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Numero do processo: 10380.721327/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006, 2007
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL.
Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as exigências, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos lançamentos decorrentes.
Numero da decisão: 1401-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 AÇÃO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) ou nos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, descabe o argumento de nulidade do auto de infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE. A utilização de interposição de pessoa caracteriza o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros responsáveis pela empresa fiscalizada. Nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), os sócios de fato, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, são solidariamente obrigadas, revestindose da condição de contribuinte. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as exigências, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos lançamentos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 13 27 /2 01 0- 25 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 694704: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 3/47, além do Termo de Verificação Fiscal, fls. 590/595, Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 601/602, e do Termo de Encerramento, fls. 598, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, totalizando R$ 2.956.653,31, incluindo encargos legais, relativos aos anos calendário 2006, 2007, conforme discriminação seguinte: A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos citados Autos de Infração, bem como detalhada nos mencionados Termo de Verificação Fiscal, Termo de Sujeição Passiva Solidária, achase exposta, em síntese, conforme indicado a seguir: Auto de Infração/Descrição Sintetizada dos Fatos: Razão Arbitramento: Arbitramento do lucro que se fez tendo em vista que o Contribuinte, notificado a apresentar os Livros e Documentos da sua Escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Reintimação em anexo, deixou de apresentálos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Arbitramento do lucro com base na receita bruta correspondente aos depósitos/créditos consignados nas contas bancárias mantidas pela Empresa no Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, HSBC, e Unibanco, cuja origem não foi comprovada na forma como preconizado pelo art. 42 da Lei 9.430/1996. Os valores desta receita foram apurados na planilha "CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", e resumidos no "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", anexos e integrantes do Auto, cabendo informar que sua origem Fl. 796DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 não foi comprovada pelos Sócios Responsáveis, apesar de solicitados a esclarecêla, por meio de Termo de Intimação específico, também anexo, tudo na forma como detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é integrante do Auto. Ressaltese que, por não terem sido pagas nem declaradas até o início da Ação Fiscal, foram tributadas as contribuições para o PIS, a COFINS e a CSLL, na forma de reflexos do Auto, por incidirem sobre a mesma base do arbitramento e fundadas nos mesmos elementos de prova. Em razão do evidente intuito de fraude contra a Fazenda Nacional, demonstrado pela interposição de pessoas no quadro societário da Empresa, também relatado no Termo de Verificação Fiscal, impôsse a qualificação da multa aplicável sobre os tributos e contribuições lançados, na forma prevista pelo artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/1999. Termo de Verificação Fiscal, fls. 590/595: 1. DOS PROCEDIMENTOS INICIAIS. Pelo Ofício 3.260/2008/MCC/GAB/PR/CE o Ministério Público Federal no Ceará encaminhou o Relatório de Inteligência Financeira 2637, e solicitou a instauração de Ação Fiscal para o Contribuinte identificado, o qual constou no citado Relatório, posto que realizou movimentação financeira, no período de novembro de 2006 a janeiro de 2008, incompatível com a atividade econômica desempenhada. Ademais, a Empresa foi alvo da Polícia Federal durante a operação "Al Capone", que combateu a falsificação de bebidas, em 2007. Nos anos de 2006 e 2007, a Fiscalizada não apresentou DIPJ, estando na condição de "omisso". Também não apresentou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e nem tampouco recolheu valores relativos a quaisquer tributos federais. Em visita ao endereço de sua sede, constante do CNPJ, foi constatado que a Empresa não estava mais ali estabelecida. 2. DO QUADRO SOCIETÁRIO DA EMPRESA. Foram solicitados à Junta Comercial do Ceará os Atos Constitutivos da Empresa. De acordo com os atos formais, consta que foi constituída em 12/03/2002 pelos Sócios Maria de Lourdes Montenegro Braga, CPF 046.719.53315, e Sonia Braga de Pinho Pessoa, CPF 051.750.11391, com a denominação social de "RESTAURANTE MADRINHA SUZANA LTDA", com endereço à rua Professor Dias da Rocha, 251, Meireles, FortalezaCE, tendo por objeto a exploração da atividade de restaurantes e bebidas. Ainda segundo o Contrato Social, a Sra. Maria de Lourdes Montenegro Braga possuía 99% das quotas do capital e exercia a gerência da Empresa. Em 11/11/2004, por instrumento de Alteração Contratual, a Sócia Sonia Braga de Pinho Pessoa retirouse da Sociedade, Fl. 797DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 4 5 cedendo e transferindo suas quotas de capital para Antônio Ernando dos Santos Lima, CPF 212.209.13391. 3. OS FATOS APURADOS NA AUDITORIA. 3.1 Considerando que a Empresa não foi encontrada no endereço de sua sede, o início do procedimento fiscal foi providenciado através do Edital 066/2009, o qual foi afixado na DRF/FOR no período de 24/06/2009 a 09/07/2009, concedendo se 20 dias de prazo para apresentação dos Livros Contábeis e Fiscais, bem como dos extratos das contas bancárias da Empresa, envolvendo os anos de 2006 e 2007. 3.2 Na mesma ocasião, uma via do Termo de Início de Fiscalização foi remetida, por via postal, ao endereço residencial da SóciaGerente, Senhora Maria de Lourdes Montenegro Braga, e foi recepcionada na data de 22/06/2009, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (AR). Através deste Termo foram solicitados, além de outros elementos, os Livros Contábeis Diário e Razão ou o Livro e os Livros Fiscais dos Registros das Entradas e Saídas de Mercadorias e de Apuração do ICMS, com a escrituração da Empresa referente aos anos de 2006 e 2007, como também os extratos contendo a movimentação bancária desse mesmo período. 3.3 Expirado o prazo de 20 dias, nenhuma manifestação houve por parte da Representante da Empresa, sendo então encaminhados Termos de Reintimação em 29/07/2009, que também não mereceram nenhuma resposta por parte da Empresa. 3.4 Assim, com fulcro no art. 6° da Lei Complementar 105/2001 foi providenciada a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF para as Instituições Bancárias nas quais a Fiscalizada mantinha contascorrentes. Prontamente, as Instituições atenderam ao que lhes foi solicitado e remeteram os extratos da movimentação das contas bancárias como também cópia das fichas cadastrais da Correntista e Instrumentos de Outorga de Procuração para movimentação das contas por terceiras pessoas. Relacionamse a seguir os documentos recebidos: 3.4.1 BANCO DO BRASIL, RMF 098/2009, agência 3296, conta corrente 14869, remessa de ficha cadastral, extrato da conta em meio magnético, e dados Procuração: [seguese uma relação de seis procurações, em que figuram como outorgados Renan Montenegro Braga e/ou Claudia Regina Moraes Rodrigues] 3.4.2 BANCO HSBC, RMF 099/2009, agência 0702, conta corrente 3093517, remessa de ficha cadastral, e extrato da conta em papel e em meio magnético. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 3.4.3 BANCO DO ESTADO DO CEARÁ (BRADESCO), RMF 100/2009, agência 073, contacorrente 400.7470, remessa de ficha cadastral, extrato da conta em meio magnético, e dados Procuração: [seguese uma relação de duas procurações, em que figuram como outorgados Hermes Falcão Neto e/ou Claudia Regina Moraes Rodrigues] 3.4.4 BANCO BRADESCO, RMF 102/2009, agência 0608, contascorrentes 826, 17.927, 17.927 (poupança), remessa de ficha cadastral, extratos das contas em meio magnético, e dados Procuração: [seguese uma relação de três procurações, em que figuram como outorgados Renan Montenegro Braga Filho e/ou Hermes Falcão Neto e/ou Claudia Regina Moraes Rodrigues] 3.4.5 BANCO ITAÚ, RMF 101/2009, agência 0366, conta corrente 426831, remessa de ficha cadastral, extrato da conta em meio magnético, e dados Procuração: [seguemse os dados de uma procuração, em que figura como outorgado Renan Montenegro Braga] 3.4.6 BANCO UNIBANCO, RMF 097/2009, agência 0699, contacorrente 1218352, remessa de ficha cadastral e extrato da conta em meio magnético. Não foi encontrado Instrumento de Procuração. 3.5 De acordo com os dados registrados nos extratos das contas supracitadas, levantouse um volume de depósitos/créditos consignados em favor da Empresa no montante de R$ 6.314.673,20, em 2006, e R$ 8.864.991,85, em 2007, ao passo que, nos mencionados exercícios nada foi declarado ou recolhido à Fazenda Federal. Com base nessas informações, nova Intimação foi formulada à Empresa, na pessoa de sua SóciaGerente, para esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e demais créditos aportados nas referidas contas, cujos valores foram detalhados em planilhas que acompanharam o mencionado Termo de Intimação, ao qual foram ainda juntadas cópia dos referidos extratos bancários. Essa Intimação, que concedia um prazo de 20 dias para atendimento, foi recebida no destino em 14/11/2009. 3.6 A Empresa atendeu à solicitação, tendo a Sócia Majoritária, Maria de Lourdes Montenegro Braga, declarado que seu filho Renan Montenegro Braga exercia a administração e representação da Sociedade na qualidade de Mandatário com amplos poderes. Adiantou também que os créditos decorriam de sua atividade no comércio de alimentos, de mútuos realizados com a Empresa Chalana Distribuidora de Alimentos Ltda, CNPJ 63.400.980/000130, e de depósitos realizados por conta e ordem também da Chalana 3.7 Foram ainda levantadas, nos cadastros internos da Receita Federal do Brasil, informações referentes àqueles que possuíam poderes para movimentar as contascorrentes da Fiscalizada, tendo sido também solicitados esclarecimentos acerca do Fl. 799DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 5 7 envolvimento dessas Pessoas com as atividades da Empresa. Assim, foram expedidas Intimações para RENAN MONTENEGRO BRAGA, CPF 013.317.87300, RENAN MONTENEGRO BRAGA FILHO, CPF 558.745.33320, HERMES FALCÃO NETO, CPF 623.571.58387, e CLÁUDIA REGINA MORAES RODRIGUES, CPF 073.328.65858, havendo sido obtidas as seguintes informações: 3.7.1 RENAN MONTENEGRO BRAGA: 3.7.1.1 Responsável pelas Pessoas Jurídicas COMERCIAL MONTENEGRO LTDA, CNPJ 04.510.254/000100; 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170; ASSOCIAÇÃO PLANETA AROEIRA LTDA, CNPJ 08.298.011/000101; CHALANA SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 63.400.980/000130. 3.7.1.2 Declarou ser filho de Maria de Lordes Montenegro Braga e que sempre deteve poderes de administração e representação do Restaurante Madrinha Suzana Ltda. 3.7.2 RENAN MONTENEGRO BRAGA FILHO: 3.7.2.1 Responsável pela Pessoa Jurídica RH EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A, CNPJ 05.105.104/000184. 3.7.2.2 Possuiu vínculo empregatício até setembro de 2006 com CHALANA SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 63.400.980/000130. 3.7.2.3 Declarou que o Restaurante era administrado por Maria de Lourdes e Renan Montenegro; em 2006 e 2007, era empregado do Chalana Distribuidora de Alimentos Ltda, exercendo a função de "comprador de hortifruti granjeiro", assinando cheques da Empresa Restaurante Madrinha Suzana Ltda, em conjunto com Cláudia, por determinação de seu pai, Renan Montenegro Braga. 3.7.3 HERMES FALCÃO NETO: 3.7.3.1 Responsável pelas Pessoas Jurídicas FALCON PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 09.618.030/000170; C. Z. SECURITIZADORA S/A, CNPJ 10.313.750/000177. 3.7.3.2 Possuiu vínculo empregatício até setembro de 2006 com CHALANA SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 63.400.980/000130. 3.7.3.3 Confirmou que o Restaurante era administrado por Maria de Lourdes e Renan Montenegro; em 2006 e 2007, era empregado do Chalana Distribuidora de Alimentos Ltda, exercendo a função de "comprador de laticínios e estivas". Assinava cheques da Empresa Restaurante Madrinha Suzana Ltda, em conjunto com Cláudia, por determinação de seu pai, Renan Montenegro Braga. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 3.7.4 CLÁUDIA REGINA MORAES RODRIGUES: 3.7.4.1 Responsável pela Pessoa Jurídica C R M RODRIGUES, CNPJ 03.543.102/000141. 3.7.4.2 Possuiu vínculo empregatício até fevereiro de 2008 com CHALANA SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 63.400.980/000130. 3.7.4.3 Declarou que trabalhou na Empresa Chalana Distribuidora de Alimentos Ltda de abril de 2003 a maio de 2008, sabia que o Restaurante Madrinha Suzana Ltda era Empresa da mãe do Senhor Renan Braga, e que recebeu poderes, a partir de agosto de 2006, para, nas ausências de Renan, assinar cheques e ordens de pagamento sempre em conjunto com Renan Filho e Hermes, sob ordens de Renan Braga. Por fim, esclareceu que jamais exerceu gestão ou administração do Restaurante. 3.8 No intuito de conhecer os Reais Beneficiários dos recursos financeiros movimentados nas contas bancárias do Restaurante, foi pedido aos Bancos que fornecessem cópia de alguns cheques emitidos e sacados daquelas contascorrentes. Em seguida, identificaramse os Beneficiários, os quais foram intimados a esclarecer o motivo pelo qual receberam tais pagamentos. Em consequência, obtiveramse as seguintes respostas: 3.8.1 ATIVO ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA., CNPJ 06.128.996/000100, esclareceu que recebera 13 cheques, totalizando R$ 229.190,00, referentes a pagamentos realizados pela Empresa FORT FRUT DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170, (Razão Social alterada para 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA., em maio de 2008), por motivo de haver fornecido carne bovina, conforme consta nas cópias dos documentos contábeis, dos romaneios e do Livro de Registro de Saídas, anexos à correspondência enviada. 3.8.2 FORTALEZA DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 04.522.065/000158, informou que recebera um cheque no valor de R$ 46.000,00 como pagamento de empréstimo feito ao Senhor Luís Barreto Frota, o qual já o havia recebido de Débora de Queiroz Bezerra pela venda de um veículo Toyota Hilux, placa LVW 3057. Anexou Contrato de Mútuo celebrado com Luis Barreto e recibo de venda do veículo deste último para Débora. 3.8.2.1 Intimada pela Fiscalização, a Senhora Débora de Queiroz Bezerra Teixeira, CPF 650.602.88315, confirmou a entrega do cheque ao senhor Luís Barreto Frota como parte do pagamento do veículo citado. Esclareceu também que o cheque em questão, emitido pelo Restaurante, foi recebido por seu esposo, Francisco Nestor Teixeira Filho, pela venda de um veículo Troller T4 ao Senhor Renan Montenegro Braga Filho, conforme Contrato de Compra e Venda que fez acompanhar sua resposta. 3.8.3 A Pessoa Jurídica 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170, recebeu cinco cheques, no total de R$ 20.326,72. Intimada a esclarecer o motivo dos Fl. 801DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 6 9 pagamentos, nada infirmou. Ressaltese que, conforme item 3.7.1.1 descrito, o senhor Renan Montenegro Braga é responsável por essa Empresa. 4. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA: 4.1 Considerando que a Senhora Maria de Lourdes Montenegro Braga tem idade bastante avançada, cerca de 95 anos, é bastante compreensível que tenha entregue, como informou à Fiscalização, item 3.6, a administração e representação da Empresa ao filho, Senhor Renan Montenegro Braga, o qual exercia isoladamente a gerência dos negócios. 4.2 Relativamente à movimentação das contas bancárias, apesar de outras pessoas possuírem outorga de poderes para movimentálas, elas podiam exercitar tal poder somente de forma conjunta. O único que exercitava a movimentação de maneira isolada era o Senhor Renan Montenegro Braga, itens 3.4.1 e 3.4.5. 4.3 Em consulta aos Beneficiários de cheques sacados das contas do Restaurante, verificouse a situação que se descreve: 4.3.1 A Pessoa Jurídica ATIVO ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA. comprovou ter recebido 13 cheques, totalizando R$ 229.190,00, em pagamento pelo fornecimento de carnes para a FORT FRUT DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170, (Razão Social alterada para 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, em maio de 2008), item 3.8.1. 4.3.2 A Empresa 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170, da qual o senhor Renan Montenegro Braga é o Responsável, recebeu cinco cheques, no total de R$ 20.326,72, e não esclareceu o motivo de têlos recebido. 4.3.3 Um cheque, no valor de R$ 46.000,00, foi utilizado para pagamento de um veículo adquirido por Renan Montenegro Braga Filho 4.4 Portanto, os esclarecimentos prestados apontam a Empresa de Renan Montenegro Braga como última Beneficiária dos recursos, itens 4.3.1 e 4.3.2, e ainda, que seu filho também auferiu vantagem, item 4.3.3. 4.5 Ademais, como declarado pela Senhora Maria de Lourdes, mãe de Renan, este exercia a administração e representação da Sociedade com amplos poderes de Mandatário, o que foi confirmado pelo próprio senhor Renan em resposta à Fiscalização. 4.6 Nestas condições, podese concluir que o Senhor Renan Montenegro Braga dispunha livremente dos recursos movimentados nas contas bancárias, auferindo as vantagens decorrentes do trato dos negócios, podendo, assim, ser apontado como Participante da Sociedade Restaurante Madrinha Suzana, Fl. 802DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 na qualidade de Sócio não contemplado nos Atos Constitutivos daquela Empresa. 4.7 Portanto, ao Senhor RENAN MONTENEGRO BRAGA, CPF 013.317.87300, cabe responsabilização, em caráter solidário, por todos os débitos levantados em nome da Empresa Fiscalizada, na forma como preconizado no artigo 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), conforme formalizado no Termo de Responsabilidade Solidária, integrante deste Termo. 5. DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA: 5.1 A situação de que se trata é um caso típico de interposta pessoa, em que a identidade real do Responsável pelo Restaurante Madrinha Suzana Ltda está encoberta por terceiros de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário apurado em processo de fiscalização, fruto da sonegação perpetrada pela Pessoa Jurídica. 5.2 Sem dúvida, tratase de interposição fraudulenta, cujo objetivo final é dirigir a responsabilidade pelo crédito tributário para pessoa física sem nenhum poder econômico, no caso os Sócios Maria de Lourdes e Antônio Ernando, livrando do alcance do Fisco o real Beneficiário do lucro produzido pelo Empreendimento Comercial. 5.3 Conforme se configurou no caso apreciado, a Empresa envolvida não cumpriu as obrigações fiscais, omitiu do Fisco o seu real faturamento e teve suas contas bancárias sob o domínio de Procurador com os mais amplos poderes para dispor dos recursos nelas movimentados. 5.4 Com efeito, embora tivesse movimentação financeira de mais de seis milhões de reais, em 2006, e mais de oito milhões, em 2007, períodos sob exame da Fiscalização, conforme totalizados no "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", a Empresa não mantinha escrituração contábil, não apresentava DCTF nem DIPJ, e muito menos recolhia tributos. 5.5 Desta forma, o Restaurante foi até o início da Ação Fiscal um paraíso de beneficio para seus Responsáveis, que nenhum tributo declaravam ou pagavam, ignorando totalmente as obrigações fiscais, artifício utilizado por Renan Montenegro Braga que, na qualidade de Mandatário com amplos poderes, movimentava recursos em favor pessoal e de suas outras Empresas. 6. DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL: 6.1 Em virtude da ausência de escrituração contábil, embora tenha sido regularmente intimada para apresentar escrituração relativa aos anos de 2006 e 2007 (item 3.2), cabe o arbitramento do lucro da Fiscalizada, tendo por base a receita bruta correspondente aos depósitos/créditos consignados nas suas contas bancárias, "ex vi" do art. 42 da Lei 9.430/1996, eis que, mantidos à margem de escrituração contábil, não tiveram suas Fl. 803DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 7 11 origens comprovadas devidamente, cujos valores se encontram relacionados em planilha própria intitulada "CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", integrante deste Termo. 6.2 Incidem ainda sobre as receitas referidas as Contribuições devidas ao PIS e à COFINS, referentes aos anos de 2006 e 2007, dado que nada foi recolhido ou declarado pela Empresa no período. 7. DA MULTA QUALIFICADA: 7.1 Em razão do evidente intuito de fraude perpetrado contra a Fazenda Nacional, demonstrado pelos fatos relatados, impõese a qualificação da multa a ser aplicada sobre os tributos e contribuições devidos, lançados contra a Empresa Fiscalizada, conforme previsto pelo artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. 8. Uma via deste Termo e dos Autos de Infração lavrados contra a Empresa Fiscalizada foram encaminhados, por via postal, para ciência ao Procurador e Responsável Solidário da Autuada, Senhor Renan Montenegro Braga. Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 601/602: 1. No exercício do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em procedimento de fiscalização desenvolvido junto à Empresa Restaurante Madrinha Suzana Ltda, foram constatados os fatos relatados, que evidenciam a coresponsabilidade do Senhor RENAN MONTENEGRO BRAGA, CPF 013.317.87300, em relação aos débitos levantados contra a referida Empresa, na forma do art. 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III e 149, inciso VII da Lei 5.172/1966, como segue. 2. Conforme detalhadamente circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal, do qual este Termo é parte integrante, durante os anos fiscalizados, 2006 e 2007, a Empresa nada declarou à Receita Federal e nem tampouco recolheu quaisquer tributos à Fazenda Nacional, ao passo que, nesse mesmo período, suas contas bancárias demonstravam a existência de depósitos da ordem de mais de seis milhões, em 2006, e de mais de oito milhões, em 2007. Por outro lado, restou constatado que o Senhor Renan Montenegro Braga detinha a total administração e representação da Empresa, gerenciando os negócios por ela realizados e dispondo das suas contas bancárias, enquanto no Contrato Social figurava formalmente como SóciaAdministradora dessa Empresa a genitora do Senhor Renan, Senhora Maria de Lourdes Montenegro Braga, que, notoriamente não estava à frente daquele empreendimento, até porque já tinha idade bastante avançada. 3. Detalhamse a seguir os fatos mais relevantes apurados na Ação Fiscal, que levaram a concluir pela responsabilização de que trata o presente Termo. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 3.1 Considerando que a Sócia Majoritária, com 99% do capital, Senhora Maria de Lourdes Montenegro Braga, à época dos fatos já tinha idade bastante avançada, é bastante compreensível que tenha entregue, como informou oficialmente à Fiscalização, item 3.6 do Termo de Verificação Fiscal, a administração e representação da Empresa ao filho, Senhor Renan Montenegro Braga, o qual exercia isoladamente a gerência dos negócios. 3.2 Relativamente à movimentação das contas bancárias, apesar de outras pessoas possuírem outorga de poderes para movimentálas, elas podiam exercitar tal poder somente de forma conjunta. O único que exercitava a movimentação de maneira isolada era o Senhor Renan Montenegro Braga , itens 3.4.1.2 e 3.4.5.1 do Termo de Verificação Fiscal. 3.3 Em consulta aos Beneficiários de cheques sacados das contas do Restaurante, verificouse: 3.3.1 A Pessoa Jurídica Ativo Alimentos Importadora e Exportadora Ltda comprovou ter recebido 13 cheques, totalizando R$ 229.190,00, em pagamento pelo fornecimento de carnes para a FORT FRUT DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170 (Razão Social alterada para 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA., em maio de 2008), item 3.8.1, do Termo de Verificação Fiscal. 3.3.2 A Empresa 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170, da qual o Senhor Renan Montenegro Braga é o Responsável, recebeu cinco cheques, no total de R$ 20.326,72, e não esclareceu o motivo de têlos recebido, item 3.8.3 do Termo de Verificação Fiscal. 3.3.3 Um cheque, no valor de R$ 46.000,00, foi utilizado para pagamento de um veículo adquirido por Renan Montenegro Braga Filho, item 3.8.2 do Termo de Verificação Fiscal. 3.4 Tudo isso demonstrou que o Senhor Renan Montenegro Braga dispunha livremente dos recursos movimentados nas contas bancárias, auferindo as vantagens decorrentes do trato dos negócios, podendo, assim, ser apontado como Participante da Sociedade Restaurante Madrinha Suzana, na qualidade de Sócio e efetivo Administrador, embora não contemplado nos Atos Constitutivos daquela Empresa. 4. De concluirse, portanto, pelos fatos aqui relatados e retratados de forma mais circunstanciada no Termo de Verificação Fiscal, do qual este Termo é integrante, que ao Senhor RENAN MONTENEGRO BRAGA, CPF 013.317.87300, cabe a responsabilização em caráter solidário, por todos os débitos levantados em nome da Empresa Fiscalizada, na forma como preconizado no artigo 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, e 149, inciso VII, da Lei 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional). 5. Fica o Sujeito Passivo Solidário Mencionado cientificado da exigência tributária de que trataram os Autos de Infração lavrados contra a citada Empresa, cujas cópias, juntamente com uma via do presente Termo, lhe foram encaminhadas para ciência por via postal. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 8 13 6. Por fim, cumpre registrar que os documentos provenientes da rede bancária, utilizados na Ação Fiscal, foram todos requisitados ao abrigo da Autorização Legal emanada do art. 6° da Lei Complementar 105/2001, mediante expedição das competentes Requisições de Informações Financeiras RMF. Inconformado com a Exigência descrita, fls. 3/47, 590/595, 601/602, da qual tomara ciência em 02/06/2010, fls. 599, o Sujeito Passivo apresentou Impugnação em 08/06/2010, fls. 608/617, Instrumento de Procuração, fls. 618, por meio do SócioResponsável Solidário, requerendo a nulidade do Auto de Infração, argumentando flagrante ofensa ao Art. 10, IV, do Decreto 70.235/1972, como também à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa, eximindo o Requerente e demais Responsáveis Solidários de toda e qualquer responsabilidade decorrente do mesmo, que fosse reconhecida a inexistência de obrigação solidária, por força de inexistência de prova inequívoca, excluindo, por conseguinte, o Requerente da sujeição passiva, bem como a inaplicabilidade da multa prevista pelo art. 957 do RIR/1999, e alegando em síntese: O Impugnante sequer compõe a Sociedade Limitada Fiscalizada. O Art. 124, I, CTN, tratando da solidariedade na obrigação tributária, considera que deve haver o "interesse comum" para restar caracterizada a solidariedade. Portanto, fazse mister e principal compreender a extensão da expressão "interesse comum", pois, havendo interesse comum, o Impugnante deve ser solidariamente responsável, não havendo tal interesse, restará inconsistente o Auto analisado, invocada nesse diapasão a doutrina de Luiz Antonio Caldeira Miretti, fls. 609, 610. De pronto se vê a imprecisão da expressão em estudo. Não obstante, o Auditor Autuante deve deixar claro no Termo de Sujeição Passiva Solidária os fatos e fundamentos que alcançariam o dito interesse comum do Impugnante na ocorrência do fato gerador dos tributos fiscalizados, fato que não foi observado, posto que no citado Termo não se vê qualquer prova, ou mesmo indício de que o Impugnante tenha interesse comum na confecção do fato gerador, mesmo porque o Requerente, no período fiscalizado, era apenas Empregado da Empresa Fiscalizada, restando comprovado o vício formal do Auto combatido. DAS PROCURAÇÕES OUTORGADAS AO IMPUGNANTE. O Agente Administrativo, tentando a qualquer custo enquadrar o Impugnante no Art. 135, III, CTN, imputandolhe responsabilidade solidária pelas obrigações tributárias apuradas na fiscalização, elenca as diligências promovidas junto aos Bancos do Brasil, Triângulo e Itaú, onde fora constatada a existência de procurações outorgadas ao Impugnante pela Empresa RESTAURANTE MADRINHA SUZANA LTDA. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 No Termo de Verificação Fiscal restou consignado que o Impugnante jamais integrou a Sociedade, pelo que a participação do mesmo restou, no mínimo, duvidosa. Consignouse no mesmo Termo que o Impugnante só representava a Empresa Fiscalizada perante duas Instituições Financeiras, quando a Empresa detinha conta em seis Bancos. Tal fato não foi observado pelo douto Auditor, ou seja, o Impugnante representava a Empresa perante duas e apenas duas Instituições, quando existiam pelo menos seis contas bancárias. Com efeito, as Procurações em nada fazem prova de que o Impugnante era quem comandava a Empresa Fiscalizada, vez que os referidos Instrumentos, consoante atestado pelo Termo de Verificação Fiscal, datam de 2006 e boa parte das Procurações outorgadas ao Impugnante tinham prazo de validade, todos já expirados conforme o dito Termo. Frisese, por relevante, que a Empresa Fiscalizada não é a única a outorgar Procurações a seus funcionários. Tal praxe decorre da necessidade de descentralizar, ou seja, evitar que os Diretores estejam presentes, a todo momento, para promover tal ou qual ato. Resta óbvio e ululante que o Impugnante, no presente caso, não pode ser responsabilizado pelo fato de a Empresa Fiscalizada não ter recolhido devidamente seus tributos, assim entendendo a doutrina de Leandro Pausein (sic), ao comentar o Art. 135, III, fls. 611. Embora repitase à exaustão o Impugnante não faça parte do Contrato Social da Empresa Fiscalizada, não estava o mesmo em posição de influir para a ocorrência ou não de fatos geradores de tributos, verificado que a jurisprudência dominante converge para tal entendimento, fls. 611, 612. No Auto de Infração, bem como nas demais partes que o integram não restaram demonstrados: 1 Dissolução irregular da Empresa; 2 Infração à lei praticada pelo Dirigente; 3 Prática de atos com excesso de mandato pelo Impugnante; 4 Infração ao Contrato Social ou Estatuto da Empresa pelo Impugnante. Deixandose de comprovar tais atos, não se pode inserir o Impugnante nas pessoas que se incluem no rol dos Responsáveis Solidários. Frisese, por importante, que no Auto de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva não são mencionados nem comprovados de qualquer forma os preceitos acima enumerados, os quais são a base sustentacular para se imputar a terceiros responsabilidade tributária solidária. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 9 15 Ademais, para se chegar a inserir terceiros como Responsáveis Solidários de obrigação tributária deve a Autoridade Administrativa, produzir prova robusta, inequívoca, sob pena de nulidade do ato, conforme entende a jurisprudência dominante, fls. 612, 613. De se ressaltar que o Auto de Infração e as demais peças que o integram não apontam a culpa ou o dolo praticado pelo Impugnante, também não são apresentados a Lei violada, ou Estatuto ou Contrato Social malferido pelo Requerente, pelo que o mesmo não pode ser inserido no Auto como Responsável Solidário, dado que as provas colhidas pela Fiscalização andam longe de ser inequívocas, como demonstrado. DA INEXISTÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Inaplicabilidade de multa qualificada prevista no art. 957, RIR/1999. 0 Douto Agente Autuante, para concluir pela interposição fraudulenta, assim se manifestou no item 5.3, do Termo de Verificação Fiscal: "CONFORME SE CONFIGUROU NO CASO PRESENTE, A EMPRESA ENVOLVIDA NÃO CUMPRIU AS OBRIGAÇÕES FISCAIS, OMITIU DO FISCO O SEU REAL FATURAMENTO E TEVE SUAS CONTAS BANCÁRIAS SOB O DOMÍNIO DE PROCURADOR COM OS MAIS AMPLOS PODERES PARA DISPOR DOS RECURSOS NELAS MOVIMENTADOS." De início, devese considerar que, consoante se vê dos itens 3.4.1.1 ao 3.4.5.1, as contas não eram movimentadas por Procurador, mas sim por Procuradores, e tal fato não pode imputar qualquer penalidade ao Requerente, visto ser esta uma praxe comercial adotada por várias Empresas. Demais disso, consoante concluiu o citado Termo, o Requerente, supostamente, teria recebido a quantia de R$ 20.362,72, representada por cinco cheques (item 3.8.3 do Termo). Ora, se o faturamento da Empresa girava em torno de 6 (seis) milhões de reais (item 3.5), tendo o Requerente recebido, supostamente, no decorrer de 3 (três) anos em que figurou como Mandatário, apenas a quantia acima mencionada, não se pode falar em fraude e muito menos na aplicabilidade da multa prevista no Art. 957 do RIR/1999. Registrese mais que não há qualquer prova que aponte para uma suposta interposição fraudulenta, apenas e tãosomente divagações feitas pelo Agente. DO VÍCIO FORMAL CONTIDO NO AUTO DE INFRAÇÃO. O Auto está maculado por vício formal, pois aponta suposta infração aos dispositivos a seguir: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Fl. 808DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 Art. 27, I, e 42, da Lei 9.430/1996 Art. 532 e 537 RIR/1999 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Art. 1o e 3o da LC 7/70; Art. 24, § 2o, da Lei 9.245/1995; Arts. 2o, I, "a" e parágrafo único, 3o , 10, 22, 51 e 91, do Decreto n° 4524/02, dentre vários outros dispositivos citados no auto de infração. Fato é que, da literalidade dos dispositivos supostamente infringidos, não recai ao Impugnante qualquer obrigação tributária, vez que o Auto não elucida, nas tipificações ali carreadas, as extensões pelo descumprimento de tais preceitos, o que traz embaraço à Defesa. 0 Processo Administrativo Fiscal tem suas diretrizes pautadas no Decreto n° 70.235/72, conhecido como Lei do Processo Administrativo Fiscal PAF. De se observar que, no presente caso, restou malferido o Art. 10, IV, do referido Decreto, fls. 614 Com efeito, as disposições legais supostamente infringidas estão devidamente transcritas nesta Impugnação, e nenhuma delas é passível de infração, ou seja, constituem disposições gerais sobre a tributação das exações capituladas no auto de infração. A título de exemplo, pinçase das tipificações carreadas no Auto combatido o Art. 51 do Decreto 4.524/02, fls. 614, 615, que está entre as tipificações imputadas ao Impugnante, no que concerne à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Indagase: É possível infringir tal dispositivo? Qual a penalidade prevista para quem o infringir? De fato, a resposta para as indagações acima seriam, por óbvio e ululante, negativas; a uma, porque é impossível ofender o referido dispositivo, a duas, porque não há previsão de sanção (por ser impossível ferilo) para quem infringilo. Todos os demais dispositivos contidos no Auto combatido, sem exceção alguma, identificamse com o exemplo trazido à baila, caracterizando ofensa ao Art. 10, IV, do Decreto n° 70.235/72, além de ofensa ao contraditório e ampla defesa, visto que é impossível se defender quando não se sabe a penalidade que lhe é atribuída. Não se vê no Auto impugnado, embora o mesmo seja demasiadamente longo, qualquer menção às penalidades atribuídas ao Impugnante, restando caracterizada e comprovada a ofensa ao Art. 10, IV, do Decreto n° 70.235/1972, pelo que deve o Auto ser anulado. Muito embora o Auditor tenha consignado no Auto de Infração inúmeros dispositivos legais, não se vê nem ao menos se compreende quais deles foram infringidos e em que extensão, Fl. 809DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 10 17 cerceando, pois, o direito de defesa, destacada nesse diapasão a renomada doutrina de Leandro Paulsein, René Bergman Ávila e Ingrid Schroder Sliwka, fls. 615, 616, pelo que não restam dúvidas acerca da inconsistência do Auto de Infração impugnado, verificado que os julgados administrativos convergem para o entendimento doutrinário retromencionado, fls. 616. Resta fartamente comprovada, à luz da Lei, Doutrina e Jurisprudência, a inconsistência do Auto de Infração impugnado, vez que o mesmo malfere o Art. 10 do Decreto 70.235/1972, como também a garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa. A 3ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 692693: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa, o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada. SOLIDARIEDADE. SÓCIO DE FATO. Nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas, revestindose, no caso do inciso I do dispositivo legal, da condição de Contribuinte; assim, uma vez constatado que pessoa não integrante do quadro societário é sócia de fato da pessoa jurídica, recai sobre ela a condição de devedora solidária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente Fl. 810DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de Norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, não obstante posicionamentos de Ilustres Juristas, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no (artigo) art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), nem nos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal é aplicável aos Lançamentos Decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 23/12/2011, conforme AR de fls. 735 e apresentou recurso voluntário em 19/01/2012 (v. fls. 736743). Na mesma data, também apresentou recurso voluntário o responsável solidário Renan Monteiro Braga (v. fls. 748769). Ambos os recorrentes limitaramse a reiterar os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os recursos apresentados atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Preliminares Os recorrentes argüiram a nulidade dos presentes lançamentos de ofício, por suposta ofensa ao art. 10, IV, do Decreto 70.235/1972 e alegada ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. Compulsando os autos, especialmente os Autos de Infração e correspondente Termo de Verificação Fiscal, constato que os lançamentos fiscais ora em análise encontramse devidamente capitulados nos dispositivos legais aplicáveis. Ao contrário do que afirmou a recorrente, os dispositivos legais mencionados nos diversos autos de infração constituem a base legal de todos os tributos exigidos no presente processo (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Também se encontra devidamente indicada a base legal da multa de ofício qualificada e dos acréscimos legais (juros de mora). Verifico, outrossim, que durante o procedimento fiscal e ao longo do presente processo administrativo foram devidamente observadas as regras que norteiam o Processo Administrativo Fiscal (PAF). Considero que não houve qualquer violação das disposições contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN)ou nos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/72 (PAF). Pelo exposto, rejeito as presente preliminar de nulidade. Mérito A ocorrência da omissão de receitas, apurada com base em vultosos depósitos bancários sem origem comprovada, não foi objeto de recurso por parte da pessoa jurídica ou do responsável solidário. Na verdade, todo o litígio restringese à sujeição passiva solidária do sr. Renan Montenegro Braga. Sujeição passiva solidária Os recorrentes, repetindo o que fora alegado na fase impugnatória, contestaram a atribuição de responsabilidade solidária a Renan Montenegro Braga, sob os seguintes argumentos a) o referido senhor recebeu da pessoa jurídica apenas uma pequena quantia; b) as procurações em nada fazem prova de que o aludido senhor era quem comandava a pessoa jurídica. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 20 Tais argumentos já foram devidamente analisados e refutados pela decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 705 e seguintes: Constituem prova inequívoca de Sujeição Passiva Solidária, com o devido valor fiscal, com a demonstração de fato do vínculo sócioadministrativo com o Contribuinte Autuado, e provas incontestáveis de interesse comum, bem como da propriedade da Empresa Autuada por parte do Sr. RENAN MONTENEGRO BRAGA os documentos a seguir, detectados por meio do Relatório de Inteligência Financeira 2637 encaminhado pelo Ministério Público Federal no Ceará, via Oficio 3.260/2008/MCC/GAB/PR/CE, em que fora solicitada a instauração de Ação Fiscal para o Contribuinte Autuado, bem como do RMF discriminado: Extratos Bancários: BANCO DO BRASIL, RMF 098/2009, agência 3296, conta corrente 14869, remessa de ficha cadastral, extrato da conta em meio magnético, e dados Procuração: Documento Outorgados Data Procuração Renan Montenegro Braga, 013.317.8730 06/01/2006 Tempo indeterminado BANCO ITAÚ, RMF 101/2009, agência 0366, contacorrente 426831, remessa de ficha cadastral, extrato da conta em meio magnético, e dados Procuração: Documento Outorgados Data Procuração (Instrumento Público) Renan Montenegro Braga, 013.317.8730 05/12/2006 Tempo indeterminado De acordo com os dados registrados nos extratos das contas supracitadas, levantose um volume de depósitos/créditos consignados em favor da Empresa no montante de R$ 6.314.673,20, em 2006, e R$ 8.864.991,85, em 2007, ao passo que, nos mencionados exercícios nada foi declarado ou recolhido à Fazenda Federal. Com base nessas informações, nova Intimação foi formulada à Empresa, na pessoa de sua SóciaGerente, para esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e demais créditos aportados nas referidas contas, cujos valores foram detalhados em planilhas que acompanharam o mencionado Termo de Intimação, ao qual foram ainda juntadas cópia dos referidos extratos bancários. Essa Intimação, que concedia um prazo de 20 dias para atendimento, foi recebida no destino em 14/11/2009. A Empresa atendeu à solicitação, tendo a Sócia Majoritária, Maria de Lourdes Montenegro Braga, declarado que seu filho Renan Montenegro Braga exercia a administração e representação da Sociedade na qualidade de Mandatário com amplos poderes. Adiantou também que os créditos decorriam de sua atividade no comércio de alimentos, de mútuos realizados com a Empresa Chalana Distribuidora de Alimentos Ltda, CNPJ Fl. 813DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 12 21 63.400.980/000130, e de depósitos realizados por conta e ordem também da Chalana. Foram ainda levantadas, nos cadastros internos da Receita Federal do Brasil, informações referentes àqueles que possuíam poderes para movimentar as contascorrentes da Fiscalizada, tendo sido também solicitados esclarecimentos acerca do envolvimento dessas Pessoas com as atividades da Empresa. Assim, sobre RENAN MONTENEGRO BRAGA, CPF 013.317.87300 foram obtidas as seguintes informações: RENAN MONTENEGRO BRAGA: Responsável pelas Pessoas Jurídicas COMERCIAL MONTENEGRO LTDA, CNPJ 04.510.254/000100; 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170; ASSOCIAÇÃO PLANETA AROEIRA LTDA, CNPJ 08.298.011/000101; CHALANA SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 63.400.980/000130. Declarou ser filho de Maria de Lourdes Montenegro Braga e que sempre deteve poderes de administração e representação do Restaurante Madrinha Suzana Ltda. Considerando que a Senhora Maria de Lourdes Montenegro Braga tem idade bastante avançada, verificase ter sido bastante compreensível que haja entregue a administração e representação da Empresa ao filho, Senhor Renan Montenegro Braga, o qual exercia isoladamente a gerência dos negócios. Relativamente à movimentação das contas bancárias, apesar de outras pessoas possuírem outorga de poderes para movimentá las, elas podiam exercitar tal poder somente de forma conjunta. O único que exercitava a movimentação de maneira isolada era o Senhor Renan Montenegro Braga, sendo irrelevante o fato de não exercitar tal movimentação com todos os Bancos com os quais a Empresa operava. Em consulta aos Beneficiários de cheques sacados das contas do Restaurante, verificouse a situação que se descreve: A Empresa 8 ELEVEN SERVIÇOS VETERINÁRIOS LTDA, CNPJ 04.598.251/000170, da qual o senhor Renan Montenegro Braga é o Responsável, recebeu cinco cheques, no total de R$ 20.326,72, e não esclareceu o motivo de têlos recebido. Um cheque, no valor de R$ 46.000,00, foi utilizado para pagamento de um veículo adquirido por Renan Montenegro Braga Filho. Portanto, os esclarecimentos prestados apontam a Empresa de Renan Montenegro Braga como última Beneficiária dos recursos, e ainda, que seu filho também auferiu vantagem. Ademais, como declarado pela Senhora Maria de Lourdes, mãe de Renan, este exercia a administração e representação da Sociedade com amplos poderes de Mandatário, o que foi Fl. 814DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 22 confirmado pelo próprio senhor Renan em resposta à Fiscalização. Nestas condições, podese concluir que o Senhor Renan Montenegro Braga dispunha livremente dos recursos movimentados nas contas bancárias discriminadas, BANCO DO BRASIL, BANCO ITAÚ, auferindo as vantagens decorrentes do trato dos negócios, podendo, assim, ser apontado como Participante da Sociedade Restaurante Madrinha Suzana, na qualidade de Sócio não contemplado nos Atos Constitutivos daquela Empresa, salientandose ter sido meramente exemplificativa a menção a valor recebido pelo Defendente. Portanto, ao Senhor RENAN MONTENEGRO BRAGA, CPF 013.317.87300, cabe responsabilização, em caráter solidário, por todos os débitos levantados em nome da Empresa Fiscalizada, na forma como preconizado no artigo 124, inciso I, da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), conforme formalizado no Termo de Responsabilidade Solidária, integrante deste Termo. O acórdão de piso também demonstrou que este entendimento encontra amparo na jurisprudência dominante deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme revela o seguinte precedente: Ac. CARF nº 1401000.457, sessão de 23/02/2011: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. Assim sendo, em relação a este tema (responsabilidade tributária solidária), considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Multa qualificada A qualificação da multa de ofício não foi expressamente questionada pelos recorrentes. Tratase, pois, de matéria preclusa. Não obstante este fato, considero conveniente destacar que a qualificação da multa de ofício é amplamente justificada no presente caso, tendo em vista o evidente intuito de fraude perpetrado contra a Fazenda Nacional. O que deve ser verificado para aferir a procedência da imposição da multa qualificada é se houve uma ação deliberada da contribuinte com o objetivo de, no mínimo, retardar o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador de tributo. No caso sob exame, a contribuinte não contabilizava suas receitas e não registrava sua movimentação bancária na contabilidade. Além disso, no presente caso é flagrante a reiteração da conduta ilícita, bem como a interposição fraudulenta de pessoas. Em situações análogas a esta, este colegiado tem reconhecido o intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento das receitas correspondentes, cujo auferimento é fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10380.721327/201025 Acórdão n.º 1401001.176 S1C4T1 Fl. 13 23 Por esta razão, foi correta a qualificação da multa de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 816DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10640.720701/2013-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/03/2013
REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PJ. LEI 4.886/65. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS.AUSÊNCIA DE FATO GERADOR.
A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante.
Não sendo devidamente comprovado a fraude na a transmudação de empregado a representante comercial - PJ, não há que se falar em fato gerador de contribuição previdenciária ou obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.788
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/03/2013 REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PJ. LEI 4.886/65. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS.AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante. Não sendo devidamente comprovado a fraude na a transmudação de empregado a representante comercial - PJ, não há que se falar em fato gerador de contribuição previdenciária ou obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.720701/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.788 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria Auto de Infração. Obrigação Acessória Recorrente ITATIAIA MÓVEIS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/03/2013 REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PJ. LEI 4.886/65. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS.AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante. Não sendo devidamente comprovado a fraude na a transmudação de empregado a representante comercial PJ, não há que se falar em fato gerador de contribuição previdenciária ou obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 07 01 /2 01 3- 18 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720701/201318 Acórdão n.º 2803003.788 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720701/201318 Acórdão n.º 2803003.788 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social dos segurados considerados empregados Jarbas Ribeiro Júnior, Michel Condé. O r. acórdão – fls 205 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Não é possível compreender exatamente a razão pela qual o D. Agente Fiscal presumiu antes as informações que dispunha sobre a existência de relação de emprego com as pessoas mencionadas (sic). · Há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o durante a fiscalização a impugnante apresentou vários documentos e livros fiscais e contratos demonstrando a inexistência de relação empregatícia com os quatro trabalhadores indicados. · Não foi devidamente demonstrada a relação de emprego. Tratase de representantes comerciais, conforme lei 4886/65 e não empregados. · A representação comercial autônoma muito se assemelha à relação de emprego do ponto de vista legal. Tanto a representação exercida por pessoa física quanto a relação de emprego ostentam, de forma geral, como pressupostos, uma pessoa natural que trabalha pessoalmente para o tomador dos serviços mediante remuneração e de maneira não eventual, conforme artigo 1o da referida lei. · A incidência da TAXA SELIC sobre o suposto débito apontado no auto também não encontra respaldo jurídico. · Requer a Recorrente sejam acolhidos seus argumentos, para que seja reformada a r. decisão recorrida, julgando totalmente improcedente o lançamento impugnado, reconhecendose a impropriedade da cobrança retratada na DEBCAD 51.038.3645. Acaso assim não entenda, requerse a conversão do feito em diligência, para, quando menos, segregar os valores recebidos por cada funcionário, eventuais verbas indenizatórias e, para tanto, justar o valor do auto de infração e da multa aplicada. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720701/201318 Acórdão n.º 2803003.788 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O ponto central a ser dirimido é se as pessoas referidas no relatório fiscal, e não declaradas em GFIP, detém a qualidade de empregado ou representante comercial. As pessoas citadas são: Jarbas Ribeiro Júnior e Michel Condé. Nos autos do processo 10640.720695/201391 e 10640720.696/201335 obrigação principal, conforme indica o relatório fiscal, temos as considerações em relação aos referidos segurados. Entendeu a fiscalização enquadrálos como segurados empregados pelas seguintes razões, resumidamente: 1. Os segurados eram empregados, houve extinção do vínculo e passaram a prestar serviços como representantes comerciais pessoa jurídica, com emissão de notas fiscais seqüenciais. 2. Referidos segurados continuam no plano de saúde da recorrente. 3. Caracterização da pessoalidade, não eventualidade e subordinação. Apesar de a autoridade fiscal trazer vários elementos que poderiam apontar na direção adotada, fazendo constar inclusive que "A distinção entre o vendedor empregado e o representante comercial autônomo é uma das matérias mais controvertidas da seara trabalhista, devido às muitas semelhanças existentes entre uma e outra categoria", a análise do caso concreto leva este julgador a diverso entendimento. Do que consta nos citados autos, não vislumbro mácula nos procedimentos adotados pela recorrente. Em tese, nada impede que vendedores empregados se tornem representantes da mesma empresa. A fraude à relação trabalhista deve ser devidamente demonstrada. Inicialmente, perfilo a tese bem esclarecida pela Desembargadora Maria Laura Franco Lima de Faria, que assim se manifestou nos autos do processo 000352002052 030011: “...tênue a diferença entre o trabalho prestado pelo representante comercial autônomo e o vendedorempregado. A subordinação jurídica é o diferencial determinante. Contudo, 1 Extraído de <http://www.conjur.com.br/2010out18/relacaoempregorepresentacaocomercialautonoma fundindo> em 16.10.2014 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720701/201318 Acórdão n.º 2803003.788 S2TE03 Fl. 6 5 também o representante comercial pode ter sua zona de atuação delimitada pela representada; pode ter que prestar serviços com exclusividade e ter que cumprir as obrigações previstas no contrato (artigo 27, Lei 4.886/65), dentre as quais pode estar estabelecido o comparecimento a reuniões mensais ou semanais, a observância de preços predeterminados e até mesmo o cumprimento de cotas mínimas.” Maurício Godinho2 traz elucidativa conclusão que ajuda a definir os contornos da subordinação que divisa a relação empregatícia da representação comercial. A subordinação, por sua vez, é elemento de mais difícil aferição no plano concreto desse tipo de relação entre as partes. Ela tipificase pela intensidade,repetição e continuidade de ordens do tomador de serviços com respeito ao obreiro, em direção à forma de prestação dos serviços contratados. Se houver continuidade, repetição e intensidade de ordens do tomador de serviços com relação à maneira pela qual o trabalhador deve desempenhar suas funções, estáse diante da figura trabalhista do vendedor empregado (art.2 e 3, caput, CLT; Lei n. 3.207, de 1957). Inexistindo essa contínua, repetida e intensa ação do tomador sobre o obreiro, ficase diante da figura regulada pela Lei Comercial n. 48.886/65 e Código Civil de 2002. Toda ação que visa burlar a legislação tributária tem uma razão para tal. Via de regra o empregado, elo fraco da relação, tem direitos suprimidos e se vê, involuntariamente coagido a abrir mão das proteções advindas da relação laboral, como FGTS, férias e 13o. salário. A extinção do vínculo laboral, com imediata contratação dos mesmos empregados, para prestar serviços agora via pessoa jurídica, merece ser analisada com lupa, mas não se pode automaticamente rotular a operação como fraudulenta, pois pode se configurar em legal procedimento, com ganho para ambas as partes e real nova configuração de empregado para representante. No caso sub examine, temos que as notas fiscais acostadas aos autos do processo 10640.720695/201391, consubstanciadas na tabela de fls 159 e no autos do processo 10640720.696/201335, fls 222, demonstram que os referidos segurados possuem alta remuneração mensal, com valores que chegam a mais de R$ 58.000,00 (cinquenta e oito mil reais), a demonstrar que a transmudação de empregado a representante se mostrou muito vantajosa a estes, justificando economicamente a alteração do status quo. Não há comprovação de que a recorrente tinha "contínua, repetida e intensa ação" sobre os representantes, assumindo assim que tinham autonomia para atingir as metas estabelecidas, característica da "subordinação mitigada" inerente a essa classe de prestador de serviço. A cláusula 1.5 expressamente admite que o representante poderá intermediar a venda de produtos de empresas diversas, desde que não sejam concorrentes ou similares, afastando a exclusividade na atividade. 2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr, 200, pág. 597 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10640.720701/201318 Acórdão n.º 2803003.788 S2TE03 Fl. 7 6 Igualmente não vejo censura aos contratos de representação firmados. A lei 4886/65 regula as atividades dos representantes comerciais autônomos. Os contratos firmados não colidem com o que consta na lei, não havendo nada que afaste sua aplicação. Considero também que o fato de a recorrente ser intermediária de plano de saúde para os representantes não importa em reconhecimento de vínculo. Dessa feita, não vislumbro fraude na relação firmada entre os segurados e a recorrente, devendo ser considerada válida a relação de representação comercial entre as partes, não havendo pois fato gerador a ser considerado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13609.903162/2010-84
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.
MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 31 62 /2 01 0- 84 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DESPESAS COM MÃO DE OBRA PESSOA FÍSICA. No sistema da não cumulatividade não geram créditos passíveis de desconto da contribuição em exame, as despesas com mão de obra pessoa física, por força da legislação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AGENCIAMENTO DE TRANSPORTE. As despesas correspondentes aos serviços de logística e intermediação de exportação não são passíveis de creditamento, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.903162/201084 Acórdão n.º 3802003.593 S3TE02 Fl. 160 3 por falta de previsão legal para integrar base de cálculo na apuração de créditos nãocumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao relativo aos gastos com mão de obra de pessoa física, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 134 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 20/03/2013 (fls. 132), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 02/04/2013 (fls. 154), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse a serviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.903162/201084 Acórdão n.º 3802003.593 S3TE02 Fl. 161 5 quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de equipamento, máquinas, instalações; gastos com alimentação, assistência médica, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança; gastos com telefone; gastos com serviços de exportação, exceto fretes; gastos diversos com pessoa jurídica e outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Além disso, não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;” Por fim, no tocante ao material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura, estes podem ser considerados insumos (material intermediário), desde que demonstrado que: (i) são consumidos ou desgastados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e (ii) não apresentem vida útil superior a trezentos e sessenta e cinco dias. Presentes os requisitos acima, o direito ao crédito decorre do próprio art. 8º, § 4º, I, “a”, da IN SRF nº 404/2004: “Art. 8º. [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Portanto, não é necessário o consumo integral e imediato do bem no processo produtivo. Tais requisitos foram aplicáveis apenas ao IPI no período de vigência do art. 32, I, do Decreto nº 70.162/1972 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), que restringia expressamente o direito ao crédito aos insumos que fossem “consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização”: “Art. 32. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse do imposto; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.903162/201084 Acórdão n.º 3802003.593 S3TE02 Fl. 162 7 I Relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, importados ou de fabricação nacional, recebidos para emprego na industrialização de produtos tributados, por estabelecimento industrial ou pelo estabelecimento a que se refere o inciso III do § 1º do artigo 3º, compreendidos, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização;” Desde o Decreto nº 83.263/1979, inclusive à luz do Regulamento do IPI em vigor (Decreto nº 7.212/2010, art. 226, I), não há mais exigência de consumo integral e imediato: “Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” Nesse linha, cumpre destacar o seguinte julgado da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu o direito ao crédito em relação ao IPI: “TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPOE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIARIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL.” (STJ. 2ª T. REsp 18.361/SP, Rel. Min. Hélio Mosimann. DJ 07/08/1995, p. 23026) É por esse motivo que, mesmo para quem interpreta o conceito de insumo a partir da IN SRF nº 404/2004, não cabe condicionar o crédito ao consumo integral e imediato do produto intermediário. Apesar disso, no presente caso, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil do material refratário utilizado ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Tratase de prova imprescindível, porque, como bem ressaltou a DRJ, o desgaste de refratários pode variar em função do tipo do material ou mesmo da região em que o mesmo se encontra. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004867/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos,a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art.144,§ lº),mas também a Lei 9.311/96 (art 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts.5ºe 6º) ,inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Cabível a tributação da omissão de rendimentos decorrente da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto APD, resultante do confronto entre as origens e as aplicações de recursos.
CARTÕES DE CRÉDITO.PAGAMENTOS.
Na ausência de comprovação da origem e da tributação de recursos utilizados no pagamento das faturas de cartões de crédito, as importâncias correspondentes aos pagamentos mensais devem ser considerados nas aplicações no demonstrativo da variação patrimonial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Odmir Fernandes (Suplente Convocado).
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos,a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art.144,§ lº),mas também a Lei 9.311/96 (art 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts.5ºe 6º) ,inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Cabível a tributação da omissão de rendimentos decorrente da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto APD, resultante do confronto entre as origens e as aplicações de recursos. CARTÕES DE CRÉDITO.PAGAMENTOS. Na ausência de comprovação da origem e da tributação de recursos utilizados no pagamento das faturas de cartões de crédito, as importâncias correspondentes aos pagamentos mensais devem ser considerados nas aplicações no demonstrativo da variação patrimonial. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Odmir Fernandes (Suplente Convocado).
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FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos,a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art.144,§ lº),mas também a Lei 9.311/96 (art 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts.5ºe 6º) ,inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Cabível a tributação da omissão de rendimentos decorrente da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto APD, resultante do confronto entre as origens e as aplicações de recursos. CARTÕES DE CRÉDITO.PAGAMENTOS. Na ausência de comprovação da origem e da tributação de recursos utilizados no pagamento das faturas de cartões de crédito, as importâncias correspondentes aos pagamentos mensais devem ser considerados nas aplicações no demonstrativo da variação patrimonial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 48 67 /2 00 6- 92 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Belém (PA), de fls. 185/188, que considerou improcedente o lançamento relativo a omissão de rendimentos no valor de R$ 291.112,74, em função de acréscimo patrimonial a descoberto de janeiro/2003 a dezembro/2003, onde se verificou gastos (pagamentos de faturas de cartão de credito), não respaldados por rendimentos declarados/comprovados, haja vista que o contribuinte apresentou declaração IRPF exercício 2004 indicando rendimentos tributáveis de R$ 16.499,42. O Acréscimo Patrimonial a Descoberto, foi apurado conforme Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial (fls. 153/156). Na decisão de 1ª instância foi mantido o lançamento nos termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Cabível a tributação em função de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto. A variação patrimonial do contribuinte resultou do confronto entre as origens e as aplicações de recursos. CARTÕES DE CRÉDITO. PAGAMENTOS. Na ausência de comprovação do contribuinte quanto à origem e tributação de recursos utilizados para pagamento de faturas de cartões de crédito, os valores correspondentes aos pagamentos mensais são considerados aplicações no demonstrativo de variação patrimonial. Lançamento Procedente A ciência de tal julgado se deu por via postal, consoante o AR –Aviso de Recebimento – de fl.191. À vista da decisão, foi protocolizado, em 16/06/2008, recurso voluntário de fls. 192/196. Eis as razões recursais: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.004867/200692 Acórdão n.º 2202002.772 S2C2T2 Fl. 3 3 Ressalta que não apresentou os extratos relativos às despesas realizadas através de seu cartão de crédito, posto que, quando os mesmos lhe foram solicitados já havia transcorrido anos após o período requisitado e não mais possuía tais documentos. Observa estar perplexo ante a informação prestada pela autoridade fiscal de que teria efetuado diversas despesas no exterior, perfazendo valor bastante superior às suas possibilidades financeiras. Destaca que próprio Acórdão vergastado foi expressamente admitido que os extratos mensais com base nos quais foi lavrado o auto, foram fornecidos pela instituição financeira o que impende destacar que as informações obtidas diretamente pelo agente fiscal perante a instituição financeira desatendem requisito expressamente contido na Constituição Federal, art. 5°, inciso LVI. Ressalta que a quebra do sigilo bancário do contribuinte, ao qual se equipara o ato perpetrado pela fiscalização tributaria, somente é admitido mediante determinação da autoridade judicial, inexistente • na questão ora sob análise. Fundamentase nos argumentos elencados no Acórdão sob análise, para ratificar a ilegalidade do lançamento baseado na quebra do seu sigilo bancário. Ratifica que as despesas constantes nos referidos extratos teriam sido efetuadas no exterior, sendo certo que jamais se ausentou do território nacional e sequer possui passaporte, fato este que pode e deve ser devidamente comprovado pela autoridade fiscal perante o órgão competente Quando do julgamento da matéria, entretanto, concluiuse que é desnecessário o comparecimento do comprador no estabelecimento comercial para que se efetive a transação bastando "... a simples informação do n° do cartão, tanto no Brasil como no exterior", consoante entenderam as autoridades subscritoras do Acórdão. Para esse fundamento argumenta que, se é expressamente admitida a hipótese supra, de igual forma admitise também a possibilidade de terceiros fazerem compras no cartão do recorrente, bastando para tal que disponham de seu n°, facilmente possível de se obter por qualquer estabelecimento perante o qual tenha sido efetuado qualquer pagamento com o mesmo. Restariam então dois questionamentos: a) como foram pagos os valores das despesas efetuadas por terceiros? e; b) qual a vantagem que adviria da adoção deste procedimento por terceiros? Quanto ao pagamento dos valores relativos às despesas realizadas no exterior, baseadas nas quais foi lavrado o auto, como é perfeitamente consabido podem as mesmas ser pagas de forma avulsa mediante o depósito, que pode ser feito por qualquer pessoa, em prol da administradora do cartão, bastando que se informe o n° deste, o mesmo que foi utilizado durante a realização das despesas, o que resultaria na emissão de extrato contendo apenas as despesas impagas a ser remetido para o titular do cartão. A propósito da vantagem que o terceiro pode usufruir basta que se observe que utilizandose deste procedimento o verdadeiro comprador estará se furtando de declarar ao fisco seus ganhos reais, excluindose dos procedimentos fiscalizatórios aos quais foi indevidamente submetido. Ademais, resta ainda um terceiro questionamento a ser devidamente equacionado: sendo as compras realizadas no exterior de valores tão elevados conforme informado pelo fisco através de planilha que lhe foi apresentada e sendo certo que jamais viajou para o exterior para desfrutar dos bens adquiridos como inclusive não apenas foi destacado na impugnação apresentada corno também solicitado que fosse devidamente apurado Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 perante ao Departamento de Policia Federal, o que se deixou de ser feito somente por conveniência da autoridade fiscal, como bens de tal monta teriam sido introduzidos no território nacional se inexiste qualquer documentação comprobatória da remessa destes para o Brasil? Certamente que, assim como não utilizou seu cartão de crédito para efetuar o pagamento de despesas no exterior, de igual maneira jamais teve acesso a qualquer mercadoria ou serviço adquiridos em Pais estrangeiro. Finaliza requerendo e extinção do crédito tributário O presente processo versa sobre crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração (fls.160/167), em decorrência da Apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, consubstanciada nas informações constantes no Dossiê Integrado (fls.03/08) e principalmente, em operações com cartão de crédito. No início da fiscalização foi solicitada ao contribuinte a apresentação de todos os comprovantes dos pagamentos de seus cartões de crédito; bem como a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem e tributação dos recursos utilizados para os pagamentos efetuados (fls.24). Em resposta, o contribuinte se manifestou enviando extrato incompleto dos cartões de crédito (fls.34/41). Por essa razão foi emitida Requisição de Informação Financeira (RMF), solicitando a Credicard Banco SA e HSBC BANK BRASIL S/A, as informações de operações com cartão de crédito e pagamento efetuado com valor de cada compra do mês, no período de 01/01/2003 e 31/12/2003 (fls.42/43). A documentação enviada pelo Banco Citicard SA e HSBC está acostada ao processo às fls.54/77 e 78/133, respectivamente. O julgamento foi sobrestado em 15 de outubro de 2013, por meio da Resolução 2802000.186, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso está dotado dos pressuposto legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade fiscal, de posse de informações constantes no Dossiê Integrado (fls.03/08), constatou que o contribuinte possuía no anocalendário sob fiscalização 02 (dois) cartões de crédito de números 5448.2900.2543.3950 e 0036.2138.7116.4841, administrados pelo BANCO CITICARD S/A, atualmente denominado de CREDICARD BANCO S/A De posse dessa informação a autoridade autuante, intimou o contribuinte a apresentar todos os comprovantes dos pagamentos de cartões de crédito. O contribuinte se manifestou enviando documento com extrato incompleto de cartão de crédito. Assim, considerando ser imprescindível o acesso a todos os comprovantes dos pagamentos efetuados Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.004867/200692 Acórdão n.º 2202002.772 S2C2T2 Fl. 4 5 relativos aos cartões de crédito do contribuinte no período de 01/01/2003 a 31/12/2003, a autoridade fiscal requisitou ao CREDICARD BANCO S/A, as informações sobre a Movimentação Financeira do litigante. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre examinar, de antemão, as preliminares suscitadas pela defesa. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário Alega o suplicante, em síntese, que houve quebra ilegal do seu sigilo bancário Pois bem, em que pese a alegação do recorrente quebra ilegal de seu sigilo bancário, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega, verificase que o afastamento de seu sigilo bancário se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Vale lembrar que, a Lei Complementar nº 105, de 2001, autorizou, expressamente, o acesso aos dados bancários pelas autoridades e agentes fiscais,condicionando a sua utilização ao resguardo do sigilo, nos seguintes termos: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.” Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. A Requisição de Movimentação Financeira – RMF emitida seguiu rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimado a fornecer seus comprovantes de pagamentos dos cartões de crédito, no entanto apresentou somente parte, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.004867/200692 Acórdão n.º 2202002.772 S2C2T2 Fl. 5 7 bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior]de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. NO MÉRITO Nos Demonstrativos de fl. 153 a 156 o Auditor Fiscal elaborou planilhas que subsidiam a autuação e que deveriam ser contraditadas pelo recorrente. Ele justifica, genericamente, que muitos dos gastos efetuados com seus cartões de crédito podem ter sido efetuados por terceiros e que muitas das compras foram realizadas no exterior. Vemos que a decisão recorrida agiu com acerto. Não há um Inquérito Policial, uma ocorrência policial ou mesmo noticia de crime do uso de seu cartão de crédito por terceira pessoa, sem sua autorização. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. É necessário comprovar o fato alegado, ou ao menos, abalar a convicção do julgador sobre a legitimidade da autuação. O ônus das provas cabe a quem as aproveita e, no caso, deveriam ser efetuadas com as justificativas específicas para os gastos apontados nas faturas, acompanhadas as alegações de documentação hábil e idônea, que ilidissem as planilhas e demonstrativos elaborados pela auditoria, levando à convicção de que, pelo menos, nem todos os valores ali descritos se referem a gastos efetuados pelo contribuinte e de que não arcou com aquelas despesas. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso interposto. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/09/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10680.005472/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento.
Numero da decisão: 2201-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. José Otávio de Vianna Vaz, OAB/MG 53.441.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. José Otávio de Vianna Vaz, OAB/MG 53.441. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 54 72 /2 00 8- 66 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 21/26, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.185.400,95, calculado até 31/03/2008. A fiscalização apurou dedução indevida de Despesas de Livro Caixa. Transcrevese a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 23): De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em Livro Caixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vínculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$2.003.694,95, informado a título de Livro Caixa, indevidamente deduzido. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Em 07/05/2008 o interessado apresentou impugnação juntada às fls. 02/18. Suscita esclarecimentos sobre a data considerada como início do prazo para apresentação de defesa e sobre o trâmite da Solicitação de Retificação de Lançamento. Salienta que se surpreendeu com a decisão emitida em 07/04/2008, pois não havia apresentado qualquer documento. Foi informado por servidor da Receita Federal que a SRL havia sido apresentada oralmente. Estranhou o procedimento. Informa que em 07/05/2008 protocolou por escrito uma SRL e documentos conforme comprovante que junta em anexo. Entende que o prazo para apresentação de impugnação não deve ser contado da ciência do indeferimento datado de 07 de abril, mas da resposta a ser dada à SRL devidamente protocolada. Discorda da glosa efetuada pela fiscalização pois recebeu rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício no valor de R$21.617.333,32, conforme comprova o alvará anexo. Entende que é nula a notificação pois não foi intimado previamente para apresentar os comprovantes. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.005472/200866 Acórdão n.º 2201002.503 S2C2T1 Fl. 3 3 Sustenta que também é nula a Notificação por não ter sido indicado qualquer das hipóteses previstas no art. 841 do RIR que autorizaria o lançamento de ofício. Alega que sendo profissional liberal e em conformidade com o que dispõe a lei recebeu rendimentos decorrentes de trabalho não assalariado, escriturou as despesas necessárias à percepção do rendimento em livrocaixa e deduziu as mesmas da base de cálculo do imposto. Acrescenta que não se pode dizer que as despesas são exageradas pois representam cerca de 9,2% dos rendimentos declarados. Com base no disposto no art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, informa que pretende provar que seus rendimentos — especialmente aquele pago através do Banco do Brasil S.A. e devidamente declarado — têm origem em trabalho nãoassalariado. Para tanto, entende o Impugnante que basta a apresentação do Alvará Judicial de Levantamento da quantia de R$ 21.617.333,32, onde se pode verificar que o Banco do Brasil S.A. foi, simplesmente, a fonte pagadora de honorários advocaticios recebidos em função do trabalho de advogado no processo n° 2000.34.00.0459400, que teve como partes a Federação Brasileira de Hospitais — FBH e a União. Pretende, ainda, juntar comprovantes das demais fontes de rendimentos, através dos quais provará que estes provêm de receita de aposentadoria. Requer, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, caso se entenda necessário, seja determinada, de oficio, a realização de novas diligências ou perícias para a elucidação da questão. Pleiteia ao final que seja restituído prazo para apresentação de impugnação ou de novas alegações uma vez que o indeferimento da SRL ocorreu antes da apresentação da mesma e que seja conhecida a impugnação para julgar improcedente a Notificação de Lançamento. O julgamento foi convertido em diligência, fls. 83/84, tendo sido solicitado ao contribuinte a apresentação do Livro Caixa, bem como de toda documentação comprobatória. O contribuinte juntou aos autos o Livro Caixa e documentos solicitados (fls. 90/111pdf). A 9ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS Não se configura hipótese de nulidade do lançamento o fato de a fiscalização não intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos antes da lavratura de notificação de lançamento, pois a fase do contraditório, instaurada com a impugnação, abre oportunidade para o oferecimento de todos os esclarecimentos por parte do notificado. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 DESPESAS DO LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente as despesas de consumo indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, são dedutíveis na declaração do contribuinte e estão condicionadas à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 16/04/2012 (fl. 130), Orlando de Oliveira Vaz Filho apresenta Recurso Voluntário em 14/05/2012 (fl. 134), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que seja dado provimento ao recurso, pois o fundamento para a manutenção da glosa da dedução é diverso do fundamento da notificação de lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de dedução indevida de despesas lançadas no livro caixa, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2004. De pronto, reproduzo, novamente, os fundamentos da autuação (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 23): De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em Livro Caixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vínculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$ 2.003.694,95, informado a título de Livro Caixa, indevidamente deduzido. (grifei) Do exposto, verificase que a autoridade fiscal efetuou a glosa do livro caixa por ter o contribuinte “... declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vínculo empregatício”. Em razão da fundamentação da autuação, apresentou o recorrente alvará judicial demonstrando que não houve rendimento recebido de Pessoa Jurídica com vínculo empregatício (fl. 30). Por sua vez, a 9ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG converteu o julgamento em diligência para que fosse apresentado o Livro Caixa, bem como toda documentação comprobatória. Após a análise dos documentos, a autoridade recorrida manteve integralmente a exigência, sob o argumento de que “Os valores dos recibos e notas fiscais juntados totalizam R$1.848.343,75, o que por si só enseja a manutenção (...) uma vez que o contribuinte declarou como Despesas de Livro Caixa o total de R$ 2.003.694,95”. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.005472/200866 Acórdão n.º 2201002.503 S2C2T1 Fl. 4 5 Com a devida vênia, a justificativa utilizada pela autoridade recorrida para a manutenção da exação não pode prevalecer, já que a lavratura do auto de infração não se deu pelos motivos expostos pela DRJ, e sim, pelo fato de o fiscal ter entendido que não seria possível deduzir despesas com o livro caixa, em razão de o autuado ter declarado apenas rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício. Houve, como se pode ver, a inovação do lançamento original, o que é vedado aos órgãos julgadores. A mudança de critério jurídico do lançamento viola o princípio da legalidade que pauta a formulação de autuações fiscais; sua revisão em processos administrativos e a segurança jurídica que deve vigorar nas relações entre fisco e contribuinte. Embora compreenda que, conforme art. 145 do CTN, o lançamento pode ser alterado em virtude de impugnação, contudo, o limite dessa alteração é a matéria objeto da autuação, e que não implique em aumentar o ônus tributário. Com efeito, há flagrante cerceamento do direito de defesa em relação aos novos fatos imputados pela autoridade recorrida. Este Conselho tem reiteradamente cancelado exações fundadas em motivação legal que esteja em desacordo com os atos praticados pelo contribuinte, ainda que as autoridades julgadoras considerem que tais operações sejam enquadradas em outras disposições normativas. É o que se depreende das ementas das seguintes decisões, havendo inclusive manifestação da CSRF: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE É insubsistente a parcela de crédito tributário, tida como 'mantida' pela autoridade administrativa julgadora, quando se constata que ela está fundada em elementos não considerados no lançamento original (ac. 105 16.834, Cons. rel. Wilson Fernandes Guimarães, j. em 22.01.08 destacamos). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe sendo permitido aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal (Acórdão nº 10322.569, de 27/07/2006). ERRO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE DE AJUSTE PELA AUTORIDADE JULGADORA A autoridade julgadora (DRJ ou Conselho de Contribuintes) não é permitido ajustar o lançamento, ainda que na motivação constante da descrição dos fatos, por faltarlhe competência para tanto e também por implicar cerceamento ao direito de defesa (Acórdão nº 10809.256, de 28/03/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA — Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento (Acórdão CSRF/0104.535, de 09/06/2003). Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Dessarte, incabível o aperfeiçoamento, inovação ou conserto do lançamento pelos órgãos julgadores. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15504.722981/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. POSSIBILIDADE. Não está eivado de ilegalidade o lançamento efetuado quando o crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN, mas apenas a cobrança do respectivo crédito até que venha a ser revista tal condição ou exaurida a discussão sobre ele no Poder Judiciário. Precedentes.
DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL EM MOMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. MULTA E JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. Tendo em vista a realização do depósito judicial integral do montante do crédito tributário devido antes de ter sido efetuado o lançamento com o objetivo de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, o que veio a ser reconhecido pela própria fiscalização nos presente caso, não são devidos os juros de mora e mesmo as multas de mora e ofício. Precedentes.
SÓCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INDICAÇÃO NO REPLEG. DOCUMENTO MERAMENTE INFORMATIVO. SÚMULA CARF N 88. O documento REPLEG não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 02/2007; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento a multa e juros de mora, bem como a multa de ofício
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. POSSIBILIDADE. Não está eivado de ilegalidade o lançamento efetuado quando o crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN, mas apenas a cobrança do respectivo crédito até que venha a ser revista tal condição ou exaurida a discussão sobre ele no Poder Judiciário. Precedentes. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL EM MOMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. MULTA E JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. Tendo em vista a realização do depósito judicial integral do montante do crédito tributário devido antes de ter sido efetuado o lançamento com o objetivo de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, o que veio a ser reconhecido pela própria fiscalização nos presente caso, não são devidos os juros de mora e mesmo as multas de mora e ofício. Precedentes. SÓCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INDICAÇÃO NO REPLEG. DOCUMENTO MERAMENTE INFORMATIVO. SÚMULA CARF N 88. O documento REPLEG não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 29 81 /2 01 2- 98 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 02/2007; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento a multa e juros de mora, bem como a multa de ofício Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.722981/201298 Acórdão n.º 2401003.628 S2C4T1 Fl. 760 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por FUNDAÇÃO FORLUMINAS DE SEGURIDADE SOCIAL FORLUZ, irresignada com o acórdão de fls., por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.350.0114, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho médico. Consta do relatório fiscal que os valores lançados no presente auto de infração são objeto de depósito judicial integral nos autos da MC 2000.38.00.0190358, impetrada pela recorrente na Justiça Federal de Minas Gerais em 06/2000, também tendo sido impetrada pela contribuinte a ação ordinária n. 2000.38.00.0225336, através da qual discute a legalidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a cooperativas no percentual de 15%. O lançamento compreende o período de 01/2007 a 12/2008, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 30/03/2012 (fls. 01). Em seu recurso, sustenta a ilegalidade da indicação dos diretores como corresponsáveis pelo débito lançado, eis que não estão presentes os requisitos do art. 135 do CTN, devendo os mesmos serem excluídos do presente Auto de Infração. Defende que em razão do depósito dos valores objeto do presente lançamento, a Fazenda Pública não poderia efetuar o presente lançamento, pois, caso venha a ser julgada improcedente a demanda judicial os valores serão convertidos em renda e, portanto, se mostra descabida a presente autuação fiscal, uma vez que o crédito tributário se encontra com sua exigibilidade suspensa. Argüi a decadência do lançamento relativamente aos períodos de 01/2007 e 02/2007. Por fim aponta serem indevidos os juros de mora cobrados no presente Auto de Infração em razão dos depósitos efetuados judicialmente, conforme Súmula CARF n. 05, bem como a impossibilidade do lançamento a multa de mora e de ofício pelo mesmo fundamento. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARMENTE Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção Fl. 762DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.722981/201298 Acórdão n.º 2401003.628 S2C4T1 Fl. 761 5 inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, conforme consta do relatório fiscal da infração, a recorrente efetuou os depósitos judiciais dos valores das contribuições objeto de lançamento no presente caso, situação esta que, a meu ver, configurase em modalidade de pagamento dos valores questionados. Assim, considerando que o lançamento se reporta às competência de 01/2007 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 30/03/2012, encontramse fulminadas pela decadência as competências 01/2007 e 02/2007, com base no art. 150, §4o do CTN. Acolho, pois, a preliminar. Passo ao mérito. MÉRITO No presente caso não se discute a legalidade da incidência das contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, uma vez que a recorrente levou a discussão do assunto ao crivo do Poder Judiciário, de modo que apenas questiona aspectos secundários ao lançamento, os quais passo a analisar. No que se refere a necessidade de exclusão dos sócios do pólo passivo do presente Auto de Infração, sem razão a recorrente. Conforme já fez alusão o acórdão de primeira instância, os responsáveis legais da recorrente não foram incluídos no pólo passivo do presente lançamento na qualidade de devedores solidários, apenas tendo sido apontados no REPLEG, documento anexo ao auto de infração, que possui o caráter meramente informativo, sendo que o fato de constar o nome dos mesmos em tal anexo, não significa a responsabilização daqueles que estão ali indicados. Sobre o assunto, o CARF editou a Súmula n. 88, a seguir: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Assim, nada a prover sobre referido tópico. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Melhor sorte não aufere a recorrente, quando sustenta a impossibilidade do lançamento tendo em vista ter efetuado os depósitos dos valores objeto de questionamento nos autos do processo judicial, pois os mesmos estariam com a exigibilidade suspensa. Tal questão já fora objeto de calorosas discussões seja no âmbito deste Eg. Conselho, quando no próprio Poder Judiciário, de modo que a questão já está pacificada no sentido de que mesmo com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão da ocorrência das hipóteses previstas no art. 151 do CTN, é possível a realização do lançamento com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência. Cito, a propósito, o seguinte precedente desta Turma, de lavra do Em. Conselho Kleber Ferreira de Araújo, acórdão 2401002.999: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 [...] SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. É cabível a incidência de juros em lançamento efetuado para prevenir a decadência. No caso dos autos, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deuse em razão da recorrente ter efetuado o depósito judicial dos valores lançados no presente Auto de Infração devidamente autorizado por decisão proferida nos autos da MC 2000.38.00.0190358, conforme apontou o relatório fiscal. Assim, tenho entendo que possui razão o contribuinte quando pugna pela aplicação do disposto na Súmula n. 05 do CARF, no que se refere a impossibilidade de cobrança de juros quando houver o sujeito passivo da relação jurídicotributária, efetuado o depósito judicial do montante integral do tributo devido. Vejamos o teor do enunciado: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Também em decorrência dos depósitos judiciais, fato é que não se verifica a mora do mesmo em efetuar o cumprimento de suas obrigações tributárias, sobretudo quando o fiscal aponta que foram efetuados os depósitos dos valores integrais, bem como em momento Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.722981/201298 Acórdão n.º 2401003.628 S2C4T1 Fl. 762 7 anterior ao procedimento de ofício, de modo que, em não havendo inércia no cumprimento de seus deveres, entendo que também não é o caso de que se mantenha a aplicação da multa de mora. Logo, não são devidos os juros e multa de mora no presente caso até a data em que foram efetuados os depósitos judiciais. Também dou razão à contribuinte quando sustenta não ser passível a cobrança de multa de mora e ofício no presente caso, mais uma vez em decorrência de que a exigibilidade do crédito fora suspensa em decorrência de autorização do Poder Judiciário, com a realização do depósito judicial. Sobre o assunto, vejamos o que dispõe o art. 63 da Lei 9.430/96: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo atributo de competência da União,cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela MedidaProvisórianº2.15835,de2001) §1ºO disposto neste artigo aplicase,exclusivamente,aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. É o caso dos autos, pois o lançamento fora efetuado já com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública contra os efeitos da decadência em momento posterior aos depósitos efetuados na ação judicial, ao que se depreende do relatório fiscal da infração. Na mesma esteira também já decidiu esta Turma e valhome a mais uma vez indicar precedente do nobre colega Dr. Kleber Ferreira de Araújo, acórdão 2401003.510: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2011 a 30/09/2011 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA DE OFÍCIO. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral das contribuições lançadas. Não cabe a inclusão de juros de mora após a efetivação do depósito do montante integral do tributo. A multa de ofício deve ser excluída do lançamento para prevenir a decadência, quando, antes do início do procedimento de fiscalização, há processo administrativo suspendendo a exigibilidade do crédito e, no momento do lançamento,exista o depósito judicial do montante integral das contribuições lançadas. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, tenho que também deve ser excluída do lançamento a multa de ofício. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, acolher a preliminar de decadência para declarar extinto o lançamento das competências 01/2007 e 02/2007, e, no ´mérito em DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento a multa e juros de mora, bem como a multa de ofício. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907148/2012-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 48 /2 01 2- 91 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907148/201291 Acórdão n.º 3801002.681 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907148/201291 Acórdão n.º 3801002.681 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907148/201291 Acórdão n.º 3801002.681 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907148/201291 Acórdão n.º 3801002.681 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907148/201291 Acórdão n.º 3801002.681 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907148/201291 Acórdão n.º 3801002.681 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907148/201291 Acórdão n.º 3801002.681 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001501/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DIRPF. Os valores em espécie declarados em DIRPF só podem justificar depósitos bancários se a origem legal dos valores puder ser comprovada com documentos hábeis e idôneos.
CONTEÚDO PROBATÓRIO NECESSÁRIO. A autoridade fiscal tem poder discricionário para definir quais documentos são suficientes à caracterização do fato imponível tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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DIRPF. Os valores em espécie declarados em DIRPF só podem justificar depósitos bancários se a origem legal dos valores puder ser comprovada com documentos hábeis e idôneos. CONTEÚDO PROBATÓRIO NECESSÁRIO. A autoridade fiscal tem poder discricionário para definir quais documentos são suficientes à caracterização do fato imponível tributário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 01 /2 00 6- 26 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 13 19.667 6a Turma da DRJ/RJOII, que considerou procedente o lançamento fiscal de IRPF para o contribuinte no ano calendário 2001. O recorrente repisa os argumentos apresentados na impugnação e não apresenta novos elementos de prova. Em preliminares questiona o final do procedimento fiscal sem que as entidades bancárias consultadas tivessem apresentado todos os documentos solicitados na Requisição de Movimentação Financeira. Entende que tal fato deve ser tratado como abandono do procedimento de fiscalização pelo agente fiscal, gerando grave infração ao dever de ampla investigação. Argumenta que tais informações e documentos seriam de suma importância para o embasamento da movimentação financeira do recorrente, podendo, inclusive, evitar lançamento indevido. Pleiteia assim a nulidade do auto de infração por abandono do procedimento de fiscalização. No mérito, demonstrou razões quanto aos depósitos em dinheiro e cheques, em sua conta corrente, comprovando as receitas erroneamente tidas como omitidas. Alega que os depósitos são originados: a de economias feita ao longo dos anos e que guardava em casa e que tais valores já haviam sido tributados; b recursos trazidos do país de origem (o recorrente é imigrante da Síria), recebidos de seus pais então vivos. Informa que os valores que guardava em casa foram declarados ao Fisco nas declarações de imposto de renda. Foram juntadas aos autos as seguintes DIRPF´s do contribuinte: A DIRPF 1998 (ac 1997), à pg 85 (numeração manual) sem data de entrega à Receita Federal, apresenta no campo 7, item 7, a declaração "DINHEIRO EM ESPÉCIE EM MOEDA ESTRANGEIRA" Situação ano de 1996 = 201.000,00 Situação ano 1997 = 189.000,00. Não identifica a moeda. DIRPF 2000 (ac 1999), pg. 90 (numeração manual), com carimbo de recebimento pelo Banco do Brasil datado de 25/04/00, consta no campo 7, item 7, "DINHEIRO EM ESPÉCIE EM MOEDA ESTRANGEIRA" 189.000,00. Não identifica a moeda. DIRPF 2001 (ac 2000), pg. 96 (numeração manual) RETIFICADORA, foi entregue em 30/04/2001 sob N/D 07/34.414.611 não contém os valores em espécie relacionados na declaração de ac 1999. DIRPF 2002 (ac 2001) original (pg. 3numeração manual), não contém as informações sobre a guarda de dinheiro em espécie. DIRPF 2002 (ac. 2001), RETIFICADORA, foi entregue em 09/12/2006, sob ND 07/34.918.971 (quando o contribuinte já estava sob procedimento de fiscalização) inclui no Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001501/200626 Acórdão n.º 2101002.588 S2C1T1 Fl. 3 3 campo DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS, o item 8 "DINHEIRO EM ESPÉCIE, EM MOEDA NACIONAL EM SEU PODER, SENDO QUE DURANTE O ANO CALENDÁRIO 2001 DEPOSITEI EM MINHA C/C A IMPORTÂNCIA DE 181.200,00 BRASIL" Situação em 31 de dezembro R$ Ano 2000 = 585.900,00 Ano 2001 = 404.700,00. Ao final, pugna pela nulidade do auto de infração por ofensa ao art. 6 da LC 105/2001, combinado como art. 2 do Dec. 3724/2001 e ofensa aos princípios da legalidade, devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Caso não acatado o pedido de nulidade, que sejam expurgados os valores tidos como omissão de receita, visto terem sido declarados como valores detidos em espécie desde 1997, reduzindose, em média proporcional, os juros e a multa. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. A autoridade fiscal tem liberdade para analisar os documentos que julgar convenientes e necessários à formação de convicção sobre a verdade material dos fatos relacionados ao procedimento fiscal. Não compete ao fiscalizado determinar quais documentos a autoridade fiscal deve ou não analisar antes do lançamento fiscal. Mais ainda, a primeira fase do procedimento preparatório ao lançamento é investigativa e, portanto, a autoridade lançadora pode utilizar apenas os documentos suficientes bastantes à convicção do ilícito fiscal. A fase litigiosa do processo administrativo fiscal se inicia com a impugnação tempestiva, apresentada pelo contribuinte. Nessa fase, tem início o devido processo legal, aonde ao contribuinte é dado o direito de defesa, apresentando quaisquer provas, aceitas em Direito, que entender necessárias para contestar os fatos dos autos. No caso, nada há de ilegal, pois o contribuinte foi devidamente intimado do procedimento fiscal em 14/08/2006 e do auto de infração em 04/12/2006. Apresentou impugnação tempestiva que foi analisada e novamente a decisão lhe foi comunicada. Prosseguindo o rito do processo administrativo fiscal, apresentou então, Recurso Voluntário, que está sob análise. O recorrente alega que os valores dos depósitos bancários são originários de trocas de moeda estrangeira que tinha em casa. Tais valores teriam sido acumulado ao longo dos anos e também recebidos dos genitores. Contudo, não apresentou qualquer documento comprobatório da inserção/aquisição legal dos valores em moeda estrangeira declarados na DIRPF ac 1999 e mantidos em sua residência. Esses comprovantes deveriam ter sido mantidos pelo recorrente para justificar a origem dos valores guardados. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O art. 42 da lei 9430/96, que regulamenta o lançamento tributário baseado em depósitos bancários não justificados, está redigido como a seguir, e somente admite a justificativa comprovada de depósitos bancários nos casos que especifica. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Entendo que não ficou esclarecida a origem dos valores que o contribuinte alega tinha guardado em casa. Apesar de ter declarado em DIRPF em anos anteriores, não o fez no ano sob análise. Mesmo que o tivesse feito, deveria possuir documentação comprobatória da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001501/200626 Acórdão n.º 2101002.588 S2C1T1 Fl. 4 5 origem de tais recursos. No caso de valores transferidos do exterior, os documentos de viagem da transferência dos valores, ou de instituições bancárias que realizaram as operações via Banco Central do Brasil. Não foram juntados aos autos quaisquer documentos relacionados a essas transferências. No caso de valores auferidos no decorrer dos anos, seriam necessárias provas da vinculação de tais valores com os depósitos a justificar. Convém mencionar que a lei brasileira (Lei 9613/1998) é bastante severa com relação à ocultação da origem de bens, direitos ou valores se provenientes de infração penal. Desta forma, voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.011473/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
Ementa:
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. Não se configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14.
Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude.
Numero da decisão: 2201-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 Ementa: PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. Não se configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude.
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INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. Não se configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 14 73 /2 01 0- 19 Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2005 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 01/12, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.759.161,96. A fiscalização apurou omissão de rendimentos provenientes de atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Decadência Considerando a natureza do lançamento do tributo em questão como sendo homologatória e de acordo com o art. 150, § 4º do CTN, verificase que parte do crédito tributário encontrase atingido pela decadência a qual requer seja declarada em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 05/07/2005. Regime de Casamento: autuação global. Tendo em vista o regime de casamento do reclamante com sua esposa Andrea Lopes Guimarães e a data de aquisição dos imóveis em que é realizada a atividade rural, a autuação deve ser realizada de forma proporcional à cota parte de cada um dos referidos imóveis. Deve ser cancelado 50% do crédito tributário Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.011473/201019 Acórdão n.º 2201002.572 S2C2T1 Fl. 3 3 constituído, diante da eleição incorreta do sujeito passivo, nos termos do art. 119 do CTN. Atividade Rural Alega que o trabalho fiscal considerou fruto da atividade rural apenas parte dos rendimentos do impugnante, desconsiderando a comprovação apresentada nos autos pelas notas fiscais de clientes como Carrefour Comércio e Indústria Ltda, DMA Distribuidora S/A, Osvaldo Pereira e Osper Agroindústria S/A, por não haver vinculação direta entre as referidas notas e os lançamentos financeiros em conta corrente. Requer seja considerada a totalidade dos rendimentos como oriundos do exercício da atividade rural. Diz que não possuía escrita fiscal regular diante de sua simplicidade e falta de instrução. Após o início da fiscalização, tentou obter a documentação fiscal junto a seus clientes o que não logrou êxito em sua totalidade. Relata acerca da situação ocorrida com cada um dos fornecedores. Com relação aos clientes Osvaldo Pereira e Osper Agroindustrial S/A, mesmo com a apresentação dos documentos também pelo contribuinte a fiscalização não os considerou integralmente como da atividade rural. Pelo critério da razoabilidade e igualdade, deveria ter sido intimada a empresa DMA Distribuidora S/A. A grande maioria dos documentos fiscais relativo a esta empresa foi desconsiderada. A fiscalização também desconsiderou os lançamentos intitulados “cobrança” na conta corrente do Banco do Brasil, desconsiderando a vinculação com a atividade rural. Alega que por imposição do cliente os pagamentos eram realizados através de boletos bancários, sendo que cada boleto reunia pagamentos de várias notas fiscais. O art. 110 do CTN prevê que os institutos de direito privado não podem ser alterados por lei. Requer sejam considerados todos os rendimentos relativos à movimentação financeira como decorrentes da atividade rural, ou apenas a integralidade dos documentos fiscais que se encontram nos autos. O mesmo ocorre com os depósitos realizados por Osvaldo Pereira e Osper Agroindustrial S/A em razão do contrato de parceria existente entre eles. Os rendimentos advindos de tal contrato devem ser tributados na proporção dos rendimentos recebidos pelo parceiro. MULTA Afirma que não restou configurado o intuito de fraude previsto nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Diz que é produtor rural, humilde e sem instrução, motivo pelo qual não se estruturou Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 para o exercício da atividade. Desde o primeiro momento demonstrou e colaborou com a Auditoria Federal. O argumento da fiscalização não é suficiente para a caracterização do dolo. Em relação a sanções, deve ser observado o princípio da adequação e da razoabilidade. Cita o art. 76 da Lei 4.502/64, afirmando aplicarse ao presente caso. A hipótese dos autos enseja, no mínimo, a dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação. Requer a exclusão da penalidade aplicada. Requerimentos e Diligências Nos termos do art. 15, IV do Decreto nº 70.235/72, requer seja intimada a empresa DMA Distribuidora S/A para que apresente a integralidade das notas fiscais e comprovantes de pagamento referentes às operações celebradas tendo em vista ser fundamental para a busca da verdade material. Requer a juntada de novos documentos, restando caracterizado o motivo de força maior. Requer ainda, realização de prova pericial sobre os documentos juntados aos autos, especialmente os extratos bancários para corroborar que devem ser considerados como receita da atividade rural. Nomeia seu perito contábil e relaciona quesitos. Nos termos do art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72 requer seja declarada a nulidade do lançamento. A 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DO RESULTADO. BENS COMUNS. TRIBUTAÇÃO. O resultado da atividade rural produzido em bens comuns ao casal, em decorrência do regime de casamento, deve ser apurado pelo valor global das receitas, despesas, investimentos e demais valores que integram a atividade, e tributado na proporção de cinqüenta por cento para cada cônjuge ou, opcionalmente, na declaração de um deles. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.011473/201019 Acórdão n.º 2201002.572 S2C2T1 Fl. 4 5 procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, dentre as hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. Prescindível a realização de perícia, à vista de peças processuais cuja análise permite dirimir o litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 17/03/2011 (fl. 258), Antônio Antão Guimarães apresenta Recurso Voluntário em 14/04/2011 (fls. 260 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 20 de novembro de 2012 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2202000.378, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos provenientes de atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário 2005 e 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelo recorrente. No que tange à decadência do crédito tributário, cumpre registrar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme pacificado pela Súmula CARF nº 38: Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como houve pagamento do imposto de renda na Declaração de Ajuste/2006, fl. 214, aplicase à espécie o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62 A do RICARF. Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2005 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o primeiro dia para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2006 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2010. Desse modo, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 05/07/2010, não operou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. Quanto à alegação de que, por serem bens comuns ao casal, a autoridade fiscal deveria tributar metade dos rendimentos da atividade rural na declaração de sua esposa, penso que não assiste razão ao recorrente. O art. 15 da IN n° 83/2001 dispõe: Art. 15. O resultado da atividade rural produzido em unidade rural comum ao casal, em decorrência do regime de casamento, deve ser apurado e tributado pelos cônjuges proporcionalmente à sua parte. Parágrafo único. Opcionalmente, o resultado da atividade rural comum pode ser apurado e tributado em sua totalidade na declaração de um dos cônjuges. (grifei) Pelo que se vê, o resultado da atividade rural comum pode ser apurado e tributado em sua totalidade na declaração de um dos cônjuges. E foi exatamente o que ocorreu nestes autos, conforme relatou a autoridade recorrida. Vejase: Em consulta aos sistemas da RFB, verificase que sua esposa, Andrea Lopes Guimarães, entregou as Declarações dc Ajuste Anual, dos exercícios 2006 e 2007 no modelo simplificado, não informando nenhum valor de rendimento da atividade rural. Dessa forma, mesmo que existam rendimentos da exploração de bens comuns ao casal, o que também não está comprovado nos autos, restou caracterizada a opção pela tributação somente na declaração do interessado. Ante a esses argumentos, não há como prosperar a suscitada preliminar. Em relação à alegação de cerceamento do direito de defesa, por conta do indeferimento do pedido de diligência, entendo que o argumento é estéril e não passagem. Da análise dos argumentos do contribuinte, fica evidente que todos eles se referem à produção de provas que caberia ao recorrente apresentar. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993). Portanto, penso que a diligência proposta destinase a produzir a comprovação que competiria o autuado trazer aos autos, contrariando, inclusive, o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que atribui ao titular da conta bancária o ônus da prova da origem dos recursos que lhe foram creditados. Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.011473/201019 Acórdão n.º 2201002.572 S2C2T1 Fl. 5 7 Ante esses argumentos, indefiro o pedido de perícia. No mérito, solicita o suplicante que seja considerado como rendimentos da atividade rural todos os lançamentos ocorridos em seu extrato bancário intitulado como “cobrança”. Assevera, ainda, que “... vários das rubricas foram expressamente consideradas pela ilustre auditora fiscal no auto de infração como prova de vinculação do rendimento à atividade rural”. Por fim, argumenta que “Assim, justificado o histórico "COBRANÇA DE TÍTULOS", sendo que um boleto reunia pagamentos de várias notas fiscais, de acordo com os prazos diferenciados de pagamento”. Pois bem, em que pese alegue o recorrente que todos os lançamentos em seu extrato bancário intitulado “cobrança”, referemse à atividade rural, cumpre esclarecer que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, por presunção legal, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando indicar uma fonte genérica (atividade rural) para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Dessarte, não se constatando nos autos provas documentais contrárias, correta a tributação dos valores como renda omitida. No que tange à qualificação da multa, relativamente ao item 1 do auto de Infração, omissão de rendimentos da atividade rural, a autoridade consignou no Termo de Verificação Fiscal, fls. 13/31, verbis: 56. Ora, a enorme diferença entre a receita bruta da atividade rural constatada pela fiscalização e a receita bruta da atividade rural declarada no Anexo da Atividade Rural das DIRPF dos anoscalendário 2005 e 2006 não pode ser admitida como erro escusável cometido pelo fiscalizado. Ao contrário, tal exorbitante diferença revela a intenção deliberada.do contribuinte de omitir as receitas auferidas em decorrência do exercício da atividade rural, intenção esta que culminou na prestação de declaração falsa com o intuito de suprimir ou reduzir tributo devido. 57. E, presente o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502 de 30 de novembro de 1964, sobre o imposto apurado em decorrência da omissão de rendimentos da atividade rural foi aplicada a multa de ofício majorada para o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), conforme previsto no inciso I combinado com o parágrafo 1º, ambos do art. 44 da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Lei n°. 11.488, de 15 de junho de 2007.. Do exposto, o que se vê dos argumentos despendidos pela autoridade lançadora nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, ou seja, simples omissão de rendimentos ou declaração inexata, sem qualquer prova de conduta dolosa. Com efeito, a infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Para a qualificação da penalidade deveria o fisco trazer provas que materializassem o dolo do sujeito passivo. Não bastam apenas divergências e/ou omissão entre os valores declarados e os apurados para alicerçarem o evidente intuído de fraude. É nesse sentido a Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Desta forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13888.002604/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
IPI. CREDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO No 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF aplica-se ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 561.485, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o crédito-prêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado nº 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do crédito-prêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º do Decreto-Lei nº 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3º do Decreto-Lei nº 1.894, de 16/12/1981.
IPI. CREDITO PRESUMIDO. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora.
PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.
No direito constituciona1 vigente o princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores.
O princípio da não-cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados.
CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO E ISENTOS.
A aquisição de insumos não tributados, isentos ou alíquota zero não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Rodrigo Cardozo Miranda e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CRÉDITOPRÊMIO Recorrente PIACENTINI & CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 IPI. CREDITOPRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO No 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF aplicase ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 561.485, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o créditoprêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado nº 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do créditoprêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º do DecretoLei nº 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3º do DecretoLei nº 1.894, de 16/12/1981. IPI. CREDITO PRESUMIDO. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 26 04 /2 00 3- 55 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 520 2 No direito constituciona1 vigente o princípio da nãocumulatividade garante aos contribuintes apenas e tãosomente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da nãocumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO E ISENTOS. A aquisição de insumos não tributados, isentos ou alíquota zero não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Rodrigo Cardozo Miranda e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento do créditoprêmio exportação de IPI supostamente pago indevidamente (DecretoLei nº 491/69), do crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/Cofins (Lei nº 9.363/96) e, também, do crédito básico de IPI não recolhido em aquisições de insumos reduzidos à alíquota zero, isentos ou não tributados, referentes ao período de janeiro de 1998 a dezembro de 2008, no valor total de R$ 501.158,05 (efls. 2/ss). Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: Fl. 516DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 521 3 Trata o presente de pedido de ressarcimento do créditoprêmio, crédito presumido e do saldo credor do IPI apurados no período em destaque. O pleito foi indeferido por já ter sido extinto o créditoprêmio, pela falta de apresentação de DCTF e DCP (demonstrativo do crédito presumido), no caso do crédito presumido e em razão do saldo credor do IPI alegado terem sido calculados sobre aquisições de insumos não onerados pelo imposto, sendo que o período de janeiro a setembro de 1998 foram alcançados pela prescrição normatizada pelo PN CST nº 515/71, por datar o protocolo de 03/12/2003. O interessado manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que não teria ocorrido qualquer decadência ou prescrição e que o créditoprêmio ainda está em vigor. Sobre o crédito presumido aduz que o beneficio instituído por Lei não poderia ser negado com base em atos administrativos que exigiriam o que a lei não exigiu. Também alega que IPI, que seria um imposto sobre valor agregado, sujeito ao principio da nãocumulatividade, cuja ressarcimento, inclusive atualizado monetariamente, deveria se dar conforme os julgados que cita, ou seja, calculando se um IPI sobre a aquisição de insumos não onerados pelo imposto. Encerrou pleiteado que seu direito creditório seja reconhecido, conforme legislação, julgados e doutrina que cita.. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1429.415 em 02/07/2010 (efolhas 432/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto n° 20.910/32). CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. A falta de apresentação do DCP enseja a glosa do crédito presumido, nos trimestres correspondentes. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 517DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 522 4 A interessada cientificada do Acórdão em 11/08/2010 (efolha 450), interpôs Recurso Voluntário em 10/09/2010 (efolhas 451/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, os quais podem ser assim sintetizados: não ocorreu a prescrição em relação aos valores pleiteados; não houve a revogação do benefício do créditoprêmio do IPI; em relação ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, alega que contrariamente do que restou decidido no acórdão da DRJ (não apresentação do DCP – Demonstrativo do Crédito Presumido), os documentos se encontram acostados nos autos do processo administrativo, quando realizado o pedido de ressarcimento do crédito em questão, não podendo prevalecer o entendimento da decisão recorrida; quanto aos créditos básicos de insumos, entende que em face do princípio da nãocumulatividade o contribuinte tem o direito de se creditar do IPI, nas hipóteses de entrada de produtos isentos ou alíquota zero; O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Três são as matérias em litígio neste processo: (i) Pedido de ressarcimento do créditoprêmio exportação de IPI (Decreto Lei nº 491/69); (ii) Pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/Cofins (Lei nº 9.363/96); (iii) Pedido de ressarcimento do crédito básico de IPI não recolhido em aquisições de insumos reduzidos à alíquota zero ou isentos. Passemos a analisar cada uma delas em separado. Pedido de ressarcimento do créditoprêmio exportação de IPI (DecretoLei nº 491/69) Esta matéria – créditoprêmio do IPI / DL nº 491/69 – não é nova nas instâncias de julgamento, entretanto, atualmente já se encontra pacificada no CARF. Não assiste razão à Recorrente. Seu pedido de ressarcimento não possui amparo legal, uma vez que o créditoprêmio do IPI encontrase extinto desde 5/10/1990, conforme decidiu o Plenário do STF por ocasião do julgamento do RE nº 577.302, verbis: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 523 5 TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, §1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. PRESCRIÇÃO RE NÃO CONHECIDO. I A jurisprudência da Corte é no sentido de que a apreciação das questões relativas à prescrição de pretensão à compensação de crédito decorrente de incentivo fiscal dependa da análise de normas infraconstitucionais. II Precedentes. III Recurso não conhecido. Em pesquisa efetuada ao site do Supremo Tribunal Federal, verificase que a questão da vigência do art. 1º do DecretoLei nº 491/69 é objeto do tema 63 – “Termo final de vigência do créditoprêmio do IPI instituído pelo Decretolei nº 491/69”, em relação ao qual o tribunal decidiu que há repercussão geral. Confirase a ementa do leading case RE nº 561.485 e a manifestação da repercussão geral: Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ART. 41, § 1º, DO ADCT. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. I – O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 577.348/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, assentou que, se o “créditoprêmio” do IPI não foi extinto por norma infraconstitucional, deixou ele de existir por força do disposto no § 1º do art. 41 do ADCT. II – O acórdão recorrido, no caso dos autos, reconheceu que o “créditoprêmio” foi extinto em 30/6/1983. III – Embargos acolhidos para prestar esclarecimentos, sem atribuição de efeitos modificativos. Manifestação da repercussão geral: Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça que entendeu que o créditoprêmio do IPI, instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491/69, foi extinto em 5 de outubro de 1990, por força do art. 41, § 1º, do ADCT. Neste RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa ao citado dispositivo constitucional transitório, visto que este trata apenas de incentivos fiscais de natureza setorial, o que não é o caso do créditoprêmio do IPI, que possui caráter genérico, a beneficiar a todos os exportadores. Quanto à preliminar de repercussão geral, a recorrente sustentou, em suma, que o caso possui relevância do ponto de vista econômico e jurídico. Entendo que a presente questão constitucional oferece repercussão geral. A hipótese descrita nos autos possui relevância econômica, porquanto afeta todos os exportadores contribuintes do IPI, além da possibilidade de causar grande impacto na arrecadação tributária. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 524 6 Presente, ainda, a relevância jurídica, visto que o julgamento definirá o alcance do art. 41, § 1º, do ADCT. Isso posto, manifestome pela existência de repercussão geral no presente recurso extraordinário (art. 543A, § 1º, do CPC, com redação dada pela Lei 11.418/06, combinado com o art. 322 do RISTF). Brasília, 28 de março de 2008. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Desse modo, nos termos do que prescreve o art. 62A do RICARF (introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010), adoto neste julgado a decisão proferida pelo STF, sob a sistemática do art. 543B do CPC, no Recurso Extraordinário nº RE 561.485, no sentido de que a vigência do créditoprêmio à exportação expirou em 05/10/1990, por força do disposto no art. 41, §1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da CF/88 e, ainda, que a Resolução do Senado nº71, de 2005, preservou a vigência do que remanesceu do art. 1º do DecretoLei nº 491/69 até seu termo final de vigência, condicionado pelo art. §1º, do ADCT da CF/88. Negase, portanto, provimento ao recurso nesta matéria. Pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/Cofins (Lei nº 9.363/96) Em relação a esta matéria, a fiscalização não deferiu o pedido de crédito em decorrência da falta de apresentação de documento obrigatório para demonstrar a existência dos supostos créditos pleiteados. Segundo informou a fiscalização (efls. 362/363), “(...) através do Termo de Início de Fiscalização apresentado ao contribuinte em 06/10/2008, (cópia em anexo), o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, cópias dos Demonstrativos de Crédito Presumido DCP, que deveriam ter sido entregues por força da legislação vigente a saber (...)”, entretanto, a Recorrente não comprovou a entrega dos citados Demonstrativos. Em consulta aos sistemas informatizados da SRF a fiscalização constatou que não havia registros da entrega do DCP (vide efl. 355) e nem a inclusão de informações sobre o suposto crédito presumido nas DCTFs entregues pelo contribuinte (vide efls. 356/357). Portanto, a glosa em relação a esta rubrica decorreu da não apresentação de documentação probante que demonstrasse a existência dos supostos créditos presumidos. A Recorrente, por sua vez, em relação a este item resignase a afirmar que os “aludidos documentos se encontram acostados nos autos do processo administrativo, quando realizado o pedido de ressarcimento do crédito em questão” (efls. 464). Contudo a Recorrente não aponta objetivamente onde estão juntados os citados documentos. Compulsandose os autos, especialmente os documentos juntados ao Pedido de Ressarcimento apresentado não localizamos os Demonstrativos de Crédito Presumido – DCP (vide efolhas 2/341). Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 525 7 O que se tem de prova efetiva nos autos é o extrato de consulta efetuada nos sistema da Receita Federal, onde se verifica que não foi encontrado nenhum DCP – Demonstrativo de Crédito Presumido entregue pela empresa (vide efl 352). De igual modo, verificase na DCTF anexada aos autos (efls. 356/357) a seguinte informação: “PJ produto exportadora beneficiada com Crédito Presumido do IPI: NÃO”. Deste modo, como bem destacou a decisão recorrida, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar a existência do suposto crédito presumido pleiteado, por meio da mera juntada de documentos que comprovassem a existência do seu direito. Com efeito, não existem elementos probantes nos autos capazes de demonstrar a existência dos alegados créditos. A Recorrente faz extensa explanação quanto a matérias diversas, entretanto, não apresenta os documentos previstos na própria legislação (art. 6º, da Lei nº 9.363/96; art. 6º da Port. MF nº 129/95; arts. 1º e 2º, da IN SRF nº21/95; arts. 6º, 11 e 13, da Port. MF nº 38/97; art. 11, da IN SRF nº 23/97) para demonstrar concretamente os supostos direitos de créditos alegados. Em nosso ordenamento jurídico, como prescreve o artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Este artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Negase, portanto, provimento ao recurso também nesta matéria. Pedido de ressarcimento do crédito básico de IPI não recolhido em aquisições de insumos reduzidos à alíquota zero ou isentos. Em relação à última matéria constante do litígio – o direito ao crédito básico do IPI não recolhido em aquisições de insumos reduzidos à alíquota zero ou isentos, esta Turma já se manifestou em julgamentos anteriores no sentido de negar provimento ao recurso Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 526 8 voluntário (em decisão não unânime). Assim, reproduzo o entendimento já explicitado por este Relator em julgado anterior sobre a matéria (Acórdão nº 3202000.717, de 24/04/2013). Pelo relato, vêse que a Recorrente está pleiteando a ressarcimento do crédito básico do IPI porque entende legítimo o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos não tributados (alíquota zero ou isentos). Portanto, a solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito de creditarse desse tributo referente à matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem não tributados pelo IPI. A controvérsia tem como “pano de fundo” a correta interpretação do princípio constitucional da nãocumulatividade do imposto. A sistemática da nãocumulatividade do IPI permite que o contribuinte compense o tributo destacado na nota fiscal de aquisição de insumos de fornecedores com aquele que for devido na operação seguinte, na saída do produto. Neste sentido dispõe a Carta Magna (art. 153, parágrafo 3º., inciso II) ao prescrever que o IPI “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores” O CTN, da mesma forma, em seu artigo 49 e parágrafo único, trata da não cumulatividade do IPI: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Essa é a regra trazida pelo art. 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): Fl. 522DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 527 9 I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;”. (grifo não constante do original) Como visto a Carta Magna, o CTN e os demais dispositivos da legislação foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado/pago nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados (N/T), não há o que se creditar, portanto, não há também que se falar em nãocumulatividade. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é imperativo ao garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (nem lançamento na nota fiscal houve) do tributo na operação de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a nãocumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base” (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como parece pretender a Recorrente. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de suspensão do imposto, de alíquota neutra (zero), de isenção ou de não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido nas diversas fases do processo produtivo. O crédito do IPI utilizado pela Recorrente, portanto, tratase de um valor fictício, presumido, posto que ele não existe de fato, repitase, não foi pago pelo contribuinte e nem cobrado pelo Fisco na operação anterior. Não houve ônus ao contribuinte na aquisição dos insumos. Não há lei específica que autorize o contribuinte utilizar os créditos originários da aquisição de insumos não tributados, para a hipótese tratada no caso em discussão. E mais, a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, sem lei que autorize, conforme dicção do § 6o do art. 150, verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o Fl. 523DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 528 10 correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (negritei) Mais ainda, este Tribunal Administrativo já firmou entendimento de que a aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera crédito do IPI, nos termos da Súmula nº 10, abaixo transcrita: SÚMULA nº 10 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. O entendimento proferido na decisão recorrida, mantida neste voto, está em perfeita harmonia com a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na sessão do dia 15/02/2007, negou provimento, por maioria, aos Recursos Extraordinários (REs) nºs 370.682 e 353.657, decidindo pela impossibilidade de compensação de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero. Concluindo o julgamento dos Recursos Extraordinários acima, em sessão plenária do dia 25/06/2007, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por dez votos a um, que a União poderá reaver o IPI das empresas que compensaram tributos com créditos de matériasprimas isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero. Transcrevese a ementa e trechos do voto constantes do RE nº 370.682/SC, cujo relator foi o Ministro Gilmar Mendes, sessão de 25/06/2007: Ementa: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. Quanto à jurisprudência trazida à colação pela Recorrente, além de superada, não dá respaldo à autoridade administrativa divorciarse da vinculação legal e negar vigência a texto literal de lei, até porque não tem efeito vinculante. Conclusão Destarte, em face de tudo o que foi exposto voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 524DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13888.002604/200355 Acórdão n.º 3202001.335 S3C2T2 Fl. 529 11 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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