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Numero do processo: 10467.903385/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
IPI. RESSARCIMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias.
IPI. RESSARCIMENTO. TITULARIDADE DO PEDIDO.
Havendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento, o estabelecimento que poderá requerer o ressarcimento é o titular desses créditos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.128
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado com certificado digital)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Marcelo Giovani Vieira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. RESSARCIMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias. IPI. RESSARCIMENTO. TITULARIDADE DO PEDIDO. Havendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento, o estabelecimento que poderá requerer o ressarcimento é o titular desses créditos. Recurso Voluntário Provido.
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Ressarcimento. Recorrente BENTONISA BENTONITA DO NORDESTE S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. RESSARCIMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias. IPI. RESSARCIMENTO. TITULARIDADE DO PEDIDO. Havendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento, o estabelecimento que poderá requerer o ressarcimento é o titular desses créditos. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Marcelo Giovani Vieira e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 33 85 /2 01 1- 04 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10467.903385/201104 Acórdão n.º 3301003.128 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ de Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, não reconhecendo o direito ao ressarcimento de créditos do IPI, solicitado com amparo no artigo 11 da Lei 9.779/99. A razão que levou ao indeferimento do pleito foi a constatação de que os créditos cujo ressarcimento foi solicitado pelo contribuinte são referentes a aquisições da filial da empresa, localizada em outra jurisdição fiscal (DRF/Campina Grande), embora o PER tenha indicado como estabelecimento detentor do crédito a matriz, que, na verdade, não é contribuinte do IPI. A 3ª Turma da DRJ/BEL manteve o indeferimento na sua integralidade, por intermédio do Acórdão 01028.001, decisão que traz a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: RESSARCIMENTO. Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que: · Houve equívoco no PER/DCOMP quanto à indicação do CNPJ da matriz; · Não se pode negar que a Recorrente é sociedade una, sujeito de direitos e obrigações, detentora dos créditos solicitados, mesmo tendo sido legalmente adquiridos via filial, créditos estes de entradas de matériaprima e insumos destinados à industrialização; · Excluído o fato de que no PER/DCOMPs ocorreu a troca de CNPJ da filial pela matriz, isso é erro material perfeitamente corrigível administrativamente, por ser de fácil verificação e não depender de dilação probatória; · Não há que prosperar a negativa de existência dos créditos solicitados, considerando que tem direito a usufruílos, o que não pode ser elidido em função de simples erro material; · O erro material poderia ser resolvido com mero despacho orientativo sobre o procedimento correto a ser adotado; · A competência para reconhecimento dos créditos declarados na PER/DCOMP é da DRF/Campina Grande, que é de jurisdição do estabelecimento titular dos créditos (filial), por isso não é válido o indeferimento pela DRF/João Pessoa do pedido da Recorrente (jurisdição da matriz); · Não era da DRF/João Pessoa a competência para analisar a matéria, pois as notas fiscais são referentes a aquisições de insumos destinados à industrialização de betonita pela filial; Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10467.903385/201104 Acórdão n.º 3301003.128 S3C3T1 Fl. 4 3 · O que se pretende é fazer a retificação da declaração de compensação gerada no PER/DCOMP, por via eletrônica ou por meio de papel, apenas corrigindo o CNPJ, excluindo o da matriz e inserindo o da filial. Ao final, requer seja dado provimento integral ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório solicitado em ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.106, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10467.903839/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.106): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No PER/DCOMP 07361.38390.280205.1.1.010195 referente ao 4° trimestre de 2004, foi indicado como estabelecimento titular do crédito a ser ressarcido, o da matriz da Recorrente, todavia os créditos solicitados foram gerados pela filial (o contribuinte do imposto). Com razão a Recorrente ao alegar que se trata de mero erro formal, pois é incontroverso que a matriz não é estabelecimento industrial. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, o que implica na impossibilidade da apuração de créditos e débitos por um deles ser aproveitado por outro estabelecimento, ainda que matriz. Cumpri colacionar a legislação vigente à época: Decreto nº 4544/2002 (RIPI/2002) Art. 24 – São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: (...) Parágrafo único – Considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei nº 5.172, de 1966, art. 51, parágrafo único). (...) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10467.903385/201104 Acórdão n.º 3301003.128 S3C3T1 Fl. 5 4 Autonomia dos Estabelecimentos Art. 313 – Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57). (...) Art. 518 – Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: I – as expressões ‘firma’ e ‘empresa’, quando empregadas em sentido geral, compreendem as firmas em nome individual, e todos os tipos de sociedade, quer sob razão social, quer sob designação ou denominação particular (Lei nº 4.502, de 1964, art. 115); II – as expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a estabelecimento industrial, como definido no art. 8º; III – a expressão ‘estabelecimento’, em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV – são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica; V – a referência feita, de modo geral, a estabelecimento comercial atacadista não alcança os estabelecimentos comerciais equiparados a industrial; A Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, nos art. 14 e 32, prescrevia que: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: (...) § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do ‘Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI’, bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10467.903385/201104 Acórdão n.º 3301003.128 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) Art. 32. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRF Classe Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, nos art. 16 e 43, prescrevia que: Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: (...) § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) Art. 43. O reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF ou da Derat que, à data do reconhecimento, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Dessa forma, para efeito da legislação do IPI, os estabelecimentos de uma mesma empresa são considerados autônomos, devendo cada um cumprir as obrigações tributárias previstas no RIPI, independentemente do fato de ser matriz ou filial. Cada estabelecimento emitirá suas próprias notas fiscais e escriturará os seus livros fiscais, que devem ser conservados no próprio estabelecimento. Todavia, restou demonstrado nos autos que o titular dos créditos era a filial. Assim, deve o pleito da Recorrente ser analisado pela DRF da filial, ou seja, a DRF/Campina Grande. No PER/DCOMPs ocorreu a troca de CNPJ da filial pela matriz, isso é erro passível de correção administrativa, já que é de fácil verificação e não depende de dilação probatória. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10467.903385/201104 Acórdão n.º 3301003.128 S3C3T1 Fl. 7 6 Por conseguinte, não há que prosperar a negativa de análise dos créditos solicitados, cuja verificação é obrigatória pela DRF/Campina Grande. De fato, a competência para reconhecimento dos créditos declarados na PER/DCOMP é da DRF/Campina Grande, que é de jurisdição do estabelecimento titular dos créditos (filial), motivo pelo qual este processo deve ser remetido à essa unidade para análise do direito creditório da Recorrente. Para tanto, deve ser feita a retificação da declaração de compensação gerada no PER/DCOMP, para corrigir o CNPJ, excluindo o da matriz e inserindo o da filial. E, a posterior análise do pedido de ressarcimento, sendo imperiosa a manifestação a respeito da existência ou inexistência do direito aos créditos pleiteados. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para envio à DRF/Campina Grande para que seja retificado o PER/DCOMP 07361.38390.280205.1.1.010195, com a alteração do CNPJ da matriz pelo da filial e analisado o pedido de ressarcimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o PER/DCOMP foi preenchido com o CNPJ da matriz, sendo que os créditos do IPI foram apurados pela filial de Boa Vista/PB (CNPJ 09.185.877/000250), que é o estabelecimento industrial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para envio à DRF/Campina Grande para que seja retificado o PER/DCOMP objeto deste processo, com a alteração do CNPJ da matriz pelo da filial e verificada a legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903344/2008-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13819.903344/200865 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.059 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente THREE BOND DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 44 /2 00 8- 65 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903344/200865 Acórdão n.º 9303004.059 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3402001.418, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903344/200865 Acórdão n.º 9303004.059 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903344/200865 Acórdão n.º 9303004.059 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903344/200865 Acórdão n.º 9303004.059 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903344/200865 Acórdão n.º 9303004.059 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903344/200865 Acórdão n.º 9303004.059 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903344/200865 Acórdão n.º 9303004.059 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 35301.007082/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No caso, em se tratando de lançamento de penalidade. pode-se concluir não ter havido recolhimento antecipado do imposto referente às competências objeto de lançamento. Assim, aplicável a tais períodos a regra do art. 173, I, do CTN. Ainda assim, tendo a ciência do lançamento ocorrido somente em 22/05/2007, conclui-se pela ocorrência de decadência para os fatos geradores ocorridos até a competência 12/01 (inclusive).
Numero da decisão: 9202-004.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não o conheceu e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento parcial para aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, mantida, porém, a decadência para as competências até 12/01.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercicio
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso, em se tratando de lançamento de penalidade. podese concluir não ter havido recolhimento antecipado do imposto referente às competências objeto de lançamento. Assim, aplicável a tais períodos a regra do art. 173, I, do CTN. Ainda assim, tendo a ciência do lançamento ocorrido somente em 22/05/2007, concluise pela ocorrência de decadência para os fatos geradores ocorridos até a competência 12/01 (inclusive). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 70 82 /2 00 7- 98 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202004.477 CSRFT2 Fl. 268 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não o conheceu e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento parcial para aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, mantida, porém, a decadência para as competências até 12/01. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercicio (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403000.592, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 08 de junho de 2011 (efls. 199 a 210). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário para se reconhecer a decadência do lançamento, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o saláriodecontribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Recurso Voluntário Provido Decisão: por maioria de votos em julgar totalmente decadente o credito com base no art. 150 § 4º do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari(relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202004.477 CSRFT2 Fl. 269 3 Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência, em 13/03/2012 (efl. 211) esta apresenta, em 19/03/12 (efl. 218), Recurso Especial (efls. 212 a 216), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 20601.878, prolatado em 05 de fevereiro de 2009, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 20601.878 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO. Consiste em infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de informar mensalmente ao INSS por intermédio da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. MULTA RELEVAÇÃO REQUISITOS. A multa só poderá ser relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. O descumprimento de qualquer dos requisitos impede que o contribuinte faça jus ao benefício. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.Assunto: Normas Gerais de Direito TributárioPeríodo de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202004.477 CSRFT2 Fl. 270 4 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA RESPONSABILIDADE CONDOMÍNIO ILEGITIMIDADE PASSIVA INOCORRÊNCIA. Conforme dispõe a legislação de regência, equiparamse à empresa para fins de responsabilização pelo recolhimento de contribuições previdenciárias, bem como pelo cumprimento das obrigações acessórias, as associações de qualquer natureza, inclusive os condomínios. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e b) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da mult o disciplinado pela MP n° 449/2008. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda quanto à decadência, que não houve pagamento antecipado, mesmo porque se trata de auto de infração (penalidade), cujo lançamento será sempre de ofício, não por homologação. Por conta disso, aplicase como termo inicial da decadência o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Entende que a correta aplicação do decidido no âmbito do REsp 973.733/SC pelo Superior Tribunal de Justiça levaria à aplicação do referido art. 173. Requereu, assim, o conhecimento e o provimento do recurso para que seja aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN. O recurso foi admitido consoante despacho de efls. 220/221. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 14/11/2012 (efl. 225), a contribuinte apresentou, em 28/11/12, contrarrazões de efls. 227 a 233, onde. a) Entende que, tanto na doutrina como na jurisprudência trazida pela recorrente aos autos, está claramente explicitado que, uma vez realizado o pagamento antecipado, há que se aplicar o disposto no art. 150, §4o. do Código Tributário Nacional, sendo que, considerandose ter a fiscalização lavrado o AI com base em rubricas de fornecimento de alimentação in natura e plano de saúde, houve o pagamento quanto às demais rubricas que Fl. 270DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202004.477 CSRFT2 Fl. 271 5 compõem a folha de pagamento, devendo assim se aplicar o art. 150, §4o. do CTN ao caso sob análise; b) Reproduz, ainda, trecho dos itens 14 e 15 do Acórdão da autoridade julgadora de 1a. instância no Processo onde foi lançado outro AI por descumprimento de obrigação acessória (Proc. 35301.007084/200787, também analisado na presente sessão) e colacionando Guias de Pagamentos da Previdência Social que corroborariam sua tese; c) Ainda, faz digressão acerca do mérito do Recurso, onde traz julgado do STJ visando alegar inexistir obrigação principal no caso de fornecimento de auxílio alimentação in natura sem inscrição no PAT, daí, entendendo inexistir, por consequência, obrigação acessória. Requer, assim, a manutenção da decadência, na forma decidida pelo recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas, indicação de divergência e caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Passo à análise de mérito. De se notar, para fins do deslinde da questão, a vinculação deste CARF às decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça quando submetidas ao regime do art. 543 C do Código de Processo Civil, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015: RICARF Art. 62. (...) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, ainda que se admita que a questão relativa à contagem do prazo decadencial é bastante tormentosa (daí a adoção de diversas interpretações relativas à matéria no âmbito deste Conselho), de se reconhecer que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, recentemente pacificou, sob a sistemática de recursos repetitivos, o entendimento no sentido de que a regra do art. 150, §4o, do CTN só deve Fl. 271DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202004.477 CSRFT2 Fl. 272 6 ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, I nos demais casos. Reproduzse, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, devidamente submetido à sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, sendo, assim, referido decisum, repitase, de observância obrigatória neste CARF, a partir do disposto no art. 62, §2o. do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho em vigor, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reza a decisão : PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 272DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202004.477 CSRFT2 Fl. 273 7 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Desta forma, ao adentrar o mérito da questão, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733/SC supra, no sentido de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. No caso em questão, em se tratando de lançamento de penalidade decorrente de descumprimento de obrigação acessória, cediço, em meu entendimento, que se está diante de caso onde a lei não prevê qualquer pagamento antecipado da exação, visto que totalmente incompatível com sua natureza. Assim, não há que se falar, aqui, em lançamento por homologação, se tratando o presente lançamento, notese, para fins de contagem de prazo decadencial, de obrigação tributária autônoma em relação à eventual obrigação principal constituída em NFLD. Destarte, de se realizar, aqui, a contagem do prazo decadencial na forma disposta pelo art. 173, I da Lei no. 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). Finalmente, de se notar somente que, mesmo se adotando o critério de contagem acima defendido pela recorrente, ao se considerar que, in casu, a ciência do auto se deu somente em 22/05/2007 (efl. 3), todas as competências permanecem alcançadas pela decadência as competências, inclusive a de 12/01, uma vez que se refere o presente auto de lançamento (CFL 38) à obrigação acessória que, quanto àquela competência de 12/01, poderia ter sido efetuado dentro do próprio mês. Ainda, assim, de forma a garantir o prevalecimento da tese defendida pela recorrente, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que se aplique na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, mantida, porém a decadência para as competências até 12/01. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 273DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202004.477 CSRFT2 Fl. 274 8 Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.730476/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 40 da Lei n° 9.430/96, são duas as presunções legais de omissão de receitas: falta de escrituração de pagamentos efetuados; e manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. A dedutibilidade de despesas depende sejam atendidas as condições previstas no art. 299 do RIR/99. Cabe ao contribuinte comprovar sua efetiva realização, bem como a sua necessidade, normalidade e usualidade.
CONTRATOS A LONGO PRAZO. Conforme dispõe o art. 407 do RIR/99, nos contratos de construção, com prazo de execução superior a um ano, os custos devem ser incorridos durante o período de apuração e o preço deve ser computado ao longo da execução, mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. A Súmula CARF nº 105 é aplicável aos fatos geradores ocorridos até o ano-calendário de 2006, sendo improcedentes as multas isoladas em agosto/2006 e dezembro/2006, aplicadas concomitantemente com a multa de ofício. Em virtude das alterações legislativas ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula, pela Lei nº 11.488/07, procedente a aplicação da multa isolada em dezembro/2007, prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas.
Numero da decisão: 1301-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, por voto de qualidade, para afastar as multas isoladas de agosto e dezembro de 2006, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza e Roberto Silva Júnior, que davam provimento parcial em maior extensão, afastando também as multas isoladas de dezembro/2007. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 40 da Lei n° 9.430/96, são duas as presunções legais de omissão de receitas: falta de escrituração de pagamentos efetuados; e manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. A dedutibilidade de despesas depende sejam atendidas as condições previstas no art. 299 do RIR/99. Cabe ao contribuinte comprovar sua efetiva realização, bem como a sua necessidade, normalidade e usualidade. CONTRATOS A LONGO PRAZO. Conforme dispõe o art. 407 do RIR/99, nos contratos de construção, com prazo de execução superior a um ano, os custos devem ser incorridos durante o período de apuração e o preço deve ser computado ao longo da execução, mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. A Súmula CARF nº 105 é aplicável aos fatos geradores ocorridos até o ano-calendário de 2006, sendo improcedentes as multas isoladas em agosto/2006 e dezembro/2006, aplicadas concomitantemente com a multa de ofício. Em virtude das alterações legislativas ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula, pela Lei nº 11.488/07, procedente a aplicação da multa isolada em dezembro/2007, prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-01-11T11:49:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-01-11T11:49:37Z; Last-Modified: 2017-01-11T11:49:37Z; dcterms:modified: 2017-01-11T11:49:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ba7df118-1fbe-4227-afb3-62cc4cc645f1; Last-Save-Date: 2017-01-11T11:49:37Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-01-11T11:49:37Z; meta:save-date: 2017-01-11T11:49:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-01-11T11:49:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-01-11T11:49:37Z; created: 2017-01-11T11:49:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2017-01-11T11:49:37Z; pdf:charsPerPage: 2258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-01-11T11:49:37Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.322 1 2.321 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.730476/201166 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.149 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2016 Matéria Omissão de Receitas Recorrente INDÚSTRIA NAVAL DO CEARA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 40 da Lei n° 9.430/96, são duas as presunções legais de omissão de receitas: falta de escrituração de pagamentos efetuados; e manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. A dedutibilidade de despesas depende sejam atendidas as condições previstas no art. 299 do RIR/99. Cabe ao contribuinte comprovar sua efetiva realização, bem como a sua necessidade, normalidade e usualidade. CONTRATOS A LONGO PRAZO. Conforme dispõe o art. 407 do RIR/99, nos contratos de construção, com prazo de execução superior a um ano, os custos devem ser incorridos durante o período de apuração e o preço deve ser computado ao longo da execução, mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Sujeitamse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. A Súmula CARF nº 105 é aplicável aos fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006, sendo improcedentes as multas isoladas em agosto/2006 e dezembro/2006, aplicadas concomitantemente com a multa de ofício. Em virtude das alterações legislativas ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula, pela Lei nº 11.488/07, procedente a aplicação da multa isolada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 04 76 /2 01 1- 66 Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.323 2 dezembro/2007, prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, por voto de qualidade, para afastar as multas isoladas de agosto e dezembro de 2006, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza e Roberto Silva Júnior, que davam provimento parcial em maior extensão, afastando também as multas isoladas de dezembro/2007. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. (documento assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parte do relatório integrante do Acórdão recorrido (fls. 1631/1676): Cuidase de auditoria fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0310100.2009.00930, concernente aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, ao final da qual foi constituído o crédito tributário abaixo especificado: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) R$ 7.492.348,71 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) R$ 2.728.662,52 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins R$ 4.639.265,87 Contribuição para o PIS/Pasep R$ 1.007.209,00 Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) R$ 1.219.239,94 Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.324 3 Total Lançado ==================> R$ 17.086.726,04 Destaquese que a fiscalização referente ao anocalendário 2005 resultou na lavratura de um auto de infração parcial, matéria tratada no processo nº 10380.726309/201030. O procedimento fiscal foi deflagrado pela apresentação de termo próprio, notificado por via postal em 07/07/2009, fls. 72/73, através do qual foi requisitada a apresentação dos livros contábeis e fiscais necessários ao regular desempenho da atividade fiscalizatória, tendo sido especificado o prazo de 20 (vinte) dias para o atendimento da demanda fiscal. Em 16/09/2010, a pessoa jurídica foi instada a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, cópias dos contratos de produção de barcos, iates e navios que tenham sido firmados perante terceiros, fl. 74. Tendo em conta a documentação disponibilizada pela empresa, bem como aquela colhida perante terceiros, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do IRPJ e dos correspondentes reflexos, conforme adiante reproduzido: AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ 0001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de Receitas, no ano calendário 2006, no montante de R$ 316.838,64, em decorrência da não contabilização dos recebimentos por afretamento de barcos, pagos pela empresa Hidroclean Serviços Marítimos S/A, conforme demonstrativo (Doc. 3) elaborado pela própria locadora dos barcos. Cumpre esclarecer que foi lavrado, no ano calendário 2005, um auto de infração parcial (processo n° 10380.726309/201030) por esta mesma infração. Com efeito, no decorrer dos trabalhos de auditoria foram constatados movimentos econômicos da autuada com fornecedores/clientes de outras praças, por essa razão, expediuse intimação para Hidroclean Serviços Marítimos S/A informar o conteúdo da movimentação. Em sua resposta, por meio eletrônico (Doc. 2), dá conta de que alugou quatro barcos (Marimar VIII, Marpex X, Piauí XVIII e Incopesca XIX), além de transmitir vários arquivos referentes aos extratos bancários, demonstrando as transferências de recursos, bem como recibos e planilha de pagamentos, todos constantes do eprocesso. Considerando que já no anocalendário 2005 ficou patente a locação dos barcos citados (o barco Piauí XV não estava na relação), com 37 pagamentos feitos pela Hidroclean à Ind. Naval, em montante significativo em relação à receita declarada naquele ano quase 40%, constatados em auto de infração como omissão de receita, conforme o processo n° 10380.726309/201030, agora, no anocalendário 2006 a situação se repete com mais quatro pagamentos, três em conta do passivo de código 215010017 (Doc. 4), e um, não foi localizado nos registros contábeis, tudo totalizando R$ 316.838,64 (Doc. 3), a saber: (...) 0002 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.325 4 FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS Omissão de receita caracterizada pela falta de registros de pagamentos efetuados a título de comissão, no anocalendário 2006, no valor de R$ 19.409,00. Tratamse de pagamentos não contabilizados, efetuados ao sr Cesar Almir Teixeira Carvalho, CPF 141.421.63353, profissional autônomo que executou serviços de intermediário na armação, manutenção e supervisão de reparos em embarcações, conforme atestam a representação fiscal da lavra da AFRFB Nidia Rodrigues Romero, mat 8218, folha 4 (Doc 10) e a informação prestada por essa empresa (Doc 11) de que pagava comissão de 5% sobre os valores despendidos nas tarefas de reparos urgentes sob a supervisão do referido senhor. (...) 0003 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Despesas desnecessárias caracterizadas pelo pagamento de gastos particulares do Sr. Cesar Almir Teixeira Carvalho, prestador de serviço autônomo, no ano calendário 2006, no valor de 84.321,54. Intimada, em 14/06/2011, pelo Termo de Intimação n° 4, lavrado por esta fiscalização, a respeito do pagamento dos cartões de crédito em nome do Sr Cesar Almir T Carvalho, no montante de R$ 369.888,22, respondeu (Doc 9), que vários itens constantes das faturas pagas não foram reconhecidas como despesas da empresa por serem de caráter particular da pessoa física responsável pelo cartão. Destarte, como na mesma resposta foram relacionados os gastos de responsabilidade da empresa que se encontram no montante citado, por diferença, foi determinado o quantum de despesas não necessárias, a saber: (...) 0004 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Despesas com passagens e hospedagens indevidas e sem as respectivas comprovações legais, no anocalendário 2006, da ordem de R$ 154.158,17. A representação fiscal da lavra da AFRFB Nidia Rodrigues Romero, mat 8218, folha 4 (Doc 10) atesta que a Indústria Naval S/A pagou as faturas dos cartões de crédito do sr. Cesar Almir Teixeira Carvalho, CPF n° 141.421.63353, profissional autônomo que executou serviços de intermediário na armação, manutenção e supervisão de reparos em embarcações, incluídas as peças, no montante de R$ 369.888,22, durante no ano de 2006. Intimada a respeito pelo Termo de Intimação n° 4, lavrado por esta fiscalização, respondeu (Doc 9), que vários itens constantes das faturas pagas não foram reconhecidas como despesas da empresa por serem de caráter particular da pessoa física responsável pelo cartão e, em seguida, dividiu em duas rubricas: despesas diversas (R$ 131.408,51) e despesas com passagens e hospedagens (R$ 154.158,17), relacionando data, valor e conta debitada. A primeira, Despesas Diversas, foi aceita por esta fiscalização como despesas dedutíveis por haver Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.326 5 compatibilidade com a atividade operacional (compra de peças e partes), bem como pelo responsável pelo cartão ter prestado serviço de manutenção em barcos. Quanto à segunda, Despesas com Passagens e Hospedagens, são indedutíveis por falta de comprovação, haja vista que as mesmas foram feitas por meio de cartões de crédito de terceiros estranhos à empresa, além de não identificar quem viajou e a natureza das despesas lançadas. (...) 0005 CONTRATOS A LONGO PRAZO APURAÇÃO INCORRETA DE RESULTADOS Falta de apropriação do resultado dos contratos, com prazo de execução superior a um ano, para a construção dos barcos, CASCO 570 (Doc 12) e CASCO 579, (Doc 13), no anocalendário 2007, no montante de R$ 2.461.194,00, sendo, respectivamente, R$ 2.211.161,00 para o CASCO 570 e, R$ 250.133,00, para o CASCO 579. Por se tratar de apuração de contratos de longo prazo e por não ter sido apropriado, na escrituração contábil, como manda a legislação de regência, o resultado anual, a contribuinte foi intimada, em 21/06/2010, a demonstrar os custos de produção, até 31/12/2007 e seguintes, bem como o custo total de produção, na data da entrega da encomenda. Em sua resposta (Doc 14) demonstrou os custos alocados até 31/12/2007, que se encontram na rubrica Estoques, conforme contabilidade e DIPJ/2008, a saber: (...) 0006 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO POSTERGAÇÃO DE RECEITAS A contribuinte deixou de apropriar, no ano calendário 2007, o resultado de contratos com prazo de execução superior a um ano para a construção dos barcos CASCO 561 (Doc 15) e CASCO 569 (Doc 16), nos montantes respectivos de R$ 8.375.035,00 e R$ 42.551,00. Os barcos foram concluídos e entregues em 2009. Este fato gerou uma Postergação de Receita de R$ 357.278,00, igual ao Lucro Real do anocalendário 2009. Por se tratar de contratos de longo prazo e por não ter sido reconhecida, na escrituração contábil, a apuração parcial de resultado, a fiscalizada foi intimada a demonstrar os custos de produção incorridos até 31/12/2007, bem como os custos totais na data da entrega dos produtos. Em sua resposta, (Doc 14), prestou as seguintes informações: (...) Considerando que o Lucro Real do anocalendário 2009 foi de apenas R$ 357.278,07, esta infração será dividida em duas, a primeira (esta aqui), como postergação de receita em montante de R$ 357.278,00 (igual ao Lucro Real de 2008), e a segunda (a seguinte), como Redução Indevida de Lucro, pela diferença de R$ 8.060.308,00. (...) Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.327 6 0007 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE RECEITAS A contribuinte deixou de apropriar, no anocalendário 2007, o resultado de contratos com prazo de execução superior a um ano para a construção dos barcos CASCO 561 (Doc 15) e CASCO 569 (Doc 16), nos montantes respectivos de R$ 8.375.035,00 e R$ 42.551,00. Os barcos foram concluídos e entregues em 2009. Este fato gerou uma Redução Indevida de Lucro de R$ 8.060.308,00 (R$ 8.375.035,00 + R$ 42.551,00 = 8.417.586,00 R$ 357.278,00 = R$ 8.060.308,00). Por se tratar de contratos de longo prazo e por não ter sido reconhecida, na escrituração contábil, a apuração parcial de resultado, a fiscalizada foi intimada a demonstrar os custos de produção/incorridos até 31/12/2007, bem como os custos totais na data de entrega dos produtos. Em sua resposta (Doc 14), prestou as seguintes informações: (...) Considerando que o Lucro Real do anocalendário 2009 foi de apenas R$ 357.278,07, esta infração será dividida em duas, a primeira (infração anterior), como postergação de receita em montante de R$ 357.278,00 (igual ao Lucro Real de 2008), e a segunda (esta aqui), como Redução Indevida de Lucro, pela diferença de R$ 8.060.308,00. (...) 0008 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo apurada com base no balanços de suspensão ou redução, referente ao mês de agosto de 2006, tem, por conseqüência, a cobrança de multa isolada no valor de R$ 12.715,00. A mesma infração se repetiu nos meses de dezembro de 2006 e dezembro de 2007, com multa isolada de R$ 91.960,00 e de R$ 1.356.995,00, respectivamente, conforme demonstrativo a seguir: [...] Tendo em vista as infrações consideradas pela autoridade fiscal no que se refere ao IRPJ (lançamento principal), foram efetivados os chamados lançamentos reflexos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Deuse, também, a autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme adiante reproduzido: 0001 – PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEF NÃO IDENTIFICADO IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.328 7 Importância pagas por "Caixa", sem causa específica e a beneficiário não identificado, registradas como se fora para a empresa Hidroclean Serviços Marítimos S/A, CNPJ 04.194.145/000121, no anocalendário 2006, de R$ 763.050,00, e, no anocalendário 2007, de R$ 235.400,00. No decorrer dos trabalhos de auditoria foram constatados lançamentos de pagamentos feitos por caixa na conta 205010009 (PASSIVO CIRCULANTE) HIDROCLEAN, nos anoscalendário 2006 (Doc 5) e 2007 (Doc 6), conforme cópia do razão extraídas do aplicativo Contábil, nas seguintes datas e valores: [...] Intimada em 22/06/2011, para informar a operação que deu causa ao recebimento, por caixa, dos pagamentos discriminados acima, a Hidroclean Serviços respondeu, em 05/07/2011 (Doc 7), que nos anos citados não houve faturamento para a INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, consequentemente, não há documentos comprobatórios que registrem recebimentos desses valores. Também intimada, a Indústria Naval respondeu, em 04/07/2011 (Doc 8): "Informamos que referidos valores, efetivados por caixa, na conta corrente da empresa HIDROCLEAN, não foram repassados efetivamente e diretamente para aquela empresa. Esses recursos foram utilizados no pagamento de despesas de manutenção dos barcos de propriedade do grupo INACE arrendados à empresa Hidroclean." Vale observar, por oportuno, que a autuada não apresentou documentos ou registros das alegadas despesas de manutenção. Assim, fica caracterizado o pagamento sem causa e a beneficiário não identificado, com o consequente reajuste da base de cálculo do Imposto de Renda na Fonte, como preceitua o § 3º do artigo n° 674 do RIR/99. (...) A notificação dos lançamentos, pela via postal, deuse em 14/10/2011, fl. 606. Não conformada com a autuação, em 09/11/2011 a pessoa jurídica apresentou impugnação, fls. 607/650, pautada nos fatos e nos argumentos a seguir evidenciados: [...] Examinando o Auto de Infração, a Impugnante chegou a conclusão que ele é totalmente incabível e inconseqüente, portanto, apresenta pelas razões que expõe, respaldado na documentação que anexa, e no final requer, Impugnação Total tempestivamente, conforme consta do recebimento do Volume com os autos e anexos entregues via SEDEX em 14.10.2011, às 17:07 hs., portanto, rigorosamente dentro dos 30 (trinta) dias regulamentares, comprovado através do Histórico do Objeto CORREIOS DL005802499BR, em anexo DOC II (Volume 1). Com certeza, referido Auto de Infração se encontra eivado de enganos ilegalidades e documentos desconhecidos, portanto, jamais poderá prosperar. NO MÉRITO 0001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.329 8 O Dr. Fiscal autuante confundiu documentos, que de maneira alguma lhes foram entregues e/ou colhidos junto a empresa autuada (não sabemos de onde teria obtido tais documentos), e assim, atabalhoou todo o auto de infração e foi induzido ao erro, e nesse caso específico, quando fez utilização de documentos de OUTRA EMPRESA, totalmente distinta da INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A CNPJ 07.326.937/000109, no caso esses documentos objeto da autuação foram emitidos pela empresa INACE Serviços de Manutenção em Embarcações Ltda. CNPJ 07.928.868/000103, contra a empresa HIDROCLEAN Serviços Marítimos LTDA, CNPJ 04.194.145/000202, afirmando a autoridade fiscal que: (‘Ipse Litters’) "Omissão de Receitas no anocalendário de 2006, no montante de R$ 316.838,64, em decorrência da não contabilização em conta de receita .... ", denominando mais adiante que seriam "PG. ALUGUEIS NÃO LOCALIZADOS", nos exatos termos, valores e documentos que a seguir se transcreve: NFS n° 0010 no valor de R$ 100.080,04 datada de 12/07/2006; NFS n° 0011 no valor de R$ 42.300,00 datada de 20/07/2006; NFS n° 0014 no valor de R$ 97.393,46 datada de 04/08/2006; NFS n° 0009 no valor de R$ 77.055,14 datada de 11/07/2006; Portanto, o total exato dos documentos (pretensos lançamentos) é de R$ 316.828,64 (trezentos e dezesseis mil, oitocentos e vinte e oito reais e sessenta e quatro centavos), conforme faz prova inquestionável as cópias das Notas Fiscais de Serviços referidas e transcritas, bem como, os seus devidos lançamentos, revestidos das formalidades legais implícitas e explícitas, nos apontamentos contábeis da empresa INACE Serviços de Manutenção em Embarcações Ltda. CNPJ 07.928.868/000103, em anexo DOC III (Volume 1), e não na empresa INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, por não lhes pertencer, como é lógico e evidente. Assim, jamais poderiam estes documentos ser localizados na documentação e nos apontamentos contábeis da INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A. Verifique, ademais V.Sas., que os valores expressos pelo Dr. Fiscal autuante, se encontram eivados de enganos, até mesmo a soma dos valores apresentados no auto de infração não conferem com os transcritos e lançados por ele próprio. 0002 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS Afirma o Dr. Fiscal autuante que pequenos valores excluídos daqueles que eram de fato e de direito, despesas da empresa autuada, seriam "pagamentos não contabilizados, num total de R$ 19.409,00". Ora, pois, esses pequenos valores foram excluídos e não contabilizados pela empresa autuada como despesas, exatamente pelo fato de após perícia interna, concluírem que os mesmos não se relacionavam diretamente com a NAVAL, e como já tinham sido pagos pela empresa, foi esse valor debitado ao Sr. Cesar Almir Teixeira Carvalho, por serem classificadas como despesas pessoais do mesmo. Portanto, a prática adotada foi a única correta, já que não poderia a empresa autuada "escriturar pagamento " de despesas de terceiros, não sendo cabível no caso em espécie qualquer tipo de "presunção", como atribuído pela fiscalização. 0003 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.330 9 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS A fiscalização por mera dedução, e sem qualquer critério legal, estipulou como "Despesas Não Necessárias"', caracterizando como "pagamento de gastos particulares do Sr. Cesar Almir Teixeira Carvalho, prestador de serviço autônomo, no anocalendário 2006, no valor de 84.321,54" por diferença (SIC), despesas comprovadamente necessárias, inerentes à sua atividade, incorridas e devidamente pagas pela empresa autuada INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, contabilizadas e revestidas das formalidades legais implícitas e explícitas. Assim é que, indiscutivelmente, todas as despesas incorridas e pagas pela empresa autuada, foram devidamente contabilizadas e fazem parte integrante de suas atividades, não se tendo sequer, nesta ocasião, como rebater essas despesas glosadas, uma a uma, uma vez que não foram as mesmas relacionadas individualmente pela ação fiscal e sim, por mera diferença. 0004 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS A fiscalização, por mais incrível que pareça, glosou todas as despesas efetivadas pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, com passagens, DESLOCAMENTO OFICIAL E EM SERVIÇO DE SEUS FUNCIONÁRIOS E DIRIGENTES classificandoas inexplicavelmente serem "indevidas e sem as respectivas comprovações legais, no anocalendário 2006, da ordem de R$ 154.158,17". A glosa efetivada pela ação fiscal, referente às passagens aéreas adquiridas rigorosamente das companhias aéreas brasileiras que operam oficialmente nas linhas domésticas, sob autorização dos órgãos competentes nacionais (TAM e GOL), e/ou através da empresa operadora CASA BLANCA TURISMO quando a mesma obtém melhor preço. Todas essas aquisições são efetivadas tendo como "Cliente" a INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, mesmo que através de cartões de crédito em nome do Sr. Cesar Almir Teixeira de Carvalho, conforme poderá ser comprovado através das Faturas que neste ato se anexa em DOC IV (Volume 1). E dever esclarecer a V.Sas., que todas as embarcações produzidas pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S.A, obrigatoriamente, em função de normas oficiais e legais, são concedidos garantias gratuitas de no mínimo 2 (dois) anos, como igualmente, para a empresa desenvolver essas suas atividades, necessita deslocar seus engenheiros e/ou técnicos especializados para os locais onde se encontram atracadas as embarcações, que para os casos específicos dos barcos fabricados para a MARINFIA DO BRASIL (Contra Torpedeiros, Recolhedor de Torpedos, Barcos Patrulhas, etc.) se encontram quase sempre no arsenal do Rio de Janeiro, outras em Natal (3º Distrito Naval), e nos diversos demais estados brasileiros, bem como, algumas outras embarcações se encontram no exterior, principalmente Miami (EUA). Além de outras embarcações que são realizados reparos e reformas, também com garantia obrigatória. Portanto, todas as despesas de viagens (passagens aéreas), pois são rigorosamente necessárias e indispensáveis para manutenção das embarcações, Igualmente, existem a necessidade dos dirigentes do Grupo Empresarial viajar para o exterior com vistas a tentar fechar negócios, inclusive, participar anualmente do "ROAT SHOW", o maior evento do mundo especializado em embarcações, Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.331 10 realizados nos EUA, imprescindível e sem o qual não se podem vender navios e/ou iates no exterior, bens de altíssimo valor aquisitivo. Como prova inconteste e inseparável do processo ora vergastado, se fez anexar em DOC IV, comprovantes das aquisições de passagens aéreas (viagens) sendo apenas utilizados cartões de crédito em nome do Sr. Cesar Almir Teixeira de Carvalho, entretanto, todas em nome da autuada (especificada nas faturas como "CLIENTE" "INDÚSTRIA NAVAL DO CEARA S/A", rigorosamente para os seus funcionários quando de seus deslocamentos a serviços para outras localidades, constando data da emissão, empresa cliente e pagadora, rota, cartão, bilhete e parcela/valores. Ademais, como prova definitiva anexamos igualmente em DOC V (Volume 1), as Fichas oficiais de "Registro de Empregados" que comprovam o vínculo empregatício dos beneficiados com essas despesas necessárias e indispensáveis ao desempenho das atividades funcionais, inclusive, as emitidas em nome dos dirigentes da empresa autuada, para Miami, Brasília, Rio de Janeiro (Galeão), etc, rigorosamente a trato de negócios em suas operações empresariais, e que foram surpreendentemente glosadas pela ação fiscal. 0005 CONTRATOS A LONGO PRAZO APURAÇÃO INCORRETA DE RESULTADOS Inusitadamente a fiscalização multa a empresa por tida "Falta de apropriação do resultado dos contratos, com prazo de execução superior a um ano, para a construção dos barcos, CASCO 570 (Doc 12) e CASCO 579, (Doc 13), no anocalendário 2007, no montante de R$ 2.461.194,00, sendo, respectivamente, R$ 2.211.161,00 para o CASCO 570 e, R$ 250.133,00, para o CASCO 579." E prossegue afirmando que "Por se tratar de apuração de contratos de longo prazo e por não ter sido apropriado, na escrituração contábil, como manda a legislação de regência, o resultado anual, a contribuinte foi intimada, em 21/06/2010, a demonstrar os custos de produção, até 31/12/2007 e seguintes, bem como o custo total de produção, na data da entrega da encomenda. " A fiscalização, não levou em consideração, em primeiro lugar, que o tipo de indústria da autuada é bastante diferenciado das demais que atuam no país, jamais poderá ser equiparada a outros tipos de bens duráveis e/ou construção civil, uma vez que o prazo para sua construção demanda um longo período (de até quatro a cinco anos), e o tipo de CONTRATO firmado é de todo e totalmente diferenciado, isto posta, em função da especificidade dos produtos (embarcações), através de exigências legais dos órgãos fiscalizadores e das empresas seguradoras (sem as quais jamais existiria uma encomenda naval para quem quer que seja e em qualquer localidade do globo terrestre). Em segundo lugar, e principalmente, por força dos próprios CONTRATOS FIRMADOS com os clientes, como nestes casos específicos dos Cascos 570 e 579, com a MARINHA DO BRASIL / DIRETORIA DE ENGENHARIA NAVAL e EMGEPRON EMPRESA GERENCIAL DE PROJETOS NAVAIS, como igualmente em rigoroso atendimento ao CRONOGRAMA FÍSICO FINANCEIRO das embarcações contratadas, que fazem partes integrantes e inseparáveis dos CONTRATOS aludidos, todos os valores recebidos (Eventos) pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A durante esse período de 2006 e 2007, OBRIGATORIAMENTE tinham de ser destinados às aquisição dos materiais, equipamentos e outros neles constantes e previstos taxativamente, ficando esses bens obrigados a adquirir sob guarda da INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, em ESTOQUE, compondo a rubrica contábil ESTOQUES, tudo Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.332 11 devidamente contabilizado e revestido das formalidades legais implícitas e explícitas. Como pode então, a fiscalização intervir para que seja "inventado" um "critério para calcular um custo de produção parcial por apropriação ", (o grifo é nosso), totalmente aleatório e irreal, que não atende aos requisitos legais contábeis geralmente aceitos, e totalmente contrários às normas emanadas pelo Conselho Federal de Contabilidade CFC e a própria SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, lavrando auto de infração por valores estratosféricos e ilegais. A INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, não pode reter, ou dispor de qualquer valor pecuniário advindo desses recebimentos como receita própria, todos os recursos recebidos terão que ser destinados aos fins específicos constantes dos Contratos, inexistindo, por conseguinte, até aquela data, lucro ou prejuízo à ser apurado. Como prova inconteste, anexamos a presente em DOC VI (Volume 2), cópias dos respectivos Contratos firmados com a MARINHA DO BRASIL / DIRETORIA DE ENGENHARIA NAVAL e EMGEPRON EMPRESA GERENCIAL DE PROJETOS NAVAIS, como também, em anexo DOC VII (Volume 2) cópias dos respectivos CRONOGRAMAS de execução dos navios. Bem como, e como prova definitiva das assertivas constantes dessa peça impugnatória, fazemos anexar em DOC VIII (Volume 2), cópias das DIPJ dos Anos Calendários de 2007, 2008 e 2009, que apresentam os respectivos "Balanços Patrimoniais" da INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, demonstrando os elevados valores dos ESTOQUES, em importâncias de R$ 52.249.015,36; R$ 96.107.201,71, e R$ 110.279.500,91, respectivamente. 0006 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO POSTERGAÇÃO DE RECEITAS Se não bastasse tamanho delírio, como o item anteriormente exposto e vergastado, vem agora a fiscalização nessa mesma esteira fictícia de raciocínio, afirmar que: "A contribuinte deixou de apropriar, no anocalendário 2007, o resultado de contratos com prazo de execução superior a um ano para a construção dos barcos CASCO 561 (Doc 15) e CASCO 569 (Doc 16), nos montantes respectivos de 11$ 8.375.035,00 e R$ 42.551,00. Os barcos foram concluídos e entregues em 2009. Este falo gerou uma Redução Indevida de Lucro de R$ 8.060.308,00 (R$ 8.375.035,00 + R$ 42.551,00 = 8.417.586,00 R$ 357.278,00 = R$ 8.060.308,00) ". E prossegue em seu desiderato: "Por se tratar de contratos de longo prazo e por não ter sido reconhecida, na escrituração contábil, a apuração parcial de resultado, a fiscalizada foi intimada a demonstrar os custos de produção/incorridos até 31/12/2007, bem como os custos totais na data de entrega dos produtos. Em sua resposta (Doc 14), prestou as seguintes informações: (......). Neste caso, é de todo absurdo se falar em "Postergação de Receita", ou de "Lucro Real" no caso específico da autuada, uma vez que a fiscalização sabe muito bem e é bom que não se olvide, o que já é do inteiro conliecimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a empresa INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, é uma firma exportadora, como também, equiparada a exportação quando da fabricação das embarcações para a Marinha do Brasil, mesmo assim vem, desde longas datas, experimentando prejuízos, dispondo de elevados valores de "Prejuízos à Compensar" e expressivos valores de "Créditos a Compensar" de PIS, COFINS e CSLL, não tendo portanto, nenhum interesse de omitir e/ou postergar receitas, que somente vem acarretando uma situação desconfortável e até mesmo prejudicial para Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.333 12 seus negócios e investidores, e principalmente clientes (atuais e futuros). Assim, a empresa autuada necessita é de RECEITAS imediatas, e não como pretendeu imputar a fiscalização em "POSTERGAR RECEITAS". Como também, é do inteiro conhecimento da fiscalização, um vez que em todos os documentos, e principalmente os CONTRATOS de execução das embarcações por ela solicitados lhes foram entregues devidamente, neste ato anexamos em DOC IX (Volume 2), e neles constam, sem qualquer sombra de dúvidas, que exatamente esses valores tidos agora como "postergados" no período dos recebimentos POR CONTA, e que se encontravam devidamente contabilizados nas datas de suas ocorrências, estão rigorosamente de conformidade com o Contratado, e que somente poderão ser levados para apuração da CONTA DE RECEITA, quando por ocasião do faturamento oficial pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A dos valores tidos como ADIANTAMENTOS DE CLIENTES POR CONTA DE BARCOS, e em contra partida a conta clientes ESTOQUES rigorosamente nos exatos valores arrolados pela fiscalização como sendo "postergados ". E ainda, é dever lembrar que mesmo comprovado pela fiscalização que todos esses valores foram apurados nos períodos imediatamente posteriores, quando efetivados os correspondentes faturamentos (2009), conforme expressos em toda a dociunentação contábil / fiscal da empresa autuada, revestida das formalidades legais explícitas e implícitas, neste ato anexamos em DOC X, fotocópias das Notas Fiscais emitidas pela INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A. Por absurdo, a fiscalização não levou em consideração e constituiu créditos tributários em valores totalmente irreais e impagáveis. Salientese ademais, que além de utilizar a totalidade dos recursos recebidos dos clientes para produção das embarcações (aquisição de matérias primas e máquinas e equipamentos) aguardando utilização no ALMOXARIFADO (Estoques), a INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A se utiliza ainda de recursos de terceiros / empréstimos para cumprir os cronogramas, como então, visto apenas sob a ótica do onirismo, poderia apurar Lucro? 0007 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE RECEITAS Volta desta feita a fiscalização, para repetir, todos os desmandos assacados no item anterior 0006, sendo que desta feita utiliza como sendo referente ao mesmo ano calendário de 2007, de outros cascos concluídos e entregues em 2009, e que este fato teria gerado uma (Ipse Litters) "Redução indevida do Lucro de R$8.060.308,00", concluindo que se tratava de "contratos de longo prazo e por não ter sido reconhecida na escrituração contábil a apuração parcial de resultado,.... (SIC). Ora, pois, como pode ser atribuído de postergação valores que não foram recebidos pela empresa para o seu fim específico de negócio, e sim como adiantamento para compra de MOTORES, REVERSORES, ECOBATIMETROS, HÉLICES, CHAPAS DE AÇO E DE ALUMÍNIO, etc. etc., (contabilizados como ESTOQUES e armazenados em local próprio) para posterior colocação nessas embarcações, conforme reza taxativamente os CONTRATOS celebrados entre as partes (Clientes e Empresa), todos já em poder dessa Repartição e que deverão fazer parte integrante e inseparável do Processo ora vergastado. A fiscalização por ato impensado antecipou deliberadamente esses valores, levando diretamente para LUCRO REAL, naquele ano calendário de 2007, já que os mesmos somente foram faturados e levados para apuração do LUCRO REAL no ano de 2009, ocasião dos Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.334 13 respectivos faturamentos, conforme faz prova as Notas Fiscais da INDÚSTRIA. NAVAL DO CEARÁ S/A, que se encontram anexadas no DOC X. É de todo imprescindível salientar que a INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ /A, sempre adotou em sua contabilidade, todas as normas legais emanadas pelos órgãos oficiais pertinentes a matéria e, desde 2005, principalmente às desta Secretaria da Receita Federal do Brasil, adotando igualmente e rigorosamente para esse fim específico da contabilidade dos seus CONTRATOS de produção de embarcações, a Resolução CFC n°l.055/05 e alterações do CPC. Como igualmente a Lei n° 11.638/07 (Instituiu o Regime Tributário de Transição RTT. Estende as disposições especiais relativas a elaboração e divulgação de demonstrações financeiras); Instrução Normativa CVM n° 469/08; Medida Provisória 449/08. Presentemente, a INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, se encontra enquadrada para apresentação do Sped FCONT, ora em elaboração. Assim, resta comprovada a correta e total lisura quanto aos sistemas de apuração dos resultados da empresa autuada e, em vista disso, se torna totalmente improcedente o auto de infração, não podendo de maneira alguma prosperar. 0008 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Referido pretenso Auto de Infração, foi imposto pela autoridade autuante exclusivamente por tida infração "Decorrente" ou "Reflexa" dos Autos de Infrações de POSTERGAÇÃO DE RECEITAS, por pretendida apuração de de 2007 em função de estimativa em decorrência, já indiscutivelmente demonstrado aqui, a sua total improcedência e inconsistência, sendo apenas resultante de meras suposições e engano da ação Fiscal, não tendo como prosperar. Desta maneira, deverá ter o mesmo fim do Auto de Infração Matriz, por aplicabilidade do decidido, portanto, improcedentes de plano. Neste sentido, o Egrégio Conselho de Contribuintes e/ou Conselho Superior de Recursos Fiscais, já decidiram conforme Acórdãos a seguir transcritos: [...] 0001 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS 0002 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS Referidos pretensos Autos de Infrações, foram impostos pela autoridade autuante exclusivamente por tidas infrações "Decorrentes" ou "Reflexas" dos Autos de Infrações de POSTERGAÇÃO E DE OMISSÃO DE RECEITAS, já indiscutivelmente demonstrado aqui, a sua total improcedência e inconsistência, sendo apenas resultante de meras suposições e engano da ação Fiscal, não tendo como prosperar. Desta maneira, deverá ter o mesmo fim do Auto de Infração Matriz, por aplicabilidade do decidido, portanto, improcedentes de plano. Neste sentido, o Egrégio Conselho de Contribuintes e/ou Conselho Superior de Recursos Fiscais, já decidiram conforme Acórdãos a seguir transcritos: Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.335 14 [...] A mesma alegação, qual seja, de se tratar infrações decorrentes ou reflexas, foi manifestada pela pessoa jurídica no que se refere aos lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Apresentada impugnação, esta foi julgada parcialmente procedente pela 3ª Turma da DRJ/FOR, cancelando parcialmente o lançamento relativo à omissão de receitas sobre afretamento de barcos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1691/1983), em que repisa os argumentos apresentados em sede de impugnação e combate a decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Foram apuradas as seguintes infrações em relação ao anocalendário de 2006: (i) omissão de receitas, no montante de R$ 316.838,64, em decorrência da não contabilização dos afretamentos de barcos pagos pela empresa Hidroclean Serviços Marítimos S/A.; (ii) omissão de receitas caracterizada pela falta de registros de pagamentos efetuados a título de comissão, no valor de R$ 19.409,00; (iii) despesas desnecessárias caracterizadas pelo pagamento de gastos particulares do Sr. Cesar Almir Carvalho, prestador de serviço autônomo, no valor de R$ 84.321,54; (iv) despesas com passagens e hospedagens indevidas e sem as respectivas comprovações legais, no montante de R$ 154.158,17; (v) falta de apropriação do resultado dos contratos, com prazo de execução superior a um ano, para construção de dois barcos (CASCO 570 e CASCO 579) no valor de R$ 2.461.294,00. Por sua vez, foram apuradas as seguintes infrações relativas ao ano calendário de 2007: (i) deixou de apropriar o resultado de contratos com prazo superior a um ano para a construção dos barcos CASCO 561 e CASCO 569, que foram concluídos no ano de 2009, gerando uma postergação de receita de R$ 357.278,00, igual ao lucro real do ano de 2009; (ii) deixou de apropriar o resultado de contratos com prazo superior a um ano para a construção dos barcos, entregues no ano de 2009, gerando uma redução indevida de lucro no valor de R$ 8.060.308,00. Ademais, foi aplicada multa isolada de IRPJ e CSLL por falta de pagamento dos tributos com base nos balanços de suspensão e redução referente aos meses de agosto de 2006, dezembro de 2006 e dezembro de 2007. Também houve lançamento de ofício de IRRF sobre importâncias pagas sem causa especificada e a beneficiário não identificado nos anoscalendário de 2006 e 2007. Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.336 15 Feito o resumo da autuação, passarei a analisar cada uma das infrações debatidas em confronto com as alegações trazidas pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário. 1. OMISSÃO DE RECEITAS (INFRAÇÕES 0001 E 0002). Conforme preceitua o art. 40 da Lei n° 9.430/96, são duas as presunções legais de omissão de receitas: (i) falta de escrituração de pagamentos efetuados; e (ii) manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Como bem relatado pelo agente fiscal às fls. 06, o contribuinte não contabilizou as receitas decorrentes do afretamento de barcos no anocalendário de 2006. As alegações do fisco foram consubstanciadas nas notas fiscais n° 0010, 0011, 0014 e 0009, bem como na resposta à intimação fornecida pela empresa Hidroclean Serviços Marítimos S/A em que consta a informação de que esta empresa realizava pagamentos ao contribuinte pela locação de quatro barcos, sendo apresentados extratos bancários e planilhas de pagamento demonstrando a transferência dos recursos. O Recorrente alega que o fiscal foi induzido a erro, tendo feito uso dos notas fiscais emitidas por outra empresa (INACE Serviços de Manutenção em Embarcações Ltda.). Este argumento não merece prosperar, haja vista que, apesar das notas fiscais n° 0010, 0011, 0014 e 0009 terem sido emitidas pela INACE Serviços de Manutenção em Embarcações Ltda., a receita decorrente destas operações foi recebida pelo Recorrente e indevidamente contabilizada em seus registros fiscais. Ademais, em momento algum, foi impugnada a alegação de que os barcos seriam de propriedade do contribuinte. Portanto, entendo que não merece reparos a decisão exarada pela DRJ, a qual adoto por seus fundamentos: Ocorre que, a despeito de as notas fiscais apresentadas haverem sido emitidas pela INACE Serviço de Manutenção em Embarcações Ltda, CNPJ 07.928.868/000103, documento intitulado “Autorização para Transferência Eletrônica”, concernente aos valores objeto da autuação, tem como destinatária dos recursos a impugnante INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, CNPJ 07.326.937/000109. É o que se pode verificar nas transferências das quantias de R$ 42.300,00 e de R$ 97.393,46, fls. 163 e 165. Além do que, se referenciadas operações não poderiam ser localizadas na documentação e nos apontamentos contábeis da autuada, o que explica que a conta 215020017 – INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda tenha sido creditada das quantias de R$ 100.080,04, R$ 42.300,00 e de R$ 97.393,46 nos dias 14/07/2006, 21/07/2006 e de 11/08/2006, conforme verificado à fl. 173. Referido aspecto não foi considerado na impugnação, não tendo a interessada esclarecido a natureza dos apontados lançamentos. Fl. 2336DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.337 16 A prevalecer o entendimento de que a INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda diz respeito a uma prestadora de serviços de manutenção das embarcações da autuada, ao prestar tais serviços deveria ser debitada uma conta de conta de resultado (despesa ou de custo) e creditada a tal 215020017 – INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda do passivo circulante da interessada. Em momento posterior, quando da efetivação do pagamento decorrente dos serviços prestados, haveria que ser debitada a conta do passivo 215020017 – INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda e creditada a conta do ativo circulante Bancos ou Caixa. Acontece que a propalada conta 215020017 – INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda foi creditada nos valores acima quantificados e, ao invés do débito em conta de resultado (o que seria esperado pela prestação dos serviços), o que se observou foi um débito na conta 1110200 – Banco Real, o que demonstra que referidos recursos ingressaram no caixa da autuada sem que fosse creditada uma conta de receita, mas uma conta de passivo, permanecendo o numerário à margem da tributação, de modo a caracterizar a omissão de receita especificada na autuação, tendo em vista o liame demonstrado pela fiscalização dos lançamentos contábeis com a locação das embarcações referenciadas. A propósito, destaquese que no lançamento referente ao anocalendário 2005, objeto do processo nº 10380.726309/201030, contendo a mesma infração neste lançamento encontrada, a alegação da interessada foi de que a receita tida por omitida, referente a 37 (trinta e sete) depósitos no valor global de R$ 2.638.056,86 houvera sido reconhecida em momento posterior, no anocalendário 2007. Isso pelo fato de ser empresa “produtora de embarcações”, procedimento que demandaria um longo período para a sua execução, sendo equiparada à construção civil, em razão do que utilizaria em sua contabilidade contas do tipo Adiantamento de Clientes por Conta de Barcos – Passivo e Hidroclean – Outras Receitas – Recebimento Para Posterior Faturamento – Ativo, argumento que foi rechaçado sob a alegação de que o fato de se tratar de empresa produtora de embarcações não alterava a natureza das operações naquele processo tratadas, relativa à locação de embarcações, “cuja receita não poderá ser registrada ao talante do sujeito passivo, mas em obediência aos preceitos legais estabelecidos pela legislação contábil e fiscal”, com o que o lançamento foi mantido em sua integralidade por esta 3ª Turma da DRJ Fortaleza. Não tendo referido argumento sido acolhido na autuação do anocalendário 2005, a impugnante muda a sua versão no lançamento do anocalendário 2006, passando a afirmar que quem houvera prestado os serviços de locação das embarcações seria um terceiro, a INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda, CNPJ 07.928.868/000103, esquecendose a litigante de que tais valores foram por ela efetivamente recebidos, como fazem prova os lançamentos a débito da conta 1110200 – Banco Real, o que demonstra o ingresso do numerário na conta bancária da autuada, termos em que, ausente dos autos qualquer referência quanto à natureza jurídica das operações entre as duas pessoas jurídicas praticadas, deve prevalecer a concepção da autoridade lançadora, quanto ao fato de omissão de receita se tratar. Destaquese que no documento encaminhado ao representante da Hidroclean Serviços Marítimos Ltda, fl. 169, a autoridade fiscal consignou expressamente que as informações a serem prestadas deveriam corresponder a operações efetivadas com a pessoa jurídica INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, CNPJ 07.326.937/000109, o que corresponde com exatidão à empresa autuada. Outro aspecto que merece ser considerado é o fato de a Hidroclean Serviços Marítimos Ltda haver afirmado que a embarcação objeto do afretamento pertence à titularidade da INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, CNPJ 07.326.937/000109, Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.338 17 argumento não contraditado pela defesa, tratandose de matéria não impugnada nos precisos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Com efeito, causa estranheza o fato de a impugnante não haver demonstrado que nas datas das operações tributadas as embarcações não mais lhe pertenceriam, que já teriam sido adquiridas pela suposta prestadora dos serviços, a INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda, CNPJ 07.928.868/000103, o que representaria prova inconteste de que esta última empresa deveria ser a pessoa jurídica a figurar no polo passivo da relação jurídico tributária, e não a autuada. Contudo, como discorrido, a litigante omitiuse inexplicavelmente a este respeito. Nesses termos, constando dos autos afirmação de que as embarcações que se prestaram para os afretamentos pertencem à impugnante (aspecto não impugnado, incontroverso, por conseguinte), que os recursos objeto da prestação dos serviços foram transferidos para a sua conta bancária e que não foram contabilizados em conta de receita, mas a crédito de conta de passivo (215020017 – INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda) e a débito de conta de ativo (111020000 – Banco Real), tendo a interessada silenciado no que tange à natureza dos lançamentos contábeis na conta 215020017, há que prevalecer o entendimento da autoridade lançadora, considerandose improcedente a impugnação do sujeito passivo, no que se relaciona aos três valores cuja contabilização foi identificada pela fiscalização. Importante frisar que foi lavrado auto de infração parcial contra o ora Recorrente, formalizado nos autos do processo 10380.726309/201030, relativo ao ano calendário de 2005, em que foi constatada a locação dos barcos citados, com o recebimento de 37 (trinta e sete) pagamentos efetuados pela Hidroclean ao Recorrente, não contabilizados em conta de receita, situação que se repetiu no anocalendário de 2006 em relação aos quatro pagamentos agora discutidos, sendo três registrados em conta do passivo no código 215010014, e um não foi localizado nos registros contábeis. Nesse caso, decidiu a 4ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária, da 1° Seção de Julgamento ser procedente o lançamento de ofício em relação à omissão de receitas, nos termos do Acórdão n° 1401000.869, a seguir parcialmente reproduzido: Conforme relatado, as autoridades fiscais constataram omissão de receitas, caracterizada pela contabilização incorreta de valores recebidos da pessoa jurídica HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA, em razão do afretamento de barcos de propriedade da autuada. Confome demonstram os elementos constantes dos autos, os aludidos valores foram contabilizados na conta FORNECEDORES código 2150100009 HIDROCLEAN, componente do PASSIVO CIRCULANTE. No entanto, no entender dos autuantes, o procedimento correto seria contabilizar tais valores em conta de RECEITA. (...) Conforme bem apontado pelo acórdão recorrido, fls. 293, a receita decorrente do aluguel de embarcações “não poderá ser registrada ao talante do sujeito passivo, mas em obediência aos preceitos legais estabelecidos pela legislação contábil e fiscal.” Sobre o tema, acrescentou o acórdão recorrido (fls. 293): Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.339 18 Segundo estabelecido pelo art. 177 da Lei 6.404, de 1976, a chamada Lei da Sociedades Anônimas (SA), “A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência.” (grifos nossos). Um dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, a serem obrigatoriamente observados, é o Princípio da Competência que tem por finalidade o reconhecimento contábil das receitas, dos custos e das despesas no período a que competirem, independentemente do seu recebimento (receitas) ou do seu pagamento (custos e despesas). Também não é correta a alegação da recorrente, no sentido de que os valores considerados omitidos teriam sido posteriormente contabilizados em conta de receita. (...) Além disso, é importante considerar que o aludido valor de R$ 2.195.407,73 (significativamente inferior ao montante das receitas omitidas), apesar de ter sido posteriormente transferido para uma conta de receita, não foi oferecido à tributação, conforme bem demonstrou o acórdão de piso, fls. 295: (...) A recorrente alegou que inicialmente pretendia vender as quatro embarcações para a empresa HIDROCLEAN e que somente em 2007 houve “desistência” do negócio, sendo então firmado os contratos de arrendamento, com a transferência dos valores correspondentes para as contas definitivas. Tal alegação não se sustenta, com base nos elementos constantes dos autos. Afinal, a HIDROCLEAN SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA, pessoa juridica que transacionou com a contribuinte, foi suficiente clara ao afirmar que desde 2005 afretou quatro embarcações de propriedade da autuada e que as transferências efetuadas ao longo do anocalendário de 2005 referiamse, exatamente, ao pagamento do aluguéis devidos à contribuinte. Os elementos constantes dos autos corroboram estas informações. (...) Resulta, pois, inteiramente afastada a possibilidade de mera postergação do pagamento do imposto, conforme indevidamente alegado pela recorrente. Considero sobejamente demonstrada a omissão de receitas, decorrente da não tributação dos valores referentes às receitas de afretamento de navios, correspondentes às 37 (trinta e sete) transferências bancárias creditadas em contacorrente da autuada no ano calendário 2005. Julgo, portanto, procedente o lançamento fiscal no que tange à omissão de receitas de afretamento de barcos (infração 0001 do AIIM de IRPJ). Em relação à infração 0002, relativa à omissão de receitas de pagamentos efetuados a título de comissão no valor de R$ 19.409,00, o agente fiscal verificou (fl. 07) que se trata de pagamentos, não contabilizados, efetuados ao Sr. Cesar Almir Teixeira Carvalho, profissional autônomo. Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.340 19 O Recorrente afirma que esses valores não foram contabilizados como despesas, pois não se relacionavam diretamente com a empresa, porém, como já tinham sido pagos, foi esse valor debitado ao Sr. César Almir Teixeira Carvalho, sendo classificados como despesas pessoais deste. Procede o quanto alegado pelo fisco. Conforme se observa no documento à fl. 233, assinado pelo próprio Recorrente, esses valores foram pagos ao Sr. César Almir Teixeira Carvalho a título de comissão pela prestação de serviços. Logo, são pagamentos diretamente relacionados à empresa e que deveriam ter sido contabilizados, como bem assentou o acórdão recorrido. Portanto, julgo também procedente o lançamento fiscal no que tange à omissão de receitas por presunção legal por falta de escrituração de pagamentos efetuados, nos termos do inciso II do art. 281, do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99 (infração 0002 do AIIM de IRPJ). 2. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. O auto de infração aponta que o Recorrente deduziu despesas desnecessárias referentes a gastos particulares do Sr. César Almir Teixeira Carvalho, nos montantes de R$ 84.321,54 (infração 0003) e de R$ 154.158,17 (infração 0004), no anocalendário 2006. Conforme consta do item 2 do Termo de Intimação Fiscal nº 0004 (fl. 231), a autoridade fiscalizadora registrou que “Também no anocalendário 2006 foram pagos os cartões de crédito em nome do Sr. César Almir T. Carvalho, que somaram R$ 369.888,22. Outrossim foi informado que o valor citado foi contabilizado, entretanto, os documentos apresentados foram vários espelhos de lançamentos a débito de ‘Caixa’ e a crédito de ‘Bancos’ que totaliza o valor, assim, se faz mister que sejam indicados os valores, as datas e as contas de despesas movimentadas”. O contribuinte respondeu à intimação (fls. 187/197), apresentando demonstrativo que individualiza as referidas despesas. A autoridade autuante não incluiu no lançamento de ofício o valor de R$ 131.408,51 (fls. 187/197) por considerar serem despesas necessárias e, em um primeiro momento, o valor de R$ 154.156,17 (fls. 198/229), sendo efetuado o lançamento pela diferença entre o valor total e referidas parcelas, totalizando o saldo de R$ 84.321,54, exigido na infração 0003. Por seu turno, na infração 0004, efetuou a glosa das despesas com passagens e hospedagens por considerálas como “indevidas e sem as respectivas comprovações legais, no montante de R$ 154.158,17”. Em seu Recurso Voluntário, alega o Recorrente que: (i) em relação à infração 003, não haveria como “rebater essas despesas glosadas, uma a uma, uma vez que não foram as mesmas relacionadas individualmente pela ação fiscal e sim, por mera diferença”; e (ii) em relação à infração 004, as despesas se referem a deslocamento oficial e em serviço de seus funcionários e dirigentes, o que se comprova pelas cópias das faturas dos cartões de crédito. Primeiramente, impende destacar que o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 determina serem operacionais as despesas incorridas, não Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.341 20 computadas nos custos, necessárias ao desenvolvimento da atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora, devendo representar dispêndio usual ou normal à atividade da pessoa jurídica. Confirase: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. As condições de dedutibilidade definidas pelo artigo acima transcrito foram esclarecidas pela Coordenação do Sistema de Tributação –CST no Parecer Normativo CST nº 32, de 17.08.1981, que traz as seguintes definições: (i) necessidade: “(...) o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos.”; e (ii) usualidade ou normalidade: “(...) despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio.” Assim sendo, para que seja considerada necessária, a despesa deve ser inerente, relacionada ou decorrente da atividade que a pessoa jurídica desenvolve1. Por sua vez, a usualidade/normalidade pressupõe que a despesa seja costumeira ou ordinária ao tipo de transações, operações ou atividades desenvolvidas. Além de atender a estas condições, temse que a despesa deve ser incorrida, o que pressupõe sejam atendidos os requisitos de existência, certeza e liquidez. Em outros dizeres, a despesa incorrida apresenta tais requisitos na medida em que é exigível, determinada ou determinável e configurase como a decorrência de uma prestação.2 Diante desse cenário, concordo com a posição adotada pela DRJ, considerando que não há nos autos elementos suficientes para caracterizar a necessidade das referidas despesas. Adoto, pois, o seguinte posicionamento da decisão de 1° instância: Realmente, tratandose de empresa dedicada à fabricação de embarcações, natural que possua considerável desembolso com o deslocamento de seu quadro técnico e diretivo, com vistas a tratar dos mais variados interesses da pessoa jurídica perante seus clientes e fornecedores localizados em vários Estados brasileiros e até mesmo do exterior, como muito bem ressaltado pela defesa, tratandose, a princípio, 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de Renda. Ed. Revista dos Tribunais. São Paulo. 1977 2 FILHO, Edmar de Oliveira Andrade. Imposto de Renda das Empresas. Ed. Atlas. São Paulo. 2004 Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.342 21 de despesas operacionais necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Não se encontra explicação, entretanto, para o fato dessas despesas, em elevada monta, destaquese, haverem sido pagas com a utilização de cartões de crédito de um terceiro, estranho à autuada, o Sr. César Almir Teixeira Carvalho, “um profissional autônomo que executa serviços de intermediário na armação, manutenção e supervisão de pequenos e urgentes reparos em embarcações”, conforme resposta fornecida pelo referido senhor à AFRFB Nídia Rodrigues Romero e registrado a termo em documento existente à fl. 232. Já foi ressaltada no presente julgado a existência de outra empresa, aparentemente do mesmo grupo empresarial, a INACE Serviço de Apoio Marítimo Ltda, CNPJ 07.928.868/000103, a qual, pela própria razão social se destinaria à prestação de serviços de apoio marítimo, dentre eles aqueles atribuídos à pessoa natural do Sr. César Almir Teixeira de Carvalho, o que sinaliza para uma aparente contradição que não foi explicada pela impugnante. O Sr. César Almir Teixeira de Carvalho corresponde a um mero prestador de serviços, sem relação de vínculo formal de trabalho com a INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A, não se mostrando usual que a autuada tenha efetuado pagamentos de cartões de crédito do referido senhor no valor de R$ 154.158,17 somente a título de passagens para seus funcionários e diretores. Por que a empresa não adquiriu as passagens de forma direta, sem o uso de intermediário, como seria de se esperar? Tal aspecto não mereceu qualquer conjectura por parte da defesa. Analisandose a extensa documentação apresentada pela impugnante, fls. 663/1.298, é de se inferir que, ainda que tal documentário se mostrasse suficiente para a demonstração de que todos os valores pagos corresponderiam aos pagamentos das passagens aéreas dos funcionários e da diretoria, mesmo assim restaria sem a necessária comprovação o fato de as viagens estarem relacionadas às atividades da pessoa jurídica, o que torna dita documentação insubsistente para o fim pretendido pela impugnante. Notese que, no que tange à infração 003, o contribuinte não trouxe em suas defesas quaisquer alegações ou provas que demonstrem a natureza das citadas despesas. Nesse caso, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à necessidade das despesas deduzidas para fins de apuração do lucro real. Em relação à infração 0004, não basta alegar que as faturas do cartão de crédito continham despesas relativas a viagens para manutenção de embarcações, devendo ser devidamente comprovada a necessidade, normalidade e usualidade destas despesas para a consecução do objeto social da empresa, o que não foi feito. Portanto, entendo que não foi demonstrada a necessidade dos dispêndios e, em especial, da sua vinculação à atividade da empresa, razão pela qual deve ser mantida a autuação nestes pontos (infrações 0003 e 0004 do AIIM de IRPJ). 3. CONTRATOS A LONGO PRAZO – APURAÇÃO INCORRETA DE RESULTADOS (INFRAÇÃO 0005) A autoridade fiscal verificou (fls. 9/10) que, no anocalendário de 2007, o contribuinte deixou de apropriar, quando da construção das embarcações Casco 570 e Casco Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.343 22 579, os resultados decorrentes da execução de contratos com prazo de execução superior a um ano, nos valores respectivos de R$ 2.211.161,00 e de R$ 250.133,00. Conforme dispõe o art. 407 do RIR/99, nos contratos de construção, com prazo de execução superior a um ano, os custos devem ser incorridos durante o período de apuração e o preço deve ser computado ao longo da execução, mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. Confirase: Art. 407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10): I – o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II – parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. § 1º A percentagem do contrato ou da produção executada durante o período de apuração poderá ser determinada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 1º): I com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou II com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. § 2º Na apuração dos resultados de contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 409, que será procedido apenas no LALUR. Conforme bem assentado pela DRJ, a pessoa jurídica sujeita ao lucro real é obrigada a manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, consoante estabelecido no art. 251 do RIR/99, devendo escriturar suas receitas, seus custos e suas despesas com integral obediência ao regime de competência dos exercícios, independentemente do momento em que os recursos financeiros são recebidos ou pagos. O contribuinte alega, em sede recursal que: (i) o contrato firmado é diferenciado em função da especificidade dos produtos, de modo que todos os valores recebidos pelo Recorrente deveriam ser destinados à aquisição de equipamentos, materiais, e outros bens previstos em contrato, razão pela qual estes valores devem ser contabilizados como estoque; (ii) assim sendo, a fiscalização teria inventado um critério para calcular um custo de Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.344 23 produção parcial por apropriação; (iii) o contribuinte cumpriu com os requisitos previstos no art. 409 do RIR/99 para efeito de diferimento da tributação dos resultados. O fato de os contratos firmados com seu cliente preverem que os valores percebidos pelo contribuinte teriam que ser obrigatoriamente vertidos às aquisições dos insumos empregados na fabricação dos navios não é suficiente para afastar a obediência à legislação tributária, em especial ao regime de competência e ao art. 407 do RIR/99. Também concordo com a decisão da DRJ quando diz que o “modus operandi do agente do fisco não correspondeu a nenhum critério inventado a seu belprazer, como quer fazer crer a impugnante. Ao contrário, mostrouse em perfeita sincronância com a Instrução Normativa SRF nº 21, de 1979, tendo encontrado ao final o resultado que deveria haver sido computado no lucro líquido da litigante mas não o foi, o que implicou no lançamento ora analisado, efetivado com total obediência aos preceitos legais estabelecidos para a matéria”. Em relação à possibilidade de diferimento da tributação por ser o contrato firmado com entidade governamental, também adoto o quanto decidido pela DRJ, haja vista que esse sistema de apropriação de resultados se trata de uma faculdade conferida ao sujeito passivo, o qual deve, portanto, demonstrar que seguiu a risca os procedimentos previstos no art. 409 do RIR/99 e no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1979. Deve demonstrar, também, que procedeu à exclusão do lucro líquido do período de apuração da parcela do lucro do fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço: É verdade que em se tratando de contrato com a Marinha Brasileira, a pessoa jurídica poderia diferir a tributação dos lucros não realizados, por se tratar de operação com entidade governamental. Todavia, para que o diferimento tivesse eficácia, o contribuinte haveria que ter demonstrado na impugnação a observância ao determinado pelo art. 409 do RIR/99 e no item 10 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1979, o que não corresponde ao caso em apreciação, em que referido aspecto sequer foi abordado pela defesa, tratandose de matéria estranha à lide. Mantenho, portanto, a procedência da autuação no que tange à apuração incorreta de resultado de contratos superiores a um ano (infração 0005 do AIIM de IRPJ). 4. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO – POSTERGAÇÃO DE RECEITAS E REDUÇÃO INDEVIDA DE LUCRO (INFRAÇÕES 0006 E 0007) O agente fiscal apurou que, no anocalendário de 2007 o contribuinte teria deixado de apropriar o resultado de contratos com prazo de execução superior a um ano, formalizados com vistas à construção das embarcações denominadas Casco 561 e Casco 569 (Doc 16), nos valores de R$ 8.375.035,00 e de R$ 42.551,00 respectivamente. Desse fato, resultaram duas infrações, a saber: (i) considerandose que em 2009 o contribuinte reconheceu essas receitas e que nesse ano foi apurado lucro real no valor de R$ 357.278,00, este valor foi considerado como postergação de receita; e (ii) verificouse que o resultado do período, no anocalendário de 2007, deveria ter sido de R$ 8.417.586,00, sendo, por conseguinte, considerado como redução indevida de lucro a diferença de R$ 8.060.308,00. Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.345 24 Importante frisar que o fator que diferencia estas infrações da infração 0005 (apuração incorreta de resultados) é que, no primeiro caso, as embarcações ainda se encontravam em produção no anocalendário 2009, enquanto que, neste caso, as embarcações foram entregues aos encomendantes durante o anocalendário de 2009, razão pela qual foi considerado como “inobservância do regime de escrituração”, sendo a infração dividida em “postergação de receitas” (infração 0006) e em “redução indevida do lucro real causada por postergação de receitas” (infração 0007). Nesse ponto, também adoto o quanto decidido pela DRJ por seus fundamentos: Tratase de entidade a quem é atribuído o estudo, a pesquisa, a discussão, a elaboração e a deliberação sobre o conteúdo e a redação de pronunciamentos técnicos sobre os mais diversos temas contábeis, tudo isso com vistas à convergência da contabilidade nacional aos padrões internacionais, termos em que a mera referência ao atendimento à norma não se presta para amparar a pretensão da litigante, no sentido de elidir a tributação, o mesmo podendo se afirmar, quanto a referência da defesa à Lei nº 11.638, de 2007, que instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT). Quanto aos cálculos da autoridade lançadora, foi devidamente demonstrado que foram processados em conformidade com os preceitos estatuídos pelo art. 407 do RIR/99 e pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 1979, ressaltandose, ainda, o fato de a impugnação não os haver contestado pontualmente. Ante tudo o que foi exposto, restando devidamente evidenciada a inexatidão no que se refere à escrituração das receitas e dos custos que lhe são correlatos, no anocalendário 2007, implicando no reconhecimento do lucro somente em 2009, procedimento adotado pela impugnante ao arrepio das normas disciplinadoras da tributação dos contratos de longo prazo, a resultar na postergação do imposto para período de apuração posterior ao que seria devido (inc. I do art. 273 do RIR/99 – infração 0006) e na redução indevida do lucro real do lucro real do anocalendário do lançamento (inc. II do art. 273 do RIR/99 – infração 0007), correta se mostrou a autuação, cumprindo que sejam rechaçados os argumentos da defesa. Foi afirmado pela interessada que não necessitaria postergar receitas pois vem “desde longas datas, experimentando prejuízos, dispondo de elevados valores de ‘Prejuízos a Compensar’ e expressivos valores de ‘Créditos a Compensar’ de PIS, COFINS e CSLL, não tendo portanto, nenhum interesse de omitir e/ou postergar receitas”, que “a empresa autuada necessita é de RECEITAS imediatas, e não como pretendeu imputar a fiscalização, em POSTERGAR RECEITAS” Quanto aos alegados créditos a compensar de PIS, COFINS e CSLL, tratase de medida de iniciativa do contribuinte, observados os ditames legais determinados pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Ao fisco cabe tão somente perquirir a regularidade do procedimento levado a termo pelo detentor do crédito, dispondo, para tanto, do prazo de cinco anos, contado da data da transmissão do PER/DCOMP, sob pena da configuração da homologação tácita. Em relação aos mencionados prejuízos fiscais, consulta ao Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa (Sapli) resultou na constatação da existência, em 31/12/2005, de prejuízo fiscal de R$ 12.625.137,58 e de base de cálculo negativa de CSLL de R$ 11.364.464,60, Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.346 25 valores passíveis de compensação, observada a trava dos 30% (trinta por cento) determinada pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995. Contudo, ao se observar as DIPJ da pessoa jurídica dos anoscalendário 2006 e 2007, verificase que a declarante não fez uso da prerrogativa colocada à sua disposição, ou seja, não efetuou a compensação quer do saldo negativo, quer da base de cálculo negativa. Tratandose de um direito volitivo não exercido oportunamente pelo sujeito passivo, cumpre a este órgão julgador chancelar a sua opção pela não compensação dos referidos Julgo, pois, procedente o lançamento no que tange às infrações por inobservância do regime de escrituração (infrações 0006 e 0007 do AIIM de IRPJ). 5. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA. Conforme dispõe o auto de infração às fls. 64/67, o agente fiscal considerou como pagamentos injustificados, sem causa e com beneficiário não identificado, as importâncias pagas através da conta Caixa registradas “como se fora para a empresa Hidroclean Serviços Marítimos S/A, CNPJ 04.194.145/000121, no anocalendário 2006, de R$ 763.050,00, e, no anocalendário 2007, de R$ 235.400,00”. Em resposta à intimação (fls. 180/184), a empresa informou que “referidos valores, efetivados por caixa, na conta corrente da empresa HIDROCLEAN, não foram repassados diretamente aquela empresa. Esses recursos foram utilizados no pagamento de despesas de manutenção dos barcos de propriedade do grupo INACE arrendados à empresa Hidroclean”. Igualmente, a empresa HIDROCLEAN atendeu à intimação informando que “nos anos citados não houve faturamento para a Indústria Naval do Ceará” (fls. 179). Logo, não há documentos comprobatórios que registrem o recebimento destes valores. Em seu recurso, sustenta o contribuinte que esta autuação é mera decorrência da omissão de receita de venda de serviços. Tendo sido demonstrada a improcedência desse lançamento, pelo princípio de causa e efeito, a exigência do IRRF tornase também incabível e improcedente. Essa alegação não merece prosperar, conforme bem salientado pela DRJ: Como pode ser facilmente observável, diferentemente do consignado pela defesa, os valores considerados no lançamento do IRRF não correspondem aos mesmos que foram apropriados na infração 0001 (um), onde o que foi tributado foi uma omissão de receita decorrente da locação de embarcação pertencente à autuada para a HIDROCLEAN, sendo que 03 (três) dos valores indicados na autuação se encontravam contabilizados a débito de Banco e CE FORTALEZA DRJ a crédito da HIDROCLEAN, valores em relação aos quais o lançamento foi mantido. Como já observado, quanto àquele cuja contabilização não foi localizada pelo AFRFB, a autuação foi considerada improcedente. No IRRF, contudo, não se trata de omissão de receita mas de pagamentos que foram registrados na contabilidade do sujeito passivo a crédito de Caixa (conta do ativo), o que demonstra a saída dos recursos, e a débito da conta HIDROCLEAN (conta do passivo), o que denota a liquidação de uma obrigação por parte da autuada que, intimada a justificar e a documentar a natureza da operação anuiu que tais Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.347 26 valores “não foram repassados diretamente para aquela empresa” mas que teriam sido empregados “no pagamento de despesas de manutenção dos barcos de propriedade do grupo INACE arrendados à empresa Hidroclean”. Nos termos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, sujeitamse à incidência, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado. Na seqüência, prevê o § 1º que a referida retenção também se aplica aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Da análise do § 1°, depreendese que não somente os pagamentos efetuados, mas também os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular devem sofrer a incidência do IRRF à alíquota de 35% quando não houver comprovação da operação ou de sua causa. Notese que os referidos pagamentos não tiveram seus beneficiários identificados e nem sua causa comprovada. Pois bem. Não tendo o contribuinte trazido aos autos a documentação necessária para comprovar a efetividade dos pagamentos à empresa Hidroclean e sua natureza, há de se manter a autuação neste ponto. 6. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A Fiscalização procedeu à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução com base nas receitas omitidas, o que resultou na constatação de falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre estimativas mensais. Por essa razão, foram exigidas multas isoladas de 75% sobre as diferenças recolhidas a menor nos meses de agosto de 2006, dezembro de 2006 e dezembro de 2007. Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.348 27 Estas exigências foram julgadas parcialmente procedentes pela DRJ, diminuindose do cálculo das multas isoladas a parte do lançamento julgada improcedente em relação à omissão de receitas. Pois bem. No caso dos autos, no que tange às multas isoladas referentes ao anocalendário de 2006, a norma aplicável é art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96: É pacífico neste Colegiado que a multa de ofício decorrente de falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual deve prevalecer em detrimento da multa isolada. É esse o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. No que se refere à multa aplicada para o anocalendário de 2007, entendo que o mesmo entendimento deve prevalecer, inobstante a citada legislação tenha sofrido alterações. É verdade que, recentemente, este Colegiado vem se manifestado, de forma nãounânime, em diversas oportunidades sobre a inaplicabilidade da súmula acima transcrita para as hipóteses em que foi cominada a aplicação conjunta da multa de ofício e da multa isolada a partir de 2007, quando houve a alteração do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Discordo, entretanto, deste entendimento. A meu ver, o racional utilizado na construção da Súmula n° 105 permanece aplicável às multas aplicadas a partir de 2007. Vejamos, nesse sentido, a ementa do Acórdão n° 9101001.307 proferido 1° Turma e utilizado como base para a edição da Súmula n° 105: (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação Ora, ainda que a lei tenha sido alterada, pareceme claro que a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal permanece sendo mera etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Logo, pelo critério da consunção, a falta de pagamento das estimativas deve ser considerada meio de execução do não recolhimento dos tributos devidos ao final do exercício. Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.349 28 Não pode o contribuinte ser penalizado duas vezes em função da mesma infração. Se as estimativas não foram recolhidas pelo aproveitamento indevido, encerrado o anocalendário, deve prevalecer somente a cobrança do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual e, consequentemente, da multa de ofício aplicada sobre esta infração. O fato de a Medida Provisória n° 351/07 ter alterado a base de cálculo da multa isolada para “o valor do pagamento mensal” não altera o fato de que o não recolhimento das estimativas é mero meio para a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos no exercício. Assim sendo, julgo improcedente a cominação da multa isolada aplicada sobre as estimativas de IRPJ e de CSLL não pagas, devendo permanecer, somente, a aplicação da multa de ofício sobre o imposto apurado ao final do anocalendário e não pago. Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento a fim de afastar a cominação das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL. Aplicase o quanto decidido em relação ao IRPJ aos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. É como voto. (Assinado Digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.350 29 Voto Vencedor Conselheira Milene de Araújo Macedo. Em que pese os argumentos do ilustre relator, divirjo do seu voto quanto ao afastamento das multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo apuradas com base nos balancetes mensais de suspensão do mês de dezembro de 2007. O relator entende que o racional utilizado na construção da Súmula n° 105 permanece aplicável às multas aplicadas a partir de 2007, inobstante as alterações efetuadas ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/07. Em virtude da alteração legislativa ocorrida no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488/2007, entendo estarmos diante de um novo cenário na aplicação dessas multas. Após a alteração, a base de cálculo da multa deixou de ser a totalidade ou diferença de tributo, e passou a ser o valor do pagamento mensal a título de estimativa, além de ter havido redução de seu percentual de 75% para 50%. Vejam as alterações: Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação anterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (... ) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (... ) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação posterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.351 30 a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Tratamse, portanto, de penalidades distintas e com previsões legais específicas. A multa de 75% incide sobre o montante do IRPJ e CSLL devidos no final do período de apuração, trimestral ou anual, e tem por base legal o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, a multa isolada de 50% incide sobre a falta de recolhimento mensal das estimativas, nos casos em que o contribuinte opta pela apuração anual do IRPJ e CSLL, e tem como base legal o art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/96. Assim, possível a aplicação concomitante das duas penalidades por incidirem sobre bases de cálculo distintas. Esse tem sido o entendimento jurisprudencial deste Colegiado: MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas. (Acórdão 1402002.259, Sessão de 09/08/2016) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do ano calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. (Acórdão 9101002.345, Sessão de 14/06/2016) Diante do exposto, voto por julgar procedente a aplicação das multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo apuradas com base nos balancetes mensais de suspensão referentes a dezembro/2007. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 10380.730476/201166 Acórdão n.º 1301002.149 S1C3T1 Fl. 2.352 31 É como voto. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Redatora Designada Fl. 2352DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.720569/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. DIRF
Não apresentado pelo contribuinte quaisquer razões para contrapor o teor das informações prestadas pela fonte pagadora em DIRF, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos. O contribuinte não contestou expressamente o recebimento desses rendimentos, se limitando a contrapor à exigência fiscal apenas sob a alegativa de não ter recebido da fonte pagadora o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Lançamento mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. DIRF Não apresentado pelo contribuinte quaisquer razões para contrapor o teor das informações prestadas pela fonte pagadora em DIRF, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos. O contribuinte não contestou expressamente o recebimento desses rendimentos, se limitando a contrapor à exigência fiscal apenas sob a alegativa de não ter recebido da fonte pagadora o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Lançamento mantido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 05 69 /2 01 5- 31 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13433.720569/201531 Acórdão n.º 2401004.497 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/RCE), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1151.377 (fls. 18/22): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA COM BASE NA DIRF DA FONTE PAGADORA. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Com base na DIRF apresentada pela Fundação PETROS, foram identificados rendimentos recebidos pelo ora impugnante, mas não declarados ao fisco. O interessado, ora impugnante, limita se a alegar que deixou de declarar os rendimentos recebidos da PETROS porque esta entidade não enviou à sua casa o correspondente comprovante de rendimentos. Contudo, essa alegação não elide a constatação de omissão de rendimentos, ora confirmada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo teve sua origem na Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls. 12/15), lavrada em face da revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário 2013, exigindo do Contribuinte o Crédito Tributário de R$ 13.926,60, abrangendo: 1. Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (Cód. 2904) de R$ 7.488,63; 2. Multa de Ofício de R$ 5.616,47; 3. Juros de Mora de R$ 821,50. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 13), da análise das informações e documentos, constatouse que houve: 1. Omissão de rendimentos referentes à benefício de Aposentadoria, Reforma, Reserva ou Pensão pagos pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social PETROS, CNPJ nº 34.053.942/000150, no valor de R$ 36.871,28 e IRRF no valor de R$ 2.139,02; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 4 2. Omissão de Rendimento do trabalho assalariado, pagos pela mesma fonte, no valor de R$ 3.687,21 e IRRF no valor de R$ 213,92. Na apuração do tributo devido foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.352,94. Em 13/05/2015, após tomar ciência do lançamento, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação (fl. 03) alegando que a fonte pagadora não havia enviado para sua residência o Comprovante de Rendimento Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Requer ainda prioridade na análise com base no Art. 69A, inciso I da Lei nº 9.784/1999. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 5ª Turma da DRJ/RCE julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sendo este notificado do Acórdão de nº 1151.377 em 18/11/2015 (fl. 26/27). Em 11/12/2015 apresentou Recurso Voluntário (fls. 31/43), onde diz não concordar com “os Valores de Acréscimos denominados de Omissão de Rendimento do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício” e reitera não ter recebido da fonte pagadora o Comprovante de Rendimento Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte “dentro do Prazo Legal”. Por fim, solicita que seja analisado o seu processo. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 13433.720569/201531 Acórdão n.º 2401004.497 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, foram identificados rendimentos recebidos pelo contribuinte, mas não declarados ao fisco, com base na DIRF apresentada pela Fundação PETROS (CNPJ nº 34.053.942/000150). Os documentos que serviram de suporte para o lançamento tributário foram a Declaração de Ajuste Anual do AnoCalendário 2013, apresentada pelo contribuinte, na qual declarou como rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica tão somente os valores de 7.374,42 (CNPJ nº 29.979.036/000140) e 114.834,75 (CNPJ nº 33.000.167/000101), e as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora onde se constata a omissão de rendimentos no montante de R$ 40.558,49. De acordo com o estabelecido no § 1º, do Artigo 3º da Lei nº 7.713/1988, para o fim de incidência do Imposto de Renda das pessoas físicas, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, não contestou expressamente o recebimento desses rendimentos, se limitando a contrapor à exigência fiscal apenas sob a alegativa de não ter recebido da fonte pagadora o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Ademais, o Recorrente, tanto por ocasião da apresentação da impugnação, quanto na interposição do seu recurso voluntário, não trouxe aos autos nenhum documento ou mesmo informações concretas para afastar as conclusões da autoridade lançadora. O documento apresentado à fl. 38 (DIRF AnoCalendário 2013), apenas corrobora com a omissão de rendimentos em sua DAA. Assim, do exame dos elementos que instruem o Processo Administrativo e não havendo nenhum indício de erro ou inconsistência nas informações constantes dos autos (fls. 14, 20, 21 e 38), não restam dúvidas de que o lançamento não merece reparos. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 6 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo a exigência contida no lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10865.904929/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.346
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 29 /2 01 2- 35 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904929/201235 Acórdão n.º 3201002.346 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.257. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904929/201235 Acórdão n.º 3201002.346 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904929/201235 Acórdão n.º 3201002.346 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904929/201235 Acórdão n.º 3201002.346 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904929/201235 Acórdão n.º 3201002.346 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904929/201235 Acórdão n.º 3201002.346 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904929/201235 Acórdão n.º 3201002.346 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000605/2005-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.068
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à PGFN - Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, para que esta, sendo legitimada para tal, e em face da Nota PGFN / CRJ 1.549, de 2012, se manifeste acerca da adoção dos procedimentos previstos no art. 74, do Anexo II, do RICARF, no sentido do cancelamento do Enunciado de Súmula Vinculante nº 39, em face da superveniência do REsp 1.306.393-DF.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório e Voto Tratase de Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, visando rediscutir a omissão de rendimentos do trabalho, recebidos de Organismo Internacional. Incluído na pauta de julgamento de 06/08/2013, da 2ª Turma da CSRF, após o relatório e as discussões de praxe, o recurso foi retirado de pauta, por determinação do Sr. Presidente, conforme Despacho de Retirada de Pauta de fls. 370 a 369. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 60 5/ 20 05 -4 1 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 14041.000605/200541 Resolução nº 9202000.068 CSRFT2 Fl. 379 2 A motivação da retirada de pauta foi o conflito entre a aplicação da Súmula CARF nº 39 com força vinculante para toda a Administração Tributária Federal e de observância obrigatória pelos membros do CARF e a reprodução do entendimento do STJ firmado no Recurso Especial nº 1.306.393DF, julgado no rito do art. 543C do CPC, por força do comando estabelecido pelo Art. 62A do Anexo II, do Regimento Interno acima citado. Em resumo, as principais questões discutidas e que motivaram a retirada de pauta foram as seguintes: a) os documentos acostados aos autos, mais especificamente o Contrato de Serviço e Aditivos de fls. 19 a 28, demonstravam que o Contribuinte, residente e domiciliado no Brasil, prestara serviços ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, como Consultor Independente, no anocalendário objeto da autuação; b) o Contribuinte não era membro do quadro do PNUD, nem se encontrava acobertado por qualquer direito, senão aqueles relacionados no contrato, e dentre eles não era mencionada a isenção de tributos; muito pelo contrário, estava expressamente registrado que o contrato não gerava direito a isenção; c) a situação do Contribuinte junto ao PNUD, retratada no Contrato de Serviço juntado aos autos, correspondia à que é tratada na Súmula CARF n° 39, com efeito vinculante em relação à administração tributária federal; e d) no REsp nº 1.306.393DF, julgado de acordo com o art. 543C do CPC, o STJ teria estendido a isenção em discussão a outras categorias, que não os funcionários dos Organismos Internacionais com vínculo estatutário. A Súmula CARF nº 39 continua em vigor e com efeito vinculante para toda a Administração Tributária Federal e o REsp nº 1.306.393DF não foi reformado ou anulado. Por outro lado, o Regimento Interno do CARF ora em vigor não é mais aquele que norteou as discussões em 06/08/2013, quando o processo foi retirado de pauta. Confirase a redação do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 14041.000605/200541 Resolução nº 9202000.068 CSRFT2 Fl. 380 3 (...) Art. 74. O enunciado de súmula poderá ser revisto ou cancelado por proposta do Presidente do CARF, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica habilitada à indicação de conselheiros. 1º A proposta de que trata o caput será encaminhada por meio do Presidente do CARF. § 2º A revisão ou o cancelamento do enunciado observará, no que couber, o procedimento adotado para sua edição. (...) § 4º Se houver superveniência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, que contrarie súmula do CARF, esta súmula será revogada por ato do presidente do CARF, sem a necessidade de observância do rito de que tratam os §§ 1º a 3º. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 5º O procedimento de revogação de que trata o § 4º não se aplica às súmulas aprovadas pelo Ministro de Estado da Fazenda. Art. 75. Por proposta do Presidente do CARF, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica ou profissional habilitada à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poder á atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. (grifei) Afora alterações meramente topográficas, a única modificação normativa relativa à matéria ora em exame foi a criação de uma nova norma jurídica, decorrente do disposto no §4º, c/c §5º, do art. 74, do Anexo II. Tais dispositivos tratam especificamente da superveniência de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do CPC, que contrarie Súmula do CARF, estabelecendo que a respectiva súmula será revogada por ato do Presidente do CARF, sem a necessidade de observância do rito ordinário de revogação de súmula. Ocorre que essa normativa tem uma ressalva de especial importância para o presente processo, especificamente em relação à não aplicação do novel e simplificado procedimento de revogação de súmulas àquelas que foram aprovadas pelo Ministro de Estado da Fazenda, categoria a que se amolda a Súmula CARF nº 39, cujo efeito vinculante para toda a Administração Tributária Federal foi atribuído pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, publicada no Diário Oficial da União de 14/07/2010. Ademais, cabe consignar que o caso ora em exame não se amolda às excepcionais hipóteses de sobrestamento, previstas no atual RICARF (§§ 5º e 6º, do art. 6º, do Anexo II). Fl. 380DF CARF MF Processo nº 14041.000605/200541 Resolução nº 9202000.068 CSRFT2 Fl. 381 4 Importante registrar que, quando o Recurso Especial do Contribuinte foi incluído na pauta de 06/08/2013, em meio às discussões, tanto o Sr. Presidente da CSRF, como o Sr. Procurador da Fazenda Nacional, presente à sessão, prontificaramse a adotar as providências necessárias, já que legitimados para tal pelo RICARF. Nesse passo, recordese que o processo foi retirado de pauta, por despacho (fls. 366 a 370), com esta perspectiva. Por outro lado, constatase que, naquela data, a Fazenda Nacional, que é legitimada para propor cancelamento de Súmula, já havia exarado a Nota/PGFN/CRJ nº 1.549, de 03/12/2012, com o seguinte teor: "Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, com a finalidade de subsidiar a aplicação, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Parecer PGFN CDA nº 2025/2011, encaminhase a presente nota, correspondente ao Recurso Especial nº 1.306.393/DF. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, procedese à delimitação do tema decidido no Recurso Especial acima mencionado. 3. Estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça que estão isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos por técnicos a serviço da Organização das Nações Unidas contratados no Brasil para atuarem no Programa Nacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Estão abarcados por esta isenção tanto os funcionários do PNUD quanto os que a ela prestam serviço na condição de peritos de assistência técnica, categorias equiparadas em razão da aprovação, via decreto legislativo, do Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e suas agências. Por fim, a condição de perito, segundo se extrai da decisão no referido recurso especial, deriva de um contrato temporário com período préfixado ou por meio de empreitada a ser realizada (apresentação ou execução de projeto e/ou consultoria). 4. Concomitantemente, sugiro a inclusão do tema na lista do art. 1º, V da Portaria PGFN nº. 294/2010." A Nota foi aprovada pelo Sr. ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. Diante do exposto, tendo em vista a impossibilidade de manifestação por parte do Colegiado, proponho a conversão do julgamento em diligência à PGFN Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, para que esta, sendo legitimada para tal, e em face da Nota PGFN acima transcrita, se manifeste acerca da adoção dos procedimentos previstos no art. 74, do Anexo II, do RICARF, no sentido do cancelamento do Enunciado de Súmula Vinculante nº 39, tendo em vista a superveniência do REsp 1.306.393DF. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903606/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 24/10/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 24/10/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 06 /2 01 2- 01 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903606/201201 Acórdão n.º 3402003.576 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.948, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903606/201201 Acórdão n.º 3402003.576 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903606/201201 Acórdão n.º 3402003.576 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903606/201201 Acórdão n.º 3402003.576 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903606/201201 Acórdão n.º 3402003.576 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.901757/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS - NÃO ACOLHIMENTO.
Quando não há constatação de suposta omissão, os embargos de declaração devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 3302-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, foram rejeitados os embargos de declaração, vencida a Conselheira Lenisa Prado, que os acolhia e lhes dava efeitos infringentes para reconhecer o direito creditório do contribuinte. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araujo e Ricardo Paulo Rosa e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar votaram pelas conclusões.
Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira - OAB 24259 - DF
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Quando não há constatação de suposta omissão, os embargos de declaração devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, foram rejeitados os embargos de declaração, vencida a Conselheira Lenisa Prado, que os acolhia e lhes dava efeitos infringentes para reconhecer o direito creditório do contribuinte. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araujo e Ricardo Paulo Rosa e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira OAB 24259 DF (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 17 57 /2 00 9- 23 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, opostos em face do v. acórdão, fls. 135/1431. Antes de adentrar na análise dos embargos, importante realizar uma breve síntese dos fatos. Desta feita, adotase o relatório do acórdão da DRJ/Juiz de Fora, fls. 51/52: Por meio de Despacho Decisório eletrônico acostado aos autos, foi não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP n° 11607.82728.300608.1.3.049005, relativa a crédito de pagamento indevido ou a maior de Cofíns não cumulativa. A não homologação da compensação teve por fundamento o fato de o DARF discriminado no PER/DCOMP supracitado já ter sido utilizado para quitação de débitos da interessada, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A interessada apresentou manifestação de inconformidade pedindo o "DEFERIMENTO da compensação", em resumo, em razão dos seguintes argumentos: a DCTF e o Dacon originais não espelhavam a real situação do tributo e foram retificados para refletir o pagamento a maior; nos termos das IN RFB n.° 903/2008 e n.° 940/2009, a DCTF e o Dacon retificadores têm a mesma natureza dos originais, substituindoos integralmente e servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos; apesar de ter identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, uma vez que não há prazo para a retificação, não procedeu às retificações, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pela RFB. Diante do indeferimento, a Embargante apresentou recurso voluntário, que manteve a decisão da DRJ/Juiz de Fora por fundamentos similares, fls. 135/143, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. 1 Todas as páginas referenciadas no voto são correspondentes ao eprocesso. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13629.901757/200923 Acórdão n.º 3302003.327 S3C3T2 Fl. 3 3 A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. O julgamento do recurso voluntário ocorreu na sessão de 18 de setembro de 2014, e a Embargante protocolou petição com os documentos, após a apresentação do recurso voluntário, que comprovariam a suposta existência do crédito em 16 de setembro de 2014. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos de declaração Houve admissibilidade dos embargos de declaração, pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, com fundamento no art. 65, § 2º, anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Da análise dos embargos de declaração Os embargos de declaração foram opostos, tendo como objetivo a análise da petição e documentação juntados às fls.145/175, que não foram avaliados pelo voto do conselheiro relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Antes de adentrar à análise da situação fática, importante transcrever o que dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, sobre o momento da apresentação de documentos probatórios: Decreto nº 70.235/1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (Grifos não constam no original) Observase que há exceções para a apresentação de prova documental, após o período da apresentação da impugnação manifestação de inconformidade , contudo, o caso em análise não se enquadra nas referidas exceções. Ora, percebese, pelo transcorrer da lide, que a Embargante teve um indeferimento do pedido de compensação, fls. 8, e, posteriormente, retificou a DCTF e a DACON. Se a Embargante retificou as referidas declarações, deveria, no momento da apresentação da manifestação de inconformidade, ter realizado prova cabal do porquê das referidas retificações, ocorre que, assim não procedeu, mas simplesmente juntou a DCTF e a DACON retificadores na apresentação da impugnação, sem demonstrar com argumentação e conteúdo probatório o porquê da retificação. E, nesse sentido, foi o julgamento na DRJ/Juiz de Fora, fls. 52: No caso, é inconteste que, segundo as informações (DCTF e Dacon originais) prestadas pela contribuinte até a data entrega da DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF e no Dacon originais e que são corretas as informações prestadas nos documentos retificadores. Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF e o Dacon retificadores, entregues somente após a ciência do Despacho de não homologação. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Sequer uma justificativa para o alegado erro ou um indício que pudesse provocar, de ofício, a determinação de diligência. Ressalto que nessa situação encontramse este e mais catorze processos ora em julgamento na presente sessão. No acórdão deste Egrégio Tribunal Administrativo, assim, dispôs o relator, fls. 139/140: Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13629.901757/200923 Acórdão n.º 3302003.327 S3C3T2 Fl. 4 5 direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificadas, nem transmitidas no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 15/05/2009, ou seja, após a ciência do despacho decisório que ocorreu em 30/04/2009, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Portanto, temse que não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificadas constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas razões recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de Belo Horizonte: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. (...) A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. No caso, a Embargante opôs embargos de declaração, fundamentando que o conselheiro relator não analisou as provas contidas nas fls. 145/175. Não havia condições fáticas para que o conselheiro relator analisasse tais provas, ora, a Embargante apresentou o recurso voluntário em 23 de agosto de 2011, a documentação que ela alega não ter sido analisada, foi protocolada em 16 de setembro de 2014, e a sessão de julgamento ocorreu em 18 de setembro de 2014. Na documentação apresentada, a Embargante alega in verbis, fls. 146: Tendo em vista a dificuldade da empresa, por questões internas, em levantar a documentação para comprovação do crédito utilizado, outros 9 PTAs correlatos ao presente se encerraram na instância administrativa e atualmente encontramse em Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 discussão no judiciário por meio das Execuções Fiscais n. 00465290720134013800 e n. 00447606120134013800. Segundo o entendimento que adotara no meu voto, as exceções, contidas no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, para apresentação de provas, posteriormente à impugnação, no caso, manifestação de inconformidade, não se enquadrariam na hipótese, apresentada pela Embargante. Assim, em face da preclusão temporal e consumativa, não seria possível a análise das provas em questão, já que apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade, sob pena de ocasionar uma desordem processual e ferir o princípio da igualdade em relação ao demais contribuintes, que obedecem as regras procedimentais. Portanto, entendi que, embora houvesse omissão, os referidos documentos de fls. 145/175, não deveriam ser analisados pelo fundamento da preclusão, tendo em vista que não apresentou qualquer tipo de justificativa a se enquadrar nas exceções do Decreto 70.235/1972. Nesse sentido, já decidiu este Egrégio Tribunal Administrativo: PRECLUSÃO. O não questionamento pela contribuinte, quando da sua manifestação de inconformidade, de matéria, leva à consolidação administrativa desta parte, tornando precluso o recurso voluntário quanto a esta parte questionada. PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada impossibilidade por motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais; 1ª Turma; Acórdão nº 40105778; Data: 04.12.2007) 3. Conclusão Por todo o exposto, propunha o acolhimento dos embargos de declaração, reconhecendo a omissão no v. acórdão em não se manifestar a respeito dos documentos de fls. 145/175, mas que, em razão da preclusão, não deveriam ser analisados. Todavia, este não foi o entendimento do colegiado, já que os Conselheiros Domingo de Sá, Walker Araujo e Ricardo Paulo Rosa, bem como a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, votaram pelas conclusões, entendendo que, no caso em análise, não houve omissão, pois o relator não está obrigado a se manifestar sobre provas trazidas aos autos alguns dias antes do julgamento. Portanto, rejeitaram os embargos, sendo essa a decisão que deve prevalecer. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 20/09/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10166.900990/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA- RECOLHIMENTO INDEVIDO.
O contribuinte recolheu indevidamente COFINS sujeita a incidência monofásica. Comprovado documentalmente seu crédito, inclusive após a conversão do julgamento em diligência, deve este ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-003.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, de modo a reconhecer o crédito no valor de R$ 27.233,57, nos termos da informação fiscal de fls. 134/137.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida União ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA RECOLHIMENTO INDEVIDO. O contribuinte recolheu indevidamente COFINS sujeita a incidência monofásica. Comprovado documentalmente seu crédito, inclusive após a conversão do julgamento em diligência, deve este ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, de modo a reconhecer o crédito no valor de R$ 27.233,57, nos termos da informação fiscal de fls. 134/137. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos controvertidos no presente processo administrativo, me valho do relatório desenvolvido pelo então Conselheiro Sidney Eduardo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 90 /2 00 8- 12 Fl. 141DF CARF MF 2 Stahl na oportunidade em que proferida a resolução n. 3801000.274 (fls. 108/113), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo administrativo de compensação não homologada, declarada em PER/DCOMP transmitida em 16/07/2004 (fls. 06/11), referente a crédito decorrente de valor supostamente recolhido a maior a título de COFINS (cód. 2172) por meio de guia DARF (fls. 103), com débito de COFINS (Cod. 21721) do período de apuração de junho de 2004. A compensação não foi homologada conforme despacho decisório da DRF de origem (fls. 05), sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte, resultando na cobrança de imposto remanescente no montante de R$ 55.482,94. Intimada acerca do despacho decisório acima mencionado, apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, cujas razões, como bem apontado pela DRJ de origem, apenas repetem as informações constantes do PER/DCOMP transmitido, não tendo sido anexados documentos suficientes para a verificação do crédito a que faria jus. Ao analisar as razões supra transcritas, julgou a DRJ de origem pela improcedência da manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado através do acórdão recorrido de fls. 28/31, cuja ementa restou assim redigida, verbis: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS AnoCalendário 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante da manifestação de inconformidade que discorre sobre a existência de crédito tributário em discussão sem trazer qualquer prova documental que proporcione suporte à alegação, resta manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente intimado do acórdão acima ementado em 28.06.2011 (fls. 36), interpôs o contribuinte o presente recurso voluntário às fls. 37/54, através do qual sustenta, em síntese: i) serem os pagamentos indevidos a título de COFINS oriundos da ausência de sua apuração conforme a sistemática “monofásica” de recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS instituída pela Lei nº 10.147/2000 e posteriores, que estabeleceu alíquota zero para os contribuintes varejistas de produtos farmacêuticos, concentrando o recolhimento das contribuições na etapa inicial da cadeia tributária. Com o fito de comprovar os pagamentos indevidos, traz aos autos relatórios de Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10166.900990/200812 Acórdão n.º 3402003.686 S3C4T2 Fl. 152 3 vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo da COFINS, bem assim das notas fiscais de entrada e saída dos produtos, através das quais busca a comprovação de que a responsabilidade de recolhimento do tributo é das Indústrias Farmacêuticas que figuram como produtoras ou importadoras, sendo a recorrente apenas revendedora atacadista / varejista desses produtos; ii) discorre acerca da origem dos débitos compensados e da previsão legal para a sua compensação e, por fim iii) alega que a decisão recorrida não foi precisa quanto a análise dos fatos e do seu direito quanto à compensação realizada. (...). 2. Devidamente processado o recurso voluntário interposto, seu julgamento foi convertido em diligência (resolução n. 3801000.274 fls. 108/113), para que fossem tomadas as seguintes medidas pela unidade preparadora: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida identificando os produtos sujeitos ao regime monofásico e os pagamentos indevidamente realizados e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. 3. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa da informação fiscal de fls. 134/137, oportunidade em que se reconheceu a integralidade do crédito vindicado pela Recorrente. 4. Intimado para se manifestar do resultado da diligência, o contribuinte deixou que o prazo transcorresse in albis. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 7. Como fora relatado alhures, a controvérsia da presente demanda consiste em saber se a documentação apresentada pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade é ou não suficiente para atestar o direito creditório aqui vindicado. 8. Segundo consta das razões recursais, o contribuinte recolheu indevidamente COFINS, uma vez que os produtos que comercializa produtos farmacêuticos Fl. 143DF CARF MF 4 estariam sujeitos ao regime monofásico, ou seja, o recolhimento do COFINS ficaria concentrado na etapa inicial da cadeia. 9. Com o fito de provar seu direito a recorrente apresentou o comprovante de pagamento do tributo indevido (guia DARF), bem como acostou diversos documentos relacionados às suas operações, com especial destaque para os relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo do COFINS e, ainda, notas fiscais de entrada e saída dos produtos, as quais atestariam a responsabilidade de recolhimento do tributo pelas indústrias farmacêuticas no início da cadeia produtiva. 10. Não obstante, conforme já mencionado no relatório, o presente caso foi convertido em diligência, oportunidade em que a unidade preparadora intimou (fls. 115/119) e reintimou (fls. 120/124) o contribuinte para que apresentasse os seguintes documentos e informações: (...). a) relatórios de vendas de produtos beneficiados com alíquota zero para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004, conforme Tabela 1), devendo estar identificado o produto com o código de sua classificação fiscal, de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), além do número da nota fiscal de venda, da data de sua emissão, do valor da venda e do valor dos pagamentos da Cofins e do PIS; b) notas fiscais de venda correspondentes aos produtos de que trata o item “a” acima; c) lançamentos contábeis (diário ou razão) relativos às vendas dos produtos de que trata o item “a” acima; d) notas fiscais de compra dos produtos de que trata o item “a” acima. (...). (grifos constantes no original). 11. O contribuinte, por sua vez, permaneceu inerte, de modo que a unidade preparadora cumpriu a diligência com base na documentação acostada nos autos, bem como nas informações obtidas junto ao sistema eletrônico da própria Receita Federal. É o que se observa dos seguintes trechos da informação fiscal de fls. 134/137: (...). 4. Primeiramente, visando identificar o pagamento realizado pela Contribuinte, bem como a eventual disponibilidade de saldo, foram realizadas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB. O pagamento foi confirmado (fls. 125), porém, não possui saldo disponível, tendo sido totalmente utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 5. Logo, tratase, em princípio, de pagamento devido, alocado ao seu respectivo débito e, consequentemente, não passível de repetição. Assim, em resposta aos argumentos da Interessada, quanto à falta de clareza dos motivos que levaram a não homologação da compensação, verificase que foi declarado em DCTF e pago o débito que a Contribuinte reputa como indevido. Portanto, justificase as razões de não homologação da presente Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10166.900990/200812 Acórdão n.º 3402003.686 S3C4T2 Fl. 153 5 compensação, referidas no despacho decisório de fls. 6, emitido eletronicamente em 24/04/2008 e com nº de rastreamento 757714502, pois, o pagamento efetuado vinculouse ao respectivo débito com a consequente ausência de saldo para compensação. 6. Em seguida, foram examinados os documentos apresentados pela Contribuinte e existentes no processo, observandose que: 6. 1. em consulta ao sistema CNPJ (fls. 127), podese confirmar que a empresa tem por atividade econômica o “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios” (CNAE 4645101); 6. 2. os documentos apresentados com o objetivo de comprovar o crédito alegado foram: i) relatório de vendas (doc 1, fls. 58/65); ii) lançamentos das notas fiscais (NF) de saída (doc 2, fls. 66/86); iii) NF de saída (doc 3, fls. 87/96); e iv) NF de entrada (doc 4, fls. 97/105). Sua análise revela que: 6.2.1. o relatório de vendas, por si só, nada comprova, pois, além de estar limitado às transações realizadas no mês de julho/2003, traz apenas o nome técnico do produto, sem qualquer liame com sua classificação fiscal, característica necessária para identificar a possibilidade de direito ao benefício fiscal alegado, em conformidade com os arts. 55 e 59 da IN SRF nº 247/2002; 6.2.2. os lançamentos das NF de saída trazem a classificação fiscal do produto vendido, o que permite identificar se a pessoa jurídica faz jus ou não ao benefício fiscal alegado. Observese que os lançamentos apresentados fazem referência a algumas NF emitidas em agosto/2003, novembro/2003 e dezembro/2003. Neste processo, pleiteiase o crédito da Cofins de dezembro/2003. Na Tabela 3 (fls. 131/132) observase que as vendas de mercadorias redundaram em Cofins no total de R$ 50.190,80, para o mês de dezembro/2003. Logo, tendo por base apenas as informações disponíveis nos autos, o direito pleiteado relativo à Cofins de dezembro/2003 totaliza R$ 50.190,80 e não R$ 123.872,25 (vide Tabela 4 em fls. 133, para detalhes de cálculo); 6.2.3. as NF de venda não trazem a classificação fiscal dos produtos vendidos, sendo insuficientes para apreciar o pleito; 6.2.4. as NF de entrada, emitidas pelas empresas produtoras/importadoras, indicam a classificação fiscal dos produtos adquiridos pela Interessada. Entretanto, tratase de informações insuficientes para embasar quaisquer conclusões, conforme se nota na Tabela 2, abaixo. (..). 7. Tendo em vista a insuficiência das informações presentes nos autos, visando caracterizar de forma inequívoca a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado, a Interessada foi Fl. 145DF CARF MF 6 intimada (Termo de Intimação nº 111/2015, em fls. 115/117) a apresentar relatórios de vendas dos produtos beneficiados com alíquota zero, notas fiscais de venda e de compra de tais produtos, além dos lançamentos contábeis correspondentes, para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004). 8. Não tendo apresentado resposta à referida intimação, a Interessada foi reintimada por meio do Termo de Reintimação nº 139/2015 (fls. 120/122). Entretanto, até a presente data as exigências não foram atendidas, de modo que a presente análise restringese aos dados confirmados e disponíveis nos sistemas da RFB, em conformidade com o § único do art. 39 da Lei nº 9.784/1999. 9. Assim sendo, tornase passível de reconhecimento do direito creditório relativo à Cofins de dezembro/2003, objeto do presente processo, o valor de R$ 27.233,57, conforme análise precedente. É importante observar que a Tabela 4 traz informações sobre o valor do crédito compensado no presente processo, juntamente com a utilização do saldo em outro processo, quando cabível. (...). 12. Percebese, portanto, que apesar da não apresentação de documentos fiscais e informações solicitados junto ao contribuinte, mas levando em consideração as provas apresentadas em impugnação, a unidade preparadora reconheceu a integralidade do crédito pleiteado, o que também se reconhece por intermédio da presente decisão. Dispositivo 13. Diante do exposto, voto para dar integral provimento ao recurso voluntário interposto, de modo a reconhecer o crédito no valor de R$ 27.233,57, nos termos da informação fiscal de fls. 134/137. 14. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 146DF CARF MF
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