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Numero do processo: 10735.001824/2001-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS – CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria
serão considerados declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será
de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie,considerar-se áhomologada a compensação declarada pelo sujeito passivo e extinto o crédito tributário nela declarado
Numero da decisão: 1202-000.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Ementa: NORMAS PROCESSUAIS – CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria serão considerados declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo e extinto o crédito tributário nela declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo,Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10735.001824/200155 Acórdão n.º 120200.776 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever a autuação e as alegações do Recorrente, necessárias para o julgamento do pleito, peço venia para me reportar ao relatório produzido pela autoridade julgadora de primeira instância: Em 12/06/2001, a interessada protocolou, junto à DRF / Nova Iguaçu RJ, PEDIDO DE COMPENSAÇÃO (fl. 01), posteriormente convertido em DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, na forma do art. 74, § 4 0, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002. De acordo com o pedido de fl. 01, a interessada pretende liquidar débitos mediante aproveitamento de créditos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000, no valor total de R$ 104.907,82, decorrente de saldo negativo de IRPJ. Em 07/06/2006, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DRF/Nova Iguaçu, com base no Parecer Conclusivo, fls. 91/93, reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando em parte a compensação constante na DCOMP de fl. 01. O deferimento parcial teve como fundamento: 1) Constatouse pagamentos nos sistemas da Receita Federal relativos ao anocalendário de 2000, totalizando 1.437.235,90 de saldo negativo de IRPJ. 2) Parte do saldo negativo foi utilizado para compensar a estimativa de IRPJ devida no mês de 04/2001 no valor de R$ 20.997,09 restando para compensação o crédito de saldo negativo o IRPJ de R$ 16.321,81. Inconformada com a referida decisão que tomou ciência em 14/06/2006, a interessada apresentou, em 07/07/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 97/98, com as seguintes argumentações: 1) 0 crédito de R$ 197.807,15 de saldo negativo IRPJ do ano calendário de 2000, conforme DIPJ/2001 foi formado pelas estimativas devidas e pagas utilizando o saldo negativo do ano calendário de 1999, no valor de R$234.679,25, conforme DIPJ/2000. 2) Nos dois exercícios a existência do saldo negativo decorre no fato de que a estimativa foi paga com base no faturamento, mas Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10735.001824/200155 Acórdão n.º 120200.776 S1C2T2 Fl. 3 3 na apuração do balanço final dos exercícios, demonstrouse que o imposto devido era inferior ao estimado. 3) A compensação do imposto pago a maior com tributos vincendos é assegurada pelo Ato Declaratório Normativo de n° 14, de 10 de setembro de 1998. 4) Considerando que as Declarações apresentadas nos anos de 1999 e 2000 não receberam qualquer reparo, há que se reconhecer a validade do crédito fiscal nelas deferido. Os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, julgaram pela homologação das declarações de compensação, por força do §5 ° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por maioria de votos, pelo indeferimento do direito creditório, adotando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Consideramse homologadas as declarações de compensação após cinco anos de seu protocolo, por força do § 5°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Restituição Indeferida Compensação Homologada O sujeito passivo recorre, tempestivamente, visando o reconhecimento de que possui o crédito de saldo negativo do anocalendário de 2000, conforme devidamente comprovado pelos documentos anexados ao processo administrativo. Eis o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10735.001824/200155 Acórdão n.º 120200.776 S1C2T2 Fl. 4 4 Por tempestivo o recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Conforme relatório acima, versa o presente feito sobre pedido de compensação, protocolado em 12/06/2001 (fl. 01), posteriormente convertido em DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, na forma do art. 74, § 4 0, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002. Após análise, em 07/06/2006, foi emitido Despacho Decisório pela DRF/Nova Iguaçu, com base no Parecer Conclusivo, fls. 91/93, reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando em parte a compensação constante na DCOMP de fl. 01, devido à não comprovação integral do direito creditório apontado para a compensação. Inconformada com esta decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 97/98), visando comprovar a existência do crédito tributário apontado. A DRJ, por força do §5º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, concluiu que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, a compensação dos débitos está homologada, por força da norma contida no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluída pela Medida Provisória n° 135, de 31/10/2003, a qual determina que o prazo para a homologação da compensação declarada é de cinco anos, contados da data de sua entrega. E é exatamente pelo não reconhecimento do direito creditório que o Recorrente se insurge. Nesse sentido, acertada a decisão de primeira instância quando assevera, a fls. 128/129, a saber: Compulsando os autos, constatamos que não há a comprovação do crédito que a interessada alega possuir. De fato, apenas foram apurados os pagamentos de IRPJ, relativos ao ano calendário 2000, que totalizam o valor de R$ 37.235,90. Quanto ao suposto crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 234.679,29, a interessada apenas apresentou a cópia da DIPJ/2000, mas não comprovou qual a origem deste crédito. Em pesquisa nos sistemas da Receita Federal, verificouse o total de recolhimentos de IRPJ para o anocalendário de 1999 de R$ 79.946,71, valor divergente daquele informado na DIPJ/2000(fl. 122) de R$ 262.276,47. Considerando que foi apurado, no final do período, IRPJ a pagar de R$ 27.597,18, concluímos que o saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 1999 é de R$ 52.349,53. Ou seja, mais uma vez o crédito não foi confirmado devido as divergências nas informações. Como já ressaltado anteriormente, o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito é da interessada. Ora, como reconhecido pela própria autoridade julgadora de 1ª instância, uma vez convertido o “pedido de declaração” em uma “declaração de compensação”, há de ser reconhecido que a compensação em questão encontrase homologada tácita parcialmente pelo decurso do tempo, haja vista que, a teor do disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei, 10.833, de 2003, o prazo para que o Fisco homologue as Declarações de Compensação é de 05 anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10735.001824/200155 Acórdão n.º 120200.776 S1C2T2 Fl. 5 5 Com isso, uma vez mais não comprovada a origem do suposto direito creditório, resta prejudicada a discussão sobre sua legitimidade e procedência em face ao alegado pela Recorrente. Diante do exposto, é de se negar provimento ao recurso voluntário. Eis como voto. (documento assinado digitalmente) Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 28 /05/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
score : 1.0
Numero do processo: 10280.011872/99-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO, ACRESCIDO DE JUROS DE MORA, MAS NÃO CONFESSADO PREVIAMENTE EM DCTF OU GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e em momento anterior à entrega de DCTF, GFIP ou outra declaração que tenha a função de confissão de dívida. Decisão do STJ na sistemática do art. 543-C do CPC. Precedentes da CSRF.
A Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF não tem a função de confissão de dívida, e por isso não exclui a denúncia espontânea.
Hipótese em que o pagamento em discussão se deu a destempo, acompanhado de juros de mora, após a informação de parte do valor em DIRF, mas sem a confissão do débito em DCTF, tendo ocorrido a denúncia espontânea que exclui a responsabilidade pelo pagamento da multa de mora.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1997 TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO, ACRESCIDO DE JUROS DE MORA, MAS NÃO CONFESSADO PREVIAMENTE EM DCTF OU GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e em momento anterior à entrega de DCTF, GFIP ou outra declaração que tenha a função de confissão de dívida. Decisão do STJ na sistemática do art. 543-C do CPC. Precedentes da CSRF. A Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF não tem a função de confissão de dívida, e por isso não exclui a denúncia espontânea. Hipótese em que o pagamento em discussão se deu a destempo, acompanhado de juros de mora, após a informação de parte do valor em DIRF, mas sem a confissão do débito em DCTF, tendo ocorrido a denúncia espontânea que exclui a responsabilidade pelo pagamento da multa de mora. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 142 1 141 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.011872/9999 Recurso nº 166.937 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202002.571 – 2ª Turma Sessão de 6 de março de 2013 Matéria IRRF Recorrente BANCO DA AMAZÔNIA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO, ACRESCIDO DE JUROS DE MORA, MAS NÃO CONFESSADO PREVIAMENTE EM DCTF OU GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DE MULTAS MORATÓRIAS E DE OFÍCIO. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e em momento anterior à entrega de DCTF, GFIP ou outra declaração que tenha a função de confissão de dívida. Decisão do STJ na sistemática do art. 543C do CPC. Precedentes da CSRF. A Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF não tem a função de confissão de dívida, e por isso não exclui a denúncia espontânea. Hipótese em que o pagamento em discussão se deu a destempo, acompanhado de juros de mora, após a informação de parte do valor em DIRF, mas sem a confissão do débito em DCTF, tendo ocorrido a denúncia espontânea que exclui a responsabilidade pelo pagamento da multa de mora. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 01 18 72 /9 9- 99 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10280.011872/9999 Acórdão n.º 9202002.571 CSRFT2 Fl. 143 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 280100.299, da 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 102 a 103v), julgado na sessão plenária de 28 de outubro de 2009, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1996 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os tributos e contribuições pagos após o vencimento são acrescidos de multa de mora, na forma da lei. Recurso negado. Cientificado dessa decisão em 21/10/2010 (fl. 105v), o contribuinte apresentou, em 4/11/2010, recurso especial de divergência (fls. 113 a 122), onde defendia (a) a aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso, sendo indevido o pagamento de multa de mora quando o contribuinte paga espontaneamente o débito antes do início de qualquer procedimento fiscal; (b) a irretroatividade da Lei no 9.430/96. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10280.011872/9999 Acórdão n.º 9202002.571 CSRFT2 Fl. 144 3 Os despachos de fls. 131 a 132v deram seguimento parcial ao recurso apenas para a matéria do item “a”, considerando que os paradigmas apresentados não versavam sobre o assunto do item “b”. Para a matéria admitida, foram utilizados os seguintes paradigmas para a comprovação da divergência: Acórdão no 10705.767 MULTA DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXIGIBILIDADE Na hipótese de denúncia espontânea, realizada formalmente, com o devido recolhimento do tributo, é inexigível a multa de mora por força do disposto no art. 138 do CTN. Recurso provido. Acórdão no 10705.657 MULTA DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXIGIBILIDADE Na hipótese de denúncia espontânea, realizada formalmente, com o devido recolhimento do tributo, é inexigível a multa de mora por força do disposto no art. 138 do CTN. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 15/5/2012 (fl. 133), a Fazenda Nacional apresentou, no dia 17 do mesmo mês (fl. 135), contrarrazões ao especial do contribuinte (fls. 136 a 140), onde defendeu que o instituto da denúncia espontânea não se aplica à multa de mora, que tem natureza compensatória, e que a tese do recurso levaria à perda de eficácia do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996, não sendo permitido ao CARF negar vigência a legislação federal. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10280.011872/9999 Acórdão n.º 9202002.571 CSRFT2 Fl. 145 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese a saber se o pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, pago a destempo, em conjunto com os juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, exclui a responsabilidade pela multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Após extensa discussão sobre a matéria, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, delimitou o exato alcance do instituto por meio de decisões submetidas ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, orientações que devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424), julgado em 09 de junho de 2010, transitado em julgado em 30 de agosto de 2010, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10280.011872/9999 Acórdão n.º 9202002.571 CSRFT2 Fl. 146 5 (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10280.011872/9999 Acórdão n.º 9202002.571 CSRFT2 Fl. 147 6 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Dessa decisão, devese destacar, para a solução do presente caso, o seguinte conteúdo: a) a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ); b) a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Assim, se o pagamento a destempo se der após a declaração do débito, não ocorre a denúncia espontânea. Se, ao contrário, o recolhimento se der após o prazo de vencimento, com pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e antes da declaração dos débitos, ocorre a denúncia espontânea, excluindose as multas de mora e de ofício. Observese que o entendimento do STJ decorre do fato de que, se o contribuinte incluiu a dívida em declaração que tem o poder de constituir o crédito tributário, como é o caso da DCTF e da GFIP, nesse momento ele já confessou o débito, não podendo se falar que o pagamento posterior denunciou a dívida espontaneamente. Nesse sentido, o acórdão que nos vincula é expresso, especificamente no terceiro parágrafo de sua ementa, a seguir reproduzido: 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Assim, não se pode dizer que houve declaração do débito, e o afastamento da denúncia espontânea, se o tributo foi informado em declaração que não funciona como confissão de dívida, e dessa forma não resulta na constituição do crédito tributário. No caso em tela, o contribuinte efetuou o pagamento de IRRF de R$ 1.018.331,55 em duas parcelas: uma de R$ 763.748,66 em 21/1/1997 (fl. 15), e outra de R$ 254.582,89 em 31/3/1997 (fl. 16), acompanhada de juros e multa de mora, e não houve a declaração prévia dos débitos em DCTF. Por outro lado, a informação do débito em 7/3/1997 em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF (fls. 39 e 40) não exclui a denúncia espontânea, pois a DIRF não tem a função de confissão de dívida. Com efeito, a DIRF tem a função de controlar os rendimentos pagos a terceiros, sendo que serão declarações próprias desses terceiros que servirão de confissão dessas dívidas. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10280.011872/9999 Acórdão n.º 9202002.571 CSRFT2 Fl. 148 7 Assim, realizado a destempo o pagamento do principal com os juros de mora antes da confissão dos débitos em declaração apropriada a esse fim, não era devida a multa de mora que também foi recolhida e que, por isso, merece ser restituída. É nesse sentido que vem decidindo esta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como demonstra a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 IRRF TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito, nos termos constatados pelo acórdão recorrido, que considerou parcialmente procedente a pretensão do contribuinte. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Ademais, salvo melhor juízo, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconheceu a procedência desta tese através do Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36). Recurso especial negado. (Acórdão n° 920202.151, 2a Turma, sessão de 10 de maio de 2012, relator Gonçalo Bonet Allage). Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10280.011872/9999 Acórdão n.º 9202002.571 CSRFT2 Fl. 149 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
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Numero do processo: 13433.720897/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 30/04/2009
SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO - ENQUADRAMENTO
O fisco tem a prerrogativa de rever a qualquer tempo o auto enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, observada a sua atividade preponderante e de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores
MULTA QUALIFICADA - DOLO NÃO CARACTERIZADO - INDEVIDA
Para justificar a aplicação de multa qualificada é necessário um conjunto de condutas que demonstrem de forma inequívoca a intenção de sonegar do contribuinte. O mero erro de preenchimento de GFIP não demonstra a existência do dolo
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.334
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que seja desqualificado o agravamento, reduzindo-se a multa aplicada para 75%.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 30/04/2009 SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO - ENQUADRAMENTO O fisco tem a prerrogativa de rever a qualquer tempo o auto enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, observada a sua atividade preponderante e de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores MULTA QUALIFICADA - DOLO NÃO CARACTERIZADO - INDEVIDA Para justificar a aplicação de multa qualificada é necessário um conjunto de condutas que demonstrem de forma inequívoca a intenção de sonegar do contribuinte. O mero erro de preenchimento de GFIP não demonstra a existência do dolo Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que seja desqualificado o agravamento, reduzindo-se a multa aplicada para 75%. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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O mero erro de preenchimento de GFIP não demonstra a existência do dolo Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 08 97 /2 01 1- 12 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que seja desqualificado o agravamento, reduzindose a multa aplicada para 75%. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13433.720897/201112 Acórdão n.º 2402003.334 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal(fls. 5/15), os fatos geradores das contribuições descritas foram as remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços ao Município, as quais foram declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. A auditoria fiscal informa que o sujeito passivo declarou em GFIP, alíquota de contribuição para financiamento do RAT/GILAT correspondente a 1%, menor do que aquela que deveria ter sido informada, qual seja, 2%. Entendeu a auditoria fiscal que de acordo com o Anexo V, citado no § 4º, do art. 202, do Regulamento da Previdência Social (decreto nº 3.048/1999), a atividade preponderante do contribuinte está enquadrada, na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, no código 84116 – Administração Pública em Geral, cuja alíquota corresponde a 2%. O contribuinte informou em GFIP, o código CNAE 75116, inexistente na tabela atual, consignando a alíquota de 1% para o cálculo da contribuição para o RAT/GILRAT. Em razão do reenquadramento efetuado pela auditoria fiscal, foi apurada a diferença de 1% entre o valor devido e o que foi recolhido e efetuado o presente lançamento. Antes do lançamento, foi aberto prazo ao sujeito passivo, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 0001, de 06/06/2011, para que ele se pronunciasse acerca da divergência de alíquota apurada. No entanto, o contribuinte abstevese de qualquer manifestação. O lançamento em questão compreende competências posteriores à Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 8.212/1991 que alterou a sistemática do cálculo das multas de mora e por descumprimento de obrigação acessória relacionada com a GFIP. Em face na nova legislação a auditoria aplicou multa qualificada, em dobro, com base no art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430/1996, com a justificativa de que teria sido evidenciada a sonegação definida no art. 71, da Lei nº 4.502/1964. A autuada teve ciência do lançamento em 25/08/2011 e apresentou defesa onde alega que o enquadramento efetuado pela auditoria fiscal foi equivocado, eis que o Município desenvolve atividades preponderantemente burocráticas que geram riscos leves. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Argumenta que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça também é no sentido de que o grau de risco será determinado pela atividade preponderante e não pela atividade registrada como CNAE principal e traz jurisprudência. Entende que com amparo na jurisprudência do STJ, a contribuição ao RAT deve considerar a atividade econômica que agrega o maior número de trabalhadores, independente de esta atividade ser distinta do CNAE principal da empresa Afirma que como o Município tem a maior parte de seus servidores públicos vinculados à área de educação, para ele a atividade preponderante exercida deve ser classificada como de ensino fundamental, CNAE 85139/00 – Ensino Fundamental e não Administração Pública em Geral. Considera abusiva a aplicação da multa de ofício Pelo Acórdão nº 1136.219, a 7ª Turma da DRJ/Recife julgou o lançamento procedente e manteve o crédito em sua integralidade. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo onde repete as alegações de defesa. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13433.720897/201112 Acórdão n.º 2402003.334 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão trata da diferença de contribuição do SAT, em razão do auto enquadramento efetuado pela recorrente ter sido considerado incorreto pela auditoria fiscal. A recorrente vinha recorrente a referida contribuição com base na alíquota de 1% e informou em GFIP, o código CNAE 75116, inexistente na tabela atual. A auditoria fiscal, por sua vez, diante do fato de a recorrente ser um Município efetuou o reenquadramento desta no código CNAE 84116 – Administração Pública em Geral, cuja alíquota corresponde a 2%. Como argumento, a recorrente afirma que não seria devida a alíquota de 2%, uma vez que as atividades que desenvolve são meramente burocráticas em sua maioria atividades de ensino e que o CNAE adequado seria 85139/00 – Ensino Fundamental, atividade de risco leve. Não confiro razão à recorrente. O Decreto nº 3.048/1999 estabelece em seu artigo 202, incisos e parágrafos as alíquotas para os diferentes graus de risco, o conceito de atividade preponderante, a possibilidade de a empresa fazer o auto enquadramento, bem como a prerrogativa do fisco em rever esse auto enquadramento e efetuar a correção do auto enquadramento incorreto, conforme se verifica no trecho transcrito: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: Ium por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; IIdois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou IIItrês por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 §3ºConsiderase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4ºA atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5oÉ de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). §6oVerificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). O citado decreto traz em seu anexo V a Relação de Atividades Preponderantes e os correspondentes graus de risco, na qual consta o CNAE 84116/00 – Administração Pública em geral que é a classificação adequada à recorrente. Asseverese que a classificação prevê um risco médio, haja vista a diversidade de atividades desenvolvidas pela Municipalidade que não se resume a atividade de educação como quer fazer crer a recorrente. É certo que com a aprovação do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 fica definido que a atividade preponderante a ser considerada é por estabelecimento. O citado parecer foi publicado por Diário Oficial da União de 15/12/2011, o qual dispôs o seguinte: "Contribuição Previdenciária. Alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT)." Assunto: Contribuição Previdenciária. Alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). Grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento empresarial individualizado pelo seu CNPJ, ou pelo grau do risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, de 10 de novembro de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13433.720897/201112 Acórdão n.º 2402003.334 S2C4T2 Fl. 5 7 individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. A partir da publicação da aprovação do citado parecer, resta claro que, relativamente ao cálculo do grau de risco, devese observar a atividade preponderante desenvolvida em cada estabelecimento individualmente. No entanto, a recorrente não pode se socorrer do parecer, uma vez que não possui estabelecimentos e, além disso, não fez prova de que a maioria de seus empregados desenvolveriam atividades ligadas à educação, conforme alegou. Assim, resta correto o reenquadramento efetuado pela auditoria fiscal e o lançamento da diferença de alíquota. Outra questão que merece atenção é a qualificação da multa. A auditoria aplicou multa qualificada, em dobro, com base no art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430/1996, com a justificativa de que teria sido evidenciada a sonegação definida no art. 71, da Lei nº 4.502/1964. O art. 71 da Lei nº 4.502/1964 dispõe o seguinte: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou Retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua Natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a Obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Depreendese que para a qualificação da multa nos termos do artigo acima é necessária a caracterização de conduta dolosa, ou seja, a vontade livre e consciente de sonegar tributos. No caso, o único fato descrito pela auditoria fiscal foi a informação incorreta em GFIP do código CNAE. A meu ver, não pode ser considerada a existência de dolo numa conduta que até a superveniência da MP nº 449/2008 que introduziu a multa de ofício e sua qualificação era considerada mero descumprimento de obrigação acessória sujeita à multa e, inclusive, com a possibilidade de atenuação/relevação. A informação incorreta em GFIP, tão somente, não pode justificar a qualificação da multa, situação em que é necessário um conjunto de condutas que demonstrem de forma inequívoca a intenção de sonegar do contribuinte. Assim, deve ser excluída a qualificação da multa, mantendose a multa de ofício de 75%. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja aplicada apenas a multa de ofício de 75% sem qualificação. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903797/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 97 /2 00 9- 29 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903797/200929 Acórdão n.º 3803003.997 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 16327.001333/2006-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO A DIVERGÊNCIA DE VALORES CONSTANTES DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. E OS VALORES INDICADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE.A decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento de São Paulo adotou a premissa de que as razões expendidas pela Recorrente na manifestação de
inconformidade apresentada em relação ao Despacho Decisório de fls. 55/56 importavam em verdadeira “inovação”, o que seria incompatível com as normas que regulamentam os pedidos de compensação, especificamente os artigos 55 e 56 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, e os artigos 56 e 57 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005.
No entanto, as informações estampadas na manifestação de inconformidade (reproduzidas nas razões de recurso voluntário) não importaram em inovação ou alteração do pedido veiculado na PER/DCOMP pertinente ao pedido de ressarcimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, servindo, em verdade, a justificar a diferença dos valores constantes do pedido e aqueles lançados na DIPJ/2004. ANÁLISE LIMITADA AS DIFERENÇAS CONSTANTES DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. E OS VALORES INDICADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. As diferenças apontadas pelo contribuinte que correspondam a valor superior ao indicado no Pedido de Restituição PER/DCOMP não devem ser analisas, pois constituem alteração do pedido original.
Numero da decisão: 1103-000.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL por unanimidade, para devolver os autos à DRJ de origem para proferir nova decisão enfrentando as razões da impugnante até o valor do pedido original. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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ementa_s : ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO A DIVERGÊNCIA DE VALORES CONSTANTES DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. E OS VALORES INDICADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE.A decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento de São Paulo adotou a premissa de que as razões expendidas pela Recorrente na manifestação de inconformidade apresentada em relação ao Despacho Decisório de fls. 55/56 importavam em verdadeira “inovação”, o que seria incompatível com as normas que regulamentam os pedidos de compensação, especificamente os artigos 55 e 56 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, e os artigos 56 e 57 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005. No entanto, as informações estampadas na manifestação de inconformidade (reproduzidas nas razões de recurso voluntário) não importaram em inovação ou alteração do pedido veiculado na PER/DCOMP pertinente ao pedido de ressarcimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, servindo, em verdade, a justificar a diferença dos valores constantes do pedido e aqueles lançados na DIPJ/2004. ANÁLISE LIMITADA AS DIFERENÇAS CONSTANTES DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. E OS VALORES INDICADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. As diferenças apontadas pelo contribuinte que correspondam a valor superior ao indicado no Pedido de Restituição PER/DCOMP não devem ser analisas, pois constituem alteração do pedido original.
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NECESSÁRIA ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO A DIVERGÊNCIA DE VALORES CONSTANTES DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. E OS VALORES INDICADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. A decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento de São Paulo adotou a premissa de que as razões expendidas pela Recorrente na manifestação de inconformidade apresentada em relação ao Despacho Decisório de fls. 55/56 importavam em verdadeira “inovação”, o que seria incompatível com as normas que regulamentam os pedidos de compensação, especificamente os artigos 55 e 56 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, e os artigos 56 e 57 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005. No entanto, as informações estampadas na manifestação de inconformidade (reproduzidas nas razões de recurso voluntário) não importaram em inovação ou alteração do pedido veiculado na PER/DCOMP pertinente ao pedido de ressarcimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, servindo, em verdade, a justificar a diferença dos valores constantes do pedido e aqueles lançados na DIPJ/2004. ANÁLISE LIMITADA AS DIFERENÇAS CONSTANTES DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. E OS VALORES INDICADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. As diferenças apontadas pelo contribuinte que correspondam a valor superior ao indicado no Pedido de Restituição PER/DCOMP não devem ser analisas, pois constituem alteração do pedido original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001333/200615 Acórdão n.º 110300.636 S1C1T3 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL por unanimidade, para devolver os autos à DRJ de origem para proferir nova decisão enfrentando as razões da impugnante até o valor do pedido original. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. (Documento assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (Documento assinado digitalmente) HUGO CORREIA SOTERO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório A Recorrente formulou pedido de restituição de saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao anocalendário de 2003 e, concomitantemente, apresentou declarações de compensação visando a utilização do crédito postulado para fins de quitação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. O pedido de ressarcimento foi parcialmente deferido pelo Despacho Decisório de fls. 55/56, nestes termos: “Através da PER/DCOMP acima, de 13/02/2004, o contribuinte pleiteia o reconhecimento de direito creditório no montante de RS. 281.344.004,69, do anobase de 2003, decorrente de saldo negativo de IRPJ. Na DIPJ do contribuinte, no entanto, o saldo negativo se apresenta em valor inferior: 14. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 279.737.968,98 Os valores apresentados pelo contribuinte se referem a pagamentos por estimativa, alguns liquidados por compensação em DCOMP próprias outros efetivamente pagos. Os valores compensados serão objeto de análise própria e o eventual reconhecimento do direito creditório neste processo será precário e sujeito a alteração em função de eventual fiscalização da composição do lucro real do contribuinte. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001333/200615 Acórdão n.º 110300.636 S1C1T3 Fl. 3 3 Diante do exposto decido reconhecer precariamente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte limitado a R$ 279.737.968,98 e, conseqüentemente homologar a compensação constante das DCOMP abaixo:” Em face da decisão de deferimento parcial do pedido de restituição, apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade, argüindo: “De acordo com a decisão ora recorrida, o Manifestante não teria o direito à compensação do valor de R$ 8.321.088,12. O indeferimento de parte do crédito pleiteado é decorrente da diferença entre os valores informados na PER/DCOMP e na DIPJ/04. Ocorre que na PER/DCOMP não foram declarados todos os valores que compõem o total das antecipações do ano calendário de 2003. Assim, para apurar o montante correto do crédito do Manifestante devem ser considerados os seguintes ajustes: • Ao valor declarado na PER/DCOMP (R$ 281.344.004,69), devem ser acrescidos: (a) R$ 3.549.887,14 que correspondem ao IRF utilizado nas antecipações mensais (doc. 03); (b) R$ 9.502.416,16 relativos ao IRF retido e não compensados nas antecipações mensais (doc. 03); e (c) o IR pago no exterior incidente sobre lucros e ganhos de capital, no montante de R$ 304.35,81. A somatória de todos os valores compõe R$ 294.701.243,88, correspondentes ao total de antecipações do anocalendário de 2003. • Apurado o valor indicado no item anterior, devese deduzir o total das antecipações pagas que totalizam R$ 18.785.013,59. Assim, apurase um total de antecipações correspondente ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 275.916.230,21. • Para apurar o saldo negativo demonstrado na DIPJ e deferido precariamente pela DEINF (R$ 279.737.968,87), devem ser feitos alguns ajustes: (a) exclusão de R$ 3.098.506,90 do valor informado na linha 12 da Ficha 12B da DIPJ/04 (doc. 04), correspondente a exigíveis suspensos das antecipações mensais acrescidos ao pago por estimativa indevidamente e; (b) diminuição de R$ 723.231,79 do saldo negativo declarado, relativo ao acréscimo de exigível a pagar em decorrência da decisão do M.S. 2003.61.00.0036185.” A manifestação de inconformidade foi rejeitada pela Delegacia de Julgamento de São Paulo (SPO I) por acórdão assim ementado: “PER/DCOMP. MUDANÇA DA FUNDAMENTAÇÃO FATICA E JURÍDICA DO PEDIDO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da fundamentação fática e jurídica a embasar o direito creditório pleiteado na PER/DCOMP, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001333/200615 Acórdão n.º 110300.636 S1C1T3 Fl. 4 4 originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Solicitação Indeferida.” Do voto condutor do acórdão se extrai: “5. A principal reclamação da contribuinte reside no fato de a autoridade administrativa não ter considerado alguns ajustes não informados na PER/DCOMP. 5.1. Pois bem, no preenchimento do formulário do saldo credor na PER/DCOMP, a contribuinte consignou um valor maior que aquele apurado na DIPJ/2003, sem qualquer justificativa. Somente após o ato de não homologação, alega que deveriam ter sido considerados os ajustes transcritos no parágrafo 3.1.2 do relatório. 5.2. Não era possível a Fazenda supor que a interessada pretendesse realizar tais ajustes para fins do cômputo do saldo negativo do IRPJ. 5.3. Nos termos dos artigos 55 e 56 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, dos artigos 56 e 57 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, que estavam em vigor no curso do processo e a prolação do despacho decisório de fls. 55/56, a retificação do Pedido de Restitui ao e da Declaração de Compensação, quanto ao aspecto temporal, deve ocorrer enquanto o caso estiver pendente de decisão administrativa. ... 5.4. Esclareçase à contribuinte não ser possível, em sede de julgamento administrativo de 1ª. ou 2ª. instâncias, alterarse a Declaração de Compensação original, seja em valores, seja em razão da motivação apresentada, seja para incluir novos períodos a serem analisados, sob a pena de se burlar o instituto da decadência, ou mesmo de se suprimir instância administrativa competente. 5.5. Nestes termos, a alteração do crédito pleiteado na Declaração de Compensação encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação cuja competência de apreciação originária é da DRF jurisdicionante do domicilio fiscal da contribuinte, estando fora da alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.” Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 148151, reproduzindo integralmente as razões expendidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001333/200615 Acórdão n.º 110300.636 S1C1T3 Fl. 5 5 Voto Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. A decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento de São Paulo adotou a premissa de que as razões expendidas pela Recorrente na manifestação de inconformidade apresentada em relação ao Despacho Decisório de fls. 55/56 importavam em verdadeira “inovação”, o que seria incompatível com as normas que regulamentam os pedidos de compensação, especificamente os artigos 55 e 56 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, e os artigos 56 e 57 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005. Como se constata do relatório da decisão, a Recorrente apresentou pedido de restituição no valor de R$ 281.344.004,69, sendo o pedido parcialmente indeferido diante da incompatibilidade do crédito acossado com as informações constantes da DIPJ/2004, que apontavam valor de saldo negativo de R$ 279.737.968,98. É fato que a Recorrente requer, em sua Manifestação, valores superiores aos constantes da sua PERD/COMP, visto que assevera a contribuinte que teria o direito ao crédito no valor de R$ 8.321.088,12. Por outro lado, essa alteração de valores, não deve servir como argumento para se desconsiderar os fundamentos expedidos pela Recorrente para justificar as diferenças existentes na PER/DCOMP (R$ 281.344.004,69) e a sua DIPJ (R$ 279.737.968,98). Entendo que o direito de obter a restituição do saldo negativo do IRPJ, crédito que resulta do recolhimento de valores superiores aos efetivamente devidos (por retenção e pagamento) não pode ser negado por simples alteração do pedido original, e, para além, decorrendo a incompatibilidade entre as informações constantes da PERD/COMP e da DIPJ de falta de consideração de valores pertinentes ao Imposto de Renda Retido Na Fonte (IRRF), poderia a Receita Federal, por consulta ao seu próprio sistema, conferir a veracidade das alegações e quantificar devidamente o crédito do contribuinte. Tem o processo administrativo, como constantemente afirmado pela própria Administração Tributária Federal, como escopo a obtenção da ‘verdade real’, de sorte que, uma vez instaurado o processo administrativo, está jungida a Administração a investigar e apurar concretamente a situação de fato pertinente para acolher ou rejeitar a pretensão do administrado. Se a Receita Federal pode, por mera consulta aos seus sistemas informatizados, conferir a existência do crédito (saldo negativo) do contribuinte, afigurase Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001333/200615 Acórdão n.º 110300.636 S1C1T3 Fl. 6 6 manifestamente desarrazoado o indeferimento do pedido de ressarcimento com base exclusivamente na alteração do valor constante da PERD/COMP. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, no sentido de determinar a Delegacia de Julgamento de São Paulo a análise dos fundamentos trazidos pela Recorrente em relação as divergências entre os valores constantes PER/DCOMP (R$ 281.344.004,69) e a sua DIPJ (R$ 279.737.968,98). Assevero, outrossim, que não devem ser considerados os argumentos que justifiquem valores superiores aos constantes e requeridos na PER/DCOMP. É como voto. (Documento assinado digitalmente) Hugo Correia Sotero Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000111/2004-72
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ - DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.
A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, portanto, ser acrescido à base de cálculo do imposto de renda, na proporção de sua utilização para quitação dos créditos tributários. A tributação do deságio está relacionada , em controle de legalidade, à despesa gerada com a quitação dos tributos e encargos quando dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
IRPJ - REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL.
Havendo prejuízo fiscal declarado, em montante superior ao do valor tributável apurado em ação fiscal, cabe à autoridade fiscal proceder à redução do referido prejuízo.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E À COFINS. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS.
Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 1401-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o montante de Contribuição ao PIS e da COFINS, em razão de sua inconstitucionalidade reconhecida na sistemática do artigo 543-B do CPC, bem como para reduzir o lançamento do IRPJ e da CSLL ao ajuste de prejuízo fiscal e base negativa, considerando a base reduzida de R$ 935.090,66 (valor não dedutível quitado com deságio).
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora.
EDITADO EM: 20/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ - DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, portanto, ser acrescido à base de cálculo do imposto de renda, na proporção de sua utilização para quitação dos créditos tributários. A tributação do deságio está relacionada , em controle de legalidade, à despesa gerada com a quitação dos tributos e encargos quando dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IRPJ - REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Havendo prejuízo fiscal declarado, em montante superior ao do valor tributável apurado em ação fiscal, cabe à autoridade fiscal proceder à redução do referido prejuízo. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E À COFINS. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o montante de Contribuição ao PIS e da COFINS, em razão de sua inconstitucionalidade reconhecida na sistemática do artigo 543-B do CPC, bem como para reduzir o lançamento do IRPJ e da CSLL ao ajuste de prejuízo fiscal e base negativa, considerando a base reduzida de R$ 935.090,66 (valor não dedutível quitado com deságio). (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13976.000111/200472 Recurso nº 144.139 Voluntário Acórdão nº 1401000.889 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente CVG CIA VOLTA GRANDE DE PAPEL Recorrida 3ª TURMA/DRJFLORIANÓPOLISSC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, portanto, ser acrescido à base de cálculo do imposto de renda, na proporção de sua utilização para quitação dos créditos tributários. A tributação do deságio está relacionada , em controle de legalidade, à despesa gerada com a quitação dos tributos e encargos quando dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IRPJ REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Havendo prejuízo fiscal declarado, em montante superior ao do valor tributável apurado em ação fiscal, cabe à autoridade fiscal proceder à redução do referido prejuízo. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E À COFINS. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o montante de Contribuição ao PIS e da COFINS, em razão de sua inconstitucionalidade reconhecida na sistemática do artigo 543B do CPC, bem como para reduzir o lançamento do IRPJ e da CSLL ao ajuste de prejuízo fiscal e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 01 11 /2 00 4- 72 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 base negativa, considerando a base reduzida de R$ 935.090,66 (valor não dedutível quitado com deságio). (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Relatório Por economia processual, utilizome de parte do relatório do Voto que determinou a segunda diligência (Resolução nº 10800.488), para esclarecer do que trata a questão. Tratase de Autos de Infração de IRPJ/CSLL/PIS e COFINS, todos referentes ao anocalendário de 2000. Os lançamentos dos tributos versam sobre: (i) IRPJ: 001 – Outras Receitas Operacionais; (ii) PIS: 001 – Falta/Insuficiência de Recolhimento do PIS (omissão de recita operacional); (iii) COFINS: 001 Falta/Insuficiência de Recolhimento de COFINS (omissão de recita operacional); (iv) CSLL: 001 – Falta de Recolhimento de CSLL (omissão de receita operacional). A autuação é baseada na omissão de receitas operacionais no anocalendário de 2000, conforme apurado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, caracterizada pela falta de contabilização do ganho obtido com a aquisição de prejuízos fiscais que posteriormente foram utilizados na compensação com acréscimos legais de suas dívidas parceladas no REFIS, gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito a tributação. Uma vez intimado da lavratura do Auto de Infração, o contribuinte, em 01.06.04, apresentou Impugnação, com fundamento nos artigos 7° a 22, do Decreto n° 70.235/72, alegando, basicamente, que: (i) Preliminarmente, a multa de 75% imposta sobre o montante supostamente devido é exorbitante e atenta claramente contra o direito de propriedade garantido pelo art. 5°, XXII da CF, uma vez que assume caráter Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401000.889 S1C4T1 Fl. 3 3 confiscatório, cuja vedação está estatuída no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. (ii) Tal multa, por seu alto valor, causaria a falência de empresas, castigando empresário e trabalhador, ferindo, pois, a função social da empresa, defendida no Novo Código Civil. (iii) Não incide IRPJ e CSSL sobre aquisição de Prejuízos Fiscais de terceiros, uma vez que a base de cálculo de tais impostos é a renda, e essa, por natureza, caracterizase pelo acréscimo patrimonial. Já a aquisição de Prejuízos Fiscais de terceiros implicaria, por sua vez, aumento dos passivos da empresa, não refletindo, pois, na contabilidade da empresa como ganho de capital. Assim, pela impossibilidade de extensão da definição e alcance dos institutos constitucionais, a aplicação de IRPJ e CSSL, no caso em questão, é indevida. (iv) Quando se fala em PIS e COFINS, remetese automaticamente às receitas auferidas pelo contribuinte. No caso em questão, o “deságio” apontado pelo Sr. Fiscal foi enquadrado como receita, o que, na realidade, corresponderia a uma afirmação de que o contribuinte investe em dívidas, uma vez que é esse o quadro no qual a empresa se insere, não cabendo, nesse momento, nenhuma espécie de receita. (v) Em relação à amortização, o que ocorreu foi uma anistia limitada mediante a utilização de prejuízo fiscal acumulado e base de cálculo negativa, e não o ingresso de receitas no patrimônio do contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, ao apreciar a Impugnação apresentada, houve por bem julgar procedente o lançamento em Acórdão assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 Emenda: Deságio obtido na aquisição de Prejuízos Fiscais de terceiros. Utilização no REFIS. Tratamento Fiscal. Receita Tributável. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal adquirido de terceiro, no âmbito do REFIS, se constitui em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ na data da aquisição de sua disponibilidade para pagamento parcial do débito incluído no REFIS e, por decorrência, também pelas contribuições sociais (PIS/Pasep, COFINS e CSLL). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2000 Ementa: Lançamento de Ofício. Multa Aplicável. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindose, por via de conseqüência, apenas os contribuintes Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/12/2000 Ementa: Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade dos atos legais regularmente editados. Lançamento procedente.” Nesse sentido, o voto condutor do Acórdão proferido, o qual julgou procedente o lançamento efetuado, baseouse nos seguintes argumentos: (i) A impugnante procedeu à compra de Prejuízos Fiscais de terceiros, cujo crédito adquirido para fins de utilização no REFIS foi da ordem de R$ 22.256.142,02 (vinte e dois milhões, duzentos e cinqüenta e seis mil, cento e quarenta e dois reais e dois centavos), a um custo de R$ 3.783.544,08 (três milhões, setecentos e oitenta e três mil, quinhentos e quarenta e quatro reais e oito centavos), vide contrato de fls. 88/90. Verificouse através de fiscalização que houve um deságio no valor de R$ 18.472.597,94 (dezoito milhões, quatrocentos e setenta e dois mil, quinhentos e noventa e sete reais e noventa e quatro centavos), que deve ser tributado após o devido processo de contabilização, o qual, por oportuno, não foi efetuado pela Impugnante. (ii) Para que não tivesse efeito na determinação do imposto devido, o ganho obtido na aquisição do crédito fiscal deveria constar como exclusão na apuração do lucro real. Todavia, tal exclusão só pode ser efetuada mediante autorização legal, o que não se verifica em nenhum diploma legal na Legislação Tributária. (iii) A aquisição de crédito fiscal para ser utilizado no REFIS corresponde à compra de um ativo, de um direito, que lhe proporcionará a redução de seus encargos legais frente ao Fisco. Sendo assim constituem acréscimo ao lucro real. (iv) Em relação ao lançamento de ofício de multa, a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência. Assim sendo, a aplicação da legislação vigente à época dos fatos deve ser direta, e por isso o lançamento de ofício da multa de 75% deve ser seguido, uma vez que obedece ao estabelecido no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. (v) É válido ressaltar, no que se refere aos lançamentos relativos às contribuições ao PIS e à COFINS, que a Lei 9.718/98, art. 3°, § 1°, ampliou o seu campo de incidência, uma vez que incluiu todas as receitas das empresas. O contribuinte foi notificado, em 18.11.04, por meio de carta com aviso de recebimento, enviada para a Rua Visconde de Mauá, 366, Indl. Norte, CEP 89295000, Rio Negrinho/SC, do Acórdão proferido. Uma vez notificado, o contribuinte, em 13.11.04, apresentou Recurso Voluntário, reafirmando, em suas considerações, os pontos outrora enumerados na Impugnação ao Auto de Infração. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401000.889 S1C4T1 Fl. 4 5 Em 20.01.06 a Recorrente protocolou petição requerendo o adiamento do julgamento, justificando “porquanto foram juntados documentos e fatos novos de extrema complexidade no dia 29.12.05 junto à DRF – Joinville que ainda não foram juntados ao processo”. O adiamento foi deferido. Em 13.02.06 chegou a esta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes expediente para juntada dos mencionados documentos. Os documentos foram juntados aos autos (fls. 181 a 227). No aditamento do Recurso Voluntário, a Recorrente inicialmente salienta que os impostos e as contribuições incluídas no REFIS encontravamse nas contas de provisões no Passivo, quando foram transferidos para a conta Passiva do REFIS. Ao mesmo tempo, foram registrados os acréscimos legais e ajustes não reconhecidos anteriormente. Estes ajustes parece que foram lançados a débito de Resultado de Exercícios Anteriores, no montante de R$ 36.981.460,00, totalizando o montante de passivo de R$ 63.924.393,29, contra um crédito na conta REFIS de R$ 63.294.393,29(sic). O montante de resultado de exercícios anteriores corresponderia, segundo a Recorrente, ao montante de R$ 8.030.857,52 de multa e R$ 25.064.020,34 de juros, além do principal. Alega que não reconheceu as multas e os juros dos tributos e contribuições por competência, efetuando o lançamento diretamente em ajuste de exercícios anteriores. Desta forma, “caso tivesse a empresa realizado as apropriações por competência, não haveria se falar em tributação sobre o suposto ‘deságio’, visto que ocasionaria significativo Prejuízo Fiscal”. Afirma, ainda, o contribuinte que mesmo “considerado o hipotético deságio, o mesmo não teria tributação, haja vista a apresentação anteriormente comprovada de Prejuízo Fiscal no período”. Neste sentido, o contribuinte compara seu lucro tributável com todos os efeitos do REFIS e seu lucro tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros, salientando que em ambos os casos há geração de Prejuízo Fiscal, o que, por si só, afasta qualquer pretensão de tributação. Conclui reiterando o pedido de cancelamento do Auto de Infração, bem como a autorização para diligências fiscais. Analisando questão prejudicial ao julgamento da lide, qual seja, o conhecimento do Recurso apresentado pela Recorrente, verificouse a necessidade de diligência para esclarecimento acerca do arrolamento, à época necessário, uma vez que não se encontrava juntado aos autos o ofício SAFIS/DRF/JVE/SC Nº 082/2004, tampouco havia notícias sobre qualquer arrolamento de bens à época exigido para dar prosseguimento ao Recurso interposto. Assim, de forma a dirimir qualquer tipo de dúvida, tornandose possível a análise do conhecimento do recurso, foi proposta a devolução dos autos à repartição de origem, a fim de que fosse realizada diligência para esclarecer a existência do arrolamento de bens informado pelo contribuinte em suas razões de recurso. Adotadas as providências solicitadas, sanada a dúvida e comprovado o arrolamento de bens, através das cópias do Processo Administrativo nº 13976.000115/200451 (fls. 240/252), bem como devidamente atestado às fls. 256 a efetivação do aludido arrolamento de bens, passouse ao julgamento do feito. Em sessão de 18/10/2006, decidiuse, nos termos do voto desta relatora, converter o julgamento em diligência, tendo sido tomadas algumas premissas, qual seja, o fato Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 incontestável de que a aquisição de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL de terceiro com deságio para pagamento de tributo próprio, inclusive no âmbito do REFIS, constitui ganho tributável. Tal constatação está inclusive de acordo com jurisprudência citada no referido voto. Ademais, ao que parece, embora não tenha lançado e não levado à tributação a diferença entre o valor da compra e o valor efetivo do crédito (deságio), também não lançou e deduziu da base o valor dos juros e multa. Assim, decidiuse por verificar qual o efeito tributário de não ter sido lançado o deságio nem as despesas de multa e juros do REFIS. Necessário também, verificar se os débitos lançados foram espontaneamente declarados por DCTF ou Declaração REFIS, ou se são objetos de auto de infração, e a partir disto, concluirse á se o acréscimo de débito (multa) é dedutível ou não. Assim, para dirimir dúvidas em relação às questões supracitadas, a diligência foi determinada para que: (i) Fosse confirmado que o valor de R$ 36.981.460,00 lançado na conta de resultados de exercícios anteriores não foi deduzido da base de IRPJ e CSLL, em qualquer exercício, como afirma a Recorrente, assim como não foi tributado o deságio relativo à aquisição dos créditos. (ii) A D. Autoridade Fiscal competente se manifestasse sobre o comparativo efetuado pela Recorrente às fls. 186 entre o “a) Lucro Tributável com todos os efeitos do REFIS” e “b) Lucro Tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros”. (iii) Esclarecer sobre o saldo de IRPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.106,30, informado pela Recorrente às fls. 184, como anterior à aquisição de Prejuízo Fiscal de terceiros. (iv) As multas e os juros lançados para resultado de exercícios anteriores tivessem seus montantes devidamente segregados entre aqueles de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REFIS), e aqueles decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST Nº 61/79 (por exemplo, multas lançadas de ofício). Em retorno a diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal de Joinville/SC elaborou termo de encerramento de diligência fiscal (fls. 299/302), com as seguintes conclusões: (i) Após solicitado balanço patrimonial, constatouse discrepância entre o LALUR referente ao período encerrado em 31/12/1999 e o que consta da contabilidade. Em relação ao valor de R$ 36.981.460,00 consta a apropriação em 31/12/1999 com o histórico de “Prejuízos fiscal Ajuste Exercícios anteriores”. Aduz ainda que, com a adesão ao REFIS em 2000, a empresa reabriu a contabilidade do ano 1999 para apropriar o valor de R$ 36.981.460,00. Foi também identificado que em 31/12/1999 na conta “RESULTADOS EXERCÍCIOS ANTERIORES” os seguintes lançamentos: lançamento a débito o valor de R$ 36.981.460,00 com o histórico de “V1 atualização Refis” e lançamentos a créditos os valores de R$ 5.340.597,00 e R$ 2.760.726,00 com os históricos de “V1 provisão IRPJ a recuperar” e “V1 provisão Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401000.889 S1C4T1 Fl. 5 7 Contrib. Social a recuperar”. Ainda, na conta “RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS recebeu a crédito o valor de R$ 36.981,00, referente à apropriação das multas e juros decorrentes, conforme consta da contabilidade, da atualização dos tributos a serem incluídos no REFIS, no ano seguinte. Nesta mesma conta, foi debitado o valor de R$ 5.340.597,00, a título de IRPJ a recuperar. Afirma também que o contribuinte tem razão quando alega que o valor não passou transitado em conta de resultados no ano de 1999, porém consta na contabilidade os lançamentos acima identificados, e em relação ao LALUR nada consta a este fato. Por fim, relata que também não consta nenhuma apuração de prejuízos fiscais no ano de 1999 e que esteja registrado no LALUR, citando o art. 509 do Decreto n° 3000/1999. (ii) Com relação ao item ii da solicitação de diligência, entende que “não deve ser considerado nenhuma suposição do tipo ‘lucro tributável com todos os efeitos do REFIS’ ou ‘lucro tributável sem a aquisição e compensação dos valores adquiridos de terceiros’, pois estes fatos não ocorreram contabilmente”. (iii) Em relação ao valor de R$ 6.241.108,30 (item iii da solicitação de diligência), constata que a conta “IRPJ a Recuperar” recebeu em 31/12/1999 os lançamentos a débito no valor de R$ 5.340.597,00 e R$ 900.511,30 (contrapartida do lançamento “Conta de Ativo Impostos a Recuperar”), que totalizaram o citado valor e que, conforme o contribuinte, equivale ao saldo de imposto a recuperar, sendo anterior à aquisição de prejuízos fiscais. (iv) Por fim, afirma que houve discordância da fiscalização no que se refere à apuração do Lucro Real e, portanto, foi lavrado Auto de Infração. Em face do referido termo de encerramento, a Recorrente apresentou Manifestação (fls. 305/308), alegando que na diligência não foram esclarecidas as questões suscitadas por este Conselho. Aduz que o relatório de encerramento foi elaborado de forma narrativa sem a devida análise e devido detalhamento dos lançamentos contábeis, concluindo, em suma, que a fiscalização: a) não analisou as DCTF`s do período a fim de esclarecer se os valores dedutíveis foram efetivamente declarados; b) não analisou a apuração de IRPJ e CSLL para confirmar se o valor de R$ 36.981.460,00 foi deduzido da base de cálculo dos referidos tributos; c) não analisou de forma pormenorizada o comparativo entre o Lucro Tributável com os Efeitos do Refis e o Lucro Tributável sem a Aquisição e Compensação dos Valores Adquiridos; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 d) não calculou os acréscimos legais inclusos no Refis a fim de obter os valores de multa e juros dedutíveis. Assim, após retorno de diligência, proferi voto esclarecendo os seguintes pontos: Preliminarmente, não procede a alegação de que a multa de oficio de 75% é "exorbitante e atenta claramente contra o direito de propriedade", além de ser confiscatória e poder causar a falência do empresário. O percentual de 75% para a multa de oficio é previsto na legislação e se mostra como um instrumento de desestimulo ao inadimplemento das obrigações tributárias. Além disso, às multas não é aplicado o principio do nãoconfisco, mas o principio da proporcionalidade, atendido pelas disposições legais que determinam este percentual para a multa de oficio. No tocante ao mérito, como já havia sido afirmado no voto que determinou a primeira diligência, fixouse que a aquisição de crédito fiscal representa um ativo, portanto, um direito disponível econômico ou juridicamente. Se o crédito fiscal foi adquirido com deságio (diferença entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal), tal deságio caracterizase como um acréscimo patrimonial nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional e deve ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e reflexos, mesmo que utilizado no âmbito do REFIS. A partir disto, observase que, se por um lado o contribuinte não lançou na conta de resultado e não levou à tributação o deságio, por outro lado também não teria lançado para o resultado e deduzido da base, o valor dos juros e da multa. Deste modo, o efeito da não tributação do deságio pode ter sido parcialmente anulado. Neste sentido, a diligência foi determinada para verificar: (i) se o valor de R$ 36.981.460,00 lançado na conta de resultados de exercícios anteriores não foi deduzido da base de IRPJ e CSLL, em qualquer exercício, como afirma a Recorrente, assim como se não foi tributado o deságio relativo à aquisição dos créditos; (ii) o comparativo efetuado pela Recorrente ás fls. 186 entre o "a) Lucro Tributável com todos os efeitos do REFIS" e "h) Lucro Tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros"; (iii) o saldo de 1RPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.106,30, informado pela Recorrente às fls. 184, como anterior à aquisição de Prejuízo Fiscal de terceiros; (iv) as multas e os juros lançados para resultado de exercícios anteriores, segregando devidamente seus montantes entre aqueles de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REF1S), e aqueles decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST N° 61/79 (por exemplo, multas lançadas de oficio). Conforme se extrai do voto condutor que determinou a segunda diligência, quanto ao item (i), a diligência informou que o valor de R$ 36.981.460,00 permaneceu em conta patrimonial, deixando de transitar na conta de resultado. Não obstante tal constatação tenha sido feita pela diligência apenas no anocalendário imediatamente anterior (ano calendário de 1999), resta neste momento, tomar como verdadeira e integralmente respondida diligência neste item, adotando por fato que referido valor não transitou pela conta de resultados. Com relação ao IRPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.108,30, entendeu a Resolução 10800.488, que houve esclarecimento em diligência, no sentido de que se trata de imposto a recuperar anterior à aquisição de prejuízos fiscais. Já no tocantee aos quesitos (ii) e (iv), entendeu a d. Câmara julgadora à época que os mesmos não foram analisados, ou seja, não houve conclusão acerca do comparativo efetuado pela Recorrente As fls. 186 entre o 'a) Lucro Tributável com todos os efeitos do REFIS' e o b) Lucro Tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros"; e não foram devidamente segregados os Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401000.889 S1C4T1 Fl. 6 9 montantes de multa e juros, entre aqueles de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REFIS), e aqueles decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST N° 61/79. Desta forma, entendeu necessário retornar em diligência, data maxima vênia da D. Autoridade Fiscal, a fim de que se esclareçam todos os quesitos formulados, em especial o item (iv) da Resolução n°. 10800.372 que determinou a diligência, uma vez que esta C. Oitava Câmara sempre entendeu necessário tais esclarecimentos para melhor conclusão da lide. Na hipótese de o item (ii) não poder ser verificado, dada a insuficiência de elementos na contabilidade da empresa, determinouse que deveria ser inteiramente respondido o item (iv) da diligência, analisando a contabilidade e a apuração de IRPJ e CSLL para fins de apontar de forma individualizada quais valores seriam dedutíveis para fins de apuração de tais tributos, e quais não seriam, conforme parecer normativo CST n° 61/79, o que possibilitará a retirada de valores eventualmente dedutíveis do valor total lançado. Às fls. 398/402, foi realizada a diligência fiscal, a partir da qual o contribuinte apresentou os documentos anexados às fls. 330 a 397, em que consta discriminado os valores informados com multa de ofício de 75%, referentes aos processos administrativos discriminados. Em manifestação de fls. 407/410, o contribuinte afirma que após o encerramento da diligência fiscal “obtémse que do valor total de R$ 36.981.416,00, apenas R$ 935.090,66 seriam indedutíveis, por serem oriundos das multas de lançamento de ofício, restando R$ 36.046.369,34 como dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Esclarece o contribuinte, ainda, que: a Manifestante não reconheceu as multas e juros dos tributos e contribuições por competência. Entretanto, por conta do ingresso no REFIS, efetuou os lançamentos na conta de RESULTADO DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, diretamente no PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Tal procedimento resultou em prejuízo fiscal acumulado superior ao apurado até então, uma vez que as despesas não haviam sido computadas no resultado dos períodos anteriores. Diante destes fatos e após o encerramento desta diligência fiscal, temse que confrontado o valor do DESÁGIO apurado pelo fiscal (R$ 18.472.597,94), com o valor dedutível apurado nesta diligência (R$ 36.046.369,34), ambos contabilizados diretamente no Patrimônio Liquido, há geração de PREJUÍZO FISCAL, o que por si só afasta qualquer pretensão de tributação federal. Concluída a diligência e tendo se manifestado o contribuinte, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 10 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Inicialmente, esclareço que, após realizada a primeira diligência, proferi voto fixando algumas premissas, as quais reitero para que sejam novamente submetidas à apreciação deste colegiado. Preliminarmente, não deve ser acolhida a alegação de que a multa de ofício de 75% é “exorbitante e atenta claramente contra o direito de propriedade”, além de ser “confiscatória e poder causar a falência do empresário”. O percentual de 75% para a multa de ofício é previsto na legislação e se mostra como um instrumento de desestímulo ao inadimplemento das obrigações tributárias. Além disso, às multas não é aplicado o princípio do nãoconfisco, mas o princípio da proporcionalidade, atendido pelas disposições legais que determinam este percentual para a multa de ofício. De mais a mais, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula nº 02 do CARF. No tocante ao mérito, reitero que a aquisição de crédito fiscal representa um ativo e, portanto, um direito disponível econômico ou juridicamente. Se o crédito fiscal foi adquirido com deságio (diferença entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal), tal deságio caracterizase como um acréscimo patrimonial nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional e deve ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e reflexos, mesmo que utilizado no âmbito do REFIS. A partir disto, observase que, se por um lado o contribuinte não lançou na conta de resultado e não levou à tributação o deságio, por outro lado também não teria lançado para o resultado e deduzido da base, o valor dos juros e da multa. Deste modo, o efeito da não tributação do deságio pode ter sido total ou parcialmente anulado. Neste sentido, a diligência inicialmente averiguou se o valor de R$ 36.981.460,00 lançado na conta de resultados de exercícios anteriores não foi deduzido da base de IRPJ e CSLL, em qualquer exercício, como afirma a Recorrente, assim como se não foi tributado o deságio relativo à aquisição dos créditos. Quanto a este item, a diligência informou que o valor de R$ 36.981.460,00 permaneceu em conta patrimonial, deixando de transitar na conta de resultado. Não obstante tal constatação tenha sido feita pela diligência apenas no anocalendário imediatamente anterior (anocalendário de 1999), resta neste momento, tomar como verdadeira e integralmente respondida a diligência neste item, adotando por fato que referido valor não transitou pela conta de resultado. Se assim é, antes de apurar o efeito do valor de deságio tributável, importa confrontar o montante do deságio com o passivo quitado por meio da utilização do respectivo direito creditório. Sobre este aspecto, para melhor fundamentar tal conclusão, cito trecho do voto proferido no acórdão 10196.467: Na verdade, o ganho auferido pela Recorrente diz respeito ao deságio obtido na aquisição de créditos fiscais adquiridos de terceiros, ou seja, tratase de aquisição de um ativo, por um custo x, que serviu para amortizar posteriormente um passivo da contribuinte por um custo y, superior ao que foi pago na Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401000.889 S1C4T1 Fl. 7 11 aquisição desse ativo, gerando, por conseguinte, um ganho financeiro que em nada se assemelha a recuperação de custos e despesas tratadas no § 3° do art. 521 do RIR/99. De fato, conforme bem descrito pelo Nobre Relator do acórdão recorrido: A autuada, desde que adquiriu de terceiros prejuízo e a base de cálculo negativa passou a ter em seu ativo um direito. Na formalização do pedido de emprego do valor desses prejuízos e bases de cálculo para quitar a dívida ocorre a permuta de ativos necessária e suficiente para caracterizar o ganho de capital, uma vez que no Refis passa a contar com crédito para quitar o débito de multas e juros e os prejuízos deve ser, de modo definitivo e irrevogável baixados, seja da escrituração do cedente, seja da do cessionário, ainda que futuramente não ocorra a homologação e ser estabelecido o débito que se pretendeu quitar. Tratase, portanto, de uma condição resolutória, por tratarse de um negócio perfeito e acabado e produz efeitos desde a sua assinatura, tendo em vista que a liquidação dos valores correspondentes a multa e juros, nos termos do inciso II do § 5°. do art. 5°., da Lei n. 9.964/2000, é definitiva, ainda que a pessoa jurídica seja excluída do Refis (art. 16 da Lei 9.964/2000) O ganho, portanto, é verificado efetivamente no momento em que se dá o crédito fiscal para efeito da amortização dos juros e multa, razão pela qual neste momento é que deve ser reconhecido o acréscimo — regime de caixa , independentemente do principal incluído no REFIS ser pago de forma parcelada. Nessa premissa, qualquer tributação in casu considera primeiro o montante utilizado e posteriormente confronta com o montante dedutível à título de despesa tributária, com o deságio na quitação do crédito. Ainda, verificou a diligência o saldo de IRPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.106,30, informado pela Recorrente às fls. 184, como anterior à aquisição de Prejuízo Fiscal de terceiros. Com relação ao IRPJ a recuperar no montante de R$ 6.241.108,30, também houve esclarecimento em diligência, no sentido de que se trata de imposto a recuperar anterior à aquisição de prejuízos fiscais. Por fim, quanto à demonstração dos itens comparativo efetuado pela Recorrente às fls. 186 entre o “a) Lucro Tributável com todos os efeitos do REFIS” e “b) Lucro Tributável sem a aquisição e compensação de valores adquiridos de terceiros”; e as multas e os juros lançados para resultado de exercícios anteriores, segregando devidamente seus montantes entre aqueles de natureza compensatória (denúncia espontânea efetuada no âmbito do REFIS), e aqueles decorrentes de infrações fiscais, nos termos do PN CST Nº 61/79 (por exemplo, multas lançadas de ofício), foi necessária mais de uma diligência porque a Câmara entendeu que não foram analisados. Por tal razão é que entendeu a Câmara, naquela ocasião, por nova diligência, a fim de esclarecer o solicitado nos itens (ii) e (iv) da Resolução nº. 10800.372. E esclareceu: Na hipótese de o item (ii) não poder ser verificado, dada a insuficiência de elementos na contabilidade da empresa, deverá ser inteiramente respondido o item (iv) da diligência, analisando a contabilidade e a apuração de IRPJ e CSLL para fins de Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 12 apontar de forma individualizada quais valores seriam dedutíveis para fins de apuração de tais tributos, e quais não seriam, conforme parecer normativo CST n° 61/79, o que possibilitará a retirada de valores eventualmente dedutíveis do valor total lançado. Realizada novamente a diligência (fls. 398/402), verifico que fiscalização se deteve em atender ao item iv da diligência, apresentando lista em que constam discriminados os valores informados com multa de ofício por processo administrativo, não se manifestando novamente sobre o item ii. Conforme esclarecido no acórdão que determinou a diligência, as multas de ofício não são dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Acolhendo o resultado da diligência, bem como no sentido em que manifestado pelo contribuinte, devese excluir do lançamento os valores que não são relativos à multa de ofício de 75%, enumerados conforme planilha de fls. 401/402, anulandose assim, para o restante, o efeito da não tributação do deságio. Temse que do valor total de R$ 36.981.460,00, não seriam dedutíveis, porque correspondem à multa de ofício de 75%, conforme diligência realizada e cálculo efetuado pelo contribuinte, o valor de R$ 935.090,66, remanescendo o montante de R$ 36.046.369,34 como dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, considerando o valor indedutível de R$ 935.090,66, este deve ser a base de cálculo para fins de tributação ou para ajuste de prejuízo fiscal. Verifico dos autos (DIPJ de fls. 09/59) que no anocalendário de 2000, o contribuinte apurou prejuízo fiscal, razão pela qual o mencionado valor (R$ 935.090,66) deve servir de base para o cálculo de deságio tributável e, por consequência, tão somente reduzir o prejuízo fiscal, procedendose aos devidos ajustes no SAPLI. Por fim, no tocante à incidência da Contribuição ao PIS e a COFINS sobre as receitas financeiras, a despeito da presunção de constitucionalidade das leis, bem como a despeito das decisões acerca da ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS terem sido proferidas em controle difuso, cumpre fazer duas considerações: (i) a primeira de que é determinado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a lei por inconstitucionalidade, quando houver decisões definitivas de mérito, proferidas pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil; (ii) a segunda, de que, em 10/09/2008, o Supremo Tribunal Federal, resolvendo questão de ordem no Recurso Extraordinário nº 585.235 reconheceu a repercussão geral acerca do tema e reafirmou a jurisprudência anteriormente firmada, no sentido de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; RE`s nºs. 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13976.000111/200472 Acórdão n.º 1401000.889 S1C4T1 Fl. 8 13 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Neste passo, aplicável o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual deve ser reproduzido o entendimento de que não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, a fim de exonerar o montante de Contribuição ao PIS e da COFINS, em razão de sua inconstitucionalidade reconhecida na sistemática do artigo 543B do CPC, bem como para reduzir o lançamento do IRPJ e da CSLL ao ajuste de prejuízo fiscal e base negativa, considerando a base reduzida de R$ 935.090,66 (valor não dedutível quitado com deságio). (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.912952/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO.
Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologa-se a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito.
Numero da decisão: 3401-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente COIM BRASIL LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologase a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 52 /2 00 9- 03 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ que manteve a não homologação de compensação cujo crédito alegado tem origem em pagamento a maior da Cofins. Na origem a análise se deu por meio de despacho decisório eletrônico. Na manifestação de inconformidade a contribuinte alega que não foi retificada a DCTF no momento em que recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, e que o problema será sanado com a simples retificação. A 3ª Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho decisório, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação extemporânea da DCTF. No recurso voluntário, tempestivo, a contribuinte explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexa à peça recursal cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão nº 203 09.788 e a Solução de Consulta da 3ª Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Em diligência determinada por este Colegiado a unidade de origem verificou o indébito, informando haver recolhido a maior no montante de R$ 31.259,72 (fl. 94). A contribuinte, cientificada da diligência realizada, expressamente concorda com o seu resultado. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Diante do resultado da diligência, que reconhece integralmente o indébito informado no PER/DCOMP, cabe dar provimento parcial ao Recurso. Ao deixar de homologar a compensação, a DRJ considerou não haver prova de erro cometido na DCTF original. O apurado na diligência, contudo, verificou o contrário, pelo que cabe admitir o novo valor posto na DCTF retificadora, entregue depois do despacho decisório na origem. Na situação dos autos, de despacho decisório eletrônico, convém sempre investigar em maior profundidade a escrita fiscal e contabilidade da empresa, o que foi feito por ocasião da diligência. Somente assim, com apuração dos valores devido e recolhido do tributo, é possível decidir a lide. O despacho eletrônico requer maior cautela por parte das autoridades julgadoras, especialmente porque antes a contribuinte não tem oportunidade de se manifestar. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10830.912952/200903 Acórdão n.º 3401002.128 S3C4T1 Fl. 112 3 Por oportuno, observo que a confissão constante de DCTF admite em sentido contrário. Tal confissão, que inclusive dispensa o lançamento tributário, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, encontra amparo nos 348, 353, 354 e 585, II, do Código de Processo Civil. Segundo esses dispositivos há confissão quando uma parte (sujeito passivo da obrigação tributária principal) admite a verdade de um fato (ser devedora do tributo confessado), contrário ao seu interesse e favorável à outra parte (Fisco), o que pode ser feito de forma judicial ou extrajudicial. A confissão extrajudicial feita por escrito à parte contrária, como se dá mediante a DCTF, ou se deu por meio da DIPJ até o anocalendário 1998, tem o mesmo efeito da judicial. Assim, em sede tributária a confissão de dívida serve como título executivo extrajudicial que, contudo, admite provas contrárias, especialmente a de não ocorrência do fato gerador ou a de extinção do crédito tributário confessado. Daí se admitir a retificação das DCTF, mesmo depois do despacho decisório ou, quando for o caso, do início da ação fiscal. Pelo exposto, nos termos do resultado da diligência dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o indébito da Cofins no montante informado no PER/ DCOMP e homologando a compensação pleiteada. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10530.723608/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello Redator designado.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 36 08 /2 00 9- 18 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello – Redator designado. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, mais multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, na qualidade de rendimentos isentos e não tributáveis. Tratamse de valores recebidos do Ministério Público do Estado de Bahia, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, assim classificados pelo art. 3º da Lei Estadual Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003. Segundo a autoridade lançadora as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação legal dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10530.723608/200918 Acórdão n.º 2802000.903 S2TE02 Fl. 284 3 Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, e a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; d) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; e) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; f) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; g) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 h) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; i) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios.; j) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; l) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; m) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; n) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; o) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; p) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal, e; q) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10530.723608/200918 Acórdão n.º 2802000.903 S2TE02 Fl. 285 5 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, cuja ementa segue abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF.As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Inconformada com a decisão de 1ª instância, a recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, no qual reitera os argumentos já expostos na impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, relator. Antes de apreciar o mérito das razões expostas em sede de recurso voluntário, cumpre analisar as questões prévias apresentadas pela recorrente em relação à nulidade da decisão de 1ª instância, por ausência de fundamentação quanto à alegada ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda cujo produto da arrecadação cabe ao Estado e por não enfrentar argumento relevante relativo “à quebra da capacidade contributiva” . Não é de se acolher a argüição de nulidade por ausência de fundamentação. A decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta. Além de ser pacífico o entendimento do C. STJ no sentido de que “o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes” (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 6 O mesmo raciocínio se aplica à alegação de não enfrentamento sobre o alegado desrespeito à capacidade contributiva, com a ressalva de se tratar de matéria de ordem constitucional, cujo pretensão para fins de afastar preceito legal expresso, ainda que a descontento deste julgador, é vedado pela lei processual administrativa (artigo 26A do Decreto n. 70.235/72). Rejeitadas as preliminares argüidas, passo ao mérito. Caso semelhante a este foi julgado por esta mesma C. 2ª Turma Especial, em recurso voluntário relatado pelo i. Conselheiro Sidney Ferro Barros (Processo n. 15521.000097/200561), naquela oportunidade envolvendo o abono variável dos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em situação fáticonormativa semelhante à ora em julgamento. Naquela ocasião, foi citado acórdão da lavra do Conselheiro Sandro Machado dos Reis (Processo n° 17883.000270/200548) no qual restou reconhecida a natureza indenizatória do abono variável, e por via de conseqüência, a intributabilidade de tais vencimentos, a seguir: "Como dito, a questão tratada nos presentes autos referese à atribuição dada pela Recorrente aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou nãotributáveis. Com efeito, as Leis n's 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei n° 10.477/02, aos membros do Ministério Público Federal. O Egrégio Supremo Tribunal Federal, através da Resolução n° 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual n° 4.433/2004, que concedeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal. Vejase, em acréscimo, que a lei estadual não cria novo abono, mas se utiliza do abono e da legislação federal para adotálo em relação aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Abono, aliás, cuja natureza indenizatória restou conferida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal.” Com efeito, a edição da lei complementar do Estado da Bahia n. 20/2003, reconhecendo a natureza indenizatória de tais valores, cumpriu exatamente o mesmo papel da lei fluminense, qual seja, o de reconhecer, na esfera estadual, a qualificação de rendimentos já reconhecido aos membros da Magistratura Federal, pela lei n. 10.474 e ao Ministério Público da União, pela simetria imposta pelo art. 2º da lei n. 10.477/2002. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos membros do Ministério Público do Estado da Bahia pela LC/2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPU, de inequívoca natureza indenizatória, nos exatos termos do Fl. 289DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10530.723608/200918 Acórdão n.º 2802000.903 S2TE02 Fl. 286 7 que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não constituindo riqueza nova, senão, mera recomposição de perdas ocasionadas por ajuste de conversão monetária. Exegese em sentido contrário, ou seja, pelo reconhecimento da natureza indenizatória apenas aos membros da Magistratura Federal e do MP da União, implicaria em criar dois pesos e duas medidas, apenas em virtude da origem do instrumento legislativo adotado para o reconhecimento da natureza indenizatória de tais valores Se emanado pelo Congresso Nacional, válido; se pelas respectivas Assembléias dos Estados, inapto a reconhecer juridicamente a natureza indenizatória da recomposição devida. Com a devida vênia de entendimentos contrários ao por mim adotado, reconhecer apenas à lei federal a aptidão em qualificar valores como sendo de natureza indenizatória e desconsiderar as respectivas leis estaduais que buscaram adequar sua legislação ao previsto no artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, equivale a “(...) instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente” (inciso II do artigo 150 da CF/88)”, em arrepio à própria redação do texto legal, que ao tratar do abono variável dos membros do Poder Judiciário, não faz ressalvas se membros dos quadros da magistratura federal ou estadual, aplicável por simetria ao Ministério Público, face ao disposto no § 4º do art. 129 da CF/88! E mais, a própria redação da EC 19, a que se refere o artigo 6º da lei n. 9.655/98, dispõe que os “(...) subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional.” Logo, não reconhecer a competência e validade da LC do Estado da Bahia n. 20, em estender o reconhecimento inequívoco de verba indenizatória, assim qualificada por Resolução do STF, e respectiva legislação federal, equivale a negarlhe aplicação, em atividade vedada pelo artigo 26A do Decreto n. 70.235/72. Quanto ao argumento de que imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, a qualificação de verba indenizatória por lei estadual não teria qualquer efeito tributário, é de se lembrar que a não tributação de verbas indenizatórias não é conseqüência de dispositivo isencional, a depender de expressa previsão na legislação do imposto. Tratase de valores fora do campo de incidência do imposto sobre a renda, justamente por não se enquadrarem em nenhum dos conceitos de renda ou de proventos de qualquer natureza (acréscimo patrimonial), a que se refere o artigo 43 e incisos do CTN. Tais verbas se enquadram no conceito adotado por José Souto Maior Borges de não incidência pura e simples, qual seja: "a que se refere a fatos inteiramente estranhos à regra jurídica de tributação, a circunstâncias que se colocam fora da competência do ente tributante" (Isenções tributárias. São Paulo: Sugestões Literárias, 1969. p. 154). Logo, desnecessário enunciado legal desonerativo expresso, tal qual como pretendido pelo decisão ora recorrida. Posto isso, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou integral provimento. Entretanto, se vencido quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão das multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte Fl. 290DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 8 pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). No mesmo sentido os seguintes acórdãos: 10616801, 10616360 e 196 00065, a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ante o exposto, se vencido pelos meus pares quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão da multa de ofício e aplicação apenas da multa moratória. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Carlos André Ribas de Mello redator designado. Conquanto valha o respeito ao judicioso voto do Eminente Conselheiro Relator, dele ouso divergir, no mérito, pelas seguintes razões. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10530.723608/200918 Acórdão n.º 2802000.903 S2TE02 Fl. 287 9 A controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais não são idênticos em seu teor. Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõe: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 10 “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10530.723608/200918 Acórdão n.º 2802000.903 S2TE02 Fl. 288 11 não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir somente a multa de ofício a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 10283.901885/2008-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.312
Decisão: RESOLUÇÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
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decisao_txt : RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJBELEM/PA (fl. 69 e seguintes), abaixo transcrito: Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 13/11/2004 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 01 88 5/ 20 08 -5 6 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901885/200856 Resolução nº 3801000.312 S3TE01 Fl. 112 2 crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 30/04/2004, com arrecadação em 14/05/2004, no valor originário de R$ 75.492,10. A Delegacia de origem, em análise datada de 18.07.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 01/08/2008, a interessada apresentou, em 07.08.2008, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/11): "A requerente declarou na DCTF 20 TRIMESTRE/2004 ter apagar (e pagouse) de COFINS no mês de abril o valor de R$ 75.492,10, conforme DARF em anexo. Posteriormente, constatouse que o valor real a ser pago era de R$ 32.462,92, ou seja, inferior ao valor informado na referida DCTF, gerando, portanto, um crédito de R$ 43.029,18" Entretanto, de forma equivocada não foi retificada a DCTF de origem dos créditos, o que gerou a vinculação do de um débito com valor equivalente ao DARF pago, a inconformidade dos créditos a serem utilizados para compensação e conseqüentemente a reprovação do PER/DCOMP." Juntando aos autos cópia de DCTF retificadora, entende a contribuinte que "se torna equivalente o débito compensado com o valor pago". Analisando o litígio, a DRJBELÉM/PA entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 68 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Às fls. 70 e seguintes consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente traz as seguintes alegações, em resumo: · Que, ao verificar o erro no preenchimento da DCTF, se prontificou a retificála e que, após a retificação, restou comprovado o seu direito creditório. · Que a fiscalização não lhe intimou, em nenhum momento, a apresentar documentação comprobatório do seu crédito. Por isso, Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901885/200856 Resolução nº 3801000.312 S3TE01 Fl. 113 3 junta ao Recurso Voluntário documentos que comprovam o crédito declarado na compensação; É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901885/200856 Resolução nº 3801000.312 S3TE01 Fl. 114 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Manaus, sob o argumento de que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (fl. 06). Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou a sua DCTF o que gerou, a princípio, crédito de pagamento indevido ou a maior, passível de ser utilizado para compensar débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Belém (PA) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901885/200856 Resolução nº 3801000.312 S3TE01 Fl. 115 5 Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... ....... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901885/200856 Resolução nº 3801000.312 S3TE01 Fl. 116 6 Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901885/200856 Resolução nº 3801000.312 S3TE01 Fl. 117 7 prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DCTF que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Manaus, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo oriundos de pagamento indevido ou a maior e, por isso, passíveis de serem compensados, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DCTF retificada, os livros com as apurações da Recorrente que não foram analisados pela fiscalização. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/ManausAM para: 1. Apurar se, após a retificação da DCTF da Recorrente, os créditos pagos indevidamente ou a maior passíveis de compensação; 2. Verificar se, uma vez existentes estes créditos, estes são suficientes para quitar o débito declarado na compensação apresentada pela Recorrente; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18184.000066/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2000
AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO INFORMAR, EM GFIP, RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS TIPIFICAÇÃO INCORRETA.
A autoridade lançadora não comprova, nos autos, que foram omitidos fatos geradores da contribuição previdenciária, pois não demonstra que as decisões judiciais nos autos dos processos trabalhistas reconhecem o pagamento de verbas remuneratórias.
A Emenda Constitucional nº 20/98, que acrescentou o § 3º ao artigo 114 da Constituição Federal, dispôs que compete à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. Tal disposição
encontra-se atualmente no inciso VIII do artigo 114, de acordo com as alterações efetuadas pela Emenda Constitucional nº 45/2004.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em anular a autuação por vício formal. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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FATOS GERADORES Recorrente VIAÇÃO SANTO AMARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2000 AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO INFORMAR, EM GFIP, RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS TIPIFICAÇÃO INCORRETA. A autoridade lançadora não comprova, nos autos, que foram omitidos fatos geradores da contribuição previdenciária, pois não demonstra que as decisões judiciais nos autos dos processos trabalhistas reconhecem o pagamento de verbas remuneratórias. A Emenda Constitucional nº 20/98, que acrescentou o § 3º ao artigo 114 da Constituição Federal, dispôs que compete à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. Tal disposição encontrase atualmente no inciso VIII do artigo 114, de acordo com as alterações efetuadas pela Emenda Constitucional nº 45/2004. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em anular a autuação por vício formal. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Damião Cordeiro De Moraes Redator designado. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 18184.000066/200739 Acórdão n.º 2301002.163 S2C3T1 Fl. 190 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/12/2004, por ter a empresa acima identificada deixado de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fl. 02), da análise da escrituração contábil da empresa, verificouse que em todos os meses, no período de 01/99 a 10/00, foram registrados pagamentos decorrentes de reclamatórias trabalhistas, o que constitui fato gerador da contribuição previdenciária, conforme constatado no exame de acordos homologados, mas que a empresa deixou de informar ao INSS, por intermédio de GFIP específica (código 650 ou 904), os valores de cada uma das reclamatórias trabalhistas. A recorrente impugnou o débito e o INSS, por intermédio da Decisão Notificação de nº 21.401.4/0292/2001 (fls. 27), julgou a autuação procedente, não conhecendo da impugnação por intempestividade. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 33), alegando, em síntese, o que se segue. Em relação à intempestividade, esclarece que a intimação de encerramento da ação fiscal e as autuações lavradas não foram entregues ao representante legal da Recorrente, mas sim, enviadas por correio para endereço que não é o da sede da empresa, e sido entregue a pessoa que não detém poderes de representação da Recorrente, na forma do que estabelece o Código de Processo Civil, artigo 223, § único. Entende que a intimação das autuações não se aperfeiçoou de forma válida e regular, dai porque, a defesa apresentada não pode ser tida como intempestiva sob pena de flagrante violação a dispositivos legais federais que regem o processo civil e por analogia aplicamse, à falta de regras especificas, ao processo administrativo. Sustenta que a pretensa sanção amparase no não recolhimento de contribuições previdenciárias que seriam devidas em função de reclamações trabalhistas, cujas decisões judiciais transitaram em julgado sem qualquer impugnação por parte da Procuradoria do INSS, sendo, portanto, imutáveis. Assevera que a fiscalização do INSS não tem competência para desconstituir decisão judicial transitada em julgado, não podendo, portanto, pretender que verbas indenizatórias, como as fixadas em sentença, transformemse em verbas remuneratórias, para, destarte arrecadar contribuições previdenciárias, como também não pode pretender que para essas verbas fossem emitidas guias de informação, posto que a Requerente não o fez exatamente porque a decisão judicial transitada em julgado assim não determinou.. Em contrarazões (fls. 47), o INSS reafirma o entendimento expresso na DN em relação à intempestividade, mantendo o AI em sua integralidade, e a 4a CAJ do CRPS, por Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 meio do Decisório 04/00200/2001, converteu o julgamento em diligência (fls. 55), para que fossem examinados os documentos apresentados nos autos que discute a NFLD 35.345.4206. Em atendimento ao solicitado pelo CRPS, a autoridade autuante emitiu a Informação Fiscal de fls. 68, retificando parcialmente o valor da multa aplicada, e o INSS, por meio do DespachoDecisório n° 21.004/9133/2003 (fls. 81), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou (fls. 150), alegando, em síntese, ilegalidade do auto de infração. Transcreve o artigo 32, IV, §§ 4o e 6o, da Lei 8.212/91, para tentar demonstrar que, muito embora a Lei tenha sido clara e precisa quanto a aplicação das penalidades, foi aplicada à recorrente ambas as penalidades trazidas pelos §§ 4o e 6o, o que configura bis in idem, sendo que, como o próprio auto de infração menciona, a recorrente apenas deixou de declarar ao INSS os valores que foram registrados no período de 01/99 a 10/00 decorrentes de reclamatórias trabalhistas. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 18184.000066/200739 Acórdão n.º 2301002.163 S2C3T1 Fl. 191 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Constatase, dos autos, que a empresa foi autuada por deixar de informar, por meio de GFIP, as reclamatórias trabalhistas registradas nos livros contábeis da empresa. O auditor autuante entendeu que a não entrega das GFIPs relativas às reclamatórias trabalhistas configura infração ao art. 32, IV, e enquadrou o auto no código de fundamento legal – CFL 67. Contudo, os normativos que tratam da matéria deixam claro que, estando o sujeito passivo obrigado a entregar mais de uma GFIP referente a uma mesma competência, a não apresentação de apenas uma, que, no caso presente, é a relativa às reclamatórias trabalhistas, será considerada, para fins de autuação, como omissão de fato gerador das contribuições previdenciária, ensejando a lavratura do AI no CFL 68. Constatase que a própria autoridade julgadora de primeira instância afirma, no item 1 da manifestação de fls 66, que a empresa foi autuada por não incluir na GFIP, no período de 01/1999 a 10/2000, os pagamentos decorrentes de reclamatórias trabalhistas, que constituem fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ademais, a autoridade lançadora não comprova, nos autos, que foram omitidos fatos geradores da contribuição previdenciária, pois não demonstra que as decisões judiciais nos autos dos processos trabalhistas reconhecem o pagamento de verbas remuneratórias. Em seu recurso, a autuada afirma que deixou de informar, em GFIP, as reclamatórias trabalhistas, tendo em vista que foram pagas somente verbas indenizatórias. Em informação fiscal (fls. 68), o agente lançador manteve o lançamento para alguns segurados empregados, e, consequentemente, a multa pela sua omissão em GFIP, ao argumento de que, em alguns acordos, não houve discriminação das verbas indenizatórias, o que contraria o parágrafo único do art. 43 da LEI 8.212/91 e o parágrafo 2 °. do art. 276 do Decreto 3048/99. Porém, a Emenda Constitucional nº 20/98 acrescentou o § 3º ao artigo 114 da Constituição Federal, dispondo que compete à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. Tal disposição encontrase atualmente no inciso VIII do artigo 114, de acordo com as alterações efetuadas pela Emenda Constitucional nº 45/2004. Portanto, desde a vigência da EC 20, não cabe mais à auditoria fiscal lançar valores decorrentes de ações trabalhista, ou mesmo questionar se uma verba constante do Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 acordo é indenizatória ou não, cabendo, sim, ao INSS, por intermédio de sua procuradoria, nos autos das ações trabalhistas, interpor recurso relativo às contribuições que lhe fossem devidas. Como é dever do AuditorFiscal comprovar a ocorrência da infração e a identidade da matéria fática com o tipo legal, entendo que deva ser declarada a nulidade do auto de infração, por vício formal. Nesse sentido, Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DECLARAR A NULIDADE do Auto de Infração. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora. Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Conforme consta das informações fiscais, tratase de auto de infração lavrado contra a empresa por descumprimento de obrigação acessória, qual seja por não incluir a empresa na GFIP, no período de 01/1999 a 10/2000, os pagamentos relativos a reclamatórias trabalhistas. Contudo, como admitido pela própria relatora, “a autoridade lançadora não comprova, nos autos, que foram omitidos fatos geradores da contribuição previdenciária, pois não demonstra que as decisões judiciais nos autos dos processos trabalhistas reconhecem o pagamento de verbas remuneratórias”. E no meu entender tal assertiva é causa para aniquilar completamente a autuação fiscal, pois não foi obedecida a regra contida no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que compete privativamente à autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, e se for caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Não fosse essa irregularidade, pesa ainda pesa contra o fisco o fato de o agente lançador ter deixado de observar a Emenda Constitucional nº 20/98, que acrescentou o § 3º ao artigo 114 da Constituição Federal, dispondo que compete à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. Tal disposição encontrase atualmente no inciso VIII do artigo 114, de acordo com as alterações efetuadas pela Emenda Constitucional nº 45/2004. Assim, se compete à justiça do trabalho executar de ofício as contribuições sociais previdenciárias objeto de demandas por ela julgadas não há como cobrar a empresa por obrigações decorrentes de ações trabalhistas, ou mesmo questionar se uma verba constante do acordo é indenizatória. É dizer: o cumprimento da obrigação acessória não é mais exigível do contribuinte, na forma determinada pelo fisco. Assim, meu voto, com a devida vênia da douta Conselheira relatora é pelo provimento do recurso voluntário do contribuinte. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 18184.000066/200739 Acórdão n.º 2301002.163 S2C3T1 Fl. 192 7 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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