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Numero do processo: 13855.002099/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. MÃO-DE-OBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO.
Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mão-de-obra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime não-cumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal.
Numero da decisão: 3401-005.722
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. MÃO-DE-OBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mão-de-obra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime não-cumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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MÃODEOBRA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Restando incontroverso que houve utilização de empresas interpostas se para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, a sua desconsideração acarreta em tratar tal estrutura como pagamento pelo fornecimento de mãodeobra por pessoa física, que não permite direito a crédito no regime nãocumulativo do PIS e Cofins, por expressa vedação legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Lazaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 20 99 /2 00 8- 31 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13855.002099/200831 Acórdão n.º 3401005.722 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ/REC, que considerou improcedentes as razões da Recorrente contra Despacho Decisório que glosou créditos por ela pleiteados. Do Despacho Decisório Naquela ocasião, a D. Fiscalização não reconheceu créditos decorrentes de aquisição de serviços das empresas referenciadas nos autos por entender que estas se constituíam em interpostas empresas utilizadas para a contratação de empregados com redução de encargos previdenciários. Concluiu assim que os empregados destas interpostas empresas eram, na verdade, empregados da própria recorrente. Os elementos de prova constam dos processos 13855.001760/200971 13855.001761/200916 e 13855.001762/200961. Assim, os créditos foram glosados em virtude de, em diligencia da delegacia previdenciária, haver sido verificado suposto esquema da Recorrente para interpor pessoas jurídicas, tendo, como sócios, empregados a fim de se mitigar a incidência das contribuições previdenciárias. A conclusão, nos lançamentos relativos àqueles processos, é de que haveria vínculo empregatício entre os sócios das empresas e, portanto, seria vedado o crédito de contribuições provenientes de pessoas físicas por expressa previsão em lei. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a motivação fática do indeferimento é “falha, omissa e não condiz com a verdade” e informa que os processos administrativos que motivaram o indeferimento parcial do direito creditório não haviam transitado em julgado, porém não refuta os fatos narrados no Despacho Decisório. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 11046.231, através do qual a manifestação de inconformidade foi tida como improcedente. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação, bem como acrescentou suas considerações trazidas aos processos administrativos que deram azo ao Despacho Decisório de que decorre esse contencioso. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13855.002099/200831 Acórdão n.º 3401005.722 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.716, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13855.000846/200987, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.716): "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Todavia, verificase que a Recorrente optou por trazer novos argumentos em sede de Recurso Voluntário com o objetivo de reapreciação de matéria discutida nos processos administrativos de nºs 13.855.001760/200971, 13855.001761/200916 e 13855.001762/200961. Não há como conhecer dessa parcela do recurso em vista de ocorrência de preclusão argumentativa nos termos do Decreto 70.235/1972. Por outro lado, a Recorrente insiste na tese de os fatos causadores dos lançamentos de ofício consignados naqueles processos acima mencionados não se relacionam com os créditos ora glosados, porém nada traz de concreto a fim de embasar essa alegação. Nesse ínterim, insubsistente sua defesa por absoluta ausência de comprovação. Por fim, quanto à alegação de sobrestamento, necessário mencionar que os referidos processos já passaram pelo crivo do CARF, em seguidos julgamentos, que passou a mencionar Do Julgamento dos PAT’s 13.855.001760/200971 e 13855.001761/200916 Tais processos tiveram Acórdãos proferidos em 03.12.2014, sendo desfavorável ao contribuinte quanto ao objeto comum do litígio: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13855.002099/200831 Acórdão n.º 3401005.722 S3C4T1 Fl. 5 4 CARF. SÚMULA 76. SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES. SAT. LEGALIDADE. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador, não merece surtir efeitos. O enquadramento da empresa no respectivo grau de risco é realizado pelo código CNAE, até a competência 05/2007, em decorrência da aplicação do anexo V do Decreto nº 3.048/99, e pelo CNAE FISCAL, a partir de 06/2007, tendo em vista a alteração do anexo mencionado pelo Decreto nº 6.042/97. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 2403002.855 Rel. Marcelo Magalhaes Peixoto) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13855.002099/200831 Acórdão n.º 3401005.722 S3C4T1 Fl. 6 5 quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador para com uma empresa, há de ser reconhecida a nulidade do negócio por abuso de direito e simulação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 2403002.856 Rel. Marcelo Magalhaes Peixoto) Esses processos seguiram para Agravos por parte da Fazenda e do Contribuinte contra essas decisões e consta que, em virtude de adesão a programa de parcelamento (PERT), houve desistência por parte da Recorrente em janeiro de 2018. Do Julgamento do PAT 13855.001762/200961 Esse processo foi apensado aos demais por ocasião do Recurso Especial à CSRF interposto pela Fazenda Nacional, nos termos da Resolução 9202000.166: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja apensado ao de n° 13855.001760/200971, que trata de obrigação principal e se encontra pendente de apreciação de agravo interposto em face de exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, sugerindose, ainda a apreciação conjunta por esta CSRF do referido feito de n°. 13855.001760/200971 com o de n°. 13855.001761/200916, para posterior distribuição a este relator para fins de julgamento em conjunto de Recursos Especiais, por conexão, caso aplicável. Portanto, inexistem decisões pendentes diante da desistência da própria Recorrente nos aludidos processos, e, sendo certo Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13855.002099/200831 Acórdão n.º 3401005.722 S3C4T1 Fl. 7 6 que não restaram argumentos de mérito a serem apreciados, não há o que se acolher do Recurso apresentado. Por todo o exposto, conheço parcialmente o Recurso, e, na parte conhecida, negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente o Recurso, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13855.002099/200831 Acórdão n.º 3401005.722 S3C4T1 Fl. 8 7 Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724851/2017-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 48 51 /2 01 7- 69 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2016, anocalendário de 2015, que altera o saldo de imposto de renda a ser restituído de R$ 5.750,87 para R$ 3.319,87. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, por falta de previsão legal no valor de R$8.840,00. Cientificada do lançamento, em 08/05/2017, por via postal (fls. 23), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 04, 16/05/2017, acompanhada dos documentos de fls. 05 a 15, onde alegou, em suma, que o valor referese a despesas médicas para os quais apresenta os devidos comprovantes. A DRJ Campo Grande, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que no caso de gastos com lentes intraoculares, a dedução na DAA somente é possível se o gasto constar da conta hospitalar, conforme expressamente previsto na legislação tributária em vigor (art. 94 da Instrução Normativa 1.500, de 29/10/2014). Sendo assim, a glosa deve ser mantida eis que se trata de compra de lente intraocular para cirurgia de catarata. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa eis que comprou as lentes diretamente do hospital para a realização do procedimento cirúrgico, após ter sido solicitada pelo próprio médico do hospital e que desconhecia a regra de que só poderia deduzir caso estivesse na conta do hospital. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10166.724851/201769 Acórdão n.º 2001001.058 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou a nota fiscal com a despesa relativa Às lentes de contato. Ocorre que, conforme colocado pela DRJ, tal custo só pode ser deduzido em hipóteses específicas previstas em lei. Vejamos mais uma vez o quanto estabelece o art. 94 da Instrução Normativa 1.500, de 29/10/2014, que trata do assunto: Art. 94. Na DAA podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. [...] § 10. São dedutíveis como despesas médicas, observadas as exigências previstas no § 6º, quando integrarem a conta emitida pelo estabelecimento hospitalar, ou pelo profissional, os valores gastos com aquisição e colocação de: I marcapasso; II parafusos e placas nas cirurgias ortopédicas ou odontológicas; III lente intraocular em cirurgia de catarata; IV aparelho ortodôntico, inclusive a sua manutenção. [...] Fl. 69DF CARF MF 4 Ou seja, fica claro que não é cabível restabelecer a dedução a título de despesa médica de gasto com aquisição de lente intraocular que não integra a conta hospitalar. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto exposto entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa da despesa médica em análise, qual seja, da compra de lentes intraoculares, por falta de previsão legal para tal. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10166.724851/201769 Acórdão n.º 2001001.058 S2C0T1 Fl. 4 5 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, pelos motivos acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.724320/2012-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1001-001.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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score : 1.0
Numero do processo: 10920.721550/2011-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 49.
O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Aplicação da Súmula Carf nº 49.
Numero da decisão: 1001-001.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 49. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Aplicação da Súmula Carf nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 15 50 /2 01 1- 07 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10920.721550/201107 Acórdão n.º 1001001.080 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 28 a 39) interposto contra o Acórdão nº 0946.429, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 23 a 25), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de lançamento, no valor de R$ 1.556,48, relativo a multa por atraso na entrega de DASN AC 2010. A contribuinte apresentou impugnação pedindo o cancelamento da multa, em resumo, sob o argumento de estar amparada pelo instituto da denúncia espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário ainda lastreado na aplicação do art. 138 do CTN para a exoneração da multa aplicada. É o relatório. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10920.721550/201107 Acórdão n.º 1001001.080 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) A interpretação do art. 113 do CTN mostra que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores distintos e independentes, sendo que o simples fato de não observar a obrigação acessória constitui o fato gerador da obrigação principal de pagar a respectiva penalidade pecuniária. A penalidade em discussão está expressamente prevista em lei, conforme enquadramento legal constante do lançamento, vinculando toda a Administração Pública, em face do princípio constitucional da legalidade. Registrese que não cabe na esfera administrativa a apreciação de aspectos ligados à constitucionalidade de dispositivos legais plenamente eficazes. Assim, constatado o atraso no adimplemento da obrigação acessória, o lançamento da multa é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, a exigência da multa independe de culpa ou dolo do sujeito passivo. O atraso na entrega da DASN é ostensivo, evidente por si só, sendo desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Como incentivo ao contribuinte que entrega a DASN após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa aplicada é reduzida à metade, tal qual estabelecido no próprio art. 38 da Lei Complementar nº 123/2006 e procedido no lançamento. O instituto da denúncia espontânea, versado no artigo 138 do CTN, não se aplica às multas por atraso na entrega de Declaração, consoante entendimento pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10920.721550/201107 Acórdão n.º 1001001.080 S1C0T1 Fl. 5 4 Essa matéria encontrase também pacificada no âmbito do Poder Judiciário. A título exemplificativo, cito manifestação do Superior Tribunal de Justiça, em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional nº 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União – DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais – DCTF. 1. A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. (...)" Assim, com base nos dispostos supra colacionados, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907786/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS.
Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 77 86 /2 01 2- 97 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo em parte a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo que ele decorria da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurado que a contribuição devia ser exigida somente em relação ao faturamento da pessoa jurídica, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Segundo o então Manifestante, não havia que se alegar, como a Fazenda Nacional vinha sustentando, que apesar de aplicável às instituições financeiras a referida declaração de inconstitucionalidade, ainda assim seriam devidas as contribuições sobre suas receitas operacionais típicas, que incluíam as receitas financeiras, nos termos do Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007, pois inexistia qualquer identidade entre faturamento e a atividade principal dos contribuintes. Ainda de acordo com o contribuinte, essa questão se encontrava naquele momento pendente de decisão pelo STF, sendo que, nos autos do Recurso Extraordinário no 609.096, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceuse a existência de repercussão geral da matéria, em função do quê, devia ser sobrestado o presente feito até o julgamento final, nos termos do artigo 62A, parágrafos 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, como meio de evitar decisões conflitantes e promover economia processual. Argumentou, também, que, mesmo que se entendesse que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras tinham natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo das contribuições, o pedido de restituição formulado merecia ser parcialmente deferido, já que não podiam integrar a referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolviam intermediação financeira. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12075.370, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito de restituição de parcelas da contribuição incidente sobre receitas não operacionais. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.494, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.907775/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.494): O Recurso Voluntário interposto face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1275.359 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). RECOLHIMENTO A MAIOR. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. RESTITUIÇÃO. Tendo sido constatado que o valor recolhido da Contribuição para o PIS e da Cofins foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais) é de se restituir a diferença recolhida a maior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 SOBRESTAMENTO DO FEITO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Nas normas que regulam o processo administrativo fiscal não há previsão para sobrestamento do feito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O Contribuinte em seu recurso repisa os argumentos já expostos quando da interposição da manifestação de inconformidade, alegando que diante do pagamento a maior de COFINS tem o direito à restituição, visto que a apuração da contribuição se deu sobre receitas que não decorrem da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, com a inconstitucionalidade do §1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que ampliava a Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 5 4 base de cálculo da contribuição ao PIS e COFINS à totalidade das receitas, há o direito de restituição. Assim, o Contribuinte trata por primeiro do indébito tributário em relação à COFINS, para em seguida formular, se caso se entender: (...) que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo da COFINS, o que se admite apenas para argumentar, quando menos merece ser parcialmente deferido o pedido de restituição formulado, posto que não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Na decisão recorrida ficou posto o entendimento de que no caso das instituições financeiras, com a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS é o faturamento, sendo este compreendido com a sua receita operacional, com as exclusões previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Entendeu também a Turma Julgadora que o Contribuinte faz jus à restituição de valor recolhido a maior, visto que se constatou que o valor recolhido de COFINS foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais). Portanto, deuse provimento ao pedido de restituição no montante de R$ 12.058,75 (valor original) e com isso, a base de cálculo da COFINS não abarcou a totalidade das receitas. Entendo que não assiste razão ao Contribuinte, visto que foi considerado na decisão ora recorrida o afastamento de receitas não operacionais que integraram a base de cálculo da COFINS, bem como, considerouse por faturamento as receitas operacionais decorrentes das atividades típicas desenvolvidas pelo Contribuinte. Cito aqui trechos do voto do acórdão ora recorrido, que fundamentam o entendimento da matéria e como razões para decidir: 25. A interessada fundamenta o seu pleito no fato de a sua sucedida ter efetuado o recolhimento da contribuição em questão nos termos da Lei n° 9.718/98, aplicando o disposto no parágrafo 1o do seu art. 3o, dispositivo este, cuja inconstitucionalidade foi posteriormente reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, que entendeu só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. 26. Acrescenta que no caso da sua sucedida a Contribuição para o PIS e a Cofins deveriam incidir tão somente sobre o valor constante da rubrica 7.1.7.00.009 – “Rendas de Prest. de Serviços”, que, no período de apuração em questão, é composto somente pelo valor constante da rubrica 7.1.7.99.003 – “Rendas de Outros Serviços”. 27. Ocorre que tal entendimento não reproduz, exatamente, aquele consignado pelo STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, entre outros, nos quais julgou ações de inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, conforme será visto a seguir. (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 6 5 29. Da leitura das ementas dos acórdãos dos RE mencionados, entre os quais o RE 346.084/PR, cuja ementa é abaixo reproduzida, verificase que o entendimento do STF se consolidou no sentido de identificar receita bruta com faturamento, correspondendo este à venda de mercadoria e de serviços. Foi considerada inconstitucional a ampliação do conceito de receita bruta pelo parágrafo 1o, do artigo 3o da Lei 9.718/98, pelo fato de incluir todas as receitas independentemente da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil dos ingressos. (...) 30. Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, acima citado, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. 31. Neste diapasão, o Ministro César Peluso (fls. 1253 e 1254 do RE 346.084/PR) expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, assim entendido, como sendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa, in verbis: (...) 32. Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto afirmou (fl.1350 do RE 346.0846/PR) a identidade entre faturamento e receita operacional, sendo esta constituída por ingressos que decorram da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no artigo 2o, da Lei Complementar 70/91, in verbis: (...) 33. Assim, diante das manifestações dos Ministros do STF, é de se concluir que toda pessoa jurídica que possui ingressos decorrentes de sua atividade típica tem receita operacional, que corresponde ao faturamento ou receita bruta que a Lei Complementar no 70/91 e a Lei no 9.718/98 elegeram como base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. 34. Nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964, que veio dispor sobre a política e as instituições monetárias, bancárias e creditícias, criou o Conselho Monetário Nacional e deu outras providências, as instituições financeiras têm como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Eis o que diz a norma: “Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” 35. Assim, de acordo com o entendimento dos Ministros do STF, no que se refere às instituições financeiras, todo rendimento que decorra de qualquer uma destas atividades, estaria sujeito à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, por tratar de receitas típicas da atividade destas instituições. 36. Esse também é o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, consignado em seu Parecer PGFN/CAT/No 2773/2007, exarado em resposta à consulta efetuada pela Secretaria da Receita Federal, por intermédio da Nota Técnica Cosit no 21, de 28 de agosto de 2006, acerca da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz do acórdão do STF no Recurso Extraordinário 357.9509/RS, por meio do qual esse Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. 37. O referido Parecer adota o entendimento segundo o qual a jurisprudência do STF traduzse na tributação, pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, das Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 7 6 receitas operacionais, quais sejam: aquelas provenientes da atividade de exploração da empresa. Seguem abaixo transcritos excertos desse Parecer: “33. Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades das instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 34. Cabe registrar que a conceituação de serviços para fins tributários não é tema de direito privado não se lhe aplicando, para fins exegéticos, os arts. 109 e 110 do CTN. Efetivamente, o art. 109 do CTN delimita com rigor a separação entre o direito tributário e o privado e o art. 110 trata das limitações inerentes à legislação tributária, no entanto, os institutos de direito privado não se confundem com os efeitos que as normas tributárias lhe atribuem. 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 42. O mesmo é válido para o caput do art. 17 da Lei no 4.595, de 1964. Se não for possível entender que as atividades de coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e a custódia de valor de propriedade de terceiros são serviços, e que a natureza jurídica de instituições financeiras é a de prestadora de serviço, restará prejudicado também este dispositivo legal.” (grifouse) 38. O Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS, em seu item 5, assim dispõe: 5. Definições: Para os fins do presente Anexo: a) Por serviço financeiro se entende todo serviço financeiro oferecido por um prestador de serviço de um Membro. Os serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros). Os serviços financeiros incluem as seguintes atividades: Serviços de seguros e relacionados com seguros i) Seguros diretos (incluindo coseguros): A) seguro de vida; B) outros seguros; ii) Resseguros e retrocessão; iii) Atividades de intermediação de seguros, tais com corretagem e agência; iv) Serviços auxiliares aos seguros, tais como consultoria, atuaria, avaliação de riscos e indenização de sinistros. Serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros) v) Aceitação de depósito e outros fundos reembolsáveis do público; vi) Empréstimos de todo tipo, inclusive de créditos pessoais, créditos hipotecários, factoring e financiamento de transações comerciais; vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing); Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 8 7 viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária, inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques de viagem e letras bancárias; ix) Garantias e compromissos; x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja em bolsa, em mercado não cotado (overthemarket) ou, em outros casos, no que se segue: A) instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques, letras de câmbio, certificados de depósito); B) divisas; C) produtos derivados, tais como, mas não exclusivamente, futuros e opções; D) instrumentos do mercado cambial e monetário, tais como “swaps” e acordos a prazo sobre juros; E) valores mobiliários negociáveis; F) outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis, inclusive metal; xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários, inclusive a subscrição e colocação como agentes (pública ou privadamente) e a prestação de serviços relacionados com tais emissões; xii) Corretagem e câmbios; xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em efetivo (cash management) ou de carteira, administração de investimentos coletivos em todas as formas, administração de fundos de pensão, serviços de depósitos e custódia de serviços fiduciários; xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos financeiros, inclusive valores mobiliários, produtos derivados e outros instrumentos negociáveis; xv) Provisão e transferência de informação financeira e processamento de dados financeiros e “software” por prestadores de outros serviços financeiros; xvi) Consultoria, intermediação e outros serviços financeiros auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i) a (xv), inclusive informação e análise de créditos, estudos e consultoria sobre investimentos e carteiras de valores e consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia empresarial; b) Um prestador de serviços financeiros significa qualquer pessoa física ou jurídica de um Membro que preste ou deseje prestar um serviço financeiro, mas o termo “prestador de serviço financeiro” não inclui uma entidade pública; c) (...)” (grifouse) (...) 48. Como pode ser observado, as receitas que integram a receita operacional da interessada são oriundas de operações típicas da atividade bancária, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Dentre estas receitas deve ser excluída a referente à reversão de provisões operacionais, em virtude da previsão contida no inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. 49. Diante disso, não é de prevalecer a pretensão da interessada de tributar tão somente as receitas contabilizadas como RENDAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, já que, conforme já visto, assim como estas, as demais receitas operacionais também são oriundas da atividade típica da instituição. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 9 8 50. Também não deve prosperar a pretensão da interessada de excluir da base de cálculo das referidas contribuições as receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, bem como as oriundas da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central. 51. No que tange às receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, cabe esclarecer que dentre as atividades típicas de uma instituição financeira bancária se inclui a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964. 52. Quanto à remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central, é de se observar que esta também é renda oriunda da atividade típica de uma instituição financeira. Os depósitos compulsórios são recolhimentos obrigatórios que as instituições financeiras fazem ao Banco Central de parte de suas captações em depósitos à vista, a prazo, de poupança e de garantias realizadas. Atualmente, são remunerados os recolhimentos compulsórios sobre recursos a prazo, sobre depósitos de poupança e a exigibilidade adicional sobre depósitos. O objetivo da remuneração dos recolhimentos compulsórios é a redução do custo de captação dos recursos pelos bancos, implicando menores taxas de juros cobradas nas operações ativas. Esta renda é contabilizada na conta RENDAS DE CRÉDITOS VINCULADOS AO BANCO CENTRAL 7.1.9.60.007, que compõe o grupo de receitas operacionais. Cabe observar que não obstante tratar de receita tributável, no período de apuração em análise não consta receita referente a tal rubrica, não tendo que se falar, portanto, em exclusão de receita que sequer foi computada na base de cálculo das contribuições. 53. Assim, considerando os valores da Receita Operacional (COSIF 7.1.0.00.008), da Reversão de Provisões Operacionais (COSIF – 7.1.9.90.008, hipótese de exclusão), e das Despesas de Captação (COSIF – 8.1.1.00.008, hipótese de dedução) constantes do BALANCETE GERAL anexado aos autos, foi por mim elaborada a planilha de fls. 125 a 127, na qual consta demonstrado que: • O valor da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 713.940,75; • A interessada efetuou recolhimento referente a este período no valor de R$ 725.999,50; e O valor recolhido a maior da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 12.058,75 (valor original). Conclusão 54. Diante do exposto voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • INDEFERIR o pedido de sobrestamento do feito; • RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório da interessada no montante de R$ 12.058,75 (valor original); e • DEFERIR PARCIALMENTE o pedido de restituição em tela no montante de R$ 12.058,75 (valor original). Cabe salientar que neste processo de análise do PER/DCOMP nº 41733.80784.140705.1.2.045743, com alegado recolhimento a maior, em 14/07/2000, a título de Cofins (cód. 7987 COFINS ENTIDADES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS), atinente ao período de apuracã̧o 06/2000, referese a recolhimento efetuado pelo BANCO DE CRÉDITO Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.907786/201297 Acórdão n.º 3301005.507 S3C3T1 Fl. 10 9 REAL DE MINAS GERAIS S.A., empresa incorporada, em 01/09/2004, por BRADESCO LEASING S.A. – ARRENDAMENTO MERCANTIL. Com isso considerado e sem reparos na decisão ora recorrida, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002086/2005-34
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
RAZÕES DE DEFESA. MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A manifestação de inconformidade/impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância.
Numero da decisão: 1003-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Sérgio Abelson e Bárbara Santos Guedes, que votaram por negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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MATÉRIA NÃO ARGÜIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade/impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, não se devendo conhecer de matéria não argüida na primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Sérgio Abelson e Bárbara Santos Guedes, que votaram por negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 20 86 /2 00 5- 34 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 11516.002086/200534 Acórdão n.º 1003000.409 S1C0T3 Fl. 49 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 0711.838, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS (fls. 21/22), que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração, fls. 04/07, relativo à multa por atraso na entrega de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativas aos exercícios de 2000 a 2003. A Recorrente apresentou impugnação em 25/07/2005, solicitando o cancelamento do lançamento, sob a alegação de que entregou a DCTF com atraso por motivos involuntários e que não disporia de recursos financeiros para suportar tal gasto. Ao apreciar a referida impugnação, a 3ª Turma da DRJ/FNS decidiu pela procedência do lançamento argumentado: "Não se pode acatar a alegação posta. Como no relatório deste acórdão se viu, apesar de concordar que a entrega da DCTF foi efetuada a destempo, alega a contribuinte sua boafé para fins de ver afastada a imposição da multa pelo atraso no cumprimento daquela obrigação acessória. Não se pode, entretanto, acatar seu pleito. É que além de a multa estar expressamente prevista na legislação tributária, é de se ter em conta, também, que no âmbito do Direito Tributário vige o principio da responsabilidade objetiva, previsto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção da agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos acrescidos) Não obstante em que pese a veracidade das alegações, estas não têm o condão de retirar a penalidade, aplicada de acordo com a legislação citada no Auto de Infração." E o respectivo Acórdão 0711.838, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, restou assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Lançamento Procedente Fl. 35DF CARF MF Processo nº 11516.002086/200534 Acórdão n.º 1003000.409 S1C0T3 Fl. 50 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 25, requerendo a reforma do acórdão, e, para tanto, argumentou, em síntese, a alegação insubsistência do lançamento sob o argumento de que: "verificando a situação da empresa em relação as DCTF's, apuramos que a mesma, por sua natureza jurídica, está dispensada da apresentação das mesmas, pois apresenta DIPJ como ISENTA do IRPJ e seus impostos e contribuições são inferiores a R$ 10.000,00 mensais". Assim sendo, diante dos argumentos apresentados, a Recorrente requereu a anulação da entrega das citadas DCTF's e conseqüentemente as multas aplicadas". É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientifica do Acórdão 0711.838, proferido pela 3ªTurma da DRJ/FNS (fls. 21/22), em 08/04/2008 (fls. 24) e apresentou o recurso competente em 06/05/2008 (fls. 25). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Alega a Recorrente que estaria dispensada da entrega de DCTF pelo fato de apresentar DIPJ como isenta, bem como por apurar valores inferiores a R$ 10.000,00 mensais, relativamente a seus impostos e contribuições. Ocorre que em sua impugnação, a Recorrente nada aduziu acerca da suposta isenção. Tal questão tratase de novo argumento que não foi prequestionado perante o órgão julgador de primeira instância, tendo, assim, precluído o direito de a Recorrente apresentála em grau de recurso. Logo, não conheço do recurso. Contudo, mesmo que a matéria alegada em sede de recurso voluntário fosse apreciada, ad argumentandum tantum, ainda assim, a Recorrente não lograria êxito. Explique se. Como se observa às páginas 04/07, o lançamento abrangeu os anos calendários de 2000, 2001 e 2002, e, analisando a legislação aplicável a tais períodos, conclui se que a matéria, de 1999 a 2002, estava subordinada à IN/SRF Nº 126/98, e, quanto ano calendário de 2003, a legislação de regência era a IN/SRF Nº 255/02. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 11516.002086/200534 Acórdão n.º 1003000.409 S1C0T3 Fl. 51 4 De acordo com as referidas Instruções Normativas, nos períodos objeto do lançamento de ofício, as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF fosse inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), de fato, estavam dispensadas da entrega da referida declaração. Todavia, como a Recorrente não comprovou nos autos que, nos períodos objetos da autuação, desenvolvia atividades que gozavam isenção, nem tampouco, que à época os valores a título de impostos e contribuições, por ela apurados, eram inferiores a R$ 10.000,00 (dez mil reais), não há como julgar improcedente o lançamento de multa por atraso na entrega das DCTF e dar provimento ao recurso voluntário. Portanto, como matéria aventada não foi prequestionada perante o órgão julgador de primeira instância, concluise pela preclusão do direito de a Recorrente apresentá la em sede de Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919932/2009-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3002-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que analise a documentação juntada aos autos e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Em seguida, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência, abrindo-se o prazo legal para sua manifestação, e os autos deverão retornar ao CARF, para julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que analise a documentação juntada aos autos e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Em seguida, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência, abrindose o prazo legal para sua manifestação, e os autos deverão retornar ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 175/184 dos autos: "DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP n.º 22252.46525.150405.1.3.044900 (fls. 02 a 03), transmitida em 15/04/2005, que indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de COFINS – código 5856, ocorrido em 14/01/2005, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 19 93 2/ 20 09 -6 0 Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10880.919932/200960 Resolução nº 3002000.036 S3C0T2 Fl. 3 2 montante de R$ 32.559,88 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/12/2004, com débitos próprios de COFINS – código 585601 e PIS – código 691201, ambos com vencimento em 15/04/2005, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 64.239,43. Cabe observar que consta, nesta DCOMP, no campo "Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP", o valor de R$ 29.306,67, e, no campo "Saldo do Crédito Original", o valor de R$ 3.353,21. DO DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu, em 25/03/2009, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.º de rastreamento 825117996 (fls. 04), assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, não homologando a compensação declarada, constando em sua fundamentação: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) A interessada foi cientificada do referido despacho decisório em 01/04/2009 (fls. 06). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com o despacho decisório, a empresa apresentou, em 04/05/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 07 a 11, com documentos anexos às fls. 12 a 171 (cópias de Procuração, de documento de identificação do procurador, e de DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais 4 º trimestre/2004, folhas do Livro Diário de 2004, DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais 4 º trimestre/2004, e Despacho Decisório), afirmando ser esta tempestiva, e deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Relata a empresa que se trataria, no caso, de compensação de crédito tributário decorrente de pagamento a maior da COFINS apurada em dezembro de 2004, no valor de R$ 59.776,40. Segundo ela, tal crédito decorreria do fato de ter apurado o valor de R$ 206.158,86 a titulo de COFINS relativo à competência de dezembro de 2004, conforme indicado em seu Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do 4º trimestre de 2004, e, por lapso, ter pago valor a maior, por meio de dois DARF’s, nos montantes de R$ 201.695,83 e R$ 64.239,43, totalizando R$ 265.935,26, tal qual indicado equivocadamente em sua DCTF. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10880.919932/200960 Resolução nº 3002000.036 S3C0T2 Fl. 4 3 Informa que, em face do preenchimento errôneo da DCTF, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil teria entendido pela inexistência do crédito, não homologando, assim, a compensação declarada. Destaca, no caso, que tal decisão teria sido equivocada, uma vez que, não obstante o erro cometido no preenchimento da DCTF, o qual seria retificado oportunamente, o crédito seria legítimo e existente. Afirma que, embora tenha se equivocado no preenchimento da DCTF, o valor da COFINS a pagar informado no DACON estaria correto, o que se poderia comprovar através do confronto das receitas contabilizadas no mês de dezembro de 2004 com as receitas informadas na Demonstração da Base de Cálculo da COFINS da ficha 07 dessa declaração. Menciona que, no DACON, estariam declaradas as seguintes receitas: BASE DE CÁLCULO DA COFINS Valor (R$) 01. Receita de Exportação (Serviços) 214.688,00 03. Receita da Venda de Mercadorias 231.795,00 04. Receita da Prestação de Serviços 2.731.738,22 09. Outras Receitas 1.030.160,35 Total 4.208.381,57 Informa, também, que tais receitas diriam respeito às receitas contabilizadas nas seguintes contas contábeis: CONTAS CONTÁBEIS E DESCRIÇÃO Valor (R$) 3.1.01.01 Receita Bruta de Serviços 2.946.442,89 3.1.01.02 Receita Bruta de Vendas 231.795,00 4.1.18.02.003 Perdão de dívidas 1.030.160,35 Total 4.208.381,57 E conclui que, visto que as receitas declaradas confeririam com as receitas contabilizadas, restaria claro que o preenchimento do DACON estaria correto. Ressalta, por fim, que já teria retificado a sua DCTF com o valor correto da COFINS relativa ao período de dezembro de 2004. Pelo exposto, requer a empresa que seja reconhecida a existência do crédito e, conseqüentemente, que as compensações realizadas sejam homologadas." Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10880.919932/200960 Resolução nº 3002000.036 S3C0T2 Fl. 5 4 "DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Compete à interessada a comprovação de seu direito creditório meras alegações, desacompanhadas de elementos de prova, não são suficientes para reformar a decisão que não homologou a compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório." Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 188/197) oportunidade em que repisou as razões desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, bem como trouxe novos documentos fiscais (fls. 218/593) que dariam sustentação probatória ao crédito vindicado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, pretende o contribuinte, através do seu Recurso Voluntário, ver reformada a decisão recorrida, para fins de reconhecer o seu direito creditório, com a consequente homologação do pedido de compensação apresentado. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido utilizado para saldar outro débito, ou seja, pelo fato do crédito apontado pelo contribuinte já ter sido utilizado previamente. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita e em sua manifestação de inconformidade, relatou que a origem do pedido de compensação decorria de pagamento a maior de COFINS apurada em dezembro de 2004, no valor de R$ 59.776,40 (cinquenta e nove mil, setecentos e setenta e seis reais e quarenta centavos), tendo anexado aos autos, naquela oportunidade, DACON (fls. 18/32), Livro Díario (fls. 34/35) e, por fim, DCTF retificadora (fls. 88/171). Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10880.919932/200960 Resolução nº 3002000.036 S3C0T2 Fl. 6 5 De início, é válido observar que, a DRJ deixou de deferir o pleito do contribuinte, por entender que "é de se destacar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa", concluindo que "ademais, cumpre ressaltar, aqui, que a simples apresentação de DCTF retificadora após a emissão do despacho decisório relativo à DCOMP não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, perante esta autoridade julgadora, sendo imprescindível a sua comprovação por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados". Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de afastar o argumento da DRJ e comprovar o seu direito creditório, esclarece que "é fato que a Recorrente inicialmente não logrou êxito em localizar seus Livros Diário e Razão, motivo pelo qual apresentou em sua manifestação de inconformidade planilhas e cópia da DACON do 4° trimestre de 2004. Entretanto, após a localização em seu arquivo dos Livros Diário e Razão, e em atenção ao artigo 16, § 4° da Lei n° 7 .235/1972 ao princípio da verdade material, a Recorrente comprova de forma inequívoca a liquidez e certeza do crédito tributário oriundo do pagamento a maior de COFINS", por fim o contribuinte anexou aos autos os seguintes documentos: (i) Livro Diário (fls. 218/457); (ii) Razão (fls. 458/479) e (fls. 547/593); (vi) DACON (fls. 480/494) e, por fim a DCTF Retificadora (fls. 495/546). Contudo, considerando que, após o envio da DCTF retificadora, a unidade de origem não chegou a apreciar o direito creditório em comento (repisese que a DCTF retificadora foi transmitida após o despacho decisório, o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada), entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Por oportuno, é válido mencionar que a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após a transmissão da DCOMP ou do despacho decisório, nem afasta da DCTF retificadora o seu efeito natural de substituir a DCTF originalmente apresentada. Sobre os efeitos da DCTF retificadora, tragase à colação o art. 18 da MP nº 2.18949/2001, bem como o art. 11 da Instrução Normativa nº 903/2008, in verbis: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. *** Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10880.919932/200960 Resolução nº 3002000.036 S3C0T2 Fl. 7 6 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que o caso concreto aqui analisado (procedimento eletrônico de não homologação da compensação pleiteada em razão da não localização de créditos suficientes) não se encontra dentre as hipóteses expressamente previstas na legislação em que a retificadora não surtirá efeitos. Logo, inferese que os efeitos da DCTF retificadora em tal caso, desde que validamente comprovadas as alterações ali inseridas, serão os mesmos da DCTF originalmente transmitida. Consolidando o entendimento acima disposto, oriundo da legislação que rege a matéria, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 assim dispôs: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10880.919932/200960 Resolução nº 3002000.036 S3C0T2 Fl. 8 7 do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014." Do transcrito acima, extraise que a limitação trazida pela legislação para fins de admissão de DCTF retificadora tendente à homologação de pedidos de compensação é de que esta retificadora esteja em linha com o princípio da verdade material, correspondendo aos valores corretamente registrados nos registros contábeis/fiscais da empresa, e que não esteja divergente de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, a exemplo da DIPJ e Dacon. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10880.919932/200960 Resolução nº 3002000.036 S3C0T2 Fl. 9 8 Ou seja, mesmo após o despacho decisório, é possível que a DCTF retificadora atinja os seus efeitos de substituir a original, desde que os valores ali retificados correspondam à realidade dos fatos. Em tal caso, é cediço que a comprovação há de ser realizada pelo contribuinte, visto que incumbe a ele o ônus probatório no caso de pedido de compensação. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso dos presentes autos, verificase que o contribuinte, observando a sua obrigação processual, trouxe aos autos elementos probatórios que, ao menos à primeira vista, apresentamse aptos a demonstrar o seu direito creditório. Sendo assim, uma vez anexada ao presente processo, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado pela unidade de origem, visto que a DCTF retificadora ainda não havia sido transmitida quando do despacho decisório. Sendo assim, entendo que este Conselho deverá baixar o presente processo em diligência, para que a DRF analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que os autos sejam remetidos à unidade de origem para que esta analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Após, o contribuinte deverá ser devidamente intimado para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado da diligência, no prazo legal. Em seguida, os autos deverão retornar ao CARF, para que prossiga no julgamento do caso. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 602DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721398/2013-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
APLICAÇÃO DO ART. 20-A. LEI Nº 9.430/1996, INTRODUZIDO PELA LEI Nº 12.715/2012.
A nova redação do art. 20-A da Lei nº 9.430/1996 começa a operar os seus efeitos para os fatos geradores a partir de então, ou seja, ano-calendário de 2012.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. INDEVIDA DESCONSIDERAÇÃO.
Incabível a desconsideração, pela fiscalização, do método adotado pela contribuinte se as faturas utilizadas pela contribuinte para a apuração dos preços-parâmetro pelo método PIC (Preços Independentes Comparados) decorreram de operações de compra e venda entre pessoas jurídicas não vinculadas entre si.
APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. NOVA APURAÇÃO.
Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA.
SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
Numero da decisão: 1402-003.686
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade: ii) afastar a nulidade suscitada em relação ao art. 20-A da Lei nº 9.430/1996, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por maioria de votos: iii) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à regularidade do cálculo PIC efetuado pela recorrente, vencidos o Relator e os Conselheiros Evandro Correa Dias e Sérgio Abelson. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à: iv) regularidade do cálculo CPL efetuado pela recorrente; v) ilegalidade do método PRL adotado pela fiscalização (IN RFB 243/02) e vi) inobservância do tratado Brasil-Coréia. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone votou apenas as matérias discriminadas nos itens i e ii.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora designada.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 APLICAÇÃO DO ART. 20-A. LEI Nº 9.430/1996, INTRODUZIDO PELA LEI Nº 12.715/2012. A nova redação do art. 20-A da Lei nº 9.430/1996 começa a operar os seus efeitos para os fatos geradores a partir de então, ou seja, ano-calendário de 2012. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. INDEVIDA DESCONSIDERAÇÃO. Incabível a desconsideração, pela fiscalização, do método adotado pela contribuinte se as faturas utilizadas pela contribuinte para a apuração dos preços-parâmetro pelo método PIC (Preços Independentes Comparados) decorreram de operações de compra e venda entre pessoas jurídicas não vinculadas entre si. APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 54; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 12.894 1 12.893 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.721398/201379 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402003.686 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria IRPJ PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Recorrentes SAMSUNG ELETRONICA DA AMAZONIA LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 APLICAÇÃO DO ART. 20A. LEI Nº 9.430/1996, INTRODUZIDO PELA LEI Nº 12.715/2012. A nova redação do art. 20A da Lei nº 9.430/1996 começa a operar os seus efeitos para os fatos geradores a partir de então, ou seja, anocalendário de 2012. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. INDEVIDA DESCONSIDERAÇÃO. Incabível a desconsideração, pela fiscalização, do método adotado pela contribuinte se as faturas utilizadas pela contribuinte para a apuração dos preçosparâmetro pelo método PIC (Preços Independentes Comparados) decorreram de operações de compra e venda entre pessoas jurídicas não vinculadas entre si. APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 13 98 /2 01 3- 79 Fl. 12894DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade: ii) afastar a nulidade suscitada em relação ao art. 20A da Lei nº 9.430/1996, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por maioria de votos: iii) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à regularidade do cálculo PIC efetuado pela recorrente, vencidos o Relator e os Conselheiros Evandro Correa Dias e Sérgio Abelson. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à: iv) regularidade do cálculo CPL efetuado pela recorrente; v) ilegalidade do método PRL adotado pela fiscalização (IN RFB 243/02) e vi) inobservância do tratado Brasil Coréia. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone votou apenas as matérias discriminadas nos itens i e ii. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora designada. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia e Edeli Pereira Bessa. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 15a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, que julgou PROCEDENTE, em parte, a impugnação da agora recorrente. Igualmente, em virtude do valor do crédito tributário exonerado na decisão a quo, cabe o RECURSO DE OFÍCIO nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. Fl. 12895DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.895 3 Da autuação fiscal: O presente processo versa sobre autos de infração de IRPJ e da CSLL, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008, decorrentes de ajuste na aplicação de métodos de preços de transferências. O montante adicionado ao lucro líquido do período, para determinação do lucro real foi de R$ 1.977.637.470,88. A autuação decorrente envolve o montante de R$ 1.471.074.322,14, assim discriminado: Tributo Principal Multa (75%) Juros Total IRPJ 492.389.187,10 369.291.890,33 218.817.754,75 1.080.498.832,18 CSLL 177.987.372,38 133.490.529,29 79.097.588,29 390.575.489,96 Total 670.376.559,48 502.782.419,62 297.915.343,04 1.471.074.322,14 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até novembro/2013) Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: A fiscalização teve início em 28/06/2011, a qual teve por objeto a verificação dos ajustes de preços de transferências para mensurar a dedutibilidade das importações de produtos e insumos no ano 2008, nos termos da IN SRF 243/2002. De posse dos demonstrativos, razões e documentos apresentados pelo contribuinte com o fim de respaldar os valores registrados na apuração do Lucro Real, reproduz se as conclusões da autoridade tributária: Analisandose os arquivos digitais nos formatos planilha excel, pdf e tiff e demais documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização por meio de suas cartasresposta de 05/07/11, 13/07/11, 18/07/11, 19/07/11, 17/08/11, 14/03/12, 09/06/12, 31/10/13 e 04/11/13 em resposta aos Termos Fiscais lavrados, a fiscalização verificou: Documentação apresentada pelo Contribuinte em Idioma Inglês/Coreano Faltando legalização em seu país de origem, ou seja, não está notarizada, consularizada e registrada em Cartório de Registro de Títulos e Documentos a) que, exceto o arquivo digital no formato planilha excel intitulado "SEDA ajuste TP 2008", o conteúdo de todos os demais arquivos apresentados à fiscalização pelo contribuinte no formato planilha excel. pdf ou imagem tiff, estão em idioma inglês, CONTRARIANDO A LEGISLAÇÃO PÁTRIA de que qualquer documento de procedência estrangeira, para produzir efeitos legais no País e para valer em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer outra instância, juízo ou tribunal, deve ser vertido em vernáculo. Além disso, deve ser legalizado em seu pais de origem, ou seja. notarizado. consularizado e registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Legislação de Regência: Código Civil Lei n" 10.406, de 2002, Fl. 12896DF CARF MF 4 art.224; Código de Processo Civil Lei n° 5.869, de 1973 arts 129 e 1148; Lei n° 6.015, de 1973 e PN CST n°250, de 1971). Arquivo Digital Formato Planilha Excel "SEDA ajuste TP 2008" que o arquivo digital apresentado pelo contribuinte á fiscalização no formato planilha excel e nomeado "SEDA ajuste TP 2008". em português, contém a pasta "Cálculos Preço Transf 2008" com uma planilha sem nome contendo o resumo dos ajustes realizados pelo contribuinte com a relação de 8.825 mercadorias importadas com a informação de apuração, no anocalendário de 2008, de ajuste total de preço de transferência por ele efetuado no valor de R$ 14.109.084,48, possuindo além do campo com o código da mercadoria, outros campos nomeados de "descrição das mercadorias", "valor do preço praticado", "método selecionado" (adotado pelo contribuinte PRL 20%, PRL 60%, PIC, CPL), "margem de divergência", "ajuste unitário", "quantidade" e "ajuste de transfer price total"; que será evidenciado a seguir, que a documentação apresentada pelo contribuinte, mesmo na hipótese, apenas para argumentar, de que fossem sanadas as contrariedades à legislação pátria identificadas no alínea "a" acima, é insuficiente para formar a convicção quanto ao preço, pois apenas demonstra que não atende à disposição contida no artigo 8°, parágrafo único, incisos I, II e III, e artigo 13, ambos da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, a seguir reproduzido: Método dos Preços Independentes Comparados (PIC) Art. 8° A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes: adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes: em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes." Método do Custo de Produção Mais Lucro (CPL) Art. 13. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, ainda, ser efetuada pelo método do Custo de Produção mais Lucro (CPL), definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido pais na exportação, e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. Fl. 12897DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.896 5 §1º. Na apuração de preço por esse método serão considerados exclusivamente os custos a que se refere §4°. incorridos na produção do bem, serviço ou direito, excluídos quaisquer outros, ainda que se refira a margem de lucro de distribuidor atacadista. §2°. Os custos de produção deverão ser demonstrados discriminadamente, por componente, valores e respectivos fornecedores. §3°. Poderão ser utilizados dados da própria unidade fornecedora ou de unidades produtoras de outras empresas, localizadas no país de origem do bem, serviço ou direito. §4°. Para efeito de determinação do preço por esse método, poderão ser computados como integrantes do custo: I o custo de aquisição das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção do bem, serviço ou direito; II o custo de quaisquer outros bens, serviços ou direitos aplicados ou consumidos na produção; III o custo do pessoal, aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção e os respectivos encargos sociais incorridos, exigidos ou admitidos pela legislação do pais de origem; IV os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação, amortização ou exaustão dos bens, serviços ou direitos aplicados na produção; V os valores das quebras e perdas razoáveis, ocorridas no processo produtivo, admitidas pela legislação fiscal do pais de origem do bem, serviço ou direito. §5° Na determinação do custo do bem, serviço ou direito, adquirido pela empresa no Brasil, os custos referidos no §4º, incorridos pela unidade produtora no exterior, serão considerados proporcionalmente às quantidades destinadas à empresa no Brasil. §6º. No caso de utilização de produto similar, para aferição do preço, o custo de produção deverá ser ajustado em função das diferenças entre o bem, serviço ou direito adquirido e o que estiver sendo utilizado como parâmetro. §7°. A margem de lucro a que se refere o caput será aplicada sobre os custos apurados antes da incidência dos impostos e taxas cobrados no país de origem, sobre o valor dos bens, serviços e direitos adquiridos pela empresa no Brasil. DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE MÉTODO PIC Arquivo Digital Formato Planilha Excel "lnvoice 2008 Versão Final" Fl. 12898DF CARF MF 6 d) que o arquivo digital apresentado pelo contribuinte à fiscalização no formato planilha excel e nomeado "Invoice 2008 Versão Final", em idioma inglês, contém a pasta intitulada "Base KIPC", e possui uma planilha "sem nome" com a relação de 3.936 invoices, com os campos a seguir nomeados e com o seu 1° primeiro registro a seguir reproduzido: Observase na planilha "Invoice 2008 Versão Final": 1) que apesar de nos campos "Customer" (Cliente) e "Customer Name"(Nome do Cliente), indicarem como "Cliente": 1259896 SEDA (C) Manaus, 1259912 SEDA (D) Manaus, 6077790 SEDA (HP) Manaus, 6215867 SEDA (D) Campinas, os campos "Vendor Name(Nome do Vendedor) e "Vendor Code", indicam que nas 3.936 invoices, o vendedor é a SEC Samsung Eletronics CO. LTD com o seu código KIPO, pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA conforme corrobora o arquivo digital no formato planilha excel nomeado "09_Cadastro de Participantes" que foi apresentado pelo contribuinte à fiscalização em atendimento a termo fiscal; 2) que no campo "Original Maker (Vendor) Fabricante Original (Vendedor) estão relacionados os códigos dos vendedores e no campo intitulado "Original Maker" "Fabricante Original" (com dados dos vendedores em idioma coreano) estão relacionados os nomes dos vendedores, que não são fornecedores da SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 (não constam no arquivo digital no formato planilha excel nomeado "09 Cadastro de Participantes" que foi apresentado pelo contribuinte à fiscalização) e sim fornecedores da SEC Samsung Eletronics CO. LTD que, por sua vez, é pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA, indicando, de forma contundente que as operações relacionadas na mencionada planilha "lnvoice 2008 Versão Final" foram realizadas pela SEC Samsung Eletronics CO. LTD (pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA), e não pela SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110, portanto não atendendo à disposição contida no artigo 8°, parágrafo único, incisos I, II e III, da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, que estabelece os critérios para a apuração do preço parâmetro quando o contribuinte adotar o método PIC. 3) que os códigos relacionados no campo "Original Maker (Vendor)" e os nomes em idioma coreano relacionados no campo "Original Maker" correspondem à IDENTIFICAÇÃO NAS INVOICES do "Shipper's Name & Address" (nome e endereço do remetente em tradução livre) dos fornecedores da SEC Samsung Eletronics CO. LTD e não dos fornecedores da SEDA Samsung Eletrônica da Fl. 12899DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.897 7 Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110, como foi evidenciado no item 2 acima, quando se estava analisando a planilha "lnvoice 2008 Versão Final" apresentada pelo contribuinte SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110. Fornecedores da SEC Samsung Eletronics CO. LTD 3. Através de uma consulta no SISCOMEX confirmase a evidência de que nenhum desses 37 "Original Maker (Vendor) acima relacionados realizaram exportações no anocalendário 2008 diretamente para a SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110. e) que os 294 arquivos digitais no formato pdf, relativos às 294 cópias de "invoices", em idioma inglês, das 3.936 invoices relacionadas no arquivo digital no formato planilha excel "Invoice 2008 Versão Final", das quais são reproduzidas a seguir 2 (duas) invoices relativas aos arquivos digitais "0203001601 T2072l08061701.pdf" e "0203001601 VDG9908012904.pdf", apenas indicam claramente que as operações por elas acobertadas foram realizadas pela SEC Samsung Eletronics CO. LTD (pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA), e não pela SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110, portanto não atendendo à disposição contida no artigo 8°, parágrafo único, incisos I, II e III, da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, que estabelece os critérios para a apuração do preço parâmetro quando o contribuinte adotar o método PIC. f) que, a título de exemplo, procedese à análise das cópias dos arquivos digitais "0203001601T2072l08061701.pdf" e "0203001601 VDG9908012904.pdf", relativos, respectivamente, ao insumo importado código "0203001601" acobertado pela invoice n° "T2072I08061701" e insumo importado código "0203001601" acobertado pela invoice n° "VDG9908012904". Observase que, nessas invoices e em todas as demais 292 invoices apresentadas pelo contribuinte (com tradução livre para o português) que as invoices apresentadas destacam que o comprador daquelas mercadorias é a SEC Samsung Eletronics CO. LTD (Divisão de Compras: BX70:SECIPC) pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA), e NÃO a SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110. Fl. 12900DF CARF MF 8 A seguir se reproduz a cópia do arquivo digital "0203001601 T2072l08061701.pdf", relativo ao insumo importado código "0203001601" acobertado pela invoice n° "T2072I08061701": A seguir se reproduz a cópia do arquivo digital "0203001601 VDG9908012904.pdf", relativo ao insumo importado código "0203001601" acobertado pela invoice n° "VDG9908012904": Fl. 12901DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.898 9 g) que os 294 arquivos no formato imagem tiff, em idioma inglês, foram produzidos por software baseado no seguinte endereço da internet: http://165.213.249.2Q3:7001/omxclient/core/shell/isp?ACTIVITY= sec GLONETS PLUS&CONTENT" que apenas confirmam o que já foi amplamente explicitado nos item anteriores: as invoices apresentadas pelo contribuinte destacam que o comprador daquelas mercadorias é a SEC Samsung Eletronics CO. LTD (Divisão de Compras: BX70:SECIPC) pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA), e NÃO a SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e que, portanto, não atendem à disposição contida no artigo 8°, parágrafo único, incisos I, II e III, da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, que estabelece os critérios para a apuração do preço parâmetro quando o contribuinte adotar o método PIC. A seguir se reproduz as cópias de 2 arquivos de imagem apresentados pelo contribuinte SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda, dentre os 294 arquivos de imagem entregues à fiscalização. Fl. 12902DF CARF MF 10 DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE MÉTODO CPL h) que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivos digitais no formato pdf, em idioma inglês, relativos às planilhas de custos "Custo Celular Coreia 2008", "Custo Coria Visual Display 08", "Custo HDDCoreia 2008", "Custo Printer Coreia 2008" e "OMS Custo 2008" DESACOMPANHADA DE QUALQUER DOCUMENTAÇÃO QUE DESSE SUPORTE A ESSAS PLANILHAS. i) que a documentação apresentada pelo contribuinte, é insuficiente para formar a convicção quanto ao preço, pois não atende a disposição do artigo 13 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, porque já mencionadas planilhas "Custo Celular Coreia 2008", "Custo Coria Visual Display 08", "Custo HDD Coréia 2008", "Custo Printer Coreia 2008" e "OMS Custo 2008", e a cópia da Declaração do Imposto sobre a Renda, equivalente a DIPJ do Brasil, apresentadas à fiscalização pelo contribuinte ESTÃO DESACOMPANHADAS DOS DOCUMENTOS HÁBEIS PARA A COMPROVAÇÃO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. SEGUNDO O MÉTODO DO CUSTO DE PRODUÇÃO MAIS LUCRO (CPL), fornecidos pela pessoa jurídica vinculada, domiciliada no exterior, como por exemplos, de cópias dos documentos que embasaram os registros constantes dos livros contábeis, tais como, faturas comerciais de aquisição das matérias primas e outros bens ou serviços utilizados na produção, planilhas de rateio do custo de mão de obra e cópias das folhas de pagamentos, comprovantes de custos com locação, manutenção e reparo dos equipamentos aplicados na produção, demonstrativo dos percentuais e dos encargos de depreciação, amortização ou Fl. 12903DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.899 11 exaustão utilizados e das quebras e perdas alocadas, observandose o disposto no § 4o do artigo 13 da IN SRF n° 243, de 2002, e esclarecendose que qualquer documento de procedência estrangeira, para produzir efeitos legais no País e para valer em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer outra instância, juízo ou tribunal, deve ser vertido em vernáculo, devendo além disso, ser legalizado em seu país de origem, ou seja, notarizado, consularizado e registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Legislação de Regência: Código Civil Lei n° 10.406, de 2002, art.224; Código de Processo Civil Lei n° 5.869, de 1973, arte. 129 e 1148; Lei n° 6.015, de 1973 e PN CST n° 250, de 1971). A seguir transcrevese a disposição do artigo 13 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002: (...) Em 23/10/2013, tendo em vista a constatação pela fiscalização, conforme acima explicitado, da insuficiência da documentação apresentada pelo contribuinte à fiscalização para a formação da convicção quanto ao preço, relativa às memórias de cálculo em arquivos excel e da apresentação pelo contribuinte da documentação probante utilizada como suporte (em arquivos no formato planilha excel, pdf ou imagem tiff) relativos à determinação dos preços de transferências, concernentes às importações desembaraçadas no anocalendário 2008, o sujeito passivo foi intimado a apresentar no prazo de 05(cinco) dias úteis: I. RELATIVO AOS PREÇOS PARÂMETRO CALCULADOS UTILIZANDOSE O MÉTODO DOS PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS PIC (ARTIGO 8" AO 11 DA IN SRF N° 243/2002): a) Apresentar planilha, por cada bem a seguir elencado, contendo os campos relacionados nos itens 1 e 2 seguintes, em vista da adoção do Método PIC pelo contribuinte, para o cálculo do Preço Parâmetro utilizado para comparação com os Preços Praticados nas operações de importações desembaraçadas no anocalendário de 2008 BN0700523A BN0700548A BN9607673A BN0700400A BN0700576A BN0700448A BN0700497A BN0700574A BN0700529A BN0700490A BN0700520A BN0700500A BN0700493A BN0700348A BN0700512A BN0700364A BN9607669A BN0700534A BN0700487A BN0700351A BN0700581A BN0700570A BN0700437A BN0700531A BN0700521A BN0700404A BN0700225A BN0700533A BN0700491A BN0700496A b) nas operações de venda pela mesma exportadora ou nas operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas não vinculadas, residentes ou não (incisos I e III, do art. 8°, da IN SRF nº 2002/2002) CAMPOS: nº da DI (se for o Fl. 12904DF CARF MF 12 caso): n" da Nota Fiscal do vendedor ou da fatura comercial: descrição detalhada do item conforme constante do documento fiscal: fornecedor; adquirente; quantidade em unidade de medida comercial; unidade de medida comercial; valor total do item. campos relacionados nos itens acima (l.a 1 e 2). II.RELATIVO AOS PREÇOS PARÂMETROS CALCULADOS UTILIZANDOSE O MÉTODO DO CUSTO DE PRODUÇÃO NO PAÍS ONDE TIVEREM SIDO ORIGINALMENTE PRODUZIDOS CPL (ARTIGO 13 DA IN SRF N° 243/2002): c) Apresentar planilha, por cada bem a seguir elencado, contendo os campos relacionados no item 1 a seguir, em vista da adoção do Método CPL pelo contribuinte, para o cálculo do Preço Parâmetro utilizado para comparação com os Preços Praticados nas operações de importações desembaraçadas no anocalendário de 2008: BF9700456A BN0700548A BN9607673A BF9700530A BN0700576A BN0700448A BF9700490A BN0700574A BN0700529A BF9700516A BN0700520A BN0700500A GH9602980A BN0700348A BN0700512A SHS202J/BRDH BN9607669A BN0700534A BF9700454A BN0700351A BN0700581A 1109001352 BN0700437A BN0700S31A 1108000102 BN0700404A BN0700225A 1205003336 BN0700491A BN0700496A Para cada um dos bens acima relacionados, discriminar por cada fornecedor os seguintes custos de produção dos bens importados, fornecidos pela pessoa jurídica vinculada, domiciliada no exterior CAMPOS: custo de aquisição de matériasprimas, custo de produtos intermediários e custo de materiais de embalagem; custo de pessoal aplicado na produção; custo de locação, manutenção e reparo; encargos de depreciação, amortização ou exaustão e, ainda, valores das quebras ou perdas alocadas, observandose o disposto no § 4o do artigo 13 da IN SRF n° 243, de 2002. Os custos serão considerados proporcionalmente às quantidades destinadas à empresa no Brasil (custo médio parâmetro), valor e tipo de ajuste (se for bem, serviço ou direito similar). d) Apresentar cópia digital em PDF dos documentos comprobatórios que embasaram as planilhas com os campos relacionados nos itens acima (II.c 1). e) Apresentar cópia digital em PDF da Declaração do Imposto sobre a Renda entregue ao fisco do outro pais. equivalente a DIPJ do Brasil, de CADA FORNECEDOR dos bens identificados no item "c" acima. São documentos hábeis para a comprovação dos custos de produção dos bens e serviços importados, segundo o Método do Custo de Produção mais Lucro (CPL), fornecidos pela pessoa jurídica vinculada, domiciliada no exterior: cópias dos documentos que embasaram os registros constantes dos livros contábeis, tais como, faturas comerciais de aquisição das matérias primas e outros bens ou serviços utilizados na produção, planilhas de rateio do custo de mão de obra e cópias das Fl. 12905DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.900 13 folhas de pagamentos, comprovantes de custos com locação, manutenção e reparo dos equipamentos aplicados na produção, demonstrativo dos percentuais e dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão utilizados e das quebras e perdas alocadas, observandose o disposto no § 4° do artigo 13 da IN SRF n° 243, de 2002. Devese apresentar cópia da Declaração do Imposto sobre a Renda entregue ao fisco do outro pais, equivalente a DIPJ do Brasil, de CADA FORNECEDOR dos bens importados. Esclarecese que qualquer documento de procedência estrangeira, para produzir efeitos legais no Pais e para valer em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer outra instância, juízo ou tribunal, deve ser vertido em vernáculo. Além disso, deve ser legalizado em seu pais de origem, ou seja, notarizado, consularizado e registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Legislação de Regência: Código Civil Lei n° 10.406, de 2002, art.224; Código de Processo CivilLei n" 5.869, de 1973, arts. 129 e 1148; Lein" 6.015, de 1973 e PN CSTn"250, de 1971). Em 31/10/2013 o contribuinte solicitou 20 dias de prorrogação ao prazo de 05 (cinco) dias úteis para atendimento do Termo de Intimação lavrado em 23/10/2013. A fiscalização concedeu a prorrogação de prazo de mais 20 dias solicitada pelo contribuinte, ficando o NOVO PRAZO para atendimento do Termo de Intimação de 23/10/2013 para o dia 21/11/2013. Em 19/11/2013, quanto à determinação do preço parâmetro em que adotou o método CPL, o contribuinte apresentou apenas cópia da Declaração do Imposto sobre a Renda, equivalente a DIPJ do Brasil, do Ano Fiscal 01/01/2008 a 31/12/2008, de Samsung Eletronics Co., Ltd N° Inscrição 2009033121597588, Data de Inscrição 31/03/2009, entregue ao fisco da Coréia do Sul, traduzido para o idioma português NÃO APRESENTANDO PLANILHA. POR CADA BEM. PARA OS 10 BENS SELECIONADOS PARA A AMOSTRAGEM (OS OUTROS 20 INSUMOS RELACIONADOS NO ITEM "2" SÃO RELATIVOS AO MÉTODO PIC), BEM COMO TAMBÉM NÃO APRESENTOU OS DOCUMENTOS HÁBEIS PARA A COMPROVAÇÃO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO DOS BENS IMPORTADOS, SEGUNDO O MÉTODO DO CUSTO DE PRODUÇÃO MAIS LUCRO (CPL). CONFORME FOI INTIMADO EM 23/10/2013. Em 19/11/2013, quanto à determinação do preço parâmetro em que adotou o método PIC, o contribuinte apresentou dos 30 insumos solicitados por amostragem pela fiscalização, APENAS 3 invoices, em que o preço utilizado como parâmetro, nas invoices apresentadas, é MENOR que o preço praticado unitário na aquisição do insumo de pessoa jurídica vinculada, não atendendo à disposição contida no artigo 8°, parágrafo único, incisos I, II e III, da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, que estabelece os critérios para a apuração do preço parâmetro quando o contribuinte adotar o método PIC, FAZENDO PROVA CONTRA SI, conforme quadro a seguir: Fl. 12906DF CARF MF 14 Ademais, as cópias das 294 invoices e das 294 imagens formato imagem tiff, em idioma inglês, produzidas por software baseado no seguinte endereço da internet: http://165.213.249.203:7001/omxclient/core/shell/isp?ACTIVITY= sec GLONETS PLUS&CONTENT" relativas à planilha apresentada pelo contribuinte intitulada "Invoice 2008 Versão Final", em idioma inglês, conforme amplamente demonstrado pela fiscalização nos itens precedentes não atendem à disposição contida no artigo 8°, parágrafo único, incisos I, II e III, da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, que estabelece os critérios para a apuração do preço parâmetro quando o contribuinte adotar o método PIC. Dessa forma, a documentação apresentada pelo contribuinte, conforme análise desenvolvida nos parágrafos precedentes, é insuficiente para formar a convicção quanto ao preço, pois não atende à disposição do artigo 8o, 13, e 40, todos da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 que disciplina os artigos 241,242 e 244, do Decreto n° 3.000/1999, que regulamenta o artigo 18, 21, 23, 24 e 28 todos da Lei n° 9.430/96. Os insumos importados de pessoas jurídicas vinculadas/paises com tributação favorecida, selecionados pela fiscalização para a realização da amostragem para verificação dos cálculos do preço de transferência e respectiva documentação probante (na adoção pelo contribuinte dos métodos PRL 60%, PIC e CPL) foi realizada da seguinte forma: Não houve autuação, quanto aos cálculos de preço de transferência, dos produtos importados em que o contribuinte adotou o método PRL 20%. Quanto aos cálculos dos preços de transferência em que o contribuinte adotou o método PRL 60% ressaltase que a fiscalização adotou o mesmo método PRL 60% adotado pelo contribuinte. A diferença de valores quanto aos ajustes de preço de transferência detectada pela fiscalização encontrase na forma dos cálculos efetuados pela fiscalização e na forma dos cálculos efetuados pelo contribuinte. Mais adiante, nesta descrição dos fatos, a fiscalização detalha como realizou os cálculos utilizandose o método PRL 60%. Quanto aos cálculos dos preços de transferência em que o contribuinte adotou os métodos PIC e CPL ressaltase que a fiscalização adotou o método PRL 60% (com base no artigo 40 da IN 243/02) para todos os insumos importados de pessoas vinculadas/países com tributação favorecida em que o contribuinte adotou os mencionados métodos PIC e CPL em virtude da insuficiência da documentação apresentada pelo contribuinte à fiscalização para a formação da convicção quanto ao preço. Com base nos elementos disponibilizados pelo sujeito passivo e os existentes no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, a fiscalização selecionou os insumos importados de pessoas vinculadas/países com tributação favorecida, desembaraçados em 2008. No cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60% foram consideradas apenas as vendas realizadas pelo sujeito passivo às pessoas físicas ou jurídicas não vinculadas. Foi considerada a margem de divergência entre o preço praticado e o preço parâmetro de até 5%. Fl. 12907DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.901 15 Dessa forma a fiscalização elaborou as planilhas relacionadas no tópico "Da Documentação Demonstrativa das Infrações Tributárias Apuradas", cujas cópias digitais no formato planilha excel foram entregues ao sujeito passivo, autenticadas e relacionadas em Recibo de Entrega de Arquivos Digitais emitidos pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), da RFB. A fiscalização identificou 491 insumos com diferença de R$ 68.026.477,74 de ajustes no preço de transferência entre o valor calculado pelo contribuinte e o valor calculado pela fiscalização (o contribuinte e a fiscalização adotaram o mesmo método PRL 60%). A diferença, já destacada anteriormente, de valores quanto aos ajustes de preço de transferência detectada pela fiscalização encontrase na forma dos cálculos efetuados pela fiscalização e na forma dos cálculos efetuados pelo contribuinte. Mais adiante, nesta descrição dos fatos, a fiscalização detalha como realizou os cálculos utilizandose o método PRL 60%. A fiscalização verificou em 1.807 insumos a diferença de R$ 684.653.997,25 de ajustes no preço de transferência entre o valor calculado pelo contribuinte e o valor calculado pela fiscalização (o contribuinte adotou o método PIC e a fiscalização adotou o método PRL 60% VIDE a motivação da fiscalização para a adoção do método PRL, nos tópicos precedentes). A fiscalização constatou em 2.169 insumos a diferença de R$ 1.224.956.995,89 de ajustes no preço de transferência entre o valor calculado pelo contribuinte e o valor calculado pela fiscalização (o contribuinte adotou o método CPL e a fiscalização adotou o método PRL 60% VIDE a motivação da fiscalização para a adoção do método PRL 60%, nos tópicos precedentes). A diferença total de ajustes no preço de transferência entre o valor calculado pelo contribuinte e o valor calculado pela fiscalização, relativa a 4.467 insumos importados de pessoas jurídicas vinculadas/países com tributação favorecida (art. 2o IN 243/02, art. 1o IN 188/02) e desembaraçados no anocalendário 2008, é de R$ 1.977.637.470,88 As planilhas entregues ao sujeito passivo no formato planilha excel, autenticadas e relacionadas em Recibo de Entrega de Arquivos Digitais gerado pelo aplicativo "Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), da RFB, foram estruturadas de acordo com as determinações do artigo 18, inciso II, e seus parágrafos, artigos 21, 23, 24 28, todos da Lei n° 9.430/96, no artigo 2° da Lei n° 9.959/2000, nos artigos 3o e 4o da Lei n° 10.451/2002, artigo 45 da Lei n° 10.637/2002, regulamentados pelos artigos 241, 242 e 244, do Decreto n° 3.000/1999, e disciplinados pela Instrução Normativa n° 243/2002 a seguir reproduzida: "Método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 12908DF CARF MF 16 III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1° Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2° Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3° Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4° Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computando se as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5° Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6° Na hipótese do § 5°, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses,acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7° Para efeito deste artigo, serão considerados como: incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. Fl. 12909DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.902 17 § 8° A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9o O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV." Isto posto, a fiscalização concluiu com base na análise acima explicitada e nas planilhas entregues ao sujeito passivo em planilhas digitais no formato planilha excel, autenticadas e relacionadas em Recibo de Entrega de Arquivos Digitais gerado pelo aplicativo "Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), da RFB, que o sujeito passivo não adicionou parcela de custos de bens adquiridos, no exterior, de pessoas vinculadas, para fins de dedutibilidade na determinação do lucro real e da CSLL tendo sido, portanto, tal parcela, apurada e quantificada conforme descrição dos fatos, dos Autos de Infração relativos ao Fl. 12910DF CARF MF 18 Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Cientificado em 02/12/2013, o contribuinte apresentou, em 27/12/2013, impugnação contra a autuação, em que alega a regularidade dos ajustes às bases de cálculo do IRPJ e CSLL originalmente apresentados para o ano calendário 2008, e, por conseguinte, requer a nulidade do Auto de Infração, ou diligência para retificação dos cálculos e comprovação de sua improcedência no mérito. PRELIMINARES REGULARIDADE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS Preliminarmente, sustenta a desnecessidade de tradução juramentada e demais formalidades exigidas, alegando que as exigências legais são obsoletas frente a uma realidade de documentação digital, em especial extratos de contabilidade e sistemas de gestão informatizados, somada ao fato de que as informações prestadas seriam majoritariamente dados numéricos e, portanto, prescindiriam de tradução para sua compreensão e análise. NULIDADE POR ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Em seguida, aponta que a autuação deve ser considerada nula por erro na determinação da exigência, ou, alternativamente, sua retificação por diligência. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO DO MÉTODO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE Neste sentido, inicia por apontar que há 172 itens identificados em planilha apresentada os quais necessariamente deveriam ser considerados pelo método PIC em vez do PRL60, adotado pela fiscalização com base na IN SRF 243/02 a qual julga ilegal, tendo em vista a previsão do §4º do artigo 8º da Lei 9.430/96 de que "na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado" e, no caso, o cálculo pelo método PIC resulta no maior preço parâmetro. Escorase, neste tópico, no posicionamento do antigo Conselho de Contribuintes: "DOS MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E DOS EVENTUAIS AJUSTES. Mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência, os auditores fiscais encarregados da verificação deverão utilizar o método mais favorável ao contribuinte ou demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização nas operações praticadas" (Acórdão 10709.411. 1o Conselho de Contribuintes, 7a Câmara. Sessão de 25.06.2008) E conclui: Fl. 12911DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.903 19 Assim, para os 172 itens identificados pela Impugnante, constatase que a D. Fiscalização tinha as informações necessárias de que estas operações também foram realizadas com terceiros e, assim, para estes casos deveria ter sido aplicado o método mais favorável à Impugnante, no caso o método PIC. ERRO NO PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE PARA CÁLCULO DO PRL60 APLICADO INVERSÃO DAS COLUNAS (5) E (6) Em seguida, aponta o impugnante que a fiscalização recaiu em erro na determinação dos preços parâmetros em consequência de um inversão em duas colunas entre o layout definido em intimação fiscal e a resposta apresentada, visto que as colunas (4) a (7), relativas aos estoques, inicialmente seguindo a ordem "quantidade inicial"(4) e final(5) e em seguida valor inicial(6) e final(7), foram reordenadas pelo contribuinte como quantidade(4) e valor(5) inicial e, então, quantidade(6) e estoque(7) final, resultando na inversão de informações entre as colunas (5) e (6). CÁLCULO DO PRL60 CONSIDERANDO VENDAS PARA DETERMINAÇÃO DO VALOR UNITÁRIO, EM VEZ DA QUANTIDADE UTILIZADA Atenta, ainda, o impugnante, para erro de cálculos em que a fiscalização, na determinação do preço parâmetro, dividiu o preço parâmetro total de matéria prima pela quantidade vendida de produto acabado, em vez da quantidade utilizada da matéria prima no produto acabado vendido. FALTA DE DISCRIMINAÇÃO DAS QUANTIDADES DESTINADAS À REVENDA, ÀS QUAIS SE APLICA O PRL20 Por sua vez, lista 1036 bens importados os quais são destinados tanto ao processo produtivo quanto à revenda, situação em que se exige a devida proporção aplicada ao preço parâmetro, uma vez que as margens de lucro deduzidas do preço de revenda para apuração do preço parâmetro se alteram drasticamente. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL Como demonstração de boa fé e da fragilidade do lançamento, o impugnante alerta para a dedução em duplicidade de prejuízo fiscal apurado no ano. DO MÉRITO DA REGULARIDADE DOS CÁLCULOS PELO MÉTODO CPL Com relação a este tópico, reproduzimos a argumentação do impugnante: De acordo com o citado método, a Impugnante deve demonstrar o custo médio de produção dos bens, considerando os tributos cobrados na exportação na Coréia do Sul e a margem de lucro de 20%. Passa então, a Impugnante a demonstrar o custo médio de produção dos bens importados. Pela essência da operação da SEC, qual seja a montagem de unidades de disco magnético rígido e aparelhos celulares, ou a venda de "CKDs" desses produtos, esta não possui custo de produção individualizado item a item, como solicitado pela D. Fiscalização. Fl. 12912DF CARF MF 20 Isso porque, conforme já dito anteriormente, para todos os países, a SEC vende produtos finais, montados, ou em forma de "CKD", sendo o Brasil a única exceção dentre a totalidade de suas atividades, por força de uma exigência específica, baseada nos benefícios fiscais condicionados ao PPB. Toda a contabilização de custos da SEC está baseada nos custos dos "CKDs" de unidades de disco magnético rígido e aparelhos celulares. Diante disso, a Impugnante, obrigatoriamente, visando cumprir a legislação aplicável às regras de preços de transferência a que está sujeita, deve ter sua análise iniciada a partir do custo dos "CKDs" fornecidos pela SEC. Ainda, considerando que a SEC é uma empresa montadora por essência, a maior parte de seu custo é composto dos custos indiretos, de forma que a proporcionalização é uma necessidade dentro da metodologia de trabalho/atividade da empresa. A partir do custo total dos "CKDs" produzidos no ano de 2008, a Impugnante, para chegar ao custo unitário do "CKD", efetua a divisão do custo total pelas quantidades totais produzidas pela SEC nesse determinado exercício. Posteriormente, o resultado da citada divisão é multiplicado pela quantidade de produtos importados pela Impugnante, chegandose assim, ao custo de produção total das mercadorias importadas. A partir do custo de produção total das mercadorias importadas, efetua a comparação do preço FOB total dos "CKDs" de aparelhos celulares (realiza o mesmo procedimento para as unidades de disco magnético rígido) importados, conforme informações obtidas nas Declarações de Importação correspondentes, com o custo de produção total das mercadorias importadas. Com isso, a Impugnante chega a um valor e verifica quanto esse valor representa do custo de produção total das mercadorias importadas, apurando a margem de lucro aplicada na operação total, o que, por si só, já demonstra a ocorrência, ou não, de transferência de lucros para o exterior, objetivo maior da legislação das regras de preços de transferência. Pois bem. Conhecida a margem de lucro incidente na operação com aparelhos celulares, por exemplo, visando compor o custo de produção de cada componente do produto final, a Impugnante extrai essa margem de lucro de cada item que o compõe, contido nas Declarações de Importação, efetuando um cálculo de grossup2. Com a conclusão desta etapa extração da margem de lucro da operação a Impugnante chega ao custo de produção de cada componente que compõe o produto final, como definido pela legislação em vigor. Sobre o custo de produção de cada item aplica a margem de lucro de 20%, conforme requerido pelo artigo 18, inciso III da Lei n° 9.430/1996, chegandose ao preço parâmetro a ser comparado com o preço efetivamente praticado na operação, cumprindo, dessa forma, com as regras de preços de transferência por meio do método CPL. (...) O procedimento de cálculo acima descrito foi utilizado pela Impugnante desde o ano de 2005 com o suporte e a orientação direta da renomada empresa de auditoria e consultoria Ernst & Young (doc. 11). Tendo a Impugnante demonstrado a metodologia de cálculo efetuada para atender o método de preços de transferência CPL, claro está que não era possível, quando da fiscalização, assim como ainda não é possível, pela natureza da atividade Fl. 12913DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.904 21 da SEC (montadora), fornecer planilha de custo de cada bem, conforme requerido pela D. Fiscalização, que selecionou 10 bens por amostragem. Isso demonstra que a Impugnante possui os documentos suporte para o cálculo realizado, mas não aqueles documentos nos termos exatos solicitados pela Fiscalização, pois a contabilidade de custos realizada pela SEC toma por base os "CKDs". APLICAÇÃO DO MÉTODO PIC Sustenta que, por racionalidade operacional, a negociação do fornecimento é efetuada pela SEC e, no caso das compras apresentadas para comparação de preços (PIC), a compra foi efetuada de um terceiro não vinculado e repassado ao contribuinte sem inclusão de margem de lucro que pudesse viabilizar a transferência de lucros, que é precisamente o objetivo do cálculo dos preços de transferência. Aduz, ainda, que a margem praticada é inferior à margem de 5% aceita pela legislação de regência, e conclui: De plano, a Impugnante não está sujeita à aplicação das normas de preços de transferência. Isto porque, todas as aquisições de partes e peças foram efetuadas a partir de fornecedores finais nãovinculados, porém por meio de interposta pessoa esta sim, vinculada. Ao falar da interposta pessoa, a Instrução Normativa n° 243/2002, em seu artigo 2o, parágrafo 5o, esclarece que: "Aplicamse, também, as normas sobre preço de transferência às operações efetuadas pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, por meio de interposta pessoa não caracterizada como vinculada, que opere com outra, no exterior, caracterizada como vinculada à empresa brasileira." Ora, se a interpretação da Receita Federal do Brasil é que as normas de preços de transferência se aplicam quando se trata de operações entre pessoas vinculadas por meio de interposta pessoa, não pode ser outra a interpretação do mesmo órgão senão a de que, nas operações entre pessoas nãovinculadas, por meio de interposta pessoa vinculada, não haveria o que se falar em aplicação das normas de preços de transferência, mas sim, aceitar em sua totalidade a dedutibilidade dos custos de importação das partes e peças. Por fim, sustenta que cumpriu a exigência para cálculo pelo método PIC ao considerar operações entre partes não vinculadas para a operação, ainda que o comprador fosse pessoa vinculada a si. Acrescenta, ainda, que a lista exposta no artigo 8º da IN SRF 243/02 é exemplificativa e, não, exaustiva, tendo em vista que tal restrição não foi prevista pelo artigo 18, §2º, no qual se baseou na utilização do método PIC: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado Fl. 12914DF CARF MF 22 brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; (...) § 2o Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados." DIVERGÊNCIA NA APLICAÇÃO DO PLR60 ILEGALIDADE DA IN Elucida o impugnante que as divergências no cálculo pelo método PLR60 encontradas pela fiscalização são decorrentes da adoção de parâmetros distintos, em que, no caso, o contribuinte optou por ignorar o disposto na IN 243/02 por considerála incompatível com a previsão do artigo 18 da Lei 9.430/96. Pugna, portanto, pela ilegalidade da Instrução Normativa como justificativa pela divergência dos cálculos apontados no curso da ação fiscal. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS Finalmente, requer a juntada de novos documentos que lhe façam prova no curso do contencioso administrativo, e consolida os termos da impugnação em seu pedido. PEDIDO Diante de todo o exposto, não restam dúvidas quanto à necessidade de se cancelar integralmente a cobrança dos créditos de IRPJ e CSLL perpetradas no Auto de Infração ora combatido, posto demonstrado: (i) a desnecessidade de apresentação de documentos vertidos em vernáculos, consularizados, notarizados e registrados em cartório no país de origem, já que demonstrado que a apresentação de alguns documentos em idioma estrangeiro não impossibilitou a análise das informações apresentadas pela Fiscalização, tanto que lavrou o Auto de Infração ora combatido, já que eram de conhecimento da D. Autoridade Fazendária; • Quanto à quantificação e apuração do ajuste de preço de transferência (nulidade do Auto de Infração ou, ao menos, necessidade de retificação dos cálculos feitos pela Fiscalização por diligência): (ii) erro no cálculo realizado pela D. Fiscalização ante a aplicação do método PRL 60% (IN n° 243/2002) quando deveria ter sido aplicado o método P1C mais favorável à Impugnante, em cumprimento ao que dispõe o artigo 18, § 4o, da Lei n° 9.430/1996; (iii) erro no cálculo do preço praticado e, por consequência, do preço parâmetro realizado pela D. Fiscalização com base no método PRL 60% (IN n° 243/2002), em razão do processamento equivocado das informações referentes ao estoque inicial e final apresentadas pela Impugnante à Fiscalização; (iv) erro no cálculo realizado pela Fiscalização quanto ao preço de transferência com base no método PRL 60%, haja vista que ao calcular o preço parâmetro de cada bem (matériaprima) objeto das regras de preços de transferência, a D. Fiscalização dividiu o preço parâmetro total da matériaprima pela quantidade vendida do produto acabado, e não pela quantidade da matériaprima utilizada no produto acabado vendido; Fl. 12915DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.905 23 (v) erro no cálculo realizado pela Fiscalização com base no método PRL 60% por não ter apurado o preço parâmetro dos produtos destinados à revenda e ao processo produtivo com base na média ponderada dos métodos PRL 20% e PRL 60%, conforme orientação da própria Receita Federal; e (vi) erro no cálculo realizado pela Fiscalização ao recompor a base de cálculo do IRPJ, para considerar o ajuste apurado com base na aplicação do PRL 60%, já que deduzido o valor referente ao prejuízo fiscal apurado pela Impugnante no ano de 2008, o qual também foi utilizado para recompor a base de cálculo deste mesmo imposto em outra autuação sofrida pela empresa. • Quanto aos cálculos de ajuste de preço de transferência realizados pela Impugnante: (vii) a regularidade dos cálculos de preços de transferência com base no método CPL, demonstrando o custo da matériaprima, nos termos definidos pela legislação, levandose em conta especificidades da atividade da SEC (montadora); (viii) no que se refere ao cálculo dos preços de transferência com base no método PIC, a operação é realizada pela Impugnante com terceiros, por meio de interposta pessoa (vinculada), o que enseja a não aplicação dos métodos de preços de transferência; (ix) mesmo que assim não se admita, a Impugnante considerou, para fins de cálculo de preço de transferência com base no método PIC, as operações de compra e venda de bens, entre pessoas não vinculadas (SEC e terceiros, por exemplo), conforme definido pela legislação; (x) para determinado produtos, a Impugnante optou pelo método PRL 60%, nos termos da Lei n° 9.430/1996, uma vez que a aplicação de tal método com base na IN SRF 243/2002 é absolutamente ilegal, posto extrapolar os limites previstos na lei mencionada, conforme entendimento dos Tribunais Pátrios; (xi) a ilegalidade dos cálculos feitos pela Fiscalização pelo método PRL 60% com base na Instrução Normativa n° 243/2002, ao desconsiderar os cálculos realizados pela Impugnante com base nos métodos CPL, PIC e PRL 60% (Lei n° 9.430/1996), já que referida norma é absolutamente ilegal, posto ter extrapolado os limites da Lei n° 9.430/1996. Por todos estes motivos, a ora Impugnante requer o conhecimento e a procedência integral da presente Impugnação, para o fim de que seja decretada a nulidade do presente Auto de Infração, ou, ao menos, a determinação de diligência para retificação dos erros incorridos pela D. Fiscalização nos cálculos dos quais decorreram os referidos créditos, ou, quanto ao mérito, sua total improcedência, extinguindo os créditos tributários de IRPJ e CSLL pretendidos com o consequente cancelamento do Auto de Infração em comento. Da resolução da DRJ A 15a. turma da DRJ RPO converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: De toda sorte, impõese à autoridade fiscal os devidos ajustes nos sistemas de controle de prejuízo fiscal da RFB, certificandose, inclusive, da eventual utilização Fl. 12916DF CARF MF 24 indevida de saldo de prejuízo fiscal em valor insuficiente/inexistente em outra ação fiscal relativa a período posterior ao aqui analisado, como apontado na defesa, para a devida retificação dos respectivos lançamentos fiscais, se for o caso. Por fim, acolhese o pedido de juntada posterior de documentos necessários a justificar a adoção do método CPL, diante da dificuldade de sua obtenção com empresa sediada no exterior, porque motivada pela venda da divisão HDD, registrandose, por oportuno, já se ter passado praticamente 1 (um) ano da impugnação apresentada (datada de 27/12/2013), tempo mais do que suficiente para a obtenção da documentação reclamada e sua apresentação imediata na oportunidade da realização da diligência aqui determinada, com observância da legislação aplicável. Por todo exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal competente: 1) intime a pessoa jurídica a juntar aos autos a folha 36 da impugnação, porque ausente da defesa originalmente apresentada, cujo conteúdo justificaria as razões iniciais de defesa para aplicação do método PIC pela contribuinte; 2) digitalize as informações contida na mídia apresentada na defesa (doc. 03 CD) com a anexação de seu conteúdo aos autos e/ou providencie o encaminhamento do referido CD mantido sob a guarda da CAC à esta DRJ/RPO em Campinas/SP para a devida consulta, porque antes não digitalizadas suas informações, como informa o despacho de fls. 1.082; 3) reratifique os cálculos efetuados segundo o método PRL 60%, à vista da conferência dos valores corretos de estoque inicial e final dos insumos constantes do Inventário extraído dos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, diante do indício de erro da contribuinte na apresentação da planilha (“09_Tab Inventário”), fornecida ao longo da auditoria, para os insumos demonstrados no doc. 05 anexo à impugnação; 4) reratifique os cálculos efetuados segundo o método PRL 60%, à vista da conferência da destinação dos insumos constantes do Inventário extraído dos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, relativo a 1.036 itens que teriam sido destinados a revenda e também ao processo produtivo, relacionados no doc. 07 anexo à impugnação, observandose no cálculo as disposições da SCI COSIT nº 30/2008, que determina, ao se eleger o PRL como método de apuração, que o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção; 5) proceda aos devidos ajustes nos sistemas de controle de prejuízo fiscal da RFB (SAPLI) relativo à recomposição do resultado do anocalendário 2008 decorrente da presente ação fiscal, certificandose, inclusive, da eventual utilização indevida de saldo de prejuízo fiscal em valor insuficiente/inexistente em outra ação fiscal relativa a período posterior ao aqui analisado, como acusado na defesa (docs. 02, 08 e 09), para a devida retificação dos respectivos lançamentos fiscais, se for o caso; 6) faculte à pessoa jurídica a apresentação da documentação comprobatória da aplicação do método CPL, como protestado na impugnação, devidamente traduzida para o vernáculo e legalizado no país de origem, como prescreve a legislação vigente. 7) elabore relatório circunstanciado do resultado da diligência, demonstrando seu reflexo nos cálculos do crédito tributário, inclusive, com ciência à contribuinte para, em querendo, aditar a impugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 12917DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.906 25 DILIGÊNCIA Em cumprimento ao determinado por meio da Resolução supracitada, foi realizada diligência nos termos previstos, conforme se depreende do Relatório de Diligência juntado aos autos (fls 3563 a 3677): III – Dos procedimentos realizados pela fiscalização na diligência A seguir abordarei os procedimentos realizados pela fiscalização em atendimento aos itens do VOTO exarado na Resolução n'3. 230 – 15ª da Delegacia de Julgamento da Receita Federal Ribeirão Preto em Campinas/SP, conforme disposições nas folhas 1.606 e 1.607 do processo administrativo fiscal n' 10283.721398/201379): Item 1) “intime a pessoa jurídica a juntar aos autos a folha 36 da impugnação, porque ausente da defesa originalmente apresentada, cujo conteúdo justificaria as razões iniciais de defesa para aplicação do método PIC pela contribuinte”; Procedimentos da fiscalização: A fiscalização cientificou o contribuinte em 21/02/2017, via sua Caixa Postal considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE)perante a RFB, do Termo de Início de Diligência,INTIMANDOO da seguinte forma: (...) 1) juntar diretamente ao PAF nº 10283.721398/201379 constante do Sistema eProcesso – Processo Digital,a folha 36 da sua impugnação porque ausente da defesa originalmente apresentada, cujo conteúdo, segundo a impugnação, justificaria as razões iniciais de defesa para aplicação do método PIC pela contribuinte” (conforme item 1 do VOTO exarado na Resolução n' 3.230– 15ª Turma da DRJ/RPO); O contribuinte em 02/03/2017, via sua Caixa Postal considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE)perante a RFB, em resposta ao Termo de Início de Diligência, assim se manifestou (fls. 1.658 e 1.659) “(...) Inicialmente, esclarecese que durante o curso desse processo houve mudança de patrono nos autos, razão pela qual a Requerente não tem acesso à minuta da Impugnação elaborada pelo patrono anterior e consequentemente, aos exatos termos da página 36 da petição. Não obstante, a Requerente, a fim de atender o item II.1, informa que o conteúdo da página 36 da Impugnação reproduzia as razões da fiscalização para questionar o método PIC adotado pela empresa. (...)”A resposta completa do contribuinte a esse item do Termo de Início de Diligência está acostada às fls. 1.658 e 1.659 do processo administrativo fiscal n° 10283.721398/201379. Item 2) “digitalize as informações contida na mídia apresentada na defesa (doc. 03 CD) com a anexação de seu conteúdo aos autos e/ou providencie o encaminhamento do referido CD mantido sob a guarda da CAC à esta DRJ/RPO em Campinas/SP para a devida consulta, porque antes não digitalizadas suas informações, como informa o despacho de fl. 1.082”; Procedimentos da fiscalização: Após terem sido juntados pelo CAC/DRF Manaus ao processo administrativo fiscal nº 10283.721398/201379 (às fls. 1.616 a 1.619) o conteúdo de 02 CD ROOMs (Doc. 03 e Doc.07) originalmente anexados à impugnação apresentada pelo contribuinte, os mencionados CD ROOMs foram devolvidos pela fiscalização para guarda no CAC/DRF/Manaus em 15/02/2017 conforme Termo de Devolução de CDROOMs, anexado a este “Relatório de Diligência”; Fl. 12918DF CARF MF 26 Item 3) “reratifique os cálculos efetuados segundo o método PRL 60%, à vista da conferência dos valores corretos de estoque inicial e final dos insumos constantes do Inventário extraído dos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, diante do indício de erro da contribuinte na apresentação da planilha (“09_Tab Inventário”), fornecida ao longo da auditoria, para os insumos demonstrados no doc. 05 anexo à impugnação; Procedimentos da fiscalização: A fiscalização considerou no recálculo efetuado no procedimento de diligência a “Quantidade de Estoque Inicial”,”Valor de Estoque Inicial”, “Quantidade de Estoque Final” e “Valor de Estoque Final” de acordo com o leiaute da planilha por ele apresentada à fiscalização na fase de fiscalização, atentandose para a sua “inversão na ordem das informações relativas ao “valor – estoque inicial” e “quantidade– estoque final”, solicitadas pela fiscalização, de acordo com a informação prestada às fls. 1.553 e 1554, no processo administrativo fiscal nº 10283.721398/201379: No novo relatório_PDF “Demonstrativo Preço Praticado PRL60 Ano Calendário 2008” (elaborado pela fiscalização no recálculo), verificase que o item BN0700466A citado como exemplo pelo próprio contribuinte com o valor de preço praticado de R$ 2.012,2152 (fl. 1554) possui o mesmo valor calculado pela fiscalização de preço praticado (2.012,2153), considerando os dados retificados de estoque inicial. Item 4) “reratifique os cálculos efetuados segundo o método PRL 60%, à vista da conferência da destinação dos insumos constantes do Inventário extraído dos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, relativo a 1.036 itens que teriam sido destinados a revenda e também ao processo produtivo, relacionados no doc. 07 anexo à impugnação, observandose no cálculo as disposições da SCI COSIT nº 30/2008, que determina, ao se eleger o PRL como método de apuração, que o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção”; Procedimentos da fiscalização: A fiscalização identificou 1.022 itens PRL2060 no recálculo por ela efetuado no procedimento de diligência, observando as disposições da SCI COSIT n'30 /2008, que determina que “Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são aplicados em parte no processo produtivo e em parte são revendidos, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção.” Os 4.467 itens que a fiscalização identificou inicialmente com diferença de ajustes utilizandose o método PRL60, após o recálculo passou a ser de 3.166 PRL60, 1.022 PRL2060 e 279 itens sem diferença de ajuste (vide última folha do demonstrativo “Resumo do Recálculo de Ajustes de Preço de Transferência – Ano Calendário 2008”, anexo a este relatório. Fl. 12919DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.907 27 Item 5) “proceda aos devidos ajustes nos sistemas de controle de prejuízo fiscal da RFB (SAPLI) relativo à recomposição do resultado do anocalendário 2008 decorrente da presente ação fiscal, certificandose, inclusive, da eventual utilização indevida de saldo de prejuízo fiscal em valor insuficiente/inexistente em outra ação fiscal relativa a período posterior ao aqui analisado, como acusado na defesa (docs. 02, 08 e 09), para a devida retificação dos respectivos lançamentos fiscais, se for o caso”; Procedimentos da fiscalização: Informo que em 07/04/2015 foi efetuado o ajuste no sistema RFB denominado SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, relativo à recomposição efetuada pela fiscalização do resultado do ano calendário 2008 – Lucro Real Após Comp. Prej. Próprio Per. de Apuração (DIPJ AC2008, Ficha 09ADemonstração do Lucro Real), tendo sido inicialmente apurado pelo contribuinte o prejuízo no valor de R$ 7.984.722,47, e que após a mencionada recomposição a fiscalização identificou o Lucro Real Após Comp. Prej. Próprio Per. de Apuração de R$ 1.969.652.746,41, decorrente da autuação que originou o processo administrativo fiscal n'10283.721398/201379. Verifiquei que a DEMAC/SP –Delegacia de Maiores Contribuintes realizou procedimento de fiscalização relativo aos anos calendários 2006 e 2009 que originou o processo administrativo fiscal n° 16 561.720052/201141 com compensação no auto de infração, de saldos de prejuízos fiscais de diversos anoscalendário MAS sem a respectiva atualização de ajustes do SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL; Solicitei à supervisão da EFMAC/2ªRF comunicar a DEMAC/SP a respeito da providência solicitada no item 5 do VOTO exarado na mencionada Resolução n' 3.230 – 15ª da Delegacia de Julgamento da Receita Federal Ribeirão Preto em Campinas/SP, relativa à necessidade de ajustes do SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL, decorrente da fiscalização executada por aquela DEMAC Delegacia de Maiores Contribuintes que originou o mencionado processo administrativo fiscal n' 16561.720052/201141, uma vez que tais ajustes não foram efetuados no SAPLI. Anexei a este “Relatório de Diligência” as telas dos ajustes efetuados pela fiscalização no sistema SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL, pertinentes a este item; Item 6) “faculte à pessoa jurídica a apresentação da documentação comprobatória da aplicação do método CPL, como protestado na impugnação, devidamente traduzida para o vernáculo e legalizado no país de origem, como prescreve a legislação vigente”; Procedimentos da fiscalização: A fiscalização cientificou o contribuinte em 21/02/2017, via sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE)perante a RFB, do Termo de Início de Diligência, nos seguintes termos: (...) O contribuinte em 02/03/2017, via sua Caixa Postal considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE)perante a RFB, em resposta ao Termo de Início de Diligência, assim se manifestou (fls. 1.660 e seguintes) “No item II2) do Termo de Início de Diligência, a Requerente é intimada a apresentar a documentação comprobatória da regular aplicação do método CPL, com a devida tradução juramentada. Tendo em vista a complexidade do sistema de Fl. 12920DF CARF MF 28 custeio da Samsung Eletronic Co. (“SEC”), localizada na Coréia, de quem a Requerente realizou importações, bem como a impossibilidade logística de se apresentar todos os documentos que suportam referido sistema de custeio, a Requerente solicitou à empresa de auditoria e consultoria independente EY a revisão do sistema de custeio da SEC, do anocalendário 2008, vista documentação necessária para utilização do método CPL”. (destaque da fiscalização) A resposta completa do contribuinte a esse item do Termo de Início de Diligência está acostada às fls. 1.660 à 3.562 do processo administrativo fiscal n° 10283.721398/201379. Item 7) “elabore relatório circunstanciado do resultado da diligência, demonstrando seu reflexo nos cálculos do crédito tributário, inclusive, com ciência à contribuinte para, em querendo, aditar a impugnação no prazo de 30 (trinta) dias Procedimentos da fiscalização: O “Termo de Início de Diligência”, o presente “Relatório de Diligência” e seus anexos (relatórios pdf e planilhas excel) relativos ao recálculo efetuado pela fiscalização, para atendimento das determinações exaradas no VOTO contido na Resolução nº 3.230, bem como o “Termo de Encerramento de Diligência e de Concessão do Prazo de 30 dias para o contribuinte, em querendo, Aditar Impugnação”, foram assinados digitalmente pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e juntados digitalmente ao processo administrativo fiscal nº 10283.721398/201379 constante do Sistema e Processo/Processo Digital, e disponibilizados, em 03/03/2017, para ciência do representante legal do sujeito passivo via Caixa Postal do Contribuinte, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, constante do Sistema e Processo/Processo Digital. (...) V – Demonstrativos do recálculo realizado pela fiscalização Foram elaborados pela fiscalização os seguintes relatórios no formato PDF que explicitam o resultado do recálculo efetuado pela fiscalização, e que são parte integrante e indissociáveis do presente “Relatório de Diligência” e a ele estão anexados. RELATÓRIOS DIGITAIS NO FORMATO PDF: 1.Resumo do Recálculo de Ajustes Preço de Transferência Ano Calendário 2008 2.Demonstrativo de Ajustes de Preços de Transferência 3.Demonstrativo de Ajustes de Preços de Transferência PRL60 4.Demonstrativo Preço Praticado PRL60 5.Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60 6.Demonstrativo da Quantidade de Ajustes na Revenda PRL20/60 7.Demonstrativo da Quantidade a ser Ajustada pelo Método PRL60 e PRL20 + PRL60 Concomitantes 8.Demonstrativo Preço Líquido de Venda Unitário de Produtos Acabados PRL60 (...) VII Conclusão Fl. 12921DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.908 29 Face ao exposto, apresentase abaixo quadros resumos dos valores relativos ao recálculo efetuado pela fiscalização em cumprimento à determinação do VOTO exarado na Resolução n° 3.2 30 – 15ª da Delegacia de Julgamento da Receita Federal Ribeirão Preto em Campinas/SP, folhas 1.606 e 1.607 do processo administrativo fiscal n'10 283.721398/201379), bem como do recálculo efetuado pela fiscalização conforme explicitado no “item VI”, ambos relativos a ajustes de preços de transferência empregandose o aplicativo RFB denominado ContAgil (Módulo Preço de Transferência), conforme resumo a seguir e com o detalhamento nos relatórios em formato pdf e planilhas no formato excel relacionadas no “item V”, deste Relatório de Diligência, que são partes integrantes e indissociáveis deste “Relatório Fiscal” e que estão anexados ao processo administrativo fiscal n'10 283.721398/201379. Disponibilizado para ciência do contribuinte em 03/03/2017 via Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), oportunidade em que o impugnante teceu suas consideração com relação ao relatório: Assim, devidamente intimada, a Requerente, em 02 de março de 2017, considerando a complexidade do sistema de custeio da Samsung Electronic Co. (“SEC”), localizada na Coréia, de quem realizou importações, bem como a impossibilidade logística de se apresentar todos os documentos que suportam referido sistema de custeio, juntou aos autos: • Relatório da empresa de auditoria e consultoria independente EY acerca do sistema de custeio da SEC visàvis a documentação necessária para utilização do método CPL, no que tange ao anocalendário 2008 (fls. 1686/2500), e • tradução juramentada de todos os documentos estrangeiros que deram suporte ao trabalho da EY e à aplicação do método CPL (fls. 2501/3138). (...) Nesse ponto, não é demais atentar que, ao contrário do quanto alegado pela d. autoridade fiscal, a Requerente apresentou documentos que atestam a regularidade Fl. 12922DF CARF MF 30 dos cálculos por si realizados, utilizandose dos métodos PIC e CPL, que, contudo, foram rechaçados sem qualquer análise. Ressaltase que os documentos apresentados pela Requerente, inclusive o Relatório da EY e as traduções juramentadas, em momento algum dos autos foram objeto de averiguação da fiscalização, que se limitou a repudiálos, optando por adotar o método PRL 60% nos termos da ilegal Instrução Normativa – IN SRF 243 e com diversos equívocos que, não fosse a diligência, teriam ocasionado em tributação indevida de aproximadamente R$ 1 bilhão. Diante do exposto, a Requerente, reiterando todos os argumentos expendidos em sua impugnação, concorda com as retificações realizadas pela fiscalização por ocasião da diligência realizada, bem como requer o retorno dos autos à DRJ para que seja reconhecida a total improcedência do lançamento e determinada a extinção do crédito tributário. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu em DAR PROVIMENTO PARCIAL à mesma, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente são nulos no âmbito dos procedimentos de determinação e exigência do crédito tributário os atos em que se verifique a incompetência para lavratura ou decisão, ou a preterição do direito de defesa. As demais irregularidades, incorreções e omissões não importam em nulidade e são passíveis de saneamento. PROVAS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA.TRADUÇÃO. NECESSIDADE. Para ter validade no processo administrativo fiscal, a prova obtida no exterior, em idioma estrangeiro, deve ser traduzida para o português por tradutor juramentado, seja ela produzida pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Constatada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício em conformidade com as determinações expressas em normas legais e administrativas, não sendo passível na esfera administrativa a discussão de eventuais imperfeições porventura contidas nessas normas. APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE IMPRESTÁVEL OU INSUFICIENTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a Fl. 12923DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.909 31 fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. CSLL. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: Nas preliminares: quantos às nulidades suscitadas rejeitoas, por não atenderem os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 e constarem os pressupostos de validade do auto de infração, e os erros e omissões suscitadas são passíveis de saneamento, nos termos do art. 60 do mesmo ditame legal; quanto às formalidades necessárias aos elementos de prova questão ao vernáculo, que entendeu a impugnante serem exigências anacrônicas tal matéria foi rebatida já na resolução anterior, evocando, citando e concluindo que a legislação pátria zela por garantir a segurança jurídica necessária para que as relações entre particulares e com a administração pública possuam respaldo de autenticidade e completa clareza de comunicação na documentação que a sustenta ou que a concretize. Destarte, sendo necessárias as formalidades de tradução exigidas; quanto à adoção do método mais favorável ao contribuinte considerando os métodos utilizados pela então impugnante (PIC, CPL e PRL), os quais foram afastados pelos motivos expostos no seu relatório fiscal, só restou à autoridade fiscal autuante efetuar os cálculos dos preços parâmetros pelo método PRL, que foi viabilizado pela documentação disponível. Tal postura encontra amparo no ordenamento que rege a matéria; quanto aos erros de cálculo apontados: parte foi objeto da resolução anterior e sanados pela autoridade fiscal, não sendo contestados pela então impugnante. Outra parte foi decorrente dos critérios utilizados, não merecendo retificação; Fl. 12924DF CARF MF 32 quanto à falta de discriminação das quantidades destinadas à revenda, às quais se aplica o PRL20 tal matéria foi objeto de diligência na resolução promovida anteriormente, para que a fiscalização revisse os cálculos nos termos da SCI Cosit nº 30, de 30/07/2008. A fiscalização efetuou tais ajustes de média ponderada, retificando o lançamento original e exonerando a diferença; quanto à dedução indevida de prejuízo fiscal o lançamento utilizou a compensação como forma de retificação a fim de somar a infração apurada com o resultado anteriormente declarado pelo contribuinte, não havendo o que se reconsiderar sobre este tópico; No mérito: quanto à regularidade dos cálculos pelo método CPL a fornecedora da recorrente, SEC, exporta kits de montagem (CKD), e assim é feito o rateio dos custos diretos e indiretos de produção, os quais estariam disponíveis nos seus sistemas. Contudo, contradizse na sua peça impugnatória, pois ali menciona ser impossível fornecer planilhas de custo de cada bem, conforme requerido pela fiscalização, que selecionou 10 bens por amostragem. Tal situação última foi confirmada na diligência, em que se a recorrente procura demonstrar fidedignidade dos seus sistemas, mas impossibilidade de demonstrar por cada bem o custo de produção. Não atendidos os requisitos do art. 13 da IN SRF 243/2002, que exigem comprovação a adequação dos valores declarados como ajuste utilizando preçosparâmetros pelo método CPL, e as divergências de 10 insumos de amostras entre o valor utilizado originalmente e a resposta à diligência, além de indícios de se valer de outras empresas vinculadas em outros países que atuam como intermediárias, não foi comprovado o método CPL, mantendo a escolha feita pela autoridade fiscal autuante; quando à regularidade dos cálculos pelo método PIC em relação aos produtos que optou pelo método PIC, a então impugnante apresentou operações parâmetro que não contemplam o art. 8º da IN SRF 243/2002, no sentido exigido de que os preços praticados com o mesmo exportador em operação de venda, e o mesmo importador em operação de compras, ambos com partes não vinculadas, e operações de compra e venda entre outras pessoas jurídicas não vinculadas. No caso, a então impugnante apresentou operações nas quais o exportador vinculado figurava como comprador. quanto à ilegalidade da IN sob a alegação que a IN SRF 243/2002 extrapolaria as exigências previstas pela Lei nº 9430/1996, rebateuse com disposições de outras decisões da CSRF deste CARF, negando provimento deste item da impugnação; Ao final, em decorrência do decidido em primeiro grau administrativo, o montante do ajuste reduziu de R$ 1.977.632.259,73 para R$ 1.031.387.618,42. Com isso, o imposto recalculado mantido devido após a decisão da DRJ foi de: Tributo Principal Multa (75%) Juros Total IRPJ 255.826.723,99 191.870.042,99 113.689.396,14 561.386.163,12 CSLL 92.824.885,66 69.618.664,24 41.251.379,19 203.694.929,09 Total 348.651.609,65 261.488.707,23 154.940.775,33 765.081.092,21 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até novembro/2013) Fl. 12925DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.910 33 Os valores exonerado na DRJ foram os seguintes: Tributo Principal Multa (75%) Juros Total IRPJ 236.562.463,11 177.421.847,34 105.128.358,61 519.112.669,06 CSLL 85.162.486,72 63.871.865,05 37.846.209,10 186.880.560,87 Total 321.724.949,83 241.293.712,39 142.974.567,71 705.993.229,93 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até novembro/2013) Do Recurso Voluntário: A recorrente tomou ciência da decisão a quo em 12/09/2017 ( Termo de ciência por abertura de mensagem comunicado fl. 12.704), apresentando recurso voluntário em 05/20/2017 (Termo de solicitação de juntada fl. 12.705), ou seja, tempestivamente. Em essência, sua peça recursal repisa alguns dos mesmos elementos e alegações da sua peça impugnatória, os quais destaco os que agora constam: nulidade do lançamento por conta da aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 12.715/2012, já que apesar do anocalendário fiscalizado ser de 2008, o período da ação fiscal teve início em 2011 e encerrouse no final de 2013, o que se aplicaria os efeitos do retrocitado ditame legal, vigente desde sua publicação; no mérito: a) regularidade do cálculo PIC efetuado pela recorrente; b) regularidade do cálculo CPL efetuado pela recorrente; c) ilegalidade do método PRL adotado pela fiscalização (IN RFB 243/02) d) inobservância do tratado BrasilCoréia; É o relatório. Voto Vencido Fl. 12926DF CARF MF 34 Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Do Recurso de Ofício, em virtude da exoneração de R$ 563.018.662,22 (tributo+encargos de multa), cabe o seu conhecimento. Das questões inerentes ao recurso de ofício A autoridade julgadora a quo, após a apresentação da peça impugnatória, e fundado numa série de alegações de erros de cálculos apontados pela então impugnante, converte o processo em diligência para análise destes pontos, além de outras questões suscitadas (resolução nº 3.230 15ª Turma da DRJ/RPO fls. 1540/1607). São basicamente os itens 3 e 4 da resolução, nos seguintes termos: 3) reratifique os cálculos efetuados segundo o método PRL 60%, à vista da conferência dos valores corretos de estoque inicial e final dos insumos constantes do Inventário extraído dos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, diante do indício de erro da contribuinte na apresentação da planilha (“09_Tab Inventário”), fornecida ao longo da auditoria, para os insumos demonstrados no doc. 05 anexo à impugnação; 4) reratifique os cálculos efetuados segundo o método PRL 60%, à vista da conferência da destinação dos insumos constantes do Inventário extraído dos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, relativo a 1.036 itens que teriam sido destinados a revenda e também ao processo produtivo, relacionados no doc. 07 anexo à impugnação, observandose no cálculo as disposições da SCI COSIT nº 30/2008, que determina, ao se eleger o PRL como método de apuração, que o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção; Em cumprimento à diligência, a autoridade fiscal diligenciante, que foi a mesma anteriormente autuante, concluiu no seu Relatório de Diligência (fls. 3563/3578) o seguinte em relação a estes itens: item 3: A fiscalização considerou no recálculo efetuado no procedimento de diligência a “Quantidade de Estoque Inicial”,”Valor de Estoque Inicial”, “Quantidade de Estoque Final” e “Valor de Estoque Final” de acordo com o leiaute da planilha por ele apresentada à fiscalização na fase de fiscalização, atentandose para a sua “inversão na ordem das informações relativas ao “valor – estoque inicial” e “quantidade– estoque final”, solicitadas pela fiscalização, de Fl. 12927DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.911 35 acordo com a informação prestada às fls. 1.553 e 1554, no processo administrativo fiscal nº 10283.721398/201379: No novo relatório_PDF “Demonstrativo Preço Praticado PRL60 Ano Calendário 2008” (elaborado pela fiscalização no recálculo), verificase que o item BN0700466A citado como exemplo pelo próprio contribuinte com o valor de preço praticado de R$ 2.012,2152 (fl. 1554) possui o mesmo valor calculado pela fiscalização de preço praticado (2.012,2153), considerando os dados retificados de estoque inicial. item 4: A fiscalização identificou 1.022 itens PRL2060 no recálculo por ela efetuado no procedimento de diligência, observando as disposições da SCI COSIT n'30 /2008, que determina que “Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são aplicados em parte no processo produtivo e em parte são revendidos, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção.” Os 4.467 itens que a fiscalização identificou inicialmente com diferença de ajustes utilizandose o método PRL60, após o recálculo passou a ser de 3.166 PRL60, 1.022 PRL2060 e 279 itens sem diferença de ajuste (vide última folha do demonstrativo “Resumo do Recálculo de Ajustes de Preço de Transferência – Ano Calendário 2008”, anexo a este relatório. A então impugnante tomando ciência do relatório acima mencionado, se manifestou (fls. 12617/12620) concordando com as retificações realizadas. Analisandose as exonerações promovidas, verificase que foram os seguintes de cálculos apontados, que foram retificados: erro no processamento das informações apresentadas pelo contribuinte para cálculo do PRL60 aplicado inversão das colunas (5) e (6). Ou seja, diferença de layout da fonte de dados considerados pela fiscalização na autuação, o qual após esclarecido, elaborou novo relatório, o qual foi aceito e ratificado expressamente pela recorrente; da falta de discriminação das quantidades destinadas à revenda, às quais se aplica o PRL20 houve uma revisão por parte da fiscalização dos cálculos considerados, acatando as orientações contidas na SCI Cosit nº 30/2008 (utilização da média ponderada de acordo com as quantidades destinadas à produção e à revenda), o qual a autoridade fiscal refez, Fl. 12928DF CARF MF 36 anexando o arquivo "Resumo do Recálculo de Ajustes de Preço de Transferência Ano Calendário2008", ao qual a recorrente, então impugnante manifestou expressa concordância no resultado da diligência. Considerando os procedimentos adotados pela autoridade julgadora a quo após as alegações de erros materiais acusados pela recorrente, então impugnante, e baixados em diligência, cuja execução foi promovida pela mesma autoridade fiscal autuante, não vislumbro nenhuma correção a ser feita. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. Dos pontos suscitados no recurso voluntário: Alegação de nulidade requer a aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 12.715/2012 Alega a recorrente que na sua peça impugnatória suscitou a nulidade do lançamento que, no mínimo em relação a 172 itens, ao reapurar o possível ajuste de preço de transferência utilizou o método PRL60, quando, fosse utilizado o método PIC, verificarseia um ajuste inferior. Dado o não acolhimento da sua alegação pela DRJ, evoca agora a aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei n° 12.715/2012. Neste sentido, a redação do retrocitado art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei n° 12.715/2012 é o seguinte: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Contudo, ressaltese que o período fiscalizado da recorrente foi o do ano calendário de 2008, o que a mesma sustenta que se trata de norma eminentemente procedimental, sendo de aplicação imediata, consoante o art. 144, §1º do CTN1, aduzindo ainda que a fiscalização transcorreu entre o início de 2011, encerrandose no final de 2013. Nestas circunstâncias, sob suas alegações na peça recursal, no momento que a autoridade fiscal autuante desqualificou os métodos PIC, CPL e PRL60 aplicados pela recorrente, deveria ter intimado a mesma a apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação, o que não ocorreu. 1 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2° O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 12929DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.912 37 Tal tema, da aplicação do art. 20A ou a partir da sua publicação legal ou para o anocalendário de 2012 em diante, já suscitou algumas julgamentos neste CARF, tendo sido identificadas algumas posições nas câmaras baixas. No acórdão 1101001.079, sessão de 07/04/2014, quando o período fiscalizado era o anocalendário de 2008, tal tema foi julgado desfavoravelmente ao contribuinte, nos seguintes termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do anocalendário 2012 e seguintes. (...) Tal matéria fora objeto de recurso especial à CSRF, contudo, não sendo admitido por causa do paradigma apresentado não incorreria numa demonstração de divergência jurisprudencial do tema, sendo definitiva, sob o tema, a decisão da câmara baixa deste CARF. No acórdão 1301002.051, sessão de 08 de junho de 2016, em que o período fiscalizado era o anocalendário de 2009, a decisão foi favorável ao contribuinte, nos seguintes termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. OCORRÊNCIA. A autoridade fiscal está obrigada, por força do artigo 20A da Lei 9.430/96, a intimar o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, apresente novo cálculo de acordo com o método que lhe seja mais favorável. Tratandose de norma de caráter eminentemente procedimental, o preceito do art. 20 A da Lei nº 9.430/96 é imediatamente aplicável. A ausência de intimação do contribuinte para apresentar novo método que pudesse lhe ser mais favorável, em razão da desqualificação dos critérios de cálculo adotados, importa a nulidade do lançamento de ofício, em razão da inobservância de norma que disciplina o seu procedimento. Tal matéria fora objeto de recurso especial à CSRF pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo admitida, aguardando julgamento. Fl. 12930DF CARF MF 38 Contudo, neste colegiado, tal tema suscitou vários debates nos meses recentes. A decisão deste colegiado, em composição um pouco distinta da atual, tem sido por negar o pleito do contribuinte nesta questão, por voto de qualidade. O entendimento nestas discussões é que a nova redação do art. 20A da Lei nº 9.430/1996 começa a operar os seus efeitos para os fatos geradores a partir de então, ou seja, anocalendário de 2012. O sentido da expressão "anocalendário" logo no início do seu comando legal não seria outro que delimitar o seu período inicial de aplicação deste regramento, pois se trata de mesmo sentido de "período de apuração". Ademais, nos termos do §3º do mesmo art. 20A da Lei nº 9.430/1996 estabelece que a Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput, algo que ocorreu com a edição da Instrução Normativa RFB nº 1.312/2012, no seu art. 40: Art. 40. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos Capítulos II e III será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (...) § 4º A opção de que trata o caput será efetuada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário das operações sujeitas ao controle de preços de transferência. Ou seja, somente a partir do anocalendário de 2012 o contribuinte pode formalizar a opção por meio da DIPJ, é somente assim está obrigado a autoridade fiscal obrigada a intimálo e facultarlhe a apresentação de novo cálculo, caso desqualifique algum método anteriormente indicado neste declaração. No que tange a seu eventual caráter procedimental, acompanho o acórdão nº 1101001.079, nas palavras da redatora do voto vencedor, a i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, também presente no presente colegiado, que assim consigna: Embora apresente, inicialmente, nuances procedimentais, a nova norma legal, invocada pela contribuinte, tem verdadeiro caráter material, porque vinculada a uma opção com forma e prazo a ser exteriorizada, a ser observada durante todo o ano calendário, e que somente passou a ser possível a partir da apuração do anocalendário 2012. Destarte, a recorrente foi fiscalizada sobre o anocalendário de 2008, não se aplicando os efeitos advindos do art. 20A da Lei n 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 12.715/2012, independente do momento que ocorra o procedimento fiscal. Fl. 12931DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.913 39 Por conseguinte, REJEITO a preliminar de nulidade suscitada no recurso voluntário. Alegações no mérito: Quanto à regularidade do cálculo PIC efetuado pela recorrente A autoridade julgado a quo entendeu em relação aos produtos que optou pelo método PIC, a então impugnante apresentou operações parâmetro que não contemplam o art. 8º da IN SRF 243/2002, no sentido exigido de que os preços praticados com o mesmo exportador em operação de venda, e o mesmo importador em operação de compras, ambos com partes não vinculadas, e operações de compra e venda entre outras pessoas jurídicas não vinculadas. No caso, a então impugnante apresentou operações nas quais o exportador vinculado figurava como comprador. Em suma, entendeu que os preços pagos pela SEC ( Samsung Electronic Co. sediada na Coréia) para seus fornecedores finais não seriam preços de transações entre partes independentes. Alega a recorrente que da leitura conjunta do art. 18, inciso I e §2°, da Lei n° 9.430/1996, concluise que, para fins de cálculo do PIC, poderão ser adotados preços praticados no Brasil e no exterior, desde que sejam operações de compra e venda realizadas entre compradores e vendedores não vinculados. Entenderia que em nenhum momento a legislação veda a adoção de preços praticados entre partes vinculadas que operam com terceiros não vinculados. Nas suas palavras: Analisandose a situação em concreto, perfeitamente possível que a Recorrente se valesse das compras efetuadas pela SEC de terceiros, para fins de apuração do preço de transferência pelo método PIC. O fato de a Recorrente e a SEC serem vinculadas não prejudica a conclusão de que os preços desta última com terceiros não vinculados são de mercado. A recorrente traz nas suas alegações algumas decisões emanadas por este CARF sobre esta matéria, destacandose uma, que se refere à própria, referente a uma autuação fiscal do anocalendário de 2010 acórdão 1401001.844, de relatoria do i. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, cuja ementa é a seguinte: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS. MÉTODO PIC. De acordo com o art. 18, § 2°, da Lei n° 9.430/96, inexiste óbice à consideração, na apuração de preços parâmetros, de operações e de compra e venda, realizadas entre uma sociedade vinculada ao sujeito passivo e terceiros independentes. O cerne do raciocínio desta decisão é no seguinte parágrafo do seu voto: Há uma clara confusão que se faz à referência a "outras pessoas jurídicas não vinculadas", disposta no inciso III do parágrafo único do art.8° da IN SRF n° 243/02. Tendo como norte o Fl. 12932DF CARF MF 40 art.18°, §2°, da Lei n° 9.430/96, a menção claramente às pessoas, cujas operações serão consideradas no cálculo do preço parâmetro e não a pessoa a que apura os preços parâmetros. Antes de me posicionar, passo a revisitar o tema aqui em discussão. No presente auto de infração, na análise da documentação inerente ao método PIC, após explicitar suas análises, a autoridade fiscal autuante assim conclui: (...) as invoices apresentadas pelo contribuinte destacam que o comprador daquelas mercadorias que o comprador daquelas mercadorias é a SEC Samsung Eletronics CO. LTD (Divisão de Compras: BX70:SECIPC) pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA) e NÃO a SEDA Samsung Eletrõnica da Amazônia Ltda. CNPJ 00.280.273/000110 e que, portanto, não atendem à disposição contida no artigo 8º, parágrafo único, incisos I, II e II, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, que estabelece os critérios para a apuração do preço parâmetro quando o contribuinte adotar o método PIC. (grifos no original) Como já comentamos anteriormente as etapas processuais decorrentes de posicionamento da autoridade fiscal autuante, cabe analisar o aspecto primordial em questão, qual seja, se há um extravasamento legal do regramento do art. 8º IN 243/2002, no confronto com o art. 18 da Lei nº 9.430/1996. Nos termos do art. 18 da Lei nº 9.430/1996, na matéria que agora nos interessa, a redação é a seguinte: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; (redação vigente em 2008)(...) § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. E nos termos da IN RFB nº 243/2002, que disciplina o ditame legal supramencionado, no art. 8º assim redigido: Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou Fl. 12933DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.914 41 direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes. A dúvida que jaz agora é se a Instrução Normativa ao detalhar o regramento do art. 18, inc. I, § 2º da lei nº 9.430/1996, inseriu novos elementos que não expressamente previstos na norma matriz extrapolando seus limites. A expressão da lei nº 9.430/1996 compradores e vendedores não vinculados pode abarcar todas as situações regrados nos incisos I a III do art. 8º da IN 243/2002? No caso concreto, se a lei já contém todos os elementos necessários e suficientes para possibilitar de forma inequívoca as situações envolvidas, não haveria necessidade de regulamentação normativa. No caso em apreciação, o legislador normativo buscou explicitar detalhadamente a restrição contida na norma matriz. Como já explicitou a decisão a quo, aqui não vislumbro nenhuma contrariedade à lei, pois normativa infralegal cumpre caráter técnico operacional dentro das especificidades da realidade fática. Nas palavras do julgador condutor do voto a quo: Nisto, para determinação do preço parâmetro utilizando o método PIC, há minúcia na indicação dos agentes e das operações aceitáveis, no caso, a mesma operação, com bens idênticos ou similares, em que cada parte figura na mesma posição, mas em transações com terceiros, e ainda uma terceira opção "externa". Ou seja, para ser oponível ao fisco, a operação parâmetro necessariamente envolve o mesmo exportador em operação de venda, o mesmo importador em operação de compra, ambos com partes não vinculadas, e, por último, operações de compra e venda entre outras pessoas jurídicas não vinculadas. Quando se prevê três opções para as operações, nos termos da normativa, por óbvio existe o caráter restritivo, considerando que, em primeiro lugar, tratou separadamente cada parte da relação comercial em seu papel original e, em seguida, indicou Fl. 12934DF CARF MF 42 outras pessoas jurídicas. Se nos incisos anteriores foram tratados duas pessoas jurídicas, um inciso para cada, obviamente, ao se dizer "outras", excluise as duas anteriores. Do contrário, bastaria à IN repetir que a única necessidade era de que as partes não fossem vinculadas. Ou seja, o sentido do inciso III, ao tratar de outras pessoas jurídicas, não são aquelas citadas no incisos I e II, ou seja, a exportadora e importadora. E não vislumbro nenhuma afronta à expressão compradores e vendedores não vinculados mencionado na lei matriz. Tal restrição do uso de parâmetro das operações de compra da mesma exportadora vinculada ao contribuinte pode decorrer da necessidade de se considerar a margem de lucro deste, pois o preço de compra pago pelo revendedor (exportador) é menor que o preço de revenda, o que poderá afetar o ajuste necessário. De qualquer forma, ao prever três opções para as operações, nos termos da instrução normativa, há a aplicação do caráter restritivo, considerando em primeiro lugar, tratou separadamente cada parte na relação comercial, e em seguida, indicou outras pessoas jurídicas. A expressão outras do inciso III vai excluir as duas anteriores, pois do contrário, como aventa a decisão a quo, bastaria a instrução normativa repetir que a única necessidade era de que as partes não fossem vinculadas. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. Quanto à regularidade do cálculo CPL efetuado pela recorrente Se insurge a recorrente quanto à decisão de primeiro grau, pois entende devidamente comprovado, por ocasião da diligência, os cálculos pelo método CPL. Nas suas palavras, referido posicionamento decorre da falta de entendimento da DRJ acerca das provas colacionadas aos autos, em especial do Relatório da empresa de auditoria e consultoria independente EY acerca do sistema de custeio da fornecedora da Recorrente (fls. 1686/2500). Evoca que poderia se valer de relatórios de auditores independentes como comprovação (fls. 1686/2500), citando excerto da Solução de Consulta Cosit nº 13, de 16/09/2013. Reforça que apresentar toda a documentação de custeio de seus fornecedores seria uma exigência absurda. A partir de então, na sua peça recursal, passa a fazer uma análise do relatório da empresa de auditoria e consultoria independente EY, exemplificando com um determinado produto. A decisão a quo faz uma análise do relatório independente suscitado pela recorrente, ressaltando que tal foi juntado no curso da diligência promovida anteriormente. Contudo, ressalta que a diligência foi promovida para comprovação dos dados declarados antes do início da ação fiscal, devendo ser juntado a documentação de suporte para os valores que efetivamente utilizados em seu ajuste pela DIPJ 2009. A seguir, a autoridade julgadora condutora do voto a quo passar a analisar alguns aspectos do relatório, e conclui pela incapacidade do contribuinte de comprovar a adequação dos valores declarados como ajuste utilizando preços parâmetros pelo método CPL (...). Ressalta, antes encerrar seu raciocínio, que dos 10 insumos importados usados por amostragem durante a ação fiscal, comparandose o preço parâmetro originalmente entregue durante a fiscalização e posteriormente na diligência (decorrente do relatório da EY), há uma diferença relevante. E encerra com o seguinte raciocínio: Fl. 12935DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.915 43 Por fim, se não bastasse a inconsistência das provas apresentadas, a insuficiência de detalhes, a divergência de valores e a utilização de método inédito sob o rótulo de CPL, que, digase, bastam, as faturas (invoices) apresentadas a título de compras pela SEC, smj, demonstram que outras subsidiárias atuam como intermediárias nas compras (página 92 do relatório EY, fl.1779), por exemplo, Hong Kong (pág. 96) e Cingapura (pág.124), e, sendo empresas vinculadas as fornecedoras que cuja transação comporá o custo registrado pela SEC, sobretudo localidades com baixa tributação (cf. IN RFB 1037/2010), existe a possibilidade de deslocamento de lucros ser efetuado em etapa anterior à venda direta. Ou seja, identifica outras subsidiárias que atuam como intermediárias nas compras localizadas em países com tributação favorecida. Compulsando os autos, verifico que o relatório da empresa de auditoria e consultoria independente EY está datado de 24/02/2017, ou seja, bem posterior ao término da fiscalização (mais de 3 anos), e quase 8 anos após o término do período de apuração. Ressalto que a citada Solução de Consulta Cosit nº 13, de 16/09/2013 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Para fins de comprovação de preços de mercadorias importadas, admitese a apresentação de relatório de auditores externos independente, em que for observado que o valor do custo de aquisição das mercadorias foi registrado de acordo com a legislação brasileira, juntamente com relatório enumerativo das faturas comerciais de aquisição dos produtos pela empresa fornecedora vinculada. Quaisquer relatórios de procedência estrangeira deverão ser traduzidos, notarizados, consularizados e registrados em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, em substituição das cópias de faturas comerciais. A apresentação do relatório de auditores externos independentes para fins de comprovação de preços não afasta a possibilidade de serem requeridos, durante procedimento de fiscalização, quaisquer outros documentos, tais como faturas comerciais de entrada de mercadorias, previstos pela legislação brasileira. Dispositivos Legais: art. 43 da Instrução Normativa SRF nº 1.312, de 28 dezembro de 2012. Ou seja, lendoo verificase se tais circunstâncias se reportam mais às informações coletadas durante o procedimento fiscal, não afastando a possibilidade de serem requeridos outros documentos. A decisão a quo faz apreciação bem detalhada de tal relatório, inclusive no seu teor material, suscitando inclusive divergências entre o relatório de auditoria independente apresentado e os dados apresentados durante o procedimento fiscal, para justificar os valores declarados em DIPJ, constatando significativas diferenças, conforme tomo a liberdade de transcrever abaixo: Em fragilização ainda mais profunda com relação à aceitabilidade dos elementos de prova apresentados, o relatório Fl. 12936DF CARF MF 44 para comprovação da viabilidade de aplicação do método CPL pelo contribuinte apresentou, por produto, o valor CPL a ser utilizado como parâmetro. Contudo, os valores, em vez de ratificar aqueles defendidos originalmente, são distintos. Ora, se os dados declarados foram baseados na mesma metodologia acaso fosse aceitável e os dados extraídos do sistema são confiáveis, fatos que o relatório buscou defender, fatalmente os resultados seriam os mesmos, o que não se confirma. A título exemplificativo, comparase em 10 insumos importados os valores indicados por preço parâmetro originalmente e em resposta à diligência como prova extemporânea para justificar a adoção do método CPL: (A) (B) (C) [(B)(A)]*(C) CÓDIGO INSUMO CPL ORIGINAL CPL EY QUANTIDADE ORIGINAL DIFERENÇA BF9700456A 66,02 65,93 780.000 70.843,77 GH9602980A 23,14 23,59 1.094.285 491.327,40 GH9602681A 23,27 23,53 678.170 177.661,55 BF9700530A 68,16 68,06 562.310 56.141,32 1109001352 8,76 8,84 2.330.493 196.430,26 GH9602500A 14,37 14,61 1.067.416 259.856,02 GH9205089A 30,84 33,28 332.057 809.821,61 BF9700490A 76,82 76,52 449.989 137.193,40 1108000102 15,55 15,70 1.208.753 178.825,34 GH9603038A 10,53 10,65 1.285.511 150.241,53 TOTAL 1.999.985,22 Em apenas 10 itens, a diferença entre os preços apresentados reflete uma diferença de quase 2 milhões de reais, ou seja, não faz prova em favor do impugnante. Ou seja, há uma questão probatória precária aqui em discussão, o que caracteriza a incapacidade da recorrente de comprovar a regularidade do método CPL para o seu anocalendário de 2008. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item. Quanto à ilegalidade do método PRL adotado pela fiscalização (IN RFB 243/02) Alega a recorrente da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, no que tange à regulamentação do método PRL60, pois esta teria introduzido conceito que não consta expressamente do dispositivo legal (Lei n° 9.430/1996), qual seja, o de "participação dos bens importados". Contudo, tal questão há anos vem sendo discutida no âmbito do CARF, tendo conformada a posição que resultou na recentemente publicada súmula CARF nº 115: A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não Fl. 12937DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.916 45 afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Ou seja, independentemente da posição meritória aqui a se discutir, a qual individualmente indico posição já adotada anteriormente em outros votos em que vou de encontro ao pleito da recorrente, tal matéria, no momento em que passa a ser sumulada, é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do caput art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf)). Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Quanto à inobservância do tratado BrasilCoréia Alega na sua peça recursal, algo que não alegou na sua peça impugnatória, que seria que os ajustes ora exigidos não merecem acolhida, eis que a aplicação das normas de controle de preços de transferência não prevalece sobre as normas constantes no Tratado BrsilCoréia sob o qual se sujeita a recorrente. Para tanto, evoca que a lei nº 9.430/1996 não se aplica ao seu caso, e sim a convenção destinada a evitar a evitar a dupla tributação em 1989, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 205/91 e promulgada pelo Decreto n° 354/91, que não foi revogado por ser regra mais específica quanto aos destinatários. Esta matéria, tem alguns julgados recentes, inclusive nesta turma. Peço vênia para transcrever os fundamentos do voto do i. Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira no acórdão 1402002.814: Em relação aos tratados internacionais apontados, não assiste razão ao contribuinte. Os tratados convivem harmonicamente com as normas de preços de transferência, via art. 9º (CMOCDE). A única questão que pode ser colocada em relação a tratados, que não é o caso, são as hipóteses de pessoas vinculada prevista no art. 23 que não se enquadram na redação do tratado. O desvio das margens predeterminadas, conforme a Lei, que definem o padrão arm´s length, já é razão suficiente para aplicação das regras de TP, cumprindo com o requisito do tratado. Esta c. Turma já apreciou a matéria em recente julgado que peço vênia para incorporar às minhas razões de decidir: (...) Ocorre que os acordos então vigentes não definiram, nem limitaram, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas "preço de transferência". Apenas possibilitaram a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, os Acordos não prevêem a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preço de transferência se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96 não colidem com os Fl. 12938DF CARF MF 46 suscitados acordos internacionais. (Proc. n. 10283.720642/201114 , Acórdão n.1402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Vale notar que há resposta Solução de Consulta sobre a matéria cuja transcrição se faz por oportuna: COSIT n° 6, de 23/11/2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei n° 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções, e os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm's length Do exposto não vejo como prosperar a pretensão da recorrente neste ponto na medida em que o tratado contra bitributação em absolutamente nada obsta a aplicação das regras de Preço de Transferência. Ou seja, o Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, §2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas o somente o §1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm's lenght price. Igualmente, há outras várias decisões no âmbito do CARF sobre o tema, com decisões que corroboram esse entendimento, das quais cito duas ementas exemplificativamente: TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. [Acórdão 1301003.291, de 15/08/2018] AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA DA LEI Nº 9.430/96. COMPATIBILIDADE COM TRATADOS FIRMADOS COM HOLANDA E URUGUAI A previsão do art. 9º do Tratado BrasilHolanda para tributação dos ajustes de preços de transferência nas operações entre empresas associadas, não exclui a aplicação dos arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/96, que dispõem sobre o controle e tributação dos preços de transferência nas operações realizadas entre empresas vinculadas. A aplicação da legislação nacional de preços de transferência às operações realizadas entre partes vinculadas no Brasil e Uruguai são compatíveis com o Tratado de Assunção e não se constituem em obstáculos à realização de negócios. [Acórdão nº 1301002.185, de 25/01/2017.] Fl. 12939DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.917 47 Destarte, NEGO PROVIMENTO da alegação da recorrente sobre a aplicação do tratado BrasilCoréia. Conclusão: No que tange ao recurso de ofício, voto por negar provimento integral. No que tange do recurso voluntário, voto por negar provimento integral. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora Designada Consoante relatado, a autoridade fiscal rejeitou os cálculos da contribuinte acerca dos ajustes de preços de transferência com base nos métodos PIC e CPL porque insuficientemente documentados, e determinou novos ajustes com base no método PRL60, apurando diferenças de R$ 684.653.997,25 em relação aos ajustes originalmente calculados com base no método PIC, e de R$ 1.224.956.995,89 em relação aos ajustes originalmente calculados com base no método CPL, além de apurar diferença de R$ 68.026.477,74 na recomposição dos cálculos da contribuinte com base no método PRL60. Assim, a diferença total de ajustes no preço de transferência entre o valor calculado pelo contribuinte e o valor calculado pela fiscalização, relativa a 4.467 insumos importados de pessoas jurídicas vinculadas/países com tributação favorecida (art. 2º IN 243/02, art. 1º IN 188/02) e desembaraçados no anocalendário 2008, é de R$ 1.977.637.470,88. A autoridade julgadora de 1ª instância reduziu a base tributável porque acolheu as retificações indicadas nas análises promovidas pela autoridade fiscal em razão da conversão do julgamento em diligência, consolidadas na planilha Resumo de Recálculo de Ajuste Preço de Transferência, na qual os novos ajustes com base nos métodos PRL2060 ou PRL60, totalizaram R$ 424.581.184,91 em relação aos ajustes originalmente calculados com base no método PIC, e R$ 613.274.760,31 em relação aos ajustes originalmente calculados com base no método CPL, além da diferença de R$ 30.984.874,55 na recomposição dos cálculos da contribuinte com base no método PRL60. Considerando o ajuste oferecido à tributação em DIPJ, no montante de R$ 37.453.201,65, a base tributável foi reduzida de R$ 1.977.632.259,73 para R$ 1.031.387.618,42. Fl. 12940DF CARF MF 48 Com referência à alegação de regularidade do cálculo PIC efetuado pela recorrente, a autoridade lançadora apontou a inobservância do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, que assim dispõe: Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes. A autoridade lançadora rejeitou operações nas quais o exportador vinculado figurava como comprador, entendendo que os preços pagos pela SEC (Samsung Electronics Co. sediada na Coréia) para seus fornecedores finais não seriam preços de transações entre partes independentes. Nos termos da acusação fiscal: as operações relacionadas na mencionada planilha "Invoice 2008 Versão Final" foram realizadas pela SEC Samsung Electronics CO. LTD (pessoa jurídica VINCULADA à SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110 e da qual é SUA FORNECEDORA), e não pela SEDA Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda CNPJ 00.280.273/000110, portanto não atendendo à disposição contida no artigo 8º. parágrafo único, inciso I, II e III, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, que estabelece os critérios para apuração do preço parâmetro quando o contribuinte adotar o método PIC. A recorrente defende que o art. 18, inciso I da Lei nº 9.430/96 permite a adoção, como referencial de comparação, de preços utilizados em operações similares entre empresas não vinculadas, e recorda que o princípio arm´s length procura eliminar do preço das operações entre membros de um mesmo grupo econômico ou comercial quaisquer influências decorrentes desse vínculo, de modo a encontrar o preço que teria sido acordado entre partes não relacionadas sob as mesmas condições negociais, ou seja, o legítimo preço de mercado. Destacando a permissão, no referido dispositivo legal, de que os preços parâmetros sejam apurados no mercado brasileiro e de outros países, ressalvandose apenas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados, conclui que inexistiria vedação à adoção de preços praticados entre as partes vinculadas que operam com terceiros não vinculados, ainda que tais operações sejam posteriormente negociadas com partes vinculadas. Esta Conselheira já acolheu entendimento neste sentido ao negar provimento a recurso de ofício no Acórdão nº 110100.747, do qual destacase: RELATÓRIO Fl. 12941DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.918 49 [...] A Turma Julgadora excluiu os ajustes relativos à desconsideração do método PIC em razão dos argumentos assim veiculados no voto condutor do acórdão sob reexame: DA DESCONSIDERAÇÃO DO MÉTODO PIC Quanto ao método PIC, a fiscalização verificou que as faturas utilizadas nos cálculos, para efeito de comparação, eram de 2 tipos: a) aquelas em que a empresa exportadora compra insumos de outras empresas nãovinculadas no exterior e os encaminha para si mesma ou para outra vinculada no exterior (vide diagrama à fl. 1792); e b) aquelas em que a empresa exportadora compra insumos de outras empresas nãovinculadas no exterior, com o despacho da mercadoria diretamente efetuado à contribuinte no Brasil (vide diagrama à fl. 1793). Dispõe o artigo 8º da IN SRF nº 243/2002 que: “Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes”. Em ambos os casos supracitados (“a” e “b”), as faturas utilizadas pela contribuinte para a apuração dos preçosparâmetro pelo método PIC decorreram de operações de compra e venda entre pessoas jurídicas não vinculadas entre si (em que pese uma das empresas ser vinculada à contribuinte), não havendo, portanto, que se cogitar de manipulação de preços, enquadrandose essas operações perfeitamente na situação prevista no inciso III do § único do artigo 8º da IN SRF nº 243/2002, como alega a impugnante. Ratificando o entendimento de que o fato de uma das empresas envolvidas nas operações ser vinculada à contribuinte não é impedimento para a utilização das faturas para a apuração dos preçosparâmetro segundo o método PIC, observese o inciso I do Fl. 12942DF CARF MF 50 § único do artigo 8º da IN SRF nº 243/2002, que permite a utilização de vendas “pela mesma empresa exportadora”, ou seja, a empresa vinculada à contribuinte no exterior. Assim sendo, não poderia a fiscalização desconsiderar os cálculos da contribuinte pelo método PIC e refazêlos utilizando outro método (no caso, o PRL). Ademais, no segundo caso (“b”), são verossímeis e convincentes os argumentos da impugnante acerca do fato de que as coligadas no exterior teriam sido criadas para facilitar e otimizar os fluxos de compras, logística e pagamento aos fornecedores da contribuinte. Nesse caso, não haveria nem que se falar em apuração de ajustes de preços de transferência, pois as empresas vinculadas à contribuinte no exterior são meras intermediárias (“interpostas pessoas”) entre a contribuinte e seus reais fornecedores (empresas não vinculadas), repassando sem lucro as mercadorias adquiridas, conforme análise da planilha contendo os preços praticados entre a empresa vinculada e a impugnante, e os preços praticados entre a empresa vinculada e seus fornecedores (docs. 04 e 5), planilha esta validada, por amostragem, através da análise dos documentos juntados aos autos (docs. 07 a 218). Dessa forma, concluise que as transações, de fato, ocorreram entre a contribuinte e empresas não vinculadas no exterior (fornecedoras da empresa vinculada), não estando, portanto, sujeitas ao controle dos preços de transferência. E, ainda que não fosse comprovada a condição das coligadas no exterior de meras intermediárias, as faturas utilizadas pela contribuinte para a apuração dos preçosparâmetro pelo método PIC não poderiam ter sido desconsideradas, pois enquadramse perfeitamente no inciso III do § único do artigo 8º da IN SRF nº 243/2002, conforme já mencionado. Por todo o exposto, há que se excluir da tributação os ajustes relativos aos itens para os quais houve a desconsideração do método PIC. Em 21/11/2011 os autos foram submetidos à COCAT/PGFN/DF/MF para análise, que os devolveu sem a juntada de contrarrazões. VOTO [...] A Instrução Normativa em referência enunciou hipóteses nas quais se verificariam operações praticadas entre compradores e vendedores não vinculados, na forma do §2o do art. 18 da Lei nº 9.430/96. E, ao assim proceder, podese constar que foram desprezadas hipóteses nas quais o comprador ou o vendedor da operação paradigma fosse uma pessoa jurídica vinculada, pois: · ao admitir como paradigma preço decorrente de vendas pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes, declarase válida a operação mesmo que a empresa exportadora vinculada à contribuinte figure como vendedora na nota Fl. 12943DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.919 51 fiscal da operação paradigma, desde que o comprador seja pessoa jurídica não vinculada; · ao admitir como paradigma preço decorrente de compra pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes, declarase válida a operação mesmo que a contribuinte figure como adquirente na nota fiscal da operação paradigma, desde que o vendedor seja pessoa jurídica não vinculada; De fato, se a única interpretação possível do §2o do art. 18 da Lei nº 9.430/96 fosse a literal, a Instrução Normativa SRF nº 243/2002 deveria ter restringido a obtenção do preço parâmetro, no método PIC, às operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não residentes, terceira hipótese do parágrafo único de seu art. 18. Revela a Instrução Normativa, portanto, que a melhor interpretação do dispositivo legal é aquela que admite como paradigmas operações nas quais uma das partes seja pessoa jurídica não vinculada. Se constitui paradigma admissível o preço decorrente de vendas pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes, não há motivo para desconsiderar o preço decorrente de compras pela mesma empresa exportadora de pessoas jurídicas não vinculadas residentes ou nãoresidentes. Eventualmente esta hipótese não foi cogitada na Instrução Normativa porque, em outras circunstâncias, poderia majorar o ajuste exigido por desconsiderar, na operação paradigma, a margem de lucro da empresa exportadora na revenda destes produtos adquiridos de pessoas jurídicas não vinculadas à contribuinte. Contudo, na medida em que a margem de lucro não é praticada, em regra, pela exportadora que atua como central de compras de grupo empresarial, é compreensível a adoção, pela contribuinte, de suas operações como referência para preço parâmetro, e não é possível desqualificar o método adotado apenas com base na interpretação adotada pela autoridade lançadora. Assim, não há reparos à conclusão da autoridade julgadora de primeira instância. (destaques do original) É certo que, como destacado ao final da transcrição acima, o caso concreto ali analisado tinha em conta pessoa jurídica vinculada que operava como central de compras da empresa brasileira no exterior, circunstância na qual não seria esperado o acréscimo de lucro no repasse das mercadorias adquiridas no exterior. De outro lado, não se pode olvidar que a Instrução Normativa SRF nº 243/2002, ao admitir como preço parâmetro aquele praticado em qualquer compra ou venda praticada por pessoas jurídicas não vinculadas, ampliaria a dedutibilidade dos custo incorridos na importação dos mesmos produtos de pessoa vinculada por não excluir margens de lucros acrescidas em outras cadeias de revenda do produto. Fl. 12944DF CARF MF 52 Inferese, daí, que é irrelevante a fase da cadeia comercial em que a operação foi realizada. Ela pode se dar em momento anterior ou posterior àquele no qual se verificou a operação comparada, permitindo a interpretação de que a lei admitiu como parâmetro qualquer operação na qual uma das partes seja pessoa jurídica não vinculada. Vejase, ainda, que a contribuinte, autuada pela mesma razão em período de apuração subsequente (2010), já submeteu a questão aqui em debate à 1ª Turma desta 4ª Câmara que afastou a limitação imposta pela autoridade lançadora nos seguintes termos do voto condutor do Acórdão nº 1401001.844: Não concordo com a DRJ, a mera vinculação a uma pessoa jurídica em uma ponta apenas não pode invalidar a conclusão de que os preços dessa empresa seriam "preços de mercado", mesmo que ligada, se praticadas com terceiros não vinculados. E de fato não vejo como o art.18, §2°, da Lei n° 9.430/96 possa limitar que se considere preço parâmetro de mercado as operações de compra e venda realizadas entre uma sociedade vinculada ao sujeito passivo e terceiros independentes. O dispositivo legal ao se referir a "operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados", tem como norte principal afirmar que os polos sejam independentes, bastando um polo apenas, ou obviamente os dois, que seria o melhor caso. A Instrução Normativa SRF n° 243/02, que regulamentou essa matéria assim dispõe: [...] Há uma clara confusão que se faz à referência a "outras pessoas jurídicas não vinculadas", disposta no inciso III do parágrafo único do art.8° da IN SRF n° 243/02. Tendo como norte o art.18°, §2°, da Lei n° 9.430/96, a menção claramente às pessoas, cujas operações serão consideradas no cálculo do preço parâmetro e não a pessoa a que apura os preços parâmetros. Nesse sentido, é pacífico que as instruções normativas não podem inovar o que dispõe a Lei. Dessa forma, equivocouse a fiscalização ao fazer a desconsideração do método PIC baseada apenas no fato de em uma das pontas das operações de compra e venda consideradas no cálculo haver sociedade vinculada ao sujeito passivo. Por todo o exposto, dou provimento a este item e afasto o método PRL aplicado no lugar do PIC para essas situações. Confirmase que, como alegado pela recorrente, referida decisão não foi objeto de recurso especial pela Fazenda Nacional. Em verdade, porém, vislumbrase que a Instrução Normativa SRF nº 243/2002 não limitou o disposto no art. 18, inciso I, §2º da Lei nº 9.430/96 ao definir as operações praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. Em todos as hipóteses tevese como parâmetro a presença de uma pessoa jurídica não vinculada na operação paradigma e, sob esta ótica, é válido interpretar que o inciso III do parágrafo único do art. 8º da Fl. 12945DF CARF MF Processo nº 10283.721398/201379 Acórdão n.º 1402003.686 S1C4T2 Fl. 12.920 53 referida Instrução Normativa admite operações de compra e venda praticada entre sujeitos não vinculados entre si, residentes ou nãoresidentes, prestandose o vocábulo "outras" apenas a indicar que se trata de hipótese distinta das antecedentes. Nesta linha é também o voto condutor do Acórdão nº 1103000.787, citado pela recorrente: Não há como concordar com a decisão recorrida, quando conclui que o art.8º da IN SRF nº 243/2002 impede que se leve em conta “as compras realizadas pela exportadora (vinculada ao sujeito passivo)”. Tal interpretação representa uma limitação ausente na lei de regência, especificamente no art.18, §2º, da Lei nº 9.430/96 (como visto acima, tal dispositivo permite sejam “consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados”), e como tal, não pode prevalecer. A referência a “outras pessoas jurídicas não vinculadas”, estatuída no inciso III do parágrafo único do art.8º da IN SRF nº 243/02, neste caso, não diz respeito, à luz do art.18º, §2º, da Lei nº 9.430/96, a quem apura os preços parâmetros, mas às pessoas, cujas operações serão consideradas no cálculo. Ainda neste voto, quando da análise da aplicação do método PRL, verseá que a jurisprudência administrativa consolidouse corretamente no sentido de que às Instruções Normativas reservase a função de interpretar a norma legal, sendolhes vedado impor, por exemplo, restrição nela não prevista. Não poderia a fiscalização, apenas motivada pelo fato de em uma das pontas das operações de compra e venda consideradas no cálculo haver sociedade vinculada ao sujeito passivo, afastar a opção pelo método PIC. Caberia, se fosse o caso, carrear aos autos elementos outros que comprovassem que tais preços praticados não refletiriam preços de mercado em condições de pagamento semelhantes. Com a razão o Recorrente, devendo ser afastado o método PRL aplicado pela fiscalização. (destaque do original) Assim sendo, e tendo também em conta que nas hipóteses cogitadas na Instrução Normativa não foram excluídos preços praticados em fases subsequentes da cadeia de revenda, nas quais se presume a agregação de maior margem de lucro, não podem ser rejeitadas operações nas quais um terceiro transaciona com pessoa jurídica vinculada à contribuinte e sua fornecedora. Estas as razões, portanto, para dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 12946DF CARF MF 54 Fl. 12947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001694/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
Por presunção legal, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Não o fazendo - ou fazendo de forma insatisfatória - impõe-se a manutenção do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2402-006.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para mudar o resultado do Acórdão nº 2801-01-415 de "recurso voluntário não conhecido" para "recurso voluntário conhecido e negado provimento".
Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Não o fazendo ou fazendo de forma insatisfatória impõese a manutenção do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para mudar o resultado do Acórdão nº 280101415 de "recurso voluntário não conhecido" para "recurso voluntário conhecido e negado provimento". Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 94 /2 00 3- 81 Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 19515.001694/200381 Acórdão n.º 2402006.867 S2C4T2 Fl. 1.154 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratamse de Embargos Inominados, previstos no artigo 66, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face do acórdão 2801 01415, de 15/03/2011, fls. 1096/1099. Por meio do susodito Acórdão nº 280101415, prolatado pela então 1ª Turma Especial desta Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recurso voluntário do contribuinte não foi conhecido, por ter sido considerado intempestivo, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo estabelecido na legislação de regência. Recurso Voluntário Não Conhecido A conclusão do referido Acórdão restou assim enunciada: No caso, a ciência da decisão de primeira instância, consoante Aviso de Recebimento de fls. 435v, se deu em 22/09/2008, segundafeira. Assim, o contribuinte poderia apresentar o recurso até 22/10/2008, quartafeira, entretanto só o fez em 24/10/2008, sextafeira, consoante carimbo aposto pela repartição de recepção do documento de fls. 444/448. Registrese que, inclusive a repartição preparadora, as fls. 802 (Vol 4) já noticiava a intempestividade do recurso de fls. 444/448. Diante do exposto, oriento o meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou pedido de reconsideração (fls. 1.108/1.109), alegando que, conforme documento anexo (fls. 1.111/1.1115), o recurso voluntário foi protocolado em 22/10/2008. O pedido de reconsideração foi recebido como embargos, nos termos do despacho de fls. 1.1119/1.120. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 19515.001694/200381 Acórdão n.º 2402006.867 S2C4T2 Fl. 1.155 3 Ato contínuo, em face dos embargos opostos, este Colegiado, na sessão de julgamento realizada em 05/04/2017 (fls. 1.124), converteu o julgamento do feito em diligência para que a unidade que recepcionou o recurso voluntário (a) verifique a autenticidade do carimbo aposto no recurso trazido posteriormente aos autos (fls. 1.111/1.115), (b) informe se este documento foi recebido em 22/10/2008 e (c) identifique, se possível, o servidor que apôs a rubrica no carimbo de recepção do recurso. Às fls. 1.129, Manifestação da unidade de origem (fls. 1.129) em atenção ao quanto solicitado nos termos da Resolução CARF 2402000.604. Intimado dos termos da Resolução CARF 2402000.604 e respectiva resposta da Unidade de Origem, o contribuinte se manifestou às fls. 1.132/1.134. Em face da manifestação apresentada pelo contribuinte, a Unidade de Origem apresentou nova resposta, de fls. 1.136, concluindo que: Reconhecemos que houve uma falha no procedimento de protocolo do recurso voluntário. Os fatos apurados indicam que a via do contribuinte recebeu o carimbo no momento da apresentação do recurso, em 22/10/2008, mas a via juntada aos autos foi carimbada posteriormente, em 24/10/2008, por outro servidor. Assim, (a) verificamos a autenticidade do carimbo trazido posteriormente aos autos (fls. 1111/1115), (b) esse documento foi recebido no dia 22/10/2008, (c) foi possível identificar o servidor que recepcionou o recurso, (d) o despacho anterior deve ser desconsiderado (fl. 1129). Intimado, o contribuinte apresentou novo expediente, de fls. 1.140/1.141, destacando que a Receita Federal reconheceu a autenticidade do carimbo trazido aos autos (fls. 1111/1115), esclarecendo que esse documento foi recebido pelo referido órgão no dia 22 de outubro de 2008, ou seja, tempestivo e completamente dentro do prazo legal! Tendo em vista que esta questão está superada, requer seja apreciado nesta oportunidade o mérito da causa, com a procedência integral do nosso recurso apresentado anteriormente! É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Conforme informado no Relatório supra, cuidase de embargos opostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 280101.415 – 1ª Turma Especial (fls. 1.096 / 1.099) que não conheceu do recurso voluntário (fls. 451/455) em razão de sua intempestividade. Na sessão de julgamento realizada em 05 de abril de 2017, este Colegiado converteu o julgamento do feito em diligência para que a unidade que recepcionou o recurso voluntário (a) verifique a autenticidade do carimbo aposto no recurso trazido posteriormente Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 19515.001694/200381 Acórdão n.º 2402006.867 S2C4T2 Fl. 1.156 4 aos autos (fls. 1.111/1.115), (b) informe se este documento foi recebido em 22/10/2008 e (c) identifique, se possível, o servidor que apôs a rubrica no carimbo de recepção do recurso. Em atenção ao quanto solicitado, a Unidade de Origem que recepcionou o recurso voluntário do contribuinte se manifestou (fls. 1.136), informando que que houve uma falha no procedimento de protocolo do recurso voluntário. Os fatos apurados indicam que a via do contribuinte recebeu o carimbo no momento da apresentação do recurso, em 22/10/2008, mas a via juntada aos autos foi carimbada posteriormente, em 24/10/2008, por outro servidor. Assim, (a) verificamos a autenticidade do carimbo trazido posteriormente aos autos (fls. 1111/1115), (b) esse documento foi recebido no dia 22/10/2008, (c) foi possível identificar o servidor que recepcionou o recurso, (d) o despacho anterior deve ser desconsiderado (fl. 1129). Neste contexto, tendo sido apresentado tempestivamente e estando presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso voluntário do contribuinte deve ser conhecido. Do Mérito Apenas para rememorar, contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, relativo ao ano calendário de 1998, exercício de 1999, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 91.109,42, incluindo multa de oficio e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O recorrente aduz, em síntese, que (i) não foi aceita a justificativa da venda do automóvel fiat pálio, placas CFW 5468, no valor de R$ 8.937,00 (oito mil novecentos e trinta sete reais), uma vez que está desacompanhada dos comprobatórios da efetiva venda do veículo; (ii) no tocante aos demais depósitos realizados nos bancos Itat S/A, Banco Estado Rio Grande do Sul e Banco Unibanco, anexase um histórico de depósitos identificados com seus respectivos comprovantes, como por exemplo, fichas de tratamento de pacientes, declarações de prestação de serviços odontológicos; (iii) quanto aos depósitos efetuados na contacorrente do Unibanco pela empresa PROSEGUR, tratase de um convênio celebrado com o estabelecimento para prestação de serviços odontológicos aos funcionários, sendo que os valores creditados foram realizados já com o desconto pela empresa do imposto de renda; (iv) segue também o livrocaixa com a identificação das receitas e despesas, depreendendose, assim, que a declaração de imposto de renda relativo ao anocalendário de 1988, exercício de 1999, está de acordo com o ordenamento jurídico. Pois bem! Analisandose os esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte, verificase razão não assiste ao Recorrente. Vejamos!! Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 19515.001694/200381 Acórdão n.º 2402006.867 S2C4T2 Fl. 1.157 5 (i) Da venda do automóvel fiat pálio, placas CFW 5468, no valor de R$ 8.937,00 No que tange à justificativa referente à venda do automóvel fiat pálio, placas CFW 5468, no valor de R$ 8.937,00, o contribuinte, com vistas a superar a afirmativa do órgão julgador de primeira instância, no sentido de que não foram apresentados documentos comprobatórios da efetiva venda do veículo, trouxe aos autos a) Declaração emitida pela Sra. Marlene Torraca Marcones, informando que comprou o veículo em questão do contribuinte, ora Recorrente (fls. 457) e b) Extrato de Cadastro de Certificados Emitidos do DETRAN/SP. Tais documentos, entretanto, não comprovam a efetiva venda do veículo. No que tange à Declaração de fls. 457, por se tratar de documento unilateral, deveria vir acompanhado de documentos que comprovassem os dados e informações nele consignados, como por exemplo, no caso concreto, o extrato bancário da conta de origem do valor referente à compra do veículo. No que tange ao documento emitido pelo DETRAN/SP, salvo melhor juízo, este infirmar a afirmação do contribuinte no sentido de que efetuou a venda do veículo em 1998. Isto porque, no documentos de fls. 459, consta expressamente o nome do Recorrente e a data de 15/04/2003, conforme imagem abaixo: (ii) Dos demais depósitos realizados nos bancos Itaú S/A, Banco Estado Rio Grande do Sul e Banco Unibanco Neste ponto, o Recorrente aduz de forma simples e lacônica, que segue anexo um histórico de depósitos identificados com seus respectivos comprovantes, como por exemplo, fichas de tratamento de pacientes, declarações de prestação de serviços odontológicos, etc. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 19515.001694/200381 Acórdão n.º 2402006.867 S2C4T2 Fl. 1.158 6 Como se vê, o Contribuinte não preocupou em demonstrar, de forma clara e específica, a origem dos depósitos identificados pela fiscalização. Ao revés, limitouse a apresentar uma planilha com histórico de depósitos identificados – doc. 04 do recurso voluntário, fls. 461 – e os supostos respectivos comprovantes, tais como fichas de tratamento de pacientes, declarações de prestação de serviços, etc, a partir da fl. 492. É bem verdade que os valores constantes na planilha denominada pelo Recorrente como “histórico de depósitos” coincidem com parte daqueles em relação aos quais o contribuinte foi intimado a justificar a origem dos depósitos – Termo de Intimação Fiscal nº 01, fls. 122. O problema está na documentação que, em tese, dá suporte aos susoditos valores (constantes na planilha “histórico de depósitos”). Em primeiro lugar, o Recorrente não se preocupou, como já afirmado, em correlacionar de forma clara e específica cada documento com o seu respectivo valor da referida planilha. Em segundo lugar, os referidos documentos, notoriamente as ficha de tratamento de paciente, são imprecisos tanto em relação aos valores, quanto ao ano que os mesmos se referem, conforme exemplo abaixo: Analisandose a ficha de tratamento em questão é fácil verificar que a mesma não está datada com o ano de sua ocorrência e que há uma imprecisão de valor. De fato, apesar de estar registrado no campo “anotações” um total de R$ 455,00, no mesmo campo há duas informações de pagamentos nos valores de R$ 220,00 e R$ 175,00, os quais somados não totalizam os R$ 455,00. Neste espeque, questionase: a qual ano se refere os pagamentos de R$ 220,00 e R$ 175,00? Qual o valor correto a ser considerado: R$ 395,00 (soma de R$ 220,00 e R$ 175,00) ou R$ 455,00? Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 19515.001694/200381 Acórdão n.º 2402006.867 S2C4T2 Fl. 1.159 7 Como se vê, os documentos em questão possuem fragilidades substanciais, tornandose imprestáveis para comprovar a origem dos depósitos. No que tange às declarações dos clientes afirmando que fizeram tratamento dentário e que, em razão disso, efetuaram pagamentos para o Recorrente, temse que, por se tratarem de documentos unilaterais, deveriam estar acompanhados de outros elementos que comprovassem os dados e informações nele consignados, como por exemplo, no caso concreto, o extrato bancário da conta de origem e/ou cópia de cheques, etc. Assim, inexistindo outros elementos que lhe deem suporte e não tendo o Recorrente feito uma exata correlação entre os valores, rejeitase as declarações apresentadas, mantendose a decisão de piso neste particular. (iii) Dos depósitos efetuados na contacorrente do Unibanco pela empresa PROSEGUR No que tange aos depósitos efetuados pela empresa PROSEGUR, a DRJ, de forma precisa e correta, concluiu que, quanto aos documentos de fls. 242/247, que se referem a valores recebidos de serviços odontológicos prestados aos funcionários das empresas Prosegur Brasil S/A Transportadora de Valores e Segurança e Prosegur Processamento de Documentos Ltda, verificase que estes foram considerados de origem comprovada pela Fiscalização, conforme Termo de Constatação Fiscal, fls. 209/210. Sem reparos, portanto, no acórdão da DRJ neste particular. (iv) Do livrocaixa Por fim, no que diz respeito à planilha referente ao Livro Caixa com a identificação das receitas e despesas, a decisão de piso destacou que como já visto, o lançamento constante do presente Auto de Infração trata de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e não de glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa. Os documentos acostados aos autos pelo contribuinte, relativos as despesas escrituradas em Livro Caixa, não se prestam para comprovar a origem dos depósitos/créditos efetuados pelo impugnante em suas contascorrentes. Portanto, deixase de acatálos. Registrese ainda que a fiscalização, pelo princípio do emparelhamento de receitas e despesas, com base nos documentos apresentados, relacionou os pagamentos efetuados pelo contribuinte que, pela sua natureza, constituem despesas e gastos na manutenção de sua atividade profissional, conforme anexo ao Termo de Constatação. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos apresentados pelo Contribuinte, com efeitos infringentes, para alterar a decisão embargada, nos seguintes termos: De: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 19515.001694/200381 Acórdão n.º 2402006.867 S2C4T2 Fl. 1.160 8 Para: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902698/2016-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.556
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 69 8/ 20 16 -0 4 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13851.902698/201604 Resolução nº 3402001.556 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13851.902698/201604 Resolução nº 3402001.556 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13851.902698/201604 Resolução nº 3402001.556 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 152DF CARF MF
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