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Numero do processo: 13846.000790/2008-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. MULTA.
O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA.
A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária.
LITISPENDÊNCIA.
A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir.
Numero da decisão: 1001-001.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA. O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA. O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 00 07 90 /2 00 8- 99 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13846.000790/200899 Acórdão n.º 1001001.007 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 61 a 70) interposto contra o Acórdão nº 1425092, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 51 a 54), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendario: 2003 DECADÊNCIA. MULTA. O prazo decadencial para lançamento da multa por falta de entrega da DCTF e de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 12), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais (DCTF), relativa ao 2° trimestre do anocalendário de 2003, no valor de'R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/11) na qual alegou que, por ter sido excluída do Simples, em 01/03/1999, por atividade econômica não permitida, ingressou com ação declaratória de reconhecimento de enquadramento em regime tributário especial e conseqüente declaração de nulidade de ato cancelatório de inscrição, com pedido de tutela antecipada (processo n° 2004.61.22.0005157). Informou que, em razão da improcedência da apelação, apresentou recursos especial ao STJ (processo n° 2008.03.00.0129108) e extraordinário ao STF (processo n° 2008.03.00.00129l10), tendo o TRF da 3” Região negado seguimento a tais recursos, estando pendentes de julgamento os agravos de instrumento impetrados (2008.065.009AGRESP/DRAD e 2008065010AGREX/DRAD). Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13846.000790/200899 Acórdão n.º 1001001.007 S1C0T1 Fl. 4 3 Concluiu que ocorreu litispendência, pois se a ação declaratória for julgada procedente, a consequência será a extinção da presente execução. Assim, o presente lançamento deve ser cancelado ou, no mínimo, sobrestado até que a decisão final daquela ação seja transitada em julgado. Alegou que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa exigida nos autos de infração n° 803737701, 803737715, 803737729 e 803737732. Solicitou, se não for decretada a extinção do lançamento, que seja determinada a suspensão da exigência dos períodos em que não ocorreu decadência, tendo em vista a existência de litispendência, porque demonstrada a existência de ação tramitando na Justiça Federal”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Tratase de analisar lançamento referente à multa por falta de entrega da DCTF relativa ao 2° trimestre do anocalendário de 2003, no valor de R$ 500,00. A contribuinte alega que ocorreu litispendência, pois ingressou com ação declaratória de reconhecimento de enquadramento em regime tributário especial (processo n° 2004.61.22.0005157), devendo, o presente lançamento ser cancelado ou, no mínimo, sobrestado até que a decisão final daquela ação seja transitada em julgado. Cabe esclarecer que a litispendência busca evitar pronunciamentos diversos sobre a mesma matéria, proferidos por juízos distintos. A verificação de litispendência impede a instauração válida de um segundo processo Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13846.000790/200899 Acórdão n.º 1001001.007 S1C0T1 Fl. 5 4 idêntico a outro já em curso, mas o impedimento só se aplica quando ambos os processos correm perante o Poder Judiciário; sendo um judicial e o outro administrativo, isso não ocorre. Ademais, no presente caso não se configura a identidade entre este processo administrativos a ação judicial mencionada, pois enquanto aqui se discute a cobrança de multa por falta de entrega da DCTF, na Justiça o litígio se refere ao enquadramento no Simples. Assim, não ha que se falar em cancelamento ou sobrestamento do presente processo, tendo em vista a ocorrência de litispendência. Quanto à decadência, tratandose de lançamento de oficio de multa, aplicase o disposto no art. l73, I do Código Tributário Nacional (CTN) verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, o crédito tributário referente à multa aplicada no 2° trimestre de 2003 poderia ter sido lançado ainda no ano de 2003, sendo, 01/01/2004 0 primeiro dia do exercício seguinte, e, 31/12/2008, o prazo final para cientificar a contribuinte do lançamento. Tendo, o auto de infração sido cientificado ao sujeito passivo em 16/12/2008, verificase que não ocorreu a decadência do lançamento. A contribuinte afirma na impugnação que foi excluída do Simples em 01/03/1999 e ingressou na justiça solicitando o cancelamento dessa exclusão. Entretanto, não obteve nenhum provimento judicial que lhe beneficiasse. Dessa forma, permanece excluída do referido regime, estando obrigada a entregar a DCTF. Não tendo cumprido essa obrigação estabelecida pela legislação, mantémse o lançamento. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13846.000790/200899 Acórdão n.º 1001001.007 S1C0T1 Fl. 6 5 Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726266/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA PARA DEDUÇÃO DE DESPESAS.
A inobservância do regime de competência implica necessariamente para a autoridade fiscal a recomposição do lucro real dos dois períodos envolvidos.
Feita a retificação, se verificado que o lucro real do período mais antigo é menor que o apurado anteriormente pelo contribuinte, nada há a fazer, salvo se a antecipação de receita ou contabilização posterior de custo ou despesa criar lucro necessário para aproveitar prejuízo fiscal que caducaria (regras vigentes até 31/12/1994) ou ferir o limite legal de 30% (regras legais a partir de 1º/01/1995).
Correta a decisão recorrida. Recurso de Ofício Não Provido.
CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS.
Os custos ou as despesas operacionais são dedutíveis, na medida em que atendam aos requisitos da necessidade, usualidade e normalidade, nos termos da legislação fiscal, além de outros requisitos como a sua efetividade e a comprovação mediante documentação hábil e idônea.
A diligência realizada confirmou que as deduções objeto da Infração 01 são dedutíveis e estão amparadas por documentação idônea, razão pela qual é legítima. Recurso Voluntário Provido.
PERDAS EXTRAORDINÁRIAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Em se tratando de perdas que não sejam razoáveis no processo produtivo (extraordinárias), a legislação fiscal impõe para sua dedutibilidade que o risco provocador da perda não esteja coberto por seguro e exige documentação hábil e idônea que a comprove, como laudos ou certificados, emitidos pelas autoridades competentes, sejam sanitárias, de segurança ou mesmo fiscal, conforme demandar o caso.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende-se ao reflexo.
Numero da decisão: 1401-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sede de preliminar, negar provimento ao pedido da Recorrente para que seja apreciado laudo elaborado por auditoria independente, apresentado em sede de memoriais, em razão da ocorrência da preclusão. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a glosa de R$2.930.250,09 relativa à infração 01. Declarou-se impedido de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada em substituição ao impedimento de Letícia Domingues Costa Braga).
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA PARA DEDUÇÃO DE DESPESAS. A inobservância do regime de competência implica necessariamente para a autoridade fiscal a recomposição do lucro real dos dois períodos envolvidos. Feita a retificação, se verificado que o lucro real do período mais antigo é menor que o apurado anteriormente pelo contribuinte, nada há a fazer, salvo se a antecipação de receita ou contabilização posterior de custo ou despesa criar lucro necessário para aproveitar prejuízo fiscal que caducaria (regras vigentes até 31/12/1994) ou ferir o limite legal de 30% (regras legais a partir de 1º/01/1995). Correta a decisão recorrida. Recurso de Ofício Não Provido. CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. Os custos ou as despesas operacionais são dedutíveis, na medida em que atendam aos requisitos da necessidade, usualidade e normalidade, nos termos da legislação fiscal, além de outros requisitos como a sua efetividade e a comprovação mediante documentação hábil e idônea. A diligência realizada confirmou que as deduções objeto da Infração 01 são dedutíveis e estão amparadas por documentação idônea, razão pela qual é legítima. Recurso Voluntário Provido. PERDAS EXTRAORDINÁRIAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Em se tratando de perdas que não sejam razoáveis no processo produtivo (extraordinárias), a legislação fiscal impõe para sua dedutibilidade que o risco provocador da perda não esteja coberto por seguro e exige documentação hábil e idônea que a comprove, como laudos ou certificados, emitidos pelas autoridades competentes, sejam sanitárias, de segurança ou mesmo fiscal, conforme demandar o caso. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende-se ao reflexo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sede de preliminar, negar provimento ao pedido da Recorrente para que seja apreciado laudo elaborado por auditoria independente, apresentado em sede de memoriais, em razão da ocorrência da preclusão. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a glosa de R$2.930.250,09 relativa à infração 01. Declarou-se impedido de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada em substituição ao impedimento de Letícia Domingues Costa Braga).
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A inobservância do regime de competência implica necessariamente para a autoridade fiscal a recomposição do lucro real dos dois períodos envolvidos. Feita a retificação, se verificado que o lucro real do período mais antigo é menor que o apurado anteriormente pelo contribuinte, nada há a fazer, salvo se a antecipação de receita ou contabilização posterior de custo ou despesa criar lucro necessário para aproveitar prejuízo fiscal que caducaria (regras vigentes até 31/12/1994) ou ferir o limite legal de 30% (regras legais a partir de 1º/01/1995). Correta a decisão recorrida. Recurso de Ofício Não Provido. CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. Os custos ou as despesas operacionais são dedutíveis, na medida em que atendam aos requisitos da necessidade, usualidade e normalidade, nos termos da legislação fiscal, além de outros requisitos como a sua efetividade e a comprovação mediante documentação hábil e idônea. A diligência realizada confirmou que as deduções objeto da Infração 01 são dedutíveis e estão amparadas por documentação idônea, razão pela qual é legítima. Recurso Voluntário Provido. PERDAS EXTRAORDINÁRIAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Em se tratando de perdas que não sejam razoáveis no processo produtivo (extraordinárias), a legislação fiscal impõe para sua dedutibilidade que o risco provocador da perda não esteja coberto por seguro e exige documentação hábil e idônea que a comprove, como laudos ou certificados, emitidos pelas autoridades competentes, sejam sanitárias, de segurança ou mesmo fiscal, conforme demandar o caso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 62 66 /2 01 1- 43 Fl. 2404DF CARF MF 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese ao reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sede de preliminar, negar provimento ao pedido da Recorrente para que seja apreciado laudo elaborado por auditoria independente, apresentado em sede de memoriais, em razão da ocorrência da preclusão. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a glosa de R$2.930.250,09 relativa à infração 01. Declarouse impedido de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pela Conselheira Bárbara Santos Guedes. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada em substituição ao impedimento de Letícia Domingues Costa Braga). Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de Custos ou despesas operacionais, inobservância do Regime de Competência para recomposição do lucro real, determinando ao sujeito passivo os ajustes na base de cálculo do IRPJ, em conformidade com demonstrativos anexos, substancialmente implicando na redução do prejuízo fiscal apurado no ano de 2006 de R$24.437.243,23 para R$2.241.467,74. O que perfaz o valor total do ajuste em R$22.195.775,49. Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.405 3 Foi também formalizado o Auto de Infração a título de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 08/10), também determinado os mesmos ajustes ao sujeito passivo na base de cálculo da contribuição do ano de 2006 para redução da base de cálculo negativa da CSLL de R$25.002.461,11 para R$2.806.685,62. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação comprobatória ao lançamento efetuado na conta contábil "3303003" como "Acerto de exaustão florestal" no valor de R$ 15.548.678,31. O contribuinte apenas elencou razões gerais que contribuíram, na sua opinião, para a diminuição ao potencial projetado das florestas. Ocorre que para os casos de quebras e perdas não razoáveis a legislação exige a apresentação de laudos de autoridades públicas, de acordo com o tipo de ocorrência determinante da quebra ou perda. Dessa forma, não cumprindo os requisitos legais para o lançamento de quebras e perdas, impõese a adição destas despesas na apuração na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ciente da autuação, o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA – em 12/01/2012 (fls. 146/161), qual alegou em síntese: 1. Alega que, “segundo o TVF, a glosa dessas despesas deuse unicamente por ter sido constatado que os lançamentos contábeis são feitos de forma sintética”. 2. Destaca que “a autoridade administrativa não realizou qualquer juízo de valor acerca da natureza das despesas, mas apenas ressaltou que as informações, no formato em disponibilizadas, não permitiram qualquer análise qualitativa”; 3. Diz que “os documentos anexados aos autos evidenciam que todos os lançamentos foram realizados de forma analítica, de modo a permitir o acesso da Fiscalização aos dados necessários”. 4. Esclarece que “dispõe de controle analítico das despesas, por mês e por lançamento (Doc. 05). A título exemplificativo, indicamos a conta "4406001 Viagens e Outros", que relativamente ao ano de 2006, possui o montante de R$145.662,37, ou 4,75% das despesas glosadas”. 5. Alega que “a abertura dos valores para o mês de julho indica o montante de R$11.909,52, em um universo de despesas glosadas de R$261.531,93”. 6. Esclarece que “o valor acima pode ser decomposto por lançamento, o que se verifica da planilha abaixo, extraída do sistema integrado de contabilidade da Impugnante”. 7. Informa que, todas as despesas discutidas são dedutíveis em razão de sua natureza (operacionais), de modo que a glosa deve ser desconsiderada. Não é outro o entendimento do CARF para despesas dessa natureza”. Fl. 2406DF CARF MF 4 8. Informa, que “por razões de ordem prática, os documentos que suportaram cada um dos lançamentos, como recibos, RPAs e notas fiscais, não estão sendo juntados, pois a discussão envolve milhares de lançamentos e sequer foram solicitados pela autoridade administrativa no curso da fiscalização”. 9. Explica, que “em razão de uma forte demanda de produção ocorrida na Usina de Juiz de Fora da CAF, a então Bahia Celulose forneceu a madeira necessária, que deveria ser restituída até 30.11.2003 (Doc. 6). No entanto, as condições de mercado não permitiram que a madeira fosse restituída, de modo que, 01.08.2006, as partes aditaram o contrato anteriormente firmado. Encerada a obrigação pactuada entre as partes em razão do pagamento do valor previsto no aditivo contratual, a Impugnante tomou a dedutibilidade dos valores pagos, reduzindo o resultado do período respectivo”. 10. Aduz que “no entendimento do Fisco, a conseqüência, então, seria a impossibilidade de dedução do custo em 2006, de modo que os valores deveriam ter sido apropriados entre 2000 e 2003. Nesse ponto específico, assiste razão à autoridade administrativa, pois, em termos contábeis, o único regime adequado para reconhecimento das receitas e despesas é de fato o de competência”. 11. Contrapõe, no entanto, “a não obediência ao princípio da competência não gera a impossibilidade definitiva de dedução do custo incorrido (o que decorre da presente autuação, que simplesmente glosa o valor deduzido), mas sim a obrigação de compensar o prejuízo decorrente de uma eventual postergação de tributo devido, afinal, a despesa é dedutível, de modo que a discussão restringese aos efeitos temporais da dedução em momento inadequada”. 12. Alega, no caso dos autos, “é possível verificar que desde 2000 a Impugnante vem apurando prejuízo fiscal (Doc. 8), sem jamais ter utilizado esse prejuízo para a compensação com seus próprios lucros, até porque inexistentes. Assim, não há qualquer diferença efetiva entre a dedução da despesa entre 2000 e 2003, ou sua dedução integral em 2006. O saldo do prejuízo fiscal não é objeto de correção, de modo que, independentemente do momento da dedução, em casos como o presente, o efeito sobre a base de cálculo é idêntico”. 13. Salienta, que “nessa autuação, como destacado pelo Fisco, as perdas razoáveis integram o custo de aquisição e independem de laudo que as comprove. No entanto, apenas em razão do percentual envolvido (34,84% do custo total dos projetos elencados), a autuação pressupõe não se tratarem de perdas razoáveis, desconsiderando toda a documentação apresentada”. 14. Diz que, “no caso dos autos, mostrase razoável o valor das perdas contabilizadas principalmente se levado em consideração sua relação com o faturamento da empresa. Em 2006, por exemplo, o ajuste foi de R$15.548.678,31, em um faturamento de R$102.024.412,90 (Doc. 9)”. Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.406 5 15. Assevera, que “não obstante, em nenhum momento a autoridade administrativa deixa claro os motivos pelos quais as provas apresentadas são imprestáveis, aliás, afirma terem sido indicados diversos fatores responsáveis, tais como, intempéries climáticas, pragas, doenças diversas e erros de manejo. É notório que tais fatores são responsáveis por perdas significativas nesse segmento, de modo que os documentos apresentados (Doc. 10), se não infirmados pelo Fisco, devem prevalecer, pois elaborados com base na observação do processo produtiva da Impugnante. Assim, improcedente a glosa levada a efeito no auto de infração” 16. Indicando quesitos ao perito, a Impugnante postula por perícia contábil, em relação a todos os itens da autuação. 17. Requer o provimento da presente Impugnação ou a baixa dos autos em diligência. O Acórdão ora Recorrido (0240.633 2ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Custos ou despesas operacionais. Os custos ou as despesas operacionais são dedutíveis, na medida em que atendam aos requisitos da necessidade, usualidade e normalidade, nos termos da legislação fiscal, além de outros requisitos como a sua efetividade e a comprovação mediante documentação hábil e idônea. Inobservância do Regime de Competência. A inobservância do regime de competência implica necessariamente para a autoridade fiscal a recomposição do lucro real dos dois períodos envolvidos. Feita a retificação, se verificado que o lucro real do período mais antigo é menor que o apurado anteriormente pelo contribuinte, nada há a fazer, salvo se a antecipação de receita ou contabilização posterior de custo ou despesa criar lucro necessário para aproveitar prejuízo fiscal que caducaria (regras vigentes até 31/12/1994) ou ferir o limite legal de 30% (regras legais a partir de 1º/01/1995). Perdas Extraordinárias. Em se tratando de perdas que não sejam razoáveis no processo produtivo (extraordinárias), a legislação fiscal impõe para sua dedutibilidade que o risco provocador da perda não esteja coberto por seguro e exige documentação hábil e idônea que a comprove, como laudos ou certificados, emitidos pelas autoridades competentes, sejam sanitárias, de segurança ou mesmo fiscal, conforme demandar o caso. Fl. 2408DF CARF MF 6 Tributação Reflexa. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese ao reflexo. Impugnação Procedente em Parte. Isto porque, conforme entendimento da Turma julgador, quanto à Infração 01, "diferentemente do que disse a Impugnante, foi feita intimação regular para que ela apresentasse “a documentação comprobatória dos lançamentos efetuado na conta contábil “3402018 – Pesquisas e experimentos florestais”, no ano de 2006”” (vide Termo de Intimação nº 1, item 1, documento de fls. 126/127). No entanto, tal documentação não foi apresentada." Segue concluindo que "ainda que o contribuinte tenha, na defesa, demonstrado que possui controles analíticos dos referidos gastos, tal fato não ataca o cerne da infração, que se deu por falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea dos dispêndios glosados." Mais ainda, "também na defesa tais documentos não foram anexados, sob o argumento de questões de ordem prática, por envolver milhares de registros contábeis. Mesmo que crível tal alegação, o fato é que o contribuinte também se omitiu na impugnação, quanto à sua obrigação de comprovar a efetividade dos referidos gastos, mediante documentação hábil e idônea.". Em razão disso, manteve integralmente a primeira infração. Quanto à segunda infração entendeu que a inobservância do regime de competência implica necessariamente para a autoridade fiscal a recomposição do lucro real dos dois períodos envolvidos. Feita a retificação, se verificado que o lucro real do período mais antigo é menor que o apurado anteriormente pelo contribuinte, nada há a fazer. Ainda, ressaltese que “quando a autoridade fiscal se deparar com uma inexatidão quanto ao período de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período de apuração indevido e adicionála ao lucro líquido do período competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do período de apuração indevido e excluílo do lucro líquido do período de competência” (PN, Cosit nº 2, de 1996, subitem 5.2). No entanto, a Fiscalização limitouse a glosar os referidos custos ou despesas no ano de 2006, sem proceder a quaisquer ajustes nos períodos de competência, anos de 2000 a 2003 (como ela própria indica no TVF). Dessa forma, não foram adotados os procedimentos acima evidenciados, aos quais se vincula o Fisco em razão do comando contido no subitem 5.2, do Parecer COSIT nº 02, de 1996. Em suma, não tendo sido demonstrado objetivamente que a contabilização posterior de custo tenha causado qualquer prejuízo à Fazenda Pública, tal fato configurase como mera inexatidão contábil, sem efeitos tributários. Assim, exoneram do lançamento os efeitos da infração 02, o que adiante se demonstra. Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.407 7 Quanto à Infração 03, conforme entendimento da Turma julgadora, “(...) “ nessa autuação, como destacado pelo Fisco, as perdas razoáveis integram o custo de aquisição e independem de laudo que as comprove. No entanto, apenas em razão do percentual envolvido (34,84% do custo total dos projetos elencados), a autuação pressupõe não se tratarem de perdas razoáveis, desconsiderando toda a documentação apresentada”. Em razão disso, concluiu que o procedimento adotado pelo Fisco foi correto, na medida em que o contribuinte não fez, nos autos, a prova necessária nos termos da legislação fiscal que lhe permitiria reconhecer a aludida perda extraordinária. Mantendo, desta forma, a infração 03. Contra a decisão foi interposto Recurso de Ofício. Ciente da decisão do Acórdão em 09/10/2012 (fls. 748) o interessado interpõe Recurso Voluntário em 14/10/2012 (fls. 749/777), trazendo as mesmas razões apresentadas em sede de impugnação administrativa às (fls. 146/161) dos autos. Promoveu a juntada de diversos documentos. Às fls. 944/960 dos autos – Resolução de nº 1401000.307 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA para a adoção das seguintes providências pela Fiscalização: 1. “Intimar novamente a recorrente, levando em consideração o aditivo à impugnação (doc. 05), bem assim solicitandolhe o que mais for necessário a fim de dar continuidade à investigação em relação às despesas com pesquisas e experimentos, podendo tal investigação ser feita por amostragem se o volume de provas for muito grande”; 2. “Se for o caso, refazer a base de cálculo de apuração do IRPJ e CSLL”. 3. “Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento”. Fl. 2410DF CARF MF 8 Às fls. 966/968 RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL em que acatou a comprovação das despesas de pesquisa e experimentos: Às fls. 1040/1043 – MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE, requerendo a: 1. “homologação do resultado da diligência fiscal quanto à confirmação das despesas com pesquisas e experimentos; 2. “julgar procedentes os pedidos do pleito recursal do contribuinte para reformar parcialmente o acórdão recorrido quanto aos demais pontos da autuação, com a conseqüente extinção da obrigação tributária nele consubstanciado”. Em sede de memoriais, na sessão de julgamento, a Recorrente aduz que quando da realização da diligência, em 21/12/2017, apresentou ao fiscal diligente uma série de documentos que, segundo ele, seriam imprescindíveis para a análise da infração 03, mas que tais documentos não foram acostados aos autos pelo agente fiscal, o que acarretaria em grave prejuízo para o direito de defesa do contribuinte. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isto deles conheço. Quanto aos documentos apresentados em sede de memoriais, os quais alega a Recorrente que deveriam ter sido juntados quando da realização da diligência, entendo que os Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.408 9 mesmos não podem ser apreciados nesse momento processual em razão da ocorr~encia da preclusão. De fato, o processo administrativo é fundado no princípio da verdade material, mas também, fundado em princípios da eficiência e oficialidade. Entendo que o julgador tem que avaliar todas as provas produzidas pela parte, entretanto, a parte tem momentos próprios para apresentação, bem como respectivas exceções legais, sob pena de tornar o PAF infindável. No presente caso, alega a Recorrente, em sede de memoriais, que quando da realização da diligência (que tinha por objeto exclusivo a Infração 02), apresentou documentos que seriam imprescindíveis para análise da Infração 03, e que tais documentos não foram juntados pelo agente fiscal. De fato, o agente fiscal apenas promoveu a juntada de uma planilha demonstrativa relativa à Infração 02, e afirmou ter analisado toda a documentação apresentada pela Recorrente, e concluiu a diligência de forma a acolher as razões do contribuinte. Não há qualquer referência a eventual laudo relativo à Infração 03, seja no relatório fiscal, seja na manifestação pelo contribuinte acerca do resultado da diligência! Ora, não há como se afirmar que de fato o contribuinte promoveu a juntada do referido laudo técnico naquele momento, seja porque sobre ele o agente fiscal não se manifestou, seja porque o próprio contribuinte quedouse silente em sua manifestação, a qual entendo que seria o momento adequado para se insurgir contra tal fato, ou até mesmo, promover, naquele momento, a juntada do referido laudo. Assim é que, entendo ter ocorrido a preclusão processual para a apresentação do referido documento, o qual, mesmo se juntado à época, entendo que no mérito não ajudaria a Recorrente vez que é contemporâneo aos fatos geradores. Aceitar a juntada do referido laudo em sede de memoriais, em um auto de infração do ano de 2011, que apura fatos referentes ao ano de 2006, e de uma empresa do porte da Recorrente, não é razoável e tornaria o processo administrativo ainda mais longo do que já está sendo. A contribuinte teve tempo mais do que suficiente para fazer a juntada do referido laudo técnico, o qual entende este Relator que já deveria existir no ano de 2006! Face ao exposto, e da patente preclusão, deixo de apreciar os referidos documentos. Passo à análise dos recursos. Conforme relatado, a Recorrente foi autuada por cometido 3(três) infrações legais, no ano calendário de 2006 (IRPJ e CSLL): (1) da glosa de custos/despesas operacionais/encargos(despesas com pesquisas e experimentos) não comprovados, no valor de R$2.930.250,09; Fl. 2412DF CARF MF 10 (2) da redução indevida do lucro líquido causada por postergação de custos ou despesas, de R$3.716.847,09; e (3) da glosa de custos/despesas operacionais/encargos não dedutíveis, de R$15.548.678,31. As infrações apuradas se referem à atividade rural desenvolvida pela empresa e reduziram o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados nessa atividade. A infração 2 foi cancelada pela DRJ e submetida a Recurso de Ofício, o qual passo a apreciar. Recurso de Ofício No caso presente, o Fisco constatou que o contribuinte retirou a madeira nos anos de 2000 a 2003 e que a madeira permutada deveria ser devolvida até 30/11/2003, e que sendo impossível a devolução, nesta data deveria ser pago o valor em dinheiro correspondente à madeira retirada. Concluiu, pois, que pelo Princípio da Competência que todos os custos relativos à madeira retirada pela CAF (custos da efetiva retirada dos plantios da Bahia Sul e custo referente à madeira a ser devolvida) deveriam ser contabilizados nos em que ocorreram as efetivas retiradas de madeira, isto é, 2000, 2001, 2002 e 2003. Conclui o agente fiscal que essas aquisições de madeira deveriam constar da apuração do lucro líquido de 2000 a 2003, não podendo ser lançadas em 2006, visto não ser desta competência os custos associados. Ademais, quando da assinatura do aditivo, alguns períodos de apuração já estavam decaídos, e mesmo que o contribuinte não tivesse lançado os custos naqueles períodos não poderia fazêlo em 2006, em face do transcurso de 5 anos entre os fatos geradores. Em razão disso, por não ser um novo custo e por não competir aos períodos de apuração de 2006 deve o valor de R$3.716.847,09 ser glosado do custo dos produtos vendidos na apuração do lucro líquido e conseqüentemente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. A Recorrente confessou que não respeitou o princípio da competência, mas afirmou que a não obediência ao princípio não gera a impossibilidade definitiva de dedução do custo incorrido (o que decorre da presente autuação, que simplesmente glosa o valor deduzido), mas sim a obrigação de compensar o prejuízo decorrente de uma eventual postergação de tributo devido, afinal, a despesa é dedutível, de modo que a discussão restringese aos efeitos temporais da dedução em momento inadequado. Argumentou que o lançamento simplesmente se omitiu nesse ponto, não demonstrando a existência de efeitos tributários (que não existiram) decorrentes da apropriação do custo segundo o regime de caixa. A DRJ acatou a alegação da impugnante, e entendo que a decisão não merece reparos. De fato, restou comprovado que desde 2000 a Impugnante vem apurando prejuízo fiscal, sem jamais ter utilizado esse prejuízo para a compensação com seus próprios lucros, até porque inexistentes. Assim, não há qualquer diferença efetiva entre a dedução da despesa entre 2000 e 2003, ou sua dedução integral em 2006. O saldo do prejuízo fiscal não é Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.409 11 objeto de correção, de modo que, independentemente do momento da dedução, em casos como o presente, o efeito sobre a base de cálculo é idêntico. É evidente que a escrituração adotada pelo contribuinte feriu o regime de competência, pelo qual as receitas devem ser reconhecidas quando auferidas e os custos ou despesas quando incorridos. Entretanto, como bem observado pela DRJ, a legislação aplicável veda a postergação do pagamento do imposto e da contribuição social para período posterior ao em que seriam devidos ou a redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, seja em função de se protelar a escrituração de receita ou se antecipar a de custo ou despesa ou quando, no caso contrário, a antecipação de receita ou contabilização posterior de custo ou despesa criar lucro necessário para aproveitar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL que caducariam (regras vigentes até 31/12/1994) ou ferir o limite legal de 30% (regras legais a partir de 1º/01/1995). No caso dos autos, a inobservância do regime de competência na escrituração do contribuinte deuse pela contabilização posterior de custo, o que, normalmente, não ocasiona prejuízo para o Fisco, salvo nos casos (acima citados) em que tal conduta ludibriar as regras legais para aproveitamento de prejuízos fiscais ou mesmo bases negativas da CSLL. Como muito bem observado pela DRJ: Por sua vez, tendo em vista que a autuação reduziu tanto o prejuízo fiscal como a base de cálculo negativa da CSLL apurados na atividade rural desenvolvida pelo contribuinte, vale destacar que o limite de 30% (trinta por cento) não se aplica nem em relação aos prejuízos fiscais nem à base de cálculo da CSLL, quando negativa, decorrentes da exploração de atividades rurais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 42; Lei nº 9.065, de 1995, art. 15; IN/SRF nº 11, de 1996, art. 35, §4º; e MP nº 2.15835, de 2001, art. 41). E em relação a um possível prejuízo na compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, cujos respectivos saldos tenham sido formados pelas regras vigentes até 31/12/1994, a Fiscalização não demonstrou objetivamente nenhum prejuízo à Fazenda Pública. A inobservância do regime de competência implica necessariamente para a autoridade fiscal a recomposição do lucro real dos dois períodos envolvidos. Feita a retificação, se verificado que o lucro real do período mais antigo é menor que o apurado anteriormente pelo contribuinte, nada há a fazer. Ainda, ressaltese que “quando a autoridade fiscal se deparar com uma inexatidão quanto ao período de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período de apuração indevido e adicionála ao lucro líquido do período competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do período de apuração indevido e excluílo do lucro líquido do período de competência” (PN, Cosit nº 2, de 1996, subitem 5.2). Fl. 2414DF CARF MF 12 No entanto, a Fiscalização limitouse a glosar os referidos custos ou despesas no ano de 2006, sem proceder a quaisquer ajustes nos períodos de competência, anos de 2000 a 2003 (como ela própria indica no TVF). Dessa forma, não foram adotados os procedimentos acima evidenciados, aos quais se vincula o Fisco em razão do comando contido no subitem 5.2, do Parecer COSIT nº 02, de 1996: Desta feita, não tendo sido demonstrado que a contabilização posterior de custo tenha causado qualquer prejuízo à Fazenda Pública, tal fato configurase como mera inexatidão contábil, sem efeitos tributários. Acertada a decisão da DRJ, razão pela qual nego provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Infração 01 da glosa de custos/despesas operacionais/encargos(despesas com pesquisas e experimentos) não comprovados, no valor de R$2.930.250,09. Tal infração foi objeto da Resolução de nº 1401000.30, e convertido em diligência por esta Turma após proposição do então Conselheiro Antônio Bezerra, o qual delimitou de forma bem didática a lide. Transcrevo o seu relato sobre a infração: Como se vê o fiscal glosou os referidos custos fundamentalmente porque os lançamentos contábeis se apresentaram de forma sintética, não permitindo um aprofundamento da investigação, bem assim porque na sequência não apresentou toda documentação necessária que lastrearia os lançamentos contábeis. A descrição dos fatos deixa ainda mais claro o motivo principal da glosa, qual seja, a impossibilidade de aprofundamento da investigação em função da apresentação sintética das informações contábeis em meio magnético: (...) Os lançamentos contábeis efetuados nesta conta são efetuados de forma sintética. Assim, a fiscalização não possui qualquer meio de verificação as condições legais de dedutibilidade destas despesas e mesmo a sua real existência. Dessa forma, impõese a glosa destas despesas (...) (grifei) Na peça impugnatória, a Recorrente reforça sobremaneira sua defesa, sobretudo na tentativa de demonstrar que possuiria as informações na contabilidade de forma analítica e para tanto apresentou quadros demonstrativos, nos Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.410 13 quais discriminaria a composição total das despesas/custos glosados, de R$2.930.250,09: (1) segregandoas em: "Mãodeobra'", "Benefícios", "Materiais", "Serviços", "Outras despesas operacionais'", "Depreciação"" e "Rateios""; e (2) especificando cada um dos itens citados anteriormente em subitens mais analíticos. Outrossim, alegou que dispõe de controles ainda mais pormenorizados. Como exemplo, indica a subconta "4406001 Viagens e outros"" (que compõe o item "Outras despesas operacionais"), a qual relativamente ao ano de 2006, possui o montante de R$145.662,37. Nesse sentido, apresentou demonstrativo para o mês de julho, onde o gasto com essa subconta foi R$11.909,52. Através de aditivo à impugnação (doc.05), não analisado pela DRJ, tratou mais ainda de aprofundar essa prova como se verá mais adiante neste voto. Diz por fim que, por ordem prática, os documentos que suportaram cada um dos lançamentos contábeis não foram juntados, pois envolvem milhares de registros. Em análise da Impugnação apresentada, a DRJ, apesar de reconhecer que o contribuinte possui controles analíticos dos referidos gastos, entendeu por manter a exigência uma vez que tal fato não atacaria o cerne da infração "que se deu por falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea dos dispêndios glosados". Assim como o então Conselheiro Antônio Bezerra que superou a questão para converter em diligência, entendo que a DRJ agiu errado. O lançamento se deu em razão do agente fiscal concluir como insuficientes as provas apresentadas em fase de fiscalização, razão pela qual promoveu a glosa das despesas. A partir de então, a impugnação é o primeiro momento para contrapor a conclusão e apresentar novas provas, como vez a Recorrente de forma satisfatória. Em razão disso, esta Turma em atenção ao princípio da verdade material, converteu o presente julgamento em diligência que teve o seguinte objeto: · Intimar novamente a recorrente, levando em consideração o aditivo à impugnação (doc. 05), bem assim solicitandolhe o que mais for necessário a fim de dar continuidade à investigação em relação às despesas com pesquisas e experimentos, podendo tal investigação ser feita por amostragem se o volume de provas for muito grande; · Se for o caso, refazer a base de cálculo de apuração do IRPJ e CSLL. · Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o Fl. 2416DF CARF MF 14 processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. O agente fiscal em sua Informação Fiscal concluiu que: A planilha/tabela 1 anexa mostra os valores dispendidos pela empresa a titulo de despesas com pesquisas e experimentos. Conforme recomendação da citada resolução procedemos a verificação por amostragem nas principais contas, amostragem esta feita sobre aquelas 7 de maiores valores, resultados resumidamente expostos na tabela 2 anexa e constatamos que os valores apresentados representam integralmente as despesas despendidas com pesquisas e experimentos. Constatamos mais que os custos ou as despesas operacionais apresentados a titulo de pesquisas e experimentos são dedutíveis, na medida em que atendem aos requisitos da necessidade, usualidade e normalidade, nos termos do art. 299, do RIR/1999, além de outros requisitos como a sua efetividade e a comprovação mediante sua contabilização e documentação hábil e idônea. (...) Finalmente, acatadas a glosa da infração relativa a despesas de pesquisas e experimentos realizada através da presente Diligencia Fiscal, bem como a exoneração proposta pela DRJ em seu Acórdão, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, apurados no ano‐calendário de 2006, no montante de R$ 22.195.775,49, devem ser reduzidos a R$ 15.548.678,31. A Recorrente se manifestou concordando com o resultado da diligência. Assim ultrapassada a análise quanto a possibilidade de verificação da documentação apresentada pela contribuinte, e tendo a diligência fiscal concluído que restaram comprovadas as despesas realizadas com pesquisas e experimentos, bem como o cumprimento dos requisitos para sua dedutibilidade, deixou de existir lide quanto a este ponto. Desta forma, acolhendo integralmente o resultado da diligência, dou provimento ao Recurso Voluntário quanto à infração 01, afastando a glosa do valor de R$2.930.250,09. Infração 03 da glosa de custos/despesas operacionais/encargos não dedutíveis, de R$15.548.678,31. Inicialmente, quanto ao pedido de perícia, entendo que não deve ser acolhido. Primeiro porque se trata de faculdade do Relator quando entender que é necessária a produção Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.411 15 complementar de provas e/ou esclarecimentos para o julgamento. Não é o caso, já que entendo que nos autos constam elementos suficientes para meu julgamento. Por outro lado, assim como fez quanto a Infração 01, o contribuinte teve tempo mais do que suficiente para realizar a produção das provas, como um laudo técnico idôneo que amparasse o seu procedimento contábil, e assim não o fez. Os documentos apresentados em sede de memoriais, conforme analisado no início do voto, não serão conhecidos por não serem contemporâneos aos fatos, e em razão da preclusão. Na fase de fiscalização, ao contribuinte foi solicitada a apresentação das planilhas de cálculo dos custos e exaustão dos projetos de plantio da empresa no ano de 2006. Em resposta, apresentou planilha em formato “excel” contendo as informações acerca das despesas com exaustão florestal no ano de 2006, incluindo um “Ajuste de Exaustão” ocorrido em novembro de 2006. O referido ajuste, contabilizado em 30/11/2006, foi de R$15.548.678,31. Conforme comprova o TVF, o contribuinte foi intimado a “Informar, apresentado documentos comprobatórios, em relação aos projetos que sofreram ajustes no valor da exaustão em novembro 2006, a data em que foram tomadas as decisões de se reduzir as manutenções das florestas, conforme informado em resposta ao termo de intimação nº 3, verbis “AJUSTE DO POTENCIAL PROJETADO EM FUNÇÃO DA REDUÇÃO DAS MANUTENÇÕES QUE OCASIONOU A BAIXA PRODUTIVIDADE DAS FLORESTAS””. O contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: “No ano de 2006 foi feito um ajuste de inventário do potencial de madeira em pé devido à combinação dos fatores relacionados abaixo durante o período de desenvolvimento das florestas. O volume ajustado se refere também ao ajuste de potencial da madeira em pé que havia sido projetado para rotações posteriores que não se concretizaram”. Em seqüência apresentou uma série de fatores que segundo o contribuinte contribuíram para a diminuição do potencial das florestas. O agente fiscal ressalta que nenhum documento comprobatório foi juntado à resposta do contribuinte, apenas uma enorme lista de fatores que incluem intempéries climáticas, pragas e doenças diversas, erros de manejo, etc. Concluiu ainda que, em se tratando de uma perda extraordinária, deveria ter apresentado documentos idôneos, como laudo técnico, para embasar o referido ajuste. Por outro lado, em sede recursal o Recorrente basicamente reafirma as suas razões de impugnação, tentando infirmar que a perda foi razoável. Além disso, faz alegações que comparam a baixa ao faturamento anual acumulado do período, o que levaria a uma proporção muito inferior (cerca de 3%): Fl. 2418DF CARF MF 16 Assim, o cerne da questão é definir se o ajuste realizado com as perdas se trata de perda razoável ou extraordinária. De fato, o conceito de perdas ou quebras razoáveis é absolutamente subjetivo e vago. Por vezes, é difícil, ou quase impossível, definir, em um caso concreto, se a perda é razoável ou extraordinária. Entretanto, entendo que esse não é o caso. O art. 334 do RIR/1999 não permite o lançamento de exaustão em função de ajuste do potencial estimado da floresta em decorrência de sua diminuição. Por outro lado, o art. 291 trata das quebras e perdas. O inciso I deste art. afirma que integra o custo o valor das perdas razoáveis ocorridas no processo produtivo, sem a necessidade de laudo de autoridade competente, contudo deve o contribuinte comprovar de forma idônea e plausível as perdas ocorridas. Ocorre que, como bem demonstrado pela autoridade fiscal, o valor do ajuste lançado corresponde a um percentual de 34,84% do custo total dos projetos elencados. Como bem analisado, se forem considerados apenas os projetos com algum ajuste o percentual de ajuste chega a 54,47%. Além disso, alguns projetos chegam a ter ajustes de 70%, 90% até 100%. Não há como se defender se tratar de uma perda razoável. Mesmo diante da subjetividade do conceito, não há como se concluir que uma perda de 34,84% nos projetos elencados seja razoável. E mais, se analisar os projetos individualmente, as perdas podem chegar a 100%. Não se pode comparar essa perda à receita acumulada de 4 ou 6 anos, uma vez que distorce o resultado. O agente fiscal fez uma análise de todos os projetos elencados, chegando a uma média que por si só já demonstra uma perda fora da normalidade. Se a análise for individualizada por projeto esse percentual se mostra ainda mais irrazoável. Fl. 2419DF CARF MF Processo nº 15504.726266/201143 Acórdão n.º 1401003.083 S1C4T1 Fl. 2.412 17 Não está esse Relator afirmando que as perdas não ocorreram. Podem ocorrer, especialmente diante da atividade desenvolvida pela Recorrente. Certamente também, perdas (razoáveis ou extraordinárias) jamais são desejáveis por nenhuma das partes. O que não se admite, ainda mais em se tratando de uma empresa do porte da contribuinte, é que se faça um ajuste a título de perda sem qualquer comprovação idônea. Ou amparada em razões genéricas acerca de intempéries da natureza, ou através de documento produzido internamente pela empresa. Assim, não se tratando de uma perda razoável, devem ser obedecidos os critérios elencados no inciso II, isto é, comprovar que os riscos não estão cobertos por seguro e apresentar o laudo ou certificado exigido nas letras “a”, “b” e “c”, conforme a natureza do evento causador da quebra ou perda. Não tendo o contribuinte apresentado a documentação que comprovariam as quebras e perdas do potencial produtivo, conforme exigido pelo art. 291 do RIR/1999, correta a glosa do referido custo. Desta feita, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto à Infração 03. Conclusão Diante de tudo o quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário tão somente para afastar a glosa de R$2.930.250,09 da Infração 01. Levando em consideração o afastamento das Infrações 01 e 02 (Recurso de Ofício), o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, apurados no ano‐calendário de 2006, no montante de R$ 22.195.775,49, devem ser reduzidos a R$ 15.548.678,31. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.008356/98-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Principio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao principio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de
novo julgamento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-000.128
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial do sujeito passivo
Nome do relator: Susy Gomes Hofmann
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CSRF-T3 Fl. 508 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo no 10783.008356/98 -35 Recurso n° 301-124.024 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9303-00.128 — 3' Turma Sessão de 08 de julho de 2009 Matéria Classificação fiscal Recorrente ALLMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/08/1997 a 10/03/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Principio do Devido Processo Legal. Devem ser analisadas todas as questões de mérito suscitadas pelas partes. Não pode, por desobediência ao principio de devido processo legal, o órgão julgador deixar de analisar o mérito da demanda, no caso, a classificação fiscal propriamente dita. Necessidade de novo julgamento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Caio/Vlarcos Cândido - Presidepte stituto Susy Go EDITADO EM: 04/03/2011 frmann - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário do Contribuinte interposto em face de Acórdão que deu provimento ao Recurso de Oficio da Fazenda Nacional. Por bem descrever os fatos, vou adotar o relatório do Julgamento da P. Camara do Terceiro Conselho, ocorrido em 16 de março de 2005, fls. 404 a 407, nos seguintes termos: "0 presente processo é decorrente de revisão aduaneira e iniciou-se com Auto de Infração de fls. 1/28, lavrado em 23/12/98, em que foram exigidos os impostos de importação (de R$ 324.384,64) e sobre produtos industrializados (de R$ 172.208,15), acrescidos da multa de mora prevista no art. 61, 2°, da Lei n° 9.430, de 1996 e de juros de mora, incidentes nas importações da mercadoria descrita pelo importador como "Conversor de padrão de televisão FL/UHF-VHF 550 MHZ", e que foi classificada no código TEC 8543.89.40 nas declarações de importação registradas entre 29/8/97 e 10/3/98. A contribuinte formulou consulta em 31/3/98 et Superintendência Regional da Receita Federal na 7" Regido Fiscal sobre a correta classificação fiscal da mercadoria acima indicada (processo n° 12466.000441/98-37), que foi acompanhada de relatórios de identificação de equipamentos e de adequação tributária na TEC, emitidos pelo Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Espirito Santo, na qual pleiteou a classificação do mesmo código 8543.89.40 (fls. 33/36) A consulta foi apreciada pela DIANA/SRRF/7" RF e foi objeto da Decisão n° 209/98, com a adoção do código TEC 8543.89.90, como "Equipamento com controle remoto utilizado pelas empresas que exploram o serviço de televisão a cabo para permitir que os aparelhos de televisão fabricados para sintonizar as estações de televisão convencionais, cujos sinais são transmitidos pelo ar, fiquem compatíveis com o padrão de sinais transmitidos por cabos ópticos ou coaxiais, denominado comercialmente 'conversor' (fls. 168/172). Tendo sido dada ciência à consulente em 11/8/98. A consulente solicitou revisão da classificação adotada, o que ocasionou a emissão do Parecer Coana n° 13, de 15/10/98, da Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro, do qual a interessada tomou ciência em 16/11/98, que reformou a classificação anteriormente adotada pela Decisão DIANA/SRRF/7" RP' n° 209/98, tendo finalmente, sido adotado o código TEC 8528.12.90, para a mercadoria denominada "Receptor de sinais não codificados de televisão a cores, acompanhado de controle remoto, desprovido de cinescópio, alto-falante e circuito de decodificação, próprio para receber sinais cuja freqüência compatível com a utilizada pelos aparelhos 2 Processo n° 10783.008356/98-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.128 Fl. 509 de televisão comerciais, denominado comercialmente "Conversoemodelo 3661 Series". A autuação deveu-se ao fato de ter a contribuinte desembaraçado as mercadorias em data anterior protocolização do processo de consulta cuja decisão implicou aplicação de aliquotas superiores as utilizadas nos despachos de importação. Em sua impugnação (fls. 189/193) a contribuinte contestou a conclusão adotada pela Coana, entendendo-a equivocada, assim como a anterior, e alegando que, além de ser decisão extra- petita, deu uma solução completamente diversa e não Pré- questionada. Alegou, também, que o parecer da Coana agravou os valores que seriam devidos se prevalecesse a decisão reformada, e que a nova classificação é de 2" Instância e nula por alterar as conclusões da decisão singular contra a qual havia sido interposto recurso, e só poderia ser aplicada aos fatos geradores subseqüentes, de acordo com o art. 146 do CTN. 0 processo foi decidido em primeira instância pela Chefe da DITEX da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, com base na delegação de competência contida na Portaria DRJ/RJ n° 7/99 (DOU de 3/2/99), que proferiu a Decisão DRJ/RJO n°1.636, de 19/10/99, cuja ementa transcrevo (fls. 301 a 306): CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EFEITOS. Parecer da Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro (COANA) que reforma, de oficio, decisão proferida por órgão regional em processo de consulta sobre a classificação de mercadorias. Correta a sua aplicação em relação a fatos geradores ocorridos antes da protocoliza cão da consulta. LANÇAMENTO PROCEDENTE" A contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 314/320), questionando, basicamente, dois aspectos: 1) A vigência no tempo de decisões que alteram a classificação de mercadorias em razão de resposta à consulta formulada pela suplicante. A respeito, sustenta a recorrente que a nova classificaciio fiscal não tem caráter retroativo, entendendo que a decisão recorrida no processo de consulta era pela natureza definitiva, e que a avocatória constitui-se em prerrogativa da autoridade, mas representa reforma de uma decisão final anterior, que produzia efeitos até que fosse revogada. Entende que a consulta abrange todos os lançamentos realizados antes e no curso do processo administrativo e que a classificação final adotada pela Coana, reformando de oficio a decisão anterior, só poderia ser aplicada pela Coana, reformando de oficio a decisão anterior, só poderia ser aplicada a partir da data da decisão que a instituiu, ou seja, 15/10/98; e 3 2) o mérito da classificaçeio fiscal pretendida. Nessa parte, ratifica as alegações já expendidas por ocasião da impugnação, entendendo ser equivocada a classificagdo dada pela Coana e afirmando, pelas razões ali expendidas, "que se trata de conversores de padrão de TV classificados na Posição 85.43.8940 e não de receptores ou decodificadores da Posição 85.43.8990 ex-13 ou muito menos de receptores de televisão da Posição 85.28.1290." 0 processo foi encaminhado a este Conselho sem a exigência do depósito para garantia de instancia, em vista de Acórdão do Tribunal Regional Federal da 2" Regido em apelação a mandado de segurança decidido favoravelmente a recorrente (certidão a fl. 346). Às fls. 378/179 a recorrente aditou esclarecimentos sobre a matéria de direito, já expendidos na sustentação oral feita nesta Camara, argüindo a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por considerar que as nulidades absolutas podem ser invocadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição, devendo, inclusive o julgador pronunciá-las de oficio, mesmo quando não invocadas pelas partes. Em decorrência, apontou as irregularidades seguintes, solicitando a nulidade da decisão, em vista do disposto no art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72: a) decisão prolatada por pessoa incompetente, a saber, a Chefe da DITEX/DRJ/RJ, em lugar de ser proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento, afrontando a lei e contrariando jurisprudência dos Segundo e Terceiro Conselho de Contribuintes; e b) cerceamento do direito de defesa, em vista de a autoridade prolatora da decisão se ter recusado a apreciar os fundamentos de mérito apresentados na impugnação, ao consignar "Pretende a Interessada reabrir a discussão sobre a classificação fiscal dos referidos CONVERSORES, insistindo em que seja acolhido o código tributário por ela adotado. Importa aqui, observar que o aspecto técnico da classificação fiscal da mercadoria já se encontra examinado pela Administração (Parecer COANA na 13/98). Não compete a este órgão julgador rediscuti-lo." 0 processo foi julgado nesta Camara na sessão de 5/11/2003, nos termos do Acórdão le 301-30.795, que declarou por unanimidade anulado o processo a partir da decisão de primeira instancia, inclusive, e cuja ementa dispôs, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO A competência para decisão em primeira instancia administrativa de processos de determinação e exigência de créditos tributários, foi atribuida aos Delegados da Receita Federal de Julgamento, na vigência do art. 1° da Lei n° 8.748/93, descabendo a delegação dessa atribuição a outra pessoa que não o titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em face do disposto no art. 13 da Lei n° 9.784/99. ANULADO 0 PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, INCLUSIVE" 4 Processo n° 10783.008356/98-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303 -00.128 Fl. 510 O processo foi encaminhado it Delegacia da Receita Federal de Florianópolis/SC para julgamento, em vista da competência desse órgão, decorrente da nova distribuição de atribuições para julgamento de processos, tendo sido a decisão consubstanciada no Acórdão DRJ/FNS n° 3.732, de 5/3/2004. Em que, por unanimidade de votos, conclui-se pela improcedência do lançamento, adotada a seguinte emente, verbis: "HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. EFEITOS Tendo em vista que os processos administrativos de consulta são solucionados em instancia única, decisões em tais tipos de processos, exarados pelas Superintendências Regionais da Receita Federal e que estabelecem classificação fiscal de determinado produto, consolidam, para o consulente, um critério jurídico que deve ser seguido no lançamento. O critério jurídico adotado pela administração relativamente classificação fiscal, abrange todas as importações pretéritas de produtos idênticos que estejam dentro do prazo que a SRF dispõe para proceder sua revisão, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da data de registro da DI. Pareceres da Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro que modifiquem a classificação fiscal obtida em processo de consulta somente são aplicáveis para importações realizadas em data posterior à da ciência desse parecer, por parte do interessado. Lançamento Improcedente. Em vista da exclusão integral do crédito tributário, em valor superior ao limite de instancia, foi feita a interposição de recurso de oficio, em obediência ao disposto no art. 34 do Decreto V 70.235/72. É o relatório." O Julgamento do Acórdão, deu provimento ao Recurso de Oficio, e pode ser resumido no trecho final do Acórdão (fls. 410): Pelos motivos aqui expostos, não posso concordar com as afirmações do relator do processo no julgamento de primeira instância e que culminou com a improcedência do lançamento, o qual considerou que as importações foram efetuadas em período anterior ao da formalização da consulta e, ao mesmo tempo, entendeu que as mercadorias estariam abrigadas pela Decisão SRRF/7". RF — posteriormente reformada e ainda acrescentou que a fiscalização deveria ter alterado a classifica0 o fiscal das importações para o código da decisão reformada. E não há 5 como se concordar por que, como acima explicitado, a consulta formulada pela recorrente não poderia produzir qualquer efeito em relação aos fatos pretéritos, em face da legislação de regência e, em especial, do disposto no art. 52, III, combinado com o art. 70. III, do Decreto no. 70.235/72 e no Parecer Normativo CST no. 67/77. Diante do exposto, e em face do crédito tributário constituído dizer respeito tão-somente a fatos geradores ocorridos antes da protocolizaoão da consulta, entendo não terem alicerce lógico e jurídico as alegações retrocitadas contidas na decisão de primeira instância, relativas aos efeitos do processo de consulta, razão pela qual voto pelo provimento do recurso de oficio, para manter em sua integralidade o auto de infração. Deste Acórdão, o Recorrente recorreu para alegar que houve cerceamento ao seu direito de defesa quando não foram analisadas as razões meritórias trazidas por ele, no que tange á. classificação adotada no auto de infração. Informa que trouxe dois laudos periciais que sequer foram analisados tanto pelos julgadores de la. Instância como pelos julgadores de 2a • Instância. Trouxe para tanto vários julgados deste Conselho no sentido por ele defendido. Pelo principio da fungibilidade foi acatado o Recurso interposto pela Recorrente como Recurso Voluntário (fls. 476). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contra-razões (fls. 498 e seguintes) propondo que o Recurso Voluntário fosse negado. Em síntese é o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso Voluntário. 0 objeto do Recurso Voluntário interposto pela Recorrente não atinge o mérito do Acórdão recorrido no que se refere aos efeitos do Pedido de Consulta, que foi ementado no seguinte texto: IMPOSTO DE IMPORTACÃO.IPI. PROCESSO DE CONSULTA. EFEITOS DAS DECISÕES. 0 instituto da consulta não tem efeito retroativo e não ampara a consulente em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a sua protocoliza cão. RECURSO DE OFICIO PROVIDO. Na verdade, a Recorrente busca demonstrar que tanto o Acórdão da DRJ como o Acórdão exarado pela 1 a . Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes analisaram tão somente a questão dos efeitos da Consulta feita pela Recorrente e não adentraram no mérito 6 • Processo n° 10783.008356/98-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.128 Fl. 511 da classificação fiscal lançada no auto de infração e que foi diretamente impugnada pela Recorrente trazendo, inclusive, novo laudo. Então, a Recorrente, pretende com este Recurso que seja emitido novo julgamento, mas relativo ao mérito da classificação fiscal. Pois bem. No muito bem lançado Acórdão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho analisou-se especificamente os efeitos da Consulta formulada pela Recorrente acerca do mesmo produto objeto do lançamento fiscal e foi reformada a decisão de primeira instância que tinha anulado o lançamento por entender que não poderia ter sido lançada a classificação fiscal que foi revista de oficio pelas autoridades fiscais. Explico melhor: Na resposta ao pedido de consulta (que foi formulado após a ocorrência dos fatos geradores) foi indicada uma classificação fiscal. A Recorrente "recorreu"desta decisão e aqui cabe a observação que não cabe recurso da decisão do pedido de consulta, mas a COANA revisou de oficio a decisão da DIANA e alterou novamente a classificação fiscal. A classificação fiscal adotada pela fiscalização no auto de infração foi esta última, ou seja, a constante do Parecer Coana. 0 Recorrente defendeu-se, desde o inicio, mostrando o erro de tomada de tal classificação fiscal. Ocorre que em primeira instância foi entendido que o lançamento tinha que ter se baseado no resultado da primeira decisão (a classificação indicada pela DIANA), porque o da COANA que é resultado de revisão interna da administração, só poderia surtir efeitos dali para frente. O Acórdão recorrido entendeu de forma diversa, posto que uma vez que o pedido de consulta foi posterior aos fatos geradores não há que se falar que a decisão que altera os critérios jurídico somente poderiam ser aplicados dali para diante. Todavia, não é objeto deste Recurso a questão dos efeitos da Consulta neste caso concreto, pois o Recorrente quer ver o seu direito de análise das questões meritórias devidamente analisados. E, neste item, entendo que tem razão. Na verdade, entendo que o Acórdão Recorrido deveria ter devolvido o processo para que a DRJ fizesse a análise de mérito, uma vez que o resultado do processo de consulta ou o parecer da COANA não vincula o julgamento deste Tribunal Administrativo. Resta evidente nos autos que o mérito não foi enfrentado o que fere o principio do devido processo legal. Portanto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL, para que o processo seja enviado para a Camara de Origem para novo julgamento, ultrapassada a questão dos efeitos da Consulta, e com o enfrentamento do mérito acerca da classificação fiscal. 7
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002995/2004-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a matéria tratada em peças de defesa e não enfrentada no acórdão.
Numero da decisão: 3302-006.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a matéria tratada em peças de defesa e não enfrentada no acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 29 95 /2 00 4- 42 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10980.002995/200442 Acórdão n.º 3302006.342 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte recorrente em face do acórdão nº 3302005.309, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 20/03/2018. Referido acórdão recebeu a seguinte emenda: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/05/1999 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. A embargante entende que o acórdão embargado estaria eivado de vícios de omissão, fato esse que, nos termos do art. 65, do anexo II, RICARF, lhe conferiria o direito de oposição dos embargos de declaração. Promovido o juízo de admissibilidade, os embargos foram. Passase então a análise da suposta omissão apontada pela embargante. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os Embargos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, submeto à esta Turma para julgamento. No entendimento da embargante, a decisão embargada não teria analisado o argumento de que os produtos fabricados serem minerais e imunes ao IPI, razão pela qual, não poderiam ser classificados como Nãotributados (NT). A conclusão do despacho de admissibilidade foi no sentido de haver a omissão apontada, nos seguintes termos: Embora a classificação inserida na TIPI como NT seja incontroversa, a embargante argumentou, justamente, que a classificação dos produtos como NT é equivocada. Este Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10980.002995/200442 Acórdão n.º 3302006.342 S3C3T2 Fl. 4 3 argumento não foi analisado e entendo ser autônomo, pois se aplicado, afasta a conclusão obtida no acórdão. Diante do exposto, com base no art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, admito os embargos interpostos pelo contribuinte. Constatada a omissão apontada pela embargante, passase a analisar referida matéria. Segundo a embargante os produtos que fabrica (minerais), seriam imunes à tributação, situação que lhe permitiria o aproveitamento dos créditos de IPI sobre os insumos utilizados na sua fabricação. O assunto deve ser analisado e cotejado com os ditames da Lei nº 9.779/1999, além do regulamento do IPI, utilizado pela embargante para demonstrar seu suposto direito. Pois bem. O Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), no art. 226, inc. I, replicando o que outrora foi disposto pelo art. 164, inc. I, do RIPI/2002, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI, e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] (GRIFEI) É do conhecimento de todos aqueles que operam na área do Direito Tributário, de que os produtos imunes estão fora do campo de incidência do imposto, assim como os não tributados. A diferença poderia ser apontada a partir da consideração de que os produtos NT não seriam considerados industrializados, enquanto que os produtos imunes seriam industrializados, mas protegidos da incidência do IPI por disposição constitucional. No entanto, se o emprego de insumos em produtos que estão dentro da incidência do imposto (alíquota zero e isentos) não gera direito ao crédito por disposição legal da Lei nº 9.779/99, que encontrase em consonância com a CF, não faria sentido que o emprego dos mesmos insumos em produtos que sequer estão dentro do campo de incidência gerem crédito. Não bastasse o acima exposto, colocando luz sobre o tema, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, esclareceu o seguinte: Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10980.002995/200442 Acórdão n.º 3302006.342 S3C3T2 Fl. 5 4 Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n" 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 52 do Decretolei 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF n' .33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos; I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4 542, de 26 de dezembro de .2002, II amparados por imunidade, III excluídos do conceito de industrialização por )(Orça do disposto no art. do Decreto d. 4,544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi), Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Desta forma, a imunidade decorrente da natureza do produto (mineral), que é o caso em comento, não tem amparo na Lei nº 9.779/99 e, no meu sentir, é completamente irrelevante para o IPI, pois não se pode falar em tributação de um produto que não poderia inserirse no âmbito de incidência do imposto. Portanto, resta a conclusão de que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os insumos são integralmente destinados a fabricação de produtos imunes. Assim, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não poderá apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não bastasse isso, o Decreto que regula a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do IPI (RIPI), é de competência do Presidente da República, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição Federal, ato do qual a apuração de sua validade, legalidade e constitucionalidade não compete ao CARF. Atender ao pleito da recorrente embargante, seria o mesmo que alterar o que fora disposto no RIPI, o que não é permitido e esse Colegiado. Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10980.002995/200442 Acórdão n.º 3302006.342 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720620/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Data do fato gerador: 01/01/2003
DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL - ERRO DE FATO
Cabe ser acatada a área de utilização limitada/reserva legal devidamente comprovada mediante averbação, em tempo hábil, à margem do registro da matrícula do imóvel, além de objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da DITR do período por parte do contribuinte, comprovado com documentação hábil, cabe à autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo à realidade fática do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVA, MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA.
É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal, desde que comprovada a existência da área deduzida.
Até o início da fiscalização, a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao crivo do órgão ambiental competente, retirando essa aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2402-006.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação da área de 190,0 hectares, que corresponde à Área de Reserva Legal averbada na matrícula do imóvel no 2° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Timbó/SC, mantendo a tributação quanto ao restante.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Data do fato gerador: 01/01/2003 DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL - ERRO DE FATO Cabe ser acatada a área de utilização limitada/reserva legal devidamente comprovada mediante averbação, em tempo hábil, à margem do registro da matrícula do imóvel, além de objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da DITR do período por parte do contribuinte, comprovado com documentação hábil, cabe à autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo à realidade fática do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVA, MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal, desde que comprovada a existência da área deduzida. Até o início da fiscalização, a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao crivo do órgão ambiental competente, retirando essa aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 393 1 392 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720620/200716 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.851 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrente PEDRO CLAUDINO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Data do fato gerador: 01/01/2003 DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL ERRO DE FATO Cabe ser acatada a área de utilização limitada/reserva legal devidamente comprovada mediante averbação, em tempo hábil, à margem do registro da matrícula do imóvel, além de objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da DITR do período por parte do contribuinte, comprovado com documentação hábil, cabe à autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo à realidade fática do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVA, MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal, desde que comprovada a existência da área deduzida. Até o início da fiscalização, a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao crivo do órgão ambiental competente, retirando essa aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação da área de 190,0 hectares, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 20 /2 00 7- 16 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 394 2 corresponde à Área de Reserva Legal averbada na matrícula do imóvel no 2° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Timbó/SC, mantendo a tributação quanto ao restante. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado em relação ao recorrente para fins de exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) relativo ao exercício de 2003 incidente sobre imóvel rural denominado “Fazenda Ofélia”, localizado no Município de Doutor Pedrinho, Estado de Santa Catarina, com área total de 950,0 hectares, cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o nº 2.556.1952. No "Complemento da Descrição dos Fatos" constante da Notificação Fiscal de Lançamento (fls. 119), o auditor fiscal relata que: “Após intimado, o contribuinte apresentou cópia da matrícula de registro do Imóvel onde consta a averbação AV5848, que grava 190 hectares como áreas de reserva legal e não 290,0 hectares, conforme declarado. Todavia, nem esta área pode ser aceita, visto que não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental ADA necessário, sendo então glosado o total declarado, conforme previsto na legislação. Com relação ao preço da terra por hectare, não foi apresentado o laudo de avaliação solicitado, motivo pelo qual adotouse o SIPT para efeito de valoração do imóvel. Quanto as áreas de preservação permanente, o laudo apresentado encontrase prejudicado em face de não demonstrar o quanto do imóvel em hectares encontrase enquadrado no conceito de APP, procedendose então o presente lançamento.” Notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação e documentos (fls. 113/185) alegando, em síntese: a) solicitou a revisão criteriosa e detalhada do processo, por entender ser pouco provável, pelas características geográficas do Estado de Santa Catarina, que uma Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 395 3 propriedade não possua nenhuma área sequer considerada de preservação permanente, especialmente na Região do Vale do Itajaí; b) afirma que a área de reserva legal, que é de 20% para a Região Sul, está averbada na escritura do imóvel, e não foi considerada; c) destaca que o Município onde se localiza a propriedade fica no domínio da área da Mata Atlântica, protegida por lei, onde obrigatoriamente não se pode usar 100% da propriedade, citando legislação pertinente; d) reiterou informação já apresentada ao auditor fiscal quando da apresentação de sua resposta à intimação no procedimento fiscalizatório, sobre o erro no preenchimento de sua declaração com a inversão dos dados relativos às dimensões da APP e da ARL, informações corrigidas a partir da declaração de 2006; e) afirma apresentar laudo indicando quais categorias de APP a propriedade possui, conforme fotos, imagem de satélite, entre outros; d) sobre o VTN, informa que está baseado nos valores aplicados na região, pois a apresentação do laudo, tal qual solicitado, não é possível no prazo de apenas 20 dias. e) por fim, pondera que a realidade das propriedades agrícolas, especialmente no Estado de Santa Catarina, no Médio Vale do Itajaí, é bem diferente de outras regiões do Brasil, fatos estes que devem ser analisados criteriosamente pois, caso contrário, podem ocasionar a perda da propriedade de muitas famílias rurais. O lançamento foi procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 Preservação Permanente Reserva Legal Para que a Área de Preservação Permanente APP seja isenta, além de constar de laudo técnico especificando em quais artigos da legislação se enquadram, é necessário seu reconhecimento mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. Da mesma forma as Áreas de Utilização Limitada AUL, como a Área de Reserva Legal ARL, necessitam do ADA no prazo legal para sua isenção, além de estarem averbadas na matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. Isenção Por determinação legal, a legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 396 4 O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Lançamento Procedente Intimado dessa decisão aos 14.04.09 (fls. 231), o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente, aos 13.05.09 (fls. 233), requerendo a revisão do processo de forma detalhada e criteriosa, reiterando a argumentação já constante de sua impugnação, à exceção da questão relativa ao Valor da Terra Nua, que não foi impugnada em seu recurso. Sem contrarrzões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da Reserva Legal Como mencionado, na Notificação Fiscal de Lançamento, a autoridade fiscal responsável pela autuação informa que o recorrente apresentou cópia da matrícula do Imóvel na qual consta a averbação de 190,0 hectares como sendo área de reserva legal e não 290,0 hectares, conforme constante de sua DITR/2003, área esta que alega que não pode ser aceita, visto que não foi apresentado o necessário Ato Declaratório Ambiental. Desse modo, procedeu à glosa da área total declarada. Esse entendimento foi respaldado pela decisão recorrida, que entendeu que as Áreas de Utilização Limitada AUL, tal como a Área de Reserva Legal ARL, necessitam de apresentação do ADA no prazo legal para gozarem de isenção, além de estarem averbadas na matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. Não obstante tenha sido declarado na DITR do período uma área de reserva legal de 290,0 ha, o recorrente, já em sua resposta à intimação inicial, a fls. 18, esclareceu que "ao mesmo modo do exercício 2001 e 2002 as áreas de reserva legal e preservação permanente estão apenas invertidas nos campos de preenchimento do formulário de declaração". Em sua impugnação, o recorrente novamente informa que "no preenchimento do quadro 9 houve apenas uma inversão no preenchimento da linha 02 e 03, onde a área de preservação permanente é de 290 ha e a reserva legal de 190 ha; fato este já anteriormente Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 397 5 explicado através oficio à unidade da Receita Federal em Blumenau, já na contestação do ITR 2001, sendo que nas declarações a partir de 2006 do 1TR foi devidamente corrigido" (fls. 113). Essa informação foi outra vez reiterada no recurso voluntário. Conforme se verifica do documento anexado a fls. 284 e apontado pelo auditor fiscal na Notificação de Lançamento, na matrícula do imóvel consta a averbação de uma Área de Reserva Legal (AV5848) de 190,0 hectares, registro este que data de 21 de novembro de 1979, ou seja, de aproximadamente 30 anos. Parecenos evidente que o que houve no caso foi, de fato, um equívoco por parte do recorrente no preenchimento de sua declaração de ITR do período, levandoo a inverter os valores da ARL pelo da APP e viceversa, o que, aliás, não é nada incomum. Já tivemos oportunidade de nos depararmos com casos semelhantes que, aliás, não fosse a imposição da remessa necessária pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/72, não teriam chegado a este Conselho. Pois bem. Embora o §1° do art. 147 do Código Tributário Nacional disponha que "a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento", o §2° do mesmo dispositivo legal, por sua vez, prescreve que "os erros cometidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Esgotado o prazo do art. 147, §1º do CTN sem que o contribuinte tenha apresentado a retificação de sua declaração, cabe a ele, então, impugnar o lançamento realizado com base nos dados equivocados por ele informados. Caso a ele fosse negada esta possibilidade, estarseia ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja o da estrita legalidade e, decorrente dele, o da verdade material, de modo que a averbação da reserva legal à margem da escritura do imóvel que ali está há trinta anos evidencia que a divergência apontada entre esta informação e a constante da DITR/2003 do recorrente não pode ser atribuída a outro fato senão a um infeliz equívoco no preenchimento do documento. A exigência fiscal também se fundamentou na não apresentação pelo recorrente de Ato Declaratório Ambiental (ADA). No entanto, a jurisprudência deste tribunal é no sentido de que a averbação à margem da matrícula do imóvel é suficiente para comprovar a isenção do tributo em se tratando de área de preservação permanente, conforme o precedente abaixo, que citamos ilustrativamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 398 6 A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (Acórdão nº 2301004.868 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) No mesmo sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1.310.972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2012, DJe 15/6/2012). 2. Quando se trata de "área de reserva legal", as Turmas da Primeira Seção firmaram entendimento de que é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR. 3. Concluir que se trata de área de preservação permanente, e não de área de reserva legal, não é possível, uma vez que a fase de análise de provas pertence às instâncias ordinárias, pois, examinar em Recurso Especial matérias fático probatórias encontra óbice da Súmula 7 desta Corte. 4. Recurso Especial não provido. (REsp nº 1.668.718/SE, rel. Min. Herman Benjamin, T2, j. 17/08/2017, DJe 13/09/2017) De mais a mais, o recorrente trouxe aos autos, juntamente com a impugnação, cópia de ADA transmitido ao IBAMA via internet aos 28.11.2007 (fls. 185), no qual aponta a existência, no imóvel, de área de reserva legal de 190,0 ha, de acordo, portanto, com o que consta no registro imobiliário, corroborando o entendimento no sentido de que a divergência apontada entre esta informação e a constante da DITR do período deveuse, de fato, a um mero erro de fato que não pode ter por consequência afastar a isenção tributária. Por fim, a propósito daquele documento, a decisão recorrida fundamentou a manutenção da glosa da ARL no fato de que nos termos do art. 17, II e III da IN/SRF nº 60/2001, o contribuinte teria o prazo de seis meses, a partir da data final para a entrega da DITR, para protocolizar o requerimento do ADA junto ao IBAMA, de modo que não o fazendo, ou se seu requerimento não for deferido por aquele órgão, a Secretaria da Receita Federal procederá ao lançamento suplementar, recalculando o tributo devido. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 399 7 Assim, tendo o ADA sido transmitido apenas aos 28.11.2007, entendeu a DRJ que o documento não seria válido para o lançamento de 2003. A esse respeito, anotamos que a disposição inscrita no art. 17O da Lei Federal nº 6.938/1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e dá outras providências, não estabelece prazo para formalização do requerimento do ADA ao IBAMA, prazo este que igualmente não está fixado no art. 6º da Instrução Normativa da RFB hoje em vigor, de nº 1.820/2018, conforme abaixo transcrito: Art. 6º Para fins de exclusão das áreas não tributáveis da área total do imóvel rural, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, observada a legislação pertinente. Parágrafo único. O contribuinte cujo imóvel rural já esteja inscrito no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a que se refere o art. 29 da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, deve informar na DITR o respectivo número do recibo de inscrição. Desse modo, a apresentação tempestiva do documento, requisito que não tem previsão legal, não pode condicionar a fruição do benefício, se a existência da área de reserva legal está devidamente comprovada. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais também já se manifestou nesse sentido: “ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado.” (Acórdão nº 9202002.913, Processo nº 10675.002100/200695, Rel. Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA/CSRF). Por todo o exposto, entendo estar comprovada a existência da Área de Reserva Legal de 190,0 hectares, de modo que é legítima a isenção tributária nesta parte. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 400 8 Da Área de Preservação Permanente Em relação à área de preservação permanente, o recorrente alega em seu recurso ser pouco provável, pelas características geográficas do Estado de Santa Catarina, que uma propriedade não possua nenhuma área sequer assim considerada, especialmente na Região do Vale do Itajaí. Destaca, ainda, que o Município onde se localiza a sua propriedade fica no domínio da área da Mata Atlântica, que é protegida por lei, onde não se pode usar 100% da propriedade. Reiterou informação sobre o erro no preenchimento da DITR, com a inversão dos dados relativos às dimensões da APP e da ARL. Desse modo, considerando a informação constante de sua DITR, haveria em seu imóvel uma área de preservação permanente de 290 ha. O recorrente apresentou um laudo, a fls. 320, que afirma indicar quais categorias de APP a propriedade possui, conforme fotos, imagens de satélite, entre outros. Juntou, também, o ADA transmitido ao IBAMA aos 28.11.2007. No que diz respeito à área de preservação permanente, entendemos que não assiste razão ao recorrente. Com efeito, a respeito ADA, entendemos que, nos termos da lei, mais precisamente, do art. 17O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, ele não é único documento hábil a amparar o direito à exclusão de determinadas áreas do âmbito de tributação pelo ITR. Com efeito, conforme se depreende da análise do art. 17O, "caput" e § 1º da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhes foi atribuída pelo artigo 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, o ADA é meio de prova do direito à isenção do ITR relativamente a determinadas áreas, mas não exclusivo. Vejamos: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” (destacamos) Sabendose que não apenas por regras de hermenêutica e interpretação das normas jurídicas, mas por imperativo legal1, o sentido de um parágrafo deve ser buscado à luz do que está disposto no "caput" do artigo, pois ou por meio do parágrafo se expressam os aspectos complementares à norma enunciada no "caput" ou as exceções à regra por este estabelecida, a leitura do § 1º, acima transcrito, evidentemente, não pode ser feita de forma isolada. Desse modo, da leitura em conjunto do "caput" e do §1º do art. 17O da Lei nº Lei nº 6.938/81, alterada pela Lei nº 10.165/00, verificase que o dispositivo prevê a 1 Art. 11, III, "c", da LC 95/98. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 401 9 obrigatoriedade da utilização do ADA para fins de redução do valor do ITR a pagar apenas nas hipóteses em que esse benefício ocorra com base no ADA. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais da base de incidência do ITR cuja existência decorra de outras hipóteses, como diretamente da lei, por exemplo, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”, nem pode ser condicionada à apresentação desse documento. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar da redução do ITR com base nesse documento, mas não tem o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento dessas áreas, nem de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do tributo. Assim, a apresentação do ADA não pode ser condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal de que tratam os art. 2º e 16 da Lei nº 4.771/65 da base de cálculo do ITR se sua existência está demonstrada por outros elementos. Esse entendimento, ao menos no que diz respeito à área de reserva legal, foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão de nº 9202003.052: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). (destacamos) ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO. NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para o benefício fiscal da isenção de ITR, nas áreas de preservação permanente (APP), a apresentação somente de laudo não satisfaz os requisitos da legislação. No entanto, no presente caso, não há nos autos outro documento hábil a amparar a pretensão do recorrente de ter a alegada área de preservação permanente afastada da tributação. O laudo apresentado pelo recorrente (fls. 320) sequer descreve qual a área do imóvel se encontra em condições que possa ser classificada como "área de preservação permanente". Não estamos, com essa observação, questionando a confiabilidade do laudo e da correlata anotação de responsabilidade técnica (ART) do profissional que o elaborou. No entanto, é um fato objetivo que o documento, não apontando qual a parcela do imóvel, em hectares, encontrase enquadrada no conceito de área de preservação permanente, não se presta à finalidade de demonstrálo. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 402 10 Por outro lado, sobre o ADA, embora não haja previsão legal de prazo para a sua apresentação de modo a condicionar o benefício da isenção a tal circunstância, fato é que, evidentemente, a apresentação do documento ao IBAMA, nos termos do art. 17O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, evidentemente que tem uma finalidade útil e relevante que é, em ultima análise, resguardar um bem maior, qual seja o meioambiente. A finalidade da apresentação do ADA, quando utilizado pelo contribuinte para a fruição do benefício de isenção tributária, é facilitar a fiscalização, por parte da Receita Federal, da preservação da área de preservação permanente, por meio do poder de polícia atribuído ao IBAMA. No caso da redução da base de cálculo do ITR, no que diz respeito às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, não fosse a previsão de entrega do ADA, a própria Receita Federal deveria, por si, fiscalizar um sem número de propriedades rurais espalhadas por todo o território nacional, o que, por razões várias, especialmente econômicas e técnicas, seria inviável. Assim, com o advento da Lei Federal nº 10.165/00, passouse a exigir a apresentação do ADA pelo contribuinte para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Desse modo, considerando que o objetivo do documento é permitir a aferição da existência da área de preservação permanente para o fim específico da isenção tributária, temse que a sua apresentação ao IBAMA somente cumprirá a finalidade para a qual foi concebido se ocorrer até o início da fiscalização em face do contribuinte, momento a partir do qual a sua apresentação, parecenos, já não mais atende ao objetivo para o qual a norma o concebeu. Entendemos, s.m.j., que nos casos em que o benefício da isenção decorra do ADA, nos termos do art. 17O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, até o início da fiscalização, a entrega desse documento possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao crivo do órgão ambiental competente, retirando essa aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento já foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal em diversas ocasiões, dentre as quais citamos, ilustrativamente, o julgado abaixo: “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal e desde que comprovada a existência da área deduzida.” (Acórdão nº 9202005.764, Processo nº 10215.000630/200616, Rel. Conselheira RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, 2ª TURMA/ CSRF) Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13971.720620/200716 Acórdão n.º 2402006.851 S2C4T2 Fl. 403 11 Ocorre que no presente caso, o Ato Declaratório Ambiental somente foi transmitido ao IBAMA aos 28.11.2007 e a fiscalização teve início aos 03.09.2007, de modo que o documento não cumpriu a sua finalidade legal. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação da área de 190,0 hectares, que corresponde à Área de Reserva Legal averbada na matrícula do imóvel no 2° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Timbó/SC, mantendo a tributação quanto ao restante. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37172.001438/2006-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/04/2005
DECADÊNCIA, STF, INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. CORESP.. EXCLUSÃO DOS DIRETORES. PERÍCIA, INDEFERIMENTO, SALÁRIO INDIRETO, VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA E ASSISTÊNCIA MÉDICA NÃO INTEGRAM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindo-o se a entender desnecessária protelatória ou impraticável.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4", do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de
inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua.competência.
Não ocorre cerceamento de defesa so comprovado no processo, que o
autuado tomou ciência do prazo legal para apresentação de defesa,
Os diretores somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
O vale-transporte pago em pecúnia pela empresa não integra o salário de contribuição, vez que não possui natureza salarial, estando de acordo com o §9º, artigo 28 da Lei 8..212/91..
SALÁRIO INDIRETO - ASSISTÊNCIA MÉDICA
Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas com assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria, Ao ocorrer o descumprimento da Lei 8.212191, as quantias despendidas pela empresa com a assistência medica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Credito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.782
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4º do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto As demais preliminares, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de responsabilidade dos sócios. No mérito: por maioria de votos, em relação ao transporte, excluir os valores lançados, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro Jose da Silva. O Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões, pois seu fundamento é a aplicação do art, 26-A do Decreto 70,235/72; e por voto de qualidade, em
relação ao beneficio de saúde, manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silverio que davam provimento.
Apresentará voto vencedor a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO: TRANSPORTE SALÁRIO INDIRETO: ASSISTÊNCIA MÉDICA Recorrente PROSEGUR BRASIL S/A - TRANSPORTE DE VALORES F. SEGURANÇA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE - MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDE,NCIARIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 30/04/2005 DECADÊNCIA, STF, INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. CORESP.. EXCLUSÃO DOS DIRETORES. PERÍCIA, INDEFERIMENTO, SALÁRIO INDIRETO, VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA E ASSISTÊNCIA MÉDICA NÃO INTEGRAM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindo-o se a entender desnecessária protelatoria ou impraticável.. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4", do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. As instancias administrativas não compete apreciar vícios de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua.competência. Não ocorre cerceamento de defesa so comprovado no processo, que o autuado tomou ciência do prazo legal para apresentação de defesa, Os diretores somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. O vale-transporte pago em pecúnia pela empresa não integra o salário de contribuição, vez que não possui natureza salarial, estando de acordo com o §9", artigo 28 da Lei 8..212/91.. DAMIÃO CORDEIRO RAES - Relator SALÁRIO INDIRETO - ASSISTÊNCIA MÉDICA Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas corn assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria, Ao ocorrer o deseumprimento da Lei 8.212191, as quantias despendidas pela empresa corn a assistência medica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição prevideneidria. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / I" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período corn base artigo 150, §4 0 do GIN, vencida a conselheira Bemadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto As demais preliminares, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de responsabilidade dos sOcios . No mérito: por maioria de votos, em relação ao transporte, excluir os valores lançados, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro Jose da Silva. O Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões, pois seu fundamento é a aplicação do art, 26-A do Decreto 70,235/72; e por voto de qualidade, em relação ao beneficio de saúde, manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damido Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silveri° que davam provimento . Apresentará voto vencedo • s e n eira Bemadete de Oliveira Barros. JULIO "ERA GOMES — Presidente r^ , ) BER- NADETE DE OLIV BARROS — Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Banos, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Raquel Elita Alves Preto, OAB/SP 108004, Relatório I. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa PROSEGUR BRASIL S/A — TRANSPORTE DE VALORES E SEGURANÇA contra decisão monoeratica que julgou procedente o lançamento fiscal referente As contribuições destinadas a Seguridade Social --- parte do segurado e quota patronal para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais 2 Processo n" 37172.001438/2006-47 S2-C3 TI AcórcHio n " 2301-01.782 Fl. 2 do trabalho — e as destinadas a terceiros, no recolhidas em época própria, no período de 01/07/2000 a 30/04/2005 2, Segundo historia o relatório fiscal, os fatos geradores das contribuições lançadas na notificação fiscal são as seguintes: "2 1 Valores pagos em espécie a segurados empregados, a titulo de "Vale Transporte" lançados em Folha de pagamento, no período de 10/2001 a 04/2005, nap considerados pela empresa conic parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e terceiros; 2,2 Pagamentos efetuados pela empre.sa, ;detentes a benefício "Assistência Médica-Hospitalar", proporcionado à parle dos seas -seguradas empregados, (salório indhelo), no período de 07/2000 a 12/2004, não considerados pela mesma conto parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e Terceiros." (fl .537) 3, A ementa da decisão de primeira instãneia restou vazada nos seguintes termos: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA – DECADÊNCIA – PRAZO SUPLEMENTAR CO-RESPONSÃVEL – VALE TRANSPORTE, ASSISTENCIA MÉDICO-HOSPITALAR – SAT – TERCEIROS JUROS SELIC – CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. É de 10 (dez) anos o prazo para Seguridade Social apurar/constituir seus créditos, de acordo com o artigo 45 da Lei n" 8 212/91. Não existe, na legislação, prazo suplementar para apresentação de razões adicionais às suscitadas na defesa. Somente a pessoa jurídica Ibi notificada no pólo passivo do presente crédito previdenciório, as pessoas físicas qualificadas na autuaçdo referem-se aos Diretores da empresa. devida a contribuigdo sobre verbas referentes ao vale-transporte assistência médico-hospitalar não atendidas as condições previstas nos exclusões do art .28, ,sç9", alíneas "I' e 'q', c/c o ai! 214, ,yr 9", VI e XVI do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n" 3 048/99 A empresa é obrigada a an ecadar e recolher até o dia dois do mês seguinte ao da competência, as contribuições a seu cargo, bem como as descontadas dOS segurados, con/brine estabelece o art. 30, inciso 1, alíneas 'a e 7,', da lei n" 8. 212/91 A contribuição devida ao INCRA fbi instituída pela Lei .2..613/5.5, sendo devida por todas as empresas, e ndo _somente pelas vinculadas ao setor rural São devidas as contribuições destinadas ãs entidades denominadas terceiros SERRAR, SEST e SENA T, confbrme art 240 CF/88, c/c Leis 8.029/90 e 8.706/93 e Dect elos regulamentado; es. 3 legitima a cobrança de juros incidentes sobre as contribuições previdéncias não recolhidas no prazo estabelecido on lei, confivine art .34, equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SEL1C e de multa moratória, art, 35, ambos da Lei 8.212/91 e alterações posteriores de caráter irreleveivel. O contencioso administrativo fiscal não é .foro adequado pat a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas LANÇAMENTO PROCEDENTES " 4. 0 contribuinte, por sua vez, manejou recurso voluntário, aduzindo, em sintese, o que se segue: nulidade da decisão recorrida, vez que não foram apreciadas, pelo julgador de primeira instância, as alegações postas no tocante à ineonstitucionalidade e ilegalidade suscitadas em sede de impugnação; b) decadência quinquenal das contribuições previdenciarias conforme preceitua a regra do artigo 173, inciso I, do CTN; e) reforma da decisão vergastada haja vista a ofensa aos princípios da isonomia processual, da proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa face ao exíguo prazo de 15 dias para defesa sem que fosse autorizada a dilação deste; d) nulidade do lançamento fiscal por vicio material, vez que o débito apurado 6 indevido, posto que inconstitucional e ilegal; e) a indevida indicação dos diretores como co-responsáveis dos débitos previdenciarias lançados ensejando a nulidade do lançamento tributário; f) inexigibilidade da contribuição previdenciaria incidente sobre os valores pagos aos seus empregados a titulo de vale-transporte; vez que não tern natureza salarial independentemente se pago em pecúnia; o beneficio 6 previsto em acordos em Convenções Coletivas de Trabalho descontado do salário base de todos os segurados não ofendendo o princípio da legalidade; impossibilidade de descaracterização das instrumentos de negociação entre o empregador e seus funcionários sob pena de ofensa ao principio da autonomia privada; g) inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre a assistência médica-hospitalar; 11) ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança ao SAT; necessidade de Lei Complementar para a instituição da contribuição ao SAT ate o advento da Emenda Constitucional n" 20/98 — ofensa ao principio da estrita legalidade; não prescrição adequada do fato gerador e do sujeito passivo da contribuição ao SAT e da classificação do grau de risco de acidente do trabalho através de Decreto — ofensa ao principio da estrita legalidade e da segurança juridica; o recolhimento da contribuição ao SAT com base na atividade preponderante or. da empresa 6 urna forma disfarçada de majoração de tributo, logo os decretos 4 Processo n" 37172.001438/2006-47 S2-C3T1 Acórdiio n " 2301-01,782 Fl 3 n" 1173/97 e o if 3.048 padecem de inconstitucionalidade e ilegalidade e afrontam o principio da capacidade contributiva e da igualdade; i) ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA; j) inexigibilidade da contribuição para o SEST/SENAT, sua inconstitucionalidade e ofensa ao principio da legalidade; k) inexigibilidade da contribuição ao SEBRAE tendo em vista: i) inconstitueionalidade formal, vez que ha necessidade de Lei Complementar para sua instituição; ii) inconstitucionalidade material face a inadequação da sujeição passiva; I) inconstitucionalidade da cobrança de multa corn caráter contiscatório; m) inconstitucionalidade e ilegalidade de juros coin base na taxa Selic; n) inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança antecipada da contribuição previdenciária nos termos da Lei 9,063/95; o) necessidade da produção de prova pericial, 5 . As contra razões do fisco, por sua vez, são no sentido da manutenção da decisão vergastada, qual seja a procedência do lançamento fiscal em sua integralidade.. Após, os autos foram encaminhados a este Conselho.. É: o relatório. Vo to Conselheiro DAMIA0 CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1, Conheço do recurso voluntário, posto que atende aos pressupostos de admissibilidade,. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS 2, Inicialmente, a recorrente pugna pela nulidade da decisão recorrida, vez que não foram apreciadas, pelo julgador de primeira instância, as alegações postas no tocante inconstitucionalidade e à ilegalidade suscitadas em sede de impugnação. 3. Não obstante o bom arrazoado trazido pela empresa, o decisum recorrido merece prosperar incólume. 4.. F. que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originaria que 6 a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuida especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, No Capitulo III do Titulo IV, especificamente no que trata do controle da 5 constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exciter o controle constitucional das normas juridicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal, 5.. Permitir que órgãos colegiadas administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vicio de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder., 6.. 0 professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, paginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentãnea coin o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, hã de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar tuna lei pot consideró-la inconstitticional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competencia para decidir se unta lei é, ou não é inconstitucional " 7, Na mais, o próprio Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a sumula n° 02 do mesmo órgão trazem a regra proibitiva nesse sentido: Portaria n" 256, de 22 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): Art 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundament() de inconstitticionalickule. Sumula CARE N" 2 O CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Razões pelas quais, rejeito a preliminar. PRAZO PARA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA 9, Argumenta também a empresa que houve ofensa aos princípios da isonomia processual, da proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa face ao exíguo prazo de 15 dias para defesa sem que fosse autorizada a dilação deste.. 10. Data venha, sem razão a recorrente. Primeiro, porque o prazo concedido para a apresentação da defesa é proveniente da própria norma de regência do processo administrativo fiscal, devendo ser obedecida pelas partes . Segundo, porque demonstrado pela documentação acostada aos autos que a recorrente foi devidamente cientificada de todos os documentos no prazo determinado, o que assegura o pleno conhecimento das acusações, de maneira que não ha como determinar' que tenha o contribuinte sofrido qualquer' prejuízo em seu direito A ampla defesa e ao contraditório.. 11. Sendo assim, rejeito a preliminar ora suscitada. DO LANÇAMENTO FISCAL Yrm 6 Processo IV .37172.001438/200647 S2-C31- 1 Ac6n:15o n." 2301-01..782 Fl 4 12. A recorrente, por sua vez, defende ainda a "nulidade do lançamento fiscal por vicio material, vez que o débito apurado é indevido posto que inconstitucional e ilegal," 13. No entanto, a meu ver, tal pretensão não lhe assiste . Isso porque quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vicio que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70,235, de 06/03/72, verbis: "Art. 10. 0 auto de infração verá lavrado por servidor competente, no local da verificação da lidta, e con terá obrigatoriamente. 1 - a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura, - a descrição do/rio, IV- a disposição legal infringida e a penalidade aphecivel; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo 61gdo que administra o tributo e conterá obrigatoriamente - a qualificação do notificado,. II - o valor cio crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infiingida, .ve fin- o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão eypedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula " 14. Compulsando os autos verifica-se, também, que a apuração da base de calculo do lançamento, o enquadramento legal e a descrição dos fatos foram demonstrados pelo auditor notificante e permitem a perfeita compreensão da origem da exigência lançada. 15. A seu turno, a decisão recorrida de igual modo atendeu as prescrições que regem o processo administrativo fiscal, posto que enfrentou todas as alegações do recorrente, corn a indicação clara dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias, de forma que não contém, portanto, qualquer vicio que suscite a nulidade da NFLD. 16. 0 contribuinte, por sua vez, combate o crédito lançado trazendo argumentação de natureza constitucional, fato que impede maiores comentários sobre as razões recursais haja vista explanação anterior. 17.. Ante o exposto, afasto essa preliminar. DA DECADÊNCIA ) 7 18. No que se retere à decadência, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade de votos, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: "Súmula Vinca/ante 0 0 08 Sao inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário 19. Os efeitos da Súmula Vinculante sao previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 1 L417, de 19/12/2006, in verbis: "Art 103-A 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de olicio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sabre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinca/ante en' relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bon coimo proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluido pela Emenda Constitucional n" 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006' Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de Anuila vinculante pelo Superno Tribunal Federal, e da outras providências. Art 2" 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas- decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efLito vinca/ante cai relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esteios federal, estadual e municipal, bem COMO proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. )1ç. I" 0 enunciado da sinnula terá por objeto a validade, a interpetação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais bola, entre órgãos . judiciários ou entre esses e a administragão pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. 20. Com efeito, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 21. Desta forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8,212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplica ao caso concreto, 22. Compulsando os autos, depreende-se dos documentos acostados pela fiscalização ?is fls, 550/653 contra a recorrente que o fisco constatou a existência de recolhimento parcial face à totalidade da folha de salários da empresa . Sendo assim, entendo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4 0, do CTN.. 8 Processo n" .37172.001438/2006-47 S2-C3 TI Ac6R15.o n 2301-01.782 A 5 23, Assim, uma vez cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 21/12/2005, referente as contribuições do período de 01/07/2000 a 30/04/2005, fica alcançado pela decadência quinquenal as competências 7/2000 a 11/2000, restando mantidas as competências 12/2000 a 4/2005, 24.. Em razão do exposto, acolho em parte a preliminar de decadência para decotar do lançamento fiscal as competências 7/2000 a 11/2000, E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar mais adiante as questões de fundo. EXCLUSÃO DOS DIRETORES DO ANEXO "CORESP" 25.. Ern suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos diretores da empresa da lista indicativa de 'co-responsáveis'. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. E. que, uma vez arrolados os diretores na lista anexa, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as pessoas fisicas, na qualidade de diretores, como defendido pela Fazenda, 26, Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes . E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado sera de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os co-responsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa, 27. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. 28. Contudo, a lei prevê que, como exceção a regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições . 29. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: "Art. 13.5 São pessoahnente responsáveis pelos créditos correspondentes a obriga cães tributárias re,suitantes de atos praticadas coin excess° de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos - I — (.. ) — ) III — os diretores, gerentes ou representantes de pessoas luridicas de direito privado " 30. Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio-gerente responsável ou para o representante legal capaz . Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo, 9 31. Encenado o processo administrativo com a confirmação da procedência da divida e não havendo pagamento, sera emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal,. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos co-responsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do co-responsável. 32. Isso pique parte-se do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do diretor ou do representante nela incluído, presumir-se- 6, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluido. 33. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, ate a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620193, o chamamento dos co- responsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art 135 do CTN. 34, Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça tern farta jurisprudência determinando que se et nome do co-responsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao co-responsável apenas via embargos execução (cuja oposição é imprescindível a garantia do juizo), fazer contra-prova a. sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor anolado na Certidão. 35, Nesse sentido colhe-se a seguinte decisão ementada: "PROCESSUAL CIVIL — AUSÊNCIA DE PREOUESTIONAMENTO — SÚMULA 211/STJ — NÃO-ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC — RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA — REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA POSSIBILIDADE I. Des cumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdao recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 21 I/STJ. 2 A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702. 232/RS, de relatoria do Min, Castro Meira, assentou que, se a execução .fiscal Pi promovida contra a pessoa jurídica e o sócio-gerente ou se a execução Pi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em .face da presunção juris tantunt de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Divida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como corresponsável tributário, cabendo à executada o ónus de provar os requisitos do art 135 do CIN Agravo regimental improvido." 10 Processo II" 37172 001438/2006-47 S2-C31. 1 Adraliio 2301-01,782 Fl 6 (AgRg nos EDel no Ag 1162734/SP, Rol Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, Julgado em 0.5/11/2009, Die 17/11/2009) 36, Ressalte-se ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11,941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do co-responsável independentemente da pratica de qualquer fato previsto no art.. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrárioo. .37. Resta claro o prejuízo pata as pessoas arroladas como responsáveis corn a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da pratica de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do debito em divida ativa. 38. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co- responsabilidade dos diretores listados no CORESP. No entanto, voto por manter a lista nominal apenas corno urna relação meramente indicativa de representantes legais já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em divida ativa tão- somente corn base nesta lista. NECESSIDADE DE PERiCIA .39., Ainda em sede preliminar, batalha a recorrente ern demonstrar a necessidade de produção de prova pericial, a qual requereu que fosse a apuração da "sistemática de calcitic) utilizada pelo fisco no que tange A aplicação dos juros pela taxa Selic," 2396) 40. O julgador de primeira instância, por sua vez, assevera que o motivo ensejador do lançamento é "o fato de a empresa não ter considerado as parcelas pagas aos segurados como incidentes de contribuição para a Previdência Social e Terceiros", de maneira que "a base de cálculo foi obtida através dos valores registrados nas folhas de pagamento, referente ao vale transporte, e pelo exame da contabilidade, Contas Contábeis: 3,99.06,02,031- 2 — Assistência Médica e 3..99.09..01.031-3 — Assistência Médica", o que torna desnecessária realização de perícia. (fl. 2022) 41. Entendo que a razão, neste ponto, está com o fisco, haja vista que a perícia no âmbito administrativo é reservada Aqueles casos em que pontos duvidosos são lançados nos autos de forma que somente conhecimentos especializados podem demonstrar a ocorrência ou não de determinados fatos, 42. Não é o caso ora analisado, pois a narrativa trazida pelo auditor em sua peça informativa é suficiente para o conhecimento dos fatos e valores que resultaram na lavratura da notificação fiscal de lançamento de débito. DO MÉRITO - DO PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM ESPÉCIE 43, Conforme as razões recursais apresentadas pelo contribuinte, sua pretensão em relação à rubrica 'vale transporte' resta consubstanciada nos seguintes H argumentos: inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos seus empregados a titulo de vale-transporte; vez que não tern natureza salarial independentemente se pago em pecúnia; o beneficio é previsto em acordos em Convenções Coletivas de Trabalho descontado do salário base de todos os segurados não ofendendo o principio da legalidade; impossibilidade de descaracterização dos instrumentos de negociação entre o empregador e seus funcionários sob pena de ofensa ao princípio da autonomia privada, 44. 0 fisco, par outro lado, pugna pela incidência de contribuição previdenciária sob a alegação de que "a empresa não cumpriu as determinações legais para exclusão das verbas discutidas da base de cálculo de contribuição." Argumenta que o recebimento de vale transporte em dinheiro era vedado pelo Decreto n 0 95.247/87 que regulamentou a Lei n" 7,418/85, instituidora do vale transporte. (fl. 2.012) 45. Com a devida vertia a tese fiscal, tenho por certo que tal pretensão não merece prosperar, vez que o simples fato de os valores relativos ao pagamento de transporte serem pagos aos empregados em espécie não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba, transformando-a em outro tipo de rendimento sujeito ao pagamento da contribuição previdenciária, 46. Sendo assim, a origem da verba paga tern natureza jurídica indenizatária, pois foi assim que a norma, que criou o beneficio, deixou consignada. 47., Veja-se que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: "Art. 28 - Entende-se por salário de contribuição. ) Parágrafb 9" - Não integram o salário-de-contribuição pata fins desta Lei, exclusivamente: f) a parcela recebida a titulo de vale -transporte, na forma da legislação própria, (.)" (negritamos e sublinhamos) 48. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9 0, alínea "f', da Lei IV 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de vale-transporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 49. Ademais, seria completamente desprovido de sentido entender que o legislador isenta da contribuição previdenciária o vale-transporte fOrnecidos em papel e tributa o que é pago em dinheiro, porquanto em ambas as situações o beneficio é o mesmo para o trabalhador, ou seja, o reembolso pelos valores pagos pelos seus deslocamentos para o trabalho. 50. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados, quer em dinheiro, quer ern papel (vale-transporte), não possui natureza salarial, pois o seu pagamento é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o beneficio é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdencidria. 51. Patente que o Decreto n" 95,247/87 ao vedar a antecipação em dinheiro do vale- rar sporte contraia frontalmente o principio da estrita legalidade.. Até porque, a Lei n" 12 Processo n" 37172 001438/2006-47 S2-C31- 1 Acórdfio n 0 2301-01,782 Ft 7 7..418/85 não é expressa no sentido de ser vedado ao empregador pagar o vale-transporte em dinheiro, de maneira que o art, 5" do Decreto 95.247/87 extrapolou em muito o seu campo de ação, pois regulamentou o que não esta na lei. 52.. Vale A pena ressaltar, porque importante, que o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, corroborou o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do vale-transporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: "ACORDO COLETIVO DE TRABALHO — PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALE-TRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTWIL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO — VALIDADE. 'Acordo coletivo — Validade — Antecipação do vale- transporte em janeiro Ao vedar a antecipação em dinheiro do vale-transporte o decreto regulamentador extrapolou os limiteS da lei instituidora do beneficio. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale-trans-porte e a redução do percentual de participação do trabalhador "(Ac da SDC do TST— Ação Anulatória 366.360/97. 4 — Rel. Min Fernando Eizo Ono —J. 1"06 98— Autor. Ministério PUblico do Trabalho,• Réus. Federação Nacional dos Bancos e outros — DIU I 07 08.98, pp 314/6— ementa oficial)" (in Repertório 1011 de Jurisprudéncia, Caderno 2, prig 381) 5.3. De outro lado, a Lei n" 10,24.3/2001, alterou o §2" do art, 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: ".411. 4.58 § .2" Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como .salário as .seguintes utilidades concedidas pelo empregador.• I — vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do SerVip, II — educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os mimes relativos a matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático, III — transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou ado por transporte público; "(NB) 54. Com isso, considerando o inciso Ill, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição 13 55. Deixo registrado, também, que o pagamento do vale transporte em dinheiro não gera nenhum prejuízo ao trabalhador, pois resta mantida a natureza do beneficio concedido pelo empregador. Não ha ganho para o trabalhador, pois a verba 6 paga para que se faça o percurso ao trabalho, e, sendo assim, tem efetivamente o caráter indenizatório, 56. A propósito, recente decisão do Supremo Tribunal Federal veiculada no Informativo n" 578, teceu considerações sobre o conceito jurídico de moeda, afirmando que a incidência de contribuição previdencidria sobre o valor pago, em pecúnia, a titulo de vale- transporte, afronta a Constituição Federal ern sua totalidade normativa, in verbis: "EMENTA. RECURSO EXTRORDINÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA VALE-TRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFiCIO ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL , CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. I Pogo o beneficio de que se cuida neste recai so extraordinário em vale-transporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do beneficio. 2 A admitirmos não possa esse benefício ser pogo em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional 3 A funcionalidade do conceito de moeda revela-se em sua utilização no plano das relações . juridicas O instrument° monetório válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credo, libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico.. somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas finiçães deco, re do circunstância de ser ela tocada pelos atributos cio eill'AO legal e do curso fbrçado 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulagão, não decorre do curso forçado, dodo que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do C11110 fbrçadal importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor - sua conversão em °Iwo valor 6. A cobrança de contribuição prevideneitiria sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de vales-transporte, pelo recorrente aos setts empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. 1.1,1 Recurso Extraordinário a que se dó provimento. " 11 2 (RE 478410/ SP, Relator Ministro Eros Grau) 57, Neste julgamento, o Ministro Cezar Peluso acompanhou o Ministro Relator Eros Grau consignando que "o fato de a lei prever determinado instrumento para 14 Process() n" 37172 001438/2006-47 S2-C3 1 I Acórdiie ri " 2301-01,782 Fl 8 cumprimento da obrigação de pagar não altera essa obrigação e não descaracteriza a natureza do instituto. Ele continua sendo vale transporte, seja pago mediante pedacinho de papel escrito `vale-transporte', ou seja, pago em dinheiro," E acrescenta ainda que, entender de forma diversa acarretaria na cobrança ilegal de tributo sem previsão legal, 58 . De igual sorte, a Ministra Carmen Lúcia enfatizou que "A lei proibe o ganho a qualquer titulo. Aqui não é ganho. Aqui é o recebimento de um determinado valor para que ele possa ter esse transporte sem que o seu ganho, que este sim é a contraprestação pelo trabalho, possa ser onerado C.)," 59, Dito isso, verifica-se que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros, ASSISTÊNCIA MÉDICA 60, No ponto, a questão controvertida se resume em saber se ha ou não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores despendidos pela empresa a titulo de assistência medica, visto que a fiscalização considerou que o beneficio não teria sido disponibilizado a todos os empregados, contrariando assim o disposto no art. 28, §9", alínea `ce, da Lei n" 8.212/91, 61, Apenas para melhor informar o caso concreto, transcrevo parte do relatório fiscal, nos seguintes termos: "4.3.2 — ASSISTENC14 MÉDICA-HOSPITALAR - De.scle que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa 4 4 — A empresa não cumpriu as exigências legais, para que os valores pagos a titulo de vale transporte e as.sistêncra médica- hospitalar, para seus empregados não sofressem incidência de C0110 buições para a Previdência Social e Terceiros, 44.2 — ASSISTÊNCIA MÉDICA-HOSPITALAR,. 4 4 2.1 — A cobertura não abrange a totalidade dos empregados, estando restrita somente a parte dos trabalhadores, ein função de previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho de alguns estabelecimentos 4 4.2.2 — Vários empregados e dirigentes da empresa não tiveram no período de 07/2000 a 12/2004, cobertura de assistência médica-hospitalar. A titulo exemplificativo encontram-se indicados no "ANEW IV'', que se constitui em parte integrante do presente Relatório, diversos empregados sem cobertura. 4. 5 — Tem-se, portanto, configurada que a parcela paga pela empresa correspondente a Vale-Transporte e ao beneficio concedido a seus trabalhadores, a titulo de "Assistencia Médica" esta em desacordo com a legislação pertinente, integrando assim, o salário-de-contribuição para todos os fins e 15 eleitos, confOrme art. 214 - §10" do Regulamento da previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048 de 06/05/1999. " (1.1. 540/543) 62. Com todo o respeito ao posicionamento daqueles que divergem, entendo que a empresa pode inserir em seu plano de beneficios regramento interno para acesso de seus empregados aos pianos de assistência médica, sem que esse procedimento possa ser utilizado pelo fisco para qualificar o beneficio como remuneração, para efeito de incidência de tributos. 63. Isso porque, apesar de o art. 28, da Lei n" 8„212/91 conceituar a remuneração de maneira abrangente, a norma Celetista o faz de forma diferente em seu o § 2" do art. 458, da CET, excluindo expressamente, sem estabelecer qualquer condição, o pagamento de piano de saúde do conceito de salário e, por consequência, do conceito de remuneração, o que faz coin que não se possa admitir a afirmativa do fisco segundo a qual o Plano de Saúde integra o salário para os fins de incidência da contribuição previdenciária, 64. Apenas para melhor me posicionar sobre o tema, transcrevo o inteiro teor do dispositivo: "Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras pies/ações "in nature que a empresa, por Ibrça do contrato ou do costume, fbrnecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas §' 2" Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador• ) IV assistência médica, hospitalar e odontolágica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde. 65, Admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista deve ser evitado, pois o próprio Supremo Tribunal Federal — STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art.. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do •Trabalho, mesmo para fins previdenciários.. 66 . Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello. "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no ail 195, I, da Carta Politico, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exam e usual dimensão que lutes confere o Direito do Trabalho. 1.3) Morena A hfre.s .) realmente Já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressda "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários — como se vê do art 201 -, "salário" esta sey 16 Processo ri" 37172.001438/200647 S2-C3 T1 Ae6rd5o ri 2301-01.782 Fl 9 empregado no Sentido de remuneravio em decorrência de vinculo emprega//cio " c) Marco Aurélio: "Descabe dar a unia inesina eApressilo — salário utilizada pela Carta relativamente a ntattYias diversas, sentidos diferentes, confarme os interesses em questao Salário, !al coma mencionado no inciso I do art 195, niio pode se configurar como algo que discrepe do conceito que _se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irreehttibilidade inciso VI do artigo 7" da Carta." 67. Assim sendo, o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição é univoco e expressam a mesma ideia, de maneira que não se admite em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição prevideneidria, que possa o lançamento de tributo incidir sobre plano de assistência medica se a própria norma trabalhista retirou o caráter salarial do beneficio, 68. Ressalte-se, porque importante, que a Mensagem n" 1.115/00, do Poder Executivo, que encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei n" 10.243/2001, justifica o acréscimo do § 2" ao art. 458, da CLT, exatamente como proposta para desvincular os beneficias do salário: "4. A proposta modifica, ainda, o 2" do art. 4.58, da CL T, que dispõe sobre o salário in natant, para determinar que os benefício.; concedidos pelo empregador, relativos a educacdo, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, nil° integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisl açao, .sem Onus subseqUente de outra natureza A proposta atende a essas e.xpectativas desvinculando tais benefícios do salário." (o negrito é. nosso) 69. Veja-se que, em outras ocasiões, o legislador preferiu utilizar o conceito de remuneração da legislação trabalhista. Nesse sentido, o art. 15 da Lei n" 8.0.36/90 (Lei do FGTS) permaneceu com a sua redação original, in verbis: "Art. 15 Para os fins previstos nesta Lei, todos os empregadores ficam t obrigados a depositai; até o dia 7 (vete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a iMportáncia correspondente a 8% (oito por cento) da remuneraçõo para ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluidas na renumeraçâo as parcelas de que tratam os artigos 457 e 4.58, da CLT,e a gratificaçiio de Natal a que se refere a Lei n" 4 090, de 13 de . julho de 196.2, com a.s modificações da Lei n" 4.749, de 12 de agosto de 1965 " (grifamos) 70. 1É dizer: a Lei do FGTS, ao invés de fazer remissão ao conceito de remuneração previsto no art.. 28, da Lei n" 8212/91, faz remissão expressa ao conceito de remuneração estabelecido nos arts. 457 e 458, da CLT. 71. Assim, diante de tais considerações, sou levado a mi que o art. 28, § 9", "q", da Lei IV 8.212/91, ao determinar condição para que o beneficio fosse retirado do conceito 17 de remuneração, foi na verdade revogado tacitamente pela Lei n° 10.243/2001, que acrescentou o § 2", ao art.. 458 da CET, 72. Considerando que a legislação trabalhista asseverou claramente que o beneficio concedido a titulo de assistência médica não é salário, resta evidente o óbice para que o fisco possa considerá-lo como base de calculo para o saldrio-de-contribuição. 73. Por fim, deve-se aplicar o art, 110 do Código Tributário Nacional que assevera claramente: "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 74. De maneira que a incidência da contribuição previdencidria está restrita A folha de salário, conforme formalizado pelo direito trabalhista, pois quem define e limita a competência impositiva 6 a própria Constituição, que circunscreveu o tributo h folha de salário dos empregados. Sendo que o referido conceito não pode ser simplesmente alterado por outra legislação, haja vista a expressa vedação do Código Tributário Nacional. 0 ASPECTO SOCIAL DO BENEFÍCIO 75. De outro lado, as empresas, ao propiciarem diretamente os meios de consecução da assistência social e A saúde a seus empregados, estão contribuindo com o próprio Estado, que há muito não fornece devidamente aos cidadãos uma assistência médica com responsabilidade. 76. Sergio Lindoso Baumann das Neves Pietroluongo, ao tratar da questão, vai mais longe ainda ao defender que: "A empresa sub-roga-se no dever do Estado de ministrai.' a seguridade social. E, por via de conseqiiência, não se justifica tal oferecimento se constituir em hipótese de incidência de exação previdenciaria. Faz parte integrante da natureza da contribuição a sua .finalistica Atendido diretamente o objetivo da previdência social, em condições ideais, dada a proximidade gerada pelo contrato de trabalho, entre quern enseja a proteção e o protegido, não tem cabimento subtrair-se do próprio montame parcela a ser utilizada na sua consecução. Não respeita a lógica sedimentadora da construção do ordenamento cienufico da seguridade social, portanto, tal raciocínio deve ser estendido (e estimulado) a todas as prestações laborais coin cunho previdenciário, principalmente quando o acréscimo operado fica fazendo parte indissociável da pessoa htunana, podendo esta todo o tempo com ele contar." (In 'Da não incidência da contribuição previdenciória sobre planos de saúde oferecidos pelas empresas a seus empregados) 77. Como visto, o beneficio de assistência médica deve ser estimulado e não restringido, como quer fazer o fisco no presente caso, 78. Por todo exposto, constata-se, no presente caso, a inexistência de fato gerador que enseje a incidência de contribuições previdenciárias e as destinadas a terceiros, restando prejudicadas as demais alegações da recorrente que não foram enfrentadas face a insubstencia do lançamento fiscal, 4It 18 Processo ri" 37172.001438/2006-47 S2-C3T 1 Adirtitio n° 2301-01.782 Fl 10 CONCLUSA.0 79, Assim, voto por DAR provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência das contribuições previdenciárias e as destinadas a terceiros, incidentes sobre os valores pagos pela empresa a titulo de vale transporte e assistência médica. Sala das Sessões, i d ezembro de 2010 DAMIÃO CORDEI DE MORAES Voto Vencedor Conselheiro BERNADETE DE. OLIVEIRA BARROS, Redatora designada — voto vencedor somente no tocante as parcelas referentes A assistência médica. Permito-me divergir do entendimento manifestado pelo Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas, O Conselheiro vota por dar provimento ao recurso por entender que a empresa pode inserir em seu plano de beneficios regramento interno para acesso de seus empregados aos planos de assistência médica, sem que esse procedimento possa ser utilizado pelo fisco para qualificar o beneficio como remuneração, para efeito de incidência de tributos. Argumenta que o § 2°, do art. 458, da CLT, revogou tacitamente o disposto no § 90, alínea "q", do art,. 28, da Lei n" 8,212/91. Contudo, entendo que a exigência fiscal encontra amparo legal no inciso I, do art. 28 do referido diploma legal, que estabelece que o conceito de salário de contribuiç5o é ".„a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o Inds, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as golfe/as, Os ganhos habituais sob crforma de utilidades, " (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4" do art.. 201, re numerado para o § 11 , corn a redação dada pela Emenda Constitucional n" 20/98, o seguinte: 11. OS ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, sercio incorporados ao salário para efeito de contribuiçáo previdenciária e conseqiienlemente repercussdo cal beneficios, nos casos e na fOrma da lei. (grifel) A regra geral é que, se a utilidade é necessária para executar o serviço, ou se o trabalhador paga pela utilidade, essa no constitui salário, trata-se tio-somente de instrumento de trabalho . Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio, então integrará o salário para todos os efeitos legais . Verifica-se que as despesas efetuadas pela empresa com a Assistência Médica de alguns de seus empregados se originaram em decorrência única e exclusiva do CL, 19 vincula laboral entre esses empregados e empregador, não devendo, portanto, serem excluídas da base de calculo da contribuição. E, conforme afirmado pelo próprio relator, a assistência médica concedida pela recorrente a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços no período de 07/2000 a 12/2004, não está incluído nas hipóteses de isenção da Lei 8.212/91,já que não foi concedida totalidade dos empregados da empresa. Portanto, entendo que a parcela paga a título de assistência médica representa urna vantagem econômica para o trabalhador e integra o salário-de -contribuição. Assim, como a reconente não comprovou que a assistência médica foi fornecido a totalidade de seus empregados, tal rubrica integra o salário de contribuição, já que não se inclui na hipótese de isenção da Lei 8..212/91. 0 Relator argumenta, ainda, que a CUT excluiu da definição legal de remuneração a parcela referente A assistência médica. Porém, a doutrina há muito já consagrou a autonomia cientifica do Direito Previdenciario em face do Direito do Trabalho, O conceito de salário -de-contribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral, Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários A Lei Básica da Previdência Social), "0 conceito previdenciário de salário-de-contribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mars razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tip° legal circunscrever o lino gerador, impondo suas condições". Em relação ao argumento de que merece destaque a mais recente redação do art. 458, § 2 °, IV, da CLT, atribuida pela Lei 10,243/01, que expressamente exclui do conceito de salário "assistência médica, hospitalar e odontolágica, prestada diretamente ou mediante seguro- satide", cumpre observar que o art. 12, da CUT determina que "Os preceitos concernentes ao regime de seguro social são objeto de lei especial". A Lei 8.212/91 é a lei especial que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio. O att. 458, § 2 °, IV, da CLT, corn a redação dada pela Lei 10243/01 não revogou os arts, 28, § 9 °, da Lei 8212/91. Dessa forma, não pode ser declarado insubsistente o lançamento em relação aos fatos geradores posteriores ao advento da Lei 10243/01, ou seja, a partir de 06/2001, pois, conforme disposto no art. 2", § 2", da Lei de Entrodução ao Código Civil, "A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das . já existentes, não revoga nem moth:flea a lei anterior" Cumpre esclarecer que a incompatibilidade de normas pertencente a um mesmo ordenamento jurídico e corn mesmo âmbito de validade se denomina antinomia e, tradicionalmente, os critérios para solucionar a antinomia são três, o cronológico, o hierárquico e o da especialidade. 0 da especialidade ocorre entre duas normas, urna geral e uma especial, prevalecendo a específica apenas na parte da lei geral que é incompatível corn a especial. 20 Processo n" 37172.001438/2006-47 S2 -01- 1 Aenrdao o " 2301-01,782 Fl. 11 Como explica Norberto Bobbio, no caso de antinomia normativa, havendo conflito entre o critério cronológico e o critério de especialidade, prevalece o último, dotado de maior força — por vezes visto como meta-critério de solução de conflitos. A razão é simples e foi realçada, com propriedade, por José de Oliveira Ascensão: "o regime geral não toma em conta as circunsteincias particulares que justificaram justamente a emissão da lei especial. Por isso não Sell/ afetada em razão de o regime geral ter .sido modificado". Não são raros os precedentes encontrados na .jurisprudência que defendem a subsistência da lei especial anterior, mesmo após o advento de lei geral posterior, Conforme Vicente Rao "se a lei não se declarar absoluta, deve-se inJrfr que o legislador pretendeu abolir, tão-somente, aquilo que, até então, vigorava como regra e, em conseqüência, com esta desaparecerão OS -seus corolários, mas continuarão a subsistir as eycecões". Não ha, pois, presunção de revogação da lei especial anterior pela subseqüente aprovação de lei geral. Muito pelo contrário, adverte Carlos Maximilian°, "é mister que esse intuito (de revogação) decorra claramente do contexto". Espinola e Espinola Filho seguem a mesma linha e enunciam, a partir de Saredo, a seguinte consideração: "no silêncio do leg/slat/a;, deve pm esumir-se que a lei nova pode conciliar-se coin a precedente". Portanto entendo que a revogação ou modificação de lei geral por especial ou de especial por geral não pode ser tácita, havendo de ser expressa do tipo "revoga-se o artigo tal, parágrafo tal da lei tal".. Com relação ao tema "aspecto social do beneficio", abordado pelo relator, concordo com a afirmação constante do voto de que "as empresas, ao propiciarem diretamente os meios tie consecução da assistência social e ã conde a .seus empregados, estão contribuindo com o próprio Estado, que há muito não fornece devidamente aos cidadãos uma assistência médica corn responsabilidade", Acredito que essa foi a intenção do legislador ordinário ao isentar da contribuição previdenciária o dispêndio feito pelo empregador com a assistência médica de seus empregados . Contudo, o legislador deixou claro que so seria isenta da contribuição previdenciária a assistência médica fornecida à totalidade dos empregados da empresa, o que não ()corral no caso sob análise . Essa condição inserida na Lei demonstra o cuidado do legislador em evitar que as empresas utilizem a assistência médica como forma de premiar ou bonificar alguns de seus empregados, concedendo-lhes salários indiretos . Assim, discordo do relator em sua afirmação de que o fisco estaria pretendendo restringir o beneficio de assistência médica. Ao contrário do que entende o Relator ., acredito que o procedimento fiscal tem um importante papel para a sociedade, pois desestimula as empresas de substituirem o salário de seus empregados por verbas que, no entendimento do empregador, não integrariam a 21 remuneração do trabalhador, e que, por conseqüência, não teriam reflexos nos valores pagos a titulo de férias, abonos legais, decimo terceiro salário, e diversos beneficios previdenciários, entre eles a aposentadoria. Cumpre observar que a atividade da autoridade fiscal 6 plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17" ed. Sao Paulo, Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: "o tradicional principio da legalidade, previsto no ai! .5" II, da CF', aplica-se normalmente na administragdo pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estivei expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coaduna-se coin a própria fling -do administrativa, de executor cio direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito q finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservar-se a olden! jurídica" E a lei 8,212/91, vigente em nosso ordenamento jurídico, veda a isenção de contribuição previdenciária sobre os valores gastos com assistência médica nos casos em que tal beneficia não é concedido a todos os empregados da empresa Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF if 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto que não tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, confonne disposto em seu art 62. Portanto, ao constatar a concessão de assistência médica a apenas alguns dos empregados da empresa, a fiscalização, a quem compete o lançamento, lavrou corretamente a NFLD, em observância aos ditames legais, Nesse sentido, voto pot ião excluir, do lançamento, as parcelas referentes a assistência médica. Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2010 t,D BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 22
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901629/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/12/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.617
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 29 /2 01 3- 56 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.274. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720047/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
EMPRESAS PÚBLICAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. INCIDÊNCIA.
As empresas publicas, quando prestadoras de serviço público, equiparam-se às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, incidindo, na espécie, o art. 150, inciso VI, alínea "a" e seu § 2º, da CF.
Numero da decisão: 2402-006.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, dar-lhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da Recorrente, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "a" e § 2º, da Constituição Federal, cancelando-se o lançamento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros de Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, Luis Henrique Dias Lima, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. INCIDÊNCIA. As empresas publicas, quando prestadoras de serviço público, equiparamse às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, incidindo, na espécie, o art. 150, inciso VI, alínea "a" e seu § 2º, da CF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da Recorrente, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "a" e § 2º, da Constituição Federal, cancelandose o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros de Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, Luis Henrique Dias Lima, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 47 /2 00 7- 39 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 291 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0328.817, da 1ª Turma da DRJ de Brasília (fls. 192/203), que julgou procedente a Notificação de Lançamento n° 06108/00008/2007, que tem por objeto a cobrança de crédito tributário no montante de R$ 2.586.638,97 (dois milhões e quinhentos e oitenta e seis mil e seiscentos e trinta e oito reais e noventa e sete centavos) a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2003, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 29.06.2007, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Gleba C2 Projeto Jaíba”, cadastrado na RFB sob o nº 5.460.0189, com área de 11.853,3 ha, localizado no Município de Matias Cardoso/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2003 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação para a contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sendolhe informado que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN com base nas informações do SIPT. Em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 10/81. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2003, a autoridade fiscal alterou o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que entendeu sub avaliado, com base no Sistema de Preços de Terras (S1PT) instituído pela então SRF, que passou de R$ 355.599,00 (trezentos e cinquenta e cinco mil e quinhentos e noventa e nove reais, à razão de RS 30,00 por hectare, para R$ 5.926.650,00 (cinco milhões e novecentos e vinte e seis mil e seiscentos e cinquenta reais), à razão de R$ 500,00 por hectare, com o consequente aumento do VTN tributado, disso resultando também o imposto suplementar de R$ 1.114.210,20 (um milhão e cento e quatorze mil e duzentos e dez reais e vinte centavos), conforme demonstrativo de fls. 04. A contribuinte apresentou impugnação aos 20.07.2007 (fls. 146) e aos 10.08.2007, foi lavrado o Termo Complementar à Notificação de Lançamento n° 06108/00008/2007 (fls. 86), abrindose prazo para apresentação de nova impugnação pelo contribuinte, o que se deu tempestivamente (fls. 163). A DRJ julgou o lançamento procedente em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 292 3 Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF. DO VALOR DA TERRA NUA Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Lançamento Procedente. Intimado aos 06/03/09 (fls. 206), sextafeira, o contribuinte interpôs recurso voluntário aos 08.04.09 (fls. 288), alegando, em síntese: Em preliminar, esclarece que o valor da terra nua de seus imóveis, inseridos em perímetros de irrigação, é estabelecido em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto nº 89.495/84, pelo que não elabora laudo específico à época da elaboração de suas declarações de ITR. Assim, considerando o teor das disposições constantes do subitem 7.4.3.3 da NBR 14.6533:2004 da ABNT, não é possível a elaboração do referido laudo retroativamente, em momento posterior, para o imóvel objeto do lançamento; ademais, considerando o subitem 9.1.1 da mesma norma NBR 14.653 3:2004 da ABNT, o grau de precisão do laudo de avaliação exigido pela Receita depende exclusivamente das características da amostra coletada e, por essa razão, não é passível de fixação "a priori". Dessa forma, a exigência de laudo de avaliação conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, constitui instrumento de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que as exigências são incompatíveis entre si, o que inviabiliza a elaboração do laudo requerido; esclarece que a CODEVASF é uma empresa pública federal criada pela Lei nº 6.088/74, atualmente vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba. Os perímetros públicos de irrigação, dos quais o imóvel objeto do lançamento em debate é parte integrante, são empreendimentos voltados aos desenvolvimento de áreas prioritárias para a União por meio da infraestrutura de irrigação implantada com recursos públicos, a eles se aplicando a legislação específica; que se trata de empresa pública, mantida exclusivamente com recursos da União Federal, que presta serviço público típico. Sendo assim, apesar de sua personalidade jurídica de direito privado, equiparase a uma autarquia, conforme tese já assente no Supremo Tribunal Federal acerca do tema (ACO nº 959/RN, rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, DJe 16/05/08) e reconhecido pelo TRF1 na Apelação Cível nº 1997.34.00.0037988/DF. Desse modo, o imóvel sobre qual se exige o tributo questionado, que se presta ao desenvolvimento de serviço público típico, qual seja a implementação de perímetros públicos Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 293 4 de irrigação, é alcançado pela imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, "a" e §2º da CF; No mérito, que os valores declarados estão em perfeita compatibilidade com aqueles estabelecidos pelo INCRA, consideradas as peculiaridades do imóvel, conforme comprovado nos autos por meio de Laudo Técnico e Mapa de Solos firmados por profissionais devidamente habilitados do Perímetro de Irrigação Jaíba; que o imóvel em questão se encontra inserido em perímetro público de irrigação (Perímetro de Irrigação Jaíba), estando sujeito aos ditames da Lei nº 6.662/72 e do Decreto nº 89.496/84, que a regulamenta, cujo art. 17 determina que nas terras já pertencentes a entidades integrantes da administração federal, o valorhectare da terra nua será o mesmo atribuído pelo INCRA; que não há nenhuma incompatibilidade entre a Lei nº 9.393/96 e o Decreto nº 89.496/84, que define a forma de cálculo dos lotes inseridos em perímetro público de irrigação; que não há falar em sub avaliação quando o contribuinte estabelece o Valor da Terra Nua de acordo com a legislação que determina critérios específicos para a avaliação de seu imóvel. Esse entendimento foi acatado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 301.34.161 na análise de situação idêntica à presente e referente ao mesmo imóvel ora tratado; que o VTN considerado para fins de apuração do imposto suplementar foi estabelecido em total discrepância com os valores da terra nua da base das DITR's/2003 e, por conseguinte, em desacordo com o que determina a própria RFB na Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002, que aprova do Sistema de Preços de Terras SIPT; que os valores constantes das planilhas elaboradas pelas Fundação Getúlio Vargas, que serviram de base para a alimentação do SIPT, não se referem à Terra Nua, nos termos da NBR 146533:2004, norma indicada como parâmetro para valoração da Terra Nua pela própria RFB; ademais, que mencionados valores dizem respeito ao primeiro semestre dos anos de 2000 a 2004, refletindo os valores apurados nas negociações realizadas até junho de cada ano. Assim, esses valores violam o disposto no § 2º do art. 8º da Lei nº 9.393/96, que determina que o VTN refletirá o preço de mercado das terras no dia 1° de janeiro a que se referir o DIAT1; no que concerne ao VTN atribuído, não é lícito inferir, sem manifestação oficial da Secretaria de Agricultura, órgão responsável pelo fornecimento à RFB das informações para lançamento no SIPT, que os dados por ela informados contém erro, com o fim de se imputar pesada tributação ao contribuinte; que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais EMATER não tem dentre suas atribuições a de proceder à avaliação de terras, razão 1 Documento de Informação e Apuração do ITR Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 294 5 pela qual os dados informados, que serviram de base para alimentar o SIPT, não seguem os critérios estabelecidos pela ABNT para efeito de avaliação de imóveis rurais, referindose, em verdade, aos preços médios de venda de terra, e não considera a Nota Agronômica de cada classe de solos, que é uma das variáveis imprescindíveis para a determinação do valor da terra nua. Assim, o SIPT, no que se refere aos valores serem considerados na região de localização do imóvel objeto do tributo cobrado, não tem sido alimentado em consonância com a Portaria SRF nº 447/2007; a portaria em tela permite a utilização dos preços informados pelas Secretarias de Agricultura bem como por entidades correlatas como forma de alimentação do SIPT. Nessa linha, o INCRA é entidade pública que, nos termos da Lei nº 4.504/64 e dos Decretos nºs 1.110/70 e 5.735/06 tem, dentre sua atribuições, proceder à avaliação de imóveis rurais. Por fim, requer seja dado provimento ao recurso voluntário, cancelandose o débito fiscal. Subsidiariamente, seja seu valor revisto, considerandose os valores informados pela Secretaria de Agricultura comumente usados pela Secretaria da Receita Federal para alimentação do SIPT, sendo de R$ 50,00 (cinquenta reais) por hectare de terra nua. Não sendo acatado esse pedido, que seja revisto o lançamento considerando o valor da terra nua da base de declarações do ITR no exercício de 2003, qual seja R$ 369,95. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINAR Cerceamento de defesa Em preliminar, a recorrente alega que, por ser regida por disposição normativa específica, qual seja o Decreto nº 89.496/84, não elabora laudo de avaliação à época de suas declarações de ITR e que, pelos próprios termos do item 7.4.3.3 da NBR 146533, da ABNT, a elaboração do aludido laudo em momento posterior é impossível, uma vez que, de acordo com esse dispositivo, as pesquisas de mercado para fundamentálo devem ser contemporâneas ao período da declaração, o que inviabiliza sua elaboração de forma retroativa. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 295 6 Ademais, de acordo com o item 9.1.1 da mesma norma NBR 146533, o grau de precisão do laudo depende exclusivamente das características da amostra coletada e, desse modo, não é passível de fixação "a priori". Por essas razões, alega a recorrente que a exigência pela RFB, como condição para elidir o lançamento, de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 146533, com fundamentação e grau de precisão II, constitui elemento de cerceamento de seu direito de defesa por conter exigências incompatíveis entre si, o que inviabiliza a sua elaboração. Neste ponto, entendemos não lhe assistir razão. Com efeito, como bem ressaltado pela decisão recorrida, o fato de o grau de precisão depender das características da amostra coletada não é impedimento para que se consiga alcançar o grau de precisão II, no caso concreto, conforme previsto no subitem 9.3 da NBR 14.6533, até porque a própria NBR l4.653 aponta, no subitem 8.1.2 o caminho a seguir quando não for possível utilizar as metodologias previstas: "8.1.2 Esta parte da NBR 14653 e as demais partes se aplicam a situações normais e típicas do mercado. Em situações atípicas, onde ficar comprovada a impossibilidade de utilizar as metodologias previstas nesta parte da NBR 14653, é facultado ao engenheiro de avaliações o emprego de outro procedimento, desde que devidamente justificado." Assim, parecenos, s.m.j., que não há a incompatibilidade apontada pela recorrente. Da mesma forma não procede a alegação do recorrente de que a elaboração de laudo de avaliação seria impossível tendo em vista que as pesquisas de mercado para fundamentar tal laudo devem ser contemporâneas, o que inviabilizaria sua realização de forma retroativa. Na verdade, conforme disposto no item 7.4.3.3 da NBR 146533, o que devem ser contemporâneos à avaliação do imóvel são os dados relativos às negociações realizadas e ofertas, não à própria pesquisa. Portanto, nada impede que o engenheiro avaliador colete os dados referentes ao exercício de 2003, já que todas as negociações possuem data de realização que podem ser facilmente comprovadas. Desse modo, não se há falar em cerceamento de defesa. MÉRITO Imunidade tributária CF 150, VI, "a" e § 2º Embora essa matéria tenha sido deduzida pela recorrente como preliminar, entendemos que se trata de matéria de mérito, pelo que assim será tratada. A recorrente esclarece que é uma empresa pública federal criada pela Lei nº 6.088/74, atualmente vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que tem por finalidade o Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 296 7 aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários, conforme a lei que a criou o seu estatuto, anexado aos autos. Tratase de empresa pública mantida exclusivamente com recursos da União Federal que presta serviço público, pelo que, apesar de sua personalidade jurídica de direito privado, goza de ambiguidade jurídica, tida como uma empresa pública de natureza autárquica, conforme tese já assente no Supremo Tribunal Federal (ACO nº 959/RN, rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, DJe 16/05/08) e reconhecido pelo TRF1 na Apelação Cível nº 1997.34.00.0037988/DF. Esclarece que o imóvel sobre qual se exige o tributo questionado se presta ao desenvolvimento de serviço público típico, qual seja a implementação de perímetros públicos de irrigação, que são empreendimentos voltados ao desenvolvimento de áreas prioritárias para a União por meio da infraestrutura de irrigação implantada com recursos públicos, nos termos da Lei nº 6.662/79 e do Decreto nº 89.496/81. Dentre os projetos implantados pela recorrente, destacase o Projeto Jaíba, localizado nos municípios de Matias Cardoso e Jaíba, Estado de Minas Gerais, do qual a Gleba C2, que constitui o imóvel sobre o qual incide o tributo discutido, é parte integrante. Desse modo, argumenta que o imóvel em questão, destinado a prestação de serviço público, é alcançado pela imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, "a" e §2º da CF. Pois bem. Inicialmente, cumpre anotar que a nós parece não haver dúvida de que o assunto tratado imunidade tributária tratase de matéria de ordem pública2, que, portanto, pode, e mais, deve ser conhecida pelo julgador em qualquer grau ordinário3 de jurisdição, impondose, portando, o seu conhecimento por este colegiado. 2 "A distinção entre prescrições de ordem publica e de ordem privada consiste no seguinte: entre as primeiras o interesse da sociedade coletivamente considerada sobreleva a tudo, a tutela do mesmo constitui o fim principal do preceito obrigatório; é evidente que apenas de modo indireto a norma aproveita aos cidadãos isolados, porque se inspira antes no bem da comunidade do que no do individuo; e quando o preceito é de ordem privada sucede o contrário: só indiretamente serve o interesse publico, a sociedade considerada em seu conjunto; a proteção do direito do individuo constitui o objetivo primordial. Os limites de uma e outra espécie têm algo de impreciso; os juristas guiamse, em toda parte, menos pelas definições do que pela enumeração paulatinamente oferecida pela jurisprudência." (Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 176) 3 Sobre as questões de ordem pública, ensina Nelson Nery Junior que "essas matérias podem ser alegadas pelas partes ou interessado a qualquer momento, em qualquer grau de jurisdição (CPC 485, IV, VI,VI, IX e § 3º; CPC 337 I a XIII e § 5º) e devem ser analisadas, ex officio, pelo juiz ou tribunal, enquanto não extinto o processo de execução. A prescrição deve ser reconhecida ex officio (CPC 485 IV)" (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC Lei 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 1829). Ainda a esse respeito, esclareçase que quando se fala em conhecimento ex officio de matéria de ordem pública, evidentemente está a se referir a que essa providência seja tomada em grau ordinário de jurisdição, uma vez que em instâncias extraordinárias, isso é vedado por força do que dispõem os arts. 102, III e alíneas e 105, III e alíneas, ambos da CF, que exigem que para ser levada a conhecimento do STF ou do STJ, a matéria já tenha sido efetivamente decidida pelas instâncias inferiores. Daí a necessidade de oposição de Embargos de Declaração no tribunal "a quo" para provocar a análise da matéria de modo a viabilizar, assim, o conhecimento da questão pelos tribunais superiores (o tal "prequestionamento"). Percebese, desse modo, que o prequestionamento (a que o ilustre doutrinador do Largo São Francisco, Flávio Luiz Yarshell, jocosamente se referia como "prerrespondimento", já que não basta provocar o tribunal "a quo" para que ele aprecie a matéria, sendo necessário que ele efetivamente o faça) decorre de uma exigência constitucional e é necessário, tão somente, para viabilizar o Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 297 8 Realmente, a recorrente se trata de empresa pública que teve sua criação autorizada pelo art. 1º da Lei nº 6.088/79, e conforme disposto no art. 4° dessa mesma lei, "tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais, dos recursos de água e solo do Vale do São Francisco, diretamente ou por intermédio de entidades públicas e privadas, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários, podendo, para esse efeito, coordenar ou executar, diretamente ou mediante contratação, obras de infraestrutura, particularmente de captação de água para fins de irrigação, de construção de canais primários ou secundários, e também obras de saneamento básico, eletrificação e transportes, conforme Plano Diretor em articulação com os órgãos federais competentes". O artigo 6º dessa mesma lei dispõe a respeito da formação do capital da empresa, da seguinte maneira: Art 6º O capital da CODEVASF será de Cr$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de cruzeiros), a ser integralizado: a) parte pela incorporação, a CODEVASF, de bem móveis, imóveis e instalações da Superintendência do Vale do São Francisco SUVALE, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS, que lhe forem transferidos por força do Artigo 16 desta Lei; b) o restante por subscrição, pelo Tesouro Nacional, nos exercícios de 1974, 1975 e 1976. § 1º O capital da CODEVASF poderá ser aumentado por ato do Poder Executivo, mediante a incorporação de reservas, pela reinversão de lucros e reavaliação do ativo ou por acréscimo de capital da União. § 2º Poderão participar dos aumentos de capital pessoas jurídicas de direito público interno, inclusive entidades da Administração Federal Indireta, observado o disposto no artigo 5º do Decretolei nº 900, de 29 de setembro de 1969. As empresas públicas, em regra, não gozam da chamada imunidade tributária recíproca prevista na CF/88, seja porque não referidas expressamente no art. 150, VI, "a" e seu § 2º, seja porque seu art. 173, § 2º dispõe que a elas não podem ser concedidos privilégios fiscais não extensíveis às empresas privadas. Todavia, consolidouse no Supremo Tribunal Federal o entendimento no sentido de que essas empresas, quando prestadoras de serviço público, equiparamse às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, conforme restou consignado na ACO 95944, ajuizada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT conhecimento de matérias pelos Tribunais Superiores. Em outros termos, não se há falar em necessidade de prequestionamento como óbice para conhecimento de matéria de ordem pública em sede de instâncias ordinárias, tampouco de tribunais administrativos. Nessa linha, salientese que mesmo as disposições contidas nos arts. 67, § 5º e 68, § 4º não impedem o conhecimento ex offício de matéria de ordem pública pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal. Pois bem. Transpondo a lógica constitucional que fez nascer a necessidade de "prequestionamento" para o processo administrativo fiscal federal, se nos termos do RICARF, a apreciação ex offício de matéria de ordem pública não está impedida sequer à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a "instância extraordinária" deste Tribunal Administrativo, com muito maior razão também não está às suas Turmas Ordinárias de julgamento. 4 rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, j. 17/03/08, DJe 16/05/08. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 298 9 contra o Estado do Rio Grande do Norte visando, sob o fundamento da imunidade, à declaração de inexistência de dever jurídico de recolhimento de IPVA sobre os veículos de sua propriedade. A decisão proferida no julgamento dessa ação, que traz diversos outros precedentes do Supremo Tribunal Federal no mesmo sentido, restou assim ementada: Posteriormente, a matéria foi novamente apreciada em sede de repercussão geral nos RE's nºs 601.392/PR e nº 580.264/RS no que tange às atividades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT e de hospital vinculado ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul. No primeiro caso (RE nº 601.392/PR)5, o Supremo Tribunal Federal declarou relevantes as peculiaridades do serviço postal, conforme consignado na ementa do aresto: Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. (Destacamos) No segundo caso (RE nº 580.264/RS)6, a decisão do Supremo destacou ser importante que a empresa estatal não tenha por fim a obtenção de lucro: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SERVIÇOS DE SAÚDE. 1. A saúde é direito fundamental de todos e dever do Estado (arts. 6º e 196 da Constituição Federal). Dever que é cumprido por meio de ações e serviços que, em face de sua prestação pelo Estado 5 Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 12/11/2009, Tribunal Pleno meio eletrônico 6 Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 09/10/2008, Tribunal Pleno meio eletrônico Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 299 10 mesmo, se definem como de natureza pública (art. 197 da Lei das leis). 2 . A prestação de ações e serviços de saúde por sociedades de economia mista corresponde à própria atuação do Estado, desde que a empresa estatal não tenha por finalidade a obtenção de lucro. 3. As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea “a” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com repercussão geral. (Destacamos) Este Tribunal já teve a ocasião de enfrentar a matéria, analisando o posicionamento do STF acerca do tema7, e assim se posicionou: SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE. RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras atividades para além da prestação de serviço público, e pessoas físicas e pessoas jurídicas privadas podem participar de seu capital, com direito a dividendos, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. (Destacamos) IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO — AUTARQUIA MUNICIPAL — TAXA — APLICABILIDADE— Uma vez comprovado que se trata de entidade autárquica municipal, que presta diretamente, em nome do Poder Público Municipal, com a finalidade essencial pública [o serviço] de tratamento de água e esgotos, enquadrase na regra constitucional do art. 150, Parágrafo 2° da Constituição Federal, mediante a cobrança de taxa contraprestacional. E, portanto, não auferindo lucro, e não apurando faturamento, na acepção técnica de tal termo, não é passível de tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS.8 (Destacamos) Pois bem. O Estatuto Social da recorrente, anexado aos autos a fls. 241 e seguintes, dispõe o quanto segue acerca de objetivo social: CAPITULO III DO OBJETIVO SOCIAL Art. 5° A CODEVASF tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais, dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, diretamente ou por intermédio de entidades públicas e privadas, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários. Art. 6° Compete especialmente à CODEVASF, no tocante à região dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba: I coordenar a implantação de programas de valorização e aproveitamento dos recursos de água e solo para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais; II coordenar a execução, diretamente ou mediante contratação, de obras de infraestrutura, particularmente de captação de águas para fins de irrigação de 7 Acórdão nº 1101001.241 8 Acórdão nº 10809.360. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 300 11 canais primários ou secundários, bem assim de obras de saneamento básico, eletrificação e transportes, conforme o plano diretor, em articulação com os órgãos federais competentes; III implantar ou colaborar na implantação de núcleos de colonização para médios e pequenos irrigantes, assim como na implantação de projetos empresariais; IV promover ou manter, em articulação com entidades públicas ou privadas, centros de desenvolvimento e capacitação de irrigantes; V manter articulação com os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal na execução dos planos, programas e projetos; VI atuar, coordenadamente com os órgãos de desenvolvimento regional, na elaboração de seus programas e projetos e no exercício de sua atuação nas áreas coincidentes com as dessas entidades, a fim de garantir a unidade de orientação das políticas sócioeconômica e agrícola e a eficiência dos investimentos públicos ou privados; VII colaborar, permanentemente, no estudo do regime fluvial e no combate à poluição dos rios São Francisco e Parnaíba e de seus principais afluentes; VIII promover ou executar estudos cartográficos, topográficos, geológicos, pedológicos e de classificação de terras, para irrigação e vocação agropecuária; IX promover a aquisição ou desapropriação de áreas destinadas à implantação de projetos de desenvolvimento agrícola, agropecuário e agroindustrial, inclusive de irrigação, bem como alienálas na forma da legislação vigente; e X exercer atividades necessárias à operacionalização de seus programas e projetos, quando os órgãos específicos não as puderem atender, e desde que expressamente solicitada, podendo ainda celebrar convênios, contratos, acordos ou ajustes, com pessoas jurídicas de direito público ou privado, nacionais, estrangeiras ou internacionais. § 1° No exercício de suas atribuições, a CODEVASF poderá atuar, por delegação dos Órgãos competentes, como agente do Poder Público, desempenhando função de administração e fiscalização do uso racional dos recursos de água e solo. § 2° A CODEVASF, no exercício de suas atribuições, relativas ao uso múltiplo dos recursos hídricos, ficará adstrita a observância das normas e diretrizes dos órgãos reguladores dos recursos hídricos. Art. 7° Para a realização de seus objetivos, poderá a CODEVASF: I estimular e orientar a iniciativa privada, promover a organização de empresas de produção, beneficiamento e industrialização de produtos primários; II promover e divulgar, junto a entidades públicas e privadas, informações sobre recursos naturais e condições sociais, infraestruturais e econômicas, visando à realização de empreendimentos nos vales dos rios São Francisco e Parnaíba; III elaborar, em colaboração com os demais órgãos públicos federais, estaduais ou municipais que atuam na área, os planos anuais e plurianuais de desenvolvimento integrado dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, indicando, desde logo, os programas e projetos prioritários, com relação às atividades previstas neste Estatuto; Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 301 12 IV projetar, construir e operar obras e estruturas de barragem, canalização, bombeamento, adução e tratamento de água e saneamento básico; V elaborar, implantar e operar projetos de irrigação; e VI realizar trabalhos de regularização dos rios São Francisco e Parnaíba, controle de enchentes, de poluição e de combate às secas, e nos seus tributários, mediante Convênio. Art. 8° No desempenho de suas tarefas, a CODEVASF atuará, preferencialmente por intermédio de entidades públicas ou privadas, recorrendo, sempre que possível à execução indireta de trabalhos, mediante convênios, contratos, acordos ou ajustes. O objetivo social constante do estatuto da recorrente revela que sua atividade está, de fato, adstrita à prestação de serviços públicos típicos a cargo do Estado. Nesse contexto, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, a atividade da recorrente é alcançada pela imunidade constitucional invocada, aplicandose, ao presente caso, o art. 150, VI, "a" e § 2º da CF. E mais: a análise da Lei nº 6.662/79, que dispõe sobre a Política Nacional de Irrigação, e do Decreto nº 89.496/84, que a regulamenta, normas estas que erigem as empresas públicas existentes ou que vierem a ser constituídas em consonância com os objetivos daquela lei a órgãos auxiliares do Ministério do Interior, revelam, de maneira muito clara, que os serviços prestados não são apenas tipicamente públicos, mas, muito mais do que isso, têm feição evidentemente social. Salientese que a imunidade tributária da recorrente foi reconhecida judicialmente por decisão proferida na AC nº 1997.34.000037988/DF (fls. 253). Dessa decisão, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou recurso extraordinário (RE 608.529), que teve seguimento negado sob o fundamento de estar a decisão recorrida de acordo com a jurisprudência firmada por aquela Corte. Vejamos: DECISÃO: O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o ARE 638.315 RG/BA, Rel. Min. CEZAR PELUSO (Presidente), reconheceu existente a repercussão geral da matéria constitucional igualmente versada na presente causa, e, na mesma oportunidade, reafirmou a jurisprudência desta Corte sobre o tema, proferindo decisão consubstanciada em acórdão assim ementado: “RECURSO. Extraordinário. Imunidade tributária recíproca. Extensão. Empresas públicas prestadoras de serviços públicos. Repercussão geral reconhecida. Precedentes. Reafirmação da jurisprudência. Recurso improvido. É compatível com a Constituição a extensão de imunidade tributária recíproca à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO, na qualidade de empresa pública prestadora de serviço público.” O exame da presente causa evidencia que o acórdão ora impugnado ajustase à diretriz jurisprudencial que esta Suprema Corte estabeleceu – e reafirmou – na matéria em referência. Cabe observar, de outro lado, que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reiteradamente enfatizado que, em princípio, as alegações de desrespeito aos postulados da legalidade, da motivação dos atos decisórios, do contraditório, do devido Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 302 13 processo legal, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional podem configurar, quando muito, situações caracterizadoras de ofensa meramente reflexa ao texto da Constituição (RTJ 147/251 – RTJ 159/328 – RTJ 161/284 – RTJ 170/627 628 – AI 126.187AgR/ES, Rel. Min. CELSO DE MELLO – AI 153.310AgR/RS, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – AI 185.669AgR/RJ, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – AI 192.995AgR/PE, Rel. Min. CARLOS VELLOSO – AI 257.310 AgR/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO – RE 254.948/BA, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.), o que não basta, só por si, para viabilizar o acesso à via recursal extraordinária. A espécie ora em exame não foge aos padrões acima mencionados, refletindo, por isso mesmo, possível situação de ofensa indireta às prescrições da Carta Política, circunstância essa que impede – como precedentemente já enfatizado – o próprio conhecimento do recurso extraordinário (RTJ 120/912, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – RTJ 132/455, Rel. Min. CELSO DE MELLO). Sendo assim, em face das razões expostas, conheço, em parte, do presente recurso extraordinário, para, nesta parte, negarlhe provimento. Como se pode constatar da tela de andamento abaixo reproduzida, essa decisão transitou em julgado aos 18/04/2012, de modo que a recorrente tem a favor de si uma decisão transitada em julgado proferida pelo Supremo Tribunal Federal que reconhece sua condição de entidade que goza da imunidade tributária recíproca. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 303 14 Desse modo, entendo que a recorrente é alcançada pela imunidade tributária prevista no art.150, VI, "a" e § 2º da CF. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da recorrente, nos termos do art. 150, VI, "a" e § 2º da CF, cancelando se o lançamento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722324/2017-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de impugnação a lançamentos de créditos tributários abrangendo períodos de janeiro a dezembro de 2013, formalizados por meio de Autos de Infração referentes a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS fls. 445) e a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS fls. 438), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 22 32 4/ 20 17 -6 7 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 3 2 nos valores, respectivamente, de R$ 36.032.871,37 e R$ 5.855.341,48, totalizando R$ R$ 41.888.212,85 (fls. 452), aí incluídos os valores principais, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até janeiro de 2018. A Fiscalização descreve ter constatado insuficiência de recolhimento das contribuições (PIS E COFINS), com incidência cumulativa padrão, em razão dos fatos consubstanciados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 420/434. No referido Termo inicia a Fiscalização identificando a contribuinte como: uma sociedade anônima de capital aberto, regida pelo Estatuto Social de fls. 08 a 42 e pela legislação vigente que lhe for aplicável. que tem por objetivo efetuar operações de resseguro e retrocessão no País e no exterior, não podendo explorar qualquer outro ramo de atividade empresarial, nem subscrever seguros diretos, e participa do Sistema Nacional de Seguros Privados e exerce suas atribuições de acordo com as diretrizes gerais emanadas do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Informa que o procedimento fiscal tem por finalidade verificar a não inclusão na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS dos rendimentos auferidos no período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013, oriundos dos bens garantidores das provisões técnicas. Reportase à legislação aplicável, esclarecendo que : O IRBBRASIL RESSEGUROS S/A. incluise entre as entidades relacionadas no § 1º do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, as quais apuram as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) segundo legislação específica. O PIS/PASEP e a COFINS incidem sobre o faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua classificação contábil ou da atividade social exercida. A legislação prevê diversas exclusões/deduções da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo, sendo algumas gerais, e outras específicas para cada tipo de atividade. No período objeto da presente fiscalização, a base de cálculo das seguradoras é definida pela Lei 9.701/98, art. 1º, e Lei 9.718/98, artigos 2º e 3º, com redações alteradas pelas Medidas Provisórias 1.99114/2000, 2.03725/2000, 2.15835/2001 e suas reedições, transcrevendo trechos pertinentes. Descreve o procedimento fiscal, reportandose: ao Termo de Início cientificado em 09/03/2017 com intimação para apresentar, entre outros documentos: estatuto social e eventuais alterações posteriores; demonstrativo detalhado de apuração mensal de PIS e COFINS, na forma de planilha impressa e em meio magnético, Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 4 3 referente ao período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013, especificando as contas contábeis que compõem as bases de cálculo das referidas contribuições; plano de contas e balancetes mensais analíticos, em meio magnético, referentes ao mesmo período. Ressalta a Autoridade Fiscal que a resposta foi encaminhada com apresentação de: 1 Atos Societários (fls. 08 a 42); 2 Demonstrativo detalhado de apuração mensal de PIS e COFINS, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2013 (fls. 43 a 48); 3 Plano de contas da Instituição (fls. 49 a 111); 4 Balancetes mensais analíticos, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2013 (fls. 112 a 293). E expõe que: A partir da análise efetuada em seus demonstrativos de apuração de PIS e COFINS, com auxílio dos balancetes mensais apresentados, verificase que o contribuinte deixou de incluir na apuração da base de cálculo das contribuições os rendimentos financeiros oriundos dos ativos garantidores das provisões técnicas, tendo em vista que, de acordo com entendimento desta Fiscalização, baseado no PARECER SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, (fls. 326 a 328), as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Todavia, não se trata de ampliação do conceito de faturamento ou tributação de receitas que não correspondam à receita bruta. Tratase aqui de receita advinda de investimentos que são operações inerentes às atividades das sociedades seguradoras, partes constituintes de seu objeto social, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 91 – SRRF08/Disit, de 02 de abril de 2012, de onde foi extraído o trecho abaixo: ... Na mesma linha de entendimento estão as Soluções de Consulta Cosit nº 84, de 08 de junho de 2016, e nº 83, de 24 de janeiro de 2017. Desta forma, dando prosseguimento à Fiscalização, em 04/05/2017, intimamos o contribuinte (fls. 295 e 296) a apresentar, em relação às planilhas de apuração da base de cálculo de PIS e COFINS, encaminhadas a esta Fiscalização em 27/03/2017, os seguintes documentos e informações, referentes ao período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013: 1 – Composição mensal detalhada dos bens garantidores das provisões técnicas; 2 – Composição mensal detalhada dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas; Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 5 4 3 – Comprovação através de folhas do livro razão dos lançamentos contábeis relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas noperíodo em questão; e 4 – Demonstrações Financeiras Auditadas. Em resposta encaminhada em 18/05/2017 (fls. 297 e 298) o contribuinte apresentou os seguintes documentos: 1. Composição mensal dos bens garantidores das provisões técnicas (fls. 303 a 314; 2. Composição mensal dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas (fls.315 e 316); Em relação ao item 3 do Termo de Intimação, onde solicitamos a apresentação das folhas do livro razão que demonstrassem os lançamentos contábeis relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas, o contribuinte ao invés de fornecer o razão contábil conforme solicitado, apresentou uma planilha onde detalha os valores dos rendimentos financeiros auferidos, especificando as contas de receita e despesa registradas contabilmente no período de janeiro a dezembro de 2013. Entretanto, de acordo com o razão extraído da escrituração contábil da fiscalizada, obtida junto ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED, em conformidade com o disposto nos artigos 7º e 8º da Instrução Normativa RFB 1.420/2013, verificase que, diferente das informações contidas na planilha apresentada pelo contribuinte, a contabilização dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas, referentes aos meses de janeiro a outubro de 2013, foram registradas contabilmente nos meses de novembro e dezembro de 2013, juntamente com os lançamentos próprios de competência desses meses, conforme detalhado em planilha de fls. 405 a 408. Além das inconsistências citadas anteriormente, foram também por nós constatado, através de análise realizada no Demonstrativo de Apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS do período em tela, que, embora não tenha incluído na apuração as receitas relativas à emissão de prêmios de resseguro no exterior, amparado pelo § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, o contribuinte se beneficiou indevidamente das deduções/exclusões atreladas a tais receitas. De acordo com o § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, são isentas de PIS e COFINS as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços a residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 62 – Cosit, de 20 de janeiro de 2017, ....: ... Desta forma, dando prosseguimento à ação fiscal, em 25/08/2017, intimamos o contribuinte a apresentar justificativas por ter considerado na apuração da base de cálculo de PIS e COFINS as Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 6 5 deduções/exclusões relativas a resseguro no exterior, especificadas abaixo, sem, contudo, ter incluído na apuração as receitas correlatas de prêmios de resseguro auferidos no exterior. Em resposta encaminhada em 15/09/2017, o contribuinte alega que, “considerando a especificidade da sistemática cumulativa do PIS/COFINS a qual se submete a Peticionária, a mesma se submete exclusivamente às exclusões e deduções previstas nas normas legais, sendo certo, inclusive, que algumas das despesas apontadas pela Fiscalização se referem a despesas acessórias vinculadas ao exercício de sua atividade, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo de PIS/COFINS”. Entretanto, esta Fiscalização entende que as deduções e exclusões previstas em lei foram opções criadas pelo legislador no intuito de atender alguns setores específicos da economia através de várias alterações do texto original das Leis nº 9.701/98 e 9.718/98, por meio das Medidas Provisórias nº 1.99114/2000, 2.03725/2000, 2.158 35/2001 e suas reedições (no caso das Seguradoras e Resseguradoras a legislação está citada no item 3 deste Termo). Desta forma, conclui se que a dedução de custos e despesas na apuração do PIS e da COFINS só será permitida quando tiver correlação direta com as receitas oferecidas à tributação. No caso em tela, as receitas relativas a prêmio de resseguro no exterior, com base no § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, não foram oferecidas pelo contribuinte à tributação, portanto, por questão de coerência, as despesas correlacionadas a essas receitas não deverão ser consideradas na apuração da base de cálculo de PIS e COFINS a título de dedução/exclusão. Esclarece, então, a Fiscalização quanto à Apuração do Crédito Tributário, que foi realizada a partir dos Demonstrativos de Apuração do PIS e da COFINS preparados pelo contribuinte, (fls. 43 a 48), baseada em sua escrituração contábil, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2013, cujas respectivas bases de cálculo foram ajustadas pelos seguintes assuntos: I) De acordo com o princípio da competência do exercício, foram incluídas na apuração os valores mensais informados pelo contribuinte, relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os ativos garantidores das provisões técnicas, sendo considerados por esta fiscalização somente aqueles registrados em contas de receita (Planilha de fls. 405 a 408); Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 7 6 II) Glosa de despesa deduzida indevidamente no período sem a devida previsão legal: Conta nº 3242811100 – Outras Despesas Operacionais de Resseguro no País; e III) Glosa de deduções/exclusões relativas a resseguro no exterior (fls. 418):Contas nº 3212171110, 3212171120, 3212171151, 3212171160, 3221171110, 3221171120, 3221311300 e 3223111300. Diante do exposto, foram utilizadas no lançamento do crédito tributário as bases de cálculo do PIS e da COFINS preparadas pela fiscalizada, cujos valores foram conferidos com os razões contábeis, gerados através das informações disponibilizadas no Sistema Público de Escrituração Digital – Escrituração Contábil (SPED Contábil), ajustados pelos eventos descritos no parágrafo anterior, conforme apuração resumida para os meses que apresentaram diferenças positivas refletidas na planilha intitulada “Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS – Diferenças a Lançar”, de fls. 419, por nós preparada, que é parte integrante do presente Auto de Infração. Na sequência, a Fiscalização também fundamenta a aplicação da multa de ofício de 75% (no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996) e a incidência de juros de mora (citando o art. 953 do RIR/99, com base legal na Lei nº 8.981, de 1995, art. 84, inciso I, e § 1º, Lei nº 9.065, de 1995, art. 13, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. Dada ciência da autuação em 11/01/2018 (fls. 453/455), foi apresentada em 09/02/2018, impugnação de fls. 484/513, acompanhada de documentos de fls. 461/483 e 515/607, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. A Interessada registra a tempestividade de sua defesa e, ao expor os fatos, afirma serem insubsistentes as conclusões fiscais. No mérito, a título de esclarecimentos iniciais, expõe que a Impugnante tem por objeto efetuar operações de resseguro e retrocessão no País e no exterior, não podendo explorar qualquer outro ramo de atividade empresarial, nem subscrever seguros diretos, conforme artigo 2º do seu Estatuto Social, estando suas atividades sob controle e fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (“SUSEP”) . Reportase à obrigatoriedade de constituição pelas sociedades seguradoras de reservas técnicas, fundos especiais e provisões técnicas, com o objetivo de garantir todas as suas operações, de acordo com o art. 84 do DecretoLei nº 73/1966. Cita Resoluções da CMN acerca do disciplinamento da aplicação dos recursos das reservas, provisões e fundos, alegando rigidez dos critérios de aplicação de tais recursos. Na sequência, defende a não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais auferidas pela Impugnante, argumentando que está sujeita ao regime cumulativo de apuração de PIS e COFINS previsto na Lei nº 9.718, de 1998 e regulamentado na IN RFB nº 1.285, de 2012. Invoca o Recurso Extraordinário nº 585.235, expondo ter o STF, em repercussão geral, decidido pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 8 7 Assevera que, a esse respeito, inclusive, a Impugnante obteve provimento jurisdicional favorável nos autos da Ação Ordinária nº 2006.51.01.0104963, oportunidade em que foi assegurado à Impugnante o direito de recolher o PIS e a COFINS incidentes sobre seu faturamento (entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais), sendo indevida a exigência de tais contribuições sobre receitas não operacionais. Cita emenda e excerto de voto. Reportase à Lei nº 12.973, de 2014 (que alterou o artigo 3º da Lei nº 9.718 e o art. 12 do DecretoLei nº 1.598/1977) e à exposição de motivos da Medida Provisória que a antecedeu (MP nº 627) para alegar que a alteração teria como objetivo apenas incluir os valores decorrentes do ajuste a valor presente decorrente da adoção das novas regras contábeis (IRFS) e, ainda, que não seria aplicável a fatos geradores ocorridos no ano de 2013 discutidos na impugnação. Defende a natureza não operacional das receitas financeiras (rendimentos financeiros) decorrentes de seus investimentos legalmente obrigatórios em ativos garantidores e a impossibilidade de serem tributadas por PIS e COFINS, reprisando a menção aos arts. 73 e 84 do Decretolei 73/1966, e alegando que: a Impugnante é obrigada a registrar os denominados ativos garantidores perante a SUSEP e, não pode deles dispor livremente, salvo se previamente autorizada; as receitas financeiras (rendimentos financeiros) ora questionadas pela fiscalização, não são decorrentes da execução do objeto social da Impugnante, mas sim relacionados à natureza e aos riscos envolvidos na atividade por ela desenvolvida; não está incluída no objeto social da Impugnante a atividade de intermediação de recursos financeiros próprios ou de terceiros desenvolvida (estritamente) por instituições financeiras; sendo o investimento em ativos garantidores decorrente de imposição legal, as receitas financeiras auferidas não podem ser consideradas como receita operacional. Menciona a Súmula Vinculante nº 32 do STF acerca da não incidência de ICMS na alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras para alegar que se em caso de mera disposição contratual – na qual está presente a autonomia da vontade , o STF já se manifestou pela restrição da atividade operacional à atividade de seguro, não faz qualquer sentido que, transações compulsórias decorrentes de imposição legal (que em nada se identifique com a atividade de resseguro desempenhada pela Impugnante), a administração Tributária interprete de forma diversa. Reportase a decisão da DRJ Ribeirão Preto, alegando que, em julgamento de caso análogo do mesmo contribuinte, entendeuse, por unanimidade, pela não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras de investimentos legalmente obrigatórios, transcrevendo ementa e trechos do voto. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 9 8 Menciona também julgados do CARF (um de interesse de outra pessoa jurídica que identifica como Caso Azul Seguros Gerais e outro em que figura como Interessada a própria contribuinte ora Impugnante), Nota Técnica COSIT nº 21/2006, Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, Parecer SUSEP/DITEC/GEACO/COASO/DIREF/nº 64/2013, outro julgado do CARF em processo de interesse de Companhia de Seguros Minas Brasil e, ainda, sentença judicial da 14ª Vara Federal de São Paulo em Mandado de Segurança. Acrescenta que o resseguro representa a assunção, pela resseguradora, mediante o pagamento do prêmio, de um interesse legítimo do ressegurado, relativo a pessoa ou coisa, contra riscos predeterminados, como elucida o artigo 757 do Código Civil. Também defende a possibilidade de deduções/exclusões de despesas operacionais de resseguro no país e no exterior, opondose às glosas procedidas pela Fiscalização, mediante as alegações seguintes: Assevera que não oferece à tributação os valores relativos aos resseguros efetuados no exterior em razão de expressa previsão legal. Invoca o art. 1º, inciso IV, da Lei nº 9701, de 1998, e artigo 3º, § 5º, da Lei nº 9718, de 1998, bem como o art. 27 do Decreto 4.524, de 2002 e art. 28 da IN SRF 247, de 2002, e expõe que: De igual forma, e considerando a especificidade da sistemática cumulativa do PIS/COFINS a qual se submete a Peticionária, a mesma se submete exclusivamente às exclusões e deduções previstas nas normas legais, sendo certo, inclusive, que algumas das despesas apontadas pela Fiscalização se referem a despesas acessórias vinculadas ao exercício de sua atividade, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo de PIS/COFINS. Cita ementa de Acórdão do CARF e requer que devem ser afastadas as glosas das despesas operacionais de resseguro no País, bem como as despesas com resseguros no exterior. Finaliza formulando pedido de cancelamento dos autos de infração e, caso mantida qualquer parcela dos lançamentos, requer que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do CTN, e conforme decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Recurso Especial interposto nos autos do processo administrativo nº 10680.002472/200723, de 09.11.2010. Relaciona como anexos à Impugnação os seguintes documentos: Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 10 9 A 11ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 14 85.879, de 10/05/2018, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ensejou a posterior extirpação desse parágrafo por efeito da Lei nº 11.941, de 2009, não alterou, em particular, o critério definidor da base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que continua a ser o faturamento. Pelo contrário, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, afastando a incidência sobre receitas não operacionais. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ATIVIDADE EMPRESARIAL. SEGURADORAS. As receitas financeiras oriundas das atividades empresariais (econômicas) da pessoa jurídica, obtidas a partir de investimentos necessários para o exercício da atividade fim, integram o seu faturamento e, portanto, compõem a base de cálculo. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. As exclusões da base de cálculo da contribuição são apenas aquelas legalmente previstas. A previsão legal de dedução/exclusão pressupõe que a receita correlata tenha sido oferecida à tributação. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 11 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse na íntegra as mesmas ementas e conclusões da COFINS à contribuição ao PIS. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos da Impugnação. Reitera seu entendimento: as receitas financeiras não são decorrentes da execução do seu objeto social, mas sim relacionados à natureza e aos riscos envolvidos na atividade desenvolvida; ressalta que atividades financeiras não estão incluídas em seu objeto social. Colaciona precedente do STF para dizer que o “o objeto das operações das seguradoras é o seguro. A alienação de salvados não os torna mercadorias”; colaciona precedentes do Carf (ac.3401002.708, 3302002.841, 3302002.071) e jurisprudência (Processo 0003315 88.2016.4.03.6100, 4ª Vara da Justiça Federal/SP); reafirma a interpretação da Nota Técnica Cosit 21/2006 em conjunto com o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, no sentido de que as receitas das seguradoras são advindas do recebimento dos prêmios; sustenta que a Susep teria dado alcance restritivo à expressão “receita bruta”, por não estarem diretamente relacionadas ao seu objeto social; reitera a possilidade legal de dedução/exclusão relativa a despesas operacionais de resseguro no país, bem como com as despesas com resseguros no exterior. É o relatório. Voto Conforme relatado, a recorrente impetrou ação judicial para discutir a base de cálculo do Pis e da Cofins, em vista da ampliação do conceito de faturamento contida no §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. No Recurso Voluntário, a recorrente noticia que a Ação Ordinária 2006.51.01.0104963, teve a seguinte ementa, no TRF 2ª Região: “PIS E COFINS. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PESSOA JURÍDICA ENQUADRADA NO REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. 1. Quanto à aplicação do prazo prescricional previsto na Lei Complementar nº 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça assim se manifestou: “Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 12 11 de cinco anos a contar da vigência da lei nova” (AI nos EREsp 644736/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 06.06.2007, DJ 27.08.2007 p. 170). 2. O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 3. A empresa autora deve recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. 4. A correção do indébito observará a disposição da Lei nº 9.250/95, que criou a Taxa SELIC, excluindose qualquer índice de correção monetária ou juros de mora (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). 5. Remessa necessária e apelação da parte autora parcialmente providas. Apelação da União Federal improvida.” Todavia, não encontrei nos autos cópias das peças judiciais ou certidão de objeto e pé. Portanto, é preciso converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora providencie, por si ou por intimação à recorrente, as cópias das peças judiciais e certidão de objeto e pé da Ação Ordinária 2006.51.01.0104963. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 927DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001658/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
Numero da decisão: 2402-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
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ARBITRAMENTO. GFIP Recorrente SANTAMÁLIA SAÚDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 58 /2 00 9- 11 Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 390 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado por ter a empresa deixado de informar, em GFIP, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes sobre remunerações de empregados. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão: Acordam os membros da 14” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ementa: [...] Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 391 3 Relatou a acusação fiscal que a empresa teria lançado em sua contabilidade, como despesa de serviços médicos, valores que declarou em DIPJ como sendo de remuneração de empregado, contudo sem considerálos como base de cálculo das contribuições. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 08/02/2011 e interpôs recurso voluntário em 01/03/2011, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, mais especificamente a alegação de que não haveria necessidade de apresentação da GFIP, pois os valores que supostamente deveriam ser declarados seriam relativos a outro tributo, o que seria comprovado nas impugnações relativas aos autos de infração lavrados por descumprimento das obrigações principais. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 No mérito Este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de remuneração declarada em DIPJ, conforme processos administrativos fiscais 19515.001660/200982, 19515.001659/200958 e 19515.001661/200927), inclusive o valor lançado corresponde, em parte, ao valor das contribuições devidas à seguridade social. Expressandose de outra forma, caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, tanto porque não haveria fatos geradores a serem informados em GFIP, quanto porque não haveria base de cálculo para a aplicação da sanção pecuniária, a qual incide sobre o valor relativo à contribuição. Pois bem. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Deve ser assinalado, aliás, que o recurso voluntário Fl. 391DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 392 4 interposto neste processo não tem matéria distinta daquela constante do recurso interposto no PAF principal. No PAF principal, este colegiado votou por negar provimento ao recurso voluntário. Desta forma, este mesmo resultado deve ser replicado para o presente julgamento. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 392DF CARF MF
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