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Numero do processo: 10707.001523/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM
Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
Assinado digitalmente.
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Redator Designado
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. Assinado digitalmente. CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Redator Designado EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 15 23 /2 00 8- 35 Fl. 6118DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 03/11/2008, foi lavrado auto de infração (fls. 2.868 a 2.875), referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, em razão da omissão do contribuinte, em suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas, bem como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, decorrente da omissão de rendimentos de alugueres. O crédito tributário apurado na ação fiscal corresponde a R$ 1.345.198,00 a título de IRPF (imposto apurado acrescido de multa de 75% e juros de mora) e R$ 5.551,44 a título de multa isolada. O contribuinte, após ter sido cientificado do auto de infração, protocolizou impugnação (fls. 2.890 a 2.928), alegando, em síntese, o que segue: a) decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo aos meses de janeiro a outubro de 2003, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; bem como extinção dos créditos tributários relativos aos alugueis recebidos de pessoas físicas até o mês de outubro de 2003 e às multas isoladas, eis que, nesses casos, o IRPF incide mensalmente, à medida que os rendimentos forem percebidos, tanto que, no próprio auto de infração, os fatos geradores estão relacionados mês a mês; b) nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, eis que os créditos tributários foram calculados sobre receitas omitidas por presunção a partir de depósitos bancários realizados nas contas conjuntas nº 058437 (Banco Itaú) e nº 3702355 (Banco Real), nas quais os recursos financeiros movimentados não pertenciam ao impugnante. Essas contas têm como primeira titular a esposa do impugnante, sendo este apenas cotitular para poder movimentálas na eventual ausência de sua esposa ou em caso de emergência; c) os depósitos tiveram origem nas duplicatas endossadas ao impugnante e à sua esposa, que provinham do pagamento realizado pela empresa CAOLIM na qual ambos possuem quotas que representam 97% do capital social em face do “empréstimo” de recursos para constituir o capital de giro da referida empresa, por meio de contrato de mútuo; d) caso os créditos do impugnante sejam considerados não comprovados, há que se reconhecer que os depósitos foram efetuados sem causa, sendo inevitável considerálos como doações isentas de IRPF; Fl. 6119DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.574 3 e) a conta nº 6507335 (Unibanco) era movimentada pelo impugnante apenas para receber rendimentos mensais de aluguel de imóvel de terceiro, do qual era procurador, e que os depósitos realizados nessa conta têm origem no aluguel de imóvel pertencente à sogra do impugnante, circunstância que afasta a presunção de omissão de rendimentos invocada pela fiscalização; f) os valores depositados na conta nº 058437 (Banco Itaú) referemse tão somente a investimento realizado pela titular da conta no Fundo DIFACFI e os depósitos realizados na conta nº 3702355, mantida no Banco Real, referemse ao aluguel de imóvel de propriedade comum do casal; g) os depósitos realizados na conta nº174572 (Banco do Brasil) referemse a dividendos e juros sobre o capital próprio pagos ao impugnante, devidamente declarados nas suas declarações de ajuste anual; h) os depósitos realizados na conta nº 16824908 (Banco de Boston) não podem, igualmente, ser considerados rendimentos omitidos, eis que essa conta era utilizada pelo impugnante para receber os valores dos alugueis dos demais imóveis de sua propriedade, cujos rendimentos foram, em parte, declarados em suas declarações de ajuste anual e, em outra parte, levantados pela fiscalização; i) não é possível a aplicação de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre as mesmas bases. Após a apresentação de impugnação, o contribuinte protocolizou requerimento de desistência parcial (fls. 3.727 a 3.728) de alguns débitos (itens 1 e 3 do Auto de Infração). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 3.741 a 3.759), com as seguintes considerações: a) não há que se falar em decadência em relação ao ano calendário de 2003, eis que, como o lançamento só poderia ser efetuado em 2004, o prazo decadencial começou a fluir em 1º de janeiro de 2005, não tendo transcorrido, portanto, o prazo de 5 anos quando da ciência do auto de infração, efetuada em 07/11/2008. Nem que se aplicasse a regra do art. 150, § 4º, do CTN, não se poderia cogitar da ocorrência de decadência, uma vez que o lustro decadencial teria se iniciado em 31/12/2003 e se encerraria apenas em 31/12/2008, depois, portanto, da data da ciência do auto de infração; b) o art. 42, caput e §§ 1º a 4º, da Lei nº 9.430/1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos Fl. 6120DF CARF MF 4 creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Desse modo, não comprovada a origem dos recursos creditados na conta bancária do interessado, restou caracterizada a aquisição de renda omitida à tributação; c) no caso, restou demonstrado por meio de extratos e cheques que o contribuinte era, junto com seu cônjuge, titular das contas bancárias, sendo que o próprio impugnante assumiu sua co titularidade nessas contas bancárias, de modo que era, para todos os efeitos, titular dessas contas; d) não foram trazidos aos autos provas de que os valores depositados nas contas n° 058437 (Banco Itaú) e n° 3702355 (Banco Real) pertenciam exclusivamente ao cônjuge do Interessado. Outrossim, os elementos constantes dos autos atestam a titularidade conjunta das contas em epígrafe; e) para provar que os depósitos efetuados seriam pagamentos de empréstimos concedidos à empresa CAOLIM, o impugnante deveria demonstrar materialmente que cada depósito foi efetuado como pagamento de um valor anteriormente repassado à mencionada empresa; f) documentos juntados às fls. 3.615 a 3.648 esclarecem a origem de parte dos depósitos que foram efetuados na conta n° 650733 5 (Banco Unibanco), permitindo concluir que os valores em questão não pertenciam ao autuado. Por essa razão, deve ser excluído do montante tributável o somatório de depósitos de R$ 42.103,00, relativo ao anocalendário de 2003, e de R$ 72.866,43, relativo ao anocalendário de 2004; g) da análise da documentação apresentação, concluise que não houve um depósito de R$ 40.000,00 no dia 21/ 12/2004 na conta n° 058437 (Banco Itaú), mas sim uma aplicação desse valor no fundo Itaú DI FACFI. O crédito de R$ 40.000,00 em 21/ 12/2004 que consta no extrato de fl. 3.650 não diz respeito a um depósito, mas sim a um lançamento bancário para compensar os dois débitos de R$ 40.000,00 que também foram lançados nessa data. Desse modo, deve ser excluído do montante tributável o referido crédito, no valor de R$ 40.000,00 na conta n° 058437 (Banco Itaú) em 21/12/2004; h) quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, o interessado desistiu parcialmente de sua impugnação. Quanto à parcela que não houve desistência, o impugnante nada trouxe para rechaçar a omissão de alugueis recebidos de pessoas físicas nos anoscalendário de 2003 a 2004; i) Com relação à multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, o interessado desistiu de impugnar tal infração. A parcela de crédito tributário relativa à referida multa já foi transferida para o processo n° 15374.720.390/201047 (fls. 3.662 a 3.666), encontrandose fora do presente litígio. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou, em síntese: Fl. 6121DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.575 5 a) decadência do direito de a fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos valores omitidos pelo interessado nos meses de janeiro a outubro de 2003; b) erro na identificação do sujeito passivo quando presume omissão de rendimentos equivalentes a 50% do valor dos créditos efetuados em contas conjuntas cuja titularidade dos recursos foi integralmente reconhecida pela primeira titular das contas; c) se a própria fiscalização reconheceu que os depósitos tiveram origem nas duplicatas endossadas, não há como aplicar ao caso as regras previstas no Art. 42 da Lei n° 9.430/96; d) se a fiscalização reconhece que os créditos efetuados nas contas bancárias do recorrente provêm de duplicatas endossadas a seu favor, mas sustenta que esses endossos não teriam contrapartida em empréstimos feitos pelo próprio Recorrente e sua esposa, é inevitável, então, compreender que tais créditos em comento são doações isentas do IRPF; e) os depósitos realizados na conta n° 3702355, mantida no Banco Real, referemse ao aluguel de imóvel de Propriedade Comum do Casal; f) não podem ser considerados rendimentos omitidos os valores depositados na conta mantida no Banco de Boston, pelo simples fato de que a aludida conta bancária era utilizada pelo RECORRENTE para receber os valores dos aluguéis dos demais imóveis de sua propriedade, cujos rendimentos foram, em parte, declarados em suas Declarações de Ajuste Anual; g) logo, não pode prosperar a presunção em questão, que despreza os demais rendimentos imputados ao RECORRENTE, inclusive os espontaneamente declarados em suas Declarações de Ajuste Anual. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da nulidade Aduz o contribuinte a existência de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, em razão da presunção de 50% do valor dos créditos efetuados em contas conjuntas cuja titularidade do recurso foi integralmente reconhecida pelo primeiro titular. Fl. 6122DF CARF MF 6 Não obstante o alegado, o enunciado de Súmula CARF n.º 32 descreve que: a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Ademais, não constam dos autos documentos aptos a ensejar o entendimento acerca da utilização integral dos recursos pela cônjuge (Maria Clara Ferreira Neto). Pelo contrário, observandose o processo administrativo fiscal no qual figura como parte a Sra. Maria Clara, sobre a mesma infração, dos mesmos exercícios, sustentou a cônjuge a existência de erro na identificação da sujeição passiva, considerando que o seu cônjuge havia reconhecido a titularidade dos recursos. Desse modo, afasto a nulidade suscitada. 2. Da decadência Foi alegada pelo sujeito passivo a decadência de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo aos meses de janeiro a outubro de 2003, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Porém, não assiste razão ao contribuinte, tendo em vista o teor do Enunciado de Súmula Vinculante CARF n.º 38, que assim dispõe: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, tendo o contribuinte tomado ciência do auto de infração em 07/11/2008, não ocorreu a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada ocorrida no anocalendário de 2003, uma vez que o termo inicial do prazo decadencial foi 31/12/2003 e seu termo final 31/12/2008. 3. Da intimação da cotitular das contas bancárias Embora não tenha sido alegado pelas partes, compulsandose os autos, que possui 5.572 páginas, não foi possível identificar a ocorrência de intimação da cotitular das contas bancárias constantes da autuação, inclusive, o histórico do Termo de Verificação Fiscal não informa a existência de intimação da cotitular. O caput do artigo 42 da lei 9.430/96 estabelece um requisito de validade para a verificação da presunção de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, qual seja que o titular dos valores depositados nas contas de depósito ou de investimento seja regularmente intimado e não comprove a origem dos recursos utilizados nas operações. Já o § 6º do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei 10.647, de 2002, determina que, no caso de contas bancárias mantidas em conjunto, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos deve ser imputado a cada titular, mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Assim, no caso de contas conjuntas, que a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, deve ser imputada a todos os titulares da conta, fazse necessária a intimação de todos os co titulares a fim de comprovarem a origem dos depósitos. Fl. 6123DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.576 7 Acerca da matéria, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou o Enunciado de Súmula n.º 29, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem se intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Considerando a norma regente da matéria acerca da necessidade de intimação dos cotitulares, o julgamento foi convertido em diligência para que houvesse a comprovação da intimação da cotitular. Em resposta a Resolução, foi apresentado esclarecimento sobre a intimação da cotitular e anexada aos autos cópia da intimação. Portanto, restaram atendidas as normas mencionadas. No que se referem às infrações n.º 001 rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão (omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas) e n.º 003 multas isoladas (falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão), o recorrente, após a impugnação, desistiu da impugnação, conforme o disposto nas fls. 3.657 e 3.658, de modo que a matéria não se encontra controvertida nos autos. 4. Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada Conforme narrado, a fiscalização apurou omissão de rendimentos com base em depósitos bancários efetuados em 2003 e 2004, em contas em que o Interessado mantinha em conjunto com seu cônjuge no Banco Bradesco, Banco de Boston, Banco Itaú, Banco Real, Banco do Brasil e Banco Unibanco, nos termos dos demonstrativos de fls. 2.716 e 2.717, cujas origens o contribuinte, devidamente intimado não havia logrado comprovar. A outra metade dos depósitos foi tributada por meio do processo n.º 10707.001524/200880, relativo a Maria Clara Ferreira Neto Menescal, esposa do recorrente. Tendo em vista a identidade fática dos presentes autos com o processo anteriormente mencionado, aplico o entendimento consignado no Acórdão n.º 2301004.598, no qual, por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares e, no mérito, foi negado provimento ao recurso, conforme segue: A contribuinte alega que detém, juntamente com seu marido, 97% das quotas representativas do capital da Caolim, CNPJ 22.349.880/000148, (cada um possui 48,5% das quotas); em 1999, tendo sido elevado o volume de inadimplência dos seus clientes, ela e seu marido estipularam “contrato oneroso de abertura de crédito”, pelo qual ambos se propuseram “a emprestar o dinheiro necessário para a manutenção do funcionamento do negócio, utilizando recursos próprios que se encontram aplicados em instituições financeiras" (cláusula 2); em garantia do pagamento dos empréstimos a devedora endossaria, “em favor dos mutuantes duplicatas mercantis representativas do faturamento para seus clientes das vendas de itens de sua linha de produção”, as quais eram “alocadas em Fl. 6124DF CARF MF 8 cobrança simples em contas correntes bancárias de titularidade dos mutuantes” (cláusula 3); sendo que “a remuneração do capital emprestado será acordada pelas partes conforme juros cobrados pelos bancos para empréstimos com a garantia de duplicatas” (cláusula 6). Afirma que, na prática, o contrato funcionava sob a forma de crédito rotativo, de modo que ela e seu marido pagavam, com seus próprios recursos, as obrigações contraídas pela Caolim, subrogandose nos direitos dos credores, bem como adiantavam lhe recursos financeiros por transferências bancárias; em contrapartida, os créditos de ambos eram quitados à medida que os clientes da Caolim pagavam as duplicatas de sua emissão, mediante depósitos nas contas bancárias pessoais dos mutuantes e, concomitantemente, os valores recebidos eram destinados para saldar novas dívidas da Caolim, em um sistema que se autoalimentava. Assevera que negar a validade jurídica do contrato de mútuo significa desconsiderar a personalidade jurídica da Caolim, e que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a sua causa o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos: a) contrato de mútuo oneroso (doc. 02 da Impugnação); b) cópias dos Extratos de Movimentação de Títulos fornecidos pelo Banco ITAÚ (fls. 143/537, 572/626, 648/684 e 1.219/1.331), que atestam serem as duplicatas neles indicadas provenientes do endosso da CAOLIM em favor da RECORRENTE e de seu marido, com a menção especifica aos valores, às datas, aos nomes dos sacados e números da cada um daqueles títulos; c) demonstrativos apresentados pela própria CAOLIM (fls. 1.332/ 1.501), que indicam as prestações de contas dos valores pagos à RECORRENTE e ao seu marido em razão dos mútuos concedidos, com a descrição das duplicatas emitidas pela empresa e endossadas como garantia dos empréstimos rotativos realizados; d) cópia do Livro Caixa da CAOLIM, curiosamente não trazida aos autos pelos autuantes, mas apresentada como doc. 06 anexo da Impugnação, que registra o endosso de cada uma das duplicatas sacadas contra seus clientes, com a indicação dos respectivos valores, datas, nomes dos sacados e números dos títulos, que são rigorosamente os mesmos que deram origem aos depósitos nas contas correntes da RECORRENTE Ê de seu marido. Lembra que a quase totalidade dos depósitos bancários advém de movimentação rotativa de recursos decorrente de empréstimos e descontos de duplicatas, a gerar sucessiva tributação sobre os mesmos valores que reingressam na conta da autuada. Afirma que as cópias reprográficas (verso e anverso) dos cheques emitidos por seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim foram apresentadas à fiscalização com relação ao período de janeiro a agosto de 2003 (fls. 1.676 a Fl. 6125DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.577 9 2.183), sendo que a compensação daqueles cheques pode ser facilmente confirmada pelos débitos registrados nos extratos bancários daquelas contas que se encontram nos autos, com coincidência das datas e valores estampados nas suas cópias, eliminando qualquer dúvida sobre a “efetiva movimentação financeira”. Diz que a fiscalização nunca teve dúvida da existência de seus créditos perante a Caolim, tanto que examinou detalhadamente os cálculos dos juros que incidiam sobre os saldos daqueles créditos, discriminados nos demonstrativos apresentados pela Caolim às fls. 1.332 a 1.501, tendo esmiuçado os detalhes da sua tributação na fonte, declaradas nas DIRPF de seu marido (doc. 03 da impugnação) e que os cheques emitidos, acompanhados de comprovantes de pagamentos em favor da Caolim, foram listados pela fiscalização às fls. 2.297 a 2.302, com relação aos períodos de janeiro a agosto de 2003; outrossim, outorgou expressamente às autoridades lançadoras poderes para quebrar seu sigilo bancário (fl. 1.218) o que lhes permitiria acessar os originais e extrair cópias de tudo o que desejassem, inclusive dos cheques compensados. Por primeiro, cumpre registrar que não se está, nesse processo, procedendo à desconsideração da pessoa jurídica Caolim Azzi Ltda. Ocorre que a recorrente, ao firmar contrato de mútuo com a sociedade em questão, pelo qual se obriga a pagar contas dessa sociedade com seus fornecedores e a ser ressarcida pelo recebimento de duplicadas endossadas pela sociedade, originada de créditos dessa com seus fornecedores, deve saber que a prova da execução de tal contrato exige prova detalhada de cada operação, ou seja, devem estar documentados cada valor que repassa à Caolin bem como cada valor dessa recebido. Caso contrário, ante à impossibilidade de provar a origem de cada depósito em sua conta corrente é aplicável a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 6126DF CARF MF 10 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. Fl. 6127DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.578 11 No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF 26, a fim de consolidar tal entendimento: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Foram diversas as intimações para a comprovação da origem dos recursos (fls. 541 a 542, 557 a 558, 636 a 638, 708 a 709, 745 a 747, 941 a 942, 1222 a 1223, 1666 a 1667). A cada intimação, foram excluídos, caso existissem, os depósitos comprovados em resposta à intimação anterior. Entende a recorrente que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a causa dos depósitos o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos. Não lhe assiste razão. A origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Pois bem, não basta apresentar o contrato de mútuo, mas deve ser demonstrado documentalmente que os recursos foram emprestados à Caolim, sendo quitados pelos pagamentos das duplicatas. Foi o que conseguiu parcialmente comprovar (ver resumo das operações, comprovadas ou não, às fls. 2283 a 2295). O contribuinte alega que: (a) foram depositados em suas contas correntes valores destinados a prover a sobrevivência de várias pessoas, os quais não são receitas tributáveis; (b) os depósitos efetuados na conta n° 16824908, mantida no Banco de Boston teriam como origem os aluguéis dos imóveis de propriedade de seu marido, rendimentos esses que já teriam sido em parte declarados e em parte tributados no processo n° 10707.001523/200835. Competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, segundo o disposto na referida Súmula CARF 32, no art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e, ainda no art. 36 da Lei 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido, o art. 330 da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil): Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...) II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 6128DF CARF MF 12 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Ademais, não restou demonstrado que os depósitos efetuados na conta do Banco de Boston eram atinentes aos rendimentos de aluguéis recebidos por seu marido, permanecendo, em virtude disso, tais depósitos no montante de depósitos sem origem comprovada. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, a teor da Súmula Carf 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Quanto às cópias dos cheques não compensados emitidos pela recorrente e por seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim, não foi feita a prova de que tais cheques tenham quitado dívidas da Caolim. Para tanto, seria necessário examinar a contabilidade dessa sociedade, da qual, repito, a recorrente e seu marido detém 97% das cotas. Porém, no curso do procedimento de fiscalização, do qual a recorrente foi intimada em 12/01/2007 (fl. 09), a Coalim, em 05/07/2007, registrou o extravio de todos os seus livros contábeis e fiscais, bem como da documentação que os lastreia e do disco rígido de computador que continha seus dados (fls. 875 a 880). Impossibilitouse, assim, de fazer provas (outras que já não tivessem sido apresentadas) da origem dos créditos da recorrente com a Caolim. Como apontou o acórdão guerreado, a origem dos depósitos efetuados nas contas de cotitularidade da interessada não restou provada pelas planilhas das fls. 937 a 941 e 942 a 946, uma vez que não há nenhuma prova que vincule os créditos efetuados nas contas particulares da recorrente a esses pagamentos, nem tampouco que os depósitos em favor dessa fariam parte de uma grande operação de crédito rotativo envolvendo a Caolim. Não foi demonstrado que os depósitos recebidos por meio de títulos de crédito emitidos pela Caolim correspondia a algum pagamento efetuado em favor dessa. Não houve identificação de pagamentos em favor da Caolim e demonstração de que valores que saíram da conta da contribuinte teria retornado a ela através de duplicata emitida pela Caolim endossada à recorrente. Não há qualquer correspondência de valores ou datas entre os pagamentos mencionados na impugnação e os depósitos com origem não comprovada. Fl. 6129DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.579 13 Nas operações de mútuo, existe uma vinculação evidente entre os recursos emprestados e seus respectivos pagamentos. Esse nexo de causalidade não foi estabelecido entre os pagamentos efetuados a terceiros e os depósitos nas contas da recorrente. Por essa razão, os depósitos em questão não podem ser considerados como pagamentos de empréstimos concedidos à Caolim. Friso também que não há qualquer elemento nos autos que possa levar ao erro de identificação do sujeito passivo. As contas correntes fiscalizada efetivamente pertencem à recorrente, individualmente ou conjuntamente com seu marido e a tributação levou em consideração tais fatos. Sendo assim, não tendo sido elidida a presunção constante no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, deve ser mantido o lançamento, a exceção do depósito mencionado. No que tange aos depósitos de R$1.100,00 na conta 3702355 (Banco Real) nos anoscalendário de 2003 e 2004, não restou provado que se tratava dos aluguéis recebidos pelo imóvel localizado na Rua Conde Baependi n° 34, apartamento 801, uma vez que, apesar de haver coincidência de valores, não foi produzida prova de que os referidos depósitos foram efetuados pelo locatário do citado imóvel como pagamento pelo aluguel devido. Assim, permanecem sem origem comprovada os depósitos de RS1.100,00 efetuados na conta de poupança n° 3702355 (Banco Real) nos anoscalendário de 2003 e 2004. DOS CRÉDITOS COMO DOAÇÕES ISENTAS DO IRPF Sustenta que se a fiscalização considera que direitos relativos às duplicatas cujos resgates foram creditados nas contas bancárias suas e de seu marido foram transferidos a essas pessoas físicas sem causa, isto é, por mera liberalidade, estarseá diante de doação insuscetível de entrar no cômputo de seu rendimento bruto, haja vista o previsto no inciso XV do artigo 39 do RIR/99. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XV o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); Não lhe assiste razão. Ocorre que, como já abordada, a fiscalização considerou todas as provas da origem de recursos apresentadas. Os depósitos cuja origem não restou comprovada caracterizam omissão de receitas, de acordo com o já transcrito art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Voto, portanto, por rejeitar as preliminares e no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Fl. 6130DF CARF MF 14 Notase que, diante das alegações de que os depósitos efetuados em suas contas bancárias seriam pagamentos de empréstimos concedidos à empresa Caolim Azzi Ltda, para provar o alegado caberia ao Contribuinte demonstrar materialmente que cada depósito foi efetuado como pagamento de um valor anteriormente repassado à mencionada empresa. Porém o recorrente demonstrou apenas que parte dos depósitos foi oriunda do recebimento de títulos emitidos pela empresa Caolim Azzi Ltda, endossados à Contribuinte, sem, entretanto comprovar que esses valores foram recebidos como pagamentos de mútuos concedidos à empresa em tela. No que se refere ao argumento de que a conclusão do Inquérito Instaurado pelo Processo Administrativo Disciplinar n.º 10768.000793/2011 (teve como objetivo a variação patrimonial do acusado) atestou a movimentação de recursos no interesse da CAOLIM nas contas bancárias do recorrente e de sua esposa, não afasta a necessidade de comprovação da origem dos recursos, pois não se confunde o patrimônio da pessoa física com o patrimônio da pessoa jurídica. Caberia ao contribuinte demonstrar a que título foram efetuados os pagamentos da CAOLIM em nome da sua esposa e em seu nome, a fim de comprovar a origem dos valores. Diante do exposto, rejeito as preliminares argüidas e, quanto ao mérito, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em que pese a pertinência das razões e fundamentos legais expressos no voto da Ilustre Relatora, ouso discordar de suas conclusões, pelas razões abaixo detalhadas. Como se depreende da leitura do Relatório supra, parte das imputações fiscais objeto do Auto de Infração em comento não integram a presente análise, em razão de desistência manifestada após a impugnação, remanescendo controvertida apenas a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Sobre tal infração, entendo oportuno destacar os motivos e o lastro legal em que se baseou a Autoridade Fiscal para promover o lançamento, fl. 2873: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal de 03/11/08 (fls. 2.785/2.833) que é parte integrante deste Auto de Infração. (...) Fl. 6131DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.580 15 Enquadramento legal. Art. 849 do RIR/99; No seu Termo de Verificação Fiscal, fl. 2846/2847, destaca a autoridade autuante: (...) Na realidade os créditos bancários provenientes da cobrança de duplicatas identificam simplesmente os títulos cuja liquidação provocou sua efetivação, como poderiam, por exemplo, serem créditos decorrentes de cheques. O que o contribuinte precisava comprovar era a causa da transferência da propriedade dos títulos, através do pagamento pelas duplicatas endossadas, concessão de empréstimos ou mesmo liquidação de débitos de responsabilidade da endossante, correspondentes aos valores dos títulos. A Sra. Relatora, em razão da identidade fática dos presentes autos com o processo decorrente do mesmo procedimento fiscal, no qual restou autuada a esposa do ora recorrente, adotou o entendimento consignado no Acórdão n.º 2301004.598, o qual, após transcrever o teor integral do art. 42 da Lei 9430/96, apresentou considerações que merecem ser relembradas: (...)Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. (...) Entende a recorrente que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a causa dos depósitos o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos. Não lhe assiste razão. A origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Pois bem, não basta apresentar o contrato de mútuo, mas deve ser demonstrado documentalmente que os recursos foram emprestados à Caolim, sendo quitados pelos pagamentos das duplicatas. Foi o que conseguiu parcialmente comprovar (ver resumo das operações, comprovadas ou não, às fls. 2283 a 2295). (...) Como apontou o acórdão guerreado, a origem dos depósitos efetuados nas contas de cotitularidade da interessada não restou provada pelas planilhas das fls. 937 a 941 e 942 a 946, uma vez que não há nenhuma prova que vincule os créditos efetuados nas contas particulares da recorrente a esses pagamentos, nem tampouco que os depósitos em favor dessa fariam parte de uma grande operação de crédito rotativo envolvendo a Caolim. Fl. 6132DF CARF MF 16 Não foi demonstrado que os depósitos recebidos por meio de títulos de crédito emitidos pela Caolim correspondia a algum pagamento efetuado em favor dessa. Não houve identificação de pagamentos em favor da Caolim e demonstração de que valores que saíram da conta da contribuinte teria retornado a ela através de duplicata emitida pela Caolim endossada à recorrente. Não há qualquer correspondência de valores ou datas entre os pagamentos mencionados na impugnação e os depósitos com origem não comprovada. Nas operações de mútuo, existe uma vinculação evidente entre os recursos emprestados e seus respectivos pagamentos. Esse nexo de causalidade não foi estabelecido entre os pagamentos efetuados a terceiros e os depósitos nas contas da recorrente. Por essa razão, os depósitos em questão não podem ser considerados como pagamentos de empréstimos concedidos à Caolim. Grifouse Os excertos do Acórdão n.º 2301004.598 acima destacados embora, como regra, alinhandose aos motivos indicados no auto de infração, trate a omissão identificada com origem em depósitos bancários não identificados, mostra alguma impropriedade ao afirmar que a origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Por outro lado, o mesmo Acórdão não deixa dúvidas de que os créditos em conta do autuado teriam origem em duplicatas endossadas emitidas pela Caolim, cuja vinculação a um suposto pagamento de mútuo não teria sido demonstrada, já que não se restou cristalino o nexo entre os recursos supostamente emprestados e os depósitos em conta do fiscalizado. Assim, pareceme claro que o problema não seria exatamente a origem do numerário, mas a natureza de tais pagamentos. Ou seja, o contribuinte recebeu valores que teriam origem no patrimônio da Caolim, mas não ficou evidente o motivo de tais pagamentos. Não se constatou se decorreram de prólabore, participação nos lucros, etc. Neste ponto, convêm novamente trazer à balha o teor do art. 42 da Lei 9.430/96, expressamente contido no Acórdão adotado pela Relatora: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Grifouse. Como se vê, os valores cuja origem foram comprovadas no curso do procedimento fiscal deveriam ser submetidas às normas de tributação específicas às respectivas Fl. 6133DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.581 17 natureza, pois, havendo a comprovação da origem, não mais há que se falar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o citado art. 42. Ocorre que o procedimento fiscal e as conclusões tanto do julgador de primeiro grau quanto da Ilustre Relatora caminharam amparando a autuação fiscal exclusivamente no art. 42 da lei 9430/96, o que macula, por vicio material, o lançamento neste tema, por claro erro em seu enquadramento legal, requisito obrigatório nos termos art. 10 do Decreto 70.235/72 e essencial ao lançamento a que alude o art. 142 da lei 5.172/66. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator Designado Fl. 6134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000065/99-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Somente são cabíveis Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 9101-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração e, por maioria de votos, em rejeitá-los, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Luís Flávio Neto, que acolheram os embargos com efeitos infringentes. Os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Daniele Souto Rodrigues Amadio acompanharam o voto da conselheira Cristiane Silva Costa, que manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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AÇÚCAR E ÁLCOOL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Somente são cabíveis Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração e, por maioria de votos, em rejeitálos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Luís Flávio Neto, que acolheram os embargos com efeitos infringentes. Os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Daniele Souto Rodrigues Amadio acompanharam o voto da conselheira Cristiane Silva Costa, que manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Redator Designado (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 00 65 /9 9- 51 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13827.000065/9951 Acórdão n.º 9101002.887 CSRFT1 Fl. 319 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo Contribuinte em epígrafe, em face do Acórdão nº 9101000.705, de 08.11.2010, onde foi dado provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, considerandose prescrito o direito à repetição de indébito solicitada pelo Contribuinte anteriormente à Lei Complementar 118/05, contandose tal prazo da data do pagamento, admitindo a vigência do artigo 4º da LC 118/05, anteriormente à sua declaração de inconstitucionalidade pelo STF. Em sua peça de embargos o contribuinte alega contradição na decisão, na medida em que a Lei Complementar 118/05 teve a segunda parte de seu artigo 4º declarada inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 566.621, de modo a ser considerado válido apenas para fatos ocorridos após o período de vigência da Lei. Os embargos foram admitidos pelo Presidente do CARF, nos seguintes termos: (...) Vale esclarecer que atualmente fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária (art. 62 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e alterações). Embora na época em que foi proferido o acórdão embargado o RICARF então vigente não prevesse essa vinculação, que somente ocorreu em 22.12.2010 com a vigência da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, esse regramento estava em vigor por ocasião da apresentação dos presentes embargos de declaração e assim deve ser observado já que o processo não está definitivamente julgado. Verificase que no presente caso que o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) foi protocolizado 16.03.1999, fl. 01, ou seja, antes de 09.06.2005, quando a Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, cuja interpretação vinculante foi no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador referentes aos pleitos formalizados antes da sua vigência. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13827.000065/9951 Acórdão n.º 9101002.887 CSRFT1 Fl. 320 3 A situação de contradição está apontada objetivamente. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício, ou seja, ficou evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional atinente a adoção do entendimento vinculante do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade dos Embargos, não há reparos a se fazer. Na origem, tratase de pedido de restituição encaminhado em 16/03/1999 de juros de mora com base em TRD, pagos em faca de parcelamento de débitos, no período de fevereiro a julho de 1991. O prazo para se pleitear o indébito tributário, antes da vigência da Lei Complementar 118/05 foi estipulado pelo STF no julgamento do RE 566.621, nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13827.000065/9951 Acórdão n.º 9101002.887 CSRFT1 Fl. 321 4 eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O próprio CARF se posicionou sobre o tema, através da súmula CARF 91, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse contexto, voto por acolher os embargos, com efeito infringente, para aplicar ao caso a súmula CARF 91. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13827.000065/9951 Acórdão n.º 9101002.887 CSRFT1 Fl. 322 5 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Redator Designado Analisando os fatos constantes dos autos, e as razões pelas quais o I. Conselheiro Relator decidiu por acolher os Embargos de Declaração, com efeito infringente, ouso discordar dos seus fundamentos e das conclusões, pelas razões que seguem adiante. Pleiteia a Embargante a reforma da decisão proferida, para que se coadune com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, considerando a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos aplicados, e tendo em conta que, nesse caso, o prazo prescricional para eventual ressarcimento ou repetição do indébito é de 10 anos (efls. 258). Sucede, porém, que somente são cabíveis Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, na forma do art. 65 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 Regimento Interno do CARF (RI/CARF), então vigente quando da interposição daqueles Embargos. Vejase que a Embargante não aponta, em nenhum momento de seu arrazoado, de maneira objetiva, obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada, mas, apenas, requer sejam acolhidos os presentes Embargos de Declaração e, ao final, sejam julgados totalmente procedentes, a fim de que seja reformado o Acórdão nº 9101000.705, deferindose o Pedido de Restituição, objeto dos presentes autos, relativos ao período de fevereiro a julho de 1991, visto que seu indeferimento importaria em ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, ao princípio da isonomia, bem como enriquecimento ilícito do Estado (efls. 258). Como consta do Despacho de Admissibilidade de Embargos (efls. 319): Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado, não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Já a pretendida “contradição”, apontada pelo mesmo Despacho e, também, pelo voto vencido, na realidade não existe, por dois motivos pelo menos. Em primeiro lugar, a contradição somente pode ocorrer entre a decisão e os seus fundamentos, e não entre a decisão e outra a ele exterior – como uma decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em segundo lugar, ainda que pudesse haver esse tipo de “contradição” — de uma decisão administrativa com uma judicial — essa “contradição” somente tomou vulto posteriormente à prolação da decisão administrativa. A própria Embargante reconhece esse fato, ao afirmar que (efls. 257, grifei): Como tal matéria encontravase pendente de decisão pelo STF quando da análise deste caso, o nobre julgador pautouse pelos Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13827.000065/9951 Acórdão n.º 9101002.887 CSRFT1 Fl. 323 6 dispositivos na época já considerados inconstitucionais pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 1.002.932 – SP (doc. 4), conforme acórdão: [...]. Pelo exposto, com a devida vênia, discordo do I. Conselheiro Relator, no ponto em que acolhe os Embargos de Declaração, com efeito infringente, e voto no sentido de não admitir dos Embargos de Declaração interpostos, por não preencherem os requisitos básicos legais. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Apresento a presente declaração e voto para explicitar as razões pelas quais entendo pela rejeição dos embargos de declaração, acompanhando a maioria do Colegiado pelas conclusões. Como debatido em sessão de julgamento, os embargos de declaração apresentados não mencionam qual seria o vício do acórdão a ser sanado com o seu acolhimento (omissão, obscuridade, contradição ou erro material), limitandose a mencionar que houve decisão do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, que declarou inconstitucional o artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/2005. A decisão do Supremo Tribunal Federal, em tese, poderia legitimar a apresentação de embargos de declaração para pronunciamento deste Colegiado, desde que devidamente demonstrado pela parte Embargante o vício que alcance a decisão embargada. Afinal, cabe às partes apresentar recursos de forma fundamentada e elaborando pedidos coerentes com tais recursos, não aos Conselheiros desta Câmara Superior de Recursos Fiscais avaliar todas as possíveis omissões, obscuridades, contradições, erros materiais e, até mesmo, fatos novos relevantes ao deslinde do processo, sem que tenha sido devidamente justificado pela parte. Nesse sentido, já me pronunciei perante este Colegiado em diversas oportunidades, como nos autos do Processo Administrativo nº 19740.000090/200605 (acórdão nº 9101002.202). Diante de tais razões, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003629/2010-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN. DCTF.
Tendo o contribuinte declarado IRPJ, CSLL e PIS em DCTF, o prazo decadencial para exigência do IRPJ é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe deram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra acompanhou a relatora pelas conclusões
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN. DCTF. Tendo o contribuinte declarado IRPJ, CSLL e PIS em DCTF, o prazo decadencial para exigência do IRPJ é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe deram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra acompanhou a relatora pelas conclusões (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN. DCTF. Tendo o contribuinte declarado IRPJ, CSLL e PIS em DCTF, o prazo decadencial para exigência do IRPJ é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe deram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra acompanhou a relatora pelas conclusões (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 29 /2 01 0- 10 Fl. 875DF CARF MF 2 conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS quanto ao ano de 2005, diante de omissão de receita (fls. 565/599 volume 3). O Auditor Fiscal imputou multa de 112,5%. O Termo de Verificação Fiscal consta às fls. 474/483. (volume 3) A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE MPF INOCORRÊNCIA. Descabe pretender discutir nulidade de auto de infração alegando suposto vício que não se concretizou. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese, segundo o previsto pelo artigo 150 do CTN, em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, em razão da ocorrência de pagamento (recolhimento) efetuado por parte do contribuinte. No caso de não haver pagamento ou de haver a ocorrência de situação prevista para qualificação da multa de ofício, aplicase o previsto no artigo 173 do CTN. SIGILO BANCÁRIO VIOLAÇÃO NÃO OCORRÊNCIA É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. MULTAS AGRAVADAS E QUALIFICADAS. Não compete à instância administrativa negar aplicação à legislação tributária vigente sob a alegação de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, prerrogativa do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. Se a autoridade fiscal não aponta, objetivamente, qualquer motivação para a caracterização da fraude, que não seja a Fl. 876DF CARF MF Processo nº 19515.003629/201010 Acórdão n.º 9101002.856 CSRFT1 Fl. 876 3 constatação de omissão de receita, não prevalece a qualificação da multa. MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR ARQUIVOS. O não atendimento, no prazo marcado, para apresentação dos arquivos contábeis em meio magnético configura justificativa legal para agravamento da penalidade. AUTOS REFLEXOS PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente Colacionase trecho do voto do Relator, para aclarar o entendimento manifestado pela Turma a respeito do tema ainda em discussão (decadência de parte dos débitos): Passo a analisar a decadência. A ciência dos autos de infração efetivouse em 10/11/2010, e as exigências alcançam fatos geradores que ocorreram no ano calendário de 2005, razão pela qual o Recorrente entende estarem às exigências alcançadas pela decadência, considerando como termo inicial da contagem o previsto no § 4º do art. 150 do CTN. A questão relativa ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação encontrase pacificada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62 A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. (...) A autoridade fiscal não informa a inocorrência de pagamento. A decisão de primeira instância assim motivou sua conclusão sobre essa circunstância: O pagamento antecipado exige sua prévia apuração, ato não realizado pela impugnante, o que se prova pela falta da entrega da DIPJ do ano calendário de 2005, de forma que a decadência deve ser regida, neste caso, pelo art. 173, I, do CTN. A falta de entrega da DIPJ não está atestada nos autos. Além disso, tal omissão, se ocorreu, não comprova a ausência de Fl. 877DF CARF MF 4 pagamento. A DIPJ é declaração de informação, e o documento que se presta para a definição do termo inicial é o DARF ou a DCTF (que constitui confissão de dívida). O contribuinte, em grau de recurso, contesta a inocorrência de pagamento antecipado, mas também não traz prova de suas alegações. Consta, às fls. 17/42, cópia da DCTF juntada pelo auditor, com débitos declarados para o 1º e 2º trimestres de 2005, relativos ao IRPJ e CSLL (fls. 30, 19, 32 e 24, respectivamente) e para os meses de janeiro a dezembro de 2005, para o PIS (fls. 25, 33, 26, 27, 34, 28, 41, 37, 40, 42 e 39, respectivamente). A partir desses fatos, uma primeira conclusão que se tira é que, para esses tributos e esses períodos de apuração, a decadência só se reger á pelo art. 173, I, se caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que seria poderseia inferir a partir da imposição da multa qualificada. (...) Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso para: 1 Cancelar as exigências de IRPJ e CSLL do 1º e do 2º trimestres, bem como toda a exigência de PIS, por estarem os lançamentos alcançados pela decadência. 2 Afastar a qualificação da multa, reduzindo o percentual de 225% para 112,5%. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, acolhidos pela maioria do Colegiado a quo para esclarecer obscuridade sem atribuir efeitos infringentes ao acórdão anterior. Diante disso, restou substituído trecho da ementa do acórdão inicial para constar: DECADÊNCIA; CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. APLICABILIDADE DO ART. 150, §4º, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543,C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a contatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C, do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da existência de declaração prévia do débito em DCTF foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 16/11/2016, no qual sustenta divergência quanto à decadência, pleiteando a aplicação do artigo 173, do CTN. São indicados como paradigmas os seguintes acórdãos: Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19515.003629/201010 Acórdão n.º 9101002.856 CSRFT1 Fl. 877 5 a) 9303002.090, no qual se decidiu que "Na verdade, para mim, com o devido respeito a quem entende diferente, a entrega da DCTF em nada afeta a contagem do prazo decadencial. Este se rege pela regra do caput do art. 173 quando não há pagamento". (trecho do voto vencedor neste acórdão) b) 180200408, do qual se destaca: “Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou pagamento do tributo exigido, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF E NÃO PAGOS LANÇAMENTO DE OFÍCIO Considerase válido o lançamento do tributo por força do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.158, de 24/08/2001, por se tratar de norma vigente à data em que realizado o auto de infração". O recurso especial foi admitido pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção (Conselheira Adriana Gomes Rêgo), conforme despacho às fls. 831/837. Verificamse situações similares nos acórdãos contrapostos. Em ambas as decisões, o contribuinte declarou em DCTF tributo devido no período em tela, mas não efetuou o pagamento correspondente. A decisão recorrida adotou o entendimento de que a contagem do prazo de decadência deveria seguir a regra contida no artigo 150, §4, do CTN, enquanto a decisão paradigma entendeu que o prazo deveria seguir a regra contida no artigo 173, I, do CTN. Com isso, fica evidente a divergência nas interpretações adotadas. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido caracterizada a divergência jurisprudencial alegada, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Em 10/01/2017, a contribuinte foi intimada quanto aos acórdãos da Turma Ordinária, Recurso Especial e despacho de admissibilidade deste recurso (fls. 844), não apresentando qualquer manifestação. Posteriormente, houve transferência de débitos mantidos para o processo nº 13899.720082/201743 (fls. 874). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Fl. 879DF CARF MF 6 O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Passo à análise de seu mérito. Como referido anteriormente, o recurso especial aponta divergência quanto à contagem do prazo decadencial. O acórdão recorrido aplicou o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, mencionando a existência de DCTF, como explicitado no acórdão em julgamento dos embargos de declaração: "a prova nos autos da existência de declaração prévia do débito em DCTF foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN." A orientação prevalecente nesta Turma da CSRF é pela aplicação do artigo 150, §4º quando é apresentada declaração com efeito de confissão de dívida, como efetivamente é o caso da DCTF mencionada pelo acórdão recorrido, verbis: Consta, às fls. 17/42, cópia da DCTF juntada pelo auditor, com débitos declarados para o 1º e 2º trimestres de 2005, relativos ao IRPJ e CSLL (fls. 30, 19, 32 e 24, respectivamente) e para os meses de janeiro a dezembro de 2005, para o PIS (fls. 25, 33, 26, 27, 34, 28, 41, 37, 40, 42 e 39, respectivamente). A esse respeito, destaco precedente desta Turma, relatado pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Se a contribuinte apresentou confissões em DCTF e realizou pagamentos referentes aos mesmos tributos e períodos que foram objeto de autuação fiscal neste processo, a regra para a contagem da decadência é a prevista no art. 150, § 4º, do CTN. ( Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19515.003629/201010 Acórdão n.º 9101002.856 CSRFT1 Fl. 878 7 3. Em 10/08/2005, data em que foi realizado o lançamento, estavam decaídos os débitos de IRPJ e CSLL referentes ao primeiro e segundo trimestres de 2000 (fatos geradores em 31/03/2000 e 30/06/2000), e os débitos de PIS e COFINS referentes aos meses de janeiro a julho de 2000 (fatos geradores no último dia de cada um desses meses). Destaco trecho do voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, acompanhado à ocasião por esta Relatora, mencionando o acórdão do STJ no REsp : 4.2. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. 4.3. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. 4.4. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. 4.5. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. (...) 5.3. Ocorre que, compulsando os autos, constatase a presença de documentos (apresentados com o recurso voluntário) que comprovam confissões em DCTF e pagamentos por DARF de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relacionados a fatos ocorridos em todos os meses do anocalendário de 2000. 5.4. Às fls. 292/458, constam cópias das DCTF trimestrais referentes ao anocalendário 2000, todas elas indicando débitos de IRPJ/CSLL para os 4 trimestres de 2000 e débitos de PIS/COFINS para todos os meses desse mesmo ano. Exatamente nesse sentido, reafirmo meu voto, pois a interpretação dos artigos 150, §4º e 173, deve se alinhar ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973 e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Regimento Interno vigente (Portaria nº 343/2015, em seu artigo 62, §2º). Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento daquele Recurso Especial nº 973.733: Fl. 881DF CARF MF 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19515.003629/201010 Acórdão n.º 9101002.856 CSRFT1 Fl. 879 9 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009 grifamos) Com efeito, tendo o contribuinte declarado os créditos tributários em DCTF, o prazo decadencial contase na forma do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Por tais razões, conheço e nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003903/2001-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1989
ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA.
Se na data do encerramento do período-base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade.
DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS. DESPACHO DECISÓRIO.
O despacho decisório que indeferir a restituição de crédito tributário, negando os pedidos de compensação realizados com base na expectativa do deferimento da restituição, quando decidir manter a glosa dos débitos que não foram compensados, deve o fazer dentro do prazo decadencial de cinco anos previsto no artigo 173 do CTN, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 1402-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a homologação tácita dos três pedidos de compensação formalizados em 25/07/2002 e 24/02/2003.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Se na data do encerramento do períodobase de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS PRÓPRIOS. DESPACHO DECISÓRIO. O despacho decisório que indeferir a restituição de crédito tributário, negando os pedidos de compensação realizados com base na expectativa do deferimento da restituição, quando decidir manter a glosa dos débitos que não foram compensados, deve o fazer dentro do prazo decadencial de cinco anos previsto no artigo 173 do CTN, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a homologação tácita dos três pedidos de compensação formalizados em 25/07/2002 e 24/02/2003. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 39 03 /2 00 1- 94 Fl. 378DF CARF MF 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10930.003903/200194 Acórdão n.º 1402002.424 S1C4T2 Fl. 379 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, com as devidas atualizações. "Trata o processo de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 21/11/2001, de R$ 87.351,84 de Imposto Sobre o Lucro LíquidoILL, do exercício de 1990, anobase 1989, valor este correspondente à atualização até novembro/2001 do recolhimento de Cr$ 1.900.978,00 efetuado em 30/04/1990 (fls. 23 e 100), cumulado com os seguintes pedido e declarações de compensação: · Pedido de Compensação protocolado em 25/07/2002 (fl. 104): compensação dos débitos COFINS dos meses de abril (R$ 1.512,30), maio (R$ 1.058,47) e junho/2002 (R$ 1.864,66); · Declaração de Compensação protocolado em 24/02/2003 (fl. 105106): compensação dos débitos de COFINS dos meses de julho (R$ 1.139,97), agosto (R$ 1.120,31) e setembro/2002 (R$ 1.109,85); · Declaração de Compensação protocolado em 24/02/2003 (fl. 107108): compensação dos débitos de COFINS dos meses de outubro (R$ 579,98), novembro (R$ 802,78) e dezembro/2002 (R$ 4.335,06). A DRF/Londrina, por meio do Despacho Decisório proferido em 12/07/2002 (fls. 25 27), julgou improcedente o pedido de restituição em face do decurso do prazo decadencial de cinco anos. Esta DRJ, por meio do Acórdão nº 4.569, de 26/09/2003 (fls. 3541), não acolheu a reclamação contra a decisão da DRF/Londrina (fls. 2932), em razão da decadência e da ilegitimidade da interessada para postular a restituição. Contudo, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o Recurso Voluntário de fls. 4349, por meio do Acórdaõ nº 10246937, sessão de 07/07/2005 (fls. 7788), por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para afastar a preliminar de ilegitimidade passiva (sic) e, por maioria, a de decadência, determinando o retorno dos autos à 1ª Turma da DRJ/Curitiba para enfrentamento do mérito. Portanto, para possibilitar a análise do direito creditório indicado, a interessada foi intimada pela Saort da DRF/Londrina, por via postal, em 26/11/2009 (fl. 103), a apresentar cópia do contrato social e alterações e os Livros Diário e Razão originais dos anoscalendário de 1989 e 1990 (fl. 102). Em resposta, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 110158 e parte dos livros contábeis solicitados, sendo que as folhas de interesse para solução do litígio foram copiadas e juntadas às fls. 159176 do presente processo. Em 08/07/2010, a DRF/Londrina proferiu o Despacho Decisório de fl. 185, com base no Parecer SAORT/DRF/LON n° 830/2010 (fls. 180184), indeferindo o pedido de restituição do ILL do exercício de 1990, anobase 1989. Foi considerado que o ILL é devido em face de o contrato social da interessada prever que os resultados serão atribuídos aos sócios proporcionalmente às suas quotas de capital, podendo os lucros a critérios dos sócios serem distribuídos ou ficarem em reserva na sociedade, ou seja, como a destinação do lucro líquido depende de disposição dos sócios a respeito, deuse a situação configuradora da Fl. 380DF CARF MF 4 disponibilidade jurídica dos rendimentos. Em consequência, restaram não homologadas as compensações declaradas nos autos. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório, por via postal, em 20/07/2010 (AR à fl. 196), conforme Intimação n° 1.728/2010 (fl. 189), a reclamante apresentou, em 09/08/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 197202, trazendo as alegações a seguir sintetizadas: a) argúi que para solução do litígio é necessário apenas definir se o lucro apurado caracteriza ou não disponibilidade econômica ou jurídica de renda, conforme previsto no art. 43 do CTN; b) que parágrafo único do art. 1° da IN SRF n° 63, de 1997, dispôs que a vedação à constituição de créditos de ILL se aplica às demais sociedades (além das sociedades anônimas) cujos contratos sociais não previssem a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado; c) que, nesta mesma diretriz, o Parecer Cosit nº 58, de 1998, autorizou a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF ou, se na via indireta, quando ocorrer a suspensão de execução da lei ou do ato normativo pelo Senado Federal; d) assevera que a disponibilidade tem que ser imediata, isto é, na apuração do lucros em 31 de dezembro, o que não ocorreu no caso em tela; que não distribuiu lucros a seus sócios e que, portanto, não ocorreu a disponibilidade imediata, conforme se pode deduzir do texto constante da Cláusula Décima Quarta do seu Contrato Social; e) que os lucros são apenas expectativas que poderão ter destinação diversa, inclusive reinvestidos na própria empresa, ou distribuídos aos empregados, não caracterizando disponibilidade imediata, nem econômica e nem jurídica; f) ao final, requer seja esta manifestação de inconformidade acolhida, em todos os seus termos, para que seja feita a devida justiça fiscal." Passo, agora, a complementar o relatório da DRJ de CuritibaPR, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1989 NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o Conselho de Contribuintes anulado a decisão anterior de primeira instância, ao dar provimento ao recurso para afastar as preliminares de ilegitimidade ativa e de decadência, determinando o retorno dos autos a esta DRJ para enfrentamento do mérito, procedese a novo julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 1989 ILL. SOCIEDADE POR QUOTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Somente é indevida a exigência do imposto sobre o lucro líquido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada quando o contrato social for omisso quanto à distribuição dos lucros ou quando prever, independentemente de manifetação dos sócios, destinação dos lucros outra Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10930.003903/200194 Acórdão n.º 1402002.424 S1C4T2 Fl. 380 5 que não a sua distribuição, por não caracterizar a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro apurado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PEDIDO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexistindo o direito creditório informado no pedido/declaração de compensação, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão acima, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, mediante o protocolo de duas petições (fls. 292295 e fls. 365372), dentro do prazo recursal, reiterando o que foi defendido em impugnação (fls. 365372), bem como arguindo a prescrição da cobrança do Cofins declarado em 2002, período de abril a dezembro/02 (fls. 292295). Não há Recurso de Ofício. Também não há contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. O contribuinte, dentro do prazo recursal de 30 (trinta) dias que lhe faculta a legislação para a interposição de Recurso Voluntário dirigido a este Conselho Administrativo, protocolou duas petições administrativas, conforme disposto no relatório, sendo que em uma das petições reiterou os argumentos apresentados em impugnação, julgados pela DRJ de Curitiba e, na outra, trouxe uma tese nova aos autos, pleiteando, em síntese, a “prescrição da cobrança do COFINS declarado em 2002”. Por serem dois assuntos vinculados ao caso concreto, mas dispostos, já no recurso do contribuinte, de maneira apartada, enfrentaremos o tema em dois tópicos, conforme segue. 1. DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE ILL O pleito de restituição de ILL, recolhido pelo contribuinte em 30/04/1990, cujo pedido de restituição foi protocolado em 21/11/2001, já foi objeto de decisão, nestes autos, quanto à inocorrência da decadência do direito à restituição. A controvérsia, portanto, cingese ao reconhecimento, ou não, da inconstitucionalidade da cobrança do ILL, com fundamento no art. 35, da Lei nº 7.713/88 (abaixo transcrito), de “sócio quotista” à vista da Resolução do Senado nº 82, de 18 de novembro de 1996, que suspendeu a execução do referido art. 35 no que diz respeito à expressão “o acionista” nele contida, uma vez que foi a partir da edição dessa Resolução do Senado que se contou o prazo decadencial do direito de pleitear a restituição no presente feito, combinado com o disposto na Instrução Normativa SRF nº 63, de 24/07/1997, da qual se extrai o seguinte excerto: Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do períodobase. (sublinhamos) Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei Nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10930.003903/200194 Acórdão n.º 1402002.424 S1C4T2 Fl. 381 7 Art. 2º Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito da Fazenda Nacional. Art. 3º Caso os créditos de natureza tributária, oriundos de lançamentos efetuados em desacordo com o disposto no art. 1º, estejam pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a aplicação da lei declarada inconstitucional. Art. 4º O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica às empresas individuais. (sublinhamos) A questão, como se denota do disposto no parágrafo único, do art. 1º, acima transcrito, passa pela análise do contrato social da pessoa jurídica geradora do lucro, pois se, na data do encerramento do períodobase de apuração, o sócio quotista tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do art. 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. Analisando o contrato social da Recorrente, vigente à época 31.12.89 (fls. 132137), extraise da Cláusula Décima Quarta (fl. 134), a seguinte redação: DÉCIMA QUARTA O ano social coincidirá com o ano civil, devendo a 31 de Dezembro de cada exercício, ser procedido o Balanço Geral da sociedade, obedecendo as prescrições legais e técnicas pertinentes à matéria. Os resultados serão atribuídos aos sócios proporcionalmente as suas quotas de capital, podendo os lucros a critério dos sócios serem distribuídos ou ficarem em reserva na sociedade. (sublinhamos) O parágrafo único, do art. 1º, da IN SRF nº 63, de 24/07/97 aponta de forma clara e objetiva que, ocorrendo a indisponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado em uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, à vista do disposto em seu contrato social, seria inconstitucional a incidência do ILL. Como se observa da Cláusula Décima Quarta do Contrato Social da Recorrente, acima transcrito, os resultados da sociedade são/eram atribuídos aos sócios, cabendo a estes, tão somente, deliberar se o lucro líquido apurado (resultado) seria distribuído ou permaneceria em reserva na sociedade. Ainda que não houvesse, portanto, uma disponibilidade econômica, a disponibilidade jurídica, para dispor dos lucros como melhor lhes aprouvesse (aos sócios), está/estava garantida pelo disposto no Contrato Social da Recorrente, como um direito no qual se acham/achavam irrecusavelmente investidos. Esse entendimento está em consonância com o posicionamento do E. STF quanto do reconhecimento da constitucionalidade do art. 35, da Lei nº 7.713/88 em relação aos “sócios quotistas”, firmado pelo Plenário daquela Corte ao julgar o RE 172.058/SC, de relatoria do Exmo. Min. Marco Aurélio Mello, em cujo voto ficou consignado que “o artigo 35 da Lei nº 7.713/88 guarda sintonia com a Lei Básica Federal, na parte em que disciplinada a Fl. 384DF CARF MF 8 situação do sócio cotista, quando o contrato social encerra, por si só, a disponibilidade imediata, quer econômica, quer jurídica, do lucro líquido apurado.” Reconhecida, no presente caso, a disponibilidade jurídica do lucro líquido apurado em favor do sócio quotista, a incidência do ILL é constitucional e, portanto, o pagamento realizado através do DARF de fl. 39 está correto, porque efetivamente devido. Consequentemente, a Recorrente não possui o direito creditório indicado no pedido de restituição de fls. 0304, que inaugurou este processo administrativo, razão pela qual mantenho, nesse aspecto, o seu indeferimento. 2. DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS O outro aspecto apontado pela Recorrente, através da petição de fls. 292295, é a ocorrência de “prescrição da cobrança do Cofins declarado em 2002”, sob o fundamento de que “as páginas 104 a 108, o contribuinte houvera requerido compensação do COFINS declarado relativamente aos meses de abril a dezembro de 2002”. Reforça o seu posicionamento alegando que se “está convertendo pedido de restituição (...) em procedimento administrativo de cobrança de exação COFINS, quando já ocorreu o decurso do prazo legal para tal cobrança”. Ainda que, como demonstrado no tópico anterior, o contribuinte não tenha o direito creditório pleiteado, é fato que, de acordo com a legislação então vigente, apresentou regularmente à repartição fiscal de seu domicílio, pedido de compensação em 25/07/2002 e declarações de compensações (duas) em 24/02/2003, conforme se atesta às fls. 126 a 130 dos autos. Nos termos do § 4º, do art. 74, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, “os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo." O § 5º, do mesmo art. 74, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, garante ao contribuinte: Art. 74. (omissis). (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Não há a menor dúvida de que as compensações declaradas pela Recorrente, em julho/2002 e fevereiro/2003 já foram regularmente homologadas pelo decurso do prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei 9.430/96, acima transcrito, afastandose a possibilidade de ser levada a efeito a cobrança de COFINS perpetrada pela DRF/Londrina no caso concreto, pela regular extinção do crédito tributário. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10930.003903/200194 Acórdão n.º 1402002.424 S1C4T2 Fl. 382 9 Esse entendimento está esposado na Solução de Consulta Interna nº 16 – Cosit, de 18 de julho de 2012, aprovada pelo CoordenadorGeral da Cosit, conforme se depreende do item 18 do referido documento, combinado com o item 21: 14. Em seu art. 156, inciso II, o CTN se refere à compensação como causa de extinção do crédito tributário e prevê, no art. 170, a possibilidade de a lei autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesse contexto, vem o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, disciplinar o instituto, submetendo a extinção a condição resolutória da ulterior homologação da compensação realizada pelo sujeito passivo. Tem o fisco prazo quinquenal para que proceda a respectiva homologação: (...) (...) 18. Isto posto, entendese que a homologação tácita de declaração de compensação, tal qual a homologação tácita do lançamento, extingue o crédito tributário, não podendo mais ser efetuado lançamento suplementar referente àquele período, a menos que, no caso da compensação de débitos vincendos, esta tenha sido homologada tacitamente e ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Há que se esclarecer, todavia, que não há previsão legal de homologação tácita de saldos negativos ou pagamentos a maior, devendo a repetição de indébito, quer por meio de pedido de restituição, quer por meio de declaração de compensação, obedecer aos dispositivos legais pertinentes. (...) 21. Em ambos os casos, tratase de repetição de indébito. Não comprovado o direito creditório, deve ser negado o pedido de restituição, e, dentro do prazo para homologação da compensação, esta deverá ser não homologada. A contrário senso, ainda que negado o pedido de restituição, como no presente caso, já se está fora do prazo de homologação da compensação declarada pela Recorrente, fato que, por si só, garante a extinção do crédito tributário de COFINS objeto dos pedido/declarações de compensação. O artigo 74, §3º, no inciso VI, da Lei 9.430/96 dispõe que não poderá ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o (critério de validade para a compensação de débitos próprios) o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, mesmo que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Depreendese, por lógica, que portanto, não poderia a recorrente entrar com pedido de compensação como, de fato, o fez, já que seu pedido de restituição de ILL fora indeferido. Fl. 386DF CARF MF 10 No entanto, no tocante a esta aferição, podese dizer que a lógica está correta, porém deve ser alterada em decorrência de outra premissa importante relacionada ao caso concreto. Esclareço. O inciso VI do retrocitado artigo foi adicionado a Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051 de 29 de dezembro de 2004. Isto significa, que o dispositivo mencionado apenas começou a produzir efeitos a partir da publicação da Lei nº 11.051/2004. Verifiquese o disposto no artigo 34 desta lei alteradora: "Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7o, a partir de 1o de novembro de 2004; II – aos arts. 9o, 10 e 11, a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação. (grifo meu)" Registrese que publicação da Lei nº 11.051/2004 se deu em 30/12/2004: Tal registro é relevante porque assegura a não aplicabilidade do disposto no artigo 74, §3º, inciso VI, da Lei nº 9.430/96 sobre o caso em tela, posto que tanto o pedido de restituição (protocolado em 2001) quanto os pedidos de compensação (protocolados em 2002 e 2003) foram realizados, todos, antes de 2004, ou seja, antes de a Lei nº 11.051 entrar em vigor e produzir seus efeitos, contexto, aquele, no qual o indeferimento da restituição ou do ressarcimento não impedia a compensação de débitos próprios. Ato contínuo, como os pedidos de compensação datam de 2002 e 2003, e o despacho decisório (fl. 232 eprocesso) foi proferido em 2010, constatase que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário de COFINS extrapolou os 5 anos previstos no artigo 173, do CTN, devendo ser extinta, portanto, a glosa fiscal e, consequentemente, restando desonerado o contribuinte. Assim, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a extinção dos créditos tributários de COFINS objeto dos pedido/declarações de compensação anexados ao feito às fls. 126 a 130, pelo decurso do prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10930.003903/200194 Acórdão n.º 1402002.424 S1C4T2 Fl. 383 11 Fl. 388DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905027/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.581
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 27 /2 01 2- 16 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.905027/201216 Acórdão n.º 3301003.581 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.487. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.905027/201216 Acórdão n.º 3301003.581 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.905027/201216 Acórdão n.º 3301003.581 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.905027/201216 Acórdão n.º 3301003.581 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.905027/201216 Acórdão n.º 3301003.581 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.905027/201216 Acórdão n.º 3301003.581 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.011322/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/09/2006 a 02/10/2006
DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE AÉREO SEM CONCLUSÃO DO TRÂNSITO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. CABIMENTO.
O embarque de mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, caracteriza embaraço à fiscalização, ficando o importador sujeito a penalidade correspondente.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE.
Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 16/09/2006 a 02/10/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE
Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixa-se de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea b do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete).
Numero da decisão: 3302-004.313
Decisão: Crédito Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 16/09/2006 a 02/10/2006 DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE AÉREO SEM CONCLUSÃO DO TRÂNSITO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. CABIMENTO. O embarque de mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, caracteriza embaraço à fiscalização, ficando o importador sujeito a penalidade correspondente. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 16/09/2006 a 02/10/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixa-se de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea b do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete).
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente LUFTHANSA CARGO A.G. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/09/2006 a 02/10/2006 DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE AÉREO SEM CONCLUSÃO DO TRÂNSITO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. CABIMENTO. O embarque de mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, caracteriza embaraço à fiscalização, ficando o importador sujeito a penalidade correspondente. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/09/2006 a 02/10/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixase de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea “b” do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 13 22 /2 00 7- 48 Fl. 245DF CARF MF 2 Crédito Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3801005.305, de fls.186/201, conforme a seguir transcrito: Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Conforme relatado no auto de infração, a fiscalização lavrou auto de infração, para exigência das multas capituladas nas alienas "c" e "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833/03, com os seguintes fundamentos: a) EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO, INCLUSIVE NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Devido a demandas geradas pelo Sistema Alerta de Trânsito Aduaneiros pendentes de conclusão, implantado pela COANA, constatouse que a Companhia Aérea LUFTHANSA CARGO SA, conforme extratos retirados do SISCOMEX, com histórico e dados de embarque referentes às DSE 2060166405/0, 2060143308/3 e 2060152998/6 desrespeitou o preconizado no artigo 35 da IN SRF n° 28/1994. A transportadora embarcou mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, ocasião na qual as mesmas seriam submetidas a controle por parte da Unidade de Embarque, visando verificar a integridade de lacres, número de volumes, indícios de violação de carga, etc, impedindo a ação da fiscalização aduaneira. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3302004.313 S3C3T2 Fl. 246 3 A prova do ocorrido está no fato da conclusão do transito ter sido em posterior ao embarque, conforme relatado às fls. 2. b) NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Devido a demandas geradas pelo Sistema Alerta de Trânsito Aduaneiros pendentes de conclusão, implantado pela COANA, constatouse que a Companhia Aérea LUFTHANSA CARGO SA, conforme extratos retirados do SISCOMEX, com histórico e dados de embarque referentes às DDE n° 2061094682/0 e 2070073090/7 e às DSE 2060166405/0, 2060143308/3 e 2060152998/6, desrespeitou o preconizado no artigo 37 da IN SRF n° 28/1994. Conforme consta nos autos, as datas de registro dos dados de embarque superaram a data do embarque em mais de dois dias, conforme segue: (...) Regularmente cientificada da exigência em comento em 02/07/2007 fls. 19), a interessada apresentou a impugnação de fls. 22 e ss, aduzindo o seguinte: • Em relação ao suposto embaraço ou impedimento à fiscalização, esclarece que a forma de alocação das cargas destinadas à exportação faz com que, por vezes, equívocos sejam viabilizados, no embarque de mercadoria sujeita a conferência. • Para validação da imposição de penalidade é necessária a configuração da conduta intencional, por parte da empresa autuada, no que diz respeito ao direito de fiscalização pela autoridade aduaneira, como nó caso de não atendimento de intimação. • No caso da ausência de prestação de informação na forma legal, alega que esta penalidade foge aos princípios de razoabilidade e proporcionalidade, razão pela qual não pode ser aplicada. • Incompatibilidade da base legal na hipótese aplicada. Ao final requer a nulidade da ação fiscal. E o relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 Fl. 247DF CARF MF 4 PRINCÍPIOS JURÍDICOS. Não há desrespeito aos princípios da proporcionalidade ou razoabilidade quando o lançamento se pauta pelo princípio da legalidade. DEVIDO PROCESSO LEGAL: RITO FISCAL OBEDECIDO. O exame dos fundamentos apontados pela fiscalização pertence ao julgamento de mérito. Nulidade e cerceamento ao direito de defesa não configurados tendo em vista que o lançamento está revestido de todas as formalidades previstas na legislação de regência, não havendo o que se falar em prejuízo do direito de defesa e do contraditório, tampouco de ofensa ao devido processo legal. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE AÉREO. MULTA. O embarque de mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, ocasião em que as mesmas seriam submetidas a controle por parte da Unidade de Embarque, caracteriza embaraço à fiscalização, ficando o importador sujeito à penalidade correspondente. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que para validade da imposição de penalidade por embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, há necessidade de configuração de conduta intencional, por parte da empresa autuada; que a aplicação de penalidade foge aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e ausência de tipicidade na conduta. Posteriormente apresentou petição alegando direito superveniente imprescindível à análise da questão, qual seja, a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, que possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. Através do Acórdão nº 3801005.305 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.799, de 26/04/2016, fls.229/237, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3302004.313 S3C3T2 Fl. 247 5 Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Excertos do voto: Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Fl. 249DF CARF MF 6 Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." A empresa teve ciência do julgado em 14/06/2016, conforme AR, fl. 243. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3302004.313 S3C3T2 Fl. 248 7 Constatase que a tese da defesa centrase basicamente na ausência de tipicidade quanto à aplicação das penalidades já relatadas. Cabe então perquirir a base legal aplicada e situação fática constatada. Do embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação Para melhor compreensão da situação fática, transcrevese a seguir excertos da Descrição dos Fatos, fls.04/05: Devido a demandas geradas pelo Sistema Alerta de Trânsito Aduaneiros pendentes de conclusão, implantado pela COANA, constatouse que a Companhia Aérea LUFTHANSA CARGO SA, conforme extratos retirados do SISCOMEX, com histórico e dados de embarque referentes às DSE 2060166405/0, 2060143308/3 e 2060152998/6 desrespeitou o preconizado no artigo 35 da IN SRF n° 28 1994. A transportadora embarcou mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, ocasião na qual as mesmas seriam submetidas a controle por parte da Unidade de Embarque, visando verificar a integridade de lacres, número de volumes, indícios de violação de carga, etc., impedindo a ação da fiscalização aduaneira.(grifei) A prova do ocorrido está no fato da conclusão do transito ter sido em posterior ao embarque, conforme relatado às fls; 2. Dispunha a IN SRF nº 28, de 1994, vigente à época do embarque: Art. 35. O embarque ou a transposição de fronteira de mercadoria destinada a exportação somente poderá ocorrer após o seu desembaraço e, quando for o caso, a conclusão de trânsito aduaneiro, devendo ser realizado sob controle aduaneiro, ressalvado o disposto no art. 36. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Observase portanto que o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “c”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação pelo artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal;(grifei). Fl. 251DF CARF MF 8 Conforme extratos do SiscomexExportação de fls.12/14, constatase que a data da conclusão dos trânsitos é posterior à data dos embarques, situação fática que contraria as disposições do artigo 35 da IN SRF nº 28, de 1994, cujo texto [O embarque ou a transposição de fronteira de mercadoria destinada a exportação somente poderá ocorrer após o seu desembaraço] é impositivo e não facultativo ao procedimento fiscal de desembaraço aduaneiro. Vêse assim que o pressuposto fático amoldase à hipótese normativa no art. 107, IV, alínea “c”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação pelo artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003, uma vez que a fiscalização não pôde exercer o seu mister, quanto aos procedimentos referentes ao controle aduaneiro em face da conduta da recorrente, assim em observância ao dever de ofício de observância às normas que disciplinam as condutas atinentes ao controle aduaneiro, ex vi do art 142 do CTN, o lançamento foi efetuado, não havendo portanto reparos ao feito fiscal. Da multa pela extemporaneidade dos dados de embarque Descreve a fiscalização, fl.05: Devido a demandas geradas pelo Sistema Alerta de Trânsito Aduaneiros pendentes de conclusão, implantado pela COANA, constatouse que a Companhia Aérea LUFTHANSA CARGO SA, conforme extratos retirados do SISCOMEX, com histórico e dados de embarque referentes às DDE n° 2061094682/0 e 2070073090/7 e às DSE 2060166405/0, 2060143308/3 e 2060152998/6, desrespeitou o preconizado no artigo 37 da IN SRF n° 28/1994. Conforme consta nos autos, as datas de registro dos dados de embarque superaram a data do embarque em mais de dois dias, (...) Conforme já demonstrado o lançamento ora debatido, decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fls. 12/17. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 1inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: 1 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3302004.313 S3C3T2 Fl. 249 9 (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Em cumprimento à determinação acima gizada, a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou a IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02 (dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." (NR)(grifei). Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Não tratando o caso dos autos da excepcionalidade do § 2º acima transcrito, visto que adstrito ao modal marítimo, constatase dos extratos de fls. 12/17, que as informações foram efetivamente extemporâneas ao prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque, situação que configura a infração tipificada no artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003 acima reproduzido. Ocorre que no curso processual, foi editada a IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte. "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos Fl. 253DF CARF MF 10 documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana)." (NR) Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no art. 106, abaixo transcrito, a possibilidade de aplicação retroativa da legislação tributária a fatos pendentes nas hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; .(grifei). c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, a matéria objeto da presente lide, poderia se adequar à aplicação do disposto no art. 106 do CTN que estabelece, em caráter excepcional, a eficácia retroativa da lei tributária, ou seja a retroatividade benigna, nos termos da alínea “b” do inciso II do já referido dispositivo legal, no entanto verificase que os prazos foram excedidos em mais de 7 (sete) dias à data do embarque, impossibilitando assim a aplicação retroatividade benigna. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3302004.313 S3C3T2 Fl. 250 11 Ressaltese que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 2inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Conforme fundamentos acima consignados, constatase que os fatos se subsumem perfeitamente aos seus preceitos normativos. Dizse portanto que há tipicidade, ou seja há a conformação do fato à norma. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.720293/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2012
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DESTAQUE DO IPI EM NOTA FISCAL. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS. ALÍQUOTA 0%. IMPROCEDÊNCIA.
Nos casos em que o IPI incide a uma alíquota de 0%, inexiste IPI a ser destacado nas notas fiscais, devendo o crédito tributário referente à multa de ofício aplicada isoladamente ser exonerado.
Numero da decisão: 3401-003.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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FALTA DE DESTAQUE DO IPI EM NOTA FISCAL. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS. ALÍQUOTA 0%. IMPROCEDÊNCIA. Nos casos em que o IPI incide a uma alíquota de 0%, inexiste IPI a ser destacado nas notas fiscais, devendo o crédito tributário referente à multa de ofício aplicada isoladamente ser exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 02 93 /2 01 4- 00 Fl. 5793DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase auto de infração, situado às fls. 8 a 23, lavrado em 25/08/2014, com a finalidade de formalizar a cobrança de crédito tributário relativamente à multa de ofício prevista no art. 80, § 8º, inciso II, da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, referente ao período de apuração compreendido entre 01/06/2009 a 30/06/2012, no valor histórico R$ 14.029.814,70. 2. Transcrevese, do relatório fiscal, situado às fls. 25 a 70, o seguinte trecho: “Dentre as infrações de IPI apuradas em relação ao período de 07/2010 a 06/2012, temse que a ANDRITZ, em virtude erro de classificação fiscal, deixou de destacar, em suas notas fiscais de saída, os valores de IPI que seriam devidos. Devido às infrações de IPI apuradas, foram lavrados autos de infração que, por sua vez, foram juntados aos eprocessos nº 18088.720.345/201359 e nº 18088720.022/201446. Continuando, temse que o art. 80, § 8º, inciso II, da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, dispõe que a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Ainda, referida multa será exigida isoladamente nos casos em que o imposto não houver sido lançado nem recolhido. Ocorre que, em virtude de problemas operacionais, os autos de infração lavrados (juntados aos eprocessos nº 18088.720.345/201359 e nº 18088 720.022/201446) deixaram de contemplar os valores das multas exigidas isoladamente incidentes sobre os valores de IPI que deixaram de ser destacados nas notas fiscais de saída emitidas no período de 07/2010 a 06/2012. Portanto, tornouse necessária a emissão do MPFF nº 0812200.2014.002867 para fins de se efetuar o lançamento de ofício das multas exigidas isoladamente que deixaram de ser constituídas nos autos de infração juntados aos eprocessos nº 18088.720.345/201359 e nº 18088 720.022/201446” – (seleção e grifos nossos). 3. A contribuinte apresentou impugnação, na qual requereu o reconhecimento da improcedência da autuação lavrada. 4. Em sessão de 31/05/2016, foi proferido o Acórdão DRJ nº 15 040.354, situado às fls. 5.781 a 5.188, e proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), sob a relatoria e presidência do Auditor Fiscal Lázaro Antônio Souza Soares, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a impugnação intentada, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 5794DF CARF MF Processo nº 18088.720293/201400 Acórdão n.º 3401003.839 S3C4T1 Fl. 784 3 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2012 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DESTAQUE DO IPI EM NOTA FISCAL. IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS. Não restando comprovado que o contribuinte deixou de destacar o IPI devido nas notas fiscais, o crédito tributário referente à multa de ofício aplicada isoladamente deve ser exonerado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado 5. Diante da exoneração parcial do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 6. A contribuinte foi intimada da decisão em 21/07/2016 por meio da abertura dos respectivos arquivos digitais disponibilizados na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC). É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 7. O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e, por isso, dele conheço. 8. Transcrevese, abaixo, o voto da decisão a quo: “4. A impugnação apresentada é tempestiva, possuindo os demais requisitos formais de admissibilidade dispostos no Decreto nº 70.235/72; assim sendo, dela tomase conhecimento, instaurando o litígio. 5. A multa de ofício que aqui se discute é conseqüência da infração relativa à classificação fiscal dos produtos comercializados pelo contribuinte. Para a Fl. 5795DF CARF MF 4 Autoridade Fiscal, houve a comercialização de partes e peças de geradores, cuja classificação fiscal seria sob o código NCM 8503.00.90, cuja alíquota do IPI é de 10%. O contribuinte, entretanto, entende que o objeto do seu comércio não são partes e peças, mas sim geradores completos desmontados, cuja classificação fiscal seria sob o código NCM 8501.64.00, cuja alíquota do IPI é 0%. 6. A questão foi objeto de autuação fiscal, tramitando através dos processos nº 18088.720345/201359 e 18088.720022/201446. O julgamento destes processos pela DRJSalvador, conforme Acórdãos nº 15040.148 e 15 040.357, respectivamente, concluiu pela procedência da Impugnação do contribuinte em relação a esta infração, pois os produtos comercializados foram geradores desmontados, e não simplesmente partes e peças. Logo, o IPI incide à alíquota de 0%, o que significa que não há IPI há ser destacado nas notas fiscais e, conseqüentemente, resta indevida a aplicação da multa de ofício aqui discutida” – (seleção e grifos nossos). 9. Em decorrência do posicionamento deste Conselho Acórdão CARF nº 3401003.838 (Processo nº 18088.720345/201359) no sentido da correção da classificação fiscal adotada pela contribuinte nas operações objeto de análise dos acórdãos em referência, a alíquota de IPI aplicável à espécie é 0%, não havendo, portanto, IPI a ser destacado nas notas fiscais, restando, assim indevida a aplicação da multa de ofício objeto do auto de infração objurgado. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 5796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907895/2012-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.804
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.802, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 95 /2 01 2- 11 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 9303004.804 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 9303004.804 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 9303004.804 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907907/2012-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.815
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.814, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 07 /2 01 2- 16 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907907/201216 Acórdão n.º 9303004.815 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907907/201216 Acórdão n.º 9303004.815 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907907/201216 Acórdão n.º 9303004.815 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.000198/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE.
Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo. O direito de defesa é exercido caso instaurado o litígio mediante a impugnação do lançamento.
DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA. RESULTADO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária.
LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO.
Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS.
0 pedido de diligencia ou perícia deve ser denegado se houver sido formulado em desacordo com as prescrições legais, aliado à circunstância de estarem presentes nos autos elementos de convicção suficientes adequada compreensão dos fatos para solução da lide.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. INTENÇÃO. DEMONSTRAÇÃO.
Uma vez demonstrado a intenção dolosa aplica-se a multa qualificada de 150%.
MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF nº 96.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
Numero da decisão: 1401-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial nos seguintes termos:
I) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da empresa apenas para desagravar a multa de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), mas mantendo a qualificação da multa em 150% (cento e cinquenta por cento);
II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso do Sr. Odécio Bazeia; mantendo a sua responsabilidade tributária. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e José Roberto Adelino da Silva;
III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos dos responsáveis tributários Srs. Dorvalino e Edson Garcia.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino Silva e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo. O direito de defesa é exercido caso instaurado o litígio mediante a impugnação do lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA. RESULTADO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. 0 pedido de diligencia ou perícia deve ser denegado se houver sido formulado em desacordo com as prescrições legais, aliado à circunstância de estarem presentes nos autos elementos de convicção suficientes adequada compreensão dos fatos para solução da lide. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 01 98 /2 00 9- 78 Fl. 4647DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 532 2 pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. MULTA QUALIFICADA. DOLO. INTENÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. Uma vez demonstrado a intenção dolosa aplicase a multa qualificada de 150%. MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF nº 96. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da empresa apenas para desagravar a multa de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), mas mantendo a qualificação da multa em 150% (cento e cinquenta por cento); II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso do Sr. Odécio Bazeia; mantendo a sua responsabilidade tributária. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e José Roberto Adelino da Silva; III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos dos responsáveis tributários Srs. Dorvalino e Edson Garcia. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino Silva e Antonio Bezerra Neto. Fl. 4648DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: No âmbito do procedimento instituído pelos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) n. 0810700.2008.01150 e n. 0810200200800672 contra a contribuinte acima identificada, submetida à sistemática de tributação pela modalidade de lucro real, foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescidos de juros de mora e multa de oficio qualificada e majorada, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 520/560). Segue quadro demonstrativo das importâncias lançadas: [TABELA] (...) Conforme registrado no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 518/527) a contribuinte tem ligação com empresas envolvidas no âmbito da denominada "Operação Grandes Lagos", especificamente Frigorifico Ouroeste Ltda., SP, Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. e Continental Ouoreste Carnes e Frios Ltda., em que há sócios comuns com participação nas citadas empresas e na contribuinte. Inicialmente a contribuinte fora intimada a apresentar os livros de registro de entradas e saídas, livros contábeis e demais documentos de suporte das operações, relativamente aos anoscalendário de 2005 a 2007. Posteriormente foram exigidas informações sobre a movimentação financeira (fls. 09/10, 12/13). Em vista de que A. época em que as intimações foram remetidas a contribuinte não funcionava no endereço declarado à administração tributária, as respectivas intimações foram endereçadas ao sócio administrador, senhor Dorvalino Francisco de Souza (fls. 04, 08, 11, 14). Considerando que não atendeu as intimações que lhe foram encaminhadas, dada a necessidade de se obter as informações bancárias, foram dirigidas requisições aos Bancos Bradesco, do Brasil e Nossa Caixa para que apresentassem os extratos da movimentação bancária (fls. 15/17). De posse dos extratos a autoridade fiscal elaborou a planilha de fls. 327/346, capeada pela intimação de fls. 325/326 que instou a contribuinte a comprovar a origem dos recursos que ingressaram nas respectivas contas bancárias. Dada sua inércia, foi novamente intimada a justificarse e mantevese silente. Tal circunstância ensejou o arbitramento dos lucros, baseado no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda/1999. Do que consta dos autos, notadamente do termo de constatação, das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), podese inferir que a contribuinte declarou em DCTF valores insignificantes de Imposto de Renda na Fonte (IRRF) como obrigação tributária, além de os créditos bancários serem superiores A. receita declarada em DIPJ. Fl. 4649DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 534 4 Tal circunstância levou a autoridade tributária a considerar como omissão de receita as importâncias dos lançamentos em conta de depósitos bancários sem comprovação da origem, extraindo dai a base para cálculo do arbitramento, considerada omissão de receita conforme presunção legal estatuída pelo art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996. Os valores correspondentes achamse descritos na planilha de fls. 521/522. Por considerar que houve intuito doloso com o objetivo de fraudar a Fazenda Pública Federal, além do fato de a contribuinte não ter atendido as diversas intimações que lhe foram dirigidas foram aplicadas multa qualificada de 150% e majoração desse percentual em 50%, respectivamente. Foi imputada responsabilidade tributária aos sócios da contribuinte, senhores Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima por terem sido beneficiados direta ou indiretamente por diversas transferências de recursos efetuadas para empresas das quais são sócios de direito e de fato, a saber Frigorifico Ouoreste Ltda., Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., caracterizando o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto ao senhor Odécio Carlos Bazeia de Souza, mandatário da contribuinte, segundo a autoridade tributária, apesar de não constar formalmente do quadro societário "era quem efetivamente conduzia as atividades da empresa, tinha uma procuração com amplo (sic) poderes e utilizava, segundo informação do mesmo, suas contas pessoais para consecução dos objetivos sociais da sociedade empresária, recebendo, inclusive, várias transferências de valores". As circunstâncias antes expostas levaram a autoridade tributária a concluir que os senhores Dorvalino, Edson e Odécio têm interesse comum nas situações configuradoras dos fatos geradores da obrigação tributária versada no presente processo, materializado na obtenção de vantagem financeira direta, ou indiretamente, por meio das empresas das quais são sócios e/ou dos recursos lançados em conta pessoal de depósitos bancários, o que caracteriza a responsabilidade e a solidariedade a que se referem os arts. 121 e 124 do CTN. Consta do termo que embora a ação fiscal não tivesse sido requisitada pela Justiça Federal, ela decorreu da denominada Operação Grandes Lagos e que seria lavrada representação fiscal para fins penais por entender a autoridade fiscal que, em tese, ocorrera a prática de crime contra a ordem tributária capitulado nos arts. 1° ou 2° da Lei n. 8.137, de 1990, além da prática de contrabando ou descaminho prevista no art. 334 do Código Penal (fls. 527). Foram intimados da imposição tributária a contribuinte, na pessoa de seu representante legal, além dos senhores Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza e Odécio Carlos Bazeia de Souza, estes na qualidade de responsáveis (fls. 512/517, 562/565). Irresignados, a contribuinte e os responsáveis tributários ingressaram com impugnações distintas, em que alegam: Da contribuinte (fls. 575/624) Arguiu, em sede preliminar: a nulidade das notificações expedidas em vista de que não foram remetidas para o endereço informado pela contribuinte à administração tributária; tampouco para o domicilio do sócio representante, consignado no contrato social; a acolhida dos livros contábeis, bem assim dos documentos fiscais que apresentou, ao mesmo tempo em que requereu conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal analisasse a documentação apresentada; Fl. 4650DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 535 5 o arbitramento é injusto e desproporcional, considerandose que a autoridade fiscal dispunha do faturamento da contribuinte informado na DIPJ, aliado A. circunstancia de que na fase impugnatória foram apresentados os registros contábeis, o que enseja considerarse improcedente a autuação ou a conversão do julgamento em diligência para constatação da procedência do que fora alegado; conforme consta das DIPJ apresentadas a contribuinte teve prejuízo nos anos calendário de 2005 e 2006, donde não há que se falar em arbitramento de lucro, o que pode ser aferido por diligência com vistas a apurar o alegado; a movimentação financeira estampada nos extratos bancários objeto do presente processo foi devidamente contabilizada nos livros Diário e Razão, o que pode ser confirmado pela documentação apresentada e por diligencia para verificação fiscal do alegado, requerida no ato da impugnação; as notas fiscais que anexou justificam a origem das importâncias depositadas nas contas bancárias, não apresentadas oportunamente pelo fato de a contribuinte não ter recebido as notificações para exibilas; nos autos não há menção de que procedera a entrega espontânea da DIPJ, tampouco do faturamento e do prejuízo nela declarados, caracterizando ausência de clareza e precisão quanto ao exato descumprimento apontado, o que caracteriza cerceamento de defesa. No mérito, alegou que: o lançamento efetuado não pode se basear em suposições, conjecturas ou presunções, A luz da regra prevista no art. 142 do CTN que exige fatos concretos para sua efetivação, admitindose a dispensa de sua comprovação apenas nas hipóteses das ditas presunções legais, tal como prevê o art. 334, IV, do Código de Processo Civil (CPC); a renda e proventos a que alude o art. 43 do CTN requerem a existência de acréscimo patrimonial, o que não é o caso presente, em que a contribuinte apresentou prejuízo no período sob fiscalização, conforme DIPJ, além de que houve créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos e lançamentos decorrentes de fluxo entre as empresas; é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários, conforme enunciado da Súmula 182 do TFR; a presunção de que os depósitos bancários constituem omissão de receita, da qual se valeu a autoridade fiscal, afronta o principio da verdade material, um dos sustentáculos do processo administrativo fiscal, que não admite a chamada inversão do ônus da prova para ser desconstituida; o arbitramento do resultado, medida extrema a ser adotada em casos de total imprestabilidade da escrita contábil e absoluta impossibilidade de apuração da receita e despesa, requer prova de que a escrituração apresenta vícios ou omissões capazes de comprometêla, o que não foi demonstrado pela fiscalização; 6 improcedente a imposição de multa qualificada e agravada em vista de que não existe certeza acerca do lançamento, tampouco comprovação de ter havido evidente intuito de fraude, conluio ou sonegação; pleiteou fossem acolhidos os documentos apresentados juntamente com a impugnação, por retratarem a compatibilidade do faturamento demonstrado com o que fora declarado em DIPJ e os depósitos bancários; e, na pior das hipóteses, a conversão em diligência para manifestação da autoridade fiscal acerca da harmonia entre o que consta dos documentos e o que fora apurado no procedimento fiscal; Fl. 4651DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 536 6 alegou que o arbitramento levado a efeito quando dispunha dos dados lançados na DIPJ, demonstrando a contabilização das contas bancárias e a ocorrência de faturamento compatível com os depósitos bancários caracteriza cerceamento de defesa, a ensejar a nulidade do procedimento; Ao final, na pessoa de seu representante legal, assumiu responsabilidade administrativa, civil e criminal pela autenticidade das copias apresentadas, ao mesmo em que requereu: "a) preliminarmente, que seja decretada a nulidade do auto de infração/lançamento, pelo evidente cerceamento pleno ao direito de defesa, por não atender ao (sic) pressupostos legais, pelas razões amplamente demonstradas acima; b) no mérito, ad argumentandum tantum, ainda que não seja acolhida a preliminar de nulidade do lançamento, pelas preliminares levantadas, seja deferida a sua impugnação, em homenagem ao Direito e como medida da mais elevada Justiça; c) caso ainda não seja deferida a sua pretensão quanto ao mérito, o que se admite apenas por amor a argumentação, não poderia se cogitar de penalidade agravada em 225% por absoluta ausência da prova do crime". Dos responsáveis Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima (fls. 632/692) Os designados responsáveis declinaram os mesmos argumentos que a contribuinte apresentou em sua impugnação, além de acrescentarem o que segue, acerca da atribuição de responsabilidade tributária: em momento algum foi demonstrada qualquer intervenção dos designados responsáveis solidários em ato praticado, tampouco qualquer omissão apta a dar causa a tal exigência; ademais, "mostrase absolutamente possível exigirse o cumprimento da obrigação da empresa H4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda., se fosse o caso, o que afasta de imediato a responsabilização de qualquer outra pessoa, a demandar a exclusão dos tidos 'responsáveis solidários' do pólo passivo da presente relação tributária"; a autoridade lançadora poderia fazêlo apenas se a contribuinte estivesse insolvente, inexistindo no ordenamento qualquer co responsabilização automática dos sócios por suposta divida da empresa; não restou configurada a ocorrência da hipótese prevista no art. 135 do CTN, "o qual condiciona a responsabilização que prevê a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, igualmente incorrendo, portanto, nos autos a hipótese no mesmo contemplada"; "para que se pudesse incluir os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza no pólo passivo da exigência fiscal em epígrafe, como pretende a fiscalização, mister que tivesse a mesma obtido uma declaração eficaz de sua responsabilidade, o que somente teria sido possível mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença condenatória transitada em julgado. Somente assim poderseia considerar tais pessoas fisicas como coresponsáveis pelo crédito tributário"; escorouse em doutrina e jurisprudência para justificar suas alegações; Ao final pleitearam a exclusão de seus nomes do pólo passivo. Do responsável Odécio Carlos Bazeia de Souza (fls. 3.208/3243) Consignou que adotava como suas as razões de inconformismo apresentadas pela contribuinte. Arguiu em preliminar que: Fl. 4652DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 537 7 as intimações endereçadas à contribuinte não foram encaminhadas para o endereço onde exercia as atividades, mas para outro, na Rua Park 673, Centro, em Bálsamo, SP, endereço diverso do domicilio fiscal da sede da empresa; em nenhum momento o impugnante foi intimado para apresentar qualquer dos documentos exigidos pela fiscalização; apenas fora intimado a prestar informações sobre créditos que ingressaram em suas contas bancárias, o que foi prontamente atendido e desautoriza a imputação de multa agravada, tal como ocorreu no caso presente; o arbitramento do lucro decorrente de presunção de omissão de receita não caracteriza evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de oficio; o lançamento efetuado não pode se basear em suposições, conjecturas ou presunções, à luz da regra prevista no art. 142 do CTN, que exige fatos concretos para sua efetivação, admitindose a dispensa de sua comprovação apenas nas hipóteses das ditas presunções legais, tal como prevê o art. 334, IV, do Código de Processo Civil (CPC); o arbitramento do resultado é medida extrema, a ser adotada em casos de total imprestabilidade da escrita contábil e absoluta impossibilidade de apuração da receita e despesa, requer prova de que a escrituração apresenta vícios ou omissões capazes de comprometela, o que não foi demonstrado pela fiscalização; é improcedente a imposição de multa qualificada e agravada em vista de que não existe certeza acerca do lançamento, tampouco comprovação de ter havido evidente intuito de fraude, conluio ou sonegação; alegou que foram apresentados a DIPJ do anocalendário de 2005, além dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) correspondentes àquele período, com demonstração dos valores apurados; dessa forma, a 'autoridade administrativa não poderia ter incluído o impugnante como sócio de fato da empresa e, conseqüentemente, como sujeito passivo solidário das suas obrigações tributárias, imputandolhe exacerbado e injusto ônus tributário, sem lhe garantir a oportunidade de apresentar documentos e esclarecer eventuais dúvidas, inclusive sobre a contabilidade e origem dos recursos ingressados nas contas bancárias da empresa', o que ocasionou a lavratura do termo de sujeição passiva com cerceamento do direito de defesa. No mérito alegou que: em nenhum momento ficou demonstrado que o impugnante é efetivamente sócio de fato da contribuinte; a declaração do responsável pelo Frigorífico Centro Oeste Ltda. no sentido de que efetivamente comandava a empresa apenas demonstra que ele fora incumbido de tomar conta e dar andamento na abertura da firma H4, no seu período inicial de funcionamento; a responsabilidade solidária foi atribuída com base em suposições; as declarações do senhor Paulo de Tarso Biela Zucolotto e dos sócios proprietários da contribuinte, anexas A. impugnação apresentada, confirmam o que alega; a movimentação bancária, que a autoridade fiscal levou em conta para caracterizar o interesse comum, referese A. compensação de cheques emitidos pelo impugnante para efetuar pagamentos de fornecedores e demais despesas administrativas; o fato de o impugnante ser procurador da empresa não é elemento suficiente para afirmar que ele era, de fato, sócio; não consta dos autos ou das conclusões relatadas qualquer indicio de vantagem, interesse pessoal ou transferência de recurso, a não ser a movimentação financeira com lastro documental efetivo; Fl. 4653DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 538 8 no que se refere aos valores que ingressaram em sua conta de depósitos, embora já tivesse prestado esclarecimentos à fiscalização, apresenta demonstrativo dos pagamentos efetuados a fornecedores e de despesas da contribuinte, acompanhado dos correspondentes documentos, o que demonstra não ter havido qualquer vantagem de cunho financeiro, ao mesmo tempo em que protestou pela juntada posterior de microfilmes dos cheques emitidos para pagamento das obrigações; consignou que apresentava cópia dos livros diário, razão, registro de entradas e de saídas, abrangendo o período sob fiscalização, em que demonstra que a contribuinte obteve prejuízo e que os valores de vendas são compatíveis com a movimentação financeira apurada, ao mesmo tempo em que requereu a conversão em diligência para que sejam refeitos os trabalhos fiscais à vista da documentação apresentada, considerando que o impugnante não fora anteriormente notificado para apresentação da documentação. Ao final pleiteou sua exclusão do pólo passivo como responsável solidário. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos e integralmente as responsabilidade tributárias, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA. RESULTADO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indicidrio e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. 0 pedido de diligencia ou perícia deve ser denegado se houver sido formulado em desacordo com as prescrições legais, aliado à circunstância de estarem presentes nos autos elementos de convicção suficientes adequada compreensão dos fatos para solução da lide. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Fl. 4654DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 539 9 Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo. 0 direito de defesa é exercido caso instaurado o litígio mediante a impugnação do lançamento. MULTA QUALIFICADA. DOLO. INTENÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. A imposição de multa de oficio qualificada requer a demonstração de ter existido intenção dolosa. MULTA. MAJORAÇÃO. ESCLARECIMENTOS. AUSÊNCIA. Cabível a aplicação da multa de oficio majorada quando intimado o sujeito passivo não presta esclarecimentos em atendimento das intimações fiscais que lhe foram dirigidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado da decisão dos processos decorrentes No caso, em relação ao segundo, o terceiro e o quarto trimestres de 2005 e para o primeiro trimestre de 2006 a DRJ exonerou a multa qualificada sob o fundamento de que houve prestação de informações (DIPJ e DACON) para esses períodos. Irresignadas com a decisão de primeira instância, interpuseram recursos voluntários a este CARF, a empresa e os responsáveis tributários, Srs. Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima e Sr. Odécio Bazeia, em que repetiram literalmente os mesmos argumentos aduzidos anteriormente nas respectivas impugnações. É o relatório. Fl. 4655DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 540 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator CONHECIMENTO Atendido os requisitos de admissibilidade dos Recursos voluntários da empresa e dos Srs. Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima e Sr. Odécio, deles tomo conhecimento. LIDE Tratase de autos de infração decorrentes de omissão de receitas, apurada a partir de depósitos bancários sem origem justificada, cuja importância total serviu de base para arbitramento do lucro, em face de que a contribuinte não atendeu as intimações que lhe foram dirigidas, não apresentando os livros contábeis e fiscais. PRELIMINARES DE NULIDADE Inicialmente cabe esclarecer, que a empresa não detém interesse processual em face da defesa de terceiros, no caso dos responsáveis solidários que seria então motivo de não conhecimento. Porém, como as mesmas alegações de nulidade foram replicadas em comum por todos os solidários, tratase aqui nesse tópico de enfrentar todas essas alegações, não importando assim, o autor das mesmas. Os interessados enfileiram uma série de nulidades formais contra os autos de infração, maioria delas versando sobre problemas nas intimações, que foram muito bem rebatidas pela decisão de piso. Em primeiro lugar, cabe salientar que a Recorrente, bem assim os interessados nunca tiveram seu direito de defesa preterido, na medida em que a empresa foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotadas pela fiscalização. Também em nenhum momento de suas defesas, em apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstram o efetivos prejuízo que tiveram no seu direito de defesa de todas essas alegações de nulidade. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Todas elas foram postas repetindo literalmente os mesmos termos das respectivas impugnações, sem levar em consideração as razões da DRJ que muito bem rebateram uma a uma cada uma das alegações de nulidade e que precisariam ser infirmadas pelas recorrentes, mas não o fizeram. Ora, isso só reforça o fato de que tais alegações de nulidades são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes. Fl. 4656DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 541 11 Outrossim, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos naquilo que é relevante, para rejeitar as preliminares: Da intimação, do domicilio tributário e dos documentos fiscais e contábeis apresentados na impugnação Alega a contribuinte que as intimações não foram entregues no endereço declarado em seu contrato social, tampouco no dos sócios, circunstância que caracterizaria cerceamento de defesa. Aduziu que ao Fisco restaria efetuar a notificação por edital, em vista de que a intimação pessoal não fora profícua, o que não ocorreu. Acrescentou que as intimações dirigidas ao sócio Dorvalino Francisco de Souza, remetidas A cidade de Bálsamo, SP, para endereço diverso daquele constante do contrato social, foram recepcionadas por pessoa que não é preposto ou representante legal, dai resultando seu extravio. Arguiu que em face das ocorrências antes enumeradas não pode apresentar a documentação requisitada pelo Fisco, razão por que deve ser declarada a nulidade das notificações expedidas ou ao menos serem aceitos os livros e documentos fiscais apresentados na fase impugnatória. Dentre as diversas obrigações acessórias instituidas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos figura a de prestar declarações com vistas a manter atualizado o endereço do domicilio tributário. No caso presente, verificase que a impugnante não se preocupou em modificar o endereço, conquanto tivesse deixado as instalações em vista de que ocorrera o vencimento do contrato de arrendamento. O objetivo final da manutenção do domicilio tributário atualizado é o de assegurar a efetividade da comunicação entre o Fisco e o contribuinte. Sem descurar a circunstancia de que o Fisco, enfrentando dificuldades para arrecadar ou localizar o domicilio tributário do contribuinte, poderia fixálo dentro dos limites estabelecidos no CTN, art. 127, o fato é que ao enviar as intimações para o endereço do sócio, senhor Dorvalino Francisco de Souza, a autoridade fiscal pretendeu dar caráter pessoal a ditas notificações, haja vista que a intimação ficta, por edital, conforme pretende a contribuinte, apenas cumpre exigência legal que não tem o alcance e a efetividade daquela realizada pessoalmente. Importante salientar que o art. 23 do Decreto n. 70.235/1972, ao dispor que "a intimação poderá ser feita por edital" instituiu tal modalidade de notificação como uma prerrogativa da administração tributária; não como exigência. Fl. 4657DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 542 12 A alegação de que as intimações deveriam ser dirigidas para o domicilio eleito constante do contrato social é despropositada, haja vista que as alterações nas informações no cadastro da administração tributária foram efetuadas pelos próprios contribuintes. Se havia outro endereço para informar, deveria fazêlo ao tempo em que ocorreu o fato que ensejou a mudança respectiva. Tampouco merece prosperar a arguição de extravio das intimações, que teriam sido entregues a quem não é preposto da contribuinte, em vista de que a mesma pessoa que recepcionou as intimações, sra. Maria de Lourdes B. de Souza, também recebeu as peças do lançamento tributário, dirigido em desfavor da contribuinte e dos responsáveis (fls. 347, 350, 562/567). E a comprovação de que o auto de infração foi entregue reside na apresentação das correspondentes impugnações ao lançamento. Com tais alegações, aliadas a entrega de documentos contábeis e fiscais na fase impugnatória, a impugnante pretende, de forma obliqua, não só descaracterizar o arbitramento do resultado e restaurar a preclusäo que se deu com o não atendimento das intimações a ela enviadas, como também transferir ao Fisco a tarefa de ilidir a presunção decorrente do arbitramento do resultado. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade Perícia/Diligência A contribuinte requer a realização de perícia, bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia/Diligência deve ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais, perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Portanto, indefiro o pedido de diligência/perícia. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A Fl. 4658DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 543 13 recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações genéricas sem trazer aos autos quaisquer provas de suas alegações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.. Por todo o exposto, nego provimento a este item. ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme já relatado, tratase de autos de infração decorrentes de omissão de receitas, apurada a partir de depósitos bancários sem origem justificada, cuja importância total serviu de base para arbitramento do lucro, em face de que a contribuinte não atendeu as intimações que lhe foram dirigidas, não apresentando os livros contábeis e fiscais. No caso, foi solicitada pela autoridade fiscal a apresentar a sua escrituração contábil e fiscal: Registro de Entradas e Saídas, Livros contábeis e demais documentos de suporte das operações, nos anos calendário de 2005 a 2007, fls. 02 a 04. Segundo o TVF: A correspondência foi enviada para o endereço do sócio • administrador, com aviso de recebimento (AR), tendo em vista que a empresa desde o inicio de 2006 não funciona do endereço informado, Rua Anhanguera n. 17, Centro, BiriguiSP. Alias, este endereço sempre foi do Frigorifico Centro Oeste Ltda, CNPJ n.o 03.244.479/000108. Em diligência na empresa Frigorifico Centro Oeste Ltda, o sócio Paulo de Tarso Biela Zucolotto declara o seguinte, fls. 439: Em razão de inadimplência e grave crise financeira, o Frigorifico Centro Oeste foi obrigado a arrendar o frigorifico que s6 produz charque, para os senhores Ecleio e Durvalino, que eram donos do Frigorifico Ouroeste, eles mandaram seu irmão Sr. Odécio, para tomar conta e dar andamento da abertura da firma H4, isso em janeiro de 2005. Eles conseguiram a inscrição federal, mas como não havia conseguido ainda a inscrição estadual, e assim eles começaram a funcionar em nome do Frigorifico Centro Oeste e a vender em nome do Frigorifico Centro Oeste por dois a três meses, ficando com todo o resultado dessa operação, compra, venda e pagamento. Fl. 4659DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 544 14 Ai ao invés do arrendamento, eles (H4) preferiram uma prestação de serviço, para conhecer como funcionava a produção de charque. Elesremetiam a carne para cá, os insumos, por nota de remessa e o Frigorifico Centro Oeste fabricava o charque e devolvia com sua nota para eles. Os únicos pagamentos eram os funcionários e luz do prédio. Se eles conseguissem sucesso, ai sim, no fim do ano eles faziam um arrendamento do frigor(ico. Só que em janeiro de 2006, na semana que não me lembro, eles venderam todo o charque para o Frigorifico Vilhena em Seio Paulo, e no outro dia encostaram um caminhão e levaram tudo que eles haviam colocado, caixas plásticas, mesas, bem como no escritório, os ar condicionados,computadores, persianas, inclusive garrafas térmicas para o café, sem dar nenhuma satisfação ou explicação. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica na impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Na verdade, o arbitramento é uma medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumprisse suas obrigações fiscais quando lhe fosse conveniente. A autoridade fiscal, então, após ter intimado e reintimado a empresa, acertadamente, arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR/1999, abaixo transcrito: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Em função desse contexto, cabe enfatizar novamente, não restou ao fisco outra opção senão proceder a apuração do imposto com base no lucro arbitrado, tomandose por base a receita conhecida oriunda da presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/06, uma vez que declarou todas as suas DCTFs zeradas (2005 e 2006). Em relação ao segundo, o terceiro e o quarto trimestres de 2005 e para o primeiro trimestre de 2006 a DRJ exonerou a multa qualificada sob o fundamento de que houve prestação de informações (DIPJ e DACON) para esses períodos. Não obstante, é de se ressaltar que a omissão de receitas por presunção legal foi superior aos valores declarados e que o fiscal considerou na autuação apenas a diferença desses valores (omissão – declarado). Nesse sentido, tenho para mim que a omissão de receitas aqui em discussão perpassou por todos os períodos dos dois anoscalendário. Quanto à esse aspecto, a jurisprudência já sinalizou também que a desclassificação da escrita fiscal para fins de arbitramento de lucro não tem o condão de afastar Fl. 4660DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 545 15 a eficácia das receitas declaradas, para fins de enquadramento no art. 532 do RIR/99, conforme ementa abaixo reproduzida: IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS A desclassificação da escrita para fins de arbitramento de lucros não significa que devam ser desconsideradas as receitas escrituradas e declaradas pelo sujeito passivo. (1ºCC Ac. 10706845, 7ª C., Rel. Francisco de Assis Vaz Guimarães, data da sessão 17/10/2002). Cabe por fim, ratifica as observações pertinentes da DRJ: Da DIPJ entregue Conquanto a impugnante alegasse que tempestivamente efetuara a entrega da DIPJ relativa ao período em questão, o que municiaria a administração tributária de informações sobre seu faturamento e o prejuízo constante da declaração e tornaria desnecessário o arbitramento, há que se considerar que os dados inseridos nas declarações prestadas pela contribuinte prestamse apenas a provar que ela declarou, não os fatos tributários que deram origem ao que fora informado. Por tal motivo é que a impugnante fora intimada a apresentar seus livros fiscais e registros contábeis, com a ressalva de que o nãoatendimento ensejaria o lançamento com as informações disponíveis (fl. 07). Ao fisco a alternativa que restou foi a de arbitrar o resultado. Tampouco merece prosperar a alegação vertida ao final das preliminares, no sentido da falta de clareza e precisão relativamente aos ilícitos apontados, pois o arbitramento combatido pela impugnante ocorreu em face do nãoatendimento das intimações que lhe foram dirigidas, que não foram atendidas. Portanto, o arbitramento deve ser mantido. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS DORVALINO FRANCISCO E EDSON GARCIA Conforme relatório fiscal, foi atribuída a sujeição passiva solidária as pessoas físicas dos sócios, Srs. Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima, perante os atos praticados junto à empresa fiscalizada, nos termos do art. 124, I da Lei n° 5.172, de 1966, tendo em vista que no curso da ação fiscal verificouse que eles como sócios além de deterem poderes de gestão se beneficiaram direta e indiretamente dos ganhos ilícitos decorrentes da omissão praticada pela empresa, demonstrando o interesse comum na situação jurídica que constituíram os fatos geradores em lide. Consta do TVF: Resta comprovado no PAF, que os sócios, de forma direta, foram os responsáveis pela movimentação de receitas à margem da tributação, no valor R$ 22.262.318,01, sendo, conjuntamente com a empresa, beneficiários dos ganhos ilícitos decorrentes da omissão praticada, o que caracteriza o interesse comum de que trata o citado art. 124, I, do CTN. Fl. 4661DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 546 16 Conforme se verifica junto ao sistema CNI 33, consta como sócios da empresa fiscalizada os Srs. Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima.' Analisando, por amostragem, os cheques emitidos pela empresa, verificamse pagamentos para as empresas Continenal Ouoreste Carnes e Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, empresas estas das quais as citadas_pessoas são Sócias de direito e de fato, demonstrando que os mesmos foram os principais beneficiados pelas transferências de valores, fls.02 a 43 ) (...) Resta comprovado no PAF, portanto, que os sócios, de forma direta ou indireta, foram os responsáveis pela movimentação de receitas à margem da tributação, sendo, conjuntamente com a empresa, beneficiários dos ganhos ilícitos decorrentes da omissão praticada, o que caracteriza o interesse comum de que trata o citado art. 124, I, do CTN Responsável tributário – Sr. Odécio Bazeia Conforme relatório fiscal, foi atribuída a sujeição passiva solidária a pessoa físicas do Sr. Odécio, perante os atos praticados junto à empresa fiscalizada, nos termos do art. 124, I da Lei n° 5.172, de 1966, tendo em vista que no curso da ação fiscal verificouse que ele era um sócio de fato com amplos poderes para fazer movimentações bancárias e, nesse sentido, se locupletava de transferências bancárias de valores vultosos para sua conta particular, demonstrando o interesse comum na situação jurídica que constituíram os fatos geradores em lide. Verificase, portanto, não somente a existência do interesse mediato no resultado econômicofinanceiro das atividades da empresa, como acontece em regra para qualquer sócio. Há aqui nitidamente o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador(a receita, o lucro), uma vez que se locupletam dessas situações jurídicas, sem maiores formalidades, em função da chamada confusão patrimonial. Consta do TVF: (...) Também fica claro que alem deles, o Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza, Irmão do Sr. Dorvalino Francisco de Souza, participou ativamente dos negócios da empresa, possuía procuração com poderes totais para movimentar as contas bancarias e era quem efetivamente comandava a empresa, segundo declaração dos responsáveis pelo Frigorifico Centro Oeste Ltda, acima transcrita. Constatouse, também por amostragem, um grande fluxo de cheques emitidos pela empresa, com assinatura do próprio Odécio Carlos Bazeia de Souza e depositados em suas contas correntes, fls. 358 a 399. A resposta a intimação para justificar os créditos ingressados em suas contas, o Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza, na verdade é uma ampla confissão da estreita participação que tinha no comando da empresa: Em janeiro de 2005, meu irmão Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima assumiram a direção e controle da firma Denominada Frigorifico Centro Oeste Ltda, CNPJ n.° 03.244.479/000108, na cidade de BiriguiSP. Ao depois, quando a empresa H4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda, restou formalmente constituída, com o CNPJ n.° 07.168.344/000153, deparei com o Fl. 4662DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 547 17 fato de que sendo firma nova, os bancos relutavam em concederlhes créditos imediatos. Por esta razão, ocorreram uma pequena movimentação das operações desta empresa, ou seja, da H4 na minha conta pessoal junto ao Banco Nossa Caixa, acima citada, bem como na conta n.° 01.0511757 mantida junto ao Banco Banespa S/A, Ag. De MirassolSP, até que fossem compensados todos os cheques anteriormente emitidos e até que fosse aceito o cadastro da nova empresa junto aos bancos. Portanto, fica demonstrado que o Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza é sócio de fato da empresa fiscalizada, foi quem efetivamente geriu a empresa no período, tendo inclusive utilizado suas contas correntes para efetuar transação própria da empresa, ou seja, teve interesse comum nas atividades desenvolvidas. Como se vê, a resposta à intimação para justificar os créditos ingressados em suas contas, o Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza, na verdade é uma ampla confissão da estreita participação que tinha no comando da empresa, confirmado assim o fato atribuído a ele de que quem efetivamente geriu a empresa no período, tendo inclusive utilizado suas contas correntes para efetuar transação própria da empresa, ou seja, teve interesse comum na situação jurídica que constituiu o fato gerador. Como é sabido, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, como foi o caso, na situação demonstrada de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Outrossim, rejeitase a sua insurgência contra não ter sido intimado na fase oficiosa para prestar os esclarecimentos que seriam dirigidos à empresa. Em primeiro lugar, por se tratar de sócio de fato. Em segundo lugar, mas talvez mais importante, mesmo que se tratasse de sócio de direito ou mesmo da empresa, tratandose de fase oficiosa, é consagrado na jurisprudência que os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo. O direito de defesa é exercido caso instaurado o litígio mediante a impugnação do lançamento, como de fato aconteceu. Multa qualificada (150%) Delimitação Conforme relatado, em relação ao segundo, o terceiro e o quarto trimestres de 2005 e para o primeiro trimestre de 2006 a DRJ exonerou a multa qualificada sob o fundamento de que houve prestação de informações (DIPJ e DACON) para esses períodos. Não obstante, é de se ressaltar que a omissão de receitas por presunção legal foi superior aos valores declarados e que o fiscal considerou na autuação apenas a diferença desses valores (omissão – declarado). Fl. 4663DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 548 18 Nesse sentido, tenho para mim que a omissão de receitas aqui em discussão perpassou por todos os períodos dos dois anoscalendário. Posto isso, assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Tenho pautado os meus votos no sentido de que a “prática reiterada” de omissão de receitas constitui condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, não porque o intuito de fraude apenas se concretize com a repetição, mas porque com a repetição é que se exterioriza objetivamente o evidente intuito de fraude. Nesse contexto, fica nos autos devidamente evidenciado o dolo, uma vez que que o contribuinte, ao longo dois anos ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, declarando fração diminuta do que fora declarado. Apesar de ter engregue parcialmente as DIPJs de 2005 e DACON para parte de 2006, entregou nos dois anos DCTFs zeradas. Afora isso, constatouse a existência de sócio de fato, no caso o Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza, o que demonstra mais ainda o evidente intuito de fraude. Portanto, mantenho a multa de 150 % nos moldes em que foi lançada. AGRAVAMENTO DA MULTA EM 50% O TVF assim fundamentou de forma suscinta o agravamento da multa de ofício: Além disso, como a empresa não atendeu as inúmeras intimações efetuadas, estando sujeita, também, a multa majorada nos termos do § 2 o do Artigo 44, da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: (...) O que se verifica no caso concreto é que a falta de atendimento às referidas intimações além de ser um dos elementos que justificou o lançamento pela presunção de omissão de receitas aqui discutida, estaria, também, a justificar o arbitramento do lucro e o agravamento da multa. A meu ver, a intenção do legislador quanto à necessidade de agravamento da multa foi estabelecer um mecanismo de punição nas situações em que o atraso no fornecimento das informações solicitadas possa acarretar prejuízos ao procedimento fiscal. Registrese que a norma fala em “prestar esclarecimentos” e não em “apresentar documentos”. Isso porque a não apresentação de documentos implicaria para o sujeito passivo a possibilidade de ter seu resultado apurado por arbitramento, ou lançado por presunção legal, como foi o caso. Essa matéria foi inclusive sumulada: Fl. 4664DF CARF MF Processo nº 16004.000198/200978 Acórdão n.º 1401001.876 S1C4T1 Fl. 549 19 Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Por todo o exposto, dou provimento para desagravar a multa de ofício, diminuindoa para o patamar de 150%. TRIBUTO DECORRENTE Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade, para dar provimento parcial ao recurso voluntário da empresa apenas para para desagravar a multa de ofício, diminuindoa para o patamar de 150%; e negar provimento aos recursos dos respectivos responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 4665DF CARF MF
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