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Numero do processo: 10860.900711/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/05/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO ANTERIOR À RETIFICAÇÃO DA DCTF. OCORRÊNCIA.
Nas hipóteses em que o pagamento do tributo se deu anteriormente à retificação da DCTF, em procedimento de denúncia espontânea de infração, há que se reconhecer o direito do contribuinte ao benefício, visto que o pagamento é devido em razão da obrigação tributária, nascida com a ocorrência do fato gerador, cabendo à constituição do crédito (por ato do contribuinte ou do fisco) a sua quantificação e o estabelecimento o marco de sua exigibilidade. O art. 138 do CTN exige apenas que ambos, pagamento e retificação, se dêem antes de qualquer medida fiscalizatória em relação à infração denunciada.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10860.901695/2015-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 29/05/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO ANTERIOR À RETIFICAÇÃO DA DCTF. OCORRÊNCIA. Nas hipóteses em que o pagamento do tributo se deu anteriormente à retificação da DCTF, em procedimento de denúncia espontânea de infração, há que se reconhecer o direito do contribuinte ao benefício, visto que o pagamento é devido em razão da obrigação tributária, nascida com a ocorrência do fato gerador, cabendo à constituição do crédito (por ato do contribuinte ou do fisco) a sua quantificação e o estabelecimento o marco de sua exigibilidade. O art. 138 do CTN exige apenas que ambos, pagamento e retificação, se dêem antes de qualquer medida fiscalizatória em relação à infração denunciada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
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PAGAMENTO ANTERIOR À RETIFICAÇÃO DA DCTF. OCORRÊNCIA. Nas hipóteses em que o pagamento do tributo se deu anteriormente à retificação da DCTF, em procedimento de denúncia espontânea de infração, há que se reconhecer o direito do contribuinte ao benefício, visto que o pagamento é devido em razão da obrigação tributária, nascida com a ocorrência do fato gerador, cabendo à constituição do crédito (por ato do contribuinte ou do fisco) a sua quantificação e o estabelecimento o marco de sua exigibilidade. O art. 138 do CTN exige apenas que ambos, pagamento e retificação, se dêem antes de qualquer medida fiscalizatória em relação à infração denunciada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10860.901695/201567, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 07 11 /2 01 5- 02 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10860.900711/201502 Acórdão n.º 1301003.712 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de despacho decisório proferido pela DRF, que não reconheceu crédito objeto de PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte em epígrafe. O crédito informado pelo Contribuinte era decorrente de pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquído CSLL, em atraso, referente à parcela correspondente à multa de mora, paga conjuntamente ao crédito tributário e os respectivos juros, anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscalizatório, com a subsequente declaração do referido débito em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Cientificada do despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade acostada aos autos, na qual pede a reforma do despacho decisório, assim como o reconhecimento integral do crédito. Entende que a multa moratória seria indevida porque efetuou o pagamento integral do tributo antes da entrega da DCTF ou de qualquer procedimento fiscalizatório, caracterizando denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, razão pela qual o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua impugnação. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10860.900711/201502 Acórdão n.º 1301003.712 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.711, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10860.901695/2015 67, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.711): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O cerne da questão discutida aqui diz respeito à possibilidade de reconhecimento dos efeitos da denúncia espontânea, estabelecida pelo art. 138 do CTN, a pagamento feito anterior antes da retificação da DCTF, corrigindo o crédito tributário constituído em processo de lançamento por homologação. No caso em questão, a sequência de eventos foi a seguinte: I) o Recorrente apresentou DCTF informando débito de estimativa em um determinado valor, correspondendo ao montante pago na data legalmente prevista para o vencimento do tributo. II) Posteriormente, efetuou o pagamento no montante do DARF juntado aos autos (cujo valor correspondia, discriminadamente, ao tributo, multa de mora e juros de mora). III) Em seguida, algum tempo após o pagamento, retificou a DCTF para elevar o débito de estimativa no montante correspondente ao valor do tributo recolhido na DARF retromencionada. IV) Após esse procedimento, apresentou PER/DCOMP pleiteando a compensação da parcela relativa à multa moratória, recolhida na DARF. Portanto, há duas questões de direito a serem resolvidas aqui: a) A ocorrência de denúncia espontânea nos casos em que não há concomitância entre a retificação da DCTF e o efetivo pagamento do tributo devido, acrescido de juros de mora. b) A abrangência das multas de mora pela denúncia espontânea. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10860.900711/201502 Acórdão n.º 1301003.712 S1C3T1 Fl. 5 4 O art. 138 do Código Tributário Nacional determina: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Analiticamente, verificase que o parágrafo único estabelece uma condição de impossibilidade absoluta para a denúncia espontânea: o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Essa premissa se encontra fora de discussão, no presente caso, por não haver qualquer questionamento sobre isso. Desse modo, passando ao caput, verificase que o dispositivo exige: i) a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do ii) pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Há, claramente, uma dupla exigência, devendo o contribuinte realizar ato próprio para constituir juridicamente diria Paulo de Barros Carvalho, em linguagem competente , perante a fiscalização, o crédito tributário no montante correto, acompanhado do seu pagamento integral. Não basta, portanto, que haja apenas o pagamento, ou apenas denúncia da infração através da retificação da DCTF, é preciso que ambos estejam presentes antes que se inicie qualquer procedimento fiscalizatório da infração, para que se verifiquem os efeitos do art. 138 do CTN. O REsp nº 1.149.022/SP, julgado sob a sistemática de Recurso Repetitivo, analisou a hipótese em que o contribuinte, verificando a declaração e pagamento parcial do débito tributário, retifica sua DCTF e, noticiando a diferença a maior, paga concomitantemente o tributo devido. O presente caso, entretanto, traz a situação inversa: o contribuinte declarou e pagou parcialmente o tributo, e constatou que pagara a menor, recolhendo a diferença, e apenas posteriormente retificando a sua declaração. Aduz o Ministro Luís Fux que: a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10860.900711/201502 Acórdão n.º 1301003.712 S1C3T1 Fl. 6 5 noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. É que se o contribuinte não efetuasse a retificação, o fisco não poderia executálo sem antes proceder à constituição do crédito tributário atinente à parte não declarada, razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN No seu entender, o cerne do benefício é dispensar a fiscalização de verificar a infração e proceder o lançamento de ofício para posterior cobrança do montante recolhido a menor. Podemos afirmar, entretanto, que não há como se aplicar de forma direta o precedente mencionado à questão da concomitância da retificação e do pagamento integral, visto se tratarem de situações fáticas distintas, impedindo a adequação do precedente, cuja compreensão deve sempre se dar sob uma perspectiva analógicoproblemática, e não lógicosubsuntiva. A DRJ, ao analisar o caso, prosseguiu pela seguinte linha de raciocínio: Existe uma dissintonia entre o momento do pagamento sobre o qual a contribuinte alega possuir crédito e a datas em que o tributo foi declarado, todas elas posteriores ao pagamento. Diante dessa situação, não se poderia afirmar que o pagamento, quando efetivado, seria relativo a tributo devido, uma vez que sequer havia sido confirmado definitivamente o valor do tributo. Invocou, pois, o argumento da concomitância, com fundamento no Recurso Especial supramencionado e no Ato Declaratório PGFN 8/11, que reitera o trecho já citado anteriormente. Pois bem, parecenos equivocado o entendimento perfilhado pela instância a quo, o qual impacta necessariamente na inteligência do art. 138 do CTN. Em primeiro lugar, é preciso consignar o CTN estabelece uma distinção entre a obrigação tributária e o crédito tributário, ao dispor, em seus arts. 113, §1º e 139, verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O vínculo entre o Estado e o Contribuinte, relativo ao pagamento do tributo, nasce da ocorrência do fato gerador, e não do lançamento. O lançamento tem efeitos constitutivos em relação ao crédito tributário, mas declaratórios em relação à obrigação decorrente do fato gerador, estabelecendo marco de exigibilidade do tributo devido, à partir de sua quantificação. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10860.900711/201502 Acórdão n.º 1301003.712 S1C3T1 Fl. 7 6 Desse modo, não nos parece adequado concluir que o pagamento efetuado após a realização do fato gerador, mas antes da constituição do crédito tributário (seja pelo contribuinte, seja pela fiscalização), não seja considerado como pagamento devido. É devido, justamente pela existência de obrigação tributária cujo objeto é o seu pagamento, posto que inexigível enquanto pendente de acertamento definitivo. A denúncia a que se refere o art. 138 do CTN é o ato de retificar a declaração de tributos, constituindo o crédito tributário no valor correto. O escopo do dispositivo é premiar aquele que denuncia a infração, poupando esforços da burocracia fiscal, e paga o tributo com juros, evitando custosos procedimentos de cobrança exigese, pois, que uma vez retificado crédito, se verifique a sua extinção pelo pagamento. Nos casos em que há a retificação, mas não há o pagamento, na esteira de diversos precedentes da 1ª Seção do STJ, realmente não há que se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, pela necessidade do Fisco de perseguir a satisfação do crédito tributário. No presente caso, entretanto, em que o pagamento foi feito anteriormente à retificação, o mesmo é feito em relação à obrigação tributária existente por decorrência do fato gerador e fica na pendência de sua conferência com o crédito tributário constituído. Após a retificação da DCTF, pode a autoridade fiscal constatar se o pagamento efetuado corresponde ao crédito constituído, apurando à partir daí a correção ou não do pagamento antecipado, bem como eventual crédito sobressalente, passível de compensação ou restituição, como no presente caso. No momento da retificação, portanto, podese dizer que eram existentes, de forma concomitante, os dois elementos necessários para a configuração da denúncia espontânea, haja vista que nesta data não havia nenhum procedimento fiscalizatório em curso. Situação absolutamente distinta seria se, entre a data do pagamento e a retificação, tivesse o Fisco iniciado qualquer medida de apuração da infração, hipótese em que nos parece que não caberia mais o benefício da denúncia espontânea. Configurada a ocorrência da denúncia espontânea no presente caso, cabe aplicar o REsp 1.149.022/SP no tocante à abrangência do benefício às multas moratórias, como dispõe em sua ementa: Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Nesse ponto, há similitude entre o caso decidendo e o precedente invocado, justificando a sua observância. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10860.900711/201502 Acórdão n.º 1301003.712 S1C3T1 Fl. 8 7 Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo à multa de mora, em razão da ocorrência de denúncia espontânea, devendo os autos retornarem à DRF para análise do PER/DCOMP. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.723081/2013-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.097
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/03/2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 81 /2 01 3- 82 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10665.723081/201382 Acórdão n.º 3402006.097 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 12076.202. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) o envio das informações relacionadas ao PIS e a COFINS no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, inexistindo qualquer prejuízo para a entrega a destempo da declaração; (ii) a ausência de lesão ao fisco que justifique a aplicação da penalidade, vez que todos os tributos apurados foram pagos; (iii) a aplicação do instituto da retroatividade benigna do art. 106, do CTN, vez que o DACON foi definitivamente extinto com o advento da IN RFB 1.441/2014. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10665.723081/201382 Acórdão n.º 3402006.097 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.092, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10665.723076/201370, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.092): "O Recurso Voluntário é tempestivo, e cabe ser conhecido. Inicialmente em seu Recurso, a empresa traz dois argumentos visando afastar a multa aplicada: a prestação das informações no SPED e a ausência de qualquer lesão ao erário, vez que os tributos foram devidamente pagos. Primeiramente, destaquese que, considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. Com efeito, descumprido o dever instrumental de enviar a declaração prevista na legislação tributária no prazo previsto pela Receita Federal, o contribuinte pode ser penalizado pela multa prevista no art. 7º, da Lei n.º 10.426/2002, que expressa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10665.723081/201382 Acórdão n.º 3402006.097 S3C4T2 Fl. 0 4 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Quanto à duplicidade das informações solicitadas no DACON em relação à EFDContribuições, ainda que as informações efetivamente pudessem ser por vezes duplicadas, observase que a Receita Federal, até 2014, buscou manter a obrigação de transmissão das duas declarações, como obrigações acessórias distintas. Com efeito, como bem pontuado pela r. decisão recorrida, especificamente para as empresas tributadas pelo lucro real, como a Recorrente, foi mantida, concomitantemente, as obrigações de envio tanto da EFD Contribuições, como do DACON: "Quanto à primeira alegação, é verdade que determinadas empresas obrigadas a adotar e escriturar a EFD Contribuições foram dispensadas da entrega da DACON. É o que ocorreu, por exemplo, com as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2013 (art. 1º, caput, da IN RFB nº 1.305, de 26/12/2012). Esta dispensa, porém, não alcançou as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, que continuaram obrigadas a entregar a DACON em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2013 (IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, c/c IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014). Considerandose que a Interessada, no anocalendário em análise, foi tributada com base no lucro real (cfr. pesquisa, fl. 52), não há como dispensála da entrega da DACON referente ao mês 10/2012." (efl. 55) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10665.723081/201382 Acórdão n.º 3402006.097 S3C4T2 Fl. 0 5 Com efeito, a exigência da transmissão do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013 é depreendida da expressão da Instrução Normativa n.º 1.441/2014, que extinguiu a referida declaração: "Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso." Assim, uma vez que a transmissão da EFDContribuições não dispensou a transmissão do DACON, o envio a destempo desta última declaração pode ser penalizada na forma da lei. Sob esta mesma perspectiva que, a meu ver, não se pode falar na hipótese de retroatividade benigna. Com efeito, a previsão do art. 106, II, do CTN é no sentido de garantir a aplicação retroativa da lei "quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo." No presente caso, a omissão do sujeito passivo, de entregar a Declaração a destempo, nunca deixou de ser penalizada pela legislação, mantendose irretocável a previsão do art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, acima transcrita. O que ocorreu foi a extinção de uma obrigação acessória anteriormente prevista (DACON), para a substituição por outra para evitar o envio duplicado de informações (EFD Contribuições), sendo que a partir de 2014 esta última declaração passou a abranger todas as informações anteriormente solicitadas no DACON. E, quando da extinção do DACON, a legislação tributária indicou com clareza a manutenção da exigência da entrega, tempestiva, da declaração, até os fatos geradores ocorridos em 31/12/2013. Assim, a entrega em atraso do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2013 não deixou de ser tratado como contrário à lei, sendo cabível a aplicação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10665.723081/201382 Acórdão n.º 3402006.097 S3C4T2 Fl. 0 6 A multa pela apresentação em atraso da DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 10320.722002/201155Data da Sessão 20/08/2014 Nº Acórdão 3802003.535 Relator Solon Sehn Redator designado Francisco José Barroso Rios grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2010 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. As obrigações tributárias acessórias, como o DACON, podem ser instituídas por instrução normativa da Receita Federal. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10665.723081/201382 Acórdão n.º 3402006.097 S3C4T2 Fl. 0 7 encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento" (Número do Processo 10980.002055/201000 Data da Sessão 19/08/2014 Relator Bruno Maurício Macedo Curi Redator designado Francisco José Barroso Rios Nº Acórdão 3802 003.393 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721960/2017-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.721960/201729 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.060 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente ANTONIO NAVARRO SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 19 60 /2 01 7- 29 Fl. 283DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, que lhe exige o recolhimento de imposto de renda suplementar de R$ 9.232,42, de multa de ofício (passível de redução) no valor de R$ 6.924,31 e R$ 4.133,35 de juros de mora (calculados até 31/03/2017), em detrimento da restituição pleiteada de R$ 465,96, tendo em vista a constatação de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 35.266,84. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação juntando diversos documentos para comprovar o pagamento das despesas médicas utilizadas como deduções na sua declaração do IR. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que com relação aos gastos relativos ao Planserv, o documento de fl. 97 Demonstrativo Anual para Fins de Auxílio à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 2013, emitido pela SAEB Secretaria da Administração do Estado da Bahia faz prova de que os gastos, sob a rubrica Planserv, registrados no Comprovante de Rendimentos de fl. 19, foram em benefício exclusivo do notificado. Dessa forma, cabe restabelecer o importe de R$ 4.321,20 como dedução da base do IR. Já no que se refere aos gastos relativos ao plano de Saúde Sul América, devido a ausência de documento emitido pela empresa evidenciando o detalhamento de gasto por beneficiário, entende a DRJ que deve, portanto, ser mantida a glosa. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte, através de sua representante (eis que falecido), todos os documentos que foram possíveis de arrecadar para comprovar o gasto por beneficiário, deixando evidente que do montante utilizado na dedução, R$20.042,74 se referem a despesas própria e se sua esposa, Eliana de Carvalho Silva, a qual é sua dependente para fins fiscais.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10530.721960/201729 Acórdão n.º 2001001.060 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente conseguiu apresentar, em sede de Recurso Voluntário, diversos documentos comprovando a sua anterior dificuldade em conseguir um detalhamento por beneficiário, do Plano de Saude, bem como o efetivo documento, emitido pela Sul América, evidenciando os beneficiários e os valores pagos por eles. Verificouse, através da análise de tais documentos, que o percentual de 64% referente as despesas médicas da Sul América , cujo titular era Contribuinte, referese a despesa própria. Já no titulo da sua esposa, Eliana de Carvalho Silva, verificase que o percentual de 66% referese a despesa com a própria. Os percentuais remanescentes de cada título são dedicados a pagamentos para sua filhas, que não são dependentes para fins fiscais. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Fl. 285DF CARF MF 4 Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem acatadas as despesas médicas com plano de saúde Sul América no montante de R$20.042,74. Merece ser esclarecido que a parcela remanescente da despesa com plano de saúde Sul América, no valor de R$15.224,10 não foi objeto de contestação através do Recurso Voluntário. Portanto, mantida a glosa desta parcela, a qual deve ser devidamente calculada para fins de recolhimento do imposto suplementar , juros e multa devidos. CONCLUSÃO: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10530.721960/201729 Acórdão n.º 2001001.060 S2C0T1 Fl. 4 5 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas com plano de saúde no valor de R$20.042,74 , exatamente nos moldes expostos acima. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721726/2015-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 72 6/ 20 15 -8 2 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 16682.721726/201582 Resolução nº 3302000.785 S3C3T2 Fl. 342 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16682.721726/201582 Resolução nº 3302000.785 S3C3T2 Fl. 343 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16682.721726/201582 Resolução nº 3302000.785 S3C3T2 Fl. 344 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16682.721726/201582 Resolução nº 3302000.785 S3C3T2 Fl. 345 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004456/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/10/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento.
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos.
FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RITO PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46).
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal.
MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-005.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/10/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RITO PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 44 56 /2 00 7- 44 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 98 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RITO PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração DEBCAD n° 37.033.978 9, código de Fundamento Legal 35, lavrado em 29/10/2007, no valor de R$ 11.951,21 (onze mil e novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). Conforme Relatório Fiscal da Infração, fls. 18, o presente Auto de Infração foi lavrado por “deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização”. E, “para a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, conforme previsto na. Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, 111 e na Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 8°, combinados com o art. 225, 111 e § 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4. 729, de 09/06/2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, a partir de 09/05/2003, todas as Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 99 3 empresas estão obrigadas a preparar seus arquivos digitais nos Leyaute e formatos estabelecidos e disponibilizálos quando solicitados pela fiscalização”. A Autoridade Fiscal informa que está devidamente clara na relação dos itens solicitados em TIAF, do pedido de informações através dos meios digitais. E, considerações quanto a documentos e informações em meio digital o Al será sempre neste CFL, quando da sua não apresentação, apresentação parcial ou fora do leiaute exigível à época da ocorrência dos fatos geradores, sempre que for comprovado que a empresa utiliza sistema eletrônico de processamento de dados. Relata ainda que não ficaram configuradas nenhuma das circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento Previdenciário aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. E, também não constatada a atenuante prevista no art. 291 do citado Regulamento Previdenciário, conforme fls. 18. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 19, em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa cabível, nos termos da Lei n° 8.212/1991 e nos seus artigos 92 e 102, e artigo 283, inciso II, alínea “b”, e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, descrito em fls. 01, devidamente atualizado pela Portaria MPS n° 142, de l1/04/2007, no valor de R$11.951,21 (onze mil e novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). Dentro do prazo regulamentar a Impugnante contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 53/58 em 06/12/2007, alegando em síntese: (a) “Todo o processo de fiscalização está maculado desde o início, devido à confusão documental e de cronologia feitas pelos AuditoresFiscais”. Fls. 53. (b) O MPF n° 09399385F00 datado de 27/04/2007, indicando a Auditora Fiscal da Previdência Social Maria de Fátima de Almeida Sobreira, tinha prazo para execução até 25/08/2007, todavia a impugnante não teve ciência do mesmo. Fls. 53/54. (c) Em 24/08/2007, o MPF foi alterado por meio de MPFC. Novamente este documento não foi assinado por qualquer sócio ou preposto da impugnante. Fls. 54. (d) Conforme Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF foi prorrogado até 24/10/2007, citando o nome do Auditor Fiscal Cloves Francisco Braga. Fls. 54. (e) Em 19/09/2007, foi elaborado MPFC e, em 27/09/2007, a impugnante teve ciência do processo, conforme a devida assinatura no referido documento. Neste MPF se estabeleceu que Shirlei Ferreira dos Santos, seria responsável pela execução do Mandado. Fls. 54. (f) Somente nesta data que foi assinado pelo representante da impugnante o Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, apontando Shirlei Ferreira dos Santos como Auditor Fiscal responsável. Fls. 54. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 100 4 (g) Destaca que a Autoridade Fiscal solicitou ao representante da empresa, em 27/09/2007, que também assinasse o TIAD de 15/07/2007, no qual constava o nome da Auditora Fiscal Maria de Fátima de Almeida Sobreira. Fls. 54. (h) O representante da empresa recusouse a assinar tal documento, pois se tratava de data retroativa, para apresentação de diversos documentos. Fls. 54/55. (i) O prazo da fiscalização foi prorrogado em mais duas oportunidades, até 3l/10/2007 e até 09/11/2007. Fls. 55. (j) “O Mandado de Procedimento Fiscal deve ser emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos I a XIII, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto 11° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da lei n° 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal, conforme determina o artigo 4°”. Portaria RFB n” 4.328, de 05 de setembro de 2005”. Fls. 55. (k) “Farseá a intimação determinada na legislação retrocitada de pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10/12/97). A intimação também poderia ter sido feita por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Lei n° 9.532, de 10/12/97)”. Fls. 55. (l) AuditorFiscal ainda poderia utilizar o meio eletrônico, ou mediante registro em meio magnético ou equivalente, fls. 55. (m) “Apesar da existência de tantas opções, nenhuma delas foi utilizada”. Fls. 55. (n) “Neste cenário fica evidente que todo o processo de fiscalização não pode ter continuidade, pois a MPF inicial se extinguiu sem que tivesse sido formalizado a entrega à Impugnante”. Também esqueceramse de formalizar o TIAD, logo não se pode questionar eventual documento não entregue, muito menos justificar qualquer arbitramento. Fls. 55/56. (o) Vários princípios constitucionais foram feridos: princípio do devido processo legal, princípio do contraditório, da ampla defesa e da publicidade. Fls. 56. (p) O procedimento fiscal tem início com a emissão do MPF. Fls. 56. (q) O MPF é necessário para o controle da execução da fiscalização e destinase a publicidade da autorização emitida para realização dos procedimentos de fiscalização e elemento indispensável para se dar validade ao lançamento tributário. Fls. 56. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 101 5 (r) Das multas aplicadas, vedação ao confisco, fls. 56/58. (s) “À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado”. Fls. 58. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), por meio do Acórdão nº 0918.901 (fls. 65/83), de 27/02/2008, cujo dispositivo considerou o lançamento procedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/10/2007 AUTODEINFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR TODAS AS INFORMAÇOES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS NA FORMA ESTABELEOIDA. NÃO OCORRÊNCIA DA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA. NÃO OCORRÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. APLICAÇÃO DA MULTA. CONFISCO. DEFESA TEMPESTIVA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. É devida a autuação por deixar a empresa, que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, de prestar a RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III e na Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 8°, combinados com o art. 225, III e § 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, a partir de 09/05/2003. Não caracteriza vício Formal do lançamento se os atos e termos processuais são emitidos com a observância de normas administrativas e legais; e, efetuado em consonância com o artigo 142 do CTN e com o artigo l0 do Decreto n° 70.235/72. O sujeito passivo fica cientificado do início da auditoria fiscal a ser desenvolvida através da ciência do MPF e do TIAF. Por infração a qualquer dispositivo da Lei n° 8.212, de 1991, exceto no que se refere aos prazos de recolhimento de contribuições, da Lei n° 8.213, de 1991 e da Lei n° 10.666, de 2003, fica o responsável sujeito a multa variável, conforme a gravidade da infração, limitada a um valor mínimo e um valor máximo previstos no RPS e atualizados mediante Portaria Ministerial. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 102 6 obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por forca do ato administrativo vinculado. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Não é possível, em sede administrativa, afastarse a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Lançamento Procedente Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. O presente Auto de Infração se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigos 2° e 3° da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, e o disposto no artigo 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com a nova redação pelo Decreto n° 6.103 de 30 de abril de 2007. 2. A controvérsia no presente processo cingese a argumentação “da não ciência da Impugnante no Mandado de Procedimento Fiscal, a não entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documento Fiscal e culminando com a formalização tardia do Termo de Início de Ação Fiscal, tornam nulos todos os lançamentos efetuados” e das multas aplicadas. 3. A atividade de fiscalização destinada a verificação do cumprimento da legislação previdenciária pelo sujeito passivo, foi exercida com observância dos princípios jurídicos inerentes ao processo administrativo fiscal. A Autoridade Fiscal praticou os atos de fiscalização dentro das prerrogativas e limitações estabelecidas na legislação tributária e previdenciária, em respeito ao princípio da legalidade objetiva e, para tanto, executou os procedimentos fiscais concernentes ao objeto da fiscalização determinado no MPF; exigiu do sujeito passivo o cumprimento de obrigações previdenciárias de acordo com o previsto na legislação aplicável; lavrou AI ao verificar o descumprimento de obrigação previdenciária acessória. 4. O direito de defesa no processo administrativo fiscal é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação, e, posteriormente, com o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, nos prazos estabelecidos. Durante a ação fiscal, destinada a verificar a regularidade da situação fiscal do contribuinte, inexiste litígio que enseje alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. 5. Durante o procedimento fiscal, a Autoridade Fiscal emitiu os termos quando do Início dos Procedimentos (TIAF), da Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e quando do Encerramento da Fiscalização (TEAF). Tais termos têm como objetivo registrar, informar, orientar e, documentar e instruir processo administrativo fiscal. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 103 7 6. O ato processual só tem eficácia após a ciência do interessado. A ciência será dada da forma Pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo. Ocorrendo recusa do recebimento, a Autoridade Fiscal deve deixar a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrar nas demais, no campo destinado ao recibo, a expressão "recusouse a assinar", identificar o responsável pela recusa, fazendo constar no próprio documento, ou no Relatório Fiscal, a observação de que a Via destinada ao sujeito passivo foi deixada no local da ocorrência da recusa e que se considerou o sujeito passivo cientificado. 7. No presente processo a Autoridade Fiscal considerou o início da ação fiscal com a assinatura do contribuinte no MPF C02 e TIAF em 27/09/2007. 8. Quanto as objeções levantadas pela impugnante não procedem, pois, considerando o início da ação fiscal quando da sua ciência em 27/09/2007, teve tempo hábil para apresentação da documentação. E, conforme já demonstrado não se justifica a não emissão do TIAD posteriormente, pois com a nova portaria a documentação inicialmente solicitada é através do TIAF, sendo o TIAD complementar. E, tanto o MPF complementar quanto o TIAF foram assinados pelo contribuinte. Não há como alegar qualquer possibilidade de desrespeito aos princípios constitucionais citados. 9. Não foram detectados quaisquer vícios, defeitos ou irregularidades que acarretassem a nulidade do Auto de Infração em questão. E, mesmo se ocorresse a inobservância de normas administrativas relativas ao MPF seria insuficiente para caracterizar o alegado vicio formal do lançamento, efetuado em consonância com o artigo 142 do CTN e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. 10. Por infração a qualquer dispositivo da Lei n° 8.212, de l99l, exceto no que se refere aos prazos de recolhimento de contribuições, da Lei n° 8.213, de l99l e da Lei n° 10.666, de 2003, fica o responsável sujeito a multa variável, conforme a gravidade da infração, limitada a um valor mínimo e um valor máximo previstos no RPS e atualizados mediante Portaria Ministerial. A multa está expressamente prevista na legislação previdenciária no artigo 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/l999. Também encontramos tal previsão na Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de Julho de 2005. 11. Assim, não merece acolhida o entendimento de ser confiscatória a multa aplicada, uma vez que se encontra devidamente prevista na legislação e aplicada no presente Auto de Infração dentro de suas determinações. 12. E, quanto a discutir a ilegalidade ou inconstitucionalidade, os argumentos oferecidos se esbarram na legislação ainda eficaz no mundo jurídico e nos atos administrativos em prática. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 104 8 13. Atualmente, a legislação previdenciária só contempla uma circunstância atenuante: ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação (nova redação dada pelo Decreto n° 6.032 de 01.02.2007, que alterou o artigo 291, caput, do RPS). E, conforme constatado nos autos, não houve a correção da falta, pois, não foram apresentados e nem mencionado em sua impugnação tal correção. 14. Sendo assim, a multa aplicada não poderá ser relevada porquanto não foram cumpridas plena e cumulativamente as exigências para a autorização do benefício, conforme determinado no art. 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 com a redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007, de acordo com as informações prestadas nos autos pela Autoridade Fiscal. 15. Ao contribuinte é oferecida a oportunidade de apresentar a impugnação onde mencionará "os motivos de fato e de direito em que se fundam, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir", precluindo o direito de o fazêlo em outro momento processual. A impugnante não apresentou outros argumentos e provas pertinentes ao Auto de infração em questão. 16. Não há o que atender o intento da impugnante seja, em razão da Falta de suporte legal, seja em decorrência da falta de sustentação fática que pudesse acarretar a nulidade ou modificar o posicionamento da Auditoria Fiscal que se reveste de legalidade e de materialidade em seus parâmetros e elementos constitutivos. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 87/92), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos, que, basicamente, reforçam sua tese defensiva: a. Conforme citado pelos nobres julgadores, a Ação Fiscal teria se iniciado em 15/05/2007, mas no MPF, no campo que identificaria o recebimento, foi colocado o termo AUSENTE. Considerando que a empresa exerce regularmente suas atividades em sua sede, onde sempre esteve para receber e assinar qualquer documento, este ausente não pode se referir a mesma. b. O MP n° 09399385F00 datado de 27/04/2007, indicando a Auditora Fiscal da Previdência Social Maria de Fátima de Almeida Sobreira, matrícula 0954879, tinha prazo para execução até 25 de agosto de 2007, todavia, a recorrente não teve ciência do mesmo. c. Em 24 de agosto de 2007, o Sr. Marco Antônio de Melo Breves, alterou o MPF n° 09399385, por meio de MPF Complementar. Novamente, este documento não foi assinado por qualquer sócio ou preposto da recorrente. d. Conforme Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF – Auditoria Previdenciária, o MPF n° 09399385 foi prorrogado até 24 de outubro de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 105 9 2007, citando o nome do AuditorFiscal da RFB Cloves Francisco Braga, matrícula 0954874. e. Em 19 de setembro de 2007, foi elaborado o MPF Complementar e, em 27 de setembro de 2007, a recorrente teve ciência do processo, conforme a devida assinatura no referido documento. Neste MPF se estabeleceu que o Sr. Shirlei Ferreira dos Santos, matrícula 1140035, AuditorFiscal da RFB, seria o responsável pela execução do Mandado. f. Neste cenário, fica evidente que todo o processo de fiscalização não pode ter continuidade, pois a MPF inicial se extinguiu sem que tivesse sido formalizado a entrega à recorrente. Além disso, os fiscais esqueceram de formalizar Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, logo não se pode questionar eventual documento não entregue, muito menos justificar qualquer arbitramento. g. O MPF é sumamente necessário para o controle da execução da fiscalização, visando a garantir direitos e obrigações dos contribuintes e dos AuditoresFiscais envolvidos no processo. O MPF destinase à publicidade da autorização emitida para realização dos procedimentos de fiscalização, no contexto dos atos privativos da Administração Tributária, sendo hoje elemento indispensável para se dar validade ao lançamento tributário. h. No caso em tela, a não ciência da recorrente no MPF, a não entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documento Fiscal e culminando com a formalização tardia do Termo de Início de Ação Fiscal, tornam nulos todos os lançamentos efetuados. i. A multa decorrente do descumprimento da obrigação tributária também se submete à vedação ao confisco. A pena não deve ser igual ao gravame, mesmo que ela seja primordialmente repreensiva e sancionatória. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 106 10 O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Caso o recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Preliminares. Preliminarmente, a recorrente questiona a ausência de sua ciência a respeito do Mandado de Procedimento Fiscal, bem como a não entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documento Fiscal, além da formalização tardia do Termo de Início de Ação Fiscal, que, no seu entendimento, ocasionariam a nulidade do lançamento efetuado. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 107 11 Conforme bem pontuado pela decisão de piso, o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 7°, determina que o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Feita a intimação ao sujeito passivo, dáse início à ação fiscal, com as consequências daí advindas como a perda da espontaneidade. No presente processo, a Autoridade Fiscal considerou o início da ação fiscal com a assinatura do contribuinte no MPF C02 e TIAF em 27/09/2007, não havendo qualquer irregularidade no procedimento fiscal. E, ainda que assim não o fosse, eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos não têm o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário, disciplinado pelo artigo 142 do CTN, que se constitui em ato obrigatório e vinculado, sob pena de responsabilidade funcional por parte do agente fiscal. Somente na hipótese de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que, eventualmente, tais vícios poderão acarretar na nulidade do crédito tributário. Ademais, já está sumulado, no âmbito deste Conselho, o entendimento segundo o qual o lançamento de ofício pode ser realizado, inclusive, sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF n° 46 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Não há, pois, que se falar de contraditório na fase inquisitorial do procedimento prévio ao eventual lançamento de ofício. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Cabe destacar, ainda, que na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Nesse sentido, vale ressaltar que a oportunidade de manifestação do contribuinte não se exaure na etapa anterior à efetivação do lançamento. Pelo contrário, na busca da preservação do direito de defesa do contribuinte, o processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72, estendese por outra fase, a fase litigiosa, na qual o autuado, inconformado com o lançamento que lhe foi imputado, instaura o contencioso fiscal mediante apresentação de impugnação ao lançamento, quando as suas razões de discordância serão levadas à consideração dos órgãos julgadores administrativos, sendolhe facultado pleno acesso à toda documentação constante do presente processo. Caberia ao recorrente refutar a acusação fiscal, notadamente os motivos exarados para o presente lançamento tributário, todos bem descritos no Auto de Infração e nos documentos anexos. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10675.004456/200744 Acórdão n.º 2401005.963 S2C4T1 Fl. 108 12 Dessa forma, afasto as preliminares levantadas pelo recorrente e passo a examinar a única questão de mérito trazida ao debate e que diz respeito à multa aplicada. 4. Mérito. 4.1. Da Multa Aplicada. Conforme narrado, o referido Auto de Infração (Fundamento Legal 35), foi lavrado contra o contribuinte acima identificado por “deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização”. E, “para a empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, conforme previsto na. Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, 111 e na Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 8°, combinados com o art. 225, 111 e § 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4. 729, de 09/06/2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, a partir de 09/05/2003, todas as empresas estão obrigadas a preparar seus arquivos digitais nos Leyaute e formatos estabelecidos e disponibilizálos quando solicitados pela fiscalização”. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 19, em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa cabível, nos termos da Lei n° 8.212/1991 e nos seus artigos 92 e 102, e artigo 283, inciso II, alínea “b”, e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, descrito em fls. 01, devidamente atualizado pela Portaria MPS n° 142, de l1/04/2007, no valor de R$11.951,21 (onze mil e novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). Alega a recorrente que a multa aplicada estaria em patamar confiscatório, o que seria vedado pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal. Oportuno observar que já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não assista razão à recorrente, eis que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, afastar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932417/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ.
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DCOMP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 17 /2 00 9- 47 Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10980.932417/200947 Acórdão n.º 3301005.468 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido” e, no mérito, arguiu que o crédito era decorrente de pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins), relativamente a receitas de vendas para o exterior que foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente à tributação, dado que as receitas de exportação não sofrem a incidência das contribuições. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06039.291, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado por insuficiência de provas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, novamente, traz demonstrativos de cálculo da contribuição, bem como cópias do que informa ser o livro Razão. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.457, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10980.932407/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.457): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10980.932417/200947 Acórdão n.º 3301005.468 S3C3T1 Fl. 4 3 Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902623/2015-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 23 /2 01 5- 55 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2484, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 236.273,46. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de CSLL a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902623/201555 Acórdão n.º 1301003.546 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902623/201555 Acórdão n.º 1301003.546 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003636/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PAF. DECLARATÓRIOS. OMISSÃO.
Presente vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter, deve-se acatar os embargos, a fim de se completar a decisão.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 3401-005.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos interpostos, sem efeitos infringentes, exclusivamente para sanar a omissão de enfrentamento do argumento recursal de que a multa de oficio se mostra exagerada e confiscatória, aplicando-se à questão o enunciado da Súmula CARF n. 2.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. Presente vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter, devese acatar os embargos, a fim de se completar a decisão. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos interpostos, sem efeitos infringentes, exclusivamente para sanar a omissão de enfrentamento do argumento recursal de que a multa de oficio se mostra exagerada e confiscatória, aplicandose à questão o enunciado da Súmula CARF n. 2. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 36 /2 01 0- 11 Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 19515.003636/201011 Acórdão n.º 3401005.700 S3C4T1 Fl. 240 2 Tratase de embargos de declaração, interposto pelo sujeito passivo, em 29/08/2013, ao amparo do art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Inexistente nos autos registro de ciência formal do teor do Acórdão nº 3401002.324, de 23/07/2013, que negou provimento ao recurso voluntário, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal, restando evidenciado que o autuado tem plena condições de exercer sua defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Comprovado nos autos que o contribuinte realizou pagamentos antecipados do tributo, cuja natureza do lançamento é por homologação, se reconhece a decadência até os fatos geradores ocorridos em 10/11/2005. IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Limitandose a defesa a contestar o critério adotado pela autoridade fiscal para identificar as mercadorias a serem objeto de classificação fiscal, mas nada opondo contra a classificação em si, aceito o critério, há de ser mantida também a classificação proposta pela autoridade fiscal. Naquela assentada restou reconhecida, apenas, a ocorrência da decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até 10 de novembro de 2005. Cientificado do acórdão, o sujeito passivo solidário redargüiu o aresto apontando contradição e omissões, quanto: contradição entre as conclusões do voto vencedor e as provas constantes dos autos; omissão de enfrentamento da preliminar de cerceamento de defesa, com anulação do Auto de Infração, contido neste procedimento administrativo, por não conter todos os fundamentos legais da imposição fiscal, nomeadamente aqueles que informam os aspectos temporal e quantitativo dos créditos tributários lançados, bem como por estar lastreado os cálculos em critérios vazios e sem relação com os produtos efetivamente vendidos; Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 19515.003636/201011 Acórdão n.º 3401005.700 S3C4T1 Fl. 241 3 omissão de enfrentamento do argumento recursal de que a multa de oficio se mostra exagerada; omissão de reexame dos procedimentos administrativos inerentes (10880.906878/200810 e 10880 906879/200856); omissão de apreciação dos erros cometidos pela autoridade fiscal, e; omissão de exclusão de bens do termo de Arrolamento de Bens e Direitos. No exame de admissibilidade (fls. 5860/5864), rejeitouse parcialmente, em caráter definitivo, os embargos interpostos, quanto a contradição entre as conclusões do voto vencedor e as provas constantes dos autos; e a omissão de exclusão de bens do termo de Arrolamento de Bens e Direitos; admitindo o aclaratório quanto aos demais vícios apontados. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo Quanto à pretensa omissão de enfrentamento da preliminar de cerceamento de defesa, absolutamente, não se vislumbra tal defeito. O aresto indagado foi detalhado e excessivamente claro em acentuar os motivos pelos quais não teria havido cerceamento de defesa, dispensando, em duas extensas laudas (fls. 5815/5816), tópico próprio: preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, logo no início do Voto Vencido, o qual não foi vencido nesse ponto preliminar, portanto, atécnica e desnecessária manifestação no Voto Vencedor sobre a mesma questão. Assim, a decisão colegiada enfrentou e decidiu a matéria discutida. Se a decisão não aceitou ou contrariou a argumentação do embargante o problema é outro, não de declaração. Não existe obrigação do julgador em responder ou rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pela parte, como parece pretender a embargante, quando já tenha encontrado motivo bastante para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ficar adstrito aos fundamentos pela parte indicados. Não se vislumbrando, pois, omissão, rejeitamse os embargos de declaração, nesse ponto sobre questão preliminar. Quanto à omissão de enfrentamento do argumento recursal de que a multa de oficio se mostra exagerada, voltamos à questão da integração entre votos vencido e vencedor. Tratandose de questão acessória e tendo o Voto Vencido proposto provimento integral ao recurso voluntário, não haveria, mesmo, por que manifestarse quanto à essa questão. Porém, o Voto Vencedor, ao propor manutenção de parcela da imposição Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 19515.003636/201011 Acórdão n.º 3401005.700 S3C4T1 Fl. 242 4 principal, acabou por atrair para si a necessidade de pronunciarse sobre os aspectos acessórios da autuação, no caso, a multa proporcional ao tributo constituído de ofício. Vislumbrandose, pois, omissão, nesse ponto acessório, devem ser acatados os embargos de declaração, para sanar a omissão, no meu entender, sem nenhum efeito infringente, visto não restar muito espaço de manifestação ao Colegiado. Tratandose, essencialmente, de alegações sobre ilegalidade/ inconstitucionalidade, sempre de acordo com a razoabilidade e a proporcionalidade, considerada também a situação financeira e patrimonial da RECORRENTE, afastando a afronta ao artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal/1988, não merecem acolhidas, pois, além da previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), do art. 80, da Lei nº 4.502/64, como sabido "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2). Logo, devem ser mantidas as multas de ofício proporcional e isolada (75%), lançada no percentual previsto no art. 80, da Lei n°4.502/64, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15). Quanto às omissão de reexame dos procedimentos administrativos inerentes (10880.906878/200810 e 10880.906879/200856); e omissão de apreciação dos erros cometidos pela autoridade fiscal, salvo melhor julgamento, não entendo que tenham ocorrido. Devese entender por omissão o vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter. Nesse caso, os embargos têm por fim provocar a declaração do ponto omitido, a fim de se completar a decisão. Reiterase, não existe obrigação do julgador em responder ou rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pela parte, como pretende a embargante, quando já tenha encontrado motivo bastante para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ficar adstrito aos fundamentos pela parte indicados. Não entendo deva haver, sequer, manifestação concordando ou discordando, com pretenso reexame de procedimentos administrativos inerentes à outros processos (10880.906878/200810 e 10880.906879/200856), corretos os votos ao ateremse, exclusivamente, aos autos do presente processo (19515.003636/201011). Ainda, o acórdão embargado foi bastante detalhado nos seus argumentos e preciso na sua conclusão, não existindo lacuna de declaração, no meu entender, desnecessária manifestação expressa sobre supostos erros cometidos pela autoridade fiscal, visto, não terem sido relevantes à inferir as conclusões alcançadas na autuação e mantidas pelo Colegiado. Ainda que a embargante não concorde com a conclusão, nada existe a ser suprido ou esclarecido, pois examinados todos os pontos merecedores de exame. Destarte, fica claro que as omissões alegadas não possuem o condão de alterar o resultado do julgamento, limitandose a embargante a reiterar sua pretensão, já devidamente examinada pela Turma. Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 19515.003636/201011 Acórdão n.º 3401005.700 S3C4T1 Fl. 243 5 Por tudo exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração interpostos, sem efeitos infringentes, exclusivamente, para sanar a omissão de enfrentamento do argumento recursal de que a multa de oficio se mostra exagerada e confiscatória, aplicando se à questão o enunciado da Súmula CARF nº 2. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 5891DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001793/2008-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 93 /2 00 8- 49 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.297, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001793/200849 Acórdão n.º 9303007.600 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 719DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721948/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado.
LUCRO ARBITRADO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as argüições de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários. Votou pelas conclusões a Conselheira Lívia De Carli Germano. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 28.607 1 28.606 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.721948/201554 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401003.056 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes ASSOC BRASILEIRA DE PROMOTORES DE VENDA DE COSMETICOS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. LUCRO ARBITRADO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa, se a fiscalização a partir de verificações, demonstra que a contabilidade não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante das operações registradas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebese que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; tratase de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 19 48 /2 01 5- 54 Fl. 28607DF CARF MF 2 À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as argüições de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários. Votou pelas conclusões a Conselheira Lívia De Carli Germano. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 28608DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.608 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRRF (fls. 27.802/27.844), relativo ao período de 01/2010 a 12/2011, sob a acusação de pagamento sem causa ou beneficiário não identificado imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com responsabilização dos solidários BAYONNE COSMETICOS LTDA (art. 124, I, CTN), LANGON COSMETICOS LTDA (art. 124, I, CTN), JOSE PAULO FRANZ (art. 135, III, CTN), ALCIMAR LUIZ DE BORTOLI (art. 135, III, CTN), TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS (art. 135, III, CTN), ETYANE GISELE RAUEN (art. 135, III, CTN) e GISELA PISSETTI RAUEN (art. 135, III, CTN). O Termo de Verificação e Encerramento parcial da ação fiscal (fls. 27.680/27.792) apurou que: O estatuto social da APROVE a define como uma associação civil que congrega promotores de venda de cosméticos, pessoas físicas ou jurídicas, visando a uma atuação conjunta em benefício comum da atividade comercial dos associados, nas áreas de treinamento, planejamento integrado de vendas, publicidade, assistência técnica, desenvolvimento de serviços comuns, dentre outras, além de objetivar, igualmente, finalidades recreativas; Intimada a comprovar alguns valores recebidos escriturados como recebimento de mensalidades a interessada esclareceu que se tratava a reembolso de associados referentes a despesas de hospedagem e alimentação em evento, sem contudo, apresentar qualquer comprovação dos valores relacionados; Quanto aos valores que afirma serem relativos a mensalidades, a interessada não identifica os novos associados, nem comprova a que meses se referem; Intimada a comprovar alguns valores relativos a cheques emitidos registrados na contabilidade como BÔNUS/PREMIAÇÕES, a interessada esclareceu tratarse de reembolsos de despesas com eventos e treinamentos e apresentou cópia dos cheques e de recibos emitidos por ela e não de terceiros para que pudesse haver ressarcimento de valores gastos. As notas fiscais apresentadas não possuem a identificação do cliente e algumas foram emitidas posteriormente à data de escrituração, portanto, não são considerados hábeis e idôneos para comprovação das despesas. Os demais documentos apresentados referemse a pessoa que não consta como associado, portanto, também não podem ser aceitos; Fazendo a auditoria por amostragem dos valores lançados no mês de fevereiro de 2010 no Razão da conta 3303110001 – BONUS/PREMIAÇÕES com os valores lançados no Livro Auxiliar da conta 3303110001 – BONUS/PREMIAÇÕES, constatamos que não estão lançados neste livro os valores escriturados no Razão acima de R$ 5.000,00 e que nele constam lançamentos do Banco Itaú (código 341), que não estão lançados no Razão. Portanto, os Livros Auxiliares da conta 3303110001 – BONUS/PREMIAÇÕES dos anoscalendário de 2010 e 2011 não estão revestidos das formalidades que assegurem a respectivaexatidão, não atendendo os requisitos para gozo da isenção conforme disposto no inciso III, do § 3º do artigo 170 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999; Fl. 28609DF CARF MF 4 A interessada foi intimada a comprovar os beneficiários de alguns cheques emitidos, sendo que há casos em que os associados informados pela interessada como beneficiário do cheque não são os que constam na fita de caixa (fl. 27.695), outros que alega pagamento a fornecedores, contudo registra o débito em bônus/premiação; Em algumas contas bancárias consta o endereço da BAYONNE e não da APROVE; Para comprovação do recebimento das mensalidades apresentou apenas planilha das mensalidades, sem apresentar qualquer documento que comprovasse o pagamento das mesmas; Intimadas a esclarecer os serviços prestados à APROVE, as pessoas que acessavam a conta bancária da Associação afirmaram que não são contratadas da APROVE e sim da LANGON e que receberam autorização da gerente Mariza para acessar as contas bancárias da APROVE; Na circularização de associados, o associado Adael Barreto de Barros Neto declarou que os cheques que recebeu da APROVE referem se a bonificação pelas vendas e que nunca teve reembolso de despesas, acrescentou que a APROVE controla, gerencia e processa o movimento e gera as comissões; Os demais circularizados afirmaram que os valores recebidos da APROVE referemse a reembolso de despesas com eventos e bonificação pelo ingresso de novos associados. Quanto aos comprovantes das despesas efetuadas, bem como a relação das pessoas que ingressaram na APROVE, responderam que foram enviados para a interessada para o processamento do reembolso; Intimada a comprovar os valores pagos às pessoas físicas selecionadas, esclarecendo a forma de cálculo do Bônus e apresentar os relatórios de vendas, a interessada apresentou a Resposta, sem assinatura; juntando os seus comprovantes para a realização dos pagamentos; que não apresentam condições de comprovar os valores pagos às pessoas físicas relacionadas, pois estão eivados de vícios como falta de identificação do recebedor do serviço/produtos e datas de emissão das Notas Fiscais, e esclarecendo em relação ao item 2 que o bônus era pago de acordo com a quantidade de participantes nos eventos, também não apresentou a relação das pessoas que compareceram nos eventos; A interessada foi intimada a apresentar os documentos que deram origem aos reembolsos de despesas e a relação das pessoas que compareceram aos eventos em relação a 5 associados selecionados com base nos documentos do arquivo apresentado por Adael Barreto; A interessada apresentou recibos e notas fiscais que não identificam o beneficiário dos mesmos, não tendo valor legal. Não foram apresentadas as relações das pessoas que compareceram aos eventos que dariam direito ao recebimento de “Bônus”; Alguns associados foram intimados a esclarecer o serviço prestado, a justificar a premiação e em resposta declararam que o valor do cheque nominal referese aganho de sistema pela compra de produtos Racco realizados pelas pessoas que fazem parte da sua equipe; Duas das intimadas afirmaram que o cheque referese a pagamento de despesas com eventos; Na fl. 17.365 dos documentos Pagamento a Fornecedores está a descrição da transferência via TED da interessada para a pessoa física LUIZ FELIPE RAUEN, Fl. 28610DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.609 5 CPF 186.846.61915, sócio da pessoa jurídica F & G PARTICIPACOES LTDA, CNPJ 07.449.131/000108, que era sócia da pessoa jurídica BAYONNE COSMETICOS LTDA CNPJ 85.040.103/000138, até julho de 2011, e que é sócia da pessoa jurídica LANGON COSMETICOS LTDA, CNPJ 01.515.050/000174; Intimada a justificar os cheques emitidos para a BAYONNE alega que adquiriu produtos para as Convenções Regionais, contudo, não apresenta as notas fiscais; Intimada a justificar cheques emitidos alega que se trata de pagamentos pela prestação de serviços de treinamentos e eventos sem apresentar qualquer comprovação; As procuradoras da APROVE: Maria Terezinha Bastos e Marjori de Oliveira Fernandes são funcionárias da LANGON e afirmaram que prestavam serviços para a APROVE. A Sra. Maria alegou que não se recorda de quem a solicitou para ser a procuradora, enquanto que a Sra. Marjori alegou que foi o chefe Luiz Felipe Rauen; Intimada a comprovar 18 cheques apresentou cópia de depósito de apenas 3 e alegou que os demais podem ter sido repassados a terceiros ou recebeu crédito de produtos, afirmou também que não possui relação das pessoas que participaram dos eventos e que teriam lhe rendido direito ao bônus; Os bancos foram intimados a apresentar relatório de composição de depósitos em cheque e dinheiro, sendo possível observar que o valor depositado é composto por vários cheques; No relatório do Banco do Brasil foi possível constatar que a maioria das operações são realizadas por pessoas jurídicas, A interessada foi intimada a comprovar a necessidade dos serviços de gráfica para impressão da REVISTA RACCO MANIA. Em resposta alegou de as revistas são impressas para alavancar os negócios dos associados e eram ressarcidos os seus custos pelos mesmos; A BAYONNE Cosméticos Ltda fabrica os produtos para limpeza, conservação e maquilagem da pele, mas a interessada arca com todo o custo de propaganda e divulgação dos mesmos e ainda paga bônus e despesas pelo ingresso de novos associados; A presente Auditoria Fiscal foi programada com base na “Denúncia Anônima” (fls. 26.263 a 26.344), endereçada ao Departamento da Polícia Federal, protocolada em 01 de fevereiro de 2010 sob o nº 08200.004303/201037, encaminhada ao Superintendente Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal, via Ofício nº 0951/2011 – SR/DPF/PR, datado de 09 de fevereiro de 2011; O/A denunciante anônimo(a) relata (fls. 26.269/74), que nas notas fiscais, emitidas pela BAYONNE Cosméticos Ltda, é discriminado 1/3 do valor dos produtos vendidos; que o valor sonegado é depositado nas contas bancárias da APROVE; que junto com a Nota Fiscal e o boleto para pagamento da mesma vem um “lembrete de pagamento” com o valor que está sendo sonegado para depósito em conta bancária da APROVE; Fl. 28611DF CARF MF 6 A operação de venda de produtos pela BAYONNE conforme descrita na “Denúncia” foi realizada em julho/2009, portanto fora do período de fiscalização, para o qual foi programada, isto é 2010 e 2011; mas vários elementos da “Denúncia” não devem ser desconsiderados, já que demonstram a prática da sonegação fiscal realizada pela BAYONNE Cosméticos Ltda e pela APROVE; O processo nº 000230630.2014.8.16.0001 tem como promoventes as pessoas jurídicas Angela Rafaela dos Santos – ME, CNPJ 07.642.829/000137 e Cleodenira Angeli Cosméticos, CNPJ: 27.802.685/000146, e como promovida a pessoa jurídica BAYONNE Cosméticos Ltda, CNPJ: 85.040.103/000138, requerendo a Prestação de Contas pela promovida por terem as promoventes realizado pagamentos por fora no período de outubro de 2005 a outubro de 2012 por produtos adquiridos da promovida, discriminados nas Notas Fiscais de venda emitidas por ela, mas por valores inferiores aos realmente praticados; Intimada a comprovar a origem dos créditos, referente aos cheques nominais à ela, juntados ao processo nº 000230630.2014.8.16.0001 a interessada apenas esclareceu que se referem a depósitos de taxa de manutenção dos associados, ou valores cobrados de novos associados, ou reembolso com despesas em eventos, sem contudo, comproválos ou apresentar a escrituração dos valores; Quanto aos depósitos em sua conta corrente afirmou que os créditos em conta corrente se referem a depósitos para participação em convenções regionais e pelo ingresso de novos associados, não tendo juntado nenhum documento coincidente em data e valor, que comprove os respectivos depósitos; bem como apresenta esclarecimentos a respeito de alguns valores que não são depósitos de terceiros, mas operações bancárias de transferência de numerários da mesma titularidade e resgates de aplicações financeiras; Com base na auditoria feita nos ANEXOS AO TERMO DE INTIMAÇÃO, foram preenchidos os DEMONSTRATIVOS DA RECEITA OMITIDA COM BASE NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS anoscalendário de 2010 e 2011, anexos, conforme disposto nos artigos 287 e 288 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Em virtude da publicação do AD de suspensão das isenções tributárias, a interessada foi intimada a apresentar os livros comerciais e fiscais; Apresentou o Livro LALUR, no entanto, não apresentou os demais livros, diante disso, a escrituração da interessada não atende ao disposto nos artigos 251 e Parágrafo Único, 258, 259 e 264 para que a tributação do imposto de renda seja feita pelo LUCRO REAL; A interessada fica sujeita ao LUCRO ARBITRADO, tendo sido aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita conhecida por estar demonstrado que a interessada pratica a atividade de comércio de cosméticos; A interessada foi intimada a apresentar os documentos fiscais e a necessidade dos serviços que geraram as transferências, e os pagamentos a fornecedores. Em resposta (assinada por pessoa não identificada e sem procuração juntada aos autos) apresenta algumas notas fiscais e alguns boletos; esclarece que todas as despesas foram realizadas para locação de espaços, treinamentos, geração de vídeos, veiculação de matérias em revistas e comunicação, palestras feitas até pelo Presidente da Racco (Luiz Felipe Rauen) e impressão de catálogos de produtos (Revista RACCO impressa pela Gráfica e Editora Posigraf Ltda). Fazendo sempre a observação que faz parte do Estatuto da interessada a realização destes gastos para promoção da marca e que todos os gastos eram Fl. 28612DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.610 7 ressarcidos pelos “supostos associados”; Segundo afirma a interessada a responsabilidade pela promoção e divulgação dos produtos da marca “RACCO”, produzidos pela pessoa jurídica BAYONNE Cosméticos Ltda, era da sua responsabilidade e dos “supostos associados”, sendo que a interessada não apresentou contrato com a fabricante dos cosméticos e produtos de higiene pessoal, para realização dessas despesas, suportadas pelos “supostos associados”; não apresentou o Livro Auxiliar – Mensalidade de Associados, não comprovou com documentos hábeis e idôneos o recebimento das mensalidades nem os créditos em contas corrente das instituições financeiras; Apesar da interessada não ter atendido o item que solicitava a apresentação dos documentos fiscais e comprovação da necessidade do serviço prestado pelas pessoas que gerou os depósitos, mas apresentado planilha descrevendo o BENEFICIÁRIO e a FINALIDADE dos cheques emitidos, ficando evidente que os cheques emitidos foram depositados nas contas bancárias das pessoas jurídicas BAYONNE Cosméticos Ltda e LANGON Cosméticos Ltda, tendo como finalidade liberação de produtos a “supostos associados em eventos” e a várias pessoas físicas, tendo como finalidade treinamento em eventos e contratação em eventos; foi lavrada intimação para que a interessada apresentasse os documentos que pudessem comprovar a necessidade dos serviços prestados por estas pessoas jurídicas/ físicas, não tendo sido apresentado nenhum documento até a presente data; A interessada efetuou pagamentos aos supostos associados, que foram lançados na conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194) , sem a comprovação das despesas efetuadas pelos supostos associados e sem a apresentação da relação dos supostos associados que participaram das reuniões, conforme relatado anteriormente; parte como reembolso de despesas e parte como bônus por ingresso de novos associados. Também não comprovou a necessidade e a efetiva prestação dos serviços referentes aos pagamentos aos fornecedores e às transferências bancárias, relacionadas nos Termos de Intimação Fiscal, lavrados em 04 de março (fls 26.959/26.963) e em 16 de março de 2015 (fls. 27.135/27.143), respectivamente. Infringindo o disposto no artigo 674, § 1º do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, ficando sujeito ao imposto de renda exclusivo na fonte à alíquota de 35%, reajustada conforme disposto no § 3º do mesmo artigo; Pelos fatos relatados acima ficou demonstrado a conduta dolosa de sonegar e fraudar tributos e contribuições conforme disposto nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficando sujeita a interessada à multa de ofício prevista no artigo 957, inciso II, do RIR/1999; Em consequência da omissão de receitas nos anos calendário de 2010 e 2011 foram lavrados os autos de infrações reflexos de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSL), Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Programa de Integração Social (PIS), por infração aos dispositivos legais, citada nos respectivos Autos de Infração; Com a ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 32, de 26 de março de 2015 (fls. 22.422), realizada pela procuradora MARIZA TEREZINHA BASTOS em 28/04/2015 (fls. 22.428) , ficou suspensa a imunidade prevista no Fl. 28613DF CARF MF 8 artigo 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal, e das isenções tributárias condicionadas relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, previstas no artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, da interessada no período de 01/01/2010 a 31/12/2011; Fazendo uso das suas competências o Presidente da interessada José Paulo Franz, CPF nº 385.112.31900, juntamente com o Tesoureiro Alcimar Luiz de Bortoli, CPF nº 473.140.01987, compareceram no 1º Tabelionato Giovanetti, localizado na Rua Barão do Serro Azul nº 384, Curitiba/PR, tendo sido lavrada em 17 de agosto de 2007 INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO PÚBLICO, nomeando e constituindo suas bastantes procuradoras as pessoas físicas Marjori de Oliveira Fernandes, CPF nº 617.348.29915, e Mariza Terezinha Bastos, CPF nº 382.338.27991, conferindolhes poderes amplos,gerais e ilimitados para sempre em conjunto, representálos junto a quaisquer estabelecimentos bancários, praticando todos os atos quanto a movimentação bancária, tendo sido alertado pelo escrevente sobre a responsabilidade civil e criminal pelos elementos declaratórios constantes do referido instrumento de procuração (fls 17.259/17.260); Pelos fatos relatados anteriormente, efetuados pelas suas bastantes procuradoras, e por terem permitido, por suas inteiras responsabilidades, os atos praticados nas contas bancárias da interessada, agiram com excesso de poderes e dolo específico conforme disposto no inciso III, do artigo 135, e alínea c, inciso III, do artigo 137, da Lei nº 5172, de 25 de outubro de 1966, respectivamente, sendo considerados RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS pelo crédito tributário: JOSÉ PAULO FRANZ CPF 385.112.31900 ALCIMAR LUIZ DE BORTOLLI CPF 473.140.01987 Considerando que as pessoas físicas Greici Kelli Florêncio Maiole Bartolomeu CPF 035.747.97931, Graziani Borges Silveira, CPF 042.377.25979, Andressa Maria Dierka, CPF 066.647.80909 e Gisele Ferreira, CPF 052.227.609 10, eram empregadas das pessoas jurídicas BAYONNE COSMETICOS LTDA (BAYONNE), CNPJ 85.040.103/000138, e LANGON COSMETICOS LTDA (LANGON), CNPJ 01.515.050/000174; Considerando que a gerente Mariza Terezinha Bastos trabalha no grupo Racco desde 1998, que é empregada da LANGON desde 2010, que autorizou o acesso das funcionárias acima citadas à conta da APROVE, é procuradora da interessada juntamente com Marjori de Oliveira Fernandes; Considerando que o endereço da LANGON era o mesmo da interessada; Considerando que no processo nº 000230630.2014.8.16.0001 está demonstrado que havia subfaturamento na emissão de notas fiscais de venda da BAYONNE; Considerando que a interessada não comprovou a origem dos cheques depositados; Considerando que o detalhamento das fitas de caixa mostram que grande parte dos destinatários dos cheques emitidos pela interessada é a BAYONNE e a LANGON; Diante de todo o exposto, fica comprovado que a BAYONNE e a LANGON tinham conhecimento e se beneficiaram dos valores que circularam pelas contas bancárias da interessada, sendo também consideradas responsáveis solidárias: BAYONNE COSMETICOS LTDA CNPJ 85.040.103/000138 Fl. 28614DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.611 9 LANGON COSMETICOS LTDA CNPJ 01.515.050/000174 As pessoas físicas TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS, CPF 007.223.80976, ETYANE GISELE RAUEN, CPF 034.522.92908 e GISELA PISSETI RAUEN, CPF 464.317.30925 são administradoras da LANGON e da BAYONNE; Em virtude de todas as considerações acima, fica demonstrado que os administradores das pessoas jurídicas, também agiram com excesso de poderes e dolo específico, permitindo que as suas empregadas movimentassem as contas bancárias da INTERESSADA e realizassem depósitos nas contas bancárias das empresas sob as suas administrações. Portanto, conforme disposto no inciso III, do artigo 135, e alínea c, inciso III, do artigo 137, da Lei nº 5172, de 25 de outubro de 1966, são consideradas RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS pelo crédito tributário as pessoas físicas: TATHYA CAROLINE RAUEN G. FREITAS CPF 007.223.80976 ETYANE GISELE RAUEN CPF 034.522.92908 GISELA PISSETI RAUEN CPF 464.317.30925 Cientificados do lançamento, os contribuintes responsabilizados apresentaram suas impugnações requerendo o cancelamento da autuação com base nos seguintes agumentos: IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR GISELA PISSETTI RAUEN A responsável solidária Gisela Pisseti Rauen foi cientificada do auto de infração (fl. 27.891) em 12/06/2015 e apresentou a impugnação (fls. 27.911/27.920) em 06/07/2015, alegando em síntese: não figura como empregada, diretora ou mesmo participante/associada da entidade em questão; é administradora da LANGON, no período em questão, pessoa jurídica esta que, no entender do Auditor Fiscal, tinha suposto interesse econômico comum com as atividades da Associação; no entender da fiscalização haveria responsabilidade pessoal da impugnante por ser administradora da LANGON que empregava as procuradoras da APROVE; a fiscalização tenta responsabilizar a impugnante, por atos de terceiros, sem sequer demonstrar que a impugnante tinha conhecimento de tais atos; não foi a impugnante quem outorgou poderes para os procuradores e prepostos da APROVE; em nenhum momento demonstrou como estaria configurado o dolo específico na conduta da impugnante, tampouco que teria permitido ou instruído seus funcionários para atuarem como supostamente atuaram na pratica de atos em nome da APROVE; o relato das funcionárias da BAYONNE e da LANGON não demonstram qualquer irregularidade que configure excesso de poder e/ou dolo específico da impugnante; o que a autoridade pretende é a Teoria do domínio do fato, sem qualquer permissão legal para fazêlo, imputando culpabilidade à impugnante pelo simples Fl. 28615DF CARF MF 10 fato de que supostamente teriam controle sobre os atos dos empregados das empresas que administram; em nenhum momento, verificase ter havido qualquer ordem por parte da impugnante determinando que fossem praticadas condutas em nome da APROVE, com a finalidade de beneficiar a LANGON; sequer se demonstra que a impugnante teria conhecimento de que as funcionárias em questão seriam procuradoras da APROVE; não há apontamento de condutas praticadas pelas pessoas jurídicas ou por suas administradoras, determinantes para utilizarse da responsabilização prevista nos artigos 135, III e 137, III, c do CTN; a responsabilização pessoal é incompatível com a responsabilidade solidária pretendida; houve uma responsabilização em cadeia sem que, em nenhum momento, sequer seja demonstrado a irregularidade praticada capaz de autorizar esta responsabilização às impugnantes; é evidente que a impugnante não pode responder pessoalmente pela suposta exacerbação da finalidade de um mandato por terceiras, que simplesmente eram empregadas de suas empresas à época da fiscalização; não se comprova qualquer responsabilidade subjetiva, cabendo ao fisco o ônus da prova da ocorrência das hipóteses de responsabilização previstas no artigo 135; ficam também impugnados, por negativa geral, todos os fatos geradores e os créditos tributários lançados pela fiscalização nos autos de infração; se a autoridade não se convencer da ausência de responsabilidade da impugnante, que, pelo menos, não responda pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos; a responsabilidade tributaria descrita no artigo 137 é pessoal e exclusiva, incidindo sobre a pessoa que praticou o ato infracional doloso, sem incidir sobre o sujeito passivo tributário que não tenha cometido a infração; é desarrazoado imputar multa qualificada a quem não praticou os atos; Encerra requerendo que seja apreciado o mérito para afastar integralmente a responsabilidade tributária, já que não possui legitimidade para figurar no pólo passivo, exonerando a impugnante de qualquer responsabilidade solidária sobre os créditos e sanções tributárias lançados nos autos, inclusive multas e demais sanções tributárias; IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR ETYANE GISELE RAUEN E TATHYA CAROLINE RAUEN GAFFKE FREITAS A contribuinte Tathya foi cientificada em 12/06/2015 (fl. 27.890), enquanto que a contribuinte Etyane foi cientificada, por edital, em 09/09/2015 ( fl. 27.892) e apresentaram impugnação em conjunto, em 09/07/2015 (fls. 27.927/27.936), com as mesmas alegações da impugnação da apresentada por Gisele Pisseti Rauen. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR BAYONNE COSMÉTICOS LTDA A interessada foi cientificada em 12/06/2015 (fls. 27.885) e apresentou impugnação em 10/07/2015 (fls. 27.944/27.965), alegando em síntese que: Fl. 28616DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.612 11 é empresa que tem como objeto social a fabricação e o comércio de cosméticos, produtos de perfumaria, artigo de toucador e suplementos alimentares; a responsabilização solidária imputada à impugnante, está sustentada em função de atos que não revelam a participação efetiva da impugnante em nenhuma das condutas que levaram à edição do ADE contra a APROVE (falta de manutenção regular de escrita) e tampouco na realização dos fatos geradores objeto dos lançamentos (obtenção de lucro, pagamentos não justificados sujeitos ao IRRF); em nenhum momento é argüido ou demonstrado que a BAYONNE teria participado na elaboração dos livros fiscais e contábeis da APROVE e limitase a alegar que a BAYONNE teria subfaturado a venda de produtos a terceiros (que não a APROVE) e recebido pagamentos da APROVE, o que tampouco tem o condão de tornar a impugnante responsável com relação aos tributos devidos pela APROVE; se eventualmente a BAYONNE promoveu o alegado subfaturamento da venda de produtos (o que desde já se impugna) isso deve ser apurado em procedimento administrativo fiscalizatório próprio, a ser instalado e conduzido, com a observância do devido processo legal, contra a própria BAYONNE, e não justifica sua inclusão como responsável por débitos de terceiro, situação absolutamente excepcional no direito tributário brasileiro; o fato de ter recebido pagamentos por parte da APROVE tampouco tem o condão de lhe tornar responsável pelos tributos devidos pela instituição; a BAYONNE promoveu a venda de produtos, adquiridos pela associação e que seriam distribuídos a seus associados, nos diversos eventos realizados pela entidade; pela leitura do Termo de Verificação o que se depreende é que tais eventos efetivamente ocorreram (como se comprova pela leitura do Termo, e pelos documentos agremiados relacionados ao Resort Costão do Santinho), e que efetivamente os associados recebiam produtos como bonificação (ver depoimentos e diligências em associados itens 48 a 64 do Termo); o mero recebimento de valores, como contraprestação pelo fornecimento de produtos não pode servir como justificativa para aplicação da responsabilização tributária pretendida; a APROVE é uma instituição com milhares de associados, pessoas físicas e jurídicas, que conta com corpo diretivo próprio, e a BAYONNE como terceiro, ainda que possua relacionamento mercantil com os associados da entidade, não possui o poder de conduzir as atividades da associação; Todos os fundamentos elencados pelo Auditor, além de representarem meras alegações e especulações, não tem qualquer relação, e tampouco foram elencados como motivação da edição do ADE, gênese dos lançamentos formalizados contra a APROVE; o STJ tem entendimento de que é imprescindível que todas as pessoas imputadas como responsáveis tributárias tenham realizado conjuntamente a situação configuradora do fato gerador Resp 83404/RS; o procedimento fiscal contra a BAYONNE conclui pela ocorrência de supostas irregularidades apenas para o período de janeiro a março de 2010; Fl. 28617DF CARF MF 12 as conclusões do procedimento contra a BAYONNE são discrepantes e contraditórias com as conclusões deste procedimento, concluem pela sonegação, por subfaturamento, ou seja, emissão de documento fiscal com preço abaixo do efetivamente cobrado; a fiscalização alega que os fatos informados na denúncia anônima estariam provados em juízo; não há comprovação dos fatos em juízo, e a ação nº 0002306 30.2014.8.16.0001 é um processo de prestação de contas, que não tem como objeto a análise de ocorrência ou não de sonegação e o processo foi extinto sem julgamento de mérito porque as autoras não lograram comprovar que dispunham de condições para prosseguimento da ação, que basicamente tinha por objeto a resolução de pendências comerciais entre as partes; A Sra. Cleodomira Angeli possui uma ação trabalhista conta a BAYONNE e perdeu a ação; os documentos apresentados a título de “orçamento detalhado” ou “pedido de orçamento”, entretanto, são APÓCRIFOS, não contém nenhuma assinatura e não foram obtidos pela autoridade fiscal junto ao estabelecimento da Impugnante, mas constam da “denúncia anônima” sendo que à exceção de um, todos os depoimentos colhidos negam a prática. Não servem como prova da materialidade da prática de sonegação imputada; se a tese espelhada fosse verdadeira, considerando o volume de vendas da impugnante no período, os repasses da APROVE deveriam ocorrer em maior volume e freqüência, e não limitados a poucas e específicas operações (vinculadas a venda efetiva de produtos); a prática de conduta delituosa, jamais poderá se dar baseada em presunção e em meros indícios; o lançamento se manifesta na constatação de maneira inequívoca, formalmente declarada, da ocorrência do fato gerador, tal como expressamente previsto em lei, o que não se verifica no presente caso; não está comprovado que a BAYONNE cometeu sonegação, tampouco que haveria de responder solidariamente, ainda que prevaleça a responsabilidade, a impugnante não poderá responder, pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos, já que a responsabilidade é subjetiva; a responsabilidade descrita no artigo 137 é pessoal e exclusiva, incidindo apenas sobre a pessoa que praticou o ato infracional doloso, sem incidir sobre o sujeito passivo tributário que não tenha cometido a infração; Impugna por negativa geral todos os fatos geradores e os créditos tributários lançados pela fiscalização nos autos; IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR JOSÉ PAULO FRAZ e ALCIMAR LUIZ DE BORTOLI O Sr. Alcimar foi cientificado em 19/06/2015 e o Sr. José Paulo foi cientificado em 04/08/2015, por edital, e apresentaram impugnação conjunta em 14/07/2015 (fls. 28.219/28.232), com as seguintes alegações: segundo entendimento do STJ, compete exclusivamente à PFN a análise quanto à imputação ou não da responsabilidade tributária a terceiros; Fl. 28618DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.613 13 no mesmo sentido cita Acórdão nº 10196.739 do antigo Conselho de Contribuintes; requer pela nulidade do Termo de Sujeição Passiva, por ter sido lavrado por pessoa incompetente; a responsabilização solidária é indevida porque não está configurado o dolo específico, limitandose a argüir sua ocorrência, sem qualquer tipo de apontamento quanto ao suposto “resultado” ou “vantagem pessoal” que os impugnantes estariam perseguindo, o que por si só descaracterizaria a ocorrência do dolo específico; no art. 137 a responsabilidade é pessoal do agente que praticou o ato e não solidária; a prática de ato de violação do estatuto da APROVE cometida pelos impugnantes estaria consubstanciada pela outorga de procuração a terceiros que teriam cometido atos elisivos, que sequer constam como imputados no presente procedimento; a outorga de procuração era prerrogativa dos impugnantes expressamente prevista nos estatutos da entidade, portanto, não configura qualquer violação ao estatuto; a procuração foi outorgada em 17 de agosto e os atos que ensejaram a fiscalização ocorreram nos exercícios de 2010 e 2011; cita decisões judiciais e administrativas no sentido da obrigatoriedade da comprovação da atuação dolosa para configuração da sujeição passiva; impugna por negativa geral todos os fatos geradores e os créditos tributários lançados pela fiscalização nos autos; ainda que prevaleça a responsabilidade, a impugnante não poderá responder, pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos, já que a responsabilidade é subjetiva; IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR LANGON COSMETICOS LTDA A interessada foi cientificada em 16/06/2015 (fls. 27.886) e apresentou impugnação em 14/07/2015 (fls. 28.244/28.253), alegando em síntese que: A autoridade fiscal não comprovou qual seria a efetiva participação e atuação da LANGON com relação aos fatos argüidos, limitandose a presumir que a LANGON tinha conhecimento e se beneficiou dos valores que circularam pelas contas bancárias da interessada; Não foi imputado à LANGON qualquer ato ou prática de subfaturamento ou mesmo gestão ou ingerência da LANGON na APROVE; O mero recebimento de valores, como contraprestação pelo fornecimento de produtos não serve como justificativa para aplicação da responsabilização tributária pretendida; Diversas foram as pessoas, físicas e jurídicas, que receberam vultosas quantias pagas pela APROVE na consecução de suas atividades associativas, de modo que a escolha da LANGON como responsável solidária é aleatória e arbitrária; Fl. 28619DF CARF MF 14 O STJ já firmou entendimento de que é imprescindível que todas as pessoas imputadas como responsáveis tributárias tenham realizado conjuntamente a situação configuradora do fato gerador; ainda que prevaleça a responsabilidade, a impugnante não poderá responder, pelas sanções moratórias e apenatórias dos débitos, já que a responsabilidade é subjetiva; a decadência, fulmina todos os lançamentos relacionados ao exercício de 2010, haja vista a lavratura dos autos apenas no segundo trimestre de 2015. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA APROVE CONTRA O AUTO DE INFRAÇÃO A interessada foi cientificada em 10/06/2015 (fls. 27.656/27.657) e apresentou impugnação em 08/07/2015 (fls. 27.982/28.003), alegando em síntese: a impugnante foi autuada sob o fundamento de ter promovido pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados porque, segundo a fiscalização, não teria comprovado a “necessidade e efetiva prestação de serviços”; protesta desde logo pelo julgamento em conjunto do lançamento e da suspensão da imunidade e isenção tributária; reitera o pedido de revogação do ADE e anulação do auto de infração; a auditoria foi realizada com base em denúncia anônima e a operação de venda de produtos pela BAYONNE conforme descrita na denúncia foi realizada fora do período de fiscalização para o qual foi programada, isto é, 2010 e 2011; no procedimento fiscal nº 10980.720417/201544 a fiscalização conclui pela ocorrência das supostas irregularidades apenas para o período de janeiro a março de 2010 e apresentou conclusões absolutamente discrepantes e contraditórias com as conclusões apresentadas neste procedimento; as diligências foram realizadas com evidente dirigismo, buscando o resultado que corroborasse suas percepções, absolutamente contaminadas pelo conteúdo de denúncia anônima; Nas diligências em associados, dos cinco ouvidos, quatro ratificaram as justificativas apresentadas pela impugnante com relação aos valores que lhes foram pagos (reembolso de despesas e bonificações por ingresso de novos associados); Em nenhuma das diligências ou solicitações requisitou esclarecimentos sobre a suposta sonegação optando deliberadamente por construir o seu convencimento a partir exclusivamente dos fatos narrados na denúncia, que, no seu entender seriam corroborados pelos demais indícios coletados; Ao valorar de forma inadequada as provas, documentos e depoimentos tomados ao longo da fiscalização, apenas para corroborar seu entendimento subjetivo, o Agente Fiscal comprometeu o objetivo do procedimento fiscalizatório, violando o princípio da verdade material, configurando consumação do simulacro de procedimento administrativo, instaurado já com a predisposição de configuração do resultado final, razão pela qual a nulidade há de ser reconhecida; A APROVE foi constituída por vários vendedores de cosméticos que sentiram necessidade de maior fortalecimento e organização a fim de promover treinamentos e ações visando facilitar sua atuação coordenada, inclusive mediante iniciativas de promoção de produtos que beneficiariam todos seus associados; Fl. 28620DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.614 15 Assim sendo, o projeto de atuação da impugnante pressupunha que qualquer vendedor de cosméticos poderia usufruir destes benefícios comuns, e, para tanto, bastaria que se tornasse um associado, pagando à associação uma taxa que variaria de acordo com as ações e metas da associação a cada período; Esta ação foi iniciada para que os próprios consultores ou revendedores de qualquer natureza pudessem se fortalecer e criar novos mecanismos de vendas e controles, incluindo a publicidade dos produtos por eles vendidos, treinamentos e convenções; Todos os pagamentos realizados pela APROVE, sejam na conta 3303110001 – Bônus Premiações, sejam os relacionados nos Termos de Intimação foram realizados em estrita observância de seus objetivos estatutários, o que, por si só, teria o condão de demonstrar a improcedência dos lançamentos; Os depoimentos colhidos, os documentos apresentados e todas as demais manifestações e documentos apresentados pela impugnante em resposta às intimações apresentadas, demonstram que todos os valores movimentados na conta em referência dizem respeito ao pagamento de despesas havidas com a realização de eventos de treinamento, bem como a remuneração em virtude do ingresso de novos associados, agremiados pelos realizadores dos eventos; O auditor limitase a rejeitar os documentos apresentados, ora porque são recibos sem indicar nome, ora porque apresentados em manifestação assinada por contador “sem procuração” (embora seja a pessoa intimada pelo auditor, e inclusive quem recebeu a intimação do presente auto), ora porque os pagamentos de reembolsos foram realizados mediante apresentação de notas fiscais que não tem a APROVE mencionada em seu corpo; A autoridade optou por ignorar os documentos fiscais emitidos e confirmados por terceiros, em especial hotéis e centros de evento, que comprovam, de maneira inequívoca, a realização dos eventos organizados pela APROVE; Os valores pagos sequer estariam sujeitos à incidência do IRRF devido a sua pequena monta; Com relação aos valores relacionados nos TIF, apresenta a totalidade das notas fiscais e documentos que suportam os pagamentos e justificam sua necessidade para a consecução dos objetivos da associação, em especial no que diz respeito a realizações de treinamentos, eventos e ações de publicidade em favor das atividades realizadas por seus associados; São documentos emitidos e confirmados por terceiros que nada mais correspondem às medidas de promoção dos produtos comercializados pelos seus associados em exata correlação com seu estatuto social; A autoridade, sem qualquer fundamento, entende que associação não deveria promover tais pagamentos, que ele entende como desvinculados dos objetivos sociais e opta por classificálos como não necessários; Em momento algum a autoridade fiscal aponta que ditos documentos são falsos, ou que os serviços não teriam sido prestados pela POSIGRAF à associação, mesmo porque a entidade confirmou a edição da revista encomendada pela APROVE; Os valores individualmente considerados representam operações que, em sua maioria, não estão sujeitas à retenção de IRRF, além disso, os beneficiários estão devidamente identificados; Fl. 28621DF CARF MF 16 Segundo o TVF a interessada teria praticado a atividade de comércio de cosméticos nos anos calendários de 2010 e 2011, ora, se os pagamentos relacionados à aquisição de cosméticos, publicidade e produção de revista de divulgação de produtos são injustificados com relação às atividades da associação, são absolutamente necessários se considera a atividade de comércio de cosméticos, caindo por terra a alegação de pagamento sem causa; Cita decisões administrativas do CARF. A autoridade cometeu equivoco na determinação da base de cálculo, ao considerar valores em duplicidade. Ocorre que os valores (lista fls. 27.994/27.998) foram considerados tanto na planilha referente aos lançamentos da conta 3303110001, como na planilha referente aos pagamentos relacionados nos TIF e deve ser expurgada de uma ou outra planilha. A multa qualificada é inaplicável, pois, no caso tratase de mero não recolhimentos do IRRF. Não houve omissão ou ocultação de informações do Fisco, devendo ser afastadas as conseqüências agravantes da autuação com dolo ou fraude. Cita decisões administrativas. Jamais poderá o Fisco, sem fazer a prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, impor sanções qualificadas. Requer a realização de prova pericial, com a finalidade de exercer a prerrogativa de avaliação contraditória do arbitramento realizado, para fins de apuração do valor tributável a título de IRRF nos pagamentos por ela realizados. Ao final requer: a) que a presente impugnação seja julgada concomitantemente à impugnação apresentada ao ADE nº 32/2015; b) que o auto de infração seja julgado nulo, em razão dos vícios apontados; c) que o lançamento seja julgado improcedente; d) que os valores arbitrados sejam revistos, conforme prova pericial a ser produzida; e) que seja reconhecida a inaplicabilidade da multa qualificada; f) a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, protestando desde logo pela possibilidade de apresentação complementar de documentos. Apreciadas as impugnações, os membros da 12ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado: a) julgaram improcedente a impugnação de Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticas, BAYONNE Cosméticos Ltda, LANGON Cosméticos Ltda, José Paulo Franz e Alcimar Luiz de Bortoli, mantendo o crédito tributário exigido, e a responsabilidade tributária; b) julgaram procedente em parte a impugnação de Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen para exclusão da responsabilidade tributária. Fl. 28622DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.615 17 Em relação à exclusão das responsáveis solidárias Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen, houve RECURSO DE OFÍCIO. Apresentaram Recurso Voluntário tempestivo, somente os Responsáveis Solidários Langon e Bayonne Cosméticos questionando o procedimento fiscal, reproduzindo em suma os argumentos da impugnação. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Interpuseram Recursos Voluntários a APROVE (fls. 28551); BAYONNE COSMETICOS LTDA (fls. 28445), LANGON COSMETICOS LTDA (fls. 28423), JOSE PAULO FRANZ (28478), ALCIMAR LUIZ DE BORTOLI (28478). Embora haja termo de perempção lavrado em desfavor da devedora principal APROVE, apontando suposta ausência de recurso por parte dela (fl. 28547), verificase que há nos autos Recurso Voluntário apresentado por ela tempestivamente (fl. 28551), os recursos dos demais solidários, são de igual maneira tempestivos. Em relação à exclusão das responsáveis solidárias Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen, houve RECURSO DE OFÍCIO. Em preliminar a Recorrente pleiteia a reunião deste processo com o processo em que esta sendo discutida a descaracterização da imunidade da associação. Não entendo possível acolher este pedido, tendo em vista que como a acusação fiscal é de pagamento sem causa e sem a necessária retenção do imposto, independentemente do resultado do processo em que se discute a suspensão ou não da imunidade, qualquer pagamento que viesse ser efetuado pela Recorrente deveria sofrer a retenção do IRRF, vez que este tributo tem seu ônus suportado pelo o beneficiário do pagamento e não a fonte pagadora. Do Recurso Voluntário da APROVE. Reclama a devedora principal a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa em razão do indeferimento da perícia por ela solicitada, ou que neste momento o colegiado converta o julgamento em diligência para melhor apreciação da prova juntada aos autos, o que segundo ela terá como conseguência o cancelamento da autuação em relação a recebimentos com origem comprovada. As questões atinente à nulidade do lançamento, principalmente no que diz respeito ao cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de diligência, ja haviam sido apreciadas pela DRJ, quando mencionou que a alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e não meramente formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real Fl. 28623DF CARF MF 18 prejuízo ao contribuinte, bem como que questões atinentes à apuração em si (valoração da prova), como a reclamada pelo interessado, pertencem ao campo de análise de mérito e revisão do lançamento, e não implicam em nulidade, ao teor do art. 60 do PAF. Desta forma, não tendo a contribuinte logrado êxito em demonstrar prejuízo efetivo pela não realização da diligência através ao menos da apresentação de indícios que viessem a dar aparo a alegação de erro no convencimento fiscal, não verifico a ocorrência de cerceamento de defesa, e mantenho a decisão em relação a este ponto. Quanto as nulidade relativas ao MPF, sob o argumento de que a conclusão do trabalho fiscal teria ocorrido após a data prevista para encerramento da ação fiscal também não prosperam. Nos termos do Acórdão 9202003.956 datado de 12/04/2016, pela 2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. A consequência da falta da lavratura do instrumento de prorrogação do processo de fiscalização ou ciente ensejaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, nos moldes da Súm, CARF 75, uma vez exercida a denúncia espontânea em tempo hábil, o que não é o caso dos autos, conforme será esclarecido adiante. Por outro lado, eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Há a necessidade de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa. Esse é o atual posicionamento da jurisprudência dominante no CARF: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016 Fl. 28624DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.616 19 MPF NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Acórdão nº 9101002.132, de 26/02/2015 Em relação ao mérito, aduz que a autoridade fiscal valora de forma inadquada os depoimentos colhidos durante a fase inquisitiva, pois eles seriam apenas relatos vazios sem amparo em qualquer documentação, mas também sem apresentar qualquer elemento que pudesse levar a conclusão diversa do entendimento da DRJ, no sentido de que: A interessada efetuou pagamentos aos supostos associados, que foram lançados na conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194) , sem a comprovação das despesas efetuadas pelos supostos associados e sem a apresentação da relação dos supostos associados que participaram das reuniões, conforme relatado anteriormente; parte como reembolso de despesas e parte como bônus por ingresso de novos associados. Também não comprovou a necessidade e a efetiva prestação dos serviços referentes aos pagamentos aos fornecedores e às transferências bancárias, relacionadas nos Termos de Intimação Fiscal, lavrados em 04 de março (fls 26.959/63) e em 16 de março de 2015 (fls 27.135/43), respectivamente, ficando sujeita ao IRRF por ausência de comprovação da operação ou sua causa. Verificase ao longo de todo o processo que a interessada não consegue comprovar as despesas realizadas infringindo o disposto no art. 674, § 1º do Decreto nº 3.000 de 1999. A interessada alega ainda equívoco na determinação da base de cálculo, ao considerar valores em duplicidade, conforme lista de fls. 27.994/27.998. Analisando o livro auxiliar da conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194), no qual se baseou a autuação conforme item 131 do TVF (fls. 27.776) não é possível identificar os valores dos cheques citados, nesta conta identificase apenas pequenos valores, não havendo coincidência de valores entre os cheques citados com aqueles registrados na conta Bônus. Exemplificando a interessada alega que os cheques do dia 04/01/2010 nos valores de R$ 49.941,20, R$ 49.982,13 e cheque R$ 22.022,00 estariam lançados também na conta Bônus. Ocorre que analisando a conta (fls. 2.683 a 5.194) não é possível identificar tais valores. Além disso, verificase que o cheque de R$ 49.982,13 foi depositado para BAYONNE (fl. 27.158) e o cheque de R$ 22.022,00 foi depositado para Salvador Petti (fl. 27.161) e não constam tais valores, nem beneficiários no livro auxiliar da conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2.683 a 5.194). Diante disso, não foram identificadas as duplicidades alegadas. Alega ainda que a multa qualificada seria inaplicável, pois tratase de mero não recolhimento do IRRF. Em que pesem os argumentos acima expostos, deve ser observado que a infração de que trata os autos não é um mero não recolhimento do IRRF pois está acompanhada de indícios fortes e concordantes de que os atos da empresa revelam Fl. 28625DF CARF MF 20 uma conduta reiterada, no tempo, de sonegação fiscal tendente a impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Feitas essas considerações, não encontro razões para reforma do julgado, em relação a APROVE, por isso, nego provimento ao seu Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário da responsável solidária BAYONNE COSMETICOS LTDA. Reclama a sua exclusão do pólo passivo da autuação e a exclusão da multa qualificada, sob fundamento de que a responsabilidade por infrações seria pessoal do agente, no caso, da devedora principal, uma vez que ela não teria tido nenhuma participação na conduta infratora descrita objeto de autuação. A responsabilização da Recorrente se deu pelo art. 124, I do CTN, pelo fato de terem sido verificados em relação a ela a participação e a percepção de benefícios advindos da APROVE pela pratica dos atos de sonegação objeto da autuação. Isto porque, verificouse que a Associação Brasileira de Promotores de Venda de Cosméticos – APROVE é uma associação civil sem fins comerciais (TVE fl. 27.682). Seu estatuto social dispõe em seu parágrafo 1º que tem a finalidade na atuação conjunta em benefício comum da atividade comercial dos associados, nas áreas de treinamento, planejamento integrado de vendas, publicidade, assistência técnica, desenvolvimento de serviços comuns, dentre outras, além de objetivar, igualmente, finalidades recreativas, e em seu parágrafo 2º que não tem caráter mercantil. Enquanto que a empresa BAYONNE COSMÉTICOS LTDA, CNPJ: 85.040.103/000138 é estabelecimento industrial cuja atividade é a fabricação de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal da marca Racco. Então, se a APROVE não tem caráter mercantil, qual o motivo de efetuar depósitos nas contascorrentes bancárias da empresa BAYONNE COSMÉTICOS LTDA ? A APROVE, a principio, alegou que os depósitos foram efetuados para reembolso de despesas com eventos e treinamentos de associados e reuniões motivacionais. Mas conforme observado pela decisão recorrida: Somente com o termo lavrado em 13 de outubro de 2014, que intimou a entidade a comprovar com documentos hábeis e idôneos e esclarecer a causa das transferências é que se obteve a resposta de que tratavam de adiantamentos para futura aquisição de produtos para utilização em eventos; que os produtos foram enviados para os locais dos eventos e que foram fornecidos por meio de notas fiscais (não apresentando nota fiscal da BAYONNE Cosméticos Ltda), e que a entrega dos produtos era efetuada nos eventos citados. (fls 27.738 do TVF): “... Destinado a adiantamento a empresa BAYONNE COSMÉTICOS LTDA, para futura aquisição de produtos a serem utilizados nos eventos regionais denominados "CONVENÇÕES REGIONAIS". Para esta ação foram criados PACOTES BOAS VINDAS, onde os associados do mês que tiveram maior volume de indicações de novos associados, receberam seus ganhos por trazer novos sócios através de produtos denominados CLUBE PREMIUM e a oportunidade de participar do evento sem custos adicionais, os quais foram custeados pela associação. Fl. 28626DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.617 21 Os valores foram depositados de acordo com volume de associados vinculadas a cada região e datas dos eventos. Em cada evento a BAYONNE COSMÉTICOS LTDA, enviou os produtos para os representantes dos eventos, no caso os "palestrantes" que, além de realizarem o evento, apoiaram a divulgação dos produtos com técnicas de vendas e apresentação de abordagens aos clientes. Os produtos foram fornecidos através de notas fiscais enviadas diretamente aos locais dos eventos e foram distribuidores (sic) de acordo com controle de ganhos por associado. Evento 08/03/2010 R$ 9.994,45, Evento 09/03/2010 R$ 7.995,56 Evento 11/03/2010 R$ 8.995,00, Evento 12/03/2010 R$ 6.996,11 Evento 24/03/2010 R$ 6.496.39, Evento 25/03/2010 R$ 9.494.73 Evento 30/03/2010 R$ 9.998.83, Evento 29/03/2010 R$ 7.999,06 Evento 29/03/2010 Projeto novos associados R$ 8.998.95 Evento 02/04/2010 R$ 6.999.18, Evento 03/04/2010 R$ 6.499.24 Evento 05/04/2010 R$ 9.498.89” A entidade não apresentou as notas fiscais de aquisição dos produtos. De acordo com o TVF de fls 27.752/27.753 verificase que Auditoria Fiscal feita na APROVE foi programada com base na “Denúncia Anônima”, endereçada ao Departamento da Polícia Federal, protocolada em 01 de fevereiro de 2010 sob o nº 08200.004303/201037, encaminhada ao Superintendente Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal, via Ofício nº 0951/2011 – SR/DPF/PR, datado de 09 de fevereiro de 2011, na qual o/a denunciante relata que nas notas fiscais, emitidas pela BAYONNE Cosméticos Ltda, é discriminado 1/3 do valor dos produtos vendidos; que o valor sonegado é depositado nas contas bancárias da APROVE; que junto com a Nota Fiscal e o boleto para pagamento da mesma vem um “lembrete de pagamento” com o valor que está sendo sonegado para depósito em conta bancária da APROVE. Das diligências efetuadas, chegouse a apuração de alguns fatos: 1. Constatações de que há controle das contas bancárias da APROVE por outra empresa ou pessoas, por meio de seus extratos bancários e emissão de cheques. As pessoas tinham vinculo empregatício com a BAYONNE ou com a LANGON e nunca trabalharam diretamente na interessada. 2. Nos extratos do Itaú e do Bradesco consta o endereço da BAYONNE Cosméticos Ltda “Rua Paul Garfunkel nº 455” e não da interessada. 3. Constatação de que a APROVE era quem fazia o pagamento das comissões pela venda de produtos da marca RACCO; 4. A entidade APROVE arcava com as despesas dos serviços de impressão da “REVISTA RACCO MANIA” catálogo de vendas dos produtos fabricados pela BAYONNE Cosméticos Ltda: Fl. 28627DF CARF MF 22 5. Evidências da existência de um grupo econômico formado pelas empresas BAYONNE Cosméticos Ltda; LANGON Cosméticos Ltda e APROVE; 6. Denúnica Anônima e documentos apresentados (“pedido de orçamento”, boletos bancários, “lembrete de pagamento”, notas fiscais, depósito, planilhas). Tal denúncia narra e apresenta documentos probatórios de esquema de subfaturamento cometido por meio da emissão de notas fiscais com valor falso (1/3 do valor real da mercadoria), e recebimento dos valores sonegados por meio da autuada. Assim, tem se, em síntese, que a infração era cometida por meio da emissão de nota fiscais de produtos da marca Racco, com valores de um terço do valor efetivamente praticado pela empresa na saída dos produtos do estabelecimento industrial e o recebimento em boleto bancário e o pagamento dos valores sonegados era efetuado por meio de depósitos efetuados para a APROVE, a qual posteriormente repassava tais valores à BAYONNE Cosméticos Ltda. A cobrança dos valores sonegados, como narrado, era chamada de “Lembrete de Pagamento” do seu orçamento faturado. 7. Ações judiciais (Ações de Prestação de Contas) e documentos apresentados– (“pedido de orçamento”, boletos bancários, “lembrete de pagamento” e depósitos bancários, alegações em juízo). Os fatos narrados e provados na mencionada denúncia encaminhada pelo Departamento da Polícia Federal são idênticos aos citados nas ações judiciais indicadas. Foram juntadas diversas notas fiscais emitidas pela BAYONNE Cosméticos Ltda., “Pedidos de Orçamentos”, “Lembretes de Pagamento” e cópias de cheques cujo favorecido é a APROVE, CNPJ nº 00.329.161/000123, comprovantes de pagamento de Boletos Bancários cujo favorecido é BAYONNE Cosméticos Ltda ano de 2010 (março). Tais Ações apresentam documentos probatórios de esquema de subfaturamento cometido por meio da emissão de notas fiscais com valor falso (1/3 do valor real da mercadoria), e recebimento dos valores sonegados por meio de terceiros (APROVE).Tais documentos apresentados em juízo fazem prova da existência de valores distintos para cada produto: primeiro, o valor de aquisição do produto, que é o valor efetivamente praticado, que consta no Pedido de Orçamento; segundo, o preço indicado na nota fiscal de emissão da BAYONNE, bem inferior ao primeiro (um terço do valor das mercadorias segundo o Pedido de Orçamento), fiel ao narrado na denúncia à Polícia Federal. Por outro lado, a interessada não comprova a realização dos eventos, os reembolsos, as bonificações, nem os depósitos à BAYONNE. A sua escrituração não informa a que se referem os depósitos e cheques emitidos. A meu ver, o conjunto de indícios apresentados pela fiscalização confirmam que havia um grupo econômico de fato formado entre a BAYONNE Cosméticos Ltda e APROVE, ficando com esta ultima a distribuição dos produtos Racco entre os promotores de vendas, o pagamento dos bônus e porcentagem para cada cadeia de distribuição e o marketing e com a primeira a fabricação e logística da entrega, tendo como objetivo sonegar parte da receita com a venda de produtos Racco. Todos estes indícios autorizam a qualificação da multa de ofício e comprovam as hipóteses do artigo 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. Concordo com estas razões e mantenho incólume da decisão recorrida em relação à Recorrente. Do Recurso Voluntário da LANGON COSMETICOS LTDA. Reclama a sua exclusão do pólo passivo da autuação e a exclusão da multa qualificada, alegando não ter tido qualquer envolvimento nas situações que deram ensejo a lavratura da autuação e ainda requer o reconhecimento da decadência, considerando que os Fl. 28628DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.618 23 lançamentos referentes ao exercício fiscal de 2010, já estariam extintos em junho de 2015, ocasião da lavratura do lançamento. Da decadência. Não havendo pagamento, ou comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, contase o prazo decadencial na forma determinada pelo art. 173, I, do CTN, isto é, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, não decaiu o direito de a Administração constituir o crédito tributário relativo a 2010, já que iniciase a contagem do prazo decadencial em 01/01/2011, e encerrase em 31/12/16, e a ciência do auto de infração ocorreu em 2015, portanto, afasto a alegação de decadência. Da manutenção da responsabilidade. A imputação de solidariedade a Recorrente Lagon , se deu em razão da sua gerente financeira, Maria Terezinha Bastos ser procuradora da APROVE, e segundo por ela declarado prestava serviço a APROVE fazendo o controle de taxas de adesões e ressarcimentos de despesas de eventos. A gerente comercial da LANGON, Marjori de Oliveira Fernandes, também é procuradora da APROVE e segundo declarou prestava serviço na APROVE uma vez por semana, que restituía os gastos efetuados pelos consultores. Embora a APROVE afirme ser uma associação de promotores de venda, é possível constatar que ela não representa os promotores e sim, a BAYONNE que fabrica os produtos e a LANGON que distribui os produtos. Tanto que os próprios funcionários destas empresas trabalham para a APROVE, sem registro trabalhista. Ou seja, não são os associados que realizam os trabalhos na APROVE, nem são funcionários contratados pela associação, e sim, funcionários da LANGON e da BAYONNE. Cabe destacar que grande parte dos cheques emitidos pela APROVE teve como beneficiários a BAYONNE e a LANGON. A APROVE pagou a impressão da revista RACCO MANIA, despesa que deveria ser de responsabilidade da BAYONNE. O conjunto de indícios apresentados pela fiscalização confirmam que havia um grupo econômico de fato formado entre a BAYONNE Cosméticos Ltda, LANGON e APROVE, ficando com esta última a distribuição dos produtos Racco entre os promotores de vendas, o pagamento dos bônus e porcentagem para cada cadeia de distribuição e o marketing e com a primeira a fabricação e com a segunda a distribuição dos produtos. Existe entre as empresas citadas um grupo econômico de fato, com uma unidade de interesses negociais, onde atuam em conjunto para o benefício de uma só atividade, o que demonstra o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador apurado, configurando a solidariedade entre elas. Diante de todo o exposto, fica comprovado que a BAYONNE e a LANGON tinham conhecimento e se beneficiaram dos valores que circularam pelas contas bancárias da interessada, sendo também consideradas responsáveis solidárias. Diante destas constatações, mantenho a decisão recorrida e nego provimento ao Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário de José Paulo Franz e Alcimar Luiz Bertolli. Fl. 28629DF CARF MF 24 Em recurso conjunto reclamam a nulidade da decisão por falta de fundamentação no que diz respeito a descrição da conduta por eles praticada para dar ensejo a responsabilidade descrita no art. 135, III do CTN, assim sejam excluídos da autuação ou subsidiariamente seja afastada a qualificação da multa. Quanto ao argumento da nulidade da autuação pela ausência de competência da autoridade fiscal para atribuir responsabilidade solidária, temos que ele já foi afastado pela DRJ sob fundamento do disciplinado pela Portaria RFB 2.284, de 29/11/2010, que confere Autoridade Fiscal da RFB referida competência. Quanto à atribuição de responsabilidade aos sócios pessoas físicas, a autoridade fiscal lhes imputa as seguintes praticas caracterizadoras de infração ao estatuto social da APROVE. Pois, pelos os atos praticados nas contas bancárias da APROVE, efetuados pelas suas bastantes procuradoras, e por terem permitido, por suas inteiras responsabilidades, agiram com excesso de poderes e dolo específico conforme disposto no inciso III, do artigo 135, e alínea c, inciso III, do artigo 137, da Lei n° 5172, de 25 de outubro de 1966, respectivamente, sendo considerados RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS pelo crédito tributário: JOSÉ PAULO FRANZ CPF 385.112.31900 ALCIMAR LUIZ DE BORTOLLI CPF 473.140.01987 Os representantes da APROVE estão sendo responsabilizados pelos atos praticados nas contas bancárias da associação pelas procuradoras que nomearam, permitindo que agissem com excesso de poderes e dolo específico. Verificase que a associação deveria apenas atuar em benefício comum da atividade comercial dos associados, nas áreas de treinamento, planejamento integrado de vendas, publicidade, assistência técnica, desenvolvimento de serviços comuns, dentre outras, além de objetivar, igualmente, finalidades recreativas, sendo que, de fato efetuava a distribuição dos produtos Racco entre os promotores de vendas, o pagamento dos bônus e porcentagem para cada cadeia de distribuição e o marketing, formando um grupo econômico entre BAYONNE, LANGON e APROVE. Desta forma, caracterizados os requisitos necessários a sua responsabilização, enquanto sócios que atuaram com desvio aos objetivos do estatuto social da APROVE. Recurso de Ofício. Em relação à exclusão das responsáveis solidárias Tathya Caroline Rauen Gaffke Freitas, Etyane Gisele Rauen, Gisela Pisseti Rauen, houve RECURSO DE OFÍCIO. Segundo a acusação fiscal tres deveriam ser responsabilizadas pelo fato de figurarem como administradoras das Pessoas Jurídicas BAYONNE COSMÉTICOS LTDA e LANGON COSMÉTICOS LTDA, empresas que eram empregadoras das Sras. MARJORI DE OLIVEIRA FERNANDES e MARIZA TEREZINHA BASTOS, que atuavam como procuradoras da APROVE, e que teria supostamente autorizado que tais pessoas promovessem a movimentação das contas bancárias da APROVE para promover depósitos em nome da BAYONNE. Acrescenta que a interessada pagou pela impressão da Revista Racco Mania, que grande parte dos destinatários dos cheques emitidos é a BAYONNE e a LANGON. Tais condutas, não são suficientes para caracterização de responsabilidade solidária nos moldes do art. 135, do CTN. Fl. 28630DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.619 25 Com bem observado na decisão recorrida os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, somente poderiam ser responsáveis por atos praticados na gerência da pessoa jurídica que representam. Ocorre que o auto foi lavrado em face de pessoa jurídica diversa daquelas que administram. Embora comprovado o interesse comum das empresas não há nos autos comprovação de que as administradoras da LANGON e da BAYONNE seriam também administradoras da APROVE. A solidariedade não se presume, ela deve estar prevista em lei e o artigo 135 do CTN trata da responsabilização de administradores da empresa que praticou o fato gerador. Acertado o argumento da DRJ, por isso, também mantenho a decisão por seus próprios fundamentos. Da multa qualificada: A qualificação da multa em 150%, conforme Termo de Constatação Fiscal fl. 80, se deu em razão do da prática da fraude, bem como e também por adotar um procedimento continuado de não informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil as operações realizadas de modo a tentar ocultar sua conduta de efetuar pagamentos aos supostos associados, que foram lançados na conta 3303110001 – BÔNUS PREMIAÇÕES (fls 2683 a 5194) , sem a comprovação das despesas efetuadas pelos supostos associados e sem a apresentação da relação dos supostos associados que participaram das reuniões, conforme relatado anteriormente; parte como reembolso de despesas e parte como bônus por ingresso de novos associados. Também não comprovou a necessidade e a efetiva prestação dos serviços referentes aos pagamentos aos fornecedores e às transferências bancárias, relacionadas nos Termos de Intimação Fiscal, lavrados em 04 de março (fls 26959/63) e em 16 de março de 2015 (fls 27135/43), respectivamente. Por esse motivo, tomo de empréstimo as considerações do Conselheiro Luiz Rodrigo no Acórdão 1104002.498, bastante pertinentes a este caso, quando menciona que: "Pela dicção da redação da Lei nº 4.502/1964, devese comprovar a ação ou omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. O elemento dolo não é representado pelos atos praticados, pela exteriorização destes; característica marcante dos elementos objetivos do tipo penal. O dolo é representado pelo elemento subjetivo do tipo, que se perfaz pela intenção do agente em praticar tal conduta, descrita na norma como ilícita. Para a sua configuração, deverseia buscar internarse na mente do praticante da conduta para perceber qual era a sua intenção, se lícita ou ilícita. Entretanto, como isso não é possível, buscase interpretar a exteriorização dos atos e, assim, constatar se houve, ou não, máfé na prática da conduta". No caso em concreto, verificase a presença da figura da omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. Fl. 28631DF CARF MF 26 Do percentual confiscatório da multa de ofício. Argui a recorrente que o percentual de multa qualificada, seria exagerado, na medida em que resta por arrancar uma parcela considerável do patrimônio do contribuinte. Este é o caráter confiscatório da multa exigida. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deste modo, não conheço das questões que sustentam a insubsistência do crédito tributário com base em alegações relacionadas à inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente. Ante o exposto, nego provimento aos Recursos Voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários e de Ofício. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 28632DF CARF MF Processo nº 10980.721948/201554 Acórdão n.º 1401003.056 S1C4T1 Fl. 28.620 27 Fl. 28633DF CARF MF
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