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Numero do processo: 10783.916037/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.902
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 37 /2 00 9- 91 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10783.916037/200991 Acórdão n.º 3402003.902 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10783.916037/200991 Acórdão n.º 3402003.902 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10783.916037/200991 Acórdão n.º 3402003.902 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906077/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.973
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 07 7/ 20 12 -1 7 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10660.906077/201217 Resolução nº 3401000.973 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.335. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10660.906077/201217 Resolução nº 3401000.973 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10660.906077/201217 Resolução nº 3401000.973 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.009384/2003-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995
EMBARGOS. ACÓRDÃO PROFERIDO. DECISÃO CONTRÁRIA AOS INTERESSES DA FAZENDA NACIONAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A ausência de intimação da Fazenda Nacional quanto à prolação de acórdão contrário aos seus interesses caracteriza flagrante cerceamento ao exercício do seu direito de defesa e violação ao princípio do contraditório, na medida em que o feito teve prosseguimento, inclusive com o proferimento de novas decisões sem que a embargante tivesse tido a oportunidade de se manifestar nos autos, mediante a interposição dos recursos que entendesse cabíveis.
Desta feita, impõe-se a anulação de todos os atos processuais praticados após o julgamento proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ciência não havia sido dada à embargante, dando-lhe a oportunidade de apresentação dos recursos cabíveis, se assim entender.
Numero da decisão: 1302-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos interpostos, para anular todos os atos processuais praticados após o julgamento proferido pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes e determinar que seja formalmente cientificada a Fazenda Nacional dos termos do Acórdão n° 101-95.009, facultando-lhe a interposição dos recursos que entender cabíveis em face daquela decisão.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Felix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 EMBARGOS. ACÓRDÃO PROFERIDO. DECISÃO CONTRÁRIA AOS INTERESSES DA FAZENDA NACIONAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A ausência de intimação da Fazenda Nacional quanto à prolação de acórdão contrário aos seus interesses caracteriza flagrante cerceamento ao exercício do seu direito de defesa e violação ao princípio do contraditório, na medida em que o feito teve prosseguimento, inclusive com o proferimento de novas decisões sem que a embargante tivesse tido a oportunidade de se manifestar nos autos, mediante a interposição dos recursos que entendesse cabíveis. Desta feita, impõese a anulação de todos os atos processuais praticados após o julgamento proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ciência não havia sido dada à embargante, dandolhe a oportunidade de apresentação dos recursos cabíveis, se assim entender. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos interpostos, para anular todos os atos processuais praticados após o julgamento proferido pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes e determinar que seja formalmente cientificada a Fazenda Nacional dos termos do Acórdão n° 10195.009, facultandolhe a interposição dos recursos que entender cabíveis em face daquela decisão. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 93 84 /2 00 3- 44 Fl. 4364DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.365 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Felix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 4365DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.366 3 Relatório Tratase de auto de infração interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 110200.034, proferido em 27 de agosto de 2009, pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mediante a qual aquele colegiado decidiu, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. Cientificada do acórdão em 23/03/2010 a Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN interpôs embargos de declaração em 15/04/2010, que restaram admitidos em despacho fundamentado do presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF que assim relatou as alegações da embargante: A oposição dos presentes embargos se mostra cabível, na medida em que o referido acórdão incorreu em omissão quanto a ponto sobre o qual deveria manifestarse, cuja essencialidade para o deslinde da controvérsia é certa. Vejamos. PROCESSO N°: 13805.003578/9755 ACÓRDÃO N°: 110200.034 EMBARGANTE: UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) INTERESSADO: KRAFT SUCHARD BRASIL S/A A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por meio da Procuradora que abaixo Tratase de impugnação à constituição de crédito tributário, conforme autos de infração lavrados em 29 de abril de 1997, abrangendo IRPJ, FINSOCIAL/FATURAMENTO, COFINS, IRFON, IRRF SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS E/OU REDUÇÃO DO LUCRO LIQUIDO, CSLL, perfazendo um total de crédito tributário de R$ 11.367.238,19 (fls.01 a 66). O contribuinte KRAFT LACTA SUCHARD BRASIL S/A, CNPJ 57.003.881/000111, nova razão social de KIBON S/A INDUSTRIAS ALIMENTÍCIAS, incorporadora de QREFRESKO S/A CNPJ 52.005.097/0001 29, contribuinte ao qual se referem os fatos apurados pela fiscalização, ciente do lançamento em 29/04/2007 (fl. 03), apresentou defesa única, protocolizada em 27/05/1997, em relação a todos os autos de infração. Apreciada a impugnação, o processo foi baixado em DILIGÊNCIA, conforme Resolução DRJ/SPO/SP n° 1689/9811506 (fls. 451), para os fins solicitados às fls. 428/450. A Fiscalização realizou a diligência, conforme consta às fls. 452 a 972, procedendo à lavratura de Termos de Intimação e juntada das peças apresentadas no curso da Diligência Fiscal, elaborando RELATÓRIO FISCAL (fls. 964 a fls. 970). Em razão das constatações realizadas, procedeuse à lavratura de novos Autos de Infração, com ciência em 09 de agosto de 1999, apurando crédito tributário no total de R$ 3.979.440,94 (fls. 973 a fls. 1.039). O contribuinte apresentou nova defesa, em 08/09/1999, em relação à SEGUNDA AUTUAÇÃO, alegando que não havia como subsistir tal autuação por contrariar a legislação aplicável, requerendo sua improcedência e arquivamento do processo administrativo (fls. 1.055 a fls. 1.088). Fl. 4366DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.367 4 Foi proferido o Acórdão n° 1.744 de 22 de outubro de 2002, considerandose o Lançamento Procedente em Parte (fls. 1.317 a fls. 1.367), e recorrendo de ofício ao Conselho de Contribuintes. Ciente em 23/04/2003 (fl. 1.375), o autuado interpôs Recurso Voluntário, conforme notícia às fls. 1.376 e 1.419. A Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, proferiu o Acórdão n° 101 95.009, referente ao Recurso n° 137.583, em sessão de 15 de junho de 2005, nos seguintes termos (fls. 1.379 a fls. 1.392): Número do Recurso: 137583 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 13805.003578/9755 Tipo do Recurso: DE OFÍCIO/VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: 10ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Recorrida/Interessado: KRAFT SUCHARD BRASIL S.A. (INCORPORADORA DE Q REFRESKO CNPJ 52005997/000129) Data da Sessão: 15/06/2005 00:00:00 Relator: Paulo Roberto Cortez Decisão: Acórdão 10195009 Resultado: OUTROS OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade de todos os atos processuais praticados a partir do 2o. auto de infração, inclusive, e determinar o retorno dos autos à DRJ competente para nova decisão. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REVISÃO DE LANÇAMENTO EX OFFICIO SEM QUE TENHA HAVIDO DECISÃO SOBRE A MATÉRIA LITIGADA NULIDADE Não pode ser revisto o lançamento ex officio que se encontra na fase litigiosa do procedimento, pendente de decisão da autoridade que preside o julgamento da lide, sendo descabida a lavratura de novo auto de infração sobre a mesma matéria em litígio, em substituição ao originalmente lavrado. Atos processuais que se declaram nulos, quanto aos praticados a partir da lavratura dos autos de infração de fls. 971/1039, em 09/08/99, inclusive. Vejase que além de anular todos os atos processuais praticados a partir dos Autos de Infração de fls. 971 a 1.039, o acórdão anulou também a segunda autuação. O processo retornou a Décima Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, após ciência do interessado em 30/10/2006 (fls. 1.429 e fls. 1.430). Dessa forma, em função do quanto decidido pelo CONSELHO DE CONTRIBUINTES, o julgamento de PRIMEIRA INSTÂNCIA apreciou a impugnação de fls. 383 a fls. 417, e a petição de fls. 1.074 a fls. 1.077, observando se o resultado da DILIGÊNCIA, conforme RELATÓRIO FISCAL (fls. 964 a fls. 970), quanto aos itens que compuseram a primeira autuação apenas. Como visto, a União NÃO FOI INTIMADA do Acórdão n° 101 95.009. Fl. 4367DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.368 5 Aliás, na fl. subseqüente ao acórdão consta o "Termo de Juntada e Encaminhamento" à DRF de São Paulo (fl. 1.393). Não obstante a prolação do Acórdão n° 10195.009 pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1.379/1.392), NÃO foi determinada a intimação da Procuradoria da Fazenda com o fim específico de tomar ciência do referido julgamento, e por assim proceder, acabou por obstar o conhecimento e a eventual interposição de recurso especial ou embargos de declaração, para combater ou aclarar ou sanar algum vício porventura existente no decisium. O § 2º do art. 37, da Portaria MF n° 55, de 1998, que aprovou o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes (atual §3°, do art. 81, da Portaria MF n° 256/2009), à época, estabelecia que: "§ 2º Sob pena de nulidade, os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados serão intimados dos despachos relativos aos embargos e à admissibilidade de recurso especial e dos acórdãos contrários ao interesse da Fazenda Nacional", (destaques acrescidos) Ressaltase que a referida intimação deve ser específica, ou seja, para o fim particular de se tomar ciência/conhecimento do teor do acórdão e para interpor recurso especial ou embargos de declaração, caso haja previsão regimental bem como interesse processual. Análise essa, frisese, que, mesmo diante de eventual existência de vedação regimental ou da inexistência de permissivo para a interposição de recurso, cabe privativamente à Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, em que pese a disposição regimental e a previsão expressa de nulidade processual, o feito teve prosseguimento, sendo que a eg. Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF analisou a matéria submetida a sua competência, proferindo o acórdão n° 110200.034 (fls. 1.583/1.599) Ao assim decidir, deixou de se manifestar sobre a nulidade perpetrada nos autos, caracterizada pela falta de intimação da Procuradoria da Fazenda do julgamento anterior, o que configurou flagrante cerceamento do direito de defesa e malferimento do princípio do contraditório, até mesmo porque o contribuinte foi devidamente intimado acerca do julgado (fls. 1.429 e 1.430). E inegável o prejuízo à Fazenda Nacional, uma vez que a segunda autuação foi anulada, sendo alvo de deliberação tanto pela primeira instância quanto pelo CARF apenas a primeira autuação, considerandose, inclusive que a segunda autuação e o resultado da diligência fiscal constituiriam "inovação na fundamentação do lançamento" ou "aperfeiçoamento do auto de infração", conforme se extrai de diversos excertos do acórdão embargado (fls. 1.583/1.599). O Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, é claro ao pontuar que a preterição ao direito de defesa, tal qual presente neste feito, é causa de vício insanável a ensejar a nulidade da decisão que a provocou. In verbis: CAPÍTULO III Das Nulidades "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Fl. 4368DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.369 6 A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5o , prevê também a referida garantia, inafastável também nos processos em âmbito administrativo, não fazendo nenhuma ressalva quando a parte for a própria União, litteris: "LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;" Caso se entenda pela efetiva existência do referido vício, é imperiosa a necessidade de se chamar o feito à ordem, determinandose a anulação dos atos processuais praticados após o julgamento proferido pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, facultandose à Fazenda Nacional a interposição de recurso especial ou embargos de declaração em face do Acórdão n° 10195.009, conforme disposição regimental à época. Assim, imprescindível que haja manifestação desta e. Turma sobre a configuração ou não de nulidade processual, bem como acerca da necessidade de se chamar o feito à ordem. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para efeito de suprir a omissão apontada, e caso esta c. Câmara julgue atendidos os requisitos formais previstos na legislação de regência, confira efeitos infringentes ao julgado. A despeito dessas considerações, há ainda outros vícios a serem sanados no acórdão em apreço, caso não acolhido o pedido formulado no parágrafo anterior. Consta do acórdão embargado que os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidiram dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para excluir da matéria tributável, além do já afastado pela decisão de primeira instância, o valor de Cr $ 20.693.500,43 em relação ao período setembro de 1993. No dispositivo do voto condutor, consta idêntica conclusão. Ocorre que o acórdão foi omisso sobre ponto ventilado na decisão de primeira instância a respeito. Senão vejamos. Consta da decisão de primeira instância a respeito dos valores lançados para o período setembro de 1993, verbis: Com relação ao mês de set/93, como exposto pela fiscalização a autuação constou como sendo Cr$ 20.693.500,43 (fls. 07), no entanto o valor correto seria Cr$ 2.693.500,43, conforme fls. 331, diferença de fato que impõe ser exonerada. Por sua vez, tendo em conta o resultado da diligência, como acima transcrito, e em vista da não apresentação da documentação, deve ser mantida a exigência por não comprovação quanto aos seguintes valores a título de Despesas não necessárias Seguro de Vida e Medicamentos, relacionados às fls. 330 e fls. 331: [...] Portanto, os valores mantidos pela decisão de primeira instância, a título de "Despesas não necessárias Seguro de Vida e Medicamentos", em relação a setembro de 1993, cingemse a R$ 2.693.500,43. Logo, ainda que confirmada a decisão de primeira instância a respeito da exoneração da diferença entre Cr$ 20.693.500,43 (fls. 07) e Cr$ 2.693.500,43 (fl. 381), (exoneração que foi objeto do recurso de ofício), o acórdão embargado, não poderia, excluir da tributação "além do já afastado pela decisão de primeira instância, os seguintes valores: (...) Setembro de 1993: Cr$ 20.693.500,43", uma vez Fl. 4369DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.370 7 que apenas restou mantido o valor de Cr$ 2.693.500,43. Assim, requer seja sanada a omissão/erro material apontado, corrigindose o valor da exclusão promovida no acórdão e no voto condutor do aresto (dispositivo e teor). O outro vício que se vislumbra no acórdão embargado diz respeito à omissão/obscuridade na análise do "Item 3 Despesas desnecessárias". Com efeito, o acórdão embargado não apreciou o disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional. No decorrer do voto condutor observase que a il. ConselheiraRelatora, em que pese reconheça a ausência de amparo legal para considerar como despesas operacionais dedutíveis os gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes, uma vez que o fez com base no disposto em Portaria (Portaria MEFP n° 41/74) e em Decreto (art. 300 do RIR/94 aprovado pelo Dec. Nº 1.041/94), olvidando o que estabelece o art. 97, inciso II c/c § Iº , do CTN, no sentido de que somente lei pode estabelecer a redução de tributos mediante a modificação de sua base de cálculo, salvo as exceções elencadas, entre as quais não se encontra o caso dos autos. De fato, o acórdão embargado foi omisso/obscuro, pois a Lei n° 9.245, promulgada em 26/12/1995, somente entrou em vigor sessenta dias após a sua publicação, não se aplicando, portanto, ao caso concreto (em especial o art. 13, inciso V). Registrese que o acórdão foi omisso ao elencar essa fundamentação legal, mas não citar qual o embasamento para sua aplicação retroativa, uma vez que os fatos objetos desta autuação reportamse aos anoscalendário 1991 a 1995, fora, portanto, do âmbito de vigência da referida lei. No mesmo tópico, ao tratar da tributação dos benefícios concedidos pela empresa a título de Seguro de Vida e Reembolso de Despesas com Medicamentos, o acórdão embargado incidiu em omissão e contradição ao pugnar que a autorização para a dedutibilidade das despesas com seguro de vida e medicamentos, bastando apenas que sejam disponibilizados indistintamente a todos os empregados, fato este não questionado pela fiscalização. Senão vejamos. Às fls. 296/297, consta intimação da fiscalização para que o contribuinte apresentasse a relação individualizada dos funcionários beneficiados. Às fls. 298/327, vislumbrase que o próprio contribuinte assume não ter condições de identificar individualmente os beneficiários. E, por último, às fls. 328/329 encontra se a fundamentação para o auto de infração a respeito, relatando esses pormenores. Logo, ao pontuar que esse fato não questionado pela fiscalização, o julgado embargado olvidou os documentos acima relacionados e mostrouse contraditório com os elementos probatórios colacionados aos autos. Outrossim, o próximo vício referese à fundamentação do voto condutor no que pertine ao item 2 Custos ou despesas não comprovadas. A il. Relatora aduziu como fundamentação para cancelar a glosa das despesas de Cr$ 1.300.000,00 e de Cr$ 4.500.000,00 que "Conforme previsto no § 1º do artigo 9º do Decretolei n° 1.598, de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis (...)". Contudo, omitiu a análise de fator relevante para o deslinde da controvérsia. À fl. 532, item 10, subitem 1, o próprio contribuinte reconhece que "não foi localizado o Livro Razão de 1991". Portanto, a il. Relatora não indicou quais os elementos probatórios que formaram seu convencimento no sentido de que a escrituração do autuado relativa ao anocalendário de 1991 era ou foi mantida com observância das disposições legais para concluir que a mesma, aliada às notas fiscais que menciona (fls. 136 a 140) faz prova a favor do contribuinte. Ademais, conclui que "A nota Fl. 4370DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.371 8 fiscal emitida com observância dos requisitos legais e que especifique, com precisão, o objeto da venda, constitui, em regra, embasar o registro contábil do fato nela representado". Contudo, examinando o fl. 136, de forma contraditória ao que alegado no acórdão embargado, não consta o objeto da venda. Com efeito, não consta na NF de fl. 136 a indicação de que os valores nela apostos referemse a prestação de serviços de transporte (locação de ônibus), tal como concluiu o acórdão embargado. Portanto, deve ser sanada a referida contradição. Por fim, o julgado objeto dos presentes embargos não analisou as exonerações promovidas pela DRJ em São Paulo a título de erro de fato, consistindo em verdadeira omissão sobre a análise de item objeto do recurso de ofício, litteris: "Ressaltese que o valor de Cr$ 4.806.783.121,97 referese a fatos ocorridos no segundo semestre/92 (fls.232), sendo que no auto de infração constou como infração do primeiro semestre/92 (fls.05 e fls.12). Assim, em face do Acórdão do CONSELHO DE CONTRIBUINTES é de se exonerar o lançamento relativo a tal parcela em relação ao primeiro semestre/92 por erro de fato. (...) Ressaltese que o valor de Cr$ 1.050.579.621,14 referese a fatos ocorridos no segundo semestre/92 (fls. 330), sendo que na autuação constou como infração do primeiro semestre/92 (fls.06 e fls.12). Assim, em face do Acórdão do CONSELHO DE CONTRIBUINTES, é de se exonerar o lançamento relativo a tal parcela em relação ao primeiro semestre/92 por erro de fato. Com relação ao mês de set/93, como exposto pela fiscalização a autuação constou como sendo Cr$ 20.693.500,43 (fls. 07), no entanto o valor correto seria Cr$ 2.693.500,43, conforme fls.331, diferença de fato que impõe ser exonerada." Diante de todas as razões acima expostas, a Fazenda Nacional requer o recebimento e acolhimento dos presentes embargos declaratórios in totum, sanando os vícios acima apontados, e concedendolhe efeitos infringentes, se for este o caso. O presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF admitiu integralmente os embargos, concluindo sobre as alegações, verbis: A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames das causas de pedir, quais sejam: 1) nulidade perpetrada nos autos, caracterizada pela falta de intimação da PGFN do julgamento consubstanciado no Acórdão n° 10195.009, de 15.06.2005, o que configurou flagrante cerceamento do direito de defesa; 2) sobre a decisão de primeira instância a respeito da exoneração da diferença entre Cr$ 20.693.500,43 (fls. 07) e Cr$ 2.693.500,43 (fl. 381), (exoneração que foi objeto do recurso de ofício), o acórdão embargado, não poderia, excluir da tributação "além do já afastado pela decisão de primeira instância, os seguintes valores: (...) Setembro de 1993: Cr$ 20.693.500,43", uma vez que apenas restou mantido o valor de Cr$ 2.693.500,43; e 3) atinente ao cancelamento da glosa das despesas de Cr$ 1.300.000,00 e de Cr$ 4.500.000,00, houve omissão em relação à análise de fator relevante para o deslinde da controvérsia, já que à fl. 532, item 10, subitem 1, o próprio contribuinte Fl. 4371DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.372 9 reconhece que "não foi localizado o Livro Razão de 1991" e no acórdão embargado não foram indicados quais os elementos probatórios que formaram seu convencimento no sentido de que a escrituração do autuado relativa ao ano calendário de 1991 era ou foi mantida com observância das disposições legais para concluir que a mesma, aliada às notas fiscais que menciona (fls. 136 a 140) faz prova a favor do contribuinte. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. Tendo em vista a extinção do colegiado que proferiu o acórdão embargado, o presente processo foi sorteado para julgamento por este colegiado, nos termos do art. 49, § 6º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o relatório. Fl. 4372DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.373 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e devem ser conhecidos, nos termos do despacho de admissibilidade proferido pelo presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. A primeira questão a ser enfrentada referese à alegação de nulidade caracterizada pela falta de intimação da PGFN do julgamento consubstanciado no Acórdão n° 10195.009, de 15.06.2005, o que configuraria flagrante cerceamento do direito de defesa. Embora não se consubstancie, propriamente. em omissão no julgado, tratandose de nulidade esta deve ser apreciada, em qualquer fase processual, quando alegada pela parte no momento oportuno, conforme dispõe o art. 278 do novo CPC, verbis: Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. No presente caso, a Fazenda Nacional alega, com propriedade, que deixou de ser intimada do Acórdão n° 10195.009, que decretara a invalidade de diversos atos processuais, inclusive de novo auto de infração lavrado, obstaculizando, em face da omissão, a propositura dos recursos previstos no regimento interno dos Conselhos de Contribuintes então vigente. Com efeito, o art. 37, § 2º da Portaria MF. nº 55, de 1998, que aprovou o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, previa a necessidade de intimação dos procuradores da Fazenda Nacional quanto às decisões contrárias ao interesse da Fazenda Nacional, verbis: art. 37. [...] "§ 2º Sob pena de nulidade, os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados serão intimados dos despachos relativos aos embargos e à admissibilidade de recurso especial e dos acórdãos contrários ao interesse da Fazenda Nacional. A ausência de intimação da Fazenda Nacional da prolação de acórdão contrário aos seus interesses caracteriza flagrante cerceamento ao exercício do seu direito de defesa e violação ao princípio do contraditório, pois o feito teve prosseguimento, inclusive com o proferimento de novas decisões sem que a embargante tivesse tido a oportunidade de se manifestar nos autos, mediante a interposição dos recursos que entendesse cabíveis. Fl. 4373DF CARF MF Processo nº 10980.009384/200344 Acórdão n.º 1302002.040 S1C3T2 Fl. 4.374 11 Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, para anular todos os atos processuais praticados após o julgamento proferido pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes e determinar que seja formalmente cientificada a Fazenda Nacional dos termos do Acórdão n° 10195.009, facultandolhe a interposição dos recursos que entender cabíveis em face daquela decisão. Fica prejudicada a análise dos demais pontos alegados como omitidos no acórdão embargado, tendo em vista a anulação dos atos processuais, inclusive o próprio acórdão embargado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 4374DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.000151/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/01/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 01 51 /2 00 7- 51 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 750DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 752DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 754DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 14485.000151/200751 Acórdão n.º 9202004.953 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720461/2007-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente.
Numero da decisão: 9202-005.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. No mérito, quanto ao Recurso Especial do contribuinte, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que lhe deram provimento. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa da área de interesse ecológico de 1.326 ha, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi apresentado de forma intempestiva. Assim, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 61 /2 00 7- 30 Fl. 577DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. No mérito, quanto ao Recurso Especial do contribuinte, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que lhe deram provimento. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa da área de interesse ecológico de 1.326 ha, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2005. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 02) a infração foi assim resumida: 1. Da Área Total do Imóvel: Após georreferenciamento ficou constatado que o imóvel possui uma área menor que o matriculado originalmente , passou de 20000,0ha para 14549,8ha, sendo aceito este valor real para fins do ITR . Na data da ocorrência do fato gerador, 1 de janeiro de 2005, o contribuinte desta área de 14549,8ha ainda era a contribuinte MINERAÇÃO SANTA ELINA IND. E COM. S.A. 2. Das Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 578 3 Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR . Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título. (Enquadramento Legal: Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, 51°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001 , e IN/SRF 256 , de 2002). 3. Valoração da Terra Nua VTN: Está sendo aceito o valor estipulado em laudo de R$379,61por hectare, resultando nos seguintes VTN totais por exercício: VTN do imóvel do exercício de 2003, 2004 e 2005=14549,8ha*R$379,61 R$5.523.249,57 Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 299 julgada improcedente pela DRJ sob a argumentação que para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e interesse ecológico é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas no imóvel rural e cumprimento da exigências legais, como apresentação do Ato Declaratório AmbientalADA ao Ibama, averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis e declaração da área de interesse ecológico por ato do órgão competente, federal ou estadual. Em Recurso Voluntário o contribuinte requer a reforma do julgado. Adotando o relatório sintético do acórdão recorrido, esclareço que no mérito: O contribuinte afirma que, da totalidade da área rural, 7.274,902ha. estão cobertos por florestas de reserva legal, 3.248,94378ha estão cobertos por florestas de preservação permanente, e outros 1.326ha correspondem à área de interesse ecológico. Não foi apresentado ADA tempestivo relativamente a essas áreas. As averbações da área de reserva legal e de interesse ecológico existem desde 1994 e 1998, respectivamente, conforme a seguir. a) Averbação AV4/ 1.425 de efolha 56 dos autos, feitas em 31/05/94, conforme Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta, firmado em 11/04/94 entre a proprietária e o IBAMA aonde consta que 50% da área do imóvel rural fica gravada como de utilização limitada, para RESERVA LEGAL. b) Averbação AV05/ 1.425, de 01/11/99 de Termo de Responsabilidade de Averbação de Estação Ecológica, firmado em 30/07/1998 entre a proprietária e o IBAMA Superintendência CuiabáMT, de 1.326ha gravada como de utilização limitada, destinada à estação ecológica. Relativamente à comprovação de áreas de preservação permanente na propriedade, apresentou laudo de fl. 114 (numeração manual) produzido por profissional habilitado, com especificação de áreas de preservação permanente referentes à proteção de nascentes e de margens de rios/córregos existentes na propriedade, conforme a seguir. Fl. 579DF CARF MF 4 ... Foram quantificados 538,3991 ha (Quinhentos e trinta e oito hectares, trinta e nove ares e noventa e um centiares) de APP, localizados à margem dos cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura, onde foram computadas faixas de vegetação de 30 (trinta) metros ao longo de cada margem destes cursos. ... Foram identificadas 23 (vinte e três) nascentes no imóvel com um total de 18,0619 ha (Dezoito hectares, seis ares e dezenove centiares) de Área de Preservação Permanente. ... Foram mensurados 2.687,2759 ha (Dois mil, seiscentos e oitenta e sete hectares, vinte e sete ares e cinqüenta e nove centiares) de Área de Preservação Permanente em topo de morro. Assim, de acordo com o laudo, a propriedade teria 3.248,94378 ha de áreas de preservação permanente em margens de rios/córregos, nascentes e topos de morros. Conforme AV2/ 1.125, de 21/02/2005 foi efetuada retificação imobiliária Georreferenciamento de imóveis rurais da propriedade para 14.549,8041ha. Assim, o recorrente também alega o que segue. a) Não há necessidade de apresentar ato declaratório e nem matrícula atualizada do imóvel para excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal. b) Cabe à Administração, e não ao contribuinte, demonstrar a falta de veracidade da declaração prestada. Mais ainda, na visão do recorrente, a existência de averbação da área, na data do fato gerador do ITR, não constitui condição essencial para o aproveitamento da isenção, já que a Lei 9.393/96 não impõe expressamente tal contrapartida específica ao proprietário rural. Por meio do acórdão nº 2101002.592 a 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer a Área de Reserva Legal no total de 7.273,902 ha e a área de interesse ecológico no total de 1.326ha. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ADA, MITIGAÇÃO. A averbação tempestiva das áreas de reserva legal e de interesse ecológico, tendo em vista Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta, entre contribuinte e o órgão ambiental IBAMA resulta na Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 579 5 mitigação da necessidade de ADA para efeitos de isenção de ITR. PERÍCIA. DEFERIMENTO. Conforme art. 145 da Lei 5.869/73, o deferimento de perícia está relacionado com a necessidade de conhecimento técnico ou científico especializado para o entendimento da prova apresentada. No caso dos autos, autoridades lançadora e julgadora, como operadoras do Direito Tributário, detêm conhecimento necessário ao entendimento e análise das provas apresentadas no processo. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da área tributável do ITR e necessidade de reconhecimento específico de órgão estadual ou federal quanto à área de interesse ecológico. O Contribuinte apresentou contrarrazões e interpôs o seu Recurso de Divergência o qual foi recebido para discutir a necessidade de apresentação de ADA, requer o conhecimento da APP de 3.248,4378ha haja vista declaração firmada em laudo técnico apresentado. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões cuja tese de defesa se alinha com aquela apresenta em seu próprio recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Ratificando os fundamentos dos despachos de admissibilidade de fls. 475/479 e 549/555, esclareço que ambos os recursos preencher os requisitos formais e portanto devem ser conhecidos. Destaco que em sede de contrarrazões a Fazenda Nacional requer o não conhecimento do recurso do contribuinte sob a argumetnação de que pela análise do Recurso interposto em 26/01/2016, não se verifica a indicação objetiva dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento No entendimento deste relatora não há qualquer dificuldade de compreensão da matéria devolvida pelo Recorrente o qual deixa claro que "Verificase, portanto, que o Fl. 581DF CARF MF 6 entendimento de que o Ato Declaratório Ambiental é necessário para o reconhecimento da não incidência do ITR não encontra respaldo em decisões proferidas por outras Câmaras, o que enseja a interposição deste Especial. A ementa do acórdão paradigma nº 9202003.157 traz de forma cristalina que o entendimento daquele Colegiado é o mesmo compartilhado pelo Contribuinte: Acórdão n.º 9202003.157 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA TRIBUTADA ATÉ A DATA DO FATO GERADOR E REQUERIMENTO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA PARA FINS DE ISENÇÃO DO ITR. A comprovação da área de reserva legal, bem como daquela de preservação permanente, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende de averbação até a data do fato gerador das respectivas áreas, bem como da apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, no prazo estabelecido. Diante do exposto conheço dos recursos do Contribuinte e da Fazenda Nacional. Do mérito dos recursos: Parte da matéria devolvida em ambos recursos são coincidentes e envolvem a discussão sobre a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, até a data fixada pela norma infralegal para fins de ver reconhecido o direito a não incidência do ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente. A discussão não envolve os fatos do processo e sim busca definir qual a correta interpretação deve ser dada ao art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96. O Recurso da Fazenda Nacional ainda pretende discutir o requisito para comprovação da área classificada como de Interesse Ecológico, mais precisamente acerca da necessidade de manifestação do Poder Público em ato específico. Assim, superado o conhecimento, passo ao mérito dos recursos que serão, por manterem um intrínseca relação, analisados conjuntamente. Discutese quais requisitos devem ser cumpridos para que o contribuinte tenha direito a exclusão das áreas classificadas como de preservação permanente, reserva legal e interesse ecológico do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' e 'b' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 580 7 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' àqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente, reserva legal e interesse ecológico, diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de nãoincidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições prevista na própria lei (no caso da área de interesse ecológico) ou em outra citada (como a então vigente Lei nº 4.771/65). No que tange as características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal, essas estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Fl. 583DF CARF MF 8 Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 581 9 no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 585DF CARF MF 10 II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 582 11 de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. Em contrapartida, por força dos §§4º e 8º do art. 16 para caracterização de Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Já em relação a Área de Interesse Ecológico, diante da redação do art. 10, II, b da Lei nº 9.393/96, podemos afirmar que o requisito para sua constituição passa pelo expresso o reconhecimento do Poder Publico quanto a necessidade de proteção da área. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. Do requisito da averbação: Fl. 587DF CARF MF 12 Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente ou de interesse ecológico. A primeira existe e pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, a segundo requer apenas o reconhecimento do Poder Público. Por outro lado a necessidade de averbação das áreas de Reserva Legal era exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de ser a averbação requisito constitutivo da referida área. A averbação é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' e 'b' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fins de não incidência do ITR a averbação no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 583 13 (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 589DF CARF MF 14 § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância APP e ARL, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção: 1) à Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi requerido antes do início da ação fiscal, e 2) à Área de Reserva Legal devidamente averbada à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 584 15 Para a maioria o cumprimento destes requisitos formais suprem a necessidade de apresentação do ADA. Embora utilizandose de outros fundamentos, vale mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa Fl. 591DF CARF MF 16 de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 585 17 Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a Fl. 593DF CARF MF 18 obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Do reconhecimento do Poder Público: Conforme já citado para fins de reconhecimento de área como de interesse ecológico exige a norma isentiva apenas o reconhecimento do Poder Público: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Discutese como se interpretar esse ato. Para alguns seria necessário ato específico mencionando pormenorizadamente que o imóvel pertencente ao Contribuinte estaria abrangido pela área delimitada em norma pelo Poder Público. No entender desta Relatora, no presente caso esta discussão se faz desnecessária na medida em que a área em questão foi devidamente averbada pelo contribuinte, em data anterior ao fato gerador, averbação que traz como fundamento Termo de Compromisso firmado com o Poder Público atestando o total da área que teve sua utilização limitada com todas as suas delimitações. Vejamos transcrição do documento de fls. 31: AV05/1.425 DATA 01/11/99 PRTO. 29.299 DATA: 01/11/99 Nos termos do requerimento firmado por Olga Lucia Costa Oliveira em 17/08/1998, com firma reconhecida nestas Notas e consoante Termo de Responsabilidade de Averbação de Estação Ecológica, firmado em 30/07/1998, entre a proprietária, SAO VICENTE AGROPASTORIL LTDA e o IBAMA, superintendência Cuiabá/MT, (Arq.1/.425/991); procedese a esta averbação para constar que a floresta ou forma de vegetação existente em 1.326.0000HA (HUN MIL, TREZENTOS E VINTE E SEIS HECTARES) da área do imóvel desta matrícula, fica GRAVADA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA, destinada a ESTAÇÃO ECOLÓGICA não podendo nela ser feito Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 586 19 qualquer tipo de exploração sem autorização expressa do IBAMA, ficando vedada a alteração da sua destinação nos casos de transmissão à qualquer título ou de desmembramento da área nos termos dos artigos 3º, 16 e 44, parágrafos 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da lei nº 4.771 de 15/09/1965 (...) Assim, analisando as provas juntadas aos autos, concluo que: 1) Área de Reserva Legal: manter a não incidência do ITR sobre a ARL no total de 7273,902 ha, haja vista existência de averbação em data (31/05/94) anterior ao fato gerador nos termos dos registros dos imóveis juntados às fls. 31, considerado o recalculo da área. 2) Área de Preservação Permanente: não haverá incidência do ITR sobre a APP comprovada por meio do laudo técnico produzido pelo Contribuinte no total de 3.248,4378 (fls. 117). 3) Interesse Ecológico: Manter a não incidência sobre a área de interesse ecológico averbada, com a anuência do Poder Público, no total de 1.326ha (fls. 31) Assim, diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL mantendo a ARL e a área de interesse ecológico reconhecida pelo acórdão recorrido; e DOU PROVIMENTO AO RECURSO DO CONTRIBUINTE, para reconhecer como APP a área de 3.248,4378ha devidamente comprovada nos autos. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao voto da nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento, tanto quanto aos requisitos para exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente como quanto à exclusão da área de interesse ecológico. Todavia, quanto à averbação da Reserva Legal, também entendo que a averbação pública, de natureza constitutiva, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação. Ressaltese aqui que, no caso da área de Reserva Legal, diferentemente do caso das APPs, se está diante de área onde o proprietário ou possuidor a indica, em qualquer local do imóvel rural, de forma que fique vedado o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. Presente tal elemento volitivo definidor do contribuinte no caso em questão, entendo que a ausência do ADA, no caso específico da Reserva Legal, pode ser substituída pela formalização (pública) da Fl. 595DF CARF MF 20 indicação supra através da mencionada averbação, com o ADA possuindo, nesta hipótese, natureza declaratória. Assim, nenhum reparo a fazer quanto á exclusão proposta pela Relatora, a partir a averbação constante de efl. 36, datada de 31/05/94, assim, anterior à ocorrência do fato gerador em análise (01/01/2005), devendose negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria de ARL. a) Quanto às áreas de preservação permanente: Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 587 21 Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 28/09/07 (e fl. 33), assim, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 26/07/07 (vide efl. 10). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente, mas antes do início da ação fiscal, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR do exercício 2005. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Fl. 597DF CARF MF 22 Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 588 23 Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem Fl. 599DF CARF MF 24 ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA contendo a área de preservação permanente glosada, somente foi entregue em 28/09/07 (efl. 33), assim posteriormente ao início da ação fiscal (ocorrida em 26/07/07, conforme efl. 10), é de se manter a glosa da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR perpretada pela autoridade lançadora. Notese, ainda, que no referido ADA não foi declarada nenhuma área a título de área de preservação permanente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, mantendose a glosa de 1.326,0 ha. de área de preservação permanente, declarada pelo autuado como exclusão da base de cálculo do ITR/2005. b) Quanto às áreas de interesse ecológico: Ainda, faço notar, inicialmente, que não houve declaração e consequente glosa de qualquer área a título de interesse ecológico, consoante se pode verificar a partir de demonstrativo de efl. 05. Adicionalmente, estabelece o art. 10 da Lei no. 9.393, de 1996, com a redação à época do fato gerador em questão: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10183.720461/200730 Acórdão n.º 9202005.169 CSRFT2 Fl. 589 25 a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Necessária assim, conforme o referido dispositivo legal em seu inciso II, alínea "b", a declaração das referidas áreas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior, de forma a se poder excluir tais áreas da base de cálculo do ITR; Quanto ao suprimento de tal ato pela averbação de efl. 36, aplicáveis perfeitamente ao presente caso as considerações feitas pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no âmbito do Acórdão 9.202004.576, de 24 de novembro de 2016, verbis: "(...) Nesse contexto, o Ilustre Conselheiro Relator aceitou a averbação na matrícula do imóvel como prova do cumprimento das condições para que a área ora analisada seja considerada como de Interesse Ecológico, para fins de isenção da tributação do ITR. Entretanto, no entender desta Conselheira, dita averbação prova apenas que o Contribuinte firmou com o Ibama um acordo de preservação florestal, em um percentual de área que se encontra inclusive rasurado, sem que tal informação tenha o condão de suprir a prova de que se trata efetivamente de uma Área de Interesse Ecológico, assim declarada por ato específico do Poder Público, muito menos com restrições de uso superiores àquelas estabelecidas para a Reserva Legal e de Preservação Permanente. (...)" Assim, diante do exposto quanto à matéria, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, rejeitandose a concessão de exclusão da área de 1.326,0 ha., a título de interesse ecológico, proposta pelo recorrido. Assim, voto: a) Quanto ao Recurso Especial do contribuinte, por lhe negar provimento; b) Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por lhe dar provimento parcial para, reformando o recorrido, rejeitar a exclusão da base de cálculo do ITR da área de interesse ecológico de 1.326,0 ha. ali proposta. Fl. 601DF CARF MF 26 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 602DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13311.000013/00-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999
CRÉDITO BÁSICO. ORIGEM DE PARCELA NÃO COMPROVADA. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Somente o saldo credor do IPI, acumulado ao final de cada trimestre calendário, decorrente de aquisição, no período de apuração, de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, poderá ser ressarcido em dinheiro ou utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte. Não comprovada a origem de parte do valor do crédito registrado no livro apuração do IPI, nem refeita a conta gráfica de apuração do imposto no respectivo período de apuração, o indeferimento da correspondente parcela do crédito fica mantida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.
Uma vez demonstrado o vício de contradição entre o tipo e dispositivo da decisão e os fundamentos do voto condutor do julgado embargado, acolhe-se os aclaratórios para atribuir ao tipo e dispositivo do julgado embargado redação conforme os fundamentos do voto.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar o resultado do acórdão, que passa a ter a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999 CRÉDITO BÁSICO. ORIGEM DE PARCELA NÃO COMPROVADA. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Somente o saldo credor do IPI, acumulado ao final de cada trimestre calendário, decorrente de aquisição, no período de apuração, de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, poderá ser ressarcido em dinheiro ou utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte. Não comprovada a origem de parte do valor do crédito registrado no livro apuração do IPI, nem refeita a conta gráfica de apuração do imposto no respectivo período de apuração, o indeferimento da correspondente parcela do crédito fica mantida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Uma vez demonstrado o vício de contradição entre o tipo e dispositivo da decisão e os fundamentos do voto condutor do julgado embargado, acolhe-se os aclaratórios para atribuir ao tipo e dispositivo do julgado embargado redação conforme os fundamentos do voto. Embargos Acolhidos.
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ORIGEM DE PARCELA NÃO COMPROVADA. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Somente o saldo credor do IPI, acumulado ao final de cada trimestre calendário, decorrente de aquisição, no período de apuração, de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, poderá ser ressarcido em dinheiro ou utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte. Não comprovada a origem de parte do valor do crédito registrado no livro apuração do IPI, nem refeita a conta gráfica de apuração do imposto no respectivo período de apuração, o indeferimento da correspondente parcela do crédito fica mantida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Uma vez demonstrado o vício de contradição entre o tipo e dispositivo da decisão e os fundamentos do voto condutor do julgado embargado, acolhese os aclaratórios para atribuir ao tipo e dispositivo do julgado embargado redação conforme os fundamentos do voto. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar o resultado do acórdão, que passa a ter a seguinte redação: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 1. 00 00 13 /0 0- 54 Fl. 1740DF CARF MF 2 “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário”. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fl. 1729), opostos pela unidade da Receita Federal de origem, com o objetivo de suprir alegado vício de contradição entre o tipo de decisão embargada (resolução) e o voto condutor do julgado, que negava provimento ao recurso volutário. Segundo a embargante, enquanto o voto do Relator foi no sentido de negar provimento ao recurso, contraditoriamente, a decisão do Colegiado foi no sentido de converter o julgamento em diligência, por meio da resolução nº 3301.00.028, de 19 de outubro de 2009 (fls. 1726/1728) Por meio do despacho de fls. 1737/1738, o Presidente da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, reconheceu a procedência do alegado vício de contradição e admitiu os embargos. Na Sessão de 9 de dezembro de 2015, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de contradição. Do simples cotejo dos texto do dispositivo da resolução embargada e dos fundamentos consignados no voto condutor do referido julgado, fica evidenciada a alegada contradição. Senão veja: DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 13311.000013/0054 Acórdão n.º 3302003.612 S3C3T2 Fl. 1.741 3 RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1' Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. VOTO CONDUTOR: O procedimento adotado pelo contribuinte não possui respaldo legal. O IPI é um tributo que é escriturado numa conta gráfica, com créditos e débitos estruturados pelo período da operação. Assim, ao verificar a não utilização de determinado crédito, deveria o contribuinte refazer a conta gráfica, mesmo que isso resultasse e resultará em alteração dos períodos subseqüentes. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. No caso, se o voto condutor do julgado foi no sentido de negar provimento ao recurso, a decisão deveria ser formalizada por meio de acórdão e não de resolução. Sabidamente, nos termos do art. 63, § 4º, do RICARF/2015, este tipo decisão somente pode ser adotado quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior, o que, inequivocamente, não é o caso em tela, haja vista o teor do voto condutor do julgado embargado. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos presentes embargos de declaração, para retificar o tipo de decisão e o dispositivo do julgado embargado, que passa a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário”. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722472/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do imposto de renda (art.176 do CTN).
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
MULTA DE OFÍCIO.
Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, deve ser excluída a multa de ofício (Súmula CARF nº 73).
IRPF. JUROS MORATÓRIOS.
Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
Numero da decisão: 2401-004.635
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para: a) recalcular o tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte, levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada; e b) excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazari - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazari, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: Rayd Santana Ferreira
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do imposto de renda (art.176 do CTN). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, deve ser excluída a multa de ofício (Súmula CARF nº 73). IRPF. JUROS MORATÓRIOS. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para: a) recalcular o tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte, levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada; e b) excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazari - Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazari, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 153 1 152 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722472/200852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.635 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2017 Matéria IRPF Recorrente AIDE QUAIS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do imposto de renda (art.176 do CTN). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, deve ser excluída a multa de ofício (Súmula CARF nº 73). IRPF. JUROS MORATÓRIOS. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetemse à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 72 /2 00 8- 52 Fl. 153DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, para: a) recalcular o tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte, levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada; e b) excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazari Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazari, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.722472/200852 Acórdão n.º 2401004.635 S2C4T1 Fl. 154 3 Relatório AIDE QUAIS SANTOS, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1526.069/2011, às efls. 77/83, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da classificação indevida de rendimentos na DIRPF, em relação aos exercícios 2004, 2005 e 2006, conforme peça inaugural do feito, às efls. 03/12, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 29/12/2008 (AR. efl. 35), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. O Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado de Bahia. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 88/125, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, requerendo a improcedência do lançamento, pois este teve como objeto valores recebidos pelo contribuinte a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN. Reafirma a alegação de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação, são elas: quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; Fl. 155DF CARF MF 4 sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos quanto á alíquota aplicável, as base de cálculo e a inclusão indevida de rendimentos que seria de 13º salário e abono de férias. Reitera também as alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. Acrescenta, sobre a aplicação da multa de ofício que o Ministério da Fazenda, em resposta a consulta do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, manifestouse pela inexigibilidade da multa e que a resposta à consulta tem efeito vinculante. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.722472/200852 Acórdão n.º 2401004.635 S2C4T1 Fl. 155 5 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo nos artigos 1o a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988, dentre outros, os quais contemplam a presunção de omissão de rendimentos caracterizada, in casu, pela classificação indevida de rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia como isentos e não tributáveis na DIRPF, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em relação aos exercícios 2004, 2005 e 2006. Com mais especificidade, relata a autoridade lançadora no Auto de Infração, às efls 03/12, que o Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado de Bahia. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que: "quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. (...)Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN." Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são considerados isentos os valores recebidos a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN. Fl. 157DF CARF MF 6 Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A incidência do Imposto de Renda Pessoa Física encontrase regulamentada pelo artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional, nos termos abaixo: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." Porém o ponto chave da discussão é quanto a natureza dos valores recebidos e quanto a isenção da incidência sobre aludido valor recebido do Ministério Público do Estado da Bahia, neste sentido dispõe os artigos 2° e 3°, da Lei Estadual Complementar n° 20/2003 e os artigos 4° e 5° da Lei Estadual 8.730/03, vejamos: Lei Complementar 20/03 "Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei." Lei n° 8.730/2003 " Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n° 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei."(grifamos) No mesmo sentido, o STF ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.722472/200852 Acórdão n.º 2401004.635 S2C4T1 Fl. 156 7 "Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução encimada, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, entende este Conselheiro, que outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia, e, terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Mais a mais, tratandose de hipótese de isenção e/ou não incidência, os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Fl. 159DF CARF MF 8 Com efeito, não estamos fugindo da interpretação literal e não há um desrespeito ao que versa o art. 111 do CTN, estamos apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas "idênticas", uma simetria lógica. Neste diapasão, entendo dever ser afastada a incidência do imposto de renda da pessoa física em relação aos valores recebidos a título de diferenças de URV por ter natureza indenizatória, conforme encimado. Já em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios é importante destacar que o STJ, no RESP 1.227.133, fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil, já se manifestou no seguinte sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente Nesse contexto, tendo em vista a determinação contida no artigo 62, § 2º do RICARF, essa decisão deve ser aqui reproduzida, tendo em vista que, a meu ver, como a verba principal não é tributada pelo IRPF os juros sobre ela incidente também não o são. Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.722472/200852 Acórdão n.º 2401004.635 S2C4T1 Fl. 157 9 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator, pois entendo que os valores recebidos acumuladamente sob a rubrica de diferenças de URV constituemse sim em rendimentos tributáveis, não importando a classificação do rendimento determinada por lei estadual. Observo que o Imposto de Renda é um tributo de competência federal e, portanto, não pode ser isento por lei estadual. Nesse sentido, cabe rejeitar a arguição de nulidade do lançamento, por suposta ilegitimidade ativa da União. O fato de pertencer ao Estado o produto da arrecadação do IRRF não afasta a competência da União para fiscalizar, lançar e cobrar dos contribuintes beneficiários dos rendimentos sobre os quais devem incidir o imposto na fonte. O art.153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessa forma, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária ao Estado da Bahia. Quanto ao mérito, as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Fl. 161DF CARF MF 10 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. §1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No tocante à Lei Complementar nº 20, de 2003, do Estado da Bahia, repisese que o imposto de renda é da competência da União e, via de consequência, os Estados não podem legislar acerca desse tributo. Quanto à Resolução nº 245, do Supremo Tribunal Federal, e ao Parecer PGFN nº529/2003, é de se esclarecer que tratam do abono concedido aos magistrados da União e aos membros do Ministério Público Federal, previstos nas Leis nos 9.655, de 1998, artigo 6º, e 10.474, de 2002, artigo 2º, não podendo se estender seus alcances para abonos concedidos posteriormente, por meio de outros atos que não os referidos, como é o caso desses autos, relativo a membro do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Sobre a quebra de isonomia, é de se destacar que compete a esta instância administrativa examinar se os atos praticados pelo Fisco estão de acordo com a lei e com os atos administrativos aplicáveis ao caso, não podendo extrapolar tais limites. Nesse sentido, falta competência a esta instância de julgamento administrativo se pronunciar acerca de conformidade de lei, validamente editada pelo Poder Legislativo, com os preceitos da Constituição. Sobre a multa de ofício, é de se acolher o pleito da contribuinte, uma vez que resta comprovado nesses autos que ela foi induzida a erro pela fonte pagadora, que tratou esses rendimentos como isentos, inclusive nos comprovantes fornecidos (fls. 17/19). Nesse sentido, dispõe a Súmula nº73 do CARF: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Relativamente ao regime de competência para a tributação dos valores recebidos, há que se adotar o definido em decisão de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, em acordo com parágrafo 2º do artigo 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF), este conselho deve reproduzir as decisões de mérito definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, quando em sede de Recurso Repetitivo ou de Repercussão Geral, conforme a seguir. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.722472/200852 Acórdão n.º 2401004.635 S2C4T1 Fl. 158 11 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, o crédito tributário decorrente de rendimentos recebidos acumuladamente deve ser tributado conforme a seguinte decisão em Recurso Repetitivo, do Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Entretanto, não se pode acolher o argumento relativamente à exoneração dos juros de mora recebidos na ação judicial. Em 28/09/2011, o STJ decidiu no julgamento do REsp 1.227.133/RS, afetado ao regime dos recursos repetitivos, que não incide imposto de renda sobre juros moratórios legais pagos em reclamatória trabalhista, no contexto da despedida ou rescisão do contrato de trabalho, o que não é o caso destes autos. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. (REsp 1227133/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CESAR ASFOR ROCHA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/09/2011, DJe 19/10/2011) No caso, como já apontado, tratase de verbas decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente e que estão sujeitos à incidência de IR. Assim, os juros vinculamse à regra de tributação incidente sobre o rendimento do qual são consectários, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. Fl. 163DF CARF MF 12 Desta forma, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pela contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, e que seja excluída a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722276/2009-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
COFINS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos o óleo combustível BPF e os serviços de remoção de rejeitos industriais.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos o óleo combustível BPF e os serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado
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INSUMOS. CONCEITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos o óleo combustível BPF e os serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 76 /2 00 9- 43 Fl. 734DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3201001.879, de 24/02/2015, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. ERRO DE ENQUADRAMENTO. O enquadramento equivocado, na rubrica “insumos”, de bens que deveriam ser alocados no ativo imobilizado, inviabiliza o reconhecimento do crédito. Não há previsão normativa para a fiscalização realocar os bens classificados equivocadamente pelo sujeito passivo, a fim de lhe reconhecer o direito creditório. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins não cumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Inviabiliza o reconhecimento do direito creditório a inobservância dos requisitos legais e das condições para o aproveitamento do crédito relativo aos encargos de depreciação. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de óleo Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10280.722276/200943 Acórdão n.º 9303004.655 CSRFT3 Fl. 735 3 combustível BPF e de serviços de remoção de resíduos industriais, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido no Acórdão nº 20312.448 e 340100.403. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 625/629. A contribuinte apresentou as contrarrazões ao recurso especial (fls. 711/726). Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido (fls. 831/833). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 Fl. 736DF CARF MF 4 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10280.722276/200943 Acórdão n.º 9303004.655 CSRFT3 Fl. 736 5 Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de óleo combustível BPF e de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação ao óleo combustível BPF, replicando votos anteriores envolvendo a mesma empresa, consignou: No caso concreto, a Recorrente descreve detalhadamente o papel do óleo combustível e do óleo BPF no seu processo produtivo (efls. 74 e 80). Confirase os trechos pertinentes: O processo de calcinação elimina toda água livre ou combinada do hidrato de alumina, formando o óxido de alumínio ou alumina, em fomos que utilizam o princípio do leito fluidizado e queima de óleo combustível para fornecimento de energia. [...] Os óleos combustíveis usados na refinaria são: BPF 1A é DIESEL, e se destinam à queima em fomos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor em caldeiras. Em linha com a jurisprudência pacífica do CARF, provada a aplicação dos bens no processo produtivo do sujeito passivo, os mesmos devem ser classificados como insumos para efeito de geração de crédito de Cofins. Com efeito, assiste razão à Recorrente neste ponto, devendo, pois, ser reformada a decisão recorrida. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Por fim, com relação à remoção dos resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: Fl. 738DF CARF MF 6 Inegavelmente, os serviços de transporte de rejeito industrial são essenciais ao processo produtivo da Recorrente, como, aliás, fica claro na descrição por ela realizada ainda durante a fase investigatória que resultou no processo administrativo em tela (efls. 55 e 65). Confirase: O underflow vai para o circuito de lavagem de lama, que se inicia com lavadores do mesmo tipo e tamanho dos decantadores e termina em lavadores de lama do tipo deepthickeners, com volume em torno de 2.900 m3. O underflow destes lavadores vai então para o circuito de filtração de lama, onde a polpa de lama é filtrada e lavada em filtros rotativos de tambor a vácuo. Após a filtração, a lama, com 65% de sólidos, é então recolhida e transportada para o depósito de rejeitos sólidos. [...] O produto gerado da Filtração de Lama (lama com altas percentagens de sólidos) é transportado em forma de pasta por caminhões para o Depósito de Rejeitos Sólidos. Por essa razão, não há como dizer que os serviços de transporte de rejeito industrial não são insumos para a atividade produtiva da Recorrente. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10280.722276/200943 Acórdão n.º 9303004.655 CSRFT3 Fl. 737 7 ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 740DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.010432/2009-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2005
TÍTULO.
MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO
LUCRO ESTIMADO. A base de cálculo da multa é o valor do IRPJ e da
CSLL calculados sobre o lucro estimado não recolhido ou diferença entre o devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração do IRPJ e da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ e a CSLL devidos com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). Indevida a multa quando
lançada após o ano relativo aos fatos geradores, se a empresa apurou prejuízo fiscal no ano calendário.
Numero da decisão: 1803-000.686
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005 TÍTULO. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO. A base de cálculo da multa é o valor do IRPJ e da CSLL calculados sobre o lucro estimado não recolhido ou diferença entre o devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração do IRPJ e da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ e a CSLL devidos com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores, se a empresa apurou prejuízo fiscal no ano calendário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005 TÍTULO. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO. A base de cálculo da multa é o valor do IRPJ e da CSLL calculados sobre o lucro estimado não recolhido ou diferença entre o devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração do IRPJ e da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ e a CSLL devidos com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores, se a empresa apurou prejuízo fiscal no ano calendário. Fl. 838DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Fl. 839DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 10120.010432/2009-62 Acórdão n.º 1803-00.686 S1-TE03 Fl. 278 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 261 e 262): Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem assim de multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL estimados, consubstanciados nos autos de infração às fl. 122/137, referentes a fatos geradores ocorridos em 30/11/2004 e 31/12/2004, com crédito tributário total de R$ 405.092,55, assim distribuído: IRPJ - R$ 271.094,87; Multa isolada IRPJ — R$ 25.000,00; CSLL — R$ 99.997,68; Multa isolada CSLL — R$ 9.000,00. Consoante descrição dos fatos e demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal, foram detectadas as seguintes irregularidades: • [...]; • [...]; • Falta de recolhimento de R$ 50.000,00, referente ao IRPJ estimado apurado em novembro/2004. Foi apurado pelo contribuinte o valor de R$ 147.618,83, porém recolhido apenas R$ 97.618,83. Esta infração acarretou lançamento de multa isolada; • Falta de recolhimento de R$ 18.000,00, referente à CSLL estimada apurada em novembro/2004. Foi apurado pelo contribuinte o valor de R$ 54.138,37, porém recolhido apenas R$ 36.138,37. Esta infração acarretou lançamento de multa isolada. Cientificado dos lançamentos em 01/10/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 139, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 142/148 em 28/10/2009, instruída com os documentos às fl. 149/214, onde argumentou, em síntese, que: • [...]; • [...]; • Multas isoladas — a multa não pode ser exigida, pois pagou todas as multas e juros correspondentes ao recolhimento em atraso. Deve ser levado em consideração apenas o tributo definitivo apurado com base no lucro real, pois as estimativas Fl. 840DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES 4 são mera antecipação, não sendo exigíveis nos termos dos art. 2° e 30 da Lei n° 9.430/96. Não pode haver concomitância entre multa isolada e multa vinculada ao imposto exigido no ajuste. Nesse sentido dois acórdãos do Conselho de Contribuintes (nota do relator: esta parte a impugnação não permite um adequado entendimento do seu teor, tendo em vista que a redação está truncada, imprecisa e com agressão total ao vernáculo nacional — o resumo foi feito com base no que eu compreendi). A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 260): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 [...]. FALTA DE RECOLHIMENTO ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do imposto estimado enseja a aplicação de multa isolada, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste anual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 [...]. FALTA DE RECOLHIMENTO ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento da contribuição estimada enseja a aplicação de multa isolada, ainda que tenha sido apurada base de cálculo negativa no ajuste anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da referida decisão em 08/12/2009 (fls. 269), a tempo, em 06/01/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 270 a 273, nele argumentando da seguinte forma: O acórdão 03-34.227, 2ª Turma da DRJ/BSB, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parte do crédito tributário constituído, no que se refere à multa isolada no valor de R$ 50.000,00, referente ao IRPJ estimado apurado em novembro de 2004, e R$ 18.000,00, referente à CSLL estimada apurada em novembro de 2004. Os valores da diferença, acima citados, foram pagos com juros e correção monetária, sem que houvesse qualquer procedimento administrativo, sendo beneficiado pelo art. 138, parágrafo único, do CTN, não levando assim qualquer prejuízo ao erário público. O débito mensal da antecipação somente deixa de ser exigível de Fl. 841DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 10120.010432/2009-62 Acórdão n.º 1803-00.686 S1-TE03 Fl. 279 5 ofício se houver a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, que somente ocorre se, antes do prazo supracitado, inexistindo procedimento de ofício, for espontaneamente recolhida a antecipação, com os acréscimos legais (multa e juros de mora). Após esse prazo, a antecipação integra o imposto definitivo apurado na declaração de rendimentos, razão pela qual a denúncia espontânea se opera com o recolhimento apenas da multa e dos juros de mora, contados da data do pagamento. Portanto, verifica-se que há fundamentação legal para se justificar que é indevida a exigência concomitante de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa no prazo legal, pois foram pagos os valores de R$ 50.000,00 e R$ 18.000,00 com os seus acréscimos legais, e sem qualquer procedimento administrativo pelo fisco federal. Infeliz, o digníssimo relator do acórdão, quando diz: "Esta teoria de concomitância nada mais é do que uma 'tese' desenvolvida pelos doutrinadores e pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) a qual não tem qualquer amparo na lei, ao contrário, extrapola os seus ditames". Mais uma vez, citamos a jurisprudência deste Conselho: [...]. PELO EXPOSTO, as penalidades de MULTAS ISOLADAS, por falta de recolhimento de contribuição social e IRPJ, a destempo, com o pagamento com juros e correção monetária não condizem com a realidade fática e de acordo com a orientação dos conselhos administrativos do contribuinte e outros, devendo ser o acórdão 03.34.227 reformado, no que se refere à cobrança das multas supracitadas, por ser de inteira e lídima justiça! Em mesa para julgamento. Fl. 842DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES 6 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Há que se esclarecer, primeiro que tudo, que não está havendo, no presente processo, cobrança concomitante de multa de ofício sobre saldo de imposto na declaração de ajuste anual e de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, pela inexistência de saldo de imposto a pagar no ajuste. Nesse sentido, o seguinte trecho do acórdão recorrido (fls. 265): Não bastasse isso, a discussão quanto à concomitância perdeu objeto no presente caso, vez que os tributos lançados no ajuste e as respectivas multas de ofício vinculadas foram exonerados neste voto. Restou, pois, a exigência apenas da multa isolada. Não procede, por outro lado, a alegação de que a multa isolada não seria devida por ter sido pago o tributo com o acréscimo de multas e juros moratórios. Os parcelamentos efetuados se referiram aos tributos estimados apurados em dezembro, que não foram pagos, e não à diferença que deixou de ser recolhida em novembro, ora objeto de cobrança. Contudo, embora não expressamente alegado no Recurso, verifica-se que, de conformidade com o acórdão recorrido, não restaram saldos a pagar de IRPJ e de CSLL no ajuste anual (fls. 263 e 265). Não obstante esse fato, o entendimento deste Relator acerca da exigência de multas isoladas é o que se segue. Cumpre observar, de início, que não pode o simples intérprete e aplicador da lei se arvorar no direito de pretender esvaziar a sua aplicação ou, mesmo, alterá-la, como pretensamente intenta fazer a Recorrente. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação vigente à época da autuação (grifou-se): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...]; Fl. 843DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 10120.010432/2009-62 Acórdão n.º 1803-00.686 S1-TE03 Fl. 280 7 IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; Da atenta leitura desse dispositivo legal, observa-se o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento de estimativas, deva se fazer apenas “no curso do próprio ano-calendário”. Veja-se que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente”, ou seja, será, ela, lançada mesmo após o encerramento do ano-calendário. Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, não ser possível qualquer procedimento fiscal, já que o seu vencimento se dá - como é sabido - no último dia útil do mês de dezembro; b) como corolário do item anterior, a infração de falta de recolhimento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano-calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é condicional. Assim, se a infração foi cometida - e isso não se nega -, não há sobre o que tergiversar; c) ainda como dedução lógica da alínea “a”, se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final do período de apuração, mas, sim, pela falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é a do recolhimento da estimativa mensal. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem; d) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, posteriormente, se demonstrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas se revelarem, ao final do período de apuração, indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo; e) a base de cálculo das estimativas e as do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Enquanto as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o Fl. 844DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES 8 simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre o mesmo fato apurado em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu juízo, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra base ou fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido uma multa de valor fixo para aquela infração. Acrescenta-se, por oportuno, que, eventuais insurgências quanto ao montante desproporcional da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75 % (setenta e cinco por cento) para 50 % (cinquenta por cento), por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (retroatividade benigna já aplicada pela instância a quo). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 845DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES Processo nº 10120.010432/2009-62 Acórdão n.º 1803-00.686 S1-TE03 Fl. 281 9 Voto Vencedor Conselheira Selene Ferreira de Moraes, Redatora Designada Em que pese a coerência do voto do Relator, não compartilho de seu entendimento. Merece ser acolhido o argumento da recorrente acerca do descabimento da multa isolada, quando a empresa apurou prejuízo fiscal e o lançamento não foi efetuado dentro do ano calendário em que ocorreram os fatos geradores. Esse é o entendimento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas a seguir reproduzidas: “MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é o pagamento com base no lucro real no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do IRPJ e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir do IRPJ devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor do IRPJ calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração do IRPJ anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ devido com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa não tenha apurado imposto ou contribuição na apuração anual. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/01-05.376, sessão em 06.12.2005) “MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é o pagamento com base no lucro líqüido apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da contribuição e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o IRPJ E A CSLL devidos a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o Fl. 846DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES 10 valor do IRPJ e ou da contribuição, inclusive adicional, calculados com base no lucro líqüido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor dos tributos do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor dos tributos calculados sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração da contribuição anual. A partir da apuração do IRPJ E CSLL anuais, o limite para a base de cálculo da sanção dos tributos devidos com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa tenha apurado prejuízo anual. Indevida também em relação às diferenças apuradas pela fiscalização em virtude da ausência de previsão legal para cumulação das penalidades. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/01-05.441, sessão em 21.03.2006) No presente caso o lançamento da multa isolada foi efetuado em 1/10/2009, portanto, após o encerramento do ano calendário em que ocorreram os fatos geradores relativos aos meses de novembro e dezembro de 2004. Como a partir da apuração do IRPJ e da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ e a CSLL devidos com base nesse lucro, é descabida a multa quando a empresa apura prejuízo anual e base de cálculo negativa. Conforme salientou o relator não “não restaram saldos a pagar de IRPJ e de CSLL no ajuste anual (fls. 263 e 265).” Por fim, deve ser ressaltado que fica prejudicada a análise dos demais argumentos tecidos pela recorrente, uma vez que a exigência deve ser integralmente cancelada. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 847DF CARF MF Emitido em 30/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 30/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 30/11/2010 por SERGIO RODRIGUES M ENDES
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Numero do processo: 11516.002218/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA - A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. É legítima a imposição quando constatada a omissão do registro do recebimento de comissões, obtida mediante informação das empresas pagadoras. DIPJ ZERADAS. PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS - Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtar-se ao pagamento do justo valor do imposto. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA (150%). LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
Numero da decisão: 1803-001.024
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. É legítima a imposição quando constatada a omissão do registro do recebimento de comissões, obtida mediante informação das empresas pagadoras. DIPJ ZERADAS. PROCEDIMENTO FISCAL. DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS Sendo a aplicação desses instrumentos prerrogativa da Fazenda Pública como salvaguarda do crédito tributário, não pode o contribuinte reclamar a aplicação para furtarse ao pagamento do justo valor do imposto. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA (150%). LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Fl. 391DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 2 ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados os autos de infração abaixo mencionados, para constituição do crédito tributário da Fazenda Pública federal (IRPJ e decorrentes contribuições sociais: PIS/Pasep, Cofins e CSLL), apurado pelo regime de arbitramento do lucro nos oito trimestres dos anoscalendário de 2006 e de 2007, com acréscimo de juros de mora legais e multa de ofício de 150 %, em virtude da constatação de omissão do registro de receitas da prestação de serviços de corretagem de seguros, apurada com base nas Dirf — Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte apresentadas pelas companhias seguradoras que lhe fizeram pagamentos naqueles períodos: (...)”. A 3ª TURMA – DRJ DE FLORIANÓPOLIS – SC, em sessão de 08/04/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0723.802 onde “por unanimidade de votos, em JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e do voto do relator”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 392DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002218/200951 Acórdão n.º 180301.024 S1TE03 Fl. 392 3 PJ OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITAS. DIPJ ZERADAS. PROCEDIMENTO FISCAL. EXPRESSIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DIRF DE FONTES PAGADORAS. INTIMAÇÃO. PRORROGAÇÃO. TOTAL FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DE DOCUMENTOS FISCAIS E CONTÁBEIS. ARBITRAMENTO. Deve sofrer o ônus do arbitramento do lucro Pessoa Jurídica optante pelo regime de lucro presumido, que apresenta expressiva movimentação financeira e sofre retenção do Imposto de Renda na Fonte, declarada por empresas seguradoras, fontes do pagamento de comissões por venda de seguros, mas apresenta à RFB, em anos seguidos, DIPJ zeradas. APURAÇÃO. OPÇÃO ORIGINAL PELO LUCRO PRESUMIDO. ARBITRAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO. DESPESAS. INDEDUTIBILIDADE. A livre opção adotada por pessoa jurídica, de apuração de tributos federais pelo regime de lucro presumido, implica indedutibilidade de custos e de despesas, exceto se expressamente prevista na legislação tributária. O arbitramento do lucro, realizado de ofício, nas hipóteses previstas na legislação tributária, é definitivo na instância administrativa. Transposta a fase da autuação, durante a qual o sujeito passivo foi intimado à prestação de informações e à apresentação de livros e de documentos fiscais e contábeis, com prorrogação de prazo, sem apresentação de qualquer livro contábil, nem de Livro Caixa, nem de quaisquer documentos fiscais/contábeis, pode o sujeito passivo impugnar o arbitramento do lucro, desde que demonstre não constituir seu caso hipótese de aplicação dessa forma de apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Fl. 393DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 4 Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos”. Cientificado da decisão em 05/05/2011, interpôs o contribuinte, em 30/05/2011, Recurso Voluntário a este Conselho, a Recorrente manteve os argumentos da peça impugnatória apresentada, afirmando que: “A forma de apuração dos resultados e conseqüente tributação oferecida pela autoridade fiscal não se coadunam coma realidade, conforme restará provado. O ramo ao qual o contribuinte atua (corretagem de apólices de seguro) conta com uma forma peculiar de trabalho, qual seja, com intermediários que negociam o produto e por conseqüência são remunerados por tal intermediação. Note que o contribuinte atua no ramo específico de seguros automobilísticos, contando com um suporte de vendas em concessionárias de veículos. Se ao vender um veículo ao consumidor, o vendedor vender uma apólice de seguro automobilístico, receberá uma comissão do contribuinte. Sendo assim, quando a autoridade fiscal se vale da movimentação financeira para apurar o lucro, o mesmo não reflete a realidade. Certo é que os valores informados nas DIRF's das companhias seguradoras não foram integralmente apropriados pelo contribuinte, não podendo, portanto, serem contabilizados como lucro. Conforme se infere dos recibos ora juntados, (docs. 36 a 149) eram realizados mensalmente pagamentos aos vendedores de concessionárias de automóveis, a título de comissão, pelas vendas de apólices de seguros realizadas.” É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. A fim de elucidar os tópicos repetidos pela Recorrente, vejo que posso “tomar emprestado” os argumentos que fundamentaram o Mandado de Procedimento Fiscal n°. 09.2.01.002009000088, constante das fls. 90 a 96 dos autos: Fl. 394DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002218/200951 Acórdão n.º 180301.024 S1TE03 Fl. 393 5 “DAS IRREGULARIDADES APURADAS A atividade da empresa é a prestação de serviços de intermediação de contratos de seguros, sendo remunerada mediante comissões. O contribuinte apresentou declarações de rendimentos zeradas, isto é, indicando uma receita bruta igual a zero, nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007 (fls. 53 a 70), sendo que as movimentações financeiras nesses anos foram de R$ 281.618,00, R$ 421.098,00 e R$ 461.755,00, respectivamente. Também não houve entrega de DCTF a partir do terceiro trimestre de 2004 (fl. 71). As DIRF's apresentadas pelas companhias seguradoras (fls. 4 a 25) indicaram a fiscalizada como beneficiária de pagamentos de R$ 334.346,00 e R$ 403.526,00, em 2006 e 2007 respectivamente.” Diante dos argumentos acima e para a sua defesa a Recorrente juntos aos autos planilhas, recibos e propostas de seguros, constantes das fls. 152 a 201 que nada comprovam, conforme exemplificativamente pode ser visto abaixo: Somente por louvor ao debate, caso pudéssemos utilizar as planilhas, recibos e propostas de seguros, constantes das fls. 152 a 201, como despesas, mesmo assim houve por parte da Recorrente a omissão das suas receitas quando apresentou as “declarações de rendimentos zeradas, isto é, indicando uma receita bruta igual a zero, nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007 (fls. 53 a 70), sendo que as movimentações financeiras nesses anos foram de R$ 281.618,00, R$ 421.098,00 e R$ 461.755,00, respectivamente”. E, esse fato não foi impugnado, estando precluso qualquer discussão a esse respeito, tanto é que a 3ª TURMA – DRJ DE FLORIANÓPOLIS – SC assim se pronunciou quando proferiu o acórdão n° 0723.802, “verbis”: Fl. 395DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 6 “Como ficou perfeitamente configurado no relatório fiscal — e não foi contestado na impugnação: 1 a contribuinte apresentou à RFB suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ preenchidas apenas com zeros, sem que nelas constasse qualquer informação dos valores das comissões efetivamente recebidas das empresas seguradoras; e 2 pessoalmente intimada, na pessoa de seu sócioadministrador Marco Antônio Ferreira Pinto (f. 3), a apresentar livros, documentos fiscais e outros efeitos fiscais e comerciais (f. 2 e 3) no prazo de cinco dias, a contribuinte ainda solicitou e recebeu prazo adicional de trinta dias para tal fim, e nada apresentou. Assim, embora tenha deixado de declarar suas receitas e demais informações exigidas pela legislação tributária para apuração do lucro presumido (conforme sua opção, constante nas DIPJ), a autoridade fiscal abriulhe oportunidade de colaborar com a Administração Pública e, no prazo de 35 dias, apresentarlhe os livros (ou o Livro Caixa) e documentos de sua escrita, apenas agora, em sede de impugnação, traz parte do que denomina prova da verdade material ou, seja, cópias de alguns recibos (cujos emitentes são apenas identificados por primeiros nomes, tais como Gustavo f. 209; Felipe f. 211 e Marcos f.213), sem qualquer escrituração comercial nem, alternativamente, Livro Caixa com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, e documentação hábil e idônea que lhe(s) desse suporte. Como bem reconhece a contribuinte, os referidos recibos estão "[...] em desconformidade com a formalidade exigida na legislação vigente, [...]" (f. 108), pois não identificam corretamente os beneficiários dos pagamentos, ao deixar de mencionar seus nomes completos e números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF. Em decorrência da absoluta falta de cooperação da impugnante no sentido da apuração do irrenunciável crédito tributário da Fazenda Pública federal, nada mais fez a autoridade fiscal que cumprir seu indeclinável dever de ofício ao constituílo mediante o arbitramento legal da respectiva base de cálculo (lucro), com base na legislação tributária anteriormente transcrita.” Assim, pela ausência de impugnação e bem como por não tem atendido a fiscalização, entendo não merecer reparo o acórdão n° 0723.802 que norteado pelo princípio da verdade material concluiu existir valor a ser tributado na Recorrente. Até porque, nos autos não encontro qualquer prova ou argumento da Recorrente que possa rebater os argumentos apresentados no Mandado de Procedimento Fiscal n°. 09.2.01.002009000088, nem tampouco os seus desdobramentos. Assim e por tudo que consta dos autos, julgo também cabível a multa agravada, tendo em vista que ficou comprovado no procedimento fiscal, por elementos seguros de prova, que a Recorrente, através do seu titular, foram agentes dolosos da prática de infração tributária e que buscaram, reiteradamente omitir informações em suas declarações de rendimentos com o objetivo de reduzir o quantum de tributos a ser recolhidos em decorrência de suas operações. Fl. 396DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11516.002218/200951 Acórdão n.º 180301.024 S1TE03 Fl. 394 7 Além do mais, não resta dúvida que a prática de a Recorrente em apresentar as “declarações de rendimentos zeradas, isto é, indicando uma receita bruta igual a zero, nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007 (fls. 53 a 70), sendo que as movimentações financeiras nesses anos foram de R$ 281.618,00, R$ 421.098,00 e R$ 461.755,00, respectivamente” reduziu indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de subterfúgios e artifícios, são indícios de prática fraudulenta, que buscava, salvo melhor juízo, não cumprir suas obrigações tributárias principais e acessórias, merecendo, por isso a imposição da multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicandose a Súmula 34 Carf. Assim, diante de tudo que podemos encontrar nos autos, não vejo razão para modificar o acórdão n° 0723.802 proferido pela 3ª TURMA – DRJ DE LORIANÓPOLIS – SC, e por isso NEGO PROVIMENTO ao recurso e mantenho os lançamentos apontados e seus desdobramentos (PIS, COFINS e CSLL), mantendo, em decorrência da conduta apresentada, o arbitramento e também a multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Sala das Sessões, Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 397DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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