Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.001595/2006-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003
DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DISPENSÁVEL LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Consoante entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a realização de depósito judicial, pelo Contribuinte, com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, implica na constituição do mesmo, sendo dispensado o ato de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9303-004.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003 DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DISPENSÁVEL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Consoante entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a realização de depósito judicial, pelo Contribuinte, com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, implica na constituição do mesmo, sendo dispensado o ato de lançamento de ofício.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.001595/2006-71
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5727692
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.983
nome_arquivo_s : Decisao_16327001595200671.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001595200671_5727692.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
id : 6776036
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210206552064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.214 1 1.213 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001595/200671 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.983 – 3ª Turma Sessão de 11 de abril de 2017 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR DE SAÚDE DE CAMPINAS E REGIÃO UNICRED CAMPINAS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DISPENSÁVEL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Consoante entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a realização de depósito judicial, pelo Contribuinte, com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, implica na constituição do mesmo, sendo dispensado o ato de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 95 /2 00 6- 71 Fl. 1236DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.076 a 1.082) com fulcro nos artigos 67 e seguintes, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3201000.640 (fls. 1.063 a 1.073), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 01/03/2011, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, tendo recebido a seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O depósito judicial do montante integral pelo contribuinte substitui o lançamento, nos tributos por homologação, sendo desnecessário o lançamento para prevenir a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, afastar a preliminar de não conhecimento do recurso voluntário por concomitância, argüida pelo conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri. Por maioria de votos, acolhida a preliminar de descabimento do lançamento, por existência de deposito integral do montante, conforme o voto do relator. Vencidos os conselheiros Mércia Helena Trajano d´Amorim e Luis Eduardo Garrossino Barbieri. Em 19/10/2006, foi lavrado pela Fiscalização Auto de Infração (fls. 28 a 32) para cobrança da Contribuição para o PIS, em razão da falta/ausência de recolhimento, referente aos fatos geradores dos anoscalendário de 2002 e 2003, com exigibilidade suspensa por força de sentença proferida no Mandado de Segurança nº 2005.61.00.02195449. Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 16327.001595/200671 Acórdão n.º 9303004.983 CSRFT3 Fl. 1.215 3 Após cientificada da autuação, a Contribuinte insurgiuse por meio de Impugnação, julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão nº 1619.736 (fls. 847 a 856). A decisão de impugnação, que manteve o lançamento em parte, foi contestada por meio de recurso voluntário, por sua vez julgado procedente para reconhecer ser desnecessário o lançamento de ofício de tributo sujeito a lançamento por homologação quando já efetuados depósitos judiciais do valor integral do débito nos autos do mandado de segurança, conforme Acórdão nº 3201000.640, ora recorrido. No ensejo, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 1076 a 1082), com amparo nos acórdãos paradigmas nºs 10707992 e 203 07064, alegando, em síntese, que: (a) embora o depósito judicial do montante integral do tributo suspenda a sua exigibilidade, nada há que impeça o Fisco de efetuar o lançamento do mesmo para prevenir a decadência, sendo irrelevante a prescindibilidade ou não do mesmo; (b) nos termos do art. 142 do CTN, o lançamento é ato vinculado e obrigatório, não podendo a Autoridade Fiscal eximirse de efetuálo, sob pena de responsabilidade funcional. O art. 63 da Lei nº 9.430/96, autoriza o Fisco, em casos como o presente, a realizar o lançamento de ofício para prevenir a decadência do crédito tributário. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, , por meio do Despacho s/nº, de 04/12/2015 (fls. 1090 a 1092), quanto ao entendimento adotado pelo acórdão recorrido no sentido de que seria desnecessária a lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, com exigibilidade suspensa,por força de sentença proferida em mandado de segurança impetrado pela contribuinte, quando tenha efetuado depósito judicial do montante integral. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1103 a 1111) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O Sujeito Passivo interpôs ainda recurso especial (fls. 516 a 526), ao qual foi negado seguimento, conforme despacho s/nº , de 09/12/2015 (fls. 771 a 776). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Fl. 1238DF CARF MF 4 O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter seguimento. No mérito, centrase a controvérsia no cabimento da realização do lançamento de ofício para prevenir a decadência na hipótese de o contribuinte ter ajuizado ação judicial e efetuado o depósito integral do tributo sujeito ao lançamento por homologação. A realização do depósito judicial do valor integral do tributo sujeito ao lançamento por homologação equivale à atividade de lançamento do débito, sendo prescindível a realização de qualquer ato por parte da Fazenda Nacional. Nesse sentido, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, do qual se compartilha no presente julgado, in verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. (REsp 1637092/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2016, DJe 19/12/2016) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 16327.001595/200671 Acórdão n.º 9303004.983 CSRFT3 Fl. 1.216 5 CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. 1990. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. PRECEDENTES. 1. O depósito judicial do tributo questionado torna dispensável o ato formal de lançamento por parte do Fisco (REsp 901052 / SP, 1ª S., Min. Castro Meira, DJ de 03.03.2008; EREsp 464343 / DF, 1ª S., Min. José Delgado, DJ 29.10.2007; AGREsp 969579 / SP, 2ª T., Min. Castro Meira, DJ 31.10.2007; REsp 757311 / SC, 1ª T., Min. Luiz Fux, DJ 18.06.2008) . 2. Embargos de divergência a que se dá provimento. (EREsp 671.773/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/06/2010, DJe 03/11/2010) Com fulcro nesses argumentos, inequívoco não ser cabível a realização do ato de lançamento de ofício pela Autoridade Administrativa no presente caso, uma vez efetuado o depósito integral do tributo pelo contribuinte nos autos do mandado de segurança, constituindose em verdadeira atividade de lançamento por homologação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.723840/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições e obscuridade alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
Numero da decisão: 1301-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições e obscuridade alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10183.723840/2013-20
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736848
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.431
nome_arquivo_s : Decisao_10183723840201320.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10183723840201320_5736848.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6824871
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210221232128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.573 1 3.572 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.723840/201320 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.431 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições e obscuridade alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 38 40 /2 01 3- 20 Fl. 3573DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.574 2 Trata o presente de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301002.019 (fls. 3141/3180), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 04/05/2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse por maioria de votos no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA (150%). CABIMENTO. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciandose a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 3574DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.575 3 CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. O vínculo societário (investidora/investida), incontroverso, entre a pessoa jurídica apontada como responsável tributária e aquela outra tida como contribuinte é insuficiente, por si só, para a caracterização do interesse comum, para fins de imputação de responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. De igual modo, esse dispositivo legal não serve para a imputação de responsabilidade tributária pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para o que seria requerido diferente enquadramento legal, além do que a responsabilização recairia não sobre a pessoa jurídica, mas sobre aqueles administradores que teriam praticado tais atos. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de vícios diversos, a saber: · Contradição entre a ementa e o voto condutor do acórdão nº 1301002.019 – referência indevida a ágio interno. Fl. 3575DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.576 4 · Contradição quanto à possibilidade de dedução do ágio da base de cálculo da CSLL. · Omissão quanto à análise dos argumentos abordados no recurso voluntário para o cancelamento da multa qualificada. · Omissão quanto à análise dos documentos juntados a fim de comprovar o erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. · Obscuridade quanto à análise da alegação de inovação da DRJ. Ao final, a embargante requer o conhecimento e provimento de seus embargos para sanar os vícios apontados, reformandose parcialmente a decisão com o cancelamento dos autos de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A embargante tomou ciência do acórdão ora embargado em 12/09/2016, segundafeira (termo à fl. 3274). Tendo sido os embargos de fls. 3285/3302 apresentados em 16/09/2016, sextafeira (termo à fl. 3284), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, ao requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 1. Contradição entre a ementa e o voto condutor do acórdão nº 1301002.019 – referência indevida a ágio interno. Sustenta a embargante que trechos da ementa do acórdão embargado fariam menção a “ágio interno”, e que essa não teria sido a razão para que tenha sido negado provimento ao seu recurso voluntário. Lembra que esse não teria sido o fundamento da acusação, no Termo de Verificação Fiscal. Pede o saneamento da contradição, com o que pretende o cancelamento das exigências ora discutidas. Saliento, de plano, que a contradição que dá margem a embargos de declaração é tão somente aquela verificada entre a decisão e seus fundamentos, nos termos do Fl. 3576DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.577 5 dispositivo regimental supratranscrito. A ementa serve como um resumo do julgado, mas não é a decisão em si, nem se presta a fundamentála. Apenas com isso, já seria possível rejeitar uma alegação de contradição entre a ementa e o voto. Mas é possível ir além. A expressão “ágio interno” sofre de um certo grau de indefinição. De fato, já foi empregada em julgados diversos com acepções também diversas, o que, inclusive, já foi objeto de críticas por parte de um Conselheiro do CARF. Apesar disso, ou talvez exatamente por conta disso, é que o mais relevante é que em cada julgado sejam delineadas com precisão as circunstâncias do caso concreto sob exame, o que foi feito pelo acórdão embargado. Após descrever minuciosamente as operações societárias que geraram o ágio em comento, o Relator expôs suas conclusões nos seguintes termos (grifos não constam no original): Ou seja, inexistindo extinção do investimento mediante real reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. No caso em concreto, o elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado, de fato nunca aconteceu, qual seja, que investida e investidora passassem a ser uma única pessoa jurídica. No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que não foram contestados em relação às razões finalísticas apresentadas para a formalização do negócio, mas sim nos aspectos intermediários que implicaram na criação do ágio interno concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. Esse foi o fundamento da decisão embargada, perfeitamente coerente e não contraditório com a decisão de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência fiscal. Os embargos devem ser rejeitados, quanto a este ponto. 2. Contradição quanto à possibilidade de dedução do ágio da base de cálculo da CSLL. A embargante sustenta que “a contradição é evidenciada pela afirmação de que a amortização do ágio seria aplicável apenas à base de cálculo do IRPJ, uma vez que não haveria autorização legal para a sua dedução da base de cálculo da CSLL”. Essa afirmação não se encontra textualmente no voto do Relator (não vencido nesta matéria). Aliás, nem mesmo por via interpretativa se pode a ela chegar. A embargante, por certo, deixa de considerar os trechos a seguir (grifo não consta do original): Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real e o disposto nos artigos 7o. e 8o. da Lei 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77, deixam claro Fl. 3577DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.578 6 que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em outras palavras, uma vez demonstrado que nenhuma parcela daquele ágio existe materialmente, negase qualquer vantagem tributária ao sujeito passivo, de modo que nenhuma repercussão poderia existir na apuração do lucro contábil. Pertinente, portanto, a glosa das exclusões não previstas na legislação da CSLL, e da redução do lucro tributável por despesa atribuída a ágio, mas que não reveste as características necessárias para ser assim classificada. Não se vislumbra a contradição alegada, pelo que os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. 3. Omissão quanto à análise dos argumentos abordados no recurso voluntário para o cancelamento da multa qualificada. A embargante afirma que teria demonstrado, em seu recurso voluntário, que: (i) a Embargante prestou informações e forneceu documentos à Fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal; (ii) todos os atos societários foram devidamente registrados e arquivados nas respectivas Juntas Comerciais; e (iii) ainda, a Embargante sempre diligenciou da melhor forma possível para conferir a maior transparência nas informações referentes à operação, tendo em vista tratarse de uma companhia de capital aberto com ações negociadas no Novo Mercado. Não obstante, nenhum desses pontos teria sido levado em consideração no acórdão embargado, que teria mantido a multa qualificada sem apresentar justificativas. Essa é a alegada omissão. Eis como decidiu o Colegiado, acerca dessa matéria: A rigor, os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal para qualificar a multa aplicada nos termos previstos no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, podem ser extraídos dos fragmentos abaixo transcritos, retirados do Relatório Fiscal. "A empresa ALL América Latina Logística S/A, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, utilizandose dolosamente de uma "empresa veículo", sem propósito negocial e inexistente de fato, criada com o único objetivo de possibilitar o transporte do ágio, a fim de que a fiscalizada pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculos dos referidos tributos. Outrossim, consoante demonstrado alhures, ainda que existisse propósito negocial na Multimodal, o ágio gerado na incorporação de ações da Brasil Ferrovias e da Novo Oeste Fl. 3578DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.579 7 Brasil pela ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA não poderia sequer ter sido transferido para a "empresa veículo" em tela. Com efeito, tal operação engendrada pelas empresas do Grupo ALL materializa a conduta fraudulenta, prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, na medida em foi uma ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL relativo aos anos de 2009 e 2010.” Observase, pois, diante dos fatos retratados, não restar dúvidas de que a fiscalizada agiu intencionalmente (dolosamente) no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais, afetando, assim, as obrigações tributárias principais. No caso vertente, a meu ver, a qualificação da penalidade é ínsita à própria infração imputada (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 72 da Lei 4.502/1964), vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida. Sou, pois, pela manutenção da multa aplicada de 150%. Como se vê, as razões para a manutenção da multa qualificada foram declinadas com clareza pelo Colegiado, e se prendem à artificialidade das operações societárias que resultaram no ágio amortizado pela contribuinte. As operações societárias, embora revestidas de aspectos de formalidade, revelaramse vazias de conteúdo, pelo que o entendimento do Colegiado foi de que se tratava dos atos dolosos de que trata o art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Observese que nenhuma das três circunstâncias suscitadas pela então recorrente seria capaz de modificar esse entendimento. A primeira (prestar informações e fornecer documentos à Fiscalização) se verificou muito depois das operações societárias, por ocasião do procedimento de fiscalização, e não poderia, por certo, modificar o quanto já havia sido feito. As duas seguintes (registro e arquivamento dos atos societários nas Juntas Comerciais e transparência nas informações) se enquadram exatamente nos aspectos de formalidade das operações societárias antes mencionados e, ao contrário do que pretende a embargante, vêm ao encontro do entendimento do Colegiado, não servindo de modo algum para dar conteúdo a essas operações. Voto, pelo exposto, por rejeitar os embargos também quanto a este ponto. 4. Omissão quanto à análise dos documentos juntados a fim de comprovar o erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Alega a interessada que, desde a impugnação, teria buscado demonstrar erro na apuração do valor glosado. De fato, como se pode verificar dos lançamentos contábeis da Embargante (conforme razão contábil juntado à Impugnação como doc. 11), durante o ano de 2010 foram realizados os registros das despesas de amortização do ágio. No entanto, também foram realizados registros das receitas de reversões da PROVISÃO CVM 319349, motivo pelo qual o efeito nas demonstrações contábeis foi nulo (considerando esses lançamentos em conjunto, não foi afetado o resultado, conforme Fl. 3579DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.580 8 é possível verificar, inclusive, pelo balanço juntado ao Recurso Voluntário como doc. 02). Ocorre que, como costa do LALUR da Embargante (juntado à Impugnação como doc. 10), o efeito fiscal verificado foi de apenas R$ 16.150.469,51, uma vez que foi apenas este valor excluído para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Contudo, como se pode perceber dos autos de infração lavrados, o Sr. Agente Fiscal, ao realizar o lançamento de ofício, efetuou a tributação do valor de R$ 19.505.387,96, o que não corresponde ao valor excluído no LALUR pela Embargante. A decisão de primeira instância teria rejeitado a alegação, por entender que seria necessário examinar também a cópia do razão relativo à conta em que foi registrada a constituição da provisão e das reversões efetuadas proporcionalmente às amortizações do ágio. Em sede de recurso (doc. 03, fls. 3099/3103), a interessada teria trazido cópias das contas do razão 1310348 (Provisão ágio CVM 319) e 1310346 (Amortização do ágio). Não obstante, o acórdão embargado teria deixado de examinar tais documentos, afirmando que não teriam sido trazidos aos autos novos elementos além daqueles já considerados pela decisão de primeira instância. A embargante pede o saneamento de tal omissão, com o que restará (por sua ótica) cancelada a parcela de R$ 3.354.918,45 da autuação de IRPJ e CSLL. Ao contrário do que afirma a embargante, os documentos foram, sim, apreciados pelo Colegiado, muito embora, ao final, não tenha sido modificada a conclusão do julgador de primeira instância. Vejamos como isso se deu (grifos não constam do original): Neste ponto, como bem assinalado no voto condutor recorrido, a fiscalização constituiu o crédito tributário sobre o valor total das amortizações de ágio registradas na contabilidade, conta do Razão 4142109 (fls. 2705), no montante de R$ 19.505.387,96. Sendo que a recorrente excluiu no LALUR a título de realização da provisão de ágio (conta 13103494142109) o valor de R$ 16.150.469,51. A recorrente alega que o correto teria sido glosar a exclusão efetuada no LALUR.. Da leitura dos autos constatase que a diferença no valor de R$ 3.354.918,45 apurada pela fiscalização diante dos registros no livro LALUR restou assim assinalada no Relatório Fiscal integrante do auto de infração: "Em razão de ter sido comprovada, pelos motivos já relatados, a indedutibilidade fiscal das despesas com a amortização de ágio do sujeito passivo, as exclusões destas, efetuadas nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL, relativas aos exercícios de 2009 e 2010, foram glosadas pela fiscalização. Em razão de incongruências constante no Livro de Apuração do Lucro Real/LALUR do ano calendário de 2010, posto que a conta 1310349 4142109 "Exclusão realização provisão ágio" passou de R$ 18.159.515,50 em 10/2010 para R$ 14.804.597,05 em 11/2010, sendo que os valores acumulados mensalmente, foram considerados, nesse ano, o total das amortizações registradas na contabilidade, como segue: VALOR NA CONTABILIDADE EXCLUSÕES NO LALUR Fl. 3580DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.581 9 AC/2009 R$ 1.240.490,06 AC/2009 R$ 1.240.490,06 AC/2010 R$ 19.505.387,96 AC/2010 R$ 16.150.469,51 A peça recursal traz aos autos simples cópia da conta Razão 1310348 referente à Provisão/Ágio CVM319 no valor de R$ 16.150.469,51, e conta Razão 1310346 referente à Amortização do Ágio, no mesmo valor. O fato é que, constatase do Livro LALUR (Parte A), ano calendário 2010, lançamentos "Exclusões Realização Provisão Ágio Conta 1310349 4142109" com saldos acumulados em janeiro/R$ 1.815.951,55; fevereiro/R$ 3.631.903,10; março/R$ 5.447.854,65; abril a setembro/R$ 7.623.904,91; outubro/R$ 18.159.515,50 (total acumulado) e, no mês de novembro valor total reduzido para o valor de R$ 14.804.597,05 (R$ 18.159.515,50 R$ 14.804.597,05 = R$ 3.354.918,45 diferença não justificada). Portanto, concluise, quanto às diferenças na apuração das bases de cálculo a recorrente não trouxe aos autos novos elementos além daqueles apresentados quando da impugnação e já considerados pela decisão recorrida, ou seja, o valor considerado como exclusão indevida referente a amortização de ágio é o registrado na contabilidade no montante de R$.19.505.387,96. Os documentos a que se refere a embargante, razão das contas 1310348 e 1310346 foram expressamente referidos e analisados pelo acórdão embargado. Ocorre que, no entendimento do Colegiado, esses novos documentos não foram suficientes para afastar a diferença não justificada de R$ 3.354.918,45. Em outras palavras, esses novos documentos nada acrescentaram à análise empreendida por ocasião do julgamento em primeira instância. É nesse sentido que deve ser compreendida a afirmação sublinhada no último parágrafo acima transcrito, à qual se agarra a ora embargante para afirmar a ocorrência de omissão no julgado. Demonstrada a inocorrência da alegada omissão, os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. 5. Obscuridade quanto à análise da alegação de inovação da DRJ. Essa alegação de inovação é assim sintetizada pela ora embargante: Em suma, como já mencionado, os autos de infração que deram origem ao presente processo foram lavrados em razão dos seguintes argumentos expostos pela Fiscalização: (i) ocorrência da transferência indevida do ágio, à medida que não teria ocorrido "a extinção das empresas fusionadas, cindidas ou incorporadas" (fl. 13 do TVF); e (ii) ainda que fosse admitida a alegada transferência do ágio, não teria sido constatada a existência de propósito negocial para a empresa MULTIMODAL (fls. 14 a 19 do TVF). Não obstante, a DRJ entendeu por bem manter as autuações sob a alegação de que a MULTIMODAL seria empresa desprovida de propósito negocial, pois "não seria possível que aquela sociedade exercesse a gerência do sistema de transporte multimodalidade, por ser uma holding pura" (fl. 31 da decisão da DRJ), argumento este jamais aventado pela Fiscalização em seu TVF. A embargante sustenta que o acórdão embargado teria sido obscuro ao rejeitar essa preliminar. O argumento não teria sido enfrentado e não restaria claro o motivo pelo qual o Colegiado concluiu não ter ocorrido alteração do fundamento do lançamento. Fl. 3581DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.582 10 O acórdão embargado tratou da matéria como segue (o destaque sublinhado não consta do original): Em última preliminar a defesa invoca a nulidade do Acórdão alegando que a DRJ teria inovado em questões que não foram abordadas pela fiscalização. [...]. Constatase, claramente, que a argumentação da decisão recorrida não alterou o fundamento do auto de infração. A fiscalização glosou a exclusão ao fundamento, entre outros, pela ausência de propósito negocial da empresa Multimodal, descrevendo no Relatório Fiscal o seguinte: O Modus Operandi é basicamente o mesmo: pessoas físicas constituem empresas, geralmente com o objeto social de "holdings", sem nenhum propósito negocial próprio, que são, em curto lapso temporal, adquiridas por outras pessoas, físicas e/ou jurídicas a fim de atender unicamente aos interesses dessas últimas, como por exemplo, a redução da carga fiscal mediante operações de reorganização societária. A criação das referidas sociedades "casca" já é premeditado, pois estas só possuem razão de ser após a transferência de suas propriedades para as reais interessadas. Da leitura dos autos, vêse que o lançamento deixa claro que a indedutibilidade do ágio decorre da circunstância de que as operações societárias que lhe deram origem não envolverem uma despesa prévia, tornandoo sem lastro. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse na mesma linha, ainda que usando outras palavras. Assim, não houve alteração do fundamento do lançamento. O fundamento para a rejeição da preliminar não poderia ser mais claro. O fundamento empregado pela Fiscalização foi a falta de propósito negocial da empresa Multimodal, cuja criação atendeu exclusivamente a propósitos de redução artificial da tributação. O mesmo fundamento, falta de propósito negocial, foi expressamente validado pelo julgador de primeira instância. Observese o seguinte parágrafo do acórdão da DRJ, à fl. 2806: Por conseguinte, não logramos identificar o propósito negocial da criação da empresa Multimodal, sendo que os elementos probatórios e a sequência dos acontecimentos descritos os autos corroboram a afirmação fiscal de que a Multimodal Participações Ltda. foi criada com o propósito de possibilitar a dedução indevida das despesas com amortização de ágio. A análise feita pelo julgador de primeira instância sobre a possibilidade de exercício, por parte da Multimodal, do papel de gestor do sistema multimodalidade foi feita para afastar a alegação da então impugnante de que esse seria o propósito negocial extratributário buscado pelo Fisco. Isso não representa, em hipótese alguma, a introdução de um novo critério jurídico para o lançamento. Não se verifica, na hipótese, qualquer obscuridade no acórdão embargado, mas tão somente a intenção da embargante de rediscutir matéria já decidida, o que não se admite em sede de embargos. Os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. Conclusão. Fl. 3582DF CARF MF Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.431 S1C3T1 Fl. 3.583 11 Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento aos presentes embargos, ratificando integralmente o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301002.019, de 04/05/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 3583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901085/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 04/12/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.652
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/12/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13558.901085/2009-37
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728792
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.652
nome_arquivo_s : Decisao_13558901085200937.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13558901085200937_5728792.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6781378
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210230669312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.901085/200937 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.652 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente PORTO SEGURO VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/12/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 85 /2 00 9- 37 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13558.901085/200937 Acórdão n.º 3201002.652 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.411. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13558.901085/200937 Acórdão n.º 3201002.652 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13558.901085/200937 Acórdão n.º 3201002.652 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911532/2009-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de março/2006, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2006) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de março/2006, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2006) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.911532/2009-81
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5740516
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.921
nome_arquivo_s : Decisao_10166911532200981.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10166911532200981_5740516.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6848922
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210233815040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.911532/200981 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.921 – 1ª Turma Sessão de 8 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEB LAJEADO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de março/2006, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2006) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 15 32 /2 00 9- 81 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10166.911532/200981 Acórdão n.º 9101002.921 CSRFT1 Fl. 3 2 negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2006, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de CSLL), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10166.911532/200981 Acórdão n.º 9101002.921 CSRFT1 Fl. 4 3 anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de CSLL com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10166.911532/200981 Acórdão n.º 9101002.921 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10166.911532/200981 Acórdão n.º 9101002.921 CSRFT1 Fl. 6 5 pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10166.911532/200981 Acórdão n.º 9101002.921 CSRFT1 Fl. 7 6 restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721159/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 142 DO CTN. EXIGÊNCIAS.
Os requisitos do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerados constam do artigo 142 do CTN. A correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributário é ônus da Autoridade Lançadora. A existência de erro na determinação do sujeito obrigado ao cumprimento da obrigação tributária, seja na qualidade de contribuinte, seja na de responsável, macula com vício insanável o lançamento tributário, ensejando sua nulidade absoluta.
Numero da decisão: 2201-003.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 142 DO CTN. EXIGÊNCIAS. Os requisitos do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerados constam do artigo 142 do CTN. A correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributário é ônus da Autoridade Lançadora. A existência de erro na determinação do sujeito obrigado ao cumprimento da obrigação tributária, seja na qualidade de contribuinte, seja na de responsável, macula com vício insanável o lançamento tributário, ensejando sua nulidade absoluta.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.721159/2013-80
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5738507
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.698
nome_arquivo_s : Decisao_10880721159201380.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880721159201380_5738507.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6837699
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210250592256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.735 1 2.734 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.721159/201380 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.698 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Recorrente JOSELITO GOLIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 142 DO CTN. EXIGÊNCIAS. Os requisitos do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerados constam do artigo 142 do CTN. A correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributário é ônus da Autoridade Lançadora. A existência de erro na determinação do sujeito obrigado ao cumprimento da obrigação tributária, seja na qualidade de contribuinte, seja na de responsável, macula com vício insanável o lançamento tributário, ensejando sua nulidade absoluta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 11 59 /2 01 3- 80 Fl. 2736DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 4ª Turma da DRJ Curitiba que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2009, em razão de ganho de capital por venda de bens imóveis. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 1463 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 22.102.178,44, que compreende imposto (R$ 6.201.509,10), juros de mora (R$ 1.947.273,86), multa proporcional (R$ 13.935.395,48), valores consolidados em março de 2013. Foi imputada responsabilidade solidária à empresa I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Ltda., conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls 1470), por suposto interesse comum na ocorrência do fato gerador, ganho de capital na alienação de bens imóveis em face da venda de propriedades rurais pelo devedor principal. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente ao IRPF do anocalendário 2009, ocorreu em 08 de abril de 2013 para o devedor principal, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 1576. A ciência do devedor solidário, se dá em 02 de abril de 2013, também por meio postal (AR de fls. 1730). Em 02 e 06 de maio de 2013, foram apresentadas as impugnações ao lançamento, pelo devedor solidário (fls. 1582), e pelo sujeito passivo (fls. 2320), respectivamente. Em 19 de novembro do mesmo ano, a 4ª Turma da DRJ de Curitiba por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0644.298 (fls. 2384), de forma unânime, julgou parcialmente procedente o crédito tributário impugnado. Tal decisão tem o seguinte relatório, que por sua clareza, reproduzo (fls.2386): Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 1463/1469, que exige R$ 6.201.509,10 de imposto, R$ 13.953.395,48 de multa de ofício de 225% e encargos legais. Consoante descrição dos fatos do Auto de Infração às fls. 1.465 e Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.470/1.542, foi constatada apuração incorreta de Ganho de Capital na alienação de bens e direitos adquiridos, ocorrida em 23/10/2009, no valor de R$ 41.343.393,98 (fl. 1.465). Cientificado em 08/04/2013 (fl. 1.576/1577), o interessado apresentou, em 06/05/2013, a tempestiva impugnação de fls. 2.320 a 2.346, instruída com os documentos de fls. 2.347 a 2.352, onde alega que o Ato de Infração não obedeceu ao normativo do art. 9º do Decreto 70.232 (sic), de 25 de março de 1972, na redação dada pelo art. 25 da Lei 11.941, de 27 de outubro de 2009, resultado da conversão da MP 448, de 2008, cognominada a “MP do Bem”, que institui uma diversidade de prescrições, editadas com a finalidade de proporcionar aos Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.736 3 contribuintes meios eficazes de fazer frente às conseqüências da crise econômica internacional, dentre as quais se destaca um parcelamento de débitos fiscais em condições até então inéditas. A observância estrita ao referido dispositivo é regra de natureza cogente, imbricada com o sobre princípio constitucional da ampla defesa, trazendo implícita a sanção da invalidade do ato administrativo que a transgredir. Quanto à versão da autoridade autuante de que teria assumido a identidade fictícia de Paulo Roberto da Rosa, CPF 714.373.39115, e praticado vários atos jurídicos com esse nome, expõem particularidades da vida familiar para argumentar que, nos idos de 2006, teria sido procurado por um homem desconhecido que apresentava traços fisionômicos semelhantes aos seus, que dizia ser seu meioirmão. O referido cidadão, órfão de mãe aos três anos, não teria sido aceito por sua mãe e por essa razão foi amparado por outro casal, tendo indicado o nome desses como seus progenitores quando do Registro Civil. Teria esclarecido que na escola primária fora identificado por uma certidão que indicava apenas o nome da mãe, com a qual obteve seus documentos e foi aventurar a vida no Paraguai, radicandose numa Colônia de “Brasiguaios” aprendendo tudo sobre o cultivo da soja. Casou se e, com o sogro, corretor de imóveis, aprendeu a avaliar terras para compras e vendas, abandonando praticamente as lides agrícolas. A esposa o abandonou e, sem nunca ter tido visto de permanência no país vizinho, retornou ao Brasil. Afirma que, embora ignorasse a existência desse irmão, ofereceulhe o melhor amparo possível e o entrosamento entre ambos foi facilitado pelo conhecimento que o mesmo possuía acerca de corretagem de imóveis rurais. Sugeriu ao seu meio irmão que se submetessem ao exame de DNA, o qual concordou, no entanto, não tiveram oportunidade de ir a um laboratório e, também porque, de sua parte, tal providência não revestia caráter de urgência dada à semelhança física entre ambos. Procurou cercarse do máximo de cautela, adiantoulhe uma pequena quantia para que se estabelecesse e efetuasse as primeiras despesas; garantiulhe um empréstimo de grande porte, mas exigiu que lhe fosse outorgada procuração a si e a seu advogado, cabendolhe a última palavra em relação aos negócios. Assim, não teve prejuízo nem lucro, posto que as comissões de intermediação foram apropriadas ao irmão. Dele sabe apenas que estaria viajando de carro para o Paraguai, onde iria vender propriedades que adquiriu em nome de terceiros, por carência de documentos de identificação paraguaios. Sustenta que não cometeu transgressão alguma, eis que tudo resultou da intenção de reparar uma injustiça cometida ao seu meioirmão. As decantadas transações de terras supostamente subavaliadas não resistem a um exame à luz da razão. Comprar e vender Fl. 2738DF CARF MF 4 imóveis rurais, em época em que os invasores de terra granjeiam o apoio dos políticos, importa sempre em um negócio de risco. Quando alguém aparece com dinheiro, é sempre bemvindo e o preço pode ser convidativo; os cartórios são estritamente fiscalizados pelas Secretarias da Fazenda dos Estados, sendo os valores subavaliados prontamente impugnados. Como homem de negócios, tem o direito de se associar ou consorciarse com quem quer que seja, com propósito de lucro. Se houver alguma infringência fiscal, descarta o dolo, que exige a intenção de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Na hipótese de divergência quanto à base tributável, é de se lhe exigir a complementação, acrescida no máximo de multa simples, jamais da alíquota exacerbada. Transcreve doutrinas para insurgirse contra as penalidades pecuniárias, por considerálas confiscatórias, posto que aplicadas a contribuinte que declarou as operações efetuadas, previamente fiscalizadas pelo poder competente para apreciar o valor tributável; dizse surpreendido pelo fisco federal que não concordou com o valor julgado justo pela Fazenda Estadual, que detém poder de instituir e fiscalizar o Imposto de Transmissão de Propriedade Inter Vivos. Por fim, requer o acatamento da preliminar, reconhecendo a invalidade do auto de infração, ordenando o preceptivo do art. 9º do Decreto 70.232/72, reabrindose prazo para a defesa, se não preferir, desde logo, decidir pela improcedência da autuação. Se não for este o entendimento, pelo menos que se determine a redução da penalidade ao valor mínimo, em face de ausência de dolo. A autoridade fiscal lavrou, em 27/03/2013, o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1.543/1.544), em nome da empresa I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ 09.060.869/000104, com fundamento no artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), em face de a empresa ter agido em conluio com o sujeito passivo (Joselito Golin), visando obter vantagens em transações imobiliárias. O interesse comum se consubstanciou na economia de IRPF decorrente de ganho de capital, o que possibilitou o fechamento de contratos milionários de transferências de imóveis, conforme amplamente descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1470/1.542). Consta dos itens 68/70 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.509/1.511) que, as empresas I.C.G.L, I.C.G.L 2 e AGK 5 tiveram interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, qual seja, o ganho de capital auferido na alienação de imóveis rurais. Essas empresas jamais fizeram qualquer negócio com “Paulo Roberto da Rosa” (não havia, em seu nome, patrimônio para garantir as operações de empréstimos, notadamente nos casos dos primeiros empréstimos), mas sim, com o Sr. Joselito Golin. Este sim, um conhecido empresário que tem patrimônio (transferido em parte para as suas filhas) e administra várias empresas. Portanto, houve conluio entre essas empresas e o Sr. Joselito Golin (que compareceu nos negócios sob o manto de procurador da pessoa fictícia “Paulo Roberto da Rosa”) o que dificultou e retardou o conhecimento do fato gerador (notadamente quanto ao seu Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.737 5 aspecto subjetivo) das obrigações tributárias abordadas no item IV deste Termo de Verificação Fiscal. Isso porque: a) essas empresas de renome, e enorme patrimônio, sabiam ou deviam saber da irregularidade (interposição de uma terceira pessoa, fictícia, com a finalidade de haver economia tributária) pois não iriam emprestar valores milionários a alguém com quem não mantiveram nenhum contato e nem tinha patrimônio para garantir os empréstimos; b) a justificativa dada para a escolha de “Paulo Roberto da Rosa”, foi, em apertada síntese, o conhecimento detido por ele sobre as condições do mercado e a sua experiência na negociação dos preços de imóveis rurais na região. Entretanto, ficou amplamente demonstrado que, até então, “Paulo Roberto Rosa” jamais teve uma movimentação financeira que o permitisse realizar as referidas operações; c) a I.C.G.L e AGK 5 afirmaram ter tido contato pessoal com “Paulo Roberto da Rosa”, apesar de estar comprovado, neste TVF, ser “Paulo Roberto Rosa” pessoa fictícia, criada por Joselito Golin (vide item II.III, mais especificamente o parágrafo 66); d) as garantias dadas aos empréstimos por “Paulo Roberto da Rosa” são visivelmente precárias. A maior parte desses empréstimos foi garantida por notas promissórias emitidas por “Paulo Roberto da Rosa”. Entretanto ficou comprovado que, em nome de “Paulo Roberto da Rosa”, no momento da operação, os bens e direitos existentes eram ínfimos quando comparados ao valor dos mútuos contratados; e) a AGK 5 adquiriu de “Paulo Roberto da Rosa” a Fazenda Angelim juntamente com a Golin Empreendimentos imobiliários – empresa ligada a Joselito Golin – o que demonstra o interesse comum entre essa empresa e o Sr. Joselito Golin; f) a garantia substancial dada aos mútuos contratados consistiu na responsabilização de Joselito Golin (este sim pessoa com nome e patrimônio), como devedor solidário e principal pagador, sem benefício de ordem, de todas as obrigações assumidas por “Paulo Roberto da Rosa”; g) as empresas I.C.G.L, I.C.G.L 2 e AGK 5 compartilham o mesmo endereço do “Grupo Vision”, que, segundo informações na imprensa, possui um vínculo empresarial com o “Grupo Golin”. 70. Da análise dos contratos de compra e venda dos imóveis rurais referidos, são patentes as enormes diferenças entre os valores de aquisição desses imóveis, por “Paulo Roberto Rosa”, o VTN médio (informado pela Secretaria do Estado de Agricultura) e o valor atribuído às fazendas na dação em pagamento aos mútuos contraídos, conforme se evidencia a seguir: Fl. 2740DF CARF MF 6 a) a Fazenda Santa Rosa, por exemplo, foi adquirida, por R$ 176.000,00 (valor que consta no registro do imóvel) e alienada à AGK 5 por R$ 25.000.000,00; b) as Fazendas Chapadão (I a X e XII a XVI) e Terçado (Fazendas Cabeceira, Fazenda Pirajazinho II e Fazenda Engano) foram adquiridas por R$ 2.247.400,00 (valor que consta no registro do imóvel) e alienadas à I.C.G.L por R$ 46.464.188,39; c) as Fazendas Piauí (Fazenda Olho D’Água, Fazenda Brejo da Onça II, Fazenda Esteio I, Fazenda Esteio II, Fazenda Duas Meninas, Fazenda Piauí I, Fazenda Piauí II, Fazenda Piauí III, Fazenda Piauí IV e Fazenda Piauí V) foram adquiridas por R$ 960.000,00 (valor que consta no registro de imóvel) e alienadas à I.C.G.L e I.C.G.L 2 por R$ 54.735.988,46. Em sua defesa, a empresa I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Ltda., por meio de representante (fls. 1.709/1.728), apresentou, em 02/05/2013, a impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 1.582/1.708, instruída com os documentos de fls. 1.729/2.317, onde, inicialmente, relata os fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração e do referido Termo, onde faz um breve apanhado acerca de suas atividades, bem como da empresa Vision, responsável pela sua gestão no Brasil, para fins de deixar clara a incompatibilidade das acusações fiscais com o seu perfil de atuação e a total ausência de conluio com o Sr. Joselito Golin ou interesse comum em eventual sonegação de IRPF por ele praticada. Salienta que a Vision Brasil Investments (“Vision”).é uma empresa de gestão de investimentos, aprovada e supervisionada pela “CVM” e membro da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (“ANBIMA”), que adota as melhoras práticas de governança e transparência de atuação existentes no mercado, com um padrão de excelência no exercício de sua atividade fiduciária. A grande maioria de seus clientes são investidores institucionais internacionais com interesse em ativos reais no Brasil, cujos recursos são investidos em áreas inovadoras e de alto potencial de valorização, buscando gerar valor agregado a seus acionistas, clientes, colaboradores, mediante o desenvolvimento de projetos de atividades agrícolas, aquisição de Fazendas, no intuito de obter resultados positivos da atividade agrícola e valorização da Fazenda para futura venda. Faz um breve resumo dos acontecimentos mais importantes da empresa desde a sua criação em 2003 até 2012 e aduz que foi no exercício dessa atividade que adquiriu Fazendas de Paulo Roberto Rosa, cuja alienação gerou o suposto ganho de capital não oferecido à tributação pelo alienante Conhecedora das peculiaridades do mercado de imóveis rurais na região norte do país, percebeu que a melhor forma de atuar nesse mercado seria contar com a expertise de proprietário local que pudesse auxiliála na negociação, pois, assim, manteria a sua identidade oculta para os proprietários das Fazendas desejadas, não elevassem os preços em demasia. Nessas circunstâncias, foi apresentada ao Sr Joselito Golin, conhecido proprietário de imóveis na região, que Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.738 7 por sua vez, apresentou o Sr. Paulo Roberto da Rosa, em reunião presencial no escritório Pinheiro Neto Advogados. Segundo o Sr Joselito, o Sr. Paulo era um empresário que tinha ido àquela região e enriquecido com a aquisição, exploração e venda de grandes propriedades rurais. Ainda seria pessoa de sua confiança, parceiro de negócios e que figuraria nos contratos atinentes às operações para aquisição de Fazendas. Para viabilizar os negócios contratou o escritório de advocacia Pinheiro Neto Advogados, que ficou responsável pela elaboração dos Contratos de Empréstimo e verificação de toda a documentação necessária, tendo sido estruturada uma operação de 'land loan' (empréstimo de terras), onde, inicialmente, seria assinado um contrato de mútuo, que concedia empréstimo ao Sr. Paulo Roberto da Rosa no valor equivalente ao da propriedade de seu interesse. Em garantia da quitação o mutuário outorgava à impugnante garantia hipotecária de outros imóveis de sua propriedade, que à época, possuíam valor de mercado suficiente para garantir os empréstimos, conforme relaciona às fls. 1610/1612. Em seguida o Sr. Paulo Roberto Rosa efetivava a aquisição do imóvel, tomando todas as providências necessárias à sua regularização e, depois de efetuada, utilizava o imóvel para quitar o contrato de mutuo, transferindoo à impugnante mediante dação em pagamento por valor ligeiramente superior ao montante inicialmente emprestado, ou seja, com o acréscimo dos juros pactuados. Sustenta que desde o ano de 2000, o Sr. Paulo Roberto da Rosa, nada obstante os baixos valores de custo histórico registrado na DIRPF (fls. 1.385/1.444), era proprietário da Fazenda Santa Rosa de altíssimo valor econômico (R$ 30.290.000,00), conforme laudo elaborado pela empresa de consultoria Deloitte, a qual foi dada em garantia hipotecária, primeiramente à empresa I.C.G.L em 14/09/2007, e após o cancelamento dessa hipoteca em 10/04/2008, ao empréstimo firmado com a impugnante na mesma data, no valor de R$ 35.000.000,00, liberado em parcelas, uma de R$ 16.000.000,00 e outra de R$ 18.751.417,00, conforme Contrato às fls. 584 a 600 e comprovantes de transferências às fls. 630/631, os quais destinavamse, única e exclusivamente, à aquisição de imóveis rurais previamente selecionados e indicados nos contratos. O referido mutuário era, ainda, proprietário da Fazenda Alto da Serra, composta das matrículas: Fazenda Alto da Serra I, II e III, Fazenda Serra. Fazenda Santa Rosa, Alto da Curiola e Última Fronteira II, avaliada em 31/12/2008, pelo valor de R$ 46.590.000,00, caindo por terra a alegação do fisco de que “Paulo Roberto Rosa” não tinha patrimônio para garantir as operações. À fl. 1598, relaciona os imóveis que teriam sido transferidos para quitar o empréstimo, denominados coletivamente como “Fazenda Piauí”, conforme Certidão de Escritura às fls. 161 a 176 e nota da aludida Certidão. Observa que do montante de R$ 54.735.988,46 recebidos como dação em pagamento, lhe coube a fração de 81,06%, pela qual deu a quitação do empréstimo de R$ 35.000.000,00. Enfatiza que todas as tratativas das operações Fl. 2742DF CARF MF 8 eram feitas com o Sr. Joselito Golin e que a única ocasião em que o administrador da impugnante, Sr. Fábio Greco, esteve presente com o Sr. Paulo Roberto Rosa ocorreu na sede do Escritório Pinheiro Neto Advogados para a discussão dos documentos atinentes às operações de land loan. Essa pessoa seria a constante na ficha de identificação acostada pela fiscalização às fls. 1318/1323. Como o Sr. Joselito Golin contava com instrumento de procuração pública para representar os interesses do Sr. Paulo, não tinha motivos para suspeitar da lisura das operações pactuadas, bem como da inexistência do Sr. Paulo Roberto Rosa, a quem conheceu. Rechaça o Termo de Sujeição Passiva Solidária por não subsistir a uma análise acurada de seus fundamentos, seja pela ausência de prova quanto ao seu interesse econômico na suposta sonegação, seja pela interpretação errônea e aplicação do disposto no art. 124, inciso I, do CTN. Repisa que o referido dispositivo requer a existência de interesse jurídico na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, e não o interesse econômico, como quis a fiscalização, o que significa que o sujeito passivo deve realizar a hipótese de incidência tributária, isto é, praticar o fato gerador. Não há nos autos qualquer prova que dê sustentação à alegação de que teve proveito econômico com a suposta sonegação praticada pelo Sr. Paulo Roberto da Rosa, ou como alegado pela fiscalização, pelo Sr. Joselito Golin. Afirma que adotou todas as medidas que qualquer parte interessada adotaria na celebração desses negócios jurídicos, com a efetivação de 'due diligences', mediante a contratação de um dos mais respeitados escritórios de advocacia para representála nesses negócios, e, de forma alguma, tinha como suspeitar de qualquer irregularidade, não só pelo fato de confiar no Sr. Joselito, mas também pelas evidências documentais e físicas, assim como a análise jurídica de todos os documentos pelo escritório de advocacia contratado. Salienta que o escritório Pinheiro Neto Advogados teria recebido e analisado os documentos e certidões das operações relativos ao Sr. Paulo Roberto da Rosa e relacionadas às fls. 1617/1620, não tendo constatado problemas, tendolhe afirmado que o mesmo tinha poder e autoridade para realizar as operações. Teria contratado, ainda, o escritório Rulli&Moretti Advogados, especializado na aquisição de vendas, que analisou a documentação não tendo apontado nenhuma restrição quanto ao Sr. Paulo Roberto da Rosa. Quanto à área tributária tinha preocupação em proceder de forma correta, assim, contratou o escritório Souza, Schneider, Pugliese & Sztokfisz que analisou os aspectos tributários envolvidos na operação, descreveu as incidências fiscais e sugeriu alternativa que implicaria redução (lícita!) dos tributos incidentes. Relativamente à afirmação do fisco de que o Sr. Paulo Roberto da Rosa não tinha movimentação financeira compatível com a realização de compra e venda de imóveis rurais, alega que não teria como saber acerca dessa movimentação já que tal movimentação não é pública, bem como de informação comumente solicitada aos vendedores em operações de Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.739 9 aquisição de terras, ou aos tomadores de empréstimos em operações de mútuos, o que se pede, e isso foi feito, é a apresentação de garantias. Analisando a movimentação financeira do Sr. Paulo, às fls 1485/1487, constatase haver, no ano de 2007, lançamentos a crédito no valor de R$ 54.166.844,19, sendo que os empréstimos da impugnante teriam sido de R$ 47.500.000,00, havendo um ingresso de R$ 6.666.844,19, com o qual nada tinha a ver. Em 2008, os valores creditados foram de R$ 62.931.951,99, enquanto as operações com a I.C.G.L 2 e AGK 5 totalizaram R$ 60.000.000,00. Em 2009, houve um ingresso de R$ 4.966.806,23, enquanto a única operação com empresa relacionada à impugnante (AGK 5) fora de R$ 3.200.000,00. No que concerne à afirmação de que a AGK 5 teria adquirido a Fazenda Angelim juntamente com a Golin Empreendimentos Imobiliários – empresa ligada a Joselito Golin – o que comprovaria o interesse comum de ambos, esclarece que a empresa AGK 5 não adquiriu a Fazenda Angelim em conjunto com a Golin Empreendimentos Imobiliários Ltda. Em verdade, teria adquirido a Fazenda Santa Rosa e como esta tinha pendências em sua documentação, solicitou que fosse trocada por outra devidamente regularizada. Como a AGK 5 já havia pago R$ 25.000.000,00 ao Sr. Paulo Roberto Rosa, acordaram que a Fazenda Angelim seria vendida em substituição àquela, pelo preço de R$ 37.800.000,00, e a diferença de R$ 12.800.000,00 paga em duas parcelas de R$ 6.400.000,00 (fls. 909927). Como a AGK não pretendia desembolsar o montante total, cedeu parte de seus direitos à empresa Golin Empreendimentos Imobiliários Ltda., ficando coproprietários na proporção de 83,07% (AGK 5) e 16,93% (Golin), o que no seu entender não revela qualquer interesse comum ou econômico entre a AGK e o Sr. Joselito Golin ou conluio nas supostas fraudes engendradas com a criação do Sr. Paulo Roberto da Rosa e a alegada sonegação de IRPF. Quanto à alegação de as empresas I.C.G.L. I.C.G.L. 2 e AGK 5 compartilham o mesmo endereço do Grupo Vision, alega não haver qualquer irregularidade no fato, tendo em vista que as empresas I.C.G.L. e AGK 5 são geridas pela Vision. O administrador da impugnante (Fabio Greco) é também administrador I.C.G.L. 2 e AGK 5, e o Sr. Amaury Fonseca Junior é também administrador desta última, sendo ambos sócios fundadores da Vision. A impugnante, a I.C.G.L. e a AGK 5 foram constituídas para viabilizar as atividades agrícolas, todas geridas pela Vision. Afirma nunca ter havido “união” ou “conluio” entre a Vision, as empresas por elas geridas e o Sr. Joselito Golin. No tocante às notícias extraídas da Internet de que a Tiba Agro, da qual os Srs. Amaury Fonseca Junior e Fabio Greco eram sócios em 25%, e que teriam se unido a dois produtores rurais, os irmãos Francioni, da Bahia, e o Grupo Golin, da região CentroOeste, alega imprestáveis para fundamentar uma acusação fiscal, uma vez que inacuradas não refletindo a Fl. 2744DF CARF MF 10 realidade. Afirma que o Sr Joselito Golin ou o Grupo Golin nunca tiveram participação na Tiba Agro, conforme documentos societários que relaciona às fls. 1.637/1640. Em relação à alegação de que o custo de aquisição das Fazendas era excessivamente baixo, inferior ao VTN médio e ao valor atribuído na dação em pagamento, alega não ser de sua responsabilidade o custo de aquisição considerado por seus anteriores proprietários ou mesmo o informado pelo Sr Paulo Roberto da Rosa, no entanto, tem certeza de que os valores das alienações eram os de mercado, até mesmo muito superiores ao VTN médio, conforme quadro à fl. 1.642. É evidente que não teria adquirido as Fazendas pelo exato valor de mercado apontado pela Deloitte, mas por valores justos e próximos aos de mercado. Quanto à conclusão da fiscalização de que “a economia de imposto obtida com o uso desse subterfúgio (atribuir a uma pessoa fictícia a sujeição passiva do IRPF relativa ao ganho de capital) aproveita a todos os envolvidos nas operações, uma vez que se chega mais facilmente a um acordo sobre o valor final dos bens objeto do contrato”, alega não haver um único documento que prove que a impugnante obteve uma redução no preço das Fazendas, como também de que teve qualquer tipo de Ganho Financeiro com a alegada sonegação de IRPF! Muito ao contrário: pagou preço de mercado e muito superior ao VTN. Tece considerações acerca do instituto da solidariedade tributária, prevista no art. 124, inciso I, do CTN, alegando que o referido dispositivo requer a existência de interesse jurídico na situação que constitui o fato gerador e não interesse econômico, como quis a Fiscalização, o que significa que o sujeito passivo deve realizar a hipótese de incidência tributária, isto é, praticar o fato gerador. Como pessoa jurídica não poderia realizar o fato gerador do IRPF, bem como é logicamente impossível que tenha auferido renda na alienação de Fazendas por outrem. Aduz ser ponto pacífico na doutrina e jurisprudência (transcrita) que a comprovação de “proveito comum” é imprescindível para configurar o interesse comum previsto em lei como caracterizador da solidariedade. Não se pode atribuir solidariedade tributária a duas pessoas sem antes demonstrar que a ocorrência do fato imponível é proveitosa para ambos, no mesmo sentido. A multa de ofício não se aplica à solidariedade, em especial o agravamento em 50%, pois a impugnante atendeu a todas as intimações. O próprio art 124, I do CTN, prevê que o instituto da solidariedade é restrito à cobrança da obrigação principal. As multas de ofício foram aplicadas em percentual qualificado (150%), e agravado à metade (75%), totalizando 225%, o que reforça a impossibilidade de responsabilização da impugnante, uma vez que o “evidente intuito de fraude” é atribuído tão somente ao Sr. Joselito Golin, que na visão do fisco teria criado “pessoa fictícia”. Alega ser flagrantemente ilegal a determinação contida na IN SRF nº 84/01 de tomar como base para apuração do ganho de capital os valores reais da transação envolvendo os imóveis Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.740 11 rurais, já que a Lei 9.393, de 1996, em seus art. 14 a 19, estabelece como base de cálculo tão somente o VTN do imóvel rural nos anos da aquisição e da alienação, seja aquele indicado pelo próprio contribuinte no DIAT (auto avaliação do VTN, como parte da atividade de lançamento por homologação), seja aquele obtido no SIPT (no caso de lançamento de ofício). A Instrução Normativa não pode se sobrepor aos ditames legais, disciplinando diversamente do estabelecido em lei, sob pena de acarretar inversão de hierarquia das normas e majorar ilegalmente a base de cálculo do imposto em tela. Conforme quadros à fl. 1681, alega que nenhuma das operações analisadas nos autos resultou em ganho de capital para fins de IRPF sobre alienação de imóveis rurais, já que, conforme a base de cálculo que encontra respaldo em lei – o VTN extraído do SIPT – tais operações não resultaram base tributável (VTN de alienação igual ao VTN de aquisição). Não bastando a irregularidade acima, a fiscalização teria incorrido em outro equivoco, no caso, a aplicação a menor de percentuais de redução da Lei 11.195, de 2005, em relação ao suposto ganho de capital auferido com a alienação da Fazenda Piauí, Fazendas Esteio (I e II), Duas Meninas e Piauí (I a IV), conforme tabelas à fl. 1.683. Embora a fiscalização tenha afirmado que as Fazendas em questão foram adquiridas em 30/06/2008, aplicou o fator de redução (“FR2”) do inciso II do art. 40 da Lei 11.196, de 2005 de 0,9489 quando o correto seria 0,9423, resultado da aplicação da fórmula FR2 = 1/1,0035 m2 (onde m2 corresponde ao número de mesescalendário ou fração decorridos entre o mês da aquisição do imóvel e o da sua alienação = 17 meses). O cálculo correto importaria relevante redução nos valores lançados, conforme demonstrado. No que tange à alegação de que as DITR da Fazenda Piauí não poderiam ser utilizadas para apuração do ganho de capital decorrentes das alienações efetuadas à impugnante, por terem sido apresentadas por pessoa supostamente fictícia, alega que a fiscalização não provou a inexistência do Sr. Paulo Roberto da Rosa, preferindo valerse de conjecturas e presunções do que provas concretas e cabais, o que é incompatível com o processo administrativo tributário (princípios da verdade material e da legalidade), assim, não poderiam ser desconsideradas. Ainda que prevalecesse a acusação fiscal no sentido de erro na identificação do sujeito passivo nas aludidas declarações, caberia a Fiscalização retificálas de ofício, a teor do art. 147, § 2º do CTN, para que constassem como transmitidas pela pessoa física do Sr. Joselito Golin, apontado como o verdadeiro sujeito passivo, de modo a prevalecer a confissão de dívida nelas contida e, se fosse o caso, lançar eventuais diferenças apuradas com base no SIPT. É inconteste que as DITR relativas aos imóveis em apreço foram efetivamente transmitidas à RFB, com o efeito de possibilitar à Fiscalização o conhecimento dos fatos geradores da obrigação tributária de ITR e de IRPF. Como a fiscalização consignou que, em relação à Fazenda Piauí, teria sido declarado em DIRPF, pelo Sr. Paulo Roberto da Rosa, ganho de capital no valor de R$ 9.515.281,22, embora não pago Fl. 2746DF CARF MF 12 o imposto dele decorrente, correto seria considerálo como atinente ao Sr. Joselito Golin, no entanto, foi desconsiderado o ganho mencionado na DIRPF, lançandose novamente o IRPF sobre a mesma manifestação econômica, com pesadas multas de ofício. Alega incabível a aplicação da multa em 150%, uma vez que a acusação de fraude recai apenas sobre o Sr Joselito Golin e não ficou provado que teria agido em conluio e, muito menos, que tenha tido alguma responsabilidade com a alegada sonegação. Insurgese, ainda, sobre os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, que considera ilegais, na medida em que essa não retrata a obrigação principal, mas em encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o devedor. Por fim, requer o provimento da impugnação, para determinar o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do próprio Auto de Infração e, se não for esse o entendimento, protesta pela posterior juntada de documentos adicionais, que estão sendo diligentemente levantados pela impugnante em seus registros. Cientificados da decisão que contrariou parcialmente seus interesses em 06 e 13 de dezembro de 2013, o sujeito passivo (fls. 2433) e o devedor solidário (fls. 2485), respectivamente, apresentaram tempestivamente, em 26 de dezembro e 14 de janeiro de 2014 recurso voluntário. Antes, porém, em 14 de novembro de 2013, o Contribuinte apresenta aditamento de sua impugnação, folhas 2416, na no qual apresenta nova argumentação contra o lançamento tributário ainda não julgado, mas que apenas 5 dias depois, viria a sêlo. Tal peça, por meio de despacho de folhas 2426 que reconheceu o recebimento tardio em face da ciência do acórdão de impugnação não foi apreciada pela decisão recorrida. Em 26 de março de 2015 foi juntado aos autos (fls. 2675/2709), pelo devedor solidário, cópia de decisão do Juiz do DIPO da Justiça Estadual de São Paulo que, acatando a posição do Ministério Público Estadual, determinou o arquivamento por falta de provas, uma vez que constatouse a existência do Sr Paulo Roberto da Rosa do Inquérito Policital nº 004343146.2014 que tinha por finalidade apurar o crime de falsificação de documento público e de falsidade ideológica noticiado por meio de Representação Fiscal para Fins Penais decorrente da ação fiscal que lançou o tributo que aqui se discute. Na petição de juntada, o devedor solidário reitera as alegações de seu voluntário em especial quanto a solidariedade imputada, posto que fundada no interesse comum e conluio. A Procuradoria da Fazenda Nacional, noticia, em 13 de janeiro de 2016, o ajuizamento de ação cautelar fiscal nº 006176688.2015.403.6182, junto à 11ª Vara de Execuções Fiscais da Justiça Federal de São Paulo e que houve concessão de decisão liminar nos referidos autos. Por fim, houve em 13 de setembro de 2016, pedido de conexão nos termos do artigo 6º do Anexo I do RICARF, por parte da empresa AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda, à qual também foi imputada responsabilidade solidária pelo créditos discutidos no processo nº 10880.721160/201312. Entendeu a peticionante que, em face do sorteio do mencionado processo para a 1ª Turma da 3ª Câmara desta 2ª Seção, haveria a necessidade de distribuição deste processo para o julgamento em conjunto. Tal pedido foi Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.741 13 indeferido por despacho fundamentado (fls. 2733), assinado em conjunto pela Sra. Presidente desta 2ª Câmara e pelo Sr. Presidente desta 2ª Seção de Julgamento do CARF. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico para este Conselheiro, em razão do Conselheiro Relator anteriormente designado não mais integrar este Conselho Administrativo. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira Os recursos voluntários atendem aos requisitos de admissibilidade e portanto, deles conheço e passo a apreciálos na ordem de suas alegações. Constato que toda a defesa do Recorrente se funda na premissa de que há erro na sujeição passiva, posto que o Sr Paulo Roberto da Rosa é pessoa natural viva. Como relatado, tratamse de apelos interpostos pelo devedor principal e pelos solidários em oposição a decisão de primeira instância que manteve o lançamento tributário relativo ao pretenso IRPF devido em razão do ganho de capital ocorrido pela alienação de bens do devedor principal. Assim se inicia o Termo de Verificação Fiscal (fls 1471): "1. Cumpre informar, inicialmente, que a fiscalização em epígrafe é decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06.1.85.0020120001147 em nome de "Paulo Roberto da Rosa", CPF714.373.39115. Essa ação fiscal teve começo com o : ,Termo de Início recebido, por via postal, em 09/04/2012, que demandou do intimado a apresentação dos seguintes documentos: (...) 2. Tendo em vista a ausência de resposta a este. Termo, "Paulo Roberto da Rosa" foi intimado, novamente, por mais seis vezes (ver quadro abaixo), no domicílio fiscal constante no Cadastro da Pessoa Física da Receita Federal do Brasil, isto é: Rua Anita Garibaldi, n° 29, Sala 401, Centro, São Paulo (SP) e, até a presente data,não recebemos a' documentação/esclarecimentos solicitados e/ou qualquer pronunciamento a respeito. (...) 3. Entretanto, conforme se demonstrará nesse Termo de Verificação Fiscal (item II), "Paulo Roberto da Rosa" é uma Fl. 2748DF CARF MF 14 pessoa fictícia, que foi criada por Joselito Golin, cuja alcunha é "Paulo Golin". (...)" (destaques não constam do original) A leitura do excerto acima é determinante no deslinde do presente processo administrativo tributário. Como veremos, a Fiscalização entendeu que o sujeito passivo, por ela eleito, alienou bem imóveis de sua propriedade, como procurador do Sr. Paulo Roberto da Rosa, posto que tais bens estavam registrados em nome deste. Dito de modo diverso: O Sr Joselito Golin, eleito pela Autoridade Autuante como sujeito passivo, criou a pessoa física Paulo Roberto da Rosa por meio da utilização de documentos falsos, realizando diversas alienações ensejadoras de ganho de capital e consequente incidência de IRPF, sempre em nome da pessoa fictícia por ele criada, consoante se verifica no item 5 do TVF. Alega a Autoridade Fiscal (fls. 1473): "5. Destacase que o objetivo dessa ação fiscal é apurar o real Ganho de Capital e o imposto respectivo, decorrente das alienações ocorridas, em 2008 e 2009, de diversos imóveis rurais, adquiridos em 2007 e 2008, em nome de."Paulo Roberto da Rosa", CPF 714.373.39115, com parte.dos recursos provenientes de empréstimos concedidos por "I.C.G.L Empreendimentos (e Participações S.A (CNPJ 08.692.712/0001 20), doravante também referida como I.C.G.L, no valor de R$ 47.500,000,00 e por I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Ltda (CNPJ 09.060.869/000104), doravante tambémreferida como I.C.G.L 2, no valor de R$ 35.000.000,00. (...) 6. Registrase que o Sr Joselito Golin, em flagrante desprezo à intimação já exarada, erigida em Termo formal .e regular, quando intimado a apresentar os demonstrativos/esclarecimentos referentes à apuração do ganho de capital decorrente das : operações mencionadas no, parágrafo anterior, mantevese silente, sem apresentar qualquer manifestação, apesar de estar demonstrada, nesse Termo, a responsabilidade direta dele quanto a essas infrações " (destaquei) Tal a certeza do ocorrido, que a Fiscalização, no item II (Identificação Correta do Sujeito Passivo), folhas 1474, assevera: "7. 0 artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), assim dispõe sobre a constituição do crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.742 15 II.I) COMPRA E VENDADÉ IMÓVEIS 8. Nas DIRPF (Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física)apresentadas em nome de. "PauloRoberto da Rosa", CPF 714.373.39115, .há a informação referente à aquisição de diversos imóveis rurais (vide tabelas a seguir) nos anos calendário 2007 e 2008. Esses imóveis, de acordo com as aludidas declarações(informações confirmadas por documentos apresentados "pelas mutuantes), teriam sido adquiridos com parte dos recursos provenientes de empréstimos concedidos porI.C.G.L Empreendimentos e Participações SA (CNPJ;08.692 712/000120), no valor de R$ 47.500,000,00'e por I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Itda (CNPJ09.060.869/0001 04), no valor de R$ 35.000.000,00 (apresenta extensa tabela folhas 1475 e 1476) 9.Uma informação que merece ser destacada são os baixos valores de aquisição dos imóveis rurais relacionados no parágrafo anterior em comparação com os dados constantes do SIPT (Sistemas de Preços de Terras) tendo por base o VTN (valor da Terra Nua) informado pela Secretaria de Agricultura dos Estados. Com base no SIPT, os imóveis, que foram transferidos; em 2008 (dação em pagamento) e adquiridos em 2007 por R$ 2.247.400,00, deveriam ter um VTN de aquisição médio de R$ 36.199.976,00, enquanto que os adquiridos em .2008 por R$ 960.000,00 e transferidos em 2009 (dação em pagamento) deveriam ter um VTN de aquisição médio de R$ 6.572.794,00. 10. De acordo com as DIRPF apresentadas em nome de"Paulo Roberto da Rosa", teriam sido realizadas benfeitorias nos imóveis rurais adquiridos com recursos de empréstimos obtidos de pessoas jurídicas não financeiras. Após1; teria havido a liquidação desses empréstimos, via dação, de quase todos os imóveis .adquiridos, em, pagamento. Registrase aqui que as alegadas benfeitorias realizadas não foram comprovadas, e que o imposto relativo ao ganho de capital apurado não foi recolhido em sua totalidade (vide Item IV) 11,Em análise aos registros de imóveis, verificase que yários dos imóveis" adquiridos em nome de "Paulo Roberto da Rosa" (Duas Meninas, Piauí I, Piauí II,y Piauí III, Piauí IV e Piauí V,;Olho D' Agua II,e,Brejo da Onça II) teriam sido alienados a ele pelo Sr.Ronaldo Lisboa de Freitas (Sr Ronaldo), CPF 566.578.54315, que teve relação de emprego com a Eldorado Agroindustrial Ltda (informação constante de sua DIRPF/2009), CNPJ 37.224.433/000130, empresa essa que possui como, sócios o Sr Joselito Golin, Aria Paula Schimitz Golin Judiliane Schimitz Golin e Rafaela Schimitz Golin. 12. As informações constantes do Cadastro de Pessoa Física (CPF) da; Receita Federal do Brasil (CPF) permitem depreender que Ana Paula Schimitz Golin, CPF 056.547.84943, Judiliane Schimitz Golin, CPF 726.184.00178 e Rafaela Fl. 2750DF CARF MF 16 SchimitzGolin, CPF 057.631.90904, são filhas do Sr Joselito Golin 13. As informações contidas nos parágrafos 11 e 12 constituem indícios de que;pelo menos parte das fazendas adquiridas em nome de "Paulo Roberto da Rosa" , pertenciam a Joselito Golin que as vendeu, então, para empresas do Grupo Vision" Ao longo de várias páginas, a Fiscalização demonstra a ligação do Sr. Joselito Golin com as empresas I.C.G.L Empreendimentos e Participações SA e I.C.G.L 2 e AGK5 Empreendimentos e Participações Ltda. Demonstra ainda, que a movimentação bancária de Paulo Roberto da Rosa era incompatível com sua estrutura patrimonial e atividade. Ressalta a grande quantidade de empréstimos concedidos pela empresas mencionadas ao Sr Paulo Roberto da Rosa. Menciona, citando reportagens de jornais de grande circulação que dois ex executivos de grande banco internacional constituíram empresa com objetivo de captar recursos no exterior para aquisição de grandes extensões de terra em fronteiras agrícolas do centrooeste e nordeste brasileiros e que o Sr Paulo Roberto da Rosa, por indicação de J Golin, foi contratado por essa empresa, para adquirir, em seu nome, grande extensão de terras. Conclui (folhas 1490): "32. Pelos fatos já narrados, depreendese haver uma estreita relação entre o Sr Joselito Golin e as empresas I.C.G.L, I.G.G.L 2 e AGK 5, destacandose os seguintes fatos: a) o Sr Joselito Golin e a empresa AGK 5 adquiriram," em conjunto, a Fazenda Angelim, sendo, portanto, condôminos; b) Há vínculo empresarial entre o Grupo Vision e o " Grupo Golin", confirmado, por informações da Imprensa e por declaração prestada pelo Sr Carlos Alberto Casseb (vide Item II.Ill deste Termo de Verificação Fiscal). c)As empresas do Grupo Vision e as empresas IX.G.L, I.C.G.L 2 e AGK 5 compartilham o mesmo endereço cadastral d)As empresas LC.G.L e I.C.G.L 2 declararam ter feito empréstimos.milionários a "Paulo: Roberto> da;/.Rosa" Revido aos seus conhecimentos para escolha de imóveis rurais na região e.de sua experiência na negociação dos preços desses imóveis. Entretanto, a sua movimentação financeira, até a data dós referidos empréstimos,era incompatível com essa atividade. Assim, o mais razoável é concluir que I.C.GiL, I.C.G.L 2 e. AGK 5 não quiseram contratar"Paulo Roberto da Rosa", mas Joselito Golin, este sim,, pessoa com reconhecida experiência no mercado de"compra e venda de imóveis rurais (vide informações da imprensa citadas nos parágrafos'55 a 57deste Termo de Verificação Fiscal). A corroborar tal conclusão depõe o documento referente a Contrato de Empréstimo e Hipoteca assinado por Joselito Golin e encaminhado à I.C.G.L 2.onde o signatário declara ter conhecimento e experiência profissional na atividade de aquisição de imóveis rurais nos Estados do Piauí e Mato Grosso e assume ser responsável,devedor solidário, garantidor e principal pagador, sem benefício de ordem, de todas as obrigações assumidas em nome de "Paulo Roberto da Rosa". Ademais, quase todos os documentos (há documentos assinados por Carlos Alberto Casseb advogado Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.743 17 doGrupo Golin) envolvendo "Paulo Roberto da Rosa" e a I.C.G.L.I.C.G.L 2 e AGK 5 sempre foram assinados por Joselito Golin.alegadamente na condição de procurador. O referido documento coloca o Sr Joselito Golin na condição de PARTE no contrato a que faz referência e) As empresas I.C.G.U e AGK 5,declaram ter tido contato pessoal com "Paulo Roberto dá Rosa" apesar de ficar comprovado, nesse Termo, que "Paulo Roberto da Rosa", nascido em 12/12/1962, é pessoa fictícia (vide Item II.Ill deste Termo de Verificação Fiscal)." (com exceção dos destaques deste último parágrafo, todos os demais constam do original) A partir deste ponto o Auditor Fiscal responsável pelo lançamento tributário passa, segundo se observa nas folhas 1492/1508, a demonstrar que a pessoa de Paulo Roberto da Rosa é ficta, criada por Joselito Golin para fins escusos. Transcrevo a conclusão da Autoridade Fiscal (fls 1505): "Conclusão: Paulo Roberto da Rosa". CPF 374.361.63000. Cl 11.615.29586 SSP/BA. é Pessoa Fictícia criada por Joselito Golin Diante do exposto, concluise que "Paulo Roberto da. Rosa" é , uma pessoa fictícia, que foi criada por JOSELITO GOLIN, CPF 374.361.63000, empresário, conhecido do ramo imobiliário rural e do agronegócio, possivelmente, para ocultar o , verdadeiro sujeito passivo de eventuais obrigações tributárias. Os fatos narrados que permitem essa conclusão podem ser sintetizados da seguinte forma: a) Ausência de assento de nascimento em nome de "Paulo Roberto da Rosa", data de nascimento 12/12/1962; filho de Almerica .Silva da Rosa b) Inexistência de Título de Eleitor em nome de "Paulo Roberto da Rosa", data de nascimento em 12/12/1962 e filho de Almerica Silva da Rosa c) Procuração outorgada por. "Paulo Roberto da Rosa", no ano de 2002, com prazo indeterminado, conferindo ao Sr Joselito Golin 'amplos, gerais e ilimitados poderes, inclusive, para abrir, movimentar;, é encerrar contas bancárias" d)Joselito Golin assume a responsabilidade solidária por empréstimos, contraídos em, nome de "Paulo Roberto da Rosa", sem benefício de ordem e) Joselito Golin comparece verdadeiramente como "PARTE" num / contrato em que apenas "Paulo Roberto, da Rosa" inicialmente havia sido contratado f)"Paulo Roberto, da Rosa" .participa de vários atos sempre; representado por um procurador (vide todos os documentos firmados por "Paulo Roberto da Rosa" e as empresas I.C.G".L, Fl. 2752DF CARF MF 18 I.C.G.L 2 e AGK) , tais como. contratos :de empréstimos, escritura de dação e imóveis em pagamento ;e instrumentos de compra é venda de imóveis, além de informações do síndico da massa falida das Fazendas Reunidas Boi Gordo S.A. g) A criação do CPF de "Paulo Roberto da Rosa", em 1999, aos 36anos de idade, nascido em .12/12/1962 h) O registro da suposta Certidão dé Nascimento e da Carteira de Identidade em nome de "Paulo Roberto da Rosa",.quando ele teria, respectivamente, 32 e 36 anos de idade i) As tentativas de inserir o nome Paulo ao de Joselito Golin, em 1998, no cadastro de CPF. j) Domicílio Tributário informado para "Paulo Roberto da Rosa" pertence a outro contribuinte. Entretanto as correspondências; encaminhadas a ele estão sendo interceptadas pelo escritório de advocacia do Sr Casseb, Escritório esse que possui como clientela. JAP empresa ligada a Joselito Golin k) As assinaturas de "Paulo Roberto da Rosa" constantes do CPF, da Carteira de Identidade e da Ficha do Instituto de Identificação Pedro;Mello do Departamento de Polícia do Governo do Estado da Bahia, são divergentes I) Os documentos de "Paulo Roberto da Rpsa" (CPF, Carteira de Identidade, Certidão de Nascimento e Procuração) foram emitidos em: diferentes estados (Mato Grosso do Sul, Bahia, Amazonas e Distrito Federal, respectivamente) m) Forte suspeita levantada pelo síndico da Massa Falida da Boi Gordo de que Paulo Roberto da Rosa nem sequer existe, tendo sido criado por Joselito Golin n) Realização de vultosos empréstimos de Paulo Roberto da Rosa a Gérson Luiz de Oliveira (Gérson faz parte do Quadro Societário de várias empresas do Grupo Golin) que, por sua vez, fez transferências milionárias a empresas e pessoas ligadas a Joselito Golin o) 0 endereço constante no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica de Empresa ligada a Joselito Golin (JAP) é o mesmo daquele eleito como domicílio tributário para "Paulo Roberto da Rosa", sendo que esse endereço pertence a outro contribuinte p) Joselito Golin é empresário conhecido no ramo do agronegócio e do comércio de imóveis rurais, enquanto Paulo Roberto da Rosa é pessoa desconhecida até mesmo em seu endereço tributário q)Várias fazendas adquiridas em nome de Paulo Roberto da Rosa pertenciam a pessoas ligadas a Joselito Golin, como por exemplo, as fazendas Duas Meninas, Piauí I, Piauí II, Piauí III, Piauí IV, Piauí V, Olho D'Agua II e Brejo da Onça II que tinham como proprietário o Sr Ronaldo Lisboa de Freitas, CPF 566.578.54315" Explicita a Autoridade Lançadora: O Sr Paulo Roberto da Rosa não existe! Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.744 19 Recordemos, com o perdão da repetição, ainda mais um trecho (fls 1539): "154.No item "II.Ill RELACIONAMENTO DE JOSELITO GOLIN COM "Paulo Roberto da Rosa" deste TVF, ficou amplamente demonstrado o evidente intuito de fraude, via criação de um sujeito passivo fictício ("Paulo Roberto da Rosa") por Joselito Golin, para, dentre outros objetivos, ocultar o verdadeiro sujeito passivo das obrigações, tributárias analisadas no item "IV ; APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL", e com isso impedir ou retardar o conhecimento por parte, da Autoridade Tributária do fator gerador da obrigação tributária. Ante o exposto, estáse diante da hipótese de sonegação, prevista no inciso II do.art. 71 da lei n° 4.502/1964, uma vez que a criação de um sujeito passivo fictício foi uma ação dolosa.que teve, dentre, outros; o objetivo de impedir o.conhecimento por parte da autoridade fazendária das. . condições pessoais do contribuinte, suscetíveis, de afetar a obrigação tributária, principal ou o crédito tributário correspondente" Como consequência de suas constatações, os Auditores Fiscais responsáveis pelo lançamento, elaboraram representações fiscais para fins penais que foram encaminhadas ao Ministério Público Federal, visando a apuração da prática, em tese, do crime de uso de documento falso e falsidade ideológica. Como consta do Relatório, em 26 de março de 2015, a devedora solidária I.C.G.L 2 Empreendimentos e Participações Ltda, requer a juntada da Manifestação do Ministério Público do Estado de São Paulo nos autos do Inquérito Policial nº 322/2014, seguida da decisão do MM Juíz do Foro Central Criminal da Barra Funda da Comarca de São Paulo DIPO Sandro Rafael Barbosa Pacheco, determinando o arquivamento do Inquérito Policial (fls. 2709). Assim se manifestou o Ministério Público do Estado de São Paulo (fls. 2707): "Observase, assim, que o presente procedimento administrativo deve ser arquivado, pois o conjunto probatório mostrase precário quanto a caracterização dos delitos em questão. Ressaltese que a Receita Federal acreditava que Joselito Golin teria criado pessoa fictícia para omitir sujeito passivo da obrigação tributária. Todavia, restou demonstrado que não restou evidenciado, pois se revelou que Paulo Roberto da Rosa é, de fato, uma pessoa, titular de direitos e obrigações. Atentese que Paulo Roberto explicou que a suspeita da Receita Federal se deu em virtude de um número equivocado quanto a sua certidão de nascimento, fazendo, inclusive, com que ele sofresse prejuízos financeiros e morais. Por fim, os sócios da Vision Brasil de Investimenos relataram que quando fizeram negócios com Paulo Roberto, todos os seus documentos foram supervisionados por escritórios de advocacia Fl. 2754DF CARF MF 20 especializados, bem como empresas de auditoria, não sendo encontrada nenhuma falsidade nos referidos documentos. Assim, apesar dos esforços da polícia, o cenário probatório e precário quanto a caracterização dos delitos em exame e não vislumbro novas diligências cabíveis, razão pela qual requeiro o arquivamento dos autos, sem prejuízo, contudo, do disposto no artigo 18 do Código de Processo Penal" Patente a conclusão da autoridade competente para verificação da existência da pessoa natural: Paulo Roberto da Rosa é pessoa física viva e titular de direitos e obrigações. Houve erro da identificação do sujeito passivo pelas Autoridades Lançadoras. Os negócios jurídicos ensejadores de obrigações tributárias constantes do Auto de Infração que aqui se discute foram praticados pelo Sr Paulo Roberto da Rosa como reconhecido pelo próprio Fisco e o lançamento tributário foi realizado em nome de Joselito Golin e dos demais devedores solidários mencionados. Inegável a existência de vício no lançamento. Vício de índole material. Como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias, decorrente da verificação da prática do foto gerador pelo sujeito passivo, deve ser corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, não se aplica no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é que todo o lançamento tributário parte da premissa de que aquele que praticou o fato gerador não existe como pessoa natural. Consta do prelúdio do Termo de Verificação Fiscal tal afirmação. Não obstante as diligências efetuadas pelas Autoridades Lançadoras no tocante a intimação do contribuinte e dos demais partícipes dos negócios jurídicos praticados, em que pese o caráter inusual destes, denotarem a prática de determinados atos simulados, a Fiscalização optou por eleger somente o Sr Joselito Golin como contribuinte assim entendido aquele que tem relação pessoal e direta com o fato gerador, posto que o Fisco assumiu como verdade a inexistência do Sr Paulo Roberto da Rosa. Instada, por imperativo processual, a comprovar a sujeição passiva, a Recorrente soube se desvencilhar do ônus, comprovando para a autoridade competente, no caso a autoridade policial, a existência com vida daquele que praticou os negócios jurídicos ensejadores do ganho de capital. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, não identificou o sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.745 21 Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: Atos irregulares são aqueles padecentes de vícios materiais irrelevantes, reconhecíveis de plano, ou incursos em formalização defeituosa consistente em transgressão de normas cujo real alcance é meramente o de impor a padronização interna dos instrumentos pelos quais se veiculam os atos administrativos Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." Fl. 2756DF CARF MF 22 O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 2201003.698 S2C2T1 Fl. 2.746 23 No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco quem efetivamente praticou os fatos geradores da obrigação tributária. Errou ao eleger o Contribuinte. Como visto é dever do Fisco apontar o real sujeito passivo. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 2758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008616/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL.
Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência.
IOF. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física.
IOF. MÚTUO FINANCEIRO. GRUPO ECONÔMICO.
A realização de operações de mútuo entre empresas do mesmo grupo econômico não impede a incidência do IOF sobre tais operações, por conservarem, mutuante e mutuário, a sua personalidade, nos termos do artigo 266 da Lei nº 6.404/76.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-004.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Renato Vieira de Ávila, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência. IOF. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. IOF. MÚTUO FINANCEIRO. GRUPO ECONÔMICO. A realização de operações de mútuo entre empresas do mesmo grupo econômico não impede a incidência do IOF sobre tais operações, por conservarem, mutuante e mutuário, a sua personalidade, nos termos do artigo 266 da Lei nº 6.404/76. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.008616/2008-12
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5730723
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.112
nome_arquivo_s : Decisao_19515008616200812.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515008616200812_5730723.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Renato Vieira de Ávila, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6787959
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210281000960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.008616/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.112 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria IOF Recorrente CENTRAL DE ESTÁGIO INTEGRAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência. IOF. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. IOF. MÚTUO FINANCEIRO. GRUPO ECONÔMICO. A realização de operações de mútuo entre empresas do mesmo grupo econômico não impede a incidência do IOF sobre tais operações, por conservarem, mutuante e mutuário, a sua personalidade, nos termos do artigo 266 da Lei nº 6.404/76. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 86 16 /2 00 8- 12 Fl. 669DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Renato Vieira de Ávila, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, lavrado em 29/12/2008, relativo a fatos geradores ocorridos em 01/01/2003 a 31/12/2006. Conforme informado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 7477 do Volume 3), intimado a esclarecer a composição do seu Ativo Realizável a Longo Prazo, referente às contas representativas de créditos com empresas coligadas e/ou controladas, o contribuinte apresentou seus livros contábeis e fiscais, no qual se apurou que os nomes que aparecem nas contas de mútuo correspondem a empresas coligadas, conforme fls.208 e seg. Verificouse que a empresa fiscalizada não efetuou recolhimento nenhum a título de IOF no decorrer dos anoscalendário de 2003 a 2006, em que pese ter efetuado diversos envios de recursos às pessoas jurídicas coligadas, períodos, conforme documentação inserta no presente processo (fls.245 e segs). O único contrato de mútuo apresentado pela fiscalizada referese a uma abertura de linha de crédito, inicialmente concedida na remessa do valor de R$40.000,00 (em julho/2003), sem limite estipulado, sucessivamente renovada (fls. 238 e seg) em face da empresa Geldria Participações Ltda. Em razão da indefinição quanto ao valor principal a ser utilizado pelo mutuário, a fiscalização apurou a base de cálculo do IOF na forma do art. 7º, I, "a" do Decreto 6.306/2007 (Regulamento do IOF). Aplicouse também multa de 75% pela ausência de recolhimento do tributo devido. Irresignado, o Contribuinte apresentou Impugnação na qual alegou: i) decadência em relação às exigências do anocalendário 2003, nos termos do art. 150, §4º do CTN; ii) alega que em não se tratando de instituições financeiras, a cobrança do IOF iria contra a Lei nº 5.143/66 e art. 63 do CTN; e que iii) ainda que se cobrasse mútuo sobre pessoas jurídicas em geral, no caso em tela os mútuos foram realizadas dentro de um grupo econômico, como se trata de apenas um sujeito e, portanto, não devendo incidir o imposto. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, em acórdão assim ementado: Fl. 670DF CARF MF Processo nº 19515.008616/200812 Acórdão n.º 3402004.112 S3C4T2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência. IOF. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. Diante disso, apresentou Recurso Voluntário de fls. 650 e ss., reiterando as razões de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Em relação à legitimidade do subscritor do Recurso, consta na folha de rosto do Recurso Voluntário carimbo informando "Recebido por insistência do Contribuinte", sob a justificativa de "falta de procuração". Compulsando a Impugnação, verificase que a mesma vem acompanhada de Procuração outorgando poderes apenas ao Sr. André Felix Ricotta de Oliveira ao passo que o RV vem subscrito por este, acompanhado da Sra. Beatriz Rodrigues Bezerra. Pareceme que o fato de um dos subscritores já possuir procuração nos autos supre qualquer vício de representação sem que, no entanto, seus poderes sejam automaticamente estendidos à outra subscritora. Assim, não vislumbro nos autos vício de representação. Quanto à preliminar de decadência, alega o Contribuinte que o prazo deveria ser contado sob a regra do art. 150, §4º do CTN, por se tratar de tributo lançado por homologação. Todavia, é pacífico neste CARF que a aplicação dessa regra está condicionada à existência de declaração acompanhada de algum pagamento, ainda que parcial. Não havendo pagamento, devese aplicar a regra do art. 173, I do CTN. Fl. 671DF CARF MF 4 A aplicação da regra mencionada na hipótese de ausência de pagamento antecipado foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, com força normativa formal, no REsp n.º 973.733, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, conforme o revogado art. 543C do CPC/73, como se vê na ementa abaixo: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Fl. 672DF CARF MF Processo nº 19515.008616/200812 Acórdão n.º 3402004.112 S3C4T2 Fl. 4 5 No mesmo sentido, o Parecer PGFN/CAT nº 1.617, de 2008, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda em 18/08/2008, afirmou o entendimento fazendário acerca da fixação do dies a quo dos prazos decadenciais: Parecer PGFN/CAT nº 1.617, de 2008: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; Desse modo, não há que declarar qualquer decadência sobre os créditos tributários lançados pela fiscalização. Quanto ao mérito: Alega, em primeiro lugar, que o IOF incidiria apenas sobre as operações de mútuo que envolvessem instituições financeiras, com fundamento no art. 1º da Lei 5.143/66, que aduz: Art 1º O Impôsto sôbre Operações Financeiras incide nas operações de crédito e seguro, realizadas por instituições financeiras e seguradoras, e tem como fato gerador: I no caso de operações de crédito, a entrega do respectivo valor ou sua colocação à disposição do interessado; II no caso de operações de seguro, o recebimento do prêmio. Tal entendimento, todavia, não deve prosperar, sobretudo em razão do advento do art. 63 do Código Tributário Nacional, que estabeleceu uma moldura ampla para a eleição de possíveis realizadores da conduta descrita na hipótese de incidência, senão vejamos: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; Fl. 673DF CARF MF 6 IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Por se tratar de norma geral e não conflitar com o disposto no art. 1º da Lei 5.143/66, não se opera qualquer espécie de revogação até mesmo porque a função exercida atualmente pelo art. 63 é aquela atribuída à lei complementar no art. 146, III da Constituição Federal. Assim, podese dizer que o art. 63 do CTN definia a moldura da hipótese de incidência, em consonância com a competência atribuída constitucionalmente, ao passo que a lei ordinária viria a instituir materialmente o tributo, dandolhe os contornos concretos de incidência. Entretanto, se a Lei nº 5.143 tinha o condão de restringir a incidência aos mútuos envolvendo instituições financeiras, com o advento da Lei 9.779/99 essa situação caiu por terra, em razão do seu art. 13, verbis: Art.13.As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Assim, a lei ordinária veio definitivamente estender o âmbito de incidência do IOF a qualquer mútuo de recursos financeiros, seja entre pessoas jurídicas, seja entre pessoa jurídica e pessoa física, instituição financeira ou não. Da mesma forma, o Decreto nº 4.494, de 2002, vigente à época dos fatos, ao regulamentar o IOF, assim dispôs: Art.2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13). (...) Art.3ºO fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). §1º Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: (...) §4º A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei nº 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1º, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 58); Fl. 674DF CARF MF Processo nº 19515.008616/200812 Acórdão n.º 3402004.112 S3C4T2 Fl. 5 7 III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13). Ainda que existam doutrinadores que discutam a constitucionalidade ou não da incidência do IOF sobre mútuo entre pessoas que não são instituições financeiras, não há como se negar que os dispositivos mencionados são absolutamente claros, estando este Colegiado adstrito à sua aplicação, por força da Súmula CARF nº 02, bem como o artigo 26A do Decreto 70.235/72. Assim sendo, não deve prosperar este argumento do Recorrente. Quanto ao segundo argumento, consiste na afirmação de que o mútuo entre empresas de um mesmo grupo econômico não deveria ser tributado. A contribuinte não contesta a existência das operações de mútuo, mas alega que a natureza jurídica das operações realizadas difere daquela inerente ao mútuo comercial justamente por serem as partes integrantes de um mesmo grupo econômico, e, portanto, não estariam sujeitas ao IOF. Em que pese suas alegações, a legislação do IOF não prevê qualquer exceção ou regra especial para as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas integrantes de grupo econômico. A despeito da distinção existente entre o mútuo e o mútuo com finalidade econômica, tal discrímen tem relevância apenas para fins de presunção de serem devidos os juros na operação, sem contanto descaracterizar qualquer uma das modalidades como operação de crédito. É o que se depreende dos artigos 586 e 592 do Código Civil: Código Civil Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Digase também que não procede o argumento de uma unicidade subjetiva entre os participantes de um grupo econômico. As pessoas jurídicas integrantes de grupo econômico são pessoas distintas – como se depreende da literalidade do art. 266 da Lei nº 6.404/76 – e, como tal, permanecem como sujeitos passivos das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores por eles praticados. Senão vejamos: Lei nº 6.404, de 1976: Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Fl. 675DF CARF MF 8 Natureza Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. Assim, o simples fato de a operação ter sido realizada com integrante do grupo econômico da contribuinte não afasta a incidência do IOF, não devendo prosperar o argumento do contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto pro negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.002512/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/2005
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB.
Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DECADÊNCIA.
No arbitramento da remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil através do custo unitário básico - CUB, embora a competência do lançamento seja o mês de cálculo, devem ser excluídas as parcelas alcançadas pela decadência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe parcial provimento nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/2005 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DECADÊNCIA. No arbitramento da remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil através do custo unitário básico - CUB, embora a competência do lançamento seja o mês de cálculo, devem ser excluídas as parcelas alcançadas pela decadência. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18050.002512/2008-46
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5731025
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.979
nome_arquivo_s : Decisao_18050002512200846.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 18050002512200846_5731025.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe parcial provimento nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187. Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6788429
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210284146688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.319 1 1.318 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.002512/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.979 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2017 Matéria ARBITRAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente ANDRE GUIMARAES CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/2005 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DECADÊNCIA. No arbitramento da remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil através do custo unitário básico CUB, embora a competência do lançamento seja o mês de cálculo, devem ser excluídas as parcelas alcançadas pela decadência. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 25 12 /2 00 8- 46 Fl. 1319DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 18050.002512/200846 Acórdão n.º 2301004.979 S2C3T1 Fl. 1.320 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento tributário realizado em 26/12/2005, fls. 1172 e relativo às contribuições sociais previdenciárias identificadas através dos códigos de levantamento abaixo discriminados, conforme detalha a fiscalização e o acórdão recorrido: TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIARIO.CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS.SAT/RAT. TERCEIROS. RETENÇÃO.CESSÃO DE MAODEOBRA. AFERIÇÃO DIRETA E INDIRETA. Contribuição social dos segurados empregados, previsão legal nos arts. 20, 30, inciso I, alíneas "a" e "b", e 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91. Contribuição social a cargo da empresa, previsão legal nos arts. 22, incisos I, II e III, e 30, inciso I, alínea "b", da Lei n° 8.212/91 c/c os arts. 1°, inciso I, e 3° da Lei Complementar n° 84/96. Retenção pela tomadora de serviços mediante cessão de mãode obra ou empreitada, previsão legal nos art. 31, §§ 1° e 2°, da Lei n° 8.212/91. Contribuição social a cargo da empresa, destinada a outros fundos e entidades, previsão legal no art. 94 da Lei n° 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... I. DIA diferenças a recolher, após a dedução dos recolhimentos efetuados, correspondentes as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuals, declaradas no livro Diário; II. GFI diferenças a recolher, após a dedução dos recolhimentos efetuados, correspondentes as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas em GRP; III. COG diferenças a recolher, após a dedução dos recolhimentos efetuados, correspondentes as comissões pagas aos corretores de imóveis; IV. PFG diferenças a recolher, apos a dedução dos recolhimentos efetuados, correspondentes aos valores pagos aos contribuintes individuais; V. FOL diferenças a recolher, após a dedução dos recolhimentos efetuados, correspondentes as remunerações pagas aos Fl. 1321DF CARF MF 4 segurados empregados e contribuintes individuais, identificadas nas folhas de pagamento; VI. OBG — valores a recolher correspondentes as remunerações, contabilizadas nos centros e custo das obras, referentes aos serviços prestados pelos contribuintes individuais, epos a implantação da GFIP; VII. OBR — valores a recolher correspondentes as remunerações, contabilizadas nos centros e custo das obras, referentes aos serviços prestados pelos contribuintes individuais, antes da implantação da GFIP; VIII. BRA — retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de aplicação de textura da empresa Brasil Spray Texture Tec em Revestimento e Textura, CNPJ 04.852.234/000118, GPS n°210; IX. CAM — retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de instalação de gás da empresa Campinas Gás Serviços Técnicos Especializados Ltda, CNPJ 04.031.957/000156, GPS n° 210; X. FM — retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de colocação de meio fio da empresa F.M. Empreiteira Ltda, CNPJ 13.827.993/000111; XI. FRM — retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de revitalização da Lagoa dos Frades e Urubu da empresa Freitas Melo Construções Ltd a, CNPJ 00.068.738/000190; XII. MC — retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de colocação de pedra portuguesa da empresa MC Carneiro Pavimentações e Serviços Ltda, CNPJ 34.279.984/0001 03; XIII. MOV retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de terraplanagem da empresa Movimaq Terraplanagem e Locação de Máquinas Ltda, CNPJ 14.919.039/000111; XIV. ORI retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de jateamento da empresa Orimar Serviços Anticorrosivos Ltda, CNPJ 16.278.509/000130; XV. TER retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de terraplanagem da empresa Terlomaq Terraplanagem Ltda, CNPJ 01.155.623/000104; XVI. TI retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de impermeabilização da empresa Tecnologia de Impermeabilização Lida, CNPJ 03.571.2401000134; XVII. CBC retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de fabricação, montagem e desmontagem de forma e escoramento, recolhida a menor, da empresa BC Construções Instalações Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 00.768.342/0001 56; XVIII. FOR retenção de 11% sobre Nota Fiscal de prestação de serviço de confecção, montagem e desmontagem de forma e Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 18050.002512/200846 Acórdão n.º 2301004.979 S2C3T1 Fl. 1.321 5 escoramento, recolhida a menor, da empresa Formatec Construções Ltda, CNPJ 02.133.819/000152; XIX. ARO arbitrado através da aferição indireta do valor da remuneração com base na área construída e no padrão de construção; XX. AFR arbitrado através da aferição indireta do valor com base na aplicação de percentual de sonegação calculado na forma do item 4.2.1 do Relatório Fiscal, fls. 317/322, referente ao período de 01/95 a 12/98; XXI. AFE arbitrado através da aferição indireta do valor com base na aplicação de percentual de sonegação calculado na forma do item 4.2.1 do Relatório Fiscal, fls. 317/322, referente ao período de 01/99 a 11/05; XXII. ALI — parcela in natura recebida sob a forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa, não inscrita no PAT, consta nos livros Diários, referente ao período de 01/95 a 12/98; XXIII. ALG — parcela in natura recebida sob a forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa, não inscrita no PAT, consta nos livros Diários, referente ao período de 01/99 a 05/05; XXIV. CAX — paga a titulo de folha complementar da administração, prolabore complementar da diretoria e ganhos habituais sob a forma de utilidades, constam de recibos não contabilizados, GPS n°210; XXV. FAZ corresponde a despesas das fazendas reunidas no CEI 50.014.12256/86, em nome do Sr. André Guimarães, sócio gerente da empresa, constam de recibos não contabilizados, GPS n° 210; XXVI. SAL assistência prestada por serviço médico cujos beneficiários são os empregados da administração, através da empresa Promédica, e os sócios, através do Plano de Saúde Sul América Seguros, referentes ao periodo de 09/96 a 12/98; a cobertura destes pianos não abrange os empregados vinculados As obras de construção civil e constam dos livros Diários; XXVII. SEG assistência prestada por serviço médico cujos beneficiários são os empregados da administração, através da empresa Promédica, e os sócios, através do Plano de Saúde Sul América Seguros, referentes ao período de 01 199 a 05/05; a cobertura destes pianos não abrange os empregados vinculados és obras de construção civil e constam dos livros Diários; XXVIII. REC valor total estabelecido nos acordos trabalhistas, em razão da não discriminação das parcelas remuneratórias nos acordos homologados, apurado no livro Diário. ... Fl. 1323DF CARF MF 6 Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas com precisão na decisão recorrida: 5. Os créditos provenientes de fatos geradores ocorridos antes de 28104/2000 estão caducos, nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN, sendo inconstitucional e inaplicável o art. 45 da Lei n° 8.212/91. 6. Ha impropriedade na realização do arbitramento do lançamento, pois existe escrituração e documentação fiscal comprobatória dos fatos tributários ocorridas. Tendo sido a escrituração desconsiderada em razão de deficiências nela verificadas na contabilização de cheques e documentos apreendidos relativos a período de julho a dezembro de 2004, não constantes da contabilização da impugnante. Nada obstante de toda esta documentação ser clara o suficiente , para identificar o fato gerador das contribuições, sues respectivas bases de cálculos e inclusive os períodos. 7. Se houve constatação de documentos não contabilizados ou escriturados de forma errônea, isso por si so não desnatura a força probante desses elementos, para que se desencadeie um arbitramento de tamanha envergadura que afronta até o principio da capacidade contributiva, porque sem nenhuma correlação com a realidade tática da empresa. Deveria ser buscada a verdade material no tocante ao salário de contribuição. 8. Os fatos descritos para desconsideração da contabilidade são copies de cheques sem a contrapartida de documento neles referidos (período atingido pela decadência), documentos, relativos ao período de julho de 2004 a dezembro de 2004, sem a devida contabilização e depoimento de uma testemunha numa reclamação trabalhista, onde historia prática irregular da empresa no pagamento de horas extras sem a devida contabilização (o que é incompatível com a índole do lançamento tributário, que não admite prova testemunhal). 9. É inconcebível que dezessete copies de cheques fossem fato desencadeador de um arbitramento quando, pelas informações nelas constantes a autoridade lançadora tinha à sua frente todos os elementos necessários para fazer o lançamento revisional e, mais gritante ainda, é um depoimento de uma testemunha ser fato capaz de desencadear o arbitramento. 10. Os documentos relativos ao exercício de 2004 deveriam ser utilizados apenas pare o lançamento referente a este período e não para se realizar a engenhosa operação aritmética, formulada subjetivamente, eis que não prevista em lei. 11. Quanto ao lançamento com base no arbitramento das remunerações vinculadas as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS (CEI), cabe realçar que os fatos supra descritos não podem servir para justificar o procedimento, por tratar de hipóteses sem nenhuma vinculação com os salários de contribuições referentes as obras, pois nos documentos apreendidos só constavam fatos relacionados com salários de Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 18050.002512/200846 Acórdão n.º 2301004.979 S2C3T1 Fl. 1.322 7 contribuições dos funcionários da administração da empresa e com prolabore. 12. Quanto aos demais fatos tratados na NFLD, estes so podem justificar a medida extrema do arbitramento quando se tem como penalidade maxima dentro de concepção estritamente fiscalista, e dão ensejo apenas a lançamento revisional, haja vista sua infima importância quando relacionados a quantidade de lançamentos constantes da escrituração da impugnante, pelo que insuficientes para desnaturála como elemento probatório dos reais custos das construções realizadas, poque há prova regular e formalizada da mãodeobra empregada nas construções dos imóveis. 13. A aferição indireta com base em Custo Unitário Básico (CUB) traz o desprezo das características de cada empresa no trato da administração dos seus custos. É o Relatório. Fl. 1325DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Uma vez tempestivo, fls. 1307, conheço do recurso. O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: ... O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 18050.002512/200846 Acórdão n.º 2301004.979 S2C3T1 Fl. 1.323 9 fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sonegação Conforme fundamentos no relatório fiscal, fls. 318 e s., ficou evidenciada a realização de pagamentos a segurados de parcelas remuneratórias registradas em contabilidade "paralela". Esses pagamentos "por fora" das folhas de pagamento regulares ensejaram o arbitramento de contribuições previdenciárias dos salários de contribuições a segurados de estabelecimento matriz e a serviços das obras de construção civil. A falta de escrituração de salários e pagamentos a prestadores de serviços evidencia o dolo do recorrente na sonegação de contribuições previdenciárias. Não se trata de equívocos ou erros eventuais de escrituração. Há muitos documentos juntados pela fiscalização que comprovam o intuito do recorrente. Não se trata apenas de um possível erro, mas de uma conduta premeditada cuja finalidade se revela com o desdobramento de outras omissões em declarações obrigatórias a serem apresentadas ao fisco. A fiscalização também formalizou representação fiscal para fins penais pela conduta, em tese, de sonegação de contribuições previdenciárias, fls. 331. Entendo que está configurado o dolo na conduta do recorrente, com finalidade de sonegação. Decadência Após a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal STF, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN, o CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial para fins de aplicação da regra decadencial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 1327DF CARF MF 10 Conforme relatado, a ciência do lançamento ocorreu em 26/12/2005, fls. 1172. O documento às fls. 93 e s. evidencia que somente os seguintes levantamentos possuem fatos geradores ocorridos também a partir de 12/1999: a) FOR retenção de 11% sobre nota fiscal de prestação de serviço; b) OBG valores a recolher correspondentes as remunerações contabilizadas nos centros de custo das obras, referentes aos serviços prestados pelos contribuintes individuais após a implantação da GFIP; c) AFE valor arbitrado através da aferição indireta do valor com base na aplicação de percentual de sonegação calculado na forma do item 4.2.1 do Relatório Fiscal, fls. 317/322, referente ao período de 01/99 a 11/05; e d) ARO valor arbitrado através da aferição indireta do valor da remuneração com base na área construída e no padrão de construção. Assim, a depender da regra aplicável podem ou não ser alcançados pela decadência. Com relação a existência de pagamento parcial, verifico às fls. 148 e s. que houve pagamento parcial em todos os meses desde 12/1999. Contudo, como já examinado, a fiscalização constatou pagamentos não contabilizados a segurados empregados e contribuintes individuais, fato esse reconhecido inclusive em sentenças trabalhistas. Também há comprovação de pagamentos a empresas que prestaram serviços nas obras de construção civil que não foram contabilizados, fls. 318 e s. Esses fatos motivaram o lançamento por arbitramento para os levantamentos AFE e ARO com fundamento no artigo 33 da Lei n° 8.212/91: Artigo 33 (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.Por tudo, voto por negar provimento ao recurso. ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Assim, por força da parte final do artigo 150, §4º do CTN, para os levantamentos AFE e ARO deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 18050.002512/200846 Acórdão n.º 2301004.979 S2C3T1 Fl. 1.324 11 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Para os levantamentos FOR e OBG, como não decorrem do arbitramento em questão e considerando a existência de pagamento parcial, deve ser aplicada a regra no artigo 150, §4º do CTN. Em conclusão, ficam alcançados pela decadência: a) levantamentos AFE e ARO, os meses até 11/1999, inclusive; b) levantamentos FOR e OBG, os meses até 11/2000, inclusive, o que representa todos os valores lançados pela fiscalização; e c) demais levantamentos, todos os meses foram alcançados pela decadência. Levantamento ARO Há fartas provas para a comprovação da sonegação e, conseqüentemente, para o arbitramento das contribuições previdenciárias. A fiscalização observou, com acerto, o critério adotado pelo artigo 33 da Lei n° 8.212/91: Artigo 33 (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.Por tudo, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 1329DF CARF MF 12 ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Assim, a adoção do critério de arbitramento é procedente; contudo, em acolhimento ao alegado às fls. 124, merece reparos para que, na forma acima, sejam excluídos do cálculo os valores alcançados pela decadência, o que implica o recálculo dos Avisos para Regularização de Obras ARO às fls. 424 e s.. Levantamento AFE A fiscalização arbitrou a remuneração paga aos segurados relativamente aos meses anteriores e posteriores a partir dos valores constatados no período de 07 a 12/2004, fls. 324 e s. Inicialmente calculou um fator denominado de "percentual de sonegação" para uma projeção do que também teria sido sonegado nos outros períodos. Esse fator é calculado pela proporção entre as remunerações em folhas não contabilizadas e as remunerações declaradas, separadamente, segurados empregados e contribuintes individuais. Conhecido esse fator, ele foi aplicado às remunerações conhecidas relativamente aos meses de 01/1999 a 06/2004 e 01/2005 a 11/2005. Diferentemente do arbitramento da remuneração empregada em obra de construção civil, que é através do CUB, para os demais casos a fiscalização dispõe da prerrogativa para adotar, discricionariamente, o critério que se apresenta adequado, compreensível e razoável. O que, a meu ver, foi atendido. A fiscalização somente dispunha das folhas de pagamento "por fora" para o período de 07 a 12/2004. Em cumprimento ao seu dever de ofício não poderia realizar o lançamento somente para esse período em que identificadas as folhas de pagamento "por fora" quando presentes outros elementos suficientes para presumir com razoabilidade que a sonegação se estendia a outros períodos, fls. 320: 3.5. Diante dos fatos ora narrados, verificase que a contabilidade da empresa não registrou o movimento real da remuneração paga aos segurados a seu serviço, nos anos de 1996, 1997 (item 3.2) e 2004 (item 3.3), conforme prova documental, em anexo, e que, ainda, conforme depoimento da testemunha da empresa, em acordo trabalhista citado no item 3.4 acima, a mesma afirma que trabalha na empresa desde 1999 e que é prática usual desta registrar as horas extras em listagem a parte, que contém o real horário de trabalho dos empregados, diferente da jornada de trabalho constante do cartão de ponto dos mesmos. Tendo em vista as considerações ora expostas e de acordo com o Art. 33 §§ 3° e 60 , da Lei n 0 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com os art. 233 e seu parágrafo único, e art. 235, ambos do decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, a fiscalização utilizouse do procedimento de aferição indireta para o arbitramento do lançamento do débito conforme itens 4.1 e 4.2 abaixo. Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto a decadência de parte do lançamento: Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 18050.002512/200846 Acórdão n.º 2301004.979 S2C3T1 Fl. 1.325 13 a) levantamentos AFE e ARO, até 11/1999, inclusive; b) levantamentos FOR, OBG e demais levantamentos, todos os meses lançados. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.007799/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
LANÇAMENTO BASEADO EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF DECRETO N° 3.724/2001. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO.
De acordo com o §4º do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 "as informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1o ".
O fato de não se encontrar entre as peças processuais o relatório circunstanciado que deu base à expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) não implica em cerceamento ao direito de defesa do impugnante nem determina a ilegalidade da prova, uma vez que este é dirigido à autoridade competente e não ao contribuinte.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas com observância das normas de regência.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários, desde que devidamente comprovados.
RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Faz-se necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. (Súmula CARF nº 25 - Vinculante).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: I) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 5.091.897,70, referente ao erro de cálculo na base tributável, vencido a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) que deu provimento parcial em maior extensão para também excluir o valor de R$ 250.457,14, relativo aos rendimentos declarados; II) por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%; III) por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que a excluíram. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 LANÇAMENTO BASEADO EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF DECRETO N° 3.724/2001. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. De acordo com o §4º do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 "as informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1o ". O fato de não se encontrar entre as peças processuais o relatório circunstanciado que deu base à expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) não implica em cerceamento ao direito de defesa do impugnante nem determina a ilegalidade da prova, uma vez que este é dirigido à autoridade competente e não ao contribuinte. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas com observância das normas de regência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluem-se da tributação os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários, desde que devidamente comprovados. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Faz-se necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. (Súmula CARF nº 25 - Vinculante). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.007799/2009-16
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5734219
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.753
nome_arquivo_s : Decisao_15504007799200916.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 15504007799200916_5734219.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: I) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 5.091.897,70, referente ao erro de cálculo na base tributável, vencido a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) que deu provimento parcial em maior extensão para também excluir o valor de R$ 250.457,14, relativo aos rendimentos declarados; II) por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%; III) por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que a excluíram. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6806245
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210291486720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 852 1 851 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.007799/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.753 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de abril de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente ROGÉRIO BATISTA ARAÚJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 LANÇAMENTO BASEADO EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF DECRETO N° 3.724/2001. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. De acordo com o §4º do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 "as informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1o ". O fato de não se encontrar entre as peças processuais o relatório circunstanciado que deu base à expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) não implica em cerceamento ao direito de defesa do impugnante nem determina a ilegalidade da prova, uma vez que este é dirigido à autoridade competente e não ao contribuinte. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas com observância das normas de regência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários, desde que devidamente comprovados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 77 99 /2 00 9- 16 Fl. 858DF CARF MF 2 RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Fazse necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. (Súmula CARF nº 25 Vinculante). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: I) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 5.091.897,70, referente ao erro de cálculo na base tributável, vencido a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) que deu provimento parcial em maior extensão para também excluir o valor de R$ 250.457,14, relativo aos rendimentos declarados; II) por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%; III) por maioria de votos, manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora) e Martin da Silva Gesto, que a excluíram. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Fl. 859DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 853 3 Foi lavrado contra o Recorrente o Auto de infração de fls 4 a 9, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de RS 3.131.799,19, acrescido de multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/03/2009. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores depositados/creditados em contas bancárias de titularidade do contribuinte, uma vez que o interessado, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras (explicações e planilhas às fls. 10 a 49). Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: art. 42 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 849 do Decreto n 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. Cientificado cm 29/04/2009 (fls. 5 e 703), em 29/05/2009, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 718 a 742, instruída com os documentos de fls. 743 a 749, argumentando, em síntese, que: 1) Nulidade do processo, uma vez que o atraso na apresentação dos extratos bancários solicitados pela auditoria estaria justificado pela demora dos bancos em fornecêlos. Sendo assim, indevida a expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, pois esta só se justifica se houver recusa do contribuinte em entregar os extratos ou demora injustificada no atendimento. Alega, ainda, que outro requisito fundamental à validade da RMF é a existência de relatório circunstanciado, documento que, além de não noticiado no Termo de Verificação Fiscal ou em qualquer outra manifestação da auditoria, simplesmente não consta dos autos. Por fim, alega que a RMF é nula por falta de motivação, uma vez que não indicam o dispositivo do Decreto nº 3.724/2001; 2) Decadência do IRPF anterior à 29/04/2004, uma vez que, na hipótese de pessoa física, os rendimentos omitidos devem ser tributados no mês em que são recebidos, ou seja, o fato gerador é mensal. Como o IRPF é um tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial cabível é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, isto é, mês a mês. 3) Demonstração da origem dos depósitos bancários. 3.1)Transferência do Contribuinte para ele Próprio: Como cliente do Banco Pottencial S.A., o contribuinte alegou que foi à instituição financeira com valores em espécie e solicitou a transferência dessas quantias para a conta que mantém no Unibanco. O gerente providenciou as remessas de imediato (fls. 385394). Apesar de reconhecer que "consta o contribuinte como remetente dos recursos", fl. 19, a fiscalização não aceitou a explicação dada porque os valores correspondentes não foram debitados na conta corrente mantida no Banco Pottencial. O contribuinte comprovou, ao longo do ano, saques "na boca do caixa que totalizam mais de R$ 5.405.400,00, (fls. 404/494). Alega que, considerandose que o dinheiro não é carimbado, que o Fisco não provou uma origem diferente da que foi informada e que não se pode exigir do fiscalizado prova negativa (como ele provaria o não consumo dos valores sacados), não resta a menor dúvida de que a justificação dada pelo lmpugnante (os RS 150.390,62 remetidos eletronicamente para a conta no Unibanco originamse de saques anteriores) precisa ser aceita. Fl. 860DF CARF MF 4 3.2) Receitas da Atividade Rural Declarada: alegou que a auditoria não pediu nenhum tipo de comprovação e que só isso já bastaria a validar o que foi informado na DIRPF, ensejando a dedução da receita de R$ 5.405.400,00 (fl. 701), da base de cálculo apurada no Auto de infração. O autuado apresenta o Livro Caixa da Atividade Rural mencionado às fls. 553 e 554, no qual não apenas explicita o que foi declarado, mas especifica, um a um, todos os depósitos bancários que decorrem dessa atividade, os quais, por isso mesmo, devem ser excluídos da tributação. Alega ainda que a desconsideração dos recibos de venda de madeira de reflorestamento de fl. 576 e de venda de gado de fls. 577/581 como prova do exercício da atividade rural por não serem eles os documentos "usualmente utilizados" (fl. 23) não pode prevalecer. 3.3) Compra e Venda de Direitos Creditórios alegou o contribuinte que preenchia cheques nominais a si mesmo e os sacava na "boca do caixa", para pagamento aos clientes que sempre necessitavam de dinheiro em espécie. Aguardava a data de vencimento da obrigação, quando recebia o pagamento mediante crédito em sua conta bancária. Informou que seu ganho foi a diferença entre o valor da compra com deságio e o valor recebido posteriormente e que não tinha como informar o resultado obtido, pois guardou os documentos somente até a data da liquidação dos compromissos. 3.4) Relativamente à Agroman Empreendimentos Técnicos Ltda, alegou o contribuinte o seguinte: Em 31/03/2004, sacou R$357.000,00 na "boca do caixa" e os depositou em favor da referida empresa (fls. 559560). Em 29/10/2004, a Agroman creditou em à favor do autuado a quantia de RS 338.000,00. Tratase de operação financeira. Quanto aos detalhes da operação, inclusive para esclarecer a diferença entre o que foi entregue e o que foi devolvido, o sujeito passivo, que não guardou documentos de operações encerradas, pediu a intimação da pessoa jurídica mencionada para ela ajudasse "no preenchimento de lacunas". 3.5) No que se refere à Siderlagos Siderurgia Ltda, o impugnante apresentou cópias dos documentos que ele possuía (fls. 563565). Não havendo prova em contrário, por que não se aceita a explicação dada? Ademais, receber dinheiro para comprar algo não significa que o bem a ser adquirido foi encontrado. 3.6) Quanto à TED de R$ 450.000,00 recebida de Marcos José de Abreu. o fiscalizado apontou cheques que, somados, perfazem a exata quantia de R$ 450.000,00 (fls. 566573). Ele explicou que os tais R$450.000,00 (sorna dos cheques) foram entregues ao Sr. Marcos para que ele intermediasse a aquisição de gado. Como as partes desistiram do negócio, o Sr. Marcos devolveu a importância que lhe fora passada por meio da TED citada. 3.7) No tocante ao crédito de R$ 280.000,00 feito por Cabedal Corretora de Mercadorias Ltda (nova denominação de Reversão Ativos Financeiros Ltda), o contribuinte alega que se fosse proprietário da obrigações da Eletrobrás vendidas, só poderia haver tributação de um eventual ganho de capital. Se os papéis vendidos pertencessem a terceiros, ocrédito na conta do autuado representaria mero "transitar de dinheiro". Como se pode perceber,nenhuma das hipóteses aventadas pela fiscalização enseja tributação a 27,5%, razão pela qual essa entrada de numerário também precisa ser excluída do lançamento. 3.8) No que diz respeito aos créditos de R$ 10.000,00 e R$ 8.842,00 em 07/12/2004 e R$ 18.842,00 em 14/12/2004, o contribuinte alegou que essas entradas foram feitas para cobrir dois cheques de R$ 18.750,00 emprestados ao Sr. Márcio Lamounier. Ocorreu o seguinte: precisando "fazer dinheiro", o Sr. Márcio pediu que o contribuinte emitisse dois cheques pósdatados, ambos no valor de R$18.750,00 (n°s 0100771 e 0100772, fl. 547). Ele os trocou na Fl. 861DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 854 5 praça e assumiu o compromisso com o autuado de prover os fundos necessários para que os cheques emitidos pudessem ser compensados. Assim, RS8.842,00 foram depositados pelo próprio Márcio e R510.000,00 e R$17.442,00 foram pagos a pedido dele por Adilson Fonseca e Aliança Mercantil. A operação foi confirmada por declaração prestada pelo Sr. Márcio e validada por terceiros. Às fls. 660662, a Aliança Mercantil e o sócio dela. Sr. Adilson, ratificaram a informação de que os depósitos em favor cio fiscalizado foram leitos por solicitação do Sr. Márcio. 3.9) Em relação aos esclarecimentos prestados por Aldeir Sousa Mendes (TED) de R$ 51.000,00), Cesal Produtos Cerâmicos Ltda (TED de R 5164.000,00), Maurício Vagner Mendes (TED de R$235.000,00) e Natalício Sousa Mendes (fls. 594604. 617631, 639 649.678679, 683684, 690693), alegou o contribuinte que justificativa dada por eles não pode ser desprezada apenas porque a resposta não agradou o Fisco. Deixada de lado unia certa confusão entre pessoa física e jurídica e obrigações do pai e do filho (o que é unia questão específica das pessoas citadas), foram apresentados os contratos de promessa de compra de gado pertinentes, os pagamentos efetuados pelo autuado, os distritos e os recibos de devolução do numerário entregue.A coincidência dos dados, inclusive com cheques emitidos pelo contribuinte, decorre não de uma suposta simulação, mas de tudo isso ser verdade. Se a fiscalização rejeita comprovação, alegando adulteração, cabelhe o ônus de provar o alegado. 4) Necessidade de subtrair os rendimentos declarados do valor lançado. Alega também que, apesar de a própria auditoria reconhecer que o impugnante declarou rendimentos no valor de R$ 5250.437,14 (fl. 10), ela não os deduziu dos valores apurados no lançamento. Tendo em vista que não foi questionada a veracidade do que foi declarado, entende que essa dedução é perfeitamente possível. 5) Multa qualificada: Não houve falsidade/infração penal, mas mera declaração equivocada. Se a declaração é passível de conferência, não há que se falar em falsidade, nem no agravamento da penalidade. 6) Não incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício: Por fim, alega que a cobrança de juros Selic sobre a multa de oficio lançada não encontra respaldo legal, uma vez que os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (fls. 776/806) negou provimento ao recurso em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 LANÇAMENTO BASEADO EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS .INFORMAÇÕES OBTIDAS CONFORME O DECRETO N° 3.724, DE 2001. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. O fato de não se encontrar entre as peças processuais o relatório circunstanciado que deu base à expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) não implica em cerceamento ao direito de defesa do impugnante nem determina a ilegalidade da prova. Fl. 862DF CARF MF 6 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Inexiste embaraço ao exercício do direito de defesa se o auto ele infração e os demais elementos do processo permitem ao impugnante o conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, não dando margem a dúvidas quanto à matéria tida como infringida. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas com observância das normas de regência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502. de 1964. Cientificado da decisão em 17 de junho de 2010 (AR fls. 803), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 816/840 no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. Voto Vencido Conselheira JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) PRELIMINARES 1.1) INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL CERCEAMENTO DE DEFESA E NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Alega o Recorrente que, embora a DRJ tenha considerado que as provas por ele apresentadas não permitem a comprovação do alegado, indeferiu a prova pericial o que ofenderia o princípio da ampla defesa. É importante registrar que a tributação relativa aos depósitos de origem não comprovada é feita por meio de presunção. Vale dizer, é correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam Fl. 863DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 855 7 relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 864DF CARF MF 8 a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Como se pode verificar pelo termo de Termo de Verificação Fiscal o contribuinte teve amplo conhecimento do procedimento fiscal, por meio do qual lhe foi concedida, por diversas ocasiões, a oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, os argumentos e documentos no sentido de demonstrar a inexistência de infrações à legislação tributária. Por fim, é importante ressaltar que, conforme previsto na Súmula 8 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF "o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador". 1.2) NULIDADE VÍCIO NA REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FISCAL RMF Alega, ainda, que a Requisição de Movimentação Fiscal RMF expedida pela fiscalização é nula. Em primeiro lugar, porque essa só poderia ser expedida diante da recusa do contribuinte em apresentar os documentos. Em segundo lugar, porque inexistente o relatório circunstanciado o qual não foi noticiado no termo de verificação fiscal o que tornaria o ato nulo por ausência de motivação. Como bem esclarecido pela DRJ, não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização, uma vez que esse é, essencialmente, inquisitorial, não havendo, portanto que se falar em contraditório de ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Fl. 865DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 856 9 Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” (MARINS, James – Direito Processual Tributário Brasileiro – ed. Dialética, 4ª edição, p. 231) A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da Fl. 866DF CARF MF 10 empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014) Esclarecida essa premissa (natureza inquisitorial do procedimento de fiscalização) é importante analisar a natureza jurídica da Requisição de Movimentação Fiscal RMF regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, nos seguintes termos: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB serão executados por ocupante do cargo efetivo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e terão início mediante expedição prévia de Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF, conforme procedimento a ser estabelecido em ato do Secretário da Receita Federal do Brasil (...) Art. 3oOs exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; Iobtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país com tributação favorecida ou beneficiária de regime fiscal de que tratam os art. 24 e art. 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; Fl. 867DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 857 11 X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato; e XII intercâmbio de informações, com fundamento em tratados, acordos ou convênios internacionais, para fins de arrecadação e fiscalização de tributos (...) § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do procedimento fiscal. (...) §4oAs informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1o, inclusive por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários, bem assim de cotejo com outras informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal. §5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. §6o No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (grifamos) De acordo com os dispositivos legais supra transcritos, verificase que a validade da RMF pressupõe a anterior intimação do sujeito passivo para apresentar os extratos bancários. Nesse ponto, verificase que o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários relativos às contas de sua titularidade nas quais foi movimentado o montante de R$ 13.750.791,00, no anocalendário de 2004. Tal fato, comprova que foi obedecido o procedimento previsto no §2º do artigo 3º acima transcrito. Alega ainda o Recorrente que a RMF seria nula, uma vez que não houve recusa por parte do contribuinte, apenas lentidão das instituições financeiras em entregarlhe a documentação solicitada. No entanto, como se verifica pela leitura do §4º do art. 3º acima transcrito "as informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1o " Sendo assim, ainda que sejam entregues todos os documentos pelo sujeito passivo (o que não ocorreu na hipótese dos autos), é possível que a autoridade fiscalizadora promova a verificação junto às instituições financeiras. Fl. 868DF CARF MF 12 Por fim, alega o Recorrente que não foi juntado ao TVF o relatório circunstanciado previsto nos §§5º e 6º do artigo 4º do Decreto nº 3.724/2001 que serviria de base para a expedição do RMF. Nesse ponto, correta a decisão recorrida ao afirmar que: Todavia, é certo, também, que tal relatório tem a finalidade única e exclusiva de convencer a autoridade administrativa responsável, a qual somente poderá expedir aquela requisição quando estiver convicta de que se trata de situação enquadrada em hipótese de indispensabi1idade, observado o princípio da razoabilidade. O § 8º do art. 4 do mesmo Decreto n" 3.724, de 2001, é bastante claro, ao estipular : "A expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Observase que, no corpo das RMF (fls. 93/94 e 1 l0/1 1 1) — mais especificamente no campo intitulado "Encaminhamento" , consta a seguinte informação. antes data assinatura da autoridade responsável — no caso, a Delegada da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte: "Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4º, §6º, do Decreto nº 3.724, de 2001. Nem a Lei Complementar nº 105 nem o Decreto nº 3.724, ambos de 2001,prevêem que deva ser o contribuinte cientificado da RMF ou do relatório que a antecede. Quem deve estar convencido da necessidade de expedição da RMF é a autoridade administrativa competente e não o contribuinte. Portanto, a ausência do relatório circunstanciado nos autos do processo —pois nada impede, por exemplo, que ele tenha sido elaborado e a autoridade responsável o tenha arquivado, por se tratar de documento a ela exclusivamente dirigido — não enseja nenhuma hipótese de nulidade prevista na legislação, nos ternos do art. 59 do Decreto nº 70.235. de 1972, matéria já tratada neste voto ou, mesmo, cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Quando muito, constituiria mera irregularidade no trâmite do instrumento sanável pelo fato de a autoridade responsável ter se convencido da indispensabilidade da expedição da RMF, tanto é assim que ela foi expedida. 1.3) DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR OS LANÇAMENTOS RELATIVOS AOS MESES DE JANEIRO A ABRIL DE 2004 De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150. do CTN. Assim, no caso específico da omissão de receitas, apuradas com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, combinado com o disposto no art. 150. §4º do CTN, a contagem inicial do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento do crédito deverá ser dar a partir do mês que se considerar recebidos os rendimentos omitidos. Incorretas também as alegações do Recorrente quanto à decadência doa valores relativos aos meses de janeiro a abril de 2004. É entendimento pacificado no âmbito do CARF (Súmula CARF nº 38) que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não Fl. 869DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 858 13 comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário" . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2004. 2) MÉRITO 2.1) ERRO DE CÁLCULO EM RELAÇÃO AOS CHEQUES DEVOLVIDOS. O Recorrente alega, em memorial, erro no cálculo realizado pela DRF. Isso porque, ao fazer os cálculos, os "cheques devolvidos" acabaram sendo somados aos "créditos/depósitos com origem não comprovadas", quando, na verdade, deveriam ter sido subtraídos. Tal erro pode ser facilmente constatado pela análise do demonstrativo consolidado dos créditos/depósitos de origem não comprovada de fls. 51. Como se pode ver, o total dos Créditos/ Depósito Líquidos deveria corresponder à soma das colunas 1 (8.302.476,47) + 3 (534.202,68) + 5 (13.350,00) subtraído das colunas 2 (2.547.593,37) + 4 (5.972,78). O resultado seria 8.850.029,15 (colunas 1+3+5) 2.553.566,15 (colunas 2+4) que corresponderia a um total de 6.296.463,00. Em face do exposto, procedente a alegação do Recorrente de erro decorrente da ausência de exclusão da base de cálculo dos cheques devolvidos, devendo ser excluído o montante de R$ 5.091.897,77, que corresponde à diferença entre a base de cálculo do lançamento (R$ 11.388.360,70) e o valor correto (R$ 6.296.463,00). 2.2) TRANSFERÊNCIAS DO CONTRIBUINTE PARA ELE PRÓPRIO Em relação ao valor de R$ 150.309,00, alega o Recorrente que sua origem foi comprovada, uma vez que restou demonstrado que ele compareceu à agência do Banco Pottencial portanto dinheiro em espécie, o qual foi depositado no banco e transferido eletronicamente para sua conta no Unibanco. Entende o Recorrente que, por constar seu nome como remetente dos recursos nos documentos juntados às fls. 385 a 399 a origem dos depósitos efetuados em sua Fl. 870DF CARF MF 14 conta no Unibanco estaria comprovada, devendo, assim, ser o montante excluído da base de cálculo. Em primeiro lugar, é importante esclarecer, como fez a decisão recorrida, que a palavra "origem" utilizada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 não significa, simplesmente, demonstrar quem efetuou o depósito questionado. Para que se possa falar em comprovação da origem é fundamental que se identifique e comprove a natureza da operação que deu causa ao crédito. Isso porque, somente quando identificada a natureza da operação poderá a autoridade fiscal verificar se tratase de valores tributáveis e se estes estão sujeitos à tributação específica. Ademais, conforme mencionado na decisão recorrida, "os valores discriminados à fls. 384, que somam R$ 150.390,62, creditados na conta bancária do contribuinte no Unibanco, não correspondem a nenhum débito da conta do contribuinte no Banco Pottencial. Por conseguinte, não se enquadram na situação de transferência entre contas da mesma titularidade que não comporiam o valor tributável. 2.3) RECEITAS DE ATIVIDADE RURAL Alega o Recorrente que os valores das receitas de atividade rural declaradas deveriam ser excluídas do lançamento, uma vez que apresentou o Livro Caixa da Atividade Rural (fls. 553 e 554), no qual não apenas explicita o que foi declarado, mas especifica, um a um, todos os depósitos bancários que decorrem dessa atividade. Todavia, como registra a decisão recorrida: Primeiramente, registrese que, às fls. 553 e 554, o contribuinte pede prorrogação de prazo para atendimento a intimações aduzindo como justificativa: "ainda não consegui levantar todos os dados necessários para a formalização do Livro Caixa da atividade rural e continuo buscando mais elementos para comprovar o giro financeiro que tive em 2004 No documento à fl. 748 que instrui a impugnação, intitulado "LIVRO CAIXA DA ATIVIDADE RURAL — ANO CALENDÁRIO DE 2004", o contribuinte Informa o total mensal das receitas e despesas da atividade rural, conforme consta do Anexo da Atividade Rural da Declaração de Ajuste Anual, fl. 701, e relaciona créditos havidos em suas contas nos Bancos Pottencial e Unibanco que somam R5405.400,00. Ora, não há correspondência entre os valores dos créditos discriminados mensalmente e as quantias declaradas como receita da atividade rural de cada mês. A título ele ilustração, no mês de janeiro o valor declarado como receita da atividade rural foi de R$ 28.000,00 e os depósitos bancários relacionados pelo contribuinte perfazem a quantia de R$ 201.566,82. No mês de dezembro, o valor declarado com receita da atividade rural 1ì)i de RS42.000,00 e não foi discriminado nenhum depósito bancário. O contribuinte simplesmente pinçou dos "Demonstrativos dos Créditos/Depósitos com Origem Não Comprovada" às fls. 37 a 42 valores que perfazem o total anual das receitas da atividade rural informado em sua declaração (RS405.400,00). Ou seja, o documento à fl. 748 confeccionado para instruir a impugnação não detalha as receitas da atividade rural nem vincula créditos bancários a receitas dessa atividade. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 859 15 Mesmo que os valores mensais das receitas da atividade rural e dos créditos bancários fossem coincidentes, isso não bastaria para elidir a tributação dos créditos bancários relacionados pelo contribuinte. A origem dos créditos bancários deve ser comprovada por documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. 2.4) COMPRA E VENDA DE DIREITOS CREDITÓRIOS Alega ao Recorrente que a maior parte do valor autuado como rendimento omitido referese a compra e venda de direitos creditórios . Todavia, conforme exposto na decisão recorrida, o fato de os depósitos serem precedidos de saques e o valor da omissão apurada não permitem concluir que o mesmo dinheiro "entrou e saiu" várias vezes em decorrência da atividade que o contribuinte afirma exercer. Conforme já mencionado, a presunção prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 permite a fiscalização considerar como o depósito bancário como rendimento omitido, sem a comprovação do consumo da renda, conforme entendimento sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Súmula CARF nº 26. 2.5) OPERAÇÕES EFETUADAS COM A AGROMAN EMPREENDIMENTOS LTDA Relativamente à Agroman Empreendimentos Técnicos Ltda, alegou o Recorrente que em 31/03/2004, sacou R$357.000,00 na "boca do caixa" e os depositou em favor da referida empresa (fls. 559560) e que em 29/10/2004, a Agroman creditou em à favor do autuado a quantia de RS338.000,00. Alega ainda que não guardou documentos de operações encerradas e, por isso, pediu a intimação da pessoa jurídica mencionada para ela ajudasse "no preenchimento de lacunas". No entanto, conforme atesta da decisão recorrida, "não há nos autos nenhum elemento que vincule o débito no valor de R5357.000,00, em 31/03/2004.ao crédito no valor de R5338.000,00. Há que se registrar que a tentativa de intimação ela referida empresa para prestar esclarecimentos e comprovar a natureza da operação correspondente ao crédito de R5338.000,00 foi infrutífera. Na fase impugnatória. o contribuinte não apresenta documentos que corroborem seu argumento. Por conseguinte, não há como excluir o valor de R5338.000,00 do montante tributável. 2.6) OPERAÇÕES COM A SIDERLAGOS SIDERURGIA LTDA Em relação às operações realizadas com a Siderlagos Siderurgia Ltda, o Recorrente apresentou recibos (fls. 565 à 567) nos quais atesta que a empresa Siderlagos Siderurgia Ltda lhe entregou as quantias de RS580.000,000 cm 31 /03/2004, RS980.000,00 em 31/05/2004 e R5526.000,00 em 04/06/2004 a título de adiantamento para intermediação de compra de glebas de reflorestamento, para acerto futuro. Todavia, os recibos juntados aos autos pelo contribuinte não constituem prova suficiente da natureza das operações que deram origem aos depósitos bancários. Como já mencionado, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 impõe ao contribuinte o ônus de comprovar, individualizadamente, a origem dos valores depositados. 2.7) VALORES RELATIVOS À TED RECEBIDA DE MARCOS JOSÉ DE ABREU Fl. 872DF CARF MF 16 Quanto à TED de R$450.000,00 recebida de Marcos José de Abreu. o Recorrente alegou que se referem a soma dos cheques de fls. 566573. Explicou que os R$450.000,00 (soma dos cheques) foram entregues ao Sr. Marcos para que ele intermediasse a aquisição de gado. Como as partes desistiram do negócio, o Sr. Marcos devolveu a importância que lhe fora passada por meio da TED citada. No entanto, como demonstrado no item 1.29.4 do Relatório Fiscal: " 1.29.4. 0 contribuinte afirmou que adiantou para Marcos José de Abreu, em diferentes datas e para fim de aquisição de gado, quantias diversas que totalizariam a importância de. E que, como a aquisição não .se concluiu, o senhor Marcos lhe devolveu a importância total,mediante crédito em sua conta no Banco Pottencial, através de TED datada de 20/05/2004. Também, neste caso, há qualquer prova documental idônea de que o contribuinte tenha adiantado quaisquer valores para Marcos José de Abreu, uma vez que todos os adiantamentos invocados são demonstrados através de cópias de cheques emitidos pelo contribuinte, nominalmente a ele próprio e sacados em dinheiro na "boca do caixa", no Banco Pottencial (fls. 566 a 573). Dessa forma, não ficou demonstrada ou comprovada, de forma cabal, a natureza da operação que deu causa ao crédito no valor de R$ 450.000,00 efetuado por Marcos José de Abreu na conta corrente do contribuinte no Banco Pottencial, na data de 20/05/2004. É importante ressaltar que o Recorrente não trouxe na fase impugnatória ou no Recurso Voluntário outros documentos que comprovassem a operação com Marcos José de Abreu. 2.8) DEPÓSITO REALIZADO POR CABEDAL CORRETORA DE MERCADORIAS LTDA No tocante ao crédito de R5280.00,00 feito por Cabedal Corretora de Mercadorias Ltda (nova denominação de Reversão Ativos Financeiros Ltda), o contribuinte alega que se fosse proprietário da obrigações da Eletrobrás vendidas, só poderia haver tributação de um eventual ganho de capital. Se os papéis vendidos pertencessem a terceiros, o crédito na conta do autuado representaria mero "transitar de dinheiro" e que, em ambas as situações, não haveria que se falar em tributação por meio da alíquota de 27,5%. Assim como nas demais hipóteses analisadas no presente recurso o contribuinte não comprovou a natureza das operações. Esclarece a decisão recorrida que: Como observou a fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 23), não consta da "Declaração de Bens e Direitos" da DIRPF do contribuinte (fls. 700) a propriedade das ações da Eletrobrás. Embora, no documento de fls. 511, haja menção a "pagamento compra obrigações Eletrobrás" não restou comprovada a natureza da operação que motivou o depósito do valor de R$ 280.000,00, em 29/10/2004. Não há nos autos notas de corretagem ou outros documentos que permitam concluir que se trata inequivocamente de recebimento por venda de ações. 2.9) DEPÓSITOS FEITOS POR MARCIO LAMOUNIER, ALIANÇA MERCANTIL EMPREENDIMENTOS LTDA E ADILSON FONSECA. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 860 17 No que diz respeito aos créditos de R$ 10.000,00 e RS8.842,00 em 07/12/2004 e R$18.842,00 em 14/12/2004, o contribuinte alegou que essas entradas foram feitas para cobrir dois cheques de R$18.750,00 emprestados ao Sr. Márcio Lamounier que precisando "fazer dinheiro" pediu que o Recorrente emitisse dois cheques Ele os trocou na praça e assumiu o compromisso com o autuado de prover os fundos necessários para que os cheques emitidos pudessem ser compensados. Assim, RS8.842,00 foram depositados pelo próprio Márcio e R$10.000,00 e R$17.442,00 foram pagos a pedido dele por Adilson Fonseca e Aliança Mercantil. A operação foi confirmada por declaração prestada pelo Sr. Márcio. Às fls. 660662, a Aliança Mercantil e o sócio dela. Sr. Adilson, ratificaram a informação de que os depósitos em favor cio fiscalizado foram feitos por solicitação do Sr. Márcio. Mais uma vez, os documentos juntados às fls. 660/662 não fazem referência aos negócios jurídicos que deram causa à transferência de numerário entre as partes envolvidas. Não restaram comprovados os empréstimos de cheques à Marcio Lamounier. 2.10) DEPÓSITOS FEITOS POR ALDEIR SOUZA MENDES, CESAL PRODUTOS CERÂMICOS E MAURÍCIO VAGNER MENDES. Em relação aos esclarecimentos prestados por Aldeir Sousa Mendes (TED) de R$ 51.000,00), Cesal Produtos Cerâmicos Ltda (TED de R$164.000,00), Maurício Vagner Mendes (TED de R$235.000,00) e Natalício Sousa Mendes (fls. 594604. 617631, 639649.678 679, 683684, 690693), alegou o Recorrente que, foram apresentados os contratos de promessa de compra de gado pertinentes aos pagamentos efetuados pelo autuado, os distritos e os recibos de devolução do numerário entregue. Conforme consta da decisão recorrida, a fiscalização intimou Aldeir Souza Mendes a comprovar a transferência de numerário a Cesal Produtos Cerâmicos que teria sido utilizado para cumprir a obrigação assumida no contrato de fls. 600, assim como o ingresso de valores que teriam sido devolvidos em razão da rescisão contratual. Da mesma forma, intimou Natalício Souza Mendes a comprovar a efetiva saída de seu patrimônio da importância de R$ 235.000,00 creditada por seu filho Maurício Vagner Mendes na conta do Impugnante. Por fim, a fiscalização intimou a empresa Cesal Produtos Cerâmicos Ltda a comprovar o repasse de R$ 164.000,00 que lhe teria sido feito por Aldeir Souza Mendes. Como respostas os intimados alegaram que as transações se deram em espécie, motivo pelo qual não possuíam os documentos comprobatórios. Sendo assim, não foi apresentado durante o trabalho fiscal, Impugnação ou Recurso Voluntário nenhum documento capaz de comprovar a origem e natureza dos recursos. 2.11) NECESSIDADE DE SUBTRAIR OS RENDIMENTOS DECLARADOS NA DIRPF DO VALOR LANÇADO. Alega também que, apesar de a própria auditoria reconhecer que o impugnante declarou rendimentos no valor de R$ 250.437,14 (fl. 10), ela não os deduziu dos valores apurados no lançamento. Tendo em vista que não foi questionada a veracidade do que foi declarado, entende que essa dedução é perfeitamente possível. Nesse ponto, entendo que cabe razão ao Recorrente. Isso porque, conforme já decidido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, no Acórdão nº 2201.396: Sobre os rendimentos declarados, este conselheiro já se manifestou no sentido de que, apesar da não identificação Fl. 874DF CARF MF 18 individualizada dos depósitos com estas receitas, é cabível a retirada do valor a eles correspondente da base de cálculo do lançamento, sob o fundamento lógico de que, se o Contribuinte movimenta os rendimentos omitidos nas suas contas bancárias, não haveria de deixar de movimenta os rendimentos declarados. Em face do exposto, entendo que deva ser excluído da base de cálculo o montante de R$ 250.457,14 relativo aos rendimentos declarados. 3) MULTA QUALIFICADA INAPLICABILIDADE Alega ainda o Recorrente que indevida a aplicação da multa qualificada no montante de 150%, uma vez que não houve falsidade/infração penal, mas mera declaração equivocada. Nesse ponto, também entendo corretas as alegações dos Recorrentes. Isso porque, conforme disposto na Súmula CARF nº 25 "a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64" 4) NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por fim, alega que a cobrança de juros Selic sobre a multa de oficio lançada não encontra respaldo legal, uma vez que os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 861 19 Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Fl. 876DF CARF MF 20 Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. 5) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo: a) o montante de R$ 250.457,14 relativo aos rendimentos declarados, b) montante de R$ 5.091.897,77 relativo aos cheques devolvidos equivocadamente somados no demonstrativo de fls. 51, c) reduzir a multa qualificada para o montante de 75%, bem como a incidência dos juros sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Em que pese o bem fundamentado voto da ilustre Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, peço vênia para divergir, tão somente quanto à exclusão da base de cálculo dos rendimentos declarados e em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS RENDIMENTOS DECLARADOS Fl. 877DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 862 21 A ilustre Relatora entendeu que deva ser excluído da base de cálculo o montante de R$ 250.457,14, relativo aos rendimentos declarados pelo Contribuinte. No entanto, no meu entendimento, não cabe razão ao Recorrente. Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Portanto, é ônus exclusivo do contribuinte comprovar de forma individualizada os créditos bancários. Ou seja, é necessária a comprovação depósito a depósito, de maneira inequívoca, conforme imposição legal. O simples fato de ter declarado em sua Fl. 878DF CARF MF 22 Declaração de Ajuste Anual o valor de R$ 250.437,14 não é suficiente a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, porquanto se faz necessária a comprovação vinculandose cada crédito com os supostos recebimentos. Segue decisão do CARF nesse sentido: RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. [...] (Acórdão nº 10616.977, Rel. Giovanni Christian Nunes Campos). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sobre essa questão, entendo que o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a Fl. 879DF CARF MF Processo nº 15504.007799/200916 Acórdão n.º 2202003.753 S2C2T2 Fl. 863 23 multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. (Acórdão nº 9202001.806, data de publicação: 29/11/2011, relator: Gustavo Lian Haddad, redator designado: Elias Sampaio Freire). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, data de publicação: 17/10/2011, relatora: Karem Jureidini Dias, redator designado: Claudemir Rodrigues Malaquias). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, data de publicação: 02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner). No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende das ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (grifei) Fl. 880DF CARF MF 24 (REsp nº 1.129.990PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009). Diante do exposto, entendo que não deve ser excluído da base de cálculo os valores declarados no montante de R$ 250.457,14, assim como deve subsistir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 881DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720122/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.756
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.720122/2011-74
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721970
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.756
nome_arquivo_s : Decisao_10120720122201174.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10120720122201174_5721970.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755141
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210374324224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720122/201174 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.756 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 22 /2 01 1- 74 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720122/201174 Acórdão n.º 3302003.756 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.267. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720122/201174 Acórdão n.º 3302003.756 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720122/201174 Acórdão n.º 3302003.756 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.720122/201174 Acórdão n.º 3302003.756 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.720122/201174 Acórdão n.º 3302003.756 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.012063/2005-00
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10) LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. Na realização do lançamento de ofício, a verificação da decadência em relação ao lucro inflacionário não realizado, deve levar em conta a realização mínima obrigatória havida nos períodos anteriores, considerando-se para tanto, o maior valor apurado entre a realização proporcional efetiva dos bens e direitos do ativo ou o mínimo legal (10%). Recurso negado.
Numero da decisão: 1803-001.399
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10) LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. Na realização do lançamento de ofício, a verificação da decadência em relação ao lucro inflacionário não realizado, deve levar em conta a realização mínima obrigatória havida nos períodos anteriores, considerando-se para tanto, o maior valor apurado entre a realização proporcional efetiva dos bens e direitos do ativo ou o mínimo legal (10%). Recurso negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10580.012063/2005-00
conteudo_id_s : 5720760
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.399
nome_arquivo_s : Decisao_10580012063200500.pdf
nome_relator_s : Sérgio Luiz Bezerra Presta
nome_arquivo_pdf_s : 10580012063200500_5720760.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
id : 6751617
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210380615680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 127 1 126 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.012063/200500 Recurso nº 169.553 Voluntário Acórdão nº 1803001.399 – 3ª Turma Especial Sessão de 05 de julho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente USINA NOVA PARANAGUÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10) LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. Na realização do lançamento de ofício, a verificação da decadência em relação ao lucro inflacionário não realizado, deve levar em conta a realização mínima obrigatória havida nos períodos anteriores, considerandose para tanto, o maior valor apurado entre a realização proporcional efetiva dos bens e direitos do ativo ou o mínimo legal (10%). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10580.012063/200500 Acórdão n.º 1803001.399 S1TE03 Fl. 128 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, passo a adotar parte do relato do contido no Acórdão nº 1515.069 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA, constante das fls. 82 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o processo em questão de Auto de Infração, referente aos anoscalendário de 2000 e 2001, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 02 a 08, no valor de R$104.404,94 (cento e quatro mil, quatrocentos e quatro reais e noventa e quatro centavos), além da multa de oficio e dos juros de mora. O Auto de Infração foi proveniente de ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real dos referidos períodos, do lucro inflacionário realizado, calculado com base no percentual mínimo de realização, previsto na legislação de regência. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 8° da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995; artigos 6° e 7° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e artigos 249, inciso I, e 449 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Às fls. 35 a 41, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: • o auditorfiscal não atentou para os ensinamentos da decadência, que é a perda do direito de lançar, ou seja, de constituir o crédito tributário. Transcreve os artigos 150, § 40, e 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), e diz que esse último coloca uma pá de cal nas supostas intenções do auditor, em um imaginário saldo em 2000/2001, que culminou no valor estratosférico de R$267.73 8,17; • transcreve ainda o artigo 898 do RIR/1999 e diz que, conforme Demonstrativo do Lucro Inflacionário, o valor do imposto foi retroagindo para o ano de 1979, exatamente 26 anos, para encontrar um suposto imposto de R$104.404,94, além de juros de mora e multa. Procedimento desta ordem certamente impossibilitará guarida por parte dessa Delegacia, visto que está demonstrado total desequilíbrio entre o guerreado Auto de Infração e a legislação pertinente; • transcreve o seguinte trecho de obra do professor Miguel Reale: ‘os atos nulos carecem de validade formal ou vigência, por padecerem de um vício insanável que os compromete irremediavelmente, dada a preterição ou a violação de exigências que a lei declara essenciais; logo os atos jurídicos nulos são eivados de nulidade absoluta’, como também de De Plácido e Silva. No mesmo sentido, reproduz dois acórdãos de julgados do STJ; • em face do exposto, requer seja a presente impugnação aceita e que sejam tomadas as devidas providências, propugnando pela improcedência do lançamento, requerendo, ainda, se necessário, que lhe seja permitida a apresentação de outros elementos probatórios. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 44 a 70”. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10580.012063/200500 Acórdão n.º 1803001.399 S1TE03 Fl. 129 3 A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA, na sessão de 31/01/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1515.069 entendendo “por unanimidade, preliminarmente, afastar a arguição de nulidade e reconhecer de oficio a decadência das parcelas do lucro inflacionário que deixaram de ser realizadas em períodos anteriores e, no mérito, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, mantendo a importância de R$75.613,11 (setenta e cinco mil, seiscentos e treze reais e onze centavos), acrescida da multa de oficio e dos juros de mora,”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000,2001 NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. LUCRO INFLACIONÁRIO. Tratandose de lançamento decorrente de falta de realização do lucro inflacionário, ainda que nos períodosbase objeto do lançamento não tenha ocorrido a decadência, há que se excluir do saldo do lucro inflacionário acumulado as parcelas relativas à realização mínima obrigatória em cada períodobase anterior alcançado pelo prazo decadencial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MINIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 19 de janeiro de 1996, constatada a data de realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado, cabe exigir o imposto correspondente à parcela não oferecida à tributação, apurada com base no lucro inflacionário existente em 31/12/1995”. Diante da fundamentação do voto a 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador – BA apresentou o seguinte demonstrativo do crédito: Cientificada da decisão de primeira instância em 10/06/2008 (AR fls. 93), a USINA NOVA PARANAGUÁ LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1515.069, recorre em 10/07/2008 (94 e segs) a este Conselho Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10580.012063/200500 Acórdão n.º 1803001.399 S1TE03 Fl. 130 4 Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão principal dos autos é um lançamento que teve como origem revisão interna da DIPJ/2001, lavrado em 05/12/2005, onde foi constatada a ausência de adição, ao lucro liquido do período, da realização mínima do Lucro Inflacionário prevista na legislação em vigor, conforme demonstrativo abaixo: Contudo a Recorrente argui preliminarmente a decadência do direito do fisco em proceder ao lançamento objeto do presente processo administrativo. Diante desta manifestação e antes de adentrar a questão principal dos autos, transcrevo parte do voto da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador – BA: “No que tange à alegação de decadência, primeiramente, é de se ressaltar que, pelo critério de tributação do lucro inflacionário, os saldos credores diferidos só são tributados na proporção da realização de seu Ativo ou em percentuais mínimos previstos na legislação. O lucro inflacionário, enquanto diferido, representa um ganho não financeiro que somente será tributado por ocasião de um fato superveniente, ou seja, de sua realização. Em outras palavras, a simples apuração de lucro inflacionário não representa, por si só, obrigação de recolher imposto de renda. Esse lucro pode ter sua tributação diferida para o momento de sua realização. Portanto, em relação aos critérios de tributação do lucro inflacionário, tanto o lançamento como a decadência (direito de constituir o crédito tributário) estão, por assim dizer, vinculados à realização prevista em lei, e não ao diferimento. O fato Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10580.012063/200500 Acórdão n.º 1803001.399 S1TE03 Fl. 131 5 gerador somente se materializa no momento em que a realização tornase obrigatória. Com efeito, se a Fazenda Nacional não pode exigir o recolhimento do tributo antes da realização do valor diferido, não pode, também, efetuar nenhum lançamento cujo fulcro seja imputar ao contribuinte qualquer ônus pelo descumprimento da obrigação de recolher. E, não podendo a Fazenda Pública proceder ao lançamento, não tem sentido pensar que esteja fluindo em seu desfavor o prazo decadencial. Por exemplo, o valor do saldo credor da diferença de correção monetária IPCBTNF se configura como parcela diferível, cuja realização vai compor a apuração do lucro real de exercícios subsequentes. Consoante o que dispõe a Lei n° 8.200, de 1991, e do Decreto n° 332, de 4 de novembro 1991, as diferenças IPCBTNF, embora relativas ao períodobase de 1990, só puderam ser computadas na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993. Assim, estava vedado ao Fisco exigir a tributação de quaisquer valores relativos à diferença de IPCBTNF, antes do exercício de 1994, anocalendário de 1993. Logo, a contagem do prazo decadencial se dá a partir do exercício em que está previsto o inicio da realização de tal parcela do lucro inflacionário”. Pela consistência dos argumentos acima transcritos, rejeito a preliminar de decadência pelas razões de decidir da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador – BA, a qual me filio. Passando a questão principal dos autos, encontramos nas afirmações da Recorrente que esta realizou integralmente o lucro inflacionário com base na determinação contida no art.31 da Lei nº 8.541/92, a seguir transcrito: “Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/ 60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. § 1° O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do período base. § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subsequente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10580.012063/200500 Acórdão n.º 1803001.399 S1TE03 Fl. 132 6 § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. De acordo com o sistema SAPLI (fl. 20 e segs), o lucro inflacionário a realizar referiase exclusivamente a períodos anteriores a 31/12/89. Porém, fazse necessário ressaltar que a existência de lucro inflacionário a realizar após este anocalendário, mesmo tendo o contribuinte optado pela realização integral, como afirma, decorre do fato de sua escrituração não coincidir com os valores controlados pela Receita Federal, devidamente corrigidos, a partir de informações prestadas nas declarações de rendimentos ao longo dos anos. Além do mais, encontramos nos demonstrativos SAPLI os índices de correção (não contestado), bem como o saldo de lucro inflacionário corrigido em cada ano calendário, não implica que esta apuração deuse na data da lavratura do auto de infração, como afirma o recorrente quando conclui pela ocorrência da decadência. Como dito antes, é por meio de tal sistema que a Receita Federal realiza ao longo dos anos o controle do saldo de lucro inflacionário, o que permitiu, no caso concreto, bem como identificar se houve realizações nos anos subsequentes, nada mais, conforme visto abaixo: A fundamentação do auto de infração informa que a Recorrente deixou de realizar o chamado “lucro inflacionário mínimo” que deveria, sob a ótica da fiscalização, ter sido oferecido à tributação nos anos subsequentes, o que não aconteceu. No entanto, nesta análise não se pode olvidar que no demonstrativo SAPLI consta informação explícita sob o título “Realização incentivada – Lei nº. 8.541/92”, o que leva à conclusão de que o Fisco federal tinha conhecimento de que o contribuinte optara por alguma das formas de realização estabelecidas na Lei nº 8.541/92, que poderia, inclusive, ter sido aquela prevista no art.31, V, da Lei nº 8.541/92. Assim, como no demonstrativo SAPLI não consta informação explícita sob o título “Realização incentivada – Lei nº. 8.541/92”, o que leva à conclusão de que o Fisco federal tinha conhecimento de que o contribuinte optara por alguma das formas de realização estabelecidas na Lei nº 8.541/92, que poderia, inclusive, ter sido aquela prevista no art.31, V, da Lei nº 8.541/92. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10580.012063/200500 Acórdão n.º 1803001.399 S1TE03 Fl. 133 7 E, mesmo considerando que a Recorrente deveria realizar percentual mínimo estabelecido na legislação e também poderia realizar percentual acima do mínimo estabelecido; porém, analisando tudo que consta dos autos, constato que nenhuma das duas hipóteses aconteceu. Diante deste fato, não estaria configurada a decadência da possibilidade de o Fisco exigir o crédito tributário. Este entendimento tem sustentação em algumas decisões administrativas a seguir transcritas: “LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI Nº 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei nº 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada”. (CARF 4a Câmara – 1a Turma Ordinária, Acórdão nº 140100.643, de 04/08/2011, Rel.: Eduardo Martins Neiva Monteiro). “PRELIMINAR PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO — DECADÊNCIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 1CC N° 10. IRPJ — DECADÊNCIA — REALIZAÇÃO INCENTIVADA DO SALDO CREDOR DA CORREÇÃO MONETÁRIA DA DIFERENÇA IPC/BTNF DA LEI N°8.200/1991: Ante a realização incentivada do lucro inflacionário acumulado, na forma estabelecida no artigo 3°, V da Lei n° 8.541/1992, as eventuais diferenças poderiam ser lançadas a partir da data do recolhimento daquela parcela, que se converteu na data do fato gerador da obrigação tributária relativa àquelas diferenças. Por constituirse em lançamento por homologação, o prazo para que a Fazenda Pública homologue, tácita ou expressamente, o crédito tributário, se extingue em cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador do tributo”. (1ºCC, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.261, de 08/08/07, Rel. Caio Marcos Cândido) “IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INTEGRAL DECADÊNCIA O termo inicial para contagem do prazo de decadência do direito do fisco de formalizar exigências decorrentes de realização a menor do lucro inflacionário diferido é o período em que se deu o oferecimento com ofensa à Lei. Se faltou correção monetária na realização integral do lucro inflacionário, inequivocamente manifestada na Declaração de Rendimentos, o fisco deveria ter agido nos cinco anos que se seguiram à realização integral informada em 1991 (...)” (1ºCC, 7ª Câmara, Acórdão nº 10707.934, de 23/02/05, Rel. Luiz Martins Valero) Por último, consigno que o entendimento exposto encontra respaldo naquilo que determina a Súmula CARF nº 10, a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10580.012063/200500 Acórdão n.º 1803001.399 S1TE03 Fl. 134 8 efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos (principalmente das decisões administrativas relacionadas) e pela ausência de da realização incentivada do lucro inflacionário pela Recorrente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a decisão constante do Acórdão nº 1515.069 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador – BA. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 04/1 0/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
score : 1.0
