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Numero do processo: 10218.720670/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. ILEGITIMIDADE.
São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Não comprovada a efetiva venda do imóvel, nos termos da legislação, e as condições em que esta se deu, não há como se responsabilizar o suposto adquirente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72).
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideram-se não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação.
Questão relativa ao arbitramento do VTN não impugnada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. ILEGITIMIDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Não comprovada a efetiva venda do imóvel, nos termos da legislação, e as condições em que esta se deu, não há como se responsabilizar o suposto adquirente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideram-se não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. Questão relativa ao arbitramento do VTN não impugnada. Recurso negado.
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SUJEIÇÃO PASSIVA. ILEGITIMIDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Não comprovada a efetiva venda do imóvel, nos termos da legislação, e as condições em que esta se deu, não há como se responsabilizar o suposto adquirente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideramse não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. Questão relativa ao arbitramento do VTN não impugnada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 70 /2 00 7- 39 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720670/200739 Acórdão n.º 2101001.963 S2C1T1 Fl. 86 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 63/69) interposto em 22 de novembro de 2011 contra o acórdão de fls. 54/58, do qual o Recorrente teve ciência em 26 de outubro de 2011 (fl. 62), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 01/03, lavrado em 19 de novembro de 2007, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR. Exercício: 2003 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não tendo sido apresentados documentos hábeis para comprovar que o contribuinte estivesse desvinculado do imóvel rural objeto da tributação, à época do fato gerador do ITR/2003, não há que se falar em nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. DO VTN ARBITRADO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada o Valor da Terra Nua VTN arbitrado para o ITR/2003, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 54). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 63/69, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720670/200739 Acórdão n.º 2101001.963 S2C1T1 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que o Recorrente não contestou o mérito da autuação, qual seja, o arbitramento do Valor da Terra Nua VTN, limitandose a alegar a ilegitimidade passiva em razão da venda do imóvel. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Pois bem, alega o Recorrente que não deve figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária pelo fato de que teria, supostamente, procedido à prévia venda do imóvel objeto do lançamento, sendo a responsabilidade, portanto, da empresa adquirente. Todavia, como bem decidiu a DRJ, tanto o compromisso particular de compra e venda de fls. 27/29 (aliás, sem firma reconhecida), como o rascunho de escritura pública de compra e venda de fls. 32/35, sem qualquer assinatura, não fazem prova suficiente de que houve a transferência, como pretende o Recorrente, quer da propriedade, da posse ou de qualquer ônus tributário à empresa Agropecuária Umuarama Ltda. A esse respeito, adotase como razões de decidir o quanto exposto pela DRJ: “O requerente pretende retirarse do pólo passivo da obrigação tributária, sob a alegação de ter vendido o referido imóvel rural, para a sociedade empresária Agropecuária Umuarama Ltda. (CNPJ 15.320.781/000179), por meio de Contrato de Compromisso Particular de Compra e Venda de Imóvel Rural, firmado em 07/03/2001 (às fls. 27/29), portanto, antes da data do fato gerador do ITR/2003 (1º/01/2003, nos termos da legislação citada anteriormente). No entanto, o referido compromisso particular de compra e venda (fls. 27/29) não é suficiente para caracterizar a transferência de propriedade do imóvel, por não possuir o condão de efetuála. Os seus efeitos são meramente obrigacionais e não reais, pois não transfere, por si só, o domínio do bem vendido, gerando apenas, para o vendedor, a obrigação de outorgar ao comprador a escritura definitiva de compra e venda, título hábil para transferência do imóvel junto ao registro imobiliário No presente caso, a referida Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720670/200739 Acórdão n.º 2101001.963 S2C1T1 Fl. 88 4 transação deveria ter sido realizada por meio de escritura pública de compra e venda, registrada no cartório de registro de imóveis competente, nos termos do art. 531, do antigo Código Civil, combinado com o disposto nos artigos 167 e seguintes da Lei nº 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos)” (fl. 57). Corrobora esse entendimento o fato de que a DITR do exercício de 2003 foi apresentada pelo próprio Recorrente (fls. 11 e seguintes). Portanto, não tendo sido produzida qualquer prova de que a suposta adquirente era a efetiva possuidora do imóvel à época do fato gerador e não sendo suficientes as provas trazidas pelo Recorrente para configurar a transferência da propriedade, de rigor a manutenção da autuação lavrada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001070/2002-03
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESSARCIMENTO DE IPI. ART. 11 DA LEI 9.779/99.
O estabelecimento importador equiparado a industrial faz jus ao benefício previsto na Lei 9.779/99.
Numero da decisão: 3401-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 19/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida DRJ Ribeirão Preto SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. ART. 11 DA LEI 9.779/99. O estabelecimento importador equiparado a industrial faz jus ao benefício previsto na Lei 9.779/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do Relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 19/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 10 70 /2 00 2- 03 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Em 23.4.2002, a filial de CNPJ 84.046.101/028284 da contribuinte Bunge Alimentos S/A apresentou Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI referentes ao 2º trimestre de 2001, no montante de R$ 311.390,21. De acordo com o Pedido, os créditos em questão se referem a “produtos adquiridos na importação e transferidos com alíquota zero do IPI”. A contribuinte cita, como base legal, a Lei 9.779/99. Dispõe o art. 11 da DecretoLei nº Lei 9.779/99: “Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Em 16.7.2002, a contribuinte protocolizou Pedido de Compensação de débito de COFINS, referente a jun/2002, no valor de R$ 311.390,21. O citado processo foi formalizado sob o nº 13971.001960/200221 e apensado a este processo administrativo. Em 23.6.2006, após os trâmites processuais, o pleito foi analisado pela Delegacia da Receita Federal em Paranaguá (conforme despacho decisório às fls. 91 a 95), que indeferiu o pedido, por entender, em síntese, que: “O ressarcimento de créditos de IPI relativos a insumos tributados aplicados na industrialização de produtos isentos, imunes ou com alíquota reduzida a zero, só pode ser efetuado ao estabelecimento que efetivamente industrializou produto isento, imune ou com alíquota reduzida a zero”. Assim, a filial de Paranaguá (que protocolizou o pedido em tela) não faria jus ao crédito, vez que transferiu os produtos que dariam origem ao crédito para estabelecimentos industriais da contribuinte em Ourinhos (SP) e Luziânia (GO). É de se observar que o indeferimento do pedido de ressarcimento também implica a nãohomologação da compensação. Em 28.7.2006, a contribuinte requereu a reforma da decisão, em manifestação de inconformidade (fls. 98 a 105), na qual alegou, em síntese, que: a) a operação de transferência dos produtos importados para industrialização para outro de seus estabelecimentos, efetuada com suspensão de IPI, estava acobertada pela legislação de regência, não havendo motivos para o indeferimento de sua solicitação. b) “Independentemente de ter o estabelecimento impugnante industrializado ou não os produtos que importou, e que efetivamente se destinavam à industrialização, este aspecto por si só não lhe retira o direito ao crédito pleiteado”. Em sessão de 12.3.2008, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão PretoSP decidiu por indeferir a solicitação da contribuinte, nos termos do relatório e voto às fls. 121 a 124, por entender que: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10907.001070/200203 Acórdão n.º 3401001.771 S3C4T1 Fl. 191 3 “Se os insumos importados não forem utilizados no processo industrial do estabelecimento importador, havendo saída destes com a suspensão do imposto, inexiste previsão legal para o aproveitamento dos créditos do imposto referentes ao desembaraço aduaneiro na forma de ressarcimento e compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Notou ainda o órgão julgador que: “O crédito concernente ao desembaraço aduaneiro das matériasprimas pode até existir e ser compensado na escrita fiscal com débitos do próprio imposto em outras operações, contudo, este não pode ser usufruído sob a forma de ressarcimento e compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Em 20.6.2008, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário às fls. 127 a 138, no qual alega, em síntese que: a) “realizou a saída em transferência do produto importado com ‘suspensão do IPI’, nos termos do inciso II, do § 3º c/c inciso XI do art. 40 do próprio RIPI/98, aprovado pelo Decreto nº 2.637/1998, que dispõe: Art. 40. Poderão sair com suspensão do imposto: (..) XI os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma; (...) § 3º A suspensão de que trata o inciso XI não se aplica: (...) II quando o produto remetido for destinado a emprego na industrialização de produtos tributados a alíquota zero ou isentos, em relação aos quais não tenha sido autorizado o aproveitamento do crédito relativo às matériasprimas, aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na sua produção”. (grifos da contribuinte) Assim, conclui a contribuinte: “Como se depreende, a operação realizada pela Recorrente de transferir os produtos importados para industrialização em outro estabelecimento da mesma empresa, com suspensão do IPI estava perfeitamente acobertada na legislação correspondente, estando, assim, legitimada para pleitear o crédito que lhe foi negado.” A contribuinte apresenta ainda jurisprudência administrativa sobre o assunto. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 b) Independentemente de ter o estabelecimento recorrente industrializado ou não os produtos que importou, e que efetivamente se destinavam à industrialização, este aspecto por si só não lhe retira o direito ao crédito pleiteado, como pretendeu apontar o julgador ‘a quo’ ao grifar a expressão ‘aplicados na industrialização’, como se deprenderá das razões abaixo, já que o próprio legislador estabeleceu uma ficção jurídica ao equiparar o importador a industrial, o que se estende por conseqüência ao fato de ‘industrializar’ ou não. (...) a equiparação é total e presumida, sem qualquer exceção e sem restrições tais como as pretendidas pela decisão recorrida”. (...) Há que se ler o texto legal considerando que o importador é equiparado a estabelecimento industrial, inclusive no que se refere a industrialização que não realiza na prática, nos termos dos arts. 9º c/c 8º e 4º do RIPI/98. (...) O estabelecimento Recorrente tem os mesmos direitos do estabelecimento industrializador dos produtos importados, no que tange à manutenção do crédito de IPI das entradas e sua utilização para compensação, acaso não tenha as operações de saída tributadas pelo mesmo imposto. Foi apresentado julgado administrativo sobre o tema. A contribuinte concluiu seu recurso requerendo a reforma da decisão da DRJ, com a conseqüente homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Conheço do presente recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em síntese, o presente caso versa sobre a possibilidade de a contribuinte solicitar o ressarcimento de saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, enviados para industrialização em outro estabelecimento (também da contribuinte) com suspensão. A fim de justificar a manutenção da decisão contrária à pretensão da contribuinte, a DRJ se apóia primariamente no fato de que a industrialização dos produtos importados não se deu no estabelecimento adquirente e sim em outros estabelecimentos filiais. Isso porque dispõe o art. 11 da Lei 9.779/99 (grifamos): “Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10907.001070/200203 Acórdão n.º 3401001.771 S3C4T1 Fl. 192 5 intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Neste particular, tenho entendimento divergente daquele defendido pela DRJ. Isto porque em momento algum a legislação menciona que a industrialização em questão deve ser realizada no estabelecimento adquirente, mas apenas e tão somente que os produtos devem ser utilizados no processo de industrialização. Não pode a autoridade julgadora, ao interpretar normas, complementálas de forma a alterar seu significado. E pareceme que as instâncias anteriores assim os fizeram, pois “aplicados na industrialização” não significa “aplicados na industrialização pelo próprio estabelecimento”. Aliás, é de se ressaltar que, no presente caso, a contribuinte adquirente não é considerada estabelecimento industrial, mas apenas equiparada a este, nos termos do inc. I do art. 9º do RIPI/98: “Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I)” Ora, sendo apenas equiparado a estabelecimento industrial, está claro que o estabelecimento contribuinte pode não possuir meios de efetivamente industrializar os produtos, devendo, neste caso, enviálos a outros estabelecimentos capazes de fazêlo. Porém, uma vez que não existe disposição expressa em sentido contrário, entendo que tal equiparação, é para todos os efeitos. Portanto, negar à contribuinte equiparada a estabelecimento industrial um benefício próprio deste tipo de estabelecimento implica contrariar disposição legal expressa, qual seja, aquela que equipara o estabelecimento importador a um estabelecimento industrial. Assim, pode a contribuinte enviar tais mercadorias a outro estabelecimento se valendo da suspensão de IPI que lhe é facultada pelo art. 40 do RIPI/98 mantendo os créditos relativos à aquisição dos materiais e, consequentemente, a possibilidade de compensar o saldo credor do IPI na saída de outros produtos. Assim, o fato de que não possui a contribuinte os meios para realizar a industrialização no estabelecimento adquirente (e equiparado a estabelecimento industrial) não impede este de usufruir do benefício previsto no art. 11 do DecretoLei nº Lei 9.779/99. O art. 11 do DecretoLei 9.779/99 é claro ao dispor que os créditos que não puderem ser compensados com o IPI devido na saída de outros produtos poderão ser utilizados de conformidade com o procedimento previsto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/96. Dispõe o art. 40 do RIPI/98 que poderão sair com suspensão do IPI os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento industrial ou equiparado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 De acordo com a contribuinte, a citada norma não traria uma faculdade, mas sim uma determinação cabal a ser seguida pela contribuinte. Ao afirmar a obrigatoriedade de seguir tal procedimento, a contribuinte discorre (grifos da recorrente): “Tanto é verdade, que o inciso II do § 3º do art. 40 citado é taxativo para o caso de que ‘a suspensão de que trata o inciso XI não se aplica quando o produto remetido for destinado a emprego na industrialização de produtos tributados a alíquota zero ou isentos, em relação aos quais não tenha sido autorizado o aproveitamento do crédito relativo às matériasprimas, aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na sua produção’.” Ocorre que, neste particular, a interpretação da contribuinte está equivocada. Ora, a norma em questão claramente dispõe que a remessa de produtos com suspensão de IPI é faculdade do contribuinte, que pode exercêla ou não. Neste sentido, cito o acórdão nº 203 11.516, da antiga 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, da Sessão de 8.11.2006 (grifamos): “IPI. SAÍDA COM SUSPENSÃO. FACULDADE. A saída de produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com suspensão do IPI é facultada ao contribuinte, contudo, feita a opção por saída com destaque do imposto, deve o estabelecimento proceder à escrituração correspondente. Recurso negado” Entendo que a regra do art. 40, § 3º, inc. II, do RIPI/98, trata de uma situação específica, na qual a contribuinte não tem a faculdade prevista no inc. XI do mesmo artigo, e não de uma exceção a uma determinação anterior. É de se notar, porém, que o equívoco da contribuinte neste ponto particular não muda o fato de que ela tem direito ao ressarcimento pleiteado. Isto posto, resta claro que, no caso em tela, a contribuinte possui a faculdade de enviar os itens importados para outro estabelecimento com o IPI suspenso (como fez neste caso) ou de destacar o IPI na nota fiscal, para assim transferir os créditos para o estabelecimento destinatário industrializador. No presente caso, ao remeter os produtos importados com o IPI suspenso, optou a contribuinte por manter os créditos no estabelecimento importador – como lhe é facultado. Assim, pareceme que a contribuinte atende a todos os requisitos previstos para se valer do benefício previsto no art. 11 da Lei 9.779/99. E, uma vez que não pôde utilizarse do saldo apurado no 2º trimestre de 2001 na compensação com o IPI devido na saída de outros produtos do estabelecimento, pode a contribuinte pedir o ressarcimento destes valores em espécie. Em face de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso da contribuinte, com a conseqüente homologação da compensação realizada no PA 13971.001960/200221, apenso a este processo. É como voto. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10907.001070/200203 Acórdão n.º 3401001.771 S3C4T1 Fl. 193 7 Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 16004.001169/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/07/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS A TERCEIROS. FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA.
As contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos devem ser recolhidas pela empresa juntamente com as contribuições previdenciárias a seu encargo, tendo competência legal a Secretaria da Receita Federal do Brasil para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e ao recolhimento de tais contribuições sociais.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridas em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA.
São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA. As contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos devem ser recolhidas pela empresa juntamente com as contribuições previdenciárias a seu encargo, tendo competência legal a Secretaria da Receita Federal do Brasil para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e ao recolhimento de tais contribuições sociais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOP. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridas em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 69 /2 00 8- 42 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/12/2003 a 31/07/2006. Data da lavratura do AIOP: 27/11/2008. Data da Ciência do AIOP: 30/12/2008. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 300 3 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, a saber, Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 30/43 e anexos. Os fatos geradores das contribuições lançadas neste Auto de Infração se referem ao estabelecimento CNPJ 52.471.729/000220 (filial São José do Rio Preto) incidentes sobre o décimo terceiro salário 2003 e 2004, e competência julho/2006, apurados a partir dos dados registrados no CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, em relação aos quais não constam recolhimentos das contribuições patronais. Informa a Autoridade Lançadora que, do exame da documentação à qual teve acesso, houve por constatada a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Ltda, Pedretti e Magri Ltda, Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Ltda, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Frigorífico Mega Boi Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, CM4 Participações ltda e Wood Comercial Ltda, além das pessoas físicas João Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patrícia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas as pessoas jurídicas e físicas descritas no parágrafo precedente, as quais houveramse por devidamente notificadas do vertente lançamento. Irresignados com a autuação, os Srs. Alfeu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda ofereceram impugnação conjunta a fls. 53/63. O espólio de João Pereira Fraga, representado pelo seu inventariante Sr. João Adson Fraga, apresentou impugnação a fls. 81/124. A empresa autuada e os demais devedores solidários não se manifestaram nos autos do processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 169/187, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância, conforme Editais e Avisos de Recebimento a fls. 188/219, inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, os Srs. Alfeu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda ofereceram Recurso Voluntário conjunto a fls. 220/229. O espólio de João Pereira Fraga, representado pelo seu inventariante Sr. João Adson Fraga, apresentou Recurso Voluntário a fls. 231/296. Os Recorrentes, em síntese, respaldam suas inconformidades em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que o Auto de Infração, no aspecto da responsabilidade dos Recorrentes, é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa; · Que João Pereira Fraga nunca foi sócio, administrador ou colaborador da empresa Frigorífico Caromar ltda; · Decadência parcial; · Nulidade do lançamento por falta de clareza na autuação e por cerceamento de defesa; · Que o lançamento carece de motivação; · Que em momento algum a fiscalização teve o cuidado de comprovar a responsabilidade tributária do espólio de João Pereira Fraga para com a empresa Frigorifico Caromar; · Que não se pode presumir a falta de recolhimento estribado em meros extratos ou folhas de pagamentos juntados em ações trabalhistas ou GFIPs sem antes intimar a empresa para provar a existência ou não do recolhimento. Aduz que o fiscal autuante promoveu o lançamento a partir dos valores consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIPs dos quais o espólio de João Pereira Fraga não teve acesso, não foi parte, não fora intimado da relação processual, não figura no polo passivo; · Que o arbitramento é um instrumental colocado à disposição do fisco para ser utilizado numa situação de extrema necessidade. Tratase de um procedimento que pode ser adotado em casos de total imprestabilidade da escrita contábil e absoluta impossibilidade de apuração da receita e despesas da empresa, o que não se constata no caso sub examine; A empresa autuada e os demais devedores solidários não ofereceram recurso voluntário em face da decisão de 1ª Instância. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 302DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 301 5 A intimação definitiva consumouse em 25 de junho de 2011. Havendo sido os instrumentos de recurso voluntário apresentados em 07/06/2011 e 15/06/2011, há que se reconhecer suas tempestividades. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário desta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que ao lançamento de contribuições previdenciárias cujos fatos geradores somente poderiam ter sido apurados mediante ação fiscal, aplicarseia o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 304DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 302 7 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado neste Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso presente, relata a Autoridade Lançadora que as contribuições descontadas dos segurados empregados foram devidamente recolhidas. Não foram recolhidas, todavia, nem mesmo parcialmente, as contribuições patronais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados destinadas a outras entidades e fundos, previstas no art. 3º da Lei nº 11.457/2007. Em consequência, o presente lançamento comporta, tão somente, as contribuições a cargo da empresa destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, em relação às quais não se houve por efetuado qualquer recolhimento prévio, circunstância que afasta peremptoriamente a incidência da regra de homologação assentada no §4º do art. 150 do CTN. Tal situação nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito a fl. 05, não consta qualquer crédito a favor do Autuado. Além disso, as importâncias relativas às rubricas em foco não foram, sequer, declaradas nas GFIP correspondentes. Nessas condições, somente com a deflagração de procedimento de auditoria fiscal nas dependências da empresa é que tais contribuições previdenciárias poderiam ser apuradas, conjuntura fática que atrai ao caso a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 303 9 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2003 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2005, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2009, inclusive. Diante de tal cenário, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 30 dias do mês de dezembro de 2008, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2002, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, não demanda áurea mestria concluir que as obrigações tributárias objeto do presente lançamento, em sua integralidade, não se houveram ainda por finadas pela algozaria do instituto da decadência tributária. 2.2. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE. Prega o Recorrente que o Auto de Infração, no aspecto da responsabilidade dos Recorrentes, é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetido ao crivo do contraditório e da ampla defesa. A razão não lhe sorri, porém. O presente Auto de Infração é decorrente de procedimento de fiscalização realizado diretamente na empresa autuada, tendo sido conduzido em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico. A fiscalização suso referida foi procedida pela emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0810700.2008.00376, e Termo de Início da Ação Fiscal, de 29/05/2008, a fls. 22/24, mediante o qual foi a empresa intimada a apresentar uma diversidade de documentos de interesse da fiscalização. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Na sequência, em 26/06/2008, foi a empresa, uma vez mais, mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, a fls. 25/26, e Termo de Intimação Fiscal, de 25/09/2008, a fl. 27, intimada formalmente a exibir nova documentação. Registrese que todos os documentos de intimação acima referidos foram recebidos diretamente pelo sóciogerente da empresa, Sr. Marco Antonio Cunha. Do exame da pletora documental, constatou o fisco federal que a filial São José do Rio Preto empresa Frigorífico Caromar Ltda, estabelecimento CNPJ 52.471.729/0002 20, nas competências 13/2003, 13/2004 e 07/206, deixou de recolher as contribuições patronais destinadas ao Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, como assim determina o art. 3º da Lei nº 11.457/2007. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) §3° As obrigações previstas na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. No que se refere às contribuições sociais referentes ao décimo terceiro salário de 2003 e 2004 e julho/2006, devidas pelo estabelecimento CNPJ 52.471.729/000220, os fatos geradores houveramse por extraídos diretamente dos sistemas informatizados do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, cuja base de dados é alimentada diretamente pelas informações prestadas pela própria empresa. Conforme se observa, inexiste qualquer irregularidade na edificação do lançamento ora em apreciação, eis que o procedimento de constituição do crédito tributário nele carreado houvese por conduzido em estreita consonância à lei. Quanto à alegação de que a responsabilidade dos devedores solidários baseouse em prova ilícita, por não ter sido submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, também não lhe confiro razão. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que a responsabilidade solidária das pessoas arroladas no presente Auto de Infração decorreu, única e exclusivamente, da constatação pela fiscalização da existência de grupo econômico de fato. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 304 11 Cumpre trazer à balha que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com propriedade, que a lei pode atribuir a terceira pessoa vinculada ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Nesse viés, com fundamento de validade nos dispositivos constitucional e legal revisitados, o legislador ordinário honrou dispor no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 que as empresas integrantes de grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias inseridas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Nesse sentido, assim dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame: Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Tal regulamentação não discrepa das disposições encartadas na Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 778. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 305 13 §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. A caracterização do grupo econômico legal, decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (grifos nossos) Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico de fato, também denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98)." GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) O grupo econômico de fato se caracteriza, portanto, pela reunião de várias pessoas, físicas ou jurídicas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio formalmente distintos e próprios, que combinam efetivamente recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou para participar de atividades ou empreendimentos comuns, conforme assim preconizado no inciso I do art. 124 do CTN. No caso da responsabilidade solidária de fato prevista no inciso I do art. 124 do CTN, assentado que a expressão interesse comum utilizada pelo legislador acomoda um conceito jurídico indeterminado, mostrase alvissareiro procedermos a uma exegese mais atenta do texto legal de molde a se determinar o real conteúdo e o alcance da norma in abstrato. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 306 15 Autores de nomeada de há muito prelecionam que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam os “sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. A respeito do tema, o eminente Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) fez verter sucintas palavras, não obstante profícuas, conforme se vos seguem: “... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador”. Na mesma linha de raciocínio segue o escólio de Rubens Gomes de Sousa sobre a matéria, em sua renomada obra Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed., pag. 67, in verbis: “São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação". O entendimento acima esposado não se atrita com o magistério do mestre Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, Ed. Melhoramentos, 27ª edição, 2006, p.165), que preleciona: “... o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica” No caso vertente, os fatos concretos e documentos que caracterizam o Grupo Econômico ora em debate encontramse descritos, de maneira bem detalhada no Relatório de Grupo Econômico que integra o Auto de Infração nº 37.181.7811, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001170/200877, compondo um conjunto de dois anexos formados por 33 volumes, comportando quase 5.000 (cinco mil) páginas de relatórios e documentos comprobatórios. Destacamos abaixo alguns excertos do mencionado Relatório de Grupo Econômico: Em 14/09/2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial n° 200008/06, para investigação dos fatos que chegaram ao seu conhecimento sobre organizações criminosas estabelecidas na Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 região de Jales SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública. Após exaustiva investigação, houvese por constituído o processo n° 2006.61.24.0003631, procedendose à representação ao Poder Judiciário para a expedição dos mandados de busca e apreensão em locais suspeitos com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados, deflagrando a operação denominada "GRANDES LAGOS", executada pela autoridade policial federal em 05/10/2006, prosseguindose com o interrogatório dos envolvidos e depoimento de testemunhas, juntados no anexo I DO GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO. Segundo as informações coligidas pela Policia Federal, apurou se que o NÚCLEO MOZAQUATRO, orquestrado por Alfeu Crozato Mozaquatro , com a participação ativa de seus filhos Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patrícia Buzolin Mozaquatro, além de coadjuvantes, dentre eles: João Pereira Fraga, Djalma Buzolin e Maria Elisa Lima Braga; bem como da colaboração expressiva de César Luis Menegasso, da Organização Contábil União de Tanabi, tinha como objetivo sonegar tributos e evitar demanda judicial de natureza fiscal e trabalhista mediante a criação de empresas "de fachada”, cujos sócios eram arregimentados para serem, no jargão policial "laranjas”, de modo a proteger de sequestros nas execuções fiscais, o patrimônio dos verdadeiros sócios e das empresas lícitas em seu nome (plantas e instalações frigoríficas em São José do Rio Preto, FernandópolisSP e Campina VerdeMG), com uso de dissimulados e precários contratos de arrendamento. II. DA DEMANDA JUDICIAL E OS PROCEDIMENTOS FISCAIS. Em seguida, o Poder Judiciário Federal em Jales expediu ofícios requisitórios ao fisco (Receita Federal e Receita Previdenciária) para fiscalizar os contribuintes as pessoas jurídicas e físicas envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de documentos e arquivos magnéticos com informações contábeis e fiscais; trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos. Concomitantemente, em 08/11/2006, a Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda de São Paulo, com seus agentes fiscais de renda, também efetuaram a busca e apreensão dos documentos e arquivos magnéticos, deflagrando a operação denominada "Tresmalho". A fiscalização previdenciária, à época, ligada à Secretaria da Receita Previdenciária, procedeu em 08/11/2006, à retenção dos elementos colhidos no endereço, através da lavratura de Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos AGD. A Secretaria da Fazenda Estadual em São José do Rio Preto, que mesmo antes da Operação Grandes Lagos, já cooperava com o fisco previdenciário no fornecimento de dados informatizados do Sintegra, movimentação mensal das entradas e saídas de mercadorias, principalmente, sobre as operações de comercialização dos produtos rurais (bovinos adquiridos para Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 307 17 abate) e, na troca de informações, disponibilizou também ao Fisco Federal o acesso ao material apreendido na operação "Tresmalho". Posteriormente, atendendo a solicitação do fisco federal com instauração do Processo n° 2007.61.24.0012673, a Justiça Federal em Jales expediu novos mandados de busca e apreensão executados em 05/10/2007, um, na Rua Coronel Joaquim da Cunha n° 445, Centro de Tanabi SP, endereço comercial da Organização Contábil União e da União Pratic Informática Ltda e o outro, no Mini Distrito Industrial de Monte Aprazível SP, na Rua José Pedro Bassan n° 1.000, onde se encontram as empresas lícitas (ostensivas) da Família Mozaquatro, a CM4 Participações Ltda e as Indústrias Reunidas CMA Ltda. Em 02/03/2007, a Justiça Federal – 24ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo, no Processo n° 2007.61.24.0002606, deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas, do período de 2002 a 2006, determinando às instituições financeiras o fornecimento de documentos e informações solicitados pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto. Doc. fls. 1.784 a 1.793. [...] 1.3. DO NÚCLEO MOZAQUATRO: Segundo informações colhidas na investigação e nos documentos examinados pela fiscalização, o NÚCLEO MOZAQUATRO, já detalhado no Anexo I GRUPO ECONÔMICO DE FATO GRUPO MOZAQUATRO sob o comando principal de Alfeu Crozato Mozaquatro é formado pelas empresas: EMPRESAS LÍCITAS (ostensivas): cujo quadro social é formado pela Família Mozaquatro: · CM4 Participações Ltda. · Indústrias Reunidas CMA Ltda. · CMA Indústria de Subprodutos Bovinos Ltda · M4 Logística Ltda. UNIDADES FRIGORIFICAS: empresas criadas dentro das plantas frigoríficas (pertencentes aos Mozaquatro) com uso de interpostas pessoas como sócias e sob "contrato de arrendamento". · Frigorífico Boi Rio Ltda. · Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Ltda. · Coferfrigo ATC Ltda · Cofercarnes Coml.Fernandópolis de Carnes Ltda. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 · Friverde Indústria de Alimentos Ltda EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS: empresas locadoras de mão de obra criadas com o uso de interpostas pessoas como sócias, para atender exclusivamente as unidades frigoríficas e o curtume. · Frigorífico Caromar Ltda · Wood Comercial Ltda · Nogueira & Poggi Ltda · Comercial Reis Produtos Bovinos Ltda. · Pedretti & Magri LtdaEPP · Frigorifico Mega Boi Lida · Transverde Transportes Ltda EMPRESAS NOTEIRAS criadas para fornecer notas fiscais. · Comércio de Carnes Boi Rio Ltda · Pereira & Pereira Comercio de Carnes Ltda. Notas: (1) A planta frigorifica COFERCARNES de Fernandópolis foi utilizada como filial da Coferfrigo ATC Lida. (2) A COMERCIAL REIS PRODUTOS BOVINOS foi criada para fornecer mão de obra exclusiva às Indústrias Reunidas CMA Ltda. (3) A filial CNPJ n° 04.352.222/001015 da Coferfrigo ATC sucedeu o Frigorifico BOI RIO, em São José do Rio Preto. (4) A filial CNPJ nº 04.352.222/000205 da Coferfrigo ATC sucedeu a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUÍS, na planta Mozaquatro de Fernandópolis SP. Mostrase alvissareiro também reportar trechos eloquentes do Relatório Fiscal, condizentes com as empresas do grupo econômico em trato: a) Frigorífico Caromar Ltda Empresa constituída em 18/04/1983, com endereço à Av. 25 de Janeiro, 155 Anchieta são José do Rio Preto SP. Tem como objeto social a prestação de serviços, prestando serviços para as empresa Comércio de Carnes Boi Rio Ltda em São José do Rio Preto e Coferfrigo ATC Ltda nas filiais de Fernandópolis e São José do Rio Preto. b) Nogueira e Poggi Ltda Constituída em 11/06/2003, com endereço à Rua Ipiranga, n° 2869, Bairro Boa Vista, na cidade de São J.do Rio Preto SP, para a prestação de serviços, tendo como sócios um ex empregado do Frigorífico Caromar Ltda e Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 308 19 outro do Frigorífico Boi Rio Ltda, substituiu parte da mão de obra das empresas Frigorífico Boi Rio Ltda e Frigorífico Caromar Ltda, prestando serviços exclusivamente para a Coferfrigo ATC Ltda na filial, CNPJ 04.352.222/001015, em São José do Rio Preto SP. c) Pedretti e Magri Ltda Empresa constituída em 02/10/2003, com endereço à rua Belmiro Gomes, 137, casa 1, Vila Angélica em São José do Rio Preto SP, para a prestação de serviços, tendo como sócios dois exempregados do Frigorífico Caromar Ltda, substituiu parte da mão de obra das empresas Frigorífico Boi Rio Ltda e Frigorífico Caromar Ltda, prestando serviços exclusivamente para a Coferfrigo ATC Ltda na filial 04.352.222/0010¬ 15, em São José do Rio Preto SP. d) Coferfrigo ATC Ltda Empresa constituída em 13/03/2001, sucessora da Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Ltda, com centralização para fins de fiscalização de contribuições previdenciárias no estabelecimento CNPJ. 04.352.222/0002¬ 05, situado inicialmente na Av. Expedicionários Brasileiros, 139 em Fernandópolis SP c tendo como último endereço Estrada Municipal Fernandópolis a Meridiano, s/n, zona rural em Fernandópolis SP. Constituída com a finalidade de abate de bovinos e comercialização da carne, couro e subprodutos tinha suas principais filiais, ou seja, as que realizavam os abates, instaladas em prédios pertencentes à CM4 Participações Ltda ou onde a mesma era sócia. Sempre utilizou mão de obra terceirizada. e) Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Ltda Empresa constituída em 11/03/1997, sucedida pela Coferfrigo ATC Ltda, ambas tendo como sócio gerente o Sr. Valter Francisco Rodrigues Júnior, com centralização para fins de fiscalização de contribuições previdenciárias no estabelecimento CNPJ. 01.628.432/000342, tendo como último endereço Av. Expedicionários Brasileiros, 139 em Fernandópolis SP. Constituída com a finalidade de abate de bovinos e comercialização da carne, couro e subprodutos, instalada em prédio pertencentes à CM4 Participações Ltda. Sempre utilizou mão de obra terceirizada. f) Comércio de Carnes Boi Rio Ltda Empresa constituída em 10/05/1994, a principio realizava abate de bovinos e comercialização da carne, couro e subprodutos, até 08/2001, quando teve penhorado parte de seu faturamento pela Justiça Federal, passando então a prestar serviços de abate para terceiros, até 15/07/2003 data em que a Coferfrigo ATC Ltda transferiu sua filial 04.352.222/001015 para o local. A empresa CM4 Participações Ltda é uma das proprietárias das instalações onde ela funcionava, localizada à Rua Capitão Faustino de Almeida, 1530 São José do Rio Preto SP. A Coferfrigo ATC Ltda foi considerada sucessora da Comércio de Carnes Boi Rio Ltda em processos trabalhistas e em processo constante na Justiça Federal. Sempre utilizou mão de obra terceirizada, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 fornecidas pelas empresas Frigorífico Boi Rio Ltda e Frigorífico Caromar Ltda. g) Friverde Indústria de Alimentos Ltda Empresa constituída em 16/04/2004, com centralização para fins de fiscalização de contribuições previdenciárias no estabelecimento CNPJ. 06.215.383/000100, transferido de ofício para o endereço de sua filial à Rua Capitão Faustino de Almeida, 1530, São José do Rio Preto SP. Constituída com a finalidade de abate de bovinos e comercialização da carne, couro e subprodutos tinha suas filiais de São José do Rio Preto SP, Rua Capitão Faustino de Almeida, 1530 e Campina Verde MG, BR. 364, Km 148, instaladas em prédios onde a CM4 Participações Ltda era sócia. Utilizou mão de obra terceirizada. h) Frigorífico Mega Boi Ltda Empresa constituída em 23/11/1999, com endereço à Rua Trinta e Seis, 556, Centro em Campina Verde MG, para a prestação de serviços. Prestou serviços para a Coferfrigo ATC Ltda na filial 04.352.222/0012 87, de 10/2003 a 08/2004, a partir de 09/2004 prestou serviços para a Friverde Indústria de Alimentos Ltda, ambas com endereço à Br. 364, Km 148, Campina Verde MG, em 08/2005 por determinação do Ministério do Trabalho todos os empregados do Frigorífico Mega Boi Ltda foram transferidos para a Friverde Ind. de Alimentos Ltda. i) Comercial Reis Produtos Bovinos Ltda Empresa constituída em 11/06/2003, com endereço à Rua Osvaldo Aranha, 1190, Centro em Monte Aprazível SP, para a prestação de serviços. Prestou serviços, em atividade fim, exclusivamente para a Indústrias Reunidas CMA Ltda. j) Transverde Produtos Alimentícios Ltda Empresa constituída em 25/11/1999, com endereço inicial à BR 364, Km 148 Campina Verde MG, mesmo endereço do frigorífico, com a finalidade de transporte rodoviário de cargas para o Grupo Econômico. Tinha como sócio Álvaro Antonio Miranda, que também é sócio da Coferfrigo ATC Ltda, e que foi substituído por Otacílio José Rezende Freitas, que se declara pessoa interposta até mesmo nos processos trabalhistas verificados nas Varas do Trabalho de Ituiutaba e Iturama M G . k) Indústrias Reunidas CMA Ltda Empresa constituída em 30/10/1978, com centralização para fins de fiscalização de contribuições previdenciárias no estabelecimento CNPJ. 89.633.945/001983, com endereço à Estrada Linha Capivara I, s/n, zona rural em Fernandópolis SP. Constituída com a finalidade de curtimento e outras preparações de couro, era a destinatária do couro resultante dos abates das demais empresas do Grupo. l) CM4 Participações Ltda Empresa constituída em 05/09/1997, com endereço à Rua Pedro Bassan, 1000, Bloco I Sala 4 Monte Aprazível SP. Tem como objeto social o aluguel de imóveis próprios, e é a detentora dos imóveis do Grupo Mozaquatro. m) WOOD JALES LTDA, empresa inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ sob n° 04.983.269/000196, Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 309 21 com sede no município de Jales, Estado de São Paulo, na Rua Onze n° 556, I o andar, Centro, CEP 15700000, com início de atividade em 25/03/2002, constituída para explorar a atividade de frigorífico abate de bovinos, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Na alteração contratual datada de 14/08/2002 e arquivada da JUCESP em 19/08/2002 sob n° 171.029/021 a empresa passou se chamar WOOD COMERCIAL LTDA, criando o estabelecimento com inscrição no CNPJ sob n° 04.983.269/000277, e ampliando seu objetivo social que passou a ser o "abate de bovinos por conta própria e de terceiros, comercialização de carnes e seus subprodutos, prestação de serviços de mão de obra para abate de bovinos em estabelecimento de terceiros", para fornecimento da mão de obra para a filial da Coferfrigo ATC Ltda que funcionou em Jales no endereço Rodovia Euphy Jalles, Km 348 Jales – SP, de 10/01/2002 a 03/06/2003, conforme alteração contratual. n) João Pereira Fraga Sócio juntamente com a CM4 Participações Ltda da empresa Cofercarnes Comercial Fernandópolis de Carnes Ltda, arrendadora das instalações situada na Estrada Municipal Fernandópolis a Meridiano, s/n, zona rural em Fernandópolis SP para a Coferfrigo ATC Ltda. o) Alfeu Crozato Mozaquatro Sócio gerente das empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. p) Marcelo Buzolin Mozaquatro Sócio gerente da empresa CM4 Participações Ltda e Administrador da Indústrias Reunidas CMA Ltda. q) Patrícia Buzolin Mozaquatro Sócia gerente da empresa CM4 Participações Ltda e Administrador da Indústrias Reunidas CMA Ltda. Elucidativa mostrase, igualmente, a resenha extraída do Relatório da Polícia Federal que trata dos "cabeças ou chefes" do grupo: Os "cabeças" ou "chefes" são, a um só tempo, os "donos" do negócio, seus mentores intelectuais e os principais beneficiários do esquema. Gozam de ampla autonomia de decisão e dão a palavra final nos negócios lícitos e ilícitos do grupo que comandam. O Grupo dos "Noteiros" tem apenas um chefe, que é (...). Já o Grupo Mozaquatro tem quatro: Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e João Pereira Fraga. É nítida, no entanto, a ascendência do primeiro sobre os demais, em que pese todos serem proprietários dos negócios da quadrilha e gozarem de autonomia decisória no subgrupo que comandam. Marcelo e Patrícia, por exemplo, gozam de autonomia sobre a empresa Friverde; João Pereira Fraga decide sobre os negócios da empresa Coferfrigo de Fernandópolis. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Ambas são empresas colocadas em nome de "laranjas". Apesar de todos serem considerados "cabeças", Alfeu coordena as atividades, ao passo que Marcelo e Patrícia a gerenciam. O que todos têm em comum é o fato de serem os donos do empreendimento e os principais beneficiários das fraudes, como já mencionado. Do exame da documentação coligida aos autos pela fiscalização avulta existir entre o Autuado e os demais devedores solidários não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico, haja vista que todas as pessoas físicas e jurídicas arroladas pela fiscalização envidaram esforços significativos na atividade empresarial comum do grupo, e na realização da situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto deste lançamento, de onde se extrai a solidariedade entre eles, por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN. Nessas circunstâncias, são solidárias as pessoas que realizaram conjuntamente a situação que constitui o fato gerador, ou as que, em comum com outras pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Pintado nessas cores o quadro fático em questão, concluiu a fiscalização, com acerto, que a situação assim retratada caracterizavase grupo econômico de fato, em razão da existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das contribuições previdenciárias patronais em destaque, sendo então o lançamento lavrado não somente em nome do Frigorífico Caromar ltda, mas, também, por solidariedade passiva tributária, em nome das demais pessoas consignadas nos Termos de Sujeição Passiva Solidária a fls. 539/589 do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001168/200806, lavrado na mesma ação fiscal. Não procede, portanto, a alegação de que o Auto de Infração tenha se baseado em prova ilícita. Ele decorre de regular procedimento de fiscalização, autorizado mediante MPF, tendo sido o próprio sócio gerente da empresa notificado do início do procedimento fiscal ao assinar o TIAF a fls. 22/24 e TIAD a fls. 25/27. Também se revela à calva de fundamentação o argumento de que o Auto de Infração não foi submetido ao crivo do contraditório e da ampla defesa. Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa ou não contenciosa, a autoridade administrativa procede à coleta de informações, dados e elementos de prova, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 310 23 termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal que assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é instaurada a fase contraditória) ou, exercendo o direito de defesa e do exercício do contraditório, poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Não se deve olvidar que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o Notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido, hipótese em que não é instaurada a fase contraditória. Ao revés, pode ele, também, exercendo o seu direito de defesa, impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura da Autoridade Lançadora e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Não se pode perder de vista, igualmente, que os procedimentos de investigação levados a efeito na operação Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela Polícia Federal, pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Fazenda Estadual em São José do Rio Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales 24ª subseção Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de documentos e expediu ofícios requisitórios à Secretaria da Receita Federal e à Secretaria da Receita Previdenciária para fiscalizar os contribuintes as pessoas jurídicas e físicas envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de documentos e arquivos magnéticos com informações contábeis e fiscais, trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no art. 198 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001) §1o Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: (Redação dada pela Lcp nº 104/2001) I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) §2o O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) §3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104/2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) III – parcelamento ou moratória. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de nulidade tão veementemente erguida pelo Recorrente. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 311 25 De maneira análoga, a improcedência das alegações de nulidade do lançamento por falta de clareza na autuação e por cerceamento de defesa se revela às escâncaras pela mera e perfunctória leitura do Relatório Fiscal e dos demais relatórios que integram o processo em ribalta. Do exame da documentação fornecida pela Autuada, em conjunto com as informações registradas na base de dados do CNIS, a fiscalização constatou que a empresa em foco procedeu ao recolhimento, tão somente, das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, deixando de recolher, sem motivo justo, as contribuições patronais destinadas ao Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, como assim determina o art. 3º da Lei nº 11.457/2007. A fiscalização louvou acostar aos autos hard copy de telas do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, com informações das remunerações dos segurados empregados nas competências objeto do vertente lançamento, as quais fornecem esteio às alegações do fisco. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, os Recorrentes não lograram produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitaramse a deduzir ponderações acerca da suposta nulidade da autuação e da ausência de solidariedade dos arrolados, as quais se revelaram improcedentes, gravitando à distância do conjunto fático e do núcleo jurídico sensível do qual se irradiaram os fundamentos legais e constitucionais que forneceram esteio à exação em debate. Mostrase igualmente infundada a alegação de que o lançamento carece de motivação. Esta é simples e se encontra perfeitamente descrita nos Relatórios Fiscais que compõem o Auto de Infração. A empresa não efetuou os recolhimentos das contribuições sociais destinadas ao FNDE, INCRA, SENAI, SESI, e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, como assim determina o art. 3º da Lei nº 11.457/2007. Assim, por força das disposições insculpidas no art. 37 da Lei de Custeio da Seguridade Social, e em atenção ao caráter plenamente vinculado do seu dever de ofício, a teor do art. 142 do CTN, lavrou a fiscalização o vertente Auto de Infração, com a descrição clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98 §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Conforme demonstrado, inexiste qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de cerceamento de defesa ou de nulidade erguidas pelos Recorrentes, motivo pelo qual rejeitamos as preliminares de mérito por eles interpostas. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DOS FATOS GERADORES Alega o Recorrente que não se pode presumir a falta de recolhimento estribado em meros extratos ou folhas de pagamentos juntados em ações trabalhistas ou GFIPs sem antes intimar a empresa para provar a existência ou não do recolhimento. Aduz que o fiscal autuante promoveu o lançamento a partir dos valores consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIPs dos quais o espólio de João Pereira Fraga não teve acesso, não foi parte, não fora intimado da relação processual, não figura no polo passivo. Tal alegação se mostra totalmente divorciada das provas dos autos. Em primeiro lugar, a empresa foi intimada, por duas vezes, mediante TIAF a fls. 29/31 e TIAD a fls. 32/33 a apresentar uma série de documentos comprobatórios de recolhimentos das contribuições sociais a seu encargo, havendo sido comprovados, tão somente, os recolhimentos das contribuições devidas pelos segurados empregados, descontadas de suas respectivas remunerações, restando à calva de comprovação os pagamentos das contribuições previdenciárias patronais previstas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e aquelas destinadas a outras entidades e fundos. Em segundo lugar, a lei determina que sejam registradas nas folhas de pagamento todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, bem como nas GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, prestandose, portanto, tais documentos como fonte formal de sindicância e apuração dos fatos jurígenos tributários que integram o presente lançamento. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 312 27 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) §2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Não se deve olvidar que, nos termos da lei, os fatos geradores declarados nas GFIP implicam confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário correspondente. Por outro viés, não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações nas folhas de pagamento e nas GFIP não se configura como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Citese que tais documentos devem ser mantidos pela empresa à disposição da fiscalização, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, até que ocorra a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, assim como as GFIP equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Nesse contexto, havendo o registro de fatos geradores de contribuições sociais no Cadastro Nacional de Informações Sociais, o qual é alimentado diretamente pelas informações prestadas pela própria empresa mediante GFIP, sem a respectiva comprovação do seu efetivo recolhimento, presumemse devidas as contribuições sociais correspondentes, salvo demonstração e comprovação de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco, cuja produção probatória não logrou a empresa autuada coligir aos autos. 3.2. DO ARBITRAMENTO Pondera o Recorrente que o arbitramento é um instrumental colocado à disposição do fisco para ser utilizado numa situação de extrema necessidade. Tratase de um Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 313 29 procedimento que pode ser adotado em casos de total imprestabilidade da escrita contábil e absoluta impossibilidade de apuração da receita e despesas da empresa, o que não se constata no caso sub examine. O Recorrente está coberto de razão. O arbitramento é um instrumental colocado à disposição do fisco para ser utilizado numa situação de extrema necessidade, que só deve ser adotado em casos de total imprestabilidade da escrita contábil ou absoluta impossibilidade de apuração da receita e despesas da empresa, o que não se constata no caso sub examine. Ocorre, todavia, que os fatos geradores objeto do vertente Auto de Infração não foram apurados por arbitramento, mas, sim, a partir das informações registradas no Cadastro Nacional de Informações Sociais, sistema informatizado federal cuja base de dados é alimentada pelas informações declaradas mediante GFIP, documentos esses confeccionados e produzidos pela própria empresa autuada, sob sua responsabilidade, orientação, volição, comando e domínio, valendo ser dito, uma vez mais, que tais documentos se constituem nos meios próprios, previstos em lei, para o registro dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3.3. DA SOLIDARIEDADE PASSIVA Pondera o Recorrente que João Pereira Fraga nunca foi sócio, administrador ou colaborador da empresa Frigorifico Caromar ltda. Aduz que em momento algum a fiscalização teve o cuidado de comprovar a responsabilidade tributária do espólio de João Pereira Fraga para com a empresa Frigorifico Caromar ltda. Razão não lhe assiste. Conforme exaustivamente discutido e demonstrado nos tópicos precedentes, a responsabilidade solidária dos integrantes do grupo econômico encontrase taxativamente prevista nos artigos 124 e 128 do CTN, e inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A formação do grupo econômico restou irremediavelmente demonstrada no Relatório de Grupo Econômico, parte integrante do Auto de Infração nº 37.181.7811, lavrado na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.001170/200877, compondo um conjunto de dois anexos formados por 33 volumes, comportando quase 5.000 (cinco mil) páginas de relatórios e documentos comprobatórios. A fiscalização apurou que o Sr. João Pereira Fraga era procurador da Coferfrigo ATC ltda, com poderes para movimentar contas bancárias de titularidade desta, consoante depoimento prestado pelo próprio Sr. João Pereira Fraga, no Auto de Qualificação e Interrogatório a fls. 493/498 do anexo I, volume 3 do PAF nº 16004.001170/200877, nestas palavras: "QUE é proprietário da COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA, cujo sócio minoritário com 10% é JEFERSSON CESAR GONÇALVES RESENDE, Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 também preso na Operação Grandes Lagos; [...] QUE durante o ano de 2004, recebeu uma proposta de ALFEU que adquiriu 50% da COFERCARNES, proprietária do imóvel situado na Estrada Municipal Fernandópolis/Meridiana, km. 2. QUE, para espanto do interrogando, em 31.12.2004 ALFEU determinou o encerramento das atividades do frigorífico para a colocação de outra empresa mais estabilizada no mercado, qual seja, a COFERFRIGO; QUE, na oportunidade, o interrogando demitiu os seus funcionários, cumprindo com as obrigações trabalhistas da COFERCARNES; [...] QUE na oportunidade Euclides perguntou se o frigorifico estava realmente constituído e funcionando porque, segundo ALFEU, esta empresa seria para “explodir”, referindose a criação de empresa laranja; QUE o interrogando foi informado que todas as empresas passariam a ter como endereço o endereço da COFERCARNES, para que ali fosse um local destinado a empresas que suportariam a carga tributária, o que deixou o interrogando preocupado; [...] QUE no âmbito federal, o interrogando nunca teve acesso aos tributos a serem pagos à exceção da questão dos funcionários que o interrogando paga ao fundo de garantia e INSS, sendo o resto de responsabilidade de ALFEU [...] QUE, questionado acerca da movimentação de contas bancárias de terceiros por meio de procuração, respondeu que já foi procurador da DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUIZ LTDA, e é procurador da COFERFRIGO ATC LTDA. As contas são utilizadas para pagar o gado que é adquirido pelos procuradores. QUE questionado se os gerentes dos bancos em que estas empresas abrem as contas têm conhecimento de que elas estão em nome de 'laranjas', respondeu que sim. " A relação e o interesse econômico e jurídico entre o Sr. João Pereira Fraga e as empresas do Grupo Mozaquatro é evidente. O Sr. Jéferson César Gonçalves Resende, sócio do Sr. João Pereira Fraga na Cofercarnes, em depoimento no Auto de Qualificação e Interrogatório a fls. 509/512 do anexo I, volume 3 do PAF nº 16004.001170/200877, declarou que trabalhou no frigorífico de Alfeu estando registrado como empregado da empresa Caromar: “Em 2000 ou 2001 foi contratado pelos MOZAQUATRO para trabalhar no frigorífico de ALFEU com vendas de carne, sendo certo que foi registrado junto a CAROMAR, sociedade aberta pela família para fazer contratação de funcionários para o frigorífico. A contratação de empresa prestadora de serviço para compor quadro funcional de outra sociedade tem como um dos objetivos a sonegação de impostos, conhecimento que o interrogando tem por ser técnico em contabilidade, não podendo precisar se esta é a finalidade objetivada por ALFEU, acreditando que sim. [...] Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 314 31 No final de 2004 foi procurado por VALTER FRANCISCO RODRIGUES JÚNIOR, então proprietário da COFERFRIGO ATC. LTDA para que passasse a exercer função de gerente administrativo naquela sociedade, sendo certo que na prática realizava comércio. A COFERFRIGO ocupa as instalações do frigorífico em Fernandópolis, sendo certo que o imóvel é de JOÃO FRAGA que arrenda para a COFERFRIGO. A COFERFRIGO além de ser de VALTER FRANCISCO, que possui poder de mando é também de ALFEU MOZAQUATRO. O interrogando recebe ordens de VALTER e de ALFEU. FRAGA também dá ordens ao interrogando. Ocorre que FRAGA é proprietário do terreno e sempre esteve neste mercado, tendo iniciado como açougueiro e posteriormente se associado a ALFEU. [...] Embora a COFERFRIGO não tenha procuradores para movimentarem contas da sociedade, tem conhecimento de que isso ocorre 9 que ao que sabe a finalidade dessas procurações é para que o comprador faça pagamento direto ao produtor. A COFERCARNES é a proprietária do prédio e se confunde com a COFERFRIGO, porque a marca para inspeção é COFERCARNES e marca para comércio é COFERFRIGO. A ligação em que fala com FRAGA acerca da ciência de crédito tributário é corriqueira e fala sobre o assunto com qualquer pessoa, sendo certo que quem passa tais informações é transmitida por CESAR ou JOSÉ CLÁUDIO do escritório de TANABI, ambos contadores. [...] A COFERFRIGO possui aproximadamente 10 contas e o interrogando só tem acesso a duas delas, só para saber saído, não podendo realizar a movimentação, destas duas contas a movimentação é feita por VALTER e as outras não sabe dizer quem as movimenta. O contato no Bradesco é feito com ADILSON, gerente geral e com OSMAR, gerente de conta jurídica. Em relação a movimentação fiscal da COFERFRIGO informa que parte da compra é feita sem nota e que as vendas são feitas todas com nota, da COFERFRIGO FERNANDÓPOLIS. Quando a compra é feita sem nota o é por determinação de VALTER e ALFEU, é a regra e o objetivo desta compra sem nota é a sonegação do FUNRURAL. A relação entre o João Pereira Fraga e o grupo Mozaquatro também é confirmada pelo Sr. Marco Túlio Nilsen Viola, em seu depoimento no Auto de Qualificação e Interrogatório a fls. 530/534 do anexo I, volume 3 do PAF nº 16004.001170/200877: "O interrogado informa que, no ano de 2004, houve um desentendimento entre o Grupo Mozaquatro e o Grupo Altomari, sendo que como o Frigorífico em Fernandópolis era de propriedade de Alfeu Mozaquatro retirou todos os taxistas e mandou para o Frigorífico de propriedade de João Pereira Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Fraga, denominado dissimuladamente Coferfrigo, mas o estabelecimento de fato era Cofercarnes. [...] O interrogando afirma que há urna filial da coferfrigo que pertence também a João Pereira Fraga, que tem 50% de participação." [...] O interrogando afirma que a carne saia com o nome da empresa Coferfrigo, Pereira & Pereira e Distribuidora de Carnes São Luiz, sendo as emitentes das notas fiscais de entrada. Afirma que até hoje isso ocorre exatamente da mesma forma com os outros frigoríficos da região que fazem “taxas", Cofercarnes de propriedade de João Pereira Fraga e Alfeu Mozaquatro e Frigorífico Quroeste de propriedade ele Luis Ronaldo, “Edão”, Roberto e Durvalino” Dessai dos depoimentos acima transcritos que a relação jurídica entre o Sr. João Pereira Fraga com a Coferfrigo ultrapassava, em muito, a barreira do mero arrendamento de suas instalações, possuindo ele verdadeiro interesse jurídico nos negócios do grupo. Citese que o depoimento da Sra. Eliana Sabino Alves, a fls. 289/290 do Anexo I acima citado, confirma que a ligação existente entre os Srs. João Pereira Fraga e Alfeu Mozaquatro não se restringia à nua sociedade na Cofercarnes: "Outra pessoa que a depoente lembra era de João Pereira Fraga, que trabalhava no escritório da sede do frigorífico junto com Alfeu Mozaquatro." Não fosse suficiente, o item IV.6 do Anexo II do Relatório de Grupo Econômico, a fls. 4086/4091, dedicado exclusivamente à demonstração da vinculação de Sr. João Pereira Fraga com o grupo econômico de fato – “grupo Mozaquatro” traz elementos convincentes da conexão e do interesse jurídico do Sr. Fraga com as operações efetuadas pelo Grupo Econômico em questão, podendo ser citado, dentre tantas outras, que: Por meio do Termo de Constatação e intimação n° 037, de 17 de março de 2008, doc. a fis. 1510 a 1516, constatamos que JOÃO PEREIRA FRAGA, de acordo com documentos fornecidos pelas instituições financeiras mediante determinação judicial, tinha procuração para movimentar as contas correntes da fiscalizada, estabelecimentos com CNPJ n° 04.352.222/000205 e 04.352.222/000477, conforme abaixo: Banco Agência Conta Cidade 237 Bradesco 0063 60.3392* Fernandópolis/SP 237 Bradesco 0063 60.3430* Fernandópolis/SP 237 Bradesco 0063 61.8268* Fernandópolis/SP 033 Banespa 0094 13004.6355** Fernandópolis/SP * estabelecimento com CNPJ n° 04.352.222/000205 ** estabelecimento com CNPJ n° 04.352.222/000477 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 315 33 c) Por meio desse mesmo Termo, intimamos JOÃO PEREIRA FRAGA, a prestar esclarecimentos sobre utilização das contas correntes bancárias acima mencionadas, movimentadas por procuração, outorgadas pelo sócio de direito majoritário, Valter Francisco Rodrigues Júnior, informando, entre outros: c.1. Para quais finalidades foram abertas e movimentadas tais contas; c.2. Caso a movimentação financeira das contas bancárias citadas se vincule às operações realizadas pela própria fiscalizada: • Identificar quais foram estas operações; • Além da condição de procurador das contas bancárias em questão, informar as funções e atividades exercidas na fiscalizada, durante o período de 01/01/2002 a 31/12/2002; c.3. informar se no período de 01/01/2002 a 31/12/2002 o contribuinte transferiu recursos provenientes das contas bancárias movimentadas por procuração, ora questionadas, para s u a s contas bancárias particulares e/ou de terceiros. d) Em resposta, datada de 28/04/2008, JOÃO PEREIRA FRAGA alegou, com relação à finalidade das contas (item c.1), que a conta 60.3430 "prestou apenas para comprar gados para as empresas do Sr. Alfeu, que determinava o nome para qual delas a nota do produtor deveria ser emitida". Quanto à s demais contas, declarou que "(...) chegou ao seu conhecimento que o Sr. Alfeu juntou uma cópia da procuração outorgada por Valtinho nas demais contas citadas na intimação (60.3392, 61.8268, da mesma agência do Bradesco, e 13004.6355, no Banco Banespa), mas não tinha acesso a elas, que eram controladas exclusivamente por funcionários nomeados ou indicados por Alfeu Crozato Mozaquatro. Que a s procurações, ao depois, foram todas revogadas por Valtinho" (sic). Com relação aos outros questionamentos feitos no item c.2 acima respondeu que "recebeu procuração da conta bancária n° 60.3430, que era utilizada para comprar gado para todas a s empresas do Sr. Alfeu, de acordo com a sua determinação" e que "exerceu apenas a função de comprador de gados em pé para o Sr. Alfeu. Não exerceu qualquer outra função". Essa resposta insinuando que exercia apenas a função de comprador de gados para ALFEU CROZATO MOZAQUATRO não procede, pois JOÃO PEREIRA FRAGA efetuava também atividades de controle administrativo, evidenciado, por exemplo, no caso dos canhotos de notas fiscais da fiscalizada, bem como de outras empresas do Grupo Mozaquatro, as quais eram entregues ao Frigorífico Mozaquatro, mencionado abaixo. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Com relação ao item c.3, informou que "recebeu apenas três depósitos: em 18/02/2002, no valor de R$ 4.462,00, em 18/06/2002, no valor de R$ 2.443,46 e 20/06/2002, no valor de R$ 2.630,77, feitos em sua conta no Banco HSBC, banco n° 399, agência n° 1266, conta n° 98524, como reembolso de fretes esporádicos feitos para a Coferfrigo em veículo de sua propriedade, dirigido por seu filho, quem arcou com o pagamento do combustível". JOÃO PEREIRA FRAGA foi intimado a informar o motivo desses recebimentos e a apresentar os documentos hábeis e idôneos relativos às operações ou negócios que deram origem a esses recebimentos. Abaixo, comentamos sobre esses recebimentos. e) Por meio de cópia de documentos fornecidos peia instituição financeira mediante determinação judicial, doc. fis. 3849 a 3857, constatamos que JOÃO PEREIRA FRAGA recebeu pagamentos em cheque da fiscalizada, abaixo relacionados, os quais foram depositados na conta corrente da fiscalizada, da qual tinha procuração e controle (conforme admitiu a esta fiscalização), banco Bradesco, banco n° 237, agência n° 0063 Fernandópolis/SP, conta n° 60.3430, vinculada ao CNPJ n° 04.352.222/000205: [...] f) Por meio de cópia de documentos fornecidos pela instituição financeira mediante determinação judicial, doc. fls. 3849 a 3857, constatamos que JOÃO PEREIRA FRAGA recebeu pagamentos em cheque provenientes da fiscalizada, abaixo relacionados, os quais foram depositados na sua conta corrente pessoal no Banco HSBC, banco n° 399, agência n° 1266, conta n° 00098524: [...] i) Constatamos, também, elementos de vinculação de Fraga à fiscalizada em documentos apreendidos no seu escritório pela Polícia Federal em 05/10/2006, na Operação Grandes Lagos, doe. fls. 3864 a 3880, conforme a seguir: i.1 Relações de canhotos de notas fiscais da fiscalizada, bem como das empresas Pereira & Pereira e Distribuidora São Luís, entre outras, entregues ao Frigorífico Mozaquatro, controlados por Fraga, analisadas da seguinte forma pela Polícia Federal: "Item 10.1 05 relações de canhotos de notas fiscais entregues ao Frigorífico Mozaquatro. Comentário do analista: pela análise dos documentos em tela confirmamos que as seguintes empresas: Ind. e Com. de Carnes Grandes Lagos; Coferfrigo ATC Ltda.; Campo Grande Carnes e Derivados; Dist. de Carnes e Derivados São Paulo; Ind. e Com. de Carnes C&S Ltda.; Dist. de Carnes São Luís; Agro Carnes Aumentos ATC Ltda. e Pereira, Pereira Com. e Carnes e Derivados Ltda. pertencem ao mesmo grupo de frigoríficos, administrado pelos Mozaquatro e por João Pereira Fraga. Conforme se verifica, as empresas relacionadas enviavam periodicamente, um controle de suas notas fiscais para o Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 316 35 Frigorífico Mozaquatro, empresa lícita do grupo. Como se não bastasse, João Pereira dava seu visto de conferencia em todas as listas, evidenciando o controle de todas as empresas de seu grupo. Foi autuado uma amostra, demais documentos encontramse apreendidos, à disposição do Juízo." [...] Entendemos que controlar, em seu escritório particular, as notas fiscais da fiscalizada, bem como de outras empresas do Grupo Mozaquatro, entre outras, entregues ao Frigorífico Mozaquatro, indica que exerceu também função de gerente ou responsável por área administrativa do mencionado Grupo, não sendo procedente que tenha atuado apenas como um mero comprador de gado como insinua na resposta ao Termo de Constatação e Intimação n° 037. i.2 Um talão de cheques com quinze folhas em branco da fiscalizada, assinadas por Valter Francisco Rodrigues Júnior, sócio de direito da mesma, relativos à conta corrente n° 61.959 0 da agência 0639 do Bradesco em Fernandópolis/SP, analisado da seguinte forma pela Polícia Federal: "Item 13 01 talão de cheques bradesco c/c 061959 numerados de 003241 à 003260. Comentário do analista: contém 20 cheques em branco com a assinatura de Valter Francisco o que comprova que a administração na parte financeira da filial da Coferfrigo de Fernandópolis fica a cargo de JOÃO PEREIRA FRAGA, de maneira que Valter Francisco, como "laranja", deixa à disposição de João Pereira Fraga talões de cheques assinados para a administração da empresa." i.3 Cinco talões de cheques em branco da fiscalizada, com todas as folhas assinadas por Valter Francisco Rodrigues Júnior, sócio de direito da mesma, relativos à conta corrente n° 60.339 2 da agência 0639 do Bradesco em Fernandópolis/SP, analisados da seguinte forma pela Polícia Federal: "Item 18 05 talões de cheque bradesco c/c 060339 com as respectivas numerações de 005221 à 005240, 005241 à 005260, 005261 à 005280, 005281 à 005300, 005301 à 005320, Comentário do analista: contém 5 talões de cheques em branco com a assinatura de Valter Francisco o que comprova que a administração na parte financeira da filial da Coferfrigo de Fernandópolis fica a cargo de JOÃO PEREIRA FRAGA, de maneira que Valter Francisco, como "laranja", deixa à disposição de João Pereira Fraga talões de cheques assinados para a administração financeira da empresa." Em declaração prestada a esta fiscalização em 26/04/2007 na ARF Fernandópolis, afirmou que "é do seu conhecimento que os talões de cheque em branco assinados pelo Sr. Valter Francisco Rodrigues Júnior ficavam em poder do setor administrativo da Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Coferfrigo para pagamentos de contas diversas da própria Coferfrigo (o declarante não tinha acesso)." No entanto, nenhum sócioproprietário de fato de empresa que fatura 200 milhões de reais por ano deixaria seis talões de cheque em branco sob os cuidados de funcionários administrativos comuns, como afirma JOÃO PEREIRA FRAGA. No caso, fica claro que aquele que comanda, JOÃO PEREIRA FRAGA, e não quer aparecer perante terceiros, principalmente os Fiscos, para se eximir das suas responsabilidades, é que exigiu da interposta pessoa, Valter Francisco Rodrigues Júnior, que assinasse as folhas de todos esses talões de cheque para que os utilizasse como bem entendesse. Ademais, JOÃO PEREIRA FRAGA, na resposta ao Termo de Constatação e Intimação n° 037, afirmou categoricamente que nunca recebeu ordens de Valtinho (Valter Francisco Rodrigues Júnior) e que se reportava a Alfeu (ALFEU CROZATO MOZAQUATRO). j) Constatamos elementos de vinculação de JOÃO PEREIRA FRAGA à fiscalizada nas mídias digitais apreendidas mediante Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão, lavrado em 05/10/2007, sendo a busca e apreensão, decorrente de ordem judicial, realizada nas dependências da Organização Contábil União Ltda., escritório de contabilidade das empresas ostensivas e paralelas do Grupo Mozaquatro, conforme a seguir: j) Constatamos elementos de vinculação de JOÃO PEREIRA FRAGA à fiscalizada nas mídias digitais apreendidas mediante Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão, lavrado em 05/10/2007, sendo a busca e apreensão, decorrente de ordem judicial, realizada nas dependências da Organização Contábil União Ltda., escritório de contabilidade das empresas ostensivas e paralelas do Grupo Mozaquatro, conforme a seguir: j.1 Planilha com relação de honorários, destinados à empresas ostensivas, paralelas e ligadas ao Grupo Mozaquatro, constando num dos itens "COFERFRIGOFRAGA", tendo como título "HONORÁRIOS ALFEU", referência que corrobora a informação contida no Relatório da Polícia Federal, segundo a qual o Frigorífico Mozaquatro em Fernandópolis/SP, enquanto arrendado para a fiscalizada, era controlado por Fraga, com o consentimento de Alfeu Crozato Mozaquatro, doe. fls. 2414 e 3100. (caminho na mídia: UNIAOCX13B1.zip\CD 1\grava cd\alfeu\honorarios.xls). j.2 Documento com título "RELATÓRIO DE EMPRESAS", datado de 12/01/2006, (caminho na mídia: UNIAOCX13B1 .zip\CD 1\grava cd\alfeu\empresas.xls), contendo: • Relação dos estabelecimentos da CMA, inclusive os irregulares (só no papel; sem atividade, mas com funcionários registrados; etc); Fl. 334DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.001169/200842 Acórdão n.º 2302002.171 S2C3T2 Fl. 317 37 • Relação das empresas ligadas à CMA, com indicação do motivo de suas existências (Marcelo & Silva e Coura Advogados); • Relação dos estabelecimentos da CM4 Participações Ltda.; • Relação de estabelecimentos da M4 Logística Ltda.; • Estabelecimento da CMA Indústria de Subprodutos Bovinos Ltda.; • Relação dos estabelecimentos da fiscalizada (empresa paralela do Grupo Mozaquatro), com indicação de seu controle ou sua atividade, sendo à s localizadas em Fernandópolis designadas: "FRIGORÍFICO FRAGA" e "COMÉRCIO FRAGA" (referências que corroboram o controle de Fraga em Fernandópolis, mencionado no Relatório da Polícia Federal), • Relação de empresas ligadas à fiscalizada, nas quais estão registrados os seus funcionários (fornecedoras de mãode obra, constituídas em nome de interpostas pessoas); • Relação de estabelecimentos da Friverde (empresa paralela do Grupo Mozaquatro), com indicação de sua atividade. Conforme se observa, a responsabilidade solidária atribuída ao Sr. João Pereira Fraga não decorreu, unicamente, do fato de ele ser o proprietário da Cofercarnes, carecendo de relevância a alegação de que esta empresa permaneceu inativa por determinado período. Ao revés, responde o Sr. Fraga pelos atos praticados em relação à empresa Coferfrigo e também em relação à empresa Frigorífico Caromar e o grupo Mozaquatro, ante a demonstração de que estes e as demais pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas pela fiscalização compunham um verdadeiro grupo econômico de fato, compartilhando interesses e comungando esforços para a consecução de seus objetivos comuns, embora, formalmente, fosse o Sr. Fraga apenas o proprietário da empresa que arrendava as instalações da Cofercarnes à Coferfrigo ou o procurador do grupo para a aquisição de gado para o abate. Dessarte, ante os fatos e conexões comprovados à farta e de forma contundente pela fiscalização, vislumbrase de maneira insofismável o interesse jurídico do Sr. João Pereira Fraga na situação concreta que constitui o fato gerador da obrigação tributária ora exigida, cuja presença ostensiva faz nascer, por força do preceito insculpido no art. 124 do CTN, a responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação principal objeto do vertente lançamento. A repleção de provas e evidências colhidas pela equipe fiscal faz cair por terra a alegação de que a fiscalização “não teve o cuidado de comprovar a responsabilidade tributária do espólio de João Pereira Fraga para com a empresa Frigorifico Caromar”. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 336DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10384.002422/2005-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. LIBERALIDADE. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM ESPECÍFICA OPERAÇÃO DE VENDA. RECEITA. NÃO AUFERIMENTO.
Mercadorias entregues gratuitamente pelo vendedor ao comprador sem vinculação com específica operação de venda não constitui fato gerador da Cofins, por não haver auferimento de receita por quem as recebe.
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. DEVOLUÇÕES DE VENDAS. ICMS/SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES TRIBUTADAS À ALÍQUOTA ZERO. DUPLICIDADE.
Incluem-se, na base de cálculo da contribuição, os valores excluídos em duplicidade em decorrência de preenchimento incorreto da DIPJ, quando o contribuinte deixa de provar que o erro tenha sido reparado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3803-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela referente à tributação pela contribuição das bonificações recebidas em mercadoria. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern (Relator) e Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso.. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern Presidente e relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO DO LANÇAMENTO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. LIBERALIDADE. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM ESPECÍFICA OPERAÇÃO DE VENDA. RECEITA. NÃO AUFERIMENTO. Mercadorias entregues gratuitamente pelo vendedor ao comprador sem vinculação com específica operação de venda não constitui fato gerador da Cofins, por não haver auferimento de receita por quem as recebe. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. DEVOLUÇÕES DE VENDAS. ICMS/SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES TRIBUTADAS À ALÍQUOTA ZERO. DUPLICIDADE. Incluemse, na base de cálculo da contribuição, os valores excluídos em duplicidade em decorrência de preenchimento incorreto da DIPJ, quando o contribuinte deixa de provar que o erro tenha sido reparado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 24 22 /2 00 5- 29 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela referente à tributação pela contribuição das bonificações recebidas em mercadoria. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern (Relator) e Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso.. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório BARROSO DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. foi autuado pela Fiscalização da DRF/TeresinaPI, para constituição de crédito tributário referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, anoscalendários de 2001 a 2004. No termo de Descrição dos Fatos, constante do Auto de Infração de fls. 3 a 16, constou que o autuado apurou a menor a base de cálculo da contribuição porque: 1) Na apuração da receita bruta, deixou de oferecer à tributação as receitas oriundas de bonificações em mercadoria obtidas, descontos obtidos, juros recebidos e variações monetárias ativas constantes de sua escrituração 2) Nas exclusões da base de cálculo, inseriu em duplicidade o valor do ICMS/Substituto incidente nas vendas de mercadorias contempladas com alíquota zero de PIS/Cofins, bem como o valor das devoluções de mercadorias relativas às tais operações, além de inserir, como sendo alíquota zero, a revenda de algumas mercadorias não abrangidas pela Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, em alguns períodos. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 17 a 20, a autoridade lançadora registrou que, embora o contribuinte, em resposta a intimação, tenha informado que considerou as bonificações como descontos comerciais obtidos nas compras, em mercadorias a serem revendidas, cuja tributação é feita quando ocorre a venda, com o advento da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, a base de cálculo da Contribuição passou a englobar a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da atividade exercida e da classificação contábil adotada, entre as quais o valor das mercadorias recebidas em bonificação, que também constitui receita do contribuinte. Quanto às exclusões da base de cálculo, o TVF dá conta de que, quando da exclusão das receitas de vendas de mercadorias sujeitas à alíquota zero (produtos abrangidos pelo art. 2 da Lei nº 10.147, de 2000) o contribuinte inseriu indevidamente, nessa relação, a venda dos seguintes produtos: Sabão em Pó Alá 500g (Classificação Fiscal 3402.2000), Sabão em Barra Alá 300g (3401.1900), Pincéis para pintura (9603.3000), Pentes (9615.1100) e Prendedores para cabelos (9615.9000). A discriminação dos produtos, dos períodos e dos totais das vendas inseridas indevidamente encontrase demonstrada na planilha às fls.42, cujos dados Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 253 3 foram extraídos dos Relatórios de Vendas de Produtos apresentados pelo contribuinte. Ainda sobre as exclusões, a Fiscalização constatou que o contribuinte excluiu em duplicidade o valor das devoluções de vendas das mercadorias contempladas com alíquota zero, no período de maio/2001 a dezembro/2004. Segundo o TVF, ilustra tal fato a apuração da base de cálculo do PIS do mês Junho/2001, demonstrado na Ficha 19A da DIPJ (doc. às fls.58): na apuração da base de cálculo do PIS, o valor de R$ 4.888,05 referente às devoluções de vendas em operações com alíquota zero foi lançado na linha 19A/05, juntamente com o total das devoluções de vendas (R$ 7.247,99), e também na linha 19A/12 desta vez, juntamente com o total das vendas de mercadorias contempladas com alíquota zero (R$ 492.061,07), fato que configura a referida duplicidade de exclusão, ocasionando, por conseguinte, uma redução indevida da base de cálculo da Contribuição. (Os valores a tributar encontramse demonstrados na planilha Recomposição da Base de Cálculo PIS/Cofins às fls.21 a 2 4, cujos dados foram extraídos da planilha Devoluções de Vendas apresentada pelo contribuinte). Relativamente ao ICMS/Substituto tributário, o TVF relata infração idêntica, com dupla exclusão da parcela de ICMS/Substituto tributário incidente nas vendas de mercadorias contempladas com alíquota zero de PIS/Cofins, nos meses de Maio e Julho/2001. Auto de Infração de fls. 03 a 16 montou a R$ 201.885,56. Em Impugnação, fls. 190 a 198, o autuado controverteu as seguintes matérias: a) a inclusão, na base de cálculo da Contribuição, do valor das bonificações recebidas, procedida pela Fiscalização; b) a inclusão, na base de cálculo da Contribuição, do valor das receitas financeiras, procedida pela Fiscalização; c) a exclusão em duplicidade do valor das devoluções de vendas da base de cálculo da Contribuição referente aos períodos de apuração compreendidos entre maio/2001 e dezembro/2004, d) a exclusão em duplicidade do valor do ICMS devido pelo autuado na condição de substituto tributário, incidente sobre as vendas de mercadorias sujeitas a alíquota zero da contribuição, das base de cálculo da Contribuição concernentes aos períodos de apuração de maio/2001 e julho/2001, e; e) inclusão indevida, na base de cálculo da Contribuição, de receitas diferidas em períodos anteriores. A autoridade julgadora de primeira instância converteu o julgamento do lançamento em diligência à autoridade lançadora, com vistas ao esclarecimento de questão de fato atinente às bonificações em mercadorias recebidas pelo autuado e consideradas pela autoridade lançadora como receitas sujeitas à tributação pela Cofins, tudo nos termos da Resolução nº 2.040 (fls. 201/209). A conclusão extraída pelo voto condutor da decisão recorrida, em linha com o Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, e com diversas soluções de consulta emitidas pela Administração Tributária, foi no sentido de que a bonificação, desde que Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 vinculada a uma operação de venda, constitui, na prática, a um desconto incondicional fornecido pelo vendedor ao comprador, não correspondendo a um aumento de receita, mas a uma redução de custo, de forma que não comporá a base de cálculo da Cofins. Todavia, a contrario sensu, se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias, não será dedutível, na determinação do lucro real. O Relator a quo constatou então que o contribuinte contabilizou as ditas bonificações mediante assentamento a crédito em conta de receita operacional (Livro Razão, fls. 138/139, 148/150, 261/266 e 280/289), encerrando a conta ao final de cada exercício e transferindo seu saldo para a conta Resultado do Exercício. Tais fatos seriam indicativos de que os valores de que aqui se trata não revestiriam as características daqueles a que o Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, atribui a natureza de bonificações em mercadorias, i.é, vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e sem estarem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação. Concluiu então que, contabilizados como estão, os valores lançados na conta Bonificações Obtidas representam mercadorias [...] entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, expressão que o Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, utiliza para caracterizar transação distinta da bonificação em mercadorias. Nada obstante, ciente da possibilidade de erro no lançamento contábil, o órgão julgador a quo baixou o processo à autoridade lançadora, em diligência tendente a esclarecer se os valores lançados, durante os anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004, na conta contábil Bonificações Obtidas: a) estão vinculados a operações de vendas, constituindo descontos incondicionalmente concedidos pelos vendedores ao autuado, na forma de entrega de mercadorias em quantidade superior à estipulada, ou; b) representam mercadorias entregues gratuitamente pelos vendedores ao autuado, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda. Para atender ao requisitado, a Autoridade Diligenciante intimou o autuado a apresentar cópia de notas fiscais de entrada de mercadorias, referentes a Bonificações Recebidas; cópias das folhas dos livros Diário, contendo a escrituração das notas fiscais requisitadas, e a esclarecer os fatos que motivaram o recebimento dessas bonificações, apresentando, se fosse o caso, elementos comprobatórios. A DRF/TSI lavrou o Relatório de Diligência de fls. 239/249. Preliminarmente, alertou que somente na Diligência buscouse identificar a natureza das citadas bonificações, constatando que nem todos os valores ali contabilizados caracterizavam se efetivamente como bonificações recebidas, mas como "...movimentação livre de pagamento..." nos termos do próprio contribuinte em resposta a intimação, como são os casos de: remessa de material promocional, remessa de amostra grátis, remessa de mostruários, simples remessa, dentre outras, demonstrando ter havido contabilização indevida. Avisa que, detectadas essas inconsistências, procedeu à segregação dos valores contabilizados indevidamente na conta acima, restando como receita de bonificações, objeto da diligência, apenas os valores considerados como tal, conforme demonstrado na planilha RECEITAS BONIFICAÇÕES OBTIDAS, anexa ao Relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 254 5 Quanto ao indagado pela Autoridade Julgadora, o Relatório de Diligência atesta que os valores escriturados pelo contribuinte, constantes da planilha RECEITAS BONIFICAÇÕES OBTIDAS, referemse a mercadorias recebidas pelo contribuinte, cuja natureza da operação informada é Remessa em Bonificação, em nota fiscal própria, sem identificação de qualquer evento que tenha originado o direito. Relata que as notas fiscais foram emitidas de forma isolada, não trazendo qualquer informação que vincule tais bonificações a eventuais compras anteriores ou concomitantes e que não foram apresentados elementos que comprovem a vinculação desses valores a eventuais compras realizadas. Intimado a manifestarse a respeito dessas conclusões, o autuado redargüiu em defesa da tese de que bonificações em mercadorias não constituem receita de quem as recebe, que (i) o vendedor não vai receber valor algum e (ii) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que determinava a tributação de outras receitas, foi revogado pelo artigo 79 da Lei nº 11.941. A DRJ/Fortaleza – 3ª Turma então julgou o lançamento parcialmente procedente, para excluir das bases de cálculo do lançamento impugnado as (1) receitas relativas a bonificações obtidas relativas aos períodos de apuração em que o autuado esteve sujeito ao regime cumulativo da Contribuição, por não se subsumirem no conceito de faturamento, (2) as receitas financeiras (i) relativas aos períodos de apuração em que o autuado esteve sujeito ao regime cumulativo da Contribuição, pela mesma razão; (ii) relativas aos períodos de apuração, a partir de agosto/2004, em que esteve sujeito ao regime nãocumulativo da Contribuição, à exceção das receitas representativas de juros sobre o capital próprio, por estarem sujeitas à tributação com alíquota zero. O Acórdão nº 0822.879, de 23 de fevereiro de 2012, fls. 322 a 358, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. No processo administrativo fiscal federal, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. MERA LIBERALIDADE. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO A OPERAÇÃO DE VENDA. RECEITA. Mercadorias entregues gratuitamente pelo vendedor ao comprador, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, constituem receitas auferidas por quem as recebe. As bonificações em mercadorias somente não constituem receitas da sua beneficiária na hipótese de estarem vinculadas a operações de vendas, constituindo descontos incondicionalmente concedidos pelo vendedor, na Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 forma de entrega de mercadorias em quantidade superior à estipulada. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. CONTABILIZAÇÃO COMO RECEITAS. Tendo a própria Interessada registrado como receitas, em sua contabilidade, os valores consignados nas Notas Fiscais que, embora desvinculadas de qualquer operação de venda, alega constituírem descontos incondicionais concedidos na forma de bonificações em mercadorias, e não tendo ela apresentado qualquer elemento de prova apto a demonstrar a incorreção material dos lançamentos contábeis correspondentes, devem esses valores serem tratados como receitas. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. RECEITA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. O recebimento das bonificações e a venda de mercadorias são receitas distintas, auferidas em momentos também dessemelhantes. Com o simples recebimento das bonificações já existe a receita, mesmo que as mercadorias recebidas não sejam vendidas, permanecendo em estoque. Com a venda, outra receita é auferida, abatendose o valor da mercadoria recebida em bonificação na apuração do respectivo. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixase de aplicar o referido dispositivo, para afastar a exigência da Cofins que incidiu sobre receitas estranhas ao faturamento da contribuinte. BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃOCUMULATIVO DE INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS. A Cofins, devida sob o regime nãocumulativo de incidência, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃOCUMULATIVO DE INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS. REDUÇÃO DA TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa da Cofins, à exceção daquelas oriundas de juros sobre o capital próprio e de operações de hedge, não compõem as bases de cálculo dessa Contribuição, relativas aos períodos de apuração agosto de 2004 a dezembro/2004, em razão de o Decreto nº 5.164/2004 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 255 7 haver reduzido a zero a alíquota incidente sobre receitas dessa natureza. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. DEVOLUÇÕES DE VENDAS DE MERCADORIAS TRIBUTADAS À ALÍQUOTA ZERO. DUPLICIDADE. Tendo em vista constarem, no Programa Gerador da DIPJ, instruções oficiais de preenchimento da Declaração, é de se presumir que a Interessada as tenha observado quando da feitura de sua DIPJ. Procedimento diverso do oficialmente indicado demanda prova da sua realização. Não se desincumbindo a Interessada deste ônus probandi, impende concluir que deduziu em duplicidade as devoluções de vendas de mercadorias sujeitas à alíquota zero da Contribuição. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ICMS SUBSTITUTO TRIBUTÁRIO INCIDENTE SOBRE VENDAS DE MERCADORIAS TRIBUTADAS À ALÍQUOTA ZERO. DUPLICIDADE. Tendo em vista constarem, no Programa Gerador da DIPJ, instruções oficiais de preenchimento da Declaração, é de se presumir que a Interessada as tenha observado quando da feitura de sua DIPJ. Procedimento diverso do oficialmente indicado demanda prova da sua realização. Não se desincumbindo a Interessada deste ônus probandi, impende concluir que deduziu em duplicidade o valor do ICMS Substituto Tributário relativo às vendas das mercadorias sujeitas à alíquota zero da Contribuição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da FOR3ª Turma. O arrazoado de fls. 370 a 381, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a insurgência contra a tributação das bonificações em mercadorias recebidas, sob os argumentos de que a bonificação em mercadorias nada mais é que uma outra forma de conceder um desconto e de que não pode haver acréscimo à base de cálculo do comprador se não houve ao vendedor. Em síntese, diz tratarse de mera aquisição de mais mercadorias, por um menor preço, ou seja, mero desconto redutor de custo. Lembra que haveria dupla incidência da contribuição, uma na entrada da mercadoria, outra, por ocasião de sua venda, caso se tributassem as bonificações em mercadoria. Refere a Solução de Consulta SRRF/8ªRF nº 214, de 14 de Julho de 2004, e a Solução de Consulta SRRF/6ª RF nº 64, de 24 de abril de 2001. Cita jurisprudência administrativa referente ao IRPJ e à CSLL. Na continuação, combate o lançamento no tocante à tributação pela contribuição dos valores referentes a descontos obtidos, juros recebidos e variações monetárias ativas, constantes nos demonstrativos de fls. 21/24, indicado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 04/16, valores apurados conforme demonstrado nas planilhas de fls. 122/123, repetindo os exatos termos de sua impugnação. Da mesma forma, reproduz a Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 8 literalidade da peça de impugnação para rechaçar a imputação de dupla dedução do valor das devoluções de mercadorias e do valor do ICMS/Substituto tributário, contempladas com alíquotas zero das mesmas contribuições, no período de maio/2001 a dezembro/2004: “Na receita bruta informada nas DIPJs de fls. 58/90 está incluída a totalidade da receita, abrangendo as receitas de vendas devolvidas, 1CMS/Substituto Tributário e as vendas de mercadorias contempladas com alíquota zero. Na exclusão das vendas de mercadorias contemplada com alíquota zero não está incluída a devolução de vendas de mercadorias e ICMS/Substituto tributário, como afirma o autor do procedimento fiscal. Portanto, não há duplicidade na exclusão de valores. Nos meses de maio a agosto do anocalendário de 2001, a requerente incluiu na base de cálculo do PIS/COFINS receitas ditas como diferida de períodos anteriores, que na realidade não é receita. Assim, foram tributados indevidamente os valores ali indicados, dessa forma requer a reformulação da base de cálculo do período citado, para excluir os valores mencionados.” Pede provimento do recurso, para ver cancelado o lançamento mantido pela decisão de primeira instância. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 370 a 381 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJDRJ/FOR3ª Turma nº 0822.879, de 23 de fevereiro de 2012. Matéria litigiosa O autuado não impugnou o lançamento referente às receitas auferidas com a revenda de algumas mercadorias não abrangidas pela Lei nº 10.147, de 2000, em alguns períodos, que o contribuinte havia tributado à alíquota zero. Portanto, tratase de matéria definitiva na instância administrativa. Não se conhecerá da insurgência recursal contra a inclusão, na base de cálculo da Contribuição, do valor dos descontos obtidos, dos juros recebidos e das variações monetárias ativas. A decisão recorrida já cancelou essa parcela do lançamento. Circunscrevase o litígio ao lançamento decorrente: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 256 9 a) da inclusão, na base de cálculo, do valor das bonificações em mercadorias auferidas a partir de agosto/2004, em que esteve sujeito ao regime não cumulativo da Contribuição; b) do ajuste procedido na base de cálculo, para corrigir a dupla exclusão do valor das devoluções de mercadorias (períodos de apuração compreendidos entre maio/2001 e dezembro/2004); c) do ajuste procedido na base de cálculo, para corrigir a dupla exclusão do valor devido pelo autuado na condição de substituto tributário, incidente sobre as vendas de mercadorias sujeitas a alíquota zero da contribuição (períodos de apuração de maio/2001 e julho/2001), e; d) inclusão indevida, na base de cálculo da Contribuição, de receitas diferidas em períodos anteriores. Tributação do valor das bonificações em mercadorias recebidas no regime da não cumulatividade A decisão recorrida foi buscar no Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, o conceito de bonificação. “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias, não será dedutível, na determinação do lucro real. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 10 Neste ponto, externo minha filiação ao entendimento consubstanciado no Parecer CST/SIPR nº 1.386, 1982. Segundo ele, as bonificações em mercadorias não configuram receitas de quem as recebe tão somente na hipótese de estarem vinculadas a operações de vendas, constituindo descontos incondicionalmente concedidos pelos vendedores ao comprador, na forma de entrega de mercadorias em quantidade superior à estipulada. Na hipótese diversa, ou seja, no caso de representarem mercadorias entregues gratuitamente pelo fornecedor ao cliente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, constituem receitas auferidas por quem as recebe. A providência tomada pelo órgão julgador de piso, no sentido de verificar a natureza das bonificações recebidas, foi fundamental para esclarecimento dos fatos que motivaram o recebimento dessas bonificações. Contra a conclusão da Autoridade Diligenciante, no sentido de que as bonificações estavam desvinculadas de qualquer operação de compra anterior ou concomitante, o autuado limitouse a informar que registrou em sua contabilidade todos os documentos recebidos e expedidos, ainda que não modificativos da situação patrimonial. Em procedendo dessa forma, contabilizou todas as notas fiscais recebidas (entrada) cujos Códigos Fiscais de Operação (CFOP) caracterizavam uma movimentação livre de pagamento. Assim, foram registradas contabilmente na conta Bonificações Obtidas as operações envolvendo bonificações em mercadorias para revenda, remessa de material promocional, remessa de amostra grátis, remessa de mostruários, Outras Saídas Prestação de Serviços, Outras Saídas não especificadas, Simples remessa, Doação ou Brinde e, até mesmo operações de compras e venda. O voto condutor da decisão recorrida concluiu que as circunstâncias fáticas que cercaram as bonificações eram indicativas de que estas não se revestiam da condição de descontos incondicionalmente concedidos pelos fornecedores ao autuado, traduzidos em parcela redutora do custo de aquisição de mercadorias associadas às bonificações, sendo portanto cabível sua inclusão na base de cálculo da Contribuição, com a amplitude definida no art. 1º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 20031. No recurso voluntário, o autuado repisa a tese de que as bonificações não constituem receita, valendose de argumentos contraditórios com o tratamento contábil dado a esses valores pelo próprio contribuinte, que não os contabilizou como descontos redutores de custo2, mas a crédito da conta 3.3.01.001 – RECEITAS DIVERSAS/Bonificações Obtidas e a débito da conta 1212 que, pelo código numérico que a designa, tratase de uma conta de Ativo (presumidamente, Estoque de Mercadorias) 3. Tendo o próprio contribuinte registrado como receitas, em sua contabilidade, os valores consignados nas Notas Fiscais que alega constituírem descontos incondicionais concedidos na forma de bonificações em mercadorias, e não tendo ele apresentado qualquer elemento de prova apto a demonstrar a incorreção material dos lançamentos contábeis correspondentes, entendo que deve ser mantido o lançamento, no tocante às bonificações em 1 Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. [...] 2 A esse propósito, a decisão recorrida destaca que a escrituração contábil do contribuinte não corrobora a alegação de que as bonificações em mercadorias foram contabilizadas a crédito de Receitas e a débito de uma conta de custo denominada bonificações, de código contábil 4.1.01.005, como afirmado na resposta que prestou na Diligência Fiscal (fls. 238). 3 Cf. livros Razão relativos aos anos sob procedimento, às fls. 125, 135 a 137, 149 a 154 e 168 a 177. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 257 11 mercadorias auferidas sob o regime de tributação não cumulativa, sob a amplitude da base de cálculo que lhe é característico4. Acolho também a fundamentação esposada pela decisão recorrida no tocante à inexistência de bis in idem. Com o simples recebimento das bonificações já existe a receita, consoante o conceito de receita que se adota (cf. nota 4, acima), mesmo que as mercadorias recebidas não sejam vendidas, permanecendo em estoque. Com a venda, uma outra receita é auferida, que não se confunde com a que resultou no aumento do estoque. Nada a reparar na decisão recorrida, que se sustenta por suas próprias razões. Dupla exclusão do valor das devoluções de mercadorias com receita de venda tributada à alíquota zero Conforme relatado, o TVF apontou que, nos períodos de apuração compreendidos entre maio/2001 e dezembro/2004, o autuado excluiu em duplicidade da base de cálculo da Contribuição o valor das vendas devolvidas de mercadorias tributadas com alíquota zero. O recorrente repetiu a negativa que havia oferecido na impugnação. Para maior clareza, transcrevo: O autor do procedimento fiscal alega que houve exclusões em duplicidade da base de cálculo do PIS/COFINS do valor das devoluções de mercadorias e, ICMS/Substituto tributário, contempladas com alíquotas zero das mesmas contribuições, no período de Maio/2001 a Dezembro/2004, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 21/24, afirmação que não corresponde à realidade dos fatos. Na receita bruta informada nas DIPJs de fls. 58/90 está incluída a totalidade da receita, abrangendo as receitas de vendas devolvidas, 1CMS/Substituto Tributário e as vendas de mercadorias contempladas com alíquota zero. Na exclusão das vendas de mercadorias contemplada com alíquota zero não está incluída a devolução de vendas de mercadorias e ICMS/Substituto tributário, como afirma o autor do procedimento fiscal. Portanto, não há duplicidade na exclusão de valores. Remeto meus pares à fl. 61 do processo, que contém a Ficha 20A da DIPJAC 2001, com o Demonstrativo do cálculo da Cofins do PA jul/2001. Na linha 20/5, consta que o total das devoluções de vendas é de R$ 14.481,62. Chamo agora a atenção para o demonstrativo “devoluções de Vendas”, folha 37, elaborado pelo próprio contribuinte em resposta a intimação. Nele se constata que o valor de R$ 14.481,62 é o total das devoluções de vendas de mercadorias, tributadas à alíquota normal (R$ 4.925,19)e à alíquota zero (R$ 9.556,43). 4 O auferimento de bonificações em mercadorias, nas circunstâncias fáticas acima decritas, subsumese na definição de Receita formulada no item 70 (a) do Pronunciamento Conceitual Básico “Estrutura Conceitual para a elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC2: "Aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade" (Manual de Contabilidade Societária, Fipecafi, Editora Atlas, São Paulo, 2010, página 485.) Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 12 De acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ do exercício 2002/AC 2001, são as seguintes as orientações, quanto às Linhas 20A/05: Linha 20A/05 Vendas Canceladas, Devoluções e Descontos Incondicionais Valor informado na Linha 19A/05. Linha 19A/05 Vendas Canceladas, Devoluções e Descontos Incondicionais A pessoa jurídica deve informar nesta linha (subitem 20.2.3.I): a) o valor dos descontos incondicionais concedidos, quando computados como Faturamento/Receita Bruta (Linha 19A/01); e b) o valor das vendas canceladas e das devoluções de mercadorias, após deduzidos os valores dos descontos incondicionais concedidos, do IPI e do ICMS recolhido na condição de substituto tributário. Atenção: 1) A pessoa jurídica substituída não deve informar, nesta linha, o valor das vendas canceladas e das devoluções de mercadorias adquiridas no regime de substituição tributária, observado neste caso o disposto na Linha 19A/25. 2) O fabricante e o importador de cigarros não devem informar, nesta linha, o valor das vendas canceladas e das devoluções desses produtos, observado neste caso o disposto nas Linhas 19A/17 e 19A/25. 3) O valor das vendas canceladas, das devoluções e dos descontos incondicionais concedidos, quando relativos à operações contempladas com alíquota zero de PIS/Pasep, não deve ser informado nesta linha, mas sim na Linha 19A/12. A nota 3 acima salienta que não deve compor a linha 5 o valor das devoluções de vendas quando relativos a operações contempladas com alíquota zero (no caso analisado, R$ 9.556,43), que deve constar somente da linha 12. O erro na declaração poderia ser relevado caso o contribuinte, ora recorrente, tivesse feito a prova de que, mais uma vez contrariando as instruções de preenchimento da declaração, não incluiu o referido valor das devoluções de vendas de mercadorias tributadas com alíquota zero na totalização da linha 12. Essa prova, no entanto, não foi feita. Ao contrário, em suas alegações de defesa, tanto na impugnação quanto no recurso, o autuado ratificou que na receita bruta informada nas DIPJs de fls. 58/101 está incluída a totalidade da receita, abrangendo as receitas de vendas devolvidas, ICMS/Substituto Tributário e as vendas de mercadorias contempladas com alíquota zero. Esse procedimento (que, aliás, está em conformidade com o que orientam as instruções de preenchimento da DIPJ) autoriza inferir que as vendas sujeitas à alíquota zero tenham sido registradas, nas respectivas DIPJ, pelo seu valor bruto, sem a exclusão das devoluções. Julgo procedente ajuste na base de cálculo procedido pela Fiscalização e correta a decisão recorrida, que o manteve. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 258 13 Dupla exclusão do valor do devido pelo autuado na condição de substituto tributário, incidente sobre as vendas de mercadorias sujeitas a alíquota zero da contribuição O TVF denunciou também a ocorrência da exclusão em duplicidade do valor do ICMS devido na condição de Substituto Tributário, incidente sobre as vendas de mercadorias sujeitas à alíquota zero da Contribuição nos períodos de apuração de maio/2001 e julho/2001. A refutação do recorrente, repetição da impugnação, cingiuse em negar que tenha cometido a irregularidade, conforme transcrição constante do item anterior deste Voto. Retomemos a mesma fl. 61 do processo, que contém a Ficha 20A da DIPJAC 2001, com o Demonstrativo do cálculo da Cofins do PA jul/2001. Na linha 6 – referente à exclusão do IPI e ICMS/Substituto Tributário – o contribuinte declarou R$ 2.916,86. No demonstrativo “Imposto Retido”, ofertado em resposta a intimação (fl. 41), o contribuinte informou que tal valor abrange o ICMS devido na condição de substituto tributário, incidente tanto nas operações com tributação normal pela Cofins (R$ 1.035,78) quanto as tributadas com alíquota zero (R$ 1.881,08). Esse procedimento, assim como no item anterior, contrariou as instruções de preenchimento da DIPJ. Peço licença para reproduzilas: Linha 20A/06 IPI e ICMS/Substituto Tributário Valor informado na Linha 19A/06. Linha 19A/06 IPI e ICMS/Substituto Tributário Informar nesta linha o valor (subitem 20.2.3.I): a) correspondente ao IPI, que tenha sido computado como Faturamento/Receita Bruta (Linha 19A/01); e b) correspondente ao ICMS, cobrado pelo contribuinte na condição de substituto tributário, que tenha sido computado como Faturamento/Receita Bruta (Linha 19A/01). Atenção: O valor do ICMS, recolhido na condição de substituto tributário, e do IPI, relativos à comercialização de mercadorias contempladas com alíquota zero de PIS/Pasep, não deve ser informado nesta linha, mas sim na Linha 19A/12. A nota 3 acima salienta que não deve compor a linha 5 o valor do ICMS/Substituto relativo a operações contempladas com alíquota zero (no caso analisado, R$ 1.881,08), que deve constar somente da linha 12. O erro na declaração poderia ser relevado caso o contribuinte, ora recorrente, tivesse feito a prova de que, contrariando as instruções de preenchimento da declaração, não incluiu o referido valor do ICMS/Substituto em operações tributadas com alíquota zero na totalização da linha 12. Essa prova, no entanto, não foi feita. Ao contrário, em suas alegações de defesa, tanto na impugnação quanto no recurso, o autuado ratificou que a receita bruta informada nas DIPJs de fls. 58/101 está incluída a totalidade da receita, abrangendo o ICMS/Substituto Tributário e as vendas de mercadorias contempladas com alíquota zero. Esse procedimento (que, aliás, está em conformidade com o que orientam as instruções de preenchimento da DIPJ) autoriza inferir que as vendas sujeitas à alíquota zero tenham sido registradas, nas respectivas DIPJ, pelo seu valor bruto, sem a exclusão do ICMS/Substituto. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 14 Aqui também há nada a reparar no procedimento fiscal e na decisão recorrida. Inclusão indevida, na base de cálculo da Contribuição, de receitas diferidas em períodos anteriores O recorrente, assim como o impugnante, alega que, nos meses de maio a agosto de 2001, incluiu indevidamente, na base de cálculo da Contribuição, receitas diferidas de períodos anteriores, requerendo a reformulação da base de cálculo do período citado, para excluir os valores mencionados. A insurgência, que reproduziu ipsis litteris a constante da peça de impugnação, resumese à transcrição a seguir: Nos meses de maio a agosto do anocalendário de 2001, a requerente incluiu na base de cálculo do PIS/COFINS receitas ditas como diferida de períodos anteriores, que na realidade não é receita. Assim, foram tributados indevidamente os valores ali indicados, dessa forma requer a reformulação da base de cálculo do período citado, para excluir os valores mencionados. Digno de nota, a reclamação não faz qualquer referência aos tais “valores mencionados”. No voto condutor da decisão recorrida, o Relator dá conta de que constatou, na fl. 31 do processo, a seguinte resposta do contribuinte a intimação da Fiscalização: O valor informado a título de Receitas Diferidas em Períodos Anteriores, de que trata o item 1 da solicitação, a rigor não é Receitas Diferidas, é na verdade, o Estoque em 30/04/2001, escriturado em livro fiscal, revestido das formalidades legais, acrescido do respectivo lucro bruto, de produtos que passariam a ser tributados na forma da Lei 10.147/2000. Ressalto por oportuno, que a adoção desse procedimento buscou tão somente evitar a manutenção de dois controles paralelos de estoques, ou seja, um com tributação normal e outro com alíquota zero. O número de parcelas foi estimado em função do prazo médio de giro do estoque. Concluiu o Relator que, com tal objeção, o contribuinte pretendeu excluir da tributação os valores informados a título de receitas diferidas em períodos anteriores, já que os mesmos corresponderiam, na verdade, ao estoque existente, em 30/04/2001, de mercadorias que passaram a ser beneficiadas com a tributação à alíquota zero, prevista no artigo 2 da Lei nº 10.147, de 2000, cujos efeitos começaram a ser produzidos em 1 de maio de 2001. Por falta de provas do fato modificativo do lançamento alegado, ônus que cabia ao impugnante, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado no Processo Administrativo Fiscal, a decisão recorrida não acatou a exceção. Em sede de recurso voluntário, o interessado restringiuse à mera alegação, sem refutar as conclusões da decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 259 15 Conclusão Com essas considerações e com os próprios fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2012 Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado No presente voto divergese do i. Relator quanto ao seu entendimento de que devem ser mantidas na base de cálculo da Cofins as bonificações em mercadorias recebidas e postas para a revenda. Inaugurando essa linha de visão que ora se controverte, a decisão recorrida apoiouse no conceito contábil de aumento de situação líquida patrimonial, que, no presente caso, teria ocorrido com um acréscimo no ativo pelo recebimento das mercadorias em bonificação sem uma contrapartida de crédito em conta de passivo, conforme seus termos a seguir: Tendo a própria Interessada registrado como receitas, em sua contabilidade, os valores consignados nas Notas Fiscais que alega constituírem descontos incondicionais concedidos na forma de bonificações em mercadorias, e não tendo ela apresentado qualquer elemento de prova apto a demonstrar a incorreção material dos lançamentos contábeis correspondentes, entendo que deve ser mantido o lançamento impugnado, no tocante a esta específica matéria (já com os ajustes promovidos pela autoridade que empreendeu a Diligência Fiscal). Aduzase que não há por que estranhar a atribuição, aos valores constitutivos das bonificações em mercadorias, da natureza jurídicocontábil de receitas. Observese a definição de Receita formulada no item 70 (a) do Pronunciamento Conceitual Básico “Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC2, que abaixo reproduzo: Aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 16 Assim, qualquer acréscimo de ativos que importe em aumento do patrimônio líquido da entidade beneficiária constitui Receita. A contrario sensu, para que não configure Receita, um aumento de ativos deve ter por contrapartida um crédito em uma Conta Patrimonial (de Ativo ou de Passivo). Milita no mesmo sentido a definição de Receita dada por Silvério das Neves e Paulo E. Viceconti: São entradas de elementos para o Ativo da empresa, decorrentes de uma transação com terceiros, na forma de bens ou direitos que provocam um aumento da situação líquida da entidade, em virtude de não aumentarem o Passivo. Registramos aqui que, apesar de o contribuinte, em resposta ao nosso Termo de Solicitação de Esclarecimentos, haver alegado que: "em relação às bonificações, esclarecemos tratarse de descontos comerciais obtidos nas compras, em mercadorias a serem revendidas, cuja tributação é feita quando ocorre a venda”, ressaltamos que, com o advento da Lei n° 9.718/98 a base de cálculo do PIS e da COFINS passou a englobar a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da atividade exercida e da classificação contábil adotada, entre as quais o valor das mercadorias recebidas em bonificação, que também constitui receitado contribuinte. A posição do i. Relator ad quem é perfilhada, sobretudo, do seu labor sobre as observações e conclusão da decisão recorrida, e ambas o são a partir do conceito de mercadorias em bonificações plasmado no Parecer CST/SIPR n 1.386/1982, segundo o qual as bonificações somente não configuram receitas de quem as recebe na hipótese de estarem vinculadas a operações de vendas, quando assumem, assim, a figura de descontos incondicionalmente concedidos pelos vendedores, na forma de entrega de mercadorias em quantidade superior à estipulada. Como corolário desse pensar, na hipótese de representarem mercadorias entregues gratuitamente pelo fornecedor ao cliente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, constituem receitas auferidas por quem as recebe, sujeitas à incidência da aludida contribuição. O lançamento está respaldado na Lei n 10.833/2003, para os períodos de apuração sob sua regência. Regulando a ampliação da base de cálculo das contribuições trazida pela EC n 20/98, dita lei sufragou como aspecto material da hipótese de incidência as receitas auferidas pela pessoa jurídica, em sua totalidade, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Gizese, nesse passo, que o enquadramento das bonificações em mercadorias como receita não é decorrente de disposição expressa da citada lei. Se o fosse, não se estaria aqui a contestála, sob pena de se estar afastando aplicação de lei presumidamente válida e constitucional. Resulta, sim, da concepção de que a expressão receitas auferidas, por carregar em si a antes pretendida ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, pode abarcar toda e qualquer sorte de ingressos, sejam eles de ordem financeira ou patrimonial. Dito isso, vêse que a questão reclama perscrutar o alcance e conteúdo da locução receitas auferidas, cuja síntese extraio das palavras abalizadas de José Antonio Fl. 399DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 260 17 Minatel, que esgarçou este assunto, desde as suas entranhas, de maneira incomparável na doutrina: Receita é o conteúdo material qualificado pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos. 5 [grifos aqui]. De posse dessas referências que estruturam o conceito de receita, o escólio de Minatel vai ao encontro do tema que perfaz a presente controvérsia e discorre acerca das bonificações em mercadorias como sendo uma conduta incapaz de materializarse no fato jurídico auferir receita. Confirase: A técnica cada vez mais comum de induzir vendas pela entrega de mercadorias a título de bonificação, que são recebidas pelo comprador sem custo adicional, assim como os descontos obtidos na liquidação de obrigações, são eventos relacionados sempre com a aquisição de bens e direitos, e não com a atividadefim que visa colocálos no mercado, portanto seus efeitos econômicos não se prestam para compor a base de cálculo das contribuições da COFINS e do PIS, porque não se qualificam como receita. Digase, em alto e bom tom, não ser possível encontrar a conduta materializada pela locução auferir receita nos eventos relacionados com a compra de mercadorias para revenda. Naquele momento temse maior ou menor custo de cada mercadoria adquirida, face ao quantitativo das bonificações ou dos descontos obtidos na liquidação das correspondentes obrigações, jamais a caracterização de qualquer evento que possa revelar a existência de receita, pois não há ingresso, tampouco o exercício de atividade com o objetivo de obtêlo. 6 [grifos no original]. Já foi dito acima que não se está aqui a afastar aplicação de lei, de forma que o argumento a seguir, por sua feição constitucional, venha a ser conspurcado de invalidade, por impossibilidade regimental do Colegiado deste CARF manejálo. Então, registrese: Ao erigir a receita das pessoas jurídicas como fonte de custeio da Seguridade Social, o Constituinte derivado reformador, é certo, visualizou a materialidade do termo receita, introduzido no art. 195, I, b , da CF/88, no ingresso financeiro gerado pelos negócios 5 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. São Paulo: MP Editora, 2005, p. 124. 6 MINATEL, José Antônio. Conceito de Receita e Regimes de Apuração da COFINS. Porto Alegre: TRF – 4ª Região, 2006 (Currículo Permanente. Caderno de Direito Tributário: módulo 1). p.20. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 18 jurídicos, em paralelo a outros signos presuntivos de riqueza, como lucro, renda e patrimônio com que laborou no desenho matricial de outras incidências tributárias. Desses paradigmas deve derivar que somente na ocorrência de ingresso financeiro existirá capacidade de contribuir passível de gerar a obrigação tributária e o dever de recolher. Tal feito não se exterioriza na bonificação em mercadoria concedida de forma incondicional, por dela não provir recebimento por parte do fornecedor, uma vez que se realiza sem contraprestação pelo destinatário, a quem unicamente aproveita. Assim, como bem destacou Gonçalves7, o pagamento da Cofins sobre valor que não possua natureza de receita, resulta tributação do patrimônio do contribuinte, como base de cálculo não autorizada, gerando confisco vedado constitucionalmente e o exercício do poder de tributar, por parte da União Federal, sem a necessária competência tributária outorgada pela Lei Maior. A justificar a diversidade dessas categorias e a inexistência de relação de continência entre receita e bonificações em mercadorias, temse do ensino de Minatel, no recorte acima, que estas são recebidas pelo comprador sem custo adicional, assim como os descontos obtidos na liquidação de obrigações, e são eventos relacionados sempre com a aquisição de bens e direitos, e não com a atividadefim que visa colocálos no mercado. . Em consequência, a forma pela qual a concessão da bonificação em mercadoria é documentada, se contida na mesma nota fiscal de venda do fornecedor ou não, tornase irrelevante. E exato na vertente do que está exposto supra é que está entalhada a Solução de Consulta n 118, de 15 de março de 2007, da SRRF da 6 Região Fiscal/MG (D.O.U de 17.04.2007), verbis: SRRF – 6ª Região Fiscal (MG) Solução de Consulta nº 118, de 15 de março de 2007 (DOU 17.04.2007) EMENTA: BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. DIREITO A CRÉDITO. COMPOSIÇÃO DA RECEITA BRUTA. As mercadorias recebidas em bonificação não podem ser descontadas como crédito na sistemática da não cumulatividade. A base de cálculo dos créditos deve ser construída a partir do valor efetivamente pago ao fornecedor, que não inclui as mercadorias recebidas em bonificação. Estas mercadorias também não compõem a receita bruta, base de cálculo da contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637/2002, arts. 1º e. 3º, I, e §§ 1º e 2º, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004; Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982. Mais recentemente, a Solução de Consulta n 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8 Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012), não obstante focalizar a Contribuição para o PIS, a exemplo da anterior, constrói também no mesmo sentido a releitura do Parecer 7 Gonçalves, Fernando Dantas Casillo. A Tributação das Bonificações. http://www.gassauditoria.com.br/site/principal/ShowSecao.asp?var_chavereg=43.<acesso em 30.09.2012> Fl. 401DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10384.002422/200529 Acórdão n.º 3803003.491 S3TE03 Fl. 261 19 CST/SIPR n 1.386, de 1982 que aditouse ao respaldo legal da presente exigência a partir dos fundamentos constitucionais e legais que indica no rodapé, verbis: SRRF – 8ª Região Fiscal (SP) Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012 (DOU 26.06.2012) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Anotese que não se está aqui a evocar o entendimento de ambas as Autoridades Tributárias regionais, expresso nos dois atos acima, como norma de Direito Tributário, nos termos do art. 100, I, do CTN, mas com o fim de ressaltar a força da presente controvérsia e a plausibilidade da tese defendida no presente voto, consentânea com o melhor Direito. Concluo, em vista do que acima está delineado, que não será o fato da Recorrente efetuar o lançamento contábil das bonificações em mercadorias como receita que Fl. 402DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 20 assim há de ser, de gerar obrigação tributária e de respaldar o lançamento fiscal. Enfim, dado o matiz conceitual que ora se dá às bonificações em mercadorias, que dispensa sua configuração como descontos incondicionais concedidos para que logre não integrar a base de cálculo das contribuições, descabe atribuir à Recorrente o ônus de provar o erro material na escrituração procedida como condição para o cancelamento do auto de infração, conforme sustentou o i. Relator. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Cofins os valores das bonificações em mercadorias. Sala das sessões, 25 de setembro de 2012 Belchior Melo de Sousa Fl. 403DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 11634.001427/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
null
OMISSÃO DE RECEITA. VENDA DE MERCADORIAS. VALORES CREDITADOS EM CONTAS BANCÁRIAS. DIFERENÇA ENTRE RECEITA DECLARADA E VALORES DEPOSITADOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM QUANTO À DIFERENÇA. OMISSÃO CARACTERIZADA.
A existência de valores creditados em conta bancária, em montante superior ao da receita declarada, sem que o contribuinte prove que tais recursos são advindos de outras fontes, que não o exercício de sua atividade empresarial, nos leva ao convencimento de que são oriundos da atividade operacional, caracterizando situação em que se presume omissão de receita. Inteligência do artigo 42 da Lei no. 9.490, de 1996.
MULTA QUALIFICADA. VALORES CREDITADOS NA PRÓPRIA CONTA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DA QUAL NÃO É POSSÍVEL EXTRAR OUTRA PRESUNÇÃO PARA QUALIFICAR A MULTA.
A jurisprudência deste Colegiado segue o entendimento de que o procedimento do sujeito passivo que deposita os valores omitidos em conta bancária em nome próprio, sem comprovar a origem dos depósitos, se constitui em elemento para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não é causa suficiente para qualificar a multa.
Se os valores depositados, em nome próprio, estivessem declarados, sequer haveria omissão de receita. O fato de não estarem declarados é causa para exigência do imposto devido, com multa de 75%.
O fato da autoridade fiscal apontar que clientes haviam realizado pagamentos em montante superior ao especificado em nota fiscal sem que a recorrente tivesse logrado êxito em provar sua tese de que tais valores eram oriundos de vendas realizadas no passado, já tributadas, decorrente de clientes inadimplentes, é elemento suficiente para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não para justificar a qualificadora da multa, em especial levando-se em consideração de que os valores eram creditados em conta bancária em nome da própria contribuinte.
Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, depositados em nome próprio, não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dá-se o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou.
TAXA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF. Nos termos da Súmula 04 do Carf, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada e acolher a decadência em relação aos fatos geradores até setembro/2005, inclusive. Ausente os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ null OMISSÃO DE RECEITA. VENDA DE MERCADORIAS. VALORES CREDITADOS EM CONTAS BANCÁRIAS. DIFERENÇA ENTRE RECEITA DECLARADA E VALORES DEPOSITADOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM QUANTO À DIFERENÇA. OMISSÃO CARACTERIZADA. A existência de valores creditados em conta bancária, em montante superior ao da receita declarada, sem que o contribuinte prove que tais recursos são advindos de outras fontes, que não o exercício de sua atividade empresarial, nos leva ao convencimento de que são oriundos da atividade operacional, caracterizando situação em que se presume omissão de receita. Inteligência do artigo 42 da Lei no. 9.490, de 1996. MULTA QUALIFICADA. VALORES CREDITADOS NA PRÓPRIA CONTA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DA QUAL NÃO É POSSÍVEL EXTRAR OUTRA PRESUNÇÃO PARA QUALIFICAR A MULTA. A jurisprudência deste Colegiado segue o entendimento de que o procedimento do sujeito passivo que deposita os valores omitidos em conta bancária em nome próprio, sem comprovar a origem dos depósitos, se constitui em elemento para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não é causa suficiente para qualificar a multa. Se os valores depositados, em nome próprio, estivessem declarados, sequer haveria omissão de receita. O fato de não estarem declarados é causa para exigência do imposto devido, com multa de 75%. O fato da autoridade fiscal apontar que clientes haviam realizado pagamentos em montante superior ao especificado em nota fiscal sem que a recorrente tivesse logrado êxito em provar sua tese de que tais valores eram oriundos de vendas realizadas no passado, já tributadas, decorrente de clientes inadimplentes, é elemento suficiente para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não para justificar a qualificadora da multa, em especial levando-se em consideração de que os valores eram creditados em conta bancária em nome da própria contribuinte. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, depositados em nome próprio, não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dá-se o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. TAXA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF. Nos termos da Súmula 04 do Carf, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso voluntário parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.001427/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ; CSLL; PIS; COFINS Recorrente LINEA BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. VENDA DE MERCADORIAS. VALORES CREDITADOS EM CONTAS BANCÁRIAS. DIFERENÇA ENTRE RECEITA DECLARADA E VALORES DEPOSITADOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM QUANTO À DIFERENÇA. OMISSÃO CARACTERIZADA. A existência de valores creditados em conta bancária, em montante superior ao da receita declarada, sem que o contribuinte prove que tais recursos são advindos de outras fontes, que não o exercício de sua atividade empresarial, nos leva ao convencimento de que são oriundos da atividade operacional, caracterizando situação em que se presume omissão de receita. Inteligência do artigo 42 da Lei no. 9.490, de 1996. MULTA QUALIFICADA. VALORES CREDITADOS NA PRÓPRIA CONTA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DA QUAL NÃO É POSSÍVEL EXTRAR OUTRA PRESUNÇÃO PARA QUALIFICAR A MULTA. A jurisprudência deste Colegiado segue o entendimento de que o procedimento do sujeito passivo que deposita os valores omitidos em conta bancária em nome próprio, sem comprovar a origem dos depósitos, se constitui em elemento para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não é causa suficiente para qualificar a multa. Se os valores depositados, em nome próprio, estivessem declarados, sequer haveria omissão de receita. O fato de não estarem declarados é causa para exigência do imposto devido, com multa de 75%. O fato da autoridade fiscal apontar que clientes haviam realizado pagamentos em montante superior ao especificado em nota fiscal sem que a recorrente tivesse logrado êxito em provar sua tese de que tais valores eram oriundos de vendas realizadas no passado, já tributadas, decorrente de clientes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 14 27 /2 01 0- 75 Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.001427/201075 Acórdão n.º 1402001.309 S1C4T2 Fl. 3 2 inadimplentes, é elemento suficiente para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não para justificar a qualificadora da multa, em especial levandose em consideração de que os valores eram creditados em conta bancária em nome da própria contribuinte. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, depositados em nome próprio, não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. TAXA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF. Nos termos da Súmula 04 do Carf, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada e acolher a decadência em relação aos fatos geradores até setembro/2005, inclusive. Ausente os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.001427/201075 Acórdão n.º 1402001.309 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de empresa tributada com base no lucro presumido, em relação a qual foi apurado, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, omissão de receita caracterizada em face da venda sem emissão de notas fiscais ou com emissão em valor inferior ao efetivamente praticado. A infração, no auto de lançamento, tem como fundamento legal o artigo 528 do Regulamento do imposto de renda, que assim dispõe: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no artigo 519 (Lei nº 9.249, de 1995, artigo 24). Segundo consta à fl. 2.986, do Termo de Verificação Fiscal, comparandose os valores movimentados nas referidas contas correntes (extratos bancários de fls. 467 a 1653) e os valores registrados na escrituração contábil da empresa fiscalizada (razão contábil – fls. 1.654 a 1932), deparouse com divergências relevantes entre os valores creditados nas contas bancárias e os valores contabilizados, havendo, inclusive, conta bancária em nome da empresa que não estava escriturada. Intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários, a fiscalizada apresentou os demonstrativos de fls. 2.121 a 2.643, assim como cópias de notas fiscais de fls. 2.201 a 2.683, dizendo que tias valores se tratavam de vendas feitas, devidamente registradas em sua contabilidade, assim como em seus livros fiscais. Ocorre que somando os valores depositados em conta bancária e os valores contabilizados, estes eram inferior aos primeiros, o que caracterizava venda, segundo a autoridade fiscal, sem nota ou com valor inferior, transações estas conhecidas no mercado como “meia nota.” O procedimento fiscal, com o intuito de provar a informação constante no parágrafo anterior, identifica venda a clientes da fiscalizada e valores creditados por estes em montante superior ao especificado nas notas fiscais, o que caracterizaria, venda com “meia nota”, valores estes depositados, quase sempre, em conta bancária não escriturada. A notificação do lançamento deuse em 13/10/2010 (fl. 2.929, que corresponde à fl. 3002 do processo digitalizado), sendo que o valor do crédito tributário relativo ao IRPJ; CSLL; PIS e Cofins, discutidos nestes autos e contemplados no recurso, exigido com multa de 150% e juros até a data da notificação, importou em R$ 5.027.251,98 (fl. 03). O critério temporal da exigência em relação ao IRPJ e a CSLL deuse em cada um dos trimestres dos anoscalendário antes apontado e, no que diz respeito ao PIS e a Cofins foi observado o critério mensal, conforme previsto nas normas que instituíram estas contribuições. Fl. 3321DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.001427/201075 Acórdão n.º 1402001.309 S1C4T2 Fl. 5 4 Apesar da impugnação de fls. 2.977 e seguintes fazer referência ao IPI, a exigência deste tributo deuse em outros autos, motivo pelo qual não foi analisado pelo acórdão recorrido. Segundo a impugnação apresentada pela recorrente, o lançamento não pode subsistir pelas seguintes razões: (i) que os valores imputados como “omissão de receita” se tratam, de fato, de valores devidos por clientes inadimplentes que, regularizando sua situação de devedores perante a recorrente, realizaram pagamentos relativos a períodos de exercícios anteriores, sendo que em muitas vezes recebe tais valores de forma parcelada ou com deságio, única forma de recuperar os aludidos créditos; (ii) dados os esclarecimentos acima, diz a recorrente que entender que as entradas financeiras sem que se verificasse, no mesmo período, as respectivas notas fiscais são, em absoluto, uma presunção sem fundamento, que mostra contrária à toda e qualquer análise melhor aprofundada sobre a realidade dos fatos. (iii) por outro lado, deve ser reconhecida a decadência da exigência de crédito tributário em relação a fatos geradores verificados em data anterior a 13102005. (iv) que no caso dos autos a busca dos fatos e da verdade material vão em sentido contrário às presunções fiscais que serviram de base para a autuação imposta à recorrente. (v) por fim, argumenta que a multa qualificada tem natureza confiscatória. O acórdão de fls. 3.096 e seguintes julgou improcedente a impugnação, sendo que desta decisão a parte interessada foi intimada em 15032011 (fl. 3.113) e em 11042011 apresentou o recurso de fls. 3.119, onde repisa os argumentos articulados quando da impugnação, destacando, ainda: a) a impossibilidade de exigência de juros pela taxa selic; b) que nos termos do art. 218, do Regulamento do Imposto de Renda, que o valor tributável para efeito de incidência “será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos”; c) que a movimentação bancária não pode ser base de cálculo dos tributos exigidos nestes autos. É o relatório. Fl. 3322DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.001427/201075 Acórdão n.º 1402001.309 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro moises giacomelli nunes da silva Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Segundo se extrai dos autos, a recorrente é empresa tributada com base no lucro presumido no ano de 2005 informou à tributação receita bruta nos seguintes valores: Anocalendário Trimestre Valor oferecido à tributação Fls DIPJ Antecipação pagamento IRPJ e CSLL Fls. 1º 2.642.052,68 131 sim 131 e 133 2º 2.580.754,60 131 sim 131 e 133 3° 3.007.272,32 132 sim 132 e 134 2005 4° 3.440.919,75 132 sim 132 e 134 Em relação aos anoscalendário de 2006 e 2007, da análise das respectivas DIPJs, temse o mesmo parâmetro, razão pela qual deixo de transcrever os números para este voto, pois o que interessa ao exame da matéria é verificar a procedência ou não da afirmação da autoridade fiscal de que, em relação a cada anocalendário, destaca que a comparação entre os valores declarados com a movimentação financeira indica divergências relevantes, conforme demonstrado na tabela de fl. 2.988, da qual vou transcrever apenas o primeiro e o último mês de cada anocalendário, bem como o total anual. Demonstrativo das omissões de receitas imputadas pela autoridade fiscal 2005 Mês/ano Total depósitos Receita Declarada diferença Jan05 1.391.320,61 927.318,29 460.002,32 Dez05 2.637.554,67 1.013.258,17 1.624.296,50 Total em 2005 20.267.891,56 11.720.949,22 8.546.942,34 Demonstrativo das omissões de receitas imputadas pela autoridade fiscal 2006 Mês/ano Total depósitos Receita Declarada diferença Jan06 1.360.941,40 730.589,43 630.081,97 Dez06 2.746.440,38 1.656.983,24 1.089.457,15 Total em 2006 17.690.415,49 11.207.686,53 6.482.728,14 Demonstrativo das omissões de receitas imputadas pela autoridade fiscal 2007 Mês/ano Total depósitos Receita Declarada Diferença Jan07 2.387.794,59 1.367.415,46 1.020.379,13 Dez07 2.289.553,00 996.446,23 1.293.106,77 Total em 2007 25.166.549,38 14.794.240,77 10.372.308,61 Fl. 3323DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.001427/201075 Acórdão n.º 1402001.309 S1C4T2 Fl. 7 6 É fato incontroverso nos autos que existem diferenças entre os valores declarados como receita e os valores creditados em conta bancária. O que deve ser analisado é a existência de prova quanto à tese da defesa de que os valores imputados como “omissão de receita” se tratam, de fato, de valores devidos por clientes inadimplentes que, regularizando sua situação de devedores perante a recorrente, realizaram pagamentos relativos a períodos de exercícios anteriores, sendo que em muitas vezes recebia tais valores de forma parcelada ou com deságio, única forma de recuperar os aludidos créditos. Observado o regime de competência, isto é, da necessidade de oferecimento da receita à tributação no mês em que as transações são realizadas, independentemente de vir a ser recebidas no futuro, em tese, pode se verificar situações em que os valores correspondentes aos depósitos bancários já tivessem sido oferecidos à tributação em período anterior. Exemplo disto verificase em relação ao ano de 2004 em que a autoridade fiscal, à fl. 2.917, destaca que “no anocalendário de 2005, foram deduzidos os créditos provenientes de vendas do ano calendário de 2004.” Fiz o registro acima porque vou avaliar a alegação da recorrente de que os valores recebidos eram oriundos de clientes inadimplentes com os quais realizou inúmeras negociações, ora concedendo descontos, ora parcelando, como única maneira de recuperar tais créditos. Se ficar provado nos autos que tais valores já foram oferecidos à tributação, no respectivo regime de competência, não há o que se falar em omissão de receita. É nesta linha que conduzirei o exame da matéria. Faço questão de deixar registrado que não ignorarei as alegações da recorrente de que atua em segmento de mercado em que sua clientela é formada de pequenas empresas com quem realiza, ainda que de maneira informal, mediante vendas a crédito, uma espécie de financiamento para viabilizar o comércio de seus produtos. Não desconheço da praxe no mercado de móveis em realizar vendas em dez vezes, “sem juros”. Neste caso, não raro, o fabricante, para colocar seus produtos no mercado, forneceos ao comerciante, em especial os pequenos, e vai recebendo conforme o consumidor final vai pagando. Contudo, é necessário sairmos das afirmações teóricas e verificarmos o que existe de concreto nos autos. No ano de 2006 a empresa ofereceu à tributação R$ 11.207.686,53. Porém, foi creditado em suas contas R$ 17.690.415,49. A diferença de 6.482.728,14, pela tese da recorrente, seriam valores de períodos anteriores pagos em 2006. Para que isto fosse verdade, no ano de 2005 os depósitos bancários, já que não houve recebimento de todas as vendas, deveriam ser menor do que a receita declarada. Contudo, não é isto que ocorre. A alegação da recorrente não resiste à análise de credibilidade ora feita e, de igual forma, vem desacompanhada de qualquer elemento de prova. Se considerássemos como exemplo o ano de 2007 em que a receita declarada foi de R$ 14.794.240,77 e os depósitos bancários de R$ 25.166.549,38, teríamos uma diferença ainda maior, isto é, de R$ 10.372.308,61. Se este valor fosse de exercício anterior, por hipótese de 2006 e até de 2005, os depósitos bancários dos exercícios em que teria havido esta supostas inadimplências, observado o regime de competência, não poderiam ter ultrapassado a receita declarada, situação que não ocorreu. Com tais considerações, rejeito a tese da recorrente e, por conseqüência, mantémse o lançamento já que comprovado a omissão. Fl. 3324DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.001427/201075 Acórdão n.º 1402001.309 S1C4T2 Fl. 8 7 Da multa qualificada Salvo melhor juízo, apesar da acusação de "meianota" ou utilização da conta omitida especialmente para movimentar recursos à margem da contabilidade, não verifiquei nos autos prova material da fraude. Não temos diligências junto aos adquirentes (confirmação/comprovação de que a contribuinte premeditava vendas sem nota), não foram juntadas notas fiscais não contabilizadas, muito menos notas fiscais com valores diferentes na via contabilizada pela autuada em relação a via do cliente. Todos os documentos solicitados pela fiscalização foram fornecidos pela própria autuada. Todas as notas fiscais emitidas pela empresa e juntadas aos autos foram contabilizadas pelo valor exato. Mais a mais, a contabancária omitida é de titularidade da própria empresa, que apesar de não ter justificado adequadamente a origem dos recursos (diz que se trata de recebimentos de vendas de períodos anteriores, mas não prova), não praticou ação tendente a ocultar do fisco a prática de omissão de receitas, salvo a manutenção da conta a margem da contabilidade. Está evidenciado nos autos que a fiscalização foi além do simples procedimento de somar os depósitos bancários. Foi feita análise e reunidos indícios de que o contribuinte realizava vendas para determinados clientes sem a emissão de notas fiscais, mas faltou prova material da fraude, haja vista que os extratos bancários se prestam para comprovar o ingresso dos recursos e aplicar a presunção legal, mas por si só não comprova a fraude. O fato da autoridade fiscal apontar que clientes haviam realizado pagamentos em montante superior ao especificado em nota fiscal sem que a recorrente tivesse logrado êxito em provar sua tese de que tais valores eram oriundos de vendas realizadas no passado, já tributadas, decorrente de clientes inadimplentes, é elemento suficiente para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não para justificar a qualificadora da multa, em especial levandose em consideração de que os valores eram creditados em conta bancária em nome da própria contribuinte. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, depositados em nome próprio, não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar o tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Na linha do que tem decidido esta turma sigo o entendimento de que o procedimento do sujeito passivo que deposita os valores omitidos em conta bancária em nome próprio, sem comprovar a origem dos depósitos, se constitui em elemento para caracterizar a presunção de omissão de receita, mas não é causa suficiente para qualificar a multa. Se os valores depositados, em nome próprio, estivessem declarados, sequer haveria omissão de receita. O fato de não estarem declarados é causa para exigência do imposto devido, com multa de 75%. Fl. 3325DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11634.001427/201075 Acórdão n.º 1402001.309 S1C4T2 Fl. 9 8 Da taxa Selic Nos termos da Súmula 04, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aplicase a taxa Selic em relação aos débitos tributários. Súmula 1º CC n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Da decadência O quadro baixo, refletindo o exame da DIPJ, fls. 131 a 134, indica antecipa;ao de pagamento em relação ao IRPJ e ä CSLL, em cada um dos trimestres do ano calendário de 2005. Anocalendário Trimestre Valor oferecido à tributação Fls DIPJ Antecipação pagamento IRPJ e CSLL Fls. 1º 2.642.052,68 131 sim 131 e 133 2º 2.580.754,60 131 sim 131 e 133 3° 3.007.272,32 132 sim 132 e 134 2005 4° 3.440.919,75 132 sim 132 e 134 Em relação ao PIS e à Cofins a autoridade fiscal apontou como devido somente os valores correspondentes à receita omitida. Não há exigência quando aos valores declarados e apurados conforme demonstrativos de apuração de fls. 206 e seguintes – DACON, trazido aos autos pela Fiscalização, indicam apuração e pagamento em relação a cada um dos meses do ano de 2005. Desta forma, havendo antecipação de pagamento e desqualificando a multa, contase a decadência nos termos do artigo 150, § 4o. do CTN, o que equivale a dizer que quando do lançamento notificado em 30/10/2010, já se encontravam decadentes os tributos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 2005, inclusive. ISSO POSTO, voto no sentido dar parcial procedimento ao recurso para afastar a multa qualificada, reconhecendo a decadência em relação aos fatos geradores até setembro de 2005, inclusive. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 3326DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10293.000310/98-90
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 02/04/1998, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 02/04/1988.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 02/04/1998, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 02/04/1988. Recurso extraordinário negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 02/04/1998, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 02/04/1988. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 00 03 10 /9 8- 90 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0305.862 da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 351 a 374) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 02/04/1998, repetição de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 30/09/1991. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 378 a 400), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 639DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10293.000310/9890 Acórdão n.º 9900000.824 CSRFPL Fl. 6 3 extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 402 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 02/04/1998. Fatos Geradores: de 01/09/1989 a 30/09/1991. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: Fl. 640DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 02/04/1998, estava apto a pleitear a restituição de tributos com fatos geradores ocorridos após 02/04/1988. Dessa forma, como o pleito se refere a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 30/09/1991, o direito não estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 641DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10293.000310/9890 Acórdão n.º 9900000.824 CSRFPL Fl. 7 5 Fl. 642DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13603.720198/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Ante o reconhecimento apenas parcial do direito creditório reclamado, oriundo de saldo negativo de IRPJ, impõe-se a não homologação das compensações pleiteadas em excesso ao valor reconhecido.
Numero da decisão: 1102-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Ante o reconhecimento apenas parcial do direito creditório reclamado, oriundo de saldo negativo de IRPJ, impõe-se a não homologação das compensações pleiteadas em excesso ao valor reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
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Recorrente MINAS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Ante o reconhecimento apenas parcial do direito creditório reclamado, oriundo de saldo negativo de IRPJ, impõese a não homologação das compensações pleiteadas em excesso ao valor reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 98 /2 00 8- 60 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720198/200860 Acórdão n.º 1102000.793 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MINAS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0226.746, da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, o qual, por sua vez, homologara parcialmente as compensações de tributos tratadas nas Declarações de Compensação que são objeto do presente processo. O crédito alegado é de saldo negativo de imposto de renda relativo ao ano calendário de 2000, no valor de R$ 18.040,96. De acordo com o Despacho Decisório, este saldo negativo é oriundo do confronto do IRPJ devido naquele ano com o montante de R$ 21.023,57 de estimativas quitadas mediante compensação com saldo negativo de IRPJ do ano anterior (1999), o qual, por sua vez, também tivera origem em estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior (1998). Assim, a análise da autoridade fiscal retroagiu até o ano calendário de 1998. Naquele ano, o contribuinte apurara saldo negativo de R$ 16.130,13. Contudo, a autoridade fiscal confirmou apenas o montante de R$ 10.839,15. Isto porque, apesar de não ter apurado imposto devido naquele ano, este foi o total que foi confirmado como pago/compensado, conforme consultas feitas aos bancos de dados da RFB. Apesar de reconhecer apenas parcialmente o saldo negativo de 1998, a autoridade fiscal observou que o montante reconhecido revelouse suficiente para a quitação das estimativas declaradas como compensadas com este crédito no ano de 1999, no valor de R$ 6.556,55, conforme as DCTF apresentadas pelo contribuinte. Por este motivo, o saldo negativo declarado pelo contribuinte, relativo ao ano de 1999, neste exato valor, foi integralmente reconhecido pela DRF de origem. Com relação ao ano de 2000, verificou a autoridade fiscal que todas as estimativas, no montante de R$ 21.023,57, haviam sido objeto de compensação pelo contribuinte com o referido saldo negativo de IRPJ de 1999, de acordo com as DCTF anexas de fls. 18 a 29. Contudo, o referido saldo revelouse insuficiente para compensar integralmente as estimativas declaradas. Assim, confrontando o valor do IRPJ devido naquele ano com o montante das estimativas cuja compensação restou comprovada (R$ 6.818,50), a autoridade fiscal reconheceu a existência de saldo negativo de IRPJ de 2000 tão somente no valor de R$ 3.835,89. Por força do reconhecimento do saldo negativo de 2000 em valor inferior ao alegado, houve homologação de tão somente uma parte das compensações declaradas, ora sob litígio. Cientificado do despacho, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 109, alegando, textualmente, o seguinte: “Conforme mencionado na pagina 2 dos Despachos Decisório DRF/Con n. 914 e 915 IRPJ Ano Calendário 1998, as confrontações feitas pelo auditor, verifica Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720198/200860 Acórdão n.º 1102000.793 S1C1T2 Fl. 4 3 se que foi recolhido R$ 8.874,24 a titulo de IRPJ até 2° trimestre deste período, mas de acordo com documentos em nosso poder anexo solicitamos que seja reconsiderado o 3° e 4° trimestre em função de existir recolhimento no 3° trimestre no vaior de R$ 1.158,94 conforme DARF em anexo assim totalizando R$ 10.033,18 e foram realizadas compensações de débitos no valor de R$ 1.964,91, através de retenção de IRPJ por órgão publico verificadas conforme fls 41 e 42. e conforme os requerimentos já citados acima já foi entregue a Receita Federal xerox DCTF’s complementar onde será possível confirmar a veracidade dos fatos onde foi feito compensações no valor R$ 4.132,04 totalizando o saldo negativo de IRPJ de R$ 16.130,13 como informado na DIPJ/1999. Quanto aos anos calendários 1999 2000 e 2002 entendemos que com os esclarecimentos mencionados, relativo ao ano de 1998 sejam sanadas as pendência mencionadas, por entendermos ter reflexo nos anos seguintes.” A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que o contribuinte limitouse a tecer considerações sobre o ano calendário de 1998, o qual não teve qualquer influência no Despacho Decisório prolatado. E que, de qualquer sorte, o referido saldo negativo, de R$ 16.130,13, não poderia ser confirmado pela autoridade julgadora, pois não teria sido previamente submetido a exame pela DRF de origem, conforme rito imposto pela Lei no 9.430/96, sequer integrando o litígio. O Acórdão n° 0226.746 possui a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 Compensação Incabível o exame, por parte das DRJ, de pedidos de compensação não apresentados prévia e tempestivamente à DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte.” Cientificada desta decisão em 06.07.2010, conforme AR de fls. 128, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 30.07.2010, fls. 129130, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte, verbis: “Analisando as informações prestadas pelo contribuinte nas DCTF'S relativas ao anocalendario de 2000, verificase a existência de estimativas mensais de IRPJ, as quais teriam sido totalmente compensadas com a utilização de saldo negativo proveniente dos anoscalendarios 1997, 1998 e 1999 com as devidas correções, e não apenas com saldo negativo do anocalendario de 1999, conforme fls. 18 a 29. Levantado nas verificações feitas pela auditoria da receita tornando assim o saldo insuficiente, uma vez que está informado em DCTF, apenas as estimativas compensadas e não o período com o qual foi compensadas. Pois neste momento não tinha a ferramenta do PER/DCOMP para informa a origem dos créditos utilizados em compensações. Entendemos que com os esclarecimentos mencionados, e a analise a ser feita a partir do anocalendario 1997, 1998 e 1999, sejam sanadas as pendências mencionadas, por entendermos ter reflexo nos anos seguintes.” É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720198/200860 Acórdão n.º 1102000.793 S1C1T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O litígio em questão diz respeito à homologação parcial da compensação dos débitos constantes da DCOMP n° 34365.16244.301106.1.7.023062, e à não homologação da compensação dos débitos constantes das DCOMP n° 22197.34699.081204.1.3.022372 e 21530.70840.081204.1.3.029629. Nelas, o crédito alegado é de imposto de renda relativo ao ano calendário de 2000, no valor de R$ 18.040,96. Este crédito foi reduzido pela autoridade fiscal para R$ 3.835,89, porque não houve a comprovação da efetiva quitação da integralidade das estimativas consideradas pelo contribuinte como tendo sido compensadas com o saldo negativo de IRPJ de 1999. Incumbiria ao recorrente, neste caso, demonstrar que o saldo negativo de 2000 efetivamente existe, quer porque algumas dessas estimativas tivessem sido pagas, e não compensadas, quer porque o saldo negativo de IRPJ de 1999, por alguma razão, fosse eventualmente superior ao declarado, permitindo assim a compensação integral das estimativas de 2000. Em qualquer caso, haveria de adequadamente instruir a sua defesa com as provas de tais alegações, que levassem ao convencimento do julgador quanto ao valor do seu saldo negativo de 2000. As alegações do contribuinte, contudo, já por ocasião da manifestação de inconformidade, voltaramse todas, conforme bem observou a DRJ, para a tentativa de comprovar o efetivo saldo negativo de IRPJ de 1998 por ele declarado. Entende o contribuinte que, com tais argumentos, todas as suas pendências seriam resolvidas, em razão do reflexo nos anos seguintes. Porém, a eventual comprovação do seu saldo negativo de IRPJ de 1998 em nada alteraria o valor do saldo negativo de IRPJ de 1999 (a propósito, integralmente reconhecido pela autoridade fiscal), e nem o valor do saldo negativo de 2000, posto que não há nenhuma informação da utilização de crédito de saldo negativo de 1998 para compensação de estimativas do ano calendário de 2000. Em sede de recurso, argumenta o contribuinte que, na verdade, as estimativas mensais de IRPJ do ano de 2000 teriam sido compensadas não apenas com o saldo negativo do anocalendario de 1999, mas também com o saldo negativo proveniente dos anoscalendarios 1997 e 1998. E registra que, nas DCTF apresentadas, apenas as compensações das estimativas mensais de IRPJ do ano de 2000 estão informadas, mas não o período do crédito Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720198/200860 Acórdão n.º 1102000.793 S1C1T2 Fl. 6 5 com o qual foram compensadas, vez que naquele momento ainda não havia a ferramenta do PER/DCOMP para informar a origem dos créditos utilizados em compensações. Com relação a esta última observação, a mesma não corresponde à verdade, visto que nas DCTF também é informada a origem do crédito utilizado para compensação. Basta ver, neste sentido, as cópias das DCTF da própria recorrente que se encontram anexas aos autos, as quais discriminam exatamente qual é a origem dos créditos utilizados nas compensações efetuadas. Por outro lado, se a recorrente pretende demonstrar que se equivocou nas informações por ela prestadas, e que as compensações de fato ocorreram em forma diversa do que consta em suas declarações regularmente entregues à RFB, então haveria ela de adequadamente instruir o processo com evidências de tal assertiva. Neste aspecto, poderia a recorrente ter trazido aos autos, por exemplo, elementos de sua escrituração contábil que demonstrassem a formação — e a respectiva utilização em sede de compensação — dos saldos negativos por ela apurados, de modo a corroborar as alegações feitas e, até mesmo, se fosse o caso, embasar uma eventual conversão do julgamento em diligência com vistas à apuração do possível erro de fato. Entretanto, à míngua de tais elementos, e, tendose em conta que, nos processos que envolvam restituição ou compensação de tributos, incumbe ao contribuinte, na condição de autor do feito, o ônus de provar o direito que alega ter, concluo que a recorrente não constituiu prova do suposto erro de fato que pudesse haver cometido por ocasião do preenchimento de suas DCTF. Assim, não é mesmo relevante ao feito qualquer discussão acerca do efetivo saldo negativo de 1998, tese central da defesa apresentada, posto que sua utilização não está em discussão nos presentes autos. Por outro lado, nenhum outro argumento ou prova foi trazido que pudesse alterar o valor do saldo negativo de 2000 que foi reconhecido pela autoridade fiscal, e que foi utilizado nas compensações aqui em litígio. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13603.720198/200860 Acórdão n.º 1102000.793 S1C1T2 Fl. 7 6 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/ 09/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 10680.933026/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 26 /2 00 9- 24 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório HOSPITAL MATER DEI AS transmitiu Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (Per/DComp) visando a compensar o(s) débito(s) nele confessado(s), montantes a 26.800,65, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato período de apuração de março de 2003. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório Eletrônico (DDE) por meio do qual não homologou a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível para a compensação declarada na DComp. Em reclamação, fls. 2 a 5, o declarante alegou que a compensação realizada não contempla as situações impeditivas previstas no art.74, § 3º, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e que tem o direito de retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais obrigações acessórias. Instruiu sua manifestação com os seguintes documentos: a) Cópia da última alteração contratual; b) Cópia dos documentos pessoais do responsável perante a SRF; c) Cópia do DARF; d) Cópia do Despacho Decisório. A 1ª Turma da DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente por falta da existência do direito creditório. O Acórdão nº 02036.006, de 16 de novembro de 2011, fls. 24 a 26, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE. O arrazoado de fls. 30 a 51, após síntese dos fatos relacionados com a lide, rechaça a decisão recorrida por entender ter crédito em face da Fazenda Nacional, por ter incluído, equivocadamente, na base de cálculo das contribuições sociais, o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, tributandoos indevidamente às alíquotas de 3% e 0,65%. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933026/200924 Acórdão n.º 3803003.574 S3TE03 Fl. 67 3 Insurgese contra a sumária negativa de apreciação da DCTF retificadora, argumentando que a transmissão foi aceita pela Receita Federal. Entende ter obedecido às regras que disciplinam a matéria. Lembra que não há como instruir a DComp retificadora com qualquer documento comprobatório e que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da DCTF original, nos termos do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Ademais, considera que a DCTF retificadora é indiciaria do direito do contribuinte, de sorte que a Fiscalização estaria obrigada a realizar diligências ou a intimar o interessado a prestar esclarecimentos e oferecer documentos comprobatórios. Invoca o princípio do livre convencimento dos julgadores administrativos na apreciação da prova e o princípio da verdade material. Afirma que a decisão recorrida merece ser reformada para conferir validade às informações existentes na DCTF retificadora, homologando, por consequência a compensação realizada e anulando o lançamento de ofício. Alternativa e sucessivamente, pede a sua anulação, determinandose à Fiscalização a realização no intuito de verificar e conferir a existência e o valor do crédito informado na DCTF retificadora. Na continuação, discorre sobre a origem do crédito, retomando a alegação de que os mesmos decorrem da exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos medicamentos submetidos à alíquota zero por incidência da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, transcrevendo jurisprudência e decisões em Solução de Consulta. Pede o julgamento simultâneo de outros processos de seu interesse em que se debate a mesma matéria. Conclui, requerendo provimento do recurso voluntário para reconhecimento de que a DCTF enviada e aceita pelo sistema Receita Federal (pois foi possível sua transmissão eletrônica) é legítima para validar o procedimento de compensação, gerando, assim, direito creditório e, por consequência, seja homologada a compensação realizada e cancelado o lançamento de ofício Alternativa e sucessivamente, a) Que seja reconhecida validade à DCTF retificadora transmitida, anulando a decisão de 1a instância e determinando que a Fiscalização da Receita Federal de Belo Horizonte apure e confira, em diligência fiscal, se o crédito informado na DCTF retificadora realmente existe e se os referidos valores estão corretos, procedendo à devida compensação, nos moldes informados na PER/DCOMP, ou; b) Que seja dado provimento do presente recurso da 1a Turma da DRJ/BHE, contribuinte de excluir os medicamentos sujeitos à alíquota zero da base de cálculo da Contribuição e, por consequência, anular o lançamento de ofício, ou; c) Que seja provido o recurso para anular a decisão da 1a instância e reconhecer o direito ao crédito pelas razões invocadas, determinando que a Fiscalização da Receita Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Federal de Belo Horizonte apure e confira, em diligência fiscal, se o crédito informado na DCTF retificadora realmente existe e se os referidos valores estão corretos, procedendo à devida compensação, nos moldes informados na PER/DCOMP. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 30 a 51 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBHE1ª Turma nº 02036.006, de 16 de novembro de 2011. Pedido de julgamento simultâneo de processos de interesse do recorrente Quanto ao pedido formulado no sentido de outros 24 (vinte e cinco) processos sejam julgados simultaneamente, esclareço o recorrente de que o sorteio e a distribuição de processos têm regras próprias, estatuídas no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, que se sobrepõem à conveniência do recorrente. Indefiro. Matéria controversa O fundamento para o direito creditório oposto na compensação – tributação indevida às alíquotas de 3% e 0,65% das receitas de venda de medicamentos sujeitos à alíquota zero – ofertado somente na peça recursal, não será conhecido. Por se tratar de matéria preclusa, deixo de conhecêlas, haja vista que em nenhum momento da peça reclmatória de fls. 2 a 5 o manifestante tratara dessa matéria. Veja se, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933026/200924 Acórdão n.º 3803003.574 S3TE03 Fl. 68 5 i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para controverte tal matéria. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Mérito – prova do indébito Liminarmente, informo que não há, nos autos, qualquer início de prova de que o contribuinte, ora recorrente, tenha efetivamente incluído, na base de cálculo das contribuições sociais, o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, tributandoos indevidamente às alíquotas de 3% e 0,65%. Há tão somente sua alegação. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 6 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) A prova do alegado direito creditório é ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933026/200924 Acórdão n.º 3803003.574 S3TE03 Fl. 69 7 Nem mesmo a DCTF retificadora, transmitida após a ciência do DDE, quando o contribuinte não mais dispunha de espontaneidade hábil para conferirlhe a mesma natureza da DCTF original2, aporta aos autos a prova da liquidez e certeza do crédito oposto na compensação, atributos requeridos pelo art. 170 do CTN. E não se diga que o contribuinte não teve como apresentar a prova requerida. Nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o rito do processo administrativo fiscal federal facultalhe a produção probatória a te o momento processual da reclamação3, quando a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; 2 Inteligência do art. 11 da INRFB nº 903, de 2008: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. 3 Até a Manifestação de Inconformidade, nos processos de restituição, ressarcimento e compensação de tributos e contribuições federais. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 8 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) [...] O recorrente entende que a própria Administração deveria ter diligenciado a produção da prova que, como se viu, incumbialhe produzir. Dado o quadro de repartição do onus probandi, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, em seu art. 65, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. A promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. A razão pela qual estas considerações são feitas é a de que, além da improcedente alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o contribuinte não apresenta qualquer comprovação de sua alegações de erro na confissão de dívida consubstanciada na DCTF. O que se quer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.933026/200924 Acórdão n.º 3803003.574 S3TE03 Fl. 70 9 indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10880.012215/2001-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OPOSIÇÃO ACOLHIDA EM PARTE PARA ESCLARECER QUE COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL INFORMADO PELA RECORRENTE NA DCTF. COMPROVOU-SE UM VÍCIO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO, ENSEJANDO A NULIDADO DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VICIO MATERIAL.
Comprovado que existiu uma omissão no Acórdão embargado, ao não esclarecer o tipo de vício que determinou a nulidade do lançamento.
Acolhe-se em parte, os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que sendo o lançamento em razão da ausência de processo judicial e sendo comprovado por meio de documentos apresentados pela empresa autuada, a existência do processo judicial, fica evidente a falta de correlação entre a motivação do lançamento e a situação fática apurada nos autos, restando comprovado o vício material, determinando a nulidade do Auto de Infração.
Embargos acolhidos em parte
Numero da decisão: 3102-001.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para sanear obscuridade, retificar o voto-condutor e ratificar o acórdão 3102-001.409.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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OPOSIÇÃO ACOLHIDA EM PARTE PARA ESCLARECER QUE COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL INFORMADO PELA RECORRENTE NA DCTF. COMPROVOUSE UM VÍCIO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO, ENSEJANDO A NULIDADO DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VICIO MATERIAL. Comprovado que existiu uma omissão no Acórdão embargado, ao não esclarecer o tipo de vício que determinou a nulidade do lançamento. Acolhese em parte, os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que sendo o lançamento em razão da ausência de processo judicial e sendo comprovado por meio de documentos apresentados pela empresa autuada, a existência do processo judicial, fica evidente a falta de correlação entre a motivação do lançamento e a situação fática apurada nos autos, restando comprovado o vício material, determinando a nulidade do Auto de Infração. Embargos acolhidos em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para sanear obscuridade, retificar o votocondutor e ratificar o acórdão 3102001.409. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 22 15 /2 00 1- 58 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Cuidase de embargos de declaração, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, contra o acórdão nº 340300.944, que foi assim ementado: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. É nulo o auto de infração cuja motivação não foi confirmada pelos fatos apurados. Recurso Voluntário Provido” A douta procuradoria alega a existência de omissão na decisão, em razão da não indicação de qual seria o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal). Alega que o esclarecimento deste ponto é questão relevante para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.012215/200158 Acórdão n.º 3102001.694 S3C1T2 Fl. 391 3 Nos embargos apresentados pede a douta procuradoria o esclarecimento quanto ao tipo de vício formal que ensejou a nulidade do lançamento. A forma tem a ver com a forma que o ato se exterioriza no mundo, como ele nasce e ganha contornos. O Lançamento tributário tratase de ato jurídico formal e esta definida no art. 10 do Decreto lei nº 70.235/72. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Como se depreende da leitura do artigo, o lançamento tributário necessariamente possui forma definida sendo requisito necessário para sua validade que o Auto de Infração lavrado e contenha os itens necessário a sua formalização. Qualquer falha ou ausência nestes termos é um vicio que leva a nulidade do lançamento e aqui por obvio estamos a falar de um vício na forma do lançamento tributário, portanto, um vicio formal. De outro giro, saindo dos termos definidos no art. 10, o restante dos componentes do lançamento dizem respeito a motivação e justificativa legal para o lançamento, que consta da descrição dos fatos. assim, a origem da infração tributária, a motivação para o lançamento, as razões de decidir da autoridade lançadora que sustentam a exigência tributária, todos são aspectos intrínsecos ao Auto de Infração e dizem respeito a característica individual do lançamento. Neste ponto estes requisitos, dizem respeito ao fato em si objeto do lançamento, ao mérito do assunto abordado, a matéria objeto da lide e da discussão que a autoridade lançadora entendeu ter ocorrido o descumprido da legislação tributária. Assim, erros, falhas e omissões dizem respeito a essência do lançamento a própria matéria fática que originou a exigência tributária, assim as falhas e omissões são nestes casos, vícios materiais. O Auto de Infração que originou o processo em discussão, teve origem em auditoria eletrônica que não identificou a existência de processo judicial, interposto pela Recorrente, que lhe asseguraria o direito a créditos utilizados na compensação de débitos. Em razão da existência apurada na auditoria eletrônica, realizouse automaticamente a exigência dos débitos que estariam compensados com este processo inexistente. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Entretanto, ao tomar ciência da exigência a autuada veio aos autos e trouxe a ação judicial em discussão comprovando a sua existência e assim, um erro fático, no lançamento, já que a motivação do lançamento foi a inexistência do processo judicial. Confirmado a procedência da ação judicial, comprovado também o erro fático no lançamento temos um vício material. Neste caminho a lição de Celso Antônio Bandeira de Melo. "Motivo é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato. É pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato. Logo, é externo ao ato. Inclusive o antecede. Por isso não pode ser considerado como parte, como elemento do ato. O motivo pode ser previsto em lei ou não. Quando previsto em lei, o agente só pode praticar o ato se houver ocorrido a situação prevista. Quando não há previsão legal, o agente tem liberdade de escolha da situação (motivo( em vista da qual editará o ato. É que, mesmo se a lei não alude expressamente aos motivos propiciatórios ou exigentes de um ato, nem por isto haverá liberdade para expedilo sem motivo ou perante um motivo qualquer. Só serão de aceitar os que possam ser havidos como implicitamente admitidos pela lei à vista daquele caso concreto, por corresponderem a supostos fáticos idôneos para demandar ou comportar a prática daquele específico ato, espelhando, dessarte, sintonia com a finalidade legal. Vale dizer: prestantes serão os motivos que revelem pertinência lógica, adequação racional ao conteúdo doa to, ao lume do interesse prestigiado na lei aplicanda. Além disto, em todos e qualquer caso, se o agente se embasar na ocorrência de um dado motivo, a validade do ato dependerá da existência do motivo que houver sido enunciado. Isto é, se o motivo que invocou for inexistente, o ato será inválido". (grifei) (Bandeira de Melo, Celso Antônio, Curso de Direito Administrativo, 28ª ed., Malheiros, São Paulo, p. 397) A decisão embargada decidiu pela anulação do auto de infração, em razão da empresa autuada quanto da impugnação trazer documentos aos autos comprovando a existência do processo judicial que originou o lançamento. O auto de lançamento foi motivado no fato do processo judicial, não ter sido identificado. Aqui conforme já descrito, existe um erro de fato intrínseco ao lançamento, justificando a sua anulação, assim, o que estamos diante é de um vicio material, pois, fica evidente que a premissa utilizada para o lançamento da não existência do processo era inconsistente, assim todo o lançamento ficou viciado pois, a motivação do lançamento mostrouse inexistente, portanto, um vício material. Verificando o voto da decisão embargada, constatase que não foi esclarecido qual seria o tipo de vício que determinou a nulidade do lançamento. Assim, existe a omissão apontada pela Embargante, mas em nada afeta a decisão adotada no Acórdão nº 3102001.409. Diante do exposto, acolho em parte, os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que existiu vício material no lançamento realizado, decorrendo dai a nulidade do Auto de Infração. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.012215/200158 Acórdão n.º 3102001.694 S3C1T2 Fl. 392 5 Winderley Morais Pereira Fl. 401DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10831.013196/2004-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 30/12/2004
ARGUMENTOS ADUZIDOS. DESNECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE SUA TOTALIDADE.
O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendo-se a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com início do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
MERCADORIA EXTRAVIADA NA IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. DATA.
Apurado pela autoridade fiscal o extravio de mercadoria importada, caracteriza a ocorrência do fato gerador do II, do IPI, do PIS-Importação e da Cofins-Importação. A data da ocorrência do fato gerador é o dia do lançamento do correspondente crédito tributário.
DESCARGA DE MERCADORIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o recebimento da carga e o cumprimento da obrigação de efetuar sua destinação tal qual o determinado pela legislação, não há que se falar em extravio de mercadoria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DESNECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE SUA TOTALIDADE. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendose a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com início do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MERCADORIA EXTRAVIADA NA IMPORTAÇÃO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. DATA. Apurado pela autoridade fiscal o extravio de mercadoria importada, caracteriza a ocorrência do fato gerador do II, do IPI, do PISImportação e da CofinsImportação. A data da ocorrência do fato gerador é o dia do lançamento do correspondente crédito tributário. DESCARGA DE MERCADORIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado o recebimento da carga e o cumprimento da obrigação de efetuar sua destinação tal qual o determinado pela legislação, não há que se falar em extravio de mercadoria. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 31 96 /2 00 4- 13 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Em procedimento de conferência final de manifesto, a Fiscalização intimou a empresa Recorrente a apresentar as DREI relativas a manifestos em que não havia comprovação do armazenamento das respectivas cargas (no armazém da ALF ou do contribuinte), restando não comprovado para volumes de cargas de 11 (onze) manifestos relacionados na Descrição dos Fatos de fls. 26/29. Não foi efetuada a baixa da carga nos referidos manifestos informatizados. Em conseqüência, foi lavrado autos de infração de Imposto de Importação, de Imposto sobre Produtos Industrializados, PISImportação e Cofins Importação, acostados às fls. 11/25. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido às fls. 623/630. Foram realizadas duas diligências e nelas a autoridade preparadora apurou que houve a baixa de ofício dos documentos de cargos relativos a 08 (oito) manifestos, que relaciona. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir o crédito relativo aos 08 (oito) manifestos regulares, nos termos do Acórdão no 17056.234, de 12/12/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. Falta de Mercadoria. Constatação. Armazenamento de Carga. Previsão Legal. A Instrução Normativa RFB nº 102/94 c/c o artigo 589 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02 fornece os ditames para a apuração de extravio de carga através da confrontação Fl. 717DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 4 3 das informações constantes do manifesto informatizado da carga com aquelas relativas a sua descarga. O depositário tem contra si a prova do recebimento da carga e a obrigação legal de efetuar sua destinação tal qual o determinado pela legislação. O impugnante trouxe aos autos provas que ilidiram essa presunção para oito dos manifestos, mas não conseguiu comprovar a regular baixa dos demais. Desta decisão a Turma de Julgamento recorreu de ofício à este CARF. Ciente desta decisão em 09/01/2012 (AR de fl. 652), a interessada ingressou, no dia 02/02/2012, com o recurso voluntário de fls. 654/676, no qual alega, em síntese, que: 1 em sede de preliminar: 1.1 a Turma Julgadora não apreciou as razões de nulidade do presente processo administrativo aduzidas na resposta apresentada ao Termo Fiscal de Intimação e de Instrução Processual EQMAF nº 187/2009; 1.2 são nulos os lançamentos por ausência de provas produzidas pela Fiscalização que motivassem a lavratura dos autos de infração. Referese à Recorrente ao suposto documento intitulado “registro de descarga”, que foi confrontado pela Fiscalização com o “manifesto de carga”. Em conseqüência, não há prova nos autos que justifique a presunção de extravio das remessas expressas; 1.3 ocorreu a decadência dos fatos geradores ocorridos em 03/07/1999, 17/07/1999 e 02/08/1999 porque nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o que se homologa é a atividade de constituição do crédito tributário realizada pelo contribuinte, de modo que a existência ou não de pagamento não tem o condão de modificar a natureza desse tipo de lançamento, motivo pelo qual deve ser aplicado ao presente caso o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, e não o art. 173, inciso I, do CTN,como o fez a decisão recorrida, sob a alegação de que não há pagamento antecipado; 2 no mérito: 2.1 não há incidência de II, IPI, PIS Importação e COFINS Importação sobre as supostas mercadorias extraviadas, tendo em vista que as Leis nº 10.833/2003 e 10.865/2004 não estavam em vigor na época dos supostos fatos infracionais. A Fiscalização violou os princípios da legalidade e da irretroatividade, previstos no artigo 150, I e III, alínea “a” da CF/88. A Lei nº 10.833/03 instituiu nova alíquota e base de cálculo do II, e por decorrência, do IPI, não podendo retroagir, eis que passou a vigorar a partir de 30/12/2003. A Lei nº 10.865/2004 somente passou a produzir efeitos em 30/04/2004, não podendo retroagir para alcançar os supostos fatos infracionais ocorridos durante o anocalendário de 1999; 2.2 não podem ser exigidos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa lançada no auto de infração para a cobrança do Imposto de Importação, por absoluta ausência de previsão legal. A multa de ofício lançada não é tributo, não se aplicando o disposto no art. 13 da Lei nº 9.065/95; Fl. 718DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 5 4 Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo a atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. A empresa recorrente foi autuada porque não comprovou a descarga de mercadorias, nem apresentou as DREI, relativo a 11 (onze) manifestos de carga. Após a realização de diligência, à vista da documentação apresentada com a impugnação, restou comprovada a efetiva descarga da mercadoria, mesmo sem o registro no Mantra, relativa a 08 (oito) manifestos. Resta em litígio, mercadorias relativas a 03 (três) manifestos. Em sede de preliminar a recorrente alega nulidade do lançamento por falta de juntada de documento que serviu de base para a autuação e, também, que a decisão recorrida não se manifestou sobre seu argumento de nulidade consignado na resposta ao resultado da diligência. O primeiro quesito da diligência se refere exatamente ao “documento” intitulado pela Recorrente de “registro de descarga”. Diz o quesito 1: 1. Consta no relatório fiscal que a falta de mercadoria, por presunção legal, deuse pelo confronto do manifesto de carga com o registro de descarga (hipótese fática legal). Não há registro de tal documento no processo! O documento a que se refere a fiscalização “extratos do sistema MANTRA” relativos ao HAWBs e MAWBs referenciados, tratamse de registro de descarga? (fl. 487). Em resposta a este quesito, a autoridade fiscal esclarece que todos os registros de controle de cargas são eletrônicos e feitos no sistema MANTRA, inclusive o registro da descarga de mercadoria. No caso específico de remessa expressa, o procedimento difere das demais importações e identificase o registro da descarga do seguinte modo: A informação de descarga da remessa expressa pode ser encontrado no extrato mantra sob a expressão “Recepção OK”, que significa que a carga desembaraçada teria sido recebida pela cia de courrier, sob cuja custódia permaneceria até seu desembaraço aduaneiro e conseqüente entrega ao importador final Fl. 719DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 6 5 Por seu turno, a autoridade fiscal autuante, na Descrição dos Fatos de fls. 26/29, anexo dos autos de infração, assim se referiu aos “registros de descarga”: Assim, constatada a falta do(s) volume(s) manifestado(s), pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, passa a ser exigido, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei n°. 37/66 Vejase, com absoluta clareza, que a autoridade autuante não se refere a um “documento” intitulado “registro de descarga”, como faz crer a Recorrente. Ele se refere a uma informação no sistema de controle de mercadorias importadas. Informação esta que, conforme bem claro na resposta à diligência de fls. 500/502, consta do Mantra, que a Recorrente tem pleno acesso e conhecimento. O registro da efetiva descarga deveria ter sigo inserido no Mantra pela Recorrente, que não o fez. Portanto, a autuação não se baseou em “documento” inexistente nos autos, mas em informação constante Mantra. Ou seja, a Recorrente não informou no Mantra que recebeu a mercadoria em depósito. Quanto à suposta omissão da decisão recorrida sobre as alegações de nulidade da autuação, suscitadas na manifestação sobre o resultado da diligência, à vista da resposta da diligência que foi clara ao afirmar que “registro de descarga” é uma informação constante do Mantra e inserida pela Recorrente, perdeu relevância o argumento da Recorrente. Ademais, a DRJ não está obrigado a se manifestar expressamente a respeito de todas as teses jurídicas trazidas pelas partes para a solução de um determinado caso concreto. Basta a existência de fundamentação apta e razoável a fazêlo no decisório, havendo que ser consideradas rechaçadas as demais teses levantadas e não acolhidas. Ante o exposto, voto pela rejeição da preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Quanto à decadência, além das razões aduzidas na decisão recorrida, que ratifico, o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o art. 173, inciso I, e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN. Em relação ao imposto de importação, aplicase a regra do art. 138 do DecretoLei nº 37/66, abaixo reproduzido: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Portanto, não há como acolher a pretensão da recorrente para considerar que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial seja o do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto, então, no sentido de negar provimento à preliminar de decadência suscitada pela Recorrente. Quanto ao mérito, a Recorrente contesta a cobrança de juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício de 50%, esta lançada no mesmo auto de infração do Imposto de Importação. Tal questionamento não foi objeto de impugnação e, consequentemente, também não foi objeto de decisão pelo acórdão recorrido. Não há litígio sobre esta matéria (arts. 15 e 17 do Decreto nº 70.235/72). Mais ainda. A competência do CARF é restrita a matéria objeto de decisão de primeira instância. Matéria que não tenha sido objeto de decisão pela DRJ não pode ser apreciada e decidida pelos órgãos julgadores do CARF, nos estritos termos do art. 1º do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09), abaixo reproduzido: Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Não se conhece desta matéria por ser preclusa e por faltar competência ao CARF para o seu julgamento. Ainda sobre o mérito, alega a Recorrente a improcedência dos lançamentos porque a Fiscalização violou princípios constitucionais (legalidade e irretroatividade) ao aplicar disposições das Leis nº 10.833/2003 e 10.865/2004 a fatos geradores ocorridos no ano de 1999, como é o caso dos autos. Como bem disse a decisão recorrida, é ponto incontroverso a constatação do não armazenamento das cargas objeto lançamento sub judice, caracterizando o extravio da mercadoria. A legislação aplicável ao lançamento é aquele vigente na data da ocorrência do fato gerador (arts. 105 e 144 do CTN). No caso concreto, ocorreu o fato gerador dos tributos e contribuições lançados? Se ocorreu, qual é a data? A resposta à primeira questão está no § 1º, do art. 72, do RA/2002 (Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002), abaixo reproduzido: Art. 72. O fato gerador do imposto de importação é a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro (Decretolei no 37, de 1966, art. 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira (Decretolei no 37, de 1966, art. 1o, § 2o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). Fl. 721DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 8 7 Este dispositivo não deixa nenhuma dúvida de que a mercadoria importada e extraviada considerase que entrou no território nacional, portanto, que ocorreu o fato gerador do imposto de importação. É exatamente o caso dos autos, onde a autoridade aduaneira apurou, pelo sistema eletrônico de controle de movimentação de cargas (Mantra), que mercadoria de responsabilidade da Recorrente não foi descarregada em seu depósito, portanto, foi extraviada. Comprovado a ocorrência do fato gerador do Imposto de Importação, resta determinar em que data se deu este fato. A resposta a esta pergunta está na alínea “c”, do inciso II, do art. 73, do mesmo RA/2002, abaixo reproduzido: Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (Decretolei no 37, de 1966, art. 23 e parágrafo único): I na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de: a) bens contidos em remessa postal internacional não sujeitos ao regime de importação comum; b) bens compreendidos no conceito de bagagem, acompanhada ou desacompanhada; e c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; O Auto de Infração do Imposto de Importação foi lavrado no 28/12/2004, tendo a Recorrente dele tomado ciência no dia 30/12/2004 (fl. 02), sendo esta, portanto, a data da ocorrência do fato gerador do Imposto de Importação. A legislação aplicável ao lançamento do Imposto de Importação é a vigente no dia 30/12/2004. Quanto ao lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por força do que dispõe o inciso I, do art. 2º, e seu § 3º, da Lei nº 4.502/64 (abaixo reproduzido), considerase ocorrido o desembaraço aduaneiro da mercadoria extraviada. Obviamente, o momento da ocorrência do despacho aduaneiro é o referido no parágrafo anterior. Art. 2º Constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. [...] § 3o Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a Fl. 722DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 9 8 ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29 12 2003) Com relação ao PIS Importação e à COFINS Exportação, o fato gerador e a data de sua ocorrência estão regulados pelos arts. 3º e 4º da Lei nº 10.865/04, abaixo reproduzidos: Art. 3º. O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. § 1º Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. [...] Art. 4º. Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de bens constantes de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; Está provado que na data da ocorrência do fato gerador dos tributos lançados (30/12/2004) estavam em vigor as Leis nº 10.833/2003 e 10.865/2004, não havendo que se falar em violação a princípios constitucionais (legalidade e irretroatividade), como alega a Recorrente. Com relação ao recurso de ofício, tratase de matéria de fato devidamente comprovada. Ou seja, a autuada trouxe aos autos as correspondentes DREI de 08 (oito) manifestos, comprovando a efetiva entrega das mercadorias aos destinatários finais, com o pagamento dos tributos aduaneiros devidos. A ALF da RFB reconheceu que não houve avaria das mercadorias e opinou pela improcedência do lançamento para os referidos manifestos. Contra fatos não há argumentos. Correta a decisão que exonerou a autuada do pagamento dos tributos indevidamente lançados. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] Fl. 723DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10831.013196/200413 Acórdão n.º 3302011.914 S3C3T2 Fl. 10 9 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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