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Numero do processo: 16327.001244/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
IRPJ. DEDUÇÃO DE JUROS. OBRIGAÇÃO CIVIL. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Constatado que a instituição financeira foi designada, por decisão judicial, como depositária de imposto de renda sobre rendimentos auferidos por terceiros, os juros incidentes sobre os valores retidos constituem-se em despesa dedutível para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Exonerado o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, cancela-se também a exigência de CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DEDUÇÃO DE JUROS. OBRIGAÇÃO CIVIL. REGIME DE COMPETÊNCIA. Constatado que a instituição financeira foi designada, por decisão judicial, como depositária de imposto de renda sobre rendimentos auferidos por terceiros, os juros incidentes sobre os valores retidos constituemse em despesa dedutível para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Exonerado o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, cancelase também a exigência de CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 44 /2 00 8- 22 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 292 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 293 3 Relatório BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE BRASIL S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1661.183 lavrado pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram lavrados, em 27/08/2008, contra a instituição financeira contribuinte acima identificada, os Autos de Infração a seguir discriminados, para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulados, no valor total de R$ 2.867.421,22 (fl. 02). a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real (fls. 46/52): Total do Crédito Tributário: R$ 2.108.397,98, sendo R$ 886.629,82, a título de IRPJ; R$ 556.795,80, a título de juros de mora calculados até 31/07/2008; e R$ 664.972,36, a título de multa proporcional (75%); Fato Gerador: 31/12/2003 e 31/12/2004; Enquadramento legal: (001) ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS: § 1º do art. 344 e art. 249 do RIR/99. b) Contribuição Social (CSLL) (fls. 53/58) Total do Crédito Tributário: R$ 759.023,24 sendo R$ 319.186,73, a título de CSLL; R$ 200.446,47, a título de juros de mora calculados até 31/07/2008; E R$ 239.390,04, a título de multa proporcional (75%); Fato Gerador: 31/12/2003 e 31/12/2004; Enquadramento legal: (0001) CSLL (FINANCEIRAS). ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL (FINANCEIRAS DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15/12/1988; art. 1º da Lei nº 9.316/1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002 e § 1º do art. 344 do RIR/99. 2. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 37 a 45, o auditor fiscal autuante, ao descrever os fatos, expõe que 2 a contribuinte foi intimada em 11/04/2009 (Termo de Intimação Fiscal – TIF – nº 04 – fls. 9) a (i) apresentar demonstrativo contendo todos os lançamentos, mês a mês (de janeiro de 2003 a dezembro de 2005) das contas 4.9.4.20.90.0052 — Impostos não Recolhidos — Decisão Judicial e 4.9.4.20.90.0532 — Provisão para PIS Agosto/98, devidamente conciliadas com suas respectivas contrapartidas (8.1.9.90.00006 — DESPESAS DIVERSAS e RESULTADO CM.PIS 8.1.9.99.00.0546), (ii) anexar cópia da ação judicial que deu respaldo aos lançamentos, com a respectiva situação à época da intimação dessa ação judicial, e (iii) informar o tratamento tributário dado à atualização monetária Selic, lançada a débito da conta 8.1.9.90.00006 – DESPESAS DIVERSAS e RESULTADO CM PIS – 8.1.9.99.00.0546) quando da apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 294 4 em 14/05/2008, a contribuinte em atendimento à intimação fiscal, (I) apresenta o demonstrativo solicitado, (II) informa que os valores da atualização monetária lançada a débito da conta 8.1.9.90.00006 – DESPESAS DIVERSAS e RESULTADO CM PIS – 8.1.9.99.00.0546 foram contabilizados a título de juros e remuneração sobre contas a pagar e considerados como despesas dedutíveis no cálculo do IRPJ e da CSLL e (III) quanto à cópia da decisão judicial solicitada, registra que: a) os valores registrados na conta "Provisão para PIS — Ago/98" # 4.9.4.20.90.0532, referemse aos valores PIS devidos no período de março de 1998 a janeiro de 1999, cuja a exigibilidade está suspensa conforme liminar deferida dos autos do M.S. 97.00621294. Seguem em anexo, cópia da decisão que deferiu a liminar (Doc.1) e cópia de consulta sobre o andamento do AMS n° 1999.03.99.0633610, no site do TRF da 3a Regido (Doc. 2). b) o valor registrado na conta "Impostos Não Recolhidos — Decisão Judicial" referemse a Imposto de Renda Retido na Fonte — IRF, sobre uma operação de um cliente, não recolhido aos cofres públicos, conforme decisão judicial e mantidos por esta instituição financeira à disposição do Juízo, conforme sua determinação. Anexa cópia do ofício nº 2.332 – DP –3a. Turma (Doc. 3), expedido nos autos do Agravo n 2002.02.01.049261, que suporta o procedimento descrito. Às fls. 38 e 39, o auditor fiscal reproduz as tabelas com valores da Provisão para o PIS – Ago/98 e Impostos não recolhidos – Decisão Judicial, conforme abaixo Fl. 294DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 295 5 Em 23/06/2008, a contribuinte foi intimada (TIF nº 05 – fl. 22) a esclarecer se os valores lançados como despesa dedutível (contas 8.1.9.90.00006 — Despesas Diversas e Resultado C.M. PIS — 8.1.9.99.00.0546) nos anoscalendário de 2003 e 2004, foram posteriormente revertidos e lançados como receita tributável em períodos subseqüentes, apresentando, em caso positivo, a documentação comprobatória; A contribuinte, atendendo à TIF nº 05, assim respondeu em 14/07/2008: 2.1. Sob os tópicos “DAS IRREGULARIDADES APURADAS” a autoridade fiscal registra que: a partir do Razão dos anos de 2003 a 2005 disponibilizado em meio magnético, constatase que a fiscalizada mantinha no Passivo no grupo "Impostos e Contribuições a Recolher", obrigações não recolhidas —Decisão Judicial, referentes ao PIS e ao IRF sobre aplicação financeira; em 01/01/2003, já existia saldo credor das Obrigações "Subjudice", sendo que os valores principais dos tributos e contribuições compunham o saldo inicial das Obrigações não Recolhidas — Decisão Judicial em 2003. Tais Fl. 295DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 296 6 Obrigações foram atualizadas pela taxa selic no período de 2003 e 2004, e as respectivas contrapartidas foram lançadas em conta de despesas que diminuíram, indevidamente, a base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL da empresa no ano calendário de 2003 e 2004. Constatouse que não houve lançamento de atualização daquelas obrigações no ano calendário de 2005; consultada a contribuinte sobre o tratamento tributário dado as inclusões de atualizações (Taxa Selic) nas Obrigações a Pagar, a titulo de Provisão para PISAgosto/1998 e de Impostos não Recolhidos — Decisão Judicial, tendo como contra partidas Despesas, informou que as mesmas foram consideradas como despesas dedutíveis no cálculo do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido; a contribuinte foi intimada a esclarecer se os valores lançados como despesas dedutíveis no ano calendário de 2003 e 2004 a titulo Atualização Monetária Selic, foram revertidos e lançados como receita tributável em períodos subseqüentes. Em resposta informou que do valor total de R$. 1.339.622,28 contabilizado como atualização monetária na conta Despesas Diversas 8.1.9.99.0016 em 2003, R$. 1.029.649,24 foram revertidos em 06.02.2004 e lançados na conta Rendas Diversas 7.1.9.99.000019, o qual foi submetido à tributação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido em 2004. Informou, ainda, que os valores contabilizados na conta Resultado de C.M.PIS — 8.1.9.99.000546, não sofreram nenhuma reversão; Não obstante tratarse de atualização de tributos/contribuições com exigibilidade suspensa, conforme se depreende das cópias das decisões judiciais, a fiscalizada não os adicionou na Apuração do Lucro Real e da CSLL nos anos calendários de 2003 e 2004, por entender que os mesmos seriam despesas dedutíveis, como ficou caracterizado em sua resposta mencionada acima; Nesse sentido o RIR/99 no § 1º do artigo 344, é bem claro ao definir sobre a indedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa ao definir que a dedutibilidade constante do "caput" não se aplica aos mesmos. No caso em tela, a taxa selic tratase de um acessório obrigação principal, sujeitandose as mesmas regras deste. (às fls. 41 transcreve o referido § 1º, bem como a jurisprudência firmada sobre o assunto, conforme decisão em processo de Consulta a SRRF 6a RF); o procedimento adotado pelo contribuinte reduziu o lucro tributável em 2003, nos valores de R$. 1.339.622,28 (Despesas Diversas8.1.9.99.00.0016) e R$. 2.206.897,05 (8.1.9.99.00.0546) e em 2004 de R$. 90.900,57 (Despesas Diversas8.1.9.99.00.0016); o procedimento adotado pelo contribuinte reversão lançada em conta Rendas Diversas não se trata de Inobservância do Regime de Competência, prevista no art. 273 do RIR199. Por que somente se configurará a hipótese de postergação do pagamento se a parcela da diferença apurada a este titulo, do imposto ou contribuição social relativa a determinado períodobase, for efetiva e espontaneamente paga com os respectivos acréscimos legais (multa e juros de mora pelo prazo da postergação e correção monetária nos períodos em que era cabível) antes de qualquer procedimento fiscal de oficio contra o contribuinte Fl. 296DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 297 7 (PN Cosit nº 2, de 1996, item 6.1). Portanto, conforme acima exposto, a reversão citada pelo contribuinte não tem o condão de anular a falta de adição do lucro real e da CSLL da Despesa de R$. 1.339.622,28, no ano calendário de 2003. Por que os valores não são coincidentes, uma vez que a mencionada reversão contabilizada no ano de 2004 foi de R$.1.029.649,24,e a despesa indedutível não adicionada ao Lucro Real e na base de cálculo da CSLL no ano calendário de 2003 foi de R$ 1.339.622,28, como também, não se verificou nenhum recolhimento dos acréscimos legais(multa e juros) sobre o referido valor. Além do que, consoante o item 5.2 do PN Cosit n2 2, de 1996, aplicam se, tanto ao contribuinte como ao fisco, os comandos relativos à inexatidão quanto ao período de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa, como previsto no § 2º do art. 247 do RIR/1999. Isto e, deverá recomporse o resultado para ser excluída a receita do lucro liquido correspondente ao período de apuração indevido e adicionála ao lucro liquido do período competente; em sentido contrário, deverá adicionarse o custo ou despesa ao lucro liquido do período de apuração indevido e excluílo do lucro liquido do período de competência. Ou seja, não foram obedecidos pelo contribuinte os procedimentos legais que pudessem caracterizar inexatidão de escrituração de período de competência Com a finalidade de apuração do valor do crédito tributário, no caso, a atualização das Obrigações pela taxa Selic foram analisadas as contas (COSIF), onde constam os registros contábeis das Obrigações, bem como dos lançamentos das contra partidas" em outras despesas operacionais". Com base no Razão fornecido pelo contribuinte (fls. 13), em meio magnético, elaboramos as planilhas abaixo com as seqüências dos lançamentos em 2003 e 2004, conforme “REGISTRO DAS OBRIGAÇÕES A RECOLHER DO PIS E DAS ATUALIZAÇÕES PELA TAXA SELIC”; “REGISTRO DAS OBRIGAÇÕES A RECOLHER DO IRF E DAS ATUALIZAÇÕES PELA TAXA SELIC”; “REGISTRO DAS DESPESAS COM A ATUALIZAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES IDENTIFICADAS ACIMA PELA TAXA SELIC, REFERENTE AO IRF E PIS” explicitados às fls. 42 a 44; As despesas indedutíveis apuradas no curso da ação fiscal são as seguintes: verificase a existência de infração à legislação do IRPJ e CSLL, pela falta de adição ao Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL, de despesas indedutíveis. 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (Procuração à fl. 98), apresentou, em 25/09/2008, a impugnação de fls. 80 a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 298 8 94, acompanhada dos documentos de fls. 96 a 144. Após descrição dos fatos a contribuinte consigna que considera não litigioso o crédito tributário decorrente da glosa de despesas de atualização da conta "4.9.4.20.90.0532 Provisão para PIS Agosto/98", tendo acostado às fls. 120 e 121 os correspondentes recolhimentos (DARF). 3.1. No tópico DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DA DESPESA VINCULADA À CONTA "4.9.4.20.90.0052 Impostos não Recolhidos DECISÃO JUDICIAL" a interessada expõe que: • Os valores registrados na conta "4.9.4.20.90.0052 Impostos não Recolhidos Decisão Judicial" correspondem ao IRF incidente, nos termos da Lei n ° 9.779, de 1999, sobre rendimentos auferidos pela COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN, em operações de hedge celebradas com a IMPUGNANTE; • nos termos da legislação de regência, caberia à IMPUGNANTE, na qualidade de fonte pagadora dos rendimentos auferidos pela CSN na operações de hedge, efetuar a retenção ao respectivo IRF e efetuar o recolhimento do respectivo montante aos cofres públicos; • no caso concreto, o referido IRF foi questionado pela CSN por meio da ação judicial n ° 2002.02.01.0492621, tendo o Tribunal Regional Federal (TRF) da 2a Região proferido decisão determinando que a IMPUGNANTE retivesse o referido IRF, mas que, em vez que efetuar o recolhimento do respectivo montante à União Federal, os recursos permanecessem com ela, à disposição do juízo, conforme parte da decisão extraída do documento de fls. 123 a 126, que transcreveu à fl. 85 e abaixo reproduzido: • a IMPUGNANTE efetuou a retenção do IRF incidente sobre os rendimentos decorrentes das operações de hedge efetuadas pela CSN, mas manteve os recursos em seu poder, sem efetuar qualquer recolhimento à União Federal; • Ao assim proceder, a IMPUGNANTE tornouse depositária de quantia pertencente a terceiro, no caso, a CSN; ao final da ação judicial, caso a CSN viesse a ser vitoriosa, os recursos correspondentes ao IRF descontado deveriam Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 299 9 lhe ser devolvidos; caso o resultado da ação fosse desfavorável A CSN, a IMPUGNANTE deveria recolher o respectivo montante A União Federal; • diversamente do que ocorre com a obrigação da CSN relativa ao pagamento do IRF, que pode deixar de existir, caso ela venha a ser vitoriosa na ação judicial, a obrigação de a IMPUGNANTE restituir os recursos correspondentes ao IRF por ela retido existirá independentemente do desfecho da referida discussão judicial, devendo a restituição ser feita a quem sair vitorioso na ação, seja a CSN, seja a União Federal; • Tanto é assim que, as próprias autoridades fiscais reconhecem, no Parecer Normativo (PN) COSIT n ° 02, de 2001, que, tendo havido a retenção, a falta de pagamento do IRF pela fonte pagadora corresponderá a crime de apropriação indébita; • é evidente que os valores retidos pela IMPUGNANTE da CSN não correspondem a uma obrigação meramente tributária, já que ela subsiste ainda que o IRF venha a ser considerado não exigível, constituindose, isto sim, numa obrigação de natureza civil; • aplicamse aos juros incidentes sobre o IRF retido pela IMPUGNANTE as normas de dedutibilidade aplicáveis as obrigações em geral, e não aquelas relativas a obrigações com tributos com exigibilidade suspensa; • A situação da IMPUGNANTE se equipara a da Caixa Econômica Federal (CEF), depositária de recursos depositados no âmbito de ações judiciais em que se questionam tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; • A CEF tem a obrigação de devolver os recursos depositados aos seus cuidados, atualizados pela SELIC, ao contribuinte ou à Unido Federal, conforme o desfecho da ação judicial. Em razão disso, apropria juros aos referidos valores, os quais são considerados despesa dedutível para fins de IRPJ e CSL; • Se assim é, pela mesma razão deve a IMPUGNANTE, na qualidade de depositária dos recursos correspondentes ao IRF incidente sobre os rendimentos auferidos pela CSN, apropriar juros a esses valores e considerálos despesa dedutível para fins de IRPJ e CSL; • deve essa parcela do AUTO ser cancelada. 3.2. Sob o tópico “DA RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO AUTO EM RAZÃO DA OCORRÊNCIA DE MERA POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DE PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NELE LANÇADO”, a impugnante alega que, mesmo que se entendesse que a despesa relativa à atualização da conta "4.9.4.20.90.0052 Impostos não Recolhidos Decisão Judicial" não seria dedutível para fins de IRPJ e CSL, ainda assim os AUTOS deveriam ser retificados, para que fossem excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSL nele lançados o valor desses tributos pago em 2004, por conta de reversão de parte da referida despesa. 3.2.1. Reportandose ao relatado no TVF. Lembra ter deduzido no período base de 2003 e em janeiro de 2004 despesas no montante de R$ 1.248.721,71 e R$ 90.900,57, respectivamente, relativas à atualização do saldo da conta “4.9.4.20.90.0052 – Imposto não Recolhidos – Decisão Judicial” pela Taxa Selic, mas que, em 06/02/2004, parcela substancial dessa despesa (R$ Fl. 299DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 300 10 1.029.649,24) teria sido revertida (anulada pelo registro de receita desse valor na conta "7.1.9.99.000019 Rendas Diversas"), ocasionando pagamento a maior não só do IRPJ e da CSL devidos no encerramento do período base de 2004, mas também da antecipação dos referidos tributos efetuada com base no balancete de redução de junho de 2004 (DOC. 04 – fls. 128/143). 3.2.2. Defende a impugnante que o AUTO deveria ter quantificado o IRPJ e a CSL que seriam devidos em função da glosa das referidas despesas pelo seu valor liquido, isto é, após a dedução do valor do IRPJ e da CSL que a IMPUGNANTE pagou a maior em 2004 em razão do registro da receita de R$ 1.029.646,24, contestando o entendimento exposto pelo autuante no TVF, com base na disposição contida no art. 6º, §§ 4º e 6º, do Decretolei nº 1.598, de 1977. E nesse diapasão argúi, com base na disposição legal invocada, que: • verificase que a inobservância do regime de competência pode, ou não, resultar na postergação do pagamento de imposto; se resultar, o lançamento do imposto ou da sua diferença será feito pelo valor liquido (isto é, após compensados os impostos que tiverem sido pagos relativamente aos períodos base posteriores e que se tornaram indevidos pela correção na aplicação do regime de competência), com os acréscimos de correção e de juros de mora pelo prazo de postergação do pagamento; • O referido dispositivo determina que, para o cálculo da diferença a ser lançada, deve o fiscal autuante recompor o resultado dos períodos base em que houve o lançamento indevido de despesa e de receita, a fim de que se quantifique o montante que deixou de ser pago, com os devidos acréscimos legais, e aquele que foi pago a maior em período subseqüente; a diferença será objeto do lançamento de oficio; • Ao referirse a lançamento pelo valor liquido, é evidente que o legislador não exigiu, para a caracterização da postergação de pagamento de tributos, que o pagamento em período posterior fosse integral e com todos os acréscimos previstos na legislação, já que, se assim fosse, não restaria qualquer diferença a ser lançada; •• Nesse mesmo sentido dispõe o Parecer Normativo COSIT nº 02, de 1996, em seus parágrafos 5, 5.1, 5.2, 5.3 e 7, que transcreve às fls. 89 e 90; • ao deduzir a despesa correspondente aos juros SELIC incidentes sobre os recursos do IRF, a IMPUGNANTE no entender da fiscalização teria incorrido em erro, porquanto a referida dedução só poderia se dar quando do desfecho da ação judicial, fosse qual fosse o vitorioso, ou seja, CSN ou Unido Federal; • essa remuneração à base dos juros SELIC somente seria dedutível pelo regime de caixa, força do que a IMPUGNANTE teria de ter procedido a uma adição extracontábil para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL de 2003; • Caso essa adição tivesse ocorrido, a IMPUGNANTE registraria um lançamento a crédito na parte de B do Livro de Apuração do Lucro Real Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 301 11 LALUR, o qual lhe daria o direito a uma exclusão futura, nas bases de cálculos do IRPJ e CSL, pelo pagamento ou reversão do referido valor; • em se tratando de uma antecipação (ou tendo o efeito desta), a hipótese se enquadraria como sendo a de inobservância do regime próprio de escrituração a que se refere o art. 6 ° e §§ do DL n ° 1598, de 1977; assim, indubitável que o registro contábil da receita que, em parte, neutralizou a dedução da despesa correspondente Aqueles juros leva a que a situação da IMPUGNANTE seja tratada como de mera postergação de pagamento de IRPJ e CSL relativos a 2003; • Em razão da nãoadição da despesa no exercício de 2003, a IMPUGNANTE também não excluiu o respectivo valor em 2004, quando de sua reversão, tendo sido ele oferecido A tributação naquele períodobase. Dessa forma, a nãodedução, da base de cálculo dos AUTOS, do valor da despesa já tributado em 2004, implica na sua bitributação; • Mesmo que se pretendesse dizer que a despeito dessa equivalência de efeitos a hipótese da IMPUGNANTE não seria efetivamente de inobservância do regime próprio (competência) de escrituração contábil, e que, portanto, a questão estaria circunscrita a um erro na escrituração estritamente fiscal (ausência de adição extracontdbil de despesa somente dedutível pelo regime de caixa), nem por isso a hipótese deixaria de ser a de uma mera postergação no pagamento de IRPJ e de CSL, já que o art. 6 ° e §§ do DL n ° 1.598, de 1977, não têm sua aplicação restrita A inobservância do regime próprio (competência) de escrituração contábil, alcançando também a escrituração fiscal; • Por outro lado, a jurisprudência é também pacifica no sentido de que a inobservância, por parte da fiscalização, das regras previstas no art. 6° e §§ do DL n ° 1.598, de 1977, e no PNCOSIT n ° 02, de 1996, fulmina por completo o lançamento, reportandose a ementas de acórdãos do antigo conselho de Contribuintes que colaciona às fls. 92/93. 3.3. Em conclusão, a impugnante pede e espera (...) que os AUTOS sejam cancelados na parte considerada litigiosa pela IMPUGNANTE, ou seja, relativa ao IRPJ e à CSL exigidos em decorrência da glosa das despesas com juros vinculadas à conta "4.9.4.20.90.0052 Decisão Judicial" ou, senão isso, que a base de tributação dos AUTOS seja retificada para que dela sejam considerados o IRPJ e CSL pagos a maior pela IMPUGNANTE em 2004 ante o oferecimento à tributação de receita que equivaleu a um estorno de parte das referidas despesas glosadas Analisando a impugnação apresentada, a 8ª Turma da DRJ/SP1 julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 30 de setembro de 2014, uma terçafeira (fl. 173), apresentando em 17 de outubro de 2014 o recurso voluntário de fls. 200 219, e anexos (fls. 225283). O recorrente reforça os argumentos apresentados em sua impugnação, que podem assim ser sintetizados: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 302 12 Os valores registrados na conta "4.9.4.20.90.0052 Impostos não Recolhidos Decisão Judicial" dizem respeito ao IRRF incidente sobre rendimentos auferidos pela COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN, em operações de hedge celebradas com a recorrente; nos termos da legislação de regência, caberia à recorrente, na qualidade de fonte pagadora dos rendimentos auferidos pela CSN na operações de hedge, efetuar a retenção ao respectivo IRF e efetuar o recolhimento do respectivo montante aos cofres públicos; o referido IRRF foi questionado pela CSN por meio da ação judicial n ° 2002.02.01.0492621, tendo o Tribunal Regional Federal (TRF) da 2º Região proferido decisão determinando que a recorrente retivesse o referido IRRF, mas que, em vez que efetuar o recolhimento do respectivo montante à União Federal, os recursos permanecessem com ela, à disposição do juízo, tornandose a recorrente, portanto, depositário do referido IRRF; a recorrente efetuou a retenção do IRF incidente sobre os rendimentos decorrentes das operações de hedge efetuadas pela CSN, mas manteve os recursos em seu poder, sem efetuar qualquer recolhimento à União Federal, tornandose, assim, depositária de quantia pertencente a terceiro e à disposição do juízo; ao final da ação judicial, caso a CSN viesse a ser vitoriosa, os recursos correspondentes ao IRF descontado deveriam lhe ser devolvidos; caso o resultado da ação fosse desfavorável A CSN, a recorrente deveria recolher o respectivo montante à União Federal; em razão disso, independentemente do desfecho da referida discussão judicial, os recursos por ela retidos referentes ao IRRF em questão seriam restituídos, não se tratando, portanto de uma obrigação meramente tributária, mas sim uma obrigação de natureza civil, razão pela qual aplicamse aos juros incidentes sobre tal parcela de IRRF as normas gerais de dedutibilidade aplicáveis às obrigações em geral, e não aquelas relativas a obrigações com tributos com exigibilidade suspensa; contudo, a decisão de primeira instância entendeu que apesar de ser possível a existência de ordem judicial para que determinada instituição financeira figure como depositária de valor discutido judicialmente, a decisão judicial apresentada não permitiria identificar a designação da recorrente como depositária do IRF retido da CSN; a esse respeito, a recorrente reforça seus argumentos de impugnação no sentido de que foi designada depositária do IRF retido de CSN. A fim de dirimir qualquer dúvida a respeito, anexou cópia de decisão proferida em sede de Agravo de Instrumento (doc. 01 fls. 227228) na qual consta expressamente a incumbência dada a recorrente de ser depositária de tais valores; argumentou ainda que a situação da recorrente se equipara a da Caixa Econômica Federal (CEF), depositária de recursos depositados no âmbito de ações judiciais em que se questionam tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, situação em que a CEF tem a obrigação de devolver os recursos depositados aos seus cuidados, atualizados pela SELIC, ao contribuinte ou à Unido Federal, conforme o desfecho da ação judicial. Em razão disso, apropria juros aos referidos valores, os quais são considerados despesa dedutível para fins de IRPJ e CSL; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 303 13 contudo, na decisão recorrida alegouse que com o advento da Lei nº 9.703/98 os recursos referentes a depósitos judiciais não mais ficavam em poder da CEF, sendo imediatamente disponibilizados à União; ocorre que a comparação feita pela recorrente referese à situação antes da edição de tal diploma legal, em que a CEF era depositária dos recursos depositados, sendo que, naquela época, a CEF podia apropria os juros aos referidos valores, os quais eram considerados despesa dedutível para fins de IRPJ e CSLL, devendo ser dado o mesmo tratamento ao caso concreto; por fim, e subsidiariamente, requer a retificação da base de cálculo dos autos em razão da ocorrência de mera postergação no pagamento de parte do crédito tributário em questão; isso porque dos R$ 1.248.721,71 de despesas consideradas pelo Fisco como indedutíveis no decorrer do anocalendário de 2003 e R$ 90.900,57 em janeiro de 2004, R$ 1.029.649,24 já haviam sido oferecidos à tributação em 06/02/2004 mediante registro de receita, ou seja, antes da realização do lançamento; analisando tal ponto, a turma julgadora de primeira instância considerou não devidamente comprovado tal oferecimento à tributação somente por meio da DIPJ apresentada pela recorrente; visando a dirimir quaisquer dúvidas a respeito, passou a demonstrar de maneira pormenorizada a composição de valores contidas em sua DIPJ, confrontandoos com os lançamentos contábeis correspondentes, tudo devidamente documentado. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 304 14 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, o contribuinte foi cientificado da decisão em 30 de setembro de 2014, uma terçafeira (fl. 173), iniciando a contagem do prazo de 30 dias para interposição de seu recurso no dia 1º de outubro de 2014. Desse modo, o termo final para sua apresentação era o dia 30 de outubro de 2014. Logo, tendo sido o recurso voluntário interposto em 17 de outubro de 2014, o mesmo mostrase tempestivo. Em consequência, considerando que foram preenchidos os demais pressupostos legais, dele tomo conhecimento. 2 MÉRITO A questão controvertida nos autos é absolutamente simples. A recorrente argumenta que, em atendimento a uma decisão judicial, realizou a retenção na fonte em operações de hedge realizadas por um de seus clientes (CSN) mas não a recolheu aos cofres públicos, mantendoos à disposição do juízo competente. Nesse cenário, passou a registrar os juros incidentes sobre tais valores (taxa Selic) e reconhecendo tal remuneração como despesa dedutível para fins de determinação das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, assim como o faz para qualquer obrigação civil. No entender da recorrente, não se poderia dar o tratamento de despesas tributárias ao IRRF em questão por se tratar de obrigação civil, em que, qualquer que fosse o deslinde do processo judicial em questão, teria que repassar os recursos ou para a União, para CSN. A decisão recorrida, por sua vez, firmou entendimento de que não era possível, a partir da liminar deferida, concluirse que a recorrente teria mesmo sido designada como depositária de tais valores. Compulsando o doc. 01 anexado pela recorrente em seu recurso voluntário (decisão proferida em agravo de instrumento), não me resta dúvida de que lhe assiste razão. Reproduzo excerto da decisão colacionada às fls. 227228 dos autos: [...] Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 305 15 Entendo, assim, não haver mais qualquer dúvida a respeito de a recorrente, de fato, ter sido designada depositária de tais recursos em razão de explícita decisão judicial. É importante observar que a recorrente era tão somente responsável por realizar tal retenção (por força de lei), e a decisão judicial proferida visava a resguardar interesse do contribuinte que auferiu as receitas financeiras que deram ensejo à retenção. Nesse cenário, a questão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, e também dos juros sobre ele incidente, poderia, no máximo, ser analisada sob o enfoque do contribuinte de tais rendimentos (CSN), e jamais da recorrente, que simplesmente foi obrigada, por decisão judicial, a não recolher o imposto de renda incidente sobre operações financeiras (hedge) e que a ela competia reter. Portanto, os juros incidentes sobre tais valores, efetivamente, nada tinham a ver com uma obrigação tributária da recorrente. A questão tributária ali atinente, repitase, dizia respeito ao contribuinte. Por consequência, alinhome ao entendimento da recorrente que estávamos diante de uma mera obrigação civil. E, tratandose de uma instituição financeira, os juros por ela pagos aos recursos em seu poder, em regra, são sempre despesas dedutíveis para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. E não vejo como aplicar qualquer exceção à regra no caso concreto. Como bem apontado em seu recurso, a situação ora analisada se amolda em perfeição ao que ocorria com a Caixa Econômica Federal antes do advento da Lei nº 9.703/98: os recursos de depósitos judiciais eram pela CEF remunerados, sendo tais juros considerados despesas dedutíveis. Naquele caso, os depósitos eram realizados na CEF por força de lei. No caso concreto, ficaram em poder da recorrente por força de decisão judicial. As consequências tributárias, por sua vez, entendo que também devam ser idênticas, não havendo que se falar em indedutibilidade das despesas em questão. Como consequência, deixo de analisar ao ponto controvertido atinente à postergação. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001244/200822 Acórdão n.º 1402002.071 S1C4T2 Fl. 306 16 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13116.721899/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite-se o creditamento no que concerne a dispêndios com vale-refeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM PROPAGANDA E COM ORDENADOS, SALÁRIOS, COMISSÕES, GRATIFICAÇÕES E OUTRAS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS. CREDITAMENTO. INADMISSIBILIDADE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com propaganda, bem como com ordenados, salários, comissões, gratificações e outras remunerações pagas a empregados. Nessa última hipótese, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em seus correspondentes § 2º, inciso I, do artigo 3º, vedam, expressamente, o creditamento decorrente do pagamento de mão-de-obra a pessoa física.
Recurso do qual se conhece em parte para negar-lhe provimento.
Numero da decisão: 3301-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUMENTOS ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE RESSARCIMENTO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO NA FORMA ELETRÔNICA. LEGITIMIDADE. Ressalvadas as exceções previstas na norma que regulamenta o assunto, a exigência de apresentação de pedido de ressarcimento e de restituição por via eletrônica é legítima, e está alicerçada no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALEREFEIÇÃO OU VALEALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 99 /2 01 3- 75 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 211 2 No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite se o creditamento no que concerne a dispêndios com valerefeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM PROPAGANDA E COM ORDENADOS, SALÁRIOS, COMISSÕES, GRATIFICAÇÕES E OUTRAS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS. CREDITAMENTO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com propaganda, bem como com ordenados, salários, comissões, gratificações e outras remunerações pagas a empregados. Nessa última hipótese, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em seus correspondentes § 2º, inciso I, do artigo 3º, vedam, expressamente, o creditamento decorrente do pagamento de mão deobra a pessoa física. Recurso do qual se conhece em parte para negarlhe provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília (fls. 173/178 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, mantendo, consequentemente, o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento que inaugurou o processo. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 212 3 O pleito diz respeito a pedido de ressarcimento de PIS/PASEP em formulário em papel, no valor de R$ 438.026,57, apurado nos anoscalendários de 2008 a 2012. Irresignada com o indeferimento do pedido a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou em síntese: a) que ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins/PIS seguindo o conceito de insumo de acordo com a legislação do imposto de renda, calculado sobre os custos incorridos com alimentação do trabalhador nos termos do art. 369 do RIR (Decreto 3000/1999), despesas de propaganda, conforme artigo 366 do mesmo RIR, e de remuneração paga ao trabalhador, alicerçada nos artigos 357 e 358 do Regulamento em evidência; b) que a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins sobre valerefeição e valetransporte está prevista literalmente no inciso X do art. 3º da Lei 10.833/2003; c) que teria legítimo direito ao crédito sobre os custos operacionais (e não sobre as atividades administrativas); d) que as instruções normativas que exigem o uso do Programa PER/Dcomp para pedir restituição/ressarcimento são ilegais porque contrariam normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica; e, e) que a aplicação da multa de 50% sobre o valor do crédito pleiteado é ilegal, pois os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 ofendem e não observam os princípios legais estipulados pela Lei 9.784/1999, que regulam e norteiam o processo administrativo no âmbito da administração pública federal. Requereu, por fim, o reconhecimento do direito aos créditos solicitados e o afastamento da multa de 50%. Não obstante os argumentos aduzidos pela reclamante, a manifestação de inconformidade não foi acolhida pela instância a quo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. UTILIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. CONDIÇÕES. O pedido de ressarcimento, utilizandose de formulário, só pode ser feito observandose as condições estabelecidas nos parágrafos 2º ao 5º do art. 113 da IN RFB nº 1.300/2012. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS NÃO CUMULATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. GASTOS COM MÃODEOBRA PAGOS A PESSOAS FÍSICAS. DESCONTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A alimentação do trabalhador não é aplicada ou consumida na prestação de serviços, não podendo ser considerada insumo para fins de creditamento de Cofins. Além disso não há previsão legal para o desconto de crédito incidente sobre esse tipo de despesa (custo). O creditamento de valores de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 213 4 mãodeobra pagos a pessoas físicas é vedado pelo art. 3º, parágrafo 2º da lei 10.637/2002. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O parágrafo 15 do art. 74 da Lei 9.430/1996 estabelece que será aplicada multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a inconstitucionalidade/ ilegalidade das leis e normas, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da referida decisão em 1º/10/2014 (fls. 180), a interessada, em 29/10/2014 (fls. 182), apresentou o recurso voluntário de fls. 182/207, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pelo cancelamento da multa isolada em vista da revogação do § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 656, de 2014. Diante do exposto, requer seja afastada a aplicação da multa de 50% sobre o direito creditório pleiteado, bem como seja considerada válida a utilização dos formulários da IN RFB nº 1.300/2012, afastandose a utilização exclusiva do pedido de ressarcimento via eletrônica. É o relatório. Voto Do conhecimento em parte recurso O recurso é tempestivo e formalizado por parte legítima. Não obstante, só poderá ser conhecido em parte em vista da renúncia parcial à instância administrativa, conforme demonstraremos a seguir. Conforme relatado, diante do indeferimento do pedido de restituição / ressarcimento foi aplicada a multa capitulada no § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/10, cuja redação era no seguinte sentido: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. O preceito em tela foi explicitamente revogado pelo artigo 4º, inciso II, da Medida Provisória nº 668, de 30/01/2015. Mas a discussão quanto à legitimidade da multa em questão foi levada ao Poder Judiciário, como informa a PGFN mediante ofício de fls. 141. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 214 5 De fato, nos termos do citado ofício, o sujeito passivo formalizou ação judicial questionando exatamente a exigência da multa em evidência. Aludido processo foi autuado sob o nº 201383.2014.4.01.3502 na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Anápolis. A formalização de pleito junto ao Poder Judiciário representa renúncia à instância administrativa, não podendo esta se manifestar sobre assunto já demandado na via judicial, em vista do princípio da unidade de jurisdição, previsto no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Essa questão, inclusive, já está pacificada no âmbito do CARF, cuja Súmula no 1 estabelece o seguinte: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não se pode, pois, conhecer do pedido de exoneração da multa de ofício, em vista da renúncia à presente instância administrativa pela propositura de ação judicial onde o mesmo direito é discutido. Conhecese, portanto, do pleito, exclusivamente quanto à suposta validade do pedido de restituição / ressarcimento em formulário de papel, bem como no que concerne ao direito de creditamento no regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep. Do pedido de ressarcimento em dissonância com as normas editadas pela Receita Federal O sujeito passivo alega que a instrução normativa que exige o uso do Programa PER/DCOMP para a solicitação de restituição ou de ressarcimento seria ilegal, uma vez que contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca teriam condicionado o direito à utilização da via eletrônica. Vejamos como a questão é tratada pela instrução normativa RFB nº 1.300, de 2012, questionada pelo sujeito passivo: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 215 6 esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...] Art. 46. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41. § 1º Também será considerada não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação. [...] Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. [...] Art. 113. Ficam aprovados os formulários: I Pedido de Restituição ou Ressarcimento Anexo I; [...] § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013) § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no § 1º do art. 46 ou no art. 111. § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. § 6º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. (grifos nossos) Pelo exposto, constatase que a IN RFB nº 1.300, de 2012, de fato, exigia a apresentação do pedido de compensação do sujeito passivo por via eletrônica mediante o uso do programa PER/DCOMP. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, o pleito da interessada se enquadra dentre aqueles cujo uso do programa PER/DCOMP é obrigatório, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 216 7 razão pela qual a não utilização da via eletrônica, ou seja, a opção pela apresentação de pleito com o uso de formulário, configura, na norma infra legal, hipótese de indeferimento sumário do pedido de compensação (artigo 111 da IN RFB nº 1.300/2012). Diante disso, a recorrente questiona a legalidade da reportada instrução normativa. Segundo entende, a norma em comento contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica. Não obstante, entendo que a instrução normativa em comento está, sim, devidamente respaldada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que reproduzo abaixo nas suas partes mais relevantes para o exame da questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 217 8 Como se vê, o § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 dá competência à Receita Federal para que a mesma discipline o rito procedimental do pedido de compensação de que trata o preceito em comento, ou seja, todo o artigo 74. Portanto, o legislador ordinário conferiu à administração tributária competência para a definição de condições e de regras destinadas a possibilitar o exame dos pleitos de compensação, de restituição e de ressarcimento, dentre os quais a exigência de apresentação eletrônica da maior parte desses pedidos, sem cuja exigência restaria impossível para o fisco a análise de tão exacerbado número de informações. Diante do exposto, e considerando que as exigências contidas na IN RFB nº 1.300/2012, aqui comentadas, estão alicerçadas pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, correto o entendimento da unidade de origem quando, fundamentada no artigo 111 da citada instrução normativa, indeferiu sumariamente o pedido de restituição / ressarcimento indevidamente apresentado em formulário de papel, já que a questão se subsume à obrigatoriedade de utilização do programa PER/DCOMP. Da inexistência de direito ao creditamento do PIS/Pasep Ainda que o caso não fosse de indeferimento sumário do pedido de restituição / ressarcimento, cumpre destacar, subsidiariamente, que a legislação que trata do regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS não dá direito ao creditamento em que se funda o sujeito passivo. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A discussão a respeito do alcance do conceito de insumo é acirrada e, de fato, há os que defendem que tal conceito deveria acompanhar a definição de custos e despesas nos termos da legislação do Imposto de Renda, tese encampada pela interessada, mas que entendemos não encontra respaldo legal. Com efeito, para Marco Aurélio Greco1, os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da não cumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS2, dado ser o IPI 1 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 2 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 218 9 [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Afastase, pois, a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade adotado pela legislação do Imposto de Renda. Assim, especificamente no que concerne a despesas com propaganda, bem como com ordenados, salários, comissões, gratificações e outras remunerações pagas a empregados, tais dispêndios, efetivamente, não poderão ser enquadrados como insumo, como defende a recorrente. Ademais, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em seus correspondentes § 2º, inciso I, do artigo 3º, vedam, expressamente, o creditamento decorrente do pagamento de mãodeobra a pessoa física. No que concerne a valerefeição ou a valealimentação, o artigo 3º, inciso X, restringe a possibilidade de creditamento em relação a aludidas rubricas exclusivamente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. É o que está explicitado no preceito em comento, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifo nosso) Não é esse, porém, o caso da interessada, que se dedica ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários (conforme seu cadastro junto ao CNPJ). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721899/201375 Acórdão n.º 3301002.736 S3C3T1 Fl. 219 10 Diante de todo o exposto, e ainda que o pleito não se enquadrasse em hipótese de indeferimento sumário, resta evidente que não haveria como se reconhecer direito ao crédito pleiteado, por falta de alicerce legal para tanto. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para conhecer em parte do recurso interposto pelo sujeito passivo, negandolhe, no entanto, provimento. Sala de Sessões, em 25 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10530.723542/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ATO MONOCRÁTICO. DESPACHO DO PRESIDENTE DE TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. RITO PROCESSUAL DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Das decisões colegiadas de primeira instância, é cabível a interposição de recurso voluntário nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Escapa às hipóteses desse rito processual específico o recurso do sujeito passivo contra ato administrativo monocrático, em forma de despacho, emitido pelo Presidente de Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Nessa situação, não se conhece do apelo do sujeito passivo por ausência do requisito intrínseco do cabimento recursal.
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 2401-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. Os Conselheiros CARLOS ALEXANDRE TORTATO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e RAYD SANTANA FERREIRA votaram por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento.
Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Impugnação Recorrente COOPERATIVA NACIONAL DE TRANSPORTE TERRESTRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ATO MONOCRÁTICO. DESPACHO DO PRESIDENTE DE TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. RITO PROCESSUAL DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Das decisões colegiadas de primeira instância, é cabível a interposição de recurso voluntário nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Escapa às hipóteses desse rito processual específico o recurso do sujeito passivo contra ato administrativo monocrático, em forma de despacho, emitido pelo Presidente de Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Nessa situação, não se conhece do apelo do sujeito passivo por ausência do requisito intrínseco do cabimento recursal. Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. Os Conselheiros CARLOS ALEXANDRE TORTATO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e RAYD SANTANA FERREIRA votaram por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 35 42 /2 00 9- 66 Fl. 4070DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.723542/200966 Acórdão n.º 2401003.937 S2C4T1 Fl. 4.071 2 (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face de pronunciamento monocrático da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), por meio do Despacho nº 88, de 21/6/2011, proferido pelo Presidente da 5ª Turma de Julgamento, o qual afirmou a impossibilidade do conhecimento da petição apresentada pelo sujeito passivo, dada que a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, concluindo ao final (fls. 4.022): "Por todo exposto, devolvamse os autos à unidade local para as providências de cobrança e demais subsequentes de sua competência" 2. De acordo com o relatório fiscal, às fls. 26/37, o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 37.206.1214, relativamente às competências 01 a 12/2005, compreendendo as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais. Devido à apresentação parcial de documentos pelo contribuinte, parte do crédito tributário foi apurado por arbitramento, mediante aferição indireta. 3. Cientificado da autuação por via postal em 4/11/2009, às fls. 382/383, o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 29/12/2009 (fls. 390/410). 3.1 O Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), lavrado em 10/11/2009, foi encaminhado ao contribuinte posteriormente também por via postal (fls. 384) 4. Na sequência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana negou seguimento à impugnação, por intempestiva (fls. 3.940/3.945). Com referência ao pronunciamento da unidade preparadora, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia de Julgamento, argumentando a tempestividade da impugnação (fls. 3.961/3.969). Fl. 4071DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.723542/200966 Acórdão n.º 2401003.937 S2C4T1 Fl. 4.072 3 5. Em relação à petição do contribuinte, houve manifestação na forma de despacho do Presidente da 5ª Turma da DRJ/SDR, alhures já mencionada (fls. 4.022). 6. Intimada do teor do despacho do Presidente da Turma em 26/7/2011, por via postal, conforme fls. 4.023, a recorrente protocolou petição, no dia 1º/8/2011, intitulada de recurso voluntário, dirigida ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (fls. 4.024/4.047). 6.1 Em síntese, quanto à tempestividade da impugnação, aduz a recorrente em sua peça recursal: i) ao receber o TEPF somente em 13/11/2009, via postal, remeteu a sua impugnação pelos correios, com datas de postagem e recebimento pela unidade preparadora, respectivamente, em 11/12/2009 e 14/12/2009, o que atesta a tempestividade da impugnação, cujo termo inicial para a contagem do prazo de trinta dias, previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, é a ciência do encerramento do procedimento fiscal. Enquanto sob procedimento fiscal, há fato impeditivo ao exercício do direito de impugnar o lançamento; ii) no dia 15/12/2009 apresentou à unidade preparadora documentos complementares à sua impugnação, devidamente recepcionados, de sorte que não compreende a razão de constar a interposição da impugnação apenas em 29/12/2009, conforme despachos proferidos nos autos; iii) o exame da tempestividade da impugnação é competência exclusiva da primeira instância julgadora, e não da unidade preparadora; e iv) é descabido exigir a preliminar de tempestividade na peça vestibular, porquanto a recorrente não tinha qualquer dúvida sobre o atendimento desse requisito de admissibilidade quando da remessa da petição por via postal. 6.2 Já no que tange ao mérito, sustenta a peticionante: i) a declaração de suspensão da autoridade lançadora; ii) o equívoco na conduta da autoridade fiscal em optar pelo arbitramento; iii) a existência de pagamentos que não foram deduzidos do crédito tributário exigido pela fiscalização; iv) a necessidade de limitar os juros de mora ao percentual de 1% (um por cento); Fl. 4072DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.723542/200966 Acórdão n.º 2401003.937 S2C4T1 Fl. 4.073 4 v) o caráter confiscatório da multa aplicada; e vi) a ilegitimidade da inclusão dos diretores como responsáveis pelos débitos. 6.3 Ao fim e ao cabo, a recorrente requer a declaração da tempestividade da impugnação, com instauração do contencioso administrativo e remessa dos autos para julgamento do mérito pela Delegacia de Julgamento; alternativamente, uma vez afastada pelo Conselho a intempestividade da impugnação, peticiona pela análise de mérito diretamente pela segunda instância. É o relatório. Fl. 4073DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.723542/200966 Acórdão n.º 2401003.937 S2C4T1 Fl. 4.074 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 7. A toda a evidência tratase de situação nada usual, porque o recurso voluntário foi interposto em face de um ato monocrático da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Assim, como questão prévia à análise do mérito recursal, interessa verificar se os requisitos de admissibilidade para manejo do apelo foram satisfeitos. 8. Segundo a doutrina, dentre os aspectos formais do recurso, há o pressuposto intrínseco do cabimento, no qual se exige que o pronunciamento atacado seja recorrível e que o recurso interposto seja aquele apropriado para pedir a revisão do ato. 9. Nesse passo, ganha importância o art. 56 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, a seguir parcialmente transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifouse) 10. Esse dispositivo regulamentar contém normas jurídicas de cunho meramente interpretativo, em face das prescrições dos Decreto nº 70.235, de 1972, dentre as quais aquelas voltadas aos limites da competência da unidade preparadora e aos efeitos decorrentes da impugnação apresentada fora do prazo legal. 10.1 A petição apresentada a destempo, além do prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação da exigência, não comporta julgamento em primeira instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)1. Entretanto, caberá apreciação pela instância julgadora no rito do Decreto nº 70.235, de 1972, acaso caracterizada ou suscitada a tempestividade na petição, como preliminar. 1 Art. 61 do Decreto nº 7.574, de 2011. Fl. 4074DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.723542/200966 Acórdão n.º 2401003.937 S2C4T1 Fl. 4.075 6 10.2 Com essa mesma linha de entendimento, a fim de evitar recursos manifestamente intempestivos, já havia sido editado o Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996, pela então Secretaria da Receita Federal. 11. Por sua vez, o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, reproduzido no art. 56 no Decreto nº 7.574, de 2011, expressamente estabelece a data da intimação da exigência fiscal como termo inicial da fluência do prazo de trinta dias para impugnação. Vale dizer, iniciase a contagem a partir da ciência do auto de infração ou da notificação fiscal, critério aceito de forma majoritária pela doutrina e jurisprudência. 12. A ciência do lançamento pelo sujeito passivo é o último ato do procedimento de constituição do crédito tributário, momento em que se aperfeiçoa a exigência tributária. Embora não seja comum, é possível a formalização de mais de um crédito tributário na mesma ação fiscal com intimações ao sujeito passivo em datas distintas. 12.1 Em qualquer caso, esse marco temporal ciência do auto de infração ou da notificação fiscal tem sido utilizado para se aferir uma eventual decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o respectivo crédito tributário. 13. Dessa feita, a tese defendida pela recorrente de que o termo inicial do prazo para impugnação é a data de ciência do encerramento do procedimento fiscal ato administrativo diverso do ato de lançamento, destinado a cientificar o sujeito passivo do término e do resultado da auditoria fiscal seria motivo suficiente para imporlhe o ônus processual de indicar expressamente tal ponto de vista na sua petição vestibular, sem prejuízo da correspondente fundamentação, como forma de possibilitar ao órgão julgador avaliar o atendimento ao requisito da tempestividade. 13.1 Isso porque a apresentação da defesa após os trinta dias, contados da ciência da intimação da exigência, sem arguição justificada quanto à tempestividade, é situação que, por si só, conduz à conclusão habitual que não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento. 13.2 Em 11/12/2009, data da remessa da impugnação por via postal, conforme alegado pela recorrente, já havia decorrido mais de trinta dias da intimação do auto de infração, ocorrida em 4/11/2009, de tal sorte que a peticionante poderia, ou melhor, deveria, sob pena de possível incidência de preclusão, mencionar os motivos de fato e direito em que se fundamentava a impugnação, inclusive a tempestividade da manifestação (art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972). 13.3 Por sinal, a ciência da autuação no dia 4/11/2009 é fato incontroverso, visto que não contestado pela recorrente. 14. Pois bem. Exposto nesses termos a problemática, considero que o despacho às fls. 4.022, de lavra do Presidente da 5ª Turma da DRJ/SDR, tanto sob o ângulo formal quanto material, foi uma manifestação elaborada tão somente com o propósito de impulsionar ou movimentar o processo administrativo, sem conter carga decisória apta a desafiar o manejo do recurso voluntário a que alude o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. 14.1 Com efeito, a fim de deixar evidente as razões da restituição do processo ao órgão preparador, sem exame por parte do colegiado, o Presidente da Turma confirmou, em ato monocrático e de cunho administrativo, o descabimento do envio da impugnação à unidade Fl. 4075DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10530.723542/200966 Acórdão n.º 2401003.937 S2C4T1 Fl. 4.076 7 julgadora de primeira instância, na medida em que ausentes as razões escritas de fato e/ou de direito que justificavam a sua apreciação extemporânea. 14.2 Diante dessa circunstância, em que não há instauração da fase litigiosa, seria inviável a apreciação da petição por parte do colegiado de primeira instância, segundo o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, e os autos deveriam ser simplesmente devolvidos à unidade preparadora para as providências de cobrança, como bem restou consignado ao final do expediente. 15. Tendo em conta que é cabível o recurso voluntário, de acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, apenas das decisões de primeira instância, entendo ausente o requisito intrínseco de admissibilidade denominado de cabimento, concernente à própria existência do poder de recorrer utilizandose do rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972. 15.1 É bom deixar claro que, em face das disposições da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não estou concluindo que o ato praticado é recorrível ou irrecorrível. Com vistas à deliberação sobre o juízo de admissibilidade do apelo, é desnecessário adentrar tal matéria. 15.2 O que afirmo é que o pedido de revisão do ato proferido pelo Presidente da Turma não se submete ao rito específico do Decreto nº 70.235, de 1972, descabendo, portanto, a apreciação pelo Carf. 16. Portanto, reputo inadmissível o recurso de fls. 4.024/4.047 e dele não tomo conhecimento. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ausência do requisito intrínseco do cabimento recursal. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 4076DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10166.727869/2011-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTOS A TODOS OS SEGURADOS AO SEU SERVIÇO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de preparar folha-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados ao seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DEIXAR DE EFETUAR O DESCONTO E ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de descontar e arrecadar a contribuição previdenciária devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, sobre as remunerações pagas ou creditadas a estes.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. GFIP. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS.
Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a sociedade empresária, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social - GFIP com informações incorretas ou omissas.
Numero da decisão: 2803-004.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Bruno Bertholdo Cavalheiro, OAB/DF nº 36.105.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTOS A TODOS OS SEGURADOS AO SEU SERVIÇO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de preparar folhadepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados ao seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DEIXAR DE EFETUAR O DESCONTO E ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de descontar e arrecadar a contribuição previdenciária devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, sobre as remunerações pagas ou creditadas a estes. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. GFIP. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 69 /2 01 1- 27 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727869/201127 Acórdão n.º 2803004.033 S2TE03 Fl. 3 2 Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a sociedade empresária, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Bruno Bertholdo Cavalheiro, OAB/DF nº 36.105. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727869/201127 Acórdão n.º 2803004.033 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário que julgou os Autos de Infração de Obrigação Principal, mantendo parcialmente o crédito lançado referente ao não cumprimentos das obrigações acessórias pelo contribuinte, segundo as descrições sumárias das infrações, dos dispositivos legais infringidos e dos dispositivos legais das multas aplicadas devidamente transcritas nos Autos de Infrações de DEBCAD nºs 51.008.1681, 51.008.1690, 51.0008.170 3 e 51.008.1711, fls. 03 a 06., no período de 01/02/2008 a 31/12/2008. O Recurso Voluntário alega ser improcedente o lançamento em razão dos seguintes motivos: inocorrência de infrações, sobreposição de multas, não aplicação da multa mais benéfica, em especial quanto às alterações da Lei n. 11.941/2009, captulação equivocada, Vieram os autos para apreciação nesta turma especial. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727869/201127 Acórdão n.º 2803004.033 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – A decisão anterior foi precisa quanto à apreciação, assim adotamoa em tua integralidade: Certificase que os lançamentos consolidados nos DEBCAD nºs 51.008.1681, 51.008.1690, 51.0008.1703 e 51.008.1711 deramse em descumprimentos das obrigações acessórias autônomas, cujas obrigações estão determinados na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e devidamente descritas e fundamentadas nas fls. 03 a 06 e no Relatório Fiscal de fls. 10 a 15 – DOS AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Assim, não há superposição das multas e os valores destas são em decorrência da legislação tributária e estas se presumem constitucionais, aos quais os lançamentos por se tratarem de atividades plenamente vinculadas não podem se afastarem. As multas das obrigações acessórias decorreram das obrigações principais, nas quais estas foram mantidas nas suas integralidades. Quanto, a alegação de que os fatos geradores apontados pelo lançamento decorreram dos registros contábeis e nos documentos da autuada, portanto não houve nenhuma infração nos registros contábeis, não deve prosperar, pois o contribuinte não pode simplesmente lançar aleatoriamente, mas deveria ter lançado mensalmente em títulos próprios, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727869/201127 Acórdão n.º 2803004.033 S2TE03 Fl. 6 5 Em relação à multa aplicada no AIOA 51.008.1690 está prevista na legislação previdenciária e devidamente demonstrada no Relatório Fiscal – 7 – AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.008.1690 – CFL 34 – 7.4 VALOR DA MULTA, fls. 12. Quanto a multa aplicada no AIOA 51.008.1711 está prevista na legislação previdenciária e devidamente demonstrada no Relatório Fiscal – 9 – AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.008.1711 – CFL 78, fls. 14 e 15, constatase que a Autoridade Lançadora aplicou a multa mínima de R$ 500,00 (quinhentos reais) por competência, segundo as informações omitidas ou incorretas demonstradas na tabela de fls. 15. E, ademais, certificase que a Autoridade Lançadora aplicou a multa mais benéfica, segundo o Relatório Fiscal – item 9.4, c, de fls. 15. Da impugnação de fls. 330 a 331, do processo 10166.727.864/201102, está prejudicada a argumentação do impugnante, pois o lançamento referente ao AIOA 51.008.1711 – CFL 78 não faz referência a rubrica auxílio de alimentação in natura, como se depreende do Relatório Fiscal de fls. 09 a 17 item 9 e devidamente esclarecido pela Informação Fiscal de fls. 312 a 313, do processo nº 10166.727864/201102 Assim, pelo exposto acima, não há como acolher as alegações do impugnante. Apenas deve ser tratado que as obrigações acessórias têm natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Em que pese os cancelamentos dos lançamentos de obrigações principais julgados em conjunto com este processo, no primeiro grau excluindo da base de cálculo os valores pagos a título de auxílio alimentação e, no segundo grau, excluindo as contribuições incidentes sobre a comercialização (aquisição) de produtos rurais de produtores rurais pessoa física (Funrural), no caso dos lançamentos supramencionados não tiveram como base tais valores, mas multas fixas ou mínimas que seriam aplicadas mesmo com as irregularidades referentes aos outros fatos geradores apurados. Em especial, quanto à infração ao art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, é claro que a obrigação é mensal, logo a aplicação da sanção é referente ao mês que sofreu a entrega com informações completas, aplicandose a multa mínima por mês, pois a inforação incorreta foi apenas o campo da alíquota SAT/RAT, que não foi questionada. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Os elementos acima, foram bem especificados e demonstrados pelo lançamento, respeitando o disposto no art. 142, do CTN, e direito de defesa. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727869/201127 Acórdão n.º 2803004.033 S2TE03 Fl. 7 6 O art. 16, do Dec. 70235, é claro em possibilitar que tais documentos poderiam ser juntados aos autos, mas a parte não realizou, assim não há como acolher os pedidos por ausência de provas. III – Quanto aos questionamentos referentes à Representação Fiscal para Fins Penais, não merece reparo a decisão a quo. A apreciação da representação não é competência do CARF/MF, situação consolidada na Súmula 28 do mesmo conselho. IV – Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para negarlhe provimento. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10245.000331/2002-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso Extraordinário Provido
Numero da decisão: 9900-000.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Antônio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Manoel Coelho Arruda Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Redator ad hoc
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Extraordinário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Antônio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Manoel Coelho Arruda Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Redator ad hoc Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 03 31 /2 00 2- 09 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10245.000331/200209 Acórdão n.º 9900000.964 CSRFPL Fl. 328 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Considerando que o relator originário, Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, não mais integra o Colegiado, designeime, na condição de Presidente do Pleno da CSRF, para formalizar o relatório e o voto vencido relativos a este processo. Assim, reproduzo na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, conforme a seguir: Em Recurso Extraordinário, fls. 299/305, admitido pelo Despacho nº 9100 00.586, proferido pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 253/254), datado de 02.05.2011, insurge a Fazenda Nacional contra o Acórdão 0105.884 (fls. 286/296), que por maioria de votos negou provimento ao seu Recurso Especial. O acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1997 Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo quinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial não provido. Contra o julgado acima colacionado, interpôs a Fazenda Nacional Recurso Extraordinário com fulcro no art. 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Utiliza como paradigma os Acórdãos 0202.288 e 02 02.146, os quais julga ampararem seu apelo. No seu entender, o acórdão supra contrariou a adequada análise dos arts. 150, §4º e 173, I, ambos do CTN. Defende que na total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10245.000331/200209 Acórdão n.º 9900000.964 CSRFPL Fl. 329 3 Invoca a aplicação do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, para que seja observada a decisão proferida pelo STJ no julgamento do REsp 973.733, de relatoria do Min. Luiz Fux, sob regime dos recursos repetitivos de que trata o art. 543C, do Código de Processo Civil. Requer o provimento do Recurso Extraordinário com a aplicação do art. 173, I, do CTN, sob o argumento de que a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, nem parcialmente, obstaculizando a ocorrência do lançamento por homologação e, por conseguinte, a aplicação do art. art. 150, § 4º, do CTN. Contrarrazões à fl. 322. A contribuinte limitase a afirmar e requerer que, uma vez reformada a decisão guerreada, seja julgado o mérito tal qual proposto no recurso inicial, levando à improcedência do crédito tributário pelos argumentos e motivos lá declinados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na integral, o voto vencido disponibilizado pelo Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que assim dispõe: O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Trata o processo da forma de contagem do prazo decadencial para constituição de crédito tributário, tendo o julgado ora recorrido estabelecido o que contém o art. 150, § 4º do CTN e a ora Recorrente argumenta que tal enquadramento somente seria o adequado em face da comprovação de recolhimento. Neste caso o fato gerador ocorreu em 31.12.1996 portanto, o lançamento somente poderia ocorrer até 31.12.2001, como aconteceu em maio de 2002, ficou fora do prazo decadencial estabelecido no art. 174 do CTN. Tudo originouse de revisão de declaração de rendimentos do exercício de 1997, ano base de 1996 onde, segundo registro na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, foram detectadas irregularidades acarretando a imposição de imposto de renda suplementar. A declaração, por si só, materializa o crédito tributário propiciando sua exigibilidade independentemente de qualquer procedimento administrativo porque constituindo confissão de dívida podendo ser inscrito na dívida ativa e ainda, não sendo o caso de homologação tácita por falta de recolhimento, o ato se subsume ao ditames contido no art. 174 do CTN. Em razão do exposto, amparandome no entendimento do Judiciário (Resp. 839.220/RS), voto no sentido de negar provimento a este Recurso Extraordinário. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10245.000331/200209 Acórdão n.º 9900000.964 CSRFPL Fl. 330 4 Assim, com base no acima exposto, o Conselheiro votou no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A pretensão da recorrente, no tocante à decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, é de que seja aplicada a regra do inciso I do art. 173 do CTN, enquanto o Colegiado recorrido entendeu aplicável ao caso a norma inserta no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, posição também defendida pelo sujeito passivo. A questão do prazo para a Fazenda Nacional lançar as contribuições sociais foi objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. O meu posicionamento era no sentido de que predita contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da remansosa jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, passei a adotar o prazo limite de cinco anos estabelecido no CTN. Afastada a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário, se da data de ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. De outro lado, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento, o que, a meu sentir, leva, inexoravelmente, à aplicação da regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Esclareçase, por oportuno, que na legislação tributária não há qualquer equiparação entre declaração do tributo e seu pagamento. Assim, se a condição para que seja aplicada a regra prevista em um dispositivo (inciso I do art. 173 do CTN) ou outro (§ 4º do art. 150 do CTN) é Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10245.000331/200209 Acórdão n.º 9900000.964 CSRFPL Fl. 331 5 a antecipação ou não do pagamento, não vejo como a declaração do tributo possa influenciar na fixação do termo de início da contagem do prazo decadencial. A exigência constante destes autos referese a crédito tributário cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1996. O início da contagem do prazo decadencial deve se dar em 01/01/1998, tendo em vista que somente poderia ser lançado no ano de 1997, encerrandose em 31/12/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN. De outro lado, como a ciência do auto de infração ocorreu em 8/5/2002, o crédito não fora alcançado pela decadência. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao colegiado de 2ª instância para examinar as demais matérias trazidas no recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720037/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 04/05/2007 a 18/06/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recursos Voluntários Provido em Parte.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações.
CONDUTA SUJEITA A MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO E A MULTA POR SUBFATURAMENTO. APLICAÇÃO CUMULATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Se a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa por subfaturamento quanto da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria substitutiva da pena de perdimento, aplica-se somente a última penalidade.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE, A SIMULAÇÃO OU O CONLUIO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE.
Se comprova a fraude, a simulação e o conluio é devida aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização.
Numero da decisão: 3302-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, por preterição do direito de defesa, em face da ausência de juntada aos autos das declarações de importação, e indeferido o pedido de diligência para juntada ao autos das referidas declarações, ambos arguidos da tribuna pelo patrono da recorrente. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de cem por cento entre a diferença do preço declarado e do preço efetivamente praticado ou arbitrado. Fez sustentação oral o Dr. José Ribamar Barros Penha - OAB 34124/DF, patrono da autuada Laser Company Importação e Exportação Ltda.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, por preterição do direito de defesa, em face da ausência de juntada aos autos das declarações de importação, e indeferido o pedido de diligência para juntada ao autos das referidas declarações, ambos arguidos da tribuna pelo patrono da recorrente. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de cem por cento entre a diferença do preço declarado e do preço efetivamente praticado ou arbitrado. Fez sustentação oral o Dr. José Ribamar Barros Penha - OAB 34124/DF, patrono da autuada Laser Company Importação e Exportação Ltda. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/05/2007 a 18/06/2008 SUBFATURAMENTO. COMPROVADA A DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O EFETIVAMENTE PRATICADO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS DEVIDOS. POSSIBILIDADE. Se comprovado que os preços das mercadorias informados nas Declarações de Importação (DI) não correspondem à realidade das transações efetuadas, resta caracterizado o subfaturamento e devidos os tributos calculados sobre a diferença entre os preços declarados e os efetivamente praticados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/05/2007 a 18/06/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE. A uma vez comprovada a omissão do real comprador das mercadorias importadas, mediante interposição fraudulenta de terceiro, configura dano ao Erário sancionado a com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA QUE CONCORRA OU SE BENEFICIE DA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DAS AUTUAÇÕES. POSSIBILIDADE. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente, inclusive no que se refere a infrações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 37 /2 01 2- 84 Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 CONDUTA SUJEITA A MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO E A MULTA POR SUBFATURAMENTO. APLICAÇÃO CUMULATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Se a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa por subfaturamento quanto da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria substitutiva da pena de perdimento, aplicase somente a última penalidade. MULTA QUALIFICADA. COMPROVADA A FRAUDE, A SIMULAÇÃO OU O CONLUIO. APLICAÇÃO SOBRE A TOTALIDADE OU DIFERENÇA TRIBUTO APURADA. POSSIBILIDADE. Se comprova a fraude, a simulação e o conluio é devida aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributos apurados em procedimento de fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/2007 a 18/06/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recursos Voluntários Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, por preterição do direito de defesa, em face da ausência de juntada aos autos das declarações de importação, e indeferido o pedido de diligência para juntada ao autos das referidas declarações, ambos arguidos da tribuna pelo patrono da recorrente. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de cem por cento entre a diferença do preço declarado e do preço efetivamente praticado ou arbitrado. Fez sustentação oral o Dr. José Ribamar Barros Penha OAB 34124/DF, patrono da autuada Laser Company Importação e Exportação Ltda. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase dos Autos de Infração de fls. 712/797, em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 186.845.927,69 (fl. 2), compreendendo o Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.485 3 somatório do Imposto sobre a Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação, acrescidos de multas de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), juros de mora, multa regulamentar do controle administrativo das impostações, por prática de subfaturamento, de 100% (cem por cento) da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação e multa por dano ao Erário, equivalente ao valor mercadoria, substitutiva da pena perdimento decorrente da infração por interposição fraudulenta. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 3/61, na condição de contribuinte, de responsável pessoal ou responsável solidário, foram incluídas no polo passivo das autuações as seguintes pessoas jurídicas e físicas (fl. 27): a) a pessoa jurídica Laser Company Importação e Exportação Ltda. (doravante denominada de Laser Company), identificada como sujeito passivo da obrigação principal e obrigada ao pagamento dos tributos aduaneiros e das penalidades pecuniárias, na condição de contribuinte, por ter relação pessoal e direta com a importação e desembaraço dos produtos estrangeiros e com as infrações aduaneiras cometidas (CTN, art. 121, I); b) a pessoa física Jefferson Mucciolo, na condição de pessoalmente responsável pelo crédito tributário devido por Laser Company, resultante de atos praticados com infração da lei, por ser sócio administrador de Laser Company (CTN, art. 135, III); c) a pessoa física Alberto Mucciolo, na condição de solidariamente obrigado por ter interesse comum com a Laser Company na importação e desembaraço dos produtos estrangeiros e nas infrações aduaneiras cometidas (CTN, art.124, I); d) as pessoas jurídicas R Four Importação e Exportação Ltda. (doravante denominada de R. Four), ACS Distribuidora Ltda. (doravante denominada de ACS), Alarm Trade Importação e Exportação de Produtos Industrializados Ltda. (doravante denominada de Alarm Trade), Solution Importadora de Produtos Industrializados Ltda. (doravante denominada de Solution) e Mecab Comércio Importação e Exportação de Produtos Manufaturados Ltda. (doravante denominada de Mecab), na condição de solidariamente obrigadas com a Laser Company, em relação apenas às importações realizadas por cada uma delas (fl. 24), por ter interesse comum com a Laser Company na importação e no desembaraço dos produtos estrangeiros e nas infrações aduaneiras cometidas (CTN, art.124, I); e) as pessoas físicas Ricardo Bragança Pontes da Silva, João Batista Gallo, Victor Aguirre Sarlo, Arthur Celso de Souza e Paulo Deives Ferreira de Queiroz, na condição de pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários devidos, respectivamente, pelas pessoas jurídicas R Four, Solution, Mecab, ACS e Alarm Trade, resultantes de atos praticados com infração da lei, por ser cada um deles sócio administrador das respectivas pessoas jurídicas, na data das importações (CTN, art. 135, III). Ainda de acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, que integra o referido Auto de Infração, a fiscalização apurou que: a) nos anos de 2007 e 2008, a contribuinte Laser Company adquiriu mercadorias no exterior e as nacionalizou por meio de interposição fraudulenta, cumulada com subfaturamento. Todos os documentos de compra e venda, fornecidos pela Aduana americana, constavam a referida empresa como a compradora das mercadorias, no entanto nenhuma DI foi registrada no seu nome nem aparece como adquirente em nenhuma DI registrada por pessoa Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 jurídica importadora por sua conta e ordem (fls. 8/9). A diferença subfaturada representava 93% do preço declarado (fl. 23); b) as mercadorias (consoles e CDs de videogame) foram adquiridas nos Estados Unidos da América dos vendedores SVG Distribution Inc., Florida State Games Inc. e US1 America Inc. e importadas sob a modalidade de importação por conta própria pelas pessoas jurídicas R Four, ACS, Alarm Trade, Solution e Mecab, que assumiram a condição de reais adquirentes das mercadorias importadas; c) essas cinco empresas, em nome de quem foram registradas as Declarações de Importação (DI), revenderam as mercadorias, por preços de 10 a 20 vezes menores, para Albert Import Eletrônicos Importação e Exportação Ltda. (doravante denominada de Albert Import), Laser Tech Comércio e Importação de Eletrônicos Ltda. (doravante denominada de Laser Tech) e Eletron Brasil Comércio de Bens de Consumo Ltda. (doravante denominada de Eletron Brasil), que posteriormente as revenderam para o mercado varejista nacional, com incremento no preço variando de 1039% a 2366% (fl. 20); e d) as empresas Laser Company, Albert Import, Laser Tech e Eletron Brasil estavam vinculadas entre si, por meio das pessoas físicas do Sr. Alberto Mucciolo e do seu filho Jefferson Mucciolo, a quem fora imputada a condição de responsáveis solidários pelos tributos lançados e pelas infrações aplicadas. Em decorrência das referidas irregularidades, foram imputadas às pessoas jurídicas importadoras R Four, Solution, Mecab, ACS e Alarm Trade (fls. 24/27), na condição de contribuintes, as multas por cessão do nome e não apresentação de fatura comercial, respectivamente, objeto dos processos nºs 16561.720038/201229, 16561.720039/201273, 16561.720040/201206, 16561.720041/201242 e 16561.720042/201297. Cientificados das autuações apenas a pessoa jurídica Laser Company e as pessoas físicas Jefferson Mucciolo e Alberto Mucciolo apresentaram impugnação. Os demais autuados, incluídos no polo passivo como responsáveis solidários, não apresentaram peça impugnatória e foram declarados revéis, por meio dos Termos de Revelia de fls. 894/903. Na peça impugnatória de fls. 828/841, a autuada Laser Company apresentou as seguintes razões de defesa: 1) em preliminar, alegou nulidade: a) da multa substitutiva da pena perdimento por interposição fraudulenta, com base no argumento de que não havia base legal para que lhe fosse imposta tal penalidade; b) da multa por subfaturamento no preço das mercadorias importadas, sob o argumento de que a sanção era inadequada para o fato, pois se houvesse falsidade documental a sanção aplicável era a pena de perdimento, prevista no art. 689, VI, do RA/2009. Ademais, se houve interposição fraudulenta, a sanção aplicável era apenas a pena de perdimento, fixada no art. 689, XXII, logo, era descabida tanto a cobrança da multa por subfaturamento quanto da diferença dos tributos, pois, por força do princípio do non bis in idem, era vedada cumulação de sanção; c) das autuações por falta de individualização das responsabilidades, porque o ordenamento jurídico pátrio não permitia acusações fiscais genéricas, sob pena de violação ao art. 5º, XLV e XLVI, da Constituição Federal; 2) No mérito, alegou que: Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.486 5 a) não tinha legitimidade para figurar no polo passivo das autuações, porque, embora o seu nome constasse das faturas comerciais e dos conhecimentos, não havia qualquer ordem ou autorização de compra dada por ela. Parte das mercadorias importadas fora vendida para a empresa Laser Tech, mas nenhuma delas para a impugnante. Ademais, não havia uma relação direta que envolvesse a impugnante e que, talvez, a semelhança entre os nomes tivesse levado a fiscalização a lavrar os presentes autos de infração contra ela. E não se encaixava em nenhuma das hipóteses elencadas nos artigos 673 e 674 do RA/2009; b) não havia qualquer elemento que permitisse vincular a impugnante em eventual falsidade documental, logo, qualquer prática de subfaturamento não lhe podia ser imputada; c) não havia elementos que permitisse a fiscalização lhe atribuir qualquer vinculação com a prática de interposição fraudulenta, uma vez que não havia adquirido nenhuma mercadoria das empresas importadoras, no Brasil ou no exterior; d) acusaramlhe de vínculo comercial em razão do parentesco entre o Sr. Jefferson e Alberto, no entanto, a impugnante não tinha qualquer relação com os fatos que lhes foram imputados pela fiscalização; e) não havia prova inconteste de que o Sr. Jefferson e a impugnante tivessem qualquer vinculação com as operações de importação objeto das questionadas autuações, inclusive, pois, nos emails citados pela fiscalização não havia ordem expressa que tenha partido do Sr. Jefferson; f) em simples análise dos autos era possível verificar que a impugnante não se encaixa em nenhuma das hipóteses estabelecidas nos artigos 673 e 674 do RA/2009; g) na aplicação das sanções e multas tributária, além da prevalência da norma mais específica, deveriam ser respeitadas as regras sobre substituição da pena de perdimento pela multa de 100% do valor aduaneiro e da exigência dos tributos supostamente "sonegados" após iniciado o procedimento para aplicação da pena de perdimento; e h) caso fosse provido o presente lançamento, para efeitos de prequestionamento, asseverou que a fiscalização se equivocara na determinação da base de cálculo, em relação aos jogos de vídeos gravados em CDs e DVDs, pois, para estes produtos, a tributação incidia apenas sobre o meio físico, conforme o determinava o artigo 81 do RA/2009. Neste caso específico, sequer se podia alegar fraude, quanto mais, exigir tributos aduaneiros sobre o meio imaterial, acrescido da multa qualificada. Nas peça impugnatória de fls. 848/861 e 868/881, respectivamente, os impugnantes Jefferson Mucciolo e Alberto Mucciolo apresentaram as mesmas razões de defesa aduzidas pela pessoa jurídica Laser Company. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 923/958), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2007 Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 Prática de interposição fraudulenta de terceiros. A fiscalização trouxe elemento concreto e relevante para desabonar o valor declarado nas Declarações de Importação analisadas na ação fiscal. Os valores estão subfaturados. A fiscalização não pautou suas conclusões no cômputo do valor de mercadorias importadas similares, mas sim no cômputo do valor de transação das mercadorias efetivamente importadas. O que se estar a tratar aqui é a respeito da incidência de duas penalidades. Por concepção o instituto do bis in idem está relacionado à incidência de tributo e dada a definição basilar do artigo 3º do Código Tributário Nacional, ... não constitua sanção de ato ilícito, tributo não é penalidade. Consoles e CDs de videogame não se enquadram na situação fática determinada pelo artigo 81 do Decreto n° 6.579/2009, uma vez que um videogame não se equipara a um equipamento de processamento de dados. Multa de ofício alíquota majorada de 150%. legalmente prevista para casos de fraude Todos os sujeitos passivos foram regularmente cientificados da referida decisão, por via postal e por edital, conforme documentos de fls. 994/1023. As pessoas jurídicas R Four, Mecab e Alarm Trade e as pessoas físicas Ricardo Bragança Pontes da Silva, Victor Aguirre Sarlo e Paulo Deives Ferreira de Queiroz não apresentaram recurso voluntário. As pessoas físicas Arthur Celso de Souza e João Batista Gallo, cientificadas em 8/3/2013 (fls. 1000 e 1002), e a pessoa jurídica ACS, cientificada em 22/3/2013 (fl. 1010), em 9/4/2013, apresentaram os recursos voluntários de fls. 1274/1291, 1211/1228 e 1.338/1362, respectivamente, em que, em síntese, aduziram as seguintes razões de defesa: a) nulidade do auto de infração; b) a impossibilidade de responsabilização dos recorrentes; c) indevida cumulação de penalidades; e d) a ilegalidade da aplicação de multas que superavam o valor dos tributos tidos por devidos. A pessoa jurídica Solution, cientificada em 4/4/2013 (fl. 1023), em 6/5/2013, apresentou recurso voluntário de fls. 1418/1439, em que, em síntese, alegou: a) a nulidade do auto de infração, por ausência de tipificação e de provas e por ausência de individualização das condutas; b) a impossibilidade de responsabilização da recorrente, porque as importações por ela realizadas foram regularmente licenciadas e desembaraçadas e não havia nos autos qualquer evidência, muito menos prova, de que os recursos utilizados pela recorrente na realização das operações de importação careceriam de comprovação quanto a sua origem, disponibilidade, ou transferência; c) a indevida cumulação de penalidades, por afronta ao princípio do non bis in idem, pois, em que pesem as bases legais aparentemente autônomas, todas as penalidades se relacionavam a uma mesma situação; e d) a impossibilidade de aplicação de multa em valor superior ao valor do suposto tributo, por configurar o caráter confiscatório da multa aplicada. Por fim, as pessoas físicas Alberto Mucciolo e Jefferson Mucciolo cientificadas, respectivamente, em 7/3/2013 e 8/3/2013 (fls. 998 e 999), e a pessoa jurídica Laser Company, cientificada em 4/4/2013 (fl. 1023), em 5/4/2013, respectivamente, apresentaram os recursos voluntários de fls. 1024/1076, 1078/1135 e 1139/1195, em que apresentaram as seguintes alegações: Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.487 7 1) inexistência de interposição fraudulenta, com base nos seguintes argumentos: a) a caracterização da fraude carecia de robusto juízo de certeza, que demandava prova robusta da alegação; por conseguinte, não podia a fiscalização aterse a simples fatos presuntivos ou meras conjecturas. Para os recorrentes, a documentação fornecida pela Aduana americana (invoice, sales order etc.) não atendia tais condições, pois nela não constava o nome empresarial da recorrente (Laser Companny Importação e Exportação Ltda. ME) nem o número da sua inscrição no CNPJ, mas apenas menção do seu endereço cadastral. Ademais, conforme asseverado pela autoridade fiscal, nos referidos documentos constavam outros dois compradores, a saber: "a) LASER COMPANY DISTRIBUTION; b) LASER COMPANY DISTRIBUTORS" e nos conhecimentos marítimos, quando muito, havia pedido para que o Sr. Alberto Mucciolo fosse notificado; b) a simples verificação de existência de sítio da recorrente Laser Company na internet, não era elemento suficiente para caracterizar a continuidade da sua atividade econômica. Da mesma forma, a apresentação do Sr. Edilson Carlos Batista Ventura como funcionário da Laser Company era resultado de mera conjectura da autoridade fiscal, mas também não comprova a continuidade das atividades da referida empresa; c) não existiam os vínculos societário, comercial e contratual, alegados no voto condutor do julgado recorrido, que tornavam a Laser Company apta a ocupar o polo passivo da autuação, porque: i) com exceção da Albert Import e da Laser Tech, que possuíam o Sr. Alberto Mucciolo como sócio em comum, as outras duas pessoas jurídicas (Laser Company e Eletron Brasil) possuíam, no seu quadro societário, pessoas distintas, não refletindo, portanto, cenário de vinculação de societária, pois, tal prática não implicava conluio, ilícito ou infração normativa, mas nítido propósito empresarial; ii) o desenvolvimento de atividade econômica, no mesmo setor, por parte do Sr. Alberto Mucciolo e do seu filho Jefferson Mucciolo, não constituía nenhum tipo de ilícito ou infração legal; e iii) o fato das empresas Albert Import, Laser Tech e Elétron Brasil terem adquiridos produtos do mesmo fornecedor não gerava entre elas qualquer vinculação, muito menos, implicava em vínculo entre a pessoa do Sr. Alberto Mucciolo e do Sr. Jefferson Mucciolo; 2) ilegitimidade passiva, com base nos seguintes argumentos: a) o princípio constitucional da capacidade contributiva, sob o aspecto subjetivo, era o meio mais seguro para identificar o sujeito passivo de uma relação jurídica tributária, ou seja, a forma mais segura de identificar o sujeito passivo de uma obrigação tributária era a relação existente entre o sujeito passivo e a realização do fato jurídico, porém, elementos colacionados aos autos deste processo não logravam demonstrar essa relação de maneira inconteste, havendo apenas conjecturas e presunções por parte da autoridade fiscal. No caso, além de não fazer prova da capacidade contributiva da recorrente Laser Company, a fiscalização não apresentou qualquer elemento que afastasse a capacidade contributiva das empresas importadoras; e b) o sujeito passivo da relação jurídica tributário era aquele responsável pela realização do critério material da hipótese de incidência da regra matriz de incidência tributária, em outras palavras, era o importador, o responsável pelo ingresso dos produtos em território nacional, situação em que não se enquadrava a recorrente Laser Company, haja vista que as DI não foram feitas no seu nome e não havia qualquer elemento que a vinculasse a eventual falsidade documental; Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 3) na seara tributária, as presunções não eram aptas a constituir fato jurídico tributário em sentido estrito, com base nos seguintes argumentos: a) era vedado por meio de presunções reduzir, eliminar ou evitar os critérios imprescindíveis e essenciais à caracterização do fato jurídico tributário, sob pena de, com esse procedimento, criar excesso de exação, enriquecimento sem causa, violação à propriedade, efeitos confiscatórios e não observação ao arquétipo constitucional da hipótese de incidência tributária; em face do princípio da tipicidade tributária, não cabia ao legislador e muito menos ao órgão fiscalizador, mediante presunção, recriar e reformular os aspectos estruturais da norma de incidência tributária; e para a plausibilidade jurídica da incidência da norma tributária era imperiosa a verificação da subsunção do fato à norma, o que não ocorrera no presente caso; b) no presente caso, a autoridade fiscal realizou duas presunções para fundamentar sua conclusão: (i) presumiu que a empresa Laser Company era parte legítima da relação jurídica tributária, por ter capacidade contributiva para realização do critério material; e (ii) presumiu que as empresas importadoras, que apresentaram as DI, não possuíam capacidade contributiva para realização das importações. Não obstante, não trouxe aos autos nenhum elemento indiciário que conferisse concretude a essas conclusões; e c) competia à autoridade fiscal, mesmo quando existam presunções legais, apresentar provas do fato jurídico tributário, pois, a presunção não inverte o ônus da prova; 4) o enunciado normativo veiculado no art. 116 do CTN não se prestava para fundamentação do caso em tela, pelas seguintes razões: (i) não havia por parte da recorrente Laser Company prática de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo; (ii) o referido texto legal não gozava de eficácia técnica sintática, pois ainda não fora editada a lei ordinária nela prevista; e (iii) elisão e evasão fiscal eram realidades distintas, não sendo o referido texto norma antielisiva. Logo, o acórdão recorrido não tinha a fundamentação necessária para a irradiação dos efeitos pretendidos; 5) a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) era inadequada e confiscatória, pois, não foi comprovada a ocorrência de fraude, simulação, conluio e o dolo específico, nem atendidos os contornos dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade; 6) eram inadequados a base de cálculo e o critério de valoração das mercadorias adotado pela fiscalização, pois, a utilização do critério de valoração da mercadorias com base no valor de transação (1º método do Acordo de Valoração Aduaneira AVA) contrariava a conclusão de que existira subfaturamento dos produtos importados; 7) a autoridade fiscal desconsiderou indevidamente a personalidade jurídica das empresas arroladas no PAF, para de modo precipitado incluir no polo passivo das autuações sócios e exsócios das referidas empresas. Em relação a esse ponto, ainda alegaram que: a) a responsabilidade do sócio, prevista no artigo 135 do CTN, não era automática, sendo imperioso demonstrar que o sócio, além do poder de gerência, praticou dolosamente ato com excesso de poder ou infração à lei; b) os fatos narrados não havia como imputar aos Srs. Jefferson e Alberto Mucciolo nenhum tipo de responsabilidade pela importação dos produtos, posto que ingressaram em território nacional de maneira regular e foram submetidos à fiscalização da própria autoridade fiscal, inclusive, houve recolhimento dos tributos devidos; Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.488 9 c) não havia ligação da recorrente Laser Company com as importações em questão, posto que nos documentos de compra dos produtos, fornecidos pela Aduana americana, não havia o nome empresarial nem o número da inscrição no CNPJ da citada empresa, mas sim de outros dois compradores, a saber: "a) LASER COMPANY DISTRIBUTION; b) LASER COMPANY DISTRIBUTORS", conforme asseverado pela autoridade fiscal. Também corroborava essa alegação o fato de não haver nos autos elementos que comprovassem a solicitação de compra por parte da referida empresa e o fato dela não mais exercer atividade econômica; d) não havia vinculação entre os Srs. Jefferson e Alberto Mucciolo com as importações, porque, se não havia elementos para inserir a empresa no polo passivo da relação jurídica, consequentemente, também não havia razão para inserir seus sócios, considerandoos solidariamente responsáveis, até porque nenhuma das empresas vendedoras sediadas nos Estados Unidos da América confirmaram qualquer relação comercial como os citados senhores. Além disso, o fato de as empresas Albert Import e Laser Tech adquirirem produtos, no mercado nacional, a preços considerados "baixos", para posterior revenda, não tornava a empresa e muito menos seus sócios aptos à integrarem o polo passivo das autuações; e) o Sr. Alberto Mucciolo não integrava o quadro societário das empresas importadoras nem tinha vínculo societário com a recorrente Laser Company, logo, não podia ser responsável pelo crédito tributário relativo às importações em comento. Ele fora incluído no polo passivo por ser sócio das empresas Albert Import e Laser Tech que, segunda a fiscalização, mantiveram relação negocial com as empresas importadoras, tendo adquirido os produtos de maneira "fictícia"; f) enfim, não havia nos autos nenhum elemento idôneo que fosse capaz de demonstrar que o ingresso dos produtos importados fora realizado pela recorrente Laser Company, e que os Srs. Alberto Mucciolo e Sr. Jefferson Mucciolo tivessem algum tipo de responsabilidade pelo ingresso dos referidos produtos no território nacional, logo era inadmissível a permanência dos recorrentes no polo passivo das presentes autuações. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os recursos apresentados pelas pessoas físicas Arthur Celso de Souza e João Batista Gallo e pelas pessoas jurídicas ACS e Solution, embora tempestivos e tratem de matéria da competência deste Colegiado, não podem ser admitidos, porque não houve prévia apresentação de impugnação por parte dos recorrentes, pressuposto de admissibilidade imprescindível, consoante determinação expressa no art. 33 do Decreto 70.235/1972. Por sua vez, por serem tempestivos e preencherem os demais requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos interpostos pelas pessoas físicas Alberto Mucciolo e Jefferson Mucciolo e pela pessoa jurídica Laser Company. Previamente, cabe consignar que, em memorial apresentado pela recorrente Laser Company e em sustentação oral do seu patrono, foi alegada a nulidade das autuações por cerceamento do direito de defesa, sob argumento de que não constava dos autos as cópias das Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 DI objeto das autuações, o que lhe impossibilitava de comparar as informações nelas constantes com aquelas apresentadas pela fiscalização. No caso, embora as cópias das referidas DI não tenham sido colacionadas aos autos, cabe consignar que os demonstrativos de fls. 411/414 contêm todas as informações delas extraídas, que são necessárias à perfeita compreensão dos motivos da autuação e deslinde de controvérsia. Ademais, tais informações não foram questionadas pela recorrente nas duas oportunidades de defesa em que compareceu aos autos, seja por meio da peça impugnatória submetida ao crivo do órgão julgador de primeiro grau, seja no recurso voluntário em apreço. Além disso, verificase nas robustas peças defensivas a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados e deles se defendeu de forma plena e adequada. Logo, se as cópias das citadas DI fossem indispensável para o exercício do direito de defesa da recorrente, conforme alegado, obviamente, na fase de defesa inicial a recorrente já deveria ter suscitado a questão na respectiva peça impugnatória, conforme exige o art. 16 do Decreto 70.235/1972. Por essas razões, este Relator rejeitou a presente preliminar de nulidade, decisão que foi acompanhado, por unanimidade, pelo Colegiado. Também foi indeferido o pedido alternativo de realização de diligência, para juntada aos autos dos referidos documentos, com base no entendimento de que os elementos probatórios coligidos aos autos eram suficientes para formação da convicção deste Relator acerca dos fatos controvertidos, o que revelava serem prescindíveis a juntada aos autos dos referidos documentos, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/1972. Após ampla discussão, o Colegiado, por unanimidade, acatou a referida decisão de indeferimento. Superada essas questões preliminares, deuse sequência ao julgamento das questões suscitadas pelos recorrentes, nos termos a seguir explicitados. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 3/29, as autuações em questão foram motivadas por dois tipos de infração: (i) interposição fraudulenta na importação e (ii) subfaturamento dos preços dos produtos importados. Em face do cometimento dessas duas infrações, corretamente, a fiscalização denominou tais irregularidades de "esquema de interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento". A comprovação da primeira infração, segundo o item 3 citado Relatório (fls. 8/9), foi feita com base nos documentos regularmente fornecidos pela Aduana americana (fls. 30/129), ma vez que constavam, em todos os documentos de compra e venda das mercadorias enviados pelos EUA, vinculados aos respectivos conhecimentos embarque relativos às operações de importação objeto das questionadas autuações, como a compradora das mercadorias a empresa "Laser Company (Distribution ou Distributors)", seguida dos endereços de Laser Company, Alberto Mucciolo e das empresas Albert Import e Laser Tech, ambas pertencentes a Alberto Mucciolo. Entretanto, nenhuma DI foi registrada no nome da compradora Laser Company e tampouco ela foi informada como a adquirente das mercadorias nas respectivas DI registradas em nome das importadoras R Four, Solution, Mecab, ACS e Alarm Trade (fl. 6). Ou seja, todas as importações foram declaradas como sendo por conta própria das referidas pessoas jurídicas, com a omissão do real comprador, no caso, a empresa Laser Company, o que implica configuração da infração por interposição fraudulenta, definida no art. 23, V, do Decretolei 1.455/1976, com redação dada pela Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.489 11 [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. [...] (grifos não originais) De modo contrário, os recorrentes alegaram que, no caso em tela, não houve o cometimento da referida infração, porque a documentação fornecida pela Aduana americana (bill of landing, invoice, sales/purchase order etc.) não era suficiente para comprovar que a recorrente Laser Company era a real compradora das mercadorias. Segundo os recorrentes, nos referidos documentos de compra, quem figurava como adquirente das mercadorias não era a recorrente Laser Company, mas sim as empresas "LASER COMPANY DISTRIBUTION" e "LASER COMPANY DISTRIBUTORS", que eram pessoas jurídicas diferentes da primeira, cujo nome empresarial era Laser Companny Importação e Exportação Ltda. ME. Alegam ainda que, além de não haver similitude dos nomes empresariais, condição suficiente para demonstrar a existência de pessoas jurídicas distintas, nos referenciados documentos de compra não constava o número de inscrição no CNPJ da recorrente Laser Company, mas apenas a menção do seu endereço cadastral. Sem razão os recorrentes. No caso, apesar do nome empresarial constante dos citados documentos de compra das mercadorias importadas não ser idêntico ao nome empresarial (razão social) da recorrente, a menção do seu endereço ou do endereço das pessoas físicas e jurídicas a ela vinculadas, corroborados por outros elementos probatórios colacionados autos, são elementos suficientes para demonstrar que os nomes empresariais "LASER COMPANY DISTRIBUTION" e "LASER COMPANY DISTRIBUTORS" referem à recorrente Laser Company. O fato do número da inscrição no CNPJ da referida empresa não constar dos citados documentos, por outro lado, não infirma tal conclusão, pois, sabidamente, por se tratar de número relativo a cadastro interno, normalmente, ele não é informado nos documentos internacionais de compra e venda de mercadorias. Também corroboram o asseverado o fato de, na maior parte dos conhecimentos de carga, constar o número do CPF do Sr. Alberto Mucciolo no campo de "referências" de exportação (export references), bem como o seu endereço residencial. Os recorrentes ainda alegaram que parte das mercadorias foram vendidas para a empresa Laser Tech, mas não apresentaram qualquer elemento probatório no sentido de confirmar essa alegação. Assim, dada essa circunstância, essa alegação também deve ser rejeitada. Também não procede a alegação dos recorrentes de que a recorrente Laser Company não se encontrava em atividade operacional, sem contudo apresentar qualquer prova que infirmassem os documentos e informações coligidas aos autos pela fiscalização, especialmente, o fato dela ainda manter, na internet, sítio de comércio eletrônico ativo e a constatação, por meio de diligência, de que ela possuía gerente de venda. Os recorrentes ainda alegaram que não existiam vínculos societário, comercial e contratual entre a recorrente Laser Company e os Srs. Alberto Mucciolo e Jefferson Mucciolo e as pessoas jurídicas Albert Import, Laser Tech e Eletron Brasil, que, no Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 mercado nacional, eram as pessoas distribuidoras das mercadorias e atuavam como intermediárias entre as importadoras e as empresas varejistas, no entanto, não trouxeram aos autos nenhum documento que negassem as informações apresentadas pela fiscalização (fl. 11), corroboradas com documentos adequados colacionados aos autos (fls. 316/378). Assim, fica demonstrado que a recorrente Laser Company é parte legítima sim para compor o polo passivo das autuações, pois, na condição real compradora das mercadorias, oculta nas correspondentes DI registradas pelas mencionadas interpostas importadoras, induvidosamente, ela concorreu para prática da referida infração e foi a sua principal beneficiária, logo, está apta a responder pela referida infração, nos termos do art. 95, I, do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] (grifos não originais) Assim, por serem os beneficiários diretos e por terem concorrido para a prática da interposição fraudulenta e do subfaturamento, respondem por essas infrações tanto a recorrente Laser Company quanto os recorrentes Alberto Mucciolo e Jefferson Mucciolo. Os recorrentes alegaram ainda que o princípio constitucional da capacidade contributiva, sob o aspecto subjetivo, era o meio mais seguro para identificar o sujeito passivo de uma relação jurídica tributária. Para eles, a forma mais segura de identificar o sujeito passivo de uma obrigação tributária era a análise da relação existente entre o sujeito passivo e o fato jurídico tributado. Esse entendimento, certamente, aplicase às relações tributárias desenvolvidas sob a égide da legalidade, o que não ocorre no caso em tela, haja vista que as provas coligidas aos autos demonstram que os recorrentes utilizaramse de meios fraudulentos e simulátórios/dissimulatórios para burlar o controle aduaneiro e assim eximirse do pagamento da quase totalidade dos tributos devidos nas respectivas operações de importação. Os recorrentes alegaram ainda que o sujeito passivo da relação jurídica tributária era aquele responsável pela realização do critério material da hipótese de incidência da regra matriz de incidência tributária, em outras palavras, era o importador, o responsável pelo ingresso dos produtos em território nacional, situação em que não se enquadrava a recorrente Laser Company, haja vista que as DI não foram feitas no seu nome e não havia qualquer elemento que a vinculasse a eventual falsidade documental. Mais uma vez os recorrentes tentam trazer à análise dos fatos para o plano da legalidade, o que, certamente, não coaduna e tampouco se aplica ao caso em tela. Os argumentos aduzidos pelos recorrente, obviamente, aplicamse às operações de importação por conta própria, em que o importador é também o real adquirente das mercadorias. Todavia, essa não é realidade que se apresenta nos autos, em que os elementos probatórios demonstram, de forma irrefutável, que a real compradora das mercadorias importadas e principal beneficiária das correspondentes operações de importação foi a recorrente Laser Companny e as importadoras informadas nas respectivas DI não passam de mera "empresas de fachada", utilizadas para ocultar a real adquirente das mercadorias e, portanto, real importadora. Logo, o fato do nome da recorrente não constar das referidas DI foi a estratégia usada pelo esquema fraudulenta desvendado pela fiscalização e estruturado com nítido propósito de ocultála dos órgãos de controle e fiscalização do comércio exterior brasileiro, bem como de sonegar o Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.490 13 pagamento dos tributos devidos nas operações internas, mediante indevida quebra da cadeia de incidência dos referidos tributos, cumulada com o gigantesco e sofisticado esquema de subfaturamento, a seguir analisado. Além disso, diferente do alegado pelos recorrentes, há nos autos fartos elementos probatórios que, no conjunto, leva a convicção que eles foram os mentores e reais beneficiários do esquema de interposição fraudulenta e subfaturamento na importação em questão, motivos suficiente para mantêlos no polo passivo das autuações. Também não procedem as alegações dos recorrentes acerca da utilização do instituto da presunção na seara tributária, porque as conclusões da fiscalização não foram baseadas em meras presunções, como asseverado pelos recorrentes, mas em provas robustas, hábeis e idôneas, que se encontram colacionadas aos autos (fls. 30/711). Pela mesma razão, não tem consistência a alegação dos recorrentes no sentido de que, em face do princípio da tipicidade tributária, não cabia ao órgão fiscalizador, mediante presunção, recriar e reformular os aspectos estruturais da norma de incidência tributária, porque, restava demonstrado nos autos que a fiscalização limitouse apenas em demonstrar a subsunção dos fatos geradores dos tributos lançados e das infrações das multas aplicadas às hipóteses de incidência dos respectivos tributos e infrações. E para sustentar tal alegação, os recorrentes asseveraram que a autoridade fiscal realizara duas presunções para sustentar as autuações em apreço. A primeira, que a empresa Laser Company era parte legítima da relação jurídica tributária, por ter capacidade contributiva para realização do critério material. A segunda, que as empresas importadoras, que apresentaram as DI, não possuíam capacidade contributiva, para realização das citadas operações. Com a devida vênia, os recorrentes partem de premissas não verdadeiras para justificar o alegado, porque tais argumentos conflitam com os fatos e as provas coligidas aos autos. Com efeito, noticiam os autos que a recorrente Laser Company fora incluída no polo passivo das autuações, não por ter demonstrado capacidade contributiva, mas porque, na condição real compradora das mercadorias, ela fora deliberada e intencionalmente omitida nos documentos que amparavam os respectivos despachos aduaneiros de importação. E tal fato, diferentemente do alegado, não fora presumido, mas provado por meio da robusta documentação de compra enviada pela Aduana americana, que constituem os documentos verdadeiros, que efetivamente acobertava tais operações de importação. Pela mesma razão, as importadoras interpostas foram incluídas no polo passiva das autuações, na condição de responsáveis solidárias, por interesse comum e por terem concorrido para prática da infração. Portanto, em ambos os casos, não se trata de fato presumido, mas de fatos comprovados por intermédio dos fartos elementos probatórios coligidos aos autos pela fiscalização. Aliás, embora haja presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros em operações de importação, quando não comprovada a origem, disponibilidade e a transferência dos recursos empregados em tais transações, nos termos do art. 231, § 2º, do 1 "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 Decretolei 1.455/1976, no caso em tela, em face das consistentes provas coligidas aos autos, a fiscalização não recorreu desse instrumento facilitador da comprovação da referida infração. Não se pode olvidar que, com respaldo no art. 142 do CTN, a autoridade fiscal tem o poderdever de identificar o real sujeito passivo da obrigação tributária principal, o que significa que, no cumprimente desse mister, ele deve encontrar aquele que, efetivamente, realizou o fato jurídico tributário ou praticou fato infracional. Logo, se apurado que no curso do procedimento fiscal entre o real sujeito passivo foi posto uma outra pessoa jurídica, utilizada apenas como artifício simulatório ou dissimulatório, para ocultar o real comprador nas operações de importação, certamente, o importador aparente deve ser afastado (ou desconsiderada) e colocado no seu lugar aquele que ostenta a condição real sujeito passivo e comprador das mercadorias importadas. No caso em tela, foi demonstrado que as importadoras interpostas, em conluio com os recorrentes, se valeram de um esquema simulatório/dissimulatório de importação que foi consumado mediante a ocultação da recorrente Laser Company de sua condição de real adquirente de mercadorias importadas, com a finalidade de escondêla do conhecimento do órgão de fiscalização aduaneira, quebrar a cadeia de incidência do IPI e assim angariar certa blindagem patrimonial contra eventual lançamento tributário decorrente dessas operações. Cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não se trata de inversão do ônus da prova, como alegado pelos recorrentes, mas de fatos comprovados com documentação adequada, que somente poderia ser ilidida mediante a apresentação de prova em contrário, o que não ocorreu nos recursos em apreço, em que os recorrentes não tiveram a diligência de trazer aos autos os respectivos documentos comprobatórios das referidas alegações. Os recorrentes alegaram ainda que o enunciado normativo veiculado no art. 116 do CTN não se prestava para fundamentação do caso em tela, pelas seguintes razões: (i) não havia por parte da recorrente Laser Company prática de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo; (ii) o referido texto legal não gozava de eficácia técnica sintática, pois ainda não fora editada a lei ordinária nela prevista; e (iii) elisão e evasão fiscal eram realidades distintas, não sendo o referido texto norma antielisiva. Mais uma vez, tratase de alegação sem relevância para o deslinde da controvérsia. A uma, porque, embora o voto condutor do julgado recorrido tenha se referido ao citado preceito normativo, como fundamento indireto da interposição fraudulenta comprovada, induvidosamente, a fiscalização fundamentou as autuações no disposto nos incisos IV e V do art. 23 do Decretolei 1.455/1976. A duas, porque a fiscalização, por meio de provas consistentes, comprovou a prática efetiva da interposição fraudulenta nas respectivas operações de importação, mediante a ocultação da real compradora das mercadorias, no caso, a recorrente Laser Company. Também não tem procedência a alegação dos recorrentes de que a base de cálculo e o critério de valoração das mercadorias adotados pela fiscalização eram inadequados, pois, a valoração das mercadorias com base no valor de transação (1º método do Acordo de V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. [...]" Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.491 15 Valoração Aduaneira AVA) contrariava a conclusão de que havia subfaturamento no preço dos produtos importados. De acordo com os itens 10 e 11 do citado Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 21/23), verificase que, com base nos documentos de compra obtidos da Aduana americana, a fiscalização apurou o valor aduaneiro das mercadorias, com base no preço efetivamente praticado (1º método do AVA), de uma parte das operações de importações (fls. 415/416), sendo o valor aduaneiro das demais operações de importação (fls. 417/420) arbitrado com base no preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar, conforme determinado no art. 88, I, da Medida Provisória 2.15835/2003. Assim, embora tenha utilizado o valor de transação (1º método do AVA) para valoração de parte das mercadorias importadas, evidentemente, a adoção desse critério por parte da fiscalização, de modo algum, significa que as operações de importação em questão não foram realizadas por preços subfaturados, pois, ao contrario do alegado pelos recorrentes, o preço efetivamente praticado utilizado para determinação do valor aduaneiro utilizado nas autuações não foi o declarado nas respectivas DI, mas aquele consignado nos documentos de compra envidados pela Aduana americana, considerados os reais documentos representativos das operações de importação em comento. Aliás, de acordo com dados consolidados pela fiscalização, corroborados pelos referidos documentos obtidos da Aduana americana, os preços declarados nas DI representavam apenas 7% (sete por cento) dos preços efetivamente praticados nas correspondentes operações de importação. E esse fato, é oportuno ressaltar, não foi contestado pelos recorrentes e tampouco o critério de arbitramento adotado pela fiscalização. A mesma prática fraudulenta de subfaturar os preços também foi implementada nas operações de compra e venda realizadas no mercado interno. Com efeito, se comparado o preço médio de revenda das importadoras interpostas para as empresas distribuidoras do "Grupo Mucciolo" (Albert Import, Laser Tech e Eletron Brasil) com o preço médio de revenda destas para as empresas varejistas, verificase um incremento no preço que varia de 1.039% a 2.366%, conforme dados consolidados nas tabelas de fls. 19/20, que foram não contestados pelos recorrentes. Com base nesses dados, corroborados por documentação adequada colacionada aos autos, chegase a constatação de que a infração relativa a prática do subfaturamento também se encontra devidamente comprovada nos autos. Os recorrentes alegaram que a autoridade fiscal desconsiderara indevidamente a personalidade jurídica das empresas arroladas nas autuações em apreço, para de modo precipitado incluir no polo passivo das autuações sócios e exsócios das referidas empresas. Sem razão os recorrentes, pois, ao contrário do alegado, no procedimento fiscal em apreço não houve desconsideração de personalidade de qualquer pessoa jurídica, pois, ao incluílas no polo passivo das atuações, seja como contribuinte, seja como responsáveis solidárias, a fiscalização ratificou a existência da personalidade jurídica das referidas empresas. Os recorrentes alegaram ainda que não havia como imputar aos Srs. Jefferson e Alberto Mucciolo nenhum tipo de responsabilidade pelas importações em comento, posto que Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 16 os produtos ingressaram no território nacional de maneira regular e foram submetidos à fiscalização da própria autoridade fiscal, inclusive, houve recolhimento dos tributos devidos. Mais uma vez, sem razão os recorrentes. Os fatos anteriormente relatados demonstram que as operações de importação em comento foram realizadas de forma irregular, mediante interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento no preço dos produtos. E os Srs. Jefferson e Alberto Mucciolo aparecem como os mentores e principais beneficiários do esquema fraudulento, portanto, por força do disposto no art. 95, I, do Decretolei 37/1966, a fiscalização agiu com acerto ao incorporálos ao polo passivo das autuações. Para os recorrentes, a responsabilidade do sócio, prevista no art. 135 do CTN, não era automática, sendo imperioso demonstrar que o sócio, além do poder de gerência, praticou dolosamente ato com excesso de poder ou infração à lei. Essa alegação diz respeito apenas ao Sr. Jefferson Mucciolo, sócio administrador da autuada Laser Company e detentor de 95% do capital social desta sociedade, incluído no polo passivo das autuações na condição de pessoalmente responsável pelo crédito tributário devido pela referida empresa, por ter praticado atos com infração da lei, nos termos do art. 135, III, do CTN. E os fatos relatados pela fiscalização, corroborados por fartos elementos probatórios existentes nos autos, demonstram que o referido sócio majoritário e administrador, de forma deliberada e intencional, utilizouse da personalidade jurídica da autuada Laser Company para cometer as infrações sancionadas com as penalidades objeto das presentes autuações. Já o Sr. Alberto Mucciolo foi colocado no polo passivo das autuações como solidariamente obrigado, por ter revelado interesse comum com a recorrente Laser Company nas operações de importação dos produtos e nas infrações aduaneiras cometidas, nos termos do art. 124, I, do CTN. Portanto, não procede a alegação dos recorrentes de que o referido Sr. fora incluído no polo passivo por ser sócio das empresas Albert Import e Laser Tech que, segunda a fiscalização, mantiveram relação negocial com as empresas importadoras, tendo adquirido os produtos de maneira "fictícia". De acordo com os dados da Tabela nº 4, integrante do citado Relatório de Auditoria Fiscal (fl. 11), verificase que as empresas que comandavam o esquema fraudulento em comento eram controladas pelos Srs. Jefferson e Alberto Mucciolo. De fato, no início da cadeia estava o Sr. Jefferson Mucciolo, que era quem de fato comandava e realizava a compra das mercadorias no exterior, por intermédio da autuada Laser Company. E no final da cadeia estava o Sr. Alberto Mucciolo, comandando e realizando a distribuição das mercadorias, por meio das empresas distribuidoras (Albert Import, Laser Tech e Eletron Brasil). Com efeito, de acordo com a referida Tabela, o primeiro sócio detém 95% do capital social da autuada Laser Company, e o segundo sócio é detentor de 95% e 98%, respectivamente, das distribuidoras Albert Import e Laser Tech, e procurador, com amplos e ilimitados poderes de representação, da distribuidora Eletron Brasil. No meio da cadeia do esquema de fraude em destaque, encontravamse as importadoras interpostas (R Four, Solution, Mecab, ACS e Alarm Trade), que, além declarar preços subfaturados, omitiram a real compradora das mercadorias importadas, simulando operações de importação por conta própria e dissimulando a operação de importação por conta e ordem de terceiro, com o nítido objetivo de burlar o controle aduaneiro e sonegar os tributos devidos na operação. Por todas essas razões e tendo em vista as robustas provas coligidas aos autos, extraise que os dois Senhores foram os mentores e quem, de fato, comandaram o Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.492 17 esquema de fraude operados, de forma dissimulada ou simulada, pelas referidas pessoas jurídicas, sendo, induvidosamente, os principais beneficiários da fraude cometida. Por esse motivo, devem ser mantidos no polo passivo das autuações. Outra questão suscitada em memorial e arguida pelo patrono da recorrente foi a impossibilidade de aplicação concomitante da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, decorrente da conversão da pena de perdimento por dano erário, com a multa por subfaturamento, conforme determinava o art. 703, § 1ºA do Decreto 6.759/2009, que trata do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009), a seguir transcrito: Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). [...] § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Em relação a esse ponto, assiste razão à recorrente. O disposto no § 1ºA do art. 703 em destaque, embora editado após a conclusão das autuações em apreço, por se tratar de norma de natureza interpretativa, por força do disposto no art. 106, I, do CTN, deve ser aplicada ao caso em tela. Dessa forma, como nas presentes autuações foram impostas ambas as penalidades, em consonância com o disposto no citado preceito regulamentar, a exigência da multa por subfaturamento deve ser excluída. Enfim, cabe analisar a alegação dos recorrentes de que a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) era inadequada e confiscatória, uma vez que não fora comprovada a ocorrência de fraude, simulação, conluio e o dolo específico, nem atendidos os contornos dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Em relação ao argumento de que não fora comprovada ocorrência de fraude, simulação, conluio e o dolo específico, os fatos relatados pela fiscalização, corroborados por fartos elementos probatórios colacionados aos autos, demonstram o exatamente o contrário. Com efeito, há comprovação da fraude mediante subfaturamento dos preços de compra no mercado externo e dos preços de venda no mercado interno. Resta também devidamente comprovada a simulação da operação de importação por conta própria, mediante a omissão do real comprador das mercadorias nos documentos que serviram de base ao processamento dos respectivos despachos aduaneiros de importação. É evidente a existência de conluio entre as importadoras interpostas e a real compradora e as distribuidoras, com a intenção de burlar os controles aduaneiros e sonegar os tributos devidos nas referidas operações. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 18 No que tange ao efeito confiscatório e à ofensa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, tratase de questão que prescinde da análise da constitucionalidade da norma veiculada pelo art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, matéria que foge da competência julgadora deste Conselho, por expressa vedação, determinada no art. 26A2 do Decreto 70.235/1972, excepcionada apenas diante das hipóteses relacionadas no § 6º do citado preceito legal, situação que não se vislumbra nos autos. Aliás, sabidamente, tal atribuição é reservada, com exclusividade, aos órgãos de julgamento do Poder Judiciário. No mesmo sentido, no âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase também expressamente determinada no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, e afirmada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminar nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, e indeferir o pedido de diligência, ambos apresentados na tribuna pelo patrono da recorrente; e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntários admitidos, para afastar a multa por subfaturamento de 100% (cem por cento) sobre o valor da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado ou arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória 2.15835/2001. (assinado digitalmente) 2 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 16561.720037/201284 Acórdão n.º 3302002.939 S3C3T2 Fl. 1.493 19 José Fernandes do Nascimento Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 13804.004251/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débito próprio com crédito da Contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no regime não cumulativo, com origem em outubro de 2004 e diversos meses de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: 4. O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre declaração de compensação apresentada pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF — Brasil Foods S/A), com o objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de Cofins oriundos de operações de exportação, os quais teria apurado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 04 25 1/ 20 05 -7 2 Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.575 S3C2T1 Fl. 3.110 2 em Outubro de 2004 e diversos meses de 2005 pelo regime não cumulativo e com fundamento no art. 6°, § 1°, da lei n° 10.833/2003. 5. A declaração citada, apresentada em 04/11/2005, ocupa as fls. 1/8 dos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a DivisãO de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 22/08/2007 (fls. 74/75), determinou o envio do processo à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 88/90, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 78/83), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 85/86, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 06/11/2009 o Parecer Decisório anexo às fls. 91/95, no qual se exprime nos seguintes termos: "Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprovação dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente."(fl. 94) 9. Intimado da decisão por via postal em 10/12/2009 (fls. 96 – v); a interessada apresentou em 30/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa às fls. 107/125, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos de (fls. 126/181). Resumo I. Apresenta inicialmente um quadro demonstrativo na fl. 108, no qual expõe minuciosamente o conteúdo das declarações de compensação ora examinadas, informando a natureza dos débitos, bem como os respectivos valores, códigos e períodos de apuração. Il. Afirma que o "histórico do objeto" emitido pelos Correios e anexo à fl. 84 indica meramente a data de entrega do Termo de Início de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Início de Fiscalização e solicitar prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2° da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.575 S3C2T1 Fl. 3.111 3 IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de Cofins apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve à quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII. No tocante ao item "6" do Termo de Início de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de Cofins pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003 (na verdade, Lei 10.637/2002, conforme se lê no dito demonstrativo), declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON, os quais reproduz em cópia simples no "Anexo 2" (fls. 122/140). IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de PIS anexo à fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. Xl. Assinala que as informações contidas nas fichas 24 e 25 da DIPJ relativa ao exercício de 2005 conferem com aquelas exibidas pelo DACON, como mostram as cópias desses documentos incluídas nas fls. 68/70. XII. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 24 e 25), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saída e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XIII. Afirma haver juntado aos autos, no "Anexo 5", 1 CD e 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados (na verdade há apenas 1 DVD), assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.575 S3C2T1 Fl. 3.112 4 fichas 24 e 25 da DIPJ e demonstrativo do crédito da cofins ("Anexo 2"). XIV. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 115/124, requer que — na linha desses precedentes e em nome do princípio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, "deferindose, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo" (fl. 125). 10. É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 16 25.463, de 27/05/2010 (fls. 228 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre pedido de compensação de débito próprio com crédito da Cofins apurada sob o regime não cumulativo oriundo de operações de exportação de mercadorias para o exterior. Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.575 S3C2T1 Fl. 3.113 5 Indeferido o pleito e mantida a decisão pela instância a quo, a Recorrente comparece a este Colegiado Administrativo alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de cerceamento ao seu direito de defesa. Argumenta que, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 85/90, teria sido intimada a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, uma série de documentos e arquivos magnéticos referentes a compensações de débitos seus com créditos de PIS/Cofins, solicitação que, no entanto, sustenta jamais ter chegado ao seu conhecimento, embora conste nos autos extrato dos Correios indicando que a entrega se deu em 17/04/2009 (fl. 91). Posteriormente, em 29/05/2009, foi reintimada a apresentar, também no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos e arquivos antes solicitados (Termo de Reintimação de fls. 92/93), que foi recebido em 24/06/2009, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR de fls. 94. Assevera que, em face do exíguo prazo para a apresentação dos documentos e arquivos magnéticos, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 2° da Instrução Normativa – IN SRF n° 86, de 2001, solicitou a dilação de prazo à fiscalização, pedido que, todavia, foi indeferido, “não tendo sido aceita a apresentação de qualquer documento à fiscalização após 29 de junho de 2009 (5 dias após o recebimento do Termo de Reintimação)”. Em seguida, a unidade de origem prolatou a sua decisão, negando, por falta de comprovação do crédito vindicado, o pedido formulado pela Recorrente. Pois bem. De início, verificamos existir uma irregularidade na intimação que teria ocorrido por meio do primeiro Termo de Início de Ação Fiscal: não há nos autos prova de que tenha sido recebido no endereço cadastral da Recorrente, uma vez que não anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 17/04/2009. A lei processual, contudo, exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor, que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pelo Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” (g.n.) Considerar, tal como considerou a decisão recorrida, que o simples histórico da entrega do AR, extraído do sítio eletrônico dos Correios, constituiria documento oficial dotado de fé pública, demandando, para que se o infirme, prova em contrário, significa exigir da Recorrente apresentar prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 91 Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.575 S3C2T1 Fl. 3.114 6 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10580.723592/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS EMPRESAS URBANAS. Consoante a jurisprudência dominante, é legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, a qual tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico e não foi extinta pelas Leis n. 7.787/1989 e n. 8.212/1991.
EMPRESA DO RAMO DE HOTELARIA. VINCULAÇÃO À CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. As empresas do ramo de hotelaria, como é o caso da recorrente, por serem vinculadas pelo art. 577 da CLT à Confederação Nacional do Comércio são obrigadas a contribuírem para o SESC/SENAC.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. EMPRESAS NÃO ENQUADRADAS COMO PEQUENAS OU MICRO. OBRIGAÇÃO DE RECOLHER. O adicional sobre as contribuições ao SESI, SENAI, SESC e SENAC arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas médias e grandes empresas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e o pedido de suspensão do feito, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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EXCLUSÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FORAM PAGAS. Não deve ser acatado o argumento para sua retificação da base de cálculo, posto que o sujeito passivo deixou de comprovar que houve a inclusão de parcelas indenizatórias na apuração fiscal. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA POR ATO DO EXECUTIVO. LEGALIDADE. A fixação da alíquota da contribuição decorrente dos riscos ambientais do trabalho pode ser fixada por ato do Poder Executivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AJUIZAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DO FEITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste possibilidade de suspensão do feito administrativo em decorrência do ajuizamento de ação pelo sujeito passivo, haja vista que este não obteve judicialmente qualquer provimento, nem mesmo suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 92 /2 01 1- 72 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade de lei vigente e eficaz. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS EMPRESAS URBANAS. Consoante a jurisprudência dominante, é legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, a qual tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico e não foi extinta pelas Leis n. 7.787/1989 e n. 8.212/1991. EMPRESA DO RAMO DE HOTELARIA. VINCULAÇÃO À CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. As empresas do ramo de hotelaria, como é o caso da recorrente, por serem vinculadas pelo art. 577 da CLT à Confederação Nacional do Comércio são obrigadas a contribuírem para o SESC/SENAC. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. EMPRESAS NÃO ENQUADRADAS COMO PEQUENAS OU MICRO. OBRIGAÇÃO DE RECOLHER. O adicional sobre as contribuições ao SESI, SENAI, SESC e SENAC arrecadado para custear o SEBRAE é devido também pelas médias e grandes empresas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e o pedido de suspensão do feito, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.723592/201172 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 138 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 15 31.548 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Auto de Infração AI: a) AI n.º 37.299.7813: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefício concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 37.332.6700: contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros). Segundo o relatório fiscal, fls. 23/28, a empresa foi excluída do regime tributário do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2009, todavia, continuou se declarando como optante e recolhendo as contribuições dentro da sistemática do regime simplificado. A base de cálculo foi distribuída em dois itens, da seguinte forma: a) BG: remunerações de empregados declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP; b) FP: remunerações de empregados constantes em folhas de pagamento e não declaradas na GFIP. Cientificado do lançamento em 04/05/2011, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 49/66, na qual alegou nulidade das lavraturas em razão de cerceamento ao seu direito de defesa; necessidade de suspensão do processo administrativo de exclusão do Simples, uma vez que ajuizou ação visando à sua reinclusão no regime simplificado; ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições destinadas aos terceiros, além de indevida inclusão de parcelas indenizatórias na apuração. A decisão da DRJ, fls. 93/107 não acatou os argumentos da defesa, mantendo integralmente as exigências fiscais. Para o órgão a quo, a existência de ação judicial discutindo a reinclusão da empresa no Simples, não teria o condão de impedir a constituição dos créditos lançados. Depois, a DRJ concluiu que descabe o argumento de existência de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, posto que o relatório fiscal e seus anexos foram suficientes a prestar informações de todos os aspectos do lançamento, permitindo ao sujeito passivo defenderse da imputação. O órgão de primeira instância não enfrentou as alegações de inconstitucionalidade, sob o argumento de que faleceria de competência para tratar de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 incompatibilidade de leis vigentes com a Constituição, tarefa esta exclusiva do Poder Judiciário. A seguir, a DRJ afastou as alegações de ilegalidade das contribuições aos terceiros e desconsiderou a arguição de incidência de contribuições sobre parcelas indenizatórias, posto que a empresa não teria demonstrado que o fisco incluiu esse tipo de pagamento na apuração. Por fim, afirmou que a exigência das contribuições para financiamento dos benefícios acidentários GILRAT tem base legal. Inconformada, a empresa apresentou recurso, no qual trata dos pontos abaixo relatados (fls. 112/133). Afirma que ajuizou ação judicial solicitando a reinclusão ao Regime Especial de Tributação do Simples Nacional, assim deve ser suspenso o processo administrativo que lhe cassou a opção. Assim, antes de se ter um resultado definitivo da ação judicial sob referência, não se poderia efetuar autuações fiscais decorrentes da sua exclusão do Simples. Sustenta que, sendo patente a hipótese de prejudicialidade, deve a autoridade administrativa proceder à suspensão do processo, por imperativo legal circunscrito no CPC e no art. 62 do Decreto 70.235/1972, além de obediência ao princípio da boa fé. Argumenta que a precária descrição dos fatos geradores e da discriminação do quantum devido representam cerceamento ao seu direito de defesa, o que conduz a nulidade das lavraturas. Arremata afirmando que é inconteste a inexistência da clara e precisa descrição das circunstâncias que levaram à conclusão de que ocorreu o fato gerador, além dos critérios de correção do montante originário. Prossegue mencionando que o fisco tributou parcelas de cunho indenizatório, a exemplo dos primeiros quinze dias não trabalhados por motivo de afastamento por doença ou acidente; aviso prévio indenizado, abono de férias, horas extras, auxílio creche e salário família. A seguir, apresenta teses jurídicas que suportaria suas argumentações de que as parcelas em questão estão fora do campo de tributação previdenciário. Advoga que a contribuição ao SAT somente poderá ser exigida quando o poder legislativo fixar todos os critérios para a cobrança da exação, a saber: complementação dos conceitos de "atividade preponderante"e "grau de risco leve, médio e grave". Enquanto estas definições constarem apenas em Decreto do Poder Executivo, serão inválidos para fundamentar exigências fiscais. Afirma que é ilegal e inconstitucional a contribuição ao INCRA, posto que não pode ser imposta a contribuintes vinculados a atividades eminentemente urbanas. Cita jurisprudência do TRF da 5.ª Região e do STJ, além de mencionar que o STF manifestouse sobre a repercussão geral acerca da recepção da contribuição ao INCRA pela Constituição Federal. As empresas prestadoras de serviço, situação da recorrente, não são tipicamente comerciais e, portanto, não estariam sujeitas ao pagamento de contribuições ao SESC/SENAC. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.723592/201172 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 139 5 Garante que não pode ser obrigada a recolher estas contribuições, posto que: a) não mantém mãodeobra que demande tutela estatal prestada com suporte nas receitas destinadas ao SESC/SENAC, tampouco tem suas atividades enquadradas no art. 577 da CLT; b) o treinamento de seus funcionários e outros profissionais é exercido por ela própria, não necessitando da estrutura dos referidos Serviços; c) as suas atividades prestações de serviços são diversas das desenvolvidas pelas empresas comerciais. Alega que os únicos sujeitos passivos da contribuição ao SEBRAE são as micro e pequenas empresas que se enquadram no campo de atuação das contribuições para o SENAI, SESI, SENAC e SESC, por ser cobrada na forma de adicional desses tributos. Adicionalmente menciona que a cobrança da contribuição ao SEBRAE é também inconstitucional por acarretar em tributação do mesmo fato gerador por mais de um tributo, resultando na bitributação vedada pela Carta Magna. Ao final, pede: a) a suspensão do processo administrativo até a conclusão da ação judicial em que postula a sua reinclusão no Simples; b) o reconhecimento da nulidade das autuações em razão de cerceamento ao seu direito de defesa; e c) a declaração das inconstitucionalidades e ilegalidades das contribuições a que se referiu. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Ação judicial sobrestamento do feito Alega o sujeito passivo que a constituição do crédito fere o devido processo legal, uma vez que a empresa teria ingressado com ação judicial para sua reinclusão no Simples. Assim, cabível o sobrestamento do feito administrativo até a conclusão da disputa judicial. Nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa com a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. Mas no caso em tela, sequer há comprovação de que a empresa tenha obtido algum provimento precário na sua demanda que pudesse suspender a exigibilidade dos créditos lançados. Tive a curiosidade de pesquisar no sítio da Justiça Federal na Bahia o processo de n.º 1567177.2009.4.01.3300 e pude ver que, em 23/04/2010, a demanda teve a tutela antecipada indeferida. Em 11/05/2011, o mérito do pedido foi julgado improcedente. O processo subiu com apelação para o TRF da 5.ª Região e aguarda julgamento. Verificase, portanto, que na data do lançamento não havia qualquer provimento judicial beneficiando a recorrente no sentido de reincluíla, menos ainda impedindo a constituição dos créditos. Mas, mesmo que houvesse decisão favorecendo a empresa, o fisco estaria apenas impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança judicial, tais como a inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou o ajuizamento de execução fiscal, mas não lhe seria vedado promover o lançamento desses créditos. Acerca dessa questão, o entendimento prevalente no Egrégio Superior Tribunal de Justiça é o de que não há impedimento para que a Fazenda, mesmo diante de provimento judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, efetue o lançamento para prevenir a decadência. É o que se pode ver desse julgado: "TRIBUTÁRIO.EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN), que é de cinco anos. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.723592/201172 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 140 7 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 05/09/2005). Assim, não está o fisco, como afirma o sujeito passivo, impedido de efetuar o lançamento, mesmo nos casos em que o contribuinte detém provimento judicial precário em seu favor e muito mais na espécie, em que nenhuma medida protegia a recorrente. O contribuinte cita o art. 62 do Decreto n.º 70.235/1972 para justificar a suspensão do processo administrativo. Vejamos o dispositivo: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Esse artigo não tem aplicabilidade à situação sob enfoque. Simplesmente porque inexiste qualquer decisão determinando a suspensão da cobrança do tributo. De modo que não merece prosperar o pedido para suspensão do feito administrativo. Nulidade Passemos ao enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da suposta falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco. Asseverase que o fisco não se desvencilhou do ônus de provar a ocorrência dos fatos geradores e as circunstâncias em que ocorreram, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. Na seqüência, indica expressamente as evidências que culminaram com a conclusão acerca da ocorrência dos mesmos. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento de remuneração por serviços prestados à empresa, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as GFIP e as folhas de pagamento. Nesse sentido, vejo que a NFLD e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As bases de cálculo e alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo do Débito – DD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Ali está indicada toda a fundamentação legal dos acréscimos legais, inclusive com a metodologia utilizada na aplicação da multa e dos juros. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Vejase que se o fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Repitase os lançamentos foram confeccionados com esteio nas declarações prestadas pelo sujeito passivo mediante a GFIP e nas folhas de pagamento exibidas no decorrer da ação fiscal. Poderia a recorrente apontar falha nas conclusões do fisco ou mesmo erros quanto aos valores lançados. Todavia, o que se colhe da pela recursal são alegações genéricas, sem a indicação precisa de qual ponto do procedimento de confecção da NFLD está em descompasso com a documentação apresentada ou com as normas que regem a matéria. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essenciais do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em dados e fatos, afasto essa preliminar. Da impossibilidade de reconhecimento pelas instâncias de julgamento administrativo de inconstitucionalidade de lei Para enfrentar as alegações recursais de inconstitucionalidade de lei é necessário uma análise da compatibilidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco com a Carta Magna, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.723592/201172 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 141 9 afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Diante do exposto, não hei de acatar me pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade apontadas pela recorrente, tais como a contribuição GILRAT e contribuições aos terceiros. Parcelas indenizatórias Como bem frisou a DRJ, embora a empresa alegue que o fisco incluiu na apuração parcelas não integrantes do saláriodecontribuição, deixou de trazer aos autos qualquer comprovação de que tais rubricas tenham servido para compor as bases de cálculo dos lançamentos. O sujeito passivo de posse de suas folhas de pagamento e GFIP poderia perfeitamente apontar quais as parcelas deveriam ser afastadas da base de cálculo por não representarem remuneração. Sequer por amostragem foi efetuada essa comprovação. Assim, não há como acatar o pedido para retificação da base de cálculo quando sequer o sujeito passivo fez a indicação de qual redução deveria sofrer a base de cálculo em razão da inclusão indevida de parcelas indenizatórias. Contribuição para financiamento dos benefícios acidentários GILRAT Afirma a recorrente que a contribuição destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT é não tem base legal, posto que a lei instituidora não observou o princípio da tipicidade, deixando de fixar inteiramente as suas alíquotas, o que foi feito mediante ato do Poder Executivo, em total afronta ao ordenamento tributário pátrio. Não devemos lhe dar razão. Da leitura da Lei n.º 8.212/1991, verificase que as alíquotas da contribuição ao RAT encontramse definidas em seu texto, como se pode ver: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.723592/201172 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 142 11 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) As atividades econômicas preponderantes e os correspondentes graus de risco encontramse enumeradas no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. O entendimento dominante da jurisprudência pátria é de que a Lei n.º 8.212/1991 define satisfatoriamente todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária, quais sejam sujeito passivo, alíquota e base de cálculo, não havendo ofensa ao princípio da legalidade o fato da lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco". Vêse, portanto, que a irresignação da recorrente não merece provimento, eis que a decisão da DRJ está em perfeita sintonia com a jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre o tema, no sentido de que a indicação do grau de risco e da atividade preponderante por Decreto, para fixar a alíquota da contribuição ao RAT, é perfeitamente legal, como se pode ver da ementa de recentíssimo julgado daquela Corte: TRIBUTÁRIO. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO N. 6.042/2007. LEGALIDADE. 1. O Decreto n. 6.042/2007, em seu Anexo V, reenquadrou a Administração Pública em geral no grau de periculosidade médio, majorando a alíquota do Seguro de Acidentes de Trabalho SAT para 2% (dois por cento), o que se aplica, de todo, aos municípios. 2. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido da legalidade do enquadramento, mediante decreto, das atividades perigosas desenvolvidas pela empresa, escalonadas em graus de risco leve, médio ou grave, com vistas a fixar a contribuição o SAT (art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991). Agravo regimental improvido. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 (AgRg no REsp 1496216 / PE, Relator Ministro Humberto Martins, DJe. 20/02/2015). Encaminho, então, por afastar o inconformismo da recorrente quanto à exigência da contribuição ao GILRAT. INCRA Afirma a recorrente em seu arrazoado que a contribuição paro Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA não poderia ser aplicada às empresas urbanas, por ser destinada ao atendimento dos trabalhadores rurais. Além de que é a mesma seria inconstitucional por não se enquadrar em nenhuma das espécies tributárias previstas na Constituição Federal. Para afastar essa tese, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, a qual pode ser exigida também das empresas urbanas. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.723592/201172 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 143 13 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência tem sedimentado o entendimento de que a contribuição ao INCRA pode ser exigida também das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. SESC/SENAC A recorrente alega que não sendo empresa comercial, não poderia ser compelida a recolher as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC. Discordo dessa tese. Nos termos do art. 577 da CLT, as empresas que exercem atividade no ramo econômico de "turismo e hospitalidade" são vinculadas à Confederação Nacional do Comércio. Nesse sentido, a autuada, que atua como hotel e restaurante, caracteriza se como sujeito passivo das contribuições ao SESC e ao SENAC, nos termos da legislação de regência (art. 3º do DecretoLei nº 9.853/1946 – SESC; art. 4º do DecretoLei nº 8.621/1946 – SENAC), como bem demonstrado pela decisão de primeira instância. SEBRAE Por fim, a notificada advoga que não é legítima a cobrança de contribuição ao SEBRAE, haja vista que, não sendo micro ou pequena empresa, não seria beneficiada na aplicação desse tributo. Também não merece sucesso esse argumento. Com o intuito de promover as políticas de apoio as micro e pequenas empresas, bem como o incentivo às exportações e ao desenvolvimento industrial, o Decreto n.º 99.570, de 09/09/1990, com autorização da Lei n.º 8.029, de 12/04/1990, transformou o então Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE em serviço social autônomo denominado Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE. Para financiamento da entidade criada foi instituído (art. 8.º, § 3.º da Lei n.º 8.029/1990) um adicional a ser cobrado das empresas que contribuíam para o SENAI, SENAC, SESI e SESC, independentemente de serem ou não pequenas ou micro empresas. Sobre esse tema já está pacificado o entendimento do STJ, no sentido de que são contribuintes do SEBRAE, indistintamente, as empresas comerciais e industriais. Observese esse julgado: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE DAS EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTES. EXIGIBILIDADE. ADICIONAL DEVIDO SOBRE CADA CONTRIBUIÇÃO RECOLHIDA AO SESC, SESI, SENAC E SENAI. ART. 8º, § 3º, DA LEI 8.029/1990. 1. "A contribuição ao Sebrae é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao Sesc, Sesi, Senac e Senai, independentemente de serem micro, pequenas, médias ou grandes empresas." (REsp 550.827/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, DJ de 27.02.2007). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 2. O adicional para o SEBRAE incide sobre cada uma das Contribuições devidas ao SENAI, SENAC, SESI e SESC. Inteligência do art. 8º, § 3º, da Lei 8.029/1990: "Para atender à execução das políticas de apoio às micro e às pequenas empresas, de promoção de exportações e de desenvolvimento industrial, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1o do Decreto Lei no 2.318, de 30 de dezembro de 1986". 3. Agravo Regimental não provido. (STJ – Segunda Turma, AgRg no REsp 500634 / SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,DJe. 31/10/2008). Quanto à suposta inconstitucionalidade da exação, é matéria sobre a qual não me debruçarei, pelos motivos revelados alhures. Inconteste, então, a cobrança da contribuição para o SEBRAE no presente processo. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e o pedido de suspensão do feito e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15868.720094/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
O resultado de julgamento deve refletir os termos da decisão proferida na sessão de julgamento. Acolhem-se os embargos para retificar a parte dispositiva de modo a compatibilizar o seu texto ao quanto decidido pelo colegiado.
Numero da decisão: 1201-001.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator. O acórdão embargado, nº 1102-001.099, de 14/05/2014, passa a ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a responsabilidade tributária da empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda; (ii) cancelar os lançamentos relativos à infração 002 do auto de infração (ganhos de capital); (iii) reduzir o valor das infrações 004 (saldo credor de caixa em 2007 e 2008) e 001 (saldo credor de caixa em 2009) do auto de infração, nos termos do voto vencedor, vencido, nesta parte, o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava provimento em maior extensão, para reduzir o lançamento relativo à infração 004 ao montante de R$ 328.144,55 em 31/12/2008, e para cancelar integralmente o lançamento relativo à infração 001. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. O resultado de julgamento deve refletir os termos da decisão proferida na sessão de julgamento. Acolhem-se os embargos para retificar a parte dispositiva de modo a compatibilizar o seu texto ao quanto decidido pelo colegiado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator. O acórdão embargado, nº 1102-001.099, de 14/05/2014, passa a ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a responsabilidade tributária da empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda; (ii) cancelar os lançamentos relativos à infração 002 do auto de infração (ganhos de capital); (iii) reduzir o valor das infrações 004 (saldo credor de caixa em 2007 e 2008) e 001 (saldo credor de caixa em 2009) do auto de infração, nos termos do voto vencedor, vencido, nesta parte, o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava provimento em maior extensão, para reduzir o lançamento relativo à infração 004 ao montante de R$ 328.144,55 em 31/12/2008, e para cancelar integralmente o lançamento relativo à infração 001. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum.
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Embargante Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS Interessado MCL EMPREENDIMENTOS E NEGÓCIOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. O resultado de julgamento deve refletir os termos da decisão proferida na sessão de julgamento. Acolhemse os embargos para retificar a parte dispositiva de modo a compatibilizar o seu texto ao quanto decidido pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator. O acórdão embargado, nº 1102001.099, de 14/05/2014, passa a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a responsabilidade tributária da empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda; (ii) cancelar os lançamentos relativos à infração 002 do auto de infração (ganhos de capital); (iii) reduzir o valor das infrações 004 (saldo credor de caixa em 2007 e 2008) e 001 (saldo credor de caixa em 2009) do auto de infração, nos termos do voto vencedor, vencido, nesta parte, o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava provimento em maior extensão, para reduzir o lançamento relativo à infração 004 ao montante de R$ 328.144,55 em 31/12/2008, e para cancelar integralmente o lançamento relativo à infração 001. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.” Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 94 /2 01 2- 56 Fl. 5850DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.236 S1C2T1 Fl. 3 2 João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, Ester Marques Lins de Sousa e Ronaldo Apelbaum. Relatório por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator. O acórdão embargado, nº 1102001.099, de 14/05/2014, passa a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a responsabilidade tributária da empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda; (ii) cancelar os lançamentos relativos à infração 002 do auto de infração (ganhos de capital); (iii) reduzir o valor das infrações 004 (saldo credor de caixa em 2007 e 2008) e 001 (saldo credor de caixa em 2009) do auto de infração, nos termos do voto vencedor, vencido, nesta parte, o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava provimento em maior extensão, para reduzir o lançamento relativo à infração 004 ao montante de R$ 328.144,55 em 31/12/2008, e para cancelar integralmente o lançamento relativo à infração 001. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.” Tratase de embargos opostos tempestivamente pela autoridade encarregada da execução do julgado relativos ao Acórdão nº 1102001.099, de 6 de maio de 2014 (fls. 57935830), cuja decisão foi a seguinte (grifei): “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a responsabilidade tributária da empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda; (ii) cancelar os lançamentos relativos à infração 002 do auto de infração (ganhos de capital); (iii) reduzir o valor da infração 004 do auto de infração (saldo credor de caixa em 2007 e 2008), nos termos do voto vencedor. Vencido o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava provimento em maior extensão para também cancelar os lançamentos relativos às infrações 004 (saldo credor de caixa em 2007 e 2008) e 001 (saldo credor de caixa em 2009) do auto de infração. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.” Em oposição à parte acima grifada, a embargante transcreve excerto do voto vencedor proferido, no qual consta que teriam sido reduzidos pelo colegiado os valores tributáveis relativos às infrações 001 e 004, verbis (grifei): “Foi pelas razões acima expostas, e com base nas demonstrações acima feitas, que a Turma Julgadora, por maioria de votos, decidiu, com relação às infrações 001 e 004 (saldo credor de caixa), reduzir os valores tributáveis lançados no Fl. 5851DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.236 S1C2T1 Fl. 4 3 auto de infração para os valores apresentados na última coluna à direita da tabela imediatamente acima.” Nestes termos, os embargos foram encaminhados ao CARF, para que fosse saneada a contradição apontada, tendo eles sido admitidos, pelo despacho de fls. 58485849, para que o colegiado sobre eles se pronunciasse. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os embargos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Inicialmente, para melhor esclarecimento dos fatos e dos fundamentos adotados no acórdão embargado, transcrevo a análise feita no voto vencedor do Acórdão nº 1102001.280 sobre o ponto a respeito do qual versam os presentes embargos: “Colhidos os votos no julgamento do recurso, a Turma decidiu, por maioria de votos, no tocante à infração de saldo credor de caixa, acatar um dos argumentos apresentados pelo patrono em sessão, a seguir detalhado, o que determinou a redução do montante dos saldos credores apurados pela fiscalização nos anos de 2007 e 2008, em contrário ao entendimento do ilustre Relator, que, neste aspecto, entendeu que os valores dos recursos recebidos efetivamente pelo sócio, e não pela empresa alienante dos imóveis, não deveria ter sido expurgado da conta caixa, como o fora pela fiscalização, porque já haviam sido por ela consideradas como receitas omitidas, e, ademais, no tocante ao ano de 2009, entendeu que o lançamento sob este título deveria ser inteiramente cancelado porque a fiscalização deveria ter arbitrado o lucro do contribuinte. O colegiado, entretanto, entendeu que o que houve foi o indevido registro na conta caixa de valores que deveriam ter sido registrados a débito das contas de mútuo com o sócio, estando correto, neste aspecto, o “expurgo” da conta caixa efetuado pela fiscalização. Ou seja, no caso, as receitas das vendas não estavam efetivamente à margem da escrituração (a autuação não é da omissão das receitas de vendas, e sim da não tributação do ganho de capital apurado naquelas vendas), mas apenas registradas indevidamente a débito de caixa quando deveriam estar a débito das contas de mútuo. Em outras palavras, teria faltado ao contribuinte fazer um registro contábil, naquele momento, de crédito da conta caixa e de débito das contas de mútuo, naqueles valores, de sorte a regularizar o seu saldo de caixa. Neste diapasão, considerou o colegiado que, por outro lado, os lançamentos contábeis que o contribuinte fez a posteriori, com esta configuração (a crédito da conta caixa e a débito das contas de mútuo) deveriam igualmente ser “expurgados” na reconstituição da conta caixa, por não representarem com fidelidade o que de fato ocorreu, sendo este um dos argumentos da defesa apresentada. Se, por um lado, os valores das vendas de imóveis que foram recebidos pelo sócio não deram entrada na conta caixa da empresa, tampouco houve a efetiva saída da conta caixa para as contas de mútuo dos valores que a seguir serão especificados, de sorte que se deve Fl. 5852DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.236 S1C2T1 Fl. 5 4 fazer uma nova reconstituição da movimentação da conta caixa levandose em conta este aspecto. Entendeu também o colegiado que não seria o caso de cancelamento da autuação em razão da não adoção do lucro arbitrado, por não se tratar de escrituração considerada imprestável para a apuração do lucro, podendo ser feitos os pertinentes ajustes na apuração deste resultado, conforme se passa então a demonstrar. Analisandose os livros razão acostados aos autos, contendo a movimentação das contas de mútuo ativa e passiva de 2007 a 2009 foram identificados os seguintes lançamentos contábeis registrando um crédito na conta caixa e um correspondente débito das contas de mútuo, os quais apresentamos de forma sintética: (omissis: tabela contendo diversos lançamentos contábeis em 2007 e 2008) Registrese que em 2009 não foi identificado nenhum lançamento com as características mencionadas, em nenhuma das contas citadas. Consolidando os valores apresentados nas tabelas acima por data de apuração, considerada pela fiscalização, das omissões de receita por saldo credor de caixa, chegamos aos seguintes valores, os quais devem ser deduzidos, portanto, dos valores de omissão de receita apurados pelo fisco: A tabela abaixo demonstra, na última coluna à direita, os novos valores a serem considerados, portanto, como omissão de receita por saldo credor de caixa, em razão das reduções acima comentadas: Fl. 5853DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.236 S1C2T1 Fl. 6 5 Foi pelas razões acima expostas, e com base nas demonstrações acima feitas, que a Turma Julgadora, por maioria de votos, decidiu, com relação às infrações 001 e 004 (saldo credor de caixa), reduzir os valores tributáveis lançados no auto de infração para os valores apresentados na última coluna à direita da tabela imediatamente acima.” A aparente contradição entre o quanto contido no voto vencedor e na parte dispositiva do acórdão pode ser com relativa simplicidade explicada, e, consequentemente, sanada. Conforme visto, o relator do acórdão sustentava que: (i) com relação aos anos de 2007 e 2008, diversos valores que haviam entrado apenas contabilmente no caixa (mas que de fato haviam sido creditados na conta corrente do sócio), deveriam mesmo assim ser considerados como se tivessem efetivamente entrado no caixa da empresa; e (ii) com relação ao ano de 2009, o lançamento deveria ser inteiramente cancelado por erro na forma de apuração do resultado (lucro real, quando deveria ter sido arbitrado). O que o colegiado decidiu, conforme exposto no voto vencedor, é que: (i) com relação aos anos de 2007 e 2008, os valores que o relator pretendia excluir da autuação, por meio da anulação do “expurgo” dos ingressos contábeis de caixa (feito pela fiscalização na recomposição do caixa da empresa), deveriam continuar a receber o tratamento que lhes fora dado pela fiscalização. Por outro lado, contudo, o colegiado entendeu que um outro tipo de ajuste deveria ser feito com relação aos valores que foram considerados pelo fisco na recomposição do caixa destes anos. Este ajuste consiste em um “expurgo” (promovido pelo colegiado) na recomposição do caixa da empresa, de diversos valores que, embora lançados contabilmente a crédito da conta caixa, deveriam ser desconsiderados. Como efetivamente havia somente lançamentos nos anos de 2007 e 2008 que mereceriam receber o tratamento determinado pelo voto vencedor — neste aspecto acompanhado pelos demais conselheiros do colegiado, à exceção do relator — entendeuse que o registro correto do Fl. 5854DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.236 S1C2T1 Fl. 7 6 resultado do julgamento seria no sentido de apenas “reduzir o valor da infração 004 do auto de infração (saldo credor de caixa em 2007 e 2008)”, conforme constou na parte dispositiva. (ii) com relação ao ano de 2009, o colegiado não acolheu a proposta do relator, no sentido do erro na forma de apuração do resultado, e, como inexistiam quaisquer outros “expurgos” a serem feitos neste ano, conforme constou no voto vencedor (“Registrese que em 2009 não foi identificado nenhum lançamento com as características mencionadas, em nenhuma das contas citadas”), entendeuse que não haveria necessidade de menção ao ano de 2009 na parte dispositiva do acórdão. Afinal, o colegiado decidiu pela manutenção de todos os ajustes que haviam sido originalmente feitos pela fiscalização com relação à recomposição do caixa da empresa deste ano. Ocorre que, apesar de todos os ajustes determinados pelo colegiado, por conta dos mencionados “expurgos”, dizerem respeito apenas a valores contabilizados em 2007 e 2008 (conforme exposto na primeira tabela ao norte transcrita), os efeitos destes expurgos acabam por se propagar para o ano seguinte. Assim é que, na segunda tabela ao norte transcrita, muito embora o valor do “ajuste acumulado” não mais se altere a partir de 31/12/2008 (evidenciando, assim, a inexistência de novos ajustes em 2009), os ajustes determinados pelo colegiado em 2007 e 2008 acabam por propagar efeitos na recomposição do caixa também em 2009, conforme ali demonstrado. Portanto, não é correto dizer que houve redução apenas no valor da “infração 004” (saldo credor de 2007 e 2008), pois, afinal, a “infração 001” (saldo credor de 2009) também sofre redução, nada obstante a inexistência de qualquer específico ajuste, com relação aos valores considerados pelo fisco na recomposição da conta caixa deste ano. Por fim, aproveito o ensejo dos presentes embargos para — embora quanto a este aspecto não provocado pela unidade administrativa embargante — também corrigir observação constante da parte dispositiva do julgado quanto à posição do relator (vencido) no tocante às infrações de saldo credor de caixa. Percebese, da leitura do inteiro teor do voto vencido, que o relator propunha: (i) o cancelamento parcial da “infração 004” (saldo credor de 2007 e 2008), remanescendo somente o valor tributável de R$ 328.144,55 em 31/12/2008; e (ii) o cancelamento integral da “infração 001” (saldo credor de 2009). Contudo, na parte dispositiva constou que o relator defenderia o cancelamento integral das infrações 001 e 004. Há que se fazer os devidos ajustes, portanto, na parte dispositiva do julgado contido no Acórdão nº 1102001.099, a partir do seu item ‘iii’ (que se refere às infrações de saldo credor de caixa). Por todo o exposto, acolho os embargos, para reratificar o Acórdão nº 1102 001.099, de modo a confirmar o inteiro teor do voto vencedor, e retificar a parte dispositiva do julgado, para que passe a exibir o seguinte texto: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, Fl. 5855DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.236 S1C2T1 Fl. 8 7 e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a responsabilidade tributária da empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda; (ii) cancelar os lançamentos relativos à infração 002 do auto de infração (ganhos de capital); (iii) reduzir o valor das infrações 004 (saldo credor de caixa em 2007 e 2008) e 001 (saldo credor de caixa em 2009) do auto de infração, nos termos do voto vencedor, vencido, nesta parte, o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava provimento em maior extensão, para reduzir o lançamento relativo à infração 004 ao montante de R$ 328.144,55 em 31/12/2008, e para cancelar integralmente o lançamento relativo à infração 001. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.” É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5856DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001708/99-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996, 1997
IRPF. PERMUTA.
No caso de alienação de unidade imobiliária originalmente adquirida por permuta com bem móvel, cabível a utilização do valor registrado na escritura de aquisição (permuta) como custo da unidade imobiliária alienada, independentemente do valor previamente registrado nas declarações de ajuste anual do contribuinte como custo do bem móvel permutado. Na hipótese, restam inaplicáveis as disposições da legislação tributária que se circunscrevem exclusivamente às permutas de unidades imobiliárias.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996, 1997 IRPF. PERMUTA. No caso de alienação de unidade imobiliária originalmente adquirida por permuta com bem móvel, cabível a utilização do valor registrado na escritura de aquisição (permuta) como custo da unidade imobiliária alienada, independentemente do valor previamente registrado nas declarações de ajuste anual do contribuinte como custo do bem móvel permutado. Na hipótese, restam inaplicáveis as disposições da legislação tributária que se circunscrevem exclusivamente às permutas de unidades imobiliárias. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 718 1 717 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.001708/9984 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.672 – 2ª Turma Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRAULINO BASÍLIO MAIA FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996, 1997 IRPF. PERMUTA. No caso de alienação de unidade imobiliária originalmente adquirida por permuta com bem móvel, cabível a utilização do valor registrado na escritura de aquisição (permuta) como custo da unidade imobiliária alienada, independentemente do valor previamente registrado nas declarações de ajuste anual do contribuinte como custo do bem móvel permutado. Na hipótese, restam inaplicáveis as disposições da legislação tributária que se circunscrevem exclusivamente às permutas de unidades imobiliárias. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 17 08 /9 9- 84 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001708/9984 Acórdão n.º 9202003.672 CSRFT2 Fl. 719 2 EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 10616.964, julgado pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes na sessão plenária de 26 de junho de 2008 (efls. 428 a 446), deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto e reduzir o ganho de capital objeto de lançamento para os seguintes valores: i) junho/95 de R$ 966.027,00 para R$ 891.223,47; ii) junho/96 de R$ 1.151.922,73 para R$ 1.062.723,56; e iii) julho/96 de R$ 200.517,17 para R$ 184.989,32, consoante a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1995, 1996,1997 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO — POSSIBILIDADE DE LAVRATURA QUANDO A INFRAÇÃO Ê IDENTIFICADA NA REPARTIÇÃO FISCAL — AUSÊNCIA DE NULIDADE – A legitimidade da lavratura do auto de infração, no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte, encontrase assentada na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, consubstanciada no enunciado da Súmula 1°CC n° 6. TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL ACOSTADO AOS AUTOS — AUSÊNCIA DE NULIDADE 0 procedimento fiscal tem inicio com o primeiro ato de oficio, escrito, praticado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e cientificado ao sujeito passivo (art. 7°, I, do Decreto n° 70.235/72). Nos autos, foi acostada a intimação n° 01/FM 1999.004021, que foi o primeiro ato de oficio da autoridade autuante, cientificada na boa e devida forma ao autuado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: CUSTO DO BEM RECEBIDO EM PERMUTA — VALOR DO BEM OFERTADO NA PERMUTA CONSTANTE NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS IDENTIDADE — A permuta ou troca é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro. Tudo que pode ser objeto de uma compra e venda pode ser trocado, não sendo necessário que os bens permutados sejam de igual espécie ou valor, sendo licito, portanto, permutar um imóvel por uma coisa móvel, ou ainda um bem imóvel ou móvel por um direito. Apesar de as disposições civis referentes à compra e venda serem Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001708/9984 Acórdão n.º 9202003.672 CSRFT2 Fl. 720 3 aplicadas à troca ou permuta (art. 533 do Código Civil), não se deve esquecer que o contrato de permuta antecedeu ao da compra e venda. A interpretação tributária que restringe a permuta à troca de bens imóveis não tem base na doutrina ou na própria legislação regente do ganho de capital. Dessa forma, ao contrato de permuta, de forma geral, deve ser dado o mesmo tratamento atribuído ao de permuta de unidades imobiliárias, quando somente se pode falar em ganho de capital se houver torna. Inexistindo torna, não haverá ganho de capital, exceto se o permutante ativar em sua declaração de bens e direitos o bem recebido por um valor maior do que o dado na permuta. Assim, incabível a utilização do valor registrado na escritura de permuta como custo do bem recebido na permuta, devendo ser acatado como custo do bem recebido na permuta aquele do bem ofertado nesta avença. IMÓVEL RURAL — ALIENAÇÃO — BENFEITORIAS — NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CUSTO DAS BENFEITORIAS — AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO — TRIBUTAÇÃO DE TODO 0 PRODUTO DA ALIENAÇÃO COMO GANHO DE CAPITAL No caso do imóvel rural com benfeitorias, considerase como valor da alienação, para efeitos do ganho de capital, exclusivamente o valor da terra nua, desde que o dispêndio com as benfeitorias tenha sido deduzido corno custo ou despesa da atividade rural. Neste caso, apenas o custo de aquisição e o valor da alienação da terra nua serão utilizados para o cálculo do ganho de capital. De outro lado, o valor do custo de aquisição e o da alienação das benfeitorias devem ser tributados como despesa e receita da atividade rural, respectivamente. Devese evidenciar que a legislação reitora da tributação da atividade rural, como espelhado na IN SRF 125/1992, exige que as receitas, despesas e investimentos na atividade rural sejam comprovados por documentação hábil e idônea. Considerando que o recorrente não conseguiu comprovar o custo de aquisição das benfeitorias pois, inclusive, omissa a escritura de permuta que formalizou a aquisição do imóvel rural, bem como não logrou comprovar os investimentos feitos no referido imóvel nos anoscalendário 1994 e 1995, somente restou a autoridade autuante considerar todo o valor da alienação para o cálculo do ganho de capital. Escorreito, no ponto, o procedimento da fiscalização. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INGRESSOS COMPROVADOS POR EXTRATO BANCÁRIO E ESCRITURAÇÃO DO RECORRENTE — FONTE DE RECURSOS QUE DEVE CONSTAR NO FLUXO DE CAIXA — Comprovado que os recursos foram percebidos pelo recorrente, conforme extrato bancário e escrituração pessoal, devemse acatar tais recursos como fonte no fluxo de caixa que apontou acréscimo patrimonial a descoberto. Recurso voluntário provido parcialmente. Ciente do recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs Recurso Especial (efls. 452 a 455), alegando que a decisão fora contrária à evidência da prova, Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001708/9984 Acórdão n.º 9202003.672 CSRFT2 Fl. 721 4 insurgindose em especial contra o custo utilizado na apuração do ganho de capital referente à alienação pelo recorrente de parcela do imóvel denominado “Seringal AssunçãoParte A”, espelhada às efls. 444/445, sendo dado seguimento ao pleito por meio do despacho de admissibilidade de efls. 456 a 458. Ciente do resultado do julgamento, o contribuinte apresentou, inicialmente, embargos de declaração à decisão (efls. 462 e 468), que foram rejeitados pelo despacho de 08 de fevereiro de 2010 (efls. 476 a 482). Inconformado, apresentou o contribuinte novos embargos de efls. 496 a 506, novamente rejeitados através de despacho de efls. 509 a 512. Solicitou ainda o contribuinte, a seguir, à autoridade administrativa, a revisão de ofício do lançamento efetuado (efls. 520 a 697), tendo esta solicitação sido indeferida, na forma de despachos de efls. 698 a 704. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte houvera ofertado contrarrazões de efls. 469 a 472. Sobem, assim, os autos a esta Câmara Superior, para fins de apreciação do Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Verifico que a celeuma recursal decorre da inconformidade da Fazenda Nacional com a utilização, pelo recorrido, como custo de aquisição para a parcela do terreno alienado pelo autuado, não o valor constante da escritura de efls. 47 a 53 (mais especificamente, CR$ 42.956.738,91, consoante efls. 47 e 51, valor este utilizado pela autoridade autuante, consoante demonstrativo de efls. 189), mas sim o valor declarado de ações de propriedade do autuado então permutadas pelo referido terreno (745.862,60 UFIRs), tendo o vergastado entendido que, inobstante o disposto no art. 801, inciso IV do RIR/94 se limitar à permuta exclusiva de unidades imobiliárias, tal tratamento deveria ser estendido à permuta em questão (que, repitase, envolveu ações de empresa da propriedade do autuado), verbis (efls.440/441) “ (...) Confrontando a redação do art. 801, IV, do RIR/94 com a legislação informada na cabeça deste dispositivo, verificase que a redação deste inciso não consta em qualquer das leis informadas. Percebese, então, que se trata de uma interpretação da legislação reitora do ganho de capital, definindo que, em caso de permuta de unidades imobiliárias, somente cabe ganho de capital em caso de torna, e sobre a Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001708/9984 Acórdão n.º 9202003.672 CSRFT2 Fl. 722 5 torna. A exceção no tocante à permuta de imóveis rurais tem a ver com a situação especial decorrente do tratamento dado à terra nua e às benfeitorias. A redação dos arts. 801, IV e § 4o., 802, § 2° e 3o., do RIR94 foi mantida nos arts. 121, II e §2°, 123, §2° e 3°, do Decreto n° 3.000/99, respectivamente, sem qualquer alteração. Interessante ressaltar que o art. 128, § 4°, do Decreto n° 3.000/99 afiança que nas operações de permuta com ou sem pagamento de torna, considerase custo de aquisição o valor do bem dado em permuta acrescido da torna paga, se for o caso. Os Regulamentos do Imposto de Renda de 1994 e 1999, com alicerce remoto na IN SRF n° 107/88, restringem o instituto da permuta a troca de unidades imobiliárias. Nessa linha, compulsando o "perguntas e respostas" do Imposto de Renda do Exercício 2008 disponibilizado no sitio da internet da Secretaria da Receita Federal, na pergunta 559, registrase que não se considera permuta a operação que envolva qualquer outro bem ou direito, que não seja bem imóvel. Ora, a permuta ou troca é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro. Tudo que pode ser objeto de uma compra e venda pode ser trocado, não sendo necessário que os bens permutados sejam de igual espécie ou valor, sendo licito, portanto, permutar um imóvel por uma coisa móvel, ou ainda um bem imóvel ou móvel por um direito. Apesar de as disposições civis referentes à compra e venda serem aplicadas a troca ou permuta (art. 533 do Código Civil), não se deve esquecer que o contrato de permuta antecedeu ao da compra e venda. Assim, a interpretação tributária que restringe a permuta a troca de bens imóveis não tem base na doutrina ou na própria legislação regente do ganho de capital. Esta questão foi abordada na peça recursal. O recorrente busca estender o tratamento tributário da permuta de unidades imobiliárias à permuta de qualquer bem, o que infirmaria o custo de aquisição utilizado pela fiscalização, quando do cálculo do ganho de capital decorrente da alienação do imóvel rural denominado Seringal AssunçãoParte "A" do Projeto Fundiário Jaru Ouro Preto, extraído da escritura de permuta, pois entende que, no contrato de permuta, trocamse bens, devendo ser mantida a situação patrimonial dos contratantes, não podendo tal contrato ser confundido com duas operações de compra e venda. Tudo o dito acima consolida o entendimento de que, presente um contrato de permuta, como o de fls. 45 a 48, deve ser dado o mesmo tratamento referente ao ganho de capital que seria dado a um contrato de permuta de unidades imobiliárias. Isso implica que somente pode se falar em ganho de capital se houver torna. Inexistindo torna, não haveria ganho de capital, exceto se o permutante ativar em sua declaração de bens e direitos o bem recebido por um valor maior do que o dado na permuta. Dessa Fl. 722DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001708/9984 Acórdão n.º 9202003.672 CSRFT2 Fl. 723 6 forma, incabível a utilização do valor registrado na escritura de permuta como custo do bem recebido na permuta. Assim, devese deferir o pleito do recorrente em manter em sua declaração de bens e direitos o valor do imóvel rural denominado Seringal AssunçãoParte "A" do Projeto Fundiário Jam Ouro Preto pelo mesmo valor das ações permutadas da empresa Fazendas Reunidas T. Maia S/A, de forma similar ao estatuído no art. 128, § 4o., do Decreto n° 3.000/99. A propósito, faço notar que o valor das ações permutadas a que se refere o recorrido consta, mais especificamente, da declaração de ajuste do contribuinte de efl. 16 e do demonstrativo de efls. 444/445. A fim de que o Colegiado forme sua convicção acerca do litígio, reproduzo aqui, ainda, o teor do art. 801, IV do RIR/94 mencionado, bem assim, o teor dos dispositivos indicados como seu supedâneo legal, verbis: RIR/94 Art. 801. Na determinação do ganho de capital serão excluídos (Leis n°s 7.713/88, art. 22, 8.134/90, art. 30, 8.218/91, art. 21, e 8.383/91, art. 3°, II): (...) IV a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. Lei 7.713/88 Art. 22. Na determinação do ganho de capital serão excluídos: (Vide Lei 8.023, de 1990): I o ganho de capital decorrente da alienação do único imóvel que o titular possua, desde que não tenha realizado outra operação nos últimos cinco anos e o valor da alienação não seja superior ao equivalente a trezentos mil BTN no mês da operação. (Redação dada pela Lei 8.134, de 1990) (Vide Lei nº 8.218, de 1991) II o ganho de capital decorrente de alienação de ações de companhia aberta no mercado à vista de bolsa de valores; (Revogado pela Lei nº 8.014, de 1990) III as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima; IV o ganho de capital auferido na alienação de bens de pequeno valor, definido pelo Poder Executivo. Parágrafo único. Não se considera ganho de capital o valor decorrente de indenização por desapropriação para fins de reforma agrária, conforme o disposto no § 5º do art. 184 da Fl. 723DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001708/9984 Acórdão n.º 9202003.672 CSRFT2 Fl. 724 7 Constituição Federal, e de liquidação de sinistro, furto ou roubo, relativo a objeto segurado. Lei 8.134/90 Art. 30. O inciso I do art. 22 da Lei n° 7.713, de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação; "I o ganho de capital decorrente da alienação do único imóvel que o titular possua, desde que não tenha realizado outra operação nos últimos cinco anos e o valor da alienação não seja superior ao equivalente a trezentos mil BTN no mês da operação." Lei 8.218/91 Art. 21 O limite de que trata o inciso I do art. 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 30 da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, passa a ser de Cr$ 70.000000,00. Lei 8.383/91 Art. 3° Os valores expressos em cruzeiros na legislação tributária ficam convertidos em quantidade de Ufir, utilizandose como divisores: I o valor de Cr$ 215,6656, se relativos a multas e penalidades de qualquer natureza; II o valor de Cr$ 126,8621, nos demais casos. Inicialmente, de se notar que, realizada a exclusão na forma do art. 801, inciso IV acima, interpretação outra não há do que aquela que considera a ocorrência do fato gerador do Imposto sobre a Renda quando da operação de permuta, com imposto devido sempre que o valor do bem havido em permuta (eventualmente constante de escritura) for patrimonialmente avaliado em valor superior ao valor do bem ali entregue, caracterizandose assim, ali, acréscimo patrimonial, hipótese à qual acedo. Ainda, a propósito, mesmo que se pudesse inicialmente, à luz do disposto no art. 150, §6o. da CF/88 e no art. 97, inciso IV da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), se questionar eventual redução da base de cálculo do Imposto sobre a Renda efetuada por Decreto (e não por lei específica), despicienda é tal análise, uma vez que não há, em meu entendimento, como se cogitar de estender a aplicação do disposto no inciso IV do art. 801 acima reproduzido à permuta entre ações de determinada companhia (bem móvel) e unidade imobiliária, o que poderia sustentar a eventual manutenção do custo originário das ações nas DIRPFs do permutante, bem como a utilização deste custo quando da posterior alienação do bem imóvel havido por permuta, consoante entendimento esposado pelo Colegiado a quo. Quisesse o referido dispositivo abranger toda e qualquer permuta na referida exclusão (suportando, assim, indiretamente, a manutenção do custo do bem móvel nas DIRPFs e sua utilização posterior), bastaria a não especificação de limitação à permuta de unidades imobiliárias, sendo de especial relevância o advérbio “exclusivamente” constante do mesmo dispositivo, que remete à conclusão diametralmente contrária, qual seja, ter buscado o Fl. 724DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.001708/9984 Acórdão n.º 9202003.672 CSRFT2 Fl. 725 8 legislador de forma expressa circunscrever a aplicação do dispositivo às permutas de unidades imobiliárias. Assim, entendo como escorreito o procedimento realizado pela fiscalização às efls. 189, e, destarte, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, restabelecendose assim o ganho de capital apurado para os seguintes valores: i) junho/95 R$ 966.027,00; ii) junho/96 — de R$ 1.151.922,73; e iii) julho/96 — R$ 200.517,17. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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