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Numero do processo: 19515.721829/2011-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2010
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA
A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos
autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.
Numero da decisão: 9202-005.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes que lhe deram provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 29 /2 01 1- 39 Fl. 1030DF CARF MF 2 por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes que lhe deram provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recursos Especiais, de efls. 823/841 e 871/907, interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, em face do acórdão nº 2201002.637, julgado na sessão do dia 20 de janeiro de 2015, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2010 Ementa: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.031 3 A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração relativo a IRPF, anoscalendário 2006 e 2009. A fiscalização apurou omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, com aplicação da multa qualificada de 150%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, efls. 441/460, em 12/2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a participação que possuía no Banco Pactual, representada por 5.103.350 (cinco milhões, cento e três mil, trezentos e cinquenta) ações ordinárias. Tal alienação resultou na apuração de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 17,0 milhões e de um imposto de renda pessoa física da ordem de R$ 2,55 milhões, sendo R$1,0 milhão no ano de 2006 e R$ 1,55 milhões em 2009 (uma vez que parte do valor da venda foi recebida apenas nessa data, diferindose, assim, sua tributação). Alega a Fiscalização que, antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios societários, que, resumidamente, consistiram na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação Conclui, então, o fiscal autuante que a análise em conjunto de todas as operações que antecederam a alienação das ações representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas entre o grupo Pactual e o contribuinte, evidenciam que este incorreu na prática de ato simulado, ao inflar artificialmente o custo de aquisição das ações, com capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, nas operações de incorporações inversas, com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurandose a hipótese de incidência prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com seu parágrafo 2º. Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi Fl. 1032DF CARF MF 4 expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em 03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão capitalização da empresa Nova Pactual Participações, no valor de R$ 4.982.699,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 6.580.658,70 (R$ 11.563.357,70 R$ 4.982.699,00). Diante de tal lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação de efls. 474/514, alegando a insubsistência do Auto de Infração. A 16ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, conforme acórdão nº 1642.911, de e fls. 692/723, julgou procedente o lançamento. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, efls. 741/791, que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 20 de janeiro de 2015, sendo dado parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de efls. 823/841, requerendo a reforma do acórdão recorrido para que seja restabelecida a qualificação da multa de ofício. Acórdãos ns. 1301001.220 e 1101000.913, utilizados como paradigmas, apresentam as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. RECOMPOSIÇÃO. NECESSIDADE. No lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro devese levar em conta o valor apurado pelo de contribuinte, de modo que a eventual existência de resultados negativos (prejuízo fiscal ou base negativa) deve ser considerada na determinação do saldo a tributar. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.032 5 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tãosomente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado (Acórdão referente ao processo nº 10880.721826/201081 ) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDIC A IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento d e preço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso especial negado. (Acórdão referente ao processo nº 16643.000421/201095) Conforme despacho de efls. 983/987, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, para que seja rediscutida a desqualificação da multa de ofício. O Contribuinte ao obter cópia do processo em 13/05/2015(efls. 872), através do Serviço de Documentação e Informação SEDOC/CARF, considerouse intimado e dentro do prazo legal, interpôs Recurso Especial e apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN. Em seu Recurso Especial de efls. 871/907, o Contribuinte pretende rediscutir: (i) a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS e; (ii) juros de mora sobre a multa de ofício. De acordo com o despacho de efls. 988/992 foi dado seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Fl. 1034DF CARF MF 6 As Contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte, efls. 851/868, requer o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela PGFN, mas em caso de conhecido, que seja negado provimento. Por sua vez, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, efls. 994/1.004, requer o não conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, mas em caso de conhecido, que seja negado provimento. Assim, está em análise as seguintes matérias: (i) a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS; (ii)desqualificação da multa de ofício; (iii) juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora a) Recurso Especial do Contribuinte. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Conforme Exame de admissibilidade de efls. 988/992, O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte pretende a rediscussão de duas matérias: (i) a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS; (ii) juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, passo a análise das questões levantadas pelo Contribuinte. (I) a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS. Essa matéria não é nova no âmbito dessa E. CSRF, a título exemplificativo destaco os seguintes acórdãos: 9202003.699, 9202003.700 e os mais recentes 9202003.960 e 9202003.961. Nas sessões passadas, cito os acórdãos 9202003.699 e 9202003.700, acompanhava o voto do ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira, porém, recentemente Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.033 7 conforme acórdãos 9202003.960 e 9202003.961, acompanhei o posicionamento da ilustre Conselheira Ana Paula Fernandes no caso envolvendo a mesma operação. Assim, reproduzo o voto da ilustre conselheira Ana Paula Fernandes proferido no acórdão 9202003.961, como forma de manter o meu posicionamento em relação a matéria em questão. 1 RECURSO DO CONTRIBUINTE. DA FORMA DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO A SER CONSIDERADO NO CÁLCULO DO GANHO DE CAPITAL. DO ARBITRAMENTO. DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Em sessão passada acompanhei o brilhante voto do eminente conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, contudo, com o passar as sessões, analisando detidamente os recursos de cada um dos processos que vêm sendo julgado nesta turma, bem como as sustentações orais proferidas, fui definindo um entendimento divergente. Observando os casos já julgados, os quais são análogos ao processo que hora passo a julgar, não posso deixar de demonstrar minha enorme preocupação com a pacificação social. Afinal, a regras num Estado Democrático de Direito são definidas para serem cumpridas, mas para isso elas precisam ser claras, objetivas e não levantarem dúvidas a respeito de seu cumprimento. Isso garante a segurança jurídica e demonstra a seriedade de nossas Instituições. No caso em tela, observo dois pontos a serem analisados no tocante ao auto de infração que deu origem a este processo. Primeiramente a utilização do artigo 135 (RIR) para ganhos advindos do Método de Equiparação Patrimonial MEP, e em segundo momento a forma de constituição do auto de infração pela via do Arbitramento. Quanto ao primeiro tópico, observo que há uma discrepância entre a interpretação dada pelo contribuinte e a que foi dada pela fiscalização, no tocante a regra do Imposto de Renda Pessoa Física, que define o que deve e o que não deve ser tributado nestas operações. E isso sim gerou grande dúvida a respeito de sua aplicabilidade. Entendeu a Receita Federal que a extinção das sociedades holdings por meio de incorporações acompanhadas de capitalizações de lucros e reservas de lucros acumulados teria gerado uma majoração artificial dos custos de aquisição de investimentos detidos pelas pessoas físicas alienantes. E em razão disso, tratou a Administração Pública por desconsiderar o efeito das capitalizações dos lucros advindos pelo Método de Equivalência Patrimonial. Fl. 1036DF CARF MF 8 Observo, portanto, que toda problemática reside na possibilidade ou não de capitalização de lucros advindos da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial. A questão levanta dúvidas. Tanto é verdade que a própria Administração Pública no momento de fiscalizar o imposto devido autuou os contribuintes com cinco teses distintas de interpretação da legislação fiscaltributária para fins de cálculo do custo de aquisição. Ora, se a mesma legislação, no caso em tela, especificamente os mesmos dispositivos legais, levou os fiscais, auditores da Receita Federal, a cinco interpretações distintas, isso nos leva a crer que não se trata de simples equívoco interpretativo, mas sim de dúvida razoável causada pela impropriedade do texto legal. A celeuma citada se refere ao artigo 135 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 1999), cuja regra matriz é o artigo 10 da Lei 9.249/95. Vejamos o que diz o comando legal, no trecho que interessa a lide: Lei 9.249/95 Art. 10 Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. (...) Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Seguindo entendimento esposado por esta Turma anteriormente, o referido artigo não se aplicaria às bonificações decorrentes da capitalização de lucros formados com ganhos provenientes da aplicação do método de equivalência patrimonial, pois os lucros, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo e custo para o investidor, seriam aqueles capazes de atingir o patrimônio da pessoa física (o que excluiria aqueles advindos pelo MEP). Contudo, o contribuinte alega que esta interpretação está dissociada da lei e dos conceitos de receita e lucro da legislação vigente, e que, ainda que fosse necessário que este atingisse o patrimônio da pessoa física, pois os ganhos do MEP são possíveis de chegar ao seu patrimônio, só não são obrigatórios dependendo de um fato de natureza exclusivamente financeira – disponibilidade de caixa ou da vontade da companhia. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.034 9 Compulsando os autos e toda legislação aplicável, reconheço que assiste razão ao contribuinte. A literalidade da norma leva a conclusão de que a capitalização de lucros implica um aumento do custo da correspondente participação societária. Observese que a lei fala em capitalização, logo isso se aplica a qualquer capitalização, uma vez que a lei não traz exceções. Isso decore do fato de que a norma positiva não faz qualquer distinção quanto a forma ou modo que deve ser operacionalizada esta "capitalização" para que esse aumento corresponda a participação societária. Entender assim gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações? Pode ser que sim. Contudo isso decorre de impropriedade legal, não cabendo a Administração Pública dar a interpretação que lhe assiste para corrigir a impropriedade de um texto de lei, utilizandose de fundamentos outros que não aqueles que se encontram no comando legal do dispositivo em apreço. Para esclarecer, quando um investimento é contabilizado pelo Método de Equivalência Patrimonial, os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora. E o que são estas receitas? São resultados positivos ou ganhos de equivalência, que não configuram propriamente lucro da investidora, mas se consubstanciam como elemento positivo na formação deste, que a rigor, segundo a explicação de diversos especialistas contábeis, podem vir a existir ou não dependendo do conjunto de receitas de despesas desta sociedade. Os ganhos advindos do MEP advêm de um ativo classificado como investimento, e por esta razão realizamse financeiramente num prazo mais longo que as demais receitas. Então se os ganhos de MEP representam uma receita efetiva da investidora porque não estão sujeitas a incidência de imposto de renda e outros tributos? Isso ocorre por que a lei permite sua exclusão da base de cálculo dos mesmos, exclusão essa que não ocorre na base de cálculo do imposto de renda, quando o lucro provém de investimentos em controladas ou coligadas sediadas no exterior (Art. 74 da MP 2.15335/2001). Assim, as receitas de MEP não apenas integram o resultado do exercício da investidora como também devem ser distribuídos (Art. 202, §6º da Lei 6.404/76), embora em alguns casos haja autorização legal para que não o seja feito. E para o bom deslinde desta questão é fundamental compreender, o que isso significa. Ou seja, como regra, os ganhos advindos pelo MEP devem ser distribuídos, mas, como estes correspondem a lucros não realizados, a Lei que regula o funcionamento das Sociedades Anônimas, faculta as companhias que estes lucros sejam mantidos em uma reserva específica, o que o contribuinte aduz ser possível com a finalidade de preservar a saúde financeira destas Sociedades. Fl. 1038DF CARF MF 10 Logo, se os ganhos de equivalência são suscetíveis de distribuição (prevista em lei), leva a conclusão que poderiam também gerar aumento de custo, quando capitalizados. E sua ocorrência vai depender de fatores como Situação financeira da Sociedade ou até mesmo sua conveniência, uma vez que a distribuição de dividendos em bens é uma possibilidade legal prevista na Lei das Sociedades Anônimas. A doutrina do Direito tributário também compreende deste modo. Vejamos o que diz o ilustre professor Heleno Taveira Torres: Ao tempo que o instituto da capitalização de lucros corresponde, legalmente, ao acréscimo do custo da participação dos sócios que decidem por não distribuíIos, apenas a diferença entre o novo custo (majorado) e o valor recebido, quando da venda de participação societária, gerará ganho de capital. a ser tributado pelo Imposto de Renda. Entendimento diverso fere a legalidade, a condicional', no país, o exame da capacidade contributiva. Importa considerar que o caso em tela não envolve a utilização artificial de "empresas veículo", com vistas ao aumento irreal dos custos de aquisição das participações societárias detidas pelo Consulente. Embora meu entendimento pessoal seja de que o artigo 135 do RIR seja uma forma inadequada de tratar os ganhos advindos do MEP, justamente pela possibilidade de admitir a duplicidade (a meu ver imoral) de aproveitamento de custos, que foi muito bem demonstrada no voto que acompanhei em sessões anteriores, ainda assim é uma forma legal, cujas distorções econômicas foram geradas pela literalidade do texto de lei, cujo regimento interno deste Conselho me impede de afastar vigência. Ou seja, por mais imoral ou excessiva que seja a duplicidade de aproveitamento de custos realizada pelo contribuinte, não cabe a este conselho administrativo, alterar o texto da lei por meio de construções interpretativas, com a finalidade de corrigir impropriedades, com as quais deveria ter sido mais cauteloso o legislador. É princípio basilar do Direito Administrativo o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.035 11 Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a idéia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. Voltando para análise do caso concreto, vemos que os ganhos advindos do Método de Equivalência Patrimonial representam meras receitas da investidora, integram sua conta de resultados e são responsáveis pela formação de seu lucro. E não há qualquer menção na redação do artigo 135 do RIR que afaste seus efeitos do ganho de MEP, não há sequer dúvida a respeito, ao contrário, o artigo não coloca isso em discussão, não gerando, portanto, nenhuma dúvida de que o Contribuinte então possa fazêlo. Até por que em diversos casos a Receita Federal permitiu isso. E não é admitido que a permissão ou proibição seja definida com base em quem tem vantagem com a conduta, pois, conforme já foi dito anteriormente, a Administração só cabe fazer aquilo que está Fl. 1040DF CARF MF 12 previsto em Lei, não podendo interpretar a norma a seu bel prazer de acordo com o que lhe traga vantagem. Por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, compreender e aplicar a lei diferente desse entendimento, consiste em tentar mudar por força de ato administrativo interpretativo, previsão disposta em lei, impondo ao particular uma proibição que não se encontra no texto legal. Seja por omissão ou vontade do legislador, o fato é que ele nada disse sobre isso. Nesse ponto cabe citar o parecer jurídico do Professor Heleno Taveira Torres: À guisa de complementação, as operações de aumento de capital social, mediante capitalização de lucros, devidamente garantida pelo método da equivalência patrimonial, caro à contabilização das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, como se verá adiante, bem conduziram, no caso. o Consulente ao aumento do valor nominal da participação societária. Tratase de efeito civil de instituto de direito privado (Lei n. 6.404/1976, art. 169) precisamente mantido, nos mesmos moldes e sem quaisquer ressalvas, pelo legislador fiscal. nos termos do art. 135 do RIR/1999. Por força do art. 109 do CTN, tão relembrado neste Parecer. afiguramse juridicamente impossíveis in casu quaisquer ajustes promovidos, em via interpretativa, pela Administração Fazendária. No que toca aos atos e negócios jurídicos praticados de acordo com as normas existentes, a função social dos contratos (CC/2002, art. 421), garantida constitucionalmente, ao lado da liberdade de iniciativa econômica, impedem a desconsideração e a requalificação na situação sob exame. pelos agentes fiscais, sem observância do art, 149, VII do CTN. Resta evidente que a Receita Federal já se deu conta da problemática que reside na literalidade do texto legal, contudo não cabe ao Poder Executivo, por meio de atos interpretativos da Administração Pública, Fiscalização e Conselho de Recursos Fiscais, corrigir eventuais distorções econômicas advindas da aplicação da lei. Observo, inclusive, que tal necessidade já chegou ao conhecimento do Poder Legislativo, que, por meio da MP n. 694/2015, tenciona tal ajuste. Contudo, até que ele ocorra, não poderá ser imputado ao Contribuinte proibições, sanções ou quaisquer atos mais gravosos que aqueles “estritamente” constantes no texto de lei. Motivo pelo qual, em função da redação original da Lei (nunca alterada) julgo ser plenamente possível a sua utilização para ganhos advindos do emprego do método de equiparação patrimonial. Por fim, impossível ignorar os apontamentos como muito bem ponderados pelo Professor Heleno Taveira Torres, ao analisar os fatos atinentes ao caso da reestruturação operada entre as Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.036 13 sociedades holdings, que detinham investimentos do BANCO PACTUAL S/A, no qual pontua estarem devidamente escriturados todos os efeitos contábeis e fiscais, a exemplo da capitalização de lucros, decorrentes dos mencionados atos, os quais foram corretamente levados não só ao conhecimento do Fisco, mas, igualmente, do Banco Central do Brasil. Desse modo, não restaria, à Administração Fazendária, outra opção, senão reconstituir o efetivo custo de aquisição do investimento detido pelo contribuinte na aludida instituição financeira, louvandose nos elementos idôneos aos quais teve acesso, caso pretendesse validamente questionar a base de cálculo por este utilizada em auto lançamento, quando do cômputo do ganho de capital. A alegação dada por àqueles que insistem em defender o contrário é a de que a adoção do método de interpretação sistemática proibiria a aplicação do artigo 135 do RIR aos ganhos de MEP, o que elidiria a possibilidade de dupla capitalização, como a utilizada pelo contribuinte. Contudo, isso significaria permitir que a Fazenda Nacional desse a interpretação que lhe agrada ao dispositivo com fundamento de que este seria o interesse do Ordenamento Jurídico Tributário Nacional, quando analisado como um todo. Pensar desse modo justificaria que normas positivadas fossem interpretadas sempre no sentido que melhor aprouver à administração, o que não é aceitável num estado que preza pela segurança jurídica e pela repartição dos poderes. Caso contrário a Administração Pública poderá legislar por via transversa, alterando a aplicação do texto de lei toda vez que lhe for conveniente, alegando adoção da interpretação sistemática, o que denota nítida e inaceitável interferência do Poder Executivo no Legislativo. “É princípio de hermenêutica que não pode o intérprete excepcionar quando a lei não excepciona, sob pena de violar o dogma da separação dos Poderes”. (REsp 1499898/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 24/03/2015) Desse modo, em respeito ao princípio razoabilidade e segundo o princípio da legalidade art.37, caput da Constituição Federal – “a Administração está, em toda a sua atividade, adstrita aos ditames da lei, não podendo dar interpretação extensiva ou restritiva, se a norma assim não dispuser. Desta forma, a lei funciona como balizamento mínimo e máximo na atuação estatal" (REsp 603.010/PB, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ 8/11/2004). Contudo, se não forem estas as razões para anulação do auto de infração em comento, ainda existe um segundo ponto que preciso analisar para concluir meu voto. No tocante ao arbitramento de Imposto de Renda Pessoa Física sobre a alienação de participação societária do contribuinte, Fl. 1042DF CARF MF 14 observo que a utilização do arbitramento, previsto no artigo 529 e seguintes do Decreto 3000/99 (RIR), gera dúvidas sobre a assertividade de sua aplicação no caso concreto. O arbitramento é devido somente nos casos em que o contribuinte impede a fiscalização de ter acesso aos seus dados. Contudo não é o que ocorreu no caso em tela, pois verifico total transparência do contribuinte com os atos por ele levados a cabo na alienação de sua participação societária. A Receita Federal não tem como afirmar com as provas dos autos que houve qualquer ato por parte do contribuinte capaz de justificar a opção pelo arbitramento, conforme a previsão do RIR. No Brasil, segundo Maria Rita Ferragut, “a tipificação dos fatos passíveis de serem tributados é rígida, não permitindo qualquer extensão infraconstitucional, estando a competência residual da União Federal (artigo 154,I, da Constituição Federal) excepcionada dessa regra desde que exercida obedecendose os limites impostos pela Carta Magna”(FERRAGUT, M. R. Presunções no Direito Tributário, 2001). O agente administrativo detém competência para estabelecer critérios especiais para a prática de lançamento, por via do arbitramento, espécie do gênero lançamento de ofício, tendente a avaliar preços, bens, serviços ou atos jurídicos, sempre que inexistam documentos ou declarações do contribuinte, ou que, embora existentes não mereçam fé. Contudo, nas palavras da especialista citada “a impossibilidade de comprovação direta da base originária é condição necessária para a aplicação de arbitramento”. Observo aqui que, não há nos autos qualquer situação de SIMULAÇÃO. A análise de fatos concretos denota estarmos diante de uma estrutura previamente existente, que opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário, para levar a cabo seu intuito de permitir a distribuição desproporcional de lucros, entre os sócios na medida de contribuição de cada um para o êxito da atividade da instituição financeira sob consideração, o que consistiu em efetivo planejamento tributário, constituído dentro das normas legais. E por isso, especificamente no que diz respeito à técnica jurídica do arbitramento, tratase de GRANDE EQUÍVOCO utilizado nestes casos. Registrese, mais uma vez, que o aumento do custo de aquisição decorrente da capitalização de lucros e reservas, prevista no art. 169 da LSA, foi recepcionado, sem ressalvas, pelo legislador tributário, no art. 135 do RIR/1999, o que autoriza concluir que a Administração Fazendária infringiu o art. 109 do CFN. E esse aumento de custo de aquisição decorre de operação aritmética de subtração entre o patrimônio final de um contribuinte, consistente em valores recebidos quando da Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.037 15 alienação de ativos em dado espaço de tempo, e o Custo de aquisição destes. E, no cômputo deste custo de aquisição, não podem ser desconsiderados, repitase, os acréscimos legalmente admitidos no direito tributário vigente, ainda que por ficção jurídica; especialmente quando estes acréscimos decorrem de disposições legais expressas, mediante regular utilização de técnicas jurídicocontábeis, como é o Método de Equivalência Patrimonial em operação de reestruturação societária válida e, ademais, referendada pelo Banco Central do Brasil. Tratase de acréscimos decorrentes da recepção expressa de institutos privados, a exemplo da capitalização de lucros e reservas, prevista, sem quaisquer ressalvas, no art. 169 da LSA e arts. 135 e 383 do RIR/1999. Estáse, portanto, diante de Auto de Infração que consigna crédito tributário (IRPF, somado a multa e juros) ilíquido, incerto e inexigível, por dois motivos: 1) Há permissão legal para que o contribuinte tenha seu custo de aquisição majorado por capitalização de lucros oriundos da aplicação de MEP. 2) Tendo em vista que os critérios jurídicos para formação da base de cálculo do imposto ora cobrado não foram respeitados no ato de lavratura do auto de infração entendo este estar eivado de vício material, devendo este restar cancelado. (ii) juros de mora sobre a multa de ofício. De acordo com julgamentos anteriores, acolho o Recurso Especial do Contribuinte também em relação a este ponto, para reconhecer a ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, em face da falta de previsão expressa em lei para tanto. Como fundamento, adoto o voto da ilustre conselheira Cristiane Silva Costa no acórdão nº 9101002.471: Como manifestado em julgamentos anteriores, acolho o recurso especial para reconhecer a ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, em face da falta de previsão expressa em lei para tanto. Isto porque o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, trata apenas dos débitos de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 1044DF CARF MF 16 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) O caput acima colacionado, ao dispor sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições tratou dos débitos decorrentes dos fatos geradores que originam a cobrança destes tributos e contribuições, isto é, os débitos dos tributos. Não tratou, assim, das penalidades decorrentes do descumprimento da obrigação tributária. Acrescentese que o §3º deste dispositivo legal trata da possibilidade de incidência de juros de mora sobre os débitos a que se refere o citado artigo, isto é, débitos de tributos e contribuições devidas à Receita Federal do Brasil expressamente tratados pelo caput , confirmando que não há previsão para incidência de juros sobre a multa de ofício. Ressaltese que os parágrafos de um artigo expressam aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo, ou exceções à regra por ele estabelecidas, conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: (...) c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; Assim, a disposição do §3º, do artigo 61 deve se conformar ao caput deste dispositivo, regulando, assim, os débitos de tributos, contribuições e multa de mora. É oportuno lembrar que o legislador expressamente previu a incidência de juros sobre multas isoladas, como se depreende do artigo 43, da mesma Lei nº 9.430/1996: Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.038 17 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ao regular a multa de ofício, em sentido contrário, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 não estabeleceu expressamente a incidência de juros. Nesse sentido, destacase a , redação do citado dispositivo, com redação vigente ao tempo do fato gerador tratado nestes autos (2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Ressaltese que o Código Tributário Nacional trata de crédito tributário com dois sentidos diferentes, em alguns dispositivos tratando da obrigação tributária e a penalidade pelo descumprimento desta obrigação, como se observa dos artigos 121, 139, 142, em outros apenas como a obrigação tributária principal, como se verifica dos artigos 161 e 164. Colacionase o artigo 164, do Código Tributário Nacional: Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: I de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; II de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal; III de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. Fl. 1046DF CARF MF 18 § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. Ao dispor que cabe a consignação na hipótese de recusa ao pagamento "outro tributo ou de penalidade" evidencia que no crédito tributário tratado pelo artigo 164 não está incluída penalidade. No mesmo sentido, dispõe o artigo 161, do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Notese que o artigo 161, do Código Tributário Nacional, define a incidência de juros de mora, "sem prejuízo das penalidades", revelando que estas penalidades não compõe o crédito tributário na acepção expressa por este dispositivo. O §1º do artigo 161 expressa "aspectos complementares à norma enunciada no caput" (conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998) e, portanto, não infirma a conclusão que a penalidade não está incluída no crédito como definido por este dispositivo. Assim, voto em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte também em relação a este ponto. b) Recurso Especial da Fazenda Nacional O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Conforme Exame de admissibilidade de efls. 983/987, O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional pretende a rediscussão de uma matéria: (i)desqualificação da multa de ofício; Entendo não ter razão a PGFN, pois, a operação realizada pelo Contribuinte não apresenta indicativo de evidente intuito de fraude. Assim, em relação a esse ponto, adoto o posicionamento da ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira proferido no acórdão nº 9202003.764 Alegouse que os atos praticados pelo contribuinte tiveram como propósito aumentar irregularmente o custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A. Com isso, ele pretendia reduzir a tributação do ganho de capital no momento de encerramento da venda do Banco para a UBS AG. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.039 19 A base dessa argumentação realmente é verdadeira, ou seja, os fatos apresentados geraram a manutenção do lançamento, bem como ficou demonstrado que atos praticados ensejaram o aumento irregular do custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A, diminuindo a base de cálculo final do IRPF. Contudo, não entendo que este fato, por si só enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício aplicável nos casos em que restar evidenciado o intuito de fraude é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, transcrito abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim definem: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima Fl. 1048DF CARF MF 20 transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizando subterfúgios escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. É nesse ponto, que não concordo como o posicionamento adotado pela Fazenda Nacional em seu recurso. No presente caso, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte acerca do art. 135 do RIR, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do imposto a ser pago. O procedimento adotado pelo contribuinte deuse de forma aberta, inclusive com a prestação dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal . Dessa forma, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto a multa qualificada. Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.040 21 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior – RedatorDesignado Com a devida vênia ao voto da nobre Relatora, ouso divergir daquele, quanto ao mérito do Recurso Especial do Contribuinte. Inicio a análise pela matéria de apuração do custo de aquisição, por haver, ali, litígio acerca do montante principal sobre o qual incidiriam os juros sobre multa de ofício, outra matéria abordada no Recurso, constituindose assim a primeira em prejudicial à análise deste última. a) Quanto ao custo de aquisição: Continuo a entender, a propósito, que a correta interpretação do dispositivo legal em questão, a saber o art. 135 do RIR/99, deve privilegiar a consistência do arcabouço normativo como um todo, a partir da adoção do método de interpretação sistemática, em detrimento da adoção de uma interpretação literal, que causa, in casu, relavantes e inaceitáveis inconsistências ("disfuncionalidades") no sistema tributário, permitindo, notese, que se admita que uma série de capitalizações seguida de incorporações reversas multiplique o custo de aquisição de determinada participação societária, de forma a reduzir ou até a eliminar totalmente o ganho de capital apurado, quando de sua posterior alienação. O assunto foi perfeitamente explorado pelo voto vencedor do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos no âmbito do Acórdão 9.202003.700, ao qual continuo a aceder, reproduzindoo, em parte, a seguir, de forma a esclarecer o que aqui se defende e adotando o excerto a seguir aqui também como razões de decidir, verbis: "(...) Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. (...) Fl. 1050DF CARF MF 22 Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988;... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.041 23 o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para não tributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão Fl. 1052DF CARF MF 24 sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.042 25 já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). (...)" Notese que não se está, aqui, nesta linha de interpretação, se violando o princípio da legalidade ou se afastando a vigência de texto legal, mas, sim, interpretandose o Fl. 1054DF CARF MF 26 dispositivo em análise de forma sistemática, a fim de que o arcabouço legal tributário permaneça sem inconsistências, de forma coerente, ainda, com uma interpretação teleologicamente adequada, sendo de se rechaçar que tenha o legislador tencionado criar inconsistências ou disfuncionalidades na tributação em questão (tais como a possibilidade de eliminação do ganho de capital pela realização de um ciclo de capitalizações e incorporações reversas), quando da edição do dispositivo em apreço. Aplicandose tal interpretação ao caso em questão, concluise que não deveriam ser considerados nenhum dos dois aumentos de custo computados pelo autuado decorrentes das capitalizações ocorridas em 2006, em Nova Pactual Participações S/A (no valor de R$ 4.982.699,00), e de Pactual S/A (no valor de R$ 4.482.396,00), uma vez que, note se, o lucro da pessoa jurídica operacional (Banco Pactual S/A) permaneceu passível de distribuição isenta mesmo após tais operações, tendo assim permanecido até o momento da alienação da referida participação. Considerando, todavia, ter a autuação se limitado a glosar parcela inferior ao somatório de ambas as capitalizações e vedada a esta altura a reformatio in pejus, entendo, assim, que é de se manter o custo concedido pela fiscalização, no valor de R$ 6.580.658,70 (vide TVF à efl. 457). Por fim inteiramente cabíveis ao caso em questão também as seguintes considerações adicionais, ainda constantes do referido voto condutor do Acórdão 9.202 003.700 e também aqui adotadas como razões de decidir, verbis: " Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias, ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada. iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. Cumpre lembrar que o julgador não está vinculado ao fundamento das partes, somente não pode exarar uma decisão extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu. Finalmente, quanto ao pedido subsidiário da recorrente de não aplicação de penalidade e juros de mora, a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.043 27 observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada. Assim, é de se manter a multa de ofício aplicada pela autoridade lançadora, bem como os juros de mora incidentes sobre o principal e sobre a multa de ofício, neste último caso em linha com o explicitado a seguir quando da análise do recurso especial de iniciativa da Fazenda Nacional. (...)" Notese, por fim, também, que, em meu entendimento, não se está, aqui, diante de caso de arbitramento da base de cálculo, uma vez que, em nenhum momento, no caso em questão, se adotou critério especial ou substitutivo ao legalmente estabelecido para fins de determinação do custo de aquisição a ser computado quando da apuração do ganho de capital (base de cálculo do IRPF). O que se discute aqui é: na situação fática em questão que abrange aumentos de capital de reservas oriundas do método de equivalência patrimonial, seguidos de incorporações reversas, quais parcelas podem ou não compor este custo, notese, sempre mantido o critério de apuração da base de cálculo do tributo legalmente estabelecido, sem adoção de critérios alternativos ou substitutivos. Rejeito, assim, se tratar, na situação fática, de arbitramento e, ainda, a ocorrência de vício material no auto, uma vez que, o critério jurídico para apuração da base de cálculo legalmente estabelecido foi plenamente obedecido, cabendose tão somente discussão acerca da valoração feita pela fiscalização e pelo autuado, para fins de aplicação do referido critério. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte quanto a esta primeira matéria, mantendose o custo de aquisição concedido pela autoridade lançadora de R$ 6.580,658,70, dada a impossibilidade de reformatio in pejus, bem como mantida, também, a incidência da multa de ofício no patamar de 75%, consoante decisão a quo, acrescida esta última, também, de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, consoante decisão que se segue. b) Quanto aos juros sobre a multa de ofício: Uma vez tendo me posicionado pela negativa de provimento ao pleito do contribuinte quanto ao principal objeto de lançamento, me manifesto agora quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada. A propósito, entendo inexistir, in casu, dúvida sobre a mencionada incidência, adotando como razões de decidir aquelas brilhantemente expostas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, verbis: “ (...) Fl. 1056DF CARF MF 28 Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.044 29 Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de Fl. 1058DF CARF MF 30 que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 19515.721829/201139 Acórdão n.º 9202005.237 CSRFT2 Fl. 1.045 31 T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." Ainda, quanto à taxa a ser utilizada para fins de aplicação dos referidos juros sobre a multa de ofício, em que pese o sólido posicionamento de alguns Conselheiros desta casa, no sentido de necessidade de adoção do art. 161, §1o. da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) em detrimento do art. 61 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, entendo que, no âmbito administrativo deste Conselho, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal (dos quais não vislumbro se poder excluir os valores a título de multa de ofício) já foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (...) Cediço que de forma a se cogitar a aplicação do art. 161, §1o. do CTN, haveria de se afastar a aplicabilidade da referida Súmula à multa de ofício lançada, o que rejeito não só por se tratar, em meu entendimento, a multa de espécie do gênero "débito tributário", mas também, e especialmente, por verificar que dentre os Acórdãos que deram origem à referida Súmula, há situações em que a multa de ofício havia sido aplicada (e.g. Acórdãos 10418.935 e 20211.760), sem que se tenha, porém, ali, se afastado a aplicação de juros SELIC sobre referida multa de ofício, em detrimento da aplicação da multa no patamar de 1% ao mês, na forma proposta pelo entendimento alternativo ao aqui adotado. Assim, concluo pela incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício constante do lançamento e, destarte, também nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte quanto a esta segunda matéria. Fl. 1060DF CARF MF 32 Diante do exposto voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1061DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.006832/2001-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
FALTA DE RECOLHIMENTO. IPI
A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário.
REFIS. DECLARAÇÃO. CONSOLIDAÇÃO DE DÉBITOS.
Somente são considerados confissão de dívida e consolidados automaticamente no Refis os débitos declarados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais-DCTF (rubrica Saldo a Pagar com saldo maior que zero). Débitos declarados com créditos vinculados (pagamentos, compensações, parcelamentos ou ações judiciais) não entram na consolidação da dívida para parcelamento a menos que estejam expressamente relacionados na Declaração do REFIS, o que não ocorreu ao caso.
MULTA DE MORA
Cancelada a multa de oficio, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II, do CTN e substituída pela multa de mora (20%); logo, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inová-lo. Recurso a que se dá provimento parcial.
Numero da decisão: 3201-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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IPI A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário. REFIS. DECLARAÇÃO. CONSOLIDAÇÃO DE DÉBITOS. Somente são considerados confissão de dívida e consolidados automaticamente no Refis os débitos declarados na Declaração de Contribuições e Tributos FederaisDCTF (rubrica “Saldo a Pagar” com saldo maior que zero). Débitos declarados com créditos vinculados (pagamentos, compensações, parcelamentos ou ações judiciais) não entram na consolidação da dívida para parcelamento a menos que estejam expressamente relacionados na Declaração do REFIS, o que não ocorreu ao caso. MULTA DE MORA Cancelada a multa de oficio, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II, do CTN e substituída pela multa de mora (20%); logo, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inová lo. Recurso a que se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 68 32 /2 00 1- 67 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11610.006832/200167 Acórdão n.º 3201002.611 S3C2T1 Fl. 86 2 WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente a decêndios entre janeiro a junho de 1997, no valor total de R$ 53.532,84. O lançamento devese à não comprovação de pagamentos informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) naquele período. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que os débitos estão relacionados e inclusos no Programa de Recuperação Fiscal (Refis). O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO n° 1427.679, de 11/02/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. REFIS. DECLARAÇÃO. CONSOLIDAÇÃO DE DÉBITOS. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11610.006832/200167 Acórdão n.º 3201002.611 S3C2T1 Fl. 87 3 Somente são considerados confissão de dívida e consolidados automaticamente no Refis os débitos declarados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (rubrica “Saldo a Pagar” com saldo maior que zero). Débitos declarados com créditos vinculados (pagamentos, compensações, parcelamentos ou ações judiciais) não entram na consolidação da dívida para parcelamento a menos que estejam expressamente relacionados na Declaração do REFIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgamento foi considerado procedente em parte, cancelando a multa de ofício e registrando que a multa moratória pode ser exigida em procedimento diverso. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Reafirma que o débito fiscal reclamado está incluído no REFIS. Ou melhor, que optou pelo parcelamento, nos termos do artigo 2° da Medida Provisória n° 2.0044, de 13 de janeiro de 2000, que instituiu o Programa de Recuperação fiscal — REFIS, regulamentado pelo Decreto n° 3.342, de 25 de janeiro de 2000, conforme comprova a documentação anexa. Ressaltese como prova documental, apresentou a Recorrente, o cartão de identificação da Pessoa Jurídica e o instrumento particular do capital social. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente a decêndios entre janeiro a junho de 1997, decorrente da não comprovação de pagamentos informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) naquele período. Argumenta a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11610.006832/200167 Acórdão n.º 3201002.611 S3C2T1 Fl. 88 4 recorrente que esses débitos estão relacionados e inclusos no Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Isso posto, somente são considerados confissão de dívida e consolidados automaticamente no Refis os débitos declarados na Declaração de Contribuições e Tributos FederaisDCTF (rubrica “Saldo a Pagar” com saldo maior que zero). Débitos declarados com créditos vinculados (pagamentos, compensações, parcelamentos ou ações judiciais) não entram na consolidação da dívida para parcelamento a menos que estejam expressamente relacionados na Declaração do REFIS, o que não ocorreu ao caso. Transcrevo trecho do voto da decisão a quo, onde a mesma afirma que: Consultando a Declaração Refis arquivada no sistema informatizado da RFB, notei que a declaração não apresenta débitos, ou seja, o contribuinte não declarou aqueles débitos de IPI no REFIS. Na consolidação do Refis também não aparecem estes débitos lançados porque nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTFs do 1º e 2º trimestre de 1997, o contribuinte informou que os débitos de IPI haviam sido pagos (declarados na rubrica “Pagamentos”) e conseqüentemente com “Saldo a Pagar” igual a zero. Então, de acordo com a legislação vigente à época, somente eram considerados confissão de dívida e, portanto, declarados, os saldos dos tributos informados em DCTF. Assim como não havia saldos de imposto relativos aos períodos lançados, não existiam saldos a parcelar. Desta forma, para que os débitos fossem incluídos no Refis deveriam constar na Declaração Refis, fato que não ocorreu, conforme demonstrativo elaborado pela Derat/SP, anexado à fl. 36. Desta forma não há como aceitar a alegação da contribuinte. É o que se verifica, nos termos da IN SRF 43/2000, da seguinte forma: Instrução Normativa SRF nº 043 de 25 abril de 2000 Art. 2o A Declaração Refis será apresentada, até 30 de junho de 2000, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica ou a ela equiparada, na forma da legislação pertinente, que efetuou a opção, com a finalidade de: I – confessar débitos com vencimento até 29 de fevereiro de 2000, não declarados ou não confessados à Secretaria da Receita Federal SRF, total ou parcialmente; II prestar informações relativas a: a) desistência de ações judiciais, impugnações e recursos administrativos; b) créditos e prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros, a serem compensados ou utilizados para fins de liquidação de valores relativos a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios; Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11610.006832/200167 Acórdão n.º 3201002.611 S3C2T1 Fl. 89 5 c) bens imóveis ou bens do ativo imobilizado, para fins de arrolamento; d) modalidade de garantia a ser oferecida, na hipótese em que a pessoa jurídica não houver optado pelo arrolamento de bens. § 1o O disposto nas alíneas "c" e "d" do inciso II não se aplica à hipótese de débito consolidado de valor inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) ou de pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. § 2o Os valores relativos a débitos de impostos e contribuições já declarados ou confessados anteriormente à SRF, inclusive mediante pedido de parcelamento já concedido ou de parcelamento ou compensação ainda pendente de decisão, não deverão ser informados na Declaração Refis. § 3o Na hipótese de débitos declarados ou confessados anteriormente a menor, somente serão incluídos na Declaração Refis os valores correspondentes às diferenças não declaradas ou confessadas. § 4o Os débitos relativos às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não declarados em DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais ou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, deverão ser confessados por meio da Declaração Refis, ainda que as bases de cálculo ou os valores da contribuição já tenham sido informados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIRPJ, não se aplicando, neste caso, o disposto nos parágrafos anteriores. Dessa forma, não assiste razão a Recorrente. E por fim, no tocante à substituição da multa de mora, não há como se manter, pois, a decisão de primeira instância cancelou a multa de oficio imposta, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II (ato não definitivamente julgado), do CTN e a trocou pela mora (20%); pois, entendo que julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração. Não cabe ao aplicador da lei alterar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável para substituir a multa de oficio pela multa de mora, pois a manutenção da mora seria o mesmo que "impor " nova penalidade, pois, uma situação é a da redução da multa de oficio quando lançada; o que é possível; outra é a de mudar a natureza de multa de oficio para a de mora, onde a disposição legal infringida e a penalidade aplicável são totalmente distintas. Dessa forma, entendo que deve ser excluída a multa de mora. Dessa forma, voto por dar provimento parcial, para excluir a multa de mora, ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11610.006832/200167 Acórdão n.º 3201002.611 S3C2T1 Fl. 90 6 Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901615/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3301-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 145 1 144 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.901615/200614 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.140 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria IOF Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 15 /2 00 6- 14 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.901615/200614 Acórdão n.º 3301003.140 S3C3T1 Fl. 146 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0528.806 (fls. 37 a 40), de 17 de maio de 2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22 de maio de 2003. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das caracteristicas do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados.Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.901615/200614 Acórdão n.º 3301003.140 S3C3T1 Fl. 147 3 b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de oficio as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. A DRJ/Campinas considerou improcedente a manifestação de inconformidade proferindo o Acórdão nº 0528.806 com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxima quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante da decisão o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 48 a 53) apresentando em síntese os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.901615/200614 Acórdão n.º 3301003.140 S3C3T1 Fl. 148 4 possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário; Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2° do CTN; o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720013/200811 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 3ª Seção, por intermédio da Resolução nº 3301000.134, de 14 de fevereiro de 2012, decidiu por diligência nos seguintes termos (fls.77 e 78): Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.901615/200614 Acórdão n.º 3301003.140 S3C3T1 Fl. 149 5 b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na seqüência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras/SPO/Divisão de Orientação e Análise Tributária DEINF/SPO/DIORT , atendendo ao determinado pela Resolução nº 3301000.134, assim se pronunciou às fls. 86: O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme resolução nº 33301000.134 de fls. 74 a 78, para que a autoridade fiscal “analise os documentos acostados ao presente auto.......em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto a existência e disponibilidade do indébito.” Respondendo aos quesitos levantados pelo Conselho: a) de fato, a PER/DCOMP nº 00972.36285.220503.1.3.045200 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 6,10, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 4,90, informado no demonstrativo de fls. 32, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme telas de fls. 81 a 83. À consideração superior. Diante da diligência, depois de devidamente cientificado, o Contribuinte apresentou manifestação às fls. 82 em que solicita: Após a análise de toda documentação anexada aos autos, a Autoridade Fiscal concluiu que: "de fato, a PER/DCOMP nº 00972.36285.220503.1.3.045200 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 6,10, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada". Notese que a conclusão da Autoridade Fiscal corrobora com os argumentos da Requerente, ou seja, de fato constatouse o equívoco no preenchimento do Per/Dcomp e a cobrança indevida do valor de R$ 271.040,71, conforme planilha abaixo: (...) É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.901615/200614 Acórdão n.º 3301003.140 S3C3T1 Fl. 150 6 Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0528.806, de 17 de maio de 2010, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. É importante salientar que esta Turma proferiu o Acórdão nº 3301002.909, em 17 de março de 2016, em que se deu de forma unânime provimento parcial ao Recurso Voluntário, de situação com grande similitude, do mesmo contribuinte, no processo nº 16327.901632/200643. que assim ficou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Com a devida licença do Conselheiro relator Luiz Augusto do Couto Chagas, utilizarei o voto proferido no processo nº 16327.901632/200643 como base do meu voto, visto que os processos são praticamente iguais apenas com poucas alterações, que as farei no decorrer do voto pois são processos preparados distintamente. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do PER/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$ 257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$ 271.040,71, gerando uma insuficiência de R$ 13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$ 601,17, entendeu ser devedora de R$ 13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança, não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$ 271.040,71, além de multa e juros. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.901615/200614 Acórdão n.º 3301003.140 S3C3T1 Fl. 151 7 A diligência realizada pela delegacia de origem analisou a questão sob duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda quanto a existência e disponibilidade de indébito. Assim, constatou: a) de fato, a PER/DCOMP nº 00972.36285.220503.1.3.045200 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 6,10, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 4,90, informado no demonstrativo de fls. 32, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme telas de fls. 81 a 83. (grifouse). A Recorrente pede o direito à restituição, sob o argumento que ocorreu erro no preenchimento da PER/DCOMP e da DCTF, sendo que as correções destes equívocos demonstrariam a procedência do crédito alegado. Os erros demonstrados afetam o crédito pleiteado, bem como o débito compensado. Considerando que a utilização da compensação é de iniciativa do contribuinte, comprovada a existência do indébito tributário o procedimento de compensação poderá ser homologado, mesmo que com divergências no preenchimento da PER/DCOMP, desde que seja clara e inequívoca a intenção da compensação pelo interessado. O que cabe ao julgador é se manifestar quanto à procedência do crédito alegado pela Recorrente, determinando a sua procedência e homologando a compensação ate o limite do crédito confirmado. Entendo que a decisão se dá a partir da análise das provas apresentadas e do poder de convencimento quanto às circunstâncias e existência do crédito alegado. Mesmo que em diversas situações possa ocorrer a existência de procedimentos inadequados e erros no preenchimento de declarações, entendo que a verdade material deva prevalecer. Isto é, sendo comprovado por meio de documentação hábil a existência do indébito tributário, este deve ser homologado. Portanto, partindo desta premissa a análise da procedência do crédito, percorre o caminho da identificação dos recolhimentos existentes e do correto valor devido para cada imposto. Comprovandose o recolhimento em valor superior ao devido, resta configurado a existência do direito a repetição do indébito. Consultando os autos, foi identificado que a comprovação do recolhimento a maior do IOF é feita a partir de uma planilha de cálculo, sem nenhuma outra comprovação da ocorrência do pagamento indevido. A Recorrente informa que buscou pagamentos a maior de períodos anteriores com a finalidade de compensar o valor, conforme consta do Recurso Voluntário. O que ficou explicitado no processo é que ao necessitar de créditos para compensar o débito apurado, a recorrente valeuse de créditos anteriores, entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos contábeis ou fiscais, tampouco foi declarado o motivo que ensejou estes pagamentos indevidos ou a maior. Ressaltese que aqui não se discutiu a procedência da retificação das declarações apresentadas. Entretanto, a diligência realizada considerou que a PER/DCOMP em tela é equivocada, como aqui transcrevo: a) de fato, a PER/DCOMP nº 00972.36285.220503.1.3.045200 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.901615/200614 Acórdão n.º 3301003.140 S3C3T1 Fl. 152 8 de R$ 6,10, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. (grifouse). Considerando o que foi apurado na diligência, utilizouse a premissa de que todos os equívocos de preenchimento realmente ocorreram. Entretanto, considerando os novos valores informados pela recorrente para a DCTF e a PER/DCOMP, não foram identificadas as provas necessárias a justificar o crédito declarado, mesmo constatandose os erros no preenchimento das suas declarações. Conclusão: Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o débito seja cobrado de acordo com os valores apurados em diligência. Valcir Gassen Relator Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005571/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Deve também ser provado que a origem dos depósitos tem relação com operações com motivação econômica.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS.
Em face da legislação em vigor, a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, a imputação de omissão de receitas se sustenta sob as regras do lucro arbitrado, mostrando-se correto o procedimento da fiscalização que considerou os valores totais das presunções de omissões de receitas, depósitos bancários não justificados, como base para o arbitramento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A mera existência de procurações não é suficiente para caracterizar o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ensejar a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN.
AUTOS REFLEXOS - PIS, COFINS e CSLL.
O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa
Numero da decisão: 1301-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso do contribuinte Indústria e Comércio de Carnes Estrela do Araguaia Ltda. (2) Por maioria de votos, DAR provimento aos recursos dos responsáveis tributários, afastando a responsabilidade que lhes foi imputada, vencidos o Conselheiro Roberto Silva Júnior, que negava provimento a todos eles, e a Conselheira Milene de Araújo Macedo, que negava provimento aos recursos dos responsáveis Darce Ramalho dos Santos e José Pires Monteiro.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Deve também ser provado que a origem dos depósitos tem relação com operações com motivação econômica. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. Em face da legislação em vigor, a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, a imputação de omissão de receitas se sustenta sob as regras do lucro arbitrado, mostrando-se correto o procedimento da fiscalização que considerou os valores totais das presunções de omissões de receitas, depósitos bancários não justificados, como base para o arbitramento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A mera existência de procurações não é suficiente para caracterizar o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ensejar a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN. AUTOS REFLEXOS - PIS, COFINS e CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 10.051 1 10.050 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005571/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.173 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente INDÚSTRIA E COMERCIO DE CARNES ESTRELA DO ARAGUAIA LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Deve também ser provado que a origem dos depósitos tem relação com operações com motivação econômica. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. Em face da legislação em vigor, a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, a imputação de omissão de receitas se sustenta sob as regras do lucro arbitrado, mostrandose correto o procedimento da fiscalização que considerou os valores totais das presunções de omissões de receitas, depósitos bancários não justificados, como base para o arbitramento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A mera existência de procurações não é suficiente para caracterizar o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ensejar a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 55 71 /2 00 9- 13 Fl. 10051DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.052 2 AUTOS REFLEXOS PIS, COFINS e CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, (1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso do contribuinte Indústria e Comércio de Carnes Estrela do Araguaia Ltda. (2) Por maioria de votos, DAR provimento aos recursos dos responsáveis tributários, afastando a responsabilidade que lhes foi imputada, vencidos o Conselheiro Roberto Silva Júnior, que negava provimento a todos eles, e a Conselheira Milene de Araújo Macedo, que negava provimento aos recursos dos responsáveis Darce Ramalho dos Santos e José Pires Monteiro. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1666.709, proferido pela 3ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 17 de março de 2015, que, ao apreciar as impugnações apresentadas, entendeu, por unanimidade de votos, julgálas improcedentes, mantendo o crédito tributário exigido, assim como manteve as sujeições imputadas aos procuradores. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do primeiro julgamento do CARF, a seguir transcrito: Trata o processo de lançamentos formalizados em Autos de Infração do IRPJ e seus reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativo ao anocalendário de 2005, com a aplicação da multa de ofício de 75%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. De acordo com o Termo de Verificação de Infração, de fls. 567 e seguintes, foi apurada a presunção da omissão de receitas pela existência de depósitos bancários, em nome da autuada, sem origem comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Fl. 10052DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.053 3 Os extratos bancários foram obtidos mediante Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF, enviadas aos bancos Itaú, Bradesco, Sudameris e Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia, conforme relatado em trecho do Termo de Verificação Fiscal, que abaixo se reproduz, fls. 569/570: “As RMF foram emitidas pelo Gabinete desta Delegacia (fls. .230 a 265..) e os Bancos e Cooperativa atenderam as Requisições remetendonos extratos, dados cadastrais, cópias de cheques e procurações para terceiros movimentarem as contas da empresa (Anexos I a VI) RMF complementares às fls. 321 a 326. Identificouse os procuradores da empresa, sendo eles: DARCE RAMALHO DOS SANTOS, CPF 087.889.94805, procurador junto ao Bradesco, Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia e Sudameris (ABN — Santander), sócio de 28 empresas ativas de ramos correlatos ao do contribuinte sob fiscalização (fls. 273 a 277. Anexo I, fls. 8, 16 e 17. Anexo II, fls. 16 a 18, 35 a 38, e 79); CELI CAROLINA ALEXANDRONI SANTOS, CPF 009.776.80819, procuradores juntos ao Bradesco, Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia e Sudameris (ABN — Santander), sócia de 6 empresas de ramos correlatos ao do contribuinte em questão (fls. 284 a 287. Anexo I, fls. 8, 16 e17. Anexo II, fls. 16 a 18,35 a 38, e 79); JOSÉ PIRES MONTEIRO, CPF 772.106.62804, procurador junto ao Bradesco, Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia e Sudameris (ABN — Santander), sócio de 7 empresas de ramos correlatos ao do contribuinte (fls. 291 a 294. Anexo I, fls 7, 16 e 17. Anexo II, fls. 16, 17,35 a 38, e 78); CRISTINA MARIA ALEXANDRONI MONTEIRO, CPF 067.348.30888, procuradora junto ao Bradesco, Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia e Sudameris (ABN — Santander), sócia de 3 empresas de ramos correlatos ao do contribuinte (fls. 301 a 304. Anexo I 7, 16 e 17. Anexo II, fls. 16 a 18,35 a 39, e 78); FELIPE ALEXANDRONI MONTEIRO, CPF 875.783.52172, procurador junto ao Bradesco e Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia (fl. 306. Anexo I, fls. Be 21. Anexo II, fls. 18 e 39); ANTONIO JOSÉ ALEXANDRONI, CPF 061.471.08808, procurador junto a Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia, sócio de 3 empresas de ramos correlatos ao do contribuinte (fls. 308 e 309. Anexo I, fls. 8, 10, 15, e 18 a 20); e SILVANA GOMES DE ALMEIDA, CPF 487.795.12100, procuradora junto ao Bradesco e Cooperativa de Crédito Rural do Araguaia (fls. 315. Anexo I fls. 8 e 22. Anexo II, fl. 19). Tais pessoas físicas apresentam seus cadastros junto a RFB às fls. ...273 a 316 Tais pessoas físicas foram intimadas e reintimadas a esclarecerem suas funções como procuradores, períodos em que exerceram a outorga, assim como sua remuneração para tal. Ciências: [...] A empresa e seus sócios foram intimados em 03/11/2009 a justificar depósitos bancários em contascorrente de diversos bancos auditoria nos extratos fornecidos pelos Bancos no total de R$106.900.393,71 no ano de 2005 (fls. ..352 a 366...), sem qualquer resposta até o presente momento. Fl. 10053DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.054 4 [...] 0 contribuinte, em seu endereço cadastral, assim como na pessoa de seus sócios, com ciência também aos procuradores aqui arrolados como solidários no crédito tributário, foram cientificados nos Termo de Verificação de Infração, Autos de Infração e Termo de Encerramento, tendo os procuradores tomado ciência também no Termo de Sujeição Passiva Solidária, conforme referências abaixo: Ind. e Com. Carnes Estrela do Araguaia Ltda, 43.208.255/000157 (fls. 567 a 574, 577 a 610, e 627); JOSÉ SALES RODRIGUEZ, 883.068.79872, sócio (fls. 567 a 574, 577 a 610, e 628); VALMIR SALES COSTA, 100.631.57802, sócio (fls. 567 a 574, 577 a 610, e 629); DARCE RAMALHO DOS SANTOS, 087.889.94805, procurador (fls. 553, 554, 567 a 574, 577 a 610, e 625); CELI CAROLINA ALEXANDRONI SANTOS, 009.776.80819, procuradora (fls. 555, 556, 567 a 574, 577 a 610, e 626); JOSÉ PIRES MONTEIRO, 772.106.628 04, procurador (fls. 557, 558, 567 a 574, 577 a 610,611 e 620); CRISTINA MARIA ALEXANDRONI MONTEIRO, 067.348.30888, procuradora (fls. 559, 560, 567 a 574, 577 a 610, 612 e 621); FELIPE ALEXANDRONI MONTEIRO, 875.783.52172, procurador (fls. 561, 562, 567 a 574, 577 a 610, 613 e 622); ANTONIO JOSE ALEXANDRONI, 061.471.08808, procurador (fls. 563, 564, 567 a 574, 577 a 610, 614 e 623); e SILVANA GOMES DE ALMEIDA, 487.795.12100, procuradora (fls. 565, 566,567 a 574, 577 a 610,615 e 624).” O lucro da pessoa jurídica foi arbitrado pela fiscalização em razão da não entrega, apesar de regularmente intimada, dos livros contábeis e fiscais obrigatórios, tendo sido considerado como receita conhecida os valores dos depósitos bancários. Os valores de receita informados pelo contribuinte na sua declaração DIPJ/2006, ano calendário 2005, e em seus balancetes, foi menor (R$ 91.600.711,79) daqueles apurados em seus extratos bancários (R$ 106.900.393,71), fls. 571. A seguir, por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo em parte, o Relatório do Acórdão nº 1632.248 da DRJ/São Paulo I, de fls. 751 a 768, o qual passo a adotar: “IMPUGNAÇÃO 5. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 02/03/2010 (fls. 700 a 711) contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente. 5.1. A movimentação financeira constante dos extratos bancários nem sempre configura a infração omissão de rendimentos. Tratase de elemento indiciário que Fl. 10054DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.055 5 necessita de outros para se promover uma ligação causal entre uma forma de evasão e os respectivos depósitos. A fiscalização, sem um procedimento investigatório, simplesmente lançou mão dos depósitos. Isso é inconcebível à luz do direito. 5.2. Está assentado na jurisprudência e na doutrina que a exigência dos tributos com base exclusivamente em depósitos bancários, sem a demonstração objetiva da existência de renda consumida, através da comprovação fiscal de sinais exteriores de riqueza, não atende às exigências do sistema constitucional e do Código Tributário Nacional, em face dos princípios da legalidade, da motivação, do dever de prova constante da atividade de lançamento e da regramatriz constitucional do imposto de renda, como acréscimo patrimonial disponível. 5.3. Apesar da Impugnante ter atendido todas a intimações e entregue seus balancetes de verificação e DIPJ, referente ao anocalendário de 2005, tendo inclusive a fiscalização mencionado que os registros estavam compatíveis com sua movimentação financeira, a fiscalização arbitrou o lucro da empresa. 5.4. O arbitramento é a última alternativa para se apurar o lucro e a falta de apresentação dos livros fiscais não traduz motivo para o arbitramento. A fiscalização examinou a declaração apresentada pela empresa e não relatou ter encontrado inexatidões que autorizassem o arbitramento do lucro. Tanto é que a fiscalização descontou os valores recolhidos e declarados, do valor exigido do auto de infração. 5.5. É mais do que claro que os depósitos bancários de uma empresa não são todos oriundos de venda de produtos. Há saques e "redepósitos" etc. No caso em discussão a receita auferida e declarada foi de R$ 91.600.711,79 e a movimentação bancária do ano foi R$ 106.900.393,71. Na hipótese de ter ocorrido uma suposta omissão de receita, o que se repele, o valor omitido seria de R$ 15.299.681,92. 5.6. Independentemente das irregularidades cometidas na lavratura do auto de infração, a fiscalização imputou indevidamente a responsabilidade solidária pelo lançamento aos seus sócios. 5.7. Não há legitimidade para o enquadramento dos sócios da empresa, Sr. José Sales Rodrigues e Sr. Valmir Sales Costa, como responsáveis pelo crédito tributário com fundamento no artigo 124 do CTN, uma vez que essa tipificação legal prestase tão somente para atribuir responsabilidade a TERCEIROS interessados no fato gerador, e não aos seus SÓCIOS. 5.8. Somente se houvesse a comprovação de que os sócios tivessem praticado fraude ou outras práticas ilícitas, previstas nos artigos 135 e 137 do CTN, e depois de considerado procedente o lançamento e se não fosse pago o débito tributário, daria a possibilidade de se aplicar a responsabilidade solidária dos sócios. 5.9. A fiscalização não aponta qualquer fato concreto que embasaria o redirecionamento da autuação fiscal aos sócios da empresa, aduzindo apenas que não foram entregues documentos. 5.10. Quanto aos autos reflexos, considerando que os referidos autos de infração são decorrentes da autuação do IRPJ, a improcedência deste, comporta igual tratamento àqueles. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 6. Apresentaram impugnação as seguintes pessoas físicas: (i) Celi Carolina Alexandroni dos Santos, CPF n° 009.776.80819; (ii) Darce Ramalho dos Fl. 10055DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.056 6 Santos, CPF n° 087.889.948.05, e (iii) Antonio José Alexandroni, CPF n° 061.471.08808. 7. As alegações apresentadas na impugnação da Sra. Celi Carolina Alexandroni dos Santos são abaixo reproduzidas, resumidamente e, correspondem praticamente às mesmas apresentadas pelos outros dois procuradores. 7.1. O Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado é elementar, pois somente acusatório, e nada esclarecedor. Não traz qualquer prova das alegações contra a Impugnante. Diz que restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do artigo 124, do CTN. 7.2. A Impugnante não discorrerá sobre os fatos e fundamentos que levou a fiscalização a lavrar o auto de infração contra a empresa, pois, não caberia refutar os argumentos por não ter qualquer vínculo jurídico ou fático com a autuada. 7.3. Foi desvirtuado o princípio da legalidade, previsto na Constituição Federal, ao imputar a Impugnante a sujeição passiva solidária sem que ela tenha qualquer vínculo com a autuada. 7.4. Além disso, foi desrespeitado o princípio do contraditório. Os Impugnantes: Sra. Celi Carolina Alexandroni dos Santos e o Sr. Darce Ramalho dos Santos, alegam que não foram incluídos no Mandado de Procedimento Fiscal e somente foram intimados em 14/09/2009, para prestar esclarecimentos se exerciam atividades junto à empresa, por conta de possuírem procurações, outorgadas pela autuada. O sr. Antonio José Alexandroni alega que tomou conhecimento quando foi avisado por um amigo de que havia um Edital afixado nas dependências da receita Federal, convocandoo para prestar esclarecimentos. 7.í. A Impugnante esclareceu que o único vínculo com a empresa decorreu da locação da planta do frigorífico e, por ser esposa de Darce Ramalho dos Santos é co proprietária do imóvel. Informou, também, que a procuração outorgada, para movimentar as contas bancárias, foi a forma de garantia para eventual inadimplência que viesse ocorrer. O mesmo foi alegado pelo Sr. Darce Ramalho dos Santos que era o proprietário da planta do frigorífico arrendada à autuada. 7.5.1. O Sr. Antonio José, também, diz que não tem nenhum vínculo com a empresa e a procuração que recebeu da autuada nunca foi utilizada, não tendo nenhum interesse nos resultados das vendas efetuadas pela empresa. 7.6. Mesmo após estes esclarecimentos, foi intimada a informar se tinha havido movimentação das contas bancárias através da procuração em seu favor. Foi informado que nunca movimentou as contas bancárias em nome da autuada, pois, não tinha interesse e que muito menos recebia qualquer remuneração pela empresa, exceto a parte que cabia a seu marido pelo arrendamento. 7.7. Não foi também obedecido ao previsto no artigo 50, da Lei n° 9.784/99, que regula o processo Administrativo, pois, a motivação não foi expressamente anotada no ato administrativo. O fato de no contrato de arrendamento não constar a garantia: procuração para movimentar as contas bancárias, não poderia, de forma alguma, ser apontado como motivação da imputação de responsabilidade à Impugnante. 7.8. Não há nexo entre o contexto e os "motivos" apontados pela fiscalização, pois, não prova qual seria o "interesse comum" da Impugnante na situação que Fl. 10056DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.057 7 constitui o fato gerador da obrigação tributária, conforme prevê o artigo 124 do CTN, 7.9. A Impugnante nunca foi sócia, procuradora ou gestora dos negócios da empresa, logo, a responsabilidade tributária solidária é absolutamente absurda. Em nenhum tópico dos artigos 124 e 134 do CTN, que trata da responsabilidade de terceiros, discriminando expressamente as pessoas referidas no artigo 124, II, se enquadra a figura da ora Impugnante. 7.10. Caso houvesse qualquer vinculação da Impugnante com a empresa autuada, "por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66", esta deveria ser devidamente provada pela fiscalização, atendendo o que prevê o artigo 142 do CTN e artigo 924 do RIR/99. 8. É o relatório.” Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1632.248 da DRJ/São Paulo I, de fls. 751 a 768, julgando improcedente as impugnações e mantendo integralmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Deve também ser provado que a origem dos depósitos tem relação com operações com motivação econômica. ARBITRAMENTO DO RESULTADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. BASE DE CÁLCULO. A não apresentação da escrituração contábil acarreta o arbitramento do resultado tributável, com base nos créditos registrados nos extratos bancários. Não foram comprovadas as origens e razão dos créditos bancários. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às pessoas físicas que tenham interesse comum nas atividades da empresa e conseqüentemente na situação que gerou a obrigação tributária. AUTOS REFLEXOS PIS, COFINS e CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão foram apresentados os recursos voluntários das seguintes pessoas: Ind. e Com. Carnes Estrela do Araguaia Ltda, autuada, (fls. 9602 e seguintes); Fl. 10057DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.058 8 Darce Ramalho dos Santos, CPF 087.889.94805, procurador (fls. 9664 e seguintes); Celi Carolina Alexandroni Santos, CPF 009.776.80819, procuradora (fls.9632 e seguintes); Cristina Maria Alexandroni Monteiro, CPF 067.348.30888, procuradora (fls. 9646 e seguintes); Felipe Alexandroni Monteiro, CPF 875.783.52172, procurador (fls. 9678 e seguintes); Antonio José Alexandroni, CPF 061.471.08808, procurador (fls. 9619 e seguintes); e Silvana Gomes de Almeida, CPF 487.795.12100, procuradora (fls. 9696 e seguintes). Os recursos voluntários foram inicialmente apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento, através do acórdão nº1202.001.066, de 07/11/2013, Relator o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, onde o Colegiado, por unanimidade de votos, entendeu por dar provimento aos recursos voluntários apresentados, para anular o Acórdão 1632.248 da DRJ/São Paulo I e todos os atos decorrentes a partir da sua emissão, na forma do art. 59, parágrafo 1º do Decreto nº 70.235/72. Retornando os autos ao DRJ/SP1 para reapreciação das impugnações apresentadas, sua 3ª Turma, mediante o acórdão 1666.709, entendeu, por unanimidade de votos, julgálas improcedentes, mantendo o crédito tributário exigido, assim como manteve as sujeições imputadas aos procuradores, cuja ementa do acórdão restou assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. NOVO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. A fim de efetuar a correção, deve ser proferido novo acórdão, anulandose o anterior, conforme dispõe no § 1º do seu art. 22 da Portaria MF nº 58/2006, que trata da constituição das Turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) e seu funcionamento. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Deve também ser provado que a origem dos depósitos tem relação com operações com motivação econômica. ARBITRAMENTO DO RESULTADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. BASE DE CÁLCULO. Fl. 10058DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.059 9 A não apresentação da escrituração contábil acarreta o arbitramento do resultado tributável, com base nos créditos registrados nos extratos bancários. Não foram comprovadas as origens e razão dos créditos bancários. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às pessoas físicas que tenham interesse comum nas atividades da empresa e conseqüentemente na situação que gerou a obrigação tributária. AUTOS REFLEXOS PIS, COFINS e CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face desta decisão (acórdão recorrido), foram apresentados os recursos voluntários a seguir discriminados: Ind. e Com. Carnes Estrela do Araguaia Ltda, autuada, recurso voluntário de fls. 9928 e seguintes, ciente em 02/04/2015; apresentado em 24/04/2015, através de procurador (fls. 720; Darce Ramalho dos Santos, CPF 087.889.94805, recurso voluntário de fls. 10017 e seguintes, ciente em 02/04/2015; apresentado em 27/04/2015; sem procurador Celi Carolina Alexandroni Santos, CPF 009.776.80819, recurso voluntário de fls. 9000 e seguintes; ciente em 02/04/2015, apresentado em 27/04/2015; sem procurador; José Pires Monteiro; CPF 772.106.62804, recurso voluntário de fls. 9963 e seguintes; ciente em 02/04/2015, apresentado em 04/05/2015 (segunda), através de procurador (fls. 741) Cristina Maria Alexandroni Monteiro, CPF 067.348.30888, recurso voluntário de fls. 9981 e seguintes; ciente em 02/04/2015, apresentado em 04/05/2015 (segunda), através de procurador (fls.9660 ) Felipe Alexandroni Monteiro, CPF 875.783.52172, recurso voluntário de fls. 10035 e seguintes; ciente em 15/04/2015, apresentado em 01/05/2015, através de procurador (fls. 96919692); Antonio José Alexandroni, CPF 061.471.08808, recurso voluntário de fls. 9943 e seguintes); ciente em 02/04/2015, apresentado em 27/04/2015, sem procurador; É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Fl. 10059DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.060 10 Os recursos voluntários apresentados pela i) empresa autuada e pelos responsáveis tributários: ii) Darce Ramalho dos Santos, CPF 087.889.94805; iii) Celi Carolina Alexandroni dos Santos, CPF n° 009.776.80819; (iv) José Pires Monteiro; CPF 772.106.628 04; v) Cristina Maria Alexandroni Monteiro, CPF 067.348.30888; vi) Felipe Alexandroni Monteiro, CPF 875.783.52172; vii) Antonio José Alexandroni, CPF 061.471.08808, atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual devem ser conhecidos. O responsável tributário Silvana Gomes de Almeida, CPF 487.795.12100 apresentou impugnação aos Autos de Infração (fls. 9760 e seguintes), mas não apresentou recurso voluntário contra a decisão recorrida, apesar de regulamente intimada. Esclarecese que a intimação da referida decisão foi enviada via AR (fls. 9924) para o endereço constante no sistema RFB, qual seja, Rua Realino Francisco da Costa, 32, JD Brasília, Uberlândia MG (fls. 10033), sendo este endereço exatamente o mesmo da intimação feita anteriormente (fls. 9741), e que resultou na apresentação de sua impugnação (fls. 9762 e seguintes). Observese ainda que foi efetuada nova intimação, desta vez por Edital (fls 10034), com fundamento no art. 23, § 1º, inciso I, e § 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelas Leis nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 e nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Desta forma, no que atine à este responsável, as exigências fiscais tornamse definitivamente constituídas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO: INDÚSTRIA DE CARNES ESTRELA DO ARAGUAIA LTDA Quebra Sigilo Bancário Sustenta a recorrente ocorrer quebra de sigilo bancário, de maneira ilícita, vez que não houve autorização judicial para tanto. Colaciona ainda, em favor de sua defesa precedente oriundo do Supremo Tribunal Federal. Não obstante suas razões e precedente invocado, eles não se encontram em consonância com o atual entendimento daquela Egrégia Suprema Corte. Isso porque o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa matéria em sede de Repercussão Geral. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos o seguinte: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ” Fl. 10060DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.061 11 Além do mais, a presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, está assim prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, é fato que o legislador conferiu ao Fisco uma presunção válida e legal, incumbindo ao contribuinte, provar, através de documentação hábil e idônea, que a referida presunção não possa subsistir. Fl. 10061DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.062 12 No caso concreto destes autos, o interessado não logrou comprovar, com documentação adequada, a ausência de omissão de receita, sendo suas alegações genéricas e desguarnecidas de provas. Assim, não restam dúvidas quanto à correção do procedimento adotado pela fiscalização, considerando os depósitos efetuados na conta corrente da interessada como receita omitida, em decorrência de presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96. Por esta, razão não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não apresentou qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas. Erro na Apuração e Arbitramento do Lucro Com referência aos motivos que justificaram o arbitramento da base cálculo dos tributos exigidos, a empresa recorrente alega ter apresentado seus balancetes de verificação e a DIPJ/2006, de modo a substituir a obrigação de escriturar os livros comerciais e fiscais e apresentálos à fiscalização. Não há como concordar como suas alegações, pois os dados apresentados na DIPJ têm que refletir os fatos e atos contábeis escriturados nos livros comerciais e fiscais e estes devem ser lastreados em documentação hábil e idônea que comprove de forma inquestionável os fatos registrados. Assim, a não escrituração ou a não apresentação dos livros e dos documentos fiscais e contábeis são motivos legais, para ser aplicado o arbitramento do lucro tributável. Em tais condições, impõese o arbitramento dos lucros em razão do disposto no art. 530 do RIR/99, consoante concluiu a Turma Julgadora de 1ª instância: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário”.(g.m) Conforme bem elucidado por Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 137/152, a palavra arbitramento foi utilizada neste Fl. 10062DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.063 13 contexto na acepção de base de cálculo substitutiva, ou seja, de substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação – correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência tributária construído a partir do texto constitucional – por uma outra, subsidiária, em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade destes fornecerem critérios seguros para a mensuração do fato. Nestes casos, a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. Decorre daí que caracterizada a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, determina a Lei que a base de cálculo originalmente prevista na legislação (lucro real) seja substituída por uma outra legalmente prevista (lucro arbitrado). Nestes termos, a impossibilidade de comprovação direta da base de cálculo originária é condição necessária e suficiente para a aplicação do arbitramento. Arbitrar a base de cálculo do tributo, nestes casos, é deverpoder da Administração Tributária, previsto no anteriormente transcrito art. 530 do RIR. Portanto, em face da legislação em vigor, demonstrada a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal, a imputação de omissão de receitas se sustenta sob as regras do lucro arbitrado, mostrandose correto o procedimento da fiscalização que considerou os valores totais das presunções de omissões de receitas, depósitos bancários não justificados, como base para o arbitramento Assim, rejeitase as alegações da recorrente neste ponto. Do Mérito A recorrente chama de mérito a alegação de que todos os lançamentos foram efetuados com base em presunção de omissão de receita e não em omissão de receita real e efetivamente apurada, sustentando que a presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado no CTN, que tem força de lei complementar. Como visto, o lançamento efetuado com base em depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, tem amparo em norma legal, ex vi o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Tratase, assim, de presunção prevista em lei, em que, diferentemente do alegado na peça recursal, cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos capazes de impedir a sua aplicação, providência que, é bom que se ressalte mais uma vez, não foi adotada pelo Recorrente Com referência à exclusão do lançamento efetuado exclusivamente em depósitos bancários, ressalto que este tema vem ganhando grande valia no âmbito do Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – Fl. 10063DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.064 14 REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese (exclusão do lançamento efetuado exclusivamente em depósitos bancários) não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e Súmula CARF nº 2. Assim, afastase essa alegação, Autos Reflexos PIS, COFINS e CSLL. Matéria não impugnada em sede de recurso. Porém, o decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. Desta forma, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO: DARCE RAMALHO DOS SANTOS // CELI CAROLINA ALEXANDRONI SANTOS // JOSÉ PIRES MONTEIRO // CRISTINA MARIA ALEXANDRONI MONTEIRO // FELIPE ALEXANDRONI MONTEIRO // ANTÔNIO JOSÉ ALEXANDRONI. Inicialmente registro que os recursos apresentados se assemelham ao oferecerem resistência especificamente ao Termo de Sujeição Passiva Solidária e serão, por essa razão, analisados conjuntamente. Excepciono apenas os recursos voluntários apresentados por José Pires Monteiro, Cristina Maria Alexandroni Monteiro e Felipe Alexandroni Monteiro que além das razões comuns mencionadas, alegam nulidade dos Autos de Infração, por irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal. Assim, analiso, preliminarmente, suas alegações neste ponto: PRELIMINAR Irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Alegou a recorrente ausência de ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no sentido de prorrogar o prazo de fiscalização, o que implica, segundo seu entendimento, em nulidade de todos os atos praticados desde a sua expiração. Essa matéria tem sido apreciada no CARF em diversas oportunidades e a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constituise em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. Transcrevo duas decisões da 2ª Turma da CSRF nesse sentido: Fl. 10064DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.065 15 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (Acórdão nº920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade lançamento é obrigatória e vinculada,e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Filiome a essa interpretação. Por bem resumir os argumentos a favor da tese, transcrevo parte do voto Acórdão nº 920201.637, que adoto como razões de decidir: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF, estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Fl. 10065DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.066 16 Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Aplicandose esse raciocínio ao caso em tela, o fato de não existir prorrogação não importa em nulidade do MPF e muito menos, do auto de infração. Tal equívoco, quando existente; aponta apenas falha de procedimento de controle, mas isso em nada prejudica o contribuinte, muito menos importa em cerceamento de defesa do contribuinte. O auto de infração, por sua vez, cumpriu os requisitos legais do Decreto nº70.235/1972 PAF, e foi efetuado por auditor fiscal e legitimado para sua lavratura. Ademais, ainda que houvesse a suposta extinção do MPF por decurso de prazo, não caberia interpretar que uma expiração de prazo de MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma Portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública. Portanto, afasto esta preliminar. MÉRITO Verificase dos autos que foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 453466), nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, sendo tal procedimento adotado em virtude das procurações outorgadas pelo contribuinte, para que procuradores movimentassem suas contas bancárias. Sustentam as recorrentes não haver qualquer prova nos autos que justificasse a imputação de tal sujeição passiva solidária, nos termos do artigo 124, I do CTN, pois a fiscalização utilizouse simplesmente do fato de os recorrentes possuirem uma procuração, que sequer foram utilizadas por eles. Por outro lado, no entender da DRJ, estas pessoas tinham interesse comum nos negócios da empresa, ante ao fato da autuada ter dado procurações para que elas movimentassem suas contas, enfatizando ainda que algumas delas tinham participação em várias outras empresas, como é o caso: Sr. Darce Ramalho dos Santos, participação em 28 empresas; Sra. Celi Carolina Alexandroni dos Santos, sócia em 6 empresas e Sr. Antônio José Alexandroni, sócio de 3 empresas. Concluiuse, assim, ser este fato suficiente para ser apontado como motivação da imputação de responsabilidade solidária a estas pessoas físicas. Entendo merecer reparos esta decisão. A iniciativa de imputar responsabilidade aos recorrentes, como visto, cinge se, principalmente, ao fato do contribuinte ter assinado procurações, com poderes de movimentar suas contas correntes, o que não significa que tais procurações concorram diretamente para a ocultação da receitas apuradas no presente lançamento. Observese que a fiscalização enquadrou a responsabilidade solidária às pessoas físicas recorrentes, no artigo 124, I, do CTN, que determina a solidariedade para as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Referido interesse comum deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador (art. 121 do CTN). Ou seja, para figurar na qualidade de Fl. 10066DF CARF MF Processo nº 19515.005571/200913 Acórdão n.º 1301002.173 S1C3T1 Fl. 10.067 17 sujeição passiva com base no art. 124, I, do CTN, a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. No caso vertente, tratase de omissão de rendimentos, apurada por presunção legal, circunstância que por si só não demonstra que os ditos responsáveis solidários tenham sido beneficiários da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou mesmo tenham dado causa às apontadas omissões de receita. Entendo que o fato de existir procurações para que pessoas movimentem conta corrente da fiscalizada, não implica hipótese de sujeição passiva tributária com fulcro no art. 124, I, do CTN, ainda mais se verificarmos que nos autos não há prova de que qualquer das pessoas físicas apontadas como responsáveis movimentaram estas contas ou tenham sido beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pela empresa autuada. Para caracterizar a hipótese de sujeição passiva, necessário comprovação de que teria havido o benefício direto capaz de configurar o interesse comum reivindicado pela norma citada, o que nos autos, repitase, não restou comprovado. Assim, dou provimento ao recurso voluntário, para afastar a sujeição passiva solidária por interesse comum dos Senhores: Darce Ramalho dos Santos, Celi Carolina Alexandroni Santos, José Pires Monteiro, Cristina Maria Alexandroni Monteiro, Felipe Alexandroni Monteiro e Antônio José Alexandroni. CONCLUSÃO Em conformidade com os argumentos acima descritos, conduzo meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido; e DAR provimento aos recursos voluntários apresentados por Darce Ramalho dos Santos, Celi Carolina Alexandroni Santos, José Pires Monteiro, Cristina Maria Alexandroni Monteiro, Felipe Alexandroni Monteiro e Antônio José Alexandroni, no sentido de afastar a sujeição passiva solidária. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 10067DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.910493/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.668
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 93 /2 01 2- 38 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10480.910493/201238 Acórdão n.º 3302003.668 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11040.569. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10480.910493/201238 Acórdão n.º 3302003.668 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 25/06/2013, apresentação do RV em 01/07/2013). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.910493/201238 Acórdão n.º 3302003.668 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004684/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Tratando-se da verificação do cumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA. FORNECIMENTO .ADESÃO AO PAT. DESNECESSIDADE.
O fornecimento de alimentação in natura aos empregados e contribuintes individuais não integra o salário de contribuição dos segurados, independentemente de adesão ao PAT pela empresa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.
O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição.
VEÍCULOS CEDIDOS A EMPREGADOS. USO PARA O TRABALHO. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO.
O fornecimento de veículo para empregados, quando necessário para a prestação pessoal de serviços, não tem caráter remuneratório.
SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição.
Numero da decisão: 2201-003.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa pelo descumprimento da obrigação de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, os valores relativos aos levantamentos: i) alimentação in natura - levantamento ALM e Z2; ii) veículos à disposição de funcionário e dirigentes - levantamentos VEI e Z8; iii) Seguros - levantamento SEV-SEGUROS. Após a exclusão determinada, deve-se recalcular o valor da multa aplicada, observando-se as determinações aplicáveis constantes dos artigos 476 e 476-A da IN RFB nº 971/09.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tratandose da verificação do cumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. FORNECIMENTO .ADESÃO AO PAT. DESNECESSIDADE. O fornecimento de alimentação in natura aos empregados e contribuintes individuais não integra o salário de contribuição dos segurados, independentemente de adesão ao PAT pela empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. VEÍCULOS CEDIDOS A EMPREGADOS. USO PARA O TRABALHO. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 84 /2 00 9- 93 Fl. 344DF CARF MF 2 O fornecimento de veículo para empregados, quando necessário para a prestação pessoal de serviços, não tem caráter remuneratório. SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa pelo descumprimento da obrigação de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, os valores relativos aos levantamentos: i) alimentação in natura levantamento ALM e Z2; ii) veículos à disposição de funcionário e dirigentes levantamentos VEI e Z8; iii) Seguros levantamento SEVSEGUROS. Após a exclusão determinada, devese recalcular o valor da multa aplicada, observandose as determinações aplicáveis constantes dos artigos 476 e 476A da IN RFB nº 971/09. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento pelo descumprimento de obrigação consubstanciada na apresentação de GFIP com os dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias devida sobre os valores pagos a segurados empregados. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 2 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 37.192.2569, no valor de R$ 146.209,8, atualizado até outubro de 2009, referente ao valor do auto de infração pelo descumprimento da obrigação de apresentação de Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 345 3 GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária (CFL 68). · Auto de Infração Debcad n° 37.192.2534, no valor de R$ 1.664.585,59, atualizado até outubro de 2009, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme consta do relatório fiscal fls. 220, considerados como base de cálculo das contribuições patronais, os montantes pagos a prestadores de serviço pessoas físicas e as diferenças de salário entre valores declarados em folhas de pagamento, GFIP e DIRF e rubricas elencadas abaixo. Tal documento de crédito foi constituído no âmbito do processo administrativo nº 19515.004682/200902. · Auto de Infração Debcad n° 37.192.2607, no valor de R$ 8.221,15, atualizado até outubro de 2009, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria. Tal documento de crédito foi constituído no âmbito do processo administrativo nº 19515.004681/200950. · Auto de Infração Debcad n° 37.192.2577, no valor de R$ 395.967,92, atualizado até outubro de 2009, relativa às contribuições incidentes sobre a folha de pagamento e devidas aos terceiros. Tal documento de crédito foi constituído no âmbito do processo administrativo nº 19515.004677/200991. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro a dezembro de 2004. Os lançamentos por descumprimento de obrigação acessória são lavrados no próprio mês da constituição do crédito tributário da obrigação principal inadimplida. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal (fls. 26), do sujeito passivo, em 10 de novembro de 2009. Inconformado, o devedor principal apresenta impugnação (fls. 30), tempestivamente. A 11ª Turma da DRJ em São Paulo 1, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão 16.25499 (fls. 166), decidiu pela improcedência da impugnação. Cientificado de decisão que contrariou seus interesses em 20 de junho de 2011, por via postal (AR de folhas 198), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, em 11 de julho de 2011, recurso voluntário (fls. 172). Em 20 de setembro de 2012, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 2ª Seção, resolve, por maioria de votos, transformar o julgamento em diligência para que decidisse em conjunto, em face da conexão observada, os processos relativos às obrigações principais e este, referente à obrigação acessória. Foi constatado pelo despacho de folhas 342, que os processos relativos às obrigações principais já haviam sido julgados por este Colegiado, inviabilizando o julgamento Fl. 346DF CARF MF 4 conjunto pretendido. Não obstante, foi determinado que se juntasse cópias das decisões naqueles processos exaradas a fim de subsidiar a decisão a ser proferida nestes autos do processo que versa sobre a obrigação acessória. Observo às folhas 272 a cópia do Acórdão 2401003.809 de 20 de janeiro de 2015, que decidiu negar provimento ao recurso voluntário apresentado no processo 19515.004682/200902. Mister realçar que, por coincidência, este Conselheiro, agora relator, integrava aquele colegiado à época do julgamento. Adoto, por sua precisão e clareza, o relatório constante do mencionado Acórdão, cujo voto vencedor é de lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: Ainda conforme consta do relatório os seguintes critérios foram adotados para efeito de levantamento: I. Prestação de Serviços de Pessoas Físicas sem Vínculo Empregatício: a. a) Que não foram declaradas em folhas de pagamentos e Gfips. b. b) Os valores de tais pagamentos, identificados, através da análise da Contabilidade, foram levantados sem redução de multa. II. Remunerações a Empregados: a. Consideramos como base de cálculo a diferença entre os valores obtidos através do arquivo digital da GFIP e os valores declarados em DIRF, não justificados pelo contribuinte, bem como rubricas definidas pelo contribuinte como sem incidência de contribuição, reenquadradas por esta auditoria fiscal e elencadas em 2.3 abaixo. Levantamentos utilizados neste documento de débito: 1. LEV: 13S DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO Classificação: Dispensado de declarar em GFIP (c/redução de multa) 2. LEV: ALM AJUDA ALIMENTAÇÃO Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 2.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 2.2. FPAS: 5150 2.3. DO FATO GERADOR 1.1. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela "in natura" não integre o salário de contribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. 3. LEV: AUD AUTÔNOMOS DECLARADOS EM GFIP Classificação: Declarado em GFIP (c/red. de multa) 3.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 Observação: Tratase de levantamento criado para a correta apropriação dos valores recolhidos. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 346 5 4. LEV: AUT AUTÔNOMOS NAO DECLARADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem Redução de multa) 4.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 5. LEV: FIN AJUDA FINANCIAMENTO VEÍCULOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 5.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 1. DO FATO GERADOR 1.1. Algumas empresas disponibilizam para seus funcionários empréstimos para serem amortizados ao longo de certo lapso temporal, sendo esse desconto efetuado em folha de pagamento. 5.2. Entretanto, para que esses valores dos veículos não integrem o salário de contribuição, os mesmos devem ser integralmente devolvidos à empresa. Todos os funcionários elegíveis por este instrumento terão direito ao financiamento após três meses de vínculo empregatício. 5.3. A Roche Diagnostica do Brasil Ltda se compromete em amortizar 60% do valor de cada parcela durante os 48 meses do contrato e enquanto existir vínculo empregatício, via desconto em Folha de Pagamento.O veículo será registrado no nome do funcionário com reserva de domínio para Roche Diagnostica Brasil Ltda., até que seja quitado. As parcelas do empréstimo e do reembolso de parte das despesas de depreciação (60% ou 40% do valor do veículo) definido em contrato específico, serão corrigidas a cada 12 meses pela variação do IPCA (em vigor desde 28/04/2004, ou índice oficial equivalente que venha a substituílo). 5.4. Os contratos assinados antes da data acima citada continuarão sendo reajustados pelo índice determinado na época de suas assinaturas (IGPMM/ FGV), até o final de sua vigência. O valor do contrato terá como teto máximo o valor financiado, definido neste procedimento e o financiamento será realizado desde que sejam cumpridas, integralmente as condições para firmálo. 5.5. Em caso de roubo ou furto, o novo financiamento permanecerá com a ajuda de custo igual à anterior, 60% de ajuda de custo; 5.6. Segundo e demais financiamentos A partir do segundo financiamento, todos os outros seguirão os mesmos critérios definidos para o primeiro financiamento, sendo que a Roche amortizará 40% do valor de cada parcela. O funcionário somente será legível a um novo financiamento desde que sejam cumpridos os prazos previstos para o seu benefício, conforme tabela abaixo: 6. LEV: SEV SEGURO VEÍCULOS FUNCIONÁRIOS: Fl. 348DF CARF MF 6 7. Valores fornecidos a título de seguro do veículo, conforme procedimento da cláusula 5.6 da "Política de Veículos", conta contábil 0041610103; 8. LEV: VEI VEÍCULOS A DISPOSIÇÃO DE DIRIGENTES,. 8.1. Classificação: Não declarado em GFIP (sem Redução de multa) 8.2. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 1. CONTEXTO 1.1. O fornecimento de transporte pela empresa é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, normalmente, é feito através do fornecimento de valetransporte, que é um benefício social, instituído pela Lei n°. 7.418, de 16/12/1985. Para se desonerar dessa obrigação, algumas empresas proporcionam, por meios próprios ou contratados, o deslocamento de seus trabalhadores, da residência para o trabalho e viceversa. 8.3. Veículo à disposição do empregado: se a empresa fornece veículo ao empregado que desenvolve atividade da empresa, certamente não integra a remuneração, porquanto fornecido para o trabalho. Entretanto, se o veículo é usado também em horários fora do trabalho e finais de semana, o valor correspondente a essa parcela do uso configurase como salário pago sob a forma de utilidade, integrando a remuneração. O cálculo desse valor foi efetuado da seguinte forma: 8.3.1. • Valor contábil do bem: R$ 60.000,00 • Depreciação do bem: 1/60, conforme legislação do IR. 8.3.2. • Valor mensal: 1/60 x R$ 60.000,00 = R$ 1.000,00 • Horas mensais: 30 x 24 = 720 horas • Horas para o trabalho: 10 horas/dia x 22 = 220 horas/mês • Horas pelo trabalho: 720 220 = 500 horas/mês 9. LEV: PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 9.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 LEV: PPR ADIANTAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 9.2. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 DO FATO GERADOR 1.1. A CF, nos termos do art. 7o, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, ou seja, a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000. 9.3. A Lei n°. 10.101, de 19/12/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e de incentivo à produtividade. 9.4. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há, portanto, necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado, que não é o resultado operacional previsto na DRE. O resultado, conforme Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 347 7 previsto na Lei n°. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. 9.5. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei n°. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: 9.5.1. A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: 9.5.2. Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; 9.5.3. Convenção ou acordo coletivo. 9.5.4. Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: 9.5.5. • índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; 9.5.6. • Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. 9.6. Notas 1: 9.7. O instrumento de acordo celebrado deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 9.8. Esta Auditoria Fiscal concluiu que tanto o PLR quanto o PPRR foram concedidos em desconformidade com a legislação, pois a Roche Diagnostica do Brasil Ltda deixou de arquivar na entidade sindical dos trabalhadores o acordo celebrado. 10. LEV: REM FOPAG TRABALHADORES NORMAL Classificação: Declarado em GFIP (c/red. de multa) 10.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 Observação: Tratase de levantamento criado para a correta apropriação dos valores recolhidos. 11. LEV: REN FOPAG TRABALHADORES NAO DECLARADOS EM GFIP Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 11.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 12. LEV: Z2 TRANSF DO LEV ALM ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: Fl. 350DF CARF MF 8 5150 LEV: Z3 TRANSF DO LEV AUT ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 13. FPAS: 5150 LEV: Z5 TRANSF DO LEV FIN ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 14. LEV: Z6 TRANSF DO LEV REM ATE 11/08 Classificação: Declarado em GFIP (até 03/12/2008) 14.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 15. FPAS: 5150 LEV: Z7 TRANSF DO LEV REN ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 16. FPAS: 5150 LEV: Z8 TRANSF DO LEV VEI ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 10/11/2009 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, conforme segue: a) AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, fls. 243 a 281 b) AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria, fls. 790 c) AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 541 a 578, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros. Foi exarada a Decisão de 1 instância, em relação a cada autuação constante do presente processo, conforme segue: · AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, fls. 362 e seguintes que deu procedência parcial do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 DECLARAÇÃO EM GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO. A declaração em GFIP antes do início da ação fiscal constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, não sendo cabível o lançamento através de Auto de Infração. Após o advento da MP n.° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/09, que deu nova redação aos artigos 32 e 37 da Lei n° 8.212/91, não é possível o lançamento, através de Auto de Infração, de crédito já constituído por meio de declaração em GFIP antes do início da ação fiscal. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 348 9 DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP's), e Guias da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT. Os valores relativos à alimentação fornecida sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador integram o salário de contribuição das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Fl. 352DF CARF MF 10 O pagamento a segurado empregado de verba a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. VEÍCULOS CEDIDOS À DIRIGENTES. Os encargos de depreciação de veículos fornecidos, pelo trabalho, para dirigentes segurados empregados, representam complementação financeira, integrando a remuneração e o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM ATRASO. DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, de caráter irrelevável, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Procedente em Parte · AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria, fls. 842 ∙ AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 673 e seguintes, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 424 a , contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: AI DEBCAD n.º 37.253.0079– Processo n. 19515.004679/200981, fls. 279 a 301: 17. Decadência Parcial do Debito Levantado Diferenças de Fatos Geradores Aplicação do artigo 150, parágrafo 4o , do CTN 18. Da Nulidade Absoluta da Notificação de Débito / \ Afirma que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa coftro foram apurados os valores lançados e a base de cálculo, na medida em que ignorou os documentos apresentados e informações prestadas pela Impugnante. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 349 11 19. Da Alimentação Fornecida In Natura No presente caso não foi observado que a alimentação in natura fornecida não tem natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração para fins de incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de inscrição da empresa no programa de alimentação do trabalhador PAT. Ressalta que tal entendimento já foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça há muito tempo. 19.1. Inexistência de Benefício Salarial Do Real Alcance da Expressão "Folha de Salários" Alega que desde a Constituição Federal de 1988 a Impugnante tem recolhido a contribuição à Seguridade Social conforme estipulado no artigo 195, inciso I, agora alterado pela Emenda Constitucional 20/98. Transcreve o dispositivo legal, bem como julgados do Supremo Tribunal Federal, e discorre sobre o conceito de folha de salários. 19.1.1. A Ausência de Inscrição no PAT não Altera a Natureza da Alimentação Fornecida aos Empregados Transcreve o artigo 3 o da Lei n° 6321/76 e observa que a lei declara como não integrativa da remuneração a parcela paga "in natura" nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Tal determinação decorre do fato de que em tais programas a alimentação é paga pelo trabalhador, o trabalhador compra a alimentação fornecida pela empresa. 19.1.2. A Alimentação era Fornecida para Facilitar a Execução do Trabalho Transcreve doutrina e afirma que é totalmente diversa a natureza das utilidades fornecidas pelo empregador para que o empregado possa executar os serviços aos quais se obrigou, e as prestações in natura, substitutivas do salário em dinheiro, concedidas como remuneração pelo trabalho prestado. 20. Da "AjudaFinanciamento" de Veículos Da análise dos fatos e documentos fornecidos pela RECORRENTE, a fiscalização concluiu que os veículos seriam utilizados pelo trabalho (inaplicável, portanto, a regra do artigo 458, parágrafo 2o, da CLT), e não para o trabalho, na medida em que os carros poderiam ser utilizados aos finais de semana pelos empregados. 20.1. Entretanto, a razão de não se efetuar o desconto integral da parcela, devida pelo empregado no financiamento, decorre da necessidade de utilização do veículo do empregado para trabalho, pois os veículos são utilizados para a prestação dos respectivos serviços, de forma que as parcelas não descontadas dos empregados se prestam, exclusivamente, para reembolsar despesas, bem como custear a depreciação inerente da utilização do veículo para o trabalho. 21. Veículos à Disposição de Empregados e Dirigentes Argumenta que longe de ser utilidade, a cessão de veículos pela Defendente tem a simples função de permitir ao empregado a execução de suas atividades profissionais e seu transporte diário no percurso casatrabalhocasa. Fl. 354DF CARF MF 12 21.1. Sua razão é a necessidade do trabalho. Tanto os empregados quanto os executivos necessitam constantemente de se deslocarem entre a empresa e os clientes. 21.2. Por pertencerem à frota da empresa, a utilização dos veículos não é exclusiva do empregado a quem é confiado, mas sim em caráter preferencial, de modo que todos esses veículos, quando não utilizados pelos gerentes ou diretores, servem para o trabalho diário dos funcionários dos diversos setores da empresa. Nos termos do artigo 458, parágrafo 2o, da CLT, não configuram salário utilidade. 22. Do Seguro Automóvel Pago pela Empresa em Relação aos Veículos de Propriedade dos Empregados. Quanto a esse benefício assim argumentou o recorrente: 22.1. A fiscalização alega que sobre os valores pagos a título de seguro automóvel deve haver incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que tais verbas não se encontram dentre aquelas que não integram o salário de contribuição (artigo 28, parágrafo 9o, da Lei n° 8212/91). 22.2. No entanto, a contratação do referido seguro não proporciona nenhum benefício aos empregados, pois o valor da indenização que é paga, em caso de sinistro, decorre de evento incerto, não incrementa o patrimônio do empregado. 22.3. Menciona julgamento do antigo CRPS, e afirma que tanto o CRPS quanto o STJ entendem que não incide contribuição previdenciária sobre verbas decorrentes de seguro. 22.4. Mesmo que o sinistro ocorra, também não haverá benefício ao empregado, pois tal indenização terá claro caráter de simples reposição patrimonial, haja vista que ele receberá o valor correspondente (ou, em muitos casos, muito menor) ao bem móvel que possuía. 23. Conclusão Por todo o exposto, espera que seja acolhida a preliminar de decadência parcial, e, no mérito, seja a presente defesa acolhida também, e que seja julgada insubsistente a autuação. 24. Das Supostas Diferenças de Recolhimento, Declaradas ou não em GFIP, Relativamente a Empregados e Trabalhadores Autônomos " Foram lançados diversos débitos decorrentes de supostas diferenças de recolhimento de contribuições previdenciárias, relativamente a valores declarados e supostamente não declarados em GFIP. 24.1. Contudo, apesar das planilhas anexas que fazem parte do lançamento há no Relatório Fiscal qualquer relato que possibilite à impugnante defenderse das alegações. 24.2. Se a fiscalização alega que eventuais trabalhadores ou valores deveriam constar em GFIP, deve especificar a situação fática de cada lançamento. O mesmo deveria ter sido feito em relação a eventuais valores ou trabalhadores que constaram da GFIP, e, supostamente, tiveram seus respectivos valores não recolhidos em GPS. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 350 13 24.3. Contudo, seja em relação à suposta diferença de pagamentos efetuados a empregados / contribuintes individuais (cujos valores tenham ou não sido declarados em GFIP), seja em relação à suposta diferença de valores que deveriam ter sido recolhidos a título de 13°, a Impugnante junta, neste momento, cópias de suas GFIP's e respectivas GPS, de todo o ano de 2004. 25. Dos Valores Pagos a Título de PLR e Respectivo Adiantamento 25.1. Segundo a fiscalização, os pagamentos feitos a título de "PLR/PPR na empresa teriam natureza salarial, pois teriam sido feitos com irregularidade, qual seja, o acordo celebrado para pagamento dos respectivos valores não foi arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 25.2. Antes de argumentar sobre a suposta irregularidade, apresenta entendimento do STJ e dos Tribunais Regionais Federais, no sentido de que a PLR paga, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades legais, não perde sua natureza não salarial. 25.3. Cita e transcreve jurisprudência, e argumenta que o entendimento firme e pacífico nos tribunais é de que somente o pagamento denominado de PLR, em comprovada fraude de lei, é que deve ser descaracterizado, consistindo fraude uma substituição indevida do salário do empregado por parcelas denominadas de PLR. 25.4. As partes são livres e têm total flexibilidade nas negociações coletivas que tratam da participação nos lucros e resultados, não podendo mero requisito formal sugerido pela Lei n° 10101/2000 servir de fundamento para a desnaturação do pagamento feito pela empresa. 25.5. Da Exigência de Protocolo de Arquivamento do Plano na Entidade Sindical 25.5.1. A fiscalização alega uma absurda formalidade, a de que não foi apresentado protocolo de arquivamento dos acordos no Sindicato, como se este fato pudesse alterar a natureza jurídica da PLR, ou invalidar o negociado e acordado com os empregados. 25.5.2. O fato de a PLR, eventualmente, não possuir protocolo/carimbo do sindicato, não faria com que devesse ser incluída no salário de contribuição, por duas razões: 25.5.3. Ressalta que a PLR sempre foi do conhecimento de todos os empregados, e sua distribuição sempre obedeceu aos parâmetros e critérios fixados no acordo firmado^fa^o não refutado pelo auditor fiscal. * Afirma também que a Constituição não prevê forma específica para a celebração do acordo, e desta forma, a participação do Sindicato não pode ser considerada obrigatória. Transcreve doutrina e jurisprudência. 25.5.4. Por fim, argumenta que constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à Impugnante seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais retirar a natureza jurídica do Fl. 356DF CARF MF 14 pagamento, fazendo que sobre ele incidam contribuições previdenciárias. 26. Das Supostas Diferenças de Acréscimos Legais A fiscalização aduziu que a RECORRENTE havia deixado de recolher acréscimos legais (multa de mora e juros pela taxa SELIC), em relação a eventuais valores recolhidos em atraso. 26.1. Contudo, não há menção sobre este tema no Relatório Fiscal, o que impossibilita que a Impugnante apresente argumentação em contrário. 27. Por todo o exposto, espera que seja acolhida a preliminar de decadência parcial, e, no mérito, seja a presente defesa acolhida também, e que seja julgada insubsistente a autuação. Reprisou os mesmos argumentos em relação ao AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria. Reprisou também em relação ao AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 716 e seguintes, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros, os mesmos argumentos da parcela paronal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF." Constam do presente recurso voluntário, em síntese, as mesmas alegações constantes do apelo interposto quando do julgamento da obrigação principal e acima reproduzido. O processo foi distribuído, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço e passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DA APLICAÇÃO DE MULTA CONTIDA EM LEGISLAÇÃO REVOGADA Alega a recorrente que a autuação que aqui se discute foi aplicada com base em legislação revogada, em face da alteração da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 11.941/09. São seus argumentos (fls. 177): "A recorrente foi autuada sob o entendimento de que teria deixado de declarar em GFIP Guia do FGTS e Informações à Previdência Social todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (art. 32, § 5o , da Lei n° 8.212/91). Fl. 357DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 351 15 Importante observar, no entanto, que o cálculo da multa aplicada foi elaborado considerado o critério previsto na antiga redação do artigo 32, da Lei n° 8.212/91: (...) Ocorre que recentemente foi publicada a LEI N° 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009, que dentre outras providências, REVOGOU A LEGISLAÇÃO SOBRE A QUAL A PRESENTE MULTA FOI APLICADA. Diante desta situação, não resta outra alternativa que não a anulação da presente autuação, uma vez que, quando foi lavrada (em 10.11.2009), a legislação utilizada para aplicar a presente multa a recorrente já estava revogada, digase, desde maio/2009. Sendo assim, é de rigor a anulação do presente auto de infração. Ad argumentandum, ainda que assim não se entenda (o que se admite apenas por amor à argumentação), a nova lei (lei n° 11.941/2009) trouxe, em seu art. 26, o art. 32A, o qual alterou a forma de aplicação de multa em caso de o contribuinte deixar de declarar em GFIP (omitir ou apresentar com informações inexatas) todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, verbis: (...) Esta alteração certamente determina a sensível redução do valor do auto de infração ora em discussão, sendo imediatamente aplicável a nova lei ao caso concreto, nos termos do artigo 106, II, c, do CTN, que define que a lei deve retroagir quando se tratar de ato ainda não definitivamente julgado e cuja penalidade se tornou menos severa do que na lei vigente à época da autuação: (...) Portanto, ressalvado e reiterado o argumento de que a presente autuação deve ser anulada, requerse, no mínimo, caso mantida a autuação no seu julgamento de mérito, seja determinado seu recalculo com base nos novos critérios instituídos pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009" Como bem apontado pelo Recorrente a Lei nº 11.941/09 altera a Lei de Custeio da Previdência Social no tocante à sanção pelo descumprimento da obrigação de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e também no tocante à multa decorrente do lançamento de ofício, com a introdução do artigo 35A na Lei nº 8.212/91. Sobre o tema, assim se pronunciou a DRJ (fls 178): "A capa do AI (fl. 01), o Relatório Fiscal da Infração (fl. 03), o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 04), e as planilhas anexas ("Composição AI 68", fls. 05 a 20, e "SAFIS Fl. 358DF CARF MF 16 Comparação de Multas", fls. 21 a 22), informam com objetividade e clareza a origem da autuação, os dispositivos legais infringidos pela empresa, a fundamentação legal e o demonstrativo do cálculo da multa aplicada. Não se justifica o inconformismo da Defendente, com relação à aplicação da legislação vigente à época dos fatos geradores, quando se revelou mais benéfica ao Contribuinte. E sabido que, nos termos do artigo 144 do CTN. em regra, o lançamento deve ser disciplinado pela legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador, ainda que esta tenha sido modificada ou revogada. Dizse em regra porque, em determinados casos, expressamente previstos no referido diploma, a lei vigente à época do lançamento deverá retroagir para alcançar fatos pretéritos, como é o caso, por exemplo, da hipótese de que trata a alínea "c" do inciso II do seu art. 106, a saber, em matéria de infração, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei em vigor ao tempo de sua prática. Cumpre aqui esclarecer que com o advento da Medida Provisória (MP) n.° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n.° 11.941, de 27/05/2009, as regras para aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP foram modificadas em razão de alterações promovidas na Lei n.° 8.212/91. Como descrito nos Relatórios Fiscais dos Autos de Infração lavrados por descumprimento de obrigação principal, DEBCAD's n° 37.192.2534 e 37.253.0079 (Contribuição Patronal e GILRAT); 37.192.2577 e 37.253.0087 (Terceiros); 37.192.2607 e 37.253.0095 (Segurados), autuações estas mencionadas pela própria Impugnante: • em função das alterações efetuadas pela MP 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, especialmente quanto às modificações dos artigos 32 e 35 e a revogação do artigo 34, da Lei n° 8212/91, o sistema gera um comparativo entre as penalidades aplicadas antes e depois destas alterações, de forma a atender o previsto na alínea "c", inciso II, do artigo 106 do Código Tributário Nacional, ou seja eleger a situação mais benéfica ao Contribuinte; • O comparativo abrange os Autos de Infração 37.192.2534 e 37.253.0079 (Contribuição Patronal e GILRAT); 37.192.2577 e 37.253.0087 (Terceiros); 37.192.2607 e 37.253.0095 (Segurados); 37.192.2585 (CFL 78); 37.192.2569 (CFL 68). O Contribuinte requer, subsidiariamente, a aplicação do artigo 32A da Lei n° 8212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09, por ser mais benéfica. No entanto, este dispositivo legal não se aplica à autuação em tela, visto que o Auditor Fiscal Autuante, tendo em vista a superveniência da MP n° 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09, no momento do lançamento efetuou a análise quanto à possibilidade de retroação benéfica prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, e concluiu pela diversidade de situação para as competências lançadas, como segue: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 352 17 • para as competências 01/2004 a 05/2004. e 07/2004 a 12/2004. (objeto deste auto de infração) foi aplicada a lei vigente ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do artigo 144, visto que a legislação atual não era mais benéfica; • para a competência 06/2004, a aplicação da legislação atual se revelou mais benéfica, como demonstrado na planilha anexa "SAFIS Comparação de Multas", fls. 21 a 22. Deste modo, não há que se falar em aplicação do artigo 32A da Lei n° 8212/91 no Auto de Infração em comento. Nas competências 01 a 05, 07 a 10, e 12/2004, objeto deste AI, a legislação anterior revelouse mais benéfica. Somente na competência 06/2004, objeto do AI DEBCAD n° 37.192.2585, CFL 78, lavrado na mesma ação fiscal foi utilizada a legislação atual, retroativamente, por ser mais benéfica." Correta a decisão de piso. Não há reparos cabíveis. Como bem decidido, a legislação aplicável ao lançamento é a vigente à época dos fatos geradores, exceto quando por tratar de infração a novel legislação comine penalidade menos severa. E é isso exatamente o que fez o Fisco no caso em apreço. Como se pode observar às folhas 22 e 23, há um tabela comparativa entre a aplicação da penalidade prevista na legislação vigente à época dos fatos e outra com a sanção determinada pela Lei nº 11.941/09. Tratando do tema, foi editada Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, em 04 de dezembro de 2009, determinando: "Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 360DF CARF MF 18 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pelaLei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009." (negritos e sublinados nossos) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 353 19 Tais preceitos, com idêntico conteúdo semântico também constam da IN RFB nº 971/2009, em seus artigos 476 e 476A. Tal posição parece consolidarse na CSRF. O voto condutor do Acórdão 9202003.925, julgado em 13 de abril de 2016, de lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, reflete tal entendimento "No caso sob análise, verifico que permanecem em litígio, quanto à aplicação da retroatividade benéfica: a) a multa aplicada aos débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP nº 449, de 2008, constantes dos AIs 37.351.446 8(débitos de obrigação principal) e b) a multa aplicada através do AI37.351.4450, aplicada por haver a empresa infringido o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, também para competências (fatos geradores) anteriores à vigência Medida Provisória nº .449, de 2008 .Tais multas foram aplicadas consoante demonstrativo de efl.10. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise, entendo que para tais débitos de obrigação principal (cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP nº 449 de 2008 , ou seja, mais especificamente, antes de 04/12/2008, leiase competência 30/11/2008 e anteriores), bem como para o débito de obrigação acessória lavrado sob a égide da legislação anterior à mesma MP, se deva manter a cobrança das penalidades lançadas, uma vez que já realizada segundo a sistemática aqui defendida, que, notese, consoante muito bem observado pela recorrente, também foi referendada pelo art. 4o . da Instrução Normativa RFB no .1.027, de 2010. Devese limitar, desta forma, a soma das penalidades aplicáveis à cada competência acima abrangida ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, sem que se deva falar em comparação segregada da multa de obrigação acessória com o novo art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, na forma proposta pelo vergastado. Este percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual paras anções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art.44,I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, repitase, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no .971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010." (destacamos) Preciso, portanto, o lançamento tributário quanto à multa aplicável. Não observo a nulidade apontada. Recurso negado nessa parte. DECADÊNCIA PARCIAL DA MULTA APLICADA DIFERENÇAS DE FATOS GERADORES APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN Vê a Recorrente que o lançamento tributário alcançou período decadente. São seus argumentos (fls. 208): Fl. 362DF CARF MF 20 "Verificase, de plano, que a multa ora em discussão se encontra parcialmente extinto pela decadência, haja vista tratarse débito relativo ao período compreendido entre janeiro/2004 e dezembro/2004 (incluindo a competência relativa ao 13° salário), tendo o contribuinte sido intimado da presente notificação em 10 de novembro de 2009. A doutrina e a jurisprudência pátria são unânimes em declarar a natureza tributária das contribuições sociais. Nestas condições, verificase que o prazo decadencial para que o INSS constituísse eventual débito da recorrente era de 5 anos, consoante dispõe o artigo 173 e 150, § 4o , ambos do CTN. Nesse exato sentido há a recente Súmula Vinculante n° 8, do STF, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da lei 8.212/91 e estabelecendo como de 5 anos o prazo decadencial para o INSS constituir seus créditos: (...)" Não assiste razão à Recorrente. Explico. Segundo o entendimento consolidado pelo STJ, consubstanciado no recurso repetitivo REsp nº 973.333/SC, julgado 12/08/09, pela 1ª Seção com relatoria do Min. Luiz Fux, a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário nos lançamentos de ofício segue, como regra geral, o estabelecido no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário. Excepcionase a regra geral quando houver pagamento antecipado do tributo objeto do lançamento tributário, mesmo que parcial. Ressaltese a ausência necessária da ocorrência de fraude, dolo ou simulação por parte do sujeito passivo, para a aplicação da regra excepcional. Ora, a regra excepcional surge pela constatação que o legislador, por meio do § 4º do artigo 150 do CTN explicitou que nos tributos que a legislação determine que o contribuinte antecipe o pagamento, e este sendo adimplido, mesmo que parcialmente, a contagem do prazo decadencial terá início na data de ocorrência do fato gerador. No caso em apreço, não se observa um lançamento tributário decorrente de obrigação principal. Tratase de um crédito constituído em razão do inadimplemento de obrigação acessória. Por óbvio que não há antecipação de pagamento nesses casos, inexistindo, portanto, homologação de pagamento a ser feita. Decorrência lógica: não se aplica a prescrição do artigo 150 do CTN para as obrigações acessórias, pelo simples motivo que não se tratam de obrigações tributárias para as quais a lei determine que o contribuinte antecipe o pagamento. Logo, a contagem do prazo decadencial para os lançamentos decorrentes de inadimplemento de obrigações acessórias seguem a disposição do artigo 173 do CTN, ou seja, a regra geral. Sendo o lançamento relativo ao ano de 2004 e tendo a ciência do contribuinte ocorrido em 10 de novembro de 2009, não se observa a decadência arguida. Recurso negado também nesta parte. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 354 21 Antes de adentrarmos ao mérito das alegações recursais, como dito alhures, a insurgência do contribuinte contra o lançamento relativo à obrigação principal foi decidido no processo 19515.004682/200902, por meio do Acórdão 2401003.809 pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 2ª Seção, em 20 de janeiro de 2015, sessão da qual participei. O presente processo administrativo discute crédito tributário decorrente daquele. Assim, em face da conexão inerente entre os processos e da minha total concordância com a decisão consubstanciada no Acórdão 2401003.809, entendimento esse já manifestado e registrado na própria sessão de julgamento, passo a enfrentar as demais questões recursais mencionando e reproduzindo a decisão anterior no que for cabível. DA ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA Se insurge a Recorrente contra o lançamento que considerou os valores da alimentação fornecida in natura como salário de contribuição em razão da falta da inscrição da Recorrente no PAT, Programa de Alimentação do Trabalhador. Seus argumentos constam das folhas 213/223. Sobre o tema, assim restou decido pela 1ª TO da 4ª Câmara (fls 294): "Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. (...) CONCLUSÃO: Neste ponto, entendo assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “alimentação” razão pela qual dou provimento ao recurso." (sublinhados originais) Por concordar com a decisão, dou provimento ao recurso nessa parte. DA 'AJUDAFINANCIAMENTO' DE VEÍCULOS Alega a Recorrente (fls. 223): "De acordo com o relatório fiscal, foram consideradas parcelas integrantes do salário de contribuição dos empregados, as quais deveriam compor a base de cálculo para o recolhimento de contribuições previdenciárias, parte dos valores relativos às 'Políticas de Veículos' (financiamento de veículos para Fl. 364DF CARF MF 22 empregados), denominadas 'Job Car1 e 'Benefit Car1, parcelas estas que deveriam ter sido declaradas em GFIP. Como fundamentação, a fiscalização expôs: "(...) Esta auditoria fiscal concluiu que o empréstimo para financiamento de veículos foi concedido em desconformidade com a legislação, pois a Roche diagnostica do Brasil Ltda. Se compromete a amortizar 60% ou 40% (dependendo do caso) do valor de cada parcela durante os 48 meses do contrato, via desconto em Folha de Pagamento conforme cláusulas 5.3 e 5.4 da "Política de Veículos" (...)" Nesse diapasão, a fiscalização considerou que as deduções/descontos das parcelas dos financiamentos, constituem vantagem econômica aos empregados e, portanto, possuem natureza salarial." Sobre esse ponto, encontramos no voto condutor do Acórdão 2401003.809, o seguinte (fls 295): "Quanto a este benefício entendo que razão não assiste ao recorrente. Entendo que o fornecimento de veiculo de propriedade da empresa, ao empregado para o desempenho de suas atividades realmente se coaduna com a exclusão prevista na legislação previdenciária, contudo não é o caso que vislumbro no levantamento em questão. (...) Ao não apenas financiar o veículo, mas arcar com parte de financiamento, para que o bem seja agregado ao patrimônio do empregado, apenas demonstra a concessão de um benefício indireto, que o empregado teria que arcar para usufruir. Assim, não entendo, mesmo que o carro seja utilizado em serviço, que o citado benéfico enquadrase em uma das modalidades acima destacadas. CONCLUSÃO: quanto ao financiamento de veículo constituir salário de contribuição, entendo que procedente o lançamento, não havendo qualquer reparo a ser feito na decisão proferida." (sublinhados originais) Por ser meu entendimento e pelo motivos apontados na decisão mencionada, nego provimento ao recurso nessa parte. DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR E RESPECTIVO ADIANTAMENTO Consta do recurso (fls. 224): "Segundo a fiscalização, os pagamentos feitos a título de 'PLR/PPR' pela empresa teriam natureza salarial, uma vez que teriam sido feitos sob a égide de uma suposta irregularidade, qual seja, o acordo celebrado para pagamento dos respectivos valores não foi arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Assim, tais parcelas deveriam ter sido declaradas em GFIP. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 355 23 Antes de atacar a suposta irregularidade aduzida pela fiscalização, cumpre à recorrente apresentar entendimento firme e pacífico do E. STJ e dos Tribunais Regionais Federais, no sentido de que a PLR paga, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades legais, não perde a sua natureza não salarial." (destaquei) Em acréscimo a Recorrente menciona farta doutrina e jurisprudência que, ao seu ver, respaldam seu entendimento. Sobre esse ponto, assim restou decidido no Acórdão nº 2401003.809 (fls. 299): Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. Porém um ponto, deve ser prontamente enfrentado, posto que seu acatamento dispensaria a apreciação das demais alegações. Trouxe o recorrente: “por força do que dispõe o artigo 7 0, XI da Constituição Federal os pagamentos realizados a título de PLR estão automaticamente excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias” De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte dos argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional Fl. 366DF CARF MF 24 em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: (...) Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. Assim , voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador estabelecer limites, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigência legais para a referida desvinculação, que nada mais são do que reflexos da vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados. CONCLUSÃO: não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador." (sublinhados originais) Concordo com a decisão prolatada pela 1ª TO da 4ª Câmara. A Lei nº 10.101/00 é norma isentiva e determina 4 requisitos para que se goze da isenção tributária. O descumprimento de qualquer um deles afasta o benefício tributário. Recurso negado também nessa parte. VEÍCULOS À DISPOSIÇÃO DE EMPREGADOS E DIRIGENTES Assevera o Recorrente (fls. 234): Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 356 25 "Nos termos do relatório fiscal, verificase que, quando da visita à empresa, o agente fiscalizador verificou que a recorrente fornece, a alguns de seus empregados e dirigentes, veículos de sua propriedade, a fim de que os mesmos possam executar as suas funções. Diante desta situação, a fiscalização elaborou um cálculo (o qual impugnaremos mais abaixo) e apurou valores sobre os quais deveriam incidir contribuições previdenciárias, por entender que os referidos veículos representavam um benefício e, por tal característica, possuíam natureza salarial. Assim, tais parcelas deveriam ter sido declaradas em GFIP. Ou seja, afirma a fiscalização que o fornecimento de veículos configura salário, na forma de utilidade, sobre o qual recai a obrigação de recolhimento da contribuição para a Seguridade Social, em razão de que os fatos e documentos fornecidos pela recorrente dão conta de que os veículos seriam utilizados pelo trabalho (diante do que seria inaplicável a regra do art. 458, par. 2o , da CLT) e não para o trabalho, na medida que os veículos poderiam ser utilizados aos finais de semana pelos respectivos empregados e dirigentes" Aqui assiste razão ao apelante. Vejamos como decidiu a 1ª TO sobre o tema (fls 296): Concordo com a autoridade fiscal que o fornecimento de veículo da empresa pode ou não ser considerado benefício indireto dependendo do fim a que se destina. Contudo, ao analisar os termos do relatório fica evidente que a base para o fornecimento dos veículos é a utilização em serviço, podendo o empregado permanecer com o mesmo nos fins de semana. É nesse ponto, que entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vemse encaminhando a próprio doutrina trabalhista. Súmula nº 367 do TST UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1)Res.129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) Ou seja, o encaminhamento do TST é que a verba não compõe a remuneração, mesmo nos casos de utilização para atividades Fl. 368DF CARF MF 26 particulares, o que entendo se coaduna com o presente levantamento. Observemos que o art. 28, § 9, não é claro ao determinar as verbas excludentes em relação aos veículos, mas podemos, identificar uma questão que entendo abarca a questão ora sob análise, se o ressarcimento das despesas pelo uso de veículo do empregado (...), quando devidamente comprovadas as despesas realizadas, encontramse excluídos e nada dispõe o dispositivo, acerca da necessária utilização exclusiva para o trabalho, mesma interpretação pode ser dado ao presente caso, reforçado esse entendimento pela súmula do TST acima descrita. CONCLUSÃO; entendo que razão assiste ao recorrente quanto ao levantamento fornecimento de veículos da empresa, mesmo que a utilização dêse basicamente para o trabalho, mas o empregado permanece com o veículo nos fins de semana." (sublinhados originais) Recurso provido nessa parte. DO SEGURO AUTOMÓVEL PAGO PELA EMPRESA EM RELAÇÃO AOS VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS Se insurge a apelante, quanto ao tema, nos seguintes termos (fls. 240): "Alega a fiscalização do INSS que sobre os valores pagos a título de seguro automóvel deve haver a incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que tais verbas não se encontram dentre aquelas que não integral o saláriodecontribuição (art.28, §9°, da Lei n° 8.212/91). Assim, tais parcelas deveriam ter sido declaradas em GFIP. Ocorre que a contratação do referido seguro não proporciona nenhum benefício aos empregados, haja vista que o valor da indenização que é paga em caso de sinistro decorre de evento incerto, não podendo ser considerada como espécie de remuneração, pois, ao contrário do aduzido pela fiscalização, não incrementa o patrimônio do empregado. Nessas circunstâncias, em caso análogo ao agora em análise, há julgamento do antigo CRPS anulando autuação que pretendia cobrar contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de seguro de vida em grupo. Tal decisão demonstra que tanto o antigo CRPS quanto o STJ, entendem que não incide contribuição previdenciária sobre verbas decorrentes de seguro, nas quais os empregados não usufruem dele." A decisão consubstanciada no acórdão da 1ª TO da 4ª Câmara deu razão ao Recorrente. Vejamos (fls 297): "Conforme descrito pela autoridade fiscal: durante a ação fiscal, foi constatado que a empresa pagou valores a título de seguro de veículos aos empregados, conforme item 5.6 da "Política de Veículos", documento juntado às fls. 308/317 pela Impugnante, do qual transcrevemos trecho: Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 357 27 5.6 Seguro do Veículo Os veículos adquiridos por meio deste procedimento serão incluídos na apólice coletiva de seguro mantida pela empresa, sendo esse custo integralmente assumido pela Roche Diagnóstico Brasil Ltda.Ç..) " Interessante observar que o pagamento de seguros para os beneficiários da modalidade 5.2.1 JobCar era adstrita aos trabalhadores que precisavam do carro para desempenhar suas atividades, o que não restou claro na política em relação aos beneficiários da modalidade “Company Car e Benefit Car”. Assim, conforme descrito acima,o seguro davase por meio de apólice coletiva, sendo que a maior parte do lançamento diz respeito a parcela do seguro de automóvel “PARA” o desempenho de seu trabalho. Neste sentido, entendo que os argumentos apontados pelo recorrente para excluir os valores de seguro de automóvel da base de cálculo merecem prosperar." (destaquei) Concordo com a decisão prolatada no Acórdão 2401003.809. Recurso provido nessa parte. DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO, DECLARADAS OU NÃO EM GFIP, RELATIVAMENTE A EMPREGADOS E TRABALHADORES AUTÔNOMOS Se insurge a Recorrente contra o lançamento nos seguintes termos (fls. 242): "Contudo, apesar das planilhas anexas que fazem parte do lançamento ora em discussão, não há no relatório fiscal qualquer relato que possibilite à recorrente defenderse das alegações. Isso porque, se a fiscalização alega que eventuais trabalhadores ou valores deveriam constar em GFIP, deve especificar a situação fática de cada lançamento, possibilitando à recorrente argumentar ou explicar as situações verificadas. Além disso, o mesmo deveria ter sido feito em relação a eventuais valores ou trabalhadores que constaram da GFIP e, supostamente, tiveram os seus respectivos valores não recolhidos em GPS Guia da Previdência Social. Contudo, seja em relação à suposta diferença de pagamentos efetuados a empregados / contribuintes individuais (cujos valores tenham ou não sido declarados em GFIP), seja em relação à suposta diferença de valores que deveriam ter sido recolhidos a título de 13°, a recorrente junta neste momento cópias de suas GFIPs e respectivas GPSs, de todo o ano de 2004, demonstrando que: (i) todos os valores devidos pela empresa foram devidamente lançados em GFIP, não tendo ocorrido qualquer omissão; e (ii) não há diferenças entre os valores declarados em GFIP e os valores recolhidos em GPS. Fl. 370DF CARF MF 28 Assim, inexistindo as diferenças apontadas pela fiscalização, não há que se falar em débito, razão pela qual a autuação também deve ser declarada nula neste aspecto." Novamente me apoio, por ser meu entendimento, na decisão da 1ª TO (fls 303): Quanto a este ponto, alega o recorrente a impossibilidade de identificar as respectivas diferenças, razão pela qual nulo o levantamento em questão. Contudo, essa questão foi enfrentada pelo julgador de primeira instância e não identifico no recurso aspectos capazes de alterar aquele posicionamento. Senão vejamos: Levantamentos REN e 13S Conforme o Relatório Fiscal, foram apuradas remunerações de segurados empregados, constantes das Folhas de Pagamento da empresa, e não declaradas em GFIP. E, ao contrário do que afirma a Impugnante, os seguintes relatórios anexos, contidos no CDROM de fl. 218, e entregues ao Contribuinte conforme Recibo de fls. 231/233, demonstram, por fonte de informação, competência, e funcionário, as remunerações recebidas: • Diferenças de Folhas de Pagamento Não Declaradas em GFIP; • Folhas de Pagamento 13° salário; • Remunerações por Fontes de Informação. Como já exposto, cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento, GFIP's, e GPS de sua própria elaboração. A Defendente pode argüir diversas matérias pertinentes à sua defesa, a participação processual do Contribuinte deve ser a mais abrangente possível, porém, sua impugnação há de ser específica, deve indicar o que pretende refutar e produzir provas, no prazo de defesa, trazer a este julgado todos os dados comprovadores dos fatos que alega e que entende como suficientes para reformar o lançamento. De forma contrária, o que temos é mera alegação sem prova, fato este que não deve ter campo favorável dentro do processo administrativo. Importante observar que as fls. 209 e seguintes existe não apenas o relatório das guias e dos acréscimos gerados pelos atrasos, como a diferença em relação aos trabalhadores autônomos, razão pela qual não confiro razão ao recorrente. Da mesma forma, em relação a competência 13/2004, não demonstrou o recorrente o cumprimento da obrigação de efetivar o recolhimento, nem mesmo insurgiuse especificamente em relação a esse levantamento, indicando que em relação as diferenças apuradas não foi possível identificar as bases de cálculo. Ora, às fls. 04, o levantamento 13S descreve a apuração de débito na competência 12/2004. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 19515.004684/200993 Acórdão n.º 2201003.423 S2C2T1 Fl. 358 29 Como bem decidido, a comprovação dos fatos modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco, compete ao sujeito passivo. Não observo nos autos tal comprovação. Recurso negado nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir do cálculo da multa pelo descumprimento da obrigação de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária os valores relativos ao levantamentos: i) alimentação in natura levantamento ALM e Z2; ii) veículos à disposição de funcionário e dirigentes levantamentos VEI e Z8; iii) Seguros levantamento SEVSEGUROS. Após a exclusão determinada, devese recalcular o valor da multa aplicada, observandose as determinações aplicáveis constantes dos artigos 476 e 476A da IN RFB nº 971/09. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000874/2002-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Configurada a omissão do acórdão recorrido, devem ser acolhidos os
embargos para suprir a omissão.
Numero da decisão: 1803-000.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão e manter a decisão exarada no acórdão n°180300152.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Configurada a omissão do acórdão recorrido, devem ser acolhidos os embargos para suprir a omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão e manter a decisão exarada no acórdão n° 180300152. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000874/200256 Acórdão n.º 180300.835 S1TE03 Fl. 386 2 Tratase de embargos de declaração (fls.382) em que se alega omissão no Acórdão nº 180300152, proferido pela 3ª Turma Especial, da 4ª Câmara, da 1ª Seção do CARF (fls. 374/378), relativamente às seguintes matérias: • A motivação do acórdão na parte que reduziu o percentual de arbitramento de 38,40% para 9,6% é lacônica, dificultando um possível impugnação do julgamento. • O art. 41, I, “e” da Instrução Normativa SRF n° 93/97 dispõe que o percentual de 9,6% será aplicado sobre a receita bruta auferida nas atividades não abrangidas pelo inciso I. Ocorre que a atividade exercida pela autuada (venda de imóveis) enquadrase na alínea “d” do referido inciso. • Pelos comandos expostos, o percentual a ser aplicado sobre a receita dos imóveis vendidos/cedidos será o de 38,40% e não, o de 9,6%. • A 3ª Turma Especial assim não entendeu, porém não justificou o afastamento da disposição contida na citada legislação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Aduz a embargante que a motivação do acórdão na parte que reduziu o percentual de arbitramento de 38,40% para 9,6% é lacônica, o que dificultaria uma possível impugnação do julgamento. O acórdão embargado assim se manifestou sobre a questão: “A fiscalização aplicou o percentual de 38,40% sobre todas as receitas operacionais. (fls. 212). O percentual aplicado deve ser reduzido para 9,6% sobre os valores relativos à venda dos imóveis, por se tratarem de produto da venda de bens nas operações de conta própria.” Conforme relatado pela fiscalização, a contribuinte tinha por objeto, até o ano calendário de 1997, a administração, comércio e incorporação de bens imóveis próprios e a participação no capital de outras sociedades, empreendimentos e consórcios, como acionista sócia, quotista ou consorciada, e, segundo a sua contabilidade, suas receitas foram variadas. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000874/200256 Acórdão n.º 180300.835 S1TE03 Fl. 387 3 O lucro arbitrado das pessoas jurídicas é determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de 20%. O art. 15 da Lei n° 9.249/1995 estabelece a regra geral para determinação da base de cálculo do lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente. Esta é a regra geral. Em seu § 1°, são relacionadas as atividades em que o percentual a ser aplicado é diferente da regra geral. No acórdão embargado, foi reduzido o percentual a ser aplicado sobre as receitas de venda dos imóveis. Isto porque a alínea “c” do inciso III, do § 1°, do art. 15 da Lei n° 9.249/1995, não ser refere à atividade de venda de imóveis, mas tão somente à administração, locação ou cessão de bens imóveis. Não se pode confundir a atividade de compra e venda, loteamento, incorporação, construção de imóveis e a execução de obras de construção civil, com as atividades previstas na alínea “c”, do inciso III, do § 1°, do art. 15 da Lei n° 9.249/1995. As empresas que desempenham estas atividades podem optar pela tributação com base no lucro presumido, devendo ser aplicado o percentual específico de 32% sobre a receita bruta auferida. Por sua vez, as empresas que se dedicam à compra e venda de imóveis são obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real. Aliás, este foi o motivo da autuação, tendo a fiscalização entendido que a contribuinte exerce atividade imobiliária, e por isto, não pode optar pelo lucro presumido. O § 2°, do art. 15 da Lei n° 9.249/1995 determina que no caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. Como não há percentual específico previsto para a atividade imobiliária, deve ser aplicada a regra geral, qual seja, a aplicação do percentual de 8%, acrescido de vinte por cento, sobre a receita bruta. Ante todo o exposto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão e manter a decisão exarada no acórdão n° 180300152. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000874/200256 Acórdão n.º 180300.835 S1TE03 Fl. 388 4 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 35569.000071/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 605 1 604 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35569.000071/200746 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.210 – 2ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL POMPEIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 9. 00 00 71 /2 00 7- 46 Fl. 289DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 240101.471, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.558.2953 que, de acordo com o Relatório Fiscal de 87/88, referese a contribuições devidas A. Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no e aquelas devidas a Terceiros (outras entidades e fundos), no período de 01/1995 a 05/2005. De acordo com o referido relatório, constituíram os fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas com base nas folhas de pagamento de 01/1995 a 05/2005, recibos de retirada prolabore e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Tempestivamente o Contribuinte apresentou sua impugnação, fls. 91/131, alegando, em síntese, que o direito de a União cobrar o crédito tributário, não referente aos últimos cinco anos, está prescrito conforme nos artigos 173 e 174 do CTN; insurgiuse contra a taxa de juros de mora aplicada pelo INSS, que a Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional; também alegou ser inconstitucional a contribuição devida ao INCRA, assim considerada pelo STJ, bem como é inconstitucional a contribuição devida ao Salário Educação. A Delegacia da Receita Previdenciária em Santos, por meio da Decisão Notificação n° 21.033.0/0218/2006, julgou procedente o lançamento. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 176/214, em que reproduziu as razões aduzidas em sua impugnação, insistindo na preliminar de decadência e prescrição conforme os artigos 173 e 174 do – CTN. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 35569.000071/200746 Acórdão n.º 9202005.210 CSRFT2 Fl. 606 3 A 1ª Turma da 4ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, às fls. 240, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento os valores correspondentes às contribuições do período de 01/1995 a 07/2000, nos termos do artigo 150, § 4° do CTN. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS. EMPRESA. SAT/RAT. TERCEIROS São devidas as contribui0es sociais de que tratam os artigo 22 incisos 1,11 e III e art. 94 da Lei n°8212/91. DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante IV 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. HA que se aplicar, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN. TAXA SELIC LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei IV 8.212/91. INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO Exigências devidas nos termos do artigo 94 da Lei n° 8212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula ri° 2 do antigo 2° CC, às instancias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A Fazenda Nacional, às fls. 252/253, apresentou Embargos de Declaração, alegando erro material na mês identificado como data de ciência da NFLD, informado em 29/08/2005, sendo que o correto seria 29/06/2005, que por sua vez, corrigido o erro, a decadência alcançaria até a competência 05/2000. Fl. 291DF CARF MF 4 Às fls. 257, os Embargos Declaratórios foram acolhidos pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, com efeitos infringentes, passando o resultado do julgamento, quanto a decadência a ser: excluir do lançamento os fatos geradores até 05/2000. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às fls. 262/275, alegando divergência entre as decisões em relação à regra decadencial a ser aplicada, afirmando que o acórdão recorrido entendeu que, existindo pagamento antecipado do tributo como um todo, considerandose guia de recolhimento genérica para contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no art. 150, § 4.º, do CTN. Diversamente, afirma que os paradigmas entendem que não havendo recolhimento antecipado das contribuições previdenciárias referentes às rubricas lançadas, individualmente consideradas, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regese pelo contido no art. 173, I do CTN. Arguiu ainda que nos acórdãos paradigmas perfilhouse o entendimento de que o ônus de demonstrar o recolhimento antecipado é do contribuinte (e não do Fisco). Com efeito, concluiuse que, diante da inexistência de elementos que demonstrem ter ocorrido recolhimento antecipado, não se pode presumir a ocorrência de pagamento, devendose aplicar a regra decadencial disposta no art. 173, I, do CTN. Tal entendimento destoa daquele manifestado pelo Colegiado a quo, segundo o qual o ônus probatório com relação à ausência de qualquer recolhimento do tributo devido seria do Fisco, e, se não indicado pagamento na acusação fiscal, restaria presumida sua ocorrência, aplicandose a regra decadencial do art. 150, § 4º do CTN. Às fls. 278/282, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO em relação à única divergência arguida (matéria relativa à regra decadencial), uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, configurando a divergência jurisprudencial apontada, pois, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o ônus probatório com relação à ausência de qualquer recolhimento do tributo devido seria do Fisco, e, se não indicado pagamento na acusação fiscal, restaria presumida sua ocorrência, aplicandose a regra decadencial do CTN, art. 150, § 4º, nos acórdãos paradigmas perfilhouse o entendimento de que o ônus de demonstrar o recolhimento antecipado é do contribuinte (e não do Fisco), concluindose que, diante da inexistência de elementos que demonstrem ter ocorrido recolhimento antecipado, não se pode presumir a ocorrência de pagamento, devendose aplicar a regra decadencial disposta no art. 173, I, do CTN. Intimado às fls. 287, o Contribuinte mantevese inerte. Realizadas as devidas cientificações das decisões acima transcritas vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.558.2953 que, de Fl. 292DF CARF MF Processo nº 35569.000071/200746 Acórdão n.º 9202005.210 CSRFT2 Fl. 607 5 acordo com o Relatório Fiscal de 87/88, referese a contribuições devidas A. Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no e aquelas devidas a Terceiros (outras entidades e fundos), no período de 01/1995 a 05/2005. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à decadência, pois, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o ônus probatório com relação à ausência de qualquer recolhimento do tributo devido seria do Fisco, e, se não indicado pagamento na acusação fiscal, restaria presumida sua ocorrência, aplicandose a regra decadencial do CTN, art. 150, § 4º, nos acórdãos paradigmas perfilhouse o entendimento de que o ônus de demonstrar o recolhimento antecipado é do contribuinte (e não do Fisco), concluindose que, diante da inexistência de elementos que demonstrem ter ocorrido recolhimento antecipado, não se pode presumir a ocorrência de pagamento, devendo se aplicar a regra decadencial disposta no art. 173, I, do CTN. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão, necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Fl. 293DF CARF MF 6 Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...)3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do Fl. 294DF CARF MF Processo nº 35569.000071/200746 Acórdão n.º 9202005.210 CSRFT2 Fl. 608 7 débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Ou seja, delimitar o significado e abrangência do termo início de pagamento. O Contribuinte alega que assiste razão ao acórdão paradigma que contrariando o acórdão recorrido decidiu que o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Enquanto que a Fazenda Nacional entende que o pagamento deve ser realizado para fatos geradores específicos. Registro aqui meu posicionamento de que o adiantamento do pagamento não se verifica pelo recolhimento de contribuições sobre qualquer rubrica, mas tão somente aquelas cujo fato gerador seja equivalente. Insurgese o Acórdão Recorrido no tocante ao ônus probatório para comprovação do pagamento antecipado, tido como elemento norteador do regramento legal aplicado a decadência. Não tenho dúvida, portanto, quanto a necessidade de pagamento antecipado para aplicação do regramento tencionado pelo contribuinte, contudo, o que se discute aqui é a quem cabe esta prova. Ora, na regra clássica de Direito Processual a prova cabe a quem alega, com exceção apenas nos casos em que a prova se encontra em poder da parte contrária. Analisando o presente caso, observo que o contribuinte não logrou êxito em se desincumbir deste ônus, não tendo carreado aos autos nenhuma prova que aponte para o recolhimento realizado pelo devedor . Assim, considerando que a contribuição previdenciária é tributo cujo lançamento se dá por homologação, como não houve o pagamento, o fisco tinha cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o pagamento para lançar de ofício. Nesse sentido, pela cabível a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 295DF CARF MF 8 Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720129/2011-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
RECURSO ESPECIAL INADMISSIBILIDADE SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS
Para que seja admitido Recurso Especial há que ser demonstrada a semelhança das situações fáticas entre a decisão da qual se pretende recorrer e da decisão paradigmática e a divergência da interpretação da Lei tributária. Não se admite Recurso Especial quando os paradigmas apresentados tratam de situação fática distinta da situação analisada no acórdão recorrido
Numero da decisão: 9202-004.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 RECURSO ESPECIAL INADMISSIBILIDADE SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS Para que seja admitido Recurso Especial há que ser demonstrada a semelhança das situações fáticas entre a decisão da qual se pretende recorrer e da decisão paradigmática e a divergência da interpretação da Lei tributária. Não se admite Recurso Especial quando os paradigmas apresentados tratam de situação fática distinta da situação analisada no acórdão recorrido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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Não se admite Recurso Especial quando os paradigmas apresentados tratam de situação fática distinta da situação analisada no acórdão recorrido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 01 29 /2 01 1- 69 Fl. 582DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador, interposto contra o Acórdão nº 240102.981 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR AS MESMAS CONTRIBUIÇÕES. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração das mesmas contribuições na GFIP. Recurso Voluntário Provido. Na origem, tratase de Autos de Infração que têm por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas à Seguridade Social (DEBCAD nº 37.300.618 7) e a outras entidades e fundos (DEBCAD nº 37.300.6195) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais e penalidade pelo descumprimento de obrigações acessórias (DEBCAD nº 37.300.6160). De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 6, “a autuada não possui opção pelo Simples Nacional, conforme verificado no cadastro de Entes Federativos do SIMPLES NACIONAL, mas declarou na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP que é optante do SIMPLES, recolhendo somente as contribuições descontadas de segurados empregados e segurados contribuintes individuais, utilizando o recolhimento de GPS no código 2300, para o período”. O contribuinte impugnou o lançamento aduzindo que o não enquadramento da empresa no SIMPLES nacional se deu por uma decisão administrativa equivocada, mas que o erro foi posteriormente retificado, reconhecendo o enquadramento da empresa no regime de forma retroativa, inclusive nas datas que foram abrangidas na autuação fiscal. Para tanto, trouxe aos autos documentos que comprovam as alegações (fls. 202 a 230). A Delegacia Regional de Julgamento, por unanimidade, deu provimento à impugnação para excluir os créditos decorrentes das obrigações tributárias principais, mas manteve os créditos das obrigações acessórias por ausência de impugnação específica, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CANCELAMENTO DE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA MUNICIPALIDADE. INEXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NO ART. 22, INCISOS I, II E III DA LEI 8.212/91. Cancelado o Ato Municipal que havia excluído a empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 583DF CARF MF Processo nº 15540.720129/201169 Acórdão n.º 9202004.542 CSRFT2 Fl. 7 3 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, é improcedente a constituição de crédito para a Seguridade Social na forma arrecadatória ordinária da Lei 8.212/91, eis que cedido o lugar à exação na forma simplificada do referido regime de opção. PRECLUSÃO PROCESSUAL ADMINISTRATIVA A matéria não expressamente impugnada está sujeita à preclusão. Necessidade de estabilização do processo contencioso fiscal. Inteligência do Art. 17 do Decreto 70.235/72. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte Segue, por oportuno, os fundamentos da decisão: 6. De fato, tal como descrito no relatório fiscal, a empresa foi excluída do SIMPLES Nacional, por meio de ato administrativo municipal, com efeitos retroativos a 01/07/2007, conforme processo 2.446/08, da prefeitura de Casemiro de Abreu RJ. ... 15. Pelo exposto, considerando que o presente lançamento corresponde às contribuições previdenciárias a que se refere a Lei nº 8.212/91 e que, no período por ele abrangido, a empresa autuada se encontrava devidamente enquadrada no SIMPLES Nacional, podendo, assim, deslocar sua forma de recolhimento para obedecer os dispositivos da Lei Complementar 123/06, de forma unificada, impõese o reconhecimento da improcedência do crédito em relação a este período, para as obrigações tributárias principais. 16. Em relação ao Crédito Tributário consubstanciado no AI DEBCAD 37.300.6160, não houve impugnação específica, devendo o mesmo ser considerado devido de plano. Inconformado com a manutenção do lançamento das obrigações acessórias, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ao qual, por unanimidade, foi dado provimento para declarar a improcedência do crédito, por entender a Turma que, sendo os lançamentos conexos, a declaração de improcedência das obrigações principais reflete nas obrigações acessórias. Contra a decisão, a PGFN interpôs Recurso Especial de Divergência aduzindo que o aresto merece reforma, pois diverge do entendimento exarado no Acórdão nº 2302001.163, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, em 27/07/2011, na medida em que o acórdão paradigma considera que as obrigações acessórias são independentes e autônomas: (...) OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à Fl. 584DF CARF MF 4 penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte Na análise da admissibilidade do recurso, o i. Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção, por meio do Despacho nº 2400475/2014, deu seguimento ao recurso. Intimado do despacho, o contribuinte apresentou contrarrazões que, em suma, reiteram os argumentos do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 15540.720129/201169 Acórdão n.º 9202004.542 CSRFT2 Fl. 8 5 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando inquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF cancelou o auto de infração de obrigação acessória em face da improcedência da obrigação principal. Entendeu, em suma, que a obrigação acessória deve ter, necessariamente, o mesmo destino da obrigação principal. É o que se extrai do seguinte trecho do voto condutor do acórdão recorrido: “Por essa linha de entendimento, a verificação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP dá se no momento da apreciação da obrigação principal. Assim, declarando se improcedentes as contribuições lançadas, deve o resultado refletir se no lançamento decorrente de descumprimento da obrigação acessória de não declarar as contribuições excluídas na GFIP. Diante disso, tendo sido declarados improcedentes os lançamentos relativos à exigência das contribuições, deve ter o mesmo destino a lavratura pela falta de declaração dos tributos na GFIP.” Isso porque, houve uma equivocada exclusão da recorrida do SIMPLES, por um município onde nunca esta teve sede, assim estamos diante da inexistência de obrigação principal. Já o acórdão trazido símile, Acórdão nº 2302 01.163, trata de manifestação de que que em caso de improcedência de uma obrigação principal (há existência no campo fático e improcedência no campo jurídico) não levaria, necessariamente, à improcedência da obrigação acessória. Entendo que aqui estamos diante de situações fáticas ensejadoras da aplicação das normas jurídicas absolutamente distintas e, nesse contexto, entendo que não restou demonstrada a divergência jurisprudencial, de modo que não se pode admitir o Recurso da União. Assim, voto por não conhecer o recurso da União (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 586DF CARF MF 6 Fl. 587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928336/2009-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.545
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE GERACAO TERMICA DE ENERGIA ELETRICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 83 36 /2 00 9- 59 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n.º 3302002.913, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos de números 202 19.497 e 3301002.196. Por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso da Fazenda. A Fazenda Nacional alega que o reajuste de preços pelo IGPM descaracteriza o caráter de "preço predeterminado" previsto no art. 10, XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, mesmo entendimento assentado nos acórdãos paradigmas. Já a contribuinte, em contrarrazões, defende a decisão atacada com base em seus próprios fundamentos e nos argumentos lançados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário, acrescentando que cabia ao Fisco comprovar que as variações decorrentes da aplicação do IGP M seriam superiores às variações previstas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, para não aceitar o regime de cumulatividade no presente caso, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 5 4 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303 003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 6 5 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN Observese que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tão somente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 7 6 admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 8 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 9 8 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 10 9 Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 11 10 Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303 003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 9303004.545 CSRFT3 Fl. 12 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGP M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 677DF CARF MF
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