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Numero do processo: 13746.720543/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
COMPENSAÇAO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES INFORMADAS NA DIRPF.
Apresentada documentação comprobatória das retenções de imposto de renda na fonte que motivaram a autuação por compensação indevida, resta a glosa insubsistente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES INFORMADAS NA DIRPF. Apresentada documentação comprobatória das retenções de imposto de renda na fonte que motivaram a autuação por compensação indevida, resta a glosa insubsistente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 72 05 43 /2 01 1- 36 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13746.720543/201136 Acórdão n.º 2402004.716 S2C4T2 Fl. 53 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.600,44, relativo ao anocalendário 2008. O lançamento decorreu da glosa de R$ 3.182,82 indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total informado como retido pela fonte pagadora em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). A contribuinte, em sede de impugnação, afirmou em síntese que os valores informados de retenção constam dos dois comprovantes de rendimentos fornecidos pela mesma fonte pagadora, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Caxias do Sul IPDMC, CNPJ nº 28.453.066/000156, acreditando não estar correta a informação prestada por essa prestada à Receita Federal do Brasil (RFB), pois houve omissão de algum valor. A primeira instância, ainda que salientando a existência de inconsistências nas informações prestadas pela fonte pagadora, manteve o lançamento, entendendo que caberia à contribuinte entrar em contato com a fonte pagadora para que esta providenciasse a retificação da Dirf ou dos comprovantes de rendimentos, ou mesmo comprovar suas alegações por outros meios, tais como comprovantes mensais de pagamento, etc. Irresignada, a notificada interpôs recurso voluntário em 17/4/2011, reiterando os argumentos da impugnação e trazendo comprovantes mensais de pagamentos atinentes aos período focado. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A contribuinte, com base nos dois "Comprovante de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" disponibilizados pela fonte pagadora (fls. 8/9), preencheu sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Exercício 2009 informando em duas linhas separadas o recebimento de rendimentos tributáveis do IPMDC, constando excluindo se o 13º salário em uma o montante de R$ 61.160,42, com retenção de imposto de renda na fonte de R$ 9.016,31, e na outra o valor de R$ 32.632,48, com a respectiva retenção de R$ 2.440,44 (fl. 11). Por sua vez, a referida pessoa jurídica informou em sua Dirf que a recorrente foi beneficiária de rendimentos tributáveis na quantia de R$ 56.260,44, com a correspondente retenção de imposto de renda no valor de R$ 8.273,93 (fl. 26) Quando da interposição do recurso voluntário, a contribuinte carreou aos autos dois conjuntos de documentos para fins de atestar as retenções efetuadas. Às fls. 39/41, temse a "Ficha Financeira Analítica Ano Referência 2008" emitida pelo Sistema para Controle de Funcionários Pensão" do IPMDC, em nome da recorrente ali identificada sob o nº de matrícula 3/047401, e na qual constam valores de proventos de pensão e das retenções de IRRF condizentes com os encontrados no "Comprovante de Rendimentos" de fl. 9. Já das folhas 42/48 estão os "Demonstrativos de Pagamento de Salário" relativos aos meses no Ano 2008, emitido pelo IPMDC para Eunice de Moura Marinho, aposentada sob o nº de matrícula 6987, trazendo montantes de proventos e de descontos de IRRF consistentes com o "Comprovante de Rendimentos" de fl. 8. Tendo em vista tais elementos de prova, resta claro que a contribuinte recebia do IPMDC proventos de aposentadoria acumulados com pensão, sendo emitidos comprovantes de rendimentos em separado para cada tipo de origem. Vejase que não há qualquer mácula evidente nos documentos apresentados, que foram disponibilizados pela fonte pagadora à contribuinte; e, de sua parte, a fiscalização não se manifestou em momento durante o procedimento no sentido de que não existiriam, efetivamente, registros dos recolhimentos em questão nos sistemas da RFB. Dessarte, concluise que a recorrente se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de prova que lhe cabia, comprovando as retenções realizadas sobre seus proventos, não podendo ser penalizada pelos eventuais equívocos cometidos pela fonte pagadora na prestação de informações à Fazenda Federal. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13746.720543/201136 Acórdão n.º 2402004.716 S2C4T2 Fl. 54 5 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 12719.000550/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem a fim de que seja saneada a falha no escaneamento de documentos do processo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente), Carlos Augusto Daniel Neto (vice-presidente), Jorge Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem a fim de que seja saneada a falha no escaneamento de documentos do processo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente), Carlos Augusto Daniel Neto (vicepresidente), Jorge Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. RELATÓRIO 1. Por retratar bem os fatos que permeiam o presente processo, adoto como meu parte do relatório esposado na Resolução nº 310100.71, in verbis: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 23 a 136 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fls. 23 a 102 1 R$ 75.837,95 (setenta e cinco mil, oitocentos e trinta e sete reais e noventa e cinco centavos) a título de Imposto de Importação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 19 .0 00 55 0/ 20 05 -3 4 Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3402000.745 S3C4T2 Fl. 3.496 2 2 R$ 56.878,46 (cinquenta e seis mil, oitocentos e setenta e oito reais e quarenta e seis reais) a título de Multa de Ofício de 75%. 3 R$ 145.611,05 (cento e quarenta e cinco mil, seiscentos e onze reais e cinco centavos) de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro – Mercadoria Classificada Incorretamente. fls. 103 a 135 4 R$ 4 9.662,48 (nove mil, seiscentos e sessenta e dois reais e quarenta e oito centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. 5 R$ 7.246,86 (sete mil, duzentos e quarenta e seis reais e oitenta e seis centavos) de Multa de ofício de 75%. Os juros de mora lançados foram calculados até 29/04/2005. A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 139 a 146, em síntese: A presente auditoria tem por escopo a verificação da correta classificação fiscal nas posições da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM 8541 e NCM 8542, abrangendo o período de janeiro de 2002 a fevereiro de 2003. Analisando as Declarações de Importação – DI (fls. 611 a 2936), documentações instrutivas que ampararam as importações do interessado e a legislação vigente, verificamos que foram editadas Resoluções da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX (fls. 3319 a 3346), aplicáveis às posições da NCM utilizadas pelo contribuinte para classificar as mercadorias importadas no referido período, que implicavam alteração da classificação fiscal utilizada bem como da alíquota aplicável. A interessada realizou importações, no período fiscalizado, de produtos, como, por exemplo, circuitos integrados, transistores e dispositivos semelhantes, classificáveis na posição NCM 8541 e 8542. Nas importações relativas ao ano calendário de 2002, as mercadorias foram enquadradas em classificações dos “Extarifários”, ou seja, nesta ocasião, o contribuinte considerou que a mercadoria importada estava enquadrada na descrição estabelecida para o “Ex”. Porém, nas importações relativas ao ano de 2003, estas mesmas mercadorias voltaram a receber o tratamento cabível pelo enquadramento na regra geral, ou seja, não foram mais enquadradas no “Ex”. Vale salientar que durante o período fiscalizado foram publicadas resoluções CAMEX, que estabeleceram alterações nas alíquotas das mercadorias importadas pela interessada. No curso do desembaraço aduaneiro, foram solicitados laudos técnicos para dirimir dúvidas quanto às características, especificidades e finalidade das mercadorias importadas, com a finalidade de verificar se o enquadramento da mercadoria na classificação fiscal da TEC utilizado pelo contribuinte estava correto. Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3402000.745 S3C4T2 Fl. 3.497 3 Analisando os referidos laudos, observamos que o contribuinte, em algumas importações, adotou a classificação fiscal indevida, uma vez que foi utilizada a classificação fiscal geral quando havia para essa mesma classificação um “Extarifário”, cuja descrição coincidia com a estabelecida no laudo técnico para esta mercadoria. Todas as DI’s analisadas que apresentaram divergência ou erro de classificação fiscal estão relacionadas na Tabela de Divergência de Classificação Fiscal (fls. 147 a 155). Os autos de infração contêm 03 (três) diferentes infrações: Mercadoria não enquadrada em “Ex” (fls. 86), onde o contribuinte não enquadrou as mercadorias na classificação fiscal da posição NCM “Ex” e sim na classificação geral e está sendo cobrada a diferença de II. Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (fls. 90), onde estão relacionadas todas DI’s onde houve classificação fiscal incorreta e está sendo cobrada a multa sobre o valor aduaneiro. Reconstituição da base de cálculo do IPI, tendo em vista a alteração do valor do II (fls. 131). Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3378 a 3388, acompanhada dos documentos de fls. 3389 a 3473, alegando, em síntese: Descreve os procedimentos da fiscalização. Que a Intelbras impugnará cada uma das infrações mencionadas pelos auditores. Mercadoria não enquadrada em “ex”: Entendem os auditores, que a Intelbras deixou de enquadrar mercadorias no código NCM “Ex”, enquadrandoas na classificação geral, contudo, conforme pode ser constatado nos comentários à Tabela de Divergência de Classificação Fiscal, em anexo, na maioria dos casos a Intelbras enquadrou suas mercadorias na NCM correta, sendo que se a enquadrasse no “Ex” estaria fugindo da real descrição da mercadoria. Exemplificando, a DI nº 02/02969791, adição 006, foi classificada pela Intelbras na NCM 8542.29.21, contudo a receita entende que a classificação correta seria incluíla no “Ex” 026, porém, conforme poderá ser observado no comentário em anexo, a Intelbras não procedeu desta maneira tendo em vista que “o Ex 026 em questão encontravase na época na parte de circuitos digitais, não se enquadrando com o item em questão”. Em algumas importações a Intelbras não enquadrou a mercadoria no “Ex” tendo em vista a burocracia que envolvia o procedimento para que o “Ex” fosse utilizado (licença prévia de importação centralizado no Decex do Rio de Janeiro – prazo de 30 dias para concessão), ademais, tal decisão foi tomada em face da não obrigatoriedade ao uso Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3402000.745 S3C4T2 Fl. 3.498 4 do “Ex”, que se trata, no caso da Intelbras, de um benefício para redução da alíquota do Imposto de Importação. Que o intuito do “Extarifário” é conceder um benefício de redução da alíquota do Imposto de Importação, pelo que poderia ou não a empresa utilizálo, sendo que em alguns casos, em face da necessidade urgente da importação da mercadoria, era mais vantajoso para a empresa abrir mão do “Ex” e pagar o Imposto de Importação a maior do que ter que esperar a Licença prévia da importação. Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul: A Intelbras entende que não houve incorreção na classificação das mercadorias que importou, sendo que, de forma a comprovar que as mercadorias estavam corretamente classificadas, segue em anexo Relatório (fls. 3411/3473) com os comentários à Tabela de Divergência de Classificação Fiscal, com a mesma ordem de itens da tabela de fls. 147 a 155 apresentada pelos auditores. Que em alguns itens a Intelbras concorda que houve erro na classificação e concorda com a classificação apresentada pela receita. Estes itens constam destacados no Relatório em anexo. Que os laudos técnicos solicitados no curso do desembaraço aduaneiro, em algumas situações, não se prestam a atender o fim ao qual foram solicitados, eis que quesitos constantes da solicitação de laudo técnico de mercadoria eram tendenciosos a levar o perito a responder de forma diversa a que efetivamente seria correta. Exemplificando, o fiscal ao solicitar o laudo de fls. 196/199 apresentou alguns itens e solicitou ao perito que identificasse a mercadoria (LM1458MX) a um dos itens anunciados. O Sr. Perito relacionou a mercadoria ao item 12, que se referia ao “Ex” 023, contudo dentre os itens relacionados não existia nenhum que relacionava o produto ao “Ex” 014, que seria o correto. Assim, o Perito relacionou a mercadoria ao item 12, que dentre os enunciados era o que mais condizia com a mercadoria, situação esta que seria totalmente diferente se o fiscal ao solicitar o laudo tivesse enunciado dentre os itens, um que tivesse relação ao “Ex” 014, que foi utilizado pela Intelbras e era o correto. Requer seja realizada perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, indicando como seu perito o Sr. Louis Pierre Hubert. Reconstituição da base de cálculo do IPI: Que não há que se falar em reconstituição da base de cálculo do IPI, eis que conforme demonstrado a classificação fiscal utilizada pela Intelbras era a correta. Assim, inexistindo erro de classificação, não há diferença de imposto de importação pelo que se afasta totalmente a reconstituição da base de cálculo do IPI. Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3402000.745 S3C4T2 Fl. 3.499 5 Conforme as razões sobejamente demonstradas, o indigitado auto de infração merece reforma integral, de modo que seja adaptado às verdadeiras circunstâncias ora apontadas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FLORIANÓPOLIS/SC julgou o lançamento procedente em parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde requer a reforma da decisão a quo. Subiram então os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora do domicílio da recorrente providenciasse o seguinte: 1) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau, separar a parte relativa às mercadorias que o contribuinte não impugnou, levando em consideração para tanto o documento intitulado Comentário Intelbrás tabela de divergência NCM, fls. 3.411 a 3.473, em confronto com a Tabela de divergência de classificação fiscal, fls. 147 a 155, e promover a cobrança, em autos apartados a este, consignando o procedimento de transferência dos créditos tributários nestes autos; 2) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau e impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias em que a infração apontada é o simples não enquadramento em ex tarifário, elaborar um quadro com as respectivas alíquotas, e apontar se há algum extarifário cuja alíquota é superior à alíquota geral; 3) do crédito tributário mantido pela decisão de primeiro grau e impugnado, fls. 3.411 a 3.473, separar a parte relativa às mercadorias em que há divergência entre os códigos NCM ou entre os extarifários adotados pela recorrente e pelo Fisco (sem levar em conta o simples não enquadramento em extarifário) e há alegação de tendenciosidade na elaboração dos quesitos por parte do Fisco, para que seja feita nova perícia, dessa feita promovida com quesitos também por parte da recorrente, nos moldes preconizados pelos §§ 1º e 2º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, sendo carreados aos autos os laudos dos peritos da União e da recorrente (vide qualificação à fl. 3.534); 4) intimar novamente a recorrente, depois de efetivados todos os itens supra, para, se quiser, manifestarse, no prazo de 30 dias, no sentido de homenagear os princípios do contraditório e da ampla defesa. Após atendimento da providência de nº 1, fl. 3563, e de nº 2, fls. 3564 e seguintes; foi considerada prejudicada a providência de nº 3; sendo totalmente desconsiderada a providência de nº 4, que é justamente a oportunidade da recorrente manifestarse acerca da diligência empreendida. 2. Diante deste quadro, os autos foram remetidos para este Tribunal para fins de julgamento. Por sua vez, em sessão realizada em 25 (vinte e cinco) de fevereiro de 2014 , a Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12719.000550/200534 Resolução nº 3402000.745 S3C4T2 Fl. 3.500 6 então Turma julgadora determinou a realização de nova diligência, uma vez que o contribuinte não foi intimado para se manifestar a respeito da diligência outrora efetivada. 3. Nesse sentido, os autos foram novamente devolvidos à instância preparadora, que só então realizou a intimação do contribuinte, ora Recorrente, o qual se manifestou acerca da primeira diligência em 08 (oito) de julho de 2015. Referida manifestação foi protocolizada fisicamente, conforme se constata dos autos. 4. Ato contínuo, o processo foi novamente remetido ao presente Tribunal Administrativo para fins de julgamento. 5. É o relatório. VOTO 6. Ao verificar a manifestação do contribuinte a respeito da diligência constatada nos autos é possível observar que seu protocolo foi feito de forma física, junto a um dos postos de atendimento da Receita Federal do Brasil. Ato contínuo, referida manifestação foi digitalizada pela instância preparadora e vinculada digitalmente ao presente processo eletrônico. 7. Ocorre que, ao se analisar referida manifestação, constatase que duas das cinco páginas de petição apresentada pelo contribuinte estão em branco. Estamos tratando, de forma mais específica, das páginas 02 (dois) e 05 (cinco) do aludido petitório. 8. O defeito na digitalização do referido documento prejudica, de forma imediata, o devido conhecimento do seu teor e, de forma reflexa, o conhecimento do próprio caso como um todo. 9. Assim, para que esta instância julgadora possa tomar efetivo conhecimento daquela manifestação e, por conseguinte, do caso em sua inteireza, bem como para evitar um futura discussão a respeito de uma eventual ofensa ao contraditório e a ampla defesa, determino que o presente processo seja novamente baixado em diligência para que a instância preparadora digitalize e vincule nos autos a íntegra da manifestação do contribuinte, ora Recorrente, a respeito da diligência então realizada. 10. Se necessário, determino ainda que a instância julgadora intime o contribuinte para que apresente uma cópia da citada petição e, na eventualidade deste documento não mais existir, que seja reaberto prazo de 30 (trinta) dias para que o Recorrente novamente se manifeste a respeito a diligência perpetrada nos autos. 11. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10680.912906/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
Ementa:
CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3302-003.029
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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MBR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 29 06 /2 00 8- 86 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912906/200886 Acórdão n.º 3302003.029 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao terceiro trimestre de 2003, com fulcro no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, cumulado com declarações de compensação, efetuado pelo estabelecimento de CNPJ 33.417.445/002689. A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos extemporâneos de IPI, escriturados em setembro de 2003, lastreados em notas fiscais de crédito emitidas extemporaneamente em 26/09/2003, relativos a entradas realizadas entre julho/1993 a 2002, em razão de a recorrente fabricar produtos classificados no código 2601.11.00 da TIPI enquadrados como NT (Não Tributado), não sendo, pois, considerada estabelecimento industrial para fins de IPI. Adicionalmente, para os insumos adquiridos a partir de 1993 a 31/12/1998, mesmo que se considerasse o direito ao ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, tal benefício comportaria apenas as entradas após 1º/01/1999. Glosou, ainda, a correção monetária efetuada pela recorrente sobre os valores originais de IPI lançados nas notas fiscais de entrada, bem como insumos que não tiveram contato direito com o produto em fabricação, conforme preconizado pelo Parecer Normativo nº 65/1979. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: 1. Que o princípio da nãocumulatividade do IPI é norma constitucional e não autoriza a vedação ao creditamento de IPI na saída de produtos isentos ou não tributados, mediante legislação infraconstitucional; 2. Que sua atividade é de industrialização por beneficiamento de minério de ferro, de acordo com o inciso II do artigo 4º do RIPI/2002 e que seu estabelecimento não poderia ser classificado como não industrial; 3. Que o artigo 7º da Lei nº 4.502/64 dispôs que o produto de origem mineral é isento de IPI e, portanto, pode manter o crédito de IPI; 4. Que o artigo 13 da Lei nº 9.493/97 não pode definir a condição de contribuinte, uma vez que tal matéria é reservada à lei complementar; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912906/200886 Acórdão n.º 3302003.029 S3C3T2 Fl. 4 3 5. Que exportava mais de 80% de sua produção e, portanto, fazia jus ao crédito em razão do disposto no artigo 5º do Decretolei nº 491/1969; 6. Que a Lei nº 9.779/1999 autoriza o creditamento de IPI vinculado às saídas de produtos imunes; 7. A necessidade de atualização monetária do saldo credor de IPI, por tal crédito não ser escritural e que o pedido de ressarcimento se equivale a pedido de restituição; 8. A inexistência de prescrição ou decadência do direito ao ressarcimento dos créditos relativos às entradas ocorridas entre o terceiro trimestre de 1993 a 2002, por ausência de previsão legal, ou alternativamente, a consideração do prazo de 10 anos pela conjugação dos artigos 150, §4º e 168, inciso I do CTN; 9. Que a glosa da autoridade fiscal relativa ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não contém elementos suficientes, impedindo o exercício do contraditório e da ampla defesa; 10. A homologação das compensações em decorrência das razões já aduzidas. Relativamente às declarações de compensação, a recorrente apresentou renúncia à compensação e incluiu os débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, mantendose a discussão apenas em relação ao pedido de ressarcimento. A Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0941.268, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos a que a pessoa jurídica dá saída estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). IN SRF nº 33/99. Art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. IMUNIDADE. ALCANCE A imunidade prevista no art. 4º da Instrução Normativa nº 33/99, bem como o benefício instituído pelo art. 5º do Decreto nº 491, de 1969, regulam apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, §3º, do art.153 da Constituição Federal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912906/200886 Acórdão n.º 3302003.029 S3C3T2 Fl. 5 4 Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. DENEGAÇÃO. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais ou saldos credores trimestrais de IPI. Petição a que se nega. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Perícia ou diligência só se promovem para solucionar dúvidas com relação ao levantamento fiscal e sobre assuntos coerentes com a legislação tributária. Proposições dos contribuintes que de plano são afastadas em face da legislação tributária não as justificam. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações já aduzidas na manifestação de inconformidade, exceto as concernentes à inexistência de prescrição ou decadência do direito ao ressarcimento dos créditos e ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A questão central da lide referese à possibilidade de creditamento de IPI nas entradas de insumos vinculados a saídas de produtos classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI como NT (não tributados). A recorrente fundamentou o direito ao referido creditamento no princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º inciso II da Constituição Federal e no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999. De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer das alegações de ofensa ao princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI e à Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912906/200886 Acórdão n.º 3302003.029 S3C3T2 Fl. 6 5 reserva material à lei complementar, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A1 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, destacase que a classificação dos produtos no código 2601.11.00 não foi contestada, de modo que é ponto incontroverso. A respeito transcrevese a descrição do código na TIPI: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 26.01 MINÉRIOS DE FERRO E SEUS CONCENTRADOS, INCLUÍDAS AS PIRITAS DE FERRO USTULADAS (CINZAS DE PIRITAS) 2601.1 Minérios de ferro e seus concentrados, exceto as piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) 2601.11.00 Não aglomerados NT 2601.12.00 Aglomerados NT 2601.20.00 Piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) NT Assim, nos termos do parágrafo único do artigo 2º dos Decretos nº 2.637/1998 (RIPI/98) e nº 4.544/2002 (RIPI/2002) 2, os produtos com notação "NT" estão fora do campo de incidência do IPI, ainda que, sujeitos aos processos de industrialização descritos no artigo 4º dos referidos decretos. Por outro lado, o artigo 3º da Lei nº 4.502/64, matriz legal do artigo 8º3 dos decretos, dispõe que estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto, o que afasta da definição o estabelecimento recorrente. De fato, o crédito básico decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem somente é possível aos estabelecimentos industriais ou equiparados, conforme preconizam os artigos 164 e 190 do Decreto nº 4.544/2002, correspondentes aos artigos 147 e 171 do Decreto nº 2.637/98: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) 2 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). 3 Lei nº 4.502/64 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Decreto nº 2.637/98 e nº 4.544/2002 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912906/200886 Acórdão n.º 3302003.029 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . Defluise que a recorrente não se sujeita à incidência do IPI, e, portanto, não apura créditos vinculados à fabricação de produtos NT, ainda que exportados, e, consequentemente, não se enquadra na faculdade do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912906/200886 Acórdão n.º 3302003.029 S3C3T2 Fl. 8 7 Impende esclarecer que esta matéria está pacificada no âmbito do CARF, a teor da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, cujo enunciado transcrevese: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Transcrevese voto do Acórdão nº 20400.488, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, utilizado como um dos paradigmas para elaboração do enunciado da referida súmula: “Sem reparos a decisão vergastada. A questão é simples e decorre de expressa disposição legal. Primeiro, gizo que não há controvérsia quanto ao fato de que os produtos a que a empresa dá saída, frutas em geral, são classificadas como NT na TIPI. Com base nas transcrições do RIPI/98 feitas na r. decisão, resta evidenciado que a legislação do IPI exclui do campo de incidência deste imposto os produtos classificados como NT. Em conseqüência, mesmo que sobre estes produtos seja executada alguma operação que possa ser considerada como industrialização, no caso o alegado beneficiamento, resta não atendido o pressuposto para tal que é o fato de o produto estar dentro do campo de incidência do IPI, eis que os produtos classificados como NT estão fora deste, como expresso no artigo 13 da Lei n° 9.493/97, norma reproduzida à fl. 55, no Parecer SORAT da DRF em Petrolina PE. Portanto, se tais produtos estão fora do campo de incidência do IPI, mesmo que haja beneficiamento das frutas, como parece ser o caso, em relação a esta operação o estabelecimento beneficiador não é industrial, desta forma não havendo direito a qualquer crédito na sua entrada, até porque não há destaque algum de IPI nessas operações e não há decisão alguma do STF que respalde creditamento de IPI de produtos NT, pelo que não há incidência da norma estatuída do artigo 11 da Lei n° 9.779, já que lhe falece legitimidade para creditarse dos valores de IPI, se créditos houvesse.” Portanto, desnecessário o debate sobre os demais argumentos deduzidos concernentes ao direito ao creditamento IPI em relação às aquisições de insumos utilizados em produtos com notação NT, bem como resta prejudicada a matéria relativa à atualização monetária pleiteada. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.912906/200886 Acórdão n.º 3302003.029 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10830.917857/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 57 /2 01 1- 11 Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.722, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 77/83 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 08919.23930.100506.1.2.047234, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917857/201111 Acórdão n.º 3402002.746 S3C4T2 Fl. 2.995 3 contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 04/12/2013 (fl. 86). Inconformada, a mesma apresentou, em 18/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 88/108), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRF de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.195 (fls. 155/157),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.195 (fls. 155/157), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917857/201111 Acórdão n.º 3402002.746 S3C4T2 Fl. 2.996 5 ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.939/2.940 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 08919.23930.100506.1.2.047234, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 115.019,17 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 12/2002, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 13.440.693,88, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 6.673.353,42, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 6.713.557,88 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 6.713.557,88. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 116.632,65. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Em sua manifestação (fls. 2.945/2.948), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.947: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 115.019,17, referente a parcela de crédito da COFINS, solicitado neste processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10111.000018/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2006
LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO.
O produto Levofloxacino, em consonância com a orientação emanada da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição.
Numero da decisão: 3201-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto Levofloxacino, em consonância com a orientação emanada da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, relacionado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, é beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 00 18 /2 00 7- 92 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para cobrança de PIS e COFINS, incidentes sobre a importação, e consectários legais. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 74.212,08 (setenta e quatro mil, duzentos e doze reais e oito centavos). Informa o relatório fiscal, fls. 04/06, que o importador, por meio da declaração de importação de número 06/13184739, de 31/10/2006, procedeu a importação do produto identificado como Levofloxacino Hemiidratado, requerendo a redução a zero das alíquotas de PIS/PASEP Importação e Cofins Importação, com base no art. 1o , inciso I, do Decreto 5.821, de 28 de junho de 2006. Prossegue o relatório fiscal, com o entendimento de que a hidratação do produto é um fator considerado pelo Decreto, vez que em seu Anexo I detalha, para outras substâncias, como a Cefalexina, aquelas para as quais a redução também deveria ser aplicada à sua forma hidratada, o que não o fez no caso do Levofloxacino. Para salientar o exposto, anexou Relatório Técnico emitido pelo Sr. Railson Oliveira Motta, perito químico regularmente credenciado pela Secretaria da Receita Federal, fl. 26, que conclui que os dois produtos são distintos, uma vez que apresentam CÃS (número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society), fórmula geral, peso molecular e ponto de fusão diferentes. Conclui considerando que se o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio ao Levofloxacino, o teria relacionado expressamente no Anexo I do Decreto 5.821/2006, como o fez com os demais produtos em que a forma hidratada recebeu o direito ao beneficio. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Acórdão n.º 3201001.991 S3C2T1 Fl. 94 3 Da impugnação Cientificado do Auto de Infração em 15/01/2007, o interessado interpôs impugnação em 24/01/2007, na qual alega que: o produto importado, licenciado e despachado é o Levofloxacino, de n° CAS 100986.85.4 exatamente como descrito no Relatório Técnico e de denominação levofloxacino hemiidratado. o produto constante do n° 1311 do Anexo I do Decreto n° 5821/06 é o Levofloxacino que foi submetido ao despacho. não é possível que o Decreto 5.821/06 que contemplou com zero as importações de produtos químicos classificados no capitulo 29 da NCM e constantes no Anexo I venha a conflitar com a IN 657/06 que a Secretaria da Receita Federal fez publicar para estabelecer medidas de controle à importação e comércio de produtos submetidos a NVE – Nomenclatura de Valor Aduaneiro. em resumo, o produto LEVOFLOXACINO de qualidade e pureza farmacêutica, identificado pelo registro CAS 100986.85.4, de denominação comercial "Levofloxacino hemiidratado", assim confirmado pelo Sr. Técnico certificante como produto técnico/comercial levofloxacino hemiidratado CAS 100986.85.4 e conforme constante do NVE 0006 — 100986.85.4 — Levofloxacino, é o mesmo Levofloxacino do n° 1311, para redução a ZERO das contribuições para Pis/Cofins, de que trata o Anexo I do Decr. n° 5821/06. Por fim, requer que seja reconhecida a insubsistência da autuação. Do Despacho DRJ/Fortaleza n° 08/2012 Da análise dos autos, observouse que o signatário da peça de impugnação, fls. 28/30, não estava identificado como representante legal do sujeito passivo para os fins pretendidos, já que o instrumento procuratório de fl.42 atribuía poderes específicos, ao signatário da petição, no intuito de representar a autuada perante a Alfândega no Aeroporto Internacional de Brasília – Distrito Federal – e em todas as Unidades Aduaneiras da Secretaria da Receita Federal na 1a Região Fiscal , no entanto, entre os poderes outorgados não se incluía a representação da autuada como impugnante em processos administrativos fiscais. Tal constatação deu ensejo ao Despacho n° 08/2012, exarado por esta 5a turma da DRJ/Fortaleza, fls.48/50, através do qual solicitouse intimação ao contribuinte com o intuito de apresentar documentos que saneassem a irregularidade de representação. Assim, após ciência em 12/12/2012, foram apresentados os documentos das folhas 52/53, em resposta ao mencionado Fl. 206DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 despacho, com a indicação de poderes ao signatário da impugnação original para representar o sujeito passivo nas atividades constantes do Decreto 70.235/72. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 31/10/2006 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. O produto Levofloxacino Hemiidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que o Anexo I do Decreto 5.821/2006 traz a relação de substâncias que mereceram a concessão de redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep Importação e Cofins Importação, dentre as quais, não se encontra, o produto químico importado, na sua forma hidratada, as teria apresentado no Anexo I do Decreto, de maneira que este não está alcançado pela alíquota 0% das contribuições, cujas hipótese devem ser interpretadas literalmente, por se tratar de benefício fiscal. Em sede de recurso voluntário, alegouse que: i. deve ser admitida a prova emprestada da matériaprima CEFADROXIL MONOHIDRATADO, elaborada pela Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos – Campinas, cujo entendimento é no sentido de que devem se beneficiar da redução de alíquota de COFINSImportação e de PIS/PASEPImportação, as formas hidratadas do produto químico; ii.a perícia se faz necessária, para a discussão do alcance do registro no CAS (registro único no banco de dados do Chemical Abstract Service), do LEVOFLOXACINO e do LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO, o que requer em seu pedido; iii. afirma que o LEVOFLOXACINO é gênero que comporta as espécies LEVOFLOXACINO ANIDRO e LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Acórdão n.º 3201001.991 S3C2T1 Fl. 95 5 iv. ao se referir ao LEVOFLOXACINO, constante no Anexo I constante no Decreto n° 6.426/2006, o legislador contemplou todas as espécies do gênero, mesmo sem especificar o registro do CÃS; v. não é dado a autoridade fiscalizadora, o poder alterar os conceitos de outros ramos da ciência, em especial, termos técnicos das Ciências Farmacêuticas, nos termsdo art.110 do CTN; vi. não houve dolo ou simulação, a deliberada prática de infração fiscal, devendo ser anulado o auto de infração, quando menos de relevação da aplicação de penalidade; vii. não tendo cometido qualquer infração subjetiva e tendo o procedimento de interpretação, substrato em norma interna da própria administração tributária na NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística, não se admite a manutenção da presente autuação. Ainda, posteriormente, foi juntado laudo técnico do Professor Ricardo Isidoro da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 17/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual a fiscalização manifestouse nos seguintes termos: Tendo em vista a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, por meio da Resolução nº 3201000.516 ( fls.93 a 97), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora e considerando o disposto nas Soluções de Consulta SRRF08/DISIT nº 75/2015 e 8.052/2015, informamos que esta fiscalização mantém o entendimento exarado no Auto de Infração objeto do presente processo, uma vez que as supracitadas Soluções de Consulta se referem exclusivamente aos produtos Cefadroxila e Cefaclor Monoidratado, respectivamente. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO, identificandoo como “LEVOFLOXACINO” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 1311 LEVOFLOXACINO Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão hemiidratada de do LEVOFLOXACINO, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das Fl. 209DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Acórdão n.º 3201001.991 S3C2T1 Fl. 96 7 contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que “LEVOFLOXACINO” seria o gênero, de sorte que o decreto contemplaria todas as espécies da substância. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Na mesma coluna, estão os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. Assim se estrutura o CAS: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 Esse código é um número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. De acordo com perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília (efls26), os produtos “LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO” e “LEVOFLOXACINO”, são produtos químicos distintos, possuindo CAS distintos, como se depreende: Contratado: Railson O. Motta Inspetor Titulo do estudo: Confirmação de semelhança das substâncias levofloxacino e levofloxaxino hemihidratado. Análise Foi verificado que o produto técnico/ comercial, levofloxacino hemihidratado CAS 100986854 apresenta fórmula geral C1eF120FN304.1/2H20, peso molecular 370, ponto de fusão 218°C, enquanto o levofloxacino CAS 100986898 apresenta fórmula geral C13H19F2N04, peso molecular 281, ponto de fusão >280°C. Com efeito, as substâncias não podem ser consideradas iguais pois, a despeito de suas propriedades clinicas, apresentam diferenças físicas e na composição química. Relevante observar que nenhum outro laudo técnico foi produzido, nem requerido em sede de impugnação. Não obstante, está correta a decisão recorrida quando afirma que despicienda seria a realização de perícia técnica, uma vez que não se discute nos autos a correta identificação do produto em questão, pois mesmo a Recorrente afirma que importou o “LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO”, que, ao seu ver, deve ser considerado espécie do gênero contemplado com o benefício fiscal, com fundamento no art.110 e 111 do Código Tributário Nacional. Ao se analisar o Anexo I, do Decreto nº 5.821 de 29/06/06, verificase que se fez a distinção entre as formas hidratadas e anidras de alguns dos produtos lá contemplados, como se verifica das seguintes substâncias: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA 1225 IMIPENEM 1226 IMIPENEM MONOIDRATADO Aliandose essa informação com o fato de que o LEVOFLOXACINO é identificado na classificação farmacológica, em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderia se inferir que o legislador não estendeu o benefício fiscal para o LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO. O fato de a NVE consignar como “LEVOFLOXACINO HEMIIDRATADO a sua versão hidratada, utilizandose do código CAS respectivo, não é suficiente para se constituir uma exegese segundo a qual as normas jurídicas tributárias não distinguiriam o Fl. 211DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.000018/200792 Acórdão n.º 3201001.991 S3C2T1 Fl. 97 9 regime jurídico para as diversas formas de apresentação da substância. Isto porque, as NVEs prestamse ao controle estatístico do comércio exterior, não se revestindo do mesmo rigor ao qual devem ser submetidas as normas jurídicas que concedem benefícios fiscais. Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015, que trata, especificamente, da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cafadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não Fl. 212DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, e que , a rigor, não se trata do mesmo produto, trata a Solução de Consulta n. 75, de importante orientação da Administração para uma questão extremamente tormentosa. Por essa razão, entendese que se estende para a questão posta nos autos. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 13811.002158/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA.
Efetiva-se a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico - DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção.
Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz - OAB 257324 - SP
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. Efetiva-se a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico - DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção. Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz - OAB 257324 - SP RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. Efetivase a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção. Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz OAB 257324 SP RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 21 58 /2 00 5- 34 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA, com CNPJ 61.156.501/000156, em face do Acórdão nº. 39.438, de 31/05/2012, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1, que, à unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Tendo em vista a minudência da situação fática retratada, adoto o relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de Declaração(ões) de Compensação relativas a alegado crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente ao 3º trimestre de 2004. Autos em apenso. Pelo Despacho Decisório de fls. 257/275 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“mercado interno”; fl. 275), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite do crédito deferido. A Autoridade Fiscal responsável pelos trabalhos de auditoria levados a efeito descreve os procedimentos adotados e os exames efetuados, os quais resultaram tanto em aceitação como em rejeição de valores, esta última concretizada por via da glosa de importâncias referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, mão deobra temporária, serviços de movimentação portuária e fretes sobre aquisições de insumos (notar quadro de glosas em fl. 262, item “9.5”). Externa a Fiscalização, em síntese, entendimento no sentido: de que o serviço de laboratório, conforme Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não pode ser considerado como aplicado ou consumido diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que os serviços profissionais, conforme análise da documentação apresentada para comproválos, referemse a limpeza, conservação, manutenção, locação de mãodeobra e remuneração de serviços, que estão sujeitos à retenção pelo tomador do serviço e, portanto, não são passíveis de crédito, também sendo considerados pela Contribuinte gastos com funcionários, tais como bolsa estágio, C.I.E.E., vistorias e transportes, entre outros, que pela Solução de Divergência 15/2008 não se enquadram no conceito de insumo; de que, com relação a fretes sobre insumos, houve a constatação de créditos calculados sobre fretes relativos a aquisições tributadas a alíquota zero, portanto em desacordo com o art. 3º, Fl. 810DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302002.923 S3C3T2 Fl. 809 3 § 2º, inciso II, da Lei 10.833/2003, e além disso alguns lançamentos na conta contábil 3061 se referiam a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens; de que a movimentação portuária referese a serviços de descarga de insumos prestados pelo porto, não havendo no art. 3º da Lei 10.833/2003 previsão de crédito para a espécie, que não se caracteriza como insumo, conforme art. 8º, inciso I, alínea b, e § 4º, I, da IN SRF 404/2004; de que as importâncias relativas a movimentação interna referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de movimentação de materiais no interior da indústria, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que as importâncias relativas a mãodeobra temporária referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de locação de mãodeobra, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; Também cita as despesas que foram aceitas por encontrálos condizentes ou sem divergências. Reconhece que as devoluções de venda de mercadoria tributada originalmente pela saída mediante a alíquota de 7,6% relativamente à Cofins e 1,65% relativamente ao PIS dão azo a creditamento, mas observa que este deve ser tratado a parte, sem o concurso de rateio proporcional, dada a relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento, em mesmo montante e tipo de crédito, no caso de eventual devolução. Contra o Despacho Decisório foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 278/307) onde se alega, em síntese, no sentido: de que, embora o procedimento fiscal tenha sido efetuado dentro do prazo legal previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, a glosa pretendida não pode produzir efeitos posto que fulminada pela decadência do direito de lançar previsto no Código Tributário Nacional; de que a glosa de créditos promove o carregamento para o futuro de valores já utilizados na compensação de tributos devidos, com a subversão da finalidade do procedimento de homologação e indireta alteração do prazo decadencial, em evidente prejuízo da legalidade; de que o procedimento é igualmente nulo porquanto a Autoridade Fiscal procedeu a diversos ajustes no valor das receitas auferidas com reflexo na base de cálculo das contribuições devidas a cada mês e não Fl. 811DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 indicou a razão dos ajustes e nem a base legal respectiva (menciona, a título de exemplo, o item 8 do Relatório fiscal); de que a glosa dos créditos levada a efeito no presente procedimento administrativo é indevida, porque já fora considerada no Processo 13811.002244/200547, onde foram glosados os alegados créditos que aponta em fl. 283; de que houve a glosa de valores referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, serviços de movimentação portuária, mãodeobra temporária e fretes sobre aquisições de insumos, basicamente pelo entendimento de que não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de fertilizantes, não se admitindo, por essa razão, a apuração de créditos relativamente a tais despesas, mas que tal interpretação não está em estrita consonância com a lei tributária, sendo que o direito ao crédito surge da utilização de um insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados a venda; de que, para Marco Aurélio Greco, a acepção do termo “insumo” deve estar vinculada necessariamente ao contexto da exação exigida, devendo, no caso da Cofins, estar atrelada ao aferimento de “receita”; de que a lei requer tão somente, para o deferimento do direito ao crédito, que os insumos sejam apenas utilizados na fabricação ou produção de produtos; de que a Autoridade Fiscal procedeu à glosa de créditos decorrentes de serviços laboratoriais, valendose de Solução de Consulta isolada sem caráter vinculativo; de que os serviços de análise de laboratório consistem em serviços para auditoria do Ministério da Agricultura, análise laboratorial na fabricação e serviços referentes a controle de qualidade; de que a ausência de análise laboratorial impossibilita a identificação da qualidade e especificação técnica de produto que a empresa se propõe a vender, e, deste modo, verificase que tais gastos dizem respeito a insumos utilizados no processo fabril como itens imprescindíveis para o regular funcionamento da Empresa e para a geração das receitas tributáveis; de que, quanto aos serviços profissionais, a lei não veda a utilização de créditos com relação a insumos que tenham sido tributados na fonte e, se os serviços são tributados na fonte, é porque são insumos sujeitos à contribuição e, deste modo, podem gerar créditos se forem utilizados no processo de fabricação; de que limpeza, conservação e manutenção são atividades intrinsecamente ligadas à fabricação, não exigindo a lei, para fins de outorga do direito de crédito, que os insumos sejam consumidos em contato com o produto fabricado; de que basta para a lei “que os insumos sejam utilizados e esses são devidamente consumidos no processo fabril até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 292); de que, no que concerne aos gastos com serviços profissionais, não está a Solução de Divergência 15/2008, adotada para legitimar a glosa, em consonância com a lei; de que, se a lei quisesse que o direito de crédito estivesse vinculado unicamente ao contato do insumo com o produto fabricado, não teria feito menção às despesas, exigindo a lei, para fins de outorga de crédito, apenas e tão somente que os insumos guardem alguma relação com a fabricação de produtos e sejam utilizados no estabelecimento fabril; de que a Manifestante contrata com Fl. 812DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302002.923 S3C3T2 Fl. 810 5 pessoas jurídicas a prestação de serviços de movimentação portuária consistentes na locação de equipamentos (pá carregadeira) destinadas ao transporte de matériasprimas adquiridas desde o navio até o silo; de que a movimentação de mercadorias no âmbito de um porto constitui atividade de transporte em sentido amplo, devendo a sua remuneração ser considerada em essência com frete; de que, relativamente ao serviço de descarga portuária, há duas tomadas de crédito, decorrentes de créditos distintos, pois houve dois pagamentos da contribuição, um por parte dos prestadores de serviços sobre a receita auferida (Cofins) e outro por parte da Empresa por conta da importação de bens estrangeiros (Cofins importação), sendo um crédito tomado por esta tendo em vista a Contribuição no preço do produto e outro crédito tomado pela Contribuinte em face da importação, sendo que o creditamento referente ao Cofinsimportação decorre da permissão para o desconto de crédito em relação às importações sujeitas à contribuição na hipótese de bens utilizados como insumos, conforme Lei 10.865/2004, art. 15, II; de que os serviços de movimentação interna foram indevidamente glosados com base num critério de utilização direta na industrialização enquanto que, para a lei, basta “que os insumos sejam utilizados e esses são devidamente consumidos no processo fabril, até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 301); de que a Autoridade Fiscal não nega a vinculação desses insumos com o processo produtivo, apenas firmase no pressuposto de que tais serviços não se enquadram no conceito de insumo; de que, na falta de delimitação ou condição imposta por lei, insumo é toda utilidade que contribui em caráter essencial para o normal funcionamento de uma fábrica; de que, para a lei, o direito de crédito nasce com a utilização de um insumo no processo de produção, fabricação ou prestação de serviços; de que a lei, quando empregou a vocábulo “utilizado”, quis fazer referência ostensiva aos bens e serviços usados, empregados, aplicados, gastos, adotados, tornados úteis, proveitosos ou que tenham alguma valia ou que serviram para alguma finalidade; de que os serviços tomados a título de mão deobra temporária visam suprir a necessidade de força de trabalho no processo fabril e representam valores pagos a pessoas jurídicas que fornecem insumos utilizados na fabricação, como requer a Lei 10.833/02, não havendo óbice para creditamento, sendo tais serviços contratados sob o regime da Lei 6.019/74 com pessoa jurídica contribuinte da contribuição em pauta, vedando a lei, unicamente, a escrituração de créditos decorrentes de aquisição de insumos de pessoas físicas; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão de mercadorias adquiridas (importadas) sob alíquota zero, posto que não geram direito a crédito e, daí, o frete correspondente também não geraria, mas se o frete, em si, não está sujeito a alíquota zero, o raciocínio carece de congruência lógica, Fl. 813DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 parecendo não remanescer dúvida razoável de que mercadoria e serviço de transporte são coisas distintas; de que, a prevalecer a interpretação adotada pela autoridade fiscal, estaria consagrada a analogia como método de interpretação suscetível de gerar obrigação tributária, em aberta contrariedade ao disposto no parágrafo 1º do artigo 108 do CTN, não havendo lei vigente que vede a escrituração e utilização de crédito sobre o insumo "transporte" quando este é normalmente tributado; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão do transporte de mercadorias de/para armazenagem ou depósito, despesas que constituem insumos utilizados na fabricação do produto a ser vendido, sendo que os depósitos de guarda de mercadorias participam do processo industrial, representando uma extensão do estabelecimento industrial; e de que o empréstimo de mercadorias constitui o cerne do contrato de mútuo e quando a Manifestante está na posição de mutuaria, ela adquire mercadorias com fulcro no que dispõe o art. 587 do Código Civil, sob um regime jurídico distinto do aplicável ao contrato de compra e venda e quando obtém bens destinados ao seu processo produtivo e paga pelo respectivo transporte, “a MANIFESTANTE adquire um insumo vinculado à produção da mesma natureza daquele necessário à obtenção do bem (a matériaprima) sob o regime do contrato de compra e venda, razão pela qual não pode lhe ser negado o direito ao crédito” (fl. 307). Verifica que, “Após a diligência fiscal, concluiuse pela homologação parcial das compensações, no valor de R$ 1.778.823,87 (um milhão, setecentos e setenta e oito mil, oitocentos e vinte e três reais e oitenta e sete centavos) conforme indicado no ITEM 32 do processo” (fl. 279). Requer a declaração de nulidade do procedimento fiscal em razão da decadência do direito da Fazenda e o restabelecimento in totum dos créditos. Pelo Despacho Decisório de Revisão de fls. 334/340 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“mercado interno”; fl. 340), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite de crédito deferido em novo montante. Assinala, em suma, a Autoridade Fiscal: que à Administração é permitido rever seus próprios atos, consoante o princípio da autotutela; que houve erros no demonstrativo do Crédito de Mercado Interno, de setembro de 2004, referentes às bases de cálculos das rubricas e aos percentuais apurados para determinação da parcela do crédito passível de ressarcimento ou compensação e da parcela do crédito passível de desconto, levando à revisão do demonstrativo da apuração do crédito de mercado interno, itens 10 e 11 do despacho decisório revisado; que a revisão é também devida pelo fato da Contribuinte ter apresentado fato novo após a emissão do despacho revisado; de que a Empresa informou que na apuração do crédito de mercado interno da COFINS de setembro de 2004, apurado de forma nãocumulativa, utilizouse crédito de junho de 2004 para efetuar desconto da contribuição Fl. 814DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302002.923 S3C3T2 Fl. 811 7 e que esse crédito não foi objeto de pedido de ressarcimento ou compensação; que a Fiscalização, ao analisar as informações apresentadas, concluiu que há créditos de períodos anteriores, referentes a junho, julho e agosto de 2004, que não foram utilizados e nem foram objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, sendo também verificado que de janeiro a maio de 2004 todo o crédito apurado foi objeto de desconto e ainda restou contribuição a pagar. Em seguida, apresenta os demonstrativos afetos à revisão. Contra o Despacho Decisório de Revisão foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 345/377) onde se alega, em síntese, no sentido: de que, “em que pese o fato do despacho decisório de revisão ter homologado a Declaração de Compensação no valor de R$ 2.099.740,88, verificase que o mesmo manteve o RECONHECIMENTO PARCIAL do crédito de COFINS (mercado interno), em razão de glosas indevidamente realizadas pela fiscalização, o que não se pode aceitar” (fl. 346); de que não procede o item 4 do despacho de revisão, segundo o qual todas as Declarações de Compensação haviam sido transmitidas em 19/09/06, pois foram elas transmitidas até o dia 27/12/05; de que nos termos do artigo 74, parágrafo 5°, da Lei 9.430/94, o prazo que o Fisco dispõe para homologar declaração de compensação expira em 5 anos, contados da data de entrega, e não o fazendo em tempo hábil, considerase a compensação homologada tacitamente; de que a Manifestante recebeu a decisão sobre a homologação de sua compensação em 29/12/10, ou seja, mais de 5 anos após a data do protocolo de suas declarações de compensação, logo, a mais de 5 anos da efetiva entrega das declarações de compensação (protocolo); de que a Autoridade Fiscal possuía até o dia 27/12/2010 para notificar a Contribuinte e, assim não o fazendo, perdeu o direito de contestar a compensação efetuada; e de que “resta comprovada a homologação tácita no presente caso, visto tratar se de declarações de compensação protocolizadas no mês de JULHO de 2005, sendo certo que a decisão referente a esta compensação só se efetivou em 07/07/2010 — data do recebimento do Aviso de Recebimento , ou seja, mais de 5 anos após o período necessário para a homologação fiscal” (fl. 349); No mais, repisa o seu entendimento e pretensão já apresentados na primeira manifestação de inconformidade, requerendo a realização de diligência fiscal e perícia, pairando qualquer dúvida, e protestando pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários, bem como por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos. É o relatório Fl. 815DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PRETENSÃO SATISFEITA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. Quando o crédito reconhecido é superior aos débitos levados a compensação, sendo integralmente satisfeita a pretensão compensatória homologatória revelada nas Declarações de Compensação apresentadas, não cabe a discussão de assuntos outros e não se conhece da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/03/2013, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.467, através da Caixa Postal, Modulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 470/522 em 16/04/2013, fl.470, no qual reitera os mesmos argumentos já colacionados na Manifestação de Inconformidade, aduzindo ainda a arguição de nulidade quanto aos procedimentos adotados pelas Autoridades Fiscais em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para o reconhecimento do direito creditório, ferindo assim o princípio da verdade material . Nesse sentido sustenta que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais o da motivação e o da legalidade, assim jamais poderia o Agente Fiscal ter emitido Despacho Decisório e a DRJ validado sem fazer uma detida e profunda análise do direito creditório da Recorrente, ignorando e glosando os vultosos créditos dessa contribuição. Cita respeitável doutrina e também jurisprudência. Às fls. 570/584 e 688/807 a Recorrente apresenta petição onde reitera os argumentos já trazidos em sede recursal, anexando inclusive os Pareceres de fls.608/687 e 728/807. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O contribuinte teve ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 07/03/2013 (quintafeira), conforme Termo de Abertura de Documento, fl.467, através da Caixa Postal, Modulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos do inciso III, "b" do § 2º Fl. 816DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302002.923 S3C3T2 Fl. 812 9 do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subseqüente, conforme 1art. 5º, do Decreto nº. 70.235/72. Cumpre destacar as disposições previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais: Art. 23. Farseá a intimação: I–pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) II–por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III–por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inc. III dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 2.º. Considerase feita a intimação: I–na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II–no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifei). 1 Art. 5.º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Observese que no caso em exame, quando de opção do Contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE (ciência pelo eCAC), constam no processo as informações acerca da “data de abertura do documento”, fl. 467 bem como da “ciência por decurso de prazo”, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no eCAC, fl.468, no entanto, a data de ciência a ser considerada é a do evento que ocorrer primeiro (ou o dia da abertura do documento ou o dia da ciência por decurso de prazo), conforme disciplina o inciso III, alínea "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito. No presente caso , estando demonstrado que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no dia 07/03/2013 (quintafeira), às 15:21h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, fl.425, situação prevista no art. 23, § 2º, III, "b" do Decreto nº 70.235, de 1972, temse assim iniciada a contagem no dia 08/03/2013 (sextafeira) e finda em 08/04/2013 (segundafeira) inclusive, o Recurso Voluntário de fls. 470/522, apresentado tão somente em 16/04/2013, fl.470, conforme comprova o carimbo da DERAT//CAC/PAULISTA, é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no art. 56 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim prevê: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de 30 (trinta) dias, contados da ciência. Cabe ressaltar que o exame do recurso voluntário compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando interposto contra decisão das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, inclusive quanto à tempestividade do recurso. Nesse mister, por força das disposições do 2art. 35 do já citado Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Assim, ante as considerações acima, por se tratar de pleito intempestivo, não há como se vislumbrar a abertura da via recursal à interessada. Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo, não comportando apreciação por essa instância recursal, exceto quanto à admissibilidade. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 2 Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302002.923 S3C3T2 Fl. 813 11 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 13869.000122/2002-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. DIREITO RECONHECIDO. LIQUIDEZ DO
CRÉDITO QUE RETROAGE À DATA DO PEDIDO.
Por sua natureza declaratória, os efeitos do reconhecimento do direito de crédito remontam à data do pedido de ressarcimento, significando dizer que os créditos devem ser considerados líquidos desde o momento do pedido.
COMPENSAÇÃO. FORMALIDADES. RAZOABILIDADE.
Validade da compensação procedida por meio de DCTF, ante a evidência de que houve confusão do contribuinte quanto ao manejo dos instrumentos formais, sem que com isso tenha acarretado postergação, redução ou falta de recolhimento de tributo devido, nem prejuízo à fiscalização.
Na época, o preenchimento da DCTF permitia o detalhamento das "compensações sem Darf", devendo-se reconhecer a validade da compensação quando foram apresentadas informações detalhadas quanto à origem dos créditos, inclusive com a indicação do processo administrativo de restituição e com perfeito encontro de
valores com os débitos declarados.
Recurso provido.
Numero da decisão: 202-18.359
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo 'Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de utilizar o ressarcimento de crédito de IPI para extinguir os débitos de PIS/Cofins, informados na DCTF anexa aos autos.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Ivan Allegretti
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CONFERE CO1Vi O ORIGINAL 22 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Brasília O Fl., Processo n-q : 13869.000122/2002-16 Sueli Tolei o Mendes da Cruz Siape 91751 Recurso n2 : 136.950 Acórdão : 202-18.359 Recorrente : JOÃO CARLOS DA HORTA & CIA. LTDA Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP mdeFpol-Segundo CopLo____na.sáel udowhocda eGiaC,oi:ag__ natrtubnullr:oes IPI. RESSARCIMENTO. DIREITO RECONHECIDO. LIQUIDEZ DO CRÉDITO QUE RETROAGE À DATA DO PEDIDO. Por sua natureza declaratória, os efeitos do reconhecimento do direito de crédito remontam à data do pedido de ressarcimento, significando dizer que os créditos devem ser considerados líquidos desde o momento do pedido. COMPENSAÇÃO. FORMALIDADES. RAZOABILIDADE. Validade da compensação procedida por meio de DCTF, ante a evidência de que houve confusão do contribuinte quanto ao manejo dos instrumentos formais, sem que com isso tenha acarretado postergação, redução ou falta de recolhimento de tributo devido, nem prejuízo à fiscalização. Na época, o preenchimento da DCTF permitia o detalhamento das "compensações sem Darf", devendo-se reconhecer a validade da compensação quando foram apresentadas informações detalhadas quanto à origem dos créditos, inclusive com a indicação do processo administrativo de restituição e com perfeito encontro de valores com os débitos declarados. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO CARLOS DA HORTA & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo 'Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de utilizar o ressarcimento de crédito de IPI para extinguir os débitos de PIS/Cofins, informados n _DCTnexa aos autos. Sala d Sessões, em 21 de setembro de 2007. An onio Carlos Atuli P esiden • 11) 11 11 W • I 1111r2 I - i R :tiP41 o Particip • • , aino • d. p 5 sente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Al -nc: Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa artínez López. 1 F - SEGUNDO C %DcERGGOINNTARLIB U1NTES • CONFERE 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuinte Brasília , La.12s12 Processo n2 : 13869.000122/2002-16 Sueli 1(:k11( Mendes da Cruz Recurso n-q : 136.950 M. Stape 91751 Acórdão n2 : 202-18.359 Recorrente : JOÃO CARLOS DA HORTA & CIA. LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, transcrevo o seguinte trecho do relatório constante do acórdão recorrido: "A interessada em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, com base no artigo 11 da lei n°9779, de 1999, no montante de R$ 29.743,25, a ser utilizado na compensação de seus débitos com a SRF. A autoridade administrativa, mediante Despacho Decisório, deferiu o pedido, mas homologou parcialmente a compensação, por se tratarem de débitos vencidos. Regularmente cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que seu crédito se refere ao primeiro trimestre de 2000, e que já nas DCTF do terceiro trimestre deste mesmo ano a empresa já estava informando a compensação com estes créditos. Acrescentou que a legislação e a jurisprudência amparam seu direito de ver reconhecido seu direito creditório desde a data da apuração do crédito e não a partir da data da entrega da PER/Dcomp. Refutou a cobrança da multa e de juros de mora." Como visto, tendo sido solicitado o ressarcimento pela contribuinte em julho de 2002, seu direito aos créditos foi reconhecido. Porém, a fiscalização entendeu que deveria tomar como data da compensação o momento em que foi gerada a Dcomp pela contribuinte, em 2004, e não a DCTF, apresentada em 2002. Por isso, a fiscalização entendeu devidos os acréscimos moratórios sobre os débitos de 2002, porque a compensação apenas teria ocorrido em 2004, quando foi gerada a Dcomp. A DRJ em Ribeirão Preto - SP negou provimento à manifestação de inconformidade, conforme, sintetizado na ementa do Acórdão 14-13.503, de 25 de agosto de 2006 (fls. 189/192): "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de dech ração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respecti dé • os compensados. 1 'Solicitação indeferida A,". 2 .. .4;.;t:.1: -..,„ 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. 1',.-- . :1" Segundo Conselho de Contribuintes .>;.'..t'V>:• Processo n2 : 13869.000122/2002-16 Recurso n2. : 136.950 Acórdão n2. : 202-18.359 A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 197/210), reiterando os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que pode ser traduzido, de maneira resumida, na alegação de que "o ingresso de ressarcimento foi realizado na compensação via DCTF — não podendo a empresa ser penalizada somente porque não cumpriu o dever instrumental de entregar a compensação via PER/DCOMP — já que havia feito a compensação antes da refer a data via DCTF". É o relatório. [---- MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL 3Brasília, . f; i / 2 i a 00 4- --- 1Sueli Tnleidnit. sztpeiil i e9n1 d7e5s1 da Cruz:t 3 a ' 22 CC-MF Ministério da Fazenda rlF- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES; • P° Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O OR:GINAL 1 • " r /z Zoo ‘7- Processo n-2 : 13869.000122/2002-16 Recurso 112 : 136.950 Sueli TGlentin Mendes da Cruz Acórdão 112 : 202-18.359 Mat. Siape 9 I 75 I VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR IVAN ALLEGRETTI Por sua natureza declaratória, os efeitos da decisão que reconhece o direito de crédito remontam à data do pedido de ressarcimento, significando dizer que os créditos devem ser considerados líquidos desde o momento do pedido, neste caso, apresentado em julho de 2002. Verifica-se, assim, que as compensações apresentadas pela contribuinte na DCTF no segundo e terceiro trimestres de 2002 revelam o perfeito encaixe entre o valor dos créditos, reconhecidos líquidos, e dos débitos vincendos que a contribuinte pretendia extinguir. Sendo os créditos líquidos, e sendo preexistentes aos débitos compensados, ainda que sejam de espécies diferentes, entendo que devem ser reconhecidos os efeitos da compensação declarada pela contribuinte por meio da DCTF. Note-se que o instrumento PER-Dcomp apenas foi criado em 2003, por meio da IN SRF n2 320/2003, restando claro que neste caso concreto a contribuinte apenas gerou a Dcomp em 2004 (repetindo a mesma compensação entre créditos de 1999 e débitos de 2000) no intuito de ratificar o procedimento de compensação que promovera por meio da DCTF. Embora naquela época (antes da Lei n2 10.637/2002, em que vigia a redação original do art. 74 da Lei n2 9.430/1996 e o art. 12, § 32, da Instrução Normativa n2 21/1997) fosse exigível do contribuinte a apresentação do antigo Pedido de Compensação, verifica-se que neste caso houve apenas confusão na forma de proceder a compensação, a qual, no entanto, foi declarada pela contribuinte na DCTF correspondente ao período dos débitos, sendo certo que não houve qualquer prejuízo à Fazenda Pública. Com efeito, não houve postergação de pagamento, ou mora de qualquer espécie, mas apenas confusão na instrumentalização da compensação. Também não houve prejuízo à fiscalização porque naquela época a DCTF permitia que, em seu preenchimento, quando se tratava de "COMPENSAÇÃO SEM DARF", fosse detalhada a origem dos valores utilizados na compensação, e neste caso concreto verifica- se que a contribuinte descreveu minuciosamente a origem, inclusive indicando o número do processo de ressarcimento, e os valores utilizados pnr ela conferem, com exatidão , com os valores dos créditos ressarcidos. Não houve qualquer prejuízo à fiscalização ou aos cofres públicos. A propósito de ser indispensável ter em conta tais finalidades, transcreve-se abaixo a ementa de julgado do Superior Tribunal de Justiça, que reflete bem o entendimento de que a instrumentalidade não pode chegar a ser um fim em si mesmo: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCIPIO DA RAZOABILIDADE. I. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas lo stado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 4 , —.... MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRouiNi::., 22 CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE coli O ORIGINAL , FI. Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, -1- 'tg / 1 _Z____J 2040-4. Processo n-q : 13869.000122/2002-16 Sueli Tolenti io Mendes da Cruz -Recurso •n-2 : Sueli Siapc 91751 Acórdão n-2 : 202-18.359 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade 'aquilo que não pode ser'. A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado. 4. À luz dessa premissa, é lícito afirmar-se que a declaração efetuada de forma incorreta não equivale à ausência de informação, restando incontroverso, na instância ordinária, que o contribuinte olvidou-se em discriminar os pagamentos efetuados às pessoas fisicas e às pessoas jurídicas, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com os aludidos pagamentos. 5. Deveras, não obstante a irritualidade. não sobejou qualquer prejuízo para o Fisco. consoante reconhecido pelo mesmo, porquanto implementada a exacão devida no seu quantum adequado. 6. In casu, 'a conduta do autor que motivou a autuação do Fisco foi o lançamento, em sua declaração do imposto de renda, dos valores referentes aos honorários advocatícios pagos, no campo Livro-Caixa, quando o correto seria especificá-los, um a um, no campo Relação de Doações e Pagamentos Efetuados, de acordo com o previsto no artigo 13 e parágrafos 1°, a e b, e 2°, do Decreto-Lei n°2.396/87. Da análise dos autos, verifica-se que o autor realmente lançou as despesas do ano-base de 1995, exercício 1996, no campo Livro-Caixa de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, deixou de discriminar os pagamentos efetuados a essas pessoas no campo próprio de sua Declaração de Ajuste do IRPF (fl. 10I)' (fls. 122/123). 7. Desta sorte, assente na instância ordinária que o erro no preenchimento da declaração não implicou na alteração da base de cálculo do imposto de renda devido pelo contribuinte, nem resultou em prejuízos aos cofres públicos, depreende-se a ausência de razoabilidade na cobrança da multa de 20%, prevista no § 2', do Decreto- Lei 2.396/87. (.) 9. Recurso especial provido, invertendo-se os ônus sucumbências. " (REsp 728.999, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ de 26/10/2006 — grifos editados) Tal como no precedente judicial, neste caso concreto houve confusão da contribuinte quanto ao manejo dos instrumentos formais, sem que com isso tenha acarretado postergação, redução ou falta de recolhimento de tributo devido. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, por entender indevida . exigência fiscal. Sal: ' ase as '. :., Às, em 21 de setembro de 2007. NA . , IA I ,_.1 ER: I ylii 5 Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033600.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13227.720733/2011-12
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS PELA RECEITA FEDERAL DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. MATÉRIA PENDENTE DE JULGAMENTO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO AOS MEMBROS DO CARF.
As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543-B do CPC não vinculam os membros do CARF. A possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional. O fato de decisão do STF ter se fundamentado na interpretação conforme a Constituição para não declarar a inconstitucionalidade da lei e do decreto não pode ser uma válvula de escape à vedação imposta aos membros do CARF quanto a deixar de aplicar lei ou decreto, posto que a matéria ainda será decidida pelo STF no recurso paradigma e se reconhece que aplicar a técnica de interpretação conforme neste processo administrativo tem o mesmo efeito prático de negar aplicação de lei ou decreto por inconstitucionalidade.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que, sendo o caso, permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e a transação que lhe deu origem.
Numero da decisão: 2802-002.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández foi vencido no ponto em que suscitou questão preliminar da nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano (Relatora).
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS PELA RECEITA FEDERAL DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. MATÉRIA PENDENTE DE JULGAMENTO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO AOS MEMBROS DO CARF. As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543-B do CPC não vinculam os membros do CARF. A possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional. O fato de decisão do STF ter se fundamentado na interpretação conforme a Constituição para não declarar a inconstitucionalidade da lei e do decreto não pode ser uma válvula de escape à vedação imposta aos membros do CARF quanto a deixar de aplicar lei ou decreto, posto que a matéria ainda será decidida pelo STF no recurso paradigma e se reconhece que aplicar a técnica de interpretação conforme neste processo administrativo tem o mesmo efeito prático de negar aplicação de lei ou decreto por inconstitucionalidade. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que, sendo o caso, permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e a transação que lhe deu origem.
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MATÉRIA PENDENTE DE JULGAMENTO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO AOS MEMBROS DO CARF. As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC não vinculam os membros do CARF. A possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional. O fato de decisão do STF ter se fundamentado na interpretação conforme a Constituição para não declarar a inconstitucionalidade da lei e do decreto não pode ser uma válvula de escape à vedação imposta aos membros do CARF quanto a deixar de aplicar lei ou decreto, posto que a matéria ainda será decidida pelo STF no recurso paradigma e se reconhece que aplicar a técnica de interpretação conforme neste processo administrativo tem o mesmo efeito prático de negar aplicação de lei ou decreto por inconstitucionalidade. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada e que, sendo o caso, permita estabelecer um vínculo claro entre cada depósito e a transação que lhe deu origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 07 33 /2 01 1- 12 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/1 0/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández foi vencido no ponto em que suscitou questão preliminar da nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano (Relatora). Relatório Tendo em vista o tempo decorrido desde o julgamento do presente Recurso Voluntário, sem que a Conselheira Relatora originária, tampouco o Redator designado ad hoc, formalizassem o acórdão, eu, Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, tomo a iniciativa de realizar tal tarefa ad hoc, utilizandome dos arquivos apresentados pela Relatora originária e lidos em sessão, bem como disponibilizados no repositório oficial do CARF. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do acórdão da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ em Belém, que julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício de 2009, decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, com amparo no art. 42 da Lei 9.430, de 1996. A autuação diz respeito, unicamente, à constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não restou comprovada pelo recorrente, no período compreendido entre 01/01/2008 e 31/12/2008, em relação à conta corrente mantida em conjunto com Luiz Moacir de Medeiros, junto ao Banco Bradesco. A fiscalização apresentou a planilha de fls. 27/29, discriminando cada um dos depósitos/créditos efetuados na aludida contacorrente, que necessitavam de demonstração de origem. O Termo de Verificação Fiscal às fls. 13/23 resume detalhadamente o procedimento de fiscalização, em que o contribuinte não se manifestou em relação à origem dos valores depositados. Consta no referido Termo de Verificação Fiscal que os valores objeto do lançamento em questão correspondem a 50% dos depósitos/créditos da conta conjunta do contribuinte e cuja comprovação não foi apresentada. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/1 0/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13227.720733/201112 Acórdão n.º 2802002.749 S2TE02 Fl. 139 3 Após segregação de cheques devolvidos, valores comprovados, estornos de débitos, empréstimos e transferências entre contas de mesma titularidade, o montante em depósitos bancários não comprovados totaliza a quantia de R$485.759,85, que serviu de base para o lançamento. A impugnação de fls. 43/75, suscita a nulidade do lançamento em razão da quebra do sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial para tanto e traz, como principal argumento de mérito, a afirmação de que os depósitos objeto do lançamento corresponderiam a troca de crédito (cheques pré datados) que seu marido praticava com a empresa Agriflora Compensados Indústria e Comércio Ltda. como forma de obter empréstimos. Em julgamento à impugnação apresentada pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ em Belém manteve integralmente o lançamento, em decisão cuja ementa é a seguinte: "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Destacase do voto proferido pelo Relator o seguinte trecho, em que o mesmo justifica que o contribuinte não fez a comprovação da origem dos depósitos verificados, tendo se defendido com alegação genérica: "O Impugnante teria que comprovar a origem de cada depósito referido nas intimações apresentadas pela fiscalização. Restaram comprovados alguns depósitos, listados no Anexo ao TVF (fls. 13/23), relativos a atividade rural, empréstimos pessoais, estorno de débitos, devolução de cheques e transações entre as próprias contascorrentes do contribuinte Luiz Moacir de Medeiros. Alertese que a alegação genérica, trazida na Impugnação, como a de que parte dos depósitos são oriundos de negociação junto com a empresa AGRIFLORA COMPENSADOS INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA, inscrita no CNPJ n° 06.016.286/000160, não pode ser considerada como justificativa específica de cada depósito. Afirmação desacompanhada de comprovação não elide a tributação. De acordo com o § 6o do art. 42 da lei 9.430/96, na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Em 12/03/2012 foi interposto recurso voluntário mediante o qual são reiteradas as alegações da impugnação e que pretende desconstituir a totalidade do lançamento. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/1 0/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Redatora ad hoc Reproduzo a seguir o voto lido em sessão e disponibilizado no repositório oficial do CARF. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade A preliminar de nulidade do lançamento, suscitada pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez, deve ser rejeitada com base no entendimento que esta Turma Julgadora tem adotado a esse respeito como reproduzido abaixo: "As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional. Não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. O fato de o RE389.808/PR ter se fundamentado na interpretação conforme a Constituição para não declarar a inconstitucionalidade da lei não pode ser entendimento como uma válvula de escape à vedação imposta pelo dispositivo regimental acima descrito. Não se nega que haja uma sutil diferença entre a declaração de inconstitucionalidade e a interpretação conforme a Constituição, posto que esta última não retira a lei do ordenamento jurídico. Não obstante, a aplicação dessa técnica interpretativa no processo administrativo deve se fazer acompanhar de muita cautela. Explicase. Uma declaração de inconstitucionalidade pelo STF (medida mais grave) sem força vinculante não autoriza que os membros do Carf deixem de aplicar lei ou decreto. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/1 0/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13227.720733/201112 Acórdão n.º 2802002.749 S2TE02 Fl. 140 5 Portanto, com muito mais razão, a interpretação conforme a Constituição (medida menos grave) sem força vinculante não pode servir de válvula de escape para que os membros do CARF deixem de aplicar lei ou decreto. Dois fatos reforçam este entendimento: a) a matéria ainda será decidida pelo STF no recurso paradigma; e b) se reconhece que aplicar a técnica de interpretação conforme neste processo administrativo substancialmente não difere de declarar a inconstitucionalidade de lei ou decreto. Cabe anotar que esse senso de cautela também está presente nos Tribunais, como se extrai da razão subjacente à Súmula Vinculante nº 10 do STF Súmula Vinculante 10 Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Enquanto não for proferida decisão transitada em julgado na sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do RICARF) a solução é aplicar a Súmula CARF nº 2, cujo enunciado é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por estas razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo Conselheiro Relator, decorrente da decisão no RE389.808/PR, quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte." processo 10510.003894/200930) Do mérito Conforme já relatado, o auto de infração sustentase no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que estabelece a presunção de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/1 0/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 No caso dos autos, a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente de titularidade do sujeito passivo em instituições financeiras. Assim, se, é certo que o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 autoriza o lançamento, por outro, resta ao contribuinte a oportunidade de comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tudo mediante documentação hábil e idônea. Especificamente acerca da comprovação da origem dos recursos depositados em sua contacorrente, aduz o recorrente que os mesmos corresponderiam a troca de crédito (cheques pré datados) que seu marido praticava com a empresa Agriflora Compensados Indústria e Comércio Ltda. como forma de obter empréstimos. Com o recurso o contribuinte trouxe aos autos os documentos de fls. 119/133 do processo eletrônico, que consistem em petições de execução movidas pela Cooperativa de Crédito Rural de JiParaná em face da recorrente e de seu marido, sem contudo relacionar os valores cobrados aos depósitos efetuados na contacorrente mantida junto ao Banco Bradesco. É importante ressaltar que a prova que se busca para elidir a omissão de receita decorrente de depósitos não comprovados deve ser documental e em relação a cada depósito individualizadamente. Assim, não há, nos autos, elementos capazes de comprovar a origem dos recursos depositados na contacorrente do recorrente. Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo, Redatora ad hoc Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/1 0/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10932.000368/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
LANÇAMENTO. ERRO NA DEFINIÇÃO DO CRITÉRIO TEMPORAL.
Correto o cancelamento dos lançamentos do PIS e da COFINS quando não observada a periodicidade mensal na determinação das respectivas bases de cálculo.
Numero da decisão: 1201-001.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Declarou-se impedido o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. AUTUAÇÃO. Correta a autuação, a título de IRPJ e CSLL, quando não comprovada, por documentos hábeis e idôneos, a contabilização de receitas financeiras informadas pelas fontes pagadoras nos comprovantes de rendimentos, sem prejuízo da recomposição da base de cálculo e dos saldos negativos originalmente apurados pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO. ERRO NA DEFINIÇÃO DO CRITÉRIO TEMPORAL. Correto o cancelamento dos lançamentos do PIS e da COFINS quando não observada a periodicidade mensal na determinação das respectivas bases de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Declarouse impedido o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 68 /2 00 6- 12 Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe, relativos à redução do IRPJ a compensar, CSLL, PIS e COFINS, em decorrência de omissão de receitas e falta/insuficiência de recolhimento desses tributos. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância e também em Resolução deste Conselho, peço vênia para reproduzir os seus principais trechos: "A empresa supra qualificada solicitou a restituição do IRPJ/2001, saldo negativo, para utilização na compensação de impostos e contribuições. Esclarece que em 31 de dezembro de 2001 teve prejuízo fiscal de R$ 63.488.663,01 e, no mesmo período, ocorreu uma retenção do imposto de renda na fonte no montante de R$ 71.151043,71. O pleito da empresa está devidamente formalizado no processo 13819.001364/200212, que provocou a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal de n° 08.1.19.002003003802 e posteriormente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.19.002005001157. Analisada a peça processual, inicialmente pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Walcir Jardim Borges e concluído pelo AFRF Eduardo Selio Mendes, concluise que: 1. A empresa não justificou devidamente a tributação da receita financeira que originou a retenção do imposto de renda que provocou o pedido de restituição, mesmo levando em conta diversas solicitações para que o fizesse. 2. Através de documentos fornecidos pelas instituições financeiras / bancárias, foi apurado um rendimento bruto de R$ 350.782.127,20 e retenção de imposto de renda na fonte no montante de R$ 71.151.043,71. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 4 3 3. Fazse observar que nas DIRF apresentadas pelas respectivas instituições o rendimento bruto auferido também corresponde a R$ 350.782.127,20. 4. Analisando a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anocalendário 2001, constatamos como receita financeira a importância de R$ 149.776.289,04 (Linha 24, Ficha 06A, da DIPJ 1243933DV36). 5. Face a situação ora relatada, concluímos por uma omissão de receitas no valor correspondente a R$ 201.005.838,16. 6. Levamos em consideração: CSLL paga por estimativa R$ 8.689.544,62 – Ficha 17 – Linha 42 Prejuízo Fiscal no período R$ 63.787.434,38 – Ficha 09A – Linha 46 Base Negativa de CSLL R$ 58.499.430,85 – Ficha 17 – Linha 34 7. Apurada a base tributável de R$ 137.218.403,78, o valor do imposto apurado corresponde a R$ 34.280.600,94, onde compensado o valor do imposto de renda retido na fonte de R$ 71.379.573,55 (ficha 12A – Linha 18) obtémse um valor residual negativo de R$ 37.098.972,61. 8. Quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apuramos uma base tributável de R$ 142.506.407,31 (R$ 201.005.838,16 – R$ 58.449.430,85) ocasionando uma contribuição apurada de R$ 12.825.576,65 e considerando a importância já recolhida por estimativa correspondente a R$ 8.689.544,62, passamos a considerar como contribuição devida a importância de R$ 4.136.032,03. Fazse consignar a obrigação da empresa em fazer o devido ajuste no Livro de Apuração do Lucro Real no que se refere ao valor residual negativo para controle de prejuízos, assim como da base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro. Como elementos de prova, instruímos o presente processo com peças fiscais elaboradas/coletadas das respectivas ações fiscais determinadas pelos mandados de procedimento fiscal já citados em parágrafo anterior. No sentido de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, estamos procedendo ao lançamento de ofício ressalvando o direito da Fazenda Nacional a proceder a novas verificações para cobrar o que é devido". Com a ciência das infrações, a empresa assim se manifestou: Cientificada do lançamento em 21/12/2006, a contribuinte, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumento de Mandato e de Substabelecimento de fls. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 5 4 209/210), protocolizou a impugnação de fls. 184/206, em 19/01/2007, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Assevera que, no contexto de verificação do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, em face dos pedidos de restituição e compensação protocolizados pela empresa, foi determinada diligência fiscal, na qual inicialmente a fiscalização teria concluído pela efetividade da retenção do imposto de renda pelas instituições financeiras. Tal despacho teria sido homologado pelo Supervisor e pelo Chefe do Serviço de Fiscalização. Todavia, posteriormente, a Chefia do SEORT teria solicitado a apresentação de DIPJ retificadora, tendo em conta que as receitas financeiras declaradas pela empresa seriam incompatíveis com as informadas nas DIRF das instituições financeiras, assim como foi solicitada a apresentação de demonstrativo de utilização do saldo negativo de IRPJ. Em resposta, a Impugnante teria esclarecido a impossibilidade da imediata correlação entre a contabilização das receitas financeiras e do IRRF sobre elas incidente, haja vista que a contabilização das receitas financeiras deveria observar o regime de competência e a retenção do IRRF seria feita apenas quando de resgate do investimento. Nesse sentido, seria necessário um acompanhamento da aplicação financeira desde a sua origem até o efetivo resgate, tendo a Impugnante se colocado à disposição para os esclarecimentos que se fizessem necessários. Afirma precipitadas as conclusões da fiscalização, protestando contra a informação fiscal, subscrita por outro agente fiscal, no sentido de ser indeferido o reconhecimento do indébito tributário, na medida em que as argumentos da empresa não seriam convincentes. Contesta o fato de tais conclusões não terem sido submetidas à homologação superior, e também de não ter sido oportunamente cientificada. Diz não ter ocorrido qualquer recusa por parte da empresa em prestar os esclarecimentos necessários a comprovar o equívoco na imputação de omissão de receitas de aplicações financeiras. Requer a nulidade do feito, haja vista que os lançamentos teriam sido constituídos de forma arbitrária, sem fundamentação e em desrespeito ao art. 142 do CTN. Com fundamento no princípio da verdade material, contesta a imputação de omissão de receitas da monta de R$ 201.005.838,16, com base num simples cálculo aritmético entre as receitas financeiras constantes das DIRF, no valor de R$ 350.782.127,20, e as receitas financeiras informadas na DIPJ pela Impugnante, no valor de R$ 149.776.289,04, sem qualquer verificação na escrituração contábil e fiscal da empresa (livros diário e razão). Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 6 5 No seu entender, sem a realização de diligência necessária na escrituração comercial e fiscal e na documentação que lhe dá suporte, não teria sido realizado o procedimento fiscal adequado, reputando precipitadas e arbitrárias as conclusões, atributos vinculados ao esgotamento iminente do prazo decadencial. Assevera, ainda, que as conclusões da fiscalização não poderiam ser reputadas como definitivas e suficientes a respaldar o lançamento, e representariam apenas uma proposta de indeferimento do direito creditório invocado, na medida em que tal procedimento requereria uma decisão específica a ser proferida pela autoridade competente da qual o sujeito passivo deveria ser cientificado. Ainda sobre o caráter apressado e genérico do trabalho fiscal, faz alusão a um demonstrativo, constante do despacho decisório que teria indeferido o direito creditório, no qual seria feita uma comparação entre os valores das receitas financeiras e do IRRF declarados pela empresa nos anoscalendário de 1998 a 2001, com a seguinte conclusão: "Considerações. Representação do Imposto de Renda Retido na Fonte em relação a Receita Financeira Declarada. 1998: 32,28%; 1999: 30,21%; 2000: 21,73%; 2001: 47,50%. A disparidade de 47,50% de retenção de imposto de renda no ano de 2001, tornase uma relação, senão absurda, ou no mínimo, a conclusão da necessidade que se justifique a falta de receita submetida à tributação ou excesso de retenção na fonte". Reitera a argumentação já expendida de que a justificativa para tal disparidade seria em função de as receitas financeiras serem reconhecidas pelo regime de competência e o IRRF ser retido apenas quando do resgate do investimento. Questiona a imputação de omissão de receitas por meros indícios e por inobservância do devido processo legal. No mérito, afirma a Impugnante a contabilização de toda a receita financeira auferida e que teria dado origem às retenções de IRRF que integram o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2002 (anocalendário 2001). Esclarece a defesa que o valor das receitas financeiras informado na DIPJ, de R$ 149.776.289,04 contém valores de diversas origens, sendo a maior parte oriunda de aplicações financeiras que teriam sofrido incidência de IRRF. Todavia, alguns valores não teriam tal origem, sendo decorrentes de outras receitas financeiras não sujeitas à retenção de IRRF. Elabora o seguinte demonstrativo para identificar a origem das receitas financeiras declaradas: Conta Descrição Valor 27012007 Rend s/ Aplic. Financ. Sal. Edu 18.692,92 Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 7 6 27012011 Rend s/ Aplic. Financ. Itaú 8.262.067,64 27012012 Rend s/ Aplic. Financ. ABN Amro (1.053.834,27) 27012014 Rend s/ Aplic. Financ. ING Bank 2.767.081,19 27012015 Rend s/ Aplic. Financ. Dresdener 12.250.437,95 27012016 Rend s/ Aplic. Financ. West LB 8.318.443,21 27012017 Rend s/ Aplic. Financ. Bradesco 9.095.014,98 27012042 Rend s/ Aplic. Exp Renda Fixa 1.126.470,90 27012057 Rendimentos Renda Fixa 55.838.647,25 Total 96.623.021,77 Nesse demonstrativo constariam os valores escriturados e as respectivas contas contábeis para que possam ser conferidas com demonstrativo contido no livro Razão em anexo e denominado "REND APLIC FIN F CP" doc. 02, pelo que estaria comprovada a escrituração e o efetivo cômputo na base de cálculo dos tributos no valor de R$ 96.623.021,77. Além disso, deveriam ser verificadas as contas contábeis 270112095 Assobrav e 27012097 Acav (valores de terceiros não integrantes da base de cálculo do PIS/COFINS art. 30, III da Lei n° 9.718/98), nas quais haveria valores correspondentes a receitas financeiras oriundas de aplicações financeiras com retenção de IRRF, conforme demonstrativo contido no livro Razão em anexo e denominado "REND APLIC FIN F CP" e "REND APLIC FIN R. FIX" doc. 03, pelo que estaria comprovada a escrituração e o efetivo cômputo na base de cálculo dos tributos nos valores, respectivamente, de R$ 73.806.133,72 e R$ 1.141.417,30. Haveria ainda rendimentos de aplicações financeiras, advindos de operações financeiras realizadas por intermédio de contratos de swap para fins de hedge, ou seja, para fins de seguro ou de cobertura para outro negócio por ela realizado. E explica: "Tais rendimentos originários de operações de hedge, no valor de R$ 185.186.909,36 constam dos registros contábeis da ora Impugnante na conta 4965000, com o título de <TCvariação cambialTesouraria>. Em tal conta são registrados valores de origens e naturezas diversas, mas que têm todos em comum serem resultados de variação cambial. Assim, abrangem variações cambiais em empréstimos e em operações de ACC, que não representam aplicações financeiras com retenção do IRF. Dela fazem parte, porém, as referidas operações de swap com fins de hedge, que sofrem tal incidência tributária". Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 8 7 Apresenta demonstrativo (doc. 04) das receitas geradas mensalmente nas operações de hedge e que teriam tido retenção de IRF: em maio, no valor de R$ 1.622.909,51; em julho, no valor de R$ 2.469.385,07; em agosto, no valor de R$ 86.702.388,56; em setembro, no valor de R$ 81.276.600,78; e em outubro, no valor de R$ 13.115.625,44; totalizando R$ 185.186.909,36. Observa que os resultados mensais da conta 04965000 teriam sido transferidos para a conta 26007000 (doc. 05), quando representavam ganhos, e para a conta 21007000, quando representavam perdas. No anocalendário, os ganhos mensais teriam totalizado R$ 109.119.865,60, valor incluído na Linha 20 "Variações Cambiais Ativas" da DIPJ, dentro do total de R$ 151.139.344,45. Reafirma assim a contabilização das receitas financeiras no montante de R$ 185.186.909,36. Conclui daí pela regular contabilização do valor das receitas financeiras de R$ 356.757.482,15 (doc. 06), correspondente à soma dos valores de R$ 96.623.021,77, R$ 73.806.133,72, R$ 1.141.417,30 e R$ 185.186.909,36, afastada estaria a imputação de omissão de receitas. Requer o reconhecimento da decadência do crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS dos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos da data de ciência do Auto de Infração, nos termos do art. 150, §4° do CTN. Reportase a erro de determinação da data do fato gerador mensal, relativo ao PIS e à COFINS, quando o lançamento se reporta a apenas um fato gerador anual, ocorrido em 31/12/2001. No caso em questão, por intermédio das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, teria sido possível a determinação mensal das omissões de receitas imputadas, o que não teria sido efetivado apenas para afastar a alegação de decadência do crédito tributário correspondente. Contesta a constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, tendo em conta as disposições do art. 146, III, "h" da CF. Argúi, ainda, alternativamente, que o mencionado prazo de dez anos somente seria aplicável às contribuições previdenciárias administradas pelo INSS. No mérito, as exigências de PIS e COFINS também não poderiam subsistir, porque se trata de omissão de receitas financeiras, não integrantes do faturamento, base de cálculo desses tributos, tendo em conta que, com a declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do STF do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718, de 1998, voltariam a ser aplicáveis as normas jurídicas previstas na Lei Complementar n° 7, de 1970 e a Lei Complementar n° 70, de 1991 (RE n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084). Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 9 8 Afirma ainda estar discutindo judicialmente a ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718, de 1998, mediante os seguintes Mandados de Segurança: (i) 1999.61.14.0045505 (COFINS), com acórdão favorável do TRF da 3a. Região; e (ii) 1999.61.14.0045475 (PIS), já com despacho do Min. Joaquim Barbosa dando provimento ao Recurso Extraordinário da Impugnante. Contesta a aplicação da multa de ofício por estar amparada em decisão judicial. Ademais, no entender da Impugnante os autos de infração em questão seriam mera decorrência dos pedidos de restituição e compensação, protocolizados pela empresa em outro processo administrativo e ainda pendente da competente decisão, cuja exigibilidade estaria suspensa nos termos do art. 151, III, do CTN, conforme prescrição do art. 74, §11 da Lei n° 9.430, de 1996 (com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003). Defende assim que os débitos dos autos de infração também estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, III, do CTN, sendo inaplicável a multa de ofício. Requer o cancelamento das autuações. Em 29 de maio de 2007, esta Turma de Julgamento converteu em diligência o julgamento do processo, conforme Resolução n° 1.324 de fls. 302/306, para que fosse providenciada a verificação, no anocalendário de 2001, e, se for o caso, nos períodos anteriores, da regular escrituração das receitas financeiras, e do cômputo no Lucro Real oferecido à tributação nas DIPJ, de cada um dos rendimentos de aplicações em renda fixa e swap, pagos à recorrente pelas fontes pagadoras, conforme cópias das DIRF de fls. 283/301. Foi ressaltado que a verificação individualizada de cada rendimento impunhase em observância ao disposto no inciso III do §4° do art. 2° da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996, que estabelece que a dedução do IR a pagar com o IRRF somente é permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidas à tributação, na forma de composição da base de cálculo do imposto. Em 11 de outubro de 2007, a contribuinte foi intimada a apresentar: 1. "demonstrativo das receitas financeiras e do respectivo IRRF, ainda que pro rata tempore, computados no anocalendário de 2001 (se for o caso de períodos anteriores), juntando documentação comprobatória e correlata, referente a valores oferecidos a tributação na DIPJ do referido período, decorrentes de aplicações financeiras (renda fixa e swap)"; 2. "demonstrar os valores informados em DIRF e os valores efetivamente contabilizados, esclarecendo por escrito eventuais divergências". Em resposta, datada de 31 de outubro de 2007, a contribuinte teria apresentado demonstrativo para identificar os valores das Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 10 9 receitas decorrentes de aplicações financeiras (Anexo II) e do IRRF (Anexo I), por conta contábil, bem como os razões contábeis correspondentes. Às fls. 366/369, foi juntado aos autos o Termo de Conclusão de Diligência no qual o agente fiscal responsável pelo procedimento destacou as seguintes divergências na documentação acostada aos autos: (i) o IRRF constante da relação de informes de rendimentos de fls. 310 (R$ 71.151.043,71) e o IRRF constante do demonstrativo "IR a Recuperar" de fls. 313 com o saldo da conta de Ativo Circulante Impostos a Recuperar de fls. 314 (R$ 71.164.785,39); (ii) as receitas financeiras constantes da relação de informes de rendimentos de fls. 310 (R$ 350.782.127,20) e do demonstrativo de fls. 335 (R$ 356.757.941,95). A fiscalização procedeu, ainda, à análise da documentação apresentada para corroborar a contabilização da variação cambial ativa (fls. 336/357) e dos registros dos rendimentos ASSOBRAV (fls. 358/360) e ACA V (fls. 362/365), tendo concluído pela insuficiência da documentação para corroborar a regularidade da contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras que teriam ensejado as retenções de imposto. Em 28/12/2007, conforme termo de fls. 372, a contribuinte teria tomado vistas dos autos, e apresentado, em 11/01/2008, aditamento à impugnação às fls. 424/430, na qual assevera não ter ocorrido qualquer recusa por parte da Requerente em prestar os esclarecimentos necessários. Afirma que se tivessem sido cuidadosamente analisados os registros contábeis não subsistiria a imputação de omissão de receitas. Aduz que a imputação estaria fundada em falta de compreensão da sistemática de contabilização utilizada em dois procedimentos internos, a saber: "1. Variação Cambial sobre Contratos de Hedge/Swap: a Requerente, no anocalendário de 2001, utilizouse do processo de, ao longo de cada mês, concentrar o registro das contrapartidas de valores contábeis sujeitos à variação cambial (contas escrituradas no Ativo e no Passivo) em uma única conta contábil, cujo número e título era 04965000 — Variação Cambial Tesouraria. Desta forma, tanto as receitas como as despesas de variações cambiais ativas e passivas eram concentradas nesta conta transitória. Ao final de cada mês, o saldo líquido dessa conta (despesa menos receita) era transferido para a conta definitiva com duas possibilidades de lançamento: I) em se apurando saldo credor (receita), o valor líquido da conta 04965000 tinha destinação para a conta contábil 26007000 Receita Cambial e II) em se apurando saldo devedor (despesa) o lançamento contábil era para a conta 21007000 Prejuízo Cambial. Dessa maneira a conta contábil 04965000, no final de cada mês e para cumprir seu papel de transitória, registrava saldo final igual a zero. Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 11 10 A totalidade das variações positivas e que geraram as retenções na fonte de IRRF podem ser localizadas na referida conta transitória. Assim, quando a Requerente aponta que as Receitas Cambiais vinculadas às suas aplicações no mercado financeiro e sujeitas ao IRRFonte montam o valor de R$ 185.186.909,36, devese considerar o valor de R$ 109.119.865,60, saldo final em 31/12/2001, registrado na conta contábil 26007000 e informado na Ficha 6, linha 20 da DIPJ/20012002, acrescido do valor de R$ 76.067.043,76 correspondente às receitas cambiais também contabilizadas pela Requerente, mas que, pelo fato de terem sido incluídas no procedimento utilizado através da conta contábil 04965000 adotado à época, fazem parte da Ficha 6 da DIPJ, mas não possuem a mesma clareza de identificação. 2. Receitas com Ganhos em Aplicações Financeiras: Tratase de duas contas contábeis utilizadas para registro das contrapartidas dos rendimentos de parte das aplicações financeiras e fazem parte do grupo de contas informado na linha 24, da ficha 6, da DIPJ/20012002. São elas: conta contábil n° 27012095 "Rend. Aplicação Financeira Curto Prazo ASSOBRAV" e conta contábil n° 27012097 "Rend. Aplicação Financeira Renda Fixa — ACAV". Os valores contabilizados no anocalendário de 2001 decorrentes de ganhos com aplicações financeiras perfazem, respectivamente, o montante de R$ 73.806.133,72 e R$ 1.141.417,30 e podem ser identificados nos documentos e demonstrativos já apresentados a esta fiscalização. Entretanto, nessas duas contas contábeis acima citadas foram realizados outros lançamentos contábeis correspondentes às despesas provenientes das atualizações de contas contábeis do Passivo e que tinham por objetivo atualizar obrigações assumidas pela Requerente. Assim, fazse necessário que a fiscalização considere os valores individualizados e identificados dos lançamentos correspondentes aos rendimentos de aplicação financeira (valores lançados a crédito das duas contas) e não avalie a situação considerando unicamente os saldos finais das duas contas, sob o risco de injustamente alegar falta de comprovação de registros contábeis de receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras e glosar o crédito de IRRFonte retido pelas instituições financeiras com as quais a Requerente trabalhou naquele ano". Conclui, finalmente, que por terem sido contabilizados os rendimentos de aplicações financeiras no valor total de R$ 356.755.600,94, não teria havido a imputada omissão de receitas e a contribuinte teria direito à dedução do IRRF incidente sobre tais operações, no valor de R$ 71.164.785,39. Em sessão de 07 de abril de 2008, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Campinas, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para manter os lançamentos a título de IRPJ e CSLL, mas afastou os lançamentos do PIS e da COFINS. Com a decisão foi oferecido Recurso de Ofício, por força do limite de alçada. Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 12 11 Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, relativos às matérias em que foi vencida. Em sessão de 11 de abril de 2012, esta Turma, com a relatoria do Conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz, decidiu converter novamente o julgamento em diligência, para que: A autoridade fiscal se pronuncie, com base no laudo técnico apresentado pela recorrente e com base nas demais diligências que entender necessárias, sobre a efetiva comprovação da contabilização e oferecimento à tributação das receitas que originaram as retenções na fonte. Com a conclusão dos trabalhos, foi dada ciência ao Contribuinte, para manifestação. A longa resposta, acrescida de novas tabelas e documentos, pode ser encontrada às fls. 1.686 e seguintes. O processo foi devolvido ao CARF e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Debatese neste processo a autuação de receitas financeiras supostamente omitidas, que foram detectadas pela fiscalização a partir do cotejo entre as informações prestadas na DIPJ/2002, relativas ao anocalendário de 2001, e os montantes efetivamente escriturados pela interessada. A origem dos lançamentos referese à necessidade de aferição da certeza e liquidez do saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa no anocalendário de 2001, matéria discutida no processo administrativo n. 13819.001364/200212, que guarda relação de causa e efeito com estes autos, pois objetiva analisar as declarações de compensação vinculadas ao referido direito creditório. Naquele feito, a empresa foi instada a comprovar a contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras sobre as quais incidiram retenções na fonte, que foram utilizadas para o cálculo do IRPJ do período. De plano percebese que a discussão alcança a comprovação da contabilização integral dessas receitas, cuja divergência de entendimento seria, em princípio, relativa à forma de escrituração utilizada pela contribuinte, que se valeria de contas transitórias para a apuração dos valores, circunstância que, em seu entendimento, não teria sido compreendida pela fiscalização. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 13 12 Com efeito, o fundamento para a autuação pode ser encontrado no Termo de Constatação Fiscal (fls. 137 e ss.): Analisada a peça processual, inicialmente pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Walcir Jardim Borges e concluído pelo AFRF Eduardo Selio Mendes, concluise que: 1. A empresa não justificou devidamente a tributação da Receita Financeira que originou a retenção do Imposto de Renda que provocou o pedido de restituição mesmo levando em conta diversas solicitações para que o fizesse. 2. Através de documentos fornecidos pelas instituições financeiras/bancárias, foi apurado um Rendimento Bruto de R$ 350.782.127,20 e retenção de Imposto de Renda na Fonte no montante de R$ 71.151.043,71. 3. Fazse observar que nas DIRF's apresentadas pelas respectivas instituições o Rendimento Bruto auferido também corresponde a R$ 350.782.127,20. 4. Analisando a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano calendário 2001, constatamos como Receita Financeira a importância de R$149.776.289,04. (linha 24, Ficha 06A, da DIPJ 1243933DV36) 5. Face a situação ora relatada, concluímos por uma omissão de receita no valor correspondente a R$201.005.838,16. Nesse sentido, não se questiona a existência dos rendimentos nem o fato de que foram auferidos pela empresa, mas sim a comprovação do seu oferecimento à tributação, a partir da demonstração de que foram, no período, regularmente contabilizados. No Recurso Voluntário, a empresa alega, em preliminar, ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional e, no mérito, que contabilizou toda a receita auferida. Comecemos pela preliminar. A suposta nulidade teria fundamento no fato de que "a fiscalização teria apenas subtraído dois valores, sem o exame da documentação necessária". À luz de tudo o que consta dos autos podese afirmar que tal alegação não deve prosperar. A autoridade fiscal intimou reiteradamente a empresa a apresentar documentos e a comprovar, de forma inequívoca, a origem do direito creditório pleiteado. Ademais, tanto analisou os documentos que os considerou insuficientes para a comprovação das divergências apuradas, que tomaram como referência declarações prestadas pela própria interessada. Assim, presentes todos os elementos necessários à higidez do lançamento, nos termos do alegado artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 14 13 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Descabe, portanto, a suscitada preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, há intenso debate retórico e documental nos autos. Prova disso é a realização de duas diligências, solicitadas em primeira e segunda instâncias, por autoridades diferentes, ambas no intuito de se aferir a correta contabilização das receitas. O entendimento do Fisco discrepa, frontalmente, do quanto alegado pela Contribuinte. De se notar que, ao tempo da diligência realizada por determinação da Delegacia de Julgamento de Campinas, a autoridade responsável já havia consignado: Tratase de lançamento pautado na divergência, não justificada, entre receitas financeiras constantes das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras e as receitas financeiras informadas pela beneficiária dos rendimentos na DIPJ/2002 (anocalendário 2001). Apresentada impugnação, foi o ato convertido do julgamento em diligência, para: "que seja providenciada a verificação, no ano calendário de 2001, e, se for o caso, nos períodos anteriores, da regular escrituração das receitas financeiras, e do cômputo no Lucro Real oferecido à tributação nas DIPJ, de cada um dos rendimentos decorrentes de aplicações em renda fixa e swap, pagos à recorrente pelas fontes pagadoras, conforme cópias das DIRF de fls. 283/301". (...) Analisados os documentos apresentados, nos reportamos ao Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, de 11 de outubro, fl. 308, onde solicitamos os seguintes documentos e esclarecimentos: Demonstrativo da receitas financeiras e do respectivo imposto de renda retido na fonte, ainda que "pro rata tempore" computados no anocalendário de 2001 (se for o caso de períodos anteriores), juntando documentação comprobatória e correlata, referente a valores oferecidos a tributação na DIPJ do referido período, decorrentes de aplicações financeiras (renda fixa e Swap). Mais uma vez, não fomos atendidos. Os documentos apresentados, não esclarecem, não justificam, não comprovam a tributação dos valores auferidos de forma correlata ao IRRF ora pleiteado. Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 15 14 Destarte, cabe ao órgão competente o pronunciamento acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. No momento em que é formalizada a declaração de compensação, vinculada a saldo negativo de IRPJ, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado. É somente por ocasião do exercício, pelo contribuinte, do direito de compensação de base de cálculo negativa ou de compensação de tributos, que se instaura, para o Fisco, o dever/poder de exigir a comprovação da regularidade de seu exercício. E, assim sendo, não se poderia admitir a ausência de elementos de natureza contábil/fiscal, que comprovem a realidade de um fato (saldo negativo de IRPJ). Cumpre assinalar que, especificamente, para a verificação da certeza e liquidez do indébito tributário relativo ao saldo negativo do IRPJ, é a própria legislação que estabelece não se configurar suficiente a comprovação dos recolhimentos das antecipações de tributos, efetuados no curso do anocalendário. É necessário que seja verificada, também, a regularidade da determinação da base de cálculo que lhe dá fundamento. Observese, por pertinentes, as expressas disposições do art. 2°, §4° da Lei n° 9.430, de 1996. É indubitável que, somente é dedutível do Imposto de Renda devido ao final do período de apuração, o Imposto Retido na Fonte, no curso do anocalendário, incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. Decorre, daí, que para a determinação do saldo negativo do IRPJ, passível de ser restituído ou compensado, quando composto apenas de imposto retido no curso do anocalendário, não basta a prova da regular retenção do imposto. É imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real. Em síntese, concluise que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo do 1RPJ, em sede de análise de declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do anocalendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. (grifamos) Como a decisão de primeira instância foi parcialmente desfavorável ao Contribuinte, ao manter os lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL, entendeu a empresa que seria necessário, para melhor compreensão dos fatos, a elaboração de parecer por empresa de auditoria independente. Conquanto tal parecer e a documentação conexa tenham sido apresentados depois da impugnação, este Conselho decidiu apreciálos, certamente em homenagem ao princípio da verdade material, que deve nortear os processos administrativos. Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 16 15 Portanto, foram admitidos no processo, mediante Resolução, os documentos acostados posteriormente pela interessada, com destaque para o laudo da Consultoria Ernst & Young que, no entender da Recorrente, confirmaria a correta escrituração de todas as receitas financeiras. Houve, assim, solicitação de nova diligência para a análise dessa documentação. O argumento central da interessada, no sentido de destacar a relevância dos documentos apresentados, foi assim resumido: Ocorre que a Fiscalização não entendeu a forma de contabilização da empresa, que utilizava algumas contas contábeis transitórias, repassando para as contas contábeis definitivas apenas o resultado final (receitas diminuídas das despesas relativas a essas contas transitórias). A Fiscalização limitouse a verificar as contas definitivas e, não tendo nelas localizado os valores que procurava, apressadamente concluiu tratarse de caso de omissão de receita, sem se atentar que tais receitas foram registradas em contas transitórias, afetando o resultado. (grifamos) Acerca dessa farta documentação, de fls. 864 a 1.681, assim se manifestou a autoridade fiscal, quando da realização de nova diligência, solicitada por este Conselho: De plano, notamos que a devolução à Unidade de origem do presente, já exaustivamente analisado, versa sobre o relatório juntado pela recorrente ao processo. Tais documentos, no entender do Conselho, estariam trazendo prova da contabilização das receitas financeiras que geraram as retenções do IRRF, este é o cerne da lide processual. De início, cumpre frisar que o relatório, elaborado pela empresa de auditoria e consultoria independente "Ernest& Young a partir de Julho/2008, mediante encomenda da recorrente e denominado "Relatório de Especialista", constituise em mais uma tentativa de fazer prova do oferecimento, à tributação, das receitas auferidas pela última durante o ano de 2001. Não é, nem poderia ser, prova absoluta do que alega, tampouco anula as conclusões a que chegaram as autoridades administrativas que examinaram o tema neste processo, sob pena de afronta à atribuição privativa legalmente atribuída à autoridade administrativa (art. 142, CTN), já que se está diante da apuração da base tributável. (...) O início do Relatório é uma carta endereçada à recorrente, remetida pela "Ernest & Young", cujo conteúdo é a apresentação dos resultados dos trabalhos contratados e princípios que os nortearam, realizando, aqui e ali, ressalvas a determinados temas que considerou pertinentes à correta interpretação dos desfechos alcançados. Impossível desconsiderar as seguintes: 1."a informação utilizada como base para a realização dos nossos trabalhos nos foi fornecida pela administração da WB"; Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 17 16 2."não emitimos e não emitiremos nenhum parecer ou qualquer outra forma de garantia sobre as demonstrações financeiras da WB tomadas como um todo"; 3."as afirmações e opiniões expressadas no decorrer deste relatório são baseadas em documentos recebidos, na experiência ,treinamento e especialidade dos profissionais da EY envolvidos nas análises e desenvolvimento dos trabalhos". Ora, façamos uma análise das ponderações, porque relevantes. Primeiro: a empresa contratada afirma que teve como suporte para seus trabalhos as informações fornecidas pela recorrente, ou seja, ao fazer a ressalva, quis salvaguardar sua credibilidade como Auditoria Independente, já que se tivesse acesso a todos os registros, dados e informações existentes em posse da recorrente, necessários e bastantes às conclusões encomendadas, não o faria nem poderia. Isto colocado, fácil concluir ter a recorrente fornecido os documentos, registros e informações de seu estrito interesse. A conduta, em si, não é questionável afinal, ninguém pode ser compelido a produzir prova contra si. Questionável é, todavia, a fidelidade aos fatos de parecer elaborado com esta ressalva, com aparente neutralidade como deseja fazer crer a recorrente e endereçado a desfazer as incertezas atribuídas ao crédito pelas autoridades que decidiram o pleito nas instâncias administrativas precedentes. Segundo: a contratada, expressamente, abstémse de pronunciar veredicto acerca das demonstrações financeiras da recorrente, tomadas como um todo. De se perquirir, confessando a curiosidade, qual o motivo que a levou a assim excetuar: se por ter enfrentado obstáculo à auditoria que pretendia realizar, ou se por inacessíveis documentos que fariam pronunciarse com eloquência! Mais uma vez: se a própria Auditoria contratada não é segura ao firmar conclusões sobre as demonstrações financeiras da recorrente, "tomadas como um todo", tranquilo constatar a parcialidade das informações, registros e documentos a que teve acesso. Terceiro: a contratada reafirma a base sobre a qual elaborou suas conclusões em ressonância à primeira das ressalvas, e admite serem aquelas o produto da experiência, treinamento e especialidade de seus colabores. Em suma: os pareceres e conclusões a que chegaram os profissionais contratados pela recorrente são, nas palavras da própria empresa de Auditoria, sujeitos a correções, ou emendas, ou alterações se confrontados a experiências, treinamentos e especialidades diversas. Ou é outra a conclusão a que se poderia chegar? Compreendidas as escusas vazadas pela empresa de Auditoria contratada, norteadoras de todo o trabalho com o qual pretende a recorrente desconstituir as conclusões proferidas pelas autoridades fiscais que o precederam, é altamente arriscado emprestar fé aos pareceres trazidos no Relatório, ainda mais quando se está diante de atividade administrativa plenamente Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 18 17 vinculada (art. 3°, CTN). Ou, ainda, quando o interesse público e o erário estão sob risco. Notese, por oportuno, a necessidade de certeza e liquidez do crédito trazido à compensação (art. 170, CTN), do que resulta a não admissão, no procedimento, de provas parciais, revestidas de exceções. Afinal, se todo o trabalho da empresa de Auditoria se apóia em terreno movediço, como acreditálo? Por tudo isso, já se poderia devolver o processo à autoridade julgadora que determinou a diligência. Entretanto, em reverência aos princípios do contraditório e ampla defesa que também norteiam os processos administrativos fiscais e em honra à Resolução e entendimentos proferidos pelo ilustre Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fiz a análise dos documentos que fazem parte do Relatório. (grifamos) Importante destacar que a matéria em litígio diz respeito à teoria das provas, mais especificamente sobre a suficiência dos documentos apresentados, no sentido de permitir, tanto para a fiscalização como para os julgadores, a formação do convencimento acerca da efetiva escrituração das receitas autuadas neste processo, bem como a higidez dos procedimentos adotados. A despeito do princípio da unicidade, que rege todas as manifestações exaradas por órgãos públicos, a exemplo da Receita Federal do Brasil, não podemos olvidar que a documentação apresentada pela empresa foi analisada, em diversos momentos, por três autoridades diferentes, sendo certo que, em todas as ocasiões, houve manifestação pela insuficiência de provas e pela não comprovação do quanto alegado pela empresa. A análise probatória é, certamente, decorrência de um juízo de valor sobre a capacidade de se comprovar direitos ou benefícios conferidos pela lei tributária. No caso de compensações, o direito pleiteado deve ser líquido (passível de utilização para os fins almejados) e certo (no sentido de segurança jurídica, inclusive), nos exatos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Pareceme razoável intuir que, no caso de compensações, o dever de comprovação dos atributos de liquidez e certeza recai sobre o contribuinte, que deve demonstrar, para além de qualquer dúvida, a validade dos montantes pleiteados, assim como incumbe à administração tributária o dever de perquirir sobre a existência e a pertinência desses valores, bem como a análise dos fatos jurídicos que lhe deram causa. Conquanto possa o contribuinte adotar critérios variados na escrituração de suas contas, desde que respeitados os princípios previstos nas legislações societária e tributária, isso não afasta pelo contrário, exige a efetiva demonstração, sempre que necessário, dos valores oferecidos à tributação. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 19 18 E, sobre este ponto crucial para o deslinde do presente processo, não podemos olvidar que autoridades tributárias distintas, em momentos processuais diferentes, não reconheceram como aptos os documentos e argumentos trazidos pela interessada, conforme se depreende do relatório final de diligência (fls. 1.674 e ss.): Da análise pude constar o seguinte: 1. A empresa de Auditoria contratada ratificou a retenção de R$ 71.151.044,00 do imposto sobre as rendas auferidas pela recorrente em aplicações de seu capital; 2. A empresa de Auditoria contratada apurou um total de R$ 350.782.127,00 em rendimentos de aplicações financeiras auferidos no ano de 2001; 3. A empresa de auditoria contratada concluiu que a recorrente contabilizou, do total de rendimentos de aplicações financeiras auferidos no ano de 20001, o valor de R$ 359.911.505,00; 4. Os trabalhos executados pela empresa de Auditoria contratada não incidem sobre a questão discutida o oferecimento à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras auferidos pela recorrente no ano de 2001 tampouco concluem positiva ou negativamente sobre ela; 5. A recorrente usava contas transitórias auxiliares para a contabilização das receitas financeiras auferidas no decorrer do ano de 2001, havendo nelas registrado o valor apurado pela empresa de auditoria "Ernest & Young", ou seja, R$ 359.911.505,00. Oportuno, ainda, trazer algumas conclusões a que cheguei ao comparar o Relatório juntado pela Recorrente com os trabalhos de diligência fiscal levados a cabo, consubstanciados nos mencionados Termos de Conclusão de Diligência (fls.366 a 369), bem como com os demais documentos e informações disponíveis. Primeira: a fiscalização concluiu pelo auferimento das receitas financeiras, no ano de 2001, na monta de R$ 350.782.127,00, valor que difere dos R$ 359.911.505,00, apurados pela "Ernest& Young" em exatos R$ 9.129.378,00. Estes não são, novamente, os valores demonstrados formalmente pela recorrente no curso das varias diligências e intimações que sofreu. Segunda: na DIPJ/2002, a qual a recorrente defendeu conter todas as informações referentes aos rendimentos de aplicações financeiras que percebeu no ano de 2001(fl.192) consta sob a rubrica "outras receitas financeiras" (ficha 06A, linha 24, fl.124) a soma de R$ 149.776.289,04. Este não é o valor que a própria recorrente e, agora, sua contratada "Ernest & Young" apuraram auferido no período. Terceira: também na DIPJ/2002, ficha 06A, linha 21, deveriam estar presentes os rendimentos do capital da recorrente em operações "swap", já que parte dos R$ 350.782.127,00, defendidos no relatório como Recebidos no ano de 2001 Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 20 19 referemse a tais operações (fls184 a 206). É o que determina a legislação do Imposto de Renda. Contudo, curiosamente, o valor referente a tais operações aparece ZERO nessa Declaração (fl. 124). Desnecessário outras palavras, face à cristalina incongruência entre documentos trazidos pela recorrente, pelo desinteresse na correta instrução processual mesmo na presente fase, pela parcialidade explícita do Relatório com o qual pretende abalar as conclusões a que chegaram as autoridades fiscais que, repita se, exaustivamente analisaram as provas do suposto crédito trazido à compensação. Finalmente, apresento a conclusão da diligencia para responder ao Conselho que: 1. A recorrente usava contas transitórias auxiliares para a contabilização das receitas financeiras no decorrer do ano de 2001, havendo nelas registrado o valor apurado pela empresa de auditoria "Ernest & Young", ou seja, R$ 359.911.505,00. Contudo, não foi possível aferir ser esta toda a soma de fato auferida pela recorrente, face a recusa em fornecer outras informações a época solicitadas (fl. 368), considerando, ainda o opus probandi. 2. Não restou confirmado o oferecimento à tributação das receitas financeiras percebidas pela recorrente no ano calendário 2001, sejam oriundas da aplicação em fundos de renda fixa, sejam elas oriundas de operações ditas "swap", tampouco ficou demonstrada a presença da totalidade desses rendimentos na DIPJ/2002, não havendo juntada de qualquer documento, registro ou informação, pela recorrente, de que ofereceu parte desses rendimentos á tributação em outro exercício. 3. O laudo acolhido pelo ilustre Conselho, ora denominado Relatório, ficou comprovadamente reprimido aos registros, documentos e informações de interesse da recorrente, conforme as próprias palavras da empresa "Ernest & Young" na carta de apresentação dos resultados por elas solicitados, tornadoo autodeclaração daquela. Diante da taxatividade das conclusões formuladas, entendo que não há margem para desqualificar a análise empreendida, de sorte que acolho, a despeito dos argumentos trazidos pela Recorrente, o parecer das duas diligências solicitadas ao longo deste processo, para manter os autos de IRPJ e CSLL lavrados, pelo não atendimento, em relação ao crédito pleiteado, dos critérios de liquidez e certeza exigidos pela legislação. Quanto à inaplicabilidade da multa de ofício para o caso em tela, conforme requerimento da interessada, convém destacar que a questão foi exemplarmente enfrentada na decisão recorrida, cujos argumentos, a seguir expressos, acolho integralmente: Esclareçase que o crédito tributário constituído exofficio nos lançamentos sob apreciação encontrase com a exigibilidade suspensa, por força da impugnação ora apreciada, e que apesar Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 21 20 de haver relação de prejudicialidade entre os presentes autos que tratam da retificação exofficio do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 e o processo de compensação deste mesmo direito creditório (13819.001364/200212), não se pode dizer que a multa de ofício seria inaplicável porque o processo de compensação ainda estaria pendente de decisão definitiva. Imperioso consignar que os procedimentos são completamente distintos: (i) no âmbito do processo de compensação, cumpre ao Fisco reconhecer, ou não, o direito creditório invocado nos pedidos/declarações de compensação, e homologar, ou não, as compensações informadas; (ii) no âmbito do processo de lançamento, procede o Fisco à constituição de ofício do crédito tributário ou à recomposição das bases de cálculo apuradas pelo contribuinte, em função das irregularidades verificadas. In casu, deverá haver apenas a repercussão das conclusões adotadas com relação à recomposição da base de cálculo e, conseqüentemente, do saldo negativo do IRPJ, efetuadas no lançamento ora sob julgamento, na apreciação do direito creditório invocado nos pedidos/declarações de compensação constantes do processo 13819.001364/200212. A apresentação de declarações de compensação, com base em saldos negativos de IRPJ e CSLL, não obsta o lançamento exofficio, com as devidas multas de ofício, quando cabíveis, sobre as mesmas bases de cálculo que teriam dado origem aos saldos negativos invocados nos PER/DCOMP. Acrescentese que a suspensão da exigibilidade prevista no art. 74, §11 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (parágrafo incluído pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003), é dos débitos compensados nas declarações de compensação, e não dos débitos porventura lançados exofficio e relativos à recomposição de base de cálculo do IRPJ e CSLL do período em que apurado o direito creditório informado na declaração de compensação. Com efeito, entendo que inexiste base legal para o argumento aduzido pela Requerente, de sorte que devem remanescer, para os tributos mantidos nesta decisão, as respectivas multas de ofício. Do Recurso de Ofício A Delegacia de Julgamento de Campinas apresentou Recurso de Ofício em razão de ter afastado os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS, com os seguintes fundamentos: No que tange aos lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social — PIS e para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, cumpre reconhecer as razões de defesa apresentadas, tendo em conta não ter sido observada a periodicidade mensal de determinação das bases de cálculo e das contribuições devidas, impondose o cancelamento da Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 22 21 exigência. Há farta jurisprudência administrativa a referendar tal posicionamento: IRPJ E OUTROS. LANÇAMENTO ORIGINAL COM BASE EM PERIODICIDADE ANUAL. NULIDADE POR VÍCIO DE FORMA. DECISÃO INSUBSISTENTE. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. ERRO NA FORMULAÇÃO DO FATO GERADOR. ELEMENTOS INTRÍNSECOS. FUNDAMENTAIS. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Ofensa na identificação do aspecto temporal do fato gerador do IRPJ não se confunde com os elementos finalistas que culminam com a formalização do lançamento. Estes são ulteriores aos fundamentos intrínsecos. O vício cometido no levantamento, bem como a inobservância quanto aos elementos constitutivos portanto básicos e antecessores malferem o aspecto substancial da exigência; o segundo, apenas a sua forma extrínseca definida em lei ou em atos normativos expedidos pelo ente tributante, tipificandose o denominado vício de forma. Este se submete ao inciso II do art. 173 do CTN, e reclama um novo auto de infração despido dos respectivos vícios. Aquele quedase derruído se já atingido pela caducidade prescrita pelo inciso I, art. 173 do mesmo Estatuto Tributário. [Acórdão 10707687 Data da Sessão:16/06/2004 Relator: Neicyr de Almeida] IRRF DATA DO FATO GERADOR ERRO NA SUA INDICAÇÃO LANÇAMENTO NULO A precisa indicação na data da ocorrência do fato gerador é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erronia nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado. [Acórdão 10420365 Data da Sessão: 02/12/2004 Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa]. Sem dúvida que o erro na definição do aspecto temporal das contribuições macula o lançamento efetuado, conforme entendimento pacificado no âmbito deste Conselho, de sorte que não merece reparos decisão recorrida. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário, para NEGARLHE provimento, assim como CONHEÇO do Recurso de Ofício, para também NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10932.000368/200612 Acórdão n.º 1201001.318 S1C2T1 Fl. 23 22 Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10111.000719/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 22/05/2007, 30/07/2007
CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO.
Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução à zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição.
Numero da decisão: 3201-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. Em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, o produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 338 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução à zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 07 19 /2 00 7- 21 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos farmacêuticos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 115.615,91 (cento e quinze mil, seiscentos e quinze reais e noventa e um centavos). Na descrição dos fatos, a fiscalização consignou que o interessado por meio das Declarações de Importação (DI) nº 07/06602476 e 07/09997331, registradas, respectivamente, em 22/05/07 e 30/07/07, submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado em pó, requerendo a redução a zero das alíquotas de Cofins Importação e Pis/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1° do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. No entanto, no entender do autuante, apenas o produto cefaclor na forma anidra é citado na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante do Anexo I do citado decreto, assim, o produto monoidratado que foi importado não se enquadraria entre aqueles que fazem jus ao benefício fiscal. Ainda segundo o fiscal, “a hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa à especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero” e “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE. No caso do Cefaclor há o registro das duas hidratações do produto: Cefaclor anidro, CAS 53994733 e Cefaclor monohidrato, CAS 70356035. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10111.000719/200721 Acórdão n.º 3201001.992 S3C2T1 Fl. 94 3 Portanto, observase que existem dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821 /2006 tem direito à redução de alíquota”. Cientificado dos autos de infração em 15/08/07, conforme fls. 02 e 08, o interessado apresentou em 03/09/07 a impugnação de fls. 36/54, onde solicita preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseia ver respondidos, porém sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, passando emseguida a apresentar os argumentos de mérito, afirmando, em síntese, que o cefaclor é considerado gênero, que comporta as espécies cefaclor anidro (CAS 53994733) e cefaclor monoidrato (CAS 70356035); que a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística especificou o cefaclor com o CAS correspondente ao cefaclor monoidrato, conforme literatura técnica, corroborando o entendimento da empresa quando da aplicação da redução de alíquotas. O impugnante assevera que o Decreto nº 5.821/06 em seu anexo I, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição n° 338 o cefaclor, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, defende, ao contemplar o gênero, o legislador reduziu a zero a alíquota da Pis/Pasep Importação e da Cofins Importação para todas as espécies e, “não é dado ao aplicador da norma (no caso em concreto, da autoridade fiscalizadora) [dar] entendimento diverso dos conceitos consagrados pelas Ciências Farmacêuticas”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls.89/90, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 91/126), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras comoentendeu a D. Autoridade autuante”. Em 23/05/12, a empresa novamente compareceu aos autos para noticiar sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira, da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, que, após análise técnica e pericial, indicou pelo encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0817700 2009 001503 que tinha como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente (fls. 130/143). A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/05/2007, 30/07/2007 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 22/05/2007, 30/07/2007 CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. O cefaclor monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/Pasep Importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]” No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10111.000719/200721 Acórdão n.º 3201001.992 S3C2T1 Fl. 95 5 constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº 701, de 27/12/065, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419033 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Atributos e Especificações de Nível 'U' Atributo AA CAS/DCB Especificações: 0001 070356035/ Cefaclor [...] Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 070356035, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefaclor. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratado e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 070356035 ao cefaclor monoidratado. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10111.000719/200721 Acórdão n.º 3201001.992 S3C2T1 Fl. 96 7 A decisão manteve a multa de ofício, por ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Ainda, posteriormente, foi juntado laudo técnico do Professor Ricardo Isidoro da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 16/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual a fiscalização manifestouse nos seguintes termos: Tendo em vista a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, por meio da Resolução nº 3201000.518 ( fls.284 a 290), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora e considerando o disposto na Solução de Consulta SRRF08/DISIT nº 8.052/2015, informamos que esta fiscalização acata o entendimento da mesma com relação ao produto Cefaclor Monoidratado, objeto do presente processo. Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, pelas Declarações de Importação 08/02550058 e 08/04377582, registradas, respectivamente, em 19/02/08 e 24/03/08, a Recorrente submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado, identificandoo como “cefaclor” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 338 CEFACLOR Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefaclor, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que “cefaclor” seria o gênero, de sorte que o decreto contemplaria todas as espécies da substância. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10111.000719/200721 Acórdão n.º 3201001.992 S3C2T1 Fl. 97 9 Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Ao se consultar referida lista, de fato, encontramos códigos distintos para “cefaclor” e “cefaclor monoidratado”, como se depreende: 01824 cefaclor 53994733 09368 cefaclor monoidratado 70356035 De acordo com pesquisas feitas pela Relatora, bem como perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (efls.91 e ss), a denominação “cefaclor” é empregada para designar a forma anidra da substância (ou seja, que não contém água em sua composição), ao passo que a sua forma hidratada, é identificada pela expressão “cefaclor monoidratado” (o termo "monoidratado" significa que à molécula do fármaco está associada uma molécula de água). O cefaclor é uma cefalosporina (grupo de antibióticos) que se apresenta de diversas formas, como se verifica de excertos do laudo técnico, do Eng° José Carlos Sperandéo, acostado aos autos às efls.120 e ss.: 1.4 CEFACLOR Cefaclor é um antibiótico da classe das cefalosporinas. É considerada uma cefalosporina de segunda geração por apresentarem maior atividades contra bactérias Gram negativas. [7] [8] Encontrase registrado no Chemical Abstract Service sob o no 53994733 na forma anidra e 70356035 para a forma monohidratada com o nome químico, Acido [6R[6a, 7[3(R*M 7[(aminofenilacetil)amino]3cloro8oxo 5tia1 azabiciclo[4.2.0] octa2eno2carboxilico monohidrato. [7] [8] [9] [10] [12] [13] Os medicamentos à base de cefaclor são indicados para tratamento de infecções do trato respiratórios inferior e trato Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 superior; tratamento de infecções da pele e do trato urinários causados por microorganismos. [7] [8] Cefaclor apresenta as seguintes formulas molecular, estrutural molecular: Fórmula Molecular: C 15 11 14 CIN 304 S x H 20 Peso Molecular:[9] Forma anidra — 367,81 Forma monoidratada — 385,82 [...] A molécula de cefaclor é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresenta várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma diidratada. [9] [14] Nas referências bibliográficas e farmacopéias indicam somente o uso da forma monohidratada, considerada a mais estável e de fácil dissolução. A potência ou o teor deve ser indicado em relação à sua forma anidra. [7] [8] [9] [10] [12] [13] [14] Cefaclor monohidratado pode ser obtido pelo tratamento do Cefaclor amorfo que é um produto de reação de sal de dana de Dfenilglicina, como a etil3 a carboxibenzilaminocrotonato •de potássio(obtido pela reação de Dfenilglicina e etilacetoacetato de etila), com sal de trimetilamina de ácido 7 amono3cloro3cefem4 carboxilico em meio da mistura de acetonitrila/dimetilformamida/água e isolando um produto cristalino pela acidificação da mistura e correção do pH para 4,5. [15] Cefaclor cristalino é obtido por uma simples filtração com resfriamento, e depois é suspenso em água, acidificado até a completa dissolução e ajustando novamente para pH 4,5 e resfriando lentamente onde começa a cristalização do Cefaclor monohidratado que é recuperado por filtração. Nessa etapa pode ser adicionado um cristal de Cefaclor monohidratado que funcionará como semente. [15] A denominação Cefaclor encontrase registrado na lista de denominação comum brasileira, lista DCB consolidada 2007, com o número código de posição 01824 e CAS 53994733 referente a Cefaclor anidra. [11]. Nas Farmacopéias também se encontra indexado somente com a denominação Cefaclor que engloba todas as formas de hidratação. [7], [8], [9] [10] [16] [18] Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10111.000719/200721 Acórdão n.º 3201001.992 S3C2T1 Fl. 98 11 Cefaclor também é a denominação que se encontra indexado no INN (Internacional Nonproprietary Names for Pharmaceutical Substances da Organização Mundial da Saúde (WHO). [8] Mais adiante, já na resposta aos quesitos, temse: 7) Qual a diferença entre CEFACLOR, CEFACLOR ANIDRO E CEFACLOR MONOHIDRATADO? Explique detalhadamente (aplicação, função principal e secundária, formula estrutural, característica físicas e químicas, etc.). Cefaclor na forma monohidratada é um insumo farmacêutico ativo que apresenta atividade antibiótica. È utilizado na formulação de medicamentos indicados para tratamento de infecções do trato respiratório inferior e trato superior; tratamento de infecções da pele e do trato urinários causados por microorganismos.[7] [8] Cefaclor apresenta a seguintes formulas molecular, estrutural e peso molecular: A molécula de cefaclor é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresenta várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma dihidratada. [9] [14] Nas referências bibliográficas e farmacopéias indicam somente o uso da forma monohidratada, considerada a mais estável e de fácil dissolução. A potência ou o teor deve ser indicado em relação à sua forma anidra. [7] [8] [9] [10][12] [13] [14] Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 A denominação cefaclor encontrase registrado na lista de denominação comum brasileira, lista DCB consolidada 2007, com o número código de posição 01824 e CAS 53994733 referente a cefaclor anidra. [11] Nas Farmacopéias também se encontra indexado somente com a denominação cefaclor que engloba .todas as formas de hidratação. [7], [8], [9] [10] [16] [18] Cefaclor também 6 a denominação que se encOntra indexado no INN (International Nonproprietary Names for Pharmaceutical Substances da Organização Mundial da Saúde (WHO). [8]). Observese que a presença da água na estrutura cristalina não se relaciona, conforme leitura de informe técnicos, com a impureza da substância e, com base nesse e outros argumentos, a Recorrente afirma que CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras ou hidratadas. Verificase que não há controvérsia quanto ao fato de haver distinção entre os produtos (na forma anidra e na forma hidratada), chegando a empresa a registrar isto expressamente na fl. 87: “É importante ora firmar, que em momento algum, a IMPUGNANTE afirmou que o CEFACLOR existe tão somente na forma monoidratado”. Na Tarifa Externa Comum, o cefaclor está assim classificado: 2941.90.33 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Portanto, poderseia deduzir que como a Nomenclatura não faz a distinção, e que o produto químico, em suas formas anidra ou hidratada, não se diferenciam em seus efeitos químicos, que o benefício contemplaria o princípio ativo, indistintamente. Não obstante, como apontou a fiscalização, a cefalexina, que, da mesma forma está classificada na NCM 2941.90.33, é apontada em ambas as versões no Anexo I do Decreto n. 6426/2008: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA Aliandose essa informação com o fato de que o CEFACLOR é identificado na classificação farmacológica, em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderia se inferir que o legislador não estendeu o benefício fiscal para o CEFACLOR monoidratado. O fato de a NVE consignar como “CEFACLOR” a sua versão monoidratada, utilizandose do código CAS respectivo, não é suficiente para se constituir uma exegese segundo a qual as normas jurídicas tributárias não distinguiriam o regime jurídico para as diversas formas de apresentação da substância. Isto porque, as NVEs prestamse ao controle estatístico do comércio exterior, não se revestindo do mesmo rigor ao qual devem ser submetidas as normas jurídicas que concedem benefícios fiscais. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10111.000719/200721 Acórdão n.º 3201001.992 S3C2T1 Fl. 99 13 Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cafadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, tratase a Solução de Consulta n. 75 de importante orientação da Administração para uma questão extremamente tormentosa. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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