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Numero do processo: 16349.000194/2006-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.135
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Relator. EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa Frigorífico Margen Ltda. apresentou Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, relativo ao 3º trimestre de 2003, cumulado com declaração de compensação. Tal pedido foi indeferido pela DRF de sua jurisdição. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 10/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16349.000194/200646 Resolução n.º 330200.135 S3C3T2 Fl. 384 2 Inconformada com o indeferimento, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, a qual foi apreciada por colegiado de primeira instância que negou o direito creditório, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa e nulidade se a decisão administrativa sobre direito creditório exibir todos os requisitos básicos, notadamente a fundamentação legal, e, além disso, se a administrada deixar de comprovar inequivocamente a impossibilidade de apresentação de livros e documentos exigidos para a verificação cabal do pleito. Solicitação Indeferida”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, sustentando que faz jus integralmente ao crédito presumido do IPI denegado. Aduz, em suma, que “por ato de força maior, não dispunha dos documentos solicitados, cuja guarda, em razão do Termo de Apreensão, era da Polícia Federal, nos Autos do IPL n° 319/02 SR/DPF/MS”. Conclue pedindo seja dado provimento ao seu pedido inicial. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 10/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16349.000194/200646 Resolução n.º 330200.135 S3C3T2 Fl. 385 3 Conforme se verifica nos autos, o motivo determinante para o indeferimento do ressarcimento em apreço foi o não atendimento de intimações para apresentação de livros e documentos. Verificase, também, que o não atendimento decorreu a apreensão dos mesmos pela Polícia Federal. Diante disso e primando pelo princípio da verdade material, entendo que o processo deve retornar a repartição de origem para dar a Recorrente a oportunidade de demonstrar seu direito creditório. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 intimar a Recorrente a demonstrar e provar, com documentos hábeis e idôneos, o total do crédito a que julga ter direito, relativos ao 3º trimestre calendário de 2003; bem como a apresentar os respectivos dados e arquivos. Caso necessário e se a documentação ainda estiver em poder da Polícia Federal, a intimação deverá ser dirigida àquele Órgão; 2 manifestarse sobre a legitimidade do montante do crédito pleiteado pela recorrente acerca da correspondente compensação em baila; 3 prestar os esclarecimentos e as informações que julgar necessários para o deslinde da questão; 4 elaborar relatório circunstanciado da diligência. 5 dar ciência à Recorrente desta resolução e do relatório da diligência, abrindo lhe prazo para, querendo, manifestarse. 6 Concluso, retorne os autos ao CARF. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 10/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002725/2004-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSPEÇÃO, MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, METALÚRGICOS E SIDERÚRGICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996.
Restado demonstrado que os serviços prestados pela Contribuinte são tipicamente de inspeção, manutenção e assistência técnica em equipamentos industriais, metalúrgicos e siderúrgicos, que utilizam mão-de-obra não qualificada, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro mecânico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, recurso da Fazenda não conhecido. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann, sendo substituídas pelos Conselheiros Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Karem Jureidini dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento)
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSPEÇÃO, MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, METALÚRGICOS E SIDERÚRGICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996. Restado demonstrado que os serviços prestados pela Contribuinte são tipicamente de inspeção, manutenção e assistência técnica em equipamentos industriais, metalúrgicos e siderúrgicos, que utilizam mão-de-obra não qualificada, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro mecânico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSPEÇÃO, MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, METALÚRGICOS E SIDERÚRGICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996. Restado demonstrado que os serviços prestados pela Contribuinte são tipicamente de inspeção, manutenção e assistência técnica em equipamentos industriais, metalúrgicos e siderúrgicos, que utilizam mãodeobra não qualificada, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro mecânico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, recurso da Fazenda não conhecido. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann, sendo substituídas pelos Conselheiros Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 25 /2 00 4- 36 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc – Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Karem Jureidini dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento) Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância em 21/10/2008 (fls. 77), a Fazenda Nacional, por seu procurador, interpõe tempestivamente, em 27/10/2008, Recurso Especial (fls. 79/96) para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 30134.661, de 10/07/2008 (fls. 70/75), cuja decisão, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso da contribuinte M.J.S. And Service Ltda. (fls. 44/67). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no então art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que em ação fiscal desenvolvida junto à empresa acima citada, foi identificada a situação de vedação/exclusão à opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, tendo sido formalizado representação fiscal, com base no art. 15 § 4º da Lei n° 9.317, de 05 de Dezembro de 1996, na redação da Lei n°. 9.732, de 11 de Dezembro de 1998. Em 02 de agosto de 2004, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP apreciou e concluiu pela procedência da Representação Fiscal, com a consequente exclusão da sistemática do Simples a partir de 13/08/2001, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a descrição da atividade econômica vedada: 29696/02 instalação, reparação e manutenção outras; máquinas e equipamentos de uso especifico, data da ocorrência: 13/08/2001; que a fundamentação legal é a seguinte: Lei nº 9.317. de 05/12/1996: art. 9º, XIII; art.12; art.14, I; art.15. Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001: art.73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art.21; art.23, I; art.24, II c/c parágrafo único. Irresignada com a decisão da autoridade administrativa singular, a requerente apresenta, de forma tempestiva, em 23/09/2004, a sua peça de Manifestação de Inconformidade (fls. 01/22), solicitando que seja revista a decisão, declarando a normalidade pela opção do regime do Simples, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101001.763 CSRFT1 Fl. 3 3 que a exclusão da contribuinte do SIMPLES pela SRF está calcada na premissa de incompatibilidade da atividade econômica desenvolvida, pois o entendimento da Secretaria da Receita Federal reside no fato de que a contribuinte, na consecução de suas atividades, necessita, da contratação de um profissional da área de engenharia profissão regulamentada; que percebese que, qualquer empresa que necessite de um profissional cujo exercício profissional necessite de regulamentação, como é o caso dos médicos, engenheiros e advogados, não poderão optar pelo SIMPLES; que ocorre que, conforme veremos adiante, a impugnante, para a consecução de suas atividades independe da presença de um profissional cujo exercício de sua profissão necessite de regulamentação profissional; que, de plano, é preciso evidenciar o equívoco em se considerar as atividades desempenhadas pela impugnante como sendo sujeitas à habilitação profissional legalmente exigida no caso, engenharia; que a atividade da impugnante, consoante se verifica de seus documentos constitutivos, em anexo, reside na prestação de serviços de manutenção e repara cão de caminhões, ônibus e outros veículos pesados e comércio a varejo de pecas e acessórias novo para veículos automotores; que pela análise do dispositivo retro fica explícito que o maior objetivo da atividade do profissional de engenharia consiste na criação científica e intelectual, sendo esta finalidade muito distante das atividades desempenhadas pelas oficinas mecânicas; que qualquer pessoa leiga e que tenha uma única vez na vida, visitado uma oficina mecânica é capaz de afirmar que em seu diaadia inexiste a obrigatoriedade e até mesmo a necessidade de um profissional de engenharia; que não é preciso muito esforço para se denotar o desacerto da decisão que excluiu a contribuinte da sistemática do Simples, relevandose que até mesmo as esferas administrativas de julgamento, possuem o entendimento no sentido de que as oficinas mecânicas, como é o caso da contribuinte possuem o direito de permanecer no Simples; que, diante do exposto, salta aos olhos a ilegalidade que está sendo cometida, sendo imperiosa a manutenção da contribuinte na sistemática do Simples, tendo em vista que a mesma não pratica atividade onde haja a obrigatoriedade de contratação de engenheiro. Após resumir os fatos constantes do Despacho de exclusão do Simples e as principais razões da manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, a Primeira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP conclui pelo indeferimento da solicitação mantendo a exclusão do Simples, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317, de 1996 depreendese que é vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços: (a) relativos às profissões expressamente listadas, dentre elas, a de engenheiro; (b) profissionais assemelhados àqueles Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 listados no mesmo inciso; (c) profissionais de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; que caracterizadas pela atividade exercida, por citação literal ou semelhança, as duas primeiras hipóteses são distintas e independentes da terceira, bastando que a pessoa jurídica incorra em uma só delas para que sua inscrição no Simples seja vedada; que ao citar expressamente os assemelhados, a lei tornou não exaustiva a lista de serviços profissionais relacionados, sendo alcançada pela vedação toda prestação de serviços que tenha similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no referido dispositivo legal; que examinandose a legislação transcrita, depreendese que, a competência para executar serviços de instalação e montagens em equipamentos industriais, é dos engenheiros mecânicos ou elétricos, de uma forma geral, ou dos técnicos de graus Superior e médio, conforme definido nos arts. 1°, 8°, 22, 23 e 24 da Resolução n.° 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia; que, no caso dos autos, a atividade exercida pela interessada, qual seja: a de prestação de serviços de reforma de máquinas industriais, embora não esteja literalmente citada dentre as atividades vedadas, encontrase incluída na condição de atividade assemelhada à prestação de serviços de engenheiro, conforme se observa no Ato Declaratório (Normativo) n° 04, de 22 de fevereiro de 2000; que ressaltese que, no caso, para interpretação da legislação tributária não importa se o serviço foi efetivamente prestado por engenheiro ou por profissional legalmente habilitado. Isto significa que mesmo não possuindo a empresa empregados com habilitação em nível superior na área de engenharia ou equivalente, o que interessa para caracterizar o impedimento é o fato de que as atividades de instalação e montagem do equipamento industrial configuram a prestação dos serviços inerentes a formação do engenheiro ou técnico de nível superior ou grau médio; que a ficha cadastral de Declaração de Firma Individual, fl. 31, indica como objeto da empresa" Fabricação de tanques, reservatórios, recipientes metálicos e prestação de serviços de montagens e manutenção". Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 17/07/2006, conforme Termo constante às fls. 41/42, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 11/08/2006, Recurso Voluntário (fls. 44/67), sem instrução de documentos adicionais, o qual, ao ser apreciado pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 30134.661, de 10/07/2008 (fls. 70/75), foi dado provimento, por unanimidade de votos, conforme se verifica em sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES EXCLUSÃO Serviço de Inspeção, Manutenção, Assistência Técnica em Equipamentos Industriais Metalúrgicos e Siderúrgicos – excluídos por ser atividade assemelhada à prestação de serviços de engenheiro. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101001.763 CSRFT1 Fl. 4 5 Retroatividade benigna do artigo 17, § 1°, inciso XIII e § 2° do mesmo artigo da Lei Complementar 123/2006 com redação dada pela Lei Complementar 127/07. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 21/10/2008, conforme Termo constante às fls. 77, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (27/10/2008), o seu Recurso Especial de fls. 79/96, com amparo no art. 7º, inciso II, Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a recorrida fora excluída do SIMPLES por desenvolver atividade contida nas vedações do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, qual seja, "atividades de inspeção, manutenção e assistência técnica em equipamentos industriais, metalúrgicos e siderúrgicos"; que, no entanto, esta mesma questão foi posta à análise da Segunda Câmara deste Conselho, que lhe deu diverso entendimento. Tratavase de analisar a exclusão de microempresa dedicada à atividade assemelhada à representação comercial (agência lotérica) mesmo após o advento da Lei nº 10.684/03, que deu nova redação à Lei nº 10.034/00, excluindo as agências lotéricas das vedações constantes do art. 9º, da Lei n 9.317/96; que a decisão paradigma é posterior à Lei nº 10.684/03, que "beneficiava" a empresa (agência lotérica) excluída, porém, ainda assim, a Câmara considerou que seus efeitos só se dariam a partir de 31.05.2003, data do início da vigência da norma, já que até este marco, as empresas excluídas assim deveriam permanecer (como era o caso daqueles autos); que não há duvida, pois, de que o Colegiado descartou a hipótese de retroatividade, pois expressamente entendeu que a lei teria apenas efeitos pro futuro. Naquela hipótese e na dos presentes autos estamos diante da mesma indagação jurídica, qual seja, a legislação posterior que beneficia a microempresa ao não mais vedarlhe a opção pelo sistema simplificado tem efeitos retroativos?; que a Primeira Câmara, nosso caso, entendeu que SIM; a Segunda, que NÃO. Portanto, inquestionável a configuração da divergência; que, vale acrescentar, a título de reforço, que em outro julgado a própria Primeira Câmara do 3º Conselho decidiu pela não retroatividade da norma que elimina vedação legal à adoção ao SIMPLES; que a Câmara entendeu que a mudança legislativa implica a possibilidade "futura" de reinclusão no sistema, e não a retroatividade da legislação para anular o ADE. Dessa forma, durante certo período de tempo, a Primeira Turma mantinha entendimento diverso daquele agora exarado na decisão recorrida, sob injustificável mudança de posicionamento; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 que a divergência jurídica requerida para admissibilidade do recurso especial não exige identidade fática das situações, mas sim controvérsia jurídica. Tratase de analisar se os colegiados estão aplicando o direito de forma distinta; que, na espécie, pois, a identidade de objeto social ou da motivação no ADE é prescindível para configuração da divergência jurídica, pois a controvérsia é sobre a eficácia da lei no tempo e a "identidade" acima referida não influi, nem contribui para a aplicação das normas regentes do aparente conflito temporal de leis; que no que toca à retroatividade da legislação tributária, cumpre, inicialmente, enfatizar que conquanto o julgado ora colacionado trate de controvérsia relativa ao Imposto de Renda, não se pode olvidar que a matéria veiculada no art. 106, do Código Tributário Nacional, possui natureza de Norma Geral de Direito Tributário. Assim sendo, a discussão empreendida pelo colegiado da Quinta Câmara do Primeiro Conselho (Acórdão nº 10514.110) quanto à correta interpretação desse dispositivo legal, aplicase a qualquer espécie tributária, ou seja, qualquer situação que se vislumbre a retroatividade de norma de conteúdo tributário; que percebese que enquanto o paradigma firma que a retroatividade benigna somente pode se operar quando se tratar de penalidade pelo descumprimento da legislação tributária (art. 106, II, CTN). O aresto vergastado determinou a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006, aos fatos pretéritos regidos pela Lei nº 9.317/96, sem que, no entanto, o conteúdo veiculado naquele normativo tenha caráter punitivo, a ensejar a incidência do inciso II, do art. 106, CTN, ou, ainda, se enquadre em qualquer outra hipótese prevista nesse preceptivo; que, nessa esteira, o presente recurso tem por objetivo obter pronunciamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de pacificar a interpretação e alcance da Lei Complementar nº 123/2006 à luz do art. 106, CTN, precisamente, no que toca ao seu inciso II. Seguem abaixo os acórdãos paradigmas apresentados (fls. 81/82), do qual transcrevo as respectivas ementas na parte que interessa: Acórdão n° 30236070 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não Poderia optar pelo Simples a pessoa jurídica que, até 31/05/2003, prestava serviços assemelhados aos de representação comercial (art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, e art. 1°, inciso IV, da Lei n° 10.034/2000, com a redação dada pelo art. 24 da Lei n° 10.684/2003, publicada em 31/05/2003). NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO. Acórdão n° 30130618 SIMPLES. OPÇÃO. VEDAÇÃO. VENDA DE BENS IMPORTADOS. EFEITOS DA LEI NOVA. VALIDADE DO ATO DECLARA TÓRIO DE EXCLUSÃO. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101001.763 CSRFT1 Fl. 5 7 A revogação do dispositivo legal que impedia a opção pelo Simples pelas pessoas jurídicas cuja receita decorrente da venda de bens importados seja superior a 50% de sua receita bruta total tem o efeito de permitir a opção e submetêlas a esse Sistema a partir do anocalendário seguinte, mas não o de invalidar exclusões anteriormente efetuadas em conformidade com a legislação vigente na data em que foi baixado o Ato Declaratório de Exclusão. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. Em 18/02/2010, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 110000.034, de 18/02/2010 (fls. 99/104), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, em 23/06/2010 (fls. 105), nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, o contribuinte deixou de apresentar as suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em outubro de 2013, passo a formalizar o voto do relator: Cuidam os autos de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com amparo no então art. 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 21/10/2008 (fls. 77) e protocolizado o presente apelo em 27/10/2008 (fls. 79/96), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 8 De fato, cumpre asseverar que a Fazenda Nacional observou os requisitos previstos no então art. 7º, inciso II, do regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria MF nº 147, de 2007, para interpor Recurso Especial da Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123, de 2006 Neste ponto, verificase que o voto do relator do acórdão recorrido conclui pela aplicação retroativa da Lei Complementar 123, de 2006, entendendo que a restrição constante da lei vigente à época do fato julgado, a Lei n° 9.3171/96, autorizaria a incidência do art. 106, do Código Tributário Nacional. Em sentido inverso é o entendimento dos acórdãos paradigmas, qual seja, da impossibilidade de aplicação retroativa. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente a exclusão da contribuinte da opção pelo Simples. Resta claro nos autos que a contribuinte foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 567.413, de 02/08/2004, exarado pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP, sob a presunção de praticar atividade impeditiva da opção pelo regime do SIMPLES. Observase, ainda, que a exclusão tem como base dado extraído da Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) Fiscal que informou no seu cadastro no CNPJ/MF e fundamentase no exercício de atividade impeditiva correspondente à serviço de inspeção, manutenção, assistência técnica em equipamentos industriais metalúrgicos e siderúrgicos que se equipararia às atividades reservadas a profissional de engenharia, ou equivalente, base para o impedimento contido no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame referese à exclusão da contribuinte do SIMPLES, com fundamento no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996, que veda esta opção à pessoa jurídica que: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101001.763 CSRFT1 Fl. 6 9 Alega a recorrente que tem sua atuação preponderante no serviço de inspeção, manutenção, assistência técnica em equipamentos industriais metalúrgicos e siderúrgicos. Alega, que são serviços de pouca complexidade técnica e para a realização destas atividades, não há necessidade de profissionais com habilitação legalmente exigida, como engenheiros. Representam serviços de reparo corriqueiros executados por um simples instalador ou consertador de máquinas e equipamentos. A decisão recorrida apontou como motivo para indeferir o pedido da contribuinte, o de que a atividade alegada e descrita no Contrato Social da empresa seria assemelhada a engenharia ou profissão que requer habilitação legal. Não há dúvidas que existem serviços de montagem, de reparo ou conserto em equipamentos industriais que até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se tratem de peças ou partes de equipamento pesado, integrantes de uma estrutura complexa de produção industrial. Porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso. Seria de se esperar, por prudência, que a repartição de origem no seu trabalho corriqueiro, antes de pretender um fato grave como é a exclusão, ou o impedimento, de uma microempresa ou empresa de pequeno porte do Programa SIMPLES que, pelo menos, verificasse principalmente no Livro de Prestação de Serviços, nas Notas Fiscais de Serviços, com diligência ao local da prestação do serviço, qual de fato é a natureza dos serviços realizados, para se for o caso poder caracterizar, conforme parece apenas supor a administração tributária, pratica de serviços de assessoria, consultoria, projetos de equipamentos, algo que pudesse caracterizála como empresa que pratique serviço de engenharia ou assemelhado. É fora de dúvida, que o serviço de engenheiro habilitado seja exigível a atividades de projeto de máquinas, ou até de supervisionar certos serviços de instalação e manutenção de equipamentos específicos. Mas, é fora de dúvida igualmente que as cidades estão cheias de pequenas empresas que consertam e reparam máquinas e equipamentos, ou auxiliam a instalação do equipamento que vendem, sendo serviços que, em geral, absolutamente dispensam a participação de engenheiro ou qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida, requerendo mão de obra não especializada de um prático, que na realidade do nosso país, em geral, muitas vezes não chegou nem a completar o segundo grau escolar. Esse tipo de atividade evidentemente não está vedado ao SIMPLES, e qualquer interpretação que pretenda equiparar o serviço prestado por um simples instalador, ou consertador de máquinas e equipamentos usados, com mera substituição de peças nos casos corriqueiros, ao serviço de engenheiro, tem de ser vista com desconfiança. Ademais, no tocante às atividades descritas no contrato social, destacase que não encontram mais vedação para sua inclusão no SIMPLES, pois com o advento da Lei 11.051, de 2004, tais atividades deixaram de ser vedadas, nos seguintes termos: Art. 15. O art. 4º da Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei te 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 10 II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. § 1° Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2° As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 3° Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2º deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal — SRF promoverá a reinclusão de oficio dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. § 4° Aplicase o disposto no art. 2º da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1º de janeiro de 2004. Registrese, ainda, que com o advento do ato declaratório executivo ADE SRF nº 8, de 18/01/2005 do Secretário da Receita Federal, o motivo indicado como fundamento para a permanência da recorrente no Simples (inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996) foi fortalecido: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 40 da Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, declara: Artigo único. Ficam cancelados os Atos Declaratórios Executivos, emitidos pelas unidades descentralizadas da Secretaria da Receita Federal em 2004, para a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em decorrência, exclusivamente, do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, das pessoas jurídicas que exerçam as seguintes atividades: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101001.763 CSRFT1 Fl. 7 11 I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. A atividade econômica atribuída à empresa (serviço de inspeção, manutenção, assistência técnica em equipamentos industriais metalúrgicos e siderúrgicos) pode ser tipificada, por semelhança, no inciso I supramencionado, sem maiores complicações. Considerar a atividade desenvolvida pela Recorrente como sendo de Engenheiro Mecânico/Eletricista é atribuir aplicação extensiva à Lei do Simples, sem que haja situação fática compatível para esta interpretação. Aliás, ainda que precisasse realizar eventualmente algum serviço de maior complexidade e rigor técnico, próprio dos engenheiros, isso não poderia, por si só, ensejar a sua exclusão do SIMPLES. Neste sentido, são as decisões das então Primeira e Segunda Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, proferida nos Acórdãos 30130.581 e 30236.086, cujas ementas se transcrevem: Acórdão nº 30130.581 PRESTAÇÃO ESPORÁDICA DE SERVIÇOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE TERCEIROS — AUSÊNCIA DE SEMELHANÇA COM ATIVIDADE DE ENGENHEIRO — O reparo e manutenção de máquinas e equipamentos de terceiros somente impedem a opção pelo SIMPLES quando constitua atividade típica e inserida no campo das atribuições do profissional de engenharia, ainda que seja irrelevante para a exclusão do Sistema a prestação ocasional do serviço, não impede a opção pelo SIMPLES. Provido por unanimidade. Acórdão nº 30236.086 SIMPLES. OPÇÃO. OFICINA DE MANUTENÇÃO DE APARELHOS ELETRO ELETRÔNICAS. POSSIBILIDADE. As pessoas Jurídicas que exploram o ramo de manutenção de aparelhos eletrônicos igualmente às oficinas de manutenção de veículos, que utilizam mãodeobra não qualificada e prestam os serviços no próprio estabelecimento, não se assemelham às atividades de engenheiro e podem optar pelo SIMPLES RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 12 Diante do conteúdo dos autos, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
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Numero do processo: 10814.010014/2005-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/03754626, em 06/05/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 445,83 (quatrocentos e quarenta e cinco reais e oitenta e três centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias n°s. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenàs de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. OptouSe 'pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 41), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 06/05/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/03754626, tendo deixado de pleitear o beneficio em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 24/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 445,83 (quatrocentos e quarenta e cinco reais e oitenta e três centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o beneficio da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Voltemos à síntese dos fatos. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010014/200533 Acórdão n.º 310201.069 S3C1T2 Fl. 2 3 certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 44). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 44). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Noticia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, beneficio este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um beneficio condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 45/46 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 47/50). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos, para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITORIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS 'TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010014/200533 Acórdão n.º 310201.069 S3C1T2 Fl. 3 5 Conforme art. 165 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010014/200533 Acórdão n.º 310201.069 S3C1T2 Fl. 4 7 Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 03 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11128.004201/2004-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 29/07/2004
Extravio de Mercadoria - A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria por expressa determinação legal, será solidariamente do Agente Marítimo. Entrada de Mercadoria no Território Nacional com Destino ao Paraguai. Caracterizado o extravio da mercadoria em território nacional. Devido o Imposto de Importação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.968
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Entrada de Mercadoria no Território Nacional com Destino ao Paraguai. Caracterizado o extravio da mercadoria em território nacional. Devido o Imposto de Importação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 31/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Helder Kanamaru, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 42 01 /2 00 4- 06 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1717.448 da 1ª Turma da DRJ/SP2, que julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado contra a recorrente. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 01 a 18, em face da empresa acima qualificada, para exigência do crédito tributário — Imposto de Importação e multa prevista no artigo 628, III alínea "d" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4543/02, apurado por meio do Termo de Vistoria processo n°. 11128.003849/200457, no valor R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Segundo consta dos autos, a vistoria aduaneira foi realizada a pedido do importador AQUIDABAN IMPORT EXPORT, nas mercadorias amparadas pelo conhecimento de carga PCA672497, acondicionadas no container INKU 226.8632, descarregado do navio MONTEMAR SALVADOR, que entrou no Porto de Santos em 02/07/2004. De acordo com o Termo de Avaria de Container n°. 004485/2004, emitido pelo depositário, a unidade de carga referenciada foi descarregada com avaria, divergência de peso e lacre, motivo pelo qual foi constituída a Comissão de Vistoria Aduaneira para verificar a ocorrência de avaria e/ou extravio das mercadorias estrangeiras ingressadas no território nacional bem como identificar o responsável e apurar o crédito tributário dele exigível, nos termos do artigo 581, § 1° do Decreto 4543/2002. Após a realização dos trabalhos, a Comissão de Vistoria Aduaneira concluiu que a responsabilidade pela falta das mercadorias estrangeiras, conforme demonstrado no DAAF — Demonstrativo de Apuração de Avaria e/ou Falta da Mercadoria, era do transportador — emissor do Conhecimento Marítimo — CSAV —COMPANIA SUD AMERICANA DE VAPORES S/.A REP. P/ CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, com base nos artigos 591 e 592 do Decreto n°. 4.543/02, cuja matriz legal é o DecretoLei n°. 37/66. Cientificada da autuação, a interessada protocolizou sua impugnação de fls.71/98, argumentando em síntese que: 1. Não é contribuinte do Imposto de Importação nem transportadora marítima que deu causa ao suposto extravio da carga, mas mera agente mandatária da armadora locatária do navio, emissora do conhecimento de carga; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004201/200406 Acórdão n.º 3102001.968 S3C1T2 Fl. 3 3 2. 0 container em questão foi estufado e lacrado pelo próprio exportador dizendo conter 3.064 caixas de papelão com partes de computadores e outros produtos conforme fatura comercial anexa; 3. A unidade de carga foi embarcada no porto de Miami para ser descarregada no porto de Santos em trânsito para a Cidade do Leste, Paraguai, seu destino final; 4. Tal transporte foi realizado na condição FCUFCL, também conhecida como HousetoHouse (CasaaCasa), termo denotando um serviço de frete onde as mercadorias são estufadas num container nas dependências do exportador, que é entregue lacrado ao navio transportador, e se) são desovadas nas dependências do consignatário ou local por este designado sob a cláusula "said to contain" (diz conter); 5. 0 navio atracou no porto de Santos em 02 de julho de 2004 no terminal da LIBRA e descarregou a unidade de carga que apresentou indícios de avaria (diferença de peso e falta de lacre de origem); 6. A vistoria aduaneira foi solicitada pelo consignatória da mercadoria representado por seu procurador local; 7. A Comissão de Vistoria Aduaneira concluiu que a responsabilidade pelas avarias apontadas no termo emitido pelo depositário (lacre de origem violado, falta de mercadorias) foi do transportador, emissor do conhecimento marítimo — CSAV —COMPAN IA SUO AMERICANA DE VAPORES S./A; 8. 0 lançamento do crédito tributário contra a CIA LIBRA DE NAVEGAÇAO, mandatária do transportador, é anulável de pleno direito, primeiro porque a jurisprudência de nossos Tribunais já decidiu que o agente marítimo não responde por tributos devidos pelo seu agenciado e, segundo que as mercadorias em trânsito para o Paraguai são beneficiadas pelo regime aduaneiro livre, por força do acordo internacional sancionado por Decreto; 9. Assim, preliminarmente, há de ser reconhecida a ilegitimidade passiva do agente marítimo para responder por débito fiscal imputado a transportador, ainda que estrangeiro; 10.A exação fiscal é ilegal, pois está lastreada no artigo 32 § único do Decreto 2.472/88, cuja inconstitucionalidade já foi consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstra a farta jurisprudência juntada ao processo; 11. A tributação contida no termo de Vistoria Aduaneira n°. 41/04, objetiva a cobrança do Imposto de Importação e multa atinentes às mercadorias que não foram importadas por brasileiros, mas em trânsito aduaneiro para o Paraguai. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Posto isso, não há fundamento para considerar a defendente, mero agentemandatário do transportador marítimo emissor do BL, responsável pelos tributos relativos ao extravio de carga em transito aduaneiro internacional. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela procedência do lançamento, consoante se depreende da ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/07/2004 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA — Por expressa determinação legal, o Agente marítimo responde pelo extravio de mercadoria que se encontrava sob custódia do transportador estrangeiro. Decretolei n°. 2.472/88. Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 29/07/2004 Ementa: VISTORIA ADUANEIRA — Extravio de Mercadoria — Responsabilidade do Transportador — A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadorias ocorrido durante o transporte, será do representante do transportador estrangeiro por expressa determinação legal. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso alegando em síntese que: 1. O lançamento decorre do transporte náutico entre MIAMI e Ciudad del Este – em trânsito pelo porto de Santos, onde foi apenas agente mandatário da Compania Sud Americana de Vapores S.ª CSAV; 2. De acordo com o termo de vistoria aduaneira o emissor de conhecimento de embarque foi a Compania Sud Amreicana de Vapores S.ª CSAV; 3. A recorrente, como agência marítima, apenas realiza os procedimentos inerentes a atracação, operações de carga e administração das despesas relativas ao navio no país; 4. As atribuições do agente são distintas do transportador, pois o agente apenas detém poderes de administração, não respondente pelos negócios do mandante; 5. Argumenta por fim a recorrente não ser devido o Imposto de importação por ser o lançamento baseado em operação na qual a mercadoria é destinada ao Paraguai; Após analisadas a razões do recurso o feito foi convertido em diligência, por este conselho, com base nos seguintes argumentos: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004201/200406 Acórdão n.º 3102001.968 S3C1T2 Fl. 4 5 Conforme relatado, o Contribuinte argüi em sua defesa não ser sujeito passivo do Imposto de Importação, porquanto não seria ele o transportador marítimo que deu causa ao suposto extravio da carga, mas agente marítimo, mero mandatário da armadora locatária do navio. A solução dessa questão é imprescindível para o deslinde da controvérsia, na medida em há que se determinar o papel desempenhado pelo Recorrente na operação para se verificar sua responsabilidade pelo débito tributário. Contudo, não verifico nos autos documento apto a permitir a verificação do exato papel desempenhado pelo Contribuinte, ora recorrente. Saliento que o estatuto social do Recorrente (fl. 191) autorizao tanto a agir como transportador como simples mandatário. Isso posto, converto o julgamento em diligência à Repartição de origem para que o Contribuinte, ora Recorrente, seja intimado a apresentar cópia, com tradução juramentada para o português, se o contrato estiver lavrado em idioma estrangeiro, do contrato celebrado entre o Contribuinte e a empresa CSAV — COMPANHIA SUD AMERICANA DE VAPORES S/A, para o transporte da carga a que, de acordo com o Auto de Infração de fls. 1 e seguintes, corroborado com o pedido de Vistoria Aduaneira de que cuida o presente processo administrativo (Container INKU n° 226.8632, Termo de Avaria de Container n° 004485/2004), foi extraviada e está a dar ensejo à cobrança de Imposto de Importação e multa. Em atenção à diligência requerida a recorrente apresentou requerimento no qual anexa apenas a procuração celebrada com a CSAV – Compania Sud Americana de Vapores S/A, ressaltando ainda que a CSAV não é mais por ela agenciada. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Ilegitimidade Passiva O Recorrente, no escopo de seu Recurso Voluntário ora em análise, tratou de salientar e, pois, diferenciar a função e poderes concernentes ao Agente Marítimo. Neste entendimento, fundamentou que o agente marítimo não executa tampouco responde pelos negócios praticados por seu mandante. Assim sendo, ressalta que, apesar de ter assinado um Termo de Responsabilidade para com o mandante, não responde Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 pelo pagamento do tributo em face do princípio da reserva legal, elencando, para tanto, jurisprudências e doutrinas atinentes à referida ausência de responsabilidade. Desse modo, o Recorrente argüiu sua ilegitimidade. Ocorre, entretanto, que o Decretolei nº 37/66 dispõe e atribui, em observância ao art. 32, a responsabilidade tributária ao representante, no caso em liça a CIA LIBRA DE NAVEGAÇÂO, do transportador. Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Ora, expressa é a disposição deste diploma legal acerca da responsabilidade solidária do Recorrente, na qualidade de representante, para com o transportador estrangeiro. Neste entendimento já se pronunciou este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 05/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. Extravio de Mercadoria Responsabilidade do Transportador. A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria ocorrida durante o transporte será do representante do transportador estrangeiro, por expressa determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Data do fato gerador: 05/04/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente Consolidador / Desconsolidador /Marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004201/200406 Acórdão n.º 3102001.968 S3C1T2 Fl. 5 7 Recurso Voluntário Negado. 1 Mérito. Mercadoria Destinada ao Paraguai O Imposto de Importação – II, de competência da União, consoante disciplina o art. 153, I e § 1º da Constituição Federal. Frisese que o tributo em comento fora instituído através do DL 37/66. O Recorrente, no que concerne ao fato do extravio das mercadorias ora destinadas ao Paraguai, alega que estas escapam “da condição de importada, e como tal não geraria de qualquer sorte, tributos a serem indenizados à Fazenda Nacional, em virtude de seu extravio.” Ora, é importante observar o que dispõe o DL 37/66 no que tange à incidência e o fato gerador do Imposto de Importação: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. Assim sendo, concluise que o imposto em comento incide sobre a mercadoria estrangeira, que consiste naqueles bens que tenham origem no exterior, sendo inseridos ou introduzidos ao país. De outro norte, relevante se faz analisar se o fato gerador do tributo em questão se perfaz. Neste diapasão, importante notar a clareza com que o dispositivo o demonstra, consistindo, de maneira clarividente, na entrada no Território Nacional da mercadoria estrangeira. Assim, inferese que “a legislação atinente a este imposto somente será aplicada com a entrada física do bem no território brasileiro, ou seja, a partir de tal momento a União possui legitimidade para exigir o tributo.” 2 Logo, temse que a consumação do fato gerador do imposto de importação ocorre com a entrada dos produtos no território nacional, de maneira que torna possível a aplicação da legislação tributária pertinente pela fiscalização. Em que pese que haja possíveis dúvidas a respeito do tema, importante se faz notar a sequência do dispositivo supracitado, do Decretolei 37/66: § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 3º Para fins de aplicação do disposto no § 2º deste artigo, o regulamento poderá estabelecer percentuais de tolerância para a falta apurada na importação de granéis que, por sua natureza ou condições de manuseio na descarga, estejam sujeitos à quebra ou decréscimo de quantidade ou peso. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). 1 CARF 3ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 310100445 do Processo 11128003841200571 2 CARNEIRO, Cláudio. Impostos Federais, Estaduais e Municipais. 2.ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris,2010. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Ora, para elucidação dos parágrafos ora transcritos, a eminente autora Raquel Novais é precisa em suas lições: “ainda que determinada mercadoria não ingresse pelo país passando pelas repartições aduaneiras competentes, seja pela sua natureza, seja pela sua destinação, mas que se de destinem a permanecer no território nacional – caracterizado está o evento; uma vez caracterizado o evento, nasce o dever jurídico de promover a sua descrição, no ato de lançamento, nas repartições aduaneiras competentes, local onde será transformado em fato jurídico tributário e no qual será constituído em crédito tributário. 3 Diante de tais lições, demonstrase que diante do extravio de mercadorias no presente caso, adentrando ao território nacional mercadorias estrangeiras, nasce, para o Recorrente, os deveres jurídicos para com a realização da tributação devida. Entretanto, o Recorrente, com base nos argumentos consubstanciados em sede de Recurso, sustenta que caberia à Fazenda vinculada ao Estado paraguaio realizar a presente tributação, a qual teria sido erroneamente realizada pela Fazenda brasileira. Objetivando sustentar referido entendimento, elenca jurisprudências e doutrinas diversas. Ora, a entrada da mercadoria no território nacional é o fato gerador do imposto de importação, este independe da destinação da mercadoria, entretanto, aplicase a suspensão do pagamento dos tributos, em determinadas situações prevista na norma. Ainda que se sustente supostos acordos internacionais para a não tributação das mercadorias consignadas pela autoridade fiscal, frisese que o acordo entre o Brasil e Paraguai não tem qualquer norma que restrinja o poder brasileiro de tributar, de tal modo que ao Brasil, em razão do acordo salientado, compete, tão somente, permitir a passagem e o depósito em território nacional de produtos importados ou exportados pelo Paraguai. Logo, denotase que não é possível vincular o fato gerador do tributo à destinação final da mercadoria, visto que somente a entrada da referida mercadoria em território nacional implica, desde já, em sua tributação. Ora, com base nos regulamentos que dispõem acerca da situação fática em deslinde, assim como, diante da constatação da competência das autoridades pátrias para com a tributação do extravio das mercadorias que, porventura, tinham o Paraguai como destinatário final, denotase, de maneira clarividente, a configuração da responsabilidade, ainda que solidária, do Recorrente. Por todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a responsabilidade do contribuinte, ora Recorrente e auto de infração lançado. Sala de sessões 25 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho 3 Curso de especialização em direito tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho. / Coordenador: Eurico Marcos Diniz de Santi. Rio de Janeiro: Forense, 2005. pg. 1.082. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.004201/200406 Acórdão n.º 3102001.968 S3C1T2 Fl. 6 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 31/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10070.002309/2002-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: LIVIA VILAS BOAS E SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinatura digital) JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente Substituto (Assinatura digital) Lívia Vilas Boas e Silva - Relatora EDITADO EM: 10/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Lívia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por HEMATOLOGISTAS ASSOCIADOS S/C LTDA. em face de acórdão proferido pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO – RJ assim ementado: 1 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Ano-calendário: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO Deve ser mantido o auto de infração lavrado após auditoria interna de DCTF e em decorrência da não localização de pagamento vinculado a débito informado na referida declaração, se o contribuinte não comprova a existência do pagamento na fase impugnatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O caso foi relatado pela Delegacia Regional de Julgamentos recorrida, verbis: Versa este processo sobre o auto de infração de fls. 08 a 16, lavrado no âmbito da antiga DEFIC/RJO, para a exigência de IRRF, no valor de R$ 113.767,96, com multa de 75% e juros de mora. O lançamento decorre da apuração pelo Fisco, em procedimento de auditoria interna na DCTF do 4° trimestre de 1997, de falta de recolhimento de tributo nela informado, conforme descrição e enquadramento legal constantes à. fl. 09. Cientificada do auto de infração, a contribuinte, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 01 a 05, acompanhada de documentos (fls. 06 a 41). Alegou, em preliminar que: - o auto de infração seria nulo, em face da falta de clareza na descrição dos fatos e na indicação do dispositivo legal infringido, e, além disso, contrariaria o art. 842 do RIR, por não ter sido precedido por intimações, - seria nula a forma de intimação feita com base nas IN SRF n° 45 e 77, de 1998, inexistindo previsão legal para o Fisco efetuar intimações via internet, em desacordo, aliás, com o art. 992 do RIR e com o art. 23 do Decreto n° 70.235/1972; - em razão de possuir endereço certo, o Fisco deveria ter solicitado as informações necessárias para esclarecer os pontos levantados na auditoria, em vez de publicar editais ou divulgar listas pela internet. No mérito, asseverou que todo o débito teria sido recolhido e que a DCTF (referente ao 4° trimestre de 1997) teria sido entregue com erros. Ponderou que ela teria apresentado DCTF retificadora para corrigir os erros e a duplicidade de informações que existiriam na declaração original, tendo, inclusive, juntado à impugnação cópias das guias de recolhimento (26 a 41) e cópia da solicitação de refitificação da DCTF (fls. 42 a 46). Ao final, protestou pela produção de provas documentais e periciais. Recebida a impugnação, o processo foi encaminhado à Derat/RJO, onde foi promovida a revisão de oficio do lançamento, na forma do despacho intitulado "Revisão de Lançamento n° 50/2011 (fls. 66/77), que reduziu o valor do principal de R$ 113.767,96 para RS 14.519,63 e 2 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 determinou ‘o prosseguimento da exigência dos créditos tributários procedentes e o cancelamento dos créditos tributários improcedentes, conforme Demonstrativo de fls. 60 a 65’. Cientificada do Despacho, em 23/02/2011 (fl. 69), a interessada aditou razões de defesa à sua impugnação, na forma da petição de fls. 71 a 76, alegando, em suma, que: - o lançamento seria improcedente, sendo que as diferenças remanescentes após a revisão de oficio corresponderiam a erros na DCTF, que teriam sido objeto de solicitação de retificação de DCTF, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998; - o auto de infração para cobrança do IRRF referente ao período de julho a dezembro de 1997 teria sido emitido em 13/05/2002; a impugnação teria sido apresentada em 12/07/2002 e a revisão de ofício teria ocorrido em 16/02/2011, com ciência em 01/03/2001, ou seja, 14 anos após o fato gerador e 8 anos após a apresentação da impugnação; - teria havido a prescrição intercorrente, levando-se em conta que a RFB somente teria se pronunciado a respeito da sua impugnação após quase nove anos; - a solicitação de retificação de DCTF, realizada nos termos da IN SRF n° 126/1998, teria se sujeitado aos efeitos homologatórios a teor do art. 899 do RIR; - após cinco anos teria havido a homologação do seu pedido; - o art. 156 do CTN determinaria que o crédito tributário se extinguiria pela decadência e prescrição; - as retificações previstas em requerimentos administrativos teriam previsão legal específica quanto ao prazo de homologação (Lei n° 9.430/1996, art. 74, § 5°), que seria de cinco anos contados da entrega da declaração; - como já mencionado na impugnação, ao perceber o engano cometido no preenchimento da DCTF, teria solicitado retificação do documento, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, cujo inc. III do art. 8° previa a ‘solicitação, em processo administrativo’; - a solicitação de retificação de DCTF teria sido apresentada no dia 12 de julho de 2002, por meio de processo legal, que até então não se encontraria julgado; - a autoridade que procedeu à revisão de ofício teria mantido a cobrança dos valores impugnados por meio da retificação de DCTF, sob o argumento de que seria vedada a apreciação de DCTF que visasse reduzir os débitos, citando redação de texto encontrado na IN SRF n°255, de 11/12/2002; 3 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 - a manutenção da cobrança do valor remanescente teria se fundamentado em norma com vigência posterior ao ato praticado, uma vez que o pedido de retificação da DCTF teria sido apresentado em 12/07/2002, sob a égide da IN SRF n° 126, de 30/10/1998; - o Estado não poderia cobrar do contribuinte valores indevidos, ligados a um pedido de retificação de DCTF pendente de apreciação. O acórdão acima ementado considerou insubsistente a impugnação e procedente o lançamento do crédito tributário revisto de ofício, no valor de R$14.519,63, além da multa de 75% e dos acréscimos moratórios. Inicialmente, o acórdão da Delegacia Regional de Julgamentos entendeu precluído o protesto por apresentação de prova documental, diante da ausência de comprovação de alguma das hipóteses do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim como prescindível a produção de prova pericial, uma vez que a interessada, além de não ter indicado perito ou quesitos da perícia, apresentou alegações passíveis de demonstração nos autos, cuja matéria não exigiria o pronunciamento de técnico especializado no assunto. Em sede de preliminar, o acórdão asseverou que não houve nulidade do auto de infração, uma vez que o lançamento teria sido lavrado em atenção aos preceitos do art. 142 do CTN e apresentados todos os requisitos enumerados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, especialmente a descrição dos fatos e o enquadramento legal, que permitiram à ora Recorrente conhecer perfeitamente a infração que lhe estava sendo imputada e se defender sem dificuldade. O acórdão asseverou, também, que a contribuinte foi devidamente intimada do auto de infração por via postal (fl. 59), em conformidade com o Decreto nº 70.235/1972, não sendo cabíveis os questionamentos referentes a intimações por edital ou internet, bem como que a contribuinte pode impugnar livremente o auto de infração, não subsistindo a alegação de que a falta de intimação prévia para esclarecimentos macularia o lançamento levado a efeito. Ainda, em preliminar, o acórdão entendeu que não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo, destacando, quanto aos fatos geradores referentes aos créditos tributários remanescentes após a revisão de ofício, que o lançamento se deu antes do término do prazo decadencial (art. 150, §4º, do CTN) e que a impugnação tempestiva suspenseu a exigibilidade do crédito tributário lançado. No mérito, o acórdão negou provimento à impugnação ao argumento de que a retificação da DCTF, para ser admitida, teria de ser anterior ao lançamento (art. 147 do CTN), ao contrário do que ocorreu. Ademais, a contribuinte não apresentou qualquer documento comprobatório de seu alegado equívoco no preenchimento da DCTF tanto em 2002 (ao impugnar o auto de infração e solicitar retificação de DCTF) como em 2011 (ao aditar razões de defesa à impugnação, após a revisão de ofício), não obstante caber-lhe essa providência, nos termos do inciso III e §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Cientificada da decisão acima referida, por via postal, em 16/04/2013, Aviso de Recebimento (AR), fl. 129, a contribuinte apresentou, em 26/04/2013, recurso voluntário, fls. 132/138, trazendo as seguintes alegações. 4 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Preliminarmente, alega prescrição intercorrente no processo administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 13/05/2002 e entregue à contribuinte em 12/06/2002, que apresentou impugnação em 12/07/2002, julgada apenas em 01/03/2011, com um decurso de prazo, portanto, de quase 9 anos da impugnação e 14 anos do fato gerador; No mérito, alega (a) que o valor do crédito tributário de R$11,97, que tinha como vencimento o dia 09/07/1997, foi recolhido no dia 30/09/1997, com os devidos acréscimos legais (guia nos autos, fl. 33); e, (b) que solicitou retificação de sua DCTF em 12/07/2002, com fundamento na IN SRF nº 126, de 30/10/1998, cujo art. 8º permitiria a alteração mediante solicitação em processo administrativo próprio, que, todavia, não havia sido julgado até a apresentação do Recurso Voluntário. É o relatório. VOTO LÍVIA VILAS BOAS E SILVA - Conselheira Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Ao exame da preliminar argüida pela Recorrente, destaca-se que a alegação encontra óbice na Súmula CARF nº 11, segundo a qual “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. (Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, Seção I, em 23/12/2010). Vencido esse ponto, passa-se ao exame do mérito, que envolve a análise dos lançamentos das das seguintes rubricas (fl. 60): 1 – Lançamento de valor residual de R$11,97, decorrente do crédito original de R$419,61, com data de vencimento em 09/07/1997 (PA 01-07/1997); 2 – Lançamento de valor residual de R$227,02, decorrente do crédito original de R$13.595,80, com data de vencimento em 06/08/1997 (PA 05-07/1997); 3 – Lançamento de valor residual de R$11,97, decorrente do crédito original de R$2.288,61, com data de vencimento em 08/10/1997 (PA 05-09/1997); 4 – Lançamento de valor de R$14.268,67, correspondente ao crédito original, com data de vencimento em 08/10/1997 (PA 05-09/1997). Sobre o lançamento de valor residual de R$11,97, destaca-se que o valor do crédito tributário original foi de R$419,61, desdobrado em duas parcelas, sendo uma de R$407,64 e outra de R$11,97 (fl. 11). Conforme análise da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (fl. 60), foi reconhecido o pagamento do valor de R$407,64, em 09/07/1997, conforme DARF juntada à fl. 89. Contudo, não consta dos registros daquela Delegacia o reconhecimento do pagamento do valor de R$11,97, que tinha como vencimento o dia 09/07/1997, mas que foi recolhido no dia 30/09/1997, com os devidos acréscimos legais no importe de R$2,66, conforme se verifica do DARF que se encontra nos autos também à fl. 89. 5 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Com relação aos demais créditos, todos decorrem de informações de valores a maior na DCTF do 3º e do 4º trimestre de 1997, após revisão de ofício do lançamento feita com base nas informações apresentas pelo Recorrente, quais sejam, a Solicitação de Retificação de DCTF e as guias de recolhimento. Contudo, a Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, defende que o pedido de retificação não corresponde a uma “DCTF retificadora”, mas sim a um “processo administrativo” com permissivo no inciso III do art. 8º da IN SRF nº 126, de 30/10/1998, transcrita abaixo: Art. 8º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF, já entregue, serão formalizados por meio de: I - DCTF retificadora, até a data prevista para a entrega tempestiva da respectiva declaração original, mediante a apresentação de nova DCTF, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada; II - DCTF complementar, para declarar novos débitos ou acréscimos aos valores de débitos já informados, após encerrado o prazo para a entrega da respectiva declaração original; III - solicitação, em processo administrativo, nos demais casos. § 1º Não será admitida a apresentação de DCTF retificadora após encerrado o prazo para a entrega da respectiva declaração original. § 2º O pedido de alteração mencionado no inciso III será apreciado pela Delegacia da Receita Federal ou Inspetoria da Receita Federal, classe A, da jurisdição do domicílio fiscal da pessoa jurídica. Sobre esse processo administrativo, a Recorrente alega que "a competente solicitação de retificação de DCTF foi apresentada no dia 12 de julho de 2002, através de processo legal, que até hoje não se encontra julgado, como se verifica do andamento processual através do sistema COMPROT". Assim, considerando a Instrução Normativa vigente à época e o processo administrativo nº 10070.002304/2002-10 apresentado pela Recorrente (fl. 80), propõe-se a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, para que sejam juntados aos autos cópia integral do processo administrativo protocolado na citada data de 12 de julho de 2002, haja vista a relevância dessas informações para a análise do mérito. (Assinatura digital) LÍVIA VILAS BOAS E SILVA - Relatora 6 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11080.918917/2012-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/07/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 17 /2 01 2- 88 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918917/201288 Acórdão n.º 3801005.100 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10660.724442/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. SÚMULA CARF Nº 32
Quando restar comprovado nos autos que a movimentação financeira não pertencia ao titular da conta bancária, mas sim a terceiros que a movimentavam - inclusive com a outorga de procuração para este fim - cabe o lançamento em nome dos terceiros responsáveis por esta movimentação, e não em nome do titular da conta. Aplicação do enunciado nº 32 da Súmula deste CARF: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
Numero da decisão: 2102-003.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Bernardo Schmidt e José Raimundo Tosta Santos, que negavam provimento.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 13/02/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. SÚMULA CARF Nº 32 Quando restar comprovado nos autos que a movimentação financeira não pertencia ao titular da conta bancária, mas sim a terceiros que a movimentavam inclusive com a outorga de procuração para este fim cabe o lançamento em nome dos terceiros responsáveis por esta movimentação, e não em nome do titular da conta. Aplicação do enunciado nº 32 da Súmula deste CARF: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Bernardo Schmidt e José Raimundo Tosta Santos, que negavam provimento. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 44 42 /2 01 0- 13 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração com responsabilização solidária e pessoal de suas filhas, Cynthia Flores Corsetti e Adriene Flores Corcetti, tendo sido apurado o crédito tributário no valor total de R$1.769.889,14 (um milhão, setecentos e sessenta e nove mil, oitocentos e oitenta e nove reais e quatorze centavos), já acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2006 e 2007, anoscalendário 2005 e 2006, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal nº 06.1.06.002008002920, com o objetivo de apurar possíveis infrações fiscais, motivada por movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, tendo ocorrido movimentações financeiras em instituições bancárias, cujos valores eram superiores a R$1.500.000,00 e a R$1.350.000,00, respectivamente. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação é decorrente do seguinte: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta corrente, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo e os sujeitos passivos solidários, regularmente intimados, não comprovaram, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. A ação fiscal encontrase minudenciada no mencionado Termo de Verificação Fiscal, do qual merece ser transcrito o seguinte trecho da conclusão da Fiscalização: Embora a referida conta tenha como titular de direito, a Sra. Alice Flores Corcetti, CPF 532.517.09615, os fatos apurados pela auditoria fiscal apontaram que os recursos creditados nesta conta a partir de 01/07/2005 a 31/12/2006, foram usufruídos também por suas filhas Adriene Flores Corcetti e Cynthia Flores Corsetti. Os depoimentos de várias testemunhas e os vários documentos levantados no transcorrer da auditoria fiscal, demonstram que Fl. 784DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10660.724442/201013 Acórdão n.º 2102003.234 S2C1T2 Fl. 740 3 ao sacar o dinheiro em espécie, efetuar pagamento de compromissos particulares ou prover o capital necessário para realizar negócios diversos, utilizando os recursos depositados na referida conta bancária, a titular da conta e suas procuradoras tiraram proveito dos recursos ali depositados. Como ficou caracterizado o interesse comum em relação aos fatos apurados, seria necessário que a fiscalizada, e/ou suas procuradoras, identificassem, mediante documentação hábil e idônea, para cada crédito na conta, qual seria a atividade econômica correspondente. Todavia, ao serem intimadas a prestar tais esclarecimentos, disseram que os recursos seriam decorrentes de negócios informais realizados pela fiscalizada de compra e venda de produtos diversos sem apresentar nenhuma documentação que comprovasse tal alegação (doc. fls. 284/341). Deuse, ainda, a Representação Fiscal para Fins Penais, abrigada no processo nº 10660.725306/201032. Cientificada do lançamento fiscal e inconformada, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 364/394, por meio do qual alegou: a nulidade do lançamento, em face de ausência de motivação do ato administrativo, porquanto tratou a Sra. Alice Flores Corcetti como interposta pessoa, mas, mesmo assim, identificoua na forma de sujeito passivo da obrigação; tal fato, encontrase sedimentado na qualificação da multa de ofício, quando se observa que as Sras. Adriene Flores Corcetti e Cynthia Flores Corsetti corresponderiam aos corretos sujeitos passivos; ampara as arguições produzidas nesse contexto, com citações da doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello, Raquel Cavalcanti Ramos Machado, Hugo Brito de Machado e Hely Lopes Meirelles, Paulo de Barros Carvalho, o entendimento firmado pelo CARF estampado na Súmula nº 34, e, ainda, no art. 3º do CTN e no art. 42, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/1996; suscitou a decadência parcial do crédito tributário constituído, relativamente ao anocalendário 2005, com fulcro no art. 150, parágrafo 4º, do CTN, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 12/01/2011; acompanha a adução a série de ementas de acórdãos produzidos pelo Conselho de Contribuintes, transcritas às fls. 375/376; às fls. 377/388, arrazoou quanto à inaplicabilidade da multa de ofício qualificada, porquanto inexistiu fraude que a ensejasse; tecendo a defendedora referências ao art. 44, II, da lei n 9.430/1996, aos arts. 108, parágrafo 1º, 142 e 149 do CTN; entende que o fato de não haver ofertado à tributação suposta presunção de omissão de rendimentos, lastreada exclusivamente em movimentações bancárias não reflete prática fraudulenta; diante das explanações realizadas para o tópico precedente, formulou os quesitos, à fl. 385, direcionados à autoridade lançadora, no propósito de que essa respondesse sobre a ausência de constituição de crédito tributário de valores correspondentes ao período de janeiro a junho/2005, bem como sobre a solidariedade atribuída às duas filhas da impugnante, quando se notava querer tratar a autuada como interposta pessoa; à fl. 393, sintetizou o tópico da seguinte forma: “Pela não caracterização de fraude e desqualificação da multa de ofício de Fl. 785DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 150% para 75%, por todas as razões de direito apresentadas e com consequência pela não sujeição passiva solidária das mandatárias, pois não há crime contra a ordem tributária”; trouxe ainda, em questão tratada como vestibular, seu reclamo acerca da inobservância ao sigilo bancário, com base nos reflexos da decisão do STF que declarou inconstitucional a sua ordem judicial, de acordo com as assertivas produzidas às fls. 388/391; no mérito, citou erros cometidos na apuração mensal desenvolvida, relativamente aos cheques devolvidos, quando apurou serem devidas as exclusões dos valores listados nos quadros à fl. 392, nos totais de R$1.192,30 (anocalendário 2005) e R$5.236,05 (anocalendário 2006); para amparo de suas alegações, a Contribuinte fez colacionar os documentos de fls. 396/525; As responsáveis solidárias, Cynthia Flores Corsetti e Adriene Flores Corcetti, ofereceram, respectivamente, as impugnações de fls. 526/537 (com os documentos de fls. 538/586) e de fls. 590/602 (com os documentos de fls. 603/652), as quais contêm o mesmo teor, exceto por questão tratada às fls. 596/597, atinente à adução de uma operação de compra e venda de imóvel envolvendo a segunda responsável solidária citada e José de Fátima Pereira dos Santos. Em assim sendo, as razões apresentadas nas aludidas defesas podem ser resumidas pelo que se segue: a conta bancária utilizada pelo Fisco para efetuar seus levantamentos é de exclusiva titularidade de Alice Flores Corcetti, desde 15/12/1992; os fatos de suas filhas, Adriene Flores Corcetti e Cynthia Flores Corsetti, serem procuradoras perante o banco, somente a partir de 10/06/2005, e de eventualmente usufruírem de alguns recursos financeiros dessa conta bancária não comprovam que os recursos depositados sejam de titularidade dessas nem determinam a existência de fraude; mediante os extratos bancários, desde 01/01/2005 até 31/12/2006, e da análise dos créditos antecedentes ao período observado pela Fiscalização, podese observar que a sistemática das movimentações financeiras não se modificou após 30/06/2005; sendo que a autoridade fiscal, apesar de autorizada pelo MPFF acostado aos autos, para auditar todo o ano calendário de 2005, decidiu incluir em sua autuação apenas os créditos depositados a partir de julho de 2005; na legislação aplicável à matéria (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), a identificação do sujeito passivo recai em uma das três hipóteses: o titular, o terceiro ou os co titulares das contas examinadas, não se vislumbrando a possibilidade jurídica de se atribuir sujeição passiva solidária; errou a autoridade lançadora ao determinar a multa de ofício qualificada de 150%, uma vez que para essa multa prevalecer haveria que se provar nos autos que Alice Flores Corcetti, apesar de ser a titular da conta bancária, consistiria em interposta pessoa e a seguir identificar na autuação como sujeitos passivos, os terceiros, verdadeiros titulares da conta bancária, o que também não se provou; não há como imputar a sujeição passiva solidária, por falta de amparo legal, uma vez que o embasamento utilizado é incompatível com os fatos descritos nos autos; e, dessa forma, requer o cancelamento do respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10660.724442/201013 Acórdão n.º 2102003.234 S2C1T2 Fl. 741 5 Diante do exposto, pleiteiam pelo acolhimento das Impugnações, cancelando se o débito fiscal reclamado, tendo em vista entenderem ter sido demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Na análise das alegações apresentadas nas Impugnações, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/JFA decidiram, por unanimidade de votos, indeferir a diligência requerida, não acolher as preliminares de nulidade, manter como responsáveis solidárias Adriene Flores Corcettti e Cynthia Flores Corsetti, e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação para: I – exigir do sujeito passivo o recolhimento da parcela do imposto correspondente a R$604.555,98 (seiscentos e quatro mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e noventa e oito centavos), acrescidos de multa de ofício de 150% (passível de redução) e dos juros de mora a serem atualizados na data do efetivo pagamento; II – eximilo do pagamento da parcela restante do imposto no valor de R$1.767,80 (mil, setecentos e sessenta e sete reais e oitenta centavos). A parcela excluída correspondeu a depósitos relativos a cheques comprovadamente devolvidos (R$327,89 – exercício 2006; R$1.439,91 – exercício 2007). Do referido julgado é possível extrair a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. CHEQUES DEVOLVIDOS. Com a edição da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, excluindose da tributação, contudo, valor cuja origem restou comprovada, na forma de diferença de cheques devolvidos demonstrada pela impugnante. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006, 2007 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SOLIDARIEDADE. As informações coletadas no decorrer da ação fiscal indicaram que tanto a contribuinte quanto suas filhas, na qualidade de procuradoras autorizadas a movimentarem a conta corrente analisada, detinham interesse nos fatos geradores, razão pela qual, à luz da legislação vigente, a exigência do crédito tributário decorrente da omissão de rendimentos observada recaiu sobre a titular da conta corrente, cabendo na espécie a lavratura de termos de sujeição passiva solidária em nome das filhas. LEGISLAÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE. SIGILO BANCÁRIO. Afastase do julgamento administrativo a discussão acerca de inconstitucionalidade de lei, ou mesmo de sua validade, com as Fl. 787DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 ressalvas expressas na legislação, as quais não se observam no caso em concreto. DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. A diligência requerida revelou motivação que não modificaria algum aspecto do lançamento, sendo, pois, prescindível. Há que se indeferir, então, o pedido formulado. Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2006, 2007 DECADÊNCIA. DOLO. Embora o IRPF seja considerado tributo sujeito à homologação, quando se constata a existência de dolo o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, então, o lançamento atinente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005, só não seria possível a parte de 01/01/2012. PENALIDADES. MULTA MAJORADA. A situação narrada pela Fiscalização, mormente o manejo concomitantemente da titular da conta corrente e de suas procuradoras no transcurso dos períodos estudados, indica dose de dolo suficiente para que se aplique a majoração da multa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Contribuinte e suas filhas, Cynthia e Adriene, tiveram ciência de tal decisão e contra ela interpuseram conjuntamente o Recurso Voluntário de fls. 732/771, pelo qual reiteraram integralmente as alegações contidas nas Impugnações apresentadas, ressaltando – resumidamente, o que se segue: Do ato administrativo do lançamento anulável por vício substancial. Ausência de Motivação a suscitar pela correição da identificação do sujeito passivo autuado (com a mesma numeração da peça impugnatória). Alegam erro de identificação do sujeito passivo, já que o Termo de Verificação Fiscal teria considerado Cyntthia Flores Corcetti e Adriene Flores Corcetti como interpostas pessoas e identificado de maneira equivocada no auto de infração Alice Flores Corcetti como sujeito passivo da obrigação tributária, ressaltando que os depoimentos colhidos pela fiscalização teriam imputado a sujeição passiva solidária às duas filhas, ficando a Sra. Alice Flores Corcetti, sem entender em que casos então seriam possíveis enquadrarse interpostas pessoas no polo passivo de autuação ao que dispõe o parágrafo 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Defendem ainda que os depoimentos colhidos pela fiscalização, caso fosse possível admitilos como verdadeiros – o que entendem não ser, já que não se sabe em que condições foram tomados , restaria atestado envolverem única e exclusivamente as mandatárias procuradoras e assim, a identificação do sujeito passivo deveria ser em nome das filhas, já que a questão em litígio versa sobre uma suposta omissão de rendimentos, embasada em uma presunção legal. As filhas contestam a Sujeição Passiva Solidária em razão da inaplicabilidade do I do artigo 124 do CTN, e que não existiria quaisquer informações de que sejam titulares Fl. 788DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10660.724442/201013 Acórdão n.º 2102003.234 S2C1T2 Fl. 742 7 dos créditos depositados na conta corrente do Banco Mercantil do Brasil S/A e muito menos, que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador, já que esse fato gerador da autuação seriam os depósitos em conta corrente e não a utilização ou destinação desses recursos, relembrando ainda que a titular dos recursos lá depositados era a Sra. Alice Flores Corcetti, desde a abertura da conta em 1992, e somente em junho de 2005 teria outorgado procuração às suas filhas. As Recorrentes alegam ainda que não requereram qualquer diligência à autoridade julgadora de 1º grau, e que as questões levantadas em sede das Impugnações seriam apenas suposições. Reiteram que o único documento que o fisco se embasou para caracterizar o dolo e imputar solidariedade às filhas foi a procuração outorgada pela mãe em 2005 e que caso não houvesse a procuração , não seria imputado a solidariedade, não existindo o dolo no caso, mesmo com os depoimentos colhidos. Da decadência parcial do crédito tributário constituído relativamente ao anocalendário de 2005 e Da inaplicabilidade da multa de ofício qualificada em razão de inexistência de fraude Em suma, as Recorrentes entendem que a identificação do sujeito passivo se deu em nome da titular da conta corrente bancária, com base em uma presunção legal de omissão de rendimentos, não se admitindo nesse caso, a qualificação da multa de 75% para 150%, já que somente se admitiria esta hipótese se restasse provado nos autos que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencessem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa. Além disso, alegam que o art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996, aplicável aos anoscalendários de 2005 e 2006, são definidos por três institutos: sonegação, fraude e conluio, sendo que a presença do intuito de fraude seria obrigatória para aplicação da multa qualificada, ainda que mediante sonegação ou conluio. As Recorrentes discorrem que não houve fraude no caso em epígrafe, e, sendo assim, não há de se falar em multa de ofício na modalidade qualificada, portanto, reduzindose automaticamente o prazo para que o Fisco pudesse constituir o crédito tributário e, consequentemente estaria decadente o crédito tributário pertinente ao anocalendário de 2005, considerando que a ciência dos autos teria se dado em 12.01.2011. Após, as Recorrentes se limitaram a reiterar integralmente os termos lançados em suas Impugnações, requerendo ao final, o seguinte: Pelo cancelamento do lançamento do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração em litígio por vício substancial de ausência de motivação a suscitar pela correição da identificação do sujeito passivo autuado; Pela não caracterização da fraude e desqualificação da multa de ofício de 150% para 75%, por todas as razões de direito expostas e em consequência pela não sujeição passiva solidária das mandatárias, pois não há crime contra a ordem tributária; Fl. 789DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Pela decadência parcial do crédito tributário constituído relativamente são anocalendário de 2005, em razão da desqualificação da multa de ofício imputada de 150% para 75%; Pelo cancelamento do feito fiscal em razão de quebra do sigilo bancário sem ordem judicial, em consonância com julgado do STF que considerou inconstitucional essa prática; Pela inaplicabilidade da sujeição passiva solidária em razão de inexistência de qualquer participação das mandatárias em impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. Na sessão de 15 de maio de 2012 foi determinado o sobrestamento do recurso, por força do disposto no art. 62, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF. Em face da alteração no regimento Interno deste Conselho, retornam os autos agora para julgamento de mérito. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 18.07.2011, como atesta o AR de fls. 685. O Recurso Voluntário foi interposto em 05.08.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos decorrentes da existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada. O lançamento foi efetuado em nome da Sra. Alice, mas foram lavrados termos de sujeição passiva solidária em nome de suas duas filhas: Adriene e Cinthia. Com efeito, antes de entrar no mérito da discussão travada nestes autos, entendo que uma preliminar suscitada em sede de Recurso Voluntário deve ser analisada. Tratase da alegação de que não há que se falar em sujeição passiva no presente caso, tendo em vista que o Termo de Verificação Fiscal teria deixado clara a ocorrência de interposição de pessoa, a ensejar a aplicação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Tal pretensão merece ser acolhida. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10660.724442/201013 Acórdão n.º 2102003.234 S2C1T2 Fl. 743 9 Isto porque o Termo de Verificação – associado à farta documentação anexada aos autos – deixa clara esta interposição de pessoa. Como se viu, a movimentação financeira da Sra. Alice teria sido incompatível com os rendimentos por ela declarados nos anos de 2005 e 2006. Com a intimação do Banco Mercantil, a autoridade fiscal apurou que a Sra. Alice havia outorgado poderes às suas duas filhas (Cinthia e Adriene, fls. 149) para que estas movimentassem sua conta naquele banco. A procuração foi outorgada em junho de 2005. Os extratos bancários dos meses de janeiro a junho de 2005 (período anterior à outorga de poderes às filhas da contribuinte) não foram sequer anexados pela autoridade fiscal aos autos – a despeito de terem sido solicitados aos bancos via RMF e os depósitos deste período não foram considerados no lançamento, o que indica que a movimentação da conta da contribuinte somente passou a ser incompatível com a sua renda a partir do momento em que suas filhas passaram a fazer uso da mesma. Eis o que consta do Termo a esse respeito: Este fato reforça a tese de que se tratava efetivamente de interposição de pessoa, pois as filhas da contribuinte faziam uso de sua conta para movimentar valores que lhes pertenciam, e não à sua mãe. Ademais, tomando como exemplo os depoimentos de fls. 157, 163 e 170 resta claro que quem movimentava a conta do Banco Mercantil eram as filhas da contribuinte, pois faziam trocas de cheques, cobrando taxas de juros de 4,5%. Em todos os depoimentos tomados pela Fiscalização não há nenhum em que se vincule a Sra. Alice às operações efetuadas (de trocas de cheques). Todos os depoentes afirmam que mantinham relação com as filhas da Sra. Alice. Vale ressaltar que a autoridade fiscal deixou de demonstrar por que motivo considerou que a Sra. Alice também movimentava a referida conta, pois assim se manifestou: Com efeito, os documentos de fls. 174/178 (que justificariam o lançamento em nome da Sra. Alice) se referem ao depoimento do Sr. Leonardo de Brito Moreira. No depoimento, o Sr. Leonardo afirma categoricamente que não conhecia a Sra. Alice e que efetuou trocas de cheques com suas filhas Adriene e Cinthia, tendo inclusive afirmado que vendeu um automóvel para a Sra. Cinthia, mas que a Nota Fiscal teria sido emitida em nome da mãe dela (Alice). Ora, o simples fato da Nota Fiscal de venda do veículo ter sido emitida em nome da Sra. Alice não pode levar à conclusão de que o automóvel tenha sido por ela adquirido, mormente considerando que o depoente salientou que desconhecia a Sra. Alice, e que o carro foi vendido para a Sra. Cinthia, verbis: Fl. 791DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 Assim, é inegável que não há como imputar a movimentação financeira em questão à Sra. Alice, pois com base em toda a documentação acostada aos autos, resta inconteste que a conta mantida no Banco Mercantil era movimentada exclusivamente por suas filhas, e não por ela mesma, restando comprovada a ocorrência de interposição de pessoa, razão pela qual tem aplicação aqui o disposto no § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Vale lembrar ainda o conteúdo do Enunciado nº 32 da Súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo o qual: “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.”. Tal enunciado é de aplicação obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno deste Conselho. Por todos estes motivos, deve ser cancelado o lançamento efetuado em nome da Sra. Alice, eis que deveria ter sido efetuado em nome de suas filhas, e não considerandoas apenas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 792DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10882.900983/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 83 /2 00 8- 17 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 5 4 Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 7 6 I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 2348 9, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 9 8 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 10 9 verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 11 10 judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03 04.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 12 11 Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900983/200817 Acórdão n.º 3801004.989 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 37317.004716/2006-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 9202-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso no envio do processo à Terceira Câmara, para complemento da análise do Recurso Especial, com manifestação expressa também acerca do segundo paradigma apresentado. Declararam-se impedidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad. Fez sustentação oral o Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/RJ nº 78.656, patrono da recorrida.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso no envio do processo à Terceira Câmara, para complemento da análise do Recurso Especial, com manifestação expressa também acerca do segundo paradigma apresentado. Declararamse impedidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad. Fez sustentação oral o Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/RJ nº 78.656, patrono da recorrida. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 73 17 .0 04 71 6/ 20 06 -2 6 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 447 ___________ RELATÓRIO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.698.453 2, por meio da qual foram exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre pagamento de verba contabilizada no título “Abono Único” (Relatório Fiscal de fls. 30 a 32). O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, tendo em vista a existência de ação judicial, conforme consta às fls. 30: “Nota preliminar. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi procedida com a finalidade precípua de afastamento da decadência. Assim, os valores ora lançados não comportam apresentação de contestação quanto ao mérito, já que tal discussão encontrase 210 Vara Federal — S.Paulo/SP.(Processo 2003.61.00309074), justificandose somente a discussão dos aspectos formais do lançamento, se for o caso. Portanto, todas as informações quanto aos procedimentos visando o recolhimento, constantes da Notificação em tela, devem ser desconsideradas, uma vez que encontra se pendente de decisão judicial a exigência de tais contribuições. 1. O presente relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nr. 35.698.4532 e tem por objeto a narrativa dos fatos ocorridos e verificados na ação fiscal e que ensejaram o lançamento fiscal em referência. O período levantado compreende as competências 12/1998, 01/1999, 09/2002,10/2003,, 11/2003, 12/2003 e 01/2004, (...) (...) 3. Tais convenções estabelecem o pagamento em uma só parcela de um valor determinado. Em alguns exercícios em que isso foi feito, o Banco considerou tais valores como verba remuneratória e recolheu sobre a mesma as contribuições previdenciárias (anteriores a 1998). Todavia, deixou de fazêlo nos exercícios de 1998, 2002 e 2003, contando inclusive com liminar concedida pela Justiça Federal para tanto. No tocante às contribuições dos segurados, o Departamento de Recursos Humanos do Banco, através da sua área de Folha de Pagamento, recalculou as contribuições descontadas dos segurados que ganhavam abaixo do limite máximo e que, com o pagamento do Abono atingiram tal limite. Chegouse a um total global por competência, incluído no débito ora levantado. Como não houve o desconto, inexistiu crime contra a Seguridade Social (apropriação indébita). 4. Os valores ora levantados, discriminados no quadro a seguir, foram extraídos dos resumos das Folhas de Pagamento e dos extratos do Razão — conta 5/11 00000574 — Abono Único, documentação esta apresentada à fiscalização. Também examinadas Atas de Assembléias de Acionistas e de Diretoria. COMPETÊNCIA TOTAL PAGO – R$ CONTRIB. SEGURADOS 12/1998 32.776.100,00 995.022,82 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 448 3 01/1999 60.900,00 4.762,38 09/2002 63.011.147,47 1.637.607,80 10/2003 90.200.300,01 2.376.031,27 11/2003 273.400,00 20.915,10 12/2003 42.259,99 3.235,95 01/2004 15.000,00 1.147,50 O Contribuinte foi cientificado em 22/12/2004 e, em 06/01/2005, apresentou Impugnação, esclarecendo que nem todos os períodos exigidos na NFLD em tela eram objeto de ação judicial, e que, mesmo quanto àqueles sobre os quais havia tal discussão, as decisões judiciais eram diversas. Quanto aos períodos de 10/2003 a 01/2004, assim esclarece (fls. 49 em diante): “III — DOS VALORES RELATIVOS AOS PERÍODOS DE COMPETÊNCIA SETEMBRO/2002 E OUTUBRO/2003 A JANEIRO/2004, QUE SÃO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL Já no que diz respeito aos valores relativos aos demais períodos de competência, cumpre reiterar inicialmente que muito embora tenha constado do relatório anexo à autuação que a exigibilidade dos valores está suspensa por força do MS n° 2003.61.00.0309074 relativamente a todo o período, como se verifica da petição inicial daquele processo (doc. .03) em realidade o mesmo se refere apenas ao abono único relativo à Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 (com reflexos nos períodos de competência de outubro/2003 a janeiro/2004), sendo que os valores relativos ao período de competência de setembro/2002 estão com exigibilidade suspensa por força do MS n° 2002.61.00.0220307 (doc. 04).” Relativamente aos períodos de 10/2003 a 01/2004, o Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: os valores não poderiam ter sido calculados levandose em conta a alíquota adicional de 2,5%; tendo sido reconhecido no Relatório Fiscal a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por liminar em Mandado de Segurança, a aplicação de multa de ofício violaria o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996; inaplicabilidade da taxa de juros Selic. Tendo em vista os argumentos e documentos apresentados pelo Contribuinte na Impugnação, o processo foi baixado em diligência à PFN, em 06/04/2005, para esclarecimentos acerca das ações judiciais envolvidas (fls. 182): Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 449 4 “1. A presente NFLD referese a contribuições sociais incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados, de verba contabilizada no título "Abono Único". Estes pagamentos originaramse de Acordos Coletivos de Trabalho firmados entre os Sindicatos/Confederações dos empregados em Estabelecimentos Bancários e Sindicatos/Federações Patronais. 2. A empresa alega que os valores relativos aos períodos de competência de setembro/2002, outubro/2003 e janeiro/2004 estão com exigibilidade suspensa por força de Liminares em Mandado de Segurança de n.°s 2002.61.00.0220307 e 2003.61.00.0309074. 3. Ocorre que as consultas efetuadas ao site do TRF3 não retornam as informações necessárias à verificação da situação das liminares. 4. Sendo assim, solicitase confirmação da validade das liminares supramencionadas, no sentido de se proceder ou não ao desmembramento do presente processo, visto que o mesmo abarca outras competências não cobertas pelas mesmas.” Em atendimento, em 10/05/2005 a PFN recomendou o desmembramento da NFLD, conforme a seguir (fls. 190): “2 Analisando os extratos de fls. 217/220, denotase que a liminar prolatada na ação de segurança de n° 2003.61.00.030907 foi devidamente suspensa por força da decisão concedida pelo Relator do AI. de n° 2003.03.00.0730232 em 12.12.2003 (decisão encaminhada pela Serec em 19/01/2004, para ciência da 21.428 Servrep), não havendo ainda julgamento de mérito da ação de Segurança, de acordo com informações fornecidas via email pela Procuradora Federal Dra. Juli ana Rovai Rittes de Oliveira Silva, responsável pela defesa do INSS, perante à 21 8 VCF/SP. Com relação a liminar concedida na Ação de Segurança de n° 2002.61.00.0220307, o INSS não logrou êxito em suspendêla conforme denotase nas fases do AI de n° 2002.03.00.0451099 (extratos de fls. 218/219). Não foi prolatada a sentença de mé rito na refe rida ação de Segurança até o dia 09/02/2005 de acordo com esclarecimentos repassadas via email à esta Procurado ria, pelo Procurador Federal Dr. Wagner Montin, responsável pela defesa per ante à 68 VCF/SP. 3 Assim, restaria o desmembramento do processo administrativo, com a lavratura de três créditos. O primeiro, para prosseguimento do recurso administrativo apenas com relação às competências de dezembro/98 e janeiro/99. O segundo, com relação às competências de outubro de 2003 à janeiro de 2004, devendo o processo ser remetido à Procurado ria para inscrição do débito, tendo em vista que a empresa não logrou êxito na suspensão da exigibilidade. Finalmente o terceiro, para competência de setembro/04 devendo o processo administrativo aguardar a decisão definitiva de mérito, uma vez que foi devidamente suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força da liminar, concedida na Ação de Segurança de no 2002.03.0451099.” Assim, em 2005 a NFLD inicial foi desmembrada em três, conforme consta da DecisãoNotificação de fls 192 a 197, que trata da NFLD Debcad n.° 35.831.6235, que manteve a data de 17/12/2004: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 450 5 “DA DILIGÊNCIA 4. Em diligência à Procuradoria, fls. 182, esta nos informou, através do despacho de fls. 190/191, que o processo n° 35.698.4532 deveria ser desmembrado em três, sendo que para as competências de 10/2003 a 01/2004, caso do presente processo, deveria haver remessa dos autos à Procuradoria para inscrição do débito, tendo em vista que a empresa não logrou êxito na suspensão da exigibilidade. 5. Ocorre que houve contestação de aspectos do lançamento que não estão sendo discutidos no Poder Judiciário, sendo assim, ainda que não tenha logrado êxito na suspensão do crédito, passase a analisar neste processo as razões de impugnação da empresa para os períodos supramencionados, ficando as demais competências separadas em outros dois processos de n°s 35.698.4532 e 35.831.6243, conforme orientação da Procuradoria.” Em síntese, o desmembramento efetuado em 2005 resultou no seguinte: NFLD n° 35.698.4532, referente às competências de 12/1998 e 01/1999; NFLD n° 35.831.6235 referente às competências de 10/2003 a 01/2004, tratadas no presente processo; NFLD n° 35.831.6243, referente à competência de 09/2002. Assim, a decisão de Primeira Instância de fls. 192 a 197, que tratou apenas da NFLD n° 35.831.6235, referente às competências de 10/2003 a 01/2004, considerou procedente o lançamento, conforme os seguintes fundamentos: quanto à alíquota adicional de 2,5%, a seara administrativa não teria competência para examinar questão de inconstitucionalidade; relativamente à exoneração da multa de ofício mediante a aplicação do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, tal dispositivo legal não se aplicaria a Contribuições Previdenciárias; no que tange à aplicação da taxa de juros Selic, esta teria amparo legal. Cientificado da decisão de Primeira Instância, o Contribuinte interpôs, em 16/08/2005, o Recurso Voluntário de fls. 208 em diante, por meio do qual reitera as razões contidas na Impugnação. Quanto à aplicação da multa, assim esclarece e pleiteia: “É que, diversamente do que constou desta r. decisão, a medida liminar pleiteada nos autos do mandado de segurança n° 2003.61.00.0309074 foi deferida pelo ilustre Juiz Federal da 21a Vara em São Paulo, tendo sido suspensa apenas posteriormente face ao agravo de instrumento interposto pelo INSS, por decisão da qual o Recorrente foi intimado em 17/12/2003 (doc. 01). Não obstante, diante desta decisão o ora Recorrente requereu e foi deferida autorização para realização do depósito judicial dos valores em discussão, o qual foi realizado no prazo de 30 dias previsto no parágrafo 2° do artigo 63.da Lei n° 9.430/96, acrescido dos juros de mora devidos até a data do depósito (doc. 02). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 451 6 De se salientar, ademais, que tendo constatado que o valor lançado por meio da presente NFLD é superior ao valor inicialmente depositado, Recorrente procedeu inclusive ao depósito complementar da diferença apurada, inclusive no que diz respeito à multa e juros devidos sobre esta diferença. Verificase, assim, que o crédito tributário encontrase efetivamente com sua exigibilidade suspensa, sendo certo que relativamente aos valores depositados no prazo de 30 dias da decisão que suspendeu a eficácia da medida liminar inicialmente deferida jamais poderia ser exigido do Recorrente qualquer valor a título de multa. (...) Por outro lado, nem se diga que também relativamente aos depósitos efetuados no prazo previsto no art. 63 da Lei n° 9.430/96 seria devida a multa, ao argumento de que não seriam integrais, tanto que necessária sua posterior complementação. Primeiramente, é necessário ter em mente que sendo a NFLD relativa a vários períodos de competência e distintas rubricas, a análise da integralidade do depósito deve ser feita relativamente a cada fato gerador, e portanto rubrica a rubrica, o que por si só já vicia o lançamento. De qualquer modo, porém, data maxima venia, a interpretação do art . 151, II do CTN não pode levar ao absurdo de se entender que sendo depositado 99% de um determinado crédito tributário tal depósito seria absolutamente inócuo e o crédito tributário poderia ser cobrado em sua totalidade. Em realidade, o depósito judicial, quando parcial, suspende a exigibilidade do crédito tributário até o montante do valor efetivamente depositado, não podendo ser exigido sobre esse valor multa quando efetuado no prazo legal, como é o caso, ou juros de mora além dos já depositados.” Em sessão plenária de 23/03/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 246.593, prolatandose o Acórdão nº 230101.288 (fls. 378 a 382), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/01/2004 LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. MEDIDA LIMINAR CASSADA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INEXIGIBILIDADE DO JURO E MULTA DE MORA DE MANEIRA PROPORCIONAL. A discussão do débito tributário no âmbito do Judiciário não impede que o fisco efetue o lançamento para prevenir a decadência. O depósito judicial com valor parcial do débito em discussão suspende a exigibilidade do crédito tributário apenas relativamente ao valor depositado, sendo incabível a imposição de juros e multa de mora sobre esse valor, cabível, no entanto, os acréscimos legais no tocante a diferença. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 452 7 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(á).” Cientificada do acórdão em 18/11/2010 (fls. 383), a Fazenda Nacional interpôs, em 29/11/2010 (fls. 385), o Recurso Especial de fls. 386 a 389, visando a revisão do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 091/2011, de 24/08/2011 (fls. 392 a 395). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a decisão ora combatida contraria as seguintes normas previstas no Código Tributário Nacional e no artigo 63, caput, da Lei n° 9.430/96, in verbis: CTN Art. 141 0 crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Art. 151 Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: II o depósito do seu montante integral. Lei n° 9.430/96 Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. (Vide Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Grifos nossos). pelo que se vê da legislação, somente se poderia cogitar da inaplicabilidade da multa de oficio e de juros de mora sobre parte do débito, se o depósito efetivado fosse integral; contudo, conforme análise dos autos, verificase que o contribuinte não depositou o valor total considerado pela autoridade fiscal o que inclusive foi reconhecido pelo Relator em seu voto; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 453 8 uma vez que os débitos não foram integralmente depositados, restou intacta a exigibilidade in totum dos valores, pois não houve “suspensão parcial” do crédito tributário simplesmente porque inexiste tal instituto no direito tributário; ressaltese que apesar de o art. 63 da Lei n° 9.430/96 não se referir aos casos de depósitos judiciais insuficientes resta evidente o intuito da norma no sentido de que apenas caberia falar em não aplicação da multa de oficio e de juros de mora sobre as parcelas depositadas se a exigibilidade do débito estiver suspensa; ora, se no caso dos autos apenas o depósito judicial integral tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, II, do CTN, não há que se falar em exoneração da multa e dos juros quanto aos valores contidos no lançamento sobre os quais houve depósito parcial; neste sentido convém rememorar o teor da Súmula 112 do STJ, que trata da matéria em comento: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”, o que equivale a dizer que o crédito tributário considerado integral é aquela quantia exigida pela Fazenda Pública, e não aquela reconhecida pelo sujeito passivo (cita doutrina de Leandro Paulsen); assim, se o valor não foi depositado integralmente, segundo as normas tributárias vigentes, é inquestionável a aplicação pela autoridade fiscal de multa de oficio e juros de mora sobre todo o tributo lançado, e isto tem uma razão de ser: o ordenamento jurídico estabelece critérios para a efetivação de pagamento, que devem ser cumpridos de modo coerente e visando não prejudicar as partes envolvidas; vale ainda registrar o entendimento espelhado no acórdão de n° 202167.94: "NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A compensação do PIS, amparada por decisão judicial, implica renúncia do reconhecimento de seu direito na esfera administrativa. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorrendo as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, descabe falarse em nulidade do auto de infração. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso aos Conselhos de Contribuintes afastar lei vigente ao argumento de que ofende à Constituição. AÇÃO JUDICIAL PRÉVIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A busca da tutela do Poder Judiciário não obsta a formalização do lançamento. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial e sem a imputação de multa de ofício. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 454 9 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. O crédito tributário apurado em auto de infração, lavrado com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, deve ser acrescido de juros de mora, com base na taxa selic, quando inexistente o depósito judicial tempestivo do montante integral. Recurso provido em parte.” quanto ao tema colacionase trecho do acórdão acima citado (202167.94) que, com clareza, apregoa a necessidade de incidência de juros de mora em lançamento de oficio decorrente de depósito judicial considerado insuficiente, vejamos: “Assim, quanto à aplicação de juros de mora sobre o crédito tributário lançado, cuja exigibilidade encontrase suspensa em razão de medida liminar em mandado de segurança, temse que somente o depósito do montante integral, nos termos do inciso II do a rt. 151 do CTN, tem o condão de afastar a sua aplicação. Dispõe o art. 161 do CTN que devem ser aplicados os juros de mora também neste caso, ao aduzir que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Admitido por força do inciso II do art. 151 citado que somente o depósito em montante integral do crédito tributário susta a fluência dos juros de mora, correto o lançamento corno efetuado, não comportando retificação a decisão da autoridade a quo, uma vez que não compete ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma regularmente editada e ainda não afastada do ordenamento jurídico pelo Poder Judiciário com efeitos erga omnes. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso, na parte relativa à exclusão dos juros de mora, apurados com base na taxa Selic do crédito tributário apurado de oficio, cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial.” (Grifos nossos) com isto, chegase a inelutável conclusão de que o lançamento realizado com a cobrança de multa de ofício e juros de mora sobre a totalidade dos valores lançados é plenamente cabível e condizente com a legislação tributária vigente, já que a exação depositada judicialmente, por não ser integral ao montante considerado devido pelo Fisco, não tem o condão de suspender o crédito tributário; sendo assim, como corolário lógico, é correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que lançou o crédito tributário, com a incidência dos demais encargos legais como a multa de oficio, e entender de outra forma resultará na declaração da inconstitucionalidade dos artigos 141 c/c art. 151, inciso II, do CTN e artigo 63 da Lei n° 9.430/96, violados com a decisão a quo, o que é defeso pelo CARF. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 30/01/2012 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 399), o Contribuinte ofereceu, Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 455 10 em 13/02/2012, as Contrarrazões de fls. 417 a 434, contendo os seguintes argumentos, em resumo: quanto ao primeiro paradigma, este trata de matéria fática distinta daquela objeto do acórdão recorrido,portanto não se presta a ensejar o cabimento do recurso; no caso do paradigma, o tributo devido foi depositado após o vencimento, sem a incidência de multa de mora; no caso do recorrido, houve o recolhimento parcial dentro do prazo, sem acréscimo de multa devido à ausência de mora; no mérito, o Contribuinte reitera as razões contidas nas peças de defesa, bem como no acórdão recorrido, e junta os documentos de fls. 437 a 443, demonstrando os valores devidos e os recolhimentos efetuados; esclarece que os depósitos efetuados não incluíram a parcela correspondente aos segurados, que não está sendo questionada e, quanto às rubricas questionadas, informa que a diferença foi de apenas 0,02% do débito. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, na hipótese de não atendimento a este pedido, que seja negado provimento ao apelo. VOTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, uma vez que o paradigma analisado não guardaria a necessária similitude fática com o recorrido. O enfrentamento de tal argumento requer algumas considerações preliminares. Tratase de discussão sobre a aplicação de multa e juros de mora sobre crédito tributário discutido judicialmente, tendo em vista que o depósito judicial teria sido parcial, não abrangendo a totalidade do crédito tributário. Preliminarmente, verificase que tal problemática sequer constou da autuação ou da decisão de Primeira Instância, vindo a integrar os autos somente em sede de Recurso Voluntário. Com efeito, a autuação original, objeto da NFLD nº 35.698.4532, de 17/12/2004, cientificada ao Contribuinte em 22/12/2004, comportava exigência relativa a diversos períodos de apuração e foi levada a cabo apenas para prevenir a decadência, considerandose que todos os créditos tributários estariam com exigibilidade suspensa em função de medida liminar no Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074 . Na Impugnação, o próprio Contribuinte apresentou esclarecimentos, no sentido de que apenas os períodos de apuração de 10/2003 a 01/2004 encontrarseiam ao abrigo da medida liminar no Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074, que outros períodos eram objeto de outra medida judicial, e que ainda havia períodos em que não fora buscada a tutela do Poder Judiciário. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 456 11 Os esclarecimentos acima ensejaram a realização de diligência à PFN, o que motivou, em maio de 2005, o desmembramento da NFLD original em três outras, que entretanto mantiveram a mesma data da NFLD original – 17/12/2004: NFLD n° 35.698.4532, referente às competências de 12/1998 e 01/1999; NFLD n° 35.831.6235, referente às competências de 10/2003 a 01/2004, tratadas no presente processo; NFLD n° 35.831.6243, referente à competência de 09/2002. Conforme informação da PFN, os créditos tributários tratados na NFLD n° 35.831.6235, objeto do presente processo, deveriam ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa, uma vez que a liminar teria sido suspensa em 12/12/2003. Nesse ponto, registrese que não consta dos autos que o Contribuinte tenha sido cientificado do resultado da diligência, tampouco do desmembramento da NFLD original, fatos estes ocorridos já em 2005. Assim o Contribuinte, até o Recurso Voluntário, não teve a oportunidade de discutir as circunstâncias da suspensão da medida liminar – efetivação de depósitos judiciais. Em sede de Recurso Voluntário e Contrarrazões, o Contribuinte aporta documentos e demonstrativos, com vistas a comprovar que a diferença entre o crédito tributário exigido e os depósitos judiciais efetuados dentro do prazo de vencimento seria de apenas 0,02%, portanto teria se verificado depósito a menor. Nesse passo, alega em Contrarrazões, preliminarmente, que no caso do paradigma examinado, ao contrário do que ocorreu no caso do recorrido, não teria se verificado depósito dentro do prazo a menor, mas sim a ausência total de qualquer recolhimento dentro do prazo. No mérito, reitera os argumentos de defesa já apresentados. De plano, esclareçase que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em momento algum contradita as questões fáticas e os documentos aportados aos autos pelo Contribuinte, limitandose a defender a tese segundo a qual o depósito parcial não logra a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, portanto seriam devidos multa e juros de mora sobre o valor total exigido. Feitas estas considerações, passase à análise da preliminar de não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma analisado no Despacho nº 2300091/2011, de 24/08/2011 (fls. 392 a 395). No caso do acórdão recorrido, que trata apenas do crédito tributário exigido na NFLD n° 35.831.6235, referente às competências de 10/2003 a 01/2004, havia uma liminar no Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074, cuja suspensão fora cientificada ao Impetrante em 17/12/2003. Em 16/01/2004, ou seja, dentro do prazo de 30 dias após a cassação da liminar, especificado no § 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996, foram efetuados os depósitos judiciais de fls. 285/286, compreendendo principal e juros. Entretanto, o total depositado foi inferior ao devido, razão pela qual em 16/08/2005, data da interposição do Recurso Voluntário, foi complementado o valor já recolhido, conforme os depósitos judiciais de fls. 287 a 289, compreendendo principal, multa e juros. A seguir quadro que especifica a exigência e os recolhimentos: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 457 12 COMPETÊNCIA TOTAL EXIGIDO NA NFLD (valor originário em R$, fls. 01 a 03) DEPÓSITOS EM 16/01/2004 (valores originários em R$, pagos com juros (fls. 285/286) DIFERENÇA DEPÓSITOS EM 16/08/2005 (em R$, com multa e juros, fls. 287 a 289) 10/2003 26.008.509,77 11/2003 92.545,90 12/2003 14.318,55 01/2004 5.077,50 TOTAL 26.120.451,72 23.712.257,60 (20.363.580,00 + 3.348.677,60) 2.408.194,12 3.819.961,82 De acordo com as informações trazidas pelo Contribuinte em Contrarrazões, a diferença a menor dos depósitos judiciais (R$ 2.408.194,12, em valor originário) estaria assim distribuída: RUBRICA VALOR DO PRINCIPAL EM R$ SEGURADOS 2.401.329,82 EMPRESA 5.895,00 SAT/RAT E TERCEIROS 969,30 TOTAL 2.408.194,12 Nesse passo, o Contribuinte argumenta que a diferença, no que tange a contribuições da empresa e relativas a sat/rat e terceiros corresponderia a apenas 0,02% do devido, tendo em vista que o valor de R$ 2.401.329,82 diria respeito às contribuições dos segurados, que não seriam objeto de discussão. Com efeito, na NFLD original de fls. 30 consta quadro especificando as contribuições dos segurados, conforme a seguir: COMPETÊNCIA TOTAL PAGO – R$ CONTRIB. SEGURADOS 10/2003 90.200.300,01 2.376.031,27 11/2003 273.400,00 20.915,10 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 458 13 12/2003 42.259,99 3.235,95 01/2004 15.000,00 1.147,50 TOTAL 2.401.329,82 Embora o Contribuinte argumente que o valor relativo aos segurados não teria sido questionado, o DARF de fls. 289 registra o Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074, portanto tratase efetivamente de matéria objeto da discussão no Judiciário, o que não autoriza a conclusão de que a diferença seria apenas de 0,02% do valor devido. No entender desta Conselheira, tal como no acórdão recorrido, o detalhe acima não influi na resolução do litígio, já que, independentemente do percentual da diferença a menor verificada nos depósitos judiciais, constatase que, no caso do acórdão recorrido, dentro do prazo de 30 dias, especificado no § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, foi depositado valor inferior ao devido, acrescido de juros de mora até a data do recolhimento, em 16/01/2004. E em 16/08/2005 foi depositada a diferença, acrescida de multa e juros de mora, inclusive o valor relativo à contribuição dos segurados. O contexto acima descrito levou à seguinte conclusão, registrada no voto condutor do julgado guerreado: “Assim, ilustrativamente temos: a) sobre o valor histórico do lançamento até 30 dias após a revogação da medida liminar, nada poderá ser cobrado à titulo de multa; b) no que diz respeito aos valores depositados dentro do prazo previsto no art. 63, § 2°, da Lei 9.430/96, a partir dessa data (16/01/2004), não deve incidir sobre esse valor qualquer penalidade a titulo de multa e juros moratórios; c) em relação a diferença verificada quando do depósito de complementação de fls 287/289, que fora feito mais de um ano após decorrido o prazo legal acima mencionado, deverá incidir multa a partir do 31 (trigésimo primeiro dia) após a revogação da liminar, in casu 17/01/2004, e juros moratórios até a data do depósito complementar, qual seja 16/08/2005; d) a partir do dia 16/08/2005, nenhum acréscimo legal seria devido, posto que depositado integralmente o valor do débito em discussão.” Quanto aos paradigmas, foram indicados os Acórdãos nºs 20312.362 e CSRF/0105.148, sendo que apenas o primeiro deles foi analisado no Despacho nº 2300 091/2011, de 24/08/2011 (fls. 392 a 395). Visando demonstrar o dissídio, a Fazenda Nacional colacionou os seguintes trechos deste paradigma: Ementa "CPMF. DECADÊNCIA. PRAZO. LEI N° 8.212/91. Sendo a CPMF espécie do gênero contribuição social, o prazo decadencial para a Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 459 14 Fazenda constituir o crédito tributário é o de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. DEPÓSITO JUDICIAL. INSUFICIÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DAS IMPUTAÇÕES DE JUROS E MULTA. A insuficiência do valor direcionado a depósito judicial de tributo controvertido autoriza a inclusão de juros moratórios e multa no lançamento da exação. CONVERSÃO DO DEPÓSITO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Apenas a conversão do depósito integral do crédito tributário extingue o crédito tributário, nos termos do a rt. 156, inciso VI, do CTN. Recurso negado". (Grifos nossos)” Voto "Mérito: Exclusão da multa e juros moratórios por depósito judicial. Nesse sentido irretocável a decisão da DRJ, cujos fundamentos não foram enfrentados no presente Recurso Voluntário, razão pela qual peço vênia para transcrevêlos e adotálos integralmente no presente voto, verbis: `Tampouco assiste razão à Impugnante ao asseverar que os depósitos judiciais efetuados no caso sob exame teriam o condão de afastar a exigência da multa de oficio, como restará demonstrado. Conforme relatado, para eximirse do pagamento da CPMF, a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, Processo n° 1997.06034994, no qual obteve liminar, posteriormente cassada. A sentença de mérito que julgou improcedente o pedido e denegou a segurança pleiteada foi publicada no Diário Oficial em 30/01/01, de acordo com as informações constantes no sítio do Tribunal Regional Federal da 3° Região, fls. 232/234. As demais informações obtidas no sitio do TRF constam às fls. 235/240. A Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996, por sua vez, determina o seguinte: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. (...) § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Pois bem, conforme informado pelo auditor fiscal, a Impugnante efetuou depósitos judiciais relativos aos valores devidos apenas em 18/09/02 – coincidentemente, sete dias antes de serlhe cientificado o início da ação fiscal, digase. E tais depósitos, realizados após o vencimento, foram efetuados sem a inclusão da correspondente multa de mora, como permite concluir o demonstrativo apresentado pela própria contribuinte às fls.178/180. Portanto, tais depósitos não correspondem ao montante integral exigido pela lei. Como ensina Hugo de Brito Machado, in Curso de Direito Tributário, 25° edição, pág. 187: `Para suspender a exigibilidade do crédito Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 37317.004716/200626 Resolução nº 9202000.012 CSRFT2 Fl. 460 15 tributário o depósito deve corresponder ao valor deste tal como pretendido pela Fazenda Pública. Montante Integral é o valor pretendido pela Fazenda'. Assim, tendo em vista que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme expressamente determina o inciso II, do artigo 151 do Código Tributário Nacional, cabível a exigência da multa de oficio." Assim, também rejeito o presente argumento, já que não houve o depósito integral do crédito devido." (Grifos nossos)”(destaques da Recorrente) Como se pode constatar, no caso do paradigma, diferentemente do que ocorreu no recorrido, a sentença que julgou improcedente o pedido e denegou a segurança pleiteada foi publicada em 30/01/2001, tendo o Contribuinte efetuado os depósitos judiciais somente em 18/09/2002, sete dias antes da ciência do início da ação fiscal, e sem a inclusão da correspondente multa de mora, considerandose assim que ditos depósitos não corresponderiam ao montante integral exigido pela lei. Com efeito, no entender desta Conselheira tratase de situações fáticas diferentes. Além de todos os detalhes e nuances que pontuaram o presente processo, que de forma alguma constam do relatório do paradigma, no caso deste houve recolhimento integral fora do prazo sem os acréscimos moratórios, o que levou à conclusão de pagamento insuficiente. No caso do acórdão recorrido, o que ocorreu foi recolhimento dentro do prazo a menor, com complementação acrescida de multa e juros. Ademais, também não consta do paradigma a informação de que a maior parte da diferença seria referente a rubrica não questionada, reduzindose a insuficiência a 0,02% do valor devido. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do presente Recurso Especial em diligência à Câmara de origem (3ª Câmara da 2ª Sejul), para que seja analisado o segundo paradigma indicado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
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Numero do processo: 13863.000206/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2301-000.101
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do (a) relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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