa dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos comumente utilizados na distribuição de PLR, de modo que antes mesmo da assinatura do programa próprio de 2009 já estavam comprometidos com as suas regras e apenas formalizaram este comprometimento no final do período; xii. O entendimento da agente fiscal, que reflete uma presunção pessoal, não pode prosperar, porque sobrepõe a presunção à verdade material de que já existia negociação e conhecimento prévios das regras do plano de PLR de 2009, o que é inadmissível; xiii. A Lei nº 10.101/2000 exige que a distribuição de PLR decorra de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer, conforme entendimento do E. CARF; xiv. Havendo pleno conhecimento dos empregados quanto às metas claras e objetivamente estipuladas, bem como do sistema de avaliação adotado, ainda que assim não fosse, a data da assinatura do acordo jamais poderia ser considerada corno descumprimento de requisito para a sua validade; xv. Em momento algum a agente fiscal questionou o fato da Convenção Coletiva de Trabalho de 2009 ter sido assinada no final do anocalendário, de modo que não caberia à DRJ levantar esta suposta irregularidade, por estar inovando o lançamento; xvi. Foram estabelecidas claramente as metas a serem atingidas pelos empregados de acordo com sua função, de modo que todos tinham pleno e prévio conhecimento dos objetivos a serem alcançados para se auferir a participação no PLR; xvii. Nem a agente fiscal, tão pouco a DRJ, consideraram a real complexidade de observação e mensuração da multiplicidade de funções, áreas, capacidades e estratégias de uma instituição financeira que, em tese, poderiam impossibilitar a fixação de regras claras e objetivas para implantação de um Programa de PLR, conforme dispõe o artigo 20, § 10, da Lei nº 10.101/2000; por conseguinte, também se ignorou o fato de que, a despeito de Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.656 25 tamanha complexidade, as partes acordaram e foram capazes de, juntas, estabelecerem regras claras e objetivas para todas e quaisquer situações dos empregados; xviii. A agente fiscal desconsiderou os contratos de metas firmados, que não foram assinados individualmente por cada empregado por inexistir obrigação legal para tanto, mas que foram disponibilizados a cada um; xix. Inexiste vedação legal limitadora do valor pago a título de PLR; xx. As alíquotas utilizadas pela agente fiscal para sustentar a autuação, em verdade, dizem respeito à porcentagem de distribuição de PLR de acordo com o resultado por área, definida de acordo com o salário de cada empregado, conforme disposto no parágrafo cinco da cláusula oitava do aludido Programa; xxi. Para chegar a tal conclusão, a fiscalização bastaria analisar os valores alocados na Coluna "PLR Programa Próprio" e verificar que o valor pago pelo Recorrente a estes empregados sobre tal rubrica não superou nem mesmo um salário base, tornando impossível concluir que as alíquotas praticadas superaram o limite estabelecido no Programa. De fato, as alíquotas efetivamente praticadas, conforme indicado na mesma planilha não ultrapassaram 5%, ou seja, estando dentro do limite acordado entre o Recorrente e seus Empregados; xxii. Ausência do Representante Sindical e a Falta de Arquivamento do Acordo de PLR na Sede do Sindicato: A ausência do representante do Sindicato jamais poderia justificar a desqualificação dos Programas de PLR, porque, com relação ao plano próprio, o Recorrente, seguindo a dicção do artigo 2°, inciso I da Lei n° 10.101/2000, convocou o Sindicato para participar das negociações que culminaram com a assinatura dos Programas de PLR nos anos de 2008 e 2009. Todavia, apesar da convocação, o Sindicato recusouse a participar das respectivas negociações; xxiii. Conforme comprovam os documentos que instruíram a Impugnação (fls. 802 a 823), cuja legitimidade foi questionada pela D. DR] sem qualquer fundamento, o Recorrente, buscando a renovação de seu Programa de PLR celebrado em 2007, antes mesmo do início do ano de 2008, convocou o Sindicato para participar de Reunião de Negociação e aprovação do Programa de PLR, conforme carta datada de 09 de novembro de 2007), o qual, entretanto, não compareceu; xxiv. A fim de resguardar o direito de seus empregados, bem como em cumprimento do disposto na Lei 10.101/2000, enviou uma via do acordo de PLR celebrado em 27/11/2007 para arquivo na entidade sindical, o qual foi devidamente recepcionado, conforme Notificação Extrajudicial nº 003.340.819, conforme carta datada de 20/12/2007; xxv. Da mesma forma, diferentemente do que constatou a D. DRJ, com relação ao ano de 2009, o Recorrente contatou o Sindicato para discutir os termos do Programa de PLR a ser celebrado com seus empregados, conforme email datado de 27/04/2009 (fls. 807), entretanto, sem obter qualquer retorno; xxvi. Dando continuidade à sua intenção de contar com a participação do Sindicato na comissão para celebração de seu Programa de PLR, o Recorrente encaminhou carta a Fl. 1732DF CARF MF 26 sede do Sindicato convocando este a enviar um representante para comparecer a reunião de negociação, o qual, entretanto, recusou a convocando feita; xxvii. Em contrapartida, apenas depois de duas tentativas sem sucesso de convocação do Sindicato, o Recorrente encaminhou a notificação extrajudicial nº 001.729.760, conforme carta datada de 29/12/2009, informando que havia procurado o Sindicato, porém, sem retorno e, a fim de resguardar o direito de seus empregados, prosseguiu com a discussão das metas e termos do Programa de PLR internamente com a Comissão de Empregados; xxviii. Como se pode verificar, apesar dos diversos contatos feitos pelo Recorrente, nenhum representante do Sindicato compareceu na negociação que culminou no acordo assinado em 21/12/2009; xxix. Em que pese a ausência do representante do Sindicato, o Recorrente, conhecedor da legislação de regência, enviou uma via do acordo de PLR celebrado em 21/12/2009, para arquivo da entidade sindical, o qual foi devidamente recebido, conforme Notificação Extrajudicial nº 001.729.761, na forma da carta datada de 23/12/2009, bem como adotou o mesmo procedimento em relação ao Ministério do Trabalho, apresentando cópia do Programa de PLR celebrado a Subdelegacia Regional do Trabalho em 15/03/2010, conforme carta datada de 10/03/2010; xxx. Assim agindo, o Recorrente obedeceu a disposição contida no artigo 20, inciso I da Lei nº 10.101/2000 e fez o que estava ao seu alcance para que houvesse a participação do representante do Sindicato dos Bancários e Financiários nas negociações da PLR de 2008 e 2009; xxxi. Quanto à Convenção Coletiva de Trabalho, cujo cumprimento pelo Recorrente é obrigatório, é evidente que também houve recusa de participação do Sindicato, caso contrário, não haveria razão para a participação da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, quando todos os demais bancários foram representados por seus respectivos sindicatos; xxxii. Assim, ainda que exista previsão legal que determine a presença do Sindicato da respectiva categoria na comissão escolhida pelas partes envolvidas, é evidente que tal norma deve ser flexibilizada quando ocorre a recusa por parte do Sindicato, tal como ocorreu no caso vertente, sob pena de cerceamento do direito das partes de negociarem a PLR mediante a formação de comissão ou por meio da Federação, como autoriza a legislação de regência; xxxiii. Portanto, no que se refere aos aspectos relacionados a participação do Sindicato da categoria nas negociações e respectivo arquivamento dos acordos na entidade sindical, não há que se falar em desqualificação dos planos em análise por ofensa ao artigo 2°, inciso I da MP 1.698/98 e tampouco do artigo 2°, inciso I e § 2 ° da Lei n° 10.101/2000; xxxiv. Adicional de 2,5% de Contribuição Previdenciária Patronal às Instituições Financeiras: Resta ilegal e inconstitucional a legislação (Lei nº 8.212/91, Art. 22, §10; Lei nº 7.787/89, Art. 30, §20) que determina a exigência do adicional de 2,5% a título de Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras, incidente sobre a folha de salários ou os valores pagos aos contribuintes individuais, ante a discriminação tributária aleatória e arbitrária operada em prejuízo das instituições financeiras e equiparadas em razão da atividade que exercem e da lucratividade que obtém; Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.657 27 xxxv. O julgamento desta questão deverá ser sobrestado, até ulterior decisão proferida pelo STF, nos termos do art. 62A da Portaria MF no 256/2009; xxxvi. Inconstitucionalidade da Contribuição ao INCRA: O INCRA não atua nem prove qualquer benefício aos segurados empregados do Recorrente, posto que atua exclusivamente na execução da reforma agrária, objetivo totalmente diverso das finalidades perseguidas pelo Recorrente e pela Seguridade Social, razão pela qual, apoiada no princípio da referibilidade (CF, Art. 194, par. ún., V e Art. 195, § 5º), na afronta ao artigo 167, XI, da CF, e no artigo, 149, § 2º, da CF, não deve ser exigida do Recorrente, merecendo ser cancelada a exigência feita a esse título pelo lançamento combatido; xxxvii. Ao final, requereu provimento ao recurso para anulação da decisão de primeira instância e dos lançamentos, com extinção do crédito tributário e, complementarmente, o acolhimento da preliminar de decadência suscitada, bem como a baixa do processo para diligência com o fim de produção de provas quanto ao pagamento do PLR de fevereiro de 2009; além da exclusão da contribuição ao INCRA, da exigência dos juros de mora sobre multa de ofício e do adicional de 2,5% da Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras e, caso não se entenda por sua exclusão, que seja sobrestada a análise da sua constitucionalidade, nos termos do § 10, do artigo 62A da Portaria MF nº 256/08. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar de Decadência Em suas razões recursais, alega o Recorrente que a DRJ incorreu em flagrante equívoco ao rejeitar a alegação de decadência quanto aos pagamentos efetuados a título de PLR em 25/02/2009, pois fundada na ausência de comprovação de pagamento de PLR nesse período. Afirma que foram juntados às fls. 554 a 574 dos autos documentos que comprovam o mencionado pagamento, ocorrido em 25/02/2009 e, por isso, considerando que a intimação fiscal ocorreu no dia seguinte a este (26/02/2009), a exigência fiscal relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre os mencionados pagamentos foi atingida pela decadência, com base no artigo 150, § 4º, do CTN e na Súmula 99 do CARF. Não assiste razão ao Recorrente, pois neste ponto, a decadência deve ser analisada a partir da data legal para “recolhimento” das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados em fevereiro de 2009, e não pela data do suposto pagamento da PLR, conforme preceitua a Súmula 99 do CARF, senão vejamos. Conforme dispõe a Súmula CARF 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4°, do CTN (“antecipação de pagamento”), no caso das Fl. 1734DF CARF MF 28 contribuições previdenciárias, é considerado “pagamento antecipado” “o recolhimento”, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte, na forma abaixo: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” No caso, à época dos pagamentos ora tratados, a data legal para o “recolhimento” das contribuições previdenciárias foi o dia 20 (vinte) do mês subsequente àqueles, conforme os artigos 6º e 11, I, ambos da Lei nº 11.933/09, conforma abaixo: “Art. 6º Os arts. 25, 30 e 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 30. .................................................. I ............................................................ b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; (...) Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de outubro de 2008, em relação aos arts. 1o a 7o, exceto a parte do art. 4o que dá nova redação à alínea a do inciso I do caput do art. 52 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991;” Portanto, a data legal do “recolhimento” das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos ocorridos no mês de fevereiro de 2009 foi o dia 20 de março de 2009, que se encontra abarcado pelo lapso retroativo de 5 (cinco) anos – contados até a data da ciência do início da fiscalização: 26/02/2009 – para a constituição do crédito tributário, em consonância com o quanto disposto na Súmula CARF 99, acima citada. No caso, o “recolhimento” da contribuição previdenciária se deu no mês seguinte ao pagamento da PLR, ou seja, em março de 2009, mês seguinte àquele da ciência do início da fiscalização pelo Recorrente e, sendo assim, não há que se falar em decadência. Outrossim, tratandose da comprovação do pagamento da PLR, pois mais que se quisesse valorar os documentos acostados às fls. 1.020/1066 e 1.109/1.170, elaborados pelo Recorrente, como identificadores da data de pagamentos de PLR ou verbas salariais, melhor razão não assistiria ao Recorrente, posto que estes informam códigos, nomes e rubricas, como por exemplo, “pgmto salários”, além de números que possivelmente registram operações ocorridas em 20 e 25/02/2009, mas insuficientes, pois obscuras, para comprovar, efetivamente, a ocorrência de pagamento de PLR ou de remuneração salarial. Assim, da forma como elaborados, e apresentados em separados a, por exemplo, extratos bancários que registrassem eventuais depósitos feitos nas contassalários dos seus empregados, os documentos Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.658 29 mencionados, de igual forma, são insuficientes para comprovar o pagamento de PLR ou de remuneração salarial. Ademais, estes documentos não possuem força ou valor probatórios para indicar efetivamente que o pagamento da contribuição previdenciária se deu na mesma data em que supostamente ocorreram os pagamentos de PLR e das remunerações aos seus empregados. Outrossim, foram apresentados de forma isolada, desacompanhados dos Comprovantes de Arrecadação e dos DARFs competentes, por exemplo, ambos disponibilizados no site “eCAC” da RFB, o que torna frágil o reconhecimento do pagamento da contribuição previdenciária apenas pela sua apresentação. Temse, portanto, que ao contrário do quanto firmado pelo Recorrente, os mencionados documentos não comprovam o recolhimento de PLR ou de remuneração salarial, nem mesmo da contribuição previdenciária relativa aos pagamentos que supostamente informam, quiçá a data em que estes ocorreram, que são as informações fundamentadoras do julgamento deste item, o que denota a ineficácia destes como instrumentos probatórios do “recolhimento” da contribuição previdenciária em data anterior ao da ciência do início da fiscalização pelo Recorrente. Alega o Recorrente, ademais, que a DRJ constatou, por equívoco, que os valores das verbas pagas aos empregados e constantes nos documentos apresentados não coincidiriam com aqueles considerados para a composição da base de cálculo das contribuições exigidas relativamente à competência de 02/2009, por não se ter percebido que, naqueles, constam os valores líquidos pagos, enquanto que a fiscalização, para lançar o crédito tributário, se utiliza dos valores brutos. De igual forma, não merece prosperar a alegação do Recorrente, tendo em vista que os sistemas de registro de valores brutos, líquidos, retidos etc. do Recorrente deveriam identificar e segregar as importâncias relativas a cada rubrica, de forma que, em quaisquer relatórios dessa natureza, estes poderiam ser facilmente identificados, sem deixar dúvidas de interpretações a partir da sua leitura. Sendo assim, por derradeiro, considerando que os documentos juntados aos autos são suficientes para a análise do caso e a tomada de decisão quanto ao tema ora discorrido, entendo desnecessária a conversão do processo em diligência. Por tudo o que foi exposto, com base na legislação transcrita e nos fundamentos justificados, entendo que não se operou a decadência quanto à parcela do lançamento referente à competência de fevereiro de 2009 e, em razão disso, ratifico neste ponto a decisão recorrida, para manter o crédito tributário correspondente. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência. Da nulidade da decisão da DRJ Alega o contribuinte que a DRJ ceceou seu direito de defesa quanto à questão dos juros sobre a multa levantada no recurso e cuja decisão a DRJ entendeu que não caberia àquele órgão tratar desse tipo de matéria. Fl. 1736DF CARF MF 30 A meu ver não há qualquer nulidade na presente decisão, a DRJ emitiu juízo de valor fundamentando que não teria competência para julgamento dessa matéria de direito, portanto, não foi omissa a decisão mas analisou a questão e decidiu a respeito, não havendo qualquer cerceamento do direito de defesa, posto que a matéria está sendo rediscutida no presente recurso pelo contribuinte, não havendo que se falar em supressão de instâncias. A teor do Novo CPC em seu artigo 1.013 §§1º a 3º que trata dos efeitos da apelação verbis aplicado de forma subsidiária no processo administrativo fiscal: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3º Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: – reformar sentença fundada no art. 485; II – decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir; III – constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; IV – decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. § 4º Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. Portanto de acordo com art. 15 do Novo CPC os princípios recursais acima indicados são plenamente aplicáveis ao recurso voluntário, e portanto, toda a matéria discutida será devolvida ao tribunal ad quem. Ao contrário do alegado pelo contribuinte entendo que o julgador administrativo não está obrigado a rebater todos os pontos suscitados pelo recorrente bastando apresentar fundamentação suficiente para o deslinde da causa, nem mesmo no Judiciário essa premissa é real, sendo que a Primeira Seção do STJ no EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585) assim decidiu aplicando o NCPC, verbis: Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.659 31 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 002781280.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. Portanto, a teor do artigo 29 do Decreto do PAF o julgador deve apreciar livremente as provas e os argumentos das partes e tem a livre convicção de julgar desde que de forma fundamentada. Com isso entendo que não houve preterição do direito de defesa do recorrente pela DRJ sendo que passo a decidir a respeito dessa matéria de acordo como posta em discussão pelo recorrente. Nas suas razões recursais, o Recorrente alega que, ao exigir juros sobre a multa de ofício, a autoridade fiscal violou o princípio da legalidade, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial administrativo que transcreveu. Ademais, firmou que a DRJ não poderia ter se furtado a analisar os argumentos do Recorrente quanto a este tema, sob pena de nulidade da decisão proferida por afronta ao direito constitucional à ampla defesa administrativa, previsto no artigo 50, inciso LV da CF, matéria já afastada conforme fundamentos anteriores. Fl. 1738DF CARF MF 32 Neste ponto, não assiste razão ao Recorrente, haja vista a Lei dispor que incide juros de mora sobre o crédito tributário, o qual também é composto pela multa de ofício, senão vejamos. Ao tratar da incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, o Código Tributário Nacional preceitua o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Assim, a alegação de que a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada seria ilegal é totalmente improcedente, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o dispositivo legal transcrito acima. Quer dizer, tanto a multa de ofício como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, inclusive no que tange a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Cabe observar, ainda, que tanto o artigo 43, como o artigo 61, ambos da Lei nº 9.430/96, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, conforme demonstrado abaixo: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Como se vê, a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, já que a multa de ofício se enquadra dentro do conceito de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.660 33 Ademais, observase que a incidência de juros sobre a multa de ofício também está amparada pelo parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96, já que este estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário “correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente” incidem juros a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo. Com efeito, em que pesem as alegações apresentadas pelo Recorrente, não há que se falar em nenhuma irregularidade no que tange a incidência de juros sobre a multa de ofício, visto que ela se encontra expressamente prevista em lei e que as autoridades administrativas estão plenamente vinculadas à legislação em vigor. Nesse sentido, cabe citar o esclarecedor voto da ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, a saber: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não Fl. 1740DF CARF MF 34 pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.661 35 exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 1742DF CARF MF 36 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." (grifos nossos) Em consonância com o esclarecedor voto supra, cabe transcrever a seguir os seguintes precedentes judiciais e administrativos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (STJ, AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688 PR (2012/01537730). Relator Ministro Benedito Gonçalves. Decisão: 04/12/2012. Dje de 10/12/2012). “JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.” (...) (CARF, Acórdão nº 130100.810, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Conselheiro designado para o voto vencedor Waldir Veiga Rocha, Sessão de 01/02/2012) “JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.662 37 devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região.” (CARF, Acórdão nº 9202001.806, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro designado para o voto vencedor Elias Sampaio Freire, Sessão de 29/11/2011) Neste ponto, com fundamento na legislação competente e pelos fundamentos acima expostos, entendo pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício, negando provimento ao recurso. Mérito Isenção Tributária Previdenciária sobre os Pagamentos a Título de PLR – Requisitos Legais A matéria em discussão nesse processo consiste em definir se os pagamentos realizados pelo Recorrente obedeceram aos requisitos legais para que pudessem ser caracterizados como participação nos lucros e resultados da empresa, nos termos da Lei nº 10.101, de 2000, e, consequentemente, não se submeterem à incidência da contribuição previdenciária e das contribuições para terceiros. Para uma esclarecedora análise do tema, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201 003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: “Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Fl. 1744DF CARF MF 38 Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.663 39 Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50.” (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Fl. 1746DF CARF MF 40 Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas têm nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros, isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do consequente (critérios pessoal ou quantitativo). Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.664 41 Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Fl. 1748DF CARF MF 42 “Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.” (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Estabelecidas essas premissas, controvertese nesse processo se a empresa teria atendido aos itens: i) existência de negociação prévia sobre a participação; ii) participação de representante do sindicato e do sindicato e arquivamento do acordo na sede do sindicato; e iii) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores. Passemos à sua análise individualizada. PréViabilidade do Plano de PLR Indignase o Recorrente, neste ponto, alegando, em síntese, que: Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.665 43 a. Não é a data da assinatura do Programa de PLR que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes ou o conhecimento por parte dos empregados das metas a serem alcançadas; a assinatura das partes no documento, bem ao contrário, evidencia apenas o acordo final a que chegaram depois de todo o trâmite previsto pela legislação a todo e qualquer acordo de participação nos lucros e resultados; b. Antes mesmo da assinatura do Programa de PLR, o Recorrente já havia dado conhecimento aos seus empregados, via email, de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR, não existindo, portanto, margem para a alegação de ausência de prévias negociações, sem o que a comissão de empregados não teria condições de aquilatar os benefícios e restrições carreados pelo programa que foram chamados a avaliar; c. A partir disso, e durante todo o ano de 2009, os empregados tinham conhecimento e tomaram parte nas tratativas para a celebração do Programa de PLR, conforme declarações assinadas por eles próprios; d. As características, os critérios e as condições do Programa de PLR são extremamente semelhantes (senão idênticos) aos Programas de PLR celebrados em anos anteriores, o que significa dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos comumente utilizados na distribuição de PLR, de modo que antes mesmo da assinatura do programa próprio de 2009, já estavam comprometidos com as suas regras e apenas formalizaram este comprometimento no final do período; e. O entendimento da agente fiscal, que reflete uma presunção pessoal, não pode prosperar, porque sobrepõe a presunção à verdade material de que já existia negociação e conhecimento prévios das regras do plano de PLR de 2009; f. A Lei nº 10.101/2000 exige que a distribuição de PLR decorra de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer; g. Havendo pleno conhecimento dos empregados quanto às metas claras e objetivamente estipuladas, bem como do sistema de avaliação adotado, ainda que assim não fosse, a data da assinatura do acordo jamais poderia ser considerada como descumprimento de requisito para a sua validade; h. Em momento algum a agente fiscal questionou o fato da Convenção Coletiva de Trabalho de 2009 ter sido assinada no final do anocalendário, de modo que não caberia à DRJ levantar esta suposta irregularidade, por estar inovando o lançamento; i. Inexiste vedação legal limitadora do valor pago a título de PLR; j. O valor pago aos empregados sobre tal rubrica não superou nem mesmo um salário base, tornando impossível concluir que as alíquotas praticadas superaram o limite estabelecido no Programa. De fato, as alíquotas efetivamente praticadas, conforme indicado na mesma planilha não ultrapassaram 5%, ou seja, estando dentro do limite acordado entre o Recorrente e seus Empregados. Ab initio, cumpre transcrever o disposto na legislação, à época, que norteia esta matéria: Fl. 1750DF CARF MF 44 “Lei nº 10.101/00 Art. 1º. Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.” A respeito também do assunto parte do voto dessa Turma no AC. 2201 003.551 da lavra da I. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski na sessão de 04 de Abril de 2017: “O benefício fiscal, nesse caso, é instrumento para estimular as empresas a adotarem programas de participação nos lucros e resultados e estes, por sua vez, visam promover a integração entre capital e trabalho, estabelecendo estímulos ao trabalhador através das metas a serem alcançadas e da premiação delas decorrentes. Em última análise, ganha o país com o incremento da produtividade e da eficiência. Nesse aspecto, não me sensibilizam os mais variados argumentos relacionados à inexistência de expressa previsão legal estabelecendo prazo para que o acordo seja firmado, pois as leis contêm certa racionalidade em sua elaboração e exigem a mesma racionalidade em sua interpretação e aplicação. Ou seja, é desnecessário, e até mesmo indesejável, que o texto legal contenha aquilo que decorre naturalmente do bom senso e da função social dos institutos regulados. Nesse diapasão, o estabelecimento de metas e critérios claros para a obtenção e aferição do direito só fazem sentido se estabelecidos previamente. E isso é também uma garantia para o trabalhador.” Na mesma esteira de entendimento, servindo como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401003.492 da 4ª Câmara/1ª TO, sessão de 15 de abril de 2014: Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.666 45 “Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande alteração das mesmas, razão pela qual a pactuação, mesmo tardia, não fere o disposto na lei, pelo contrário ao adotar tal entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e o reconhecimento dos acordos coletivos, o que não venho a concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o pagamento da verba, muito menos os reflexos trabalhistas ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não acata o acordo ali firmado para que a verba paga à título de participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de contribuição. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro é que o empregado saberá o quanto suas faltas irão influenciar no PLR que já está em curso???” (grifos nossos) No mesmo sentido, do Acórdão nº 9202004.347 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 24 de agosto de 2016, extraise do voto do relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: “Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país. No caso dos autos, conforme esclarecido na decisão ora recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do Fl. 1752DF CARF MF 46 exercício a que se referem, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos. Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de ilustração, encontrase reproduzido o entendimento do conselheiro relator do voto condutor do acórdão recorrido, nesse ponto: Não procede, portanto, a alegação de que quando a Lei nº 10.101/2000 fala de pactuação prévia, ela o faz no sentido de que o acordo deve ser negociado e celebrado previamente ao pagamento de qualquer valor, o que não implica a impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período de apuração; Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. Portanto, é de se negar provimento do Recurso Especial do Sujeito passivo também quanto a esta matéria.” Este entendimento também é pacífico no Tribunal Superior do Trabalho, para quem não é possível emprestar eficácia retroativa aos Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, a exemplo das decisões prolatadas em sede dos Recursos de Revista n.ºs 1772 20.2010.5.18.0002 e 777717/2001.4, cujas sínteses encontramse, respectivamente, veiculadas por meio das seguintes ementas: “RECURSO DE REVISTA. RITO SUMARÍSSIMO. NORMA COLETIVA. RETROATIVIDADE. INVALIDADE. Dispõe o artigo 614, § 1º , da CLT que as Convenções e os Acordos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo . Da exegese desse dispositivo, verificase que as estipulações somente valem para o futuro, porquanto se a Lei condiciona a vigência dos ajustes coletivos a aspectos formais, seria incoerente pensar que condições de trabalho relativas a situações fáticas já consumadas pudessem ser estipuladas posteriormente, principalmente para retirar direitos dos trabalhadores. Ademais, a questão da teoria da ultratividade, antes controvertida, encontrase superada nesta Corte Superior pela Súmula 277, que dispõe: As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado, não integrando, de forma definitiva, os contratos , Diretriz igualmente aplicável aos acordos e convenções coletivas. E mais, a jurisprudência do c. TST vem se posicionando no sentido de que cláusula convencional dispondo sobre situação já consumada anteriormente à sua vigência ofende o princípio constitucional do direito adquirido. Nessa linha de raciocínio, decerto que é inviável emprestar eficácia retroativa a norma coletiva. Precedentes. Recurso conhecido e provido.” Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.667 47 “RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA – TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO ACORDO COLETIVO – CLÁUSULA QUE DISPÕE SOBRE SITUAÇÃO PRETÉRITA JÁ CONSUMADA NO TEMPO INEFICÁCIA. As convenções e acordos coletivos são instrumentos normativos autônomos, resultantes de negociação coletiva, por meio da qual se celebra um pacto de vontade com vigência limitada no tempo, cujas cláusulas vigoram pelo período respectivo, de modo que, apenas no período de vigência do acordo coletivo, prevalece a jornada de trabalho em regime de turnos ininterruptos de revezamento superior àquela estabelecida no art. 7º, XIV, da Constituição Federal. No mesmo diapasão, cláusula dispondo sobre situação já consumada no tempo, visando emprestar validade formal ao regime de turnos ininterruptos com efeitos pretéritos, esbarra, quanto à eficácia, no contido nos arts. 614, § 3º, da CLT e 6º da LICC e 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988. Recurso de revista não conhecido.” No caso em questão, seguindo o que afirmou o Recorrente, os pagamentos realizados a título de PLR teriam por suporte os seguintes instrumentos: Acordo Coletivo de PLR assinado em 21/12/2009, com vigência de 01/01/2009 a 31/12/2009, que teria justificado o pagamento de PLR ao longo de 2009; Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR assinada em 19/10/2009, com vigência de 01/09/2009 a 31/08/2010, que segundo o Recorrente, teria justificado as antecipações pagas em 10/2009. Como se pode observar, os instrumentos firmados em 2009 não serviram para estabelecer previamente as metas a serem alcançadas, mas apenas para homologar a pretensão de distribuição de valores em cima de resultados já sabidos, o que contraria a finalidade do instituto. Cabe frisar, neste ponto, que o ônus de comprovar o atendimento de condições legais para a fruição de benefícios fiscais é de quem pretende se valer deles. Nesse caso, cabia ao Recorrente fazer prova de seu direito, o que vislumbro não ter logrado êxito. O ônus da fiscalização consistia em comprovar a natureza jurídica da relação e a existência de pagamentos, o que foi suficientemente realizado. Portanto, quanto a esse tópico, entendo que não assiste razão ao Recorrente, de forma que o instrumento formalizado apenas nos últimos dias no ano de referência não atende às exigências da Lei nº 10.101/00, para que os pagamentos realizados possam ser considerados como Participação nos Lucros e Resultados. Assim, por descumprimento ao preceito legal disposto no inciso II do parágrafo 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, nego provimento ao recurso neste ponto. Fl. 1754DF CARF MF 48 Participação do Representante do Sindicato na Elaboração do Programa Próprio de PLR Participação do Sindicato na Convenção Coletiva de Trabalho Arquivamento do Acordo de PLR na Sede do Sindicato Neste tópico, o Recorrente alega como razão de sua indignação, os seguintes argumentos: A ausência do representante do Sindicato jamais poderia justificar a desqualificação dos Programas de PLR, porque, com relação ao plano próprio, o Recorrente, seguindo a dicção do artigo 2°, inciso I da Lei n° 10.101/2000, convocou o Sindicato para participar das negociações que culminaram com a assinatura dos Programas de PLR nos anos de 2008 e 2009. Todavia, apesar da convocação, o Sindicato recusouse a participar das respectivas negociações; Em razão disso, o Recorrente adotou o mesmo procedimento em relação ao Ministério do Trabalho, mediante apresentação de cópia do Programa de PLR celebrado para aa Subdelegacia Regional do Trabalho em 15/03/2010, conforme carta datada de 10/03/2010; Quanto à Convenção Coletiva de Trabalho, cujo cumprimento pelo Recorrente é obrigatório, é evidente que também houve recusa de participação do Sindicato, caso contrário, não haveria razão para a participação da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul; Ainda que exista previsão legal que determine a presença do Sindicato da respectiva categoria na comissão escolhida pelas partes envolvidas, é evidente que tal norma deve ser flexibilizada quando ocorre a recusa por parte do Sindicato, tal como ocorreu no caso vertente, sob pena de cerceamento do direito das partes de negociarem a PLR mediante a formação de comissão ou por meio da Federação, como autoriza a legislação de regência. A despeito das alegações do Recorrente, sua irresignação não merece prosperar, pois descumpriu o preceito legal disposto no inciso I do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, senão vejamos. Segundo o dispositivo normativo acima citado, “A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;”. Quanto à necessidade de participação do sindicato, penso ser uma imposição da lei, como norma protetiva do trabalhador, para garantir a fixação de critérios justos e impessoais, e que assim, não pode ser flexibilizada. A Lei n 10.101/2000 não se satisfaz como mero convite ou carta de convocação aos sindicatos. Ela exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações. A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR não é excludente da exigência estatuída no Diploma Legal ora em foco, uma vez que o Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no artigo 616 da Consolidação das Leis do Trabalho, abaixo transcrito: Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.668 49 “Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as emprêsas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou emprêsas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou emprêsas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou emprêsas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967)” Cabe frisar, neste ponto, que o interesse em celebrar o programa próprio de PLR incumbia, também, ao Recorrente, a quem é imposto o ônus de comprovar o atendimento das condições legais para a fruição de benefícios fiscais dos quais pretende se valer. Nesse caso, cabia ao Recorrente fazer prova de seu direito, o que vislumbro não ter logrado êxito. No caso, o pagamento de PLR foi estabelecido por Acordo Coletivo de PLR assinado em 21/12/2009, sem a participação do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo (sindicato competente), que teria justificado o pagamento de PLR ao longo de 2009; e pela Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR assinada em 19/10/2009, que segundo o Recorrente, teria justificado as antecipações pagas em 10/2009, mas que foi conduzido por sindicato incompetente para tratar da negociação e da defesa dos direitos dos empregados do Recorrente, qual seja o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, conforme se denota da análise da CCT acostada às fls. 722, a qual, por sua vez, não está assinada. Quanto ao programa próprio, diante da inércia do sindicato competente ante o convite para participar da reunião que o definiria, ao contrário do quanto alegado pelo Recorrente, não se logrou comprovar nos autos a comunicação à entidade competente hierarquicamente superior, nos termos do quanto determina o artigo 616 da CLT, quanto menos sua resposta. Outrossim, essa comunicação sequer foi feita, na oportunidade da recusa do dos Bancários e Financiários de São Paulo, ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que conduziu a CCT. Destarte, sem a presença de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, e enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, conforme determina o parágrafo 2º do Fl. 1756DF CARF MF 50 artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, a negociação entre patrões e empregados será considerada irregular, incompleta e ilegal, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91. Isto posto, com base na legislação transcrita e nos fundamentos expostos, entendo que os pagamentos efetuados a título de PLR foram desnaturados por descumprimento do quanto disposto no artigo 2º caput e § 2º, da Lei nº 10.101/2000 e, por essa razão, são considerados como rendimentos, sobre os quais incidem as contribuições previdenciárias. Dessa forma, neste tópico, nego provimento ao recurso. Determinação de Regras Claras e Objetivas sobre os Resultados a serem alcançados Outro ponto de divergência diz respeito à existência ou não de regras claras e objetivas sobre as metas e os resultados a serem alcançados, com mecanismos que permitissem a aferição do cumprimento do quanto acordado. No caso dos autos, as regras de fixação dos direitos dos empregados que figuram nos Acordos de Programas Próprios, e que fundamentaram os pagamentos feitos pela impugnante a título de PLR no ano de 2009 (fls. 462 a 485), encontramse estipuladas com o seguinte teor: “CLÁUSULA QUINTA – A PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) será apurada levandose em consideração as atividades desenvolvidas por cada uma das áreas em função do grau de responsabilidade e influência que cada uma tem sobre os resultados do BANCO, podendo variar, conseqüentemente, o reconhecimento a título de participação. Para fins de PLR, as áreas estão assim divididas: Comercial Corporate Comercial Middle Comercial Consignado Mesa Cliente (...) CLÁUSULA SEXTA O PROGRAMA conta com um CONTRATO DE METAS, conforme modelo que representa o ANEXO I deste documento, que deve ser estabelecido de comum acordo entre o EMPREGADO e sua respectiva chefia no início do período de apuração (que será semestral). Este CONTRATO DE METAS tem duas partes, sendo a primeira composta por metas quantitativas e a segunda por metas qualitativas.” Pela análise da Cláusula Sexta do acordo, percebese que este contou com um Contrato de Metas disposto no seu Anexo I, o qual não continha as metas definidas a serem Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.669 51 alcançadas pelos empregados do Recorrente, que seriam fixadas somente posteriormente e por critérios subjetivos definidos pela chefia e o empregado, o que denota a fragilidade da determinação das metas e seu desconhecimento pelos empregados no momento da assinatura do acordo. Tal procedimento induvidosamente afronta as disposições contidas no § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, que determinam expressamente as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, as regras adjetivas e, bem assim, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, que já devem constar do próprio instrumento de negociação. Outrossim, apesar dos documentos acostados às fls. 512/540 conseguirem denotar relação entre o percentual de atingimento de metas do empregado com a apuração do seu valor correspondente de PLR, demonstrado pelo método aposto às fls. 540, este próprio método de apuração não foi descrito no acordo de PLR, fator que privou os empregados do conhecimento prévio da forma como seriam recompensados futuramente. Quanto à CCT/2009, verificase que essa não firmou qualquer compromisso com o alcance de metas de produtividade, eis que somente estabeleceu regras para o pagamento de valores fixos de gratificação aos empregados, limitadas ao total de até 15% do lucro líquido do exercício, a teor do que estipulam as cláusulas primeira, segunda, terceira e quarta do mencionado instrumento de negociação, abaixo reproduzidas: CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2008, em efetivo exercício em 31.12.2009, convencionase o pagamento pelo banco, até 01.03.2010, a título de "PLR", até 15% (quinze por cento) do lucro líquido do exercício de 2009, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: I REGRA BÁSICA Esta parcela corresponderá a 90% (noventa por cento) do saláriobase acrescido das verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2009, mais o valor fixo de R$ 1.024,00 (um mil e vinte e quatro reais), limitada ao valor individual de R$ 6.680,00 (seis mil, seiscentos e oitenta reais). O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados na "REGRA BÁSICA" observarão, em face do exercício de 2009, como teto, o percentual de 13% (treze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Se o valor total da "REGRA BÁSICA" da PLR for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquida da banco, no exercício de 2009, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2,2 {dois inteiros e dois décimos) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 14.696,00 (quatorze mil, seiscentas e noventa e seis reais), ou até que o valor total da "REGRA BÁSICA" da PLR atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da "REGRA BÁSICA" da PLR o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2009, em razão de planos próprios. Fl. 1758DF CARF MF 52 II PARCELA ADICIONAL O valor desta parcela será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido do exercício de 2009, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais). II.a) A parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. Parágrafo Primeiro O empregado admitido até 31.12.2008 e que se afastou a partir de 01.01.2009, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da Participação nos Lucros ou Resultados, ora estabelecido. Parágrafo Segundo Ao empregado admitido a partir de 01.01.2009, em efetivo exercício em 31.12.2009, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licença maternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. Parágrafo Terceiro Ao empregado que tenha sido ou venha a ser dispensado sem justa causa, entre 02.08.2009 e 31.12.2009, será devido o pagamento, até 01.03.2010, de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no "caput", por mês trabalhado, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Parágrafo Quarto O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2009 (balanço de 31.12.2009} estará isento do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados. CLÁUSULA SEGUNDA ANTECIPAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS P.L.R. Excepcionalmente, e respeitados os termos do "caput" e dos parágrafos da Cláusula Primeira, o banco efetuará, até 10 (dez) dias após a assinatura da presente Convenção, o pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: I REGRA BÁSICA Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.670 53 54% (cinquenta e quatro por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2009, acrescido do valor fixo de R$ 614,00 (seiscentos e quatorze reais), limitada ao valor individual de R$ 4.008,00 (quatro mil e oito reais) e também ao teto de 13% (treze por cento) do lucro líquido do banco apurado no 1a semestre de 2009, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da antecipação da "REGRA BÁSICA" da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2009, em razão de planos próprios. II PARCELA ADICIONAL O valor desta parcela da antecipação será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido apurado no 1º semestre de 2009, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 1.050,00 (um mil e cinquenta reais). Il.a) A antecipação da parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. Parágrafo Primeiro O empregado admitido até 31.12.2008 e que se afastou a partir de 01.01.2009, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, fará jus ao pagamento integral da antecipação de que trata a presente cláusula, se pertencente ao quadro funcional na data da assinatura desta Convenção. Parágrafo Segundo Ao empregado admitido a partir de 01.01.2009, em efetivo exercício na data da assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no "caput" desta cláusula, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Para efeito de cálculo da proporcionalidade deve ser considerado como trabalhado o período até 31.1 2009. Aos afastados por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. Parágrafo Terceiro Ao empregado que tenha sido dispensado sem justa causa, entre 02.08.2009 e a data da assinatura desta Convenção Coletiva de Trabalho, será efetuado o pagamento da antecipação prevista nesta cláusula na proporção de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no "caput", por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias, no prazo de 10 (dez) dias úteis da data de recebimento, peio banco, de sua solicitação, por escrito. Fl. 1760DF CARF MF 54 Parágrafo Quarto O banco que apresentou prejuízo no 1º semestre de 2009 (balanço de 30.06.2009), está isento do pagamento da antecipação. Pela leitura do texto da mencionada CCT, é de fácil percepção que o pagamento da indigitada verba aos empregados não esteve relacionada a qualquer ganho de produtividade com o qual estes tenham previamente se comprometido, nada deles se exigindo para fazerem jus ao recebimento desse valor que não o fato de terem sido admitidos pelos empregadores convenentes até 31/12/2008, e estarem em efetivo exercício até 31/12/2009, o que, a toda evidência, não condiz com a definição jurídica da PLR imune à incidência das contribuições sob apreço. Assim, pela análise dos documentos acostados aos autos, não é possível identificar como os critérios dispostos no acordo se converteram nos valores de PLR atribuídos aos empregados e, muito menos, aferir a correção desses valores. Com base nisso, entendo que não ficou demonstrada a existência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados, condição legal para que os pagamentos pudessem ser caracterizados como PLR. Assim, neste tópico, nego provimento ao recurso. Desconsideração dos Pagamentos de PLR por Presunção do Agente Fiscal Inocorrência O Recorrente alega que, com base em mera presunção deduzida pelo agente fiscal, este, indevidamente, desconsiderou os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, pois a desconsideração de um negócio jurídico demanda a existência de provas contundentes de simulação ou dissimulação, o que não se verificou na presente demanda. Mencionou entendimento deste E. CARF neste sentido. Neste ponto, não merecem prosperar as alegações do Recorrente, em razão da simples constatação da falta de observância dos requisitos legais para a autorização da isenção tributária previdenciária relativa aos valores pagos a título de PLR pelos Programa Próprio e Convenção Coletiva de Trabalho. Para que se constate a incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social e a terceiras entidades e fundos, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pelo Recorrente a título de PLR não se enquadraram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração. Assim, simplesmente, não tendo sido atendidos os requisitos legais autorizadores da isenção tributária previdenciária, os mencionados pagamentos devem ser computados na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Logo, este procedimento nada tem a ver com “desconsideração de negócio jurídico”, como alega o Recorrente, pois tratase da verificação de ocorrência de fatos prescritos em lei, e não de presunção. Outrossim, o Recorrente rebate a fundamentação da decisão recorrida relativa à impossibilidade de comprovação do conhecimento dos empregados quanto às metas traçadas no PLR pelos documentos apresentados, e se os valores pagos corresponderiam às metas Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.671 55 ajustadas, aduzindo que bastaria à autoridade fiscal ter diligenciado até a sede do Recorrente e questionado pessoalmente seus empregados que participaram da comissão de negociação, bem como aqueles avaliados e que receberam PLR, conforme expediente costumeiramente utilizado pela fiscalização da RFB. Aqui, melhor sorte não acompanha o Recorrente, senão vejamos. Cumpre destacar que o programa próprio de PLR somente foi assinado no final do exercício de 2009 e, oficialmente, a partir daí é que deve ser considerado que se tornou pública a obrigação avençada entre as partes. Neste contexto, considerase que o envio de email aos empregados informando sobre pontos balizadores de programas de metas e resultados em data anterior àquela da assinatura do programa próprio se faz mera conjectura do seu conhecimento, simples dedução de algo que é de provável ocorrência, com base em presunções ou evidências incompletas, mas que não pode ser considerado como oficial, válido e com eficácia jurídica (ante a ausência da contratação do programa). Muito menos os documentos juntados nesse momento no recurso às fls. 1.620/1.634 tem o condão de afastar o trabalho fiscal, na medida em que são extemporâneos e na livre convicção do julgador não seria estranho um empregado assinar algum documento em favor do seu empregador para manter o seu contrato de trabalho intacto ante a subordinação que vigora nesse tipo de contrato, portanto, o caso é simples, o ônus da prova é do contribuinte que quer e beneficiar da isenção e por isso deve manter um programa de PLR de acordo com os termos da Lei. De nada bastaria ter o agente fiscal diligenciado até a sede do Recorrente e indagado seus empregados sobre os pontos passíveis de questionamento em relação ao programa próprio de PLR se este sequer existia. Ao Fisco, por óbvio, não cabe formular as regras balizadoras da PLR, e que devem ser fruto da livre negociação entre a empresa e seus empregados, porém, competelhe examinálas de molde a verificar se tais regras atendem, ou não, aos pressupostos legais caracterizadores da PLR para sua não inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Que fique claro que empregador e empregados são livres para negociar os critérios de PLR que entenderem cabíveis, porém, se esses critérios não espelham um compromisso prévio, em atendimento aos requisitos legais, então entendo que a verba paga a esse título tem natureza remuneratória e, por conta disso, deve ser tributada, porquanto, além de não se enquadrar na moldura legal que a excluiria da base de cálculo das contribuições sociais, costumeiramente esse expediente é utilizado como forma de flexibilização do salário, substituindo a reposição de uma parcela do salário real por uma parcela variável e livre dos encargos sociais e trabalhistas, fato que desnatura o instituto da PLR e gera prejuízo à arrecadação da contribuição previdenciária, causando a falência do sistema previdenciário brasileiro, a qual assistimos diariamente nos meios de comunicação. Dessa forma, não merece prosperar a irresignação do Recorrente quanto à fundamentação da decisão recorrida que considerou a natureza salarial dos valores pagos a título de PLR. Fl. 1762DF CARF MF 56 De igual forma, carece de legitimidade a tentativa do Recorrente em desnaturar o caráter de “rendimento” dos pagamentos intitulados de PLR, sob a justificativa de haver previsão de um pagamento mínimo a esse título no seu programa próprio, fato que não o poderia macular na íntegra, de modo que as contribuições deveriam incidir apenas nos casos de pagamento mínimo. Na esteira do quanto já discorrido acerca dos requisitos legais necessários para a caracterização dos pagamentos de PLR com vistas à sua não inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias, constatase que, diante da vedação da retroatividade dos efeitos do programa próprio assinado no final de dezembro de 2009, temse por inexistente o mencionado programa e, assim, qualquer tentativa de caracterização de “valor mínimo de PLR”. Como consequência, os valores pagos a esse título têm natureza remuneratória e compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo, por isso, tributados. Ainda quanto ao tema do “pagamento mínimo”, os esclarecimentos acima colocados servem para descaracterizar a alegação do Recorrente no sentido de que o acórdão proferido pela DRJ inovou a fundamentação utilizada pela fiscalização para configurar a obrigação tributária e que, por isso, deveria ser declarado nulo, com afronta à ampla defesa. Assim, entendo consistente a atuação fiscal, que comprovou ter analisado o cumprimento dos pressupostos legais necessários para a caracterização de PLR, não tendo desconsiderado, por mera presunção, o programa próprio de PLR do Recorrente. Periodicidade do Pagamento de PLR Conforme se percebe pelas alegações do Recorrente e pela análise dos documentos acostados aos autos, poderseia considerar a inocorrência de pagamento de PLR acima da periodicidade legal. No entanto, pela falta de apresentação de documentos que comprovassem as rescisões dos contratos de trabalho, não se pôde comprovar a inexistência de pagamento de PLR em periodicidade acima daquela prevista em lei, senão vejamos. O Recorrente informa que os pagamentos se deram da seguinte forma e períodos: a. fevereiro de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; b. margo de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; c. agosto de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à lª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; d. setembro de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 1ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; e. outubro de 2009 — pagamento a empregados referente a PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período. Apesar disso, o Recorrente não logrou juntar documento oficial que comprovasse o desligamento dos funcionários, como, por exemplo, a rescisão do contrato de trabalho dos empregados ou os registros destes eventos nos sistemas do Ministério do Trabalho Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.672 57 ou da Caixa Econômica Federal, para o fim de conferência da veracidade das suas alegações, sendo estas últimas, aliadas aos relatórios apresentados, insuficientes para desnaturar o lançamento neste ponto. Dessa forma, neste ponto, entendo que não restou desconstituído o lançamento. Da cobrança do adicional de 2,5% da Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras e da contribuição ao INCRA O Recorrente alega por ilegal e inconstitucional a legislação que determina a exigência do adicional de 2,5% a título de Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras, incidente sobre a folha de salários ou os valores pagos aos contribuintes individuais (Lei nº 8.212/91, Art. 22, §10; Lei nº 7.787/89, Art. 30, §20), ante a discriminação tributária aleatória e arbitrária operada em prejuízo das instituições financeiras e equiparadas em razão da atividade que exercem e da lucratividade que obtém. Quanto à contribuição ao INCRA, o Recorrente afirma que esse órgão não atua nem prove qualquer benefício aos seus segurados empregados, posto que atua exclusivamente na execução da reforma agrária, objetivo totalmente diverso das finalidades perseguidas pelo próprio Recorrente e pela Seguridade Social, razão pela qual, apoiado no princípio da referibilidade (CF, Art. 194, par. ún., V e Art. 195, § 5º), na afronta aos artigos 167, XI, e 149, § 2º, ambos da CF, entende que não lhe deve ser exigida a mencionada contribuição, merecendo ser cancelada a exigência feita a esse título pelo lançamento combatido. Com esses argumentos, busca negar eficácia a comandos legais ainda em vigor. Nesse caso, a matéria deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário, não podendo ser objeto de avaliação por este colegiado, conforme determina a Súmula nº 2 do CARF, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as pretensões do Recorrente, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito, retirado do Acórdão 2401004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, da 1º TO/4ª Câmara/2ª Seção deste colegiado: “Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e Fl. 1764DF CARF MF 58 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.673 59 arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Trata se de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Fl. 1766DF CARF MF 60 Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA.” Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em que pese a minha concordância com a decisão proferida pelo ilustre Relator, tomoa por razões diversas, que passo a expor. Alega o Recorrente, como preliminar, a decadência dos créditos lançados. Sobre o tema assim decidiu o Conselheiro Relator: Em suas razões recursais, alega o Recorrente que a DRJ incorreu em flagrante equívoco ao rejeitar a alegação de decadência quanto aos pagamentos efetuados a título de PLR em 25/02/2009, pois fundada na ausência de comprovação de pagamento de PLR nesse período. Afirma que foram juntados às fls. 554 a 574 dos autos documentos que comprovam o mencionado pagamento, ocorrido em 25/02/2009 e, por isso, considerando que a intimação fiscal ocorreu no dia seguinte a este (26/02/2009), a exigência fiscal relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre os mencionados pagamentos foi Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.674 61 atingida pela decadência, com base no artigo 150, § 4º, do CTN e na Súmula 99 do CARF. Não assiste razão ao Recorrente, pois neste ponto, a decadência deve ser analisada a partir da data legal para “recolhimento” das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados em fevereiro de 2009, e não pela data do suposto pagamento da PLR, conforme preceitua a Súmula 99 do CARF, senão vejamos. Não se pode concordar. Comprovado o pagamento das contribuições previdenciárias, tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação, aplicase para a contagem do prazo decadencial a regra esculpida no artigo 150, § 4º, do CTN. Mister recordar a literalidade de sua disposição: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (destaques não constam do texto legal) Ora, a simples leitura do comando da lei complementar tributária explicita a forma de contagem do prazo peremptório para que o Fisco exerça o direito de constituir seu direito de crédito dos tributos em que a lei determina que o sujeito passivo antecipe o pagamento: cinco anos a contar da data do fato gerador. Essa é a lição majoritária na doutrina. Hugo de Brito Machado é incisivo (Curso de Direito Tributário, 20ª ed., São Paulo: Malheiros Ed., pag. 188): “Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de decadência começa na data do fato gerador respectivo” Também nesse sentido caminha a jurisprudência, inclusive a administrativa. O Conselheiro Relator, acertadamente, cita a Súmula CARF nº 99. Inegável que o marco temporal inciador do prazo para que a Adminstração Tributária inicie a verificação da correção do procedimento adotado pelo sujeito passivo, e se for o caso, constitua seu direito de crédito, é a data de ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, necessário perquirir em qual data ocorre o fato gerador tributário. A Lei de Custeio, Lei nº 8.212/91, esclarece a questão em seu artigo 22, inciso I: Fl. 1768DF CARF MF 62 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. “ (negritei) Sabedores que a base de cálculo das contribuições previdenciárias, o chamado salário de contribuição, é o total das remunerações pagas devidas ou creditadas pela empresa, podemos – com segurança – inferir que o período de apuração do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento se encerra no último dia do mês, consubstanciando o chamado fato gerador com ocorrência mensal, por expressa disposição de lei tributária. Ao transportarmos a dicção da Lei de Custeio para o caso em concreto, observaremos que o valor pago pela empresa no mês de fevereiro de 2009, a título de PLR, integra os fatos geradores de tal competência. Enfim, existindo a comprovação do pagamento de contribuições previdenciárias relativas à competência fevereiro de 2009, o prazo legal para que o Fisco constituísse eventual crédito relativo a fato gerador ocorrido nesse mês expira em 5 anos a contar dessa data, ou seja, em fevereiro de 2014, posto que não foi comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Tendo sido aperfeiçoada a constituição do crédito em discussão no dia 26 de fevereiro de 2014, por meio da ciência do sujeito passivo, verificase que a Administração Tributária exerceu seu poder dever dentro do lustro previsto no Código Tributário Nacional. Por esses motivos e fundamentos, assim como o Relator, nego provimento ao recurso voluntário nessa parte. Passando ao mérito. Agradeço ao eminente Relator a citação de voto de minha autoria. Inicio minha declaração de voto quanto ao mérito do voluntário, transcrevendo, com o devido pedido de desculpas pela repetição, trecho de tal manifestação que se justifica pela motivação contida no excerto. “Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil.” Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.675 63 Logo, presentes os requisitos legais acima transcritos, os pagamentos a título de PLR não integram a remuneração do segurado e portanto, não sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Porém, como mencionado em meu voto, por ser a Lei nº 10.101/00 uma norma de caráter isentivo, o descumprimento de um de seus requisitos, atrai a tributação destinada a financiar a seguridade social incidente sobre a folha de pagamentos. No caso concreto, além da minha concordância quanto às metas não serem objetivas, o que por si só invalidaria o pagamento das verbas com base nos acordos, ressalto que os pagamentos a título de PLR descumpriram um requisito explícito da Lei nº 10.101/00 que, mesmo desacompanhado – como dito e repetido macula todos os pagamentos realizados sob a rubrica PLR: a exigência legal do pagamento em no máximo duas vezes ao ano e com intervalo mínimo de 6 meses (à época desses pagamentos) entre eles. Repito que por ser norma isentiva, norma de estrutura, a Lei nº 10.101/00 deve ser analisada sempre em confronto com norma de conduta, que atrai a incidência tributária, dito de maneira diversa, só se vislumbra isenção se todos os requisitos da lei isentiva estiverem presentes. No caso em apreço, há descumprimento do § 2º do artigo 3º que veda o pagamento ou qualquer antecipação em mais de duas vezes no ano civil. O Relator, citando o próprio Recorrente, menciona que : O Recorrente informa que os pagamentos se deram da seguinte forma e períodos: a. fevereiro de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; b. margo de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; c. agosto de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à lª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; d. setembro de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 1ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; e. outubro de 2009 — pagamento a empregados referente a PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período. Mesmo ao se considerar que os pagamentos efetuados aos empregados desligados não ferem a Lei nº 10.101/00, ainda se observa o descumprimento de norma de conduta específica de lei isentiva. Logo, tal ofensa à Lei torna despiciendo qualquer outra consideração sobre os valores pagos pela Recorrente, posto que retirada a norma que afastava a incidência tributária, exsurge a natureza remuneratória ínsita aos valores pagos a título de PLR, com sempre dito, verba idêntica a prêmio ou bônus. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso também quanto ao mérito. Fl. 1770DF CARF MF 64 É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720099/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradição alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos ao reexame de provas já levadas em consideração pelo Colegiado. De igual modo, a falta de manifestação do acórdão embargado acerca de outros julgados administrativos que, em tese, analisaram idêntica questão de direito não consubstancia omissão a ser sanada em sede de embargos. Finalmente, não se admitem embargos diante de hipotética contradição entre a conclusão do acórdão embargado e outros julgados administrativos.
Numero da decisão: 1301-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradição alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos ao reexame de provas já levadas em consideração pelo Colegiado. De igual modo, a falta de manifestação do acórdão embargado acerca de outros julgados administrativos que, em tese, analisaram idêntica questão de direito não consubstancia omissão a ser sanada em sede de embargos. Finalmente, não se admitem embargos diante de hipotética contradição entre a conclusão do acórdão embargado e outros julgados administrativos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16561.720099/2014-58
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736847
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.479
nome_arquivo_s : Decisao_16561720099201458.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720099201458_5736847.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6824853
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210100645888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 12.000 1 11.999 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720099/201458 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.479 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante ARCOS DOURADOS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradição alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos ao reexame de provas já levadas em consideração pelo Colegiado. De igual modo, a falta de manifestação do acórdão embargado acerca de outros julgados administrativos que, em tese, analisaram idêntica questão de direito não consubstancia omissão a ser sanada em sede de embargos. Finalmente, não se admitem embargos diante de hipotética contradição entre a conclusão do acórdão embargado e outros julgados administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 99 /2 01 4- 58 Fl. 12000DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.479 S1C3T1 Fl. 12.001 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301002.154 (fls. 11883/11919), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 05/10/2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciou se por maioria de votos no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 EXCESSO DE DEDUÇÃO DE ROYALTIES. INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES. LANÇAMENTO PROCEDENTE. O limite de dedução dos royalties aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido. A interessada não opera como simples coletor de royalties que seriam devidos pelos subfranqueados nacionais ao detentor internacional do nome comercial e da marca explorados. A relação jurídica que obriga o franqueador master nacional (a interessada) ao pagamento dos royalties ao detentor estrangeiro do direito é travada de forma direta. O pagamento dos royalties devidos pelo primeiro ao segundo independe do recebimento, pelo primeiro, dos royalties a ele devidos pelos subfranqueados nacionais (terceiros). A recorrente, ao pagar os royalties, paga em nome próprio. O limite para dedutibilidade é calculado sobre as receitas próprias de vendas, descabendo a pretensão de calcular um limite incluindose as receitas de terceiros subfranqueados. ÁGIO. ETAPA INTERNACIONAL. PROVA. ETAPA NACIONAL. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Na etapa internacional das operações, em que a aquisição das participações societárias de empresas brasileiras se deu entre partes independentes, os documentos acostados aos autos são insuficientes para permitir a convicção acerca do valor efetivamente pago correspondente a cada uma delas, bem assim da formação de um eventual ágio ou deságio. Em decorrência, na posterior etapa nacional não se há de cogitar da “transferência” de um ágio anteriormente formado em condições de livre mercado. Sendo essa segunda etapa realizada exclusivamente entre sociedades sob controle societário único, sem qualquer desembolso, a mais valia assim formada, conhecida como “ágio interno”, se revela sem qualquer fundamento econômico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. Fl. 12001DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.479 S1C3T1 Fl. 12.002 3 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010, 2011 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO ESPECÍFICO. Na inexistência de argumento específico, aplicase ao lançamento reflexo o quanto decidido para o lançamento principal. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de vícios diversos, que especifica: · Omissão por não considerar que o Conselho de Contribuintes já analisou a questão discutida nos presentes autos (royalties), no contexto peculiar da ora embargante, nos acórdãos 10195.602 e 10195.609. · Omissão no que diz respeito às limitações para pagamentos de royalties diretamente por subfranqueados para a McDonald’s Corporation. · Omissão quanto à alegação de indevida tributação em duplicidade sobre os valores recebidos de subfranqueados. · Omissão por deixar de considerar a verdadeira substância econômica e razões empresariais das operações que conduziram à amortização de ágio e, ainda, que tais operações foram devidamente analisadas e aprovadas pelo CADE. · Omissão por não considerar o efetivo pagamento de preço nas participações adquiridas pelo grupo Arcos Dorados, legítimo custo de aquisição. · Omissão na análise de uma série de documentos colacionados pela embargante em sua impugnação, além de informações quanto à composição desses valores, apresentadas detalhadamente em seu recurso voluntário. · Omissão por considerar que a AD Participações seria uma sociedade veículo e teria internalizado um ágio interno. · Contradição entre a conclusão do acórdão ora embargado diante de precedentes proferidos pelo próprio Relator deste caso. · Omissão quanto ao art. 2º, § 3º, da Lei das S.A. e art. 31 da Lei nº 11.727/2008, que admitem expressamente a criação de uma sociedade com o único propósito de deter participações em outras sociedades, sem que seja obrigada a ter quaisquer outros ativos. Fl. 12002DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.479 S1C3T1 Fl. 12.003 4 · Omissão quanto às avaliações conduzidas pela Forrestal e M/Legate, empresas independentes e especializadas. Ao final, a embargante requer o conhecimento e provimento de seus embargos, inclusive com efeitos infringentes, para sanar as omissões apontadas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Não encontro nos autos documento que comprove em que data teria ocorrido a ciência do acórdão embargado à interessada. Assim sendo, os embargos de fls. 11924/11930, apresentados em 07/11/2016, (termo à fl. 11923), devem ser tidos por tempestivos. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, ao requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 1. Omissão por não considerar que o Conselho de Contribuintes já analisou a questão discutida nos presentes autos (royalties), no contexto peculiar da ora embargante, nos acórdãos 10195.602 e 10195.609. Alega a embargante que o Colegiado deveria terse manifestado sobre os acórdãos nº 10195.602 e nº 10196.609, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Sustenta que a mesma situação discutida no presente caso já teria sido lá analisada, sendo a conclusão favorável à interessada. O Colegiado não tem o dever de se manifestar sobre outras decisões administrativas, ainda que versando sobre a mesma questão de direito e o mesmo sujeito passivo. Os fundamentos para a decisão foram claramente expostos e, se contrários à tese da interessada, aí não reside qualquer omissão. Eventuais e hipotéticas divergências na interpretação da legislação tributária não são passíveis de solução pela estreita via dos embargos declaratórios. Os embargos devem ser rejeitados, quanto a este ponto. 2. Omissão no que diz respeito às limitações para pagamentos de royalties diretamente por subfranqueados para a McDonald’s Corporation. Fl. 12003DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.479 S1C3T1 Fl. 12.004 5 3. Omissão quanto à alegação de indevida tributação em duplicidade sobre os valores recebidos de subfranqueados. Esses dois pontos merecem tratamento conjunto. Após analisar a legislação e os contratos trazidos aos autos, o Colegiado decidiu conforme segue: [...] De fato, constatase que as relações jurídicas estabelecidas entre a interessada e o grupo McDonald’s, por um lado, e entre a interessada e os subfranqueados no Brasil, por outro, são autônomas, não se podendo falar em repasses, como pretende a recorrente. Os valores pagos pelos subfranqueados são devidos diretamente à interessada (franqueadora principal no Brasil), por disposição contratual expressa, e constituem despesas para aqueles que pagam e receitas tributáveis para a interessada. Já os valores pagos pela interessada ao grupo McDonald’s, também por disposição contratual, decorrem de relação jurídica firmada entre essas duas partes. Muito embora sejam, em parte, calculados sobre as receitas de vendas de terceiros (as subfranqueadas), independem de qualquer recebimento desses terceiros, o que reafirma seu caráter autônomo e, ademais, que não se trata de “repasses”. Não se questiona que tais pagamentos constituam despesas da interessada. Mas sua dedutibilidade não se restringe ao exame dos requisitos gerais de necessidade, habitualidade e usualidade. Aqui, por se tratar de royalties, as disposições específicas da legislação supramencionada impõem um limite de 4%, calculado sobre a “receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido”. Nesse sentido, não faço qualquer reparo ao quanto decidido em primeira instância. Como se vê, diante do caráter autônomo das relações entre a interessada e o grupo McDonald's, por um lado, e entre a interessada e os subfranqueados no Brasil, por outro, não faz qualquer sentido analisar limitações para pagamentos diretos, visto que essa foi a forma adotada pelos contratantes. Também descabe cogitar de tributação em duplicidade, visto que cada pessoa jurídica tributa suas receitas próprias e apropria suas despesas próprias, segundo o regime de tributação que lhe aprouver e conforme autorizado pela legislação. As alegadas omissões somente fariam sentido caso adotada a tese defendida pela então recorrente, de que parte dos royalties pagos ao grupo McDonald's seria mero repasse dos valores recebidos das subfranqueadas. Como essa não foi a linha adotada pelo acórdão embargado, as omissões se revelam inexistentes. Voto por rejeitar os embargos, também quanto a estes dois pontos (2 e 3). 4. Omissão por deixar de considerar a verdadeira substância econômica e razões empresariais das operações que conduziram à amortização de ágio e, ainda, que tais operações foram devidamente analisadas e aprovadas pelo CADE. 5. Omissão por não considerar o efetivo pagamento de preço nas participações adquiridas pelo grupo Arcos Dorados, legítimo custo de aquisição. 6. Omissão na análise de uma série de documentos colacionados pela embargante em sua impugnação, além de informações quanto à composição desses valores, apresentadas detalhadamente em seu recurso voluntário. Fl. 12004DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.479 S1C3T1 Fl. 12.005 6 7. Omissão por considerar que a AD Participações seria uma sociedade veículo e teria internalizado um ágio interno. 9. Omissão quanto ao art. 2º, § 3º, da Lei das S.A. e art. 31 da Lei nº 11.727/2008, que admitem expressamente a criação de uma sociedade com o único propósito de deter participações em outras sociedades, sem que seja obrigada a ter quaisquer outros ativos. 10. Omissão quanto às avaliações conduzidas pela Forrestal e M/Legate, empresas independentes e especializadas. Nos seis tópicos acima, o que a embargante pretende é uma rediscussão do quanto decidido. A acórdão embargado analisou em detalhe a documentação constante dos autos, inclusive os laudos trazidos pela interessada. Analisou também as complexas operações societárias, segregandoas, para fins de análise, entre aquelas conduzidas no exterior (primeira etapa) e aquelas levadas a efeito no Brasil (segunda etapa). Quanto à primeira etapa, a conclusão foi pela insuficiência de provas acerca da formação inicial do ágio, a ser atribuído a cada uma das empresas, conforme registrado nos trechos a seguir transcritos (grifos não constam do original): As operações societárias nas quais se formou e transferiu o ágio que veio, afinal, a ser amortizado pela recorrente e glosado pelo Fisco tiveram início em 2007. O primeiro grupo de operações teve como escopo a venda, por empresas do grupo McDonald’s no exterior, de diversas subsidiárias na América Latina e Caribe, entre elas a Arras Comércio de Alimentos Ltda. (Arras) e a McDonald´s Comércio de Alimentos Ltda. (MCD). [...] O instrumento contratual se encontra, por tradução juramentada, às fls. 8662/8721. Tratase da Emenda nº 1 de Contrato de Compra, de 31/07/2007, sendo o Contrato de Compra original datado de 28/03/2007. No que toca ao preço, à fl. 8664, a seção 2.1 estipula que o preço base de compra (correspondente ao total das sociedades objeto da compra e venda) era de US$ 690.500.000 (e não os US$ 698 milhões afirmados pela recorrente). A mesma seção contratual especifica a parcela desse valor correspondente à MCD, a ser paga pela adquirente (ADBV) às alienantes (MISH e MCD Properties Inc.): US$ 13.698 à primeira e US$ 500 à segunda, totalizando US$ 14.198. Também é estipulado o valor correspondente à aquisição da LatAm, a ser pago pela adquirente (ADBV) à alienante (MLA): US$ 678.499.500. Particularmente no que se refere à MCD, o valor da transação (comparado aos demais valores envolvidos) leva de imediato à conclusão de que não haveria qualquer ágio a ser apropriado pelo adquirente. Acerca da Arras, o referido contrato não especifica qual seria o valor a ela correspondente, mas somente o valor a ser pago pela aquisição da LatAm, a qual, lembrese, era dona não apenas da Arras mas de um grande número de subsidiárias em diversos países. Assim, apenas pelo contrato não é possível identificar o valor pago pela Arras. Os demonstrativos acostados aos autos não são claros quanto ao valor que corresponderia, na avaliação econômica, a uma e outra empresas. Registrese, ainda, que o laudo da Forrestal Capital (fls. 9834/9835) faz uma avaliação econômicofinanceira do Grupo Arcos Dorados na América Latina (US$ 776 milhões) afirmando que o Brasil corresponde a 42% ou US$ 325 milhões. No entanto, essa discriminação é por país, não se encontrando segregação por sociedade dentro do país (Arras e MCD). Ademais, o valor global Fl. 12005DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.479 S1C3T1 Fl. 12.006 7 afinal contratado foi substancialmente menor do que essa avaliação (US$ 690 milhões, contra US$ 776 milhões), não sendo possível, a meu ver, fazer uma aplicação meramente proporcional, principalmente diante do valor irrisório (US$ 14 mil), comparativamente, atribuído à MCD no contrato de compra afinal firmado. [...] Diante de todo o exposto, penso não haver provas suficientes acerca do valor da aquisição em 2007, pelo grupo Arcos Dorados, das operações brasileiras do McDonald’s. Especialmente por se tratar de operação totalmente conduzida no exterior, entre empresas sediadas em países diversos, haveria a necessidade de que os valores ficassem rigorosamente demonstrados e registrados, sem qualquer sombra de dúvida, para que se pudesse concluir que foi pago ágio na operação e, posteriormente, se pudesse cogitar da “transferência” desse ágio para o Brasil. Passando à análise da segunda etapa, a conclusão do Colegiado foi no sentido de que a insuficiência de provas na etapa anterior (na formação do ágio) impedia que se cogitasse de transferência desse mesmo ágio. Confirase: Observese que, nessa segunda parte do negócio, todas as operações se deram dentro de um mesmo grupo econômico, o grupo Arcos Dorados. Todas as empresas estavam sob o controle comum da Arcos Dorados B.V., sediada na Holanda. A sustentação para a transferência do ágio, conforme levado a efeito, dependeria do preço pago e da formação inicial do ágio na etapa internacional, anteriormente analisada. E, pelas razões já declinadas, penso haver insuficiência de provas acerca desses dois relevantes pontos. Com isso, perdem relevância os extensos argumentos desenvolvidos pela recorrente sobre o cumprimento de requisitos formais, propósito negocial das operações e sociedadeveículo. Quanto aos requisitos formais, registrese que a etapa internacional das operações era aquela em que figuravam partes independentes nos polos da compra e venda de participações societárias. Dada a obscuridade e a falta de registro e documentação individualizada para as participações negociadas de empresas brasileiras, o valor pago e o suposto ágio carecem de prova e de fundamentação. Em decorrência, resta a etapa doméstica, levada a efeito a partir de 2008, quando passam a estar envolvidas tão somente empresas do grupo Arcos Dorados e não há qualquer pagamento. Eventual ágio assim formado é caracterizado como “interno”, sem a participação de uma parte independente a validar, em condições de livre mercado, as operações e valores. No entender deste relator, o laudo de fls. 11166 e segs. (M/Legate) é insuficiente, visto que sua validação decorreria da existência de partes independentes e com interesses antagônicos, uma disposta a alienar o ativo pelo valor avaliado, outra disposta a pagar o valor de avaliação para sua aquisição. Mas não houve pagamento nem outra espécie de desembolso, ocorreu tão somente integralização de capital subscrito entre empresas submetidas a um mesmo comando societário. O que de fato ocorreu, ao final, foi a reavaliação das empresas a valor de mercado e a tentativa de dedução do correspondente custo de reavaliação. Ágio interno, na acepção da expressão. Não houve omissão, mas decisão em sentido contrário às pretensões da então recorrente. Os documentos foram examinados, inclusive os laudos da Forrestal e M/Legate, mas a eles não foi atribuída a força probante pretendida pela interessada. Os embargos Fl. 12006DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.479 S1C3T1 Fl. 12.007 8 declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já examinada e decidida, muito menos ensejam a reavaliação de provas já levadas em consideração pelo Colegiado. Especificamente no que se refere ao ponto 9, os excertos acima deixam claro que a decisão não se fundou na possibilidade ou não do uso de sociedadeveículo (esse argumento foi expressamente considerado irrelevante), mas na ausência de provas referentes à primeira etapa das operações, realizada no exterior, na qual se teria formado o ágio. Os embargos devem ser rejeitados, também quanto a estes seis pontos (4, 5, 6, 7, 9 e 10). 8. Contradição entre a conclusão do acórdão ora embargado diante de precedentes proferidos pelo próprio Relator deste caso. A contradição capaz de ensejar embargos de declaração é aquela verificada entre a decisão e seus fundamentos, nos termos do caput do art. 65 do Anexo II do RICARF, transcrito anteriormente neste voto. Desta forma, não se há de cogitar de embargos por alegada contradição entre a conclusão do acórdão embargado e outros julgados, qualquer que tenha sido o Relator. Os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. Conclusão. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento aos presentes embargos, ratificando integralmente o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301002.154, de 05/10/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 12007DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722403/2010-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2005
DECADÊNCIA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005
CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS.
Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96.
CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES.
As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005
CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS.
Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96.
CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES.
As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação.
Recurso Especial do Procurador negado
Recurso Especial do Contribuinte negado
Numero da decisão: 9303-004.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em relação ao Recurso Especial do Contribuinte (1) no tema da decadência em relação ao mês de fevereiro de 2005, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Charles Mayer de Castro Souza, que não conheceram e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (2) no tema do direito de crédito de Pis e Cofins , por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito da decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.722403/2010-35
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721383
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.673
nome_arquivo_s : Decisao_10680722403201035.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 10680722403201035_5721383.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em relação ao Recurso Especial do Contribuinte (1) no tema da decadência em relação ao mês de fevereiro de 2005, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Charles Mayer de Castro Souza, que não conheceram e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (2) no tema do direito de crédito de Pis e Cofins , por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito da decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6755062
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210105888768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.897 1 2.896 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.722403/201035 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303004.673 – 3ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS Recorrentes FAZENDA NACIONAL ARCELORMITTAL BRASIL S/A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 24 03 /2 01 0- 35 Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.898 2 creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em relação ao Recurso Especial do Contribuinte (1) no tema da decadência em relação ao mês de fevereiro de 2005, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Charles Mayer de Castro Souza, que não conheceram e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; (2) no tema do direito de crédito de Pis e Cofins , por unanimidade de votos, em conhecer do Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.899 3 recurso e, no mérito, em darlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito da decadência, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301001.577, de 22 de agosto de 2012 (fls. 2612/2622 do processo eletrônico), proferido pela 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso de Ofício; e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. DEMANDA DE ENERGIA. EXONERAÇÃO. Correta a exoneração de partes dos créditos tributários, em virtude da decadência quinquenal do direito de a Fazenda Pública constituílos, bem como do reconhecimento do direito de o contribuinte deduzir das contribuições apuradas mensalmente os créditos básicos apurados sobre os custos incorridos com demanda de energia elétrica. RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. DIFERENÇAS. NOTAS FISCAIS DE FORNECEDORES/NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.900 4 Restabelecese a exigência das partes dos créditos tributários correspondentes aos créditos básicos das contribuições para o PIS e Cofins, exoneradas pela autoridade julgadora de primeira instância calculados indevidamente sobre os valores das notas fiscais de entradas emitidas pelo próprio contribuinte e não sobre os valores das notas fiscais dos fornecedores. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. No julgamento do Resp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo quinquenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que não houve pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 173, I, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62A do RICARF, adotase para o presente julgamento, aquela decisão, afastando a suscitada decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. RO PROVIDO EM PARTE E RV PROVIDO EM PARTE A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recuso do Contribuinte dando direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas de frete intercompany. O acórdão indicado como paradigma é de n.° 220100.081 (fls.2624/2630) O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido parcialmente pelo despacho de fls. 2646/2650, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial somente em relação à(s) matéria(s) tomada de crédito das contribuições Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.901 5 sociais não cumulativas sobre as despesas de frete para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma. Não sendo demonstrada a divergência quanto ao frete entre estabelecimento relativos a insumos e produtos inacabados. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 2665/2678 postulando seu não provimento do recurso especial da fazenda, para manter a decisão v. Acórdão. O Contribuinte, também apresentou Recurso Especial postulando a Decadência do direito de a autoridade efetuar o lançamento, no prazo previsto no art. 150, §4º, ao invés do art. 173, I, ambos do CTN, nos casos em que o pagamento antecipado não existe porque o contribuinte, tendo procedido ao cálculo e declarado à Administração, não apurou saldo a pagar; e o Direito de crédito de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, calculado sobre aquisição de insumos, cuja comprovação de custo efetivo não conste das notas fiscais de saída emitidas pelo fornecedor. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido pelo despacho de fls. 2881/2884. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 2886/2895 postulando o não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Do Recurso especial da fazenda. O recurso interposto é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.902 6 Tratase de Recurso Especial da Fazenda, quanto especificamente aos créditos de PIS/CQFINS sobre os fretes entre estabelecimentos da Recorrida. Não obstante, levada a matéria a exame de admissibilidade recursal, o CARF entendeu que somente tomada de crédito das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas de frete para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma estava efetivamente demonstrada por meio de paradigma recursal. O que significa dizer que quanto tomada de crédito das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas de frete para transporte de insumos e produtos semiacabados entre estabelecimentos da mesma firma. a matéria ficou inadmitida para julgamento pela CSRF. Diante disto, passo a discorrer sobre a matéria posta em julgamento. Para melhor elucidar meu entendimento, importante trazer o conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos. Nos autos do processo administrativo n.º 13984.001511/200587, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama expôs brilhantemente o conceito de insumo, que passam a integrar a presente fundamentação: " Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.903 7 bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, por sua vez, foi confirmado pela pesquisa desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SO sob a coordenação dos estudiosos Breno Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo:“Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.904 8 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.905 9 bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · o art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a.matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b.os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.906 10 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.907 11 Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.908 12 cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos." Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.909 13 No presente caso, o Recurso Especial, versa especificamente sobre o direito a créditos de PIS e COFINS sobre despesas de fretes entre estabelecimentos da empresa. Segundo consta dos autos, as despesas incorridas com fretes cujos créditos foram glosados se referem a transportes de produtos em elaboração e/ ou acabados de uma unidade para outra da recorrente. As despesas com transporte de produtos em elaboração para conclusão em outra unidade fabril, de fato, constituem custos de produção. Já os fretes para transporte de produtos acabados constituem despesas na operação de vendas. Desta maneira, considerando o meu entendimento acerca do conceito de insumos, em relação os fretes, considerando o objeto social do sujeito passivo, entendo que, geram crédito de PIS/Pasep e Cofins, os serviços de frete utilizados pela empresa, por serem necessários para a atividade final de venda de mercadorias pela ora Recorrente. Por outro lado, entendo, também, que o disposto no inciso IX, do art. 3°, da Lei n.° 10.833/2003, dá a Contribuinte o direito de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Verificase que as operações realizadas pela contribuinte, conforme já relatado nos autos, trata de efetiva operação de venda da mercadoria, sendo assim, sobre as operações de transferência entre estabelecimentos de produtos acabados da Recorrida, à luz do princípio da não cumulatividade e da legislação de regência, permitir o creditamento do PIS e COFINS. Esta transferência é necessária para a concretização de operações de venda junto a clientes da Contribuinte. Por tais razões, a interpretação que entendo deva prevalecer, por privilegiar o desígnio da não cumulatividade, é aquela que concede o direito ao crédito referente as Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.910 14 despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Do Recurso do Contribuinte O Contribuinte, também apresentou Recurso Especial postulando a Decadência do direito de a autoridade efetuar o lançamento, no prazo previsto no art. 150, §4º, ao invés do art. 173, I, ambos do CTN, nos casos em que o pagamento antecipado não existe porque o contribuinte, tendo procedido ao cálculo e declarado à Administração, não apurou saldo a pagar; e o Direito de crédito de Pis e Cofins, no regime da nãocumulatividade, calculado sobre aquisição de insumos, cuja comprovação de custo efetivo não conste das notas fiscais de saída emitidas pelo fornecedor. DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE SUCATA A fiscalização glosou das bases de cálculo dos créditos de PIS e Cofins a diferença entre os valores das notas fiscais de entrada escrituradas pelo contribuinte e aqueles das notas fiscais emitidas pelos fornecedores, que deram suporte à entrada de mercadoria nos estabelecimentos industriais. Tais valores foram glosados por ausência de suporte legal para que a empresa alterasse por sua própria conta o valor da operação indicado no documento fiscal hábil e idôneo que acoberta a operação de venda de sucata (nota fiscal do fornecedor) e também por infringirem o princípio da nãocumulatividade, já que tais valores não foram tributados em operação anterior. Segundo consta nos autos, as notas fiscais emitidas pelos estabelecimentos adquirentes, refletem os reais pesos e valores, são os documentos passíveis de escrituração e hábeis a comprovar o valor da operação. Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.911 15 E diante disto, os créditos de PIS e Cofins foram apropriados com base nos pagamentos dos valores constantes nas notas fiscais de entrada, que representam seu efetivo custo. No entanto, entendo que caso dos créditos a serem apropriados na apuração não cumulativa do PIS e da Cofins, deve ser considerado o custo efetivo do contribuinte ao adquirir os insumos, nos termos das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, este efetivo custo, consta na nota fiscal de entrada. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor: 1 dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; De acordo com diligência requerida pela DRJ/Belo Horizonte, a Contribuinte apresentou os comprovantes de pagamentos de notas fiscais selecionadas pela fiscalização entre aquelas discriminadas na planilha “Apuração das diferenças entre notas fiscais de sucatas” (fls. 817/1.227). E apresentou os comprovantes bancários de pagamentos, e apresentou planilhas vinculando a nota fiscal emitida pelo fornecedor à nota fiscal de entrada e ao pagamento aos fornecedores, além da demonstração dos lançamentos contábeis. (fls. 2.316/2.515). Além disso, na própria nota fiscal de entrada está discriminado o número da nota fiscal do fornecedor. Portanto, as transferências bancárias nos exatos valores das notas fiscais de entrada e em datas seguintes à emissão dessa nota fiscal demonstram que esses pagamentos se referem às operações de compra de sucata, efetivados de acordo com o valor constante na nota fiscal de entrada que, por sua vez, está vinculada a uma nota de saída do fornecedor. Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.912 16 Vale ressaltar, que as mercadorias aqui tratada, se refere sucata, matéria prima utilizada pela contribuinte, portanto, deve gerar o crédito pelo seu valor de aquisição. Valor este que se reflete na nota fiscal de entrada. Ademais, o direito ao crédito do PIS e COFINS deve corresponder à integralidade das despesas necessárias à aquisição de receitas, ou seja, os gastos vinculados à atividade do contribuinte representam receitas de seus fornecedores (etapa anterior) que devem, portanto, ser afastadas da receita posterior. Verificase que os documentos são idôneos, e mesmo nos casos de inidoneidade das notas fiscais emitidas por fornecedores inaptos, a produção de efeitos tributários para o adquirente que comprovar a efetivação do pagamento e o recebimento dos bens ou mercadorias, conforme dispõe o art. 82 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (grifo nosso) Entendo que no caso dos autos o Contribuinte tem direito ao crédito em relação aos valores efetivamente pagos nas transações comerciais de aquisição de insumos comprovadamente realizadas. Desta maneira, dou provimento ao Recurso especial do Contribuinte. DA DECADÊNCIA No mérito, centrase a controvérsia na suposta violação ao art. 45 da Lei n.º 8.212/91 e ao art. 150, §4º do CTN ao ser reconhecido, pelo acórdão recorrido, como aplicável ao PIS o prazo decadencial de 5 (cinco) anos constante no CTN. Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.913 17 A divergência a ser apreciada referese à correta aplicação do prazo decadencial, se do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 (dez anos) ou do §4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional (5 anos). Em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n. 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, indubitável estarse diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) do Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Esclareçase que, após a edição da Súmula Vinculante nº 08, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias cingese à aplicação dos artigos 150, §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial n.º 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.914 18 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [...] Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveuse acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, §4º do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo. Feitas estas considerações, passese ao exame do artigo de lei aplicável ao caso destes autos. O litígio decorre de lançamento de ofício para constituição do crédito tributário referente à contribuição de PIS referente ao mês de fevereiro de 2005. No mês de fevereiro/2005 a empresa não recolheu essas contribuições em virtude de ter apurado créditos no regime nãocumulativo. A Autoridade Julgadora de primeira instância, reconheceu a sua ocorrência para os fatos geradores ocorridos até junho de 2005, inclusive, exceto para o fato gerador de fevereiro, exclusivamente, em relação ao PIS, pelo fato de não ter havido antecipação de pagamento para a contribuição devida naquele mês, aplicou o prazo nos termos do CTN, art. 173, I. Verificavase que fiscalização reconheceu que inúmeros créditos do contribuinte foram devidamente declarados em DACON no mês em questão. Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.915 19 Nesse sentido, não há que se discutir inexistência de pagamento, na medida em que a Empresa declarou créditos suficientes e adimpliu a obrigação de pagamento do PIS em fevereiro de 2005. Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial n.º 973.733, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que, havendo a declaração do crédito tributário por parte do Sujeito Passivo; e, ainda, inexistindo dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados da data do fato gerador do tributo. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da contribuinte, para declarar a decadência do fisco quanto ao lançamento do PIS para o período de fevereiro de 2005, nos termos do art. 150, §4º do CTN e da Súmula Vinculante STF n.º 08. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.916 20 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Malgrado vencidos quanto ao conhecimento do recurso especial interposto pela contribuinte na parte referente ao tema da decadência em relação ao período de fevereiro de 2005, coubenos redigir o voto vencedor do acórdão. Diz a il. Relatora que, no mês em referência, a contribuinte não recolheu as contribuições em virtude de ter apurado créditos no regime não cumulativo, ainda assim concluiu que o prazo extintivo do direito do Fisco regerseia pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, é matéria assente na jurisprudência, a aplicação do referido dispositivo somente se dá quando há pagamento antecipado, consoante entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Confirase a seguinte ementa de decisão prolatada na sistemática dos recursos repetitivos – portanto, de observância obrigatória neste Colegiado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (STJ, Primeira Seção, Min. Luiz Fux, REsp 973733 / SC, DJe 18/09/2009) Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 10680.722403/201035 Acórdão n.º 9303004.673 CSRFT3 Fl. 2.917 21 Como se vê, o acórdão recorrido está em sintonia com o entendimento pacífico do STJ, não sendo, portanto, de reformálo. Ante o exposto, quanto ao tema do prazo decadencial, nego provimento ao recurso especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904837/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10530.904837/2011-56
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5743119
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-000.905
nome_arquivo_s : Decisao_10530904837201156.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 10530904837201156_5743119.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Winderley Morais Pereira - Presidente Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6864912
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210114277376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.904837/201156 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.905 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente RODOBENS CAMINHÕES BAHIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Winderley Morais Pereira Presidente Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 13365883, emitido eletronicamente em 02/12/2011, referente ao PER/DCOMP nº 37561.29846.120805.1.2.049119. O pedido de restituição, gerado pelo programa PER/DCOMP, foi transmitido com o objetivo de ver reconhecido direito creditório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 83 7/ 20 11 -5 6 Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 3 2 correspondente a(o) COFINS (Código de Receita 2172) no valor original na data de transmissão de R$ 2.438,26, representado por Darf recolhido em 15/02/2001, no montante total de R$ 55.708,82. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência do crédito, o pedido de restituição foi indeferido. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Cientificado do Despacho Decisório em 22/12/2011(fl.48) a Interessada apresenta, em 17/01/2012, manifestação de inconformidade alegando o que se segue: • Preliminarmente requer, em face do princípio da economia processual e da conexão, a reunião dos processos administrativos nº 10530.904851/201150, 10530.904850/2011 13, 10530.904860/2011 41, 10530.904865/201173, 10530.904869/201151, 10530.904873/201110, 10530.904871/201121, 10530.904862/2011 30, 10530.904836/201110, 10530.904845/201101, 10530.904557/201148, 10530.904867/201162, 10530.904855/2011 38, 10530.904856/201182, 10530.904848/201136, 10530.904568/201128, 10530.904852/201102, 10530.904837/2011 56, 10530.904840/201170, 10530.904872/201175, 10530.904875/201117, 10530.904859/201116, 10530.904864/2011 29, 10530.904835/201167, 10530.904854/201193, 10530.904863/201184, 10530.904870/201186, 10530.904876/2011 53, 10530.904877/201106, 10530.904858/201171, 10530.904857/201127, 10530.904844/201158, 10530.904561/2011 14, 10530.904841/201114, 10530.904853/201149, 10530.904566/201139, 10530.904874/201164, 10530.904846/2011 47, 10530.904834/201112, 10530.904866/201118, 10530.904838/201109, 10530.904878/201142, 10530.904849/2011 81, 10530.904868/201115, 10530.904839/201145, uma vez que possuem o mesmo objeto, qual seja, a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da Cofins ou do Pis, pautado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. • Aduz não ter sido intimada a prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, em desrespeito ao art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 990, de 30/12/2008. • Nos termos do art. 142 do CTN, é dever da fiscalização ir a fundo no exame da situação concreta, a fim de que o lançamento e também as demais glosas fiscais, sejam baseados na correta aplicação da lei aos fatos efetivamente ocorridos e a ela subsumidos. • No caso, a fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, fato que impõe a reforma do despacho decisório, justamente por contrariar o ordenamento jurídico vigente. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 4 3 • O parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 ampliou significativamente as bases de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ao prescrever que nelas fossem consideradas todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente o seu faturamento. • Ao assim proceder, o legislador ordinário ofendeu frontalmente o inc. I do art. 195 da Constituição Federal, bem como o art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir as competências tributárias. • A discussão quanto à constitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 encontrase superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade daquele dispositivo, por ocasião do julgamento do RE nº 390.840/MG, em 09/11/2005. • A matéria já foi considerada pelo Supremo Tribunal FederalSTF como de repercussão geral e será objeto de Súmula Vinculante, conforme Voto proferido pelo Min. Cezar Peluso no RE nº 585.235, de 10/09/2008. • Esse entendimento está de tal forma pacificado no seio da jurisprudência que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, revogou expressamente o malsinado parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98. • A jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo Fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do STF. Cita jurisprudência. • O inc. I do parágrafo 6º, do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.235/1972 pela Lei nº 11.941/2009 determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação. • Norma de igual teor foi também prevista no Decreto nº 7.574, de 29 de novembro de 2011, que determinou, no inciso I do parágrafo único de seu artigo 59, a aplicação, pelos órgãos de julgamento da administração federal, do entendimento exarado pelo Plenário da Corte Suprema, nos casos de lei declarada inconstitucional. • O caput do art. 62A, do RICARF (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, vincula o CARF a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, sob o regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), tal como ocorreu no julgamento do RE nº 585.235. • Tal dispositivo regimental reforça a demonstração de que o entendimento do STF a propósito da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve, necessariamente, ser aplicado ao caso dos autos. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 5 4 • Não há dúvidas de que o entendimento esposado pelo STF deve ser aplicado pelas autoridades fazendárias em suas decisões. • Nas bases de cálculo das contribuições para o Pis e da Cofins deveriam ter sido incluídos, somente, os valores correspondentes ao faturamento, ou seja, os ingressos correspondentes às receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. • O direito creditório discutido nos autos se refere a recolhimentos sobre receitas que não integram o faturamento e, por conseguinte, não são alcançadas pela hipótese de incidência das contribuições para o Pis e Cofins. • E para que não restem quaisquer dúvidas, são acostados documentos hábeis a comprovar a existência e a higidez do crédito pleiteado. • Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, com o reconhecimento à plena restituição das contribuições recolhidas sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. • Informa, ainda, que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." A decisão recorrida, apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. RESTITUIÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, há que se indeferir o pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, tese de que (i) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição; (ii) que a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário é descabida; (iii) que o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material; (iv) que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido; (v) que estando a Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 6 5 contabilidade lastreada em documentação idônea há prova em favor do contribuinte; (vi) que o conjunto probatório dos autos faz prova de que o valor da contribuição recolhida indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacados nos livros contábeis anexados à manifestação de inconformidade; (vii) que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (viii) que a matéria já foi decidida em sede de repercussão geral pela Suprema Corte através do RE 585235; (ix) que a Lei 11941/2009 revogou o parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (x) defende a aplicação do art. 26A do Decreto 70235/72 e art. 62A do RICARF e (xi) cita jurisprudência em seu favor. Pugna a recorrente ao final, o provimento do recurso voluntário interposto para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98. É o relatório. O presente processo tramita na condição de paradigma, sendo aplicável o contido no art. 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015: "Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento." A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 7 6 Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 8 7 A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/201189; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZ; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 9 8 por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10530.904837/201156 Resolução nº 3201000.905 S3C2T1 Fl. 10 9 Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002920/2011-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009
ZONA FRANCA DE MANAUS. DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PRODUTO INTERNADO. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE.
1. O descumprimento do processo produtivo básico (PPB), fixado na legislação que disciplina o regime aduaneiro da Zona Franca de Manaus (ZFN), implica a exigência integral dos tributos suspensos, na operação da internação para outra região do País, inclusive da diferença do imposto sobre a importação, recolhido com alíquota reduzida, referente aos insumos importados aplicados na fabricação.
PPB DOS APARELHOS DE ÁUDIO E VÍDEO. AUTORIZAÇÃO PARA IMPORTAÇÃO DE PLACAS DE CIRCUITOS INTEGRADOS (PCI) MONTADAS. PROJETOS EM FASE DE IMPLANTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO LIMITE DE 12% (DOZE POR CENTO) DAS PCI NACIONAIS PREVISTAS PARA O PRIMEIRO ANO DE OPERAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO PPB. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE.
1. Para os novos fabricantes com projetos aprovados e em fase de implantação, a autorização para importação das placas de circuito impresso (PCI), já montadas com seus componentes, destinadas à produção de aparelhos de áudio e vídeo, está sujeita ao limite de 12% (doze por cento) da quantidade de quaisquer PCI, de montagem nacional, previstas para utilização no primeiro ano de operação.
2. Se o beneficiário da autorização de importação não comprova que utilizou a quantidade compromissada de PCI nacionais na fabricação dos produtos fabricados no primeiro ano de operação, os tributos suspensos na operação de internação passam a ser exigíveis, em razão do descumprimento do PPB.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. REJEIÇÃO DE ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A refutação do argumento de defesa, suscitado na peça impugnatória, com o objetivo desconstituir o fundamento do lançamento, não configura mudança de critério jurídico nem motivo idôneo para a declaração de nulidade do auto de infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009 ZONA FRANCA DE MANAUS. DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PRODUTO INTERNADO. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE. 1. O descumprimento do processo produtivo básico (PPB), fixado na legislação que disciplina o regime aduaneiro da Zona Franca de Manaus (ZFN), implica a exigência integral dos tributos suspensos, na operação da internação para outra região do País, inclusive da diferença do imposto sobre a importação, recolhido com alíquota reduzida, referente aos insumos importados aplicados na fabricação. PPB DOS APARELHOS DE ÁUDIO E VÍDEO. AUTORIZAÇÃO PARA IMPORTAÇÃO DE PLACAS DE CIRCUITOS INTEGRADOS (PCI) MONTADAS. PROJETOS EM FASE DE IMPLANTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO LIMITE DE 12% (DOZE POR CENTO) DAS PCI NACIONAIS PREVISTAS PARA O PRIMEIRO ANO DE OPERAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO PPB. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE. 1. Para os novos fabricantes com projetos aprovados e em fase de implantação, a autorização para importação das placas de circuito impresso (PCI), já montadas com seus componentes, destinadas à produção de aparelhos de áudio e vídeo, está sujeita ao limite de 12% (doze por cento) da quantidade de quaisquer PCI, de montagem nacional, previstas para utilização no primeiro ano de operação. 2. Se o beneficiário da autorização de importação não comprova que utilizou a quantidade compromissada de PCI nacionais na fabricação dos produtos fabricados no primeiro ano de operação, os tributos suspensos na operação de internação passam a ser exigíveis, em razão do descumprimento do PPB. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. REJEIÇÃO DE ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A refutação do argumento de defesa, suscitado na peça impugnatória, com o objetivo desconstituir o fundamento do lançamento, não configura mudança de critério jurídico nem motivo idôneo para a declaração de nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.002920/2011-58
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739560
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.375
nome_arquivo_s : Decisao_10283002920201158.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10283002920201158_5739560.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6845310
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210136297472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2186; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 416 1 415 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.002920/201158 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.375 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria II/IPI/PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente JABIL INDUSTRIAL DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009 ZONA FRANCA DE MANAUS. DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PRODUTO INTERNADO. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE. 1. O descumprimento do processo produtivo básico (PPB), fixado na legislação que disciplina o regime aduaneiro da Zona Franca de Manaus (ZFN), implica a exigência integral dos tributos suspensos, na operação da internação para outra região do País, inclusive da diferença do imposto sobre a importação, recolhido com alíquota reduzida, referente aos insumos importados aplicados na fabricação. PPB DOS APARELHOS DE ÁUDIO E VÍDEO. AUTORIZAÇÃO PARA IMPORTAÇÃO DE PLACAS DE CIRCUITOS INTEGRADOS (PCI) MONTADAS. PROJETOS EM FASE DE IMPLANTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO LIMITE DE 12% (DOZE POR CENTO) DAS PCI NACIONAIS PREVISTAS PARA O PRIMEIRO ANO DE OPERAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO PPB. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE. 1. Para os novos fabricantes com projetos aprovados e em fase de implantação, a autorização para importação das placas de circuito impresso (PCI), já montadas com seus componentes, destinadas à produção de aparelhos de áudio e vídeo, está sujeita ao limite de 12% (doze por cento) da quantidade de quaisquer PCI, de montagem nacional, previstas para utilização no primeiro ano de operação. 2. Se o beneficiário da autorização de importação não comprova que utilizou a quantidade compromissada de PCI nacionais na fabricação dos produtos fabricados no primeiro ano de operação, os tributos suspensos na operação de internação passam a ser exigíveis, em razão do descumprimento do PPB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 29 20 /2 01 1- 58 Fl. 416DF CARF MF 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. REJEIÇÃO DE ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A refutação do argumento de defesa, suscitado na peça impugnatória, com o objetivo desconstituir o fundamento do lançamento, não configura mudança de critério jurídico nem motivo idôneo para a declaração de nulidade do auto de infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 4/33), em que formalizada a exigência crédito tributário, no valor total de R$ 13.904.920,27, correspondente ao somatório do II, do IPI, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, com fatos geradores ocorridos entre as datas de 31/08/2008 e 09/01/2009, acrescidos da multa de ofício normal e juros de mora, calculados até 26/5/2011. De acordo com a descrição dos fatos que integra dos referidos autos de infração, a autoridade fiscal apurou que a autuada importou com os benefícios tributários do regime aduaneiro da Zona Franca de Manaus (ZFN), por meio da Declaração de Importação (DI) nº 08/06794822, a mercadoria descrita como “PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO PRINCIPAL MONTADA COM COMPONENTES ELETROELETRÔNICOS E COM MÓDULO DA LENTE PARA CÂMERA DE VÍDEO”, para ser utilizada na fabricação do produto denominado “CÂMERA DE VÍDEO DE IMAGEM FIXA MODELO KB6187678”, que, após ser submetida à conferência física no curso do despacho aduaneiro, foi constatado que se tratava “de placa de circuito impresso com componentes eletroeletrônicos montada com um mecanismo ótico (lente + motor + suporte plástico aparafusada a placa)”. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10283.002920/201158 Acórdão n.º 3302004.375 S3C3T2 Fl. 417 3 Com base nas referidas informações, concluiu a autoridade fiscal que a autuada havia descumprido o processo produtivo básico (PPB), aprovado para a fabricação do citada câmara de vídeo. Para melhor compreensão da referida conclusão, reproduz a seguir os seguintes trechos relevantes extraídos da citada descrição: 5. No DCR nº 2008/11280, o contribuinte faz constar na composição do produto CÂMERA DE VÍDEO DE IMAGEM FIXA MODELO KB6187678 o seguinte componente importado: PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO PRINCIPAL MONTADA COM COMPONENTES ELETROELETRÔNICOS E SUBCONJUNTO ÓPTICO, conforme planilha COMPOSIÇÃO DCR. 6. A portaria n. 145 de 26 de Março de 2008 da SUFRAMA, determina, como condição de permanência no regime ZFM, o cumprimento do Processo Produtivo Básico na fabricação da Câmera de Vídeo de Imagens Fixas, estipulado no anexo XI do Decreto n. 783/93; nas Portarias Interministeriais MPO/MCT/MICT n. 2/95, n.7/98 e n. 10/2006. 7. Da inteligência das normas relativas ao PPB da Câmera de Vídeo de Imagens Fixas, sobressai a exigência do cumprimento da seguinte etapa: Integração das placas de circuito impresso e das partes elétricas e mecânicas na formação do produto final. 8. A documentação fiscal do contribuinte não comprova o cumprimento da etapa de integração placa de circuito impresso e parte ótica, já que os fatos acima denunciam que esses dois elementos já estavam integrados. Em face do descumprimento do PPB, a fiscalização entendeu não foi cumprido o regime aduaneiro da ZFN, concedido na operação de importação, e, em decorrência, procedeu a cobrança dos tributos suspensos pela aplicação do citado regime, por meio dos referidos autos de infração. Após cientificada das autuações, em sede impugnação, em apertada síntese, a autuada alegou que: a) a autoridade fiscal não tinha competência para fiscalizar o PPB ou declarar a perda dos benefícios fiscais concedidos pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa); b) no cancelamento do direito aos referidos benefícios tributários, houve desatendimento ao devido processo legal; c) foram desconsiderados, sem nenhuma justificativa, o Laudo de Produção nº 173/2008, da lavra da Suframa, e o Laudo Técnico de Auditoria Independente n° 0037/2009, emitido por firma de auditoria credenciada pela Suframa sob nº 77.0002.013, os quais atestavam o atendimento do PPB fixado para a fabricação das Câmeras de Imagens Fixas produzidas pela impugnante; e d) a importação da PCI principal montada e com o subconjunto ótico integrado fora autorizada pela Portaria Interministerial 10/2006, fato que não fora levado em conta pela fiscalização. Em aditamento, a fiscalizada apresentou as seguintes informações relevantes para a solução do litígio, in verbis: Ainda que entendesse estar claramente dispensada da etapa de montagem do subconjunto Lente à Placa de Circuito Impresso Principal, a Impugnante peticionou à SUFRAMA (Doc. 05), em 23 de maio de 2007, a aprovação para importação dos Fl. 418DF CARF MF 4 subconjuntos e conjuntos dispensados, em vista da desatualização, em relação a essa Portaria, da Listagem Padrão de Insumos de Código N° 780, relativa à Câmera de Vídeo de Imagens Fixas (Doc. 07). Tal listagem é um instrumento de controle da SUFRAMA para a aprovação dos Pedidos de Licença de Importação PLLs e LLs que, na ZFM, contam com anuência prévia dessa autarquia. De se dizer que, não constando da listagem, a LI não é aprovada e o insumo não poderá ser importado com o benefício da ZFM. Em 12 de julho de 2007, a SUFRAMA atendeu ao pedido em relação à aprovação para a importação do subconjunto formado pela PCI Principal, com componentes eletrônicos e o módulo ótico, por meio do Ofício N° 5345/2007 SPR/CGAPI/COPIN (Doc. 06). Assim se pronunciou a Autarquia: “2. Informamos ainda que, conforme o trâmite da análise técnica, este subconjunto, quando desagregado de forma a resultar apenas a PCI principal com o subconjunto ótico montado, poderia ser importado como uma placa de circuito impresso principal, montada com componentes eletrônicos e o subconjunto óptico desde que essa placa fosse computada dentro do percentual de 12% (doze por cento) de placas montadas para o corrente ano, facultados pela legislação.” (G.N.) Este subconjunto passou a integrar a Listagem Padrão de Insumos Código 780, no destaque 195, com a seguinte descrição: "PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO PRINCIPAL, MONTADA COM COMPONENTES ELETROELETRÔNICOS E SUBCONJUNTO ÓPTICO." Por meio da Resolução de fls. 250/255, o Colegiado de primeiro grau converteu o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB de origem adotasse as seguintes providências: a) oficiar à SUFRAMA para que essa autarquia informe se a autorização expressa no seu Ofício nº 5345/2007 SPR/CGAPI/COPIN, de 12/7/2007, é para importação da placa de circuito impresso principal montada com seus componentes eletrônicos e já integrada ao subconjunto ótico, ou da referida placa montada e do subconjunto ótico montado, mas não integrados; b) caso a SUFRAMA confirme que a autorização é para importar a PCI montada e integrada ao subconjunto ótico, se manifestar sobre o atendimento ao limite anual de importação de PCI montadas e elaborar planilha para demonstrar os valores que ainda permaneceriam sujeito a autuação, se for o caso; c) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao consequente julgamento da presente lide; e Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10283.002920/201158 Acórdão n.º 3302004.375 S3C3T2 Fl. 418 5 d) cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. Em atendimento ao disposto na referida Resolução, na Informação Fiscal de fls. 301/304, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações relevantes, ipsis litteris: Em atendimento à alínea “a” acima discriminada, foi enviado à SUFRAMA o Ofício GAB/ALF/MNS no 0136/2013, em 11/07/2013. Como não obtivemos resposta ao primeiro ofício enviamos o Ofício GAB/ALF/MNS no 0293/2013 (em anexo) à SUFRAMA, em 02/10/2013. Em 31/10/2013 recebemos resposta da SUFRAMA, vide Ofício no 5791 – SPR/CGAPI/COPIN, em anexo, na qual informa que a importação da placa de circuito integrada principal com seus componentes eletrônicos montados e já aparafusada a um mecanismo ótico (lente + motor + suporte plástico), para a fabricação de câmera de vídeo, atende ao processo produtivo básico aprovado para APARELHO DE ÁUDIO E DE VÍDEO, desde que essa placa seja computada dentro do percentual de 12% (doze por cento) de placas de montagem nacional, com base no item 2 das observações do Anexo XI do Decreto nº 783/1993, com redação dada pelo art. 3º da Portaria Interministerial nº 10/2006. Assim no intuito de elaborar as planilhas para demonstrar as operações que excederam o limite permitido, intimamos a empresa a apresentar os documentos referentes aos anos calendários 2007 e 2008: [...] Diante dessas informações verificamos na lista de insumo produto fornecida pela empresa, através do arquivo digital nº 461 conforme ADE/COFIS 15/2010 e IN 86/2001, e constatamos que os códigos das placas montadas nacionais KB20000360 e KB20000382 não constam na Lista de Insumos dos modelos das câmeras fabricadas e internadas em 2008, a saber: KB6187678, KB0029915100 e KB6188833, conforme demonstrado no Anexo I. Assim, diante do acima exposto, em que pese a SUFRAMA permitir a importação de placas montadas (aqui incluída o subconjunto em questão: lente + motor + suporte plástico) dentro do percentual de 12% das placas de montagem nacional, a inexistência de placas de montagem nacional compondo os produtos em análise, produzidos e internados, conduz a impossibilidade da aplicação do referido percentual, tendo em vista a base para o calculo do percentual de 12% ser zero. Dessa forma, manifestamos no sentido de que embora a empresa, de fato, tivesse direito à importação de placas montadas dentro do limite estabelecido pelo item 2 das observações do Anexo XI do Decreto nº 783/1993, com redação dada pelo art. 3º da Portaria Interministerial nº 10/2006, ela Fl. 420DF CARF MF 6 ultrapassou o seu limite que, com base nos dados levantados, foi de zero para o ano de 2008. Desse modo não há o que se falar em realização de Auto de Infração complementar, pois não há divergência de lançamento. Embora regularmente cientificada para se manifestar sobre o resultado da referida diligência (fls. 311/312), no prazo de 30 (trinta) dias, a autuada não se manifestou a respeito. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 319/330), em que, por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares de nulidade e, no mérito, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009 FISCALIZAÇÃO. FALTA DE OPORTUNIDADE PARA EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. A investigação fiscal tem natureza inquisitiva, logo, não é pautada pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual o fato de o exercício desses direitos ter sido facultado apenas depois de concluídos os exames realizados não configura ofensa ao devido processo legal. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/08/2008, 10/10/2008, 20/10/2008, 10/11/2008, 20/11/2008, 30/11/2008, 10/12/2008, 20/12/2008, 31/12/2008, 09/01/2009 ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil fiscalizar os tributos federais, inclusive quanto ao atendimento de condição para o gozo de redução de alíquota ou isenção, como é o caso do cumprimento do processo produtivo por empresa localizada na Zona Franca de Manaus. ZONA FRANCA DE MANAUS. DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. SAÍDA DO PRODUTO FABRICADO. O descumprimento do processo produtivo básico fixado pela legislação da Zona Franca de Manaus, no caso da saída de produto nela fabricado para outra região do País, implica a exigência integral dos tributos decorrentes da internação, inclusive da diferença do Imposto de Importação recolhido Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10283.002920/201158 Acórdão n.º 3302004.375 S3C3T2 Fl. 419 7 com alíquota reduzida, referente aos insumos importados aplicados na fabricação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 17/4/2015, a autuada foi cientificada da referida decisão (fls. 342/344). Em 19/5/2015, apresentou o recurso voluntário de fls. 346/364, em que apresentou novas razões de defesa em sede de preliminar e de mérito. Em preliminar, a recorrente alegou nulidade das autuações por mudança de critério jurídico, o que era vedado pelo art. 146 do CTN, baseada nos seguintes argumentos: a) em relação ao descumprimento do PPB, o critério jurídico adotado no julgamento da impugnação fora diverso daquele apresentado no lançamento fiscal, pois, enquanto o primeiro alegara descumprimento do percentual máximo de 12% (doze por cento) de placas montadas importadas em relação às placas montadas nacionais, o segundo alegou descumprimento da etapa de integração das placas de circuito impresso à parte óptica; b) o limite anual de 12% (doze por cento) não se aplicava aos novos fabricantes com projetos aprovados e em fase de implantação, que era caso em tela, pois a recorrente iniciara suas operações no ano de 2008; e c) a Suframa autorizaralhe a importar 480.000 unidades de PCI montadas e/ou controles remotos, disponíveis para serem importadas e agregadas ao produto até 17/4/2009, data final do 1º ano de operação. No mérito, a recorrente alegou que: a) no cálculo do limite de 12% (doze por cento), estabelecido no art. 3º da Portaria Interministerial 10/2006, houve erro de direito, pois, como era titular de projeto novo em fase de implantação, no ano de 2008, primeiro ano de operação, ela poderia importar até 12% (doze por cento) do total de quaisquer placas de circuito impresso (PCI), de montagem nacional, conforme estabelecido no § 2º do citado art. 3º, e não apenas PCI montadas, específicas para a câmara de vídeo fabricada e internada, como entendeu a fiscalização; b) o disposto no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972 asseguravalhe o direito de apresentar novas alegações e provas quanto ao descumprimento do PPB por ter ultrapassado o limite percentual máximo de 12% (doze por cento) de placas montadas importadas, porque se tratava de fato superveniente à fase de impugnação; e c) não houve descumprimento do limite de 12% (doze por cento), uma vez que fora autorizada pela Suframa a importar 480.000 (quatrocentos e oitenta mil) unidades de placas montadas e só importara 89.933 (oitenta e nove mil, novecentos e trinta e três) unidades, o que representava um pouco mais de 16% (dezesseis por cento) do limite autorizado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme delineado no relatório precedente, a presente controvérsia envolve questões preliminar e de mérito. Fl. 422DF CARF MF 8 Da preliminar de nulidade. Em preliminar, a recorrente alegou nulidade das autuações em decorrência de mudança de critério jurídico, expressamente vedada pelo art. 146 do CTN, a seguir transcrito: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Os motivos apresentados pela recorrente, em síntese, foram os seguintes: a) o critério jurídico adotado no julgamento da impugnação fora diverso daquele apresentado no lançamento fiscal; b) o limite anual de 12% (doze por cento) não se aplicava aos novos fabricantes com projetos aprovados e em fase de implantação, situação em que se enquadrava a recorrente; e c) a Suframa autorizaralhe a importar 480.000 unidades de PCI montadas e/ou controles remotos, disponíveis para serem importadas e agregadas ao produto fabricado até 17/4/2009, data final do 1º ano de operação. Os dois últimos motivos, inequivocamente, referemse ao mérito da lide e serão analisados a seguir. Quanto ao primeiro motivo, a recorrente argumentou que houve mudança do critério, pois, enquanto a autoridade fiscal, no lançamento, havia apresentado como motivo da autuação o descumprimento do PPB das câmaras de vídeo de imagem fixa internadas, em razão da não realização da “etapa de integração placa de circuito impressa e parte ótica”, o Colegiado julgador de primeiro, no acórdão recorrido, havia apresentado como motivo o descumprimento do limite de importação das PCI montadas, para fabricação das referidas câmaras internadas no período da autuação. A motivação apresentada no voto condutor do julgado recorrido não configura mudança de critério jurídico, definida no art. 146 do CTN, que se limita à atividade de lançamento e se aplica apenas aos lançamentos futuros. No caso, como se trata do mesmo lançamento, poderia se cogitar de alteração de fundamento jurídico ou aperfeiçoamento da autuação por parte do órgão de julgamento de primeiro grau, o que certamente não ocorreu. No caso, diferente do alegado, não houve alteração da motivação da autuação, mas a refutação do argumento apresentado pela recorrente na peça impugnatória, para fim de justificar o cumprimento do PPB das câmeras de vídeo de imagem fixa fabricadas e internadas pela autuada no período da autuação. Com efeito, na impugnação a recorrente alegou que a importação das PCI montadas fora autorizada pela Suframa, por meio do Ofício nº 5345/2007 – SPR/CGAPI/COPIN (fl. 205), porém, condicionada ao atendimento do limite percentual máximo de 12% (doze por cento) da quantidade de quaisquer placas de circuito impresso, de montagem nacional, previstas para serem utilizadas na fabricação dos aparelhos de áudio e vídeo produzidos no primeiro ano de operação, conforme estabelecido no “item 2 das observações do anexo XI do Decreto nº 783/1993, com redação dada pelo art. 3º da Portaria Interministerial nº 10/2006”. Em face dessa alegação, para fim de verificação do atendimento do mencionado limite percentual máximo, a Turma de Julgamento de primeiro grau converteu o julgamento em diligência perante à unidade da RFB de origem. Após confirmado pela Suframa, por meio do Ofício nº 5791 SPR/CGAPI/COPIN, de 23/10/2013 (fl. 262), que a autorização para importação das PCI montadas estava sujeita ao atendimento do referido Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10283.002920/201158 Acórdão n.º 3302004.375 S3C3T2 Fl. 420 9 limite, a autoridade fiscal, após análise da lista de insumo fornecida pela autuada, constatou que, no ano de 2008, a empresa autuada não havia utilizado nenhuma PCI de montagem nacional, logo seria zero o limite de importação das PCI montadas. Com base nesses esclarecimentos, verificase que, diferentemente do alegado, no caso em tela, não houve mudança de critério jurídico e tampouco alteração do motivo da autuação (descumprimento do PPB), mas rejeição do argumento suscitada pela recorrente na peça impugnatória, para justificar a importação das PCI montadas. Por essas razões refutase a presente preliminar de nulidade. Das questões de mérito. No que tange ao mérito, não há controvérsia quanto ao fato de a recorrente ter importado as PCI montadas e, por conseguinte, não realizado as etapas do PPB das câmeras de vídeo de imagem fabricadas e internadas pela recorrente no período da autuação, que se encontram estabelecidas nas alíneas “a” a “c” do item 1 do anexo XI do Decreto 783/1993, a seguir transcrito: ANEXO XI Produto: Aparelho de Áudio e de Vídeo a) montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; b) montagem das partes elétricas e mecânicas, totalmente desagregadas, em nível de componentes; c) integração das placas de circuito impresso e das partes elétricas e mecânicas na formação do produto final, montadas de acordo com os itens a e b acima; e [...]. O litígio cingese em saber se as importações das PCI montadas atende o limite anual de importação de PCI montadas, estabelecido no item 2 do citado Anexo XI, que, na redação original, fora fixado em 18% (dezoito por cento) e, em seguida, reduzido para 12% (doze por cento), pelo art. 3º da Portaria Interministerial 10/20061. Para facilitar a compreensão dos referidos preceitos normativos, seguem reproduzidos: 2) Fica permitida a importação de placas de circuito impresso montadas, com seus componentes, até o limite anual de 18% (dezoito por cento), sendo que esse limite será calculado tomandose como 100% (cem por cento) da quantidade de placas de circuito impresso, de montagem nacional, utilizadas pela empresa no ano imediatamente anterior. Art. 3º As placas de circuito impresso importadas, já montadas com seus componentes, destinadas à produção de controles remotos para uso em aparelhos de áudio e vídeo, bem como as placas de circuito impresso contidas nos controles remotos 1 Disponível em: <http://www.suframa.gov.br/download/legislacao/outros_inst_legais/legi_fed_pi_ppb_10_170106.pdf> Acesso em: 26 nov. 2016. Fl. 424DF CARF MF 10 importados para o mesmo uso, passam a ser computadas no limite anual de 12% (doze por cento) estabelecido para a importação de quaisquer tipos de placas de circuito impresso. § 1º Os limites previstos no caput deste artigo serão calculados tomando como base cem por cento da quantidade de quaisquer placas de circuito impresso, de montagem nacional, utilizadas pela empresa no ano imediatamente anterior. § 2º Para os novos fabricantes com projetos aprovados e em fase de implantação, não se aplica o disposto no parágrafo anterior, sendo os limites previstos no caput deste artigo calculados tomando como base cem por cento da quantidade de quaisquer placas de circuito impresso, de montagem nacional, previstas para utilização no primeiro ano de operação. (grifos não originais). Da simples leitura dos preceitos normativos transcritos, extraise que o limite de 12% (doze por cento) das PCI importadas, já montadas, é calculado sobre a quantidade de quaisquer placas de circuito impresso, de montagem nacional, previstas para o primeiro ano de operação, para os projetos em fase de implantação, ou utilizadas no ano imediatamente anterior, para os projetos em operação a mais de um ano. De acordo com os documentos de fls. 382/386, a recorrente iniciou suas atividades de produção no ano de 2008 e completou o seu primeiro ano de produção no dia 17/4/2009. Como as internações objeto da presente autuação ocorreram nos meses de outubro a dezembro de 2008, nesse período, inequivocamente, a recorrente ainda se encontrava no seu primeiro ano de implantação. Logo, o critério de cálculo do limite 12% (doze por cento) de importação das PCI montadas deve ser feito com base na quantidade de quaisquer placas de circuito impresso, de montagem nacional, previstas para o primeiro ano de operação, conforme estabelecido no § 2º do art. 3º da Portaria Interministerial 10/2006. Na Informação Fiscal de fls. 301/304, após análise da lista de insumos aplicados na produção dos modelos das câmaras de vídeo fabricadas e internadas pela autuada no período da autuação, a autoridade fiscal constatou que não foram utilizadas PCI de montagem nacional na fabricação dos referidos produtos. E com base nessa informação de que a autuada não utilizara, no ano de 2008, nenhuma PCI de montagem nacional, concluiu o nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido, que a autuada não estava autorizada a importar nenhuma PCI montada, consoante se extrai do excerto que segue transcrito: A bem da verdade, como a empresa autuada iniciou suas operações em 2008, consoante ela mesma informou (fls. 273/274) em resposta a Termo de Intimação Fiscal, e consta no “LAUDO DE PRODUÇÃO” colacionado pela impugnante a fls. 198/199, ela não estava autorizada a importar nenhuma PCI montada nesse primeiro ano de produção. (grifos do original) Dessa forma, se não estava autorizada a importar as PCI montadas, a manutenção do benefício fiscal do regime ZFM estava condicionada ao cumprimento das etapas do PPB, fixadas para as câmaras de vídeo internadas nas alíneas “a” a “c” do item 1 do anexo XI do Decreto 783/1993. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10283.002920/201158 Acórdão n.º 3302004.375 S3C3T2 Fl. 421 11 No caso, como as PCI foram importadas já montadas, concluiu o órgão julgador de primeiro grau que a recorrente descumprira o PPB do produto internado, logo era devido os tributos lançados nas presentes autuações. Por sua vez, no recurso em apreço, a recorrente alegou que, ao interpretar de forma parcial o art. 3º da Portaria Interministerial 10/2006, a autoridade fiscal e o órgão de julgamento de primeiro grau cometera erro de direito, pois, como ela encontravase em fase de implantação no ano de 2008, o limite de 12% (doze por cento) deveria ter sido calculado sobre a quantidade total de quaisquer PCI, de montagem nacional, previstas para utilização no primeiro ano de operação e não de quaisquer PCI, de montagem nacional, utilizadas no ano imediatamente anterior. De fato, o § 2º do art. 3º da Portaria Interministerial 10/2006, assegura o limite de 12% (doze por cento) de PCI importadas montadas, calculado sobre a quantidade total de quaisquer PCI nacional, previstas para utilização no primeiro ano de operação, no entanto, para fazer jus ao benefício, o beneficiário do regime deverá, posteriormente, comprovar que foram efetivamente utilizadas no produto fabricado a quantidade de PCI nacional informada na estimativa de consumo apresentada na previsão. Aliás, a necessidade dessa comprovação foi expressamente consignada no item 2 do Ofício da Suframa de nº 3454, de 23/4/2008 (fl. 382), que comunicou à recorrente a concessão do crédito de 480.000 unidades de PCI montadas e/ou controles remotos a serem importadas e agregadas aos produtos fabricados até 17/4/2009, data final do primeiro ano de operação. O referido crédito fora deferido com base nas informações e conclusões consignadas na Nota Técnica nº 145/2008, de 22/4/2008 (fls. 383/386), na qual também foi ressaltada que, ao final do primeiro ano de operação, seria feita uma verificação dos créditos concedidos, a fim de comprovar o efetivo cumprimento do PPB. Em atendimento ao que fora solicitado na referida diligência, em 2/10/2013, por meio do Ofício GAB/ALF/MNS nº 0293/2013 (fl. 259), foi solicitado à Suframa que confirmasse se a importação das PCI montadas atendia o PPB aprovado para aparelho de áudio e vídeo, fixado no Anexo XI do Decreto 783/1993. Em resposta, em 31/10/2013, por intermédio do Ofício nº 5791 SPR/CGAPI/COPIN (fl. 262), o Superintendente Adjunto de Projetos da Suframa informou que fora autorizada a importação da PCI montada dentro do percentual de 12% (doze por cento) de placas de montagem nacional, segundo previa o “item 2 das observações do Anexo XI do Decreto nº 783/1993, com redação dada pelo art. 3º da Portaria Interministerial nº 10/2006.” Assim, embora tenha autorizado, a título de crédito, a importação de 480.000 unidades de PCI montadas, nesse último ofício, a Suframa reafirmou, novamente, a necessidade de a recorrente comprovar a utilização da quantidade das PCI nacionais, previstas para serem aplicadas na fabricação dos aparelhos de áudio e vídeo produzidos no primeiro ano de operação, que, de acordo com a referida nota técnica, foi fixada em 4.480.000 unidades. Na informação fiscal de fls. 301/303, com base na lista de insumo fornecida pela própria recorrente, não fora encontradas no respectivo arquivo digital PCI montadas nacionais. De outra parte, embora ciente da necessidade de comprovação da utilização da quantidade de PCI nacionais, nas três oportunidades que a recorrente compareceu aos autos, em vez de apresentar a documentação comprobatória hábil e idônea de aquisição e utilização das PCI montadas nacionais nos aparelhos de áudio e vídeo por ela produzidos até 17/4/2009, Fl. 426DF CARF MF 12 data final do primeiro ano de operação, a recorrente limitouse em apresentar alegações genéricas de que havia cumprido o referido limite, sem qualquer fundamento fático ou jurídico. De fato, na ausência das referidas provas, a recorrente alegou que não houve descumprimento do limite de 12% (doze por cento), uma vez que fora autorizada pela Suframa a importar 480.000 (quatrocentos e oitenta mil) unidades de placas montadas e só importara 89.933 (oitenta e nove mil, novecentos e trinta e três) unidades, o que representava pouco mais de 16% (dezesseis por cento) do limite autorizado. Essa alegação seria procedente, se a recorrente tivesse comprovado a utilização da quantidade total das PCI nacionais, que se comprometera utilizar na fabricação dos referidos aparelhos, na petição com data de 31/3/2008 (fls. 380/381), em que assumira o compromisso de utilizar nos produtos a serem fabricados a quantidade total de 4.480.000 unidades de PCI nacionais, que serviu de suporte para o cálculo e deferimento do crédito de importação das 480.000 unidades de PCI montadas, apresentado na referida nota técnica. Enfim, em vez de carrear aos autos as referidas provas, a recorrente ainda alegou que o disposto no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972 asseguravalhe o direito de apresentar novas alegações e provas quanto ao descumprimento do PPB por ter ultrapassado o limite percentual máximo de 12% (doze por cento) de placas montadas importadas, porque se tratava de fato superveniente à fase de impugnação. No entanto, sabedora dessa permissão legal, em vez de apresentar as provas adequadas, para fim de comprovar a utilização da quantidade de PCI nacionais na fabricação dos referidos aparelhos, conforme já mencionado, a recorrente limitouse em apresentar alegações genéricas de que havia cumprido o PPB do produto internado no período da autuação. Com base nessas considerações e tendo em conta que não há, nos autos, comprovação da utilização de nenhuma PCI nacional na fabricação dos produtos fabricados pela recorrente no primeiro ano de operação, chegase a conclusão de que houve integral descumprimento do PPB das câmaras de vídeo internadas no período da autuação. Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminar a nulidade da autuação e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721865/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN.
Recurso negado
Numero da decisão: 3402-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. Recurso negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.721865/2011-01
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5730724
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.137
nome_arquivo_s : Decisao_19515721865201101.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 19515721865201101_5730724.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6787961
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210150977536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721865/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.137 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria IPI Recorrente XTONER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 65 /2 01 1- 01 Fl. 937DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como juros de mora e multa de ofício de qualificada para o patamar de 150%, levado a ciência do contribuinte em 29/11/2011. Igualmente cobrase de multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. Por bem consolidar os Fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 788/811, foram apuradas as seguintes infrações: 1. O contribuinte deu saídas de cartuchos de tinta e toner remanufaturados sob os CFOP´s 5.124 e 6.124 (industrialização efetuada para outra empresa), sem lançamento do IPI. Tais saídas se operaram com suspensão do IPI, embasadas no artigo 42, inciso VII do RIPI/2002. Como decorrência do não atendimento aos requisitos exigidos pela legislação para que seus produtos saíssem com suspensão do imposto, a fiscalização realizou o lançamento dos valores devidos a título de IPI nessas saídas; 2. Creditamento de valores de IPI relativos a operações caracterizadas como revenda (CFOP´s 1.102 e 2.102), o que não é permitido. Essas operações se configuram, apenas, como custo para a revenda, sendo que não poderiam ter sido escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI. Tais valores de IPI indevidamente creditados foram glosados. A multa aplicada foi de 150%, pois o contribuinte ao não realizar o lançamento nas saídas de produtos sob os CFOP´s nº 5.124 e 6.124 e ao se creditar indevidamente dos produtos para revenda, suprimiu/reduziu os valores de IPI que deveriam ser recolhidos. Com isto, há fortes indícios de que a empresa objetivou não recolher a totalidade dos tributos a que estava sujeita, configurando, em tese, como crime contra a ordem tributária conforme o que reza o artigo 1º e seus incisos I e II e o artigo 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo nº 19515.721866/2011 47. Às fls. 829 a 830 dos autos, consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária, lavrado contra Rodrigo Belatto Fl. 938DF CARF MF Processo nº 19515.721865/201101 Acórdão n.º 3402004.137 S3C4T2 Fl. 112 3 Marques, CPF n° 286.216.21835, cuja ciência foi dada em 30/11/2011 (AR à fl. 831). Às fls. 832 a 833 dos autos, consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária, lavrado contra Inácio José Oliveira Gusmão, CPF n° 244.272.927 04, cuja ciência foi dada em 01/12/2011 (AR à fl. 834). Regularmente cientificado do auto de infração em 29/11/2011, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 838/848, alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, requer nulidade do auto de infração por afronta ao princípio da verdade material. O processo administrativo tributário busca a verdade material, esmerandose em alcançála mediante a produção de todas as provas possíveis e a consideração de todos os fatos, mesmo que não tenham sido alegados ou declarados. Devem ser desprezadas,no processo administrativo, presunções arbitramentos ou qualquer forma de aferição indireta, prevalecendo a verdade material; 2. No caso do IPI, cujo lançamento é por homologação, a contagem do prazo decadencial é regida pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. Ou seja, o prazo decadencial é de 5 anos contado a partir da ocorrência do fato gerador. Após esse prazo, a Administração Pública perde o direito de lançar eventual diferença de tributo; 3. Corrente doutrinária entende que não havendo pagamento antecipado, aplicase o previsto no inciso I do art. 173 do CTN. Porém, este não é o caso, pois essa hipótese não se configura de maneira alguma tendo em vista que a impugnante procedeu à compensação dos valores devidos em sede de IPI, sendo esta modalidade apta à extinção do crédito tributário. O então Primeiro Conselho de Contribuintes já vinha se manifestando sobre o assunto, definindo que a ausência de recolhimento não impede a caracterização do lançamento por homologação, firmando que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo já que houve pagamento, pelo que se aplica o previsto no art. 150, § 4°, do CTN; 4. O auto de infração foi lavrado em 29/11/2011, assim estariam decaídos os fatos geradores ocorridos até 29 de novembro de 2006; 5. A Fiscalização entendeu que havia indícios criminais, sem, no entanto, restar provada essa hipótese. Indício não é crime e não é bastante para o agravamento da multa imposta. Dolo deve ser provado e não presumido. E, no presente caso, a fiscalização não mencionou nenhuma situação dessa natureza, não indicou quais os Fl. 939DF CARF MF 4 procedimentos realizados pela empresa que levaram a fiscalização a sequer se aproximar de uma situação que pudesse ensejar a ocorrência de dolo no comportamento da autuada; 6. É inadmissível e absurda a presunção de que o procedimento da empresa se configurava como crime contra a ordem tributária. O que houve, na realidade, foi a interpretação equivocada da legislação do IPI, situação passível de ocorrer com qualquer empresa, dada a complexidade com que se apresenta o ordenamento tributário do Pais; 7. A empresa opera no ramo de remanufatura de cartuchos de impressão, recebendo os cartuchos vazios enviados por seus clientes, procedendo simplesmente ao enchimento dos mesmos com tinta ou toner, conforme o tipo do equipamento, e devolvendoos em seguida ao encomendante, que os utiliza em suas atividades fins; 8. Com bastante objetividade e cristalina definição a Solução de Consulta nº 270, da SRRF 8ª, veio apresentar o entendimento da Receita Federal sobre esse tema, definindo que nas hipóteses em que os cartuchos usados recondicionados se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, a operação não é considerada industrialização; 9. Destarte, claro está que as operações realizadas pela empresa impugnante não se configuram como industrialização, e dessa forma não sujeitas à incidência do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, diferentemente de como pretendia a douta fiscalização, ao lavrar o questionado auto de infração; 10. Ao final, requer a total improcedência do procedimento fiscal questionado, como medida de Direito e Justiça. A DRJ de Ribeirão Preto julgou a impugnação apresentada pelo Contribuinte em 03/07/2012, concluindo pela parcial improcedência da autuação fiscal. Em fls , encontrase o seguinte despacho: Tratase de auto de infração de IPI com multa proporcional de 150% e multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito (código de receita 6939). No Acórdão nº 1438.198 da 8ª Turma da DRJ/RPO o lançamento foi considerado procedente em parte, nos termos da conclusão do voto, que reduziu a multa de ofício de 150% para 75% e alterado o crédito tributário lançado conforme demonstrativo. O resultado do julgamento informado pela DRJ/RPO no sistema SIEF Processo consta a manutenção integral dos valores da multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito (código de receita 6939), conforme o extrato do processo. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19515.721865/201101 Acórdão n.º 3402004.137 S3C4T2 Fl. 113 5 Sendo assim, proponho o retorno à DRJ/RPO para manifestação em relação ao lançamento da multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, no sentido de esclarecer se essa multa foi mantida ou exonerada, tendo em vista que o IPI nas saídas de cartuchos de tinta e toner remanufaturados sob os CFOP's 5.124 e 6.124 foi julgado improcedente. Em resposta, foi expedido o despacho de 23/07/2014, com o seguinte conteúdo: Informo que o sistema Sief foi devidamente atualizado com o resultado de julgamento, nos termos do acórdão proferido, exonerando o crédito tributário referente ao lançamento da multa sobre o IPI (multa isolada).Retornese a Dicat/Derat/SP. Cientificado do resultado do julgamento em 31/07/2014, na data de 18/08/2014 foi interposto recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) pela empresa Recorrente. Não há nos autos impugnação ou recurso voluntário em nome dos responsáveis solidários. As razões expostas na peça dirigida a este Conselho são as mesmas daquelas apresentadas na impugnação, com relação à decadência (em tópico nomeado pela Recorrente como "preliminar de nulidade") e às saídas de produtos sob os CFOPS n. 5.124 e 6.124 sem o lançamento do IPI. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. Primeiramente, saliento que os valores exonerados pelo DRJ estão abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, não havendo, portanto, recurso de ofício a ser julgado. Permanece, assim, incólume o acórdão a quo sobre: (i) o cancelamento da cobrança do IPI nas saídas de cartuchos de tinta e toner remanufaturados sob os CFOP´s 5.124 e 6.124 (industrialização efetuada para outra empresa); 1 (ii) a redução da multa que fora lançada no patamar de 150%, para 75%, uma vez que não se caracterizou o dolo ou evidente intuito de fraude no presente caso. 2 1 Nas palavras do voto do Relator: "Assim, em que pese estar correto o entendimento da fiscalização quanto ao não atendimento pelo contribuinte aos requisitos da suspensão exigidos no artigo 43, inciso VII do RIPI/2010, as operações de saída dos cartuchos de tinta e toners remanufaturados, sob os Códigos de Operações Fiscais CFOP´s nº 5.124 e 6.124 (industrialização efetuada para outra empresa), consideradas não industrialização nos termos do inciso XI do art. 5º do RIPI/2010, não são sujeitas às incidências do IPI." Fl. 941DF CARF MF 6 Ademais, a questão das glosas referente ao creditamento de valores de IPI de operações caracterizadas como revenda (CFOP´s 1.102 e 2.102) encontrase preclusa, nos moldes do artigo 17 do Decreto 70.35/72, já que não foi contestada pela Contribuinte. O que resta então para o presente julgamento é a decadência, pois apesar de a Recorrente trazer tópico em seu recurso acerca das saídas de produtos sob os CFOPS n. 5.124 e 6.124 sem o lançamento do IPI, tal cobrança já foi exonerada pela DRJ, como foi acima descrito. Pois bem. A Recorrente arguiu a decadência do direito do fisco exigir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos até 29/11/2006, pois o auto de infração foi notificado em 29/11/2011 e deve ser aplicado ao caso o artigo 150,§4º do CTN para a contagem do prazo. A DRJ, avaliando tão somente os valores de IPI relativos a operações caracterizadas como revenda (CFOP´s 1.102 e 2.102), afastou a aplicação do artigo 150, §4º do CTN, optando pela utilização do artigo 173 do CTN, por entender que não ocorre in casu nenhum pagamento de valores a título do IPI. Em suas palavras: " Nesse sentido a disposição contida no artigo 124 e seu parágrafo único do RIPI/2002, esclarece que considera se pagamento: I) o recolhimento do saldo devedor, após a dedução dos créditos admitidos, no período de apuração; II) (...); e III) a dedução dos débitos, no período de apuração, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. A autuação calcase justamente na inadmissibilidade dos créditos escriturados. Assim, aos débitos relativos aos períodos de apuração cuja decadência é alegada, por terem sido compensados com créditos não admitidos na legislação do IPI, não se aplica a regra do lançamento por homologação. Diante a inaplicabilidade da regra especial do art. 150, § 4º, resta a regra geral do art. 173, inciso I do CTN, pela qual o termo final para constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício ocorreria em 31/12/2011." Inicialmente, cumpre lembrar que o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 973.733/SC, o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN); do contrário, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.1. O prazo decadencial qüinqüenal para o 2 " Para aplicar a multa agravada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Fazse necessário que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas as circunstâncias materiais do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de fraude. Sendo assim, devese reduzir a multa de lançamento de ofício qualificada para multa de lançamento de ofício regular de 75%." Fl. 942DF CARF MF Processo nº 19515.721865/201101 Acórdão n.º 3402004.137 S3C4T2 Fl. 114 7 Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e). (REsp 973733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo) (grifei) No âmbito do IPI, a questão que se coloca é como deve ser lido o "pagamento", diante da sistemática de compensação de créditos e débitos do imposto, nos moldes do artigo 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 , in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. No presente caso, os créditos são de fato indevidos, porque são relativos a operações de revenda. Ademais, analisando os livros de apuração do IPI constantes nos autos, verifico que os créditos eram superiores aos débitos no período fiscalizado, restando a Recorrente sistematicamente com saldo credor do imposto. Porém, tais fatos não alteram a regra de contagem do prazo decadência a ser utilizado, que permanece sendo a do artigo 150, §4º do CTN, uma vez que a compensação de créditos e débitos do IPI é considerada como pagamento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos apresentou a melhor leitura dos dispositivos em questão, proferindo voto em julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF nº 9303003.299), cujos termos reproduzo abaixo: Considero que o objetivo desse dispositivo é compatibilizar as normas de apuração do imposto, em face do princípio da não cumulatividade, àquelas do Código Tributário Nacional relativas ao lançamento por homologação. Mais claramente, Fl. 943DF CARF MF 8 dispor sobre os casos em que o contribuinte nada recolhe (em Darf) simplesmente porque entende nada ter a recolher. Registro, por isso, que só estamos a julgar sob tal dispositivo o período de apuração de agosto de 1999, em que nada foi recolhido em DARF, dado que o montante dos créditos que o contribuinte entendia possuir foi suficiente para "liquidar" todo o débito do período. O mesmo não ocorreu com respeito ao mês de junho de 1999, em que houve saldo devedor, aparentemente recolhido por meio de DARF já que a fiscalização o considerou na apuração que fez (planilha de fls. 199/202 dos autos). Como se sabe, muito discutiu a doutrina acerca da necessidade de efetivo recolhimento para que a decadência se contasse na forma do art. 150. Os opositores a essa corrente sempre apontaram exatamente essa situação em que o sujeito passivo realiza todos os procedimentos que a Lei lhe exige, mas constata, ao final, nada ter a recolher. Isso não era bem resolvido nos tributos cumulativos, a exemplo do PIS e da COFINS, até porque a possibilidade de saldo zero era remota. No caso do IPI, porém, (e também do ICMS estadual) ela é bem real. Por isso, é que leio a equiparação a pagamento prevista no regulamento do IPI como sendo bastante ampla. Com efeito, pareceme que ela procura assegurar que uma vez escriturados os créditos a que o sujeito passivo entenda ter direito (ainda que erradamente) o prazo de que dispõe a Fazenda para revisar os procedimentos adotados é o do art. 150, salvo se em tais procedimentos comprovadamente tiver agido com dolo, fraude ou simulação. Essa leitura soame mais consentânea com a lógica daquele artigo, que transfere ao sujeito passivo responsabilidades que, a todo sentido, deveriam ser do sujeito ativo (porquanto de seu interesse) e apenas lhe traz como bônus a redução do prazo revisional. Assim, a menos que saiba ou deva saber não serem aproveitáveis (admitidos) os créditos que está a escriturar, hipótese em que essa escrituração seria dolosa, o sujeito passivo não pode apenas arcar com o ônus das disposições do art. 150, isto é, proceder a todos os controles e apurações ali previstos e ainda assim poder ter contra si lavrado auto de infração no prazo do art. 173, I. Essa interpretação, aliás, o colocaria na mesma situação de quem não adotasse qualquer daqueles procedimentos, desde que, também a este, não se pudesse imputar dolo. Notese que quando de efetivo recolhimento em Darf se trata, a situação é rigorosamente a mesma: a menos que se tenha viabilizado de forma dolosa, o recolhimento, ainda que a menor que o devido, tem a força de manter o prazo decadencial contado na forma do art. 150. Desnecessário repetir, a fiscalização não fez acusação de atitude dolosa por parte do autuado e, coerentemente, não qualificou a multa aplicada. Entendo que até o poderia porque não há na legislação do IPI qualquer dispositivo que autorize o creditamento de valores a título de "tributos pagos Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19515.721865/201101 Acórdão n.º 3402004.137 S3C4T2 Fl. 115 9 indevidamente", mas a sua ausência implica, a meu sentir, a manutenção das disposições relativas ao lançamento por homologação No presente caso, inexiste dolo ou fraude perpetradas pela Recorrente, como bem constatou o julgamento a quo. Assim, devem ser considerados como pagamentos as compensação efetuadas pela Recorrente em sua escrita fiscal, nos termos do artigo 124, inciso III do RIPI/2002, ensejando, por conseguinte, a aplicação da contagem decadencial a partir do fato gerador do IPI, como determina o artigo 150, §4º do CTN. Tendo isso em vista, concluímos que no presente processo: i) tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação (IPI); ii) há prova nos autos da dedução dos débitos com créditos, no período de apuração do imposto, sem resultar saldo a recolher; iii) o creditamento indevido do IPI não caracteriza conduta dolosa ou fraudulenta; iv) o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 29/11/2011; v) a autuação se refere a fatos ocorridos entre 01/01/2006 a 31/12/2006. Desse modo, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de exigir parte dos créditos tributários em discussão, cujos fatos geradores são anteriores a 29/11/2006, uma vez que o prazo de decadência tem como termo a quo o fato gerador do tributo. 3. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, para cancelar a cobrança do crédito tributário decaído, referente aos fatos geradores anteriores a 29/11/2006. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Fui designado relator em relação à decadência, pois vencedora minha posição de que no caso não ocorreu a mesma, restando, em consequência, negado provimento ao recurso. Entende a relatora, em síntese, que a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, nos termos do regulamento do IPI, considerase pagamento. A meu sentir, equivocado tal entendimento, pois tratandose de créditos ilegítimos, como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não pode operar, uma vez esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. Fl. 945DF CARF MF 10 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a glosa dos créditos ilegítimos da escrita do contribuinte os saldos credores passaram a ser devedores, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I do CTN. Tratandose de fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2006, sendo que em todos esses meses, após a glosa, restaram sempre saldos devedores, não há que se falar em decadência, pois em relação ao período de apuração mais antigo, janeiro/2006, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2007, encerrandose em 31/12/2011. Como a ciência do lançamento deuse em 29/11/2011 não há que se falar em decadência no presente lançamento, pelo que afasto essa pugnada preliminar de mérito. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Fl. 946DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900326/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/08/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.900326/2014-56
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735106
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.705
nome_arquivo_s : Decisao_13888900326201456.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13888900326201456_5735106.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6812107
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210170900480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900326/201456 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.705 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria IPI pagamento a maior ou indevido Recorrente RMF INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 26 /2 01 4- 56 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900326/201456 Acórdão n.º 3401003.705 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900326/201456 Acórdão n.º 3401003.705 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900326/201456 Acórdão n.º 3401003.705 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000094/2008-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11686.000094/2008-37
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5737937
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.130
nome_arquivo_s : Decisao_11686000094200837.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11686000094200837_5737937.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6832810
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210174046208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11686.000094/200837 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.130 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 94 /2 00 8- 37 Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.800, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 11686.000094/200837 Acórdão n.º 9303005.130 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1072DF CARF MF
score : 1.0
